ESPAÇO INFILTRO
ANTEPROJETO PARA A RUÍNA DA RUA SIQUEIRA CAMPOS PAULLA MATTOS
Ă€s mentes inquietas.
Agradeço à Diego, ao meu pai e à minha mãe, pelo apoio e presença. Aos meus amigos, em especial Juan, Lucas, Jairo, Vitinho, Itamar, Ricardo, Iara e Manoela por me ajudarem no processo, direta ou indiretamente. À Paulo, pelas orientações e partilha de conhecimento.
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APRESENTAÇÃO Este trabalho é apresentado como resultado da disciplina de Trabalho de curso I e II, do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Pernambuco. Foi desenvolvido sob a orientação do Professor Arquiteto Paulo Raposo, entre os anos de 2016 e 2017 e tem como tema uma proposta de requalificação para o Edifício Siqueira Campos, que atualmente encontra-se em estado de ruína. Sob o título Espaço Infiltro: Anteprojeto para a ruína da Rua Siqueira Campos, a proposta apresenta um espaço público, inclusivo e democrático, que visa a troca de experiências entre os visitantes e o encontro de diferenças, afim de trazer questionamentos e vitalidade aos cidadãos e à cidade do Recife.
SUMÁRIO 11 Introdução 12 Contexto 15 Localização 16 O Edifício 23 ( ) 25 A Proposta 31 A Ruína 37 Os Rasgos 41 As Bolhas, por fora 45 ( Os Portais ) 47 As Bolhas, por dentro 53 Usos 56 Apropriação do Espaço 66 Projeto Arquitetônico 93 Considerações Finais 95 Referências
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INTRODUÇÃO “Architecture is always dream and function, expression of a utopia and instrument of a convenience” 1 (BARTHES, 1979)
A observação da sociedade contemporânea, com sua brutal quantidade de informações ofertadas, a falta de tempo para processa-las, e as demandas sempre urgentes que impedem as pessoas de exercerem o papel de indivíduos pensantes, associado ao ambiente caótico encontrado nas metrópoles, traz a necessidade de repensar a maneira como a qualidade do espaço físico influencia nessa dinâmica. A proposta vem oferecer uma epifania em meio ao caos, não sendo este necessariamente de caráter negativo, uma vez que a tensão e o conflito são aspectos inerentes à cidade viva e estes necessitam de um espaço físico e temporal para serem digeridos.
A segunda parte inclui o anteprojeto da proposta, partindo do entendimento da configuração espacial do objeto a ser requalificado, seguindo da discussão dos conceitos e os aspectos construtivos do projeto, exposição dos usos e apropriações dos pavimentos, para então apresentar-se as decisões projetuais de desenho e perspectivas do novo espaço.
Não por acaso, a proposta se localiza no centro histórico e comercial de Recife, onde, desde sua origem, circula uma grande quantidade de pessoas e onde são locadas atividades de vários tipos. Contudo, por conta do processo de descentralização da cidade, a área está perdendo, aos poucos, essa característica, apresentando aspectos de descuido e com seu patrimônio arquitetônico descaracterizado. Um lugar que atrai os cidadãos devido a diversidade cultural e simbiose arquitetônica, a cada dia que passa, perde esses valores. Os ambientes caóticos dos centros definem a essência das metrópoles, por isso a proposta de intervenção na ruína da Rua Siqueira Campos tem o intuito de interpreta-los e então trazer para a região um novo espaço que visa, além de conectar os equipamentos que existem na quadra que se insere, resgatar os valores anteriormente citados, através de um projeto arquitetônico alternativo e atividades complementares a do bairro. O espaço de uso misto abrigará atividades artísticas e comerciais, afim de dar ao edifício um valor sócio-cultural e econômico, de modo a oferecer a vivência no centro às pessoas, e atribuir ao edifício um caráter versátil.
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“Arquitetura é sempre sonho e função, expressão da utopia e instrumento da conveniência”. Tradução da autora.
Este livro, que se divide em duas partes, procura, primeiramente, contextualizar a proposta por meio de um breve histórico da área, e principalmente um panorama da situação atual dentro do contexto urbano do Recife. Em seguida, apresenta estudos anteriores criados pela autora que influenciaram na concepção da proposta atual. 11
CONTEXTO A formação e consolidação do tecido urbano é resultado do tempo e a maneira como este influencia na ocupação e exploração do espaço. Na cidade do Recife, especificamente no Bairro de Santo Antônio, temos um exemplo claro da convivência entre diversos edifícios e intervenções que são testemunhas e também, por que não, vítimas, do contexto temporal que estão inseridos. Tendo início desde a ocupação portuguesa, passando pelas transformações planejadas pelos holandeses, até as idealistas intervenções modernistas do séc. XX, essas mudanças colocam os edifícios na condição de memória viva do espaço e da cidade do Recife. A Avenida Guararapes, nomeada antes Avenida 10 de novembro, é ainda hoje a expressão física destas revitalizações que ocorreram nos anos 1930 e 1940. Estas tinham como objetivo a organização e higienização das áreas centrais, o que incluiu alargamento das vias para atender o crescente fluxo de veículos e a construção de arranha-céus que eram o reflexo da imagem da cidade moderna. Assim, segundo Naslavsky (2012), a avenida tornou-se o cartão-postal da cidade, e com os novos usos destinados a escritórios, bancos e cinemas, garantiram o reconhecimento como “um novo centro de negócios do Recife”. Ainda hoje, as estruturas permanecem, mas a realidade do Bairro de Santo Antônio é bem diferente daquela vislumbrada na metade do século passado. Um fenômeno comum nas grandes cidades brasileiras, onde em nome de uma expansão do tecido urbano, acaba-se gerando um esvaziamento das áreas centrais. Como consequência desse espraiamento urbano ocorre o aumento da ociosidade dos imóveis e a ausência de pessoas habitando esses lugares o que resulta na degradação das estruturas por falta de manutenção, como explicam Loureiro e Amorim: “Nas últimas décadas, os centros históricos das grandes cidades latino-americanas vêm sofrendo um lento, mas destrutivo processo de redução de investimentos. O cenário de abandono e substituição de funções qualificadas por serviços de baixa especialização é evidente, bem como os seus efeitos na imagem das cidades.” (LOUREIRO; AMORIM, 2008)
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No caso da Avenida Guararapes, e no seu entorno, é possível presenciar esse fenômeno corrente, mas, da mesma forma, também percebe-se os potenciais que ele pode gerar no espaço. Mesmo com a ausência do poder público e de políticas que possibilitem uma inserção maior destas estruturas na dinâmica urbana, algumas condições inerentes ao local fazem com quem novos usos ali se estabeleçam e gerem uma vivacidade para área. Fatores práticos, como a localização central na cidade, numa área de concentração de modais de transportes, principalmente ônibus e BRT’s proporcionam um fluxo intenso de transeuntes durante o dia, da mesma maneira que isto propicia o surgimento de um comércio mais popular, atraído por um potencial público consumidor e também por valores de aluguéis mais baratos. Neste mesmo cenário, baseado nos fatores citados anteriormente, também encontra-se na área um crescente número de artistas locais e atividades culturais que encontraram no centro um potencial agregador e transformador como forma de expressão. Estes artistas, que vão na contramão do êxodo nas áreas centrais, enxergaram neste espaço a pluralidade e contrastes que muito ajudam na disseminação de uma produção criativa, sendo através de intervenções ou de exposições. Como exemplo temos o caso do Edifício Pernambuco, que vem tendo um papel de destaque na “efervescência artística da cidade do Recife”, conforme matéria Site Cultura.PE2, que também cita uma série de atividades que vem ocorrendo no local, como workshops, oficinas, performances, vendas de produtos e serviços. Além da crescente importância na produção artística dessa área central para a tão plural cultura pernambucana, há também que se destacar a presença de diversos equipamentos culturais na área, como por exemplo o Teatro de Santa Isabel(1), a Casa da Cultura(2), o Cinema São Luiz(3), Museu de Arte Moderna Aluísio Magalhães - MAMAM(4), o Paço do Frevo(5), o Museu Cais do Sertão(6), o Centro de Artesanato de Pernambuco(7), entre outros. Estes espaços se valem tanto de edifícios históricos, adaptados as novas demandas, que por si só já são instrumentos culturais construídos, como também de novas estruturas que foram projetadas para atender determinado uso e público. Além desses também há de se destacar os espaços abertos, como praças e parques, que são importantes para uma área tão adensada construtivamente, o que gera nestes espaços um potencial de convivência a ser explorado.
