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Edição nº 14 n 2012

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nº 14 • 2012

Paul Smith

Mujica

Canali

Monica Filgueiras

Paul Smith Mujica Canali Mônica Filgueiras Top Hotels: Park Lane, Bordeaux e Principe di Savoia

Daniela Unruh

R$ 9,90

Top Hotels: Park Lane, Bordeaux e Principe di Savoia


SHOPPING CIDADE JARDIM Av. Magalhães de Castro, 12.000 - 1º Piso - São Paulo - Tel. (11) 3552-1020


www.canali.it


| Notebook de Claudio Schleder | Diretores

Sir Paul Smith onstage

Claudio Schleder Fabio Curi

Diretor Editor Claudio Schleder Direção de Arte RL Markossa Colaboradores Redação Bronie Lozneanu Camila Fremder Cosette Jolie

You can find inspiration in everything…

Sir Paul Smith consegue combinar com maestria um toque de excêntrico, alguns detalhes subversivos, dedicação absoluta aos mais altos padrões do artesanato e um feeling especial de business e marketing que fizeram dele simplesmente o mais bem sucedido designer da história da Inglaterra. Ele diz: “Eu tenho tido sorte com a imprensa, mas porque existe uma história para ser contada. É difícil para algumas empresas achar uma história para contar. Se você faz um produto básico, pior ainda. Você liga para uma revista de moda e fala: ‘Eu lancei uma blusa cinza chumbo’. Eles respondem: ‘E daí?’ Mas se sua blusa cinza chumbo é feita em seda e à mão, a história é diferente, você terá mais assunto e mais chance com a revista. Embalagem e apresentação também são importantes. E assim a identidade gráfica e a papelaria, as boas vindas da recepcionista, pessoal agradável com uma boa técnica no telefone, e mais que tudo, uma visão ampla. Quando você estiver viajando pelo mundo, olhe e enxergue; a maioria das pessoas olha mas não vê nada, estão mais preocupados com a hora do vôo e com a comida que acham estranha... Deixem isto pra lá, simplesmente curtam a viagem e tentem aprender alguma coisa nova.”

…and if you can’t, look again

Izabel Mandl Melina Schleder Tatiana Sasaki Colaboradores Fotografia Marcelo Spatafora Tábata Schleder Revisão Patricia Mendes

Diretor Comercial Fabio Curi Gerente de Publicidade Claudio Schleder Filho Contato de Publicidade Rafael Curi Tratamento de imagem e Pré-impressão RL Markossa Impressão e Acabamento Ibep Gráfica TALK é uma publicação de Om.Com Comunicação e Mídia Manager Publicidade Redação e Administração Rua Jerônimo da Veiga 428 Cj.: 82 – CEP: 04536-001

cover girl

Daniela Unruh foto de

MJ Photo

Tel.: 3078-7716 – São Paulo – SP TALK não se responsabiliza pelos conceitos emitidos nos artigos assinados. As pessoas que não constam no expediente não têm autorização para falar em nome de TALK ou a retirar qualquer tipo de material se não tiverem em seu poder uma carta em papel timbrado assinada pelo diretor.


Elegance is an attitude “It’s time to make dreams come true.“

The Longines Master Collection

www.longines.com - SAC: (11) 3035-1010

Andre Agassi


| conteúdo |

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Concierge du vin

O Grand Hotel de Bordeaux organiza uma ‘viagem’ pelas grandes casas de vinho por meio do “Wine Concierge”, um programa completo, que inclui degustações dos celebrados chateaux Lafite, Latour, Mouton Rothschild, Margaux, Haut-Brion, Pétrus, Yquem, Cheval Blanc e Angelus

Mujica rebobina a paulicéia

O fotógrafo mais conhecido pelo apelido de Mujica, é fruto de uma mistura de culturas bem distintas, sua mãe é de origem judaica, russa do leste europeu, seu pai, brasileiro de Vila Isabel. Aqui ele relata suas experiências num périplo de imagens

Eureka! Mr Smith!

Paul Smith é um dos poucos estilistas masculinos que consegue um balanço perfeito entre exuberância e sobriedade, tradição e inovação, sendo ao mesmo tempo excêntrico e clássico

NYC pearls

Nova York é uma cidade reputada por ter os restaurantes mais cool do planeta, que fazem de tudo para ser cada dia mais jovem e contemporâneo. Para isso eles se dedicam a todo tipo de haute cuisine

Canali, made in Italy

A grife Canali, especializada em alfaiataria masculina é resultado de uma longa tradição na qual a cultura e história se entrelaçam com estilo, bom gosto e excelência que resultam em profissionalismo, confiabilidade e qualidade

Na galeria da Mônica

Mônica Filgueiras de Almeida foi uma das primeiras marchands dos anos 80 e fez parte do frenesi das artes plásticas que passou pelo eixo São Paulo-Rio, revelando talentos e fazendo toda diferença na cidade por três décadas


dudalina.com.br

SÃO PAULO Rua Tomás Carvalhal, DUDALINA595 - Paraíso / Aeroporto de Congonhas / Shopping Ibirapuera / Shopping Pátio Higienópolis / Rua Bem-te-vi, 167 - Moema RIO DE JANEIRO RIOSUL BARUERI Shopping Tamboré SÃO CAETANO DO SUL ParkShoppingSãoCaetano FLORIANÓPOLIS Beiramar Shopping BALNEÁRIO CAMBORIÚ BC Shopping / Atlântico Shopping BLUMENAU Norte Shopping JOINVILLE Shopping Mueller CURITIBA Aeroporto Afonso Pena LONDRINA Aeroporto de Londrina / Shopping Catuai GOIÂNIA Flamboyant Shopping EM BREVE Uberlândia Shopping / Shopping ABC (Santo André) / Shopping Itaguaçu (Santo André) / Aeroporto de Maceió

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15/03/12 08:43


| The Talk Of The Town |

Kinder joy Adivinha quem vem para jantar? Madame Crepes Suzzetes chegou... Elle même, diretamente de Paris, via Piemonte! A enxerida, perfumada, engomada, turbinada alla Dolceto d’Alba bien sur... E exigiu desta vez um restaurante italien comme il faut, nada de fake cuccina, tutto originale. Ai de mim, tenho que sempre quebrar a cabeça para satisfazer os caprichos da Madame “La crepe folle”... Entrei no Google, para descolar aquele gostinho de comida clássica italiana e lembrei: Vicolo Nostro, c´est ça! Fica no Brooklin, mas é até um passeio pelo arrondissement de Santo Amaro, que ela pouco conhece. Acontece que a parisienne acabou de fazer um tour eno-gastronomique pela Itália, e se encantou com o Piemonte, com seus Barolos, Dolcetos e Barberas, e as famosas trufas brancas de Alba. E agora, a tonta só fala nisso. Que sacrifício para não perder a amizade. Entramos neste Vicolo, que quer dizer beco, charmoso de grandes salas e pequenos aconchegos, com toda ‘memorabilia di altre volte’, uma atmosfera acolhedora de uma antiga boulangerie, com uma coleção de marionetes de teatro que já encantaram toda Europa. Ah, e ela com seu olhar de lince, notou num canto da sala uma máquina italiana de espresso vintage. E não é que, bien sûr, ela estava com a razão, foi uma das primeiras máquinas de café do país... “Delicieux este capelleti in broooodo, comi um tão bom como este a Milano, bebendo um fabuleux Chianti,” ela murmura. Eu pedi um minestrone, e os feijões italianos, a carne e a massinha estavam divinos. E não sei como, assim do nada surgiu o papo do ovo de chocolate. E aí, claro, que a entojada se lembrou que na cidade de Alba, passou em frente daquela mastodôntica fabrica de nutella, e começou imediatamente com uma palestra de conhecimentos gerais, dizendo que de ovo, ela entende mais do que eu. E declarou: ali é a casa do Kinder Ovo, e dissertou em tom professoral, explicando que também existe o Kinder Bueno e o Kinder Happy Hippo. Falou que toda essa coisa de páscoa é uma palhaçada, “é muito melhoooor curtir os brinquedinhos que vem dentro do l’oeuf.” E eu repliquei: quel horreur, jamais presentearia meus sobrinhos com esta invenção abominable, com gosto de paçoca misturada com isopor. Lembrei-me de algo ainda mais traumático, a nutella, aquela pasta fake de açúcar, óleos vegetais e uma suspeita de avelã, que faz o papel de chocolate pour les pauvres! E ela, “je m’en fous, pois j’aime les macarons du La Durée. Le reste c’est le reste.” O maitre veio para tirar o pedido, ela como sempre na frente: “Pour moi, Risotto con Gamberi e Asparagi, e para beber um Castello Di Ama Chianti Clássico”. E eu: mas como assim frutos do mar com vinho tinto? Não conhece o beabá da harmonização básica? Ela: “É você que está

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ficando ‘vieille fille’ e mais carrreeeta! Este vinho é leve e harmoniza bem, já mereceu a nota máxima do Guia Gambero Rosso em diversas safras. E tenho certeza que você não vai pedir nada com fruits de mer. Então, porque se importa?” Eu fui de Scaloppine di Vitello al Pepe Verde con Risotto di Brie e Arancia, e tenho certeza que o meu harmoniza melhor que o da enxerida, agora também uma connoisseur de vinhos, pode? E não é que ela me disse que aprendeu muito sobre vinhos neste tour pelo Piemonte? E que também já sente uma falta enorme do Berlusconi e de suas ‘parties’. E desabafa: “A Itália agora já está ‘plus triste’, sem grrraça.” Eu quase me engasguei de indignação com uma colher de Tortino di Ciocolatto com Fragole na boca, e retruquei: mas você é muito alienada mesmo, como pode gostar daquele ‘pig milanese’? Mas como gosto não se discute, já sei o que vou te dar de presente de páscoa. Um big Kinder ovo! – Cosette Jolie


Certas coisas você só encontra na França.

Décembre à Paris

Mas há 10 anos você encontra no Brasil o melhor da culinária francesa. Le Vin Bistro. Conheça os sabores da culinária francesa e desfrute dos melhores vinhos em um de nossos 5 endereços.

