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E&M_Edição 15_Junho 2019 • Dar crédito ao crédito

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Área 1

Os cOntOrnOs dO negóciO anadarkO Occidental

barclays

bancO cOnsOlida pOsiçãO em altura de mudanças

linha de XitiMa O pOntO da situaçãO de um grande investimentO

lÁ fora a história dO ‘saque’ aO fundO sOberanO

6 Observação

Conferência E&M

a imagem da primeira conferência da economia & Mercado sobre responsabilidade social

8 Radar

Panorama economia, banca, Finanças, Infra-estruturas, Investimento, País

12 Macro

Área 1 os contornos do negócio do ano entre a anadarko, a occidental e a Total

20 nação

BEiRa

20 O crédito ganha... crédito a e&M lança um olhar sobre a evolução do mercado do crédito a empresas e particulares 30 na voz de... Teresa ribeiro, secretária de estado dos Negócios estrangeiros e da cooperação de Portugal

34 ProvÍNcIa

Cabo Delgado a Província do Futuro vive entre a busca do sonho do desenvolvimento e a dura realidade

40 Mercado e FINaNças

Relatório e Contas a análise ao relatório e contas do barclays bank Moçambique

44 EMPresas

Van Reisch a história da primeira marca de relógios moçambicana

56 MegaFoNe

Marketing o que está a acontecer no mundo das marcas em Moçambique e lá por fora

48 fIgura do MÊs

Linha de Xitima orlando Marques, ceo da TML, explica em que ponto está este investimento de 3 mil milhões de dólares

50 socIedade

Correios de Moçambique a estatal tem-se debatido com problemas de tesouraria o que levanta questões sobre o futuro

54 LÁ Fora

angola a história completa do ‘saque’ multimilionário ao fundo soberano

67 ócio

60 Escape uma viagem até à Ilha de Moçambique 62 Gourmet Ficka, um conceito que se prova 63 adega o esporão colheita biológica 64 agenda Música, livros, filmes 65 arte Moçambique na bienal de veneza 66 ao volante o novo F8 da Ferrari

Conferências E&M, um espaço privilegiado de debate de ideias

a economia & mercado (e&m), enquanto veículo de comunicação económica e de negócios que já se tornou numa referência no mercado editorial moçambicano, lançou em Maio último, a primeira de um ciclo anual, ao realizar a conferência dedicada à Responsabilidade Social e Corporativa (RSC) em Moçambique.

Dada a importância da RSC na promoção do desenvolvimento social e económico, foi uma oportunidade para a reflexão profunda e conjunta sobre como as acções de responsabilidade social das empresas que operam em Moçambique têm estado a ser implementadas, bem como debater os desafios e oportunidades que estas mesmas acções apresentam quer para a promoção do tão almejado desenvolvimento sustentável do país, quer para a própria sustentabilidade do negócio das empresas.

Contámos com a presença honrosa de representantes de empresas e instituições, figuras e operadores do mercado nacional que apresentaram as suas visões, políticas, estratégias e investimentos na área da Responsabilidade Social e Corporativa em Moçambique. Auguramos, com a criação das Conferências E&M, uma área especializada da E&M Moçambique direccionada para a organização de fóruns, conferências, seminários, palestras, debates, workshops e outros eventos, construir parcerias que perdurem no tempo, salvaguardando os valores da nossa publicação: Pluralismo de Opinião, Isenção, Profissionalismo e Rigor.

A E&M está, igualmente, a lançar um leque de produtos editoriais direccionados para a publicação de um conjunto de boas práticas, que muitas empresas em actividade no país têm vindo a desenvolver e para o qual tenderemos a contribuir com um espaço editorial, cada vez mais significativo, nas páginas da revista. ‘Porque quem lê, sabe mais.’

MÊS ano • nº 01

Junho 2019 • nº 15 Director

PROPRIEDADE Executive Moçambique

DIRECTOR Iacumba Ali Aiuba

DIRECTORA EDITORIAL GRUPO

EXECUTIVE Ana Filipa Amaro

DIRECTOR EXECUTIVO Pedro Cativelos COnsELhO EDITORIAL

Alda Salomão; António Souto; Narciso Matos; Rogério Samo Gudo

JORnALIsTAs Celso Chambisso; Hermenegildo Langa; Cristina Freire, Elmano Madaíl, Rui Trindade

PAGInAÇÃO José Mundundo

FOTOGRAFIA Jay Garrido

REVIsÃO Manuela Rodrigues dos Santos PRODUÇÃO Executive Moçambique PUBLICIDADE Ana Antunes (Gestora Comercial - Moçambique) ana.antunes@ executive-mozambique.com; iona@iona. pt/contacto@iona.pt (Portugal) ADMInIsTRAÇÃO, REDACÇÃO E PUBLICIDADE Executive Moçambique; Av. Salvador Allende, nº 1039, Bairro Polana Cimento, Maputo – Moçambique; Tel.: +258 21 485 652; Tlm.: +258 84 311 9150; geral@executive-mozambique.com DELEGAÇÃO EM LIsBOA Telheiras, Rua Poeta Bocage, Nº 2 – 1º Escritório D • 1600233 Lisboa • Portugal; Tel. +351 21 381 3566; iona@iona.pt IMPREssÃO E ACABAMEnTO Minerva Print - Maputo - Moçambique TIRAGEM 4 500 exemplares núMERO DE REGIsTO 01/GABINFO-DEPC/2018

propriedade Executive Mocambique Liquatis nienis doluptae velit et magnis enis necatin nam fuga. Henet exceatem seque cus, sum nis nam iu Qui te nullant adis destiosse iusci re in prae voles sant laborendae nihilib uscius sinusam rehentius eos resti dolumqui dolorep reprem vendipid que ea et eumque non nonsent qui officiasi lorem ipsum Executive Mocambique Liquatis nienis doluptae velit et magnis enis necatin nam fuga. Henet exceatem seque cus, sum nis nam iu Qui te nullant adis destiosse iusci re in prae voles sant laborendae nihilib uscius sinusam rehentius eos resti dolumqui dolorep reprem vendipid que ea et eumque non nonsent qui officiasi lorem ipsum Liquatis nienis doluptae velit et magnis enis necatin nam fuga. Henet exceatem seque cus, sum nis nam iu Qui te nullant adis destiosse iusci re in prae voles sant laborendae nihilib uscius sinusam rehentius eos resti dolumqui dolorep reprem vendipid que ea et eumque non nonsent qui officiasi lorem ipsum Liquatis nienis doluptae velit et magnis enis necatin nam fuga. Henet exceatem seque cus, sum nis nam iu Qui te nullant adis destiosse iusci re in prae voles sant laborendae nihilib uscius sinusam rehentius eos resti dolumqui dolorep reprem vendipid que ea et eumque non nonsent qui officiasi lorem ipsum Liquatis nienis doluptae velit et magnis enis necatin nam fuga. Henet exceatem seque cus, sum nis nam iu Qui te nullant adis destiosse iusci re in prae voles sant laborendae nihilib uscius sinusam rehentius eos resti dolumqui dolorep reprem vendipid que ea et eumque non nonsent qui officiasi

observação

maputo, maio de 2019

Responsabilidade

social em debate

A completar um ano de existência em Moçambique, a Economia & Mercado realizou a sua primeira conferência, de um ciclo que se vai prolongar ao longo do ano, dedicada ao tema da Responsabilidade Social e Corporativa com o objectivo de lançar as bases para uma reflexão profunda sobre como as acções de responsabilidade social das empresas que operam em Moçambique têm estado a ser implementadas. Ao longo de três painéis de debate, abordaram-se os desafios que estas acções apresentam, as oportunidades para a promoção dos principais eixos do desenvolvimento sustentável no País e as melhores formas de investir em sustentabilidade em Moçambique.

fotogRAfiA Jay Garrido

RADAR

Finanças

Mpesa. A Vodacom deverá expandir os serviços M-pesa a clientes de outras operadoras de telefonia móvel. A “boa nova” foi anunciada pelo director-geral da Mpesa em Moçambique, Gulamo Nabi, no painel que discutia o tema “Mobile Money: Um contributo para a bancarização”, na Moztech. Não há ainda detalhes sobre os mecanismos de operacionalização, até porque as outras operadoras são provedoras de serviços similares (o Mkesh, da Tmcel e o e-Mola da Movitel). Mas garante que a Vodacom “está a trabalhar” com a entidade de supervisão das telecomunicações (Instituto Nacional das Comunica-

ções de Moçambique) para viabilizar o projecto.

BIG. O capital social do banco BiG Moçambique aumentou em 599,4 milhões de meticais com a entrada de três novos accionistas, nomeadamente as companhias de seguros Hollard e Global Alliance, ambas da África do Sul, e a Empresa Moçambicana de Seguros, disse o administrador executivo do BiG.

Mário Bolota, responsável pela actividade do BIG em África, disse no mês passado, que as três companhias passaram a deter em conjunto 16% do capital social da operação em Moçambique, ficando o grupo com uma participação de 83,99%.

Esta operação elevou o capital social para 1,1 mil milhões de meticais.

HCB lança OperaçãO de venda de 2,5%

dO Capital na BOlsa de valOres

Bolsa. A HCB anunciou o lançamento da OPV de uma primeira tranche de 680 milhões de acções, correspondentes a 2,5% do capital da empresa, que estarão à disposição dos moçambicanos (empresas e pessoas singulares), a um preço de 3 meticais por acção. O objectivo é de dispersar 7.5% (2,06 mil milhões de acções) do capital da hidroeléctrica, sendo que o preço de transacção dos restantes 5% ainda está por definir, visto que “no meio deste percurso, as condições de oferta podem alterar”, segundo

do Japão e a CPC Corporation de Taiwan. O acordo, alcançado em Maio, estipula que o consórcio da Área 1, liderado pela Anadarko, fornecerá 1,6 milhões de toneladas de gás natural liquefeito durante um período de 17 anos, contados a partir do início da exploração comercial dos depósitos.

O contrato eleva para 11,1 milhões de toneladas por ano a quantidade de gás natural liquefeito com destino já garantido.

o PCA da HCB, Pedro Couto. A operação será feita através da Bolsa de Valores de Moçambique (BVM), que conhece assim a maior operação da sua história. Supervisionada pelo Banco Central na qualidade de regulador do mercado de capitais, a OPV será intermediada pelo consórcio formado pelo BCI e pelo banco BIG. O período de subscrição das Acções da Oferta Pública de Venda decorrerá a partir das 8H00 do dia 17 de Junho de 2019 até às 17H00 do dia 12 de Julho de 2019

De acordo com o presidente da ExxonMobil Upstream Oil & Gas Company, Liam Mallon, a aprovação do plano de desenvolvimento (o terceiro) marca mais um passo significativo para se chegar à Decisão Final de Investimento e ao início da construção da fábrica de liquefacção do gás ao longo do presente ano.

eCOnOMia

Inflação. Projecções do Banco de Moçambique (BM) apontam para uma revisão em alta do indicador de custo de vida em 2019, contrariamente às previsões iniciais avançadas em Fevereiro (cerca de 6%). Sem, no entanto, avançar números, este departamento do Banco Central apenas adianta que a inflação manter-se-á em um dígito. O agravamento deste indicador decorre do aumento do preço do petróleo no mercado internacional, choque de oferta causado pelos recentes desastres naturais (ciclones Idai e Kenneth), contínua tendência de depreciação da taxa de câmbio como resultado enerGia

Área 1. A Mozambique LNG1 Company, entidade de vendas dos parceiros da Área 1 da Bacia do Rovuma, assinou um contrato de compra e venda de gás natural com a JERA Co.

Gás. O governo aprovou o plano de desenvolvimento do projecto Rovuma LNG para explorar depósitos de gás natural no poço designado por Mamba, na Área 4 da bacia do Rovuma, informou o grupo italiano ENI em comunicado divulgado em Milão, em Maio passado.

do aumento das importações de bens para assegurar a reconstrução de infra-estruturas nas zonas afectadas pelos desastres naturais, bem como o financiamento da economia em geral.

Comércio externo. Moçambique terá a primeira Lei Portuária, que vai permitir que tome posição dianteira no que diz respeito à logística nos portos e caminhos-de-ferro ao nível da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), visto que o país assume a tarefa de garantir o fluxo dos transportes e comunicações na região.

O anúncio foi feito pelo Ministro dos Transportes e Comunicações, Carlos Mesquita, na abertura do Fórum dos Portos e Caminhos de Ferro da SADC, que teve lugar em Maio passado em Maputo.

Segundo o Ministro, o processo ainda não está muito avançado, sendo que o ante-projecto está em fase de “auscultação junto dos principais intervenientes deste ramo”.

A Lei deverá assegurar, entre outros aspectos, a redução da burocracia e simplificação de procedimentos, para tornar os corredores de transporte mais competitivos e eficientes.

Porto de Maputo. A Sociedade de Desenvolvimento do Porto de Maputo (MPDC), a concessionária do Porto de Maputo, vai negociar com o governo o aumento da área portuária concessionada, para responder à demanda de carga recebida. A projecção é de ampliação da capacidade dos actuais oito para 11 a 12 milhões de tone-

ladas. A Directora Comercial do MPDC, Neusa Saranga, revelou em Maio que a área concessionada pelo Executivo até 2033 está quase esgotada. Neusa Saranga explicou ainda que “o alargamento da infra-estrutura vai melhorar a eficiência da empresa.”

Zona Económica Especial. O Governo aprovou a criação da Zona Económica Especial (ZEE) de Ute, no distrito de Chimbunila, próximo à capital provincial de Niassa, Lichinga, onde será implantado um porto seco e criado um parque industrial para o processamento da matéria-prima agrícola e florestal. A infra-estrutura será instalada numa região estratégica de ponto de vista da logística, já que é atravessada pela linha férrea que liga a Cidade de Lichinga ao Porto de Nacala e pela estrada N14 que permite acesso ao Porto de Pemba.

A ideia é atrair investimentos directos nacionais e estrangeiros para desenvolver rapidamente a mais pobre região do país.

investiMentO

Aviação. Os serviços de aviação do Qatar anunciaram em Maio um investimento de 50 milhões de dólares, nos próximos três anos, para melhorar os serviços disponibilizados aos utentes das Linhas Aéreas de Moçambique (LAM). A empresa vai reconstruir e gerir seis salas de embarque nos aeroportos de Maputo, Beira, Nampula e Pemba, e em Junho inicia as operações no Aeroporto Internacional de Maputo. Esta informação foi prestada pelo director-geral das Linhas Aéreas de Moçambique, João Carlos Pó Jorge, durante a assinatura de Acordos com os Serviços de Aviação do Qatar.

leilãO de prOdUtOs aGrÍCOlas COMO instrUMentO de eMpOderaMentO dOs prOdUtOres

O leilão é um mecanismo económico de negociação caracterizado pela venda de produtos ao público a partir de um preço inicial (lance inicial), e vendido a quem pague o melhor preço.

Sendo o melhor preço que prevalece, a venda de produtos agrícola através de leilão pode constituir uma medida de empoderamento dos produtores, que algumas vezes se sentem forçados a vender os produtos ao primeiro comprador, sendo que, por vezes, o preço não compensa todo o esforço empreendido.

Ciente desta realidade, a Bolsa de Mercadorias de Moçambique (BMM) vê a realização de leilões como parte da sua estratégia para inverter o cenário fazendo, desse modo, jus ao seu papel dinamizador da comercialização de forma ordeira e transparente.

Para o alcance deste desiderato prevê-se a realização de 3 (três ) leilões até o final do ano, sendo um em cada região do país (Sul, Centro e Norte).

Numa forma experimental, foi realizado, em Fevereiro último, um leilão na Província de Cabo Delgado, no Distrito de Ancuabe, na localidade de Nanjua, onde foram à leilão 350 toneladas de produtos diversos, e contou com a presença de 20 (vinte) participantes.

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PME, Empreendedorismo, Inovação e a economia voltada para dentro

em finais da década de 1980, com os novos contornos da globalização, muitos países em vias de desenvolvimento foram palco de transformações estruturais, nos domínios político, económico e social, que ditaram a expansão do modelo de economia de mercado, a crescente relevância das PME e a necessidade de encetar esforços para articular políticas públicas voltadas para esse espectro empresarial. Assistiu-se a um intenso movimento de criação de pequenos negócios, em grande parte por famílias cujos trabalhadores haviam perdido os seus empregos em decorrência da implementação de Programas de Ajustamento Estrutural (PAE) sob o ditame das instituições gémeas de “Bretton Woods” (FMI e Banco Mundial). Existem, ao nível mundial, vários critérios utilizados para a definição de PME, como os baseados no número de empregados, no capital social, na receita bruta, na receita operacional líquida, no grau de sofisticação tecnológica, dentre outros, considerados de forma isolada ou em conjunto. Só tendo em conta o critério relacionado com o número de trabalhadores, verifica-se uma enorme diferenciação, como atesta o facto de nos EUA serem classificadas como tendo 500 funcionários ou menos, na UE até 250 trabalhadores, Taiwan até 250, Coreia do Sul e Japão até 300 trabalhadores.

Para o caso moçambicano, a micro empresa é aquela que tem até quatro trabalhadores e um volume de negócios até 1,2 milhões de meticais, a pequena empresa entre cinco e 49 trabalhadores e um volume de negócios até 14,7 milhões e a média empresa entre 50 e 100 trabalhadores e um volume de negócios até 29,9 milhões. As PME predominam na paisagem económica do país, representando 98,7% do total das empresas, e contribuem com cerca de 28% para o PIB e cerca de 42% para o emprego formal (MIC et al, 2016) .

As empresas de pequena dimensão possuem três grandes contribuições para a economia: A criação de novos postos de trabalho, gerando consequentemente renda e favorecendo o combate à pobreza; são fonte de inovação, o que contribui para o desenvolvimento do talento empreendedor; e adicionam uma maior flexibilidade à estrutura produtiva e promovem

um grande dinamismo na economia (World Bank, 2003). Palermo (2002) aponta também as seguintes vantagens das PME no desenvolvimento económico: (a) a sua capacidade de absorção de significativos contingentes de mão-de-obra, a baixo custo, com menores exigências em termos de qualificações, sendo inclusive uma importante escola de formação para a grande empresa; (b) a considerável participação na geração do PNB e, consequentemente, na estabilidade da economia; (c) a sua contribuição na solução dos desequilíbrios regionais no processo de fortalecimento do interior, dada a sua flexibilidade em termos de localização; e (d) a acção complementar à grande empresa em sectores incompatíveis para a escala da mesma. A forma como as políticas públicas são estruturadas para impactar no desenvolvimento das PME podem fazer toda a diferença, na criação de empregos, no PIB, nas receitas e nas exportações. No Brasil, as PME representam cerca de 43% da renda total dos sectores industrial, comércio e serviços, 30% do PIB, e são responsáveis pelo emprego de cerca de 60% da força de trabalho, 42% da massa salarial e por apenas 2% das exportações. Na China, as PME contribuem com 60% para o PIB, 50% das receitas fiscais, 60% das exportações e empregam 75% dos trabalhadores urbanos (Campos, 2014).

