meio ambiente • cultura • ecologia • turismo
Americana e região
RECANTOS DA TERRA
AGOSTO | 2020
PRAIA DOS NAMORADOS JÁ TEM UMA NOVA ORLA
Marília Pierre
Pandemia da desinformação e das fake news explode com a Covid-19
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POSTOS DE SAÚDE
Maria Giovana exige volta imediata das consultas e exames
Parlamentar ressalta que já faz cinco meses que a rede pública não realiza agendamentos
A
vereadora Maria Giovana exige a volta imediata das consultas e exames realizados nos postos de saúde dos bairros, em Americana. Atualmente, as unidades de saúde estão atendendo somente casos suspeitos de coronavírus. Segundo ela, com a suspensão dos atendimentos outras doenças podem se agravar no município. Nos últimos dias, Giovana foi até os postos de saúde e constatou que os trabalhos podem ser realizados com os devidos cuidados de higiene e distanciamento social. A vereadora protocolou um documento na Prefeitura pedindo a volta das consultas e exames. Giovana ressalta que já faz cinco
meses que a rede pública não está realizando agendamento de consultas. “Não consigo compreender essa decisão de não realizar agendamentos. Os postos de saúde possuem pessoas capacitadas para realizar os exames com segurança. Não faz sentido”, afirma ela. A parlamentar foi pessoalmente nos postos da Vila Mathiensen, Jardim Boer, Cariobinha, São Vito, Jaguari e Parque Gramado. Uma das preocupações da vereadora é o agravamento das doenças que poderiam ser detectadas nas consultas. “Estudos apontam que doenças como o câncer e problemas no coração podem se agravar caso não voltem os atendimentos imediatamente”, alerta Maria Giovana.
De acordo com ela, os atendimentos jamais deveriam ter sido suspensos na cidade. “Muitas doenças, como o câncer de mama, por exemplo, são detectadas nas consultas em postos de saúde. Isso acontece também com outras doenças. Se ficarmos sem consultas e exames, a situação vai se agravar cada vez mais. Os casos serão em maior número e com mais complicações” afirma a vereadora. Maria Giovana protocolou um pedido junto à Prefeitura requisitando a reabertura imediata dos postos de saúde. “Muitas consultas e exames foram reagendados e não sabemos quando serão realizadas. Isso com certeza vai agravar outras doenças”, explica a parlamentar.
Maria Giovana teme agravamento de doenças
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PESQUISA
Pandemia da desinformação
Grupo de Estudo da Desinformação em Redes Sociais formado por pesquisado Antonio Scarpinetti | Divulgação Pixabay
Gabriela Villen*/Unicamp
“Existe um ecossistema que usa a desordem da informação em seu favor e a provoca ativamente. Ele é intencional, organizado e tem muito dinheiro”. As mensagens que viralizam nas nossas redes sociais não têm a espontaneidade que aparentam. Elas são cuidadosamente construídas, usando estratégias de marketing e contam com uma base de lançamento estruturada, o que possibilita sua difusão rápida e articulada. Desde o início da pandemia este mecanismo tem se utilizado de narrativas de negação da doença, que minimizam sua capacidade de transmissão ou letalidade e prometem curas milagrosas. Essas são algumas das conclusões do Grupo de Estudo da Desinformação em Redes Sociais que tem como uma de suas coordenadoras a professora Leda Gitahy, do Departamento de Política Científica e Tecnológica do Instituto de Geociências da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). “Tudo que existe na sociedade aparece nas redes sociais no momento da pandemia. Desde alguém que compra álcool gel para revender até os defensores de políticas ultraliberais, cujo objetivo é a total desregulação das instituições democráticas. Há muitas variações, mas vale destacar as diferentes formas de fundamentalismo, sejam elas religiosas, econômicas ou políticas. O problema de qualquer tipo de fundamentalismo, é que ele só se afirma pela negação do outro e quem pensa diferente se transforma em inimigo. Isso mina a sociabilidade, provocando conflitos mesmo entre as pessoas que mantêm vínculos afetivos fortes. Ao mesmo tempo, surgem muitas redes de solidariedade preservando o afeto e a sociabilidade. É uma disputa”, relata Leda. Interessado em investigar o caminho das notícias falsas na internet, o Grupo de Trabalho encontrou na pandemia um laboratório perfeito. Em março, o Grupo criou a hotline no WahtsApp (+55 (19) 99327-8829). O canal continua ativo. “O que a gente tem feito é analisar e classificar os diferentes tipos de mensagem para criar categorias que possam servir para produção de ciência de qualidade”, explica a pesquisadora.
