lume Mato Grosso
Onofre Cezário de Souza Filho
Revista nº. 20 • Ano 4 • Março/2018
Cooperativismo com foco na educação. Pag. 28
PERSONALIDADE: RAIMUNDO MORORÓ MUSEU DA CACHAÇA - SALINAS PLATA YVYGÜY - TESOUROS DE SOLANO LOPES PORTAL DO ENCANTADO - POVO CHIQUITANO OS 110 ANOS DE SIMONE DE BEAUVOIR RETRATO EM PRETO E BRANCO - PEDRO PEDROSSIAN AMERICANIDADE - GABRIELA MISTRAL
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CUIABÁ 300 ANOS
A ORIGEM HISTÓRICA DE MATO GROSSO SEMPRE ESTARÁ LIGADA À DE CUIABÁ
O PRESIDENTE DO ESTADO DE MT, DOM AQUINO CORRÊA, EM JANEIRO DE 1920, VISITA SERINGAL DA FIRMA ALEXANDRE ADDOR, ÁS MARGENS DO RIO ARINOS, NORTE MT. DA ESQUERDA PARA A DIREITA, SENTADOS: HENRIQUE FLORENCE (SECR. VIAÇÃO E OBRAS), DOM AQUINO (PRESIDENTE), JOÃO CELESTINO CORRÊA CARDOSO (DEPUTADO), DR. ESTEVÃO ALVES CORRÊA. EM PÉ, DA ESQUERDA PARA A DIREITA, TEN. CEL. FIRMO JOSÉ RODRIGUES (3º), INTENDENTE DE CUIABÁ E EMPRESÁRIO, ALEXANDRE MAGNO ADDOR (7º), FREI AMBRÓSIO DAYDEÉ (9º)
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C A RTA D O E D I TO R
JOÃO CARLOS VICENTE FERREIRA Editor Geral
A
frase “não existe almoço grátis” tem sua autoria frequente e erroneamente atribuída ao prêmio Nobel de Economia Milton Friedman. De fato, ele popularizou a frase, mas frisou que não a inventou. Sua origem remonta, provavelmente, ao século 19, nos Estados Unidos. Diz-se que a expressão faz referência ao fato de os saloons da época servirem “almoço grátis”, desde que o cliente comprasse bebidas. Ou seja, grátis coisa nenhuma! A frase acabou se tornando um dito popular quando se quer dizer que tudo na vida tem um preço, ainda que oculto e pouco óbvio. Faço alusão à frase “não existe almoço grátis”, tão utilizada nos últimos tempos, na política con-temporânea, o que a torna, para o povo brasileiro, ludibriado e comprado nas urnas, bem verdadeira. Tornou-se um indicativo, nos últimos tempos, de que não há ações políticas desinteressadas,
mesmo as mais prosaicas. O que dizermos, então, quando nos deparávamos, até poucos anos atrás, com doações milionárias de empresas privadas em campanhas eleitorais? O custo das campanhas subiam ano a ano, bem mais do que a inflação oficial e, grande parte desses recursos, obtidos através de doações de empresas eram utilizados para aliciar eleitores, comprometendo de forma efetiva a independência dos eleitos. São muitos os fatos na política local e nacional que dão aval à essa frase. Em 11 de fevereiro de 2015, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, se referiu a esse dito para mostrar como funcionam as indicações políticas para cargos de governo. No funcionalismo público mato-grossense o que mais se vê são indicações políticas de pessoas inabilitadas e descompromissadas com a vida pública e seus objetivos finais, que é o de atender a socie-
dade, que é a mantenedora do Estado, pois é quem paga os impostos. Por conta de contínua insatisfação com os serviços prestados pelo funcionalismo público, de forma geral, em todos os setores de prefeituras, Estado e União, avança a passos largos a proposta que acaba com a estabilidade no serviço público para servidores com baixo desempenho nas atividades desenvolvidas. Com as novas regras eleitorais esperamos pela diminuição da fatídica compra de votos, hábito ancestral em Mato Grosso, tanto de políticos quanto de eleitores. Alguns se salvam, mas são poucos. Esperamos que nas eleições deste ano o comportamento dos cidadãos sejam mais cívicos, elegendo candidatos que não estejam ligados à corrupção, o verdadeiro câncer da nação. E o tal do “almoço grátis”, nem pensar! Boa leitura a todos!
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EXPEDIENTE
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PESCUMA MORAIS Diretor de Expansão e de Projetos Especiais ELEONOR CRISTINA FERREIRA Diretora Comercial JOÃO CARLOS VICENTE FERREIRA Editor Geral MARIA RITA UEMURA Jornalista Responsável JOÃO GUILHERME O. V. FERREIRA Revisão AMÉRICO CORRÊA, ANA CAROLINA H. BRAGANÇA, ANDRÉIA KRUGER, ANNA MARIA RIBEIRO, BENEDITO PEDRO DORILEO, CARLOS FERREIRA, CARLOS GOMES DE CARVALHO, CECÍLIA KAWALL, DIEGO DA SILVA BARROS, EDUARDO MAHON, ELIETH GRIPP, ENIEL GOCHETTE, EVELYN RIBEIRO, FELIPE DE ALBUQUERQUE, FRANCISCO E. DE BRITO JR., HENRIQUE SANTIAN, JOSANE SALLES, JUDI OLLI, JULIANA RODRIGUES, LUCIENE CARVALHO, MILTON PEREIRA DE PINHO - GUAPO, RAFAEL LIRA, ROSARIO CASALENUOVO, ROSE DOMINGUES, THAYS OLIVEIRA SILVA, VALÉRIA CARVALHO, WLADIMIR TADEU BAPTISTA SOARES, YAN CARLOS NOGUEIRA Colaboradores ANDREY ROMEU, ANTÔNIO CARLOS FERREIRA (BANAVITA), CECÍLIA KAWALL, CHICO VALDINEI, EDUARDO ANDRADE, HEITOR MAGNO, HENRIQUE SANTIAN,
JOSÉ MEDEIROS, JOYCE CORRÊA, JÚLIO ROCHA, LAÉRCIO MIRANDA, LUIS ALVES, LUIS GOMES, RAI REIS, MAIKE BUENO, MARCOS BERGAMASCO, MARCOS LOPES, MÁRIO FRIEDLANDER, MOISÉS INÁCIO DE SOUZA, SAMUEL MELIN Fotos OS ARTIGOS ASSINADOS SÃO DE RESPONSABILIDADE DE SEUS AUTORES. LUME - MATO GROSSO é uma publicação mensal da EDITORA MEMÓRIA BRASILEIRA Distribuição Exclusiva no Brasil RUA PROFESSORA AMÉLIA MUNIZ, 107, CIDADE ALTA, CUIABÁ, MT, 78.030-445 (65) 3054-1847 | 36371774 99284-0228 | 9925-8248 Contato WWW.FACEBOOK.COM/REVISTALUMEMT Lume-line REVISTALUMEMT@GMAIL.COM Cartas, matérias e sugestões de pauta MEMORIABRASILEIRA13@GMAIL.COM Para anunciar ROSELI MENDES CARNAÍBA Projeto Gráfico/Diagramação ONOFRE CEZÁRIO DE SOUZA FILHO FOTO: PORTAL MATO GROSSO Capa
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SUMÁRIO
12. NOTAS
14. 17. ELEIÇÕES 2018
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22. SAÚDE
MEIO AMBIENTE
24. OPINIÃO
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HISTÓRIA
OPINIÃO
MARÇOS DE NOSSA HISTÓRIA
LITERATURA
CRÔNICAS PANTANEIRAS
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PERSONALIDADE
Raimundo Mororó O Senhor Cacau
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POR JOÃO CARLOS VICENTE FERREIRA
ascido no Ceará, mas projetado para o mundo como um dos maiores especialistas em cacau do Brasil, através do estado da Bahia, o biólogo Raimundo Mororó quer produzir um chocolate único, com alto teor de cacau e de excelência. Para isso tornar-se realidade aliou seu conhecimento e técnica com a cultura cacaueira à carreira de empresário. Em
parceria, adquiriu a Fazenda Riachuelo, próximo a Ilhéus e fundou a fábrica de chocolates Mendoá, voltada à produção de chocolate Premium. Por conta disso, a revista LUME entrevista Mororó sobre a evolução da cultura do cacau em Mato Grosso e no Brasil, além do que, por seu excelso conhecimento, opinar sobre a qualidade de chocolate fabricado na Europa, e, na Mendoá. FOTOS DIVULGAÇÃO
O SENHOR FALA DA CEPLAC DE ILHÉUS? »»Isso mesmo. É uma referência para quem tem o mesmo propósito de ver de perto a cultura cacaueira inserida no bioma da Mata Atlântica e o trabalho desenvolvido pelo órgão na promoção do
desenvolvimento regional. A sede regional da Bahia está situada no Km 22, da BR 415, entre os municípios de Ilhéus e Itabuna, é um atrativo para turistas, estudantes e profissionais das áreas de ciência e tecnologia. COMO O SENHOR ANALISA O CULTIVO DO CACAU EM MATO GROSSO? »»Mato Grosso tem uma característica muito boa de solo para o cultivo do cacau. O diferencial para a consolidação da cacauicultura está nas características do produtor rural do Estado. Pelo fato das maiores plantações de cacau estarem localizadas numa região onde os agricultores são de origem sulista, mais habituados com lavouras mecanizadas, acho pouco provável a evolução em larga escala, a curto prazo, dessa cultura. O homem do campo dessa região é diferente do agricul-
tor da Bahia, especialmente porque não está habituado às culturas manuais.
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O SENHOR CONHECE A CACAUICULTURA EM MATO GROSSO? »»Sim, estive na região norte do Estado, mais precisamente em Alta Floresta, fui dar treinamento de pós-colheita às famílias de agricultores, nos anos de 2007 até 2009. Minha ida foi através da CEPLAC - Comissão Executiva de Planejamento da Lavoura Cacaueira, instituição pública de pesquisa vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, responsável pela cultura do cacau no Brasil, à qual fui ligado por mais de 40 anos.
O CULTIVO DE CACAU TEM FUTURO EM MATO GROSSO? »»Eu não sei se cacau vai ser um grande negócio em Mato Grosso. Eu tenho as minhas dúvidas. Devido às características do próprio agricultor, muito embora já tenham vários agricultores do Estado da Bahia se deslocando para as regiões norte de Mato Grosso e sul do Pará. COMO FOI O INÍCIO DE SUA PROFISSIONAL? »»Me formei em biologia pela Universidade Estadual de Santa Cruz. Fiz especializações na Universidade Federal do Ceará e na Faculdade Jorge Amado, em Salvador. Comecei como professor de tecnologia de alimentos e tecnologia da EMARC, órgão da SEPLAC. Vim para
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o município de Uruçu para ser professor de leite e derivados, e acabei tendo que lecionar todas as disciplinas de processamento. Naquele tempo a instituição contratou dois engenheiros de alimentos e mais “um bando de gente de fora”. Esses profissionais ficavam em média sessenta dias e ia embora. O que ficou mais tempo permaneceu por dois anos. Acabou que tínhamos que assumir todas as dez disciplinas oferecidas, inclusive a de carne, de processamento vegetal, de microbiologia, dentre outras. Eu fiquei nesta escola, que é uma fazendinha, de ensino profissionalizante, por 15 anos. Depois saí do setor de educação e fui para o centro de pesquisas, na mesma instituição. Lá eu atuei por 25 anos, até me aposentar.
COMO FOI QUE O CACAU ENTROU EM SUA VIDA? »»Na escola eu já aprendi a fazer várias coisas derivadas do cacau, inclusive essa rapadurinha (mostra um exemplar de um doce de cacau fabricado pela indústria Mendoá), retirava mel e polpa de cacau, enfim, tinha que dar aula para os estudantes. Nessa época eu também tinha projetos de pesquisas com um colega de trabalho do CETEC, em Uruçu. Posteriormente esse amigo saiu para um projeto de doutorado nos Estados Unidos e, eu o substituí no Centro de Pesquisas, no setor de tecnologia e engenharia agrícola. que era responsável por secagem, fermentação e agroindústria. Nisso eu fui me especializando e fazendo diversos tipos de projetos. traba-
lhei por muito tempo na CEPLAC, por mais de quarenta anos, me aposentei lá. E A PRAGA DA VASSOURA DE BRUXA, COMO SURGIU? »»Segundo consta a vassoura-de-bruxa teria sido disseminada em 1989, quando foi descoberto o primeiro foco da infecção em uma plantação de cacau no sul da Bahia. Em menos de três anos, a praga destruiu as lavouras e fez surgir uma série de explicações, inclusive a de que o Brasil poderia ter sido vítima de uma sabotagem agrícola por parte de países produtores de cacau da África. A MENDOÁ TEM PROJETO DE FAZER O MELHOR CHOCOLATE DO BRASIL? »»Esse é o nosso objetivo. Como chocolate, dentro do conceito de cacau, nós já produzimos o melhor do país. No entanto, dentro da categoria de chocolate convencional, estamos até um pouco fora. Porque se come chocolate por aí com baixo teor de cacau e alto teor de leite e de açúcar. Aqui nós estamos mantendo o conceito de chocolate com alto teor de cacau. O aspecto é saudável e apresenta alto teor nutricional. FALE SOBRE O SALÃO INTERNACIONAL DO CHOCOLATE »»Trata-se de uma feira específica sobre chocolate, que acontece em Paris, que é sede central des-
É POSSÍVEL UMA QUEBRA DE PARADIGMAS? »»Como as coisas se encaminham no Brasil é possível. Estamos produzindo chocolate premium, com grandes investimentos em pesquisas científicas, que passa pelo plantio, cultivo, colheita, fermentação, secagem e todas as etapas de industrialização, usando cacau de extrema qualidade para sua produção. O chocolate produzido na Europa é um produto extremante bom, feito por empresas de ponta que se utilizam de equipamentos da mais alta qualidade. Mas
eles fazem um chocolate que a gente aqui no Brasil costuma chamar de “chocolate fino”, no entanto, eu chamo de “chocolate sem personalidade”. Para chegarem ao produto que se consagrou como o chocolate europeu, eles utilizam, em sua fabricação, cacau menos ácido, menos amargo e menos adstringente. Com isso, ele passa a ser ligeiramente mais aromático, mas aí percebe-se que para chegar a esse resultado, eles, os europeus, usaram a baunilha para obtenção do peculiar aroma. QUE TIPO DE CACAU OS EUROPEUS USAM? »»Não é o que eu aconselharia a usar, acredito que deve ser o cacau Criollo. Existe uma empresa na França, a Chocolat Michel Cluizel, no mercado desde 1948, que fabrica chocola-
CACAU - FRUTO DE OURO O cacaueiro é originário de regiões de florestas pluviais da América Tropical, onde, até hoje é encontrado em estado Silvestre, desde o Peru até o México. No Brasil, os primeiros registros ocorreram nas cabeceiras do rio Amazonas, tendo-se expandido em duas direções principais, originando dois grupos importantes: Criollo e Forastero. O Criollo, que se espalhou em direção ao Norte, para o rio Orinoco, penetrando na América Central e Sul do México, produz frutos grandes, com superfície enrugada. Suas sementes são grandes, com interior grande ou violeta pálido. Foi o tipo de cacau cultivado pelos índios Astecas e Maias. O Forastero, espalhou-se pela ba-
te com manteiga de cacau pura e vagem de baunilha de bourbon, que passou a comprar o nosso cacau, o Forastero ou Silvestre, para melhorarem a qualidade de seus produtos. É um passo importante, pode-se assim dizer, no quesito de reconhecer a importância da utilização do cacau na fabricação de chocolates.
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ta proposta, mas que também ocorre em outras importantes cidades do mundo, a exemplo de Nova Iorque, Tóquio, dentre outras. Nós participamos sistematicamente desse evento mundial desde 2010.
