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Mozart na ópera do carnaval: canto e visão sem igual

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ALCIDES FREIRE RAMOS ROSANGELA PATRIOTA SANDRA JATAHY PESAVENTO organizadores

IMAGENS NA HIST6RIA

ADERALDO & ROTHSCHILD

Sao Paulo, 2008


MOZART NA OPERA DO CARNAVAL: CANTO E VISAO SEM [GUAL MARCIA RAMOS DE OLIVEIRA Universidade do Estado de Santa Catarina

Ouvindo tudo que vcjo, vou venda tudo que ow;:o . ..

Foi assim que a Escola de Samba Unidos da Tijuca abriu seu desfile no carnaval carioca de 2006. Mediante este tema, 0 enredo desenvolvido pelo carnavalesco Paulo Barros vinha ainda acompanhado cia sugestiva figura de Mozart, que emergia do chissico para assumir explicitamente a contemporanea figura de urn Dj, regendo/coreografando a atua<;ao das passistas.' o inusitado desta proposta, "ouvindo tuda "'CA H4 que vejo, vou venda tuda que ou~o", quase urn enunciado, implicava uma aparente oposic;:ao dos sentidos, na qual se invertia a audi<;:ao pela visao, au a visao pela audi<;:ao. Mozart emergia tambem em meio ao feste jado aniversario de 250 anos, numa caracteristica situa<;:ao de inversao provocada pelo carnaval. 0 celebre compositor transmutava-se ao fazer uso da musica sampleada, da justaposi<;ao de elementos e tendencias, da crias:ao e recriayao surgida do acumulo de manifestac;:oes do passado e 0 presente, do erudito e popular, da indefini,ao em sobreposic;:ao de diferentes mensagens, sons e ruidoso 1 Esta informar;ao e parte das imagens e fotografias apresentadas agui foram retiradas do site oficial da G.R.E.S. Unidos da Tijuca, especiaimentc destacando 0 banner, obtidos por meio da sinopse do enredo do carnaval. Em setembro de 2006, ainda podia ser acessad a no enderer;o <http: II www.unidosdatijuca.com .brlsinopse2006 .htm> . 260


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A descri<rao da pro posta deste carnavalesco, inserida no site da Escola, trazia

mais informa~oes sobre como 0 desfile foi estruturado. Paulo Barros declarou que: "A Unidos da Tijuca prepara para

0

Carnaval de 2006 urn desfile ca-

paz de provo car, atraves de imagens, a emo<rao despertada pela musica". E

completava, "evocando da memoria algumas cenas musicais que marcaram "poca, a Tijuca compoe urn delicioso pot-pourri a ser regido pela batuta de urn dos mais irreverentes mestres da musica Wolfgang Amadeus Mozart. 2 A declarada inversao assim proposta na ideia de "ver" a musica, como enfase a perceber a emo<rao que desperta, definiu a tonica da proposta carnavalesca, enfatizada em outras afirma<r6es de mesma autoria. 0 sentido da visao acentuava-se ainda, quando associado a lembran<ra, a medida que a recorda<rao era apresentada como" [... J evocando da memoria algumas cenas musicais".3 Somando-se a essa ideia, 0 carnavalesco ainda justificava a escolha de Mozart, pautada em sua irreverencia, a partir da qual era definido como" [... 1 0 primeiro compositor a romper com 0 tradicionalismo da opera e criar comedias e dramas populares'~4

Unindo-se as tres enfoques - (1) despertar a emoyao pela musica e imagem; (2) evocar a memoria por meio de cenas/imagens; e (3) introduzir 0 elementa "popular", mediante a revolucionaria atuayao de Mozart na construyao dos personagens pela musica - , delineou-se 0 desfile carnavalesco apresentado como ÂŤuma opera de rua em sete atos". E, reafirma Paulo Barros: A musica deixa de ser apenas urn dos elementos que comp6em a estrutura da opera para subir ao palco e ser homenageada, pela primeira vez, como tema. Ao inves de ser ouvida, sera vista e, a cada desfile, provocara nossa memoria a revisita-la, num movimento estimulado pela fantasia ... 5 Fernando Barros. Sinopse para a carnaval de 2006. "Ouvindo tudo que veja, you vendo tudo Disponivel em <http://w;vw.unidosdatijuca.com.br/sinopse2006.htm>. Acesso em 3/3/2006. ) Ibidem. 4 Paulo Barros apresentou esta afirmat;:ao na sinopse ji mencionada. Reafirmou a mesma ideia em diferentes momentos, entre os quais destaco a entrevista apresentada em 28 de novembro de 2005, no Porial Viva Musica! 0 Roteiro dos Ciassicos do Brasil. Disponivel em <http://W\\IW.vivamusica.com. br/-noticia.php_id=52>. Acesso em 19/9/2006. Em resposta ao entrevistador declarava acerca de sua escolha sobre Mozart: "[ ... J Cheguei a pensar em Villa-Lobos que tambem adoro e e brasileiro. Mas Mozart foi contestador. Foi 0 primeiro a quebrar as regras da musica clissica trazendo temas populares para dentro da opera. Ele deixa de fazer a opera em italiano para fazer em alemao. Foi a representa'j=ao dessa quebra de paradigmas. Alem de ser uma figura totalmente extrovertida, engra'Tada, genial, bern avante de seu pr6prio tempo. Nao hi ninguem melhor do que Mozart para mostrar essa 6pera de rua. Quando, nos anos 70, Joaozinho Trinta chega ao Carnaval, descreve 0 desfile das escolas de samba como uma grande 6pera de rua. Se 0 carnaval e considerado uma grande 6pera porque tern musica, danya, eenografia, figurino, 0 que a gente faz? Vamos ate a Austria, convidamos Mozart para vir ao Brasil passar 0 carnaval e 0 levamos a lugares oode se toea musica". Ibidem. ~ Fernando Barros. Sinopse para 0 carnaval de 2006, cit. 2

