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Millioneyes 109 Carlos Alves

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PORTUGAL • Nº 109 • MARÇO 2022

Carlos Alves

Distribuição exclusiva a profissionais • Preço de Capa: €7,50

O humor, a vida e a ótica

Claire Ferreira e Marianne Dezes Face à Face e a audácia de ser eyewear Maui Jim Visão relaxada com MauiPassaport Boost ContactUM 2022 Profissionais chamados às lentes de contacto


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#EDITORIAL

Humor em tempo de guerra A edição de março sai para o terreno em tempos de guerra. As bombas caem entre inocentes e a Europa sofre com um crise social e económica que nos faz tremer na base da nossa ideia de normalidade. “Não podemos ter medo de viver”, dizia-me um empresário perante ruas vazias e um negócio que já vive o impacto do receio generalizado. Nós na Millioneyes procurámos, perguntámos , investigámos, entrevistámos e escrevemos, ainda que perante a incerteza. O que é certo é que precisamos sempre de ter as informações que nos edificam e nos preparam e é para isso que trabalhamos. Para si! A ótica ainda está em plena roda viva, a servir, a melhorar vidas e a trazer o conforto da imagem magnífica dos nossos profissionais que compõem o retalho. São eles que nos fazem ver além. Obrigada! E, neste contexto, a nossa capa número 109 é um rasgo de esperança. Tem “voz” e imagem num homem positivo e que encontra no humor a ligação às pessoas que o rodeiam. E isso faz diferença na sua ótica e na disposição de quem fala com ele. Carlos Alves ensinou-nos perspetivas, fez-nos rir e espantou-nos pela simplicidade e lucidez com que interpreta o setor. Através deste ótico de origem nortenha, lançámos a nossa mensagem de ânimo e coragem, num período difícil. Para além de Carlos Alves, registámos também desenvolvimentos audaciosos, lançamentos, inaugurações e antecipações do que serão os próximos encontros presenciais e internacionais. Representam imagens de trabalho contínuo e imparável. De além fronteiras, trouxemos a irreverência de uma Face à Face tão criativa quanto disruptiva. A história de sucesso de uma das primeiras marcas a ver os óculos como algo que nos faz parecer mais e melhor está aqui em páginas primorosas. Porque seguimos com avidez os avanços científicos, deixamos nesta revista as considerações do médico Orlando Alves da Silva e a situação das lentes de contacto em termos de adaptações em Portugal e no que diz respeito aos avanços em produtos. A ótica está inquieta e a avançar a um ritmo admirável e nós trazemo-la com rigor em todas as páginas. A ótica está aqui!

Estatuto Editorial / Sinopse A Millioneyes é uma revista profissional dedicada ao setor da ótica, contando com presença integral online através da plataforma isuu.com. A Millioneyes tem o objetivo de cobrir os acontecimentos específicos do seu setor e retratar a informação de forma rigorosa, com toda a dedicação e competência. A Millioneyes traz uma abordagem íntima, atualizada e assertiva sobre o setor da ótica em Portugal, esmiuça perspetivas de outros países sobre a situação do mercado, retrata tendências em óculos, expõe dados científicos essenciais aos técnicos da área com o apoio dos oftalmologistas e optometristas e aborda de forma inédita os empresários que gerem os estabelecimentos nacionais. A Millioneyes compromete-se a respeitar os princípios deontológicos e a ética profissional aplicada à atividade profissional dos jornalistas, assim como a boa fé dos leitores, através do trabalho dos seus colaboradores e diretor. A Millioneyes é independente do poder político e de grupos económicos, sociais e religiosos.


#ÍNDICE |6|

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FRAME OUT Maybach Para entusiastas do mais puro luxo

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IN YOUR EYES Maui Jim Visão relaxada com MauiPassaport Boost

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ALL EYES ON YOU Carlos Alves O humor, a vida e a ótica

WHAT’S NEW Optometron Vigilância máxima com Myopia Master

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EYE SEE YOU Mundo by Maxivisão Óculos que fazem viajar

Diretora: Patrícia Vieites | Editora: Carla Mendes | Redação: Carla Mendes, Mariana Teixeira Santos, Célia Esteves | Design e Paginação: Paula Craft | Fotografia: Ruy Coelho | E-mail: millioneyes@outlook.pt | Tel: 96 232 78 90 | Periodicidade: Mensal | Tiragem: 2000 exemplares | Impressão: Uniarte Gráfica, S.A | Preço de capa em Portugal: 7,50 euros Depósito Legal n.º 419707/16 | Interdita a reprodução, mesmo que parcial, de textos, fotografias ou ilustrações sob quaisquer meios e para quaisquer fins, inclusive comerciais. Os artigos de opinião e os seus conteúdos são da total responsabilidade dos seus autores. A MillioneyesTM é propriedade da Parábolas e Estrelas – Edições Lda. com sede na Rua Manuel Faro Sarmento, 177, 4º esquerdo, 4470-464 Maia, Portugal | NIF: 510195865 | Gerente/Diretor Cristóvão Jesus - Detentor de 100 por cento do capital social | Sede de Redação– Rua Elísio de Melo, 28, S 38 – 4000-196 Porto | Qualquer crítica ou sugestão deve remeter-se para: millioneyes@ outlook.pt

EYES OF THEWORLD Claire Ferreira e Marianne Dezes Face à Face e a audácia de ser eyewear

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OPEN YOUR EYES ContactUM Profissionais chamados às lentes de contacto


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MAYBACH

Para entusiastas do mais puro luxo Estes óculos de sol assinados pela casa alemã têm uma presença poderosa, pela extensão e pelos ângulos dramáticos dos frontais. Foram “extraídos” do mais precioso titânio revestido e de chifre natural e exibem o logótipo da Maybach a 3D. Os modelos destacam-se ainda nas linhas fluídas que adornam as hastes duplas. A ponte e charneiras contêm elementos inspirados nos interiores automobilísticos mais icónicos.

TREE SPECTACLES

Blocos de titânio intemporais Esculpidos a partir de blocos de titânio japonês de alta qualidade e combinados com hastes em beta-titânio, os novos estilos de prescrição da Tree Spectacles são arrojados. Vêm ampliar a série Block Titanium by Tree Spectacles. “Usámos uma combinação sofisticada de titânio puro e beta-titânio na construção de cada armação. Isto assegura uma adaptação ligeira e confortável que dá prazer no uso. As matérias associam-se perfeitamente no nosso design minimalista italiano e com as nossas cores únicas, onde jogamos com reflexos, efeitos de luz e combinações modernas”, declara Marco Barp, cofundador da Tree Spectacles.

LUNOR

Um sonho acetinado O fascínio pela atmosfera das estrelas no crepúsculo vem de longe e a Lunor transfere esse sentimento cativante para a sua armação de metal M9 01. O desenho intemporal atribui brilho ao rosto, em contraste com o acabamento mate das cores desta peça. A subtil armação de titânio encaixa na face com naturalidade e parece apenas uma delicada linha única que serpenteia em torno dos olhos. Ou seja, está reduzida ao essencial com o certificado hand-made.


A Pepe Jeans escolheu a Opticalia para fazer a distribuição em exclusivo da sua marca. Um líder da moda em todo o mundo confia na Opticalia para desenvolver as suas colecções e a sua comunicação de eyewear e de sunwear. Publicidade, produto exclusivo, formação e digitalização fazem da Opticalia um dos grupos ópticos independentes mais importantes do mundo. Quer fazer parte do nosso projecto?

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FRAME OUT | 10 |

ØRGREEN

Uma história de cores Os primeiros lançamentos em acetato de 2022 desta casa dinamarquesa têm silhuetas contemporâneas e, acima de tudo, uma disposiçãoo única e eclética de histórias de cor. A linha Acetate cresce assim em oito novos modelos que incluem quatro masculinos, Horatio, claudius, Fifht e Condotti, e quatro femininos, Rosencrantz, Gertrude, Elysees e Regent. Há entre eles expressões clássicas, desportivas e outras mais radicais nos formatos, com o denominador comum da linguagem intensa e unificadora da cor.

