PORTUGAL • Nº 107 • JANEIRO 2022
Paula Casanova
Distribuição exclusiva a profissionais • Preço de Capa: €7,50
“Perdeu-se uma jurista, ganhou-se uma optometrista”
Bettina Reiter Uma opti flexível que se lança a maio François van den Abeele Sea2See: A visão que vem da limpeza dos oceanos VAVA Contributo essencial para a reflorestação portuguesa
|4|
#editorial
Na ótica do amor
Em 2022 temos a resolução de amar ainda mais tudo o que temos e fazemos. Foi assim que Paula Casanova, a nossa entrevistada de destaque, nos inspirou. Focada nos mercados do Porto e Espinho, sempre com o mar por perto, esta optometrista lançou-se ao setor com muito método, mas também com muito coração. Assim justificamos o sucesso das suas Óticas Premier e a atração pela sua forma leve e enérgica de ver a vida, revelada durante uma conversa intimista e especial. Paula Casanova é o prenúncio de um novo ano mais humano e com o regresso às presenças e aos encontros. À medida que a pandemia desenha a nossa vida e a constringe a nossa liberdade, a ótica contraria esta pressão e ganha novas valências, crescendo ao ritmo dos seus gestores dinâmicos. E por isso se auspicia uma recuperação forte para 2022, em nome daquela faceta da ótica que nunca se deteve, só abrandou para depois voltar em força. Tal como Paula Casanova e a sua força interior, liderada pelo seu coração enorme, a ótica em geral também desperta para uma nova responsabilidade. Temos como repto mantê-la acesa durante os próximos meses, em nome da Terra. Sim, a sustentabilidade é agora uma questão de sobrevivência e a nossa indústria não é alheia a isso. E para garantirmos que o setor nacional se mantém na frente das ações que se dinamizam no globo em prol da sustentabilidade, a Millioneyes tem os microfones ligados em todas as partes e em todos as etapas da cadeia de produção. Trazemos, em modo de um futuro que já é presente, o testemunho e conhecimento avançado de Carol Collet sobre uma solução dianteira para começarmos a salvar o mundo. O design regenerativo é tão importante quanto magnífico, e os óculos podem fazer parte desta “equipa de salvamento”. A VAVA, por exemplo, tem neste número 107 da revista um registo do seu gesto de amor pelo planeta e por um ecossistema português muito especial. E no seguimento deste desafio de amar, deixamos um espaço reservado ao carinho da MultiOpticas pelas comunidades em que trabalha, que ganha nova dimensão com a Sala de Brincar instalada na ala pediátrica do Hospital de São João, no Porto. São incríveis! Claro que, de além fronteiras também registámos a história da Sea2See, a marca que em primeiro lugar quer limpar o mar e as zonas costeiras e depois fazer óculos primorosos. A moda, a arte, os adiamentos das feiras para dias de esperança, o design e as personagens que nos ensinam e preenchem enchem as restantes páginas da revista que tem na mão. Vire a página, a ótica está aqui!
Estatuto Editorial / Sinopse A Millioneyes é uma revista profissional dedicada ao setor da ótica, contando com presença integral online através da plataforma isuu.com. A Millioneyes tem o objetivo de cobrir os acontecimentos específicos do seu setor e retratar a informação de forma rigorosa, com toda a dedicação e competência. A Millioneyes traz uma abordagem íntima, atualizada e assertiva sobre o setor da ótica em Portugal, esmiuça perspetivas de outros países sobre a situação do mercado, retrata tendências em óculos, expõe dados científicos essenciais aos técnicos da área com o apoio dos oftalmologistas e optometristas e aborda de forma inédita os empresários que gerem os estabelecimentos nacionais. A Millioneyes compromete-se a respeitar os princípios deontológicos e a ética profissional aplicada à atividade profissional dos jornalistas, assim como a boa fé dos leitores, através do trabalho dos seus colaboradores e diretor. A Millioneyes é independente do poder político e de grupos económicos, sociais e religiosos.
Lentes ZEISS com tratamento AntiVirus
* ZEISS DuraVision AntiVirus Platinum UV elimina 99,9% dos vírus e bactérias na superfície das lentes. Testado de acordo com a norma ISO 21702:2019(E) para vírus encapsulados e testado de acordo com a norma ISO 22196:2011(E) para bactérias Gram-negativas e Gram-positivas.
|6|
#ÍNDICE
12
Frame Out Silhouette Futura Dot
20
All eyes on you
Paula Casanova “Perdeu-se uma jurista, ganhou-se uma optometrista”
24
Eyes Wide Open Carole Collet A salvação do mundo pelo design!
28
In Your Eyes MultiOpticas Uma Sala de Brincar para as crianças hospitalizadas
19
What’s New MIDO Regresso às origens
32
Eyes of the World Bettina Reiter Uma opti flexível que se lança a maio
Diretora: Patrícia Vieites | Editora: Carla Mendes | Redação: Carla Mendes, Mariana Teixeira Santos, Célia Esteves | Design e Paginação: Paula Craft | Fotografia: Miguel Silva | E-mail: millioneyes@outlook.pt | Tel: 96 232 78 90 | Periodicidade: Mensal | Tiragem: 2000 exemplares | Impressão: Uniarte Gráfica, S.A | Preço de capa em Portugal: 7,50 euros Depósito Legal n.º 419707/16 | Interdita a reprodução, mesmo que parcial, de textos, fotografias ou ilustrações sob quaisquer meios e para quaisquer fins, inclusive comerciais. Os artigos de opinião e os seus conteúdos são da total responsabilidade dos seus autores. A MillioneyesTM é propriedade da Parábolas e Estrelas – Edições Lda. com sede na Rua Manuel Faro Sarmento, 177, 4º esquerdo, 4470-464 Maia, Portugal | NIF: 510195865 | Gerente/Diretor - Cristóvão Jesus - Detentor de 100 por cento do capital social | Sede de Redação– Rua Elísio de Melo, 28, S 38 – 4000-196 Porto | Qualquer crítica ou sugestão deve remeter-se para: millioneyes@outlook.pt
Dez anos de atrevimento Quando se fala de óculos que são únicos, a Rigards tem lugar de destaque na indústria. Adaptou precisamente o nome da palavra francesa regard ou olhar e um logótipo que significa a união entre corno e óculos. Cada modelo é produzido com muita mestria e sempre com o acabamento de superfície próprio através das técnicas Sanjuro e Relique, numa combinação de métodos antigos, atualizados à sensibilidade do presente. Nos seus dez anos de trabalho, a Rigards recorda os seus desenhos mais agitadores e a felicidade de criar sempre além das fronteiras do pré-estabelecido.
Tree Spectacles Em busca do verão
Os novos modelos Fedra e Midas são as “bandeiras” da mais recente aventura em design da Tree Spectacles. As cores frescas impõem-se num desenho minimalista que interpreta na perfeição as formas arquiteturais estabelecidas pela casa transalpina. O investimento para fazer nascer estas novidades focou-se na pesquisa e desenvolvimento de tonalidades e em maravilhosas combinações. Fedra e Midas são perfeitamente originais e transmitem o amor da marca pelas tendências da moda e pelas colorações mais inovadoras.
Siens Eye Code
Óculos tridimensionais Diretamente de Itália, esta Siens Eye Code desenvolvese entre três patentes: uma nova charneira, o sistema de montagem das lentes e uma embalagem que integra os óculos. É uma ideia que une arte e tecnologia e visão e ciência atuam em prol de um produto de alta tecnologia tridimensional. A marca Siens Eye Code estabelece uma nova linguagem que liga o ser com a realidade que o rodeia. É um conceito inspirado na equação de Dirac, que descreve o fenómeno de entrelaçamento quântico: o princípio pelo qual dois sistemas interagem durante um determinado período e que quando se separam já não podem ser descritos como sistemas individuais, mas apenas como um. Assim se impõe no mundo eyewear esta estética de forte impacto que envolve três estados de existência: corpo, mente e espírito, combinados numa única energia através das formas.
|7|
Rigards
O Grupo Inditex escolheu a Opticalia para desenvolver e comercializar em exclusivo a sua marca Pull&Bear a nível mundial. Um líder da moda em todo o mundo confia na Opticalia para desenvolver as suas colecções e a sua comunicação global de eyewear e de sunwear. Publicidade, produto exclusivo, formação e digitalização fazem da Opticalia um dos grupos ópticos independentes mais importantes do mundo. Quer fazer parte do nosso projecto?
www.opticaliaexpansion.com/pt
Tel. 218 550 980
FRAME OUT | 10 |
Fleye
Mais modelos sonantes... e silenciosos
A marca de Copenhaga apresenta a segunda parte da campanha Silent Noise, a reinterpretação em óculos do universo dos filmes mudos. São 14 novos estilos cheios de vida. cor e alegria. No centro da inspiração esteve a diva do cinema sem som, Asta Nielsen, uma das mais populares estrelas da década de 1910. A equipa de design da Fleye criou elementos que remetem para artista, simbolizando os copos de champanhe, pérolas e penas. O movimento dos diferentes componentes desenha sombras e reflexos agradáveis, transferidos para novos padrões em design eyewear.
