lume Mato Grosso
Revista nº. 50 • Ano 7 • Julho/2021
Adriano Ferreira Arte genuína de Mato Grosso. Pag. 26
AGRONEGÓCIO CASAGRANDE – MELHOR PRODUTOR MUSICAL DO BRASIL A INSANIDADE HUMANA TOTÓ PAES – HERÓI OU MITO LEMBRANDO JOÃO SEBASTIÃO
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BICA DA PRAINHA, 1957 (ACERVO EDITORA MEMÓRIA BRASILEIRA).
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JOÃO CARLOS VICENTE FERREIRA Editor Geral
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esde o surgimento da revista impressa no Brasil em 1812, essa mídia tradicional sofreu diversas transformações ao longo do tempo. Com o advento da internet, as mudanças foram ainda mais drásticas: surgiu uma necessidade de se acessar as notícias de forma imediata, fazendo com que as revistas que permaneciam somente no meio impresso ficassem para trás. Para se adaptar aos moldes dos dias atuais, os veículos procuraram se reinventar ao criar setores para publicar conteúdo na internet, assim expandindo a marca para atingir mais pessoas. Questionados, alguns jornalistas se pronunciaram sobre esse assunto. Marcos Coronato, editor executivo da revista Época, relatou a preocupação do veículo em fazer com que as matérias do site tenham o maior “ciclo de vida” possível, exaltando a figura do editor que proporciona um olhar mais experiente e pode tornar a publicação mais interessante para dessa forma atrair mais leitores. Na Veja a situação é bem parecida. Daniel Bergamasco, editor online, revelou que há alguns anos o veículo investiu na plataforma online, e isso permitiu algumas mudanças na redação: intercâmbio entre editores e união dos jornalistas, deixaram de existir papéis definidos. Daniel acredita que a versão online ainda não conseguiu se igualar a
edição impressa quando se trata de impacto, na medida em que as revistas causam um efeito nostálgico e forte ao se abrir, por exemplo, uma foto que ocupa uma página inteira. É algo que captura a atenção do leitor de uma maneira que os sites não conseguem fazer. A revista impressa é desenvolvida considerando que o leitor terá um tempo maior dedicado ao texto, desta forma a produção de conteúdo é mais aprofundada. Entretanto, as chamadas “pautas quentes” podem não resistir até o final de semana (quando a revista é veiculada), valorizando a necessidade do site. Giovana Romani, editora sênior da revista Glamour, acredita na exclusividade da revista impressa, já que existe uma curadoria limitada para a veiculação. A principal diferença apontada por Giovana está na questão do título, o online exige “sujeito, predicado, ação e informação relevante”, em contrapartida a revista é mais fluida. Para mim não ocorrerá o fim da revista impressa, mas sim uma depuração daquilo que temos em nosso mercado, tanto no Estado, quanto no país afora. Os editores e jornalistas migrarão, em sua maioria, para sites. Ficarão os que tem proposta editorial que atinja os objetivos do leitor, especialmente daquele mais exigente e que busca qualidade. Estamos buscando encontrar o caminho certo para nossa LUME MATO GROSSO.
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EXPEDIENTE
lume Mato Grosso
PESCUMA MORAIS Diretor de Expansão e de Projetos Especiais ELEONOR CRISTINA FERREIRA Diretora Comercial JOÃO CARLOS VICENTE FERREIRA Editor Geral MARIA RITA UEMURA Jornalista Responsável JOÃO GUILHERME O. V. FERREIRA Revisão AAMÉRICO CORRÊA, ANA CAROLINA H. BRAGANÇA, ANNA MARIA RIBEIRO, ANTÔNIO P. PACHECO, BENEDITO PEDRO DORILEO, CARLOS FERREIRA, CECÍLIA KAWALL, DIEGO DA SILVA BARROS, DILVA FRAZÃO, EDUARDO MAHON, ELIETH GRIPP, ENIEL GOCHETTE, EVELYN RIBEIRO, HENRIQUE SANTIAN, JOSANE SALLES, JULIANA RODRIGUES, LEJEUNE MIRHAN, LUCIENE CARVALHO, MILTON PEREIRA DE PINHO - GUAPO, NIGEL BUCKMASTER, PAULO PITALUGA COSTA E SILVA, RAFAEL LIRA, REGINA DELIBERAI, , ROSE DOMINGUES, THAYS OLIVEIRA SILVA, VALÉRIA CARVALHO, WLADIMIR TADEU BAPTISTA SOARES, YAN CARLOS NOGUEIRA Colaboradores ANDREY ROMEU, ANTÔNIO CARLOS FERREIRA (BANAVITA), CECÍLIA KAWALL, CHICO VALDINEI, EDUARDO ANDRADE, HEITOR MAGNO, HENRIQUE SANTIAN,
JOSÉ MEDEIROS, JOYCE CORRÊA, JÚLIO ROCHA, LUIS ALVES, LUIS GOMES, MAIKE BUENO, MARCELA BONFIM, MARCOS BERGAMASCO, MARCOS LOPES, MÁRIO FRIEDLANDER, RAI REIS Fotos OS ARTIGOS ASSINADOS SÃO DE RESPONSABILIDADE DE SEUS AUTORES. LUME - MATO GROSSO é uma publicação mensal da EDITORA MEMÓRIA BRASILEIRA Distribuição Exclusiva no Brasil RUA PROFESSORA AMÉLIA MUNIZ, 107, CIDADE ALTA, CUIABÁ, MT, 78.030-445 (65) 3054-1847 | 36371774 99284-0228 | 9925-8248 Contato WWW.FACEBOOK.COM/REVISTALUMEMT Lume-line REVISTALUMEMT@GMAIL.COM Cartas, matérias e sugestões de pauta MEMORIABRASILEIRA13@GMAIL.COM Para anunciar ROSELI MENDES CARNAÍBA Projeto Gráfico/Diagramação ADRIANO FERREIRA FOTO: YAEL/EMPRESA Capa
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SUMÁRIO
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PERSONALIDADE
33. 36 42. ARTES
MEMÓRIA
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COMPORTAMENTO
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ARTIGO
56. RETRATO EM PRETO E BRANCO
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AMERICANIDADE
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AGRONEGÓCIO
Produção De Grãos Crescerá 27% Nos Próximos Dez Anos, Chegando A 333 Milhões De Toneladas Segundo estudo do Mapa, soja, milho de segunda safra e algodão devem continuar puxando o crescimento da produção de grãos
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produção de grãos deverá atingir 333,1 milhões de toneladas nos próximos dez anos. Em relação ao que o país produz nessa temporada de 2020/2021, o acréscimo na produção até 2030/2031 deverá ser de 71 milhões de toneladas, alta de 27,1%, a uma taxa de crescimento de 2,4% ao ano. Soja, milho de segunda safra e algodão devem continuar puxando o crescimento da produção de grãos. Os números são do estudo “Projeções do Agronegócio, Brasil 20/21 a 2030/31”, realizado pela Secretaria de Política Agrícola do Ministé-
rio da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, pela Secretaria de Inteligência e Relações Estratégicas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (SIRE/Embrapa) e pelo Departamento de Estatística da Universidade de Brasília (UnB). O mercado interno, as exportações e os ganhos de produtividade, deverão ser os principais fatores de crescimento na próxima década, aponta o estudo. O avanço de inovações deve continuar permeando as atividades no campo, pois há grande atrativo para novas tecnologias. A produção de carnes (bovina, suína e aves) entre
2020/21 e 2030/31, deverá aumentar em 6,6 milhões de toneladas, o que representa um acréscimo de 24,1%. As carnes de frango e de suínos são as que devem apresentar maior crescimento nos próximos anos: carne de frango (27,7%), suína (25,8%). A produção de carne bovina deve crescer 17% entre o ano base e o final das projeções. “Esses percentuais podem situar-se em níveis maiores, haja vista o aumento da procura por proteína animal”, alerta José Garcia, coordenador-geral de Avaliação de Políticas e Informação do ministério e um dos pesquisadores das projeções.
ÁREA PLANTADA A área plantada de grãos deve passar dos atuais 68,7
milhões de hectares para 80,8 milhões de hectares em 2030/31, acréscimo de 12,1 milhões de hectares ou 17,6% em termos relativos. A área plantada com todas as lavouras analisadas, além dos grãos, incluindo cana de açúcar, café, cacau e frutas, deve passar de 80,8 milhões de hectares, em 2020/21 para 92,3 milhões, em 2030/31. Essa expansão está concentrada em soja, cana-de-açúcar, e milho de hectares, que totalizam 13,4 milhões de hectares adi-
cionais. Algumas lavouras, como mandioca, café, arroz, laranja e feijão, devem perder área, mas a redução será compensada por ganhos de produtividade. De acordo com Gasques, “deverá ser realizado um esforço de crescimento que consiste em infraestrutura, investimento em pesquisa e financiamento”. PRODUTOS PARA EXPORTAÇÃO O mercado interno, juntamente com as exportações e os ganhos de produtivida-
de, deverão ser as principais fontes de crescimento na próxima década. Em 2030/31, 33,7% da produção de soja deve ser destinada ao mercado interno, no milho, 71,6%, e no café, 43% da produção deve ser consumida internamente. “Haverá, assim, uma pressão sobre o aumento da produção nacional, devido ao crescimento do mercado interno e das exportações do país”, avalia Gasques. Nas carnes, haverá forte pressão do mercado internacional, especialmente de carne bovina e suína, embora o Brasil continue liderando o mercado internacional do frango. Do aumento previsto na produção de carne de frango, 71,4% da produção de 2030/31 serão destinados ao mercado interno; da carne bovina produzida, 64,0% deverão ir ao mercado interno, e na carne suína 73,8%. Deste modo, embora o Brasil seja, em geral, um grande exportador desses produtos, o consumo doméstico continuará muito relevante. Os produtos mais dinâmicos do agronegócio brasileiro deverão ser algodão, soja e milho, carnes suína, bovina, frango e frutas, em especial, a manga. “O mercado interno e a demanda internacional serão os principais fatores de crescimento para a maior parte desses produtos, que têm maior potencial de crescimento da produção nos próximos dez anos”, diz o coordenador da pesquisa
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REGIÕES EM DESTAQUE As regiões Centro-Oeste e Norte são as que deverão ter os maiores aumentos relativos de produção e área. Entre os estados do Norte, Tocantins e Rondônia deverão liderar a expansão da produção. Entre os grandes produtores, Mato Grosso continua liderando a expansão da produção de milho e soja no país. O acréscimo da produção de milho deve ocorrer especialmente pela expansão do milho de segunda safra. Mas a soja deve apresentar forte expansão em estados do Norte, como, Tocantins, Rondônia e Pará. No Pará, a produção deve crescer a 4,8% ao ano, em Rondônia, 4,3%, e Tocantins, 3,2%. Contribuem para isso, a atração que a cultura apresenta e a abertura de novos modais de transporte com a saída para os portos do Norte. A região denominada Matopiba - região formada por áreas majoritariamente de cerrado nos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia - deverá apresentar aumento elevado da produção de grãos. As projeções indicam que deverá produzir cerca de 36 milhões de toneladas de grãos no próximo decênio, numa área plantada de grãos de 9,3 milhões de hectares ao final do período das projeções.