No caso dos países da Áfríca subsaariana, as PME têm uma estrutura mais enxuta em relação ao número de funcionários e espaço físico, sendo que a sua administração é, muitas vezes, familiar. Muitas delas não se organizam de forma adequada e ostentam pouco conhecimento prévio do negócio, algo expresso em taxas de extinção superiores a 35% ao longo dos primeiros dois anos de existência.

Autores como Schumpeter (1997), Martinelli & Joyal (2004), Valá (2012) e Botelho (2014) reconhecem existir uma correlação entre o desenvolvimento local, o empreendedorismo, a inovação e o potenciamento das PME. Nessa esteira, é importante tomar em conta que os desafios do mundo globalizado requerem das empresas ajustes permanentes para assegurar a sua sobrevivência e crescimento e, num mercado dinâmico e competitivo, a inovação é um imperativo para melhorar a gestão e a

As PME precisam de capacitação, financiamento, tempo para crescer e acompanhamento para tirar as boas ideias do papel e transformá-las em produtos e serviços de mercado

administração do negócio e assegurar a sua lucratividade. O contexto em que essas empresas operam mina o seu crescimento e desenvolvimento, sendo paradoxal que muitas PME emergem anualmente, mas também são muitos os registos de falências de empresas desse porte. Isso confirma a tese de que não basta existirem boas ideias e empreendedores motivados persistentes. As PME precisam de capacitação, financiamento, tempo para crescer e adequado acompanhamento, para tirar as boas ideias do papel transformando-as em produtos e serviços demandados pelo mercado. Há uma multiplicidade de factores que entravam o desenvolvimento das PME: (i) deficiente gestão da empresa; (ii) elevada carga tributária, excesso de obrigações e burocracia pesada para licenciamentos; (iii) baixa qualidade da força de trabalho; (iv) deficiências logísticas; (v) falta de capilaridade e de informação; (vi) deficiência de planeamento e análise da lucratividade do negócio (estudo de viabilidade, pesquisa de mercado, plano de negócio, etc); (vii) corrupção; (viii) difícil acesso ao financiamento e mecanismos de crédito não calibrados para as PME; (ix) exiguidade de infra-estruturas e fraqueza dos serviços de apoio ao desenvolvimento de negócios; e (x) fraqueza nas ligações entre as PME e os projectos de grande dimensão (conteúdo local). Criar uma economia voltada para dentro vai implicar uma nova geração de reformas para incorporar no circuito produtivo a energia, a criatividade e o talento que as Micro e PME representam. Não podemos perder de vista que muitas PME actuam na informalidade, representando um autêntico “viveiro de empreendedores e alfobre de futuros empresários”. Se a inovação é reconhecidamente uma força propulsora do crescimento económico, temos de questionar porque é que países como os EUA, Coreia do Sul, Alemanha, Finlândia, Suécia, Japão, Singapura, Áustria, Dinamarca e França estão entre os mais inovadores do mundo e, em contrapartida, o Sudão, Níger, Yémen, Laos, Burundi, Togo, Angola, Costa do

Marfim, Paquistão e Síria estão na lista dos menos inovadores. Afinal onde reside a diferença, porque existe e não pode ser eliminada? Moçambique pode aprender com as lições de países que adoptaram uma abordagem integrada de promoção do desenvolvimento local, empreendedorismo, inovação e PME. É fundamental ter instrumentos de intervenção concretos de apoio às PME, nos distintos domínios, assegurar que as políticas públicas possam adequar-se à realidade dos pequenos negócios, estabelecer incentivos para atrair o sector informal a formalizar-se, reduzir ainda mais a burocracia relacionada com a formalização de negócios, aumentar o acesso a assistência técnica de qualidade e a linhas de crédito específicas para as PME, melhorar a qualidade da formação técnico-profissional, promover a transferência de tecnologia dos centros de investigação para o mercado e induzir as PME a usarem outras alternativas de financiamento, como o mercado de capitais, fundos de capital de risco, entre outras. Para criar um novo dinamismo económico, gerar mais empregos e renda, precisamos de apoiar não apenas as grandes empresas de hoje, mas também as emergentes que serão grandes amanhã. Para o efeito, é vital estabelecer pujantes mecanismos de apoio multiforme às PME lideradas por jovens e mulheres que apostem em TIC, adoptem boas práticas de gestão e governança e estejam orientadas para explorar o potencial económico ainda dormente em Moçambique.

Não tenhamos ilusões: a concepção de Joseph Schumpeter (1997) de associar empreendedores, inovação e desenvolvimento económico, por via da “destruição criativa”, está no ADN das PME que certamente estarão na vanguarda da transformação económica de Moçambique. São elas que terão o papel determinante na mudança de paradigma produtivo e da narrativa de desenvolvimento económico do país, porque promovem a mão-de-obra intensiva, e não apenas os projectos de grande dimensão baseados no capital intensivo.

Há cada vez mais PME mas o número de extinções de empresas como estas também é, ainda, demasiado elevado, o que denota fragilidades na sua actuação

Quem dá mais pela área 1 do gás de moçambiQue?

A Occidental cobriu a proposta da Chevron na batalha pela compra da Anadarko e anunciou a venda da totalidade dos activos em África à francesa Total, e tudo numa altura em que o anúncio FID tem data marcada: dia 18 de Junho

porque é que a chevron, uma das Maiores petrolíferas mundiais, e a Occidental, mais pequena, mas cheia de ambição, lutaram durante cerca de um mês para ficar com a Anadarko? Não foi propriamente por esta ser líder do consórcio da Área 1 de exploração de gás natural em Moçambique, mas por ter importantes exploracções de petróleo na chamada “bacia permiana” nos estados do Texas e Novo México, nos EUA. A Chevron abriu a carteira, puxou por 33 mil milhões de dólares e chegou a acordo com a Anadarko para começar a tratar da aquisição. Em Maputo, as perguntas surgiram: “então e o que vai acontecer com o mega-

Mil Milhões de dólares

É a oferta da occidental, que supera a proposta inicial da chevron pela compra da anadarko, de 33 mil milhões de dólares

projecto da Área 1? Com a exploração de gás da bacia do Rovuma? Com a ‘cidade do gás’ que está a nascer em Palma, no extremo Norte? O que vai acontecer com a fábrica de liquefação e exportação em Afungi?”. Michael Wirth, presidente da Chevron, não foi muito claro. Disse apenas que o projecto ia “adequar-se bem” ao portefólio da empresa. Mas já não vai ser assim porque surgiu a Occidental que ‘atirou’ com 38 mil milhões de dólares para cima da mesa (valor acrescido de acções) e diz que vai a jogo para comprar a Anadarko. Em Maputo, as perguntas cresciam. “Mas isto pode atrasar o projecto da Área 1?

Quanto tempo irá demorar mais esta luta pela multinacional Anadarko?”.

Os primeiros analistas a comentar a proposta disseram que a Oxy (diminutivo pelo qual também é conhecida a Occidental) estava a tentar dar um passo Maior que as pernas. Mas depois mostrou as cartas: afinal contava com o apoio financeiro do milionário norte-americano Warren Buffet, que investiu 10 mil milhões de dólares na petrolífera. E a Occidental disse ainda claramente que quer a Anadarko pela bacia permiana e que os negócios em África - incluindo Moçambique - são para vender à francesa Total, com a qual já estabeleceu um acordo e assim gerar valor. E assim o jogo virou e a Anadarko disse, preto no branco, que prefere o negócio com a Occidental, restando à Chevron quatro dias para cobrir a oferta. Mas não o fez.

Em Maputo havia cada vez mais pontos de interrogação. É então que Al Walker, presidente e director executivo (CEO) da Anadarko, faz uma visita relâmpago à capital moçambicana, a 7 de Maio e, ao lado do Presidente, Filipe Nyusi, anuncia que a Decisão Final de Investimento no Norte está marcada para 18 de Junho, com uma cerimónia em Maputo. Serenaram assim todos os que faziam perguntas em Maputo, pelo menos por enquanto. Se este mês de disputa entre petrolíferas mostrou, uma vez mais, é que, até estar a fluir, muita coisa pode acontecer com o megaprojecto de gás natural que promete prosperidade para Moçambique a partir de 2024.

Quem é o futuro dono da área 1?

O director do departamento de fusões e aquisições da consultora WoodMackenzie elogiou a petrolífera Chevron por ter desistido de comprar a Anadarko. Considerou que se trata de um sinal muito positivo sobre a disciplina financeira da empresa. “O facto de o acordo ser demasiado caro para a Chevron pode levantar algumas preocupações sobre a capacidade da Occidental em criar valor. É possível que haja críticas durante a Assembleia Geral por parte de alguns investidores”, já que “a pressão sobre as contas e o financiamento caro é agora uma realidade para a Occidental, que terá de avançar rapidamente no plano de desinvestimento e integrar o negócio da Anadarko”. Ou seja, a venda da Área 1 de Moçambique à Total deverá ser uma prioridade até ao final do ano. O que leva a outra pergunta: quem é a petrolífera francesa?

A CrOnOlOgIA DA bATAlhA negOCIAl pelA AnADArkO

Apesar das dificuldades em capacitar, atrair e reter força de trabalho competente há alguns indicadores menos maus. Vale a pena lançar um breve olhar sobre eles.

12 de Abril

Chevron anuncia acordo para comprar a Anadarko por cerca de 33 000 milhões de dólares

24 de Abril

Occidental Petroleum faz oferta de 38 000 milhões de dólares

30 de Abril

Anadarko admite que a oferta pode ser “potencialmente superior” à da Chevron

6 de Maio

Occidental revela acordo com a Total para vender activos da Anadarko em África, incluindo Moçambique, por 8,800 milhões de dólares

7 de Maio

Anadarko prefere acordo de fusão com a Occidental

9 de Maio

Chevron desiste de comprar a Anadarko e abre caminho ao negócio com a Occidental

9 de Maio

Occidental quer “assinar o acordo de fusão com a Anadarko o mais rápido possível”

10 de Maio

“A transacção deverá ser concluída no segundo semestre de 2019, sujeita à aprovação dos accionistas da Anadarko, aprovações regulamentares e outras condições habituais”, anunciou a Anadarko.

a Total conhece moçambique.

O logo vermelho, azul e dourado está presente pelo país no negócio dos postos de combustível. Mas a história da empresa no país tem mais capítulos. A Total tem um historial de pesquisa de hidrocarbonetos, actividade em que participou até há três anos, depois de abandonar as áreas 3 e 6 sem descobertas que justificassem investimento. Agora, prepara o regresso à extracção numa altura em que está entre os líderes de produção de gás natural liquefeito (GNL) a nível mundial.

A publicação Africa Energy Intelligence anunciou em Maio, poucos dias depois de a Chevron se afastar da compra da Anadarko, que a Total já tinha destacado executivos para Moçambique, com vista a supervisionar e antever os detalhes relativos à Área 1.

A nível global, a Total é um dos principais grupos mundiais de petróleo. Opera 14 311 estações de serviço em todo o mundo, sendo que a distribuição de derivados de petróleo equivale a 50,8% das suas vendas. A Total também actua na produção de electricidade a partir de centrais a gás de ciclo combinado e energias renováveis, na transformação de químicos e produtos de petróleo, transporte, armazenamento e vendas de gás natural, GNL, GLP e carbono. As vendas líquidas dividem-se geograficamente da seguinte forma: França 22,8%, Europa 47,5%, África 10,6%, América do Norte 10,6% e outras localizações 8,5%.

Total ganha golfinho e atum

O consórcio da Área 1 que, pelo que agora se vislumbra, deverá passar a ser liderado pela Total (nos próximos meses se saberá) vai produzir GNL na Área 1 da Bacia do Rovuma dentro de cinco anos, naquele que será o primeiro projecto de GNL ‘onshore’ em Moçambique. A transferência dos activos para a Total vai acontecer no segundo semestre. O grupo de empresas vai explorar o gás natural encontrado nas profundezas da crosta terrestre, sob o fundo do mar, a 16 quilómetros ao largo da província de Cabo Delgado, nas jazidas Golfinho e Atum, localizadas exclusivamente na Área 1. Depois de extraído, através de furos, o gás será encaminhado por tubagens (sem plataformas no mar) para a zona industrial a construir em terra, na península de Afungi, onde será transformado em líquido e conduzido para navios cargueiros com contentores especiais para exportação. No último ano e meio têm es-

macro

Os relatos de autoridades locais e residentes apontam para, pelo menos, dez mortes registadas em Maio

O anúncio da venda da Área 1 à Total surge numa altura em que se regista um reacendimento dos ataques armados

tado em construção todas as infra-estruturas de apoio, como a aldeia de reassentamento, pista de aviação e uma estrada que liga estas diferentes zonas do empreendimento global.

O plano prevê a instalação de duas linhas de liquefacção, instaladas em terra, e com capacidade de produção de 12,88 milhões de toneladas por ano (mtpa) de gás natural liquefeito. Este projecto inicial abre o caminho para uma importante futura expansão até 50 mtpa. O projecto Golfinho e Atum fornecerá também volumes iniciais de aproximadamente 100 milhões de pés cúbicos de gás natural por dia (MMCFD) para uso doméstico em Moçambique.

Além da Anadarko, que lidera o consórcio com 26,5%, o grupo que explora a Área 1 é constituído pela japonesa Mitsui (20%) e a petrolífera estatal moçambicana ENH (15%), cabendo participações menores à indiana ONGC (10%) e à sua participada Beas (10%), à Bharat Petro Resources (10%) e à tailandesa PTTEP (8,5%).

reacendimento de ataques armados

O anúncio da venda da principal concessionária da Área 1 à Total surge numa altura em que se regista um reacen-

dimento dos ataques armados em Cabo Delgado e uma transição dos homens armados para zonas de asfalto, a interceptar viaturas. Quem conseguirá travar esta ameaça crescente?

Os relatos de autoridades locais e residentes apontam para, pelo menos, dez mortes registadas no mês de Maio, receando-se que a ausência de comunicação de vários casos, a Maioria em locais remotos, possa esconder uma realidade em que o número de vítimas seja Maior. Tal como acontece desde o início dos ataques, em Outubro de 2017, em mesquitas com grupos insurgentes (que renegam à autoridade do Estado e simpatizam com um islão mais rígido), os alvos são sobretudo aldeias no meio do mato. No entanto, a 10 de Maio, dois homens armados, mascarados, cobertos de negro, vieram para a estrada. Dispararam sobre um autocarro de transportes públicos, mataram uma pessoa, feriram outras - entre elas um trabalhador nas obras da Área 1 - e raptaram uma funcionária dos serviços de saúde da província de Cabo Delgado. A Total tem este cenário de violência em cima da mesa e o contexto que já nem é novo: um motorista moçambicano que

Q&A: A TrIbuTAçãO

De MAIs-vAlIAs

Em que momento (ou momentos) e sobre qual valor deverá ser aplicada a tributação?

O tema é conhecido das autoridades. em Dezembro de 2017 a petrolífera italiana eni concluiu a venda de 25% de participação indirecta na Área 4 de exploração de gás natural em Moçambique à norte-americana exxonMobil. Com o negócio de 2,8 mil milhões de dólares, o estado moçambicano arrecadou 354,4 milhões de dólares com a tributação de mais-valias da transacção entre as duas petrolíferas. Sobre a aquisição da Anadarko, tudo depende ainda do desenrolar do processo, referem algumas fontes, até porque, como as últimas semanas provaram, até ao último momento pode haver novidades.

trabalhava para a firma portuguesa Gabriel Couto - uma das dez empresas lusas com actividade registada na província de Cabo Delgado - foi abatido a tiro, em Fevereiro, no mesmo dia em que outros seis trabalhadores ligados às obras ficaram feridos em ataques a viaturas. Na altura, a petrolífera Anadarko suspendeu os trabalhos por falta de condições de segurança.

O ataque de dia 17 de Maio aconteceu três dias depois de a empresa ter anunciado que ia retomar os trabalhos e que no dia 18 de Junho vai formalizar a Decisão Final de Investimento.

Numa reacção ao ataque de 10 de Maio, a petrolífera Anadarko disse estar a trabalhar com o Governo para averiguar o que se passou. “Estamos cientes de um incidente recente que ocorreu na província de Cabo Delgado, mas não parece que esteja relacionado com o projecto”, referiu fonte oficial da empresa. “Estamos a trabalhar com o Governo com vista à obtenção de uma melhor compreensão do que aconteceu”, acrescentou, sem adiantar mais detalhes. “Levamos a segurança do nosso pessoal muito a sério e, por essa razão, não discutimos medidas” nessa área, concluiu.

TexTO Luís Fonseca serviço especiaL da Lusa para a e&M fOTOgrAfiA Lusa

Net aiNda é cara em moçambique

se, por um lado, dez dos 50 países mais baratos do mundo para dados móveis estão na África Subsaariana, quatro dos cinco mercados mais caros para aceder à net também estão na região, o que denota, e o termo vem a calhar, várias velocidades a este respeito. No estudo ‘Worldwide mobile data pricing: The cost of 1GB of mobile data in 230 countries’, publicado pela Cable.co.uk, em Abril passado, Moçambique encontra-se num meio termo. Regista uma evolução significativa nos últimos anos, mas o preço médio por gigabyte de internet ainda é elevado (15,82 dólares), estando na posição 203 a nível mundial, e muito distante da liderança ocupada pela Índia, onde comprar dados móveis tem um custo médio de 26 cêntimos de dólar por giga. Aqui bem perto, no Zimbábue, está o lugar mais caro do mundo para se frequentar a internet, com um custo médio de 75,20 dólares por gigabyte.

estados unidos

Ao contrário do que seria de esperar, é uma das nações mais caras para a aquisição de dados móveis, quedandose pela 182ª posição em 230 países analisados, e com uma média de 12,37 dólares por gigabyte.

África Subsaariana

Região funciona a duas velocidades: Ruanda e Sudão figuram entre os dez primeiros do mundo, com 1 GB de dados a custar apenas 0,56 e 0,68 dólares respectivamente. Mas, é também aqui que está nação mais cara do mundo em dados móveis: o Zimbábue onde o giga mais caro chega aos 138,46 dólares.

