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Poesia de Bolso

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POESIA DE BOLSO Volume IX

Poem@s Conect@dos

Grupo Café com Poesia Publicação Coletiva 2019


O Grupo Café com Poesia agrega poetas através de publicações no grupo virtual do Facebook, nos encontros presenciais, participação em eventos e divulgação desses encontros, com leitura de poemas, na Rádio Ipê, aos sábados das 19h às 20h (www.radioipe.com.br) Para comemorar 5 anos de existência, publica o segundo Livro de Bolso em 2019, Projeto da Rádio Cultural FM, apresentando 14 poemas do Grupo Café com Poesia, com poetas de outras cidades. José Nilton Teixeira Rejane Mendonça de Vargas Coordenadores Torres, outubro de 2019

facebook.com/groups/cafecompoesiatorres

Torres - RS

www.culturalfm.com.br


A TEMPO Na correria dos dias, distraída de si, ela corria, Corria nas corredeiras do tempo, Às vezes contra o tempo, Noutras, atrás do tempo, Que, atento ao intuito da corrida, Alertou-lhe, o tempo, do seu correr intempestivo, Ora, temporal, ora, temporão Nunca em seu tempo. A tempo, o tempo pretérito, lhe atenta, Impreterivelmente, pare! O tempo futuro é a ação, do presente feito. Ocorre-lhe, de repente, Que correndo ela corre o risco de perder o correr da vida Ela agora não corre mais Delonga cada momento, cada átimo, Respeitando as correntes, Os córregos, Que trazem o fluxo da vida em sua nascente. E como o rio, cada dia é diferente. E, cada um seu sentir, eternidade! Sandra Lodetti Segunda Antologia AILA – Içara p. 175 Criciúma - SC


LIVRO Me leia Mas não me resuma Me deixa ser capítulo Ser história, livro sem capa Me deixa ser rima Mas sem obrigação Porque palavra ecoa Soa... Sua pelos poros Me leia Mas não me interpreta Me deixa ser nexo ou falta dele Me leia Vira minhas páginas Molha os dedos pra não pular parte alguma Me leia mas não me decora Me deixa ser poesia Me leia em voz alta Me sussurra Me deixa morar na tua estante Por todos os instantes Mateus Alves Carneiro Criciúma - SC


VIDA EM SINFONIA Deixa-me ser movimentos de minha melodia interrompida. Inacabada Adágios e Alegretos. Solfejos de minha existência. No compasso dos meus dias, as notas graves abafam segredos de desamparos. No agudo, explode o riso, do meu próprio canto. Deixa – me encantar, voar ao sabor do ritmo que me pulsa a vida. Rascunho notas infindas, no horizonte de uma partitura sonhada. Componho uma ária, uma ópera, canção de botequim, de rua.... não sei... louca, desconexa, erudita? Que importa? Num canto desafinado, lancei – me ao mundo... Entre esquinas - meu viver. Olynda Bassan Baurú - SP


PAVIO Aos poucos vou consumindo a vela da minha vida Não sei se eu não quis Paris ou Paris não me quis Ousei, enfrentei ventos, chorei, vacilei, me refiz Já estive de malas prontas, esperando a partida Minha luz é fraca, ilumina apenas o meu entorno Ela se consome com o livro que estou folhando Nele há capítulos românticos, outros nem tanto Já perdi a conta das noite em que não tive sono Não desejo ser o sol, já sou delirante o suficiente Tenho, porém, inveja dos vagalumes e de sua luz A procura pela namorada, os faz incandescentes O tempo voa e aos poucos vai encurtando o pavio A parafina é meu corpo que aos poucos definha E o pavio é minha alma, que à tempos viaja no vazio

Carlos Renato dos Santos Costa Porto Alegre - RS


VERÃO O brilho do sol, intenso, constante, faz o povo gaúcho, argentino e uruguaio sair do trilho. Como correição, partem ao leste na ânsia por tirar as vestes. Uns cruzam fronteiras, sem barreiras. Antes em abandono, cidades taperas acordam num pulsar vertical. Música Sol Sal Mar Amor, Amores Quase sem pudores. E tem o carnaval ... Sombreados por um tapete multicor, corpos iguais à neve fugindo do ardor. Os dourados, os caramelados ficam mais intensos com o sol em seu esplendor. Ah! As loucuras de amor ... O Sol escaldante, o mar refrescante chocolate ou não. O que importa é o verão! Tânia Mendonça Porto Alegre - RS


CIRANDA Poucas palavras Tantos pensamentos Nenhuma ação Tento correr Tropeço na dúvida Caio das nuvens Ralo o joelho Dói o cotovelo Engulo o pranto Ando em círculos Entro na roda Até a ciranda Devorar meus sonhos... Esther Chagas Santa Maria - RS


AVESSO Eu tenho uma falha mecânica nos olhos, e um metal enferrujado no joelho. Tenho cartas explícitas nas mangas, e uso colete à prova de balas, de hortelã. Eu sou o destinatário das enormes e lacradas cartas que eu não remeto.

