lume Mato Grosso
Revista nº. 48 • Ano 7 • Maio/2021
É Bem Mato-Grosso
9 anos de história. Pag. 22
PERSONALIDADE: BETO DOIS A UM DONA EULÁLIA HOMENAGEADA COMO MESTRE DE CULTURA DOCUMENTÁRIO: CURURUEIROS DO PANTANAL MT ESCOLA FORMA TURMA DE TEATRO A CONTRIBUIÇÃO DOS CIGANOS PARA A HUMANIDADE
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RUÍNAS DO MUSEU DA GUERRA DO PARAGUAI, EM BARÃO DE MELGAÇO
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JOÃO CARLOS VICENTE FERREIRA Editor Geral
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esde o surgimento da revista impressa no Brasil em 1812, essa mídia tradicional sofreu diversas transformações ao longo do tempo. Com o advento da internet, as mudanças foram ainda mais drásticas: surgiu uma necessidade de se acessar as notícias de forma imediata, fazendo com que as revistas que permaneciam somente no meio impresso ficassem para trás. Para se adaptar aos moldes dos dias atuais, os veículos procuraram se reinventar ao criar setores para publicar conteúdo na internet, assim expandindo a marca para atingir mais pessoas. Questionados, alguns jornalistas se pronunciaram sobre esse assunto. Marcos Coronato, editor executivo da revista Época, relatou a preocupação do veículo em fazer com que as matérias do site tenham o maior “ciclo de vida” possível, exaltando a figura do editor que proporciona um olhar mais experiente e pode tornar a publicação mais interessante para dessa forma atrair mais leitores. Na revista Veja a situação é bem parecida. Daniel Bergamasco, editor online, revelou que há alguns anos o veículo investiu na plataforma online, e isso permitiu algumas mudanças na redação: intercâmbio entre editores e união dos jornalistas, deixaram de existir papéis definidos. Daniel acredita que a versão online ainda não conseguiu se igualar a edição impres-
sa quando se trata de impacto, na medida em que as revistas causam um efeito nostálgico e forte ao se abrir, por exemplo, uma foto que ocupa uma página inteira. É algo que captura a atenção do leitor de uma maneira que os sites não conseguem fazer. A revista impressa é desenvolvida considerando que o leitor terá um tempo maior dedicado ao texto, desta forma a produção de conteúdo é mais aprofundada. Entretanto, as chamadas “pautas quentes” podem não resistir até o final de semana (quando a revista é veiculada), valorizando a necessidade do site. Giovana Romani, editora sênior da revista Glamour, acredita na exclusividade da revista impressa, já que existe uma curadoria limitada para a veiculação. A principal diferença apontada por Giovana está na questão do título, o online exige “sujeito, predicado, ação e informação relevante”, em contrapartida a revista é mais fluida. Para mim não ocorrerá o fim da revista impressa, mas sim uma depuração daquilo que temos em nosso mercado, tanto no Estado, quanto no país afora. Os editores e jornalistas migrarão, em sua maioria, para sites. Ficarão os que tem proposta editorial que atinja os objetivos do leitor, especialmente daquele mais exigente e que busca qualidade. Estamos buscando encontrar o caminho certo para nossa LUME MATO GROSSO
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EXPEDIENTE
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PESCUMA MORAIS Diretor de Expansão e de Projetos Especiais ELEONOR CRISTINA FERREIRA Diretora Comercial JOÃO CARLOS VICENTE FERREIRA Editor Geral MARIA RITA UEMURA Jornalista Responsável JOÃO GUILHERME O. V. FERREIRA Revisão ÁLEX VICENTE, AMÉRICO CORRÊA, ANA CAROLINA H. BRAGANÇA, ANDRÉIA KRUGER, ANNA MARIA RIBEIRO, BENEDITO PEDRO DORILEO, BRUNO HENRIQUE BRITO LOPES, CARLOS FERREIRA, CECÍLIA KAWALL, DIEGO DA SILVA BARROS, EDUARDO MAHON, ELIETH GRIPP, ENIEL GOCHETTE, EVELYN RIBEIRO, FELIPE DE ALBUQUERQUE, FRANCISCO E. DE BRITO JR., JOSANE SALLES, JUDI OLLI, JULIANA RODRIGUES, LIANE CARVALHO OLEQUES, LUCIENE CARVALHO, LUIZ CARLOS NEMETZ, MARIA CLARA BENGEMER, MILTON PEREIRA DE PINHO - GUAPO, RAFAEL LIRA, RAFAEL M. ALMEIDA, ROSE DOMINGUES, RUTH ALBERNAZ, THAYS OLIVEIRA SILVA, VALÉRIA CARVALHO, WLADIMIR TADEU BAPTISTA SOARES, YAN CARLOS NOGUEIRA Colaboradores ANDREY ROMEU, ANTÔNIO CARLOS FERREIRA (BANAVITA), CECÍLIA KAWALL,
CHICO VALDINEI, EDUARDO ANDRADE, HEITOR MAGNO, HENRIQUE SANTIAN, JOSÉ MEDEIROS, CORRÊA, JÚLIO ROCHA, LAÉRCIO MIRANDA, LUIS ALVES, LUIS GOMES, RAI REIS, MAIKE BUENO, MARCOS BERGAMASCO, MARCOS LOPES, MÁRIO FRIEDLANDER, MOISÉS INÁCIO DE SOUZA, SAMUEL MELIN Fotos OS ARTIGOS ASSINADOS SÃO DE RESPONSABILIDADE DE SEUS AUTORES. LUME - MATO GROSSO é uma publicação mensal da EDITORA MEMÓRIA BRASILEIRA Distribuição Exclusiva no Brasil RUA PROFESSORA AMÉLIA MUNIZ, 107, CIDADE ALTA, CUIABÁ, MT, 78.030-445 (65) 3054-1847 | 36371774 99284-0228 | 9925-8248 Contato WWW.FACEBOOK.COM/REVISTALUMEMT Lume-line REVISTALUMEMT@GMAIL.COM Cartas, matérias e sugestões de pauta MEMORIABRASILEIRA13@GMAIL.COM Para anunciar ROSELI MENDES CARNAÍBA Projeto Gráfico/Diagramação PESCUMA DE MORAIS E ULISSES SEROTINI FOTO: JOÃO CARLOS VICENTE FERREIRA Capa
SUMÁRIO
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44. ERVAS MEDICINAIS
48. 18. 50. 58. RETRATO EM PRETO E BRANCO
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64. AMERICANIDADE
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“A Lei Aldir Blanc É Um Divisor De Águas Para A Cultura Em MT”, Avalia O Secretário De Cultura, Esporte E Lazer Do Estado Desde janeiro de 2021, com a Lei Aldir Blanc, artistas, agentes e trabalhadores da cultura estão em plena atividade, debruçados sobre os mais diversificados projetos, contemplando assim toda a cadeia produtiva da cultura em Mato Grosso POR PROTÁSIO DE MORAIS FOTO SECOM-MT
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frente da Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer de Mato Grosso desde julho do ano passado, Alberto Machado, o Beto Dois a Um, destaca os resultados alcançados pela Lei Aldir Blanc no estado e adianta seus planos para novos editais que fortalecerão a cadeia produtiva da cultura e do esporte em Mato Grosso, daqui em diante. Nesta entrevista, Beto fala sobre cada etapa do certame, sobre os rigorosos critérios técnicos estabelecidos para seleção dos projetos, comemora a democratização do acesso aos editais, expectativas para novos prazos de execução e prestação de contas da Aldir Blanc e destaca a importância da lei para o setor produtivo da cultura. Confira a entrevista.
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SECRETÁRIO, O OBJETIVO DA LEI ALDIR BLANC FOI ALCANÇADO PELA SECEL? AS PESSOAS E EMPRESAS DO SETOR CULTURAL QUE PRECISAVAM FORAM REALMENTE CONTEMPLADAS? »»Sem sombra de dúvidas, a Lei Aldir Blanc é um divisor de águas para a cultura em Mato Grosso e em todo o Brasil. Com absoluta certeza, a lei cumpriu sua missão. Foram três incisos: o que tratava da renda emergencial mensal aos trabalhadores da cultura, impedidos de trabalhar por conta das restrições da pandemia e passando por necessidades; o subsidio para manutenção de espaços culturais; e por fim os editais, que reacenderam a chama do setor cultural e reativaram sua cadeia produtiva. Um projeto muito amplo com objetivos diversos, suprindo as necessidades que este momento de dificuldade extrema exige. Parabenizo o Governo Federal pela sensibilidade ao perceber a importância da cultura para a sociedade. O SENHOR JÁ DISSE QUE A LEI ALDIR BLANC EM MATO GROSSO DEMOCRATIZOU O ACESSO AOS RECURSOS PELO SETOR CULTURAL. COMO OS CRITÉRIOS FORAM ESTABELECIDOS PARA QUE TAL ACESSO FOSSE REALMENTE POSSÍVEL? »»Esse foi o grande diferencial desses editais: a democratização do acesso aos recursos. Conseguimos pluralizar o atendimento ao setor cultural, em relação aos editais do passado. Destinamos 60% dos recursos para os municípios do interior de Mato Grosso e 40% para os municípios da Baixada Cuiabana. Criamos uma nota social para segmentos invisibilizados da cultura, nunca antes valorizados por outros editais, em outras épocas. Setores e agentes que nunca tiveram acesso aos recursos públicos destinados à cultura, desta vez, tiveram oportunidade. Exemplo para cidades com menos de 40 mil habitantes, portadores de necessidades es-
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peciais ou uma nota social especifica para mulheres. Artistas que antes não tinham acesso, hoje disputam de igual para igual. Entendemos que a distribuição desses recursos foi realizada de forma muito mais igualitária e democrática. Temos cidades que nunca tinham sido atendidas e hoje estão contempladas, ativando a cultura em seus municípios por meio da Lei Aldir Blanc. Isso é maravilhoso. SECRETÁRIO, HÁ MUITAS DÚVIDAS SOBRE QUEM PODERIA TER PARTICIPADO E ACESSADO OS RECURSOS DA ALDIR BLANC. QUAIS ERAM AS VEDAÇÕES DA LEI? »»Os editais foram criados para contemplar a cadeia produtiva da cultura de maneira abrangente. Poderiam participar, desde que comprovadas atuações no segmento da cultura e do entretenimento, pessoas físicas e jurídicas, associações e até empresas com fins lucrativos. O objetivo era simples, reacender a chama da cultura e valorizar a cadeia produtiva do setor, contemplando assim profissionais de todas as frentes de trabalho, desde que ligados ao setor cultural. Mas algumas vedações se fizeram necessárias. Membros titulares ou suplentes do Conselho Estadual de Cultura não puderam participar, servidores da Secel não puderam participar, parentes de até terceiro grau, tanto de membros da Secel quanto do Conselho, também não puderam participar. QUAL FOI A SUA PARTICIPAÇÃO NO PROCESSO DE APROVAÇÃO DOS PROJETOS EM RELAÇÃO AOS EDITAIS? E COMO A COMISSÃO TRABALHOU DURANTE A ANÁLISE DOS PROJETOS CONCORRENTES? »»A Secel organizou um formato de avaliação que teve de ser muito rápido, com prazos muito curtos, estipulados pelo Governo Federal. Afinal, é uma lei emergencial, que apesar de muito importante,
HÁ UMA POLÊMICA EM TORNO DA LEI ALDIR BLANC, POIS ALGUNS MUNICÍPIOS NÃO UTILIZARAM OS RECURSOS. O QUE ACONTECEU E QUAIS AS CONSEQUÊNCIAS? OS RECURSOS SERÃO PERDIDOS? »»Tivemos R$ 50 milhões destinados ao Estado de Mato Grosso. Desse valor, metade foi direto para o Governo do Estado e os outros R$ 25 milhões destinados diretamente às 141 prefeituras de Mato Grosso. Algumas prefeituras não quiseram fazer adesão a esse processo e reverteram R$ 4 milhões para o Estado, o que possibilitou o Estado lançar um novo edital de pouco mais de R$ 29 milhões. Infelizmente, alguns municípios não entenderam a importância dessa lei para o segmento da cultura. Assim, se não me engano, foram 19 municípios que não fizeram uso desse recurso e nem retornaram os valores ao Governo do Estado, para que pudéssemos ampliar nossos editais. Neste momento esse dinheiro está parado e, em tese, teria que ser devolvido ao Governo Federal. Mas, graças a uma ação da nossa bancada federal, em especial do senador Wellington Fagundes, um projeto de lei foi elaborado para ampliar os prazos, tanto de exclusão quanto da prestação de contas. E se esse projeto for sancionado na íntegra, teremos a chance para que esses municípios não percam os recursos.
