

AVANÇA NO MICE
Um dos principais símbolos dessa nova fase é o Porto Novo Recife.


Páginas 6 e 7

BNT Mercosul reforça capacitação e mantém foco em público qualificado na 32ª edição
Evento reunirá cerca de 7 mil participantes e 100 estandes de expositores em Balneário Camboriú
Ana Azevedo
A BNT Mercosul chega à 32ª edição, marcada por uma aposta mais forte em qualificação de público, ampliação das capacitações e foco em agentes de viagens com perfil ativo de vendas. O evento acontece nos dias 22 e 23 de maio, no Expocentro Balneário Camboriú Júlio Tedesco, em Santa Catarina, e deve reunir cerca de 7 mil participantes, mantendo o modelo de caravanas nacionais e internacionais e aproximadamente 100 estandes de expositores. Em entrevista ao M&E, o CEO da feira, Geninho Goes, detalha as estratégias desta edição, o foco em capacitação e o avanço de ferramentas digitais na operação do evento. Confira a entrevista na íntegra.
MERCADO & EVENTOS - A BNT chega à 32ª edição em um momento de consolidação. O que o mercado pode esperar de novidades?
GENINHO GOES - Teremos uma abertura no dia 21 de maio, no The Forest Convention Center, com cerca de 200 convidados, incluindo autoridades e representantes do setor. O evento será fechado. Também vamos homenagear 12 profissionais com longa trajetória no turismo, pessoas que ajudaram a construir o setor no Brasil. A gente tem aprimorado principalmente a parte das capacitações. Vamos ter atividades durante a feira e também antes do evento. Algumas começam pela manhã com destinos apresentando conteúdos e depois oferecendo um brunch. O diferencial é que trabalhamos com garantia de público, sempre com agentes de viagens presentes. Isso dá qualidade ao conteúdo e ao resultado. Entregar o que se promete é o desafio. Respeitar o investimento de quem participa e garantir um evento sério, com público qualificado.
M&E - Quais parceiros participam dessas capacitações?
GENINHO GOES - No ano passado tivemos quatro salas com cerca de 400 participantes cada, chegando a aproximadamente 1.600 profissionais capacitados. Para este ano, ampliamos o número de agentes nas atividades. Mantemos o modelo de salas com público garantido, sempre acima de 100 agentes por capacitação. Temos estados e destinos como Sergipe, Bahia, Maranhão, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Pernambuco, Paraíba e Pará, além de cidades e produtos turísticos nas capacitações. Cada um traz atualização de portfólio, tendências e estratégias de venda para o agente de viagens.
M&E - A feira mantém a estrutura tradicional de expositores. Há mudanças em relação ao ano passado?
GENINHO GOES - Mantemos cerca de 100 estandes e apro-
ximadamente 400 empresas expositoras. O desafio não é crescer em número, mas manter qualidade. A gente trabalha com equilíbrio. No ano passado tivemos cerca de 7 mil acessos em dois dias e a expectativa é manter esse patamar. O foco segue na promoção do Brasil para brasileiros e para o Mercosul, mas já vemos interesse



de operadoras de Portugal na rodada de negócios. Nesse ambiente, a rodada de negócios reunirá cerca de 50 compradores e 50 fornecedores, em um formato objetivo. Só participa quem tem estrutura de estande próprio, o que garante um espaço diretamente voltado à conversão.
M&E - Quantas caravanas estão confirmadas?
GENINHO GOES - Até agora são 35 caravanas fechadas, algumas com grupos de até 60 participantes. A base de emissão inclui Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais e Paraíba, além de países como Argentina, Paraguai e Uruguai. Fora as caravanas organizadas, há ainda agentes que viajam individualmente, ampliando a presença no evento e reforçando o caráter nacional e internacional da participação, com forte representação também de estados do Nordeste e de Mato Grosso.
M&E - A feira tem adotado mais tecnologia e práticas de sustentabilidade?
GENINHO GOES - Hoje usamos apli-





cativo próprio e QR code, o que reduz o uso de papel. O cartão de visita físico praticamente saiu de cena. A feira virou um ambiente de relacionamento e capacitação. Também temos parceria ambiental para destinação de resíduos e ações como distribuição de mudas.






Geninho Góes, idealizador da BNT Mercosul
Crédito que move o turismo
Ao longo dos anos, venho acompanhando de perto as dificuldades enfrentadas pelos pequenos trabalhadores do turismo para conseguir acesso a crédito. Apesar de movimentarem a economia local, gerar renda e fazer parte da experiência do viajante, muitos seguem invisíveis para o sistema financeiro tradicional. Por isso, vejo como extremamente relevante a criação da nova linha de crédito, anunciada pelo MTur neste mês, e voltada a microempreendedores individuais de baixa renda do setor turístico. A iniciativa chega em um momento importante para quem depende do turismo para sobreviver e precisa de apoio para crescer.
O que mais me chama atenção nessa proposta é justamente o foco em profissionais que estão presentes no dia a dia do turismo brasileiro, mas raramente aparecem nas discussões sobre desenvolvimento do setor. Guias turísticos, ambulantes, artesãos, motoristas e pequenos vendedores fazem parte da engrenagem que movimenta destinos turísticos em todo o país. Muitas vezes, são eles que oferecem o primeiro contato humano ao visitante e ajudam a construir a identidade de um destino.
Ainda assim, grande parte desses trabalhadores enfrenta dificuldades para investir no próprio negócio.
Na prática, o acesso ao crédito sempre foi um dos maiores obstáculos para quem atua de forma autônoma ou informal. Bancos costumam exigir garantias, histórico financeiro robusto e documentação que muitos pequenos empreendedores não conseguem apresentar. Com juros reduzidos, carência para início do pagamento e cobertura do Fundo de Garantia de Operações, essa nova linha representa uma tentativa concreta de diminuir essa barreira. O fato de não haver necessidade de garantias pode fazer diferença real
TURISMO EM DADOS
para milhares de pessoas. Também considero importante o potencial da medida para incentivar a formalização no turismo. Muitos trabalhadores atuam há anos sem CNPJ ou cadastro oficial, não por falta de interesse, mas pela dificuldade de enxergar vantagens práticas nesse processo. Quando o acesso ao crédito passa a depender do CadÚnico e do Cadastur, cria-se um estímulo para que esses profissionais ingressem oficialmente no mercado. Isso fortalece não apenas o empreendedor individual, mas também a organização do próprio setor turístico.
Ao mesmo tempo, acredito que o sucesso da iniciativa dependerá muito da capacidade de informação e orientação aos trabalhadores. Muitos profissionais do turismo sequer sabem que podem se cadastrar no Cadastur ou abrir um MEI. Sem divulgação clara e apoio na ponta, existe o risco de o programa não alcançar justamente quem mais precisa. É fundamental que prefeituras, secretarias de turismo, associações e entidades do setor atuem juntas para ampliar o acesso à informação.
Vejo essa linha de crédito como um sinal importante de reconhecimento aos pequenos empreendedores que sustentam grande parte da experiência turística brasileira. O turismo não é feito apenas por grandes hotéis, companhias aéreas ou operadoras. Ele também é construído nas praias, nas feiras, nas ruas e nos pequenos negócios familiares espalhados pelo país. Quando esses trabalhadores conseguem acesso a oportunidades, o turismo cresce de forma mais inclusiva, distribuindo renda e fortalecendo a economia local de maneira muito mais ampla.
Roy Taylor é Presidente do M&E
O preço de viajar
Viajar sempre representou, para mim, muito mais do que conhecer novos destinos. É sobre viver experiências, sair da rotina e criar memórias. Mas, ao longo dos anos acompanhando o setor de turismo, percebi que muitos viajantes ainda tratam o seguro viagem como um gasto desnecessário — até que um imprevisto acontece. O caso recente da influenciadora brasileira Débora Rocha, que recebeu uma cobrança estimada em US$ 17 mil após ser mordida por um cachorro durante uma viagem a Orlando, reforça exatamente isso: ninguém imagina precisar de atendimento médico urgente até precisar. O que mais chama atenção nesse episódio é que o atendimento envolveu procedimentos relativamente comuns em situações de emergência, como vacinas, imunoglobulina e pronto-socorro. Ainda assim, a conta ultrapassou o equivalente a R$ 84 mil. Felizmente, ela possuía um seguro viagem. Sem essa proteção, uma viagem de lazer poderia facilmente se transformar em um problema financeiro de longo prazo. E os Estados Unidos seguem sendo um dos exemplos mais claros de como o sistema de saúde pode gerar custos extremamente elevados para turistas. Quando analisamos uma pesquisa divulgada pelo Affinity Seguro Viagem, percebemos que os valores vão muito além de casos excepcionais. Uma cirurgia de apendicite em Orlando pode chegar a US$ 50 mil. Uma torção de tornozelo pode custar cerca de US$ 5,8 mil. Até atendimentos considerados simples, como consultas por febre, dor de cabeça ou infecção urinária, podem gerar despesas de centenas de dólares. Isso mostra que o risco financeiro não está apenas em grandes acidentes, mas também em situações corriqueiras que qualquer viajante pode enfrentar.
sem seguro
O mais preocupante, na minha visão, é perceber que o número de brasileiros viajando cresce em ritmo acelerado, enquanto a contratação de seguro continua muito abaixo do ideal. Dados de 2026 apontam que mais de 8,3 milhões de brasileiros viajaram ao exterior apenas no primeiro trimestre do ano, mas aproximadamente 7,8 milhões embarcaram sem qualquer cobertura. No turismo doméstico, o cenário é semelhante: milhões de passageiros seguem viajando desprotegidos. Isso revela não apenas uma questão financeira, mas também um problema de conscientização. Além da proteção ao passageiro, existe também uma oportunidade importante para o próprio agente. O seguro viagem é um produto de alto valor agregado, com excelente potencial de rentabilidade e fidelização. Quando o profissional consegue conscientizar o cliente sobre a importância da cobertura, ele não apenas aumenta sua receita, mas fortalece a relação de confiança. O viajante passa a enxergar aquele agente como alguém que realmente se preocupa com sua segurança e experiência, e não apenas com a venda principal. É necessário transformar a conscientização em hábito. Viajar sem seguro pode significar colocar em risco não apenas a experiência da viagem, mas também a estabilidade financeira do viajante. E quanto mais cedo agentes, operadoras e empresas do setor entenderem seu papel nesse processo, maior será a proteção dos passageiros — e também as oportunidades de crescimento para todo o mercado de turismo.
Natália Strucchi é jornalista, pós-graduada em Hotelaria e Turismo e diretora de Redação do M&E
Mais conscientes, menos engajados: jovens apresentam menor adesão a práticas sustentáveis em viagens
A sustentabilidade deixou de ser tendência para se firmar como um dos principais critérios na hora de planejar viagens, mas a adoção de práticas concretas ainda não acompanha esse discurso no mesmo ritmo, especialmente entre os mais jovens. É o que mostra o 11º Relatório de Viagens e Sustentabilidade da Booking, que ouviu 32.500 viajantes em 35 países e expõe um descompasso entre intenção e comportamento.
Embora 85% dos entrevistados afirmem que viajar de forma mais sustentável é “importante ou muito importante”, os dados indicam que essa percepção não se traduz de maneira uniforme em ações práticas. O recorte geracional ajuda a explicar essa diferença.
Os mais jovens, como integrantes da Geração Z e Millennials, lideram quando o assunto é intenção: 75% e 71%, respectivamente, dizem querer viajar de forma mais sustentável nos próximos 12 meses. Entre os Baby Boomers, esse índice cai para 47%. Ainda assim, são justamente os viajantes mais velhos que aparecem à frente quando o foco sai do discurso e vai para o comportamento. Entre aqueles que pretendem adotar práticas mais sustentáveis, 67% dos Baby Boomers afirmam que irão reduzir o descarte durante as viagens, proporção superior à observada na Geração X (56%), Millennials (52%) e Geração Z (48%). O mesmo padrão se repete em outras atitudes: 60% dos mais velhos dizem que vão reduzir o consumo de energia, contra 42% entre os mais jovens. Há também maior inclinação dos Baby Boomers a priorizar o comércio local: 59% afirmam que pretendem comprar em lojas da região visitada, enquanto esse percentual é de 42% na Geração Z. Além disso, viajar

