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E&M_Edição 16_Julho 2019 • Moçambique no rumo certo

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Habitação

Como as Casas modulares podem ser alternativa

Hcb opv da hidroeléCtriCa está a mexer Com o merCado

iDai o balanço da ConferênCia de doadores da beira comércio o que vai mudar Com a Zona afriCana de ComérCio livre

6 Observação

CAN 2019 a imagem forte do Campeonato africano das Nações que arrancou em Junho, no egipto

8 Radar

Panorama economia, banca, Finanças, Infra-estruturas, Investimento, País

12 MaCro

Habitação

Uma análise ao mercado das casas modulares e as vantagens e desvantagens deste segmento

22 Nação

Gás NAtuRAl

22 áREA 1 Com o anúncio da dFI da anadarko a economia e o país vão mudar. dizemos-lhe como, quando e em que áreas

30 Na voz de... omar Mithá, o PCa da eNH, explica o que vem aí na exploração de gás

34 ProvÍNCIa

sofala a Conferência de doadores realizada na beira não correu como o esperado. Mas há esperança

40 MerCado e FINaNças

Comércio

Com a abertura da Zona de Comércio Livre africana avaliamos o impacto directo no país

44 EMPresas

Jason Moçambique a história de um negócio cujo foco é... criar novos negócios no país

46 MegaFoNe

Marketing o que está a acontecer no mundo das marcas em Moçambique e lá por fora

59 ócio

60 Escape Uma viagem ao Jardim do Tunduro

62 Gourmet descobrimos o g, um gentlemen club em Maputo

63 Adega o Hennessy Xo, um clássico no universo dos conhaques 64 Agenda Música, livros, filmes 65 Arte o novo Museu da Mafalala 66 Ao volante Jet ski para todos os gostos

48 fIgUra do MÊs

HCB

Manuel gamenro, administrador da hidroeléctrica, explica os contornos da oPv em curso

50 soCIedade

Internet 5g Há uma guerra silenciosa em curso sobre quem irá dominar a nova internet: eUa ou China?

54 lÁ Fora

Angola os seguros e fundos de pensões em angola ainda não ultrapassam 1,2% do PIb

Conferências E&M, um espaço privilegiado de debate de ideias

a economia & mercado (e&m), enquanto veículo de comunicação económica e de negócios que já se tornou numa referência no mercado editorial moçambicano, lançou em Maio último, a primeira de um ciclo anual, ao realizar a conferência dedicada à Responsabilidade Social e Corporativa (RSC) em Moçambique.

Dada a importância da RSC na promoção do desenvolvimento social e económico, foi uma oportunidade para a reflexão profunda e conjunta sobre como as acções de responsabilidade social das empresas que operam em Moçambique têm estado a ser implementadas, bem como debater os desafios e oportunidades que estas mesmas acções apresentam quer para a promoção do tão almejado desenvolvimento sustentável do país, quer para a própria sustentabilidade do negócio das empresas.

Contámos com a presença honrosa de representantes de empresas e instituições, figuras e operadores do mercado nacional que apresentaram as suas visões, políticas, estratégias e investimentos na área da Responsabilidade Social e Corporativa em Moçambique. Auguramos, com a criação das Conferências E&M, uma área especializada da E&M Moçambique direccionada para a organização de fóruns, conferências, seminários, palestras, debates, workshops e outros eventos, construir parcerias que perdurem no tempo, salvaguardando os valores da nossa publicação: Pluralismo de Opinião, Isenção, Profissionalismo e Rigor.

A E&M está, igualmente, a lançar um leque de produtos editoriais direccionados para a publicação de um conjunto de boas práticas, que muitas empresas em actividade no país têm vindo a desenvolver e para o qual tenderemos a contribuir com um espaço editorial, cada vez mais significativo, nas páginas da revista. ‘Porque quem lê, sabe mais.’

MÊS ano • nº 01

JuLho 2019 • Nº 16

PROPRIEDADE Executive Moçambique

DIRECTOR Iacumba Ali Aiuba

DIRECTORA EDITORIAL GRUPO

EXECUTIVE Ana Filipa Amaro

DIRECTOR EXECUTIVO Pedro Cativelos COnsELhO EDITORIAL

Alda Salomão; António Souto; Narciso Matos; Rogério Samo Gudo

JORnALIsTAs Celso Chambisso; Hermenegildo Langa; Cristina Freire, Elmano Madaíl, Rui Trindade

PAGInAÇÃO José Mundundo

FOTOGRAFIA Jay Garrido

REVIsÃO Manuela Rodrigues dos Santos PRODUÇÃO Executive Moçambique PUBLICIDADE Ana Antunes (Gestora Comercial - Moçambique) ana.antunes@ executive-mozambique.com; iona@iona. pt/contacto@iona.pt (Portugal) ADMInIsTRAÇÃO, REDACÇÃO E PUBLICIDADE Executive Moçambique; Av. Salvador Allende, nº 1039, Bairro Polana Cimento, Maputo – Moçambique; Tel.: +258 21 485 652; Tlm.: +258 84 311 9150; geral@executive-mozambique.com DELEGAÇÃO EM LIsBOA Telheiras, Rua Poeta Bocage, Nº 2 – 1º Escritório D • 1600233 Lisboa • Portugal; Tel. +351 21 381 3566; iona@iona.pt IMPREssÃO E ACABAMEnTO Minerva Print - Maputo - Moçambique TIRAGEM 4 500 exemplares núMERO DE REGIsTO 01/GABINFO-DEPC/2018

propriedade Executive Mocambique Liquatis nienis doluptae velit et magnis enis necatin nam fuga. Henet exceatem seque cus, sum nis nam iu Qui te nullant adis destiosse iusci re in prae voles sant laborendae nihilib uscius sinusam rehentius eos resti dolumqui dolorep reprem vendipid que ea et eumque non nonsent qui officiasi lorem ipsum Executive Mocambique Liquatis nienis doluptae velit et magnis enis necatin nam fuga. Henet exceatem seque cus, sum nis nam iu Qui te nullant adis destiosse iusci re in prae voles sant laborendae nihilib uscius sinusam rehentius eos resti dolumqui dolorep reprem vendipid que ea et eumque non nonsent qui officiasi lorem ipsum Liquatis nienis doluptae velit et magnis enis necatin nam fuga. Henet exceatem seque cus, sum nis nam iu Qui te nullant adis destiosse iusci re in prae voles sant laborendae nihilib uscius sinusam rehentius eos resti dolumqui dolorep reprem vendipid que ea et eumque non nonsent qui officiasi lorem ipsum Liquatis nienis doluptae velit et magnis enis necatin nam fuga. Henet exceatem seque cus, sum nis nam iu Qui te nullant adis destiosse iusci re in prae voles sant laborendae nihilib uscius sinusam rehentius eos resti dolumqui dolorep reprem vendipid que ea et eumque non nonsent qui officiasi lorem ipsum Liquatis nienis doluptae velit et magnis enis necatin nam fuga. Henet exceatem seque cus, sum nis nam iu Qui te nullant adis destiosse iusci re in prae voles sant laborendae nihilib uscius sinusam rehentius eos resti dolumqui dolorep reprem vendipid que ea et eumque non nonsent qui officiasi

observação

A tAçA nAs mãos dos fArAós

Dos 24 países apurados para a 32ª edição do CAN, há dois que falam português mas nenhum deles é Moçambique por ‘um bocadinho assim’ devido a um golo sofrido para lá da hora, sina que parece acompanhar Abel Xavier, o actual seleccionador, desde os tempos de jogador. No mais, o CAN é o evento do ano em África e o Comité Executivo da CAF, organizador da prova, escolheu o Egipto para receber o Campeonato Africano das Nações pela quinta vez em substituição dos Camarões que deveria ter sido o anfitrião mas que, por razões de segurança e atrasos na logística, decidiu retirar-se. Em meados de Julho saberemos então, quem será o novo rei (ou faraó) da África do futebol.

FotogrAFiA D.R.

Egipto, Junho dE 2019

RADAR

EUA E MOçAMbIqUE qUErEM IMpUlsIONAr trOCAs COMErCIAIs

Cooperação. Os governos de Moçambique e dos Estados Unidos da América assinaram um memorando de entendimento para impulsionar as trocas comerciais através e a remoção de barreiras ao investimento. Agricultura, pescas, turismo, energia e infra-estruturas são, então, algumas das áreas incluídas no memorando assinado entre os dois países, rubricado pelo Presidente da República, Filipe Nyusi, e pela secretária de Estado adjunta do Comércio dos EUA, Karen Kelley, durante a Cimeira de Negócios EUA-África, que decor-

ECONOMIA

Crescimento. FMI prevê que Moçambique atinja um crescimento económico de dois dígitos a partir de 2023, ano em

partes interessadas”, incluindo a sociedade civil e as instituições financeiras do Estado, tais como o Banco Central e o Ministério da Economia e Finanças.

reu em Maputo, em Junho passado. “Moçambique é o quarto país africano a rubricar este tipo de acordos com os EUA”, disse Kelley. O memorando vai permitir a identificação de projectos prioritários e o aproveitamento de instrumentos de dinamização das trocas comerciais.

“O Governo norte-americano tem à disposição instrumentos financeiros e de incentivo ao investimento das PME no exterior”, mas advertiu para o facto de “as companhias do país estarem a fazer pouco aproveitamento dessas vantagens.”

que se deverá iniciar a produção de gás natural liquefeito pelo consórcio liderado pela multinacional petrolífera ENI, na bacia do Rovuma, província de Cabo Delgado. O representante a instituição em Moçambique, Ari Aisen, disse que “o crescimento a médio prazo de Moçambique vai dar um salto significativo tendo em conta as receitas resultantes da exploração do gás natural.”

Aisen defende, contudo, “transparência na gestão dos recursos de forma a evitar a eclosão de conflitos e, para o efeito, recomenda um maior envolvimento de todas as

Fundo Soberano. O Governo ainda não tem data para o Fundo Soberano a ser criado a partir das receitas provenientes da indústria extractiva. A definição do modelo do Fundo a seguir, tem sido o principal ponto fraco para que o país possa avançar em definitivo com a criação deste fundo. O director nacional do Tesouro, Adriano Ubisse, admitiu durante o debate nas jornadas científicas anuais do Banco Central que esta “é uma reflexão que está a acontecer e estamos a colher contribuições da sociedade para o melhor modelo que se ajuste a Moçambique.”

OE. Com o financiamento directo ao Orçamento do Estado (OE) suspenso desde Abril de 2016, na sequência da descoberta das dívidas ilegais, o FMI abre novas perspectivas para o país. Segundo o representante do FMI em Moçambique, um retorno ao financiamento a Moçambique só será discutido “depois das eleições gerais de 15 de Outubro próximo.” No entanto, Aisen revela haver boas perspectivas para o retorno ao financiamento visto que, a recente Decisão Final de Investimento (DFI) do consórcio liderado pela Anadarko, na Área 1 da bacia do Rovuma, no norte do país “trouxe um voto de confiança para a comunidade internacional”.

Financiamento. O Banco Mundial anunciou um pacote de financiamento de 47 milhões de dólares para gestão florestal nas províncias da Zambézia e Cabo Delgado. O investimento visa garantir condições propícias de gestão de florestas e terras em áreas já selecionadas naquelas duas províncias do centro e norte do país. Numa acção desenvolvida em coordenação com o Ministério da Terra Ambiente e Desenvolvimento Rural (MITADER), o projecto inclui a promoção de plantações florestais em nove distritos da Zambézia e outros sete da Cabo Delgado..

Reconstrução. A União Europeia (UE) vai disponibilizar cerca de 10 milhões de dólares para apoiar a segunda época da campanha agrícola. O valor destina-se as regiões centro de norte do país, assoladas pelos ciclones tropicais Idai e Kenneth.

Paralelamente a isso, a organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) vai assegurar o acesso aos meios mecanizados através de vários projectos em carteira. A informação foi avançada pelo coordenador do programa de FAO em Moçambique, Alberto da Graça, durante o encerramento do seminário da primeira fase do projecto sobre a agricultura e educação nutricional que teve lugar na cidade da Beira. Alberto de Graça anunciou ainda que “vão ser disponibilizadas um conjunto de linhas de crédito para que os produtores aumentem as áreas de cultivo.”

Exportação. A Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) vai apoiar os exportadores de produtos agrícolas afectados pelos ciclones IDAI e Kenneth, na reconstituição das suas actividades, decisão que resulta do facto de a agricultura ser “o motor da economia nas zonas afectadas pelos ciclones.” O chefe do gabinete do Administrador da USAID, William Steiger disse, então, “ser importante restabelecer a base económica afectada pelos ciclones, e referiu que os Estados Unidos têm “as portas abertas para o investimento de empresas moçambicanas, no âmbito da cooperação bilateral.”

EMprEsAs

Reestruturação. Ao longo do ano passado, o Governo moçambicano concluiu os processos de reestruturação de um conjunto de oito empresas públicas com as contas “no vermelho” ao longo dos últimos anos.

Este esforço visa, anunciou o Executivo, “revitalizar o tecido empresarial do Estado.”

Há anos que um número considerável de empresas públicas constituem um fardo pesado para o Estado, por não serem rentáveis, daí que o Governo decidiu iniciar com um longo processo de reestruturação. Em 2018, foram oito as empresas abrangidas, nomeadamente, a TDM/Mcel, LAM, PETROMOC, SEMOC, Medimoc, Transmarítima, Complexo Agro-industrial de Chókwè e FARMAC.

Missão empresarial. O Sector privado nacional pretende reforçar a cooperação com a classe empresarial italiana para a exploração eficaz de petróleo e gás. Nesse sentido, realiza-se entre 8 e 10 de Julho, uma missão empresarial à cidade italiana de Milão, com uma série de encontros com potenciais investidores interessados não só nas oportunidades extractivas do país, mas também na agricultura e no agronegócio.

Segundo Eduardo Sengo, Director Executivo da CTA, a missão empresarial moçambicana “será composta por pouco mais de 30 empresas, que terão a oportunidade de estabelecer parcerias de desenvolvimento de conteúdo local no país.”

prOVÍNCIAs

Moçambique e União Europeia (UE) estão em busca de oportunidades de negócios na província de Manica. Para o efeito, a capital da cidade de Chimoio acolheu em Junho passado a 27ª sessão de diálogo político entre as partes, evento que decorreu sob o lema “Moçambique e União Europeia: por um diálogo político no contexto dos novos desafios e oportunidades de negócio”. Além de trocar impressões sobre a situação política bilateral, as delegações “buscaram novas oportunidades de negócios”, avançou o Ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, José Pacheco.

COMErCIAlIZAçÃO

DE prODUtOs AGrÍCOlAs VIA lEIlÃO

A Bolsa de Mercadorias de Moçambique (BMM), em funcionamento desde 2014, tem como missão regular a transacção comercial, intermediando commodities através da realização de leilões presenciais e virtuais.

A BMM definiu como prioridade para o presente ano, a realização de leilões de venda de produtos agrícolas. Para o alcance deste desiderato, a instituição já realizou, na localidade de Nanjua, Distrito de Ancuabe, Província de Cabo Delgado, o seu primeiro ensaio; estando previsto a realização de mais dois (2): no Distrito de Malema, na Provincia de Nampula, e outro, na presente edição da FACIM, em Maputo.

Os leilões podem ser realizados de forma presencial ou vitual. Este último, permite que qualquer pessoa singular ou colectiva, independentemente do lugar onde se encontra, possa participar do leilão. Deste modo, realizar leilões virtuais aumenta a abrangência de participantes, quer sob ponto de vista geográfico como temporal. Contudo, neste momento, a BMM apenas realiza leilões presenciais, enquanto se prepara para montar e testar plataforma electrónica para os leilões virtuais.

