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Revista da Unidos da Tijuca 2005

Page 1

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vivo evoce em primeiro lugar.


PALAVRA DO PRESIDENTE

Fernando Horta

"... Nunca encontrei nada feito, nada pronto. Sempre fui

a luta"

"Fazer do nada sempre alguma coisa". Esse

e 0 lema do presidente da Unidos da

Tjjuca, Fernando Horta, 52 anos. Foi com esforyo, sacrificio, perseveranya e forya de vontade que esse imigrante portugues - que chegou ao Brasil aos 13 anos, na terceira classe de um navio¡ venceu . "Consegui tudo com muito trabalho. Nunca encontrei nada feito, nada pronto. Sempre fui

aluta".

Horta repete na presidencia da Unidos da Tijuca 0 que fez na vida: pobre e sem perspectiva, tornou-se um grande empresario. Com trajetaria parecida, a azul e amarelo iniciou-se no samba com operarios do Morro do Borel. Passou

p~r

dificuldades

financeiras para colocar 0 Carnaval na rua - muitas vezes, seus componentes traziam de casa material para ajudar na confecyao de fantasias e alegorias. E de escola pequena no Grupo de Acesso, tornou-se vice¡campea do Carnaval 2004 e a grande revelayao da Marques de Sapucai. Aos 14 anos, Horta conseguiu seu primeiro

empre~o

em uma relojoaria. Aos 16,

.

entrou no ramo da arte e de vidros. Mas foi aos 23 anos que ele deu 0 primeiro grande passe rumo ao sucesso. A oportunidade bateu

-

a sua porta e, sem pensar duas vezes,

decidiu arriscar: sem capital, fez um acordo com." seu patrao e comprou a primeira empresa. Um mes depois, pagou tudo com 0 faliramento. "Me estabeleci sem um centavo", garante, orgulhoso. Como empresario bem sucedido, Fernando Horta defende para a escola a mesma organizayao que levou-o ao sucesso nos negacios. "Quem pode, deve ajudar na hora e nos assuntos certos, valorizando as pessoas que realmente sabem fazer. Procuro estar sempre presente com cada membro da comunidade e integrante da escola. E muitas vezes a gente acaba se envolvendo com os problemas de cada um deles", afirma. Fernando Horta nao esta no samba

p~r

acaso ou aventura. Convidado para fazer

parte da agremiayao tijucana, no infcio recusou 0 convite. Entretanto, um ana depois,

p~r

gratidao ao bairro que 0 projetou comercialmente, sentiu-se compromissado a aceitar. "Diante das circunstancias, da falta de estrutura e dialogo entre escola-comunidade, aceitei 0 desafio". Desde entao, ja se passaram 20 anos a frente da Unidos da Tijuca. Com uma cultura salida, aliada a uma extrema sensibilidade, Fernando Horta tornouse membro da Sociedade Brasileira de Belas Artes. Por seus trabalhos realizados na comunidade do Borel, recebeu a Medalha Pedro Ernesto em 1990 e 1992. Em 2002, foi premiado com a comenda Barao do Rio Branco pelo enredo "0 sol brilha eternamente sobre os pafses de Lingua Portuguesa". Responsavel pela visao empresarial implantada na escola e cujos frutos comeyaram a ser colhidos no ultimo carnaval, quando sagrou-se vice¡campea do Grupo Especial, Fernando Horta garante que sua meta era (e ainda e) fazer da Unidos da Tijuca uma grande campea. " 0 segredo do bom relacionamento

e 0 respeito. 0 samba precisa ser

valorizado, sem que haja interferencias externas sobre suas raizes", declara.

Par Eliane Lorca e Flavia Lima


f

I

5 - Editorial: Prefeito Cesar Maia

8 - Comunidade do Borel

,...

•

12 - "Aquarela Carioca" por Renan Brandao

J 3 - Entrevista: Capitao Guimaraes 17 - "A maior patente da T ijuca" por Roberto Moura 19 - Cidade do Samba "A fabrica do Samba"

20 - Sailde : Preparativos para 0 Carnaval

22 - Anos 30 : Segio Cabral 24 - Especial: 2004 "Um Carnaval

,

INDICE

inesquecivel"

30 - Perfil : Paulo Barros 32 - Tudo sobre 0 Carnaval 2005 46 - Baluarte - Andrade Chefia 48 - Escola Mirim : Tijuquinha 49 - Cronica por Jose Carlos Thompson

CAPA: Logo do enredo Carnaval2005 G.RES. Unidos da Tijuca Stampini Publicidade Tel: + 55 (21) 2671 - 3324 Logo: Unidos da Tijuca em Revista Jeron;mo Navajas Tel: + 55 (21) 9955 - 5656


Cesar Maia

Editorial

"A Unidos da Tijuca

e um dos

patrimonios do Rio de Janeiro .... "

UNIDOS DA TIJUCA, PATRIMONIO DO RIO Bairro que figura entre os mais

t~adicionais

do Rio de Janeiro, a

Tijuca se faz presente, no grupo especial que desfila no Samb6dromo, com duas escolas-icones do nosso Carnaval. Uma

•

delas, terceira escola mais antiga do Rio, traz em seu nome 0 nome

.

do bairro: Unidos da Tijuca. Fundada no inici6 da decada de 30,

-

seus primeiros componentes eram operario~das fabricas instaladas nas redondezas da comunidade. A eles se iflntaram representantes da colonia porluguesa, que ainda estao presentes no desfile, com seus trajes tipicos. Hoje, em suas alas, ha cariocas de todos os bairros e de todas as classes sociais. A Unidos da Tijuca e um dos patrimonios do Rio de Janeiro. Assim como as nossas praias, as nossas matas, 0 nosso Pao de Ac;:ucar e 0 Corcovado, ela tambem e responsavel por atrair para nossa Cidade turistas do mundo todo. 0 olhar de deslumbramento do publico na Passarela do Samba, ao ver 0 espetaculo de beleza e criatividade que suas alas oferecem, atesta este titulo. Como prefeito desta Cidade e em nome de todo 0 povo carioca quero externar este sentimento de gratidao por todas essas decadas em que a Unidos da Tijuca vem contribuindo para 0 brilho do nosso Carnaval. E as nossas palmas se juntarao as palmas de milhares de espectadores, aplaudindo quando 0 azul-pavao e 0 amarelo-ouro da escola estiverem evoluindo na passarela.

Cesar Maia Prefeito da Cidade do Rio de Janeiro


,r-UNIDOS DA

G. R. E. S.

" -YljUCA

Unidos da Tijuca PRESIDENTE Coordena~ao

Geral: Osmar Augusto Moura Jr. (Junior) Andrea Moura

" Fernando Horta 1" VICE PRESIDENTE luiZ Pires da Silva (Pezinho) 2" VICE PRESIDENTE Joaquim Felipe Marques Mendes CONSELHO FISCAL Armando da Silva Lopes Marly Spinola do Amaral Sarbltlio da Silva Leone VICE PRESIDENTE DE CARNAVAL Joio Manu~ Paredes VICE PRESIDENTE DE FINANCAS lulz AnIOnk> Aamalhoto VICE PRESIDENTE DE COMUIllACOES E ADMINISTRACAo Denis AntOnio Carraga

Jose

Leonardo Santiago Jose Carlos Thompson Jornallsta Respons8vel: Jose Luis Laranjo Duarte Registro n° 16.695 DRTIRJ Sapiens Publlcldade UNESA: Coordenador: Lafayette Maximo Dire~ao

de Arte: Liana Riente (estagiaria 69 perfodo)

Agente Design: Designer: Walmir Mendes Midla Impressa UNESA: Coordenadora: Luciana Cavaliere

Dias

VICE PRESIDENTE DE PATRIMONIO I Guilherme Tell Mendes Lobo VICE PRESIDENTE DO DEPARTAMENTO DE EVENTOS Cal10s Alberto Oliveira de Araujo VICE PRESIDENTE DO DEPARTAMENTO JURIDICO Denis AnIOnio Carrega Dias PROCURADOR Armando Jose Tavares DlRETOR DE CARNAVAL Luiz Carlos Bruno CARNAVALESCO Paulo Barros DlRETOR GERAL DE HARMONIA Almlr Frutuoso DlRETDR DE BATERIA Marcelo Silveira (Celinho) RAINHA DE BATERIA FilbiaBorges COREOGRAFO COMissAo DE FRENTE Nino Giovanetti DIRETOR DE DESFILE Nilton B. dos Santos (NiHinho) DIRETOR DE BARRACAo Fernando Leale O~ando Me~ INTERPRETE Wantuir Oliveira 1" CASAL M. SALA I P. BANDEIRA Lucinha Nobre 8 Ubira;ara Claudina 2" CASAL M. SALA I P. BANDEIRA Caria Cristina e Marcos Alves VELHA GUARDA Maria LUcia A. Pereira DIRETORA ALA DAS BAIAMAS Nauza Cobol DIRETORA ALA DE PASSISTAS Neuza CobeI COMPOSITORES sergio Alan Jorge RerMdio Vattinho Jr. ASSESSORIA DE IMPRENSA Ravia Uma e Eliane Lorca SECRETARIA Ivone Gomes DEPARTAMENTO DE MARKETING Osmar Augusto Moura Jr. (Junior) Andrea Moura Leonardo SantIago CeOOa Thompson

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Reportagem : Barbara Barros (Jomalista formada pela UNESA), Carlos Lencinho (colaborador 5°periodo) e Renan Brandao (estagiano

S' porlodo) Editor Fotograflco: Alexandre Vidal Fotografla: Agencia FotoBR Femando Azevedo Levy Ribeiro Colaboradores: Agente Design (Beth Padela e Walmir Mendes) Andrea Apolonia Debora Ribeiro Edll\ilson Lima Elias L6pez Perez E",ilson A. de Oliveira Gracie Croce

•

JerOnimo Navajas " ,

Kika Ferreira Liga Independente das Escolas de Samba do RJ Luis Antonio Costa Lulz Calixto Monteiro (Casagrande) Marcelinho Emoyao Pablo Kling Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro Rafael Martino Roberto Moura Roberto Rodrigues Sergio Cabral Stampini Publicidade E a todos que contribulram para 0 sucesso deste projeta.