fora da alta temporada, prática associada à redução da pressão sobre destinos turísticos, é mais comum entre os mais velhos. Por outro lado, as gerações mais jovens se destacam em experiências ligadas à cultura e à preservação ambiental. Nos últimos 12 meses, 31% da Geração Z e 29% dos Millennials participaram de atividades para conhecer culturas indígenas locais, frente a 18% dos Baby Boomers. A mesma tendência aparece em passeios voltados à conservação de ecossistemas: 24% dos mais jovens participaram desse tipo de iniciativa, contra 9% entre os mais velhos.
CLIMA EXTREMO
REDEFINE ESCOLHAS
Se há um ponto de convergência entre as gerações, ele está na influência crescente das mudanças climáticas sobre o turismo. O levantamento mostra que 74% dos viajantes consideram o risco de eventos climáticos extremos tanto na escolha do destino quanto
na definição do período da viagem.
Na prática, isso já vem alterando o comportamento dos consumidores. Cerca de 68% dizem evitar destinos sujeitos a fenômenos severos, enquanto 31% afirmam ter cancelado ou modificado viagens nos últimos 12 meses por conta de situações como ondas de calor, tempestades ou incêndios.
A percepção sobre determinados destinos também mudou. Mais da metade dos entrevistados (55%) acredita que alguns lugares estão quentes demais para visitação em determinadas épocas, e 52% dizem ter retirado destinos da lista de viagem após notícias sobre desastres naturais.
Os impactos atingem também a operação do setor. Entre mais de 3.700 meios de hospedagem ouvidos, 24% relataram interrupções em 2025 causadas por eventos climáticos extremos, enquanto 40% afirmaram ter adaptado suas operações diante desses riscos.
Foto: Freepik
ESCOLHAS MAIS CONSCIENTES GANHAM ESPAÇO
A pesquisa indica ainda que a sustentabilidade no turismo não se limita à escolha da hospedagem, mas envolve uma combinação de decisões. Evitar destinos superlotados (43%) e viajar fora da alta temporada (42%) estão entre as principais estratégias adotadas pelos viajantes.
Entre aqueles que optam por locais menos movimentados, 44% afirmam que a decisão está relacionada à tentativa de não contribuir para o excesso de turismo. Já entre os que escolhem períodos alternativos, 37% dizem buscar reduzir a pressão sobre os destinos.
A hospedagem sustentável também ganha relevância. Mais de um terço dos viajantes pretende se hospedar em propriedades com certificação ambiental nos próximos 12 meses, um comportamento que já se reflete em números. Em 2025, foram registradas 100 milhões de diárias em acomodações certificadas na plataforma.
Para Danielle D’Silva, diretora de Sustentabilidade da Booking, o cenário aponta para uma mudança mais ampla no comportamento do turista. “O Relatório de Viagens e Sustentabilidade deste ano mostra que, embora as diferentes gerações possam ter visões distintas sobre o que constitui uma viagem mais sustentável, adaptar-se a condições climáticas extremas e evitar ativamente aglomerações são agora práticas comuns em todas as faixas etárias”, afirma. Ela destaca ainda que a variedade de iniciativas adotadas pelos viajantes indica um avanço gradual. “Ficamos animados com a grande variedade de formas pelas quais os viajantes já estão adotando práticas mais sustentáveis em suas viagens e por como pretendem continuar fazendo isso”, finalizou.
Balneário Camboriú amplia protagonismo no turismo nacional e aposta em experiências o ano inteiro
Destino catarinense investe em promoção junto aos agentes e consolida a BNT Mercosul como ferramenta estratégica para geração de negócios
Beatriz do Vale
Balneário Camboriú vive um momento de consolidação como um dos destinos turísticos mais completos do Brasil. Conhecida historicamente pelas praias e pela força do verão, a cidade vem ampliando sua atuação em segmentos como turismo de eventos, negócios, lazer em família e experiências durante todo o ano.
Segundo Ludiane Goulart, diretora-executiva do BC Con vention & Visitors Bureau, o avanço está ligado a uma com binação entre investimentos, promoção integrada e forta lecimento da região turística Costa Verde & Mar. “Balneário Camboriú deixou de ser ape nas um destino de verão. Hoje temos uma infraestrutura mui to sólida, segurança, mobilida de e uma oferta diversificada, que atende diferentes perfis de público”, afirmou.
A executiva destaca ainda que a cidade vem registrando crescimento contínuo tanto no turismo de lazer quanto no segmento MICE (Meetings, Incentives, Conferences and Exhibitions), com evolução da ocupação hoteleira e po sicionamento cada vez mais estratégico nos mercados na cional e internacional.
Ludiane também ressalta a importância da integração regional. Segundo ela, a for ça turística da Costa Verde & Mar amplia a experiência do visitante e contribui para aumentar o tempo de per manência no destino. “Hoje recomendamos uma perma nência mínima de sete dias para que o visitante consiga viver toda a diversidade de experiências que Balneário Camboriú e a região ofere cem”, comentou.
Outro ponto destacado é o movimento constante de renovação do destino, com chegada de novos hotéis, incluindo bandeiras interna cionais, além do desenvol vimento de novos atrativos turísticos previstos para os próximos anos.
AGENTE DE VIAGENS NO CENTRO DA ESTRATÉGIA
De acordo com a direto ra-executiva do BC Convention & Visitors Bureau, os agentes e operadores seguem como peças fundamentais na estratégia de promoção do destino. “São eles que transformam o interesse em venda. Por isso mantemos uma relação muito próxima, com capacitações, roadshows, famtours e ações contínuas de promoção”, explicou. Nesse contexto, a BNT Mercosul ocupa papel central. Organizada pelo próprio BC Convention, a feira se consolidou como um
dos principais eventos de turismo do país e um importante instrumento de geração de negócios e relacionamento com o trade. Além dos estandes e exposições, o evento aposta em rodadas de negócios e experiências

imersivas para os agentes de viagens. Neste ano, mais de 40 operadores participarão da rodada comercial.
Para Ludiane, a feira também reforça o posicionamento de Balneário Camboriú como destino estratégico para eventos e negócios. “A BNT
conecta o destino diretamente a agentes, operadores e profissionais do turismo de todo o Brasil e da América do Sul. Isso fortalece relacionamentos e amplia oportunidades comerciais para a cidade e para a região”, afirmou.



