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Director: José Kaliengue
O DIÁRIO DA NOVA ANGOLA Edição n.º 1651 Sexta-feira, 08 /11/2019 Preço: 40 Kz
rAFAEL MArQuES, dE VILÃO A HErÓI O Presidente da República, João Lourenço, reconheceu nesta Quinta-feira, em Luanda, o mérito de quem se dedicou à denúncia de casos suspeitos de corrupção. P.8
Director: José Kaliengue
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O DIÁRIO DA NOVA ANGOLA
Edição n.º 1651 Sexta-feira, 08 /11/2019 Preço: 40 Kz
“PIIM POdE SEr uM FIASCO”, ALErTAM EMPrEITEIrOS
POLÍTICA: Governo ainda não libertou qualquer verba para a implementação do Programa
Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM). P. 09
DR
País tem lista de sítios naturais para incluir no património mundial ● O Ministério do Ambiente identificou cinco sítios naturais do país e submeteu à Organização das Nações Unidas para a Ciência, Educação e Cultura (UNESCO), no sentido de proceder à sua inclusão na lista do património mundial, revelou ontem, em Luanda, o director nacional da Biodiversidade, Nascimento António. P.11
Energias renováveis: o caminho para saída da crise dos combustíveis ● O engenheiro mecânico Franz-José
Coxe, formado na Suíça, especialista em Energias Renováveis, detém um estudo que revela quanto o Governo gasta anualmente com a subvenção de combustíveis e fornecimento de energia térmica, e apresenta a solução para a redução desse montante avultadíssimo, USD 5.839.139.208,00, em 95%, com a implementação de energias renováveis em Angola, principalmente a energia solar. P. 24
FIM dO SuBSÍdIO AO COMBuSTÍVEL EM 2020 BAI Directo_ O País_276x42,733mm.pdf
M
Y
CM
P. 18
10:29
CY
Confiança no Futuro
masculino de basquetebol, que começa hoje, surge para salvar a época 2019/2020, porque a dívida que a Federação tem com os árbitros ainda não foi saldada. Os homens do apito preferiram cruzar os braços. P. 26
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4 dESTAQuES POLÍTICA. PÁG. 09 Avisam empreiteiros envolvidos na iniciativa governamental: “PIIM pode ser um fiasco”
SOCIEdAdE. PÁG.11 País conta com lista de sítios naturais para incluir no património mundial
CArTAz. PÁG. 16 Desenho arquitectónico do Teatro Municipal de São Paulo fascina artistas angolanos
ECONOMIA. PÁG.18 Próxima
medida a doer: fim do subsídio ao combustível em 2020
o editorial
O PAÍS Sexta-feira, 08 de Novembro de 2019
HOJE: os números do dia
Tem de ser, infelizmente
P
or cá, a coisa vai bem, cai no âmbito da luta contra a corrupção, cai na cruzada de João Lourenço pela moralização, mas quando um Presidente da República tem de lembrar aos membros do seu Governo, aos detentores de cargos públicos que a ajuda humanitária para o Cunene é apenas para os necessitados, temos de admitir que estamos mal. Quando o Presidente diz que não quer ver os meios de apoio, como as moto-cisternas em fazendas particulares, ele sabe muito bem para quem dirige tais palavras, sabe o que a casa gasta. E tudo isto é vergonhoso para o país inteiro, uma vergonha nacional, sobretudo porque já correm rumores de descaminho da ajuda. Das duas uma, ou algumas pessoas que estiveram naquela sala mudam de comportamento, ou perderam uma boa oportunidade de ganhar vergonha na cara e pedir a demissão.
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Workshop de consulta às instituições e técnicos, para elaboração da lista proposta dos sítios para inscrição como património natural de Angola na UNESCO, foi realizado em Luanda
Famílias vão beneficiar de residências no projecto habitacional do Zongolo, arredores da cidade de Cabinda, uma vez que vivem desde Maio deste ano em naves e fazem parte da Associação dos Deficientes Unidos de Cabinda
184 100
Mil famílias camponesas na Lunda Norte estarão envolvidas na campanha agrícola 2019/2020, aberta na localidade de Calumbia, município do Chitato
Mil milhões de kwanzas é o prejuízo reportado pela Companhia Aérea Angolana (TAAG) em 2018 e o fim das linhas de catamarã que preenchiam o transporte de cabotagem em Luanda
o que foi dito MuNdO . PG. 22 Coreia do Norte diz que PM do Japão é “idiota” e rejeita visita
“
Os actos que atentam à paz e à prosperidade dos nossos países e povos requerem um controlo comum redobrado” Salviano de Jesus Sequeira Ministro da Defesa Nacional
“
A auditoria e o Controlo Interno são poderosos aliados da eficiência na utilização dos recursos financeiros pelas organizações” Osvaldo Victorino
Secretário de Estado para as finanças e Tesouro
“
O Estado tem prestado apoio na compra de algumas cabeças de gado diante de um cenário em que famílias se desfaziam delas” Adão de Almeida Ministro da Administração do Territótio e Reforma do Estado
O PAÍS Sexta-feira, 08 de Novembro de 2019
5 e assim... José Kaliengue Director
Tem de começar a pesar
Hoje no online de O PAÍS leia a entrevista com Luzia dumbo Aberdolai e saiba mais sobre a implementação de políticas públicas em Angola e o combate à criminalidade
H
www.opais.co.ao Mumbai (India) Vista parcial de uma das mais populosa cidade do mundo, num dia em que comemora-se Mundial do Urbanismo. (DR)
o que vai acontecer Política O presidente do Tribunal Constitucional, Manuel Aragão, participa em Lucknow, Índia, na 20ª Conferência Internacional dos chefes de Justiça Constitucional do mundo. O encontro destina-se aos juízes conselheiros presidentes de todo o mundo e este ano vai analisar a questão da paz global. O evento tem como tema central “Congresso Global da Paz”. O objectivo do tema é unir o mundo em torno das crianças por via da lei mundial aplicável e de uma governação global eficaz, inspirado no pensamento do Prémio Nobel da Paz e Educação, Jan Timbergen, que dizia que “os problemas da Humanidade não podem ser resolvidos apenas pelos governos nacionais
desporto motorizado A última prova do Campeonato Nacional de velocidade disputa-se de 9 a 10 do corrente mês, na província do Namibe, com a participação de mais de trinta pilotos. A informação foi anunciada pelo vicepresidente da federação Angolana de Desportos Motorizados (fADM), António dos Santos. A prova será disputada por motociclos e automóveis. O dirigente fez saber que tudo está pronto para o arranque da prova. O serviço de protecção civil e bombeiros, bem como a Polícia Nacional garantirão a segurança da prova. “Tudo está assegurado. Não temos motivos de queixa”, assegurou.
Livro “Um Natal de Mil Cores” da
escritora Ngonguita Diogo, que é apresentado ao público malanjino, hoje, no auditório da Rádio Malanje, como forma de levá-lo a reflectir sobre a actual situação da sociedade moderna angolana. O livro, de contos para crianças, da editora Atântica Yetu, tem três contos sobre a importância da família na construção da sociedade. Para a autora, os contos, “ Um Natal de Mil Cores”, “ Um Arco-íris no Natal” e “ Um presépio especial e a minha Bíblia”, chamam, também a atenção à data, que, aos poucos, tem perdido a essência, passando a ser mais materialista. Os valores da venda serão entregues a um centro de infantil cató-
lico
Música O cantor angolano Puto
Português e o grupo brasileiro Chiclete com Banana estarão juntos no pátio do centro comercial Avenida em Luanda, num concerto previsto para dia 30 deste mês. O espectáculo “au revoir” foi anunciado durante o lançamento, pelos seus organizadores (Santinhos evento) que esperam colocar pelo menos três mil admiradores e cujos bilhetes estão à disposição do público a partir desta Terça-feira. Será a primeira vez que cantarão juntos e, de acordo com a organização do evento, o objectivo é a aproximação das culturas de Angola e da Bahia (Brasil), origem da banda
á décadas que o Governo angolano se “nega” a organizar e prestar um decente serviço de transportes públicos, há décadas que se deixou este importante segmento sócio-económico nas mãos de quem quiser aventurar-se, e o resultado deste desinteresse é cada vez mais o crescendo do número de mortos nos “transportes públicos” informais que temos. Há rios de sangue a correr pelas estradas de cada vez que um candongueiro resolve conduzir embriagado ou quando perde o controlo do veículo. Veículo que, sabemos, normalmente faz parte da frota de alguém ligado ao Governo, ou ao Estado, seja qual for o escalão. Agora, aliás, de há alguns anos a está parte, o perigo de morte instalouse também no interior daquilo a que se dá o nome de táxis. Todos os dias pessoas são assaltadas ao ir ou a voltar do trabalho, os ditos táxis são como a roleta russa, quem entra nunca sabe se o motorista é apenas isso ou um assaltante, não sabe se os passageiros são apenas isso ou assaltantes. Nesta Terça-feira um valoroso homem da Polícia perdeu a vida a cumprir o seu dever de proteger os cidadãos e de lutar contra o crime, porque assim ditou o tambor da roleta, naquele táxi, o motorista e alguns passageiros eram assaltantes. Como tudo teria sido diferente se se deixasse os umbigos de lado e se provesse o país de verdadeiros transportes públicos colectivos. Alguém ainda sabe o que eram autocarros, carreiras ou machimbombos? Estranho que se tenha de recuar ao tempo colonial para se reencontrar esta dignidade. Que pese em alguma consciência.
E também... Dia Mundial da Radiologia - 8 de Novembro pois foi neste dia que se descobriram os raios X. Os raios X foram descobertos em 1895 pelo físico alemão Wilhelm Conrad Roentgen. O objectivo do Dia Mundial da Radiologia é consciencializar a sociedade sobre o valor do diagnóstico e do tratamento efectuado pelo radiologista, que fornece segurança e cuidados ao paciente. Além deste fim, a comemoração deseja contribuir para uma melhor percepção junto da população do papel do radiologista na assistência à saúde geral das pessoas.
6 Media Nova, S.A Presidente do Conselho de Administração filipe Correia de Sá Administradores Executivos Luís Gomes Paulo Kénia Camotim Propriedade : Socijornal Depósito Legal: Nº 244/2008 Contribuinte: 5417015059 Nº registo estatístico: 48058
O PAÍS Sexta-feira, 08 de Novembro de 2019
NO TEMPO dO KAPArANdANdA
Director Geral de Publicações: José Kaliengue jose.kaliengue@opais.co.ao
OPAÍS
Director: José Kaliengue Sub-Director: Daniel Costa, daniel.costa@opais.co.ao Chefe de Redacção: Eugénio Mateus, eugenio.mateus@opais. co.ao Grande repórter: André Mussamo andre.mussamo@opais.co.ao Editorias : Política: Ireneu Mujoco ireneu.mujoco@opais.co.ao (Editor) Sociedade: Paulo Sérgio paulo.sergio@opais.co.ao (Editor) Romão Brandão romao.brandao@opais.co.ao (Sub-editor) Economia Luís faria (Coordenador-Editor) luis.faria@opais.co.ao Desporto: Sebastião félix sebastiao.felix@opais.co.ao (Editor) Mário Silva mario.silva@opais.co.ao (Sub-editor) Cartaz: Jorge fernandes jorge.silva@medianova.co.ao (Sub-editor) Redacção: Norberto Sateco, Alberto Bambi, Augusto Nunes, Rila Berta, Miguel Kitari, Domingos Bento, Neusa filipe, Afrodite Zumba, Milton Manaça, Antónia Gonçalo, Maria Teixeira, Iracelma Kaliengue, Patrícia Oliveira, Stela Cambamba, Zuleide de Carvalho (Benguela),Brenda Sambo, Maria Custódia, Kiameso Pedro e Adjelson Coimbra. Arte: Ladislau Bernardo (Coordenador) Valério Vunda (Coordenador adjunto)Lourenço Pascoal, Annette fernandes, Nelson da Silva e francisco da Silva. Fotografia: Carlos Moco (Editor), Daniel Miguel (Sub-editor), Pedro Nicodemos, Jacinto figueiredo, Carlos Augusto, Virgílio Pinto, Lito Cahongolo (repórteres fotográficos), Rosa Gaspar e Yuri dos Santos (Assistentes de Departamento) Revisão: António Setas Agências: Angop, AfP, Reuters, Getty Images
Assistentes de Redacção: Antónia Correia, Rosa Gaspar, Inês Monteiro e Sílvia Henriques Impressão e acabamento: DAMER, S. A. Luanda Sul, Edifício Damer Distribuição: Media Nova Distribuição Tel: +244 943028039 Distribuidora@medianova.co.ao pontodevenda@medianova.co.ao Assinaturas: Bruno Pedro Tel: +244 945 501 040 Bruno.Pedro@medianova.co.ao Online: Venâncio Rodrigues (Editor)Isabel Dalla e Ana Gomes Sítio Online: www.opais.co.ao Contactos: info@opais.co.ao Tel: 914 718 634 -222 003 268 fax: 222 007 754 Sede: Condomínio ALPHA, Talatona- Luanda. Tel: 222 009 444 República de Angola
Comercial e Marketing: Senda Costa 922682440 Vladimir Teixeira email: comercial@medianova.co.ao Tiragem: 15 000 exemplares
1942
08 de Novembro - forças dos Estados Unidos e Reino Unido desembarcam no Norte da África, durante a II Guerra Mundial.
08 de Novembro 1980 - Cerca de mil
estudantes de medicina da cidade Polaca de Gdansk entram em greve, numa medida levada a cabo pelo “Solidariedade” para conseguir a independência face ao controlo governamental.
1991
08 de Novembro -Irving”Magic” Johnson, de 32 anos de idade, o mais famoso basquetebolista do mundo, anuncia, em Los Angeles, que se retira do desporto por ser seropositivo do SIDA.