que

OUyO".


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Sob tal perspectiva, pode-se inferi r algumas considera,oes. A figura de Mozart declaradamente 0 "condutor" do desfile, da mem6ria, elou da percep,ao sobre 0 espetaculo, teria papel semelhante a outras eminentes personalidades ja homenageadas pelo mesma carnavalesco. Destacam-se aqui suas criac;:6es anteriores, ao homenagear e utilizar-se de imagens emblematicasl alegorias com o Dom Quixote - que atravessava ÂŤlugares imaginarios" - , au Einstein - na contramao da ((ciencia'~6 Mozart, enta o, ernblematicamente, atravessa e unifica 0 desfile, como anteve e projeta 0 carnavalesco) Ele (Mozart) passa quatro dias no Rio de Janeiro para o uvir mUsica. Vai seT urn grande DJ. Ele vai escolher as musicas. Nas camisetas para divulgayao do emedo, Mozart esta usando urn headphone e discotecando, usando urn toea-discos. No desfile, ele vern no inicio da escoJa e vai reger e apresentar esse pot-pourri ao publico. Na verdade, 0 desfile da Unidos da Tijuca em 2006 sera uma 6pera em sete atos, apresentando 0 que Mozart conheceu n esse passeio irnagimi.rio pelo BrasiL Vamos ter temas e mtisicas internacionais tambom. 0 sHima ato, 0 ultimo, e a 6pera de rua. Trazemos algumas grandes 6peras e 0 carro final e 0 palco da 6pera brasileira - 0 carnaval, mais em especial a Marques de SapucaL N6s vam os levar Mozart para urn roda de samba onde ele vai ouvir 0 pagode. Depois, vamos a urn baile de carnaval onde conhece as marchinhas. No cinema vai conhecer as trilhas sonoras, vai a run programa de audit6rio, urn festival de musica e por fim a Marques de Sapucai. Depois, ele pega todo esse pot-pourri de mtisica que escutou aqui no Brasil, e monta isso em sete atos e cria a 6pera da Unidos da Tijuca! Diante dessa declara <;iio e possivel perceber como foi estruturado 0 espetaculo que seria apresentado na Marques do Sapucai, constatando no desenrolar da ap resenta~ao as varias faces assumidas pele compositor na avenida. La estava 0 compositor classico, no teclado do cravo e piano.

~ As figuras de Einstein e Dom Quixote foram protagonizadas em dois des6les sucessivos. realizados em 2004 e 2005, que garantiram a Escola de Sa mba Unidas da Tijuca a segundo lugar n o C rupa Especial, com dois enredos - "0 sonha da cria<;ao e a cria<;ao do son no: a arte cia ciencia no tempo do impossiveL" e "Entrou por urn lado, saiu pelo outro . .. quem quiser que invente Dutro", respectivamente. 7 Entrevista apresentada em 28 de novembro de 2005, no Portal Viva Mllsica! 0 Roteiro dos Cltissicos do Brasil, que p6de ser acessado n o site http://www.vivamusica. com.br/noticia.php_ id= 52 (Ultimo acesso desta pesquisa realizado em 19/912006).


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Fotografia obtida no site de divulgayao da cidade do Rio de Janeiro/RJ, intitulado Rio Camaval 2006, endereyo: <http://www21.rio.rj.gov.br/fototeca¡pcrj/ pub/> (ultimo acesso em 912006)

Ou ainda, na mesma Comissao de Frente, ab rindo 0 desfile, novamente a referencia a inusitada personalidade do compositor, alternando-se entre 0 vestu3rio caracteristico, na formalidade das casacas, cal<;as ajustadas e meias, so mad os a peruca branca, invertida do classico nos cabelos arrepiados e inquietos, como Tina Turner ao som dos anos 1980.