Aproveito a oportunidade para parabenizar os municípios que entenderam a importância dos recursos para os trabalhadores da cultura e que buscaram a ajuda dos técnicos da Secel que foram disponibilizados para orientar as prefeituras. O importante é que esses recursos cheguem aos quatro cantos de Mato Grosso e, para isso, a Secel está sempre de portas abertas para ajudar.
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chegou de maneira tardia. Para isso foi montada uma comissão responsável pela habilitação dos projetos, composta por membros do Conselho Estadual de Cultura e servidores da Secel. Eu não participei desse processo de escolha ou seleção, para que a análise fosse totalmente isenta. A lista de quem participou de todas as habilitações foi divulgada em portaria, especificando funções, análises e encargos de cada um dos membros da comissão avaliadora, demonstrando total transparência do processo.
SECRETÁRIO, EXISTE A POSSIBILIDADE DE A SECEL ABRIR NOVO EDITAL PARA A LEI ALDIR BLANC NO ÂMBITO ESTADUAL? »»Vamos lançar em breve o Edital Movimentar, um auxílio emergencial para os trabalhadores da cultura e do esporte para realização de lives, no valor de R$ 2 milhões, em parceria com Assembleia Legislativa de Mato Grosso, para implementar o fazer cultural e esportivo. Um tipo de auxílio para que os artistas e esportistas consigam realizar seus trabalhos dentro de casa e com segurança. Além disso, temos muitos editais planejados para este ano e para 2022 também. Torcemos para que a vacina chegue de maneira efetiva e que a cultura reocupe seu espaço de protagonismo na sociedade mato-grossense. QUAL SEU PARECER SOBRE OS RESULTADOS DA LEI ALDIR BLANC EM MATO GROSSO? »»A Lei Aldir Blanc auxiliou quem estava realmente precisando de ajuda, além da manutenção de espaços culturais em todo o estado e, por fim, os editais que possibilitaram a manutenção da cadeia produtiva da cultura em Mato Grosso. Hoje, para onde se olhe, é possível enxergar muitas produções em andamento: filmes, lives, shows, teatro, dança, música, literatura, exposições, festivais, seminários, mantendo assim a chama da cultura viva em nosso Estado. E isso é só o começo, muito ainda está por vir.
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Dona Eulália Homenageada Como Mestre da Cultura
Ela é mundialmente conhecida por seu famoso bolo de arroz cuiabano TEXTO YAEL BOTELHO
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ulália da Silva Soares, mais conhecida como Dona Eulália por seu tradicional bolo de arroz cuiabano, será homenageada como Mestre da Cultura em um projeto transmídia, que utilizará música, videoclipe, livro, tela e exposição fotográfica para contar a história da cozinheira que há 65 anos difunde a tradição do bolo de arroz cuiabano. Cuiabá de Eulália foi lançado oficialmente na quinta-feira 27 de maio, às 19h, na casa dela, no bairro Baú. Sua história foi contada por meio de uma exposição fotográfica produzida por Amaury Santos, uma música inédita composta por João Eloy, um livro digital escrito por Karina Arruda, uma pintura sobre tela produzida por Valques Pimenta e um videoclipe produzido por Carlos Kavano.
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João Eloy, mais conhecido como o Dr. do Rasqueado, morou no bairro da lixeira na infância e adolescência e conheceu de perto Dona Eulália e seus familiares. “Eu cantei nas bodas de ouro dela. É minha amiga particular. Fiquei muito honrado quando me convidaram para fazer parte desse projeto e compor uma música inédita em homenagem à Dona Eulália. Ela é uma pessoa maravilhosa, que é o símbolo da cuiabania e referência na gastronomia mato-grossense”, comenta João Eloy. A narrativa em várias mídias – e de forma convergente – é uma nova forma de contar histórias, que foi priorizada na seleção das propostas pelo Conexão Mestres da Cultura. Nessa técnica, o expectador só conhece a história como um todo quando tiver acesso a todos os seus formatos. O projeto foi contemplado no edital Conexão Mestres da Cultura da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT), realizado com recursos da Lei Aldir Blanc.
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Em razão da pandemia, a inauguração do Centro Cultural e o lançamento de todos os trabalhos do projeto aconteceram em transmissão on-line, pelo perfil do projeto no instagram @Cuiabadeeulalia e pela comunidade do Facebook Cuiabá MT de antigamente. O projeto ‘Cuiabá de Eulália - Transmídia’ foi idealizado pelo fotógrafo Amaury Santos. “É uma grande honra poder homenageá-la em vida”, comenta Amaury. Ele acrescenta que cada mídia vai contando uma parte da história e deixando as pessoas curiosas levando-as a acessarem as outras mídias. “O projeto proporcionará às pessoas uma experiência singular e inovadora”, destaca o fotógrafo. Dona Eulália tem 87 anos e há 65 mantém viva e difunde a tradição do bolo de arroz cuiabano, prato típico de Mato Grosso, chancelado pela Lei n° 10.514 de 18 de janeiro de 2017 e um dos principais símbolos da cultura regional.
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Documentário Realiza Registro Histórico Dos Cururueiros Do Pantanal TEXTO YAEL BOTELHO
om o intuito de preservar a essência do cururueiro e levantar um importante registro histórico dessa manifestação cultural, o documentário Cururueiros do Pantanal coletou relatos que colaboram com a perpetuação e a manutenção da tradição, durante o desafio de seguir o caminho do Rio Cuiabá, encontrando em suas margens as manifestações culturais ribeirinhas que alimentam o imaginário do Cururu. O lançamento ocorreu no dia 30 de maio, às 19h30, pelo canal do Cine Teatro Cuiabá, no Youtube.
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Para o Diretor de Audiovisual Vicente Delgado foi um privilégio conversar com os grandes mestres do Cururu. “Pudemos conhecer melhor alguns aspectos da formação dessa musicalidade tão genuína e aprendemos muito. Ainda durante a captação das imagens, nas diversas localidades, compreendemos que, apesar da simplicidade no cantar, o cururueiro é um gênio na sua essência, pois conseguiu criar algo a partir da sua própria experiência de vida e tudo isso é retratado nas suas composições”, declara ele. Pesquisadores e interlocutores da cultura, também somaram ao trabalho, como o autor de diversos livros com temas diversos que se entrelaçam entre música e história de Mato Grosso, Abel Dy Santos e o artesão de violas de cocho, Alcides Ribeiro. A equipe visitou cururueiros em Cuiabá, Santo Antônio de Leverger e Barão de Melgaço, onde conversou com esses mestres e pode relatar suas histórias, seus conceitos e, principalmente, a figura do cururueiro em um contexto cultural, onde nasceu, como vive, sua profissão e seu envolvimento na sociedade. Quem conduz toda a narrativa é o filho do Seu Manoel Tomaz da Silva e dona Maria Antônia da Silva, o cuiabano Thomaz Flaviano, que nasceu na tradicional Comunidade do Bairro São Francisco, onde se mantêm até hoje as tradições das Festas de Santos. “Cos-
tumo dizer que sou filho e neto de cururueiro e me tornei um deles em homenagem ao meu pai, meus tios e avós, que também eram cururueiros. Participar desse documentário foi motivo de alegria, porque, sempre que é possível falar e fazer algo em um projeto em benefício do Cururu, eu estou pronto pra ajudar e participar, pois entendo que é uma arte, é a nossa cultura, é aquilo que nos representa e que me identifica culturalmente”, afirma. A Associação Movimento Vambora! iniciou essa pesquisa acerca da bibliografia e registro do Cururu. Devido ao pouco material com fácil acesso, iniciou-se a construção do projeto. Nascendo aí uma parceria com a Cordemato, que é a realizadora e responsável pela captação e execução dos recursos, bem como toda a gestão do mesmo. Também foi fechada uma parceria com a Agronews, que é a responsável por toda direção e produção de imagens, por meio de seu diretor Vicente Delgado e equipe. Para o artista e cantor Jhonny Everson, foi gratificante para a Cordemato, onde atualmente ocupa o cargo de gestor de projetos, receber a proposta de realizar a parceria com o Movimento Vambora! e Governo do Estado de Mato Grosso, subsidiado por emenda parlamentar do deputado estadual, Allan Kardec. “Um documentário que resgata a história do Cururu, os gran-
des personagens dessa tradição cultural. É uma alegria entregar para a sociedade o valor cultural, o valor identitário que traz esse documentário. Espero que todos gostem e que possamos mostrar para as novas gerações como eram as festanças de Santo de antigamente em Cuiabá e cidades da redondeza”, revela. É importante ressaltar que este projeto só se tornou possível graças à sensibilidade do senhor Ugo da Conceição Padilha, que foi um incansável defensor da cultura popular. Infelizmente veio a falecer em novembro de 2020, antes que a equipe pudesse registrar seu depoimento. E como homenagem a toda a sua história, este documentário vai mostrar algumas imagens de sua trajetória. Outro fato triste e lamentável, foi o falecimento do mestre cururueiro, Seu Zé Curutú, de Barão de Melgaço, que contribuiu para o projeto e deixou registrada sua participação. Foram entrevistados Marcelino de Jesus – Presidente do Grupo de Cururu Tradição Cuiabana do Coxipó, Senhor. Jacinto – Presidente do Grupo de Cururu Tronco de Aroeira de Santo Antônio de Leverger/Varginha, Jeferson Ribeiro - professor de música, fundador do projeto Arte Cidadã em Santo Antônio de Leverger e Chico Sales - Conhecido em Cuiabá como mestre dos cururueiros com vários CDs gravados.