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Cultura.PE, 2014. Fonte: http://www.cultura. pe.gov.br/canal/ artesvisuais/andar-por-andar-um-recife-que-cria- e-produz/ Fig. 01 - página seguinte Fonte: Google Earth, mapeado pela autora
Desta maneira, a proposta aqui apresentada visa integrar todo esse contexto, como uma maneira de sintetizar os contrastes desta área, de forma que ofereça aos cidadãos do Recife e também ao centro, um espaço plural que consiga condensar essas forças, extraindo das características apresentadas aquilo de mais produtivo na composição do espaço urbano.
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Fig. 02 - acima Localização do Edifício Siqueira Campos na quadra e num recorte do bairro de Santo Antônio Fonte: Google Earth, mapeado pela autora
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Fig. 03 - esquerda Planta baixa atual do pavimento tipo da ruína
LOCALIZAÇÃO O contexto que a proposta está inserida é o Bairro de Santo Antônio, localizado na RPA1 (Região Político Administrativa 1), sendo delimitado pelo Rio Capibaribe e pelo Bairro de São José. Além destes também é conectado através das históricas pontes aos bairros da Boa Vista, Santo Amaro e Bairro do Recife. A importância da localidade dentro do contexto urbano se dá pela presença da sede do governo do estado, o Palácio do Campo das Princesas, que junto com o Teatro de Santa Isabel, o Palácio da Justiça e a Praça da República, compõem um conjunto de grande notoriedade arquitetônica, representando estilos e momentos da história da formação da cidade, como também de importância na dinâmica urbana dado os usos a que são destinados.
recifense, que poderia ser considerado patrimônio imaterial representativo da cultura pernambucana. Este espaço requer um tratamento que realce esta importância, que reforce nele o caráter de descanso e contemplação, e que ele possa também estabelecer uma melhor relação com os usos do entorno, como bares e outros comerciantes, que também ajudem no reconhecimento do valor deste local.
O objeto de intervenção deste trabalho é o Edifício Siqueira Campos, que está localizado na rua de mesmo nome, no lote 259, o qual mantém uma conexão direta com o Pátio do Sebo no interior da quadra. Além da configuração urbana pouco comum no traçado da capital recifense, pela presença do pátio, esta quadra também se destaca pela proximidade com vias de grande fluxo, como a Avenida Guararapes, Avenida Dantas Barreto e a Rua do Sol, eixos que são determinantes na organização do transporte público da região metropolitana. Além das já citadas especificidades desta quadra, abriga o Pátio do Sebo, praça que historicamente mantém vivo o uso deste espaço urbano, além de fazê-lo através de uma atividade que vem desaparecendo com a digitalização crescente de conteúdo, o sebo. Esta atividade que tem surgimento no início nos anos 1920 no centro do Recife, viu seu valor ser reconhecido apenas nos anos 1980, quando através de uma intervenção se estabeleceu no pátio um local apropriado e dedicado para a prática dos livreiros, como destaca o pesquisador José Luiz Mota Menezes: “Bem antes de agosto de 1981, quando foi construído o largo, os livreiros, geralmente mais idosos, eram encontrados em diversos pontos do Centro. A ideia foi de harmonizar e oferecer facilidade para as pessoas. O es- paço é vital para manutenção das memórias da cidade.” (MOTA MENEZES, 2016) Portanto, esta prática além de ser um elemento de vivacidade que se mantém por décadas no centro do Recife, ainda é um importante elemento agregador da história da sociedade 15
O EDIFÍCIO Inserido numa morfologia específica, o Edifício Siqueira Campos é a construção que faz uma interface direta entre a Rua Siqueira Campos e o Pátio do Sebo. Num terreno retangular, a edificação ocupa toda a área do lote, o que obedecia as leis vigentes na época de sua construção. Projetado na década de 70, pelo Engenheiro Civil Fernando Santos da Figueira, do Escritório de Engenharia, Arquitetura e Construção Figueira Jucá S.A., para ser a sede da empresa Tabajara Crédito Imobiliário S.A., atingiria a altura de 16 pavimentos, atendendo o uso de lojas no térreo e escritórios nos andares superiores. Erguido graças ao uso de concreto armado, suas fachadas de orientação norte-sul contariam ainda com fechamento em caixilharia de alumínio e vidro. No entanto, por motivos desconhecidos a obra não foi concluída, alcançando apenas 14 pavimentos, e contando apenas com a parte estrutural finalizada (pilares, vigas, lajes, escadas de emergência e três vãos para elevadores). Um segundo projeto foi apresentado nos anos 90 pelo escritório Borsoi Arquitetura, que buscava aproveitar a estrutura já concluída, mas alterando o uso para habitações multi-familiares. Da mesma forma que o projeto original, também não obteve sucesso e permaneceu no papel. Hoje, o edifício encontra-se em estado de ruína, e são quase 30 anos desde a última proposta, período de tempo praticamente igual entre o projeto original de 1970 e a segunda tentativa em 1990. A proposta a ser apresentada a seguir, busca utilizar esta ruína para uma reflexão da contemporaneidade, da mesma forma que os projetos anteriores tentaram, mas fazendo isto de uma maneira que o edifício englobe o contexto que está inserido, tanto local quanto da cidade do Recife como um todo. O Espaço Infiltro, reforça esta estrutura, não apenas no sentido literal, mas na forma de destacar os processos a qual ficou exposta durante décadas, observando nos problemas, qualidades a serem aproveitadas e levando do nosso tempo, novas características a serem incorporadas.