Ludiane Goulart, diretora-executiva do BC Convention & Visitors Bureau

RECIFE VIVE NOVA FASE DO TURISMO E GANHA FORÇA COMO POTÊNCIA DO NORDESTE
Capital pernambucana cresce no lazer e no turismo de negócios, amplia conexões internacionais e transforma cultura, eventos e hospitalidade em motores da economia
Giulia Jardim
Recife nunca foi uma cidade morna. A capital pernambucana pulsa entre o frevo, os rios, as pontes, o trânsito intenso, o cheiro de mar e uma identidade cultural que parece ocupar cada esquina. Mas, nos últimos anos, a cidade passou a viver também outro movimento: o de se transformar em um dos destinos turísticos mais estratégicos do Brasil, tanto para quem viaja a lazer quanto para o mercado de eventos e negócios.
O momento ajuda a explicar por que Recife entrou no radar internacional. Em 2026, a cidade apareceu entre os destinos em alta no ranking da plataforma Tripadvisor, ocupando a nona posição entre os locais mais buscados por viajantes.
O reconhecimento internacional acompanha um avanço consistente do turismo pernambucano nos últimos anos, impulsionado principalmente pela ampliação da conectividade aérea e pelas ações de promoção do destino no exterior. O Aeroporto Internacional do Recife registrou crescimento de 115% no fluxo de passageiros internacionais no primeiro bimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior, somando mais de 66 mil passageiros em voos internacionais apenas entre janeiro e fevereiro.
O aumento da malha aérea, com reforço nas conexões entre Recife
e destinos da América do Sul e da Europa, ajudou a ampliar a presença de turistas estrangeiros na capital. Hoje, a Argentina lidera entre os principais mercados emissores para Pernambuco, seguida por Portugal, Uruguai, Chile e Espanha.
MUITO ALÉM DA PORTA DE ENTRADA
Durante muito tempo, Recife foi vista principalmente como ponto de chegada para alguns dos destinos mais desejados do litoral nordestino. Porto de Galinhas, Carneiros e Maragogi quase sempre protagonizaram roteiros. Aos poucos, porém, a capital pernambucana deixou de ocupar apenas esse papel de conexão e passou a despertar interesse por si só.
Parte dessa mudança está diretamente ligada à experiência que a cidade entrega. Boa Viagem continua sendo o principal cartão-postal da capital, com a extensa faixa de areia, os arrecifes e as piscinas naturais formadas na maré baixa. Mas Recife vai além da paisagem litorânea e aposta justamente na diversidade de experiências para fortalecer o turismo urbano e cultural.
No Recife Antigo, a cidade revela parte importante da própria identidade entre museus, centros culturais, bares, galerias e construções históricas que ajudam a contar mais de quatro séculos de influências portuguesas, holandesas e africanas.
A Rua do Bom Jesus, uma das mais emblemáticas da capital, concentra casarões coloridos, ateliês e espaços culturais que ajudam a traduzir o espírito vibrante da cidade. Já o Paço do Frevo transformou a música e a dança mais tradicionais de Pernambuco em experiência imersiva para visitantes, enquanto a Embaixada dos Bonecos Gigantes reforça a ligação do Recife com um dos carnavais mais conhecidos do país.
A experiência turística também passa pela gastronomia e pelos rios que cortam a cidade. Passeios de catamarã pela região central revelam outro olhar sobre Recife, entre pontes, canais e construções históricas, enquanto restaurantes tradicionais ajudam a reforçar a força da culinária pernambucana dentro da experiência do destino.
A poucos quilômetros dali, Olinda amplia essa imersão cultural com ladeiras históricas, ateliês, igrejas barrocas e um dos carnavais mais tradicionais do país.
E é justamente a força cultural um dos principais motores do crescimento recente do turismo internacional. Segundo dados da Embratur, as emissões de passagens aéreas internacionais para o Carnaval do Recife cresceram 49% em 2026, mais que o dobro da média nacional. O avanço reforça como manifestações culturais, gastronomia, música e hospitalidade passaram a ocupar
papel estratégico na promoção do destino, ajudando Recife a atrair visitantes ao longo de todo o ano, e não apenas durante a alta temporada de verão.
EVENTOS IMPULSIONAM NOVA ETAPA DA CIDADE
Enquanto fortalece o turismo de lazer, Recife também vive uma transformação importante no segmento de negócios e eventos. Nos últimos anos, a cidade ampliou sua infraestrutura para congressos, convenções e feiras e passou a disputar espaço entre os principais destinos brasileiros do segmento MICE. Um dos principais símbolos dessa nova fase é o Porto Novo Recife, complexo multiuso instalado em uma área estratégica da capital e pensado justamente para integrar hotelaria, marina, gastronomia, lazer e eventos em uma mesma experiência.
O projeto abriga o Recife Expo Center, espaço voltado para feiras e convenções de grande porte, integrado ao Novotel Recife Marina, hotel com quase 300 apartamentos, rooftop, salas de eventos e estrutura de lazer. A proposta acompanha uma tendência cada vez mais forte no turismo corporativo global: o “bleisure”, conceito que combina viagens de negócios e experiências turísticas.
Os impactos desse movimento já começam a aparecer nos indicadores do
Recife Expo Center reúne milhares de profissionais todos os anos
setor. Apenas no primeiro quadrimestre de 2026, o Recife Convention & Visitors Bureau confirmou sete novos eventos regionais, nacionais e internacionais previstos até 2027. A expectativa é reunir mais de 16 mil participantes, gerar cerca de 27 mil room nights e movimentar aproximadamente R$ 13 milhões em impacto econômico.
Hoje, Recife soma mais de 272 mil metros quadrados voltados à infraestrutura de eventos, entre centros de convenções, áreas de exposição e
espaços multifuncionais, ampliando a capacidade da cidade para receber encontros de grande porte.
CONECTIVIDADE ACELERA
CRESCIMENTO
Todo esse avanço encontra apoio em outro fator estratégico: a conectividade aérea. Recife lidera hoje a movimentação aeroportuária do Nordeste e movimentou 1,38 milhão de passageiros apenas no primeiro trimestre de 2026. O aeroporto funciona como principal


hub regional e tem papel decisivo tanto para o turismo de lazer quanto para o mercado de eventos e negócios. Além da força no mercado doméstico, Recife também ampliou sua malha internacional nos últimos anos, reforçando conexões com destinos como Lisboa, Madrid, Porto, Buenos Aires, Santiago, Assunção e Córdoba. O avanço da conectividade ajudou a impulsionar não apenas o fluxo turístico, mas também a presença da capital pernambucana no mapa dos
grandes eventos, feiras e encontros corporativos da América Latina. Entre praias urbanas, patrimônio histórico, gastronomia, cultura popular e novos investimentos em infraestrutura, Recife vive uma fase de expansão que vai além dos números. A cidade encontrou no turismo uma ponte entre tradição e desenvolvimento, combinando experiências de lazer, negócios e identidade cultural em um momento de forte projeção nacional e internacional.


Rua da Aurora, um dos cartões-postais da capital pernambucana
Centro de Artesanatos de Recife
Rio Capibaribe corta a cidade do Recife e integra importantes pontos turísticos da capital
Fachada do Instituto Ricardo Brennand, um dos principais espaços culturais do Recife
Fotos: Embratur Sebrae
Diversa cruza Andes e leva agentes brasileiros por lagos e vulcões entre Chile e Argentina
A ideia é aproximar os profissionais de um roteiro que, apesar de tradicional, ainda possui grande potencial de crescimento entre os brasileiros
Felipe Abílio
A convite da Diversa, um grupo de 14 agentes embarcou em um roteiro entre Chile e Argentina que combinou experiências turísticas, visitas técnicas e travessias por algumas das paisagens mais conhecidas da Patagônia. O M&E acompanhou o itinerário, que passou por Santiago, Puerto Varas, Bariloche e Villa La Angostura, reunindo city tours, hospedagens em hotéis da região e a tradicional Travessia dos Lagos.
A chegada aconteceu por Santiago, capital chilena, onde o grupo ficou hospedado no MR Hotel, em Providencia, bairro conhecido pela vida urbana e pela proximidade com estações de metrô e centros comerciais. A programação começou com visitas técnicas ao Le Méridien e ao Pullman Bosque, além de um city tour panorâmico pela cidade.
O passeio percorreu áreas históricas como a Plaza de Armas, a Catedral Metropolitana e o entorno do Palácio de La Moneda. O roteiro também incluiu subida ao Cerro San Cristóbal, um dos pontos mais visitados de Santiago, com vista para a cidade e para a Cordilheira dos Andes. Na sequência, o grupo passou pela zona financeira da capital chilena, marcada pelos edifícios modernos e arranha-céus.
Após a etapa em Santiago, os agentes seguiram para Puerto Montt e depois para Puerto Varas, cidade às margens do Lago Llanquihue e um dos principais destinos turísticos do sul do Chile. A hospedagem aconteceu no Hotel Cabañas del Lago, conhecido pelas vistas para os vulcões da região e pela estrutura voltada ao turismo de lazer e eventos.
A programação em Puerto Varas teve

visitas técnicas ao Wyndham Petra e ao hotel AWA, além de um passeio pelo Parque Nacional Vicente Pérez Rosales. O grupo percorreu o trajeto até o Vulcão Osorno, passando pela região de Ensenada e pelas margens do Lago Llanquihue. No centro da montanha do Osorno, a mais de 1.200 metros de altitude, os agentes acompanharam a vista para geleiras, vulcões e para o Lago Llanquihue. O roteiro seguiu até os Saltos de Petrohué, conhecidos pelas águas em tom azul-turquesa que atravessam formações vulcânicas no parque nacional. A experiência terminou nas margens do Lago Todos los Santos, cercado por florestas e montanhas da Patagônia chilena.
Segundo Juliana Pantaleão, especialista de Produtos América do Sul da Diversa, a


ideia é aproximar os profissionais de um roteiro que, apesar de tradicional, ainda possui grande potencial de crescimento entre os brasileiros.
“Estamos trazendo 14 participantes para conhecer o destino e mostrar um roteiro que é encantador. É uma região que há muito tempo já foi bastante procurada, mas hoje está um pouco adormecida no mercado brasileiro, mesmo tendo paisagens fantásticas e experiências incríveis”, afirmou.
CRUZEIRO PELOS ANDES
Um dos momentos centrais da viagem aconteceu na Travessia dos Lagos, trajeto histórico entre Puerto Varas e Bariloche. O percurso combinou trechos terrestres e navegações por lagos andinos, atra-
vessando áreas de floresta, montanhas nevadas e regiões de fronteira entre Chile e Argentina.
A travessia começou em Puerto Varas e seguiu até Puerto Petrohué. De lá, o grupo navegou pelo Lago Todos los Santos até Villa Peulla, antes de cruzar a Cordilheira dos Andes em direção a Puerto Frías, já em território argentino. O itinerário ainda incluiu navegação pelos lagos Frías e Nahuel Huapi até a chegada em Bariloche.
Na Argentina, os agentes ficaram hospedados no Hotel Cacique Inacayal, às margens do Lago Nahuel Huapi. A programação incluiu jantar técnico no restaurante Alma del Lago e visitas aos principais atrativos da região.
Entre eles, o Cerro Catedral, considerado o maior centro de esqui da América do Sul, e o Circuito Chico, rota panorâmica clássica de Bariloche. O grupo também passou pelo Cerro Campanário, conhecido pelas vistas para lagos e montanhas da região.
Outro destaque do roteiro foi Villa La Angostura, cidade localizada na Patagônia argentina e frequentemente associada ao turismo de natureza e viagens de inverno. O passeio incluiu passagem pelo Parque Nacional Los Arrayanes e tempo livre para explorar a área central da vila, marcada pela arquitetura em estilo alpino e pelas construções de madeira.
O encerramento da viagem aconteceu com o retorno pela Travessia dos Lagos até Puerto Varas. Antes do embarque de volta ao Brasil, o grupo ainda visitou Frutillar, cidade chilena conhecida pela herança alemã, pelas casas em estilo bávaro e pelo Teatro del Lago, um dos cartões-postais da região sul do Chile.


