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Gazeta nº10

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O SOCIOLÓGICO

Entre o Fumo e as Cinzas As Repúblicas de Coimbra

GAZETA O SOCIOLÓGI

Av Dias da Silva, 165 | 3004-

Contacto: +351 924 080 180

(Presidente da Direção do NES/AACAndreia Carvalho)

10º Edição | Fevereiro 2025

Imagens de Capa:

Imagem 1. FEUC

Imagem 2. Rafael Pereira

Imagem 3 Rafael Pereira

PÁGINA 4

PEDIMOSAPALAVRAPARASE VALORIZAROASSOCIATIVISMO

EDIÇÃO

PÁGINA 5

ATIVIDADE: VISITA AO CES

PÁGINA 6

ENTRE O FUMO E AS CINZAS

PÁGINA 7

AS REPÚBLICAS DE COIMBRA

PÁGINA 9

RITMOS DE TRANSFORMAÇÃO: INCLUSÃO ATRAVÉS DA MÚSICA

PÁGINA 11

RESPIRAR FUNDO: A MINHA JORNADA COMO NADADOR SALVADORCOMASMA

PÁGINA 13

A SOCIOLOGIA E O CHATGPT:

RELAÇÕES POSITIVAS E NEGATIVAS NA COMPREENSÃO DASOCIEDADEATUAL

PÁGINA 15

CANTODAPOESIA:“COIMBRA”

PÁGINA 16

CAIXA DE SUGESTÕES

Guilherme Santos

ssociativismo, consoante as molda-se e reinventa-se, com o ssidades de uma geração de que nasceu. de atual é posta em causa e problemas reais. As gerações cer, à partida, a capacidade de juventude, frequentemente everente e rebelde, como se is características ra, esta bela casa que tão bem nte que pisamos a Cidade dos icações ao longo dos seus 137 de 1969 é, e será, sempre um o dos estudantes contra a ugal vivia sobre o controlo do escontentes com as condições ainda mais motivados após a eral, Alberto Martins, de ter a ado num mural ao lado da AC), os estudantes ocuparam da para uma inauguração na mo sabendo dos riscos que sos ou enviados para a Guerra mentos mais enigmáticos, mas ntes e intensos que vivemos amisola” faz com que cada ociativismo como um corolário que somos, partilhando um usa identitária comum. ins, pedimos a palavra pela suas diversas vertentes: por e cria pensamento crítico nos que nos impõe

VISITA AO CES ATIVIDADE:

oi no passado dia 13 de novembro que realizámos a visita ao Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, organizada pelo Núcleo de Estudantes de Sociologia da AAC Partimos da FEUC até ao CES, numa caminhada que proporcionou uma troca de ideias e expectativas em relação à visita e serviu também para nos conhecermos melhor. Quando chegámos ao edifício do CES deparámo-nos com a imensidão de cartazes a publicitarem a pluralidade de eventos que lá se realizam. Numa breve introdução sobre o CES, percebemos a forma como este tem como objetivo fazer “ciência com e para a sociedade”, colaborando de diversas formas com o sul global

Em seguida foi-nos apresentado pelo investigador Manuel João Cruz o projeto “UnPop: Unpacking Populism: Comparing the formation of emotion narratives and their effects on political behaviour”, que visa analisar profundamente como surgem os populismos, que emoções despertam, e que emoções levam as pessoas a votar em candidatos populistas Além de o projeto ser extremamente relevante e atual, principalmente para nós, futuros(as) sociólogos(as) , foi também bastante motivador perceber como o CES está, regularmente, a contratar licenciados e mestres

Para os estudantes de licenciatura, há sempre a possibilidade de realizar estágios autopropostos que permitem, além da experiência, uma aproximação e melhor entendimento daquilo que é a investigação. É muito importante perceber que o CES é um centro de estudos com portas abertas aos estudantes, onde podemos, desde a licenciatura, descobrir o nosso caminho e que áreas mais nos interessam No fim da apresentação fomos ainda presenteados com um caderno do CES, que podemos usar como caderno de campo, e ainda números da Revista Critica de Ciências Sociais.