ISSO É UMA QUEBRA DE PARADIGMAS? »»Com isso ocorrendo no mercado europeu, o fato deles começarem a se valer de cacau forasteiro ou silvestre para a fabricação de seus chocolates é sim, uma quebra de paradigmas. É uma espécie de desconstrução do conceito que eles tinham da fabricação de chocolates. É possível que até venham a construir um novo conceito, com um novo cacau, novos consumidores, quem sabe?
cia Amazônica abaixo e em direção as Guianas, é considerado o verdadeiro cacau Brasileiro e se caracteriza por frutos ovóides, com superfície lisa, imperceptivelmente sulcada ou enrugada. O interior de suas sementes é violeta escuro ou, algumas vezes, quase preto.
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N OTA S
DIA MUNDIAL DA ÁGUA
»»O Dia Mundial da Água, comemorado
em 22 de março, que chama a atenção
de todos sobre a importância da água, foi criado pela Assembleia Geral das Nações Unidas, em 1992. ENCONTRO CULTURAL »»O presidente da ALMT, deputado Eduardo Botelho, recebe a presidente do IHGMT, Elizabeth Madureira Siqueira, para conversa cultural. Na ocasião, Beth Madureira convidou o deputado Botelho e a AL para participar efetivamente da comemoração dos 100 anos do IHGMT, ano que vem. ULTRAMACHO a temporada de eventos esportivos, edição 2018, no Hotel Águas Quentes.
»»Abrindo
CONGÓDROMO
»»O Governo do Estado irá investir R$ 5
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milhões recuperados em ações de combate à corrupção em Mato Grosso para a construção do Congódromo no município de Vila Bela da Santíssima Trindade (521 km a oeste de Cuiabá). A ordem para aplicação do recurso foi assinada pelo governador Pedro Taques no dia 19/03, nos festejos dos 266 anos de fundação da cidade.
FOTOS: DIVULGAÇÃO
TEMPO A FAVOR »»O deputado estadual Guilherme Maluf avalia que o governador Pedro Taques, ambos do PSDB, saiu na frente na corrida eleitoral deste ano, em que vai tentar a reeleição. LENÇOS E LAÇOS
»»Campanha idealizada por acadêmicos
de medicina da UNIC, arrecadou lenços para pacientes com câncer, que foram entregues no dia 08/03/2018. O objetivo dessa ação foi promover a autoestima de mulheres que lutam contra o câncer.
TCE »»O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso, Conselheiro Gonçalo Domingos de Campos Neto.
PAI DO MIXTO
»»O político, professor e jornalista Ranulfo
Paes de Barros, nascido em 17/03/1913, presidiu a Câmara Municipal de Cuiabá e foi o primeiro presidente da Federação Mato-Grossense de Desporto. Depois de Zulmira Canavarros, é o nome mais importante do Mixto Exporte Clube. É chamado pelo ex-reitor da UFMT, PEDRO DORILEO, de “O Pai do Mixto”.
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FRASES
DESABAFO
»»“A carne mais barata do mercado é a da mulher negra.” Comentário da cantora ELZA SOARES, na Folha de São Paulo, em 18/03/2018, em referência à morte da vereadora carioca Marielle Franco. PROJETO IMPRESTÁVEL
»»O governador PEDRO TAQUES não con-
fia no projeto do novo Hospital Júlio Müller, feito pelo governo Silval Barbosa, e cujas obras estão paralisadas. Segundo Taques relatórios demonstram que o projeto é de péssima qualidade. HERÓDOTO »»“Grandes coisas são obtidas à custa de grandes perigos” CONFÚCIO »»“Aquele que não economizar irá agonizar” SENHOR DIVINO »»O Imperador Dalmi Defanti e a Imperatriz Gabriela Novis Neves Pereira Lima são recepcionados por Dona Lurdinha (ao centro), nos festejos do Senhor Divino, que ocorreram no Hotel Fazenda MT, em 11/03/2018.
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ELEIÇÕES 2018
Breves Anotações Sobre Financiamento de Campanha e Prestação de Contas Eleitorais
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POR FRANCISCO EDMILSON DE BRITO JÚNIOR
ue assunto polêmico! Apesar disso, ouso discorrer algumas considerações sobre o tema. Não tenho a pretensão de esgotar o assunto. Quiçá ser o trabalho perfeito. Porém, vamos enfrentar esse desafio e contribuir para difusão das informações e do conhecimento. Para “quase tudo” na vida precisa-se de dinheiro. Em uma campanha eleitoral não é diferente. Assim, candidatos e partidos necessitam de recursos financeiros para divulgar suas ideias e arregimentar votos para suas plataformas políticas. Como exemplos de despesas de campanhas eleitorais, temos: assessoria de
imprensa, tecnologia de mídia, marketing político, combustível, material gráfico, manutenção de carro, pessoal administrativo da campanha, deslocamento, alimentação, estrutura, aluguéis, etc. Em geral, no cenário internacional, existem 3 (três) sistemas de financiamento de campanha: público exclusivo, privado e misto. O Brasil adotou o modelo misto, o qual congrega financiamento privado e público. Ademais, o Brasil, recentemente (Lei 13.165/2015 c/c ADI nº 4650/DF – Pleno – maioria – Rel. Min. Luiz Fux em 09/09/2015), proibiu o financiamento de campanhas eleitorais por pessoas jurídicas.
Nesse contexto, o que é imprescindível é a transparência/publicidade da origem e da aplicação do recurso. Assim, segundo o art.18 da Lei nº 9.504/95 (Lei das Eleições), com a redação dada pela 13.488/2017, aduz-se que os limites de gastos de campanha serão definidos em lei e divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Recentemente, a Resolução do TSE nº 23.553/2018 disciplinou a arrecadação, os gastos e a prestação de contas. Esta resolução prescreve em seu art.3º e seguintes os requisitos para que os candidatos possam arrecadar recursos financeiros. São eles: requerimento de registro FOTOS DIVULGAÇÃO
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FRANCISCO EDMILSON DE BRITO JÚNIOR É advogado, especialista em Direito Eleitoral, professor universitário e membro da Comissão de Direito Eleitoral da OAB/MT
de candidatura, inscrição no CNPJ, abertura de conta bancária específica para registrar toda a movimentação financeira, emissão de recibos eleitorais para hipóteses de doações em dinheiro ou estimáveis em dinheiro, entre outros. Em seguida, no art. 4º e seguintes, essa resolução traz os limites de gastos para as campanhas eleitorais: a) para governador e senador em 2018 será definido de acordo com o número de eleitores de cada unidade da federação apurado em 31 de maio de 2018; se for para governador pode variar de R$ 2.800.000,00 (dois milhões e oitocentos mil reais) a R$ 21.000.000,00 (vinte e um milhões de reais); se for para senador pode variar de R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) a R$ 5.600.000,00 (cinco milhões e seiscentos mil reais); b) se for para deputado federal será de até R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais); c) se for para deputado estadual até R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). O candidato à presidência da República pode gastar até 70 milhões de reais no 1º turno.
Essas são as principais normas regulamentadoras do tema. Contudo, para que a norma seja obedecida faz-se necessário que haja uma sanção, sob pena de ineficácia. Dessa forma, o art.18-B preceitua que o descumprimento dos limites de gastos fixados para cada campanha acarretará o pagamento de multa em valor equivalente a 100% (cem por cento) da quantia que ultrapassar o limite estabelecido, sem prejuízo da reprovação das contas ou da apuração da ocorrência de abuso do poder econômico no bojo de uma ação de investigação judicial (art. 22 da Lei Complementar nº 64/90) ou representação por captação ilícita de recursos (art.30-A da Lei nº 9.504/97). Essas demandas judiciais podem resultar em cancelamento do registro, cassação do diploma, perda do mandato e inelegibilidade por 8 (oito) anos. Ademais, elas podem ser deflagradas tanto no momento da prestação de contas como no curso do processo eleitoral (notícias de irregularidades aos órgãos competentes). Mas, então de onde vêm
esses recursos? Bem, os recursos públicos, destinados aos partidos, são os Fundos Partidários e o Fundo Especial de Financiamento de campanha (FEFC), previstos respectivamente no art.38 da Lei 9.096/95 (Lei dos Partidos Políticos) e no art. 16-C da Lei 9.504/97. Basicamente, esses fundos são compostos por recursos oriundos do orçamento público (30% do total das emendas parlamentares de bancada constantes na Lei Orçamentária Anual), multas eleitorais, doações de pessoas físicas diretas aos fundos partidários. Por sua vez, o financiamento privado pode ocorrer nas seguintes hipóteses: a) doação de pessoa física limitado a 10% dos rendimentos brutos auferidos pelo doador no ano anterior ao das eleições; b) recursos do próprio candidato; c) doações em dinheiro ou estimáveis em dinheiro de outros candidatos e/ou partidos (p.ex: uso comum de sedes, material de campanha); d) comercialização de bens e/ou serviços ou promoção de eventos de arrecadação (p.ex.: venda de chaveiros, cobrança por jantares e festas). Esta última hipótese não deixa de
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ELEIÇÕES 2018
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ser uma doação com recibo eleitoral individualizado. Convém enfatizar que as doações, no geral, são feitas mediante recibo com identificação obrigatória do doador e devem ocorrer na conta bancária específica do partido ou do candidato. Cabe enfatizar que cada partido deverá ter sua contabilização financeira própria, e não apenas uma para toda a coligação. Em outro giro, é de se ressaltar que o art.31 da Lei nº 9096/95 combinado com o art.24 da Lei nº 9.504/97 proíbe o recebimento de doações, inclusive por meio de publicidade de: entidades ou governos estrangeiros, órgãos públicos da administração direta ou indireta (ressalvados os Fundos Partidários e Especiais com previsão legal), concessionárias ou permissionárias de serviço público, entidades privadas que recebam contribuição compulsória em virtude da lei, entidades de classes, sindical, utilidade pública, beneficentes, religiosas, esportivas, Oscips, ONGs que recebam recursos públicos. Por oportuno, a grande novidade, trazida em 2017, foi a permissão para que os pré-candidatos comecem, em 15 de maio do ano eleitoral, a fazer “vaquinhas” na internet. Essa norma permite que as instituições promovam técnicas e serviços de financiamento coletivo por meio de sítios na internet e/ou aplicativos eletrôni-
cos. Porém, a liberação dos recursos será condicionada ao registro da candidatura e à realização de despesas de campanha, a qual deverá observar o calendário eleitoral. Todavia, até o presente momento, a regulamentação do financiamento coletivo sobre os procedimentos práticos pelo TSE ainda não foi definida. Além disso, se não for efetivado o registro da candidatura, as entidades arrecadadoras deverão devolver os valores arrecadados aos doadores. A punição para os partidos que desrespeitarem as regras referentes à arrecadação e aplicação de recursos será perder o direito (sanção de suspensão do repasse de novas quotas do Fundo Partidário) ao recebimento da quota do Fundo Partidário do ano seguinte, sem prejuízo de responderem os candidatos beneficiados por abuso do poder econômico. Para que seja possível esse efetivo controle sobre a prestação de contas, os Tribunais Eleitorais podem contar com a cooperação técnica dos Tribunais de Contas da União e dos Estados, que examinarão as contas eleitorais com auxílio dos sistemas e bancos de dados da Receita Federal do Brasil. Ou seja, cruzam-se os valores doados e declarados no imposto de renda e os valores recebidos e lançados na prestação de contas.
Esse trabalho de exame das contas eleitorais é realizado pela unidade técnica dos tribunais eleitorais mediante a emissão de opinião técnica sobre as contas. Nesse relatório técnico, opina-se pela aprovação, desaprovação ou aprovação com ressalvas, sem prejuízo de possíveis diligências durante o trâmite do processo de prestação de contas, oportunidade em que se abre vista para que se preste esclarecimentos. Em seguida, encaminham-se os autos para o Ministério Público Eleitoral, que também se manifestará sobre o processo de prestação de contas. Esses pareceres sobre as contas eleitorais subsidiarão o julgamento pelo juiz-relator do processo. Portanto, o que fica claro com as sucessivas mudanças na legislação eleitoral é que os órgãos estatais usarão de todo seu aparato para garantir a legitimidade e a normalidade das eleições, buscando alijar condutas que afetem a higidez e a lisura do processo eleitoral. Logo, os candidatos e partidos precisam atuar de forma preventiva, contando com equipes jurídico-contábeis para orientar e conduzir os procedimentos financeiros das agremiações, evitando-se que eventuais vitórias no pleito eleitoral, naufraguem em pontos que serão certamente fiscalizados pelo Poder Público
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MEIO AMBIENTE
Lixo Contamina Águas do Pantanal
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POR JOSANA SALLES FOTOS RAI REIS
erca de 60 pessoas, entre pescadores, ribeirinhos e voluntários do Projeto Teoria Verde recolheram cerca de 7 toneladas de lixo acumulados nas margens do Rio Cuiabá, corixos do Pantanal de Barão de Melgaço e nas baías Siá Mariana e Chacororé. É um cenário que choca quem desce o rio de barco até as baías. A todo instante se pode ver lixo boiando na água. Jogado de forma aleatória nas ruas de Cuiabá e Várzea Grande, é levado pelas chuvas para a calha do Rio Cuiabá e acaba se acumulando no Pan-
tanal, a maior planície inundável do mundo. E a imundice urbana não pára por aí. Vai escorrendo pelo Rio Paraguai e ganha o mundo pelo oceano Atlântico. Foram 24 horas coletando todo tipo de lixo: capacetes, geladeiras, fogões, plástico, latas, garrafas PET, caixas de suco, leite, embalagens de óleo, tampinhas, roupas, chinelos e todo tipo de objeto consumido pelos habitantes da Baixada Cuiabana. Em mais de 20 barcos, estavam os 40 pescadores profissionais da Colônia Z5, gente ribeirinha que vive até hoje do peixe, que come seu melhor alimento
contaminado pela irresponsabilidade cuiabana. Nascido na comunidade de Canga, em Barão de Melgaço, João Batista da Cruz é pescador desde que era bem garoto e não deixa esconder sua tristeza ao ver a quantidade de porcaria que ele encontrava ao abrir com as mãos a vegetação das margens do Pantanal. Com os olhos marejados, ele clamava respeito pelo Pantanal e sua gente. “Parem de jogar lixo na rua, pensem em nós que vivemos aqui nesse Pantanal que faz bonito pro mundo e nos sustenta. Cada um tem que fazer a sua parte”, desabafou.