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maestro
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revista LUME MATO GROSSO entrevista o maestro Fabrício Carvalho, regente da Orquestra Sinfônica da Universidade Federal de Mato Grosso. Considerado um dos maiores regentes da história musical mato-grossense, Fabrício nasceu na capital do Estado de São Paulo e reside em Mato Grosso desde os dez anos de idade. Seu primeiro aprendizado musical se dá ao piano com as professoras Ruth Fujimoto e Clélia Amaral Arruda. Ao discorrer sobre cultura geral sempre afirma ser um homem de sorte, pois, desde cedo teve acesso às artes, nas suas mais variadas formas, daí ser um expert nesse assunto. Fã da inventividade e capacidade de produção dos artistas mato-grossenses, sempre dá um jeito, em suas produções musicais, de formar parcerias regionais e exaltar a qualidade da arte musical de Mato Grosso.
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PERSONALIDADE
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COMO E QUANDO SE DÁ SUA VINDA A MATO GROSSO? » Sou filho de pai engenheiro e mãe professora ligados e entusiastas da música, cultura e arte de forma geral. Nasci na cidade de São Paulo e vim para Mato Grosso com dez
anos de idade, em 1984. Minha família veio para cá no conhecido processo de migração que trouxe muita gente do Sul e do Sudeste do país para o Centro-Oeste, e de forma mais acentuada a partir da década de 1970. E o meu pai veio justamente para desem-
penhar uma atividade ligada às novas oportunidades que o Estado estava oferecendo: chegou com a finalidade de construir silos de armazenamento de grãos. Mato Grosso produzindo, produzindo, produzindo, sem ter onde armazenar, então era preciso gen-
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Música que já fazia em São Paulo, ao entrar na Escola Preparatória de Instrumentistas da Orquestra Sinfônica. Assim, o meu primeiro contato com a Universidade aconteceu muito cedo, me encantei com as possibilidades que a instituição poderia me oferecer na área esportiva, na formação musical, enfim. ENGENHARIA CIVIL OU REGÊNCIA, FOI DIFÍCIL ESSA ESCOLHA? » Pois é, quando chegou meu tempo de fazer um curso de graduação, fui fazer Engenharia Civil, por conta da ligação com a empresa do meu pai. Mas logo vi que aquilo ali não era a minha praia, se insistisse, ia acabar derrubando prédios ao invés de erguê-los. Então, em família, decidimos mudar o foco, fui para o Rio de Janeiro e fiz Regência. Formado e de volta a Cuiabá, assumi a Orquestra Sinfônica da UFMT com vinte e dois anos, na época o mais jovem músico a ser maestro no Brasil.
te disposta a colocar mãos à obra. Ele logo se encantou com a cidade e com as potencialidades do Estado e resolveu trazer a família toda. Nessa época éramos apenas três irmãos: Eduardo, Fabrício e Priscila, o Álvaro, meu irmão caçula já nasceu em Cuiabá.
E SUA HISTÓRIA COM A UFMT, QUANDO COMEÇA? » A partir do momento que meu pai resolveu se estabelecer com sua família, em Cuiabá, buscou dar prosseguimento aos estudos de seus filhos. Ao par da escola convencional dei prosseguimento aos estudos de
QUE TAL A EXPERIÊNCIA DE SER MAESTRO AOS 22 ANOS? » Isso foi em 1997 e me impus como desafio a democratização e ampliação da Orquestra Sinfônica da UFMT. Sempre busquei honrar esse compromisso que fiz comigo mesmo, especialmente para facilitar o acesso da sociedade à cultura e música de qualidade.
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VOCÊ CONSEGUIU ESSE INTENTO? » Sim, hoje somos referência entre Sinfônicas em universidades públicas. Foram inúmeros e memoráveis os concertos que fizemos por todo o estado e Brasil afora. SOBRE FORMAÇÃO DE MÚSICOS » Esse é um dos maiores desafios, pretendo trabalhar bastante para transformar em realidade concreta esse propósito. COMO FOI SUA CARREIRA ADMINISTRATIVA NA UFMT? » Aliado ao meu trabalho na Regência da Sinfônica da UFMT desenvolvi trabalho na área administrativa da instituição. Fui coordenador de Políticas Culturais da UFMT e Pró-Reitor de Cultura e Esporte, durante oito anos, nos dois mandatos da prof. ª Maria Lúcia Cavalli Neder. A CULTURA PERMITE AMPLIAR HORIZONTES? » Certamente, depois da
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experiência na Pró-Reitoria de Cultura e Esporte, tornei-me secretário de Articulação e Relações Institucionais da Universidade, atuação desempenhada na gestão da Reitora Myrian Serra. Nessa última função tive a oportunidade de transitar mais um pouco e ampliar o alcance da cultura, de fazer a cultura dialogar um pouco mais com outras áreas, como a do desenvolvimento econômico e social. Sou um homem absolutamente encantado com a política pública que faz mudar a vida das pessoas para melhor. FALE SOBRE O SUCESSO DA CIA SINFÔNICA » A minha experiência na iniciativa privada certamente contribui bastante na condução da Cia. Sinfônica, formada por mim e por meus irmãos: Eduardo, Priscila e Álvaro Carvalho. Estamos em atividade ininterrupta já há 26 anos prestando serviços na produção de diversos eventos no Brasil todo e
uma carreira bem sólida no exterior também. Buscamos seguir orientação deixada por nossa mãe que pregava a união forte e perene dos quatro irmãos nos trabalhos desenvolvidos pela Cia Sinfônica. Essa receita funcionou e irá funcionar, sempre. A Cia. Sinfônica sempre é referência no contexto musical em Mato Grosso, pois contamos com um staff variado e exclusivo de músicos de alto nível, incluindo integrantes de Orquestras sinfônicas e Corais, tendo formação erudita e popular. Nosso repertório é composto por variados estilos musicais, adequado a cada tipo de evento, do erudito ao popular, músicas evangélicas, católicas, temas de filmes, jazz, temas infantis, etc. VOCÊ ACREDITA EM MATO GROSSO? » Acredito muito neste Estado e nas potencialidades de Mato Grosso tanto no setor público quanto na inciativa privada, creio que
lumeMatoGrosso a gente pode ampliar muito isso, essa nossa capacidade de produção. Mas, para isso, temos de encarar a tarefa de superar a limitação da monocultura (da soja) como motor econômico do Estado, investir em nosso potencial industrial e da prestação de serviços. Esta me parece que é uma realidade que está colocada de forma bastante clara. Assim, aposto muito na estratégia de diversificar a produção de Mato Grosso, gerando emprego e renda. E, em síntese, acredito também, e muito, nas parcerias público-privadas, penso que é o caminho para gente resolver alguns problemas, gargalos, principalmente em termos de logística. Acredito nisso. Sou um cara esperançoso em dias melhores. FOTOS: ACERVO FABRÍCIO CARVALHO
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E N T R E V I S TA ESPECIAL
Casagrande COM HEBE CAMARGO
O mago da produção artística no Brasil
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ZULLY LIMA, MÃE DO CASAGRANDE
NELSON LIMA, PAI DO CASAGRANDE COM DANIEL
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asagrande, com 33 anos de carreira, assim conhecido no meio artístico, nascido em 27 de Fevereiro de 1967, na cidade de São Paulo/SP, com o pseudônimo de Casagrande, sua mãe Catarinense de Tijucas, Zully Lima, modelo e atriz que contracenou com o Mazzaropi em alguns filmes e seu pai, o cantor Alagoano de Maceió Nelson de Lima (falecido), campeão do Carnaval Paulista de 1961 com a marchinha OH DIACHO, foi aprendendo a frequentar alguns bailes e matines com seu pai, assim, a vida já lhe dava alguns sinais referencias e tendências aos caminhos que a sua vida iria percorrer. E assim foi. Hoje com boas memórias, grandes amigos e sempre com novas ideias, Casagrande, com 51 anos, é casado com a ex modelo gaúcha e, atualmente, Agente de Turismo, Karen Scheibe. Têm quatro filhos: Raiza (23) Gabriela (22) Pedro (19) e Malu (8), é um homem feliz e cheio gratidão. Chora à toa, ama facilmente, tem habilidade em se expressar escrevendo textos, as vezes poéticos e outros objetivos, e muitas vezes se emociona com eles, adora falar, mas também ouve atentamente, é um incentivador, adora aprender e também ensinar ou ajudar a quem precisa, sensitivo e espiritualizado, as vezes exigente demais consigo mesmo e com as pessoas que ama. Sofre com o erro, extremamente perfeccionista e meticuloso, atento a detalhes e minucias, “Para mim ser perfeccionista e detalhista, no meu caso também é considerado um defeito e não uma qualidade, pois che-
FOTOS: ACERVO PESSOAL
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go a ser chato com isso, ao ponto de ficar incomodado se um quadro na parede esta torto, se algo não está centralizado milimétricamente e assim por diante”, diz. Viciado em hora certa e pontualidade, mas nesse aspecto aponta mais um defeito e mania: “Sou tão chato com hora certa que todos os relógios que tenho ou utilizo, seja no carro, na tevê, no pulso, no micro-ondas e no celular precisam estar exatamente iguais e virarem os minutos e segundos ao mesmo tempo, enquanto não acontecer assim eu não desisto para acertá-los” diz Casagrande. Era um garoto alto, magro e muito curioso, e, pela sua estatura, certo dia, em companhia da Dona Zully, foram abordados por um treinador de basquete na estação do Metrô Vila Mariana em São Paulo e foi convidado para fazer um teste e treinar no Esporte Clube Sírio, o que não deu muito certo pela idade, falta de dinheiro para condução e a distância para deslocamento até o Clube. Nessa época residia no Bairro Ponte Pequena (atualmente Armênia), próximo ao centro da cidade, mas, passou a jogar basquete pelo time de sua escola EEPG Prudente de Moraes, que ficava ali na Avenida Tiradentes, ao lado da Pinacoteca de São Paulo e Jardim da Luz. Não demorou e foi federado pelo Clube de Regatas Tietê e depois pelo Tênis Clube Paulista. Tudo ia bem no esporte, porém as responsabilidades e a necessidade de trabalho e dinheiro começaram a ser mais fortes e importantes do que o esporte, chegou um momento que não daria mais para conciliar, esporte, educação e trabalho, colocou os dois últimos como prioridade. As vezes tentava conciliar os três. Aos 16 anos algo diferente lhe soou à mente. Era a história da arte batendo em sua janela. Passou a buscar informações onde teriam shows em São Paulo, através de Jornais, Outdoors e Lambe-Lambes. Saia da escola e ia ao Ibirapuera, Estádio do Morumbi, Pacaembu, Palácio das Convenções do Anhembi, ou seja, lugares onde aconteciam grandes shows, na tentativa de ajudar a descarregar caminhões de
COM FILHOS COM LUIZ GONZAGA
COM NEY MATOGROSSO COM PAULA FERNANDES
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E N T R E V I S TA ESPECIAL
COM CHICO ANYSIO COM WESLEY SAFADÃO
COM ROBERTO CARLOS COM MARIA RITA
