A E&M fAz As contAs Ao potEnciAl EconóMico do Índico
6
Observação
Voar
a imagem de um dos maiores aeroportos do mundo no mês em que o mundo vai de férias
8 Radar
Panorama economia, banca, Finanças, Infra-estruturas, Investimento, País
14 Macro
ENQUADRAMENTO
14 LAM Qual o destino da companhia aérea nacional que tem sido assolada por problemas
18 Embalagens Uma indústria ainda pouco desenvolvida e a precisar de... embalagem
26 Nação
A EcONOMiA DO MAR
26 Quanto vale o Mar? a e&M faz as contas ao potencial económico do Índico e ao quanto ele poderia valer para a criação de riqueza nacional
34 Na voz de... antónio Francisco, economista e director de investigação no Iese
38 ProvÍncIa
inhambane os planos de desenvolvimento da Província onde a economia parece ter marcado férias
42 Mercado e FInanças
Seguradoras
o que muda com o aumento do capital mínimo para dar ´músculo’ ao mercado dos seguros
48 EMPresas
PME
MMO Uma empresa de alocação de espaços para empresas, com um conceito premium
50 MegaFone
Marketing o que está a acontecer no mundo das marcas em Moçambique e lá por fora
52 fIgUra do MÊs cE-cPLP a poucos meses do fim do seu mandado, salimo abdula pede “mais economia” para a cPLP
54 SocIedade cidades de Kigali a nairobi, passando por Maputo. as promessas e os desafios das cidades inteligentes
60 LÁ Fora
Angola com o preço das commodities alimentares a subir, angola tem de produzir cada vez mais
67 ócio
68 Escape os 100 anos do ‘terraço luminoso de Maputo’. 70 Gourmet Uma viagem ao Japão nos pratos do aska 71 Adega as Indian Pale ale ganham lugar entre as artesanais 72 Agenda Música, livros, filmes 73 Arte “entre eu e deus”, o novo documentário de Yara costa 74 Ao volante o novo Patrol
LAM, do presente ao Futuro da Companhia
os momentos difíceis por que passa a nossa LAM suscitam, mais uma vez, debates e inquietações quanto ao Futuro da Companhia. Este tema não é novo, porquanto os problemas já identificados há bastante tempo não atendidos em tempo útil e propostas de caminhos de saída, que nunca foram trilhados até bom (aero)porto, vêm comprometendo a regularidade das operações. A situação actual da LAM é consequência de problemas estruturais e operacionais que se traduzem na ineficiência e fraco desempenho económico e financeiro, não descurando outros factores exógenos. Com os novos acontecimentos voltaram as velhas discussões como a de privatizar a companhia ou concessionar a gestão? Importa, antes de tudo, esclarecer que à luz dos seus estatutos, a LAM não é uma empresa pública, mas sim privada em que o Estado, representado pelo IGEPE, é accionista maioritário.
Os que apregoam ou defendem esse caminho, certamente quererão dizer, abertura do capital a investidores privados. Quer se opte por uma ou outra modalidade, a certeza é que a LAM terá que passar por um processo de reestruturação profunda a todos os níveis para restabelecer o equilíbrio, conferindo-se-lhe melhor desempenho operacional, económico e financeiro, o que se vai traduzir na melhor prestação de serviços. Esta visão de reestruturação já vinha sendo implementada pela administração que antecedeu a que foi recentemente destituída, tendo, em finais de 2015, lançado um concurso internacional para a contratação de serviços profissionais de consultoria, conjugando com a implementação de medidas de reorganização interna e apresentação de propostas aos accionistas e ao Governo para a aprovação de medidas estratégicas que influenciassem a actividade da companhia mas que também estimulassem o tráfego aéreo de passageiros e carga. Em Janeiro de 2016 iniciou-se o processo de avaliação das propostas quando, em Fevereiro do mesmo ano, o Conselho de Administração foi substituído. Era expectável que por esta altura já estivessem em implementação algumas acções estratégicas recomendadas ao nível do posicionamento estratégico futuro (LAM e MEX), do modelo de negócio (articulando LAM e MEX), da rede e frota, criando sinergias operacionais internas, dimensionamento efectivos e competências, terceirizando actividades, e criando modelos de colaboração ou parceria com outras companhias, com ‘quick wins’ a curto e médio prazos. Esta edição da E&M dedica especial atenção à LAM. Para que possamos ajudar aos nossos leitores na tomada das melhores decisões pois ‘quem lê sabe mais’.
Agosto 2018 • Nº 05
PROPRIEDADE Executive Moçambique
DIRECTOR Iacumba Ali Aiuba COnsElhO EDITORIAl Alda Salomão; António Souto; Narciso Matos; Rogério Samo Gudo DIRECTORA EDITORIAl
GRUPO EXECUTIVE Ana Filipa Amaro
EDITOR EXECUTIVO Pedro Cativelos JORnAlIsTAs Celso Chambisso; Hermenegildo Langa; Cristina Freire, Elmano Madaíl, Rui Trindade; PAGInAÇÃO José Mundundo FOTOGRAFIA Jay Garrido; Vasco Célio PRODUÇÃO Iona - Comunicação e Marketing, Lda (Grupo Executive) PUBlICIDADE DEPARTAmEnTO COmERCIAl Ana Antunes (Moçambique) ana.antunes@executive-mozambique. com; iona@iona.pt/contacto@iona.pt (Portugal)
ADmInIsTRAÇÃO, REDACÇÃO E PUBlICIDADE Executive Moçambique; Rua do Telégrafo, nº 109 – Sala 6, Bairro Polana Cimento, Maputo – Moçambique; Tel.: +258 21 485 652; Tlm.: +258 84 311 9150; geral@executive-mozambique.com DElEGAÇÃO Em lIsBOA Rua Filipe Folque, nº 10 J – 2º drtº,1050-113 Lisboa; Tel.:+351 213 813 566; iona@iona.pt ImPREssÃO E ACABAmEnTO Minerva Print - Maputo - Moçambique TIRAGEm 4 500 exemplares númERO DE REGIsTO 01/GABINFO-DEPC/2018
POnTOs DE VEnDA
Pastelaria Taverna - Av. Friedrich Engels
Pastelaria Taverna – Av. Július Nyerere nº 967
Pastelaria Taverna – Av. Mao Tse Tung
Pastelaria Taverna – Rua Kibriti Diwane nº 135
Pastelaria Taverna – Av. Marginal Spar da Interfaranca – Av. 24 de Julho
UEM-Faculdade de Economia - Papelaria Tabacaria Mil e Uma Coisas - Prédio 33 Andares, loja 20
Pastelaria Continental - Av. Samora Machel
Capuchinho vermelho – Av. Vladimir Lenine
Iacumba Ali Aiuba
observação
Dubai, Emiratos ÁrabEs uniDos Agosto,
o mês dos vôos
É tradicionalmente uma das épocas do ano em que mais gente viaja. E por isso, o destaque para um dos maiores aeroportos do mundo (o 3º, ao nível do volume de passageiros). Os dois primeiros são o de Beijing, China, e o de Hartsfield-Jackson, Atlanta, o mais movimentado em todo o mundo, com uns incríveis 95 milhões de passageiros anuais, mais do triplo da população moçambicana num só ano. Regressando ao Aeroporto Internacional do Dubai, por ali “escalaram” 83,6 milhões de passageiros em 2017. No entanto, essa tal escala, no caso de grandeza que o tornou referência mundial, será em breve amplamente ultrapassada.
Aprovado em 2014, está em marcha um plano de 32,2 mil mihões de dólares, para transformar o Al Maktoum International Airport (o segundo maior do Dubai) no maior do mundo. Assim, até 2022, ficará enquadrado no mega-projecto ‘Dubai World Central’, um empreendimento que ocupa uma superfície de mais de 280 quilómetros quadrados (dotado de resorts, hotéis e até campos de golfe), com capacidade de acolher até 220 milhões de passageiros por ano, três vezes mais do que a capacidade actual. Depois, a nova infra-estrutura, só possível de ser executada (e até imaginada) no Dubai, estará ligada ao actual Aeroporto Internacional, que vemos na imagem, por um sistema de comboio de alta velocidade e será servida pelo metropolitano, bem como por outra linha férrea exclusiva.
fOtOgRAfIA Istock Photos
RADAR
INFRA-ESTRUTURAS
Ferrovia. A empresa Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) anunciou um investimento de 200 milhões de dólares na modernização da rede ferroviária ao longo dos próximos três anos, em todas as regiões do país (Sul, Centro e Norte). Trata-se de uma medida que vai ajudar a reduzir a excessiva quantidade de carga sobre as estradas e dinamizar a circulação de pessoas em bens, reduzindo o custo das transacções. No ano passado, a CFM alcançou um desempenho notável ao atingir mais de 45 milhões de dólares em lucros.
Imobiliário. Foi anunciado o lançamento de um empreen-
dimento de grande envergadura projectado para a área do antigo recinto da FACIM (Feira Internacional de Maputo), na baixa da capital, Maputo, à luz de um acordo assinado em Julho passado entre o Grupo Visabeira e o Millennium bim.
Não foram ainda revelados os detalhes sobre o projecto final, orçamento da obra ou datas de arranque e conclusão dos trabalhos, mas os signatários referem que “será um projecto com conceitos inovadores e modernos, com elevada qualidade e sustentabilidade e que vai contribuir para a projecção regional e internacional de Maputo e de Moçambique.”
O acordo prevê, de igual forma, a transmissão da posição maioritária do Millennium bim na sociedade que actualmente detém os direitos sobre o terreno, para a Visabeira Moçambique,
Porto da Beira. O governo anunciou, em Julho passado, a prorrogação da concessão à Cornelder de Moçambique, a partir de 2023, ano em que terminam os 19 anos do prazo da concessão ainda em curso.
CPLP “dEvE AgoRA vIRAR-SE PARA o CRESCImENTo EmPRESARIAL”
CE-CPLP. Na cimeira que se realizou em Cabo Verde, no final de Julho, os temas económicos estiveram, mais do que nunca, em cima da mesa. E, nesse sentido, a Confederação Empresarial da CPLP (CE-CPLP), presidida pelo empresário moçambicano Salimo Abdula desde 2013, deu voz a essa vontade, assumindo ter “chegado a hora da vertente económica, depois de mais de 20 anos em que nos centrámos a sua consolidação na cultura e na língua”. Para o presidente da CE-CPLP, “tem faltado
Ponte Maputo – Ka Tembe. É já assim chamada a ponte que liga as duas margens da baía de Maputo, mas será mesmo o nome de ‘baptismo’ da infra-estrutura, se a vontade da Assembleia Municipal de Maputo se concretizar. Após aprovação, a proposta terá de ser submetida à apreciação do Conselho de Ministros.
Sasol. Depois do cancelamento do concurso internacional de 50 milhões de dólares lançado no mês passado pela Sasol, para a logística e transporte de petróleo leve do jazigo de Inhassoro, para o Porto da Beira, a companhia admite estar a tentar “melhorar o entendimento com os parceiros nacionais.” Nesse sentido, continua “a trabalhar com o país”, disse Bongani Nqwababa, CEO da Sasol. à E&M.
coragem política, porque os empresários já têm essa visão bem amadurecida, esperando que os políticos abram as auto-estradas, que os empresários farão o resto.” Para Salimo Abdula a mobilidade de pessoas, bens e capitais é essencial, e a Confederação já apresentou uma proposta no sentido de que se chegue à abertura do espaço da CPLP, que integra Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste.
BANCA
Formação. ‘Mais ferramentas para a implementação de cursos específicos de formação no sector bancário’. É este o objectivo da formação de 27 técnicos de várias instituições bancárias em matérias de gestão de risco, ministradas pela Mozambique Business School, uma unidade orgânica do Grupo IPS, holding detentora da Universidade Politécnica, em parceria com a Frankfurt Business School, da Alemanha.
O curso faz parte de um programa de apoio do Banco Europeu de Investimento (BEI) a vários países da África Austral, incluindo Moçambique.
Ética empresarial. O Instituto de Directores de Moçambique (IDM) está em fase de eleição de novos órgãos sociais para o triénio 2018-2020, a serem votados em Agosto, em assembleia geral extraordinária da instituição.
O IDM é uma organização privada sem fins lucrativos, criada com o objectivo de promover a governação corporativa,
ética empresarial e mitigação de riscos de corrupção em instituições moçambicanas.
PARCEIRoS
Investimento. Durante o encontro de chefes-de-Estado na cimeira da CPLP realizada em Cabo Verde, Filipe Nyusi reuniu-se, na Ilha do Sal, com o presidente do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), Akimune Adesina, tendo solicitado o apoio do BAD para introduzir um novo modelo de exploração agrícola no país, com base no bem-sucedido modelo do Gana. “Esse é um caso de sucesso, com um mercado doméstico desenvolvido e integrado, que inclui as vias de acesso e a construção de instalações para processar a produção, e não esquece o aumento das exportações”, assume o Presidente Filipe Nyusi. A resposta ao pedido de Moçambique deve resultar na deslocação de uma equipa do BAD ao país para prestar assessoria e aconselhamento nesta área específica.
Apoio externo. O Banco Africano de Exportações e Importações (Afreximbank) está a levar a cabo um estudo sobre a economia nacional, para depois definir em que áreas e com que montantes vai ajudar, disse à Lusa o director do departamento de análise de crédito do banco. “O director regional para a África Austral esteve em Moçambique para, até ao final do ano, fazer um estudo sobre o país para
vermos como podemos ajudar não só no financiamento, mas também na definição de políticas que ajudem ao desenvolvimento do país”, disse, em Julho passado, Samuel Loum.
Cooperação. O Presidente da República, Filipe Nyusi, exortou os empresários moçambicanos a desenvolverem projectos concretos no Ruanda, para a conquista de novos mercados e internacionalização da economia do país. “Queremos fazer coisas concretas com o Ruanda”, afirmou, durante um encontro com uma missão empresarial de Moçambique, em Kigali, no âmbito da visita de Estado que realizou em Julho passado, ao Ruanda.
O chefe de Estado moçambicano assinalou que os empresários dos dois países devem apostar em parcerias que possam ”gerar resultados tangíveis”.
Cooperação sino-aficana. No início do mês passado, cerca de 400 delegados e altos funcionários dos governos de 42 países africanos, incluindo Moçambique, participaram no 4º Fórum de Cooperação entre China e África, realizado em Beijing. No encontro, a China expressou o seu compromisso em assegurar que África invista no desenvolvimento ao nível do acesso ininterrupto da televisão por satélite.
AgRo -INdÚSTRIA
Agronegócio. Pesquisadores do Observatório do Meio Rural (OMR) consideram que os investimentos feitos pelo Estado na mecanização “ainda não estão a surtir efeitos desejados.”
Esta posição foi apresentada numa conferência sobre Políticas Públicas Para o Agro-negócio que teve lugar em Julho, em Maputo. Durante a
mERCAdoRIAS dE moÇAmBIQUE (Bmm)
A BMM é a Instituição criada pelo Governo que, para além de ser responsável pela gestão dos Complexos de Silos, tem o principal papel de aproximar compradores e vendedores. A Instituição constitui uma plataforma segura de transacção de commodities, e tem contribuído sobremedida para o aumento da renda dos camponeses, através da comercialização dos seus produtos em bolsa a preços mais justos.
Com a intermediação de mercadorias em bolsa o empoderamento financeiro dos camponeses envolvidos melhorou significativamente permitindo uma maior planificação e preparação destes para as campanhas seguintes.
A título de exemplo, no ano transacto foram intermediados 255,332.53 kg de mercadoria diversa que beneficiaram produtores, bem como comerciantes a nível das três regiões do país.
O grande desafio que a BMM enfrenta na actualidade prende-se com o envolvimento massivo de todos os camponeses, como forma de oferecer melhores condições financeiras a este grupo em particular, e a todos envolvidos na comercialização de commodities de modo geral.
STOCK DE MERCADORIAS EXISTENTES NOS COMPLEXOS DE SILOS
RADAR
conferência foi apresentado um estudo que revelou que as máquinas distribuídas em algumas zonas do Centro e Norte “não estão a servir as comunidades”.
Pecuária. Um conjunto de empresas privadas da província da Zambézia anunciou o investimento de cerca de 52 milhões de dólares em projectos de criação de gado bovino, para a exportação de carne com vista aos mercados da Ásia, revelou, no mês passado, o Departamento de Pecuária na Direcção Provincial da Agricultura e Segurança Alimentar. A Zambézia tem grande potencial na produção pecuária. Estatísticas actuais indicam que a província conta com 47 mil cabeças de gado bovino, das quais 11 500 pertencem a empresas, e as restantes são do sector familiar. Os números representam, ainda assim, uma descida considerável em comparação com os da década de 1980, quando havia 175 mil cabeças de gado bovino.
Pasta de papel. A multinacional portuguesa The Navigator Company vai reformular o projecto de investimento em Moçambique, que passará a ser desenvolvido em duas fases, ao abrigo de um memorando de entendimento assinado com o governo, informou o grupo em comunicado ao mercado. Numa primeira fase, pode ler-se no comunicado distribuído pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários de Portugal, será criada uma base florestal de cerca de 40 mil hectares (o plano florestal de larga escala associado ao
projecto industrial da segunda fase, inclui a plantação de mais 120 mil hectares de floresta) e iniciada a construção de uma fábrica de pasta de papel com uma capacidade de produção de cerca de 1,5 milhões de toneladas anuais. O investimento nesta primeira fase será de cerca de 260 milhões de dólares, de um total de 2,3 mil milhões previstos até 2023.
RECURSoS NATURAIS
Rubi. A canadiana Fura Gems, passará a ser a empresa com maior área licenciada (1 104 quilómetros quadrados) para a exploração de rubis em Moçambique, após a conclusão do processo de fusão de activos mineiros com as empresas australianas Mustang Resources e a Regius Resources Group Ltd. A empresa adquiriu nove licenças mineiras detidas por aquelas duas empresas, por 15 milhões de dólares australianos.
Actualmente, os rubis de Moçambique são extraídos no distrito de Montepuez, província de Cabo Delgado pela empresa Gemfields, através da sua subsidiária de Montepuez Rubi Mining.
Gás natural. O ministro dos Recursos Minerais e Energia, Ernesto Max Tonela, esteve na Tailândia para consolidar a parceria (já existente com a agência nacional que regula aquele mercado) para a venda de parte da produção de gás a ser explorado, na melhor das hipóteses, a partir de 2023. A intenção é a de direccionar para o mercado tailândês 2,6 milhões de toneladas de gás natural liquefeito produzido na Área 1 da Bacia do Rovuma, em Cabo Delgado. O projecto de extracção, processamento e liquidificação de gás natural consiste em duas unidades de processamento com capacidade para 12,88 milhões de toneladas por ano.
Ouro. A Sino Minerals Investment Company, empresa contratada pela Explorator e subsidiária do grupo britânico Xtract Resources para explorar a parte oriental da concessão de Manica, centro do país, extraiu 1 703 onças de ouro no segundo trimestre, “um aumento de 42% relativamente às 1 200 onças contabilizadas no primeiro trimestre”, informou o grupo britânico.
Madeira. No primeiro semestre deste ano, o grupo britânico Obtala, com 10 concessões florestais em Moçambique, obteve uma facturação de 7,3 milhões de dólares, com o processamento de 7,6 mil metros cúbuicos de madeira no primeiro semestre do ano. O sector florestal é fundamental para a economia nacional; gera 330 milhões de dólares em receita anual e, emprega cerca de 22 mil pessoas.
PAÍS
Quitação automática. O Ministério do Trabalho, Emprego e Segurança Social (MITESS) lançou a certidão de quitação automática, uma simplificação que permite ao empresário entrar no sistema de Segurança Social via internet, verificar a sua situação contributiva e emitir a certidão de quitação para participar em concursos do Estado.
O lançamento foi efectuado durante o XXIX Conselho Coordenador do MITESS, que decorreu na cidade de Inhambane, entre os dias 18 e 20 de Julho corrente, sob o lema “Moderni-
zar a Administração do Trabalho para Melhor Servir”. A certidão de quitação automática vai contribuir para a redução da margem de falsificações, uma vez que a Unidade Funcional de Supervisão das Aquisições (UFSA), assim como o Tribunal Administrativo têm a possibilidade de confirmar a autenticidade desta certidão, quando recebem o processo.
Segurança Social. Pelo menos 4 500 empresas da província de Nampula estão referenciadas como devedoras ao Instituto Nacional de Segurança Social (INSS), num valor acumulado de 130 milhões de meticais. Segundo a delegada do INSS, em Nampula, Alfredina Garcia, a maior parte daquelas empresas são do ramo comercial, que não canalizam as contribuições dos seus trabalhadores à instituição.
INAE. O Instituto de Inspecção da Actividade Económica (INAE) anunciou a expansão da fiscalização para todas as unidades económicas do país. Para o efeito, está a levar a cabo uma parceria com o Banco Mundial no sentido de “desenhar um plano estratégico e operacional a ser implementado entre os anos de 2019 e 2023”.
O director de operações da INAE, Ali Mussa, revela que, após a sua conclusão, este plano irá permitir, “não apenas a expansão das actividades de inspecção, mas também a divulgação da lei que regula a actividade económica em todo o país, com claros benefícios quer para empresários, quer para os consumidores.”
Arquitectos das estruturas sociais
Santiago Iñiguez de Onzoño • Presidente IE University
actualmente, e mais do que nas últimas décadas, o mundo carece de bons dirigentes e empreendedores. Desse modo, é preciso restaurar o valor social do bom empresário e da actividade empreendedora, pois só assim se propicia a resolução de qualquer crise e se promove o crescimento económico. A melhor forma de combater a intransigência, o choque entre culturas, as más políticas a nível internacional ou a ascensão do populismo e do nacionalismo exclusivista é desenvolver bons negócios, criar empresas novas, inovar, gerar riqueza e promover o valor social.
