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O Espelho de uma cidade: O Camaval de Montevidéu, identidade e turismo.

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FA CULDADE DE ADMINISTRA(AO, CONTABILIDADE E ECONOMIA CURSO DE BACHAREL EM TURISMO

EVA BEITINA ACOSTA DE PA ULA

o ESPEUIO DE UMA CIDAOE: 0

Camaval de Monlevideu, identidade e turismo.

Porto Alegre Junho 2011


,

,

PONTIFICIA UNIVERSIDADE CATOLICA DO RIO GRANDE DO SUL FACULDADE DE ADMINISTRA«;AO, CONTABILIDADE E ECONOMIA CURSO DE BACHAREL EM TURISMO

EVA BETIINA ACOSTA DE PAULA

o ESPELHO DA ClDADE:

o Camaval em Montevideu, identidade e turismo.

PORTO ALEGRE 2011


EVA BETTINA ACOSTA DE PAULA

o ESPELHO DA CIDADE:

o Carnaval em Montevideu, identidade e turismo.

Monografia apresentada como requisito para obten91io do grau de Bacharel pelo Programa de Gradua91io da Faculdade de Turismo da PontiHcia Universidade Cat61ica do Rio Grande do SuI.

Orientador: Prof." Me. Ana Maria Beber

Porto Alegre, junho de 20 I I.


"Adios C arl/oval eSfJero Recorrerte olra vez Ca/lfarfe al rigor Un nllCI'O Cllp/e Hasla que el mlo del ,ambor Marque otro final Adi6s Carl/aval Parcce memira las casas qlle Ilea Par las calles de Montevideo ... " Lelra de Adios Ju\'e/lfud de Jaime Roos.

/982.


AGRADECIMENTOS

A Bruna, luz da minha vida, por ler resisl ido as minhas ausenci as, a minha Falta de alen~ao, aos fins de sernana em casa. Bruna eu te amo por ser 0 rumo da minha vida, por ser a for~a que me levou ate aqui, pela for~a que me das todos os dias, por ser a razao dos balimentos do • meu corar;ao. A minha mae que sempre, mesmo nos momentos mais diffceis me ajudou, me colocou no cami nho, me iluminou e dedicou sua vida a mim, os acertos da minha vida, dedico a ela, assim como minhas conquistas, lodas nasceram da for~a que ela tem ao acredilar em mim. A Aliadne, pela frase "tu e lUna gueneira". As minims parceiras de todo o curso Mariana e Renala, obrigada por ludo. A professora Ana Beber quem me incentivou me ajudou, me deu suporte e conslruiu este lrabalho junto comigo. Que esta seja 0 inicio de uma longa cami nhada entre discfpulo e mestre. A professora Suzana, minha gu ia na faculdade, porque em au la disse que nosso caminho seria conslrufdo por aquilo que mais amamos Fazer. E com isso me levou de volta para 0 carnaval e para 0 lugar que mais amo no mundo. A todos aq ueles que me apoiaram, aos enlrevislados aos que pararam para me conlar hisl6rias, aos amigos que fiz em Montevidcu e princ ipal mente ao abe n ~oado momento em que decidi fazer este trabalho que me reaproximou do meu pai depois anos de di stancia e que me ajudou a reconci liar-me com minha origem para Irilhar meu Fururo.


RES UMO

Este trabalho objcliva analisar

0

carnaval como express50 de identidade local e produto

turfstico na cidade de Montevideu, no Uruguai, analisando como esta manifeslar;ao esla intrinsecamente ligada a identidade na cidade e 0 carnaval na sua modalidade alual. A pesquisa utilizou a abordagem qualitativa pela qual se buscou resgalar 0 hist6rico do

camaval de Montevideu, assim como a constrUl;ao da identidade da cidade e sua comunica91io atraves do carnaval. As tecnicas de pesquisa utilizadas foram a pesquisa bibliognifi ca, a observa~ao parlicipante e 0 questionario de perguntas abertas. A pesquisa bibliografica baseou-se no acervo da 8iblioteca Nacional do Uruguai, a observa'ÂĽao part ici pante deu-se durante 0 camaval de 2011 eo questionario aplicou-se:1 part icipantes do carnaval. Evidenc iou-se no resu ltado que 0 carnaval, mesmo sendo considerada manifestac;iio cultural do Uruguai, nao se constitui , ainda, em urn produto turfstico de forte apelo. 0 carnaval vern sendo trabalhado, primeiramente, como uma re presentati vidade da cidade e , portanto, faz com que surjam politicas para salvaguardar esta represenlatividade ide ntitaria . 0 luri smo, no entanto, ainda nao possu i uma poiftica que desenvolva 0 apelo turfstico que 0 carnaval necessita para se desenvolver como produto turfstico, dependendo. assim como toda a cadeia turfstica do Uruguai, prioritariamente dos turistas argentinos. Palavras-chave: Turismo. Montevideu. Carnaval. Identidade. Patrimonio.


RESUMEN

Este trabajo liene como objclivo analizar eJ carnava\ como expresi6n de identidad local y produclo turfstico en la c iudad de Montevideo, en el Uruguay, analizando como esta manifestaci6n esta intrfnsecamente covuelta con la identidad en la ciudad y carnaval en su modalidad actual. La pesquisa util izo un abordaje cualitat ivo por e l eual se busc6

rescatar el hist6rico del carnaval de Montevideo, asi COlTIO la construcci6n de la identidad de la ciudad y su comunicaci6n a traves del camaval. Las tecnicas de pesqui sa utilizadas fueron la revisi6n bibliografi ca, la observaci6n participante y el cuestionario de preguntas abiertas. La revisi6n bibliognifica se basa en la colecci6n de la Biblioteca Nacional del Uruguay, la observaci6n participante se dio a cabo durante el carnaval de 201 1 y el cuestionario se aplic6 a participantes del carnaval. Se evidenci6 en el resultado, que el carnaval, mismo sie ndo considerado manifestaci6n cultural del Uruguay, no se constituye , todavia, en un producto turistico de fuerte atractivo. El camaval ha sido trabajado, primero, como una representatividad de la ciudad y, por tanto, hace con que se crien politicas para salvaguardar esta representatividad identitaria. El turismo, sin embargo, todavia no pose una po][tica que desarrolle el atractivo turistico que es 10 que el camaval necesita para desarroll arse como un producto turistico, dependiendo, de esta forma, como toda la cadena turistica del Uruguay, prioritariamente, de los turistas argeminos.

Palavras-clave: Turismo. Montevideu. Camaval. Identidade. PatrimOnio.


LlSTA DE FIGURAS

Figura I: Obra de Eduardo Vernazza ........................ ..................................................... 70 Figura 2: Corti90 Mediomundo ......................................................... ............................. 74 Figura 3: Tablado de Bairro anos 30 seculo XX ..... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ..... .. .... ... ... ... ... ... .. 8 1 Figura 4: Murga Palos Cabreros .... ... ... ... ... ... ... ..... ... ... ... ... ... ... ... ... .... ... .... .. ... ... .... ... ... ... .. 8 1 Figura 5: Mapa do Uruguai ............................................................................................ 90 Figura 6: Cartaz Carnaval 191 5- 191 6 ............................................................................ 9 1 Figura 7: Mapa Desfi le Inaugural Canaval 2011 .... .. .... .... .. ... ... ... ... ... ..... .. .... .. .... ... ... ... 103 Figura 8: Figura Desfile Inaugural 20 11 ... ... ... ... ..... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ..... ... ... ... ... ... ... ... 105 Figura 9: Figura Desfile Inaugural 20 11 ................................. .. ........................ .. ......... 106 Figura 10: Figura Desfil e Inaugural 2011 .................................................................... 107 Figura I I: Figura Desfil e Inaugural20 11 .. .... .. .. ..... .. .... .. .... ... ... ... ... ... ........... .... .. .. .... ... 107 Figura 12: Ingresso Tablado do Vel6dromo .. .. ..... ... ... ... ... ...... ... ..... .. .. ..... ... ... ... ... ... ... ... 110 Figura 13: Programa9ao Tablado do Vel6dromo ......................................................... II I Figura 14: Figura Tablado do Vel6dromo .................................................................... 112 Figura 15: Figura Tablado do VeI6dromo .. ........ ..... .. .... .... .. ... ... ... ... ... ..... .. .... .... .. .... .. ... 112 Figura 16: Inlegranles Murga la Gran Siele .. ....... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ..... ... ... ... ... ... ... ... 113 Figura 17: Entrada Carnaval de Gala .. ... ...... ... ... ... .. ...... ... ...... ... ... ... ... ... ..... ... ... ... ... ... ... 114 Figura 18: Apresenta9ao Murga la Gran Siete ............................................................. 114 Figura 19: Venda de Merchandising Teatro de Verano .. .... ... ... ... ... ... ..... .. ..... .. .... .. .. .... 11 5 Figura 20: Apresenta9ao Murga La Gran Siele ....... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ........ ... ... ... ... ... ... 116 Figura 2 1: Publico no Teatro de Verano ................... ................. ...... ...... ... ... ... ...... ....... 116 Figura 22: Apresenta9ao Murga Falla y Resto .............................................................. 117 Figura 23: Ingresso Teatro de Verano .. .. ... ... ... ..... .. .......... ... ... ... ... ........... .. ....... .. ...... .. .. 11 7 Figura 24: Apresenta9ao Murga Agarrale Catalina .. .. ... ... ... ... ... ... ... ... ........ ... ... ... ... ... ... 118 Figura 25 : Apresenta95.0 Murga Diablos Verdes .... ... ... ... ......... ... ... ... ..... ... ... ... ... ...... ... 11 9 Figura 26: Libreto Murga Di ablos Verdes ................................................................... 119 Figura 27 : Propaganda do Carnaval do Bicentenari o .... .. ......... ... ... ... ..... ... .... .. ......... ... 12 1 Figura 28 : Apresenta95.o Murga Curtidores de Hongos ... ... ... ... ... ... ... ........ ... ... ... ... ... ... 12 1 Figura 29: Entrada para 0 Camaval do Bicelltellario ...... .. ... ... ............. .. ....................... 122 Figura 30: Apresenta9ao Murga Curtidores de Hongos ............................................... 122 Figura 3 1: Murga Araca la Cana .... .. ... ... ... ... ...... ..... .. .... ... ... ... ... ... ... ... ..... .. .... .... .. ... ... ... 123