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equipamentos, muitas vezes sem ganhar nada. Era a forma que achava que se aproximar do meio artístico, já que não tinha quem o ajudasse e nem influencias que pudessem indicá-lo. A intenção inicial era buscar espaço para ser um músico, achava que era um caminho para se aproximar desse meio, depois, ajudando a montar, cenários, sonorização e iluminação foi mudando de ideia e aprendendo novas informações dentro do meio artístico. Descobriu que a área de Produção Artística, Técnica e Organizacional, ou seja, trabalhar nos bastidores lhe chamava a atenção, e foi descobrindo a profissão que gostaria de seguir. O primeiro trabalho remunerado nessa área foi como porteiro e segurança em um Circo, que depois se transformou em uma casa de shows em São Paulo, chamado PROJETO SP, era um palco lindo debaixo de uma lona circense que começaram a acontecer grandes shows, em plena Rua Augusta, esquina com a Rua Caio Prado. “Esse local era mágico, a cada semana um show diferente, de artistas que eu nunca imaginaria estar perto, mas estava, era realidade e eu não perderia essa oportunidade, toda nova produção que chegava, eu me aproximava dos técnicos, produtores e os auxiliava a montar seus cenários, instrumentos e equipamentos, assim, estas atitudes foram me proporcionando o aprendizado e fazendo amizades” - lembra Casagrande. O jornalista Estêvão Bertoni produziu uma reportagem sobre a atuação de Casagrande na década de 1980 e seu PROJETO SP: “Na esquina das ruas Augusta com a Caio Prado, numa área de 16 mil m2 no centro de SP, Marcelo Waligora armou um circo junto com o irmão, Arnaldo. Não era um circo tradicional, com palhaço, malabarista e globo da morte. Naqueles anos 1980, sob a lona importada, eles botaram alguns dos nomes mais importantes da música nacional e internacional para tocar. Antes de cada espetáculo, Marcelo anunciava a atração com o seguinte bordão: “Po-ro-jeto SP apresenta...”. Rapaz que fize-
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ra dois anos de faculdade de química, sem concluir, e que depois se for-mou em publicidade pela ESPM, ele chegou a apresentar mais de 300 artistas. O primeiro show, lembra Arnaldo, foi com o baixista norte-americano Stanley Clarke. A lista de atrações que por lá passaram é enorme. Entre tantos, apresentaram-se os brasileiros Titãs, Paralamas do Sucesso e Legião Urbana e os estrangeiros Nick Cave, Iggy Pop, David Byrne e Jethro Tull. Como diz o jornalista Paulo Alves, que trabalhou com Marcelo, pelo menos uma vez por mês um artista internacional se apresentava em SP. Poucos anos depois da criação do Projeto SP.” Ele tinha certeza que estava no caminho certo e logo iria ser notado, assim, algum tempo depois isso aconteceu, passou a ser assistente de produção e posteriormente foi o produtor do PROJETO SP, conquista por pura dedicação, empenho e sorte. Ai já era Casagrande, com a voz empostada que anunciava a atração da noite com o bordão “PO-RO-JETO SP APRESENTA...” Em 1985, durante algumas temporadas do artista Lulu Santos no Circo, seu produtor na época, Chico Calabro (hoje seu cunhado e empresário da dupla Sá & Guarabyra), lhe convidou para ser assistente de produção em suas turnês, mas Casagrande achou que ainda não era hora de sair do PROJETO SP e percebeu que sua estratégia e aprendizado estavam dando certo, não aceitou o convite, daí em diante apareceram outros convites. Em 1987 o Circo PROJETO SP fechou e reabriu algum tempo depois na Barra Funda, com o mesmo nome. Ainda em 1987, seu cunhado novamente convidou Casagrande a trabalhar, só que agora com a dupla de rock rural Sá & Guarabyra, artistas consagrados até hoje com os Hits de Roque Santeiro, Dona, Caçador de Mim e Espanhola e tantos outros. Topou e foi sucesso. Em 1989, com o grupo Roupa Nova, participou da segunda edição do Rock in Rio, no Maracanã. O tempo passou e muitas outras histórias e aprendizado rolaram até 1.993. Trabalhou também em projetos
COM ELBA RAMALHO
COM SÁ E GUARABYRA
COM A ESPOSA KAREN E A FILHA MALU COM RENATO TEIXEIRA
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E N T R E V I S TA ESPECIAL paralelos como o extinto Prêmio Sharp de Música, por 11 edições. Também atuou em algumas edições do Free Jazz Festival (Shows Externos) nos shows de George Benson, Chick Corea. Nessa época atuava paralelamente como produtor e diretor técnico de Ney Matogrosso, ficando até 1995, quando foi trabalhar com Zezé di Camargo & Luciano, até 1.996, primeiramente. Em 1997, após a morte de João Paulo em um trágico acidente automobilístico na Rodovia dos Bandeirantes, o seu parceiro, cantor Daniel, convidou-o para fazer parte de sua equipe, já que haveriam grandes mudanças na carreira desse grande artista, assim, em 1998, Casagrande assumiu a produção geral do cantor Daniel. Este, acreditou no potencial de Casagrande e lhe abriu as portas de novos segmentos e muitos projetos como produção sob sua responsabilidade no desenvolvimento, criação e direção de shows, DVDs. Esse primeiro período durou quase 8 anos, indo até 2005. Em 1998 Casagrande recebeu o prêmio de MELHOR PRODUTOR DO BRASIL pela Show Business Award. Essa honraria, concedida a diversas categorias do segmento cultural e artístico, foi concebido através de uma votação prévia, realizada entre artistas, empresários, jornalistas e pessoas ligadas ao entretenimento e show business. Puxando a veia artística do pai, Casagrande também assinava composições, como a música É GOL, lançada em 2003, no CD e DVD DANIEL 20 ANOS DE CARREIRA, ao qual também assinou a produção em conjunto com Roberto Marques, que era o hino / tema do time Daniel Futebol Clube, que proporcionava ações beneficentes, pelos mais de 130 jogos realizados no Brasil. Em 2005, após a gravação do SHOW e finalização do CD e DVD AO VIVO 2005, gravado em Botucatu, ao qual, Casagrande assinou a Produção Geral do Show e dividiu a Direção Musical com os amigos e maestros Marco Pontes Caixote e Beto Paciello, se encerrava um ciclo em sua carreira, desligando-se da carreira do Cantor Daniel. Em seguida, ainda em 2005, Casagran-
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de retorna à Direção de Produção dos artistas Zezé di Camargo & Luciano. Também em 2005, já com Zezé di Camargo e Luciano, começou uma nova etapa de criação de projetos com esses artistas e desenvolvimento de shows, assinando entre eles a Concepção do show, Produção e Direção Geral de todos os espetáculos até 2012, entre eles o show 02 HORAS DE SUCESSO, onde criou uma abertura como HOLOGRAFIA, onde Zezé di Camargo e Luciano (em imagem holográfica) interagiam com eles mesmos, confundindo o público de qual dupla era a verdadeira em cena, além de um cronometro gigante em tempo real que transportava o show com mais de duas horas de duração. Assinou, dirigiu e coordenou outros projetos como LEILÃO É O AMOR (2011 e 2012), CRU-ZEIRO É O AMOR (2010 ATÉ 2013), SHOW SIMPLESMENTE CANÇÕES, IN LOVE ALÉM DE TURNES INTERNACIONAIS pelos Estados Unidos, Espanha, Inglaterra, Portugal, Bolívia Em 2011 assinou a Direção Geral e coordenação do Show e DVD 20 ANOS DE SUCESSO, com a participação do maestro Eduardo Lages e a cantora Paula Fernandes. Em 2012, se desligou dos projetos com Zezé Di Camargo & Luciano, buscando novos horizontes e caminhos, criando uma agência produtora batizada com o seu pseudônimo Casagrande Produções. A sua proposta profissional era exatamente aplicar todo o aprendizado de carreira oferecendo a novos artistas e consagrados desde uma simples consultoria de produção, desenvolvimento projetos organizacionais desenvolvidos e aprimorados por ele, como também, desenvolver projetos de criação para shows, DVDs, gerenciamento artístico, Vídeo Clipes para outros artistas do mercado da música brasileira, além dos que já havia trabalhado anteriormente, e assim ocorreu. O primeiro grande projeto e desafio foi a concepção, direção artística e a direção geral do show e DVD do fenômeno nordestino Wesley Safadão e Garota Safada, gravado
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E N T R E V I S TA ESPECIAL no Chevrolet Hall, em Recife com uma produção gigantesca, cenografia, iluminação e sonorização impecável, participação de artistas como Bruno e Marrone, Léo Santana. Coincidência ou não, ali começava UMA NOVA HISTÓRIA que dava o título ao projeto, e assim realmente tem sido, depois desse com Wesley Safadão vieram outros vídeos clipes, DVDs e projetos com sua assinatura. Ainda no Nordeste, em 2014, produziu e dirigiu outro DVD de grande importância no cenário musical nordestino e brasileiro chamado “Cezzinha e Convidados”, um jovem compositor e musico acordeonista, com referências desde Luiz Gonzaga, Dominguinhos passando por Astor Piazzolla e tantos outros gênios desse instrumento. Para esse evento foram convidados grandes artistas da MPB, como Elba Ramalho, Zélia Duncan, Alcione, Nando Cordel, Almir Rouche, Santanna O Cantador, Maciel Melo, Jorge de Altinho, André Rio e Terezinha do Acordeon. CASAGRANDE E MATO GROSSO Em 2006, em um encontro casual em São Paulo, Zezé Di Camargo, apresentou Casagrande ao trio Pescuma, Henrique e Claudinho. Eles estavam em estúdio preparando o repertório para o novo CD e Pescuma, através da música e de boa conversa apresentou Mato Grosso e sua cultura à Casagrande, e essa relação virou amor à primeira vista. Começaram então os preparativos para o primeiro DVD, que foi gravado em Cuiabá, com a participação de Zezé di Camargo & Luciano, Zico e Zeca, Cristina e Regina e Laís Yasmim. Esse projeto teve algumas características muito diferenciadas de todos os outros dos quais Casagrande participara. Primeiramente não era um simples repertório, eram obras da cultura mato-grossense e outras inéditas e regravações que já tinham suas características musicais e tinham que ser respeitadas, sem descaracteriza-las. Pescuma, Henrique e Claudinho, com a batuta e a caneta do Maestro Caixote, fizeram isso brilhantemente,
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outra característica eram as informações culturais que esse produto tinha que conter: “fizemos um making of em algumas comunidades ribeirinhas, conhecemos grandes pessoas e artistas mantenedores dessa cultura, e conseguimos colocar isso no projeto com entrevistas e imagens, senão, não teria razão de ser” – lembra Casagrande. Depois, tudo isso foi para o palco, a música através dos instrumentos e das vozes de Pescuma, Henrique e Claudinho: a arte, a cultura através de um cenário vivo, artistas da terra, esculpindo uma viola de cocho, outro artista plástico pintando uma tela em tempo real, artesãos tecendo uma rede manualmente e assim por diante, tudo aconteceu como uma celebração a cultura, arte e memória era a beleza desse estado, muito bem representada nesse projeto e documentário. Depois desse trabalho Casagrande continuou participando de outros grandes projetos no estado como por exemplo a gravação do DVD SHOW CANTOS DO BRASIL, com a Orquestra do Estado de Mato Grosso, em 2008. Além de outros projetos pelo Estado, que corriam paralelamente a carreira dos artistas que Casa-grande acompanhava nesse período, a exemplo do trio Pescuma, Henrique e Claudinho, em 2017 dirige duas memoráveis apresentações do cantor Daniel, em Cuiabá, com a Orquestra Sinfônica da Universidade Federal de Mato Grosso (OSUFMT) sob a regência do maestro Fabricio Carvalho. Em 2018, ainda em Mato Grosso, o desafio e a responsabilidade ficou ainda maior, do jeito que ele gosta. Casagrande foi convidado a produzir e dirigir um espetáculo que seria apresentado em 8 de abril de 2019, no estádio Arena Pantanal, em comemoração aos 300 anos de Cuiabá: “Eu já sou mato-grossense, já sou cuiabano de alma e coração e isso já é um presente para mim, tenho muita honra e orgulho de poder oferecer e retribuir de alguma forma, algo tão valioso e importante através da minha arte e profissão, à um povo e estado que me acolheu e que eu amo demais” – concluiu.