Economia informal e os desafios do crescimento económico inclusivo

Salim Cripton Valá • PCA da Bolsa de Valores de Moçambique

a informalidade pode ser identificada nas ruas de Mumbai (Índia), num mercado em Bamako (Mali), nas favelas do Rio de Janeiro (Brasil), ou mesmo nos “Dumba Nengue” de Maputo (Moçambique). Definir o fenómeno significa encontrar um factor comum: a falta de reconhecimento ou protecção diante dos enquadramentos trabalhistas legais e regulatórios. A partir da década de 1990, mudanças económicas e no mercado de trabalho, influenciadas pela globalização, fizeram com que a discussão sobre a economia informal ganhasse novos contornos. O surgimento de novas expressões desse fenómeno foi responsável por alargar ainda mais o nicho das actividades informais, possibilitando que o trabalho de estágio e o comércio ambulante fossem incorporados às actividades informais, ao ponto do debate centrar-se não na condenação ou aprovação da informalidade, mas na relação entre a economia informal e o trabalho decente, um conceito criado pela Organização Mundial do Trabalho (OIT) em 2002. A “economia informal” é considerada como o conjunto de actividades e práticas económicas legais realizadas por agentes económicos total ou parcialmente ilegais (Feliciano, 2004). Antes, era comum usar o termo “sector informal”, popularizado na década de 1970 pela OIT em estudos sobre a situação económica no Quénia (OIT, 1972). Na altura, definir o sector informal significava confrontá-lo com a formalidade a partir de sete factores, a saber: i) pequena escala produtiva; ii) propriedade familiar; iii) dependência de recursos locais; iv) actividade intensa do trabalho com tecnologia adaptada às condições locais; v) habilidades adquiridas fora do sistema escolar formal; vi) facilidade de ingresso na actividade, e; vii) operação em mercados não regulamentados (Swaminathan, 1991). Os sete itens arrolados anteriormente indicavam como as actividades informais eram realizadas, e como a produção era organizada, baseando-se nas previsões optimistas da OIT que acreditava que as intervenções estatais – como o treinamento dos trabalhadores e facilidades de acesso a crédito – teriam o condão de conter a expansão do sector informal. A realidade prática contou uma outra história e, longe de estancar o fenómeno, em alguns países até o ampliou significativamente. Conceptualizar o sector informal como um domínio específico

colocava a informalidade à parte, como se estivesse separada dos sectores primário, secundário e terciário da economia. Em contrapartida, o conceito de economia informal engloba o grupo de trabalhadores informais de diferentes áreas económicas, urbanas ou rurais. As cinco principais causas que influenciam o alargamento da economia informal são: crescimento da carga tributária, empregabilidade, rigidez da regulação trabalhista, a problemática das transferências sociais e a moral tributária, esta última ligada às falhas do Estado em prover serviços públicos de qualidade e ligado a corrupção excessiva, burocracia e mau funcionamento das instituições. Esses factores estão ligados ao intervencionismo estatal que, numa economia social de mercado, promove o desenvolvimento económico mas temperado com a redistribuição mais equitativa dos recursos e a correcção das falhas de mercado. Quando as intervenções do Estado falham ou são abusivas acabam por contribuir para a expansão da economia informal devido às falácias institucionais. Sobre este ponto, o papel do Estado é fundamental e imprescindível, quer por meio da tributação, regulação e provimento de bens públicos, quer pelo mecanismo de implementação de políticas públicas que elevem o salário mínimo, melhorem os benefícios trabalhistas, criem programas de transferências sociais transparentes, expandam as medidas de geração de empregos através do privado, apostem na formação profissional e ampliem o acesso ao crédito. Há vários estudos que encaram a economia informal como prejudicial para o desenvolvimento económico dos países. Autores como Tanzi (2002) referem que esse tipo de economias não favorecem o aumento das receitas tributárias, afectando negativamente a qualidade dos bens e serviços públicos prestados, bem como subestima o cálculo do PIB, enviesando as estatísticas sobre emprego e a situação económica real dos países. Apontam também que a expansão da economia informal gera efeitos negativos no mercado, propiciando uma competição injusta em benefício dos operadores da economia informal, argumentando que a informalidade estimula a falta de competitividade, e desincentiva o investimento em novas tecnologias. No entanto, autores como Enste & Schneider (2004) mostram que mais de 66% da renda gerada na economia informal é gasta no

Mais de 66% da renda gerada na economia informal é gasta no sector formal, originando efeitos positivos para o crescimento da economia no geral

sector formal, originando efeitos positivos para o crescimento da economia no geral, além de que, na óptica do consumidor, há mais efeitos positivos que distorções, pois os bens e serviços fornecidos não substituem os que vêm do sector formal. A economia informal tem crescido na África Subsaariana, empregando uma elevada percentagem da população activa. Evidências sugerem que estas economias são maiores que na América Latina e Leste e Sudeste da Ásia, ocupando cerca de 60% a 80% do emprego não formal. Nas cidades dos países em desenvolvimento, com manifestas dificuldades do Estado e do sector formal em dar respostas às necessidades básicas da população, a economia informal supre essas falhas nas áreas da produção, distribuição, construção, serviços sociais e, sobretudo, emprego gerador de oportunidades salariais. Em Moçambique, aumentou o número de vendedores informais e há evidências de que uma grande percentagem da População Economicamente Activa (PAE) esteja a desenvolver actividades no sector não formal. De acordo com dados do INE (2004), os indivíduos envolvidos no sector informal correspondiam a 75,2% do total da PAE, sendo na sua maioria mulheres, e o MPD (2015), através dos dados do IOF 2014-15, estimava que a economia informal contribuía com cerca de 40% para o PIB e que perto de 80% dos agregados familiares exerciam a sua actividade económica principal na economia informal. O Inquérito Contínuo aos Agregados Familiares (INCAF 201213) mostra que a informalidade é mais elevada entre as mulheres e jovens rurais nas províncias do Centro e Norte do país, onde as oportunidades de emprego formal são mais limitadas, e porque na zona Sul existe a tradição de trabalho migratório para a África do Sul. Este aumento exponencial resultou de factores como a crise económica, implementação das políticas de ajustamento estrutural, contracção do mercado de emprego no sector formal e massivos despedimentos de trabalhadores, aumento dos rendimentos disponíveis no sector informal e das necessidades dos consumidores de bens e serviços. Na verdade, a fraca capacidade do sector

formal gerar emprego e rendimentos em muitos países fez com que estas economias ganhassem um papel importante e acabassem por ser um meio amortecedor de tensões económico-sociais, assegurando a manutenção de níveis mínimos de coesão da sociedade através da criação de empregos e de oportunidades de obtenção de rendimentos para os grupos desfavorecidos (Lopes, 1999). Nessa mesma perspectiva, Mosca (2009), refere que, a curto prazo, as economias informais contribuem para a mitigação da pobreza e do emprego, geram rendimentos e mantêm a sociedade em crise de intensidade não tumultuosa, mostrando que a economia informal está articulada com a formal, reforçando-se mutuamente. A economia informal representa uma parcela tão significativa da economia moçambicana que não podemos dar-nos ao luxo de negligenciar ou marginalizar. Embora seja rotulada de sector informal, longe de estar a reduzir, tem estado a aumentar nos últimos anos, em virtude da crise económica, e está atrelada ao processo de urbanização, pobreza, fraca qualificação da mão-de-obra, êxodo rural, migrações e aumento demográfico. A característica mais importante da informalidade é o seu pluralismo, o que requer a compreensão da sua génese, características, consequências, alcance e implicações. A visão idílica de que é possível transformar mecanicamente a economia informal em formal não toma em consideração que a economia informal é consequência e não causa do fraco desenvolvimento, e que só com o desenvolvimento da economia e sociedade, na sua amplitude, é que isso irá mudar. É vital aprimorar as estatísticas oficiais sobre o assunto para permitir um efectivo dimensionamento da economia informal e entender que, sendo um fenómeno que expressa estratégias de sobrevivência de milhões de pessoas em face da precariedade e vulnerabilidade económica e social, esse tipo de economias, ao ser alvo de políticas activas de emprego, podem ser um “viveiro de empreendedores e de futuros empresários”, funcionando como um potente motor do crescimento económico inclusivo em Moçambique.

Casas modulares são... modelo para o merCado imobiliário?

Quando ninguém espera pelo milagre de adquirir habitação a um preço razoável, eis que surge a possibilidade de alimentar esse sonho: as casas pré-fabricadas. Um conceito com potencial para vingar no mercado

ter casa própria está difícil. Porque a mão-de-obra está mais cara, assim como os materiais, na sua maioria, como sabemos, importados. E o mais certo é que, numa altura em que os imóveis estão a ser transaccionados a valores astronómicos, se torna cada vez mais uma raridade encontrar uma casa à medida dos nossos sonhos e, principalmente, do nosso bolso. A resposta a este desejo poderia ser uma casa modular. Foi para isso, de resto, que elas foram inventadas, para serem alternativas às habitações tradicionais. Construídas em fábrica e ‘depositadas’ no lugar à escolha do comprador, e tudo numa questão de meses,

Da construção moDular em moçambique ainDa é DireccionaDa a empresas, escolas e uniDaDes De saúDe, mas o granDe potencial está nos mercaDos habitacional e turístico

constituem-se, sem dúvida, num modelo de residência cujo preço constitui um dos principais aliciantes.

Em mercados como o dos Estados Unidos da América, por exemplo, existem já autênticas cidades compostas apenas por casas pré-fabricadas.

os diversos tipos

Há vários modelos de casas modulares. Algumas destas habitações são construídas a partir da reutilização de contentores marítimos, mas outras há inteiramente pré-fabricadas e equipadas de acordo com o desenho do cliente. O diferencial é o custo reduzido, uma

vez que uma casa modular ou pré-fabricada pode apresentar um valor até 35% inferior a uma habitação tradicional em alvenaria, dizem-nos os especialistas do sector. Depois, a velocidade de entrega e adaptabilidade também são factores que podem fazer influenciar a escolha de quem quer casa. Pode começar-se com um T1 térreo e acabar-se com uma vivenda de dois andares, bastando para isso ir adicionando peças à medida que a família for crescendo. “É fácil modificar as paredes e a estrutura e há uma enorme economia na mão-de-obra”, afirma João Pinto, director comercial da Moz Modulo, empresa especializada no fabrico de casas modulares. Mesmo em Moçambique, são já várias as empresas que actuam neste nicho do mercado imobiliário. A Movex, uma empresa portuguesa que opera há 14 anos no país, é uma delas. Paulo Adelino, responsável da empresa para o mercado nacional, não tem dúvidas de que o conceito de casas modulares ou pré-fabricadas “constitui uma excelente alternativa para suprir os problemas de habitação que se tornou um exercício bastante complicado nos últimos anos, sobretudo para os jovens recém-formados que procuram por uma vida independente. As casas pré-fabricadas têm mais-valias óbvias, uma vez que em duas semanas pode ter-se uma totalmente concluída, ao contrário de uma habitação tradicional”.

mercado está preparado?

Se, no passado, falar de uma habitação modular ou pré-fabricada no país suscitava alguma estranheza, hoje em dia esse cenário está a mudar, e até já existem exemplos deste tipo de infra-estrutura.

Algumas são agências bancárias, existindo também instituições de ensino, saúde e estabelecimentos comerciais que têm apostado neste novo modelo. E os motivos não seriam outros que não a rapidez na construção, a amovibilidade da estrutura, a possibilidade de aumento do espaço, e a pouca necessidade de manutenção, tendo em conta que as paredes e o tecto já vêm com a componente de isolamento térmico e acústico, ao contrário de uma casa em blocos. Nesse sentido, Paulo Adelino acredita que “será normal que este tipo de habitação venha a provocar uma mudança no conceito de habitação em Moçambique porque persistem enormes necessidades a este respeito”.

A Minimal Living Box é uma startup

“Esta é mais do que uma solução sustentável para o país, tomando em consideração que os problemas de habitação, sobretudo para os jovens, são muito sérios”, diz Marta Uetela, que lidera uma startup que tem investido na habitação modular

que tem investido neste conceito, apresentando soluções que assentam num design arrojado de contentores marítimos transformados em habitações, escritórios e instalações minimalistas para o desenvolvimento de negócios. Para Marta Uetela, que lidera um projecto distinguido como melhor Startup do ano de 2018, num concurso desenvolvido pela Total Moçambique, “esta é mais do que uma solução sustentável para o país, tomando em consideração que os problemas de habitação, sobretudo para os jovens, são muito sérios. Através deste projecto é possível adquirir uma habitação por apenas 300 mil meticais, ao contrário de uma casa tradicional que pode custar mais do que um milhão de meticais”, assinala. “Estamos a falar de uma solução sustentável, acessível e flexível, pois é mais económico adquirir um módulo de uma casa do que importar, por exemplo, um carro do Japão”, explica Marta Uetela.

No entanto, a componente habitacional ainda não parece ser, de todo, a mais amadurecida no negócio das modulares no país. Paulo Adelino dá o exemplo da Movex. “O volume do negócio que temos é de cerca de 70% para empresas, Estado e ONG´s, e apenas 30% para clientes particulares”, revela.

porquê?

Há uma relação indesmentível entre o crescimento deste segmento e o desenvolvimento económico do mercado onde se inserem, nomeadamente ao nível das infra-estruturas.

O que faz uma casa modular mais barata é a disponibilidade de materiais, de um cluster industrial que permita, no fabrico, a reduzida necessidade de importação de matéria-prima e equipamentos e, essencialmente, uma boa grelha de distribuição cujos custos dependem directamente da existência de uma rede de vias de acesso de qualidade.

À E&M, os agentes ligados a esta área imobiliária em concreto explicam que no mercado nacional nenhuma destas condições existe, o que acaba por eliminar a principal vantagem da casa modular: o preço. “Por isso é que a tendência continua a ser de construção tradicional pois, de uma forma geral é mais barata em relação às construções modulares”. Segundo Carlos Henriques, consultor na área imobiliária e tecnológica, o mercado modular “só se torna mais barato quando a infra-estrutura tem uma base (uma fábrica) onde se pode

macro

O que faz uma casa modular mais barata é a disponibilidade de materiais, um cluster industrial, uma boa grelha de distribuição e, essencialmente, uma rede de vias de acesso de qualidade

construir todos esses módulos. Depois, ainda há facilidade e bons preços de transporte.”

É preciso ver que os custos logísticos acabam, impreterivelmente, por tornar estas casas mais dispendiosas, ou na melhor das hipóteses, com igual preço das habitações tradicionais em alvenaria, na medida em que o transporte do material para o local da instalação da casa acaba por torná-las pouco competitivas, alienando assim uma das grandes vantagens que elas apresentam no mercado: o seu preço competitivo em relação às casas tradicionais. “Sem esta grelha logística, os diversos agentes do mercado vêem-se obrigados a importar todos os materiais necessários para a construção e, não é segredo, o transporte de cargas desta dimensão no nosso país é consideravelmente caro”, considera. Carlos Henriques sublinha ainda que “em alguns casos che-

ga mesmo a ser preciso montar uma fábrica ou um armazém no local para fazer todas as estruturas que serão aplicadas.” O que também implica custos mais elevados, claro.

Falta de conhecimento ainda é um desafio Perfilhando a mesma posição, Paulo Adelino também entende que os valores para assemblar uma casa modular ou módulos pré-fabricados, em relação a uma convencional casa em alvenaria, basicamente são idênticos. Porém, explica, permanecem algumas vantagens: “Apesar de tudo, e mesmo com preços pouco competitivos face a outros mercados em que este modelo de casa está mais avançado na sua integração no sector imobiliário, elas são de fácil e rápida construção, e há a questão da diversidade dos materiais utilizados.” Não há dúvidas de que as casas modulares conquistaram o seu lugar no merca-

do imobiliário de inúmeros países por esse mundo fora mas, no mercado moçambicano, há ainda um longo caminho a percorrer.

Mas se a aposta num conceito modular feita em pequena escala não vai alterar o modelo do negócio que hoje se vê, isso tenderá a mudar. Até porque, explica Carlos Henriques, “se ainda não estamos preparados para que sejam mais baratas pois ainda há pouca procura até por questões culturais, é inevitável uma alteração da forma como se olha para o território e para o que se pretende de uma habitação de uso diário ou de férias. Se começarmos a pensar em grande escala, no turismo ou em zonas de grande necessidade de construção rápida e de qualidade, como irá acontecer em Moçambique nos próximos anos, então sim, podemos dizer que a construção modular é a solução que apresenta mais rapidez, fiabilidade e vantagem no rácio preço-qualidade.”

Paulo Adelino, responsável da Movex Moçambique, explica que “mercado ainda está em crescimento”

As mArcAs de ÁfricA

em maio passado, em Joanesburgo, num evento que juntou líderes da indústria africana, organizado pela JSE em parceria com a Geopoll, Kantar e Brand Leadership, a Brand Africa anunciou as 100 marcas mais importantes. Na sua 7ª edição, Nike, MTN, Dangote, Ecobank e BBC foram reconhecidas como as mais admiradas de um continente em que as marcas africanas têm perdido terreno numa luta cada vez mais global. “É decepcionante que, apesar de seu vibrante ambiente empresarial, África não esteja a criar novas marcas competitivas para atender às necessidades de seu crescente mercado consumidor”, diz Thebe Ikalafeng, fundador e presidente da Brand Africa.

As líderes de segmento

A etíope Anbessa é a única marca africana ‘top of mind’ de segmento para os africanos

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28%

É o peso das marcas norte-americanas, que cresceram 17% este ano, impulsionadas pela entrada de marcas fortes, como a # 71 Levi’s, a # 91 Chevrolet e a Pepsi que estão entre as 20 entreantes.

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14%

As marcas africanas caíram para um mínimo histórico nas 100 mais admiradas no continente. A África do Sul (5) e a Nigéria (4) lideram os 7 países africanos, incluindo Etiópia, Quénia, Uganda, Zâmbia e Zimbabué, cada um com uma marca no Top 100.

O grande destaque é a subida de 9 lugares da etíope Anbessa, a maior produtora de calçado no continente africano

O ‘TOP 3’ de África mtn telecomunicações áfrica do sul anbessa roupa e acessórios etiópia dangote indústria nigéria

41%

A Europa domina o ranking, com 41 marcas, das 100 mais mencionadas e até cresceu 2,5% face à edição passada. Em segundo vêm os Estados Unidos (28) seguidos da Ásia com 17 marcas.

Marcas de desporto dominam as 10 marcas mais reconhecidas em África.

Segue-se a tecnologia. A primeira e única africana é a gigante das telecomunicações MTN O ‘TOP 10’ global

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Q&A: O Que é O BrAnd AfricA 100?

É um ranking anual elaborado pela Brand Leadership Group em parceria com a Brand Finance, a TNS e a Geopoll. A pesquisa tem uma amostra representativa de entrevistados com 18 anos ou mais, e realiza-se em em 25 países africanos, cobrindo todas as regiões económicas africanas.

Colectivamente, a amostra representa cerca de 80% da população do continente e 75% do seu PIB. No geral, a lista é calculada a partir de 15 000 menções de marcas em África e mostra consistência anual, com 80% das 100 maiores marcas no Top 100 das Marcas Mais Admiradas nos anos anteriores.

