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Intervalos Especial Festival Dulcina de Cenas Curtas
Brasília, 23 de Julho de 2010 Foto: Thiago Sabino
Dyego (AM); Márcia (PR), Francis (DF) e Leonardo (MG) criam o Circula Cena
Cena gigante Marcos França Silvia Guerreiro
Se depender dos coordenadores dos quatro festivais de cenas curtas realizados no país, a comunicação, a circulação e o intercâmbio serão o tripé que sustentará as ações a partir da estada na Faculdade de Artes Dulcina de Moraes (FADM). O primeiro movimento tem até nome. Atende por Circula Cena – Circuito Nacional de Festivais de Cenas Curtas. Na proposta, os representantes de Manaus, Belo Horizonte, Brasília e Curitiba passariam a visitar
as mostras de cada capital e assegurar as trocas das cenas entre as mostras. O projeto, que será encaminhado à coordenação de Artes Cênicas da Funarte em busca de apoio, nasceu do Encontro de Coordenadores dos Festivais de Cenas Curtas, ocorrido na tarde de ontem, na FADM. Foram discutidas ainda alternativas para superar desafios e traçar novas metas. “A rotina de visitar festivais é uma forma de trocar, avaliar e fazer as iniciativas se fortalecerem”, avalia Leonardo Lessa, do Festival Cenas Curtas do Galpão Cine
Coordenadores dos festivais de cenas breves de quatro estados propõem ações de troca e de circulação Horto. “Estimulam também o crescimento de inscrições de projetos de outros estados”, emenda. Para o grupo, o III Festival Dulcina de Cenas Curtas mostrou uma significante mudança contando com cenas de vários estados e serviu para conhecer o potencial do encontro de coordenadores. “O momento é de confluência e fortalecimento de identidade coletiva, mas também de reconhecimento das peculiaridades de cada festival”, avalia Márcia Moraes, da Mostra Cena Breve de Curitiba.
Cenas da noite
Críticas
Página 2
Páginas 3 e 4
A articulação nacional do grupo começou com a conexão espontânea desses eventos, seguida da criação de uma rede de troca de experiências que teve início em junho passado em reunião durante o 11ª Festival de Cenas Curtas do Galpão Cine Horto. Estavam presentes: Dyego Monnzaho, do Festival Breves Cenas de Manaus; Márcia Moraes, da Mostra Cena Breve de Curitiba; Francis Wilker, do Festival Dulcina de Cenas Curtas; e Leonardo Lessa, do Festival de Cenas Curtas do Galpão Cine Horto.
Opiniões do público Páginas 3 e 4
C enas
da noite
Hoje, às 19h, no Teatro Dulcina Beatriz, da Cia. Instrumento de Ver
A caixa de Pandora, da Cia de Teatro de Cujus
(Brasília, DF)
(Curitiba, PR)
N
A
lunos da Faculdade de Artes do Paraná, buscando a criação de um monólogo para desenvolver opções estéticas e filosóficas, construíram uma releitura da obra homônima de Frank Wedekind. A cena nos apresenta um homem questionando a sua não aceitação pela sociedade e a convivência difícil com a família. Aos poucos, ele assume uma postura antes desconhecida: a travesti Lulu, que mostra, a partir de questionamentos, um sujeito que pensa, sofre e ri.
Foto: Thiago Sabino
Foto: Debora Amorim
uma mistura de teatro, circo e dança, a acrobata profissional Beatrice Martins partiu da angústia estrangeira para criar Beatriz. Inspirada na música homônima de Chico Buarque, que ouvia durante uma turnê nos EUA em 2008, Beatrice quis criar uma cena para externalizar a solidão e a saudade do Brasil. A coreografia, explorando novos movimentos no trapézio, surgiu após longo processo de pesquisa do corpo para transmitir o peso e a leveza da vida de artista.
A dama da noite, de Fernando Martins À espera, de Hyandra Lo (Brasília, DF)
(Brasília, DF)
Foto: Thiago Sabino
aseada na obra Solidão, a comédia, de Vicente Pereira, A Dama da Noite resgata a obra e homenageia o autor, considerado um dos fundadores do teatro besteirol. Com direção e atuação de Fernando Martins e música original de César Lignelia, a cena apresenta Geneviève, uma personagem à espera de alguém que não se sabe se chega ou se já se foi. A angústia pelo encontro revela a solidão e desencadeia uma sucessão de gafes que afastam definitivamente o pretendente.