INVU

Moda vintage com qualidade suíça Já virados para os dias primaveris que se antecipam, a equipa criativa da INVU redesenhou o popular modelo solar panto, com a sua icónica ponte em formato de “buraco de fechadura” e os detalhes brilhantes nos frontais. Claro que a marca aplicou as melhores tecnologias do século XXI no fabrico deste desenho dos anos ’50. Materializase no resistente e flexível Swiss TR 90 e equipa-se com as charneiras de última geração. Adicionalmente, as novidades INVU “pintam-se” com as lentes ultra-polarizadas do Swiss Eyewear Group em degradês primorosos ou cores sólidas veraneantes.

BLACKFIN

Leveza em néon A marca transalpina reinterpreta o titânio na nova coleção dos dias quentes Razor. Este material leve transforma-se num desenho moderno e ao mesmo tempo intemporal em que a dupla ponte se adapta ao “ritmo” de cores vívidas. Esta personalidade arrojada expressa-se em beta-titânio de apenas um milímetro, trabalhado num processo especial de micromecânica, numa destilação de puro estilo e perfeição técnica.


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FRAME OUT | 12 |

ANDY WOLF AWearness

Na celebração dos 15 anos da Andy Wolf, a marca lança a nova coleção independente AWearness. É uma viagem ao passado, às raízes da marca, no ano de 2006. Nasce assim um conjunto inspirado nas primeiras criações, memorável, intemporal e cheio de design, paixão e perícia humana. AWearness dá ainda um passo em frente na filosofia sustentável desenvolvida pela Andy Wolf. O nome, aliás, representa “usar com consciência” e defende a interação do homem com a natureza.Os óculos materializam-se em bio-acetato de alta qualidade, que amadurece naturalmente durante muitas semanas antes de ser processado. Adicionalmente, são feitos com partes independentes para que possam ser desmontados pela categoria de matérias. E com a nova camada interna das hastes com um padrão em relevo, as armações ganham uma personalidade geométrica, completada por um clip solar perfeitamente ajustado.

MATERIKA

Um tributo à leveza A insígnia mais conceptual e técnica da LOOK-made in Italia introduz a nova linha Strato, inspirada na perfeição de superfícies laminadas. Feita de Alumix, uma combinação de alumínio de alta tecnologia e liga de magnésio desenvolvida nos laboratórios da empresa, este desenho estado de arte assinala a criatividade Materika. Adicionalmente, as novidades são flexíveis, hipoalergénicas e completamente recicláveis.


FRAME OUT | 14 |

ANNE ET VALENTIN Conceito metropolitano

O desenho Brera é grande, esvoaçante e ultra-estruturado, quase como um acessório de beleza explosivo, graças ao recorte audacioso. Na base deste design original está uma qualidade irrepreensível e um toque de humor que definem a existência da Anne et Valentin. É um modelo clássico urbano, com um acabamento exigente e ao mesmo tempo irresistível.

WAYLIFE

Afrodite premium A marca portuguesa amplia a sua linha de luxo com este hino ao feminismo e à elegância. Afrodite tem expressão no metal e nos detalhes que se desdobram em cores, de acordo com os desejos de mulheres seguras. O brilho dos frontais ganha dimensão num toque intenso e apela a um segmento de consumo exigente.

X-IDE

Inspiração no mundo dos ourives A marca desenvolvida pela Immagine98 apresenta uma nova coleção que escreve um capítulo distinto na história da marca. Em cada peça aplica-se um revestimento especial, processo que já se aplicava nas armações em metal e que se inspira no trabalho dos ourives. Envolve a cinzelagem manual com o uso de uma pequena ferramenta que altera o material de forma meticulosa. Os óculos da X-Ide exibem este trabalho em diferentes facetas nas várias partes da peça, dando um toque único e sofisticado a cada criação.


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#WHAT’S NEW

AMAZING EYEWEAR

OPTICALIA

O comunicador da ótica e ex-designer de óculos, Maarten Weidema, lançou-se ao desafio de eternizar marcas independentes e as histórias de criadores, artesãos, retalhistas e jornalistas do setor numa narrativa que deslinda o verdadeiro ADN do mercado. Amazing Eyewear – The Holy Grail on Eyewear Design é um livro que quer acrescentar valor às óticas de todo o mundo através da comunicação e de imagens cuidadas e exímias das paixões que compõem a ótica. Ajuda os clientes das lojas a entrar no mundo das marcas que dão cor aos rostos e a fazer da venda da ótica uma experiência imersiva. A obra tem ainda especificações técnicas que informam os optometristas e técnicos de ótica sobre os meandros das peças das diferentes insígnias independentes de óculos.

A Opticalia Portugal arranca com o seu projeto de e-commerce, colocando todo o potencial da marca ao dispor dos consumidores e à distância de um click. A nova loja online baseia-se em três eixos: conectar o ótico com o usuário final, democratizar a moda na ótica num momento de expansão digital e tornar a compra de óculos graduados mais acessível em ambiente virtual. A diferenciação da Opticalia está nas marcas exclusivas como a Mango, a Pepe Jeans, a Pedro del Hierro ou a Pull&Bear. O novo site destaca-se ainda pela ligação que estabelece entre o ótico e o utilizador através de uma plataforma de gestão de marcações de consulta. O cliente pode facilmente realizar a marcação na loja Opticalia mais próxima e selecionar o motivo. Outra das atrações de www.opticalia.com/pt é o serviço de personal shopper, que ajuda a encontrar os óculos mais adequados ao tipo de rosto, estilo e preferências em termos de materiais e cores. O novo e-commerce da Opticalia já está ativo em Portugal e em Espanha.

O Graal sagrado do design de óculos

MULTIOPTICAS

Marca de Confiança O grupo multinacional foi eleito Marca de Confiança pelo décimo ano consecutivo na categoria Óticas. O prémio foi atribuído pela revista Selecções Reader’s Digest, responsável pelo estudo que envolve mais de 12 mil consumidores e que apurou uma nota global de satisfação de 63 por cento, que posiciona a MultiOpticas como líder. O selo Marca de Confiança tem conquistado lugar de destaque entre as marcas vencedoras, que o utilizam como símbolo de reconhecimento e qualidade. O inquérito envolve os leitores e é de resposta aberta e imediata, sem sugestão/inscrição das marcas no estudo, sendo os próprios leitores da publicação que ditam o vencedor. Depois de identificada a marca, na resposta aberta, são avaliados três fatores de seleção: qualidade; compromisso social e preocupação social. As marcas apenas figuram neste inquérito se forem referidas pelos participantes do mesmo.


Vigilância máxima com Myopia Master

A empresa de soluções tecnológicas na área da saúde visual apresenta o novo Myopia Master, da marca Oculus. Trata-se do primeiro aparelho a combinar os mais importantes parâmetros de medição para tornar a avaliação e controlo da miopia mais fácil e fiável. Outros fatores de risco, como a etnia, a miopia na família, o tempo de uso da visão de perto e o tempo das atividades ao ar livre também têm registo desde idade precoce no Myopia Master, porque influenciam o crescimento do olho. Ou seja, esta plataforma combina refração, queratometria, biometria, base de dados normativa, algoritmos predicativos e ainda um aconselhamento para um plano de tratamento.

BAUSCH + LOMB DaTE

Mostra o futuro em setembro Florença acolhe a feira de ótica do eyewear mais progressivo de 10 a 12 de setembro de 2022, na usual Estação Leopolda. A DaTE encapsula as mais cativantes coleções de empresas movidas pelo mesmo desejo: criar, experimentar, inovar e surpreender. “A DaTE cresceu de maneira incrível, em número de marcas e compradores, e isso tem sido muito compensadora, especialmente nestes dois últimos anos tão desafiantes. Já com olhos em setembro, mal podemos esperar por dar as boas-vindas aos visitantes e profissionais que contribuem para a dinâmica vital da nossa indústria, sem falar das interações pessoais e troca de ideias. Claro que, todas as providências de precaução em vigor serão implementadas”, declarou Giovanni Vitaloni, presidente da feira. Adicionalmente, a organização da DaTE trabalha num evento especial que implica a expansão do seu conceito e que acontece a 15 de outubro de 2022 em Milão. DaTE Special Event convida os amantes do melhor eyewear a assentar em Milão neste período, a capital do design por excelência.