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A Arte de Adriano Ferreira
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POR: YOD COMUNICAÇÃO
odos os elementos da natureza, em traços marcantes que dão característica ao trabalho do artista plástico mato-grossense Adriano Ferreira estiveram presentes na exposição de arte “Trajetória”, que aconteceu entre os dias 21 e 25 de julho, no Condomínio Arboreto Eco Ville, em Sorriso (398 km de Cuiabá) aberta ao público.
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A mostra contou tanto com obras inéditas, que foram produzidas especialmente para o evento, quanto com as telas expostas nos Estados Unidos e Portugal e têm como perspectiva a beleza e a riqueza do cerrado mato-grossense, sua diversidade, sua gente, sua vegetação e toda a aleatoriedade em relação às outras regiões do Brasil. “Apresentamos uma linha do tempo de toda a minha trajetória, com pinturas em técnica com tintas acrílica e óleo, nos moldes que dão característica aos nossos trabalhos ricos em elementos da natureza, com traços marcantes, que contornam os ícones da cultura local e destacam a religião e o calor do nosso estado”, ressalta Ferreira. Segundo a diretora do Condomínio Arboreto Eco Ville, Luciane Francio, a admiração pelas obras emblemáticas do artista, que representam a fortuna cultural que circunda o Estado e sua dimensão social e simbólica, foi o fator determinante para receber a exposição. “Acreditamos na importância da arte como ponto que aguça nossos sentidos. Por isso, escolhemos o Adriano como referência para as obras feitas especialmente para o condomínio”, destacou.
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lumeMatoGrosso SOBRE ADRIANO FERREIRA Adriano Figueiredo Ferreira nasceu em Cuiabá e tem as curvas como fundamento de sua arte. Ele se utiliza de movimentos sinuosos para contar histórias. Com exposições importantes na Capital, ganhou notoriedade ao extrapolar os limites de seu estado expondo em Portugal, participando de duas coletivas em Miami e na Art Lab Galery, em São Paulo. Pelo Sesc expôs em Cuiabá e Rondonópolis. Artista selecionado no Salão Jovem arte Mato-grossense e para o Amazônia das Artes 2020, onde sua exposição “Convertendo em Curvas” vai circular por três estados brasileiros. Inquietação e experimentação são suas características, assim se utiliza de diversos materiais e suportes para suas obras, faz intervenções frequentes pela cidade. Arte-educador, faz oficinas com crianças e hoje é responsável pelo curso de desenho e pintura no Sesc Arsenal. Em suas séries se destacam a Religiosa, Sotaque do Mato, Convertendo em Curvas e AFTER. Atualmente trabalha na Série Força Primal e Deusas Brasileiras! Com obras espalhadas por quase todos os estados brasileiros e algumas partes do mundo, Ferreira se consolida como um representante de Mato Grosso na arte Brasileira.
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ARTES
FESTA DE SÃO BENEDITO; ACRÍLICA SOBRE TELA; 2016.
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Lourdes de Deus e Liberdade das Formas e das Cores Coluna Mirante das Artes POR AMANDA GAMA & WILLIAN GAMA FOTOS/REPRODUÇÃO JURACI MASIERO POZZOBON
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artista plástica Lourdes de Deus, que atualmente reside em Goiânia, traz consigo cores e tons de uma pintura brasileira que explora e pesquisa as mais variadas manifestações culturais, principalmente as existentes no interior do país. Sua obra é “como um resumo da natureza, feito pela sua imaginação”. A pintura transmite o que a artista sente, há uma força pujante em cada tela, de paisagens bucólicas a manifestações políticas; não se trata do reflexo rigoroso do tempo, mas de uma interpretação expressa numa linguagem que está sempre em estado de transformação.
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ARTES
CATIRA EM SINOP; ACRÍLICA SOBRE TELA; 2015.
PROCISSÃO; ACRÍLICA SOBRE TELA; 2015.
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lumeMatoGrosso DANÇARINAS NO MERCADO DO PORTO DE CUIABÁ; ACRÍLICA SOBRE TELA; 2016.
No texto, A Lição das Flores, o crítico de arte Oscar D’Ambrosio, destaca que o poeta Carlos Drummond de Andrade em, O Avesso das Coisas, apontou que “a flor não nasceu para decorar uma casa, embora o morador pense o contrário”. O mesmo ocorre com a pintura de Lourdes de Deus. Quem observa seus quadros pode, ingenuamente, ver apenas flores, festas populares e procissões. Doce ilusão. Há nas imagens da artista um denso sentimento estético, expresso em formas bem definidas e cores vívidas. Há um grande interesse da artista pelo fantástico universo das lendas e mitos. O tema faz em suas pinturas pontos singulares da memória brasileira, destaca o assunto e o valor da cultura popular de uma maneira muito espontânea, atraindo a atenção do espectador pela identificação, principal-
MONUMENTO PAPA JOÃO PAULO II - CUIABÁ - MT; ACRÍLICA SOBRE TELA; 2016.
mente de uma cultura singela, muitas vezes rural. Ainda sobre a artista, a colecionadora de arte, Juraci Masiero Pozzobon, destaca que “com uma pintura ligada a temas predominantemente ricos em detalhes e genuinamente interioranos, vale ressaltar suas festas e campos de flores. Suas procissões com ruas sinuosas e cheias de personagens possuem cores que fazem as orações vigorarem. Para Lourdes, o passado não pode ser apenas tempo em nossa consciência, tem que ser demonstrado como lição de amor à vida, por isso essa pintura cheia de memórias!” Em O Livro do Desassossego, Fernando Pessoa cita “a arte consiste em fazer os outros sentirem o que nós sentimos, em libertá-los deles mesmos, propondo-lhes a nossa
personalidade para especial libertação”. Cada uma das obras traz um pouco da forte personalidade de Lourdes, existe em cada uma delas o convite à reflexão sobre um tempo no qual se dá valor às miudezas da vida. Além da forte figuração, as obras trazem todo um senso de ser e estar; os mais variados assuntos folclóricos de um vasto Brasil, ainda desconhecido; a particularidade de cada festa ou procissão no “zoom” atento da artista que, assim como o poeta pantaneiro Manoel de Barros, “é livre para o silêncio das formas e das cores”. COLUNA – MIRANTE DAS ARTES – REVISTA LUME MATO GROSSO Amanda Gama & Willian Gama Curadores de Arte Março de 2017
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Vamos Falar Sobre
Xenofobia? POR RAFAEL A. LIRA
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ertamente você já deve ter ouvido falar, ou até mesmo já pesquisou algo sobre o vocábulo “xenofobia”. O termo é de origem grega e se forma a partir das palavras “xénos” (estrangeiro) e “phóbos” (medo). A xenofobia pode se caracterizar como uma forma de preconceito ou como uma doença, um transtorno psiquiátrico.
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O preconceito gerado pela xenofobia é algo controverso. Geralmente se manifesta através de ações discriminatórias e ódio por indivíduos estrangeiros. Há intolerância e aversão por aqueles que vêm de outros países ou diferentes culturas, desencadeando diversas reações entre os xenófobos. Nesse movimento mi-
gratório constante que se vê no continente europeu há alguns anos, ou dentro do próprio continente americano, em que há um deslocamento dos povos caribenhos (como haitianos, dominicanos e cubanos) para países como Brasil e Chile, por exemplo; ou, mais recente, a entrada massiva de venezuelanos no território brasileiro devi-
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RAFAEL LIRA É professor, tradutor de crioulo, ex-missionário religioso e viveu, por quase um ano, no Haiti
do à crise que assola o país vizinho, pode-se observar manifestações reais de xenofobia, principalmente nas redes sociais, inclusive por parte de autoridades ou representantes políticos com seus discursos de ódio. Sabe-se que hoje o mundo é globalizado. Os limites territoriais parecem ser transpostos por meio de acordos econômicos e o comércio exterior, onde se importa e exporta de um continente para outro de maneira muito mais eficaz que antigamente; além do mais, a comunicação entre os povos devido ao avanço da tecnologia faz parecer que não há qualquer fronteira entre eles. Isso reflete diretamente no processo migratório, em que o povo de uma região se desloca para outra a fim de buscar melhoria em sua qualidade de vida, seja à procura de um emprego melhor, ou de uma qualificação profissional mais avançada. Fato é que o preconceito e a discriminação existem, em suas diferentes vertentes, desde que o ser humano existe. A xenofobia é um fenômeno que não foge a este conceito. Nos relatos bíblicos, por exemplo, pode-se observar como os
hebreus eram subjugados pelos egípcios e escravizados no território destes. Porém, isso não pode servir de pressuposto para justificar, ou até mesmo aceitar, que atos xenofóbicos aconteçam e sejam socialmente aceitos. O próprio Jesus Cristo em uma de suas pregações admoesta seus ouvintes que foi estrangeiro e não foi acolhido, relato descrito no evangelho segundo Mateus no capítulo vinte e cinco, verso quarenta e três. O Brasil é signatário dos principais tratados internacionais de direitos humanos e é parte da Convenção das Nações Unidas de 1951 sobre o Estatuto dos Refugiados e do seu Protocolo de 1967. Além disso, em 2017 entrou em vigor a Lei de Migração (lei nº 13.445-17), em substituição ao Estatuto do Estrangeiro (lei nº 6.815-80) a qual coloca o Brasil em posição de vanguarda ao garantir a igualdade de direitos aos imigrantes que chegam ao país. A própria Constituição Federal criminaliza a prática da xenofobia, no artigo 20, com a seguinte redação: “Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência na-
cional. Pena: reclusão de um a três anos e multa. ”; e, ainda garante em seu artigo quinto que “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País...”. Portanto, não há qualquer justificativa plausível para se defender a xenofobia ou o xenófobo. É cruel ver atitudes como dos brasileiros que expulsaram do país, em Pacaraima, município fronteiriço do estado de Roraima, no dia dezoito de agosto deste ano, mais de mil refugiados venezuelanos, incluindo centenas de crianças, idosos e mulheres, após terem ateado fogo em suas barracas e roupas, além de persegui-los com paus e facas aos gritos de “Fora”, de acordo com relatos de diversas testemunhas. Ato este, segundo o pároco espanhol Jesús López de Bobadilla que mora na cidade do atentado, ter sido planejado por “forças políticas tenebrosas” antes das eleições de 2018 (matéria publicada no site da Carta Capital: https://www. cartacapital.com.br/sociedade/foi-planejado-diz-paroco-de-pacaraima-sobre-ataques-a-venezuelanos).