Expediente
“
O mundo tal qual eu encontrei” foi a frase que motivou a criação de À espera. Apoiada na pesquisa do teatro físico de Grotowski, a diretora Hyandra Lourenço explorou, nessa cena, um significado mais sincero atrás das palavras. O enredo é uma livre-adaptação da novela Com a morte em cima, de Luigi Pirandello. Através dos olhos de um homem solitário em situação terminal se encontra a sensibilidade para enxergar o dia-a-dia.
Foto: Thiago Sabino
B
Intervalos é uma publicação interna da Faculdade de Artes Dulcina de Moraes
Jornal do Festival - INTERVALOS
Reportagem: Jéssica Paula, José Reis, Marcos França, Natália Vinhal, Ronan Nascimento, Silvia Guerreiro, Tiago Nery, Victor Carballar e Vinícius Remer Programação visual: Julio Mendes Fotógrafo: Thiago Sabino Tiragem: 300 exemplares
Secretário executivo FBT: Augusto Lacerda Brandão Direção FADM: Lúcia Andrade Coordenação geral e produção executiva: Francis Wilker Editores: Marina Severino e Sérgio Maggio
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Fotos: Thiago Sabino
C ríticas
5 cabeças à espera de um trem, da Cia 5 Pronto para mudar (SP) Cabeças (MG)
Ditadura da ansiedade Marina Severino
O
s olhos começam arregalados, vidrados em direção ao vazio. Os cinco atores em cena têm pouco mais que os olhos, expressões e voz para segurar a atenção do público por 15 minutos. O resto do corpo, camuflado por um tecido negro, está inativo para a interpretação. Mesmo assim, a Cia 5 Cabeças apresenta um bem sucedido domínio de cena, e as 5 cabeças à espera de um trem se tornam corpos completos. Cada palavra, movimentos musculares de rosto e respiração valem como um aceno de impaciência desses personagens do absurdo, que estão há quase 15 anos à beira dos trilhos, num claro diálogo com o universo estético de Samuel Beckett. A sensação de que o momento nunca chega, comum a todos que esperam com ansiedade, é expresso em um relógio literal que não sai das 9h15, e é capaz de evidenciar as mais incômodas características de cada um. Um bem resolvido jogo de palavras diverte e brinca com a lógica, sustentada por uma das cabeças que anuncia regras sobre o que os outros sentem ou podem acreditar. Uma ditadura que se quebra pela compaixão, quando uma das cabeças, grávida, sofre pelas contrações. A criação do norte-americano Byron O’Neill vale como prova de fogo para um exercício cênico e reúne em palco um grupo coeso e equilibrado. Na medida em que a cena corre, fica evidente que, para algumas situações teatrais, é possível transcender a caricatura e transformá-la em um recurso que não acaba em si mesmo, mas colabora e serve de norte à dramaturgia.
Planos difusos Sérgio Maggio
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dramaturgia coletiva de Pronto para mudar é o trunfo e simultaneamente o risco da encenação da cena paulista. Misturando planos de realidade e de delírio, a narrativa se desenha ousada em campos difusos. Quando está no nível de uma possível situação trivial de venda de um imóvel, segue em velocidade capaz de arrastar o espectador junto com a atriz. Quando se alterna para um universo onírico, quase absurdo das personagens fantasmas, engasga numa construção de sentido oscilante. A concepção da cena não consegue diferenciar nem harmonizar essas passagens, o que dá uma sensação de impotência no espectador ao tentar fruir junto com a cena. Com espécie de abismo estabelecido, a narrativa segue sem um diálogo possível entre esses planos, acentuando uma atmosfera nonsense um tanto artificial. Com tons distantes, as atrizes parecem executar trabalhos totalmente díspares. Apesar do descompasso dramatúrgico entre texto e cena, Pronto para mudar tem uma concepção de cena orgânica, com bom domínio espacial e cenário narrativo. A participação do público, por exemplo, o que, em princípio poderia ser um caos, acaba por ser um dos momentos de respiro.