Formula 1
Óculos sem pegada de carbono Para manter o objetivo de ser Net Zero Carbon até 2030, a Formula 1 Eyewear está comprometida com uma série de esforços sustentáveis e isso revê-se na inovação e materiais que aplicam em cada criação. As coleções apresentam a tecnologia estado de arte em impressão 3D e os processos produtivos baseiam-se em matérias e processos novos e avançados. Incluem as mais recentes Bluesint PA12 e Materialise Process Tuner que criam caminho para eliminar resíduos do fabrico. Em especial, na sintetização a laser, o processo Bluesint torna possível imprimir com pó 100 por cento reutilizado, aumentando drasticamente a eficiência dos recursos.
Jean Phillipe Joly O alfaiate dos óculos
Este francês adaptou a mentalidade da mais alta alfaiataria ao eyewear, trazendo a clientes muito especiais de todo o mundo uma experiência personalizada, perfeita e saída de mãos artesãs. Jean Philipe Joly é um veterano da ótica que se quis retirar do reboliço das massas até ao mais íntimo processo da produção de óculos. Cada peça é esculpida no seu atelier parisiense a partir do melhor acetato Mazzucchelli, plena de detalhes inéditos que se adaptam aos sonhos e desejos de cada seguidor desta cada francesa.
MUNDIAL EM LENTES OFTÁLMICAS*
FRAME OUT | 12 |
Silhouette Futura Dot
A marca austríaca faz uma demonstração ousada da sua capacidade criativa e propõe uma fantástica edição especial limitada. Futura Dot é uma homenagem pura ao modelo Futura criado nos anos '70, renovando-se numa coloração natural, nas lentes oversize e marcantes e declarando-se um ícone de moda por si só.
INVU
Nova coleção nasce de velhas garrafas 80 por cento das garrafas PET acabam em aterros e demoram mil anos para se decomporem, mas novas tecnologias podem dar uma nova vida a este material. A INVU aposta precisamente nisso para a mais recente coleção, produzida sob a certificação do sistema global de reciclagem GRS 4.0, e usando PET 100 por cento reciclado que renasce em óculos de sol de alta qualidade. Adicionalmente, o estojo e o pano de limpeza que acompanham os modelos, assim como material de marketing para o ponto de venda, são feitos a partir de matérias recicladas. A nova coleção sustentável da INVU é a oportunidade para os óticos proporcionarem uma opção “verde” as seus clientes, cada vez mais cientes da importância de produtos que promovem a sustentabilidade.
Cione
Conexão e Euforia em óculos O grupo de óticas lança duas novas coleções eyewear, tão distintas quanto complementares, com modelos originais e versáteis. Conexión e Euforia utilizam, pela primeira vez entre as criações Cione, a charneira OBE, uma peça de origem alemã de alta qualidade, que possibilita a união entre os frontais e as hastes e que garante acima de tudo conforto. Esta charneira é patenteada e concebe aos modelos da Cione um salto qualitativo, facilitando a sua troca pelo ótico em caso de necessidade.
Só na CECOP é possível receber um cash back dos seus consumos. Quer saber quanto poderá ganhar no final do ano? Faça uma simulação no nosso site. Ligue a câmera do seu telemóvel e posicione em cima deste Qr Code.
Ou aceda www.cecop.pt/frc
Já somos mais de 7000 óticas Junte-se e descubra que benefícios pode ter como Associado CECOP.
Vera Wang FRAME OUT | 14 |
Always a cat eye O modelo Taraji assinado pela designer Vera Wang nunca perde terreno entre amantes de óculos elegantes e distintos. Ganha dimensão no seu formato plano e em lentes que ultrapassam os frontais e se diferenciam nas peças brilhantes que as fixam à armação. O logótipo desta criativa muito experiente surge discreto nas hastes, para que nada desvie as atenções da extravagância do recorte cat eye. “Os óculos são um dos meus acessórios preferidos de beleza e moda. Tal como um batom ou uma sombra de olhos, um modelo especial pode expressar o sentido próprio de estética, criar uma nova persona e, acima de tudo, proteger os olhos…o eyewear é divertido, criativo, fácil, pessoal e prático!”, defende Vera Wang.
Waylife
Design urbano para mulheres poderosas A marca portuguesa inova nas suas propostas em metal e apresenta o modelo Muse. O brilho deste material é entrecruzado pelas cores intensas aplicadas nos frontais numa mestria em design. As tonalidades ganham ainda destaque no formato rasgado cat eye, numa afirmação elegante e feminina, em direção a um segmento exigente e primoroso.
Kaliboo
Ver bem desde pequenino A marca dedicada aos mais pequenos chega a Portugal através da plataforma CCVO Beyond Optical Care. A Kaliboo tem a vantagem de ser desenvolvida através da parceria entre óticos e oftalmologistas, apurando as características técnicas destas armações para crianças desde os 0 aos 36 meses. Existem poucas insígnias focadas neste segmento tão importante e a Kaliboo propõe, para além de rigor, segurança e conforto, modelos divertidos, coloridos e que se adaptam a cada fase do crescimento dos bebés. As garantias desta marca são muitas. A ergonomia está assegurada numa armação que se adapta à postura do bebé. A ponte em aço cirúrgico almofadado a silicone traz comodidade. A resistência das peças acontece graças à charneira flexível e adaptável que evita quebras em qualquer circunstância. Há ainda a facilidade de se disponibilizar um rescue kit aos óticos e a Kaliboo acrescenta um toque pessoal com um espaço reservado para o nome do bebé.
design + arquitetura
design + arquitetura
Rua Padre Francisco nº11 G, 1350-223 Lisboa |Tel.: 213616580 | www.prooptica.pt | www.loja.prooptica.pt Rua Padre Francisco nº11 G, 1350-223 Lisboa |Tel.: 213616580 | www.prooptica.pt | www.loja.prooptica.pt
FRAME OUT | 16 |
Materika
A busca pela excelência A marca mais conceitual e técnica do portefólio da fabricante LOOK-made in Italia encontrou a perfeição em tecnologia e design com a nova série Materika Alumix 70640. São quatro armações de prescrição duas para homem e duas para mulher - que exibem padrões em relevo nos frontais que remetem para matérias como pedra, tecido ou metal, permitindo o destaque de uma peça original. A cor tem um papel principal e entra numa dimensão virtual em que as sombras e a luz contrastam com as formas e as superfícies.
Blackfin
Parceria com produtora de carros desportivos A criadora de óculos italiana uniu-se à Pagani Automobili, a fabricante de super-carros e componentes em fibra de carbono, como parceira em alguns eventos chave exclusivos. Nestas iniciativas memoráveis, cada participante recebeu um par de óculos de sol Blackfin, numa embalagem especial desenhada em colaboração com a equipa de design da Pagani e com o logótipo da Pagani Automobili e as iniciais dos convidados, gravados a laser nas hastes em titânio. É o símbolo da partilha de valores entre estas duas casas transalpinas. Entre as iniciativas memoráveis estiveram o Pagani Raduno – The Vanishing Point, realizado em Roma no final de agosto e o SOC – Supercar Owners Circle, realizado na Croácia em setembro, que reuniu muitos colecionadores de carros para uma visita guiada em paisagens de tirar o fôlego. Por fim, o Pagani Raduno – The Drive, em outubro, contou com mais de 20 automóveis Pagani a percorrerem as ruas de Austin, no Texas EUA.
VOL. 3
mido.com
| 18 |
§
§
#WHAT’S NEW
§ A crescer desde 2001 A marca espanhola está pronta para novos voos em 2022, inspirada nos valores que a lançaram, pela mão de David Pellicer, em 2001 sobre a cultura, a arte, a inovação tecnológica e a sustentabilidade. Desta forma, a Etnia Barcelona faz crescer a sua equipa, investindo em novos talentos, remodelando a sede em Barcelona e implementando novos sistemas de gestão. E para ir ao encontro das necessidades das tendências do novo consumidor do setor ótico, a insígnia foca-se na expansão da sua capacidade de produção e do seu portefólio. Para isso fez nascer três novas marcas independentes: Allpoets, The Readers e LOOL.
Regresso de sucesso A mais recente edição desta feira da família SILMO aconteceu entre 18 e 21 de novembro de 2021 com resultados semelhantes aos do último certame em 2019. Mais de 100 expositores foram consultados por 10450 visitantes, menos oito por cento que em 2019, 15 por cento dos quais de fora de Istambul, tudo sob a bandeira reconhecida do SILMO. Já em 2022, a equipa da marca organiza os eventos do intenso calendário de encontros em todo o mundo. O primeiro é em março, entre 5 e 6, no Copenhagen Specs, segue-se o Barcelona Specs de 7 a 8 de maio, o SILMO Paris de 23 a 26 de setembro, o SILMO Istanbul nos dias 17 a 20 de novembro e, passando para 2023, está em preparação o lançamento do SILMO Singapore, para 12 a 14 de abril.