Mais hidratação e conforto em lentes de contacto A fabricante multinacional apresenta ao mercado as suas novas lentes de contacto diárias de silicone-hidrogel Ultra One Day, como resposta contra a secura e desconforto ocular registado por muitos usuários. Este produto da Bausch + Lomb inclui um material de nova geração, que combina as tecnologias Advanced MoistureSeal e a ComfortFeel. A primeira garante uma superfície de elevada hidratação e excelente transmissibilidade ao oxigénio para um uso prolongado e saudável das lentes, enquanto a outra liberta ingredientes únicos para favorecer o conforto e a saúde ocular, tais como hidratantes/ condicionadores, protetores osmóticos e eletrólitos.

WHAT'S NEW | 17 |

OPTOMETRON


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#ALL EYES ON YOU

CARLOS ALVES O HUMOR, A VIDA E A ÓTICA

Tínhamos na nossa ideia um Carlos Alves ativista, mas encontrámos muito mais numa conversa informal e, claro, divertida. É que este ótico de origem nortenha radicado em Lisboa vive a vida de forma ligeira, ao som das gargalhadas de quem o ouve a ser ele próprio. O humor e os sonhos fazem parte da sua essência e é também por isso que conquista sucesso em tantas vertentes do seu percurso. Fomos observando as suas ideias e a sua inquietude na página Malta da Óptica, desafio que partilha com as colegas Patrícia Barão e Alexandra Leocádio. Trata-se de uma página do Facebook onde se presta um serviço de contornos associativos aos óticos envolvidos. É um projeto de entreajuda e união exemplares no nosso setor. E o mercado tem a sorte de envolver pessoas tão diferentes quanto especiais como Carlos Alves. Fotos: Ruy Coelho Comunicador nato, chegou à ótica, porque falava várias línguas e o que começou por ser um emprego sazonal tornou-se numa missão. Dar qualidade de vida às pessoas que procuravam a loja, aprender os meandros dos óculos e dos olhos e poder envolver-se na vida de uma comunidade foram os apelos que “prenderam” Carlos. O Instituto Visual Luiz de Camões nasceu dessa premência e ainda da empatia e amizade que construiu com Jorge Coimbra, o

seu sócio e companheiro de profissão desde os primeiros passos na atividade. De resto, vibra ao ver os óculos bem adaptados nos seus clientes e sonha com o bar que vai abrir um dia para os seus amigos conviverem e ouvirem boa música. Quem é Carlos Alves fora da ótica? Igual, mas noutros palcos, a lançar as piadas nos seus espetáculos de stand up comedy, como lhe foi escapando enquanto falámos. A nossa entrevista foi uma espécie de celebração

à vida levada com leveza e alegria, ao ritmo deste profissional que tem “um pé” no ativismo e outro no humor. Em praticamente contraciclo daquilo que se vê na ótica, o Carlos, juntamente com alguns colegas, decidiu empreender uma ação a favor da união da classe, lançando a página Malta da Óptica. Sou administrador juntamente com a Alexandra Leocádio e a Patrícia Barão, a verdadeira criadora, e para quê? Para


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juntar uns 10 a 15 amigos para umas almoçaradas (risos). No entanto, o mundo da ótica é muito pequeno e desses 10/15 passamos a três mil! Nessa altura achámos que, perante tantos óticos reunidos, a página poderia ser mais útil e servir para mais do que almoçaradas. Criou-se um espírito de entreajuda, porque o colega do Algarve não tem acesso a determinada coleção e pede na Malta da Óptica se alguém o pode ajudar, e tantas outras situações. E não só aconteceu esse processo de entreajuda como se lançam processos de recrutamento por parte das empresas. Os fornecedores também aproveitam as valências da nossa página para publicitarem os seus produtos. E isto foi crescendo muito e tomou as proporções que tem hoje. Tentamos chegar ao máximo de óticos possível, embora ainda existam colegas muito resistentes às redes sociais. Também se discutem ideias. Sim e tiram-se dúvidas, nomeadamente a última que surgiu sobre a obrigatoriedade de trabalho no dia de Carnaval, porque como se sabe não é um feriado obrigatório, embora o governo dê tolerância de ponto em alguns setores do comércio. Portanto tentamos sempre colmatar as dúvidas que surgem e deixar o mais claro possível toda a informação, nomeadamente com os decretos-lei associados, como neste caso em específico. Assumem quase o papel de associação do meio? No fundo recorrer à Malta da Óptica é mais fácil, mais rápido e sem burocracias. Basta uma mensagem e nós tentamos resolver a dúvida. Se não soubermos, pedimos ajuda a outros colegas. O objetivo é dar uma resposta em tempo útil e o mais esclarecedora possível. Em que ponto sentiu a necessidade de expressar a sua inquietude ativista? A Malta da Óptica não veio propriamente tapar uma lacuna que sentisse.

Isto surgiu como uma forma de convívio. Porém, como se juntaram muitas pessoas, percebemos que podíamos fazer mais e ir mais além. Ou seja, não há uma cronologia do momento em que achámos que podíamos intervir no setor. A página é séria, tem uma lista de requisitos para se participar, e procuramos reduzir o spam, ou seja, limitar os fornecedores ou até óticos que inundam a página com informações dos seus produtos e serviços. O que queremos é responder àquele ótico que não tem uma resposta ou não consegue ter. Isto não é uma página que defen-

de os pequenos e oprimidos. É aberta a todos. Nós também temos empresários de grandes grupos. Outra parte complexa na gestão da página é a quantidade de pessoas que querem entrar e não fazem parte da ótica. Debatem-se assuntos que não podem ser do domínio comum e, portanto, o nosso maior terror é chegar ao final do dia e termos 35 pessoas que querem fazer parte da página e todas elas têm que responder a três perguntas e não o fazem. Alguns óticos depois contactam-me a queixarem-se que têm um amigo que pediu para a aderir há muito tempo e não


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sentir o seu cliente. Não se consegue ter o sol na eira e a chuva no nabal.

teve resposta. Só digo que, como não têm referências à ótica na página e só tem fotos das férias na República Dominicana, não entram (risos).

Qual seria a solução para um mercado mais “saudável”, segundo o Carlos? A solução passa pela entidade que nos rege e onde estamos associados estar mais atenta e dar mais voz à classe que representam. As direções vão mudando, mas o trabalho é quase sempre o mesmo: rastreios, prevenção visual, comunicação ao público em geral, entre outros, mas isso é pouco. Aquilo que nos move é o que nos paga as contas e precisamos de fidelizar e atrair mais clientes, ultrapassando questões como a das seguradoras.

Acredita que há um problema instalado no nosso mercado. Em que ponto é que acredita que a ótica “virou para o lado negro”? Não virou, mas vai virando devagarinho: quando se começa a vender online sem escrúpulos, quando a concorrência é desleal, quando as lentes de contacto são mais baratas para o cliente final do que para o próprio ótico, quando os fornecedores compactuam com isto… há aqui questões que são importantes e que deviam ser discutidas, mas ninguém pega “o touro pelos cornos”, passo a expressão, ou melhor, ninguém se opõe a isso. Até conseguirmos “dar a volta” a estes novos produtos novos, demora muito tempo, tatno que eventualmente também eles irão estar disponíveis online. A união de todos, juntamente com o organismo que nos regula, faria diferença e dimensão na discussão deste problema. O pensamento geral acaba por ser “enquanto tiver o meu cliente e a minha vizinhança, está tudo bem, vou andando” e nunca se pensa fora da caixa. Temos no entanto que pensar que qualquer dia a vizinhança começa a comprar online ou começa a ir à loja dois quarteirões acima e isso pode acontecer mais depressa do que esperamos.

Não há efetivamente união para travar problemas como, por exemplo, os das seguradoras. É uma questão que afeta as óticas de menor dimensão, em que as seguradores têm convénios com grandes multinacionais da ótica e que são castradores. Ou seja, a máxima é “se comprar na ótica independente nós não lhe pagamos os óculos”. Para lhe dar a imagem fiel do que isso representa, posso dizer-lhe que tinha aqui perto um escritório de uma grande empresa com cerca de 900 trabalhadores meus clientes e amigos e que o acordo com uma nova seguradora me fez perder na totalidade.