Figura 32: Mapa Desfile de Llamadas ...... ...... ... .......... ................ ......... .. ........ .............. 124 Figura 33: Aqueci mento tambores ... ... ... ... .... .. .... ... .... ... ... ... ... ... ... ... ... .... .... ... ... ... ... ... ... 125 Figura 34: Desfi le de Llamadas .. ... ... ... ... ... ...... .... .... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ..... ... ... ... ... ... ... ... [26 Figura 34: Desfile de Llamadas .. ... ... ... ... ... ...... ... ..... ... ... ... ... ... ... ... .............. ...... ... ... ... ... 126 Figura 35: Desfi le de Llamadas .................................................................................... 127 Figura 36: Desfi le de Llamadas .. ... ... ... ... ... ... ... .... ... .... ... ... ... ..... .. .... .. .. .... .... .. .... .. ....... ... 127 Figura 37: Desfi 1e de Llamadas .. ... ... ... ... ... ... ........ ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ..... ... ... ... ... ... ... ... [28 Figura 38: Desfi 1e de Llamadas .. ... ... ... ... ... ... ... ... ..... ... ... ... ... ... ... ... .... .. .... .... .. .... ... ... ... ... 128 Figura 39: Desfi le de Llanladas ................................................... ...... ................ ........... 129 Figura 40: Desfi le de Llamadas .... ... ... .............. ... ................. ... ... ... ...... ... ...... ... ... ... ... .... 130 Figura 4 1: Desfi le de Llamadas .. ... ... ... ... ... ...... ..... ... ... ... ... ... ... ... ... ... .............. ... ... ... ... ... [32 Figura 42: Logotipo do Museu do Camava1.... ........ ... ... ... ... ... ... ... ... ........... ...... ... ... ... ... 135 Figura 43: Ingreso do Museu do Carnaval ................................................................... 136 Figura 44 : Museu do Carnaval ... ... ... ...... ... ... ... .... ... .... .... ... ...... ... ...... ... ... ... ... ... ... ..... .. .. . 136 Figura 45: Museu do Carnaval ... ... ... ... ... ... ...... ... ..... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ..... ...... ... ... ... ... ... 137 Figura 46: Museu do Carnaval ... ... ... ... ... ... ........... ... ... ... ... ... ... ... ... .... ... .... .. ... ... .... ... ... ... 137 Figura 47: Museu do Carnaval .. ........................................................... .. ........ .............. 138 Figura 48: Folhexo ex plicativo do Carnaval ................................................................ 138 Figura 49: Museu do Carnaval ... ... ... ... ... ... ... ... ..... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ..... ... ... ... ... ... ... ... 139 Figura 50: Museu do Carnaval ... ... ... ... ... ... ... ... ... ..... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ..... ... ... ... ... ... ... ... 139


LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

ANP - Administraci6n Nacional de Puertos DAECPU - Diretores Associados de Espect:kulos Carnavalescos Populares del Uruguay DINARP - Direcci6n Nacional de Relaciones Publicas DlPRODE - Direcci6n de Proyectos de Desarrollo ICOMOS - International Cou ncil on Monuments and Sites IMM - Intendencia Municipal de Montevideo MEC - Mini sterio de Educaci6n y Turismo del Uruguay MINTURD -

Mini sh~rio

de Turismo y Deportes del Uruguay

MTOP - Ministerio de Transportes y Obras Publicas del Uruguay MVOTMA - Mini sterio de Vivienda, Ordenamiento Territorial y Medio Ambienle del Uruguay OMT - Organizar,rao Mundial do Turismo PCCCP - Programa de Competitividad de Conglomerados y Cadenas Product ivas UCCI - Uni6n de Ciudades Capitales Ibero-Americanas. UDELAR - Uni versidade de la Republica UNESCO - Organizar,rao das Nar,roes Unidas para a Educar,rao, a Ciencia e a Cullura. Uruguay.


SUMARIO

-

I INTRODU(:AO ............................................................................................................... 13 2 A RELA CAO ENTRE CULTURA, IDENTlDADE E CARNA VAL ......................... 19 2.1CULTURA .... ... ...... ...... ................................................................... ............ ................... 19 2.2 MEMOR IA ..................................... ............ ................................ ................................ ..... 21

2.3 lDENTI DADE .. ... ................. ... ... ... ... ... ................. ... ... ... ... ... ... ... ... ........... ... ... ... ... ... ... ... ... 24 2.4 TURISMO E TURISMO PATRIMONIAL ........ ... ... ... ... ... ... ... ... .............. ... ... ... ... ... ... ... 26 2.5 CARNA VAL .... ... ... ............................. .. ... .... .. .... ....... .. ...... .. ... .. .... ... ... .... .. ... ....... ... ...... ... 32 ,

,

3 DA MEMORIA AO CA RNA VAL DE MONTEVIDEU .............................................. 40

3.1 MEMOR IA NO URUGUAI ... ... .................. ........ ... ............................................... ... ... ... 40 3.2 lDENTIDADE URUGUAIA .. ... ... ... ... ... .............. ... ... ... ... ... ... ... ... ... ........... ... ... ... ... ... ... ... 4' 3.4 DITADURA NO URUGUAI .. ...,... ... ... .............. ... ... ... ... ... ... ... ................................. .. ... ... 49 3.3 CARNA VAL EM MONTEVIDEU ................................................................................ 55 3.3.1 Llamadas ..................................................................................................................... 66 3.3.2 Murgas ......................................................................................................................... 76

3.5 CARNA VAL E D1T ADURA .. ... ... ... ... ... ... ................................. .. ................. ... ... ... ... ... ... 85 3.6 TURISMO EM MONTEVlDEU E NO URUGUA I .. ... ... ... ... ... ... ........... ... ... ... ... ... ... ... ... 90 3.7 CARNA VAL COMO PRODUTO TURISTICO .... ... ... ... ... ... ... ... .............. ... ... ... ... ... ... ... 93 ,

4 PROCEDIMENTOS 1\1ETODOLOGICOS ................................................................. 98 ,

5 RESULTA.DO E ANALiSE ............................................................................................. 103 5.1.1 Desfi1e Inaugural ........................................................................................................ 103 5.1.2 Tablados ...................................................................................................................... 108 5.1.3 Llanladas ..................................................................................................................... 124 5.1.4 Carnaval e Midia ........................................................................................................ 133 5.1.6 Museu do Carnaval .................................................................................................... 135 5.2 ANALISE DOS RES ULTADOS .. ... ... ........... .. .... ... ...... ...... ... ... ... .... ... .... ... ... ... ...... ... ... ... 140 5.2.1 Identidade Montevideana .......................................................................................... 141 5.2.2 Co nstru~ao do Patrimonio atraves do carnaval ...................................................... 143 5.2.3 Carnaval Como Produto Turistlco ........................................................................... 145 5.2.4 Carnaval Conlo Manifesta~ao Cultural ................................................................... 148

CON5IDERACOES FINAI5 .............................................................................................. 152

REFERENCIAS .................................................................................................................. 157 ANEXO A ............................................................................................................................ 168


ANEXO B ............................................................................................................................ 169 ANEXOC ............................................................................................................................ 170 ANEXOD ............................................................................................................................ 171


13

I INTRODUI; AO

Este trabalho (em como prop6sito apresentar a monografia do trabalho de

Conclusiio do Curso II do curso de Bacharelado em Turismo da Pontiffcia Universidade Cat61ica do Rio Grande do SuI, PUCRS. 0 lema proposto para a pesquisa e 0 carnaval como expressao de identidade local e produto turlstico na cidade de Monlevideu, no Uruguai. analisando como esta

manifesta~ao

esta intri nsecamenle li gada

cidade e 0 camaval na sua modalidade alual. Analisou-se 0 carnaval e as

a identidade na implica~5es

no

perfodo ditatorial, assim como suas implica90es em tennos de mem6ria e usa do

patrimonio com fins turfsticos.

o camaval de Montevideu e aqui entendido como uma representa9ao identitaria da cidade, uti lizada como produto turfstico, podendo ser estendida em um nivel nacional. A importancia de estudar i mplica~Oes

0

camaval como fen omeno cultural e suas

turfsticas, permite ampiiar 0 conhecimento sobre a utilizUI;ao do patrimonio

cultural como produto turfstico e, como esta

manifesta~ao ,

pade ser ao meslllo tempo,

significativa para uma cidade. Desta forma, mostraremos a trajet6ria do camava! atraves dos processos hist6ricos que alimentaram sua crias:i'io e cresci menlo. No camaval de Montevideu ex istem ci nco tipos de

agremia~6es,

para urn melhor dirccionamento deste

trabalho optou-se par focal' a pesquisa em duas destas agremia~5es as Murgas 1e as Llamadas

2.

Das llamadas faz parle

0

Cflndombe 3, declarado pela UNESCO, em

selembro de 2009, como Palrimonio Cultural da Humanidade (UNESCO, 2009, p.?3): " pOl'

sua

fun~i'io

soc ial de potencializar a identidade da comunidade afro uruguaia, a

partir dos simbolos existenles no clllldombe."

°carnaval de Montevideu foi declarado

Para Bordolli (2002) a lI1urga e "(.. .) uma lllanifesta~Mo dramatico musicaL potifonica e de integra~~o tradic iOllalmente masculina" (BORDOLL!. 2002. p. 2. tradu~~o nossa). A mesm3 aut ora completa dizendo que a murga surgiu a partir do "(... ) apOlte migrat6r io predominantemente espanhol e italiano (..y (BORDOLLl. 2002. p. 5. tradu~iio nossa). ! Em Marrero (2006) enconlramos que "Udll1at!aJ de tambor nas roas de Montevidt:u inslilUiram Uill m"icleo potencializador de idenlidade social que se conslroiu a partir da possihitidade de expressar-se baixo UIlW modalidade de baile. ll11isica e instru mentos pr6prios. eonhecida genericamente como Candombes" (MARRERO. 2006. p. 10 I. tradu~iio nossa). Para Olala (2009) as lIanmdas, assim como 0 candombe. ~ uma das maximas represenlalYOes da cullUra afro no Urogu ai. 1 0 candoll1be para Canlmbula (1985) e"(... ) a sobrevivenda do acClvo ancestral africano - de raiz bantU - trazido pelos negros chegados ao Rio de Prata'" (CARAMBULA. 1985, p. 13. tradtt~liO nossa). Para Picotti (1998) "A palavra "cmufombl". que Clltre nos aparcce a mediados do sCculo passado. denominando esta ce lebra~ao profana de origem fundamenlalmente banlu e caracleristica dos africanos de ambas as margens do Rio da Prata. t: tamMm uma voz gen~rica para todo balk afroamericano do subcontinente e ale do Carib e" (pICOTII. 1998, p . 155. tradulYao nos sa). 1


14

de interesse nacional 4 no ano de 2007, pelo entaD presidente em exercfcio, Tabare

Vasquez, tendo como justificativa que este reconhecimento ajudani ao desenvol vimento do camaval, para que esle seja reconhecido inlemacionalmente.5

Sendo assim, apresenta-se um vasto campo de esludo a seT trilhado no que se rel a~ao

refeTe as quest5es ligadas ao carnaval de Montevideu, a identidade local, a fortalec imento da

const ru~ao

intrfnseca com a

do patrimonio atraves do carnaval e da mem6ria,

fun ¥ao comunicativa do camaval no

re presentatividade identitaria que

perfodo ditaloriai,

e utilizada pelo Minish~rio do Turismo e

0

a

Esporle do

pais quando da divulga¥1io do carnaval como um produto IUrfstico que permite ao lurista tel" "contato com 0 espirito e contato deste povo" 6. Sao varias as questoes que vern aluz quando se trala de uma

manifesta~ao

cultural retroalimentada pela sociedade que a

cfiou. Por esta razao escolheu-se como objelo desle eSlUdo:

0

carnaval de Montevideu e

visto como produto IUrfstico e representativo da identidade montev ideana pelos participantes do carnaval ap6s a ditadura? Para obter-se a resposta a esla

indaga~ao

tem-

se como objet ivo geral analisar 0 camaval como expressao de identidade local e produto turfst ico da cidade de Montevideu. Para

a\can~a- l o,

os objetivos especificos sao:

•

Fazer uma retrospectiva hi st6rica do camaval no perlodo da di tadura.

