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São Manuel Bueno, Mártir

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Este espetáculo é fruto do Projeto SOBREVENTO 25 ANOS: OBJETOS E IDENTIDADE, patrocinado pela Petrobras por meio da Lei de Incentivo à Cultura. O Projeto está sendo desenvolvido desde meados de 2011 e viabiliza a manutenção da sede do Grupo, a apresentação do seu repertório, um Festival internacional, um Festival nacional, a criação deste novo espetáculo e a circulação do Grupo pelo país.


A criação de São ManuelBueno, Mártir

foi uma

experiência verdadeiramente transformadora para nós. Partindo do estudo de um Teatro feito com objetos, terminamos por dar um passo para fora dos limites do Teatro de Bonecos e, caminhando um pouquinho mais, percebemos que estávamos dando um passo para fora dos limites do Teatro de Objetos também. O caminho não foi reto: fomos e voltamos, andamos em círculos, nos perdemos e nos encontramos e quando achamos que estávamos seguros, vimo-nos sobre um terreno movediço. Pisamos barro, serragem, areia. Comemos muita poeira. A nos guiar, encontramos a Liana Yuri, a Sueli Andrade, a Roberta Nova Forjaz, o Gustavo Guimarães e a Regiane Celloni, que montaram conosco um grupo de estudos do Teatro de Objetos. Encontramos o diretor Maurício Marques e a Velha Companhia – elenco do lindo espetáculo Cais –, a diretora belga Agnès Limbos, o pluriartista italiano Antonio Catalano e os amigos Carlos Laredo e Clarice Cardell, da Companhia espanhola La Casa Incierta. Estivemos amparados todo o tempo pelos Hermanos Oligor, nossos primos espanhóis. E, finalmente, nos demos conta de que seguíamos a trilha incerta, o caminho difícil e tortuoso, da dúvida.


E nos deparamos com São Manuel Bueno, mártir e santo por não acreditar em Deus: São Manuel, padroeiro dos que duvidam, dos que fazem e atuam, dos que precisam dos outros, dos que não sabem viver sozinhos, dos que celebram o dia a dia, dos que lutam contra o tédio, a tristeza e a solidão, padroeiro dos artistas, sobretudo dos

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bonequeiros. E, mesmo desconfiando dele, nos fizemos seus devotos. E bons devotos, justamente por duvidar também dele.

Acreditamos ter chegado a um espetáculo muito simples e muito delicado. Não

queremos, nele, fazer uma demonstração de virtuosismo; não queremos impressionar, surpreender; não queremos falar da força, da vitalidade, da modernidade do Teatro

de Animação, mas expor as nossas dúvidas, as nossas angústias, as nossas questões, a nossa fragilidade.

A dúvida - que é o cerne deste espetáculo e do próprio texto que lhe deu origem – é, para nós, a melhor contribuição que o Teatro de Animação pode dar ao Teatro e que nós, artistas, podemos oferecer ao público.


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Nossa história é escrita em um caderno que se molha e o texto claro e as palavras legíveis das primeiras páginas vão perdendo a forma, vão se decompondo. Os bonecos, personagens do nosso espetáculo, do mesmo modo, vão perdendo a

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forma, vão se decompondo e ficando cada vez mais distantes do figurativismo original. É em um pequeno e redondo mundo, em um palco

giratório, que estas figuras quase estáticas atuam. E que, quase estáticos, todos nós atuamos.

Um mundo cercado por um abismo negro e

profundo. O nosso mundo. O mundo de todos

nós. Em que apresentamos uma pequena história em que quase nada acontece.


