OUTUBRO 2023
MACAPÁ - AP
MARACÁ REVISTA
ISSUE 2
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MARACÁ
Issue-2
Carta do Editor
Por Giovane Brito e Glória Carvalho
A 2ª edição da Revista Maracá continua mostrando o maravilhoso estado do Amapá, revelando a sua beleza única e ressaltando a perseverança diante das adversidades. No Amapá, acreditamos que nunca é tarde para realizar sonhos e nossa terra está repleta de histórias inspiradoras. Um dos focos da segunda revista é fazer com que conheçamos os personagens que representam o nosso Estado, pessoas dignas de terem suas histórias de vidas e superação registradas nas páginas desta revista. Neste exemplar, apresentamos o potencial que temos para celebrar com entusiasmo a Amazônia, como o evento “Nossa Amazônia” que trouxe diversidade, música e cultura. Compartilhamos as histórias de pessoas que mudaram de vida, como o campeão mundial de jiu-jitsu, Ademir Barreto, que representa seu estado e com orgulho mundo afora. Retratamos também uma pequena parte da vida do talentoso poeta José Maria Pereira Dias que, através de suas palavras, resgata memórias e transmite a imensidão de seu amor pela sua terra. A revista busca registrar a memória e eternizar em suas páginas o que temos de melhor e alimenta o amor por nossas origens.
Na 1ª edição, nossas matérias trouxeram um pouco da nossa diversidade ambiental e turística, mas nossas riquezas estão presentes em cada habitante que escolheu o Amapá como lar. Uma parte importante de nossa história são as vivências das pessoas nativas. Esperamos que esta edição enriqueça sua compreensão sobre o nosso amado Estado, que você possa ver com os mesmos olhares apaixonantes de quem vive aqui, nossa arte, cultura e os nossos artistas, que esperamos ter sua devida valorização. Que você, querido leitor, se inspire a explorar essas maravilhas por si mesmo. A revista Maracá 2ª edição é fruto do esforço dos estudantes do curso de Jornalismo da turma de 2021 da Universidade Federal do Amapá (Unifap), sob a orientação da Prof. Ma. Laiza Mangas. Acompanhe-nos nesta jornada e mergulhe no nosso Amapá!
Boa leitura!
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Igreja de São José de Macapá sofre com problemas de infraestrutura gerados pelo desgaste do tempo
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Ademir Barreto: Como o esporte mudou a vida do campeão mundial de Jiu-Jitsu
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Sumário
Artistas vivem ou sobrevivem no Amapá?
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Igarapé do Lago: memórias do filho da terra
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Educação e qualidade de vida: idosos do Amapá aprendem e socializam em projeto da Unifap
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O sangue que salva vidas: a importância da doação voluntária para manutenção das bolsas sanguíneas
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Festival “Nossa Amazônia” celebra a cultura nortista
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Igreja de São José de Macapá sofre com problemas de infraestrutura gerados pelo desgaste do tempo Marco do início do catolicismo na cidade, missas estão ocorrendo em meio a tintas e materiais de obra sem garantia de segurança aos fiéis e visitantes.
Foto: Laura Medeiros
Por Laura Medeiros
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Macapá foi se desenvolvendo e expandindo a
O pároco reafirma que não há recurso estatal
partir de um ponto: a Igreja de São José.
envolvido, assegurando que não foi feito nenhum
Reconhecida como monumento mais antigo da
pedido: “Na verdade, ninguém pediu auxílio financeiro
cidade, com inauguração datada no dia 6 de
do governo. Não é costume da Igreja Católica pedir,
março de 1761, o local de devoção tem sua
deixando a boa vontade dos devotos, dos paroquianos,
história enraizada e entrelaçada com a do povo
dos sensíveis à realidade desta igreja, que não é só dos
amapaense, utilizado como ponto de encontro
católicos, mas de toda a comunidade de forma
dos fiéis que celebram as festividades em
cultural”, relata Padre Rafael.
homenagem ao santo padroeiro da cidade, no dia 19 de março. A paroquiana dona Raimunda, de 74 anos, relembra com carinho o que viveu neste lar sagrado no centro da cidade. O templo de acolhida dos cristãos representa bons momentos e o legado de fé que a mãe cultivou em vida. ‟Aqui eu fui criada, fui batizada, fui crismada... Tinham as novenas de Natal... tenho muitas lembranças boas de quando eu era criança”, Foto: Laura Medeiros
recorda a fiel. Em 2015, a Igreja de São José de Macapá foi
A única reforma estrutural ocorreu em 1949, quando os
reconhecida pelo Governo do Estado do Amapá
padres do Pontifício Instituto das Missões Estrangeiras
como patrimônio histórico e cultural. Na
abriram mais duas portas na frente da Igreja para a
declaração, é reafirmada a responsabilidade de
maior circulação de pessoas. Essa alteração impediu o
assegurar que o templo católico seja preservado
tombamento pelo Instituto do Patrimônio Histórico e
para garantir a conservação do bem público.
Artístico Nacional (Iphan).
Devido a antiguidade das instalações, algumas partes precisam ser reparadas de maneira frequente, como a pintura, devido a infiltrações e desgaste do tempo. O conserto, orçado em 35 mil reais, não chega a caracterizar
uma
reforma
significativa
na
estrutura original do espaço. O responsável pela igreja, padre Rafael Donneschi, explica que são restaurações
necessárias
para
garantir
a
segurança dos fiéis e visitantes e reforça o apoio que
obtém
campanhas.
da
comunidade
através
de
Foto: Acervo da Biblioteca Central
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Devido a necessidade de conservação das características originais, o forro de madeira foi mantido. Dentre os cuidados a serem tomados, está a precaução com a parte elétrica. Durante o decorrer dos reparos, o padre Rafael
Foto: Reprodução Instagram/Catedral
recebeu o comunicado de que este era um dos itens a entrar na lista de reparos: “Estamos em campanha de arrecadação, porque quando a gente começa uma obra. nunca se sabe o que aparecerá. O que apareceu foi a parte elétrica”, complementa.