ProdU4j:80 GnUic8: Leonardo Santiago Impressio: Imprinta Express Ltda. Tlragem:

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A UNIDOS DA TIJUCA EM REVISTA e uma publica,ao da IA7 ProduCOes e Eventos, criada e produzida pela Sapiens Publicidade e Departamento de Mfdia Impressa da Universidade EstAcio de Sa.

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Comunidade

Comunidade do Borel A base de tudo e

Comunidade do Morro do Borel de suma importancia para a Unidos da Tijuca, desde a criar;8o da Escola

Par Barbara Barros e Renan Brandfio diz Horta, sem esconder sua

A comunidade do Borel e a base da Unidos d~ Tijuca. A escola do Morro do Borel , fundada em dezembro de 1931 , e a terceira mais antiga do Rio de

e form ada por aproximadamente 30 mil

para prestaQao de serviQos para a comunidade, como tratamentos odontologico e medico, assistencia

Janeiro. Ela surgiu quando ainda existiam fazendas no bairro da Tijuca,

pessoas. As crianQas e adolescentes podem participar da escola mirim ,

jurfdica, alem de espaQo para festas de 15 anos e casamentos, entre outras

embora a forQa de trabalho fossem as fabricas de cigarro e tecidos. Foi de la que safram os primeiros sambistas da

aprendendo trabalhos artesanais , como a montagem das fantasias , ou ainda participar das oficinas de percussao.

confraternizaQoes. A Unidos da Tijuca comeQou como uma escola de porte pequeno. Ao

,

Escola de Samba Unidos da Tijuca. "A participaQao da comunidade no desfile e sempre muito grande, e isto e importante, po is a escola nasceu dentro da propria comunidade", afirma Fernando Horta, que e presidente da Unidos da Tijucadesde 1984. Ele conta que a sua escolha para ser presidente da escola foi feita pela propria comunidade, e explica a porque. "Fui escolhido presidente da Unidos da Tijuca pois comunidade",

satisfaQao. A comunidade do Borel atualmente

A quadra tambem serve de local

todos aqueles que quiser em participar, a escola mirim e os projetos sociais.

longo dos anos, a Azul-e-Amarela foi se desenvolvendo, e atualmente disputa 0 carnaval de igual para igual com as outras escolas de samba,

Alem disso, a propria' construQao de uma quadra da escola no morro'

pensando grande. Apos 0 campeonato de

"A Unidos da Tijuca oferece , para

tambem foi uma tbenfeitoria para a comunidade", exp~a 0 presidente.

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2004 , isto ficou \

ainda mais

evidente, pois a Tijuca mostrou sua forc;a, 0 que da sustentac;ao para que, em 2005, a escola va para a avenida buscando 0 titulo. "A escola passou a ser respeitada, sem ter que ficar subindo e descendo de grupo. Quando entrei, queria fazer da nossa escola uma das gran des escolas do Rio de Janeiro, e acho que consegui alcanc;ar 0 meu objetivo. Mas ainda pretendo mudar muita coisa. A escola me traz muita alegria e salisfac;a~, e um motivo de orgulho", fin~liza Fernando Horta. E assim , atraves do amor e dedicac;ao pelo samba, sempre contando com a forc;a de sua comunidade, a Unidos da Tijuca cresce a cada ano, chegando cada vez mais proxima do objetivo de soltar 0 grito de

Quadra do G.RES. Unidos da Tijuca na Comunidade do Borel

campea. Alguem duvida de que isto e absolulamente possivel?

,..

J1Educar e river junto. Aprender e SOnharâ&#x20AC;˘â&#x20AC;˘

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NOS ESTAMOS AQUI! No cora~ao da Tijuca, a poucos passos do metro Saens Peiia. Venha nos visitar e conhecer 0 que ofere cern os para 0 seu tilho crescer com muita alegria. Pergunte-nos sobre nossa proposta pedag6gica. Consulte-nos sobre as condi~6es finaneeiras.

a So series


EuImll Cabeills

Gaeheado

Cosmeticos Fazendo voce mais feliz.


Cr6nica ,i

Aquarela Carioca Par Renan Brandaa

Verdes aguas, verdes matas. Ceu de brigadeiro e noites enluaradas. Rio de Janeirc?, verao 0 ano inteiro. Alegria dos surfistas, terra dos sambistas. Corpos bronzeados e poetas

E

0

casamento perfeito entre a

prosa e a poesia, a saudade e a alegria, a realidade e a fantasia. E a menor distancia entre 0 ceu e 0 purgat6rio, nas curvas da mulher que

inspirados, a cantar suas musas da esta9aO. Boemios extasiados, varando a madrugada em goles pelos bares do Leblon. Passistas que encantam em

passa. E 0 tom exato para a cangao que fala de amor. E0 charme da Lapa e 0 por-do-sol no Arpoador. E a tarde no Maraca, e 0 pandeiro em traje de

uniforme laranja, ritmistas sempre prontos a dar uma canja, ainda que 0

gala e 0 ",iolino maitrapilho, 0 onibus lotado mas com vista que compensa. E o sorriso da crianga que viaja no

instrumento seja uma caixa de f6sforos ou uma lata vazia. Musas seminuas aquecendo 0 calor tropical desta cidade que respira Carnaval. Gente

â&#x20AC;˘

bondinho do Pao-de-Agucar pela primeira vez, e 0 samt*l de roda com feijoada, la no suburbio. E- a '

que pega firme no batente e 0 faz como se fosse descansar, que vive e que luta sem parar.

simplicidade que dt'riva da perfei9aO.

o Rio e multicolorido multifacetado, em equilibrio.

mundo e ao mesmo tempo 0 admira, como 0 maior dos apaixonados.

e

Apoiado em in uvens, 0 Cristo abengoa 0 cartao postal mais belo do

A Guanabara retribui 0 gesto com graciosidade, em reverencia e reciprocidade, contornando com capricho a bendita terra que a cerca. Cenario que talento algum pode reproduzir com a precisao devida. Beleza que nao precisa de academia, creme, silicone ou bot6x. Natural, como seus mares e areias. Como a Floresta da Tijuca, sua fauna e sua flora. Como urn churrasco no quintal de casa depois da praia, num domingo ensolarado. o Rio e uma metafora no sentido estrito, uma contradi9aO. Na malandragem inocente, na vadiagem responsavel, na luxuria sempre carregada de poesia, nos versos que nao rimam, mas se repetem em aquarela cada vez que 0 dia raia de novo. E urn livro que nao se Ie, pois e todo sentimento. E beleza que se renova e multiplica a cada dia.

o Rio arrepia, como uma escola de samba. E, na verdade, a mais democratica das agremia90es, em que os foliDes vao desfilando 0 enredo divino continuamente, colorindo de alegria as avenidas da dificuldade e ganhando nao estandartes, mas 0 pao. E luz que nao se apaga, brilho que nao cessa. 0 Rio e sorriso e simpatia, e amor eterno na saude e na doen9a. Eintensidade, e vida. Efeliz.


""1 Entrevista

,..,

CAPITAO ,..,

GUIMARAES Par Debora Ribeiro Amar 0 carnaval carioca deve ser um dos requisitos que contam mais pontos para representar bem as escolas de samba do Rio . E, com toda certeza, esse requisito nao falta ao presidente da Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa), Ailton Guimaraes Jorge, 0 Capitao Guimaraes. Com entusiasmo e simpatia, ele nos falou sobre a Cidade do Samba e de projetos para a amplia~ao do Samb6dromo, que, segundo ele, precisa de mudan~as estruturais, alem da importancia do patrocinio hoje para a realiza~ao do carnaval. Esses e outros temas voce confere a seguir.

Unidos da Tijuca - Como a liga faz para administrar os interesses das escolas, sem privilegiar umas em detrimento das outras? Capitao Guimaraes - Em primeiro lugar, hoje ha uma uniao muito grande entre as escolas. N6s, aos poucos, fomos conseguindo nos conscientizar da importancia do carnaval para 0 municipio, para 0 estado e para 0 pais. Quando ha uma referencia ao pais, por exemplo, fala-se principalmente em samba e no nqsi>o carnaval, que e, sem duvida, a maiOffesta popular. Tijuca - Ja que f~la"l0s em interesse; das escolas, a Cidade do Samba v.em atender a um interesse comum 8e todas elas. Fale sobre a importancia desse grande empreendimento para as escolas.

Guimaraes - A Cidade do Samba vai ser fantastica, ja que e um sonho para todas as escolas. Talvez 0 publico que compre 0 ingresso para assistir ao carnaval nao saiba 0 que e trabalhar dentro de um barracao com as atuais instala~6es , que sao altamente precarias. Eo um grande sacrificio. A Cidade do Samba vai minimizar e muito esse problema, ja que vamos ter mais conforto e possibilidade de desenvolver melhor 0 carnaval. E e importante salientar que este projeto foi pensado por quem realmente faz 0 carnaval : 0 carnavalesco, 0 diretor de carnaval, 0 presidente da escola, enfim, nao houve interven~6es de quem nao entende do assunto. Tijuca - Allim de atender especificamente its escolas, em que a Cidade do Samba pode contribuir para a nos sa cidade? Guimaraes - A Cidade do Samba tem 0 objetivo de se tornar um p610 turistico. A ideia e fazer dela um "point", onde as pessoas vao poder se divertir e freqOentar com total seguran~a. Outra meta e desenvolver diversas atividades para atender, principal mente , as crian~as da comunidade local.