Paradoxo do “Machine Learning”: privacidade e consentimento logarítmico

atribui-se a nietzsche a citação “não me incomoda que me tenhas mentido, incomoda-me que a partir de agora não posso confiar em ti”. O caso do acesso aos dados do Facebook nas eleições dos EUA ou no referendo do Brexit contribuiu para a quebra de popularidade e confiança da rede social que, pela primeira vez na sua história, perdeu utilizadores na Europa em 2018. É possível que, na região onde desenhámos a regulação mais restritiva do planeta em matéria de privacidade de dados, não perdoemos deslizes? Colocámos muito o foco em proteger a propriedade dos dados. O erro estava, está e continuará a estar no uso desses dados pessoais como parte de interferências a nível agregado. O erro está na tirania do algoritmo. Talvez falte supervisionar o uso que se faz destes dados a nível agregado e deixar de ter discussões estéreis sobre a propriedade dos dados ao nível individual. Gostemos ou não, a regulação é um substituto imperfeito da responsabilidade individual e da confiança. Os nossos dados já não são apenas nossos. Viver na era digital representa entregar informação a cada interacção. Esta é a base do novo contrato social na era digital. A alternativa teria sido uma Internet paga. O crescimento exponencial dos dados nesta 4ª Revolução Industrial, e a facilidade de gerar aprendizagens graças à tecnologia (Inteligência Artificial e “Machine Learning”), deixam aos humanos um falso espaço de vitimização. Se deixamos que pesem as correlações, corremos o risco de que na busca do modelo de sucesso empresarial perpetuemos o enviesamento. Só nós, humanos, podemos colocar perguntas que desenvolvam novas realidades. Só quando um humano se questiona sobre a falta de diversidade podem ser alteradas as consequências dos enviesamentos acumulados em séries históricas. Talvez a máquina não tenha de aprender sozinha. E se quem alimenta a máquina apenas tem um foco, corremos o risco de que o trabalho de pessoas tão valiosas, como engenheiros de dados ou matemáticos, apenas seja validado pelo critério executivo mais oportunista. E essa deriva já a conhecemos: apenas vai prevalecer o crescimento ou a eficiência como indicadores de êxito. A batalha está no acesso, posse e rectificação do algoritmo que regula o comportamento da máquina. De outro modo, podemos cair no erro de perpetuar enviesamentos e aceitar decisões

quando um algoritmo se torna a entrada de dados para outro algoritmo. O desafio está na transparência e responsabilidade. Penso que, nos próximos meses, a discussão vai girar em torno da regulação, supervisão e criação de maior espaço de transparência na gestão de modelos de dados. É possível que surjam novas plataformas como “bancos pessoais de dados” que explorem o conceito de portabilidade? Ou que as empresas tenham a obrigação de contar com o apoio de um especialista para garantir a supervisão dos algoritmos? Da mesma forma, começamos a falar de “Independent Data Expert Auditor”? Não seria uma má IDEiA.

Um mundo cheio de profissionais “STEM” (Science Technology Engineering and Mathematics) tira a naturalidade a algo tão valioso como o progresso. O equilíbrio talvez esteja na combinação de profissionais das “artes” e profissões “stem”. O novo talento híbrido que procuramos encaixa mais num sincretismo de humanismo e tecnologia. São as pessoas, na minha opinião, que devem continuar a ser responsáveis pelas decisões que se tomam quando se antecipam consequências evolutivas a partir do trabalho com dados pessoais. A nova onda tecnológica e o uso massivo de dados devem ter a visão filosófica dos humanos como última garantia.

Esta nova era traz consigo a tirania do algoritmo como a nova engrenagem que define o preço de produtos mediante a utilização de modelos dinâmicos de fixação de preços. Estamos dependentes de um modelo Montecarlo, teoria de jogos ou cadeia de Markov. É possível e o ser humano deve ter acesso ao resultado do modelo. E as empresas que decidam expor a transparência dos seus modelos serão geradoras de confiança.

Não, temo que não. Já não temos o legítimo direito de protestar quando alguém utiliza os nossos dados. Há muito tempo que aceitámos, como parte do contrato social que representa viver na era digital, entregar os nossos dados em troca de algo. Contudo, temos a legítima responsabilidade de zelar pela onda de dados e tecnologia superando essa falsa vitimização que sobrevoa a inteligência artificial. Apenas assim poderemos encurtar o “gap” existente entre a evolução exponencial dos dados e o limitado consentimento dos humanos. “Machine learning”? Sim, e que o humanismo ensine a máquina.

Os nossos dados já não são apenas nossos. Viver na era digital representa entregar informação a cada interacção. Esta é a base do novo contrato social na era digital

Nação

Finalmente no rumo certo

A Decisão Final de Investimento do projecto da Área 1 da Bacia do Rovuma vai mudar a face de Moçambique. Como há anos já sabíamos, apesar de só agora finalmente termos percebido quando isso irá acontecer. Os primeiros passos da maior transformação da história do país já começaram a ser dados. Saiba quais serão os próximos e com que consequências

“um momento histórico para moçambique”. Foi a expressão mais ouvida no dia 18 de Junho, na cerimónia de apresentação da Decisão Final de Investimento do projecto da Área 1 Moçambique LNG, liderada pela Anadarko, “e o início do caminho para a criação de milhares de postos de trabalho, de um crescimento económico significativo e a confirmação do potencial para ser um dos maiores fornecedores mundiais de energia limpa durante décadas. É realmente um dos projectos mais importantes e transformadores da história do nosso país.” É na pequena península de Afungi (distrito de Palma), em Cabo Delgado, que moram as esperanças de um país que é grande mas quer ser maior. Com uma extensão calculada de sete mil hectares, é ali que a multinacional norte-americana pretende desenvolver um parque industrial para o processamento de gás natural liquefeito (LNG), que envolverá dois trens de GNL de 6,44 milhões de toneladas por ano de capacidade, cada um conectado aos campos de produção marítima por meio de um gasoduto de 40 quilómetros. A ‘colheita’, ou o gás, será extraído de um conjunto de 20 poços

biliões de pés cúbicos (Tcf) Os recursOs recuperáveis de gás natural na área 1, Onde a anadarkO vai desenvOlver um dOs maiOres prOjectOs de gnl dO mundO. O prOjectO de explOraçãO custa entre 20 e 25 mil milhões de dólares e é O maiOr investimentO privadO de sempre em áfrica

submarinos, alguns deles preparados para produzir 2 mil milhões de pés cúbicos diários. O plano de desenvolvimento prevê, ainda, duas linhas de liquefação, instaladas em terra e está previsto o desenvolvimento de uma linha de abastecimento de gás doméstico para o mercado nacional.

O investimento, já o sabemos, fica num valor entre os 20 e os 25 mil milhões de dólares. “Agora, o presente encontra-se com o futuro para projectar os caminhos que irão alavancar Moçambique na região e no mundo. Será o nossos legado para o futuro”. O impacto será tangível e cria expectativas para o futuro. Só com a receita das royalties e mais-valias negociadas com o consórcio da Área 1, será gerada uma receita, partir de 2025, ano de início da exportação efectiva, uma receita a rondar os 2,1 mil milhões de dólares por ano, ao longo de trinta anos. Claro que o que fazer com essa receita, merece debate, e o presidente não a esqueceu, no seu discurso. Já lá vamos. Voltando ao negócio, o anúncio do dia 18 de Junho sublinhou uma convicção que tem vindo a ganhar forma nos últimos meses: a indústria do GNL está a responder

Nação

a uma perspectiva do aumento da demanda global, particularmente proveniente da Ásia, apesar da quebra nos preços da commodity registada neste ano (apesar da subida da cotação do gás nos mercados nos últimos dias do mês). A prova-lo, a corrida dos maiores produtores de GNL em aprovarem mega projectos antes que o mercado seja considerado excessivamente suprido. Só nos últimos nove meses, de Outubro para cá, quando a Royal Dutch Shell assinou seu projecto de 14 mtpa de LNG no Canadá, um total de 60 mtpa (milhões de toneladas por ano) em capacidade de liquefação, incluindo os 12,88 mtpa da Anadarko, foram anunciados o que desencadeou uma onda há muito aguardada de aprovações de projectos de produção. Moçambique agradece esta boa onda.

Quando a FDi passou a ser DFi O momento histórico, em que a sigla em inglês passa a ser dizível em português. A final Investment Decision, passou a ser Decisão Final de Investimento. Os prenúncios sucederam-se, nos últimos meses.

Em Setembro passado, Gonzalo Cabrera, global manager de GNL e análise de mercado da Anadarko, sublinhava o arranque do projecto e da construção de habitações (fase do reassentamento) mas colocava o foco na conclusão dos SPAs (Sales purchase Agreements, ou contratos de venda, em português). Essas garantias de venda, a longo prazo, mostraram-se essenciais para funcionar como colateral na, também ela mega-operação de busca de financiamento de 14 mil milhões de dólares (os restantes, resultam de capitais próprios da Anadarko e parceiros de concessão).

A esse nível, contratos de venda como os recentemente alcançados com a Jera, de Taiwan, ou a Pertamina, a empresa de energia estatal indonésia foram decisivos. “Espera-se que sejam dos mercados de gás natural que mais crescem na Ásia”, escrevia Mitch Ingram, vice-presidente executivo da Anadarko International, aquando do fecho dos acordos de venda, numa nota publicada pela petrolífera. Mas, para lá desses dois acordos firmados há poucos meses, só no neste primeiro semestre do ano, a Anadarko anunciou SPA’s com outros gigantes como a Bharat, a Shell, a Tokyo Gas e Centrica ou a chinesa CNOOC, a maioria deles por períodos longos que variam entre os 15 e os 20 anos.

“Projectos desta magnitude requerem coordenação, planeamento e execução, um trabalho de amor de mais de uma década. Este é um milestone para o pais, a região e o mundo, um momento transformativo cujas receitas podem ter impacto global”

Frank Harris, director da Wood Mackenzie, consultora especializada em recursos energéticos, enumera como “os acordos comerciais flexíveis, incluindo um acordo de compra inovador com a Tokyo Gas e a Centrica, foram fundamentais para garantir ao projecto uma lista de clientes de alta qualidade num mercado lotado de GNL.”

momento em movimento Foi um movimento que prenunciou o momento que se seguiria, com oclusão no dia 18 de Junho. Mas, ainda antes da cereja no topo do bolo, e do anúncio da DFI, ainda, o Conselho de Ministros de Moçambique aprovava a estrutura de financiamento do projecto GNL Golfinho

lA WAlker
CEO da anadardo

Atum, e o investimento total entre os 20 e os 25 mil milhões de dólares financiados, num acordo de financiamento que não pressupõe qualquer garantia soberana por parte do Estado. Na tenda erigida na Universidade Eduardo Mondlane para acolher a celebração, Al Walker, o chairman e CEO da Anadarko, falava de “um processo longo que representa não a oportunidade de uma geração, mas a oportunidade de uma vida”. E continuava referindo que, ao longo de anos, se assistiu a “um modelo de colaboração em projecto entre o INP, o Ministério dos Recursos Minerais e Energia e os povos da península de Afungi e de Cabo Delgado. Projectos desta magnitude requerem coordenação,

planeamento e execução, um trabalho de amor de mais de uma década. Este é um milestone para o pais, a região e o mundo, um momento transformativo cujas receitas podem ter impacto global. Cm o tempo o PIB de Moçambique irá duplicar, serão criados milhares de empregos o que irá gerar sustentabilidade. Em termos ambientais, numa altura em que o mundo procura novas fontes energéticas, o LNG está bem posicionado a esse nível e servirá de catalizador para novas oportunidades no downstream”, enunciou o CEO de uma empresa que, no final de 2018, tinha aproximadamente 1,47 mil milhões de barris de reservas comprovadas, tornando-se uma das maiores em atividade na exploração e produção e que passa, também ela, por uma fase de mudança, com a aquisição por parte da Occidental Petroleum Corporation que já anunciou a venda dos activos de oil&gas da Anadarko em África (entre os quais Moçambique), ao grupo Total, por 8,8 mil milhões de dólares. Walker não foi o único exultante. “Este é um dos projectos mais significativos que a empresa já realizou, e isso é verdade não apenas pelo tamanho do esforço, mas também por seu valor transformacional óbvio para este país e para o mundo”, dizia Tatsuo Yasunaga, CEO da japonesa Mitsui, o segundo operador da Área 1, com uma quota de 20%. “Continua a ser uma grande fonte de orgulho para a nossa empresa e os nossos colaboradores o papel que ajudámos a desempenhar para tornar este anúncio possível. Agora é hora de executar, e acredito que esta parceria está bem posicionada para fazer exactamente isso. ”

engenharia financeira

Esta DFI tem, em si, toda uma engenhosa e intrincada formulação. Da negociação, à concretização e implementação passo a passo, de uma forma tão estratégica quanto complexa. A começar pelo facto de a construção levada a cabo pela joint venture em que a Anadarko (Área 1) ter ligação com a da Área 4 (Exxon Mobil-Eni), nomeadamente ao nível dos projectos onshore de GNL. É que os operadores da Área 1 são responsáveis pela construção de instalações de apoio a serem partilhadas entre as áreas, incluindo uma instalação de descarregamento e um terminal marítimo de GNL. O que abre, naturalmente, mais uma porta para o próximo DFI a ser revelado, crê-se que no próximo trimestre, pela joint venture da Área 4, (Moçambique

O que MOçaMbique ganha cOM a Área 1?

Para além dos investimentos sociais já anunciados, como o reassentamento das populações, há outros benefícios directos para a economia local e nacional

25 000 000

2 100 000 de dólares de investimento directo

milhões de dólares por ano em mais valias

45 000

empregos na construção e na fase de implementação

5 000

empregos directos para moçambicanos

300

MMcf/d para rede de gás doméstico na fase 2

100

MMcf/d para rede de gás doméstico na fase 1

50%

dos fornecedores ou cerca de 960 empresas, serão nacionais

Nação

O histórico acordo de financiamento ratificado por Max Tonela e Al Walker na presença do presidente Nyusi não pressupõe qualquer garantia por parte do estado Moçambicano

Rovuma Venture SpA), e que está projectada para uma capacidade máxima de 15 mtpa por ano, mas que, numa primeira fase ficará pelos 12. Essa planta produziria, liquefazia e comercializaria gás de três reservatórios no bloco offshore da Área 4, sendo que dois deles reservatórios atravessam a fronteira com a Área 1 adjacente. Esse DFI, tem um investimento previsto que anda na casa dos 23 mil milhões de dólares e tem início de produção prevista para 2025. E é claro que toda a operação se segue a uma outra, ocorrida em 2017, anunciada pelo consórcio Eni- ExxonMobil, o projecto de GNL flutuante offshore de Coral Sul, na Área 4, com capacidade de até 3,4 mtpa por ano. “Com o forte crescimento da demanda de GNL na Ásia, agora chegou a vez de Moçambique”, escreve Jon Lawrence, analista da equipe de offshore da Wood Mackenzie para a África subsaariana. “Com 20 mil milhões de de dólares, a FID de hoje é a maior investimento já registada em petróleo e gás na África Subsaariana. E Moçambique vai ficar com duas das três operações mais valiosas valiosas do ano na área do

petróleo e gás, logo a seguir ao Arctic LNG-2 na Rússia, a fase dois do projecto Novatek anunciada em Abril, avaliada 25,5 mil milhões de dólares, que terá capacidade anual de produção de 19,8 milhões de tmpa.

‘2 bis’ de receita anual para o estado. e com tendência a aumentar

Claro que com um investimento já garantido desta dimensão, e um outro quase da mesma dimensão a ser fechado nos próximos meses, a economia se vai ressentir. O FMI prevê crescimento económico para Moçambique na casa dos dois dígitos a partir de 2023, quando se iniciar a produção de FGNL (plataforma flutuante que será a primeira a entrar em funcionamento, em Novembro de 2022) do consórcio liderado pela ENI, na bacia do Rovuma. E com um crescimento na casa dos 11%, em pouco mais de uma década o PIB actual irá duplicar. No entanto, Ari Aisen, representante do FMI em Moçambique, é cauteloso, e diz que a arrecadação de receitas para os cofres do Estado “ainda levará algum tempo”, diz. E coloca

a anadarko Moçambique área 1 é uma subsidiária integral da anadarko Petroleum Corporation, e o operador maioritário da área offshore

anadarko

mitsui e&p mozambique área 1 enh rovuma área 1 ongc videsh beas rovuma energy mozambique indústria extractiva

bprl ventures mozambique b v pttep mozambique area 1

a tónica no impacto macro económico, e em algumas acções a seguir. “Acreditamos que o Banco de Moçambique pode continuar os cortes nas taxas de juro de política monetária, interrompidos em Dezembro de 2018, com efeitos positivos sobre o financiamento das empresas e sobre o rendimento das famílias”, defendeu. Fausio Mussa, economista chefe do Standard Bank, alinha pelo mesmo diapasão. “em função do volume de entrada de fundos que resultam do investimento, o Banco Central estaria confortado em fazer um corte na taxa de juro, dependendo da magnitude dos fundos que ficarão disponíveis no mercado moçambicano”. As empresas agradeceriam, e é por isso que a banca vem esperando, por uma espécie de onda de choque positiva dos mega investimentos, que se sucedam em outros, de média dimensão, esses sim alavancados pela banca nacional.

Ao nível cambial, prevê-se, igualmente, um impacto imediato com algum benefício para a economia moçambicana, ou seja, “a melhoria das perspectivas de estabilidade macroeconómica, através da estabilização da moeda e da inflação”. No entanto, tal como Aisen, recomenda “cautela na gestão de expectativas”, até porque, refere, “há um impacto que pode ser imediatos e outro podem ocorrer num longo período”, indicou. Olhando ao quadro global, é mesmo preciso ter

Nação

UM pROCeSSO LONGO... MAS COM FIM (OU pRINCÍpIO) À VISTA

Quase uma década e meia irá passar entre a descoberta das terceiras maiores reservas de gás natural do mundo e a exportação da primeira remessa de GNL

2010

ano da descoberta de uma das mais importantes descobertas de gás natural nos últimos 20 anos na área Offshore 1 da Bacia Hidrográfica do rovuma.

2017

Finalização dos contratos com o Governo e início da operação de reassentamento.