B I ST

RO

SÃO PAULO Le Vin Jardins: Alameda Tietê, 184 (11) 3081-3924

Le Vin Higienópolis: Rua Armando Penteado, 25 (11) 3668-7400

RIO DE JANEIRO Le Vin Itaim: Rua Paes de Araújo, 137 (11) 3168-3037

www.levin.com.br

Le Vin Ipanema: Rua Barão da Torre, 490 (21) 3502-1002

Le Vin Barra da Tijuca: Barra Shopping Av. das Américas, 4.666 Loja 152 - (21) 2431-8898


| traveler chic |

Call me at

45 Park Lane Fresquinho ainda, abriu em setembro passado, o 45 Park Lane em Londres, charmoso hotel com sotaque hollywoodiano, é o mais jovem filhote da Dorchester Collection Sua fachada art deco resplandecente de luzes douradas nos remete diretamente à fase áurea do cinema americano dos anos 40 e 50, suas divas com longas piteiras e vestidos de cetim esvoaçantes. Tudo very Beverly Hills. Para dar mais autenticidade ao décor, importou-se o chef Wolfgang Puck, que garante o sonho completo através da experiência gastronômica no seu restaurante Cut. Puck é uma dessas estrelas globalizadas da haute cuisine que se move com elegância entre Singapura, Los Angeles e agora Mayfair. O menu tem sabor californiano, no seu melhor sentido, com apresentação impecável feita por uma hostess, que dá uma aula de cortes de beef (afinal estamos no Cut!) Para uma degustação, você pode escolher como entrada o Dorset Crab and Lobster “Louis” and Spicy Tomato-Horseradish, e na seqüência o Australian Wagyu Steak Sashimi with Spicy Radishes. Na sobremesa,

você pode se jogar no “oh-so-decadent” Warm Chocolate Soufflé, que é untuoso, denso e tem um recheio super cremoso. O sonho de qualquer chocólatra. Hoje em dia, as lânguidas estrelas dos anos 40 foram substituídas por longilíneas e espevitadas garotas que sorvem com nonchalance os drinks no glossy bar do mezzanino. Será que é preciso comentar que as 45 suítes são de tirar o fôlego? Começando pela vista, de 360° para o Hyde Park da suíte penthouse de 170 metros quadrados. O mestre atrás do design das suítes é o novaiorquino Thierry Despont, que acredita em arte, arquitetura e design, para compor uma atmosfera envolvente e particular, onde cada aspecto da habitação deve contribuir para o bem estar do hóspede. Aqui você pode até mesmo ‘dar uma de diva’ em sua mansão em Bel Air. www.45parklane.com

A suíte penthouse no mais puro estilo ‘Bel Air’ com 170 metros quadrados se beneficia de uma vista de 360 graus para o Hyde Park

Arte, arquitetura e design, são referências que compõem uma atmosfera envolvente

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Tudo very Beverly Hills em Londres: fachada de luzes douradas no mais deslumbrante estilo art decô

O chef Wolfgang Puck e toda ‘troupe’ garantem um sonho completo através da experiência gastronômica no restaurante Cut

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| traveler chic | A impressionante metamorfose da cidade de Bordeaux revela uma herança arquitetônica excepcional, representada pelo Grand Hotel & Spa

O mobiliário estilo Napoleão III do L’Orangerie é de extrema elegância

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Concierge

du vin No coração do Triângulo Dourado, em frente ao Grand Theatre, o Grand Hotel de Bordeaux & Spa, retorna à cena principal como uma obra excepcional, após uma fiel restauração A cidade de Bordeaux, capital mundial do vinho, com seu magnífico legado do século 18, acaba de ser incluída na lista do Patrimônio Histórico Mundial da Unesco. O Grand Hotel de Bordeaux tem atmosfera ultra requintada, elaborada pelo renomado Jacques Garcia, com suas tapeçarias, papéis de parede e mármores nobres que dão forma a este paraíso homenageando o vinho. Na Brasserie l’Europe, com seu estilo Belle Epoque, o chef Pascal Nibaudeau oferece um cardápio de “clássicos”, que traz a originalidade e qualidade da Brasserie, com um forno à lenha, uma grelha e churrascos no espeto. Recentemente inaugurado, o maravilhoso spa Les Bains de Léa é inspirado nos banhos romanos e no esplendor da antiguidade. A decoração irradia a quintessência do luxo em uma relaxante atmosfera banhada em luz natural. Os produtos exclusivos de tratamento são da prestigiada linha orgânica francesa Nuxe. As mais renomadas vinícolas da região

de Bordeaux, estão agora disponíveis aos hóspedes. Este palácio oferece uma verdadeira viagem pelas grandes casas de vinho por meio do “Wine Concierge”. Ele organiza um programa completo, que inclui degustações de celebrados rótulos, como os top chateaux Lafite, Latour, Mouton Rothschild, Margaux, Haut-Brion, Pétrus, Yquem, Cheval Blanc, Angelus, Clos d’Estournel, Palmer, Leoville Las Cases, entre muitos outros; além de jantares harmonizados e celebrações. Os wine Concierges também se encarregam de pedidos de compras e entregas. O hotel oferece um programa de jantares harmonizados, no qual o hóspede tem a experiência única de conhecer os proprietários das melhores vinícolas, além de realizar degustações promovidas pelo Chef Sommelier Jean-Michel Thomas. www.ghbordeaux.com

O Spa tem uma relaxante atmosfera romana banhada em luz natural A Suíte Royale remete à alma de todos os grand crus de Bordeaux

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| talk show |

Em Milão,

acelere como os milaneses

Que tal pegar uma Ferrari Califórnia e sair passeando pelas ruas de Milão? Melhor ainda: esticar até os lagos Como e Maggiore, sem se preocupar com o caminho, pois um motorista fica disponível em outro veículo para sinalizar a rota... E o melhor, isto é um presente! É só ficar hospedado numa das suítes Ambassador ou Principe, do hotel Principe di Savoia, por dois dias. Os mimos continuam, pois você usufrui de um jantar para dois no restaurante Acanto e ainda tem mais... O conto de fadas reserva outra surpresa: se você não for um ferrarista roxo, pode trocá-la pela Lamborghini Murcielago Roadster, e fazer bonito do mesmo jeito. www hotelprincipedisavoia.com

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| talk show |

Com saudade do

futuro

O primeiro longa no qual Bruno Beauchamps trabalhou foi Madame Satã, com apenas 15 anos de idade, dirigido pelo seu mestre Karim Anuiz. Mais tarde, ele foi assistente de câmera no filme Casseta & Planeta: A Taça do Mundo é Nossa! e, recentemente, atuou como assistente de direção em Lula, o Filho do Brasil, dirigido por Fábio Barreto. Por muitos anos Bruno tambem trabalhou na área de distribuição e captação de recursos na Lumière e também na Investimage, um fundo de investimento para cinema. “Em 2008, minha sócia Luiza Faria teve a ideia de criar um site de investimentos para cinema. Nesse momento, ela contatou a nossa outra sócia, Natalia Bruscky, que é jornalista, para desenvolver e colocar tudo no papel. No final de 2009, eu entrei no projeto e contribuí com o processo de maturação do site, o Sibite, quando na verdade ampliamos o seu ramo de atuação para toda a área de cultura, não só o cinema, e o transformamos em uma rede social” explica Bruno. Ele atuava como relator público, ajudando a formar também uma rede de embaixadores, que faz a curadoria dos projetos hospedados no site dando credibilidade a este movimento cultural. O Sibite é um site de investimento coletivo destinado a financiar projetos culturais dentro de 21 áreas, nascido para mudar a forma com que se produz cultura no Brasil e todo seu sistema de financiamento. Desde que foi lançado em 2011, o Sibite já financiou cinco projetos e totalizou mais de 80 mil reais em investimentos com sua equipe de oito pessoas. “Toda a área de cultura me interessa muito, e tenho uma atração especial pela gastronomia e pela música. Cresci fazendo cinema e essa é a minha grande paixão. Adoro ler, cozinhar, andar a cavalo, ir à praia e estar perto da natureza curtindo com meus amigos.” Bruno morou muito tempo na França, pois é de família francesa, sendo sua primeira língua a de Voltaire. Seus planos para o futuro: sonha em promover alguma mudança muito importante por aqui e ter um filme seu premiado no Festival de Cannes. www.sibite.com.br

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produção: MJ PHOTO

| talk show |

Wonder

WOMAN Além de linda, loura e platinada, a alemã Daniela Unruh foi uma joia da Miramax, trabalhando diretamente com Harvey Weinstein, o todo poderoso de Hollywood. Daniela foi modelo com editoriais em badaladas revistas internacionais como Elle, Vogue e Bazaar, trabalhando junto com Harvey, no Project Runway, o reality show que descobria novos talentos da moda, apresentado pela modelo Heidi Klum. Os participantes competiam entre si criando roupas contra o cronômetro, e suas criações passavam pelo crivo de um júri que detinha o poder para premiar ou eliminar os candidatos. Conhecida como caçadora de talentos para TV e cinema, Daniela percebeu que o Brasil é repleto de

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beldades, mas que, apesar de ter grandes tops como Gisele, Alessandra Ambrosio ou Ana Beatriz de Barros, havia ainda muitas oportunidades internacionais que poderiam ser preenchidas. Então fundou a Closer, uma agência que garimpa talentos e os exporta. A primeira modelo enviada à Alemanha foi Jessica Caffe e a próxima será a top Eliza Joenck. Na sede da agência no Morumbi, Daniela montou uma estrutura para suas modelos digna de Hollywood: carros de luxo, spa e um restaurante comandado pelos chef Luis Calmon e sua discípula Heaven Delhaye que, além de ter um programa diário de gastronomia na Rede TV, faz parte também do estonteante casting da agência.


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A vertigem da psicose A edição limitada de Montblanc Alfred Hitchcock 3000 homenageia a genialidade do cineasta e conta um pouco da história de sua extraordinária contribuição para a arte de fazer cinema. A escada escura que aparece em sua obra prima “Vertigo, Um corpo que cai” de 1958, ainda provoca calafrios e influencia a concepção desta caneta. Na principal cena do filme, o personagem central sobe os degraus freneticamente, antes de sofrer um paralisante ataque de vertigem. A laca negra preciosa e texturizada presente na tampa e no corpo da caneta criam um desenho especial remanescente do “efeito vertigem” de Hitchcock. E o que poderia causar mais calafrio na espinha do que os 45 segundos da aterrorizante cena do banho de “Psicose”, de 1960, quando a jovem é brutalmente assassinada a sangue frio com uma faca? A arma permanece estampada na mente por muito tempo. A faca se transforma no clip da caneta. Nas palavras de Hitchcock, “Fazer um filme é, antes de tudo, contar uma historia. Esta historia jamais deve ser banal. Ela deve ser dramática e humana. O que é o drama, afinal, senão a vida com seus maçantes pedaços cortados?”. O mestre do suspense teria adorado escrever esta frase com esta Montblanc, n’est ce pas? www.montblanc.com

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| ESSENCIAIS |

Inspiração no glamour A Longines tem se inspirado na fabulosa década dos anos 20 para reviver o universo dos relógios com ‘it’ e glamour. Naqueles tempos, aconteceram decisivas mudanças em todo o planeta, e a liberdade de expressão ocupou finalmente seu lugar cativo, o que também se ref letiu no design de objetos do uso cotidiano, que se tornaram mais compactos e de estilo marcante. O Longines Column-Wheel Cronograph tem um toque de excêntrico em seu formato elegante, com detalhes que podem ser admirados através do visor em cristal de safira na parte de trás do relógio. Possui data, um pequeno segundeiro à esquerda, cronômetro de 30 minutos à direita e contador com 12 horas abaixo. A pulseira alligator pode ser marrom ou preta. www.longines.com

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50% +12X

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Capacete é a proteção do motociclista. Modelo YZF R1, ano/modelo 2011/2012, preço público sugerido de R$ 57.000,00 (à vista) ou financiamento na modalidade CDC em 12 meses, com carência de 30 dias para pagamento da primeira parcela de financiamento. Entrada de R$ 28.500,00 e parcelas fixas de R$ 2.427,52. Taxas de juros de 0% a.m. e 0% a.a. Custo Efetivo Total (CET) de 5,42% a.a., calculado em 26/3/2012. O IOF no valor de R$ 110,28 e a Tarifa de Cadastro de R$ 520,00 estão incluídos na operação e foram considerados no cálculo do CET. Valor total a ser financiado de R$ 29.020,00 e valor final total (com encargos de financiamento) de R$ 29.130,24. Frete incluso. A tarifa de cartório, exigida em alguns Estados, não está incluída nos cálculos do CET. Crédito sujeito a aprovação pelo Banco Yamaha Motor do Brasil S.A. Condições válidas exclusivamente para financiamentos realizados pelo Banco Yamaha Motor do Brasil S.A. até 30/4/2012, limitados à quantidade de 30 motos. Consulte as concessionárias participantes. A efetivação do negócio está sujeita às condições comerciais praticadas, bem como às condições estabelecidas para a realização dos contratos de financiamento, quando for o caso. As motocicletas Yamaha estão em conformidade com o Promot (Programa de Controle de Poluição do Ar por Motociclos e Veículos Similares). Modelo XT1200Z STÉNÉRÉ, ano/modelo 2011/2012, preço público sugerido de R$ 61.000,00 (à vista) ou financiamento na modalidade CDC em 12 meses, com carência de 30 dias para pagamento da primeira parcela de financiamento. Entrada de R$ 30.500,00 e parcelas fixas de R$ 2.594,82. Taxas de juros de 0% a.m. e 0% a.a. Custo Efetivo Total (CET) de 5,42% a.a., calculado em 26/3/2012. O IOF no valor de R$ 117,88 e a Tarifa de Cadastro de R$ 520,00 estão incluídos na operação e foram considerados no cálculo do CET. Valor total a ser financiado de R$ 31.020,00 e valor final total (com encargos de financiamento) de R$ 31.137,88. Frete incluso. A tarifa de cartório, exigida em alguns Estados, não está incluída nos cálculos do CET. Crédito sujeito a aprovação pelo Banco Yamaha Motor do Brasil S.A. Condições válidas exclusivamente para financiamentos realizados pelo Banco Yamaha Motor do Brasil S.A. até 30/4/2012, limitados à quantidade de 50 motos. Consulte as concessionárias participantes. A efetivação do negócio está sujeita às condições comerciais praticadas, bem como às condições estabelecidas para a realização dos contratos de financiamento, quando for o caso. As motocicletas Yamaha estão em conformidade com o Promot (Programa de Controle de Poluição do Ar por Motociclos e Veículos Similares).


