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REVISTA TEMA ­ A Revista do Serpro ANO XXXVII • Nº 212 • MAIO/JUNHO • 2012 ISSN 0100­5227 Título depositado no INPI, sob no. 01125 A revista não se responsabiliza por artigos e opiniões assinadas. As matérias podem ser reproduzidas, desde que mencionada a fonte. Coordenação Estratégica de Comunicação Social do Serpro ­ CECOM Carlos Marcos Torres ­ carlos­marcos.torres@serpro.gov.br Tel.: (61) ­ 2021­7974 Editora Mabel Gomes ­ maria­isabel.gomes@serpro.gov.br Tel.: (61) ­ 2021­7964 Chefe de Reportagem Ana Lúcia Carvalho ­ ana­lucia.carvalho@serpro.gov.br Tel.: (61) ­ 2021­8181 Programação Visual e Diagramação André Menezes, Demian Pontes, Edna Heringer, Edno Júnior, Rômulo Geraldino Revisão Henri Couto Diretor­presidente Marcos Vinícius Ferreira Mazoni Diretor­superintendente Gilberto Paganotto Diretores Antônio João Nocchi Parera José Luiz Maio de Aquino Laerte Dorneles Meliga Robinson Margato Barbosa Wilton Itaiguara Gonçalves Mota Conselho Diretor Alexandre Ribeiro Motta (MF) Delfino Natal de Souza (MP) Marcos Vinícius Ferreira Mazoni (Serpro) Pricilla Maria Santana (MF) Raimundo José Rodrigues da Silva (MF) Conselho Fiscal Clício Luiz da Costa Vieira Ernesto Carneiro Preciado Juliêta Alida Garcia Verleun Endereço Sede: SGAN, Q. 601, Módulo V 70836­900 ­ Brasília / DF – Tel: (61) 2021­8181– Fax: (61) 2021­8531 Regionais do Serpro Brasília – Av. L2 Norte – SGAN, Quadra 601, Módulo G. 70830­900 – Tel. (61) 2021­9000 Belém – Av. Perimetral da Ciência, 2.010. Bairro Terra Firme. 66077­830 – Tel. (91) 3216­4008 Fortaleza – Av. Pontes Vieira, 832. São João Tauapé. 60130­240 – Tel. (85) 4008­2848 Recife – Av. Parnamirim, 295. 52060­901 Tel. (81) 2126­4120 Salvador – Av. Luís Vianna Filho, 2355. Bairro Paralela. 41130­530 – Tel. (71) 2102­7830 Belo Horizonte – Av. José Cândido da Silveira, 1.200. Cidade Nova. 31035­536 – Tel. (31) 3311­6200 Rio de Janeiro – Rua Pacheco Leão, 1.235. Jardim Botânico. 22460­905 – Tel. (21) 2159­3800 São Paulo – Rua Olívia Guedes Penteado, 941. Socorro. 04766­900 – Tel. (11) 2173­1037 Curitiba – Rua Carlos Piolli, 133. Bom Retiro. 80520­170 – Tel. (41) 3313­8430 Florianópolis – Rodovia José Carlos Daux (Sc 401) Km 01, Nº 600, Edifício Alfama, 2º andar, Bairro João Paulo 88030­000 ­– Tel. (48) 3231­8800 Porto Alegre – Av. Augusto de Carvalho, 1.133. Cidade Baixa. 90010­390 – Tel. (51) 2129­1287 Fotografia: Arquivo Serpro TIRAGEM: 6 mil exemplares IMPRESSÃO: Ellite Gráfica e Editora Ltda

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Esta revista é produzida com o uso de ferramentas livres e impressa em papel reciclado.

Arquivo Serpro

TECNOLOGIA: O GRANDE TRUNFO DA RIO+20

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desenvolvimento sustentável vai entrar na agenda política de líderes de todo o mundo em junho, e o Brasil estará no centro dos debates. A Rio+20 dará ao país não só a chance de confir­ mar sua vocação para organizar grandes eventos, mas dará também a oportunidade inédita de liderança dessa discussão. Isso porque o Brasil concretizou conquistas importantes como a redução do índice de desmatamento, a posse de uma matriz energética menos poluente que a média dos países da OCDE e a melhoria de indicadores sociais. Aliado a esses avanços, temos um elemento essencial: a tecnologia. A reportagem de capa desta edição da revista mostra justamente como a inovação tecnológica é primordial para o sucesso de um novo modelo de crescimento econômico sustentável. E essa teoria já está em prática na própria organização da conferência, na qual a tecnologia é suporte para o tripé de princípios que norteiam a realização do evento – acessibilidade, conectividade e sustentabilidade. Parte da aplicação desse tripé só é possível porque o Serpro montou uma infraestrutura tecnológica compatível com a magnitude do encontro. A em­ presa foi contratada pelo Comitê Nacional de Organização da Rio+20 para prestar consultoria na elaboração da arquitetura e especificação do sistema que dará suporte à conferência e na hospedagem da ferramenta de moni­ toração contínua da logística do evento. Além desses trabalhos, o Serpro foi responsável pelo desenvolvimento e produção do portal www.rio20.gov.br. Ainda nesta edição, conheça a solução e­Processo desenvolvida pelo Serpro, uma novidade que chegou para agilizar os serviços da Receita e dar início à era digital dos processos tributários no Brasil, diminuindo a depen­ dência do papel. Confira também quais são os aplicativos para smartphones que o governo está oferecendo aos cidadãos e, na seção Arte Digital, como os Vjs estão criando novas obras nas ruas com ajuda de softwares livres. Boa leitura!

MARCOS MAZONI Presidente do Serpro


ENTREVISTA PRINCIPAL

O QUE O BRASIL TEM A MOSTRAR PARA O MUNDO? O mundo hoje enfrenta diversas crises – sociais, ambientais e econômicas – e o momento é de correção de rumos: “É hora de lançar um olhar crítico, porque continuar a fazer o que está sendo fei‐ to e esperar que o resultado seja outro é uma loucura. Nós temos que entender que algo está errado. Coletivamente”. Essa é a avaliação do embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado, secretário executivo da Comissão Nacional para a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20. Nessa entrevista à Revista Tema, ele fala dos desafios que a realização da Conferência impõe ao Brasil, do legado que ela deixa para o país e da urgência de se atacar os vícios do atual modelo de desenvolvimento capitalista. Foto de divulgação

Quais os principais desafios para receber um evento como a Rio+20? Temos desafios logísticos, referentes a uma conferência que possivelmente atrairá algo em torno de 120 chefes de Estado ou Governo, e cerca de 50 mil pes­ soas para o Rio de Janeiro, com impactos naturais na pró­ pria infraestrutura da cidade. Esse sem dúvida é um teste muito bom para outros grandes eventos que ocorrerão no Brasil, como a Copa do Mundo e as Olimpíadas. O Brasil atua na conferência com dois chapéus: o pri­ meiro, o de país anfitrião, presidente da conferência e, portanto, responsável por criar pontes de entendimento entre várias posições distintas dos países. Ao mesmo

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tempo, o Brasil atua como país, com ideias próprias, que defende a sua visão na área do desenvolvimento sustentável. Essa conciliação entre presidência da confe­ rência e país membro com suas próprias ideias também é um desafio interessante. Como o Brasil se apresentará na Rio+20? Retomará a Agenda 21? Vai apresentar propos­ tas novas? A Agenda 21 tem que ser e vai ser reafir­ mada. Ela é a base de atuação na área de sustentabili­ dade. Toda ação que fizermos e aprovarmos na Rio+20 deve se basear nos princípios do Rio, na Agenda 21. É importante (e nisso o Brasil tem sido muito claro ao de­


fender) que não haja retrocessos em relação ao que foi aprovado em 92. Mas nós não vamos ficar só nisso, temos que olhar para a frente. Rio+20 não é apenas um balanço dos últimos 20 anos, mas principalmente um olhar de 2012 mais 20. Temos que perguntar como será nosso futuro. “O futuro que queremos” é justamente o nome do docu­ mento final que será aprovado pela conferência. Em termos práticos, o que podemos mos­ trar como exemplo para o mundo? Em primeiro lugar, o Brasil está em uma po­ sição única para realizar uma Conferência como essa porque não há outros exemplos tão claros como os nossos. Um país que teve, ao mesmo tempo, cresci­ mento econômico juntamente com mostras extraordi­ nárias de inclusão social e de proteção ambiental, com uma queda vertiginosa nas taxas de desmatamento. E isso tudo feito em plena democracia. Não há país, em uma situação como a nossa, que tenha o que mostrar nas três áreas do desenvolvimento sus­ tentável. Somos um exemplo claro de que é possível se desenvolver economicamente, socialmente e com pro­ teção ambiental ao mesmo tempo. É claro que os desa­ fios seguem sendo muito importantes, mas isso não impede o reconhecimento das conquistas. Você conseguiria elencar o que mudou de 1992 para hoje? Quais novas questões surgem de maneira emergencial? O Brasil é outro país, completamente dife­ rente do que era em 92. Mas o mundo também mudou bastante. A Rio­92 acontece logo após a queda do mu­ ro de Berlim, do esfacelamento do bloco comunista, e havia uma ideia da possibilidade de paz mundial e regu­ lamentação das questões de interesse global. Isso, com o tempo, mostrou­se otimista demais. Mas, além disso, há temas que tinham um certo tipo de importância em 92 e que hoje ganharam uma nova di­ mensão. Não que sejam novos, são preexistentes, po­ rém com uma ênfase nova. O caso mais clássico é da mudança climática. Em 92, adotamos a convenção das Nações Unidas sobre a mudança do clima. Portanto, se reconhecia que a questão era importante, era urgente, mas só muito recentemente a ciência nos mostrou ine­ quivocadamente que a situação é mais grave do que se imaginava. A mesma coisa ocorre com temas como água. Por exem­ plo, de 92 para cá, percebe­se que a escassez e a má dis­ tribuição de água são problemas cada dia mais cruciais. Isso mostra que muitos temas podem ser revisitados para se buscar soluções adequadas. A lógica do capitalismo é produzir e con­ sumir cada vez mais. É possível o Brasil trabalhar

para mostrar uma nova face disso, uma associa­ ção benéfica entre desenvolvimento econômico e respeito ao meio ambiente e ao social? O mundo hoje atravessa crises. Crises que se manifestam curiosamente nos três aspectos do de­ senvolvimento sustentável. Na área ambiental, nós te­ mos a crise do clima, a crise de perda da biodiversidade. Na área social temos a crise do desemprego, a crise da desigualdade. Na área econômica, temos a crise finan­ ceira, a crise econômica, a crise da dívida. Portanto, o que isso deixa claro é que os modelos de desenvolvi­ mento que estão sendo aplicados pelos países não só perderam a sua capacidade de responder aos desafios novos mas, mais que isso, estão gerando crises. É hora de lançar um olhar crítico, porque continuar a fa­ zer o que está sendo feito e esperar que o resultado seja outro é uma loucura. Nós temos que entender que algo está errado. Coletivamente. Entender que temos que mudar, especialmente nessa área de padrões de produ­ ção e consumo. Por exemplo, enquanto o padrão global de produção de bens incluir uma matriz energética com base em combustíveis fósseis, não se resolve a crise do clima. Tudo isso tem que ser alterado, senão vai conti­ nuar a alimentar essa crise. O Brasil fez progressos importantes nas três áreas do de­ senvolvimento sustentável e mostra boas práticas, medi­ das corretas, e políticas que deram certo. É claro que, como eu disse, restam desafios importantes, mas isso não impede que reconheçamos o muito que se avançou. E o que a Rio+20 deixa para o país? Toda conferência como essa, antes de tu­ do, deixa um grande legado. No caso da Rio­92, o Brasil mudou completamente após a Conferência. E mudou no seu modo de pensar a sustentabilidade. Foi toda uma geração criada com outro tipo de visão, de um mundo que tinha que ser diferente e um mundo em que se prestasse mais atenção na proteção ambiental como parte, e não como adversária, do desenvolvimen­ to econômico. Esse tipo de legado nós também teremos agora por­ que é uma nova geração que precisa da mensagem do desenvolvimento sustentável, da integração ambiental no projeto de desenvolvimento do país. Isso é o que tem que ficar cada vez mais claro. Porque quem faz desenvolvimento sustentável não é apenas o governo, também são os atores econômicos e os atores sociais; são as empresas, é a família, são as pessoas. As deci­ sões que cada núcleo toma, seja empresarial ou famili­ ar, afetam diretamente as possibilidades de sustentabilidade. Esse tipo de legado a Conferência, sem dúvida alguma, vai deixar, qualquer que seja o seu resultado oficial.

É importante que não haja retrocessos em relação ao que foi aprovado em 92.

Quem faz desenvolvimento sustentável não é apenas o governo, também são os atores econômicos e os atores sociais.

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INTERAÇÃO

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TEMA GUARDA REGISTROS DOS AVANÇOS DA INFORMÁTICA BRASILEIRA esta mesma seção da revista passada, foram destacados assuntos relevantes abordados pela publicação no decor­ rer dos seus 37 anos. A partir de agora, você está convidado a mergulhar continuamente nessa retrospectiva, em todas as edições da Tema, para saber o que era notícia há dez, 20 e 30 anos nestas páginas. Mexendo no passado, é fácil perceber que o Serpro sempre buscou desafios que o colocassem como uma empresa de vanguarda.

Há 10 anos Em 2002, a grande inovação era o lançamento do Sistema de Pagamento Brasileiro (SPB), implantado no Banco Central do Brasil. Sabe a TED? Foi aí que ela nasceu. Só com o lançamento desse sistema, foi possível fazer transferência on­line entre ban­ cos, até ali toda compensação levava pelo menos 24 horas para ser realizada. Essa mudança trouxe maior segurança e agilidade ao sistema financeiro do país.

Há 20 anos A tecnologia utilizada nos efeitos de computação gráfica para o cine­ ma e TV foi um dos destaques da revista Tema em 1992. O filme “O Exterminador do Futuro II” e o clipe “Black or White”, do cantor Michael Jackson, foram referências do poder desta novidade que revolucionou a produção de vídeos nos anos 90.

Há 30 anos No Brasil, nada mais poderia render tanto assunto como os 50 anos de Copa do Mundo. E é claro que na Tema não foi diferente. A revista, que nessa época era apenas interna, destacou a história e participação do Brasil ao longo desses anos, na edição de maio de 1982. O texto com expressões como “a catástrofe de 50” deixava claro que futebol já era uma paixão nacional.

A Universidade Columbia demonstra interesse na revista do Serpro. Os alunos estão por dentro do que sai na publicação. A Tema on­line melhorou os serviços de internet substituindo publicações em papel e formulários e, agora, compõe o clipping que circula no campus. Laura Randall – Columbia/Estados Unidos A Revista Tema tem uma abordagem e uma linguagem fluente voltada para a tecnologia. Ela traz uma fusão de informações, dando um giro holístico nas novas tecnologias a serviço do homem para aplicabilidade na sociedade. A Tema busca interagir não só com o princípio da tecnologia, mas dá um enfoque global nas temáticas que estão em destaque no Brasil e no mundo, contribuindo em larga escala para a difusão do conhecimento nas áreas de softwares. Eu sou suspeito para falar da revista, tenho profundo prazer em receber e ler cada exemplar que chega na regional do Serpro em Fortaleza. Quer ficar antenado em tudo que rola no eixo dos softwares e das

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tecnologias em uso no Brasil e no mundo? Então, leia a Revista Tema! Leitura que recomendo a todo corpo funcional do Serpro. José Evangelista Damasceno – Fortaleza/CE A reportagem de capa da edição 210 da Revista Tema “As tendências para a tecnologia em 2012“ fez um panorama interessante sobre o que o ano deve apresentar em termos de pesquisa e inovação. Destaque para o movimento de redução de papel, tinta e água, que dá um importante alívio para o meio ambiente. É a tecnologia promovendo, ao mesmo tempo, redução de custos e menos impacto na natureza. Vanderlucio de Souza ­ Belo Horizonte /MG ERRATA: Na seção "Curtas", da Tema 211, o e­CAC da Receita Federal foi identificado como Centro de Atendimento ao Contribuinte, porém o nome correto é Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte.