Tijuca - A Cidade do Samba, como ja foi dilo, foi pensada por quem efetivamenle faz 0 carnaval, portanlo nao corre 0 risco de fruslrar expeclalivas. 0 que 0 senhor diria do Samb6dromo hoje? Guimaraes - 0 Samb6dromo e urn projeto que foi desenvolvido ha 20 anos e que hoje nao supre mais as necessidades do carnaval, uma vez que ele cresceu muito nesses ultimos anos , nao so no aspeclo de desenvolvimento tecnico, mas tam bern em relayao a quantidade de pessoas que querem assistir ao espetaculo. Tijuca - 0 que esla sendo feilo enlao para melhorar a passarela do samba? Guimaraes - 0 Sambodromo hoje comporta 60 mil pessoas, sen do que 20 mil asslstem ao desfile nos setores 6 e 13. Sabemos que estes setores nao sao os mais privilegia.dps, porque 0 publico nao ve a evoluyao da escola e, conseqOentemente, na~ ha uma troca de energia entre 0 povo que ali esta e os componentes .?Ja escola. Nestes setores ha uma dif;tancia fisica muito grande. Entao, para solucionar esses e outros problemas, procuramos 0 arquiteto Oscar Niemeyer, que e 0 autor do projeto original, para viabilizar urn novo projeto de ampliayao para 0 Sambodromo. Tijuca - Na pralica, como seria a

-

amplia~ao?

Guimaraes - A sugestao que demos ao Niemeyer e de se construir do is modulos de arquibancada do lade dos camarotes da Brahma. Essa intervenc;:ao acabaria por melhorar tambem a estrutura desses camarotes, que sao muito pequenos . Tijuca - A Liesa sempre Iraz alguma novidade para 0 carnaval. 0 que podemos esperar para esle ano? Guimaraes - Os camarotes do lade da Brahma sao muito pequenos. Esse ano, para amenizar essa deficiencia,

.

criamos urn espac;:o na entrada para guarda-volumes , porque os convidados que desfilam nao tern como guardar suas fantasias. Vamos fazer essa experiencia este ana apenas nestes camarotes , para no proximo ana incluir os outros. Outra novidade e a construc;:ao de dois modulos de arquibancadas populares e banheiros, em parceria com a Nestle, para 0 povo que fica na concentrac;:aa sem nenhum tipo de conforto. Tijuca - E quanto aos desfiles, 0 que 0 publico pode esperar? Guimaraes - Este ana vamos fazer uma experiencia que, se der certo, pode ser implementada no carnaval de 2006. Para acirrar ainda mais a competic;:ao entre as escolas e, e claro, elevar ainda mais 0 nivel tecnico, tive a id e ia de adicionar 0 decimo suplementar na contagem dos pontos. Ha quatro anos, quando voltei a presidir a liga, institucionei 0 decimo, que aproximou muito as escolas e causou urn "tchan" a mais na apurayao. Agora, percebo que falta algo para premiar a escola '10ra de serie". Ha escolas que merecem uma nota dez, mas ha uma que pode ser contemplada com esse decimo a mais. No carnaval de 2004 , por exemplo , 0 carro alegorico do DNA da Unidos da Tijuca surpreendeu a todos no quesito criatividade , logo seria digno de conseguir 0 decimo suplementar. Tijuca - Mas como seriam dados esses decimos? Guimaraes - Gada jurado tern 0 dire ito de conceder 0 decimo para somente uma determinada agremiac;:ao, que ele julgou estar excepcional em urn certo quesito. A meu ver, a criayao desse decimo estimulara ainda mais a criatividade nas escolas de samba. Tijuca - Falando em criatividade, o que 0 senhor acha da reediyao de sambas? Guimaraes - Emuito dificil hoje as


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1


pessoas saberem cantar todos os sambas, por uma serie de fatores. A reedi,ao de sambas tem 0 objetivo de atingir 0 publico que frequenta 0 carnaval da Sapucai, 0 qual, em sua maioria, e composto por pessoas na faixa etaria dos 40 anos. Ano passado todos cantaram, inclusive os mais jovens, Aquarela Brasileira, reeditado pelo Imperio Serrano. Quando as pessoas cantam todo 0 samba com entusiasmo e gratificante para a escola. Tijuca.'- A que 0 senhor atribui 0 fat6 dos sambas mais recentes niio fica rem na memoria do povo? Guimariies - Exatamente pelos fatores

a que eu

me

referi.

Primeiramente, os sambas sao musicas sazonais, ou seja, tem um tempo de vida diferente. Nao ha como massificar um samba. Para que isso acontecesse, as radios teriam que tocar todos os sambas, com insen;:6es iguais para todas as escolas, para que nao houvesse nenhum tipo de

)

" .. .As escolas vao trazer este ana uma mensagem de muito , otimismo para " ... 0

os brasileiros ... "

carro aleg6rico do DNA da Unidos da Tijuca

Guimariies - Nao,' porque voce pode juntar 0 util ao agradavel. Potte- â&#x20AC;˘

surpreendeu a todos no quesito criatividade ... "

se falar de uma t'empresa, do seu

lavorecimento e isso e complicado de se fazer, ate porque as radios tambem nao tocam nada de gra,a. E ainda temos 0 problema da pirataria, que

produto, de form~ sutil, apenas com nuances, sem ser um merchandising explicito. 0 patrocinio e uma realidade

diminuiu a venda de discos. Entretanto,

necessaria. As escolas de samba tem

carnaval de la perdeu um pouco da

se fizermos uma compara,ao com sambas de 30 anos, que eram todos historicos, vemos que hoje ha uma evolu,ao, ja que os temas sao bastante diversificados, com abordagem sobre

um custo alto, uma vez que 0 prec;:o dos materiais aumenta muitas vezes acima da inlla,ao, alem do que, para se fazer um belo carnaval, nao ha

tradi,ao. No Rio, apesar de tudo,

varios aspectos. Ao mesmo tempo, nem sempre a diversifica,ao proporciona uma salra boa de sambas. No carnaval deste ana hit sambas tradicionais com estilo mais antigo e tambem os mais modernos e isso e muito bom porque acaba com a mesmice. Tijuca Com relat;:iio ao patrocinio, 0 senhor acha que, de certa forma, ele pode limitar a escolha de um en redo e a composit;:iio do samba?

espa,o para amadorismos. Lida-se com prolissionais, cujo trabalho precisa ser remunerado. Enfim , as despesas sao muito grandes e patrocfnio torna-se necessario.

0

Tijuca - 0 senhor acha que 0 carnaval carioca concorre com outros carnavais do pais? Guimariies - De forma alguma. Em outros estados, existe um apelo para um outro tipo de publico. Em Salvador o carnaval atinge os mais jovens e 0

mantem-se a tradi,ao do samba. 0 carnaval da Sapucai atinge um publico mais maduro e olerece um grande espetaculo visual, e uma grande opera popular. Cad a ala conta um peda,o de uma historia. A bate ria e uma orquestra reg ida e tocada por gente que nunca estudou musica e isso tudo e labuloso. Tijuca - Qual a sua expectativa para 0 carnaval2005? Guimariies - Esperamos fazer um carnaval fantastico. Nao podemos andar para tras. As escolas VaG trazer este ana uma mensagem de muito otimismo para os brasileiros e para 0 mundo , que esta passando por uma lase muito dificil.


Cr6nica

A maior patente da Tijuca Par Roberto M. Moura

No radio, fez de tudo, e por isso a

Creio que e quase uma unanimidade: estudiosos da musica brasileira que vieram antes de mim, como Sergio Cabral, Ricardo Cravo

maior patente. Ja na maturidade, vieram os anos de pesquisa, nascidos da consciencia de que aquela cultura

Albin e Herminio Bello de Carvalho, e toda a gera<;:ao que veio depois, teve

popular de que era um dos protagonistas nao podia se esvanecer

em Almirante, 0 grande Henrique Foreis Domingues, um paradigma. E, dando uma de Gon<;:alves Dias, posso

na noite dos tempos. Henrique Foreis Domingues, esse nosso her6i, foi tao singular que teve disciplina para

dizer: "meninos, eu vi." Era uma edifica<;:ao modesta,

reap render a falar, depois que um AVC levou-Ihe II afasia, junto com a perda

colada ao que hoje e 0 MIS, pr6ximo II Pra9a Quinze. Funcionava ali 0 famoso Arquivo Almirante, em que todos bebiamos numa epoca em que nao

dos movimentos do lado direito. Nascido no Rio de Janeiro, em 19 de fevereiro d~ 1908, aqui morreu, aos 72 anos, no dia 22 de dezembro de 1980, vitimadb por um aneurisma

tinha computador, Internet, muito menos 0 Google. La, esse nosso personagem passava a maior parte do dia, com suas fichas, seus arquivos, suas anota90es - de modo que muito do que hoje esta documentado em livro e arquivado nas mais confiaveis bibliotecas foi buscado ali, com aquele tijucano empedernido, nem sempre bem-humorado, mas rigoroso 0 bastante para que todos soubessemos que as informa90es vindas de seu arquivo tinham 0 peso de lei. Embora trabalhasse muito, fosse diligente sempre, ocorre-me agora que Almirante, a maior patente do radio, veio ao mundo a lazer. S6 fez 0 que quis. Primeiro, como compositor e interprete, 0 que Ihe levou ao radio, tendo ja 0 privilegio unico de ser 0 lider do unico conjunto em que Noel Rosa atuou - 0 Bando de Tangaras, que tinha tambem Braguinha, 0 Joao de Barro, outro que morava na Vila Isabel.

.