203º moçambique

Quatro dos cinco países mais caros para comprar dados móveis estão na África subsaariana mas Moçambique nem é um deles. Apesar disso, muito há a melhorar. Posição no ranking 203º

Preço médio 1GB 15,82$

Preço 1GB mais baixo 0,80$

Preço 1GB mais caro 55,84$

Nº de planos de oferta 34

É o último da lista e o mais caro país do mundo ao nível dos preços de dados móveis. No país vizinho, o custo médio de 1GB chega aos 75,20 dólares, cerca de 289 vezes o custo médio registado na Índia.

ÁSia

Os países asiáticos ocupam metade da tabela dos 20 mais baratos do mundo. Com a Índia no topo da lista, o preço médio também é menor que um dólar no Sri Lanka, Mongólia, Mianmar e Bangladesh. No outro extremo da tabela, pode ser surpreendente ver uma nação tecnologicamente tão avançada como a Coreia do Sul, com os valores dos dados móveis entre os mais caros a nível global (custam 15,12 dólares, quase o mesmo do que em Moçambique em que chegam aos 15,82). Grandes economias como Japão e China também estão entre as mais caras da Ásia.

1º Índia

Um país cuja população jovem tem uma consciência tecnológica particularmente evoluída, a Índia oferece um mercado vibrante de smartphones, com forte tendência concorrencial, com reflexos no preço o que torna os dados incrivelmente baratos.

Valores em dólares; Dados recolhidos em Moçambique a 13 de Novembro de 2018. FONTE: Estudo ‘Worldwide mobile data pricing: The cost of 1GB of mobile data in 230 countries’

PME: Como aumentar as possibilidades de acesso ao financiamento da Banca?

Sábado Tomucene • Head of Wholesale Credit no Barclays Bank Mozambique as restrições ou dificuldades que as PME enfrentam para aceder ao financiamento da banca comercial representam um desafio à escala global que também se aplica a Moçambique. Os bancos tȇm plena consciência do tema, facto que é evidenciado pelo reduzido peso do portefólio das PME nas carteiras totais de crédito dos bancos comerciais locais (que varia entre 1% e 15%). Esta métrica reflecte o baixo apetite dos bancos para com o risco associado a este segmento e as dificuldades para analisar a capacidade de endividamento das PME. No que diz respeito às dificuldades enfrentadas, a falta de informação financeira organizada tem sido apontada como o principal problema que inibe os bancos em conceder financiamentos às PME. Porém, apesar da importância inquestionável da informação financeira na avaliação da capacidade de reembolso dos clientes, este não é necessariamente o factor único para este reduzido apetite. Neste artigo, trago algumas sugestões que podem ajudar as PME que operam no mercado nacional a aceder a financiamentos bancários: Reforço do Formalismo, Reforço da Transparência, Reforço do Relacionamento com o banco parceiro, Compromisso com o Negócio e a Capitalização da Cadeia de Valor em que se encontra a operar. Outra verdade é que os bancos comerciais são organizações com fins lucrativos, tendo a gestão de risco como pilar fundamental do seu negócio e os recursos financeiros provenientes dos depositantes e dos seus investidores (accionistas e financiadores) como a principal mercadoria no âmbito da sua actividade creditícia. A minha experiência de quase dez anos a trabalhar na área de crédito às empresas leva-me a concluir que quanto maiores elas forem, maiores são as facilidades de aceder aos financiamentos bancários. Este cenário não deriva necessariamente do facto dessas empresas serem maiores, mas sim da facilidade com que os bancos conseguem tomar a decisão de conceder (ou não) os financiamentos solicitados. A banca comercial tem clara consciência da pouca importância (infelizmente) que a informação financeira organizada recebe dos operadores das PME. Porém, apesar da sua importância vital, a sua ausência não é necessariamente condição para ver restringida as possibilidades de acesso ao crédito

bancário. A realidade encontrada no mundo das grandes empresas (especialmente no que diz respeito à informação qualitativa ou alternativas) pode ser replicada pelas PME na sua relação com os bancos e, desta forma, aumentar suas possibilidades de acesso aos financiamentos quando necessário. Reforço do formalismo – Quanto maior for a empresa, maior tem sido a tendência da mesma operar em ambiente de legalidade. Não se pode esperar que o banco possa assinar um contrato com uma entidade sem personalidade jurídica legalmente válida. Esta exigência é eventualmente uma das grandes barreiras que afasta as PME da banca comercial. Reforço da transparência – O banco precisa de entender o negócio do cliente, tanto no que se refere ao ciclo económico como ao ciclo financeiro do negócio. Este entendimento facilmente pode ser conseguido nas grandes empresas, ou seja, a assimetria de informação entre o cliente e o banco geralmente tende a reduzir quanto maior for a empresa.

Reforço de relacionamento – A concessão de crédito está baseada na confiança que o banco deposita num cliente sobre a sua vontade e capacidade de reembolsar os valores financiados. A narrativa partilhada deve ser reforçada por evidências concretas, sobretudo o histórico que se constrói com o tempo do relacionamento cliente-banco.

Conduta da conta: A quase totalidade dos relacionamentos entre o banco e o cliente começa com os depósitos. Diferentemente das grandes empresas onde a qualidade de informação quantitiva aumenta com a grandeza da empresa, para as PMEs, os depósitos podem ser um elemento crucial para visualizar o ciclo financeiro do negócio.

Experiência positiva: Como o cliente espera ter uma experiência positiva na sua relação com o seu banco, este espera o mesmo dos seus clientes. Satisfazer com rigor os compromissos assumidos e o dever de informar antecipadamente sempre que estiver perante uma situação de potencial quebra desses eleva, sobremaneira, a pontuação do cliente e fidelização da relação para futuras necessidades.

Compromisso com o negócio: A questão é até onde os empresários neste segmento estão dispostos a ir em nome dos seus negócios? O comportamento do empresário perante

A banca comercial tem clara consciência da pouca importância (infelizmente) que a informação financeira organizada recebe dos operadores das PME

o seu negócio pode sinalizar riscos (ou não) ao banco. Explorar a cadeia de valor das grandes empresas: estas PME que fornecem bens e serviços a grandes empresas tȇm a opção de descontar as facturas emitidas, as ordens de compra recebidas ou obter linhas de crédito flexíveis com a consignação das receitas de contratos celebrados para fornecimento de bens ou prestação de serviços. Estas soluções (que se enquadram no Supplier Finance – designação em inglês) existem nos bancos. No que se refere às PME que actuam a jusante (distribuição), também existem possibilidades de acesso aos financiamentos alavancando a relação existente com grandes empresas, nomeadamente: 1) Garantias bancárias de pagamento para compras a crédito e, desta forma, reduzir a pressão sobre a tesouraria da empresa; 2) Linhas de crédito flexíveis para compras a pronto pagamento – sob forma de descobertos ou de empréstimos de curto prazo – alinhadas com o ciclo de tesouraria do negócio. Escolha do produto de crédito: a escolha do produto deve estar estritamente alinhada com as necessidades do negócio que levam o cliente a solicitar o financiamento. O que se nota muitas das vezes é que os empresários tendem a acomodar-se em linhas que lhes conferem a comodidade a curto prazo sem observar o impacto a médio e longo prazo. Por exemplo, um descoberto bancário é um produto preferido que confere tal comodidade, pelo facto de permitir um serviço de dívida limitado apenas aos juros mensais, tirando a pressão de amortização do capital no imediato. Por outro lado, as empresas tendem a usar as disponibilidades nas linhas flexíveis para fins que não estão no âmbito do contrato celebrado. Como resultado, os fundos ficam empatados, criando constrangimentos ao próprio negócio. Em última instância, estas situações impactamnaclassificaçãocomportamentaldoclientepelobanco. Uma indicação objectiva sobre o real propósito do financiamento pode ajudar na avaliação da racionalidade e alinhamento das necessidades com o melhor produto a usar. Conclusão: A falta de informação objectiva sobre o negócio (ou projecto) e as necessidades associadas aos financiamentos contribuem sobremaneira para as dificuldades enfrentadas pelas PME na intenção de obter apoio financeiro dos bancos. A ausência de informação financeira organizada não é a única limitação, pois existem outras formas de aumentar as possibilidades de acederem a financiamentos, baseada na qualidade de informação e do relacionamento com o banco parceiro.

Nação Crédito

Dar créDito... ao créDito

A importância do crédito como propulsor de crescimento económico mas, sobretudo, do desenvolvimento é um dado adquirido. O problema está em criar o enquadramento para o fazer... desenvolver-se, baseado numa estrutura dotada de recursos em termos de volumes, prazos, taxas de juros e fornecedores. Um ecossistema que, em Moçambique, ainda tem tantas pontas soltas, como becos sem saída. Mas o cenário está a mudar e já há sinais disso, no aumento do crédito ao consumo e nos produtos direccionados às PME

os bancos tȇm plena consciência do tema, algo que é evidenciado pelo ‘peso pluma’ das PME nas carteiras totais de crédito da banca de retalho (que varia entre 1% e 15%).

As PME desempenham um papel importante no desenvolvimento económico do país. As estatísticas são conhecidas, e mostram que elas constituem 98,7% do total das empresas em actividade, proporcionando a grande maioria das oportunidades de emprego no país.

De acordo com o Banco de Moçambique (BdM), o sector de microfinanças conta com mais de 300 instituições, embora a grande maioria não esteja, de facto, activa. Há também dois bancos comerciais que têm como alvo o sector de microfinanças, o Socremo e o Banco Oportunidade. “De acordo com o registo

do banco central, as instituições de microfinanças (IMFs) incluem dez micro bancos, oito cooperativas de crédito, 12 organizações de poupança e empréstimos e 285 operadores de microcrédito, que incluem cooperativas e organizações de base comunitária, como as associações de finanças rurais e Associações Cooperativas de Crédito (ASCAs), conhecido em Moçambique como crédito rotativo e grupos de poupança)”, descreve Oldemiro Belchior – Head of credit risk do banco Moza, que escreveu um livro sobre acesso ao financiamento das PME em 2015.

“Os quatro bancos comerciais que operam no sector fazem empréstimos maiores para menos clientes. As instituições que se concentram na extremidade inferior do mercado servem a maioria

3,7

mil milhões de meticais é o volume de crédito concedido a empresas nos dois primeiros meses do ano

dos clientes, que respondem por 46% dos clientes activos.” A E&M foi pesquisar nos websites das principais instituições financeiras. Boa parte delas tem iniciativas e produtos na área do crédito às PME (do adiantamento de facturas a contas caucionadas, por exemplo), mas são, ainda hoje, iniciativas isoladas, que impossibilitam uma avaliação mais global.

Surge então a questão: a oferta destes produtos de crédito é adequada e suficiente para promover o desenvolvimento de forma uniforme do sector empresarial? A resposta é ampla. Há essencialmente quatro grandes formas de financiamento à economia: Financiamento Estruturado, Mercado de Capitais, Capital de Risco e Fundos de Desenvolvimento e de Garantia. O Ministério das Finanças,

Nação

O créditO

depois de em 2017 o crédito ao sector privado ter registado uma redução acentuada, em 2018 assistiu-se a uma relativa recuperação deste agregado

Em milhares de milhões de meticais

219,8

Crédito

a distribuição do crédito por sectores de actividade mostra um crescimento do crédito à indústria transformadora (27%), particulares (6,2%) e turismo (9,0%)

Em milhares de milhões de meticais

energia, gás, água pescas turismo habitação agricultura

indústria extractiva indústria transformadora transportes e comunicações comércio particulares outros

liderado por Adriano Maleiane, seguiu uma estratégia iniciada em 2015 quando a economia dava sinais de abrandar. “As acções ou reformas que foram feitas para facilitar o acesso ao crédito passaram, numa primeira fase, pela construção de filiais do Banco Central em todas as províncias do país com vista à redução do custo de transporte de numerário e supervisão preventiva das instituições de crédito. Depois, a criação da SIMO-Sociedade Interbancária de Moçambique, de um banco de desenvolvimento (BNI) como instrumento do Estado para o financiamento, a extensão de fornecimento

27%

Foi quanto cresceu o crédito concedido à indústria transFormadora no ano passado. a tendência mantémse este ano

de energia a todos os distritos do país e a introdução da prime rate única que traz uma maior transparência na sua determinação”.

Feita a base, falta o resto: “Agora há que dinamizar o funcionamento do mercado primário de títulos, proceder à criação de mais Sociedades de Capital de Risco, estimular o desenvolvimento de produtos derivados especialmente para cobertura da taxa de juro e de câmbio, criar uma Central de Registo do Crédito Comercial e acentuar o papel do Estado na redução de riscos e incerteza através da criação de um bom ambiente de negó-

FONTE Banco de Moçambique (BdM)
indústria transformadora foi a que mais cresceu ao nível da concessão de crédito, em 2018

cios, partilhando alguns dos riscos com os bancos. Devemos também estabelecer incubadoras de negócios e unidades de transformação do sector informal em formal.” Claro que o abrandamento económico que se viveu desde 2015 não ajudou os níveis de crédito à economia a crescer. Bem pelo contrário. Eles contraíram até ao ano passado nos cinco maiores bancos nacionais (BCI, Millennium bim, Standard Bank, Barclays Bank e Moza) embora menos do que em anos anteriores e, nos casos do Moza e do Barclays, até ter aumentado, pela primeira vez em largos anos de análise.

ano novo, crédito novo No entanto, o início deste ano trouxe algumas boas notícias, especialmente nos volumes de crédito concedido ao sector privado, que ilustram uma tendência para a recuperação, contrariando a trajectória negativa de anos anteriores marcados por um grande volume de emissões de títulos de dívida pública, com vista ao financiamento do défice das contas do Estado. Nos primeiros dois meses do ano, o crédito concedido às empresas públicas e privadas foi de cerca de 3,7 mil milhões de meticais, com o endividamento do sector privado a situar-se nos 2,5 mil milhões de me-

Nação Crédito ao

ticais, um incremento em 1,3%, e o ramo empresarial públicos não financeiro a registar um fluxo de 1,2 mil milhões de meticais, mais 8% do que no período homólogo.

O Banco de Moçambique refere que a melhoria deste indicador reflecte “a redução das taxas de juro dos empréstimos e o aumento da confiança do sector empresarial. O BdM reviu em baixa, no ano passado, a taxa MIMO por quatro vezes, num total acumulado de 525 pontos base (pb), para 14,25%, e incrementou o coeficiente de RO para os passivos em moeda estrangeira em 1 300 pb, para 27%, no fecho de 2018. Em linha com a queda da taxa MIMO, as demais taxas de juro do Mercado Monetário Interbancário (MMI) e as taxas de juro praticadas pelos bancos comerciais nas transacções com o público também

reduziram. Assim, a queda das taxas de juro, associada ao pagamento dos atrasados de bens e serviços públicos pelo Estado na parte final do ano, permitiu reforçar a capacidade financeira das empresas, contribuindo para a relativa recuperação do crédito bancário à economia, num contexto de queda do crédito malparado.”

No entanto, e ainda de acordo com o Banco Central, o crédito às famílias continua desfavorável ao aumento do consumo, a avaliar pelo seu elevado grau de endividamento e pelos níveis das taxas de juro de empréstimos. Concretamente, entre Janeiro e Fevereiro, o crédito bancário às famílias foi de apenas 295 milhões de meticais (mesmo assim, regista uma apreciação face ao ano passado). Depois de em 2017 o crédito

“Queda das taxas de juro, associada ao pagamento dos atrasados de bens e serviços públicos pelo Estado na parte final do ano, permitiu reforçar a capacidade financeira das empresas”

ao sector privado ter registado uma redução acentuada, em linha com uma procura agregada inexpressiva, em 2018 assistiu-se a uma relativa recuperação deste agregado, ao apresentar um fluxo acumulado de -5 800 milhões de meticais (-2,6%), após -35 398 milhões de meticais (-13.6%) um ano antes. Em termos de moeda, a componente em moeda estrangeira reduziu em 5 217 milhões de meticais (o equivalente a menos 118,5 milhões de dólares), perante menos 583 milhões de meticais do crédito concedido em moeda nacional.

A distribuição do crédito por sectores de actividade mostra um crescimento do crédito para a indústria transformadora (27%), particulares (6,2%) e turismo (9%), perante uma manutenção do saldo da indústria extractiva, sectores

Banco central tem reduzido as taxas de juro consistentemente, tentando impulsionar o crédito

Nação

2018: EMPrEsAs cOM MAis créditO...

Primeiros dois meses do ano mostram aumento

Em milhares de milhões de meticais

crédito a empresas

crédito ao consumo

Crédito malparado fez abrandar o mercado

Em milhares de milhões de meticais

Empresas Particulares

Públicas

FONTE Banco de Moçambique (BdM)

que também impulsionaram o crescimento do PIB em 2018. Os restantes continuam, ainda, com variações negativas. Adicionalmente, o sector privado recebeu financiamento externo no valor de 1 667 milhões de dólares dos quais 922 milhões foram contratados pelos grandes projectos e 745 milhões de dólares pela restante economia (um incremento de 590 milhões face a 2017). No mesmo período, os reembolsos totalizaram 227 milhões de dólares.

Assim, em 2018, o rácio do crédito face ao PIB reduziu ligeiramente e o dos depósitos aumentou, facto a que o BdM associa “a acção da moeda electrónica (M-Pesa, mKesh e e-Mola) que nos últimos anos tem vindo a retirar parte do numerário em circulação.”