Terminámos a visita na grandiosa Biblioteca Norte Sul, onde fomos, mais uma vez muito bem recebidos, e percebemos a enorme oferta literária que temos disponível no CES. Esta visita foi uma ótima iniciativa da parte do NES/AAC, pois permitiu conhecer por dentro aquele que será, para muitos de nós, o nosso futuro centro de estudos; perceber como funciona um projeto de investigação e o que implica (com a apresentação de Manuel João Cruz); e a conhecer as oportunidades que o CES tem para nos oferecer enquanto estudantes. Em conclusão esta experiência foi muito enriquecedora e, na minha opinião, deveria repetir-se todos os anos, especialmente com os alunos de primeiro ano

ENTREOFUMO EASCINZAS

Viseu é carinhosamente conhecida como "cidade jardim", cidade de ruas arborizadas e de jardins bem cuidados, canteiros coloridos e aromas suaves, uma verdadeira cidade verde No verão e outono de 2024, uma série de incêndios florestais que devastaram Portugal atingiram a região de Viseu com imensa força, o que a princípio me parecia distante, transformou a tranquilidade da cidade num cenário de vermelho e fumo

Enquanto estudante universitária, divido o tempo entre a cidade onde estudo e a aldeia onde nasci, a aldeia sempre foi o meu refúgio nos fins de semana e feriados, onde a paz do campo é colocada contra a agitação da vida académica. Eu estava na faculdade quando ouvi pela primeira vez as notícias sobre o incêndio e assim que soube disso retornei, longe de casa e incapaz de fazer qualquer coisa, senti-me completamente impotente, era muito difícil concentrar-me nas aulas.

Os dias que se seguiram ao incêndio não foram melhores, quando as chamas começaram a engolir, quando as estradas foram cortadas, autocarros cancelados, e casas amigas queimadas, parte de mim não queria abandonar os meus, portanto voltar para Coimbra não foi muito mais fácil, a angústia que se seguira a cada mensagem recebida, a cada toque de telefone e a cada noticia que passava nos ecrãs, não tornou o cenário mais confortável, a única coisa que me restava era esperar e que acabasse tudo em bem

Estes terrores deixaram cicatrizes profundas na paisagem e nos portugueses, mas hoje consigo olhar e perceber que já passou e tudo o que era castanho retornou uma vez mais, verde

Joana Coelho

AS REPÚBLICAS Coimbra de

Para além de serem únicas na sua essência, são centros históricos de cultura e conhecimento por onde já passaram inúmeras figuras de grande importância, tanto nacionais como internacionais. São casas de e para estudantes, geridas e mantidas pelas gerações que por lá passam, tendo os valores e princípios da própria Casa em primeiro lugar. Têm como objetivo expor e dar a viver um pouco do que é o espirito académico na sua verdadeira natureza, com eventos dedicados à comunidade estudantil e a todos os que se queiram sentir estudantes.

Ser Repúblico ou ter contacto frequente com uma República é enriquecedor O ambiente de República é variado, versátil e com diversas camadas de socialização. São espaços que estimulam o diálogo, facilitam a interação e promovem o bem-estar comum.

PARA UM ESTUDANTE DE SOCIOLOGIA... CADA REPÚBLICA...

Tem a sua rede de pessoas com as suas próprias dinâmicas que fazem da Casa o que é, interligando as diferentes gerações que por lá passaram e ainda hoje passam, criando “famílias” numerosas que se estendem pelo mundo fora Torna-se então possível que em qualquer ponto do globo se encontre alguém que tenha frequentado uma República, havendo sempre presente nesse encontro um espírito de República sui generis.

Gonçalo Gomes

Desde o primeiro dia em que entrei pelas portas da Real República Boa-Bay-Ela que me senti bem-vindo. Houve um acolhimento aconchegante por parte de todos os atuais, exmoradores e amigos da Casa que não se replica assim tão facilmente. Uma aura mística, que para além de curiosa, era convidativa Não demorou muito até começar a chamar de Casa Parecia que cada vez que descobria algo novo, tinha de saber mais sobre a história e contá-la melhor ainda Toda a história que é carregada nas paredes tem proporções maiores que a vida humana, em que todos nós somos efémeros, mas o que fazemos é em busca da eternidade. Esse conceito paira sempre nos ares do quotidiano repúblico, o querer fazer o que for necessário para que algo tão unicamente bonito e histórico não desapareça por conta de novos tempos desvirtualizadores. Querer ter um sentimento de retorno a Casa quando se voltar à cidade que tornou estudantes a todos nós, não um prédio com quartos alugados, mas uma Casa viva.

Mafalda kempe

Viver numa República 1 ano, equivale a 100 Eu vivo na Surreal República des Kapängas há pouco mais de 3 meses e posso já dizer que tive muitas experiências novas, fora da minha zona de conforto

Envolvi-me na organização da concentração do dia 25N em que aprendi como preparar um dia tão importante com todas as reuniões e outras tarefas que implica. Participei em Comissões e um CR (Conselho de Repúblicas) onde aprendi muito sobre a forma de inter-organização das Repúblicas e como reivindicamos os nossos direitos.