Para além do projeto Malta da Ótica, não existem mais ideias com este registo associativista que quisesse implementar? Já e até falei publicamente sobre elas, mas não avançaram porque o mercado da ótica é demasiado pequeno... sendo grande! Funciona em circuitos fechados. Ou seja, provavelmente as pessoas que me iriam apoiar estão dispersas pelo país. Uma é de Bragança , outra de Beja e outra de Vila Nova de Foz Côa e nós precisávamos que fossem mais próximos e concentrados.

E já pensou assumir um papel mais político na ótica? Nunca me passou pela cabeça , embora não descarte. A questão é que teria que ser em condições especiais, com um grupo que fosse representativo da ótica na sua totalidade e não só dos que estão bem ou mal e zelar por todos da mesma forma, independentemente da localização geográfica. E para conseguir reunir estes requisitos exigiria muito trabalho, quase ter que abandonar a ótica própria para assumir essa missão. E quem está na ótica gosta de

E agora sobre o Carlos, o que o lançou na ótica? Lancei-me por acidente! Trabalhava com turismo e falava fluentemente três línguas. Abriu uma vaga numa ótica para alguém que falasse vários idiomas, durante o período do verão. Contrataram-me para três meses e no fim desse período já não era só vendedor. Já me tinha inteirado sobre como colocar parafusos, ajustar as hastes, mudar as lentes e acabei por ficar intrinsecamente ligado ao setor. Depois com o gosto vieram os cursos e o aperfeiçoamento. Já não consegui voltar ao turismo. Entre o ócio e a saúde escolhi a saúde. Era jovem na altura. Tinha 24 anos e hoje tenho 49. Naquela altura disseram-me que a ótica era o ramo mais nobre do comércio, depois da farmácia, por estar relacionado com a saúde. Sempre foi a fiabilidade do profissional que estava atrás do balcão que atribuía essa imagem de confiança e, hoje em dia, essa ideia ainda prevalece. Há mesmo quem me diga que não gosta de ir à ótica x, porque mudam com demasiada frequência de profissionais e que cada vez que lá vai tem que voltar a contar toda a sua história. Assim desaparece a proximidade. E nós no nosso setor prezamos esse elo com o consumidor final.


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Quando tomou a decisão de abrir a sua própria ótica? Foi há 14 anos com o Jorge. Achámos que já tínhamos autonomia, que o que fazíamos era bem feito e que éramos a razão da vinda de tantos clientes à ótica em que trabalhávamos. Começamos, por isso, a trabalhar para nós, não porque soubéssemos tudo, porque este é um mercado em constante evolução que exige um estudo constante, mas porque queríamos exercer à nossa maneira e tentar resolver cada caso da melhor forma possível. O Carlos e o Jorge têm então muita empatia na forma de trabalhar. Antes de sermos sócios fomos colegas quatro anos. Apesar de depois termos trabalhado em empresas diferentes, nunca perdemos o contacto nem a amizade. Quando surgiu a oportunidade de abrir uma ótica nossa e como tínhamos a mesma linha de pensamento, as coisas fluíram. E o nome Instituto Visual Luiz de Camões? Basicamente, porque estamos na rua homónima em Alcântara e por isso calhou que a nossa ótica tenha por nome um indivíduo que só tinha um olho, mas quero salientar que temos uma fábrica de lentes em Portugal que opera na Rua do Cego (risos). É um homem do norte. Nasci em Mirandela e aos 11 anos fui viver em Viana do Castelo com o meu pai, que era um homem que viajava muito e que se foi estabelecer naquela cidade, onde ainda vive. Trabalhei no norte até aos 28 anos e depois achei que Lisboa teria mais possibilidades. Já como profissional da ótica? Sim, há seis anos na altura. Não tinha nada que me prendesse lá em cima e vim de malas e bagagens. Casei-me, vieram os filhos e criei raízes.

E perdeu o seu sotaque nortenho. De vez em quando há quem diga que não sou de cá. Além disso, custa-me imenso ir ao restaurante e pedir um “bife com ovo a cavalo”. É quase impossível, porque que tem muitos V. Peço um bitoque (risos). E o norte pareceu-lhe complexo para desenvolver a ótica? A concorrência é mais feroz, há mais óticas e há menos dinheiro. Em Lisboa ganha-se mais, embora reconheça que no norte há maior qualidade de vida. Eu naquela altura queria ganhar mais e consegui isso em Lisboa, por isso fiquei. Quem era o Carlos Alves “antes da ótica”? Estava ligado à hotelaria e ao turismo. Tinha um part-time num parque de campismo e trabalhava em hotelaria e restauração. Estava ligado a turistas, línguas estrangeiras e à vida noturna e essa pessoa não desapareceu de mim,

mas está adormecida. Ainda não tive “o chamamento”, mas quero fazer mais coisas na vida ainda. Quer ainda cumprir projetos nessa área? Não tenho uma data fixa, mas quero ter um bar para receber os meus amigos e passarmos um bom bocado a ouvir uma música porreira dos anos ’80. Espero vir a concretizar. E será ótico durante o dia e DJ à noite (risos)? Não diria DJ, embora já tenha tido uma incursão pela rádio em Chaves e em Caminha. Ou melhor, não quero ser a figura com uma pen com a playlist para a noite toda e depois só mexer nas luzes (risos). Na realidade sou um amante de discos de vinil e faço coleção, adoro o barulho da agulha e queria ser esse revivalista com um espaço familiar. Ainda é só uma ideia na minha cabeça.


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#IN YOUR EYES

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(5) Com base em critérios de ângulo contacto, entre as marcas de lentes mais conhecidas pelos consumidores (MSW teste de qualidade percebida realizado em 2018 em 17 países). (6) Validação realizada em laboratórios externos e internos em 2019. Definida como a combinação de dois critérios distintos que são resistência aos riscos e resistência a manchas - Crizal® Rock™ classificado como o melhor em resistência a manchas e igual em resistência aos riscos, em comparação com as marcas de lentes mais conhecidas pelos consumidores (MSW teste de qualidade percebida realizado em 2018 em 17 países). A resistência aos riscos pode variar dependendo da configuração da lente. (7) Validação realizada em laboratórios externos e internos em 2020 – em comparação com as marcas de lentes mais conhecidas pelos consumidores (teste de qualidade percebida realizado em 2019 em 17 países). A palavra «geral» refere-se às expectativas do consumidor em relação ao tratamento antirreflexo classificado através de um estudo quantitativo ao consumidor realizado por um instituto externo em 11 países.

O contributo das lentes oftálmicas na visão do consumidor moderno assume hoje contornos que vão para além da correção da visão. Aliás, os próprios utilizadores de óculos querem entender melhor as opções disponíveis para as suas necessidades visuais. E o ótico tem a oportunidade chave de proporcionar um aumento da qualidade de vida dos seus clientes, com as tecnologias ao serviço da visão. O aconselhamento nas óticas pode acrescer à correção visual, a proteção dos raios nocivos UV e ainda uma maior transparência, nitidez e resistência, tendo em consideração os mais diversos estilos de vida dos utilizadores de óculos.

AS TRÊS ETAPAS DE RECOMENDAÇÃO A Essilor estabeleceu um processo de recomendação de lentes para facilitar o trabalho dos óticos. Surge a partir da combinação das tecnologias presentes em cada uma das três etapas. Começa pela correção através das lentes Eyezen ou Varilux, por exemplo. Segue-se a proteção das lentes com tratamentos essenciais como o Blue UV Filter System, Transitions ou Xperio. Finalmente, é importante focar a melhoria das lentes através do tratamento anti-reflexos que melhor se adequa a cada caso. Na nova gama Crizal, encontrar a melhor solução para cada utilizador.