Etnia Barcelona
SILMO Istambul
§
Opti
Munique para sempre! A opti 2023 anuncia um novo período de esperança, porque regressa ao habitual mês de janeiro e à sua casa de sempre, Munique. As datas já estão lançadas para os dias 27 a 29 de janeiro, com o afastamento definitivo da realização prevista a cada dois anos em Estugarda. “Em 2023, a opti retoma a longa tradição de organizar o mais relevante evento de vendas e tendências do início do ano. E em Munique! A última opti realizada nesta cidade foi em 2020 atingiu os mais altos resultados para ambiente e organização, contatos e transações”, destacou a diretora da feira Bettina Reiter.
what's new | 19 |
§
§
Regresso às origens
Atitude verde vale reconhecimento
MIDO
Okia
A feira de Milão quer garantir as melhores oportunidades de negócio e segurança máxima aos seus visitantes e expositores e, por isso, decidiu lançar novas datas. A MIDO 2022 está programada para 30 de abril a 2 de maio, no habitual Parque de Exposições Rho Fiera. É um período de atividades comerciais proveitosas e respeita o ritmo das outras feiras internacionais e, no fundo, é um regresso às origens, pois a primeira edição da MIDO aconteceu em maio. A esperança é que com a chegada da primavera seja mais fácil e seguro viajar e que se confirme este certame italiano como um elemento chave da indústria da ótica. “Hoje parece-me claro para nós que uma feira internacional em fevereiro se arriscaria a números reduzidos de participantes, tanto do lado dos expositores como dos visitantes. Queremos refletir as necessidades das empresas e confirmar a MIDO como um evento de topo, num 2022 que já demonstra sinais claros de recuperação para a indústria eyewear mundial”, declarou Giovanni Vitaloni, presidente da MIDO.
A empresa focada no desenvolvimento de materiais inovadores arrecadou o Reconhecimento Especial para a Iniciativa Sustentável Excecional (Dimensão Ambiental), por parte do Prémio de Sustentabilidade de Hong Kong 2020/21, organizado pela Associação de Gestão de Hong Kong. “Este ano é particularmente importante para nós depois de anos de esforço para aumentar a sustentabilidade da empresa. O nosso trabalho duro foi recompensado através deste e de outros galardões que ganhámos. Nestes anos que temos na indústria eyewear construímos uma reputação de confiança o que demonstra a nossa capacidade para antecipar as tendências e o nosso profundo compromisso em proporcionar produtos que respeitam o ambiente”, explicou Jacky Lam, diretor executivo da Okia.
| 20 |
#All eyes on you
Paula Casanova
“Perdeu-se uma jurista, ganhou-se uma optometrista” Na primeira edição do novo 2022, destacamos a ótica que se faz com coração. Paula Casanova abriu-nos a “porta” dos negócios e do caminho percorrido, da mesma forma que trabalha todos os dias da sua vida, com ambas paixão e humildade. Na realidade, a Paula nasceu entre óticos e cresceu entre óculos e lentes, no famoso Adão Oculista e com o próprio Adão e Carmelinda, os fundadores desta casa portuense, como padrinhos. Porém, preparou-se para contrariar o negócio de família e seguir “as linhas” da jurisprudência para concretizar o sonho de ser juíza. A vida trocou-lhe os sonhos. Aos 17 anos, o pai ficou cego depois de um acidente. “Ironia do destino”, disse-nos de olhos brilhantes, mas com uma leveza de quem assumiu uma fatalidade com toda a energia e a transformou num desígnio e num percurso feliz. Perante a mãe que seguiu mundo fora, para tentar encontrar a cura do pai, e três irmãos pequenos, conseguiu superar desafios e enfrentar as responsabilidades da família. Envolveu-se também no processo que levou o pai aos melhores médicos oftalmologistas do país e aos EUA e abraçou o desafio da optometria para seguir com a ótica que o pai tinha em nome próprio.
É a personificação da expressão “filha da ótica”! Sou mesmo filha da ótica.Os meus pais trabalhavam no Adão Oculista quando nasci. Aliás o Sr. Adão e a Sra. Carmelinda foram padrinhos de casamento dos meus pais e meus padrinhos de batismo e ainda do meu casamento. E também eu me iniciei na ótica lá. O meu pai era ótico, o meu tio era ótico e tenho mais dois primos optometristas, para além de mim e portanto sou mesmo parte de uma família tradicional do setor (risos), embora eu não estivesse mesmo nada virada para o negócio familiar. A história mais engraçada que recordo contarem-me era a da minha mãe a biselar umas lentes e a minha madrinha a trazer-me para junto dela para ela me dar de mamar. E foi esse conluio familiar que a absorveu? Na realidade estava a estudar Direito, nem sequer estava ligada ao setor. Queria seguir jurisprudência e ser juíza. Teve tudo a ver com o meu pai. Digamos que ele abriu a sua própria
all eyes on you | 21 |
Nesse percurso aprendeu sobre os olhos e recordou o olho mecânico que o renomado oftalmologista António Travassos desmontou tantas vezes para a conduzir pelo problema do pai e pelo mundo fascinante da visão. Ou seja, Paula Casanova tomou nas mãos um destino que a definiu e sempre com alegria. Não foi logo ali que desistiu de Direito, porque assim foi “escrito”. Ainda ingressou com mérito no curso depois de acabar Optometria, onde conheceu o pai do filho e onde, em definitivo, se estabeleceu como optometrista e mãe. Daí até fundar a sua ótica Premier, primeiro em Espinho e depois no Porto, foi rápido, claro, porque é uma empreendedora e é inquieta. “Desenhou” a sua empresa numa premissa de bondade e espírito positivo e conquistou os mercados com naturalidade. Quem resiste a uma boa conversa e a bons óculos? E mesmo perante os desafios de um setor em profunda mutação, seguiu estratégias corajosas e assertivas que se traduziram em sucesso. Quem é Paula fora de todo este mundo de óculos? É fácil! Adora a vida assim como é, todas as pequenas alegrias e todas as superações. Adora o filho, o ex-atleta de alta competição e quase médico, e dá tanto de si aos enteados que estes lhe chamam "boadrasta". Adora cada pessoa que atravessa a porta da ótica em busca de soluções, que procura com veemência e profissionalismo, em conluio com quem for preciso, de outras áreas de intervenção. Até nós nos sentimos envolvidas na voz serena de Paula, numa entrevista que se tornou um ato de amizade e partilha. No coração traz ainda cada parte do mundo que visitou e que a edificou enquanto mulher e a cidade que a viu nascer, formar-se e tornar-se numa empresária e optometrista de sucesso. “Perdeu-se uma jurista, ganhou-se uma optometrista”, que sorte para o nosso setor e para nós!
ótica e, por ironia do destino, teve um acidente de automóvel e ficou invisual. A menina que ia para direito veio para optometria. Era a irmã mais velha de quatro irmãos, todos menores. Tinha 17 anos, a acabar o 12º ano e quase a entrar em Direito, na Católico. Foi um ano em que a minha mãe viajou com frequência para os EUA, porque em Portugal já não havia nada a fazer para lhe devolver a visão. Eu ficava com os meus irmãos e dava assistência à ótica do meu pai em Fiães. Criei os meus irmãos de 10, 11 e 13 anos. Lembro-me de um natal em que o meu pai foi operado nos EUA e estava previsto voltarem antes das festividades, mas não conseguiram e tivemos que ficar sozinhos. A menina que andava com os códigos civis atrás, passou a andar com a caixa das lentes. Fiz-me à vida e tirei o curso de Optometria e no fim ainda fui fazer Direito à noite. noite. Ingressei entre os primeiros candidatos. Adorava e foi onde conheci o pai do meu filho e engravidei. Todos os meus projetos mudaram. A paixão pela ótica foi maior que a dos códigos civis. O curso ficou a meio, mas por uma boa causa. Acho que ainda vou acabar, por uma questão de cultura geral, mas seguir a atividade não. A nossa justiça é muito má ia ter que alterar os códigos civis (risos). Mas, se calhar, o meu sentido de justiça faz com que faça um trabalho diferenciado na ótica.
all eyes on you | 22 |
dade “saltei” para aqui e também foi com este espírito que ultrapassámos a pandemia.
