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Revista Maracá Edição. 1

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AGOSTO 2023

MACAPÁ - AMAPÁ

MARACÁ

FOTO: CAIO PINHEIRO

ISSUE 1


EQUIPE Editor-Chefe Giovane Brito Direção de Arte Caio Vinicius Pinheiro Maria Clara Prudêncio Mariana Braga

CARTA DO Editor

Diagramação Caio Vinicius Pinheiro Maria Clara Prudêncio Mariana Braga Reportagem Anna Clara Trindade Aretusa Fernandes Breno Pantoja Jdean Monteiro Laura Medeiros Marcelo Beijamim Patrícia Lima Sandra Castro Revisão Ádria Raquel Sales Francisco Pinheiro Izabel Rodrigues Maicon Teles Winicius Tavares

Pensando no estado do Amapá, um local rico em movimentos culturais e ritos tradicionais, práticas esportivas que criam um sentimento de coletividade entre a sociedade, um território cercado pela grande Floresta Amazônica que encanta com sua fauna e flora e com inúmeras belezas naturais prontas para serem exploradas por quem ousar conhecer as riquezas do extremo norte do Brasil. Esses são alguns dos motivos que inspiraram a criação da revista.

1ª edição: Amazofonia A revista é uma produção de alunos do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Amapá, para a disciplina de Laboratório de Produção Jornalística, ministrada pela professora Laiza Mangas. Uma produção repleta de olhares criativos e talentosos sobre o que temos de mais precioso em nossa terra amapaense.

Giovane Brito, editor


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Sumário 04 12

Mudanças climáticas podem causar mortes por calor até 2100, diz pesquisa Esporte Universitário: benefícios e maneiras de incentivar Do barro à arte: o artesanato de Mazagão como fonte de renda Festividade de São Tiago completa 246 anos de fé e tradição em Mazagão Velho

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Louceiras do Maruanum moldam histórias e perpetuam cultura e tradição Empreendimentos voltados ao ecoturismo e bioeconomia são alternativas para o desenvolvimento sustentável no Amapá Cine Pupunha: projeto audiovisual idealizado para promoção e incentivo à cultura amapaense

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Mudanças climáticas podem causar mortes por calor até 2100, diz pesquisa No Amapá, dez municípios estão próximo de chegar ao calor extremo. As mudanças climáticas são transformações a longo prazo nos padrões de temperatura e clima. As interferências humanas têm sido o principal impulsionador das mudanças climáticas, principalmente devido à queima de combustíveis fósseis, como petróleo, carvão e gás. Quando os combustíveis fósseis queimam, eles liberam gases de efeito estufa, principalmente dióxido de carbono (CO2). Esses gases retêm o calor do sol e fazem com que a temperatura do planeta aumente, por exemplo, o uso de gasolina para dirigir um carro ou carvão para aquecer um prédio. As emissões continuam aumentando e, como resultado, a Terra está agora cerca de 1,1 °C mais quente do que no final do século XIX. A última década (20112020) foi a mais quente já registrada.

Muitas pessoas pensam que as mudanças climáticas significam principalmente temperaturas mais altas, mas há outras consequências muito graves se nada for feito. Como principais consequências das mudanças climáticas, pode haver escassez de água, incêndios severos, temperaturas muito altas e muito baixas, aumento do nível do mar, entre outras situações preocupantes.


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Mudanças climáticas no Amapá Apesar do Estado ser o mais preservado do país, uma pesquisa feita pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (IEA-Usp), em 2021, revela que esse dado não impede o processo de savanização fenômeno irreversível de transformação de áreas com vegetação em desertos parciais a longo prazo, já que não existem barreiras ou divisões geográficas para o aquecimento global. As condições extremas de calor induzidas pelo desmatamento podem ter efeitos negativos na saúde. O pesquisador do INPE, Paulo Nobre, diz que é preciso entender globalmente que, se o desmatamento continuar nas proporções atuais, os efeitos serão dramáticos para a civilização. Um grupo de pesquisadores avalia que mais de 12 milhões de moradores do Norte, inclusive amapaenses, estão sob risco de morte por calor até o ano de 2100. A pesquisa foi realizada substituindo uma condição natural que é vivida atualmente na região por modelos como a savana. A pesquisadora da Fiocruz do Piauí, Beatriz Oliveira, diz que a hipótese é que a floresta pode ser devastada ao ponto de trocar a atual biodiversidade por uma com vegetação predominantemente de plantas rasteiras. Essas modificações na vegetação influenciam diretamente nas condições de sombra, umidade e vento que, por sua vez, alteram a sensação térmica, aumentando a temperatura e influenciando na saúde da população. De acordo com a pesquisa, de todos os 16 municípios do Amapá que já possuem riscos causados pelas altas temperaturas, dez podem chegar ao calor extremo, são eles: Vitória do Jari, Santana, Mazagão, Pedra Branca do Amapari, Serra do Navio, Ferreira Gomes, Itaubal, Laranjal do Jari, Macapá e Porto Grande.