Martin Mandivenga, cEO da Britam, fala de um seguro desenhado para “impulsionar” o crédito às PME

a importância das seguradoras

As companhias de seguros desempenham igualmente um papel importante dentro do ecossistema de financiamento das PME de duas formas principais: protegem-nas de perdas, compartilham os riscos com os credores e podem (ou deveriam) criar produtos para melhorar o seu perfil de risco, geralmente no apoio às actividades de crédito. No entanto, isso pouco acontece no mercado nacional. A Britam será uma das excepções a essa lógica. Com o lançamento do Seguro de Crédito Comercial em Moçambique, a seguradora lança um produto a que apelida de “missing link” entre a banca e as empresas, nomeadamente as PME em busca de crédito mais acessível. “Este seguro é

não é só a banca que tem um papel principal no aumento da concessão de crédito à economia, mas também as seguradoras

uma protecção contra o risco de não pagamento quando os fornecedores concedem condições de crédito aos clientes em que a Britam indemniza entre 80% a 90% pela perda financeira gerada pelo não pagamento das facturas. Os fornecedores podem conceder prazos de crédito a clientes locais e estrangeiros e o Seguro de Crédito Comercial pode fornecer cobertura independentemente da domiciliação do comprador. É estruturado de tal forma que se adapta à estrutura de negócios do fornecedor e, portanto, podemos fazer uma apólice à medida. A oferta de produtos inclui o Seguro de Crédito para o Comércio doméstico, de exportação, de desconto e, ou, compra de facturas e de financialmento à cadeia de suprimentos”,

explica Miguel Jóia, consultor especialista da seguradora. “Somos a primeira companhia no mercado a oferecer esta solução. No seguro sobre o adiantamento de facturas, por exemplo, temos já uma base de dados das grandes empresas e dos seus níveis de rating. Se temos um fornecedor que tem uma factura para receber e uma empresa de ‘rating A’, nós asseguramos esse crédito junto do banco. O grande factor diferenciador aqui é que, por um lado, as PME vêem facilitada a cobertura do seu crédito e os bancos, por outro, asseguram uma garantia nos empréstimos”, explica Martin Mandivenga, CEO da seguradora em Moçambique. O seguro abrange um conjunto amplo de serviços: a falha de um comprador em pagar uma dívida segurada in-

discutível relacionada com bens ou serviços para os quais o devedor aceitou a entrega a seis meses, a contar da data de vencimento. Depois, há um Seguro de Crédito para Compra de Recebíveis (Factoring ou Desconto de Facturas) em que a apólice é destinada aos bancos dispostos a liquidar facturas de fornecedores antes da data de vencimento. E há ainda um Seguro de Crédito de Supply Chain Finance com apólice direccionada a Bancos que desejam liquidar facturas de fornecedores antes da data de vencimento. “A Britam monitora e envolve os devedores segurados, e usa a experiência de outros fornecedores para aconselhar o fornecedor, caso o risco de crédito do comprador se deteriore durante o prazo da apólice. Este seguro de crédito

Bancos, seguradoras e empresas devem trabalhar juntas no sentido de se criar um verdadeiro ecossistema financeiro que propicie o aumento do volume de crédito concedido, especialmente às PME nacionais

dá ao segurado a confiança necessária para explorar oportunidades de negócios de maior risco, que normalmente evitariam por medo de não pagamento e protege o fluxo de caixa do segurado. E o titular da apólice economiza custos ao investigar os seus devedores, já que isso será feito pela seguradora”, prossegue.

resolver malparado

Claro que um dos eixos insuficientes do mercado era a incapacidade de cobrança de malparado. As dificuldades são bem conhecidas do sistema financeiro. O que levava José Reino da Costa, PCE do Millennium bim, a incorporar a opinião de tantos outros gestores bancários, quando recentemente, em entrevista à E&M, dizia que “antes do mais, as empresas

Nação

POr OndE crEscE O créditO

Há várias opções em cima da mesa das PME nacionais

financiamento Estruturado

efectuado com base em fluxos de caixa e apresentação de relatórios financeiros e histórico da empresa.

Mercado de capitais

iPo’s, oPv ’s, oPa’s, oPd’s de acções; obrigações; papel comercial; instrumentos financeiros híbridos. tem a vantagem da transparência, credibilidade e reputação empresarial; reforço de liquidez; alargamento da base accionista.

capital de risco

reforço da estrutura financeira da empresa; facilitação do acesso a outras fontes de financiamento; sinalização sobre a credibilidade da empresa; acesso a assistência técnica; partilha de risco com o financiador.

fundos de desenvolvimento e garantia

estruturação e bancabilização dos projectos de micro e pequenos empreendedores; financiamento de projectos a taxas bonificadas; fundos de garantia de crédito. tem a vantagem da viabilização de projectos com baixa viabilidade financeira, mas com elevada viabilidade social com vista à inclusão financeira e com taxas de juros bonificadas.

Crédito ao investimento

devem gerir as suas operações com base no valor gerado e não apenas recorrendo ao crédito bancário”. E, de facto, foi o que muitas fizeram, o que levou o malparado dos principais bancos para níveis insustentáveis nos últimos anos. Situado abaixo dos 6% em Dezembro de 2016 o Rácio de Crédito em Incumprimento (NPL) disparou atingindo um pico de 13,8% no último trimestre de 2017, tendo fechado o ano na casa dos 12%.

Também por isso, surgiram, nos útimos anos, algumas empresas de recuperação de crédito, como a WST - We Solve That ou, desde 2015, a Octus. Celso Poio sempre trabalhou na banca e nas telecomunicações nos departamentos de crédito, o que naturalmente o levou à percepção de que parte importante do que a banca considerava perdida era recuperável. “Havia ali uma grande oportunidade”. Foi por isso

que criou a Octus, uma empresa de recuperação de crédito. O primeiro cliente foi o Moza Banco, tendo-se seguido outros grandes clientes, como o Millennium bim. E não ficou por aqui, trabalhando na recuperação de activos de grandes empresas como a CDM, por exemplo. “As taxas de sucesso na recuperação de crédito são elevadas num processo que envolve duas etapas: o rastreamento (procura pelo devedor) e a cobrança (recuperação). Ocorre que, na maior parte dos casos, chegam à Octus situações em que se perdeu o rasto ao cliente e esta etapa é a mais difícil. É por isso que, na cobrança, a Octus fica com uma percentagem que pode ir até aos 39% do crédito do devedor”, explica o gestor. Graças a este sucesso, a empresa deu um salto para uma carteira de 700 milhões de meticais de crédito malparado, desde o início das operações.

Foram também as dificuldades do mercado que levaram ao surgimento, também recente, da Compuscan, o primeiro bureau de crédito. “Os bureaus de crédito fornecem dados e informações ajudando a prever riscos e a reduzir fraudes, através de relatórios, pontuações de crédito, verificações de identidade, avaliações de acessibilidade”, explica Lara Cangi, responsável da empresa em Moçambique. Taxas de juro a baixar, PME mais bem preparadas, seguros sobre o crédito, informação interligada e completa e novos instrumentos de recuperação do malparado levam a pensar que o panorama do crédito, especialmente às PME, só pode vir a melhorar.

Garrido & istoCk Photo
celso Poio, director geral da Octus. diz que a “recuperação de crédito torna-se um mercado apetecível”

“é importante aliar o investimento público ao privado”

Secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação de Portugal

moçambique, Portugal e Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) assinaram, em Novembro passado, o Compacto Lusófono, um instrumento que dá acesso a financiamentos do BAD combinados com garantias da Sociedade para o Financiamento do Desenvolvimento (SOFID). Assim, cerca de 400 milhões de euros em garantias serão destinados a apoiar o desenvolvimento de 25 projectos de investimento transformadores da economia, direccionados a PME a actuar em sectores estruturantes como a Educação, Turismo, Energia, Agricultura e Infra-Estruturas. Teresa Ribeiro, Secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação de Portugal, explica à E&M o que representa este instrumento financeiro e como pode ajudar a economia nacional a atingir os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável fixados na Agenda 2030 das Nações Unidas.

O que mudou, em termos de financiamento da cooperação para o desenvolvimento, com a Agenda 2030?

A Ajuda Pública ao Desenvolvimento (APD), assente em recursos públicos dos Estados doadores, foi, até 2015, a grande fonte de financiamento da Cooperação para o Desenvolvimento. Mas a agenda 2030, ao consagrar 17 Objectivos de Desenvolvimento Sustentável, veio alterar as necessidades de financiamento. A APD representa anualmente, no conjunto dos doadores, algo como 148 mil milhões de dólares. Para executar a Agenda 2030 é necessário um valor entre 3,3 mil milhões a 5,5 mil milhões de dólares por ano. Para isso, e porque a ajuda tradicional dos doadores não chega, temos de recorrer ao investimento privado,

Há qUATRO PILARES vITAIS EM qUE ASSENTA O COMPACTO LUSóFONO: ASSISTêNCIA TéCNICA, PASSO ESSENCIAL PARA AvALIAR A BANCABILIDADE DO PROjECTO, MITIgAçãO DE RISCO, PORqUE ESTAMOS A INvESTIR EM PAíSES POR vEzES COM RISCO ELEvADO, FINANCIAMENTO E DISSEMINAçãO DE OPORTUNIDADES, O qUE PODERá vIR A SER UMA ESPéCIE DE FóRUM PARA TROCA DE ExPERIêNCIAS E PARTILHA DE LIçõES APRENDIDAS

se queremos criar uma dinâmica progressiva e de prosperidade nos países nossos parceiros de cooperação.

E qual o papel da Ajuda Pública ao Desenvolvimento neste novo paradigma? Continuará a ser fundamental, investindo em Educação, Saúde, Capacitação Institucional, na boa governação e no estabelecimento de um ambiente de negócios favorável ao investimento. é importante associar o investimento público ao privado e a políticas públicas coerentes. Só assim podemos enfrentar os grandes desafios do desenvolvimento sustentável.

É assim que nasce o Compacto Lusófono?

Ele nasce de uma visita que o Presidente do BAD, Akinwumi Adesina, fez a Portugal em 2018. Atendendo às características da instituição, com especiais responsabilidades em áfrica e olhando para os países que, no continente falam português, percebemos que os elementos comuns entre os PALOP permitiriam sinergias interessantes. Assim, assinámos a primeira declaração de intenções na Cimeira do Sal, em Cabo verde, em julho de 2018. E em Novembro do mesmo ano, no contexto do African Investment Forum, assinámos o Compacto Lusófono.

Quais são as características deste novo instrumento financeiro?

Assenta em quatro pilares vitais: assistência técnica, passo essencial para avaliar a bancabilidade do projecto, mitigação de risco, porque estamos a investir em países por vezes com risco elevado, financiamento e disseminação de oportunidades, o que poderá vir a ser uma

Na voz de...

espécie de fórum para troca de experiências e partilha de lições aprendidas.

Moçambique foi o primeiro país a aderir ao Compacto. Porquê?

Sim, em Março estive em Moçambique em visita oficial, e foi realizada a assinatura do Compacto específico para o país, entre Portugal, o vice-Presidente do BAD, Mateus Magala, um entusiasta deste instrumento financeiro, e o Ministro das Finanças de Moçambique, Adriano Maleiane. A assinatura foi também simbolicamente realizada numa sessão, com a participação maciça de empresários moçambicanos, portugueses e luso-moçambicanos, organizada pela Câmara de Comércio Moçambique-Portugal.

E como é que Portugal participa? Portugal manifestou disponibilidade para mobilizar diversos instrumentos em prol da concretização do Compacto Lusófono, seja através de assistências técnicas, seja pela mobilização de financiamento ou outros apoios ao investimento privado. A Sociedade para o Financiamento do Desenvolvimento terá aqui um papel fundamental na mobilização dos instrumentos e no desenvolvimento dos projectos que são apresentados ao BAD. Por outro lado, Portugal inscreveu no seu Orçamento deste ano 400 milhões em garantias para projectos no âmbito do Compacto, permitindo assim que o Banco Africano de Desenvolvimento vá mais longe no seu financiamento. Pretendemos promover as condições para que apareçam bons projectos de investimento privado nos países lusófonos em áfrica. Muitas vezes o problema do desenvolvimento sustentável não é financiamento, é a falta de bons projectos que sejam consistentes na criação de emprego.

Como se realizam as candidaturas? já há vários projectos apresentados em sectores como a educação, turismo, energia, agricultura e infra-estruturas. Terão agora de ser trabalhados com os investidores, com o governo moçambicano e com os financiadores para que sejam devidamente estruturados. Este é um trabalho que está em curso.

Quem vai gerir o financiamento?

Os projectos apresentados para financiamento no âmbito do Compacto, através da SOFID ou via Banco Africano de Desenvolvimento, serão acompanhados pelas estruturas destas instituições

”PORTUgAL INSCREvEU NO SEU ORçAMENTO DESTE ANO 400 MILHõES EM gARANTIAS PARA PROjECTOS NO âMBITO DO COMPACTO, PERMITINDO ASSIM qUE O BAD vá MAIS LONgE NO SEU FINANCIAMENTO”

localmente, mas também em Abidjan e em Lisboa, dando todo o apoio aos investidores.

Podem estes projectos ajudar à recuperação económica de Moçambique? Moçambique só tem a ganhar com o investimento privado, sobretudo nesta fase de reconstrução pós-ciclones, e nesse sentido o Compacto pode ser uma grande oportunidade para o país e para a reconstrução das zonas afectadas. Será possível recuperar habitações e infra-estruturas e tornar a agricultura mais resiliente, estudada para resistir às alterações climáticas que fustigam o país. O Compacto surge num momento importante para Moçambique, foi assinado na véspera da passagem do ciclone Idai, acredito que vá criar esperança.

Portugal mobilizou-se na ajuda a Moçambique, há noção do volume total dessa ajuda?

Enviámos para Moçambique ajuda de emergência, equipas de resgate e salvamento e equipas médicas que ainda estão no terreno, bem como muito material.

Ainda não apurámos os valores totais mas creio que podemos considerar que, no imediato, terão sido cerca de 4 milhões de euros em ajuda de emergência e humanitária. E continuamos presentes na fase de reconstrução, na reabilitação das escolas, postos de saúde, agricultura, infra-estruturas, mas também na revitalização da actividade económica e na recuperação de empresas, através de instrumentos financeiros como o Investimoz, o FECOP e o Compacto, Nasceu em Moçambique, como é que isso influenciou a sua vida?

Sim, nasci em Moçambique e tenho um carinho especial pelo país. Passei aí uma parte muito importante da minha infância e juventude, o que se tornou relevante na pessoa que eu sou hoje e no modo como olho o mundo. Moçambique foi essencial na minha formação, na minha mundividência e continua a influenciar a minha relação com áfrica.

Cristina Freire & Pedro Cativelos fotografia d.r.

entre o maior dos sucessos... e um eventual retrocesso

A província de Cabo Delgado tem sido, nos últimos anos, palco de uma situação crítica. Ataques armados e, mais recentemente, uma devastadora catástrofe natural. O El Dorado do gás transforma-se em lugar de incertezas

por um lado, Cabo Delgado é uma província tão rica em recursos naturais capazes de catapultar toda a economia do país, visto que é ali que está uma das maiores reservas de hidrocarbonetos do mundo, o que, por sua vez, começou a atrair, nesta última década, as grandes multinacionais do gás natural. No entanto, no último ano e meio, o sonho de desenvolvimento foi ensombrado pelos ataques perpetrados por um grupo de insurgentes armados sem rosto. Até hoje, não se sabe quais as suas reais pretensões, mas a verdade é que desde

província

Cabo delgado

capital pemba

área 82,661 km² habitantes 2,3 milhões região Norte

2017, Cabo Delgado vive num clima de insegurança, incerteza e temor. De lá para cá várias casas foram destruídas pelas chamas, e dados não confirmados pelo Governo Provincial apontam para mais de 150 pessoas assassinadas pelos grupos radicais.

a paz perdida

Até 5 de Outubro de 2017, a província vivia tranquila, pelo menos aparentemente, e ansiava pelo início dos grandes projectos de exploração de hidrocarbonetos. Mas desde essa data tudo mudou quando

cerca de 30 homens armados atacaram três postos da polícia, no distrito de Mocímboa da Praia, matando cinco pessoase e ferindo mais de dez.

Mais tarde, depois de Mocímboa da Praia, os ataques alastraram a outros três distritos, designadamente Meluco, Palma e Macomia, mas sempre longe do asfalto e fora da zona da implantação da fábrica e outras infra-estruturas das empresas petrolíferas que vão explorar o gás natural, na península de Afungi, no distrito de Palma. A verdade é que até aqui esses ataques ainda não têm solução à vista.

Porém, quando tudo indicava que Cabo Delgado já se encontrava a braços com uma situação grave, uma outra veio colocar mais um enorme desafio à região. Desta vez foi uma catástrofe natural. À semelhança do ciclone Idai, que atingiu as províncias de Sofala, Manica, Tete e Zambézia, o Kenneth também não poupou o que apanhou pelo caminho. Várias infra-estruturas socioeconómicas foram destruídas, ceifando 41 vidas e deixando desalojadas cerca de 241 mil pessoas, segundo o mais recente levantamento provisório do Governo central. Tal como a catástrofe que varreu o Centro do país, o Kenneth também levou consigo a dignidade de muitas pessoas, condicionando o seu direito à educação, saúde, e amputou o privilégio de progredirem na vida. Na verdade, milhares de famílias ficaram sem tecto, chão, parede, e viram perigar as suas vidas.

Segundo dados oficiais, mais de 31 mil casas ficaram parcialmente destruídas e mais de 3 800 foram-no na totalidade. O retrato da desgraça ficou desenhado não só em Macomia, onde o ciclone causou mais estragos, por sinal um dos epicentros dos ataques armados, mas também, desde o dia 24 de Abril, em locais como Ibo, Quissanga, Mocímboa da Praia, só para citar alguns exemplos. Entretanto, a cidade de Pemba, a capital da província, também não escapou dos resquícios da funesta ocorrência.

Conquistas obtidas ao longo de vários anos foram também deitadas por terra, tendo o esforço de centenas de famílias abnegadas sido transformado em enormes montanhas de entulho.

Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), o ciclone tropical Kenneth atingiu uma área onde nenhum outro foi observado desde a era do satélite. E mais: a agência da ONU revela não haver registo de duas tempestades com tamanha intensidade que tenham

Mil Milhões de Meticais É o valor apontado pelo Governo provincial de cabo delGado como necessário para se reconstruir tudo o que foi destruído com o Keneth

atingido o território moçambicano na mesma temporada. Os dados do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) aferem-no: “a chuva que caiu em Cabo Delgado foi o dobro da quantidade da que a cidade da Beira recebeu em período similar após a passagem do ciclone Idai”.

dezenas de estabelecimentos turísticos transformados em ruínas

A província de Cabo Delgado não só é conhecida por dispor de uma das maiores reservas de gás e rubis no mundo, como também é uma província turística por excelência. É em Cabo Delgado que se encontra a Baía de Pemba, a terceira maior do mundo, e que em 2008 passou a desfilar entre as mais belas, numa eleição feita pelo Clube das Baías Mais Belas do Mundo.

E por ser uma província localizada junto à costa, Cabo Delgado tem vários empreendimentos turísticos que anualmente atraem milhares de turistas de todo o mundo. Só que, após o ciclone Kenneth, muitos deles foram transformados em ruínas.

À E&M, o Governo Provincial de Cabo Delgado explicou que a maior parte dos danos causados pela catástrofe foram “registados no sector turístico, pois a província encontra-se ao longo do litoral, e, consequentemente, foi aí que se registaram mais estragos.”