OPINIÃO

Foto de divulgação

SERPRO COLOCA SUA EXPERTISE A SERVIÇO DE NOVOS CLIENTES * por Marcio Brigidi

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Superintendente de Relacionamento com Clientes Especiais do Serpro

riar soluções no domínio da tecnologia da informação para facilitar a vida dos cidadãos e para aperfeiçoar a gestão pública é um dos pilares da atuação do Serpro. Além de atender aos ministérios da Fazen­ da e do Planejamento, a empresa também cria e executa produtos e serviços para diversos órgãos e instituições públicas, como Dnit, Valec, Ministério das Relações Exteriores, do Trabalho, Desenvolvi­ mento Agrário, Justiça, Cidades e Presidência da República, entre outros. Mesmo contando com uma carteira de clientes deste porte, o Serpro não planeja se acomodar. A prospecção de serviços que gerem novas receitas é uma das ações da empresa em 2012. Por isso, está previsto no orçamento deste ano, cerca de R$ 200 milhões para investimentos em hardware, software e infraestrutura. Mais de R$ 10 milhões foram des­ tacados para capacitação das equipes e os concur­ sos públicos vigentes permitem a renovação do quadro profissional de acordo com a necessidade. Para o atendimento de novos clientes e amplia­ ção de serviços já prestados, o Serpro também tem

como base a maturidade alcançada nos seus pro­ cessos de trabalho, a contínua internalização das melhores práticas de mercado, uma estrutura ope­ racional em todos os Estados e, ainda, uma política comercial que estabelece preços competitivos. Com a credibilidade, qualidade e confiança de mais de 47 anos de atuação, o Serpro oferece, aos entes da administração pública, soluções tecnoló­ gicas de desenvolvimento e produção de sistemas e sítios de internet, consultoria em tecnologia da in­ formação, especialmente em software livre, e ad­ ministração de redes locais e de longa distância. Presta, ainda, serviços de acesso a bases de dados governamentais, certificação digital, implantação e administração da suíte de comunicação Expresso em Nuvem, além de hosting e colocation. O Serpro promove, incessantemente, a evolução do relacionamento com seus clientes, mas volta­se também para a busca de novas parcerias, assegu­ rando níveis elevados de segurança de dados e ações efetivas de continuidade dos negócios. Dife­ renciais que tornam singular a presença da empresa no mercado.

O Serpro promove, incessantemente, a evolução do relacionamento com seus clientes, mas volta­se também para a busca de novas parcerias

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APLICATIVOS MOBILE GOVERNAMENTAIS

GOVERNO EMBARCA NO MUNDO

MOBILE Diferentes órgãos públicos já criaram aplicativos para facilitar a vida dos brasileiros e inauguram uma nova fase do governo eletrônico

* por Loyanne Salles

“Um dos principais pontos da mobilidade é a efetividade, e é por isso que não tem como o governo ignorar essas plataformas” Marcier Trombiere

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m março de 2012, a Anatel apurou que no Brasil existem 250,8 milhões de linhas ativas na telefonia móvel e que cerca de 20% desses aparelhos já estão preparados para a tecnologia 3G. O crescimento do número de smartphones no país abriu um leque de mercado para o desenvolvimento de aplicativos mobile, e o governo já começa a entrar nesse nicho com tec­ nologias a serviço do cidadão. “Um dos principais pontos das soluções móveis é a efetividade, e é por isso que não tem como o governo ignorar essas plataformas, pelo contrário, precisa investir nelas como ferramenta de comuni­ cação, transparência pública e serviços ao cida­ dão”, defende Marcier Trombiere, assessor especial do ministro das Cidades e chefe da comunicação do ministério.

Por um trânsito mais seguro

No último carnaval, encontrar um táxi foi muito mais fácil para quem já conhecia o aplicativo "On­ de tem táxi aqui?", que foi uma das estratégias da campanha "Bebida e Direção não combinam", do Ministério das Cidades. Nessa época em que os acidentes sempre aumentam, o governo lançou um aplicativo mobile que pega a localização do usuário pelo GPS e aponta onde estão os pontos de táxi e cooperativas mais próximos, de acordo

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com cadastros do Google Maps. Marcier Trombiere explica que o objetivo do Ministério foi incentivar alternativas de transporte nesse período, e o celu­ lar se tornou a melhor ferramenta, porque "o usuário, estando onde estiver, poderá receber as informações necessárias", argumenta. Outra proposta interessante do Ministério das Cidades é o "Mãos no Volante", um aplicativo que permite ao usuário bloquear o recebimento de cha­ madas enquanto dirigir. Quem ligar para um telefo­ ne que tenha o programa instalado receberá a mensagem: “Estou dirigindo. Ligo mais tarde”. Além disso, o aplicativo pode ter o tempo de atividade programado para que desligue automaticamente. "Sabemos que o motorista se preocupa com o telefone tocando e, por isso, acaba atendendo e cometendo uma infração de trânsito, quando não um acidente. Discutimos muito sobre uma possibi­ lidade de conciliar esse conflito, e dessas discus­ sões nasceu a ideia para o aplicativo", conta Trombiere. Ele destaca, inclusive, que a ferramenta foi baixada em vários países, como os Estados Unidos, Canadá, Espanha e outros na Europa.


VOOS ONLINE Downloads: 400 mil Ano de lançamento: 2011 Disponível para: e sistemas baseados em

ONDE TEM TAXI AQUI? Downloads: Cerca de 47 mil Ano de lançamento: 2012 Disponível para:

BRASIL MOBILE Downloads: 40 mil Ano de lançamento: 2010 Disponível para: e sistemas baseados em

MÃOS NO VOLANTE Downloads: Cerca de 37 mil Ano de lançamento: 2012 Disponível para: * O Ministério das Cidades ainda está em negociação com a App Store (Apple), que por política interna não aceita um aplicativo que bloqueia a chamada do iPhone.

O Brasil no seu celular O “Brasil Mobile” é um aplicativo da Embra­ tur destinado, principalmente, aos turistas es­ trangeiros. A tecnologia disponível em portu­ guês, espanhol e inglês fornece informações sobre os destinos brasileiros, seus atrativos tu­ rísticos e opções de roteiros. As cidades con­ templadas são Belo Horizonte, Brasília, Floria­ nópolis, Fortaleza, Manaus, Porto Alegre, Reci­ fe, Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo, Curitiba, Natal e Cuiabá. O dispositivo traz fotos das principais atrações e belezas naturais dos destinos e um guia de con­ versação e rotas de acesso por meio do Google Maps. Walter Vasconcelos, diretor de marketing da empresa, indica que a intenção da Embratur ao desenvolver esta ferramenta foi auxiliar o planeja­ mento da viagem por meio do celular, uma facili­ dade a mais para os turistas. “Além de apresentar aos visitantes a diversidade cultural e natural do Brasil e reforçar a imagem de modernidade do país, o aplicativo poderá facilitar a estadia do es­ trangeiro, desde a chegada no aeroporto", analisa.

Informação em tempo real

O aplicativo Voos Online, da Infraero, permite ao usuário consultar a situação dos voos de forma rápida e simples. O aplicativo foi lançado dentro da campanha “Fique Por Dentro”, que tinha como objetivo facilitar o acesso às informações dos ae­ roportos administrados pela Infraero. "Além dos dados sobre voos, o aplicativo traz o Guia do Pas­ sageiro, com dicas e informações importantes desde a compra da passagem até o desembarque", acrescenta Cibele Nunes, gerente de publicidade da Infraero. O aplicativo já está na 2ª versão e nela foram agregadas as informações da distância do ponto que o usuário está até o aeroporto e a previsão do tempo na cidade. Outra funcionalidade é o com­ partilhamento dessas informações pelas redes so­ ciais (Twitter e Facebook) e por mensagens de celular e e­mail. Em seis meses de lançamento, o Voos Online chegou a primeira posição da catego­ ria Viagens da App Store.

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ARTIGO

AMBIENTES ESCALÁVEIS PARA SGBD EM SOFTWARE LIVRE

O investimento em ambientes mais escaláveis e eficientes para sistemas de banco de dados, usando padrões de arqui‐ tetura de alto desempenho e software livre, permite ao Serpro modernizar sua plataforma tecnológica reduzindo custos com licenças de software. Isso, resulta em benefícios tanto para empresa quanto para seus clientes.

* por Flávio Gomes

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scalabilidade é a capacidade que um siste­ ma, uma rede ou processo, tem de lidar com o aumento da carga de trabalho. Um sistema escalável é um sistema que está preparado para crescer. Um sistema de software é escalável quando é possível aumentar o seu desempenho pelo acrésci­ mo de recursos de hardware. Ou seja, quanto mais processadores e mecanismos de armazenamento forem adicionados, melhor será a performance do software. A necessidade por sistemas escaláveis está no custo da manutenção. Decisões de arquitetura são difíceis de mudar. E se esta não for escalável, o custo para modificar o software para que ele aceite e faça uso dos recursos de hardware acrescidos é bastante alto. A demanda por informação só aumenta, assim como a quantidade de dados que precisam diaria­ mente ser lidos e gravados em grandes bases de da­ dos. O Serpro chega a operar 6 bilhões de transações on­line por ano nos serviços mainframe. Os mainframes geram custos altíssimos, na com­ pra, manutenção e profissionais qualificados para li­ dar com eles. O mercado de clientes do mainframe é restrito e tem dificuldades de se expandir, pois hoje existem outras alternativas. Como a computação em

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grade e a computação em nuvem, que permitem utilizar conjuntos de máquinas de menor porte trabalhando de forma distribuída, com igual ou su­ perior poder de processamento. No entanto, só equipamento não é suficiente. É preciso disponibili­ dade de software escalável para a denominada 'pla­ taforma baixa'. Para manter e ampliar seus níveis de serviço, o Serpro precisa investir em ambientes computacionais escaláveis e eficientes para sistemas gerenciadores de bancos de dados corporativos. A premissa do uso de software livre é uma opção estratégica para per­ mitir a evolução tecnológica desses ambientes de forma segura e eficiente, sem o estabelecimento de dependência de fornecedores e consequente aprisi­ onamento tecnológico. O PostgreSQL é um poderoso sistema gerencia­ dor de banco de dados objeto­relacional livre, com mais de 15 anos de desenvolvimento ativo e uma arquitetura, que ganhou forte reputação de confia­ bilidade, integridade de dados e correção. Na Universidade Federal do Paraná (UFPR) existe um centro de pesquisa, chamado C3SL (Centro de Computação Científica e Software Livre), que possui uma linha de pesquisa para sistemas computacionais avançados e um projeto de persistência de dados em


ENTENDA O PROCESSO DE SISTEMA ESCALÁVEL

larga escala. E já existem projetos de pesquisa en­ volvendo PostgreSQL na UFPR. Em 2011, o Serpro assinou um convênio com a UFPR para o desenvolvimento de uma pesquisa ci­ entífico­tecnológica em ambientes computacionais escaláveis e eficientes para sistemas gerenciadores de banco de dados corporativos, inteiramente base­ ados em software livre. A pesquisa foi dividida em três linhas temáticas: • Teste de desempenho em ambiente escalável e eficiente com PostgreSQL; • Padrões de arquitetura de alto desempenho em software livre; • Definição de estratégia de migração de banco de dados relacionais para PostgreSQL.

A UFPR desenvolverá um projeto piloto para cada linha temática, além de transferir conhecimento por meio de seminários, artigos e relatórios técnicos. Até o momento, os pesquisadores já apresentaram vári­ os resultados de pesquisas em otimização de con­ sultas, metodologia incremental de teste de estresse, sistemas baseados em MapReduce e mi­ gração colaborativa para PostgreSQL. O presente artigo é baseado nas avaliações reali­ zadas na Pesquisa Aplicada em Ambientes Compu­ tacionais Escaláveis para Sistemas Gerenciadores de Banco de Dados baseados em Software Livre.

FLÁVIO GOMES LISBOA Analista de desenvolvimento de sistemas do Serpro, desde 2005. Atuou na Supe­ rintendência de Soluções de Desenvolvi­ mento e agora trabalha na Coordenação Estratégica de Tecnologia. É contribuidor oficial do Zend Framework e autor de três livros sobre essa plataforma de de­ senvolvimento para PHP. Criou o branch pgsqlbackend para o projeto open sour­ ce Tine 2.0, que é a base do Expresso 3.0. É co­autor da biblioteca PHP Serpro, no padrão Zend. Foi funcionário de car­ reira do Banco do Brasil, onde chegou a analista da diretoria internacional. Tam­ bém foi professor de pós­graduação e atua como instrutor de desenvolvimento com foco em software livre.

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CAPA

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Em junho, o Rio de Janeiro torna‐se palco da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20. Líderes de todo o mundo discutem como alcançar o equilíbrio entre desenvolvimento econômico e social e a preservação do meio ambiente. A tecnologia é essencial nesse caminho.

A

* por Leonardo Barçante Rio+20 marca as duas décadas de realização da Conferência da ONU sobre Meio Ambien­ te e Desenvolvimento, conhecida como Rio­ 92. Sua proposta é contribuir para a defini­ ção de uma agenda global para o desenvolvimento sustentável nos próximos anos. Extinção de espécies, mudanças climáticas, desigualdades sociais, pobreza, in­ tensificação de desastres naturais e contaminação da bi­ osfera: todos esses tópicos, tão próximos e presentes no cotidiano de cada um dos mais de 7 bilhões de habitan­ tes do planeta, ilustram bem a importância e a urgência de se reconhecer e atacar o problema de forma conjun­ ta, coordenada e em escala global. Diante desse cenário, a inovação tecnológica pode ser um caminho chave, mas só se vier orientada e acompanhada de vontade política e mobilização social. Essa é a opinião de Carlos Afonso Nobre, secretário de

Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). “Só a tecnologia não vai levar o mundo a esse novo pata­ mar de desenvolvimento. Para chegarmos a isso, preci­ samos, além dela, de um posicionamento democrático da sociedade, firme e resoluto, em direção às três di­ mensões interdependentes do desenvolvimento susten­ tável: o desenvolvimento social, intimamente ligado ao desenvolvimento econômico, intimamente ligado ao uso racional do capital natural. Essas três coisas não se separam nessa visão”, explica o secretário. Doutor em Meteorologia pelo Massachusetts Institu­ te of Technology (MIT) e com um Prêmio Nobel no cur­ rículo por integrar o Programa Internacional da Geosfera­Biosfera (IGBP na sigla em inglês), Carlos No­ bre afirma que a tecnologia é, na verdade, um instru­ mento importante para todas essas dimensões. “Não só

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no aspecto do mundo físico, da produção da energia limpa; é muito mais do que isso. Por exemplo, um dos requisitos para um mundo sustentável é uma nova visão de educação voltada para a inovação. Nós temos que inovar as relações sociais, de consumo e de uso dos recursos naturais. São importantes transformações e a tecnologia está aqui para nos auxi­ liar. Mas ela sozinha não dá conta do recado, ela precisa das grandes decisões sociais, políticas e democráticas da socieda­ de”, acrescenta.