Criada nos arredores da Igreja que frequenta até hoje, dona Raimunda lembra das amigas que partiram devido à pandemia, mas reforça a própria fé com obstinação. ‟Não podemos desistir, temos que perseverar, está na bíblia que devemos zelar pela casa de Deus. São 262 anos! Temos que zelar por tudo aqui, ter amor e dedicação”, afirma. Enquanto ocorrem os reparos, as missas são realizadas no espaço reduzido do altar. Os fiéis se reúnem de segunda a sexta ao meio-dia para as celebrações. O horário é destinado a todos, mas principalmente aos comerciantes do bairro, que podem utilizar o horário de
Foto: Laura Medeiros
almoço para o momento de partilha de fé.
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Ponto turístico de Macapá: esse é o Marco Zero, modelado no estilo lowpoly, pelo artista amapaense Matheus Souza.
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Fotos: Arquivo Pessoal
Ademir Barreto:
como o esporte mudou a vida do campeão mundial de Jiu-Jitsu Amapaense falou um pouco da sua trajetória até a conquista internacional. Por Jhenifer Lisboa Ademir Barreto Araújo, de 22 anos, ganhou visibilidade nos tatames ao ficar em 1º Lugar no Campeonato Sul-Brasileiro da IBJJF NOGI em 2020. De lá para cá, ele carrega consigo aproximadamente 26 vitórias e apenas onze perdas no jiu-jtsu. O atleta, que começou no esporte quando tinha cinco anos, jamais imaginou chegar onde chegou. Atualmente ele é faixa preta e luta representando o peso pena de setenta quilos.
O amapaense Ademir Barreto, que é campeão mundial de jiu-jitsu, medalhou e ficou em 3º lugar Brasileiro CBJJ em 2023 e, agora, retornou para terras tucujus para rever familiares e amigos. O atleta reside no Rio de Janeiro e está com as malas prontas para ir morar em Orlando, na Flórida. O motivo da viagem foi uma proposta para dar aulas e treinar com supercampeões. Longe de sua cidade natal há mais de dois anos, ele conta que a saudade sempre aperta, porém conseguia falar com a sua mãe por meio de vídeo chamadas. Relembrando o processo que o fez ser campeão, Ademir conta que, ainda criança, teve que conciliar os treinos com a responsabilidade de cuidar do pai, que era cadeirante. “Eu tinha que cuidar do meu pai, dar banho e auxiliálo em suas necessidades. Foi uma das fases mais difíceis da minha vida, mas não tenho nada a reclamar e só agradecer a Deus. Um tempo depois meu pai acabou falecendo e coloquei na cabeça que eu iria correr atrás dos meus sonhos e ajudar a minha família”, contou o atleta.
Fotos: Arquivo Pessoal
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Ademir relata que enfrentou muitas dificuldades quando decidiu sair de Macapá. Com o falecimento de seu pai e a escassez de recursos, ele precisou se acostumar a morar em um pequeno quarto de academia no Rio de Janeiro que era lotado por seis beliches e chegou a dividir com outros sete atletas. “Às vezes eu dormia no tatame, às vezes em outro lugarzinho que havia. E confesso que essa foi uma experiência de vida para mim, porque ali passei a valorizar as coisas mais simples. Isso sem contar com a saudade que eu estava sentindo da minha família e dos meus amigos. Chorei várias vezes e cheguei a pensar em desistir”, contou o jovem atleta. Ademir ressalta que não começou por cima, teve várias derrotas e, com elas, a experiência. Sempre de cabeça erguida, ele seguiu confiante de que algum dia seria campeão. No ano de 2016, quando era faixa azul, o atleta começou a participar de competições nacionais. Nesse mesmo ano, ele conquistou o 3º lugar do Sul Americano na sua categoria. Esse foi só o pontapé inicial para competir cada vez mais em torneios nacionais e internacionais. Após uma derrota em um campeonato nacional no Rio de Janeiro, um grande abalo emocional o afetou, pois ele sempre quis conquistar uma medalha neste campeonato. “Decidi não abaixar a cabeça, me dediquei mais ainda aos treinos e, em menos de um ano, fui campeão mundial em Abu Dhabi”, finalizou Ademir. Não demorou muito até conquistar o sonho de ser campeão em grandes competições, como o mundial World Professional, ocorrido nos Emirados Árabes, em 2021, e o Grand Slam Abu Dhabi, no Rio de Janeiro, em 2020. Além desses títulos, ele também foi vice-campeão no Grand Slam de Londres, em 2022. Ademir é pai de um lindo menino chamado Makai, de três meses, fruto do relacionamento com a influenciadora Petra Mattar. O desejo dele é que o filho siga no mundo esportes. “Ele ainda é muito pequeno, ainda vai decidir o que quer ser, mas eu certamente irei ensiná-lo as práticas do jiu-jtsu”, completou o pai coruja. Em relação ao seu novo desafio, que é morar no exterior, o amapaense demonstra estar bem otimista e animado. Para ele nunca foi um sonho morar fora, mas espera que as pessoas torçam por ele em suas vitórias e o apoiem em suas derrotas. Além disso, agradece a todos o carinho que vem recebendo.