Apesar do descompasso dramatúrgico entre texto e cena, Pronto para mudar tem uma concepção orgânica com bom domínio espacial e cenário narrativo.
Impressões:
G
A
ostei muito do paralelismo temporal feito em cho que das peças dessa noite, 5 cabeças à espera de Pronto para mudar. De um lado tinha a normalidade um trem tinha a melhor direção. Os atores estavam sintonizados e o texto foi bem construído. Foi a que mais extrema da corretora e de outro as mulheres vomitando coelhinhos, até que elas se encontram no tempo. Essa gostei. temática da loucura e do tempo me atraiu muito. Tiago Dieguez, 26 anos, ator Paulo Carvalho, 23 anos, estudante de direito
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C ríticas
Fotos: Thiago Sabino
O ninja, de Marcos Davi R. L. de Lopes
Para espairecer
Duas palhaças e um pequeno príncipe, de As Marias da Graça(RJ)
Humor singelo
Sérgio Maggio
O
trabalho corporal de Marcos Davi é mesmo o centro dramático da cena O ninja. Desde o primeiro segundo em que ele surge no palco, fisga a atenção da plateia e estabelece o grande desafio. Segurar o fôlego do espectador dentro de uma linguagem extremamente complexa, que é a mímica dramática. De alguma forma, ele consegue o objetivo pela extrema habilidade técnica com que se movimenta, construindo os quadros dramatúrgicos. Dialogando com gags de clown e a remissão à estética dos quadrinhos, escreve visualmente, com o corpo, uma histórica nítida e de comunicação imediata com a platéia. É exatamente neste ponto que Marcos Davi enfrenta a principal dificuldade. Superar uma dramaturgia extremamente óbvia, com reminiscências clássicas, como a do cachorro que se agarra a perna do ladrão. Sem a possibilidade de construir significados ou reflexões, a cena O ninja acaba por restringir a virtuose de Marcos Davi e a um esquete, sobretudo, cômico. A cena se expõe ainda mais porque, imediatamente anterior, fora apresentada Duas palhaças e um pequeno príncipe que, numa simplicidade devastadora de gestos e palavras, estabeleceu uma reflexão crítica tão tocante sobre a existência humana que O ninja parece um belo e leve quadro para espairecer.
Desde o primeiro segundo em que Marcos Davi surge no palco, fisga a atenção da plateia e estabelece o grande desafio: segurar a atençao do espectador com linguagem complexa
Marina Severino
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hoyu é uma palhaça doce, não contém as reações e responde a uma pergunta mesmo quando não direcionada a ela. Ao lado de Indiana, que narra a famosa história do pequeno príncipe e da raposa de Saint-Exupéry, poderia ser abafada pelo olhar repressor da sisuda companheira de cena. Mas duas palhaças demonstram um equilíbrio singelo, reforçado pela empatia das atrizes Karla Concá e Vera Ribeiro. A cena não se limita a um argumento singular, bem comum às cenas apresentadas em tempo curto. A montagem é plural e rompe o palco com piada sobre as regras das cenas curtas, quando as palhaças pedem para alguém do público contar o tempo. Afinal, elas não saíram do Rio de Janeiro para perder pontos por falar demais. A cada minuto mais próximas do público, as palhaças contam uma das histórias mais populares do mundo com o calor de uma novidade. Sem se preocupar em manter sintonia com um ritmo acelerado, se seguram em olhares, numa ascendente intimidade entre si e com a plateia. Elementos que poderiam ser chamativos no visual clown – o cabelo desarrumado de uma, as meias da outra – compõem a cena de forma discreta. Nada de puxar suspensórios ou se esconder atrás do nariz. As duas expõem assim a força do texto clássico da literatura em harmonia com uma nova interpretação. É difícil não se encantar mais uma vez com a história de Exupéry.
Impressões:
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ostei muito de ter um tempo pequeno para as uas palhaças e um pequeno príncipe foi a mais divercenas. Acho que em 15 minutos é possível atingir tida. Os diálogos deixaram o texto mais rápido e foi um grau de objetividade bem maior. Foi o que senti em O muito engraçado. Acho que para um tempo curto, cenas ninja, os 15 minutos foram bem aproveitados. como Pronto para mudar ficam inapropriadas. André Nahur, 29 anos
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Vinicius Lopes, 34 anos, analista de sistemas