2018

Fase de encerramento dos financiamentos, dos contratos de construção e de preparação do local de construção.

2019

anúncio da Decisão Final de Investimento a 18 de Junho. até ao fim do ano prevê-se o início da megaconstrução Onshore e Offshore.

2020-22

Fase de assinaturas dos contratos de distribuição, continuação da construção, início do drilling e do recrutamento massivo.

2024

Em finais do ano, ainda sem data marcada, acontecerá o primeiro shipping de Gnl

Aumento

exponencial da receita do estado e uma anunciada duplicação do pIB nos próximos dez anos levantará o desafio do desenvolvimento, já que o crescimento, esse, tem data marcada

calma, assegura. “O impacto sobre a actividade económica no geral só será relevante a partir do momento em que o país começar a exportar o gás natural, entre finais de 2023 e 2025: Aí poderemos ver a tal aceleração do PIB“, concluiu. A tal, que será impulsionada pelo aumento da receita. A partir de 2025, o país começa a ter uma receita a rondar os 2,1 mil milhões de dólares por ano (só com a Área 1) e prevê-se que, a partir do início da década de 2030 (e com o aumento gradual de produção que também está previsto), a receita do Estado atinja os 3 mil milhões de dólares anuais. Depois, a criação de postos de trabalho é sempre um contribuinte indirecto do crescimento e ela foi muito mencionada na apresentação do DFI, com o projecto GNL Golfinho Atum a empregar já hoje mais de 2 000 pessoas, 800 das quais originárias de Palma, estima-se que no total, o projecto venha a criar mais de 5 000 postos de trabalho directo e 45 000 empregos indirectos.

Karen Kelley, secretária adjunta do comercio dos Estados Unidos voltava à história. “A Anadarko fez história para Moçambique e os EUA”. O presidente

Nyusi não esqueceu esse princípio e o o “interesse em que se invista no capital humano porque é através do conhecimento que o filho de um operário se pode tornar presidente. Há 960 empresas moçambicanas aptas a fazer negócios com a Anadarko e seus parceiros na fase de construção. É uma oportunidade única de agregar valor aos mega projectos e de fazer crescer a economia, e diminuir as desigualdades sociais apostando na agricultura, turismo, infra-estruturas, educação e saúde. Os resultados não sao para hoje ou amanha, virão a seu tempo. Levará tempo até ao retorno do investimento feito”, discursou, relembrando alguns dos grandes desígnios do país, quando a riqueza prometida pelo gás natural ainda estava longe de ser realidade.

Voltando à história, esta está só no princípio, numa espécie de era uma vez de um presente que não se repete. Se vai ser conto de fadas ou livro do desassossego, só o tempo o dirá.

tExtO Pedro Cativelos

Jay Garrido & d.r.

Na voz de...

“Estamos obrigados a uma gEstão consciEntE dos rEcursos”

omar mithá

PCA da ENH - Empresa Nacional de Hidrocarbonetos

a decisão final de investimento (dfi) da Anadarko, na Bacia do Rovuma, dissipa todas as dúvidas sobre a concretização do arranque, dentro de quatro anos, da produção e exportação de gás natural liquefeito. Ao mesmo tempo, começa a atribuir-se sentido prioritário a todas as discussões sobre o pós-exploração, nomeadamente o velho tema sobre o que fazer para tornar as receitas do gás num veículo efectivo de promoção do desenvolvimento.

Para o PCA da ENH, Omar Mithá, os cerca de 25 mil milhões de dólares que a Anadarko vai investir no seu projecto da Área 1 terão “efeitos transformadores significativos na economia e na sociedade.”

Depois da DFI anunciada em Junho passado, deixa de haver dúvidas de que Moçambique se vai transformar numa potência energética de nível mundial, concorda?

A DFI é um sinal inequívoco de que este projecto será implementado e está pronto para ser desenvolvido, já que encerra em si uma etapa de muita complexidade. Primeiro tecnológica, depois na garantia da venda do gás que será produzido e na questão do financiamento, uma vez que estes projectos têm grande necessidade de alavanca-

gem financeira externa). Portanto, quando se chega a esta fase, todas as etapas críticas necessárias para a sua implementação estão prontas. é um projecto com amplitude substancial, com efeitos transformativos sobre a economia moçambicana, que serve para sinalizar ao mundo que Moçambique passa a ser uma grande província de petróleo e gás a partir deste momento.

E agora, o que se segue?

O ano de 2022 dará início à produção do projecto do barco flutuante que está neste momento em contrução e provavelmente com grau de acabamento acima de um terço. já o da Anadarko poderá levar 4 anos de construção podendo iniciar-se a produção até 2024. Depois o da Exxon Mobil provavelmente estará em funcionamento em 2025. teremos três anos consecutivos em que poderemos ver concretizarem-se três projectos multimilionários...

... Que fazem o país entrar na tabela, e logo pelo topo, dos maiores exportadores de gás do mundo. Estamos preparados para isto?

A decisão da Anadarko mostra que Moçambique é capaz de acolher e estruturar grandes investimentos. No mercado internacional, estes factores

O PRIMEIRO

DEsAFIO é, DE FACtO, sABER ONDE IREMOs BusCAR gRANDE PARtE DOs BENEFíCIOs.

NuMA PRIMEIRA FAsE, PRECIsAMOs DE sABER quANtOs MOçAMBICANOs PODERãO sER EMPREguEs NO PERíODO DE CONstRuçãO DOs PROjECtOs

levam a que as reservas de gás que temos sejam vistas como alternativas ao abastecimento dos mercados do Oriente, nomeadamente o japão, China, Coreia do sul e índia. é também uma alternativa importante para as economias que estão preocupadas com a segurança energética nas próximas décadas. Deste modo, entrando no mercado concorrencial, Moçambique passará a ser um dos maiores produtores de LNg do mundo, de facto.

Nesta altura, que números são possíveis avançar sobre os investimentos da Anadarko, bem como o impacto no crescimento económico da entrada em operação dos projectos das outras empresas (ENI e Exxon Mobil)? temos um projecto cuja DFI foi tomada em 2017 e que está neste momento em fase de construção, que é o do barco flutuante da Área 4 em que a ENI é o operador. também na Área 4 temos um projecto em terra cuja operação técnica está com a Exxon Mobil, com capacidade de 15,6 milhões de toneladas por ano; e um terceiro projecto, na Área 1, operado pela Anadarko, também onshore, cujo investimento poderá estar orçado em 25 mil milhões de dólares para a produção de dois

Na voz de...

módulos de LNg são no total três projectos com capacidade de 30 milhões de toneladas por ano, uma quantidade sem precedentes em toda a África subsaariana. O impacto destes projectos será um crescimento económico substancial. Na fase de investimento, terão eco na procura de bens e serviços, na criação de emprego e, por arrastamento, ao nível do consumo. Na fase operacional é expectável um crescimento significativo do PIB através do canal das exportações e de alguns investimentos, e depois pelo canal fiscal, podendo desencadear um processo de despesas públicas em infra-estruturas e outros meios que vão estimular a procura agregada. No seu conjunto, os projectos, que estão orçados em cerca de 70 mil milhões de dólares, terão grande impacto na economia, apesar de serem de capital intensivo.

A projecção do crescimento do PIB pelo FMI, logo no ano do início da produção, de 11,1% e com tendência a aumentar, vai mudar o país, e a sua economia, tal como os conhecemos. Estamos preparados?

A dimensão dos projectos é fora do comum porque os investimentos são massivos. é verdade que não vão ocorrer no mesmo ano, mas acumulados quadriplicam o valor do PIB actual. Na fase de exploração, grande parte do gás será exportada ao abrigo de contratos de cerca de 25 anos, numa altura em que as importações serão relativamente menores (uma vez que será posterior à fase da compra de equipamentos pesados), o que melhora os benefícios internos na óptica do rendimento nacional líquido.

Há alguns anos o Governo elaborou um plano de formação no exterior, à luz do qual enviou jovens estudantes para se formarem em

“PARA EvItAR A MALDIçãO DOs RECuRsOs sERÁ
IMPORtANtE quE As DEsPEsAs quE FOREM APROvADAs sEjAM CONsCIENtEs, BEM EstuDADAs E quE NãO sEjAM

APROPRIADAs

POR uM gRuPO DE PEssOAs”

diversos países. Existe algum feedback sobre a disponibilidade desta mão-de-obra para estes projectos?

A este nível, o primeiro desafio é, de facto, saber onde é que iremos buscar grande parte dos benefícios. E numa primeira fase, precisamos de saber quantos moçambicanos poderão ser empregues no período de construção dos projectos, que é a fase em que há maior procura de mão-de-obra diversificada ao nível das empreitadas que estão a ser elaboradas. Penso que aí Moçambique poderá ter uma grande oportunidade, mas é preciso formar pessoas e, neste momento, há um grande esforço do Ministério do trabalho, Emprego e segurança social, Ministério dos Recursos Minerais e Energia e das próprias multinacionais no sentido de estabelecer balizas e termos de referência para formar moçambicanos que possam

substituir estrangeiros no período de construção.

E é aqui onde começa a discussão sobre os desafios que esta grande oportunidade impõe às empresas nacionais, nomeadamente as PME. A janela de oportunidade que elas têm neste mega negócio é, de facto, assim tão alargada? é necessário começar a preparar as PME para que sejam certificadas, e para estarem à altura dos desafios, já que o sector petrolífero tem elevados graus de exigência, quer em termos de timing, quer de standard. Há que se fazer bem a gestão das expectativas, porque se a preparação das PME não for consistente com a procura de bens e serviços das operadoras, irá ter de se recorrer ao capital importado. E se isso for por via de empréstimos pode criar problemas financeiros. Assim, com esta DFI, a

questão de timing terá de ser mais bem definida e, a partir daí, os programas, a escalonagem do tempo e as acções de formação no sentido de fazer coincidir com a real procura.

Sente que todo o quadro preparatório para que o gás não seja uma maldição (exemplos disso há pelo mundo) está a ser tomado em conta? Que aspectos críticos se levantam nesta altura sobre esta questão? Estão a ser tomados em conta, porque há um sério envolvimento ao mais alto nível. Ainda recentemente, na conferência organizada pelo Banco Mundial, FMI e Banco de Moçambique, debatemos com profundidade a questão dos fundos soberanos. Como gerir as nossas reservas cambiais é um tema importantíssimo para o nosso futuro. temos de reconhecer que Moçambique é um país com problemas reais de pobreza.

Faltam infra-estruturas, está em situação líquida negativa em termos de balanço e tudo isso vai exigir que grande parte desses fundos sejam alocados à saúde, educação e, fundamentalmente, para colmatar a pobreza absoluta e outras deficiências que temos no país, até provocadas por catástrofes como o Idai, ou a prevenir eventos futuros. Creio que a médio e longo prazo, com poupanças feitas, com um fundo e uma política de estabilidade bem estabelecida, será possível alocar com transparência esses fundos em função dessa política de investimentos. Para evitar a maldição dos recursos será importante que as despesas que forem aprovadas sejam conscientes, muito bem estudadas e que não sejam apropriadas por um grupo de pessoas e que depois não provoquem outros problemas que vemos em determinados países.

Ao nível local, em Palma, haverá uma mega-operação de reassentamento, numa zona assolada por ataques armados. É este o primeiro grande obstáculo do projecto?

Palma terá casas melhoradas com toda a rede de infra-estruturas necessárias. Não será uma cidade de prédios, mas as casas serão de alvenaria com pavimentação das estradas e ordenamento territorial de primeiro grau. será um exemplo do impacto directo mesmo antes de começar a construção das plantas de gNL. Nessa fase, os jovens de Palma terão emprego. Alguns dos hotéis a serem construídos na região estão já esgotados porque alguns operadores já reservaram alojamento antecipadamente. Portanto, já há impacto positivo da presença destes projectos. Paralelamente, na região de Afungi, será construída numa área de 18 mil hectares (além dos 7 mil onde serão

erguidas as duas unidades de produção de GNL) a cidade de gás, que vai contemplar a zona industrial, residencial e de lazer. Os grandes desafios são evidentes porque a região de Palma não tem infra-estruturas nem mão-de-obra qualificada, daí que movimentar para lá 6 000 pessoas e material pesado, sem portos suficientes para receber a carga, pode trazer constrangimentos que serão gradualmente colmatados à medida que for havendo capacidade das infra-estruturas. quanto aos ataques armados, não posso fazer muitos comentários porque é uma questão sensível. Mas a segurança é um aspecto crítico e está claro que os ataques dos insurgentes são uma acção de pura sabotagem, já que não têm demonstrado qualquer legitimidade ou linha política, nem qualquer ligação religiosa. Eu próprio sou natural da Mocímboa da Praia e nunca convivemos com problemas destes, ao ponto de pôr em causa a segurança de pessoas inocentes. Interpreto isto como uma acção de sabotagem. As forças armadas estão a trabalhar no terreno.

Ao contrário do que se poderia esperar, os ataques não interferiram nas decisões de investimento das multinacionais. Que leitura faz desta (aparente) contradição?

é sinal de que as multinacionais estão confiantes no processo. Temos de confiar nas Forças Armadas! Moçambique é um país independente, soberano, com boas relações com os países vizinhos e não temos razões para duvidar que as acções que temos desenvolvido de ponto de vista de defesa terão sucesso no Norte de Cabo Delgado. vamos dizimar os insurgentes.

texto Celso Chambisso fotoGrafia Jay Garrido

A esperAnçA renAsce dos escombros

Depois dos ciclones Idai e Kenneth terem deixado um rasto de devastação em várias províncias do Centro e Norte do país, os esforços de reconstrução dão lugar a acções concretas no terreno. O objectivo é que algo assim jamais se repita

os ciclones idai e kenneth abalaram as regiões Centro e Norte do país há quase três meses, tendo levado consigo a alegria e o sossego, sobretudo dos povos de Sofala e Cabo Delegado, depois de verem o seu esforço de vários anos ser transformado em ruínas.

O desconforto e a tristeza foram minimizados pelos gestos de solidariedade, e foi nesta lógica que aconteceu há um mês a Conferência Internacional de Doadores, na cidade da Beira. Claro que o objectivo não seria outro se não o de angariar fundos para a reconstrução.

Neste contexto, para os doadores internacionais, como para o Governo moçambicano, “o fundamental é definir um modelo

capital sofala área 61 661 km²

Número de habitaNtes 21 911 237 região Centro províNcia beira

integrado de reconstrução melhorada nas regiões afectadas.” E, claro, de todas as prioridades deve definir-se as que mais precisam de urgência.

e quais são?

“Os ciclones testaram a nossa capacidade de resposta e solidariedade (nacional e internacional) e a situação coloca à prova a nossa governação” disse o Presidente Filipe Nyusi, que apelou, na abertura da Conferência de Doadores, ao urgente desembolso das doações e a respectiva simplificação dos métodos de injecção de fundos de ajuda.

Olhando a situação concreta e ao nível dos estragos causados pelas intempéries

tudo parece ser prioridade. Porém, existem aquelas que são inadiáveis, como é o caso das habitações, das vias de acesso e a reabertura de instituições públicas para a provisão de serviços básicos de saúde e educação.

Neste sentido, o Governo está de acordo: “as necessidades são muitas.”

Para tal, Francisco Pereira, director executivo do Gabinete de Reconstrução Pós-Ciclones Idai e Kenneth, defende que “é preciso investir rapidamente num vasto leque de áreas, como a alimentação, habitação, educação, saúde e também nos sectores produtivos”.

Após o levantamento dos danos e perdas feito pelo Governo e peritos das Nações Unidas, do Banco Mundial e da União Europeia chegou-se à conclusão de que são necessários 3,2 mil milhões de dólares para proceder à reconstrução pós-ciclones.

Aliás, o ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, João Machatine, frisou isso mesmo, logo no arranque de uma conferência que juntou cerca de 700 representantes de parceiros internacionais, governantes, governadores provinciais, sector privado e sociedade civil para analisar o relatório sobre os prejuízos causados e tentar angariar os valores necessários para reconstruir as infra-estruturas danificadas. Coube assim ao Ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos apresentar as necessidades para a reconstrução, explicando que o valor seria para dar ímpeto à “reconstrução de infra-estruturas económicas e sociais. O valor orçado para as necessidades (3,2 mil milhões de dólares) teve como principal pressuposto o imperativo de uma reconstrução e recuperação mais resiliente aos efeitos das alterações climáticas às quais o nosso país é vulnerável. É considerando estas necessidades que será exigido um esforço intelectual e o sacrifício de todos na concessão, elaboração e implementação de projectos que possam trazer resultados sustentavelmente aceites face aos efeitos das alterações climáticas”, enunciou. Segundo o plano de reconstrução apresentado, a cidade da Beira e todas as zonas afectadas serão mais resilientes a intempéries desta magnitude. Na verdade, o fundo solicitado pelo Governo deverá ser usado para reparar ou reconstruir infra-estruturas e activos físicos, integrar medidas melhoradas para “reconstruir com melhor qualidade” e garantir a resiliência a futuros ciclones e inundações, recupe-

Mil Milhões

É o valor angariado na ConferênCia internaCional de doadores, dos 3,2 mil milhões apontados pelo governo moçambiCano durante o levantamento dos danos

rar a produção de bens e serviços, restaurar o acesso das pessoas a produtos e serviços e ainda restabelecer a governação (reabilitar edifícios públicos e capacitação da gestão do processo de recuperação), entre outros.

Porém, contra todas as expectativas, Moçambique apenas conseguiu angariar 1,2 mil milhões de dólares na Conferência Internacional de Doadores, pouco mais de um terço dos 3,2 mil milhões apontados pelo Governo como o valor ideal antes da conferência, mas de certa forma, suficiente para se começarem os projectos de reconstrução.

