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Jornal OPaís edição 1595 de 13/09/2019

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Director: josé Kaliengue

www.opaís.co.ao e-mail: info@opaís.co.ao @Jornalopaís facebook/opaís.angola

O DIÁRIO DA NOVA ANGOLA Edição n.º 1595 Sexta-feira, 13 /09/2019 Preço: 40 Kz

11/09/19 15:22


“NÃO COMPREI OS dOCUMENTOS COM dINHEIRO dO SISM” SOCIEdAdE.A audiência de julgamento prossegue hoje com a audição de mais declarantes. o

general Zé Maria confirmou que os documentos pretendidos pelo Estado angolano são do exército sul-africano e não foram codificados como secretos pelas fAA. Mas a informação foi contrariada pelo seu antigo adjunto, tenente-general Carlos filipe. P. 12 Director: josé Kaliengue

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O DIÁRIO DA NOVA ANGOLA Edição n.º 1595 Sexta-feira, 13 /09/2019 Preço: 40 Kz

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CARLoS MoCo

‘AINdA VEMOS AS INSTITUIÇÕES COMO UMA ESPÉCIE dE LAVRA’ ● o cientista político Paulo faria lança hoje, na universidade

Católica, em Luanda, o livro ‘o Público e o Político em Angola’, uma obra que examina as condições e as possibilidades para a regeneração do Estado. o docente, cujo nome tem estado na berlinda por causa do ‘polémico’ afastamento da faculdade de Letras e Ciências Sociais, acredita que o nosso Estado ‘ está ainda sob influência dos vários progenitores que teve’. P. 22

EXECUTIVO JÁ TEM dINHEIRO dO PIIM EM FOCO. O Presidente da República, João Lourenço, que se encontra na província do Moxico em visita de trabalho, garantiu ontem, no município do Alto Zambeze, que já há disponibilidade financeira para a execução, em todo o país, dos projectos que constam no referido plano. P. 4 BAI Directo_ O Pa’ s_276x42,733mm.pdf

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Confiança no Futuro

Petro de Luanda destrona 1º de Agosto na Taça de Angola ● Depois de terem perdido em 2018 o título para as suas arqui-rivais, as tricolores conquistaram ontem o 11º troféu da segunda maior competição de andebol do país em sénior femininos, após vencerem por 17-13. P. 26

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03/07/17

● Moisés Calueyo, que aguarda o julgamento em liberdade, é acusado de ter introduzido na folha de salários da delegação do Ministério do Interior de Benguela trabalhadores da sua empresa, com salários altíssimos. P. 10

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EM FOCO

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O PAÍS Sexta-feira, 13 de Setembro de 2019

PR lança PIIM no município do Alto Zambeze DR

João Lourenço garantiu que já há disponibilidade financeira para permitir a execução dos programas que constam no referido plano Domingos Bento, enviado ao Luena

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Presidente da República, João Lourenço, anunciou ontem, no Cazombo, sede do município do Alto Zambeze, que os primeiros projectos do Plano Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM) começam a ser implementados neste município da província do Moxico. Apesar de não ter anunciado a data do arranque, assegurou que será possível a sua imple-

mentação, que vai mudar a vida das comunidades nos municípios. Segundo o Presidente, depois de ter sido apresentado em Luanda, é momento de o PIIM, avaliado em 2 mil milhões de dólares, começar a ser executado de forma a criar mais vida nos municípios, que, regra geral, atravessam todos os mesmos problemas sociais. “As coisas têm de começar a acontecer. Vamos falar menos e fazer mais. Os primeiros projectos do PIIM devem começar no Cazombo”, afirmou. O Presidente da República, que encabeça uma delegação do seu Governo, disse ser importante le-

var a vida aos municípios. “Mais do que dizer, é fazer. E esta minha deslocação, aqui ao Cazombo, é um sinal de que todos nós temos de trabalhar mais vezes nos municípios e comunas”. Desde ontem no Moxico, a sua deslocação à província tem como objectivo constatar e procurar resolver os principais problemas que afectam as populações. “Só precisamos é de dar soluções. Arranjar recursos para dar soluções ao problema das infraestruturas, das estradas, das pontes, da energia eléctrica, da água potável, da educação e da saúde”, frisou. João Lourenço acredita que se se resolver as necessidades das populações, simultaneamente vaise poder resolver o problema do desemprego. “Para construirmos pontes, barragens, energia e estradas temos de empregar pessoas”, sublinhou.

Mais do que dizer, é fazer. E esta minha deslocação aqui, ao Cazombo, é um sinal de que todos nós temos de trabalhar mais vezes nos municípios e comunas”

Estradas impedem desenvolvimento Por sua vez, o governador provincial do Moxico, Gonçalves Mwandumba, deu a conhecer ao Presidente da República que a falta de estradas constitui o principal factor que vem adiando o desenvolvimento da província. Segundo Mwandumba, a rede fundamental de estradas do Moxico é de 3 mil 477 quilómetros. Deste total, apenas 576 encontram-se asfaltados, equivalendo a 16 por centro. Informou que as poucas estradas que existem na província encontram-se intransitáveis, situação que vem adiando o desenvolvimento da região. “Com excepção do Camanongue, nenhum outro município tem estrada em condições. E se não há estradas e pontes, não há escolas, comércio, transportes e desenvolvimento”, justificou o governante. Por falta de estradas, segundo o governador, muitos produtos agrícolas não podem ser escoados e acabam deteriorando-se, situação que constitui uma perda não só para os próprios agricultores, bem como para a província. “A agricultura, o nosso maior potencial, não ultrapassa o patamar da subsistência. Muito do que se produz estraga-se por falta de escoamento”, lamentou. Inaugurações Depois de ter estado ontem no município do Alto Zambeze, onde desenvolveu uma intensa actividade que se circunscreveu em encontros com as autoridades tradicionais, governamentais e a população, a jornada de trabalho do Presidente da República continua hoje no município do Luena. Nesta cidade, João Lourenço vai desenvolver uma série de actividades e inaugurações de projectos sociais, sendo que o ponto mais alto da sua visita à província do Moxico será a abertura do Fórum de Investimento Privado que vai reunir o empresariado nacional, cujo foco centrar-se-á no relançamento da produção do arroz.


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dESTAQUES POLÍTICA. PÁG.10 Município do Lubango recebe mais de 8 biliões de Kwanzas do PIIM

o editorial

SOCIEdAdE. PÁG. 14 Sociedade

Bíblica em Angola doa mais de 500 matérias bíblicas em braile

CARTAZ. PÁG. 16 octaviano Correia critica imprensa pela fraca promoção da Literatura Nacional

ECONOMIA. PÁG. 20 “Empregos nos activos do estado a privatizar não estão garantidos”

O PAÍS Sexta-feira, 13 de Setembro de 2019

HOJE:

Manda a AGT ou o Governo?

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s subsídios aos combustíveis para agricultura são insustentáveis, por ser uma despesa que vai se repetir todos os anos”, diz o presidente do Conselho de Administração da AgT, Sílvio Burity. Alguém tem que lhe dizer que sim, porque as pessoas comem todos os dias, porque no campo se trabalha todos os dias e Angola tem de rapidamente parar de importar alimentos de países onde a agricultura é subsidiada. Estamos a falar dos países mais poderosos do mundo. Com este pensamento, entende-se por que razão os empresários se queixam de a AgT estar a matar as empresas e negócios em Angola. Agora a mira vai para a agricultura. Sonhar que se pode fazer agricultura em Angola graças à energia da rede nacional de electricidade, das duas uma, ou é infantilismo ou coisa pior. um absurdo perfeito. Felizmente, ainda não foi revogado o Decreto Presidencial n.º 84/19, de 21 de Março. o Executivo ainda manda.

os números do dia

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Centro materno-infantil de referência, orçado em 376 milhões e 973 kwanzas, será construído a partir deste mês, no sector do gove, município da Caála, no Huambo.

Mil efectivos da Polícia Nacional estão disponíveis para manter a ordem e segurança pública durante o festival Internacional de Música do Sumbe “festiSumbe”, a realiza-se a 15 e 16, na cidade do Sumbe, no Cuanza Sul.

Peças de artes plásticas, que expressam o modo de vida dos ancestrais, particularmente dos bakongos, estão expostas, desde Quarta-feira, em Luanda, com vista a valorização da identidade e o resgate da cultura bantu. Acidentes de trabalho foram registados em empresas públicas e privadas do país no período de janeiro a junho de 2019, anunciou, em Luanda, pela Inspecção geral do Trabalho (IgT).

o que foi dito

ÚLTIMA . PG. 30 Papa convida líderes ao Vaticano para pacto global sobre Educação

“

Os militantes do partido devem trabalhar na divulgação dos objetivos e no impacto da implementação do Plano Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM) nas comunidades” Adriano Mendes de Carvalho Primeiro secretário do MPLA no Cuanza Norte

“

Quero estar bem fisicamente, jogar e ser importante para a equipa e ver que existe um projecto ganhador. Quero continuar a conquistar títulos” Lionel Messi jogador do Barcelona

“

Todos os cidadãos que sentirem os seus direitos lesados pelas instituições públicas devem recorrer à Provedoria de Justiça” Florbela Rocha Araújo Provedora de justiça adjunta


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O PAÍS Sexta-feira, 13 de Setembro de 2019

e assim... José Kaliengue Director

A propósito...

Hoje no online de O PAÍS leia a entrevista com o bispo Tirso Blanco e conheça mais sobre o Moxico e os seus problemas

d

www.opais.co.ao Harare (Zimbabwe): Milhares de pessoas perfilam-se junto ao estádio Rufaro, no município de Mbare, onde se encontra o corpo do fundador do Zimbabwe, Robert Mugabe. (DR)

o que vai acontecer Música o rapper Cage one proce-

de ao lançamento do disco “A.B.R.A” (Angolan Best Rapper Album), com 20 temas, amanhã, a partir das 8:00, na Praça da Independência, em Luanda, e, posteriormente, em Benguela. o rapper anunciou, no fim-de-semana, o lançamento, em Benguela, à margem de um espectáculo em alusão aos 106 anos da cidade de Lobito, na qual foi um dos artistas convidados. Cage one garante que o CD, cem por cento hip hop, conciso, diferente, maduro e objectivo, tem alta qualidade. A promoção do álbum começou em 2018, quando o rapper lançou os temas “Solo Bars” e “Iniciação”. já o músico Cef garantiu que colocará no mercado no Domingo, o novo tema intitulado “Cardeal do Amor”.

Festival A I edição do festival Internacional de Humor, “Tuzeyele”, abre as portas ao público no dia 26 de outubro, pelas 16:00, no Centro de Conferências de Belas (CCB), em Luanda, com a participação de humoristas angolanos, brasileiros, portugueses e moçambicanos. Entre os convidados estrangeiros o destaque vai para os humoristas fábio Lins e Marcela Tavares (Brasil), Rui Xará e joão Seabra (Portugal), assim como Hélio Mayya Dzive e Borges Makuakua (Moçambique). De Angola, explicou Venâncio Vicente, um dos responsáveis, participam Kotingo, além de outros jovens talentos a despontar no mercado nacional, como Agente formiga.

Cultura o escultor Mpambukidi Nlunfidi é um dos artistas convidados para expor na Conferência de Doadores Africanos, que acontece no dia 26, na Cidade do Cabo, África do Sul, onde pretende mostrar o melhor da cultura e da identidade nacional. o artista angolano informou que o convite foi feito pelo Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, o que representa um ganho para a classe artística nacional e o reconhecimento do trabalho feito por si ao longo de anos. Para esta exposição, o escultor tem preparado 15 esculturas novas, assentes fundamentalmente nas raízes e na tradição angolana.

Afrotaças o 1º de Agosto, tetracampeã nacional, realiza hoje o primeiro treino, em Lusaka, Zâmbia, tendo em vista a partida de Sábado diante do green Eagles fC, para a primeira mão da última eliminatória de acesso à fase de grupos da Liga dos Clubes Campeões Africanos de futebol. Depois do trabalho realizado em Luanda, o técnico Dragan jovic vai incidir o treino na recuperação física e a consolidação dos aspectos técnicos, já que o bósnio esconde a táctica a utilizar frente à formação zambiana. A fechar a sessão, Dragan jovic divide o grupo para realizar uma partida de recreação, culminando os trabalhos com exercícios físicos.

e ano a ano, ou mesmo de mês a mês, vamos ouvindo falar de desclassificação de documentos noutros países. Há dias começou a ser emitida a série Man Made Monsters, no canal História, na televisão. Em português o título é Monstros da Genética. Está cheia de informação desclassificada sobre as experiências dos serviços secretos durante a guerra fria, por exemplo. Mas há mais. Regularmente, nos Estados Unidos, a informação é desclassificada, porque lá há uma lei que o determina e há o interesse de permitir o acesso para estudos, para a divulgação e até para a busca de novos caminhos. E são a sociedades desenvolvida que são, os EUA. Aqui não, aqui tudo é segredo. Porque é tudo incompetência para lidar connosco mesmo, no passado, na nossa história. Venho a propósito do julgamento do general Zé Maria, sem querer meter a colher onde não devo, mas de pensar que a documentação sobre aquela batalha ainda é totalmente secreta, é até vergonhoso. Isto quer dizer que além dos militares ninguém mais pode ter acesso àquela informação. E que o que vai saindo vem da conveniência de quem narra e talvez não da leitura científica e independente dos factos. Custa dizer, mas somos um país mentalmente muito atrasado, aqui tudo é segredo. E não adianta justificar com o facto de muitos dos protagonistas da nossa história recente ainda estarem vivos, as suas acções influenciaram a vida de todos, todos têm o direito de saber, os pesquisadores deveriam ser autorizados a aceder ao material do Cuito Cuanavale, do 27 de Maio, dos dias da Independência, da guerra colonial, tudo, dos processos civis, de actos da governação, etc.. Mas aqui, é preferível destruir dos ocumentos a deixar que a história informe a realidade da nação que é a nossa.

E também...

Dia Nacional da Cachaça - 13 de Setembro Esta é uma bebida com uma carga simbólica muito grande para a cultura e identidade brasileira. A criação do Dia Nacional da Cachaça foi uma iniciativa do Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac), instituída em junho de 2009. O dia 13 de Setembro foi escolhido em homenagem a data em que a cachaça passou a ser oficialmente autorizada para a fabricação e venda no Brasil, a 13 de Setembro de 1661. Esta legalização, no entanto, só foi possível após uma revolta popular contra as imposições da Coroa portuguesa, conhecida como “Revolta da Cachaça”, ocorrida no Rio de Janeiro.