CArTA dO LEITOr
Triste cenário na Via Expressa... DR
Director do O PAÍS, desejo-lhe uma óptima Sexta-feira... Escrevo a partir da cidade do Cuito para falar da morte do agente da Polícia Nacional na Via Expressa, em Luanda, nos últimos dias. Confesso que o facto chocou-me muito, porque o agente fez o que aprendeu no curso de polícia. Infelizmente, os marginais estavam em vantagem númerica e ele acabou também por perder a vida. Com este acontecimento, espero que os níveis de segurança pública em Luanda e arredores sejam redobrados. Por isso, a Polícia Nacional deve também criar condições para a viúva e filhos do agente. Nos últimos tempos, o número de crimes na Via Expressa tem aumentado, logo, é importante haver mais atenção. As reclamações têm sido uma constante, por parte
dos cidadãos, e isso não deve ser ignorado pelas autoridades competentes. Os problemas sociais por que o país atravessa levam muitos a delinquirem, por isso é importan-
te haver melhoria das condições. E isto é um trabalho de todos, pois os problemas sociais são fenómenos em que cada área do saber merece dar o seu contributo. Ainda assim, reitero, paz à alma
do agente e que seja acolhido pelo Altíssimo nas estrelas que continuam a iluminar o mundo em busca de dias melhores. Dando Manuel, cidade do Cuito
Escreva para o Jornal OPAÍS através do e-mail info@opais.co.ao ou ligue para estes contactos Tel: 222 003 268 fax: 222 007 754
Af_bai_pme_o país_26,6x40,6cm_05032018.pdf
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POLÍTICA
O PAÍS Sexta-feira, 08 de Novembro de 2019
PR reconhece mérito na luta contra a corrupção DR
O Presidente da República, João Lourenço, reconheceu nesta Quinta-feira, em Luanda, o mérito de quem se dedicou à denúncia de casos suspeitos de corrupção
N
o final da cerimónia de condecoração do jornalista de investigação e defensor dos direitos humanos Rafael Marques, entre várias individualidades, o Chefe de Estado angolano admitiu que esse reconhecimento possa ter “leitura e reacções díspares, a julgar pelos estereótipos criados ao longo do tempo, quando a corrupção era encarada como algo normal”. O Presidente João Lourenço condecorou várias individualidades nacionais e estrangeiras, entre membros da sociedade civil, atletas, antigos combatentes e membros do Governo, com as ordens de “Independência do Primeiro Grau”, “Mérito Civil do Primeiro Grau” e com a “Medalha de Bravura e do Mérito Civil de Primeira Classe”. O Chefe de Estado, que presidiu à cerimónia por ocasião das celebrações do 44° aniversário da Independência Nacional, justificou o reconhecimento pelo contributo dos agraciados à causa do engrandecimento de Angola. Augusto Lote (a título póstumo) e Noé da Silva Saúde foram os dois únicos nacionalistas e ex-presos políticos condecorados com a “Ordem de Independência do Primeiro Grau”, Entre os condecorados com a “Ordem de Mérito Civil do Primeiro Grau” figuram Adjany da Silva, bióloga e premiada pelo National Geographic, Alcides Vinevala Francisco, empreende-
O momento em que João Lourenço condecorava Rafael Marques
dor que gerou mais de mil postos de trabalho, e Paula de Oliveira, mentora do projecto de prevenção de mordedura de serpentes. Constam ainda entre os condecorados desta ordem os empresários Carlos Cunha, João Macedo e Rui Manuel dos Santos, bem como a escritora e académica Irene Guerra Marques e a cantora Maria de Lourdes Van-dúnem (a título póstumo). O Estadista outorgou a “Medalha de Bravura e Mérito Civil” à cantora Maria Clara Monteiro, ao artesão Sebastião Simba Miguel, ao médico italiano Paolo Parimbelli, aos empreendedores Cláu-
“Bravos são aqueles que, ao invés de se lamentarem internamente das dificuldades existentes fazem delas oportunidades para vencer na vida, arregaçam as mangas e vão à luta pelo pão para as suas famílias, sem dependerem necessariamente de um patrão”
dio Buta, e Cristóvão Warscheke, Domingos Vunge, Erickson Mvezi, Deolinda Bibiana, Domingas Cassanga, Verónica Segunda e Hermenegilda Chipuca. A “Ordem de Mérito Civil” foi extensiva aos integrantes das selecções nacionais de andebol sénior (feminino e masculino), pelas medalhas de ouro nos africanos de Rabat (Marrocos), de pesca desportiva, e pela medalha de bronze no campeonato do mundo, de Durban, África do Sul. Com a mesma Ordem, o Presidente João Lourenço também condecorou os integrantes da
selecção nacional de juniores de Vela Optimist, pela medalha de ouro no africano em Seychelles e a campeã africana júnior de Xadrez, Luzia Pires. Também a título póstumo foi condecorado o académico e político Nfulupinga Landu Víctor, antigo líder do partido PDP-ANA falecido a 2 de Julho de 2004, com a Ordem de Mérito Civil. Aristides Cateco “Kima Kienda” recebeu a Medalha de Mérito Militar de Primeira Classe. Condecorados sentem-se estimulados Rafael Marques declarou sentir-se estimulado, como cidadão, a lutar por um país melhor, considerando “reconfortante passar de vende-pátria a patriota”, com o reconhecimento do Presidente da República. Falou da necessidade de continuar o processo de moralização dos servidores públicos para que façam o seu trabalho de modo que a população tenha uma vida melhor. O jornalista e escritor Sousa Jamba repetia que “até agora não estou a acreditar”, considerando que o reconhecimento demonstra espírito de inclusão, estimula o debate e contribui para o desenvolvimento da Nação. O músico Eduardo Paím dizse estimulado a produzir mais e prometeu para o próximo ano um novo disco, evitando pormenores para “manter o factor surpresa”. Na cerimónia, o Presidente da República enalteceu o papel de quem “desde muito cedo teve a coragem de se bater contra a corrupção crescente, que acabou por se enraizar na nossa sociedade porque a super-estrutura dava mau exemplo e, por isso, não tinha moral para combater o monstro que ela própria criou e do qual se alimentava”. Para o Presidente João Lourenço, “bravos são aqueles que, ao invés de se lamentarem internamente das dificuldades existentes fazem delas oportunidades para vencer na vida, arregaçam as mangas e vão à luta pelo pão para as suas famílias, sem dependerem necessariamente de um patrão”.
O PAÍS Sexta-feira, 08 de Novembro de 2019
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Ministro da Administração do Território e Reforma do Estado, Adão de Almeida, dissertando sobre o PIIM
Avisam empreiteiros envolvidos na iniciativa governamental: “PIIM pode ser um fiasco” O Governo ainda não libertou qualquer verba para a implementação do Programa Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM). Empreiteiros estão preocupados por terem celebrado contratos com o dólar a 350 Kwanzas, quando já subiu para 660 Kwanzas Ireneu Mujoco
E
mpresários que ganharam concursos de empreitada no âmbito do Programa Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM) para construção de escolas e postos médicos em várias províncias do país afirmam que os contratos devem ser “revistos e indexados ao câmbio do dia”, fora do qual “as empresas correm o risco de não concluírem as obras e o programa resultar num fiasco”. Manuel Norte (o nome é fictício) que assim se identificou “por temer represálias” não tem “dúvidas do insucesso que pode vir a ser o PIIM se continuar a verificar-se atrasos na alocação de verbas para início de obras”, e,
mais grave ainda, aponta que “se o Governo nada fizer para a revisão dos contratos, então as empresas envolvidas, para além de não cumprirem as suas obrigações, correm o risco de desaparecer”. “Recebemos as obras com o dólar a 350 kwanzas, hoje está a 660 kwanzas, acha que nesse contexto pode haver obra?”, questiona o empresário, preocupado com o “lento andamento do programa”, anunciado com pompa e circunstância pelo Presidente da República, mas que “pode transformar-se num verdadeiro embuste para as próprias iniciativas governamentais”. “Corremos o risco de entrar com o nosso dinheiro para avançar com as obras, mas não é um exercício recomendável”, pois, “lamentavelmente, o Governo tem sido mau para com os empresários e as empresas na hora
de honrar com os pagamentos”, constata a mesma fonte. Lamentações reforçadas por José Marques, outro empresário da Huíla, que, a exemplo do primeiro, pediu para não ser identificado pelo próprio nome. “Os contratos devem ser revistos porque o PIIM pode ser mesmo um descalabro”, acrescenta. “É um programa que começa mal”, evidencia Fernando Miguel, também seleccionado para execução do PIIM. Alertando que “o programa arrancou mas ainda ninguém dentre os empresários recebeu um tostão”, Miguel também duvida que “as coisas venham a dar certo”. “O kwanza perde valor a cada dia e muito do material de que precisamos para as obras terá de ser importado. Acha que isso é comportável?”, interroga-se, por sua vez, Roque Silva, do CuanzaSul, também “bafejado pela sorte” de ser enquadrado nas obras do PIIM. Este empreiteiro vai mais longe, receando que “esse programa, da forma como está a ser levado a cabo, pode ser só mais uma forma encontrada para roubar dinheiros públicos”.
Sem retorno Entretanto, a OPAÍS, fonte do Ministério das Finanças (Minfin), confrontada com estas inquietações dos empresários, avançou apenas que “eles têm razão”, prometendo que “à luz das orientações do Executivo, o PIIM não tem retorno”, por ser “um programa que deverá revolucionar a vida nos municípios, boa parte dos quais muito atrasados do ponto de vista do desenvolvimento económico e social”. O funcionário do Minfin recusou-se, porém, a falar do atraso na alocação de verbas, até mesmo para o município do Cazombo, onde foi lançado o PIIM pelo Chefe de Estado, João Lourenço. Mas os empresários não caem nesse discurso e voltam à carga: “esse discurso é há muito conhecido. É caduco”, reforçando que “o PIIM acabará mesmo por ser uma ‘armadilha’ se não forem revistas as cláusulas dos contratos”. “Se o PIIM falhar, será também um grande revés para o Governo perante instituições de crédito, como o Fundo Monetário Internacional”.
sociedade
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O PAÍ Sexta-feira, 08 de Novembro de 2019
Trabalhadores da Elisal durante a última greve, nas instalações sede, em Luanda
Trabalhadores da Elisal preparam marcha para Sábado Por incumprimento do que terá sido acordado com o GPL, depois da última paralisação, a 23 de Outubro, os trabalhadores da Elisal voltaram a paralisar os serviços, desde anteontem. Segundo Ventura Luciano, primeiro secretário sindical, em entrevista ao Jornal OPAÍS, para além da greve, tencionam marchar no Sábado desde as instalações do Cazenga até ao Largo 1º de Maio Romão Brandão
O
s trabalhadores da Empresa de Limpeza e Saneamento de Luanda (Elisal) paralisaram novamente os seus serviços, desde as primeiras horas de Quarta-feira, por tempo indeterminado, para exigir melhores condições de trabalho. A decisão surge pelo facto de não verem cumpridas as promessas feitas na última reunião de concertação. Tinham acordado que os salários seriam pagos no final de cada mês, aspecto que não está a ser cumprido, uma vez que ainda registam atrasos, dizem. Acordaram também que a empresa deve dar apoio fúnebre aos trabalhadores e familiares do primeiro grau; a empresa deve pagar a segurança social e garantir a assistência médica e medicamentosa aos trabalhadores. Muitos dos trabalhadores não en-
tram na reforma porque a empresa tem dívida na Segurança Social, pelo que os funcionários acham fundamental que o pagamento das mesmas seja um facto. Por outro lado, pagou-se o salário de Setembro, mas esperavam o de Outubro e, nada, como contaram a OPAÍS. Essas promessas de resolução dos problemas dos trabalhadores da Elisal terão sido feitas na reunião do dia 24 de Outubro com o governador da província de Luanda, Sérgio Rescova. Apesar de terem tentado um consenso com o Governo Provincial de Luanda, uma vez que a empresa é gerida temporariamente pelo GPL desde a exoneração do director, da reunião parece não ter “transpirado” muita coisa, pois os trabalhadores voltaram a paralisar e agora estão decididos a não recuar. “Na Quarta-feira, 06, fomos chamados para mais uma reunião no GPL, que, infelizmente, não aconteceu, por indisponibilidade do governador. Enquanto durar a greve, os trabalhadores da Elisal sairão das
instalações na Frescangol até ao 1º de Maio marchando, também como forma de reivindicação contra as constantes injustiças”, disse Ventura Luciano, o primeiro secretário da comissão sindical da Elisal, que voltou a frisar que o problema dos trabalhadores desta empresa pública tem sido cíclico e há bastante tem-
Enquanto durar a greve, os trabalhadores da Elisal sairão das instalações na Frescangol até ao 1º de Maio marchando, também como forma de reivindicação contra as constantes injustiças
po que esperam por melhorias. Falta de condições de trabalho, falta de boa assistência médica e medicamentosa e salários não pagos pontualmente são os principais motivos desta paralisação que hoje começa, e não tem data de término. “Só para ter noção, senhor jornalista, nós não temos no centro médico da empresa nem sequer um paracetamol”, lamentou. Aqueles trabalhadores, segundo o entrevistado, colocam diariamente a vida em risco, por lidarem com lixo, e a assistência médica e medicamentosa da empresa não é das melhores. Este problema é antigo e estão cansados de receber promessas da sua resolução que não são cumpridas. No ano em curso, esta é a terceira paralisação registada na Elisal. A primeira foi em Agosto, numa decisão que surgiu em função do facto de a então direcção da Elisal ter a pretensão de liquidar apenas a dívida dos ordenados do mês de Junho, violando um dos pontos constantes
no caderno reivindicativo. A segunda foi há pouco menos de um mês. Os sucessivos atrasos salariais estavam na base da decisão de paralisar o trabalho, por isso, os trabalhadores foram unânimes em decretar a greve, já que a entidade empregadora decidiu pagar apenas um mês e não dois, como se exigia. Quando fazem uma greve, aqueles trabalhadores paralisam os serviços de varredura, recolha e depósito do lixo no aterro sanitário dos Mulenvos, até à resolução do problema. A Elisal tem responsabilidades atribuídas para a manutenção do aterro, assistência técnica dos municípios, bem como a operação na limpeza e recolha dos resíduos sólidos no município do Cazenga. Desde o dia 30 de Julho de 2019 que o Conselho de Administração da Elisal-EP foi exonerado e criouse uma comissão de gestão coordenada pela vice-governadora para os serviços técnicos e infra-estruturas, Elisabeth Rafael.