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O programa de TV dos artistas e da família mato-grossense DA REDAÇÃO COM ASSESSORIA FOTOS JOÃO CARLOS VICENTE FERREIRA. ARQUIVO PESSOAL DE PESCUMA DE MORAIS E TV CENTRO AMÉRICA
DA ESQUERDA PARA A DIREITA, SENTADOS: LUCIANA GIRADELO, PESCUMA DE MORAIS, ULISSES SEROTINI E MALU SORBILE DA ESQUERDA PARA A DIREITA, EM PÉ: DAVY LEÃO, THALES DE PAIVA, POLIANA MAZZO, FERNANDO EUSTÁQUIO E VENÍCIO BULHÕES.
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m Mato Grosso tornou-se hábito, nas tardes de sábado, logo após o Jornal Hoje, as famílias se reunirem em frente à televisão para assistirem o programa ‘É Bem Mato Grosso’, transmitido pela TV Centro América, afiliada da Rede Globo de Televisão. Apresentado pelo jornalista, cantor e compositor Pescuma de Morais, esse programa tornou-se o mais assistido da televisão mato-grossense ao longo de quase uma década. O programa de TV ‘É Bem Mato Grosso’ completou 9 anos em 5 de maio de 2021, de forma ininterrupta, caminhando para quase 500 edições nesse período. É um fenômeno de audiência e sucesso comercial devido ao seu formato, único no país. O êxito do programa é devido à esmerada produção que a direção da TV Centro América, afiliada da Rede Globo de Televisão, oferece à equipe de trabalho, que tem à frente, como apresentador, o consagrado jornalista, cantor e compositor Pescuma de Morais.
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A MÚSICA ‘É BEM MATO GROSSO’ O programa ‘É Bem Mato Grosso’ se tornou realidade a partir do propósito de dois jornalistas: Ulisses Serotini e Pescuma de Morais. Serotini, que é diretor de Programação, Entretenimento e Comunicação da Rede Mato-Grossense de Comunicação, era recém-chegado à Mato Grosso nessa época e, nas suas primeiras andanças pelo interior do estado, imaginou uma música que representasse e contribuísse para aguçar na sociedade o orgulho de ser mato-grossense. Os dois se reuniram em meados da primeira década do ano 2000 e produziram, juntos, a canção ‘É Bem Mato Grosso’. E a música se tornou tema, e o slogan, da TV Centro América. Quinze anos depois, Ulisses, Pescuma, Henrique e Claudinho, em abril de 2021, desenvolveram a nova versão da música que se tornou bordão no estado de Mato Grosso
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O PROGRAMA ‘É BEM MATO GROSSO’ Tempos depois, no dia 5 de maio de 2012, estreava na TV Centro América o programa de televisão, ‘É Bem Mato Grosso’, para mostrar ao estado, ao Brasil e hoje ao mundo todo, a infinidade de riquezas do nosso estado. De forma inusitada a música acabou dando nome ao programa que criou inúmeros bordões ao longo de sua existência, a exemplo de: ‘A Casa da Cultura Mato-Grossense’, ‘A Casa dos Artistas de Mato Grosso’ e o ‘Programa da Família Mato-Grossense’. A data escolhida para a estreia do programa foi em homenagem à data de nascimento do Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon, o mais importante nome da historiografia mato-grossense e um dos mais respeitados cidadãos em todo o território nacional, pelo legado que deixou à posteridade.
lumeMatoGrosso O orgulho de ser mato-grossense, nascido ou acolhido por este estado continental, é o que despertou a criação de um programa que valoriza a cultura, a essência, a história, as pessoas que fazem desse estado uma referência tanto na economia, como na música, no cinema, na produção literária, enfim, nas diversas manifestações artísticas. É importante retomar um pouco a história da ocupação do Centro-Oeste, para compreender toda essa riqueza. Celeiro do mundo, terra das oportunidades, Mato Grosso viveu um fluxo migratório intenso na década de 1970. Com o objetivo de fomentar a ocupação do Centro-Oeste, os incentivos governamentais refletiram significativamente nos movimentos migratórios e contribuíram para o estabelecimento de grandes
empreendimentos agropecuários no estado. O Centro-Oeste, aqui em especial o estado de Mato Grosso, recebeu e ainda recebe migrantes de todas as partes do país. Destaque para os paulistas, e sulistas, que inclusive colonizaram cidades extremamente importantes do interior mato-grossense, como Sorriso, Lucas do Rio Verde, Sinop, Primavera do Leste, Campo Novo do Parecis, Juína, Alta Floresta e tantas outras de igual importância. Com recursos naturais abundantes, três biomas, Cerrado, Pantanal e Amazônia, um potencial agrícola extraordinário, e um povo acolhedor e hospitaleiro, Mato Grosso precisava de um programa exclusivo. Assim nasceu o É Bem Mato Grosso, dedicado à valorização desse patrimônio material e imaterial.
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PRODUZINDO O PROGRAMA ‘É BEM MT’ O programa busca valorizar a cultura de nosso estado, falando sobre música, culinária, artes de forma em geral e entretenimento de uma maneira bem descontraída. Além, é claro, de muitas novidades e curiosidades da cultura mato-grossense. No entanto, produzir um programa com esse objetivo não é tarefa fácil. Ao longo dos anos inúmeros profissionais fizeram parte da produção desse programa: jornalistas, designers gráficos, editores, programadores e produtores. Só não mudou o apresentador – Pescuma de Morais – que lembra alguns de seus parceiros essenciais na história do programa: Marcelo Werner, Léo Oliveira, Suelen
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Frigo, Tharyana Durigon, Adriano Soares, Michely Alencar, Luana Dalbian e tantos outros. Para Maria Luiza Sorbile, Gerente de Programação da TVCA, o programa ‘É Bem Mato Grosso’ representa a essência de nosso Estado. Cultura, arte, música e gastronomia estão presentes no programa semanal da TV Centro América, nas tardes de sábado. Os lares mato-grossenses ganharam mais um membro da família, o apresentador Pescuma Morais, que traz entretenimento, informação e boa companhia. Comemorando nove anos em 2021, o time está completo com a equipe de repórteres Thales de Paiva, Fabíola Gomes e Venício Bulhões. Ulisses Serotini, Diretor de Programação, Entreteni-
mento e Comunicação conta comigo e com Luciana Giradelo, Editora Chefe do programa, para levar o melhor conteúdo às famílias mato-grossenses. A ideia não é representar. É ser. Dar voz ao povo, em suas diferentes realidades sociais e culturais. Os integrantes do programa, de diferentes estados e, claro, os filhos desta terra, se unem para trazer toda a pluralidade de Mato Grosso com leveza, alegria e boas histórias. “Ao chegar nesta terra e conhecer o programa É Bem Mato Grosso, do qual tenho o privilégio de fazer parte, entrei em contato com a cultura e o povo deste estado que me acolheu tão bem. O meu objetivo é contribuir e proporcionar ao telespectador um ‘novo’ olhar,
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Ao chegar nesta terra e conhecer o programa É Bem Mato Grosso, do qual tenho o privilégio de fazer parte, entrei em contato com a cultura e o povo deste estado que me acolheu tão bem. O meu objetivo é contribuir e proporcionar ao telespectador um ‘novo’ olhar, de quem está conhecendo – e se apaixonando – por uma terra tão rica e tão autêntica.
de quem está conhecendo – e se apaixonando – por uma terra tão rica e tão autêntica. ” O designer gráfico Thiago Nunes, que trabalha há mais de quinze anos nessa profissão entrou na TV Centro América em fevereiro de 2021. Atende ao setor de jornalismo e a equipe do ‘É bem Mato Grosso’. “Tem sido maravilhosa a experiência em editar o programa ‘É Bem Mato Grosso’, aprendo muito todos os dias com o repórter Vini Bulhões e Thales de Paiva em cada reportagem que vai ao ar. O planejamento gráfico é indispensável para o jornalismo Cultural, o videografismo permite uma visão diferenciada dos produtos midiáticos em geral, a exemplo das telenovelas”, diz sobre o programa.