| talk show |

Sugar & SPICE A importadora La Pastina traz com exclusividade a linha dos premiados biscoitos e bolos argentinos Sugar & Spice. Fundada em 2002, ela nasceu com a proposta de confeccionar biscoitos gourmet com sabor caseiro. São todos elaborados com abundância de ingredientes nobres. A linha é composta por brownies, copetíns, cantucci, cookies e o Stollen, bolo típico alemão. A história do brownie tem várias versões. A mais conhecida delas diz que é resultado do descuido de um cozinheiro que deixou de adicionar fermento no preparo de um bolo de chocolate. Para não admitir o erro, ele cortou a massa em quadrados pequenos e os serviu. Rapidamente

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a “invenção” tornou-se popular. Já o cantucci é perfeito para uma pausa no meio da tarde, acompanhado de um cafezinho ou chá. Uma excelente dica é harmonizá-lo com vinhos de sobremesa. A palavra cookie vem do alemão, koekje, que significa “pequeno bolo”. Foram os britânicos que descobriram a bolachinha e acharam que combinaria com seu tradicional chá. E o copetín é um biscoito salgado que reproduz o sabor da ‘picada’ argentina, uma espécie de tábua de frios brasileira, elaborados com muito queijo parmesão. www.lapastina.com.br


Berserk!

H NUNCA É DEMAIS. Dois endereços em São Paulo: George V Casa Branca | www.gvcb.com.br George V Alto de Pinheiros | www.gvap.com.br centraldereservas@georgev.com.br Central de Reservas: 0800 773 4663


Mujica rebobina a pauliceia Henrique Guinsburg Saldanha, fotógrafo mais conhecido pelo apelido de Mujica, é fruto de uma mistura de culturas bem distintas, sua mãe é de origem judaica, russa do leste europeu, seu pai, brasileiro de Vila Isabel. Aqui ele relata suas experiências num périplo de imagens por Bronie Lozneanu

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Mujica clicou Arnaldo Antunes em plena performance

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A beleza exótica de Caroline Ribeiro no SPFW

Bob Wolfenson com seu alter ego dá uma de psiquiatra com a “paciente” Laura Oliveira em 1985 em matéria para Around

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Em 1999 Kate Moss desfilou para Ellus. Mujica não resistiu e fotografou algumas entradas da Deusa em preto e branco

Os

pais se conheceram na faculdade em Taubaté num curso de genética. Nos anos setenta seu pai desenvolvia uma atividade curiosa, como era psicólogo, biólogo e geneticista dava aconselhamento genético para quem desejasse mudar de sexo. Mujica tem memórias de infância do bairro de Alto de Pinheiros. Quando a USP estava sendo construída ele atravessava a Marginal de bicicleta e havia gado pastando na porta da sua casa. Mas esta paisagem bucólica continha outra face da moeda.  Estamos falando de uma metrópole em plena transição, onde o crescimento econômico proporcionado pelos anos “Pra frente Brasil” da ditadura vinham acompanhados de pobreza das classes desfavorecidas e de enorme injustiça social. Este cenário produziu uma juventude inquieta que queria mudar o mundo  se exprimindo livremente, bem longe das garras opressivas da censura. Mujica era fruto da educação liberal de dois professores universitários e cresceu num clima de contestação, senso crítico e liberdade de ação que com certeza influenciaram seu olhar de fotógrafo.  “Em 1980 eu tinha uma namorada que morava perto da Berrini, lá tudo era puro pântano, hoje só tem Robocop.” Enquanto me conta suas visões de infância e adolescência, ele fotografa uma abelha que acabou de posar na sua xícara de café. Inquieto e curioso cursou várias faculdades, mas não terminou nenhuma. Os cursos variavam de sociologia na USP à engenharia de pesca em Recife. Mas por causa de um amor ele voltou para Sampa e começou a trabalhar de laboratorista na F4, uma importante agência de notícias que vendia suas fotos para todos os jornais. Mujica curtiu tanto que logo  descolou um trabalho de assistência com o amigo e fotógrafo Bob Wolfenson que começava uma brilhante carreira nas revistas de moda. Lá permaneceu de 1983 até

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No ano de 1987, Pietro Maria Bardi posou recostado na escultura “Bacante Adormecida� de Valerio Villareale de 1833

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1986, depois resolveu  voar com as próprias asas e foi trabalhar para a Abril e Globo. Em 1993 virou repórter da Folha, onde cobria de desfiles de moda até tiroteio! Depois teve o privilégio de ir para a Revista da Folha, na sua fase máxima, nos tempos de Matinas Suzuki, Barbara Gancia e Caio Túlio. A ideia do livro 80’s Fotografias Analógicas nasceu no Facebook. Mujica postava todas as suas fotos clicadas nos anos 80 e os amigos curtiam, até que Silvia Cesar Ribeiro, que estava começando o projeto de uma nova editora, a Dash,  adorou  e sugeriu que ele fizesse um livro. Após vários encontros eles perceberam que havia uma grande lacuna nesta memória recente. “Acho que foi o último movimento genuíno e espontâneo na noite, depois pintou o bate estaca, e hoje, que horror, tem até sala vip! Eu sou do tempo em que as pessoas ficavam dançando na pista com os artistas, quando não havia burocratização eletrônica do lazer”, ele acrescenta empolgado e explica que hoje continua freqüentando as baladas do Sesc Pompéia, onde o som rola de forma natural, e o Auditório do Ibirapuera. Nada de casas noturnas radicais, pois  ele virou papai responsável de uma linda filhota, que ele curte muito. Os tempos enlouquecidos de sex, drugs and rock&roll da década de 80 quando a noite não tinha começo, meio ou fim, ficaram perdidos na memória. Mujica conta então um pouco das sensações da época e das origens das fotos: “Tenho guardado este acervo fotográfico, que  conta histórias, não só minhas, mas de muitas pessoas e, senti dentro de cada foto, a inquieta  passagem do tempo  insistindo em sair pelas gavetas. Ali se remexia, adormecido na vontade, um projeto analógico agora despertado pela era digital”. As fotos, feitas entre 1981 e 1989, época de confluências culturais e ‘intravenais’ diversas, foram saltando despretensiosamente para as páginas deste novo funil de reencontros chamado Facebook. Ele acrescenta: “Assim visíveis, na esteira rolante virtual, sobrevieram como um convite de publicação.” Este  livro traz parte deste acervo que retrata imagens de um

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Nei Latorraca “Esperando Godot”

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A dramaturga Maria Adelaide Amaral e suas três gatinhas

Mujica é flagrado com seu ídolo Zé do Caixão no Festival de Cinema de Brasília de 1995, num click de Cristina Zahar

período derradeiro,  criativo e autoral do fotógrafo que se sentia totalmente inserido naquele ‘Universo em Desfile’, que rebobinava  avantgarde, modernos do século 20, e ampliava novos movimentos revelando a diversidade numa  mesma passarela,  seguindo sempre a  intuição com ‘uma câmera na cabeça e uma ideia na mão’. Para o fotógrafo, “cada um tem seu papel nesta vida, e a  profissão é feita  de breves e múltiplos encontros,  e assim eu  fui  queimando meus filmes. Naqueles dias, todas as baladas partiam do bar  Ritz, ponto obrigatório do périplo noturno de encontros e desencontros, iniciando o circuito da cultura efervescente,  passando pelas noites lisérgicas da paulicéia desvairada: Napalm e Madame Satã, até terminar com a visão meio granulada e o radar meio tantã numa padoca da Consolação”. Assim Mujica foi tecendo ao longo das décadas um painel instigante de registro das experiências e dos ambientes pelos quais adorava circular, polemizar e se divertir. No decorrer da produção do livro viveu uma outra experiência super bacana, pois teve que contatar todas as pessoas. Algumas que eram muito loucas ficaram caretas, outras continuavam na velha vibe, e isso deixou Mujica  muito emocionado porque as vezes teve que acionar toda a sua rede de contatos via Facebook  num verdadeiro garimpo  para obter as autorizações dos personagens que iam de cantores new wave como Supla, passando por estrelas da Globo e tocando em figuras fundamentais para a cultura da cidade como o inesquecível diretor do Masp, Pietro Maria Bardi. Uma historia bem curiosa é a foto do famoso diretor e gênio do cinema de terror brasileiro José Mojica Marins, o Zé do Caixão. Por fim, os dois xarás iam se encontrar. Pois bem, o apelido do fotógrafo vem deste personagem já que na sua adolescência, ele era magrinho e deixou crescer uma barbicha tipo cavanhaque, e claro que  seus colegas de escola não perdoaram e logo começaram a zoar: Mojica!  Mojica! E não é que pegou? Conformado, ele explica que só mudou a grafia, para não dar muito na vista né?

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Eureka!

sir Smith Paul Smith é um dos poucos estilistas masculinos que consegue um balanço perfeito entre exuberância e sobriedade, tradição e inovação, sendo ao mesmo tempo excêntrico e clássico

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Seguindo sua verdadeira vocação, Paul customiza objetos icônicos de design que assim fazem parte do seu mundo colorido dos objetos e das ideias

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A filosofia de Paul

O foco principal do designer Paul Smith é olhar em volta de si mesmo e transformar os objetos banais do cotidiano em peças de desejo. Como um aprendiz de feiticeiro, por onde ele passa tudo é um pretexto para que os objetos sofram transformações criativas: nuvens viram estampa para camiseta, o tradicional colete é invadido por laranjas, um canudo colorido passa a ser o leitmotiv de toda uma coleção. O designer nutre uma verdadeira paixão por artefatos antigos esquecidos nos porões e no recanto da memória e com os quais ele adora produzir uma nova vida e uma função instigante. Paul Smith nunca se separa de seu caderninho de anotações, e está sempre acompanhado de sua câmera, em suas andanças de globe-trotter, registrando e transformando o mundo à sua volta. Seu mote é que tudo pode provocar uma centelha criativa.

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A vitrine de Paul

Numa prova de roupa feminina, utilizando todo seu savoir faire de alfaiate

Nos últimos anos o trabalho de Paul Smith só cresceu ganhando significado e força, seus desfiles são dirigidos como audaciosas peças de teatro, sempre empolgando os compradores de moda e toda a imprensa especializada. Um de seus primeiros e memoráveis desfiles se realizou em Paris em 1978, numa galeria ultra-moderna toda de concreto no Halles onde um exército de modelos negros entrou com ofuscantes camisas de seda turquesa, framboesa e amarelas, ao som de ‘reggae dub’ fazendo com que toda a plateia vibrasse nas cadeiras. Segundo Paul, “Você tem entre 20 e 25 minutos para mostrar ao mundo o que há para oferecer, e isto ao custo de mais de cem mil libras”. Ele completa: “Para mim é como se fosse uma vitrine ambulante, e como para o comerciante, a vitrine é um dos elementos mais importantes, ela deve ser explorada da melhor maneira possível.”