A professora Leda Gitahy: “Tudo que existe na sociedade aparece nas redes sociais no momento da pandemia”
EM FASES Leda Gitahy afirma que a narrativa desenvolvida pelo ecossistema da desinformação tem passado por diferentes fases desde o início da pandemia. A primeira fase teria sido de negação da existência da doença, de sua capacidade de transmissão e de sua letalidade. “No início, as mensagens diziam que não era nada, que não existia doença ou que era só uma gripezinha. As mensagens eram contra o isolamento e contra qualquer medida de segurança”, relata. Como exemplo dessa fase a professora cita o vídeo do ministro da Defesa de Israel, Naftali Bennett, que circulou no Brasil sem data e com legendas em português. Nele, o ministro minimiza os impactos da Covid-19 e afirma que a única coisa importante é isolar os idosos. “Aquele personagem existe. A fala é verdadeira. Mas no momento em que está sendo divulgada aqui, Israel já estava em lockdown”, pontua. Conforme explica a pesquisadora, a fala do ministro, mesmo sendo verdadeira, se deslocada do seu contexto, torna-se parte do ecossistema da desinformação. Por isso, ela prefere evitar o termo fake
news, por acreditar que ele não é adequado para entender a complexidade do cenário informacional. “Existem coisas que não são articuladas, que têm a ver com pessoas assustadas, confusas, que gravam qualquer coisa. Mas existem mensagens divulgadas com objetivo de desinformar, com objetivo político, com intenção, em ações claramente articuladas. Distinguir cada uma delas é fundamental para compreender o funcionamento do ecossistema”, afirma Leda. A segunda fase da narrativa identificada pelo Grupo durante a pandemia é a dos “remédios mágicos”. São tratamentos de todos os tipos, de chás a fármacos, que prometem a cura da Covid-19. “Analisando as mensagens de cura, temos desde misturas meio banais, que não fazem mal a ninguém, até coisas que fazem mal sim”, conta. Um dos protagonistas nessa fase foi o álcool gel, que ora podia ser substituído por vinagre para higienização, ora compunha receitas perigosas que poderiam levar a queimaduras graves. REMÉDIO DO TRUMP A Cloroquina começa a se popu-
larizar também nessa fase, circulando no WhatsApp com imagem da versão brasileira do remédio e o slogan “O remédio do Trump”. Leda procura, contudo, afastar teorias conspiratórias, que responsabilizam a indústria farmacêutica pela difusão dessas mensagens. “Não é a ‘indústria que faz Cloroquina’ que está por trás dessas mensagens. Elas estão mais ligadas à ânsia de certos grupos políticos em anunciar a cura”. A pesquisadora ressalta ainda que o que move o ecossistema da desinformação são sempre tramas de interesses, que envolvem diferentes tendências políticas e interesses comerciais. A defesa de remédios sem comprovação científica como solução para o coronavírus, esteve também vinculada a uma pseudo “defesa da economia”, em sua falsa oposição ao isolamento social. * Gabriela Villen é pesquisadora do Laboratório de Tecnologias e Transformações Sociais e desenvolve doutorado no Departamento de Política Científica e Tecnológica do Instituto de Geociências da Unicamp, orientada pela professora Leda Gitahy
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o se agrava com a Covid-19
ores da Unicamp revela a disseminação de informações falsas e manipuladas
Um exemplo: vídeo da OMS é manipulado O mapeamento da circulação das mensagens no WhatsApp tem permitido ao Grupo de Estudo identificar atores e verificar que há uma coordenação na difusão da desinformação. Um exemplo foi a notícia, que circulou em junho, de que a OMS (Organização Mundial da Saúde) teria afirmado que pessoas infectadas pelo novo coronavírus que não apresentassem sintomas não seriam transmissores da doença. A mensagem trazia um vídeo de três minutos com a chefe da unidade de doenças emergentes da OMS, Maria Van Kerkhove. A notícia ganhou rapidamente as manchetes dos principais sites de notícias no país e no mundo. Ao investigar a
origem da informação, o Grupo localizou a notícia na agencia internacional Bloomberg e o vídeo completo que a matéria recortara. “O vídeo original tinha mais de uma hora e falava o tempo todo sobre a importância das medidas de segurança. Nem a OMS, nem a pessoa que estava dando a entrevista, nem mesmo a pesquisa citada afirmavam que os assintomáticos não transmitiam. Mas o trecho selecionado dava essa impressão e a manchete da Bloomberg era taxativa ‘Who says that’. Esse ecossistema induz os jornalistas a caírem na esparrela”, conta Leda. A notícia precisou ser publicamente desmentida pela própria OMS.
