Skip to main content

Revista do Salgueiro 2010

Page 1

~ ~

Ediouro Ediouro

"",.

,ItO.UIIIIA

A AcG II R A

r"''''h I •"'"'

""•.•••••• " '~U_" l\\1

• I .,

" ••

I •••

me-o

'iJsmg.ular

•


PALAVRA

DA

PRESIDENTE

Obrigada, comunidade! Agradecer. Sempre. É isso que quero neste momento, certa de que estamos prontos para mais um desafio. O titulo de campeóes do Carnaval 2009 inflou nossa alma, mas não nos tirou os pés do chão. Aguerridos, trabalhamos com afinco rumo ao desfile que está por vir. Cada dia foi de muito suor e dedicação, e felizmente pude contar com o apoio e a compreensão de toda a Nação Salgueirense. Percalços tivemos sim, mas a superação foi ímpar. A cada obstáculo, nos unimos para chegar ao passo seguinte. E desta forma, com a sensação do "trabalho de casa feíto~ estamos prontos para entrar na avenida, a quinta agremiação a desfilar no domingo de Carnaval. É para você, salgueirense, e por vocé, que pedimos, novamente, dedicação, compromisso. vontade! Vamos respeitar uns aos outros, lembrar que o samba é um património e nós estamos aqui para somar. A festa é de todos. As '2 agremiações entram na avenida com as mesmas chances, o mesmo brilho e vontade de vencer. Somos todos merecedores. Conto com a Nação Salgueirense, mais uma vez, na certeza de que faremos um belo desfile, mostrando ao mundo as nossas Histórias Sem Fim.

Regina Celi Presidente executiva

1


CARTA

DO

LEITOR

CARNAVAL2011 Fiquei muito feliz com a vitória do Salgueiro em 2009. Queria desfilar esse ano, mas não deu. Quero saber como posso fazer para garantir minha fantasia para 2011. Estou torcendo muito para o bi. Beijos Maria Aparecida Borges Juiz de Fora - MG As fotos das fantasias para o carnaval de 2011 e os contatos dos presidentes de ala, com quem você poderá obter mais informações sobre preço e forma de pagamento, estarão dispo. níveis em nosso site (www.salgueirO.com.br) em outubro. BOASORTE Acompanho a escola desde 1993, quando fomos campeões, e desde então não perco mais um desfile. Fiquei muito feliz com a vitória do ano passado e desejo muita sorte a vocês no des-

file desseano.Vamos rumo ao bi!!!! Carlos de Assis Franca -SP

Lilian. para solicitar o orçamento de um show do SalgueirO. pedimos que acesse a seção Quadra e Eventos I shows do Salgueiro. no slte www.sal

Prezados Senhores, Os Bibliotecários do Estado do Rio de Janeiro agradecem a homenagem que prestam ao LIVRO, a riqueza da nossa literatura. A leitura como descrevem no samba estimula a mente e nos permite viajar na magia. Quanta coisa bonita pode extrair das páginas de um livro e para termos acesso a informação dependemos do BIBLIOTECÁRIO. Isaura Lima Maciel Soares Rio de Janeiro - RJ

gueiro.com.br. Preencha o formulario nessa página e aguarde o contato dos

sHOWs Olá.Gostaria de um orçamento para um casamento, no dia 25 de setembro de 2010. Como faço? Aguardo contato. Lilian Spagnuolo Pinheiro Montes Claros - MG

responsaveis pelas apresentaçoes. com o orçamento para o casamento.

Se preferir. o contato pode ser feito também pelos telefones 21 2223.110 ou 2203-0897.

Participe e colabore com a Revista Salgueiro. Envie suas dúvidas ou sugestões para o email: revistasalgueiro@ salgueiro.com.br

Acompanhe

o calendário na seção

Na Quadra e Eventos / Calendário do site www.salgueiro.com.br

EXPEDIENTE

..

s 19uclrO.COO1.bs

0,

~iY

Salgueito- FeveREIRO

2010


REVISTA

SALGUEIRO

fNDICE Palavrada presidente Obngada, comunidade

3

Carta do Leitor

4

Entrevista 8ira do'R'

8

Na quadra Hoje eu vou Salgueirar...

13

Acontece AcademIa. De Samba e de livros

18

Cara do Salgueiro

20

Salgueio Social

24

Carnaval 2010 - Especial

27

Escola Mirim Aprendizes de feiticeiros

62

Matéria especial ChiqUinho. Da Mangueira, do Salgueiro, da Ilha, da Vila...

64

Perfil

65 Regina Celi

Outros Carnavais Palmares: uma historia de luta e liberdade contada pelo Salgueiro

66

Texto convidado A Ediouro e o Salgueiro, por Lula Vieira

72

Flavia Cirino O samba e as novas mídias

73

Momento Salgueiro

74

Flp"'~td S~lgu('lfO.ffV!Ii~IRO

201ÚG)


o Carnava termina

de Cinzas, mas a : e o Salgueiro contin motivos para come

o PfOIelOsocial A Deset

ema de

,lo

ec:on61l1'co e SOCIal ,laS S I

vai

ao Carnaval

lia ão

dal1l8

lusauSOCIalé maisuma nlC:3tNa dv r rograma

EssaDa

unt<Jadoo IS,po<m

\tASda qua I Fie obras

roa

proll I I

nlnw paraOdesenvoMmento a gerayàcde empregoe rendade lonna

d seu moracloreAr"'" vidadesretaC1OI1aons

m o SaogL""'O, [)rem varo a ncluM, =1


na Quarta-Feira 'Petrobras uam com morar.

!

I

,

••

••••••

•

•

•

• • • • • • ••

• •• •

• ••••••••

•

••

• v ~

c

I& CIDADANIA DESENVOLVIMENTO

f

o

OESAFIO

t

A NOSSA

ENERGIA


ENTREVISTA ENTREVISTA


"O Samba Irmana mais que a Religião" Quem frequenta a quadra do Salgueiro está acostumado a ouvir uma voz poderosa. marcante, que saúda o público nos ensaios de sábado. E não se trata de um puxador. Estamos falando de uma das figuras mais emblemáticas da academia salgueirense. Um baluarte de uma safra rara de sambistas oriunda da mesma linhagem nobre que encontrou na Academia o lugar para exercer a sua arte. ~ o nosso Ubirantan Senjori de Souza Ferreira,ou melhor, Bira do R. A voz clara e impostada e a articulação do "r" deram o sobrenome a um dos mais famosos comunicadores das quadras das escolas de samba. "Isso foi em 1976, na Sociedade Recreativa Vai se Quiser, no Engenho de Dentro. Havia outros Biras por lá, mas eu fiquei conhecido como Bira do "R" por causa da forma como eu pronuncio o fonema o errrrre': brinca.

Revista

Salgueiro:

a sua origem.

o Salgueiro

foi uma paixão avassaladora que entrou definitivamente na vida de Bira do R ao assistir ao desfile da vermelha e branca em 1964, Chico Rei. Depois de alguns carnavais, Bira passou a fazer parte da ala de com. positores da escola, e apesar de não ter vencido nenhum samba-enredo, emplacou diversos sambas de terreiro. Em sua passagem pela Velha Guarda, elaborou o estatuto do grupo e fez muitos amigos. Hoje Bira do R é colecionador de histórias preciosas sobre o samba, a cidade do Rio de Janeiro e o Salgueiro. Nesta entrevista, vamos conhecer um pouco mais da traje. tória desse carioca, filho de um militar cearense e de uma baiana, que recebe a todos na quadra do Salgueiro com toda a alegria e alto astral.

Bira, fale sobre

Em que bairro você

nasceu? Bira do R: Nasci na rua dos Artistas. entre a Tijuca e Vila Isabel. num lugar chamado Aldeia Campista, no dia 9 de novembro de 1937, Tinha esse nome porque ali moravam trabalhadores de fábricas da região vindos da cidade de Campos, no estado do Rio. Sai de lá ainda pequeno e fui para o bairro do Encantado, terra da cantora Aracy de Almeida, onde vivi minha primeira infância. Foi lá que eu passei

a sair num bloco chamado Paraná e conheci o samba. Eu apanhei muito do meu pai, porque foi nesse bloco que eu fiquei apaixonado por esse ritmo maravilhoso chamado samba. Meu pai era cearense, militar, ator de teatro e quando veio para o Rio de Janeiro,

casou~se com

minha mãe, que

era baiana. E ele era apaixonado por música clássica e não queria ver seus filhos envolvidos com samba. que naquela época era muito perseguido.

BR: Eu sou filho de um fuzileiro naval. E em 19S8. o Salgueiro levou para avenida uma homenagem pelos 1SO

Havia, claro, aquela discordância en-

anos dos fuzileiros navais. O figurino

tre pai e filhos. mas meu amor pelo samba acabou vencendo.

da bateria era o mesmo da banda marcial. Quando eu vi aquela bateria formada e fardada em vermelho e branco. batendo aquele surdo... Eu tinha 20 anos de idade. Aí eu babei ... Essaé a minha escola!

RS: E como o Salgueiro entrou na sua vida?

RS:Quem sãoseusidolos no Salgueiro? BR: Um deles, sem dúvida. é Geraldo Babão. ~ dele o bordão que eu falo até hoje na quadra: "Conversa de sambista é samba". Quer ouvir outra dele? "Malandro não se apaixona. Malandro se acostuma com a mulher (risos). Genial...

Rt'Vl~I..,SoilqlH',ro

~tVfR£'RO}0100


ENTREVISTA RS: Equando você começou a desfilar no Salgueiro? BR:Foi em 1964, com Chico Rei, aliás, um carnaval que eu fiquei altamente chateado com o resultado. O Salgueiro foi vice-campeão, mas garanto a você: foi o melhor desfile que a escola botou na avenida até hoje. A bateria era um primor, nosso carnavalesco, Arlindo Rodrigues, não tinha nada igual, o samba é exuberante ... RS: ... inclusive o Martinho da Vila considera esse o melhor samba de todos os tempos ... BR: ...já não digo mais nada. "Don" Martinho falou, tá falado! Mas em matéria de samba, o Salgueiro tem outra obra antológica: Dona Beja,

@

~SIkjueir'O-FMRfJA02010

Feiticeira de Araxá, de 1968. Os compositores conseguiram juntar duas coisas importantissimas: a letra primorosa com uma melodia irrepreensivel. ~ um samba que está acima do bem e do mal. Dona Beja foi, inclusive, arranjado por uma orquestra sinfônica. Essafita está com Aldezon Alves e tem que ser encontrada. ~ um registro único. RS: E hoje você é a voz oficial da quadra do Salgueiro. Quando você passou a ser locutor? BR: Eu fui controlador de voo pela Aeronáutica. Lá aprendi que nossas mensagens têm que ser claras e sucintas para não embaralhar. E a gente era chamado de papagaio, porque

ficava em cima de um poleiro, que é a torre de comando e falando sem parar (risos). Nos anos 60, eu fui pro Renascença, um clube famoso no Andarai, onde apresentava eventos, como o tradicional concurso de Miss. Também passei a frequentar o Clube Maxwell onde o Saigueiro ensaiava. Mas foi só depois da chegada do Sr. Miro Garcia, em 1985, que passei a ser o locutor oficial da quadra. Em 2000, criei a Acoques, a Associação dos Comunicadores das Quadras de Escolas de Samba. Naquele ano, fizemos um grande evento que reuniu comunicadores de várias escolas de samba. Foi um grande sucesso e algo de que me orgulho muito.


Entre em contato pelos telefones 21 2223-1110 /2203-0897 ou pelo e-mail : barracao@salgueiro.com.br e solicite a cotação de nosso show.


ENTREVISTA pé, eles falam uma língua única em que todos se entendem. RS: E como se dá essa irmandade entre as escolas de samba? BR: O samba está muito acima da escola de samba. Muitos perguntam porque, além do Salgueiro, eu gosto tanto do Império Serrano. ~ porque o Império Serrano nasceu onde todos nós morremos ... RS: Por quê? BR: Porque foi no cais do porto, onde nasceu o Império, que os escravos desembarcaram pra morrer aqui no Brasil. Deixaram sua terra, enfrentaram a travessia no navio negreiro e

RS: E em quais outros segmentos da escola você atuou? BR: Sou compositor. Meu primeiro teste foi em 1970, para o carnaval "Praça XI, Carioca da Gema'; mas só fui admitido na ala em 1975, com "O Segredo das Minas do Rei Salomão~ Fiz diversos sambas para o Salgueiro, inclusive um samba-exaltação que foi gravado pela nossa Velha Guarda. E por falar em Velha Guarda, também pertenci aos quadros da Velha Guarda, onde ajudei a elaborar o estatuto. RS: Sobre a sua carreira de compositor, tem algum samba que você guarde um carinho especial? BR: Tem sim! Em 1990, o Salgueiro apresentou o enredo "Sou Amigo do Rei~ da Rosa Magalhães. Eu e outro parceiro fizemos a primeira do samba que tinha esses versos: "Foi na tradição medieval/de honra de justiça e de bravura (...) o rei mandou me chamar pra casar com sua fia / me deu dote o sertão / e o reino da Normandia" e por aí vai. Mas não havia a segunda parte. O Nei Lopes ouviu e perguntou: "posso ser teu parceiro"? E eu disse: "claro, é uma honra!!" Me pediu a fita e me disse que dali a dois dias me mandaria a segunda do samba e veio

com esses versos: "Lanças e espadas reluzentes, estandartes, galhardetes / brilham ao sol do sertão/ o mundo é uma grande cavalhada / reis de copas, reis de espadas / paus de ouros em competição (...) Salgueiro dá as cartas na avenida e faz do jogo da vida / um grande tabuleiro de xadrez~ O samba não ganhou, mas foi uma grande obra e uma grande parceria! RS:O que o sambarepresentapravocê? BR: Toda a minha trajetória se funda única e exclusivamente na virtuose do compositor do povo: aquele que sente, aquele que sofre, aquele que luta no dia-a-dia e criou uma coisa que foi criticada, que foi perseguida, que foi vilipendiada e conseguiu se manter através do amor que ela induz e a essa luz toda que hoje vivemos ai. Isso é o samba! E tem mais: eu digo sempre de posse do microfone do Salgueiro que samba irmana mais que religião. Ali convivem no mesmo espaço o homem rico, o homem

culto, e o mais

humilde e um chega pro outro e diz: "E aI, meu irmão, diz no pé'" ~ o chamamento pro cara que está ali pela primeira vez, o convite pra que eles se irmanem e essa irmandade se dá através dos passos do samba. Dizendo no

aqui chegando foram afastados dos seus parentes, da sua cultura, ou seja, morreram. Mas nasceu ali uma escola de samba. E samba, é a maior marca da nossa resistência. E quanto à resistência, o Salgueiro é uma prova disso, porque apesar de todas as influências externas, a Academia do Samba tem sua raiz fincada no morro do Salgueiro. Enunca perdeu essacaraáerlstica. RS: Mas o Salgueiro foi uma escola pioneira na integração entre morro e

asfalto. A que o senhor atribui a presença da classe média na escola? BR: O Salgueiro sempre foi uma escola de gente muito bonita. Isso atraia as pessoas. Imagine lá atrás, nos primeiros anos da escola... Tínhamos negros lindos, como a bela Narcisa, a Roxinha, o Djalma Sabiá, que é um negro bonito, o Haroldo Costa também. Ah, e tinha a Paula, que era uma grandiosa mulher, que foi até modelo do Di Cavalcanti na Escola de Belas Artes. Uma deusa negra. ~ uma linhagem de nobres, de gente altiva. Isso atrai e encanta as pessoas até hoje. Por isso que eu saúdo, de posse do microfone da escola, a juventude bonita que hoje freqüenta a nossa quadra. ~ a beleza dos nossos componentes. E tem tudo a ver com essa irmandade que eu falei. O Salgueiro irmana a todos nós.