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A Insanidade Humana Idiossincrática POR GUAPO FOTOS DIVULGAÇÃO
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MILTON PEREIRA DE PINHO - O GUAPO Músico e escritor
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idiossincrasia humana é tão absurda e cada dia que passa, parece estar se tornado uma loucura oficializada e banalizada ao mesmo tempo. Umas das mais crônicas e de amplitude maior, é o gasto de bilhões de dólares em busca de água e, se possível, uma minúscula bactéria nas redondezas do sistema solar. Enquanto isso, aqui na Terra, esse mesmo ser humano a cada dia que passa, cria bactericidas mais e mais poderosos para matarem bactérias de lavouras e que, ao mesmo tempo, só fazem envenenar água e depredar o meio ambiente. Tudo isso por ganância e insanidade de ter lucros fabulosos em detrimento da destruição da vida original do planeta, a qual levou milhões de anos para se desenvolver e que se solidificou como base singular da nossa existência, seja expelindo alimento, ofertando lazer e fazendo uma harmonia terapêutica simbiótica no nosso dia a dia. Nesses últimos anos a insanidade humana, voltou-se também contra a mulher, sim, a mãe da huma-
nidade, digo isso, por que ela, além de nos gerar em seu ventre durante nove messes, sofrendo todas as vicissitudes que uma gravidez impõe e, depois de dar à luz, ela nos alimenta, protege, ensina a dar os nossos primeiros passos, sendo a primeira pessoa que nos ensina falar e nos ouvir com supra entendimento. Em suma, nos faz acreditar na vida apesar de todos os absurdos e incógnitas que a existência nos impõe. Esse ser superior chamado mulher tornou-se alvo nesses últimos tempos da política de um Congresso Nacional machista, num país do 3º Mundo, aliado à uma dezena de juízes velhos e broxas de um Supremo Tribunal Federal, o qual querem taxar sobre o direito dessa portadora de gerar a vida no seu ventre, tal como sempre foi o seu instinto e, que complementa esse milagre com outras criaturas da natureza em nosso planeta Terra. Essa insanidade é tanta que passa dos limites do entendimento e do bom senso, abrindo perguntas pertinentes que não querem
se calar, vejam só: Por que eles não discutem e não criam leis para acabar com a irresponsabilidade social bilateral entre os sexos, ao invés de quererem decidir se deve ou não dar passagem para um novo ser, vindo do mistério da vida e não de um mito chamado de Deus, o qual eles nunca viram? Por que não chamam as maiores doutoras mulheres das áreas de sociologia, psicologia, biologia, direito etc. para discutir o assunto? Visto que é a maior questão ontológica/metafísica de todos os tempos? Seria um debate mais democrático e mais competente por que é um assunto exclusivamente das mulheres e mães. Todos nós sabemos que quem criou tanto a ciência, quanto a religião foram os homens, por que na real situação, quem precisa dessas duas coisas para viver e sobreviver neste universo somos nós, homens e mulheres, quanto aos outros animais, eles não precisam desses dois fatores para viver e nem para sobreviver, por que estão conectados com o fluxo perene do universo e, por outro
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C O M P O RTA M E N TO lado, os animais, ao contrário de nós, usam o mínimo do seu pensar para a sua busca de alimento, procriação, prazer e, humildemente, eles não conseguem evitar o óbvio, a morte. Essa última situação acontece, na maioria das vezes, para saciar a fome, servindo de alimento para outro animal, equilibrando a cadeia ecológica da contingencia natural. Enquanto isso, na sociedade técnico-industrial e judiciária dos homens, eles preferem questionar e liberar venenos para combater a proliferação de insetos nas monoculturas, o qual foram eles próprios quem provocaram o desequilíbrio no meio ambiente em detrimento das suas loucuras e objetivos de lucro mirabolantes, ignorando os princípios eco huma-
nos e, acreditando numa hegemonia antrópica de desenvolvimento. E agora, junto a toda essa e outras loucuras, querem questionar um direito natural das mulheres que acontece há milhares de anos, antes mesmo de nos existirmos como pessoas ditas civilizadas, esquecendo-se que, se não fosse elas, não existia a humanidade. Quando aconteceu a Revolução Industrial na Europa, a burguesia capitalista precisava de mão de obra para trabalhar nas fábricas, o slogan divino da Bíblia “crescei-vos e multiplicai-vos” foi enfatizado com veemência pelas igrejas, tanto católica quanto protestante, para que as mães gerassem dez, doze, quinze ou até mais filhos para que se
garantissem nas próximas décadas. O que mais valia era a mão de obra escrava nas industrias das grandes metrópoles que surgiam em todos os cantos do planeta. Por causa dessa hegemonia do lucro megalomaníaco, o prazer erótico daquelas mulheres, não foi levado em conta, pelo contrário foi inibido em nome da farsa ideia da “ imaculidade” e que o papel delas era só procriar e que deveria ser sublimado seu prazer venéreo. Praticamente foi embotado por causa dessa falsa ideia e as inúmeras concepções sucessivas ao longo das décadas. Hoje os sexólogos ficam querendo saber o porquê da dificuldade do orgasmo feminino, esquecendo que essas gerações de mulhe-
MODELO DE FORMAÇÃO FAMILIAR NO COMEÇO DO SÉCULO XX
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lumeMatoGrosso A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
res do século XIX e XX, passaram quase 200 anos engravidando todos anos na adolescência e juventude. A maioria morria em parto por causa da falta de conhecimento técnico da medicina na época e, todo esse sacrifício delas era feito para alimentar a hegemonia da época de ter uma prole “exemplar” para os seus maridos independente da camada econômica-social. Simultaneamente, isso também era comum em mulheres brancas e negras nas colônias, onde também acontecia a escravidão humana da raça negra, que era protegida e amparada como lei oficial dos estados
e das grandes famílias oligárquicas. Geneticamente essas mulheres ao longo das gerações, vivendo a frenética proliferação de filhos, praticamente anularam o desenvolvimento do prazer venéreo, o que não é levado em consideração hoje nas epistemologias de estudos acadêmicos. Naquele tempo, as leis jurídicas nem pensavam em coibir a proliferação de humanos no planeta, por que “era abençoado por Deus”, de acordo com o slogan bíblico acima dito e, o corpo humano por outro lado gerava riqueza peculiar para o capitalismo em ascensão.
Aproximadamente duzentos anos depois, numa era de automatismo cibernético a qual vivemos, os desempregos se fazem em massa em todo mundo, e a cada dia aumentado mais, esse mesmo ser de toga, essas mesmas leis arcaicas baseadas nas Escrituras Sagradas, querem controlar um direito natural das mulheres, e pior, sem chamá-las para discutirem tal assunto. Nota-se que, até agora, eles não viram que as mulheres foram, junto com os escravos negros, os seres mais sacrificados no absurdo processo de civilização da história da humanidade.
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MEMÓRIA
O Mundo Árabe Takfirismo, Salafismo, Wahabismo. Mas o que é isso?
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POR LEJEUNE MIRHAN
s que acompanham o mundo árabe e islâmico pelos noticiários tem lido termos que não são usuais entre nós, de uma civilização judaico-cristã. Não estamos acostumados e nem sabemos bem o significado desses termos do título acima. Quero tentar ajudar os meus leitores no esclarecimento de alguns esses temas, complexos até para mim que estudo Oriente Médio há décadas.
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LEJEUNE MIRHAN Mora em Campinas/SP, é Sociólogo, Professor, Escritor e Arabista. Membro da Academia de Altos Estudos IberoÁrabe de Lisboa e da International Sociological Association e colunista da Revista Sociologia da Editora Escala.
O Islã como religião monoteísta é hoje a que mais cresce em todo o mundo. Enquanto outras confissões religiosas diminuem suas taxas de crescimento, o Islã é que apresenta o maior índice. Circulam pela internet apresentações e vídeo racistas e anti-islâmicos que tentam mostrar, com uma pseudo ciência inclusive, que em menos de 20 anos, a Europa cristã terá maioria islâmica. Aqui alguns números para ilustrar o debate. De fato, dados estatísticos confiáveis, como o Livro dos Fatos da CIA – apesar de uma agência de espionagem e inteligência, uma publicação respeitável – indica a existência de 2,2 bilhões de cristãos contra 1,6 bilhões de muçulmanos em todo o planeta. No entanto, temos diversas correntes de cristãos e suas ramificações ocidentais e orientais. Aqui, se fizermos essa divisão, teremos 1,1 bilhão de católicos, de forma que, isoladamente, os muçulmanos seriam hoje a maior religião individualizada do mundo. Outra observação que quero fazer é a demonização do Islã e dos muçulmanos. Por força de tentar ser um arabista e estudar aqueFOTOS DIVULGAÇÃO
le mundo há muito tempo, tenho que procurar entender e mesmo estudar a religião islâmica. Ainda que não pratique nenhuma fé ou crença, até como sociólogo, estudei e pesquisei muitas religiões. Li o Corão, livro sagrado dos muçulmanos. De todas as religiões que estudei e pesquisei (aqui implica frequentar cultos e ritos e ler livros e dogmas), nunca tive dúvidas: o Islã é a religião mais tolerante de todas elas. Isso pode parecer um paradoxo, mas é a realidade. Não só pelo que dizem as suas escrituras sagradas em muitas passagens, mas pela prática cotidiana desde o século VII, quando Mohamed (Maomé) torna-se o seu líder supremo, chamado pelos seus seguidores de Profeta, que teria recebido de uma divindade as escrituras que foram compiladas pelos seus amigos mais próximos (ele era analfabeto). Uma passagem histórica eu costumo citar como exemplo dessa tolerância. Foi quando os muçul-manos tomam Jerusalém nesse mesmo século. O califa Omar chega com sua comitiva e imenso exército e, sem realizar nenhum combate, ocupa a cidade pacifi-
camente. O patriarca Sofrônius o recepciona em frente à Igreja do Santo Sepulcro e o convida para orar lá dentro da Igreja. Omar declina do convite. E explica o motivo. Ele disse saber o que aquilo significaria para seus seguidores e temia que eles quisessem construir uma Mesquita naquele local, destruindo a do Santo Sepulcro. Pois oraram ambos na porta da Igreja. Posteriormente, ali foi de fato construído uma Mesquita. Quando estive em Jerusalém, tive a oportunidade de conhecer esses dois sítios considerados sagrados. Mas, esse é um dos milhares de exemplo que poderia dar aqui. O espaço é curto. Mas, porque temos essa imagem dos muçulmanos e árabes distorcida? Não é objeto deste artigo analisar a mídia e os filmes de Hollywood, mas existem estudos que mostram como a indústria cultural, há décadas, em especial a estadunidense, demoniza os muçulmanos e deturpa a forma como o Ocidente vê os árabes. O intelectual palestino Edward Said em Orientalismo foi fundo nessa questão e desvenda esse tema. O Oriente como criação do Ocidente.