Time de agentes de viagem escolhido pela Diversa chega no Chile
Agentes de viagem posam em frente ao Palácio de La Moneda no Chile
Agentes posam em paisagem com cachoeira no meio do cruzeiro
O trajeto atravessa por vários lugares da Cordilhera dos Andes
Passeio no bondinho do Cerro de São Cristóvão
Sanchat aposta em capacitação e amplia presença de Cuba no mercado brasileiro
Operadora reuniu mais de 100 agentes de viagem em famtour pelo destino, que incluiu Havana e Varadero

Matheus Bueno
A Sanchat vem ampliando sua atuação no Caribe com foco na capacitação do agente de viagens e no fortalecimento de destinos estratégicos dentro da sua operação. Entre os principais movimentos da operadora está Cuba, que voltou ao centro das
ações comerciais da empresa por meio de um famtour que reuniu mais de 100 agentes brasileiros em uma imersão entre Havana e Varadero.
A iniciativa, realizada em parceria com o Ministério do Turismo de Cuba e fornecedores locais, teve como proposta aproximar os profissionais do destino a partir de experiências


vivido para ser entendido. O agente precisa conhecer a operação, os hotéis, a cultura e a dinâmica local para conseguir transmitir isso ao cliente com mais segurança”, afirma Roberto Silva, CEO da Sanchat.
Ao longo da programação, os agentes participaram de workshops com fornecedores cubanos, visitas técnicas em hotéis da rede Meliá, city tours e experiências ligadas à gastronomia, música, história e cultura local. O roteiro passou por pontos históricos de Havana, visitas à Casa do Rum e à Casa do Tabaco, além de apresentações culturais em espaços tradicionais como o Cabaret Parisien e o Tropicana.
Segundo Roberto, o objetivo da operadora foi apresentar uma visão mais ampla do destino, indo além da imagem tradicional associada apenas ao turismo de praia. “Cuba é muito mais do que sol e praia. Existe um potencial muito forte ligado à cultura, história, arquitetura, música e experiências locais”, destaca.
A programação também incluiu Varadero, principal polo turístico do país e região que concentra parte significativa da hotelaria internacional presente em Cuba. Os agentes conheceram diferentes perfis de hospedagem, incluindo resorts voltados para lazer, alguns somente para adultos e categorias premium dentro das operações all inclusive. Além do comercial, a ação também teve foco em relacionamento e troca entre os profissionais participantes. Para a operadora, iniciativas desse formato ajudam a fortalecer o vínculo entre agentes, fornecedores e destino, além de estimular novas vendas a partir da experiência prática.
práticas, visitas técnicas e contato direto com a cultura, a hotelaria e os produtos turísticos cubanos. Para a Sanchat, a estratégia responde a uma necessidade do próprio mercado brasileiro, que ainda possui pouco conhecimento aprofundado sobre o destino.
“Cuba é um destino que precisa ser
A Sanchat já trabalha em novas ações para Cuba ao longo de 2026, incluindo campanhas de incentivo e novos grupos de capacitação. A operadora também segue ampliando sua plataforma de vendas voltada ao Caribe e América Central, apostando em produtos que combinem experiência, suporte operacional e proximidade com o trade brasileiro.


Agentes no Hotel Nacional de Cuba para jantar de boas-vindas
Roberto Silva, CEO da Sanchat Tour
Agentes conhecem a praça da revolução, palco de grandes acontecimentos históricos de Cuba
Agentes fazem visitas técnicas em hotéis de Havana e Varadero
Resort Meliá Las Américas é pé na areia e tem acesso direto à praia de varadero
Após corte de funcionários, Fabio Mader justifica mudanças e reestruturação na CVC Corp
As movimentações já atingiram empresas como Trend e Rextur e envolveram nomes históricos do setor, gerando forte repercussão no trade

Janaina Brito
A CVC Corp vive um dos momentos mais delicados de sua recente reestruturação interna. Após uma série de desligamentos que impactaram diferentes áreas e marcas do grupo na última sexta-feira (15/05), o CEO Fabio Mader falou pela primeira vez sobre as mudanças que vêm redesenhando a operação da companhia.
Em entrevista ao M&E, o executivo detalhou os motivos por trás da redução de estrutura, os impactos no modelo operacional e os próximos passos da estratégia adotada pela empresa para atravessar 2026 com maior equilíbrio financeiro e eficiência operacional. Mader afirmou que as mudanças fazem parte de um plano estruturado de eficiência operacional, acelerado pelos impactos do cenário geopolítico e econômico global sobre o turismo.
As movimentações já atingiram empresas como Trend e Rextur e envolveram nomes históricos do setor, gerando forte repercussão no mercado de turismo.
O QUE DIZ FABIO MADER?
Segundo o executivo, a decisão já vinha sendo desenhada internamente antes mesmo da divulgação dos resultados do primeiro trimestre e do agravamento das tensões internacionais, mas acabou antecipada pelo ambiente de pressão vivido pelo setor.
“O contexto geopolítico e econômico afeta diretamente a indústria do turismo. Isso gerou aumento de preços, cancelamentos e uma série de impactos no setor como um todo. A CVC não está ilesa a esse cenário”, afirmou Mader.
O CEO explicou que a companhia estruturou um plano de trabalho baseado em três pilares estraté -
gicos: pessoas, receita e gestão matricial de despesas. O primeiro movimento foi justamente a reorganização de equipes e lideranças. “Olhamos para dentro da companhia entendendo onde estavam nossas maiores gerências e estruturas de custo. A pergunta foi: como podemos ser mais eficientes? Tornando a companhia mais leve, mais enxuta e mais rápida”, disse. De acordo com Mader, o objetivo central da reestruturação é adequar a operação ao novo momento da empresa e acelerar a tomada de decisão. “Privilegiamos a liderança e decidimos empoderar mais os gestores. Precisamos cumprir nossos objetivos de custo sem perder capacidade de execução”, afirmou.
Além da reorganização de pessoas, o plano inclui iniciativas voltadas para crescimento de receita, revisão de investimentos em marketing e aprofundamento da gestão matricial de despesas, modelo que a companhia já havia iniciado no ano passado e que agora será ampliado.
“É o segundo ano deste trabalho. Neste ano repetimos o projeto em um formato mais evoluído. O plano foi concluído há cerca de dez dias e agora começamos sua execução prática dentro da companhia”, explicou.
Mader também reforçou que a nova configuração organizacional não é provisória. “A estrutura que apresentamos hoje não é temporária. Essa é a nova estrutura da CVC”, declarou.
COMO FICA A NOVA ESTRUTURA
DA CVC CORP?
As mudanças envolvem redistribuição de áreas, novas linhas de reporte e reorganização de estruturas estratégicas dentro da companhia.

> Na frente de Finanças, Jurídico, Estratégia e RM, a área de Prevenção a Fraudes passa a integrar a estrutura de Jurídico e Governança. Já Planejamento e Projetos ganha nova liderança, enquanto Facilities e Compras passam a operar separadamente.
> Na vice-presidência de Digital e Tecnologia, Bob Rossato passa a liderar os times reunindo as áreas de Digital e Tecnologia em uma única estrutura.
> Já na área de Produtos, a estrutura de Atividades é desmembrada. Renzo Mello passa a acumular o Marítimo, enquanto Claiton Armelin assume também SVAs. Ao lado de Renata Cenni, ambos passam a responder diretamente ao CEO Fábio Mader.
> Em Vendas, as mudanças atingem diferentes unidades de negócios. Renata Bueno assume a diretoria da Experimento, enquanto Noah Britto passa a liderar a Trend como diretora da unidade e Hugo Lagares assume a CVC Multimarcas. Já Bruno Sá passa a responder também pela área de Parcerias, enquanto Paula Miolaro assume interinamente o Marketing B2C2B.
> Na estrutura de Clientes e Operações, Fabio Belém passa a se reportar diretamente ao CEO Fábio Mader, enquanto o CSC migra para a VP de Finanças.
Nomes desligados*: Bruno Heleno, diretor-executivo na Trend Viagens;
Paula Rorato, diretora de Produtos na CVC Corp;
Humberto Sato (China), diretor de Marketing na CVC Corp;
Paulo Palaia, VP de Tecnologia da Informação na CVC Corp;
Ricardo Pinheiro, VP de Clientes e Operações da CVC Corp;
Rogério Mendes (Rogerinho), diretor de Vendas do Canal Multimarcas da CVC Corp;
Ricardo Kaiser, gerente executivo na CVC Corp;
Barbara Ruiz, diretora de E-Commerce na CVC Corp;
Carla Gama, CEO da Experimento Intercâmbio Cultural na CVC Corp;
Tatiana Lopes, gerente de Vendas na CVC Corp
Fernanda Pajares, coordenadora de Comunicação na CVC Corp;
Valéria Gimenes, gerente executiva de Operações na CVC Corp
Kleber Moreira, gerente de Produto Aéreo da CVC Corp;
Danielle Campos, especialista de Produtos Rio Grande do Norte
Silvia Russo, gerente de Planejamento de Produtos na CVC Corp
Priscila, gerente nacional
Dalila, especialista nacional
Samanta, analista nacional
Marcele, especialista Rio nacional
*Nomes confirmados até o fechamento desta edição. Novos nomes ainda devem ser anunciados. Acompanhe a cobertura completa no site do M&E.
“
O contexto geopolítico e econômico afeta diretamente a indústria do turismo. Isso gerou aumento de preços, cancelamentos e uma série de impactos no setor como
um todo. A CVC não está ilesa a esse cenário.
Fábio Mader, CEO da CVC Corp
Nomes conhecidos do trade deixaram a CVC Corp
Brasil



21ª edição | 2026
Iguaçu - Paraná - Brasil 10 11 12 JUNHO
Foz
NEGÓCIOS


TURISMO PESSOAS

Mais de 300 hotéis: América Latina e Caribe se tornam principais motores de crescimento da Wyndham
Expansão na região reflete a confiança de longo prazo da empresa na região e nos fundamentos de seu setor hoteleiro