Que conselhos daria a empresários e dirigentes para lidarem com as circunstâncias actuais de volatilidade e maior incerteza? Em primeiro lugar, que não descurem as questões fundamentais, as regras de ouro das boas práticas de direcção, que muitos terão aprendido nas escolas de gestão. São elas as questões relacionadas com a necessidade de formular estratégias a longo prazo para as suas empresas, de identificar fórmulas sustentáveis de geração de valor, de fazer avaliações ajustadas do risco, de adoptar planos de contingência para prevenir cenários negativos, de apostar no activo mais valioso da empresa –sem dúvida, o talento e as pessoas – e de procurar novas oportunidades para inovar e renovar as empresas que dirigem. Uma forma alternativa de inovar é reduzir os custos e aumentar a produtividade – iniciativas vulgarmente implementadas em situações de crise, que também reflectem uma visão empresarial. Mas, a par da tomada de medidas de contenção e poupança, é preciso tratar de outras questões-chave: como impulsionar o negócio, renovar produtos e serviços, que novos mercados geográficos abordar, se é oportuno diversificar a actividade e se existem possíveis alianças estratégicas passíveis de reduzir os riscos.
O modelo de líder empresarial que propus nos últimos anos é o do dirigente cosmopolita, que possui três atributos: é responsável, culto e competente.
A responsabilidade do empresário cosmopolita manifesta-se, desde logo, nas relações com as pessoas que dirige e que compõem a sua empresa. Tal como noutros âmbitos profissionais,
os líderes sabem orientar as suas equipas para atingirem os objectivos da melhor forma possível. Mas a responsabilidade do dirigente também se projecta nos restantes stakeholders, que incluem os agentes sociais de dentro e fora da empresa.
A actividade do líder empresarial não pode ser imune a uma avaliação por parte da sociedade, uma vez que as empresas são organizações essenciais para o desenvolvimento socioeconómico, a geração de valor e o emprego.
É evidente que, para além das responsabilidades legais que possa ter no exercício da sua actividade, o empresário está sempre sujeito ao escrutínio social, no que respeita ao seu comportamento e às suas decisões. A projecção global de muitas empresas, por vezes, exige que os seus líderes tenham uma atitude de abertura, uma visão e compreensão abrangentes do mundo, bem como uma postura tolerante e conhecedora das diferentes culturas, da diversidade humana e das várias formas de expressão da civilização: em suma, um dirigente cosmopolita tem de ser culto e deve ser ávido de novos conhecimentos sobre outros povos, as humanidades, as artes ou as ciências, durante toda a vida. Por vezes, pensamos que, com a idade, já alcançámos um acervo cultural suficiente e que já não temos tanta necessidade de adquirir novos conhecimentos quanto nas primeiras etapas da nossa vida. Não obstante, os grandes sábios sempre se caracterizaram por uma permanente inquietude e vontade de aprender, uma humildade característica perante o novo e uma curiosidade insaciável pelo que é diferente. É essa atitude de persistente abertura às ciências e humanidades que permite continuar a desenvolver o espírito empreendedor nas etapas mais avançadas da carreira profissional.
E, por fim, os empresários cosmopolitas também são competentes. Conhecem as bases da sua profissão e continuam a actualizar conhecimentos e capacidades de que necessitem, ao longo de toda a carreira, uma vez que o ambiente empresarial está em constante mudança. A formação contínua – a procura de novas formas de inovação e de conhecimento empresarial – é uma das características fundamentais de um gestor de topo.
A par da tomada de medidas de contenção e poupança, é preciso impulsionar o negócio, renovar produtos e serviços, escolher que novos mercados geográficos abordar, se é oportuno diversificar a actividade e se existem possíveis alianças estratégicas passíveis de reduzir os riscos
Turbulência na laM obriga a procurar saída de eMergência
Atrasos e cancelamentos de voos, dívidas e custos astronómicos das passagens e um aparente descontrolo da gestão operacional levaram o Governo a afastar a administração da empresa. Apesar de tudo, mantém-se o potencial de criação de mais valias para a economia nacional. A E&M analisa os cenários de futuro da LAM
privatizar ou reestruturar e manter a companhia como um dos símbolos do orgulho nacional? Esta questão já foi muitas vezes levantada em Moçambique, e também em inúmeros países onde as companhias aéreas de bandeira enfrentam dificuldades de ordem financeira, à semelhança do que sucede com a LAM. A particularidade, porém, é que enquanto outros países avançam e experimentam resultados (bons ou nem tanto assim), em Moçambique passaram-se décadas e não hou-
ve nem uma reestruturação, profunda nem um movimento em busca da alienação do capital a um operador privado. Interessa agora buscar os diferentes caminhos que resolvam os problemas concretos da LAM, muito a propósito da mais recente repetição da crise de combustíveis que resultou no secular problema dos atrasos, cancelamentos de voos e demissão de mais um conselho de administração (o sexto desde 2011), em Julho passado. A Economia & Mercado conversou com quatro quadros da
LAM, dois deles fizeram parte dos anteriores conselhos de administração e outros dois do mais recente. Todos aceitaram a entrevista com a condição de não serem identificados. A primeira ideia que fica é que tanto a reestruturação (realização de um conjunto de reformas correctivas) quanto a privatização podem trazer resultados bons ou maus e, de facto, as duas opções dividiram opiniões dos nossos entrevistados.
Dois dos antigos quadros da LAM entendem que alienar
as participações da LAM a um operador externo com capacidade técnica e financeira reconhecida “seria a saída mais apropriada” para o estágio actual da empresa, isto porque, sustentam, “a reestruturação exige demasiadas mudanças que obedecem a condições financeiras que não seriam comportáveis na fase em que o país está”, assinalam. “Já passou o tempo em que era possível fazer a reestruturação com relativa facilidade”, defende a fonte. Além disso, os problemas da LAM estão
relacionados com as opções de gestão consideradas “inadequadas”. Deste modo, ao colocar uma participação do capital da empresa sob gestão de um operador pujante (a Ethiopian, que parece interessada, ou até a Emirates), a LAM ganharia “muito rapidamente”, uma postura e confiança dos credores, que seriam suficientes para renegociar as dívidas, restaurar a eficiência técnico-operacional e por essa via recuperar a confiança dos clientes e a estabilidade financeira.
E aqui, a experiência parece indicar este como um bom argumento. É que a venda da participação em companhias de bandeira de países com economias menos pujantes teve, em muitos casos (não todos, como no caso da Air Tanzânia, adquirida pela SAA, ver caixa da página seguinte) um impacto positivo nas operações de inúmeras companhias, incluindo em países da África Austral.
Mas não é apenas através da alienação de capital que isso pode ser feito. Em Angola, por exemplo, em finais de 2013, o governo firmou um acordo de gestão que colocou a TAAG ‘sob a alçada’ administrativa da gigante dos céus Fly Emirates, isto quando a empresa acumulava problemas semelhantes aos da LAM, com prejuízos na ordem de 99 milhões de dólares por ano. Com a gestão da Emirates, três anos depois, em finais de 2016, os custos da operação baixaram 100 milhões de dólares, reduziu-se significativamente o número de trabalhadores (na altura estimados em cerca de 4 000) e a companhia está hoje melhor que em 2013. Em Cabo Verde, acontece algo parecido. com a privatização da companhia de bandeira (Cabo Verde Airlines) até ao final deste ano.
liberalização? sim, mas... O contexto actual não favorece a criação de parcerias de
gestão com operadores externos. Porquê? Quando os investidores adquirem participações em companhias aéreas estão, muitas vezes, em busca dos direitos de tráfego de um espaço fechado a operadores externos.
Mas ocorre que o espaço aéreo nacional já está aberto a novos operadores. E a questão é: se é possível operar directamente no mercado doméstico (como a Fastjet já faz ou como a Ethiopian Airlines promete fazer em breve) porque o investidor precisaria de comprar uma participação da LAM e correr riscos de herdar os seus problemas se o pode fazer sem isso? Os especialistas falam de um trunfo: tentar convencer os operadores externos a entrarem na gestão da LAM para aceder ao mercado regional (África Austral) e ao mundo.
Quem defende esta opção refere ainda que, mesmo que a reestruturação seja assumida no imediato, será importante encontrar um parceiro estratégico para gerir a LAM de
dEpEndênciA dE
cApitAis ALhEios…
Nos últimos anos, os capitais próprios da LAM sempre foram negativos, o que indica o grau de dependência financeira da empresa face a um elevado endividamento conjugado pela incapacidade de gerar receitas superiores aos custos operacionais
Em milhões
14,3
mil milhões de meticais
Passivo da LAM é alavancado por capitais próprios negativos e dívidas à banca
3,2
mil milhões de meticais
A despesA corrente AnuAl dA lAM MAis do que duplicou desde 2016, quAndo erA de 1,5 Mil Milhões de MeticAis. Já As perdAs AcuMulAdAs tAMbéM ultrApAssAM os 7,1 Mil Milhões de MeticAis
modo a trazer ‘know-how’ e eficiência para as operações. Historicamente, já houve duas tentativas de busca de parceiros estratégicos para a gestão da LAM. A primeira proposta foi apresentada à South African Airways (SAA), em finais dos anos 90, e a última à TAP Air Portugal, em 2004. Ambas não avançaram e decidiu-se pela reestruturação, que também nunca se concretizou. Como será desta vez?
a reestruturação passa por cortar (e muito) na despesa
A E&M teve acesso às propostas de reestruturação da LAM que foram feitas por diferentes equipas de gestores da empresa ao longo dos últimos anos, incluindo a proposta técnica para a elaboração de um business plan (Plano de Negócios) da LAM para o período 2018-2028, encomendado à consultora Deloitte, com experiência na reestruturação de companhias aéreas de renome, como a TAP ou a British Airways, por exemplo. Todos os planos existentes con-
... FActurA pEsAdA nos coMbustívEis...
Não é por acaso que fatia considerável das dívidas da companhia é com os fornecedores de combustíveis. Estes representam um terço do peso dos custos totais da empresa
… E FrotA cAdA vEz MEnor
Em quatro anos, a frota reduziu para menos de metade porque os aviões eram, na sua maioria, alugados e tiveram de ser devolvidos para aliviar os prejuízos causados pela pouca rentabilidade Em unidades
Aluguer de aeronaves, pessoal, taxas fixas, rendas, fornecedores
As várias experiências mostram que a privatização nem sempre traz os resultados esperados para muitas companhias. É que há um longo caminho anterior a isso
Companhia de Cabo Verde atravessa um processo de privatização e será a Icelandair a detentora de 51% do capital de uma empresa que, nos últimos anos, acumulou um passivo superior a 120 milhões de dólares.
Até 1996 pertencia ao governo queniano que viria a alienar 26% do capital da companhia. A verdade é que hoje, a frequência dos voos cresceu 61%, tornando Nairobi num hub regional. A companhia aérea tem sido rentável desde então.
Acumulou prejuízos (100 milhões de euros ao ano nesta década) e chegou a ser privatizada, tendo sido recomprada pelo Estado, que já não detém a gestão. Só em 2018, pela primeira vez na década, deu lucros de 20 milhões de euros.
Com uma série de problemas técnicos e financeiros o Governo concedeu a gestão à Fly Emirates em 2014. Dois anos depois notavam-se melhorias, com destaque para a poupança de custos de 100 milhões de dólares.
Em 2002, a South African Airways comprou 49% do capital da Air Tanzania. No entanto, a operação não alcançou os resultados esperados (acumulou prejuízos), e em 2006 o governo tanzaniano decretou o encerramento.
uma coisa é certa para a LAM. É urgente reestruturar a companhia. E depois, definir o melhor caminho ou rota a seguir
vergem em algo relativamente óbvio: poupança de despesas. Por já existirem documentos contendo os passos a dar neste sentido, os entrevistados da E&M defendem que “a reestruturação é a via a ser seguida.”
No capítulo da reestruturação da frota, o caminho sugerido é o investimento em aviões de maior capacidade, pela questão geográfica e pela natureza da carga transportada, que geralmente comporta volume relativamente maior do que na realidade de outros países, sobretudo os europeus. Depois, a escolha de aeronaves deveria recair em modelos que apresentem menores consumos de combustível (que representa 33% da estrutura de custos). “O Embraer 190, por exemplo, consome 40% menos do que o Boeing 737 para a mesma distância”, dizem-nos. Aliás, esta opção de sair gradualmente dos Boeing 737 e adquirir os Embraer já vinha sendo discutida desde 2008. E pelo plano traçado, até esta altura a LAM deveria ter comprado já cinco Embraers,
que além da poupança de custos de combustível, permitiria também poupar na compra de peças e com a tripulação, em cerca de 30%. No entanto, esta é uma equação difícil de realizar. Porque, para poupar custos, é preciso investir primeiro, e a LAM está já demasiado endividada (especialmente à banca) e apresenta um passivo de 14,3 mil milhões de meticais.
Terceira via: ‘sale-and-leaseback’ Uma das possíveis saídas para este dilema, seria a realização de uma transacção denominada ‘sale-and-leaseback’ dos aviões, um processo que consiste em vender aviões a uma companhia aérea interessada e, no mesmo processo, alugá-los pagando uma renda periódica significativamente mais baixa. Poderia assim angariar o capital necessário para a reestruturação financeira e operacional e garantir uma alternativa viável ao crédito bancário, o que representaria um ganho adicional para a tão endividada LAM. Até porque não
Frota é um problema: companhia apenas tem seis aviões no activo
se trata de uma experiência nova. A empresa já fez, no passado uma operação semelhante com dois aviões Bombardier Q-400, cujo resultado até foi bem-sucedido. No entanto, há a dificuldade de, nesta altura, cinco dos seis aviões com que a LAM opera, não lhe pertencerem (são alugados ou estão ainda a ser amortizados).
Outra das recomendações emanadas pelo estudo da Deloitte é a fusão da estrutura da MEX (subsidiária) e da LAM e integrar os aviões das duas companhias numa única frota. Dessa forma, chegar-se-ia a um outro número que sempre fez correr muita tinta. os cerca de 800 trabalhadores excedentários (há quem diga que são muitos mais face às necessidades) que as companhias apresentam, havendo a necessidade urgente de reduzir significativamente o número. “Qualquer reestruturação a ser feita vai, necessariamente, exigir a redução drástica do pessoal”, revela um dos entrevistados.
Mas o chamado redimensionamento da força de trabalho tem regras. Uma das opções, (que já foi prática na LAM quando em 2005 conseguiu reduzir de 2 000 para 600 o número de trabalhadores) é criar autonomia dos serviços auxiliares (não directamente ligados à actividade da aviação), e assegurar que muitas das pessoas não percam o emprego. É um investimento que consiste em criar serviços autónomos ou de outsorcing de handling, administrativos, ground force, postos de venda e outros serviços, através de parcerias com investidores nessas áreas. Assim, deslocaliza-se a gestão, faz-se emagrecer a factura de custos.
porque nada mudou?
Só para se ter uma ideia, em sete anos a companhia teve seis conselhos de administração. As nossas fontes referem que cada uma das equipas chegou com prioridades próprias
“anulando as anteriores, ao invés de trabalhar no sentido de melhorar o que já havia de bom.” Um bom exemplo disso, é o facto da administração que acaba de sair, ter iniciado o seu mandado a cancelar um concurso internacional de reestruturação da empresa lançado, pela direcção anterior, e criando uma descontinuidade com as reformas propostas feitas pela antiga administração (que saiu em Fevereiro de 2016), e já apresentadas ao IGEPE no âmbito dos termos de referência da sua gestão. Elas apontavam a eliminação do IVA nas passagens, a taxa liberatória na importação de peças e consumíveis, a eliminação das taxas de combustível e da Kudumba, os scanners aeroportuários, como medidas com vista a baixar os preços dos vôos, e a melhorar a gestão operacional da empresa.
O que denota que, para além da própria empresa, o problema também foi, muitas das vezes, a falta de resposta dos accionistas (maioritário é o Estado) às propostas que as administrações foram colocando. “Muitas propostas acabavam na gaveta porque nunca se decidia em tempo útil”.
As nossas fontes suspeitam que uma das razões para a indefinição “foram as dificuldades financeiras, visto que era necessária a recapitalização da companhia para levar avante os planos que eram apresentados, enquanto ao mesmo tempo havia a necessidade de manter a LAM como companhia de bandeira, evitando a entrada de capitais externos.”
Agora, comandada pelo novo director-geral João Carlos Pó que pertenceu à administração que cessou funções em 2016, haverá porventura um novo plano de voo para levar a LAM a uma aterragem segura.
TExTo Celso Chambisso FoToGrAFIA D.R
EmbalagEns, Uma indústria a prEcisar dE ganhar… Embalo
Se a produção industrial ainda é o parente pobre da economia nacional a indústria das embalagens ressente-se naturalmente disso. Ainda assim, o que há não chega para satisfazer as necessidades do mercado interno, fazendo com que o país perca 120 milhões de dólares em importação de embalagens, de acordo com um estudo da GAIN
num momento em que, por toda a África a produção industrial tende a ganhar peso, um segmento essencial como o das embalagens, que a nível global representa hoje qualquer coisa como 3 biliões de dólares, em Moçambique, ele ainda não ganhou o embalo necessário. Talvez porque a própria produção ‘made in’ Moçambique continue a ser o parente pobre da economia nacional, o que leva alguns investidores contactados pela E&M a não hesitarem em afirmar que investir no negócio de embalagem no país, “é apostar num investimento sem retorno.”
o que faz falta
Quase uma década após do antigo Presidente da República, Armando Guebuza,
ter recomendado a realização de reformas com vista à melhoria da imagem da apresentação dos produtos nacionais, sobretudo os agro-processados, as mudanças que foram entretanto introduzidas no sector continuam a não satisfazer as necessidades do mercado. Recuando no tempo, em finais Agosto de 2009, o antigo presidente inaugurava a 45ª edição da FACIM e constatava publicamente que a maior parte dos produtos nacionais “tinham um problema comum. A embalagem.” Farinhas, frutas, vegetais, eram até então embrulhados, expostos e vendidos em sacos plásticos, latas e garrafas reutilizadas, porque o mercado nacional não tinha capacidade de produção de invólucros para cada produto.
Quase uma década depois, o sector continua sem conhecer grandes desenvolvimentos (apesar da entrada de algumas empresas no mercado). Serão hoje cerca de 30 (chegaram a estar registadas 70) e produzem embalagens de plástico e cartonados, mas, por exemplo, o sector de vidro permanece adormecido.
o estado do sector
Tal como outras indústrias existentes no país, a indústria de embalagem ainda não conseguiu ganhar o seu espaço devido à incapacidade interna para obter matéria-prima ao que acresce o pesado fardo burocrático que dificulta a realização de negócios neste ramo de actividade, o que só promove a existên-
cia de um segmento pouco diversificado. De acordo com a pesquisa da E&M junto de alguns agentes deste segmento do sector industrial, existe um universo de pequenas empresas produtoras de embalagens que são insuficientes para a demanda existente. E é por isso que, a falta de uma indústria de embalagens provoca um prejuízo para a economia nacional de cerca de 120 milhões de dólares. Estranho? É que devido às importações de embalagens acabadas, ou de matéria-prima para a produção interna, gera-se um custo, que advém da inexistência de uma cadeia de valor que favoreça os agentes do sector.
E a ausência de uma indústria de embalagem capaz de satisfazer as necessidades do mercado interno, faz com que o país seja hoje, um dos maiores importadores de embalagens ao nível da região austral, ocupando a terceira posição depois do Madagáscar e Tanzânia.
desperdício
De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE) neste momento, 45% do volume das importações de embalagens utilizadas em Moçambique provém de África do Sul, Holanda e Portugal. “No passado, Moçambique chegou a dispor de uma indústria de embalagem diversificada, desde a plástica, de papel e cartonagem, metálica, de vidro, madeira e a sacaria diversa, como sisal, que permitiam a auto-suficiência do país. No entanto, a situação inverteu-se nos anos 80, quando a capacidade de produção reduziu e o sector de embalagem ficou paralisado”, assinala o Instituto para Promoção de Pequenas e Médias Empresas (IPEME), a instituição que tutela a área das embalagens no país. De lá para cá, o sector parece ter caído no esquecimento. Se no passado houve no país algo parecido com uma verdadeira indústria de embalagens diversificada e capaz de satisfazer até certo ponto as necessidades internas, ao nível da oferta e da qualidade, isso já não acontece. Depois, também a oferta é pouco diversificada, inclinando-se em 90% para a produção de embalagens plásticas feitas a partir de material reciclado “desprovido de qualidade”. Os restantes 10% ficam por conta da produção de embalagens de papel e rafia.
Um estudo da Global Alliance for Improved Nutrition (GAIN Moçambique) apresentado em Junho passado, aponta precisamente essa realidade. “As embalagens são, na sua maioria feitas com base em
A ImportâNcIA de umA boA embAlAGem
O consumidor africano é muito diversificado, com uma ampla gama de expectativas quanto à dimensão das embalagens, à rotulagem e à facilidade de uso. Não é de surpreender que as mudanças mais simples possam fazer a diferença no volume de vendas e na receita líquida dos produtos, com impacto directo na indústria e em outros sectores de actividade
Importação
A inexistência de uma indústria de embalagens leva a que os produtos acabem por não ser competitivos no preço, porque as despesas com importação de matéria-prima e embalagens acabadas só pode ser reduzida se forem compradas em grandes quantidades.
enquadramento
Os investidores nacionais deveriam poder aceder a tecnologias de fabricação e taxas competitivas para as suas empresas, potenciando a produção interna.
cadeia de Valor
Sendo uma cadeia produtiva cujos resultados dependem fortemente de escala e volume, isso só pode ser alcançado dispondo de uma verdadeira cadeia de valor que contribua para reduzir custos fixos por unidade, tendo por base tarifas mais competitivas de logística, transporte e energia.
material reciclado, situação que contribui para a falta de qualidade nas embalagens nacionais.”
Numa alusão à ausência de uma estratégia para colocar o sector ao nível do que acontece noutros países, o estudo refere também, que “a indústria nacional de embalagens “ainda é incipiente, o que leva as empresas nacionais a apostarem na importação, que exige um exercício logístico complexo para garantir o aprovisionamento e ainda gerir o risco das variações cambiais do mercado interno e externo”, pode ler-se no estudo a que a E&M teve acesso.