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O designer gráfico Thiago Nunes, que trabalha há mais de quinze anos nessa profissão entrou na TV Centro América em fevereiro de 2021. Atende ao setor de jornalismo e a equipe do ‘É bem Mato Grosso’. “Tem sido maravilhosa a experiência em editar o programa ‘É Bem Mato Grosso’, aprendo muito todos os dias com o repórter Vini Bulhões e Thales de Paiva em cada reportagem que vai ao ar. O planejamento gráfico é indispensável para o jornalismo Cultural, o videografismo permite uma visão diferenciada dos produtos midiáticos em geral, a exemplo das telenovelas”, diz sobre o programa. Assim como Thiago, os designers gráficos Leandro Ricarte Amaral e Claudinei José de Oliveira integram o time de produção e são “craques” no videografismo, estando sempre muito atualizados com os desafios, quase que diários, dos avanços da tecnologia, pois, comunicação não é só falar, ver ou ouvir. Para Leandro, fascinado pela linguagem visual do videografismo, e que está no É Bem MT’, desde 1914, sua visão sobre o programa é de intensa satisfação: “Fico muito feliz em ver a evolução do programa ‘É Bem Mato Grosso’ e de fazer parte de tudo isso. Acredito que o programa está vivendo o seu ”Globo de Ouro”, com uma linguagem universal e cada vez mais próximo do público”. Claudinei – o Nei – que é Editor de videografismo desde 2011, e já participou de inúmeros ‘brainstormings’ em projetos e eventos da emissora, “Criar para o ‘É Bem MT’ é desenvolver recursos em ‘touchscreen’, permitindo a interatividade do apresentador com o público. Em cada programa ocorre uma nova linguagem potencializadora” – conclui. O jornalista Venício Bulhões – o Vini – que tem orgulho de ser mato-grossense, diz o seguinte sobre si e o programa ‘É Bem MT’: Sou filho desta terra, sou várzea-grandense e me sinto na responsabilidade de representar na TV minha cidade e meu estado. Fazer parte da família ‘É Bem Mato Grosso’ tem sido uma honra e um verdadeiro desafio. É incrível perceber o potencial deste projeto que caminha para se
Tem sido maravilhosa a experiência em editar o programa ‘É Bem Mato Grosso’, aprendo muito todos os dias com o repórter Vini Bulhões e Thales de Paiva em cada reportagem que vai ao ar. O planejamento gráfico é indispensável para o jornalismo Cultural, o videografismo permite uma visão diferenciada dos produtos midiáticos em geral, a exemplo das telenovelas
tornar um expoente da cultura mato-grossense. Sua linguagem própria, popular e arrojada, representa e encanta nossos telespectadores, estreitando íntima relação entre apresentador, repórter e telespectador. Compor o elenco do Especial Um Estado Mil Destinos só reafirmou o quanto é importante contar essas histórias. Foram quatro episódios na região Norte e Sudeste do estado. Exibimos lugares, conhecemos os mais diferentes personagens a apresentamos um Estado e seu mais variados e belos destinos. Esse é o nosso papel, contar histórias, descobrir e revelar manifestações, ampliar e difundir a biodiversidade, a arte e a memória de um povo”.
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Um Bandeirante Cuiabanizado
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Pescuma, POR MOISÉS MARTINS (*)
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enedito Donizete de Morais, paulista nasceu no sertão de São Luiz do Paraitinga e criado em Taubaté, cidades do interior do Estado de São Paulo e está em Cuiabá há quase 36 anos! É jornalista profissional formado pela Universidade de Taubaté-UNITAU! É músico, cantor, compositor e pesquisador da cultura brasileira! TÍTULOS:
»»Mestre da Cultura de Mato Grosso »»Grande Cavaleiro da Ordem
do Mérito do Estado de MT »»Cidadão Mato-grossense »»Cidadão Cuiabano »»Cidadão Levergense »»Cidadão Taubateano »»Hóspede Oficial do Município de Guiratinga-MT
Junto com os parceiros Henrique e Claudinho, receberam o Título de ‘Embaixadores da Cultura Mato-Grossense’ da saudosa e inesquecível cantora e apresentadora de TV, Inezita Barroso Assina junto com Zezé di Camargo e Henrique, a canção ‘Tá Faltando Alguém Aqui’, que fez parte da trilha sonora Dois Filhos de Francisco, assinada por Caetano Veloso e Zezé di Camargo! Principais parceiros: Zezé di Camargo, Moisés Martins, Pineto Bonilha, Ulisses Serotini, Mestre Bolinha, João Ormond, Paulo Simões e João Carlos Ferreira! Há 26 anos, ao lado dos parceiros e irmãos Henrique e Claudinho, divulgam o ‘Rasqueado Cuiabano’ e a cultura mato-
-grossense por todo o Brasil! Juntos somam 22 CDs e 2 DVDs gravados! Há 9 anos, comanda o programa de televisão ‘É Bem MT’, programa esse que se originou da canção É Bem MT, um clássico da nossa música, que se tornou uma espécie de Hino Popular de Mato Grosso, composto com o parceiro Ulisses Serotini! É autor de aproximadamente 40 sambas de enredo para Escolas de Samba e Blocos Carnavalescos da Baixada Cuiabana! PRINCIPAIS SUCESSOS:
»»Pixé »»É Bem Mato Grosso »»Cabeça de Boi »»O sol tá quente prá daná »»Furrundú »»Tipos populares »»Tchupa Tchupa »»Cuiabá muito prazer(Voa Tuiuiú) »»Rasqueado do Pau Rodado »»Turma do Bolinha »»Despertar no paraíso »»Tá faltando alguém aqui »»Água viva »»A lua »»Chuva de Estrelas »»Festa de santo »»Rufa o bombo maestro »»Cuiabá é um grande arraiá »»Loirinha mato-grossense (*) Moisés Martins é Imortal da Academia Mato-Grossense de Letras e um dos nomes mais importantes da literatura e da poesia em Mato Grosso.
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R E P O RTAG E M ESPECIAL lumeMatoGrosso
Ulisses Serotini E
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Diretor de Programação, Entretenimento e Comunicação da Rede Matogrossense de Comunicação
m entrevista à LUME MATO GROSSO, o jornalista Ulisses Serotini, recém-chegado em Mato Grosso no início da década de 2000, conta que o programa É Bem Mato Grosso nasceu do olhar de forasteiro.
queado e ficou maravilhoso. Colocamos no ar, e foi sucesso absoluto. Hoje a gente fala que é o hino popular de Mato Grosso. A partir de então, É Bem Mato Grosso se tornou o slogan da TV.
QUAL É A HISTÓRIA DA MÚSICA ‘É BEM MATO GROSSO’, E SUA PARCERIA COM PESCUMA DE MORAIS? »»“Eu estava encantado, por exemplo, em levar meus filhos ao Pantanal, na época eu conheci os “Mascarados”, e eu ficava encantado. Porque eu via tudo isso lá em São Paulo, eu assistia às reportagens do Nordeste, do Centro-Oeste, e claro que a exposição do Pantanal era muito grande, como é até hoje. Quando eu comecei a trabalhar aqui eu pensei, a TV Centro América foi a primeira emissora deste estado, eu preciso criar uma identidade. Eu sou apaixonado por música, eu preciso fazer um jingle, uma música. Só que eu não posso ligar pra São Paulo e contratar uma produtora, não tem que ser uma produção daqui. Foi quando eu conheci o Pescuma. O trio Claudinho, Henrique e Pescuma tinha acabado de ganhar um concurso da emissora, com a Música “Cuiabá, Cuiabá”. Apresentei a ideia pra ele: quero criar um jingle, enaltecendo a cultura, as riquezas daqui. Porque quando a gente chega num determinado lugar é aquela coisa: ah isso é bem típico de carioca, o pão de queijo, é bem típico de mineiro. Eu falei: É Bem Mato Grosso. Eu comecei a escrever, mas eu falei pro Pescuma, eu não sei fazer música, melodia. Ele musicalizou com o ritmo daqui, o ras-
E QUANDO O SLOGAN “É BEM MATO GROSSO” SE TRANSFORMOU NUM PROGRAMA DE TELEVISÃO? »»Primeiro, nós desenvolvemos uma série de reportagens para enaltecer o nosso estado, as peculiaridades da nossa terra, mas a minha grande expectativa era criar um programa de auditório. Foi quando nós decidimos tentar fazer um programa de auditório, o primeiro ‘É Bem Mato Grosso’, inclusive, teve plateia, eu me arrisquei a diretor do programa, e escolhemos um apresentador que tivesse empatia, que tivesse uma identidade local. VOCÊ PASSOU UM PERÍODO DEDICADO A OUTROS PROJETOS DA RMC, JORNALISMO, DEPOIS AS RÁDIOS, AGORA RETORNOU PARA A PROGRAMAÇÃO, DAS RÁDIOS E DA TELEVISÃO. QUAIS SÃO OS NOVOS PROJETOS, O QUE TEMOS DE NOVIDADE PRAS TELAS? »»Com o ‘É Bem Mato Grosso’, a gente quer gerar não só empatia, mas de fato mergulhar na história do nosso estado. Resgatar a espinha dorsal do programa. Além disso, as pessoas começaram a cobrar uma nova música, e nós pensamos em escrever uma nova versão. Ao invés de falar da flora, da fauna, pensamos em valorizar os personagens que contribuíram para história do nos-
lumeMatoGrosso so estado e homenagear não só as pessoas que partiram, mas também as pessoas que estão vivas. E está no ar o segundo clipe, nós contemplamos também as pessoas que vieram de outras regiões, do sul, do sudeste. Hoje, temos muito ainda a produzir de conteúdo sobre o estado. É um caminho que a gente vai percorrer agora para enaltecer ainda mais não só a fauna, a flora, a música, mas essa diversidade incrível. VOCÊ PODE TRAZER UM “SPOILER”, O QUE VEM POR AÍ NA PROGRAMAÇÃO DA TV CENTRO AMÉRICA? »»No ‘É Bem Mato Grosso’, é esse resgate, valorizando a história, a cultura, a gastronomia, o artesanato. Tem muita história ainda para contar. Em termos de programação, a gente quer falar para o jovem, porque a
gente tem uma produção muito rica. Não é só sertanejo, rasqueado, lambadão, a gente tem uma produção muito legal de MPB, com esses estúdios novos que estão surgindo. A gente tem vários ritmos que estão sendo tocados aqui, música popular, do rock, do sertanejo. Essa diversidade, esse caldeirão cultural, a gente precisa dar vazão através do É Bem Mato Grosso. O músico, o artista, consegue se encaixar num projeto de incentivo, mas muitas vezes não tem um canal para divulgar. Então, o ‘É Bem Mato Grosso’ vai ser um canal de divulgação para dar visibilidade a esses projetos culturais. Em termos de programação da televisão, fortalecer essa identidade com as coisas da terra, buscar alguns produtos novos. Restabelecer a memória desta terra para que a história seja contada por muitas e muitas décadas.
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ARTES CÊNICAS
MT Escola Forma Segunda Turma Do Curso Superior De Tecnologia Em Teatro POR YAEL BOTELHO FOTOS MARCONDES ARAÚJO
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m ciclo lindo e emocionante se encerra no mês de maio de 2021 para os formandos do curso superior de Tecnologia em Teatro da MT Escola de Teatro. O evento aconteceu no dia 14, em formato digital, sendo memorável, principalmente para essa equipe de jovens e professores que passaram por um ano cheio de desafios, mas muitas superações, decorrentes da pandemia de Covid-19.