8 Media Nova, S.A Presidente do Conselho de Administração filipe Correia de Sá Administradores Executivos Luís gomes Paulo Kénia Camotim Propriedade : Socijornal Depósito Legal: Nº 244/2008 Contribuinte: 5417015059 Nº registo estatístico: 48058

O PAÍS Sexta-feira, 13 de Setembro de 2019

NO TEMPO dO KAPARANdANdA

Director Geral de Publicações: josé Kaliengue jose.kaliengue@opais.co.ao

OPAÍS

Director: josé Kaliengue Sub-Director: Daniel Costa, daniel.costa@opais.co.ao Chefe de Redacção: Eugénio Mateus, eugenio.mateus@opais. co.ao Grande repórter: André Mussamo andre.mussamo@opais.co.ao Editorias : Política: Ireneu Mujoco ireneu.mujoco@opais.co.ao (Editor) Sociedade: Paulo Sérgio paulo.sergio@opais.co.ao (Editor) Romão Brandão romao.brandao@opais.co.ao (Sub-editor) Economia Luís faria (Coordenador-Editor) luis.faria@opais.co.ao Desporto: Sebastião félix sebastiao.felix@opais.co.ao (Editor) Mário Silva mario.silva@opais.co.ao (Sub-editor) Cartaz: jorge fernandes jorge.silva@medianova.co.ao (Sub-editor) Redacção: Norberto Sateco, Alberto Bambi, Augusto Nunes, Rila Berta, Miguel Kitari, Domingos Bento, Neusa filipe, Afrodite Zumba, Milton Manaça, Antónia gonçalo, Maria Teixeira, Iracelma Kaliengue, Patrícia oliveira, Stela Cambamba, Zuleide de Carvalho (Benguela),Brenda Sambo, Maria Custódia, Kiameso Pedro e Adjelson Coimbra. Arte: Ladislau Bernardo (Coordenador) Valério Vunda (Coordenador adjunto)Lourenço Pascoal, Annette fernandes, Nelson da Silva e francisco da Silva. Fotografia: Carlos Moco (Editor), Daniel Miguel (Sub-editor), Pedro Nicodemos, jacinto figueiredo, Carlos Augusto, Virgílio Pinto, Lito Cahongolo (repórteres fotográficos), Rosa gaspar e Yuri dos Santos (Assistentes de Departamento) Revisão: António Setas Agências: Angop, AfP, Reuters, getty Images

Assistentes de Redacção: Antónia Correia, Rosa gaspar, Inês Monteiro e Sílvia Henriques Impressão e acabamento: DAMER, S. A. Luanda Sul, Edifício Damer Distribuição: Media Nova Distribuição Tel: +244 943028039 Distribuidora@medianova.co.ao pontodevenda@medianova.co.ao Assinaturas: Bruno Pedro Tel: +244 945 501 040 Bruno.Pedro@medianova.co.ao Online: Venâncio Rodrigues (Editor)Isabel Dalla e Ana gomes Sítio Online: www.opais.co.ao Contactos: info@opais.co.ao Tel: 914 718 634 -222 003 268 fax: 222 007 754 Sede: Condomínio ALPHA, Talatona- Luanda. Tel: 222 009 444 República de Angola

Comercial e Marketing: Senda Costa 922682440 Vladimir Teixeira email: comercial@medianova.co.ao Tiragem: 15 000 exemplares

1948

13 de Setembro de -o viceprimeiro ministro da Índia, Sardar Vallabhbhai Patel, ordenou que o exército se deslocasse para Hiderabade a fim de integrá-lo à união da Índia.

1993

13 de Setembro de - Israel e a Palestina firmaram o Acordo de Paz de oslo que abriu caminho para a retirada dos israelitas da faixa de gaza.

2003

13 de Setembro de - o furacão Ike atingiu a Costa do golfo dos Estados unidos no Texas, causando sérios danos a Ilha galveston, Houston e arredores.

CARTA dO LEITOR

Buracos na Rua do LEA... Caro director do jornal OPAÍS, óptimo dia de trabalho para si no fim-de-semana prolongado. Sou morador do Prenda, distrito urbano da Maianga em Luanda, há catorze anos, na Rua do Laboratório de Engenharia de Angola (LEA). Por ser um local onde se faz grandes estudos científicos, espanto-me e pergunto por que razão é que os buracos na via não têm solução? É verdade que a competência é da administração local, mas, por ser uma zona com técnicos capacitados, penso que já deviam propor uma solução ao administrador. Pelo que sei, é importante manter relações institucionais para se alavancar alguns projectos. E, para isso, não é necessário ir à lua e regressar, porque os modelos estão aí patentes nos manuais. A Rua do Laboratório de Engenharia de Angola aju-

da a descongestionar o trânsito das principais avenidas. Por isso, é importante haver uma operação para se inverter o quadro, porque, quando começa o regresso a casa, o trânsito fica caótico. Os automobilistas são obrigadas a reduzir a marcha por causa dos buracos. Com isso, os serviços ficam cada vez mais difíceis e causam

aborrecimento, uma vez que se fica horas e horas no trânsito. Gostaria que os técnicos do LEA, em parceria com os da administração, criassem uma parceira técnica para acabar ou reduzir os buracos naquela zona da cidade de Luanda, de outro modo, será um caos, aliás, vêm aí as chuvas, fiscal das obras na província de Luanda. Penso que esta operação de-

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ve estender-se às outras ruas e bairros da província de Luanda, porque a situação é semelhante. Basta ver a Terra Nova e algumas zonas do Rangel (centro), a resposta é claramente a mesma.

António Flor Nelito

Escreva para o Jornal OPAÍS através do e-mail info@opais.co.ao ou ligue para estes contactos Tel: 222 003 268 fax: 222 007 754


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POLÍTICA

O PAÍS Sexta-feira, 13 de Setembro de 2019

Município do Lubango recebe mais de 8 mil milhões de Kwanzas do PIIM Este valor destina-se à execução de vários projectos de impacto social no município sede da província da Huíla, com 876 mil e 339 mil habitantes João Katombela, na Huíla

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cidade do Lubango, capital da província da Huíla, recebeu do Executivo 8 mil milhões, 838 milhões e 608 mil kwanzas (cerca de USD 21 milhões, 880 mil e 705), no âmbito do Plano Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM). O administrador municipal do Lubango, Armando Vieira, disse que este valor, proveniente do Fundo Soberano de Angola, (FSDEA), sob iniciativa do Presidente da República, vai priorizar a realização de 15 projectos de índole social. O dinheiro será aplicado na construção de duas escolas, sendo uma de sete salas e outra de 12, um novo mercado de peixe, 150 casas evolutivas na localidade da Eywa, ampliação de alguns postos de saúde, de forma a elevá-los à categoria de centros de saúde, e a reabilitação de algumas estradas secundárias e terciárias.

Arranque das obras Armando Vieira informou que as obras arrancam, em simultâneo, dentro de 45 dias, e garantiu que vão melhorar a qualidade de vida dos munícipes da “Cidade do Cristo-Rei”, como também é co-

nhecido o Lubango. Os cadernos de encargos começaram a ser vendidos no dia 5 deste mês às empresas que queiram participar na execução destas obras. DR

Mais fiscalização Algumas vozes da sociedade da província da Huíla exigem uma maior fiscalização da execução de todos os projectos no âmbito deste programa. O presidente da Igreja Evangélica Sinodal de Angola (IESA), uma das congregações religiosas mais influentes no Sul de Angola, defende a execução prática destes projectos, em vez de se publicitar o que se pretende fazer. “Nós não queremos ouvir muito dos números, queremos é saber o que é que estes números vão representar para nós, enquanto cidadãos”, disse Diniz Eurico. Durante a execução das anunciadas obras, o líder religioso sugere que as autoridades competentes informem publicamente e com regularidade o que for feito, para melhor acompanhamento da execução destes projectos. Havendo uma comunicação fluída, os munícipes estarão mais atentos para acompanhar todos os pormenores inerentes à execução de todos os projectos do município, justificou Dinis Eurico.

Processo do ex-director dos Recursos Humanos do MININT introduzido em tribunal Moisés Calueyo, que aguarda o julgamento em liberdade, é acusado de ter introduzido na folha de salários da delegação do Ministério do Interior (MININT) de Benguela trabalhadores da sua empresa, com salários altíssimos Constantino Eduardo, em Benguela

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Procuradoria Geral da República em Benguela já introduziu em tribunal o processo que envolve o antigo director dos Recursos Humanos da Delegação Provincial do Ministério do Interior (MININT), Moisés Calueyo, acusa-

do de peculato. O seu advogado, José Faria, numa curta conversa com OPAÍS, confirmou esta informação, adiantando que o processo aguarda por passos subsequentes do tribunal. Sem avançar a data em que o processo foi remetido ao juiz, o causídico considera um procedimento normal, explicando que, terminada a fase de instrução

preparatória, os processos partem, em regra, para o tribunal. Fonte judicial familiarizada com este caso confirmou a entrada do processo de Moisés Calueyo na Sala dos Crimes Comuns do Tribunal de Comarca de Benguela. O ex-director, que aguarda o julgamento em liberdade, é acusado de ter introduzido na folha de salários da delegação do MININT trabalhadores do seu projecto privado, com ordenados altíssimos. Este esquema começou a ser desmontado há dez anos, depois de engendrado, segundo as autoridades judiciais quando o tinham detido. Conforme noticiou este jornal, em tempos, logo após a sua de-

tenção, citando fontes da investigação criminal, o salário médio era de 500 mil kwanzas, o dobro, a título de comparação, do de um director provincial e igual ao de um vice-governador, na altura. Em tribunal, segundo um jurista que não se quis identificar, o processo vai produzir duas consequências: o juiz deverá “se pronunciar ou não” sobre as acusações formuladas pelo Ministério Público. Em caso de pronúncia – significando que aceita as acusações, por despacho o juiz notificará as partes envolvidas no processo para audiência de julgamento, depois de cumpridos todos os procedimentos legais. Morosidade nos tribunais O jurista lamenta a morosidade

Plano real A UNITA, na voz do seu líder na Huíla, Augusto Samuel, defende também que se trace um plano real que vá ao encontro das prementes preocupações das populações desta circunscrição. O responsável sugere que o dinheiro seja, prioritariamente, alocado para os sectores da Saúde e da Educação, os quais apontou como sendo os mais penalizados na distribuição do Orçamento Geral do Estado (OGE). À semelhança de Dinis Eurico, Augusto Samuel defende também mais transparência e um sistema de comunicação sobre todos os momentos da execução dos projectos. “É preciso colocar estes programas à luz do dia. Além dos conselhos de auscultação, é necessário partilhar a informação com outros sectores, não faria mal envolver os partidos políticos”, defende. Para melhor aplicação destas verbas e para acautelar eventuais falhas na sua implementação, como diz ter acontecido num passado recente, o político da UNITA defende maior fiscalização. “Se forem geridos à moda da velha senhora, será como sempre, rios de dinheiro e pobreza galopante e sub-desenvolvimento acentuado”, alertou, dizendo que o seu partido prima pela boa definição de prioridades.

que se regista nos tribunais. “Cada passo processual leva muito tempo. Penso que temos de mudar isso”, disse. Além desse processo, o Ministério Público tem em mãos sob suspeita de peculato acusações contra a antiga administradora da Baía-Farta, Maria João, e contra a directora do Instituto Nacional de Defesa do Consumidor (INADEC) em Benguela, à qual tinha privado de liberdade. À margem do seminário sobre probidade, realizado recentemente em Benguela, o subprocurador-geral da República, Herculano Chilanda, informou que o Ministério Público(MP) tinha dado entrada em tribunal uma parte dos mais de 40 processos sobre peculato, sem, contudo, especificar de que agentes do Estado se tratava, alegando segredo de justiça.


O PAÍS Sexta-feira, 13 de Setembro de 2019

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Ministro das Relações Exteriores a caminho do Vaticano em visita oficial O ministro das Relações Exteriores, Manuel Augusto, deslocouse esta Quinta-feira ao Estado do Vaticano para uma visita de trabalho, de três dias, destinada ao reforço da cooperação bilateral com a assinatura de um Acordo-Quadro que prevê o reconhecimento da personalidade jurídica da Igreja Católica no país e a titularidade dos seus imóveis

T

rata-se de um instrumento jurídico que vem sendo discutido há alguns anos pelas autoridades angolanas e pelos representantes da Igreja Católica em Angola.

Pretende-se, com o mesmo, que todas as instituições católicas no país, como dioceses, congregações religiosas e escolas, sejam reconhecidas pelo Estado angolano. Para tal, o Presidente da República, João Lourenço, criou,

em Março de 2018, uma comissão interministerial para cuidar das negociações relativas ao referido instrumento jurídico a ser celebrado com a Santa Sé. Em declarações à imprensa, no Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro, momentos antes da

viagem, o chefe da diplomacia angolana salientou que a visita à Santa Sé representa um momento importante nas relações entre os dois Estados, “pois iremos assinalar um passo no estreitamento das mesmas”, realçou. Na ocasião, o governante angolano destacou a visita de dois papas ao país, nomeadamente João Paulo II, em 1992, e Bento XVI (2009). Durante a sua estadia em Roma, o ministro Manuel Augusto visita a nova Chancelaria da Embaixada de Angola na Itália. Angola e a Santa Sé mantêm relações diplomáticas desde a nomeação, em 1608 (século XVII), de António Manuel Nvunda como primeiro embaixador em Roma do então Reino do Kongo. PuB

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O PAÍS Sexta-feira, 13 de Setembro de 2019

“Não comprei os documentos com dinheiro do SISM” A audiência de julgamento prossegue hoje com a audição de mais declarantes. o general Zé Maria confirmou que os documentos (razão do julgamento) são do exército sulafricano e não foram codificados como secretos pelas fAA. Informação contrariada pelo seu antigo adjunto, tenente-general Carlos filipe jACINTo fIguEIREDo

Zé Maria explicou que sempre que recebia um documento ia apresentá-lo ao Presidente José Eduardo dos Santos. Questionado pelo juiz conselheiro Fernando Tavira se os documentos eram do Estado, respondeu que sim. “Eram documentos do Estado, na pessoa do Presidente José Eduardo dos Santos”, declarou. Acrescentou de seguida que “não eram documentos do SISM, mas sim das Forças Armadas Angolanas”. Disse que tais documentos relacionados com as forças sul-africanas não têm a classificação de secretos das FAA e serviram para compilar em livros, que só não foram publicados por causa da campanha eleitoral. No entanto, levou-os consigo aquando da sua

exoneração porque pretendia dar sequência aos estudos sobre a referida batalha. Indagado pelo juiz conselheiro Carlos Vicente sobre por que razão quando Fernando Garcia Miala, chefe do Serviço de Inteligência e de Segurança do Estado (SINSE), lhe ordenou que devolvesse os documentos e não o fez, Zé Maria retorquiu, em latim, que o mandatário do Presidente João Lourenço não foi ao seu encontro “estribado”. Não levou qualquer documento formal que estabelecesse ao que ia e o limite daquilo que pretendia fazer”. Recordou aos magistrados judiciais que foi João Lourenço que, numa das reuniões do MPLA, declarou que não existiriam mais ordens superiores sem rosto. Sublinhou, de seguida, que não se recusou a entregar os documentos, apenas lhe propôs que contactassem o senhor Lito Cunha, secretário do antigo Presidente, José Eduardo dos Santos, para que se resolvesse a questão. Isto é, o Presidente João Lourenço deveria contactar o seu antecessor para o efeito, uma vez que é o patrono da FESA, local onde os documentos se encontravam. Negou que nesse encontro lhe tivesse sido ordenada a devolução dos documentos em 48 horas.