Fotografia obtida no site da VOL envolvendo material de divulga'Tao sobre 0 carnaval do Rio de Janeiro IRJ, endere'To: <http://noticias.uoi.com.br/carnaval/2006/album/ rL12_unidosdatijuca3Ibu m.jhtm> (acesso em 7/2006).


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Completando a (in)defini~ao estilistica, de novo a imagem do compositor acompanhava a Bateria da Escola de Samba, formalmente apresentada como se Mozart estivesse presente em cada mllsico, pelo efeito multiplicador das [aupas iguais.

Fotografia obtida no site de divulga<;:3o da cidade do Rio de Janeiro IRJ, intitulado Rio Carnaval 2006, endere<;:o: <http://wwv.:21 .rio.rj.gov.br/ fototeca-pcrj/pub/> CAcesso em 9/912006)"

Referendava-se a cita~ao ao inclui-lo em cena, como destaque de Carro Alegarico, quase uma ideia, urn conceito sabre a musica, representado fantasmagoricamente em tons de bIanco e prata, em meio ao colarida do desfile, porem in-

serido na diversidade das forma~6es musicais.

Carro aleg6rico Opera de rua. Fotografia obtida a partir do site da UOL envolvendo material de divulga<;:ao sobre 0 carnaval do Rio de Janeiro/RJ, endere<;:o: http:/ Inoticias.uol.com.brl carnaval! 2 0061 a I b u ml rj_12_ unidosdatijuca_album.j htrn (acesso em 7/2006)

8 Outras imagens, tambem em movimento, envolvendo a exibio;ao da Bateria da Escola podem ser obtidas no site do You Tube. Video com durao;ao de 32 segundos, trazendo 0 inicio do desfile tendo a frente 0 casal Porta-Bandeira e Mestre-Salas; no endem;:o: http://ww\v.youtube.com (acesso em 9/2006) .


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Reafirrnando sua presen<;a, a figura de Mozart surgia tarnbern destacada sobre urn grande Lp, sem 0 coro ou instrumentos, po rem ladeada do gramophone. Desdobrava-se dai un1a outra ideia de renovac;:ao da composic;:ao musical atraves do disco, da repetic;:ao, da obra de arte reinventada pela citac;:ao e/ou copia.

Carro alegorico Resumo da Opera. Fotografia obtida no site da UOL envolvendo material de divulga\ao sobre 0 carnaval do Rio de Janeiro/ RJ, endere\o: http://noticias. uol.com. brl carnava1l20061 album/rL 12_unidosdatijuca _album.jhtm (acesso em 7/ 2006).

Os sete atos referidos pelo carnavalesco, podem tambem facilmente ser percebidos nas imagens do des file numa clara associac;:ao ao compositor austriaco representado como urn quase sinonimo do genero 6pera. o elernento popular vern destacado, quando 0 publico assiste ao desfile e torna-se parte dele. Ele e 0 personagen1 principal, a razao de toda a exuberancia ali descrita. 10 apresentado em cada urn dos sete atos em que tal 6pera/desfile foi construida.

Fotografia obtida no site oficial da C.R.E.S. Unidos da Tijuca; Caleria, Cobertura Fotografica 2006 ; Fotos: Agencia FotoER. Endere<;:o: http)/www.unidosdatijuca. com.br/.9

9 Este foi urn dos mais destacados momentos do desfile, pois envolvia uma performance dos integrantes do carro que, vestidos de branco, em clara alusao a paz entre as torcidas, apresentavam as diversas bandeiras representativas das grandes escolas de samba - Beija-F1or, Mangueira, Portela, Unidos da Tijuca, Moddadc Independente, Unidos da Viradouro, etc. - , alternando-as. A imagem pode ser vista tambem em movimento, em dais videos, que tern 02':36" e 00:36" de dura~ao; e podem se acessados no endereyo dos sites You Tube (http://wvvw.youtube.com) e VagaLume (http://vagal ume .uol.com.hr Imozart/videos)


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o primeiro ato, apresentaria 0 "publico para 0

publico" atraves das arquibancadas. No segundo ato, 0 mesma publico an6nima estaria presente, atuando cmno assistencia, em meio aos program as de audit6rio.

Fotografia obtida no site de divulga~ao da cidade do Rio de Janeiro I RJ, intitulado Rio Camaval 2006, enderec;:o: hnp:llw'I'l{vv21.rio.rj.gov.br/fototeca -pcrj/publ (ultimo acesso em 9/2006)

Ganharia espa,o novamente no terceiro ato, fora da centralidade da dan,a no palco, atraves dos participantes nas pistas de danc;a, exibidos no cinema.

Fotografia obtida no site oficial da G.R.E.S. Unidos da Tijuca; Galeria, Cobertura Fotografica 2006; Fatos: Agenda FotoBR. Enderec;:o: <http://www.unidosdatijuca.com.br/>.