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ARTES CÊNICAS
“Com essa colação de grau forma-se mais uma turma para o mercado de trabalho, uma turma preparada com os melhores professores, melhores formadores, num projeto belíssimo que envolve a Secretaria de Estado de Cultura de Mato Grosso, a Adaap, a UNEMAT e o Cena Onze. Os casamentos dessas entidades têm proporcionado a fomentação do mercado de trabalho e um produto de melhor qualidade ofertada em sociedade. Um sentimento para nós, que estamos nesse projeto desde o começo, é o de plenitude! Porque a gente vê que de fato as pessoas estão indo trabalhar, está tendo mercado de trabalho, grande parte dos projetos estão sen-
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do aprovados nas leis de incentivo à cultura, nos editais, na Lei Aldir Blanc. Há um número muito grande de artistas nossos, que eram estudantes, que estão sendo beneficiados. Para nós é um motivo de muito orgulho e também muita alegria”, comentou Flávio José Ferreira, Diretor artístico da MT Escola de Teatro. Este sentimento de dever cumprido é compartilhado por Agnaldo Rodrigues da Silva, Coordenador do curso superior de Tecnologia em Teatro da MT. “O Curso Superior de Tecnologia em Teatro é a concretização de um sonho de um grupo de profissionais que sempre atuou na cena cultural mato-grossense. A UNEMAT
parabeniza a conclusão de mais uma turma em nível de graduação!”, revela. Para Rodolfo García Vázquez, Coordenador pedagógico da MT Escola, essa segunda turma tem uma trajetória vitoriosa e admirável, pois foi necessário muita resiliência e amor à arte para manter-se forte em um cenário complexo como o atual no Brasil. “Essa turma da MT atravessou um período histórico extremamente complexo, cheio de desafios. A pandemia levou ao isolamento social e à suspensão de todas as atividades presenciais, o que seria vital para o teatro. No entanto, com muito esforço de todas e todos, conseguimos superar o isolamento
lumeMatoGrosso através do ensino online. A coragem com que eles enfrentaram tais desafios diários, ao se recriar digitalmente como artistas e estudantes, foi inequívoca”. Os estudantes - agora artistas graduados - orgulham-se do esforço e comprometimento ao longo dos anos da faculdade e confirmam que o curso é, independentemente de sua área de ênfase, gratificante e encantador. “A experiência de poder fazer parte do processo de construção de cada trabalho artístico, desenvolvido nesses dois anos dentro da academia, foi de extrema riqueza e aprendizado. Enfrentamos obstáculos, nos permitimos trocar e respeitar as opiniões
de cada artista envolvido no processo, pois a metodologia de criação colaborativa é complexa, intrigante e fascinante ao mesmo tempo. O curso conseguiu atender às minhas expectativas, mesmo com as dificuldades que encontramos no percurso de migração para um teatro digital, em virtude da pandemia”, comentou Ronaldo José, graduando do Curso Superior de Tecnologia em Teatro, com ênfase em Produção Cultural. O ensino é oferecido pela MT Escola de Teatro por meio da parceria entre a Secretaria de Estado de Cultura (SECEL-MT), o Cine Teatro Cuiabá, a Associação Cultural Cena Onze, a Associação dos Artistas
Amigos da Praça e a Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT). Na graduação, o estudante escolhe uma das sete áreas de ênfase: Atuação, Cenografia e Figurino, Direção, Dramaturgia, Iluminação, Sonoplastia e Produção Cultural. MT ESCOLA DE TEATRO »»A MT Escola de Teatro é um polo de formação da gestão do Cine Teatro Cuiabá, firmada entre a Secretaria de Estado de Cultura (SECEL MT) e Associação Cultural Cena Onze. O curso de Tecnologia em Teatro tem a parceria da Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT) e da Associação dos Artistas Amigos da Praça (Adaap/SP).
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C U LT U R A ANTROPOLOGIA
Projeto Entre Sueños Y Duendes: A Contribuição Histórico-Cultural Dos Ciganos Para A Humanidade 42
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DA REDAÇÃO
sse projeto nasceu do desejo de realização de um espetáculo que integrasse e inter-relacionasse os segmentos da Arte como a dança, a música, a poesia e o teatro.
biossegurança foram tomadas para garantir o acesso de 243 expectadores no local. Além disso, também como proposta de trabalho, a proponente Wania Ormond (professora e bailarina) apostou na questão social do projeto e, dessa forma, a equipe iniciou uma campanha de arrecadação de 2Kg de alimentos não perecíveis que foram doados ao Abrigo Bom Jesus de Cuiabá, após o espetáculo. “Nós artistas deste projeto, além de estarmos empenhados na produção do próprio espetáculo, também estamos pensando no lado social, pois começamos a nossa campanha de arrecadação de alimentos não perecíveis a ser doados para uma instituição de abrigo dos idosos, pois eles precisam da nossa ajuda”, comentou Wania Ormond. As doações foram feitas na sede da SETASC – Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (no Centro Político Administrativo); no Centro Cultural Casa Cuiabana (Av. Gal Valle); no Estúdio Pentagrama (Gal Mello); na Superintendência Pedagógica e na Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer/SMECEL, e também presencial, no dia do espetáculo.
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Assim, conseguiram reunir artistas (bailarinas, poetas, músicos, cantora), como também estudantes de dança e música que se identificaram com a temática do projeto e com os seus objetivos. No início todos os participantes eram voluntários, porém surgiu a oportunidade de concorrer a um edital e foram selecionados pelos técnicos da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer; Secretaria Especial de Cultura - Ministério do Turismo. O espetáculo “Entre sueños y duende: a contribuição histórico-cultural dos ciganos para a humanidade”, por meio da licença poética das criações dos artistas que compõem a equipe vai mostrar o legado dos povos ciganos à humanidade nos quesitos dança, música e poesia. O evento contou com a participação de 29 artistas, sendo eles bailarinas; poetas; músicos; estudantes de dança e direção geral e artística que se apresentarão no palco do Cine Teatro. O espetáculo foi em formato híbrido: live (ao vivo) pelo canal: Projeto Entre suenos & duende e presencial no Cine Teatro Cuiabá, ocorrido no dia 29 de maio, 20h, ressaltando que todas as medidas de
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CELÓSIA, POPULARMENTE CONHECIDA COMO CRISTA DE GALO
Ervas Medicinais e a Ancestralidade POR EDUARDO VINÍCIUS ROCHA PIRES
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uem nunca tomou aquele chazinho de Boldo para ressaca ou problemas no fígado, ou então usou aquela tintura de Arnica para dores musculares? Já pensou em trocar aquele remédio para dor de cabeça por água de coco com folha de gengibre? Já tomou aquele chá de sucupira pra dor de garganta?
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EDUARDO VINÍCIUS ROCHA PIRES É geógrafo, professor, cozinheiro vegano, pesquisador em etnobotânica e entusiasta no resgate dos saberes populares, das plantas medicinais e alimentícias
Se você acha que essas atividades são recentes, da época de nossas avós e bisavós, está enganado. Na China, existem registros de cultivo de plantas medicinais que datam de 3.000 a.C.; os egípcios, assírios e hebreus também as cultivavam em 2.300 a.C. – e com elas produziam vermífugos, purgantes, cosméticos, diuréticos e produtos líquidos e gomas para embalsamar múmias. As precisas descrições das plantas e seus benefícios são encontradas nos livros dos templos egípcios: no Livro dos Mortos em forma de receitas para embalsamento de cadáveres e no Livro dos Vivos com descrições de propriedades e emprego de plantas para o tratamento de várias doenças. O uso de plantas medicinais é uma prática antiga da humanidade e, ainda hoje, para muitos grupos étnicos e comunidades simbolizam a única forma de tratamento e cura de doenças e esse conhecimento a respeito de plantas medicinais é o resultado da relação das comunidades humanas com o seu ecossistema e o seu ambiente cultural em função do tempo.
A disseminação desses conhecimentos é predominantemente de maneira informal por meio da medicina popular, que é fundamentada em um corpo de conhecimento transmitido pelas famílias e vizinhos de maneira prática, oral e gestual, não se comunicando tanto com a instituição médica. Esses conhecimentos tradicionais são, na maior parte das vezes, produzidos coletivamente, transmitidos e disseminados oralmente. Desse modo, a proteção dos direitos das comunidades sobre seus conhecimentos requer criatividade. Como as próprias comunidades reco-
nhecem, os saberes tradicionais não têm dono, têm herdeiros. Foi então que em meados de 2001, foi sancionada uma Medida Provisória 2.186-16/01 que reconhece os direitos das comunidades locais e indígenas de decidir sobre a utilização dos seus conhecimentos. Esse direito, ainda pouco reconhecido, é mais fácil de ser exercido e respeitado quando os conhecimentos ainda estão sob a guarda das comunidades e essas, por sua vez, conhecem seus direitos. Foi então que começaram a surgir, no Brasil e em outros países no
TANCHAGEM. REMÉDIO SAGRADO PARA O CICLO PRÉ MENSTRUAL. CONTRA CÓLICA.
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E RVA S M E D I C I N A I S mundo, conferências, reuniões, congressos juntamente com comunidades indígenas e diversas outras comunidades tradicionais para que todos entendessem sobre seus direitos e que os conhecimentos sobre a medicina popular não se perdesse. A Organização Mundial de Saúde refere-se às plantas medicinais como “espécies vegetais a partir das quais produtos de interesse terapêutico podem ser
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obtidos e usados na espécie humana como medicamento”. Portanto, são plantas que produzem substâncias químicas farmacológicas ativas para o organismo humano e que administradas amenizam algum mal. Partindo dessa afirmativa da OMS, entendemos que o Brasil tem em mãos a oportunidade para o estabelecimento de um modelo de desenvolvimento próprio e autônomo, na área de saúde e uso de
plantas medicinais e fitoterápicos. Esse modelo deve primar pelos princípios de segurança, qualidade e eficácia na saúde pública e pelos compromissos internacionais assumidos no âmbito da Convenção sobre Diversidade Biológica, reconhecida pela ONU e na qual o Brasil é signatário junto com outros 188 países, conciliando desenvolvimento sócio-econômico e conservação ambiental.