Os desfiles são dirigidos como audaciosas peças de teatro, sempre empolgando os compradores de moda e toda a imprensa especializada

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O escritório de Paul

Paul Smith é certamente um dos mestres da elegância masculina, mas o estúdio em que trabalha mereceria mais o título de bagunça geral, pois ele é um colecionador compulsivo e qualquer bugiganga, ou objeto curioso, kitsch e bizarro o encantam. Seu escritório está situado no andar de cima de sua icônica loja de Floral Street em Covent Garden, Londres. Na loja, nenhum resquício do piso superior, apenas o oásis de peças dobradas à perfeição, mas também todo um ambiente nostálgico com revistas antigas dos anos 1960, câmeras, pistolas de água, livros de histórias em quadrinhos, coelhinhos de plástico, canivetes, caixas e caixas cheias de mimos quase infantis, tudo que faz parte do universo Paul Smith. O designer explica: “Se algo engraçado ou estranho me chama a atenção eu preciso tê-lo. Sempre tive fascínio pela solução do design e a maioria das coisas no meu estúdio é sempre desenhada para ter uma função específica, quer seja um objeto grandiloquente ou uma bobagenzinha, uma caneta, um maço de cigarros chineses, um relógio de pulso ou um robot, podem acender a faísca de uma nova estampa para uma camiseta. Vocês também ficariam impressionados com a quantidade de coisas estranhas que as pessoas me enviam. Às vezes penso que

Paul à vontade no estúdio onde solta a imaginação e fabrica seus gadgets

isso é um pouco assustador. Já organizei grandes limpezas para determinadas exposições, mas logo o espaço ficou repleto de ‘novos objetos de inspiração’... As pessoas ficam boquiabertas pela quantidade de coisas loucas que cabem neste meu espaço.”

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A vida de Paul

A paixão pela bicicleta, que foi logo substituída pela paixão da moda

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Sir Paul Smith Jr, nasceu em Beeston no condado de Nottinghamshire, no pós-guerra. Foi nomeado cavaleiro pela rainha Elizabeth em 2000, por sua fiel colaboração por mais de quatro décadas como alfaiate do reino. Suas coleções de roupas e acessórios para homens e mulheres logo podem ser identificadas pela presença da sua assinatura, a ‘multistripe’. Smith deixou a escola aos 15 anos de idade, para ser membro da Beeston Club Road, aonde viria a se tornar um ciclista profissional. Após um terrível acidente de bicicleta seu destino mudou. Depois de seis meses no hospital, seu pai colocou-o para trabalhar numa confecção de roupas. No início ele não ficou muito empolgado com o trabalho, mas após um encontro num pub com amigos estudantes de arte, descobriu sua verdadeira vocação, ele queria mesmo fazer parte do mundo colorido dos objetos e das ideias. Então ele freqüentou um curso noturno onde aprendeu a costurar. Mais tarde criou modelos na mítica Savile Row que instantaneamente agradaram celebridades como o jogador de futebol George Best. Com a ajuda de sua então namorada e hoje esposa Pauline Denyer, partiu para um projeto próprio, e com uma pequena poupança abriu sua primeira loja em Nottingham em 1970. O resto vocês já sabem...

“Sir Paul Smith poderia ser nomeado para o ‘Ministério Faz-de Tudo”


O que falam de Paul “O último comediante multifacetado do fashion design. Ou seria um camaleão?” Tom Dixon, designer de móveis. “O que será que homens de negocio vêem neste designer repleto de non sense com um nome tão comum como Mr.Smith? Talvez eles consigam pegar o reflexo do sol da seda laranja que ilumina seus ternos cinza ratazana.” Suzy Menkes, editora de moda do Herald Tribune. “O homem faz a roupa, o gentleman genial cria Paul Smith.” Hanif Kureishi, ator, dramaturgo e diretor. “Eu não tenho a mínima paciência para estes jovens designers, com exceção de Paul Smith, pois ele possui o segredo do terno trespassado de quatro botões.” Sir Hardy Amies, couturier. “Eu apenas comprei um par de botas do homem. Mas que botas fantásticas!” Vic Reeves, comediante e aficionado por queijos. “Se o governo britânico tivesse juízo, nomearia Sir Paul Smith para o ‘Ministério Faz-de Tudo’, pois se cada companhia inglesa possuísse um CEO como ele, nós iríamos longe...” Sally Brampton, escritora e jornalista. “Claro, este nome é inventado, na realidade eu sou um dos herdeiros dos Von Heidelbergs.” Sir Paul Smith.

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Tudo para ‘caber’ no

terno novo 48


O primeiro desafio importante que você vai encarar é a quantidade de exercício que necessita para alcançar a forma ideal. Mas nunca esqueça de consultar um profissional, pois só ele pode avaliar exatamente quais são os seus limites.

tendo resolvido este assunto, resta começar o planejamento, de quantas vezes por semana você vai treinar. estudos recentes revelam que é preciso se exercitar no mínimo 30 minutos, cinco dias por semana. mas para aqueles que precisam perder peso, o ideal são treinos de 60 minutos.

organizando o

treino

Uma roupa nova é sempre um incentivo para se perder aqueles quilos extras adquiridos na Última viagem, ou se preparar para um upgrade no novo office

U

ma boa ideia é uma caminhada rápida de 30 minutos, e uma corrida de 30 minutos. Se você só dispõe de uma hora por dia, deve incorporar exercícios aeróbicos e treinos de resistência, ou seja, 40 minutos de corrida e 20 minutos de musculação.

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A que horas treinar?

Pratique quando você se sentir mais em forma. Algumas pessoas obtém melhores resultados pela manhã, outras à tarde ou à noite. Para quem gosta de tomar um farto café da manhã, é preciso começar o treino uma hora e meia depois da refeição. Sempre lembre de beber um litro de água por hora de exercício, e continuar se hidratando.

Q

uem faz exercícios aeróbicos, deve se equipar com um

par de tênis adequado. Faça

uma visita a uma boa loja de esportes ou consulte um especialista, pois cada pessoa corre de uma maneira, e um tênis adequado para uma, não é necessariamente ideal para outra. Para a maioria das atividades, você deve ter dois tipos de tênis. Lembre-se que o tênis de corrida por ser um pouco mais alto e pesado do que os similares, só serve para correr. Em terrenos acidentados, use o cross training, pois eles são feitos para agüentar maiores impactos, o que permite ao pé que mude de direção rapidamente. O mesmo tênis serve também para musculação.

Como

queimar gorduras Para aqueles que precisam perder muito peso, o ideal é correr 90 minutos, mas vá com calma, no inÍcio, alternando intervalos de corrida e caminhadas. O segredo é trabalhar o mesmo grupo de músculos dois dias seguidos, pois você precisa sentir o seu corpo e descobrir os seus limites.

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Com que roupa eu vou?

O primeiro item fundamental é um bom short, pois os abrigos são muito pesados, retendo suor e esquentando o corpo rapidamente. Para corridas longas, assegure-se que o short é de tecido que não irrita a pele. Esqueça aqueles terríveis shorts de lycra que podem afugentar qualquer amizade que surja no percurso. Vista uma t-shirt ou regata, de preferência de um tecido tecnológico que não absorva o suor do corpo e evite as de fibra de algodão. Nas manhãs mais frias, uma jaqueta dry fit é ótima porque evita o suor, e protege do vento e da chuva. Se não quiser horrorizar outros pedestres, fuja de cores berrantes para não ficar parecido com uma tartaruga ninja. Meias de corrida são outro item importante, elas evoluíram muito na ultima década, e hoje são confortáveis, acolchoadas e macias, e absorvendo bem o suor do pé.

Regras de etiqueta na

academia Não esqueça de limpar suas roupas e objetos de ginástica, pois ninguém merece seu cheiro de suor Tenha sempre à mão uma toalha limpa, onde quer que você vá Seja gentil com seus colegas de treino, você não é a única pessoa que está puxando ferro Deixe o celular e o tablet trancados no armário Não grude nos aparelhos de ginástica, faça revezamento com os demais Faça um check-up de sua higiene pessoal. Numa atmosfera em que todos estão suando e bufando, ninguém é obrigado a conviver com seus odores bizarros Se vista de maneira discreta, nunca se exiba de torso nu ou descalço Não se distraia com as ‘colegas de trabalho’, nem fique ‘azarando’ as garotas que puxam ferro

Esqueça aquele iPod barulhento, a regra de ouro é o silêncio Seja sensível, não sobrecarregue o aparelho com toneladas de peso para impressionar os demais, pois você ainda corre o risco de se machucar Diminua o nível de gritos e suspiros, pois ninguém é obrigado a aturar os seus grunhidos à la Sharapova (só ela pode) Saiba que aqueles espelhos gigantes da academia são feitos para você melhorar sua técnica, e não devem ser usados como uma oportunidade para você admirar o próprio corpo, deixe isto para o espelho do banheiro da sua casa

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| gourmet |

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tOP CHEF

No Eleven Madison Park, a degustação combina a espontaneidade dos ingredientes da fazenda com a experiência e grandeza da antiga tradição da haute cuisine

NYC Pearls Daniel Humm

Nova York é uma cidade reputada por ter os restaurantes mais cool do planeta, que fazem de tudo para ser cada dia mais jovem e contemporâneo. Para isso eles se dedicam a todo tipo de haute cuisine

No Eleven Madison Park, o pato do chef

Eleven Madison Park, onde o serviço é quase sempre impecável sem ser opressivo. Seu salão é espaçoso, mas não de uma maneira impositiva. O chef Daniel Humm elaborou um menu genial, o Rubik’s Cube, que é uma degustação combinando a espontaneidade dos ingredientes da fazenda com a experiência e grandeza da antiga tradição da haute cuisine. Se no dia em que você for, o famoso Pato do Chef para duas pessoas estiver no menu, não hesite e peça imediatamente. E mais: Angela Pinkerton é uma das melhores chef patissier da América, deixe um espaçozinho para o seu Milk and Chocolat, sua sublime e moderna visão para um tema clássico. www.elevenmadisonpark.com

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| gourmet |

Os apetitosos e diferentes menus para o jantar reúnem uma seleção de pratos “Quase Crus”, “Intocados”, “Cozidos com delicadeza” e finalmente “Tudo Cru”

tOP CHEFS

Eric Ripert

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Le Bernardin, quase cru

Este legendário palácio de frutos do mar sempre se renova. A culinária do chef Eric Ripert’s mesmo nos clássicos da casa continua divina, experimente os dois apetitosos menus para o jantar. O primeiro reúne uma seleção de pratos “Quase Crus”, “Intocados” e “Cozidos com delicadeza”. Outra opção é “Tudo Cru”que pode ser iniciado com a Degustação Progressiva de Ostras e prosseguir com Carpaccio de Wagyu Beef, seguido de Lagostim e Tartar de Caviar, ou ainda Finas Laminas de Atum com Foie Gras. E tudo isso, é claro, merece ser regado com flûtes de Bollinger. www.le-bernardin.com

Thomas Keller

David Chang


Oyster no Per Se

A cozinha do Per Se continua tecnicamente imaculada, e os destaques do menu degustação do chef Thomas Keller incluem maravilhas como Torchons de Aveludado Foie Gras, Lagosta Pochée da Nova Escócia, sendo que as famosas Oysters and Pearls continuam divinas. Esta experiência o espera no Time Warner Center no Columbus Circus, com vista para o Central Park de tirar o fôlego, parece que você está acomodado na copa das arvores. Seu salão principal é uma rara mistura de espaço e privacidade, de drama discreto e luxo divino, projetado por Adam Tihany, em variações de cinza e marron, e nas duas extremidades do salão com lindos arranjos de lírios. Uma acolhedora lareira permite o jantar ao pé do fogo. Toda a experiência adquire um caráter elegante, solene e quase ensaiado, como se fosse uma cena de uma versão californiana de um restaurante de primeira classe em Nova York. www.perseny.com