Olhando ao mercado, a TOPACK Moçambique, uma empresa produtora de embalagens plásticas, considera que “a indústria continua a não ter grande expressão no mercado nacional devido à baixa produtividade do mercado interno que está aquém dos níveis satisfatórios, o que acontece por falta de matéria-prima. Por este caminho, pode dizer-se que este segmento está a caminhar a passos largos para a sua falência”, assume Arich Assane, da TOPACK.
mudança legal
Uma das razões apontadas para este declínio do segmento apontada à reportagem da E&M por diversos agentes do sector, foi a introdução, em 2013, de um novo regulamento sobre a produção e comercialização de produtos alimentares em recipientes plásticos. Com este novo enquadramento legal, que só viria a ser implementado dois anos depois, ”deixa de ser permitida a comercialização de bebidas alcoólicas em recipientes de plástico e em outros permitidos para a comercialização de bebidas alcoólicas originalmente usadas para outros fins.”
Não se sabe ao certo o que terá arrastado a economia das embalagens para o abismo. De acordo com o gestor Arich Assane, “o regulamento pode não ter tido influência directa na crise do sector, mas serviu de estímulo para devastar uma área de actividade que já se encontrava em queda livre.”
Alinhando na mesma lógica, Jorge Chissano, da empresa de processamento de embalagens RIPLEX, acrescenta que o novo regulamento “só veio sentenciar” a crise que já há algum tempo havia iniciado. “Não diria que esta falência quase colectiva é fruto do novo regulamento, mas que é indesmentível que influenciou o ambiente em que o mercado se encontra actualmente”, frisa.
Luís Barata, gestor da unidade de mer-
retrato imaginário: segmento precisa de “olhar para dentro” para poder ser, efectivamente, uma indústria
estudo da GAIN indica que, para além da ausência de uma indústria de embalagem robusta no país, o mercado não é diversificado e está centrado apenas nos plásticos reciclados
cados de alimentos nutritivos da GAIN vai um pouco mais atrás na questão, e reitera que “é preciso que as produtoras de embalagens façam um estudo de mercado antes de começar a apostar na produção”. A fonte acrescenta ainda, que, “é necessário olhar primeiro para dentro, para as necessidades do próprio mercado, analisar que tipo de produtos, para que tipo de clientes, que tipo de oferta deve existir e a que é possível, face aos contrangimentos da produção nacional de matéria-prima”, aponta. Se por um lado, o mercado das embalagens padece da insuficiência de qualidade e de matéria-prima, por outro, não existe um plano estratégico orientado para orientar e fazer crescer mercado. E é por isso que Luís Barata, considera que o mercado das embalagens no país “está desenvolvido de uma forma precária e ambígua”, de tal forma, diz, “que, denota uma descontinuidade a vários níveis, como é o caso da falta de ligação entre produtores e possívels clientes.
A formação não está alinhada com a demanda do mercado e o sector privado tem uma capacidade limitada para proceder a investimentos”. E continua: “os produtores nacionais, desconhecem a existência de fornecedores ou empresas que fabriquem embalagens internamente. Creio que há, também, um défice de comunicação a esse nível. Como é possível um produtor ou uma empresa que produz milho em Nampula não saber que existe na mesma província uma indústria de processamento embalagens?
A cadeia de valor entre os produtores alimentares e as empresas deste ramo têm de estar sempre ligadas de modo a que ambas se complementem dentro do mercado”, defende. Entretanto, mesmo diante de todos os problemas apontados, o responsável da GAIN, “vê um enorme potencial neste mercado, porque o desafio da produção interna, ao nível do agro-processamento, por exemplo, está a ser encarado com grande seriedade nesta altura e será
crISe tIrou embAlAGem àS INdúStrIAS…
Mercado perdeu 39 empresas em apenas dois anos, fruto das condições desfavoráveis da economia e da pouca expressão da indústria do país
… e reVelou um Sector pouco dIVerSIfIcAdo
A falta de diversificação da indústria reflecte a pouca diversificação do segmento das embalagens de uma forma global, algo evidenciado pelo facto de quase todos os operadores actuarem no segmento dos plásticos
necessária, mais do que nunca, uma indústria forte que consiga dar resposta a essa demanda. Para isso, é necessária uma indústria de papel e de vidro no país, Se formos a ver, a nossa indústria de embalagem, principalmente plástica, é suportada pela reciclagem. O restante é importado, e isso terá de mudar“, diz.
A GAIN entende que “há todas as condições para a existência de uma indústria de produção de matéria-prima para fomentar as empresas de embalagens. uma situação que iria resolver os problemas enfrentados pelas empresas de embalagens.”
Mas, para isso, claro, é preciso também um enquadramento fiscal que promova o investimento nesta área de mercado, “A falta de incentivos fiscais e de facilidades para o acesso ao crédito é outro problema que os investidores do sector enfrentam.”
tamanho importa
Nilsa Miquidade, Directora Nacional da Indústria, considera existir “uma indústria de embalagem no país, mas que precisa de um investimento forte do sector privado para o seu reatamento.” Nesse sentido, revela estar em curso “a definição de um plano estratégico para atrair
investidores para apostarem no desenvolvimento deste segmento no país.”
Mas enquanto eles não chegam, a GAIN recomenda aos produtores das embalagens algumas medidas para contrariar a onda negativa que parece ter tomado conta deste mercado. Para começar, a aposta em embalagens de dimensão mais reduzida, “de modo a possibilitar maior capacidade de entrada no mercado. As empresas ainda não produzem de acordo com as necessidades e requisitos do mercado, uma vez que grande parte da população moçambicana está tipificada como sendo de renda baixa. E o que está a acontecer é algo que contraria isso, ou seja, aposta-se em formatos de grande dimensão para os quais, muitas vezes, não há procura directa.”
Pode parecer estranho, que algo que a maioria de nós utiliza quotidianamente, nunca seja alvo de muita atenção, na avaliação de um produto. A verdade é que se o ditado diz que não se deve julgar o conteúdo pela embalagem, em linguagem económica, não é bem assim, até
975
Mil Milhões de dólares
Foi o valor global de vendas da indústria das embalagens até ao Final do ano passado, num segmento de mercado que, no seu todo, chega perto dos três biliões de dólares
porque falamos de uma indústria que anualmente movimenta no mundo, perto de um bilião de dólares em vendas. “É um facto. Na verdade, a embalagem conta mesmo... nas contas finais da economia. E este estudo da GAIN feito sobre uma matéria que tem implicações no mercado produtivo, no emprego formal e na segurança alimentar, por exemplo, já para não falar das contas macroeconómicas relacionadas com a diminuição da factura das importações, algo fundamental para o país, tenta oferecer ferramentas adequadas aos agentes do sector para serem utilizadas na reactivação de uma indústria estruturante da nossa economia”, considera Luís Barata. Resta esperar que a produção nacional aumente, que os agentes do mercado aguentem e que o país passe a olhar mais para os seus produtos e se lembre de não deitar fora as embalagens.
textO Hermenegildo langa fOtOgrAfiA istock PHotos
imobiliário: onde mora o potencial?
a quebra da economia foi dura para os investidores em Moçambique, especialmente os do ramo imobiliário. Porquê? Porque, durante a fase ‘quente’ da economia nacional, entre 2012 e 2015, construiu-se em excesso para um tipo de clientela que, com a quebra que se seguiria a esse período, pura e simplesmente deixou de investir em Moçambique. O problema do excesso de oferta que se verifica nos segmentos residencial e de escritórios tem merecido um amplo debate por parte dos principais agentes do mercado imobiliário mas há segmentos que apresentam uma tendência de crescimento assinalável. É o caso do retalho. Se olharmos para as grandes superfícies comerciais, o potencial de crescimento ainda é grande, de acordo com
um estudo da REC - Real Estate Consulting, a que a E&M teve acesso. Mesmo que, em Maputo e Matola, a maior parte da oferta até já esteja em utilização (com destaque para o Baía Mall e o Novare Matola, inaugurados no último ano), há indicadores claros, ao nível da despesa dos agregados familiares, que indiciam haver ainda uma lacuna ao nível do preenchimento destes espaços (e também retail parks de média dimensão direccionados às classes média e média-baixa) de quase 200% na capital e de mais de 100% na Matola. De realçar ainda a ligeira recuperação do mercado em Pemba, com as rendas médias mais elevadas precisamente no retalho, isto apesar dos atrasos dos projectos de exploração de gás natural.
anual em produtos de consumo
unidades
Stock Existente Em Construção Habitação
Em dólares por m2
preço: 2 315 dólares
renda média: 14,5 dólares
Em m2
Stock Existente Em Construção Escritórios
Em dólares por m2
taxa de ocupação: 36,4% ocupação: 84,666 m2 renda média: 25,6 dólares
Em m2
Em dólares por m2
Stock Existente Em Construção Retalho shopping centres – renda media: 28 dólares retail parks - renda média: 19 dólares
Em dólares por m2 Industrial
preço médio: 2 315 dólares renda média: 7,4 dólares
maputo 66,2% das despesas domésticas mensais estão em áreas com baixa cobertura de retalho
- 9,5 %
preço médio: 1 415 dólares
renda média: 7,5 dólares
Stock Existente Stock Existente
Em dólares por m2
renda media: 11 dólares
Habitação Industrial
Em dólares por m2
Yield
preço médio: 460 dólares renda média : 4,6 dólares
Construção
Tem-se verificado alguma recuperação dos preços e um incremento ligeiro da procura. No entanto, o atraso dos projectos de gás natural e a desaceleração da demanda de grandes empresas de petróleo e gás, leva a que o potencial imobiliário da região esteja ainda “estagnado”
Em dólares por m2
preço médio: 13,4 dólares
capitalização média
Escritórios
Em dólares por m2
renda média: 24,9 dólares
Retalho
Em dólares por m2 Retalho pemba
renda média: 20,6 dólares
capitalização média 13,2% 12,5% 12%
capitalização média
É uma medida de rentabilidade muito utilizada no mercado imobiliário que representa a variável para determinar o potencial valor de um imóvel, usando o método de rendimento, que afere que o valor de um imóvel não é mais que a renda anual dividida pela yield (ou, em cálculo financeiro, o valor actual de uma renda perpetuada).
fontE: ‘State of the Market’ - REC
Como evoluem os preços de transferência
Romana Almeida • Head of Tax da RSM Moçambique
a 12 de setembro de 2017, o Conselho de Ministros aprovou a legislação para os preços de transferência, publicada no Decreto no 70/2017 de Dezembro de 2017. A referida aprovação, entrou em vigor a 1 de Janeiro deste ano. O presente regime aplica-se aos sujeitos passivos do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas e do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares, residentes ou domiciliados em território moçambicano, que realizem operações com partes relacionadas residentes ou não residentes.
A referida legislação, aplica-se também aos contribuintes que, realizem transacções com entidades incorporadas em países com baixa jurisdição fiscal ou com um regime fiscal privilegiado.
• Aspectos especiais na regulamentação sobre os preços de transferência: Com efeito, a alínea 1 do artigo 49 do Código do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas (IRPC) promulgado pela Lei no 34/2007, confere poderes à Autoridade Tributária para proceder a ajustamentos considerados necessários para apurar o lucro tributável, sempre que em virtude de relação especial entre o contribuinte e outra entidade, sujeita ou não ao IRPC, tenham sido estabelecidas condições diferentes das que seriam normalmente acordadas entre pessoas independentes, levando ao lucro apurado, tendo como base que a contabilidade é diferente da contabilidade apurada na ausência de tal relacionamento.
O referido regime, aplica-se ainda (i) ao estabelecimento estável que realize operações vinculadas com entidades não residentes; (ii) ao estabelecimento estável situado em território moçambicano, que realize operações vinculadas com outros estabelecimentos estáveis da mesma entidade situados fora deste território; (iii) a entidade residente ou não residente com estabelecimento estável situado em território moçambicano, que realize operações vinculadas com uma entidade sujeita a um regime fiscal claramente mais favorável, nos termos do Código do IRPC; (iv) as operações efectuadas pelo sujeito passivo domiciliado em território nacional, por meio de interposta pessoa não caracterizada como parte relacionada, que opere com outra, no exterior, caracterizada como parte relacionada ao sujeito passivo nacional. Para efeitos de apuramento de preços de transferência, uma
parte está relacionada com uma entidade se: (i) Directa ou indirectamente através de um ou mais intermediários, a parte: controlar, for controlada por ou estiver sob o controlo comum da entidade; tiver um interesse na entidade que lhe confira influência significativa sobre a mesma ou tiver um controlo conjunto sobre a entidade; (ii) A parte for uma associada ou um empreendimento conjunto em que a entidade seja um empreendedor; (iii) A parte for membro do pessoal-chave da gestão da entidade ou da sua empresa-mãe; (iv) A parte gere um plano de benefícios pós-emprego para benefício dos assalariados da entidade, ou de qualquer entidade que seja uma parte relacionada dessa entidade.
• Métodos aplicáveis para a determinação dos preços de transferência: O referido decreto determina que os métodos utilizados para as correcções necessárias para a determinação do lucro tributável previstas no Código do Imposto sobre o Rendimento são: (i) Método do preço comparável de mercado, método do preço de revenda minorado e o método do custo majorado; (ii) Método do fraccionamento do lucro, método da margem líquida da operação ou outro método apropriado aos factos e às circunstâncias específicas de cada operação.
O sujeito passivo deve adoptar, para determinação dos termos e condições que seriam normalmente acordados, praticados entre entidades independentes, o método mais apropriado a cada operação ou série de operações, de acordo com o princípio de plena concorrência, devendo mantê-lo durante o exercício económico, por bem, direito ou serviço.
O Decreto 70/2017, refere ainda sobre o conceito de intervalo interquartil, ou seja, no caso de registo de duas ou mais transacções comparáveis, deve-se determinar a mediana e o intervalo interquartil de preços ou de margem de lucro. Se o preço acordado se situar fora do intervalo, considera-se que o preço ou margem de lucro utilizado pelas partes independentes corresponde à mediana de 5% (para o caso em que o preço praticado ou a margem de lucro for menor do que o valor obtido no 1º quartil, ou no caso do preço ou a margem de lucro for maior do que o valor obtido para o 3º quartil). O presente Decreto tem como objectivo a correcta alocação do lucro nas transacções entre empresas do mesmo grupo económico.
O sujeito passivo deve adoptar, para determinação dos termos e condições que seriam normalmente acordados, aceite ou praticados entre entidades independentes, o método mais apropriado a cada operação ou série de operações da sua empresa
Nação
Quanto vale o Mar?
‘Economia azul’ é um conceito que não é, na maior parte das vezes, tido em conta... nas grandes contas do país. A contribuição do Mar para riqueza nacional, a criação de emprego formal e informal, e para os sectores de actividade que dele se alimentam, é vista, por norma, de forma compartimentada. A E&M foi, por isso, fazer as contas ao seu real valor e projecta o potencial económico da criação de um cluster do Mar
1,5 biliões de dólares
É o valor agregado do mar na economia global, em sectores como exploração de recursos naturais, energias renováveis, pescas, turismo, transportes, logística, construção naval, investigação e conservação, e segurança marítima
Segundo a OCDE, os oceanos representam aualmente cerca de 1,5 biliões de dólares, em valor agregado para a economia global. Parece um valor excessivo, mas se somarmos todas as explorações de gás e petróleo off-shore (34% do total estão situadas em solo marinho), as energias renováveis, a logística de portos, transportes e construção naval, mais os números do turismo de costa, e da investigação e conservação, e lhes acrescentarmos a segurança marítima e todos os postos de trabalho de actividades económicas que, de alguma forma se relacionem com o mar, podemos então conceber tal valor e chegar a uma conclusão inesperada, por se falar pouco nela: a economia mundial está, em larga medida, assente no Mar e do que, através dele, se produz. De acordo com um relatório do ano passado, elaborado pela FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação), a pesca e a aquicultura asseguram a subsistência de 10% a 12% da população mundial (e mais de 90% das pessoas empregadas na captura trabalham em operações de porque há mais marés do que marinheiros, valerá a pena começar por explicar o que se convencionou chamar de ‘Economia do Mar’, ou ‘Economia Azul’. De forma simples, um relatório de 2016 da União Europeia (UE), explicava-a como “o conjunto das actividades económicas relacionadas com os oceanos, mares e zonas costeiras.” Por outras palavras: a economia do mar é o conjunto dos mecanismos, agentes, sectores e actividades que têm no Mar o seu principal recurso. Depois, e por se tratar, ele próprio, de um recurso natural (o maior de todos) é impensável conceptualizar toda uma estrutura económica do Mar dispensando a ideia de conservação e gestão sustentável a ela subjacente. À medida que tal conceptualização tem sido elaborada e aprofundada, diversos aglomerados ou clusters têm sido identificados. E serão vários os sectores que se alimentam deste cluster: exploração de recursos naturais, energias renováveis, pescas, turismo, transportes, logística, construção naval, investigação e bioconservação e segurança marítima.
Nação
Quanto vale o Mar
Segundo a ocdE, os oceanos contribuem com 1,5 biliões de dólares em valor agregado para a economia
Global
valor agregado
1,5 biliões de dólares
IMPacto
800 milhões de pessoas coMércIo MarítIMo
90% do comércio mundial transPortes MarítIMos
380 mil milhões de dólares
IMPacto negatIvo
940 mil milhões de dólares
pequena escala em países em desenvolvimento), gerando 148 mil milhões de dólares em exportações e garantindo acesso à nutrição para mil milhões de pessoas de todo o mundo. O pescado é responsável por 17% do total de proteína animal consumida anualmente no mundo e tem um peso ainda mais significativo nos países de baixa renda. Como Moçambique, mas já lá vamos.
seria o mega-cluster do mar (de forma directa e indirecta) a nível interno, como existe por exemplo na UE. No entanto, é possível fazer as contas a alguns dados que mostram o valor agregado de toda a economia azul baseada na costa moçambicana (ver página ao lado), bem como ao potencial que ela poderá um dia alcançar, se vista de forma integrada e sustentável.
União Europeia
PIb 4%
valor agregado
600 mil milhões de dólares
receIta anual
174 mil milhões
Postos de trabalho
3,5 milhões
Estados Unidos da América
receIta anual
352 mil milhões de dólares
Postos de trabalho
3,1 milhões
No caso da UE, e de acordo com o tal relatório sobre a ‘Economia Azul’ dos países da zona Euro, estima-se que ela represente 600 mil milhões de dólares por ano, gerando empregos para cerca de 3,5 milhões de pessoas. A esse nível, e para se ter ideia da dimensão do valor do mar para uma economia, olhemos para Portugal que, com apenas um terço da população moçambicana, mas uma vasta plataforma continental (a nona maior do mundo e a segunda maior da Europa), tinha, em 2016, cerca de 177 mil empregos ligados à ‘Economia do Mar’, dos quais 75% no turismo de mar e 22% na pesca e apanha de marisco, representando apenas as pescas, 3,5% do total da economia.
Indico... indica o caminho?
Moçambique tem uma costa de mais de 2 515 quilómetros (a 48ª maior do mundo e uma das maiores de África), e uma zona económica exclusiva de 200 milhas (270 quilómetros) mar adentro. Actualmente, não há recursos oficiais disponíveis que tornem possível contabilizar um valor absoluto para o que
No entanto, e começando logo por aí, é possível perceber a “pouca atenção” que o mar tem merecido por parte de quem administra as lógicas da economia nacional. António Francisco, director de Investigação do IESE, fala disso mesmo, e da forma como, “ao longo das décadas que decorreram após a independência de Moçambique, o aproveitamento dos recursos realizado foi ficando reduzido ao mínimo, um pouco à imagem da restante tendência económica regressiva em que a economia mergulhou até ao fim dos anos de 1980. Com o Programa de Reabilitação Económica (PRE) só muito parcial e lentamente se restabeleceram as actividades económicas directa ou indirectamente associadas ao mar.”
A esse nível, só em 2011 os níveis de manuseamento de carga portuária atingiram e ultrapassaram o pico alcançado em 1973, e outras actividades marítimas tradicionais, como por exemplo a cabotagem e o turismo marítimo, “continuam muito aquém dos níveis históricos.“
Se até ao fim do século XX predominou uma forte tendência de se virar as costas à costa, decorrente de opções
Transporte marítimo: manuseamento de carga em Maputo aumentou 22% só no ano passado
o clusTer do mar
o perfil da ‘Economia azul’ de moçambique ainda é insipiente, por via de uma visão não integrada do mar, que deixa escapar potenciais fontes de receita como as energias renováveis, a segurança (na eliminação da informalidade) ou a investigação. no entanto, destacam-se o transporte e logística marítima e o comércio internacional que contribuem com a maior fatia para a riqueza nacional e, claro, há o potencial que advirá da exploração de gás natural, e os grandes desafios para as pescas e o turismo
PorTos, TransPorTes e serviços maríTimos
É o item mais valioso da ‘Economia do mar’, em moçambique. impelido pelo facto de a grande maioria do comércio ser escoado por essa via, há ainda novos investimentos em vista, e um potencial de crescimento assinalável.
Pescas
8 500
Milhões de dólares É o valor anual do comércio de mercadorias (importações e exportações) que transita pelos portos nacionais
Milhões de dólares investimentos em melhorias das infra-estruturas portuárias já anunciadas (maputo, nacala, Beira e cabo delgado) 450
cerca de 340 mil toneladas de pescado foram capturadas em 2017. depois, há a aposta na aquacultura, em que o governo está a investir (3,4 milhões de dólares este ano) para potenciar a criação em tanques de água doce, e também salgada.
5,5
Milhões de pessoas dependem da pesca como fonte de rendimento
4,9%
contribuição do sector para o PiB de moçambique
550
Milhões de dólares receita de 2017
340
Mil toneladas captura de pescado e marisco anual
Turismo
até 2025 moçambique quer afirmar-se como o destino turístico de praia mais vibrante e exótico de África e receber mais de 4,5 milhões de turistas por ano. Hoje, já é o terceiro sector (com 16%) que mais atrai investimento externo.
contribuição do sector para o PiB 3%
Milhões de dólares receita global, 2017
Milhões de dólares investimento previsto
recursos naTurais e energia
as projecções do instituto nacional de Petróleo (inP) de moçambique falam da necessidade de investimento de 25 mil milhões nas infra-estruturas conjuntas de exploração das áreas off-shore 01 e 04, e numa receita inicial de 500 milhões de dólares por ano até 2027, aproximando-se depois da fasquia de mil milhões, até 2031. o Governo prevê, a partir de 2034, receber contribuições que podem rondar os 3 000 milhões de dólares por ano, ou seja, cerca de um quinto do PiB actual.