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o quarto e quinto atos vieram trazendo

a publico como participante em "no meio a multidao" e, como coadjuvante na representayao de <'pro samba que voce me convidou':

Fotografia obtida a partir do site da UOL envolvendo material de divulgatrao sobre 0 carnaval do Rio de Jan eiro IRJ, enderetro: http://noticias.uol.com.br/carn avaI/2006 lalbum/rLI2_unidosdatijuca_album.jhtm (acesso em 7/2006).

o publico surge mais uma vez no sexto ato, como audiencia, (( no escurinho do cinema", atraves de urn destacado exernplo de fenorneno de bilheteria no filme E. T., misto de sucesso empresarial e sinonimo de apelo a ilusao) ao sonho.


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Fotografia obtida no site oficial da G.R.E.S. Unidos da Tijuca; Galeria, Cobertura Fotografica 2006; Fotos: Agencia FotoBR. Endere<;o: <http:W\vw.unidosdatijuca.com .br/>

Em mais de uma versao) vern multiplicando-se nos diferentes leones do cinema, como veiculo e "produs:ao de massa)).

Fotografia obtida no site da UOL envolvendo material de divulga~ao sobre 0 carnaval do Rio de Janeiro IRJ. Endereifo: <http://noticias.uol.com.br/carnaval/2006/album/ rLI2_unidosdatijuca_album.jhtm> (acesso em 7/2006).


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,

'"

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Fotografia obtida a partir do site da UOL envolven do material de divulga<;:ao sobre 0 carnaval do Rio de Janeiro IRJ, endere<;:o: http://noticias.uol.com.br/carnaval/2006/albu m /rj _1 2_ unidosda t ij uca_ album.jh t m (acesso em 07/2006).

E, finaimente, encerrando 0 espetaculo no setimo ato, entronizando a "passarela do samba" como a 6pera que ganha a avenida, ou vice-versa .

Fotografia obtida no site oficial da G.R.E.S. Unidos da Tijuca; Galeria, Cobertura Fotogdfica 2006; Fotos: Agencia FotoBR. Endere<;:o: <http:// \"''''''. unidosdatijuca. com. br/>


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No en tanto, antes que a Opera comece, ou termine, evoco ainda algumas referencias sabre 0 cemhio e os personagens que a integram. Destacando seus elementos principais, apresento: a) 0 Carnavalesco/Compositor, b) a Escola de Sambacemirio/contexto, e c) Tema/Emedo/Mote: "Mozart" e/ou seu sin6nimo, "a Musica". Paulo Barros foi carnavalesco na Unidos da Tijuca, entre 2004 e 2006. Ao longo destes tres anos "catapultou" a atua,ao da Escola, que chegou ao segundo lugar no Grupo Especial por dais an as seguidos, 2004 e 2005. Sua estn'ia na Unidos da Tijuca ficou registrada na mem6ria, e no titulo, a partir da cria,ao do carro aJeg6rico C< DNA'~ que, com uma coreografia espec.ifica, evidenciou de maneira original e definitiva a tema da "ciencia". 0 emedo era, entao, 0 sonlio da cria,ilo e a criarao do sonho: a arte da ciencia no tempo do imposs{vei. Em 2006, a Escola chegou apenas ao sexta lugar na concorrida disputa, parem Paulo Barros manteve 0 prestigio adquirido a partir dos exitos anteriores. Deixou a Escola Unidos da Tijuca pouco tempo depois do ultimo carnaval (mar,o de 2006), passando a atuar na chamada "Grupo de Acesso pC', na tr.dicional (Escola) Estacio de Sa.lO A Escol. de Samba Unidos da Tijue. surgiu em 1931, no Bairro da Tijuca. Segundo a site oficial, e a terceira escola mais antiga do Rio de Janeiro. Teve como origem em sua formacrao a colOnia portugues3, e ao 10ngo dos desfiles diversas fafmas de manifestac;:oes foram reconhecidas como parte desta representac;:ao) constando entre seus componentes urn expressivo numero de portugueses e lou descendentes (metade deles segundo a mesma fonte!). Em seu come,o, a escola teria iniciado da associac;:ao de openirios de fabricas, que se localizavam nas imedia~oes do bairro, contrastando com a imagem de uma area de moradia "antig. e aristocrata': onde teriam residido originalmente nohres) baroes e afortunados. Sobre Mozart, multiplicam-se as relatos, e torna-se bern mais dificil deserever! Urn sem-numero de biografias sucederam sua morte. Destacam especialmente sua vivacidade, e precocidade na musica. Tambem, a peso da figura paterna em sua fugaz existencia. II Em 35 anos de vida escreveu mais de seiscentas composi~6es . Em especifico, no que se relaciona ao enredo aqui descrito pode-se apontar a ÂŤpopularizac;:ao" da opera atraves de sua criac;:ao. Tal caracteristica pode ser perUI Sohre a atua'Tao de Paulo Barros a frente da Unidos da Tijuca, e tambthn sobre 0 resultado do carnaval carioca de 2006, tarnou-se muito significativo a consulta ao material de divulga~ao de imprensa no momento em que oeorria 0 desflle e posteriormente, a partir do resultado e premi a~ao. Mediante acesso aos sites de jornais e a ou lros orgaos de imprensa, destacando a versao on-line do jomal Failla de S. Paulo. alem de o utros portais como 0 Terra, Cicou evidente na descri~ao apresentada no dia imediamente posterior ao desfiJ e, 0 impacto causado pela Escola, e as refereneias a uma 1'Ossibi lidade conereta de que viesse a se tarnar campea. A sexta colo ca~ao provocou entre os seus compo nentes uma indignar.;:ao geral, e no dia da entrega da premia ~ao, apresentaram -se em grande num ero portando urn ostensivo e aleg6rico "n ariz de pa lha~o". A poJem ica nao ficou por ai, uma vez que J03zinho Triota. em ded ara'T0es de entrevista, apresentou uma sede de criticas a Paulo Barros. A sucessao de debates que se desenvolveram posteriormente a defin i~ao das co loca~oes das escolas, conhecidos por intermedio da imprensa d tada, possivelmente tenham contribuido para a salda de Paulo Barros da Unidos da Tijuca . 11 Apenas a titulo de exemplo, e sugestao a quem possa interessar, gostaria de referir sobre este lema as biografias citadas a SegUiL Norbert Elias. Mozart, scciologia de um genio. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1995; Peter Gay. Mozart. Rio de Janeiro: Objetiva, 1999 (Cole<;ao Breves Biografias) .