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Fig. 04 - direita - Fachada norte da ruína, vista da Rua Doutor José Henrique Wanderley Fonte: Paulla Mattos
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Fig. 05 - páginas anteriores - Panorâmica do Pátio do Sebo visto do Edifício Pernambuco, com a ruína à direita Fonte: Bia Meunier Fig. 06 - página anterior em cima - Pátio do Sebo Fonte: Rafaela Souza Fig. 07 - página anterior embaixo - Rua da Roda Fonte: Rafaela Souza Fig. 08 - direita - Vista interna da ruína, olhando para o Pátio do Sebo Fonte: Bia Meunier
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( ) A inquietação que norteou a elaboração da proposta é remanescente de projetos anteriores realizados durante a minha formação onde foi investigada a arquitetura como meio de alterar a percepção da realidade e do espaço, transformar o sujeito através da experiência sensorial para que assim transcenda, buscando o ócio criativo, a afetividade e a subjetividade no espaço construído. Este ímpeto levou-me a projetar espaços de forma alternativa, empírica e livre com o objetivo final do questionamento e evolução da mente humana. Durante o período de estudo em Architectural Design na School Of Constructed Environments, que faz parte da universidade Parsons The New School for Design, em Nova Iorque, foram desenvolvidos dois projetos: o primeiro onde foi proposto um portal para uma das entradas a oeste do Central Park, que propunha uma experiência de abstração do mundo antes de se experienciar a transcendência através da natureza; e o segundo, um instituto de arte onde haviam galerias e moradias estudantis, que se propunha a evolução humana através da observação do cotidiano dos alunos e da sensorialidade das obras.
Fig. 09 - página anterior - Rascunho de conceitos para o projeto do instituto de arte, realizados com fita adesiva Fonte: Paulla Mattos Fig. 10 - direita acima Rascunho do conceito para o portal do Central Park, através de colagem sobre imagem tirada do Google Maps Fonte: Paulla Mattos Fig. 11 - direita embaixo - Render do interior do instituto de arte Fonte: Paulla Mattos
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A PROPOSTA O projeto propõe infiltrar-se, conceitualmente e fisicamente, na estrutura construída, afim de modificar sua configuração espacial. O processo, que visa reviver a edificação através de intervenções construtivas (ou pode-se dizer, destrutivas) pontuais, se dá em etapas. Primeiramente, analisa-se e compreende-se a ruína como objeto estrutural e estético que apresenta grande potencial espacial. Em seguida, a proposta de intervenção começa por delimitar áreas que serão destruídas nas lajes para formarem aberturas de um pavimento para o outro criando vazios e visadas. Posteriormente, os furos serão ocupados por bolhas plásticas que atravessam pavimentos e que abrigarão atividades complementares as que acontecerão no que se restar das lajes. Por fim, a transição entre esses dois elementos se dará por meio de um portal cúbico que parte da lâmina e interrompe a bolha para penetrá-la. A escolha e disposição das atividades se baseiam diretamente na análise do ambiente em que se localiza a edificação no ambiente urbano, na escala arquitetônica a situação atual da ruína e na inserção da proposta em determinado pavimento, adaptando os diversos usos ao modo inovador que se busca trazer para o espaço da edificação e procurando trazer movimento durante todas as horas do dia. A proposta abrigará lojas de discos, livraria, estúdio de gravação, espaços que disponibilizam produtos de arte, numa mistura entre comércio, galeria de arte e biblioteca, skatepark, área para alimentação, bares, boate, escola de arte e local para eventos.
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A união do aspecto formal e funcional do projeto busca a integração com o local que se insere, pretende oferecer aos visitantes o compartilhamento de experiências, o dialogo entre as diferenças e o questionamento dos consensos e aspectos da sociedade contemporânea. Propõe-se a infiltração dos conceitos que geram o projeto nas mentes dos visitantes, ao mesmo tempo que estes e seus modos de pensar geram mudanças na composição do lugar. Para que a apropriação do espaço da ruína se dê de maneira mútua e dinâmica trazendo para a discussão a essência da arquitetura e da cidade.
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A RUÍNA “One of my favourite definitions of the difference between architecture and sculpture is whether there is plumbing.” 3(MATTA-CLARK, 2006) “O brutalismo tenta fazer face a uma sociedade de produção em massa e extrair uma poesia rude das forças confusas e poderosas que estão em ação.” (SMITHSON, 1957)
“Não o seria agora, quando as inquietações e descontentamentos do presente usurpam-nos nossos espíritos do lugar do passado e do porvir. A calma mesma da natureza nos é gradativamente arrancada.” (RUSKIN, 2016) O esqueleto-ruína tem um aspecto escultórico e um tanto brutalista, os quais são mantidos no projeto. O primeiro, pelo modo como o volume se porta, seu tamanho, textura, como trabalha com a luz e a sombra e, principalmente, do jogo de cheios e vazios. Brutalista porque só existe e exibe os elementos fundamentais e indispensáveis à obra, expondo a tradição comum do construir atual, com o uso de pilares, vigas, lajes e paredes num jogo retangular. Além disso, o edifício é pesado visualmente, pois os pés direitos dos pavimentos são baixos em relação ao seu comprimento, apesar da verticalidade da edificação.
3 “Uma das minhas definições favoritas da diferença entre arquitetura e escultura é se existe encanamento”. Tradução da autora.
Fig. 12, Fig. 13 e Fig.14 - páginas anteriores Colagens e Desenhos para estudos do início do projeto Fonte: Paulla Mattos Fig. 15 - páginas anteriores - Render de corte transversal da proposta apresentada Fonte: Paulla Mattos Fig. 16 - próximas páginas Detalhe das fachadas internas da ruína e edifício vizinho Fonte: Bia Meunier Fig. 17 - próximas páginas Detalhe da fachada da ruína Fonte: Bia Meunier
A escolha de preservar esteticamente o estado atual da estrutura, mesmo que venha a ser considerado feio pelo senso comum, abre espaço para novos tipos de apreciação do lugar, visualmente ou não. A reação negativa para com o feio, como construção social, é totalmente compreensível, principalmente quando o objeto observado é uma edificação cujo abandono resultou em deterioração. Instintivamente, o ser humano tem aversão e medo, por acreditar que algo põe em risco a sua integridade. Porém, ao mesmo tempo, o abandonado, perigoso, perturbador e assustador instiga a curiosidade e faz a pessoa ir além de suas limitações psicológicas. Ao invés de usar do poder sedutor da beleza, o projeto quer trazer o cidadão ao edifício através do sentimento de curiosidade e inquietude. Atualmente, na sociedade pernambucana, o belo é empregado de forma genérica, desprovido de expressão artística, e caracteriza os edifícios residenciais que estão sendo construídos na cidade. Nesse viés, o projeto a partir da ruína da Rua Siqueira Campos se apresenta como uma alternativa ao modelo vigente.