.

cerebral. 0 apelido de Almirante vem de 1926, .~ 927, quando ele serviu na Marinha. tlepois de tirar a farda, ele

I Como radialista de verdade, ele

ingressou em 1928, como cantor e pandeirista, no Grupo Flor do Tempo, na Tijuca. No ana seguinte, 1929, 0

come90u em 1938, respondendo durante quase vinte an os por mais de

grupo se transform aria no Bando de Tangaras, cujo primeiro sucesso foi "Na Pavuna", no carnaval de 1930, uma parceria sua com Homero

vinte programas. Entre eles, "Caixa de perguntas" (1938), "A can9ao antiga" (1941), "Campeonato brasileiro de calouros" (1944), "Carnaval antigo"

Dornelas. A essa altura, as novas tecnologias

(1946), "Incrivel! Fantastico! Extraordinario" (1947), "No Tempo de

incluiam ja 0 cinema, alem do disco e do radio. Os artistas que iam se popularizando atraves delas acabavam tendo sua chance na tela

Noel Rosa" (1951) e "Recolhendo 0 folclore" (1955). Como se ve, em quase todos a musica popular aparece como referencia - e "No tempo de Noel Rosa"

grande - e nao foi diferente com Almirante, que estreou em 1931, com "Ala, ala, Brasil", prosseguindo a

acabou transformado em livro, um dos basilares da nossa bibliografia musical. Nao por acaso, num dos ultimos

carreira nos anos seguintes com "Estudantes", "Ala, a16, carnaval" e "Banana da Terra".

atos de sua gestao, 0 entao governador Carlos Lacerda, em 1965 , incorporou seu arquivo ao MIS - Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro. 0 livro "No


Tempo de Noel Rosa" tinha saido dois anos antes, pela Livraria Francisco Alves, e era 0 segundo em sua bibliogralia pessoal (em 1951, 0 Cruzeiro havia lanyado "Incrivel, Fantastico, Extraordinario"). Essa primeira biogralia de Noel Rosa loi reeditada pela mesma Francisco Alves, em 1977, quando eu ja tinha leito algumas incurs6es pelo velho arquivo e ja assinava uma pagina musical no "Pasquim" - lolheio-a agora e me emociono com a dedicatoria: "ao caro Robe.rto M. Moura, para que

,

, Ceci (musa inspiradora de Noel Rosa) e Almirante

â&#x20AC;˘ adimire sempre Noel Rosa. Almirante, em 20105177". De certo modo purgando uma divida de nos todos, em 1990, Sergio Cabral lanyou pela mesma editora 0 seu "No Tempo de Almirante", com saborosa caricatura do homenageado na capa, assinada pelo cartunista Mendez. Tanto quanto os livros do proprio Almirante, a obra de Sergio ajuda a

entender mais e fl'â&#x201A;Źlhor esse sujeito que era multimidi ~ muito antes que a palavra virasse moda. Dono de sucessos como "Apanhei um reslriado" (Leone I Azevedo e Sa Roris, 1937), "Batucada" (Eduardo Souto e Joao de Barro, 1931), "Boneca de piche" (em dueto com Carmen Miranda, musica de Ary Barroso e Luiz Iglezias, 1938), "Deixa a lua sossegada" (Joao de Barro e Alberto Ribeiro, 1935), "Eu you pra Vila" (Noel Rosa, 1931), "Hino do carnaval brasileiro" (Lamartine Babo, 1938), "Historia do Brasil" (Lamartine Babo, 1934), "Marchinha do grande galo" (Lamartine Babo e Paulo Barbosa, 1935), "0 orvalho vem caindo" (Noel Rosa e Kid Pepe, 1934), "Patrao, prenda seu gado" (Pixinguinha, Joao da Baiana e Donga, 1955), ''Tamanho nao e documento" (Lamartine Babo e

"ao caro Roberto M. Moura, para que admire sempre Noel Rosa. Almirante, em 20/05/77"

Eneas Machado de Assis, 1939), ''Tarzan, 0 filho do allaiate" (Noel Rosa, 1936), "Touradas em Madri" (Joao de Barro e Alberto Ribeiro, 19370, "Trem blindado" (Joao de Barro, 1933), ''Tudo em P" (Jorge Nobrega e Angelo Delatre, 1938) e "Yes, nos temos bananas" (Jaao de Barro e Alberto Ribeiro, 1937), Almirantetornou-se um apostolo dos colegas, colaborando de modo definitivo para que os estudos sobre a nossa musica popular tenham chegado ao estagio que hoje apresentam. E tudo isso sem sair da Tijuca. Roberto M. Moura, e Mestre em Comunlca4j:ao e Cultura (ECC I UFRJ), doutor em

musica (UNIRIO) e

membra do Estandarte de Oura desde 1979.


Cidade do Samba

A Fabrica do Samba

,...

,\..

CIDADE DO SAMBA

â&#x20AC;˘

Por Barbara Barros

I'

i No carnaval de 2006 as escolas de

A Cidade do Samba vai centralizar

samba do Rio de Janeiro ja vao poder usar a Cidade do Samba, localizada na

todas as atividades relacionadas ao Carnaval, incluindo desde a montagem

Zona Portuaria. Sera um espayo fix~ e definitiv~ composto p~r 14 galpoes que iraQ abrigar os barracoes das escolas <;Ie samba do grupo Especial. E 0 local

e operayao de carros aleg6ricos ate a confecyao de adereyos, fantasias e outros produtos, criando um novo fluxo

ainda tera duas lonas culturais (uma para espetaculos e outra para exposiyoes). 0 projeto e uma iniciativa da Prefeitura da cidade do Rio de Janeiro , idealizado pel a Liga

turistico perrnanente na cidade. " A Cidade do Sarnba vai ser 0

I,

~.,

--

,, !IIr

grande atrativo da nossa cidade rnaravilhosa, sera como um ponto turistico. Vai ser muito visitado ,

Independente das Escolas de Samba

acredito ate que sera mais visitado que o Cristo Redentor e 0 Corcovado. 0

(Uesa). " Eo a realizayao de um sonho. Ter um barracao para a nossa escola e um desejo de muitos anos. Parecemos

ano todo tera atividades, trazendo recursos para a escola", explica Fernando Hortq. presidente da Unidos da Tijuca

ciganos, mudando 0 tempo todo. Antes nada era nosso de verdade, tudo era

lamenta quJ os preparativos do carnaval 2005 nao foram feitos ja na

invasao aqui nas Docas", diz Fernando Horta, presidente da Escola de Samba Unidos da Tijuca.

nesse no~o espayo. " A e.,ectativa e a ansiedade sao grandes. Pena nao term os feito 0

o

.

.

" A expeclaliva e a ansiedade sao grandes. Pena nao lermos leilo a Carnaval desse ana Itt na cidade do samba"

Carnaval desse ana la na cidade do samba", desabafa 0 presidente.

o

espayo destinado para a construyao da Cidade do Samba e de 80 mil metros quad rados, com 7.500

metros quadrados para cada escola, ai<§m de ter uma praya de alimenta9ao, 10jas, espayo para shows e seguranya no local, funcionando 0 ano todo. "Nossa escola foi a segunda a ter 0 dire ito de escolher seu espayo para construir 0 barracao. Teremos tambem uma boutique, onde serao vendidos produtos com a logomarca da escola", explica Fernando Horta. Ele finaliza falando de um novo sonho: "0 pr6ximo desejo de qualquerescola e um acesso direto ate a Sapucai".


Saude

f

PreparativQs para 0 desfile

Cuidar do corpo

e fundamental e

Profissionais de Educagao F{sica ensinam que preparagao f{sica importante: nao s6 especificamente para 0 Carnaval, mas 0 ana todo Por Renan Brandao ~nsaios,

ensaios, ensaios... A rotina de quem vai desfilar na Sapucai nao e facil. Durante pelo menos quatro meses, os folioes se dedicam de corpo e alma a sua escola de samba, para que no dia do desfile tudo saia perfeito. Na Unidos da Tijuca nao e diferente. E, visando dar aos componentes da escola um respaldo tecnico para a prepara9ao fisica, a azul-e-amarela firmou uma parceria com a academia Bodytech, situada em Ipanema. o diretor da Bodytech, Roberto Rodrigues, 37 anos , mais conhecido

,

como Robertinho, e um apaixonado por carnaval e ve a parceria como a uniao do util ao agradavel. No Carnaval 2005, Robertinho ficou encarregado de duas grandes responsabilidades na Unidos da Tijuca: assumir a chefia de uma das alas, a "Castelo das Bruxas", e cuidar pessoalmente da prepara9ao fisica da porta-bandeira Lucinha, que ganhou uma bolsa integral em sua academia. Ela, que faz exercicios regulares ao longo do ano, por conta dos puxados ensaios teve que intensificar os cuidados com 0 corpo. "A Lucinha atualmente faz um trabalho de muscula9ao com enfase em exercicios localizados, para ganhar massa muscular e resistencia; faz ioga, trabalhando equilibrio e concentra9ao; e spinning , exercicio aer6bico de alta intensidade", explica Robertinho.

Segundo ele, muita gente pergunta como deve ser a prepara9ao fisica para o Carnaval, e sua resposta e sempre a mesma. "Nao adianta se preparar somente para 0 Carnaval. Cuidar do corpo deve ser uma preocupa9ao durante 0 ano todo", ensina. Idosos tambem devem se cuidar

Uma das componentes da ala Castelo das Bruxas, que sera toda formada por membros da Bodytech, e a professora de Educa9ao Fisica Andrea


A

r

~polonia,

30 anos. Ela afirma que os idosos devem ter uma preparavao especial para 0 desfile, enfatizando os

!

beneficios do exercicio fisico para a terceira idade. "A atividade fisica e boa para

A

qualquer idade, reduz a taxa de glicose, controla a pressao arterial e previne a osteoporose. E importantfssimo que os idosos pratiquem exercicios fisicos regularmente, principalmente aqueles quevaodesfilar, jaque a intensidade do desfile e grande e, consequentemente, exige muito do corpo", defende. Andrea tambem lembra que, apesar de ser uma pratica saudavel , os exercicios fisicos nao devem ser feitos sem 0 acompanhamento de um profissional habilitado. Com e s s a turma cheia de saude e conhecimento, a Unidos da Tijuca promete atravessar a Marques de Sapucai sem perder 0 folego em nenhum instante. para conferir .. .