•

Identificar a perce~ao dos protagonistas em

re l a ~ao

ao camaval de Montevideu

e a cons tru~ao da identidade local; •

Descrever 0 Carnaval 2011 de Montevideu . Para chegar aos objetivos delimitados. apresentaremos a seguir, a metodologia

que foi utilizada. A ciencia elimologicamente significa conhecimento. Gil (1999) ex plica que nao ha uma

defin i ~ao

pennanente para

0

conceito de ciencia, ou seja, ela

tern como finalidade criar nonnas pelas quai s os fenomenos serao regidos. 0 mesmo autor completa anal isando que sendo a ciencia cabfvel de verificarrao e sendo construfda pela racional idade, ela tambem pode vir a falhar , porem, atraves da aplicarrfio da ciencia, o mundo tern sido reconstrufdo profundamente e com exatidao. 0 metodo cientifico para Gil (1999, p. 26) e para se atingir

0

"0

conjunto de procedimentos intelectuais e tecnicos adotados

conhecimento" Assim, com

0

uso do metoda, a ciencia

alcan~a ri a

~ No dia 01 de novell1bro de 2007 0 presidente em exercicio T abarc! Vasquez declarou 0 carnaval de

interesse nadonal. 0 Documento ofidal estil disponivel em http://daecpu.com.uy/decretopres.hlm. S !nformacao disponivel em hllp:llwww.uruguayaldia.comI20 I0I02/vazquez -declaro-de-interes-nacionalIransmision -carnavaV. " l nforrna~ao disponivel elll hllp:llwww.uruguaynalural.com/culluraVlradiciones-carnaval.


15

entaD, seu fim que sena nas palavras do pr6pri o Gil (1999) 0 meio utilizado para dar autenticidade aos fenomenos. Jj para Goldenberg (1997, p. [04)

0

metoda cientffico

"(..) e a ObSelVtlyaO sistematica dos fenomenos da realidade alraves de llm3 SlIcessao de passos, orientados por conhecimcnlos teoricos C... )".

A pesquisa proposla neste estudo analisa 0 carnaval de Montevideu utilizando a abordagem quali tativa de caniler explorat6rio, pais no desenvolvimento do trabalho essencial a analise das subjetividades para

0

e

enlendi mento do lema. Esta adjeli vayi'io da

pesquisa qualitativa vai ao encontro do lema escothido para esle trabalho, pais queslOes

idenlilarias nao sao mensuniveis assim como os processos que as conslroem, elas fiearn no campo da subjelividade daqueles que parlicipam do carnaval e de loda uma sociedade. Para Santos e Candeloro (2006, p. 71): A pesquisa de nature~a qualitativa f aquela qlle permite que 0 academico levante dados su bjetivos. bcm como oUlros nfveis de conscicncia da popula~ao eSludada. a parlir de depoimentos dos enlrevistados. 011 seja. infortna~i'ies perlinenles ao urliverso a ser invesligado. que leve em COrlla a ideia de processo. de visao sislcmica. de significa~Oe s e de contexl0 cultural.

A pesquisa qualitativa, para Minayo (2008, p. 79) lem como foco "a explora ~1io do conjunto de opinioes e representa~6es sociais sobre 0 tema que prelende investigar", pois ela Irabalha com assunlos que nao podem ser determinados como os signifi cados. Para Goldenberg (1997, p. 14), na pesqui sa quali lativa, 0 foeo do pesquisador nao esta na "( ... ) represenlatividade numerica do gTUpO pesquisado, mas com 0 aprofundamenlo da compreensi'io do gTUpo social, de uma o rganiza~i'io C..)". A aulora afinna que, ao nao poder quantificar a pesquisa qualitativa, pois nao podem medir-se as subjelividades do ser, esle tipo de pesquisa evita que

0

pesqu isador seja parcial no assunto estudado.

Moreira (2002, p. 17) explica que "(. .. ) a pesquisa qualitativa pode ser associada it coleta e analise de texto -falado e escrito - e it obselvayao direta do comportamento". Para uma melhor compreensao do camaval como

manifes l a~ao,

optamos por

uma pesqu isa explorat6ria, que se caracleriza por, atraves de um determinado fato estudado, proporcionar uma visuo hollstica do mesmo como encontramos em Gil ( 1999). Para Gil (J 999) as pesquisas explorat6rias mostram um delenninado acontecimento, a part ir de uma visao sistemica. 0 uso deste lipo de pesquisa, neste trabalho, justifica-se a partir desta visuo geral proporcionada, pais 0 carnaval como


16

manifestar;1io cultural congrega diversas representalividades que nao seriam possfvei s de seT estudadas em separado. Alcanr;ar esse caruler exploratorio da pesquisa, tambem ajuda a "desenvolver, esclarecer e modificar conceilos e ideias, tendo em vista a formular;ao de proble mas mais preclsos ou hip6teses pesquisaveis para estudos

posteriores" (GIL, 1999, p. 43). Encontramos em Bastos (2009) que todo trabalho cientffico tern como base este tipo de pesquisa, pais ela possui como objetivo buscar mais dadas sobre

0

objeto da investigar;iio para que haja mais informar;oes sobre ele e,

danda uma amplitude maior sobre 0 lema estudado.

Como lecnica de coleta de dades foi uti lizada a revisao bibliognifica, observar;1io partici pante e questiomirio de perguntas abertas. A pesquisa bibliognifi ca, para Gil (1999), tern como principal vantagem a abrangencia sobre urn tema possibilitando agregar dados dispersos. Para Carvalho (1989, p.99): "Pesquisar (...) i nfo rma ~ao

e procurar

uma

que nao se sabe e que se precisa saber.", sendo assim temos que a pesqui.sa

bibliognifica tem como fim localizar "( ... ) fontes di versas de coletar dados gerais ou especi fic os sobre p. 100). Desta forma, chegamos

lUll

informa~ao

escri ta, para

delenllinado lema" (CARVALHO, 1989,

a opiniao de

Santos e Candeloro (2006, p. 70) para

quem a pesquisa bibliognlfica "(... ) consiste na busca de elementos para a sua investigayao em materiais impressos ou editados eletronicamente". Os autores tambem tratam a pesquisa bibliogrMica como uma fonna de obter dados, a partir

p rodu~6es

academicas, de determinados autores que tratam do assunto de uma fonna especffica. Gutra fonte de pesquisa crucial para este (rabalho fo i (2003b, p. 7) explica que

a internet,

sobre esta Castells

"c. ..) a intemet passou a ser a base lecnol6gica para a fonna

organizacional da Era da

infonna~ao:

a rede" Na internet buscou-se

infonna~6es

referentes ao carnaval, focando sempre em noticias aluais que viessem a enriquecer a pesquisa, tambem procurou-se a bibliografia que viria a ser ulilizada para esle trabalho, assi m como outras Para Goldenberg (1997) a

infomla~6es

ob serva~ao

partici pante

de pesquisa de uma forma que ele leni

i nfonna~5es

partici pante

0

e uma

maneira de evilar

observador estara inserido no seu

co ndi~6es

que nao gerem preconceitos sobre 0

referencial

pertinenles ao assunlo aqui tratado.

preconceilos sobre um determinado assunto, jfi que IOCIIS

COlnO

0

de analisar e processar

lema lralado. Na

observa~ao

pesquisador interage com os alores, participa das rolinas e partici pa de

diversas ocorrencias dentro do objeto da sua pesquisa. Para Lopes (2006, p. 172):


17

Na

observa~ao

participanle, 0 pesquisador participa da situa"iio que esla estudando sem que os demais elementos clwolvidos percebam a pos i~ao dele, que se incorpora ao grupo Oil :\ comunidade pesquisadora. de modo natural (qua ndo j;'i e clemente do grupo) ou artificialmcnte.

Para Coutinho e Leal (2009) a observw;iio participante parte da premissa da i nser~ao

do pcsquisador no ambiente do outro com a finalidade de facilitar a

comunicar;ao com a sociedade observada com a troea de infonnar;oes conslante para estabelecer uma conexao com os dados obtidos a partir da revi s50 bibliografica e outras

tecnicas de obtcnr;1io de dados. Em Alves (2003, p. 174) encontramos que: Embora sejam vistas como etapas distintas. os lrabalhos de constnu;:ao de um objeto de pesquisa e de sua observa<rao e rcgislro sao processos que se articularn. exigindo urn exercfcio de reflcxao por parte do pesquisador.

o questiomirio de perguntas abertas, na opiniiio de Gil ( 1999, p. 128), tern como "(..) objetivo 0 conhecimento de opinioes, crew;:as, sentimentos, interesses, vivenciadas etc.". A

fOllllata~1io

do questiomi.rio

s itu a~Oes

e expJicada par Lopes (2006, p. 241)

para quem 0 questionario e lUna "[ ... } selie ordenada de perglUltas, que devem ser respondidas por escrito e sem a presenifa do entrevistador", Desta fomla, conseguiremos entao identificar

perce~Oes

e

co n sl ru ~6es

neste trabalho. A amostragem para a

idenlitarias com perlinencia ao lema tralado

aplica~ ao

do quesliom'irio levou em

considera~ao

a

par1icipa'fao das pessoas no carnaval de Montevideu. Para iSIO, durante os 24 dias, em que deu-se a observa'fuo na cidade, foram reatizadas pesquisas em diversos meios eletronicos e em mfdia impressa com a fi nal idade de enconlrar as pessoas que, efetivamente, nao s6 par1icipam do carnaval, como conlribuem da alguma forma para a percep!fiio da identidade montevideana. Para Carvalho (1989) a amilise de dados coletados e uma ordena!fiio de tudo aquilo que foi visto durante as tecnicas de pesquisa. Desla forma para cada resposla serao retiradas palavras que estejam ligadas diretamente ao fenomeno estudado, a re petiifiio destas palavras ou do assunlO, se tornara uma calegoria que ira fo rmar uma variavel para assim, definir, 0 que Moreira chama de, "fol1nulalfaO de sentidos"

(MOREIRA, 2002, p. 121). Desta forma, chegamos a Lopes (2006, p. 38) para quem a "(. .. ) a analise dos dados dever permear todo

0

trabalho de pesquisa, pois e ele que danl

sustenla9ao referencial (. .. ) para a analise dos resultados e conclllSOes obtidas .".


18

Este trabalha eSla organ izado atraves dus seguinles partes: a introdw;ii.o que apresenta

0

lema abordado, situando

0

lei lor no conlexto do carnaval montevideano. a

justificativa da escolha da autora pelo lema, a problemalizar;ao, objetivos e a metodologia. explanando sabre as lecnieas que nortearam esta pesquisa.