A edificação em seu estado atual concorda com a teoria da Ética e Estética de Reyner Banham (1966) para o brutalismo, e, a despeito da sua conotação negativa, o edifício tem uma imagem unificada e clara. O objetivo, portanto, é manter e valorizar os materiais não tratados e crus, e deixar à vista as diferentes formas de uso. Salvo reformas pontuais e necessárias para o prolongamento da vida útil do prédio e segurança do usuário, como impermeabilização e manutenção das estruturas, e intervenções que serão apresentadas a partir dos próximos tópicos, a ruína continuará, aparentemente, no estado que se encontra. O objetivo é deixar visível os efeitos do tempo e das forças da natureza agindo no edifício, os quais tanto são negados à sociedade na contemporaneidade, além de prevenir o excesso de projeto. Essa característica é baseada no ponto de vista de John Ruskin (2016), adaptado à realidade do projeto que vem sendo apresentado, quando descreve sua apologia à ruína como uma devoção às construções do passado, pregando absoluto respeito à matéria original das edificações. “As ruínas se tornam sublimes a partir dos estragos, das rachaduras, da vegetação crescente e das cores que o processo de envelhecimento confere aos materiais da construção. A ruína é o testemunho da idade, do envelhecimento e da memória, podendo nela estar expressa a essência do monumento.” (DIAS DE OLIVEIRA, 2008)
Escreve ainda em sua análise sobre a teoria do restaurador: “A beleza acrescentada pelo tempo confere às edificações um perfil peculiar e ‘estilo’ característico. ”(DIAS DE OLIVEIRA, 2008). Essência e beleza, essas, que despertaram a vontade de intervir na ruína escolhida. Outro objetivo que há no projeto e é alcançado pelo estado atual do edifício é o de desnorteamento como uma experiência: ao deixar todas as superfícies com o mesmo material, o sujeito tem menos noção do que é chão, teto e paredes laterais, como se os limites e encontros entre esses se tornassem mais sutis. Bem como a perda parcial da noção de largura, altura e profundidade, que juntamente trazem certa perturbação. Esta é uma forma de desconstruir o espaço, fazer-se refletir, para então desconstruir os princípios de construção do espaço contemporâneo, ou ao menos questionar consensos estabelecidos. Diz respeito mais ao movimento do que ao enquadramento. 31
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Aqui está um livro Um livro de gravuras coloridas; Há um ponto-furo. um simples ponto simples furo E nada mais. Abro a capa do livro e Vejo por trás da mesma que o furo continua; Folheio as páginas, uma a uma. - Vou passando as folhas, devagar, o furo continua Noto que, de repente, o furo vai se alargando Se abrindo, florindo, emprenhando, Compondo um volume vazio, irregular, interior e conexo: Superpostas aberturas recortadas nas folhas do livro, Têm a forma rara de uma escultura vazia e fechada, Uma variedade, uma escultura guardada dentro de um livro, Escultura de nada: ou antes, de um pseudo-não; Fechada, escondida, para todos os que não quiserem Folhear o livro. Mas, prossigo desfolhando: Agora a forma vai de novo se estreitando Se afunilando, se reduzindo, desaparecendo/ surgindo E na capa do outro lado se tornando novamente Um ponto-furo, um simples ponto simples furo E nada mais. Os seres que a construíram, simples formigas aladas, Evoluíam sob o sol de uma lâmpada Onde perderam as asas. Caíram. As linhas de vôo, incertas e belas, aluíram; Mas essas linhas volantes, a princípio, foram se reproduzindo nas folhas do livro, compondo desenhos De fazer inveja aos mais “ sábios artistas”. Circunvagueando, indecisas nas primeiras páginas, À procura da forma formante e formada. Seus vôos transcritos, “refletidos” nessas primeiras linhas, Enfim se aprofundam, se avolumam no vazio De uma escultura escondida, no escuro do interno; Somente visível, “de fora”, por dois pontos; Dois pontos furos: simples pontos simples furos E nada mais.
A Escultura Folheada
(JOAQUIM CARDOZO, 1971)
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OS RASGOS “infiltração substantivo feminino 1. ação de fluido que se insinua ou penetra nos interstícios de corpos sólidos. 2. fig. ação de penetrar, de se insinuar no espírito de alguém. “i. de ideias” 3. fig. ação de introduzir-se numa organização inimiga. 4.eng movimento de água através do solo, causado pela gravidade. 5.pat invasão de certos tecidos por um líquido orgânico ou por células patológicas.” 4 Em se tratando da ruína, o concreto, material estrutural adotado no sistema aporticado de vigas, pilares e lajes, apresenta como uma de suas características certo grau de porosidade, que com o tempo, falta de cuidado, manutenção e impermeabilização, consequência do abandono de anos, vem apresentar nestes elementos pontos de infiltrações. Essas infiltrações serviram de inspiração para o desenvolvimento do projeto de intervenção onde há, em algumas lajes, rasgos que conceitualmente foram baseados no comportamento destas infiltrações, como se o espaço físico de atuação e a ação das mesmas fosse maximizado. Outro conceito que cabe à proposta é fundamentado na observação de insetos os quais se alimentam de determinadas matérias e deixam assim seus caminhos “talhados” ou “lapidados”, como Joaquim Cardozo versou. São ações agressivas ao corpo do objeto e não são solicitadas. São o conjunto de esculturas negativas e escondidas na própria escultura maior que é a ruína.
3 Definição do Dicionário Aurélio para a pesquisa da palavra “infiltração”.
Os rasgos presentes no projeto locados nas lajes da estrutura são aberturas orgânicas, como furos, englobando pavimentos distintos, onde se permitirá visualizar o pavimento abaixo ou acima, e têm como objetivo uma penetração na ruína que represente a constante mutação e experimentação, estas, que agem sobre todo e qualquer componente da cidade no tempo. As aberturas buscam atrair o visitante corporalmente, não apenas visualmente, para assim experimentar e ter consciência da presença do vazio. Servem, também, como um elemento que subverte a ordem, uma vez que geralmente o exterior de uma obra brutalista orienta a composição de seu interior. As intervenções nas lajes embaralham a noção
de verticalidade e horizontalidade, esta última muito marcante para o indivíduo que está dentro da edificação, uma vez que a lâmina é bem mais profunda do que larga, e tem o pé direito baixo que gera uma sensação de esmagamento. Existe assim para quebrar o que é regular. Embasado também na análise da cidade na qual habita e de extrema importância como referência para o projeto que se apresenta, o coletivo Anarchitecture (Anarquitetura, junção da palavra anarquia e arquitetura), do qual fez parte Gordon Matta-Clark, arquiteto e artista plástico, nota a onipresença do vazio e de moradias abandonadas causadas pelo esvaziamento de bairros por conta do espraiamento urbano, mesmo fenômeno que ocorre na cidade do Recife, atualmente. Isso proporcionou ao grupo uma liberdade de experimentar intervenções nos edifícios vazios, que geram provocações e questionam a estrutura arquitetônica em forma de caixa. As obras Conical Intersect e Splittings, realizadas pelo coletivo, evidenciam os motivos citados anteriormente, além de quebrar a privacidade e os códigos de propriedade que dominam a cidade. Matta-Clark (2006) constata a temporalidade limitada das estruturas construídas, isso significa ter consciência da ação do tempo sobre a vida útil das mesmas, além de celebrar a desordem, variedade e justaposição de eras e estilos na cidade, aspectos que se alinham com os objetivos da proposta que está sendo apresentada. A partir dessa lógica, ele desenvolveu uma prática apoiada na destruição, através de cortes e extrações de edifícios, criando espaços através da reconfiguração daqueles preexistentes. Ao expor as entranhas do edifício, Matta-Clark subvertia a visão de arquitetura do espectador. Ele rompia com os conceitos típicos da construção, ligados principalmente aos três elementos básicos: chão, parede e teto; e o conceito de limite entre interior e exterior. Dito isso, o artista elaborava um novo espaço por meio do próprio espaço, criava um vazio que ressignificava o espaço onde este estava contido. A Anarchitecture e a metáfora da infiltração têm muito em comum, e são os conceitos chaves para o projeto de intervenção na ruína. Assim como o líquido, o inseto ou o artista, a proposta penetra, destrói e extrai para subverter a ordem arquitetônica que estava estabelecida, pelos mesmos motivos supracitados, para incentivar e criar novas formas de experienciar 37
o espaço, e subsequentemente, levar o sujeito a transcender o pensamento habitual. Na prática, as aberturas nas lajes são executadas através da delimitação do perímetro que deve ser eliminado, para então, com o uso de um equipamento que pode associar corte e ruptura, destruir o concreto e o aço. Se for necessário algum reforço na estrutura, o engenheiro calculista cria uma viga para redistribuir as cargas.