NA

QUADRA

Samba, pagode, feijoadas, funk e um sem número de eventos movimentam a quadra do Salgueiro durante quase todo o ano. Participar dessa festa virou... salgueirar, um neologismo criado para traduzir a diversão de cariocas e turistas de outros estados e países. Além da festa, claro, hã um motivo muito importante

para tantos even-

tos. "O carnaval é só em fevereiro, mas durante o ano temos que manter a estrutura da escola. Aproveitamos o potencial de nossa quadra de ensaios para gerar recursos e administrar a escola~ conta a presidente do Salgueiro, Regina Celi. A boa localização e a infraestrutura da quadra, que conta, inclusive, com um sistema de ar-condicionado,

chamam a atenção do público, que chega a 8 mil pessoas nos eventos mais concorridos,

dando outras escolas, do Grupo Especial e de Acesso. "Há dois anos fazemos essa integração com as co-irmãs. Deu tão certo que as outras escolas também passaram a fazer o mesmo':

conta Regina. Após o inicio das eliminatórias de samba enredo, em agosto, o programa para a noite de sábado já está garantido. "Vamos direto até o carnaval~ diz a Presidente. Às terças-feiras, é a vez do pagode agitar a quadra salgueirense. Grupos como Revelação, Pixote e Exaltasamba se revezam com sambistas como Jorge Aragão e Diogo Nogueira, que frequentaram o palco da Rua Silva Teles na temporada 200912010. Na sexta.feira, é a vez de o público jovem se esbaldar ao som do pancadão, com MCs, DJse a Furacão 2000.

como na escolha

do samba, os ensaios próximos ao carnaval e a shows, como o do gru-

po Exaltasamba. Ensaios - Os sábados são reservados aos ensaios da escola, que tradicionalmente começavam com as eliminatórias

a abrir sua quadra bem antes, convi-

de samba

enredo.

Mas,

desde 2008, a escola inovou e passou

feijão preparado pelas baianas e pelo departamento feminino da escola. As festas dos segmentos da escola também tomam conta da quadra. Destaques, Baianas,Velha Guarda, Departamento Jovem e Harmonia são alguns

dos que utilizam a quadra da escola para suas festas e encontros com os

segmentos de outras agremiações. Reformas - Para melhor receber os frequentadores da quadra, a presidente providenciou a reforma da fachada da quadra. "A quadra ficou mais bonita, mais apresentável

para

quem vem aqui': O hall de entrada da quadra, por exemplo, com um grande painel com fotos do desfi. le de 2009 e um grande símbolo do Salgueiro, virou cenário obrigatório para fotos dos frequentadores da quadra. "Agora temos que fazer a manutenção desta parte e melhorar o restante': diz Regina, que, logo após

O segundo domingo do mês é dia da já tradicional Feijoada do Salgueiro. "A Feijoada é um sucesso. Já estamos no terceiro ano e as camisas-

o carnaval, pretende renovar toda a pintura e também reformar os ba-

convite esgotam com antecedência~ O evento conta com uma roda de

sem recursos, mas aos poucos vamos

samba, liderada pelo grupo Terno de Cambraia, que recebe os convidados do mundo do samba para saborear o

nheiros e o palco.• ~ diflcil fazer isso trabalhando para dar mais conforto aos visitantes': diz.

R""."Ms.-lgu(,l.n rEVfl'lf Hfl2010@


.------ - -

- -

- -

NA NA QUADRA QUADRA

G~evln• 5ai9Uelto ·FEVEREIRO 201 O @ flrllllJ sa'9U~ro'

FEVEREIROlO10

---

- - - - -- - - - - - - - - - - - - - - - - -


RrY'UoI SoIlql.WllO

H'/tR

@ o@

HO 010


No carnaval 201 O

III A MARCA No1 EM RECOMENDAÃ&#x2021;Ao

DOS DENTISTAS


NA

QUADRA

Calendário JANEIRO Feijoada do Salgueiro - 14 de março, a partir das 13h

Feijoada do Salgueiro partir das 13h

Baile Funk - evento semanal. sempre às sextas-feiras, a partir das 22h

Pagode da Ala de Compositores evento mensal (data a ser definida)

Ensaios para o carnaval 2011- Evento semanal, sempre aos sábados, a partir das 23h

Baile Funk - evento semanal, sempre às sextas-feiras, a partir das 22h

Feijoada do Salgueiro - 12 de março, a partir das 13h Baile Funk - evento semanal, sempre às sextas-feiras, a partir das 22h Ensaios para o carnaval 2011 - Evento semanal, sempre aos sábados, a partir das 23h

MARÇO Feijoada do Salgueiro partir das 13h

- Dia 14, a

Festa de Aniversário do Salgueiro data a ser definida

- Dia 13, a -

Ensaios para o carnaval 2011 - Evento semanal, sempre aos sábados, a partir das 23h

JULHO Feijoada do Salgueiro partir das 13h

OUTUBRO Feijoada do Salgueiro - Dia 10, a partir das 13h Escolha de samba enredo - Dia 11, a partir das 23h (data a ser confirmada) Pagode da Ala de Compositores evento mensal (data a ser definida)

-

Baile Funk - evento semanal, sempre às sextas-feiras, a partir das 22h Ensaios para o carnaval 2011 - Evento semanal. sempre aos sábados, a partir das 23h

- Dia 11, a

Pagode da Ala de Compositores evento mensal (data a ser definida)

-

Baile Funk - evento semanal, sempre às sextas-feiras, a partir das 22h Ensaios para o carnaval 2011 - Evento semanal, sempre aos sábados, a partir das 23h

Feijoada do Salgueiro partir das 13h

- Dia 14 , a

Pagode da Ala de Compositores evento mensal (data a ser definida)

-

Baile Funk - evento semanal, sempre às sextas-feiras, a partir das 22h Ensaios para o carnaval 2011 - Evento semanal, sempre aos sábados, a partir das 23h

-

Pagode da Ala de Compositores evento mensal (data a ser definida)

Feijoada do Salgueiro - Dia 8, a partir das 13h

3° Encontro de Harmonias (em data a ser definida)

Baile Funk - evento semanal, sempre às sextas-feiras, a partir das 22h

Pagode da Ala de Compositores evento mensal (data a ser definida)

Festa da Ala das Baianas (em data a ser definida)

-

Baile Funk - evento semanal, sempre às sextas-feiras, a partir das 22h Feijoada do Salgueiro partir das 13h

- Dia 11, a

Pagode da Ala de Compositores evento mensal (data a ser definida)

-

Baile Funk - evento semanal, sempre às sextas-feiras, a partir das 22h

MAIO Feijoada do Salgueiro - Dia 9, a partir das 13h Pagode da Ala de Compositores evento mensal (data a ser definida)

Ensaios para o carnaval 2011 - Evento semanal. sempre aos sábados, a partir das 23h

-

Baile Funk - evento semanal, sempre às sextas-feiras, a partir das 22h

DEZEMBRO Feijoada do Salgueiro partir das 13h

- Dia 12, a

Pagode da Ala de Compositores evento mensal (data a ser definida) SETEMBRO Feijoada do Salgueiro partir das 13h

- Dia 12, a

Pagode da Ala de Compositores evento mensal (data a ser definida)

-

Baile Funk - evento semanal, sempre às sextas-feiras, a partir das 22h Ensaios para o carnaval 2011 - Evento semanal. sempre aos sábados, a partir das 23h

-

Baile Funk - evento semanal, sempre às sextas-feiras, a partir das 22h Ensaios para o carnaval 2011 - Evento semanal, sempre aos sábados, a partir das 23h


ACONTECE

o Salgueiro, conhecido como Academia do Samba, pegou carona no enredo Histórias sem Fim, sobre o universo dos livros, e fechou uma parceria inédita com a Ediouro, gigante das publicações literárias no pais. Somente em 2010, escola e editora lançarão três livros para contar os capitulos da história salgueirense.

com uma proposta diferente, mas que agradou em cheio nossa diretoria. A edição de livros é uma exce. lente oportunidade para perpetuar a história da escola~ conta o vice. presidente Executivo do Salgueiro, Marcelo Montero, que, junto com a Diretoria Cultural da escola, costurou os detalhes dos projetos.

"Quando anunciamos o enredo, pensamos em parcerias e apoios que pudessem nos ajudar a fazer o carnaval. A Ediouro se aproximou

o primeiro

• @)~s.Ipaeko.FEVER£lR02010

livro da parceria, lançado em 2 de fevereiro, é "Tambor. O caro naval campeão~ um photobook que reúne fotografias e pequenos textos

para contar a história do carnaval de 2009, quando o Salgueiro se sagrou campeão. O livro traz imagens da escolha do enredo ao desfile das cam. peãs, passando por vários momentos da escola na caminhada pelo titulo. Produzido pela Singular, empresa do grupo Ediouro dedicada à impressão sob demanda, e lançado pelo selo Prestigio Editorial, o livro está seno do vendido na loja virtual da escola (www.lojadosalgueiro.com.brl e no site da Singular (www.singular. com.br).


Um produto semelhante está sendo preparado para contar a história do carnaval de 2010. "Já estamos separando o material para este livro e na avenida teremos um fotógrafo que fará imagens da concentração e de todo o desfile~ informa o vice-presidente Cultural da escola, Eduardo Pinto. A novidade deste segundo photobook está em sua edição: cada componente que adquirir o livro poderá enviar uma foto sua, no desfile, e receber em casa uma edição personalizada, com sua foto em meio às imagens do livro.

Uma novidade lançada pela Singular. Para aumentar o acervo da biblioteca salgueirense, a escola e a Ediouro planejaram o lançamento de mais um livro, que abordará a trajetória da escola em 57 carnavais. "O Salgueiro conta com dois livros que contam sua história - "Salgueiro: Academia do Samba" (1894) e "Salgueiro - 50 anos de glória" (2000) - escritos pelo grande salguelrense Haroldo Costa. A nossa Idela é contar como foi cada desfile, Inclusive o de 2010.

~ para o leitor viajar com a escola em cada enredo, como se estivesse na avenida, desfilando com o Salgueiro", anuncia Eduardo Pinto. A obra, em comemoração aos SO anos do primeiro tItulo da escola. em 1960, com "Quilombo dos Palmares" (veja matéria na página 60) contará com a co-autoria de Haroldo Costa. "Palmares foi um momento que mudou o carnaval. ~ uma história que merece ser contada e recontada, assim como os outros desfiles da escola", diz o escritor salgueirense.

F«!VI\lél5dlguelro.

HVUl(lkU

(!!)

;>11'<)


A A CARA CARA DO DO SALGUEIRO SALGUEIRO

® ~>UI

S.lguelro FEI/EliEIRO 201 o

l


tOIO@


A CARA CARA DO DO SALGUEIRO SALGUEIRO A

@RevhttSMgutlro.FMRfJR02010


~1"S.19\Wlro. FEVIRfIMOl{lIO@


SALGUEIRO SALGUEIRO SOCIAL SOCIAL

Campeão Social


Vila Olímpica E nao foi só a Academia de Capacltaçao e Inclusao Social que ganhou novos espaços. A Vila OUmpica do Salgueiro, que fica ao lado da quadra da escola, também foi beneficiada. Inaugurada em março de 1996, a Vlia OUmplca FeUnto Epltáclo Mala, que Já contava com um campo de futebol com grama sintética, pista de atletismo e vestiários, ganhou uma reformada quadra poli esportiva e o Parque Aquático Palxao Salguelrense, batizado em homenagem à Ala Palxao Salguelrense, uma das mais ativas da escola. Luis Lima, campeao sul-americano de travessias aquáticas, participou da solenidade de Inauguraçao e deu o primeiro mergulho na piscina oUmplca. Ele destacou a Importância do espaço e de projetos do gênero. "Certamente dessa piscina surglrao atletas para os Jogos OUmplcos de 2016, aqui no Rio de Janeiro. O Salgueiro está de parabéns por esse Incentivo ao esporte~ disse Luis. Paraparticipar das atividades esportivas na Vila OUmplca,crianças e adolescentes devem estar matriculados em uma escola e ter boas notas. Os professoresacreditam que a cobrança é válida, pois a partlclpaçao no esporte se torna um Incentivo para que ascriançasnao sedescuidem dos estudos. Com as novas atividades, a estimativa dos gestores da Academia e da Vila OUmplca é que, o número de alunos passe de 2.500 para 5 mil alunos. "A piscina ainda nao estava pronta e Já tinhamos cadastrado quase mil pessoas, entre crianças e adultos, para as aulas de nataçao e hldro' glnástlca~ conta a vice-presidente Renata Duran.