E daqui até abrir a sua própria ótica? No fim da formação de Optometria fui trabalhar para os consultórios do Adão Oculista. Em 1996, acabei por montar a minha própria loja em Espinho. Comecei por fazer umas consultas em part-time naquela que depois seria a minha ótica, proposto pelo dono da altura. Em 1998 consegui abrir a segunda loja no Porto. Foi forçada pelas circunstâncias. Sim, mas a verdade é que, mesmo perante a oportunidade de acabar o curso de Direto, escolhi prosseguir a vertente que me apaixonou e absorveu. Apesar de ter sido uma fatalidade que me trouxe para a ótica, também me ligou imenso à saude da visão, pois fui-me interessando pelas cirurgias que o meu pai ia fazendo e ia com ele ao Dr. António Travassos em Coimbra, que era fantástico e desmontava o olho mecânico para me inteirar de todo o processo. Isso foi determinante. Há sempre algo positivo nas fatalidades da vida! Não há, então, ressentimentos? Não, em absoluto! Aliás, tenho um filho com 26 anos que está no último ano de Medicina e que eu adorava que seguisse Oftalmologia. Ele não quer (risos). Mesmo tendo vivido sempre perto de mim na ótica. O que eu quero mesmo é que ele seja tão feliz no seu trabalho quanto eu. Faço optometria com satisfação, isso e ser mãe (risos). Aliás, tenho quase a certeza que se fosse para o tribunal todos os dias julgar pessoas ia ser infeliz. O que tem a ótica para conseguir conquistar os seus profissionais desta forma? Fui para o Direito como forma de retaliação (risos). Eram tantos na família a trabalhar na ótica que eu queria ser diferente. Claro que, já passava as minhas férias da escola a ajudar o meu pai e acho que de uma forma ou de outra acabaria por parar aqui. Porém confesso que depois de me envolver
Abriu as duas lojas num espaço de tempo muito curto. Sim, tinha 27 anos e estava tão envolvida com o negócio que queria mesmo trabalhar para mim! Para além do apoio do meu pai, o meu padrinho, que era um visionário disse-me que não me via a trabalhar ali toda a vida.
na optometria, se houvesse algum arrependimento que podia apontar é de não ter ido para Medicina e estudado Oftalmologia. Para mim o envolvimento na ótica vai além de receitar óculos e ver as coleções. Trata-se do envolvimento com as pessoas que nos procuram e a forma como as nossas vidas se entrecruzam. E desde esse momento em que se tornou optometrista até aos dias de hoje, houve alturas desmotivantes? Sim, cheguei a viver momentos complicados aqui em Espinho. A nossa loja estava localizada numa rua em que o comércio se extinguiu, as infraestruturas que nos rodeavam, nomeadamente uma policlínica, deixaram de funcionar e não havia movimento. Estive mesmo para fechar a loja que me lançou em nome próprio. Em 2017, fiz o sacrifício e investi num espaço no centro da cidade. Só com muita paixão e muita positividade é que se superam desafios deste género. Vejo sempre o meu copo meio cheio (risos). Mais que uma dificuldade foi uma aprendizagem. Estava muito agarrada ao espaço, claro, mas quando surgiu a oportuni-
Apesar de ter uma longa experiência da ótica, não deixa de integrar o segmento da nova geração da ótica, que veio a seguir à fileira das primeiras grandes empresas bem sucedidas. Já agarrou um setor mais complexo que o seu pai e padrinho. Quando a empresa não é muito grande, acredito que o segredo para se singrar com este novo mercado e consumidor é conhecer bem cada um dos clientes. Quando estou a ver as novas coleções já sei, entre os meus clientes, quem é que vai gostar de determinado modelo! E os meus funcionários partilham desta visão. As pessoas dirigem-se à nossa loja com um sentido muito familiar. São já 25 anos de história e já atendi miúdos, que hoje são pais e que já vêm aqui com os filhos. Claro que a nova geração é mais exigente. Antigamente as pessoas levavam aquilo que lhes diziam, hoje estão esclarecidas. Temos que elevar o nosso poder de argumentação e sem forçar a venda, mesmo porque também não consigo. Explico sempre os produtos que tenho e que vantagens podem trazer ao problema em causa. E com a alta concorrência que temos hoje, não se pode fazer de outra forma. E nem quero competir com produtos de baixa gama, mas sim proporcionar algo seguro que faça de facto a diferença na vida de quem nos procura. Depois também me envolvo de tal forma, que procuro sempre resolver o problema dos clientes. Procuro a especialidade que me parece ser a mais indicada, ouço as questões pessoais e tudo o que for preciso.
all eyes on you | 23 |
Essa mentalidade também fez com que se ligasse à Optivisão? Identifico-me muito com o grupo, sem dúvida. Integrei a Optivisão no início um pouco a medo, ainda sou do tempo da antiga administração, mas nunca me arrependi. E quanto aos problemas que se apontam ao setor, nomeadamente a falta de regulamentação? Desde que me conheço, ouço falar dessa problemática. Há muitos anos falava-se do estabelecimento de estatutos na associação do setor que não permitissem a abertura de óticas com determinada distância, à semelhança das farmácias. Isso não se concretizou e hoje vivemos uma situação de “porta com porta”. E confesso que estremeci quando a concorrência se estabeleceu perto, ainda por cima com um conceito que veio dar resposta ao período de crise, com preços mais baixos. Apesar de ter perdido alguns clientes, outros vieram e outros voltaram. O segredo está na forma como trabalhamos e eu trabalho cada cliente de forma personalizada. Nenhum é igual ao outro. Sou uma cuidadora nata. E a questão da optometria? É uma questão ainda mais complexa. O que aconteceu é que com o estabelecimento dos cursos superiores, em que todos os profissionais se uniram em torno do acontecimento, com o Dr. Manuel Ribau Teixeira a liderar o processo, e que até faleceu recentemente, infelizmente, deveriam deixar de existir os cursos das escolas de optometria. No entanto, passados uns anos voltaram a leccionar-se cursos na Escola Portuguesa de Ótica Ocular. Eu sei que os colegas vão “cair-me em cima”, mas a realidade é esta: desde o momento que se assume o compromisso de um curso ir para uma universidade, não se devia fazer este tipo de formações. As pessoas que entram nas óticas não sabem se o optometrista que está a atendê-los é da universidade ou do curso da EPOO e isso fragiliza a atividade e daí o atraso na regulamentação. Eu ponho-me no lugar do meu filho, por exemplo, que estudou 12 anos, depois está no mínimo mais quatro anos no ensino superior e não podem ser comparados a quem com o 9º ano vai fazer um curso desses. E nas óticas são todos iguais, sem distinção. E daí a guerra entre os próprios optometristas, obviamente. Como faz para manter a “sua” optometria com boa imagem. Fiz cursos de formação em Espanha na área da optometria, a última na universidade, há cerca de dez anos. Pratico optometria em Espinho há 25 anos, fui a primeira a chegar à cidade.Estava situada ao lado de uma policlínica onde estava o oftalmologista que mais consultas dava na zona. Tinha eu 27 anos e a optometria estava nos jornais pelas piores razões. Eu precisava do oftalmologista para me ajudar no meu trabalho, porque há áreas de intervenção que não são
da minha atuação. Fui à policlínica e falei com o oftalmologista, que por acaso fazia patologia, inclusive no IPO e que pensou que eu lhe levava um cartão para ele me encaminhar os clientes. Era assim que funcionava. Apresentei-me e pedi a colaboração no sentido de que, quando tivesse um problema de patologia, se lhe podia enviar as pessoas e depois ter um feedback sobre o problema. Funcionou lindamente e ainda tenho o respeito dele hoje. E tenho outro ponto de honra: cobro sempre os meus serviços! Quer crescer em lojas no mercado? Tenho duas óticas e são mais que suficientes para mim. Vou mudar agora para um espaço maior no Porto ao fim destes dois anos conturbados em que nunca deixei de trabalhar. Quando todos confinaram, eu não. Nunca tive medo. Mandei o meu pessoal para casa e fechei as lojas antes mesmo do primeiro confinamento e deixei os meus contactos na porta e andei sempre a trabalhar e não para fazer dinheiro. Andei de loja em loja, sem parar e sem saber como seria o futuro. E com quem falava? Com a Paula Pinho do Adão Oculista com quem partilhei estes momentos cruciais.
A salvação do mundo pelo design! A designer, docente da Universidade de Artes de Londres e diretora criativa da Maison/0, o programa de inovação sustentável estabelecido em parceria com a gigante do luxo, LVMH Moët Hennessy Louis Vuitton, tem a missão de propagar uma nova forma de criar. Carole Collet lança um desafio aos criativos de todo o mundo sob a designação de design regenerativo. “Temos que abrir a nossa mente a um pensamento multiespécies”, declara Collet. Nesta entrevista feita pela Lisa White, diretora criativa da empresa de previsão de tendências WGSN, a designer francesa explora como o departamento de design das indústrias se pode adaptar às expetativas em mudança, para criar um futuro melhor para as pessoas, para os negócios e para o planeta. Tudo isto acentuado pelo sentido global de desilusão depois da 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima de 2021. É mais crucial determinar e discutir como as marcas e criativos podem desenhar sistemas e produtos que respondem à emergência climática. Um dos assuntos na base daquilo que defende é que a sustentabilidade tem que funcionar para todos: natureza, humanos e também negócios. Queria realçar que, como designers, desenhamos para humanos, seguindo aquela máxima de “por humanos para humanos”, mas temos cada vez mais um melhor entendimento sobre o nosso planeta e como funciona e sobre o nosso impacto sobre o mesmo. No que diz respeito à biodiversidade, temos a noção que temos um milhão de espécies em risco de extinção e que pomos em perigo todos os ecossistemas em qualquer parte do planeta, devido ao nosso estilo de vida e aos nossos sistemas de produção e de consumo. Temos que pensar como habitar o planeta, considerando as outras espécies.