Posteriormente apresentaremos

capitulo que trala da rc\w;iio entre cullura,

0

identidade e carnaval. para urn melhor entendimento, este

e dividido da segu inte fanna:

cullura, mem6ria, identidade, lurismo e patrimonio cultural e carnaval. No capitulo da mem6ria ao carnaval do Montevideu, explanaremos os (emus tralados no primeiro

capitulo porem tendo como (oco 0 lema desta pesquisa, para iSIO, esta pane do trabalha apresentani os segui ntes temas: mem6ria no Uruguai , identidade uruguaia, ditadura no Uruguai, carnaval em Monlevideu, aqui havera duas subdivisOes onde apresenlaremos as lIamat/as e as murgas, finalizando esle capilulo leremos lurismo em Montevideu e no Uruguai e explana~ao

0

0

carnaval e diladura,

camaval como produto lurislico. Ap6s esla

apresentaremos os procedimentos metodol6gicos utilizados neste trabalho,

para entao, finalizar com 0 resultado e anal ise, que apresentara a

descri~ao

do carnaval

de Montevideu do ano 2011, que sera subdivido em desfile inaugural, tablados, /Jamadas, camaval e midia e museu do camaval. Faremos ap6s, a analise dos resultados,

apresentando estes, entiio, na forma de identidade montev ideana, constru9ao do patrimonio atraves do carnaval, carn aval como produto tur[stico, carnava\ como manifesta9ao cultural. finalizando esla pesqu isa entao teremos as considera90es finais e os principios eticos que nortearam esta pesquisa.


19

2 A RELA CAO ENTRE CULTURA, lDENTlDADE E CARNA VAL

Neste capitulo seriio apresentados referenciais relativos ii cu[tura, identidade e mem6ria, bem como conceiluaremos !urismo cultural , patri m6nio e mostraremos a

concei tua9ao de carnaval, e as possfveis origens dos festejos de carnaval.

2.1 CULTURA

Neste lexto serao contemplados alguns conceitos sabre cultura, como eta se constr6i atraves da sociedade e como suas materializa90es capluram urn determinado

momenta da sociedade. Ut ilizaremos autores como Achugar ( 1994), Boas (1964),

Coelho (2008), entre oulros. Tendo com prop6sito sit uar

0

carnaval de Montevideu em

urn contexto atual partindo da sua hist6ria e dos sellS campos de a9ao nos quais ele esta

inserindo, se faz necessario uma compreensao das ideias em torno

a cultura.

Nos

estudos considerados cll'issicos da cultura, tomemos a concep9ao de E.B. Tylor que diz que: A cullum ou civilizarrao. no sentido etnogrMico arnplo. e esse 1000 cornplexo que inclui 0 con hecimenlo. as cre!1l;as. a arte. a mo ral. direilo. os costumes e qua isquer oUlros habilos e capacidades adquiridos pclo homem enqumllo membro de uma sociedade (fY LOR. 1871 apud LARAIA. 200 1. p. 25).

°

Portanto, a cultura

e formada

pelas constru90es do homem inserido em uma

sociedade, esta sociedade e dintunica e faz das suas conslIu90es tambem dinamicas. Com isso, temos que a cultura e urn processo dinamico que acompanha a sociedade que a conslr6i, para enlender esle processo ulilizaremos a defini9ao de Boas (1964, p.3, Iradu9ao nossa) que entende a cultura como "lun processo de cria9ao organica e viva e nao lUlla aciapta9ao mecaruca". Desla fonna chegamos a Achllgar (1994, p.lO , tradU(;ao nossa) para quem a cultura pode sel" vista como "as esbllturas de pensamento e de sentimento, porem em fim9ao de sua fonnalizayao ou de sua expressao simbOlica".


20

Podemos verificar, enlao, que a cui lura surge das reger sua convivencia em comunidade e das

co n stru~Oes

in tera~6es

da sociedade, para

desta comunidade com a

natureza como destaca Laraia (200 I). Para Boas (1964) cada cultura, ira fo rnecer i nfo rma~Oes

de que a sua conseqiiencia de ser

e0

efeito das

con di~6es

as quais foi

submctida, porem estas conseqUencias nao dctenninam necessariamente 0 que

0

sujeito

que nasee denlro de determinada cultura sera.

Pode definir-se a cullura como totalidade das rea\Oes e atividades menlais e fisicas que carm;:leriza rn a condu!a dos individuQS componenles e um grupo social. coleliva e individuulmenle. em relu\3o ao seu ambienle nalUml. a oUlros grupos. a membros do mesmo grupo. e de eada individuo consigo

meslllo. Tamb.!m inclui os prodUlOS deslas alividades e sua funryao na vida dos grupos (BOAS. 1964. p. 167. lmduryao 1105sa).

Geertz (1994) opina que a cullura descansa no fenomeno das Desta forma, tudo

represe n ta~Oes.

que e produzido pela sociedade representa algo a ser demonstrado

0

para si ou para os oulros como uma fonna de

iden t ifica~ao .

Ainda no campo das

para Levi-Strauss (1995) a cultura carrega significados a serem

re prese nta~oes

traduzidos levando em conta que estes existem material e culturalmente. Pam Coelho (2008, p.9) a visao c1assica da cullum continua necessaria nos dias de hoje, esta

concep~iio

c1assica da ideia da cultUl'a engloba

iniciativas que atendem as ch~ssi cos".

reivi ndica~oes

lUll

"C¡) COUj\Ulto de

das diferentes li nguagens e generos

Nao existem visOes erradas ou ce11as de ver a cu1tura e sim fOllms diferentes

de se entender

0

que e cullum. Para cada objeto de estudo deve existir uma mane ira de

se lrabalhar as teorias sobre a cullura de uma forma que esta consiga efetuar uma leitura precisa do processo a ser eSludado. Coelho (2008, p.15) ao refletir como a nossa

atu a~iio

atraves das cidades e feila

"( ...) tambem pelas cartografias menlais e emocionais que variam segundo os modos pessoais de expel1mentar as intel'ayOes sociais". Na declarayao da UNESCO de 1982 ua Cidade do Mexico

0

primeiro principio citado que deve reger as regras para polflicas

publicas mostra a cultura como representante de '11m conjunlo de valores unico e insubstitufvel, ja que as

tradi~oes

de cada povo e fannas de expressiio sao os seus meios

mais eficazes de demonstrar sua pl'esenya no mundo" (UNESCO, 1982, p. l , tl'aduyao nossa). A seguir na mesma dec1ara\ao nos pontos que devem reger a dimensao cultural do desenvolvimenlo enconlra-se que: A cultura constitui uma dimensiio fu ndamental do


21

processo de desenvolvimento e contribui para refon;ar a independencia, soberania e identidade das

na~6es

(UNESCO, 1982, p. 2, tradw;iio nossa).

Leslie White, antrop61ogo norte-americana. explana que para as aluais esludiosas de 3nlropologia da America do Norte.

(... ) a cultura e 0 produlo acumulado dos :uos criadores de um scm mlrnero de individuos. que 0 individuo e a fonle c origem de IOOos os elementos culturais. e, finalmenle que 0 processo cultural deve seT explicado em lcrmos de individuo (WHITE. 1982. p. 162.

White (1982, p. 142,

tradu~ao

tradu~iio

1Iossa).

nossa) conseguiu dimensionar sua teoria sobre a

cultura, senda esta a sell entender lUna "organ.izay3o de fenomenos que depende do usa

de sfmbolos". Neste caso podemos enlender que a cull ura entao atua como uma organiza9ao de fenomenos soc iais adapt5veis ao seu meio e surgidos tambem devido a eles, porem, nao como subordina9ao, que se fazem entender para seus atores e para os oulros com a uliliza9ao de sfmbolos.

2.2 MEMORIA

Nesta parte do estudo explanaremos sobre a mem6ria, como ela se constr6i como ela se I"epresenta como uma manifesta9ao e como 0 carnaval torna-se um lugal" de mem6ri a e constru9ao cultural. Ut ilizaremos autores como Candau (2008), Arias (2004) e Beramendi e Baz (2008), para as

exptana~6es

pertinentes ao assunto.

Para Candau (1998) quando uma pessoa, atraves das mem6rias coletivas, se compreende como parte de uma sociedade ele

come~a

a materializar a mem6ria

tran sformando-a em patrimonio. Acosta, Del Rio e Valcuende (2007) explanam que cada pessoa tern sua mem6ria, a chamada memoria individual, 0 individuo quando se ve como integrante da sociedade come9a a utilizar suas mem6rias em uma

intera~ao

com a

mem6ri a coletiva que e 0 meio na qual ela interage e conclui que as representatividades materiais e imateriais de uma sociedade tomam forma a partir do esquecimento e das l e mbran~as

desta sociedade. Desta forma conseguimos entender como esta sociedade

foi se ordenando dentro da sua realidadc.


22

Tooa mcm6ria f indi vidual. porque sao os indi viduos os que razcm au nao, uso da rnem6ria. mas ao mcsmo tempo tada memoria t colctiva. au scja, se nutre c se IransfoTm<l a partir de referentes cullurais elll fun~50 da interao;ao social. (ACOSTA: DEL RI O: VALCUENDE. 2007. p. 21. lradu~iio nossa).

Temos em Beramendi e Saz (2008, p. 46, tradw;ao Bossa) que "A memoria

elUll

fe nomeno de recrea91io que, por definir;1io, esta artificial, cultural e socialmente detenninado", Ou seja, a mem6tla seria, em ultima amilise, produto de urn detcnninado momento da sociedade, levando em conla todas as suas conjunturas. Entao tcmos que a mem6ria e construfda conforme a dinamica da sociedade em determinados espar;os

temponirios. Para Arias (2002) a mem6ria

e a sa[vaguarda dos sistemas que

sociedade que funcionam como uma ligar;ao entre desta forma

0

0

regem a

que a sociedade foi eo que ela e,

usa da mem6ria tri lharia a formar;ao da identidade. Desta fo rma

encontramos que "Se a memona condiciona nossa a91io, a memolia

e tambem

um

recurso rnutavel que se transforma em funr;ao de contextos hist6ricos e pessoais" (ACOSTA ; DEL RIO ; VALCUENDE, 2007, p. 23, tradw;ao nossa). Nora (apud BERAMENDI; BAZ, 2008, p. 47) designa como memOlia "tocias as formas da presenr.ra do passado que nao se reconstroem na hist6ria critica fo nnas que nao exc1uem a iembran9a, mas nao a pressllp6e". Em Hershberg e AgUero (2005) encontra-se a ideia da mern6ria como

0

sociedade em uma intrfnseca relar;iio entre

discurso de urn deterrninado momento da 0

que e lembrado ale aquele momento pela

sociedade e a mem6ria do inlegranle desta sociedade. A mem6ria coleti va se afirma nas rilual idades de uma sociedade ern um processo conti nua de revitalizar;ao entrando no discurso de preservar;ao das tradir;6es como encontramos em Arias (2004). Achdgar (2004) explana que a construr;ao da mem6ria tern diversas variantes como a gerar;ao na qual um indi vfduo pertence e a classe social onde ele esta inserido, sendo assi m, a construr;ao da sociedade tem diversos pontos a serem analisados para cn ar um metarelato de uma sociedade. A construr;ao da mem6ria ocorre na atualidade do processo hi st6rico que ocorre na sociedade, em uma constante revi vificar,rao do passado, este uso do passado no presente provoca aherar;6es na mern6ria, tomando-a urn dialogo conflitivo como explana Arias (2004). A seler;ao da mem6ria, para Beramendi e Baz (2008), tern como resultado

0

simbolismo que se maleriali za em manifestar;oes,


23

monumentos e oUlros mecanismos que funcionam como

preserva~iio

da mem6ria,

porem conti nuam os autores, explanando que mesmo com estes mecanismos as reais fontes da construyao de mem6ria desaparecem com quem as criou, fica ndo a male ria l iza~ao.