'.

••

Saúde Os projetos do Salgueiro voltados para a comunidade não param por aI. Para que a comunidade esteja sempre em dia com a saúde, o Salgueiro oferece atendimento médico para cerca de 350 pessoas em diversas especialidades, como fisioterapia, dermatologia, massoterapia, fonoaudiologia, oftalmologia, pediatria, psicologia, geriatria e exames laboratoriais, entre outras. "Há cinco anos nosso Centro Médico voltou a funcionar ativamente, com atendimentos gratuitos e profissionais voluntários do primeiro nivel, sempre dispostos a fazer o melhor: conta a psicóloga e coordenadora do Centro Médico da escola Vilma Araújo. Para receber atendimento em qualquer uma das especialidades, é preciso se dirigir ao Centro Médico, que fica dentro da quadra do Salgueiro (Rua Silva Teles, 104. AndaraO,

de segunda a sexta-feira, das 8 às 17h, com documento de identidade e aguardar o atendimento. Caso seja necessário, a consulta poderá ser feita com horário marcado, de acordo com a disponibilidade dos profissionais médicos que colaboram com o Centro Médico. Além do atendimento diário, o Centro Médico realiza outras atividades, como o Dia da Saúde, e a Ação de Saúde e Cidadania. quando é possivelter acesso a uma série de serviços gratuitos. como medição da pressão arterial, avaliação postural, aplicação de flúor e escovação, exame oftalmológico, teste gllcêmico e medição de audiçao. "Queremos a comunidade salgueirense sadia, pronta para brincar o carnaval. mas saudável também em todos os dias do ano~ destaca Vilma Araújo.

R('Vllt~Sahr~ut'lro.ft\,IR W(I. lO@


A G áfica MEC acaba de completar quatro décadas. E mudou.

A Gráfica MEC agora é grafMEC Nova infra-estrutura, atendimento personalizado, pontualidade e compromisso sem deixar de lado a tradiçao.

Venha nos fazer uma visita.

www.grafmee.eom.br

Orçamentos

sem compromisso.

rua Visconde de Santa Isabel, nO420 Gralaú - Rio de Janeiro - RJ - cep.: 20.560-000

tel.: (21) 2577-5221.

fax: (21) 2577-9065

e-moi!: atendlmento@grafmec.com.br


® IIPYis!~

@Rrtrist.S.ll)UfWo-FMIlEfR02010 S.lguelto • FEVER 1010


A obsessão humana por colocar no papel suas histórias, memórias e ensinamentos é o ponto de partida para o nosso enredo. O nascimento de uma obra imortal registrada em páginas que vão percorrer distâncias e gerações. A partir da Invenção da prensa de tipos móveis, pelo alemâo Johannes Gutenberg, leitor voraz de alguns manuscritos que dispunha na escassa biblioteca da prórpria casa, a democratização da leitura torna possivel a difusão de tantas histórias sem fim. Só nos primeiros 45 anos da primeira Siblia impressa por ele, cerca de 40 mil outras obras foram impressas. Eram 200 ou 300 exemplares de cada, mas eram milhões de livros que que abriram a possibilidade de leitura para uma parcela significativa da população europeia daquela época.

A criação de Gutenberg foi a senha para a revolução da palavra escrita. Novos autores se espalharam pelos quatro cantos do mundo, novos leitores também. Clássicosforam difundidos nos mais remotos países.A literatura se universalizou e se especializou. Romances,aventuras, livros infantisl, ficções, esoterismo... Um novo mundo se abre nas páginas da história do Homem. E são essas histórias que os livros contam que o Salgueiro levará para a avenida. Um enredo lúdico, sobre a capacidade de transpor para o papel a Imaginação do homem em sua dimensão mais criativa. Nasce, assim, um novo capitulo de uma história de amor sem ponto final. Em 2010, a Academia do samba vira, no livro do carnaval, mais uma página de tantas histórias sem fim. Viaje nessamagia!

R"''''\\dSdIqUoe''o

fíVlf!lllI07fi10

~


Nosso Parque Gráfico possui o que há de melhor para produzir Qualidade Com Rapidez Somos uma empresa de impressão digital, serigralia e Oexografia localizada em Niterói, em uma área de aproximad<unente I200m/quadrados, onde profissionais com mais de 20 'UIOSde experiência no merGldo, estão qualilkados para um atendimento com excelência, Tl,lhalh<unos com hanners, I;lix,." galhardetes, painéis, displays, adesi\'Os, móhiles, testeims, \\'ohhlers, capas p<u'a sensore OUU.,)S,tendo l'omo grande foco materiais para "VD, cenografia, eventos e impress;lo em gr<Ull!eslimnatos. De,ido aos ,',u;os c<uninhos de impressão, temos a possibilidade de personalização em diversos materiais como: lon,., front, lonas hacklight, adesivos, polionda, polielileno, I'VC, acrílko, :Vldf entre outros, agreg<Ulllo a tudouma linha de acahamentos que '''-10 elll;quccer sua, idéias! , ossa linha de prodUllls atende às mais variadas áreas, profissional ou empres:u;a!, ,isando o que há de melhor em qualidade, pre~'o e pm:lO de entrega, Li,,'ue-nos e agende uma ,;sita comum de nossos consultores . • "osso Compromisso

é l'om a sua Imagem! Equipe Pirâmide Di,,<ital

• 04 hlko com ~,20mdi .mrada .120 Dpl .01 Mp 9000 com 1,tOm de .ntrada

6

1440 Dpl

.01 Hp 10000 com 2,50", clt tntrod •• 1440 DpI

• 011~.1IO

com 1,10de entrada.

lPotCI imprtuiltl

Imp,. •• ora hrlgraflca W m

2110 DpI

2,00.1,20

Im po,.1 com fftOluç60 fotogrôMo,

•

com.cçOo d. provOI d. cor, fololitot pora •• ri~l"llfio)

r"'PNuora 'I. automôtleo

• 01 Corte. Conlorno d. 1.60m Zund • 04 ImpreltOres Strlgrof1coI

UV

D•• boblna ••• I,. 1,6Om

IImi.outomOticol

200 It 120 em

• OI Imprtllof"Ol

Serlaraflc •• UV com extrator

• Máquina. para O«Ibomento. COmolilhos. Soldo EI~ico, Virod.iro, Conttod.iro,

lominodora,

~rod.iro, GI.lilhotino

• Corte • Vinco

"'~l!t. -~

,

~I

-

'

c

•

.~ -.

HI' '000 l,60m

NO ••

O

COM

"'LOTT."

klko

3,2Dm

•••• OMI

••••.

••

O

111 C

tlO ••••..••• '" •••.L.XOQA"'

••. t'"

Rua General Castrioto, 497 BatTeto - Niter6i - RJ - CEP: 24110,256 Tcls.: 2628-4444 - 7841-8105


Renato Lage é como vinho. Quanto mais o tempo passa, mais ele vai se aprimorando na arte de fazer carnaval. Discfpulo da dupla Fernando Pamplona e Arlindo Rodrigues, Renato nasceu para o carnaval em berço salguelrense, escola que deu ao mundo do carnaval uma linhagem de artistas da melhor estirpe, como Joãosinho Trinta, Rosa Magalhães, Maria Augusta Rodrigues, Max Lopes e tantos outros que beberam na fonte salguei. rense para espalhar a luminosidade vermelha e branca por outras escolas e por muitos carnavais. Um de seus primeiros contatos com as escolas de samba foi no carnaval de 1965, quando se encantou com o desfile do Salgueiro e se tornou torcedor da escola. E foi lá que começou sua vitoriosa carreira, em 1977, como assistente de Fernando Pamplona. Seu primeiro trabalho como carnavalesco, porém, foi na Unidos da Tijuca, onde foi campeão do Grupo 1B, em 19BO, com o enredo "Del miro Gouvela~ Passou ainda pelo Império Serrano e Caprichosos de Pilares até chegar à Mocidade Independente de Padre Miguel, onde sua estrela começou a brilhar com mais Intensidade. Lá, ganhou seu primeiro titulo no Grupo Especial, em 1990, com "Vira, Virou, A Mocidade Chegou" e o blcampeonato, com "Chuê, Chuá, As Águas Vão Rolar~ Campeão mais uma vez com "Criador e Criatura'; em 1996, Lage ainda Idealizou e desenvolveu grandiosos e Inesquecfvels desfiles, mostrando o sonho, o Jogo, o caos urbano, a fé, o Maestro, os astros, o corpo e a alma, o verde, o amarelo, o azul e o anil, a paz, o circo. Após 12 anos na Mocidade, Renato Lage retornou ao Salgueiro para de-

senvolver o desfile de 2003, em comemoração aos SOanos de fundação da escola. Desde então, o Salgueiro vem conquistando a admiração dos amantes do carnaval por apresentar bellsslmos conjuntos de alegorias e fantasias. Em 2009, o mundo do carnaval se rendeu mais uma vez ao talento do "Mago: que ajudou o Salgueiro a conquistar o titulo de

campeão do carnaval, com o enredo "Tambor~ Para 2010, Renato Lage aposta suas fichas na literatura, com "Histórias Sem Fim", para a conquista do blcampeonato. "As histórias que os livros contam são eternas e possibilitam várias viagens pelos gêneros da literatura. O público se reconhecerá em cada momento do Salgueiro na avenida".


Rt"'~ta S<!lgueiroFfV[R[IRO ~010

@


Imagine-se com a missão de ser o primeiro grupo da escola a entrar na avenida, apresentar uma coreografia agradar os jurados e arrebatar a galera para vibrar com toda a escola que esta por vir? Uma tarefa que não é para qualquer um. No Salgueiro, o responsavel por este grupo desde 2008 é o coreógrafo Helio Bejanl. Perfecclonlsta, Bejanl ensaia os 17 Integrantes da Comissão de Frente do Salgueiro (1S titulares e dois reservas) - Allson Moreira, Alexandro Cavalcanti, Carlos Henrique Braz, Fabio Sant' Anna, Eduardo Lopes, João Suassuna, Matheus Freitas, Douglas Lima, Junior Scapln, Junior de Freitas, Mareio Rodrigues, Wallace

Pelo quarto ano consecutivo, a dupla Reinaldo Alves Teixeira e Clelce Brito, ou melhor, Ronaldlnho e Glelce Simpatia, protagonlzara a cena de amor mais sublime do carnaval: o bailado do casal de Mestre-Sala e Porta Bandeira. Dono de um sem número de prêmios no carnaval carioca, Ronaldlnho deu seus primeiros passos no carnaval aos 10 anos, no Império da TIjuca, de onde saiu para desfilar sua arte em outras escolas, até chegar ao Salgueiro e escrever seu nome na história do carnaval como um dos melhores mestres-sala de todos os tempos, @~~.FEVERfIR02010

Prlsldlo, Edson Damazzo, Fabio Albuquerque, Mlke Vieira, Rodrlgo Bahlano e Thiago Paixão - desde outubro, na quadra da escola, na cidade do Samba e na Sapucal, durante as madrugadas de Janeiro e fevereiro para que nada sala errado na hora do desfile. Auxiliado pela produtora Rosane Machado e pelas assistentes Ellzabeth TInoco e Adriana Salomão, Bejanl promete momentos de multa beleza no desfile de 2010. "Nossa coreografia tem uma mistura da sobriedade dos monges copistas com toda a arte e colorido das iluminuras que enfeitavam os livros antes de Gutenberg~

Glelce Simpatia começou em casa, treinando com um pano amarrado a um cabo de vassoura. Aos 18 anos, desfilou pela primeira vez como Porta-Bandeira na Unidos de Lucas. Seguiu por outras escolas até chegar ao Salgueiro, em 2007 para defender o pavilhão da Academia. Na avenida, Ronaldlnho e Glelce terão a companhia de Daniel Jofre e Luana Gomes, 2° casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira. Donos de um talento nato que esta sendo lapidado pela direção da escola, a dupla estara na avenida defendendo as cores do Salgueiro pela quinta vez.


o ditado

diz que "um é pouco, dois é bom, trés é demais~ Mas no Salgueiro, "apenas uma escola diferente~ três é um número melhor ainda. Principalmente para a Comissão de Harmonia, composta pelo trio Alda Alves, Jomar Casemiro, o Já, e Siromar de Carvalho da Silva, o Siro. Os três são responsáveis pela preparação dos componentes para o desfile durante os ensaios na quadra, na Cidade do Samba e na Sapucaí. "Além de organizar a logística dos ensaios, nossa função principal é cuidar do entrosamento do canto das alas com o ritmo do samba enredo e da evolução do Salgueiro na avenida", conta Siro, que será responsável pela "cabeça" da escola durante o desfile. Auxiliados por outros 37 diretores de Harmonia, Alda, Já e Siro se empenham para que a escola evolua com garra do inicio ao fim de sua apresentação. "Nossos componentes estão preparados e conscientes do que deve ser feito para empurrar a escola para o bicampeonato~ aposta Já Casemiro.

I responsáveis pela direção de carnaval são Anderson Abreu e Renato Duran (em destaque).