AFINAÇÃO Hoje canto e vibro mais. Aprendi a ser bambu no meio dos temporais.

Márcia Carneiro Criciúma - SC


O QUE EU MAIS QUERIA Teu sorriso é minha luz Tua lágrima agonia Tua tristeza minha cruz Teu calor minha alegria Teu sofrer é minha morte Tua amizade um novo dia Teu olhar é minha sorte Teu carinho me sacia Tua dor me faz sofrer Teu prazer me alivia Tua paz me faz viver Teu silêncio melancolia Tua voz é minha estrada Tua mão é o meu guia Teu peito minha morada Teu viver me contagia Teu corpo é o meu mundo Teu beijo minha poesia Ter o amor mais profundo É tudo o que eu mais queria José Carlos Muniz São José dos Campos - SP


MEU CÉU É BRILHANTE Hoje, mais uma vez amanheci com vontade de gritar para o mundo o amor que sinto por ti. É um amor ardente, um afeto dominante que me deixa muito contente. É um caminho novo que se abriu na minha vida uma paixão que estava presa enclausurada ou uma cantiga cativante que se apoderou do meu coração? A minha inspiração não perde o ânimo não desfalece, ao contrário, resplandece. Só sei que vivo a natureza dos pássaros dos rios, do verde, dos montes das cascatas, de todas as fontes. O meu céu é azul, impetuoso movimentado e pleno cheio de encantos, ingênuo, afetuoso brilhante e completamente apaixonante! Mauro Modesto Presidente da Federação das Academias de Letras e Artes do Estado do Acre Rio Branco - AC


TORRES COM POESIA Fui a Torres, desejo antigo. Quanta emoção, voei de balão! Fui a Torres, do alto apreciei o rio, montanhas e o mar. Lugar incrível para voar! Fui a Torres, lugar de gente querida. Nos recebem com maestria, com boa gastronomia e onde se toma café com poesia!

Cassiano Marques de Oliveira Rio Branco - AC


DESEJO Se não posso sentir mais do que tu me permites ainda assim sigo sentindo tudo aquilo que não sentes e, quando feres os meus olhos com teus limites, correm em minhas veias desejos repentes Ao contrário do que vês, não sou tão pura, pois minha boca solta uma mulher ardente enquanto crês que me tens, sou vã procura embora aches que sou completa, vejo-me doente... Ao passo que vives encanto, sou tortura e, quando vivo em brasa, és decente O que faço por amor chamo loucura Talvez, por isso, eu seja inocente... Edike Carneiro Florianópolis - SC


QUERER Queira! Não te censures na procura, Não sofras nessa loucura! Que no limiar da sua dor, Encontrar a mão que te acalenta E o corpo que te afaga, Seja a sua obstinação. Se o elo se abrir afinal, Prenda-o nas nuvens do seu pensar, E na terra onde irás morar. Finca aí o coração e a alma, Por tudo o que hás de desejar e pelo muito que realizarás. Sonhe no lamaçal dos seus momentos E na renúncia dos amores, Sonhe sempre! E que a luz no final, seja o degrau ascendente Para o que permanecerá! Jaine Godinho Scheffer Criciúma - SC


AMOR NO OCASO Belo como o crepúsculo. Calor morno, gostoso como o sol poente. Como a brisa que envolve e afaga, acariciando, macio, corpos carentes. Vem por acaso se estende, e eis que, de repente numa suave aragem a brasa do amor acende. Crepita, levanta labaredas ilumina a alma aquece o coração revitaliza a vida desperta a paixão. Amor do presente. Amor como o ocaso tingido de belas e fugazes cores. Alento do nosso momento na certeza, porém, de que este amor não se apagará no firmamento.

Edir Figueira Marques Membro da Academia Acreana de Letras Rio Branco - AC


ALMA DE POETA O poeta tem sentimento E não julga o coração, Investe num só silêncio E cria com mansidão. Ser poeta é ter alma, É ter dom espiritual, Seu corpo vem acoplado Com pureza, e com Seu manancial. O poeta prende o frio E o aquece com saber Faz o vento se acalmar Faz até o sol nascer. E ele nasce pois então Pois invade os corações, Com o sol afasta o frio E com amor faz brilhar as emoções.

Armando Santos Porto Alegre - RS


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Poesia de Bolso by Mateus Carneiro - Issuu