Carlos filipe diz que documentação pode afectar as relações Angola-África do Sul Paulo Sérgio

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antigo chefe do Serviço de Inteligência e Segurança Militar (SISM), general Zé Maria, declarou ontem, em tribunal, que não adquiriu os documentos sobre os envolvimentos das tropas sul-africanas na Batalha do Cuito Cunavale com dinheiro da instituição que dirigia. À instância da equipa de juízes do Supremo Tribunal Militar, liderada pelo juiz conselheiro António dos Santos Neto “Patónio”, declarou que os montantes lhe foram disponibilizados pelo então Presidente da República, José Eduardo dos Santos, que manifestara, durante uma reunião com alguns dos seus colaboradores directos, a sua preocupação com a falta de bibliografia que narra as batalhas travadas de 1975 até aos nossos dias. Disse que além de si, o então Comandante-em-Chefe convoca-

ra para a ludida reunião o general Manuel Hélder Vieira Dias “Kopelipa” (então chefe da Casa de Segurança do Presidente da República), José Menas Abrantes (ex-secretário de Estado para os Assuntos de Comunicação Institucional e Imprensa do Presidente da República de Angola), Aldemiro Vaz da Conceição (antigo porta-voz da Presidência), Frederico Cardoso (antigo secretário do Conselho de Ministro). Quanto a si, disse que foi convocado para a reunião não na condição de chefe do SISM, mas de alguém que participou na batalha. Explicou que José Eduardo dos Santos manifestou que era necessário que se escrevesse sobre tais batalhas para que a juventude a conhecesse. No entanto, dos cinco participantes, apenas ele, o arguido, cumpriu, por razões que considera objectivas. Uma vez que participou, durante 14 anos, no posto de comando avançado criado tanto pelo Presidente António Agostinho Neto, de que era secretário, como

por José Eduardo dos Santos, no teatro das operações da guerra contra a invasão Sul-Africana. “A maneira que encontrei para provar que foram as Forças Armadas que venceram a Batalha do Cuito Cunavale foi comprar os documentos das mãos do inimigo em que eles assumiam que perderam a guerra. Não foi com dinheiro do SISM”, frisou, tendo referido que foi com um dinheiro que não estava no Orçamento dessa instituição.

Zé Maria retorquiu, em latim, que o mandatário do Presidente João Lourenço não foi ao seu encontro “estribado”

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tenente-general Carlos Miguel de Sousa Filipe, chefe-adjunto do SISM, que se mantém no cargo depois da exoneração de Zé Maria, disse que tais documentos sobre a Batalha do Cuito Cuanavale continuam sensíveis e classificados como secretos pela FAA. Trata-se de uma documentação obtida sem o conhecimento do Governo sul-africano e que contêm matérias sensíveis sobre esse país. Caso fossem divulgados, por causa dos códigos e dos mapas que existem, criariam problemas na África do Sul e entre esse país e Angola. Justificou que os documentos são sensíveis porque contêm informações sobre o surgimento do regime segregacionista do Apartheid e códigos sobre a Força de Defesa Nacional da África do Sul. Por outro lado, disse que antes de serem retirados da insti-

tuição, os mesmos eram recebidos e guardados numa sala cujo acesso era reservado ao general Zé Maria. “Eu, enquanto chefeadjunto, nunca trabalhei nessa sala. Lembro-me apenas de um colega, com nome Kangoma, era o único que trabalhava lá”. Carlos Filipe disse que só se apercebeu da falta desses documentos quatro meses depois, quando o substituto de Zé Maria, general Apolinário Pereira, recebeu uma solicitação do Presidente da República para apoiar, do ponto de vista documental, áudio e vídeo, os visitantes ao Memorial da Batalha do Cuito Cunavale, no Cuando Cubango. Para além deles, foram ouvidos ontem Emília Patrícia Guilherme, chefe do departamento da oficina secreta do SINSE, e Fernando Muhongo, coordenador do gabinete de Comunicação Técnica e Tradução do SISM, como declarantes.


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SOCIEdAdE

O PAÍS Sexta-feira, 13 de Setembro de 2019

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Sociedade Bíblica em Angola doa mais de 500 objectos bíblicos em braile A Sociedade Bíblica em Angola (SBA) doou ontem a quatro

instituições de Luanda, um total de 750 artigos bíblicos provenientes da Holanda escritos em braile

DR

Polícia detém falso agente do SME na Huíla Um cidadão de 42 anos de idade,

desempregado, foi apanhado em flagrante e detido por agentes da Polícia Nacional, na Huíla, quando se fazia passar por agente dos Serviços de Migração e Estrangeiros (SME)

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Livros bíblicos e réguas em braile ofertados pela SBA

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s materiais bíblicos foram distribuídos em “porções”, dentre as quais o Evangelho de Lucas (um total de 200), Bênção da Sabedoria (50 exemplares), Ânimo (100 livros) e Palavras de Deus Para Você (50 exemplares). Foram ainda entregues 50 réguas específicas para cegos e 75 resmas de folhas em braile. Os beneficiários desta doação são a Associação Nacional de Cegos e Amblíopes de Angola (ANCAA), a Escola Óscar Ribas, a Escola do Cazenga 3020 e o Ministério da Educação. Segundo a coordenadora de programas da SBA, Cláudia Pinto, o objectivo é dar a todas as pessoas com deficiência visual a oportunidade de interagir com a palavra de Deus, bem como preservar os valores morais, cívicos e culturais e promover a leitura da Bíblia. “É muito importante que o de-

Eles têm uma deficiência, mas isso não significa que não estejam capacitados para atender ao chamamento de Deus Cláudia Pinto, SBA

ficiente visual seja útil e capaz de realizar actividades em igualdade com todos. Eles têm uma deficiência, mas isso não significa que não estejam capacitados para atender ao chamamento de Deus”, acrescentou Cláudia Pinto. A Sociedade Bíblica pretende atingir as outras províncias com o mesmo projecto, pelo que para o próximo ano as escolhidas são Malanje e Uíge. “É a palavra de Deus que se espalha e mais vidas a serem transformadas, bem como famílias a encontrarem consolo”, disse. Para Lurdes Fernando, secretária para educação e reabilitação da ANCAA, esta doação será benéfica, pelo facto de muitos deficientes visuais serem abandalhados pelos familiares. De algum modo, com este donativo fálos-á aprender a escrever, a ler e a conhecer a palavra de Deus, segundo a secretária.

cidadão em causa, detido na tarde do dia 10 de Setembro, fazia-se passar por agente do SME com o objectivo de extorquir dinheiro a cidadãos estrangeiros. A detenção ocorreu no bairro Patrice Lumumba, quando o suposto fiscal do SME foi “flagrado” pelas forças da ordem, em serviço, a tentar extorquir valores monetários a cidadãos estrangeiros proprietários de estabelecimentos comerciais. A Polícia na Huíla, segundo o porta-voz Luís Zilungo, garante ter encaminhado o cidadão ao SIC para os procedimentos processuais. Aquele responsável disse ainda que se registou, no município de Lubango, a detenção de um cidadão de 27 anos de idade, vendedor ambulante, como presumível autor do crime de furto de valores monetários por meio de cartão multicaixa. O facto aconteceu no bairro Comercial, na via pública, sendo lesado um cidadão de 49 anos de idade, professor, quando o ofendido entregou o seu cartão multicaixa ao acusado para levantar dinheiro.

“No plano estratégico de enfrentamento policial foi possível a apreensão de 2 armas de fogo, sendo uma do tipo AKM e a outra uma pistola de marca Walter”, acrescenta. Foram registados um total de 92 crimes de natureza diversa, 75 dos quais esclarecidos, com 62 detidos como presumíveis autores. Dos crimes registados, 29 resultaram da convivência com pessoas conhecidas das vítimas. Por sua vez, as práticas ilícitas dos crimes resultaram em dois homicídios, uma violação sexual e 18 ofensas corporais, em que 14 pessoas foram detidas, 11 roubos e 36 furtos.

A detenção ocorreu no bairro Patrice Lumumba, quando o suposto fiscal do SME foi flagrado pela Polícia


O PAÍS Sexta-feira, 13 de Setembro de 2019

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Número de partos por cesariana preocupa parteiras tradicionais na Huíla O aumento do número de partos por cesariana preocupa as parteiras da província da Huíla, que apontam como principais causas a gravidez precoce e a fuga à paternidade DR

João Katombela, na Huíla

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sta é uma preocupação manifestada pela presidente da Associação das Parteiras Tradicionais na Huíla, Cristina Tchopelesso, que, sem precisar o número, fala de dezenas de casos recebidos diariamente. Muitas dessas mulheres, em serviço de parto, vêm-se obrigadas a optar pela cesariana já em desespero. São jovens com idades compreendidas entre os 13 e os 15 anos. Cristina Tchopelesso aponta a falta de dilatação no momento do parto, por imaturidade do organismo, e também por questões psicológicas causadas pela ausência do parceiro em todo o momento da gravidez como alguns dos motivos para a cesariana. Pobreza e gravidez precoce Diz a responsável das Parteiras Tradicionais, ser frequente, nas localidades em que o índice de pobreza é alto, os jovens não assumirem as responsabilidades paternais. Acrescenta que, por causa da pobreza, muitas adolescentes grávidas acabam abando-

nando a formação. A pobreza ainda tem servido de “pretexto” para que homens adultos se aproveitem da sua fragilidade social e aliciá-las com valores monetários, ao ponto de as engravidar. “Nós estamos a encontrar, nas comunidades em que trabalhamos, muitas famílias a lamentar o facto de as fi lhas conceberem muito cedo. Por falta de condições financeiras, muitas adolescentes prostituem-se com a permissão dos pais. Há homens adultos que fazem isso, pagando algum dinheiro a estas meninas e quando ficam grávidas fogem”, revelou. Para combater este problema, Cristina Tchopelesso informou que, em parceria com as associadas desta organização sem fi ns lucrativos, têm trabalhado na sensibilização das adolescentes, através de palestras nas comunidades, no sentido de optarem pelo uso dos métodos contraceptivos disponíveis nas unidades sanitária. Também aponta como indispensável o envolvimento das igrejas e outros organismos afins na formação e informação das meninas e das suas famílias, com vista a maximizar os resultados.

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CARTAZ seu suplemento diário de lazer e cultura

Octaviano Correia critica imprensa pela fraca promoção da Literatura Nacional

VIRgÍLIo PINTo

VIRgÍLIo PINTo

Parte da platéia que assistiu a edição desta semana da “Maka à Quarta-feira”

Com o surgimento da imprensa em Angola, no século XIX, a Literatura Nacional passou a ser muito conhecida. A maior parte dos jornalistas era escritor, o que facilitava na disseminação da arte. Mas actualmente, o quadro é inverso, lamenta o jornalista octaviano Correia

Adjelson Coimbra

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jornalista e escritor Octaviano Correia censurou a prestação actual da C omu n i c a ç ã o Social angolana pela fraca promoção da Literatura Nacional, nesta Quarta-feira, 17, no quadro da habitual “Maka à Quartafeira”, nas instalações da União dos Escritores Angolanos (UEA), em Luanda. Octaviano Correia exprimia-

se à luz do tema “A Importância do Jornalismo na Promoção e Divulgação da Literatura Angolana”. Desde o surgimento da imprensa no século XIX, a literatura angolana teve diversas fases de desenvolvimento. A maior parte dos escritores era jornalista, o que facilitava na disseminação desta arte. Entretanto, o quadro mudou e, actualmente, para Octaviano, pouco se tem promovido os escritores, descartando a possibilidade de ser no sentido de “dar a cara”, mas sim, no de se mostrar os seus textos. Nenhum órgão de Comunicação Social tem, pelo menos, um pro-

grama virado para a literatura, de acordo com o escritor, que considera péssimo este facto, pois estáse a perder o hábito de ler. “Antigamente, tínhamos suplementos, dentro dos periódicos, que promoviam os autores de livros. Na Rádio Nacional também havia programas que convidavam escritores para falar sobre literatura. Eu tinha um programa, o Boa Noite Angola, em que convidava escritores a falarem sobre as suas obras. Havia também revistas literárias e muitos outros instrumentos disseminadores da literatura”, lembrou. Crítica

Em parte, também acusa os actuais órgãos de comunicação social pela perda do hábito de leitura pelo facto de os mesmos não estarem a cumprir as suas obrigações de formadores de consciência, opinião e ideologia. Apesar de serem decretadas ordens a priorizar a literatura em órgãos de comunicação social, ainda se verifica um índice muito elevado de pessoas que não lêem, segundo Octaviano. “O jornalismo tem de dar abertura para se falar, publicar ou incentivar a literatura”, rematou. Professora enaltece evento Domingas Montes, professora de Literatura da Faculdade de Letras da Universidade Agostinho Neto, considerou pertinente o tema por elucidar o “casamento” existente entre Literatura e Jornalismo, facto que a impulsionou a levar consigo os seus estudantes, como mote de uma aula. O balanço feito à saída do encontro foi de satisfação, augurando participar noutros assuntos do género. A profissional de Letras manifestou-se entristecida com o índice de pessoas que não lêem em Angola e classifica as actividades do género como incentivadoras, por incitar aos jovens a amar a Literatura. Por sua vez, Manuel Isaac Suma, estudante que também conside-

rou pertinente a actividade, afirma que este tema constitui “o abrir alas para um novo horizonte da literatura angolana”. Agora, que tomou conhecimento da interdisciplinaridade entre o Jornalismo e Literatura, prometeu ler mais jornais para o seu evoluir enquanto académico. Importância da literatura Além de a literatura servir de transmissor da tradição oral, mensagens ou testemunhos verbalmente transmitidos em discurso ou canção que podem tomar a forma, por exemplo, de contos, provérbios, baladas, canções ou cânticos, Domingas Montes acrescenta que esta ciência versada em letras remete- nos a duas dimensões. “Segundo o ensaísta português Carlos Reis: a dimensão da cosmovisão – é a partir da literatura que nós alargamos o nosso conhecimento, a nossa visão e a nossa mundo-evidência. Outro aspecto tem a ver com o signo ideológico – é a partir da Literatura que nós vamos ter convicções, ideias e fundamentações. Ao lermos sobre Literatura Angolana vamos alargar o nosso conhecimento daquilo que é o país, a ficção que os nossos escritores trazem e aquilo que é o conhecimento que essas obras literárias nos trazem”, disse.