Nesta kasa (constituída apenas por pessoas não homem cis) temos uma comunicação aberta, evitamos hierarquias e tomamos decisões em conjunto. Assim, mesmo as dificuldades que passamos, são mais fáceis de superar

Estas lutas vêm, também, acompanhadas de toda a comunidade que não só está sempre lá para apoiar, como também é fonte de muitas conversas interessantes, risos, momentos acolhedores em jantares e festas

Tenho a sorte de viver num lugar onde aprendo o que é ser adulta e ter as responsabilidades de manter uma casa de pé, mas também, toda a autonomia que quero Em que a minha opinião é bem-vinda e as pessoas estão sempre abertas a uma discussão interessante.

A minha experiência não é, de todo, universal e é por isso que é lindo haver esta diversidade de repúblicas Viver numa República é sempre uma experiência individual e única

R I T M O S D E T R A N S F O R M A Ç Ã O

I

N C L U S Ã O A T R A V É S D A

A exclusão social é, ainda, uma realidade bastante presente, tanto em Portugal, como no Mundo Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, 20,1% da população encontra-se em risco de pobreza ou exclusão social Como uma tentativa de resposta a este problema, ocorreu a implementação de diversos projetos, que têm como objetivo retirar crianças e jovens de meios desfavorecidos e, recorrendo ao ensino e à prática musical, proporcionar a possibilidade de sair da exclusão social a que estão sujeitos. Em Portugal houve a criação da “Orquestra Geração”, inspirada num projeto venezuelano, denominado “El Sistema”

A Orquestra Geração surgiu no ano letivo 2007/2008, no Concelho da Amadora. Esta iniciativa, que começou com apenas 15 alunos, age em bairros tidos como difíceis, onde o crime e a violência são uma realidade e os ambientes familiares bastante instáveis Encontra-se, atualmente, implementada em 22 escolas básicas e secundárias, sinalizadas pelos municípios de Almada, Amadora, Lisboa, Loures, Oeiras, Sesimbra, Vila Franca de Xira e Coimbra, contando com 1170 crianças e jovens dos 6 aos 20 anos de idade, distribuídos pelos vários instrumentos da orquestra sinfónica, de sopro, de percussão e coro

Utilizando a música como meio de socialização, a Orquestra Geração contribui para fixar os jovens à escola Desta forma, as transformações sociais e culturais possibilitadas por este projeto artístico têm-se revelado fundamentais para que os jovens envolvidos ocupem na sociedade um espaço central, que habitualmente não lhes pertencia, na medida em que estavam colocados à margem. Através do ensino de uma atividade artística, a Orquestra Geração pretende, além do referido anteriormente, promover nos jovens envolvidos, o incentivo e o desenvolvimento de outras competências cruciais à vida em sociedade

Falamos na recuperação de práticas sociais, tais como, a responsabilidade, o respeito, a exigência e o êxito A participação destas crianças e jovens na Orquestra Geração oferece uma nova oportunidade de projeção e ascensão social através da música Além disso, este projeto traduz-se num mecanismo que poderá ser um complemento aos currículos escolares, onde a componente artística, é cada vez menos abrangida. É igualmente importante olhar para a Orquestra Geração como um exemplo da democratização cultural, dado que, se não fosse as atuações realizadas pelos elementos da Orquestra Geração, estes territórios teriam um acesso ainda menor à cultura e à música erudita.

Tendo em conta tudo isto, é necessário olhar para a música clássica e para a sua função de outra maneira Esta não pode ser fechada em si mesma e na sua função tradicional e principal, a de fazer concertos. É necessário que seja interventiva socialmente e que a sua prática possa estar ao alcance de um maior número de pessoas.

Respirar Fundo:Respirar Fundo

A Minha Jornada como Nadador Salvador com Asma

Omeu nome é Pedro Mateus, sou estudante de Sociologia e nadador salvador.