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MEMÓRIA
A SARÇA ARDENTE
AS CORRENTES POLÍTICAS DO ISLÃ Com o fim da URSS em dezembro de 1991, o aparato industrial-militar, o complexo bélico, a indústria das armas nos Estados Unidos e nos países imperialistas periféricos, precisavam criar um novo inimigo que pudesse continuar justificando a venda e o comércio de armas. Ai surgiu o Islã e seus seguidores como pretexto. Com a providencial ajuda de fundamentalistas islâmicos, que teriam praticado o atentado ás torres gêmeas em NY em setembro de 2001, o ódio e o preconceito contra muçulmanos ampliou-se a uma escala sem precedentes na história mundial. O então presidente dos EUA, George Bush, o filho, chegou a dizer que “uma nova cruzada” teria que ser feita pelos Estados Unidos, relembrando a tragédia dos séculos 11 e 12 quando cristãos europeus formaram as Cruzadas para “retomar” (sic) Jerusalém
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dos hereges e infiéis. Perderam a batalha e guerra. Na Jerusalém que conheci é residual a presença de cristãos naquelas terras. Bem, como em todas as religiões, no Islã existem correntes políticas. Chamamos isso de Islã político. Vemos isso também no cristianismo e no judaísmo. Religiões devem ser assuntos de natureza privada. Célebres iluministas do início do renascentismo já resolveram essa questão. Coisas públicas e do Estado devem ser completamente separadas dos assuntos da fé, das religiões. No Islã em particular, por um período houve o chamado “Califado”, quando Califas sucederam o Profeta Mohamed na tarefa de liderar um novo império. Isso começa em 630 e só vai terminar com o final da 2ª Guerra, quando dissolve-se o Império Turco-Otomano e todo o Oriente Médio é partilhado entre as potências da épo-
ca, a França e a Inglaterra. Saudosistas existem em todas as religiões. Os seguidores de Jesus sonham com um mundo governado, se possível, diretamente por ele. Seguidores do judaísmo, sonham com um mundo que pudesse ser governado diretamente com Moisés, que teria falado diretamente com uma divindade, quando esta lhe apareceu na forma de uma sarça ardente e lhe entregou mandamentos inscritos em pedra. Dessa mesma forma os muçulmanos, pelo menos os mais fundamentalistas, também sonham com a volta do Califado. Ai residem os problemas. O Islã passa a ser político e passa a ter um projeto de poder em uma sociedade terrena, material. Pregam assumir o poder e implantar a sua religião para a sociedade, criar estados teológicos e religiosos. Quero a seguir, fazer um resumo de três denominações e correntes islâmicas
madas. São sunitas fundamentalistas que se apegam aos princípios de um Islã medieval, que não evoluiu, que não se desenvolveu, que parou no tempo. São correntes de pensamento que sonham e almejam com o retorno de uma época onde existiam os Califas (século 7). Pregam um estado teocrático (islâmico), de costumes rigorosos e extremamente moralistas e conservadores, restringindo todas as liberdades e os direitos das mulheres, em especial. VAMOS AOS GRUPOS E CORRENTES ISLÂMICAS Takfirismo – A mais radical de todas as correntes. Ela vem da palavra takfir que, em árabe quer dizer “aquele que renega deus” ou simplesmente herege. Eles são defensores da pureza do Islã de tal forma que todos que não seguem a religião de linha wahabistas são considerados he-
reges. Ou se convertem ou devem morrer imediatamente. Isso contrária a base da religião islâmica, que é tolerante e aceita e protege as outras religiões monoteístas (cristão e judaica). Que não segue a sua linha wahabista radical é considerado infiel. Isso vale para todos os xiitas (a corrente minoritária do Islã), mais os drusos, alawitas, sufistas. Eles aceitam que se matem pessoas inocentes ou que nada têm a ver com conflitos e de outras religiões, simplesmente pelo fato que não seguem a sua linha. São os terroristas mais sanguinários que agem hoje na Síria, Iraque e outros países árabes. Aceitam explodir bombas em cidades, escolas de forma aleatória mesmo que morram pessoas alheias a conflitos. O maior exemplo desse grupo são os terroristas membros do grupo Al Qaeda. Sua forma de vestir e sua barba comprida típica lhes caracteriza imediatamente.
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políticas, as mais importantes, que agem hoje em várias partes do mundo. A sua marca principal tem sido o terror. A implantação de suas ideias e propostas tem sido feito às custas de sacrifícios e de vidas humanas que já se somam centenas de milhares. Se os Estados Unidos invadiram o Afeganistão (em 2001) e o Iraque (em 2003), destruíram a Líbia em 2011 e agridem a Síria desde 15 de março de 2011, sob o completamente falso pretexto de “combater o terrorismo” (sic), hoje apoiam, armam e incentivam abertamente esses grupos terroristas em várias partes do mundo. Quero apenas esclarecer que essas três correntes do Islã política que apresentarei a seguir atuam hoje em diversos países como grupos terroristas, praticando abertamente atentados de todas as naturezas contra populações indefesas e desar-
TAKFIRISMO
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MEMÓRIA Salafismo – Surgiu no Egito em meados do século 18 e a palavra tem a ver com “predecessores”, com as origens do Islã, os princípios. Propunha a ser reformista para a sua época, quando todo o mundo árabe era dominado pelo Império Turco-Otomano (a figura principal do Império era a do sultão e não o Califa). Tentou modernizar o Islã, adaptando-o aos novos tempos modernos. Hoje, voltou a ficar radical, fundamentalista e intolerante. Abandonou o reformismo original e hoje também pratica atos de terrorismo abertamente nos países em que atua. O centro irradiador desse pensamento hoje, considerado conservador, vem da Universidade El Azhar no Cairo, no Egito. O grupo da Fraternidade Muçulmana bebe dessa fonte. Vê-se que seus membros não vestem roupas árabes. Aceitam até ternos e gravatas, mas pregam a islamização das so-
SALAFISMO
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ciedades e restrições aos direitos das mulheres e dos costumes. No caso específico da Irmandade, o então presidente do Egito apoiou abertamente a ação dos terroristas na Síria para derrubar o governo do presidente Bashar Al Assad. Wahabismo – Movimento ultraconservador surgido na Arábia Saudita no século XVIII e seu principal idealizador foi Muhammad bin Abd Al Wahhab, daí o nome wahabismo. Prega que os governantes têm que governar exclusivamente com base nos preceitos do Islã e da Sharia (a jurisprudência islâmica). A chahada que é o “testemunho de fé” islâmica é a sua base. Fazem a defesa do monoteísmo e da unicidade da divindade, que é Allah. O Corão e a Sunna (costumes, escritos baseados na prática e na conduta de Mohamed, o Profeta, em vida) são a ideologia por assim dizer. Nem constituição o país precisaria.
Eles admitem que se persiga e que se matem sem piedade alguma todas as pessoas que não seguem o fundamentalismo corânico. É intolerante, completamente oposto ao que prega o Islã e seus princípios. Perseguem todos os que pensam diferente, mesmo muçulmanos, como os xiitas, sufistas, drusos e alawitas. Quantos aos cristãos e judeus, morte sem piedade. A sua base central é a Arábia Saudita, mas tem raízes no Qatar e no Kuwait. Proíbem todo tipo de festividades e comemorações, mesmo as do calendário islâmico. Não se pode executar músicas, canto, consumir álcool, dança. É uma completa volta à idade média. Padronizam inclusive a forma de vestir e o corte de cabelo, entre outras coisas e costumes. Os monarcas do golfo e suas túnicas douradas e mesmo roupas brancas compridas parecendo saias para as pessoas comuns.
lumeMatoGrosso GUERRA SAUDITA CONTRA IEMEN
CONCLUSÕES Qualquer que seja a corrente que um muçulmano participe acima, eles pregam abertamente a prática de atos de terror contra as populações que não seguem as suas orientações. Eles acabaram deturpando completamente os verdadeiros ensinamentos do Islã. Não sou, é verdade, um especialista no Islã. Mas, o pouco que estudei e aprendi, descobri uma religião extremamente tolerante, protetora de todas as outras profissões de fé. Uma religião que busca a verdade e o conhecimento. Ao contrário do cristianismo, onde não é possível conhecer e saber tudo, o Islã incentiva o saber, o conhecimento. Por isso, durante o Império Árabe-Muçulmano, as ciências floresceram no mundo todo e em nenhum país por eles ocupado, eles impuseram a língua árabe, nem seus costumes. Como já disse o maior historiador inglês, Arnold Toynbee, é verdade que
não há império bom. Todo e qualquer império que ocupe outros países é sempre ruim. Mas, se tivéssemos que escolher, de fato o Islã foi o império menos ruim, o que mais floresceu conhecimento e tolerância. Está aí a história a demonstrar. O mais contraditório em tudo isso é o discurso dos Estados Unidos desde 2001 tem sido de combate decisivo aos terroristas e ao terrorismo. Mas, temos visto que suas alianças no Iraque, Síria, Líbia e Egito, tem sido nada mais nada menos exatamente com esses grupos terroristas, como a Al Qaeda, o Estado Islâmica do Iraque e do Levante e a Frente Al Nusra, entre outras. Tais grupos, que matam a sangue frio civis desarmados (decapitados) e comem seus órgãos internos, são os mais sanguinários terroristas que vimos na história, espalhando pânico em todos os lugares que chegam, com suas barbas compridas e roupas de túnicas longas.
Atitudes como essa acabam colocando as pessoas contra os muçulmanos em geral. De forma injusta, pois o que essa gente pratica nada tem a ver com os ensinamentos do Islã. Os verdadeiros muçulmanos repudiam essas atitudes e práticas. Por isso a Síria levou para a Conferência de Genebra de janeiro a proposta que toda a humanidade se uma para combater o terrorismo. Essa é a questão central. Mas, os Estados Unidos ignoraram completamente. Preferem seguir financiando esses terroristas. No fundo, teme-se o crescimento do chamado Crescente Xiita, que seria um arco que engloba o Irã, a Síria, o Iraque e o Líbano, mas os grupos de resistência. Sabemos que a questão central no Oriente Médio não é religiosa, mas essencialmente política. Mas que de fato os xiitas hoje têm maior compreensão da luta anti-imperialista, isso é uma verdade que a vida nos mostrou.
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MEMÓRIA
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UBIRATÃ NASCENTES ALVES É membro da Academia Mato-Grossense de Letras e ocupa a Cadeira de nº 01 – endereço eletrônico: ubirata100@gmail.com – Whats 99968-7599
Antonio Paes De Barros - O Totó Paes Herói ou mártir? POR UBIRATÃ NASCENTES ALVES
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rata-se inegavelmente de um um realizador, dinâmico empresário de longa visão, sua Usina Itaicy, possuía energia elétrica antes mesmo de Cuiabá, não seria demais compará-lo ao Barão de Mauá, somado ao viés de um corajoso e bem sucedido político, razão da precoce morte.
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MEMÓRIA Nasceu em Cuiabá, em 15 de dezembro 1851, originário de família com estirpe, seu pai era o Comendador Joaquim Paes de Barros, mãe a Sra. Maria da Glória Vieira de Barros. O casal era proprietário de áreas rurais e além da Usina da Conceição, possuíam um comércio. Totó Paes desde tenra idade, junto aos seus irmãos colaboraram nos trabalhos da indústria supra, vindo a falecer seus genitores, com seu quinhão da herança, comprou as terras da sesmaria Itaicy. Atingido sua fase adulta, estava pronto para alçar a jornada da grande trajetória, afinal este lendário sonhador perscrutava altos vôos, que por sua determinada obstinação realizou, como erguer sua própria unidade fabril, não sendo suficiente os valores disponíveis, foi buscá-los. Neste encalço desloca-e para Buenos Aires, onde encontra o forte empresário alemão Otto Frank, que sendo cativado pelas suas idéias progressistas, concede-lhe os créditos necessários à empreita. Nesta viagem agregou outras enriquecedoras técnicas e sistemas de elevada produção ao constatar in loco a operação de usinas similares em Jujuí, acerca dos Andes, e Tucumã, ambas na Argentina. Retornando para Mato Grosso, inicia em 11 de junho de 1896, a construção da imponente Itaicy, tornando realidade suas aspira-
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ções de soerguer uma usina modelo que chegou a ser a 4ª maior do país, estima-se que algo em torno de 1000 homens participaram desse trabalho. A indústria era bem equipada, todo o seu potente maquinário veio da Alemanha, subiu o Paraguai, até chegar ao local, a 40 km do núcleo de Sto. Antônio do Leverger, na margem direita do Cuiabá. Foi construída no tempo recorde de apenas 14 meses, sendo inaugurada em 1º de setembro de 1897. Possuía infraestrutura invejável até para os dias atuais, tinha capela, escola, armazém, farmácia, aulas de música para as crianças, logrando até realizar durante os fins de semana retretas no local. Chegou a ser uma cidade e abrigar algo em torno de 5000 pessoas, foi o primeiro lugar no Estado a possuir energia elétrica, inovou mais, emitindo até moeda aceita na região a “Tarefa”, 1/2, 1 e 2. Produzia açúcar de 1ª – refinado, 2ª - cristal, álcool e chachaça, moía 300 T de cana em 24 horas, Itaicy representou considerável parcela da economia estadual na transposição para o século XX, isto fruto da mente de Antonio Paes de Barros, “o precursor da industrialização em Mato Grosso.” Apesar de inicialmente ser aliado ao Coronel da Guarda Nacional Generoso Ponce, a disputa pelo governo em 1899 caracterizou o ingresso de Antonio Paes
de Barros nos confrontos oligárquicos de Mato Grosso, neste período Itaicy lhe emprestava a imagem de poderoso Coronel. O Partido Republicano cinde-se, os Correa da Costa e Sen. Azeredo apoiam o candidato de Ponce, João Félix Peixoto de Azevedo do Republicano Conservador; enquanto os Murtinho indicam para esse pleito, José Maria Metelo, pelo Republicano Constitucional, este apoiado por Antonio Paes. Apesar de Ponce obter vitória com a “Legião Floriano Peixoto” em 1892, a história não se repetiu. Antonio P. Barros, discordou da apuração na eleição havida em 1º de março 1899, devido a grande influência de Ponce, dando vitória para seu candidato João Félix P. de Azevedo. Em 10 de abril 1899 a Assembléia Legislativa deveria referendar as eleições e G. Ponce como Senador e Presidente da Casa, Antonio Paes ao comando de sua tropa a “Legião Campos Salles”, chegam dispostos na cidade, o grupo de Ponce não se armou, culminando no cerco da Assembléia. O governador eleito e Ponce redigem carta apelando ao patriotismo, que aceitariam os termos, Joaquim Murtinho responde que deviam anular a eleição ou as forças de Paes de Barros o fariam. Com a intermediação de Pedro Celestino, em 16 de abril assinam um
lumeMatoGrosso acordo, anulando a eleição. Feitas novas eleições, Ponce retirou-se da capital, Totó Paes é que agora detinha o poder político. Antes de A. Paes chegar ao governo ocorreu um episódio de relevo ao desfecho. Em 1901 João Paes reunia em sua usina Conceição, 140 asilados políticos contrários ao governo, do qual seu irmão era aliado, sendo 16 presos recolhidos, estes foram mortos na Bacia do Garcez. Fato ocorrido em 04 de novembro, ficou conhecido como o Massacre do Garcez, imputado a Totó. Com supedâneo na Revolta de 1899, Antonio Paes chega a Deputado Estadual no triênio 1900/02, a carreira foi rápida, em fevereiro de 1903 elege-se para governo de MT até 1906.