O estado mais preservado? Há boletins que mostram os dados do desmatamento na floresta do Estado. O mapeamento não é feito (ou é superficial) em outros ecossistemas, pois o Estado não recebe investimentos para isso, conforme menciona Mariane Nardini, coordenadora para o clima e serviços ambientais e pesquisadora da Secretaria do Estado do Meio Ambiente (Sema). Segundo ela, o principal problema nas questões do desmatamento é que o Estado não tem investimentos e, por ser o local mais preservado do país, o Governo Federal não vê necessidade de expandir esse monitoramento. “Quando a gente fala em mudanças climáticas, o nosso foco tem sido em floresta, pois, ao mesmo tempo que temos muita floresta, quando falamos em emissões de gás de efeito estufa, a principal emissão é o desmatamento, mesmo sendo baixa.”, ressaltou Mariane Nardini.


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A coordenadora afirma que desde 2013 ocorre o Fórum Amapaense de mudanças climáticas, que é aberto para todos os setores da sociedade. “A agenda de mudanças climáticas é de muita articulação, quando se fala de combate. Temos o planejamento que, no próximo ano, a gente possa trabalhar com o Plano Estadual de adaptação das Mudanças Climáticas”, conclui Mariane. A Sema apresentou o boletim de desmatamento do bioma floresta do biênio 2019/2020, que contabilizou 95,32 km² de degradação, equivalente ao tamanho do estado de Santa Catarina. Um acréscimo de 16,03% em relação a 2017-2018, que registrou 82,15 km². O resultado dos valores acumulados até 2020 é de 3.186,94 km² ou 2,88 % da área de floresta. Em 2023, segundo dados do INPE, o Amapá foi o estado com o menor número de desmatamento de toda a Amazônia. No entanto, o estado teve um aumento de 0,34% em relação ao período anterior, o que equivale a cerca 160 hectares.

Chuvas para mais ou para menos? Jefferson Vilhena, meteorologista do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (Iepa), afirma que não houve tantas diferenças em médias de chuvas mensais no Amapá, quando comparado a outros estados.

Demais estados

Amapá

De acordo com o relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), em Macapá, até 2022, as chuvas anuais estavam dentro da normalidade. No entanto, houve uma mudança por causa da urbanização, que provocou aumento de cerca de 1° grau.


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Amazofonia Expressões e variações sociolinguísticas utilizadas no Norte do Brasil

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GÍRIAS NORTISTAS

1. Égua Ex.: Égua, mano.

Serve para exprimir uma variedade de sentimentos e em diversas situações, dependendo da entonação que é usado. Você pode usar o “égua” para expressar dor, tristeza, alegria, admiração, espanto e até enfado.

2. Bora lá só tu

Outras expressões: Chutado – Correndo Alvará – Imagina! Discunjuro! – Credo! Porrudo – grande; enorme; gigante Pegar o beco – fugir; ir embora.

Ex.: - Bora pro bar hoje? - Bora lá só tu.

Afudega – afoba, apressa

Sinônimo de “não vou, não irei, não quero ir, vá sozinho para tal lugar”.

Eras! – Eu, hein!

3. De rocha

Ex.: Tirei 10 na prova. De rocha, mano!

Expressa certeza de algo ou um assunto com convicção.

Arreda aí – Afasta; dá licença

Rapidola – rápido; sem demora Ex: Eu leio esse livro rapidola Torar – cortar; quebrar


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Esporte Universitário:

benefícios e maneiras de incentivar Atletas acadêmicos da Unifap e profissionais de Educação Física relatam sobre a importância da atividade esportiva e propõem maneiras de fortalecer essa prática dentro da universidade. A constância da atividade física é essencial na vida de todo ser humano. Se exercitar de 20 a 30 minutos por dia é tempo suficiente para liberar os hormônios neurotransmissores que estimulam o bem-estar corporal. No ambiente universitário, é comum que o físico e o emocional dos estudantes seja afetado devido às demandas e desafios diários. O esporte torna-se uma alternativa para aliviar a rotina e integrar os acadêmicos. Corpo saudável, mente sã O profissional de Educação Física, Rafael Shibayama, afirma ter escolhido essa área para levar aos outros o aprendizado que adquiriu praticando.

O educador salienta que o exercício físico é importante para a saúde mental, social e física - os três pilares da saúde. Além de diminuir o risco de doenças e proporcionar mais qualidade de vida, a atividade física contribui para o rendimento nos estudos. Para ele, uma maneira pela qual as universidades podem incentivar a prática esportiva de seus acadêmicos é mostrando a eles os benefícios que ela traz. “A partir do momento que mostra a importância, parte para a prática promovendo programas, como competições esportivas de diversas modalidades”, relata Shibayama.