Oportunidade de liderar

Na avaliação de Carlos Nobre, a Rio+20 traz uma oportunidade histórica para o Brasil exercer uma liderança nesse debate. “O Brasil de 2012 é muito diferente do de 1992. Se ainda nos encontramos algo distantes de sermos um país plenamente desenvolvido, o fato é que todos os indicadores de desenvolvimento sustentável melhoraram. Vinte anos depois, o país não será apenas palco da confe­ rência, pois apresenta resultados em vários aspectos, vári­ as métricas de desenvolvimento sustentável”, afirma. Entre esses aspectos, o secretário cita a redução do índice de desmatamentos, a posse de uma matriz ener­ gética menos poluente que a média dos países mem­

bros da OCDE (Organização para a Cooperação e De­ senvolvimento Econômico), a melhoria nos indicadores sociais, como segurança alimentar, redução da mortali­ dade infantil e da pobreza extrema, além de progressos na educação. “O Brasil tem, escrito em lei, metas voluntárias de re­ dução das emissões de gases de efeito estufa até 2020. É o único país em desenvolvimento que chegou tão lon­ ge ao colocar o compromisso em lei. Por tudo isso, hoje o Brasil está numa posição ímpar e lidera essa discussão. Liderar pelo exemplo, e não pela retórica”, argumenta o secretário do MCTI.

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Agenda 21 Há 20 anos, na Rio­92, os países e a sociedade já conheciam bem o problema que ameaça o equilíbrio da vida no planeta. E a solução orquestrada na época foi a aprovação de um documento histórico, a Agenda 21, que pode ser considerada a mais abrangente ten­ tativa já realizada de promover, em escala planetária, um novo padrão de desenvolvimento. Com 40 capítu­

O Brasil tem, escrito em lei, metas voluntárias de redução das emissões até 2020. É o único país em desenvolvimento que chegou tão longe ao colocar isso em lei. Por tudo isso, hoje o Brasil está numa posição ímpar e lidera essa discussão. los, ela se define como um instrumento de planeja­ mento para a construção de sociedades sustentáveis que concilia métodos de proteção ambiental, justiça social e eficiência econômica. Entretanto, mesmo tendo se constituído como subsí­


dio importante para políticas públicas de combate à po­ breza e ao desmatamento no Brasil, especialistas avali­ am que ela não se aproximou da sociedade civil tanto quanto deveria, sendo um documento ainda desconhe­ cido em várias localidades do país e do mundo. A Rio+20 é a oportunidade para se resgatar esse es­ forço, corrigir rumos e adequar as propostas às novas questões que surgiram em mais de duas décadas de crescimento populacional e aceleração do consumo de recursos naturais. De acordo com o Comitê Nacional de Organização da Rio+20 (CNO), criado pelo governo fe­ deral para viabilizar o evento, esse é o objetivo da confe­ rência: “renovação do compromisso político com o desenvolvimento sustentável, por meio da avaliação do progresso e das lacunas na implementação das decisões adotadas pelas principais cúpulas sobre o assunto, além do tratamento de temas novos e emergentes”. Para isso, a partir do dia 13 de junho, o Riocentro passará a ser território das Nações Unidas e palco da agenda intergovernamental da conferência, que contará com cerca de 50 mil credenciados, distribuídos entre im­ prensa, sociedade civil e delegações oficiais dos 193 Es­ tados­membros da ONU, incluindo 100 chefes de Estado. Um grande evento, que além de gerar expecta­ tiva de respostas e soluções para inúmeras questões so­ cioambientais, vai exigir um grande esforço de logística e infraestrutura tecnológica dos organizadores.

Organização

Qual será a marca do Brasil na organização da confe­ rência? Segundo o ministro Laudemar Aguiar, secretário

do Comitê Nacional de Organização da Rio+20, os pre­ parativos para o evento foram apoiados em um tripé formado pelos princípios da acessibilidade, conectivida­ de e sustentabilidade. A assessoria de imprensa do CNO destaca que a acessibilidade vai além da adequação de espaços para pessoas com deficiência. Busca também aspectos de mobilidade urbana e disponibilidade da in­ formação, garantindo o acesso de todos aos conteúdos públicos da conferência e às transmissões ao vivo. Para o CNO, aí entra a conectividade, que está intrin­ secamente ligada à inclusão social, pois a universaliza­ ção do acesso e o compartilhamento da informação

que vai circular dentro da Rio+20 é uma novidade em relação à conferência anterior e pode ser um fa­ tor decisivo para o envolvi­ mento da sociedade. Destaque para acesso sem fio à internet nos locais do evento, webcast e trans­ missão ao vivo em alta de­ finição das salas principais. Do lado da sustentabilida­ de, o CNO informa que a Rio+20 será orientada à mini­ mização dos impactos ambi­ A tecnologia é uma entais decorrentes de sua realização. A ação mais im­ condição absolutamente portante nesse sentido, se­ necessária para a gundo o Comitê, será a adoção do conceito “paper construção de um futuro wise”, que em português sustentável para o significa papel com sabedo­ ria e na prática quer dizer planeta. Mas como tudo uso racional do papel. Para que tem a ver com isso, será montada uma nu­ vem de dados no Riocentro tecnologia, ela não é e será estabelecido um trâ­ suficiente”. mite eletrônico para os do­ cumentos envolvidos nas negociações entre os 193 países da ONU, o que vai adicionar um nível alto de criticidade à rede local a ser implantada.

Infraestrutura de TI Grande parte dos aspectos de sustentabilidade, co­ nectividade e acessibilidade só serão possíveis porque está sendo montada uma infraestrutura tecnológica compatível com a magnitude do evento. O Serpro, em­ presa pública do governo federal, foi contratado pelo CNO para prestar consultoria técnica na elaboração da arquitetura e especificação da solução tecnológica que

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Arquivo Serpro

dará suporte à conferência e para a hospedagem do sis­ operação do sítio, arma­ tema que fará o monitoramento contínuo da logística zenamento de dados de da Rio+20. forma estruturada, infra­ "Um evento dessa importância e com esse alcance estrutura de hardware, global deve estar preparado para que o acesso à infor­ software e suporte técni­ mação e a disponibilidade de comunicação favoreçam co especializado para a os resultados esperados. Nós atuamos na elaboração e produção e monitoramento de nas especificações para a licitação. Estamos presentes desempenho e segurança. também na validação da solução proposta pelo vence­ Já a estrutura geral do evento contará dor do certame e daremos com conexão por apoio no gerenciamento da videoconferência entre Podemos comparar o Riocentro e os espaços solução de TIC (Tecnologia da Informação e Comunicações) temporários na cidade, com a Rio+20 como um durante a conferência", deta­ cerca de 2500 computadores, grande sistema no qual entre desktops e notebooks, lha Marcio Brigidi, assessor da Diretoria do Serpro. para uso das delegações in­ se faz necessária a A empresa também é a ternacionais, membros da integração de vários responsável pelo desenvolvi­ ONU e governo brasileiro, mento e produção de um fatores, como humanos, além de painéis eletrônicos e portal para a conferência de autoatendimen­ tecnológicos e logísticos, terminais (www.rio20.gov.br). “O ambi­ to. Ainda segundo Brigidi, o ente utilizou os mesmos mé­ CNO vai instalar dois links re­ para citar apenas os todos e processos comuns dundantes de 5 Gbps para o principais. aos sítios e portais desenvolvi­ acesso sem fio à internet dos dos pelo Serpro, em platafor­ 50 mil credenciados previstos. ma aberta Zope/Plone, versão 3.3.5”, informa Brigidi. O “Esses serviços de TIC estarão distribuídos pelos diversos pacote do portal contempla não só sua criação, mas ambientes que compõem o escopo da conferência também serviços de hospedagem, monitoramento e Rio+20, sendo o Riocentro o ambiente principal e as de­ mais estruturas para atender a sociedade civil – Pier Mauá, Galpão da Cidadania, Museu de Arte Moderna, Vivo Rio, Aterro do Flamengo, Parque dos Atletas (Cida­ de do Rock) e Arena da Barra. Os pontos de informação devem ser instalados em hotéis, aeroportos e a rede de comunicação deve garantir a atualização dos aplicativos e do conteúdo”, acrescenta. “A Rio+20 é um evento desafiador para nosso país”, destaca o diretor­presidente do Serpro, Marcos Mazoni. “Considero um dos eventos mais dramáticos em termos de teste para o Brasil. É um evento que instiga nossa cri­ atividade porque temos um tempo muito curto para a preparação. O Ministério da Defesa assumiu a responsa­ bilidade da mobilidade 'humana'. Nós, em parceria com o governo do Estado do Rio de Janeiro, montamos a es­ trutura tecnológica para dar suporte a essa mobilidade”, explica Mazoni. Ele acrescenta que todos os ambientes tecnológicos estarão disponíveis para os mais de dois

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mil jornalistas internacionais e para as mais de 100 mil pessoas do mundo da ecologia que estarão na capital fluminense para discutir sustentabilidade.

Conhecimento rumo à sustentabilidade

Para Marcio Brigidi, o Serpro tem sido peça funda­ mental no apoio ao governo brasileiro em relação à ne­ cessidade de suportar sistemas que exijam grandes capacidades, quer seja de guarda, de processamento e de comunicação de informação, quer seja de mobiliza­ ção de recursos. Por isso, a empresa foi a escolhida para apoiar o CNO no quesito tecnologia. “Podemos comparar a Rio+20 como um grande sis­ tema no qual se faz necessária a integração de vários fatores, como humanos, tecnológicos e logísticos, para citar apenas os principais. Nossa participação se con­ centrará na vertente tecnológica. Todos querem um mundo sustentável e o Serpro faz sua parte para con­ tribuir com esse esforço. A empresa desenvolve solu­ ções que contribuem para a redução do uso de recursos, como a Nota Fiscal Eletrônica, que promo­ vem economia e agilidade, caso do Projeto Porto sem Papel, e que buscam o uso cada vez mais eficiente e eficaz da tecnologia. Isso permite uma vida mais fácil ao cidadão, com sistemas e serviços que evitam deslo­ camentos das pessoas e facilitam sua relação com o poder público”, explica Marcio Brigidi.

saiba mais Portal Rio+20 ­ URL: www.rio20.gov.br Agenda 21 do Brasil ­ URL: www.mma.gov.br/agenda21

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MERCADO DE TI

PROCURA-SE PROFISSIONAL DE TI Empresas adotam estratégias para combater a carência de mão de obra no mercado brasileiro de tecnologia da informação

Foto de divulgação

U Fabrício de Freitas converteu a carência de mão de obra em TI em um trampolim para sua carreira

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ma empresa precisa de 60 profissionais para um projeto que deve começar em 15 dias. Ela oferece uma boa remunera­ ção e benefícios. Em muitos casos, uma oferta como essa seria logo preenchida. Porém, quando se trata de profissionais de TI, o prazo para contratação termina e as vagas não são ocupadas: um cenário recorrente no país, que fechou 2011 com um déficit de 92 mil especialistas e prevê uma carência de 115 mil em 2012. “É nítido que falta mão de obra”, comprova André Assef, diretor comercial da empresa Desix, perita em recrutamento e seleção para o segmento de TI. “Até 2020, serão necessários cerca de 750 mil novos profissionais para o mercado de tecno­ logia”, estima Sérgio Sgobbi, diretor de educação e recursos humanos da Associação Brasileira de Em­ presas de Tecnologia da Informação e Comunica­ ção (Brasscom). “Historicamente, o setor de TI cresce a taxas acima do PIB, essa expansão do próprio setor exige novos especialistas. E a tecno­ logia é, e será, cada vez mais utilizada por empre­ sas de outros setores e por toda a sociedade”, lembra Sgobbi. “A tecnologia muda a todo instan­ te, e a carência será permanente”, reforça Assef.

* por Vanessa Borges

Luta contra a escassez Para driblar o desenvolvimento tecnológico acelerado e a consequente falta de pessoal qualifi­ cado, as empresas apostam em diferentes estraté­ gias. “Constatamos dez funções em TI que representam 93% das contratações no país, todas são carentes de profissionais e com demandas crescentes”, avalia Sérgio Sgobbi. “Mas não adi­ anta, por exemplo, formar engenheiros de softwa­ re se a procura em um local é por analistas de sistemas. Estamos mostrando aos centros de for­ mação do país quais são as reais demandas de mão de obra para o mercado”, completa. Outra ação é a batalha contra os 87% de eva­ são nos cursos superiores de TI, índice que preju­ dica o já carente setor. A proposta é desmistificar estereótipos e atrair estudantes com perfil ade­ quado para o segmento. “Esse jovem precisa ter algumas características específicas, como capaci­ dade analítica, meticulosidade e criatividade, para ser um bom profissional de TI. Mas ele não tem que ser um nerd”, esclarece Sgobbi. “Certamente o aluno de TI não é um sujeito que estuda 24 horas por dia. Ele tem rotina social intensa e preza pela qualidade de vida”, completa o professor doutor


Ricardo Gudwin, do Departamento de Engenharia de Computação e Automação Industrial da Univer­ sidade Estadual de Campinas (Unicamp). Além do foco em novos talentos, outro cami­ nho trilhado é a reciclagem e a capacitação dos que já estão no mercado de trabalho. “As empre­ sas investem em programas de educação conti­ nuada e pagam, em parte ou integralmente, espe­ cializações, cursos de língua estrangeira e outros estudos para seus funcionários. Quanto mais facili­ dades, maior será a vontade de permanecer na empresa”, analisa André Assef, da Desix. Já Ricardo Gudwin acredita que a terceirização pode ser uma das saídas para o déficit de compe­ tências em TI. A opinião dele vai ao encontro de um recente dado divulgado pela Computer Tech­ nology Industry Association (CompTIA), que mos­ trou que 38% das organizações dos Estados Unidos optam por terceirizar suas equipes de tec­ nologia para lidar com o problema. “Ano a ano, percebemos que um grande nú­ mero de nossos alunos não quer entrar no merca­ do, e sim ser os donos desse mercado. Eles se juntam para abrir o próprio negócio e começam a vender serviços. Poderemos vivenciar um fenôme­ no de terceirizações, as organizações vão adquirir o serviço de outra empresa em vez de terem os funcionários dentro de seus quadros”, prevê o professor da Unicamp.

Sinônimo de oportunidade Formar novos alunos, diminuir o abandono es­ colar, treinar profissionais veteranos, empregar

políticas públicas, terceirizar mão de obra: seja qual ou quais as medidas adotadas, o crescimento do setor de TI continua um desafio para o país e, ao mesmo tempo, é uma grande chance para quem quer transformar carência em sucesso. Fa­ brício de Freitas, de Goiânia, é um exemplo disso: graduado em Sistemas de Informação há sete anos, possui diferentes certificações e pós­gradua­ ções, cursa mestrado, e concilia as ações de ge­ rente de TI em uma empresa do ramo imobiliário com as atividades de professor universitário, de consultor em infraestrutura e serviços, e ainda de gerente de projetos em seu próprio empreendi­ mento de tecnologia. “O profissional de TI não trabalha mais em uma salinha isolada. Ele está na ponta, interfere na to­ mada de decisões, atua em diferentes áreas”, compartilha Fabrício. “O segredo é se atualizar, se relacionar com as pessoas, ficar de olho no merca­ do, não parar jamais. Ainda que o setor tenha mi­ lhares de vagas, é preciso melhorar e inovar sempre”, ensina Fabrício. O professor doutor da Unicamp concorda: “o profissional de TI deve estar antenado às tecnologias de ponta que o mercado traz”, ressalta Ricardo Gudwin. Em atenção a esse cenário de escassez e neces­ sidade de atualização profissional constante, o governo federal contemplou o setor de TI no Pro­ grama Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), que oferece, para estudantes ou empresas, bolsas de estudo e financiamento para cursos de qualificação profissional. No total, serão R$ 24 bilhões em investimentos até 2014.