E esperar

,.

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Cr6nica

Anos 30 Par Sergio Cabral JomaUsta e Escritor

A Unidos da Tijuca tem muita historia para contar. Em materia de tradi~ao , apenas a Mangueira e a Portela podem ser comparadas a ela, mas tem de se conformar com um importante pioneirismo desta escola: foi a Unidos da Tijuea a primeira escola de samba a eontar com uma mulher entre os seus compositores.

de 1933, ana em que chegou em terceiro lugar no desfile (repetindo a coloca~ao do ano anterior, quando foi promovido 0 primeiro desfile das escolas) e ana de outro pioneirismo fun damental: a Unidos da Tijuea cantou tres sambas no desfile (eada eoncorrente eantava tres sambas),

Chamava-se Amalia Pires, foi uma das fundadoras da eseola e, entre os seus sambas, havia um (do carnaval de 1933) que dizia : "Na Muda da TijucaJOnde reside a Unidos/Salve 0 bloeo das baianas/Saimos com harmonia/Para enfrentar a folia" (na epoea, nao havia alas nas escolas. A atual ala das baianas era ehamada de

todos relacionados com 0 enredo, "0 mundo do samba", fato destacado pelo 0 Globo e pelo Correio da Manhii. Assim , fica bem claro que a Unidos da Tijuea inventou 0 sambaenredo, embora, nos an os seguintes, nao tenha repetido a formula, ate porque 0 regulamento nao exigia. "Somos Unidosda Tijuea l Eeantamos

bloeo). A escola partieipou do primeiro show de eseolas de samba, realizado no teatro Sao Jose, antes do earnaval

0

samba brasileiro I Cantamos com harmonia e alegria I 0 samba nascido no terreiro", dizia um deles.

"Somos Unidos da Tijuca/ E cantamos 0 samba brasileiro .. . "

Em 1936, a Unidos da Tijuca ganhou 0 primeiro lug a r . 0 regulamento daquele ana determinava que a cam pea seria a eseola com a melhor nota no quesito harmonia. E foi ela a eontemplada com a melhor nota. Fico por aqui porque 0 espa~o esta aeabando. Alinal , como cantou Monareo para a sua Portela, se eu for falar da Unidos da Tijuea hoje nao you terminar.


Especial

Um Carnaval Inesquecfvel Consagra~ao

na avenida

Vice-campeonato de 2004 promoveu 0 talento do carnavalesco Paulo Barros e fez da Unidos da Tijuca uma das favoritas ao titulo deste ana ,

Par Renan Brandaa

,,

o Carnaval 2004 entrou para a hist6ria da Unidos da Tijuca. Apostando no enredo "0 sonho da criayao e a criayao do sonho: a arte da ciencia no tempo do impossivel", a escola do Borel alcanyou 0 vicecampeonato do Grupo Especial, empolgando 0 publico e surpreendendo a critica. o ingrediente determinante para 0 sucesso da escola tem nome: Paulo Barros. 0 carnavalesco, que com suas f6rmulas inovadoras conquistou a passarela do samba, fez da Tijuca mais

que vice-cam pea: a azul-e-amarela se tornou, depois do ultimo carnaval, referen~ia para as demais concorrentes - as alegorias humanizadas apresentadas na avenida em 2004 sao ' agora uma aposta de muitos Cflrnavalescos cariocas. Desacreditado p,9r muitos antes do desfile, Paulo Barms deu nova cara Tijuca, e fez as prltensoes da azul-eamarela aumentarem: se antes um lugar no desfile das cam peas jil. enchia

a


os olhos da escola, depois do grande desempenho de 2004, 0 titulo passou a ser 0 objetivo. Segundo Paulo , uma mudanc;:a que se deu de forma lenta e gradual. "No ano passado, a meta era voltar no "sabado das cam peas". Se viesse a sexta colocac;:ao, eu me senti ria realizado. E veio muito mais, 0 vicecampeonato. Minhas f6rmulas para desenvolver um carnaval foram bem aceitas, e isso me da confianc;:a para, neste ano, pensar em titulo. Na minha opiniao , 0 desfile do ano passado ja foi tecnicamente perieito, mas perdemos alguns decimos decisivos e nao chegamos ao campeonato.

o publico pode esperar, para este carnaval , um desfile criativo e prazeroso de assistir, buscando aperieic;:oar 0 que mostramos no ano passado " diz .Com toda esta convicc;:ao, os versos do refrao que a Tijuca cantou em seu samba-en redo de 2004 ("Sonhei am or e vou lutar! Para 0 meu sonho ser real! Com a Tijuca campea do carnaval") prometem ter grandes chances de ter seus anseios recompensados .

Antes do vice, a desconfianl;:a

o carnavalesco Paulo Barros conta que, no periodo compreendido entre 0 convite da Tijuca, em 2003, e seu primeiro desfile il frente da escola, em 2004, seu trabalho chegou a ser considerado esquisito e pobre . Mas, para ele, isso nao foi motivo para que se sentisse desestimulado. "Continuei sempre acreditando nas minhas ideias. Um bom exemplo do que estou falando e 0 caso do carro mais aclamado do desfile, 0 do DNA. Quando 0 dei como pronto no barracao, a apreensao foi geral , pois era apenas um carro de ferro forrado com tecido, adornado por alguns elementos que remetiam il molecula do DNA. Na verdade, ele s6 ficou pronto na avenida, pois dependia de seus


MOMENTOS CARNAVAL 2004


)

"Desde que cheguei

a escola,

live a confianc;:a do Fernando Horta ..."

integrantes para ter seu sentido completo . Mas acho importante ressaltar uma coisa: apesar de tudo, nunca fui questionado pelo presidente da escola~ afirma 0 carnavalesco.Este apoio irrestrito, alias, e destacado por Paulo como alicerce para seu sucesso e, conseqiientemente, da Unidos da Tijuca. "Desde que cheguei Ii escola, tive a confian~a do Fernando Horta, e as condi~6es

de trabalho foram sempre ambiente da Tijuca muito boas. como 0 de uma familia, isto torna tudo mais facil", finaliza.

a

e


Perfil

f

Talento e persistencia, a receita de Paulo Barros Por Renan Brandao "Quando surgiu 0 convite

Saiba um pouco mais sobre a vida do carnavalesco da , Unidos da Tijuca

o

Grupo Especial do Carnaval carioca precisava de renovacao. Paulo Barros, de uma chance. E quando 0 convite da Unidos da Tijuca surgiu na vida deste nilopolitano de 42 anos, em meados de 2003, ambas as necessidades loram supridas. Dilicil mesmo a dizer quem ganhou mais com esse casamento perfeito, que logo na estraia levou a escola do Borel a um

,

lestejado - e inesperado - vicecampeonato. 0 ano de 2004 marcou 0 surgimento de um novo talento, pelo menos para 0 grande publico, ja que nos grupos de acesso Paulo Barros ja vinha encantando com sua criatividade. Com voces, um rapido

" bate-bola" com este carnavalesco, que ja a apontado como sucessor de Joaosinho Trinta no posto de "arquiteto do Carnaval".

da Tijuca, visualizei minha grande oportunidade .... "

Tijuca em Revista - Voce saiu do Carnaval 2004 como a grande revelacao, pela maneira inovadora de

a que trabalho ha muito tempo para alcancar meu espaco. Quando surgiu 0 convite da Tijuca, visualizei minha grande oportunidade. Apostei entao

criar que rendeu it Unidos da Tijuca 0 vice-campeonato. A opiniao publica

em minhas lormulas e deu no que deu.

aclamou s,eu trabalho e alguns criticos chegaram, em alguns casas, a atribuir a voce 0 posto de sucessor de Joaosinho Trinta no pos/o de "grande

Tijuca em Revista - Entao para voce a grande relerencia quando se lala de carnavalescos a 0 Joaozinho Trinta?

Paulo - Sim, juntamente com a arquiteto do Carnaval".\ Como a lidar Rosa Magalhaes ... Ela surpreende a com estes elogios? Voce esperava a â&#x20AC;˘ cada ano, a uma excelente prolissional. consagracao logo ej!1 seu primeiro ana Com ela como carnavalesca, pode se no Grupo Especial ~ esperar de tudo na avenida ... Paulo Barros - Eo muita pretensao Tijuca em Revista - E como surgiu, me colocar no lugar do Joao. Ele a um mestre e 0 lugar que ele conquistou a apenas dele, ninguam pode lirar.

na sua vida, este interesse por carnaval e, mais especilicamente , 0 cantata direto?

Quanto aos elogios, 0 que posso dizer

Paulo - 0 interesse surgiu nos tempos de crianca. Nasci em Nilopolis, na Baixada Fluminense, terra da BeijaFlor. Quando 0 carnaval se aproximava, eu participava de mutiroes para concluir os trabalhos que antecediam os desliles. Eu passava urn, dois, tres ou ata mesmo quatro dias ajudando. Urn pouco mais tarde, passei a IreqOentar 0 barracao da escola com mais assiduidade. Seguia 0 trabalho do Joaosinho Trinta de perto, aprendi muito com ele. Em 1993, surgiu uma oportunidade de trabalhar no carnaval da Vizinha Faladeira (uma das mais antigas agremiacoes do Carnaval carioca) , e dai por diante nao parei mais.


Paulo Barros e L.C. Bruno (Diretor de Carnaval)

Tijuca em Revista . E fora da avenida e de tudo que tange ao carnaval , voce possui alguma outra atividade? Cursa ou cursou alguma faculdade?