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O PAÍS Sexta-feira, 13 de Setembro de 2019

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Escritor Lopito Feijóo fala das autarquias na “Expodemo” Trata-se de uma feira de Negócios e de Cultura, que se assume como um importante cartaz turístico da Moimenta da Beira. Além da participação em debates, o poeta angolano vai ainda realizar uma sessão de autógrafos do seu mais recente poemário “Experimentais Poépicos” Antónia Gonçalo

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escritor angolano Lopito Feijóo participa em mais uma edição da Feira de Negócios e de Cultura denominada “Expodemo”, que arranca hoje, 13, na Região da Beira, em Portugal, no âmbito das suas itinerâncias artístico-literárias. O poeta foi convidado pela Câmara Municipal da Moimenta daquela região, no último dia do evento, 15, e participará no debate com o tema “Interioridade, descentralização, regionalização e importância da literatura”. Em conversa com OPAÍS, Lopito Feijóo avançou que neste encontro vai falar das autarquias no país, por observar as vantagens que o processo poderá dar aos agentes e promotores culturais, bem como aos próprios artistas locais. “Vou falar de questões ligadas à nossa realidade, pois, como sabe, vamos partir para a instalação das autarquias e penso que devemos pensar e repensar nas vantagens deste processo. Pois, vou falar da interioridade com base na descentralização de poderes, que nos poderá exigir um outro jeito de pensar e agir de forma mais eficaz e dinâmica”, enfatizou. O poeta considerou que eventos do género proporcionam um acumular de experiências que, segundo ele, acaba por ser sempre útil para as práticas do dia-a-dia e permitir a intersecção com gente de várias origens e culturas, possibilitando beber um pouco do seu saber. Por esse motivo, julgou ser motivo de honra participar em eventos de cariz internacional, principalmente, “quando o convite nos chega somente em razão da força e da visibilidade do nosso trabalho artístico-literário. Isso significa que podemos também, mostrar a nova Angola além – fronteiras, por via da palavra poética que é o nosso forte”, reforçou. Participam no debate escritores africanos e brasileiros. Entre os portugueses, o destaque recai pa-

ra o escritor José Manuel Mendes, que foi um lutador anti-fascista, ensaísta, prosador e poeta, e actual Presidente da Associação Portuguesa de Escritores. Apresentação e autógrafos Além do debate, Lopito Feijó realiza no Sábado, 14, a apresentação e assinatura de autógrafos, seguida de debate em torno da sua mais recente obra literária intitulada “Experimentais Poépicos”. O poeta está expectante quanto à actividade, pelo facto de ter nesta cidade o ‘seu’ público. “É a primeira vez que me desloco a esta cidade, sei que lá, algum público me espera há já algum tempo. Sei que lá, o meu trabalho é conhecido. Já fui convidado várias vezes para anteriores eventos, mas só agora é que a presença se vai efectivar”, explicou. O evento A Expodemo, que este ano se estreia como um “eco-evento” é uma feira de negócios e de cultura, de sentidos e emoções. Localmente, é também chamada a “festa da maçã”, fruto da terra, das raízes e da luz, que se assume hoje como um importante cartaz turístico da Moimenta da Beira. Estima-se que mais de 40 mil pessoas possam visitar o recinto, durante os três dias e vai acolher, além de 160 expositores, inúmeras outras estruturas físicas e, dentre elas, o Pavilhão da Cultura com quatro palcos para mais de 25 espectáculos com a participação de mais de 150 artistas. No Pavilhão da Cultura, todos os visitantes terão o livre acesso ao Sector das Letras, que é uma estreia absoluta e fortalece a vertente mais cultural do evento. Este será um espaço de apresentação de livros, tertúlias à volta dos livros e da literatura, espaço também de maratonas de leituras com a presença de autores da lusofonia, como Alzira Santos, assim como a escritora santomense, Olinda Beja.

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OPINIÃO

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O PAÍS Sexta-feira, 13 de Setembro de 2019

RICARdO VITA *

Gaston Monnerville: o negro que quase se tornou presidente da França DR

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ob a Quinta República Francesa, em vigor desde a Constituição de 1958, o interino do chefe de Estado é exercido pelo Presidente do Senado. Assim, esta alta personalidade do Estado é a primeira pessoa na ordem de sucessão presidencial. Gaston Monnerville, negro, ocupou esta função durante 21 anos. E um grande evento político em 1969 quase fez dele o primeiro presidente negro da República francesa. Na altura, o presidente era Charles de Gaulle, também chamado general de Gaulle, e ele havia proposto um referendo para criar as regiões e reformar o Senado. Gaston Monnerville vendo nisso uma intenção clara de diminuir o poder da câmara alta, o Senado, para fortalecer o da câmara baixa, a Assembleia Nacional, desafiou-o pedindo aos Franceses que votassem não ao referendo cuja data estava agendada para o dia 27 de Abril de 1969. No entretanto, Monnerville demitiu-se do cargo de presidente do Senado, que ocupava desde de 1947 (que na época se chamava Conselho da República), em Outubro de 1968 para melhor defender a sua visão do poder legislativo. Em 18 de

Abril de 1969, na televisão francesa, ele opôs-se publicamente ao referendo, declarando o seguinte: « A proposta de lei que vos foi feita, que todos sabem que é inconstitucional, complexa, difícil e ilegal, como afirmou o Conselho de Estado, e perigosa, é muito provável que leve o nosso país à aventura. Então, digo-vos que respondam não ao referendo de 27 de Abril ». Havia de facto duas visões políticas opostas para este referendo. A do general de Gaulle queria um Senado enfraquecido, reduzido ao simples papel consultivo. A de Monnerville queria um Senado com poder legislativo, um contrapeso à Assembléia Nacional. Em 27 de Abril de 1969, os Franceses seguiram a recomendação de Monnerville e 52,41% votaram não no referendo. E se seis meses antes ele não se tivesse demitido da presidência do Senado, teria sido presidente interino da República francesa depois da demissão de Charles de Gaulle do cargo de presidente em 28 de Abril de 1969. Gaston Monnerville teve uma carreira política longa e nada o predestinava a mais de cinquenta anos de vida política extraordinária. Nasceu em Cayenne, na Guiana francesa, em 1897. Formou-se em direito em França e tornou-se um

advogado famoso em 1931, quando defendeu com brio 14 Guianenses acusados sem prova do assassinato de um empresário francês. Durante o processo, aproveitou a oportunidade para denunciar a colonização, os abusos e a fraude eleitoral que existia na Guiana. Este processo revelou-o e a sua longa carreira política começou aí. Em 1932, foi eleito deputado da Guiana. Em 1937, integrou o governo como Subsecretário de Estado para as Colónias e obteve a abolição das prisões de trabalho forçado. Durante a Segunda Guerra mundial foi combatente voluntário e resistente e na Libertação foi encarregado de preparar a departamentalização das quatro antigas colónias francesas - Guadalupe, Martinica, Guiana e a Reunião - que se materializou em 1946. Ainda em 1946, foi eleito para o Conselho da República (Senado) e em 1947 foi eleito presidente desse Conselho, um caso sem precedente para um afrodescendente. Em 1948, foi eleito Senador do departamento de Lot, depois presidente do Conselho Geral desse departamento e presidente da Câmara Municipal de Saint-Céré. Mas em 1953 foi afastado da candidatura à presidência da República por ser negro e René Coty foi eleito presidente da França, embora a tradição naquele contexto fosse eleger o Presidente do Conselho da República. Gaston Monnerville ocupou o cargo de presidente do Senado francês durante 21 anos - até 1968. Em 1974, foi nomeado para o Conselho Constitucional, onde terminou a sua carreira em 1983. Morreu aos 94 anos em 7 de Novembro de 1991 em Paris. *é Pan-africanista, afro-optimista radicado em Paris, França. É colunista do diário Folha de São Paulo (Brasil), do diário Público (Portugal) e do diário Libération (França). É cofundador e vice-presidente do instituto République et Diversité que promove a diversidade em França e é empresário.


ACTUAL O PAÍS Sexta-feira, 13 de Setembro de 2019

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fábrica de fertilizantes em Benguela: falta de procuradores adia audiência para hoje A audiência marcada para ontem na Sala do Cível do Tribunal da Comarca de Benguela sobre a fábrica de fertilizantes químicos com obras suspensas no bairro da graça, foi adiada para hoje, por não haver procuradores disponíveis para representar o Ministério Público Zuleide de Carvalho, em Benguela

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sessão em Tribunal, para colheita de depoimentos, das testemunhas sobre a implantação da fábrica de fertilizantes químicos em zona urbana em Benguela, foi adiada pelo juiz Adelino Tupita, por não haver representante da Procuradoria-Geral na sala. O facto ocorreu, porque os advogados das partes, Chipilica Eduardo, mandatário da requerente, “Omunga”, e Aurélio Canjamba, defensor do requerido, “Noble Group”, concordaram que a presença do Ministério Público é fundamental e espera-se que compareça um procurador hoje. Na manhã de ontem, a audiência começou com meia hora de atraso, justificando o juiz da causa, Adelino Tupita, “por termos apenas uma sala (do Cível)”. E, após ouvidos os advogados e redigidas pela escrivã as questões prévias, ficou-se a saber outra lacuna do sistema judicial lo-

cal, pois há somente 3 procuradores destacados para o Tribunal e um está em gozo de férias. Para questões cíveis, existe um procurador no Tribunal, usufruindo, actualmente, de licença. As duas senhoras restantes, trabalham na Sala da Família e, uma delas, por vezes “cobre” a área cível e até a do trabalho. Por conseguinte, na primeira audiência do processo 51/2019, o Ministério Público não teve representação na sala, porque o procurador “que domina o caso está de férias” e a outra procuradora tinha a agenda cheia. Adiada para a manhã de hoje, 9h, Sexta-feira, 13 de Setembro, espera-se obter, sob juramento, as razões que levam sociedade civil e Omunga a serem contra a localização da fábrica, com obras em zona urbana. Todavia, a novidade poderá advir da requerida, visto que, a requerente tem estado aberta à imprensa desde o início e, lamentavelmente, as tentativas que “OPAÍS” fez localmente para ouvir representantes da fábrica, foram fracassadas. ZuLEIDE DE CARVALHo


ECONOMIA

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O PAÍS Sexta-feira, 13 de Setembro de 2019

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“Empregos nos activos do Estado a privatizar não estão garantidos” Num “tranquilizador” discurso para o mercado de trabalho, o governo garantiu a salvaguarda dos postos de trabalho nas quase duas centenas de empresas suas a privatizar, mas a prática mostra que isso é impossível André Mussamo

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primeira grande operação de privatização de activos do Estado ocorreu na transição da economia centralizada para a liberalizada à entrada dos anos 90, quando politicamente o país virou nos seus princípios orientadores, saindo de “partido único” para a democracia multipartidária. Por aquela altura, o que foi trazido à praça pública é que a “economia de mercado” exigia a privatização das empresas, diminuindo a intervenção do Estado na economia”. Por essa via, vários activos do

Estado foram postos à venda, num amplo programa designado como “redimensionamento empresarial”. A prática mostrou que mais do que “liberalizar” o tráfico de influências falou mais alto e muitos activos simplesmente mudaram de patrão e designação, mas na verdade passaram para o controlo da “élite política dominante”, e pior do que isso, a preço de bagatela. Para observadores atentos, a ladainha repete-se e receia-se que “o mesmo filme vai repetir-se”, quase 30 anos depois da péssima experiencia dos anos 90, altura em que a classe trabalhadora foi a mais prejudicada com a “pandemia” da extinção em massa de postos de trabalho e encerramento quase hemorrágico de empre-

sas cujos novos donos não tiveram saber nem capacidade de as tornar funcionais e produtivas. Para agravar a situação, um violento conflito armado acirrouse “servindo para justificar quase tudo”, e logo as fábricas e demais unidades de produção tornaramse obsolectas, e ou convertidas noutro objecto de trabalho, como, por exemplo, o assalto às “grandes superfícies, que foram transformadas em armazéns de vendas de manufacturados e bugigangas por parte de comerciantes africanos e árabes”, que comercializavam produtos com menor valor económico e autênticos catalisadores do processo de “morte prematura“ da produção nacional. Segundo fontes familiarizadas

“Grandes superfícies que foram transformadas em armazéns de vendas de manufacturados e bugigangas tomados de assalto por comerciantes africanos e árabes”

com a mais recente história economica do país, uma elite ávida, transformou-se em “pequena burguesia” e tomou de assalto o património à venda, tornandose a nova proprietária de pequenas, médias e grandes indústrias que rapidamente se degradaram e ficaram condenadas à paralisação e consequentemente mandando para o desemprego centenas, senão milhares de trabalhadores, sem assegurar o seu sustento pela via da previdência social, porque enquanto no activo tais trabalhadores tiveram descontos que nunca foram entregues à instituição certa, inviabilizando, com essa prática, o seu apoio. Quase 30 anos depois, o Governo põe à venda quase duas centenas de fábricas, empresas e fazendas “erigidas” com recurso a fundos públicos e “reedita” o discurso de estarem assegurados os empregos. As centrais sindicais, apesar de um “amargo de boca”, manifestado de forma tímida, parece não assumir a “defesa” da massa trabalhadora, tendo optado, tal como S. Tome, por “ver para crêr”. Numa ronda de contactos realizados com as poucas centrais sindicais a operar no país, nenhuma

disponibilizou-se a analisar “friamente” a posição tomada pelo governo. Todavia, quase todas dizem “não acreditar que sejam garantidos 100% todos os empregos, mas por enquanto não tomam nenhuma posição”. O primeiro sinal de “desalento” para a massa trabalhadora terá sido dado no dia da realização da primeira cerimónia de venda das cinco primeiras fábricas alienadas. Apesar das garantias dadas pelo poder instituido, pelo menos, dois dos três novos donos das unidades já alienadas “disseram não poder garantir a contratação de toda a mão-de-obra das mesmas”. Um dos compradores admitiu que tudo passaria pela avaliação das habilidades e competências profissionais de cada um dos trabalhadores. “Não conhecemos quem são e eles não nos conhecem a nós. Por isso é prematuro dizer se vamos continuar com todos ou não”, afirmou um dos representantes das cinco novas fábricas alienadas na zona económica. Na sua última reunião, a cúpula do partido dirigente (MPLA) manifestou a sua “apreensão” perante este novo quadro e reiterou o apelo à salvaguarda dos postos de trabalho nos activos do Estado em alienação, o que por si só evidencia “preocupação” em torno da incerteza que paira sobre o que o futuro reserva à numerosa mão-deobra que antes, absorvida por estas unidades, foi remetida à incerteza quanto à continuidade e sustentabilidade dos postos de trabalho. Um economista que apelou ao anonimato questionou até onde o governo está a ser “sincero” ao fazer um apelo “genérico” aos futuros donos das empresas a privatizar para que estes salvaguardassem os postos de trabalho. “Parece um jogo em que o árbitro apela à violência extrema para decidir quem será o vencedor, mas na mesma, apela a que ninguém magoe o outro”, atirou o entrevistado para ilustrar o sentido do quadro que está a ser proposto pelo Executivo. Uma fonte sindical diz “esperar, para ver”, mas garante que em caso de necessidade a luta será com todos os recursos, incluindo a mobilização da solidariedade da classe trabalhadora. Para os sindicalistas, a situação deteriora-se a cada dia. A Lei Geral do Trabalho em vigor, já terá sido um “duro golpe” à classe trabalhadora pelo que não há disposição de continuar a consentir “sacrifícios”. “Os direitos trabalhistas devem ser salvaguardados e a protecção dos postos de trabalho é um dos deveres do Executivo.