“Até 2020, serão necessários cerca de 750 mil novos profissionais para o mercado de tecnologia” Sérgio Sgobbi

Analista de desenvolvimento de sistemas Analista de suporte computacional Programador de sistema da informação Técnico em manutenção de equipamentos de informática Técnico de apoio ao usuário de informática Analista de redes e de comunicação de dados Operador de computador

Programador de internet Analista de sistemas de automação Operador de rede de teleprocessamento

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E­PROCESSO

CIDADÃOS MAIS PERTO

DO FISCO Sistema desenvolvido pelo Serpro facilita a vida daqueles que precisam de serviços da Receita e dá início à era digital dos processos tributários no Brasil

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endências com a Receita Federal do Brasil (RFB) podem deixar de ser uma dor de cabeça para os brasileiros. A RFB consolidou oficialmente a im­ plantação do sistema Processo Admi­ nistrativo Digital, o e­Processo, sendo agora possível para o contribuinte acompanhar pela in­ ternet a tramitação do seu processo, além de re­ solver problemas pelo site da instituição. A solução, desenvolvida pelo Serviço Federal de Pro­ cessamento de Dados (Serpro), está disponível desde o fim do ano passado e a prerrogativa para usufruí­lo é ter certificação digital. As vantagens também são sentidas dentro do órgão. Para Marcelo de Sousa Silva, assessor da Secretaria da Receita Federal e autor do livro “Im­ plantação de um governo eletrônico: e­Gov” (edi­ tora Brasport, 2012), a celeridade processual

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* por Lea Cunha sempre foi uma meta da RFB. “Além de uma ges­ tão eficaz, era preciso mudar o método de traba­ lho, dando um salto em eficiência. Os entraves do papel não permitiam evoluir no ritmo em que de­ sejávamos e os estoques de processo continuavam elevados”, lembrou. O e­Processo está presente em todas as áreas da Receita, inclusive nas de Logística e de Pessoal. Ele já foi implantado, ainda, na Procuradoria Geral da Fazenda Nacional e no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. São cerca de 700 unidades admi­ nistrativas que já substituíram o papel pela imagem.

Marco histórico

O sistema modernizou a gestão da informação nessas instituições. Segundo o coordenador de Negócios e­Processo do Serpro, Alexandre Cheva­ lier, a ideia desenvolvida e praticada pela solução


O começo dos processos digitais...

2003

Constituiu-se um grupo de trabalho interdisciplinar para estudar e propor a criação de um processo administrativo digital

2004

O grupo entregou à Receita Federal um pré-projeto com as premissas necessárias e foi aberta oficialmente uma demanda para a criação de um sistema que atendesse ao novo desafio

2005

O projeto recebeu mais recursos financeiros e humanos, canalizados para o início do seu desenvolvimento. O Serpro foi acionado para levantamento de requisitos e para início da construção do sistema

2006

Em março, foi implantado e criado o primeiro processo digital em produção na Delegacia da Receita Federal em Salvador

oferece maior transparência e permite a troca de dados entre entes e os agentes responsáveis pelo Macro Processo de Crédito Tributário no Brasil. “O e­Processo cumpre um papel histórico, quebra paradigmas. O elemento central é permitir o Gerenciamento Eletrônico de Documentos, no caso, o Processos Administrativo Digital com workflow, surfando em dutos de fibra óptica em fração de segundos, reduzindo o tempo de trami­ tação entre as áreas afins. Além de ser um sistema ecologicamente sustentável – uma vez que elimina o uso do papel, também reduz significati­ vamente a necessidade do contribuinte se deslocar até os centros de atendimento ao contribuinte da Receita Federal do Brasil”, disse. Com a nova modalidade de serviço, a Receita Federal, representando o Brasil, concorreu com paí­ ses do continente americano e europeu e ganhou o prêmio de melhor ação pública em 2011 no Con­

curso de Innovación, outorgado pelo Centro Inte­ ramericano de Administrações Tributárias (CIAT). Em 2012, o e­Processo venceu o Prêmio Enap de me­ lhor inovação do governo federal, concedido pelo Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão.

Benefício para gestores e usuários

Para tornar o sistema efetivo, foram desenvolvi­ dos módulos, cujos públicos­alvo são atendidos a partir de dois cenários: o acesso via intranet, para aproximadamente 35 mil servidores públicos que trabalham com o serviço; e o acesso via internet, que permite o acesso à população. Segundo Marcelo de Sousa, a iniciativa aponta diminuição nos gastos da Receita. “Somente com a economia de correios para movimentar os proces­ sos entre as unidades de lançamento até as de jul­ gamento, já são cerca de R$ 20 milhões a menos por ano, valor superior a todo o custo de desen­

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volvimento do sistema. Outro aspecto é a econo­ mia na impressão de papéis, antes necessários aos anexos do processo. Hoje, todos os documentos criados na repartição são anexados eletronica­ mente”, apontou o assessor da instituição.

Renovação do atendimento

O assessor da Receita explica que já foram ini­ ciadas sessões de julgamento virtual, com partici­ pação de servidores de diversas localidades, sem a necessidade de deslocamento, custo de passagens e diárias. “Com essa mudança, espera­se duplicar a produtividade do julgamento dos processos feitos em lotes de temas comuns”, estimou.

A Receita pretende também investir na digitali­ zação dos processos criados antes da chegada do sistema. A marca, hoje, supera um milhão de pro­ cessos digitais. Algumas regiões fiscais, como a 8ª RF – São Paulo, tem como meta digitalizar o esto­ que de todas as suas unidades operacionais até o final de 2012. O próximo passo será a construção de uma no­ va fase do Módulo Contribuinte, onde o cidadão poderá solicitar o protocolo de qualquer processo via internet, além de ser atendido, por chat, pelos servidores da Receita. Os atendimentos não con­ clusivos serão encaminhados internamente via processo digital.

Sem filas

A contadora Ana Amélia Dias aprova a digitalização dos processos da Receita

Foto: Arquivo Serpro

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A contadora Ana Amélia Dias, funcionária da organização não­governamental ANDI ­ Comuni­ cação e Direitos, é usuária dos processos digitais da Receita Federal. “Tudo agora é feito pela inter­ net. Consultamos a situação fiscal e o Simples Na­ cional das empresas que receberão pagamentos, enviamos mensalmente o Demonstrativo de Apu­ ração de Contribuições Sociais e a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais”, detalha. Ana Amélia lembra das dificuldades dos tempos do papel, quando a ANDI teve uma pendência na Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte e na Relação Anual de Informações Sociais. Como não conseguiu emitir a certidão negativa, ela pre­ cisou ir em um posto de atendimento da Receita e esperar por seis horas em uma fila. Quando aten­ dida, foi informada que precisava apresentar as in­ formações previdenciárias de alguns anos anterio­ res. Teve que voltar à instituição, procurar os do­ cumentos no almoxarifado e só após esse trâmite, conseguiu dar baixa na pendência. A situação hoje é diferente e mudou para me­ lhor. “Já em 2011, tivemos uma pendência seme­ lhante e tudo foi resolvido pelo site da Receita. Pagamos os documentos de arrecadação e a rápi­ da resposta acelerou nosso trabalho. Fora que, pe­ lo papel, vários documentos podiam estar preen­ chidos de forma errada ou incompleta, o que nos fazia ir e voltar ao posto de atendimento inúmeras vezes”, desabafa aliviada.


A Tematec é uma publicação da Revista Tema cons­ tituída por artigos técnicos sobre aplicações tecnoló­ gicas. A participação na Tematec é aberta aos empregados do Serpro, clientes e comunidade cien­ tífica. Os interessados devem entrar em contato pelo e­mail: comunicacao.social@serpro.gov.br.

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CARCARÁ: UMA SOLUÇÃO CIENTE DE CONTEXTO PARA CONTROLE DE ACESSO A REDES Uma rede de computadores corporativa convenci­ onal conta com diversas ferramentas e soluções de se­ gurança, como antimalware, IDS/IPS, firewalls, entre outras, para garantir a integridade, a confidencialidade e a disponibilidade dos dados e informações perten­ centes a essa organização. A troca de informações entre essas várias ferramen­ tas de segurança de uma rede pode ser utilizada para incrementar a capacidade de detecção e reação a pos­ síveis ataques em um ambiente de rede ou para me­ lhorar o controle de acesso aos recursos por ela disponibilizados. Nesse sentido, o Network Access Control (NAC) é uma solução que busca unificar as tecnologias de segu­ rança disponíveis no mercado, com intuito de prover maior controle ao acesso de dispositivos clientes a uma rede de computadores. Atualmente, existem no merca­

do várias implementações de NAC, mas com aborda­ gens diversas e com pouca integração entre si, visto que a indústria não conseguiu ainda chegar a um consenso em relação a um padrão unificado. Em consequência desse cenário, os grandes fabricantes de soluções de NAC têm encontrado dificuldade em atender organiza­ ções que possuam um ambiente de rede heterogêneo, composto por diversas plataformas e sistemas operacio­ nais, como é o caso do Serpro.

NETWORK ACCESS CONTROL

A ideia central de uma solução de NAC (Figura 1) é conceder ao cliente (Posture Agent), o acesso a um am­ biente de rede, somente após uma série de verificações MAI/JUN 2012 |

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TEMATEC de segurança, de acordo com regras preestabelecidas em um servidor de monitoramento (Policy Server). Caso o clien­ te não esteja em conformidade com tais regras, é direcionado, via Network Access Device, para um segmento isolado e especificamente configurado para permitir que suas vulnerabilidades sejam tratadas sem que haja comprometimen­ to dos segmentos em produção (rede de quarentena).

RECONHECIMENTO DE CONTEXTO A computação ubíqua ("em toda parte") é uma área de pesquisa emergente, interessada na abstração de novas formas de interação usuário­computador. Uma relevante subárea do estudo da computação móvel e ubíqua é o reconhecimento de contexto. Os sistemas baseados no reconhecimento de contexto adaptam seu comportamento automaticamente, de acordo com determi­ nadas circunstâncias que podem, em princípio, ser algo fisicamente medido ou detectado, como a presença de um usuário, a hora do dia, a localização geográfica, dentre outros exemplos.

O CARCARÁ

O Carcará é uma solução de NAC com capacidade de ciência de contexto, composta por um elemento principal integrado a um conjunto de ferramentas de software livre. Seu objetivo é controlar o acesso e a permanência de dispositivos em uma rede. Para tanto, deve interagir com a infraestrutura de segurança existente, ou seja, com os diferentes sensores que a rede possui, como antivírus, sistemas de detecção de intrusão, ferramentas de análise de vulnerabilidades, entre outras. O elemento principal do Carcará é um programa servidor que faz o papel de Policy Server, sendo composto por três módulos (Figura 2):

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CORENAC: módulo de controle, responsável pela análise de registros de eventos (logs) e pelo envio de ins­ truções para os ativos de rede. PLUGINS: Funciona como uma interface de comuni­ cação do Corenac com cada tipo de ativo de rede. CONFORM: Comunica­se constantemente com as ferramentas de segurança e de contexto, com o objetivo de reportar para o Corenac qualquer inconformidade em algum cliente específico. O módulo Corenac interage com os módulos Con­ form e Plugins, para obter informações acerca do estado de conformidade dos dispositivos da rede e para reposi­ cionar essas máquinas nos segmentos de rede mais ade­ quados, através da aplicação dinâmica de VLANs (modo Out­of­Band), ou para isolá­las através da aplicação de regras de firewall (modo In­Band).

de memória RAM utilizada; a quantidade de processos em execução; além de outras. Para realizar uma prova de conceitos dessas métricas, foi desenvolvido um software para smartphones com sistema operacional Android, responsável pela coleta dos contextos nessa plataforma. Uma vez coletadas as informações de contexto, esse software agente as envia para um servidor de monitora­ mento e segurança. Esse servidor, por sua vez, analisa os eventos através de uma heurística própria, e envia um comando para o Carcará, para que o mesmo possa ado­ tar ações de acordo com a mudança de contexto identi­ ficada pela aplicação (Figura 3).

PROCESSO DE ADMISSÃO

No caso das estações de trabalho e notebooks utili­ zados por funcionários, o processo de admissão de usuários na rede com o Carcará é feito utilizando auten­ ticação com 802.1x, e o posicionamento ou isolamento dos dispositivos na rede é feito através de VLANs. Dispositivos de redes, como impressoras e telefones IP, não se autenticam na rede. Para esses casos, o Car­ cará utiliza no processo de admissão, um recurso pre­ sente nos modelos de switches atuais: o MAB (MAC Authentication Bypass). Para os dispositivos móveis de funcionários, que acessam a rede através de segmen­ tos wireless, o processo de admissão é praticamente o mesmo do processo seguido pelas estações e notebo­ oks ligados à rede cabeada. No entanto, o controle de isolamento é realizado através da aplicação de regras de firewall. Por último, existe o processo de admissão para visi­ tantes, que também acessam a rede através de segmen­ tos wireless. Nesse caso, o controle de isolamento de máquinas inconformes também é realizado através da aplicação de regras de firewall. Adicionalmente, utiliza­se um Captive Portal a fim de realizar o cadastramento temporário de usuários.

TESTES E RESULTADOS Foram realizados com sucesso, em laboratório, al­ guns testes de exploração prática dos principais concei­ tos envolvidos na solução proposta, com o objetivo de demonstrar a aplicabilidade da solução em um ambi­ ente real. No teste de admissão de estações de usuários, o objetivo foi examinar o controle de VLANs através da implementação do módulo Plugin do Carcará. Já o tes­ te do agente para smartphones consistiu em simular uma infecção por malware a fim de observar o com­ portamento das métricas previamente apontadas, in­ vestigando os efeitos do ataque na mudança de contexto do dispositivo.

AGREGANDO INFORMAÇÕES DE CONTEXTO

Foi definido um conjunto de parâmetros que, uma vez fornecidos pelo sistema operacional, permitissem co­ nhecer o seu estado e o estado do hardware do disposi­ tivo durante uma tentativa de ataque a esse cliente. Esse conjunto de métricas proposto conta com infor­ mações, como o uso percentual da CPU; a quantidade

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TEMATEC

CLÁUDIO PEREIRA DA SILVA Graduado em Física pela UFRPE (2000) e Engenharia Eletrô­ nica pela UPE (2005). Pós­graduado em Criptografia e Segu­ rança em Redes pela UFF (2008). Mestre em Computação pelo CIN – UFPE (2010). Analista de Redes do Serpro. Atu­ almente, lidera o Setor Operacional de Infraestrutura em Recife. Instrutor Oficial Cisco, professor de graduação e pós­graduação em diversas faculdades. Possui as certifica­ ções RHCSA, CCNA, CCAI, CCSP e CCIE Written.

Arquivo pessoal

Graduado em Ciência da Computação pela UFPE (2004) e Pós­graduado em Criptografia e Segurança em Redes pela UFF (2008). Mestre em Tecnologias da Geoinformação pela UFPE (2010). Analista de Redes do Serpro. Atualmente, li­ dera a Divisão de Especialização em Linux e Virtualização. Experiência em ambientes Unix/Linux e professor das disci­ plinas de Sistemas Operacionais e Arquitetura de Computa­ dores em faculdades do Recife. Possui as certificações ITIL Foundation v3, RHCE, LPI­I, LPI­II e LPI­III.

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Arquivo pessoal

Arquivo pessoal

Embora não esteja ainda totalmente implementada, de acordo com os testes e resulta­ dos mostrados anteriormente, a solução proposta mostra­se bastante viável, e pode­se constituir em uma boa alternativa a ser adotada no ambiente do Serpro, que vem enfren­ tando dificuldades para encontrar no mercado uma solução que atenda plenamente aos re­ quisitos e particularidades de sua rede. Além disso, devido às suas funcionalidades de ciência de contexto, ainda pouco explora­ das em ferramentas de segurança equivalentes, a adoção do Carcará tornaria a rede do Ser­ pro adequada para receber o novo cenário de computação – complexo, heterogêneo e onipresente – que se aproxima, sem comprometer a segurança de seu ambiente.

PEDRO FRANÇA LIMA NETO Graduado em Engenharia da Computação pela UPE (2005) e Pós­graduado em Criptografia e Segurança em Redes pela UFF (2008). Analista de Redes do Serpro. Liderou a Divisão de Segurança em Infraestrutura de TIC em Recife e atualmente integra a equipe de segurança em Recife. Especialista em Se­ gurança da Informação e Redes Móveis, professor de gradua­ ção e pós­graduação em diversas faculdades e incentivador do Software Livre. Possui as certificações RHCSA e MCSO.