O desfile de uma escola de samba é um grande quebracabeças. Parajuntar todos os pedaços - componentes, fantasias e alegorias e fazer o milagre de um desfile acontecer, uma figura é fundamental: o Diretor de Carnaval. Seu trabalho exige sensibilidade administrativa, aliada a conhecimentos artisticos e técnicos do desfile. No Salgueiro, os

Na escola desde 2002, Anderson passou por vários cargos até aceitar O desafio de dirigir o carnaval da escola. A experiência de anos de barracáo e de trabalho na quadra ajuda bastante na minha atual função, conta Anderson, que acumula ainda a função de carnavalesco dos Aprendizes do Salgueiro. Ao lado dele, Renato Duran, que está há mais de dez anos no Salgueiro. Aprendi muito nesses anos, acompanhando o trabalho dos vários diretores que passaram pela escola, o que me deixa tranquilo para estar nesse cargo, conta Renato, que está na expectativa de mais um grande desfile do Salgueiro.


@ ~>ta IWYt~Q S.l~ro 5.Jlgwko - F~IIEIRO fEVEflEIRO 2010 2010 ®


Rl>vr<;la'>.flqUl'tlo

HVfRtlHOJ010

GV


"Aaaaaaaarrepiaaaa,

Salgueiro!".

Quando Quinho, puxador de samba do Salgueiro, solta seu grito de guerra, ninguém fica parado. Dono de um estilo irreverente e em extinção no carnaval, Qulnho, vai para o meio do povo, canta, brinca, diverte e

solta seus inúmeros bordões - "Ai, que lindo!~ "Ei, psiu, psiu~ "lá surdo~ entre tantos outros " que desde 1976, ainda no bloco Boi da Freguesia, Já agitavam, a galera. "Vivo do carnaval e canto para o povo. Não sou um intérprete. Sou um puxador de samba.Com muito orgulho~ conta ele, que, em 2010, estará pela décima sexta vez "puxando" os componentes e a arquibancada para desfilarem Junto com o Salgueiro.

4 Para auxiliar Quinho na tarefa de cantar o samba da escola durante os 82 minutos de desfile, o Salgueiro conta com o auxilio de Serginho do Porto, Leonardo Bessa, Eduardo Dias, Feitiço, Tuninho Jr e com os músicos Caio e TicoTico, no cavaquinho, e Edinho, no violão de sete cordas.

Disdpulos de Paula, Narcisa, Vitamina, Damásio e tantos outros que mobilizaram a atenção do público com seus passos, gingado e sensualidade durante os desfiles do Salgueiro, os passistas da vermelho e branco vêm para o desfile de 2010 com a missão de manter a tradição salgueirense de muito samba no pé. Vencedora do Estandarte de Ouro em sete oportunidades, a Ala é 11. derada por Carlinhos Coreógrafo desde 2006. Ele destaca os passistas Dandan (Danubia Ramos), vencedora do concurso Mulata do Góis, Lucia. ne Soares, Baiana (Egeli Aparecida)

@RollvIms.l9uelro.FEVEREIR02010

e Thiago Malandrinho (Thiago Reis). "Ele vai ser a revelação do carnaval~ aposta Carlinhos. Apesar de não valer pontos, a Ala de Passistas é uma das mais aguardadas no desfile. "~ a ala que apresenta o samba no pé, com mulheres bonitas e com uma certa magia. Por Isso muita gente fica esperando nossa ala passar". Com um grupo de 37 mulheres e 13 homens, os passistas do Salgueiro prometem algumas surpresas para o desfile. "Estamos ensaiando muito e preparando uma apresentação especial para cada setor da Sapucal", adianta Carlinhos.


é conhecida a desde 2005. Para cumprir a missão de dar continuidade ao ritmo firme que sempre caracterizou a bateria do Salgueiro comandada por gente como Tião da Alda, Arengueiro, Almir Guineto e Mestre Louro -, Marcão conta ainda

f nas mãos dos 283 ritmistas do Salgueiro que pulsa o coração da escola, ao som da batida do surdo, dos desenhos dos tamborins, do 'molho' preparado pelas caixas, cuícas, taróis, chocalhos e repiques.

No comando dessa verdadeira orquestra, uma das mais premiadas do carnaval carioca, está Marco António da Silva, Mestre Marcão, nascido e criado no morro do Salgueiro e à frente da Furiosa, como

com o auxilio de 11 diretores - Rogê, Vando, Kléber Basilio, Guilherme, Perereca, Marcelo, Tuninho, Vivian, Joana,Tarcisio e Vitinho.

Referência para várias rainhas e madrinhas de bateria, Viviane reúne todos os atributos necessários para uma rai-

nha: é linda, carismática, tem um corpo deslumbrante e gingado de sobra. E enfeitiça o público ao primeiro batuque da Furiosa. f luxo só.

Verdadeiro fenômeno

do carnaval, Viviane Araújo, estreou

na avenida em 1995, quando desfilou no Império da Tijuca. Passou ainda por Mocidade, União de Jacarepaguá e pela paulistana Mancha Verde, até chegar ao Salgueiro, após o carnaval de 2007, para reinar à frente da bateria da escola.

Em 2010, Viviane virá fantasiada de Sherazade, a esposa do Sultão, contadora das histórias das Mil e Uma Noites, e promete algumas surpresas na avenida. "Esse ano terei guardióes para interagir comigo". Conta Viviane, que espera por mais uma vitória do Salgueiro. "Nunca vivi uma alegria tão grande. Foi o trabalho de um ano e quando a vitória chegou, foi uma explosão de felicidade". Viviane aproveita para fazer uma declaraçãode amor à escola. "Euamo essaescola.Enquantome quiserem,não saiodaqui~


Para os Destaques, a avenida de desfiles é um grande palco para os personagens que representam. E isso se reflete não só nas suntuosas fantasias, mas também na sutileza de cada gesto durante a apresentação da escola. Assim, com suas fantasias e esplendores, cobertos de plumas, paetês e pedrarias, tornam-se aliados da grande ilusão que é o desfile de uma escola de samba.

o Salgueiro

incorporou bem a função dos destaques em seus desfiles. A escola foi responsável por lançar um dos mitos do carnaval carioca: Isabel Valença, que, no carnaval de 1963, ficou eternizada como Xica da Silva. Por muitos anos, Isabel representou a verdadeira arte de apresentar uma fantasia. Sua arte foi seguida por nomes como Júlio Machado, o eterno Xangõ do Salgueiro, Guilherme Barros, Iracema Pinto e Paulo Varelli, entre outros. Hoje, Monique Lamarque (foto), Ronaldo Barros, Maria Helena Cadar, Flávio Melo,

Maurfcio Pina e Neucimar

Pires são os responsáveis por

emprestar seu talento e a beleza de suas fantasias para dar ainda mais brilho às alegorias criadas pelo carnavalesco Renato Lage.

A Ala das Baianas não vale pontos, mas, além de ser uma obrigatoriedade do regulamento, é, por tudo o que representa, fundamental no desfile. Disclpulas de TIa Ciata, a mais famosa das baianas, que virou referência para o reduto do samba da Praça XI, elas

mantém viva uma das maiores tradições do desfile das escolas de samba. No Salgueiro, as 105 mulheres que integram a Ala de Baianas estão sob o comando de Maria da Glória Lopes de Carvalho, a TIa Glorinha, componente da escola há 41 anos, 23 deles desfilando com a fantasia de baiana. "O girar das baianas tem muito fundamen~ to. t uma dança mágica~conta. Junto com suas diretoras, é responsável por organizar os ensaios da ala, conservar as fantasias e coordenar as apresentaçôes. Em 2010, TIa Glorinha virá à frente da ala, como a personagem Magé Bassã,do romance Tenda dos Milagres, de Jorge Amado. "Estamos muito animadas esse desfile. O público vai ver baianas tradicionais, de branco, com rendas, colares e pano da costa~ conta TIa Glorinha que vai manter sua ala, sem filas, para se apresentar com espontaneidade e alegria.

e~

50119-. FEVEREIRO 1010


Um dia, Johannes Gutemberg sonhou em mudar o rumo da História. Curioso, transformou o sonho em realidade quando pressionou o último tipo móvel sobre o papel e colocou o ponto final em sua obra-prima: a Sibila impressa. Conquistou o mundo com palavras e livros, agora impressos a partir de sua criação. Deixava para trás os inacessfveis manuscritos copiados à mão por monges medievais e abria o portal para a divulgação de ideias e ideais das maravilhosas Histórias Sem Fim!

Comissão de Frente Acomissão de frente representa os Monges Copistas. responsáveis pela transcrição manual dos manuscritos. antes da invenção da prensa com tipos móveis. Com suas mesas de trabalho e escrita enfeitada, apresentam a escola e dão forma a cavaleiros medievais estilizados que, com suas lanças de batalha, deslizam de sua realidade para dar formas e cores às iluminuras. Os Monges, através de sua arte em iluminar os livros.irão, quase que num delirio de criação. enfeitar a avenida como se esta fosse a principal página de um grande livro."O Livrodo Carnaval".

@"""*~.

Ft~RElR02010


l 1° casal de Mestre-Sala

e Porta-Bandeira A atmosfera primeiro

medieval

inspirou

a fantasia do

casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira

I

do Salgueiro, que traz, em sua roupa, elementos

~ ',.

e ilustrações

da época, como simbolos,

insígnias, manuscritos

medievais.

_1 ••

.... .•• . •. " o.

••

o."

•.

. .....

lO"

~. ~ ..... -; : _ - CAVALEIROS E ILUSTRAÇÕES - r i":;.;..;.

-

-

..

-

./lI~'-:"'. .

Guardiões do 1° casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira Representam os cavaleiros da guarda de honra dos nobres. O branco da fantasia serve de fundo para as coloridas iluminuras

que emolduram

A /

~(,

, I.

I

..

•

,-

(,.

" ~ I --)'1' ~. . \ l-

\:

a dança do

primeiro casal.

"

-,'

\

.f,

)

/

'ld

\.,!)

.

I

u

Ala da Comunidade Nos livros feitos responsáveis

I ~.

$j-

I

decoração

do manuscrito

especializados. iluminuras,

à mão, os copistas eram

pela transcrição

do texto, e a

era confiada a artistas

Eram eles os criadores das

pinturas decorativas

dos textos.

1_ R"vl~la !i~lgu('lfO- f£V£.HllflO

2010

@


'. PRIMEIRA IMPRESSÃO

.

Abre-alas .-T"

Em seu abre-alas, o Salgueiro usa uma linguagem moderna e estilizada para representar a oficina de Johannes Gutenberg. No movimento dos tipos móveis, o 'corpo' do texto ganha vida sobre as estruturas em forma de letras. Com um trabalho de cenografia em que valoriza o ferro e a iluminação em formas vazadas, a escola simboliza a revolução tecnológica capitaneada por Gutenberg. Um sonho que se realizou e possibilitou a difusão de tantas histórias sem fim.

Personagem: Johannes

Gutenberg Performance:

Corpos e Tipos

@

fIftts~ SMqlMlro- FEveREIRO 2010

. Ao.


Ala da Comunidade Criados por Gutenberg, os tipos móveis de metal revolucionaram

a maneira de produção de livros.

Permitiu a impressão em série e a divulgação

do

saber, das ideias e ideais por todo o mundo.

r Ala dos Estudantes A fantasia representa o profeta Moisés, que recebeu as tábuas de pedra com os Dez Mandamentos,

presente

na Bíblia, primeiro livro impresso por Gutenberg após sua invenção .

. • .'

- :::

..

'. >~'!"Jt

.~.;-~=.~. - .

:;r.i.~. -..

", r.~'

..

BiBLlA

Tripé

A primeiro livro impresso no Ocidente foi a Bíblia, com uma tiragem de cerca de 200 exemplares. O atestado da eficiência da tipografia criada por Gutenberg.

B Personagem: O Profeta

t,,/

",

I

"',"

,

,


Os grandes clássicos da literatura mundial estão presentes no primeiro quadro do desfile. Páginas impressas para resgatar o passado glorioso de impérios, heróis, mitos e deuses. Feitos épicos imortalizados em epopeias que exaltam valores de civilizações. Palavras que descrevem o renascer de uma era, personificada na figura de um cavaleiro errante, e guiam os homem em uma jornada rumo ao parafso.

Ala do Lalá

o branco e o vermelho

A epopeia portuguesa, narrada por Luiz Vaz de Camães em Os Lusladas é representada pela fantasia Navegador Português. O poema descreve a descoberta do caminho marltlmo para a Indla e narra episódios da história de Portugal.

da fantasia da ala são a representatividade do Paralsoe do Inferno, presentes no poema épico e teológico A Divina Comédia. do Italiano Dante Alighleri.

ALA 6 Coadjuvanteda cena em que o devaneio de Don Quixote vem à tona, o Moinho de Vento é confundido pelo herói com um gigante, a quem deve combater.

@~w.au-o. fEVEIlEIR020IO

I

DON QUIXOTE

Ala da Comunidade Uma das maiores obras de todos os tempos, Don Quixote de La Mancha, é uma sátira aos fantasiosos romances de cavalaria. O livro conta as aventuras do herói que viaja pela Espanha em seu cavalo.

~ ,


••••

.1-

~

, I I

Em sua segunda alegoria, o Salgueiro reproduz na avenida uma biblioteca

II

com estantes Iluminadas que trazem um mundo de histórias sem fim. Personagens se revelam como fantasmas saldos das páginas e da imaginação dos leitores para a

,

/ j

avenida.

,

I

Composições: Bibliotecárias Personagens: Antonio Conselheiro (Os Sertões), Alarde (Vestido de Noiva), Capitão Gancho (Peter Pan), Confúclo (Confúclo). Isaura (Esrava Isaura), Escravo (Escrava Isaura), Dr. Jivago (Dr. Jivago), Gato de Botas (O Gato de Botas), Macunalma

(Macunalma),

Pinóquio (Pinóquio), Pluft

(O Fantasminha Pluft), Rodrigo Cambará (O Tempo e o Vento) e Sherlock Holmes (Sherlock Holmes). Performance:

Bibliotecários

Destaque: Monique

Lamarque

Palas Athena,

'-

-1"

a Deusa da Sabedoira ~vl~toS4k,1ut""o - f(Ylk[ HO1010

@


Quem nunca se emocionou com as juras de amor do nobre cavaleiro, o sofrimento dos amantes, às intrigas dos vilões? No quadro 2 do desfile, nobres encastelados, revoluções da plebe nos reinos do velho mundo, heróis de capa e espada, duelos em nome do coração da bela dama. Páginas de um romãntico jogo de olhares, de ligações perigosas descritas em textos que revelam juras secretas, pactos, romances proibidos e promessas de amor eterno.