Desatenção e pressa reproduzem erros Para Leda, a desinformação tem na nossa falta de atenção sua principal aliada. “As pessoas compartilham sem ler, sem assistir até o fim os vídeos, sem refletir sobre o significado daquilo, sobre o que aquilo está querendo dizer. Encaminham rápido e porque combina com sua ideia política no momento. E isso acontece com tendências políticas de todas as cores”, afirma. Ela ressalta que a ciência não está imune. “Existem cientistas de todos os tipos, negacionistas, que acreditam em ideologia de gênero, que por razões políticas ou econômicas produzem desinformação”. Enfrentar a desinformação
demanda, segundo ela, controlar vieses e produzir ciência e jornalismo baseados em evidências e checagem. “Nós estamos juntando esforços no Brasil e no exterior. Estamos criando uma grande rede para combater algo que é muito forte e tem muito dinheiro. Eu acho que o jeito de a gente enfrentar isso é fazendo ciência de boa qualidade sobre o tema. É fazer ciência e jornalismo de uma forma séria, com calma e atendendo a todas as exigências de comprovação e checagem que demandam. Eu estou convencida que a gente vai sair dessa. Eu não perco a esperança nunca”, concluiu.
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TECNOLOGIA
Estudo analisa benefícios do uso de água magnetizada na agricultura Projeto inédito no país é realizado em parceria com o Programa das Nações Unidas
U
m projeto-piloto inovador sobre água estruturada aplicada à irrigação acaba de ser iniciado nas Bacias Hidrográficas do Descoberto e do Paranoá com o objetivo de verificar o aumento de produtividade e/ou redução da necessidade de água para irrigação a partir do uso do tratamento magnético da água. Segundo os estudos já realizados, o uso da água tratada magneticamente pode reduzir os intervalos de irrigação, o que seria mais eficiente; aumentar a velocidade de germinação e percentual de germinação das sementes; além de melhorar a produção e a produtividade das culturas agrícolas. Inédita no Brasil, a ação é implementada pela Sema (Secretaria do Meio Ambiente) do Distrito Federal com gestão do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos e integra o Projeto CITinova realizado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações para a promoção de sustentabilidade nas cidades brasileiras. O início da experiência piloto foi marcado pelo plantio de algumas espécies selecionadas (alface, milho e rabanete) na Chácara Colina, em Brazlândia (DF). O teste será aplicado em duas áreas piloto: em uma estufa da Fazenda Água Limpa, da Universidade de Brasília (sistema controlado), e na chácara localizada na área da Bacia do Descoberto (sistema aberto). O secretário de Meio Ambiente do Distrito Federal, Sarney Filho, ressaltou que o local escolhido é uma propriedade certificada para produção orgânica, que conta com uma vegetação nativa preservada envolta de todas as áreas de pro-
Renata Leite /SEMA
dução e com nascente afluente do Córrego Barrocão. NA SECA O plantio ocorre no período da seca para evitar a interferência da água da chuva na irrigação. “É uma alegria poder contribuir e participar do estudo. A falta de água é um problema grave em todo o mundo”, lembrou o produtor rural orgânico, Luís Carlos Pinagé. Esta é uma das iniciativas do CITinova para a promoção de sustentabilidade nas cidades brasileiras por meio de tecnologias inovadoras e planejamento urbano integrado. O estudo iniciado é desenvolvido com o apoio da Universidade de Brasília e do Centro Internacional de Água e Transdisciplinaridade (Cirat). BENEFÍCIOS Tratamentos magnéticos estão sendo usados na agricultura, como técnica não invasiva, para melhorar a produtividade e a produção das culturas. A água tratada magneticamente interfere na fisiologia de plantas e, alguns estudos, apontam que ocorre a interação solo-água, apresentando maior umidade do solo, quando comparada com a água convencional. Segundo os estudos já realizados, o uso da água tratada magneticamente pode reduzir os intervalos de irrigação, o que seria mais eficiente; aumentar a velocidade de germinação e percentual de germinação das sementes; além de melhorar a produção e a produtividade das culturas agrícolas. O nome água estruturada refere-se às moléculas de água que se realinham de forma perfeita em grupos herméticos, fazendo com que a água se torne mais densa ou
Irrigação a partir do uso do tratamento magnético da água