TI VERDE – UM ESTUDO APLICÁVEL ÀS EMPRESAS DE DESENVOLVIMENTO DE SOFTWARE INTRODUÇÃO A crescente preocupação da sociedade com ques­ tões ambientais levou ao desenvolvimento do termo `sustentabilidade`, que é um conceito relacionado a não agressão do meio ambiente e ao uso racional dos recur­ sos naturais do planeta. Seguindo nesse sentido, a TI Verde preza pela sustentabilidade tecnológica, ou seja, a busca pelo aperfeiçoamento contínuo do uso de equi­ pamentos e demais recursos tecnológicos. Além das im­ portantes questões ambientais, o presente estudo visa evidenciar que a adoção de práticas verdes pode contri­ buir para redução de gastos e melhoria da imagem cor­ porativa perante o mercado.

PRINCIPAIS ÁREAS DA TI VERDE A TI Verde pode ser subdividida em três grandes áre­ as correlacionadas: Economia de Energia Elétrica Corresponde ao uso racional de energia elétrica para utilização e resfriamento de equipamentos eletrônicos. Essa área é o passo inicial para disseminar a cultura sus­ tentável em uma organização. Reciclagem de Resíduos Eletrônicos Os diversos materiais que compõem computadores,

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TEMATEC notebooks, entre outros, como cobre e chumbo, por exemplo, podem ser separados e reaproveitados. Em­ presas dedicadas exclusivamente à essa atividade têm se popularizado no país nos últimos anos. Cadeia Produtiva Sustentável É o terceiro nível que é diretamente relacionado à área anterior. Com o reaproveitamento de materiais, a matéria­prima que antes seria extraída da natureza pas­ sa a reabastecer o processo de produção. Este ciclo po­ de ser visualizado na figura 1, a seguir.

APLICAÇÃO EM EMPRESAS DE DESENVOLVIMENTO DE SOFTWARE Empresas de Desenvolvimento de Software são ge­ ralmente compostas de diversos equipamentos tecnoló­ gicos, como servidores, computadores, notebooks, entre outros, que provém todo o ambiente necessário para o desenvolvimento de soluções de software. Para manter estes equipamentos em pleno funcio­ namento e, muitas vezes, por tempo ininterrupto, é pre­ ciso que haja uma grande disponibilidade de energia elétrica. Além deste fato, é proporcionalmente necessá­ rio que sejam empregados meios para resfriar o ambi­ ente em que estes equipamentos estejam em operação. 6|

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Com base no cenário descrito anteriormente e visan­ do delimitar o escopo do estudo, serão abordados os principais fatores que incidem sobre a economia de energia elétrica em empresas de desenvolvimento de software. Mesmo que algumas práticas sejam consenso quando se fala em economia de energia é preciso que sejam reforçadas algumas recomendações, conforme tabela 1 abaixo.

CASO PRÁTICO No caso prático, foi analisado o computador do ti­ po desktop de um profissional da área de desenvolvi­ mento de software durante os meses de julho a outubro de 2011. Para realizar a coleta das informa­ ções do tempo de uso deste computador, foi utilizado um simples serviço que registrava a data e hora em que o computador era ligado e desligado. As caracte­ rísticas do hardware do computador são: processador Pentium 4 HT 3ghz, 1 GB RAM DDR­2 533mhz, HD 160 GB SATA II e monitor CRT 19’’. O computador tem uma fonte de 350 W, porém es­


te valor equivale à potência máxima que a fonte pode prover aos componentes do computador. Como o computador, geralmente, não utiliza sua capacidade máxima por longos períodos, foi considerada uma po­ tência real de 250 W. Com o monitor CRT, cuja potência é de 100 W, considerou­se como a potência média de todo o equipamento como 350 W. Para fins de comparação, foi feita a coleta de infor­ mações para mensurar quanto seria o consumo do equipamento se apenas o monitor CRT fosse substi­ tuído por um LCD do mesmo tamanho, cuja potência é de aproximadamente 30 W. Utilizando como base a definição do parágrafo anterior, substituindo o valor do monitor utilizado pelo de LCD, teremos a potência total de 280 W. Para complementar a comparação, avaliou­se a potência aproximada de um notebook, utilizado por analistas de negócio na empresa analisa­ da. Um notebook de configurações semelhantes ao desktop descrito anteriormente, possui a potência to­ tal de aproximadamente 70 W. De posse das informações anteriores, resta de­ monstrar o custo do KW/h cobrado na região da em­ presa analisada. De acordo com dados de 2011 da CEEE (Companhia Estadual de Energia Elétrica), o cus­ to do KW/h na cidade de Porto Alegre, é de R$ 0,31. Com os dados coletados pelo serviço instalado no computador durante quatro meses, foi possível obser­ var que este ficou ligado durante 1165,37 horas. Na figura 2 e na tabela 2, podem ser visualizados os va­ lores calculados nos três cenários citados:

No gráfico exibido na figura 2, é possível concluir que a utilização de um desktop com monitor CRT é a opção mais cara no quesito custo de operação, che­ gando a custar R$ 126,44 apenas para manter o equi­ pamento ligado nestes quatro meses. Apenas com a substituição do tipo de monitor, trocando­o por um LCD, este valor foi reduzido para R$ 101,15 no mesmo período, ou seja, uma diferença de cerca de 20%. No entanto, em termos de menor custo de operação a uti­ lização do notebook é indiscutível. Enquanto as duas opções anteriores são superiores a cem reais, o uso de um notebook é de apenas R$ 25,29, um valor 81% mais barato se comparado ao custo de um desktop com CRT e 77% mais barato quando comparado ao custo de um desktop com monitor LCD.

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TEMATEC

A sustentabilidade tem se tornado uma preocupação constante da sociedade. A preservação e a utilização consciente dos recursos naturais do planeta têm se mostrado um cuidado que além de trazer vantagens ecológicas, também contribui para redução de despesas com energia elétrica em residências e também nas empresas. Com as Empresas de Desenvolvimento de Software esta realidade não poderia ser diferente. Devido aos diversos equipamentos ligados, simultaneamente, a porta de en­ trada para práticas de TI Verde, nesses tipos de organizações, é a economia de energia elétrica. Devido a sua simplicidade, essa prática permite avaliação do retorno do investi­ mento em equipamentos mais econômicos sem grandes esforços.

Arquivo pessoal

A TI Verde é um vasto campo de estudos que abrange ainda, o uso de virtualização, green datacenters, reciclagem de componentes eletrônicos, entre outros, possibilitando novas pesquisas na área.

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GIORDANI DA SILVA RAMOS Bacharelando em Siste­ mas de Informação pela Faculdade Dom Bosco de Porto Alegre/RS. Técnico em Informática. Atua co­ mo Analista/Desenvolve­ dor de sistemas voltados para a área de Gestão Hospitalar na empresa Sa­ lux Informatização em Saúde. Dedica­se a pes­ quisas relacionadas a me­ lhores práticas no processo de desenvolvi­ mento de software, segu­ rança da informação e a relação da TI com demais áreas de conhecimento.


Foto: Agência Brasil

MEMÓRIA

AURORA DO VOTO DIGITAL Há 30 anos, nasciam as primeiras ideias que transformariam o sonho da “máquina de votar” em realidade com a chegada da urna eletrônica. Parte dessa história começou no Serpro, que colaborou no desenvolvimento da tecnologia das primeiras votações eletrônicas

P

resentes na vida de todos os brasileiros, a urna eletrônica revolucionou a forma como o povo brasileiro relaciona­se com a tecnologia e com o processo democrá­ tico. A inovação possibilitou uma maior agilidade no voto dos mais de 137 milhões de eleitores existen­ tes hoje, segundo dados da Justiça Eleitoral. E o Serpro teve uma participação especial nesta história. Começamos voltando à relativamente distante década de 1980 e à regional Curitiba, onde a ideia de uma “máquina de votar” foi concebida. Quem ajuda a contar essa história é Ricardo Telemberg, analista de atendimento do Serpro: “após as elei­ ções de 1982, vislumbrávamos várias possibilida­ des de modernização da tabulação dos votos, promovendo agilidade, segurança e transparên­ cia”, pontua.

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* por Victor Freire

Na época, a totalização dos votos por meio eletrônico já era uma realidade, embora restrita e relativamente primitiva. O primeiro programa de totalização de votos foi feito por meio de uma parceria do Serpro com Tribunais Regionais Eleito­ rais (TRE) de alguns Estados brasileiros, notada­ mente o TRE do Rio de Janeiro e de Santa Catarina. A parceria com este último seria crucial para o de­ senvolvimento da urna eletrônica. Foi neste Estado que ocorreram dois eventos importantes: o recadastramento de eleitores reali­ zado em 1986 em parceria com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a utilização de 400 computadores tipo PC­XT, com dados concentrados em um único 386, nas eleições presidenciais de 1989 em Floria­ nópolis. Eram equipamentos de ponta, segundo José Gilberto Tissei, então empregado do Serpro e


Em 1990, a proposta do TRE­SC a respeito da possibilidade do uso de computadores para um plebiscito chegou ao Serpro

Urna eletrônica: Serpro participou da concepção das primeiras unidades

um dos responsáveis pela concepção do sistema de totalização. “Os computadores chegavam a ter no máximo 10 megabytes de disco rígido e 500 kby­ tes de memória”. Em 1990, a proposta do TRE­SC a respeito da possibilidade do uso de computadores para um plebiscito chegou ao Serpro. Era uma realidade nova em relação às eleições anteriores, mas o de­ safio foi aceito, como conta Telemberg. “As dis­ cussões e ideias evoluí­ ram até chegarmos em uma solução inovadora, que já vínhamos so­ nhando mais intensa­ mente e começamos a tornar realidade”. O município de Urus­ sanga iria ser consultado a respeito da separação do então distrito de Co­ cal do Sul, em 1991, e a tecnologia de voto ele­ GIUSEPPE JANINO trônico teria então seu primeiro grande teste. Para tanto, foram adap­ tados computadores comuns, mas com uma pro­ teção colocada sobre o teclado, contendo as opções de voto e as teclas “confirma” e “corrige”. A adaptação dos teclados foi feita pelo Centro de Referência em Tecnologias Inovadoras da Universi­ dade Federal de Santa Catarina. A votação foi um sucesso, e os quase 5 mil eleitores interessados puderam votar sem proble­ mas (o resultado, por sinal, foi a favor do des­ membramento de Cocal do Sul). Daí em diante, outros plebiscitos foram realizados pelo TRE usan­

do a tecnologia, segundo Carlos Rogério Camargo, analista de Tecnologia da Informação do tribu­ nal.“Fizemos mais de 80 plebiscitos em todo o Brasil utilizando este equipamento e a nossa expe­ riência”, conta. Deste grupo de trabalho, participaram diversas empresas e centros de pesquisa brasileiros, e re­ sultaram na moderna urna eletrônica. Carlos Ca­ margo relembra alguns parceiros importantes: “estiveram presentes o Centro Técnico da Ae­ ronáutica (CTA), Institu­ to Militar de Engenharia (IME) e o Centro de Pesquisa e Desenvolvi­ mento da Telebrás, en­ tre outras instituições públicas e privadas”. Mesmo depois de tantas etapas, o pro­ cesso de evolução da urna não para: de acor­ do com Giuseppe Jani­ no, secretário de Tecno­ logia da Informação do TSE, estão previstos para ser incorporados sistemas de identificação biométrica do eleitor e o uso de certificados digitais para maior segurança contra fraudes. “A própria urna será capaz de reconhecer o eleitor através de sua digital”, diz. Segundo Giuseppe, outro motivo para come­ moração é o significativo interesse pela urna em outros países. “Mais de 50 nações já buscaram in­ formações sobre nosso sistema e alguns já estabe­ leceram cooperação conosco”, entre eles Argenti­ na, Paraguai, Equador, México e Haiti.

Mais de 50 nações já buscaram informações sobre nosso sistema e alguns já estabeleceram cooperação conosco

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PÁGINAS VERDES

EM PÉ DE IGUALDADE

O governo investe em produtos assistivos para que pessoas com deficiência e delimitadas pelo envelhecimento – quase 24% da população ‐ tenham mais autonomia, segurança e inde‐ pendência motora.

* por Concita Varella

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Novas linhas de crédito estão previstas para universidades, centros de tecnologia e empresas com ações e pesquisas no setor.

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penas um sopro para iniciar um sistema operacional, um avatar que fala a Lin­ guagem Brasileira de Sinais (Libras), a leitura do conteúdo na tela do com­ putador ativada com um toque. Essas invenções geniais já estão muito próximas de se torna­ rem realidade no Brasil. Em fase de testes, brevemente serão incluídas no mercado de tecnologia assistiva (TA), um conceito abrangente, que envolve produtos, estratégias e metodologias ligadas à au­ tonomia das pessoas com deficiência e que servem para melhorar a qualidade de vida. O Brasil, com seu grande potencial tecnológico, já de­ senvolve TA, mas muitos projetos de pesquisas anda­ vam isolados. Para aglutinar essas iniciativas, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ino­ vação criou o Centro Nacio­ nal de Referência em Tecnologia Assistiva (CNRTA), vinculado a outro centro, o de Tecnologia da Informação Renato Archer (CenPRA), e que nasce contando com a infraestrutura já existente nas unidades de pesquisa do ministério.

Fabiana Bonilha, uma das pesquisadoras respon­ sáveis pela implantação do CNRTA, explica que o Centro vai democratizar o acesso à tecnologia assis­ tiva, pois formará uma rede de pesquisa entre outras instituições e universidades ligadas ao estudo e de­ senvolvimento de TA. “Quanto mais a gente con­ seguir fortalecer essa rede, mais os produtos estarão acessíveis ao público”, constata. Além de pesqui­ sadora, Fabiana é usuária de produtos assistivos. Ela tem deficiência visual e empresta sua percepção como refe­ rência para os pesquisado­ res, na adaptação dos produtos à realidade.

Cidadão com renda até 10 salários mínimos pode obter linha de crédito do Banco do Brasil para compra de produtos assistivos. O valor financiado vai de R$ 30 a 70 mil com juros de 0,64% ao mês.

Horizonte promissor

“O senso de urgência é grande, não podemos es­ perar a maturação de um novo projeto, por isso a mobilização dessa rede”, justifica Victor Mammana, diretor do CenPRA. Segun­ do ele, estão sendo criados vinte núcleos de pesquisa, com possibilidade de expansão. Mammana considera que, mesmo com os riscos do processo de desenvolvimento tecno­


Incentivo à indústria nacional A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) opera R$ 150 milhões dentro do programa. Segundo a chefe do Departa‐ mento de Tecnologias Sociais, Patrícia Retz, cerca de R$ 20 milhões não reembolsáveis serão destinados ao financia‐ mento imediato de projetos cooperativos entre instituições científicas tecnológicas (ICT) e empresas brasileiras para o desenvolvimento e inovação de produtos assistivos. A Finep concluirá a chamada pública em julho de 2012. Na primeira fase, 182 empresas brasileiras apresentaram pro‐ postas para fabricação de produtos assistivos. Para a segunda fase, a Finep selecionou outras 56. Nesta etapa, as propostas são apresentadas por algum ICT em parceria com a indústria, que desenvolverá o novo produto no prazo máximo de dois anos. A formação da rede de pesquisa já começou. Os projetos apoiados são os que atendem às demandas pre‐ ferenciais do governo ou cujos produtos sejam de relevância

Aparelhos eletrônicos

para a pessoa com deficiência. Também serão financiados projetos que resultem em efetiva redução de custos de fa‐ bricação e na nacionalização dos produtos para atendimen‐ to ao mercado interno, com custos menores de aquisição e o domínio da engenharia no país. Também devem se enqua‐ drar nas linhas temáticas definidas na seleção pública, que incluem produtos para deficiência física, auditiva, visual, e necessidades múltiplas. A seleção prevê, por exemplo, o desenvolvimento de equipamentos esportivos assistivos para os Jogos Paralímpicos Rio 2016.