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MEIO AMBIENTE
O que não é encontrado no meio dos aguapés do Pantanal, está literalmente escondido nas baías de Chacororé e Sia Mariana. Em mais de 17 Km de extensão de lâmina de água, o lixo está sedimentado em camadas depositados nos quase oito metros de profundidade. “É como se jogássemos a sujeira para debaixo do tapete. A gente não vê, mas tá tudo aí”,
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mostrava o presidente da Colônia Z5, Domingos Antônio de Oliveira. Hugo Miele, gerente de uma das pousadas de Barão de Melgaço foi um dos participantes da Ação Voluntária de Limpeza do Pantanal. ”É uma imagem ruim que o turista acaba vendo no Pantanal. É difícil acreditar que alguém aqui jogue lixo no rio mas a falta de locais adequados para o armazenamento dos resíduos sólidos na Baixada Cuiabana provoca essa situação lamentável de ver o lixo escorrendo pelo Rio Cuiabá e sendo depositado nos corixos, canais e nas baías do Pantanal. Hoje a gente que trabalha com o turismo pantaneiro é obrigado a vê um turista fazendo foto de um ave em cima de uma garrafa de refrigerante”, conta. Antes de navegarem pelo Rio Cuiabá, voluntários do projeto Teoria Verde, educadores ambientais da Secretaria Estadual de Meio Ambiente - Sema e
catadores foram às escolas de Barão de Melgaço conversar com os estudantes. Almerindo Sebastião Filho, diretor da Escola Estadual Coronel Paes de Barros relata o trabalho educativo feito na escola. “Procuramos mostrar as crianças que o lixo tem que estar no lugar certo. As crianças absorvem mais o comportamento correto que devemos ter com relação a esse problema. É muito preocupante ver tanto lixo sendo depositado no Pantanal”. Ao seu lado, o garoto Isaías Emanuel da Silva, de 11 anos contava quantas vezes seu pai precisou afastar garrafas PET, embalagens de óleo e capacete velho para conseguir pescar. “Tem dia que tem mais lixo que peixe”, lembrou. O agricultor Pedro Rodrigues que tem uma propriedade rural na cabeceira do rio da Prata com o rio Mutum acha que “não adianta esperar nada de político, temos que nos unir para aca-
de mostrar essa realidade e mudar a cultura da população de jogar lixo nas ruas. “Precisamos preservar o Pantanal, um lugar que não existe em nenhum lugar do mundo”, falou o secretário. O projeto Teoria Verde foi criado em 2016 e tem apoio de voluntários, entidades, associações e instituições públicas. Já foram 52 ações de limpeza realizadas e 180 toneladas de lixo retirados do Pantanal, Chapada dos Guimarães, parques e rodovias. Cerca de três mil voluntários já participaram das ações. “Esse lixo, se não fosse retirado, acaba sendo levado pelas chuvas para os córregos, chega ao rio Cuiabá e no Pantanal. Dali segue pelo Rio Paraguai e chega ao oceano Atlântico. É lixo de Mato Grosso espalhado pelo mundo inteiro”. O coordenador, Jean Peliciari, conta que há alguns anos visitou Moçambique
e ficou incomodado com o lixo nas ruas. De lá pra cá eu comecei a motivar ações de limpeza em Moçambique. Começou com 20 pessoas e já foram mais de 70 ações realizadas naquele país. Eu não percebia o lixo na minha própria cidade. Vivemos o mesmo problema aqui. Lancei o Teoria Verde e começamos a pegar lixo que outras pessoas jogam. A mensagem que queremos passar é que não adianta culpar o Governo, a prefeitura, dizer que paga imposto para limpar a cidade. “O cidadão tem que entender que ele é o único responsável pelo lixo que está jogado nas ruas”, diz. A ação de limpeza do Pantanal teve a apoio de voluntários, da Associação Casa de Guimarães, Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Secretaria Adjunta de Turismo, Sema, Assembléia Legislativa e mais 16 entidades.
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bar com o lixo, com o assoreamento. Cada um tem que manter sua casa, sua calçada limpa. O Pantanal é o coração de Mato Grosso e temos que lutar para que ele seja preservado. O Rio Cuiabá é a vida da Baixada Cuiabana”, disse. O secretário Adjunto de Turismo de Mato Grosso, Luis Carlos Nigro foi ver de perto a situação preocupante para turismo do Estado. É impressionante a quantidade de lixo que desce pelo Rio Cuiabá jogado pelas cidades que ficam nas margens do rio, principalmente Cuiabá e Várzea Grande. Gera um impacto muito negativo para o turismo. Você imagina o que é levar um turista para ver uma natureza exuberante como a do Pantanal e ao mesmo tempo fazê-lo ver lixo boiando nas margens, nos galhos. Tem de tudo, é muito ruim. Estas ações têm o objetivo
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PA R A Q UA N D O VOCÊ FOR
Museu da Cachaça
Museu na cidade de Salinas, norte de Minas Gerais, retrata todo ciclo de produção da aguardente, desde o cultivo de cana de açúcar, a produção artesanal da cachaça de alambique até sua comercialização
O
DA REDAÇÃO
prédio do Museu da Cachaça, em Salinas, revela uma característica marcante da arquitetura vernacular dessa região: o uso de cores fortes nas residências singelas e na paisagem urbana. A monocromia azul-anil é eloquente quan-
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do aplicada ao conjunto edificado, composto pelo agrupamento de volumes sólidos e predominantemente opacos, com notáveis variações de largura, comprimento e altura. Localmente apelidado de “trem”, pela linearidade descontínua dos quase 200 metros entre suas duas extremidades. A forFOTOS DIVULGAÇÃO
lumeMatoGrosso ma construída vista externamente se fundamenta no percurso museológico. Ao dedicar-se à cachaça, cuja produção artesanal local é reconhecida pela qualidade, o museu torna-se o espaço de proteção e apresentação de algo que a comunidade reconhece como parte especial de sua cultura específica. Uma narrativa da história da bebida e seu processo de produção estrutura o trajeto interno por oito salas, especialmente dimensionadas e ambientadas de acordo com as características de cada parte do relato expositivo. Nesse conjunto, destaca-se a Sala das Garrafas, onde se exibem as cachaças antigas e atuais de toda a região. Um ambiente alto, paredes e tetos es-
pelhados, prateleiras transparentes sobre as quais se expõem as botelhas - esses recursos criam uma ilusão de que se está diante de uma biblioteca composta por garrafas de aguardente. O percurso da exposição termina no bar de degustação, junto ao qual, na metade sul da edificação, estão os espaços educativos, administrativos e a loja, conectados por um grande corredor caracterizado pela longa parede curva de tijolos de cobogó. Certos aspectos construtivos indicam o cuidado ambiental, já que o clima excessivamente quente da região poderia atrapalhar a fruição dos ambientes internos. Para minimizar a irradiação do calor para o interior do edifício, ergueram-
-se paredes espessas de alvenaria cerâmica e lajes duplas que criam colchões de ar, por onde também passam as instalações técnicas do museu. Com uma implantação que ocupa parte considerável do longilíneo terreno, a interface entre o museu e a cidade - nos largos de acesso ao edifício, nas praças, nas calçadas e no paisagismo - é feita através de espaços totalmente públicos (sem o controle necessário ao interior da instituição cultural), abertos para o uso recreativo cotidiano. A entrada é gratuita e o horário de funcionamento do Museu é de quarta-feira a domingo, das 10 às 19h.
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SAÚDE
A Fruta-do-Conde E seus inacreditáveis benefícios à saúde!
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DA REDAÇÃO
fruta conhecida em Mato Grosso pelo nome de Fruta-do-Conde, pinha ou Ata, recebe o nome científico de Annona squamosa. Advém, provavelmente, das Antilhas, sendo, portanto, fruta de clima tropical. A primeira muda dessa espécie de fruta foi trazida ao Brasil em 1626, pelo português Diogo Luís de Oliveira - o Conde de Miranda e Governador Geral da Bahia. Nessa época a cidade de Salvador destacava-se por ser a capital da maior colônia portuguesa, o Brasil. O fato do Conde de Miranda ter trazido mudas dessa espécie de fruta de uma de suas muitas viagens, e, especialmente por sua adaptação ao solo bahiano e, consequente aprovação da sociedade, que elegeu aquela fruta caribenha como uma de
suas prediletas, seu nome, na região, passou a ser a fruta do Conde de Miranda, mais tarde simplificado para Fruta-do-Conde. Não demorou muito e outras regiões brasileiras passaram a cultivar, com êxito a Annona squamosa, a exemplo de Mato Grosso. Em nosso Estado, as sementes dessa fruta, de fácil transporte, vieram inicialmente através dos rios da bacia do Prata, desembocando nas cidades e fazendas pantaneiras. A cidade de Barão de Melgaço é um desses exemplos. Centenas de pés de Ata ou Fruta-do-Conde se desenvolvem na margem esquerda do Rio Cuiabá, incrustados em pedreiras e nos barrancos, sendo altamente produtivos. O resultado dessa produção não é diferente rio acima. FOTOS DIVULGAÇÃO
lumeMatoGrosso PROPRIEDADE MEDICINAIS
»»Além de saborosa, a Fruta-do-Conde, ou
Ata, é um alimento funcional, fonte natural de nutrientes bioativos e revitalizantes, que previnem e combatem diversas doenças e fortalecem nossa saúde. Essa fruta, cujas árvores possuem de 3 a 6 metros de altura, pode ser consumida in natura, a qualquer hora do dia ou da noite, em cafés da manhã ou em sobremesas. Dentre os benefícios que podem ser obtidos após o consumo de Fruta-do-Conde ou Ata, está a melhora do funcionamento do sistema digestivo, por conta de sua grande quantidade de fibras; Também evita-se o surgimento de quadros anêmicos porque em sua composição ocorrem grandes quantidades de ferro em conjunto com a vitamina C e, por isso, potencializa a absorção deste mineral pelo organismo; Por ser rica em compostos fenólicos, a Fruta-do-Conde combate os radicais livres; A atuação da vitamina C em conjunto com a vitamina B2, nutrientes encontrados nesta fruta, contribuem para a saúde dos olhos e proporciona boa visão; Também combate o mau colesterol (LDL) e, por conter acentuadas doses de carboidratos, essa fruta con-
fere energia e vitalidade ao corpo, mantendo-o bem alimentado e sem fome por mais tempo. Por último, por conta da combinação de vitaminas C e A, a Fruta-do-Conde tem poder rejuvenescedor regenerativo, contribuindo para a saúde e beleza da pele e dos cabelos, além de poder ser utilizada para tratamento de inúmeros problemas de saúde, tais como anemia, espasmos, colite, desnutrição, verminose, estresse, distúrbios do sistema nervoso e depressão.
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M E I O PAI N MIBÃIO ENTE
O Ponto da Carne No ponto de vista da arte
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POR ROSARIO CASALENUOVO
NO PONTO DE VISTA DA CIÊNCIA ciência é dita como inimiga da arte e até mesmo algumas religiões encaram -a como adversária. Nada contra, mas a ciência caminha por estradas solidas, anda pisando no chão e a arte flutua a religião se apóia na fé para seguir. Sempre que se fala em nome da ciência deve se ter uma colocação embasada, precisa. Quando se discute as terminológas que são os nomes dados as estruturas do corpo, como exemplo: o ouvido teve o nome alterado para orelha pois ouvido é um verbo e com este argumento o nome foi mudado para orelha interna, externa. Então a chingamento “orelhudo” é uma pessoa que ouve bem e não que tem uma orelha grande. Rsrs (isto é uma piada da ciência). “Estou com dor de ouvido” está errado, o certo: “estou com dor na orelha” e a orelha chama-se pavilhão auditivo. O que a ciência busca com as denominações é deixar bem claro, padronizado de fácil comunicação universal. O ponto da carne colocado em discussão por mim neste texto agora é para estabelecer uma padronização, para que os garçons de todos os restaurantes possam saber com exatidão o gosto do cliente.
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nos, menos!!! “Homem come carne assim, a sua vai ficar seca”, resmunga o marido. “Nossa, a carne esta sangrando e eu não gosto do sabor do sangue. “Eu pedi bem passada” Ela reclama depois o garçom traz o prato da senhora. Nas churrascarias, é uma estratégia soltar as carnes assadas apenas por fora para que possam voltar a churrasqueira várias vezes sem desperdício. É uma verdadeira confusão, mas está valendo pois isto dá conversa e discussão entre os amigos reunidos ao redor da churrasqueira. Sempre tem aqueles que adoram cortar a carne e servi-la toda decepada retirando o estímulo visual que vale 50% do prazer da arte, e aí que ocorre o desperdício, pois a carne fica feia e fria quando cortada assim. Muito diferente em servir no espeto que somente ao ver, o carnívoro já fica com a boca salivando.
»»A
A
culinária é uma arte, Arte culinária. Acho que é a maior das artes, pois além de nos surpreender pelo sabor, visual e cheiro, nos encantar, nos relacionar, também nos alimenta. Mas como toda a arte temos a situação de nunca ser precisa, feita em série. Deve ser sempre diferente e inusitada se não deixa de ser arte. Com isto o ponto da carne fica indefinido. “A Sra. quer a carne ao ponto, ao ponto mais, mais ou ao ponto mais, mais, mais? “ pergunta o garçom. “Ai, eu quero ponto mais, mais”. “Eu quero mal passada, me-
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M E I O PAI N MIBÃIO ENTE Vamos lá. Quando perguntamos a hora e a pessoa responde, são 10 horas em ponto. Ou seja, o ponteiro está não antes, e, nem depois 10h, mas exatamente em cima da hora. Em relação a carne, temos a carne crua e a carne esturricada que são dois extremos. Mas qual é o ponto da carne? Quando se fala ponto, não é um traço, não é mais ou menos, é exato. Então a carne com sangue esta antes do ponto exato é o momento no segundo do relógio onde o sangue desaparece. Este instante exato é o ponto da carne, ou seja, a CARNE AO PONTO. Nesta situação a carne esta com todo o suco, mas sem o sangue. Para os que não gostam do sabor do sangue é o momento perfeito. Mas os que preferem com o sangue pode pedir 1, 2 ou 3 pontos antes. Lógico que se falo de ciência estes argumentos deverão ser debatidos não por apaixonados pelo churrasco, mas por aqueles que saberão diferenciar o sabor preferido com a ciência que é nua e crua, sem tempero algum, apenas o ter bom senso.
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NO PONTO DE VISTA ESPIRITUAL onça pintada alcança sua presa, mata e come sem remorso algum, pelo contrário, um grande prazer como ganhar um troféu, um campeonato. Come ali mesmo sem pensar que teve que matar um ser para ela sobreviver. Na outra ponta da evolução, fazemos uma carne temperada, assada e posta na mesa em uma travessa acompanhada com legumes na manteiga e arroz branco. Talheres, luz de velas, taças de cristal, água, vinho e música de fundo, todos sentados e até oramos agradecendo a Deus pelo alimento. Para que tudo isto, sendo que o corpo pede apenas a alimentação? Nós seres humanos temos a arte, temos a tradição, a memória, a relação de amor em volta da mesa. Ou seja, temos ALMA. E a alma se nutre de tudo que está ao redor da comida propriamente dita. E o ponto da carne no ponto de vista espiritual? Aí vai a PERCEPÇÃO DA GRATIDÃO. Chamo isto, pois a gratidão é um sentimento que mostra a evolução do ser. Quanto mais desen-
»»Uma
lumeMatoGrosso volvida a alma, mais gratidão se sente a ponto de entender que até para respirar precisamos do oxigênio que está a nossa disposição no ar, que estar vivo é um milagre. Que sermos ouvido por alguém é uma grande consideração. Tudo é nos dado, até mesmo nosso corpo é emprestado, não somos bem o dono dele. Se alguém me abordar e disser vou te matar agora. O que eu posso fazer? Dizer o corpo é meu e somente eu decido o que fazer com ele. Rs. Nem isto temos na verdade. E quando morrermos seremos alimento também. Um argumento para os naturalistas que se negam a alimentar sacrificando a vida de um animal. Talvez Deus tenha nos dado esta forma de alimentação para aprendermos a morrer se entregar a morte sem apego ao corpo e deixá-lo na terra para voar ao céu. Abrindo um parêntese somente Jesus ressuscitou em carne e espírito, mas reconhecendo a minha infinita ignorância, eu pergunto: Se seu corpo em carne reviveu, FOTOS DIVULGAÇÃO
como ele subiu ao céu depois com a carne? Deixou o corpo na terra? Então seu corpo morreu? E se morreu onde está? Ninguém sepultou? Ou subiu ao céu com o corpo de carne? Ou a ressurreição foi apenas em espírito sem o corpo? Peço que não me condenem por ter estas dúvidas!!! Mas voltando para a carne da mesa, algum animal teve que morrer para nos nutrir e podermos nos manter vivos. Até mesmo os vegetais tivemos que matá-los para sobrevivermos. Por isto que digo sobre a percepção de gratidão que nos faz sentir a necessidade de agradecer a este animal que morreu para nos servir. Mas não precisamos lembrar disto na mesa, né? Por isto respeito aqueles que preferem a carne sem o sangue, fica mais disfarçado o nosso lado animal como a onça pintada que não saberia se sentar na nossa mesa. Peraí, será que todos os homens saberiam? rsrs. Acho que eu não sei muito bem também!!! Nos fast-food somos meio onças.