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Para muitas pessoas, o esporte é indispensável, tornando-se um estilo de vida. É o caso da acadêmica de Educação Física, Nicole Brito. A paixão dela pelo esporte iniciou na escola, quando tinha 8 anos. Nicole se identificou com seu professor de educação física e, então, conseguiu interagir mais com os colegas e se divertir na escola. Hoje, ela é apaixonada por todos os esportes, mas seu foco é o handebol e o beach hand (handebol de areia), pelos quais já conquistou sete premiações, tanto em campeonatos universitários representando a Unifap, competições internas, representando a atlética do seu curso - Bravus e competições externas. A atleta ressalta a importância da prática de atividades físicas na vida do universitário, pois o esporte traz uma série de benefícios, como criar novas conexões, integrar e aliviar o estresse. Além disso, ajuda psicologicamente, estimula a união e incentiva a mutualidade. “O intuito da prática esportiva é fazer com que as pessoas pensem umas nas outras, principalmente em uma sociedade tão triste em relação à coletividade”, expõe Nicole. Da mesma maneira, Claudio Nery, acadêmico de fisioterapia e competidor pela atlética do seu curso - Galvânica, destaca que a prática esportiva é importante e necessária visto que os estudantes têm uma rotina cansativa dentro da universidade. “Nós, estudantes da área da saúde, chegamos cedo à Unifap e muitas vezes só saímos à noite. Ficamos muito sobrecarregados e estressados. O esporte é uma recreação, um momento que se tira pra desestressar”, expressa Nery.


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Não é gasto, é investimento! Nery acredita que a Unifap dá o incentivo necessário aos atletas que a representam em competições fora do estado e que, apesar de ser um processo burocrático, com o apoio das atléticas dos cursos, é possível conseguir passagens e bolsas para competições nacionais. Ele acredita que a realização de competições anuais, como JUBs (Jogos Universitários Brasileiros) e JOIA (Jogos Inter Atléticas do Amapá), são formas de incentivar os acadêmicos à prática esportiva. Por outro lado, o estudante de fisioterapia e medalhista pela Unifap, Allan Souto, relata que a instituição arca com as passagens das viagens para eventos nacionais, mas que há uma defasagem no ciclo preparatório visando as competições, comparado a universidades de outros estados. “Deveria ter um incentivo maior. Uma academia fixa, própria da instituição, para os atletas treinarem. Quase todas as universidades de fora têm uma estrutura muito forte para levar os atletas, e não somente levar para ‘fazer volume’, mas também para conseguir bons resultados”, ressalta Souto. O acadêmico conheceu o projeto de atletismo quando ingressou na universidade, em 2018. A partir da experiência, decidiu se dedicar a esse esporte, com o qual conquistou a primeira medalha de atletismo da Unifap. Como medida que visa promover o incentivo de práticas esportivas, Alan aponta a criação de ambientes dentro da Unifap que favoreçam o desenvolvimento dos atletas para que não seja necessário buscar meios alternativos para eles realizarem treinos individuais e coletivos. Partilhando da mesma ideia, Nicole afirma que a bolsa atleta fornecida pela instituição não contempla todos os necessitados da maneira devida. “Deveria ter um olhar maior e ser feito um maior investimento. Ser atleta não é só ir aos treinos, mas também ter acompanhamento nutricional, academia, fisioterapia. São várias coisas que deveriam ser contempladas”. Dentre os projetos de extensão que a Unifap oferece, tem-se o Projeto de Esporte e Lazer (PROESPOL). Trata-se de uma iniciativa que tem como objetivo fomentar o esporte universitário e a comunidade externa. O programa busca o desenvolvimento do esporte olímpico e paraolímpico no contexto universitário, oportunizando a iniciação e a manutenção de práticas esportivas. Além disso, oferece aulas para o público externo infantil e adulto.

Nicole acredita que a Unifap deveria dar mais voz aos intercursos e as competições entre as atléticas, como o JOIA, pois, segundo ela, é isso que faz os estudantes se movimentarem “A galera [acadêmicos] se mobiliza, treina, se interessa pelo esporte, descobre que gosta e acaba entrando na equipe universitária”, destaca a atleta. Com o mesmo pensamento, Nery afirma que as atléticas dão um forte incentivo promovendo treinos esportivos para seus atletas e associados e que isto têm um papel fundamental no fortalecimento da prática e modalidades esportivas. Ele também ressalta que os treinos de atléticas, em sua maioria, não são de alto rendimento, mas para divertimento. “Nos reunimos aos finais de semana e fazemos algumas brincadeiras, mas sempre estimulando para que os acadêmicos compitam”, relata Nery. O profissional de Educação Física, Raydson Cavalcante, defende que, para promover o incentivo ao esporte dentro da universidade, devem ser expostos não somente seus benefícios, mas também os malefícios da ausência dele, com a promoção de eventos semanais, com palestras e competições focando na saúde. Ele assegura que a educação física propõe um melhor relacionamento tanto com professores quanto com colegas. “Os princípios que são tratados no ensino fundamental e médio também se encaixam no ensino superior, que são a solidariedade, cooperação e respeito. Podem ser trabalhados para o acadêmico focar mais e ter um maior rendimento”, destaca Cavalcante. Allan, já citado, reforça a ideia de que a universidade deve fornecer infraestrutura para acadêmicos atletas e diz que, como competidor, sempre mostra nas redes sociais suas conquistas e prêmios a fim de divulgar e incentivar. “Devemos mostrar que, competindo e tendo o mínimo de apoio na preparação, somos capazes de chegar e trazer bons resultados”, encoraja. Igualmente, Nicole expressa o desejo de haver mais estímulo para as competições por parte da Unifap, que a universidade possa levar em consideração o que os alunos estão precisando e, assim, fazendo com que eles tenham uma performance esportiva mais eficaz.