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CA
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VRAS PA ÇA LA
AMAPÁ CALÇOENE
CUTIAS ITAUBAL
MACAPÁ MAZAGÃO
OIAPOQUE PORTO GRANDE
PRACUÚBA SANTANA
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Artistas vivem ou sobrevivem no Amapá? Atores santanenses enfrentam desvalorização e falta de movimentação no setor cultural. Por Erick Martel Um espaço para lazer, entretenimento e divulgação do trabalho de artistas amapaenses está parado há mais de 17 anos. O Teatro Municipal de Santana chegou a ser entregue em 2010, porém não tinha mobília e acabou por ser abandonado e vítima de saques e destruição. Já em 2019, uma nova reforma se iniciou, mas acabou não sendo inaugurada por conta da pandemia da Covid-19. “Já faz tanto tempo que essa reforma acontece que nem esperança temos mais de que ela irá ficar pronta, porém mesmo assim nos resta torcer para que isso aconteça o mais rápido possível, pois nós artistas precisamos de um espaço para mostrar nossa arte e desenvolver nossas atividades”, diz Emerson Rodrigues. O artista conta que enxerga a importância da finalização dessa obra como mais oportunidades de emprego e valorização artística. “O que mais precisamos é que nossa comunidade possa assistir nossos trabalhos e possa estar por dentro dos Fonte: Emerson Rodrigues (Acervo)
grandes
artistas
que
temos
na
cidade”,
anos,
dança
complementa. Emerson
Rodrigues,
de
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profissionalmente há nove anos e é dono da companhia Caju Dance. Ele conta que a dança sempre foi algo de seu interesse desde criança, apresentava performances na escola durante o intervalo e se inspirou na banda Calypso.
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Ainda no início de sua carreira, Emerson conheceu
Outra artista santanense é Vitória Martins. Ela tem 18 anos, é
pessoas que lhe apresentaram grupos de dança e foi
atriz há quatro anos e sempre teve vontade de seguir essa
quando viu que realmente era algo que amava fazer.
carreira. Ela entrou para uma companhia de teatro, localizada
Adquiriu experiência em vários grupos e não demorou
em Macapá, chamada “Casa de Cena”.
muito para ele perceber que tinha capacidade para criar uma companhia de dança e desenvolver esse trabalho
Desde então, ela continuou na Casa de Cena por alguns anos.
artístico. Hoje, atua como professor de ritmos, é dono
Hoje, faz faculdade de TV, teatro e cinema na cidade de São
de uma companhia, desenvolvedor de vídeos de dança
Paulo. “Eu simplesmente vivo da arte e sou muito grata por
no Instagram junto com sua irmã e busca um maior
isso. O teatro me fez ter uma outra visão do mundo, uma visão
reconhecimento dentro do estado.
mais clara, bonita e ao mesmo tempo caótica. Me sinto muito
“Todos nós artistas merecemos um espaço que seja adequado ao nosso trabalho e nossa arte, já que muitas das vezes usamos locais abertos e com uma estrutura
mais presente no mundo e no universo por meio da arte da atuação. Eu amo atuar e pretendo continuar para sempre neste ramo”, declara.
baixa. Com toda certeza, o teatro poderia suprir nossas necessidades se estivesse na ativa”, comenta o dançarino sobre a falta de local apropriado para as práticas artísticas no município de Santana.
A atriz já necessitou várias vezes de um espaço para apresentar suas performances, como o teatro de Santana, mas não teve esse suporte.
Foto: Acervo da Biblioteca Central
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“Deveriam dar mais valor à arte e, principalmente, ao teatro daqui para termos mais conhecimento e proximidade com esse mundo incrível. Uma falta de senso e de responsabilidade com os atores e até mesmo a própria cidade. Muitos de nós (atores) se encontram sem esperanças e se sentem desvalorizados. Essa demora da entrega do teatro está nos tirando todo o lazer, toda a euforia que o teatro tem para entregar, nos tira o respeito e o valor”, ressalta a artista. De acordo com a atriz, muita gente ganha a vida com isso, sendo de extrema importância haver um local específico para a apreciação da arte para a comunidade. O teatro, além de trazer cultura, conhecimento e aproximação com o mundo da arte, também nos aproxima entre si. “Imagina poder colocar na programação do nosso dia a dia assistir a uma peça ou a algum espetáculo?! Seria um evento incrível!”, complementa Vitória. Dançarino e bailarino há 8 anos, Luiz Felipe, de 22 anos, é aluno do curso de Teatro, pela Universidade Federal do Amapá. O artista começou a atuar ainda na igreja e iniciou sua graduação para se especializar nas artes para, assim, conseguir fazer o que ama no setor artístico. Ele critica a demora da entrega do teatro, considerando um descaso governamental. “Infelizmente, ainda não vivemos da arte. Por conta da falta de movimentação do setor cultural e dinheiro centralizado em grupos mais antigos, os novos artistas e sem tanto engajamento têm que se desdobrar em 10 para poder conseguir o mínimo. Infelizmente, a arte ainda é no município uma renda extra e não algo fixo”, relata o Luiz Felipe. O teatro está com previsão de entrega para o segundo semestre de 2023, conforme notícia divulgada no site institucional. Sua estrutura conta com cineteatro, copa, sala de monitoramento, climatização e instalação de elevador para pessoas com deficiência. Até o fechamento desta reportagem, não obtivemos resposta da Prefeitura de Santana a respeito da falta de investimento no setor cultural, além da confirmação da entrega do teatro à população do Estado.
Fonte: Vitória Martins (Acervo Pessoal)
sala de leitura e espaços para oficina de música e artes,
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Obras da Exposição ‘Minhas águas tucujus’, do artista amapaense Jeriel Santos.
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Igarapé do Lago: memórias do filho da terra “Dos filhos nascidos nesta terra, ninguém amou o Igarapé do Lago mais do que eu. Sem dúvida”, diz José Maria. Por Anny Caroliny Rêgo
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Imersa por uma gama de sentimentos, dentre eles os mais intensos possíveis, segui em passos leves por entre as paisagens do emblemático Museu Sacaca, tentando identificar o melhor lugar para realizar a entrevista marcada pontualmente para as 15h de uma quinta-feira ensolarada. Meus pensamentos vagavam nas perguntas e diversas possibilidades de captar a grande emoção a qual eu já previa que iria sentir. Um pouco mais adiante, achei o lugar perfeito para a entrevista: uma pequena biblioteca de palha, a qual encontrava-se debaixo de uma estonteante Samaúma. Posicionei-me a esperar, registrando em minha memória cada segundo daquela tarde.