O PAÍS Sexta-feira, 08 de Novembro de 2019
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País conta com lista de sítios naturais para incluir no património mundial O Ministério do Ambiente identificou cinco sítios naturais do país e submeteu à Organização das Nações Unidas para a Ciência, Educação e Cultura (UNESCO), no sentido de proceder à sua inclusão na lista do património mundial, revelou ontem, em Luanda, o director nacional da biodiversidade, Nascimento António dr
O Parque Nacional de Cangandala, habitat natural da Palanca Negra Gigante, consta na lista
Stela Cambamba
O
Mi n istério do Ambiente, como órgão do Executivo responsável pela elaboração das políticas de conservação da natureza e de gestão sustentável de recursos naturais, no âmbito da implementação da convenção sobre o património natural mundial, identificou alguns sítios naturais do país que pretende submeter à UNESCO para a sua inclusão na lista do património mundial. O director nacional da bio-
diversidade do Ministério do Ambiente, Nascimento António, disse que a sua instituição começou o processo de inscrição dos sítios considerados património Nacional que apresentam características universais e potencialmente podem também ser considerados como “património da UNESCO ou mundial”. Já existe uma lista proposta, escolhida em função dos critérios da UNESCO, e entre as sete maravilhas de Angola foram escolhidas cinco, designadamente o Parque Nacional de Cangandala, que é habitat natural da Palanca Negra Gigante (por ser um animal ameaçado de extinção,
“A selecção de sítios obedece a vários critérios, porque depois de inscritos serão comparados a outros lugares de diferentes países já inscritos”, pelo facto, escolhemos apenas cinco”
características de um património mundial, tendo em conta que só existe em Angola). Consta também o Parque Nacional do Iona, por albergar o deserto mais antigo e com uma planta rara, a Welwittscia Mirabilis, bem como a Lagoa do Arco, também no Namibe, com particularidades naturais; o Parque Nacional de Luengue-Luiana, que está a montante do delta do Okavango no Botswana, milésimo lugar da UNESCO. Segundo Nascimento António, o Governo vai submeter uma lista à UNESCO e, a posteriori, a organização vai mobilizar os seus técnicos para avaliar cada sí-
tio. Se um destes lugares vier a ser considerado património mundial, trará grandes vantagens para o país, tendo em conta que vai atrair mais turistas internacionais. “A selecção de sítios obedece a vários critérios, porque depois de inscritos serão comparados a outros lugares de diferentes países já escritos, razão pela qual escolhemos apenas cinco. Assim como a selecção das maravilhas de Angola, que inicialmente eram 23 e depois da selecção ficaram apenas sete”, esclareceu Nascimento António. Por seu turno, o consultor do gabinete da ministra do ambiente, Soki Kuedikuenda, que falava em representação da titular da pasta no seminário sobre o património mundial natural e as metas do Aichi 2020, disse que o país detém um património natural rico, constituído por uma fauna e flora com variadíssimas espécies. Sítios e áreas naturais de extraordinário valor universal, excepcional do ponto de vista estético, científico, conservação ou ainda da beleza natural, fazem parte do nosso país. As sete maravilhas de Angola, escolhidas pelo povo angolano, estão nesta categoria. Angola é signatária da Convenção sobre o Património Mundial desde 1992, mas nunca apresentou um sítio para ser incluído na lista do Património Natural Mundial. A inclusão de um sítio nesta lista apresenta vantagens como ser conhecido a nível internacional e poder beneficiar de um programa de apoio à preservação do património mundial da UNESCO. Entretanto, a Organização Mundial do Turismo indica que 70% dos turistas visitam sítios de património mundial de cada país, favorecendo assim os indicadores económicos de um país.
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Académica refuta haver colisão de projectos no MED jacinto figueiredo
Os esclarecimentos da formadora de formadores vêm dissipar as dúvidas de muitas vozes que defendem a possibilidade de os projectos CAPRI, PAT e TEACH estarem a fazer a mesma coisa e a gastar dinheiro
Alberto Bambi
A
responsável pela formação contínua dos professores primários pelo Instituto Nacional de Formação de Quadros da Educação (INFQE), Ivone Augusto, garantiu não haver colisão, muito menos defesa dos mesmos interesses por parte dos múltiplos projectos que, de há algum tempo a esta parte, o Ministério da Educação (MED) tem vindo a implementar. Mencionando, de forma mais concreta, os projectos Capacitação para Professores Primários (CAPRI), Aprendizagem para Todos (PAT) e TEACH, a especialista do INFQE esclareceu que cada um tem os seus objectivos bem definidos. “Ainda que o CAPRI e o PAT contemplem a formação aos professores primários, o modo de actuação e a parte desse público-alvo difere. Já o TEACH vem reforçar a supervisão, todos concorrem para a melhoria da qualidade do ensino em Angola”, aclarou a responsável, pedindo aos críticos que olhem ou esperem pelos resultados para melhor julgarem se terá ou não valido a pena. Ivone Augusto acha que as dúvidas que os programas do MED levantam devem-se à falta de informação precisa por parte dos críticos, por isso, propõe que haja secções para o controlo dos projectos existentes nos gabinetes provinciais, de modo a que os dirigentes daí tenham capacidade de saber quantos projectos predominam na sua área de jurisdição e o dêem a conhecer ao público. Sobre a adopção, defende que
venham todos os projectos, CAPRI, PAT, TEACH ou outro qualquer, desde que não toquem nos mesmos grupos-alvos, porque, se assim procederem, quando chegar a fase de avaliação, o que se verá é que vai ser mesmo colisão. “Já houve encontro de elementos de projectos diferentes, isso não é mau. Mau é quando as coisas correm mal e se apontam acusações a quem não tem culpa”, declarou. De acordo com a dirigente do INFOQUE, é necessário definirem-se os alvos específicos, em função da identificação também específica de certos problemas, para que a avaliação de impacto não seja muito trabalhosa, até porque, segundo adiantou, para o caso dos actuais projectos da Educação, vai haver sempre professores fora desses ciclos de formação, que, na verdade, constituem elemento de registo de resultados. Também é necessário saber que nós estamos a mexer no sistema e, quando assim procedemos, o
Ivone Augusto, responsável pela formação contínua dos professores pelo INFQE
aconselhável é não ser em todos os elementos do sistema, para que não caia na sua totalidade, soube O PAÍS da sua interlocutora. Reforma Educativa à lupa Ivone Augusto recordou o que aconteceu com a monodocência, um subsistema contemplado pejacinto figueiredo
A especialista defendeu o cumprimento da componente formação de professores nos projectos
la Reforma Educativa (R.E), tendo admitido que o referido sistema pecou por não ter cumprido a componente da formação dos professores. Confessando que fez parte da equipa que levou a cabo a R.E no país, assegurou que sempre defendeu uma fase de implementação experimental em apenas três províncias, de onde, segundo ela, se devia fazer uma avaliação de impacto, que daria indicativos que determinariam se se podia generalizar ou não o sistema em causa.“Ainda assim, a RE contemplava um ou dois anos de avaliação da implementação, um processo que não foi cumprido conforme concebido, porque não se tiveram em conta os clamores dos professores relativamente à monodocência, que consistia na transformação da 5ª e 6ª classes para turmas de um professor apenas, em detrimento dos mais de oito, do então II nível do sistema anteriormente vigente, detalhou a formadora.
A transição automática atribuída à 1ª, 3ª e 5ª, classes, para o ensino primário de seis classes, foi outro pormenor cujos gritos contra dos docentes não foram atendidos, de acordo com a entrevistada deste jornal, para quem a exigência dos instrutores se responsabilizarem por um grupo de alunos da 1ª à 6ª classe constituiu outro problema que não teve em conta as vicissitudes dos nossos agentes da educação. Mesmo assim, a especialista dá a mão à palmatória, ao ponto de admitir que essas falhas foram cometidas pela equipa toda que esteve envolvida na implementação da Reforma Educativa. Questionada sobre o tratamento que se deve dar à monodocência, a seu jeito, Ivone Augusto, voltou a recomendar para, pelo menos, se ouvirem os professores primários e outros agentes da educação que vivem e convivem directamente com o sistema que eles próprios já consideram como um problema.
cartaz seu suplemento diário de lazer e cultura
Moradores do Benfica desclassificam slogan: “Distrito Cultural”
Ouvidos pela reportagem de “OPAÍS”, os moradores desta circunscrição de Luanda, rejeitam a designação (Distrito Cultural) pelo facto de haver poucos registos de actividades artístico-culturais na zona, mas a administração do distrito argumenta que a denominação refere-se a uma razão histórica
DR
Estrada principal de acesso à rua designada ‘Corredor da Cultura’
Adjelson Coimbra
A
pós o seu empossamento como administrador do distrito urbano do Benfica, Hélio Aragão denominou esta zona, no dia 12 de Julho, como Distrito Urbano da Cultura. Esta denominação enquadrouse no âmbito da reorganização do distrito e visava a atracção e o desenvolvimento do turismo nes-
ta localidade, adstrita ao município de Belas. Dado o facto, após cerca de quatro meses, o jornal OPAÍS efectuou uma ronda na referida localidade. Os ponteiros do relógio marcavam 10:27 e o sol raiava pesadamente no azul do céu, que se rejeitava a amenizar os seus raios ultravioletas. O Duster de OPAÍS rodava sobre o gasto tapete asfáltico da rua Dona Xepa, em direcção ao recéminaugurado Corredor da Cultura. Com um andar que denota-
va cansaço, calças azul-escuras, cuja bainha da perna do lado direito estava arregaçada e a suar justamente por ser um dia de sol, lá vinha o primeiro interlocutor de nome Pedro Capequel, morador há 18 anos no Benfica. Questionado sobre as actividades culturais do seu bairro, Man Pé, como é vulgarmente conhecido, trazia consigo lembranças vagas de um evento denominado “Galinha Gentia”, que já não existe, conforme explica, faz dois meses. Este evento consistia num
concerto, onde artistas, seleccionados aleatoriamente, actuavam, o que alegrava os munícipes. “Tirando as músicas que tocam em roulottes, já não se realizam cá actividades culturais. Aqui no bairro não temos quase nenhuma actividade, mas gostaria que se realizassem novamente. A administração que vele por esta situação”, lamentou. Actividades culturais podem salvar jovens do perigo da criminalidade Rumo ao nosso destino, Gon-
çalo Tomás, mais recente do que Man Pé no bairro, disse, ironicamente, que a única actividade cultural que vê a realizar-se é a “delinquência” e a “prostituição”, pois,prossegue, isso prende-se ao facto de não existir oportunidade para os jovens. “Muitos jovens aqui estão perdidos. Caso haja actividades culturais e desportivas, poderão ser salvos do mundo da droga e da criminalidade. Eles defendem que tem de haver mais recreio, mais cultura, mas lamentavelmente não têm como, porque não há iniciativa. Este governo está morto”, opinou. Outro facto que também lamentou foi o de nunca ter visto o administrador, nem sequer o coordenador do bairro a circular pelas redondezas da população. Por conseguinte, Wilson Martins, popular há oito anos, fez uma analogia entre os tempos passados e os actuais. Desta análise, disse que tanto antes, como agora, no Benfica, nunca houve fortes actividades culturais que justificassem a denominação de Distrito Urbano da Cultura. Quem comunga com Wilson Martins é Josefina Cavala. “Discordo da ideia de o Benfica ser denominado Distrito Urbano da Cultura. Aqui organiza-se mais festas de jovens. E tais eventos não são culturalmente fortes para atribuir ao Benfica essa denominação”, realçou a senhora, que se fazia acompanhar dos filhos. O Corredor da Cultura Esta localidade mais não é do que uma rua que respira arte à primeira vista, pelos grafitis que revestem os curtos muros. Cruzada por uma travessa no seu início, o Corredor da Cultura tem quadros pintados a óleo sobre tela na ala esquerda, apoiados numa parede, e, na ala direita, apoiados numa árvore, cujos troncos robustos geram sombras, onde Billy Elione, o artesão, estava à espera
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Josemar Calengue vence I edição do ‘ChefMega’ O concorrente Josemar Calengue conquistou, recentemente, o primeiro lugar do concurso “Chef Mega”, “Jovem cozinheiro do ano”, realizado pelo Mega Cash Carry em parceria com a Escola de Hotelaria e Restauração
Graffitis estampados em alguns pontos da rua
Cestos manufacturados pelo artesão, Billy Elione
de fregueses. Conta que ali foi parar após ter aceitado um convite feito pela administração. Billy, diferente de todos os outros interlocutores, defende que o Benfica merece a denominação de Distrito Urbano da Cultura. Quando questionado do porquê, não soube o que responder. Administração explica Distrito Urbano da Cultura é uma questão histórica O chefe do Gabinete do Administrador do Distrito Urbano do Benfica, José Nhanga, explicou que a denominação de Distrito Urbano da Cultura surge com a ideia de elevar a acção cultural ao nível da referida localidade. E, nesse sentido, inaugurou-se a passadeira colorida (cita no Corredor da Cultura), que surge com a intenção de chamar a atenção aos turistas sobre as potencialidades culturais que existem no distrito urbano do Benfica, conforme conta Nhanga. “Aqui também tem-se valorizado a história que marca o pas-
sado. Só para ver que culturalmente o Benfica é rico, porque é aqui no Benfica o local onde desciam os escravos que vinham de vários pontos do território. Razão pela qual erguemos o monumento que é o memorial à Escravatura Ruínas de Cabolombo”, ressaltou. Acrescenta que denominou-se o Benfica assim, sobretudo, por esta localidade gozar de uma tradição da cultura do nosso povo. “Eu acredito que muita gente quando trata-se de cultura, está a falar mais de músicas e shows e é normal pensar assim. Mas quando falamos em Distrito Urbano da Cultura, estamos a nos referir aos resgates dos valores culturais que o Benfica tem. E nós vamos dinamizando essa acção”, garantiu. Sítio histórico O distrito conta com o memorial “Ruínas de Cabolombo” situado no bairro do Benfica, que, por volta do século XVII e XVIII, servia de porto para o tráfico de escravos. Cabolombo foi classificado em 1993 como um sítio histórico de Angola.
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osemar Calengue atingiu o primeiro lugar com a popular ‘tranche de carapau e o mufete com todos’, já o segundo lugar coube a Bernardo Nsumbo, com a sua ‘Lasanha à moda angolana’, e no terceiro ficou Belsoi Faleiro com o ‘Bacalhau e a muamba de dendém’ Durante sete meses, as provas foram realizadas na CozinhaLaboratório da Escola de Hotelaria e Restauração e avaliadas por duas equipas de júri, sendo um júri técnico composto por docentes da EHR e um júri global, que contou com a participação permanente de repre-
sentantes de unidades de referência do sector da hotelaria e restauração: Epic Sana; Espaço Luanda; Bessangana e Club S. Foram avaliados numa perspectiva profissional requisi-
tos como a criatividade dos candidatos, o empratamento, desperdício alimentar e higiene em torno de todo o processo de confecção dos alimentos, bem como a elaboração da ficha técnica. Este concurso, considerado particularmente importante pelos especialistas do sector, conta, desde o princípio, com uma base de cooperação entre vários parceiros ligados à Hotelaria e Restauração, assim como com o Canal 2 da Televisão Pública de Angola, cuja emissão é assegurada pelo programa “Tipicamente” aos Domingos.