De acordo com Dário Passo, director Provincial de Economia e Finanças de Cabo Delgado, “dados preliminares apontam para um total de 31 estabelecimentos destruídos, sobretudo na Ilha do Ibo, nos distritos de Quissanga e Macomia”. No entanto, havendo locais que se encontram ainda isolados, devido ao desabamento de algumas pontes, o Governo acredita que pode chegar a 50 o número de estabelecimentos turísticos arrasados pelo ciclone. “Acreditamos que o número de empreendimentos turísticos atingidos pode aumentar porque não conseguimos ainda chegar a todos os pontos afectados pelo ciclone”, explica

Dário Passo.

reconstrução por definir

Entretanto, não se sabe ainda quanto tempo vai levar para reconstruir tudo o que foi abaixo com esta intempérie. No entanto, recorrendo a esses dados preliminares, a Direcção Provincial da Indústria e Comércio de Cabo Delgado avança que serão necessários cerca de 11 mil milhões de meticais para reconstruir

província

tudo o que foi destruído pelo ciclone. Segundo Nocifo Magaia, director Provincial da Indústria e Comércio de Cabo Delgado, esse montante será destinado à reconstrução de quilómetros de vias de acesso e outras infra-estruturas básicas para o normal funcionamento da província. “É com estes dados preliminares que vamos abrir em breve uma representação do Gabinete para a Reconstrução, como extensão do que foi criado na cidade da Beira, em Sofala, após o ciclone Idai”, explica Nocifo Magaia. Por sua vez, o sector empresarial de Cabo Delgado não hesita em afirmar que todos os esforços empreendidos ao longo de anos foram engolidos pelo ciclone. O presidente do Conselho Empresarial (CEP) de Cabo Delgado, Gulamo Abubakar, considera que o ciclone Kenneth “não sentenciou a província apenas à miséria, uma vez que a situação já estava amarga para os empresários, devido aos ataques armados que vêm acontecendo desde 2017.”

“O

sector empresarial está totalmente devastado, visto que o ciclone quase ‘engoliu’ todas as actividades que vinham sendo desenvolvidas”, lamenta Gulamo Abubakar

E prossegue: “O sector empresarial está totalmente devastado, visto que o ciclone quase ‘engoliu’ todas as actividades que vinham sendo desenvolvidas”, lamenta Gulamo Abubakar, para depois revelar que “o grande problema agora é levar a cabo um estudo, juntamente com os financiadores sobre como é que vamos reconstruir e reatar os nossos negócios.”

Para já, o CEP de Cabo Delgado entende ser uma das saídas para reatar a actividade empresarial naquele ponto do país, a “abertura de uma linha de crédito com uma taxa de juro bonificada para os empresários”, pois sem isso, lamenta, “iremos afundar cada vez mais, uma vez que já estávamos fortemente endividados”.

Passou o ciclone, mas os ataques continuam Mas não é só esta catástrofe que vem tirando o sono à população de Cabo Delgado. Na verdade este foi um problema recente. Porque há um outro que preocupa aregião Norte e o país inteiro há quase dois anos, os ataques armados dos insurgentes. Para o CEP de Cabo Delgado estes têm sido um problema que muito prejudica todas as actividades na província.“Agora nenhum investidor quer vir a Cabo Delgado devido à incerteza gerada pelos insurgentes armados. O turismo tem sido arrasado por estes ataques, sendo poucos os turistas que hoje em dia visitam a nossa província, porque infelizmente Cabo Delgado está transformada num foco de insegurança”, considera Gulamo. Após o ciclone, várias doações foram surgindo de vários cantos do mundo, e, como era de esperar, o grupo armado voltou a aterrorizar a população. E mal chegaram os produtos da ajuda internacional, logo apareceram os terroristas, nomeadamente no distrito de Mocímboa da Praia, o ponto de entrada destes insurgentes, onde incendiaram casas e mataram quatro pessoas, levando consigo os produtos que acabavam de receber. Diga-se que a província de Cabo Delgado quase parece enfeitiçada. Sempre que há investimentos anunciados ou algo de bom prestes a acontecer, surge um retrocesso ou qualquer tipo de instabilidade que se instala por aquelas bandas, nos investidores e na população em geral. Agora, com a venda da Anadarko à Occidental, talvez as coisas mudem. Ou talvez não. Certo é que Cabo Delgado precisa mesmo é de paz e desenvolvimento.

texto Hermenegildo langa fotografia d.r.

Reconstrução pós Kenneth em curso, mas ainda há muito trabalho pela frente

Esqueça o digital, dê as boas-vindas ao híbrido

o futuro é digital. Sem dúvida, esta é a frase mais repetida em conferências, apresentações e aulas nos últimos cinco anos. A seu favor, encontramos alguns feitos que todos entendemos como inquestionáveis: digitalizamos a fotografia e as cartas; as compras e as transacções financeiras; assim como a reputação de hotéis e restaurantes. E, apesar desta repetição recorrente, e de todos estes feitos, talvez a afirmação de um inevitável futuro digital seja falsa.

Afirmava o filósofo Alfred North Withehead que “não há verdades completas; todas são meias verdades, mas o diabo brinca ao fazê-las passar como verdades completas”. No nosso caso, a verdade do futuro digital esconde um paradoxo onde se misturam umas e outras marcadas pelo factor tempo.

Comecemos pelas verdades incompletas. Nos últimos 20 anos, assistimos à digitalização imparável de tudo aquilo que pode ser reduzido a bits ou informação. Digitalizámos imagens, textos, sons, vídeos, reputações, recordações e identidades. A “digitalização dos conteúdos”.

Contudo, isso não implica o êxito da sua versão digital sobre o seu antecessor analógico. Para que tal aconteça deve dar-se uma condição necessária: a digitalização do dispositivo. Um exemplo pode ajudar-nos a compreender esta sequência: o livro. No início, em meados da década de 90, começaram a estar disponíveis livros digitalizados em formato PDF. Noutras palavras, o conteúdo tinha sido digitalizado. Mas o dispositivo de leitura, o computador, não estava à altura. Convido o leitor a imaginar, ou talvez a testar, a experiência de leitura de um livro digitalizado em PDF fazendo uso de um “laptop”. Sem dúvida, a experiência de leitura na cama, ou na praia, é “um pouco menos” confortável do que a leitura nos mesmos lugares de um livro tradicional em papel. O triunfo do digital ocorre no instante em que o dispositivo digital supera o analógico. No momento em que a câmara digital ou a do nosso telemóvel se torna incómoda, custosa e obsoleta, ou quando um algoritmo de riscos hipotecários mostra que é mais eficiente do que o analista de risco num banco. Continuemos com o exemplo do livro. Depois de descartar a experiência do livro digitalizado sobre um “laptop”, aborde-

mos a experiência de leitura sobre um e-reader ou um tablet. Sem dúvida, esta é muito mais confortável e com vantagens evidentes: mais capacidade de armazenamento, menos peso. Perante todas estas vantagens, os nossos gurus digitais não tardaram em afirmar: o livro físico morreu, longa vida ao livro digital. Não em vão, o mesmo tinha acontecido com as câmaras de vídeo, cassetes musicais e máquinas de fax. A surpresa surgiu no mercado mais digital do mundo: os EUA, com o Kindle da Amazon, o Nook da Barnes & Noble e o iPod da Apple. Depois de vários anos de aumentos ininterruptos, as vendas de livros digitais não apenas estancaram, como começaram a reduzir ligeiramente. À surpresa junta-se o espanto quando se conhecem os dados: o segmento de população que mostra maior entusiasmo pelo livro em papel são os adolescentes, uma geração de nativos digitais. E os utilizadores mais intensivos do livro electrónico são os avós justificando esta decisão com os problemas visuais. Qual é a razão deste comportamento tão pouco ortodoxo para os nossos profetas digitais? Pois, sem dúvida, a complexidade da natureza humana onde convive o racional e o emocional, o individual e o colectivo. Encontramos um exemplo desta complexidade numa tribo urbana muito interessante: os hipsters. Utilizadores intensivos do telemóvel, usam aplicações como o Telegram, menos populares do que o WhatsApp. Mas, por sua vez, ressuscitaram as velhinhas barbershop como ponto de encontro.

Outros exemplos que ilustram esta resposta complexa: voltaram as câmaras fotográficas instantâneas herdeiras da velha Polariod, e os jornais mais prestigiados do mundo têm visto como as suas tiragens em papel estabilizaram nos últimos anos, algo que se atribui a um fenómeno que ninguém poderia prever, o cansaço digital.

Tudo isto aponta numa direcção surpreendente: o futuro não é digital, é híbrido. Uma evolução na qual veremos combinar o digital e o físico. E onde as empresas que sejam capazes de entender essas formas de misturar serão as vencedoras. E os players digitais não serão sempre os que melhor entendem esta realidade.

O futuro não é digital, o futuro é híbrido. Uma evolução na qual veremos combinar de formas cada vez mais ricas e complexas o digital e o físico

Barclays consolida posição com Bons resultados em 2018

Graças ao crescimento de todos os indicadores, o Barclays Bank Moçambique vai consolidando a posição e está entre os três maiores bancos comerciais em termos de activos, depósitos, solvabilidade e rendibilidade de capitais

é substancial o crescimento alcançado pelo Barclays Bank Moçambique no exercício económico do ano passado, em pleno período de quase estagnação económica. Segundo o Relatório e Contas da instituição, referente a 2018, publicado recentemente, “o desempenho financeiro do banco foi substancialmente melhor do que o planeado, tendo alcançado os objectivos acordados para o ano, nomeadamente: rendibilidade, retorno sobre o capital, qualidade dos activos, eficiência, liquidez e capitalização.”

Com efeito, conseguiu fazer crescer o activo total em 26% para cerca de 37,7 mil milhões de meticais, o segundo maior activo do mercado bancário nacional é

26%

é O crescimentO dO activO

tOtal dO barclays bank mOçambique em 2018

também o segundo banco que mais ampliou o valor dos depósitos de clientes, em 28%; é o terceiro melhor banco no que diz respeito à rendibilidade de capitais próprios (22,7%), do activo – eficiência e capacidade de gestão dos activos detidos pelo banco em termos de produção de resultados financeiros (4%); e rácio de solvabilidade (23%).

No ano passado, o lucro aumentou 25% ultrapassando 1 380 milhões de meticais, um desempenho justificado por uma combinação de vários factores. De acordo com o documento, “os lucros em 2018 foram fortemente suportados pelas taxas e comissões líquidas, e por uma redução significativa no nível de imparidade que

Activos AtinGeM recorde... ... MAis depósitos de clientes… … MAis crédito pArA clientes...

Depois do pico da crise, em 2016, os activos têm vindo a aumentar. No ano passado, cresceram mais de 26%

Entre 2017 e 2018, os depósitos aumentaram 28,4%, superando a média que se verificou em todo o sistema financeiro, de 11,8%

Os empréstimos totais do sistema financeiro cresceram 3,35% em 2018. Os do Barclays aumentaram 16%

meticais

Depois do prejuízo registado em 2014, o lucro vem aumentando significativamente; 25% em 2018

Verifica-se um aumento dos custos operacionais ao longo do tempo, justificados também pelo reinvestimento do lucro

O rácio de solvabilidade do Barclays é dos melhores do mercado. Com 23%, o banco está bem acima dos 9% Em milhões meticais

reflecte a qualidade da carteira de crédito. Adicionalmente, a contenção de custos foi bem-sucedida e permaneceu dentro dos parâmetros planeados”.

Ainda neste capítulo da contenção de custos, o Barclays refere um aumento dos operacionais em apenas 2% em 2018, uma taxa inferior à inflação média, graças às medidas tomadas pela gestão no sentido de “aumentar a eficiência”. Os custos com infra-estruturas e administrativos e as despesas gerais representaram 1% desse aumento.

Numa perspectiva conjunta, os custos com pessoal foram responsáveis por 47% do total, 1% abaixo dos custos equivalentes em 2017, enquanto os custos com infra-estruturas representaram 25% dos custos operacionais totais, também 1% acima da despesa equivalente em 2017. Os restantes 28% para gastos administrativos e gerais permaneceram ao mesmo nível do ano anterior.

Apesar de bem-sucedida a redução das despesas, de uma maneira geral, os custos operacionais cresceram de 2,97 para 3,04 mil milhões de meticais.

Outros aspectos de ordem estratégica também justificam os resultados “satisfatórios” alcançados pelo Barclays no ano

passado. A Presidente do Conselho de Administração, Luísa Diogo, avança que a sustentabilidade e consistência dos resultados do banco ao longo dos últimos anos são fruto de uma visão integrada para o negócio e de uma estratégia de longo prazo, alicerçados numa estrutura assente na qualidade do capital humano, na infra-estrutura física e na infra-estrutura tecnológica”.

A saúde financeira do banco está também reflectida no rácio de solvabilidade, um indicador importante na avaliação da postura prudencial, e que ganhou ênfase com as intervenções disciplinares do novo Conselho de Administração do Banco Central (com dois bancos já sancionados, um dos quais extinto).

O rácio de solvabilidade (capacidade de operar com capitais próprios) do Barclays situa-se acima dos 23% e, portanto, muito longe do mínimo regulamentar, estabelecido em 9%.

rede de balcões não expandiu

A intensificação dos investimentos em meios digitais (das caixas electrónicas ao mobile banking), que ocasionam a expansão mais rápida e eficiente dos serviços financeiros, parece começar a trazer um

novo paradigma ao sector bancário em geral. O Barclays, por exemplo, não terá realizado investimentos significativos na expansão das suas representações nos últimos cinco anos, e o número de balcões oscilou entre 42 e 43 no quinquénio. Mesmo assim, ocasionou resultados que revelam um crescimento assinalável da instituição.

menos clientes e funcionários

Em parte, a expansão tecnológica também justifica o crescimento do volume de negócios no contexto de redução no número de clientes e de funcionários.

O Relatório e Contas do Barclays revela uma descida de cerca de 304 mil clientes em 2017 para 298 mil no ano passado. Mas porque é possível prover serviços a pessoas que não têm conta bancária, os proveitos tendem a depender menos da quantidade de clientes contabilizados, tendo crescido, inclusive, apesar da redução verificada.

O Barclays, que no acto da divulgação do relatório concedeu esclarecimentos à imprensa, explicou que a queda do número de clientes “é reflexo da actualização de dados que se faz periodicamente”, para apurar a situação real e delinear estratégias precisas de actuação no mercado,

mercado e finanças

Banco prepara a mudança de nome que acontecerá no último trimestre do ano, passando a chamar-se Absa

perante a “forte concorrência”, já que há clientes novos que entram para o banco, e os que saem são, parte deles, por óbito, de acordo com o banco.

Depois, é igualmente a tecnologia que diminui a necessidade de mão-de-obra, visto haver, cada vez mais, operações bancárias que antes exigiam a intervenção humana mas que agora são realizadas por meios digitais, nomeadamente por telemóvel. Em 2018, o Barclays tinha 794 trabalhadores, portanto, menos do que os 830 de 2017.

mais depósitos… mais empréstimos Em consequência da tendência de diminuição da taxa de juro evidenciada durante o ano, tornando o crédito mais acessível a empresas e particulares, os empréstimos e adiantamentos a clientes aumentaram em 16% para 12,6 mil milhões de meticais, o que está alinhado com a estratégia geral de aumento gradual do crédito à economia. Registou-se um incremento consistente no crédito a particulares e empresas durante 2018. Logicamente, a expansão dos empréstimos terá sido ocasionada também pelo desempenho positivo dos depósitos, num ano em que os totais no sistema financeiro cresceram bem abaixo da média re-

gistada em anos anteriores. Os depósitos no Barclays Bank Moçambique aumentaram a um ritmo superior ao do mercado.

lucros: em que serão aplicados?

Já há planos para o reinvestimento do lucro obtido no exercício económico passado. Segundo o relatório, o Conselho de Administração propôs que os resultados fossem aplicados na constituição de reservas legais, como exigido por lei, no montante de cerca de 207 milhões de meticais, correspondentes a 15% do lucro; no reinvestimento integral do montante remanescente de 1 173 milhões, sem distribuição de dividendos, em áreas que incluem a tecnologia – para proporcionar melhores serviços a um custo mais reduzido; optimização de balcões – para uma melhor experiência do Cliente e do Colaborador; Capital Humano – para uma melhor proposta de valor ao Colaborador”.

responsabilidade social e foco na educação O documento considera ainda que “estas áreas contribuem para o objectivo final de desenvolvimento e crescimento do negócio e para alcançar o objectivo de ser o melhor Banco para trabalhar e o Banco preferido dos Clientes”. Em 2018, o Barclays destaca o traba-

poucA vAriAção dAs representAções...

A rede de agências tem-se mantido praticamente sem oscilações

... MAs A rede diGitAl está eM frAncA expAnsão

Nos últimos cinco anos a rede de POS cresceu exponencialmente

lho desenvolvido num dos que considera um dos pilares essenciais, a educação, por ter permitido a milhares de jovens universitários e empreendedores o acesso gratuito a um conjunto de ferramentas de capacitação para o mercado de trabalho. “Através do nosso programa Ready to Work, foram abrangidos 2 515 jovens a nível nacional, nas províncias de Maputo, Sofala, Nampula, Tete e Cabo Delgado.

Este número representa um aumento na ordem dos 350% relativamente a 2017, no qual foram abrangidos cerca de 717 jovens”, enuncia o relatório. Que também refere a implementação “com sucesso” da 3ª edição do Programa de Graduados, que permitiu a selecção de 25 jovens que terão a oportunidade de cumprir um estágio de nove meses em diferentes áreas do Banco, podendo vir a garantir o enquadramento efectivo no quadro de colaboradores ao longo de 2019. No processo de selecção, foram igualmente capacitados 398 jovens, pela primeira vez, a nível nacional. No total, ambos os programas permitiram a capacitação a 2 913 jovens.

tExtO Celso Chambisso fOtOgrAfiA D.R.

empresas

Bnome da marca

VaN rieSCH Fundação 2016 co-Fundador

DaNilo Mira

loJa online

www.VaNrieSCH CoM

Visitantes

200

pessoas acedem diariamente à plataforma online

como o tempo nasce em moçambique

A Van Riesch é a primeira marca relojoeira inteiramente concebida em Moçambique e dotada de padrões internacionalmente reconhecidos

se em tempos os homens precisavam do relógio para ver as horas, hoje em dia o telemóvel ocupou esse lugar que só veio criar uma nova forma de olhar o relógio enquanto peça intemporal de estilo e elegância que, há centenas de anos, eleva o visual de homens e mulheres de todo o mundo.

E, quando se fala de elegância, não há como esquecer marcas mundialmente reconhecidas, como é o caso das suíças Patek Philippe ou da Audemars Piguet. Porque o mundo é construído no pulsar da inovação de todas as coisas, os ponteiros do destino encaminharam um empresário moçambicano a criar a sua própria marca de relógios, em 2016, a Van Riesch. Direccionada para um segmento de luxo, aposta no design arrojado mas clássico, e na qualidade da matéria-prima usada (titânio com acabamento em pele). A venda é integralmente processada através da loja online da marca.