MATERIAS SIDERURGICOS SOB MEDIDA PARA A SUA EMPRESA. cantoneiras perfis

1

tubos

/

~

Paulo - Estudei dois anos e meio

de Arquitetura, e essa parte plastica, como voce pode perceber, sempre me perseguiu. 0 grande barato para mim e fazer coisas d ife rentes do convencional, criar ilus6es visuais que s6 se desfazem de perto . Fazer um

barras

/

chapas

carro que pareya de ouro, mas que, de perto, se perceba que e de lata. Tijuca em Revista - Qual foi 0 porque de voce nao concluir 0 curso de Arquitetura? E qu ais fo ram as profiss6es que voce ja exerceu fora do Carn aval? Paulo - Nao conclui porque cursei

a faculdade na epoca em que era comissario de bordo, profissao que me sugava muito. Eu nao tinha fim de seman a, feriado.. . Era desgastante. Acabei largando 0 curso. E quando

tel has galvanizadas

disco de corte eletrodo chapa paulista e emposta

ainda voava, comecei a fazer carnaval. Mantive essa "vida dupla" por um bom

cal has

tempo, ate deixar a aviayao e me dedicar exclusivamente as artes, tanto no carnaval quanto fora dele. Hoje, alem de carnavalesco, sou artista plastico contratado por uma galeria do Casashopping, na Barra da Tijuca, a Almacen. Minha vida, como se ve, e a arte, naavenidaeforadela.

gonzos fitas

R. Fernando Saboya de Fiuza 25 â&#x20AC;˘ Campo Grande Rio de Janeiro I RJ â&#x20AC;˘ CEP: 23068- 300 Tel. : +55 21

2412-8525 I

Contatos: Ludene ou Carlos


Barracao

Onde os sonhos ganham vida Conherra

0

lugar onde as ideias do carnavalesco se transformam nas fantasias e alegorias que brilham na Marques de Sapucaf Por Renan Brandao

Quando 0 carnavalesco tem sua cria 0 enredo para 0 carn/lval seguinte, esta mexendo com o futuro de centenas de pessoas. Nao s6 com a vida dos componentes do desfile da escola, mas com gente que da duro nos bastidores para que no dia do desfile, fantasias, alas e alegorias sejam fieis aquilo que foi idealizado.E e no barracao da escola que tudo isso acontece. Sao diversos profissionais trabalhando duro para as ideias sairem do papel e se transformarem em uma encantadora realidade. inspira~ao .e

Servi~o e 0 que nao falta: caminhando pelas dependsncias do atelis de fantasias e do barracao de alegorias, e possivel se notar a presen~a de incansaveis costureiras, chapeleiros, ferreiros, marceneiros, pintores, escultores, soldadores, entre outros, todos muito atarefados . Coordenar toda essa gente nao e nada facil. E quem cuida desta complexa parte e 0 diretor de Carnaval da Unidos da Tijuca, L.C. Bruno, -que explica como e 0 trabalho ao Ipngo do ano, passo-a-passo.

â&#x20AC;˘


"A primeira pesquisa e de fantasia. Logo depois que se define 0 enredo, comeQa a pesquisa de indumentaria e materiais. A partir da pesquisa do carnavalesco, temos uma equipe para ajuda-Io na escolha de referencias para o enredo, e isso e passado para os projetistas. Dai, tudo e encaminhado para 0 setor de produQiio. 0 resultado disso e 0 que vemos na avenida, uma escola deslumbrante", explica. Para se ter uma ideia da dedicaQiio e compromisso que os profissionais do barraciio tem com a escola, e preciso ve-Ios em aQiio. Mas mesmo sabendo que isso niio e possivel , ja que no barraciio ficam guard ados a sete chaves as surpresas do carnavalesco, conversar por poucos minutos com um deles ja basta. 0 soldador Michel de Almeida Machado, 30 anos, e um bom exemplo disso, e conta que seu trabalho desperta ate 0 citlme de sua esposa. "Ja virei noites trabalhando. Sou casado e minha mulher muitas vezes nao acredita quando me cobra explicaQiies pela madrugada passada fora de casa e eu respondo que estava no barraciio. Mas e normal, as mulheres desconfiam mesmo", diz. Polemicas it parte, uma coisa e certa : para quem nao leva no sangue a vocaQao para 0 barraciio, e mesmo dificil acreditar em tanta paixiio ...

... f


Enredo 2005

E a Borel virou Shangri-la ....... • ••

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urn Icone da loucura

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criando uma utopia: 0 morro do Borel se torna a Shangri-la, 0 paraiso onde tudo e possivel, belo e born. Com muito colorido e criatividade, 0 carnavalesco da Tijuca promete encantar a Marques de Sapucai, calando mais uma vez os "achistas" que insistem em dizer que seus enredos sao subjetivos e confusos. "Trata-se de urn enredo ludico e de lacil entendimento, como possivel

e

perceber. Quem diz que meus enredos nao sao objetivos nao Ie. Nao me importo com este tipo de critica, pois confio no meu trabalho. No ana passado, lui alvo deste mesmo tipo de comentario e ganhei nota maxima de todos os jurados do quesito. 0 tiro dos "achistas" saiu pela culatra e vai sair de novo. 0 publico pode ter certeza de que valera a pena pagar 0 ingresso para ver a Tijuca desfilar, sem medo de arrependimento", garante.

!

I!

FOTOBR agE'mcia de fotografia

Marquinho e Carla (segundo casal de M.S. e P.B) com Kiko Ferreira seu condutor

o fot6grafo

deita, salta, escala, invade e quer registrar a cada segundo

um click especial, procurando os angulos e flagrantes curiosos, uma luz especial entre gente famosa, rostos anonimos, fantasias, movimentos, cores ... Com nossas bolsas e coletes pesados, repletos de equipamentos e acessorios, nao medimos esforc;:os para eternizar momentos.

www.fotobr.com

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Primeiro Casal

Mestre Sala e Porta Bandeira Uma dupla nota dez! Lucinha e Bira se preparam para brilhar como Mestre-Sala e Porta-Bandeira Par Carlos Lencinho

R'epresentar a escola, carregar seu simbolo maior, lazer reverencia ao publico e ao juri e ainda arrebatar a nota maxima. Essa e a missao que Bira e Lucinha terao no proximo carnaval. Para quem nao os conhece, sao respectivamente mestre-sala e portabandeira da Unidos da Tijuca, primeiro casal da escola, portanto, 0 que estara sendo avaliado na avenida. E para 0 casal estar alinado na

Marques de Sapucai, eles contam com uma especie de anjo da guarda. 0 protetor se chama Niltinho Barbosa, 15 an os de escola, responsavel pela condugao do casal na passarela e por cuidar da dupla 0 ana inteiro na quadra, nos ensaiQs preliminares e no ensaio tecnico. "Nao basta ser bonito na Irente dos Jurados e necessario que 0casal tenha cumplicidade. Os jurado~visitam a

Ubirajara Claudina

e Lucinha Nabre

"Ele chega com urn peso grande de conquistar junto com Lucinha a nota maxima . ... "

â&#x20AC;˘


escola, analisam antes, observando toda a evolucao desde os ensaios ate 0 final do desfile~ explica Niltinho. Lucinha tambem e responsavel pel a escola de mestre-sala e portabandeira da Unidos da Tijuca, ha quatro anos. Ganhadora da nota maxima nos ultimos dois anos, sua opiniao pesou na escolha pela presidencia da escola, de Bira, primeiro

Niltinho Barbosa, condutor do casal

mestre sal a, que estreia este ana no posto. E a escolha nao foi facil, como garante Niltinho:

bermuda, bebendo cerveja ou fumando. 0 carnavalesco e respansavel pel a fantasia do casal,

"0 Bira ja era solista na bate ria e a sua saida foi dificil. Ele chega com um

que vem afrente da bate ria. Emoc6es a parte, 0 protetor do casal garante que 0

peso grande de conquistar junto com Lucinha a nota maxima. Ele ja tinha 0 dom. Seu pai era mestre-sal a." Na hora do desfile, estara sendo

fato do juri ser composto por pessoas ajuda: "0 julgamento e feito par um ser

avaliada a apresentacao da bandeira da escola, a comunicacao com 0 publico e 0 cerimonial de apresentacao. Niltinho nao ad mite desleixo nos ensaios e no dia do desfile. Nao pode estar de chapeu,

humano, ou seja, 0 coracao funciona. o casal pode se sentir honrado, pois prestam uma homenagem ao beijar a bandeira em respeito ao pavilhao." Agora e torcer para Lucinha e Bira â&#x20AC;˘ levantarem 0 samb6dromo neste carnaval.

â&#x20AC;˘


Samba-enredo

"Entrei por urn lado, saf pelo outro a cantar .â&#x20AC;˘ â&#x20AC;˘ "

Compositores do samba-enredo do Carnaval 2005 da Tijuca falam sobre desafio de dar vida inspirar;ao do carnavalesco

a

0

Por Renan Brandao A princi~io , uma sinopse e para um compositor um mar de possibilidades. Palavras-chave, ideias, tudo se mistura e, organizar, a partir desta inspira<;:ao, um samba contagiante e condizente com as aspira<;:6es do carnavalesco, torna-se uma tarefa complexa. E se ja parece algo dificil para a interpreta<;:ao de uma (mica pessoa , imagine compartilhar isso entre dois, tres e as vezes mais parceiros de composi<;:ao. Impossivel? Nao para Sergio Alan , Jorge Remedio e Valtinho Jr., compositores do samba escolhido para embalar 0 Carnaval2005 da Tijuca. Recebendo muitos elogios de Paulo >

,..