A minha jornada começou em abril de 2024, quando o Município de Oleiros financiou o curso de nadador salvador, permitindo-me superar o obstáculo financeiro e abraçar esta oportunidade. Apesar da asma e da miopia, dediquei-me intensamente aos treinos, enfrentando provas físicas desafiantes, como nadar 100 metros em tempo limite e realizar natação subaquática

Durante a formação, enfrentei cansaço extremo e dificuldades respiratórias, mas o apoio de pessoas especiais foi essencial. O meu formador, Aires Souza, sempre nos motivou a superar limites. No entanto, a Joana Girão foi o meu maior pilar, mesmo sem conseguir realizar o curso devido a uma lesão. Ela esteve sempre presente, encorajando-me nos momentos mais difíceis e ajudando-me a acreditar em mim mesmo

No exercício da profissão, vivi experiências marcantes, desde pequenos incidentes até resgates desafiantes. O primeiro salvamento aconteceu fora do serviço, quando ajudei três menores em apuros no mar. Outro resgate emocionalmente intenso envolveu um homem com Parkinson em plena praia lotada.

Nem sempre o desafio foi o salvamento; também lidei com situações de desrespeito, como quando uma família recusou seguir as regras da praia, o que me fez perceber a importância de mais autoridade e um sindicato que defenda a nossa classe

Ser nadador salvador ensinou-me que salvar vidas vai além da técnica; é sobre resiliência emocional, união e acreditar em nós mesmos À Joana, ao formador Aires e a todos os que me apoiaram, o meu profundo agradecimento

A Pessoa que Me Salvou Antes Mesmo de Eu Salvar Alguém

A Pessoa que Me Salvou Antes Mesmo de Eu Salvar Alguém

Outra pessoa que obviamente não poderia deixar de lado, pois ela também não me deixou de lado foi a Joana Girão A Joana não conseguiu fazer o curso comigo, pois, infelizmente, lesionou-se na altura das candidaturas. No entanto, mesmo sem estar fisicamente ao meu lado, foi uma presença constante e indispensável ao longo de todo o processo.

A verdade é que, por várias vezes, pensei em desistir As provas eram duras, o curso exigente e, e havia momentos em que a combinação de cansaço físico e mental parecia insuportável. Mas teria certamente desistido se não fosse uma pessoa muito especial: a Joana Ela esteve sempre lá, mesmo nas madrugadas, por mim Foi ela quem me ajudou não só a superar os desafios do curso, mas também os da escola, estudando comigo para os exames nacionais e, mais tarde, para o exame final do curso de nadador salvador

Lembro-me de uma vez particular, convencido de que não seria capaz de passar. Ela disse-me nesse momento: "Pedro, tu vais conseguir passar! Tu vais ser nadador salvador. EU acredito em ti"

Essas palavras ressoaram em mim, como uma âncora de motivação Era como se, com elas, a Joana estivesse a transferir para mim a sua força e confiança.

Mais do que palavras de encorajamento, a Joana tem sido um exemplo de força e resiliência na minha vida Apesar de não ter podido seguir o curso por causa da lesão, sei que ela vai conseguir ser nadadora salvadora e ela sempre vai contar comigo para qualquer ocasião. Afinal, não é apenas na água que salvamos vidas; muitas vezes, é nos gestos, palavras e amizades que encontramos a verdadeira salvação.

A SOCIOLOGIA E O CHATGPT:

RELAÇÕES POSITIVAS E NEGATIVAS

COMPREENSÃO DA SOCIEDADE

COMPREENSÃO DA SOCIEDADE

COMPREENSÃO DA SOCIEDADE

A Sociologia nasceu no século XIX como uma tentativa de compreender as transformações sociais que marcaram a modernidade Numa época de industrialização acelerada, urbanização crescente e reorganização das estruturas de poder, a necessidade de uma ciência que analisasse as dinâmicas sociais tornou-se óbvia

Desde então, a Sociologia tem acompanhado os desafios impostos pelas mudanças sociais, económicas, políticas e culturais, sempre atenta às contradições e complexidades do comportamento humano. Com o surgimento das tecnologias de inteligência artificial (IA), como o ChatGPT, coloca-se novamente a questão de como a disciplina pode e deve adaptar-se a esta nova era tecnológica

Ao longo do século XX, a Sociologia ampliou o seu alcance, integrando temas como o género, a etnicidade, as migrações, os direitos humanos ou a globalização No século XXI, a disciplina depara-se com o desafio de compreender os impactos das tecnologias digitais e da inteligência artificial, que estão a transformar profundamente as formas de comunicação, trabalho e organização social

O desenvolvimento da inteligência artificial tem implicações significativas para a Sociologia numa dupla dimensão, isto é, tanto como objeto de estudo como enquanto ferramenta de análise. Modelos avançados de IA, como o ChatGPT, oferecem novas possibilidades para a recolha, análise e interpretação de dados sociais. Contudo, em paralelo, também levantam questões éticas e epistemológicas que a disciplina deve abordar de forma crítica