Financiamento para o cidadão

Atualmente, para o cidadão com renda até 10 salários míni‐ mos, há possibilidade de obter linha de crédito do Banco do Brasil para compra de produtos assistivos. O valor financia‐ do vai de R$ 30 a 70 mil com juros de 0,64% ao mês.

Objetos adaptados

de próteses, e, ainda, sistemas de visão computacio­ nal para auxiliar a leitura de pessoas com deficiência. “Imagine um software que poderá ler o que tem escrito em uma folha de papel ou uma bengala que dê uma noção espacial?”, projeta Fabiana Bonilha. Para ela, todas as con­ quistas do presente são importantes, mas o fundamental é pensar no horizonte promissor que todas essas invenções criam, pois aproveitam todo o potencial tecnológico para aprimorar e avançar no conhecimento desta área.

Arquivo pessoal

lógico, o trabalho em conjunto, com uma eficiente prospecção, pode acelerar o processo de criação de novos produtos. Esse futuro não é tão distante as­ sim. Atualmente, o centro de tecnologia assistiva testa nove produtos de grande porte. Entre os exemplos de TA já em experimentação no mundo estão: interfaces para uso de computadores por pessoas com deficiências motoras, tecnologias em três dimensões para planejamento de cirurgias e

Próteses

O LianeTTS é um exemplo de tecno‐ logia assistiva. De‐ senvolvido em parceria entre o Serpro e a Univer‐ sidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), é um sintetizador de voz para leitu‐ ra de tela de computadores. Está disponível para downlo‐ ad no portal do Serpro (www.serpro.gov.br). O programa transforma texto em áudio, permitindo que pessoas cegas ou com baixa visão tenham acesso ao con‐ teúdo exibido na tela do computador. Disponível inicial‐ mente para os sistemas operacionais Linux e Windows, a tecnologia começa a funcionar assim que o usuário faz o login na máquina.

A voz em português brasileiro é o diferencial em relação a outros sintetizadores. Mas é possível baixar a base de fonemas de outros idiomas e inserir no programa, que pode passar por outras customizações. O manual também está disponível para download e, ainda, no CD de instalação.

Ampla utilidade

Vestuário especial

O público que mais utiliza os sistemas de texto‐para‐fala, como o LianeTTS, é formado por pessoas com deficiência visual. No entanto, esse tipo de programa é comumente usado por pessoas com dislexia e outras dificuldades de leitura, ou com deficiência severa de fala, bem como por crianças pré‐alfabetizadas. Além de ser uma ferramenta de tecnologia assistiva, sintetizadores de voz podem ter ainda aplicações pedagógicas e de entretenimento.

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ARTIGO

FALE: FACILITANDO E AMPLIANDO O DIÁLOGO ENTRE A SOCIEDADE E O GOVERNO FEDERAL * por Francisco Nauber Bernardo Gois

E O objetivo do projeto Fale é facilitar e ampliar o diálogo entre a sociedade e o governo, utilizando recursos de geoprocessamento em conjunto com conceitos de datawarehouse, Business Process Model e processos do ITIL

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m um país de grandes dimensões como o Brasil e carente de informações adequa­ das para a tomada de decisões sobre problemas urbanos, rurais e ambientais, o geoprocessamento apresenta um enorme potencial. Principalmente se baseado em tecnologias de custo relativamente baixo, em que o conheci­ mento seja adquirido localmente. As técnicas de ge­ oprocessamento podem ser um novo canal de comunicação entre governo e sociedade, possibili­ tando maior conhecimento acerca dos problemas que afligem a população e proporcionando melhor aplicação dos recursos governamentais. O objetivo do projeto Fale é facilitar e ampliar o diálogo entre a sociedade e o governo, utilizando re­ cursos de geoprocessamento em conjunto com con­ ceitos de datawarehouse, Business Process Model e processos do ITIL. Assim, permite a comunicação di­ reta da população junto aos governos federais, esta­ duais e municipais. O projeto Fale apresenta um conjunto de módulos: relato; filtragem e aferimento de veracidade de incidentes; gestão de problemas; classificação de problemas por região; e apresentação de informações geográficas.

O Módulo de Incidentes permitirá que a popula­ ção comunique os problemas da sua cidade direta­ mente no Fale, dessa forma gera­se um incidente. Este será processado por um módulo que classificará a veracidade do relato, de acordo com critérios espe­ cificados, utilizando o conjunto de evidências anexa­ das ao incidente. Após a verificação de veracidade, o incidente será encaminhado ao órgão responsável, que dará o tratamento adequado comunicando a solução aplicada na ferramenta. O Módulo de Apre­ sentação de Relatórios utilizará o padrão KML para apresentação dos dados geográficos e permitirá a execução de operações de Olap, capacidade para manipular e analisar um grande volume de dados sob múltiplas perspectivas. A solução deve ser desenvol­ vida utilizando o Framework Demoiselle e aderente a especificação Java EE. Na proposta do trabalho, o Serpro deverá atuar co­ mo gestor e mantenedor da solução, disponibilizando para a população o sistema de inclusão e acompanha­ mento de relatos e o serviço de consulta aos dados ge­ ográficos, por meio de um datawarehouse que pode ser utilizado pelos órgãos da administração pública. O pro­ jeto Fale apresenta­se como uma oportunidade de


Figura 1

títulos do tesouro por cidade, aplicação de recursos federais, número de cadastros no Bolsa Escola e ou­ tras poderão ser disponibilizadas pelo Fale. Dessa forma, cria­se um amplo barramento de informações geográficas para aplicação com os mais diversos propósitos. Além disso, o Serpro poderá fornecer o seu próprio serviço de GeoCoding para os demais ór­ gãos do governo. A arquitetura física da solução pode ser dividida em duas partes: uma delas é responsável pela reali­ zação e acompanhamento dos relatos; a outra é res­ ponsável pela implementação do datawarehouse. Nessa arquitetura, o Serpro deverá implementar um ambiente de contingência para os servidores web, servidores de mensagens e banco de dados.

Francisco Nauber Bernardo Gois

Mestre pela Universidade de Fortaleza, possui Es‐ pecialização em Desenvolvimento Web pela Universidade Federal do Ce‐ ará. Certificado em Testes de Software pela ALATS. Possui certificação SCJP. Atualmente, é analista de desenvolvimento do Serpro e professor do curso de graduação da Faculdade Lourenço Filho.

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Arquivo pessoal

negócio para o Serpro, oferecendo um novo serviço para a sociedade e criando um barramento de infor­ mações que pode ser utilizado por um conjunto de outros sistemas. Órgãos e departamentos, como Polícia Federal, Ministério do Planejamento, gover­ nos estaduais e prefeituras, podem utilizar as infor­ mações disponibilizadas pelo Fale para aplicação em outros sistemas. Um sistema de segurança pública poderá obter estatísticas como, incidência de denúncias versus di­ minuição dos crimes praticados. Um sistema poderá relacionar a diminuição de problemas de infraestru­ tura das estradas com o aumento da aplicação de recursos ou a redução do número de reclamações. A previdência pública (INSS) poderá monitorar o anda­ mento de seus serviços por estado e por cidade em todo o país. As agências controladoras poderão re­ ceber reclamações e sugestões, aplicando seus es­ forços nos locais onde a prestação de serviço das concessionárias for mais deficiente. O sistema poderá ser adaptado para receber quaisquer informações fornecidas pelos órgãos do governo por meio de webservices de inserção (Figura 1). Informações como, rendimento de aplicações de

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Foto: André Corrêa

Foto: David Ribeiro – Agência Câmara

DISCUSSÃO

Conheça as discussões na Câmara e Senado que vão determinar as regras

* por Alexei Kalupniek Senador Walter Pinheiro (acima): direitos dos internautas, software livre e formas diferentes para regulamentação da profissão de analista de sistemas.

DeputadoEduardoAzeredo (à direita): responsabilização dos usuários da internet e parcerias público­privadas para a construção da banda larga brasileira.

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izem que, dentre os três poderes da re­ pública, o legislativo é o mais voltado para o futuro. Isso porque a Câmara dos Deputados e o Senado possuem, como função principal, inovar a ordem jurídica. Nos próxi­ mos meses, as duas casas vão discutir temas impor­ tantes relacionados à tecnologia da informação. Conheça os debates sobre assuntos como Marco Civil na Internet, banda larga, software livre e regu­ larização da profissão de analista de sistemas. Uma das questões que mais dividem os parla­ mentares é a da normatização do uso da internet. É uma discussão intensa envolvendo valores como democracia e responsabilização nas relações virtu­ ais. Entre as opiniões diversas, há aqueles que dizem que a web se tornou uma “terra de ninguém”, já que a legislação atual não se mostra suficiente para a tipificação dos chamados “crimes cibernéticos”. Outros alertam para o perigo do cerceamento da li­ berdade dos internautas e do fim do anonimato na rede, que passaria a ser limitado em prol do interes­ se das grandes corporações.

Responsabilização x liberdade O debate acima é representado por dois projetos de lei: o Marco Civil da Internet (PL 2126/2011) e o PL 8489, que ficou conhecido por “Lei Azeredo”. Considerado pelo ex­ministro da justiça Luiz Paulo Barreto a “constituição da internet”, o Marco Civil é fruto de um processo de discussão de três anos, que envolveu governo e diversos representantes da sociedade civil. A ideia é a construção de um marco regulatório que serviria como referência para as condições de uso da Internet. Uma lei geral que explicaria o papel do poder público, além de trazer os direitos e deveres dos usuários, prestadores de serviços e provedores de conexão. O projeto já se encontra na Câmara e está sendo analisado por uma comissão especialmente criada para estudar a matéria. No dia 17 do mês de abril, aconteceu a primeira de sete audiências públicas que serão rea­ lizadas em diversas capitais brasileiras. A previsão é de que em junho, após o fim das discussões, o Marco Civil possa ser finalmente votado e encami­ nhado ao senado.


“Estamos participando de algo que é um marco não só em relação à internet no Brasil. Após aprovação, teremos uma referência mundial”. Sérgio Amadeu, convidado da comissão especial que analisa o Marco Civil da Internet

ALGUNS DOS PROJETOS DE LEI NA ÁREA DE TI

PLS Nº 8489/1999 • dispõe sobre os crimes cometidos na área de informática e suas penalidades

PLS Nº 3199/2004

das Tecnologias da Informação

• dispõe sobre o acesso pela rede mundial de computadores aos dados do Sistema de Administração Financeira do Governo Federal – SIAFI

PLS Nº 607/2007

• dispõe sobre a regulamentação do exercício da pro­ fissão de analista de sistemas Porém, para o deputado Eduardo Azeredo (PSDB/MG), presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara, o Marco Civil da Internet ficou restrito ao terreno das boas intenções. “O projeto traz direitos e deve­ res de uma forma simples, com um tom, até, de obviedade como quando propõe simplesmente que a internet deve ser segura, livre, democrática”, afir­ ma. Segundo Azeredo o marco regulatório teria se furtado a enfrentar pontos polêmicos, como o da tipificação de crimes. Diante da suposta ausência de regulação, o deputado defende a aprovação do PL 8489, que ficou conhecido como a "Lei Azeredo". O deputado reconhece uma contribuição do Marco Civil: estabelecer a guarda de logs, que permite sa­ ber em que hora o computador de cada internauta foi ligado e desligado. Ideia, segundo ele, tirada de seu próprio projeto de lei: “era um ponto que algu­ mas pessoas criticavam no PL 8499, mas que o go­ verno acabou assimilando e colocando no Marco Civil. A diferença é só o prazo de guarda, que pas­ sou de três anos para um”, explica.

PLS Nº 7351/2010

• institui o Índice Brasileiro de Inclusão Digital

PLS Nº 1592/2011

• proíbe o uso de robôs, softwares e programas de lances nos pregões eletrônicos

PLS Nº 2126/2011

• estabelece princípios, garantias e deveres para uso da internet no Brasil (Marco Civil da Internet)

Total de projetos relacionados à TI em análise no Congresso Nacional até o fechamento desta matéria

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PL Nº 2126/2011 MARCO CIVIL DA INTERNET Art. 3º ­ A disciplina do uso da Internet no Brasil

tem os seguintes princípios: I ­ garantia da liberdade de expressão, comunicação e manifestação de pensamento, nos termos da Constituição; II ­ proteção da privacidade; III ­ proteção aos dados pessoais, na forma da lei; IV ­ preservação e garantia da neutralidade da rede, conforme regulamentação; V ­ preservação da estabilidade, segurança e funcionalidade da rede, por meio de medidas técnicas compatíveis com os padrões internacionais e pelo estímulo ao uso de boas práticas; VI ­ responsabilização dos agentes de acordo com suas atividades, nos termos da lei; e VII ­ preservação da natureza participativa da rede.

“Foi uma discussão que teve início em 1999, quando eu ainda era deputado, e fiquei convencido de que as soluções livres promoveriam a indústria nacional de software” Senador Walter Pinheiro, autor do PL 2269

Já o senador Walter Pinheiro (PT/BA), tem uma opinião diferente. Membro da Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática do Senado, Pinheiro afirma que “não dá para trans­ formar o Marco Civil em um Código Penal”. A ideia seria, primeiro, garantir os direitos dos usuários da internet com a aprovação do Marco Civil e só depois discutir questões específicas quanto a leis de res­ ponsabilização. “Não percebo esse suposto vácuo jurídico, ou uma dificuldade de lidar com os crimes cibernéticos. Esse tipo de ilícito está sendo comba­ tido pela interpretação, por analogia, da legislação penal já existente”, considera.

Exageros restritivos O sociólogo Sérgio Amadeu, defensor do soft­ ware livre e da inclusão digital no Brasil, veio a Bra­ sília participar da primeira audiência pública do Marco Civil, à convite da comissão especial da Câ­ mara. Amadeu, que tomou parte das discussões so­ bre direitos dos usuários, considera que o Marco nasceu justamente da luta contra exageros restriti­ vos e propostas de bloqueio ao compartilhamento na web. Para o sociólogo “estamos participando de algo que é um marco não só em relação à internet no Brasil. Após aprovação, talvez com algumas al­ terações, teremos uma referência mundial”. Porém, Amadeu é contra a proposta de guarda dos logs que, segundo ele, viola o direito ao anoni­ mato do cidadão. Esse é justamente um dos temas para os quais sugere “algumas alterações”. Outra

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questão é que a guarda traria dificuldades para o funcionamento das tecnologias mesh, que são usa­ das na replicação de sinais das chamadas redes abertas. Essas redes permitem, por exemplo, que uma pessoa em Londres possa se conectar, via WiFi, a uma rede pública. “É um inconveniente para o avanço tecnológico, além de colocar em risco a pri­ vacidade e violar o princípio de que toda pessoa que usa um IP é inocente até que se prove o contrário. Para Azeredo é o contrário, todo mundo é culpado até que se prove a inocência", polemiza o sociólogo.