,

Compositores Valtinho Jr., Sergio Alan e Jorge Remedio

Barros, carnavalesco da escola, pela fidelidade da letra composta a ideia do

"Durante a composic;:ao , as reuni6es com 0 carnavalesco sao muito importantes, pois a partir delas

enredo, os compositores contam que 0 processo para chegar ao produto final de sua cria<;:ao e, as vezes, arduo.

os pontos ideais do samba sao mantidos e, aqueles que ainda nao se encaixam as pretens6es dele sao

Segundo eles, quando a sinopse do enredo chega as suas maos, inicia-se um periodo em que qualquer estimulo externo pode se tornar inspirac;:ao.

apontados para que possamos modificar. 0 carnavalesco e como se fosse um parceiro dos compositores",

"Quando estamos em fase de criac;:ao, um outdoor na rua, uma

diz Sergio Alan. Ao falar sobre 0 ingrediente principal para que um samba possa ser considerado bom, Sergio Alan,

crianc;:a brincando ou mesmo a esposa trabalhando na cozinha podem trazer ideias. Qualquer coisa pode dar em samba", brincam em coro. Para 0 trio, a participac;:ao do carnavalesco se da como a de um integrante extra na parceria, pois seus "toques¡ sao fundamentais.

Interprete Wantuir Oliveira

Jorge Remedio e Valtinho Jr. tem a mesma opiniao : 0 samba bom, para eles, e aquele que "acontece" na avenida, isto e, que consegue em polgar e cair no gosto do publico.


Comissao de Frente

Eles saem na frente Como esta se preparando a comissao de frente da Unidos da Tijuca sob 0 comando de Nino Giovanetti Por Carlos Lencinho

Bem que diz 0 ditado: a primeira impressao .e a que fica. Por isso, as esco)as de- samba nao abrem mao de se superar a cada ana no quesito comissao de frente. A Unidos da Tijuca

controlar a ansiedade. E importante que a comissao de frente corresponda it apresenta~ao do enredo proposto e siga rigorosamente a coreografia, onde sao cobrados alinhamento,

nao pensa diferente e conta com Nino Giovanetti, coreografo, que planeja minuciosamente os detalhes da

composi~ao,

apresenta~ao. Para 0 proximo desfile, a comissao e composta por 14 homens

integrantes da comissao de frente podem ter; como quarto de hotel, por exemplo, a entrega tambem e total. No

e uma mulher e a preocupa~ao em obter a nota maxima e grande. "Por tras do resultado que 0 publico

sincronismo absoluto e respeito total com os jurados. Apesar das mordomias que os

dia, sao sumariamente, proibidos de beber refrigerante e cerveja. Fumantes

assiste, ha muito trabalho e sacriffcio. Tem que encarar como um desafio. Nao vou olhar 0 que os colegas estao

tambem perdem prefe~encia. Ja . 0 amor pela escola e cobrado por Nino, que define a comistao de frente como

fazendo, minha preocupa~ao e com a nota 10", afirma Nino. E para nao fazer feio na avenida, a

uma orquestra na q'al ele 0 regente. "E um trabalho excitante! Com uma comissao de frente extraordinaria, a

prepara~ao

escola flui. Os aplausos do publico empolgam toda a escola. A comissao de frente uma referencia da escola,

do grupo come~ou em agosto. Um trabalho pSicologico e feito com todos os integrantes e os ensaios

Nino Giovanetti, coreografo

â&#x20AC;˘

e

"Por tras do resultado que 0 publico assiste, ha muito trabalho e sacriffcio.

"

e

sao terapias para tirar 0 medo e senao a primeira", explica 0 coreografo. Sobre 0 que 0 publico vai assistir no

e

sambodromo, 0 sigilo fundamental. Mas tudo pode se esperar desta comissao, pois Nino Giovanetti gosta de mesclar brancos e negros, de profiss6es diferentes e idades variadas entre 18 e 30 anos. Agora, cabe conferir que grande espetaculo a Unidos da Tijuca trara este ano para a avenida e reverenciar mais uma vez 0 trabalho de Nino Giovanetti na frente do processo.


Harmonia

Em busca da perfeic;ao Conhec;;a 0 incansave/ traba/ho da Comissao de Harmonia, que cuida para que 0 des file da Unidos da Tijuca nao peque em nenhum deta/he

Par Renan Brandao Amor, atenyao, dialogo ... ingredientes que fazem parte de uma boa relayao entre marido e mulher, mas que tam bern podem dar samba. Nao no senti do figurado, literalmente

alegorias da Avenida) e figurinos, para que nenhum detalhe escape. Dentro deste complexo trabalho, cad a diretor e encarregado de uma tarefa e, ao

mesmo. Pelo menos esta e a filosofia da Comissao de Harmonia da Unidos

mesmo tempo, de todas. No melhor estilo "urn por todos e todos por urn", a comissao vive 0 dia-a-dia da escola

da Tijuca, que apoiada nestas bases realiza urn trabalho continuo e

intensamente e, assim, evita erros e falhas no dia do desfile.

incessante para que, na Marques de Sapucai, tudo saia conforme se espera e, se possivel, ainda melhor.

A Tijuca conta tambem com harmonias de ala, que acorn pan ham todas as alas que comp6em a escola e,

Quem coordena 0 trabalho da equipe de 40 diretores que integram a comissao e 0 diretor-geral de harmonia

assim, colaboram com 0 trabalho da Comissao de, .Harmonia. Existem,

Almir Luis, urn mestre na arte de bamba, que conhece muito bern a escola. Desde 1987 na Tijuca, quando comeyou na bate ria, ele conhece bern o que e preciso para que a harmonia seja urn "show". "Com uma boa bateria, urn born samba e a escola inteira cantando e desfilando com raya, 0 trabalho da harmonia e bastante facilitado. Nossa maior preocupayao dentro da comissao e estar sempre em contato com todos os segmentos da escola, escutando opini6es e aperfeiyoando tudo que for possivel. Para que esse aperfeiyoamento seja possivel, tam bern e importante que a escola compareya em peso aos ensaios tecnicos", afirma Almir Luis. Almir tam bern enfatiza que a atenyao da Comissao de Harmonia nao se restringe apenas aos componentes , sendo direcionada tambem as alegorias, estiva (pessoal encarregado de conduzir e retirar as

ainda, segmertos da escola que realizam ensaios alem dos ensaios â&#x20AC;˘ tecnicos, todos eles acompanhados conjuntarTJ~nte por Almir Luis e os responsa/eiS por cad a ala. Nestes ensaios sao criadas as "surpresas" que costumam encantar 0 publico na Sapucai. Com franqueza e liberdade de expressao , a Comissao de Harmonia da Unidos da Tijuca trabalha para a vito ria que, a julgar pela confianya demonstrada por todos, nunca esteve tao proxima de se concretizar como no Carnaval2005.

Ensaio tecnico na Marques de Sapucai

"urn par todos e tad as par urn"


1-

Bateria

Pura cadencia na avenida Considerada 0 "corac;;ao da escola", a bateria da Unidos da Tljuca e um show parte que orgulha a comunidade e emociona a Avenida

a

Por Renan Brandao Marcelo Campos Silveira nasceu e cresceu no morro do Borel. Na infiincia, se apaixOnou perdidamente pelo samba, e niio demorou para que se tornasse um membro da Ala das Crian~as e da Bateria Mirim de sua escola do cora~ao , a Unidos da Tijuca. Hoje, aos 32 anos, a paixao continua, mas sua responsabilidade na azul-eamarela aumentou , e muito: mestre Celinho, como Ii conhecido, Ii 0 diretorgeral da bate ria da escola, e sua responsabilidade Ii grande. Mais conhecida como "bate ria pura cadencia", ela Ii uma referencia quando 0 assunto Ii samba de primeira.

"Nossa bateria se dedica ao maximo e nossa meta

a escola

e aperfeic;:oar sempre

tudo aquilo que for posslvel ..

Mestre Celinho

E nao Ii dificil descobrir 0 porque deste apelido. Quem vai a um ensaio da Unidos da Tijuca percebe, logo de cara, que um dos pontos mais altos da escola Ii a bateria, incansavel e afinada como uma orquestra sinf6nica. A cadencia perfeita Ii notavel e os jurados sabem disso: nos ultimos carnavais, notas maximas no quesito se tornaram constantes. Para mestre Celinho, em 2005 as notas 10 tem tudo para se repetir.

"Nossa bateria se dedica ao maximo ii escola e nossa meta Ii aperfei~oar sempre tudo aquilo que for possivel. as ritmistas da Unidos da Tijuca ensaiam muito e procuram estar sempre de acordo com 0 que a Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba) pede, que Ii versatilidade e criatividade . Nos esfor~amos todo ana para alcan~ar este objetivo, e neste ana nao esta sendo diferente", explica Celinho.


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"Chegou a hora de soltar 0 grito de campea~

Como os outros setores da escola, a bateria tambem esta conti ante que 0 titulo de cam pea do Carnaval vira para a escola do Borel: "Chegou a hora de soltar 0 grito de campea. ~oda a escola esta unida e com 0 pensamento no titulo. A Tijuca vai entrar na avenida com tudo, lutando para conquistar esse objetivo'; atirma mestre Celinho. Se depender da "bate ria pura cadencia", 0

torcedor da azul-e-

amarela pode colocar

0

champagne

para gelar e preparar a testa ...

,

, f:abia Borges, Rainha de Bateria


8aluarte

e

Andrade Chefia Par Barbara Barros

"A esco/a a terceira mais antiga da cidade, e surgiu da fus[w de quatro blocos ... "

o maior comunicador da escola de samba Unidos da Tijuca nilo poderia ter urn titulp melhor do que baluarte . Seu , nome' e Alexandre Ferreira de Andrade , mais conhecido como Andrade Chefia, 73 anos, que tern ccmo profissilo alfaiate. 0 primeiro contato dele com 0 samba aconteceu na decada de 50, quando comeyou a freqOentar 0 Bloco dos Sujos, no Catumbi. "A escola que me fez baluarte, pois eu apenas divulgava a escola por amor", afirma Andrade Chefia, veterano do grupo e atual vencedor do Premio SambaNet, em categoria a parte criada so para homenagea-Io. Em 1968, ele foi pela primeira vez numa escola de samba, e a escolhida foi a Unidos da Tijuca, onde conheceu pessoas maravilhosas e foi muito bern recebido. "A Unidos da Tijuca me deixa muito feliz. A escola e como se fosse a minha primeira casa. Foi onde aprendi a amar o samba'; explica 0 baluarte. Para ele, nilo existe melhor parte num desfile, tudo se completa. Apenas da destaque harmonia e bateria, e

a

a

acredita que 0 puxador (interprete) e fundamental. And rade Chefia, na escola ha 36 anos, so participou do dia da apurayao duas vezes, pois prefere ficar em casa, por nilo agOentar tanta emoyao. "Teve uma vez que desmaiei no caminho para a quadra da escola depois de saber que a escola foi cam pea" lembra emocionado.