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R E P O RTAG E M ESPECIAL
Cooperativismo com Foco na Educação POR JOÃO CARLOS VICENTE FERREIRA
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médico urologista Onofre Cezário de Souza Filho, é um dos mais conceituados e experientes cooperativistas do Brasil. Compõe, desde novembro de 2017, representando o Brasil, o Conselho de Administração da ACI - Aliança Cooperativa Internacional, com sede em Bruxelas, na Bélgica. Para falar sobre cooperativismo, educação, cultura e a contemporaneidade, a revista LUME MATO GROSSO entrevistou o Dr. Onofre, na sede da OCB - Organização das Cooperativas Brasileiras do Estado do Mato Grosso, da qual é presidente, no Centro Político e Administrativo, em Cuiabá.
COMO O SENHOR DEFINE O COOPERATIVISMO EM MATO GROSSO? »»Em crescimento. Em consolidação. Porque as nossas cooperativas ainda são jovens, em relação ao Estado do Paraná, por exemplo, que é a grande referência nacional. As cooperativas mais antigas de nosso estado são a UNIMED, com sede em Cuiabá, e a COONOROESTE, de Araputanga, ambas com 43 anos de história e apenas um dia de diferença para a sua criação. Alguns religiosos tiveram bastante importância para surgimento de cooperativas em Mato Grosso, na COOPNOROESTE, o padre Celso, e a COMAJUL, de Juscimeira, o padre João. COMO SÃO DIVIDIDOS OS RAMOS DE ATUAÇÃO COOPERATIVISTA? »»São treze ramos. No entanto, nem todos os ramos estão atuantes em Mato Grosso. Nós não temos o “ramo especial”, que é para pessoas especiais; Nem temos o ramo “turismo”; O “habitacional” está desativado e de “consumo” é pequeno. Os ramos cooperativistas que mais se destacam em Mato Grosso, pelo seu constante crescimento, são três: 1º de Crédito, com a SICREDI, SICOB e UNICREDI. Existe também uma cooperativa “solteira”, a PRIMACRED, de grande expressão nacional, localizada em Primavera do Leste. 2ª de Saúde, com sete cooperativas UNIMED, mais uma Federação; Temos ainda a UNIODONTO e cooperativas de Enfermagem e dos Fisioterapeutas. 3ª do Agronegócio, com todos os seus segmentos, sendo a mais antiga, a do leite, distribuída e contemplada por inúmeras cooperativas em várias regiões de Mato Grosso. Em torno de 40% do leite produzido em Mato Grosso passa
pelas nossas cooperativas. Por outro lado, o algodão é representado por 90 % de suas atividades desenvolvidas por atividades cooperativadas, a exemplo da COOPERFIBRA, que já está industrializando e a COOPERVERDE, ambas em Campo Verde. Temos também A UNICOTTON, em Primavera do Leste. Na cidade de Rondonópolis temos inúmeras outras cooperativas, bem atuantes. Numa outra área, que é a do extrativismo mineral, temos a COOGAVEPE - Cooperativa dos Garimpeiros do Vale do Rio Peixoto, que regularizou áreas de ocupação irregular e deu novo alento ao setor mineral, motivando, inclusive, a criação de uma cooperativa na área de conflito da Serra da Borda, em Pontes e Lacerda, oeste mato-grossense.
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COMO SE DEU SUA ENTRADA NO COOPERATIVISMO? »»Sou cooperado do sistema UNIMED desde 1985, mas, em 1993, passei a compor o Conselho Fiscal da instituição. No ano seguinte, em 1994, um grupo de médicos do qual eu fiz parte, formamos uma chapa e nos inscrevemos para concorrer à eleição da UNIMED, na qual obtivemos total êxito.
QUAL É A MAIOR DAS COOPERATIVAS DO ESTADO? »»É a COACEN - Cooperativa Agropecuária e Industrial Celeiro do Norte, com sede. Atualmente a COACEN e a UNIMED apresentam um faturamento de mais de 1 bilhão de reais, cada uma. Somando todas as cooperativas temos um faturamento bruto de mais de 10 bilhões de reais, empregando mais de 8 mil pessoas e mais de 420 mil cooperados. O QUE É A ACI - ALIANÇA COOPERATIVISTA INTERNACIONAL? »»Essa entidade tem mais de 100 anos. Tem assento na OIT - Organização Internacional do Trabalho e na ONU - Organização das Nações Unidas. Foi criada em 1895, na Europa, mas com atuação internacional, visto que temos mais de 100 países cooperados. A ACI cumpre rigorosamente os princípios cooperativistas, dentre os quais o de não se manifestar politicamente. No entanto, não somos exatamente apolíticos, pois a entidade é composta de pessoas de vários países, com as mais diferentes ideologias sobre o sexo, religião, economia e política. A ACI possui um conselho de 26 pessoas, composto de vários comitês (trabalho, saúde, crédito, agropecuário, etc) dos quais, 15 Conselheiros, os que são eleitos, decidem o rumo do cooperativismo mundial.
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R E P O RTAG E M ESPECIAL COMO O SENHOR ADENTROU AO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO DA ACI? »»Fui eleito como representante de todas as cooperativas do Brasil, em novembro de 2017, para um mandato de quatro anos, em eleição realizada na Malásia. Na história da ACI, sou o 4º representante brasileiro, isso é significativo para Mato Grosso. São muitos os países concorrentes e apenas 15 são eleitos, veja bem, a Rússia, com todo o seu potencial, e que nunca perdera eleição, ficou de fora. Ocorreu verdadeiramente uma renovação, com a inclusão de países como Cingapura, Malásia e Nepal, com apoio e articulação de países como a China e Índia. É o chamado “bloco asiático”, muito articulado e forte. COMO SE DEU A ARTICULAÇÃO PARA SEU INGRESSO NA ACI? »»Tive apoio e orientação do Dr. Américo Utumi, antigo diretor da Cotia, uma das mais antigas do Brasil. O Dr. Utumi foi Conselheiro reeleito da ACI, tem muito prestígio internacional e foi fun-damental para nossa exitosa campanha. QUAL É A POSIÇÃO DO BRASIL NA ACI? »»O nosso país é muito bem visto através do sistema cooperativista mundial. Dentre as 300 maiores cooperativas do planeta nós te-
mos incluída uma brasileira, que é a COAMO - Cooperativa Agropecuária de Campo Mourão, do Paraná, a maior da América Latina. A sede da instituição é em Bruxelas, onde ocorrem reuniões sistemáticas. Recentemente estive numa dessas reuniões, onde se reúnem vários países. Teremos uma outra em breve, na Turquia, com foco na agropecuária. QUAIS SÃO OS PROPÓSITOS EDUCACIONAIS DA OCB/MT? »»Dentro do cooperativismo nós trabalhamos a questão da educação, da formação dos cooperados, dos nossos colaboradores. E isso se traduz em realidade positiva, através da fantástica janela do conhecimento. COMO SE INICIA O PROJETO FACULDADE DO COOPERATIVISMO DE MT? »»Sempre tivemos propósitos voltados ao cooperativismo educacional. O sistema UNIMED tinha, em Belo Horizonte, um sistema de educação que atualmente se transformou numa faculdade. A ideia de se construir uma Faculdade voltada ao cooperativismo vem da década de 1980, aqui em Mato Grosso. Nesse período nós tínhamos um Instituto - o INDECOP - com propósitos de formação, porém essa ideia não foi adiante, mas a vontade de termos uma instituição voltada ao ensino não feneceu.
REUNIÃO ACI BRUXELAS
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COMO SE FORTALECEU ESSE PROPÓSITO? do professor Sérgio Lara, que era ligado à UNISINOS, do Rio Grande do Sul, deu-se o incentivo para formação de comitês educativos. Foi a partir deste fato que efetivamente trouxemos para dentro do nosso ambiente cooperativista a educação. Quando eu entrei na OCB, nós já estávamos com comitês das UNIMEDS do Brasil estruturados e formados e, o nosso, também. E, foi aí que o professor Lara nos convidou para uma viagem à Espanha, ele disse: “Vamos visitar Madrid, Barcelona e Mondragón, no país Basco”. Nessa viagem, já como dirigente da OCB nos deparamos com um bem organizado sistema cooperativista em Madri, especialmente na área de crédito. Em Barcelona estivemos num hospital cooperativa, bem moderno, o qual achei muito interessante, pela interação dos médicos com os usuários dos planos de saúde. Uma verdadeira inovação, um sistema de intercooperação fantástico. No último dia fomos ao “país” Basco, em Mondragón. Inicialmente fomos à principal cidade basca, Bilbao. Interessan-
»»Através
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te é que é nesse “país”, que está inserido geograficamente em área do nordeste da Espanha e sudoeste da França, é falado um idioma diferente, ancestralmente chamado de “euskara”, de origem desconhecida, com pesquisas realizadas, mas sem conclusões claras, no entanto, esse idioma é motivo de orgulho para os bascos. MONDRAGÓN FOI UMA LIÇÃO DE COOPERATIVISMO? »»Sim, foi. O que nos levou a Mondragón foi o profícuo trabalho feito pelo Don José María Arizmendiarrieta, em prol do cooperativismo. O padre Arizmendiarrieta nasceu em Marquina-Jeméin, na Espanha, na província da Biscaia, comunidade autônoma do País Basco. Esse padre chegou à essa região na época do pós guerra civil espanhola, que foi bastante castigada pelas tropas do General Franco, em 1940. O padre Arizmendiarrieta observou as dificuldades que se apresentavam na região, como o sucateamento das indústrias e negócios ligados à pesca e mar. Nesse período, o padre convocou cinco jovens da comunidade católica, criou um núcleo de trabalho e propôs um exercício de cooperação. E, dessa forma, foi criada a primeira cooperativa, em cima de uma fábrica, que já existia. Para incutir nos jovens o gosto pela educação e esporte, criou uma escola politécnica, onde fabricavam lamparinas, fornos e outros utensílios para serem consumidos por famílias locais. Com o passar dos anos o cooperativismo envolveu toda a comunidade, tornando-se, contemporaneamente, uma realidade e referência mundial. Atualmente existe uma universidade de cooperativismo em Mondragón, criada sob inspiração do padre Arizmendiarrieta, que faleceu em 1976, deixando o seu fantástico legado. ENTÃO A VISITA AO PAÍS BASCO FOI IMPORTANTE PARA O COOPERATIVISMO DE MT! »»Não tenha dúvida, quando eu vim de lá, chamei o Adair Mazzotti, nosso Supe-
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rintendente, e fui logo dizendo que, na minha opinião, tínhamos que dedicarnos todos nossos esforços “em educação total”. Temos que montar as estruturas necessárias, pois a implantação da Faculdade do Cooperativismo será o resultado de toda a nossa demanda e trabalho. COMO FOI A DEMANDA PARA A IMPLANTAÇÃO DA FACULDADE, JUNTO AO MEC? »»O projeto original demorou três anos para ser aprovado pelo MEC - Ministério da Educação. Importante frisar que não buscamos nenhum ente político para apoiar a nossa causa. Acho isso fantástico. Não houve necessidade de pedidos e interferências políticas, os mestres do MEC vieram até Cuiabá. Dentre eles tinham alguns médicos, para os quais mostramos a ideia do trabalho e da cooperação. Tivemos uma nota ótima de aprovação. QUAIS SÃO OS PLANOS MAIS IMEDIATOS?
»»Nosso principal objetivo para a implan-
tação da Faculdade do Cooperativismo é consolidar o espaço adequado e definitivo. Estamos em estudos e, muito brevemente, definiremos o ponto. Essa unidade de ensino, fundamental para consolidação do agronegócio em nosso Estado, será estruturada a partir de necessidades observadas e, certamente, que serão resolvidas com a sua criação. A ideia de implantarmos a Faculdade é para cumprir
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um princípio do cooperativismo, que é a formação e a educação das pessoas envolvidas em nossas instituições. Enquanto isso, estamos trabalhando cursos de pós-graduação no Estado inteiro: Juína, Tangará da Serra, Cuiabá, Primavera do Leste, Canarana, Rondonópolis. Onde existem núcleos de cooperativas temos investimentos e alunos na área da educação, no futuro, teremos o ensino à distancia. Pretendemos que cada uma dessas unidades cooperativas se torne uma unidade de ensino, ligado diretamente à Faculdade do Cooperativismo. E AGORA?
»»Agora temos que trabalhar. E A INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS PRIMÁRIOS EM MT? »»Estamos em franco crescimento de produção, mas temos que industrializar, senão ficará muito difícil. DISTRIBUIÇÃO DE RENDA! »»A melhor forma de distribuir renda é através do sistema cooperativo, pois trabalhamos a área econômica em equilíbrio com o social. É exatamente isso que falta ao nosso país: equilíbrio. Os desequilibrados estão vencendo. QUEM SÃO OS DESEQUILIBRADOS? »»É um grande elenco, é quem corrompe e é quem é corrompido, além dos egoís-
tas. Quando se fala de corrupção, é necessário dizer que isso se dá desde ações de alguns funcionários públicos nefastos até os entes privados. O desequilíbrio leva à guerra. O cooperativismo leva à paz, aliás, deveríamos ter o Ministério da Paz e não o Ministério da Guerra. Nós, os cooperativistas, somos pelo caminho da paz, incluindo pessoas e distribuindo a renda melhor. Observamos, através de pesquisas, que nos municípios onde estão implantadas cooperativas o IDH - Índice de Desenvolvimento Humano, é maior. A população desses municípios é mais equilibrada. As cooperativas trabalham o seu entorno, é um trabalho de cidadania, atendendo ao 7º Princípio cooperativista que rege nossas atividades.
do para lançar sementes de confiança. Não sabemos quando ou como colher, porém temos que estar sempre a semear e sermos vigilantes para o momento da colheita de frutos abundantes. A cooperação convoca homens e mulheres para uma obra coletiva, não apenas um com os demais. Tudo na vida é um processo, você vai acertando, errando, conversando com pessoas corretas. Se não houvesse confiança, uns nos outros, como é que conseguiríamos tocar a OCB, aqui em Mato Grosso? Eu confio no Adair, que confia em mim, que confia na professora Janete e assim por diante e sucessivamente. A pedagogia da confiança não se basta por mérito, mas sim, pelo dom gratuito que se destaca pela relação de acolhimento, respeito e amor.
O TRABALHO
CULTURA
cooperação. Os professores da cooperativa, no futuro, serão detentores do trabalho dentro da Faculdade. Aí vem os sócios trabalhadores, os sócios mantenedores, que são as cooperativas, e os sócios alunos, que depois de formados voltarão para as suas cooperativas. Isso é cooperação.
sica, o teatro, são os museus e as pessoas. Qualquer manifestação do ser humano que a gente chama de fazer cultura me interessa. Em minhas andanças mundo afora sempre visito museus, ali estão retratados a história dos povos através dos tempos. Quando em Paris, vou muito às igrejas, não necessariamente pelo caráter religioso, mas pelo interesse que tenho em arquitetura, simbolismo, esoterismo e conhecimento que aquelas paredes e formas nos apresentam. Cultura é conhecimento, é luz, é tudo. O principal legado é o conhecimento, aprender com uns, ensinar a outros.