Acarajé com açúcar Mas nem só de Marco Civil vivem as comissões de ciência e tecnologia do legislativo. O senador Walter Pinheiro é autor do PL 2269, em tramitação na Câmara, que incentiva a administração pública a utilizar software livre. “Foi uma discussão que teve início em 1999, quando eu ainda era deputado”, relembra, “e fiquei convencido de que as soluções livres promoveriam a indústria nacional de softwa­ re”. O senador explica que, nessa época, alguns desenvolvedores mundiais migraram para as plata­ formas abertas e várias modificações passaram a ser produzidas em solo brasileiro, o que criou uma in­ fraestrutura a ser aproveitada. “Aprendi, então, que o software livre é igual uma receita de acarajé. Te­ mos os ingredientes listados mas, se alguém quiser acrescentar açúcar, tudo bem. Fica ao gosto do fre­ guês”, explica o senador baiano. Pinheiro também considera que a administração pública não precisa ser obrigada comprar apenas soluções livres. “Há espaço para tudo. Mas, como o governo continua a ser o maior comprador, devemos apoiar os interes­ ses brasileiros”, defende. Outros assuntos que devem gerar debates na Câmara e Senado são a banda larga e a regulamen­ tação da profissão de analista de sistemas. O depu­ tado Eduardo Azeredo defende a utilização, para a criação da infraestrutura de banda, do dinheiro do FUST (Fundo de Universalização dos Serviços de Co­ municação). A verba costuma ser usada para finan­ ciamento da infraestrutura de telefonia celular em localidades remotas. Já o senador Walter Pinheiro considera que basta cobrar o que já ficou acordado nos contratos já existentes. “A banda larga, para mim, é algo já consolidado”, afirma. Quanto ao fu­ turo dos analistas de sistemas, ambos os parlamen­ tares são a favor da regulamentação. “Eu mesmo sou formado em análise de sistemas”, informa Aze­ redo. Pinheiro, por sua vez, considera que a solução talvez não passe pela criação de um conselho profissional. “Precisamos, ainda, discutir o tema buscando formas diferentes de regulamentação profissional”, pondera.


CURTAS

USO DE COMPUTADORES DOBROU NOS ÚLTIMOS QUATRO ANOS Pesquisa do Centro de Tecnologia de Informação Aplicada da Escola de Administração de Empresas de São Paulo, da Fundação Getulio Vargas (FGV), aponta que no Brasil há 99 milhões de computadores em uso, o que representa cerca de um equipamento para cada dois habitantes. Somadas as máquinas usadas nos ambientes corporativo e doméstico, o total de computadores em uso no país dobrou nos últimos quatro anos. Até o final de 2012, devem ser vendidos mais 17,9 milhões de unidades. A pesquisa estima que, em seis anos, o Brasil passará a ter um computador por habitante.

BRASIL É O 9º PAÍS NO MUNDO EM TRANSPARÊNCIA FISCAL Em um ranking de 87 nações, o Brasil ganha destaque no aperfeiçoamento dos mecanismos de transparência e controle dos gastos públicos, segundo medição realizada pelo International Budget Partnership (IBP). O país ocupa o 9º lugar em transparência fiscal, segundo o Índice de Transparência de Orçamento Aberto, criado pelo IBP. O Índice mede o grau de acesso que cada governo oferece ao público por meio da disponibilização de informações completas contidas em oito documentos orçamentários chave. Soluções como o Portal da Transparência, o Pregão Eletrônico, carro­chefe do portal ComprasNet, o Siafi e a Lei de Acesso à Informação são alguns exemplos do esforço do governo federal para disponibilização de dados para a sociedade.

SERPRO MARCA PRESENÇA NA RIO+20 COM DOIS TELECENTROS O Serviço Federal de Processamento de Dados ­ Serpro estará presente, de 15 a 23 de junho, na Cúpula dos Povos, uma das atividades da programação paralela da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável ­ Rio+20. A empresa instalará dois telecentros: um no Aterro do Flamengo e outro na Biblioteca Parque de Manguinhos. O público terá livre acesso aos cerca de 40 equipamentos distribuídos nos dois espaços e poderá conhecer os cursos oferecidos pela Escola Aberta de Inclusão Digital da empresa (inclusao.serpro.gov.br).

BANCOS BRASILEIROS INVESTEM R$ 18 BILHÕES NA ÁREA DE TI Pesquisa divulgada pela Febraban, em abril, aponta que o setor bancário brasileiro investiu R$ 18 bilhões em Tecnologia da Informação em 2011. O investimento foi maior em hardware: R$ 4,5 bilhões, seguido de software de terceiros (R$ 3,6 bilhões), telecomunicações (R$ 3,7 bilhões) e software “in house” (R$ 1,8 bilhão). O estudo mostra que a terceirização de desenvolvimento de software foi o tipo de investimento que mais cresceu nos últimos dois anos. A pesquisa estima que os bancos brasileiros devem aumentar esse nível de investimento em 42% até 2015, o que vai representar 2,5 vezes a média global no período, que será de 18%.

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VIDEOGAMES E SAÚDE

VIDEOGAME É SAUDÁVEL Praticar exercícios físicos e atividades cognitivas faz muito bem à saúde. Mas diferente do que se poderia imaginar há 15 anos, os jogos eletrônicos também possibilitam novas formas de promoção do bem­estar, inclusive terapias

* por Aldo Maranhão

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Sai desse videogame menino, vai terminar fi­ cando doente”. Houve um tempo, lá pelos idos dos anos 1990, que esse era o discurso predileto de pais e mães aflitos com o interesse demasiado dos filhos por jogos eletrônicos. Não demorou muito, a criançada cresceu, incorporou a tecnologia em suas vidas e os games encontraram outras ocupações além da diversão: transformaram­se em valiosa ferramenta de pro­ moção da saúde e recuperação de doenças. De estimulação cognitiva, a exercício físico, passando por controle de dietas para diabéticos ou obesos, os jogos ele­ trônicos mostram­se produtivos também para adultos e idosos, para trabalhar aspectos sociais, físicos e mentais, in­ clusive como terapia. Pelo menos é a justificativa para os mi­ lhões de dólares e incontáveis horas de pesquisa em universidades e empresas de desenvolvimento de software e hardware. “Cada vez mais a tecnologia aliada à diversão contribui para oferecer novas intervenções nos cuidados da saúde, por meio de jogos digitais que já estão no mercado ou outros criados especialmente para isso" atesta Ben Sawyer, um dos fundadores da Digitalmill, empresa norte­ americana especializada na criação de games para uso cien­ tífico e de cuidados da saúde. Para Sawyer, este é um campo emergente que deve ga­ rantir o futuro dos games. “O estudo científico de jogos ele­

trônicos bem como a pesquisa acadêmica a eles relacionada vão nos dar uma profunda compreensão dos videogames. Interagir com pesquisadores e instituições ao redor do mun­ do que tenham também esses objetivos é uma meta da Di­ gitallmill” completa. Outro que aderiu a essa linha foi o editor­chefe do jor­ nal Games for Health (Jogos para a Saúde), Bill Ferguson. Segundo ele, “a amplitude crescente e profundidade da pesquisa de jogos para saúde terão impactos fortes em todas as fases da vida, desde o uso para crianças com au­ tismo até em pacientes geriátricos que querem prolongar a sua vida ativa”, afirma. O uso de videogame como ferramenta auxiliar no pro­ cesso de cura e recuperação não se resume aos Estados Unidos. Existem experiências exitosas na Austrália, Singapura e no Brasil, onde a terapeuta ocupacional Alessandra Morei­ ra, da Casa de Apoio à Criança com Câncer Durval Paiva, em Natal (RN), utiliza o Nintendo Wii como instrumento auxiliar para reabilitação. “O tratamento consiste em deixar a criança jogar. Parece simples, mas o videogame proporciona muito mais do que diversão para quem está em tratamento e, aqui na Casa, o maior objetivo é proporcionar aos pacientes in­ dependência e autonomia com qualidade de vida” diz. Alessandra cuida de crianças que sofreram ruptura em sua rotina: “muitas vezes, ela deixa de ser uma criança ativa e torna­se apática, dependente; nesses casos, o uso de video­ game alia diversão ao processo de recuperação. A terapia,


com o console Nintendo Wii, ajuda nesse objetivo porque atua nas áreas física, cognitiva e social. É uma ferramenta de reabilitação virtual", explica a terapeuta. O uso de videogames na recuperação de pacientes é uma realidade nos centros de reabilitação, como explica o terapeuta ocupacional Luiz Carlos Gondim: “utilizamos essa técnica para a recuperação de pacientes pois os aparelhos funcionam com sensores de movimento, trabalhando seg­ mentos específicos do corpo durante o tratamento. A sessão consiste em colocar o paciente para jogar a partida de de­ terminado jogo, proporcionando um setting terapêutico di­ ferenciado, fora dos padrões convencionais, que para alguns são monótonos e repetitivos. Dessa forma ele irá se superar para conseguir melhores resultados nos jogos, o que con­ duzirá a uma melhor recuperação”. Na School of Health Sciences (SHS) da Nanyang Politec­ nic, em Singapura, os fisioterapeutas vêem no Wii uma po­ derosa ferramenta de auxílio na recuperação de pacientes. “Usamos videogames juntamente com os métodos con­ vencionais para o tratamento de pacientes com dificuldades neurológicas, resultantes de AVC ou mal de Parkinson, e o resultado tem sido muito bom. Nem mesmo possíveis limi­ tações como déficit de equilíbrio ou perda de funções do braço atrapalham sua utilização”, explica o fisioterapeuta chefe, Jean Tan. Além do Nitendo Wii, usa­se também o Xbox360 com a tecnologia de detecção de movimentos denominada Kinect, que dispensa o uso de controles (joysticks). “Escolhemos o jogo e o jogador (player) de acordo com a patologia e a ne­ cessidade do paciente. Uma vez que o tratamento pode ser aplicado à qualquer pessoa, depende apenas que o profissi­ onal esteja habilitado para o uso desse método. Cada etapa é analisada e avaliada para que alcance o resultado desejado. Não é apenas jogar por jogar” complementa Luiz Gondim.

Vamos jogar

Outro caso emblemático de uso dos jogos de computa­ dor diz respeito à promoção de hábitos de saúde e melhoria do estilo de vida de idosos. “Os videogames fornecem esti­ mulação cognitiva, interação social, exercício e diversão, tor­ nando as pessoas mais cheias de vida e mais independentes” relata o editor Bill Ferguson. "Os idosos muitas vezes têm de abandonar suas atividades ao longo da vida em troca de se­ gurança e cuidado. Nessa situação, os videogames oferecem uma fuga da rotina e podem melhorar o bem­estar deles" completa Ferguson. O uso de videogames com fins terapêuticos ainda está engatinhando no Brasil. Apesar disso, muitas instituições já incorporam a diversão eletrônica em suas atividades. É o ca­ so da clínica de reabilitação e qualidade de vida Bem Estar, em Natal (RN). “O uso do videogame hoje em dia não está mais vinculado ao que era remetido há alguns anos. Hoje, esta tecnologia é uma ferramenta importantíssima para tra­ balhar aspectos sociais, físicos e mentais” explica o terapeuta e sócio da clínica, Emmanuel Araújo.

O JOGO DA CONCORRÊNCIA

No Brasil, o mercado de games tem um valor estimado em 700 milhões de dólares

e, de acordo com a desenvolvedora de jogos, Ubisoft, a expectativa é de que se

chegue a 4,5 milhões de consoles no país, até o final de 2012. Entre os mais popu‐ lares, estão o Playstation, Wii e o Xbox.

Nesta acirrada concorrência, eles buscaram novas formas de interação, em subs‐ tituição aos usuais joysticks, o que acabou por ampliar o uso dos jogos eletrônicos na vida das pessoas, como na promoção da saúde.

WII

Revolucionou ao trazer um controle que permite usar movimentos corporais para controlar os jogos. Games de exercícios físicos, dança e esportes foram reinventados com a nova forma de brincar.

PLAYSTATION

Para não ficar para trás, a Sony criou o controle PSMove para a terceira geração do seu console. É semelhante ao da Nintendo, permitindo o mesmo tipo de interação.

XBOX

Foi além do uso dos joysticks e criou uma tecnologia que substituiu o uso manual de um dispositivo para a detecção de movimentos. A inovação permite que o player use o corpo todo para jogar.

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REDES SOCIAIS

REDE DE AFINIDADES 38

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Nova tendência nas mídias sociais é a segmentação. Gastronomia, literatura, cinema, negócios, música e fotografia ganharam redes exclusivas onde a união de pessoas por interesses em comum conduz os relacionamentos.


U

* por Alexandre Paim

m ambiente virtual em que pessoas interessadas em literatura podem avaliar e escrever resenhas sobre li­ vros para compartilhar com outros usuários; outro ambiente similar, mas para os amantes da sétima arte, programas de TV e curtas; e uma rede profissional em que disponibilizar cur­ rículos e relacionar­se com possíveis parceiros de negócios é o mote principal. Skoob, Filmow e Linkedin (ver quadro ao lado) são respectivamente exemplos de redes sociais segmentadas voltadas para estes assuntos. Um outro exemplo é o sítio Receitáculo, onde pessoas que moram sozinhas procuram receitas práticas com os ingredientes que têm em casa. Quem explica a rede, que conta atualmente com pouco mais de 18 mil receitas e quase 6 mil mem­ bros, é o curitibano Maicon Sanson, o criador. “No início, queria fazer uma espécie de auxílio guerrilha para aqueles que moram sozinhos e que não que­ rem sair de casa para comprar algo e preparar um prato. A ideia foi amadurecendo e virou uma rede social lançada no começo de 2008”, conta. Maicon, que já teve dois sócios, é a equipe do seu site, desde o atendimento comercial até o de­ senvolvimento da próxima versão. Trabalhando em casa, ele afirma que “pode trabalhar em qualquer lugar do mundo que tenha uma conexão de inter­ net decente”. O baixo custo operacional indica grandes possibilidades de ganhos. No entanto, os anunciantes ainda possuem uma certa resistência devido às grandes redes sociais, como o Facebook. De acordo com ele, “a questão da quantidade ainda é a preferência nacional. Números grandes enchem os olhos e engordam gráficos. Por isso, ações que envolvem o maior número possível de pessoas são mais procuradas. Mas isso está mu­ dando e muitas empresas já sentem a necessidade de adicionar um filtro. Segmentação elimina ruído e o conteúdo torna­se melhor, mais pertinente e relevante. Por consequência, as ações são mais eficientes”, contextualiza Maicon.

Rede social para quem faz tricô Dona do blog “Querido Leitor”, do portal R7, Rosana Herman é formada em física e é blogueira há mais de 12 anos. “Especialista em generalida­ des”, como diz o lema do seu blog, Rosana é en­ tusiasta e está sempre na vanguarda das novas tecnologias, sendo a primeira Rosana a ter conta no Gmail (rosana@gmail.com).

ALÉM DO CURTIR E COMPARTILHAR Skoob - O nome significa “Books”, livro em inglês, ao contrário. Com 3 anos e cerca de 420 mil participantes, a rede brasileira permite organizar e classificar livros como “Lido”, “Lendo”, “Vai ler”, “Relendo” e “Abandonou”. • http://www.skoob.com.br

Filmow - Também com 3 anos e brasileira, a rede social contém pouco mais de 100 mil participantes, que podem marcar cada filme como “Quer ver”, “Não quero ver”, “Já vi” – opção em que pode­se incluir o número de vezes que já assistiu ou ainda marcar como favorito. • http://www.filmow.com

Receitáculo - De acordo com as interações na rede, os usuários atingem um nível hierárquico, representado por mascotes, que vai de descascador de batata a officiel de bouche. Existe há 4 anos. • http://www.receitaculo.com/

Linkedin - Maior rede profissional do mundo. Fundada em 2003, atualmente possui mais de 120 milhões de pro­ fissionais cadastrados, mais de 4 milhões só do Brasil. • http://www.linkedin.com

Instagram - É um aplicativo de compartilhamento e tra­ tamento de fotos, onde é possível assinalar contatos e personalizar perfis. Criado em 2010 para o sistema iOS do iPhone, foi vendido para o Facebook por 1 bilhão de dóla­ res em abril deste ano, 5 dias após o lançamento do apli­ cativo no sistema Android.