A Wyndham Hotels & Resorts alcançou mais 300 hotéis na América Latina e no Caribe, originando em um novo marco nos mercados de desenvolvimento hoteleiro e de viagens mais dinâmicos do setor. Esse crescimento é impulsionado pela forte e constante demanda por viagens nacionais e internacionais, pela expansão da classe média e pela crescente preferência por marcas globais que oferecem consistência, escala e ampla presença geográfica em diversos destinos.
A Wyndham celebrou esse marco com seus franqueados durante o Beyond 2026, conferência regional da empresa realizada esta semana no recém-renovado Wyndham Grand Rio Mar Rainforest Beach & Golf Resort, em Porto Rico. Ao longo de dois dias, o evento contou com mais de 20 painéis, workshops e sessões interativas focadas nas tendências que transformam o setor de viagens e hotelaria na América Latina e no Caribe, desde a evolução
do comportamento do viajante até as estratégias operacionais e comerciais que impulsionam o crescimento a longo prazo.
“Ultrapassar a marca de 300 hotéis na América Latina e no Caribe representa muito mais do que um número: reflete a confiança que nossos proprietários e parceiros depositam em nossas marcas e na capacidade de nossas equipes de ajudá-los a crescer de forma lucrativa e sustentável. Este marco reforça a força de nossa estratégia regional e o enorme potencial que a América Latina e o Caribe continuam a representar como uma das regiões mais dinâmicas para o crescimento hoteleiro globalmente”, disse Gustavo Viescas, Presidente para a América Latina e o Caribe, Wyndham Hotels & Resorts.
CRESCIMENTO DE HOTÉIS NA
AMÉRICA LATINA E NO CARIBE
A expansão da Wyndham na América Latina e no Caribe reflete a confiança de longo prazo da empresa na região e nos fundamentos de seu setor hoteleiro. A
América Latina e o Caribe continuam a representar uma região estratégica fundamental para o crescimento da empresa. Essa demanda agora se reflete em uma combinação cada vez mais diversificada de destinos e ocasiões de viagem. No último ano, a Wyndham continuou a crescer em importantes mercados urbanos, de resorts e de estilo de vida, adicionando propriedades como o Wyndham Grand Costa del Sol Lima Airport; Wyndham Alltra Punta Cana; Hodges Bay Resort & Spa, um HQ Luxury Resort & Residences; e Wyndham Natal Pitangui Praia. Juntos, esses empreendimentos refletem a evolução dos padrões de viagem na região: desde o aumento da conectividade aérea e a crescente demanda por resorts all-inclusive até o maior interesse em estadias sofisticadas e diferenciadas.
Esse impulso permitiu que a presença regional da Wyndham ultrapassasse 50.000 quartos em 30 países da América Latina e do Caribe. Olhando para o futuro, um portfólio de desenvolvimento com mais de 140 hotéis e quase 22.000 quartos projeta crescimento contínuo, com futuras inaugurações em mercados como Granada e Santa Lúcia, além de uma expansão mais ampla no Brasil, Argentina, Chile e México, reforçando a confiança no futuro da região a longo prazo.
No Brasil, a Wyndham conta atualmente com 34 hotéis e mais de 8.100 quartos em operação, reforçando sua presença em importantes destinos urbanos e de lazer do país. Além de um pipeline de 40 contratos assinados. A companhia continua expandindo sua atuação no mercado brasileiro, acompanhando o forte crescimento do turismo doméstico e internacional.
VANTAGEM WYNDHAM: TRANSFORMANDO ESCALA EM RESULTADOS À medida que a presença da Wyndham na América Latina e no Caribe
continua a crescer, a empresa também expandiu seus esforços para ajudar os proprietários a maximizar seu desempenho em escala. No centro dessa estratégia está o Wyndham Advantage: um conjunto personalizado de serviços para proprietários, projetado para ajudar os franqueados a gerar receita, gerenciar custos e competir com mais eficácia em mercados cada vez mais complexos. Aproveitando a força da Wyndham como uma das maiores empresas de franquias hoteleiras do mundo, a plataforma transforma a escala global em suporte prático e ferramentas que os proprietários podem usar diariamente. Esse compromisso foi refletido durante o evento Beyond 2026, onde a Wyndham demonstrou como seu investimento contínuo em sistemas baseados em nuvem, ferramentas com inteligência artificial e tecnologia para hotéis conectados está transformando as operações hoteleiras em toda a região. Aprimoramentos no Wyndham Connect, Wyndham Connect PLUS e Wyndham Gateway estão proporcionando aos proprietários maior visibilidade do desempenho, otimizando as operações diárias e ajudando a gerar novas oportunidades de receita incremental, além de contribuir para uma experiência mais integrada para os hóspedes. Esses investimentos também estão expandindo o alcance da Wyndham para além dos canais tradicionais. A empresa destacou seu crescente envolvimento em experiências de descoberta e reserva de viagens impulsionadas por IA, incluindo a seleção pelo Google como parceira estratégica global para sua futura experiência de busca AI Mode, bem como integrações recentes com o ChatGPT da OpenAI e o Claude da Anthropic. Juntas, essas iniciativas estão posicionando os hotéis Wyndham para serem descobertos e reservados diretamente.
Rede Windsor lança logomarca comemorativa pelos 40 anos de atuação na hotelaria
Com 17 hotéis no Brasil a empresa incorporou à logomarca elementos que remetem à sua história e presença nacional
Rafael Torres
A Rede Windsor Hoteis lançou sua logomarca comemorativa de 40 anos, dando início às celebrações de quatro décadas de atuação no setor hoteleiro. A nova identidade visual simboliza a trajetória da empresa, marcada pela hospitalidade, sofisticação e excelência, além de representar os planos de expansão e modernização da rede.
Com 17 hotéis no Brasil - sendo 15 no Rio de Janeiro e dois em Brasília - a empresa incorporou à logomarca elementos que remetem à sua história e presença nacional. A coroa de louros representa tradição e excelência, enquanto o Pão de Açúcar reforça a identidade carioca da rede. Já a Catedral Metropolitana de Brasília simboliza a atuação da empresa fora do Rio de Janeiro e sua visão de crescimento.
PRESENÇA CONSOLIDADA NO RIO DE JANEIRO
Ao longo dos últimos 40 anos, a Rede Windsor consolidou sua atuação em regiões estratégicas da capital fluminense, com unidades voltadas tanto para o turismo de lazer quanto para o segmento corporativo.
Na Zona Sul, um dos principais destaques é o Miramar by Windsor, hotel cinco estrelas localizado em Copacabana e referência no segmento de luxo. A unidade se
destaca pelo atendimento personalizado, serviços exclusivos de mordomia e pela gastronomia do restaurante Alloro al Miramar, comandado pela chef Juliana Magioli.
Ainda em Copacabana, hotéis como Windsor Califórnia, Windsor Leme e Windsor Excelsior reforçam a presença da marca em uma das áreas turísticas mais tradicionais do país.
EXPANSÃO E ESTRUTURA NA BARRA DA TIJUCA
Na Barra da Tijuca, a rede ampliou sua presença com empreendimentos como Windsor Barra, Windsor Marapendi, Windsor Oceanico e Windsor Tower.
O Windsor Barra, primeiro hotel da rede na região, inaugurado em 2005, reúne 339 acomodações e se destaca também pela programação gastronômica, incluindo feijoada aos sábados e almoço especial aos domingos.
Já o Windsor Marapendi oferece suítes com vista panorâmica e serviços pet friendly, enquanto o Windsor Oceanico conta com infraestrutura para lazer e negócios, além de ponto de recarga para veículos elétricos. O Windsor Tower, unidade mais recente, aposta na versatilidade para atender tanto o público corporativo quanto o turístico e abriga o restaurante Trattoria Alloro, especializado em massas artesanais e pizzas de

fermentação natural.
Outro destaque é o Centro de Convenções & Hotéis Windsor, complexo que reúne 97 salões multiuso distribuídos em 25 mil metros quadrados. O espaço tem capacidade para receber até 2.500 pessoas em sua maior plenária e já sediou eventos com público flutuante de 7 mil participantes.
INVESTIMENTOS
TAMBÉM EM BRASÍLIA
Na capital federal, a Rede Windsor mantém unidades nos setores hoteleiros Norte e Sul. Recentemente, os
hotéis Windsor Plaza Brasília e Windsor Brasilia passaram por reformas estruturais assinadas pela arquiteta Paola Ribeiro, com foco na modernização dos espaços e melhoria da experiência dos hóspedes. Segundo o gerente de Marketing da rede, Vitor Almeida, a nova logomarca representa tanto a trajetória construída pela empresa quanto seu olhar voltado para o futuro. Ele destaca que a rede seguirá investindo em experiências completas para hóspedes de lazer e negócios, mantendo os valores que consolidaram a marca ao longo das últimas quatro décadas.
Beatriz do Vale
Fachada do Caribe Resort by Wyndham Vacation Rentals
Piscina no rooftop do Windsor Leme
Luxo com propósito, conexão humana e experiências sob medida: como a Virtuoso enxerga a nova fase do turismo premium
Empresa afirma que viajante premium busca autenticidade, personalização e conexão emocional
Giulia Jardim
O turismo de luxo atravessa uma transformação profunda e, ao contrário do que se imaginava há alguns anos, ela não passa apenas por hotéis grandiosos, marcas internacionais ou investimentos milionários. A nova lógica do segmento está cada vez mais ligada a propósito, personalização e conexão emocional.
À frente da operação da Virtuoso para América Latina e Caribe, Angeles Yugdar avalia que o luxo contemporâneo deixou de seguir um único padrão e passou a refletir diferentes estilos de vida, expectativas e formas de viajar. Na visão da executiva, o setor vive um momento marcado pela busca por significado, curadoria e experiências alinhadas aos desejos individuais dos viajantes.
“Há viajantes que preferem grandes marcas internacionais e hotéis maiores, mas muitos consumidores buscam intimidade e experiências mais personalizadas em propriedades menores”, afirmou.
O avanço simultâneo de grandes redes globais e hotéis independentes, segundo ela, mostra justamente como o turismo premium se tornou mais diverso e menos padronizado.
TECNOLOGIA APROXIMA, MAS FATOR HUMANO SEGUE ESSENCIAL
As mudanças no segmento também aparecem no comportamento das novas gerações. Durante anos, o mercado acreditou que millennials e geração Z fariam praticamente toda a jornada de viagem de forma digital e automatizada. Na prática, porém, o movimento foi diferente.
Embora utilizem intensamente a tecnologia para pesquisar destinos, buscar referências e organizar informações, esses

consumidores continuam valorizando curadoria humana e experiências desenhadas de forma personalizada. “Eles usam tecnologia, mas valorizam experiências bem planejadas e o próprio tempo.”
A executiva afirma que esse público também demonstra maior disposição para investir quando encontra significado e identificação emocional na experiência proposta. “Eles estão dispostos a investir quando percebem que aquela experiência é realmente importante para eles.”
Nesse cenário, a inteligência artificial surge como ferramenta de apoio, especialmente na coleta de dados e na personalização do atendimento. Ainda assim,