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Fig. 18 - esquerda Conical Intersect, Paris, França,1975. Gordon Matta-Clark Fonte: https://vanderhurk.wordpress. com/2015/03/31/artist-research-gordon-matta-clark/
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AS BOLHAS, POR FORA “Tenho interesse pela pele que se transforma em volume, a pele que nos reconduz ao espaço do vazio.” (RICHARD SERRA, 2005) “Ninguém confundiria Hadid com um arquiteto funcionalista; em sua prática, a função muitas vezes segue a estrutura e a estrutura segue a imaginação. Ao mesmo tempo, a despeito de suas formas excêntricas, ela tampouco chega a ser formalista. Ao contrário, a motivação primeira de sua arquitetura é a liberação de forças detectadas em dado projeto ou local, a partir das quais poderiam ser desenvolvidas estruturas e espaços imprevistos.” (FOSTER, 2015)
Representando o caráter invasor do líquido, causa da infiltração, e a presença do ar que preenche o vazio das aberturas da laje, foram concebidas as bolhas infláveis. Suas formas orgânicas e superfícies reflexivas quebram a horizontalidade das visadas internas e, já na vista externa do edifício rompem com a verticalidade destacada, contrapondo a ortogonalidade da ruína. Por ser parcialmente transparente, sua luz interna ilumina de uma forma peculiar o centro do edifício, que, atualmente, por conta da profundidade é muito escuro.
4 Um dos museus de arte contemporânea da Fundação Dia, que foi construído numa antiga fábrica de biscoitos e tem como propósito expor obras de grande escala. Se localiza em Beacon, Nova Iorque, EUA. Fonte: https://www.diaart. org/visit/visit/diabeacon-beacon-united-states 5
Air Rights: direito de controlar, ocupar ou usar o espaço vertical (espaço aéreo) acima de uma propriedade, sujeito ao uso necessário e razoável por vizinhos e outros. Os direitos de ar podem ser comprados, alugados, vendidos e transferidos. Fonte: http://www.businessdictionary.com/definition/ air-rights.html
As mesmas existem para subverter a estética conservadora, com sua organicidade e para que a ruína dialogue entre o conforto do conhecido e a difícil interação com o desconhecido. Não existe para competir, nem ser cenário neutro e sim, para ser um parceiro criativo questionador do cotidiano; “o que é isso que se olha e não se compreende, e por que não se compreende?”. (diagrama 01)
Pode-se aplicar à experiência do sujeito criada pelas bolhas atravessando as lajes o que escreve Hal Foster (2015) sobre o projeto da fundação Dia:Beacon4: “Uma estética em que o espectador se torna sensível não só ao caráter de cada disciplina mas também à relação entre ambas, e, em consequência, passa a refletir sobre sua própria experiência perceptiva e cognitiva.” (FOSTER, 2015) E vai além: “(…) o espectador é esmagado por obras imensas em vastos espaços, mas então recupera intelectualmente essa perplexidade, e assim no final se sente
investido de poder por essa força.” (FOSTER, 2015) As estruturas infláveis convidam o sujeito à perambular ao seu redor; diante de uma forma côncava, é possível enxergar a extensão do volume, porém ao contorná-lo, se transforma numa convexidade não esperada, e com isso, rompe-se o estado de inércia da lâmina de concreto tornando-a um espaço dinâmico. O que se busca, também, novamente, é a perda da orientação espacial, quando as estruturas infláveis parecem soltar do chão e flutuar, trazendo uma leveza ao ambiente e uma experiência lúdica ao público. Além disso, o fato de atravessarem vários pavimentos como um corpo único, cria um espaço intermediário vertical, assim desconstruindo o pé direito e trazendo a verticalidade, tão presente externamente, como forma de enfatizar a experiência interna. (diagrama 02)
Ainda, as bolhas que sacam da fachada, para além do perímetro do prédio, flutuando e se espalhando no espaço aéreo, além de questionar a propriedade privada ociosa5, tem objetivo de complexificar tanto a relação com o limite do que já é construído, quanto com o limiar entre seu interior e exterior. (diagrama 03) A transparência da superfície tem a intenção de trazer o aspecto “ver e ser visto” à proposta, com o objetivo final do alcance à epifania através da observação curiosa do outro exercendo ações quaisquer, transformando uma transparência literal em um fenômeno. Um olhar para uma ação cotidiana como se fosse uma performance, extraindo significados, uma vez que a visão permanece como modelo metafórico do conhecimento. Também serve como questionador da curiosidade mórbida que sempre existiu, e ainda existe, com relação ao que é privado ou íntimo, que juntamente com o “ser visto” resultam em grande parte das horas gastas pelas pessoas que utilizam as mídias sociais em seus cotidianos atualmente. Pode-se fazer uma analogia entre o pulmão humano e as bolhas infláveis do projeto. O pulmão tem a finalidade de purificar o ar, para então oxigenar o sangue que irriga as células do corpo e o mantém vivo; enquanto as bolhas tem como função filtrar a mente dos visitantes e de reativar a vivência do espaço em que se insere. A coloração magenta se coloca por significar, culturalmente, espiritualidade e intuição, e por 41
ser uma cor que simboliza o metafísico. Além de que, curiosamente, não existe no espectro de cores, sendo uma ilusão provocada pela visão e, portanto, visa trazer o questionamento lúdico da realidade da existência da bolha, que pode vir a explicar o porquê de não ser facilmente compreendida. Por fim, reforçando a relação mútua de influência entre a ruína e a intervenção, uma das bolhas, por mais que mantenha a organicidade na forma, o faz através do uso da argamassa armada com sua cor natural, como uma maneira de ironizar a materialidade e forma, inspirado pelo Balloon Dog de Jeff Koons, pois, apesar de parecer um objeto leve, é construído a partir de materiais pesados, caracterizando-o ambiguamente. O uso do plástico inflável tem como referência os projetos do coletivo alemão Plastique Fantastique, pois enxergam no ambiente urbano possibilidades de experimentações, e de relações entre as pessoas através da arquitetura. Os projetos Suitaloon, do coletivo Archigram, e The House with the Flying Roof, do grupo Coop Himmelblau servem de inspiração pelo pioneirismo do trabalho com material inflável na prática da arquitetônica. Similarmente ao zorb ball6, as bolhas são feitas em policloreto de polivinila (PVC) de 12mm infladas por pressão de ar. Com auxílio de uma máquina compressora de ar, infla-se a membrana de 10 cm da seção dupla da bolha, cujas camadas são presas entre si por nylons. A espessura da membrana serve como isolante acústico, sendo, também, o PVC aliado para esse fim. O material utilizado tem alta durabilidade, custo reduzido e ser 100% reciclável.