As tecnologias de IA permitem avanços consideráveis em diversas áreas da investigação sociológica Alguns exemplos:

a) Análise de grandes volumes de dados. Com o crescimento exponencial das plataformas digitais, a IA é uma ferramenta essencial para analisar grandes quantidades de dados provenientes de redes sociais, censos e outros repositórios online. Isto possibilita a identificação de padrões e tendências sociais com uma precisão inédita.

b) Educação Ferramentas como o ChatGPT democratizam o acesso ao conhecimento, fornecendo explicações rápidas sobre conceitos sociológicos, resumos de teorias e até sugestões complementares de leitura. Este apoio pode ser valioso para estudantes e investigadores e ajudar a alavancar novas formas de acesso ao conhecimento

c) Modelação social e previsão de cenários A IA pode ser usada para criar simulações que ajudam a prever impactos de políticas públicas, mudanças económicas ou outros fenómenos sociais Estas simulações baseiam-se em dados reais e são úteis para antecipar crises ou identificar oportunidades de intervenção

d) Aumento da inclusão. A acessibilidade das ferramentas digitais pode reduzir as pré-existentes barreiras ao conhecimento, permitindo que mais pessoas, em diferentes contextos socioeconómicos, tenham acesso à informação sociológica

Apesar destas vantagens, a utilização de IA na Sociologia não está, nem estará isenta de riscos e limitações. Exemplos:

a) Excessiva simplicidade. A Sociologia lida com fenómenos complexos e multifacetados A IA, ao basear-se em algoritmos, apresenta análises simplistas que desconsideram nuances culturais, históricas ou contextuais

b) Reprodução de preconceitos e estereótipos. Os sistemas de IA são treinados com base em dados existentes, que muitas vezes refletem preconceitos estruturais das sociedades Neste sentido, a utilização de IA pode perpetuar desigualdades e estereótipos, em vez de os afrontar

c) Perda de análise crítica. A dependência de tecnologias automatizadas pode desvalorizar o papel do sociólogo enquanto intérprete crítico dos fenómenos sociais. A análise mecanizada tende a priorizar padrões quantitativos, em detrimento da compreensão qualitativa e subjetiva

d) Questões éticas e desafios à privacidade. A recolha e análise de dados digitais levantam inúmeras questões éticas, sobretudo no que toca à privacidade dos indivíduos e à partilha dos seus dados pessoais É fundamental garantir que os dados utilizados pela IA sejam analisados de forma ética e transparente

e) Impactos no mercado de trabalho. A automação impulsionada pela IA desafia as relações laborais tradicionais, substituindo postos de trabalho em áreas que anteriormente dependiam inteiramente de intervenção humana. A Sociologia deve questionar o impacto social desta transformação

A Sociologia contemporânea encontra-se numa posição ímpar para analisar os efeitos da IA na sociedade. Desde as dinâmicas de poder em plataformas digitais, às novas formas de interação social mediadas por algoritmos, a disciplina tem muito a contribuir para o debate público sobre o futuro das relações humanas Por exemplo, as redes sociais tornaram-se espaços centrais para a construção de identidades e narrativas coletivas Ferramentas como o ChatGPT podem ajudar a mapear as dinâmicas destas interações, mas também influenciar os próprios discursos, ao moldarem as informações apresentadas aos utilizadores. Além disto, o impacto da IA na política, nomeadamente através da disseminação de desinformação e da polarização social, é uma área que exige uma atenção sociológica urgente e permanente

Ou seja, a relação entre a Sociologia e a inteligência artificial é simultaneamente promissora e desafiante Para que a Sociologia continue a desempenhar um papel relevante, é crucial que integre as tecnologias de IA sem abandonar os seus princípios críticos e humanos Apenas assim será possível assegurar que estas ferramentas sejam utilizadas para promover sociedades mais justas, inclusivas e conscientes.

as, eivindicação.

am revoltas ossa luta deslocados, m sonho, sonho.

aber, r, der, ciedade tram a ade. eu ção!