ALA 8

."

OS TRÊS MOSQUETEIROS \4';,

Ala Raça Salgueirense Athos, Porthos e Aramls sâo os Três Mosquetelros, personagens do romance de capa-e-espada de Alexandre Dumas. A eles,juntou-se D'Artagnan para viver aventuras a serviço do rei e da rainha.

-

ALA 9- ROMEU E JULlETA

.

'"'

Ala da Comunidade ),

Maior representação do amor romântico, Romeu e Julleta trata da história de amor dos jovens de famlllas rivais - os Montecchlos e os Capuletos.

ALA 10

OS MISERÁVEIS ~ ,

Ala Show

de Bola

Romance francês de caráter social, Os Miseráveis, de Vitor Hugo, é uma trama que denuncia as Injustiças da França do século XIX-

@

~s.IlJuft'o.

FEVEREIRO 2010


,~ '-

\

'.-o: :-, ,MARQUESADEMERTEUIL .' .,:.q/ISCONDE DE VALMONT ..

..,

\.,

•

.

2° casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira Os protagonistas

J

4'

do romance Ligações

Perigosas, a Marquesa de Merteuil e o Visconde de Valmont, estão representados pela fantasia do segundo casal de Mestre-Sala

l

e Porta-Bandeira.

,I

Ala da Comunidade A obra Ligações Perigosas, romance de Chordelos de Lados, revela planos de sedução e vlngaça em meio ao luxo dos bailes e a decadência da corte francesa na época anterior

à Revolução Francesa.

j

t Em meio ao luxo da corte francesa figuram

os

grandes lustres de cristal Baccarat que iluminavam os palácios onde eram tramados e vingança.

planos de traição


o quadro

3 traz os capítulos de um Brasil de mistura de raças, traduzido no enlace da fidalga portuguesa e do nativo, capítulo romântico da miscigenação. Palavras navegando sobre o mar para descrever a dramática travessia nos porões dos tumbeiros. A cada obra brasileira, a crõnica de um pais que abriga heróis mestiços, do Rio de Janeiro de tipos urbanos, dos homens e mulheres da Bahia, dos imperadores de um sertão fértil de sonhos ...

Velha Guarda Ala Com Jeito Vai

O cenário das Minas Gerais do século 18 revela a linda Marflla, paixão de Dirceu, pseudônimo de Tomás Antonio Gonzaga, ativista da Inconfidência Mineira.

'(

Criação de Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas trouxe o perssonagem Brás Cubas, um morto que escreve suas memórias, de sua morte até o retorno à Infãncla.

•

o TRONO

DE MAGÉ BASSÃ

Tripé ,

-

O trono de Magé Bassãsimboliza a fortaleza e a altivez da mulher nos cultos de afrobrasilelros, tão bem descritos por Jorge Amado. De coroa e cetro, os componentes personificam D. Dinis Ferreira, o Quaderna, personagem de A Pedra do Reino. Ele se dlza descendente de reis brasileiros da Pedra do Reino.

@AeovtsI.SlIcJuNo.FEVERElR02010

Personagens: Mãe Pequena e Ekedi

'..

"-

.


I

:

t ,~;.-.;._;

ALA 15

MÃES DE'SANTO - TENDA DOS MILAGRES •

,

#<~-.

Ala das Baianas De branco, rendas e pano da costa, as baianas rodam suas saias na avenida e encarnam as Mães de Santo que povoam os romances de Jorge Amado.

. ,

I

"-

...~ •••. '

. ALA-16:- O NAVIO NEGREIRO , r.,.,;:;;,~r"T

...- ..~.. . . . I. ~~

Ala da Comunidade Os versos de O Navio Negreiro retratam a

Ala Arrepia

dolorosa viagem de

Salgueiro

homens e mulheres,

A mistura de Indios

aprisionados em terras africanas para servirem

e europeus sugerida por José de Alencar no

como escravos no Brasil.

romance O Guarani estão representadas na fantasias de cores

i

tropicais e detalhes

J

1

barrocos,

r

1

.."~

•

••

O BRASIL MESTiÇO .

'.

-;o•••

'"_ Y' _"l ""

•

3~ Carro

..."",_'

--):

-~~

.;~'fo. A alegoria é uma visão estilizada e tropicalista do livro O Guarani, de José de Alencar. O leitor se encanta com a história de amor

,r;~..... "~r'.'.

do 'bom selvagem' Peri

.'

,~~

r

Ç

-,

•

e da jovem portuguesa Ceci, em meio a uma

'" ,'lJ..:.

densa floresta tropicaiS,

e aves

Destaque: Flávio Melo Esplendor de Brasilidade Composições Femininas: Damas Portuguesas Composições

Masculinas: Indios

Personagens: Peri

e

Ceci


Devaneios literários evocados por palavras mágicas: Pirlimpimpim, Abre-te-Sésamo!. Num piscar de olhos, voltamos ao tempo de criança. No quadro 4, adentramos o portal da fantasia. Vamos a qualquer lugar! À cidade dos sonhos, ao país das maravilhas, ao universo das fábulas inesquecíveis. Bonecos ganham vida para despertar a criança que nunca deixou de existir em cada um de nós na grande aventura de brincar de viver. ••

ALA 19 O EXÉRCITO DE CARTASALICE NO PAís DAS MARAVILHAS Ala da Comunidade A fantasia da ala representa o casal do conto Infantil Soldadlnho de Chumbo, escrito por Hans Chrlstian Andersen.

Ala da Comunidade Ao seguir um Coelho, Alice é levada a um lugar encantado, onde existem diversos personagens, como o Gato, o Chapeleiro e um Exército de Cartas,guardas da Rainhae do Reide Copas.

..

-

.

Rainha de Bateria:

SHERAZADE A Rainha Sherazadeé a narradora dos contos das ::-... Mil e Uma Noites.

ALA 21

ALADIN E YASMIN -.--

1

Bateria

Ala de Passistas

"Abre-te Sésamol~ As palavras mágicas usadas pelos 40 ladrões para abrir a gruta onde guardavam os tesouros roubados seduzem o jovem Ali Babá, no conto Ali Babá e os 40 Ladrões.

A Ala de Passistassurge trajada de Aladlm e Yasmln, do conto Aladlm e a Lâmpada Maravilhosa. Mistura da magia oriental e a ginga brasileira.

@

AeYÍi~ s./que4fO.

FEVEREiRO 2010

I

r

I


. -

'

...•

-~'

ASTERÓiDE 8612

TRIPÉ

~,r#

•.

Pouco maior do que uma casa,

.•.

Em sua viagem, o Pequeno Prlncipe encontra vários personagens até retornar ao seu planeta etraz a mensagem do amor para crianças e adultos.

o Asteróide B612 é o planeta habitado pelo Pequen~ Prlncipe.

>

Ala Pura Simpatia

,

0<

Ala da Comunidade O Visconde de Sabugosa é um boneco feito de sabugo de milho. Esquecido na biblioteca do Sitio do Pica-Pau Amarelo, torna-se um sábio, mas sempre submisso às ordens da boneca Emrlia.

Do universo dos livros infantis surgem os personagens do Sitio do Pica.Pau Amarelo. A boneca Emnla é movimentada por duendes, numa grande brincadeira. Como em um livro Ilustrado, a alegoria tem cenários de obras infantis que se fundem ao clássico de Monteiro Lobato para completar o cenário.

Destaque: Maria Helena Cadar Fada dos Sonhos Composições Femininas: Emflias Composições Masculinas: Bobos da Corte

Personagens: Dona Benta, TIa Nastácla. Pedrinho, Narizlnho, Cuca, Saci Pererê, TIo Barnabé, Rablcó, Quindim e Burro Falante. Performance: Duendes

~til~.F[VlIlII1I02{110

@


Tome fôlego antes de prosseguir no quadro 5. Pronto? lá vamos nós. Aqui começa nossa viagem pelo mundo da aventura, com personagens e açôes se sucedendo num ritmo alucinante para desvendar o intrigante enigma e encontrar monstros e bruxos, guiados por palavras que nos fazem prender a respiração e acompanhar o mistério, conduzidos por pistas falsas, ciladas, tramas cruzadas que aguçam a curiosidade num ritmo cada vez mais frenético.

ALA 25 Ala dos Compositores Os compositores do Salgueiro representam o principal personagem dos livros do escritor lan Fleming: Bond. James Bond, o 007, agente do serviço secreto Inglês.

A CRIATURA DE FRANKENSTEIN

Ala da Comunidade Empenhado em descobrir os mistérios da criação. o jovem Victor Frankensteln dedica-se a criar um ser humano gigantesco. Assim nascea assustadoraCriatura de Frankensteln.

• f

!

ConstruIdo em segredo.o Nautlius é o submarino onde o CapltAoNemo e suatripulação vivem suasaventuras. ( Personagens: Mergulhadores

@~~-FEVERElfWJ2GIO

Ü

Ala Tati Criado pelo escritor Júlio Verne, o Capitão Nemo é o personagem principal da aventura 20 Mil Léguas Submarinas. Em um submarino vive várias aventuras no mar.


. . ,

..

',;-

ALA 27.

CONDE DRÁCULA

,-., ;:;;:i'

Ala Furacão

Ala da Comunidade Personagem lendário,

Um menino,

o Conde Drácula foi

tem sua vida

a inspiração de Bram

modificada

ao

descobrir

Stoker para escrever

I ,

Drácula, um clássico da

mas

que é

filho de feiticeiros

I~

literatura de aventura

e que também

tem poderes

fantástica. O Prfncipe

mágicos. Esta é a

das Trevas, que seduz

trama dos livros

e domina homens e

U

mulheres para sugar seu sangue e viver eternamente.

de Harry Potter. Em cada aventura, Harry ultrapassa obstáculos

mágicos

em duelos com seus inimigos.

'-

'o: • "_,

""' ••••

HARRY POTIER E A PEDRA FIL050FAL .,.i~.;&.,.

I

_

- O JOGO. DE XADREZ -'í~~

5° Carro

Prepare-se! Vem ar um grande tabuleiro de xadrez.

A alegoria traz os principais personagens em meio

Num dos trechos mais eletrizantes do livro "Harry

ao cenário gótico da Escola de Magia e Feitiçaria de

Potter e a Pedra FilosofaI': o primeiro da saga desse

Hogwarts. Gárgulas, torres, vitrais e peças do xadrez

aprendiz de feiticeiro, o jogo é um dos desafios que

compõem o carro, que reproduz o misticismo e a

Harry Potter e seus companheiros

magia de uma das aventuras mais emocionantes

têm que enfrentar

para proteger a tão cobiçada pedra filosofaI.

literatura contemporânea.

, ...'Ir

1

'I, If

Destaque: Ronaldo Barros - Bruxo

Dumblendore

Composições Torres

Masculinas e Femininas:

e Peões

Semi-Destaques: Xeque-Mate

e Jogada

de Mestre

Personagens: Harry

Potter,

Ron e Hermione

da


No quadro 6, avançamos no tempo para ler um futuro escrito pelas tintas da incerteza. Ao perder o domínio sobre as máquinas que inventou, o homem vira refém da própria criação. São abertas as páginas das ficções, do grande Deus-Máquina que zela por nós. Cérebros artificiais altamente avançados, capazes de viajar pelo universo e simular uma realidade tomada pelo caos num cenário futurista.

Ala da Comunidade A Metamorfose, ficção escrita por Franz Kafka, conta a história de um homem que se transforma em uma barata e passa a ser uma criatura execrável.

1-

--1

._

•• •

Ala Narcisa Preciosidade da ficção cientifica. AGuerra dos Mundos, de H.G. Wells.conta a história de Marcianos inteligentes que descem na Inglaterra Vitoriana e ameaçam destruir o mundo civilizado.

••

Ala da Comunidade Atrama de 2001: Uma Odisseia no Espaço, começa quando os primeiros antepassados encontram um monolito, que desaparece após a evolução da espécie e é encontrado por astronautas, na lua, no fim do século XX.

@RoPMtlSaI9uelro.FEVEREIR020IO


í Ala Zuk Considerado

um clássico da ficção cientffica,

Isaac Aslmov, mudou

a forma de se ver os robôs na literatura,

que passam a ser seres obedientes

L

Na sexta alegoria do Salgueiro, o cenário futurista,

é a ficção

Inspirado na obra Eu, Robô, de isaac

Aslmov. Um grande ser robótico caos de uma civilização dominada Um mundo metallzado, homens convivem de desconfiança tecnologia

se revela frente ao por máquinas.

onde máquinas e

lado a lado, numa atmosfera

e medo diante da ameaça da

criada pelo próprio homem.

Destaque: Mauricio Pina Homem

Robô, o Ser do Futuro

Composições

Femininas:

Robóticas Composições Robóticos

Masculinas:

Eu, Robô, de

ao ser humano.


No quadro 7, é hora de abrir um novo capitulo, escrever sobre a página em branco a história que escolhermos. De nos guiarmos pela vida, recriar a própria biografia, desvendar o segredo da felicidade, do equilíbrio e da paz. Conhecer os ensinamentos que nos apontam os caminhos da sabedoria. No livro do nosso destino, nascerá obra imortal, um enredo infinito, recontado e ampliado cada vez que alguém folhear as páginas de nossas Histórias Sem Fim.

ALA 34

DIÁRIO DE UM MAGO

Ala Inflasal Ala Fina Estampa Escrito pelo francês Allan Kardec, O Livro dos Espfritos é a obra fundamental do Espiritismo. O textos tratam da imortalidade da alma, da natureza dos Esprritos,das leis morais, da vida presente e futura e do porvir da humanidade - segundo o ensinamento dos Esprritos superiores.