Após um tempo de espera, recebi a ligação da esposa do seu José Maria, que me informava que o professor já se encontrava no museu junto a sua filha - seu José não tem aparelho celular. Me prontifiquei a ir até o local que eles estavam e de longe os identifiquei e acenei, observando surgir sorrisos encantadores em seus rostos. Seu José Maria me cumprimentou e logo caminhamos em direção à pequena biblioteca da Samaúma, batemos um papo durante o caminho e, chegando, pedi para que o professor se sentasse naquela cadeira de madeira, tendo como fundo uma estante de livros todo verde esculpido aos arredores do museu. Me preparei e iniciei a gravação. José Maria Pereira Dias tem 56 anos de idade e 30 anos de devoção a sua obra que cativa seus olhos, enchendo-os de lágrimas ao ouvir suas próprias palavras serem ditas. Pergunto a ele, primeiramente, o que a literatura para si significa, e ele responde-me com convicção: “Eu sou um apaixonado pela literatura. Eu digo para você assim que… Eu, desde criança, sempre fui apaixonado pela leitura. E realmente eu me descobri na literatura. Com 16 anos eu comecei a escrever, primeiro, poesias. Eu escrevi várias poesias. E qual era o meu problema? Eu tinha medo de divulgar esse meu trabalho literário. E aí, alguns anos mais tarde… Eu comecei a perceber que nasci no Igarapé do Lago, vim de uma comunidade quilombola, e quando eu estava com 19 anos, eu pensei em começar a escrever a história da minha terra”, diz.
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"Minha terra", frase dita com brilhos nos olhos e em pleno fôlego. Seu José Maria não poupava detalhes ao se tratar dos contos de sua terra. Eu, uma mera estudante, não tinha a mínima noção da grandiosidade desta obra, do significado imponente pertencente ao povo amapaense e dado a nós pelo trabalho árduo deste espetacular professor. O delinear de palavras escritas verdadeiramente com o coração, dançando no movimento dos dedos e no compasso dos pensamentos criativos, dão lugar e abrem portas a um mundo de possibilidades. Dificuldades? Sem sombra de dúvidas surgiram, mas o amor pela escrita fez com que tudo parecesse minúsculo.
“As pesquisas todas foram por conta própria. Pela minha força de vontade, pela ajuda que eu tive muito da minha família, da minha esposa. [..] Eu passei cinco férias minhas inteiras na biblioteca pública Elcy Lacerda, passava manhã e tarde, todas lendo. [..] E dei mais oito viagens ao Arquivo Público do Pará e ao Centro de Pesquisa do Museu Emílio Goeldi. Essas viagens que eu ia, eu tirava férias e ia passar 15 dias em Belém. Eu dizia para minha esposa: ‘dez dias são meus, cinco dias você faz o que quiser, mas dez dias são meus’. E aí nesses dez dias eu tirava cinco para ir para o Arquivo Público e cinco para ir para o Centro de Pesquisa do Museu, para fazer levantamentos”, relembra.
“Eu queria que a história do Igarapé do Lago fosse contada de forma autêntica, verdadeira, que tivesse legitimidade. Isso aí talvez seja o fator que mais me motivou a escrever sobre a história da minha terra”, conta seu José, explanando toda a força de vontade que teve durante 30 anos de pesquisa em plenos pulmões, desde os seus 19 anos de idade quando despertou em si, junto do amor inenarrável pela literatura, a paixão pelo Igarapé do Lago. Em cada segundo de nossa conversa, percebia atenta cada detalhe externalizado por seu José ali, na minha frente. Olhos brilhando ao som de suas próprias afirmações, um orgulho que não cabe no peito nem se descreve em palavras ditas ao acaso. Tudo o que eu ali presenciava era, sem sombra de dúvidas, apreciado com tremenda admiração.
Um processo árduo de pesquisa, levantamentos e checagens, já que a veracidade e a legitimidade dos fatos eram de suma importância para a criação da maior obra da vida de José Maria. Cada fato narrado pelo professor ali, em minha frente, encantavam-me a saber ainda mais, como entusiasta da escrita, amante do literal, ter acesso a tamanha genialidade e a tanto conhecimento, cultivados durante uma vida entre muita devoção e pesquisas sobre outras vidas, não deixando sequer um nome que já passaram pelo Igarapé do Lago ser esquecido.
18 As formosas linhas delineadas dentro desta magnífica obra resplandecem a ternura de um passado tão emblemático. Querer saber mais e instigar-se é quase obrigatório nesta conversa. “Do primeiro parto ao primeiro momento em que os negros chegaram lá enquanto escravos. O povo escravizado chega no Igarapé do Lago e funda o quilombo. Depois mostro [na obra] como esse quilombo foi descoberto, as pessoas que registram essas primeiras poças. Depois vou mostrar essa evolução política dentro do Igarapé do Lago e dentro dessa evolução política. Eu mostro toda a questão econômica, começando com a questão da borracha, da pecuária, da agricultura, e vou fazendo toda uma segmentação”, explica. A história de um povo, permeando gerações, descrita atentamente por olhos detalhistas e apaixonados por aquele lugar, em cada palavra um gesto entusiasmado, demonstrando clareza e imprimindo leveza a assuntos tão importantes como os que delinearam os anos das pesquisas feitas pelo professor. Suas mãos seguravam a sua obra com firmeza e em nenhum momento as largaram. Por nada.
Nem sequer por um segundo permito-me desviar minha atenção do que aquela pessoa incrível me contava, não os via mas podia sentir meus olhos refletirem admiração. Já partindo para o final de nossa conversa, perguntei ao saudoso professor José Maria Pereira Dias o que a sua obra significava para ele, e, sem sombra de dúvidas, não poderia ter resposta mais perfeita que essa: “Foi o momento mais importante da minha vida, talvez não tenha sido o momento que eu passei no vestibular ou o momento que eu terminei a faculdade. O momento mais importante para mim foi o momento do lançamento desse livro lá em Santana. Eu digo para você: eu tinha tanta coisa para dizer, e eu não consegui dizer nada. Porque a emoção me tomou de uma forma tamanha. Tanta vontade que eu estava de lançar esse livro”, complementa.