»»Nós valorizamos a ideia do trabalho, de »»O processo cultural é envolvente, é a mú-
A PEDAGOGIA DA CONFIANÇA »»Pelo fato do cooperativismo ser uma espécie de escola filosófica, em Mondragón, aplica-se a “pedagogia da confiança”, visto que a confiança é o elo que nos une, que nos faz seres melhores. É preciso ser ousa-
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CURIOSIDADES
Plata Yvygüy P 34
Lendas sobre achados de tesouros de Solano Lopes ainda permeiam mentes do povo paraguaio
lata Yvygüy é uma frase comum no Paraguai, advém do idioma guarani e indica tesouro enterrado ou escondido. Para muitos a Plata Yvygüy não passa de uma lenda, ele, a Plata Yvygüy, se mostra ou se manifesta ao afortunado escolhido para achar o enterro
como luzes intermitentes, furacões fúteis ou em forma de um cão branco e sem cabeça. São os guardiões do tesouro. Muitas pessoas alegaram terem descoberto fortunas que estavam escondidas sob o solo. Segundo a lenda, somente pessoas boas e generosas encontram a Plata Yvygüy. FOTOS DIVULGAÇÃO
lumeMatoGrosso Durante a Guerra do Paraguai muitas famílias tentaram se refugiar longe dos confrontos entre as tropas rivais, levando com elas tudo que podiam e deixando para traz sua história, casas, fazendas e vendo seus parentes e filhos irem ao combate, cada pátria defendendo seus ideais. Esses foram tempos difíceis, de escassez, privações e doenças. A morte pairava no ar, cada família tinha sua comitiva e escolta, para assim proteger-se de ataques de saqueadores e quatreiros (bandidos, ladrões). Com o passar dos anos, a dificuldade por alimento e transporte forçaram as famílias e, também, ao próprio guarda particular de Lopes a esconder seus tesouros, para isso o método utilizado era semelhante a dos piratas, pois escavavam buracos fundos e ali enterravam seus tesouros, esses com jóias das mais variadas espécies, ouro e prata. Cercado de lendas e contado através de causos pelos antigos, que repassaram de geração em geração esses acontecimentos, e toda crença que o rodeia, sobre os enterros de Lopes e das famílias paraguaias, essas tinham uma grande riqueza nesses tempos influenciada pelo estilo de vida europeu, principalmente da França, essas riquezas para serem prote-
gidas foram todas escondidas, e até hoje despertam curiosidade, dentre outros que vinham em busca destes tesouros épicos. Décadas se passaram do pós-guerra e muitas histórias de caçadores de tesouros se espalharam por todo o Paraguai, em busca dos enterros do Lopes, cercados de crenças e com um lado oculto, que despertam cobiças até ao mais cético dos homens. Até hoje, Plata Yvygüy continua forjando suas explosões de mistério e despertando grande interesse pela crença popular. PLATA YVYGÜY
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INDIGENISMO
PAREDÃO DE PEDRAS SAGRADO PARA O POVO CHIQUITANO, NA SERRA DE SANTA BÁRBARA, NA DIVISA DO BRASIL COM A BOLÍVIA
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ANA CAROLINA HALIUC BRAGANÇA É Procuradora da República. Atuou no Ministério Público Federal em Mato Grosso, Roraima e, atualmente, é titular do 13º Ofício da Procuradoria da República no Amazonas, especializado em matéria ambiental. Formada em Direito pela USP, não esconde sua paixão pelo meio ambiente e pelas comunidades tradicionais
Portal do Encantado Aquela água fazia o ver, virar estrela, ser lua
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POR ANA CAROLINA HALIUC BRAGANÇA
destino era o Portal do Encantado, um território mágico onde se escondem acessos secretos a outros mundos e dimensões. O caminho, uma estrada rural, uma rodovia estadual não pavimentada paralela (ou mais ou menos paralela) à fronteira brasileira com a Bolívia, lá onde o marco divisório entre Brasil e o resto do mundo segue uma dinâmica bem natural: uma linha reta. De um e de outro lado da linha reta, os protagonistas daquela viagem, o motivo de ela existir: o povo chiquitano, separado pelo risco árido de uma régua que alguém, algum dia no passado, por força de algum tratado, achou por bem desenhar bem em cima de suas planícies e serras ancestrais. O corte imaginário, imposto à força à natureza de um território rico em vida e cultura, tendeu a retirar dos chiquitano remanescentes no Brasil o que tinham de mais caro: sua identidade. “Não há índios”, “nunca houve índios”, diziam e dizem muitos dos que ocupam aquelas paragens esquecidas num canto (único ângulo reto) do mapa nacional, os mais antigos há setenta, talvez cem anos (sejamos condescendentes). Quanto aos chiquitano, os jesuítas já os aldeavam em missões, junto a
outros povos indígenas, no século XVII. Os resquícios desses aldeamentos espalham-se pelos dois lados da fronteira, em Brasil e Bolívia, marcando o território imemorial desses povos, onde sempre foi exercida sua sociabilidade e religiosidade. As colonizações incentivadas pelo governo brasileiro nos tempos de ditadura, porém, a nada e a ninguém viram no que foi julgado um território vazio – quiçá por cegueira, quiçá por ingenuidade, quiçá por má-fé. E assim foi que a identidade dos chiquitano, já transformada pelo passado jesuítico – sua primeira onda colonizadora – foi novamente desconstruída no século XX: “são bolivianos”, “não têm direitos”, “são trabalhadores rurais como quaisquer outros”, veja, “não correspondem a nossos índios dos livros de história”. Nessas negações e afirmações, claro, os mais interessados não foram consultados. A despeito disso, os chiquitano guardaram no coração a memória de sua língua, de sua cultura, de sua história e, agraciadamente, dos segredos dos portais. Disfarçadamente, driblaram as proibições e opressões que lhes impediam de se chamar índios e de conhecer e exercer o seu verbo e, com a mudança de contexto político, passa-
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INDIGENISMO
ram a lutar por seus direitos. Obtiveram uma terra indígena, ainda em processo de demarcação, protegendo os acessos aos outros mundos, viram chegar a educação diferenciada com material em seu próprio idioma, passaram a fazer jus a atendimento especial em saúde. Não obstante, não cessaram de se ver tachados de “bolivianos”, “enganadores”, “falsários”, “índios de mentira”, e pelos discursos
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desses outros sua batalha continua: uma decisão judicial suspendeu a criação da Terra Indígena Portal do Encantado – a única que, até então, saíra de algum modo do papel. Para falar sobre essa decisão judicial, veio a viagem de que nasce este texto. Dela, a imagem da estrada sumindo no horizonte, o gado manso de um e de outro lado, com a passividade que lhe é característica (povo marcado); ao longe,
CERÂMICA CHIQUITANA
as serras, e o ar expandido pelo calor formando ilusões óticas à distância. Quando a mata chegou e as escarpas se aproximaram, uma brisa soprou e a natureza se encarregou de declarar: eis a terra dos portais. O dia foi de trabalhos árduos, debates e apresentações da cultura chiquitano, coroados pelo calor intenso do interior de Mato Grosso. Umas crianças tentaram em vão ensinar algumas palavras da língua, e riam desacreditadas da branca falta de habilidade para proclamar fonemas que lhes eram tão óbvios. Penas e sementes enfeitavam o cabelo das moças, que aproveitavam para vender sua arte. Todas as dificuldades da vida espremida num feixe de terra insuficiente para o cultivo, mas a que não queriam mais degradar (o que fizera o homem branco já fora demasiado para a natureza) não tiravam o sorriso daquela gente. Devia mesmo haver alguma fonte de vitalidade oculta em algum lugar. Na tradicional maloca de um líder, coberta com palha colhida ali mesmo e com um sofisticado sistema de ventilação natural, proveniente de um vão entre as paredes e as folhas do telhado trançado (muitíssimo eficiente), encontrei uma dessas fontes. Não havia banheiro. A floresta acolhia quem quer que dela necessitasse. Entretanto, fora da casa construiu-se um cubículo quadrado, com madeira e tijolos, chão batiFOTOS DIVULGAÇÃO
lumeMatoGrosso OS CHIQUITANOS CIRILO E LOURENÇO À FRENTE DO PAREDÃO SAGRADO
do e teto de abóbada celeste. Pôs-se um cano ao alto, era o box (ou o que entendemos por isso). Água puxada de mina, gélida, pura, caindo bem no meio do polígono. Afastado da residência, provocava-se ali um efeito quântico: o banho fazia parar o tempo e despedaçava o fora daquele quadrado. Havia só e pura existência no aqui, no agora, simultaneamente tudo e infinito. Aquela água fazia o ver virar ser estrela, ser lua (a noite era de lua cheia, sorte e gratidão). Alimento para o corpo e alma, renovação de espírito, o fluxo aquoso na pele transmutava-se em meditação. Ansiedade, insegurança, estresse, pressa, medo, males modernos e desconhecidos. Ah, se algum psiquiatra descobrisse o poder terapêutico daquele metro quadrado! A terra decerto ri da química farmacêutica em espaços assim, talvez por isso a lembrança de onde es-
tejam vai sendo apagada da mente dos brancos, não dá lucro. Renascimento gratuito, que ousadia. Saí do banho como quem volta de férias, meio boba, com espaço para guardar o mundo dentro do coração – empatia, compaixão, compreensão. Bati um prato de arroz e feijão com refresco e, finda a prosa, o sono me buscou. Fresco como a água, levei comigo aquela sensação pra noite, pra manhã seguinte, pra viagem de volta, até hoje ela me surpreende. Não contei a ninguém sobre o box multidimensional. Talvez não fosse um portal para os chiquitano, deixei ser meu portal, então. Afinal, eu, branca, urbana, que pretensão encontrar uma fonte verdadeira assim, marinheira de primeira viagem. Os autênticos portais são lugares sagrados, não me (e nos) cabe conhecê-los, compreendê-los, quanto mais vivenciá-los. Tem que ser
chiquitano para ter esse abrir de peito, nós já desaprendemos há muito tempo, só usamos mesmo as portas da Internet (que não têm mágica nem pensar, só impulsos de likes e dislikes). Mas tinha uma missão naquela viagem que deixei pendente ao sair de Mato Grosso algum tempo depois: ajudar os chiquitano a ocupar o seu devido lugar de fala, que há tanto tempo lhes é negado. Eles estão prontos para isso, eles sabem e se preparam, planejam, discutem, articulam-se, sonham, nascem e renascem todos os dias para sua luta, nos seus portais. E eu, que renasci só uma insignificante vez, com tão pouco, um esguicho d’água num parar do tempo, só posso, para além dessas palavras registrando sua bata-lha por direitos, ofertar minha gratidão: fui uma vez ao Portal do Encantado, para amparar e ser amparada, para não esquecer nunca mais.
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HISTÓRIA
Janeiro 1º O mês negro na América POR RAFAEL ALEXANDRE LIRA
de janeiro de 1804 deveria ser uma data lembrada por todos os cidadãos da América, quiçá de todos os continentes, especialmente pela população negra. Os haitianos sabem bem o significado deste dia histórico, e celebram com gosto o marco que ele traz para sua nação e para o mundo como um todo. Os europeus, especificamente os franceses, devem se lembram com certo desgosto tal dia, afinal uma derrota amarga não se esquece tão fácil.
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RAFAEL ALEXANDRE LIRA É professor, tradutor de crioulo, ex-missionário religioso e viveu, por quase um ano, no Haiti
O ápice da Revolução Haitiana teve seu marco no dia primeiro de janeiro do ano de mil oitocentos e quatro. Foi este o dia da conquista da independência, que veio por intermédio do povo negro escravizado, não pela mão do branco colonizador. Sim, fora através da união que fez a força do povo oprimido pela coroa francesa que a ilha de Santo Domingo se tornou a Primeira República Negra da América. A última batalha armada ocorreu no dia 18 de novembro do ano anterior, 1803, a Batalha de Vertières, sob a liderança do grande Jean Jacques Dessalines que com seu pequeno exército derrotou a poderosa legião de Napoleão Bonaparte. A derrota dos franceses por aqueles “rebeldes escravizados” que se organizaram e conseguiram expulsa-los da rica ilha caribenha
de Santo Domingo inflamou o coração dos negros que estavam em outras colônias distribuídas por toda a América. Rumores e informações verídicas do que havia ocorrido no Haiti começara a correr por todo o continente, influenciando assim pequenos movimentos e rebeliões até mesmo em solo brasileiro. Jean Jacques se tornou uma inspiração para todo o negro que almejava alcançar sua libertação. O historiador Clóvis Moura afirma que, em 1805, negros empregados nas tropas de artilharia do Rio de Janeiro foram presos por carregarem uma foto de Dessalines. O primeiro dia do ano não tem um mero significado de recomeço para o povo haitiano, povo negro guerreiro e forte. Mais que isso, o dia 1º é o dia de comemorar a libertação, a liberdade, a vida. Outrora, tal povo não podia comer a sopa de
abóbora que era um prato da iguaria francesa, hoje é o prato tradicional do 1º de janeiro, alimento este o qual haitianos no mundo todo comem e repartem com seus compatriotas nesta data inesquecível. Aqueles que tem condição fazem e doam àqueles que não tem, a fim de que todos celebrem juntos em memória dos seus ancestrais. Na bandeira do Haiti a frase em francês “L’union fait la force” faz relembrar o segredo do que trouxe a vitória do povo negro sobre o branco opressor: a força da união! Sem esta a derrota era certa, o exército inimigo era mais numeroso e fortemente armado. Porém, a sede de liberdade e o desejo de ser por si e para si fez deste pequeno exército uma nação independente, única e inspiradora para todos os povos da terra. O Haiti vive, vive o Haiti!
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FOTOGRAFIA
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FOTOS DOS ALUNOS
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HENRIQUE SANTIAN O fotógrafo documentarista traz em suas obras um pouco daquilo por onde passa, histórias contadas em imagens, e sentimentos que nos fazem enxergar o mundo a nossa volta e ver que nosso espaço se resume na amplidão
Quilombolas de Vila Bela
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TEXTO DA REDAÇÃO FOTOS HENRIQUE SANTIAN
fotógrafo Henrique Santian tem desenvolvido notável trabalho em Mato Grosso, além de ser conhecido pela qualidade de seu olho clínico para boas imagens, tem-se dedicado ao ensino da arte de fotografar. Santian já esteve em todos os quadrantes desse Estado, ensinando e orientando jovens aprendizes e amantes da fotografia. Recentemente desenvolveu trabalho de etnografia em oficinas de fotogra-
fia na cidade de Vila Bela da Santíssima Trindade, a primeira capital de Mato Grosso. Santian selecionou 20 jovens quilombolas que documentaram através de imagens a cidade e sua rica história e cultura. O intuito foi aprimorar uma discussão sobre a relevância da fotografia, sua importância documental e suas características etnográficas. “A fotografia é cada vez mais presente no nosso cotidiano e pode ser utilizada como expressão autoral e ferramen-
ta de produção do conhecimento”, disse Santian aos seus alunos. Continuando sua explanação falou: “Ao fazermos as imagens nos apropriarmos de um objeto que desaparecerá. Existe uma magia quando imortalizamos as pessoas e o tempo nas fotos. Para as tribos urbanas, fotografias são provas de sua existência, de sua identidade e história, a oficina aprimora ressaltar a importância da fotografia como instrumento de resgate documental”.