Danilo Mira, co-fundador da empresa que fabrica os Van Riesch, explica que “o principal elemento diferenciador” é sobretudo a elegância. “Os relógios são extremamente elegantes, e discretos, mas com muito glamour. Produzimos referências exclusivas, com uma edição muito limitada e o seu design é minimalista”, sublinha o criador. O relógio é o core business da marca, que também comercializa uma gama de outros acessórios, como óculos e carteiras para homens que, de acordo com Danilo Mira, entroncam na linha criativa do negócio da empresa. “A ideia de criar a Van Riesch tem que ver com a paixão pelo luxo. Estranhamente começámos com o mais complexo que são os relógios, porque envolvem

uma série de tecnologias e toda uma logística de importação de diversos produtos. Comecei a viajar em busca de parceiros que fossem verdadeiros players neste imenso mundo da relojoaria, de forma a serem os nossos fornecedores de matéria-prima e componentes, posicionando a nossa marca entre outras de renome com quem trabalham”, revela o gestor. Mas é óbvio que o luxo tem o seu preço, e, claro, não pode ser acessível para todos. Os produtos da Van Riesch custam em média 250 dólares, mas existem alguns modelos que podem chegar aos... 300 mil dólares! Tudo depende dos materiais usados, do acabamento e, também, dos pormenores. “Invisto num design diferenciador, em material premium e bons laboratórios de teste para poder ter a certeza de que o cliente está a adquirir uma peça que o faça realmente feliz e que o irá acompanhar para o resto da vida”, justifica. A venda, feita online, é outra das linhas diferenciadoras deste negócio. “O objectivo passa por ser uma loja de acesso internacional e não se limitando somente ao mercado nacional”. Será, como não podia deixar de ser, dado o tema, uma questão de tempo, até a marca se tornar uma referência numa região à qual não é, usualmente, associada a produção direccionada para este tipo de segmento. “Esperemos que sim, temos em vista o mercado da exportação e queremos levar longe esta marca made in Moçambique.”

megafone

MillenniuM biM lança iZi no Whatsapp

“Realizar diversas operações, desde consultas de saldo e movimentos, extractos, transferências, compra de recargas, Credelec, entre outras transacções”, são os objectivos do lançamento do WhatsIZI do Millennium bim, uma plataforma de Mobile Banking, agora disponível via WhatsApp.

Pioneiro no mercado, o WhatsIZI funciona como um chat empresarial do Banco no WhatsApp e está disponível para todos os clientes com contrato Mobile Banking subscrito.

Ao Millennium IZI (1 milhão de utilizadores) e Smart IZI junta-se, assim, o WhatsIZI, um serviço que, de acordo com Jorge Octávio, administrador do Millennium bim, garante “total segurança, tendo em conta que a plataforma WhatsApp é a mais segura do mundo”.

Para Jorge Octávio esta “é uma iniciativa inovadora, que vem revolucionar a relação do cliente com o banco e com os seus hábitos de consumo, permitindo reforçar a presença do bim junto dos moçambicanos”. À E&M, o administrador explica ainda como “os canais digitais do Banco estão a tornar-se cada vez mais funcionais nos serviços que prestam, o que confirma o compromisso do bim com a inovação e as novas tecnologias”, não adiantando, ainda assim, algumas das novas funcionalidades que poderão ser agregadas ao serviço, utilizando o potencial que a rede social oferece, mas assegurando “que o serviço irá evoluir imenso ao longo dos próximos anos.”

bancos debateM desafios da transforMação digital

asseco tem representação no mercado nacional onde é liderada por Joaquim dai

“debater o desenvolvimento de soluções tecnológicas cada vez mais inovadoras, que permitam melhorar de forma substancial a interacção entre as instituições financeiras e os seus clientes”, foi o foco da apresentação recentemente promovida, em Maputo, pela Asseco PST, uma tecnológica especializada no desenvolvimento de software bancário. Num evento que reuniu diversos gestores bancários do país, foram apresentados os novos canais electrónicos que surgiram com o advento das soluções de internet banking e mobile banking, a gestão da relação com o cliente num único ponto e o poder dos dados, e a sua transformação em informação relevante para os bancos.

Segundo o CEO da empresa Asseco PST, Daniel Araújo, “o que nos move é o desejo de prestar um serviço de excelência que potencie a criação de parcerias a longo prazo com os nossos clientes”, explicando ainda que há mais de dez anos que a sua empresa vem capacitando e certificando novos especialistas em tecnologias de informação.

Durante a conferência, os participantes puderam visitar o espaço “Experiência Digital”, montado pela Asseco PST, e ficar a conhecer melhor as várias soluções desenvolvidas pela empresa para os seus clientes bancários.

spar inaugura grande superfície eM Maputo

“Garantir a qualidade de serviços a oferecer aos clientes e de qualidade de vida dos produtores nacionais que são, neste momento, os principais fornecedores da vasta gama de hortícolas, frutas, farinha de trigo usada para o fabrico de bolos e pães disponíveis no supermercado”, são os objectivos da inauguração de mais uma loja Spar, na baixa da cidade de Maputo, onde funcionava o antigo supermercado Central (cuja gestão pertencia ao grupo Sonae que abandonou o país). Trata-se de um empreendimento que, numa primeira fase, vai empregar 85 trabalhadores, 90% dos quais moçambicanos.

standard bank introduZ MecanisMo de acesso a contas por reconheciMento facial

A Asseco PST é uma multinacional tecnológica portuguesa, especializada no desenvolvimento de software bancário, criada em 1988. Opera no mercado moçambicano desde 1993.

“Permitir que os clientes tenham menos razões para se dirigirem a um balcão e que se sintam seguros para efectuar transacções através do seu dispositivo (telemóvel, computador ou tablet)” é o objectivo da apresentação de duas novas funcionalidades pioneiras e inovadoras no mercado nacional por parte do Standard Bank. Segundo o banco, as duas inovações digitais “foram concebidas para conferir maior segurança e comodidade aos clientes, durante o uso do aplicativo do banco, bem como torná-los menos dependentes da intervenção humana para efectuar as suas transacções.”

figura do mês

“Linha de Xitima é Uma obra estrUtUrante para o país”

o projecto de desenvolvimento e construção da linha férrea que vai ligar Macuse (Quelimane) e Xitima (no sopé de Cahora Bassa) é uma Parceria Público-Privada (PPP), a que o Estado atribuiu uma concessão válida por 30 anos para o desenvolvimento de uma obra de grande impacto numa região que, como se sabe, tem um enorme potencial mineral. Sendo que a Vale criou, ou ampliou, a Linha de Nacala até Moatize, a Linha de Xitima, a cargo da TML, apresenta como maior benefício um trajecto mais curto, apresentando-se, por isso mesmo, mais competitiva ao nível do preço do transporte. A chegar à fase decisiva para o arranque da obra, e ainda sem a conclusão dos projectos de financiamento (3 mil milhões de dólares), Orlando Marques, CEO da Thai Mozambique Logistics (TML), revela à E&M em que ponto está o processo.

Qual é a vantagem competitiva de uma segunda linha a ligar Tete ao oceano? Em comparação com a Beira e Nacala, estamos a falar da distância mais curta (639 quilómetros), o que gera eficiência. Depois, a capacidade de transporte é mais elevada porque vamos transportar 26 toneladas por eixo quando actualmente na Linha de Sena não transportam mais de 18 a 20

toneladas por eixo e na de Nacala cerca de 20 toneladas.

Há aqui uma proximidade maior com os mercados adjacentes, o que é uma vantagem, imagino... De facto. Na integração regional, Xitima, é o ponto mais próximo para ligar com o Zimbabué (120 quilómetros), com a Zâmbia (170 quilómetros). A ligação ao Malawi, creio que vai acontecer naturalmente porque o traçado da linha passa a 50 quilómetros da fronteira. A TML é um projecto integrado, não só para o carvão,

corlando Marques é pós-graduado em gestão de Projectos no iSg foi gerente da Midal Cables international. foi também Consultor Sénior na infinity Consulting, Director de Logística no grupo João ferreira dos Santos e gerente geral na JfSforjadora. É actualmente Ceo da thai Mozambique Logistic, S. a

obviamente, que será uma das commodities mais importantes, mas ao nível de carga geral estamos a falar de ligações com várias outras explorações, como por exemplo a da Portucel com quem já assinámos um memorando de entendimento para desenvolver toda a área logística necessária para o transporte da madeira das áreas de plantio que eles têm até ao Porto.

Como é a estrutura accionista da TML?

Está dividida em 60% para o investidor tailandês, 20% para os CFM (o nosso parceiro ao nível governamental) e 20% para um conglomerado de empresas moçambicanas, essencialmente da Zambézia.

O projecto pressupõe também a ampliação do porto?

O Porto vai ser todo novo e irá surgir na localidade de Macuse, utilizando as duas margens do rio. A margem do lado do Sopinho, vai ser o terminal de carvão e do lado de Macuse, será o terminal de contentores, cereais e carga geral. A construção (linha e porto) estará a cargo de uma joint venture entre a Mota-Engil e a CCIC, uma empresa chinesa.

O que falta para iniciar o projecto?

O concurso internacional para a concessão foi lançado em 2013 mas, por questões administra-

tivas, burocráticas e as alterações do formato, a concessão final foi-nos atribuída em Abril de 2018. Neste momento estamos na fase do fecho financeiro. Todo o projecto foi idealizado para ser feito com uma garantia soberana por parte do Estado mas, como sabemos, esta está bloqueada e tivemos de fazer um plano de investimento para suprir essa situação. Para que o possamos fazer com a banca e outros parceiros, precisamos dos acordos com os clientes finais, neste caso, essencialmente as mineradoras, porque o grande volume está aí. Como sabemos, e os dados são públicos, em Tete está a produzir-se muito pouco e mesmo a Vale está abaixo do esperado. No entanto, temos vários grandes investidores internacionais interessados e contamos ter este processo concluído em poucos meses.

Mas faz sentido ter uma outra linha?

Estamos a falar de um projecto estruturante para o país e que faz todo o sentido por isso mesmo. Ao nível do preço, a Vale, segundo os números que são públicos, está a pagar qualquer coisa entre 50 a 60 dólares por tonelada de carvão, enquanto que na nossa linha estamos a falar de 25 dólares por tonelada, metade do preço. É arriscado ter apenas uma via a fazer este trajecto, sempre muito sujeita a catástrofes naturais, como o Idai, por exemplo. Por fim, o nível do calado do porto e a quantidade de carvão que podemos movimentar na linha são interessantes. Acredito que a Vale, mesmo sendo “dona” da linha de Nacala, vá assinar contrato connosco.

Quando inicia a obra?

Ainda este ano. E mesmo antes de termos o financiamento fechado o plano de reassentamento arranca em Junho.

texto Pedro Cativelos fotografia Jay Garrido

INVESTIMENTO

“É

arriscado ter apenas uma via a fazer este trajecto, sempre muito sujeita a catástrofes naturais”

sociedade

Correios de MoçaMbique, uMa enCoMenda que não Chega

Crise, confusão, planos (falhados) de reestruturação e incertezas… Há muito tempo que a Correios de Moçambique clama e reclama por uma acção efectiva. Enquanto isso, um novo plano de intervenção vai servindo de luz ao fundo de um túnel ainda escuro em que quase todo o caminho está por percorrer

os correios de moçambique têm problemas tão antigos quanto persistentes, que chegam a inspirar artigos anónimos (e quiçá especulativos) na comunicação social e nas redes sociais, sobre a (alegada) má gestão da empresa. Mais do que procurar abordar os fundamentos da crise em si, a E&M foi em busca dos aspectos mais críticos da já anunciada reestruturação (mais uma de várias tentadas ao longo dos anos). Infelizmente, há informação importante que ainda não pode ser tornada pública, devendo ser “partilhada com a imprensa em momento oportuno, já que as entidades responsáveis pelo processo de reestabilização da empresa ainda fazem o apuramento da situação”, argumenta o PCA, Valdemar Jessen. Mas há também dados importantes avançados pelo responsável dos Correios de Moçambique, que vale a pena apresentar. A mais recente manifestação das dificuldades da empresa teve lugar no início de Abril, quando cerca de 50 trabalhadores paralisaram actividades reivindicando salários em atraso. Planos de reestruturação que vieram a ser divulgados dias depois fazem menção à redução de quase metade da força de trabalho, isto é, o

despedimento de 362 trabalhadores, de um total de 650, numa medida que incluirá a antecipação da reforma de parte desta mão-de-obra. A alienação de imóveis e a abertura do capital da empresa são outras soluções que devem avançar em breve.

redução da força de trabalho À E&M, Valdemar Jessen revelou que já decorrem movimentações internas para a redução do número de trabalhadores, o que será concretizado em breve. Por agora, fica em segredo o volume global das indemnizações aos despedidos e reformados por antecipação, bem como a ginástica financeira necessária para o efeito. O PCA da Correios de Moçambique refere que a redução de mão-de-obra não terá efeitos significativos na eficiência das operações, por haver “funcionários em excesso” que impactam negativamente nos custos, daí que a medida é um dos mais importantes requisitos para trazer a empresa à sustentabilidade, já que “poderá reduzir pela metade os custos com salários, que absorvem cerca de 75% da receita total (cuja quantia não nos foi revelada), com resultado capaz de resolver em definitivo os atrasos na remuneração (salários,

Milhões de Meticais

É o montante da dívida acumulada

da correios de moçambique só com os salários dos funcionários

13º mês e subsídios de férias)”. Trata-se de uma medida que vem sendo equacionada pelo anterior conselho de administração, mas que ainda não se concretizou, pelo que o número de trabalhadores da empresa continua o mesmo, desde 2015, ano em que a aquela administração anunciou a pretensão de reduzir metade a força de trabalho. Será pelas dificuldades de indemnizar? “Também. Mas estavam em carteira outras medidas que poderiam dispensar a redução de funcionários caso avançassem (alienação de imóveis, bancarização rural e venda de acções). Foi uma ideia que naquela altura não estava tão amadurecida quanto está agora”, explica Valdemar Jessen, dando a entender que desta vez é “irreversível e está para breve.”

abertura do capital

Os Correios de Moçambique também decidiram vender quase metade do capital social, num plano de reestruturação já aprovado pelo Governo. A este propósito, a E&M ouviu a Bolsa de Valores de Moçambique, instituição executora das operações do mercado de capitais. Salim Valá, PCA da BVM, explica que as duas instituições não estabeleceram qualquer contacto

sociedade

nos dias que correm. Nem com a entidade que tutela os Correios de Moçambique – o Ministério dos Transportes e Comunicações – houve contactos para tratar do assunto. A ausência de comunicação recente entre as entidades que devem dar corpo à intenção dá a entender que a ideia não passa disso mesmo, e que pode estar no pacote das “medidas ainda em estudo”, podendo não avançar tão já. À E&M Salim Valá explica que tem conhecimento sobre o interesse dos Correios de Moçambique, através de contactos de concertação mantidos com o PCA da empresa, há quase dois anos, “numa altura em que a empresa pretendia aprofundar a sua posição e ver se reunia os pré-requisitos. De lá para cá, não voltámos a conversar”, sublinhou o presidente da Bolsa de Valores de Moçambique, revelando não saber em que medida a empresa estaria, agora, preparada para avançar com a Oferta Pública de Venda de 50% das acções.

Capital apetecível?

Um dos factores de sucesso na venda de participações das empresas é o histórico favorável, a todos os níveis, e no qual a saúde financeira assume peso substancial. Mas todos estes requisitos escasseiam nos Correios de Moçambique. Salim Valá desdramatiza a condição da empresa, ainda assim. “Há empresas que podem gozar de boa saúde económico-financeira, que alcançam bons resultados nas operações em bolsa por terem boas referências no mercado. Também há outro tipo de empresas que não são antigas e nem têm grande prestígio no mercado, mas que representam um bom negócio (bom estudo de viabilidade e bom plano de negócio), e que actualmente podem não ser lucrativas, mas têm perspectivas de se tornarem pela própria natureza do negócio em que

Há pouca informação que possa esclarecer a real dimensão da crise e o verdadeiro contexto das necessidades de resgate. Tudo o que se sabe é que a situação é difícil e os dirigentes da empresa garantem que vão pôr em prática as ideias já desenhadas

actuam”, explica, apontando ser “eventualmente” este último o caso da Correios de Moçambique.

Falhanços por concretizar

A complexa agenda de recuperação da empresa está dentro do chamado ‘Plano Estratégico de Desenvolvimento e de Reestruturação’, também antigo, dentro do qual estão em carteira outros projectos que já foram antes desenhados, e cuja maior parte fica por concretizar. Um deles é o Banco Postal de Moçambique, anunciado em 2013 como parte do esforço para “desapertar” a situação financeira da empresa. Não tendo avançado naquela altura, esta ideia “está a ser reavaliada por uma equipa multi-sectorial que integra, além do Ministério dos Transportes e Comunicações, o Banco de Moçambique e o Ministério da Economia e Finanças”. Daí

que, pela complexidade do próprio processo, levará tempo a retomar, “mas não está descartada”, esclarece o PCA da Correios de Moçambique. Pretende-se que o Banco Postal seja estabelecido em vários pontos do país com destaque para as zonas rurais, de modo a apoiar o desenvolvimento local através da prestação de serviços financeiros. Surgiu da constatação de que “o aparecimento de novas tecnologias inviabilizou o envio de cartas”, segundo admitiu, há quatro anos, o anterior PCA da empresa, José Rego, que adiantou, na altura, que iria beneficiar da vantagem de ter já instalada uma vasta rede de infra-estruturas nos distritos espalhados pelo país para flexibilizar o estabelecimento do banco, o que não chegou a acontecer até hoje, também em resultado da crise financeira (ocasionada pelas dí-

vidas ilegais) de que a economia nacional ainda se tenta refazer.

Havia também planos da área do imobiliário. Além do arrendamento da vasta rede de imóveis pelo país, que tem trazido “importantes receitas para a empresa”, o plano mais recente fala da necessidade de venda de cinco imóveis por um montante que “não pode ser divulgado ainda”, segundo o Conselho de Administração.

Há também iniciativas que não resistiram ao tempo, sobretudo devido à crise económica nacional. É o caso do edifício multiusos com cerca de 30 andares, que comportaria lojas, restaurantes, cafés e serviços afins, e que tinha sido avaliado em 70 milhões de dólares. afinal, qual é o défice financeiro? Seria importante saber em que medida a concretização das iniciativas dos Correios

Correios de Moçambique têm de fazer face a operadores privados que estão a entrar fortemente no mercado

de Moçambique ajudaria a resolver a crise prevalecente. Mas não se conhece o valor necessário para acabar com a instabilidade, o que passa por saber o montante a encaixar em cada uma das soluções em carteira (área imobiliária, corte de postos de trabalho, entre outros), e principalmente o conhecimento das demonstrações financeiras da empresa (sobretudo o total da dívida, receita e custos). Informação actual a este respeito ainda não é pública. Tudo o que se sabe é que a dívida, só com salários, está na ordem de 50 milhões de meticais.