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cebida em As Bodas de Figaro, que teve estreia em Viena, na versao apresentada par Mozart, em 178611 Sabre a libreto, com base no qual foi construida a 6pera, encontrarn-se reunidos aspectos como a ÂŤcomedia de costumes", ou de "intrigas", a comedia "romanesca" - com duas belas e originais hist6rias de amor em que a problema nao e conquistar 0 ser amado, mas conserva -lo contra seus proprios impulsos libertinos, ou contra a sedu~ao e 0 poder alheios - j ainda, uma "co media psico16gica" - estudos de cariter profunda e bem -delineados, percebidos nas personagens do Conde Almaviva, da Condessa, de Figaro e Suzanne, au ainda Cherubin e Marceline. Destaca-se especialmente 0 sentido que assume como uma "satira social" que aborda grande parte das qucst6es do dial as vesperas da Revolu yao Francesa. No entanto, apesar de toda essa problematica estar presente n os dais libretos que antecederam tal cria~iio musical, aponto aqui a que afirma a music6logo Joseph Kerman, "em 6pera, 0 dramaturgo e compositor"; e, sobre a atua'fiio de Mozart especialmente em As Bodas de Figaro e enfatico quando diz " [... J a musica aqui nao serve para decorar 0 que 0 teatr610go ou 0 libretista determinaram; a musica de Mozart cria urn drama que eles jamais suspeitariarn"Y o Figaro, apresentado par Mozart, personagem qne seria tambem imortalizado em 0 Barbeiro de Sevilha) nao restringe-se a ser apenas 0 "homem do povo", no sentido iluminista; ou 0 criado astucioso do genera bufo. t. urn ser humano complexo, cheio de vida. A partir de sua musica, as personagens de As Bodos de Figaro ganham maior densidade humana, a que Ihes garante uma outra dimensao, exterio rizando-se em qualidades e atos. Figaro e Susanne, personagens nao aristoc raticos, em oposiyao ao Conde e it Condessa) tornaram-se protagonistas de sua pr6pria hist6ria, e da hist6ria contada. Nao sentem, pensam ou se comportam como subaltern os, revelando liberdade de espirito. 0 valor dramaturgico da altermlncia das yozes, const ruida na musica, conduzem a uma ideia de ignaldade especialmente percebida nesta 6pera, n. versao apresentada por Mozart. Ja deixara m de ser criados, tornando-se comparsas dos amores de seus amos. Sob tal enfase, declara Antonio Monteiro Guimaraes:

Em sua significayao maior, a musica de uLe nozze di Figaro' e urn hino it igualdade entre as homens, n. medida em que revela, pel. arte, a verdade simples e universal, mas de conteudo novo para a epoca, de que todos sao iguais perante 0 amor.14 A descriÂŤ;3.o apresentada ate este momento, no que se refere a 6pera, enquanto genero, pode e deve ser tambr m relacionada ao cinema, especialmente levando em conta a dimensao que este veiculo de comunicac;ao atinge no seculo xx. A constru~ao dos personagens, â&#x20AC;˘ adapta~ao do palco a caix. cenografica 12 As bodas de Ffgaro. Mozart. Da Ponte. Beaumarchais. 0 Liberto e a Pe'ra (Cole'Tao Opera e Literatura) (Organi z a ~ao, introdu~ao e notas: Ant Onio Monteiro Guimaraes). Rio de Janeiro: J. Zahar. 199 1, lntrodu ~a o , p. vii. U Ibidem. p. xvi e xvii. 14 Ibidem . p. xviii.