Angeles acredita que o fator humano permanece indispensável no turismo de luxo. “A tecnologia está aqui para nos ajudar, mas é fundamental que exista um olhar humano intermediando essa experiência.”
Ela alerta que o excesso de automação pode enfraquecer justamente um dos pilares mais valorizados pelo viajante premium atual: a conexão emocional. “Quando fica tudo automatizado, acaba perdendo a conexão humana.”
Essa mudança também redefiniu o papel dos consultores de viagens, que deixaram de atuar apenas de forma operacional para assumir uma função mais próxima



do lifestyle e dos desejos pessoais dos clientes. Segundo Angeles, o processo de curadoria começa pela escuta e pela compreensão do momento de vida do viajante.
“Muitas vezes, a pessoa não sabe para onde quer viajar”, explicou. “Os consultores não perguntam apenas para onde o cliente quer ir. Eles perguntam como ele quer se sentir quando voltar da viagem.”
INFRAESTRUTURA AINDA LIMITA
AVANÇO DA AMÉRICA LATINA
Apesar do avanço do turismo premium na América Latina, a região ainda enfrenta gargalos importantes para competir de maneira mais consistente com mercados já consolidados, como Europa e Oriente Médio. O principal desafio, segundo Angeles, continua sendo a infraestrutura, especialmente na conectividade aérea e terrestre.
“Precisamos melhorar muito a infraestrutura aérea, as conexões e também a infraestrutura terrestre.”
Por outro lado, ela acredita que a qualidade do serviço já se tornou um diferencial competitivo relevante para a região no cenário global do luxo. “O serviço na América Latina é muito bom. A hotelaria está muito bem.”
Em meio à expansão acelerada do segmento, Angeles defende que o principal cuidado do mercado deve ser preservar o significado do luxo, evitando que a experiência premium se torne apenas um símbolo de consumo.
Na avaliação da executiva, o conceito contemporâneo de luxo está menos ligado ao valor financeiro da viagem e mais associado ao impacto emocional e à relevância pessoal da experiência. “O luxo não está no preço das coisas. O luxo está no propósito.”
EVENTO EM SÃO PAULO
As transformações do turismo premium foram tema de um encontro promovido pela Virtuoso no Hotel Rosewood, em São Paulo, no último dia 8 de maio. O evento reuniu jornalistas, agentes de viagens especializados e representantes do setor para debater tendências do mercado de luxo na América Latina, além de mudanças no comportamento do consumidor, sustentabilidade e os impactos das novas gerações no segmento.



Giovana Jannuzzelli, da Tereza Perez
Marina Gouvea, da PrimeTour
Daniela Mansur, da Blue Papaya
Agentes de viagens especializados em luxo participaram do evento a convite da Virtuoso
Christina Biagioni, da Biagioni Viagens Especiais
Fabiano Camargo e Marcelo Auada, da GSP Atlanta
Marie Berengere, do Rosewood São Paulo
Walter Perteito, da PerfectTrip
Alexandre Clemente Neto, da Infinite Turismo
Ligia Maas, Angeles Yugdar e Delfina Elcheverry, da Virtuoso
Briga judicial acende alerta sobre viagens de menores desacompanhados em 2026
Tribunal condena companhia aérea e agência por impedimento de embarque de menor
Beatriz Waehneldt
Durante as férias escolares, uma mãe em Minas Gerais quis proporcionar uma experiência especial para o filho. Ela pesquisou, planejou e comprou as passagens informando corretamente a idade da criança. A documentação exigida foi providenciada integralmente, a autorização de viagem com firma reconhecida estava em ordem. Tudo pronto para o embarque. Ou assim parecia… Ao chegar ao aeroporto de Belo Horizonte para um voo em direção ao Ceará, a situação não saiu como previsto. A companhia aérea bloqueou o embarque. O motivo apresentado: a rota incluía uma conexão e a política da empresa proíbe menores desacompanhados em voos com conexão. Segundo a mãe, essa informação não aparecia com clareza no momento da compra. A agência de viagens alegava ser apenas intermediária e a companhia aérea sustentou que a restrição estava disponível em seu site e que a criança havia sido cadastrada incorretamente no sistema.
O desembargador Maurício Cantarino do 1º Núcleo de Justiça 4.0 Cível Privado do Tribunal de Justiça de Minas Gerais rejeitou os recursos e reiterou que a informação clara e adequada é um direito básico do consumidor, conforme o Código de Defesa do Consumidor. Nem a agência nem a companhia aérea poderiam alegar desconhecimento de suas responsabilidades. O impedimento da viagem foi classificado como dano moral significativo, ultrapassando mero aborrecimento pela repercussão no planejamento familiar. A condenação solidária das duas empresas chegou a R$ 16 mil em danos morais, somados a R$ 2.028 referentes ao reembolso das passagens.
CRIANÇAS E ADOLESCENTES DESACOMPANHADOS, QUAL É A REGRA?
Anac: Em voos nacionais, menores de 16 anos não podem embarcar desacompanhados dos pais ou responsáveis e sem expressa autorização. A partir dos 16, em viagem nacional, o embarque poderá ocorrer sem autorização específica, embora algumas companhias aéreas mantenham políticas de acompanhamento e obrigatoriedade do serviço de acompanhamento de menor. A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) respeita as determinações do Estatuto da

Criança e do Adolescente (ECA) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e a autorização deve conter a assinatura de um dos pais ou responsáveis legais, preferencialmente com firma reconhecida em cartório. Alternativamente, pais podem incluir a autorização permanente no passaporte da criança durante sua emissão.
Azul: A Azul permite que menores a partir de 9 anos viajem sem pais e responsáveis em voos nacionais exclusivamente em voos diretos, sendo cobrado R$ 250,00 por passageiro e por trecho do serviço de acompanhamento, que é obrigatório para menores entre 9 e 16 anos e opcional a partir dos 16. Menores entre 8 e 16 anos devem estar com a documentação completa: autorização de viagem com firma reconhecida e preenchida em três vias, certidão de nascimento ou RG, além de documento com foto se tiverem 12 anos ou mais. A solicitação pode ser feita pelo Call Center ou pelo App. Em voos internacionais, a Azul aceita apenas jovens de 12 a 18 anos desacompanhados, com taxa de R$ 500,00 para voos aos Estados Unidos e Europa. Os voos operados por compa-
nhias parceiras ou pela subsidiária Azul Conecta negam esse tipo de embarque. Gol: O programa de acompanhamento de menores Gol Voe Junto aceita crianças, sem pais ou responsáveis, a partir de 9 a 16 anos. A limitação é semelhante à Azul: o serviço não está disponível para voos com conexão e menores de 8 anos e a taxa cobrada é de R$ 200,00 por passageiro e por trecho. São exigidos: a autorização de qualquer um dos pais ou responsável legal por meio de escritura pública ou documento particular com firma reconhecida (em três vias), certidão de nascimento ou RG, além de documento com foto. Adolescentes a partir de 16 anos podem viajar sozinhos em voos nacionais sem o serviço obrigatório. A Gol oferece acompanhamento em tempo real através de aplicativo, enviando atualizações sobre o trajeto para o celular dos pais.
Latam: A Latam oferece acompanhamento obrigatório para crianças entre 8 e 12 anos em voos diretos exclusivamente, operados somente pela companhia. A taxa cobrada varia entre R$ 150,00 e R$ 200,00 por passageiro e por trecho para voos nacionais, a contratação deve ser
feita até 48 horas antes do voo através da Central Vendas. Para adolescentes de 12 a 18 anos, o serviço torna-se opcional, sendo possível viajar em itinerários com conexão de até quatro horas, desde que operados pela Latam, sem troca de aeroporto na cidade de conexão e que o voo não seja o último do dia. A documentação exigida inclui: autorização de um dos pais ou responsável legal com firma reconhecida ou emitida por cartório, passaporte válido com autorização de viagem expresso, certidão de nascimento ou RG (original ou cópia autenticada para menores até 12 anos), e preenchimento do protocolo de autorização em três vias. A empresa fornece pulseira com código único para rastreamento em tempo real e assume responsabilidade total pelo menor durante toda a viagem.
AS DICAS QUE SALVAM PAIS E RESPONSÁVEIS
A antecedência é o melhor aliado. Documentação com firma reconhecida em cartório demanda tempo, não é possível providenciar tudo na véspera. Pais e responsáveis devem planejar no mínimo três semanas antes do embarque e ler as regras de cada companhia. Confirmar diretamente com a empresa antes de adquirir a passagem previne surpresas no aeroporto, uma vez que as companhias aéreas detêm a responsabilidade final sobre embarques e desembarques.
Autorização eletrônica de viagem (AEV) é opção rápida, plataformas como e-Notariado permitem assinatura digital, dispensando deslocamento a cartório e a validade permanece de dois anos se não especificado na autorização. Ao chegar ao aeroporto, pais devem permanecer até confirmar a partida do voo e o responsável no destino deve estar presente para receber o menor de idade, com documento de identificação em mãos para comprovação.
Crianças e Adolescentes não podem embarcar em uma viagem com animais de estimação, tanto na cabine quanto no bagageiro e a bagagem deve ser despacho conforme permitido pela classe de passagem. É recomendável confirmar o serviço de acompanhamento com a companhia aérea em até 48 horas antes do voo, já que alguns slots de atendimento para menores desacompanhados são limitados por voo e deixar para última hora pode resultar em indisponibilidade.
Cada companhia aérea estrutura suas restrições sob argumentos de segurança operacional, nenhuma opção é superior ou inferior; todas demandam compreensão prévia. Pais não devem delegar integralmente a responsabilidade de informação para agências de viagem, a cadeia de consumo responsabiliza todos os fornecedores envolvidos, mas a atenção cuidadosa de pais e responsáveis em confirmar requisitos junto à companhia aérea evita frustrações e custos financeiros.
CHECKLIST PRÉ-VIAGEM DO SEU FILHO:
DOCUMENTAÇÃO:
- Autorização de viagem com firma reconhecida em cartório ou emitida por via digital (AEV)
- Documento de identidade original (RG ou Certidão de Nascimento)
- Passaporte válido (se viagem internacional)
- Protocolo de Autorização preenchido em três vias
- Contato emergencial escrito legível
COMPANHIA AÉREA:
- Contratação do serviço de menor desacompanhado confirmada;
- Taxa de acompanhamento paga; Voo confirmado como direto (Azul e Gol) ou dentro das restrições (Latam);
- Responsável no destino cadastrado na companhia;
- Confirmação recebida via e-mail.
PROCEDIMENTOS:
- Chegada ao aeroporto com antecedência mínima de 2 horas;
- Responsável permanece no aeroporto até confirmação de partida;
- Menor recebe pulseira de identificação (Latam) ou acompanhamento (Azul/Gol);
- Contatos atualizados fornecidos à companhia;
- Responsável no destino confirmado e com documento de identidade.
PREPARAÇÃO DA CRIANÇA
OU DO ADOLESCENTE:
- Orientação sobre procedimentos de embarque;
- Informações sobre comportamento durante o voo;
- Orientações sobre o que fazer em situações de risco em aeroportos;
- Números de contato memorizados ou anotados;
- Mochila com itens de conforto, higiene e entretenimento;
- Medicamentos necessários em bagagem de mão.
RASTREAMENTO:
- Credenciais criadas para plataforma de acompanhamento;
- Utilização de Apps como Life 360 ou Airtag;
- Modo notificações ativado no smartphone;
- Pessoas autorizadas adicionadas no app (quando disponível);
- Teste de funcionamento realizado dias antes do voo.
Expo Turismo Paraná encerra edição com público
acima do esperado e data confirmada para 2027
Feira reuniu cerca de 300 marcas, 120 estandes e já confirmou edição do ano que vem para os dia 6 e 7 de maio
Beatriz do Vale
Após dois dias intensos do maior encontro B2B de turismo do Estado, a Expo Turismo Paraná encerrou sua 30ª edição no dia 8 de maio com uma expectativa de ter ultrapassado a marca de 5 mil visitantes. Segundo o presidente da Abav-PR, Geraldo Rocha, o resultado ficou dentro do esperado e reforçou a força da feira no calendário nacional do turismo.
“Não estamos decepcionados com nada. Pelo contrário. O ambiente estava leve, todo mundo feliz e recebi muitos elogios ao longo dos dois dias”, afirmou.
A feira reuniu cerca de 300 marcas, sendo aproximadamente 30 estreantes, 120 estandes e quase 30 palestras divididas em quatro salas.
EXPO TURISMO PARANÁ JÁ
CONFIRMA EDIÇÃO DE 2027
Durante coletiva de imprensa, Geraldo Rocha confirmou que a próxima edição da Expo Turismo Paraná já está marcada para os dias 6 e 7 de maio de 2027. Segundo ele, muitos participantes já demonstraram interesse em retornar no próximo ano. “Tivemos pessoas dizendo que se arrependeram de não ter participado antes e que voltarão no ano que vem. Isso mostra a força da