O PAÍS Sexta-feira, 13 de Setembro de 2019

MERCAdOS

Mercado Interbancário Os ajustamentos nas expectativas dos investidores sobre a evolução da economia global, poderá ter contribuído no aumento da Libor USD 6 meses em 1,8 p.p. ao situar-se em 2,053%.

Libor USD 6 Meses

Mercado TAXA DE JURO

2,080

Taxas de Juro Taxa BNA Libor uSD 6M Libor gBP 6M Libor jPY 6M Euribor 6M Luibor 6M

Cot. 11/09/19 15,500% 2,053% 0,828% -0,048% -0,408% 15,900%

∆ Diária (p.p) 0,000 0,018 0,008 -0,001 0,006 -0,020

2,050 2,020 1,990 1,960 5/Set

Mercado ACCIONISTA Índices Accionistas Cot. 11/09/19 Dow jones (EuA) 26 909,43 S&P 500 (EuA) 2 979,39 fTSE 100 (Inglaterra) 7 338,03 IBovespa (Brasil) 103 445,60 CSI 300 (China) 3 930,10 Nikkei 225 (japão) 21 597,76

∆ Diária (%) 0,846 0,723 0,964 0,402 -0,737 0,961

Cot. 11/09/19 365,8270 1,1007 1,2318 107,7700 14,7260 4,0682

Cot. 11/09/19 57,40 60,81 1 492,70 18,04 2,58 262,80

∆ Diária (%) 0,616 -0,308 -0,219 0,288 0,541 -0,343

∆ Diária (%) -2,875 -2,517 0,261 -0,055 -1,085 -0,514

Luibor Taxas BNA Luibor o/N Luibor 1 Mês Luibor 3 Meses Luibor 6 meses Luibor 9 meses Luibor 1 Ano

26.950 26.600 26.250 25.900 5/Set

7/Set

9/Set

11/Set

1,113 1,105 1,097 1,089 5/Set

7/Set

∆ Diária (p.p) 0,260 -0,260 -0,020 -0,050 -0,010 -0,050

Mercado Accionista O índice Dow Jones (EUA) e S&P 500 (EUA) aumentaram 0,84% e 0,72% ao situarem-se em 26.909,43e 2.979,39 pontos, respectivamente. O desempenho poderá reflectir a moderação das tensões comerciais entre os EUA e a China.

Mercado Cambial As expectativas sobre a evolução da política monetária do Banco Central Europeu, pressionaram a moeda única europeia. O euro depreciou 0,31% ao fixar-se em 1,1007 USD por unidade de moeda.

9/Set

Brent C rude F ut. 63,6 62,4

Mercado de Matérias-primas A perspectiva de redução da procura mundial de petróleo pressionou a cotação do crude. O WTI e o Brent reduziram em 2,87% e 2,52% ao situarem-se em 57,40 e 60,81 USD/ barril, respectivamente.

61,2 60,0 5/Set

7/Set

9/Set

11/Set

Luibor As taxas de juro no mercado monetário interbancário recuaram na generalidade das maturidades, exceptuando a Luibor Overnigth que voltou a aumentar 26 p.b, ao situar-se em 14,03%.

15,80% 15,78% 15,76% 15,74% 5/Set

7/Set

BREVES Moçambique será um país de rendimento médio até 2035 Moçambique deverá passar a país de rendimento médio até 2035 ao atingir as metas preconizadas na Estratégia Nacional de Desenvolvimento Económico de Moçambique 2015/35, afirmou o ministro da Economia e finanças. Adriano Maleiane renovou a determinação do governo

em alcançar as metas ao intervir na IV Cimeira “financial Times” em Moçambique, evento que juntou, Quarta-feira, em Maputo, entidades do mundo empresarial para abordar questões ligadas às estratégias de atracção de mais investimentos à indústria do gás natural.

Macau é exemplo bem-sucedido da aplicação do princípio “Um país, dois sistemas” o Presidente da China louvou Macau por ter conseguido aplicar com sucesso o princípio “um país, dois sistemas”, ao receber em audiência no grande Palácio do Povo o Chefe do Executivo do V governo de Macau, Ho Iat

Seng. Xi jinping disse ainda que Macau é um exemplo bem-sucedido daquele princípio, “com a qualidade de vida da população a registar melhorias e a sociedade no seu todo a manter-se estável e harmoniosa.”

11/Set

Luibor 1 Ano Cot. 11/09/19 14,03 14,26 14,40 14,71 15,15 15,68

11/Set

EUR / USD

Mercado DAS COMMODITIES Commodities WTI Crude fut. Brent Crude fut. gold 100 oz fut. Prata fut. gás Natural fut. Cobre fut.

9/Set

Dow Jones (EUA)

Mercado CAMBIAL Taxas de Câmbio uSD/AKZ EuR/uSD gBP/uSD uSD/jPY uSD/ZAR uSD/BRL

7/Set

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11/Set

BCE revê em baixa previsões de crescimento da zona euro para 1,1% o Banco Central Europeu (BCE) reviu, ontem, em baixa as suas previsões de crescimento da zona euro em 2019, para 1,1% face aos 1,2% que tinha estimado em junho, revelou Mário Draghi, presidente da instituição.

Numa conferência de imprensa, em frankfurt, depois da reunião da instituição, Draghi, citado pela Efe e pela AfP, adiantou que a inflação atingirá este ano 1,2%, valor inferior aos 1,3% estimados em junho.


ENTREVISTA

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O PAÍS Sexta-feira, 13 de Setembro de 2019

O serviço público é alg equidistante às nossa O cientista político Paulo Faria lança hoje na universidade Católica, em Luanda, o livro ‘o Público e o Político em Angola’, uma obra que examina as condições e as possibilidades para a regeneração do Estado. o docente, cujo nome tem estado na berlinda por causa do ‘polémico’ afastamento da faculdade de Letras e Ciências Sociais, acredita que o nosso Estado é influenciado ainda pelos vários progenitores que teve. Quanto ao afastamento, acredita que ainda se está sob influência de resquícios de práticas do “Ancient Regime” texto de Dani Costa fotos de Carlos Moco

O

que gostaria de abordar inicialmente nesta conversa? Antes de mais apraz-me agradecer pela oportunidade que têm em partilhar o tempo, que é uma grande comodity no contexto actual. E o tempo só tem sentido se for partilhado por coisas que valem a pena. Essa interacção é um dos elementos que vale a pena, promovermos e desenvolvermos também nas nossas relações. É uma nota de apresentação sobre mim. Portanto, eu sou o Paulo Faria, originário da província de Malanje, nasci na aldeia de Cavunga. Em termos de formação, passei pelo seminário, o que quer dizer que fui seminarista pela Arquidiocese de Luanda. Também fui Jesuita. Tudo isso é importante para po-

dermos, de certa forma, perceber a minha trajectória, não só académica, mas também profissional, enquanto um cristão aberto. Tenho a licenciatura em Filosofia e Humanidades pela Universidade Católica Portuguesa, depois fui à Inglaterra onde fiz um mestrado pela Universidade de Kent, e na mesma instituição cursei o doutoramento em Política e Governo. Uma boa ‘folha de serviços’... Fui beneficiário durante quatro anos de uma bolsa do Ministério dos Petróleos. É importante eu realçar isso. Porquê? Porque quando regressei, aliás foi uma das cláusulas salientadas de forma bastante precisa pelo ministro Botelho, de que os bolseiros tinham que voltar e dar o seu con-

Senti-me de facto preocupado e alarmado em muitos casos, mas também senti o alento de vários colegas que me fizeram crer que aquilo eram os solavancos do momento. E que não devia fixar-me nesses momentos e sim aproveitá-los como uma oportunidade para crescer mais no entendimento sobre a realidade política, sócioeconómica do país

tributo ao país. Então, foi o que fiz. Apresentei-me ao ministério, recebi um estipêndio mensal e assentamento de mil dólares. É importante dizer isso como nota de reconhecimento, porque a minha formação deveu-se sobretudo pelo acto generoso dos contribuintes. E é com esta consciência que me juntei à faculdade em Março de 2013 e, entretanto, o contexto não foi pacífico. O que se passou? A relação foi extremamente tensa e, sobretudo, pintaram-se falácias e criaram-se hábitos de desinformação sistemática. Que tipo de falácias foram criadas? Que o doutoramento tinha sido pago pela oposição, que eu era do outro lado e da Opus Dei. Enfim, como se tudo isso de facto fosse um mal. Mas é o contexto. Senti-me de facto preocupado e alarmado em muitos casos, mas também senti o alento de vários colegas que me fizeram crer que aquilo eram os solavancos do momento. E que não devia fixar-me nestes momentos e sim aproveitá-lo como uma oportunidade para crescer mais no entendimento sobre a realidade política, sócio-económica do país, mas também crescer mais na minha consciência de tolerância, no exercício da tolerância política e social. Portanto, foram estes aspectos que pude tirar desta experiência negativa. Muitos poderiam fugir, regressar, mas de facto agarrei-me sobretudo pelo reconforto de vários colegas. Devo muito ao antigo decano, o professor Victor Kajibanga, que no meio destas desinformações todas me deu coragem. Mas, lamentavelmente, criou-se este clima que de certa forma poderia levar-nos a nos acabrunhar, isto é, não dar o nos-


O PAÍS Sexta-feira, 13 de Setembro de 2019

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go muito as práticas” so máximo. Pelo contrário, dei o meu litro. Para além de ser regente do curso de Ciência Política por um período de seis anos, também fui o coordenador científico do primeiro mestrado em Ciência Política e Administração Pública. Portanto, se fi-lo bem ou mal, isso compete aos meus caros estudantes e colegas ajuizar. Mas, o que posso de facto dizer é que dei o meu máximo. Porque a máxima para mim é inaciana: tudo aquilo que é digno de se fazer, então é digno de ser bem feito. Isso foi sempre o meu mote existencial enquanto servidor público. Mas há uma outra máxima de George Orwell que mencionou em tempos: “todos os porcos são iguais, mas uns são mais iguais que outros”. Refere-se à política ou a academia? George Orwell temos que ver o contexto histórico e político em que ele escreve esta sátira, digamos, no campo dos animais, com o porco. De facto, é uma sátira contra o marxismo e leninismo, sobretudo os abusos ou excessos desta ideologia. Portanto, a ideologia que pensava que somos todos iguais, todos camaradas, mas camaradas são aqueles que partilham dos mesmos espaços. Todos pautam pelos mesmos princípios, perfilham a solução das necessidades imediatas e comuns. Não há dinâmicas de exclusão, abusos nem prepotências. Mas, de qualquer forma, há uma grande distância entre a retórica dos actos de igualdade, tolerância e a brutalidade da violação sistemática do outro. Portanto, a exploração do homem pelo homem vai, de certa forma, exercitar-se até à exaustão dentro do comunismo. É só vermos os excessos do estalinismo e por aí fora. Acredita que os abusos que diz ter sofrido na Faculdade de Ciência são resquícios da falta de camaradagem do estalinismo e de outras práticas herdadas do partido único? Tenho a dizer que nós, enquanto Estado-Nação, somos ainda

uma criança que provém de vários progenitores. A nossa existência enquanto Estado-Nação tem sido moldada por várias influências, muitas delas tóxicas, que provêm do marxismo-leninismo e muito mal integradas, mal aculturadas ao nosso contexto e também ao próprio liberalismo económico e ao democrático. São exercícios ideológicos mal interpretados e mal integrados no contexto angolano ou africano latu sensu. Somos de facto vítimas deste processo. Por quê isso acontece? Por quê assumimos de forma acrítica ideologias que foram branqueadas, sistematizadas, desenvolvidas, cultivadas por ideólogos em espaços geográficos muito peculiares da Alemanha, da Rússia, de Cuba e por aí fora? Nós somos mais propensos a copiar modelos do que a produzir ou, no mínimo, na pior das hipóteses, a aculturar estes modelos. Daí a que há alguns excessos e visões sobre o serviço público entre nós. O serviço público é algo muito equidistante às nossas práticas. Ainda vemos as instituições como uma espécie de lavra em que eu tenho de exercer poder absoluto. Até as pessoas que contribuem para a rentabilidade da minha lavra eu posso julgar. Daí a questão de Orwell: ‘somos todos iguais, mas uns são mais iguais do que os outros’. Portanto, eu sou mais igual que o outro, na medida em que subjugo, até aquele que é uma peça centralíssima para o meu próprio desenvolvimento. Vejo isso não tanto como um acto de humilhação, mas como uma oportunidade para eu crescer e conhecer melhor o meu país. Porque são factos assombrosos, mas que me dão a oportunidade de poder localizá-los. Onde é que localizo estes factos? Provem daí, o facto de que nós somos mais propensos a beber, consumir compulsivamente padrões e modelos ideológicos muito alheios ao nosso contexto. E, acriticamente, tentamos implementar e isso é reflectido na nossa praxis. A praxis de um mau serviço público é assim: dispensar ou demitir alguém só por protestar de forma aberta aquilo que era de facto um concur-

Apresenta o retrato de um país em mudança transformadora. Refere-se mesmo a Angola? Sim.

so público, ou, pelo menos, aquilo que ficou patente no Jornal de Angola. Mas, os factos provam que foi tudo menos um concurso público. Curiosamente, numa altura em que vive esse problema, vai lançar o livro cujo título é ‘O Público e o Político em Angola- O relato de um país em mudança transformadora”. Há muita diferenciação entre o que é público e o que é político? É uma questão muito pertinente. Mas, sob o ponto de vista da teorização deste acontecimento, onde é que o país viola esta experiência? É um evento, obviamente um evento, ou seja, aquelas ocorrências que transpassam a nossa criatividade crítica consciente. Portanto, é algo que transcende o meu controlo. Nunca programei que deveria ser demitido e depois publicar um livro. Mas uma das coisas que sempre fiz, enquanto académico, é que não posso apenas comer do erário público, também tenho de produzir. A minha produção tem de ser consentânea à qualidade dos bens que o Estado põe ao meu dispor. É imbuído nesta consciência que, efectivamente, vou fazendo alguma coisa. O que faço não é de forma isolada, porque sou devedor do contributo directo ou indirecto dos meus colegas. Até da própria professora Luzia Milagre e de outros que poderíamos designar como os detractores, também sou devedor. Porque são propiciadores de ocasiões que, de certa forma, ajudam a reflectir e a contextualizar.