.,

Em Diário de um Mago, Paulo Coelho narra sl:Javiagem pelo místico Caminho de Santiago de Compostela. Durante a trajetória, busca os mistérios sagrados da magia que o ajudem a se tornar um mago e a desvendar os enigmas da vida e de seu universo.

Ala da Comunidade O ocultismo e a bruxaria estao presentes no livro As Brumas de Avalon. Representada pela Ala de Baianlnhas do Salgueiro, a Fada Morgana vive em Avalon, uma ilha mágica, vista somente por mulheres. De lá, surgem feiticeiras capazes de mudar o destino de qualquer pessoa.

@

Reviu •• sa~ro'

FEVf:REIRO 2010

Bhagavad Gita é um poema mfstico e filosófico que faz parte do Mahabharata, texto mais venerado pelos hindus, que traz uma mensagem de autoconheclmento e autorrealizaçao. Um presente do Oriente para o mundo.

y


...

:.---,

-. Mf'~.

~.,,'..

MAHABHARATA--,~lI;QM'NAçÃO DE KRISH~~J~r Carro Em busca de autoconhecimento,

autoajuda

e dos

caminhos da sabedoria, o homem ocidental se aprofunda na cultura oriental, em especial no hinduísmo,

tradição

religiosa da lndia que inspira, com cores e formas, o último carro do Salgueiro. Erudito e popular, o Mahabharata

que

em Sãnscrito sígnifica "a grande história da humanidade': traduz em suas páginas a essência cultural dos povos de Krishna. São as páginas da vida escritas para perpetuar ensinamentos

e glórias e espalhar pelo mundo mensagens

de esperança.

Destaque: Neucimar Pires A Luz de Brahma Composições: Indianos

e Indianas


GR£MIO RECREATIVO ESCOLA DE SAMBA ACAD£MICOS DO SALGUEIRO Quadra: Rua Silva Teles, 104, Andara! Tel.: 21 2268-oS48 / 2238-9226

Diretor Geral de Bateria: Marco Antonio

Silva

(Mestre Marcão) Rainha de Bateria: Viviane Araújo 10 casal de Mestre-Sala e Porta.Bandeira:

Barracão: Rua Rivadávia Correa, 60, Barracão 8, Gamboa - Tel.: 21 2223-1110

Ronaldinho

Fundação: S de março de 19S3 Cores: vermelho e branco

e Gleice Simpatia

Intérprete: Diretora

www.salgueiro.com.br

Quinho Geral da Ala das Baianas: Maria da Glória Lopes

de Carvalho

salgueiro@salgueiro.com.br

Diretora Geral da Veiha Guarda: Maria Aliano (Caboclinha) Responsável pelos Destaques: Iracema Pinto

DIRETORIA Presidente

Responsável pelos Passistas: Carlos Borges

Executiva: Regina Celi

Vice.Presidente

Presidente das Alas Reunidas: Jaime Shrur

Executivo: Marcelo Montero

PresoConselho Deliberativo:

Francisco Antonio

Latorre BARRACÃO

PresoConselho Fiscal: André Vaz Vice.Presidente

Administrativo:

Vice-Presidente

Cultural: Eduardo Pinto

Vice-Presidente

de Esportes: Renata Duran

Vice-Presidente

Financeiro: Marcus Vinicius Pereira

Administrador:

Renato Duran

Carpinteiro

Vice-Presidente

Musical: Liberato Romano

Vice-Presidente

de Patrimônio:

Social: Dionizio Mendes

lIuminador:

Beto Kaíser

Mecãnico: Antonio Decoração: Adalberto,

Braz Simôes de Oliveira

de Relações Públicas: Flavia Cirino

Chefe: Edson Lima (Futica)

Pintor de Arte: Gilberto

Jurídico: Cláudio José Pereira de Souza

Vice-Presidente

Placa: Erivelto e Renato Róbson

Ateliê: Paulo Henrique Caetano

CARNAVAL 2010

Radiocomunicação:

Enredo: Histórias sem Fim

IRCTechnical

4.1 00

Portaria: Paulo, Adalto e Marcos

Carnavalesco:

Serviços Gerais: Joilson e André

Renato Lage

Almoxarifado:

Autores do Enredo: Renato Lage e Diretoria Cultural Diretor de Carnaval: Anderson de Harmonia:

Motorista:

Abreu e Renato Duran

Comissão

(Alda Alves, Jomar

miro e Siromar de Carvalho da Silva)

Case-

Cozinheira:

Janaína

Igor Leila e Ãngela

Brigada de Incêndio: Segurança: Daniel

@Rwlm~-FfVEREIROlOIO

Radiocomunicação

Secretárias: Aline Sundin e Elizabeth Barros

Alas: 36

Diretor

Nanei, Max e Rita

Fibra: João

Empastelação:

Componentes:

Abreu

Ferreiro Chefe: Alexandre Vieira

Vice.Presidente

Vice.Presidente

Anderson

Ubiratan

Ltda


Inspiração, letra e melodia... Aos compositores de samba enredo, cabe interpretar o enredo surgido da cabeça do carnavalesco e transformar a prosa em verso e poesia. Nascido da sensibilidade de quem vê o mundo entre notas musicais. o samba fica melhor ainda quando cai na boca do povo e

é

cantado por toda a avenida

durante o desfile. Em 2010, o Salgueiro levará para a avenida o samba composto por Josemar Manfredini, Brasil do Quintal. Ja»a, Betinho do Ponto e Fernando Magaça. Campeões em outros anos, Manfredini (2008) e Magaça (2005) esperam que o Salgueiro escreva uma nova história de amor no livro

do carnaval salgueirense.

Revl~l.IS-alqtH'I<O HVfRHRO 1010

@


ESCOLA

MIRIM

Prepare-se. A "Magia" vai tomar conta da avenida. Este é o titulo do enredo da escola mirim Aprendizes do Salgueiro, que promete levar para a Sapucai um carnaval de encantamento e muitas surpresas. "O nosso objetivo é atrair boas energias. Esseenredo foi inspirado na boa fase pela qual o Salgueiro passa. Em 2009 conquistamos um titulo muito esperado e a Aprendizes quer celebrar essa alegria com um desfile mágico. Que a magia traga boa sorte para todos nós~ explica o carnavalesco Anderson Abreu, que assina seu terceiro carnaval pela escola mirim. Em forma de fábula, o enredo "Magia" conta a história de um aprendiz de feiticeiro que vive em uma floresta encantada, no alto de uma montanha mágica. E na busca pelo conhecimento sobre a arte do bem viver, encontra um mago que o conduz a uma viagem ao misterioso mundo da magia. A montanha é o morro do Salgueiro e o aprendiz é o próprio componente da escola mirim. A proposta é apresentar na avenida um visual encantador, representando o universo infantil em cada fantasia

@RftoINSalgurjro.FEVEREIIl02010

e em cada alegoria. "A criança traduz toda a inocência humana. Elas são os nossos amuletos. Por isso, vamos abrir o desfile de forma lúdica e colorida, representando o misticismo presente no imaginário infantil. Vamos ter duendes, unicórnios, fadas, bruxos e magos. Já na segunda parte do desfile, é a vez de pedir proteção. Não irão faltar objetos de sorte, como patuás, ferraduras, búzios, pés-de-coelho e outros elementos misticos que atraem bons fluidos~ revela Anderson.


Carnaval de gente grande

Em 2009, com o enredo sobre os seus vinte anos de existência, os Aprendizes do Salgueiro conquistaram seis troféus Olhômetro, concedidos pela Associação das Escolas Mirins (AESM-Rio). Foi a agremiação com maior número de prêmios: melhor ala de baianas, melhor bateria, comunicação com o público, intérprete, melhor casal de mestre-sala e porta.bandeira e samba.enredo. Segundo o presidente Thiago Carvalho, o sucesso da Aprendizes está num trabalho de valorização do samba, com arte e disciplina. "Nossa diretoria tem a visão de escola de samba. Independente de ser uma escola mirim, somos escola de samba e aqui é lugar de aprender samba, de ter responsabilidade, frequentar ensaios. Isso nos tornou uma referência dentre as escolas mirins e com isso formamos muitos profissionais dos mais gabaritados em atuação no carnaval", comemora. Thiago destaca também o apoio que vem recebendo da escola mãe. "Estamos com as fantasias praticamente prontas desde o inicio do ano e as alegorias já estão a pleno vapor. A presidente Regina Duran não mede esforços para estar junto com os Aprendizes e apoiar nosso carnaval. Isso é Importante para fa. zer um trabalho de qualidade, idealizado pelo nosso carnavalesco e executado por muitas mãos salguei. renses: aponta.

Magia

I

•

•

.

I

.

Era uma vez, uma montanha encantada Que a Natureza fez morada Bem lá de cima o dia passava O sol ê o astro da lua de prata Um pequeno Aprendiz Quis desvendar O segredo da felicidade O vento soprou e no ar trouxe a magia Qual é o mistério da felicidade? O Mago, então, lhe dirá

t preciso sentir, viver essaemoção A eterna alegria está dentro de nôs Sabedoria é o dom de viver Eu chamo a sorte e divido com você A vida é um dom, tudo de bom Vai nos acontecer O bem vencendo o mal t carnaval eternamente Em cada coração t acreditar que o futuro é aqui Sou Aprendizes e vou te levar Toda magia de um mundo feliz

t a eterna magia A beleza da vida que hoje vai te seduzir Um coração que pulsa forte Etenho a sorte de ser Aprendiz

Preparativos Décima segunda escola a desfilar, na sexta-feira de carnaval. de 12 de fevereiro, os Aprendizes do Salgueiro entrarão na Sapucal com 20 alas e dois carros alegôricos. A concentração está marcada para as 19 horas, no Balança Mas Não Cai.

Enredo: Magia Carnavalesco: Anderson

Abreu

Intérprete: Rodrigo Carvalho e Diguinho

Moreira

Primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira: Thiago e Gabriela

Confira a ficha técnica do desfile e descubra a Magia que os nossos pequenos sambistas vão apresentar na Sapucal:

Segundo casal de mestre-sala e porta-bandeira: Thiago e Lara Mestre de bateria: Gustavo Oliveira Comissão de frente: Carlinhos Coreografo Diretor Geral de Harmonia: Fagney Lins

R('v'~la Sal9",toro - HVEfI[IRQ JOIO

@


ESPECIAL

Chiquinho. Da Mangueira, do Salgueiro, da Ilha, da Vila ... Quem transita pelas quadras das escolas de samba do Rio de Janeiro já deve ter notado a presença de Francisco Manoel de Carvalho, o Chiquinho da Mangueira, em várias deias. Apesar do "sobrenome" emprestado da Verde e Rosa, sua escola de coração, Chiquinho é bem relacionado e querido em todas as agremiações, principalmente pela preocupação que tem com o carnaval carioca. "Eu procuro ajudar todas as escolas de samba porque, além de fazerem o maior espetáculo do mundo, cuidam do aspecto social de suas comunidade, através do esporte e de programas de inclusão social~ E de programas sociais Chiquinho entende bastante. Formado em Educação Fisica,foi ele um dos idealizadores do programa social da Vila Olimpica da Mangueira, referência em programas do gênero nos paises em desenvolvimento e modelo para outras escolas de samba. "Criamos o Projeto Olimpico, voltado para o esporte, em t987, por iniciativa do ex-presidente da Mangueira, Carlos Dória~ conta Chiquinho. Após o pontapé inicial, o projeto ganhou apoio de empresas privadas e, dai para a criação de algo maior, foi um pulo. "Passamos a oferecer projetos em outras áreas, de educação, profissionalização, cultura, saúde e lazer. Conseguimos juntar o esporte e a educação em um projeto de inclusão social que hoje é conhecido por todos~ Em 2002, atendendo a pedidos da comunidade da escola, tornou-se deputado estadual. Em dois mandato, idealizou vários outros projetos de alcance social - Projeto Zico (futebol),

@

~tlSaIguftro- FEVEREIR02010

Projeto Jaqueline (voleibol), FelizViver (para pessoas a partir de 40 anos de idade), e Viver Criança (para crianças a partir de seis anos de idade) -, mas não deixou de lado as escolas de samba: conseguiu, junto ao governo do Estado do Rio de Janeiro, uma ajuda financeira maior para que as escolas de samba pudessem apresentar seus desfiles com mais qualidade e desenvolver seus projetos sociais. "As escolas de samba fazem um grande espetáculo nos dias de carnaval, mas também funcionam no restante do ano auxiliando suas comunidades~ diz. "A beleza das escolas de samba

está na avenida, mas também vai muito além disso". Atual secretário Municipal de Esportes e Lazer,Chiquinho é um dos principais incentivadores dos programas sociais do Salgueiro (veja matéria na página XX), realizados pela Vila Olimpica e pela Academia de Capacitação e Inclusão Social."Acredito que as escolas de samba hoje são mais do que agremiações de camaval. Elasse tornaram uma referência no que diz respeito à inclusão social. E o Salgueiro,com certeza, é uma dessasreferências~


PERFIL

Regina Celi Ela é mãe de cinco filhos - Renata, Renato, Louise, Luiza e... Acadêmicos do Salgueiro. t assim mesmo que Regina Celí trata a escola que preside desde maio de 2008. "Sou mesmo uma mãezona. Amo meus filhos e dedico à escola o mesmo amor que tenho por eles. Estou sempre tentando ajudar os componentes",

Regina está há pouco mais de um ano à frente da agremiação, mas já é dona de algumas conquistas. A primeira delas foi colocar o carnaval de 2009 na rua. "Queria provar minha competência,

que era ca-

paz de fazer um belíssimo carnaval". E ela conseguiu muito mais do que isso: não só colocou um grande

desfile na avenida como levou o Salgueiro à vitória, depois de 16 anos. Regina começou a frequentar a quadra do Salgueiro ainda adolescente, aos 14 anos. Passou vários carnavais desfilando como componente de ala. Em 2001, como primeira dama da escola, passou a desfilar como destaque, enfeitando as alegorias do Salgueiro. Durante sete anos, sua simpatia e carisma conquis-

taram a todos na escola. Não era dificil vê-Ia deixar o camarote da presidência para se juntar aos passistas da escola, no meio da quadra, e sambar como se não houvesse amanhã. Ou mesmo se juntar

à

comu-

nidade da escola em festas e comemorações no alto do morro do Salgueiro. Admirada na escola e fora dela, a candidatura de Regina ao cargo de presidente não tardou. A pedido da comunidade salgueirense e de boa parte da diretoria, candidatou-se nas eleições realizadasem maio de 2008. Ecomo não poderia deixar de ser,ganhou com folga.