Este pensamento multiespécies é cada vez mais proeminente no design. Claro que, continuamos a desenhar para humanos, mas será que o podemos fazer beneficiando outras espécies também? É uma oportunidade em termos criativos, o facto de podermos pensar no design regenerativo. Vamos além da sustentabilidade e da redução do nosso impacto através de um menor consumo de água, ou tendo em atenção a toxicidade das matérias, ou mesmo ao diminuir o uso de energia e diminuindo a pegada de carbono. Temos a possibilidade de desenhar como um ato de amor ao favorecer outras espécies apenas pelas escolhas em todos os estágios da criação, como por exemplo, com a escolha de matérias que provenham de agricultura regenerativa. Assim, asse-
Foto: V2_
| 24 |
#I eyes wide open
Carole Collet
guramos que os materiais foram cultivados de forma positiva para os solos e respetivos ecossistemas. Estamos agora a perceber que podemos restaurar o que estragámos e temos à disposição a ciência e os factos para ajudar, o que precisamos agora é que nós, designers, mudemos a mentalidade. E no que diz respeito aos negócios e à sua viabilidade? Isso pode acontecer em vários níveis. Muitas marcas focaram-se na sustentabilidade nos últimos anos e algumas das suas decisões fazem sentido, em termos de negócio. Se olharmos para, por exemplo, a mudança de todas as lâmpadas para LEDs, ou para a restrição do uso de água, traduzem-se de imediato em poupança e isso é positivo, tanto
para o negócio como para a redução do impacto no planeta. Claro que, hoje sabemos que isso não é suficiente, porque nos últimos 70 anos a população mundial triplicou e, enquanto algumas marcas preocupam-se em poupar, as exigências de uma população crescente aumentam também. Ou seja, essas reduções fazem todo o sentido, mas também faz sentido procurar soluções de longo prazo. Por exemplo, se uma marca é dependente de um determinado recurso natural que é plantado, deve saber-se que a agricultura convencional ameaça a nossa espécie. Afinal, temos apenas 96 meses para diminuir para metade as nossas emissões de carbono, cumprindo com as metas estabelecidas na Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima 26 (COP 26). Se uma marca continua a suportar a agricultura degenerativa então não há futuro para essa marca. Os consumidores sabem disto e não querem contribuir para a poluição. Portanto, ir ao encontro destas exigências dos consumidores faz sentido em termos de negócio, assegurando a viabilidade de práticas sustentáveis que toma a forma de sistemas regenerativos. Já referiu noutras ocasiões que a própria palavra sustentabilidade está a tornar-se banal, a perder o poder. Que palavras devemos impor, posto isto? A sustentabilidade na sua definição é fazer algo que não comprometa o futuro das gerações e, portanto, há uns anos
a promoção de atitudes “verdes” falsas. Também já vi muitas pessoas usarem o termo regenerativo quando na realidade referem uma sustentabilidade mais ampla e não a reparação, regeneração. Temos que ser precisos na utilização da palavra para não perdermos o poder desta nova narrativa. Dê-nos um exemplo claro de design regenerativo. Uso como exemplo o trabalho de um dos meus designers preferidos, o mexicano Fernando Laposse. Estudou design no Reino Unido e depois regressou à sua terra natal, mais especificamente à aldeia onde passava os seus verões na infância e que estava em perfeito declínio natural e social. Isto porque simplesmente mudaram a sua organização social nativa e coletiva para se dedicarem a produzir agricultura intensiva para o mercado americano e que levou a um sistema degenerativo para toda a comunidade. Laposse só voltou a investir na terra, replantando os produtos nativos, e tem contribuído para a restauração do ecossistema. O designer usa parte das suas plantações para criar
Eyes wide open | 25 |
atrás adequava-se à missão. No entanto, hoje é aplicada em tudo, desde alguém que faz um produto que pode ser reciclado, até quem faz um produto de matérias recicladas, ou então quem diminui as emissões de carbono com matérias alternativas. Tornou-se um termo vago usado por todos que fazem a mais pequena ação. Mas o que significa ser sustentável? É um significado muito lato e a narrativa que devemos, de facto, impor é empoderamento, principalmente depois do que aconteceu no COP 26. É a noção basilar deste design regenerativo. Trata-se de regenerar o que estragamos e destruímos nos últimos 50 anos. Nos últimos workshops que lecionei sobre o tema e sobre a moda regenerativa senti esta mudança de narrativa e o empoderamento destaca-se e vejo os designers a reagir. Querem salvar o mundo, o que é oposto ao design sustentável, que se traduz em fazer menos mal. Notei que os criativos já não se sentem atraídos pelo termo sustentabilidade e querem ir além, reparar só pelo ato de criar. Devemos caminhar nessa direção, mas sem cair de novo num truque de greenwhashing, ou
Eyes wide open | 26 |
Foto: V2_
fundo vão trazer benefícios em termos de negócio. É tempo que compensa no bem-estar da equipa e num produto final melhor desenvolvido e pensado e isso beneficia tanto o consumidor como o planeta.
objetos de design de interior. Especificamente o fragmento que envolve o colorido milho endémico mexicano, de onde extrai um folheado e cria produtos originais e que são consequência da regeneração da terra e da biodiversidade. Hoje, a maioria de nós desenha a pensar nos recursos como meios para criar um produto, mas em design regenerativo, o produto é o resultado final de processos regenerativos de ecossistemas. No caso de Fernando Laposse, a restauração daquela terra trouxe-lhe meios para criar um produto perfeitamente inovador, que nunca foi feito e que hoje está em museus e é vendido em locais prestigiantes e emprega ainda mulheres da aldeia que não tinham atividade. É uma abordagem holística que interveio no solo, no clima, na biodiversidade e nas pessoas. Focada em sistemas e não coisas. Sim, mas não é fácil e requer pensar mesmo em todo o sistema. Tudo está interligado: quem beneficia, o tempo que requer e o legado posterior, porque não se pode regenerar terra em dois meses! São necessários anos para que tudo volte a ser como há décadas atrás. No entanto vale a pena essa mentalidade de pensar como começar, com
o quê e como criar um produto que vai beneficiar um sistema inteiro. Como acha que as marcas podem absorver estes diferentes pontos de vista que levam ao aumento da inovação? Onde começar? Acho que uma das primeiras atitudes que as marcas devem ter passa por alocar tempo para pensar de forma diferente. Particularmente na área do design, em que as equipas estão constantemente em modo de emergência, o que diminui a sua capacidade criativa e retira, precisamente, tempo para se atreverem em algo diferente. A chave para a mudança de mentalidade do lucro para o valor é ter tempo para repensar perguntas que fazemos quando desenhamos determinado produto e levar a novas abordagens, que no
É importante trazer outras áreas para o design também. Sim e há sempre uma equipa multidisciplinar que tem de estar envolvida, desde a produção ao marketing, e olhar para os produtos pela lente destas outras equipas é sempre enriquecedor e cria empatia pelo trabalho de cada um. Qual é a prioridade para todas as marcas, designers e empresas para 2022? Mudar para processos regenerativos e usar a criatividade para fazer isso. Para os designers é um período incrível da nossa história. Temos novos materiais a surgir e temos a ciência e todos os factos. Depende de nós fazer isto acontecer. O foco deve ser ir além da sustentabilidade e perceber que tudo o que fazemos influencia a reparação da biodiversidade, contribuiu para o clima e para as comunidades sociais. Temos 96 meses para cumprir com o objetivo de reduzir o aquecimento global. E com esse prazo diminuto vamos ver a criatividade aumentar. Que esperança tem e o que espera? Para mim a COP26 foi um falhanço e demonstrou que não podemos esperar que os políticos tomem as ações necessárias. Porém, também nos deu espaço para decidirmos fazer algo. Para nós criativos, motiva-nos para liderarmos e mostrarmos aos governos que temos capacidade de provocar mudança. Podemos estruturar toda uma nova forma de criar e produzir e temos um horizonte em aberto e isso é incrível.
| 27 | Foto: Canva Studio from Pexels
CECOP
Arrancou a Gestão da Ótica A 2ª edição do programa de Gestão da Ótica dinamizado pelo grupo CECOP começou a 11 de janeiro, rumo a melhorar as capacidade dos profissionais do setor. Esta formação avançada foi alinhada para os óticos e as especificidades da sua atividade. A iniciativa pensada pela CECOP acontece inteiramente em formato digital e com a parceria do ISCTE - Executive Education. De realçar que esta instituição conquistou presença no ranking de escolas superiores de Gestão do Financial Times entre outras quatro universidades portuguesas no Open Ranking e entre três nacionais o ranking Corporate/Costum. E no pré-arranque das sessões, todos os participantes tiveram logo a 4 de janeiro uma sessão online do programa com a equipa do ISCTE, para se fundear os princípios da formação. Este projeto CECOP é baseado em cinco módulos intensivos, com 60 horas de formação. O programa desenrola-se tendo em conta as necessidades da gestão empresarial dos óticos. Ou seja,
adapta-se em termos de horário à sua intensa vida profissional. A divisão dos módulos está organizada de forma a cada um ter 12 horas de conteúdos e desenvolvem-se sob os temas: Gestão Financeira, Compras e Gestão de Stocks, Gestão de Vendas, Marketing Digital e Gestão de Pessoas. A CECOP acresce o Programa de Gestão Ótica com uma nova faceta, assente na conceção de programas específicos para as necessidades dos associados do grupo. As sessões académicas desta segunda edição têm ainda material de apoio disponível em formato digital, a possibilidade de utilização da plataforma digital de ensino do EE do ISCTE e ainda um relatório final de avaliação do programa, assim como certificados de participação. “Para esta nova edição
vamos ter um total de 17 participantes e consequentemente candidatos a melhores gestores das suas óticas! Se quiser saber o que acharam os participantes da primeira edição, partilhamos alguns dos testemunhos”, declararam os representantes da CECOP.