A praxis de um mau serviço público é assim: dispensar ou demitir alguém só por protestar de forma aberta aquilo que era de facto um concurso público, ou, pelo menos, aquilo que ficou patente no Jornal de Angola. Mas, os factos provam que foi tudo menos um concurso público

É difícil distinguir o político e o público em Angola? É uma questão muito interessante. Mas como gosto muito de teorizar os factos, a grande questão é: o que se deve entender como público? Portanto, para mim, o público é esta âncora que dá sustentabilidade à totalidade das acções públicas sociais e económicas. O público é um espaço de permanente sensibilidade, de autonomia, de actividade e de confrontação. É de auto-emancipação. É um espaço de abertura, de criatividade permanente. Ao fim e ao cabo, se optarmos por esta perspectiva, vamos ver que o público é a estrutura na qual a acção do político tem sentido e significado, partindo do princípio de que a estrutura tem prioridade ontológica sobre a acção. Entretanto, também o político pode recrear o mesmo público. E ao recrear o público, ele torna-se a estrutura para o próprio público. O que estamos a viver hoje no país é esta dinâmica contínua. O facto leva-nos a inferir sobre aquilo que designo no capítulo 3 do livro como a rede interactiva, o novo paradigma de governação. Esse novo paradigma de governação assenta sobretudo na abertura, grande consciência da necessidade de se promover e garantir também as liberdades de expressão e de pensamento. Portanto, é daí que hoje, o grande compromisso que se assumiu pelo combate à corrupção, bajulação, impunidade e nepotismo é sobretudo nesta rede interactiva ou novo paradigma de governação sobre a actual administração. Obviamente, aqui temos de ser extremamente conscientes de que é a retórica política entre os actos que o digo e a realidade pode haver um grande distanciamento. E nós começamos a ver este distanciamento desde a Cidade dos Ministérios, as questões sobre se os deputados precisam de ginásio ou não, enfim. São estes os grandes desafios. Mas, atenção, está tudo a acontecer aos olhos de todo o mundo. Podem ver e contestar. E a contestação foi tanto maior que houve de facto um retorno e há aquele post onde está o Presidente da República e o Rafael Marques. Diz que temos que ouvir e é ouvindo que nós vamos cancelar esta ideia da Cidade dos Ministérios até que haja condições para tal. Para mim, isso já reflecte esta nova dinâmica. Há três anos, precisamente, isso não seria possível.


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ENTREVISTA

O PAÍS Sexta-feira, 13 de Setembro de 2019

“O Executivo de hoje também foi o Executivo de ontem” Como observador social, crítico político e também positivista é ver a realidade tal como ela é. Há três anos dizia que o Governo não era inclusivo, porque julgavao mais impositor do que consultivo. É a ideia que ainda tem em relação ao actual Executivo? O Executivo de hoje também foi o Executivo de ontem, mas, se calhar, as modalidades da execução é que podem estar qualitativamente a assumir roupagens diferentes. Enfim, os servidores estão aí e são os mesmos, a partir do próprio Presidente da República e por aí fora. Mas, de qualquer das formas, é alguém que não lança logo o dispositivo disciplinar dos órgãos castrenses para cima dos manifestantes como nós vimos aí há dias, ou lança os cães, assim como pura e simplesmente ignora as críticas sobre as más formações de um concurso público mal feito, com vícios e nepotismo, possivelmente, como para a quarta operadora de telefonia. Isso gera de facto esta nova dinâmica. Mas a grande questão é o quanto isto descredibiliza ou não o voltar para trás. Descredibiliza ou não o ministro da Ciência e Tecnologia ao anular este processo. Portanto, as mesmas pessoas estão aí. Aqui temos que ver as

pequeninas nuances nos modos do Executivo ser e nas suas modalidades circunstanciais de executar os actos sobre prioridades estratégicas do próprio Governo. A meu ver noto que há algumas inflexões positivas significativas. Isto é uma das imagens. Eu começo logo na introdução do livro a falar de uma trilogia imagética do político, não só em Angola, mas também no continente. A imagem da banalização, da vulgarização das instituições foi muito bem trabalhada por Jean-François Bayart e tantos outros pensadores africanos. Mas de certa forma a banalização foi tolerada naquele período. Aliás, eu tinha dado uma entrevista ao jornal português Público e recebi chamadas para que ‘não faça isso, porque está a falar de banalização. Vai ter problemas’. Mas, anos depois, o próprio Presidente da República afirmou que havia banalização e da necessidade de se reformar o Estado e corrigir o que está mal. E uma das coisas que estava mal era sobretudo a banalização das instituições. Ora bem, se isto ainda existe ou não, eu devo dizer que os players são ainda os mesmos. Mas sobre estes players existe a necessidade da renovação do novo compromisso ou pacto social que tem que ser feito.

É possível quando há uma espécie de ‘religião da banalização do Estado’? Não diria tanto religião… Mais foi o que disse em 2016 na entrevista que concedeu ao jornal português ‘Público’. Naquele período nós tínhamos situações de excentricidades maiores. Nunca tinha visto tal coisa, sinceramente. Era o fausto luxo na miséria. Eram de facto os tais paraísos fictícios, para usar a expressão de Bourdieu. Tivemos um paraíso fictício em Angola? Um paraíso fictício para a cidade em que se viveu, não na primeira realidade, mas sim numa realidade cosmética de que éramos de facto extremamente ricos. Houve um período entre 2002 até 2012, em que houve um boom, Angola chegou a ultrapassar a Nigéria como o maior produtor de petróleo da África subsariana. O dinheiro estava aí, mas não muito bem canalizado para amortecer sectores como a agricultura e a indústria. Então, daí o facto de se ter esbanjado, se calhar fruto de uma má interpretação da angolanização da economia ou de uma economia polí-

Existe um compromisso macro-institucional pela reforma, mas, por outro lado, existem forças de bloqueio a este processo de reforma. E a força de bloqueio deve-se, talvez, a alguns vícios já bem entranhados por parte de alguns entes sociais

tica altamente personalizante ou neopatrimonial e clientelista, que de certa forma criou danos ao ponto de se dizer que o país estava economicamente inviável. E aí, a necessidade de reanimar este monstro económico. Mas, de facto, pode existir ainda. Vamos ver uma coisa: o cenário da faculdade (Faculdade de Letras e Ciências Sociais) ainda é o resquício de uma banalização de uma instituição pública. Porque senão, como é que vou punir pessoas que efectivamente produzem? Nós sabemos que o lema da Universidade Agostinho Neto é, de facto, ‘ensino, investigação e produção’. Significa que é uma trilogia clara. Se eu quero fazer parte desta família, vestir esta camisola, então tenho que fazer isso. Mas, entretanto, pessoas há, cuja improdutividade é manifesta, que são as mesmas que punem aqueles que trabalham. Então, isso não é outra coisa senão a banalização. Isso é para dizer que existe um compromisso macro-institucional pela reforma, mas, por outro lado, existem forças de bloqueio a este processo de reforma. E a força de bloqueio deve-se, talvez, a alguns vícios já bem entranhados por parte de alguns entes sociais. E estes entes vamos pô-los no Bentiaba? Não. Têm de ser moralizados, porque a cantilena hoje é moralizar. Porém, estranhamente, é muito sintomático que a retórica da moralização esteja a ser protagonizada por partidos políticos e não igrejas. Portanto, não sei se isso é um bom ou mau presságio, mas, a meu ver, seria bom, porque 80 ou 85 por cento da população é cristã. Por isso, seria de bom tom que as confissões cristãs e outros grupos religiosos assumissem um compromisso público para estas grandes divisas, como combate à corrupção, à impunidade, à bajulação e ao nepotismo. O político sobrepõe-se ao público ou há alguma apatia por parte destas confissões religiosas e alguns grupos da sociedade civil? Esta apatia, se calhar, é a ressaca de um período em que o político reprimiu o público com uma agenda bastante clara. Portanto, as dinâmicas do público é recriar, ser crítico, exercer a livre expressão e escrutinar. Não interessava ao político ter um espaço ou uma esfera pública autónoma neste quilate

de críticas construtivas e de inovação. Interessava-lhe controlar e a recolonização do espaço público ao ponto de poder instrumentalizá-lo. O que se vive hoje é o resquício dessas más práticas da colonização do espaço público por parte do político. Agora, há uma espécie de reviravolta, porque hoje o político tenta resgatar a força, digamos assim, intacta do público. Isso vêse num caso paradigmático como a expansão do sinal da Rádio Ecclésia em todo o território nacional. Reflicto esta questão no capítulo 9 sobre a Rádio Ecclésia. Na conversa que o Presidente faz com a jornalista, que penso ser vossa colega, revela de facto este compromisso do político a alterar aquilo que ele designou como ‘um falso problema’. Mas era de facto um problema, porque os bispos da CEAST tentaram durante décadas desactivar este imbróglio. Mas, na actual liderança o sinal da Rádio Ecclésia foi desactivado. Há aqui um sinal de um novo compromisso, aquilo que se chama uma rede interactiva como um novo paradigma de governação, em que o político deixa o público ser segundo a sua própria natureza. Pode-se concluir que há mais liberdade hoje? É este o compromisso que se tem. É difícil quantificar numa métrica de 0 a 5. Se dissermos 5, então há mais liberdade ou 0 há menos. Mas isso vai depender de onde nós estamos. Se calhar, se formos lá para o interior há menos. Aliás, foi há pouco menos de duas semanas que o bispo da Diocese do Moxico veio a público criticar uma decisão tomada por um administrador algures no Luena a encerrar a transmissão da Rádio Ecclésia. Portanto, enquanto o decisor máximo, o chefe de Estado, decidiu desactivar a expansão do sinal da Rádio Ecclésia, ainda temos pequeninos entes que estão a representar o ‘Ancient Régime’ ou as práticas antigas. Então, há aqui de facto esta luta, mas é uma dialética interessante. Uns puxam para a frente e outros para trás. Mas isso não é um fenómeno isolado. São transformações endógenas que estão a ocorrer pelo continente fora. Vimos no Zimbabwe. Se calhar as liberdades da livre manifestação não são as mesmas que os jovens têm em Angola. As liberdades que muitos jovens da Tunísia têm, se calhar, podem ser qualitativamente distintas da que os jovens angolanos têm. Portanto, é tudo relativo. Tudo diz respeito ao contexto em que estamos imbuídos.


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ticulativos, sobretudo nas redes sociais. São novas dinâmicas, tipificações e modalidades de ser e exercer a acção pública. Extinguiu-se a constelação de estrelas que faziam o culto da bajulação ao político? Hoje em dia extingiu-se e não. Para não estar a julgar as pessoas, gostaria apenas de reformular a questão nos seguintes termos: o exercício da expressão da opinião tem de ser necessariamente qualificada?

‘A sociedade civil ainda está dormente’ Vimos há dias uma manifestação por causa da promessa eleitoral dos 500 mil postos de trabalho feitos pelo Presidente João Lourenço. Os jovens deixaram de estar anestesiados? Eu digo que os jovens estão a ler bem os sinais dos tempos e a aproveitar bem esta oportunidade. A oportunidade de que há um político que permite o público ser segundo a sua natureza. E uma delas é sobretudo o respeito pela liberdade de pensamento, de manifestação e de associação, que são direitos constitucionais de todos os cidadãos. Agora, a questão é que estão a exigir uma promessa eleitoral de dois anos. Tem sido dito que Roma e Pavia não foram construídas neste tempo. Mas, de qualquer da forma, sem nenhum desprimor, a acção criativa dos jovens torna interessante este modelo, esta rede interactiva como o novo paradigma de governação. É este modelo inferido nas entrevistas do actual Presidente como candidato, na tomada de posse e também como estadista na vi-

sita a Lisboa. Acho que há aqui uma oportunidade de nós percebermos estas transformações que estão a decorrer no nosso país. É um ganho sim, mas a grande questão é que os actos de governação não podem ser equidistante às realidades dos cidadãos. A sociedade está dormente? A sociedade civil, se calhar, ainda está dormente neste longo sono dogmático à espera de alguém para despertar. De facto, este acto dos jovens não está dissociado de uma acção inerente a uma franja da sociedade. Estão organizados: têm a Placa, a organização do Cazenga, os ‘Revús’. Está aí uma panóplia de indivíduos bem integrados em grupos de interesse ou de pressão. Mas é claro que já não representam aquele grupo de mais velhos, que muitos deles agora estão na Assembleia Nacional. Estou a falar dos Mário Pinto, que foram os grandes campeões desta sociedade civil activa, vibrante e dinâmica, que confrontava quase toda a esfera da autoridade política. Portanto, hoje são novos players na sociedade civil muito mais ar-