Em 2013, o total da dívida estava avaliado em cerca de 150 milhões de meticais. Dois anos depois havia reduzido para 100 milhões. Parte dela está relacionada com o pagamento de quotas em instituições internacionais do ramo, nas quais os Correios de Moçambique estão filiados. Já em 2015, a empresa falava de uma necessidade de 15 milhões de dólares para implementar os projectos que poderiam melhorar a sua situação financeira.

Por agora não são conhecidos os números reais, mas sabe-se que a estatal enfrenta um “momento difícil”, admite o presidente da empresa, Valdemar Jessen.

Má gestão ou especulação?

Voltando ao princípio: os relatos anónimos que dão conta de más práticas de gestão da empresa Correios de Moçambique, e que responsabilizam tais actos pela difícil situação que esta atravessa. No início de Abril, um funcionário da empresa, falando sob anonimato ao jornal “O País”, teria denunciado uma prática no mínimo desonesta, por parte dos dirigentes da empresa. “O Conselho de Administração já recebeu o seu salário faz uma semana”, revelou a fonte, dando a entender que os dirigentes fingiram estar

a enfrentar os atrasos. “Não percebemos porquê é que estão a fazer isso, nós temos família e precisamos desse dinheiro para pagar as contas”, reclamava a fonte.

Outro artigo com o título “SELO: Gestão danosa nos Correios de Moçambique”, publicado a 24 de Outubro de 2017 pelo jornal “@ Verdade”, sem assinatura, relata uma série de irregularidades alegadamente praticadas pela administração dos Correios de Moçambique.

Numa das passagens, o texto revela que “a primeira preocupação do actual Conselho de Administração após a tomada de posse foi a compra de viaturas Ford Ranger para todos administradores e, para variar, uma Toyota Fortuner para o presidente, todas elas últimos modelos. E isto acontece numa empresa deficitária, sendo que parte dos membros do Conselho de Administração, incluindo o presidente, vêm de mandato anterior no qual também beneficiaram de viaturas zero quilómetros”.

Noutro trecho, o articulista avança que, “actualmente, os salários são pagos obedecendo a critérios absurdos e obscuros, dando prioridade a grupos propensos a fazer distúrbios como forma de lhes calar a boca. Do mesmo modo, são também bafejados pela sorte os protegidos do PCA, já que o nepotismo também tomou conta da empresa”, pode ler-se.

Confrontado com estas acusações, o Conselho de Administração não reconhece a sua legitimidade e refere que “a crise na empresa não tem qualquer relação com má gestão ou outras práticas fora da ética empresarial”. Verdade ou não, certo é que fica ainda muita coisa por dar a conhecer à sociedade.

LÁ Fora

A históriA de um sAque

Depois de posto em liberdade, em Março, o antigo presidente do Fundo Soberano de Angola (FSDEA), José Filomeno dos Santos, deve mesmo comparecer em tribunal, de acordo com a Procuradoria-Geral da República

Sob termo de identidade e residência, e depois de a PGR já ter entregue o processo ao tribunal, o filho do antigo Presidente José Eduardo dos Santos terá de explicar uma série de burlas efectuadas por Jean-Claude Bastos de Morais, proprietário e presidente da Quantum Global, que geria, desde Novembro de 2013, os activos do FSDEA. Apesar de o contrato de gestão ter sido anulado em Junho passado, meses depois da exoneração da administração dessa instituição financeira, as empresas de Jean-Claude Bastos de Morais já tinham obtido, em cobranças, cerca de 500 milhões de dólares, em menos de quatro anos, sob a forma de honorários e comissões, para a gestão dos cinco mil milhões que esta entidade tinha sob sua guarda. O empresário suíço-angolano, que se encontrava em prisão preventiva, em Luanda, desde 24 de Setembro, foi colocado em liberdade no dia 22 de Março. Jean-Claude Bastos de Morais vinha acusado de crimes de associação criminosa, tráfi-

milhões de dólares é quanto se estima que Jean-Claude Bastos de morais tenha oBtido em CoBranças pela gestão dos aCtivos do Fundo soBerano de angola

co de influência, burla e branqueamento de capitais pela PGR, que justifica que a Quantum Global chegou a acordo com o Fundo Soberano de Angola, colocando um fim ao processo que tinha sido movido pela Procuradoria-Geral da República. De acordo com a directora nacional dos Serviços de Recuperação de Activos da PGR, Eduarda Rodrigues, o país teve de negociar com Jean-Claude de Morais, proprietário da Quantum Global, para evitar mais gastos no processo de custódia judicial.

Entretanto, apesar de o Estado revelar ter recuperado os 3,3 mil milhões de dólares, nomeadamente, 2.350 milhões em activos financeiros recuperados de bancos no Reino Unido e Ilhas Maurícias, e mil milhões em património imobiliário, a decisão de libertar Jean-Claude Bastos de Morais não colheu consenso da sociedade. O que parece ser simples levanta, afinal, contornos jurídicos sem precedentes. Com uma aparente reparação do dano causado ao Estado angolano, a PGR mandou-o em liberdade e desistiu do procedimento criminal contra o empresário. Para esclarecer a polémica, a directora do Serviço Nacional de Recuperação de Activos da PGR, Eduarda Rodrigues, disse à Rádio Nacional de Angola que a PGR não celebrou acordo algum com Jean-Claude Bastos de Morais no processo dos referidos crimes em que era indiciado. A responsável reforçou que os factos enfraqueceram “porque todas as actuações da Quantum Global, de Jean-Claude Bastos de Morais, estavam na base de um documento-contrato no qual o Estado angolano, representado pelo FSDEA, o legitimava a praticar actos”. “Os indícios inicialmente existentes foram enfraquecendo com a investigação que a PGR fez”, disse Eduarda Rodrigues.

O advogado Jaime Azulay considera que “a Justiça angolana, através da PGR, tomou uma decisão histórica que representa uma inequívoca aproximação às tendências da doutrina do Direito Penal moderno, ao mandar em liberdade e desistir do procedimento criminal contra o empresário suíço-angolano”. Exemplificando aquilo que os brasileiros chamam de “delação premiada”, o jurista sublinha que a presente decisão das autoridades pode ser enquadrada legalmente. “Existe no sentido do legislador a intenção de permitir, através da mediação penal, o mecanismo de transacção em determinados crimes de natureza patrimonial, uma vez existindo o consentimento do lesado”, defende.

Em sentido contrário opina o advogado Albano Pedro, para quem a decisão é, até prova em contrário, uma “inexplicável” e “absurda” violação da ordem jurídica angolana. “Os que defendem a delação premiada esquecem que isso não existe na nossa ordem jurídica. É coisa de brasileiros e outros países avançados nisso de colocar o Estado a negociar com criminosos”, diz o docente universitário.

A batalha que (não) resta a Zenu Se Bastos de Morais beneficiou de um acordo que lhe permitiu abandonar o país, tal não se poderá, ainda, dizer de José Filomeno dos Santos. O filho do ex-Presidente de Angola beneficiou da alteração da medida de coacção penal, ou seja, deixou de ser preso preventivo e passou a estar sob Termo de Identidade e Residência (TIR). O que quer dizer que, segundo a PGR, aguarda o julgamento em casa, caso venha a ser acusado. Em relação aos crimes de que é suspeito, nada muda. O processo-crime continua em marcha até ser marcado o julgamento.

José Filomeno dos Santos é acusado pelo FSDEA de ter efectivado, de forma ilegal e sem concurso público, o contrato com o seu amigo Jean-Claude Bastos de Morais. Do mesmo modo, é acusado de não ter manifestado qualquer interesse em procurar entidades qualificadas, reputadas e com as credenciais de experiência que poderiam ter assegurado uma administração do Fundo mais eficaz.

Até à saída de Zenu, a Quantum era a única gestora dos activos do FSDEA, apesar de a política de investimentos do Fundo estabelecer que não podiam ser alocados mais de 30% dos activos do mesmo a um único gestor externo. Na mesma altura em que o contrato foi assinado, o FSDEA assinou o Acordo de Custódia com o banco inglês Northern Trust. De seguida, transferiu os cinco mil milhões do Fundo Soberano de Angola para essa instituição em Londres, sob total controlo da Quantum Global Investment Management, que, já se sabe, pertence a Jean-Claude Bastos de Morais.

De acordo com a queixa, a transferência dos 5 mil milhões para Londres “foi ilegal” e fez “parte da conspiração” para defraudar o FSDEA. O banco também é denunciado como responsável na conspiração. Dos 5 mil milhões de dólares depositados no Northern Trust, apenas 1,5 mil milhões permaneciam em nome do FSDEA, sob a designação de “liquid portfolio”. José Filomeno dos Santos, que garantia, em Setembro de 2014 em entrevista ao

Lições dos Fundos

Com um valor de quase 1 bilião de dólares, o Fundo Soberano da Noruega é o maior do mundo. Nele são aplicados os retornos que obtém com a exploração e produção de petróleo. Criado há mais de 20 anos, acumulava, até final de 2015, uma riqueza de 824,9 mil milhões de dólares, segundo os dados do Sovereign Wealth Fund Institute (SWFI), instituição que lhe dá nota 10 no ranking da transparência. Sabe-se que o Fundo investe, por exemplo, em 9 158 empresas em todo mundo, desde a Apple, Nestlé, Microsoft e Samsung, detendo, pelo menos, em média, 1,4% das empresas em que está envolvido. Conhecido como o “Fundo do Futuro”, a versão australiana é igualmente uma lição de transparência. O seu relatório de 2017-2018 já está disponível desde Setembro do ano passado e lá pode ler-se que o Fundo Soberano da Austrália, com um valor de 145 mil milhões de dólares, reforça os seus investimentos em pesquisa médica e na chamada “economia azul”. Nos últimos dez anos, o Fundo obteve um retorno de 8,7% por ano.

“Jornal de Angola”, que o Fundo Soberano de Angola estava “totalmente comprometido com a transparência e a boa governança”, terá assim muito a explicar. Por outro lado, a fragilidade do caso poderá, como se viu na situação de Jean-Claude Bastos de Morais, residir no facto de toda a gestão do Fundo ter sido possível graças a contratos celebrados com validade legal. É, de resto, por esta razão que o advogado Inglês Pinto considera que este processo prejudicou a imagem do sistema de justiça angolano, sugerindo outras forma de resolução do conflito, e não exclusivamente a judicial.

Como Bastos de morais fez uma fortuna Quando se oficializou o Fundo Soberano de Angola (FSDEA), em 2012, já muitos especialistas levantavam receios quanto aos objectivos a que se propunha: promover o crescimento, a prosperidade e o desenvolvimento económico e social de toda a Angola, com uma dotação de 5 mil milhões de dólares.

Apesar de em Fevereiro de 2015 ter sido reconhecido como transparente pelo Sovereign Wealth Fund Institute, com uma classificação de 8 em 10, o Fundo era tudo menos transparente. Presidido por José Filomeno do Santos, assinou, em 2013, um acordo de gestão de investimento com a Quantum Global Group, pertencente a Jean-Claude Bastos de Morais, a quem entregou a gestão de 5 mil milhões de dólares por um mínimo de três anos e com extensão automática, sem qualquer supervisão. Com base nesse contrato, perto de 3 mil milhões foram investidos em sete fundos criados pelo QGIM, também pertencente a Bastos de Morais, e administrados pela Quantum Global, com sede nas Maurícias. Jean-Claude de Morais era remunerado pelos seus serviços a uma taxa de 2% a 2,5% do capital por ano, o que representava um rendimento anual de 60 a 70 milhões de dólares desde 2015. O jornalista Rafael Marques, que se dedica à investigação do caso, acredita que, em menos de quatro anos, as empresas de Bastos de Morais cobraram cerca de 500 milhões de dólares ao Fundo Soberano de Angola, sob a forma de honorários e comissões, para a gestão dos 5 mil milhões, quando muitos destes investimentos eram, afinal, feitos nas suas próprias empresas e empreitadas.

textO Adão Gil FOtOgrAFIA iStock photo

NOVOS ÂNGULOS

Contas e cozinhados

dizem-nos as notícias que a cadeia de restaurantes de Jamie Oliver no Reino Unido abriu falência. Este chef de cozinha, de nome completo James Trevor Oliver, tornou-se uma personalidade global, “reconhecido pelo uso de alimentos naturais e orgânicos e por seu trabalho recente em mudar hábitos alimentares nas escolas britânicas”. A citação é da Wikipédia e, por isso, com sotaque a Brasil, porque foi o primeiro resultado que apareceu na busca que faço por Jamie, o que nunca será um bom primeiro ingrediente para um aceitável primeiro prato. Nem para nada, no geral. Neste caso, e para a finalidade a que se propõe, senso comum em formato fast food, serve o propósito. O que não foi bem servido foram as contas da empresa. Jamie é melhor a cozinhar que a gerir, o que até é inusual, porque muitos grandes gestores são, não raras vezes, hábeis em cozinhados, mais contabilísticos do que empratados, é certo. A história conta-se à velocidade de uma receita. Oliver foi descoberto em 1997, pela BBC, enquanto trabalhava como chef no River Café em Londres. Tinha começado a lavar pratos porque não gostava muito de ir à escola e depressa ganhou fama quando a TV lhe mudou a vida e o tornou reconhecido no programa ‘Naked Chef’. Desde então, construiu um império que inclui programas de TV, livros e revistas e restaurantes. Com o tempo, dedicou-se ao lobby sobre políticos para o combate ao aumento de problemas relacionados com a obesidade infantil, defendendo refeições escolares mais saudáveis, e tornou-se, em paralelo, no escritor de não ficção de maior sucesso do Reino Unido, com mais de 40 milhões de livros vendidos. Os primeiros sinais de que o cozinhado podia esturricar surgiram, no entanto, em 2015, quando encerrou uma filial da Recipease – a sua cadeia de lojas de culinária. Em Outubro de 2017, a ‘Jamie’, a sua revista de culinária, deixou de ser publicada após uma década de edições. Com a casa a arder, a crise chegou à cozinha nesse mesmo ano. O problema (de que ele, aliás, não tem culpa) do simpático e bem-humorado chef de que todas as mães gostam foi crescer como marca primeiro, e só como empresa depois. Uma circunstância igual à de muitas marcas que rebentaram a escala da notoriedade baseadas, muitas vezes, numa só figura, e num saber fazer relacionado essencialmente com o produto que vendiam. E não no negócio que o envolve. Jamie sabe cozinhar e tem boas ideias. O que não quer dizer que seja a pessoa indicada para ser um mega-empresário da

restauração global. Também não significa que não o possa fazer com sucesso. Tudo depende de algo que, alguém como ele, deveria ter bem presente: uma receita, neste caso para o sucesso, seguida à risca.

O seu trajecto mostra-o. Com a fama a alimentá-lo, criou o grupo, que inclui hoje a rede italiana Jamie’s Italian, além do Barbecoa, Fifteen e Diner. Terá crescido desmesuradamente, sem a devida atenção à gestão financeira. O que desembocou na nomeação recente da KPMG como administradora provisória para proteger os credores e avaliar alternativas para a reestruturação das dívidas, incluindo a possibilidade de vendas de activos e liquidação. De acordo com a imprensa britânica, dos 25 restaurantes que deverão ser afectados, 23 são da cadeia italiana de Oliver. E chegaram a ser 43, entre o primeiro que abriu, em 2008, e o último a encerrar agora. É preciso ter muito azar para levar um restaurante italiano à falência. Quanto mais 25! Por falar em restaurantes italianos, bem longe de Londres, em Modena, Itália, está o Osteria Francescana, do chef Massimo Bottura, eleito, em Outubro de 2018, o melhor restaurante do mundo. Não serve pizzas e não é por isso que deixa de ser italiano, mas inspira as criações gastronómicas em peças musicais e está repleto de obras de arte nas paredes. Por ali, o dinheiro ainda não acabou.

Até agora, Jamie injectou mais de 20 milhões de euros da sua fortuna pessoal avaliada em 200 milhões, num negócio cujo CEO é o seu cunhado. Apesar disso, o próprio o afirma, “não sabe como chegou a esta situação”. E explica: “Há reuniões trimestrais, board meetings todos os meses... As pessoas contratadas para administrar deveriam tratar deste tipo de coisas.” Não trataram.

E fala de uma tempestade perfeita, o ingrediente que faltava a este prato cozinhado em lume brando por uma década. “O aumento das rendas, dos impostos e dos custos, o declínio das zonas comerciais, o Brexit e a subida do salário mínimo. Muita coisa tem estado a acontecer”, diz, numa entrevista recente. Se no exterior, a cadeia de restaurantes funciona de forma autónoma e não há grandes sobressaltos, no Reino Unido, o encarecimento dos produtos importados pela desvalorização da libra, acompanhado de uma quebra dos clientes é a amarga sobremesa trazida pelo Brexit até ao seu negócio. “O nosso dinheiro acabou”, diria o chef, numa história que, a ser uma receita, só poderia ser uma grande caldeirada.

O problema (de que ele, aliás, não tem culpa) do simpático e bem-humorado chef de que todas as mães gostam foi crescer como marca primeiro, e só como empresa depois

ócio

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Nesta edição visitamos o Feitoria Boutique Hotel, na Ilha de Moçambique

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O Ficka é um restaurante e um conceito. Fomos ‘prová-lo’

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A escolha da Adega recai no Esporão Tinto Colheita Biológica

(neg)ócio s.m. do latim negação do ócio

7500 MZN +258

849696963o

info@feitoria.

eFeitoria Boutique Hotel

a um ritmo

doce

as belas histórias têm belas atmosferas e belos protagonistas. Levam tempo. Esta história tem pelo menos sete anos, os que foram necessários para reestruturar uma antiga ruína e torná-la num boutique hotel. Foram anos de grande trabalho. Muitos contentores de materiais vindos de Portugal, da Índia, da África do Sul. Foram dezenas os trabalhadores envolvidos, muitos dos quais estão agora a trabalhar como funcionários da Feitoria, o boutique hotel que abriu as portas no passado mês de Novembro, na Ilha de Moçambique, fruto do sonho, do amor e da capacidade de entrega de Mário Gomes e de Ângela Freitas.