Milhões de dólares É a receita média anual prevista, (a partir de 2023) ao longo dos 25 anos das concessões do rovuma 2 500
24 000
Milhões de dólares É o volume de investimento previsto nas Áreas 1 e 4, pelos consórcios que lideram a exploração
fonte: Banco Mundial, Ine , WWf
Nação
“político-ideológicas, elas misturaram-se com reacções contra o facto histórico de ter sido pelo mar que a colonização portuguesa se concretizou”, diz.
Se o discurso pela ‘Economia do Mar’ tem sido cada vez mais utilizado, também em Moçambique essa é uma tendência que parece começar a encontrar lugar. Énio Viegas, docente e pesquisador em assuntos ligados à segurança marítima no Instituto Superior de Relações Internacionais (ISRI) assinala isso mesmo. “A costa marítima e o Oceano Índico têm vindo a ganhar um novo lugar nas prioridades económico-financeiras do Estado, principalmente desde que as atenções começaram a virar-se para a exploração de fontes de energia como o petróleo e principalmente o gás off-shore”, explica à E&M. E só recentemente (na presidência actual) as tentativas no sentido de incentivar a exploração mais intensiva do potencial marítimo originaram um reconhecimento explícito, formal e institucional do Mar, com a criação de um Ministério próprio, formalizado com o objectivo de abordar as actividades económicas relacionas com o Mar e a costa marítima do Índico, numa perspectiva mais aberta, e abrangente, incluindo as pescas como parte do mar, e não da agricultura.
Milhões de dólares
É o valor estimado das perdas que existem anualmente com a pesca ilegal, praticada artesanalmente e em alto-mar, por frotas pesqueiras na sua maioria oriundas da china
defesa e segurança
Neste contexto, e por ter sido descoberto precisamente no Mar um potencial de riqueza que poderá mudar por completo a face económica do país (os tais 200 biliões de pés cúbicos de gás natural que perfazem a terceira maior reserva a nível mundial) o governo investiu na segurança marítima e na aquisição da frota da EMATUM, precisamente para poder patrulhar a extensa orla costeira do país. Apesar do que se sabe, ainda recentemente o ministro do Mar, Agostinho Mondlane, declarava “guerra à pesca ilegal”, sublinhando ainda o facto de haver poucos recursos para combater esse problema. “Moçambique sabe que tem uma questão que nunca foi estudada. Não existem dados sobre os recursos existentes ou explorados na nossa costa porque não temos instrumentos para poder fazer a vigilância. E começámos a procurar soluções sem ter isso. Não temos satélites que nos digam onde decorre a pesca ilegal, ou se há derramamento de óleos na zona, ou tráfico de droga. É preciso estudar tudo isso e investir e só depois, agir”, diz Énio Viegas. António Schwalbach, presidente da Sociedade Industrial de Pescas, um dos maiores operadores do mercado de pesca industrial no país, concorda com essa
Porto de Maputo: frota pesqueira nacional contribui com 4,9% para o PIB
ideia. “Moçambique tem uma costa muito extensa e não há capacidade suficiente de patrulhamento. As frotas que estão legais funcionam e são bastante controladas, a legislação a esse nível é muito boa, há regras e controlo por GPS dos navios e do que eles capturam. No entanto, pouco se sabe sobre o que há de ilegal a acontecer”, diz à E&M.
E é aí que está o perigo. Ao nível do camarão, por exemplo, um dos principais produtos da pesca de Moçambique (82% das exportações seguem para a UE, principalmente para Espanha e Portugal), ele vale anualmente qualquer coisa como 150 milhões de dólares de receita para a economia nacional e é, ele próprio, uma marca distintiva do país por todo o mundo.
Só que na prática, comprovada pela experiência do homem que comanda a SIP, ele está efectivamente a desaparecer.
“A verdade é que a época do camarão de superfície são nove meses, e só tive os barcos no Mar durante mês e meio porque, pura e simplesmente, não havia camarão para pescar”, revela.
onioSchwAlbAch
A n t
o Pca da Sociedade industrial de Pescas diz que “é necessário maior controlo da costa”, no mar, mas também nos portos, com vista a não permitir que frotas de outros países possam pescar ilegalmente nas águas territoriais de moçambique. Essa é, de resto, “uma ameaça com impactos sérios ao nível da captura do camarão de superfície, uma das maiores riquezas naturais e económicas”
De acordo com um relatório da WWF, de 2017, essa é já uma realidade comprovada também pelos números. Embora as populações de camarão de Moçambique tenham sido historicamente abundantes, “encontram-se agora ameaçadas e a sua captura em águas pouco profundas caiu de 9 000 para 1 800 toneladas nos últimos dez anos”. E a organização quantifica a perda económica em 67 milhões de dólares ano após ano, causados pela pesca artesanal (praticada nos mangais onde o camarão se reproduz e é apanhado antes de atingir a maturidade) e a pesca ilegal por arrasto, praticada por armadores oriundos, na sua maioria da China, responsáveis por taxas de captura elevadas, incluindo espécies não comerciais e bastante sensíveis.
caminhos de Mar “Uma das coisas que lamento muito, quando falamos em economia marítima é a falta de uma indústria de construção naval.” lamenta Énio Viegas. E
Nação
A zona marinha de Moçambique faz parte da EAME, uma área definida como parte constante da lista Global 200, dada a sua excepcional biodiversidade. Um trunfo para a oferta turística
prossegue: “os nossos estaleiros navais praticamente deixaram de funcionar, e apresentam um estado lastimável de degradação. A economia do mar não é só transporte, cabotagem, logística e actividade portuária, é também a área de fabrico e reparação naval, muito forte, por exemplo na vizinha África do Sul, que fez dessa uma das suas prioridades de crescimento. E com sucesso”, aponta. Sem indústria naval, o Governo tenta dinamizar o sector da logística e do transporte marítimo, tendo recentemente tomado a decisão de estimular o uso da via marítima para o transporte, de mercadorias que hoje já vale, no seu todo, qualquer coisa como 8,5 mil milhões de dólares (se olharmos de forma ampla para todo esse segmento e lhe adicionarmos, de forma directa, o valor da carga em importações e exportações).
António Francisco sublinha esse facto: “no quadro de uma política mais profunda que visa explorar o Mar como via
preferencial de transporte existe a noção clara de que Moçambique deveria ser um centro logístico regional e beneficiar de múltiplas vantagens que a cabotagem oferece.”
Entretanto, e ao que apurámos, o país não possui actualmente um único navio para o transporte de pessoas e bens, e todas as suas necessidades neste domínio estão dependentes de fretes contratados no estrangeiro. “Verdade, e já chegámos a ter 21 navios, e uma carga transportada de 220 mil toneladas ano”, complementa o economista.
Perante esta realidade, o Executivo vem anunciando planos que visam a revitalização da navegação entre os portos nacionais e, a título de exemplo, em Junho de 2009 aprovou a Estratégia para o Desenvolvimento Integrado do Sistema de Transportes. “No entanto, sempre persistiram vários constrangimentos que inibiram o ressurgimento do sector.” Mesmo após a introdução de medidas
que visam reduzir as taxas cobradas pelo Instituto Nacional de Marinha (INAMAR) e pelo Instituto Nacional de Hidrografia e Navegação (INAHINA), a simplificação de procedimentos por parte das Alfândegas e o processo de reestruturação da empresa Transmarítima. Para ‘abrir’ o tráfego portuário ao mundo e fazer aumentar a receita, foram também assinados memorandos de entendimento com as principais concessionárias portuárias que aceitaram reduzir as suas tarifas. E os maiores operadores até deram uma ajuda, com a Maputo Port Develompment Corridor - MPDC a reduzir em 50%, a Corredor de Desenvolvimento de Nacala - CDN em 50%, e a CORNELDER em 60% para o porto da Beira e 50% para o de Quelimane, sendo que a Caminhos de Ferro de Moçambique - CFM procedeu de igual modo. E foram ainda tomadas medidas para a simplificação de procedimentos sob alçada das Alfândegas (através da utilização do sistema da MCNET), e até foi aprovado recentemente o decreto que viabiliza o Registo Especial de Navios Estrangeiros para alvorarem a Bandeira Nacional, juntamente com um pacote de medidas que possibilitam a melhoria dos canais de acesso e infra-estruturas portuárias em portos terciários. “Temos uma política marítima que foi aprovada recentemente, e que deverá ser operacionalizada com base numa estratégia que vai acompanhar essa política. Veremos o que sucede”, diz Énio Viegas.
turismo e conservação É outro dos sectores que pertence a este, por enquanto apenas hipotético, cluster marinho de Moçambique. O turismo vale hoje apenas 3% do PIB nacional, qualquer coisa como 350 milhões de dólares, arrecadados através dos cerca de 1,6 milhões de visitantes que o país recebeu no ano passado. No entanto, desengane-se quem acha este um valor residual no contexto da macro-economia. Porque o é, de facto, mas ele tem vindo a crescer, e promete continuar de forma expressiva. Em África, Moçambique é um dos destinos que tem beneficiado do aumento (ainda que ligeiro) do número de turistas estrangeiros, de acordo com dados divulgados pela consultora Euromonitor International, no final de 2017. “As forças da competitividade de Moçambique para turismo e viagens continuam a ser os seus recursos naturais. Embora não haja ainda nenhuma atracção natural na lista de
Turismo e conservação: integração de sectores para fortalecer a protecção das áreas de conservação
Património Mundial da UNESCO, o país tem feito aumentar a superfície das suas áreas protegidas e conseguiu melhorar o conhecimento em relação aos seus extraordinários recursos naturais, como praias e ilhas virgens”, lê-se nas notas conclusivas do estudo.
No entanto, surge uma advertência: “o potencial turístico moçambicano está em larga medida por explorar e são necessários investimentos em infra-estruturas, recursos humanos e condições de saúde e higiene, que reforçariam a competitividade do sector e da economia em geral.”
E é com esses entraves que, de há anos para cá se tem tornado uma luta procurar fazer aumentar a receita de um sector cheio de potencial, mas com poucas bases competitivas, face a outros destinos. Ainda assim, no ano passado foi anunciada publicamente pelo INATUR, uma intenção bastante ambiciosa: fazer triplicar o número de visitantes anuais para perto de 4,5 milhões, essencialmente tendo por base o Mar e as praias
940
Mil Milhões de dólares
É o valor que o programa das nações unidas para o desenvolvimento estima que se perca devido anualmente devido ao impacto negativo da sobrepesca e da poluição marinha
paradisícadas. Porque oceanos saudáveis, costas e encostas, e ecossistemas de água doce são tão cruciais para o crescimento económico como para mitigar as mudanças climáticas, não esquecendo que Moçambique é o terceiro país em África mais exposto a elas, e por via da sua costa, essencialmente.
O que nos leva a pensar numa última riqueza que mora nos Mares. Moçambique faz parte da EAME, área definida como parte da lista Global 200, dada a sua excepcional biodiversidade. No final de tantas contas de somar, uma última operação, esta de subtrair, em jeito de aviso à navegação. O PNUD estima o impacto negativo da sobrepesca e da poluição marinha, em custos para a economia global de cerca de 940 mil milhões de dólares por ano. Assim saibamos todos, manter a riqueza do país, e a de todos nós e essa factura, nunca teremos de pagar.
tExto Pedro Cativelos & Hermenegildo langa fotoGrafia Jay garrido, istoCk PHotos
“Se nada for feito, podemoS aSSiStir
À devaStação
do noSSo mar”
antónio franciSco Economista e Director de Investigação do Instituto de Estudos Económicos e Sociais (IESE)
cada vez mais se fala na necessidade de criar valor na economia. Mas pouco se ouve falar no papel do Mar nesta questão, projectando-o enquanto cluster que faça agregar real valor acrescentado à economia nacional..
Com o incremento do investimento e da exploração de recursos associados ao território marítimo moçambicano de forma directa, como no caso das pescas ou da logística marítima, e indirecta, através dos recursos naturais e do turismo, ainda assim, ele não é visto como um vector fundamental para o desenvolvimento, pela inexistência de uma estratégia integrada que até propicia um crescendo da economia informal do Mar. À E&M, António Francisco, economista e Director de Investigação do IESE, fala sobre a importância do aproveitamento do potencial do Mar, ainda mais relevante numa economia em maré baixa.
O que falta para que o Mar comece a ser visto, ele próprio, como um instrumento de criação de riqueza?
A verdade é que Moçambique nunca teve uma relação simpática com o seu Mar. A economia advinda deste recurso nunca foi desenvolvida como um todo, embora ofereça oportunidades capazes de gerar enorme crescimento económico, como no caso do gás, das pescas, do tu-
não FAz SEntIDo quE não hAjA uMA EntIDADE
govErnAMEntAl (uM MInIStérIo Do MAr)
FunCIonAl E quE ApoStE nuMA pErSpECtIvA
DE DESEnvolvIMEnto
DA EConoMIA Do MAr.
o quE SE vErIFICA
ACtuAlMEntE é uM DESIntErESSE
InStItuCIonAl E DE DIrECção EM tIrAr
MAIor provEIto DESSE rECurSo
rismo e da logística portuária. Com uma costa de 2 400 quilómetros e uma grande dimensão territorial marinha não faz sentido que não haja uma entidade governamental (um Ministério do Mar) funcional que aposte numa perspectiva de desenvolvimento. O que se verifica actualmente é um desinteresse institucional e de direcção em tirar maior proveito desse recurso. Se olharmos ao passado, havia valorização e investimento na cabotagem e no transporte marítimo, que eram principais catalisadores da economia colonial, por exemplo, e que foi mal interpretado pelo governo nacional que acabou por desinvestir neste sector.
Porque é que não existe, ainda hoje, uma linha de transporte marítimo que ligue todo o país e os países vizinhos de forma integrada? há muita gente que considera que a melhor auto-estrada natural seria o próprio Mar. Mas esse desinteresse institucional de que falava aliou-se a outros factores: quando alguns países da região que usavam o oceano como meio de transporte de bens (caso do zimbabwe) entraram em crise, isso contribuiu para a quebra de receitas, principalmente para os portos da Beira e de Maputo por onde eram escoadas as mercadorias. o que quer dizer que estivemos duran-
Na voz de...
te estes anos todos um pouco parados e não percebemos que estávamos a deitar ‘o bebé (tesouro) fora com a água suja”, e que poderíamos tirar mais proveitos do Mar. Com isto, perdeu-se algum do timing. Se olharmos às economias vizinhas como a da África do Sul, entretanto ganharam força outros portos, como o de Durban, que acabam por usar a costa nacional apenas para compensar o que não conseguiam atender. Depois, as economias zimbabweana e malawiana ainda não recuperaram o suficiente para relançar o porto da Beira.
E ao nível dos recursos que há no Mar. Fala-se de gás, por exemplo, mas esquecemo-nos que ainda estão por calcular os impactos dessa exploração noutros recursos, como as pescas ou o turismo...
Essa é ainda uma lógica recente. A exploração dos vastos recursos off-shore é uma opção para tirar proveito da demanda que possa advir dos investimentos externos. nesse sentido, penso que houve uma ligeira valorização do Mar. Agora, há outros recursos como as pescas, o turismo, a própria energia e o transporte marítimo (os portos), mas não vemos nenhum dinamismo substancial nesse sentido, nem uma integração devida com a exploração de gás. temos como exemplo a cabotagem em que, de vez em quando, se fala mais. Mas por alguma razão nunca nada de substancial avança por falta de uma estratégia viá-
A
nACIonAlIzAção InSuStEntÁvEl DE rECurSoS FoI
trAnSportADA pArA
o SECtor Do MAr, E
ISSo FEz CoM quE não FoSSE ExplorADo pEloS MoçAMBICAnoS, CAInDo nA InForMAlIDADE
E no CrIME IntErnACIonAl
vel e operacional. E é por isso que assistimos a uma exploração do Mar feita de forma descontrolada, não há um processo articulado entre a monitorização dos recursos e a sua utilização. ter uma vasta costa pressupõe ter muitos recursos, mas o meu sentimento é de que há uma sub-utilização dos mesmos.
Em que aspecto?
Diria que Moçambique vive num dilema. porque tem um dono dos recursos que se assume como tal, que é o Estado. Mas depois há uma constante sub-utilização porque este não tem capacidade para fazer o uso ou a devida monitoria
de Maputo: ali, todos os operadores estão legalizados. Mas em alto-mar não há controlo sobre os ilegais
do processo. E aqui seria a tal tragédia dos comuns em que algo é do Estado, mas ninguém o reconhece enquanto tal, e cada um explora da forma que quiser. A nacionalização insustentável de recursos foi transportada para o sector do Mar, e isso fez com que não fosse explorado pelos moçambicanos, por incapacidade humana e técnica. Esse facto levou à informalização da indústria marinha, promoveu o surgimento de um mercado negro de pesca dominada pelos chineses e espanhóis nas águas nacionais e produziu grandes perdas para a economia nacional. quando olhamos para o país vizinho, a África do Sul, vemos o grau de exploração do turismo de mar e de interior, e em que há um sector público regulador (caso do Kruger park) e uma gestão privada regulada, que até gera receita para o sector público. A ideia de que o privado explora e pode acabar com os recursos não é verdadeira. tem é de haver regras bem definidas.
Falou do exemplo da África do Sul, mas há outros. Não acha que seria oportuno começar a adoptar bons exemplos de alguns países vizinhos que porventura até possuem uma pequena extensão da costa, mas ao mesmo tempo, desenvolveram uma verdadeira indústria do Mar?
o que não entendo é como é que já não se fez isso mesmo. poderíamos adaptar as boas estratégias do Botswana, por exemplo, ou das Ilhas Maurícias. o Botswana tem 9% da população de Moçambique, mas produz tanto quanto nós. E não tem acesso directo ao mar, mas tem políticas que se referem a ele. E com as Maurícias acontece a mesma coisa. Só que, enquanto ali se está a tentar fazer um paraíso fiscal, nós estamos a tentar a fazer um inferno fiscal. em que toda gente se torna informal. Até no Mar. Espero que com esta crise económica haja agora maior consciência de que a economia do Mar é relevante. Mas alerto para o perigo de se focar demais toda a questão na exploração de recursos, devido à ansiedade de tentar gerar receitas de que a economia necessita, desviando as atenções dos outros vectores importantes da economia marinha.
O país não tem capacidade para controlar os seus recursos ao longo da costa e com isso tem dependido da ajuda externa. Acha que isso faz sentido? A tal incapacidade institucional em
Porto
quantificar as perdas económicas que o país sofre com a pirataria marítima (nas pescas e tráfico que têm sido notícia), uma vez que são apresentados dados irrealistas, leva-me a sugerir que se aposte na investigação e na fiscalização, porque não há controlo na economia do Mar. Corremos o risco de, no futuro, perdermos grande parte dos nossos recursos pesqueiros por falta de capacidade de fiscalização da costa. Deveria ser criada uma forma inteligente de monitorar e garantir controlo sobre o nosso Mar. Acho que há uma grande incapacidade técnica porque, a meu ver, esta maneira de abordar os recursos marítimos é ineficiente, na medida em que o Estado desempenha um papel que não tem condições para exercer, quando o mais indicado seria apostar na segurança e, assim, reforçar a protecção costeira.
Mas não considera ser este o momento ideal, até pela fase que o país atravessa, para aproveitar a exploração dos recursos marinhos para alavancar uma economia que procura novos vectores de crescimento?
Sem dúvida. no entanto, há hoje um foco grande, quase uma mitologia desenvolvimentista da agricultura, que na verdade, pela história do país, nunca foi a base para nada, senão para a subsistência,
A ExplorAção Do MAr é FEItA DE uMA
ForMA
DESControlADA, não hÁ uM proCESSo
ArtICulADo EntrE
MonItorIA DoS
rECurSoS híDrICoS
E DA SuA utIlIzAção
fruto da negligência governamental que não cria capacidades locais para o efeito. Dou-lhe o exemplo: em 1970 havia 8 600 tractores, e actualmente só temos 6 000, quando a população triplicou. Claro que o mar tem as suas particularidades, os seus produtos e recursos, mas se forem cometidos os mesmos erros que na política agrícola, temo que os ganhos que o mar está a gerar não venham a ter qualquer expressão. Com a agravante de que, se nada for feito, iremos assistir a uma provável devastação da nossa costa.
Mas o que está então a falhar em toda esta diâmica?
é esta funcionalidade para deixar a marginalidade de fora. por um lado, há a incapacidade de gerir um activo fundamental e estatégico para o país. E por outro, há a competência para transformar o valioso potencial em capacidade real. penso que ainda há um longo caminho a percorrer nesse sentido. Só espero que se comece rapidamente a fazê-lo, porque não podemos esperar muito. o que o Mar tem de bom, um dia vai acabar, não tenhamos quaisquer dúvidas em relação a isso.
tExto Hermenegildo langa fotografia Jay garrido
província
A ProvínciA onde A economiA nAcionAl TirA fériAs
A “terra de boa gente” é uma réplica da imagem do país no seu todo. A província reúne o melhor de cada uma das restantes, mas não passa de potencial. E as mudanças exigem trabalho a ser coordenado entre sectores
inhambane tem gás como Cabo Delgado; areias pesadas como Gaza e Nampula; tem calcário como Maputo e Sofala, terras férteis e potencial agrícola como toda a extensão do país. E é uma referência nacional do turismo como não haverá outra igual, sendo um destino reconhecido internacionalmente. No entanto, é uma província com elevados índices de pobreza e apresenta um rendimento per capita abaixo da média nacional. Para perceber a dinâmica económica de Inhambane, importa que lancemos um breve olhar sobre os sectores mais importantes da província, com foco nos desafios, oportunidades e perspectivas.