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MEMÓRIA
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SIMONE DE BEAUVOIR
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Memórias de Uma Moça BemComportada Os 110 anos de Simone de Beauvoir POR YAN CARLOS NOGUEIRA
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asci às quatro horas da manhã, a 9 de janeiro de 1908, num quarto de moveis laqueados de brano e que dava para o bulevar Raspail”. Começa Simone de Beauvoir em sua autobiografia publicada em 1958, na qual o título nomeia também este artigo escrito em sua homenagem. Se estivesse viva, Beauvoir completaria 110 anos! Nascida em Paris no começo do século XX, em sua trajetória de 78 anos, tornou-se não só uma grande inspiração do movimento feminista, mas destacou-se igualmente como romancista e filósofa (ainda que não se considerasse). Era a filha mais velha de uma família tradicional francesa. Seus pais, o advogado Georges Bertrand e Françoise Breasseur, atuavam fortemente na vida das filhas. De sua infância, Simone nos conta: “beneficiei-me apaixonadamente dos privilégios da infância para a qual a beleza, o luxo, a felicidade, são comestíveis”. Mesmo sendo uma criança feliz e, de certo ponto, privilegiada, a família de Beauvoir passou por problemas financeiros. Seu pai, ao se casar com a sua mãe, não recebeu o devido dote. O pai de Françoise, Gustave Breasseur, banqueiro respeitável, faliu tragicamente. Entretanto, a educação de Simone era acompanhada de perto. O pai a incentivou à arte, música e ao teatro. Dele, ela rememora: “ele não inclinava sobre mim, erguia-me ao seu nível e eu tinha então orgulho de
me sentir adulta”. Todavia, Simone ressalta que Georges não desempenhou um papel definido como pai (obviamente por estar frequentemente ocupado com os afazeres da advocacia), era com Françoise que se sentia distante. O sentimento devoto de sua mãe atuou sobre sua personalidade. Em seu livro recorda: “vivíamos assim, ela e eu, numa espécie de simbiose, e, sem me esforçar por imitá-la, fui por ela moldada”. A vida intelectual era construída por seu pai ao passo que sua vida espiritual era por sua mãe. Em outro sentido, manteve relações amistosas com sua irmã, Poupette. Dois anos e meio mais nova, fora com ela que sua infância foi tomada de risos e brincadeiras, sendo boas amigas, solidificaram-se sentimentos de companheirismo e cumplicidade. No ano de 1913, com cinco anos, foi matriculada em um Curso Désir. Num primeiro momento a menina estranhou, no entanto, animava-a a ideia de uma “vida pessoal” na qual, segundo a própria, poderia organizar uma rotina semanal. Influenciada pelo catecismo de seu Curso Désir, Simone aproximou-se da percepção religiosa levando-a a declarar que levaria uma vida devotada ao catolicismo e que jamais se casaria. Todavia, ao atingir a puberdade, época em que começa a questionar a existência do mundo e de Deus, Simone passou a colocar em pauta a sua crença. Relata: “a natureza falava-me de Deus, mas, decididamente, ele
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MEMÓRIA
SIMONE DE BEAUVOIR, SARTRE E UMA AMIGA
me parecia inteiramente alheio ao mundo em que agiam os homens”. Decepcionada com a atitude de um padre que costumava se confessar, dentro de pouco tempo declara, em segredo, sua incredulidade divina. Mergulhada na literatura, sonha em seguir carreira de escritora, nutre uma inspiração pela personalidade de “Joe” (personagem do livro “Little Women”, com publicação original em 1863, escrito por Louisa May Alcott), a qual julga ser uma verdadeira heroína. Quase na mesma época, desaponta-se com a ação de sua família em relação a Jacques, seu primo. Simone percebia que ele tinha um espaço de privilégio que lhe faltava. Seu pai gostava de dizer: “Simone tem cérebro de homem.
Simone é homem”. Ligando ao tratamento que recebia o primo, sentia-se inferiorizada. Era, infelizmente, uma menina. Passado alguns anos, entre 1925 e 1928, Beauvoir é admitida no bacharelado em Letras-latim e Matemática Elementar, além de obter um terceiro em Filosofia. Aluna da Universidade de Sorbonne em Paris é extremamente dedicada aos estudos. Convicta de seu objetivo em ser escritora, decide antes tentar carreira de professora. Dessa maneira, concluído o curso, se prepara para a agregation, concurso ao título de professor-titular nível superior. No ano posterior, por interlocução de René Maheu, conhece Jeal-Paul Sartre (Nobel de Literatura 1963), que também se preparava pra o mesmo concurSIMONE DE BEAUVOIR E SARTRE NO RIO DE JANEIRO
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“Ninguém nasce mulher. Torna-se”. O pensamento de Simone de Beauvoir analisa os aspectos que caracteriza a situação feminina na sociedade. “O Segundo Sexo” não é importante apenas porque inaugura uma “nova fase” na vida da autora, mas igualmente pelas influências que causou no movimento feminista mundial e que permanece atualmente. Não cabe aqui discutir as ideias e concepções contidas no livro, ainda que necessário, é preciso uma outra oportunidade. Simone de Beauvoir, sem deixar dúvidas, foi uma mulher muito além de seu tempo. Escreveu ainda uma série de outros livros: Todos os Homens são Mortais (1946); Por uma Moral da Ambiguidade (1947); Os Mandarins (1954); A Força da Idade (1960); A Cerimônia do Adeus (1974). Morreu em Paris no dia 14 de abril de 1986. Nos 110 anos de seu nascimento fica o convite nosso para mergulhar na vida e obra de uma das mulheres que, bem comportada ou não, muito contribuiu para a sociedade. Conforme a própria nos lembra: “O presente não é o passado em potência, ele é o momento da escolha e ação”.
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so. Ele consegue aprovação em primeiro lugar; ela, em segundo. No mesmo ano sai da casa de seus pais para morar de aluguel em um quarto de sua avó materna. Sartre e Beauvoir estavam absolutamente apaixonados. Dele, ela lembra: “não foi por acaso que escolhi Sartre, porque, afinal fui eu quem o escolhi. Sartre correspondia exatamente ao anseio dos meus quinze anos”. Levando um relacionamento aberto, partilharam de uma vida inteira juntos sem monogamia, mantendo, inclusive, relações sexuais com ex-alunas. A partida de Sartre para o Serviço Militar, não impediu que Beauvoir continuasse a ter relações amorosas com homens e mulheres. Escreveu inúmeras cartas para seu companheiro descrevendo suas ligações. Com a eclosão da II Guerra Mundial em 1939, que abalaria as estruturas sociais e intelectuais de Paris e de toda França, e a ida de Sartre novamente para exercer a função de meteorologista, Simone de Beauvoir não parou de produzir. Enquanto ele esteve preso (no ano de 1940), ela se aquietou com o nazismo alemão: “eu só poderia odiar o nazismo e a colaboração. Estava também na minha ideia tentar reagir à situação sem me deixar esmagar. O que não descobri foi um modo de traduzir meus atos a minha oposição ao nazismo”. Em 1943, Beauvoir dá um grande salto em sua jornada. “A Convidada”, seu primeiro romance, narra o cotidiano de Françoise e Pierre Lambrousse (personagens fictícios), um casal de intelectuais que são abalados com a chegada de Xaviére. A narrativa percorre o drama do triangulo amoroso e se desenvolve com características d Filosofia Existencialista em que Beauvoir e Sartre são grandes representantes. Em 1944, sai às livrarias “O Sangue dos outros”, também de sua autoria. Finda a II Guerra Mundial, o casal de filósofos editam a revista “LesTempsModernes”, em que Simone permaneceria como editora até sua morte em 1986. É somente no ano de 1949 que é publicado o livro que a consagrou com sua célebre frase:
(A edição aqui usada para compor este texto data de 2017, pela Editora Nova Fronteira e com tradução de Sérgio Millet)
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OPINIÃO
“Órfãos Do Talvez Ou Do Quem Sabe. Viúvas Do Quem Sabe Ou Do Talvez” “Previsão do tempo: tempo negro Temperatura: sufocante O ar está irrespirável O país está sendo varrido por fortes ventos. Máx.: 38°, em Brasília. Mín.: 5° nas Laranjeiras”
A
POR ANNA MARIA RIBEIRO F. M. COSTA
epígrafe foi publicada na seção de meteorologia do Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, um dia depois da decretação do Ato Institucional Nº 5, considerado o mais severo de todos. Foi a ma-
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neira que os editores do jornal encontraram para dar aos leitores uma dimensão dos acontecimentos políticos, driblando a censura. O AI-5 foi anunciado no salão principal do Palácio Laranjeiras, no Programa “A Voz
do Brasil”, em cadeia nacional de rádio, em 7’30’’, nas vozes do Ministro da Justiça Gama e Silva e do locutor Alberto Curi, que mais tarde “contou que não tinha a menor ideia do que ia ler. Soube na hora, ao vivo”. FOTOS DIVULGAÇÃO
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ANNA MARIA RIBEIRO F. M. DA COSTA é doutora em História, pesquisadora da Funai, professora do Univag - Centro Universitário de Várzea Grande, membro do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso e do Clube Filatélico, Numismático e afins de Cuiabá.
Era noite do dia 13 de dezembro de 1968 quando foi acentuado o caráter ditatorial do regime militar: fechamento do Congresso Nacional por tempo indeterminado (até 21 de outubro de 1969), as Assembleias Legislativas estaduais (menos a de São Paulo) foram oficialmente postas “em recesso”, perda de mandatos de parlamentares, intervenções nos municípios e estados, censura prévia de cinema, imprensa, música, televisão. Ao Presidente da República, Arthur da Costa e Silva, foram dados plenos poderes: “cassar mandatos eletivos, suspender direitos políticos, demitir ou aposentar juízes e outros funcionários públicos, suspender o habeas corpus em crimes contra a segurança nacional e legislar por decreto.” No contexto político, cientistas sociais entendem que o AI-5 foi decretado principalmente porque os militares estavam extremamente ofendidos com o pronunciamento do deputado e jornalista Márcio Moreira Alves que instigou os brasileiros ao boicote às festividades do 7 de Setembro, Dia da Independência, em protesto pela violência da Política Militar e dos Agentes das Delegacias de Ordem Política e Social – DOPS que invadiram a Universidade de Brasília, três dias antes. A pensar nos paradoxos da pós-modernidade: no último 7 de Setembro, nas paradas militares, em várias cidades do país, pessoas, em coro, pediram pela intervenção militar no governo Temer. Da palavra de ordem “Diretas já!” para “Intervenção já!”. O velho Marx tinha razão quando ar proferir: “tudo que é sólido desmancha no ar”. A justificativa dos militares consistia em deter ações de grupos de esquerda que combatiam a ditadura civil-militar, reflexo da
conjuntura de “guerra fria”, quando emergiu a “teoria da segurança nacional” que consistiu em combater os inimigos internos considerados subversivos. Para muitos, o AI-5 não tem nada a ver com o discurso de Moreira Alves e sim com o “aumento da violência terrorista”, como afirmou o General Jarbas Passarinho, anos depois, Senador e Ministro no regime militar e que integrou a reunião do Conselho de Segurança Nacional que resultou no AI-5. O texto, proferido por Gama e Silva era claro: “tem a finalidade fundamental de preservar a revolução de março de 1964, a fim de que possamos, sanear esse clima de intranquilidade que gera a desconfiança, o desconforto que procura de qualquer forma atingir o regime de que precisamos defender [...]”. Tiveram seus direitos suspensos 78 deputados federais, 5 senadores, 151 deputados estaduais, 22 prefeitos e 23 vereadores, totalizando 333 políticos. O deputado cearense do Movimento Democrático Brasileiro – MDB (legenda recentemente ressuscitada), José Alencar Furtado contou que por ter denunciado torturas e assassinatos praticados pela ditadura civil-militar e por se referir aos “desaparecidos” como “as viúvas do quem sabe e do talvez” e “os órfãos do talvez do quem sabe” foi cassado. Mas, ele se regozija: ao assistir pela televisão ao jogo de futebol Brasil e França, “às tantas o locutor esportivo suspendeu a transmissão do jogo e anunciou: ‘acaba de ser cassado o deputado Alencar Furtado, líder do MDB que teve também seus direitos políticos suspensos por dez anos.’ Uma vaia estrondosa cobriu o Maracanã. Ali, naquele instante, eu me senti feliz. Banhado de alegria cívica porque o povo vaiava a ditadura.”
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OPINIÃO
Inúmeros artistas foram presos, dentre eles Chico Buarque, Geraldo Vandré, Caetano Veloso e Gilberto Gil estes dois tiveram suas cabeças raspadas. Os integrantes do Novos Baianos foram para a Inglaterra e Gil deixou “Aquele abraço” tantos e tantos aos brasileiros: O Rio de Janeiro continua lindo. O Rio de Janeiro continua sendo. Alô, alô, Realengo - aquele abraço! Alô, torcida do Flamengo - aquele abraço! Chacrinha continua balançando a pança. E buzinando a moça e comandando a massa.
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E continua dando as ordens no terreiro. Alô, alô, seu Chacrinha - velho guerreiro. Alô, alô, Terezinha, Rio de Janeiro. Alô, alô, seu Chacrinha - velho palhaço. Alô, alô, Terezinha - aquele abraço! Alô, moça da favela - aquele abraço! Todo mundo da Portela - aquele abraço! Todo mês de fevereiro - aquele passo! Alô, Banda de Ipanema - aquele abraço! Meu caminho pelo mundo eu mesmo traço. A Bahia já me deu régua e compasso. Quem sabe de mim sou eu - aquele abraço! Pra você que me esqueceu - aquele abraço! Alô, Rio de Janeiro - aquele abraço! Todo o povo brasileiro - aquele abraço!
Foi Ernesto Geisel, penúltimo presidente general da ditadura, quem pôs fim ao AI-5 e iniciou um processo de redemocratização do país, devolvendo ao cidadão brasileiro a maioria dos direitos fundamentais, numa “abertura lenta, segura e gradual”, concluída dez anos depois, com a promulgação da Carta Magna. O ano de 2018 está no ar! Cinquenta anos se passaram desde que o AI-5 foi
tos da Revolução Russa e de O Capital, ainda que Angela Merkel não seja adepta ao comunismo. Por que, neste país, em muitas escolas persiste a prática de ensinar história do Brasil sob o viés Positivista? Nossos heróis nacionais precisam ser revistos. Como escreveram os historiadores Luiz Bolognesi e Pedro Puntoni, “meus heróis não viraram estátuas”. Na construção do cidadão, do agente do direito, o conhecimento da história do Brasil deve ser um dos principais esteios, concordem ou não os governantes com o desenrolar e desfecho dos fatos históricos. Comemorar o fim do AI-5 e a Constituição Federal de 1988 é trazer à memória os “anos de chumbo” e os esforços da Assembleia Nacional Constituinte em escrever uma nova certidão de nascimento do Brasil. Fatos, com objetivos antagônicos, mas interligados. É cantar a velha e nova música de Geraldo Vandré, “Prá não dizer que falei das flores”, a “Marseillaise brasileira”, na sacada de Millôr Fernandes, a trazer novo fôlego para arregaçar as mangas e exigir mudanças à massa explorada de brasileiros.