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cartaz
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Reacções “Gostei muito do palco, com um desenho feito de forma abstracta, sem algum sinal de realismo. No palco, tem um jogo de cores, mas também consegui perceber que eles têm tudo completo para uma determinada actividade, como o coro”, enfatiza o professor de arte angolana. Por sua vez, Glória da Silva, também professora, partilhou a mesma opinião. Considerou o espaço histórico, pelos anos de existência, mas ao mesmo tempo moderno por acolher os vários géneros de actividades culturais. Já o cidadão brasileiro Rodrigues, que aproveitou a sua estadia nessa cidade para conhecer o espaço, disse que a existência do mesmo tem atraído turistas de vários países, que muito almejam assistir a um evento naquela sala, tida como uma das mais peculiares da América Latina.
Zona exterior do Teatro Municipal de São Paulo, Brasil, que tem atraído diversos turistas, incluindo angolanos
Desenho arquitectónico do Teatro Municipal de São Paulo fascina artistas angolanos Integrantes da associação Globo Dikulu fiseram uma visita com a duração de aproximadamente uma hora, em que foi possível constatar de perto a criatividade artística neste emblemático espaço arquitectónico secular, inspirado na “Ópera de Paris” Antónia Gonçalo, enviada a São Paulo, Brasil
O
s artistas angolanos afectos à Associação Globo Dikulo integraram, na Quartafeira, 6, uma caravana composta por mais de 50 cidadãos de diferentes nacionalidades, que efectuou uma visita educativa ao Teatro Municipal de São Paulo, no Brasil, inaugurado em 1911. Durante a visita que durou cerca de uma hora foi possível constatar de perto a criatividade arqui-
tectónica do espaço construído a partir de 1903, inspirado na ‘Ópera de Paris’, como símbolo das aspirações cosmopolitas do início do século XX. Ao entrar, como sinal de boas vindas, estão duas esculturas que representam o nascimento do teatro. Os vários tipos de mármores de Carrara, Viena, Verona e Travertino ornamentados, que sustentam as paredes e o corrimão das escadas foram retirados de várias regiões italianas, esculpidos à
mão por vários artistas em diferentes ateliers. Neste espaço, encontram-se três camarotes: o do secretário Muni-
Foi possível constatar de perto a criatividade arquitectónica do espaço construído em 1903 , inspirado na ‘Ópera de Paris’
cipal da Cultura, da Prefeitura e do Governo do Estado, cativos desde o funcionamento do espaço. A sala de eventos é composta por três camarotes, em forma circular, voltados para a plateia. Segundo o guia, a mesma tem a capacidade de albergar mil e 533 pessoas. No tecto desta glamorosa sala, numa distância superior a 20 metros, encontra-se uma ilustre estrutura com 7 mil cristais e 220 lâmpadas. Para a sua manutenção, em caso de avaria das lâmpadas, que é feita uma vez por ano, a edificação faz-se através duma alavanca comandada no solo.
Reforma Consta que desde a construção deste sublime lugar, que tem atraído diversos turistas, passou por uma reforma na década de 1950, e dois grandes restauros na década de 80, sendo que os mais recentes aconteceram em 2008 e 2011. No corrente ano, o espaço passou ainda por outras reformas nos diferentes materiais que as compõem. Para a sua manutenção, são necessários cerca de 40 milhões de reais, o equivalente, em moeda nacional Kwanza, a mais de 450 milhões. Apesar de ter sido construído com verbas públicas (taxas, impostos e tarifas), naquela época o acesso era restrito. Só podiam entrar nela para os eventos, os barões do café e autoridades políticas, que pertenciam à primeira ordem. Essa ordem de acesso começou a ser exterminada até à década de 80, devido à decadência do café, na década de 30. Até ao ano de 2000 os ingressos eram ainda comercializados a um valor elevado. O guia contou que, actualmente, a distribuição do pessoal na sala de espectáculo é feita através do valor do convite. Durante a observação do espaço com mais de um século de existência (108 anos), foi ainda possível acompanhar o ensaio de uma banda no outro lado da sala, composta por 50 artistas, que irão realizar aquele que, por sinal, será o último espectáculo do ano, em Dezembro. A mesma é alugada exclusivamente para eventos culturais abrangente e nunca para actividades individuais.
A maior rede de rádios privada de Angola uma rádio que se mantém no topo das audiências e que tem emissoras nas quatro províncias mais populosas (Luanda, Huambo, Benguela e Lubango).
O I D Á A R VA O N A D A L O G AN
mais informação mais entretenimento mais música
arte: Raul Santos
Luanda 99.1 F M Benguela 96. 3 Huambo 89.9 FM F Huíla 91.3 FM M
Economia
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O PAÍS Sexta-feira, 08 de Outubro de 2019
Subida do preço de combustiveis é inevitável, segundo opinião de analistas
Próxima medida a doer: fim do subsídio ao combustível em 2020 Denominaram-na a próxima “onda de choque” na economia angolana. O governo “refugia-se” no argumento de “continuar a estudar a situação”, mas tomando em atenção vários cenários vaticina-se que em 2020 acaba a “oferta” de combustível no mercado angolano André Mussamo
N
a semana finda o secretário de Estado dos Petróleos, José Barroso, afirmou, que ainda está em estudo a possibilidade do Governo reajustar o preço dos combustíveis, com a retirada gradual dos subsídios, mas a decisão final não estava tomada. Apenas de uma coisa parece haver certeza. Já não será este mês que o Executivo toma uma das mais “difíceis decisões” depois da entrada em vigor do IVA e
Não faz sentido o Estado ter que pagar pelo combustível do homem que anda em carro de luxo”
da liberalização da taxa de câmbio que tem estado a desvalorizar a moeda nacional a um ritmo galopante. O secretário de Estado disse que “em princípio, já não será em Novembro. O Executivo continua a estudar, poderá ser no final do ano ou no princípio de 2020”, disse o governante que salvaguardou ainda que nas discussões em curso está prevista a subsidiação de vários sectores, como agricultura e pescas. A última actualização do preço dos combustíveis foi feita a 01
O PAÍS Sexta-feira, 08 de Outubro de 2019
de Janeiro de 2016, com o preço a sair de AKz 115 para 160 kwanzas o litro de gasolina, enquanto o gasóleo saía de AKz 90, para 135 Kwanzas. Apesar de ser o segundo maior produtor de petróleo da África subsahariana, Angola importa 80% dos combustíveis que consome, devido à reduzida capacidade de refinação interna. O Fundo Monetário Internacional (FMI) recomendou, em 2018, o ajustamento do valor de venda de combustíveis, de modo a reflectir nas mudanças os preços internacionais e na taxa de câmbio, introduzindo um mecanismo automático de ajuste de preços. O especialista financeiro e docente universitário, Dibar Pedro, não tem dúvidas de que “por mais que o Governo hesite quanto à subida dos preços de combustíveis, ela é inevitável na fase em que se encontra a nossa economia”. Segundo o mesmo, anualmente o Estado angolano gasta mais de USD 3,5 mil milhões na subvenção aos combustíveis. O preço médio da gasolina pelo mundo é de 1,1 USD por litro, ao passo que em Angola é de apenas USD 0,31 (considerando o câmbio do BNA de 02/11/19). Analisando o consumo deste bem por diferentes categorias podemos facilmente concluir que o sector industrial (actividades das empresas) e os meios de transporte em geral (veículos motorizados, aviões e navios) são os maiores consumidores. “O consumo dos combustíveis é maioritariamente feito por indivíduos da elite político-económica e da classe média alta por serem estes os detentores dos meios de produção e proprietá-
Cidadãos mais pobres são os que menos beneficiam dos subsidios aos combustíveis
rios dos veículos de alta cilindrada que diariamente consomem dezenas de litros de combustível”, explica. Para o especialista “não faz sentido o Estado ter que pagar pelo combustível do homem que anda em carro de luxo. Obviamente não é necessário recorrer a nenhuma ciência para se chegar à conclusão de que não é preciso perguntar ao homem que compra Mercedes, Lexus, Range Rover ou BMW, se tem dinheiro para comprar combustível”. Para o nosso entrevistado, a subvenção aos combustíveis é, ainda que de forma camuflada, uma transferência dos benefícios dos mais pobres para os mais ricos. Favorece os mais ricos em detrimento dos mais pobres. É uma medida com um custo social tremendo porque priva os mais carenciados de necessidades básicas de transporte, saúde e educação ao passo que permite aos mais ricos reduzirem as suas despesas de consumo e de produção quando, na verdade, os preços dos produtos cujo custo de produção em combustível foi subvencionado nunca diminuem na mesma proporção da subvenção. O também docente universitário da cadeira de Economia e Desenvolvimento Económico defende a existência de um serviço de transporte público funcional para que os mais pobres não despendam grandemente dos seus parcos salários nos serviços de transporte privado, sendo que um cidadão que aufere 40 mil kzs (salário acima do mínimo nacional) chega a despender cerca de 30% do mesmo só em transporte se tiver que pegar em média 2 táxis para chegar ao local de trabalho.
Mondlame da Cruz, economista
Dibar Pedro, economista
O especialista refere que mais de USD 3,5 mil milhões anuais, (valor quase na mesma ordem do empréstimo contraído por Angola junto do FMI), deveriam ser destinados às actividades de contínua modernização dos meios e das vias de transporte ferroviários e rodoviários e de outros serviços que tragam melhorias consideráveis para a condição de vida das famílias mais desfavorecidas. Para ele, é “imperioso e urgente que se faça a retirada deste subsídio e que a subsidiação do mesmo se faça apenas nalguns sectores estratégicos como agricultura, transportes públicos e outros que se justifiquem na estratégia da diversificação da produção nacional e da promoção das exportações”. “Os subsídios tornam-nos mendigos e reféns do sub-desenvolvimento” Segundo Dibar Pedro, o facto de Angola importar 80% dos combustíveis que consome por não ter uma indústria de refinação que responda à demanda, é, por si mesmo, uma disfunção e motivo impeditivo para o desenvolvimento. “A solução encontrada foi man-
ter os preços artificialmente baixos, o Governo atribui subsídios (ou seja paga parte do valor e a população outra), e como resultado temos os preços dos combustíveis mais baixos ao nível mundial”. Apesar desta aparência exterior, o país gasta mais em manter os preços de produtos como a gasolina artificialmente baixos do que com a Saúde e Educação e torna-se uma espécie de “mendigo e refém do sub-desenvolvimento”. O especialista compara a factura do preço artificial dos combustíveis no país aos gastos com a Saúde e Educação que segundo os seus calculos é de menos de 2,5% do PIB, enquanto a dos combustíveis rondou os 3,7% em 2014. “Estamos em economia de mercado. Aqui a exigência do cidadão é pela qualidade, o cidadão deve pagar pelos serviços prestados pelo Estado com impostos e não ser subvencionado quase em tudo como era prática no país”,afirma. Outro especialista contactado pelo OPAÍS é Mondlame da Cruz, que considera a ideia da subvenção como um artifício para esconder a inflação e manter o poder de compra numa economia que não tem
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suporte do mercado. O economista acha que as alternativas encontradas de “fixar os preços dos bens e serviços, subsidiando o real valor económico dos mesmos e uso da taxa de câmbio como instrumento para de forma artificial tornar as mercadorias importadas mais baratas”, nunca foi uma “boa medida”, pois ela visa apenas “mostrar ao povo que a economia não sofre inflação e é estável”. Por esta via, apesar de o país ter optado pela economia de mercado há já algum tempo, “cria-se uma mentalidade de dependência do Estado que até hoje preenche a consciência social das pessoas e limita a capacidade empreendedora dos cidadãos”. Mondlame mostra os “paradoxos da decisão do governo” e refere que ainda assim, mesmo com a subvenção “os produtos angolanos não são exportáveis porque são caríssimos e como resultado temos um país relaxado e uma economia dependente de fábricas que funcionam à base de geradores e cisternas de água”. O especialista adverte que isso não é nada bom para a economia, pois reduz as receitas em divisas e também as receitas fiscais, fundamentais para financiar o investimento público e para dar crédito às famílias e às empresas. “Se os preços do petróleo subirem sistematicamente no mercado internacional, os subsídios também vão aumentar cada vez mais”, pelo que urge terminar este processo e assim pôr fim, igualmente, a um desperdício de “USD 3,5 biliões que a maior parte da população não tem noção clara, que devia ser aplicado para resolver questões sociais”. Segundo contas do FMI, mais de 50% dos subsídios vai para 20% da população da classe média e ricos, enquanto 80% da população que vive na periferia ou no interior do país é penalizada. “O pobre precisa de 1 litro de petróleo para acender a lamparina, não tem acesso a energia e água”, pelo que os subsídios representam muito pouco nas suas contas. Daí a recomendação do Fundo Monetário Internacional para a utilização do dinheiro a favor dos mais carenciados. As famílias mais carenciadas, que vivem com 1USD/dia deviam ser apoiadas com programas como fomento à agricultura familiar, bolsa família, maior aposta nos transportes públicos e limites ao preço dos bilhetes, dentre outras medidas de caracter previdencial.
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MErCAdOS
Libor USD 6 Meses
Mercado TAXA DE JURO Taxas de Juro Taxa BNA Libor USD 6M Libor GBP 6M Libor JPY 6M Euribor 6M Luibor 6M
Cot. 06/11/19 15,500% 1,924% 0,894% -0,016% -0,339% 15,960%
∆ Diária (p.p) 0,000 -0,002 0,001 0,017 0,005 0,030
1,930 1,920 1,910 1,900 31/Out
Mercado ACCIONISTA Índices Accionistas Cot. 06/11/19 Dow Jones (EUA) 27 492,56 S&P 500 (EUA) 3 076,78 fTSE 100 (Inglaterra) 7 396,65 IBovespa (Brasil) 108 360,20 CSI 300 (China) 3 984,88 Nikkei 225 (Japão) 23 303,82
Cot. 06/11/19 473,9267 1,1066 1,2858 108,9000 14,8279 4,0745
Cot. 06/11/19 56,35 61,74 1 493,10 17,60 2,83 266,50
27.400
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26.800 31/Out
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∆ Diária (%) -3,875 -0,018 -0,101 -0,211 0,290 2,033
∆ Diária (%) -1,538 -1,938 0,634 0,171 -1,188 -1,315
1,118 1,113 1,108 1,103 31/Out
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∆ Diária (p.p) 0,040 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000
Mercado Cambial A cotação da libra fixou-se em 1,2858 USD por unidade da moeda, que representa uma depreciação de 0,101%. OpessimismodosinvestidoresemrelaçãoaodiscursodoBancodaInglaterrasobreoimpactodoBrexitpressionou a cotação da libra.