Turismo subaproveitado
A economia de Cabo Verde, um exemplo a esse nível em toda a África (e muitas vezes trazido a debate aqui em Moçambique), tem no turismo o seu principal pilar. E isso acontece porque cedo o Governo se apercebeu do enorme potencial e investiu seriamente no sector do ponto de vista estratégico, criando facilidades para que o empresariado local e estrangeiro expandisse as suas iniciativas. Estatísticas recentes indicam que o turismo é responsável por 20% de toda a riqueza produzida no arquipélago e pela criação de cerca de 8 mil empregos. Por todas as razões que quem conhece Inhambane reconhecerá, por ali, o potencial para alcançar algo idêntico, é as-
capital Cidade de inhambane área 68 775 Km2 população 1,5 milhões região SUL província inhambane
sinalável. Mesmo que pareça estranha a comparação entre uma província e um país. Com uma superfície 17 vezes maior que a de Cabo Verde (68 mil quilómetros quadrados contra 4 mil quilómetros quadrados do arquipélago), uma população três vezes maior (1,5 milhões de habitantes face aos 561 mil habitantes em 2017), e um litoral de mais de 700 quilómetros, Inhambane poderia estar num patamar que se equiparasse ao das outras geografias bem-sucedidas ao nível do turismo. Se Cabo Verde – país que tal como Moçambique tem 43 anos de independência – tem a grandeza e respeito internacionais no que diz respeito ao desenvolvimento do sector, o estágio de Inhambane e do país como um todo (turismo produz apenas 3% da riqueza total) denuncia uma fragilidade que deve ser identificada e colmatada com acções que tornem visíveis os vários planos já existentes. Esta comparação pode deixar de fora muitos elementos importantes de análise. Mas pelo menos serve para mostrar que Inhambane, a “Província do Turismo” é ainda apenas um slogan que fica bem num postal e que não corresponde à realidade do que poderia ser um sector desenvolvido e que contribuísse significativamente para a capacidade de captação de receitas.
Ao contrário, não existem estatísticas fiéis sobre receitas e postos de trabalho e o sector vai-se debatendo com vários problemas. “Os desafios são enormes e somos obrigados a mudar as coisas investindo mais na vertente estratégica porque a cadeia de valor é vasta e pode trazer grandes benefícios ao país através da captação de receitas”, reconhece Yassin Amugi, presidente da associação de turismo de Vilankulos, principal destino turístico da província e do país. Ele sugere um trabalho “articulado entre os sectores público e privado” para que o produto turístico (conjunto de factores que atraem o turista) “esteja completo, explorando num único pacote o turismo de praia, o safari e a exploração dos aspectos culturais, da gastronomia ao artesanato.”
dar gás às oportunidades para o empresariado O despreparo do empresariado nacional para assumir a vanguarda no estabelecimento de negócios com os grandes projectos tem sido debatido.
Em Inhambane, está presente a multinacional sul-africana Sasol, que explora gás nos campos de Pande e Temane há já 14 anos. A petrolífera está aberta a contratar produtos e serviços de em-
mAxixe. um exemPlo do subdesenvolvimenTo urbAno dA região
“a cidade da maxixe, capital económica da província de Inhambane, não tem grandes centros comerciais, não tem stands de venda de viaturas, nem tem grandes estaleiros de venda de material de construção, o que faz com que as grandes obras sejam alimentadas a partir da capital do país”, lamenta o presidente do município da maxixe, Simão rafael, que sugere “a criação de cooperativas e associações fortes que possam empoderar os agentes económicos e que sejam capazes de aproveitar as oportunidades oferecidas pela banca no financiamento a empreendimentos das Pequenas e médias empresas.”
20toneladas por hora É a capacidade de produção prevista, num projecto que o ministÉrio dos recursos minerais e energia está a analisar com vista À atribuição de três licenças para a exploração de depósitos de areais pesadas de mutamba, dongane e jangamo, que foram apresentadas pela mutamba mineral sands
presas locais, e se tal não acontece é porque há fragilidades internas (de ordem financeira, contabilística e organizacional, no geral), segundo reconheceu recentemente o Conselho Empresarial de Inhambane.
Durante o Fórum Regional (Sul) do Sector Privado, realizado em Julho passado naquela província, a Sasol divulgou um guião para orientar as empresas sobre o processo de compra de bens e serviços, em que, de resto, ilustra oportunidades de negócios em áreas que incluem: gestão de resíduos (industriais e domésticos); serviços de assistência médica à distância; serviços de soldadura; serviços de manutenção (civil e eléctrica); agência de recursos humanos; agência de comunicação; serviços de combate a incêndios; tratamento de água, entre outros. As oportunidades estão lá.
Compete ao país assegurar que haja capacidade de resposta à demanda da Sasol, potenciando o aumento de postos de trabalho.
Atenção às areias pesadas de Jangamo
Também é preciso redobrar atenção às oportunidades que serão geradas no distrito de Jangamo, onde existe um projecto para a exploração de areias pesadas, consideradas como sendo de qualidade assinalável.
A Mutamba Mineral Sands, uma subsidiária da Savannah Resources, submeteu ao Ministério dos Recursos Minerais e Energia três pedidos de licença para explorar a mina.
Agronegócio semeia oportunidades
Claro que a agricultura também é um dos sectores com maior potencial na região. Um exemplo bem-sucedido é o da DADTCO, uma empresa que transforma a mandioca adquirida a centenas de pequenos produtores locais para alimentar a indústria da cerveja e panificadora.
A exemplo desta indústria, Inhambane oferece oportunidade para o processamento de caju e côco. Álvaro Massinga, vice-presidente da Confederação das Associações de Moçambique (CTA – entidade que representa oficialmente o empresariado nacional), afirma à E&M que “há um crescente interesse dos empresários neste domínio e promete para breve a instalação de unidades industriais neste domínio.
texto Celso Chambisso fotografIa RiCaRdo FRanCo
três décadas a promover desenvolvimento
tree decades promoting inclusive development
a gapi-si é uma instituição Financeira de desenvolvimento que tem como foco o desenvolvimento económico sustentável de moçambique
Gapi-SI is a Development Finance Institution that focuses on contributing to the sustainable economic development of Mozambique
constituída há quase três décadas, a GAPI tem como missão a promoção do desenvolvimento sustentável, do empreendedorismo e da inclusão financeira através da combinação de programas de financiamento (actualmente tem sete activos, de que falaremos em futuras edições), consultoria e capacitação empresarial, e aquisição de participações com vista ao desenvolvimento de empresas e instituições nacionais.
Assim, através da promoção do empreendedorismo nacional e da edificação de um sistema financeiro inclusivo, a GAPI constitui-se como uma ferramenta fundamental do desenvolvimento inclusivo de Moçambique, uma instituição financeira em prol do desenvolvimento (EDFI), e um instrumento económico com visão e acção para lá do lucro imediato, que se rege pelos mecanismos do mercado.
Estratégia, rigor, transparência de contas, objectivos, e resultados, claro. São esses, os fundamentos do Gapi, a primeira EDFI do país.
a nossa história
Fundado em 1990 como uma Sociedade Limitada, pela Fundação Friedrich Ebert e pelo Banco Popular de Desenvolvimento, seria mais tarde, já em 1999 convertida em Sociedade Anónima.
Nessa década viria a ser reconhecida enquanto instituição de crédito, regulada pelo Banco de Moçambique, evoluindo na sua forma jurídica para uma Sociedade de Investimento.
Esta evolução da estrutura da GAPI, acaba por reflectir um pouco da tendência global e as mudanças de paradigma em torno do que seriam, na génese as instituições de apoio ao desenvolvimento, Em Moçambique, a Gapi tem uma estru-
GAPI’s mission is the promotion of sustainable development, entrepreneurship and financial inclusion through the combination of financing programs (currently has seven programs in the ground, which we will talk about in future editions), business consulting and training, and acquisition of holdings for the development of national companies and institutions.
Therefore, throughout the promotion of national entrepreneurship and contributing for the truthful building of an inclusive financial system, GAPI is, itself a fundamental tool for the inclusive development of Mozambique, a financial institution for development (EDFI), and a fundamental economic instrument with vision and action beyond the immediate profit, which is governed by the mechanisms of the market.
Strategy, accuracy, transparency of accounts, objectives, and results, of course: these are the foundations of Gapi, the country’s first EDFI.
our history
Founded in 1990 as a Limited Company, by the Friedrich Ebert Foundation and the People’s Bank of Development, it would later become a Public Limited Company in 1999. In that same decade, GAPI would become recognized as a Credit Institution, regulated by the Bank of Mozambique. Continuing with the evolution and evolving in its form, later it becane an Investment Institution.
This evolution of the GAPI administrative structure ultimately reflects the global trend, and the paradigm shifting that occured, and that created what would be the genesis of development aid institutions throughout the world, In Mo-
É o número de distritos abrangidos pelos projectos gapi em todo o território nacional the number of districts covered by gapi projects throughout the mozambican territory
tura accionista que congrega investidores públicos e privados, e em que o Governo detém 30% do seu capital, sendo o restante disperso entre investidores privados e sociedade civil, algo considerado essencial para o equilíbrio entre boa gestão e bons investimentos. Por isso mesmo, e não perdendo de vista os bons resultados que averbou desde os seus primeiros anos de actividade, a GAPI foi sempre identificada enquanto um potencial contribuinte para dinamizar o sector das PME nacionais, através das fórmulas de financiamento mais adequadas ao contexto nacional. A criação de sinergias mesmo nas zonas mais remotas do país no sentido de implementar programas de apoio e projectos de desenvolvimento sustentável, é uma matriz expressa nos inúmeros programas de financiamento existentes, dos quais se destacam o Agro-Empreender, Agro-Jovem e o PMEs-Norte.
zambique, GAPI has a shareholder structure that brings together public and private investors, and in which the Government holds 30% of its capital, the remainder being dispersed between private investors and civil society. Something considered essential for the correct balance between good management and excellent investments. For that reason, and not losing sight of the good results it has achieved since its first years of activity, GAPI has always been identified as a potential contributor to boosting the national SME sector, through the most appropriate financing formulas.
The creation of synergies even in the most remote areas of the country in order to implement support programs and sustainable development projects is a matrix expressed in the numerous financing programs such as Agro-Empreender, Agro-Jovem and PMES-North.
Gapi
A MISSÃO
Contribuir para o desenvolvimento económico sustentável de Moçambique através da promoção do empreendedorismo nacional e a edificação de um sistema financeiro inclusivo.
O QUE FAZEMOS
Promovemos o empreendedorismo nacional e a inclusão financeira através da combinação de três serviços. Financiamento; Consultoria e Capacitação Empresarial com vista à participação no desenvolvimento de empresas e instituições.
FOCO
Inclusão Financeira. Através de produtos e serviços voltados para MPMEs e IMFs, a Gapi-SI continua o seu caminho de promoção da Inclusão Financeira de jovens e mulheres nas zonas rurais.
THE MISSION
Contribute to the sustainable economic development of Mozambique through the promotion of national entrepreneurship and the building of an inclusive financial system.
WHAT WE DO
We promote national entrepreneurship and financial inclusion through the combination of three services. Financing; Business Consulting and Training and participation in the development of companies and institutions.
OUR FOCUS
Financial Inclusion. Through products and services aimed at MSMEs and MFIs, Gapi-SI continues to promote Financial Inclusion in Mozambican rural areas.
distritos abrangidos com projectos da gapi 100
equipas de assistência técnica permanente 35
postos de finanças rurais (microbancos e empresas de produção e comercialização) 20
delegações implantadas em todas as províncias 14
districts covered with gapi projects 100
permanent technical assistance teams 35
rural finance posts (microbanks and production and marketing companies) 20
delegations deployed in all provinces 14
mercado e finanças
para o seguro não morrer de velho, mercado tem novas regras
Arrancou em Maio um período de recapitalização das seguradoras nacionais. São agora precisos 97 milhões de meticais de capital mínimo, face aos anteriores 33 milhões. As seguradoras com maior quota de mercado garantem que conseguem cumprir com o novo regulamento, já as mais pequenas não afastam o risco de cair
é melhor ter poucos operadores fortes do que muitos enfraquecidos e sem capacidade de reacção perante a adversidade de um mercado que não é, ainda hoje, demasiado robusto.
Não é uma afirmação nossa, é mesmo quase um lugar comum que, ainda assim, tem gerado discussão desde que, no ano passado, o Banco de Moçambique decidiu aumentar o capital social mínimo dos bancos comerciais para robustecer o sector. E essa mesma receita, foi agora utilizada no sector dos seguros. Na banca, só para recordar, o capital
social mínimo subiu de 70 milhões de meticais para 1,7 mil milhões de meticais e o rácio de solvabilidade de 8% para 12% num prazo de três anos que já está a contar desde meados de 2017.
o que vai mudar afinal
No sector segurador os capitais mínimos triplicam de 33 para 97 milhões de meticais. A corrida começou há dois meses e a meta está fixada para meados de 2021. A E&M ouviu algumas das 20 seguradoras que operam em Moçambique, com diferentes aspirações e posicionamentos
no que diz respeito à quota de mercado. Sem excepção, todas assumem que vão honrar os compromissos, embora alertem para o facto de as novas regras terem sido “introduzidas num momento particularmente difícil da economia, marcado pela redução da procura por serviços de seguros, retracção da facturação com efeitos negativos no próprio crescimento e desenvolvimento do sector.” No entanto, os planos de recapitalização já estão em marcha, garantem os operadores entrevistados, apesar de nenhum ter fornecido detalhes dos seus planos
concretos de recapitalização, em termos de calendarização e valor a ser gradualmente injectado pelos accionistas.
A Empresa Moçambicana de Seguros (EMOSE), uma das líderes do mercado segurador a nível nacional (a segunda maior, com 19,2% de quota de mercado no primeiro trimestre do ano segundo dados do Instituto de Supervisão de Seguros de Moçambique – ISSM), desenvolveu um plano mensal de recapitalização. “Em cada mês há uma actualização de capitais até fechar o ciclo de duração dos contratos, que é de 12 meses, ao mesmo tempo que faremos a avaliação da situação de todos os segurados. Os accionistas estão atentos e aptos a realizar a recapitalização em tempo útil”, garantiu Benedito Manhiça, representante da divisão do seguro automóvel na EMOSE.
A Índico Seguros, com uma quota de mercado de 6% (a 6ª no ranking), promete que até finais deste ano conseguirá aumentar o capital social “cumprindo integralmente com as recomendações do regulador”, assinala Olívio Melembe, administrador financeiro da seguradora. Também já iniciaram o mesmo processo de aumento de capital os accionistas da Fidelidade Moçambique, seguradora com 2,7% da quota de mercado (a 9ª no ranking) bem como os da Imperial Seguros, operador com 0,6% da quota de mercado, e penúltimo no ranking que comporta as 20 a operar no mercado.
É possível que haja quem não aguente
Sendo uma hipótese em cima da mesa, não há nenhum operador que a assuma materialmente. Pelo menos por enquanto. Mas nas entrelinhas, existe a desconfiança de que até 2021, algumas seguradoras possam mesmo ter de ficar pelo caminho. A Imperial Seguros, por exemplo, aponta como desvantajosa a “pressão sobre as empresas para cumprir a meta do ajustamento de capitais mínimos” e lamenta o facto de muitas delas poderem “vir a sofrer penalizações ou cancelamentos da licença”.
O administrador financeiro da Índico Seguros, Olívio Melembe, entende que muitas seguradoras vão mesmo “enfrentar enormes dificuldades para aumentar o seu capital social, por não apresentarem uma estrutura financeira sólida” e adverte para o “risco bem evidente de muitas delas poderem ter de encerrar as suas actividades no mercado.”
Carlos Leitão, da Fidelidade Moçambique faz, de resto, um alerta a ter em conta nesta análise: “a medida poderá
o mercado segurador em moçambique
As estatísticas nacionais do sector de seguros mostram que a taxa de penetração dos serviços de seguros são ainda relativamente baixas, o que decorre da falta da cultura de seguros existente na economia nacional. Ou seja, são ainda muito poucas as pessoas e empresas que percebem a verdadeira utilidade de optar por um seguro. Mas, de há dois anos para cá, parece existir uma estratégia mais clara por parte do Banco de Moçambique de divulgar a actividade seguradora como parte fundamental da actividade económica, e do esforço de globalizar o acesso a serviços financeiros. Nesse sentido, na Conferência Sobre Serviços Financeiros Digitais em Moçambique, o ISSM advogou a necessidade de acelerar a inclusão dos serviços de seguro nas diferentes plataformas da banca móvel e de Instituições de Moeda Electrónica, para aproveitar a o potencial que estes meios têm de acessibilidade pelas massas.
originar que alguns operadores com menor robustez financeira na sua estrutura accionista possam ter necessidade de reflectir sobre a melhor estratégia para continuar a operar no mercado”; explica à E&M.
Todas as seguradoras, entretanto, reconhecem, ainda assim, um ganho que estas medidas do Banco de Moçambique podem conferir ao mercado. Carlos Leitão, resume essa ideia: “a verdade é que, havendo riscos para alguns operadores, esta é uma iniciativa que vai reforçar a robustez do sector e das diferentes entidades que nele operam ou pretendam vir a operar, garantindo uma maior capacidade para resolverem os seus compromissos e dar resposta às exigências de um mercado cada vez mais exigente e onde os custos associados à regularização de sinistros tendem a aumentar.”
Na generalidade, os operadores entrevistados apontam os resultados da crise económica que o país atravessa, cujo auge foi em 2016, como um factor agravante da dificuldade na recapitalização, visto que diminuiu a massa segurável em resultado da redução do tecido empresarial existente e da sua capacidade financeira, tendo originado a redução do número de seguros vendidos e uma redução de capitais e coberturas (que reduziram a facturação das empresas, em média, na casa dos 20%).
A E&M procurou a totalidade dos operadores de mercado para conhecer a situação individual e a visão individual de cada um perante as mudanças que estão a ser introduzidas e o impacto em ambiente de crise. Mas, infelizmente, a maior parte não concedeu entrevista.
ProPorção dos 8,4 milhões de moçambicanos abrangidos Por algum tiPo de serviço financeiro, que utiliza serviços de seguros. este número corresPonde aPenas a 420 mil Pessoas, daí os esforços do regulador em tentar desenhar estratégias Para incluir PoPulações de baixa renda no sector, uma das Prioridades do governo
revisão do seguro automóvel divide opiniões É o segmento dos seguros mais ‘movimentado’, digamos assim, e mexe com quase um terço dos prémios anuais de todo o sector. Ainda assim, dados do ISSM apontam que apenas 58% do parque automóvel tem cobertura de seguro, apesar da obrigatoriedade de subscrição universal deste serviço.
Ainda assim, e talvez pelo peso do segmento do seguro automóvel, as alterações para fazer robustecer o sector tenham começado precisamente por aqui. Já em Setembro do ano passado entrou em vigor a obrigação de um valor de capital mínimo de cobertura do seguro obrigatório de responsabilidade civil automóvel, agora avaliado em 3 milhões de meticais, valor dez vezes superior ao anterior, que se ficava pelos 300 mil meticais.
mercado e finanças
A razão desta alteração é óbvia: havia um desajustamento da responsabilidade civil automóvel porque hoje em dia há importação de carros avaliados em muito mais de 300 mil meticais. Neste caso, o segurado não tinha cobertura porque o limite era relativamente inferior.
Quase um ano depois, as seguradoras reconhecem tratar-se de uma alteração vantajosa para o mercado. Ainda assim, a EMOSE reporta pontos que considera desencorajadores.
De acordo com Benedito Manhiça, a medida tem causado retracção dos automobilistas que também sofreram com a crise, perdendo poder de compra. Revela que a seguradora hoje se ressente disso, porque, assinala, “reduziu o número de subscritores do seguro automóvel (numa magnitude ainda em avaliação). Por causa do aumento dos capitais mínimos, as seguradoras foram forçadas a agravar o prémio, e os segurados menos informados não entendem as vantagens, sobretudo por tudo isto acontecer numa altura em que a economia experimenta um período de instabilidade”, argumenta o representante da EMOSE. Na sua opinião, prossegue, o regulador “deveria ter tido o cuidado de observar o contexto actual da economia moçambicana, caracterizada por um momento de recessão substancial e esperar por um ambiente económico mais favorável para fazer valer esta decisão.”
A EMOSE diz ter aumentado entre 200 e 300 meticais o valor dos prémios de seguro automóvel, em resposta à revisão feita em Setembro de 2017.
Já a Índico Seguros não está a ser afectada por esta revisão, visto que antes da entrada em vigor das novas regras, a seguradora já estava a praticar o regime de cobertura acima da imposição legal. Assim, o aumento dos capitais mínimos do seguro automóvel não resultou na revisão dos prémios pagos pelo tomador do seguro. Aliás, a Índico Seguros, diz à E&M que disponibiliza um serviço designado “seguro sobre rodas”, transaccionado nas bombas de combustível, cujo limite é de três milhões de meticais, exactamente o limite exigido pelo regulador.
Depois, tanto a Fidelidade Moçambique como a Imperial Seguros não reportam igualmente quaisquer aspectos negativos decorrentes desta medida.