Mas foi o senhor, que falava há anos numa constelação de ‘opinion makers’ que faziam o culto à bajulação. Recorda-se? Ora bem. Eu sou muito heraclitiano, no sentido de que não é possível banhar-se duas vezes na mesma água do rio, porque ela flui e está sempre em constante mutação. Portanto, é esta dialética histórica de que Marx fala e que muito aprecio. Portanto, hoje, para a actual administração assumir o combate à bajulação significa que é um problema. Eu também reconheço que havia bajulação. A grande questão para mim hoje é aquela que Maquiavel coloca ao Príncipe: ‘O Príncipe no seu acto tem a responsabilidade máxima de garantir a perpetualidade do seu principado. E ao fazê-lo tem de usar certas técnicas. A questão que Maquiavel coloca é se o Príncipe neste exercício há-de simplesmente fazerse ladear dos ‘Yes Man’, os bajuladores? Ele disse que não: tem que se fazer rodear por aqueles que lhe vão dizer o que ele não quer ouvir. O nosso ‘Príncipe’, se pudermos fazer uma analogia com o Presidente João Lourenço, não está rodeado de algumas ervas daninhas? Eu não queria fazer este tipo de juízo de valores. Sou muito positivista e avalio os factos, observo e não fico pelo dito e não dito. De qualquer das formas, a recomendação está dada por Maquiavel. Não é bom que quem governa se faça ladear apenas pelos “Yes man”, pelos carneiros. Mas deve fazer-se ladear por aqueles que lhe digam e apontem o caminho. Hoje estava a ver um vídeo que fazia referência a Maxwell, um grande especialista sobre liderança, e ele dizia assim: ‘Tudo se sustenta e se destrói na liderança’. Quer dizer, a liderança constrói, mas também a má liderança pode destruir. Os bajuladores podem contribuir para a corrosão ou a destruição antecipada desse edifício que se quer construir. Tudo, a meu ver, é uma an-

tecâmara daquilo que se passa nos micro-espaços de uma unidade orgânica, como, por exemplo, de uma universidade, das empresas, da família e da igreja. Em tudo isso, se eu quero ouvir apenas a opinião que me favorece. Dois anos depois de ter chegado ao poder, o que difere a liderança de João Lourenço em relação à de José Eduardo dos Santos? É sobretudo a frontalidade, a franqueza e a acutilância. E esta acutilância está-se a manifestar pelo modo de confrontar os males desde dentro. Está a voltar as baterias dentro da sua própria organização política, o partido MPLA. Está a fazê-lo ao ponto de ninguém que seja poderoso ou influente se va sentir como que incólume. Portanto, hoje estamos a ver actos públicos cometidos anteriormente a serem passíveis de escrutínio judiciário. A meu ver é um grande diferencial que se está a contextualizar naquilo que é uma visão continental de uma transformação significativa, sustentável através dos actos de governação comprometida. Isso significa abraçar as grandes causas. E abraçar as grandes causas significa que eu, governante, tenho de providenciar não só as liberdades de manifestação, expressão e opinião, mas, sobretudo, as condições materiais para que as pessoas realizem de forma efectiva as suas necessidades. A necessidade de saúde, de ensino e de emprego. Todos estes actos de governação têm que estar comprometidos. Neste quadro, o ambiente contaminado pela impunidade, bajulação e a corrupção, e o nepotismo desfavorecem a prossecução destas prioridades fundamentais do Estado. As medidas tomadas não são por uma questão também de sobrevivência do próprio MPLA, o partido que o Presidente da República também dirige? Certamente que sim, porque é mesmo uma questão de sobrevivência. Ele tem que perceber isso. O MPLA, obviamente, é um partido histórico que tem a sua força no seu próprio estatuto, no historial, mas só que este historial nem sempre é linearmente condicentes àqueles grandes ideários dos seus fundadores. Portanto, houve aqui abusos excessivos e há necessidade de parar isso. Se não se pára, claro que há uma desintegração maior. Ele, como presidente do partido, creio que está consciente disso. Por uma questão de preservação deste movimento histórico, há necessidade de revitalizá-lo. E a revitali-

zação tem que ser pelo confronto dos males. E os males, de facto, estão mesmo bem dentro do partido. É isso que, a meu ver, torna esta governação interessante e também desafiante. Mas a gente fica sempre com uma pulga atrás da orelha: as pessoas sempre estiveram aí, qual é a garantia que nos dão de que o que dizem vai ser implementado? Disse há pouco que é um positivista. Está com algum receio? Não. A minha dúvida é metódica. Eu sou extremamente cartesiano no sentido de que duvido para crer. E essa dúvida para crer é um método de sanidade mental. Há quem diga que, depois da entrada em cena do Presidente João Lourenço, a oposição está praticamente esfumada... A grande questão é que temos aí a tendência de Bar... sobre a visão tradicional dos partidos, que são entes sociais revestidos com interesses específicos de chegarem ao poder. Uma coisa é aspirar e outra, são as condições materiais reais para eles chegarem. Talvez seja por uma questão de opção. Não tenho aqui os partidos para lhes perguntar e fazer um estudo de opinião. É uma questão que se calhar eles acham que não há condições materiais para chegar ao poder no actual quadro, porque a agenda de governação está a tomar aquelas nuances que outrora eram defendidas pela oposição. Então, a meu ver a oposição está a ter dificuldades de reinventar-se. Talvez também haja um desgaste maior, por exemplo, na liderança do maior partido da oposição, o Dr. Samakuva. Vamos ver se agora há uma mudança para uma liderança mais acutilante e criativa acima de tudo, porque, às vezes, temos uma visão muito ocidentalizada da oposição como entidade que tem de opôr-se sempre. O que temos que mudar é o chip e ver que a oposição, mais do que apontar erros e pôr o dedo nas chagas de quem está a governar, também tem que ser um terapeuta, participar na cura das chagas. A oposição tem sido terapeuta? Eu acho que o acto que vimos na Assembleia Nacional, com o Adalberto Júnior e a Luísa Damião a abraçarem-se efusivamente são aspectos positivos, temos que celebrar. São aspectos positivos que têm que se replicar até ao interior.


dESPORTO

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DR

O PAÍS Sexta-feira, 13 de Setembro de 2019

Coqueiros acolhe Campeonato Nacional de atletsimo DANIEL MIguEL/ARQuIVo

Atletas nacionais numa prova de estrada

O Equipa tricolor no momento da consagração ao 11º título da Taça de Angola no Pavilhão Principal da Cidadela

Petro de Luanda destrona 1º de Agosto depois de ter perdido em 2018 o título para a sua arquirival, as tricolores conquistaram por 17-13, ontem, o 11º troféu da segunda maior competição de andebol do país em sénior feminino Mário Silva

C

om o Pavilhão Principal da Cidadela Desportiva praticamente às “moscas”, o Petro de Luanda conquistou o seu 11º título da Taça de Angola em sénior feminino de andebol, após vencer, por 17-13, na final o 1º de Agosto, campeão mundial de clubes. Durante a partida de ontem, as tricolores entraram a todo ‘gás’, e aos cinco minutos já venciam por quatro bolas sem resposta. Fruto de uma defesa agressiva e eficaz no ataque, a equipa do Catetão foi ao intervalo com a vantagem no marcador de 10-3. No reatamento do jogo, a equipa central das Forças Armadas Angolanas às ordens de Morten Soubak apresentou uma postura diferente em relação à primeira parte.

Ou seja, Albertina Cassoma e companheiras conseguiram marcar dez golos na baliza defendida pela guarda-redes Bá, considerada pela crítica desportiva como uma das melhores ndo mundo a sua posição. Ainda assim, a turma petrolífera liderada por Magna Cazanga, melhor marcadora da final, com quatro tentos apontados, conseguiu gerir o resultado até ao fim do tempo regulamentar. Reagindo à conquista da Taça, o treinador-adjunto do Petro de Luanda, Luís Chaves, considerou que o alto nível de concentração das suas atletas,

“Foi difícil conquistar a prova, uma vez que as militares bateram-se bem”

sobretudo na primeira parte foi determinante para a conquista do troféu. Apesar da vitória, Luís Chaves admitiu que o clube tricolor teve dificuldades para derrotar a sua arqui-rival, 1º de Agosto. “Foi difícil conquistar a prova, uma vez que as militares bateram-se bem. Mas, nós fizemos o nosso trabalho e estamos felizes”, disse. Por sua vez, o técnico da equipa do RI-20, Morten Soubak, disse que o grupo não esteve bem, uma vez que cometeu erros tácticos e técnicos. Morten Soubak reconheceu que as petrolíferas mereceram vencer a partida, uma vez que demonstraram mais argumentos. “Não estivemos bem. Cometemos muitos erros e quando é assim não se chega a lado nenhum”, lamentou o treinador dinamarquês.

presidente da Federação Angolana de Atletismo (FAA), Bernardo João, assegurou ontem a “O PAÍS” que o Campeonato Nacional, em ambos os sexos, disputa-se de 18 a 20 do corrente mês, no Estádio dos Coqueiros, em Luanda. Bernardo João admitiu que enfrentam algumas dificuldades na preparação do certame.

Ainda assim, está ciente de que a prova nacional

vai animar a pista do Estádio dos Coqueiros. “Admito que temos muitas dificuldades, mas a prova vai realizar-se”, admitiu o responsável. O Campeonato de Atletismo, que visa saudar o Dia do Herói Nacional, Agostinho Neto, primeiro Presidente da República Popular de Angola, vai contar com a participação do 1º de Agosto, Petro e Interclube.

frança e Argentina discutem passe à final

A

s selecções da França e da Argentina disputam hoje uma vaga para a final do Mundial da China, na arena Wukesong Sport Center, na cidade de Beijing, às 13:00 (hora de Angola).

Para chegar a esta fase, os franceses deixaram pelo caminho os Estados Unidos da América, vencendo por (8979). Por sua vez, a Argentina

derrotou a Sérvia por (97-87). Na outra partida, a Espanha medirá forças com a Austrália, no mesmo pavilhão, às 9:00. Para chegar às meias-finais, os espanhóis venceram a Polónia por (90-78). Por sua vez, a Austrália vergou a República Checa, por (82-70). A prova decorre na China desde o dia 31 de Agosto e termina no dia 15 do corrente mês. DR


O PAÍS Sexta-feira, 13 de Setembro de 2019

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DANIEL MIguEL/ARQuIVo

’Onda’ João Félix chega ao NY Times “Está cheio de pressa”

Os mesmos hábitos

A fama de João Félix ultrapassa fronteiras e continentes. O jornal norte-americano ‘The New York Times’ dedica nesta Quinta-feira um artigo ao jovem português do Atlético de Madrid, com um longo perfil futebolístico. “João Félix está cheio de pressa. Assim como toda a gente”, é o título. No texto, há testemunhos de Nuno Gomes, antigo director da formação do Benfica, de João Tralhão, técnico que trabalhou com Félix nas camadas jovens, e José Boto, antigo scout dos encarnados que actualmente manda no futebol do Shakhtar.

Sebastião Félix*

O

DR

Paizo, atleta do 1º de Agosto, equipa tetra-campeã, tenta recuperar a bola

Pupilos de Dragan jovic reconhecem estádio Kiameso Pedro

O Quadrangular de futsal disputa-se hoje Quatro equipas, em femininos, disputam hoje e amanhã um torneio quadrangular de futebol salão (futsal), prova que visa saudar o 17 de Setembro, Dia do Herói Nacional, no campo multiusos da Base Naval da Ilha de Luanda, às 9:00. Juscelino Pedro, membro da organização, disse ontem à imprensa que a referida competição visa massificar a prática da modalidade em Angola. “A competição visa massificar a prática da modalidade em todo o território nacional”, afirmou. Comando do Exército, Banco Keve, Clínica Sagrada Esperança e os Serviços Prisionais são as equipas que vão bater-se no certame.

AREÓPAGO

1º de Agosto realiza hoje o treino de adaptação e reconhecimento do relvado do Estádio Nkolama, em Lusaka, palco do jogo de amanhã frente ao Green Eagles FC da Zâmbia, referente à primeira mão da última eliminatória de acesso à fase de grupos da Liga dos Clubes Campeõe da CAF, às 14:00. Na sessão de hoje, o treinador dos militares do Rio Seco, Dragan Jovic, vai privilegiar a melhoria dos aspectos técnicos e tácticos. Em declarações à impren-

sa, o treinador-adjunto do 1º de Agosto, Ivo Traça, garantiu que o avançado Nelson da Luz está recuperado da lesão contraída em 2018. Por isso, será uma das opções no plantel para o desafio deste Sábado em Lusaka. “O Nelson da Luz recuperou da lesão

e estamos satisfeitos. Acho que será opção no jogo frente à equipa da Zâmbia”, afirmou. Ivo Traça admitiu que o desafio frente ao Green Eagles será difícil, uma vez que o adversário vai jogar com o apoio do seu público.

Petro de Luanda encerra preparação no Catetão O Petro de Luanda realiza hoje mais uma sessão de treinos, no campo do Catetão, visando o desafio de manhã diante do Kampala City do Uganda, às 16:00. Na sessão com início às 9:00, o treinador dos tricolores, Toni

Kim Clijsters regressa aos “coutrs” em 2020

Messi responde ao convite de Cristiano Ronaldo

A belga Kim Clijsters vai regressar aos courts em 2020, anunciou ontem a antiga número um mundial, de 36 anos, mais de sete depois de ter terminado a carreira de tenista profi ssional. O anúncio foi feito nas redes sociais por Clijsters, que se retirou em 2012 do circuito mundial, no qual conquistou quatro títulos do Grand Slam.

No fi nal de Agosto, durante a gala de entrega de prémios da UEFA, Cristiano Ronaldo desafiou Messi, com quem divide os holofotes há 15 anos, para um jantar. O convite ficou feito e agora, em entrevista ao jornal espanhol ‘Sport’, o craque argentino do Barcelona respondeu. “Não tenho problema. Sempre disse que não tenho problema com ele”, disse Messi.

Cosano, vai trabalhar a recuperação física dos atletas. Depois dos trabalhos físicos, Toni Cosano vai privilegiar os aspectos defensivos e ofensivos, a julgar pelas características do opositor.