BrEVES Angola abre fórum sobre investimento em Shanghai O ministro do Comércio, Joffre Vandúnem, inaugurou ontem, em Shanghai, China, um espaço de debate e análise sobre investimento em Angola, designado “fórum Invest-Angola”, inserido na 2ª edição da Expo Internacional de Importação e Exportação da China
(CIIE). O fórum visa ouvir, analisar e discutir as razões que levam os investidores a canalizarem, de forma ainda tímida, as suas finanças para Angola, apesar do imenso potencial em recursos naturais e o potencial de consumidores do continente africano.
Plano director privilegia criação de unidade de Gestão de Projectos A criação de uma unidade de gestão de projectos e a harmonização técnica, legal e regulatória dos caminhos de ferro angolanos, de modo a convergir com os standards vigentes na Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), constituem acções prioritárias do Plano Director do Sector dos Transportes, com um total de 40 projectos. O facto foi avançado Quin-
ta-feira, no Huambo, pelo ministro dos Transportes, Ricardo Viegas de Abreu, na abertura do XII Conselho Consultivo do sector, salientando que o referido plano, a lançar no curto e médio prazos contempla ainda, entre os 40 projectos, a criação da Agência Marítima Nacional e o cumprimento dos compromissos do Plano Director Regional de Desenvolvimento de Infra-estruturas da SADC.
rede de transportes no Huambo aquém das necessidades
Brent Crude Fut. 63,3 62,2 61,1 60,0 31/Out
2/Nov
4/Nov
Luibor As taxas de juro no mercado interbancário mantiveram-se estáveis na generalidade das maturidades, com a excepção da Luibor Overnight que aumentou 4 p.b., ao se situar em 14,95%.
2,000 1,970 1,940 1,910 30/Out
1/Nov
3/Nov
Mercado de matérias-primas O preço do Brent e do WTI diminuiu 1,9% e 1,5% ao se fixar em 61,74 e 56,35 USD/barril, respectivamente. O incremento das reservas de crude norte-americanaspenalizouacotação do crude.
6/Nov
Luibor 1 Ano Cot. 06/11/19 14,95 15,17 15,32 15,96 16,28 16,61
Mercado Accionista Os índices bolsistas europeus fecharam o dia em alta favorecidos pelo desempenho das empresas do sector alimentar. Destaca-se a variação do FTSE 100 (Inglaterra) de 0,12%, para 7.396,65 pontos.
6/Nov
EUR / USD
Luibor Taxas BNA Luibor O/N Luibor 1 Mês Luibor 3 Meses Luibor 6 meses Luibor 9 meses Luibor 1 Ano
6/Nov
27.700
∆ Diária (%) 0,000 0,070 0,116 -0,330 -0,448 0,223
Mercado DAS COMMODITIES Commodities WTI Crude fut. Brent Crude fut. Gold 100 Oz fut. Prata fut. Gás Natural fut. Cobre fut.
4/Nov
Dow Jones (EUA)
Mercado CAMBIAL Taxas de Câmbio USD/AKZ EUR/USD GBP/USD USD/JPY USD/ZAR USD/BRL
2/Nov
Mercado Interbancário A Libor GBP 6 meses aumentou 0,1 p.b., ao se situar em 0,894%, no fecho do dia. O registo poderá reflectiramoderaçãodasexpectativasdos investidores sobre o crescimento do Reino Unido.
O PAÍS Sexta-feira, 08 de Novembro de 2019
5/Nov
A governadora da província do Huambo, Joana Lina, assumiu ontem, que a rede local de transportes ainda está aquém das necessidades dos 2 milhões, 389 mil e 231 habitantes, distribuídos em 11 municípios ligados por estradas asfaltadas com a sede provincial. A governante teceu estas declarações na abertura do XII Conselho Consultivo do Ministério dos Transportes, que decorre, sob o lema “Li-
gando os angolanos. Ligandonos ao Mundo”, cujos trabalhos estão a ser orientados pelo titular da pasta, Ricardo Viegas de Abreu. Na ocasião, realçou que a realização do evento, nesta região do planalto central, trará novas perspectivas para o sector, de modo a inverter a situação, tendo em conta a atenção que a província merece, no quadro estratégico das acções do Ministério dos Transportes.
Cuando Cubango no roteiro internacional de turistas Um grupo de 50 turistas alemães realizou de 3 a 4 deste mês, no Cuando Cubango, uma das etapas da expedição turística internacional, denominada “The Land Rover Experience”, no âmbito do Projecto Transfronteiriço Okavango-Zambeze. Os turistas, integrados numa
caravana de 18 viaturas a todo terreno, de marca Land Rover, entraram em território angolano a partir da Namíbia e percorreram maisde150quilómetros,correspondentesaoroteiroturístico-transfronteiriçodacomponenteangolana,queinterliga aospostosfronteiriçosdeBwabwataeBicodeAngola.
Mundo
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O PAÍS Sexta-feira, 08 de Outubro de 2019
China diz que concordou com os EUA em cancelar tarifas em fases
Estudantes mascarados protestam durante formatura e voltam a desafiar governo de Hong Kong
A China e os Estados Unidos concordaram em cancelar em fases as tarifas adoptadas durante a sua guerra comercial, disse o Ministério do Comércio da China nesta Quinta-feira, sem especificar um cronograma
Estudantes de Hong Kong, muitos dos quais com máscaras pretas proibidas pelo governo, cantaram frases de protesto durante a sua formatura na Universidade Chinesa nesta Quinta-feira. Alguns exibiam cartazes que diziam “Hong Kong Livre, Revolução Agora”
A
expectativa é de que um acordo comercial provisório entre os EUA e a China inclua uma promessa dos EUA de retirar as tarifas marcadas para entrarem em vigor a 15 de Dezembro sobre cerca de 156 biliões de dólares em importações chinesas, incluindo celulares, laptops e brinquedos. O cancelamento das tarifas era uma condição importante para qualquer acordo, disse o porta-voz do ministério, Gao Feng, acrescentando que ambos devem cancelar simultaneamente algumas tarifas para alcançar a “fase um” de um acordo comercial. “A guerra comercial começou com tarifas e deve terminar com o cancelamento de tarifas”, disse Gao em entrevista. A proporção de tarifas canceladas para que ambos os lados cheguem à
Porta-voz do Ministério do Comércio da China, Gao Feng,
“fase um” do acordo tem que ser a mesma, mas o número a ser cancelado pode ser negociado, completou ele, sem dar detalhes. “Nas últimas duas semanas, os principais negociadores de ambos os lados tiveram discussões sérias e construtivas para resolver várias preocupações de forma apropriada”, disse Gao. “Ambos os lados concordaram
em cancelar tarifas adicionais em diferentes fases, já que os dois fizeram progressos nas suas negociações.” Não foi estabelecido cronograma Um acordo pode ser assinado este mês entre os presidentes dos EUA, Donald Trump, e da China, Xi Jinping, em um local ainda a ser determinado.
Coreia do Norte diz que PM do Japão é “idiota” e rejeita visita Primeiro-ministro japonês Shinzo Abe criticado pelas autoridades da Coreia do Norte
A
Coreia do Norte classificou o primeiroministro do Japão, Shinzo Abe, nesta Quinta-feira, como um idiota que não deveria nem sonhar em colocar os pés em Pyongyang, num comentário repleto de insultos publicados nos media estatais em reacção às críticas do líder japonês ao mais recente teste nuclear norte-coreano. A Coreia do Norte realizou um teste do que chama de “lançadores
de foguetes múltiplos super grandes” a 31 de Outubro, mas o Japão disse que provavelmente eram mísseis balísticos que violaram sanções da Organização das Nações Unidas (ONU). Abe repudiou o teste durante uma cimeira asiática nesta semana, mas dizendo estar disposto a encontrar-se com o líder nortecoreano, Kim Jong Un, “sem condições”, para resolver a questão dos cidadãos japoneses sequestrados pelo país isolado, relatou a
agência de notícias Kyodo, citando o Governo japonês. “O primeiro-ministro japonês Abe, que agora tanto critica o disparo de teste do nosso lançador de foguetes múltiplos super grande como se uma ogiva nuclear tivesse caído em solo japonês, é um idiota”, disse a agência de notícias norte-coreana KCNA, citando um comunicado de Song Il Ho, embaixador para os laços com Tóquio. “Abe, que tem feito comentários infelizes sobre as nossas medidas de auto-defesa legítimas, soltando a língua irresponsavelmente... não deveria nem sonhar em cruzar o limite de Pyongyang, nunca”. Em 2002, a Coreia do Norte admitiu que os seus agentes sequestraram 13 japoneses entre os anos 1960 e 1980. O Japão diz que 17 de seus cidadãos foram raptados, cinco dos quais foram repatriados. A Coreia do Norte disse que oito morreram e que outros quatro jamais regressaram ao país.
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s estudantes desafiaram a proibição do uso de máscaras imposta pelo governo, em Outubro, numa tentativa de coibir manifestações, por vezes violentas, que ocorrem no território autónomo chinês há mais de cinco meses. Usando becas tradicionais, cerca de mil alunos e alunas cantaram ao longo do trajecto para a cerimónia de formatura, pedindo que o governo responda às “cinco demandas, nenhuma a menos”, que incluem sufrágio universal pa-
ra escolher o líder da cidade. Um homem que cantava o hino nacional da China e segurava uma faca foi preso por agentes de segurança. O início dos protestos foi motivado por uma lei de extradição, agora anulada, que permitiria que pessoas fossem encaminhadas à China para serem julgadas, mas as reivindicações evoluíram para pedidos por democracia, fim da interferência chinesa nas liberdades prometidas e inquéritos independentes sobre brutalidade policial, entre outras exigências. “Ainda que estejamos todos exaustos, não devemos desistir”, disse Kelvin, um formando de 22 anos. A universidade informou que interrompeu a cerimónia logo após a entrega dos diplomas. A China nega interferir na cidade de Hong Kong e culpa países ocidentais pelo facto de terem causado problemas.
Forças de segurança disparam contra manifestantes e matam 4 em Bagdad
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orças de segurança do Iraque mataram pelo menos quatro manifestantes na região central de Bagdad nesta Quinta-feira, disseram fontes médicas e policiais, enquanto semanas de protestos violentos não mostram sinais de diminuição. Outras 35 pessoas ficaram feridas em confrontos próximo à ponte Shuhada, afirmaram as fontes, nas manifestações de massa que continuam a se relizar na área central da cidade pelo 13º dia seguido. No Sul do país, dezenas de manifestantes anti-Governo queimaram pneus e interditaram a entrada do porto iraquiano de Umm Qasr nesta Quinta-feira, poucas horas depois de as operações terem recomeçado, disseram auto-
ridades portuárias. O Governo iraquiano não encontrou uma solução para enfrentar o maoir e mais complicado desafio desde há anos. Os protestos anti-Governo no Iraque, que começaram em Bagdad devido à falta de empregos e à precariedade dos serviços, duraram semanas e espalharam-se pelas cidades do Sul. Mais de 250 pessoas foram mortas durante a repressão brutal das forças de segurança. Os manifestantes, de maioria jovem e desempregada, culpam uma elite política que governa o Iraque desde a deposição do ditador Saddam Hussein, em uma invasão de 2003 conduzida pelos Estados Unidos, e pedem completa renovação do sistema político.
O PAÍS Sexta-feira, 08 de Outubro de 2019
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Juízes de crimes de guerra condenam Ntaganda, militar congolês, a 30 anos de prisão O Tribunal Penal Internacional sentenciou o ex-líder militar congolês Bosco Ntaganda, na Quinta-feira, a 30 anos de prisão por atrocidades, incluindo assassinatos, estupros e recrutamento de crianças-soldados.
N
taganda, 46 anos, foi considerado culpado, em Julho, de 18 acusações de crimes de guerra e crimes contra a humanidade por actos cometidos quando ele era chefe de operações militares da milícia União dos Patriotas Congoleses (UPC) no Leste da República Democrática do Congo, em 20022003. Na sentença de Quinta-feira, o juiz Robert Fremr disse que não havia circunstâncias atenuantes reais e proferiu a sentença de 30 anos, a mais longa proferida pelo tribunal de Haia até ao momento. “Os crimes pelos quais Ntaganda foi condenado, apesar da sua gravidade e grau de culpabilidade, não
justificam uma sentença de prisão perpétua”, disse Fremr. Ntaganda, no seu tafo escuro, ouviu atentamente os juízes a proclamarem a decisão. Ele já apelou da sua convicção. No conflito no Congo, o UPC de Ntaganda, dominado pelo clã Hema, teve como alvo o povo rival de Lendu pela expulsão da região rica em minerais de Ituri. Centenas de civis foram mortos e muitos milhares foram forçados a fugir. Durante a sentença, Fremr observou que Ntaganda não era apenas culpado de perseguição como um crime contra a humanidade, mas também havia assassinado pessoalmente um padre católico, dando o exemplo para os seus soldados o seguirem. A lista de crimes na folha de acu-
sação de Ntaganda incluía o recrutamento de crianças-soldado, além de estupro e escravização sexual de civis e crianças-soldados, incluindo duas meninas com menos de 15 anos e uma com apenas 9 anos. Os promotores pediram uma sentença de 30 anos e os representantes de algumas das suas vítimas no tribunal insistiram que ele deveria receber uma sentença de prisão perpétua. O TPI é um tribunal internacional criado em 2002 para processar crimes de guerra e crimes contra a humanidade quando os Estados membros não podem ou não querem fazê-lo. O chefe de Ntaganda, líder da UPC, Thomas Lubanga, está a cumprir uma sentença de 14 anos de prisão após a sua condenação,
Trinta e sete mortos em ataque ao comboio da mineradora canadiana Semafo no Burkina Faso
T
rinta e sete civis foram mortos e mais de 60 ficaram feridos num ataque de um pistoleiro não identificado
a um comboio que transportava trabalhadores da mineradora canadiana Semafo, no Leste de Burkina Faso, disseram autoridades regionais na Quarta-feira.
O ataque ocorreu entre as minas de Fada e Boungou, em Semafo, a cerca de 40 quilómetros de Boungou, informou a empresa.