Em 1902 foi eleito Presidente Rodrigues Alves, em 1903 Antonio Paes o governo, sua gestão teve características progressistas para a época, cercado no primeiro escalão do governo por pessoas ligados ao meio cultural, escritores, jornalistas, advogados e diferenciados intelectais. Além de praticar a moralidade tanto econômica quanto política, financiou expedições científicas, criou a revista “O Archivo”, ainda publicou a obra de Augusto Leverger, “Vias de Comunicação”. Durante o governo envolve-se em duas questões de fronteira, com o Amazonas, outra com a Bolívia, apoiando o Presidente contra os Murtinhos arruina sua aliança e sofreu intenso ataque dos jornais. Os Murtinhos agora unem-se a Ponce e aos Cor-
rea da Costa contra o governador, Antonio Paes está isolado, a população insuflada acompanha e ainda sente o Massacre do Garcez, inícia a Revolução de 1906, as tropas federais não chegam a tempo, as de Cuiabá ficam “neutras”. Ponce reunira 1.800 homens, em 2 julho Totó abandona o governo e o vice assume, foi se refugiar no Coxipó do Ouro, na Fábrica de Pólvora, encontrava-se bem adoentado e não conseguia andar. A localização foi delatada por Damasceno Silva, em 06 julho 1906 Antonio Paes de Barros foi morto com dois tiros. Antonio P. de Barros deixa viúva, a Sra. Úrsula Ângela de Oliveira com 5 filhos: Alice, Ana Clara, Aida, Miguel Ângelo e Sebastião de Barros, após sua morte Itaicy foi saqueada.
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ARTIGO
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FELIPE RODOLFO DE CARVALHO É Doutor em Filosofia e Teoria Geral do Direito pela FD/USP e Membro do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso – IHGMT.
Da Simplicidade Da Forma À Grandeza Das Ideias O exemplo do jurista e literato António de Arruda
“H
POR FELIPE RODOLFO DE CARVALHO
á hoje em dia um excesso de superlativos no mercado de celebridades jurídicas. (...) Qualquer obscuro acadêmico ou prático pode agora ser adornado com os mais excelsos adjetivos.” (CUNHA, Paulo Ferreira da. Do direito fraterno humanista: diálogo e vetores, Revista Brasileira de Estudos Jurídicos, v. 11, n. 1, p. 13-36, jan.jun./2016, p. 15). Este não é, absolutamente, o caso de António de Arruda, que recebeu, no dia 10 de agosto deste ano de 2018, meu sincero e merecido elogio, por ocasião da minha admissão no Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso – IHGMT, em singelo discurso que agora trago a público.
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L I TAERRTAI G T UOR A
Fenômeno universal, no sentido de que toda organização social carece de um mínimo de regulação, o Direito assume, no entanto, formas, moldes, perfis ricos e heterogêneos, erigidos a partir do contato humano com a especificidade da sua experiência temporal e espacial. O Direito se descortina no tempo e no espaço. O Direito é histórico e geográfico. Da universalidade do Direito não se pode deduzir, portanto, sua uniformidade. Isto também é válido no seio de uma mesma tradição jurídica, de um mesmo ordenamento jurídico, de um mesmo país: no seu interior, o Direito adquire arranjos particulares que lhe asseguram uma diversidade na unidade. Particularidades quais poderiam, então, singularizar um “Direito mato-grossense” em meio ao colorido mosaico do “Direito brasileiro?”. Convencido de que é no resgate da história, pela preservação da memória, que o humano constrói sua identidade e projeta seu futuro, propus-me, neste honorável Instituto, contribuir, à minha maneira e no limite das minhas condicionalidades pessoais e acadêmicas, para o mister de recuperação do Direito praticado e pensado em Mato Grosso. Contrariando, pois, a deliberada cegueira do positivismo jurídico, aferrado ao cotidiano, para o qual o único Direito que existe e que importa é o Direito vigente, isto é, o Direito presente, a História do Direito de Mato Grosso há de ser recobrada se quisermos uma orientação segura e adequada no trilhar rumo ao futuro do Direito em Mato Grosso. Nada mais apropriado, porém, nesta missão historiográfica, do que compreender esta história jurídica singular senão por intermédio dos seus juristas singulares, pois, em parte considerável, pode-se dizer que a História do Direito se confunde com a própria História dos Juristas. O Direito não é um simples dado sobre o qual se dirigem os olhares argutos dos seus especialistas, mas já o resultado da sua ação e do seu pensamento. Deste modo, a His-
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tória do Direito mato-grossense é reflexo, também, do labor prático e intelectual dos juristas que encontraram neste berço glorioso e gentil a sua morada habitual. Em meio a tantos nomes de escol, escolhi, para ser meu patrono, dentre os juristas outrora membros do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso, a figura notável de António de Arruda, por tudo aquilo que representa para a História do Direito e do Pensamento Jurídico de Mato Grosso. Nascido em Cuiabá, no ano de 1911, António de Arruda graduou-se em Direito na Faculdade Nacional de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Exerceu as principais profissões jurídicas, como as de Advogado, Promotor de Justiça, Procurador-Geral do Estado, Desembargador e Presidente do Tribunal de Justiça, além de Membro e Presidente do Tribunal Regional Eleitoral. Influenciado pelos seus mestres Fernando de Campos e de Cesário Neto, iniciou (Escola Regimental do 16º BC, Cuiabá/MT) e findou (Escola Superior de Guerra, Rio de Janeiro/ RJ) sua carreira como Professor, ocupando, aliás, na então Faculdade de Direito de Cuiabá, hoje Universidade Federal de Mato Grosso, a titularidade da cadeira de Introdução à Ciência do Direito. Imortal da Academia Mato-grossense de Letras, António de Arruda faleceu em 2002, deixando uma vasta produção intelectual, entre as quais podem ser citadas O linguajar cuiabano e outros escritos, Um olhar distante e Relembranças. Não tive o privilégio de conhecer António face a face, mas com ele não tenho dúvida de ter me encontrado na intimidade, pelo enlace da sua literatura. Situado, por Corsíndio Monteiro da Silva, entre os melhores cronistas modernos de língua portuguesa, desde Eça de Queiroz e Machado de Assis a Humberto de Campos e Monteiro Lobato, sua obra, despida de qualquer vaidade, reveste-se de uma simplicidade que foge da tortura da forma para com, arte e finura, oferecer ao leitor
ta”, António lançou ao futuro desconhecido um ensaio que haveria de pousar sobre mim há alguns anos atrás, causando-me extraordinário deslumbramento... Escrito em 1959, Direito sem justiça, publicado originalmente nos Anais Forenses do Estado de Mato Grosso, texto que conjuga apurada sensibilidade prática com uma fina apreciação jusfilosófica, parece-me resumir a ação e o pensamento jurídicos deste homem: inconformado com o ceticismo dos Sofistas, especialmente de Trasímaco, para quem o justo é aquilo que convém ao mais forte, António concebia a busca da Justiça como dever inafastável dos legisladores, dos administradores e dos magistrados. Saudemos António que, com seu exemplo de vida pública, pôde mostrar que Direito com Justiça já houve, e ainda há, em Mato Grosso.
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a grandeza do conteúdo. Ciente de que “nenhum estilo, por mais rebuscado que seja, consegue esconder a pobreza das ideias”, meu patrono prefere o estilo simples, claro e conciso, sem nunca aparentar-se pernóstico, banal ou medíocre. Se, na lição de Buffon, “o estilo é o próprio homem” [“Le style, c’est l’homme même”], então o estilo de António, que não a ignorava, deixa entrever o próprio homem que era: sem pretensões de imortalidade, por faltar-lhe, nas suas palavras, “tempo, dedicação e principalmente pose”, o além de jurista, literato, na sua humildade literária, erguia sua própria distinção humana. Encarando seus escritos como meras lucubrações, repletas de relembranças, cultivadas por um olhar distante, em busca do tempo perdido, misturadas “com um riso de jovialidade” e “um pouco de lágrimas diluídas na pena, à guisa de tin-
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O Propósito Cívico e Humanitário de Schwantes POR JOÃO CARLOS VICENTE FERREIRA FOTO DIVULGAÇÃO
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travam-se centenas de famílias do município gaúcho de Tenente Portela e adjacências. Durante sua vida exerceu as funções de: Pastor da Paróquia Evangélica de Confissão Luterana (IE¬CLB) em Tenente Portela-RS (1960/1970); gerente geral da Cooperativa de Colonização 31 de Março Ltda – Coopercol (1971/1977); diretor presidente da Cooperativa Agropecuária Mista Cana¬rana Ltda – Coopercana (1975/1980); diretor administrativo da Colonização e Consultoria Agrária-Conagro S/C Ltda (1975/1980); Sub-secretário de Estado, chefe do Escritório de Representação do Estado de Mato Grosso em Brasília (1987/1988); e Deputado Federal Constituinte pelo PMDB/MT, em 1988. Em vida recebeu diversos títulos honoríficos de municípios mato-grossenses, que reconheceram a importância de seu trabalho na história moderna de nosso Estado. Também foi agraciado com o título de Comendador, outorgado pela União dos Jornais Independentes - UNIJORI. Em 1988, foi admitido na Academia de Letras Cultura e Artes do Centro-Oeste, Cadeira nº 55, por sua imensa contribuição à história de Mato Grosso e, notadamente, por suas publicações. Schwantes faleceu em Brasília, no dia 17 de setembro de 1988, com 53 anos de idade, viti¬mado pelo câncer. Foi velado no Salão Negro do Congresso Nacional onde, poucos dias antes, fora aplaudido por sua tenacidade em participar, já marcado pela doença fatal, das últimas votações da nova constituição brasileira. O pastor Norberto está sepultado no Cemitério Campo de Esperança, em Brasília.