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“Eu digo para os meus filhos e para a minha esposa: ‘No dia em que eu morrer, não esqueçam de escrever na minha lápide: Dos filhos nascidos nesta terra, ninguém amou o Igarapé do Lago mais do que eu’. Sem dúvida”, finaliza.
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Recomendação
OITO ILHAS
Não há luta entre margem e rio Em doces encontros água e encosta se beijam Navegam-se noite adentro Bailando as ilhas se reconstroem Mas onde era campo cerrado hoje é rio e seu gosto doce já não molha a sede das bocas A boca já não canta novenas de santo A cidade assoreada não fala mais assim que a maré subir... A cidade já não vê a cidade.
Livro Peixe-Poema - Por Aline Monteiro Uma poética das marés - A superfície de uma escrita cuja história e presente são banhados com a água dos rios da Amazônia pode nos parecer doce e tranquila em um primeiro olhar, mas a verdade é que quando mergulhamos para além desse espelho d´água nos vemos diante de uma linguagem em conflito, à procura de uma poesia libertadora em múltiplos sentidos. Em Peixe-poema, Aline Monteiro nos leva a um mergulho nas subjetividades de uma poesia e seu lugar, seus atravessamentos e ancestralidades, à procura do amor em sua potência e delicadeza.
UMAP UMAP UMAP UMAP UMAP
Educação e qualidade de vida: idosos do Amapá aprendem e socializam em projeto da Unifap
A Universidade da Maturidade do Amapá (UMAP) existe desde 2009 e oferece cursos para pessoas a partir de 60 anos. Por Ádria Sales e Francisco Pinheiro A Universidade da Maturidade do Amapá (Umap) é um projeto de extensão da Universidade Federal do Amapá (Unifap) que oferece às pessoas, a partir de 60 anos ou mais, atividades extras como forma de promover conhecimentos para a atualização e qualificação pessoal. “Isso pra mim é uma família, é uma outra família que a gente arranjou, tem muito conhecimento. Por exemplo, uma conta a história dela e outra conta outra, e a gente vai aprendendo uns com os outros. Isso aqui... eu gosto muito disso, ‘interagir’, né, que a gente chama. Tem o conhecimento também, às vezes uma passa o conhecimento dela pra gente e nós passamos pra ela, é muito bom! [sic.]”, disse a estudante Sueli de Souza. O projeto tem como proposta oferecer uma educação permanente ao idoso, dando continuidade ao seu desenvolvimento pessoal, social e político por meio da ação educativa de saúde e integração na vida acadêmica. Também busca oferecer condições para o bem estar, utilizando produtivamente seu tempo livre, organizando e estimulando a participação do idoso em atividades de crescimento intelectual e de resgate cultural local e regional. O projeto foi criado em 2009, pelos professores Gerson Vanderlei e
Steve Wanderson. Ele foi pensado a partir do estatuto do idoso, com criação em 2003. A partir de então, a intenção era que os idosos continuassem mais tempo na universidade, para a experiência ser mais rica e fomentadora. “Nós queríamos fazer um projeto diferenciado para atender a comunidade, para pessoas com 60 anos ou mais, que são considerados idosos pela Política Nacional do Idoso. Pensamos no formato do projeto para que nós pudéssemos agregar essas pessoas aqui no âmbito da Universidade Federal do Amapá”, disse o coordenador do programa, Gerson Vanderlei. “Pesquisamos em várias universidades do Brasil que possuem projetos que o idoso vem através da comunidade, vem participar por um mês ou uma semana, mas nós queríamos algo que ficasse mais tempo aqui na universidade. A princípio, começamos com turmas que seriam de 60 alunos, mas para a nossa surpresa, houve uma demanda muito grande e resolvemos colocar 50 alunos em duas turmas. Hoje em dia, nós permanecemos com 100 alunos, totalizando anualmente o nosso projeto”, complementou Gerson.
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O programa disponibiliza diversos cursos, abrange a tecnologia, línguas estrangeiras, saúde do idoso, direito do idoso, atividades físicas, artes e Libras. Para participar do projeto, o idoso precisa saber ler e escrever, além de participar do processo seletivo que todo ano é ofertado pela Pró-reitoria de Extensão. Uma das alunas do projeto, Sueli de Souza, que frequenta o UMAP há 8 anos, contou sobre o que mais gostou de aprender no programa. “Era de teatro que eu mais gostava de fazer. Tinha 15 pessoas no nosso grupo, a gente formava as nossas roupas, [...] já tava fazendo parte em shopping, escola e éramos muito bem recebidos. Duas alunas aqui da Universidade vieram e perguntaram qual era o nosso brinquedo favorito e daí elas montaram o nosso teatro, deixavam as bonecas no meio da roda e fazíamos a peça, era muito legal [sic.]”, comentou a estudante.
Maria Luiza estuda há 5 anos na UMAP. Natural do Bailique, a idosa conta a importância da universidade em sua vida que, mesmo com algumas dificuldades, sempre buscou estudar. “Quando eu vim embora pra cá, tinha muita dor de cabeça. Eu comecei a ir no neuro e ele nunca achou solução. Aí eu comecei a perder a memória com tanta dor de cabeça. O médico mandou eu estudar, o papai me botou um ano pra estudar, só pra fazer meu nome [...] Fui pro Azevedo Costa e estudei 4 anos. Quando eu estava terminando, minha nora ligou pra mim lá do Bailique dizendo que tinha aqui uma faculdade da maturidade. Antes de terminar lá eu vim me inscrever aqui [sic.]”, contou. A estudante relata que já incentivou outras pessoas a voltarem a estudar e conhecerem o projeto. Para ela, sua vida mudou “da água pro vinho” após começar na Universidade, mas a pandemia e o isolamento afetaram sua saúde mental. “Quando a pandemia fechou [tudo], eu tive depressão, porque não saía de casa, chorava muito. Até hoje estou com isso, lembrava daqui e chorava”, relembra dona Maria. Os estudos na melhor idade trazem diversos benefícios para a saúde do idoso, principalmente na parte mental, como a interação social e o exercício da memória. Pesquisas no Brasil apontam que, atualmente, a expectativa de vida está entre 75 a 78 anos.