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instaurado no país. Na astrologia, o ano indica grandes revisões de amorfos e mofados paradigmas. Renovação parece ser a ordem. Pensando no destino político do país, quando os brasileiros irão às urnas em 7 e 28 de outubro para eleger Presidente, Governadores, Senadores, Deputados Federais e Deputados Estaduais/ Distrital, a profecia tem sentido. A campanha “Se votar, não volta” alerta eleitores para não votarem naqueles políticos envoltos em corrupção e favoráveis à reforma da Previdência Social. O cuidado deve ser redobrado porque tem lobo fantasiado de cordeiro. Os preceitos democráticos presentes na Constituição Federal (que neste ano completa 30 anos) precisam ser postos em prática para não perpetuar o ideal de Floriano Peixoto. É do segundo presidente militar a frase: “Amigo, quando a situação e as instituições correm perigo, o meu dever é guardar a Constituição em uma gaveta, livrá-la da rebeldia e, no dia seguinte, entregá-la ao povo limpa e imaculada”. Nos dias de hoje, urge que a Carta Magna brasileira seja desengavetada. Que o cinquentenário do AI 5 e os trinta anos da Constituição Federal devem ser pegos a laço como datas a serem relembradas e analisadas não resta a menor dúvida. Na Alemanha, nas escolas de ensino fundamental já são discutidos com seus alunos os precei-
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OPINIÃO
Para os povos indígenas, todo o período da ditadura civil-militar – e não só sob a mão de ferro do AI-5 – trouxe a execução de políticas indigenistas militarizadas, repressão, transferência forçada em virtude das grandes obras como rodovias, hidrelétricas, mineração, projetos geopolíticos, dentre outras. Por outro lado, a ditadura possibilitou aos indígenas a resistirem e lutarem por seus direitos. Conseguem chegar inquebráveis na Assembleia Nacional Constituinte para nascerem os Artigos 231 e 232, fundamentais ao reconhecimento dos direitos e valorização dos povos indígenas. Em 1968, veio à tona o Relatório da Comissão de Investigação do Ministério do Interior, resultado da Comissão de Inquérito, presidida pelo Procurador-ge-
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ral Jader Figueiredo, que percorreu junto à sua equipe mais de 16 mil quilômetros e visitou 130 Postos Indígenas. Em 2013, o relatório foi encontrado, incompleto, com 5.000 páginas distribuídas em 29 tomos – das 7.000 páginas e trinta tomos da versão original. Lembrando aqui que entre os países da América Latina que vivenciaram regimes ditatoriais, o Brasil encontra-se no piso mais elevado do pódio quando se trata de acervos de documentos que já foram secretos. Hoje, graças ao decreto de 2005, assinado por Luiz Inácio Lula da Silva e a então Chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, os acervos do Serviço Nacional de Informações, do Conselho de Segurança Nacional e da Comissão Geral de Investigações foram transferidos para o Ar-
quivo Nacional, órgãos fundamentais do esquema repressivo da ditadura. Uma iniciativa louvável que, sem dúvida, trouxe um foco de luz à “guerra da memória”, a usar o termo do historiador francês François Dosse. Em decorrência desse ato, vieram à tona inúmeras denúncias de massacres e de violências contra os povos indígenas, semelhantes às “práticas mais execráveis dos antigos navios negreiros”, conforme afirmação do “Le Monde”. O suntuoso relatório denunciou que “proprietários de terras e os agentes do SPI usaram, além das armas convencionais, armas biológicas”, com introdução deliberada de varíola, gripe, tuberculose e sarampo entre as etnias do Mato Grosso, nos anos de 1957 a 1963. Em uma das páginas do
MALOCA CINTA LARGA, FOTO: MARCELA BONFIM
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relatório de Jader Figueiredo, lê-se sobre o povo Cinta-Larga, em Mato Grosso, mortos pela explosão de dinamite lançada de um avião, estricnina adicionada ao açúcar. Os sobreviventes foram assassinados por mateiros que os perseguiram com rajadas de metralhadora. Na 7ª Inspetoria do Serviço de Proteção aos Índios, em Curitiba, constata-se que “tanto sofreram os índios na peia e no ‘tronco’ que, embora o Código Penal capitule como crime a prisão em cárcere privado, deve-se saudar a adoção desse delito como um inegável progresso no exercício da ‘proteção ao índio’. Sem ironia pode-se afirmar que os castigos de trabalho forçado e de prisão em cárcere privado representa-
vam a humanização das relações índios-SPI”, afirmou um funcionário do órgão. Em referência à ação do Serviço de Proteção aos Índios, Lilia M. Schwarcz e Heloisa M. Starling, no livro “Brasil: uma biografia”, escreveram: “resultado é estarrecedor: matanças de tribos inteiras, torturas e toda sorte de crueldades foram cometidas contra indígenas brasileiros por proprietários de terras e por agentes do Estado. Figueiredo fez um trabalho de apuração notável. Incluiu relatos de dezenas de testemunhas, apresentou centenas de documentos e identificou cada uma das violações que encontrou: assassinatos, prostituição de índias, sevícias, trabalho escravo, apropriação e desvio de re-
cursos do patrimônio indígena. Seu relatório denuncia – e comprova – a existência de caçadas humanas feitas com metralhadoras e dinamite atirada de aviões, inoculações propositais de varíola em populações indígenas isoladas e doações de açúcar misturado a estricnina. Os índios estavam posicionados entre os militares e a realização do projeto estratégico de ocupação do território brasileiro concebido pelo Ipes e pela ESG, e pagaram um preço ato demais por isso.” O documento, que se fez oculto por mais de quarenta anos, divulgou atos de corrupção, violência e extermínio praticados pelo Serviço de Proteção aos Índios. Também conhecido por “Relatório Figueire-
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OPINIÃO
do”, apresentado em 1967, diante às denúncias das Comissões Parlamentares de Inquérito que ecoaram Brasil afora, levou o Estado a extinguir o Serviço de Proteção aos Índios e a criar a Fundação Nacional do Índio. A instituição nasceu com aparato militar que contou com o Conselho de Segurança Nacional e o Serviço Nacional de Informação, no intuito de controlar e reprimir indígenas e seus aliados, a ponto de serem instaladas cadeias nos postos indígenas e nos presídios indígenas regionais e nacional. A criação de um novo órgão oficial corroborou com o “paradoxo da tutela”, termo cunhado pelo antropólogo João Pacheco de Oliveira, ao analisar que se “por um lado, visava proteger as terras e as culturas indígenas, por outro, a transferência territorial dos nativos para liberar áreas destinadas à colonização e a imposição de alterações em seus modos de vida.” A tutela não livrou os indígenas da violência e da negação de seus direitos e, nos dias de hoje, a Constituição Federal não consegue atender as necessidades dos povos indígenas, mesmo sendo a que mais reconhece os direitos originários de todas as anteriores. Políticas de caráter desenvolvimentista necessitam se expandir a troco de vidas; não permitem modos de ocupação da terra alheios aos
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seus propósitos. O Congresso da ditadura civil-militar, ao aprovar o Estatuto do Índio (Lei 6001), levou a cabo as pautas do Ministério do Interior na “emancipação dos índios e, assim, disponibilizar seus territórios aos latifundiários, tal qual fez D. João VI ao chegar ao Brasil em princípios do século XIX, ao declarar “guerra justa” aos Botocudos por Carta Régia. Foi no interior dos “anos de chumbo” que o programa dos “critérios de indianidade” foi apresentado pelo Coronel Zanoni Hausen, que pretendia adotar critérios extremamente racistas como sanguinidade e mancha mongólica que acabou por ser esquecido diante à resistência indígena e à pressão de não índios que se colocaram em sua defesa. Também foi na Funai militar que a Guarda Rural Indígena passou a operar com forte esquema de controle sobre os povos indígenas e seus territórios, conforme a análise da jornalista Laura Capriglione em “A missão. Como a ditadura ensinou técnicas de tortura à Guarda Rural Indígena”, pulicado na Folha de São Paulo em 2012, que também quebra o “vazio de silêncio” do referido período, instaurando uma “política justa de memória”, nos dizeres do filósofo francês Paul Ricoeur, já que “somos todos devedores de parte do que somos aos que nos precederam”; A política de integração
dos indígenas à sociedade nacional não deu certo. Seus modos de viver passaram a ser protegidos pela Carta Cidadã, quando conquistaram o reconhecimento da “sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam”. Mas, a violência e o preconceito contra os povos indígenas ainda se fazem presentes, cometidas por setores avessos a essa milenar parcela da população brasileira. A esperada depopulação deu lugar ao crescimento demográfico: a população indígena de 1964 que somava menos de cem mil, passou para quase um milhão, distribuída em 312 povos, de acordo com o Instituto Socioambiental. Entre os anos de 1946 a 1988, a Comissão Nacional da Verdade obteve dados que indicam que 8.350 índios foram assassinados e que, além da violência direta do Estado, sofreram em decorrência da omissão do governo. A Comissão da Verdade solicitou ao governo federal a instalação de uma Comissão Nacional Indígena da Verdade, a fim de que possam ser analisadas as violações de direitos humanos, para que seja possível obter mais informações a respeito dos casos ainda obscuros. Infelizmente, nada foi feito. De acordo com a análise da historiadora Ana Catarina Zema de Resende “a Comissão Nacional da
acometida de graves violações de direitos humanos, com base no projeto de “integrar” os indígenas à sociedade nacional, com o fito de não impedir a instauração de grandes empreendimentos de infraestrutura, que por tantos anos a historiografia tradicional silenciou. Uma grande parcela de índios e não índios tornou-se vítima dos “anos de chumbo”. A Constituição Federal de 1988 derrubou a de 1967, esta amplamente emendada em 1969 e assinalada por sustentar instrumentos ditatoriais, a exemplo do AI-5, promulgada em um momento em que o Congresso Nacional achava-se acéfalo diante às cassações. A Carta Cidadã varreu as agruras do cenário da ditadura civil-militar para restituir a democracia. Contudo, como nos primórdios da República, parece que ela adormece em uma gaveta para que governantes possam dispor não somente dos “órfãos do talvez ou do quem sabe” e
das “viúvas do quem sabe ou do talvez”, mas de grande parcela da população, como demonstram diversas pesquisas. A violência contra os povos indígenas, ainda que vestida de novos modelos desenvolvimentistas, continua a ser escrita. De acordo com o Instituto Socioambiental, os direitos territoriais estão fragilizados diante a demonstração das propostas de mudança dos procedimentos de identificação de terras indígenas. Qual é a previsão do tempo? Qual a temperatura no Palácio do Jaburu, em Brasília? Qual a temperatura no Palácio da Cidade, no Rio de Janeiro? No Rio de Janeiro, no domingo de Carnaval, foliões de um bloco carnavalesco que ocuparam o saguão do aeroporto Santos Dummont e integrantes da Escola de Samba “Paraíso do Tuiuti”, em desfile na Passarela do Sapucaí, forneceram, com precisão, a previsão do tempo.
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Verdade concluiu que as violações praticadas durante o período investigado não foram nem esporádicas nem acidentais, mas sistêmicas. Reconhecendo então a responsabilidade do Estado brasileiro, a Comissão Nacional da Verdade recomendou, finalmente, um pedido de desculpas do Estado aos povos indígenas e a regularização e desintrusão das terras indígenas como uma forma de reparação coletiva.” Em abril do ano passado, Cuiabá foi agraciada com a presença do jornalista Rubens Valente, que proferiu palestra na “Semana dos Povos Indígenas” do Museu Rondon da Universidade Federal de Mato Grosso. Valente proferiu palestra, em evento de lançamento de seu livro “Os fuzis e as flechas”, sobre o tratamento dado aos povos indígenas pelo Estado militarista que teve como consequência milhares de mortes de indígenas. Valente analisou a atuação do Serviço de Proteção aos Índios como PRESIDENTE DA ESCOLA DE SAMBA PARAÍSO DO TUIUTI, RENATO THOR
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MARÇOS DE NOSSA HISTÓRIA DIA 01
»»1444.
Nasce Botticelli, pintor italiano. »»1810. Nasce Frederic Chopin, músico polonês. »»1923. Morre Rui Barbosa, jurista, jornalista e político brasileiro.
DIA 02
»»1983.
Os Compact Discs (CDs) são lançados pela primeira vez nos USA e em outros mercados. DIA 04 »»1910. Nasce Tancredo Neves, político brasileiro.
tam o casamento gay em um plebiscito. DIA 08 »»1861. Nasce Antônio Francisco de Azeredo, advogado, jornalista e político mato-grossense, de projeção nacional. Foi colega de Rui Barbosa, Quintino Bocaiuva, Benjamin Constant e Euclides da Cunha. DIA 09 »»1959. Ruth e Elliot Handler (fundadores da empresa Mattel) apresentam ao mundo o brinquedo que revolucionará a indústria e gerará inúmeras polêmicas. Eles são os “pais” de Barbie, uma boneca adulta de corpo perfeito, simboliza sucesso, beleza e juventude.
DIA 05 »»1953. Morre Joseph Stalin, ditador russo.
»»2001.
DIA 11 »»2011. Ocorre sismo e a Tsunami de Sendai, no Japão, de 2011
DIA 07 »»2000. Californianos rejei-
DIA 12 »»1572. Publicação de Os Lusíadas, poema épico do português Luis de Camões.
Morre Mário Covas, político brasileiro nascido em São Paulo.
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DIA 13 »»1830. Nasce Antonio Conselheiro, líder espiritual de Canudos. DIA 14 »»1847. Nasce Castro Alves, poeta baiano. DIA 15 »»1985. O primeiro domínio da Internet é registrado. DIA 17 »»2001. Nasce a bezerra Vitória, o primeiro animal clonado brasileiro. DIA 20 »»1941. O escritor Monteiro Lobato foi preso por criticar as torturas praticadas pelo Estado Novo.
DIA 10 »»1862. A primeira nota em papel-moeda é emitida pelo governo dos Estados Unidos.
DIA 06
»»1894. Inicia-se a venda de Coca-Cola em garrafas.
DIA 22 »»1895. Os irmãos Lumière fazem a primeira apresentação pública do cinematógrafo. DIA 23 »»1919. Benito Mussolini funda o movimento fascista na Itália.
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Pela primeira vez, um filme estrangeiro recebe um Oscar. Foi o britânico Hamlet, interpretado por Laurence Olivier. DIA 25 »»1901. O primeiro carro Mercedes aparece em um evento automobilístico em Nice, na França. DIA 26 »»1991. Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai assinam o Tratado de Assunção, estabelecendo assim o MERCOSUL. DIA 27 »»1910. Nasce Manoel José de Arruda, dentista e político. Foi prefeito de Cuiabá, deputado estadual em 3 mandatos e presidiu o TCE/MT. DIA 30 »»1842. A primeira cirurgia usando anestesia é realizada pelo Dr. Crawford Long, na Georgia, USA.
DIA 31 »»1964. Um golpe de Estado no Brasil dá início a uma ditadura militar liderada por Castelo Branco.
O PERSONAGEM CINCO ANOS DE ELEIÇÃO DO PAPA FRANCISCO, O 266º DA IGREJA CATÓLICA PAPA FRANCISCO »»13-03-1913. Jorge Mario Bergoglio, o papa Francisco, eleito papa em 13 de março de 2013, nasceu em Buenos Aires, capital da Argentina, a 17 de Dezembro de 1936. Filho de emigrantes italianos, trabalhou como técnico químico antes de se decidir pelo sacerdócio. Sucedeu o Papa Bento XVI, que abdicou ao papado, em 28 de fevereiro de 2013. É o primeiro papa latino-americano, em mais de 1200 anos. É também o primeiro papa jesuíta da história. Em fevereiro de 1998, Francisco tornou-se arcebispo de Buenos Aires, sendo elevado ao cardinalato três anos depois, com o título de Cardeal-presbítero de São Roberto Belarmino, por João Paulo II.
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DIA 24
»»1949.
O ACONTECIMENTO CENTO E VINTE E NOVE ANOS DA INAUGURAÇÃO DA TORRE EIFFEL »»31-03-1889. A Torre Eiffel é uma construção de ferro de 300 metros de altura que foi criada para a Exposição Universal de Paris de 1889. Com um design criado por Gustave Eiffel, a construção da Torre Eiffel durou pouco mais de dois anos e nela trabalharam 250 pessoas. A princípios do século XX, com a chegada das guerras mundiais, as autoridades encontraram sua utilidade como antena de radiodifusão e com ela captaram mensagens que ajudaram os aliados de forma decisiva. Atualmente e graças ao auge de Paris como destino turístico internacional, a torre é um dos monumentos mais visitados do mundo, com mais de 7 milhões de turistas por ano.
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R E T R ATO E M P& B
Pedro Pedrossian 58
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quando entrega o comando a seu maior opositor político, Wilson Barbosa Martins. Já como um dos políticos de maior relevância e influência no centro-oeste brasileiro, Pedrossian disputa as eleições de 1986, tentando regressar ao Senado, mas apesar de obter votação expressiva, perde as cadeiras no Congresso justamente para Wilson e Rachid Saldanha Derzi. Na esteira da eleição de Fernando Collor de Mello, Pedrossian volta a disputar a eleição de 1990, para o governo de Mato Grosso do Sul. Foi sua última vitória em campanha. Permanece em sua terceira gestão de governador, a segunda em Mato Grosso do Sul, e ocupa o cargo até 1º de janeiro de 1995, passando a faixa e o comando do governo, pela segunda vez, a Wilson Barbosa Martins. Pedrossian voltaria a disputar outras duas eleições. Em ambas figurava como franco favorito. Primeiro em 1998, para o governo estadual, disputa que teve Zeca do PT, como vencedor. E depois em 2002, quando pretendeu voltar ao Senado, sendo ultrapassado na reta final do pleito por Delcídio do Amaral e Ramez Tebet. Dentre as muitas condecorações recebidas ao longo de sua vida pública registramos a Medalha do Pacificador e a Ordem do Mérito Aeronáutico. Em suas administrações foram criadas a UFMT - Universidade Federal de MT, com sede em Cuiabá, a UEMS - Universidade Estadual de MS, com sede em Dourados e a UFMS - Universidade Federal de MS, com sede em Campo Grande. Morreu em Campo Grande, aos 89 anos de idade. Após sua morte, o Parque dos Poderes, construído na sua primeira administração, ganhou seu nome em homenagem póstuma. Em maio de 2006 lançou o livro de memórias Pedro Pedrossian – O Pescador de Sonhos, publicado pelo Instituto Histórico de MS, em que relata a sua trajetória política, marcada pelo empreendedorismo, populismo e personalismo.