Desfile inesquecível: Como componente, Candaces, sem dúvida nenhuma. Além de ter sido o desfile em que eu mais me diverti, Candaces foi uma conjugação de enredo, samba e de uma beleza de alegorias e fantasias que eu nunca tinha visto. Um samba enredo: em 1989. Aniversário:

17 de janeiro

Um ídolo: Deus Um ator: Antonio Fagundes Uma atriz: Regina Duarte Uma música: Eu e Você, Sempre, do Jorge Aragão Um livro: A Bíblia da Mulher Um filme: Divã, com a Lilia Cabral Bebida favorita: Comida favorita: Um perfume:

E foi assim também no desfile, quando levou o Salgueiro ao titulo. "Cada escola fez o seu papel, mas em 2009 chegou a hora do Salgueiro~ diz Regina,

Candaces, de 2007 - Salgueiro,

energético Babá de Camarão

Angel, de Thierry Mugler

Um lugar: Saquarema, no Rio de Janeiro Uma víagem: para Porto Seguro, na Bahia

que continua com os pés no chão para o carnaval de

Uma virtude:

2010. "Começamos tudo de novo e vamos para a avenida com a mesma vontade de ganhar':

Um defeito:

Honestidade Sou muito franca

Uma mania: Falar ao telefone. Dia desses até estra guei um, debaixo do chuveiro Hobbies: Adoro comprar bolsas e sapatos Sonho de consumo: ter um salão de beleza Uma frase: "A esperança é a última que morre"


OUTROS

CARNAVAIS

de, tev a usadia de apresentar na avenida u e ê'liI que retratava e exa Itava a h i5-tóri 'El€ft1 ,pe!iJ o Z mbi dos Palmares, A f:il, de LI a África vitoriosa era €ia £0tl;l palha, ráfia e u tola, ma festca da raça, que se uma evolução estética e f~1 i de um novo capítulo na ~~ilyal.

@

ArwIsUi~.

FMJlllRO 2'010


Fundado em Sde março de 19S3,logo em seu primeiro desfile o Salgueiro já despontou como uma grande escola: furou o bloqueio das três grandes escolas da época - Mangueira, Portela e Império Serrano - e conseguiu o terceiro lugar, à frente da Portela. Nos anos seguintes, os bons resultados da caçula do carnaval se repetiram, mas a vitória náo chegava. "0 Salgueiro já havia conquistado o coraçáo do público. que se espremia nas calçadas da Avenida Almirante Barroso e da Rua Santa Luzia para ver a escola passar. Mas a vitória não vinha, o que dei. xava o Nelson de Andrade (presidente em 19S6 e uma liderança da escola) inconformado~ conta o escritor e Salgueirense Haroldo Costa em seu livro Salgueiro: Academia de Samba.

o titulo

virou ideia fixa para Nelson.

Ele queria

encontrar

uma

maneira

deimpressionar os jurados para ganhar o carnaval.

o primeiro

passo veio em uma dessas

coincidências que fazem com que a vida aconteça. Naquela época. a figura do carnavalesco ainda não existia e

o carnaval das escolas de maior poder aquisitivo era desenvolvido por artífices da Casa da Moeda e do Arsenal de Marinha. Eram eles que confeccionavam alegorias e esculturas, Mas, com o dinheiro sempre curto, contar

com estes profissionais era impossível para o Salgueiro. "Foi ai que o Nelson conheceu os artistas plásticos Dirceu e Marie Louise Nery, que trabalhava folclore brasileiro~ diz Haroldo. Quando chegou ao apartamento do casal. Nelson ficou

rante sua vinda ao país com a missão

de D.João VI,em 1B16, Empolgado com o trabalho de Dirceu e Marie Louise (que se juntaram a Hildebrando Moura. responsávei pelos carnavais do Salgueiro desde 19S4), Nelson de Andrade pressentia que a grande novidade que tanto buscava estava para acontecer.

as

os te-

dos Palmares: Na ocasião, eu estava

mas com a ótica patriótica imposta pelo Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) - como Brasil Holandês, do Império Serrano, Brasil em Três Fases, da Mangueira, ou Brasil Panteon de Glórias, da Portela - o Salgueiro apresentaria Debrel, como ficou conhecido o tema da escola em 19S9,como enredo.

Eu falei pra ele: 'SÓ se for uma coisa que está na minha cuca. que é o Quilombo dos Palmares' Quando o Salgueiro surgiu na Avenida Rio Branco, sem corda, sem carros

alegóricos, com seus 1.200 componentes sambando e cantando o samba, trazendo na cabeça e nas mãos adereços que ondulavam ao ritmo do samba, o público teve uma agradável surpresa, E aplaudiu a escola por sua ousadia e pela bela apresentação. Na apuração, o resultado do desfile da escola foi premiado com a segunda

encantado com que viu e ouviu, e per.

colocação, somente

cebeu que não poderia estar em me-

da Portela, para felicidade de Nelson de Andrade. A vitória da Portei a não foi surpresa, mas a segunda colocação do Salgueiro, sim, Principalmente pela nota que a escola teve no quesito

lhor lugar. pois os dois eram artistas afinados com a arte popular. De conversa em conversa, os dois aceitaram o desafio de fazer o carnaval do Salgueiro para o desfile de 1959. Como tema, escolheram Viagem pitoresca e histórica ao Brasil. titulo dos livros que o pintor francês Jean-Baptiste Debret escreveu e ilustrou sobre o Brasil. du-

nando Pamplona, em entrevista con-

cedida ao jornal O Pasquim. "Eu falei pra ele: 'Só se for uma coisa que está na minha cuca, que é o Quilombo

Enquanto

outras escolas apresentariam

A nota máxima recebida pela escola motivou Nelson de Andrade a conhecer o tal jurado. E não tardou para convidá-lo para ser o responsável pelo carnaval do Salgueiro em 1960. Quem conta a história é o próprio Fer-

um ponto atrás

escultura e riqueza: pela primeira vez

a Portela era superada neste quesito. O responsável por esta nota foi um jurado chamado Fernando Pamplona, aluno da escola de Belasartes.

lendo um livro editado pela Biblioteca do Exército sobre Palmares... E o livro me empolgou, porque na verdade foi a primeira luta pela iiberdade no BrasiL E fui saber por quê. As nações que não aceitavam a submissão à escravi~ dão... tinha algumas que eram dóceis, eles eram guerreiros e escravagistas.

Eu também tinha colaborado com Abdias Nascimento vendendo ingresso pro Teatro Experimental do Negro, com Solano Trindade. Fotografei tudo de graça. Trabalhei com a Mercedes Batista, com o maestro Abigail Moura, que fazia a Orquestra Afro-Brasiieira. Eu quis fazer uma homenagem ao maior negro. Aceitei o convite com a

condição de fazer Palmares~ Nelson de Andrade concordou e Fernando Pamplona passou a ser o responsável pelo desfile do Salgueiro. Para auxiliá-lo, Pamplona manteve o casal Dirceu e Marie Louise Nery e convidou outros dois artistas: o criati-

vo desenhista e aderecista Nilton Sá, também da Escola de Belas Artes, e o figurinista Arlindo Rodrigues, outro personagem que faria história no carnaval. "Nesse ano, o Arlindo Rodrigues,

que

estava

estagiando

no

Teatro Municipal, foi chamado por mim. Eu não sabia desenhar figurinos de mulher, ele desenhou. Desenhei os de homem. E tinha um artista chamado Nilton Sá cujo trabalho era baseado na plástica africana. Pedi a ele para ajudar na parte africana porque resolvi vestir os crioulos de negro. Ai estudei... Peguei livros afro para ver como se vestiam. E dei cinco alas com cinco reis vestidos absolutamente de africanos, mais uma que lutava com os portugueses. Era uma coisa mais

ou menos coreografada. Depois tinha ~~

fEv{RflHO]{II11@


OUTROS

CARNAVAIS

os doutores da liberdade, que eram os negros que aprenderam a ler e a escrever~conta Pamplona. A empolgação de Pamplona e Nelson de Andrade, porém, esbarrou nos componentes da escola, que não queriam se fantasiar de negro. Na época, o maior prazer do pessoal do morro era desfilar com as fantasias de nobres e perucas brancas, de cachinhos, na Praça Saenz Pena, antes e depois de ir para a avenida. Ninguém queria sair de "pobre~ A fantasia tinha de ser chapéu emplumado, capa de cetim com bordados de arminho, roupa de dama com peruca Maria Antonieta, camisa de seda pura, terno panamá ou linho S-120 e sapato de verniz. "Teve uma revolta no morro porque achavam que era ruim se vestir de negro. E eu dizia: 'Vocês têm vergonha de serem negros?": lembra Pamplona. Foi difícil. Uma verdadeira catequese. Mas, na base do papo, o carnavalesco conseguiu que seu enredo fosse adotado pelos componentes da escola. Pela primeira vez o negro seria protagonista de sua própria história na avenida.

o

desfile - No dia 28 de fevereiro, um domingo chuvoso do carnaval de , 960, o Salgueiro abriu sua apresentação causando impacto. Zumbi, o chefe negro, vinha na frente da escola com um estandarte abre-alas, anunciando que o Salgueiro ia contar uma historia de guerra e liberdade, dos escravos e excluídos que se agruparam na grande república do Quilombo dos Palmares. Num carro alegórico, quatro negros tocavam atabaques dos mais,variados tipos e tamanhos - Rum, Rumpí e Lé (do candomblé); tambor candongueiro (do jongo e caxambu); tambor de crioula (que anima a dança do mesmo nome no Maranhão); tambu (dos jogos de São Paulo); batás e batacotos (pequenos tambores guerreiros); além do melhor que havia nos grupos tocadores de ogãs de couro nos terreiros dos subúrbios. A escola evolufa e cantava o belo sam-

@ A1M$ü~.fEVEIUlO2010

ba de Anescarzinho e Noel Rosa de Oliveira. Logo surgiram as baianas, os representantes das cinco nações africanas e a reconstituição do Maracatu. Nesse carnaval, além de Pamplona e Arlindo, o Salgueiro apresentou outra grande personagem do carnaval: Mercedes 8atista, única negra a pertencer ao corpo de baile do Teatro Municipal, que desfilou representando a Dama 80neca ou Calunga, figura do Maracatu. Num cenário encharcado pela chuva, milhares de pessoas que se espremiam na avenida, aplaudindo sem parar. O ritmo da bateria de Mestre não da Alda ia marcando os passos dos 700 componentes da escola e levantando o público na avenida. A história da guerra pela liberdade prosseguia. Para fechar o desfile, uma nova ala de baianas surgiu na avenida, com bandeiras brancas para lembrar o fim da luta em Palmares.

era apertada, até que a comissão julgadora ignorou os pontos perdidos por Mangueira e Portela pelo atraso em seus desfiles. Com essa manobra, a Portela tornava-se campeã e o Salgueiro amargava um terceiro lugar, contrariando a opinião de toda a cidade, que apontava a vermelho e branca como campeã. No dia seguinte, sem perder tempo, a escola entrou com um recurso solicitando a revisão do julgamento, o que assustou o presidente da Portela, Natal. Com a certeza de que o recurso seria acolhido e sua escola perderia o título, o grande articulador Natal, propõs aos presidentes das outras agremiações - Mangueira, Unidos da Capela e Império Serrano a divisão do título e do prêmio entre as cinco primeiras colocadas, incluindo o Salgueiro. Essa atitude isolou o Salgueiro e o Departamento de Turismo declarou as cinco escolas campeãs do carnaval de 1960.

Não é exagero dizer que todo o público e a imprensa ficaram extasiados com a apresentação do Salgueiro. Os jornalistas eram só elogios. "A maior nota deverá (...) ser atribuída aos Acadêmicos do Salgueiro, com Quilombo dos Palmares, tema ainda inédito e a que foi dado um tratamento impecável (...). As fantasias de todos os 700 figurantes, nas cores vermelho e branco, harmonizavam~se com os quadros a que pertenciam. (...) Em alegorias e riqueza (...), bom gosto e originalidade, aliados a um entrosamento perfeito num conjunto deslumbrante foram as caracterfsticas dos Acadêmicos, que trouxeram o Quilombo para o asfalto enlameado (...)~ dizia uma das matérias do jornal O Globo. Não restava a menor dúvida de que a imprensa e o povo já haviam escolhido a escola campeã do carnaval de 1960. Mas ainda faltavam os jurados.

"Não ganhamos porque o Natal foi esperto e proibiu que os envelopes com as notas em que sua escola perderia pontos fossem abertos. Se fossem abertos, nós seríamos campeões. Depois de o Natal comemorar o campeonato, soube do nosso recurso. Nós lamas ganhar, mas ele soube da manobra e manobrou antes. Convo-

A apuração era no saguão da Associação 8rasileira de Imprensa. Os dirigentes das escolas ficavam sentados na frente, os outros diretores atrás de uma cerca. Calor infernal e o burburinho a cada nota lida. A disputa

cou uma reunião e empataram

cinco

escolas. Aí eu vi que tinha gente mais viva que a gente~ lembra Fernando Pamplona. Mesmo por caminhos tortos, a voz do povo, que aclamou o Salgueiro vencedor, foi ouvida e a justiça estava sendo feita, apesar do sabor de "ganhou, mas não levou" que havia se instalado no morro do Salgueiro. Seis anos após sua fundação, o Salgueiro conquistava seu primeiro campeona-

to. Mas, mais do que o campeonato, o Salgueiro realizou um lindo e grandioso espetáculo na avenida. Com Quilombo dos Palmares, a escola modificou a estética do carnaval carioca e abriu um leque de possibilidades de temas e enredos, iniciando uma grande e irreversível mudança na história das escolas de samba.