Segundo o plano esboçado, a ajuda deverá focar-se em quatro sectores: produtivo (agricultura, pescas, segurança alimentar, indústria, comércio e turismo), infra-estruturas (energia, transportes, estradas, caminhos-de-ferro, água e saneamento), social (habitação, educação, saúde, cultura e desporto), e questões transversais (de género, ambiente, meios de subsistência e protecção social).

construir infra-estruturas resilientes às intempéries é o próximo passo Um tema recorrente na conferência foi mesmo a necessidade de construir novas infra-estruturas, sobretudo habitaçionais, mais resistentes a intempéries que, de acordo com os estudos existentes, tenderão a assolar o país nos próximos anos. “Sinto que há um verdadeiro consenso sobre esta questão de reconstruir da melhor forma e não como se fazia até então”, afirmou Mathias Spaliviero, da ONU-Habitat. Mas não é só na habitação que o Gabinete de Reconstrução PósCiclones se foca quando se fala de infra-estruturas. Há que lembrar que a cidade da Beira, em particular, tem ciclicamente sofrido problemas de erosão costeira e de saneamento.

Para isso, o município local coloca também como prioridade de reconstrução os sistemas de drenagem e de um paredão para protecção do avanço do nível do mar. “A acção visa mitigar os efeitos do ciclone e da erosão costeira, passando pelo reforço dos paredões e outros quebra-mares para minimizar os efeitos da erosão e das ondas do mar”, justificou o presidente da autarquia da Beira.

Se por um lado várias famílias afectadas pelos ciclones Idai e Kenneth carecem de aconchego no que diz respeito à habitação, nota-se, por outro, que estas viram também a sua produção agrícola ser engolida pelas águas, ficando assim a depender das doações, e existem ain-

província

da largas centenas que continuam a viver em zonas de reassentamento e sem qualquer fonte de rendimento. Para piorar, “milhares de postos de trabalho se perderam e as pessoas não conseguem reerguer-se sem meios de subsistência”. Assim sendo, o apoio e assistência às vítimas das calamidades “deve ser a prioridade do Governo, até que a sua vida volte à normalidade.”

Para tal, Francisco Pereira lembrou aos doadores durante a conferência que “quase 2 milhões de pessoas continuam a precisar de ajuda urgente, entre as quais muitos órfãos e crianças vulneráveis, e mais de 75% de idosos afectados. Após estas calamidades, 2 milhões de pessoas, cerca de 7% da população do país, vivem dependentes de assistência humanitária e isso requer uma grande atenção da parte de todos nós”, resumiu.

Apoiar, de facto, o sector privado

A par de outras áreas, o sector privado é dos que mais precisam de assistência. Francisco Pereirare afirma, sublinhando que “mais do que apoiar este

“Mais do que apoiar este sector que dá emprego a muita gente, ele deve ser ajudado com facilidades fiscais”, diz Francisco Pereira

sector que dá emprego a muita gente, ele deve ser ajudado com facilidades fiscais”. Outra das preocupações do sector privado, auscultado pela E&M, é a distribuição dos fundos. A este respeito, Francisco Pereira deixa uma garantia: “A gestão das doações será de tolerância zero à corrupção”, disse, acrescentando que os doadores “mostraram interesse em financiar áreas da sua competência, ou seja, onde já implementam as suas acções.”

Por agora, e apesar de um valor considerável de fundos de ajuda estar já disponível, só o tempo vai ditar o que vai suceder-se, uma vez que o gabinete ainda carece de mais meios para alavancar todas as áreas necessárias a uma reconstrução efectiva. Até porque não se trata de reconstruir apenas, há que haver rigor e qualidade nas obras. Para isso, Francisco Pereira não prevê que o timing da implementação dos projectos seja inferior a quatro anos.

texto Hermenegildo langa fotografia d.r.

O regresso lento às rotinas diárias parece indicar que, literalmente, o mau tempo está a dar lugar a tempos de esperança

Línguas: o risco por calcular

Denise Branco • Investigadora e Consultora em Comunicação

Intercultural e Tradução para Fins Empresariais, Técnicos e Científicos

a 4 de março de 2019, Moçambique foi atingido pelo ciclone Idai. Descrito como uma das piores tempestades a atingir África e o Hemisfério Sul, afectou para sempre a vida de cerca de 1,85 milhões de pessoas de acordo com os dados publicados pela organização Translators Without Borders (TWB). Chegou a ajuda, chegaram as pessoas e com elas chegou a necessidade de gerir comportamentos e emoções resultantes da perda de vidas, de referências, de um sentido de propósito. E a ajuda chegou daqui, de nós, e de todas as partes do mundo, em várias línguas. Partilharam-se projecções sobre vidas perdidas, danos materiais, prejuízos económicos para o país, entre outras. Hoje partilho mais alguns números não só devido à sua importância para uma resposta humanitária mais eficaz para as vítimas da Beira, mas pela lição que importa reter – ou relembrar. Convido-o a reflectir sobre o papel das políticas linguísticas – públicas e privadas - em resposta à pergunta: quanto valem as línguas num plano de comunicação de emergência?

Na área da comunicação em cenários de crise e emergência tem-se como princípio orientador que a informação certa, no momento certo, pela pessoa certa pode salvar vidas. Atrevo-me a acrescentar: na língua certa. De acordo com os dados disponibilizados pela TWB, após a realização de um estudo no terreno, em Abril de 2019, junto dos sobreviventes do Idai, constatou-se que 41% da população não compreende a língua portuguesa escrita, a língua principal da ajuda humanitária; 65% das mulheres de todas as idades e 57% das pessoas de ambos os sexos acima dos 50 anos de idade

não compreende informação escrita em qualquer língua e, finalmente, 44% das mulheres não compreende português falado. As línguas mais faladas nos locais onde a população se encontra temporariamente alojada são Sena, Ndau e Chuabo. Não é necessária uma reflexão demasiado elaborada para compreender as consequências dos constrangimentos linguísticos nas operações de ajuda humanitária.

Acreditando que o exemplo acima é óbvio para o leitor, expandamos a reflexão de modo a incluir as indústrias que operam em contextos multiculturais e multilingues, e cuja actividade representa risco para populações e para o ambiente: o risco de não falar a(s) língua(s) necessária(s) foi calculado? A empresa tem uma política linguística de contratação que garante que a todo o momento é capaz de interagir com o seu ecossistema? O plano de comunicação de emergência reflecte a diversidade cultural de Moçambique onde são faladas mais de 40 línguas? A relação de confiança que permite gerir percepções de risco, emoções e comportamentos está alicerçada nas pessoas de confiança da comunidade? A empresa sabe se deve privilegiar mensagens escritas ou orais e em que línguas? A empresa “fala” as línguas que podem comprometer ou acelerar uma intervenção de emergência? As comunidades fazem parte da estratégia de comunicação de emergência ou são meras receptoras? O plano comunicativo foi testado? O resultado do cálculo do risco irá certamente variar por sector e por empresa, tal como pode variar o número de vidas salvas no caso de uma emergência. A sua organização está disposta a aceitar o risco ou a gerir a responsabilidade?

Após a realização de um estudo no terreno, em Abril de 2019, junto dos sobreviventes do Idai, constatou-se que 41% da população não compreende a língua portuguesa escrita, a língua principal da ajuda humanitária

ComérCio livre em ÁfriCa, um misto de frustração e euforia

É normal duvidar da eficácia de qualquer experiência nova, mas no caso da Zona de Comércio Livre, a incerteza é acentuada e justificada, embora valha a pena reflectir sobre as vantagens que esta nova realidade pode trazer

entrou em vigor, este mês, a Zona de Comércio Livre (ZCL) em África, que antevê a operacionalização do mercado comum, na que já é considerada a “maior mudança desde o fim do colonialismo” no continente. Trata-se de uma iniciativa que, desde cedo, agregou uma legião de adeptos (sobretudo políticos) pelo continente e pelo mundo. Mas também tem um número respeitável de entidades que não votam pela sua operacionalização (principalmente os empresários). O ponto de discórdia está no desnível de competitividade entre as economias. Enquanto uns acreditam no risco de dependência das mais fracas em relação às economias mais poderosas, podendo ‘matar’ o já incipiente nível de actividade económica de países como Moçambique,

90%

A percentAgem de isenção de tAxAs do Acordo dA ZonA de comércio Livre AfricAnA

outros entendem que faz todo o sentido correr riscos, já que a fase desafiadora será passageira, e no fim o continente ir-se-á consolidar como um bloco económico estável.

Em princípio, a ZCL tem como fundamento abrir o mercado a 1,2 mil milhões de pessoas, com a possibilidade de gerar riqueza para o continente, acelerando o investimento, diversificando a economia e aumentando o comércio, através da eliminação de barreiras tarifárias (o recente acordo prevê isenção a 90% dos produtos).

Entre as estimativas optimistas da iniciativa, o destaque vai para a do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD): “A zona de comércio livre vai ajudar a aumentar em cerca de 50 mil milhões de

dólares as trocas comerciais, mas não é apenas isto. Se África for capaz de reduzir o desemprego entre os jovens para o mesmo nível do da população adulta, poderá acrescentar, entre 2020 e 2035, cerca de 5 mil milhões de dólares no PIB da região. E se conseguirmos aproveitar todo o potencial da Internet no continente, em 2030 conseguiremos adicionar 3,5 mil milhões de dólares ao PIB”, estimou (em Abril) o presidente da instituição, Akinwumi Adesina. Além disso, tem o potencial de permitir que os países se tornem mais fortes na busca de vantagens comerciais nas negociações com outros blocos comerciais fortes.

Mas para ser bem-sucedida, ainda falta um conjunto de coisas fundamentais: “construir capacidade industrial, investir de forma maciça em infra-estruturas e assegurar as capacidades que as empresas precisam”, admite Adesina, num aviso que encaixa bem como ponto de partida para avaliar o que se vai passar na economia moçambicana no contexto da integração económica do continente.

seremos “engolidos” pelos grandes? empresários acham que sim

A E&M ouviu o sector privado cujo parecer apresentou inúmeros argumentos que elucidam uma série de desvantagens para Moçambique. Céptico (embora não o admita), o presidente do Pelouro de Política Fiscal e Comércio Externo da Confederação das Associações Económicas (CTA), Kekobad Patel, começou por atacar a fraca matriz de exportações. “É preciso perceber que para aceder a um mercado é preciso produzir, daí que o grande problema é esse: nós não produzimos nada. E o pouco que produzimos é matéria-prima não transformada.”

Para avaliar o impacto da abertura dos mercados ao nível do continente, o representante da CTA toma como exemplo o impacto da abertura da SADC para Moçambique que considera desvantajosa, a avaliar por um leque de problemas estruturais que encarecem a produção e a comperitividade, incluindo o custo do crédito à economia. “Neste momento Moçambique está isento de taxas aduaneiras apenas com países da SADC. Se esta base for alargada ao nível do continente, espera-se que o processo venha a ser faseado, mas porque temos uma base de exportações fraca, não é vantajoso. E não é só a posição da pauta aduaneira ou os direitos que contam na produção. Os custos devem ser equacionados. É mais caro produzir em Moçambique e,

atiiii

“Temos de fazer do comércio livre um sucesso e para isso podemos contar com os nossos parceiros dos EUA que já estabeleceram áreas de Comércio Livre há bastante tempo… tenho a certeza que se criarmos fortes parcerias poderemos ver muitos benefícios”.

ME M ErsonMnangagwa

Presidente do Zimbabwe

“A união pode ajudar-nos a desenvolver e modernizar as nossas economias. Creio que a Zona de Comércio Livre é um passo em frente que é absolutamente necessário para África. Neste caminho podemos relacionar-nos com outros parceiros, com mais força e dignidade”.

dE g ar Lungo

Presidente da Zâmbia

“O acordo só será coroado de sucesso se nós, países africanos, desenvolvermos capacidade produtiva e criarmos mercado para o comércio”.

por isso, a base empresarial é fraca, daí que haja muito trabalho por fazer para assegurar que o ambiente de negócios seja favorável ao investimento. Há um conjunto de factores que alimentam a produção.

Por exemplo, enquanto as taxas de juro dos empréstimos na África do Sul rondam os 9%, cá estão entre os 22%”, observou.

empresariado excluído?

Muitas decisões sobre a formação de blocos regionais são de “âmbito político e não aprofundam as implicações económicas”, defende Kekobad Patel, para quem as decisões da SADC e a da União Africana “terão sido também tomadas nessa base e só depois, quando os problemas económicos se manifestam, o sector privado é consultado”.

Falando em concreto sobre Moçambique, revelou ainda que “não estamos a ser consultados porque a preocupação é reforçar a SADC e depois ver o que se faz”, o que acaba por dificultar a exploração da vantagem dos acordos. “No caso da União Africana, seremos todos engolidos pelos grandes, principalmente pela África do Sul, Quénia (que tem feito um esforço notável no desenvolvimento da indústria local), pela Nigéria (quando aderir), pelo Egipto e por Marrocos. A abertura dos mercados em África poderá conduzir ao encerramento das poucas indústrias que há”, lamenta. Um caso de estudo sobre o assunto é o da Nigéria, uma potência económica do continente que ainda não aderiu à ZCL. O Presidente nigeriano, Muhammadu Buhari, argumenta que o país “precisa de mais tempo para analisar o documento”. Sani Yan Daki, da Associação Nigeriana de Câmaras de Comércio, Indústria, Minas e Agricultura, também é céptico quanto à eficácia da medida. “A Nigéria ainda é uma economia em desenvolvimento. Os países que estão a fazer pressão para a criação da Zona de Comércio Livre, como Marrocos, Egipto ou Tunísia, são menores que a Nigéria em termos de recursos nacionais, mas ao nível do desenvolvimento estão muito mais à frente”. Uma opinião que diverge da de um empresário do mesmo país, Tope Fasua, que defende que “a Nigéria é considerada a maior economia de África. Se a Alemanha, a maior economia da União Europeia (UE), defende a criação de um mercado comum naquele continente. E creio que a Nigéria deveria, com toda a certeza, fazer o mesmo em África”. sM w

mercado e finanças

Produção de açúcar beneficiou, em muito, com as taxas impostas à importação. Como será a partir de agora?

A adesão à ZCL foi feita sem a devida planificação. O caminho devia ter sido feito “estreitando parcerias com a China, Índia, Vietname ou Singapura, um conjunto de potências económicas que conseguem produzir a baixo custo

decisão precipitada?

Voltando ao país, o sector privado entende que a adesão à ZCL foi feita sem a devida planificação. Segundo o presidente do Pelouro de Política Fiscal e Comércio Externo da CTA, o caminho devia ter sido feito “estreitando parcerias com a Ásia (China, Índia, Vietname, Singapura), onde estão um conjunto de potências económicas que conseguem produzir a baixo custo e cuja quantidade de pessoas representa uma oportunidade para aumentar as exportações, aproveitando a vantagem da facilidade de acesso (ao Índico) para nos impor perante os concorrentes da África Ocidental que, usando a mesma estratégia, explorariam o mercado ocidental (América e Europa) através do Atlântico”, sugeriu, para de seguida criticar: “Alguém devia estar a fazer este estudo... mas se questionar se alguém estará a fazê-lo, verá que não!” Com uma matriz de exportações de produtos transformados, um défice de infra-estruturas acentuado e um ainda ambíguo ambiente de negócios (que vai

colocando Moçambique entre os piores no Índice de Competitividade Global da economia), fica nítida a necessidade de uma preparação mais profunda no quadro da integração económica do continente, sob pena de ver concretizadas as previsões mais pessimistas. Mas não é o que parece estar a acontecer. Em Junho passado, a E&M procurou saber junto do Governo que instrumentos estariam já a ser accionados. Até à data, ainda não havia um posicionamento firme. “Nesta altura, decorrem também estudos para apurar o impacto da iniciativa em Moçambique”, admitiu Amílcar Arone, prometendo que só um mês depois (Julho corrente) haveria de se tornar pública a estratégia nacional neste domínio.

“suplier side”, a estratégia

A expressão significa complementaridade entre as economias. Ou seja, “eu sou exportador de açúcar, a Suazilândia (agora Eswatini) também, então nós somos competidores. Eu sou produtor

um ComérCio, de faCto, em pequena esCala

Na primeira fase operacional, o acordo de livre-comércio pretende remover as tarifas de 90% dos produtos de cada país, o que se espera que venha a impulsionar as trocas comerciais entre os países africanos, que actualmente representam cerca de 17% do comércio total no continente, segundo dados do Departamento de Comércio e indústria da Comissão da União Africana. No caso concreto de Moçambique, em 2018, gastou 6,1 mil milhões de dólares em importações, dos quais 2,2 mil milhões na Ásia e apenas 1,8 mil milhões em África. Do outro lado da balança, a economia nacional realizou 5,2 mil milhões de dólares principalmente na Ásia (2,2 mil milhões). Para os países africanos Moçambique exportou apenas mil milhões de dólares tendo a vizinha África do Sul como principal destino.

de capulanas e a Tanzânia também. Então a abertura do mercado faz com que África dê o primeiro passo para perceber que, para ter uma posição no mercado mundial, tem de criar agregados de suplier side. Em vez de Moçambique exportar caju sozinho tem que criar mecanismos para o fazer em simultâneo com a Tanzânia e a Zâmbia, é isto que o mercado comum africano tem de começar a fazer”, esclarece o ministro da Indústria e Comércio, Ragendra de Sousa. Questionado sobre as taxas que o país pretende cortar para zero, como um dos primeiros objectivos do acordo de livre-comércio, o ministro revelou que Moçambique já colocou a zero todas as taxas de importação e exportação dentro da SADC. No entanto, ressalvou: “tenho de ir à África do Sul falar com o meu colega para implementarmos, mas se não fizermos nada a culpa não é deles, é nossa. Já o fizemos e agora falta exigir a implementação”. A colocação denota um nível preocupante de incertezas numa altura em que o futuro do comércio em África se tornou bem presente.

empresas

o negócio da vocação... para os negócios

Criatividade e motivação são requisitos que as empresas necessitam num contexto de crescente competitividade. E o mercado tem respostas à altura

a par da aturada procura por competências com o perfil apropriado para fazer parte dos seus quadros do pessoal, as empresas geralmente debatem-se com uma outra questão: a procura de profissionais com perfil para “segurar o barco” e preparadas para substituir aqueles que, eventualmente, vierem a sair, incluindo os antigos líderes. É sobre estas questões que a Jason Moçambique assenta o seu negócio no país desde 2012. Originária da Jason Associates, de Portugal, após ter registado um crescimento assinalável durante anos, decidiu internacionalizar-se também para Angola e Brasil. Segundo a country manager da empresa, Andreia Narigão, “o foco é ajudar a enfrentar os grandes desafios na gestão de talentos, principalmente o de entender onde é que as pessoas são, de facto, boas a trabalhar, extrair-lhes o que de melhor fazem e dotá-las do sentimento de paixão pelo trabalho tornando-as sustentáveis dentro das organizações.”