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onsiderado um dos mais conceituados políticos mato-grossenses das últimas décadas, Pedro Pedrossian nasceu no município pantaneiro de Miranda, em 13 de agosto de 1928. Apesar da data de seu nascimento ser mítica, nunca se ateve ao asceticismo. Filho de João Pedro Pedrossian e Rosa Pedrossian, ambos de origem armênia, formou-se em engenharia civil pela Escola de Engenharia da Universidade Mackenzie, de São Paulo. A vida política de Pedro Pedrossian começou no início da década de 1960, quando ocupou importantes cargos na direção da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil. A sua primeira eleição foi disputada quando tinha 37 anos, em 1965, (justamente a primeira após o início da ditadura, em 1964), antes da redemocratização do país. Venceu. Pedrossian foi eleito governador de Mato Grosso e assumiu o governo em 1966, mudando-se para Cuiabá. Foi também o primeiro governador de Mato Grosso nascido no sul do Estado, e também o mais votado da história, marca que perdurou por quase 20 anos. Entrega o governo em 1971. Seis anos depois, em 1977, o governo do regime militar sanciona a lei que divide Mato Grosso, e em 1979 surge Mato Grosso do Sul, tendo Campo Grande como Capital. Apesar de ser cogitado como candidato ao governo, Pedrossian opta por disputar a eleição para o Senado. Novamente vence e toma posse em 1978. Permanece por quase dois anos no Congresso, e renúncia do posto para assumir, em novembro de 1980, pela primeira vez, o comando do governo de Mato Grosso do Sul, indicado pelo então presidente, general João Batista Figueiredo. Seu primeiro mandato no governo de Mato Grosso do Sul dura até o fim de 1982,
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CRÔNICA PA N TA N E I R A
Conversa de “Bolicho”, em Mimoso
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ra mês de Maio do último ano do século passado, eu havia sido convidado pelo cineasta Joel Leão para participar da produção cinematográfica do seu projeto intitulado “Rondon, o Último dos Bandeirantes” e, por questão do critério do diretor o qual queria originalidade nas filmagens, as gravações seriam no município pantaneiro de Mimoso, terra natal do grande baluarte das comunicações. Depois de terminar meus trabalhos musicais na capital Cuiabá, viajei para lá, visto que a equipe da produção já se encontravam no local, com o Set de filmagens, instalado e trabalhando em pleno vapor, há uma semana. Viajei com o meu amigo
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POR GUAPO
Chiquito Alencastro e sua esposa que também iriam participar como figurantes na produção. Depois de andar quase sete horas pela antiga estrada da serra de São Vicente, chegamos na Pousada do Mutum, há dez quilometros da localidade de Mimoso. Após três dias de trabalho no local, a comissão recebeu um comunicado do cerimonial do governo da chegada àquele local de autoridades estaduais e federais. Nessa época o governador de Mato Grosso era o grande personagem das Diretas Já, Dante Martins de Oliveira, que convidou todos os envolvidos com a produção para participar da chegada e visita à Mimoso de paranaense Rafael Greca, então
Ministro do Turismo. O objetivo dessa visita era fundamentar o início dos trabalhos do Museu Rondon, obra que seria de grande porte turístico para a região. Eram mais ou menos sete horas da manhã quando saímos do Set de gravação e nos dirigimos à localidade de Mimoso, lá chegando vimos que o pequeno local já estava, desde cedo, bastante agitado. Haviam pessoas de vários povoados circunvizinhos e a maciça presença da criançada das escolas locais. Logo que eu e os outros colegas de filmagem desembarcamos do veículo que nos transportou, me desloquei ao único comercio do local, o “bolicho” do Gaúcho, que fica bem na FOTOS DIVULGAÇÃO
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MILTON PEREIRA DE PINHO - O GUAPO É cantor, compositor, pesquisador e escritor mato-grossense
esquina da rua principal da povoação. Era exatamente aquele padrão de velho armazém de antigamente, que vendia de tudo, desde fumo de rolo até as velhas camas de campanha, que “rinchava depois de velha”, era comum todos dizerem que fazer sexo nela era “o mesmo que trepar ouvindo relincho de égua no cio”, por que era feito com molas de ferro e, com o tempo chuvoso e úmido, logo enferrujava. Quando entrei no recinto, parecia ter entrado num Set de produção de filmes faroeste antigo. Muitos peões conversando em voz alta, fumando, bebendo cachaça e dando muitas risadas. O “Gaúcho”, dono do “bolicho”. também se divertia dando palpite no “falatório influído”. Pedi um “amargo” (pinga com raiz), o proprietário me serviu, encostei ao lado da janela escutando a conversa da peonada. Passado alguns minutos chegou um peão pantaneiro autêntico: Estatura mediana, bigode, chapéu de palha de carandá, camisa vermelha carmim, abotoado abaixo do tórax, bombacha marrom, faixa pantaneira, guasca de couro cru, pendurada no punho, bota salto carrapeta, faca, chaira e um revólver calibre 38, cano longo, preso na guaiaca, aparenta-
va ter uns quarenta e cinco anos. Após amarrar o cavalo na entrada do “bolicho”, caminhou para dentro do estabelecimento, em direção ao balcão, cumprimentando todos os presentes, foi logo fazendo seu pedido, com toda intimidade que tinha com o proprietário do “bolicho”. - Dá um “carço” Gaúcho! O proprietário colocou a pinga no copo e se distraiu por um momento entretido com a conversa e as risadas dos outros que parecia mais algazarra de recreio escolar de adolescente. O peão sem tomar a dose de cachaça pura, permaneceu acompanhando a distração do proprietário até que ele interveio e disse: Eh! Gaúcho, tá esqueceno chomano? “Carcina o bitcho”! O dono pede desculpa e busca uma garrafa do vermuth Cinzano, abre e coloca no copo do peão pra fazer a mistura e o mesmo bebe num trago só. Em seguida agradece acenando a cabeça e sai, para um canto do recinto, próximo de mim, pega da guaiaca o fumo de rolo e a palha para enrolar o seu cigarro enquanto as conversas e as risadas continuavam, porém, desta vez, já pautada na sexualidade do Ministro, que iria estar na localidade a qualquer momento, o qual um deles
disse ser ele “bundero”, outro dizia que muitos homens na história do mundo também foram bissexuais, porém deixaram grandes feitos na comunidade onde viveu, outro levanta a questão de que Mato Grosso já teve governador homossexual e que não houve nada de errado. Enquanto eles comentavam o tema da homossexualidade do Ministro e de outras histórias envolvidas com o bissexualismo no mundo, o peão, recém chegado, após terminar de fazer e ascender o seu “palheiro”, prestando atenção em tudo, e escutando a conversa, vai de novo ao balcão e pede outra dose do “carço”, desta vez o proprietário serviu completo, e ele fez do mesmo jeito, bebeu tudo de uma só vez, deu uma tragada no seu palheiro, olhou os presentes e indagou ao proprietário em voz alta: Oh! Gaúcho! Ocê que é mais “instrumado” do que eu, me diga uma coisa: Por que que tem dgente neste mundo que estuda muiiiiito, vira dotô, fica rico e poderoso e depois resorve dá “o miseráve”? Por uns segundo toda peonada que estava no “bolicho” ficou calada olhando um para cara do outro, até que explodiram numa risada vocalizada.
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L I T E R AT U R A
Americanidade
A Busca Pelo Intercâmbio Cultural Entre Os Povos Da América Do Sul:
Gabriela Mistral
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Quando falamos em literatura chilena, geralmente, o primeiro nome que vem à mente é Pablo Neruda. No entanto, para os chilenos, Gabriela Mistral é um dos destaques do país, sendo a primeira pessoa a receber um Prêmio Nobel na América do Sul, em 1945
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para o Jornal do Brasil. Nos anos 1930 e 40, ela era considerada um ícone da literatura latino-americana, mas em 1945, se tornou o primeiro nome da América Latina a vencer o Prêmio Nobel de Literatura – na época em que recebeu a notícia estava em Petrópolis, no Rio de Janeiro. Sua poesia é única, mística e repleta de imagens singulares e de lirismo. Seus temas centrais são o amor pelos humildes, memórias pessoais dolorosas, as mágoas e um interesse mais amplo por toda a humanidade. Entre seus poemas destacam-se: “Gotas de Fel”, “Eu Não Sinto a Solidão” e “Dá-me Tua Mão”. Após a premiação, Gabriela começou a ficar conhecida em toda a América Latina. Gabriela Mistral faleceu em Nova Iorque, Estados Unidos, no dia 10 de janeiro de 1957. A história da poetisa tem tanto significado na cultura chilena que em 1972, o espaço que sediou a terceira conferência da UNCTAD foi nomeado como Centro Cultural Metropolitano Gabriela Mistral. O espaço se tornou um ponto de encontro social, artístico e cultural no coração de Santiago e permaneceu assim até 1973. O edifício foi restaurado e em 2010 passou a chamar-se Centro Cultural Gabriela Mistral, ou mais popularmente conhecido como GAM.
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L
ucila de María del Perpetuo Socorro Godoy Alcayaga nasceu em Vicuña, em 7 de abril de 1889, mas ficou conhecida mundialmente sob o pseudônimo de Gabriela Mistral. Ela atuou como poeta, educadora, diplomata e feminista. Em 1904, Lucila começou a trabalhar como professora em uma escola primária e secundária. Dez anos mais tarde, ganhou os Juegos Florales de Santiago como Gabriela Mistral e seus Sonetos de La muerte. Seu nome foi escolhido como forma de homenagem a Gabriele D’Annunzio e Frédéric Mistral, seus poetas prediletos. Seu poemas tinham foco no amor, tanto romântico, quanto materno e pelo próximo. Seu estilo e poesia foram muito influenciados pelo suicídio de seu noivo, em 1907. Em 1922, publicou seu primeiro livro de poesias, “Desolación”, onde incluiu o poema “Dolor”, no qual fala da perda de seu amado. Ainda em 1922, foi convidada para trabalhar no Ministério da Educação do México, e logo se tornaria uma referência na pedagogia – elaborou as bases do sistema educacional do México, fundou escolas e organizou várias bibliotecas públicas. Terminada sua estada no México, Gabriela viajou pela Europa, Estados Unidos e América Latina. Em 1926 foi nomeada secretária do Instituto de Coperación Intelectual de la Sociedade de Naciones. Paralelamente foi redatora da revista de Bogotá “El Tiempo”. Representou o Chile em um Congresso universitário em Madri e pronunciou uma série de conferências sobre o desenvolvimento cultural norte-americano, nos Estados Unidos. Gabriela Mistral foi nomeada Consulesa do Chile e representou seu país em Nápoles, Madri, Lisboa e no Rio de Janeiro. Logo que chegou ao Brasil, fez amizade com Cecília Meireles – lançaram um livro de poemas juntas. Fez amizades literárias com Manuel Bandeira, Jorge de Lima, Assis Chateaubriand e seu predileto, Vinícius de Moraes. Conheceu Mário de Andrade através de Cecília. Nessa época, escreveu
GABRIELA MISTRAL
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L I T E R AT U R A
O Coração Tem
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la já estava há alguns vários anos na idade madura. Preferia nem dizer a sua idade. A beleza da juventude que ainda resistia, os óculos bem escolhidos e adequados ao seu rosto, aros
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POR AMÉRICO CORRÊA
cor vermelha, e a roupa descolada ... Sempre um jeans e uma camiseta caindo despreocupadamente sobre o corpo, o sapato sugerindo uma bota que lhe impunha a postura mais reta. Tudo o mais emprestava um bele-
za com a qual se defendia nas horas de caça. Mas tinha outro segredo, trunfo ou poder. Sabia o que queria e era objetiva. Não perdia tempo com salamaleques. - O coração tem dono? Ela foi logo para o ataque. FOTO DIVULGAÇÃO
Dono? Ele tinha acabado de colocar a bunda na banqueta ao lado. O balcão era comprido, podia ter escolhido outro local. Tinha-a percebido, logo ao entrar no bar atraído pela música. Som gostoso, um
ficou entregue, largado. Foi como se tivesse sido abandonado pela humanidade. Todos mudaram de planeta sem o avisar. - Senhor tende piedade deste corpo. Acho que estou desairosamente apaixonado. Ele realmente estava estupefato. Tanto que repetiu a frase quatro vezes sem se dar conta. Isso a preocupou. Estava realmente à caça, mas não tinha pensado em manter nenhuma presa em cativeiro. Há tempos também tinha adquirido outra convicção: cuidar dá um trabalho danado. - Meu Deus! digo eu, que horas são? Meu marido volta cedo do plantão no quartel. A desculpa que ela inventou o ressuscitou de todo o abandono que vinha sentindo. Deixou o apartamento na velocidade de um campeão. Tinham ido para o dela, pois ela, quando queria, decidia. Na outra quarta-feira, nos bares da vida, a vida continua. Pragmática. - Esse coração tem dono? - Não, está livre como um passarinho. - Que pena, o meu está chaveado. Só estou provocando... Ela detestava homens fáceis. Pagou a conta e foi embora. Deixa pra quinta-feira. * Américo Corrêa é jornalista e sociólogo.
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trompete mandando ver. Viu, mas sem impacto. Sua opinião era que mulher que vale a pena captura o homem já na troca de olhares. Os olhos dela estavam à caça. Os deles, despercebidos. -Se, sim, si sim. Mais ou menos! Ele praticamente balbuciou. Não esperava uma investida tão direta. Podia ter se sentado em outro lugar, mas pra que ficar longe de uma mulher sozinha se era um dos poucos só no ambiente - que não estava vazio, embora também não estivesse cheio. A relutância teve efeito contrário ao pretendido. Quem sabe outro alguém, mais tarde. Ainda era cedo. - Então deve ser um coração apenas alugado. Nesse caso, tem chave ou a deixa em casa trancada por sete chaves. Ela jogava contundente quando se interessava por alguém. - Chave não, mas tem segredo, combinação numérica. Ele quis dificultar. Era muito cedo, não passava das 9 horas da noite. - Fica tranquilo. Sou especialista em combinações numéricas. Não há cofre que eu não consiga abrir. Os olhos já tinham trocando olas. E a sede tinha chegado. Ele substituiu a água com gás por um copo de chopp. Amaram-se como nunca tinham conseguido amar alguém antes. Ela, convicta de que a última vez tem que ser na intensidade de um mundo acabando. Ele
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Ú LT I M A P Á G I N A
O a e É
olho vê, lembrança revê, a imaginação transvê. preciso transver o mundo.
Manoel de Barros
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mt.gov.br
GovernodeMatoGrosso
govmatogrosso
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Hoje, vemos que as iniciativas do Governo foram necessárias. Em uma gestão com coragem e planejamento, reduzimos gastos e quitamos dívidas antigas. Agora, conseguimos ver um horizonte mais limpo, com a certeza de um futuro ainda melhor. Basta olhar os resultados alcançados em vários setores no último ano: • Construção e reconstrução de mais de 2.400 km de asfalto • Investimento de R$ 3,4 bilhões na Saúde e construção de 204 novos leitos de UTI • Investimento de R$ 60 milhões na Agricultura Familiar nos últimos dois anos • Realização de 43 mil cirurgias na Caravana da Transformação • Construção de 42 novas escolas pelo Pró-Escolas • Contratação de mais de 3.600 novos integrantes na Segurança • Mais de 15 mil famílias beneficiadas pelo Pró-Família Em pouco mais de três anos de Governo, estamos organizando as contas e arrumando a casa. Sabemos que ainda falta muita coisa, e é por isso que continuaremos investindo em ações que transformam a vida de quem mais precisa. É um longo caminho, mas hoje já dá pra ver: Estamos construindo um novo futuro.