Ela destaca que os usuários das redes de massa e das segmentadas as utilizam com diferentes ob­ jetivos e cita, como exemplo, o Instagram, o apli­ cativo de compartilhamento de fotos desenvolvido inicialmente para Iphone, que recentemente foi al­ vo de protestos quando passou a funcionar, tam­ bém em Android. “Redes sociais segmentadas têm seu sucesso e função. Houve protesto quando o Instagram foi aberto porque muita gente fez dali uma espécie de reduto longe das grandes redes”, explica. “É quase um comportamento geral. Todo mundo quer a 'grande rede' para saber novidades, brigas, fofocas e uma rede pequena pra desabafar com amigos”, teoriza Rosana. Entre as redes sociais segmentadas, Rosana destaca o Beautiful People, voltada exclusivamente para pessoas bonitas; o Grindr, direcionada ao pú­ blico GLS; e a Ravelry, destinada a um nicho bem específico: quem faz tricô. Uma rede social seg­ mentada que ainda não foi criada e faria muito su­ cesso? Na opinião da blogueira, teriam muita aderência as redes dos times de futebol. #ficadica

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ARTE DIGITAL

AO SOM DAS

IMAGENS

Com músicas, fotografias e até pinturas os Vjs cada vez mais popularizam seu trabalho nas ruas. Combinando projeções e trilhas, eles ampliam os limites das artes graças às novas tecnologias em festas

Fotos: von_boot


* por Fabrício Janssen

O

s seres humanos gostam de classificar, conceituar e rotular, nomeando tudo o que se vê pela frente. É uma forma de simplificar a comunicação e ampliar mais rapidamente os conhecimentos. Com a arte não é diferente. As ar­ tes, em ordem crescente da classificação datada de 1923, são: música, dança, pintura, escultura, tea­ tro, literatura e a sétima delas, o cinema. Depois, a tecnologia evoluiu ainda mais depressa e abriu es­ paço para novas manifestações, que, claro, logo demandaram novos nomes. Assim surgiram a fo­ tografia, como oitava arte; a história em quadri­ nhos, como nona; e os jogos de computador representando a décima arte. Na década de 1970, surgiu a 11ª: a arte digital, que define­se somente como aquela produzida em ambiente gráfico computacional. Os videojockeys, ou Vjs, são a principal expressão desta vertente ar­ tística e existem há mais tempo do que o próprio termo arte digital. Os primeiros VJs começaram a apresentar seus trabalhos nos anos 1970, nos Es­ tados Unidos. Aqui no Brasil, popularizaram­se du­ rante a década de 1990 com a chegada do canal de televisão MTV, no qual VJ era apenas aquele profissional que apresentava videoclipes. Porém, o trabalho movimentado pelos VJs vai além disso, passando por grande parte das artes anteriores. Eles utilizam músicas, filmes, ima­ gens, desenhos e até pinturas para realizar suas performances. Em ação, eles não tocam, como um músico ou DJ. O termo mais correto para seu trabalho é o Vjing, que é a manipu­ lação ao vivo de imagens e sons combinados. O palco destes artistas é bem versátil. Estão nas casas noturnas, nos festivais de música, em exposições e até nas ruas, com projeções em muros, fachadas e edifícios. Basta um computador e muita criatividade para que eles manifestem sua arte, ou melhor, suas artes.

do lançamento do Creative Commons no Brasil”, lembra o VJ. “Foi o primeiro show em que tocamos músicas e imagens livres. Foi quando eu decidi que dali em diante, só utilizaria programas livres nos meus trabalhos”, conta.

LiVES: Produtor e Exibidor.

O software que Pixel utiliza é o LiVES, que per­ mite edição não­linear de vídeos, em tempo real. “Foi o software que utilizei nesta primeira perfor­ mance 'livre'. E depois, além de usá­lo, passei a colaborar no desenvolvimento”, afirma. “Assim, comecei também a interferir na evolução da ferra­ menta. Não era nem colaborador ainda, mas pre­ cisei de uma função e acionei os desenvolvedores. Apenas 4 horas depois, eu já tinha a função que necessitava implementada. Sem dúvida, é uma das vantagens do software livre, que não existe no universo do software proprietário”, avalia o VJ. Pixel destaca que uma das principais caracterís­ ticas do LiVES é a versatilidade. “Você consegue fazer tudo com ele. Com outras ferramentas pro­ prietárias e até livres você precisa preparar seu material em um software e depois, para exibir, vo­ cê precisa de outro. No LiVES, você produz o con­ teúdo e reproduz na mesma ferramenta.”

o Foto: Arthur Cordeir

Vjing com software livre

Um destes artistas atende pelo pseudônimo de VJ Pixel, que não confessa o nome verdadei­ ro, mas conta que está trabalhando com arte di­ gital há 10 anos, sendo que há 8, somente com software livre. Aliás, ele é o primeiro VJ brasileiro a se apresentar utilizando somente programas de código aberto. “A minha primeira performance com software livre foi em 2004, quando participei

Vj Xorume, desenvolvedor do Quase­Cinema, adotou esse nome artístico para homenagear o líquido que sai do lixo

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Quase‐Cinema: supertocador

Outro software exclusivo foi desenvolvido pelo artista plástico Alexandre Rangel. O Quase­Cinema também faz manipulação de arquivos de vídeo em tempo real e tem seu código aberto. “Já desenvolvi três versões do software. A mais nova é a Feijoada Remix, que tem toda esta característica de colabo­ ração, pois eu disponibilizei o código na internet já no início do projeto”, detalha o artista, que assina seus trabalhos como VJ Xorume. “O chorume é aquele líquido que sai do lixo. Escolhi esse nome, pois tem tudo a ver com meu trabalho, de fazer uma reciclagem de material digital que já havia si­ do descartado”. Segundo Xorume, sua ferramenta é um super­ tocador de vídeo, multiplataforma e que vem sen­ do utilizada por VJs de vários países. No sítio http://www.quasecinema.org/, é possível acompa­ nhar o registro de algumas performances ao vivo do VJ brasiliense. “Não costumo disponibilizar o arquivo final da apresentação que crio, pois ele é só um ponto de vista e acaba descontextualizado.

O registro tem de ser do lugar recebendo a proje­ ção, pois a minha arte está em diálogo com a ar­ quitetura, com a luz, com pessoas”, explica.

Arte em 3D

Este diálogo a que Xorume refere­se é uma téc­ nica já denominada há cerca de 5 anos como vide­ omapping, ou mapeamento em vídeo. Derivada da arte digital, também é conhecida por vídeo perfor­ mance e vem conquistando público maior a cada apresentação. “O Quase­Cinema é uma ferramenta perfeita para desenvolver esta arte. Aliás, o próprio software já é uma obra de arte”, defende o VJ. Pixel também tem trabalhado com videomap­ ping, enquanto se dedica a mais uma nova inter­ venção: arte através de QR Code, considerada a evolução do código de barras. Como os códigos agora podem armazenar muito mais dados, artistas como ele já estão realizando seus primeiros expe­ rimentos com a tecnologia. Perguntado sobre qual o nome da nova arte, sua resposta foi bem direta. “Arte digital. Só isso”.

OS ARTISTAS ELETRÔNICOS Agora que você conheceu os artistas, saiba mais sobre seus principais parceiros eletrônicos:

Programada em Perl, C e Python, a ferramenta, que conta com a colaboração do Vj Pixel no seu desenvolvimento, encontra­se disponível em: http://lives.sourceforge.net/ O LiVES tem 10 anos de existência, “fala” português, roda somente em Linux e sua última versão foi lançada em 4 de fevereiro deste ano.

A ferramenta desenvolvida pelo VJ Xorume abrange um público maior do que o LiVES, por ser multiplataforma. Além de ser brasileiro, o “Quase­Cinema” roda em Linux, Mac e Windows. No endereço http://www.quasecinema.org/, é possível baixar as versões 1 e 2 da ferramenta, além da versão “Feijoada Remix”, que já pode ser utilizada, mas que ainda está sendo desenvolvida de forma colaborativa.

Esse não é livre, tampouco funciona em Linux, mas é um dos líderes de mercado em softwares para VJ. No sítio http://resolume.com/, é possível fazer o download da ferramenta na íntegra, sem pagar. Porém, o inconveniente é que a projeção sai com a marca d'água do produto. Para usar a ferramenta sem inconveniências, só pagando. A licença para um computador custa € 299.00. Também tem versão em português.

Também não é livre e só funciona em Mac, mas é tão bem avaliado quanto o Resolume. A licença dele sai pelo mesmo preço, € 299.00, e sua versão Demo não permite muitas coisas. Nem salvar um projeto é possível sem pagar.

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SOFTWARE LIVRE

E R V

O S

I L O Ã Ç C U L

PARA OUVIR E IN FO R MA R Criado há mais de dez anos para suprir demanda interna do Serpro, o Sistema Ouvidoria poderá ser chave para o Governo Federal efetivar a Lei de Acesso à Informação

* por Lindiara Wentz 44 |

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ontrariando o ditado popular que diz que santo de casa não faz milagre, o Sistema Ouvidoria, desenvolvido pelo Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) para ser uma solução caseira, se tornou um software público cada vez mais utilizado por órgãos federais. Criado como ferramenta para a Ouvidoria Interna do Serpro em 2001, a solução possibilita a apresentação de elogios, reclamações e sugestões, permite acompanhar o andamento da de­ manda e consultar a resposta à questão apresentada. “O sistema conta com rotinas que possibilitam receber, responder, redirecionar, reclassificar, pesquisar e efetu­ ar o diagnóstico e análise das manifestações, repre­ sentando um importante instrumento de gestão”, explica a Ouvidora do Serpro, Vera Moraes. Serpro e Corregedoria Geral da União (CGU) inicia­ ram os entendimentos para a disponibilização pública do sistema em julho de 2011. As perspectivas, discuti­ das na primeira Reunião Geral de Ouvidorias Públicas, embasavam a proposta da Ouvidoria Geral da União (OGU) de apresentar um plano de ação para construir um sistema integrado para o setor. Naquele momento, realizava­se também o Semi­ nário Internacional sobre Acesso à Informação: Desa­ fios de Implementação. O evento, promovido em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), contou com a participação de especialistas de vários países e foi uma referência para o Brasil desenvolver estratégias e práti­ cas para a implementação do Sistema de Acesso à In­ formação Pública no Brasil, garantido pela Lei de Aces­ so à Informação, de 18 de novembro de 2011. Um pouco depois, em dezembro, o Sistema Ouvi­ doria foi publicado no Portal do Software Público Bra­ sileiro, gerido pelo Ministério do Planejamento, permitindo às ouvidorias a utilização da ferramenta. Os softwares públicos disponíveis no Portal ainda têm a vantagem de contar com comunidades de desenvol­


Faça download do Sistema Ouvidoria do Serpro: http://www.softwarepublico.gov.br Conheça a Lei de Acesso à Informação: http://www.cgu.gov.br/acessoainformacaogov/

vedores e usuários que oferecem ajuda a quem tiver problemas com as soluções. E é compromisso do usuário que toda melhoria feita no sistema seja devolvi­ da à comunidade para que todos possam se beneficiar e contribuir para o avanço da ferramenta. Em quatro me­ ses, a comunidade ultrapassou 650 integrantes.

Ouvidorias e acesso à informação Com a implementação da Lei de Acesso à Informação, que regulamenta o am‐ plo acesso a documentos e informações públicas pelo cidadão, a expectativa é que o uso do Sistema Ouvidoria cresça, já que ele permite a gestão dos pedi‐ dos que devem aumentar graças à nova lei.

Como serão geridos os pedidos de informação no Governo Federal?

Os pedidos entrarão pelo Sistema de Acesso à Informação, disponí‐ vel nos sites de todos os órgãos do Poder Executivo Federal, que centralizará todas as demandas.

Origem livre

A solução foi desenvolvida totalmente com tecno­ logias que usam licença de software livre, como a pla­ taforma Java e banco de dados MySQL. Deste modo, não gera custo com licença de software e não possui código proprietário, o que torna mais fácil sua manu­ tenção e evolução. O gestor da ferramenta no Serpro, o analista de sistemas Marlony Gabriel, notou que todos os órgãos que assistiram às apresentações da solução tinham as mesmas características de fluxo no atendimento de suas ouvidorias: receber a manifestação, associar esta manifestação a um responsável por respondê­la e en­ viar ou notificar o cidadão que sua manifestação foi atendida. “O Sistema Ouvidoria do Serpro é adequado para atender qualquer órgão”, defende. A OGU compartilha a mesma ideia. Para o ouvidor­ geral substituto, Ricardo Garcia França, o interesse pela solução mostra como ela atende a diversas demandas. “Desde novembro, as ouvidorias das diferentes esferas de poder e níveis de governo vêm se cadastrando na comunidade do sistema. Este software preenche uma lacuna importante, uma vez que as ouvidorias tinham dificuldade em encontrar um sistema de gestão que fosse gratuito e em fonte aberta.” É o caso da ouvidoria do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). “Foi preciso fazer ajustes para adequar o sistema à nossa realidade e agora ele está em pleno funcionamento”, recorda a ouvidora do DNIT, Ângela Mamede. Representantes da sede das entidades e de todos os Estados foram capa­ citados para utilização do sistema.

A partir daí, serão encaminhados ao Serviço de Informação ao Cida‐ dão (SIC) dos órgãos responsáveis pela demanda. Neste momento, os pedidos são recepcionados e geridos pelo sistema de ouvidoria in‐ terno de cada ente.

Depois deste trâmite, retornarão ao Sistema de Acesso à Informação para resposta direta ao cidadão.

“Este software preenche uma lacuna importante, uma vez que as ouvidorias tinham dificuldade em encontrar um sistema de gestão que fosse gratuito e em fonte aberta.”

Ricardo Garcia França, ouvidor­geral substituto

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Foto de divulgação

OPINIÃO

O SUCESSO DO IMPOSTO DE RENDA * PESSOA FÍSICA 2012 Para coroar o sucesso do programa, foram recebidas até o final do prazo, conforme estimado, mais de 25 milhões de declarações.

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programa Imposto de Renda Pessoa Física encerra­se, mais uma vez, com muitos elogios de especialistas em in­ formática, tributaristas e especial­ mente da imprensa. A liberação do programa na internet, apenas para o preenchimento da declara­ ção, desde o dia 24 de fevereiro, diminuiu a corre­ ria para a realização de cópias do Programa Gerador da Declaração (PGD) e do programa de transmissão, o Receitanet, que tradicionalmente era realizado no primeiro dia de entrega. Essa decisão eliminou as reclamações de lenti­ dão do sistema no primeiro dia de entrega, devido à concorrência entre downloads do programa, tanto que o número de declarações recebidas no primeiro dia deste ano foi o dobro das declarações recebidas no ano anterior (157 mil em 2011 e 300 mil em 2012). Entre outras novidades, a mais importante diz respeito ao parcelamento de débitos. Não foram emitidos, de uma única vez, os oito Darfs para pa­ gamento parcelado, mas apenas a primeira cota ou cota única. O contribuinte deverá acessar a página da RFB todo mês e emitir o Darf correspondente,

por Joaquim Adir Vinhas Figueiredo Supervisor Nacional do Imposto de Renda

com o imposto corrigido pela taxa Selic. Esta medi­ da deve evitar que o contribuinte coloque os Darfs em débito em conta, esquecendo­se da incidência da taxa Selic sobre as cotas e continue em dívida com a Fazenda Nacional, sujeito portanto à aplica­ ção de multas. Outro grande destaque é a rapidez no proces­ samento das declarações. O extrato da Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física/2012 já está disponível no portal e­CAC (Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte). Acessando o extra­ to o contribuinte pode: • Identificar eventuais pendências que acarretam a retenção da declaração em malha e como resolvê­las; • Emitir os Darfs para pagamento das quotas; • Conferir a correta quitação das quotas do IRPF; • Solicitar, alterar ou cancelar débito automático das quotas; • Identificar e parcelar eventuais débitos em atraso.

Também foram incluídas novas críticas no validador impedindo, assim, que um grande número de de­ clarações com erros fosse entregue. Por fim, para coroar o sucesso do programa, foram recebidas até o final do prazo, conforme estimado, mais de 25 milhões de declarações.


Revista Tema  

Revista do serpro.