AS RESPOSTAS CRIZAL®: TRATAMENTOS DE SUPERFÍCIE DE ÚLTIMA GERAÇÃO A gama de tratamentos de superfície da Essilor integra benefícios melhorados nunca antes vistos. Além de proteger os olhos dos raios UV, Crizal Sapphire HR combina a melhor performance anti-reflexos, que resultam numa melhor estética, assim como maior resistência aos riscos, manchas, poeiras e gotículas. Por outro lado, o novíssimo Crizal Rock, proporciona maior resistência e durabilidade. Por último, Crizal Easy Pro, é o tratamento de entrada de gama que torna mais fácil a limpeza e a manutenção das lentes. Todas estas soluções são otimizadas com tecnologias como a High Surface Density Process num reforço da resistência às manchas e à água em ambas superfícies da lente. Ainda a High-Resistance Technology combina óxidos específicos conhecidos pelas suas propriedades para repelir as poeiras, resistindo também aos riscos e a temperaturas elevadas. Finalmente, a Multi-angular Technology assegura uma eficiência antirreflexo que vai além da norma ISO 8980-4, para proteger as lentes dos potenciais reflexos em 360 graus. Na gama especialista destaca-se o Crizal Prevencia, um filtro seletivo das radiações nocivas, que, além de proteger da radiação UV, protege também os olhos da luz azul violeta nociva, permitindo a passagem da luz essencial, para a melhoria do bem-estar e proteção da saúde ocular. No caso do Crizal Drive, as suas caraterísticas garantem a melhor performance visual durante a condução, as lentes com Crizal Kids UV mantêm os olhos de pequenos aventureiros confortáveis e protegidos.


UM ESCUDO PROTETOR INVISÍVEL

CRIZAL®: um escudo protetor invisível dos seus olhos e das suas lentes. Desfrute de todo conforto proporcionado pela máxima transparência, durabilidade e proteção das lentes Essilor® com Crizal®.

* Euromonitor, edição Eyewear 2020; Essilor Internacional SA; Valor de mercado da categoria de lentes oftálmicas. As lentes Essilor® são qualificadas como dispositivos médicos nos termos previstos no Decreto-Lei n.º 145/2009.

MUNDIAL EM LENTES OFTÁLMICAS*


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MAUI JIM

VISÃO RELAXADA COM MAUIPASSPORT BOOST A marca de origem havaiana anunciou o lançamento de um novo design em lentes monofocais, dedicado ao combate da fadiga visual. As MauiPassport Boost foram apresentadas à imprensa especializada da ótica mundial, a 17 de fevereiro, numa conferência digital, a poucos dias da “entrada em ação” da novidade nas óticas. Carrie Soderstrom, diretora global de marketing, divisão oftálmica e Diego de Castro, diretor de gestão e marketing de marca foram os protagonistas neste anúncio aos jornalistas. Também nas boas vindas aos convidados da reunião estiveram Hans-Jürgen Penzek, vice-presidente da marca para a Europa e Martijn van Eerde, diretor sénior de marketing nos mercados EMEA e APAC, com a ressalva de que as novas lentes já foram testadas nos EUA, com enorme sucesso. O design MauiPassaport Boost inaugura uma nova categoria de lentes oftálmicas na Maui Jim. Combina benefícios de uma lente anti-fadiga no campo de visão de perto com a experiência de usar uma lente monofocal na visão à distância.

Esta é a reposta a novos estilos de vida que impõem uma exigência acrescida ao sistema visual. O uso alargado de dispositivos digitais, agravado pelos sucessivos confinamentos forçados pela pandemia mundial, leva a uma maior necessidade de focagem entre objetos próximos e afastados. Esta constante acomodação visual é o grande motivo do atual aumento de fadiga ocular. E é uma oportunidade em termos de novos produtos para a visão. “A Maui Jim está sempre em busca da melhor e mais acessível solução para a saúde dos olhos, através das nossas lentes


DUAS OPÇÕES PARA VÁRIOS NÍVEIS DE FADIGA As MauiPassport Boost apresentam-se em duas opções de design. A zona Boost +0.50 dioptrias é recomendada a usuários de lentes monofocais com sintomas de fadiga visual moderada a ligeira e localiza-se estrategicamente na parte mais inferior da face da lente. Já a zona Boost +0.90 dioptrias visa utilizadores com sintomas mais graves e está numa área mais acima da face da lente que a de +0.50. A missão, essa, é só uma: combater o caos das vidas atribuladas de hoje em dia com uma solução assertiva contra fadiga visual. “Fizemos testes extensivos a mais de 75 utilizadores de vários países, através do preenchimento de um questionário sobre a sua fadiga visual, onde pudemos apurar qual o tempo de uso dos óculos habituais. O inquérito foi elaborado para que os profissionais de ótica pudessem apurar quem são os melhores candidatos para as +0.50 dioptrias ou para as +0.90. Os resultados indicaram que, de facto, houve uma enorme adaptação por parte dos inquiridos aos nossos novos designs em lentes. Mais de 85 por cento disse que sentiu de imediato a diferença, mas todos relataram uma experiência muito positiva, com uma pequeníssima exceção relacionada com usuários de progressivas que não estão indicados para estas lentes”, acrescentou Carrie Soderstrom, quando questionada sobre as provas clínicas do efeito das MauiPassport Boost.

“A Maui Jim está sempre em busca da melhor e mais acessível solução para a saúde dos olhos”

Diego de Castro acrescentou ainda que “já lançamos a novidade em setembro, nos EUA, com ótimos resultados e temos comunicado com o consumidor final sobre esta solução através das redes sociais. Claro que, confiamos sempre na ligação aos óticos, essencialmente, porque é um produto distinto das monofocais e favorece de um esclarecimento profissional. Acredito muito nas Boost, porque temos assistido a uma grande acomodação na categoria das monofocais e viemos ganhar uma nova posição, dando novas ferramentas ao ótico. Acreditamos que podemos trazer

mais consumidores às lojas com esta nova categoria.” As novas MauiPassport Boost estão disponíveis em todas as opções em materiais de prescrição, incluindo as Maui Blue Ligt Protect, que forma a combinação perfeita para os usuários frequentes de dispositivos digitais, e as Maui High Contrast. O mercado europeu tem esta novidade “na rua” desde 21 de fevereiro e, juntamente com os novos desenhos em óculos de prescrição, a Maui Jim espera uma “movimentação havaiana” em todas as óticas.

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oftálmicas e solares. Com o lançamento das MauiPassport Boost queremos reduzir a fadiga visual daqueles que usam frequentemente aparelhos digitais e conquistar novos níveis de inovação na tecnologia das nossas lentes”, assinalou Diego de Castro.


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CONSELHEIROS DA VISÃO NOVA SEDE E NOVA CAMPANHA ANTECIPAM ANO EM CRESCENDO

O grupo de óticas abriu portas da sua sede a 19 de fevereiro, em Lisboa, em tom festivo, depois de uma remodelação profunda. Para além da presença de dezenas de associados, a inauguração contou ainda com o presidente da Associação Nacional dos Ópticos, Fernando Tomaz, num brinde ao dinamismo dos líderes dos Conselheiros da Visão.

“É um novo ambiente de trabalho, mais funcional e confortável, privilegiando a iluminação, os materiais naturais, seguindo premissas minimalistas e de ergonomia, com o objetivo de proporcionar aos nossos colaboradores melhores condições de trabalho, e assim por consequência, poderão prestar um melhor serviço aos nossos associados”, declarou Pedro Soares, presidente do grupo com mais de três décadas e 150 lojas associadas.

Adicionalmente, os Conselheiros da Visão envolveram os seus profissionais numa assembleia, a 20 de fevereiro, onde se anunciou a nova campanha institucional, que tem a famosa chef Justa Nobre como embaixadora. Esta comunicadora passa a mensagem de rigor e atenção ao detalhe que fazem parte do seu dia a dia e que se coaduna na perfeição com os valores do grupo português de ótica. A reunião foi ainda o mote para um momento

de confraternização, através de um jantar com os associados e respetivas famílias, reforçando-se o espírito de união e de proximidade, que caraterizam desde sempre o grupo Conselheiros da Visão. Esta declaração de dinamismo e força por parte dos Conselheiros da Visão vem dar um novo fôlego aos 32 anos de trabalho do grupo, com uma mensagem de mudança e de reforço do posicionamento.


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MUNDO BY MAXIVISÃO ÓCULOS QUE FAZEM VIAJAR

Vítor Martins e Ana Carvalho avançaram com o sonho antigo de terem uma marca em nome próprio. Os fundadores da ótica Maxivisão de Vila Nova de Poiares lançam para o mercado a Mundo by Maxivisão, sob o tema das viagens, da liberdade e da conquista.