Acolhe hóspedes nacionais e internacionais que chegam à Ilha em lazer, em trabalho ou para assistir a conferências. Tem 20 quartos que oferecem uma linda vista sobre o rendilhado (como o belo logo do Feitoria) das ruelas da cidade, das estrelas no céu e das águas do canal da Ilha, onde levemente cruzam os dhows. Os quartos têm nome de especiarias que os feitores comercializavam antigamente naquele lugar. Os antigos armazéns são quartos que dão para a piscina, a antiga loja e a casa do feitor são outros quartos, uma sala de conferências e a recepção do hotel. Cores suaves, típicas da Ilha – branco, amarelo, cor-de-rosa e azul claro –, são iluminadas à noite pela luz ténue de candeeiros de latão vazado, acompanhando o ritmo doce das ondas do mar. Quando Ângela e Mário deci-

diram reestruturar a antiga ruína não ficaram assustados com o grande trabalho que iriam ter. Procuraram manter a traça arquitectónica, usando as técnicas de construção e os materiais de há quatro séculos, quando esta feitoria foi construída, em 1780.

Ao lado da pura (e árdua!) necessidade de reabilitação, a motivação era de natureza prática e ambiental: poupança energética com painéis solares, gerador, estação de tratamento da água (a água e a energia são as grandes dores de cabeça na Ilha) e materiais de primeira classe para enfrentar a corrosividade do sal e do mar. O hotel conta com um sistema fiável e eficiente, instalado num edifício em frente – a casa técnica –, com baixo impacto ambiental e com toda a vantagem para os hóspedes e para o ecossistema frágil da Ilha.

TExTO Paola Rolletta
FOTOgrAFIA MauRo Pinto

os quartos têm nome de especiarias que os Feitores comercializavam antigamente naquele lugar

roteiro

CoMo iR

A LAM voa de Maputo para Nampula e/ou Nacala (a partir de 16 000 MZN ida e volta). Em Nampula e/ou Nacala, aluga-se um carro e segue-se para a Ilha por estrada, cerca de 180 km de Nampula e 120 Km de Nacala (aluguer de carro custa cerca de 4 500 MZN. Um dos taxistas mais conhecidos é Fatahe).

o que fazeR

roteiro de dhow até às ilhas de goa, Sete Paus, Cobra e às praias da Carrusca e Cabaceira Pequena. Pode-se ainda fazer snorkeling e ver as baleias.

onde CoMeR

O restaurante Karibu, no bairro do Museu, serve óptimo peixe, atum fresco com gengibre, deliciosas saladas de polvo. Tudo pelas mãos da cozinheira D. Maria Amélia que prepara uma óptima matapa de siri siri e um guloso pudim de abóbora. Preço médio por refeição é de 700 MZN.

De Segunda a Sábado, das 07h às 21h

Rua Consiglieri

Pedroso, nº 181, Maputo

independentemente dos méritos do Ficka (e são vários, mas já lá iremos), o novo espaço que recentemente abriu na Baixa de Maputo não pode senão deixar-nos a pensar, pela escolha que fez para a sua localização, como esta zona da cidade poderia hoje ser se a recuperação deste espaço histórico tivesse sido levada à prática. Não precisamos de ir tão longe como à Bourbon Street, em New Orleans, nos Estados Unidos, cuja recuperação a tornou num dos mais espaços mais emblemáticos da cidade e um ponto de atracção turística mundial.

Mas não, não é preciso ir tão longe. Basta atermo-nos a outras cidades no continente africano para percebermos como tudo poderia ser diferente. Não é este certamente o espaço adequado para explanar como, ao longo das décadas pós-independência, por várias vezes se equacionou a questão da recuperação da Baixa de Maputo. Mas, para os

restaurante FicKa um espaÇo que É um conceito

mais curiosos, não resistimos a sugerir, por exemplo, a leitura da tese de doutoramento de Lisandra Ângela Franco de Mendonça (“Conservação da Arquitectura e do Ambiente Urbano Modernos: A Baixa de Maputo”) através da qual não só nos é dada uma fascinante contextualização histórica como podemos compreender melhor as razões da presente (e triste) situação a que a zona está votada (o estudo está online). Mas deixemos o passado. O que o Ficka deixa claro é que, mais do que um espaço gastronómico, se trata de um projecto com um “conceito”, um “concept restaurant”. O que define um “concept restaurant”? De forma muito resumida, é a “ideia” (ou o “tema”) que, antes de qualquer outro aspecto, preside à organização do espaço, à sua decoração, ao design (nos seus mais pequenos

o novo espaÇo que recentemente aBriu na Baixa de maputo segue uma tendência gloBal

detalhes), ao estilo do serviço e, claro, last but not the least, à proposta gastronómica. Num “concept restaurant”, a qualidade do produto culinário e o desfrute gastronómico são, como sempre, factores essenciais, mas o que é genuinamente decisivo é a totalidade da “experiência” de quem o visita, ou seja, a percepção que fica de que, mais do que cumprir o ritual alimentar, se está a aderir à “ideia” e à “comunidade” daqueles que se identificam com o conceito que está na origem do projecto. Neste contexto, compreende-se, de igual forma, que o essencial da proposta gastronómica incide, sobretudo, naquilo que “faz a diferença” e se liga à “ideia”. Um olhar superficial pelo menu pode até dar a impressão, precipitada, de que não difere do que é comum encontrar noutros sítios. Como sempre, são os detalhes que importam. Deixemos então aqui algumas sugestões: nas

entradas experimente, por exemplo, as “Ficka Wings” (asinhas de frango frito com molho de queijo azul) ou as “Cascas Fritas” (cascas de batata frita com maionese de bacon). Nas saladas, a nossa escolha vai para a salada de beterraba e feijão e, em especial, para a “Veggie Cous” (à base de couscous). Há várias opções interessantes de hamburgueres mas o “Ficka Burger” (alface, tomate, cebola, bacon, queijo cheddar e queijo azul) destaca-se entre todos. E se é daqueles que não resiste ao frango, então o “Frango de Laranja” é a escolha preferencial, apesar do “Frango Mazive” (marinado em cerveja) também seja uma boa opção. Se é apreciador de doces, a nossa sugestão é que experimente a “Concha de Canela” (à base de uma receita tradicional sueca).

TExTO Rui tRindade FOTOgrAFIA Jay GaRRido

adega de BorBa reserva tinto 2015

País Portugal

ReGião Alentejo

Castas Aragonês, Trincadeira, Castelão e Alicante Bouschet

CoR Rubi

aRoMa Fino e elegante, sugerindo frutos pretos, compota e chocolate branco

PaladaR Macio, com ligeira adstringência, equilibrado, notando-se um frutado maduro, taninos suaves mas estruturados

final Final longo e elegante

teoR alCoóliCo 16%

cortes de cima caBernet sauvignon tinto 2015

País Portugal

ReGião Alentejo

Castas Cabernet Sauvignon

CoR Granada

aRoMa Groselhas maduras, algum mentolado e riqueza balsâmica

PaladaR Concentração ligeira com belos taninos polidos e controlados final Final perfumado mas não muito longo teoR alCoóliCo 14%

colHeita tinto (Biológico) 2016

País

Portugal

ReGião

Alentejo

Casta

Touriga Franca e Cabernet Sauvignon CoR rubi

aRoMa Notas de fruta vermelha, ameixa e mirtilo, PaladaR Densidade e corpo da Touriga Franca final Final persistente e elegante

teoR alCoóliCo 14%

monte da ravasqueira tinto 2014

País Portugal

ReGião Alentejo

Castas Touriga Nacional e Syrah

CoR Rubi

aRoMa Complexo com notas de fruta preta e vermelha, floral seco e frescura de folha de laranjeira

PaladaR Estruturado com compleição sem perder o sabor e a elegância

final Final rico com persistência dos sabores a frutas e especiarias

teoR alCoóliCo 16%

produzido exclusivamente com uvas do esporão segue as (Boas) práticas da agricultura Biológica

uma experiência Única

esporão tinto colHeita (Biológico) 2016

a nossa proposta vai para um vinho português de características particulares que merece ser amplamente desfrutado por todos os bons apreciadores: o Esporão Colheita Tinto (Biológico) 2016. Produzido exclusivamente com uvas cultivadas na Herdade do Esporão e seguindo práticas de agricultura biológica, este Colheita traduz a diversidade dos solos onde as vinhas foram plantadas e o carácter e a identidade das castas seleccionadas. Localizada na região do Alentejo, a Herdade do Esporão foi fundada em 1973 por José Roquette e Joaquim Bandeira.

De entre as produções mais conhecidas da Herdade do Esporão estão os vinhos Assobio e Monte Velho, mas não podemos deixar de referir também o Esporão Trincadeira, o Esporão Reserva, o Esporão Private Selection e varietais como o Verdelho, o 4 Castas e o 2 Castas. O conhecido crítico Robert Parker definiu assim o Esporão Colheita Tinto (Biológico) 2016: “profundo, cor rubi concentrada, frutos vermelhos frescos com notas de ameixa e mirtilo, aromas ricos e sabores de frutas, estilo elegante, equilibrado e persistente, fruta densa com a Touriga Franca proporcionando corpo e sabor, bem suportados pela estrutura e acidez do Cabernet Sauvignon. Juntas, estas variedades oferecem vibração e uma textura cremosa, com final persistente.” E deu-lhe uma pontuação de 87 (em 100).

Os “Colheita” são vinhos biológicos feitos em túlipas de betão, processo a partir do qual se pretende respeitar as características primárias do vinho. Este Colheita Tinto de 2016 – que iniciou a sua fermentação em lagar e só depois passou para as túlipas- resulta de um lote de Touriga Franca e Cabernet Sauvignon, de solos graníticos, xistosos e franco-argilosos. Importa ainda referir que a Herdade do Esporão faz hoje parte dos roteiros mais conhecidos do enoturismo em Portugal. Além disso, o local conta com restaurante, Wine Bar, e outros pontos turísticos, como a Torre do Esporão e a Ermida de Nossa Senhora dos Remédios.

Pontos incontornáveis numa ida à Herdade do Esporão é a visita à Cave das Barricas, a 30 metros de profundidade, à Adega dos Lagares e ao Lagar de Azeite. A visita fica completa com um almoço no restaurante da Herdade, espaço recentemente renovado, que recorre a produtos sazonais, de produtores locais nacionais e de produção própria.

música filmes livros

exposiÇÕes

“Raízes de sal” de MaRiano silva

CuRadoRia:

Filipe BRanquinho

Centro Cultural

Franco-Moçambicanoo

Sala de Exposições

Inauguração: 4 de Junho

Hora: 18h30

Aberta até 2 de Julho

“o pRoFundo seR” de BRuno pais e leidito pengat

Fundação Fernando

Leite Couto galeria

Inauguração: 5 de Junho

Hora: 18h

“aRte 21”, CoM tRaBalhos de alunos da esCola poRtuguesa de MoçaMBique no âMBito do dia de poRtugal, de CaMões e das CoMunidades poRtuguesas.

Camões - Centro Cultural

Português em Maputo

Inauguração: 7 de Junho

Aberta até 28 de Junho

Horário: Segunda a Sexta das 11h às 18h a Batalha do passaRinho de eMílio doMingos

Centro Cultural

Franco-Moçambicano

Dia: 3 de Junho

Hora: 19h

“ visit in ChiChonelane” de heiKe RoCh

Centro Cultural

Franco-Moçambicano

Dia: 10 de Junho

Hora: 19h

exit thRough the giFtshop: a BanKsY FilM

Fundação Fernando

Leite Couto

Dia: 11 de Junho

Hora: 18h

mÚsica

MeloManíaCos

Beto Beethoven (voCals), stivan Kap’Chand (guitaRRa), dino siMões (BateRia) e Riaaz issuFo (Baixo)

Fundação Fernando

Leite Couto

Dia: 7 de Junho

Hora: 18h

Ras tonY

Fundação Fernando

Leite Couto

Dia: 13 de Junho

Hora: 18h

7ª Festa da MÚsiCa

Centro Cultural

Franco-Moçambicano

Dia: 15 de Junho

Hora: 10h30 às 22h30

• em destaque

“O LUMINOSO VÔO DAS PALAVRAS”

MAURO BRItO

ED. KUVANINgA

O escritor moçambicano Mauro Brito acaba de lançar a sua segunda obra infanto-juvenil. Trata-se da colectânea de poesia intitulada “O Luminoso Vôo das Palavras”.

Depois de há dois anos ter publicado “Passos de Magia ao Sol”, pela Escola Portuguesa de Moçambique e com ilustrações de Bárbara Marques, sai agora pela Kuvaninga um livro que para o autor é pretexto de conversa com o tempo, “no sentido de a palavra sempre ser renovada em função do que pretendemos transmitir e pode ser uma arma para vencer a ignorância, a insegurança e a solidão” refere. Mauro Brito nasceu nos anos 90 em Nampula. Fez teatro de rua, dança e tirou brevet, tornando-se piloto de aeronaves, como se a casa tivesse encontrado o seu inquilino. Colaborou com vários jornais e revistas, como Missanga, Debate, Blecaute, Cultura e Literatas. A sua paixão estende-se ao activismo ambiental, cerâmica e fotografia.

teatro

“MJiBa- a BoneCa gueRReiRa”) dois palhaços BRasileiRos FazeM uMa hoMenageM às lutas das MulheRes negRas. tRupe liuds (BRazil)

CTO - Feira de Hulene

Dia: 8 de Junho

Hora:10h30

“ tiRos ContRa azagaias ” texto: Mia Couto - a espada e azagaia

enCenadoR: BuanaMade aMade

Fundação Fernando

Leite Couto

Dia: 27 de Junho

literatura

Hora:18h lançaMento dos livRos venCedoRes da 2ª edição do pRéMio liteRáRio eugénio lisBoa /iMpRensa naCional

Casa da Moeda, “saga d’ouRo” de auRélio FuRdela e “sonhos ManChados, sonhos vividos”, de agnaldo Bata.

Camões - Centro Cultural Português em Maputo

Dia: 14 de Junho

Hora: 18h

seMináRio de JoRnalisMo

CultuRal pRoMovido pela só aRte Media e iveRCa, CoM Convidados naCionais e inteRnaCionais.

Camões - Centro Cultural Português em Maputo

Dia: 17/18/19 de Junho

Hora: 14h às 18h

lançaMento do livRo inFanto-Juvenil “ tangeRina”, de ana queiRoz, CoM ChanCela da esCola poRtuguesa de MoçaMBique – CentRo de ensino e língua poRtuguesa.

Camões - Centro Cultural Português em Maputo

Dia: 26 de Junho

Hora: 18h

moÇamBique na Bienal de veneza 2019

gonçalo mabunda, Mauro Pinto e Filipe Branquinho vão representar Moçambique na edição de 2019 da Bienal de Arte de Veneza com a exposição ‘The Past, The Present and The In Between’. A exposição pretende ser uma reflexão sobre o conturbado passado do país e as suas repercussões na sociedade contemporânea moçambicana. A exposição tem curadoria de Lidija Kostic Khachatourian e terá lugar no Palazzo Mora. Na edição deste ano da Bienal de Veneza apenas oito países do continente africano vão estar representados com um Pavilhão próprio: Egipto, Gana, Costa do Marfim, Madagascar,

Moçambique, Seychelles, África do Sul e Zimbabué. Importa referir, no entanto, que para dois destes países, Gana e Madagascar, esta é a primeira vez que estarão presentes com um pavilhão próprio. O Gana convidou o famoso arquitecto Sir David Adjaye para conceber o seu pavilhão o que, tendo em consideração que, apesar de origem ganesa, Sir David Adjaye vive há muito no Reino Unido e é considerado uma referência mundial no domínio da arquitectura, mostra o em-

para alÉm da presenÇa artística, o continente vai estar tamBÉm em Foco no Forum “aFrican art in venice”

penho do Gana em mostrar-se ao mais alto nível. Recorde-se, apenas a título de exemplo, que Sir David Adjaye concebeu o recentemente inaugurado National Museum of African American History and Culture em Washington (EUA). Para além da presença artística através dos diversos pavilhões nacionais, o continente vai estar também em foco no Forum “African Art in Venice”. Criado em 2017, o “African Art in Venice Forum” surgiu com o objectivo de debater a arte e os artistas de muitos países africanos que, por muitas e variadas razões, não têm tido possibilidade de estar presentes na Bienal de Arte de Veneza em Itália.

Bienal de veneza

Decorre até 24 de Novembro

Ferrari F8 triButo

O F8 vai chegar aos 100 km/h em apenas 2,9 segundos e aos 200 km/h em 7,8 segundos. A velocidade máxima é de 340 km/h.

PReço

novo F8, o triButo da Ferrari no salão de geneBra

antes de darmos o devido destaque a algumas das novidades que marcaram esta edição, importa sublinhar que o que ficou patente este ano foi que a revolução nas motorizações está a chegar, ou seja: se nas últimas edições as marcas apresentaram conceitos que antecipavam a transição para o novo modelo energético, este ano mostrou que os carros eléctricos vão entrar em força no mercado. As “novidades” foram muitas e é impossível dar conta, neste espaço, de todas elas. Entre as escolhas possíveis, o destaque vai para o novo F8 Tributo da Ferrari. Partindo da base do 488 Pista, ou seja, o chassi com motor V8 em posição central traseira, o F8 Tributo passa a ser o mais possante da família, graças ao 3,9 biturbo a debitar 710 cv. Com a nova motorização, o F8 vai chegar aos 100 km/h

vem apenas 2,9 segundos e aos 200 km/h em 7,8 segundos. A velocidade máxima é de 340 km/h. Em termos práticos, a Ferrari junta-se assim à McLaren (com os 720 cv do 720S) e à Lamborghini (com os 740 cv do Aventador S) como os únicos três fabricantes que oferecem mais de 700 cv neste segmento.

De acordo com a informação fornecida pela Ferrari, o F8 Tributo é um dos supercarros mais rápidos, mais emocionantes e comunicativos de todos os tempos. Além de 50 cv mais potente do que o seu antecessor, o 488 GTB, beneficia do alívio de peso de 40 quilos em comparação com o anterior modelo sendo agora apenas 1 330 quilos. E é preciso ainda mencionar uma melhoria de 10% na eficiência aero-

o salão de geneBra É considerado por muitos como o principal evento do ano do mundo automóvel

dinâmica. Para conseguir estes ganhos em relação ao seu antecessor, o F8 Tributo conta com novas entradas de ar para arrefecimento dos travões, uma nova conduta em “S” na dianteira (que ajuda a aumentar o downforce em 15% em relação ao 488 GTB) e ainda novas entradas de ar para o motor de cada lado do spoiler traseiro.

Enrico Galliera, vice-presidente da Ferrari, anunciou em Genebra que 2019 vai ser um ano marcado por mais novidades. Sem entrar em detalhes, Galliera revelou que uma das novidades será um novo superdesportivo de entrada na gama, que vai estrear uma plataforma com motor central traseiro. No novo modelo, o 3.9 V8 irá ser substituído por um mais pequeno (e barato) V6 sobrealimentado, muito provavelmente híbrido. Este modelo será colocado na gama da Ferrari como uma opção mais acessível face ao F8 Tributo.

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