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Ei mano, bora turistar?

Conheça alguns locais e pontos turísticos do estado do Amapá 1. Mirante da Mina F12 - Lagoa Azul

2. Cachoeira de Santo Antônio

3. Cachoeira do Sucuriju

Cachaço, Serra do Navio AP, 68948-000

Laranjal do Jari - AP 68924-000

Mazagão - AP, 68940-000

4. Fortaleza de São José

5. Igreja São José de Macapá

6. Bioparque Municipal de Macapá

R. Cândido Mendes, Macapá - AP, 68900-100

R. São José, n° 1720 – Central – Macapá - AP

Rod. Juscelino Kubitscheck, 68903-197


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ENTREVISTA

Do barro à arte:

o artesanato de Mazagão como fonte de renda Artesã local enfatiza que a arte em barro mudou sua vida, resgatou sua autoestima e ajudou financeiramente toda a sua família. A empreendedora do barro, Dorineide Brito de 29 anos, vive no município de Mazagão na comunidade do Piquiazal, localizado a 33 quilômetros de Macapá. Ela viu, há 3 anos, uma grande chance de empreender no mercado local de sua cidade. Dorineide Brito diz que o trabalho artesanal surgiu a partir da falta de emprego e da necessidade de se especializar na elaboração de peças em cerâmica, para garantir o sustento da sua família e para fortalecer a sua identidade cultural naquela região. A artesã alega que o início do seu aprendizado com o barro foi difícil, mas sua baixa condição financeira não lhe tirou o entusiasmo e a garra de poder aprender sobre a cultura do seu povo e de construir um trabalho artístico que, até o presente momento, é muito bem-visto e procurado pelas comunidades locais e vendido para outros municípios do Estado do Amapá. Dorineide Brito sente que seu trabalho resgatou a sua autoestima, que antes estava abalada pela falta de possibilidades financeiras, e que tal fato refletia diretamente na forma como ela se sentia como mulher e jovem administradora. A “batalha” entre a necessidade e a realidade criou um cenário ideal para a realização do sonho empreendedor da artesã, e a região em que vive foi o pontapé inicial que tornou possível o seu protagonismo feminino.


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1 - De onde você tira o barro/argila para a confecção das peças em cerâmica? A argila é retirada aqui mesmo, no ramal do Piquiazal, na beirada do rio aqui próximo de casa. Me desloco para a casa dos meus pais e retiramos da barranca ou da beirada do rio que passa atrás do terreno deles. Recebo a ajuda do meu esposo e de um único funcionário que temos e que também desenvolve suas funções de artesão conosco. É um trabalho muito cansativo, mas que vale a pena. 2 - Quando você começou a desenvolver esse trabalho artesanal com o barro no município de Mazagão? Primeiramente eu fiz um curso com um grupo de pessoas que são das raízes culturais do artesanato aqui de Mazagão Velho, pois eles representam, e muito, o artesanato mazaganense. Aprimorei meus conhecimentos com a matéria-prima através das aulas que tive e, desde então, estou há 3 anos produzindo peças variadas e vendendo. 3 - O que o artesanato em barro representa para você? Representa tudo, pois antigamente eu não dava o real valor para esse trabalho. Eu via os grupos de artesãos da minha comunidade organizados e trabalhando direto com esse serviço e não pensava de imediato que eu iria precisar fazer um dia o que eles fazem, mas aí veio a pandemia e o desemprego, não tínhamos como sustentar nossa família dignamente, e o artesanato veio para ficar de uma vez por todas. E hoje eu dou o devido valor ao meu trabalho, porque é suado e porque eu vejo que estou resgatando um pouco da identidade e da cultura do meu povo, além de ser uma terapia para mim, pois a minha autoestima, depois que passei a trabalhar com o barro, mudou para melhor e me sinto com mais liberdade financeira para ajudar a minha família.

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Antigamente eu trabalhava para empresas e não conseguia ter uma renda mensal que pudesse prover as necessidades da minha família, mas depois que começamos a sobreviver apenas da confecção das peças em barro, tivemos um grande retorno, sim. Em um mês, fazemos em média uma renda de mil e quinhentos reais, isso quando divulgamos bem nossos produtos, seja nas praças, nos eventos locais e até quando levamos para as feiras de exposições na capital. Quanto mais eu colocar para comercializar, mais eu consigo vender. No geral, se você se dedica à arte em barro, você consegue, sim, obter um retorno lucrativo. Prova disso é que já temos clientes fixos, tanto em Mazagão quanto em Macapá e em outras localidades no Estado que nos procuram sempre.

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4 - Qual é o retorno financeiro que você consegue ter com as vendas dos seus produtos em cerâmica?