A intervenção da Jason Moçambique faz-se em sessões de formação que procuram agir sobre a emoção das pessoas, gerando focos de motivação. “A principal preocupação é fazer com que a pessoa se sinta emocionalmente envolvida com a empresa e o eixo que contribui para este vínculo emocional é a liderança, ou seja, agimos no sentido de tornar os líderes das empresas propulsores do sentimento de paixão pelo trabalho e pela organização, quer quando as coisas estão bem mas, acima de tudo, quando assim não acontece”, esclarece Narigão.

Em Moçambique, a Jason conta com 15 clientes, todos de grande dimensão. A maior parte multinacionais do sector privado que se distribuem pela mineração, banca, telecomunicações e oil&gas. É que, geralmente, são os “clientes mais

inovaçãoetalento

sofisticados que apostam, investindo, na importância de preparar profissionais para a liderança e sucessão, com uma visão mais orientada para a manutenção da boa performance ao longo do tempo, inclusive em momentos de instabilidade.”

Eventualmente não será óbvio ou imediato entender os resultados da acção de empresas como a Jason, mas alguns exemplos ajudarão, certamente, a perceber o seu papel. No sector financeiro, a quase totalidade dos bancos tem capital estrangeiro, mas o Banco de Moçambique tem vindo a pressionar as instituições a tornarem as suas estruturas menos dependentes de expatriados. Aqui, a solução passa pela alteração da estrutura ao nível da liderança, através da substituição ou da fusão de lideranças, em que o papel do líder passa a ser chave. Outro exemplo é o do sector das telecomunicações onde, com a recém-criada TMCEL (após fusão da TDM e da Mcel), já se assiste a uma grande preocupação em reforçar investimentos nas lideranças internas de modo a relançar uma empresa que caiu nos últimos anos, fruto de um processo de fusão atribulado que terá deixado as suas marcas na equipa. “É por casos como este que nos assumimos, de facto, como uma empresa de nicho, mas que produz talentos e líderes para grandes marcas”, revela a country manager. Para realizar a sua actividade, a Jason criou os chamados “Magic Makers”, equipas de design e de consultoria, que tentam fazer “magia” com as equipas dos seus clientes. E tudo, para ter empresas melhores no mercado.

Bempresa JaSoN MoÇaMBiQUe iNÍcio de acTiVidade 2012 FUNcioNÁrios 39 VocaÇÃo Gestão de talentos e formação de líderes

15

3 mercados

clieNTes a maioria são multinacionais das áreas da mineração, banca, telecomunicações e oil&gas a portuguesa Jason associates expandiu a sua presença para outras geografias e, além de Moçambique, está presente em angola e no Brasil

texto celso chambisso fotografia Jay Garrido

megafone

Lançado o Future

aGro ChaLLenGe 2019

O Future Agro Challenge (FAC), a maior plataforma mundial de inovadores do sector agro-alimentar é uma iniciativa que procura trazer soluções inovadoras para a segurança alimentar e a nutrição no país, através de uma competição que envolve agro-empreendedores de todo o país. O desafio Inclui uma formação de três dias em cada província, a partir da qual são seleccionadas as melhores empresas que participam no evento nacional, que terá lugar a 7 de Novembro. A organização do FAC2019 é da Mozambique Innovation Lab sendo realizada em parceria com a Agrimag, BCI, GAPI e GAIN.

MoviteL Lança

ConCurso de ideias

Criativas

“Viettel Advanced Solution Track 2019 (VAS Track)” é o concurso que a Movitel acaba de lançar e no qual um conjunto de startup’s pode concorrer apresentando uma ideia criativa, um produto ou uma solução acabada. De acordo com a Movitel, operadora de telecomunicações móveis que opera no país desde 2012, o concurso “oferece um prémio de 50 mil dólares e um conjunto alargado de oportunidades de investimento.”

A fase final da iniciativa terá lugar nos Estados Unidos da América e durante esse período os concorrentes receberão um programa de orientações de professores das universidades de Harvard, MIT e Boston.

reestruturação FinanCeira do

Moza venCe PréMio

reestruturação financeira do banco dirigido por João Figueiredo distinguida pela “the banker”

a publicação internacional da especialidade na área financeira, do grupo Financial Times, elegeu a operação de reestruturação financeira levada a cabo pelo banco Moza com o Award “Deal of the Year 2019 for Restructuring in Africa”.

John Everington, Editor para África e Médio Oriente da revista, destacou que “na avaliação para distinguir o Moza com o prémio, o painel do júri, composto por experts em economia, banca e finanças, analisou o complexo e bem sucedido programa de reorganização e reestruturação financeira implementado pelo banco que, após a intervenção do Banco Central, tem observado uma assinalável recuperação, saindo de uma situação de um iminente colapso, para voltar a estar entre os cinco maiores bancos do país, operando num patamar muito estável”.

O reconhecimento do sucesso da operação de aumento de capital culminou com a entrada de um novo investidor na estrutura accionista, a ARISE, e a aquisição da totalidade do Banco Terra de Moçambique (BTM) pelo Moza.

aGra e GaPi reLançaM Cadeia de vaLor do arroz

Relançar esta cadeia de valor “através do fortalecimento da produção e das ligações com o mercado” é o objectivo da Aliança para Revolução Verde em África (AGRA) e a Gapi-SI, numa acção que, ao longo de três anos, envolverá mais de 100 mil pequenos produtores dos distritos da província da Zambézia. Denominado Moz-Arroz, o projecto insere-se na estratégia de apoio ao desenvolvimento rural que a Gapi tem implementado em todo o país e propõe-se a contribuir para o aumento da segurança alimentar e rendimento dos produtores de arroz na Zambézia, “através de intervenções que facilitem o acesso a sementes de variedades melhoradas.”

A “The Banker” é uma das maiores e mais prestigiadas publicações sobre o sector financeiro mundial. Com mais de 91 anos de existência, abrange as regiões de África, Ásia-Pacífico, América, Europa e o Médio Oriente.

A HRA Advogados realizou, no dia 6 de Junho, em Maputo, o Seminário “Desafios e Oportunidades na Reforma da Lei do Trabalho & Preços de Transferência“. O evento serviu o propósito de antecipação de desafios para as empresas, perante a proposta de revisão da lei do Trabalho que aguarda aprovação final pela Assembleia da República. O evento teve como oradores convidados Evaristo Madime, Presidente da Federação Moçambicana das Câmaras de Comércio (FMCC), e Luís Miguel Monteiro, advogado e sócio da Morais Leitão.

debate sobre Lei do trabaLho & Preços de transFerênCia

figura do mês

“Transparência é essencial para a nossa consolidação”

foi lançada em junho a primeira fase da Operação Pública de Venda (OPV) de 7,5% do capital da HCB, o mais proeminente empreendimento de geração de energia em Moçambique, e um dos maiores contribuintes do crescimento e desenvolvimento sócio-económico do país. Ao nível do volume de negócios, dimensão dos activos e da produção (maior produtor independente de energia na África Austral), mas também das exportações em que, sozinha, é responsável por 7,5% do total das exportações do país, essencialmente para a África do Sul. Com esta histórica operação lançada na Bolsa de Valores de Moçambique, a HCB espera obter financiamento para crescer ainda mais, causando com isso um movimento de tracção nunca visto no mercado de capitais.

Quanto tempo demorou a tomada de decisão da OPV?

Cerca de ano e meio. A operação foi anunciada pelo Presidente da República, Filipe Nyusi, em Novembro de 2017, e obedece à necessidade de inclusão financeira dos moçambicanos. Quando começámos a preparação da transacção percebemos a complexidade que isso envolvia, a população é bastante heterogénea e o mercado de capitais em Moçambique que é ainda embrionário. Então, era preciso encontrar me-

canismos que permitissem que este objectivo fosse observado, e a estratégia de distribuição era fundamental, daí que a primeira questão com que nos debatemos foi a não abrangência total do sistema bancário. Considerámos importante desenvolver plataformas adicionais aos canais bancários e lançámos as plataformas electrónicas — estamos a falar do SSD e da App desenvolvida para este fim.

O que presidiu a esta alienação de capital?

Esta operação é a maior nestes 20 anos de existência da Bolsa de Valores de Moçambique e irá contribuir para o desenvolvimento do mercado de capitais. A cotação em Bolsa tornará a empresa mais exposta ao escrutínio público na medida em que publicará mais e melhor informação. A transparência sobre a vida da empresa vai aumentar e isto é um elemento central da nossa consolidação. As boas práticas de governação corporativa e a preservação de um perfil de risco favorável irá, sem dúvida, ser um factor de extrema importância para aceder a financiamentos nos mercados doméstico e internacional. Importa aqui referir que a própria Lei das PPPE em Moçambique obriga a que projectos da dimensão da HCB coloquem até 20% do seu capital em Bolsa.. Portanto, ao lan-

Porquê o parcelamento, em fases, da OPV?

Porque permitirá, nesta primeira, um processo de aprendizagem do próprio funcionamento do mercado. A segunda tranche desta operação irá permitir a correcção de erros que eventualmente sejam cometidos na primeira fase.

Quem investir vai receber dividendos, até porque a HCB é lucrativa...

çar esta operação, além do objectivo de inclusão, tem esta questão de promoção do mercado de capitais e fica em linha com a Lei das PPPE.

Que destino será dado ao financiamento obtido após a conclusão da operação? Temos em marcha o plano CAPEX VITAL, de modernização infra-estrutural, que irá demandar cerca de 500 milhões de euros e o projecto de expansão de Mpanda Nkua, que também irá exigir volumes avultados do investimento. Sabendo que a banca nacional não tem liquidez para suportar este grau de investimentos, decidimos recorrer ao mercado de capitais.

cvcurriculum vitae

o actual administrador para a área financeira da HCB passou, previamente, pelo banco aBC, onde foi head of risk and compliance. foi também administrador não executivo na SiMo, Sociedade interbancária de Moçambique.

Sem dúvida! Temos estado a pagar o equivalente a cerca de 25% dos lucros distribuíveis de uma forma consistente, em média cerca de 25 milhões de dólares. Mas, para além disso, é importante notar que pode haver também ganhos de capitais fruto da valorização expectável das acções, ou encarar a compra como um instrumento de diversificação de poupanças.

O que leva de toda esta experiência?

A nossa estratégia de comunicação procurou ser o mais abrangente possível e uma das acções levadas a cabo foi um roadshow por todo o país. Andámos por todas as capitais provinciais e um dos aspectos que me marcaram foi ter sempre casa cheia e as perguntas colocadas, o que contrasta com o nível ainda bastante limitado em termos de literacia à volta do mercado de capitais. Essa forma como as pessoas mais simples participaram desses encontros e demonstraram interesse fica na minha memória.

Já quiseram comprar-lhe acções?

(sorri) Os nossos telemóveis não param, as pessoas querem saber como fazem para comprar. Claro que todo o processo passa pela BVM e pelo sindicato bancário BIG-BCI, que são os canais de compra.

texto Pedro Cativelos fotografia Jay Garrido

INVESTIMENTO

“Temos estado a pagar o equivalente a cerca de 25% dos lucros distribuíveis anualmente”

sociedade

Onde ficamOs na ‘guerra’ glObal da nOva internet?

Numa altura em que é certo que o futuro da rede global de informação está a mudar diariamente, a grande questão é o caminho que essa mudança irá levar e que papel o continente africano terá em toda esta nova dinâmica global

no passado mês de maio, no contexto da guerra comercial a que se assiste actualmente entre os EUA e a China, a administração norte-americana ordenou a empresas tecnológicas como a Google, a Intel, a Broadcom, a Qualcomm e várias outras que suspendessem qualquer tipo de relação com a tecnológica chinesa Huawei que envolvesse, nomeadamente, a transferência de hardware, software e outros serviços técnicos. Entre os vários argumentos esgrimidos, o boicote à Huawei justificar-se-ia pelo facto de que a tecnologia desta empresa lhe permite espiar, de forma subtil e camuflada, individuos, empresas e instituições que a usem. Em particular, no que toca à Google, a implementação deste boicote implicaria que o acordo de licenciamento que a Google e a Huawei têm para a integração do sistema operativo Android nos smartphones da marca chinesa ficaria igualmente suspenso. E os futuros smartphones da Huawei só teriam acesso à versão do sistema Android em código aberto ficando impedidas de receber as frequentes actualizações de segurança directamente da Google. Os smartphones da Huawei deixariam também de trazer instaladas de origem as aplicações proprietárias da Google, co-

mo o Gmail ou a loja de conteúdos multimédia Google Play. O impacto desta decisão poderia ser certamente devastador para a Huawei que é a segunda maior vendedora de smartphones a nível mundial, apenas atrás da Samsung, tendo expedido mais de 200 milhões de unidades em 2018. E teria um impacto igualmente devastador nos consumidores que utilizam smartphones da Huawei pois ficariam impedidos de receber as actualizações do sistema operativo Android o que, a prazo, tornaria os seus telemóveis, como já alguém disse, numa espécie de “casca de ovo vazia”.

under pressure Informações recentes indicam que a Google está, neste momento, a exercer uma enorme pressão nos bastidores para evitar que a administração norte-americana leve por diante esta sua decisão. E não apenas a Google. Outras empresas norte-americanas, sobretudo ligadas às redes e infra-estruturas tecnológicas de comunicações, têm estado a movimentar-se para impedir que a política definida pelo presidente norte-americano se concretize. Por seu turno, os chineses afirmam ter, há muito, um “Plano B” para a eventualidade de um cenário deste tipo, ten-

5G

A novA internet vAi mudAr o mundo e quem A detiver estArá mAis perto de o controlAr

do começado a desenvolver um sistema operativo alternativo ao Android. Há mesmo quem considere que este este novo sistema operativo não se trata, apenas, de um plano de contingência mas se insere num contexto mais ambicioso que envolve criar uma alternativa à própria Internet tal como a temos conhecido até agora. Ou seja, estaremos, possívelmente, na iminência de uma “bifurcação histórica” no que toca ao futuro da internet enquanto rede global.

Acresce que, segundo informações recentes, este plano inclui também o desenvolvimento, por parte da China, dos seus próprios chips de processamento e memória, rompendo o cerco imposto por fabricantes como a Intel, a Qualcomm, a Xilinx, a Broadcom, a Micron Technology e a Western Digital.

No entanto, para entender de forma adequada o que está a acontecer, é preciso perceber que o que está verdadeiramente em jogo é a emergência das redes super rápidas de quinta geração, a chamada tecnologia 5G, onde os chineses levam, reconhecidamente, um considerável avanço sobre os norte-americanos e os europeus. Segundo revelava em Fevereiro passado o “Wall Street Journal”, a Huawei detém neste momento 1 529

sociedade

patentes relacionadas com a tecnologia 5G – mais do que qualquer outra empresa no mundo. Combinando este número com o de outras patentes já firmadas por empresas chinesas, o “Wall Street Journal” estimava que 36% das patentes, ao nível mundial, associadas às tecnologias 5G, são chinesas.

Na verdade, a passagem para o 5G não se compara a qualquer das evoluções tecnológicas anteriores (como foi do 3G para o 4G). Já não se trata apenas de obter “mais velocidade” mas da capacidade de conectar biliões de objectos (a chamada “Internet das Coisas”) e de tratar quantidades astronómicas de dados praticamente em tempo real.

imediatismo imediato Isto será possível devido, em grande parte, à redução da latência, ou seja, o tempo de resposta que um dispositivo leva para executar uma ordem desde que o sinal é enviado. Quanto mais baixa for a latência, mais rápida será a reacção do aparelho que accionarmos à distância. O 5G reduz esse atraso a um milésimo de segundo. Será esta instantaneidade da comunicação que permitirá, por exemplo, que os “carros autónomos” (sem intervenção do condutor) possam circular em “cidades inteligentes” onde a automatização de inúmeros sistemas terá de funcionar sem falhas.

Ou, para dar apenas outro exemplo, os chamados sistemas de “tele-saúde” – em que operações sejam efectuadas à distância sem riscos - possam finalmente desenvolver-se. Tendo em atenção que, no quadro desta guerra comercial entre os EUA e a China, os norte-americanos têm vindo a desenvolver, simultaneamente, uma enorme pressão diplomática junto dos seus aliados (e não só) para que o boicote a empresas como a Huawei e a ZTE tenha um alcance verdadeiramente internacional,

“Apesar da retórica ocidental sobre a importância do acesso à internet para o desenvolvimento de África, na prática, o investimento dos ocidentais no apoio ao desenvolvimento das infra-estruturas para materializar esse acesso ficou aquém”

não foi surpresa que, no que toca a África, a União Africana tenha sentido necessidade de vir a público no início do mês de Junho dar uma indicação do seu posicionamento nesta matéria.