Na mesma ocasião, e no quadro da revisão do seguro da responsabilidade civil automóvel, o regulador também multiplicou por dez o limite mínimo de cobertura do seguro do transporte pú-
Mais capacidade: Banco de Moçambique quer ‘mais músculo’ no sector financeiro
blico de passageiros, passando de 20 mil meticais por passageiro para 200 mil. A vantagem óbvia desta medida é que, segundo a regra anterior, num acidente que resultasse em ferimento de passageiros, a cobertura proporcionava poucas possibilidades de cobrir intervenções cirúrgicas acima dos 20 mil meticais, o mínimo exigido. Apercebendo-se desta fragilidade, o Estado aumentou o capital para poder fazer cumprir a reparação de eventuais danos graves.
de olho nos grandes projectos… Obviamente que é importante dotar o mercado de instituições fortes, capazes de garantir a cobertura dos serviços de seguro, acompanhando a tendência de desenvolvimento e transformação (ainda que morosa) que o mercado tem vindo a conhecer, especialmente um segmento do mercado financeiro que está intimamente ligado ao crescimento (ou falta dele) da economia nacional. Até por isso, o ISSM, entidade que regula o sector, tal como a Associação Moçambicana das Seguradoras (AMS), tem mostrado preocupações em reter os ganhos da presença no país dos grandes projectos, (oil & gas, exploração de carvão, areias pesadas e pedras preciosas). Fonte do ISSM explica à E&M que, por exemplo, multinacionais que desenvolvem actividade produtiva em Moçambique, como a Vale e a Jindal (no carvão), Eni, Anadarko e mais recentemente a Exxon Mobil (no gás), a Montepuez Rubi Mining (pedras preciosas) ou a Kenmare (areias pesadas), poderiam garantir vários milhões de dólares às seguradoras nacionais se contratassem serviços de seguro internamente. “Mas não há aqui capacidade de cobrir o elevado volume de investimentos que aquelas empresas realizam, pelo que as multinacionais garantem a sua cobertura, obviamente, contratando seguradoras americanas, europeias e asiáticas, que têm muito maior capacidade de cobertura”, dizem-nos. É assim encarado o aumento do capital social mínimo, como um dos primeiros passos para a transformação do mercado interno, sendo que, mais tarde ou mais cedo tenderá a ser harmonizado por uma legislação que obrigue as multinacionais a contratarem serviços a nível interno. Em 2015, quando esta questão começou a ser colocada, a solução que era avançada era o co-seguro, que consiste no estabelecimento de parcerias para a partilha de risco entre os operadores nacionais e estrangeiros. Mas até hoje
mercado segurador
precisa de mais... segurança
A África do Sul é habitualmente o exemplo a que as seguradoras nacionais recorrem quando pretendem um padrão para a sua actuação no mercado. No entanto, a proporção dos seguros no PIB é de 13%, uma média superior à de muitos países africanos como o Quénia com 3% ou a Nigéria também com 3%. Regressando a uma das questões que está a fazer o sector mover-se, em Moçambique, por exemplo, um acidente que seja causado por alguém embriagado, que roubou uma viatura ou que cometeu uma infracção cuja Lei não preveja cobertura, a seguradora é obrigada a pagar primeiro para depois exigir do segurado a reposição do valor, na altura em que se provar a infracção. Mas ocorre que estes valores acabam por ser, em muitos casos, perdidos porque poucas pessoas têm capacidade de ressarcir as seguradoras. Para lidar com este tipo de irregularidades alguns mercados mais desenvolvidos, incluindo o da África do Sul, criaram o chamado ‘Fundo de Garantia Automóvel’, tendo como base
RAMo ‘não vidA’ doMinA ...
O ramo de seguros ‘Não Vida’ representa actualmente uma esmagadora fatia (cerca de 92%) do total dos serviços de seguro solicitados em Moçambique. Apenas 8% são correspondentes ao ramo ‘Vida’, a avaliar pelos prémios brutos emitidos nos primeiros três meses deste ano
Em milhões meticais
Ramo ‘Não Vida’ 3 556
Ramo ‘Não Vida’ domina claramente um mercado que, em agregado, vale 3,8 mil milhões de meticais se a ele juntarmos os 8% do ramo ‘Vida’
a introdução de uma determinada taxa na factura de combustível dos consumidores. Este fundo serve assim para aprovisionar custos ‘a descoberto’ por parte das seguradoras, que estavam cada vez mais expostas, por via dos mercados em que actuam.
Em Moçambique, através da Associação Moçambicana das Seguradoras, elas estão a organizar-se e a insistir junto do ISSM para pressionar a criação rápida de um fundo idêntico.
Mudanças: mercado tem-se adaptado
... E AutoMóvEl gAnhA pESo
Por ser obrigatório, o seguro automóvel representa quase 30% do total dos prémios de seguro emitidos. Ainda assim, ISSM estima que apenas 58% das viaturas em circulação esteja segurada
automóvel
incêndio
acidentes pessoais acidentes de trabalho
responsabilidade civil geral
marítimo mercadorias transportadas aéreo diversos em milhões de dólares
mercado e finanças
“onde é que a seguradora poderá ir buscar o prémio para assegurar o aumento da pensão, sobretudo nos casos em que a empresa já nem existe?”, questiona a EMoSE
a ideia nunca chegou a avançar. No entanto, é inevitável que com a exploração de recursos, e com a entrada de cada vez maiores empresas no mercado nacional, o sector segurador venha a usufruir disso. A Imperial Seguros está já, de resto, a capitalizar-se, ciente das oportunidades que isso poderá trazer à sua projecção. “Esperamos que quando os projectos de oil & gas tiverem início possamos aproveitar a oportunidade com algum sucesso”, aponta a seguradora como parte dos seus desafios. A mesma visão é perfilhada por outro operador: “É imenso o desafio que se coloca a todos nós, operadores de seguros a actuar no mercado moçambicano. E ele passa pela capacidade de dar resposta adequada ao aumento da demanda de seguros associados aos recursos minerais, quer pela tipologia dos mesmos que obriga a um conhecimento técnico aprofundado das seguradoras, e por fim, pela capacidade de assumir parte dos riscos associados, dada a elevada dimensão dos mesmos”, complementa Carlos Leitão, da Fidelidade.
urge mudar as regras nos acidentes de trabalho Sendo um dos ramos com maior potencial de crescimento, a EMOSE e a Índico Seguros mostram-se no entanto insatisfeitas com o mecanismo de funcionamento do seguro de acidentes de trabalho e doenças profissionais, cuja tabela foi também agravada recentemente. “É uma medida que está a perturbar a indústria seguradora, não só a EMOSE”, afiança Benedito Manhiça. Mas porquê? O argumento é que, no ramo de acidentes de trabalho, algumas pensões dizem respeito a empresas que já fecharam actividade, mas os beneficiários ainda existem. Assim, ao agravar a pensão mínima, o Estado está a pressionar os operadores a buscarem recursos adicionais para este serviço. “Onde a seguradora irá buscar prémio para assegurar o aumento da pensão, sobretudo nos casos em que a empresa já nem existe”? questiona a EMOSE. A Índico Seguros, que também olha para a medica como “controversa”, considera que a natureza do acidente de trabalho é de longo prazo, por isso, assumindo o ris-
CoMo é o MERCAdo
Mercado tem 20 companhias de seguros com quota de mercado muito diferenciada entre si. Todas as entrevistadas acreditam que vão conseguir aumentar o capital social
Em milhões meticais
co, a seguradora assume a responsabilidade de pagar mensalmente até 60% do ordenado do segurado em caso de morte, sendo uma pensão vitalícia a favor do enviuvado. E se houver dependentes menores, as seguradoras têm custos adicionais em pensões até que estes completem 18 ou 24 anos (se estiverem a frequentar o nível médio na escola), “o que tem efeitos financeiros negativos para as seguradoras”. A Índico Seguros sugere mesmo que este tipo de seguro tem de ser enquadrado no ramo vida, cuja natureza é de longo prazo. “Temos de continuar as discussões com o regulador para tentarmos encontrar um meio de salvaguardar o interesse do segurado e o negócio das seguradoras”, sugeriu Olívio Melembe.
Já para a Fidelidade Moçambique, o novo regulamento “não provocará” acentuadas mudanças a nível na empresa. “Basicamente, as alterações agora introduzidas situam-se em matéria relacionada com a adopção de uma nova tábua de mortalidade, mais adequada à realidade e que está na base dos novos coeficientes da Tabela Prática aprovada”, assinala.
Saúde, trabalho e acidentes pessoais: três segmentos com potencial, mas que dependem da economia nacional
MiCRo SEguRAdoRAS
CoRREtoRAS dE SEguRoS
SEguRAdoRAS FundoS dE pEnSão
TExTO Celso Chambisso
FOTOGRAFIA Jay Garrido
fontE Instituto de Supervisão de Seguros de Moçambique - ISSM
Escritórios ExEcutivos...
Para ExEcutivos
A MMO - Mozambique Managed Offices é uma empresa de locação e gestão de escritórios que dispõe de uma gama de serviços com standards de qualidade internacional
um business centre com acabamentos de luxo. Será uma boa forma de descrever a MMO. Foi criada em 2012 com o objectivo claro de “revolucionar o mercado nacional de arrendamento de escritórios. E por isso somos a primeira e principal fornecedora de serviços de escritórios executivos e na gestão de instalações em Maputo.”
De acordo com Sany Weng, directora-geral da empresa, tudo começou com um conceito de negócio centrado no fornecimento de espaços para as pequenas empresas de consultoria. Mas, em pouco tempo, e numa altura em que a economia descolava, rapidamente a empresa ganhou quota de mercado (mesmo tratando-se de um nicho no segmento de escritórios premium) que desde então não tem parado de crescer. De então para cá, manteve-se o nível do serviço e ampliou-se o portfolio da oferta que inclui equipamento e apoio técnico e administrativo, apostando na presença em alguns dos edifícios mais modernos da capital (Torres Rani, edifíco da GA e 24 de Julho).
“Um serviço de primeira classe foi o que permitiu estar, nesta altura, com três escritórios em que conseguimos fornecer tudo o que uma empresa
necessita, desde a sua formação até ao ponto em que consiga caminhar sozinha”, considera a gestora moçambicana. Afiliada do grupo internacional Maris, esta parceria possibilitou a expansão significativa das operações e ainda possibilitou a “melhoria constante do fornecimento de serviços de gestão completa de instalações integradas, escritórios virtuais e gestão de projectos de instalações para mais de 17 empresas nacionais e internacionais em diferentes fases de operações.”
Devido ao abrandamento económico, a MMO registou no entanto, não uma quebra “mas um abrandamento do crescimento” ao nível da procura dos seus serviços, mas já há sinais de retoma. “Sim, efectivamente sentimos isso nos nossos clientes e parceiros e acredito que até o final do presente ano o mercado possa trazer bons resultados para a empresa uma vez que já estamos a receber um cada vez maior número de empresas internacionais que nos estão a requisitar para instalar os seus serviços aqui, assim que entrarem no país”; revela.
texto Hermenegildo langa fotografia Jay garrido
executivesharedoffices
Bempresa MMo - MoçaMbique
Managed offices
FundaÇÃo 2012
ColaBoradores 16 nÚmero de esCriTÓrios 3
CarTeira
100
Pessoas nos três escritórios da MMo trabalham mais de 100 pessoas, na sua maioria moçambicanos
porTFolio
50
empresas a MMo fornece serviços de locação e gestão de escritórios a empresas nacionais e multinacionais
millennium Bim e FiDeliDaDe aliam-se pela massiFicação De seguros
“Incrementar o número de cidadãos beneficiários de seguros”. Foi este o objectivo da assinatura do acordo de parceria estratégia de longo-prazo entre o Millennium bim e a seguradora Fidelidade. De acordo com as duas instituições, o acordo vai estimular o crescimento sustentado do sector de seguros no país, tanto nas empresas assim como fora delas.
O acordo prevê ainda a distribuição de seguros através da rede de balcões e agentes do banco. Este memorando abre também a possibilidade de aquisição pela seguradora Fidelidade de uma participação no capital da Ímpar, actualmente detida a 89,9% pelo Millennium bim em Moçambique.
girl move: 4ª eDição
Do programa change
Formar uma nova geração de líderes no feminino, ‘capazes de contribuir para o desenvolvimento do país’ é o objectivo da Girl Move Academy, um programa de liderança e empreendedorismo social, que lança agora a 4ª edição do Programa CHANGE, que promove formação de excelência a jovens moçambicanas. A iniciativa pretende seleccionar 35 jovens licenciadas que serão, ao longo de 12 meses, capacitadas em matérias de liderança. Após a formação, terão um estágio de dois meses em grandes empresas de Portugal.
De Barclays para aBsa, ou Do azul ao vermelho
“corajosos, apaixonados, preparados.” É este o lema do novo absa, o banco da ‘africanicidade’
o dia 11 de Julho ficará marcado na história da banca africana. Em tons bem vivos, de vermelho. Foi esse o dia do lançamento do ‘novo’ Absa Group na África do Sul, escolhido também como o momento do ‘kick off’ de um caminho que culmina em 2020 e que irá levar à mudança de identidade de todas as subsidiárias do Barclays.
Em Maputo, o dia foi de festa. Mais de 500 quadros do ainda Barclays Bank Moçambique juntaram-se no auditório do Hotel Glória para celebrar o nascimento de um novo banco, com uma nova cultura e objectivos novos, baseados numa transversal consciência comum. “O cliente será sempre o nosso foco. Porque mais do que sermos maiores, queremos ser os melhores.”
As cores do novo logotipo do Absa representam a identidade de “uma instituição focada no cliente, com uma visão clara de futuro, abraçando os grandes desafios de uma nova era digital. Luísa Diogo, Presidente do Conselho de Administração do ainda Barclays Bank Moçambique, refere isso mesmo: “Buscando as raízes mais profundas da cultura de um país, e de todo um continente, sabemos que somos África, que somos o futuro. É este o caminho para que, até 2020, possamos dar vida a todas as nossas possibilidades. Estamos preparados.”
Se na África do Sul a ABSA já assumiu a sua nova identidade, em todos os mercados em que o Barclays Bank está (Gana, Quénia, Maurícias, Moçambique, Nigéria, Seychelles, Tanzânia, Uganda e Zâmbia), abrangendo aproximadamente 42 mil funcionários que atendem a cerca de 12 milhões de clientes de todo o continente, a transformação da marca irá acontecer até ao ano de 2020.
superBranDs DesaFia estuDantes a criar capa Da eDição 2018
No âmbito da 5ª Gala de Premiações das marcas de excelência em Moçambique, a Superbrands lançou o “Concurso Criativo Superbrands”. Para esta edição propõe-se aos candidatos o desafio de imaginarem uma capa, com um design que, ao mesmo tempo, é criativo e engloba a ideia do poder da “diversidade cultural do nosso país.” O concurso irá decorrer a nível das principais universidades de Comunicação, Marketing e Design de Moçambique.
stanDarD BanK apresenta potencial De investimento
O Standard Bank Moçambique apresentou as potencialidades de investimento que o mercado nacional oferece, numa conferência transregional, que decorreu, na Nigéria, em Julho passado, com o objectivo de promover o comércio entre os países africanos. No encontro estiveram empresários moçambicanos, representando os sectores de transportes, alimentação, sistema financeiro e tecnologia.
Fará sentido criar uma oPeP da cPLP
saLimo abduLa
Presidente da Confederação Empresarial da Comunidade dos Países da Língua Portuguesa (CE – CPLP)
aos 54 anos, salimo abdula será, porventura, um dos mais bem-sucedidos empresários moçambicanos.
O homem que já liderou a CTA, é o actual PCA da Vodacom, para além de fundador da Intelec, uma holding detentora de empresas em sectores económicos estratégicos como o dos recursos minerais e da energia, lidera também desde 2013 a Confederação Empresarial da CPLP (CE-CPLP). Agora, a poucos meses do fim do mandato, ele fala à E&M sobre o que foi feito e o que ainda há por fazer para que o universo das empresas da CPLP, possa ser, em si mesmo, uma “potência económica” que rivalize com outras, a nível mundial.
A criação da CE-CPLP parece ter, ela própria, mudado o foco do que era a CPLP anteriormente, ou seja, é um organismo menos focado nas questões culturais e linguísticas, e mais orientado para a sua potenciação a nível económico. É assim mesmo? A CPLP é uma boa causa que,
Transparência
de facto, no príncipio existia enquanto forma de união apenas cultural e social, em torno da questão da língua. Mas esse rumo tem vindo mudar para uma perspectiva mais económica, porque é assim que o mundo é hoje em dia. Creio que, enquanto Confederação Empresarial no seio do espaço da CPLP, teremos um papel relevante a esse nível. E é também por isso que, desde o início, delineámos um plano estratégico com metas que têm vindo a ser atingidas e outras apenas iniciadas, para que as empresas e os empresários de todo o universo dos países da CPLP possam ter aqui um fórum onde se sintam representados.
Essas metas foram debatidas na primeira conferência CE-CPLP. A que conclusões se chegou?
Sim. Foi, de resto, um momento histórico para nós, para Moçambique e para a própria CPLP. Dessas metas, as principais são: a dinamização do ambiente de negócios na comunidade criando um espaço de circulação livre de pessoas e
vccurriculum vitae
Salimo Abdula é fundador e PCA da intelec Holdings, cumpre o segundo mandato como PCA da Vodacom, liderou a CtA e é, desde 2013 presidente da Confederação empresarial da CPLP
capitais, a criação de um tribunal de arbitragem, de um banco de desenvolvimento, e de um Observatório. Depois, debatemos como os recursos humanos e naturais poderão ser melhor explorados, se o fizermos em bloco. Repare que, nas próximas décadas 25% das reservas de oil and gas de todo o mundo estarão dentro do espaço dos países membros. Nesse sentido temos de pensar se não poderia fazer sentido
estudar a criação de uma OPEP para os países de língua portuguesa que, por agregar tantas nações produtoras, seja um player mundial do sector.
Uma das tónicas dominantes na conferência de Maputo foi colocada na necessidade de se imprimir cada vez maior maior transparência a todos os níveis. Qual a importância disto para a CE-CPLP? A corrupção existe em todo o lado, é um mal transversal às sociedades contemporâneas, da política ao sector empresarial. Criar políticas transversais de transparência aos países membros tem sido e será cada vez mais uma preocupação da CE-CPLP. Porque hoje em dia, a vários níveis, é fundamental ser claro e transparente, se queremos fazer grandes negócios, com parceiros de todo o mundo.
Nota uma mudança de atitude dos diversos governos, face às alterações que têm sido lançadas pela CE-CPLP? Há temas que, por vezes, nem dependem só dos governos, implicam mudanças legislativas e uma aproximação cada vez maior entre Estados de diferentes continentes. Isto é um trabalho que está iniciado, mas que irá ainda demorar.
O seu mandato termina no fim do ano. Recandidata-se? Tenho uma vida empresarial que deixei um pouco para trás, por causa deste grande projecto. Sinceramente não lhe posso responder nesta altura. Têm-me pedido para continuar mas não tenho uma decisão final sobre essa questão.
texto PEdro CativElos fotogrAfiA Jay Garrido
Criar políticas transversais de transparência nos países membros, tem sido nestes anos, e será cada vez mais, uma preocupação da Confederação Empresarial da CPLP
As promessAs e os desAfios dAs “cidAdes inteligentes” em áfricA
De Kigali, no Ruanda, a Nairobi, no Quénia, ou como as grandes capitais africanas estão a dar o passo em frente na revolução tecnológica, o tal salto para um futuro para o qual Maputo ainda não parece disposto a avançar
a conferência “transform africa summit”, cuja 4ª edição decorreu em Maio, em Kigali, a capital do Ruanda, permitiu, uma vez mais, ver como estão a ser implementados, através do continente, os vários projectos de “cidades inteligentes” que têm sido objecto de grandes investimentos e se pretendem constituír como o paradigma de um modelo de desenvolvimento sócio-económico centrado nas tecnologias de informação e comunicação.
O foco deste novo paradigma ficou consagrado na edição de 2013 da conferência “Transform Africa Summit”, pelo lançamento do manifesto “Smart Africa” - liderado pelo Ruanda - ao qual aderiram, inicialmente, sete países do continente mas que seria subscrito, um ano depois, por todos os países que fazem parte da União Africana. O facto da iniciativa “Smart Africa” ter sido proposta e liderada pelo Ruanda não acontece por acaso. Em entrevista dada, o ano passado, ao jornal francês ‘Le Monde’, Jean Philbert Nsengimana,
ministro da Juventude e das Novas Tecnologias, sublinhou que Kigali é hoje “uma cidade totalmente conectada à Internet com acesso gratuito via Wi-Fi nos espaços públicos, transportes, restaurantes e hotéis”, referindo ainda que, para além disso, “todos os habitantes de Kigali podem hoje aceder à totalidade dos serviços públicos pela internet.”
Na entrevista, Jean Philbert Nsengimana explica como foram “desmaterializados” todos os procedimentos administrativos por forma a que os cidadãos possam, através da internet, “pagar os seus impostos, obter licenças de construção, registos de propriedade, ou certidões de nascimento”, salientando ainda que a digitalização de toda a informação urbana relativa a endereços permite já a distribuição domiciliária de correio e encomendas: “O programa ‘Smart City Kigali’ permitiu geo-localizar 100% das ruas da região.”
Falando sobre os próximos passos que a cidade quer empreender, o ministro refere como objectivo a “digitalização
2013
O fOcO deste nOvO paradigma ficOu cOnsagradO, na ediçãO de 2013 da cOnferência “ transfOrm africa summit”, pelO lançamentO dO manifestO “smart africa” – lideradO pelO ruanda - aO qual aderiram, inicialmente, sete países dO cOntinente mas que seria subscritO, um anO depOis, pOr tOdOs Os países que fazem parte da uniãO africana
progressiva de todo o tipo de transacções monetárias”: “Nos transportes colectivos de Kigali já é hoje possível pagar directamente usando o telemóvel. Queremos agora estender esse procedimento a hotéis e restaurantes”.
Reconhece, no entanto, que há ainda muito a fazer no sentido destes “pagamentos electrónicos” poderem abranger o pequeno comércio e as lojas de bairro. Baseado na sua experiência, o governo do Ruanda apresentou mesmo, no final da conferência do ano passado, um “roteiro de boas práticas” (“Smart Cities Blueprint”) para o desenvolvimento de “cidades inteligentes” em África na perspectiva de ajudar todos aqueles que querem implementá-las nos seus países.
De facto, têm-se multiplicado, em anos recentes, os anúncios de vários projectos de “cidades inteligentes” através do continente, quer em termos de dotar os centros urbanos actuais de infra-estruturas tecnológicas “inteligentes”, quer projectando novas cidades de raíz. No que toca à
sociedade
criação de novas infra-estruturas tecnológicas podem referir-se, para além de Kigali, os casos de Kampala, no Uganda, e de Accra e Kumasi, no Gana, onde através de uma parceria com a Google, e do seu denominado ‘Project Link’, foram instaladas redes de fibra óptica que permitem hoje aos seus cidadãos uma ligação e rápida e barata à Internet.
internet leva tudo à frente Um projecto semelhante está também actualmente a ser desenvolvido pela Liquid Telecom, uma empresa baseada nas Maurícias e que tem como objectivo instalar redes de banda larga em países como a Zâmbia.
Praticamente todas as grandes empresas tecnológicas globais definiram, entre os seus objectivos a curto e médio prazo, estratégias alinhadas com a ideia de levar a internet de alta velocidade ao continente africano. O Facebook está, por exemplo, a desenvolver um projecto que envolve a criação de drones que vão funcionar como hotspots de Wi-Fi. E tanto Elon Musk (através da Space X) como Richard Branson (com o grande investimento no projecto OneWeb) prevêm o lançamento de centenas de satélites em órbita baixa que vão permitir acesso rápido à internet. Aos casos acima referidos – de Kigali, Kampala, Accra e Kumasi – devem acrescentar-se ainda alguns outros que, desde há alguns anos, se destacaram por iniciativas pioneiras, como Cape Town, na África do Sul, Lagos, na Nigéria e Nairobi no Quénia. Até aqui, nada de Maputo, que parece estar fora desta nova rota da fibra óptica. E não há planos para que isso venha a acontecer.