Esta experiência gastronômica tem uma vista para o Central Park de tirar o fôlego, parece que você está acomodado na copa das arvores

Momofuku Ko, isto é, David Chang

Conseguir uma reserva pela internet no Momofuku Ko é mais difícil que invadir o Fort Knox. Este pequeno dining bar do East Village dispõe de apenas doze lugares. Para se ter a experiência completa da cozinha única e moderna e da sensibilidade pós gourmet do chef David Chang, deve se experimentar os Broken Eggs and Cozing Caviar, e seu famoso Caviar Congelado em Geléia de Riesling. Se você quiser cometer uma extravagância no almoço, pode pedir o menu degustação, numa sucessão de pratos que se desenrola num balé de três horas. Depois é só reservar uma horinha para o digestivo e uma boa siesta. www.momofuku.com Para conhecer a cozinha única e moderna e a sensibilidade pós gourmet do chef David Chang, prove os Broken Eggs and Cozing Caviar

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| gourmet |

No Craft, diretamente da fazenda

A decoração do Craft com uma infinidade de lâmpadas penduradas no teto, já é uma experiência única. O clássico menu “diretamente da fazenda” de Tom Colicchio é sem duvida uma sensação bíblica, tudo nele tem gosto excepcional. Preste atenção nas gorduchas e Suculentas Ostras vindas diretamente da baía da British Columbia, ou ao Balé de Cogumelos que mudam conforme a estação, e as fenomenais e adocicadas vieiras que chegam deliciosamente recheadas, e se acompanhadas de um vermouth então, você pode entrever as portas do paraíso. www.craftrestaurantsinc.com

Temperando enguias com violetas cristalizadas no Corton O nome deste restaurante de Tribeca vem de uma região vinícola da Borgonha. O décor do Corton é pra lá de moderno, sem janelas lembrando uma nave espacial. As mesas estão cobertas com toalhas de linho e rosas, e através de uma janela tipo bunker, podese avistar o balé dos cozinheiros. O proprietário é Drew Nieporent e seu chef é o inglês Paul Liebrandt’s de apenas 32 anos, conhecido pelas extravagâncias culinárias como temperar enguias com violetas cristalizadas e marinar uma costela de boi com pó de café, finalizando o prato em nuvens de feno queimado, numa performance teatral. O menu é composto apenas de seis appetizers e seis pratos. A melhor pedida é Timos de Vitela, Bass Selvagem ou “Galinha para Dois”, e como sobremesa, o Merengue de Pomelo e o Caramel Brioche, com delicadas e sublimes texturas. www.cortonnyc.com

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No Craft, devore as gorduchas e suculentas ostras vindas diretamente da British Columbia


Toda a memorabilia, incluindo tijolos aparentes e um autêntico forno a lenha, fazem você mergulhar nas raízes da cozinha americana

No Corton, em Tribeca, a melhor pedida é Timos de Vitela, Bass Selvagem ou “Galinha para Dois”, e como dessert, Merengue de Pomelo

Gramercy Tavern, uma experiência americana

Fica difícil resistir ao Gramercy Tavern do chef Michael Anthony. Aquela taverna de seus sonhos é esta daqui, com seu décor retro e moderno, arranjos florais vibrantes e candelabros com milhões de velas encaixadas em cones de cobre, no coração do Flatiron Building, um dos marcos de Manhattan. Passeando pelo salão você se deleita com toda memorabilia americana, incluindo tijolos aparentes e um autêntico forno a lenha, mergulhando nas raízes da cidade. O menu que muda a cada estação, oferece produtos frescos e preparados in loco, com sabores pronunciados e apresentação requintada. Impossível não se deleitar com o Creme de Abóbora com Nozes, Marmelo e Pinolis. Depois prove o Arenque com Foie Gras e Repolho ou as Costelinhas de Vitela com Repolho Roxo e Feijão ao molho Cranberry. Uma jornada e tanto. www.gramercytavern.com

tOP CHEFS Tom Colicchio

Paul Liebrandt

Michael Anthony

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| gourmet |

tOP CHEFS

Daniel Boulud

Jean-Georges Vongerichten

A melhor coisa a respeito da grandiosa cozinha do Daniel é seu estilo totalmente francês atemporal e clássico, alem das quatro estrelas do New York Times

Daniel e o eterno savoir faire da cozinha lyonesa

O restaurante Daniel sempre foi uma experiência fantástica, mas agora ele consegue ser espetacular. E faz jus às quatro estrelas conquistadas desde 2001 pelo New York Times. As melhores coisas a respeito de sua grandiosa cozinha é seu estilo totalmente francês atemporal e clássico. O chef Jean François Bruel é nativo de Lyon, da mesma região do super chef e proprietário Daniel Boulud. Ele também compartilha do mesmo talento de misturar a mais elaborada haute cuisine com receitas como Bisque de Lagosta en Croûte, Porco Marinado com Alho Poró, com o eterno savoirfaire da cozinha lyonesa. Sugestão de menu: Florida Frog Leg Velouté, Quebec Suckling Pig e como grand finale Chocolate Cupcakes With Chestnut Confit Mousse and Chocolate Sauce! www.danielnyc.com

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Joël Robuchon


O L’Atelier de Joel Robuchon obedece ao tradicional conceito japonês de pequenos pratos, o “omakase”, que é a “escolha do chef”

Quando chega a hora de escolher os pratos, você descobre as delícias da cuisine fusion em que o chef Jean Georges Vongerichten é mestre

No balcão de Joël Robuchon

Este é o quarto L’Atelier Robuchon do planeta, os outros três estão em Paris, Tóquio e Las Vegas. Todos os estabelecimentos obedecem ao tradicional conceito japonês de pequenos pratos, o “omakase”, que é a “escolha do chef”, para serem testados no bar. É a haute cuisine elevada à sua máxima potencia: Croquetes de pernas de rã temperadas com salsinha e alho, Cubos de Atum mergulhados no molho à base de tomate seco e o impressionante Lagostim envolto em Folhas de Basílico e finíssimo tempurá. Também pode-se deliciar com as Ostras de Kumamoto apenas salteadas com manteiga e sal, e Fatias da mais delicada terrine de Foie Gras, Sushi Style. E o que nos espera para a apoteose das papilas? A escolha certa é o Le Sucre, uma misteriosa esfera de açúcar recheada de mousse de framboesa, que explode na boca. E claro, o lugar ideal para se desfrutar destas maravilhas é sempre no balcão. www.joel-robuchon.net

As quarto estações de Jean Georges

No Jean Georges, do chef Jean-Georges Vongerichten, à mesa você tem a sensação de estar na boutique Van Cleef and Arpels. Mas quando chega a hora de escolher os pratos, você descobre as delícias da cuisine fusion em que Vongerichten é mestre. Começando pelos Eggs Topped with Eggs: um ovo ultra cremoso temperado com vodka, creme fresco e ovas de caviar, uma estonteante mistura, com num ‘crescendo’ até o caviar explodir na boca. Um debut estonteante. A suíte é o Sea Scallops with Caramelized Cauliflower and Caper-Raisin Emulsion, que são vieiras caramelizadas com couve flor e emulsão de passas, um delicado mélange de doce e salgado, num molho que leva curry e mostarda. E nas sobremesas você pode se divertir com quatro temas: inverno, maçãs, caramelo ou chocolate. É suficiente? www.jean-georges.com

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O grande espetáculo do

vinho A história do século passado é permeado por fabulosas conquistas e retumbantes fracassos. O mesmo se dá com os vinhos que acompanham com grandes ou pequenas safras as peripécias da humanidade. Aqui só vamos falar dos vinhos majestosos

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Com seus cem hectares, o Château Lafite Rothschild é um dos domaines mais vastos na categoria dos primeiros grand crus

Château Lafite Rothschild

1959 (Bordeaux – Pauillac)

Em 1959, o terroir de Lafite cumpriu perfeitamente seu papel, permitindo que a vinha atravessasse um verão canicular. O resultado foi um vinho ‘imenso’, sem duvida, o top dos tops daquele ano. Um zeloso trunfo da maison Château Lafite Rothschild.

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| O grande espetáculo do vinho |

Fidel Castro

Dalai Lama

Charles De Gaulle

O ano de 1959 é com certeza revolucionário

Brigitte Bardot e Jacques Charrier

É o ano em que Fidel Castro se torna o primeiro ministro de Cuba e expulsa definitivamente Fulgencio Batista da ilha, nacionalizando suas terras. Isto produz uma ruptura definitiva com os Estados Unidos, mudando toda uma importante configuração geopolítica, fazendo da pequena ilha o ponto fundamental da guerra fria. Do outro lado do mapa mundi, o Congo Belga obtém finalmente sua independência. No Tibet, com o seu território invadido e controlado pelos chineses, sua santidade o Dalai Lama é obrigado a optar pelo exílio na Índia que dura até hoje. O General De Gaulle recém instalado no palácio do Elysée tem a espinhosa tarefa de propor a auto determinação na Argélia. Enquanto que as duas grandes potencias da época, Estados Unidos e União Soviética entram numa corrida maluca concorrendo pelo espaço sideral. Quem ganha o primeiro round é a sonda soviética Lunik I, primeiro objeto a escapar da atração terrestre, seguido pelo Lunik II que atinge a lua e pela Lunik III que gira em torno dela e transmite fotos de sua face oculta. Logo depois os americanos querem a revanche, e enviam um macaco em órbita. Os russos não se dão por vencidos, e enviam um coelho e duas cadelas. A maior starlet da época era Brigitte Bardot que acabava de se casar com Jacques Charrier. E o casal emblemático de príncipes e princesas que encantava aquele mundo era representado pelo casamento da maravilhosa Farah Diba com o Xá da Pérsia. No Brasil, aconteciam os eufóricos anos desenvolvimentistas do governo JK e a consagração do visionário arquiteto Oscar Niemeyer que estava erguendo uma nova utopia, Brasília, a terceira capital do Brasil.

Juscelino Kubitschek

Lunik I

Oscar Niemeyer

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Farah Diba e Xá da Pérsia


O “maestro” da maison, Charles Chevallier

E

ste grand cru é um millésime que no ano de 1959 despertou o maior respeito. Em certas regiões alguns inclusive baixavam os olhos e sussurravam, “mas é demais mesmo!”, porque a uva resplandecia na própria pele, tendo atingido a quantidade de açúcar mais que perfeita. A tal ponto que a região de Champagne teve que mudar certas regras porque o teor alcoólico dos vinhos havia ultrapassado os limites admitidos pela Appelation Controlée. E curiosamente, estes vinhos não ficaram nem pesados nem insossos, muito pelo contrário. Com seus cem hectares, Lafite Rothschild é um dos domaines mais vastos na categoria dos primeiros grand crus. Sua historia é longa e se confunde com a dos grandes parlamentares bordaleses. Do século 17 até nossos dias, dois nomes se destacam: Ségur e Rothschild. Os Ségur construiram a reputação do cru e tomaram conta dele durante um século. James de Rothschild adquiriu o domaine em 1868 num leilão, desembolsando quatro milhões e quatrocentos mil francos, soma fabulosa para a época. Desde então estas vinhas nunca mais deixaram esta família.

Segredinhos do Château Um terroir que resiste à seca. Millésimes apenas comparáveis nos anos de 1945 e 1961. O apogeu da safra de 1959 se deu no ano de 2010. O Château Lafite Rothschild 1959 esteve disponível apenas em grandes casas leiloeiras.