Essa recuperuyao da mem6ria

utualidade da sociedade para que

0

e a criuyao de significados

adaptados a

passado tenhn urn sentido atual como encontrarnos

em Acosta, Del Rio e Va1cuende (2007). "[ ... ]mem6ria e identidade nlio slio aspectos que atuam isoladamente: slio

lUll

cenario de combate onde se enfrenlam forps que lelll desiguais COlas de poder. que sao urn clemento de imponancia no momento de constru ir seu rcsultado." (JEUN. 2004. p. 143.

Iradu~ao

nossa)

Jelin e Lorenz (2004) opinam que na atualidade a mem6ria (rabalha como um mecanismo de esquecimento, sendo assim, para que as nao se lOme urn recurso sempre utilizado tern que existi r uma mem6ria social e assim da traduyao nossa)

0

mudan~a

const ru ~iio

monumento

no relato hisl6rico, da ideia de

e a "objetivayao

na~iio.

0

que altera a cons t ru~ao da

Para Achugar (2004, p. 128,

da memoria", sendo que, continua

autor, a rela9ao entre mem6ria e hist6ria sempre apresenta urn choque devido ao que

0

e

considerada parte da hist6ria e a co n stru~iio da mem6ria. Verifica-se que "C.') a analise da mem6ria nao pode separar-se da analise das identidades." (ACOSTA; DEL RIO; VA LCUENDE, 2007, p. 16, tradu9ao nossa). Em Cueto (2009, p. 25, traduyao nossa) encontramos que "A memoria de identidade, como mem6ria ancestral, se expressa nos elementos carnavalescos do universo simbOlico das manifestayoes". Para Alfaro (2002) toda

lUna

0

camava!, ao materializar

gama de representayoes simbOlicas da memoria, este pode ser visto "( ... )

"lugar de memolla" e como relato passivel do Umguai imaginario." (ALFARO, 2002, p.27,

tradu~ao

nossa). Por lugar de mem6ria entende-se "C ¡') lugar onde se fomenta a

mem6na, uma fabllCa onde se elabora lUIla detenninada visao do passado. " (BERAMENDl ; BAZ, 2008, p. 46, tradu9ao nossa). Beramendi e Baz (2008) eompletam a sua coloca(fao expJicando que a materializa9uo da mem6ria nasee nos lugares de memoll a assim, esta materializayao se toma lUn "lugar de memollalizacao" (BERAMENDI ; BAZ, 2008, p. 47, tradu(fiio nossa). Sendo cultma

0

carnaval uma manifesla9ao cultural e lugar de mem6ria, temos que a

e "memolla

COllllUll"

(LOTMAN aplid PINEY RUA , 2005 , p. 40, tradu9uo

nossa). Na opinH'io de Ainsa (2008, p. 7, traduyao nossa) todo "espayo mental tem

lUll


24

passado e

lUll

futuro", desla forma a encenar;ao funci onaria como uma salvaguarda da

memoria. Na medida em que cOllcebcmos a culllu"a WIllO memoria. 01.1 "grava~lio 113 memoria do que foi vivido pela coletividade", a eSl3mos retacion3ndo nccessariamente corn a expericllcia his16tica passada. Quando dccidimos que se cria uma nova cuhura. conjuliluramos que ela vai se lomar memori al. realiz:unos um3 3ntccipa"ao. embora sornente 0 futuro vai demonslrar a legitimidade (all seja. a permancncia) de ullia nova cultura (P INEYRUA. 2005. p. 41. Ifadu,"ao nossa).

2.3 IOENTIDADE

Ent en de~se

necessario explanar alguns dos conceitos existentes sabre identidade,

como, por exemplo, de que maneira ela se constr6i. Para a constnlr;iio deste t6pico buscamos autares como Arias (2002), Castells (2oo3a) e Hall (2006) entre outros. Como vimos no capItulo anterior, a cu ltura sua intemc;ao com assim

e urn

0

e uma construc;ao da sociedade a partir da

meio e tambem uma fomla de normatizar a sua convivencia, sendo

processo de construc;ao socia\. J5 a identidade marca urn processo, urn

determinado momento de uma sociedade, ela e a construc;ao de urn fato social. Na opi niao de Arias (2002) cullum e identidade n50 sao

0

mesmo, apesar de serem

constru(das pela sociedade.

A cuhura. como constru~ao simb6lica da praxis social. ~ uilla realidade objetiva que tern permitido aos grupos ou a Uill individuo chegar a scr 0 que ~. Enquanto que a identidade e um discurso que nos pennile "eu sou ou nos somos islo", mas que s6 pode con.truir-se a partir da cullma. Entiio tcmos que a cullura e identidade silo cOllceitos diferentes, pois nfto e 0 mesrllo "sel" que "dizer 0 que se e" (Arias, 2002, p. 103, tradu~iio nossa)

Arias (2002) completa afirmando que a cultura nao

e,

necessariamente, uma

construc;ao consciente do indivlduo, porem quando se constr6i desla forma chega a altemr a cu llum ande surge, Na opiniiio de Hall (2006) a constru9i'io da identidade de urn indivlduo rernonta a uma origem em comurn da sociedade que ele faz parte, au como foram utilizados os recursos circundantes ao indivfduo para que este esteja constantemenle construindo a ser e nao a de ser efetivamente; pais a canstruc;5.a da


25

identidade remonla a questao: em que podemos nos convener. Pais, a identidade, esta em constante processo de

constru~1io

constantemente no processo de construir

entao 0

0

indivfduo nao chega a ser, esta

sera. Hi na visao de Garcia e Morfn (2000,

p.31 , traduyao nossa): "Carece de sentido conceber lUna identidade substancial, quando

56 hi conj untos multiples de elementos que formam sfnteses, mas ou menos

estavelmente organizadas, cujo sel" depende das interayoes". Para Castells (2oo3a) a identidade s6 se percebe como tal a partir do reconhecimento que urn indivfduo tem de si dentro do contexto cultural pertencente a

sua sociedade,

0

autor diz que a

estrut u ra~1io

de um indi vfdu o na sociedade gera uma

conseqiiencia na estruturu<;ao da sociedade como urn todo. Castells (2003a) continua explanando que na era da p6s-modernidade onde a sociais e polfticas e onde cada vez mais as

constru~6es

desintegra~iio

das

organiza~6es

culturais se tornam transit6rias a

identidude pode ser consideruda lUna "fonte de significado" (Castells, 2003a, p.29). significa~iio

Castells (2003a) completa afirmando que essa base da

s i gnifica~ao

das

con stru~6es

atribufda

a identidade e a

sociais. Sendo assim temos que: "As identidades

sao fon te de sentido para os pr6prios atores e por eles mesmos s50 construfdas mediante lUn processo de individualizayao" (CASTELLS, 2003a, p. 29, Hall (2006) analisa que determinado

espa~o

e justamente

temporal que capta

momento, ou seja, a identidade e a

0

a

cons t ru~ao

tradu~1io

nossa).

da identidade dentro urn

processo que vive a sociedade naquele

cons t ru~50

discursiva de um terminado contexto

hist6rico da sociedade. Arias (2002) ex plica que a

comunica~iio

entre

0

eu e os outros,

cada urn com suas cargas simb6licas, cria uma perspectiva do que e pr6prio e 0 que e do outro, esta

comunica~ao

pode ocorrer entre indivfduos ou entre sociedades. As

identidades sociais surgem no momento que indivfduos se unem em torno de sfmbolos e rituais que os representam, assim eles compartilham eSla

represen ta~ao

que os situa

dentro de determinado contexto social. A coesiio da idenlidade social se da: em torno

a mem6ria conforme opi niiio de

Seramendi e Saz (2008) para quem os indivfduos precisam lembrar-se de valores comuns para se tornar urn grupo coeso na queslao identitari a. Sendo entao, a identidade, uma cons l ru~ao social nao estatica como analisa Arias (2002) ela e tao dinamica quanta a sociedade que a constr6i. Portanlo, cIa tern como caraclerfslica representar simbolicamente as

co nstru~6es

desla sociedade. 0 mesmo autor completa dizendo que a


26

produo;;iio consciente das representac;Oes as lorna um cenurio de conflito, pois ela mostra as reJao;6es sociais ex istentes naqueJa sociedadc. A fesla

e enlendida

por Pizzano (2004) como 0 melhor lugar para abrigar a

representac;ao coletiva de uma identidade, pois

e durante

as festas que a identidade

e

representada aos oulros e entaD se reafi rma denlro da sua pr6pria sociedade. Para Koch (1998) com as mudano;;as em festividades advindas do turismo, este tambem the abre as portas para

0

seu reforo;;o identitario. Esse reforo;;o, para Barretto (200 1). tambem existe

quando ha

0

encontro entre

0

outro,

\UriS la,

e

0

aut6cIOlle, que ocasiona, denlro do

espa90 visitado, um reforo;;o de identidade e cultura para, justamente, criar a diferen9a entre eles, a mesma autora conclui que a inven9ao das culturas reinventa as identidades. Assim temos que: "A identidade turist ica dos lugares e uma constru9ao social, feila de tradi90es inventadas e de constru90es culturais atendendo aos mais diversos illteresses." (BARRElTO, 200 1, p. 18).