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(percebida no cinema!), a forma narrativ3, a dramaticidade evidenciada e, especialmente, a identifica~ao criada com 0 desfecho dos personagens - associados a individualiza~ao de valores - , sao evidentes aproxima~6es e desdobramentos de uma maneira peculiar de perceber, e se representar no mundo, que se desenvolveu na contemporaneidade ocidental. Parem, destaco aq ui especialmente a importancia da cria~ao de novos significados potencializados pela imagem em movimento, em consonancia com a musicaY A forma assumida pelo cinema, como linguagem associada a uma produ,ao estetica massificada (segundo a restri~ao imposta conforme os citados parametros da tearia da industria cultural!) evidencia, sobremaneira, essa situayao criada. Especialmente identificada pel a presen~a de grande numero de frequentadores, quase culpabilizados por uma situa,ao que determinou a caraeteriza,ao do cinema como "acte comercia'" OU, dito de Dutra forma, «popular': Apresentado 0 libreto, chegamos ao Teatro/Avenida. Entre a 6pera e 0 cinema, multiplieam-se os compositores, e sob auloria de Jorge Remedio e Julio Alves, enloa-se 0 samba-enredo da Unidos da Tjuea. Ouvindo 0 que vejo, vejo 0 que ou<;o irrompe em letra, cadencia e melodia. Minha Tijuca Abre os olhos para a melodia Para ouvir a genial batula Regendo nossa sinfonia Seguindo caminhos do som Vo a poesia brincar no salao Toga serpentina em versos e rimas Vivendo a magia de cada can,iio E a pura cadencia brasileira Esse requebrado que fascina Do boteco agafieira o samba ecoa em cada esquina Suspense eternizado Na tela, urn beijo apaixonado o filme que passa em minha mente Com a musica, ganha 0 cora<;ao I, Sabre a evidente rela~ao entre 0 cinema e a Iheratura, como fo rma narrativa, especialmente associada as artes plasticas e a pintura, a exemplo do que a 6pera ja evidenciava, apresento a cita~ao de Jacques Aumont, que se vale das palavras do cineasta Godard para afirmar: "Convidado, em janeiro de 1966, justamente na inaugura¢.io da retrospectiva Lumiere o rga ni uda par Henri Langlois, a dizer as palavras de costum e, Jean-Luc Godard [... 1 lan'Ya algumas (rases inspiradas: «0 que interessava a Meli{~s era 0 ordinario no extraordintirio, e a Lumiere 0 extraordinario no ordinario. Louis Lumiere, via impressionistas, era. portanto, bern 0 descendente de Flaubert, e tambern de Stendhal, rujo espelho de levou ao longo dos caminhos». Urn ana mais tarde, em A Chiuesa , e po r intermedio, dessa vez. da personagem interpretada por Jcan-Pierre Ua ud, de reincide, d e modo ainda mais claro: Lumiere era «um pintofl), 0 «ultimo pintar imp ressionist a», lI um contemporaneo de Prous!» ". Jacques Aumont. 0 01110 interminavel (ci nema e pintllra). Sao Paulo: Cosac & Naify. 2004, p. 27.


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Chega a emocionar Ver a plateia delirar Vibra a maestro Vendo 0 artista na consagras:ao Piscam luzes coloridas A noite, pra danc;ar convida Se a musica toeou a alma urn dia Sempre traz uma imagem Que hoje fac;o fantasia Ouvindo 0 que vejo, venda 0 que ous:o Na 6pera do carnaval Bravo Unidos da Tijuca! Faz do seu canto visao sem igual A mtlsica, enquanto som e imagem, mem6ria e sentimento, "tela em minha mente" e "emoyao sem igual" invade a Marques do Sapucai. Apresenta-se a "Opera do Carnaval'~ no chamado "maior espetaculo da Terra", - expressao associ ada a difusao do fenomeno midiatico - , internacional e turisticamente conheeido, que veio a tornar-se 0 carnaval do Rio de Janeiro. 0 elemento popular transfigura-se dos personagens menos aristocraticos da narrativa operistica, desdobrandose em muitas faces. Compreende pastorinhas, arlequins, pierros e colombinas, passistas, baianas, mestre-sala e porta-bandeira. Abre espac;o para as chamados generos musicais (populares) brasileiros, a exemplo do samba e, da marchinha. Representados destacadamente no monumen tal bebe do carro aleg6rico Mamae eu quero, elaborado e construido a partir do que afirma a letra da can'(ao de Vicente Paiva e Jararaca, que diz mamae eu quero / mamae eu quero / mamiie eu quero mamar/ dd a chupeta, dd a chupeta / dd

a chupeta p'ra 0 bebe nao chorar. .. 16

16 Esta marcha originalmcnte estreOLl no carnaval carioca em \ 937; e nao mais dcixou dc ser reproduzida nos carnavais seguinlcs, e se mantem como Sllcesso e fen6meno nacional. t em essen cia, e na memoria da cuitura brasileira, llma evoca~ao, urn quase sinonimo para 0 carnaval.