feira”, comentou.
O presidente também destacou a importância da localização estratégica do Paraná para o crescimento do evento. “Estamos próximos dos países do Mercosul e de mercados importantes do Sul e Sudeste. O Paraná se consolidou como um polo turístico muito interessante, tanto no turismo nacional quanto internacional”, afirmou.
Durante a coletiva, Geraldo Rocha também comentou a realização de outros eventos turísticos na mesma data da Expo Turismo Paraná. Segundo ele, a sobreposição prejudica o planejamento do setor e impacta diretamente a participação de alguns destinos e
expositores: “O evento foi anunciado com antecedência e, mesmo assim, surgiram outras iniciativas no mesmo período. Isso acabou impactando algumas participações”.
Rocha citou ainda o cancelamento de estados que inicialmente participariam da feira, como Ceará e Rio Grande do Sul. Apesar disso, o presidente avaliou a edição de forma positiva e destacou o crescimento da infraestrutura turística do Paraná nos últimos anos.
“O estado melhorou muito em infraestrutura e turismo. Hoje temos um turismo religioso forte e um posicionamento cada vez mais relevante no mercado.”




Geraldo Rocha, presidente da Abav-PR
Miguel Andrade e Marcia Pereira, da Transmundi
Estande de Santa Catarina
Fernanda Cassab, Marcos Olichevis e Martha Basso, da Sakura
Celso Tesser, Priscila Lima e Gelson Popazoglo, da GTA
Equipe de Foz do Iguaçu
Fellipe Randolfo, André Bernardes e Cristiano Ribas, da Abreu
Isaías Pereira e Terezinha Barbosa, da Flot
Parques brasileiros movem R$ 9,5 bi e apostam em 70 novos projetos, mas enfrentam escassez de profissionais
Números apresentados na quarta edição do Panorama Setorial mostram 143 milhões de visitantes registrados em 2025
Beatriz Waehneldt
O setor de parques, atrações turísticas e entretenimento no Brasil reafirma sua trajetória de crescimento durante o 7º Sindepat Summit. Os números apresentados na quarta edição do Panorama Setorial registram 143 milhões de visitantes em 2025, representando avanço de 4,8% em relação ao ano anterior, enquanto o faturamento alcança R$ 9,5 bilhões, crescimento de 12,8% na comparação com 2024.
O estudo mapeia atualmente 869 empreendimentos de entretenimento no país, dos quais 308 participam efetivamente da pesquisa. A pesquisa revela também que o setor responde por mais de 202 mil empregos diretos, indiretos e terceirizados, número 6% superior ao registrado na edição anterior.
Apesar do avanço, a disponibilidade de mão de obra qualificada permanece como principal preocupação dos operadores. O levantamento indica que a disponibilidade de profissionais recebe nota 2,4 entre os desafios prioritários do setor em uma escala de um a cinco. A taxa de rotatividade no segmento chega a 46,2%, embora permaneça abaixo da média nacional de 56%. Pedro Cypriano, CEO da Noctua e responsável pela apresentação do levantamento, explica que “a reposição de um funcionário pode custar entre 50% e 200% do salário anual, considerando recrutamento, treinamento e perda de produtividade”. O acesso ao crédito também preocupa o setor. Com o encerramento do Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse), empresas relatam maior dificuldade para financiar expansão, novos empreendimentos e modernização de operações. Cypriano comenta que “sem incentivo fiscal, dependemos mais de geração de caixa ou de linhas de financiamento, que continuam proibitivas na maior parte do mercado”.
Mesmo diante do cenário de juros elevados, o levantamento identifica 70 novos projetos de entretenimento em desenvolvimento no Brasil, número 10% inferior ao da edição passada. Os empreendimentos estão distribuídos em 41 cidades brasileiras, com maior concentração nas regiões Sul e Sudeste, abrangendo parques aquáticos, parques temáticos, atrações turísticas, parques naturais, parques indoor e centros de entretenimento familiar. Os 70 projetos somam R$ 7,1 bilhões em investimentos. Considerando os reinvestimentos programados pelos parques e atrações já instalados, o volume total alcança R$ 11,5 bilhões.
SÍNDEPAT COMO CATALISADOR DE INVESTIMENTOS E DIÁLOGO INSTITUCIONAL O levantamento aponta ainda que 77% dos projetos já possuem funding parcial ou totalmente estruturado, principalmente por meio de capital próprio. Entre os identificados, 47% contam com multipropriedade ou timeshare como impulsionadores dos investimentos. Além disso, 31% das iniciativas possuem abertura programada ainda para o ano de 2026.
Pablo Morbis, presidente do Conselho do Sindepat, destacou que “os números do Panorama mostram um setor que continua crescendo, investindo e acreditando no potencial do turismo brasileiro, mesmo em um ambiente econômico bastante desafiador, com juros elevados, aumento de custos e pressão sobre o consumo das famílias”. Durante o evento, a Embratur e o Sindepat assinaram um acordo de parceria voltado à ampliação da permanência de turistas estrangeiros no Brasil e ao
M&E fortalecimento do setor de parques e atrações. Bruno Reis, diretor de Marketing Internacional, Negócios e Sustentabilidade da Embratur, comentou que “nesses últimos três anos e meio em Brasília tivemos, de fato, um olhar voltado para negócios e para que a geração de turistas do nosso país chegasse a um patamar nunca antes atingido”. O executivo revelou que “temos muitos dados da Embratur para dividir e para criar campanhas em conjunto. Sabemos exatamente que turista está vindo, o que ele quer, onde ele foi, que canal está comprando”. A aproximação com o Sindepat busca ampliar o tempo de permanência dos turistas internacionais no Brasil e aumentar o ticket médio.