concentrada. Dessa forma, há ainda outros benefícios como aumento da germinação e peso seco de sementes; aumento da produção de folhas, frutos e comprimento de raízes; e aumento das propriedades bactericidas da água. “Estamos testando por meio do projeto novas abordagens no uso da água e a eficácia dessas abordagens. Explorar a nano estrutura aplicada à irrigação tem como foco fazer uma melhor gestão da água. Temos um período crítico de seca no Distrito Federal, por isso é importante termos acesso a técnicas inovadoras que possam ser usadas na agricultura”, afirmou a coordenadora Executiva do Projeto GEF/ CITinova, Nazaré Soares. METODOLOGIA Os tratamentos serão constituídos por três níveis de indução magnética, a serem aplicadas na
água de irrigação; além de um acompanhamento com água não magnetizada. Segundo o professor João José da Silva Júnior, da Faculdade de Agronomia da UnB, para cada espécie foram definidos critérios específicos de avaliação. “Com a experiência, espera-se obter a intensidade que proporciona maior desenvolvimento vegetativo, produção de fitomassa e produtividade da cultura das espécies selecionadas (milho, rabanete e alface)”, destacou. O coordenador do Cirat, Marcelo Giovani Alves, explicou que a indução magnética é feita dentro de tubos e que foram adquiridos três equipamentos: um brasileiro, um chinês e um americano, para uma melhor análise. “Desenvolver essa pesquisa no Brasil é muito importante porque seus resultados podem ajudar milhares de agricultores”, disse. (www.nacoesunidas.org)
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07 Fotos: Marília Pierre
REVITALIZAÇÃO
Praia dos Namorados: nasce uma nova orla
Implantação de ciclovias na orla é uma das novidades
Com investimento da ordem de R$ 2,3 milhões, espaço conta com campos, quadras e área de caminhada
A
s obras para revitalização da orla na Praia dos Namorados foram concluídas. Com investimento total de R$ 2,3 milhões, proveniente do convênio firmado entre a Prefeitura de Americana e o Ministério do Turismo, o prefeito Omar Najar (MDB) entregou a obra no mês passado. A solenidade marcou o término da revitalização e das obras na orla. Segundo a prefeitura, a recuperação tende a intensificar novamente o setor econômico e turístico do local. Nos 1.105 metros de extensão da orla, foram feitas inúmeras melhorias, entre elas, reforma completa nos sanitários públicos, instalação de chuveirões, manutenção completa na rede hidráulica, construção de pista de ciclismo e caminhada e reforma nas quadras esportivas. De acordo com a Secretaria de Cultura de Turismo, a obra começou em administrações passadas, ficou paralisada durante anos por problemas de execução e foi retomada em janeiro deste ano, pela empresa Placon. “Agradeço a luta do Fernando Giulliani (secretário de Cultura e Turismo) e quem sabe a próxima administração se dedique para revitalização da Praia Azul”, afirmou Omar. Emocionado, Fernan-
do Giuliani, agradeceu o apoio de todos que contribuíram para que a reforma fosse realizada. “No mandato do prefeito Erich Hetzl apresentamos o projeto aos moradores da Praia Azul e foi aprovado, mas anos depois, com outra administração no comando, a revitalização simplesmente parou. Quando começou a administração do Omar vimos que as obras estavam paradas e decidimos retomá-la. Aproveitamos para atualizar e melhorar o projeto, hoje estamos entregando a maior parte do projeto, mas vamos continuar buscando recursos e parceiros para melhorar cada vez mais a orla”, disse. Diversos serviços foram feitos no local que estava há anos sem receber melhorias e era considerado antigamente como um dos principais pontos turísticos da cidade. O projeto incluiu demolições; movimento de terra; manutenção na rede de galeria pluvial; instalação de lombofaixas; pavimentação; instalação de piso; criação de ciclovia; sinalização completa de trânsito; instalação de acessibilidade; manutenção geral na rede hidráulica; mobiliário urbano; canaletas de água pluvial; reforma completa dos sanitários públicos; reforma das quadras esportivas; reforma do
Quadras e campos ainda não podem ser usados em função da Covid-19
campo de futebol; reforma na quadra de areia; instalação de chuveirões; paisagismo e gramado; acesso ao Barco Escola com piso intertravado; implantação geral; instalação de lâmpadas de LED. Os dois quiosques já existentes também foram reformados e, de acordo com Giuliani, há possibilidade em abrir outros dois quiosques.