A Sotheby`s realizou um leilão com os Château Lafite Rothschild da safra de 1959 que pertencia ao famoso colecionador Lloyd Flatt em 2008, uma oportunidade única

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“Um homem faminto é capaz de vender sua alma por um prato de Mujaddarah...” Esse ditado milenar do Oriente Médio seguramente deve sua origem à famosa passagem bíblica do Gênesis, em que Esaú conquista a valiosa condição de primogênito do irmão Jacob em troca de... um simples prato de lentilha. Mas quem já experimentou os pratos que podem ser feitos com esta iguaria, sabe que Jacob não estava tão errado assim... Sim, pois “Mujaddarah” nada mais é do que o nome árabe original do delicioso “Arroz com Lentilha” (nomenclatura que o Almanara escolheu para batizá-lo em seu cardápio), mais um dos deliciosos legados da saborosa e milenar culinária árabe. Segundo Aline Atalla, engenheira de alimentos do Almanara, a demonstração da sabedoria de séculos não se limita apenas ao paladar, pela deliciosa composição de arroz, lentilha, abobrinha, cebolas douradas e especiarias árabes: “ O valor nutricional desse prato também é altamente expressivo”. Mais uma prova de que Jacob não estava tão errado assim... Explica-se: a combinação de arroz e lentilha proporciona uma ingestão perfeitamente equilibrada de proteínas, segundo a especialista. Ainda pouco divulgada e adotada na dieta tradicional do Ocidente, a lentilha (planta leguminosa que tem sua origem na Índia e na Ásia Central) tem um valor proteico tão significativo que, no Canadá, após estudos, uma empresa resolveu incluí-la em suas barras energéticas destinadas ao consumo por parte de desportistas, pois ficou comprovado o aumento de desempenho e de resistência dos atletas após sua ingestão. Tudo bem... Talvez o personagem bíblico não soubesse de tudo isso e apenas não tenha resistido à tentação de preparar uma saborosa “Mujaddarah”... Mas vale ratificar: é experimentar o saboroso prato e concordar integralmente com ele. A troca entre Esaú e Jacob: afinal quem teria feito o melhor negócio...?


Ingredientes: 1 e ½ xícara de arroz 1 xícara de lentilha 1 litro de água 1 xícara azeite de oliva 1 colher ( sopa) sal 1 xícara cebola picada 4 xícaras abobrinhas fatiadas finamente 4 xícaras cebolas fatiadas finamente

Aline Atalla Engenheira de Alimentos do Almanara

Preparo: Em uma panela, refogar as cebolas picadas no azeite mexendo regularmente para que fiquem bem douradas. Adicionar água e o sal e deixar até levantar fervura. Acrescentar a lentilha e cozinhar em fogo médio por cerca de 20 minutos. Enquanto cozinham, refogar o arroz com 2 colheres (sopa) de azeite. Reservar. Escorrer a lentilha, separando a água. Juntar a lentilha no arroz e acrescentar a água separada. Levar novamente ao fogo médio e cozinhar até que o arroz esteja macio. Fritar individualmente em óleo bem quente as cebolas e as abobrinhas . Colocar o arroz com lentilha em uma travessa e cobrir com as cebolas e as abobrinhas fritas.


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O acabamento perfeito da manga do terno, marca registrada da Canali

Canali made in Italy

A grife Canali, especializada em alfaiataria masculina é resultado de uma longa tradição na qual a cultura e história se entrelaçam com estilo, bom gosto e excelência que resultam em profissionalismo, confiabilidade e qualidade. Agora, ela está aqui entre nós, sua primeira loja da Canali foi inaugurada no Shopping Cidade Jardim, que marca seu debut na América Latina.

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Michael Douglas veste Canali

A primeira loja da Canali, no Shopping Cidade Jardim, que marca seu debut na América Latina de forma sóbria e elegante

O

responsável por trazer a marca ao Brasil é Daniel Brett, executivo com tradição neste segmento, pois já cuidou da operação brasileira da Ermenegildo Zegna por uma década, junto com Giorgio Canali, da terceira geração da família que fundou a marca. Ambos estão entusiasmados, e querem atingir o público masculino que compra seus ternos nos Estados Unidos.

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Todas as coleções da marca são faccionadas em sete centros de produção na Itália, cada um deles especializado em um tipo particular de produto, garantindo a perfeição de cada peça. São artesãos ultra qualificados que desenvolvem as peças, às vezes com tradições centenárias de alfaiataria aliadas à inovações técnicas para alcançar o máximo de qualidade. Os tecidos finos, todos da Biella, e os materiais utilizados para revestimento, acabamento e botões são muitas vezes criados especialmente para a Canali, assim como


texturas e padrões exclusivos, sempre inovadores e muito criativos. Estes são produtos com as verdadeiras características da distinção ‘Made in Italy´. Cuidado artesanal combinado a tecnologia de ponta com habilidades manuais sofisticadas, acumulados a partir da constante experiência em alfaiataria garantem a excelência da marca, graças a um treino constante de seus artesãos. É por isso que, por mais de 75 anos, a Canali tem sido uma embaixadora dos valores italianos unidos indissoluvelmente na criação de coleções de qualidade

superior que expressam uma estilo atemporal com requintado gosto. A história da Canali remonta ao século 20. Em 1934 os irmãos Giovanni e Giacomo Canali estabeleceram um workshop artesanal em Triuggio, Brianza, para produzir roupas de alta qualidade. Essa região da Lombardia se orgulha em realizar bem tudo que faz, com grande talento criativo, sempre acompanhado por uma mente aberta à inovação e a aplicação de técnicas de produção de ponta.

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Alfaiataria clรกssica ma non troppo: a Canali sempre gostou de f lertar com uma pitada de ousadia

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Cuidado artesanal combinando com tecnologia de ponta e habilidades manuais sofisticadas, que atentam para os detalhes, marcando a excelência da Canali

Foi durante a década de cinquenta, quando a segunda geração da família assumiu a gestão da empresa, que sua presença foi consolidada no mercado italiano. Em meados da década de setenta, a Canali se especializou na fabricação de outwear masculino, e a empresa aceitou o desafio dos mercados internacionais e na década de oitenta já exportava 50 por cento de sua produção. Em apenas duas gerações, compromisso e visão estratégica transformaram a Canali em uma empresa grande e eficiente. Logo a seguir vieram as coleções de acessórios, abotoaduras e meias, e o sportwear de luxo, bem como fragrâncias sofisticadas. A Canali marca presença em mais de 100 países, com mil pontos de venda e 160 boutiques, exportando 75 por cento da sua produção. Recentemente, a Canali tem feito investimentos significativos em setores complementares ao seu negócio principal, adquirindo participações estratégicas em casas de software para a indústria têxtil e de vestuário. Hoje, a terceira geração da família continua se guiando pelo talento criativo e por uma visão de elegância masculina bem acima do trivial. Transmitida de uma geração para a seguinte, esta visão inclui uma alfaiataria impecável, styling primoroso, busca pelo design inovador e por tecidos e fios de prestígio. No último desfile da marca a transformação acontecia diante de olhos deslumbrados. A Canali deu todas as pistas de sua ousadia na mistura do preto nos paletós risca de giz de golas de veludo e abotoamento duplo Chesterfield, com ares de swinging London. Sim, a marca Canali sempre gostou de flertar com uma pitada de ousadia, mas tudo isso dentro de suas regras, produzindo sempre uma alfaiataria impecável, sua marca registrada. www.canali.it

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Freud explica

Nesta Última década, com commodities cada dia mais instáveis, a arte continua se mantendo como investimento seguro, com preços estratosféricos. O ultimo leilão que alcançou soma fabulosa, continha obras do recém falecido pintor inglês Lucien Freud, neto do Dr. Freud, lui même. Lucien Freud pouco se importava com dinheiro, e foi só nos últimos anos de vida que ele usufruiu da fama e fortuna, à medida que seu status foi aumentando na escala de valores das obras de arte. Seus quadros chegaram a ocupar a primeira posição de valor para um artista vivo, sendo que suas obras alcançaram as três primeiras posições neste ranking insólito. Outro leilão emblemático foi o da coleção de arte de Yves Saint Laurent e Pierre Bergé que faturou quase 600 milhões de dólares, em três dias.

obra: Benefit Supervisor Sleeping (1995) artista: Lucian Freud preço: US$ 33.641.000, vendido em 2008 A pintura de Lucien Freud obedece a tradição do sobrenome, realizando um fenomenal estudo da carne e da alma. O quadro foi adquirido pelo oligarga russo, Roman Abramovich, dono do clube inglês de football Chelsea

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obra: Flag (1960-1966) artista: Jasper Johns preço: US$ 28.642.500, vendido em 2010 Como são os americanos? Dada, neo-dada ou pop art? Para Jasper Johns, a verdade é mais profunda do que simples estrelas ou listras. Foi comprado pela Avery Galleries em nome de um cliente que pediu anonimato

obra: Balloon Flower Magenta (1995-2000) artista: Jeff Koons preço: US$ 25.752.059, vendido em 2008 Jeff Koons se inspirou no estalar daqueles cereais multicoloridos que povoam as mesas do trivial café da manhã: ‘snap, crac e pop’. Foi preciso um avião cargueiro russo gigante para transportar a peça de Dallas para Londres. O comprador é anônimo

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obra: Hanging Heart (1994-2006) (Magenta/dourado) artista: Jeff Koons preço: US$ 23.561.000, vendido em 2007 Este coração provocou outra revolução em Versalhes, na exposição de Koons, onde muitos perderam a cabeça. Comprado pelo galerista Larry Gagosian, em nome do magnata ucraniano do aço Victor Pinchuk obra: Naked Portrait with Reflection (1980) artista: Lucian Freud preço: US$ 23.519.898, vendido em 2008 Detalhe curioso: os pés que vemos no quadro são do próprio artista. O pintor deve ser tão sutil como Deus na natureza, nem seus pensamentos devem interferir em sua obra

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obra: Abstraktes Bild (1997) artista: Gerhard Richter preço: US$ 20.802.500, vendido em 2011 O quadro foi rematado por Lily Safra, que o doou para o Museu de Israel. Numa entrevista por telefone, Richter declarou: “este preço é tão absurdo como a crise dos bancos, algo impossível de compreender, totalmente biruta...”

obra: Interchange (1955) artista: Willem de Kooning preço: US$ 20.680.000, vendido em 1989 Foi comprado pelo marchand japonês Shijeki Kameyama, junto com ‘Le Mirroir’ de Picasso, totalizando a quantia de US$ 47,1 milhões de dólares. Para honrar sua divida, o marchand teve que vender alguns outros quadros de sua coleção

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obra: Les coucous, tapis bleu et rose (1911) artista: Henri Matisse preço: US$ 40.000.000, vendido em 2009 No leilão de obras de arte de Yves Saint Laurent e Pierre Bergé na Christie’s em Paris, atingiu uma soma superior à escultura de Brancusi, vendida por US$ 33.000.000

obra: Dragon Chair (1917-1919) artista: Eileen Gray preço: US$ 32.000.000, vendida em 2009 Esta poltrona de couro bateu o recorde mundial para um trabalho de arte decorativa do século XX. Também fez parte do acervo de Yves Saint Laurent e Pierre Bergé

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Na galeria da

Mônica Vernissages inesquecíveis

Mônica Filgueiras de Almeida foi uma das primeiras marchands dos anos 80 e fez parte do frenesi das artes plásticas que passou pelo eixo São Paulo-Rio, revelando talentos e fazendo toda diferença na cidade por três décadas. Alguns artistas e amigos comentam a importância dela em suas vidas fotos Sonia Balady

Com Miguel Chaia

No vernissage de Lea Van Steen

Brindando com Fernando Lemos

Acompanhada de Raquel Kogan

Com Suca Mazamatti

Com Celso Gitahy

Trocando figurinhas com a galerista Sabina de Libman

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Eduardo Machado

Mônica passeando nos salões de sua galeria

O sócio Eduardo Machado achou que seria mais fácil conviver com a sua lembrança. Hoje ele ocupa uma cadeira junto à de Mônica e deixa a outra vazia pensando nela com muito amor. Ele lembra de seu delicado perfume e de sua personalidade doce. “Quanta falta você me faz...” Poucos entendiam e tinham a sensibilidade para encontrar em um gesto, um traço, a alma de um artista. Poucos vivenciaram seu metier como ela. Quantos artistas tiveram a oportunidade de conviver com Mônica? Flávio de Carvalho, Tarsila, Mira Schendel, Sergio Camargo, Hercules Barsotti, Willys de Castro... É preciso citar mais? Para ela não tinha artista com bula, nada tinha explicação... Tinha sensibilidade, o soco no estômago, e ao mesmo tempo era aberta a tudo. Não se chocava com nada, encontrava a natureza da arte, que afinal era a sua natureza. Claro que ela é insubstituível. Nunca alguém vai ter o mesmo olhar, o seu humor, a sua compaixão. Seu nome está na história da arte no Brasil. Para quem não sabe, para quem não olhou, para quem não teve o privilégio de conviver com você, Mônica Filgueiras de Almeida.