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o elemento popular emerge principalmente entre os atores/personagens/auto res, a exemplo da emblematica figura do Puxador de Samba.

Apresenta 0 interprete Wantuir Oliveira, ento-

ando 0 samba-enredo da Escola no desfile de 2006. Fotografia obtida no site oficial da G.R.E.S. Unidos da Tijuca; Galeria, Cobertura Fotografica 2006; Fotos: Agencia FotoBR. Endere~o: <http://www.unidosda tijuca. com.br/> AU ainda, na regencia, fla atuac;:ao do diretor de harmonia, que mescla, em sua imagem e expressao, a interpretayao de uma heranc;:a musical.

Almir Frutuoso, diretorgeral de Harmonia da Unidos da Tijuca, no carnaval de 2006. Fotografia obtida no site oficial da G.R.E.S. Unidos da Tijuca; Galeria, Co-

bertura Fotografica 2006; Fotos: Agencia FotoBR. Endere~o: <http://www. unidosda tijuca.com.br/>


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Misturam-se as figuras do regente, do Mestre de Bateria, do maestro ...

Mestre Celinho, diretor de Bateria da Escola desde 1999. Em atividade no carnaval de 2006. Fotogralia obtida no site olicial da G.R.E.S. Unidos da Tijucaj Galeria, Cobertura Fotografica 2006; Fotos: Agencia FotoBR. Enderec;o: <http:/ /www.unidosda tijuca. com.br/> Delineou-se assim a importancia do publico, na 6pera, no cinema, no radio, na televisao. 17 Identificou-se a audiencia, onde 0 an6nirno contingente da recepy30, presente na arquibancada, na assistencia do teatro e do cinema, no audit6rio da radio ou da televis30, nos indices de audiencia, oa pesquisa de opiniao (ou a dita opiniiio publica), assumem contornos cada vez mais expressivos e precisos de atua y3o. Aparenternente distante da cena principal, 0 publico tornou-se protagonista, definindo cada vez rna is as diferentes form as de expressao das imagens. Retornando as dedarac;6es do carnavalesco Paulo Barros, caracteriza-se 0 publico como:

o som das plateias se altera

[... J as torcidas gritam, torcem, enlouquecem para defender a musica preferida. 0 aplauso ou a vaia conduz ao 17 Sabre a atuayaa de Mozart com rela(j:lio ao pllblico/audi~ncia, considero importantc aprcsen tar a afirmayao de Henry Raynor, ao demonstrar que essa preocupayao era evidcnte de parte do grande compositor, aproximando-se da perspectiva que abordamos com relaifiio ao cinema e outras e)'.'pressoes no seculo XX, Afirma Raynor: "Mozart, que nao teve empregador real nos ultimos dez anos de sua intensa atividade, a nao ser o publico, teve perfeita nOifaO da necessidade de sllrpreender e cncantar os seus ouvintes. Nada insinua que ele produzisse em solitaria abstra<;:ao, As suas cartas sugerem que, entre 0 sem -numcro de caJculos que intcgravam a compos i~ao de Sllas obras, contava-se uma cuidadosa avaliayao do gosto do dcstinatario e do audit6rio em vista. "A julgar por suas cartas, a base esterica de Mozart era a ÂŤeficacia,), 110\3:0 complexa em que estavam subsumidas a qualidade das ideias musicais, a pericia com que eram tratadas para explorar tanto as qualidades intrinsecas como a habilidade dos executantes, e 0 impacto de tudo isso sobre 0 publico. A satisfa~iio pessoaJ do criador e sua mais mais alta recompensa era conseguir esse complexo, e 0 fato de que uma obra nao atraisse atenifao do publico era um das muitas coisas sabre 0 que e1e escrCVCll furiosamente , Ao ver de Mozart, um compositor escrevia para uma alldi~ncia a quem incumbia (,agradan>; a ideia de retirar-se numa torre de marfim nunca passou pela sua cabcya, mesmo na situa<rao rna is desesperada, quando podia considerar-se rejeirado por aqueJes a quem ofercccra deleite", Henry Raynor. Hist6ria Social da Mlisica: da [dade Midia a Beethoven, Rio de Janeiro: Guanabara, 1986, pp. 17-8.