2.4 TURISMO E PATRIMONIO CULTURAL

Tratarcmos aqui da conceitua9ao do turismo assim como do turismo cultural tambem

0

conceituando e verificando

0

usa do palrimonio para fins turfst icos. Para

tratar desle tema utilizamos, autores como Barretto (2007), Santana (2003) e Prats (1997) entre oulros. Devido ao lema tratado neste trabalho

0

enfoque para conceilua9ao

do turi smo sera sobre uma 6tica cultural e patrimonial ja que 0 turismo utiliza-se destes como atrativos. Como verificamos nos dois capftulos anleri ores as constru90es da sociedade geram a cuitura, essas constru90es se Iransformam na identidade de uma sociedade, a materializa9ao desla identidade e que chamamos de patrimonio. Neste capitulo veremos como

0

turismo se apropria comercialmente deste patrimonio para atrair luristas. 0

lurismo conceilua-se pelo deslocamenlo de pessoas para ocupar seu tempo livre fora do seu local de residencia, tendo diversas moti va90es para escolha de urn determinado local a partir dos atrativos turfsticos que mais sati sfazem suas expectativas. Ulilizando 0 conceito de Barretto (2007) sobre turismo, tem-se que:


27

o !urismo pressupOe a cxislencia de contingentes de pe550as (ruriSlns) que se

des locam para fora do seu luga r habitual de residencia durante urn perfodo de tempo. corn Slla corga de Cll pectativas proveniences das mais divcrsas fonles (propaganda. amigos Etc.) e pelos mais diversos mOlivos (BARRETIO. 20073. p. 23)

Barretto (2007) completa informando que comercialmenle

0

lurismo,

e

0

resultado de urn processo que utiliza como substraloS recursos naturai s e cu!tuTais. A

pluraJidade de motivar;Oes que leva a uma pessoa a viajar e complexa, foeando no lema tralado neste trabalho a motivar;i'io principal e a experiencia de conhecer a cullura de outra regiao a partir de uma manifestar;ao cultural que abarca urn patrim6nio imaterial da humanidade. Sendo assim, ulilizamos a que: "A experiencia cultural tradi~ 6es

ea

explana~ao

de Barretto (2007 , p.38) que diz

de estar nwn meio onde

convivem com os modos de

produ~ao

0

passado histollco e as

do presente". Para a OMT (1998)

0

turismo cultural e aquele que tem como atrativo principal a cultura do destino criada pelas particularidades de uma sociedade, os atralivos pode m ser materiais ou imateriais e sua te mporalidade pode ser fixa ou sazana!. Vma das defin i~Oes mais aceitas para turismo cultural

e a do ICOMOS

1

(1976)

onde enconlramos que:

o turismo cultural t aqucta forma de turismo que tem por objeto, entre outros fins, 0 conhecimento de monumentos e sftios hist6rico-aJ1fsticos. Exerce um efeito realmen te positivo sobre estes enquanto contribui ( ... ) a sua manuten<;:iio e prote<;:iio. Esta forma de lurismo juslifica. de fato. os esfof<;:oS que lal manulen<;:iio e prole<;:iio exigem da comunidade humana. devido aos beneficios sociocultu rais e economicos que comporta pam toda a popula~ao implicada 8

Para Peralta (2003)

0

turismo cultural ganha uma importfincia maior a cada dia

dentro do turismo mesmo que v i sita~ao,

gerar a para

0

0

atrativo cultural nao seja

0

principal motivo da

pois ele efetivamente traz ganhos economicos e tambem porque e le pode

con scient i za~ao

da

con serva~ao

patrimonial diminuindo

0

cusio da

p rese rva~ao

Estado, pois a sociedade tambem passa a se sentir responsave l por suas pr6prias

cri a~oes

cul turais sejam elas materiais o u imateriais.

Barretto (2007) entende por turismo cultural

0

luri smo que tem por fi nalidade as

construr;oes da sociedade em di versos fim bitos sejam na sua construr;ao imateri al como costumes ou na sua construr;iio material como sua arquitetura. As prime iras definir;oes

1 A sigla ICOMOS ;i a abrevialura de International Council on Monuments and Sites. 8 Disponivel em hup:llwww.icomos.orgfdocsltourism~es.html (tradu~ao nossa)


28

de turismo cultural se centravam, na sua maioria, no deslocamento que ocorre para conhecer

0

patrimonio cultural material, ou scja, museus, cidades-monumento. sHios

arqueol6gicos e etc.

0

patrimonio cultural imaterial nao era visto como ohjelo do

turismo cultural e sim como um complemento daquele. Porem, a cuhura como produto

de uma sodedade aande

0

nao produz 56 patrimonios tangiveis, a intangibilidade patrimonial e

turista consegue se inserir oa realidade representativa da localidade visilada,

sendo assim, quando

0

(urista parl icipa de manifestar;Oes culturais ele tambem inicia, de

certa fonna, a se idcntificar, quando se lorna, nas palavras de Alfonso (2003)

observadores alivas, pois assim criam eSle sentimento de identificar;ao com 0

patrimonio imaterial. Pralicamcntc todas as defini,<Oes cxislentes sobre 0 turismo culluml tem sido criticadas desde alguma perspectiva. ja que 0 alcance do pr6prio turismo cultural csta experimcnlando uma evo lu~ ao continua com 0 papel mais alivo dos IUrislas nas pmprias at ividades do turismo cultural. Desta forma. 0 turismo cult ural nao se centra exclusivamente nas visitas a monumentos. conjuntos hi st6ricos. silios arqueol6gicos e museus. senao que em suas atividades se inlegram muilos oulros aspeclOS. como a cullura tmdiciona1. as feslas populares. os feslivais. a nnisica e a dan,<a. as e:lposi,<Oes. as feSlividades rel igiosas e percgrina~Oes. a gaslronomia. as feiras e oUlros recursos e acontecimentos diversos (MARCH ANTE. HERNANDEZ. VINUESA. 2008. p. 296. tradu,<iio nossa).

Arevalo (2010) ai nda refere-se as duas funr,rOes do patrimonio ou a seus dois valores que seriam

0

valor de uso e

0

de troea.

° primeiro refere-se ao uso do

patrimonio como salvaguarda da ident idade, e 0 segundo apliea-se a mereantilizar,riio do patrimonio, ja que nos dias de hoje onde tudo e negociavel a ser negociado. Uma das fonnas de "utilizar"

0

0

patrimonio tambem passa

patrimonio no huismo, para Prats

(1997) poderia constituir-se de um valor agregado para destinos turfstieos. porem nao

sendo 0 principal motivo do turismo em si, desta fomla (... ) para redefinir 511 olerla. a la bllsqlleda y capll1ra de

°

/1111

ll1riSIllO "de calidad" (PRATS, 1997, pA3).

uso do patrimonio cultural intangivel como produto turistieo para Santana

(2003) faz com que oeorra um res gate atraves de campanhas realizadas para eonscientizar.rao da sociedade que

0

eonstruiu, para que esta eonher.ra a sua hist6ria que

esta sendo representada atraves do patrimon io, desta forma eria uma releitura da memoria forr,ran do sua fixar.rao. Nas palavras de Silberberg (1995) turismo patrimonial e: "(. .. ) a visita de forasteiros motivada, no todo ou em palte, pelo patrimonio hislorico, artfstico, eientifieo ou pelo estilo de vida de uma comunidade, regiiio, grupo au instituir,riio. (SILBERBERG, 1995 ofmd BARRElTO, 2007, p. 88)".


29

Para Prats (1997)

0

como a sua gratuidade e

que faz 0

0

patri monio urn atrativo wrfslico sao suas virtudes

seu acesso a todos sem discrimi na9iio a partir da sua

gratuidade na maiaria dos casas, patrimonial seria

0

0

aulor continua que desta forma 0 atralivQ turfstico

unico que pode ser gerenciado somente atraves do Estado e pode ser

utilizado pela iniciativa privada e tambem sendo ele confere uma

di ferencia~iio

0

patrimonio

cons tru~iio

da sociedade

perante oulros atrativos que sao estacionarios. Peralta

(2003) expOe que: "(. ..) para que detenninados elementos se constihJalll como patrim6nio lem de ser resgatados de um

COTfJIIS

cultural mais ou menos difuso e sujeilos

a lUna engenhalia social que Ihes confere valor e significado" (PERALTA, 2003, p. 85, tradUl;ao nossa). Para a UNESCO (2009)

0

patrimonio cultural nao abarca somente a

materialidade da cuhura abarca tambem as constnl(rOes imateriais transmitidas de gera~ao

gera~ao

para

atraves de di versas fonnas de expressao.

Arevalo (2010) exp5e que: "A UNESCO considera

0

patrimonio cultural

imaterial como elemento fimdamental da identidade" (AREVALO, 20 I 0, p. I,

tradu~ao

nossa). Sendo entao urn elemento representati vo da identidade encontramos em Santana que: " ÂŁ1 Palrim ollio es III sflllesis simb61icll de los valores idelllilllrios de que los recofloce COIIIO prapios"

illIG

sociedad

(INIESTA, 1990 apud SANTANA, 1998, p. I). Para

Prats existe na at ualidade urn momenta de transci9ao no qual se passa " del monllmell1o, SOl)orle de fa memoria, hemos {)(Isado a/ {Jalrimollio. S0{Jorle de /a iden/idad" ,

(DESVALLEES, 1987

(//Jlld

PRATS, 1997, p. 8). 0

sociedade e patrimonio e ex plicado pela segui nte

entrela~ame nt o

entre mem6ria,

conce~ao:

EJ(iste estreita rela<;iio entre 0 que entendemos por mem6ria social e patrimunio: tendo em conta que a mem6ria social sirva para reel~bora<;ao da continllidade entre 0 passado e 0 presente. e t . como 0 patrimonio. reslIltado de uma constru<;ao social e fator mediante 0 qual se configura a identidade dos grupos sociais, conferindo-Ihes sentido ao sell passado e significa<;iio ao seu presente. Porque a cultura e 0 patrimonio sao a base da mem6ria coletiva e componentes essenciais na con firma~ao da mem6ria social: se bem. como a mem6ria 0 patrimonio t dinamico e ativo. pelo qlle esta SlIbmetido a cambios (A REV ALO, 20]0. p. 7. tradu<;50 nossa).

o

patrimonio como prodUlo do turismo cultural ou do turismo patrimonial,

primeiramente foi entendido mais como visitas a monumentos e similares, ou seja, ao patrimonio material, pon!m, como vimos

0

patri m6nio na sua

rela~ao

com a mem6ria

social cria estruturas patrimoniais intangfveis que lambern siio objetos da mOliva9iio dos


30

turistas, poi s este tipo de patrimonio se camunica com

0

(uri sla, pois 0 camaval e urn:

"(...) sistema de cOInmUCa y3o mediante simbolos (...)" (AREVALO, 2009, pag. 31, tradur,;:ao nossa). Para Santana (2003) quando

turlsticos ele nao dernonstra

0

patrim6nio comer,;:a a ser utilizado para fins

0

motivo da sua constrw;ao alraves, por exemplo, de

quest6es de identidades. ou seja, ele continua representando

0

momento no qual foi

cfiado, parem e inserido em urn contexto atual para que seja utilizado como atralivo turfstico. Paes (2009) explana que

0

interesse do turista tem como objetivo justamente a

materialidade das represenlw;6es da identidade construfdas no terri16rio, esse interesse acabaria por corroborar estas representar.;:Oes e por valorizar aquilo que muitas vezes e esquec ido pelos pr6prios agentes de conSlrUl;ao desta identidade. Complementando esta afirmaqao encontramos em Acosta, Del Rfo e Valcuende (2007) que a mem6ria como parte integrante do patrimonio intangfvel e patri monia li za~ao ,

0

que pode fazer ocorrer a

ou seja, valorizar a propria memori a, nao so mais de um grupo

somente, mas que mostre todas as representatividades culturais oriundas dos multiplos simbolismos da complexa trama social. Desta fonna ao ser ati va pel a mem6ria a patrimonializa~iio

imaterial estaria colocando valores acima de objetos.