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5 - O que você pensa a respeito da valorização do artesanato amapaense? Hoje percebo que o nosso artesanato ainda não está expandido para fora do Estado. Todos os produtos que a gente produz são vendidos aqui mesmo. As redes sociais nos ajudam muito, pois as usamos para a divulgação e também facilitam muito a visualização das peças pelos nossos clientes, o que facilita muito o alcance deles e a procura também. Então, se nós artistas do barro tivéssemos um maior apoio de políticas públicas voltadas para essa área cultural dos artesãos, certamente não só o meu negócio, mas o de todos melhoraria muito.

6 - Atualmente quais são as maiores dificuldades enfrentadas com a logística dos seus produtos? Na atual situação nós temos uma grande dificuldade de mobilidade, porque nós não temos carro, apenas uma moto e isso dificulta muito as entregas. Apesar de que elas são bem encaixotadas, eu e meu esposo nos desdobramos para fazer o máximo possível de comercialização com o transporte que temos.


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Música Popular Amapaense

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Aponte sua câmera para o código do spotify abaixo

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Festividade de São Tiago completa 246 anos de fé e tradição em Mazagão Velho Conhecida como uma das maiores manifestações culturais do Amapá, a comunidade celebra mais um ano desse rito. Fé, cultura e tradição transformam Mazagão Velho em um reencontro com a história e, ao mesmo tempo, de devoção a São Tiago, um soldado anônimo que lutou bravamente ao lado do povo cristão contra os mouros e, assim, garantiu sua vitória. Esta batalha está ligada a criação da cidade, que completou 246 anos de existência. Comemorada no mês de julho, a solenidade conta a história de quando a coroa portuguesa fundou Mazagão Velho, como conhecemos hoje, para abrigar quem vinha de Mazagão Africana, uma colônia portuguesa que veio para o Brasil em 1777. A festividade tem rituais religiosos, cavalhada e teatro a céu aberto para contar a aparição de Tiago como um soldado, até então desconhecido, que incansavelmente lutou ao lado do povo cristão contra os mouros. Para Rosemiro da Gama, que interpreta o soldado mouro, a festividade é um momento singular. De acordo com ele, esse tempo destaca a importância e, ao mesmo tempo, a motivação em realizar a festividade no próximo ano.

“Para a gente é um momento único! Todos os anos que a gente faz isso aqui, motiva mais a gente. Isso é uma tradição que vem de muitos anos. Eu participo fazendo esse papel há 22 anos, então, isso aqui pra gente é tudo!”, afirma ele. O evento também é uma maneira de ganhar renda extra para os artesãos locais e de outras comunidades, que vêm excepcionalmente vender seus produtos na feira de artesanato Orivaldo Brito “Mestre Carlinhos”, que é montada para os artesãos exporem e venderem suas obras.

Para Elton Leandro, artesão do grupo econômico solidário ‘Mãos Unidas de Macapá’, a festa de São Tiago representa fé, tradição e ancestralidade.

Ele também destaca a importância para divulgação e exposição de seus artesanatos para o público que vem prestigiar o festival. “A gente vem todos os anos vender o nosso artesanato, mostrar um pouco da nossa cultura tanto do estado do Amapá quanto do povo mazaganense. A festa de São Tiago atrai muitas pessoas de fora e muitos turistas, e isso faz com que nosso artesanato seja reconhecido não somente aqui e em Macapá, mas também em outros estados. Como Mazagão Velho é uma festa histórica, então as pessoas vêm muito de fora para prestigiar e conhecer um pouco da cultura e o significado da festa de São Tiago”, complementa Elton.


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Segundo Caroline Marques, moradora do município de Santana, é a segunda vez que vem prestigiar a comemoração da festa de São Tiago em Mazagão Velho. Ela destaca a recepção e o acolhimento da população com os visitantes. “O município foi bem acolhedor quando cheguei aqui. Tive a oportunidade de ver os monumentos e a cultura do lugar. Particularmente, gostei bastante”, conclui Caroline. Para aqueles que ainda não tiveram a oportunidade de conhecer a festa de São Tiago, e quem tiver vontade de conhecer, Elton Leandro tem um recado para vocês: “Que elas possam vir prestigiar, que realmente é algo muito grandioso e gratificante, porque é a cultura do povo daqui. É algo que veio de fora e que foi introduzido aqui no nosso Estado, em especial no Mazagão Velho, que é uma cidade relativamente histórica que traz muita cultura, muita ancestralidade do povo que aqui habituou e que habita até hoje”, finaliza Elton.


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VOCÊ SABE O QUE SÃO OS CUNANI E MARACÁ? OS ARTEFATOS originais encontrados no século XIX em sítios arqueológicos do estado e reconhecidos como Patrimônio Cultural e Imaterial do Amapá. Essas peças marcaram os ensinamentos, modo de vida, valores, tradições e crenças das civilizações que aqui habitavam.

A ARQUEOLOGIA AMAPAENSE

foi dividida em três fases por um casal de estudiosos americanos chamados Betty Meggers e Clifford Evan, que seriam: Aruã, Aristé e Mazagão. Mais tarde, em 1972, outro arqueólogo chamado Mário Simões determinou a quarta fase, que seria a de Maracá. Cunani é apenas a localidade onde foram encontradas as urnas que são famosas na cultura amapaense, representando a região de Calçoene. Na região do rio Maracá, foram encontrados vários cemitérios que guardavam numerosas urnas funerárias em locais bem visíveis. De acordo com análise em laboratório, a matériaprima utilizada para unir a argila são cacos de vidro e barro.