Por outro lado, e no que diz respeito à criação de novas “cidades inteligentes”, os projectos mais frequentemente referidos incluem, ‘Vision City’, nos arredores de Kigali,
Revolução tecnológica fez emergir, a nível global, centenas de projectos de cidades inteligentes, estimando-se que este seja um mercado que em uma década poderá atingir os 225 mil milhões de dólares
‘Hope City’, no Gana – que tem a ambição de se tornar num grande parque tecnológico - ‘Waterfall City’, em Joanesburgo, na África do Sul, ‘Eko Atlantic’, um pólo urbano a ser construído perto de Lagos e que pretende ser a “primeira cidade inteligente” em África, ou ainda o projecto ‘Konza Technopolis’, em Nairobi, no Quénia.
Um lugar diferente
O conceito de ‘cidades inteligentes’ começou a emergir, de forma mais consistente, na primeira década do novo século. Os ganhos de eficiência permitidos pelo avanço das tecnologias digitais e, mais recentemente, a possibilidade de usar a big data no planeamento urbano, fizeram emergir, a nível global, centenas
de projectos, estimando-se, actualmente, que este seja um mercado que poderá atingir os 225 mil milhões de dólares na próxima década.
Após a crise financeira de 2008, tanto as grandes empresas tecnológicas globais como as do imobiliário começaram a olhar para a África e Ásia com especial atenção.
A explosão demográfica, a escassez de recursos e a fragilidade das infra-estruturas que marcam estas regiões tornaram estes continentes um alvo preferencial. No caso asiático, tanto a Índia como a China já anunciaram planos para a construção de ‘cidades inteligentes’. A primeira pretende construir 100 destas cidades até 2022 e a segunda quer avançar com 500 nos próximos anos. Mas
é sobretudo para África que todas as atenções estão voltadas: não apenas porque será neste continente que irá viver um quarto da população mundial em 2050 mas sobretudo porque metade dessa população irá ficar nas cidades.
os prós... e os contras
Em 2030, as estimativas indicam que existirão pelo menos seis mega-cidades em África (com mais de 10 milhões de habitantes). Para lidar com esta anunciada “explosão” urbana muitos países estão, por isso, não apenas abertos a redesenhar a configuração urbana actual como a projectar novas cidades.
No entanto, o modelo de ‘cidade inteligente’, tal como tem vindo a ser desenhado, tem merecido reservas por parte de
Accra, capital do Gana: ‘Hope City’ foi criada para ser uma referência tecnológica em África, mas ainda não atingiu essa meta
sectores que duvidam, não só da sua capacidade em mudar as condições sócio-económicas existentes, como antecipam o seu provável agravamento. Um outro tipo de crítica prende-se com o que alguns consideram a “influência excessiva” que as grandes empresas internacionais já têm (e vão continuar a ter) na definição do modelo das ‘cidades inteligentes’ em África. Como é o caso da ‘escola inteligente’, que a Nokia está desenvolver, no sentido de equipar o parque escolar de infra-estruturas tecnológicas avançadas, ou na área da saúde, o da empresa norte-americana de robótica Zipline, que implementou um sistema de distribuição de sangue através do uso de drones. Mas a presença de grandes operadores globais como a Microsoft, a Inmarset (satélites) ou a Hancom (empresa sul-coreana de software) são também referidos. Para o ministro Jean Philippe Nsengimana, este tipo de
“parcerias” são inevitáveis e decorrem da necessidade de atraír investimento estrangeiro e adquirir ‘know-how’. Na verdade, muitos dos projectos de ‘cidades inteligentes’ já anunciados continuam a ter dificuldades em concretizar-se: ‘Hope City’, em Accra, continua, quatro anos depois de ter sido lançado, a ter um desenvolvimento titubeante e em Nairobi, o projecto ‘Konza Technopolis’ tem agora a sua inauguração prevista apenas para 2030. Os críticos, onde se inclui, por exemplo, Mira Slavova, do Gordon Institute of Business Science, da África do Sul, referem que os modelos desenhados tomam sobretudo como referência as mega-cidades do século XX, todas elas nascidas em países já desenvolvidos. Ora, ao contrário destas, que surgiram nos anos 50 do século passado, e corresponderam a uma concentração de “forças produtivas”, as mega-cidades africanas são sobretudo “espaços congestionados” onde vivem grandes massas de população sem qualificações e em condições de “extrema pobreza”.
Mira Slavova sublinha ainda que a maior parte dos projectos de ‘smart cities’ no continente se tem concentrado sobretudo nas capitais dos diversos países ignorando o facto de que, segundo vários estudos indicam, o maior desenvolvimento urbano irá ocorrer em cidades secundárias que se irão transformar, dentro de alguns anos, em grandes megalópoles.
Muitas destas questões (e outras) não são exclusivas de África, o que leva os analistas a considerar que, sem um profundo debate sobre o tipo de ‘cidade inteligente’ a desenvolver no continente, as promessas de um novo impulso poderão não passar de uma oportunidade perdida.
texto Rui TRindade fotogrAfiA isTock PhoTos
Políticas de austeridade favorecem ou entravam o retorno ao crescimento?
Salim Cripton Valá • PCA da Bolsa de Valores de Moçambique
a ocorrência de crises financeiras mais frequentes nos últimos anos e a globalização da economia e dos mercados aceleradas pela velocidade de propagação das novas tecnologias tem tido um efeito multiplicador e devastador na economia de muitos países, pondo em causa a sua capacidade de acesso aos mercados financeiros, da concessão de crédito à transmissão de confiança aos investidores.
Perante situações de crise, muitos países confrontaram-se com a necessidade de implementar medidas para reduzir os gastos públicos, já que as receitas orçamentais são insuficientes para satisfazer a despesa pública e para incrementar a produtividade e a competitividade das economias. Expressões como “o Governo gasta em excesso”, “é necessário cortar gastos” e “é urgente equilibrar as contas públicas”, passam a fazer parte da gíria adoptada pelos parceiros de cooperação e gestores das finanças públicas. Foi nesse contexto que entrou na moda a ideia de introduzir medidas de austeridade fiscal.
A questão de fundo é se essas receitas prescritivas que reduzem o nível do consumo e o investimento público terão o condão de relançar o dinamismo e a competitividade da economia. Um estudo feito por David Stucker e Sanjay Basu (2013), intitulado “The Body Economic – Why Austerity Kills”, apresenta uma conclusão aterradora: os cortes orçamentais prejudicam gravemente a saúde pública, e são as medidas de austeridade implementadas sem a devida adaptação às especificidades que agravam os efeitos da crise, amputam as iniciativas de apoio social, agravam as taxas de desemprego e adiam o crescimento. Ao contrário do que defendem os apologistas da “contracção fiscal expansionista” (como Luigi Einaudi, Alberto Alesina, Carlo Favero, Francesco Trebbi, Guido Tabellini, Marco Pagano, Silvia Ardagna e Roberto Perotti), ou seja, que a redução nos gastos públicos é que leva ao crescimento económico, que foram as medidas de estímulo à economia que fizeram as economias crescerem, que melhoraram as contas públicas e fizeram aumentar o nível de emprego. Joseph Stiglitz (2017) considera que alguns países da Europa fizeram as escolhas erradas, ao impor a auste-
ridade, cortando excessivamente na despesa pública, exigindo “reformas estruturais” e, além disso, introduzindo mudanças na forma como os países afectados acabaram por gerir o mercado de trabalho e as pensões. Considerou ainda que as medidas de austeridade agravaram a crise junto das populações, que acabaram por lhes mostrar resistência, em nome da democracia. Philipp Engler & Mathias Klein (2017) defendem ser preferível uma recuperação da economia mais lenta, argumentando que a consolidação orçamental não tem oportunidades de sucesso num ambiente tão recessivo, pelo que uma combinação mais equilibrada de medidas, com ajustamentos orçamentais, reformas estruturais e uma aposta orçamental no investimento teria um efeito mais positivo sobre a economia.
Na sua obra “Não Temos de Ser Alemães”, José Matos Torres (2014), refere que o caminho para Portugal devia passar por uma reforma económica profunda, que não esteja obcecada com o défice e com a dívida pública, até porque uma boa dívida pública pode ser a alavanca para lançar as bases do crescimento económico. Moçambique pode aprender com essas experiências. Medidas de austeridade compreensivas são uma componente essencial de qualquer política económica sensata e prudente, que canaliza os recursos para onde eles possam ser usados para gerar bem-estar e crescimento económico inclusivo. Será que o melhor momento para implementar programas de austeridade é em época de crise ou em contextos de relativa abundância? Não deixa de ser verdade que é mais complexo e delicado implementar medidas de políticas visando simultaneamente: (i) gerir a crise económico-financeira e os seus efeitos sociais; (ii) introduzir reformas orçamentais, fiscais e monetárias; (iii) prosseguir com a promoção de um ambiente de negócios favorável ao investimento privado; (iv) e projectar e levar a cabo a transformação estrutural da economia. Temos de encontrar resposta para a pergunta: Como é que as medidas de austeridade podem promover desenvolvimento económico sustentável? Qualquer solução vai passar pelo melhor balanceamento que o Estado encontrar entre ambas.
Ao contrário do que defendem os apologistas da “contracção fiscal expansionista”, que a redução nos gastos públicos é que leva ao crescimento económico, foram as medidas de estímulo à economia que fizeram as economias crescerem, que melhoraram as contas públicas dos países
Lá fora
AngolA precisA de produzir (mAis) como de pão pArA A bocA
Governo e empresários concordam que a importação de alimentos é cada vez mais dispendiosa do que a sua produção a nível interno. Entretanto, e mesmo apesar dos constrangimentos já estarem devidamente identificados há vários anos, o país continua a apresentar défices preocupantes de produção agrícola
angola carece de uma política efectiva de incentivo à agricultura através de subvenções de insumos e facilitação de créditos bonificados, defendeu o agrónomo José Bettencourt numa apresentação a empresários do sector agro-industrial, por ocasião das celebrações do Dia do Criador e do Campo em Angola, que teve lugar em Junho, na Fazenda de Santo António, município da Quibala, na província do Kwanza Sul. No retrato que fez do sector, o especialista apontou ainda a fraca capacidade de armazenagem de produtos pelos agricultores, na sua maioria familiares, que respondem por mais de 90% da produção angolana, o que os leva, frequentemente, a vender as suas colheitas abaixo do preço de produção. “É por isso que eles (os camponeses)
se desmotivam e vão produzir carvão, por exemplo, para ao fim de dois ou três dias conseguirem ganhar alguma coisa”, justificou, tendo reforçado que Angola precisa de “pensar seriamente numa política de subvenção para aumentar rapidamente os índices de produção”.
Para esta fonte, o surgimento de um sector empresarial forte no agro-negócio em Angola, além da criação de uma rede comercial funcional e do reforço da investigação e experimentação agrícolas são factores determinantes para o desenvolvimento da agricultura no país, que tem cadastradas 170 empresas que ocupam uma área de mais ou menos 200 mil hectares.
“Da análise do ano agrícola 2015/2016, chegámos à conclusão que somente pou-
co mais de 19% dessa área tem produção efectiva, estando tudo o resto subaproveitado”, afirmou José Bettencourt, segundo o qual a produção do milho equivale a 16% da área cultivada, ao passo que o arroz ocupa 3% e a soja também 3%. O Kwanza Sul, informou a fonte, é a província que mais produz soja, com cerca de três mil hectares de área cultivada.
reservas mundiais em baixa
Até 2050, segundo estimativas do Instituto Nacional de Estatística, a população angolana poderá atingir os 67 milhões de habitantes, o que, para José Bettencourt, exige que Angola aumente os actuais níveis de produção de alimentos. “Nós teremos de alimentar essa gente”, afirmou, alertando
que, a nível global, os stocks de alimentos estão abaixo do recomendável, prevendo assim uma alta de preços no futuro.
Angola dispõe de 35 milhões de hectares de terra arável mas, apenas 5% é área cultivada, maioritariamente por camponeses familiares. Neste sentido, os actuais índices de produção de cereais continuam deficitários, daí que o país importe a quase totalidade do que consome.
“Se quisermos substituir as importações teremos de aumentar as áreas de produção, pelo menos em 1,4 milhões de hectares. E precisamos de ter, para que a produção seja razoável, à volta de 500 mil toneladas de fertilizantes e cerca de 100 mil toneladas de azotados”, defendeu o agrónomo José Bettencourt.
No caso do milho, o défice de Angola é de quase dois milhões de toneladas, ao passo que a totalidade do trigo consumido no país é importado. “Infelizmente, importamos farinha de trigo quando poderíamos importar grãos, o que nos permitiria valorizar a produção nacional, aproveitando os derivados do trigo para ração e criando mais empregos”, aponta ainda José Bettencourt, que informou que o défice de arroz corresponde também à quase totalidade do consumo interno.
Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO, na sigla em inglês), as perspectivas para a produção mundial de cereais melhoraram desde Maio. Porém, a produção prevista para este ano ainda poderá ficar aquém do nível alcançado 2017 e das necessidades de consumo previstas para este e o próximo ano.
Num comunicado divulgado no seu portal, a FAO estima que os stocks mundiais de cereais venham a baixar, uma queda impulsionada principalmente pelo milho, tendo em conta que as reservas de trigo e arroz tendem a aumentar. Em 2018, prevê-se uma produção mundial de cereais de 2,6 mil milhões de toneladas, três milhões de toneladas acima da projecção preliminar feita em Maio. No entanto, a este nível, a produção global ainda deverá cair 40,6 milhões de toneladas (1,5%) anualmente.
Já a produção mundial de trigo está prevista em 754 mil milhões de toneladas, após uma revisão em alta de 7,5 milhões de toneladas em Junho. O aumento está principalmente relacionado com a Argentina, bem como com o Canadá e os Estados Unidos, onde melhores condições climáticas impulsionaram as perspectivas da FAO. Estimativas oficiais recentes da Índia apontam também para uma pro-
dução acima do esperado, impulsionando ainda mais as perspectivas de produção global de trigo.
A produção mundial de milho em 2018, por sua vez, foi ligeiramente reduzida para 1 046 milhões de toneladas, com grandes revisões para baixo na China, reflectindo as contracções da área à medida que os agricultores mudam para culturas mais lucrativas, e no Brasil, onde a continuidade do tempo seco está prevista para conter plantações e colheitas da segunda safra.
2
610
MILHÕES DE TONELADAS
É A PREVISÃO DE PRODUÇÃO
MUNDIAL DE CEREAIS AtÉ AO fIM DO ANO DE 2018
Em Maio, a projecção da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura apontava um aumento de 0,7 milhões de toneladas na produção mundial de arroz, para 511,3 milhões de toneladas, 1,3% acima da alta histórica de 2017. A revisão, esclarece a FAO no seu comunicado, “reflecte principalmente as melhores perspectivas para a Índia, consistentes com as estimativas oficiais mais elevadas para a produção do país em 2018”.
consumo de cereais vai atingir novo pico em 2018/19
O consumo mundial de cereais vai crescer 1,2% no período 2018/2019 em comparação com a temporada transacta, atingindo o pico de 2,6 mil milhões de toneladas, em função do aumento nos alimentos, nas rações e nos usos industriais. O consumo de trigo deverá atingir os 743 milhões de toneladas em 2018/19, um aumento de quase cinco milhões de toneladas em relação à temporada anterior. Espera-se que o uso mundial de trigo aumente em consonância com o crescimen-
os problemAs… … e As soluÇões
comÉrcio
Rede comercial débil que não permite escoamento de produção
crÉdiTo
Política de crédito inadequada impossibilita investimento
inVesTigAÇão
Baixo nível de investigação e experimentação agrícola
renTAbilidAde
A taxa de rentabilidade da actividade agrícola é baixa
insumos
Fraca disponibilidade no fornecimento de insumos
logísTicA
Mau estado das estradas e custo elevado dos transportes
ÁguA
Infra-estruturas hidroeléctricas e de irrigação com pouca cobertura
produÇão
Deverão haver alimentos para cortar na factura da importação
inVesTimenTo cusTos
Concessão de crédito bancário com maior período de carência
Deverão ser reduzidos através de incremento de investigação
subsídios
Ao nível dos combustíveis, agroquímicos e fertilizantes
eFiciÊnciA
Melhores profissionais, e mais dados estatísticos e científicos
cooperAÇão
Maior coordenação entre produtores para reduzir custos
FormAÇão
Criação de quadro de incentivos e regalias para quadros locais
Lá fora
Como em Moçambique: Cerca de dois terços da população praticam agricultura de subsistência
Angola dispõe de 35 milhões de hectares de terra arável mas apenas 5% é área cultivada, maioritariamente por camponeses familiares espalhados pelas diversas províncias do país
to populacional, enquanto o total de rações deste cereal deverá crescer mais rapidamente do que em 2017/18, aumentando em cerca de 1,3%, apesar do grande suprimento de grãos grosseiros alternativos mais baratos.
O arroz também vai beneficiar de um aumento no consumo, 1%, em 2018/19, atingindo os 509,3 milhões de toneladas. Prevê-se que o consumo de alimentos represente 411,7 milhões de toneladas desse volume, permitindo que o uso mundial de arroz por alimentos per capita permaneça estável em torno de 53,9 quilogramas. comércio internacional com ligeiro crescimento O comércio mundial de cereais em 2018/19 poderá atingir as 409,6 milhões de toneladas, um aumento de 0,5%, ou seja, mais 2 milhões de toneladas em relação a 2017/18, o que representa um novo pico. Essa previsão, publicada em Julho, é de 3,4 milhões de toneladas superior à primeira previsão comercial da FAO para 2018/19, apresentada em Maio.
O comércio mundial de grãos grosseiros em 2018/19 (Junho/Julho) está actualmente estimado em 187,2 milhões de toneladas, uma alta de 0,9% em relação a 2017/18, com o comércio de milho a
1,2%
É QUANtO PODERÁ CRESCER A UtILIZAÇÃO MUNDIAL DE CEREAIS NO PERÍODO 2018/2019 EM COMPARAÇÃO COM A tEMPORADA 2017/2018, AtINGINDO O PICO DE 2 646 MILHÕES DE tONELADAS, EM fUNÇÃO DO AUMENtO DA SUA UtILIZAÇÃO NOS ALIMENtOS, RAÇÃO E USOS INDUStRIAIS
crescer para 147 milhões de toneladas, 1,1% maior do que em 2017/18 e 3,4 milhões de toneladas acima da previsão do mês anterior. Esses números devem-se à combinação de demanda de importação geralmente mais forte na Ásia com a disponibilidade continuada das exportações.
Já o comércio mundial de trigo na época agrícola 2018-19 (Junho/Julho) está previsto em 175 milhões de toneladas, próximo do volume estimado para 2017/18 e cerca de 1 milhão de toneladas acima da estimativa de Maio. Por fim, o comércio mundial de arroz no ano civil de 2018 deverá cair apenas um pouco abaixo do recorde de 2017, para um total de 47,8 milhões de toneladas. Entre os exportadores, uma safra positiva pode permitir que a Índia tenha, em 2018, o seu segundo maior volume já registado, apesar das perspectivas de diminuição da demanda de alguns dos seus principais mercados no sul da Ásia.
de volta a Angola...
Um pouco à imagem de Moçambique, em Angola, cerca de dois terços da população dependem da agricultura para alimentação, rendimento e fonte de emprego, mas aproximadamente 80% dos camponeses praticam agricultura de subsistência, o que resulta em pouco ou nenhum excedente, e em taxas de produtividade muito baixas. Mas, essa é uma realidade que mais tarde ou mais cedo, irá (terá) de mudar. E isso fica mais fácil com projectos como o do Pólo Agrícola da Quiminha.
Localizado a 50 quilómetros da capital, Luanda, terá uma área de 5 mil hectares de cultivo, onde já trabalham 600 pessoas na produção de cerca de 30 mil toneladas de todo o tipo de legumes e fruta. Considerado o maior projecto integrado de agricultura em Angola, (fruto de uma parceria público-privada), deverá atingir este ano a plena produção, prevendo-se que venha a exportar a maior parte da produção. À agência Lusa, o diretor-geral do projecto, o israelita Regev Harosh, explicava que objectivo passa por “exportar a partir de Outubro, por via aérea, as primeiras quantidades de batata-doce e banana produzidas localmente para que, em 48 horas estejam à venda em lojas na Europa onde a procura é grande” assumiu. texto SEBASTIÃO VEMBA fotografia ISTOck PhOTOS
Afinal, porque é que nos importamos com o que importamos. E vice-versa
Pedro Cativelos • Editor Executivo da Economia & Mercado
dizem-nos as notícias que o volume de importação de automóveis mais do que duplicou, nos primeiros três meses deste ano, relativamente a igual período de 2017, de acordo com os números do INE, denunciando um aumento na ordem de 124,4%. E a aquisição de peças para a indústria automóvel seguiu o mesmo rumo e cresceu 52,9% no mesmo período. Recordemos que a Assembleia da República havia aprovado, em finais do ano passado, uma redução de 5% (para 25%) na taxa de importação de veículos com seis anos de uso, mantendo os 30% na importação de veículos mais antigos. Havia (ainda há) um problema e a resposta começou a ser tomada no caminho certo. Não restringindo, orientando. Mas, porque é que esse era um problema? Bem, porque com o abrandamento económico, tudo o que fossem saídas de capitais, nomeadamente dólares, a currency com que são pagas as facturas em outros idiomas, era algo incomportável no momento económico actual. E por todas as outras razões, da segurança nas estradas, aos níveis de poluição que veículos mais antigos aportam ao nosso ar. No entanto, este indicador leva a uma outra análise. Este aumento na importação de automóveis face ao que acontecia há um ano, vem sublinhar algo que alguns indicadores têm mostrado: a maré baixa da economia está a mudar. O que pode parecer controverso escrito assim. Pelas dificuldades que a população continua a sentir no dia-a-dia, e que as empresas continuam constatar mês após mês. Podemos discutir se a ligeira melhoria é impelida pelas exportações de carvão (que deverão chegar perto dos dois mil milhões de dólares no fim do ano), e amparada pela melhoria das taxas de câmbio face ao dólar e ao rand, para valores de 2015 (ambas estão, claro, relacionadas). Paira, no entanto, o perigo de regressarmos ao princípio. A esse que pensamos, e ao dos dados que o INE revela. Porque se a primeira coisa que se faz quando os câmbios melhoram, e a economia dá o primeiro sinal de saúde depois de dois anos e meio de convalescença poderia ser outro. Mas, o que ela quer é um carro novo (na maioria até é usado) o que faz aumentar,
a importação de veículos. Mas, se a economia somos nós, afinal, não se lhe pode censurar a vontade de ter um carro novo. Por isso, importar não é, por si só, algo mau. Nem bom. É uma característica. Como alguém que vai às compras, porque não pode produzir tudo na própria casa, assim haja uma fonte de rendimento que suporte o pagamento. Sem ter de utilizar crédito. Será mais esta, a questão, porque Moçambique não será, nos anos mais próximos um produtor de automóveis, ou peças. E com o crescimento que se espera para a economia, a percentagem de importações de veículos será cada vez maior. Nenhum mal nisso.