Durante a reforma, a Sectur contou com o apoio das secretarias de Planejamento, Obras e Serviços Urbanos, Meio Ambiente e do DAE. Mesmo com a inauguração, as quadras esportivas e os sanitários continuarão fechados, obedecendo às orientações dos órgãos competentes de saúde em relação à pandemia do Covid-19.
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DESMONTE
Petrobrás arrenda fábricas por menos de 1% da receita esperada Unidades de produção de fertilizantes têm expectativa de faturamento de R$ 2 bilhões anuais Guilherme Weimann/Sindipetro
A
pós dois anos do anúncio do plano, a Petrobrás finalmente oficializou sua saída de um importante setor petroquímico. No início deste mês de agosto, a estatal repassou a posse, por 10 anos, de duas fábricas de fertilizantes nitrogenados para a Proquigel Química. As unidades estão localizadas nos estados da Bahia (Fafen-BA) e Sergipe (Fafen-SE). A empresa, que pertence ao grupo Unigel, pagará R$ 177 milhões à estatal pelo direito de utilização das unidades. Essa quantia, entretanto, representa apenas 0,85% da expectativa de faturamento de R$ 2 bilhões anuais anunciado pelo próprio grupo que arrendou as fábricas. O contrato ainda prevê a possibilidade de renovação por mais uma década. O otimismo dos novos gestores
contrasta com a justificativa dada pela Petrobrás, no início de 2018, para abrir mão desses ativos. Na época, a petroleira apontou o prejuízo financeiro como principal argumento para a paralização das unidades iniciada em 2018. No ano anterior, a Fafen-BA apresentou déficit de R$ 200 milhões e a Fafen-SE de R$ 600 milhões. FALSA ALEGAÇÃO A alegação de prejuízo foi duramente refutada à época por especialistas do setor e pelos sindicatos filiados à FUP (Federação Única dos Petroleiros) e à FNP (Federação Nacional dos Petroleiros). Para eles, grande parte da perda era de natureza contábil, já que a Petrobrás vendia gás natural às próprias fábricas pelo valor cobrado no mercado internacional. Com isso, as unidades registravam prejuízo por comprar da sua “empresa-matriz”, mesmo
que os produtos finais agregassem valor ao gás natural. A Fafen-BA, localizada no Polo Petroquímico de Camaçari, tem capacidade de produzir 1.300 toneladas de ureia por dia, além do potencial de fabricar amônia, gás carbônico e agente redutor liquido automotivo. Já a Fafen-SE, localizada no município de Laranjeiras, possui capacidade de produzir 1.800 toneladas de ureia por dia, como também de gerar amônia, gás carbônico e sulfato de amônio. A expectativa da nova gestão é de que juntas elas atendam 20% do consumo nacional de uréia, monopolizado por importações desde paralização das fábricas da Petrobrás. O início da reativação está previsto para janeiro de 2021. O acordo também inclui o subarrendamento dos terminais marítimos de amônia e uréia no Porto de Aratu, na Bahia. As instalações
abrangem uma área de aproximadamente 45 mil metros quadrados. DEMISSÃO EM MASSA Além do arrendamento da Fafen da Bahia e de Sergipe, a Petrobrás também fechou a Fafen do Paraná, localizada em Araucária, em fevereiro deste ano. Nesse caso, todavia, mesmo os trabalhadores próprios foram demitidos, com o argumento de que a Araucária Nitrogenados foi incorporada pela Petrobrás junto com seus funcionários, que não eram concursados. A demissão em massa, sem negociação sindical, feriu o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) e gerou a maior greve da categoria dos últimos 25 anos, com a adesão de 20 mil petroleiros distribuídos em cerca de 120 unidades da estatal. SERVIÇO Leia mais sobre o tema em: www.sindipetrosp.org.br