“Uma formação muito interessante e enriquecedora”, José Morais. “Todos os dias aplico o que aprendi na minha empresa”, Maria Cidália Jorge. “Recomendo vivamente a formação. Tento aplicar tudo o que aprendi na minha ótica”, Abel Costa. “Aprendi bastante com o que está ligado com o marketing, lidar com clientes e gestão da parte interna da loja (e não só)”, Jorge Coimbra.
IN YOUR Eyes | 28 |
MultiOpticas
Uma Sala de Brincar para as crianças hospitalizadas Com o objetivo de transformar e melhorar a experiência hospitalar das crianças que frequentam o Hospital de São João, no Porto, abriram as portas da Sala de Brincar Ronald McDonald, a 13 de dezembro de 2021. O projeto nasce a partir da missão da Fundação Infantil Ronald McDonald, em colaboração estreita com a MultiOpticas.
Os parceiros Artefacto, empresa dedicada à construção, reabilitação e decoração, a agência de comunicação GreenMedia e o Hotel Sheraton Porto também quiseram integrar a iniciativa, fazendo nascer um espaço único e “sonhador”. A Sala de Brincar foi idealizada para as crianças em internamento no Hospital São João e para as respetivas famílias. É um espaço que ameniza e transforma a passagem pelo hospital, proporcionando, por um lado, descanso e relaxamento e, por outro, atividades lúdicas. A 13 de dezembro, a MultiOpticas contribuiu para uma inauguraçãoo animada e especial, com atividades destinadas às crianças, a oferta de um lanche e a distribuição de presentes e brinquedos para equipar a sala. Esta iniciativa surge de uma ação anteriormente desenvolvida entre a MultiOpticas e a Casa Ronald McDonald do Porto. A Sala de Brincar tem 300 metros quadrados, encontra-se aberta 365 dias por ano das 9h às 20h e é apoiada por cerca de 150 voluntários da Fundação Infantil Ronald McDonald. Vem apoiar e integrar a nova ala pediátrica do Hospital de São
IN YOUR Eyes | 29 |
João, inaugurada a 11 de dezembro, pelo primeiro-ministro António Costa, e que acolhe atualmente 21 crianças. Adicionalmente, a ala tem capacidade para 100 camas e 700 colaboradores, blocos operatórios, unidades de cuidados intensivos neonatais e a primeira unidade de queimados pediátricos do país. Segundo Ana Portugal, responsável de Corporate Social Responsibility and Sustainability da Multiopticas, “é com profundo carinho que participamos nesta ação com a Fundação Infantil Ronald McDonald e todos os nossos parceiros. Juntos fazemos mais e conseguimos proporcionar a estas crianças um espaço diferente, dentro do hospital onde, durante algum tempo, permanecem. É como trazer uma sala de brincar das nossas casas para um sítio que por norma é associado a dor, doença e tristeza. Juntos trouxemos um arco-íris de cores para estas crianças.” A MultiOpticas continua a promover as várias iniciativas no âmbito da sua estratégia de responsabilidade social, apoiando causas e instituições como a HELPO, Associação Jorge Pina, Fundação Infantil Ronald McDonald, Cáritas Portuguesa, Comunidade Vida e Paz entre outras.
IN YOUR Eyes | 30 |
VAVA contribuiu para a reflorestação nacional A insígnia futurista de coração português, mas de personalidade mundial, doou e plantou 1000 árvores nativas em Baldio de Cabana Maior, nos Arcos de Valdevez, no coração do Parque Nacional de Peneda-Gerês. Foi a forma de regenerar uma área afetada pelos grandes incêndios florestais de 2017. Representa também a dinâmica da VAVA, inspirada na determinação em unir e inspirar o máximo de pessoas possível na luta contra as alterações climáticas, em direção a um futuro mais sustentável.
Num esforço para restaurar a flora autóctone perdida, a VAVA plantou carvalhos, medronheiros, castanheiros e bétulas, no passado mês de novembro. A ação aconteceu integrada no projeto Pronatura da Associação Nacional de Empresas Florestais, Agrícolas e do Ambiente (ANEFA) e com a colaboração do Município de Arcos de Valdevez, a Junta de Freguesia de Cabana Maior, a Associação Atlântica, a escola profissional do Alto Minho Epralina e múltiplos voluntários. No dia da reflorestação, para além da equipa dinâmica da VAVA, marcaram presença os membros do Concelho de Administração da junta de Cabana Maior, a equipa técnica do Instituto
da Conservação da Natureza e das Florestas e ainda os elementos do Corpo Nacional de Agentes Florestais. Lado a lado com estes especialistas estiveram ainda os docentes e alunos da Epralima, os técnicos e sapadores florestais da Associação Atlântica, os representantes da ANEFA e muito civis com vontade de ajudar. Um tesouro em forma de natureza
O Parque Nacional de Peneda-Gerês localiza-se a norte de Portugal. Foi criado em 1971, cobrindo 695.93 quilómetros quadrados e faz fronteira com o Parque Natural espanhol Baixa Limia – Serra do Xurés a norte, com
o qual forma a reserva da biosfera da UNESCO Gerês-Xurés. A sua delimitação surge para proteger o solo, a água, a flora, a fauna e a paisagem, preservando o seu valor humano e natural. O parque também abriga cerca de 220 espécies de vertebrados, alguns apenas nativos da Península Ibérica, incluindo o ameaçado desman dos Pirenéus, o sapo ibérico ou a salamandra listrada de ouro. A área agora ocupada pelo parque tem uma longa história humana, refletida pelas suas inúmeras estruturas megalíticas e vestígios romanos. Atualmente é habitada por cerca de 9000 pessoas, espalhadas por pequenas aldeias.
IN YOUR Eyes | 31 |
Opticalia Cinco Estrelas!
A Opticalia Portugal esteve de novo em destaque na avaliação feita pelo sistema Prémio Cinco Estrelas, garantindo-lhe pelo 8º ano consecutivo o título de marca Cinco Estrelas 2022, na categoria “Serviços Óticos”.
"Os resultados obtidos nos testes e estudo de mercado realizados no âmbito desta avaliação, permitem afirmar que a Opticalia é considerada pelos consumidores como muito boa, realmente Cinco Estrelas." afirmou a fundadora da organização que atribui os galardões, Ana Cristina Lourenço. Foi na média da recomendação da marca Opticalia, por parte dos seus clientes, onde a insígnia multinacional se destacou com 7,92. O que motivou esta pontuação elevada foi precisamente a característica Atendimento, em que os inquiridos destacaram a simpatia e a disponibilidade e ainda aconselhamento técnico e estético por parte dos funcionários deste grupo de óticas. Assim, para 2022 e pelo 8º ano consecutivo, a Opticalia, ,
obtém o título de Marca Cinco Estrelas, na categoria Serviços Óticos, podendo utilizar o selo Prémio Cinco Estrelas 2022 em todas as suas ações de comunicação, como forma de se diferenciar no mercado. O Prémio Cinco Estrelas é um sistema de avaliação que mede o grau de satisfação que os produtos, os serviços e as marcas conferem aos seus utilizadores. Utiliza uma metodologia completa e rigorosa, tendo como critérios de avaliação as principais variáveis que influenciam a decisão de compra dos consumidores. Trata-se de uma ferramenta poderosa para apoiar os consumidores a identificar o que de melhor existe em Portugal, ao nível dos produtos, serviços e marcas.