Sem qualquer surpresa também, a “resposta” veio através da assinatura de um “memorando de entendimento” entre a União Africana e a Huawei no qual ambas as partes manifestam o seu empenho em reforçar a cooperação, em particular no que diz respeito a cinco áreas estratégicas: Banda Larga, Internet das Coisas, Inteligência Artificial, Cloud Computing (computação na núvem) e 5G.

Seria difícil imaginar um posicionamento diferente. De facto, na última década, a maioria dos países africanos tiveram um apoio sistemático da China no que toca ao desenvolvimento das suas infra-estru-

turas de comunicação digital. Não apenas a Huawei mas também a ZTE e a China Telecom dominam hoje quase por completo o mercado africano.

África é o palco da luta eua-china

No caso de alguns países essa dependência é total. Veja-se, por exemplo, o caso do Uganda. Desde 2008, o país tem vindo a implementar o projecto National Data Backbone Infrastructure.

Neste momento, dezenas de cidades estão interligadas por 2 400 km de cabos de fibra óptica. O projecto desta infra-estrutura foi financiado em 107 milhões de dólares pelo Exim Bank of China e tem sido implementado no terreno pela Huawei. Também na Zâmbia, é a Huawei, com financiamento do governo chinês, que está a contruír de raiz a grelha digital do país. Para muitos países do conti-

nente africano com pouca capacidade de investimento, a tecnologia chinesa de telecomunicações é não só eficiente mas bastante mais acessível. Países como a África do Sul, o Botswana, a Nigéria e o Quénia, que pretendem desenvolver projectos de “cidades inteligentes”, têm vindo a assinar parcerias com empresas de telecomunicações chinesas. Estes projectos de “cidades inteligentes” não são apenas importantes pelo nível de interconectividade que permitem e por facilitarem a estruturação de uma economia de serviços de base digital em sintonia com a 4ª Revolução Industrial já em andamento. Estes projectos são também fundamentais, por exemplo, para garantir formas mais eficientes e sustentantáveis no domínio da gestão energética. Refira-se ainda que em África a forma mais comum de

EUA e China concorrem pelo domínio do tabuleiro global da tecnologia da informação

aceder à internet é através dos telemóveis e que, também aqui, a oferta chinesa, e não apenas da Huawei, é muito mais atractiva em termos de preço. Por exemplo, um em cada três smartphones usados no continente é da marca Tecno, produzidos pela Transision, uma empresa baseada em Shenzhen, no sul da China.

e a china leva vantagem

Para Iginio Gagliardone, professor na Universidade de Witwatersrand na África do Sul, não é de admirar que o continente africano veja a China como seu parceiro preferencial: “Apesar da retórica ocidental sobre a importância do acesso à internet para o desenvolvimento do continente, a realidade foi que, na prática, o investimento dos ocidentais no apoio ao desenvolvimento das infra-estruturas necessárias para materializar esse acesso ficou sempre muito aquém das expectativas”.

E Eric Olandar, co-fundador com Cobus Van Stade, investigador no South African Institute of International Affairs, do China-Africa Project, uma iniciativa sem fins lucrativos focada na análise das relações entre a China e a África, sublinha que o problema é que “Washington pede para que o continente corte os seus laços com a Huawei mas não oferece nenhuma alternativa. Não diz, por exemplo, se o fizerem estamos preparados para vos dar um bilião de dólares para irem comprar redes e equipamentos a outras empresas sejam elas norte-americanas ou mesmo europeias”.

Ainda segundo Iginio Gagliardone, apesar de a China ter, neste momento, uma posição dominante no continente, os recentes investimentos da Google no Gana (onde abriu um laboratório de Inteligência Artificial), da Microsoft na África do Sul (onde estabeleceu novos data centers) e a vontade do Facebook em começar a investir de forma mais substan-

tiva no continente, são indicadores a ter em conta no sentido de não considerar como um dado adquirido, desde já, que o domínio da China é um facto irreversível.

Até porque, em muitas regiões do continente africano, tem havido manifestações, por parte de organizações da sociedade civil, preocupadas com a perspectiva de que uma infra-estrutura tecnológica dominada pela China signifique a importação de um modelo de Internet baseado na censura e na limitação da “liberdade de expressão”. Adrian Shahbaz, da Freedom House, lembra, por exemplo, que, para além do modelo de Internet que os chineses estão a implementar ter uma vocação “totalitária” que se “casa” bem com a vocação autoritária de muitos governos do continente africano, também a maior parte dos projectos de “cidades inteligentes” actualmente em desenvolvimento integram sistemas de vigilância pública altamente sofisticados.

É cedo e arriscado prever qual será o desenlace desta guerra comercial entre a China e os Estados e o seu impacto no continente africano (até porque se aproximam as eleições presidenciais norte-americanas e muita coisa poderá mudar, ou não, dependendo de quem for o vencedor).

Apesar da actual posição dominante da China em África - e em certas áreas tecnológicas como o 5G e a Inteligência Artificial - convém sublinhar que, em algumas capitais africanas, como Nairobi, Lagos, Accra ou Kigali, não é claro que, por exemplo, a posição da União Africana perante a Huawei tenha sido unanimente bem acolhida. Neste contexto, com múltiplas variáveis em jogo, os próximos meses poderão certamente dar indicações interessantes sobre o que irá acontecer.

texto RUI TRIndade fotografia d.R.

lá fora

CresCimento aquém da média afriCana

A taxa de penetração dos seguros e fundos de pensões em Angola ainda pesa pouco no PIB, apenas 1,2%, quando a média da África Austral é de 3%. No entanto, a meta é, ao longo dos próximos anos, atingir os 5%

em 2016, o mercado segurador em Angola começou a registar uma desaceleração, em consequência da crise económica registada no país, desde 2014, o que alterou o ritmo de crescimento que se vinha assinalando desde 2011. Nessa altura, o peso do sector dos seguros no Produto Interno Bruto nacional esteve à volta de 1,2%, de acordo com fontes contactadas pela E&M.

Já em 2017, apesar de não ter dados estatísticos globais dos três anos anteriores, o director executivo da Associação Angolana de Seguradoras (ASAN), José Araújo, informou, em entrevista à Economia & Mercado, ter havido uma estagnação do mercado nos primeiros seis meses

46%

é quanto o kwanza se desvalorizou, no passado, face ao dólar, passando 1 usd a valer akz 309 em dezembro de 2018, contra akz 166 em dezembro de 2017

daquele ano, embora, no mesmo período, tenha havido investimentos e entrada de novos operadores. A razão, explicou a fonte, é que a massa segurável nacional não estava a crescer, “porque o país está em crise, as empresas e a população têm menos dinheiro para fazer seguros”. Na altura, José Araújo lamentou que, com a crise, muitos clientes estivessem a enfrentar dificuldades para pagar os seguros, incluindo os de carácter obrigatório. Idealizando um cenário com menor índice de incumprimentos, José Araújo calculava que se todos os proprietários de veículos automóveis e as empresas fizessem os respectivos seguros obrigatórios – automóvel, de responsabilidade

civil e contra acidentes de trabalho - “o mercado de seguros duplicaria”. Infelizmente, apontou na altura, a debilidade continua na fiscalização.

Passados dois anos, o mercado segurador nacional cresceu em número de operadores. Porém, em termos de penetração, calcula-se que tenha regredido, considerando que o mesmo não tem acompanhado o crescimento demográfico nacional, estimado em mais de 3% ao ano. Actualmente, existem no país 27 seguradoras, oito sociedades gestoras de fundos de pensões, 74 empresas de mediação e 634 agentes de seguros, nos ramos Vida e Não Vida, de acordo com a Agência Angolana de Regulação e Supervisão de Seguros (ARSEG), que pretende que famílias e empresas entendam as vantagens de ter a protecção dada pelos seguros. Para o PCA da ARSEG, Aguinaldo Jaime, ao falar aos jornalistas à margem de uma audiência concedida à enviada especial do Comércio da Primeira-ministra britânica para Angola e Zâmbia, Baronesa Lindsay Northover, em 2018, a fraca literacia financeira continuou a ser um problema no sector dos seguros em Angola. Contudo, pensa que para solucionar este problema, no curto prazo, é essencial informar a população sobre os benefícios da actividade seguradora, sendo necessário transmitir uma mensagem muito clara sobre a importância económica e social dos seguros.

Apesar dos factores acima referenciados, em 2018 o comportamento do mercado segurador foi positivo por diversos factores, segundo aponta o presidente da Comissão Executiva da Nossa Seguros, Carlos Duarte. Por exemplo, explicou, houve crescimento da oferta e da qualidade de serviços por parte das seguradoras, resultantes do aumento do número de companhias e também das entidades gestoras de fundos de pensões.

ancorado ao comportamento da economia O desenvolvimento do mercado de seguros, entretanto, está ancorado ao comportamento da economia, pelo que, de acordo com fontes contactadas pela Economia & Mercado, é difícil criar perspectivas optimistas enquanto a economia continuar pouco animada. Em 2017, por exemplo, o director comercial da AON Corretores, Sérgio Miranda, considerou, em entrevista à E&M, que o sector dos seguros acaba por ser bastante afectado pela actual realidade económica do país, sendo que o mesmo

“ainda é muito jovem, mas está numa fase ascendente e apresenta uma margem de crescimento muito grande”. Para Júlio Matias, consultor de seguros, numa análise publicada naquele ano no jornal “Economia & Finanças”, “Angola tem registado um índice de crescimento em matéria de subscrição e aceitação de riscos nos mais variados tipos de seguro”. No entanto, o número de operadores, “comparado com o crescimento económico nos últimos anos no país, ainda é incipiente face aos desafios que a nossa economia enfrenta, se equiparada com os países da região [SADC], e tendo como particular indicador o mercado sul-africano, o mais robusto em termos de oferta e índice de crescimento do sector”.

De acordo com o especialista, que destacava na sua análise o papel dos seguros na criação de emprego e no financiamento da economia, o Estado deve continuar a prestar atenção a este sector. “As seguradoras têm feito o seu papel enquanto agentes do mercado, procurando elevar o grau de compromisso com a sociedade e o Estado, diversificando a oferta de produtos e respondendo a curto e médio prazo às necessidades dos segurados”, opinou.

Entretanto, Júlio Matias defende também que as seguradoras “continuem a investir no capital humano e nas condições técnicas de trabalho”, ao passo que o Estado deve reforçar o seu papel de fiscalizador e regulador do mercado, para que os seguros representem, efectivamente, uma garantia de “sobrevivência das empresas e da manutenção da vida em sociedade”.

Para 2019, os operadores esperam que, com base nas políticas macroeconómicas em curso, ocorra uma redução das pressões inflacionistas e da taxa de juro. Entretanto, o sector continuará a ter, segundo perspectivam, um ano de desafios, que será acompanhado por um ambiente de elevada competitividade. Recorde-se que em consequência da elevada taxa de inflação e depreciação da moeda nacional, os fundos próprios das seguradoras ficaram vulneráveis, o que levou a ARSEG a obrigar as companhias a actualizar o seu capital social mínimo, antes avaliado em mil milhões de kwanzas, 10 milhões de dólares, com base no câmbio base de 100 Kwanzas por cada dólar. texto José Zangui e sebastião Vemba fotografia istockphoto

Valores em mil milhões de kwanzas
Valores em mil milhões de kwanzas
Valores em mil milhões de kwanzas

NOVOS ÂNGULOS

Tantos anos de vontade. E agora?

dizem-nos as notícias que a Fews Net, sigla que em português se traduz para ‘Rede dos Sistemas de Aviso Prévio contra a Fome’, uma organização que trabalha na previsão e resposta à insegurança alimentar na África Subsaariana, antevê que muitas famílias dependentes da agricultura esgotem as suas reservas de alimentos até Setembro.

A produção agrícola da época 2018/2019 está, já o sabíamos, com níveis bem abaixo da média dos últimos cinco anos, adiantando a Fews Net que há famílias que estão a trocar os seus animais por comida, bem como a aumentar a venda de carvão vegetal e madeira, com os danos ambientais que daí advém. “Moçambique enfrenta a pior insegurança alimentar dos últimos anos”, refere mesmo a Fews Net, na sua análise intitulada “Perspectiva sobre segurança alimentar”, em que atribui o milhão de toneladas de culturas perdidas, incluindo milho, arroz, amendoim, feijão e vegetais aos ciclones Desmond, Idai e Kenneth, às chuvas torrenciais e consequentes inundações, no Centro e Norte, e à seca, no Sul.

A preocupação, surge poucos dias após o anúncio da Decisão Final de Investimento da Anadarko na Área 1 da Bacia do Rovuma. Há tantos anos ansiada, num processo moroso que levou o lado amoroso da chegada de muitas empresas em busca do sonho do lucro rápido, nomeadamente estrangeiras, a um precipitado regresso à base. Como nas relações, é preciso esperar para provar que se vale a pena. Que valha a pena a espera. Lembro-me quando se dizia, numa euforia de sorriso contido mas, ainda assim confiante, que era em 2016 que se iniciava a exportação. Os prazos eram irreais, alimentados pela gula, que falava mais alto. E deveria ser ao contrário. Porque a fome, tem sempre mais vontade que a gula, e é dela que se alimenta a mudança. E se reformula a esperança. Haverá tempo, anos, na verdade, para falar sobre o gás natural liquefeito que colocará Moçambique no pelotão da frente do mapa mundo. E sobre as suas consequências e impactos. Na verdade, já muito se falou, e depois o tema entrou em desuso. Porque os adiamentos se foram sucedendo, contribuindo para a teoria misantrópica de que “para o ano é que é”. Só que esse ano nunca mais chegava e agora que chegou, já ninguém lhe dedicou a atenção de uma qualquer primeira vez. O fastio de um anúncio prenunciado tantas vezes cedo de mais. Claro que, com o desgaste de um tema requentado, outros

foram esquentando. Como o do sobreendividamento externo do país que, para o FMI, se deverá manter até 2022, ano em que chegará aos 130%, a quebra de poder do metical, as dívidas ocultas, os conflitos à vista de todos, primeiro políticos, agora aparentemente religiosos, em Cabo Delgado, com catástrofes naturais nunca vistas por aqui, pelo meio. A coisa boa, quase a única, destes quatro ou cinco anos, entre o quase gás de 2015 e o quase gás de 18 de Junho de 2019, foram mesmo só quase as Ideias. É que se, empreendedorismo, agro-negócio, turismo ou industrialização eram, em muitos casos, desenhos bonitos para emoldurar em discursos de muita pompa em demasiadas circunstâncias, a quebra do IDE que chegou a ser o segundo mais elevado em África, em 2014, com a entrada dos primeiros investimentos para a prospecção a Norte, que alavancaram o arranque da construção e do imobiliário a Sul, que hoje, já crescido, aguarda por comprador nos prédios de Maputo, levou as molduras douradas. E quase só deixou as paredes. Sobrou o que sobra sempre, nas crises. As Pessoas. E as Ideias que tiveram de se erguer, para acontecer. Moçambique é hoje um país e uma economia mais preparada para o grande crescimento que aí vem. E vem mesmo, não haja dúvidas disso. Perto de 50 bis, em cinco anos, de Investimento directo, comprovam-no. Vão impelir a previsão de crescimento a dois dígitos em cinco anos e fazer duplicar o PIB numa década. E quem vê a riqueza duplicar, tem de estar preparado para isso para saber o que fazer com ela. Haverá receita como nunca, num momento histórico, nunca antes vivido, acredito, na história do país. Pela primeira vez na sua História, o tal potencial de Moçambique para tudo e mais alguma coisa, e de facto ele existe em inúmeras áreas para lá do gás natural, passará a ser verdadeiramente alcançável. É quase palpável isso. Falta o quase.

E é por isso que é importante cuidar bem das sementes lançadas nos últimos anos, algumas a criar raiz, outras já as primeiras folhas verdes, ainda tímidas e ténues, é certo, do que pode ser um futuro com produção nacional, uma verdadeira classe empresarial jovem e empreendedora, tecnologia acessível e um sistema financeiro inclusivo aliado a ela, mais liderança no feminino e igualdade de verdade.

Para que não voltem as molduras douradas e que tudo isto não voltem a ser só palavras. Porque vem aí muito vento.

Pela primeira vez na sua História, o tal potencial de Moçambique para tudo e mais alguma coisa, e de facto ele existe em inúmeras áreas para lá do gás natural, passará a ser verdadeiramente alcançável. É quase palpável isso. Falta o quase

ócio

Nesta edição visitamos o Jardim do Tunduro, no coração de Maputo

62 60

À descoberta do G, um gentlemen club da capital

63

O Hennessy Xo, um clássico no universo dos conhaques

(neg)ócio s.m. do latim negação do ócio

Jardim do Tunduro

eo velho Jardim que sempre

Tunduro nos renova

localizado na baixa da capital, o jardim do Tunduro já não é o que era. Aquele ar seco, com árvores tristes e bancos menosprezados, hoje tem outra cara. Agora é um lugar confortável e agradável para se estar entre amigos, a relaxar ou a contemplar a nova paisagem verde. Ana Maria Abudrasse, gestora do Jardim Tunduro, explica o que tem sido feito. “Temos acções de conservação que consistem na recolha de sementes e na produção de mudas para reposição e para venda ao público. Também temos um banco de dados das colecções e o registo de informações relacionadas com os processos de produção. Através do viveiro, fazemos a produção e a multiplicação de mudas para reposição e venda. Temos plantas exóticas para a ornamentação urbana”, revela.