Bosco Ntaganda cumprirá a pesada pena de 30 anod de prisão
pelo TPI, por recrutar e usar crianças-soldados. Um mandado do TPI para a prisão de Ntaganda foi emitido pela primeira vez, em 2006, e ele en-
Muitos ainda desaparecidos após ataque mortal perto da mina administrada pelo Canadá no Burkina Faso estão desaparecidas desde Quinta-feira, depois de uma emboscada contra trabalhadores perto de uma mina de propriedade canadiana, em Burkina Faso, que matou pelo menos 37 e feriu 60 no pior ataque desse tipo no país da África Ocidental desde há anos. A mineradora de ouro de Quebec Semafo disse que cinco dos seus autocarros com escolta militar foram incendiados Quarta-feira na estrada que leva à sua mina de Boungou na região leste de Est, a cerca de 40 quilómetros de Boungou. A identidade dos agressores não era clara, mas Burkina Faso está a lutar para combater a crescente violência islâmica nas remotas áreas do Leste e
tregou-se na Embaixada dos EUA no vizinho Ruanda em 2013, aparentemente depois de ter fugido do Congo devido a disputas entre grupos militares.
do Norte. Não ficou claro quantas pessoas estavam no comboio, quais eram as suas nacionalidades ou quantas estavam desaparecidas. Duas fontes de segurança disseram à Reuters que potencialmente dezenas ainda não foram encontradas. Funcionários do governo e militares recusaram comentar. Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Canadá disse que até ao momento nenhum dos seus cidadãos foi afectado. Semafo aumentou a segurança no ano passado, após ataques que mataram três trabalhadores e cinco oficiais de segurança. As medidas incluíam levar funcionários expatriados para as minas em helicópteros e fornecer escoltas militares para os funcionários burkinabes. Outrora, um bolsão de relativa calma na região do Sahel, Burkina Faso sofreu uma insurgência doméstica nos últimos três anos, amplificada por um surto de violência e criminalidade de jihadistas do seu caótico vizinho do Norte, Mali.
Actual
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O PAÍS Sexta-feira, 08 de Novembro de 2019
Energias renováveis: o caminho para saída da crise dos combustíveis (que se avizinha) O engenheiro mecânico Franz-José Coxe, formado na Suíça, especialista em Energias Renováveis, detém um estudo que revela quanto o Governo gasta anualmente com a subvenção de combustíveis e fornecimento de energia térmica, e apresenta a solução para redução desse montante avultadíssimo, USD 5.839.139.208,00, em 95%, com a implementação de energias renováveis em Angola, principalmente a energia solar Zuleide de Carvalho, em Benguela
A
s energias renováveis são abundantes nos países desenvolvidos. Na Suíça, por exemplo, há painéis solares nas casas, empresas e, tanto transportes públicos como privados, são eléctricos, abastecidos com energia alternativa ao combustível. Porque a subvenção que o Governo angolano faz aos combustíveis, apesar da diminuição, ainda é das mais altas, comparativamente à média mundial, impõem-se mudanças imediatas, radicais, amigas do ambiente, mas também, do “bolso” da população. Em países europeus e americanos, um litro de combustível é vendido a 1,5USD, quando, em Angola nem 0,50USD custa. Logo, quem paga a diferença é o Governo. Assim, as despesas anuais estimam-se em 5.839.139.208,00USD.
Engenheiro mecânico Franz-José Coxe
Por isso, o engenheiro mecânico Franz-José Coxe, está, desde 2010, de regresso a Angola, a “lutar” para que as suas ideias sejam ouvidas e para que Angola restruture a sua economia recorrendo às energias renováveis. Poupar 95% e lucrar 209 milhões de USD, quem rejeita?!... De acordo com os estudos matemáticos e recolha de dados feita, essa despesa de mais de 5,8 biliões de dólares anuais, pode facilmente ser reduzida em 95%, aplicando-se energia solar na rede nacional e reduzindo subvenções. Sucintamente, para produzir a mesma quantidade de energia consumida hoje em Angola, ainda assim, permitindo aos privados, combustível para se abastecerem, não subvencionado, com energia solar, o Governo gastaria menos de 10% dos custos actuais. Isso corresponde a míseros 58.787.686,00USD, quando comparados aos alentados
5.839.139.208,00USD gastos hoje. O Governo arrecadaria ainda 209.355.095,00USD, como margem resultante do “aumento do preço de kwh”, ilustrou o engenheiro. O valor avultado gasto, 5.839.139.208,00USD, que se multiplica desde a independência, engloba: “perda entre custos de produção e venda de energia, custos do impacto na Saúde pública, subvenção de combustíveis para o MINEA e privados”. Com a implementação de energias renováveis, particularmente a solar, ao nível da rede nacional de produção, transporte e distribuição de electricidade, esses encargos paralelos e consequentes deixariam de existir. E, assim, a diminuição da subvenção aos combustíveis perderia o impacto negativo na vida das populações, que recorreriam bem menos ao gasóleo e gasolina nas suas casas, empresas ou empregos, até mesmo no seu transporte.
Sobre investimentos dispendiosos e desnecessários… No terceiro trimestre do ano passado, em Agosto, o Presidente da República, João Lourenço, deslocou-se ao Huambo, província do planalto central onde inaugurou uma central eléctrica térmica, com capacidade para produção de 50MW de energia. Para o engenheiro Coxe, é vital que, projectos submetidos ao e pelo Executivo, sejam sujeitos a segundas opiniões, garantindose que se aprove o mais vantajoso para o país, beneficiando o maior número possível de pessoas. O facto de uma proposta surgir de um ministério, não significa, necessariamente, que o estudo de viabilidade tenha sido o mais eficiente, tendo em conta racionalidade e ambiente, ou que tenha sequer incluído métodos alternativos. Isto porque, o valor investido no Huambo, aproximadamente 278.000.000,00€, se fosse usado para energia solar, permitiria a produção de 71MW, 21MW a mais, e favoreceria mais 42% da população que actualmente se beneficia dessa electricidade. Mais grave ainda, é o facto de as despesas anuais de combustível, estimadas segundo o volume diário necessário para o funcionamento da central, calculado com base em kwh, rondam os 60 milhões de USD. Adicionando-se os custos fixos intrínsecos ao processo de produção, como o transporte e distribuição e os demais inerentes, o engenheiro mecânico avalia em 126 milhões de USD por ano, despesa que cabe ao Governo. Todavia, se, ao invés, tivesse sido instalada uma central eléctrica de energia solar, obter-se-ia um ganho financeiro imediato: “81% a menos de custos em termos de exploração”, assim, “teríamos mais e custaria menos a explorar”.
Quando a política não tem juízo, o cidadão é que paga… O trocadilho acima sugere mudanças profundas, já! Segundo projecções com cunho científico, feitas pelo engenheiro Franz-José Coxe, que viveu 30 anos na Suíça, onde se formou, em 2020 o povo angolano irá sofrer ainda mais. Actualmente, o combustível ronda 135Akz/L. Ao passar, de facto, para 287Akz por litro, os resultados serão assustadores para os bolsos dos cidadãos, principalmente para quem vive a 100% de energia de gerador. De acordo com o estudo apresentado, hoje, em Luanda, o proprietário de um táxi, vulgo, “azul e branco”, gasta cerca de 8.000,00Akz por dia em combustível para a viatura, para um dia inteiro de trabalho. Em 2020, a despesa subirá para, sensivelmente, 17.000,00Akz/ dia. Por conseguinte, quem irá pagar é o cliente, que estará perante a subida do preço da corrida para, provavelmente, o dobro, se o aumento for proporcional. Ora, deste exemplo, parte-se para tudo o resto que envolva combustível na produção, conservação, transporte ou fornecimento. Por conseguinte, com a subida dos preços, a tendência é haver nova inflação, logo: energias renováveis precisam-se! Franz-José Coxe, aconselha veemente ao Executivo a enveredar para as energias renováveis, quer seja fotoeléctrica, hidráulica, biomassa ou eólica, dado o impacto ambiental reduzido e, a certeza de diminuição do custo de vida das populações. Enquanto perito, o seu parecer diz que, havendo vontade política, a energia solar será a mais eficiente de se implementar. Importando-se os equipamentos da China, os custos de aquisição serão semelhantes aos de um gerador. Contudo, as grandes diferenças, para além dos benefícios imensuráveis para o ambiente e saúde pública, sabe-se que as vantagens são também, esmagadoramente, financeiras. Porque, uma vez instalado um painel solar, ao contrário do gerador, não terá custos diários de produção, combustível, pois, a fonte de energia é o Sol, que, felizmente, brilha todos os dias em Angola.
TEMPO
O PAÍS Sexta-feira, 08 de Novembro de 2019
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Fonte: INAMET
PREVISÃO DO TEMPO *** 3 DIAS *** PARA AS PRINCIPAIS CIDADES Válida de 08 a 10 de Novembro de 2019
das 18 horas do dia 07 às 18 horas do dia 08 de Novembro de 2019.
INSTITUTO NACIONAL DE METEOROLOGOA E GEOFÍSICA - CENTRO NACIONAL DE PREVISÃO DE TEMPO (CNPT) PREVISÃO DO TEMPO *** 3 DIAS *** PARA AS PRINCIPAIS CIDADES, válida de 08 a 10 Novembro de 2019 Data 08/ 11/ 2019
CIDADE
Mín
Máx
Data 09/ 11/ 2019
Estado do Tempo
Mín
Máx
Estado do Tempo
Data 10/ 11/ 2019 Mín
Máx
Estado do Tempo
LUANDA
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Céu parcial nublado, chuva fraca/moderada.
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Céu parcial nublado, chuvisco.
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Céu parcial nublado, chuvisco.
CABINDA
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Céu parcial nublado, chuvisco/ chuva fraca.
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Céu nublado, chuva moderada.
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Céu nublado, chuva moderada.
SUMBE
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Céu parcialmente nublado, chuvisco
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Céu parcialmente nublado chuvisco.
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Céu parcial nublado, chuva fraca.
CAXITO
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Céu parcial nublado, chuva fraca
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Céu parcial nublado, chuvisco.
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Céu parcial nublado.
MBANZA CONGO
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Céu parcial nublado, chuvisco/ chuva fraca.
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Céu nublado, chuva moderada/trovoada
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Céu parcial nublado, chuva fraca.
UIGE
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Céu parcialmente nublado.
18
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Céu nublado, chuva moderada
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Céu parcial nublado, chuva fraca.
NDALATANDO
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Céu parcialmente nublado, chuvisco
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Céu parcialmente nublado, chuvisco
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Céu parcial nublado, chuva fraca.
MALANJE
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Céu parcial nublado, chuvisco/ chuva fraca
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Céu nublado, chuva moderada.
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Céu parcial nublado, chuva fraca..
DUNDO
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Céu parcial nublado, chuva fraca...
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Céu pouco ou parcial nublado
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Céu parcial nublado, chuva fraca..
SAURIMO
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Parcialmente nublado, chuvisco
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Céu pouco nublado a limpo
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Céu pouco nublado a limpo
BENGUELA
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Parcialmente nublado, chuvisco
23
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Céu nublado, chuva moderada
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Céu nublado, chuva moderada
HUAMBO
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Parcialmente nublado, chuvisco
12
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Céu parcialmente nublado a limpo
11
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Parcialmente nublado, chuvisco
CUITO
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Céu parcial nublado, chuvisco/ chuva fraca.
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Céu parcialmente nublado a limpo
14
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Parcialmente nublado, chuva fraca
LUENA
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Parcial nublado, chuvisco.
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Céu nublado, chuvisco
20
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Céu pouco ou parcial nublado
LUBANGO
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Céu nublado, chuva moderada
18
30
Parcial nublado, chuvisco.
18
30
Parcial nublado, chuvisco.
MENONGUE
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Céu parcialmente nublado a limpo.
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Parcial nublado, chuvisco.
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Parcial nublado,chuva forte/trovoada
MOÇÂMEDES
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Céu parcialmente nublado a limpo.
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Parcialmente a pouco nublado.
20
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Parcialmente a pouco nublado.
ONDJIVA
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Céu parcialmente nublado a limpo.
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Céu parcialmente nublado a limpo.
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Parcialmente nublado, chuvisco
O (s) Meteorologista (s): José Cachimbuandungue
2019.rEGIÃO NOrTE: Cabinda, Zaire, Bengo, Luanda, Uige, Malanje, Cuanza-Norte, Cuanza-Sul, Lunda-Norte, Lunda-Sul Céu parcialmente nublado, poderá ser muito nublado pela manhã em quase toda a região. Ocorrência de chuva moderada, podendo ser localmente forte, acompanhada, por vezes, de trovoada em alguns municípios das províncias de Cabinda, Zaire, Uíge, Malanje e Lunda-Norte. Possibilidades de ocorrência de chuvisco ou chuva fraca em alguns municípios das províncias de Luanda Cabinda, Zaire, Bengo Uíge Malanje, Cuanza-Norte, Cuanza-Sul. rEGIÃO CENTrO: Províncias de Benguela, Huambo, Bié e Moxico Céu pouco ou parcialmente nublado, apresentando-se temporariamente muito nublado em toda a região. Possibilidades de ocorrência de chuva fraca a moderada nas províncias de Benguela, Huambo, Bié e Moxico. rEGIÃO SuL: Províncias do Namibe, Huíla, Cunene e Cuando Cubango Céu geralmente pouco ou parcialmente nublado, alternando com períodos de muito nublado em quase toda a região. Possibilidades de ocorrência de chuvisco ou chuva moderada em alguns municípios das províncias da Huíla, Namibe e Cuando Cubango.
Luanda, 07 de Novembro de 2019
Aeroporto Internacional 04 de Fevereiro, Rua 21 de Janeiro – Tel.: 949320641 – Luanda. Site: http://www.inamet.gov.ao; emails: geral@inamet.gov.ao / geral.inamet@angola-portal.ao
TEMPO NO MAr Fonte: INAMET
BOLETIM METEOROLÓGICO PARA A NAVEGAÇÃO MARÍTIMA 1. SITuAÇÃO GErAL ÀS 15:00 Tu dO dIA 07 dE NOVEMBrO dE 2019: Circulação de Sudoeste fraca a moderada entre os paralelos 4°S e 14°S (Cabinda até Benguela) e agitada de Sudoeste a Sul do paralelo 15°S INSTITUTO NACIONAL DE METEOROLOGIA E GEOFÍSICA - INAMET
2. PrEVISÃO VÁLIdA ATÉ ÀS 18:00 Tu dO dIA 08 dE NOVEMBrO 2019: Centro Nacional de Previsão do Tempo NÃO HÁ AVISO BOLETIM METEOROLÓGICO PARA A NAVEGAÇÃO MARÍTIMA 1. SITUAÇÃO GERAL ÀS 15:00 TU DO DIA 07 DE NOVEMBRO DE 2019: Circulação de Sudoeste fraca a moderada entre os paralelos 4°S a 14°S (Cabinda até Benguela) e agitada de sudoeste a Sul do paralelo 15°S 2. PREVISÃO VÁLIDA ATÉ AS 18:00 TU DO DIA 08 DE NOVEMBRO 2019: NÃO HÁ AVISO.