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| Vernissages inesquecíveis |

obra: sem título diâmetros 50 e 30 cm cerâmica 2009

Florian Raiss

É bem simples, fiz uma exposição no Paço das Artes em 1982, aí a Mônica foi lá e ficou encantada com o meu trabalho e me convidou para expor em sua galeria. Depois fiquei décadas expondo em outros lugares, mas nunca perdemos o contato. Nos anos 2000 fiz uma mostra só de desenhos, que ela topou imediatamente e foi assim que continuei trabalhando com ela até 2011, quando exibi obras de vários formatos, misturando esculturas e trabalhos em papel, com caráter mais intimista por causa do espaço da galeria. Mônica era apaixonada por arte e pelos artistas, conviver com eles era como respirar, ela realmente tinha um profundo conhecimento, mas também era uma pessoa muito intuitiva, capaz de se comover com eles. Era

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a qualidade que eu mais gostava nela, este seu envolvimento genuíno, um approach intuitivo, menos racional que se deixava guiar pela sensibilidade. Descobri em seus últimos dias que Mônica era católica praticante, cheguei a visitá-la no hospital inúmeras vezes e sua atitude foi corajosa diante da vida. Ela era uma pessoa bem reservada, e quando um artista dava uma opinião, ela ouvia sem preconceitos, tinha uma atitude libertária, e como sempre foi muito coerente decidiu continuar seu trabalho de galerista nesta direção. Mônica era fruto de sua geração dos anos 60 e 70, contestatória e que não tinha medo de correr riscos. Ela abraçava seus artistas e os aceitava sem querer modificar ninguém.


obra: Single Child - Shangai 90 x 90 cm impressão com pigmentos sobre papel 2001

Pablo di Giulio

Conheci a Mônica no início da década de 80, dedicava-me a reproduzir obras de arte e ela era uma das minhas clientes. Ela sempre foi uma pessoa direta, dizia o que pensava com delicadeza e tinha um humor a toda prova, o que mais se pode pedir de alguém? Ela vivia, respirava, pensava e amava arte sem nunca ostentar conhecimento, que tinha de sobra sem ser arrogante, o que não é regra entre marchands e artistas. Mas o melhor mesmo era passar um tempo ao lado dela, não lembro de comentar algum artista que ela não conhecesse e na maioria dos casos sempre tinha alguma anedota engraçada ou interessante para contar como ninguém. Acabávamos em geral às gargalhadas como convém a quem aprendeu não se levar muito a sério. No plano pessoal podíamos procurá-la para falar de tudo e ela sempre tinha uma opinião formada sobre algum mal que pudesse nos afligir dando-nos tranquilidade e mantendo aquela cumplicidade que só se tem com os amigos. No plano profissional sua própria história nos diz tudo e muito, além disso, tinha um dos atributos mais importantes e cada vez mais raros em um galerista, ela tinha ‘olho’ e acho que não conheci alguém que o tivesse mais que ela. Sinto falta da sua risada, do seu olhar maroto e do seu coração enorme onde cabíamos todos!

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| Vernissages inesquecíveis |

obra: MEU MAR / da mostra O PÔR DO SOL 60 x 170 cm acrílica s/ tela 1999

Cristina Schleder

Ao me encontrar casualmente com a Mônica, conversamos e combinamos uma visita dela ao meu estúdio para que visse como estava minha produção. Quando ela veio, eu já tinha em andamento quase a metade dos quadros que faziam parte do meu projeto “O pôr do sol”. Ao vê-los, ela imediatamente agendou minha individual para março de 2000. Fiquei encantada, pois conhecia a Mônica desde os anos 80 e sempre tive admiração por ela. Era uma pessoa que tinha um sorriso escancarado e um olhar, profundo e crítico, de personalidade marcante, segura e objetiva, de quem sabia o que fazia. Ao mesmo tempo, ela tinha uma leveza que nos acolhia. Estava sempre de bem com a vida, talvez por isso nem sempre compreendida por todos. O importante é que ela viveu como quis!

Lucio Carvalho

Meu sonho desde criança, no interior do Rio, era ser um pintor, naquela época ainda não conhecia o termo artista plástico. Fui para o Rio de Janeiro, me formei em desenho industrial, trabalhei com design de roupa, de sapato, direção de arte, ilustração e estamparia. Então resolvi largar tudo, a carteira assinada, o cartão de ponto e fui recomeçar em São Paulo, ser feliz e fazendo o que eu realmente gostava: arte. Cheguei aqui com algumas obras debaixo do braço e a mente cheia de sonhos, visitei galeristas que nem sequer tocavam no meu portfolio, até que algum tempo depois, ao mostrar o meu trabalho para uma amiga, ela me disse, “isso é a cara de alguém que eu conheço, tome esse telefone e ligue para ela”.  Como já estava acostumado com a indiferença dos galeristas, receoso liguei, e logo no dia seguinte, a própria Mônica me recebeu, uma dama das artes, com muita personalidade, de voz e semblante doce. Ela olhou meu precário portfolio como se degustasse um novo prato, que ainda não havia saboreado, e com o olhar parecia dizer que gostava, mas que ainda faltava apurar alguma coisa... Mesmo assim, confiante no

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meu futuro, escolheu uma das minhas pinturas recortadas em madeira, e no dia seguinte, super orgulhoso, deixei a minha obra na galeria que ainda era na Ministro Rocha Azevedo. Dias depois me ligaram para dizer que a obra havia sido vendida, e dali em diante sempre trabalhamos juntos, inclusive em abril inauguro minha próxima individual na galeria, que ela vinha acompanhando tão de perto, quando escolhemos as obras para a SP Arte. Um tempo depois fui ao seu apartamento para selecionarmos mais obras para a SP Foto. Ela já estava com um tubo de oxigênio, fiquei assustado, mas com otimismo ela me disse que seria passageiro. Falou que tinha reservado uma página do catálogo e uma parede inteira para mim, e de como estava empolgada com seu novo sócio. Enquanto ela olhava as fotos, pensava comigo mesmo, Mônica foi responsável por ter me transformado no artista que sou hoje, levantando a minha auto-estima, me incentivando, me dando força e respaldo para seguir em frente. Lamento nunca ter falado para ela, da importância que teve em minha vida.


obra: Louvre - Invas達o 1 120 x 100 cm fotografia digital 2012

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| traveler chic |

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À caminho dos glaciais, o espetáculo do vôo dos Cormoranes, primo voador dos pinguins

patagônia chilena O fim do mundo. Ou o começo.

Patagônia Chilena. Pare para pensar no que isso te faz pensar. Agora apague tudo e vá. Você vai se sentir como se visse uma montanha pela primeira vez. Que as nuvens nunca foram assim. Que o jeito que o vento bate é diferente. E tudo isso é verdade. Não existe lugar como a Patagônia por Melina Schleder

fotos de TÁbata Schleder

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| traveler chic |

A vista surreal do Glacial Grey

Os simpáticos Guanacos espalhados pela região fazem a alegria das crianças

A aventura começa já no percurso. São quase sete horas voando, contando as escalas e trocas de avião. Rumando para Santiago, é preciso trocar de avião para um que voa até Punta Arenas. Imagine o mapa da América do Sul e olhe para o extremo Sul. É lá para baixo do mapa que você vai, então sugiro que entre no espírito Indiana Jones da coisa e aproveite a viagem, visualize seu avião no mapa atravessando todo o Chile e pegue um lugar na janela para poder admirar a mudança da paisagem quilômetro a quilômetro em direção ao seu alvo final, sabendo que cada minuto vai valer a pena. Chegando em terra, mais algumas horas de carro – um carro do hotel vai te buscar no aeroporto – e conte com a beleza da vista para te entreter até a chegada. E a espera é compensada. Chegar ao hotel Tierra Patagônia depois de todo esse deslocamento é a escolha certa e o prenúncio de que essa não será uma estadia comum. De arquitetura arrojada que respeita a geografia da montanha onde está localizado, a impressão que se tem é que lá você terá uma experiência autêntica da cultura da região sem abrir mão do extremo luxo e conforto de um hotel 5 estrelas. A decoração é minimalista, todo de madeira da região, decorado com arte e móveis com o que há de mais moderno, porém típico do Chile. O ponto alto é o grande janelão de frente para o lago Sarniento com vista para as Torres del Paine. Vista essa onipresente em todos os cômodos do Hotel. Não tem como não se sentir parte dessa paisagem, e esse é o ponto principal de se ir à Patagônia. É entrar em contato com a imensidão e se sentir parte da natureza. Uma coisa que se destaca aos sentidos é o silêncio. Por estar localizado numa grande estância em que para todo

o lado que se olha só se vê montanhas, lagos, animais, a sensação de isolamento é instantânea. Só de chegar lá e ficar no hotel já seria uma experiência incrível. A piscina, a biblioteca, o Spa, a comida, o quarto, uma taça de vinho... O lugar, a imensidão, o contraste com o já visto antes te proporciona uma viagem pessoal, transcendente, metafísica, e logo o instinto aventureiro se instala e você sente a necessidade de explorar todos esses lugares, se aproximar e conhecer essas maravilhas tão distantes de quem vive numa cidade como São Paulo. O hotel se localiza no ponto onde os pampas se encontram com o lago Sarmiento, e numa pequena caminhada se chega a ele que se apresenta como uma pequena praia particular e te coloca pronto para encarar todas as aventuras que a região tem a oferecer. E o que fazer primeiro chegando nesse paraíso? O Hotel Tierra Patagônia proporciona a maioria dos passeios mais importantes para se fazer na região, alguns de dia inteiro, outros de meio período. Entre os muitos destinos possíveis estão a cavalgada e churrasco típico de ovelha na Estância Cerro Guido, onde se tem uma amostra do que seria viver numa fazenda da região. As ovelhas são uma atração à parte, estão por todos os lados e fazem a alegria das crianças. Outros animais comuns da região são os Nhandus, espécie de Ema e os Guanacos, espécie de Lhama. Destaque com fama mundial, a caminhada à base das Torres del Paine é obrigatória. Uma caminhada de quatro horas subindo te leva à base de uma das mais belas vistas da viagem. É de tirar o fôlego, literalmente, chegar ao topo, com 2050 metros de altitude, e se deparar com cores e formas nunca antes vistas. E o próprio percurso