A partir da aprovação do Decreto, estabeleceu-se a validação e garantias de uso, eficácia e qualidade de produtos e remédios referendados pela tradição, a nossa famosa medicina ancestral. Estabeleceu-se também que o incentivo, apoio e fomento ao aprimoramento técnico e sanitário de seus agentes, processos e equipamentos, deverão propiciar a inserção dos detentores desses saberes e de seus produtos no Serviço Único de Saúde – SUS e nos demais mercados. Imaginem que maravilha: o nosso conhecimento tradicional da medicina ancestral, antes quase perdido devido à evolução da indústria farmacêutica, agora passa a ser resgatado e respeitado pela ciência e, por meio de uma Política Pública pode ser repassado para agentes de saúde do SUS. Poderá também ser criada uma Farmacopéia Brasileira, à luz de identificar e/ou propor o estudo de plantas medicinais para a elaboração de novos fitoterápicos e a consequente inclusão dos mesmos no SUS, valorizando a biodiversidade brasileira. Para nós, pesquisadores e “agentes do resgate” da medicina ancestral à partir de nosso ecossistema, é um ato de persistência continuar observando e absorvendo as culturas tradicionais para que nada disso se perca, pois ela nos en-
sina a nos comunicar com nosso próprio corpo. O saber e a cultura popular são a base para o uso sustentável do ecossistema e para a promoção da saúde, e precisam ser valorizados e disseminados, estabelecendo, ao mesmo tempo, um diálogo com o conhecimento científico, baseado no respeito mútuo. Fazer o resgate histórico- cultural, fomentar a valorização, o registro, a preservação e a disseminação do saber dos conhecedores tradicionais e da cultura popular, evitando o monopólio do conhecimento é, acima de tudo, um ato de amor pelas pessoas, pela natureza também, mas, sobretudo pelas pessoas. Raizeiros, Raizeiras, Pajés, Benzedeiras, Parteiras, Xamãs e todos que nos passam conhecimentos ancestrais diariamente sobre as plantas que curam, ensinam à diminuirmos o nosso olhar para as prateleiras e olharmos mais para nosso quintal. Nosso remédio pode estar na nossa calçada e podemos até plantá-los e, assim, nos integrar com a natureza e as nossas raízes.
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Foi à partir disso que em 2006 foi aprovada a Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos, publicada por meio do Decreto Nº 5.813, de 22 de junho de 2006, que objetiva ‘Garantir à população brasileira o acesso seguro e o uso racional de plantas medicinais e fitoterápicos, promovendo o uso sustentável da biodiversidade, o desenvolvimento da cadeia produtiva e da indústria nacional.
Os usos de plantas medicinais são resultantes de pesquisas populares realizadas por raizeiras e raizeiros e não são recomendados para a auto-medicação sem prévia consulta.
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FOTO: DIVULGAÇÃO
amoso arqueólogo e explorador britânico nascido em Torquay, em 1867, que desapareceu ao organizar uma expedição para procurar por uma civilização perdida, em 1925, em Mato Grosso, na Serra do Roncador. Em 1886 entrou para a Royal Artillery e acabou escalado para trabalhar no Ceilão, onde conheceu sua esposa. Depois trabalhou como agente secreto britânico na África Meridional e aprendeu técnicas de sobrevivência na selva. Fawcett era também um agente do serviço secreto inglês, o MI6 e estava como agente duplo servindo a organização secreta The Seven Circle, recrutado pelo controvertido Spymaster, o mágico MaskMelin, desde que esteve no Ceilão e tomou contato com os sábios que decodificaram a estatueta que lhe fora presenteada pelo escritor H. Rider Haggard. Era também amigo do escritor Arthur Conan Doyle, que mais tarde utilizaram suas histórias como base para escreverem a obra “Lost World”. Suas histórias também serviram de inspiração supostamente para a criação de aventuras envolvendo o personagem Indiana Jones. A primeira expedição de Fawcett na América do Sul ocorreu em 1906 quando ele viajou ao Brasil para mapear a amazônia em um trabalho organizado pela Royal Geographical Society. Ele atravessou a selva, chegando em La Paz, na Bolívia em junho desse mesmo ano. Ele tinha a habilidade de conquistar os povos que habitavam os locais explorados dando-lhes presentes. Ele retornou a Inglaterra para servir ao exército britânico durante a Primei-
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Percy Harrison Fawcett F
ra Guerra Mundial, mas logo após o fim da guerra retornou ao Brasil para estudar a fauna e arqueologia local. Depois de passar para a reserva militar, em 1910, empreendeu viagens de descobertas. Em 1925, convidou seu filho mais velho, Jack Fawcett, para acompanhá-lo em uma missão em busca de uma cidade perdida, a qual ele tinha chamado de “Z”. Após tomar conhecimentos de lendas antigas e estudar registros históricos, Fawcett estava convencido que essa cidade realmente existia e se situava em algum lugar de Mato Grosso, mais precisamente na Serra do Roncador. Há quem diga que pretendia encontrar um elo de ligação com os povos incas. Curiosamente antes de partir ele deixou uma nota dizendo que, caso não retornasse, nenhuma expedição deveria ser organizada para resgatá-lo. O seu último registro se deu em 29 de maio de 1925, quando Fawcett telegrafou uma mensagem a sua esposa dizendo que estava prestes a entrar em um território inexplorado acompanhado somente de seu filho e um amigo de Jack, chamado Raleigh Rimmell. Eles então partiram para atravessar a região do Alto Xingu, e nunca mais voltaram. Muitos presumiram que eles foram mortos pelos índios selvagens locais. Porém não se sabe o que aconteceu. Os índios Kalapalos foram os últimos a relatar terem visto o trio. Não se sabe se foram realmente assassinados, se sucumbiram a alguma doença ou se foram atacados por algum animal selvagem.
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Abel dos Anjos e o Ideal de se Criar o Memorial dos Anjos TEXTO JOÃO CARLOS VICENTE FERREIRA FOTOS JONNY GORDEZZA
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músico e professor universitário Abel dos Anjos é o que podemos classificar de “Homem Museu”, graças ao seu gosto por juntar fragmentos de objetos e peças antigas, muitas das quais descartadas, recuperá-las e as colocar em perfeito estado de uso. Antes de se estabelecer em Cuiabá, em 1987, morava na cidade de São Paulo. É especialista em Semiótica é Professor e Coordenador de Ensino de Graduação do Curso de Licenciatura em Música do Departamento de Artes da Universidade Federal de Mato Grosso. Antes mesmo de se adentrar à sua residência, um sobrado numa tranquila rua próxima à Avenida do Moinho, nos deparamos com veículos antigos à porta e ime-
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diações e enorme jeep, semi-desmontado, à espera de tempo e peças para seu restauro: “ando meio sem tempo e o dinheiro tá curto para cuidar desse jipão, que está em ótimo estado de conservação”, diz Abel sobre o veículo. Depois de se colocar os pés dentro daquela casa e de se ouvir o barulho da porta sendo cerrada é que nos damos conta do imenso acervo instado naquele imóvel, sempre busca e guarda de Abel dos Anjos. Sua ideia é montar um espaço adequado para acomodar as centenas de peças ali guardadas à espera de pessoas que os possam observar, tocar e discutir as suas importâncias. O espaço é pequeno. O sonho é grande. Tem até nome: Memorial dos Anjos.
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lumeMatoGrosso O MEMORIAL DOS ANJOS Foi o hábito de colecionar instrumentos musicais e o de ser “rato de ferro-velho” que o levou a deixar enfileiradas vitrolas, gramofones, relógios, telefones antigos, rádios, instrumentos musicais contemporâneos e antigos, alguns ainda medievais. Sua habilidade de restaurador é que o estimula a ter esse acervo grande: “Se eu fosse pagar pelo restauro de todo o mobiliário e peças instrumentais que recuperei, não conseguiria ter quase nada disso aqui”, diz sobre o tempo que busca dispor para ser o marceneiro, pintor, entalhador e instrumentista dessas peças raras. A
grande maioria dessas peças musicais está em plena condição de ser executada. Cada uma tem uma história em particular. Abel pretende criar um memorial com todo esse acervo, será o Memorial dos Anjos. Perguntado o porquê dessa proposta o professor respondeu: “Meus ideais de Civilização e Cultura passam por manter um lugar onde espaço e tempo repousem para que suas ressonâncias de Arte sejam apreciadas num instante onde, quem as observar, possa receber seus influxos e renovar assim as inspirações para o surgimento de novas correntes estéticas do futuro. ”
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ATUAÇÃO CULTURAL DE ABEL DOS ANJOS Abel Santos Anjos Filho é renomado pesquisador e divulgador da Viola-de-cocho no Brasil e no exterior, foi escolhido em 1995 como um dos personagens do Programa “Gente que Faz” da Rede Globo em parceria com o Bamerindus. Escritor com três livros publicados é Compositor de diversas obras musicais de caráter erudito, sacro e popular. Dentre elas, destaca-se o “Hino à Bandeira de Mato Grosso”, a “Sinfonia Pantaneira” (primeira Obra do mundo para Viola-de-cocho e orquestra), a música dos Hinos dos municípios de Campo Verde, Mirassol D’Oeste e Santa Terezinha. Produtor e arranjador musical de 14 CD’s sobre a cultura regional – Cururu e Siriri e de artistas regionais, tais como Dr. Moisés Mendes Martins, Maestro China, Vera Capilé. Foi também produtor dos CD’s das Corporações do Exército brasileiro e da Polícia Militar do Estado de Mato Grosso. Recebeu, em 1996, o título de “Cidadão Cuiabano”, a “Comenda Rondon” por Santo Antônio de Leverger. Agraciado pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso com a “Moção de Louvor” e com o título de “Cidadão Mato-Grossense”, por seus relevantes serviços prestados à cultura de Mato Grosso. Como palestrante, em 1996 foi recebido pelas Universidades Portuguesas do Porto e Aveiro, onde nesta última, realizou palestra sobre o “Influxo português
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na formação da cultura popular brasileira”. No mesmo ano em Paris, apresentou-se a um grupo de Etnomusicólogos da Universidade de Sorbonne - Paris IV. Em 2012 realizou uma conferência/recital intitulada “Uma Melodia Histórica” na Universidade de Évora - Portugal. Como Concertista, em 1997, realizou um Concerto-palestra na abertura da temporada de Primavera em Paris, entregando solenemente uma Viola-de-cocho ao “Musée de L’Homme” em nome do povo brasileiro. Realizou um concerto didático junto ao SESC Arsenal, intitulado “Nas corda da Viola-de-cocho” como abertura oficial do Ciclo Arsenal de Música de Câmara. Em 2004, participa do Projeto Pixinguinha, percorrendo o Norte do país e em 2005 participou do “Ano do Brasil na França” apresentando mais uma vez a cultura de Mato Grosso em território Europeu. Em 2005, apresentou juntamente com a Orquestra Sinfônica do Estado de Mato Grosso, sua “Sinfonia Pantaneira”, obra inédita escrita originalmente para Viola-de-cocho solista e Orquestra. Como Pesquisador, foi agraciado com uma Bolsa de Investigação Científica pela benemérita Fundação Calouste Gulbenkian de Lisboa, realizando trabalhos de pesquisa sobre a viola-de-cocho em território europeu, cujo teor histórico/musical encontra-se documentado no Livro/CD “Uma Melodia Histórica” publicada com recursos públicos.