Também lá por fora importar e exportar gera guerras. Ainda recentemente, o presidente Donald Trump anunciou a criação de novas tarifas que agravariam em 25% o custo das importações de aço. Por causa desse anúncio, as bolsas de valores na Ásia, Europa e de Nova Iorque caíram durante dias, a Europa unida ameaçou com medidas idênticas sobre produtos importados dos EUA e até na China, maior produtor de aço do mundo (e também um dos mais protecionistas, onde nem a UE nem os EUA têm facilidade de vender seja o que for), a reacção foi a de que este anúncio se tratava “de uma grave violação às regras da Organização Mundial do Comércio.” As novas tarifas, feitas em benefício da produção interna, teriam um impacto sobre os preços de carros e latas de refrigerantes. E quem pagava, era o consumidor norte-americano. Um bom exemplo de como uma medida que se importa com o que importa pode ter consequências inesperadas, ou nem tanto assim, afinal. Regressando a Moçambique, o peso das importações é e será sempre grande. A questão será como diluí-lo diminuindo ainda o défice da balança comercial (3 mil milhões de dólares). E para isso, a economia nacional tem de saber quais são as suas forças. Em vez de se focar apenas em reduzir, deve direccionar-se para produzir, com base na riqueza potencial que tem. Pensando em exportar. Porque importar veículos, conhecimento, ou produtos tecnológicos até pode ser um valor acrescentado. Não exportar nada, é que não pode ser a solução.
O peso das importações é, e será sempre, elevado. A questão é como diluí-lo, na produção interna, diminuindo o défice da balança comercial. Para isso, a economia nacional tem de saber quais são as suas forças e adoptar estratégias para que elas sejam ainda mais fortes e competitivas
ócio
(neg)ócio
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O Hotel Cardoso, o ‘terraço luminoso’ de Maputo já tem um século de vida
Uma viagem ao Japão, pelos pratos do Aska, um dos mais icónicos restaurantes japoneses de Maputo 70
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As Indian Pale Ale ganham o seu lugar na ascenção das cervejas artesanais
s.m. do latim negação do ócio
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O terraçO luminOsO de maputO
foi há um século que o Hotel Cardoso foi construído. O destino estava desenhado desde o início, quando foi uma casa. Virou pensão e finalmente hotel. Mas estava no seu ADN a essência de se tornar um grande dame hotel e, hoje, representa um marco arquitectónico de Maputo. A sua história faz dele um ícone da capital, com um jardim e uma piscina com uma localização privilegiada com vista para a baía. Só no Hotel Cardoso é possível ver o sol a pôr-se para lá da baía e, à noite, a lua cheia a reflectir-se nas águas prateadas, tornando-o num lugar exclusivo e mágico da cidade. Tomar aqui uma bebida enquanto se aprecia este espectáculo da natureza é um
dos 10 programas obrigatórios para se fazer em Maputo. A construção datada de 1919, surgiu como a habitação particular do comandante português Augusto Cardoso, tornou-se hotel nas mãos de uma família italiana, que chegou a Maputo na onda de migração para o Transvaal, no final século XIX. No livro “Os italianos em Moçambique na época portuguesa (1830-1975)”, do diplomata italiano Augusto Massari, lê-se: “Giuseppe e Aida Sorgentini, em 1924, juntamente com dois irmãos, decidiram tomar em gestão o Hotel Cardoso, uma pequena e confortável pensão da cidade (...)”. Aida Sorgentini é quem, então, transforma o Cardoso num hotel de quatro estrelas. Com-
prou a propriedade, demoliu o velho edifício e, no mesmo lugar, ergueu, em 1938, um complexo mais moderno. O hotel foi renovado uma primeira vez, em 1948, e diversas vezes nos anos 50 e 60 do século passado, com o acréscimo de diversos andares ao edifício.
A família Sorgentini geriu o Hotel Cardoso durante 65 anos – como é recordado numa placa no hall do hotel. Hoje, pertence ao grupo canadiano Westmont Hospitality e conta com 130 quartos, a maioria dos quais com vista para o mar. O recente restyling, com rigoroso respeito pelos traços originais, pelo branco das pinturas exteriores e pelo azul dos pormenores, acentuou ainda mais o ambiente sofisticado e acolhedor.
textO Paola Rolletta fOtOgrAfIA Vasco célio
O HOtel CardOsO tem 130 quartOs, a maiOria dOs quais COm vista para a fOz, Onde O maputO enCOntra O OCeanO ÍndiCO
De 2ª a Sábado das 11h30 às 15h30 e das 17h30 às 22h30
Av. 25 de SetembroMaputo 843060 800
em 2013, a cozinha tradicional japonesa, ou Washoku, foi considerada pela UNESCO como Património Cultural Imaterial da Humanidade. Nas considerações que acompanharam a justificação para a atribuição desta distinção, destacava-se, o facto desta cozinha respeitar a frescura dos ingredientes e o sabor inerente a cada produto, porque o tratamento de cada ingrediente deve garantir o seu terroir, ou seja, o “sabor regional” associado à sua proveniência.
Em segundo lugar, sublinhava-se nesse documento a importância que é dada à sazonalidade desta cozinha. As mudanças das estações reflectem-se na preparação dos alimentos e no arranjo e decoração dos pratos e, em consonância com esta dimensão, referia-se, em particular, o Kaiseki Ryori, uma das expressões do Washoku, que tem a ver com a arte da combinação, em cada prato, de sabores, texturas, cores e dis-
restaurante as K a HÁ mais vida para
posição dos alimentos, o que confere à cozinha tradicional japonesa um elemento estético e poético único no mundo. Embora a culinária japonesa esteja longe de se resumir ao sushi, o facto é que, desde há alguns anos, ele se tornou a expressão mais conhecida, e globalizada, da arte milenar do Washoku. Como muitas tradições alimentares cujas origens remontam a épocas longínquas, as origens do sushi permanecem envoltas nalgum mistério. No entanto, alguns dados históricos estão hoje bem estabelecidos. Inicialmente, era um modo de se preservar peixe. As primeiras formas de sushi chegaram ao Japão vindas do sudeste asiático e da China. Em 500 a.C., as populações montanhesas da Tailândia, Laos e Borneo, usavam arroz fermentado para preservar peixes de rio.
alÉm dO susHi
No Japão, camadas de carpa e arroz começaram a ser colocadas em vasos com tampa e deixados fermentar por um ano. As pessoas comiam esse peixe nos lugares onde não era possível encontrá-lo fresco. Com o passar do tempo, foram então desenvolvidos métodos de fermentação mais rápidos que necessitavam apenas de alguns dias para serem concluídos. Esse processo fazia com que o arroz ficasse com um sabor fortemente adocicado e podia ser ingerido, juntamente com o peixe. Para abreviarmos uma história longa de séculos e durante a qual foram
embOra a CulinÁria japOnesa esteja muitO lOnge de se resumir aO susHi, O faCtO É que, desde HÁ alguns anOs, ele se tOrnOu a expressãO mais COnHeCida e glObalizada da arte milenar dO WasHOKu
emergindo diversos métodos e inovações no preparo do sushi, sublinhe-se apenas que é a Yohei Hanaia que é atribuída a criação do método mais usado actualmente na sua prepração. Por volta de 1800, Yohei Hanaia começou a servir pedaços de peixe cru (sashimi) sobre arroz em barracas (yattai) nas ruas de Tokyo, sendo a ele que se atribui a “paternidade” do que hoje designamos por nigiri-sushi.
Em Maputo surgiram, nos últimos anos, várias opções interessantes para os apreciadores de sushi. Já o Aska, a mais antiga da todas, continua não apenas a defender os seus pergaminhos (como um dos melhores) como oferece uma vantagem suplementar: a de nos permitir experimentar outras declinações da culinária tradicional japonesa (como os Teriyaki ou as massas Udon). Razão mais do que suficiente para lhe sugerirmos uma visita.
textO Rui tRindade fOtOgrAfIA Jay GaRRido
indian pale ale
País eUA tiPo American IPA coR
Amarelo dourado e turvo aRoma Cítrico, herbáceo e de frutas amarelas saboR Amargor intenso e prolongado, levemente picante e cítrico
teoR alcoólico 7%
ganHOu a medalHa de OurO nO WOrld beer Cup 2010, e É uma Cerveja
ameriCan ipa . vigOrOsa e refresCante
sOvina
País Portugal
tiPo English IPA coR Âmbar com reflexos dourados
aRoma Elegante com Intensas notas florais, frutado
saboR Excelente estrutura, perfil harmonioso com o lúpulo a marcar o final teoR alcoólico 6%
breWdOg punK
País Reino Unido (Escócia)
tiPo Imperial IPA coR Âmbar e turva
aRoma Caramelo, cítrico e frutado
saboR Caramelo, amargor com final cítrico
teoR alcoólico 6%
O admirÁvel mundO nOvO da indian pale ale
a edição de 2018 da world beer cup, uma inciativa aberta a produtores de todo o mundo e considerada como as “Olimpíadas da Cerveja”. que se realizou no passado mês de Maio, na cidade de Nashville, nos Estados Unidos, premiou, uma vez mais, as melhores cervejas artesanais da actualidade. Nesta edição, estiveram a concurso mais de 8.200 cervejas, de 66 países, que foram avaliadas por 295 especialistas internacionais. Perante a escolha final do júri, um dado a reter é o crescente interesse pelas cervejas designadas como Indian Pale Ale (IPA), o que confirma uma tendência que se tem vindo a afirmar em anos recentes. Amargas mas extremamente aromáticas, refrescantes e fáceis de beber, com uma cor que vai entre o dourado e o acobreado e um teor alcoólico que se situa normalmente entre os 5,5 e os 7,5%, as IPA tem vindo a ganhar adeptos e quota de mercado. Reza a história que a IPA surgiu porque os ingleses precisavam de cervejas com mais lúpulo (conservante natural) e álcool para que elas aguentassem as longas viagens da India para o Reino Unido. Durante anos, ela permaneceu confinada ao Reino
Unido como uma versão mais potente e amarga do que as pale ale tradicionais. Mas foi nos Estados Unidos que se iniciou a verdadeira “explosão” da IPA, através do uso de uma grande variedade de lúpulos locais. Hoje existem inúmeras por todo o mundo podendo-se contabilizar cerca de oito sub-tipos principais desse estilo. As mais consumidas são: a American IPA (as notas de lúpulo tem aroma e sabor cítricos e frutados); a English IPA (aroma e sabor herbáceo e terroso); a Imperial IPA (com maior teor alcoólico e mais amargor); a Session IPA (com menor teor alcoólico e menos amargor); a Belgian IPA (híbrida com misturas de lúpulos); e a Black IPA (negra e sabores de malte torrado). Perante o vastíssimo leque de escolhas possíveis, a nossa sugestão é começar por algumas das consagradas: a “Ballast Point-Sculpin”, que ganhou a medalha de ouro, é uma American IPA. Vigorosa e refrescante, com amargor intenso e prolongado, é levemente picante e cítrica. O resultado é uma cerveja saborosa, intensa e única.
textO Rui tRindade fOtOgrAfIA d.R
firestOne dOuble jaCK dr. raptOr
País Estados Unidos
tiPo Imperial IPA coR Dourada translúcida
aRoma Floral e frutado, com notas cítricas de maracujá, laranja e grapefruit
saboR Amargor complexo mesclado com mel e frutado de grapefruit
teoR alcoólico 9,5%
País Holanda
tiPo Imperial IPA coR Âmbar intenso com reflexos alaranjados
aRoma Citrinos e frutos tropicais aliados a notas resinosas
saboR Toranja, malte, caramelo e excelente amargor teoR alcoólico 9,2%
música filmes livros
• EM DESTAQUE
«Como Será o Futuro e Porque DePenDe De nóS» tim o’reilly eD. D.quixote
expOsiçÕes
“maPuto 346,77 Km”
aPreSentação Do trabalho
DeSenvolviDo na reSiDênCia
artíStiCa De rita
CaStro neveS e Daniel moreira
Camões - Centro Cultural Português em Maputo
Inauguração a 2 de Agosto
Patente até 9 de Agosto
De segunda a sexta das 11h00 às 18h00
entrada Livre
traçoS - butCheCa
CuraDoria De uliSSeS ovieDo
Galeria Kulungwana
Aberta até 17 de Agosto
Hora: Segunda a Sexta das 10h – 17h
Sábados: 10h – 15h
mÚsiCa
FeStival De hiP hoP “PunhoS no ar” – 3ª eDição
Centro Cultural
Franco-Moçambicano
Palco do Jardim
Dia: 4 de Agosto
Hora: 16h- 23h
entrada: 350/250 Mt
mighty vibration
Fundação Fernando
Leite Couto
Dia: 10 de Agosto
Hora: 18h
5 anoS, 4 eStaçõeS - orqueStra e Coro xiquitSi
Centro Cultural
Franco-Moçambicano
Auditório
Dia: 11 de Agosto Hora: 19h30 entrada: 350 Mt
reCital De Canto Da eSCola naCional De múSiCa
Camões - Centro Cultural
Português em Maputo
Dia: 31 de Agosto
Hora: 17h
maKhoyane aPreSenta ngingumShaDza (a alma DaS iDaDeS – eu Sou)
Fundação Fernando Leite
Couto
Dia: 30 de Agosto Hora: 18h
Acaba de saír a versão portuguesa do mais recente livro de tim O’reilly intitulado «Como Será o futuro e Porque Depende de Nós» (ed. D.Quixote). tim O’reilly, fundador e director da O’reilly Media e a quem se deve o conceito de “Web 2.0”, que definiu o modelo actual da Internet, aborda neste livro a forma como as tecnologias do século xxI estão a mudar os negócios, a educação, os governos, os mercados financeiros e a economia.
Através dos exemplos de plataformas como a Amazon, a google, o facebook ou a Airbnb, o autor demonstra como a economia e os mercados financeiros são cada vez mais geridos por algoritmos.
enigma 1:1
aSSoCiação Kara Kata
Fundação Fernando Leite
Couto
Dia: 22 de Agosto Hora: 18h
SonhoS hibernaDoS - gruPo Ku-hlanganheta
Fundação Fernando
Leite Couto
Dia: 9 de Agosto
Hora: 18h
metamorFoSe – gruPo eCarte enCenação maria ataliba
Fundação Fernando
Leite Couto
Dia: 16 de Agosto
Hora: 18h
“aSCenSeur Pour éChaFauD” De louiS malle
Centro Cultural
Franco-Moçambicano
Auditório
Dia: 13 de Agosto Hora: 19h entrada: 150 Mt/gratuito
”Pierrot le Fou” De jean-luC goDarD
Centro Cultural Franco-Moçambicano Auditório
Dia: 20 de Agosto Hora: 19h entrada: 150 Mt/gratuito
abertura oFiCial Do Kugoma –Fórum De Cinema moçambique
Centro Cultural Franco-Moçambicano Auditório
Dia: 20 de Agosto Hora: 19h entrada: 150 Mt/gratuito
“CoiSaS que Só aConteCem na Flor De lótuS” & “o Coelho que Falava latim” teatro Para CriançaS
Fundação Fernando
Leite Couto
Dia: 18 de Agosto Hora: 11h
tertúlia literária
oS ProCeSSoS De PoeSiS / amin norDine Sangari oKaPi e rogério manjate
Fundação Fernando Leite Couto
Dia: 15 de Agosto Hora: 18h
ler é uma FeSta tributo a Paulina Chiziane Com ana magaia e Cheny Wa gune
Fundação Fernando Leite Couto
Dia: 29 de Agosto Hora: 18h
“entre
depois da ante-estreia, realizada no passado mês de Julho, no Centro Cultural Franco-Moçambicano, em Maputo, o novo filme da realizadora Yara Costa – “Entre Eu e Deus” - irá ter a sua estreia oficial em Novembro na Ilha de Moçambique.
O documentário toma como ponto de partida a história Karen, uma jovem muçulmana, de 21 anos, estudante de Engenheira Civil, criada na Ilha de Moçambique, local historicamente cosmopolita onde a tradição Macua se fundiu com o Islão Suni, trazido no século VIII, e onde sempre conviveu pacificamente com o cristianismo trazido pelo colonialismo português. Aos 14 anos, “descobriu-se” no Islão, passou a cobrir-se com o hijab e, nos últimos anos, sob o olhar crítico da comunidade da Ilha passou a guiar-se pelas regras mais rígidas do Islão. A partir de uma perspectiva observacional, o filme acompanha a vida de Karen, para revelar sem ponta de preconceito, o que está por detrás do véu e a rela-
eu e deus ”: O
nOvO
dOCumentÁriO de Yara COsta
ção que tem com a religião. O documentário pretende atribuir um rosto, através de uma história particular, ao fenómeno de centenas de jovens que fazem escolhas religiosas radicais e as suas implicações no momento actual em que vivemos.
De acordo com a realizadora, “Moçambique, um país historicamente multicultural, tem assistido às primeiras explosões de intolerância religiosa e fundamentalismo radical.”
“Nos últimos anos, tenho notado uma mudança no comportamento da comunidade da Ilha, e mais visivelmente - nas minhas amigas jovens que adoptaram o que elas chamam de uma forma mais ‘pura’ do Islão tendo começado a vestir-se com roupas escuras, hijabs e burcas.”
No documentário, Karen, como muitas jovens, foi cria-
O nOvO filme da realizadOra Yara COsta – “entre eu e deus” - irÁ ter a sua estreia OfiCial em nOvembrO, na ilHa de mOçambique
da numa família muçulmana moderada, de forte tradição Macua. Porém, na adolescência, começou a enveredar por práticas rigorosas. Hoje, não sai de casa antes de se cobrir totalmente e quer ver Moçambique rígido pela sharia. “Como jovem, intrigou-me a mudança de comportamento de Karen.
O que passa pela sua cabeça e o que faz com que uma jovem independente, estudante universitária, faça uma escolha tão radical?
Será isto uma afirmação de identidade? Por que será que a Karen e muitos jovens da Ilha, se voltam para a Arábia Saudita em busca do ‘Islão puro’, sendo que as suas famílias são praticantes do Islão há várias gerações?”
Yara Costa, uma jovem realizadora moçambicana, realizou anteriormente “Porquê Aqui? História de Chineses em África” (2011) e “A Travessia” (2014).
onde Ilha de Moçambique entre eu e deus
estReia Novembro
textO Rui tRindade fOtOgrAfIA d.R.
motoR
V8 de 5,6 litros
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Automática de 7 velocidades
Tracção AllMode possui
modos Auto / 4H / 4LO
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Moçambique Rua Kanwalanga no 141, Mozambique
21 350 800 info@ mz.motorcare. com nissan patrOl
nissan patrOl
O regressO de um HistóriCO
é um dos mais emblemáticos (e históricos) jipes de sempre. E apesar da longevidade, continuam a ver-se muitos exemplares a cruzar as estradas moçambicanas (e a terra batida, pedras, rios, …), dada a sua imensa capacidade off-road. Agora, a nova versão daquele que muitos definem como a combinação perfeita de estilo, luxo, tecnologia e desempenho, chega a Moçambique
O novo Nissan Patrol é um veículo raro que impressiona em qualquer piso, o epítome da tecnologia progressiva, desempenho supremo e luxo incomparável.
Este modelo premium da Nissan, foi desenhado a pensar em
vquem tem um gosto sofisticado que requer um SUV grande em recursos, opulência, estilo e exclusividade.
Desde 1951, quando foi lançado o primeiro modelo, ele criou um nicho de mercado e ao mesmo tempo erigiu um legado bem conhecido em toda a África.
Na sequência do seu sucesso internacional, a Nissan está confiante “de que também este novo modelo vai encontrar um lugar no coração de Moçambique, uma vez que abraça o conforto e a extravagância sem perder a sua proficiência off-road.” Projectado para aventuras familiares em tamanho real, o Patrol mantém a sua utilidade de sete passa-
sistema de injeCçãO direCta benefiCia desempenHO e vÁlvula de COntrOlO (mCv) dÁ efiCiênCia
geiros e possui uma impressionante variedade de recursos de alta tecnologia (sistema Nissan Intelligent Mobility).. A aparência exterior é ao mesmo tempo poderosa e refinada, e o corpo redesenhado apresenta uma postura agressiva. No interior, combina espaço e conforto premium com uma ênfase especial no silêncio. De origem, sobressai o interior com acabamentos de luxo, assentos dianteiros climatizados e sistema de controlo de temperatura automático. O Patrol tem uma caixa de 7 velocidades automáticas e é movido por um motor V8 a gasolina de 5,6 litros, robusto e de alta tecnologia que desenvolve 298kW de potência. Com um tanque com 140 litros, pode circular confortavelmente, ou ‘dar gás’ às suas 3,5 toneladas. Porque a formidável suspensão dianteira e traseira dupla independente do Patrol proporciona conforto de condução suave e ágil em estrada e fora dela. O novo Patrol quer ser o parceiro ideal, e parece feito especialmente para os distintos, os não-conformistas e os grandes aventureiros da condução.