O Hotel Tierra Patagônia se confunde com o landscape local

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Depois de algumas horas subindo, a recompensa: as Torres Del Paine e sua fantástica palheta de cores

seguindo o Rio Ascencio, atravessando um vale que conduz ao lago glacial Acarreo Morrena apresenta tão diferentes tipos de paisagens que por si só valeriam o esforço. Depois das 8 horas de caminhada pesada de ida e volta, a satisfação é enorme e você vai se sentir herói de sua própria vida. Por isso se permita uma cerveja comemorativa no bar do hotel Torres, que se localiza na base da montanha. Outro destaque é a viagem ao Glacial Serrano. De Puerto Natales, uma cidadezinha deliciosa de estilo rústico, onde se pode achar artigos típicos de artesanato como tapetes e cerâmicas, sai o simpático barco que contorna as montanhas que formam o Serrano. Lá se pode apreciar degelos que se apresentam em forma de cachoeiras e o Cormorán, uma espécie de primo dos pingüins, ave com uma penugem semelhante a eles, porém mais leve e por isso voadores. Se der sorte, no meio do caminho podem-se encontrar pingüins exibidos. Mas o destaque mesmo são as montanhas de gelo, que apresentam gamas de brancos e azuis que variam de acordo com o sol e que tem o poder de hipnotizar quem passa o olho por eles pela primeira vez. Outra coisa que chama a atenção em toda a região são as nuvens. Elas costumam se localizar acima das montanhas e em formas de disco, o que levam muitos a pensar que são óvnis. O que se sente é que lá tudo é possível. Um passeio que não se pode deixar de fazer é ao Glacial Grey. Para chegar nele é preciso passar pelo Parque Nacional Torres Del Paine, onde aconteceu o incêndio no final do ano passado. Muito coisa permanece intacta e se mantém deslumbrante, como o Lago Nordenskjold e seus arredores, mas é muito triste se ver o que foi destruído pelo fogo e sentir a tristeza de quem conheceu a região

antes da tragédia. Por isso é importante conscientizar os visitantes a respeitarem a natureza que se coloca de maneira vulnerável à disposição do homem e apreciar a mágica que existe nisso tudo. A chegada ao mirante do Glacial Grey reserva uma surpresa. Passando por uma trilha fechada por árvores vai se vendo ao longe o Lago Grey, onde flutuam blocos sólidos de gelo azul que se soltaram do glacial, boiando como num drink, ou esculturas expostas para admiração geral. E entre as montanhas se pode ver a ponta do Glacial, com seus seis quilômetros de gelo, a terceira maior geleira do mundo! Um lugar realmente especial. Há também as caminhadas ao Sarmiento Secreto, a trilha dos caçadores, a Laguna Azul, Mirador Sierro Del Toro, observação de pássaros... As possibilidades são vastas. Mesmo no verão, a temperatura é baixa, muito por conta do vento. Por outro lado, o sol sempre se faz presente, se pondo perto da meia-noite. O interessante da Patagônia é que mesmo se sentindo embasbacado pela beleza natural, assim que se desembarca na região, com o tempo, ela te conquista de outras maneiras. A experiência é quase surreal, e te pega ao poucos. Sol, frio, cansaço e satisfação. São muitas as sensações que fazem dessa experiência algo único e que você vai carregar para o resto da sua vida. Como disse Darwin sobre a região: “Por que então, e este não é só meu caso em particular - esta terra infértil se apodera da minha mente? Torna-se difícil para mim explicar... mas em parte deve-se ao fato de que ela melhora os horizontes da imaginação.” www.tierrapatagonia.com

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Far Niente no

Villa Rasa Marina

A Praia Rasa de Búzios se tornou ainda mais atrativa, com a chegada do Villa Rasa Marina, um dos mais novos hotéis boutique ‘pé na areia’ do balneário

A sensação é de se estar numa praia privativa com a calma dos tempos de Brigitte Bardot, longe dos agitos da Rua das Pedras. Deixe isso para depois. Quando você for badalar, é só usar o serviço de transfer, pois o hotel fica apenas a cinco minutos da praia de Geribá e do centro. Seus 35 apartamentos têm estilo rústico e ao mesmo tempo aconchegante com a utilização de  madeira de demolição  na decoração, totalmente sustentável vinda de Tiradentes. Graças a este e outros detalhes, o Villa Rasa Marina entrou para o estrelado Guia Condé Nast

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O Villa Rasa Marina com seu estilo rústico e aconchegante, e sua cozinha de peixes e frutos do mar, entrou para o estrelado Guia Condé Nast Johansens, pois conseguiu reproduzir a privacidade que tinham as praias de Búzios nos anos sessenta

Johansens. Quem assina o projeto do hotel é o arquiteto Santiago Leal, que optou pela amplitude dos espaços internos e iluminação natural, privilegiando o conforto. No restaurante, o menu tem diversas opções de peixes, frutos do mar e grelhados frescos, preparados na brasa, além de pratos vindos diretamente do forno a lenha, para se desfrutar durante o jantar, de uma agradável noite de céu claro, cheia de estrelas. www.villarasamarina.com.br

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| nécessaire |

Elegância

atlética

Irresistível, perfeito, de tirar o fôlego... Expressões que com freqüência acompanham a história dos conversíveis BMW por onde eles passam. E agora um novo capítulo se une À tradição destes carros que se estende por décadas. O novo BMW Série 6 Conversível foi criado para satisfazer até o motorista mais blasé, amante de carros mecanicamente perfeitos De um luxo inovador e visual de impacto, este conversível de quatro assentos apresenta a mais avançada tecnologia de chassi e motores mais eficientes, com muito conforto, entretenimento e segurança. Seu design reflete-se na elegância atlética e na esportividade da linha exterior. Sua capota em estilo barbatana lhe confere ótimas propriedades acústicas e rigidez estrutural, oferecendo impressionante isolamento térmico que permite uma utilização confortável durante o ano todo. Sua potência majestosa nos motores de oito e seis cilindros com TwinPower Turbo combina seu caráter esportivo com incrível suavidade e excepcional eficiência. A transmissão automática esportiva de oito velocidades é item de série e exibe uma combinação de esportividade, conforto de mudança de marcha e eficiência sem igual em seu segmento. Com o Controle Dinâmico de Condução as virtudes da esportividade e do conforto podem ter precedência conforme a situação exigir. O motorista pode escolher sua própria configuração de suspensão entre os modos Normal, Sport e Sport+ usando apenas um botão no console central. Com este BMW, pegar a estrada envolve todos os sentidos. Gute reise, have a nice trip, bon voyage... www.bmw.com

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A potência majestosa nos motores de oito e seis cilindros com TwinPower Turbo combina seu caráter esportivo com incrível suavidade e excepcional eficiência. Sua capota em estilo barbatana lhe confere ótimas propriedades acústicas e rigidez estrutural, oferecendo impressionante isolamento térmico que permite uma utilização confortável durante o ano todo

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| nécessaire |

O road movie

Harley-Davidson Tudo começou no inicio do século 20. A lenda da Harley nasceu de um motor bicycle, um dos primeiros veículos de duas rodas movido à gasolina. Há um ano a Harley coroou este grande momento da marca no País, assumindo o controle das operações

O road movie Easy Rider conta a história de dois motociclistas que viajam através dos Estados Unidos para provar o gosto da aventura. Pode-se dizer também que parte do sucesso que tornou o filme um cult deve-se à Harley

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| nécessaire | As lendas vão de Harley

V Rod

A marca Harley-Davidson tornou-se lenda do motociclismo e sinônimo de estilo de vida, originando um milhão de historias da mitologia contemporânea, vinda quase sempre associada com aventura, rebeldia e liberdade de viver a vida. O crescimento da companhia dos irmãos Arthur e Walter Davidson juntamente com William S. Harley foi rápido, apenas um ano depois da fundação já se produziam 1.500 motos. Em 1909 a Harley apresentou seu motor V-Twin, que se tornou o maior símbolo de durabilidade entre os motociclistas americanos. Na década seguinte já se destacavam como o maior fabricante de motocicletas do mundo, e selaram o primeiro acordo para fornecer para o exercito americano, durante a primeira guerra mundial. No Brasil, as primeiras Harley-Davidson chegaram por aqui em 1929, sendo que o a força pública de Minas Gerais

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Fat Boy

incorporou as motos à sua frota. Depois da segunda guerra mundial, e visando os consumidores mais jovens, a empresa lançou o modelo 125 ou S, mais conhecido como Hummer. Um grande número de veteranos que retornaram da guerra, e já haviam tido a experiência de pilotar a moto, adotaram a Harley como meio de transporte. Nessa época, foram lançados acessórios como jaquetas de couro que protegiam do vento e frio, e óculos e proteção para a cabeça. Em 1977 foi lançado o modelo Low Rider com guidão em estilo drag, com tratamentos exclusivos de motor e de pintura, e que coloca o motociclista em posição de condução mais baixa. Em 1990, uma outra grande inovação, o modelo Electra Glyde recebeu o primeiro motor à injeção de combustível. Já o motor twin cam foi introduzido em 1999. E em 2000, a HD trouxe a moto V Rod, com


V Rod Muscle

Fat Bob

o motor Revolution desenvolvido em parceria com a Porsche, para uso em motocicletas de rua. Em 2003 a Harley Davidson celebrou seu centenário, realizando o passeio motociclístico Open Road Tour, que reuniu mais de 250.000 fãs da marca. Em mais de um século de existência, a Harley-Davidson apresenta inovações em suas motocicletas, para que os consumidores apaixonados, desfrutem da melhor experiência sobre duas rodas. A marca passou a fazer parte do imaginário da história da América, se espalhando para todos os continentes, sempre passando uma imagem de liberdade. Um desses marcos é o road movie Easy Rider, que conta a história de dois motociclistas que viajam através dos Estados Unidos, para provar o gosto da aventura. Podese dizer também que parte do sucesso que tornou o filme um cult, deve-se à Harley.

Este momento tem sido muito especial para a HarleyDavidson do Brasil. Em apenas doze meses, após assumir o controle de sua operação comercial, a empresa já colocou dez concessionárias em funcionamento nos grandes centros comerciais brasileiros, estabeleceu sua subsidiária na cidade de São Paulo e desenvolveu um centro de treinamento para mecânicos de toda a América do Sul. “Aumentamos nossa presença comercial e não poupamos esforços para garantir os investimentos necessários para que os clientes brasileiros desfrutem da experiência de qualidade que melhor representa uma marca premium como a nossa”, afirma Longino Morawski, diretor-superintendente Comercial da Harley-Davidson do Brasil. www.harley-davidson.com

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Ilustração de Risko

| chat room |

MILES AHEAD Miles Davies foi quem criou a lenda da aura que o jazz moderno carrega: arrogante, flamboyant, lacônico e cool, com uma pitada de violência. Nos anos 1950 Miles vestia ternos italianos e simplesmente dava as costas assertivamente para a plateia. Nos 80 ele ostentava paletós de lamé, pijamas turcos e enormes chapéus fedora, andando pelo palco com certa indiferença estudada, e só parava, bruscamente, para um flash naquele olhar duro, como para proclamar a impossibilidade de qualquer aproximação. Sua voz, um grunhido que parecia sair da garganta de um sapo – raramente era convocada. Falava através da trompa, num tom claro, redondo, prateado como o próprio piston, explorando o espaço entre as notas, espreitando entre os raios de luz, alcançando a mais intensa expressão com o mínimo possível de acordes.

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Sua autobiografia Miles, da Simon & Schuster, publicada em 1989, foi um layout realista da vida, amores e ódios do jazzman. Nos anos 40 ele tocou com Charlie Parker, nadando no turbilhão de complexidades do bebop. Nos 50 ele foi pioneiro no blues urbano do ‘hard bop’, mas também explodiu melancólico com as big bands de Gil Evans. Mais tarde no final daquela década, ele rompeu com os rigores do bop e construiu uma musica com acordes fora dos padrões e escalas soltas, libertando os músicos para explorar suas próprias progressões. Foi quando Miles inventou o jazz-rock fusion para o desespero de muita gente. Seus últimos álbuns se afogaram em sintetizadores sombrios, mas mesmo assim seu trompete segue rasgando e destruindo corações com sua balada.



Talk 14