E para dar a cara pela insígnia, os empresários desafiaram o ator, autor e orador motivacional Paulo Azevedo, que imprime a sua imagem de resiliência à Mundo by Maxivisão. Este comunicador nasceu sem pernas e braços e tem conquistado o seu lugar no mun-

do com determinação, passando uma mensagem de coragem e sucesso. Também inspirados nesta persistência de Paulo, Ana e Vítor deram o passo em direção ao seu próprio sonho. “Já pensávamos em ter a nossa marca desde 2012, aquando da nossa visita à feira de ótica de Hong Kong, mas a nossa empresa ainda não estava estruturada para isso. Quando vimos que chegou o momento, quisemos escolher uma marca que fosse um pouco de nós. O nome vem na sequência das nossas viagens. Pelos cinco continentes que já passámos, o mundo esteve sempre de braços abertos para nos receber. Esco-

lher o Paulo como embaixador foi para provar não haver impossíveis quando queremos verdadeiramente algo”, declarou Vítor Martins à Millioneyes. A primeira coleção é fabricada em Itália e tem em cada design a intemporalidade e a qualidade como máximas.


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MIDO

UM ENCONTRO DE LUXO ENTRE 45 NACIONALIDADES As datas da grande feira internacional aproximam-se e a organização confirma já a presença de 630 expositores de 45 países. Para além das novidades, inovações, experiências e reencontros, a MIDO tem ainda descontos em voos, também a partir de Lisboa. Entre 30 de abril e 2 de maio a ótica está na feira Rho Pero, em Milão.

“Depois de dois anos de pandemia e sob a luz da complexidade do contexto geopolítico que estamos a viver, que inevitavelmente nos preocupa do ponto de vista, acima de tudo, humano, as empresas do setor têm uma necessidade extrema de se encontrarem e subtraírem da troca e do encontro a energia necessária para enfrentar os desafios que nos esperam nos próximos meses”, declarou o presidente da MIDO, Giovanni Vitaloni, em comunicado e numa análise a um mês e meio da feira, que regressa depois de três anos de cancelamentos. Durante três dias, 630 expositores,

provenientes de 45 nações dão vida aos cinco pavilhões dedicados à MIDO. Vão distribuir-se pelas áreas Fashion District, Lenses, Design Lab, More!, Fair East, lab Academy, Strat up e Tech, com as propostas representativas da totalidade da indústria da ótica. A MIDO é ainda o momento para se fazer um balanço sobre o estado do setor e sobre a crise geopolítica em curso, que afeta não só o setor global mas também todo o sistema económico. Na primeira jornada da exposição são ilustrados os daos de 2021 e as previsões para 2022 da indústria italiana de armações e lentes oftálmicas.

VOOS MAIS BARATOS PARA A MIDO O trabalho da MIDO em prol da promoção de boas relações em todo o mundo levou à negociação com a ITA Airways de preços mais competitivos, para quem viaja para a feira. Ou seja, pode comprar-se o bilhete até 2 de abril, usando o código promocional MIDO22, com 15 por cento a partir de todos os destinos em que a companhia aérea opera. Em Portugal, parte de Lisboa. Registe-se na feira e viva o eyewear entre 30 de abril e 2 de maio a partir de Milão.


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CLAIRE FERREIRA E MARIANNE DEZES

FACE À FACE E A AUDÁCIA DE SER EYEWEAR Audaciosa, inconformada e muito feminina são algumas caratrísticas de uma das mais icónicas marcas do mercado da ótica. A Face à Face tem mais de 25 anos de desenhos e atrevimentos sob a liderança de uma equipa de design especial, que opera a partir de Paris para todo o mundo. A insígnia lançou-se sob inquietude de Pascal Jaulent, Nadine Roth and Alyson Magee. Mudou recentemente de equipa sem prejuízo da sua “alma” criativa, moderna e muito humana sob as mãos e imaginação de Claire Ferreira e Marianne Dezes. Mais recentemente adicionaram Robin Apprioual ao núcleo de ideias. A Millioneyes lançou a sua curiosidade sobre estes autênticos artistas de óculos acerca do impacto das mudanças e ainda dos desafios impostos pelo século XXI. A Face à Face fez história no eyewear ao aplicar princípios da arquitetura nos óculos. Podem recordar este período áureo da empresa? Pascal Jaulent como presidente, Nadine Roth como diretora comercial e Alyson Magee como designer, foram os “pilares” base da Face à Face. Reuniram forças e paixões pelo eyewear em 1995 e foram pioneiros em considerar os óculos como uma peça de design,

inspirados na arquitetura, em vez de um dispositivo médico. A inspiração que moveu a equipa de design naquele período ainda se mantém hoje em dia? A inspiração dos designers evoluiu e alargou o seu espectro, desde Arte Moderna até à Arte Aplicada: instalações artísticas, mobiliário e design de produto, moda, acessórios como

sapatos ou joias, design gráfico...O que acontece em museus, nas lojas, na rua e no mundo basicamente! O sucesso da Face à Face foi imediato ou houve dificuldades naquele período da década de ’90? O sucesso da marca foi imediato. O reconhecimento veio, não só dos óticos franceses, mas também de toda a Europa e dos EUA. A Face à Face tam-


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"Queremos ser uma marca reconhecida, desejável e cuidadosa para além do mundo do eyewear"

bém ganhou dois SILMO d’Or em 2001 e 2002, poucos anos após a criação da marca, o que atesta a valorização por parte de toda a indústria da ótica. E como enfrentou a Face à Face os desafios do século XXI, tais como a depressão económica no fim da década de 2000, o boom tecnológico, as alterações climáticas e, mais recentemente, o novo coronavírus? Criámos uma marca muito especial, a Woow. Foi apresentada ao mercado pouco depois da crise de 2008 com o objetivo de se tornar uma fonte de mensagens positivas para os usuários. Uma coleção anticrise! Os constrangi-

mentos não limitam, mas sim, abrem novas possibilidades à criatividade. Estes desafios polimorfos acabaram por nos apresentar diferentes caminhos. O mercado das marcas independentes cresceu de forma agressiva. Como mantêm a Face à Face interessante perante tanta concorrência? A criatividade não tem fim! Trabalhamos na identidade da marca em paralelo com os nossos produtos. Existe uma pirâmide de palavras-chave imersa no nosso ADN, nas quais nos revemos: Arte, como inspiração, Paris, como sinónimo de atrevimento e elegância,

Cores e Createur, como trabalhadores de um laboratório de cores, de formas e experiências esculturais e Assinatura, como a marca elaboradamente criativa com dedicação ao detalhe em cada peça. Para cada coleção, criamos surpresas, conceitos nunca vistos sempre sob a mira dos ideais que nos edificaram. Aconteceram mudanças na equipa original da Face à Face. Foi isso que justificou a integração da marca no Design Eyewear Group? Os nossos designers estão a trabalhar juntos há mais de dez anos. Ao contrário da maioria dos grupos, o Design Eyewear Group apoia incondicio-


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“Ao contrário da maioria dos grupos, o Design Eyewear Group apoia incondicionalmente as marcas”

nalmente as marcas. Por isso mesmo, cada marca tem a sua própria área de expressão nas feiras, por exemplo. O grupo garante o apoio de retaguarda das suas instalações, stock partilhado, contabilidade, área comercial e serviços pós-venda... Foi uma enorme conquista integrar o Design Eyewear Group, sendo que a Face à Face é a marca high-end do portefólio da grupo para óticos independentes. Houve imposição de novas regras? O leitmotiv do grupo é a oferta do melhor serviço aos nossos clientes e consumidores finais, o que significa que têm de ser criativos, têm que trabalhar com os melhores produtores e ter o melhor serviço pós-venda. Nós estamos alinhado com esta filosofia na empresa!

Voltando à criatividade, desenhar neste atual mercado dinâmico é melhor? É, sem dúvida, diferente, no sentido em que é mais intenso e desafiante e tão, mas tão mais, empolgante! E como ajustaram o design aos novos consumidores, incluindo a demanda por produtos mais “verdes”? Como um grupo, estamos atualmente a estabelecer uma agenda sustentável, um programa a longo prazo que vai além do uso de bioacetato. Estamos a repensar o produto em si, mas também o envolvimento do mesmo, nomeadamente, a certificação dos produtores, transportes e o consumo de energia do Design Eyewear Group. Há projetos em preparação para o futuro próximo? Há sempre projetos em preparação! Como um pequeno teaser, o futuro do conceito solar da Face à Face terá nomes italianos, em referência de um famoso designer italiano e respetivo movimento. Que sonhos têm para a Face à Face? Queremos ser uma marca reconhecida, desejável e cuidadosa para além do mundo do eyewear, continuando a preencher os desejos dos nossos óticos e consumidores finais, enquanto seduzimos novos seguidores.