Arevalo (2010) afinna que a

utiliza~iio

do patrimonio como fin s turfsticos,

inseri ndo-o na comercializa'rao cultural nao destruira a constru'rao de identidade vinculada ao patrim6nio pclo contrario a fortal eceria e ajudaria, em algu ns casos, para que a pr6pria sociedade fizesse uma releitura da sua hist6ria. Quando contato com 0 territ6rio onde sao construfdas as

represe nta~5es

0

turista tem

de uma identidade ele

passa a ter contato com a mem6ria desta sociedade que e materializada no espa'r0' Para Arevalo (2010) a importfmcia concedida ao patrim6nio e concomitante com seu uso como produto turistico, poi s e uma nova forma do homem p6s-moderno, ou seja, do p6s turista, fazer IUri smo. Ainda na opinilio de Arevalo (2010) ao iniciar produto turistico do patrimonio se cria mediante a

pat rimoni al i za~ao

Wll

0

usa como

"C ¡) produto com valor economico e social

das formas de vida e suas manifesta'r0es mais singulares

,

(AREVALO, 2010, p. 10, tradu~iio nossa)". A produ~ao de idenlidades terriloriais (HAESBAERT. 1999) se manifesta em escalas van ad as, das nao;5es. regi5es. aos es pao;os sociais nas cidades. terrilorialidades rnuilas \fezes rnarcadas pela segregarrao ou pela autosegregar;ao. Estas terrilorialidadcs podCIll tambtlll ser projel<ld<ls por pralicas sociais (festas. rituais). pel0 rnercado (enclaves hOlllogcneos de consurno). ou


31

por eslra tfgias e discursos poli!icos

(valori ~ao;iio

e in51ilUciotlalizao;iio de

paisagens e monumenlos). lembrando que 0 sujeilo e 0 rneio estao em continua inlegrao;iio e sao cOn$lilulivQS um do out ro (BERDO ULA Y & ENT RIKIM. 1998. p. J 18 aplld PAES. 2009. p. 165).

o lurista que procura uma diferencia~iio em um produto IUrfsli co e chamado de p6s-turista que para Santana (2003) e aqueJe lurista que procura produtos ofertados para um nLimero reduzido de turistas, evitando assim, aqueles destinos lidos como de massa,

o autor ainda compieta dizendo que esse hmsta tem "( ... ) gosios sofisticados e de eufemfstica qualidade, buscando cobrir, no melhor dos casos, os segmentos ocu[tos e

poueo ex plorados do mercado, mas tambem ocupar os resqufcios que os lunsmos chlssicos tinham deixado" (SANTANA, 2003, p. 32, tradu~ao nossa). Desta forma temos um turista diferenciado, ou que busca se-lo, a procura de experiencias tambem difere nciadas e fora do circuilO do tudsmo de massa. Estas experiencias chegam a este turista como urn produto turfstico opcional aq uilo que the e ofertado regularmente. Ignarra (2003) utiliza a

concep~ao

de Valls ( \996) para

descrever 0 produto turfstico, assim para 19narra (2003) 0 conjunto de elementos materiais e imatedais e 0 que da forma ao produto turfstico. A cidade. vi trin e de tempos diversos. se oferece 11 perce~ao dos sc us signos e simbolos e se redu1. suas Imrrativas ao ser preservado C0l110 paisagem representativa de Ulll tempo llnico. Sub\"ersiva. ela emerge vigorosa. com U1lla energia que perturba estas representa~Oes visuais estabclecidas por conce~5es verti cais. (PAES. 2009. p.9).

Em Gastal e Castrogiovanni (2003 , p.14) encontramos que "0 passado

e que

lorna 0 lugar mais do que um espa90". Assim entendemos que 0 passado, feito de mem6rias faz com que 0 lugar se lome a materializarrao das conslrur;oes represenlativas de uma sociedade. 0 autor ainda completa afinnando que "A cidade como escri lura deve ser entendida como desafio cognitivo" (GASTAL;CASTROGIOVANNl, 2003, p. 14). Para Gaslal e Caslrogiovanni (2003, p. 24) "os tluxos [de turistas] tambem inleragem, fonnam resislencias, aceleram mudanrras, criam expeclalivas, desconslroem o aparentemente rigido cenario urbano".Dessa fonna 0 turista passa a fazer parte do cenario que ele observa, conslruindo a criar urn sentimento de

identifica~ao.

i n tera~iio

que

e necessaria, como

vimos para


32

Olhar para as cidadcs t sempre um pra~er especial. por mais que pussa seT 0 panomma urbano. A cidade t uma construr,:iio ffsica e imaginaria.

compreende \l1ll lugaf e faz. parte do todo geogr:ifico. 0 lecido urbano t dinnmico e esta inserido no processo his16rico de uma sociedade. 0 tfa(,':ado de \1m3 cidade t lima arte proces~ual e representa lima leitura temporal (GAST AL; CASTROGIOVANNI, 2003. pag. 25).

o carnaval, transformado em um produto turfstico, con forme vemos em Arevalo (2009) se insere no circui to de comcrciaJizay50 cultural, sendo assim lemos que: "A Festa implica, pois, a continuidade das

gera~oes

de bate, n50 obstante, entre \'a/ores de

IIS0

e os gru pos sociais locais; atualmente se

(identidade) e os wilores de troea (hU1S1110). "

(AREVALOS, p. l , lradw;50 nossa). Jeudy e Jacques (2006) argu mentam que 0 valor de

troea do camava\ teria sido atre\ado a esle na sua fonna urbana, que lambem gerou uma espetacularizar;ao do pr6prio carnaval e dOl cidade, transfonnada em cenario ou palco dependo da part icipar;ao ou nao, daqueles que eSlaO presenles no ate da manifestar;ao. Tomar uma manifeSlar;aO um espetacu lo denlro do espar;o urbano da inicio ao proeesso de gentrificar;ao espacial. A grande cidadc tem assumido um status de ex6tica. 0 turismo modcmo jo nao est;\' centrado nos monumenlOS hisl6ricos. nas salas de concerto ou nos museus. senao nu cena urbana. ou mais. em alguma versao do cena urbana adequadu para 0 turismo (SASSEN: ROST. 1999 aplld JUDD. 2003. p. 57. tradu~ao nossa).

2.5 CA RNA VAL

Qu6 palabra. Carnaval. qu6 palabra. Es m~s m~gica. mIn. que abracadabra Qu6 palabra, Carnaval. qu6 palabra. Es m;is tr;igica que OIr.is m;is macabras. QU6 palabra, Carnaval. no s6 c6mo Hay quien prefiem decir fiesta tie Momo. QU6 palabra. Carnaval. eSlupcnda. Yes m;\.s f(jeil que deeir Carnes/ofeuda. ( Sauda~ao Murga La Gran Sictc 2008.)

Com 0 objetivo de apresentar urn panorama de festas, ritos e comemofar;oes que al udem ao carnaval, estudaremos primeiramente as di versas correntes que tenlam ex plicar a origem desla manifestar;.lo, cada uma delas aponta diversas caraclerfst icas em comum das comemorar;oes de seculos passados com 0 camaval atua!' Sao diversas as explicar;oes, desde 0 festejo da entrada da primavera no hemisferio norte, os festejos a


33

Isis no antigo Egito segundo Ferreira (2004), a imita<;ao da vida do ursa despertando da

sua hiberna<;l'io como se verifica em Walter (1999), os feslejos para a deusa Artemis em Siracusa e ainda os festejos babi lonicos . os que ocorriam em Atenas, alem dus fam osas satumais- festas dedicadas ao deus Satumo. De acordo com Ferreira (2004). No Antigo Egilo \lmll dus festas mais fumosas era realizada durante a primavera em hornenagem a isis. deusa dn custidade ( ... ). A fest ividade longe de se apresentar como UnH) orgia dcscontrolada era caracterizada poT alos piedosos (... ) a comemor:lI,ao era aberta por pessous com disfarces variados como os de soldados. ca~ador. gladiador. magistrado. filosofo au mesmo homcns tmvestidos de mulher (FERREIR A. 2004. p. (9).

A etimologia da palavra camaval explica~ao

a uma

e discutida ainda hoje, ficando ainda em aberto

definitiva sobre sua origem. No seu livro.

(2004) ex plica que a

presen~a

0

autor Felipe Ferreira

de pequenos barcos nas feslividades em homenagem a

,

deusa Isis poderia ter iniciado umas das correlltes de explica~ao da palavra carnaval:

E a preselllya.

nas fest as. desses pequenos barcos com rodas que acabou por faler com que alguns pcsquisadores eonsiderassem ta is celebra"Oes como Uill ellemplo de folia carnavalesca da antiguidade. ao imaginar que 0 nome "CamavaJ"" teria origem em Camls Navalis. ou seja. um carro em fonna de navio. Hipotese que. anos mais tarde. foi suplamada por outra que associa a palavra Camaval a CARNE VALE, ou " adeus a came" (FERRERA. 2004. p.IS).

Ainda na questao da et imoiogia da palavra carnavai, Vidart (2001) explica que as palavras utilizadas em espanhol como sinonimos de camaval que sao amruejo e em cataJao iI/Imido, teriam a ver com illlmilo proveniente do [alim que por sua vez

ea

palavra que designa a severidade da quaresma. Esta etimologia nao levaria em conta a frase lalina Dominican allle carnes !OI/endas, que significa

0

domingo de retirar as

carnes, esta frase tambem advinda da questao do jejum na Quaresma. Encontramos em Minois a seguinte afinna'tao:

A mesma prodcncia se encontra em Julio Caro Baroja. que. em sua obra cl;l:ssica 0 Carnaval. demonstrou a ausencia de qualquer prova decisiva de continuidade com a festa antiga. Toda a argumenlar;iio dos eltrigos repousa sobn:: a etimologfa fantasist3 do currus navalis (... ) enquanto a etimologia. quase ema. faz derivar "camaval"' de came lev3men, 01.1 came leva mine. ou carne levale. ellpressao retirada de um tell\O romano de 1285 que significa 0 momenta em que a came (came) vai ser "retirada". proibida. durante a Quaresma. 0 termo. itulianizado. indicaria. portanto. uma festa tipicamentc crista. marcando a ruplUra da ordem normal dus coisas com a entrada no periodo de jejum: uma festa de abundancia. da alegria e da prosperidade da epoca anterior aos interdilos (BAROJA 1979 apf/(/ MINO IS. 2003 p. 162).


34

Em Vidart (200 1) percebe-se que muilns das et imologias que explicam a palavra

camaval vern da

in ven~iio

da Quaresma, ou seja, depois do carnaval vitia

retirar a carne do cardapio, por isso a quesliio da

comil an~a

a epoca de

de carnes e seus derivados

antes do call1avaL Villa das etimologias "remete a camelel'are, que, na Hngun itaiiana significa retirar a came" (VIDART, 2001 , p.26, tradu y30 nossa). Do lalim viria camis I'ale

que tcria

pr6pria

0

mesilla sent ido de rel irar a carne do cardapio. Assim como a origem da

manifesta~iio

a origem da palavra gera debates dependendo da origem que se

utilize para 0 estudo da mesma.

o

posicionamento de Ferreira (2004)

e de

que apesar das similaridades dos

feslejos que se utilizam para juslificar a origem do camaval, nao podemos dizer que estas comemora90es eram a manifesta9ao como a conhecemos hoje em dia, esta coloca~ao

e concordante com outros autores estudados durante a pesqui sa. Gracejos que

ocorriam durante as festas pagas conlinuaram ocorrendo na idade media, dando a fe sta lUll

elemento de continuidade do paganismo apesar da festa ser "enclausmada" pela

Igreja com uma data fix a. Ale 0 stc ulo XVIII. lodas as feslas que acont ed am nos meses de del.embro, janeiro e fevereiro - eomo as s:\!Umais. os rilos de inversao, as festas de louc05 e 05 camavais - cram vislos co mo se fossem uma mesnm e, muitas vezes, condemivel lllanifesta ~~o do populacho, 011 seja, 11111 " camavaJ" (FERREIRA. 2004. p. 22).