Miguel de Unamuno, espanhol, basco, nasceu em Bilbao em 1864 e morreu em Salamanca em 1936. Filósofo, ensaísta, dramaturgo, romancista e poeta, sua obra literária gira em torno de três temas dominantes: o homem, a imortalidade e a Espanha. Paradoxal e contraditória, sua visão particular do mundo e a defesa apaixonada das suas ideias transformaram-no no centro de todas as polêmicas que se

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suscitaram no seu tempo. Entre as suas obras, destacam-se A Tia Tula,

A Vida de Dom Quixote e Sancho e Niebla. Dizia: Ninguém conseguiu me convencer racionalmente da existência de Deus, mas tampouco

de sua não existência; os argumentos dos ateus me parecem de uma

superficialidade e futilidade ainda maiores que as de seus contraditores. A vida é dúvida. E a fé sem a dúvida não é nada a não ser a morte.


O SOBREVENTO é um Grupo de Teatro profissional, formado em 1986, que busca apresentar, experimentar, desenvolver, inovar, aperfeiçoar, difundir, multiplicar, valorizar, fortalecer, ensinar, aprender e estudar o Teatro de Animação. É reconhecido, nacional e internacionalmente, como um dos maiores especialistas brasileiros da área. O Grupo tem, hoje, treze espetáculos em

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repertório – destinados a diferentes públicos e espaços – com os quais ganhou alguns dos Prêmios mais importantes do país. Em

suas andanças, viajou por todo o Brasil, do Acre ao Rio Grande

do Sul, e apresentou-se em mais de uma centena de cidades não só do Brasil, mas também da Espanha, Irlanda, Escócia, Argentina, Chile, Colômbia, Angola, Suécia, Estônia, México e Irã.


Texto: Miguel de Unamuno

~

Direção

e

Dramaturgia: Luiz André Cherubini e Sandra Vargas

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Elenco: Sandra Vargas, Luiz André Cherubini, Maurício Santana, Rafael Brides ou Carlos Amaral (violão), William Guedes (bandolim) e Marina Estanislau ou Jorge Santos (violoncelo)

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Composição Musical

~ Cenário: Luiz André Cherubini ~ Supervisão Cênica e Ambientação Cenográfica: Telumi Helen ~ Figurino: João Pimenta ~ Iluminação: Renato Machado ~ Cenotécnico e Técnico de Som: Agnaldo Souza ~ Técnico de Iluminação: Marcelo Amaral ~ Esculturas dos Bonecos: Mandi ~ Instalação no Foyer: Povo Frágil, de Antonio Catalano e A Árvore da Fé, de Agnaldo Souza e Mandi ~ Assistente de Confecção (Povo Frágil): Valerio Catalano ~ Preparação Vocal: Alessandra Cino ~ Preparação Corporal: Marcelo Paixão ~ Direção de Produção: Grupo Sobrevento ~ Produção Executiva: Lucia Erceg ~ Design: Marcos Corrêa ~ Assistente de Design: Gabriel Gomes Corrêa ~ Fotografia: Marco Aurélio Olimpio ~ Assessoria de imprensa: Márcia Marques | Canal Aberto ~ Apoio Montagem: Henrique de Lemos Silva ~ Produção local: Luiz Antônio Gomes (Recife), Cia. Boca de Cena Original: Henrique Annes

(João Pessoa), Cia. Pequod (Rio de Janeiro), Andrea Freire (Campo Grande), Ana Claudia Sena (Fortaleza).

Eduardo (Vidali), Laura Cherubini, Lourenço Cherubini, Anita Erceg, Claudia Erceg, Liana Yuri, Roberta Nova Forjaz, Sueli Andrade, Gustavo Guimarães, Regiane Celloni, Hermanos Oligor, Maria Socorro de Almeida Matos, Samia Schiller, J. E. Tico, Centro Teatral Etc e Tal, Karen Acioly, Moacir Chaves, Miguel Vellinho, Izabel Gurgel (Theatro José de Alencar), José Manoel Sobrinho (SESC Pernambuco), Galiana Brasil (SESC Santo Amaro | Recife), SESI João Pessoa.


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São Manuel Bueno, Mártir by Marcos Corrêa - Issuu