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SILMO

PRIMEIRA COMPETIÇÃO DE DESIGN O SILMO quer conquistar novas área de expressão para o mercado eyewear através do novo Optical Design Contest 2022. O designer italiano Emmanuele Gallina preside o júri da primeira edição e o premiado será anunciado na feira, entre 23 a 26 de setembro. O prémio são dez mil euros e a exposição numa das maiores feiras mundiais da especialidade. A organização da feira parisiense encoraja a comunidade a envolver-se no setor da ótica com a promoção de um concurso para estudantes de design. O Optical Design Contest 2022 quer catalisar tendências, estimulando e revelando os players que florescem no mundo da ótica de amanhã. Sob uma abordagem visionária, o SILMO proporciona aos académicos a oportunidade de mostrarem as suas capacidades e destaca a sua percepção da esfera da ótica e do eyewear. Um painel de profissionais do design e especialistas interdisciplinares reúnem em setembro de 2022 para selecionar o grande vencedor.

Criatividade, inovação, funcionalidade, integração de uma abordem social e a visibilidade do projeto são os critérios sob observação. Para a primeira edição deste Optical Design Contest, o designer e diretor artístico italiano Emmanuel Gallina preside o júri, numa partilha da sua experiência com as novas gerações. Como prémio, o criador que se destacar entre os demais arrecada 10 mil euros, a dividir-se entre estudante e escola. Adicionalmente tem o seu trabalho exposto durante todo o período do SILMO 2022, de 23 a 26 de setembro, no centro de exposições Paris Nord Villepinte .


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#OPEN YOUR EYES

CONTACTUM 2022

PROFISSIONAIS CHAMADOS ÀS LENTES DE CONTACTO Foram mais de 300 participantes que dinamizaram a 17º Jornada Científico-Técnica de Contactologia, a 15 de fevereiro na plataforma Zoom e no Facebook, desenvolvida pelos docentes e investigadores da Escola de Ciências da Universidade do Minho. O destaque esteve na habitual palestra que dá conta de uma evolução negativa da adaptação de lentes de contacto. As apresentações seguintes demonstraram, porém, que a indústria não se resigna e continua a desenvolver mais e melhores produtos, para um mercado luso com imenso potencial.

Esta ContactUM 2022 foi lançada por Madalena Lira, docente e investigadora da Universidade do Minho (UM). Fez-se acompanhar por Paulo Fernandes, diretor do curso da licenciatura de Optometria e Ciências da Visão que concedeu as honras da sessão de abertura. O académico teceu considerações centrais sobre os mais 30 anos de ensino superior de optometria e das ciências da visão da universidade que representa. “A academia minhota está entre as 20 melhores instituições mundiais do ensino de optometria, sendo a única da união europeia, e está fortemente comprometida com a evolução tecnológica dos cuidados

de saúde visual.” Paulo Fernandes assinalou ainda que as jornadas de contactologia espelham a forte ligação da investigação ali desenvolvida às áreas aplicadas, às colaborações com a indústria e ainda aos projetos competitivos que foram captados pelos investigadores doutorados da instituição. O diretor do curso revelou ainda que neste momento desenvolve-se um estudo para uma nova tecnologia digital para o controlo da miopia e que novos estudos clínicos se perspetivam no horizonte.

ADAPTAÇÃO DE LENTES DE CONTACTO EM PORTUGAL DESCEM EM 2021 A apresentação habitual do panorama geral dos números de adaptações de lentes de contacto pela voz da investi-

gadora e docente da UM, Rute Macedo-de-Araújo, representou o arranque dos trabalhos da ContactUM. É um trabalho de coordenação entre a UM com a Universidade de Manchester. É feito desde 1997 e até ao momento foram analisados mais de 70 mercados, com os resultados publicados na Contact Lens Spectrum. Portugal participa através da UM desde 2007 mas tem vindo a baixar de participantes. Em 2021, conseguiu-se um crescimento, com 248 profissionais a responderem. Portugal registou uma baixa nas adaptações, embora tenha uma média semelhante ao que se verificou nos 11 países selecionados para a análise. Os profissionais portugueses continuam a ser exímios a adaptar lentes mais complexas como as tórias ou as multifocais. Estamos mesmo cima da média global. No que diz respeito a lentes de contacto para controlo de miopia, um problema mais mediatizado e sublinhado pela pandemia, há uma tendência crescente de adaptação e Portugal subiu de três por cento de 2020 para sete por cento em 2021. A média global é de dois por cento. “É preciso um maior participação dos profissionais para cimentar os resultados lusos. Deixo um apelo à participação para este 2022”, terminou a estudiosa.


A VOZ À INDÚSTRIA Seguiram-se as apresentações das empresas e as suas inovações, entre as quais registámos o lançamento da nova Ultra One Day da Bausch+Lomb com um elevado fluxo de oxigénio, pela voz da especialista em saúde visual da companhia, Ana Lloreda. Ouvimos ainda João Caetano, consultor técnico de contactologia da Tiedra, com a lente ESENCIA Toric, para controlo de miopia em pacientes com astigmatismo. Trata-se da primeira lente hidrófila indicada para a correção e controlo da progressão da miopia em pacientes pediátricos e adolescentes, também com astigmatismo. É feita em Hema/NVP tem superfície asférica progressiva na face externa, varia a adição de uma forma multiasférica e aumenta progressivamente. Na face interna têm o cilindro trabalhado em toro interno para compensar o astigmatismo do paciente. É de uso diário e substituição trimestral. Vânia Figueiredo, professional customer developer manager iberia da Alcon, trouxe para a ContactUM as tecnologias de superfície aquosa. Os benefícios são vários, incluindo menos coeficiente de fricção, menos interação com tecidos oculares e harmonização com a fisiologia ocular. E o portefólio da Alcon apresenta três produtos sob esta tecnologia, nomeadamente Precision1, Dailies Total1 e Total30, com a

vontade de aumentar o conforto dos usuários e ainda o número de pessoas que usam lentes de contacto. A profissional da Alcon ressalvou ainda que o sucesso das adaptações depende muito da comunicação entre o profissional da visão e o consumidor. O especialista de produto da Optometron, Leandro Pereira, trouxe para a conferência a terapia para o desconforto com lentes de contacto. Antes disso, chamou a atenção para a Tear Film & Ocular Surface Sociaty (TFOS), cujos trabalhos foram a base da sua apresentação. Depois de discorrer sobre as causas do desconforto, do olho seco, ou disfunção das glândulas meibomianas, o especialista falou da terapia com luz modelada como solução para alguns tratamentos da superfície ocular. Tudo isto porque um es-

tudo da TFOS indica que entre 31 a 79 por cento dos utilizadores de lenes de contacto se queixam de desconforto. Neste sentido a Optometron propõe a My Mask e a MeiboMask, que usam luz visível emitida por LED, potenciando a atividade celular. Aplicada nas pálpebras resulta num aumento da atividade celular da glândula meibomiana e o aumento da produção da camada lipídica da lágrima e redução da inflamação ocular. A fechar a ContactUM 2022 esteve o reconhecido investigador e professor José Meijome, destacando o interesse de centenas de prescritores no evento digital sobre contactologia e agradecendo aos patrocinadores que fazem com que a ContactUM seja um sucesso há 17 anos consecutivos.

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Os profissionais portugueses continuam a ser exímios a adaptar lentes mais complexas


Foto: Dobromir Hristov from Pexels

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DESCOMPLICANDO OS PRISMAS

Texto: O.Alves da Silva – Médico Oftalmologista Rua Castilho 23-5B Lisboa o.alvesdasilva@gmail.com

Quando se fala em prismas activos, surge com muita frequência alguma perplexidade sobre esta expressão. Um prisma é um meio óptico que desvia a luz para a sua base, tem a forma de um diedro portanto com duas faces, fazendo um ângulo entre si ,uma aresta e uma base. Quando se faz incidir uma luz sobre uma das faces , ela atravessa o prisma e sai desviada no sentido da sua base. Isto significa que se fixarmos um objecto que se encontre do outro lado do prisma a imagem aparece deslocada no sentido da aresta ou seja no sentido oposto da base do prisma.