Essa fase é uma das mais importantes pelas suas formas representadas por meio de tubular sentada com identificação de gênero por meio de órgãos sexuais impressos na cerâmica.

SOBRE O CUNANI As condições de conservação das cerâmicas Cunani eram impressionantes, pois as peças estavam impecáveis diante do aspecto fresco das tintas. Parecia que tinham sido produzidas dias atrás, quando na realidade foram construídas há centenas de anos. Todos os vasos continham, em maior número de quantidade, fragmentos de ossos humanos, sendo por isto evidente que eles tinham, antes de tudo, um fim funerário.

Você sabia que em 2008 o Amapá vira samba enredo da Beija-Flor com a canção que diz “ Quem foi, meu Deus, que fez do barro poema? Quem fez meu Criador se orgulhar? Os Cunanis, Aristés, Maracás, foram dez, foram mais pelo Amapá”? Inclusive, nesse ano, a escola de samba Beija-Flor de Nilópolis ganhou o título de campeã do carnaval 2008, no Rio de Janeiro. No entanto, a letra do enredo traz algumas controvérsias. “Aristé não é um grupo, nem um povoado, é uma montanha. Nenhum destes citados no samba é um agrupamento, está aí o erro.

Cunani e Maracá são denominações de fases da arqueologia, não são agrupamentos, nem povos. São peças de cerâmica”, explica o professor José Farias, responsável pela ala de arqueologia do Museu Joaquim Caetano, situado no centro de Macapá.

FOTOS: GOVERNO DO AMAPÁ

CURIOSIDADES


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Louceiras do Maruanum moldam histórias e perpetuam cultura e tradição Grupo de mulheres negras sobrevive da produção de louças artesanais na comunidade Carmo do Maruanum, no Amapá.

As louças são feitas exclusivamente por mulheres negras, baseando o seu sustento nessas peças, sendo então fonte de sobrevivência. Essa tradição é repassada de geração em geração, de comunidade em comunidade, garantindo a longevidade dessa arte manual e com tantas décadas de luta e preservação. As louças do Maruanum são peças feitas de argila, tecidas na comunidade Carmo do Maruanum, localizada próximo ao município de Laranjal do Jari, no estado do Amapá. As peças são esculpidas por mulheres – regionalmente conhecidas como “Louceiras do Maruanum”. Essa é a forma de expressão desse grupo que conta a história e costumes do povo amapaense. Sempre que falamos do povo preto, evidenciamos cultura, tradição e ancestralidade, estes repassados entre suas tribos, quilombos e aldeias. Dos mais velhos aos mais novos, essas tradições marcam e moldam a vida, perpetuando nações inteiras ao longo dos séculos.


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Uma representante reconhecida entre as Louceiras é dona Marciana Nonata, uma senhora de 82 anos, marabaxeira e artesã, conta que o ofício de louceira chegou a sua vida aos 22 anos, logo após o seu casamento e quem lhe ensinou foi sua cunhada, dona Raimunda. A artesã tem receio da tradição ser perdida, pois a nova geração não tem interesse em aprender sobre o artesanato.

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“Desde muito pequena eu via minha mãe e tia fazendo peças de barro e eu queria fazer isso. Hoje, eu trabalho com artesanato e amo esse ofício. Nós louceiras iniciamos as produções das peças assim que o barro é extraído. Amassamos o barro com a ajuda do caripé para dar qualidade ao produto, depois colocamos no sol para secar e descansar cerca de um dia. No fim, polimos e finalizamos as peças”, declarou Marciana Nonata.

Dona Castorina Silva, 57 anos, afirma ser louceira com orgulho, uma vez que é desse material que retira seu sustento, além de ter um enorme orgulho de dar continuidade ao ofício que foi ensinado por sua mãe. Ela diz que já está ensinando as suas filhas, sobrinhas e netas.


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COMO SÃO FEITAS AS PEÇAS? O processo da extração do barro é feito de maneira comunitária: homens e mulheres se ajudam, São os homens os responsáveis pela perfuração da terra, e as mulheres, pela extração do barro do rio. Antes de todo o processo ser feito, cada um pede à Mãe do Barro a permissão para retirada. Dona Marciana explica que é algo muito importante, pois, se o barro for de má qualidade, as peças também serão. Logo, a “divindade sempre lhes abençoa” com bons produtos da terra. O barro é extraído por cada uma até serem formados grandes blocos, e esse bloco é dividido para que cada uma fique com uma parte e possa iniciar a produção.

Com a peça do barro em suas residências, o processo de amassá-lo começa e é o caripé, um pedaço de madeira, que ajuda no processo de amaciar e dar qualidade ao barro. As peças, depois de serem retiradas do molde, são colocadas no sol para secar, fazem um processo chamado brunir (algo como lixar e polir). Posteriormente, o objeto vai ao forno e após o resfriamento são pintadas e estão prontas para a venda. As peças produzidas são: panelas, fogões, fogões com suporte para álcool, churrasqueiras, candieiro, suporte para botijão, terrina, cachimbos, tigelas, xícaras, pires, porta caneta entre outros.