| 32 |
#I eyes of the world
Bettina Reiter
Uma opti flexível que se lança a maio A diretora da feira internacional alemã falou-nos do desafio que foi decidir abandonar a usual posição de primeira feira do ano, em janeiro. A decisão que mudou a opti para novas datas em maio, de 13 a 15, fez-se em conluio com os players envolvidos no certame e augura melhor participação e, acima de tudo, segurança. Numa conversa exclusiva com a Millioneyes, Bettina Reiter garantiu que a necessidade do setor se encontrar em feiras profissionais é um facto e que a opti está desenhada para garantir negócios e encontros de sucesso. A líder alemã garante ainda que Munique “vestida” de primavera é irresistível e que vale a pena visitar um evento bem delineado, transversal a todas as vertentes da ótica, com uma faceta académica forte e muitas novidades. Embora seja imperioso não fazer a opti em janeiro, não deixa de ser altamente prejudicial para a organização voltar a adiar a feira. A opti é a feira profissional líder da indústria do mais importante mercado europeu. O nosso objetivo pri-
mordial é garantir uma plataforma de confiança para o setor da ótica, um ponto de encontro para a indústria e uma oportunidade para fazer transações e contactos de grande qualidade. Até ao início de novembro, nós e os participantes do mercado, considerá-
mos que havia grande potencial para conseguir realizar o evento. Depois, o aumento rápido e descontrolado das taxas de infeção pelo coronavírus e as aceleradas mudanças nos regulamentos estabelecidas pelo governo tornaram impossível planear o evento
com certeza e fiabilidade e, por isso, decidimos adiar a opti para maio. E como a situação está hoje, no período para quando a feira estava programada, posso afirmar que fizemos tudo de forma correta. Por favor não pense que nos estamos a enaltecer quando dizemos isto, nem pensar, todas as nossas ações foram ponderadas com muito cuidado, em parceria com as muitas pessoas que compõem a indústria da ótica oftálmica
dos detalhes de contacto e passes de acesso para os bilhetes. Mesmo assim, depois deste longo e forçado período de pausa, a opti 2022 focará mais a qualidade que a quantidade – mais trocas pessoais há muito esperadas. Somos um prestador de serviços e organizamos feiras profissionais presenciais, precisamente porque o mercado precisa delas. E respondendo à sua questão, sim, estamos numa boa posição económica como organização.
profissionais diariamente, como iríamos realizar seja o for?
E a opti mantém-se financeiramente saudável? Têm sido tempos muito desafiantes para todas as feiras profissionais. A opti é uma história de sucesso e todos os envolvidos podem olhar para o futuro com confiança, porque nos baseamos num desenvolvimento forte: a primeira opti foi realizada em 2008 com 18 mil visitantes e quase 360 expositores de 20 países e em 2020, a última opti antes da pandemia, recebemos 605 expositores de 39 países e quase 26 mil visitantes, em Munique. Estamos a falar de um aumento de 47 por cento em número de visitantes e 90 por cento em nacionalidades. Claro que, atualmente é mais difícil organizar uma feira de forma lucrativa, porque temos custos adicionais de processamento, como por exemplo com a comunicação e com o registo
A tomada de decisão para mudança das datas foi feita com alguma antecedência. Que condições foram favoráveis a esta antecipação? Houve uma enorme necessidade de convicção no planeamento, especialmente para os expositores, e foi isto que nos moveu quando decidimos adiar a opti de janeiro. Quando a situação da pandemia mudou de forma drástica em novembro, respondemos com determinação e rapidamente negociámos uma alternativa apelativa no calendário da feira de Munique. Se a pandemia nos ensinou alguma coisa foi como reagir com flexibilidade e ter um pensamento voltado para o futuro e orientado para decisões. O otimismo faz parte da opti e não apenas naquelas primeiras quatro letras (risos). Se assim não fosse e não agíssemos com coragem para aquilo que nos apaixona nas nossas vidas
E como reagiram os expositores ao anúncio do adiamento? As reações à nossa decisão foram na sua maioria positivas. É claro que os players da indústria da ótica oftálmica querem encontrar-se na opti, como demonstrado durante as nossas conversas nas últimas semanas. Aliás, a generalidade dos expositores e visitantes reagiram com alívio e concordaram todos que não devíamos manter as datas de janeiro. Isto deu-nos confiança e encorajou-nos a tomar a nossa decisão, que mesmo assim não foi nada fácil. Também nos encorajou a implementar em conjunto uma bem-sucedida opti 2022 ao longo de quatro pavilhões. Atualmente temos quase 400 expositores, que abrangem a gama total de produtos e serviços da opti. Claro que tivemos alguns cancelamentos, mas no geral o apoio da
Eyes of the world | 33 |
"Os óticos portugueses de sucesso também precisam de participar. E quem quer perder a oportunidade de ver a fabulosa Munique na primavera?"
Eyes of the world | 34 |
perfeita para ser exibida online. Como primeiro passo, deliberadamente focámo-nos no nosso mercado central, o de língua germânica. Depois dos muito populares webinars de 120 minutos com visualização gratuita vão realizar-se mais transmissões ao vivo com especialistas da indústria antes da opti em maio. Posteriormente, a opti FORUM XT será replicada em dias temáticos também desenvolvidos para os visitantes internacionais. Que outras iniciativas planeiam antes de maio? Paralelamente ao opti FORUM XT, aos webinars e eventos ao vivo em forma de dias temáticos, o novo BOX AWARD, patrocinado pela plataforma de comunicação especializada eyebizz, é outro destaque da opti em maio. Um painel de juízes vai selecionar uma das start-ups instaladas nas opti BOXES no pavilhão C2, perante uma audiência de visitantes profissionais e os media do setor.
indústria foi enorme. E depois de adiarmos o evento, houve também novos registos de expositores que sentiram que as datas de janeiro eram demasiado incertas. E como atrair os visitantes para as novas datas de maio? Abordámos o mercado com datas que ambos os expositores e visitantes consideraram atrativas e uma opção mais segura. Claro que as datas não servirão todos, mas também qual é o período perfeito para a totalidade do setor? Tivemos que seguir a maioria no adiamento para novas datas em maio. As transações do setor da ótica adaptaram-se à situação atual. Datas fixas para o lançamento de coleções já não são definidas automaticamente, muitas novas coleções ou modelos tornaram-se mais fluídas e não estão destinadas a um mês em particular. A opti em maio será vista como um evento de negócios de verão. Também temos a oportunidade de atrair novamente uma audiência internacional mais ampla com estas datas. E vão impor-se mudanças na opti em maio? A próxima opti será uma fantástica mistura de inovação e tradição. De
um lado teremos inovação com, por exemplo, o nosso opti FORUM XT, que será espelhado em temas diários no site que aborda o conteúdo dos webinars e o demonstram de perto. Por outro lado, iremos focar-nos no tradicional sentido da opti, ou seja, nos encontros da “vida real” e partilhas relacionadas com os negócios. Também teremos tradição sob a forma do nosso conceito de pavilhões, que garante a atmosfera opti já conhecida, enquanto as estruturas e percursos familiares do local facilitam uma visita à feira agradável e focada. A opti tem organizado eventos digitais, mas apenas em alemão. Pensam alargar estas iniciativas a mais nacionalidades? Estabelecemos e comprovámos que o opti FORUM é o pilar mais importante para o nosso conceito de transferência de conhecimentos em formato digital, pois esta indústria é
Que mensagem quer deixar aos visitantes em geral e aos portugueses em particular? A feira profissional presencial como evento vivo e de garantia de negócio é algo que todos precisamos e sentimos falta desesperadamente. A opti já há muito se tornou mais do que apenas a líder para o mercado de língua alemã. Estamos a preparar a exposição para a bem-sucedida indústria de ótica com todos e para todos que querem fazer parte desta iniciativa especial. Os óticos portugueses de sucesso também precisam de participar. E quem quer perder a oportunidade de ver a fabulosa Munique na primavera?
A empresa dedicada à cor por excelência anunciou em dezembro a cor que “pintará” o próximo ano. O novo tom de azul, Pantone 17-3938 Very Peri tem uma presença que incentiva à criatividade e invenção pessoal.
Trata-se de um matiz azul arroxeado com um subtil tom vívido avermelhado- violeta que a Pantone, autoridade global da cor e fornecedor dos standards da especificidade dos tons e de soluções digitais para a comunidade artística, definiu para o ano da esperança. A mistura da fé e da constância da energia azul e a inquietude do vermelho resulta no mais feliz e quente tom de azul e introduz uma poderosa mistura de novidades. O intrigante e inquiridor Pantone 17-3938 Very Peri exibe uma confiança despreocupada e uma curiosidade atrevida que anima o nosso espírito criativo. Também nos ajuda a aceitar a atual realidade alterada e plena de possibilidades, abrindo-nos a uma nova visão enquanto reescrevemos nossas vidas. Reavivando algumas das qualidades que o azul representa, com-
plementadas por uma nova perspetiva que ressoa na atualidade, Pantone 173938 Very Peri coloca o futuro sob uma nova luz. São tempos transformadores os que vivemos hoje e a proposta de cor simboliza o espírito global e as respetivas transições que experienciamos. À medida que emergimos de um intenso período de isolamento, as nossas noções sobre os paradigmas mudam e as vidas físicas e digitais advêm de uma nova forma. O design digital ajuda-nos a esticar os limites da realidade, abrindo a porta para um mundo dinâmico virtual que podemos explorar e onde criamos novas possibilidades. Com as tendências nos jogos online, a popularidade crescente do metaverso e da ascensão da comunidade artística no espaço digital, o Pantone 17-3938 Very Peri ilustra a fusão da vida moderna
e com as tendências em cores estão a manifestar-se no mundo físico e vice-versa. “A Cor do Ano Pantone reflete o que se passa na nossa cultura global, expressando o que as pessoas procuram e que a cor pode proporcionar. Criar uma nova cor pela primeira vez na história do nosso programa educacional de cor espelha a inovação e transformação transversal que está a acontecer. Enquanto a sociedade continua a reconhecer a cor como uma forma central de comunicação e como maneira de expressar e afetar ideias e emoções e ligar e interessar, a complexidade deste novo tom azul infundido de vermelho-violeta assinala as possibilidades expansivas que estão à nossa frente”, declarou Laurie Pressman, vice presidente do Instituto da Cor Pantone.