CD’S »»ROMANCE, AMOR E SAUDADE... - CD de músicas nacionais e internacionais (1995 - produtor, arranjador e músico); »»MAVOTSININ - “Herói cultural das tribos do alto Xingu, em Mato Grosso, autor da mãe do Sol e da Lua”, CD utilizando a Viola-de-cocho como instrumento básico no acompanhamento e solo (1996 - compositor, produtor); »»HINOS E CANÇÕES MILITARES - CD contendo Hinos pátrios e canções militares, distribuído gentilmente para todas as escolas públicas e particulares do Estado de Mato Grosso (1997 - produtor da obra e músico, executando o Hino Nacional Brasileiro na Viola-de-cocho); »»Cuiabá: um canto de amor - CD da cantora Vera Capilé (1998 - arranjador, músico e produtor); »»MAVOTSININ I - alma pantaneira - CD de sua autoria, com a utilização da Viola-de-cocho como instrumento básico. Esta obra tem como última faixa musical a SINFONIA PANTANEIRA, idealizada para Viola-de-cocho e cordas. (1998 - compositor, produtor, arranjador e músico); »»Provai e vede - CD do Ministério de Louvor LUZ NA TERRA – Igreja de Nossa Senhora de Fátima – Cuiabá – MT (1999 - arranjador, músico e produtor da obra); »»Cururu & Siriri – nossas tradições - CD contendo cantigas regionais de Mato Grosso. Etnomusicologia (1999 - produtor); »»Grupo Viola-de-cocho - Primas e irmãos de São João dos Lázaros - contendo cantigas regionais de Mato Grosso. Etnomusicologia (2000 - produtor); »»Mavotsinin II - CD contendo cantigas regionais de Mato Grosso. Etnomusicologia (2001 - produtor); »»Uma Melodia Histórica - Livro/CD contendo informações sobre os influxos portugueses no Centro-Oeste do Brasil (2002 - compositor, produtor, arranjador e músico); »»ECSA CANÇÃO - CD com músicas infantis da Escola Chave do Saber - Cuiabá – MT (2003 - arranjador, músico e produtor);
»»PAIAGUÁ
– Sons, Tons e Seresta de Mato Grosso - CD do poeta cantor Moisés Mendes Martins Jr. (2004 - arranjador, músico e produtor) »»MATO GROSSO CÍVICO - CD do Corpo Musical da Polícia Militar do Estado de Mato Grosso, contendo Hinos e canções Militares (2005 - produtor) »»FIBRA DE HERÓI - CD da Banda de Música da 13° Brigada de Infantaria Motorizada de Mato Grosso, contendo Hinos pátrios e canções Militares (2008 - produtor); »»Latinidade em Viola-de-Cocho - CD com hinos dos países da América do Sul (2010 - produtor, arranjador e músico).
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TRABALHOS REALIZADOS
LIVROS
»»Viola-de-cocho – Novas Perspectivas -
Livro resumo de suas pesquisas com o Alaúde Mato-grossense (1993 - Editora da Universidade federal de Mato grosso); »»Universo Inverso Verso Ver Só - Livro de poesias (1998 - Edição do Autor); »»Uma Melodia Histórica - Livro/CD contendo informações sobre os influxos portugueses no Centro-Oeste do Brasil (2002 - Edição do Autor - parceria Editora Tanta Tinta)
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Nunca Te Vi, Sempre Te Amei
À Desidério Aytai, um etnólogo de 7 fôlegos POR ANNA MARIA RIBEIRO FERNANDES MOREIRA DA COSTA FOTOS DESIDÉRIO AYTAI
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unca te vi, sempre te amei” (84 Charing Cross Road), filme de 1987, estrelado por Anthony Hopkins e Anne Bancroft, me remete à amizade que fiz com o professor Desidério Aytai, iniciada em 1987, (mesmo ano do filme) e finalizada, com sua morte, em 1998. Isso porque o enredo do filme trata da amizade entre duas pessoas que não se conheceram pessoalmente, mas pelas cartas trocadas durante duas décadas.
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e encontrou o espaço propício para construir sua carreira como antropólogo. Trabalhou na construção de pontes, estradas e locomotivas. Nessas áreas, publicou vários estudos, como cálculo das curvas econômicas das linhas férreas, determinação teórica do chamado fator de poissant de aços e um livro de mecânica para aprendizes técnicos. Foi premiado no concurso literário sobre vibrações da corda de aço dos elevadores. Na Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUCC), depois de aposentado, fundou a Faculdade de Engenharia, momento em que também assumiu o cargo de diretor. Mas, o grande sonho do engenheiro húngaro estava alicerçado na área da Antropologia, especialmente dos povos da África e da América do Sul. Ao chegar no Brasil, no campo da Arqueologia, iniciou suas pesquisas nos sambaquis do litoral Sul de São Paulo. Os resultados das escavações realizadas por Desidério Aytai e os alunos do curso de Ciências Sociais da PUCC, no final da década de 1950, e no decorrer dos anos de 1960, encontram-se no acervo da instituição, que também reúne peças coletadas em expedições às comunidades indígenas do Centro-Oeste e Norte brasileiros. Recebeu o convite da mesma universidade, em 1963, para ocupar a cadeira de Antropologia no curso de Ciências Sociais. Também foi professor e pesquisador na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e em outras faculdades. Como professor, Aytai passou grande parte de sua vida na região de Campinas. Em cidades próximas, sua presença marcou uma trajetória no campo da Antropologia e da Arqueologia. Fundou o Museu Histórico de Paulínia, em Paulínia, o Museu Municipal Elizabeth Aytai, em Monte Mor, nome atribuído em homenagem à esposa, pesquisadora que encontrou, no ano de 1971, uma urna funerária de tradição Tupi, datada de 800 a 1000 anos. Hoje o museu está sob a direção Zilda Rangel, sua discípula e grande amiga.
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Baseado na vida da escritora nova-yorquina Helene Hanff, a trama narra os efeitos de uma troca de cartas que se iniciou com um simples pedido de livro. A escritora, ao enviar uma carta à livraria de Londres em busca de livros raros, entrou em contato com o livreiro britânico que respondeu educadamente à correspondência. Daí nasceu uma comovente troca de cartas. Em relação à minha amizade com Desidério Aytai, ela teve início com o meu interesse em criar, em 1988, um centro de documentação na sede da Funai, em Vilhena, Rondônia, momento em que estive entre os grupos Nambiquara do Cerrado. Assim, enquanto Helene Hanff, personagem de Bancroft, procurou Frank Doel, papel encarnado por Hopkins, entrei em contato, também por correspondência, com Desidério Aytai, para solicitar sua produção bibliográfica e fotográfica para formar um acervo documental e bibliográfico à disposição dos funcionários para conhecerem melhor os mais de 30 grupos que formam o povo Nambiquara do Cerrado, da Serra do Norte e do Vale do Guaporé. Dentre os estudiosos que desenvolveram pesquisas com o povo Nambiquara, Aytai foi o que mais contribuiu para o enriquecimento do acervo que pretendi criar em Vilhena. Foi nesse período que tive acesso às Publicações do Museu Histórico de Paulínia, sob sua organização. Assim, a semelhança que existe entre a história de Hanff e a minha se dá em três pontos: as cartas, os livros e a amizade. Desidério Aytai nasceu em Budapeste, Hungria, em 1905. A história de Aytai no Brasil teve início após a Segunda Guerra Mundial, quando a Hungria tornou-se um Estado comunista. Avesso ao ideário comunista, Aytai deixou sua terra natal com a família para trabalhar no Museu da Smithsonian Institution, em Washington, no Musée de l’Homme, em Paris, e no Museu do Vaticano, em Roma. Em 1948, o engenheiro mecânico formado pela Real Universidade Húngara imigrou para o Brasil
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lumeMatoGrosso DESIDÉRIO AYTAI, EM 1967, COM DOIS NAMBIQUARA DA SERRA AZUL.
O desejo pelas pesquisas antropológicas, todavia, permaneceu acima de quaisquer outros interesses acadêmicos. Na década de 1960 iniciaram-se os trabalhos de campo do engenheiro etnógrafo junto ao povo Nambiquara, bem como a publicação de uma série de artigos. Entre 1963 e 1966, esteve entre o Mamaindê e o Sararé, grupos da Serra do Norte e do Vale do Guaporé, respectivamente. Com os grupos da Chapada dos Parecis realizou estudos em 1967, com o grupo Halotesu e, nesse mesmo ano, retornou ao Vale do Guaporé para pesquisar o grupo Wasusu, todos da etnia Nambiquara. Aytai passou, então, a dedicar-se às pesquisas de campo, na organização e como integrante de várias expedições às terras
dos índios Xavante (tese de doutorado), Bororo, Paresi, Guarani, Karajá, Nambiquara. Estudou um dos aspectos mais relevantes na vida dos indígenas – a música – geralmente negligenciada como objeto de estudo por pesquisadores de distintas áreas do conhecimento. A exiguidade de material sobre a música indígena deve-se, por outro lado, a dificuldade em registrar fenômeno tão efêmero como o som e, por outro lado, a de se compreender a música indígena nos contextos em que é produzida. Aytai conseguiu superar tais dificuldades e legou um riquíssimo acervo ainda a ser explorado. Em relação à música Nambiquara, o resultado das pesquisas de Aytai mostrou que o espaço musical dá-se tanto no pátio central, circundado por casas habitacionais, como
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no interior de uma casa ritual, construída pelos homens especialmente para entoarem os instrumentos de taquara, com e sem ressonador de cabaça. Não há a obrigatoriedade da guarda das flautas retas ser exclusivamente na casa das flautas. O interior da mata, longe da curiosidade e dos olhos femininos, pode ser também um local apropriado para esconder os instrumentos musicais, entre galhos e, até mesmo, enrolados em cobertores. São entoadas durante o cultivo de plantas comestíveis e utilitárias, necessária à sobrevivência Nambiquara. Ao som da música, os índios ingerem um bebida à base de mandioca e também despejam-na no interior das flautas, alimentando-as, pois crêem que ali se encontra a alma do menino que, no tempo mítico, transformou-se em plantas utilitárias e comestíveis para seu povo. Principalmente em relação à musica, a contribuição acadêmica de Desidério Aytai é inquestiona-velmente decisiva para o conhecimento da cultura musical dos indígenas no país. Seus estudos são referências para pesquisadores interessados em ter acesso às especificidades da música indígena. E, ainda, ao considerar a escassez de obras sobre a cultura musical dos índios que atualmente habitam o território brasileiro, sua contribuição atinge maior dimensão,
pois teve o mérito de conservar informações etnomusicais de grupos humanos que hoje passam por transformações sociais. Nossa correspondência durou uma década: de 04.10.1987 a 18.04.1988. Recebi do professor Desidério Aytai um total de 129 aerogramas, cartas e cartões-postais. Após obter, por doação, sua produção bibliográfica e fotográfica e incorporá-la ao Acervo Documental da Fundação Nacional do Índio (Funai), nossa correspondência tomou outro rumo: o professor passou a orientar minhas pesquisas de campo, primeiramente entre os Potiguara, Paraíba, e depois entre os Nambiquara do Cerrado, Mato Grosso. Mais do que ler e orientar meus escritos, a presença de Aytai significou, na aldeia, longe das universidades, a segurança do percurso acadêmico necessário para adentrar em um terreno tão árido – o da cultural material e imaterial. Assim, tive o olhar aguçado do húngaro sob meus escritos e ao resultado de suas pesquisas de campo realizadas no anos de 1960, em especial aquelas desenvolvidas entre o povo Nambiquara. A última participação de Desidério Aytai em meus trabalhos acadêmicos ocorreu entre 1997 e 1998, durante a elaboração de minha monografia intitulada “Irmão do chão: os Nambiquara na etno-história contemporâ-
ÍNDIO NAMBIQUARA LORENZO, FABRICANDO UM PENTE, EM 1967.