diagrama 01
diagrama 02
diagrama 03
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Zorbing é a recreação ou o esporte de rolar para baixo dentro de uma esfera, geralmente feito de plástico transparente Fonte: https://www.zorb. com/
Fig. 19 - esquerda em cima - Balloon Dog (Magenta), Nova Iorque, EUA, 1994 2000. Jeff Koons Fonte: http://www. widewalls.ch/famous-sculptures-international-sculpture-day/balloon-dog/ Fig. 20 - direita em cima Zorb Ball Fonte: www.zorb.com Fig. 21 - esquerda no meio - Albert Schweizer Gymnasium, Berlim, Alemanha, 2012. Plastique Fantastique. Fonte: http://plastique-fantastique.de/ALBERT-SCHWEIZER-GYMNASIUM Fig. 22 - direta no meio Silosilo, Pilsen, República Tcheca, 2016. Plastique Fantastique. Fonte: http://plastique-fantastique.de/SILOSILO Fig. 23 - esquerda embaixo - Suitaloon, Londres, Inglaterra, 1968. Archigram. Fonte: http://architecturewithoutarchitecture. blogspot.com.br/p/cushicle-and-suitaloon-were-conceptual.html Fig. 24 - direita embaixo The House with the Flying Roof, Londres, Inglaterra, 1973. Coop Himmelblau. Fonte: http://www.coop-himmelblau.at/architecture/projects/house-with-the-flying-roof/
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( OS PORTAIS ) Para adentrar a bolha, é necessário atravessar uma antecâmara, a qual funcionalmente serve para que os ruídos do exterior não atrapalhem a acústica interna durante o acesso, e vice-versa. Contudo, pela sua cor preta, a qual essencialmente é o resultado da falta ou absorção total da luz, e que agrega certo mistério, no conceito do projeto significa o momento em que o olho está fechado durante uma piscada, um vácuo de sentidos; que além de servir para limpar os olhos, tem a função de preparar a mente humana para uma nova tarefa. A inspiração crucial, tanto na tonalidade, quanto no formato, para o que se denomina de “portal”, é o monólito do filme de Stanley Kubrick, 2001: Uma Odisseia no Espaço (1968), elemento, este, que aparece em diversas cenas simbolizando e indicando mudança e transformação. Então, a intenção na demarcação de uma estrutura de transição, é sugerir ao usuário, a partir do momento que atravessa a antecâmara, que algo mudará em sua mente e no ambiente em que se adentra. Todo o mobiliário do projeto, seja dentro ou fora das bolhas, é, também, preto e regular, na intenção de ser um objeto/forma invisível, um “não-objeto”, uma forma negativa no espaço (não no sentido filosófico de ser ruim), como se não existisse, em contraponto a importância das estruturas infláveis.
Fig. 25 - direita - Cena do Filme 2001: Uma Odisséia no Espaço, Reino Unido e EUA, 1968. Stanley Kubrick. Fonte: http://dicasdefilmespelascheila.blogspot.com. br/2015/09/filme-2001-uma-odisseia-no-espaco-1968.html
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AS BOLHAS, POR DENTRO “Visitors will be invited to walk inside the work, to immerse themselves in colour, and it will, I hope, be a contemplative and poetic experience.” (...) “To manage, through strictly physical means, to offer a completely new emotional and philosophical experience.” 7 (KAPOOR, apud CHAVEAU, 2011) Penetrar a bolha é como chegar a um mundo novo, diferente do habitual. Além de dissolver o aspecto escultórico desta, ao menos no sentido do objeto isolado, acontece algo com o corpo do sujeito, pois, por não respeitar o limite do pé direito, ela cria um espaço intermediário, onde se perde o horizonte que orienta os sentidos e a ideia de plano horizontal. Por ser mais orgânica, a superfície abaulada se encontra mais facilmente com o corpo humano no aspecto físico, diferentemente de um plano reto, que é mais compreensível no âmbito intelectual e de leitura. É um espaço primeiramente sensorial, transcendental e de descoberta da mente, do corpo, das experiências mais íntimas e da origem humana. É pensado para ser, em conceito, uma ampliação do capacete Fly Head, de autoria do grupo Haus-Rucker-Co., e com as mesmas propostas de experimentação de expansão mental. O dispositivo e a bolha têm como objetivo mudar a relação do ator com o ambiente pessoal, físico e social (arquitetura como forma de crítica), e alterar a percepção da realidade, do espaço e do “eu no mundo”. Pretende ativar os pensamentos “não solicitados”, epifanias, “infiltrações” que não são recorrentes fora do ambiente artístico.
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Anisha Kapoor sobre sua obra Leviathan, em entrevista para o site francês Pébéo. Paris, Fraça, 2011 Fonte: http://en.pebeo. com/Fine-Art/Artists/ Anish-Kapoor-Dimension-a-matter-of-perception/ (offset)/3
(diagrama 04)
Isso nos leva a uma segunda analogia (diagrama 04): o capacete que o personagem David Bowman usa na sequência chamada Star Gate, no filme, já mencionado, 2001: Uma Odisseia no Espaço, onde ele entra numa viagem físico-psicológica, para chegar no momento posterior na cena do quarto branco, onde ele muda de perspectiva e se vê como um embrião e como um idoso, tendo acesso assim a um experimentar-se em uma visão global de fora olhando para si, obtendo uma reflexão da jornada de vida e evolução. Isso serve como metáfora para a força da forma, cor e luz que deixará rastros em quem a visita.
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Fig. 26, Fig. 27, Fig. 28, Fig 29, Fig. 30 e Fig. 31 - esquerda - Sequência da cena Stargate do Filme 2001: Uma Odisséia no Espaço, Reino Unido e EUA, 1968. Stanley Kubrick. Fonte: http://nofilmschool. com/2013/08/learn-how-to-create-slit-screen-sequences
Fig. 32 - esquerda em cima - Leviatham, Paris, Franรงa, 2011. Anish Kapoor Fonte: http://www. metalocus.es/en/news/ anish-kapoor-monumenta-2011-leviathan Fig. 33 - direita em cima - Mind Expander/Flyhead Helmet, from the Environment Transformer project Viena, Austria, 1968. Haus-Rucker-Co. Fonte: http://www. spatialagency.net/database/ haus-rucker-co Fig. 34 - esquerda embaixo - La Medusa Parlante, Milรฃo, Itรกlia, 2009. Plastique Fantastique. Fonte: http://plastique-fantastique.de/LA-MEDUSA-PARLANTE-Triennale-di-Milano Fig. 35 - direta embaixo Loud Shadows, Terschelling, The Netherlands, 2017. Plastique Fantastique. Fonte: http://plastique-fantastique.de/LOUD-SHADOWS
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USOS “Choose what you want to do – or watch someone else doing it. Learn how to handle tools, paint, babies, machinery, or just listen to your favourite tune. Dance, talk or be lifted up to where you can see how other people make things work. Sit out over space with a drink and tune in to what’s happening elsewhere in the city. Try starting a riot or beginning a painting – or just lie back and stare at the sky.” (PRICE, 1964) A ocupação funcional do projeto é dividida em três partes, que por vezes se misturam e são complementares: usos que tem relação com atividades que ocorrem na quadra; usos que são adaptáveis a acontecer em lugares absolutamente fechados, esses locados nos interiores das bolhas; e usos que se relacionam com lugares abandonados de um modo global. As escolhas também visam suprir uma necessidade de ambientes lúdicos que a cidade carece, além de trazer vitalidade a quadra em todos os horários do dia. Sobretudo, será um ambiente onde todo cidadão é bem-vindo, do vendedor de pipoca, ao artista internacional, ao empresário local, cada um com sua forma individual de ocupar o espaço.