REGIÃO
ESTADO DO TEMPO
VENTO
(ATÉ 200 MILHAS DA COSTA)
ALTURA DA ONDA (METROS)
ESTADO DO MAR
DIRECÇÃO FORÇA (KT)
VISIBILIDADE HORIZONTAL (KM)
Cabinda (4°S – 6°S)
Chuva Fraca à Moderada
Sudoeste
08 a 10
Até 1.4
Pouco agitado
Fraca pela manhã (Superior a 5)
Zaire, Bengo, Luanda e Cuanza-Sul (6°S – 12°S) Benguela (12°S – 14°S)
Chuva Fraca à Moderada
Sudoeste
08 a 15
Até 1.6
Pouco agitado
Fraca pela manhã (Superior a 5)
Parcialmente nublado
Sudoeste
Até 12
Até 2.4
Agitado
Boa (Superior 8)
Namibe (14°S – 18S)
Chuvisco
Sudoeste
Até 20
Até 2.8
Agitado
Moderada (Superior a 6)
3. dESCrIÇÃO SINÓPTICA dAS 18:00 uTC dO dIA 07/11/2019 ÀS 18:00 uTC dO dIA 08/11/2019 O Anticiclone de Santa Helena manter-se-a estacionário com a sua pressão central máxima de 1020hPa à 1030hPa. Deste modo, prevê-se estado do mar geralmente pouco agitado, da região marítima de Cabinda a Benguela, com o vento a variar de 10 a 12 Nós. Para a região do Namibe, prevê-se agitação marítima agitada. Prevê-se visibilidade moderada pela manhã, superior a 5 km, nas regiões marítimas de Cabinda a Luanda e Namibe.
4. CArTA dO VENTO MÁXIMO E dA ALTurA dA ONdA MÁXIMA PrEVISTA Os contornos a cores indicam a altura máxima da ondulação e os contornos em tom cinza indicam os possíveis incrementos das vagas devido à influência do vento local.
desporto
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O PAÍS Sexta-feira, 08 de Novembro de 2019
Cinco nacional prepara Torneio de Qualificação
daniel miguel/arquivo
A Tricolores e polícias do Interclube num jogo do Campeonato Nacional no Pavilhão da Cidadela Desportiva
Petro e Marinha batem-se no Arena O Campeonato Provincial sénior masculino de basquetebol, que começa hoje, surge para salvar a época 2019/2020, porque a dívida que a Federação tem com os árbitros ainda não foi saldada. Os homens do apito preferiram cruzar os braços
O
Petro de Luanda e a Marinha de Guerra abrem hoje a primeira jornada do Campeonato Provincial sénior masculino de basquetebol, no Arena do Kilamba, às 16:00. No arranque da ronda, os tricolores são teoricamente favoritos, mas é ponto assente que o adversário tem argumentos para contrapor. Mesmo respeitando a Marinha, os petrolíferos só pensam no triunfo, uma vez que têm um plantel superior. Por esta razão, o técnico Lazare Adingono melhorou o sistema defensivo e ofensivo para não ser surpreendido. A Marinha tem a fama de vencer os grandes e, sobretudo, na ponta final do desafio aproveitase dos erros do adversário. A segunda partida do dia inscreve o 1º de Agosto-CFDK, no
Pavilhão Vitorino Cunha, às 16:00. Os militares, orientados por Paulo Macedo, entram como favoritos, aliás tem também uma equipa superior a do adversário. O Interclube joga com a Universidade Lusíada, no Pavilhão 28 de Fevereiro, às 17:00. Os polícias enfrentam os estudantes no seu reduto, mas estes
Presidente demissionário da FAB, Hélder Cruz
são fortes técnica e tacticamente dentro ou fora de casa. O Vila Clotilde e o Atlético Sport Aviação (ASA) jogam no Pavilhão 28 de Fevereiro, às 15:00. O Campeonato Provincial, que não se realizava há três anos, surge para salvar a época 2019/2020. O arranque do Campeonato Nacional continua condicionado por causa da dívida que a Federação tem para com os árbitros na ordem dos 7 milhões de Kwanzas. O valor, segundo uma fonte do órgão que rege a modalidade no país, é referente à época passada, cujo vencedor foi o Petro de Luanda. A Federação enfrenta uma crise financeira e administrativa sem precedentes, o que levou o seu presidente, Hélder Cruz, a demitir-se do cargo.
Selecção Nacional sénior feminina de basquetebol trabalha hoje no Pavilhão 28 de Fevereiro, em Luanda, visando as Qualificativa de acesso ao Torneio Pré-olímpico de 2020 que a cidade de Maputo, Moçambique, vai acolher a apartir do dia 14 do corrente mês. O cinco nacional será orientado por Apolinário Paquete e conta com o maior número de atletas, oito, o 1º de Agosto tem apenas quatro. Fontes da Federação Ango-
lana de Basquetebol (FAB) disseram a “OPAÍS” que o apoio à selecção Nacional terá saído do próprio Interclube. O órgão que rege a modalidade atravessa uma crise financeira e administrativa há mais de um ano. Italee Lucas, Regina Pequeno, Rosamira Daniel, Felizarda Ventura, Eduarda Gabriel, Jéssica Malagi, Joana António, Angelina Golome, Fineza Eusébio, Elizabeth Gomes, Juda Quindanda e Avelina Peso são as convocadas.
“A Federação tem estatuto próprio”
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ministra da Juventude e Desportos, Ana Paula Sacramento, em relação à crise por que passa o basquetebol nacional, disse que a Federação tem estatuto próprio. “A Federação tem estatuto próprio e há instrumentos para se resolver esta questão”, adiantou a responsável à imprensa. Por esta razão, alegou que o ministério não tem a obrigação de mediar qualquer assunto, porque existem instrumentos jurídicos para regular
a vida das federações. Deste modo, a mesa da Assembleia-geral, com a demissão do presidente de direcção Hélder Cruz “Maneda”, na semana passada, tem competência para dar os passo que os regulamentos impõem. A Federação Angolana de Basquetebol (FAB) não se encontra há meses, facto que continua a prejudicar as selecções. Perante estes factos, os amantes da modalidade pedem que haja mais consenso no próximo ciclo olímpico.
O PAÍS
Sexta-feira, 08 de Novembro de 2019
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António Carvalho assina pela Efapel para ajudar Jóni Brandão António Carvalho, que alinhava na W52-FC Porto, vai representar a Efapel em 2020 e 2021, com o objectivo de ajudar o líder Jóni Brandão na luta pela vitória na Volta a Portugal, anunciou a equipa. “Será com muito gosto e motivado que irei representar a Efapel. Irei dar o meu melhor e continuar a evoluir para poder alcançar os objectivos que a equipa me propôs, bem como, ajudar a equipa a alcançar o maior número de vitórias possíveis”, disse António Carvalho. O ciclista, de 30 anos, é neto de Joaquim Carvalho e sobrinho de Fernando Carvalho.
ArEÓPAGO Sebastião Félix*
Condecorações e Palanquinhas
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Erros ditam desqualificação de atletas angolanos As atletas Emeloide Adelino e Juliana Moko foram desqualificadas nas respectivas séries das provas dos 400 metros para deficientes totais em feminino (classe T11), do Campeonato do Mundo de atletismo, iniciado ontem no Dubai. Emeloide correu na terceira série e foi desqualificada pelo facto de o seu guia, Ngoy Pierrot, ter, nalguns momentos, se posicionado à frente da atleta. Juliana, na pista quatro, até foi a terceira classificada da série, mas o seu guia, Abel Santos, cometeu.
Costa e ralph lideram Torneio 11 de Novembro Os atletas individuais Costa Angelino e Ralph da Costa lideram, com 1 ponto cada um, o torneio 11 de Novembro em xadrez, que decorre na província de Malanje, segundo a Associação local. A prova, denominada “Angola livre”, visa saudar os 44 anos da Independência Nacional, a assinalar-se no dia 11 do corrente mês e conta com a participação de 13 xadrezistas afectos ao Núcleo provincial, segundo o seu coordenador, António Garcia.
Bicampeã olímpica termina carreira para não cegar A pugilista inglesa Nicola Adams anunciou, aos 37 anos, o final da carreira devido ao perigo de cegueira. “Avisaram-me que se sofresse mais algum impacto no olho poderia ter um dano irreparável e uma perda permanente da visão”, explicou a campeã olímpica em Londres-2012 e Rio de Janeiro-2016, em carta dirigida ao Yorkshire Evening Post, jornal de Leeds, cidade onde nasceu. Nicola Adams começou no boxe aos 12 anos, de forma acidental, por influência da sua mãe.
Atletas da Selecção Nacional de futebol prepram o jogo com a Gâmbia
Palancas iniciam trabalhos
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Selecção Nacional de futebol inicia hoje a preparação para o jogo com a Gâmbia no 13, em partida referentea à primeira jornada do grupo D de qualificação ao CAN 2021 nos Camarões, no Estádio 11 de Novembro, em Luanda, às 16:00. O técnico Pedro Gonçalves, que recebeu voto de confiança do presidente da Federação Angolana de Futebol (FAF), Artur Almeida, trabalha com atletas que actuam no Girabola e no estrangeiro. Segundo uma fonte do órgão que rege a modalidade no país, Pedro Goinçalves vai recuperar a condição física dos jogadores. O seleccionador nacional, que orientou a equipa em sub-17 no Mundial que decorre no Brasil,
tem regresso marcado para hoje nas primeiras horas do dia. Os Palancas Negras, em casa, querem começar com vitória. Para tal, o técnico vai apostar numa equipa mais ofensiva. Tony Cabaça, N’sasene, Landu, Isaac, Paizo, Wilson, Diógenes, Fernando Quissanga, Qui-
Clubes aproveitam pausa
Técnico demitido na Tanzânia
Os clube do Girabola, por força dos compromissos da Selecção Nacional na próxima semana, aproveitam a pausa para trabalhar mais e corrigir melhor as falhas que tiveram na décima jornada.
O clube Young Africans fC da Tanzania demitiu esta semana o técnico congolês, Mwinyi Zahera, dois dias depois de perder face ao Pyramids fC do Egipto, sinónimo de eliminação da Taça da Confederação Africana de futebol (CAf).
Son Heung: “têm sido dias muito Wenger sobre ramsey: “ele queria ficar no Arsenal” duros” Foi sem grande dificuldade que o Tottenham venceu (4-0) o Estrela Vermelha. Lo Celso, que já não marcava desde Abril, fez o 1-0 aos 34’. Depois foi a vez de Son Heung-Min brilhar. O sul-coreano fez o 2-0, aos 57’, e dirigiu-se a uma das câmaras que estavam junto da baliza para pedir perdão pelo lance de que resultou a lesão de André Gomes.
nito, Bastos Quissanga, Núrio Fortuna,Herenilson, Macaia, Show, Fredy,Ito, Gelson Dala, Yano, Fábio Abreu, Mateus Galiano, Vá, Geraldo e Mano Calesso são os convocados para a operação Gâmbia. O jogo de resposta será no dia 17 na cidade de Banjul.
Em declarações à BeinSports, Arsene Wenger afirmou que, apesar da sua transferência para a Juventus, Ramsey queria ficar no Arsenal. “Ele queria ficar no Arsenal. Eles tinham um acordo e o clube argumentou com isso, do que eu percebi”, disse. “Eu tentei, durante muito tempo, estender o contrato dele, mas às vezes existem influências exteriores”, lamentou.
rússia nega manipulação de resultados de doping O ministro dos Desportos da Rússia rejeitou ontem as acusações de manipulação de dados sobre doping, feitas pelas agências anti-dopagem mundial e russa, e considerou que o país deve ser autorizado a participar nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020. “Os nossos especialistas garantem que não existiu qualquer manipulação”, disse Pavel Kolobkov, citado pela comunicação social russa. O ministro explicou que “existe um problema técnico com o sistema”.