OUTROS

o

CARNAVAIS

Quilombo

dos Palmares surgiu aproxi-

madamente

no ano de 1600, no sertão de

Alagoas mais precisamente na Serra da Barriga, lugar onde atualmente

fica a cidade

de União dos Palmares (AL). Lá se reuniam os negros escravos fugidos dos engenhos de açúcar do nordeste, os índios e também portugueses que lutavam pela liberdade. Zumbi nasceu em 1655, no Quilombo

dos

Palmares. Descendente

im-

dos guerreiros

bangalas, de Angola, Zumbi foi aprisionado pela expedição de Brás da Rocha Cardoso logo após o seu nascimento. ao Padre Antônio

Entregue

Melo em Porto Calvo.

Foi batizado como Francisco e cresceu demonstrando

uma inteligência

privilegiada

(aos 10 anos, já sabia português

e latim e

aos 12 era coroinha).

Um ano depois, Zumbi reapareceu e, com cerca de 2000 palmarinos,

voltou a atacar

povoados em Pernambuco, para conseguir armas e munição. Mas em um dos ataques,

Quando completou

15 anos, Francisco fu-

giu da casa do padre para voltar a Palmares, onde adotou

comandando

e seu co-

mandante, Antônio Soares, foi preso.

o nome de Zumbi. Nos mo-

cambos do Quilombo a trabalhar

um de seus grupos foi derrotado

de Palmares, passou

na liderança dos quilombeiros, com êxito a resistência negra

por muitos anos.

Torturado,

Soares revela o paradeiro

Zumbi, que é localizado e assassinado pelos homens

da coroa portuguesa

20 de novembro quartejado

Em 1694, os portugueses

invadiram e con-

seguiram exterminaram

o Quilombo, fazen-

do muitos

Zumbi

prisioneiros.

outros sobreviventes

fugiu

com

para a Serra de Dois

de

no dia

de 1695. Seu corpo é es-

e sua cabeça do Zumbi exposta

em praça pública, no Recife. Em 20 de novembro comemora-se o Dia da Consciência

Negra, em alusão ao aniver-

Irmãos, e durante muito tempo foi procura-

sário da morte de um dos maiores lideres

do exaustivamente

da resistência negra contra a escravidão no

e sem sucesso. Surgiram

daí as lendas de sua imortalidade.

@ftiNbUlSelguMo.f£VEREIR02010

país, o lendário Zumbi dos Palmares.


Quilombo dos Palmares Autores: Noel Rosa de Oliveira e Anescarzinho Intérprete: Noel Rosa de Oliveira

No tempo em que o Brasil ainda era Um simples pais colonial, Pernambuco foi palco da história Que apresentamos neste carnaval. Com a invasão dos holandeses Os escravos fugiam da opressão E do julgo dos portugueses.

Enredo - Quilombo

dos Palmares

PresIdente Manoel Carpinteiro Autor do Enredo - Fernando

Pamplona

Esses revoltosos Ansiosos pela liberdade Nos arraiais dos Palmares Buscavam a tranqüilidade.

Carnavalesco.

Diretor de Carnaval-

Intérprete

O-ô-ô-ô-ô-ô O-ô, ô-ô, ô-ô.

Fernando

Pamplona

Nelson

de Andrade

Noel Rosa de Oliveira

Mestre de Bateria - Tião da Alda Componentes - 700

Surgiu nessa história um protetor. Zumbi, o divino imperador,

Resistiu com seus guerreiros em sua tróia, Muitos anos, ao furor dos opressores, Ao qual os negros refugiados Rendiam respeito e iouvor. Quarenta e oito anos depois De luta e glória,

o Salgueiro

desfilou no dia 28 de fevereiro de

1960, domingo, na Avenida Presidente Vargas. Com 95 pontos, sagrou-se campeão do carnaval (ao lado de Partela. Mangueira, Unidos da Capela e Império Serrano).

Terminou o conflito dos Palmares, E lá no alto da serra, Contemplando a sua terra, Viu em chamas a sua tróia,

E num lance impressionante Zumbi no seu orgulho se precipitou Lá do alto da Serra do Gigante. Meu maracatu ~ da coroa imperial ~ de Pernambuco, Ele é da casa real

O áudio deste e de todos o, sambas de enredo do

Salgueiro estão disponlveis no site do Salgueiro www.salgueiro.com.br

R~~l" SaIguf'lFO. FEVEREIRO 1010

e


COLUNISTA

CONVIDADO Um livro é um cofre onde se guarda o valor maior que um ser humano pode possuir: suas idéias e seus ideais. Nós da Ediouro fazemos parte de uma família privilegiada que produz livros. Nós gostamos de pensar que temos a mesma importância do agricultor que produz a comida e do tecelão que faz a roupa. Acreditamos que nosso oficio contribui para que cada um de nós possa ser melhor. exercício de ler não deveria ser um fardo, mas uma verdadeira e prazerosa

aventura. André Maurois ia além. Ele acreditava que a leitura é um diálogo. O livro fala e a alma responde. São nos livros que o homem tenta descobrir a razão de sua presença no mundo e busca se conhecer e conhecer seus

semelhantes. BiII Gates, ele mesmo, o dono da Microsoft. um dia disse: "é claro que meus filhos vão ter computadores. Mas antes eles terão livros. Mas o que é um livro?

Carlos Drumond de Andrade tinha uma frase que resume bem o que é um livro: uma fonte inesgotável de prazer. O grande poeta achava que o

Um livro é um lugar onde está guardada a alma das pessoas, suas lembranças, suas emoções e suas esperanças. Um livro representa a infinita possibilidade de cada um de nós encontrar nossa identidade, nossa filosofia de vida e o reconhecimento de nós mesmos.

renatafernandes}

deJl?n

£ por isso que quando o Salgueiro decidiu ter como enredo Histórias Sem Rm onde se conta a caminhada da literatura, a Ediouro procurou estar presente em tudo que fosse possível. Vamos produzir O photobook do desfile do ano passado e também o deste ano, com a possibilidade oferecida pela impressão dígital de personalizar individualmente cada livro, para cada integrante do desfile. Vamos distribuir livros durante o desfile, além de estarmos na quadra com o maior livro e a maior palavra cruzada do mundo. Estaremostambém na Revistado Salgueiro. Em outras palavras, para as Empresas Ediouro Publicações é uma alegria estar ao lado do Salgueiro oferecendo ao mundo essas"mensagens de esperança clareando a imaginação" como diz a letra do Samba de Enredo.


FLAVIA

CIRINO

dos últimos tempos. "off-desfiles": a criação do Prêmio S@amba-Net, um disputado e admirado evento, que entrou para o calendário do carnaval carioca. Novas listas surgiram

Tenho apenas uns vinte e poucos anos de samba, 20 deles no Salgueiro. E lembro bem da escassez de informação que assolava o mundo do samba. Havia. nos anos 80. duas colunas em jornais, uma vez por semana, dos in.

cansáveis Cláudio Vieira e José Carlos Netto. No rádio, a situação era um pouco melhor. Rádio Nacional, Rádio MEC. a extinta Tropical e a Tupi. mantinham programas que davam voz e

vez à turma do ziriguidum. Na TV, o imbatível Samba de Primeira, resistente, eficiente, parceiro do samba. Nos anos 90, surgiu a internet

e os

grupos de discussão. Felipe Ferreira, pesquisador. escritor e sambista.

brincadeira. Ledo engano. O Twitter já é utilizado para inúmeros fins realmente úteis, como a cobertura de eventos e notícias de última hora.

e,

no rastro delas. novas ideias. Tão im-

Numa recente pesquisa realizada entre

ponentes que abriram portas para a criação de sites especializados. A carência de informação, que até então

usuários da Internet em vários países,

entre eles Brasil, EUA, Japão e Alemanha, observou-se que os brasileiros pas-

existia para a massa, ficou cada vez

sam três vezes mais tempo por semana

menor. Na mesma proporção, jornais abriram mais espaço para o samba. dando mais atenção à maior festa popular do mundo.

conectados à internet do que assistin-

do à televisão. São 82 horas por semana utilizando diversos tipos de midia e de entretenimentos tecnológicos.

As próprias escolas de samba aten-

Este é definitivamente

taram para a importância

importante para uma empresa e para

da internet

como meio de comunicação e criaram seus sites. O pioneiro foi o Salgueiro. Há mais de uma década, o site www. salgueiro.com.br está no ar, como veículo oficial da agremiação. Uma navegação precisa possibilita ao internauta conhecer bastante a história e o dia-a-dia da Academia do Samba, primeiro

também

a transmitir, atra-

vés da rede, os ensaios e apresentação de protótipos. No final dos anos 90 e no início do novo século. novas ferramentas, todas na internet, despontaram.

Primeiro o

site de relacionamento Orkut, que virou febre. Não fazer parte dele, era estar "fora do contexto". E o samba marcou presença em diversas comu.

nidades, onde se discute de tudo um pouco. Já no novo século, surgiu o Facebook, um Orkut mais apurado e de reconhecimento mundial, onde

o meio mais

as escolas de samba se comunicarem

com seus públicos. E se consolida a cada dia. Basta olha para trás e verificar que a turma da resistência, citada no início, deve se orgulhar muito em

ver que hoje o sambista conta com Miro Ribeiro, Alpa Luis. Francisco Carioca, Cláudio Britto, Roberthinho do Rio, João Estevam, Junior Tititi, Ailton Freitas, Eugênio Leal, Jorginho do Império, Marcelo Pacífico, Paulo Nobre, Arnaldo Lyrio, Paulinho Carioca, a incansável Dalila Vilanova, Zeno Bandeira, Adelson Alves - outros resistentes! - os sites Carnavalesco, Tudo de Samba, Galeria do Samba, O Repórter, O Batuque, as colunas Roda de Samba, Pandeiro de Kiko Alves. Ritmo da Folia, O Dia na Folia, Geraldo Borges, do DC News, em Duque de Caxias, e o Sambolando, entre outros. O sambista, hoje, conversa no MSN

as escolas está com seus admirado.

ao mesmo tempo

res e .arquitetos~ Depois, o Twitter, talvez, até hoje, o mais ágil e eficaz

Orkut para responder a um scrap enquanto baixa emails, ouve seu iPod,

Aos poucos as pessoas foram che-

meio de comunicação.

escreve no Twitter e responde a um

gando e se ambientando

de quase um diário virtual. comprovando que a internet se transforma na principal mídia de comunicação. Para

SMS.Tudo isso, claro, com a TV ligada, funcionando como trilha de fundo, com o samba de sua escola de co-

os iniciantes, esta nova mídia deve ter

ração. Não acontece isso com vocé?

passado a impressão de ser uma mera

Deleta ...

criou

a pioneira

lista Rio-Carnaval. com a nova

realidade. Dos temas abordados ali. surgiam

matérias

em jornais, deba-

tes em rádios, fóruns universitários e, talvez a mais valiosa contribuição

Uma espécie

I«.v,~l<l

em que entra no

SaIq""lt().

r{ V[R[

RO 2010

@


MOMENTO

SALGUEIRO

w elro de 2009, Regina (eli e MarceGn ro ainda não haviam completado no de mandato, mas, juntos, já conam algumas vitórias para o Salgueiro. Rrincipal delas, o titulo de campeão do carnaai" távamos com muita vontade de vencer. ~cho que isso fez a diferença': explica Regina. Ninguém faz carnaval sozinho. Toda a diretoria e componentes foram fundamentais para a vitória': completa o vice-presidente Marcelo. Juntos, eles procuram fazer sempre o melhor pela comunidade salgueirense. "Tentamos dar todas as condições para que Salgueiro continue disputando tilUlos~ afirma a presidente da escola. "Vamos tornar a escola ainda mais forte nos próximos anos promete Marcelo. l

:


I

~

Encontre Livros. Áudio Livros. Revistas,Personalização. Blog Boo'"

'iLojaSingular

Salgueiro Seja bem VIndO'

o seu carnaval

guardado para sempre com você! Com a Singular,

você recebe o produto

do jeito que quiser - impresso

ou em formato

digital

Tambor

o carnavaL campeão Leve para casa toda a maravilha do desfile campeão de 2009. Fotos e te)(tos que mostram desde a escolha do enredo ale o show das fantasias e alegOrias no meio da avenida.

R$

69,90

Oferta

delançamento


Artigos para: Carnaval (especializada em penas), Noivas, Festas, Passamanarias,Armarinhos e Tecidos em geral.

.

." "'.

C.

Oriundo de Padre Miguel. conhecido como "ChiqUinho Pastel". apelido que herdara desde a inf.:lncia por ter sido vendedor de pastéis. Jorge FrancIsco. depois de passar por quase todos os cargos em uma escola de samba tradicional do Rio de Janeiro. decide contribuir de outra maneira para.O Mundo do Samba" vendendo artigos de carnaval para seus companheiros sambistas. Com o propósito de fornecer aos clientes a maIor variedade de produtos com a mais alta qualidade. sem deixar de oferecer os melhores preços e condições de pagamentos, além de agilidade no atendimento. o Centro do Rio de Janeiro há muitos anos. passou a contar com um pólo comercial-cultural sambistas. consumidores,

fornecedores,

aglutlnador de

parceiros. intelectuais. admiradores.

pesquisadores e compradores pontuais e ocasionais. Esse local, em verdade. virou point e é a realizaçllo do sonho de um brasileiro sambista emergente de classe

desfavorecida,

relegada a um segundo plano que através da sua

delenminaçllo, da sua força, do seu trabalho possibilitou o surgimento das lOjas

BABADO DA FOLIA.


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Revista do Salgueiro 2010 by Portal Academia do Samba - Issuu