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marcia fa mos de oliveira

caminho da fama. 0 silencio condena ao anonimato. A disputa dos Festivais revel a grandes interpretes e composicyoes, arrasta multid5es, divide opini6es, seleciona aqueles que serao gravados, que serae ouvidos e eternizados. [... 1 0 espet,kulo invade a nossa casa, 0 sofa vira arquibancada, a torcida se multiplica.A audien<;ia determina 0 que vai tocar no radio, no radinho de pilha, na telinha. Os programas de auditorio revelarn gran des sucessos, levam aD trono reis e rainhas de nossa musica que encantam, como em urn movimento ÂŤallegro)) cotidiano, 18 A 6pera, reinventada pela linguagem do cinema, apresenta-se justamente retomando a musica como tema na tela. Personagens que cantam, ou que tern urn tema musical como definiy3.o de sua presenc;:a. Sucedem-se musicais, filmes que tematizam a musica e a dan'Y3, idol os que contagiarn e provocam a cria<rao de nOVDS personagens, evidenciando atitudes, mada e coreografia. Finalizando esta comunica<;ao, algumas considerac:;:oes finais. Procurei evidenciar por meio do enredo 2006 da Escola de Samba Unidos da Tijuca, algumas referencias com as quais venho trabalhando ao pensar a musica, e sobretuda a canyao, como expressao da ((sensibilidade" como forma de perceber e construir a historia. o desenvolvilnento do texto, incorporando em parte as imagenslfotografias do desftle, constitui Uln exercicio, e talvez possa ser considerado uma pnitica de demonstrac:;:ao, que visa introduzir na narrativa historiografica reeursos possiveis que evidenciem formas de percepc;ao e expressao voltadas a recuperar em parte 0 impacto da emm;:ao e da experiencia estetica no fenomeno analisado. As imagens e fotografias aqui utilizadas, justapostas as imagens que 0 texto escrito tambem apresenta, deixam de ser mera ilustrac:;:ao sabre 0 acontecido para tornar-se parte do processo de descri,io e interpreta,io do objeto estudado. A exemplo do que 0 III Simp6sio Nacional de Historia Cultural prop6e inovar, ao ineluir entre os trabalhos apresentados nesta edi~ao, 0 cielo de videos produzidos voltados ao desenvolvimento de uma linguagem mmica na narrativa historiografica, esle lexlo apresenta-se tambern como uma possibilidade de intera~ao entre 0 discurso imagetico e escrito.19 Nesse sentido, a tematica da "musica" escolhida como en redo pela Escola, demonstra particularmente uma associa<;ao entre a constru~ao de irnagens produzidas pelos efeitos que a rnusica provoca. Na tela, ÂŤ0 film e que passa em minha mente, e ganha meu corayao" aponta para uma inusitada forma de con1preensao da memoria construida pela emoyao, especialmente em decorrencia dos efeitos inevitaveis provocados pela musica a partir da midia e dos recursos tecnologicos, evidenciados como registro/documento. 20 18

Fernando Barros, op. cit.

Referen cia ao dclo de videos exibidos ao longo do evento, como parte da programa~ao, ao meio-dia; atividade coordenada por Maria Cecilia de Miranda N. Coelho e Farima Sebastiana Lisboa. zo Em tempos de videos especialmente na internet, destaco 0 fen6meno do site You Tube, como exemplo do usa destes recursos quanto a constituilYao e reconstitui~ao da mem6ria, especialmente associada ao universo mediatizado. No que concerne ao tipo de registro que veicula, percebe-se que a internet constitui-se atualmente como acervo especifico, atingindo 0 que os espalYOS institucionais de guarda de rnem6ria nao tern conseguido. 19


moza rt na 6pera do carnaval: canto e visao sem igual

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o enredo 2006 da Escola Unidos da Tijuca enaltece a mem6ria, associada a "imagens mentais", estritamente vinculadas a effioÂŤ;ao que a musica provoca, presente na opera, na musica do/no cinema, na can<;:ao e, no carnaval. Aponta para uma maneira de lembrar associada ao sentimento que caracteriza 0 contexto midiatico do seculo XX, construida na aproxima,aa de tantas imagens e interpreta,oes. o ultimo ata chega ao fim, e ainda de acordo com a percep,aa do CarnavalescolCompositor, reafirm a-se a emo'Yao como definidora de uma maneira esperifica de lembrar e - par que nao dizer? - interagir na hist6ria. Am ade us respira. Toma f61ego para iniciar a ultima ato, 0 "grand finale" . 0 audacioso regente, num m avimento Ua ndant", nos canduz a urn surpreendente encontro com a nossa capacidade de transformar imagens em musicas e, ao ouvi-Ias, reeria-Ias na m em6ria [... }. Cada cena que gravamos toea n a lembranc;:a [... J nossas narrativas harmonizam musica, interpretac;:ao, dan <;:a, fig urino e eenario. Cada urn e eapaz de eompor a sua propria abra - 6pera - recolhendo a que de mais significativo tocou sua alrna. 21

tL

Fernando Barros, o p. cit.


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Mozart na ópera do carnaval: canto e visão sem igual by Portal Academia do Samba - Issuu