liberdade como independência do ser humano é hoje um conceito atribuído pela Constituição num Estado de direito e democrático. Em alguns casos, pode-se restringir este conceito quando a opinião ou crença visa discriminar uma pessoa ou um grupo por via de declarações difamatórias. É com a grantia deste direito que os cidadãos têm acesso a informações relevantes sobre as acções dos detentores de cargos públicos, bem como a noção de aprovação de leis mais justas. Por isso, o Presidente da República João Lourenço, ao condecorar membros da sociedade civil, demonstra que é adepto das liberdades e das diferenças. Aliás, aos poucos, vai acabando por reconhecer que a crítica gera desenvolvimento e permite ter uma visão mais abrangente dos fenómenos sociais, políticos e económicos. A instabilidade económica que se assiste nos últimos dias, a seca e outros assuntos colocam diariamente a gestão do Chefe de Estado no muro das lamentações. Com ou sem entraves, o Presidente da República vai dando sinais de que quer uma Angola mais justa e longe dos valores negativos. As conderações públicas estenderam-se à Selecção de futebol em sub-17, que teve uma prestação positiva no Mundial que decorre no Brasil. Os rapazes, com um futebol organizado, chegaram aos oitavosde-final na prova, mas caíram aos pés da Coreia do Sul por 1-0. Sem curvas, os clubes estão de parabéns, pois, estão a trabalhar e os resultados começam a sair da toca. Apesar de os recursos financeiros serem escassos, a Federação Angolana de Futebol (FAB) tem a responsabilidade de se organizar técnica e administrativamente. Pois, já se vislumbra a base da selecção de honras. O órgão que rege a modalidade no país tem a obrigação de criar condições para angariar mais patrocínios. Portanto, os Palanquinhas regressam ao país de cabeça erguida e também merecem condecorações públicas. * Jornalista
CLASSIFICAdOS emprego
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O PAÍS
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ANASTACIO CAETE
diversos
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OPINIÃO
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O PAÍS Sexta-feira, 08 de Novembro de 2019
ALP AY
“Turquia e Angola têm histórias semelhantes”
H
á uma semana, a 29 de Outubro, comemoramos o 96º aniversário da proclamação da República da Turquia. Isso oferece mais uma oportunidade para eu falar sobre o meu país, Turquia, e o futuro das nossas relações com Angola e os angolanos. Após a Primeira Guerra Mundial e o fim do Império Otomano, o povo turco lutou pela sua Independência entre os anos 1919-1923, sob a liderança de Mustafa Kemal Atatürk, contra não apenas os poderes vitoriosos da Guerra Mundial, mas seus colaboradores no país. Agora, 96 anos após a fundação da nova República, a Turquia e seu povo são membros orgulhosos da comunidade global. Apresentação da Turquia pode ser simples e difícil. Estamos falando de um país que pode ser definido simultaneamente como um país da Europa, Ásia, Médio Oriente, Bálcãs, Cáucaso, Mar Negro, Mediterrâneo. Como reflexo natural da sua geografia, história, cultura e resultado de sua política externa activa, a Turquia, com 243 missões diplomáticas em todo o mundo, está entre os cinco principais países com as maiores redes diplomáticas e consulares. Com esta rede, estamos fazendo o possível para nos apresentar, aprender, compartilhar, cooperar e coordenar com outras nações e países. Porque sabemos a realidade de que temos que viver juntos, lado a lado neste mundo que está ficando cada vez menor a cada dia. Com esse entendimento e de acordo com a nossa política externa empreendedora e humanitária, não poupamos esforços para assumir as nossas responsabilidades e contribuímos para encontrar soluções justas e sustentáveis para os desafios que a humanidade enfrenta actualmente. É por isso que a Turquia
lidera, juntamente com a Espanha, a Aliança das Civilizações da ONU. É por isso que a Turquia lidera junto com a Finlândia o Grupo de Amigos de Mediação da ONU. O facto de que, com mais de 4 milhões de pessoas, a Turquia hospeda o maior número de refugiados do mundo, também é uma manifestação clara dessa política. E, por último, mas não menos importante, é por isso que S.E. Presidente Erdoğan eleva a sua voz decisivamente há anos e aponta o facto de que “o mundo é maior que cinco”, com o objectivo de adoptar a composição do Conselho de Segurança da ONU para as realidades do nosso mundo. Falando sobre realidades, permita-me sublinhar mais um desafio importante do mundo de hoje: enquanto desfrutamos e beneficiamos do acesso fácil e rápido
às informações em todo o mundo através dos medias sociais, acredito que não devemos levar essas informações com a mesma velocidade das “realidades”. ”. Apenas um exemplo simples: algumas notícias sobre a recente luta da Turquia contra o terrorismo decorrente do vácuo de poder no Norte da Síria, onde nenhuma autoridade legítima está no controlo, incluindo o regime sírio, (às vezes intencionalmente) afirma que “os turcos estão a matar curdos e / ou cristãos”... e até alguns políticos seniores de terceiros países os consideram “fatos”. Conselho simples: pesquise o número de cidadãos turcos de origem curda no meu país e / ou procure as declarações dos representantes do povo cristão daquela região após a operação da Turquia. Isso deve ser suficiente para ver factualmente o verdadeiro fundamento e legítimo da nossa luta.
Há, de facto, muitas outras questões importantes que posso falar sobre o meu país e o meu povo. Mas vou parar por aqui agora, até uma consulta futura com os queridos leitores. Hora de falar um pouco sobre as relações bilaterais entre a Turquia e Angola. A partir de 2019, a Turquia é um parceiro estratégico da União Africana há 11 anos. Com 42 embaixadas no continente, construímos fortes parcerias com os países africanos para contribuir ainda mais no desenvolvimento sustentável, paz e prosperidade no continente. Aumentamos o nosso volume comercial para 23 bilhões de dólares. Com quase 6,5 bilhões de dólares em investimentos directos no continente, atribuímos importância ao desenvolvimento do nosso comércio de maneira equilibrada e das nossas relações económicas baseadas numa abordagemganha-ganha.ATerceira Cimeira da Parceria Turquia-África será organizada na Turquia em 2020 e juntos determinaremos um roteiro para os próximos anos. Como concordamos com os países africanos em muitos tópicos importantes da agenda internacional, a nossa solidariedade está se fortalecendo nos fóruns internacionais. A Turquia reconheceu Angola em 1975, logo após a sua Independência. Com a abertura mútua das Embaixadas em Luanda e Ancara, as nossas relações bilaterais ganharam impulso considerável. Actualmente, estamos a desfrutar de excelentes relações nas quais os dois lados observam o grande potencial do futuro. Estamos acompanhando de perto e apoiando sinceramente o processo de reforma corajoso e determinado do Governo angolano liderado por S.E. Presidente Lourenço. Acreditamos que estes passos importantes trarão dias mais brilhantes que merecem o povo angolano. Representantes do sector privado turco demonstram interesse real em cooperar com parceiros angolanos
para investir neste país. Já viram o potencial em muitos sectores diferentes, variando da saúde ao turismo, da agricultura a mineração e projectos de infra-estrutura. Num futuro próximo, acredito que terei a oportunidade de citar importantes empresas turcas que fazem negócios em Angola. Isto, entre outros, apoiará também os esforços do Governo angolano no sentido da diversificação da economia. Também estamos trabalhando no lançamento de vôos directos da Turkish Airlines para Luanda. Estes voos aproximarão os nossos países e também vão ligar Angola a mais de 300 destinos em mais de 120 países em todo o mundo. O potencial da cooperação entre os nossos países não se limita à economia. Começamos a construir pontes fortes entre nossos diferentes Ministérios para uma cooperação mais forte e sustentável com um único objectivo: criar as condições de um futuro melhor para o nosso povo. Somos dois países que têm histórias semelhantes. Os nossos ancestrais não hesitaram em lutar contra actores mais fortes pela Independência e pelo direito de viver livremente. Com ajuda da sua coragem e sacrifício, hoje os nossos países estão se levantando com orgulho. Todos sabemos que nenhum país é perfeito e devemos continuar trabalhando arduamente pelas próximas gerações. Enquanto fazemos isso pelos nossos próprios filhos, devemos combinar as nossas forças para contribuir com todos os esforços para lidar com os desafios que o nosso pequeno mundo está enfrentando. Gostaria de aproveitar esta oportunidade, queridos leitores, permitam-me estender meus sinceros parabéns em nome do povo turco pelo 44º aniversário do Dia da Independência de Angola. Alp Ay, Embaixador da Turquia na República de Angola
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O PAÍS Sexta-feira, 08 de Novembro de 2019
rICArdO VITA*
Mulatos diante de pretos, negros aos olhos de brancos
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urante uma viagem a Angola, depois de décadas longe da pátria, conheci uma moça que trabalhava num famoso hotel que eu gostava de frequentar em Luanda. Uma vez, depois de alguns dias de amizade, de repente, no meio de uma conversa feliz, ela interrompeu-me para dizer: « Cuidado Ricardo, sou mulata! ». Os meus olhos abriram-se confusos com essa interpelação, não entendendo claramente a necessidade do aviso. « Em Angola, continuou calmamente, os mulatos não se misturam muito com os pretos ». Confesso que não soube o que dizer naquele momento tanto que fiquei surpreso com a sua serenidade ao dizer tais palavras. Mas, e foi isso que me perturbou, embora ela estivesse nos antípodas da mulher que me faria virar a cabeça na rua, as nossas conversas eram bastante banais para não dizer vazias. Não havia, portanto, espaço para ambiguidade! « A menos que venhas de uma família pesada », acrescentou com um sorriso sem vergonha antes de gingar as ancas com orgulho para ir atender um cliente apressado e voltar. No entretanto, senti que me ia sufocar tanto que me impedia de rir. Mas, educadamente, disse-lhe que não tinha outra intenção senão conversar como estávamos acostumados a fazer, casualmente. Ela riu primeiro, com um ar arrogante, antes de dizer, com convicção, « todos os negros querem uma mulata! ». Ri também, por outros motivos. Fui-me embora depois, boquiaberto. Liguei para a minha namorada da época, em Paris, para lhe contar essa história que só era descabida na aparência. Também riu, em voz alta. Ela era de pele mais clara que a moça do hotel; era filha de negra africana e de branco europeu, e tinha olhos verdes. Também foi finalis-
ta de um concurso de Miss França. Mas nunca disse ser outra coisa que negra. Anos depois, outra vez, outra moça angolana, só um bocadinho mais clara do que eu, mas que reivindicava o seu longínquo sangue cruzado, que só os Africanos veriam, confidenciou-me que havia descoberto, durante uma estadia na Europa, que era negra, já que era vista assim onde quer que fosse. Na sua voz havia tristeza. Desta vez não queria rir, fiquei triste por ela. E também contei à mulher com quem namorava nesse momento, mas ela não teve compaixão, riu em voz alta. Essa era uma deusa caribenha, nascida em Paris, de uma grande família de negros e mestiços celebrada por artistas e que aprendeu a considerar-se negra. Tinha cabelos longos naturais, olhos que mudavam de cor de acordo com o humor e as estações do ano, e foi formada numa das mais prestigiosas escolas de belas artes da França. A sua beleza era majestosa como a de Vanessa Williams, quando a última estava no auge da sua formosura. Essas duas mulheres namoraram comigo, cada uma no seu tempo, pelo homem que eu era e pelo amor que havia entre nós. Nada mais. Já era negro, como hoje, e serei a minha vida toda, já que nunca quis ser outra coisa, e os meus pais não eram ricos no sentido vulgar, mas ricos no sentido nobre; graças a eles nunca me achei feio. E a base do meu namoro com essas mulheres era o ideal comum que tinha com cada uma, uma visão de beleza, imaginários descolonizados e a promessa de uma vida emancipada, e isso bastava para que elas me preferissem de homens que pareciam mais ricos. Esses casos não são excepções aqui onde passei a maior parte da minha vida: fora da África. Os mestiços e o seu lugar nas nossas sociedades, um assunto
pouco debatido por ser sério. E como nos falta seriedade, preferimos a hipocrisia que gera frustrações, subentendidos, silêncios ou omissões que levam ao ódio. Porque, em toda a parte, os mestiços têm mais dificuldade do que outros em definir ou afirmar a sua identidade. Em África, eles não são negros, mas são considerados mais próximos dos brancos. Fora da África, onde predominam os brancos, eles não são brancos e são vistos como negros. Devem, portanto, adaptar-se à percepção que os outros lhes impõem. Nessa percepção, existem sentimentos contraditórios, entre racismo, rejeição assumida ou inconsciente, admiração e fantasias. Implícita ou explicitamente, geralmente são obrigados a renunciar a uma identidade. De onde vem isso? Os mestiços são uma das categorias raciais criadas pela dominação branca. Originalmente, vieram de cruzamentos forçados, geralmente por estupro, entre colonos e mulheres indígenas, em África, e proprietários de escravos e escravas em outros lugares. Em África, durante a colonização, eram considerados inferiores aos brancos, mas superiores aos negros. Também eram considerados um perigo para os interesses da metrópole, mas como aliados do poder branco sob as populações indígenas. Durante o comércio triangular, os primeiros mestiços que foram poupados pelo tratamento brutal dos brancos foram aqueles cujas mães eram « negras da casa », ou seja, mulheres negras que gozavam do privilégio de serem as amantes do « senhor da casa », que, em geral, era o pai. Os mestiços, portanto, tinham uma vida invejável aos olhos dos negros. Era entre eles que os capatazes e os policiais eram geralmente escolhidos, tanto nas feitorias em África quanto nas plantações no Novo Mundo. Em África, muitos eram traficantes que actuavam como
intermediários entre os brancos e os vendedores do interior. Com o tempo, graças a alguns genitores brancos que lhes ofereciam estudos académicos, pouco a pouco os mestiços foram constituindo uma classe intermediária, e às vezes até uma casta, e a palavra mestiço tornou-se um título para se singularizar. Nas Caraíbas, os mestiços tornaram-se uma classe à parte porque eram desprezados pelos colonos. E foi primeiro lá que eles afirmaram o poder da sua casta em relação aos negros que eles desprezavam. Assim, o mestiço tomou a imagem do colono aos olhos dos negros. Até a grande literatura abordou o assunto. Alexandre Dumas escreveu, no seu romance intitulado Georges, o seguinte: «Ele (o mestiço) viu toda a sua vida vender e comprar negros; então ele pensava na sua consciência que os negros foram feitos para serem vendidos e comprados ». E Toni Morrison (no romance God help the child) e Raphael Confiant (no Madame Saint-Clair) contam a arrogância e o desprezo seculares dos mestiços pelos negros, nos Estados Unidos e nas Caraíbas, e ilustram com brio o antagonismo entre os dois grupos. Portanto, as experiências que marcam a história explicam, em grande parte, a desconfiança que os negros mostram aos mestiços; a sua convivência nunca se fez na paz perfeita. Em África, ainda se vive assim em países como Angola. Vemos então que a dominação branca também organizou as nossas comunidades para que a hierarquização pela cor da pele nos dividisse, nos frustrasse e, eventualmente, nos matasse. Em África, o problema nunca foi abordado para ser resolvido e lembra a nossa consciência de que herdámos as animosidades e suscetibilidades coloniais que comprometem a convivência. Fora da África, a aparente e frágil unidade entre negros
e mestiços deve-se ao racismo dos brancos. Foi por essa razão que Césaire definiu a Negritude como uma experiência, que inclui os mestiços; eles são negros porque vivem a mesma experiência que eles. E se dois génios da literatura, privilegiados, Alexandre Pushkin e Alexandre Dumas, insistiram em afirmar a sua negritude, é porque estavam cientes da dificuldade de viver num mundo de brancos onde a rejeição do sangue negro parecia atávica. Em África e nas Caraíbas, os mestiços velam pela sua diferença. É por essa razão que Obama não teria nenhuma chance no Quénia e que agora, em Angola, um candidato a presidente da UNITA tem excitado paixões neste partido. Os negros são a maioria nesses países. Só que, nestes casos, os mestiços sofrem por serem mestiços. E é o caso de muitos, aqueles que nunca integraram nenhuma casta e que sempre viveram com negros. Há na minha família, em Angola, filhos de Portugueses, nascidos no tempo colonial e que falam Kikongo, cujas vidas foram ameaçadas pela FNLA durante a luta contra o colono. Que queremos agora? Vamos manter as nossas posições, a do mulato que não esconde o seu desprezo pelo negro e que rejeita tudo que ele lembra, para « preservar a raça », ou a do negro que sofreu a realidade histórica do mulato e que ainda desconfia dele? A História julgará a resposta que daremos a essas perguntas.
*É Pan-africanista, afro-optimista radicado em Paris, França. É colunista do diário Folha de São Paulo (Brasil), do diário Público (Portugal) e do diário Libération (França). É cofundador e vice-presidente do instituto République et Diversité que promove a diversidade em França e é empresário.
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