permeável enfatizando a característica inerente ao edifício de ser uma interface direta entre a rua e o interior da quadra. Os pavimentos superiores, do 10ª ao telhado jardim, com exceção do 11ª, que é dedicado a receber eventos quaisquer, e dos bares, que tem a ver com o pátio, estão ligados a ideia da ruína abandonada: a boate, locada na bolha plástica, sendo uma versão adaptada da rave; esta a qual, antigamente se dava em ambientes desprezados e escondidos, apresentados por Reynolds (1998); e o skatepark, locado na bolha em argamassa armada. A escolha deste último deu-se por causa de sua origem, quando os skatistas invadiam quintais de casas abandonadas para fazer uso das piscinas vazias como pista para sua prática, na Califórnia durante os anos da década de 1970, como aponta Brooke (1999). Atualmente, ainda fazem uso de ambientes e regiões das cidades menosprezados pela maioria dos cidadãos.
Os usos artísticos e culturais complementam as atividades desenvolvidas pelos coletivos de arte locados no Edifício Pernambuco. Esses são: estúdio para gravações e ensaios musicais locado dentro da bolha que percorre o 1º e 2º pavimentos, baseados nos booths que haviam para esse fim, na segunda parte da década de 1940 nos Estados Unidos, onde o músico tocava e recebia o disco de sua gravação minutos depois, inspirados pelo serviço rápido dos photobooths; sala de audiovisual situada na bolha de pé direito duplo no 4º pavimento, a qual tem como referência de uso interno a obra Cosmococa, do artista mineiro Hélio Oiticica, que são quasi-cinemas que pretendem trazer o espectador para o centro da arte; e os ateliês da escola de artes visuais que funcionam nas lajes do 6º ao 9º pavimento.
Fig. 36 - esquerda Rascunhos de estudos sobre usos do projeto Fonte: Paulla Mattos
Os usos culturais e comerciais complementam as atividades que acontecem no Pátio do Sebo: espaços dedicados à leitura, audição e à mostra de obras de arte, que também possibilitam a comercialização das mesmas, são propositalmente locadas nos pavimentos inferiores da edificação para ter ligação mais direta com o pátio. O térreo da ruína é aberto com o propósito de fazer-se uma conexão visual e de oferecer outro acesso ao pátio e torná-la 53
terraço-bar bar coberto lounge-bar eventos skatepark escola de arte escola de arte escola de arte escola de arte livraria sebo de livros praça de alimentação sebo de discos loja de áudio e vídeo acesso
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boate boate boate skatebowl apresentação apresentação
projeção gravação gravação
TURNO
dia noite
RELAÇÃO
pátio do sebo edf. pernambuco ruína 55
APROPRIAÇÃO DO ESPAÇO A partir da análise da cidade como ambiente em constante mutação e de experimentação, de ocupação livre e de troca de experiências, o projeto se desenvolveu, absorvendo suas características de pluralidade. A proposta é criar espaços inclusivos e democráticos, onde há o encontro de diferenças e seja possível principalmente, obter-se uma experiência artística questionadora dos consensos estabelecidos pela sociedade. Tornar espectadores em atores que moldam os usos e se apropriam do meio; mentes criativas transgressoras à regra. Apesar da base de utilização das lâminas e bolhas serem de relações sociais, de afetividade e subjetividade, existem, também, usos cotidianos, como há num bairro qualquer, unindo o cultural e o econômico, para que a estrutura seja autossuficiente financeiramente. A utilização dos ambientes do projeto, basicamente, se dá como na ideia do livro Urbanismo Cotidiano, apresentado pelos norte-americanos Chase, Crawford e Kalinski. De acordo com Crawford (1999) o termo everyday urbanism (“urbanismo cotidiano”) é determinado pelas diversas atividades ou “atitudes” perante a cidade, que celebram a riqueza e vitalidade do dia a dia, aproveitando as potencialidades existentes, intensificando e encorajando o uso dos espaços de forma alternativa e empírica. Normalmente, os projetistas e planejadores indicam usos possíveis para o espaço projetado, porém, são os usuários comuns da cidade que estão constantemente reinventando, experimentando, e atualizando esses espaços, e por isso foi escolhido deixar as lâminas do edifício o mais livre e adaptável possível. Além disso, a proposta pretende criar situações no espaço, partilhando da mesma definição Situacionista, como explana Guy Debord, um dos fundadores da teoria: “Nossa ideia central é a construção de situações, isto é, a construção concreta de ambiências momentâneas da vida, e sua transformação em uma qualidade passional superior. Devemos elaborar uma intervenção ordenada sobre os fatores complexos dos dois grandes componentes que interagem continuamente: o cenário material da vida; e os comportamentos que ele provoca e que o alteram”. (DEBORD, 1997) A proposta procura trazer o ócio criativo infiltrando-se no ambiente que foi construído para 56
o trabalho com uma estética que se opõe às mudanças, baseado na teoria do Ócio Criativo, de Domenico De Masi, quando o autor apresenta a ideia que: “(…) exercitamos atividades cada vez mais intelectuais, que implicam cansaço mental. E, para o cansaço mental, a compensação é justamente o ócio. O Ócio Criativo é aquela condição mental que acontece até quando estamos fisicamente parados. “Ociar” não significa não pensar. Significa não pensar regras obrigatórias, não ser assediado pelo cronômetro, não obedecer aos percursos da racionalidade e todas aquelas coisas que Ford e Taylor tinham inventado para bitolar o trabalho executivo e torná-lo eficiente”. (DE MASI, 2000) Por fim, o edifício pretende abrigar não só os usos socialmente aceitos pela sociedade atual, mas, também, os cuja presença é incômoda, com a finalidade de questionar o motivo de tal desprezo pelas pessoas e apoiar essas atividades que usam as superfícies e espaços como meio de expressão; tais como skate, graffiti e pichação, exemplos de arte que resultam, muitas vezes, da insatisfação e da necessidade de externá-la para evidenciar problemas que acontecem na cidade. O som produzido e o desgaste do mobiliário urbano causado pelo contato do skate com as superfícies incomodam uma parte da população, que considera o esporte um ato de vandalismo, assim como consideram o grafite e a pichação. Porém, na realidade, essas expressões são como micro-resistências que mantêm as tensões e conflitos do meio urbano, e que geram uma nova interpretação da cidade por parte dos atores da mesma. As três atividades mencionadas acima põem em cheque a noção da propriedade privada e a expressão livre no espaço público, e evidenciam a incorporação do sujeito na cidade, utilizando a arquitetura como plataforma de intervenção. A opção em manter a empena cega na lateral da ruína, exceto por uma bolha que saca dessa face, tem o interesse de oferecer uma tela para arte urbana. O interesse do projeto é mostrar uma cidade real e complementá-la com um espaço lúdico. “Para muitas pessoas, invadir a propriedade e pintá-la parece uma atividade criminal. Mas, na realidade, os 30 cm2 do teu cérebro são trespassados diariamente por equipes de peritos em marketing. Os graffiti são uma resposta perfeitamente proporcionada ao fato de nos
serem vendidos objetivos intangíveis por uma sociedade obcecada pelo status e pela infâmia.“ (BANKSY, apud MCCORMICK, 2010) Grande parte da produção arquitetônica brasileira contemporânea rejeita a essência da arquitetura e sua função social, assumindo uma postura muito distante das reais necessidades da sociedade. Tendo isto em vista, a intervenção procura atender diversos segmentos da população e suas demandas, sejam elas mais básicas, como o simples acesso a instalações sanitárias que possibilitem uma pessoa em situação de rua ter a mínima condição de higiene pessoal, até a questão lúdica que possibilite o trabalhador do centro desconectar-se de sua realidade através de uma experiência sensorial.