O ângulo formado entre as duas faces varia consoante a potência do prisma. Considera-se que um prisma tem a potência de uma dioptria quando ele desvia a imagem de 1 cm à distância de um metro. Vistas as coisas desta forma a diferenciação entre prismas deveria limitar-se apenas à sua potência e à orientação da sua base. Não caberia outra designação na sua nomenclatura de diferenciação. Em termos clínicos um prisma serviria apenas para compensar desvios oculares e o seu uso teria apenas cabimento em situações clínicas de desvio ocular.

O objectivo dos referidos prismas seria contribuir para eliminar a diplopia resultante do desvio ocular. Convém não esquecer que o uso de prismas nos desvios oculares tem os seus limites, porque altas potências correspondem a uma base de grande espessura cujo inconveniente se pode resolver com um prisma de Fresnel que são séries de microprismas sobre uma base plana de material plástico, mas com alguma perda de acuidade visual. Porém o prisma tem um outro efeito sobre a luz para além do desvio, um prisma faz também a decomposição da luz. Nas pequenas potências esse efeito não é


notório mas é notório nas grandes potências. Neste caso a imagem aparece irisada do lado do prisma, tornando difícil a fusão das duas imagens pois cada olho vê a imagem do mesmo objecto com características diferentes. Posteriormente ao uso dos prismas compensatórios que acabámos de descrever surgiram os yoked prisms a que podemos chamar prismas gémeos. Tratam-se de dois prismas ,um prisma em cada olho, com igual potência e apontando os dois na mesmo sentido. Podem deslocar a imagem de baixo para cima, de cima para baixo, da esquerda para a direita e da direita para a esquerda. Classicamente, as potências vão de 5 a 15 dioptrias prismáticas mas há alguns profissionais que utilizam valores inferiores , chegando alguns a prescrever valores de 0.50 diopetrias. Estes prismas, porque têm a mesma potência e a mesma orientação , não têm qualquer efeito na compensação de desvios oculares. Eles são usados para desviar o campo visual binocular num determinado sentido. O seu interesse terapêutico reside nas situações em que tem importância clínica o alargamento do campo visual útil como é o caso das hemianopsias ou da alteração da posição de olhar preferencial dos nistagmos com posição de bloqueio. Estes prismas também são usados em exercícios de visioterapia.

Alguns profissionais também usam estes prismas com finalidades de correcção postural. Nós contestamos fortemente este modo de utilização, especialmente em relação aos prismas de orientação vertical. O ser humano não tem músculos verticais. Para que se faça um movimento vertical são precisos dois músculos actuando em simultâneo .Na elevação vertical terá de se contrair o músculo oblíquo inferior que tem uma inserção no globo ocular com uma angulação de 55º e o músculo recto superior que tem uma inserção no globo ocular de 23º. Acontece que estes dois músculos que são sinergistas na elevação , são antagonistas na rotação sendo o oblíquo inferior um músculo rotador externo e o recto superior um músculo rotador interno. A estimulação simultânea destes dois músculos pode causar um conflito proprioceptivo. Pela mesma razão somos contra a utilização de prismas de allegement nas lentes progressivas. O fabricante , ao colocar prismas de base inferior nessas lentes pode estar a agravar situações de dor muscular a nível da coluna e de desequilíbrio. Frequentemente o paciente não consegue relacionar esses sintomas com as lentes que está a usar.Por vezes rejeita as lentes , dizendo que não se adapta a lentes progressivas. Por razões estéticas, os prismas compensatórios também se podem dividir em dois colocando metade da potência em frente de cada olho, mas nes-

te caso as bases têm sentido oposto. Também se pode colocar um prisma compensatório de base horizontal em frente a um olho e de base vertical em frente do outro olho, mas também não se pode confundir com yoked prisms porque a base de cada um desses prismas têm orientação diferente. Chegamos assim à conclusão de que prismas compensatórios ou prismas passivos têm como objectivo compensar um desvio ocular existente, os yoked prisms ou prismas gémeos têm como objectivo deslocar o campo visual binocular numa determinada direcção, sendo múltiplos os seus objectivos. À medida que compreendemos que a utilização dos prismas ultrapassa a compensação de desvios oculares e são também usados em pacientes sem qualquer desvio, começamos a entender que a terminologia dos prismas tem de ser adjectivada em função da sua intenção terapêutica e dos mecanismos que desenvolvem. PRISMAS ACTIVOS Seguindo esta linha de raciocínio temos os Prismas Activos . São também prismas com aresta, base e duas faces como qualquer prisma. Mas as indicações terapêuticas e o modo de acção são completamente diferentes quer dos prismas compensatórios quer dos yoked prisms . Os prismas activos são prismas que têm como objectivo interferir no modo de funcionamento do sistema

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Foto: Andrea Piacquadio from Pexels

"Também se pode colocar um prisma compensatório de base horizontal em frente a um olho e de base vertical em frente do outro olho"


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"(...) a utilização dos prismas ultrapassa a compensação de desvios oculares e são também usados em pacientes sem qualquer desvio"

proprioceptivo por via visual. Destinam-se a eliminar os sinais e sintomas resultantes da Síndroma de Deficiência Postural (SDP) também conhecida por Sindroma de Disfunção Proprioceptiva.Esta síndroma foi publicada pela primeira vez pelo médico fisiatra Henrique Martins da Cunha em 1979 (Ed Masson Paris-França ) e eu tive a honra de colaborar com ele na parte oftalmológica desde 1977, ou seja, dois anos antes da referida publicação, desenvolvendo a metodologia de codificação da prescrição dos prismas activos. Nos prismas activos o alvo a atingir é um músculo oculomotor de cada olho ou de apenas um olho ,através da via visual secundária também chamada via retinocolicular que vai da retina ao colículo superior e que recebe cerca de 20 por cento das fibras que saem da retina. (não confundir com via óptica principal ou via retinocortical que vai da retina ao córtex visual). A activação desses músculos previamente seleccionados pelo especialista em propriocepção é obtida através de

Síndroma de Raynaud em paciente com SDP

Mesmo caso após tratamento com prismas activos

um ou dois prismas de baixa potência (entre 1e4 dioptrias ) aplicados segundo um protocolo específico chamado tipagem. Cada tipo de SDP corresponde a um tipo específico de SDP. Não se trata de um método de tentativa-erro mas de uma técnica predictível relacionada com a tipagem previamente determinada. Na maior parte dos casos são usados um prisma em cada lado como acontece nos yoked prisms mas as características são muito diferentes. Em primeiro lugar as potências nunca são iguais dos dois lados, em segundo lugar a deslocação da imagem nunca se faz no mesmo sentido do campo visual binocular. A SDP tem sintomas múltiplos sendo os mais frequentes a dor muscular, a enxaqueca, a tontura o desequilíbrio, a fadiga crónica, mãos frias mas transpiradas,dificuldades de atenção/ concentração, dislexia e dificuldades de aprendizagem em crianças inteligentes. Existem também alterações vasculares como síndroma de Raynaud

e alterações digestivas como náuseas e vómitos, mas a consulta é menos procurada por esses motivos. A SDP é multiforme. Significa isso que a doença é a mesma mas pode manifestar-se de forma diferente em indivíduos diferentes com sintomas dominantes diferentes, no entanto todas têm os mesmos sinais objectivos de disfunção proprioceptiva e todas reagem ao mesmo tipo de tratamento. Descomplicando os prismas podemos dizer o seguinte 1- Prismas compensatórios ou prismas passivos são prismas utilizados para compensar desvios oculares. 2- Prismas gémeos ou Yoked prisms são prismas destinados a desviar os campos visuais de cada olho no mesmo sentido. 3- Prismas Activos são prismas destinados a interferir com o sistema proprioceptivo a nível cerebral através da activação de músculos oculomotores previamente seleccionados. Este texto foi escrito na antiga ortografia por opção do autor.


9/10 CONSUMIDORES QUEREM VOLTAR A UTILIZAR LENTES


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