EM PRIMEIRO PLANO A ÍNDIA BERENICE, NAMBIQUARA DA SERRA AZUL, EM 1967, COM UM PARENTE.
nea”, apresentada ao Departamento de História da Universidade Federal de Mato Grosso. Nesse estudo, Aytai contribuiu de forma ímpar na análise dos textos e no enriquecimento da bibliografia Nambiquara, especialmente enviando-me cópias de estudos em língua estrangeira. Junto às cartas do professor, recebi os números das Publicações do Museu Histórico de Paulínia, com artigos direcionados aos meus interesses. Ao final de poucos anos pude colecionar todos os números do periódico, cuja edição foi interrompida após a sua morte. Minha correspondência com o professor Desidério foi intensa e produtiva. Nossos laços estreitaram-se a cada carta. Infelizmente, não tive a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente, como Helene Hanff não conheceu Frank Doel no filme “Nunca te vi, sempre te amei”. Mas, igualmente à escritora e ao livreiro, uma amizade nasceu. Amizade que teve como ponto de partida a pesquisa etnográfica, quando impingiu um legado técnico e metodológico às minhas pesquisas. Com sua morte, em 1995, recebi do Museu Histórico de Paulínia seu acervo sonoro, ainda inédito, com 71 fitas cassetes, contendo narrações indígenas sobre mitologia e cantos de diversas etnias que estudou. Creio que o professor tenha deixado estabelecido
em seu testamento. Hoje esse acervo encontra-se sob a responsabilidade do Museu do Índio, da Funai, no Rio de Janeiro, já digitalizado e disponível à pesquisa. Minha eterna gratidão ao professor Desidério se materializou no livro que escrevi: “Desidério Aytai e a etnografia Nambiquara” (2011). Na verdade, este livro foi escrito especialmente para ele. Ao me referir a Desidério Aytai, tenho por hábito compará-lo a Edgard Roquette-Pinto (1884-1954), médico, etnólogo, professor, escritor, ensaísta e pai da radiodifusão no Brasil. Isso por ambos terem percorrido um vasto caminho pelos diversos campos da ciência. Um mestre ou feiticeiro, na indagação de Carlos Drummond de Andrade que dedicou um poema a Roquette-Pinto, publicado em “Fala Amendoeira”. Aos 93 anos, em pleno exercício da profissão, no Museu Elizabeth Aytai, com as mãos trêmulas, passou a assinar suas últimas cartas como Desidério (93), “Desidério Fóssil” e “Desidério de 7 fôlegos”. No Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso, o húngaro que se naturalizou brasileiro se faz presente: dá nome à cadeira que ocupo. E no Museu Elizabeth Aytai estão as mais de cem cartas que escrevi ao professor Desidério durante uma década, acondicionadas em uma pasta amarela...
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ÍNDIO NAMBIQUARA DA SERRA AZUL, EM 1967, FABRICANDO CASA.
ÍNDIOS NAMBIQUARA DA SERRA AZUL, EM 1967. O DO CENTRO TINHA PODERES MÁGICOS.
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AMERICANIDADE
A Busca Pelo Intercâmbio Cultural Entre Os Povos Da América Do Sul:
Mercedes Sosa
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FOTO DIVULGAÇÃO
cantora argentina Mercedes Sosa, das vozes mais conhecidas do folclore latino-americano, nasceu em Tucumán no dia 9 de julho de 1935, tendo falecido em Buenos Aires, a 4 de outubro de 2009.
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Mercedes, que ficou conhecida pelo apelido de La Negra, devido os seus longos e lisos cabelos negros, foi descoberta aos quinze anos de idade, cantando numa competição de uma rádio local da cidade natal, quando foi-lhe oferecido um contrato de dois meses.
são pelo Brasil, a temporada foi tensa. Em Curitiba seus fãs em sua maioria eram os estudantes que se identificavam com sua música de protesto, suas posições políticas corajosas e dignas. Mercedes convocou compositores de músicas novas a dividirem as gravações: o cubano Pablo Milanes em El Tiempo, em Implacable, El Que Puso; Teresa Parido no chamamé Pedro Canoeiro; Tito Paez em Parte Del Aire; Victor Heredia em Marcar Quila. Mercedes possui um dueto So le piedo a Dios com a cantora de samba, Beth Carvalho, cada uma cantando no seu idioma. Destaca-se também o dueto de Mercedes com o cantor cearense Fagner na música “Años”, sucesso gravado em 1981. Outra música de Mercedes muito conhecida na sua firme e, ao mesmo tempo, terna voz é a canção Gracias a la vida, composição de Violeta Parra. A cantora recebeu, em vida, diversos prêmios, dentre os quais um Grammy Latino, na categoria de Melhor Álbum Folclórico, com o CD Misa Criolla. Teve destaque o disco Alta Fidelidad, de 1998, com canções do roqueiro argentino Charly Garcia. Mercedes seguia fiel ao seu lema: “O que entra no coração do povo não pode ser proibido”. Nada como o tempo para fazer as devidas colocações. Símbolo da resistência política, dos direitos humanos, da contestação as ditaduras latino-americanas nos anos 1960 e 70, Mercedes Sosa nunca mudou. Continuava a ser a grande cantora e compositora - íntegra artista que, sempre, corajosamente, denunciava as violências dos ditadores do Cone Sul. Entretanto, ela, que era perseguida, boicotada e cuja presença assustava a tantos, foi adulada por um público que aprecia suas letras, música e performance musical que mescla temas de paz e igualdade social. Mercedes nunca deixou de cantar as mazelas do povo, fosse em discos ou shows. Mesmo após seu passamento, sua voz continuou a correr o mundo, visto que a música era a atividade que exerceu com enorme prazer até sua morte
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Admirada pelo timbre de contralto, gravou o primeiro disco Canciones con Fundamento, com um perfil de folk argentino. Consagrou-se internacionalmente nos EUA e Europa em 1967, e em 1970, com Ariel Ramirez e Felix Luna, gravando Cantata Sudamericana e Mujeres Argentinas. Gravou um tributo à chilena Violeta Parra. Mercedes interpretou um vasto repertório, gravando canções de vários estilos. Atuou com muitos músicos argentinos, a exemplo de León Gieco, Charly García, Antonio Tarragó Ros, Rodolfo Mederos e Fito Páez, além de outros latino-americanos, notadamente brasileiros. Foi ativista política de esquerda, e peronista na juventude. Em tempos relativamente recentes manifestou-se como forte opositora de Carlos Menem e apoiou a eleição do presidente Néstor Kirchner. Sua preocupação sócio-política refletiu-se no repertório interpretado, tornando-se uma das grandes expoentes da Nueva Canción, um movimento musical latino-americano da década de 1960, com raízes africanas, cubanas, andinas e espanholas. Por ser engajada politicamente, amargou anos de exílio voluntário, durante os quais excursionou por diversos países, inclusive o Brasil. A música brasileira era uma das paixões de Sosa. Foram muitos os encontros com nomes como Milton Nascimento, Chico Buarque e Raimundo Fagner, Caetano Veloso, Gilberto Gil, dentre outros artistas. São expressões da Nueva Canción, marcada por uma ideologia de rechaço ao que entendiam como imperialismo norte-americano, consumismo e desigualdade social. Em 1978, em turné pelo Brasil, Mercedes passou pelo aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, onde foi proibida de sair da sala VIP, lá foram vê-la seus amigos Milton Nascimento e Chico Buarque, entre outros. Na época, seu nome constava na relação dos indesejáveis da ditadura militar que dominava o Brasil. Mais tarde, quando, finalmente, obteve autorização para fazer sua primeira excur-
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Ú LT I M A P Á G I N A
RAFAEL LIRA É professor, tradutor de crioulo, ex-missionário religioso e viveu, por quase um ano, no Haiti
Penso: Também Sou Migrante POR RAFAEL LIRA
Penso em nossos tataravós, bisavós e avós, quiçá nossos pais, que deixaram seu país de origem para construir um futuro em uma terra distante chamada Brasil. Penso em seus anseios, seus receios, seus medos e suas angústias diante do desconhecido. Penso em suas dores, seus temores, seus planos que tiveram que ser deixados de lado, a fim de se reinventarem e viverem novos projetos. Penso nas perguntas sem respostas, nos sonhos frustrados, nas expectativas não alcançadas. Penso na saudade dos seus, no tanto que se perdeu, na luta diária para recomeçar e reconstruir. Enfim, penso que todos nós, brancos, negros, amarelos, indígenas, povos tradicionais... Somos frutos de uma partida, carregamos no sangue a herança de uma diáspora. Penso, afinal, que somos todos migrantes!
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