“A interação com grupos de pessoas de mesma faixa etária permite que o idoso consiga enxergar de forma um pouco mais valorosa o sentido de vivenciar essa nova fase, com trocas de experiências, qualidade de vida através de exercícios físicos e mentais, atividades lúdicas e que proporcionem a esse público sentir o prazer que é chegar nessa idade tendo as oportunidades de se sentir vivo”, ressalta a psicóloga, Caroline Bahia. Dona Maria, que é uma pessoa que está sempre em movimento, ressalta a importância das dinâmicas que acontecem dentro da universidade e que, mesmo não frequentando nos dias de aula, sempre busca algo para não ficar parada. “Quando cheguei aqui eu me encantei, tinha muita coisa, gostei muito, todos os feriados faziam uma festinha aqui, dançava, tinha carnaval, quadrilha. Eu gosto muito de dançar, ia muito em festa, muito bom mesmo pra mim. Aqui, quando vinham fazer entrevista, perguntavam e eu dizia que tinha 15 anos, eu estava começando a virar adolescente. O pessoal ria muito! [sic.]”, disse dona Maria.
A saúde e a qualidade de vida de dona Maria melhoraram e isso é um reflexo positivo do projeto que, desde o início, foi idealizado para ajudar e melhorar a qualidade de vida dos idosos, trazendo diversas formas e ações para que eles se sentissem acolhidos e como parte de algo.
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O SANGUE SALVA VIDAS: A IMPORTÂNCIA DA DOAÇÃO VOLUNTÁRIA PARA MANUTENÇÃO DAS BOLSAS SANGUÍNEAS
Em entrevista, a diretora técnica do Hemoap, Hellen Bittencourt, detalha sobre o funcionamento do hemocentro e as estratégias para manter a rotatividade nas doações. Por Winicius Tavares 1- Qual o tipo sanguíneo mais estável e qual Uma doação de sangue voluntária pode o mais crítico no Hemoap? salvar até quatro vidas. Não há substituto Na verdade, hoje nós estamos com o para as funções que o sangue exerce em estoque crítico para as tipagens que tem nosso corpo. A disponibilidade do líquido mais saída, que é O-, O+ e o A+ (que são as avermelhado é essencial em diversas mais comuns na população). Mas todo situações, assim como o seu consumo doador, todo sangue é muito bem-vindo. O diário e contínuo. sangue é perecível, ele tem validade, por isso precisamos ter uma rotatividade. A transfusão de sangue é necessária em diversas situações, tais como anemias crônicas, cirurgias de urgência, acidentes 2- Quais estratégias junto aos doadores o que causam hemorragias, complicações da Hemoap tem usado para manter os estoques dengue, febre amarela, tratamento de em níveis de segurança? câncer e outras doenças graves. Fazemos muitas parcerias com instituições e Atualmente com níveis críticos de bolsas, realizamos palestras. Também buscamos a o Instituto de Hematologia e Hemoterapia imprensa para conceder entrevistas. do Amapá (Hemoap) é o único Quando percebemos que o estoque está em hemocentro do estado habilitado para uma situação crítica ou prestes a ficar, realizar todo serviço de captação, convocamos os doadores para virem e processamento, triagem e oferta de bolsas fortalecerem o estoque. A doação é de sangue, tanto para rede de serviço voluntária, então às vezes precisamos lembrar os doadores de que já está na hora público como para rede privada. de retornar ao Hemoap para fazerem a Há 20 anos trabalhando no Hemoap, hoje transfusão. como diretora técnica, Hellen Bitencourt realiza um panorama das atividades 3- Quantos doadores o Hemoap dispõe hoje? realizadas pela equipe técnica que busca Existe um limite? atender as demandas da população do Nós temos em média 1300 doações mensais, estado voltada para a hematologia. Ela e 70 doações diárias, para abastecer o também é biomédica, especialista em estado todo. Nós temos um cadastro que Hematologia e Hemoterapia, mestra em atualiza cada novo doador. Se ele nunca Hemoterapia e Medicina Transfusional e doou, a gente faz um novo cadastro. Se ele docente da Faculdade Estácio de Macapá já doou, a gente contabiliza o número de doações.
4- Quantas doações uma pessoa pode fazer por ano? O doador homem pode fazer até 4 vezes ao ano, enquanto a mulher pode fazer 3 vezes ao ano. O homem pode fazer a cada 2 meses. Já uma mulher pode fazer a cada 3 meses.
5- Muitas pessoas ficam com medo de doar e adquirir alguma doença. Como vocês trabalham esse processo de conscientização para o risco de transmissão de doenças? Hoje, a transmissão de doenças infecciosas é um dos menores riscos que existem, mas ainda pode ocorrer. Quando o doador chega aqui, conscientizamos que a verdade e a informação também salvam vidas. Temos catalogadas mais de 70 doenças que podem ser transmitidas por transfusão sanguínea. Não são todas as pessoas que realizam exames laboratoriais, por isso é importante ter uma conversa durante o processo de triagem. Qualquer omissão de informação pode aumentar o risco. Por esse motivo, trabalhamos para reduzir esse percentual junto aos exames e doadores.
7- O Hemoap trabalha com outros tipos de doações além da sanguínea, como por exemplo órgãos e medula óssea? Sim, o Hemoap tem o registro dos doadores voluntários de medula óssea através do programa Redome (Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea), que faz o cadastro de possíveis pessoas que podem um dia ser compatíveis com um paciente que precise de um transplante de medula óssea. Esse cadastro é nacional e só precisa ser feito uma vez e manter os dados atualizados. Hoje nós temos mais de 30 mil pessoas cadastradas. Já tivemos vários doadores que foram compatíveis e realizaram o transplante de medula óssea.