Andrade e urn grande conhecedor â&#x20AC;˘ da historia da agrertliayao. Conta nos minimos detalhes to~a sua criayao, que aconteceu no dia 31 de dezembro de 1931 , na Rua Pinto Guedes, no Morro da Casa Branca. "A escola e a terceira mais antiga da cidade, e surgiu da fusao de quatro bloccs existentes nos morros Casa Branca, Formiga, Borel e IIha dos Velhacos. Teve inicio na casa de seu Bento Vasconcelos, urn dos fundadores do bairro da Tijuca" relembra Chefia.

o simbolo da escola e urn pavao e as cores amarelo ouro e azul pavao sao uma homenagem Casa de Braganya. Campea pela primeira vez em 1936, com 0 enredo "Sonhos Delirantes", foi a

a

primeira agremiayao a apresentar carros alegoricos e alas fantasiadas alusivas ao samba-en redo. Ele lembra ainda que no ano de 2000 a escola conseguiu urn feito r-

~

"A Unidos da Tijuca me deixa muito feliz . ... "

inedito, tirando a quinta colocayao e adquirindo 0 dire ito de participar do desfile das cam peas logo no ano que havia subido do Grupo de Acesso. Para ele, 0 trabalho que 0 presidente da escola Fernando Horta desenvolveu ao longo dos anos foi fundamental nos resultados que a escola vern obtendo. "Fernando Horta tern a mesma importancia para a escola que 0 sol e a chuva tern para a natureza~ enfatiza Chefia, acrescentando que 0 objetivo agora e alcanyar a vito ria. "Depois do vice-campeonato, alcanyar 0 lugar de campeil e mais do que justo. Para 0 meio do samba, ja merecia ter ganho esse ano", finaliza 0 baluarte da escola.


Domingo 06/02

0

Mocidade

f.)

Imperio Serrano

6)

Salgueiro

0

Mangueira

o

UNIDOS DA TIJUCA

o

Tradifiio

8

Vila Isabel

ORDEM DOS DESFILES

CARNA VAL 2005 f

0

Porto da Pedra

f)

Caprichosos

6)

Viradouro

0

Portela

0

Imperatriz

0 8

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Escola Mirim

Escola Mirim Tijuquinha Por Barbara Barros Nao basta ter somente samba no pe. Eo precisCl tambem ser um craque nas rt)fIteriaS escolares e passar de ano. Esse e 0 lema da escola de samba mirim Tijuquinha, que em 2005 vai desfilar pel a terceira vez. "Atendemos as crianQas e aos adolescentes da comunidade do Borel, que estejam frequentando a escola. Hoje jil sao mais de mil participantes da escolinha. E tenho orgulho de ser 0 fundador", explica 0 presidente da Unidos da Tijuca, Fernando Horta. No primeiro ana a Unidos da Tijuca confeccionou as fantasias, mas em 2004 e em 2005 a escola vai desfilar com fantasias produzidas pelos alunos docurso "Celula Cultural".

"A Tijuquinha para a

e um incentivo

crian~ada

... "

Nesse curso os adolescentes aprendem a costurar e acabam confeccionando a sua propria roupa. "A Tijuquinha e um incentivo para a crianQada sair futuramente na Unidos da Tijuca e tambem poder participar ajudando no trabalho do barracao. Eo a chance de ensinar um novo trabalho, mesmo 0 artesanal de fazer as fantasias", ' diz Fernando Horta. Atualmente, a escola mirim possui dois projetos sociais d,entro da comunidade: um a Arte Carnavalesca - um projeto ensinadq na laje no alto do mor~ - e 0 outro e 0 Projeto de Percussao, formado por seis jovens que vao ~ompor a bate ria no dia do desfile. "A escola mirim e antecedente a adulta. Muitas crianQas e adolescentes do Borel , aproximadamente 300 crianQas, participam do desfile. 0 potencial das crianQas e 0 diferencial numa escola de samba. Eo uma formaQao de artista, so participa quem

t

"Atendemos as crian~as e aos adolescentes da comunidade do Borel, que estejam freqOentando a

escola'~

sabe 0 basi co", explica Horta, que ainda destaca como ponto forte da lijuquinha a bateria. Das aulas de percussao saem os ritimistas da escola mirim Tijuquinha do Borel, sob 0 comando de um mestre de apenas 16 anos. Embora a escola ainda nao tenha um projeto para formar interprete , mestre-sala e portabandeira e passistas. Mas as crianQas se envolvem com a escola de uma forma tao intensa que os projetos passam a ser coisas do futuro, e 0 futuro da escola a elas pertence.


Cronica

Unidos da Tijuca no Brasil e no mundo inteiro. Salve a grande festa da cidade de Sao Sebastiao do Rio de Janeiro! Por JOSe Carlos Thompson E esse ana nao vai ser igual aquele quepassou ..... Dia de Momo. Rei unico. Rei da festa profana, aquela que une todas as classes e todas as ra9as. Confraterniza9ao Universal! Festa das cores, e das paix6es que terminam na quarta-feira, dos blocos dos mascarados e das cabrochas. De todos os sambistas. AH! Tem tambem" gringo" nesta festa. Festa de todas as tribos. E passamos 0 ana inteirinho esperando por esse momento magico. A entrada na avenida. Momo Momento. Momento unico. btase! Adrenaliana! Gritos se misturam Ii melodia. Todos os sentidos e mais uma mistura indescritivel de em090es. Luzes, sonhos e mais gritos, agora vindos da "galera":

E

cam pea, e

campea .... Lembran9as que ficam para sempre. De muita luta, de muita paixao e de muita vontade. Vale quase tudo! Vale sam bar, e como se tem que sam bar. Vale cantar, e como e importante cantar. E a cadencia da escola ao som da bate ria.

Evibrante!!!! E importante

a fantasia ajustada,

arrumada e bem confortavel. Bela! Assim se evitam os arranjos de ultima hora. E como temos que improvisar. Vale tambem a criatividade sob pressao, assim como vale a pressao:

da queda do esplendor ao saito quebrado, da bota apertada, do calor sufocante ate a chuva que lava tudo e da peso quase irreal ao que e pra ser carregado bravamente pelos quase 700 metros de avenida. Masefesta! E como e curto esse caminho. Passa tao rapido esse sonho sonhado durante todo ano. E esse ana nao vai ser igual aquel~ que passou. Concentr,a9ao , arru ma 9 ao , afina9ao dos surdos, caixas e repiques. Tudo pronto de novo. E hora do

.

.

gargarejo." do interprete do samba. Agua cort limao e gengibre para nao desafinar. Para agOentar . Muita esperan9a de que, realmente, este ano nao vai ser igual aquele que passou .....

Jose Carlos Thompson, jorna/ista consultor de neg6cios e foMo


LUZES, CAMERAS, A~AO!!!!!! i

Eanossahora! Todos nos olham, cantam enos

nunca - a long a caminhada de volta a

"Que emoQao! Gente espremida,

realidade!!!!! Trens, onibus, metro. Tanta gente. Uns alegres e outros nem

calor humano."

tanto. Apostas! Quem vence? Quem sobe? Quem desce? Agora ja nao tao mais importante! E se algo incomum aconteceu e se algo nao deu certo, Iii

Loucura! Que emoyao! Gente espremida, danyando, um 56 calor humano.

Valeu esperar tanto tempo. Aplausos para 0 belo e 0 reconhecimento ao fantastico. Ao imaginario de quem sabe

se vai nossa esperanya. S6 nao vale desanimar. Este carnaval ja nao loi igual aquele

Arquibancadas inteiras de gente amiga, que torce pelo espetaculo, nao se importando muitas vezes, se a

imaginar. Caravel as, DNA's, Boi Bumbas. Hist6rias dos mais ricos enredos e

que passou .... E, rapidamente, tudo se renovara: esperanya e torcida p~r um

nossa escola nao e a sua escola de cor<lyao. Analisam com conhecimento e criterios como se juizes fossem e sao

canyoes. Retrato das nossas vidas. Este samba nao pode atravessar.

ajudam a cantar, a vibrar e a enlouquecer. A arquibancada esta ali. Os fogos fazem barulho ensurdecedor.

implacaveis na avaliayao. Alinal a voz do povo e a voz de Deus. Honesta e justa! Tudo pelo melhor espetaculo. E 0 nosso momento. 0 rei sauda seus suditos na esperanya de que realizem suas fantasias, seus sonhos.

danQando, um s6

E um sentimento de tristeza - p~r mais paradoxal que seja - comeya a bater no peito porque vem chegando a grande APOTEOSE! E ai e quase 0 fim!!!! Ai,r;neu Deus, que saudades ja. Recomeyamos naquele minuto - a fantasia, agora mais pesada do que

tempo melhor. A lesta acabou, nosso barco partiu, mas no ana que vem tudo vai ser dilerente.

OBR/GADA BATER/A!!!!!!!


-

LORA<;AO CREME Cores vivas, luminosas e duradouras. Maior sedosidade

e hidrata~ao. Total cobertura dos cabelos brancos.


A maior festa do mundo

,

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â&#x20AC;˘ rl

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Faz mais pelo Rio, faz muito mais pelo carnaval.

â&#x20AC;˘


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Revista da Unidos da Tijuca 2005 by Portal Academia do Samba - Issuu