acordo entre Embratur e Sindepat ocorre em
O Sindepat abordou também questões trabalhistas que ganham relevância no mercado. O debate sobre a redução da jornada de trabalho 6X1 entrou no radar de parques e atrações. “A redução de jornada é uma tendência mundial, mas precisa de uma discussão técnica”, de acordo com Morbis. “O nosso setor sempre brinca que está trabalhando quando o Brasil está de férias ou no fim de semana”. Ele ainda complementa lembrando que o turismo representa 8% do PIB nacional, é um dos setores que mais gera emprego e mais faz inclusão social: “precisamos garantir a competitividade e manter o nível de empregos formais”.
EXPANSÃO TERRITORIAL E DESENVOLVIMENTO REGIONAL ATRAVÉS DO TURISMO
O Polo Turístico Cabo Branco, localizado em João Pessoa, na Paraíba, emerge como exemplo estratégico de integração entre parques, resorts e
do turismo internacional no Brasil
infraestrutura turística. Rômulo Polari Filho, representante da Cinep, declarou que são 15 mil leitos de hotel, quase 5 mil apartamentos já contratados. “Vai mudar realmente a história do Nordeste”, especula. O polo já contabiliza R$ 3,3 bilhões em investimentos privados, com investimentos estaduais em infraestrutura, aproximando-se de R$ 600 milhões. O Estado da Paraíba registra aumento de 17% no volume de passageiros em 2025, a maior taxa do Nordeste: “antes da pandemia, tínhamos um faturamento de R$ 1,4 bilhão, fechamos 2025 com R$ 3,6 bilhões”. Cinthia Marques, representante da ONU Turismo, lembrou que são mais de 120 associações no Sindepat, tendo começado com somente 12, com tendência a aumentar. “Nesse setor, um mais um é sempre três, não é dois, é sempre mais gente para visitar os parques”. A executiva comparou o cenário brasileiro ao mercado mexicano e ressalta o potencial de crescimento nacional. “Muita gente hoje sai do Brasil para ir para Disney, para Universal Studios, para Orlando, para outros parques, mas os parques brasileiros estão se profissionalizando de uma maneira fenomenal”, completou.
TECNOLOGIA E SUSTENTABILIDADE COMO PILARES DE EXPANSÃO
O Sindepat dedicou espaço ao papel da inteligência artificial na transformação do turismo. Flavia Possani, da Vyra, aponta que o principal desafio atual das marcas está na diferenciação em meio ao avanço das ferramentas de IA generativa. Gregório Nardini, da Planne, explicou que o gargalo deixa de ser descobrir informações e passa a
ser executar ações no mundo real. Ele ressalta que “dificilmente veremos um Machado de Assis criado por inteligência artificial. O papel da IA é permitir que o ser humano foque no que ele faz melhor”.
No tema da sustentabilidade, Miriam Alonso Pacheco, do Grupo Xcaret, sustentou que o turismo não pode mais ser tratado de forma isolada, uma vez que os viajantes percebem toda a jornada como uma experiência única e integrada. Ela menciona que o grupo busca “integrar todo o sistema para garantir que a experiência seja positiva do começo ao fim”.
No segmento de parques naturais, o Instituto Semeia e a Embratur lançaram cinco novos roteiros integrados de parques naturais voltados à promoção internacional. Renata Mendes, diretora-presidente do Instituto Semeia, informou que a visitação em parques nacionais segue em crescimento e voltou a bater recorde em 2025, alcançando 13,6 milhões de visitas. Ela projetou que a meta é atingir 20 milhões de visitas anuais até 2030, gerando R$ 20 bilhões para a economia brasileira.
Alexandre Nakagawa, da Embratur, ressaltou que o desafio está dentro do Brasil, ao comentar que muitos operadores nacionais ainda comercializam poucos destinos de natureza além dos tradicionais. Pedro Cleto, da Parquetur, observou que apenas cerca de 9% a 10% da população brasileira visita parques anualmente, enquanto nos Estados Unidos o volume de visitação ultrapassa 300 milhões de pessoas. Ele declarou que “o nosso principal concorrente é a praia, o brasileiro ainda não descobriu o parque”.
Painel no Sindepat Summit reúne diversos parques e atrações como expectadores
O
um momento de expansão
Fotos: Beatriz
Expo Fórum de Turismo 60+ reúne 3 mil profissionais e consolida avanço do segmento no Brasil
A programação incluiu palestras, workshops, feira de destinos e apresentação de pesquisas inéditas sobre esse perfil de viajante
Ana Azevedo
Realizado nos dias 11 e 12 de maio, no Centro de Convenções Rebouças, o Expo Fórum de Turismo 60+ reuniu cerca de 3 mil profissionais e marcou a maior edição do evento desde sua criação. Em sua quarta edição, o encontro consolidou o turismo voltado ao público sênior como uma das principais frentes de crescimento do setor no Brasil, reunindo autoridades, especialistas e representantes do trade para discutir comportamento de consumo, inovação e oportunidades de negócios.
A programação incluiu palestras, workshops, feira de destinos e apresentação de pesquisas inéditas, além de homenagens a personalidades do turismo. A arrecadação com a venda de ingressos, superior a R$ 40 mil, foi destinada a um instituto apoiado pelo evento, com prestação de contas pública.
“Estamos aqui hoje não apenas para discutir um nicho de mercado ou uma estatística demográfica; estamos aqui para falar do futuro presente”, afirmou a CEO do evento, Ana Carolina Kuwabara. “O envelhecimento da população
não é uma onda que vai passar: é uma mudança profunda na estrutura da nossa civilização.”
O encontro contou com a presença de representantes do poder público, como secretarias estaduais de turismo e entidades do setor, em um movimento que reforça a institucionalização do debate sobre o envelhecimento da população e seus impactos na cadeia turística.
MERCADO EM POTENCIAL
Dados apresentados durante o evento reforçam o descompasso entre demanda e oferta no turismo 60+. Apenas 26% dos consumidores acima de 60 anos percebem a existência de produtos turísticos adaptados ao seu perfil, segundo pesquisa da consultoria Data8, realizada com 1.012 entrevistados em todo o país.
Ao mesmo tempo, o levantamento evidencia um público ativo e com alto poder de consumo. Entre os respondentes, 34% gastam mais de R$ 10 mil por ano com viagens, enquanto 52% realizam três ou mais deslocamentos anuais. A autonomia financeira é predominante, com 96% afirmando custear suas próprias viagens.



“Hoje a gente está vendo uma população envelhecer com uma vontade enorme de viajar. O mercado está preparado para isso?”, disse Cléa Klouri, especialista da Data8, durante a apresentação do estudo.
O comportamento digital também chama atenção. Cerca de 48% escolhem destinos por plataformas e aplicativos, e 68% utilizam sites de agências para pesquisa. Ainda assim, 70% finalizam a compra com algum tipo de apoio humano, o que indica um modelo híbrido de consumo.
O estudo aponta ainda fatores decisivos na jornada desse público, como segurança, acessibilidade, conforto e clareza de informação. A flexibilidade de datas, mencionada por 87% dos entrevistados, surge como oportunidade para ocupação em períodos de baixa demanda.
IA NO TURISMO 60+
A transformação digital foi outro eixo central do evento, com destaque para o impacto da inteligência artificial na operação das agências de viagens. Durante palestra, o especialista em inovação Walter Longo afirmou que o
setor passa por uma ruptura estrutural impulsionada pela tecnologia.
“Nós não estamos mais em tempos de mudança, estamos em uma mudança de tempo”, disse. “Quem não migrar ficará em terreno inóspito.”
Segundo ele, ferramentas de IA já permitem automatizar processos como atendimento, gestão de clientes e produção de conteúdo, ampliando a capacidade operacional de agentes e pequenas empresas. Esse cenário tende a reduzir desigualdades competitivas e acelerar a adoção tecnológica no setor. No turismo 60+, a personalização aparece como principal ganho. A análise de dados permite criar ofertas mais aderentes ao perfil do viajante, substituindo modelos padronizados por experiências customizadas.
“Não tratemos idosos como incapazes; tratemo-los com dignidade e personalização”, afirmou Longo, especialista em inovação e transformação digital. Apesar do avanço tecnológico, o especialista destacou que o fator humano permanece central. Com a automação de tarefas operacionais, agentes passam a atuar de forma mais estratégica, com foco em relacionamento e curadoria.



Ana Carolina Kuwabara, CEO do Expo Fórum e Turismo 60+
Corredores do Expo Fórum de Turismo 60+
Plateia do Expo Fórum de Turismo 60+ 2026
Capacitação do Paraná
Equipe da Setur-SP
Walter Longo, palestrando sobre IA no Expo Fórum de Turismo 60+

• EUROP ASSISTANCE BRASIL - A Europ Assistance Brasil anunciou a chegada de Ana Carolina Mello como nova diretora de Insurance e Riscos, reforçando sua estratégia de fortalecimento em uma das áreas mais sensíveis e estratégicas da operação. A executiva terá como principal missão estruturar processos, ampliar a eficiência e a segurança operacional, além de promover maior integração entre as diferentes frentes do negócio.
• B2P OPERADORA – A empresa informou que a chegada de Nando Tabchoury integra um processo de fortalecimento da área comercial e de posicionamento da operadora como alternativa ao modelo tradicional de circulação de pagamentos no setor. Nando passa a atuar diretamente na liderança da estratégia de expansão e relacionamento com o mercado.
• DECOLAR - A Decolar anunciou a nomeação de Rafaela Rezende como diretora-geral no Brasil. A executiva assume a liderança da operação no país com a responsabilidade de conduzir a estratégia local, acelerar o desempenho comercial, ampliar parcerias e sustentar o crescimento da companhia no mercado brasileiro .
• MINISTÉRIO DO TURISMO - O Governo Federal nomeou Anderson Wilson Sampaio Santos para a diretoria do Departamento de Ordenamento, Inteligência e Desenvolvimento do Turismo e Wilken José Souto Oliveira para chefiar a Assessoria Especial de Assuntos Técnicos do Ministério do Turismo.
AGENDA | PRÓXIMOS EVENTOS
IPW 2026
O IPW 2026, um dos principais eventos de Turismo dos Estados Unidos, acontecerá de 17 a 21 de maio de 2026, em Greater Fort Lauderdale, Flórida, reunindo profissionais do setor do mundo todo para promover viagens aos EUA.
BNT MERCOSUL
A BNT Mercosul é um evento que reúne profissionais de turismo para a realização de negócios criando um cenário ideal para quem pretende divulgar destinos e fazer contatos comerciais. A 32ª edição da BNT Mercosul está confirmada para os dias 21, 22 e 23 de maio de 2026. O evento será realizado no Expocentro Balneário Camboriú Júlio Tedesco, em Santa Catarina.
FESTIVAL DAS CATARATAS
O FIT Cataratas é consolidado como um dos eventos mais completos de turismo e negócios da América Latina. Na 21ª edição, que acontecerá nos dias 10, 11 e 12 de junho em 2026, Foz do Iguaçu mais uma vez será o epicentro das grandes oportunidades para destinos e atrativos turísticos, operadoras, agentes de viagens, meios de hospedagem, empresas de transporte, companhias aéreas, bares e restaurantes, casas de shows, instituições governamentais e da iniciativa privada, associações e sindicatos de turismo, enfim todo o trade e entusiastas da inovação e sustentabilidade.
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Foto: Arquivo Agência Brasil