Federação de golfe aposta na formação O presidente da Federação Angolana de Golfe (FAGOLFE), Almir Soares, garantiu ontem que nos próximos meses cinco membros do órgão que dirige vão receber formação, nas Ilhas Seychelles. Almir Soares explicou que a FAGOLFE está a trabalhar na massificação e prestação de apoio aos novos praticantes.

desporto angolano, no que concerne à gestão e transparência, enfrenta uma crise sem precedentes. A ausência de competências teóricas e práticas demonstra a montanha de problemas que afectam algumas federações. Com esta forma de agir, as coisas não mudarão assim tão cedo, porque as lacunas existentes nestes órgãos de utilidade pública fazem aí morada há muito tempo. Até ao momento, não se compreende as razões que levam o presidente da Federação Angolana de Futebol (FAF), Artur Almeida, a não explicar publicamente o fracasso da Selecção Nacional no CAN 2019 que o Egipto acolheu. Por conta disso, o cumprimento correcto de funções relacionadas com o desporto, no plano moral e ético, coloca o dirigente num pedestal justo. Mas isso, até agora não aconteceu no pelouro de Artur Almeida e, diga-se, já vai tarde. O presidente da FAF é um servidor público, logo, não pode encher-se de nervos quando os cidadãos cobram o resultado do seu trabalho. Penso que o silêncio da FAF quer estender-se à Federação Angolana de Basquetebol (FAB). Esta, com a Selecção Nacional sénior masculina, teve a pior prestação de todos os tempos no Mundial da China. Volvidos alguns dias, após o fracaso, o presidente de direcção, Hélder Cruz, ainda não convocou a imprensa. Aliás, a gestão de Hélder Cruz tem muitas nódoas, ainda que se use lixívia, elas vão resistir no papel branco da imprensa e não só. Basta assinalar que num passado recente, este mesmo dirigente anunciou publicamente que deixaria o cargo, mas na data prevista não o fez. São sempre os mesmos hábitos! * Jornalista


CLASSIFICAdOS emprego

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O PAÍS Sexta-feira, 13 de Setembro de 2019

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TEMPO

PAÍS Sexta-feira, 13 de Setembro de 2019

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Fonte: INAMET

PREVISÃo Do TEMPo *** 3 DIAS *** PARA AS PRINCIPAIS CIDADES Válida de 13 a 15 de Setembro de 2019 Ê Ê

das 18 horas do dia 12 às 18 horas do dia 13 de Setembro de 2019. REGIÃO NORTE: Províncias de Cabinda, Zaire, Bengo, Luanda, Céu pouco ou parcialmente nublado, apresentando-se nublado pela madrugada e manhã. Possibilidade de ocorrência de nevoeiro ou neblina matinal em alguns municípios das províncias de Luanda, Cabinda, Zaire, uíge, Malanje, Cuanza-Sul, Cuanza-Norte e Lunda-Norte. Possibilidade de ocorrência de chuva fraca ou chuvisco em alguns municípios das províncias do uíge, Malanje e LundaNorte.

INSTITUTO NACIONAL DE METEOROLOGOA E GEOFÍSICA - CENTRO NACIONAL DE PREVISÃO DE TEMPO (CNPT) Ê

Ê

PREVISÃO DO TEMPO *** 3 DIAS *** PARA AS PRINCIPAIS CIDADES, válida de 13 a 15 de Setembro de 2019Ê Data 13/ 09/ 2019

CIDADE

Mín

Data 14/ 09/ 2019

Estado do Tempo

Máx

Mín

Data 15/ 09/ 2019

Estado do Tempo

Máx

Mín

Estado do Tempo

Máx

LUANDA

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Céu nublado pela manhã/ neblina.

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Céu nublado pela manhã/ neblina.

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Céu nublado pela manhã/ neblina.

CABINDA

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Céu parcialmente nublado, neblina.

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Céu nublado, neblina/ chuva fraca ou chuvisco.

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Céu nublado, neblina/ chuva fraca ou chuvisco.

SUMBE

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Céu parcialmente nublado, neblina.

20

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Céu nublado pela manhã/ neblina.

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Céu nublado pela manhã/ neblina.

CAXITO

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Céu nublado pela manhã/ neblina.

21

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Céu nublado pela manhã/ neblina.

21

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MBANZA CONGO

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Céu nublado pela manhã/ neblina.

18

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Céu parcial nublado, neblina.

18

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UIGE

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Céu nublado, neblina/ chuva fraca ou chuvisco.

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Céu nublado, neblina/ chuva fraca ou chuvisco.

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Céu parcial nublado, neblina.

NDALATANDO

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Céu nublado pela manhã/ neblina.

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Céu nublado pela manhã/ neblina.

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Céu nublado pela manhã/ neblina.

MALANJE

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Céu nublado, neblina/ chuva fraca ou chuvisco.

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Céu nublado pela manhã/ neblina.

18

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Céu nublado pela manhã/ neblina.

DUNDO

23

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Céu nublado, neblina/ chuva fraca ou chuvisco.

23

33

Céu nublado pela manhã/ neblina.

23

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Céu nublado, chuva fraca ou moderada/trovoada.

SAURIMO

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Céu pouco nublado a limpo

20

32

Céu pouco nublado a limpo

20

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Céu nublado, neblina/ chuva fraca ou chuvisco.

BENGUELA

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Céu nublado pela manhã/ neblina.

20

27

Céu nublado pela manhã/ neblina.

20

27

Céu pouco nublado a limpo

HUAMBO

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Céu limpo

07

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Céu limpo

07

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Céu limpo

CUITO

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Céu limpo

15

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Céu limpo

15

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Céu limpo

LUENA

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Céu limpo

14

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Céu limpo

13

32

Céu limpo

LUBANGO

13

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Céu limpo

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Céu limpo

13

27

Céu limpo

MENONGUE

13

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Céu limpo

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Céu limpo

14

32

Céu limpo

MOÇÂMEDES

15

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Céu nublado pela manhã/ neblina.

14

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Céu nublado pela manhã/ neblina.

15

25

Céu nublado pela manhã/ neblina.

ONDJIVA

12

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Céu limpo

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Céu limpo

12

33

Céu limpo

REGIÃO CENTRO: Províncias de Benguela, Huambo, Bié e Moxico Céu pouco nublado ou limpo, tornando-se nublado ao entardecer. Muito nublado pela manhã ao longo da faixa do litoral.

Céu parcial nublado, neblina. Céu parcial nublado, neblina.

A Meteorologista: Miguel Pedro e Urssula Gonçalves. Aeroporto Internacional 04 de Fevereiro, Rua 21 de Janeiro – Tel.: 949320641 – Luanda. Site: http://www.inamet.gov.ao; emails: geral@inamet.gov.ao / geral.inamet@angola-portal.aoÊ

REGIÃO SUL: Províncias do Namibe, Huíla, Cunene e Cuando Cubango Céu pouco nublado ou limpo, tornando-se nublado ao entardecer. Muito nublado pela manhã ao longo da faixa do litoral. Possibilidade de ocorrência de nevoeiro ou neblina matinal em alguns municípios da província do Namibe.

Luanda, 12 de Setembro de 2019

TEMPO NO MAR Fonte: INAMET

BoLETIM METEoRoLÓgICo PARA A NAVEgAÇÃo MARÍTIMA

dESCRIÇÃO SINÓPTICA dAS 18:00 TU dO dIA 12/09/2019 ÀS 18:00 TU dO dIA 13/09/2019. Depressão, com pressão central de 1015hPa, influênciando assim o padrão e a intensidade do vento. Prevê-se ondas máximas de até 2.5 metros de altura para a região marítima do Namibe. Para as regiões marítimas de Cabinda, Zaire, Bengo, Luanda, Cuanza-Sul, e Benguela prevê-se ondas máximas de até 1.9 metros de altura. Visibilidade fraca devido à possibilidade de ocorrência de nevoeiro ou neblina matinal.

1. SITUAÇÃO GERAL ÀS 18:00 TU dO dIA 12 dE SETEMBRO dE 2019: Circulação de Sul fraca a moderada entre os paralelos 4°S a 6°S, circulação de Sudoeste-Sul fraca a moderada entre os paralelos 6°SINSTITUTO a 14°S NACIONAL e circulação DE METEOROLOGIA E GEOFÍSICA – INAMET Centro Nacional Previsão do Tempo Sul moderada a forte entre os paralelos 16°S ade 18°S. BOLETIM METEOROLÓGICO PARA A NAVEGAÇÃO MARÍTIMA

2. PREVISÃO VÁLIdA ATÉ ÀS 18:00 TU dO dIA 13 dE SETEMBRO dE 2019: 1. SITUAÇÃO GERAL ÀS 18:00 TU DO DIA 12 DE SETEMBRO DE 2019:

Ê Ê Ê Ê Ê Ê Circula• ‹ oÊ deÊ SulÊ fracaÊ aÊde moderadaÊ paralelosÊ 4¡ SÊ aÊ 6¡no S,Ê circula• ‹ oÊ deÊ Sudoeste-SulÊ fracaÊ aÊ moderadaÊ entreÊ osÊ Namibe, paralelosÊ 6¡ SÊEntre aÊ 14¡ SÊ eÊ os circula• ‹ 3. Aviso: Ventos fortes até 25entreÊ nósosÊ(46 Km/h), extremo Sul da região maritima do Ê Ê Ê Ê Ê Ê Ê Ê Ê Ê Ê Ê Ê SulÊ moderadaÊ aÊ forteÊ entreÊ osÊ paralelosÊ 16¡ SÊ aÊ 18¡ S.Ê paralelos 16°S e 18°S. 2. PREVISÃO VÁLIDA ATÉ AS 18:00 TU DO DIA 13 DE SETEMBRO DE 2019: 3. Aviso: Ventos fortes de até 25 nós (46 Km/h), no extremo Sul da região maritima do Namibe, Entre os paralelos 16°S a 18°S. VENTO

ESTADO DO TEMPO

REGIÃO

(ATÉ 200 MILHAS DA COSTA)

ALTURA DA ONDA (METROS)

ESTADO DO MAR

DIRECÇÃO FORÇA (KT)

Cabinda (4°S – 6°S) Zaire, Bengo, Luanda e Cuanza-Sul (6°S – 12°S) Benguela (12°S – 14°S)

ÊÊ

Ê Ê Ê

Neblina ou nevoeiroÊ Neblina ou nevoeiroÊ Nublado

Namibe (14°S – 18°S)

Ê

Ê

Ê

Nublado

VISIBILIDADE HORIZONTAL (KM)Ê

Sul

Até 11

Até 1.3

Pouco agitado

Fraca pela manhã (Superior a 5)

Sudoeste a Sul

09 à 16

1.4 até 1.7

Pouco agitado a agitado

Fraca pela manhã (Superior a 5)

Sudoeste a Sul

Até 16

Até 1.9

Agitado

Fraca pela manhã (Superior a 7)

Até 25

Até 2.5

Muito agitado

Sul

Fraca pela manhã (Superior a 7 )

oÊ Ê Ê Ê Ê

CARTA dO VENTO MÁXIMO E dA ALTURA dA ONdA MÁXIMA PREVISTA os contornos a cores indicam a altura máxima da ondulação e os contornos em tom cinza indicam os possíveis incrementos das vagas devido à influência do vento local.


ÚLTIMA

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O PAÍS Sexta-feira, 13 de Setembro de 2019

Governo britânico prevê cenários caóticos com Brexit sem acordo DR

Uma separação britânica da união Europeia sem um acordo pode atrasar as travessias comerciais pelo Canal da Mancha, dificultando as remessas de remédios e alimentos frescos, enquanto protestos se espalhariam por todo o Reino unido, de acordo com a projecção mais pessimista divulgada pelo governo nesta Quarta-feira

A

s suposições da “Operação Martelo Amarelo” preparadas seis semanas atrás, poucos dias depois de Boris Johnson se tornar primeiro-ministro, formam a base do planeamento do Reino Unido para uma saída sem acordo. Os cenários foram divulgados por exigência dos parlamentares que acusam o Governo Johnson de esconder o impacto desastroso de uma eventual desfiliação sem um pacto, que podem agravar a tensão política enquanto o país ruma para o dia 31 de Outubro, prazo para o rompimento com a UE. O documento diz que a preparação dos sectores público e privado para tal cenário provavelmente seria baixa, em parte por causa da confusão política nas vésperas do Brexit. Inicialmente, os camiões podem ter que esperar até dois dias e meio para cru-

zarem o Canal da Mancha. “Certos tipos de suprimentos de alimentos frescos diminuirão”, diz o documento. “Existe o risco de compras feitas por pânico causarem ou exacerbarem transtornos no suprimento... protestos

Ele diz que quer uma eleição geral urgente para resolver o impasse, e os seus oponentes dizem que só o deixarão convocar uma eleição quando a ameaça de um Brexit sem acordo tiver

sido descartada

e contra-protestos ocorrerão em todo o Reino Unido”. Johnson diz que o país sairá no prazo, com ou sem um acordo. Parlamentares da Oposição que se apropriaram da agenda legislativa na semana passada aprovaram uma lei que obriga o primeiro-ministro a pedir um adiamento, a menos que acerte um pacto com o bloco para evitar o caos. O Parlamento foi suspenso desde então e não há consenso nos tribunais a respeito do direito de Johnson de fazê-lo. Ele diz que quer eleições gerais urgentes para resolver o impasse, e os seus oponentes dizem que só o deixarão convocar uma eleição quando a ameaça de um Brexit sem acordo tiver sido descartada. O Governo disse que o documento sobre a Operação Martelo Amarelo publicado na Quarta-feira só revelou o pior cenário possível e que urge preparar-se para todas as contingências. Mi-

chael Gove, o ministro responsável pelos preparativos para uma saída sem acordo, disse que as suposições do texto de cinco páginas estão a ser revistas. O opositor Partido Trabalhista disse que os documentos con-

firmam os riscos graves de uma ruptura sem um pacto, e exigiu que o Parlamento suspenso seja reconvocado “para esmiuçar estes documentos e adoptar todas as medidas necessárias para impedir uma saída sem acordo”.

Enterro de Papa convida líderes ao Vaticano para pacto global sobre Mugabe no Educação Zimbabwe O encontro está marcado para o Papa Francisco convidou, ferências temáticas. “na próxima quinto aniversário da encíclica na Quinta-feira, líderes Isso incluirá tópicos como promarco histórico do Papa “Laupolíticos, culturais e reli- moção dos direitos humanos e semana” dato Si”, que pedia protecção giosos do mundo para uma reu- da paz, diálogo inter-religioso, ao meio ambiente, combaten-

O

O

primeiro Presidente do Zimbabwe, Robert Mugabe, será enterrado “na próxima semana”, disse um porta-voz da família à Reuters na Quinta-feira. Leo Mugabe, sobrinho do falecido Presidente, disse que a cerimónia de enterro seria privada. Robert Mugabe morreu há sete dias, por doença, em Singapura.

nião no Vaticano, no próximo ano, para chegarem a um acordo sobre “Um Pacto Global sobre Educação”, de modo a preparar melhor os jovens para os desafios económicos, ambientais e sociais. O Vaticano disse que a reunião, chamada “Reinventando a Aliança Educacional Global”, ocorrerá a 14 de Maio no Vaticano e será precedida por con-

migração, cooperação internacional, refugiados, justiça económica e protecção ambiental. Numa mensagem de vídeo, Francisco disse que esperava que “figuras públicas autorizadas do nosso mundo, preocupadas com o futuro dos nossos jovens”, respondessem ao seu convite. O Vaticano não deu detalhes sobre quem seria convidado.

Papa Francisco

do o aquecimento global e gradualmente eliminando o uso de combustíveis fósseis. As conferências preparatórias serão realizadas entre este mês e Abril. Uma delas acontecerá em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, que o Papa visitou em Fevereiro passado. As outras acontecerão na Itália e no Vaticano.


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Jornal OPaís edição 1595 de 13/09/2019 by OPAÍS - Issuu