Curiosidade: Crenças Existe uma lenda que conta que a Mãe do Barro confecciona algumas peças para ajudar as artesãs quando estão muito cansadas e clamam pela sua ajuda. Não nos cabe desvendar ou entender como é a santidade, no entanto, é uma prova de que as louceiras são protegidas e auxiliadas por várias entidades.


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LOUCEIRAS UNIDAS JAMAIS SERÃO VENCIDAS A economia solidária e comunitária é uma das marcas das nossas personagens, Elas, então, além de realizar tudo conjuntamente, também criaram a Associação de Mulheres Louceiras do Maruanum (Aloma). A sede foi criada nos anos de 2005-2006, no entanto sua estrutura nunca havia recebido reparos e na atual gestão municipal foi realizada a construção de um espaço amplo e totalmente novo para a comunidade. A sede hoje é coordenada pela dona Trindade.

“Eu já fui pra muitos lugares e conheci muita gente nesse Brasil todo. A pedido do Governo do Estado, participamos de feiras de exposições e sempre nossas peças são vendidas. Isso nos dá a certeza de que nosso trabalho é bem feito, sem falar que nossas tradições são apresentadas para todo o país”, ressalta dona Marciana.


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Flor da Samaúma, localizada na comunidade do Curiaú, é um dos principais atrativos para os moradores e turistas que desejam conhecer a fauna, a flora e a gastronomia do Estado. O estado do Amapá mantém preservado mais 95% do seu território, abrigando biodiversidade de fauna e flora. Nesse cenário, empreendimentos voltados ao ecoturismo despontam como uma alternativa na geração de emprego e renda, além de lazer, diversão e contato com a natureza. Entre os atrativos, está o empreendimento Flor da Samaúma, localizado na comunidade do Curiaú Mirim - um território remanescente de quilombo

certificado e tombado pela Fundação Cultural Palmares. O empreendimento turístico sinaliza um potencial de expansão e contribuição para a bioeconomia e desenvolvimento regional. TURISMO VERDE Os passeios são agendados e ocorrem em saídas diárias nos períodos da manhã e tarde. A rota dura em média três horas, incluindo passeio fluvial, trilha na floresta para visitação das espécies nativas, degustação de vinho de açaí e apreciação da

árvore Samaúma. O passeio inicia no Porto do Mocambo, distante cerca de 30 minutos da região central do município de Macapá. No local, a mudança do clima e diversidade da fauna e flora indicam aos visitantes a robustez da floresta, sendo possível avistar animais nativos nas margens da estrada de chão que dá acesso ao local. O percurso inicia a bordo do catamarã embarcação típica da região amazônica e um dos principais meios de

ECOTURISMO

Empreendimentos voltados ao ecoturismo e à bioeconomia são alternativas para o desenvolvimento sustentável no Amapá


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locomoção dos moradores de áreas ribeirinhas. O flutuante atraca no rio Curiaú e segue rumo ao rio Amazonas, o maior rio em vazão de água doce do planeta Terra e o segundo mais extenso do mundo. O desembarque é feito na sede do sítio Torrão Bonito, onde é apresentado aos turistas o processo de extração de mel de abelhas sem ferrão e o manejo do fruto do açaí para extração da polpa. Também é feita a visita ao acervo histórico e fotográfico que retrata a trajetória da comunidade na construção da política de economia do desenvolvimento sustentável e bioeconomia na região. Há uma pausa no passeio para amostras de alimentos produzidos por moradores locais aos turistas, como o açaí na tigela, acompanhado com farinha de mandioca ou tapioca granulada, café de açaí e biscoitos de castanhas. A trilha encerra na chegada à Samaúma (ou à rainha da floresta, como também é chamada). A árvore é a grande atração do lugar, sua copa atinge proporções gigantescas, projetando-se em meio às outras espécies nativas. Adriana Silva, professora e moradora de Macapá, visita o empreendimento pela primeira vez. “Tem sido uma experiência incrível, pois é nossa cultura que a gente tá vendo de maneira diferenciada. A gente cresceu na região ribeirinha, mas não tinha esse olhar, o costume, a gente não

percebia as belezas em volta. É incrível a gente ver nossos filhos, nossos sobrinhos, tendo esse contato, explorando, se sujando”, detalha. No retorno a Macapá, os turistas param para visitar a primeira vinícola do Estado que usa a fermentação do fruto do açaí como matéria-prima na produção de vinhos. É possível degustar e comprar os vinhos, além de outros produtos regionais, como biscoitos de castanha do Pará, licores, café de açaí, chocolates, todos de produção local. O turista Luciano Reyvison, do Rio Grande do Sul, realizou o passeio completo. “Sempre quis conhecer as riquezas da Floresta Amazônica e suas espécies, mas o que mais me impressionou foi o tamanho da árvore, da samaúma, ela é extraordinária!” diz, encantado. IMPACTOS NA COMUNIDADE Funcionária do empreendimento, Elaine Paixão, comenta que a mão