DOE SANGUE
6- Como funciona o processo de captação sanguínea desde o atendimento até chegar ao paciente necessitado? A primeira etapa é o cadastro do doador, a segunda é a triagem, que é verificação de peso, hematócrito para descartar anemia, altura, pressão, pulso. Depois é feita toda uma avaliação clínica por um profissional de saúde para ver se aquele doador está apto para realizar a doação de sangue ou se ele não poderá doar temporariamente ou permanentemente. Estando apto, ele irá para a sala de doação de sangue, onde doará aproximadamente 450 ml de sangue e coleta amostras para fazer os exames laboratoriais. Terminando, o doador é liberado para fazer o lanche. A bolsa e as amostras seguem para a parte técnica para realizar o processamento.
8- Após doar o sangue, quanto tempo o doador precisa ficar em repouso? Existem efeitos colaterais? Após a doação, o doador fica sob observação da equipe médica por 15 minutos para verificar se ele não apresenta tontura ou ansiedade, mas é muito raro que isso ocorra. Orientamos que, pelo restante do dia, evite esforço físico no braço doado e que se mantenha bem hidratado. Caso o doador sinta qualquer coisa, poderá entrar em contato com o Hemoap.
9- Para a pessoa que deseja se tornar um doador de sangue, quais as recomendações necessárias para deixar o sangue saudável e apto para doação? Pode-se doar sangue a partir dos 16 e até os 69 anos. Orientamos os doadores de forma adequada para que, se desejarem continuar sendo doadores, cuidem bem de si mesmos. As doenças infecciosas são transmitidas por contatos ocasionais, como HIV, sífilis e hepatite. É importante alimentar-se bem e manter hábitos de vida saudáveis, como dormir bem e por mais de 6 horas, é de extrema importância.
Para aqueles que desejam ser doadores voluntários, o Hemoap fica localizado na Av. Raimundo Álvares da Costa, 1106, no centro de Macapá, com horário de funcionamento das 7h30 às 12h30, de segunda-feira a sexta-feira.
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Conheça a Fortaleza de São José Inaugurada em 1782 e localizada em uma área aproximada de 30 mil metros quadrados à margem esquerda da foz do Rio Amazonas, a Fortaleza de São José de Macapá é considerada a maior fortificação do Brasil. O objetivo da construção foi defender a Amazônia diante da possibilidade de invasão pelo rio Amazonas. Atualmente, funciona como museu com entrada gratuita. Nele encontram-se estruturas que abrigavam os antigos armazéns, capelas, casa de oficiais e do comandante, casamatas, paiol e hospital, além dos elementos externos componentes do complexo, como revólver, redente, fosso seco e baterias baixas.
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Festival “Nossa Amazônia” celebra a cultura nortista A festividade apresentou performances artísticas regionais e a exposição de sociobiodiversidade. Por Raquel Oliveira
O Festival Nossa Amazônia é um evento que celebra a diversidade cultural da região norte. A edição de 2023 teve como objetivo destacar a Amazônia do futuro, pois a preservação, o reconhecimento e o potencial da região devem ser valorizados, assim como a população que aqui reside.
Em Macapá, o festival tem como organizadores o Instituto Mapinguari e a Associação Giramundo e aconteceu no anfiteatro da Fortaleza de São José de Macapá. Ele já aconteceu em outras regiões do Brasil, e no estado do Amapá ocorreu pela segunda vez.
O festival revela a cena atual dos cantores da terra através da música “Olhos de onça”, que é apresentada no festival pelos versos da cantora de rap amapaense Yanna Mc, “com olhos de onça, filha da Amazônia, nortista do meio do mundo, com a cara e a coragem de quem sonha alto”. O trecho exalta a menina nascida na Região Norte e que está em busca dos seus sonhos.
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O evento também enfatiza a atuação do Instituto a partir da visão de Hannah Balieiro, diretora executiva do Instituto Mapinguari, que detalhou a preocupação que o grupo tem ao elaborar campanhas voltadas para a Amazônia e seus habitantes para que sua identidade cultural seja vista.
“As pessoas sentem muita falta de eventos assim, de termos grandes festivais de música que reúnem diferentes artistas de áreas distintas, e que podemos celebrar verdadeiramente o que é a nossa Amazônia amapaense. Muitas vezes, as pessoas não têm o devido respeito com os nortistas, principalmente por viverem em um contexto mais urbano. Entretanto, as outras regiões do país precisam saber que as áreas de baixada também são Amazônia e que as áreas urbanas são Amazônia na essência”, enfatiza.
O festival deste ano trouxe um estilo “futurista” no sentido de mostrar o que se espera para a Amazônia no futuro. Com foco na produção da população do norte e da periferia, o festival trouxe organizações que constroem movimentos e iniciativas sociais no Amapá. Brunna Silva, membro da Associação Gira Mundo e coordenadora de comunicação do festival, destaca que o objetivo do evento é projetar a voz dos povos da Amazônia, ao mesmo tempo em que celebra o local onde eles vivem.
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O apresentador do festival, Irlan Paixão, contou para gente como é estar participando dessa iniciativa que, para ele, trata-se de uma ocupação no sentido de preencher um espaço, trazendo a arte, a cultura e valorização de empreendimentos regionais.
“Eu acho que o Festival Nossa Amazônia agrega o maior número de pessoas que pensam e valorizam a nossa própria cultura, não só a amazônica, mas valorizam a cultura amapaense. Então, eu me sinto muito honrado de estar participando desse momento”, disse.
O contexto do festival veio para acrescentar culturalmente na vida dos amapaenses, visto que o estado carece de iniciativas como essa. Trata-se de um espetáculo que apresenta uma variedade de repertórios musicais, teatrais e de biodiversidade. Portanto, é uma ótima programação para aproveitar, se divertir e conhecer um pouco da potência cultural do povo nortista.
O paraibano Felipe Campos aproveitou a oportunidade para conhecer a festividade e mostrou-se entusiasmado em conhecer a cultura local. “Uma iniciativa como essa é muito interessante! Estou gostando muito porque é um evento com atrações locais, então estou me alegrando e me divertindo”, disse o rapaz.