“Coimbra” Canto da poesia:

oãn etsiser à ,oãçome a aus airótsih uevercse e avel arbmioC on !oãçaroc

oãn etsiser à ,oãçome a aus airótsih uevercse e avel arbmioC on !oãçaroc No silêncio das ruas, surgem gritos de reivindicação. Estudantes partilham revoltas suas, a luta é a sua tradição!

odnevomorp a .edadilarulp meuQ me arbmioC ueviv

mamrofsnart a arutluc odnevom ,seõditlum

Estudantes, muitos deslocados, seguem atrás de um sonho, não contentados, com o custo nada risonho.

mamrofsnart a arutluc odnevom ,seõditlum odnevomorp a .edadilarulp meuQ me arbmioC ueviv

omoc amu rohlem edadeicos soudívidnI euq martnocne

omoc amu rohlem edadeicos soudívidnI euq martnocne

adnia a ratnet ,rednetne

Mil e uma áreas do saber, uma vocação a seguir, ainda a tentar entender, como uma melhor sociedade construir...

amu oãçacov a ,riuges

amu oãçacov a ,riuges adnia a ratnet ,rednetne

liM e amu saerá od ,rebas

liM e amu saerá od ,rebas

moc o otsuc adan .ohnosir

moc o otsuc adan .ohnosir

oãn ,sodatnetnoc

Indivíduos que esboçam reflexões transformam a cultura da cidade, movendo multidões, promovendo a pluralidade.

oãn ,sodatnetnoc

meuges sárta ed mu ,ohnos

e a atul é a aus a asson atul ,setnadutsE sotium ,sodacolsed

e a atul é a aus a asson atul ,setnadutsE sotium ,sodacolsed meuges sárta ed mu ,ohnos

setnadutsE mahlitrap satlover

setnadutsE mahlitrap satlover

megrus sotirg ed .oãçacidnivier

oN aicnêlis sad ,saur

Quem em Coimbra viveu não resiste à emoção, a sua história escreveu e leva Coimbra no coração!

megrus sotirg ed .oãçacidnivier

oN aicnêlis sad ,saur

Caixa de Sugestões

« Já alguma vez compraste um livro que vem cheio de erros de impressão, páginas trocadas, e excertos de outras histórias? Não? E um livro em que tu próprio és o protagonista? Também não? Então talvez devas ler “Se um Viajante numa Noite de Inverno” de Italo Calvino. O livro transforma-nos nós leitores em personagens principais, enquanto tenta iniciar diversas histórias que nunca chegam ao fim. A história principal do leitor é, essencialmente completar o ato de ler, assim como no livro, as nossas vidas são cruzadas por outras, somos todos leitores e escritores das narrativas uns dos outros, metáfora esta sobre procura humana por compreensão e sentido, cheia de inícios, interrupções e reviravoltas. É frustrante? Um pouco, admito… mas também é uma obra profundamente reflexiva sobre o eu próprio.

Joana Coelho

“Eu não sou um fantasma, Johannes. Sou algo pior, mas acho que tu já sabes disso, não é?”, esta é uma das frases mais marcantes do filme Jojo Rabbit, o mesmo conta a história de um rapaz, o Jojo, que vive na altura da segunda guerra mundial e que tem como amigo imaginário Adolf Hitler. O filme é uma comédia dramática, que explora temas como o fanatismo ideológico, a inocência infantil e o impacto que a guerra teve nas pessoas.

A frase emblemática foi dita por Elsa e marca um ponto crucial da história, é a partir daí que o pequeno rapaz começa a questionar as suas ideologias devido ao choque de realidade. Este filme faz nos refletir o quão poderosa foi a manipulação feita pelo regime Nazi aos jovens da Alemanha, e a maneira como os choques de realidade podem mudar completamente a nossa maneira de ver o mundo e os nosso valores.

Teresa Luz

Ficha Técnica

Direção 24/25

Coordenação

Juliana Pico

Equipa de Redação

Artigos:

Francisca Monteiro e Guilherme Santos | Catarina Madureira | Joana Coelho |

Gonçalo Gomes |Mafalda Kempe | Guilerme Santos | Pedro Mateus | Pedro Góis | Andreia Carvalho

Equipa de Design

Juliana Pico | Margarida Garrido

Referências Bibliográficas:

Pedro Góis. Professor Associado com Agregação, Sociologia, FEUC

Esmaeilzadeh, P (2023) The role of ChatGPT in disrupting concepts, changing values, and challenging ethical norms: a qualitative study AI Ethic https://doi org/10 1007/s43681-02300338-w

H Holden Thorp, (2023) ChatGPT is fun, but not an author Science 379, 313-313(2023) DOI:10 1126/science adg7879

Oliński, M , Krukowski, K , & Sieciński, K (2024)

Bibliometric Overview of ChatGPT: New Perspectives in Social Sciences Publications, 12(1), 9 https://doi.org/10.3390/publications12010009

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