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Fig. 37 - esquerda em cima - Neil Young saindo do Third Man Record Booth, Nashville, EUA. Fonte: https://thirdmanrecords.com/more/novelties/ record-booth/ Fig. 38 - direita em cima Cosmococa 5 Hendrix-war, Inhotim, Brasil, 1973. Hélio Oiticica. Fonte: http://www.galeriadaarquitetura.com.br/Img/ projeto/SF1/43/galeria-cosmococas5596.jpg Fig. 39 - esquerda no meio - Flora Bowl, Hamburg, Germany, 2008. Rich Gilligan. Fonte: https://www.businessinsider.com.au/rich-gilligans-photos-of-homemade-skateparks-2014-5 Fig. 40 - direta no meio Riding Modern Art, Paris, França, 2007. Raphael Zarka. Fonte: http://www.we-find-wildness.com/2011/02/ raphael-zarka/ Fig. 41 - esquerda embaixo - Autor Desconhecido, New Jersey, EUA, 2014. Jaime Rojo. Fonte: http://www. huffingtonpost.com/jaime-rojo-steven-harrington/ abandoned-graffiticovered_b_4945405.html Fig. 42 - esquerda embaixo - Lush, New Jersey, EUA, 2014. Jaime Rojo. Fonte: http://www. huffingtonpost.com/jaime-rojo-steven-harrington/ abandoned-graffiticovered_b_4945405.html
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Fig. 43 - próxima página Ne Travaillez Jamais, Paris, França, 1953. Guy Debord. Fonte: http://www. streetagainst.com/2012/09/ q-ne-travaillez-jamais-besancon-france/
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Vista do Sebo de Discos, com o topo da Bolha Estúdio de Gravação em primeiro plano.
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Vista interna à Bolha Estúdio de Gravação.
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Vista da Escola de Arte com a Bolha de Apresentações ao fundo.
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ACESSO LEGENDA (1) Controle de Acesso
(2) Passeio (3) Bicicletรกrio
(3)
(2)
(1)
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LOJA DE AUDIO E VIDEO LEGENDA
(1) Prateleiras (2) Caixa de
(4) (5)
pagamento (3) Monitores e Headphones (4) Lounge de Espera (5) Bolha Estúdio de Gravação
(3)
(2)
(1)
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SEBO DE DISCOS LEGENDA
(1) Jogos (2) Caixa de pagamento
(3) Lounge (4) Mostruários de Discos (5) Bolha Estúdio de Gravação
(5)
(4)
(1)
(2) (3)
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PRAÇA DE ALIMENTAÇÃO LEGENDA
(3)
(1) Área da Mesas (2) Quiosques de Alimentação
(3) Mesas Altas
(2)
(1)
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SEBO DE LIVROS LEGENDA
(1) Lounge (2) Bolha de Ă udio Visual
(3) Prateleiras (4) Caixa de
(4)
Pagamento
(3)
(2)
(1)
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LIVRARIA LEGENDA
(1) Lounge (2) Prateleiras (3) Caixa de Pagamento
(3)
(2)
(1)
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ESCOLA DE ARTE LEGENDA
(1) Pranchetas
(4)
(3)
(2)
(1)
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(2) Cavaletes (3) Ateliê (4) Lounge
ESCOLA DE ARTE LEGENDA
(1) Copa (2) Administrativo (3) Sala de Reunião (4) Sala de Espera (5) Biblioteca (6) Bolha de
(6)
Apresentações
(5)
(4) (3)
(1)
(2)
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ESCOLA DE ARTE LEGENDA
(1) Ateliê (2) Cavaletes
(2)
(1)
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ESCOLA DE ARTE LEGENDA
(1) Salรฃo de Artes Performรกticas
(1)
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SKATEPARK LEGENDA
(1) Armรกrios (2) Bolha Bowl (3) Batente e Escada (4) Corrimรฃo (5) Lounge
(5)
(3) (4)
(2)
(1)
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EVENTOS LEGENDA
(1) Salão para Eventos
(1)
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LOUNGE BAR LEGENDA
(1) Lounge (2) Bar (3) Despensa (4) Bolha Boate (5) Mesas Altas
(5)
(4)
(3)
(2)
(1)
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BAR COBERTO LEGENDA
(1) Dance (2) Bar (3) Bolha Boate (4) Mesas Altas
(4)
(3)
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TERRAÇO -BAR LEGENDA
(1) Área de Mesas (4)
(2) Bar (3) Boate (4) Mesas Altas
(3)
(2)
(1)
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CONSIDERAÇÕES FINAIS A proposta de requalificação do Edifício Siqueira Campos procurou compreender, a partir do reconhecimento e análise da estrutura, seus arredores, e da região em que está inserido, a dinâmica da sociedade contemporânea. A ruína é produto desta, ao mesmo tempo que pode ser causadora de efeitos, negativos ou positivos, a depender do que esta venha a propor para a cidade. Entender que o espaço urbano se faz a partir de movimentos antagônicos, como conflito e descanso, estes também através das condições dos ambientes construídos, baseou todo o processo projetual do espaço, de concepção de significados e da proposta diante do contexto metropolitano. Observar o tempo, aspecto inerte ao planejamento das cidades, como elemento não alheio a arquitetura veio a complementar os conceitos do Espaço Infiltro. No intuito de oferecer melhores condições e estímulos para que o cidadão se sinta vivo e ativo perante sua existência pessoal e social, o projeto propõe o ócio, além de atividades culturais, de experimentação, que visam a troca de ideias entre diferentes pessoas, para assim enriquecer a vivência dentro e fora da edificação. Por fim, através de como a intervenção se dá e das novas formas plásticas que ela propõe, atua como provocadora dos aspectos sensorial e mental, consequentemente, buscando o questionamento.
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