Actualmente, o Conselho Municipal de Maputo vela pela limpeza do Jardim, pela produção de plantas ornamentais, limpeza dos lagos e segurança do espaço. O Jardim Tunduro foi reabilitado em termos de infra-estrutura e durante a obra fez-se o repovoamento de novas espécies de plantas. “Esse trabalho é contínuo, visto que algumas espécies morrem por serem da época, outras são danificadas pelas pessoas que pisam os canteiros e algumas são danificadas pelas pragas”, explica Abudrasse. Em termos de repovoamento da paisagem verde que está a ser devolvida ao Jardim, esta já está completo. A estufa tem plantas especiais como os antúrios, as begónias, as plantas carnívoras, as orquídeas, os fetos, os aloés e algumas plantas sensíveis que precisam de muita atenção e rega bem definida. “Este é um lugar para o público se deliciar

com a beleza que oferece. Também pode ser usado para registos fotográficos de casamentos, saraus de música e poesia, ou até lançamentos de livros”, sugere Ana Maria Abudrasse.

Além da estufa de repovoamento de plantas, existe uma outra. “Temos também outra estufa, que denominamos de Estufa 2. Está mais dedicada à pesquisa, ao estudo e às técnicas de propagação e produção de mudas. O que se produz na estufa é usado não só para o Tunduro, mas também para outros jardins da cidade. Há aqui plantas que têm valor medicinal e outras que são aromáticas, usadas na alimentação”, revela Ana Maria Abudrasse, convidando, assim, a que todos ajudem a preservar este espaço de Maputo.

TeXTO Frederico Jamisse fOTOGrafia Jay Garrido

o Jardim Tunduro é hoJe um lugar conforTável e agradável para se esTar enTre amigos a relaxar e a conTemplar a paisagem verde

Av. da Marginal 4441, no 1º piso do Glória Hotel

recentemente inaugurado no Maputo Glória Hotel, o “G Club” é, como o nome sugere, um clube, isto é, um espaço reservado apenas aos membros aderentes. Embora a componente gastronómica constitua certamente um elemento a ter em consideração, o conceito, que se pretende diferenciador e único em Maputo, é o de proporcionar um espaço que, pelas suas características de exclusividade, permita aos membros desfrutar de um convívio discreto num ambiente sofisticado e selecto. Neste sentido, o “G Club” é constituído por uma diversidade de espaços, uns que privilegiam uma maior intimidade e outros que, pelo contrário, apelam à convivialidade e à informalidade dos encontros. O que marca fortemente todos esses espaços, entre outros aspectos, é o cuidado posto na decoração, apurada e luxuosa, e o desenho meticuloso da configuração no sentido de diversificar os ambientes e permitir

g club: exclusividade, bom gosTo e excelência gasTronómica

aos membros desfrutar, qualquer tipo de situação, seja ela motivada por um encontro de negócios ou apenas pelo desejo de um bom convívio.

Mas o “G Club” pretende ir mais além e oferecer aos seus membros um conjunto de actividades. Haverá, assim, periodicamente, “Jantares de Gala” com objectivos de beneficiência. Conforme se pode ler no documento de apresentação do clube, estarão centrados num tema e, para além do pretendido convívio, o seu objectivo será a angariação de bens e valores para apoio a causas sociais e culturais. Outras iniciativas previstas passam pela realização de “Tertúlias” e de eventos culturais. De referir ainda a intenção de organizar torneios de snooker, xadrez ou bridge. Uma das componentes mais distintivas do “G Club” é, no entanto, e sem sombra de dúvi-

nesTa sua fase de arranque, o “g club” esTará aberTo a Todos os que o queiram conhecer. aproveiTe

das, a sua oferta gastronómica. Explorando o conceito de “fine dining”, ou desgustação extensa e prolongada do menú proposto, também aqui o “G Club” se posiciona de forma diferenciadora. Concebido pelo Chef Elísio Mabunda, a proposta gastronómica é a de uma cozinha de autor requintada cuja variedade é impossível de resumir aqui. Apesar de tudo ficam algumas sugestões. Nas entradas destacamos o Gaspacho com influências alentejanas e filete de sardinha flamejada, o Tártaro de Atum, o Camarão ao Coco sobre uma tostinha de sésamo e tapenade e o Trio de empadas de caranguejo, espinafres e coelho. No que toca aos produtos do mar, não deixe de provar o Naco de Atum corado e temperado com paprika e acompanhado de puré de favas e legumes, o Risoto de bacalhau com ameijoas ou a Tranche de garoupa e carabineiro acompanhada por uma migada de ba-

tata e legumes e molho espuma de marisco.

Se as suas preferências vão para a carne, experimente a Barriga de Porco assada lentamente no forno e envolta num molho agri-doce acompanhada de puré de maçã e beterraba, o Peito de Pato corado com puré de batata doce, frutos secos e legumes. Nas sobremesas, destacamos a Tarte enrolada de maçã acompanhada de creme inglês e gelado de baunilha.

Para além de uma lista de vinhos que deve merecer a sua atenção, a carta inclui ainda, para os apreciadores, um conjunto de digestivos e charutos exclusivos em Moçambique. Nesta sua fase de arranque, o “G Club” estará aberto a todos os que o queiram conhecer. Por isso, aproveite e desfrute da experiência. Não se irá arrepender.

TeXTO rui Trindade fOTOGrafia Jay Garrido

País

França cor

Mogno brilhante aroma

Notas florais combinando jasmim e toques de figo e laranja cristalizada sabor

Notas de frutas e especiarias

Teor alcoólico 40%

courvoisier x.o.

hennessy

País

frança reGião

Âmbar profundo aroma

Subtil e levemente picante sabor

Teor alcoólico 40% rémy marTin x.o.

País

França reGião

Mogno brilhante aroma

Muito rico e complexo, com aromas de chocolate, baunilha e âmbar sabor

Textura sedosa, redondo, notas de laranja, damasco e pêra

Teor alcoólico

40%

marTell x.o. exTra old

País

França cor

Âmbar suave casTas

Touriga Nacional e Syrah aroma

frutas secas, cera de abelha e couro russo sabor

Redondo e frutado com um final longo e sedoso

Teor alcoólico 40%

Suave com um toque de cacau e uma presença de fruta quente

os conhaques conTinuam a ocupar um lugar muiTo especial no universo das bebidas alcoólicas

hennessy xo

um clássico no universo dos conhaques

apesar de estarem longe de ter a popularidade de outras bebidas (como os whiskeys) os conhaques continuam a ocupar um lugar muito especial no universo das bebidas alcoólicas, sobretudo pelo seu carácter distinto e sofisticado. Mas o que é exactamente um conhaque? Essencialmente é um brandy: um vinho destilado duas vezes num recipiente de cobre e envelhecido em cascos de carvalho, o que ajuda a desenvolver o seu bouquet complexo e a sua cor dourada. Mas nem todo o brandy é um conhaque. Apenas o brandy produzido na região demarcada à volta do rio Charente (em França) recebe esta denominação. A longa tradição da região na produção de brandy traduz-se numa complexidade e riqueza que são difíceis de encontrar em qualquer outro local do mundo. Para os grandes apreciadores, um conhaque de qualidade começa no grau X.O. pois a bebida precisa de um envelhecimento suficiente para desenvolver o seu bouquet complexo. Muitas produtoras também disponibilizam conhaques com grau Extra ou Hors d’Age, geralmente com mais de 30 anos e que, praticamente sem exceção, são muito bons.

Algumas marcas tornaram-se referências mundiais – sobretudo a Hennessy, a Rémy Martin, a Martell e a Courvoisier – e são sempre uma escolha segura.

A nossa sugestão deste mês vai para o Hennessy X.O.

Os Hennessy são, entre todas as marcas de topo neste segmento, dos mais vendidos em todo o mundo. A história do renomado e sofisticado conhaque francês começou em 1765 quando o capitão Richard Hennessy, um irlandês católico que servia as forças armadas francesas do Rei Luis XV, fundou a sua casa de conhaque na cidade de Cognac, na margem direita do Rio Charente. A marca - Hennessy & Co –só surgiu, no entanto, em 1814. Por volta de 1840, quase 90% da produção do conhaque era exportada, tendo a Inglaterra como um de seus principais mercados e durante o século seguinte a Hennessy começou a exportar para praticamente todo o mundo.

Em 1971, Killian Hennessy, da quinta geração do fundador da empresa, organizou a fusão da empresa com a famosa produtora de champanhe Moet & Chandon. A marca tornou-se então a primeira a produzir mais de 24 milhões de garrafas no ano, estabelecendo-se, e 1984, como lídewr da sua categoria

música filmes livros

exposiÇÕes

FÉ

Exposição dE FotograFias dE

Mário Macilau

Fundação Fernando

Leite Couto

inauguração: 3 de Julho

Hora: 18h

VÊ sÓ Maputo

carMEn nhataVE , dudu MognE , FrÉdÉriquE Martin, hÉldEr

ZandaMEla, hElEna MElo, MiguEl pEral, nEidE tsunaMi, silassE d’saloMon, tiago

MaciEl, Victor dE JEsus E

YassMin FortE | curadoria:

Mário Macilau

Centro Cultural Franco-Moçambicano

inauguração: 9 de Julho

Hora: 18h30

Patente até 3 de agosto

World prEss cartoon

Camões - Centro Cultural Português em Maputo inauguração: 25 de Julho

Hora: 18h

Patente até 23 de agosto

TeaTro

Horário: Segunda a Sexta das 11h às 18h nos tEMpos dE gungunhana

MonÓlogo basEado no tExto original dE ungulani ba Ka

Khosa - ualalapi

criação E intErprEtação: KlEMEntE tsaMba

Fundação Fernando

Leite Couto

Dia 2 de Julho

Hora: 18h

nos tEMpos dE gungunhana

MonÓlogo basEado no tExto original dE ungulani ba Ka

Khosa - ualalapi

criação E intErprEtação: KlEMEntE tsaMba

Fundação Fernando

Leite Couto

Dia 2 de Julho

Hora: 18h

a casa

uMa pEça dE tEatro quE Mistura tÉcnicas circEnsEs E conVida À intEracção EntrE crianças E adultos. grupo tEatro MaKWErhu

Fundação Fernando

Leite Couto

Dia 13 de Julho

Hora: 10h30

liTeraTura

sarau dE poEsia ignição do luar

MElita MatsinhE & aMigos

Fundação Fernando

Leite Couto

Dia 17 de Julho

Hora: 18h

lançaMEnto da colEção

“gosto dE lEr” duas Vidas À procura do Mar E outros contos

albino Magaia

Editora FErnando lEitE couto

Fundação Fernando

Leite Couto

Dia 23 de Julho

Hora: 18h

• em destaque

PENSANDO O CINEMA MOÇAMBICANO

Org. CArMEN TINDÓ SECCO

ED. KAPulANA

esta colectânea, organizada por Carmen Lucia Tindó Secco, inclui onze ensaios analisando filmes e obras literárias de Moçambique. Os textos são resultado do evento “encontro com Luís Carlos Patraquim”, durante a iii Mostra de Cinema africano, na faculdade de Letras da Universidade federal do rio de Janeiro (UfrJ), em 2017, e do curso “afeto, Literatura e Cinema: representações da História em obras literárias e filmes de angola, Moçambique e Guiné-Bissau”, ministrado na faculdade de Letras da UfrJ, também em 2017. Os ensaios apresentam, analisam e comparam obras cinematográficas moçambicano, como “a árvore dos antepassados” e “Virgem Margarida”, de Licínio azevedo, “O Búzio”, de Sol de Carvalho, “Ngwenya, o crocodilo” de isabel Noronha, além da adaptação para o cinema do livro “Terra Sonâmbula”, de Mia Couto, dirigida por Teresa Prata. O livro é publicado pela editora Kapulana.

no tEMpo dos tocadorEs: uM tributo À MÚsica

MoçaMbicana (rEposição) –graVação dE dVd | tp50

Centro Cultural Franco-Moçambicano

Dia 5 de Julho

Hora: 20h30

Kongoloti sEssions tÉgui

uMa das VoZEs

MoçaMbicanas

Mais potEntEs da noVa gEração

Fundação Fernando

Leite Couto

Dia 5 de Julho

Hora: 18h

sinFonia Étnica

EspEctáculo dE MÚsica tradicional MoçaMbicana cantada EM nhÚnguE , Echuabo E changana

Fundação Fernando

Leite Couto

Dia 19 de Julho

Hora: 18h

cinema

EM grandEs Ecrãs dE JaiME MahuManE , sEguido dE conVErsa coM o rEaliZador E FEliZarda MabotE

Centro Cultural

Franco-Moçambicano

Dia 1 de Julho

Hora: 19h

a guErra da bEatriZ dE luigi acquisto E bEtY rEis (tiMor-lEstE , 2013, 105’)

| parcEria: lusophonE FilM FEst

Centro Cultural

Franco-Moçambicano

Dia 8 de Julho

Hora: 19h

museu da mafalala

o museu da mafalala é de base comunitária com um enfoque na cidade de Maputo e procura, por esta via, apresentar o processo histórico de surgimento do bairro da Mafalala, os seus primeiros habitantes, os eventos importantes que tiveram palco nesta comunidade e acima de tudo explicar a relação com a cidade de Maputo. Tudo isto, ao mesmo tempo que procura estabelecer uma ponte entre o passado e o futuro.

A “Associação IVERCA| Turismo, Cultura e Meio Ambiente” tem vindo desde há muitos anos a desenvolver um trabalho notável trabalhando na preservação, conservação, documentação e pedagogia do património cultural do bairro da Mafalala. Entre as múltiplas actividades desenvolvidas, entre as quais se destaca, por exemplo, o Festival da Mafalala

um aconTecimenTo maior

que a IVERCA organiza anualmente, importa não esquecer a publicação, em 2016, do livro “Mafalala: Memórias e Espaços de um Lugar”, obra realizada em parceria com o Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, com coordenação de Maragarida Calafate Ribeiro e Walter Cossa, e que continua a ser um trabalho de referência na matéria.

A obra foi escrita e organizada por uma equipa mista de investigadores portugueses e moçambicanos que, em conjunto, sentiram a necessidade de trabalhar e registar um assunto que, ambas as partes, de diferentes formas, tinham estudado e conheciam. Deste modo, o diálogo, as transferências de conhecimentos e o superior interesse de assim

a infra-esTruTura represenTa um acTivo imporTanTe no processo de democraTizaÇão da culTura

servir a comunidade orientaram os autores do livro.

Conforme se refere na apresentação do livro, “a produção partiu do cruzamento de olhares do Urbanismo e dos Estudos Culturais sobre as cidades de Luanda e Maputo. Teve como espaço conceptual central o conceito de cidade como texto (Lévi-Strauss) ou palimpsesto de textos (André Corboz), e olhou a cidade como espaço de fundação da ocupação, como espaço colonial, como espaço de resistência e como espaço forjador das novas nações”.

O livro resultou do processo de conjugação do projecto da IVERCA Mafalala Turística com a iniciativa académica Patrimónios de Influência Portuguesa coordenado pelo Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, que se dedica ao estudo e interpretação proactiva das heranças das culturas que se exprimem em língua portuguesa.

Maputo museu da mafalala

KawasaKi JeT sKi ulTra 310lx

Supercompressor Eaton Twin Vortices Series (TVS)

1,498cc

Injecção digital

Preço 18 000 USD

JeT sKi op ÇÕes para Todos os gosTos (e bolsas)

durante muito tempo persistiu a ideia de ter um jet ski era um luxo apenas ao alcance daqueles com capacidade para fazer um investimento significativo na sua aquisição. Mas os tempos mudaram, o mercado diversificou-se e é hoje possível encontrar modelos diferenciados capazes de corresponder às expectativas, aos tipos utilização e à disponibilidade financeira de vários segmentos de consumidores.

Se for para usar o jet ski de uma forma recreativa e familiar então, talvez prefira o modelo sentado, que é mais fácil de conduzir e pode levar até 4 pessoas. Tenha atenção também à motorização. Existem, de uma forma genérica, jet skis com motores a 2 e a 4 tempos.

O mercado dos jet skis é dominado, a nível mundial, por algumas marcas, nomeadamente a Kawasaki, a Yamanha e a Sea Doo. Deixamos-lhe, de

vseguida, algumas sugestões. Se pretende (e tem capacidade financeira) para ter um modelo topo de gama que combina luxo e alta velocidade então a melhor opção é a Kawasaki Jet Ski Ultra 310LX. Com um super-compressor Eaton Twin Vortices Series (TVS), com com um motor que oferece uma excelente propulsão, alimentando o casco V profundo da embarcação que oferece uma estabilidade inigualável em águas ásperas e difíceis. Este modelo também vem equipado com um sistema de áudio JETSOUND, pioneiro em embarcações pessoais, que permite ouvir música através do amplificador de 2x20 watts e altifalantes de 30 watts.

A marca lançou também o Ultra 310R que segue a mesma filosofia. Os dois modelos vem equipados com um motor

se preTende um modelo Topo de gama que combina luxo e alTa velocidade enTão a melhor opÇão é o ulTra 310lx

DOHC de 310 cavalos e quatro cilindros, com injecção de 1,5 litros e resfriamento líquido. Ambos os modelos vêm equipados com uma opção de pilotagem “Cruise Mode”. Neste modo de condução o jet ski consome bem menos combustível o que permite evitar ter de parar para reabastecimento. No pólo oposto, isto é, se a sua opção é mais recreativa e familiar, então a melhor oferta está, provavelmente, nos modelos da Sea Doo Spark que têm como característica principal serem leves, fáceis de pilotar e poderem sere rebocados por um carro pequeno. Uma opção intermédia entre as duas anteriormente referidas, é modelo EX SPORT 1050 da Yamaha, equipado com o premiado motor TR-1, que a é a nova geração dos motores Yamaha, com um design mais compacto, mas sem perder a potência e a qualidade características da marca. O motor é de 4 tempos com 3 cilindros, o que lhe confere grande agilidade e fácil manobra.

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