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“Filha do norte, orgulho de minhas raízes” A jovem representante do rap feminino no estado do Amapá, Yanna Mc, foi uma das atrações musicais do festival e teve destaque em sua apresentação através de seus versos, que afirmaram a potencialidade da mulher nortista em busca de seus objetivos, como na música “Olhos de Onça”. Para ela, ter participado do evento foi gratificante.
“É um evento que aborda a questão da nossa sociobiodiversidade e enaltece nossos artistas locais, tanto os empreendedores quanto os músicos. Eventos como esse são raros, então para mim é muito importante”, afirma.
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Sociobiodiversidade: histórias e empreendedorismo em cena Um dos espaços de fortalecimento de debate da bioeconomia presente no festival foi a feira de biodiversidade. Ela reuniu 40 empreendedores de diversos segmentos, como artesanato indígena, artesanato afro, biocosméticos, produtos alimentícios da biodiversidade local, moda sustentável e outros. Yuri Silva, coordenador da feira de biodiversidade, conta que a ideia era criar um ambiente de negócios e de comercialização, valorizando os pequenos produtores e artesãos locais. “Acreditamos que o festival desempenha um papel importante ao atrair a atenção para a valorização da nossa identidade. Valorizamos os produtores, extrativistas e comunidades indígenas, reconhecendo a riqueza dos produtos gerados a partir das artes e manualidades. O festival tem a função de mobilizar e fortalecer os produtos da sociobiodiversidade, trazendo esse ambiente para mais perto de nós”, esclarece. A biodiversidade da Amazônia tem o potencial de gerar renda para muitos empreendedores, garantindo o sustento familiar. No entanto, essa geração de renda vai além do aspecto financeiro, pois também expressa a criatividade, cultura e força da região norte. Um exemplo disso é a indígena Arituaiana, da etnia Apalai, localizada no Parque do Tumucumaque, que trabalha com a venda de pulseiras, cordões e brincos da arte indígena. “Estou aqui expondo as minhas artes, que representam a identidade do povo Apalai. Isso também representa o meu povo, e acho extremamente importante mostrar as minhas criações para valorizar a arte indígena”, relata a artesã. Iniciativas como essa precisam ser impulsionadas, visto que valorizar aquilo que é típico do povo nortista é extremamente importante, pois ao adquirir um artesanato desse tipo, também estamos valorizando a história das pessoas, suas habilidades e o material que faz parte da essência da cultura nativa.
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A sustentabilidade tucuju: da literatura à Pop Arte No âmbito literário, existe a necessidade de obras que valorizem e trabalhem com a literatura infantil no estado. E é nesse contexto que a Feira de Literatura Infantil Tucuju (FLIT) foi criada. Ela será lançada nos dias 13 e 14 de outubro, mês em comemoração ao dia das crianças. Quem participou do festival pôde prestigiar as obras dos artistas que compõem o coletivo literário tucuju.
A escritora de poesia e histórias infantis, Negra Aura, afirma que ter participado do festival serviu como uma vitrine para ela. Ela é uma das integrantes da FLIT e atua no ramo literário há 28 anos. Além disso, ela também é professora e foi na sala de aula que percebeu a necessidade de escrever para crianças.
“É uma honra mostrar, dentro dessa programação, os nossos escritores que escrevem e contam histórias amazônidas que servem para evidenciar a potência que a Amazônia Tucuju possui”, destaca.
Além disso, outras obras que expressam a alma do artista através da pintura também se fizeram presentes no festival. Com desenhos do regionalismo amapaense, as obras abrilhantaram, chamando a atenção de quem passava pelo local. O evento ressalta a importância de ações que visam expor o trabalho dos artistas ao público. Ao trazer suas obras para serem exibidas, os artistas têm a oportunidade de mostrar seu talento e criar uma exposição para seus trabalhos.
Isso possibilita o surgimento de oportunidades de negócios, além de permitir que as pessoas conheçam os pintores por trás das obras. Muitas vezes, as obras podem ser reconhecidas, mas os artistas permanecem desconhecidos. Essa iniciativa busca mudar essa realidade e valorizar os criadores por trás das obras de arte. Wagner Ribeiro, artista plástico, foi um dos participantes. Ele apresenta telas que tem foco no paisagismo amazônico.
“Esse tipo de ação é importante, porque quando a gente traz o nosso trabalho para o público, ele passa a ser uma vitrine. Então aqui, surgem oportunidades de negócios, as pessoas conhecem os pintores. Acontece que muitas vezes as obras estão por aí, eles conhecem as obras, mas não conhecem os artistas”, relata.
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O pintor Jeriel Luz apresenta uma tela com temática do marabaixo. Ele possui 26 anos de carreira e suas obras, com cores vibrantes, vêm para complementar o festival.
“O meu estilo de trabalho é fortemente influenciado pela Amazônia, com uma ênfase na valorização do homem amazônida, do ribeirinho, do negro e dos nossos produtos locais, como o peixe e o pirarucu. Tudo o que acontece dentro da Amazônia está presente nas minhas obras, que são caracterizadas pelo estilo pop arte tucuju”, frisou.
A Era Selvática é uma loja da jovem Fernanda Bastos, empreendedora que trabalha com produção de bolsas e acessórios, utilizando retalhos de tapeçaria, e roupas de brechó para confecção das peças.
O Festival Nossa Amazônia apresentou um coletivo cultural e empreendedor para todos os artistas locais e as pessoas que ali estavam, possibilitando a realização de negócios e o reforço da identidade étnica e biodiversa das comunidades locais. Na feira também houve apresentação de marabaixo com a associação Devotos de São José Batuque e Marabaixo da Juventude.
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O Observatório do Clima é uma rede de entidades ambientalistas da sociedade civil brasileira formada com o objetivo de discutir o problema do aquecimento global especificamente no contexto brasileiro.
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