Eyes of the world | 35 |
E a cor do ano 2022 é... Pantone Very Peri
Eyes of the world | 36 |
François van den Abeele Sea2See: A visão que vem da limpeza dos oceanos
Este amante dos oceanos decidiu levar a sua missão de melhorar o ambiente para o rosto. Onde melhor se pode ver um produto afinal? Perante uma indústria com base no plástico, sem grandes respostas alternativas em materiais, François van den Abeele fez nascer a Sea2See em 2016. Para criar cada peça usou o “lixo” que, em parceria com comunidades costeiras, retirou do mar e deu um twist de paraíso a cada modelo. Portanto , usar óculos Sea2See é dizer que se faz parte de um enorme clube de salvadores dos mares e oceanos e que se está em união com o planeta. François van den Abeele garantiu-nos que este é um trabalho sem fim à vista e que, embora se produzam óculos e agora também relógios, a recolha não termina quando já há matéria para esse fabrico. Continua em prol das pessoas das zonas costeiras de países em desenvolvimento, do ambiente marinho, da vida... Aparentemente não foram os óculos em si que motivaram o nascimento da Sea2See, mas sim a missão de apoiar o ambiente. Posto isto, porquê escolher o eyewear para criar a marca própria? No Fórum Económico Mundial de Davos, em 2016, a Ellen MacArthur, a fa-
mosa velejadora, disse que em 2050 iria haver mais plástico que peixes no oceano e isto teve impacto em mim. Naquele período seguia Boyan Slat, um jovem estudante holandês que estava a angariar fundos para limpar o plástico do Oceano Pacífico e estava a planear pro-
duzir uma marca de calções de surf com poliéster reciclado a partir de garrafas PET. Ao mesmo tempo, comprava o meu primeiro par de óculos feitos precisamente de plástico, num setor que, depois de uma pesquisa, percebi que representava uma indústria de cerca
Eyes of the world | 37 |
de 88 biliões de euros onde a sustentabilidade era inexistente. Alguma coisa tinha que ser feita. No topo de tudo isto, apercebi-me que os óculos são uma ferramenta muito visível, no centro das nossas caras, o que pode enviar uma mensagem e fazer os consumidores integrarem o movimento ecológico. Como se processou a fundação da marca então? Depois de encontrar um fabricante italiano de óculos de enorme qualidade e testado o potencial dos diferentes tipos de plástico marinho reciclado e da possibilidade de ter uma parceria com os pescadores para recolher os resíduos, decidi criar a Sea2See. É uma marca que quer elevar as consciências sobre a ameaça ambiental real da contaminação do oceano pelo plástico, para provar que estes resíduos, nomeadamente o plástico marinho, quando corretamente reciclados é uma ótica fonte de matéria prima. Isto demonstra que precisamos de repensar a forma como fazemos design, produzimos e usamos os materiais, seguindo em direção a um caminho mais circular em vez de linear e ainda mais importante, dando aos consumidores a possibilidade de interpretar o seu papel. Consumidores e óticos, quando têm escolha, preferem tomar
decisões sustentáveis e no mundo da ótica nós fomos pioneiros nessa escolha, garantindo a possibilidade de agirem como embaixadores da mudança, promovendo os nossos valores. Sea2See é uma empresa com certificação, usando UPSEATM - um plástico marinho reciclado 100 por cento certificado Cradle to Cradle. Todas as nossas embalagens são recicladas desde o início. O nosso objetivo também passou por mostrar que se pode ter um produto reciclado com a máxima qualidade, feito em Itália com um preço competitivo. Estes fatores tem sido a chave para o nosso rápido desenvolvimento e a presença atual em quase quatro mil óticos. E o nome, como decidiram Sea2See? O plástico marinho do mar para ver... acho que fui atingido pelos deuses do mar nesse dia (risos). Adicionalmente, na era do B2B, B2C, tinha que ser a escolha certa. O eyewear sustentável é uma ideia que hoje é muito recorrente . Como manter a Sea2See desejável ao consumidor? Quando começámos há cinco anos, todos pensavam que éramos malucos. Hoje somos copiados. A Sea2See nasceu de uma causa e não por causa
Eyes of the world | 38 |
de uma tendência, pois a sustentabilidade não estava em voga há cinco anos. A nossa coleção inteira é feita de resíduos reciclados que recolhemos e recuperamos. O ADN da marca é todo sobre “seastainability”, economia circular e ajudar o ambiente marinho e costeiro. Nós também queremos provar que os resíduos podem ser uma excelente fonte de matérias primas que permitem produzir um produto de qualidade e feito em Itália. Hoje, a Fundação Sea2See concentra-se em ajudar as comunidades costeiras e financiar a limpeza do lixo marinho. A Sea2See tem tudo a ver com o impacto que temos na fonte e na rastreabilidade daquilo que é feito. Não reclamamos apenas que as nossas matérias são sustentáveis. Como pioneiros do movimento seastainable na indústria, usufruímos de uma enorme criatividade e presença no mercado. Também somos fiéis às nossas origens, mantendo a produção com a mesma companhia italiana desde o início e com a capacidade de sermos inovadores e criar produtos que vão ao encontro das necessidades de todos os consumidores (mulheres, homens, crianças) sempre acompanhando a evolução das nossas coleções e do nosso estilo, gama de cores e qualidades como a leveza. Manter o apelo do consumidor também significa envolvê-los no que fazemos. Cada modelo vendido mantém a nossa missão em prol dos oceanos – elevar as consciências sobre a contaminação do oceano e do planeta. Como definem o design das armações? Analisamos as tendências de cada mercado onde operamos e junto dos nossos designers e produtores italianos fazemos escolhas. O foco mais importante passa por proporcionar uma coleção que se ajuste a todos os segmentos e a sua variedade de estilos, objetivos desportivos ou gostos de moda – pois queremos ter o máximo de pessoas possível a integrar a nossa família seastainable.
cento feito em Itália, com uma qualidade e estilo incríveis e com um preço acessível. E a pandemia não trouxe dificuldades à vossa missão? Pelo contrário, a pandemia reforçou os nossos valores. Os consumidores estão a mudar e estão a adotar um estilo de vida sustentável. Os materiais são infinitos e, infelizmente, a contaminação do nosso planeta que estava em pausa durante o confinamento, recomeçou. Já temos material reciclado para as nossas armações para os próximos 20 anos e continuamos a recolher, mas a Sea2See está ligada ao contínuo impacto e não apenas na reciclagem do que precisamos para as nossas peças, o que seria muito pouco. Sabe quanto plástico retiraram do oceano desde o primeiro dia da Sea2See? Estimamos ter recolhido cerca de 452 mil quilos desde 2016, inicialmente em Espanha e França. Hoje estamos concentrados na África Ocidental, onde sentimos que podemos alcançar um maior impacto nas comunidades costeiras e onde milhares de pescadores obtêm uma nova fonte de rendimento, graças aos resíduos que recolhem. Também estamos a estudar a Ásia para instalar as nossas atividades da Fundação Sea2See. Nunca pensaram usar outros materiais? Estamo-nos a focar no impacto na fonte e na questão do plástico marinho e resíduos no ambiente costeiro... vamos manter esse foco. Qual considera ser a chave do sucesso da Sea2See? Somos genuínos! Como a primeira marca seastainable do mercado, conseguimos alguma vantagem. Concentrámo-nos no impacto real, combatendo uma causa real e na integração vertical desde a fonte dos resíduos até ao produto final, 100 por cento reciclado com o nosso material, 100 por
Acha que o futuro das marcas eyewear terá que passar por este sentido sustentável ou continuará a ser um nicho? Sustentabilidade, rastreamento e impacto tem um preço que nem todos estão dispostos a aceitar. Espero que o futuro seja, de facto, mais sustentável e que se sinta os efeitos no ambiente, mas também significa menos margens, redução dos transportes, diminuição da nossa pegada de carbono e, mais importante, o aumento da produção local. Muitos dos players não estão dispostos a aventurar-se neste caminho. Quais são os seus sonhos para o futuro da Sea2See? O meu sonho é ter o maior número possível de comunidades costeiras em países em desenvolvimento ligadas aos nossos programas de limpeza. Também queremos mais apoio na educação das crianças salvas das redes de escravatura de pesca. Queremos, claro, continuar a agitar o setor ótico, graças a milhares de profissionais e consumidores que estão comprometidos em ter um impacto positivo no nosso planeta e oceanos, agora e no futuro.