de obra é toda local e isso traz mudanças positivas para os moradores. Para receber os turistas, os colaboradores passam por treinamentos. “É transformador e gratificante, principalmente pela oportunidade de conhecer pessoas do Brasil e do ] mundo. Tenho orgulho de fazer parte do projeto e presenciar o encantamento desses turistas ao conhecerem um pouco da cultura e do ambiente da Amazônia, eles estão integrados no projeto. A ideia do passeio foi primordial!”, conta Elaine. Há mais de um ano como comandante do camaratã, Natália Ramos, que também é moradora da localidade, ressalta que já recepcionou turistas da França, Estados Unidos e Itália.


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“Vi no empreendimento a possibilidade de mudança e crescimento pessoal e de toda comunidade do Curiaú Mirim”, relata Natália. DO PROJETO ATÉ A INAUGURAÇÃO O empreendimento Flor da Samaúma foi idealizado pelo empresário João Capiberibe em parceria com sua esposa Janete Capiberibe. Como gestor público, Capiberibe sempre apostou no potencial do desenvolvimento sustentável como alternativa para economia e crescimento regional.

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“A flor da Samaúma é um ‘filhote’ do programa Desenvolvimento Sustentável do Amapá, implementado entre os anos de 1995 e 2002, onde foi formatado um programa de governo com base na Agenda 21 e nas ideias do ambientalista acreano Chico Mendes”, destaca Capiberibe. No início de 2021, a família reiniciou o projeto de ecoturismo e bioeconomia em esfera privada. Um ano depois, em janeiro de 2022, o empreendimento foi aberto para visitação.


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cine pupunha

PROJETO AUDIOVISUAL IDEALIZADO PARA PROMOÇÃO E INCENTIVO À CULTURA AMAPAENSE Fundada em 2022 por estudantes da Unifap, a iniciativa oferece exibição de filmes, palestras e oficinas para estimular o interesse em cinema.


O CINE PUPUNHA surgiu como um projeto de extensão da Universidade Federal do Amapá (Unifap) idealizado por dois estudantes e amantes de produção audiovisual. Com o intuito de dar continuidade a um projeto já existente chamado “Cine Perifa", Lucas Carvalho e Ian Reis veem a necessidade de incentivar a cultura através do cinema. No dia 03 de junho de 2023, o projeto conseguiu apresentar suas produções no evento intitulado “Te Puxa”, do espaço Baluarte Cultural . Na ocasião, os cineastas amapaenses puderam apresentar seu primeiro trabalho audiovisual chamado ‘Ausência’, curta metragem produzido por estudantes. “O espaço é um lugar de intervenção cultural. Inclusive, quando produzimos ‘As Flores e Dores que ele me deu’, um curta metragem, a Aldine, dona do espaço, nos deixou gravar uma cena lá, então existe essa troca e parceria entre a gente”, relata Lucas. Atualmente o ‘Cine Pupunha’ tem a proposta de reunir jovens com interesse em aprender e conhecer mais sobre produções independentes e locais, a fim de alimentar novas perspectivas sobre produções do audiovisual por meio da própria cultura e suas ideias. “Nós conseguimos produzir cinema com experiências do que aprendemos a partir das nossas vivências. A gente quer atrair pessoas pelo interesse e vontade de fazer cinema mesmo”, conta Lucas. “A ideia é criar conexões, e nós estamos conhecendo pessoas muito mais novas que a gente que querem produzir, querem fazer cinema, então nós estamos aqui como porta de entrada para essas pessoas, principalmente pela falta de recurso que acaba dificultando o acesso e estímulo. Então conseguir ajudar cada uma delas de alguma forma é o que a gente busca”, conclui Ian. O projeto Cine Pupunha já teve duas edições, sendo a primeira ocorrida no evento de “Te puxa”, como já dito anteriormente, e sua segunda edição foi no dia 15 de julho de 2023, com o curta “Rio, 40 graus”, também no espaço cultural Baluarte. Após a exibição dos curtas, há uma roda de conversa sobre o tema do filme, seu contexto histórico e a importância do cinema local. Esse ano, o Cine Pupunha busca unir ideias com apoio da Universidade Federal do Amapá (Unifap), por meio do curso de Letras, para que possam desenvolver oficinas em escolas e áreas periféricas da cidade. Com isso o projeto, não apenas fortalece a indústria cinematográfica local, mas também celebra a diversidade de histórias que o estado tem a oferecer, trazendo cultura e lazer para a comunidade de forma gratuita.


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06 INDICAÇÕES de filmes e séries brasileiras e

regionais


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1.

Noites Alienígenas Acre

4.

Lembrar que a dor não é o único jeito de existir

Amapá

MARACÁ

2.

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3.

Utopia Amapá

5.

Marte Um Brasil

Por Mariana Braga

Manhãs de Setembro Série Brasil

6.

Açaí Amapá


BIOPARQUE DA AMAZÔNIA


FOTOS: CAIO PINHEIRO


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