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ma das páginas da história de Mato Grosso que precisa ser melhor divulgada e conhecida por nossa sociedade é o trabalho humanitário feito pelo pastor luterano Norberto Schwantes, daí o motivo de publicarmos nesta editoria “Retrato em Preto e Branco”, que tem o propósito de homenagear nomes que ajudaram a construir a nossa história. Schwantes é rio-grandense de Carazinho, onde nasceu em 18 de março de 1935, e que, entre os anos de 1972 e 1978, fundou as cidades de Canarana, Água Boa e Terra Nova do Norte, proporcionando, com o seu trabalho cooperativista, o posterior surgimento de vilarejos que se transformaram em municípios progressistas, a exemplo de Querência, Nova Guarita e mais de uma dezena de localidades e projetos de colonização em vasta área de terras de 430 mil hectares, até então reservadas para que o Exército Brasileiro fizesse manobras militares. Schwantes conseguiu transportar para Mato Grosso, junto com milhares de famílias de migrantes do Rio Grande do Sul, o ideal do cooperativismo e da moderna agricultura, forma de se lidar com a terra que aprendera com viagens feitas à Alemanha, que na década de 1960 investia, para se reerguer economicamente, em técnicas modernas no período pós Segunda Guerra Mundial. Schwantes era um homem de bons princípios que tinha infiltrado em seu espírito o ideal de luta, afrontando sem pestanejar os maiores perigos, com provas de grande valor. Por conta dessa sua forma de ser compadeceu-se com a situação de penúria, por questões fundiárias, que encon-
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ARTES
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Você,
Que Poderia Ser Tanta Coisa, Preferiu Ser Saudade(*) Lembrando João Sebastião FOTO CHRISTIANE COELHO
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m fevereiro deste ano nos deparamos com o hiato de 1 ano do passamento do artista plástico João Sebastião, um ícone da arte mato-grossense das últimas décadas. Para não deixarmos a memória histórica sobre João Sebastião, mesmo tão recente, em estado de inércia, vamos contribuir com a publicação de um trabalho muito especial sobre a arte desse artista tão especial. Escolhemos para esta homenagem uma imagem da exposição “Diante do Espelho”, idealizada por Mariuzan, cabeleireiro, maquiador e amigo de longa data de João Sebastião. A exposição, que fez homenagem
às mulheres onças, do artista homenageado, ocorreu em 20 de outubro de 2016 e foi até o mês seguinte, em A Casa do Parque, em Cuiabá, um dos pontos mais badalados da capital mato-grossense. Nessa exposição, Mariuzan convidou o beauty artist, Augusto Procoro, para compor os penteados e, para o figurino teatral o alfaiate Joshemar Corrêa. Na época, o evento arrancou elogios de Flávia Salém, de A Casa do Parque, que teve o registro feito pelos fotógrafos Christiane Coelho e Rai Reis. (*) Drumonnd de Andrade
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A MLEI TR EI CR A N T UI DRAAD E
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Americanidade A Busca Pelo Intercâmbio Cultural Entre Os Povos Da América Do Sul:
Ástor Piazzolla
A música de Ástor Piazzolla é, sem dúvida, uma das maiores expressões artísticas que a Argentina deu ao mundo. Incorporando ao tango tradicional recursos da música clássica e do jazz, Piazzolla conseguiu um resultado formidável e extremamente inovador, sofisticando esse ritmo portenho e revolucionando para sempre seus conceitos
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AMERICANIDADE
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stor Pantaleón Piazzolla nasceu em 11 de março de 1921 na cidade argentina de Mar del Plata, tendo sido filho único de um casal de imigrantes italianos. Em 1925, a família se radicou em Nova York, onde permaneceria por mais de
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uma década. Ástor se envolveu com a música desde cedo: aos 8 anos ganhou de seu pai seu primeiro bandoneón e aos 9 começou a estudar música clássica com um pianista húngaro. Aos 14 anos, teve um encontro mágico com Carlos Gardel, ao participar
como extra no filme “El Día que me Quieras”. O pequeno bandoneonista chegou a ser convidado para integrar a nova turnê de Gardel, mas seus pais não o autorizaram. Meses depois, Gardel e sua equipe viriam a falecer em um acidente de avião.
era tudo: Ástor provocava a todos com sua vestimenta informal, com sua pose para tocar o bandoneón (de pé, quando a tradição era sentado) e com declarações que mais pareciam desafios. A formação preferida dos anos seguintes foi o quinteto. Se bem estava longe de ser massivo, com Adiós Nonino, Decarísimo e La muerte del ángel começou a trilhar um caminho de sucesso que teria picos na musicalização de poemas de Jorge Luis Borges (1965), na composição da ópera-tango María de Buenos Aires (1968) e da canção Balada para un Loco (1969) junto ao poeta Horacio Ferrer, na colaboração com o saxofonista Gerry Mulligan (1974) e em concertos memoráveis no Philarmonic Hall de Nova York (1965) e no Teatro Colón de Buenos Aires (1972 e 1983), entre outros. Em seus últimos anos, Piazzolla preferiu se apresentar em concertos como solista acompanhado por uma orquestra sinfônica, com uma ou outra apresentação com seu grupo. Foi assim que percorreu o mundo e ampliou a magnitude de seu público em cada continente pelo bem e a glória da música de Buenos Aires. Ástor Piazzolla casou-se duas vezes e teve dois filhos, Daniel e Diana. Faleceu no dia 4 de julho de 1992, quase dois anos depois de sofrer um derrame cerebral. Seus restos descansam em um cemitério particular nas aforas de Buenos Aires.
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Em 1937, a família Piazzolla retornou definitivamente a Mar del Plata, onde Ástor fez suas primeiras apresentações. Porém, sua carreira começou verdadeiramente quando decidiu se mudar a Buenos Aires e conseguiu ser contratado em 1939 como bandoneonista na orquestra do maestro Aníbal Troilo, apresentando-se em muitos cabarets da cidade. Apesar da amizade e da confiança estabelecidas com Troilo, ao completar 23 anos Piazzolla sentiu a necessidade de se afastar do tango para evoluir musicalmente. A partir de então, se tornou aluno do eminente músico clássico argentino Alberto Ginastera e começou a compor uma série de peças eruditas. Suas maiores influências foram Bach e Stravinsky. Em 1952, ganhou uma bolsa do governo francês para estudar com a legendária Nadia Boulanger, quem o incentivou a seguir seu próprio estilo. Em 1955, de volta a casa, Ástor forma o Octeto Buenos Aires. Sua seleção de músicos termina delineando arranjos atrevidos e timbres pouco habituais para o tango, como a introdução de guitarra. A presença de Piazzolla gerou receios, inveja e admiração entre a comunidade tangueira. Sua música foi alvo de fortes críticas e chamá-la de tango era visto como uma grande afronta. Ironicamente, ele chegou a denominar seu estilo de “música popular contemporânea da cidade de Buenos Aires”. Mas isso não
Comigo acontece que quando conseguem me entender eu já estou mudando. Foi assim a vida inteira. ÁSTOR PIAZZOLLA
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AMERICANIDADE
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PRINCIPAIS COMPOSIÇÕES A obra-prima de Ástor, segundo sua própria opinião, foi Adiós Nonino, um emotivo réquiem escrito em 1959 em memória à morte de seu pai, a quem chamava carinhosamente de Nonino (vô em italiano). Entre suas composições mais célebres também se encontram Libertango, Fuga y misterio, Decarísimo, Milonga del ángel, La muerte del ángel, Balada para un loco, Oblivion, Buenos Aires hora cero, além de peças representando as quatro estações portenhas. MÚSICA DE FILMES Piazzolla compôs 44 trilhas sonoras entre 1949 e 1987, tanto para filmes da Europa como da América Latina. Entre eles, destacam-se: Toda nudez será castigada de Arnaldo Jabor
(Brasil, 1973), Il pleut sur Santiago de Helvio Soto (França/Bulgária, 1975), Lumière de Jeanne Moreau (França, 1976), Armaguedon de Alain Jessua (França, 1977), Enrico IV de Marco Bellocchio (Itália, 1984) e Tangos – El exilio de Gardel de Fernando “Pino”, Solanas (Argentina/França, 1985). A música de Piazzolla também foi incluída de modo póstumo em uma produção de Hollywood, o filme 12 Monkeys de Terry Gilliam (EUA, 1995). HOMENAGENS » Fundação Piazzolla (Av. Córdoba 1513, Centro, Buenos Aires) A fundação foi criada por Laura Escalada, última parceira do músico, com o objetivo de perpetuar sua obra. Entre as atividades, destacam-se as apresentações de um quinteto próprio. » Piazzolla Tango (Florida 165 – Galería Güemes, Centro, Buenos Aires). O Piazzolla Tango é uma das mais belas casas de tango de Buenos Aires, escondida em um pequeno e suntuoso teatro art nouveau de 1915. O show é em boa parte um tributo às mais célebres composições do gênio Ástor Piazzolla, mas também inclui grandes tangos tradicionais. As peças musicais são excelentemente executadas por um sexteto e um casal de cantores, acompanhados de um impressionante corpo de baile. A entrada do cena-show tam-
bém dá direito a uma descontraída aula de tango que acontece antes do jantar. » Busto na Recoleta (Junín 1930, Recoleta, Buenos Aires). A estátua com o busto de Piazzolla, criada por Blas Gurrieri em 1996, fica no auditório externo do Centro Cultural Recoleta. » Mural na Avenida de Mayo (Av. de Mayo esq. Av. 9 de Julio, Centro, Buenos Aires). Colorido mural em homenagem a Piazzolla realizado em 2001 pelo artista Alfredo Segatori. Além de destacar o músico com seu inseparável bandoneón, a obra contorna toda a esquina replicando prédios e cenas urbanas cotidianas. » Mural no metrô. No corredor Lima Sur, que une as linhas A e C do subte portenho, Astor Piazzolla é homenageado com uma aquarela em cerâmica assinada por Hermenegildo Sábat. » Escultura em Mar del Plata (Plaza del Milenio, Belgrano esq. Buenos Aires, Mar del Plata, província de Buenos Aires) A cidade de origem de Piazzolla homenageou o músico em 2011 com uma estátua em tamanho natural realizada pelo escultor Carlos Benavídez. » Casas em Mar del Plata. A primeira casa de Ástor ficava na rua Rivadavia 2527 de Mar del Plata. Apesar de que hoje existe uma galeria comercial no terreno, foi inaugurada em 2009 uma placa recordatória. A casa definitiva da família Piazzolla foi na rua Alberti 1561.
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DISCOGRAFIA Ástor Piazzolla deixou como legado a enorme influência de seu inconfundível estilo, além de uma extensa obra que abrange centenas de composições registradas em cerca de cinquenta LPs. Entre seus discos fundamentais, destacam-se: Astor Piazzolla y su Orquesta Típica(1946-1948), Octeto Buenos Aires (1955), El Tango (1965, com poemas de Jorge Luis Borges, María de Buenos Aires (1968), Libertango (1974) e The Central Park Concert (1987).
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DETALHE DA OBRA ‘COMPASSION’, DA ARTISTA PLÁSTICA ALENA MAGGI, NA OCASIÃO DA EXPOSIÇÃO ARTISTAS DO CERRADO, NA CASA DI ROSE, EM CHAPADA DOS GUIMARÃES. FOTO: HENRIQUE SANTIAN
conheça aS BELEZAS, A ARTE E A CULTURA DE chapada dos guimarães Visite o centro cultural mais aconchegante da cidade.
foto: rai reis