As festas que aconleciam nas

civiliza~Oes

romanas e gregas, alem do conteudo

da homenagem aos deuses, carregavam uma forte manifesla9ao relativa a uma inversao da realidade, pois pessoas consideradas dos mais baixos escal5es sociais podiam se fantasiar de clerigos. jufzes ou outra posi9ao mais elevada. assim como aqueles que possufam

0

privilegio de eslarem em uma

posi~ao

daqueles que nao ocupavam a mesma posi9ao durante

mais favonivel se fanlasiavam 0

resto do ana segundo Ferreira

(2004).

Ora. nelas se mpre encontramos quatro ele mentos: uma rituali za,ao dos milos, que sao represcnlados e imitados. dando-Ihes a eficticia: uma mascarada. que da lugar. sob diversos di sfarces. a ritua is mais ou menos codificados: uma prtiUca da inwrsao, nn qual e necessilrio brincar de mundo ao co nlrari o. invertendo as hierarquias e as conve n,5es sociais: e uma fase exorbilada. em que 0 excesso. 0 lransbordamc nto. a lransgressao das norlllas silo a res ra. lerminando em c.u;oada e orgia, pres ididas por um efcmero sobcrano que e castigado no tim da fe sla. A importiincia re lati va


35

desses elementos vaTia. Illas quase sempre eles se combinarn e eslao presentes (MINO[S. 2003. p.30).

Essa inversiio era permi ssiva por todas as classes, claro que, assim que finalizadas as festividades tudo retomava a seu "senti do" de nonnah dade. Dentro das festividades "transgressivas" se destacam as festas dionisiacas que se lornaram festas

primeiramenle gregas para depois se tornaram (omanas ap6s a conquista dos mesmos pelos anteriores, e assim os romanos tomaram para

5i

a festividade, assim

0

destaca

Ferreira (2004). 0 mesmo autor completa dizendo que este processo de acu!turu\ao ira ocorrer durante loda a hist6ria do camaval aonde a

c iviliza~iio

posterior vai tomando

para si 0 que a anterior havia deli milado para a festivi dade retirando alguns elementos, invertendo a importanda de outros, colocando as suas caracter(sticas, ou seja, configurando-o para sua realidade afim de que a fesla se se lorna um sfmbolo do que ocorria naquela soc iedade.

o camaval, assim como muitas oulras datas festivas, como peflodo de tempo, roi decidido pela Igreja. Esta decidiu que os cat6licos aposl61icos romanos teriam urn inlervalo de tempo determinado para lembrar os 40 dias que Jesus sofreu as provar;oes no deserto. Este tempo foi chamado de Quaresma, porem nasceu sem data pre-definida, esta data s6 veria a ser sacramentada pelo Papa Urbano II no Sfnodo de Benevento como podemos verificar em Minois (2003). E verossimil que a Igreja. quando da C ri Slian i za~ao dos usos pag50s no inicio da Idade Media. nao tenha lido dificuldadc para instaurar a regra da Quaresma: depois da patuscada camavalesca. C0ll10 nao fazer abstinencia. j;i que sO se cornia carne duas ou Ires vezes por ano? (VARAGNAC 1948 ulmd MINOIS. 2003. p. 162).

Com a Quaresma ficou decretado os quarenta elias "eSpilihlais" entre a qllarta fei ra de dnzas e a Pascoa, onde lodos deveriam honrar estes dias ao sacriffc io feito por Jesus no deserto. Como definiu a pcsquisadora Martine Grimbcrg no livro Carnavals et Masquerades: "0 camaval, antes de ser lUna festa, e lUna data ." (GRIMBERG, 1975, FERRE IRA , 2004, p.29). lil. na opiniao de Joan Prat i Caros (2003) "0 camaval deve ser analisado como lun peliodo de caos criador e gerador de vida" (CAROS, 2003, p. 3 tradur;uo nossa) desta forma verifica-se como

0

carnaval sempre estava delimitado por

um detenninado per[odo no tempo, seja ele destacado pcla igreja ou pelas estar;Oes do ano como continua explanando 0 autar.


36

Ao tomar para si a data do Carnaval, a Igreja festividades , como

0

Natal no diu 25 de dezembro,

0

0

enclausurou denlro das suns

din de Reis no dia 06 de janeiro, a

quarta-feira de cinzas e assim por diante segundo a compreensao de Ferreira (2004). Natalie Zemon Da vis refere-sc a que a "vida fest iva" at em de ser simplesmente 1l111a "valvula de segurall~a" desviando a atell~fto da realidade social. pode. poT uma parte. perpetuar determinados valores da cornunidade (inclusive garamir sua sobrel'ivencia) c. poT OIltra. criticar a ordern politica. A desordcm podc leT se u pr6prio ri gor e pode tam!)tm decifrar reis e est ados (ZEMON 1975 aplld M UIR. 2003, p. 109. lradu~!io nossa).

Com a institui9iio da data da quaresma, a Jgreja fundamentou os folg uedos de

camaval , porem, negando a teoria marxista de sempre existellte,

o posi~ao

oposi~ao

de Bakhtin onde haveria uma,

entre a quaresma e 0 camaval como visto em Alfaro ( 1991).

H<1 relatos que mostram que os pr6pri os c1erigos participavam das festividades e que muitos destes aconleciam dentro das igrejas.

Econsenso tambCm entre os autores que 0

camaval seria uma l'all'lIla de escape para as tensoes existenles, fosse de quaisquer ordens existentes, ou seja, a realidade ex igia que houvesse um lempo onde tudo ou quase tudo fosse pemlitido afim de que, depois tudo retomasse ao normal com sua "severa" tranqi.tilidade rotineira, que na Idade Media, era instituida pelas regras da Igreja esta opiniiio se encontra tanto em Muir (1997) como nas palavras de Ferreira (2004). Uma das hip6teses mais comuns considera que 0 carnava! atuava como uma "valvula de seglUlIllfa" para as tellsoes que surgialll elll toda a sociedade

hierarquizada e llluito estruturada (M UIR. 1997. p. 107. tradu"ao nossa).

Essa valvula de da nao

limita~ao

seguran~a

seria a transgressividade, a troea de papeis, a questao

dos divertimentos, antevendo a seriedade da quaresma, era 0 momenta

de libertar-se anles da c1ausura nos ditames da Igreja. Era 0 momenlo em que, conforme Ferreira (2004) a Igreja permilia, sob a eflgie da comportamento a fim de abonar a sua

posi~ao

ace i la~ao,

lais transbordos de

perante a sociedade. Onde a maioria dos

pecados ocorria sem que a Jgreja interviesse afim de que no final do per(odo a ordem eSlabelecida retomasse. Nas festas carna va lescas. 0 poVO representa a pr6pria vida. parodiando.a e invenendo-a: IUlla vida melhor. nova. livre. transfigurada. "0 Camaval e a seglulda vida do povo, baseada no principio do riso. E a sua vida de festa" (MINOIS. 2003. p.156).


37

Para Baroja (2006), a

manife sta~ao

seria urn "filho dileto do cristianismo, e a

fonna com a qual se apresenla desde a Idade Media europeia, demonstra estar

a ideia

intimamenle ligada

da quaresma" (BAROJA, 2006, p. 3 1,

tradu~ao

nossa).

Sao

diversas as possfveis origens do camaval, no entanto, existem diversas peculiaridades

encontradas em IOOas as

sociais, a fan tasia,

0

manife sta~6es

que foram cllndas, como a inversao dos papeis

riso (BAROJA , 1979 ofJlld SOIHET , 1999, p. 2). Que "pode-se no

maximo, segundo Baroja, falar de semelham;as nn morfologia ritual, no tempo e no espayo". A Igreja entraria para a hi st6ria juslamente por delim itar 0 espa\o-lempo dos

feslejos camavalescos ao tentar molda-los a nova realidade que ela mesma impunha aos participantes, tomando como pr6prio, muitos festejos pagaos durante a idade mediam, reagrupando e transformando-os em festejos pr6prios eta era crista "(...) para orientar em dire~ao

a religiao crista ritos, mitos e lugares que correspondi am a divindades pagas (ou

pre Cllstiana)" (WALTER, 1999, p.IS3, traduyao nossa). Assim a igreja acreditava acabar com

0

pagani smo existente ate essa epoca, pois

tudo aquil o que caracterizava tais festividades era condenado pela Igreja. Oando-Ihe urn ar de ofi cialidade clerical conferia-lhe seguidores de lais

ma nifes l a~Oes

Igreja, ao determinar

0

autoriza~ao

a Festa e urna forma de acercar os

pagas arrebanhando-os para a Igreja. Oeste modo a

periodo da quaresma e, portanto,

0

perfodo do camaval acaba

por, de certa forma, por normatizar os rituai s pagiios e fazendo sua lei lura atraves da 6ptica da Igreja, assim, na compreensao de Ferreira (2004) julgando 0 cerlo e 0 errado, porem esta leitura vai ocorrer mais estritamente durante a Idade Media, sendo que na entrada da Idade modema e a burguesia que dita as regras dos folguedos carnavalescos. Alguns espccialislas llIribucm-lhes (aos rituais) gmnde importfincia como formas de comportamcnlo. oulros como represenlao;:Oes que crialll solidariedade social ou f6rlllulas de idenlidade social: oUlros se centmlll no riluat como modalidade de conlllllicao;:ao. que permile aos seres humanos contar hisI6rias a si mesmas: e alguns vem os riluais como representa~Oes criadas de forma coleliva. urn lipo de pralica que conSlr6i. conservam e modilicam a pr6pria sociedade (MUIR. 200t . p. XIX Iradu~ao nossa).

o renascimento chega com uma fu sao das anti gas comemora~6es rurais, porem em ambito ci tadi no. Nas cidades diversas

comemora~Oes

eram agregadas nquelas ja

sacramenladas, comepm a smgir as sociedades alegres " Durallfe el rellacimiento. ell las gralldes ciudades eu/"Opeas. e/ camaval evoluciollo a partir de

III/

jestil'lll


38

praCliclIlI1el1fe universal"

(MUIR, 200 I, p. Ill, tradw;iio nossa ).

E no

renascimento

que a fesla come(fa a transladar-se para a cidade, urbanizando-se. Uma das cidades onde

0

renascimento floresceu, foi FlorenÂĽu para onde

convergiu urn grande numero de artislas como pi ntores, escu liores, arquilelos, escrilores

e tada especie de arlista da epoca. Neste momento quando come<;aram a surgir os conglomerados urbanos. tambem surgiram novas fannas de conviver e novas formas de festejar. Neste contexto surgiram novas comemorayoes como

0

"trilmfo" cilada par

Ferreira (2004). 0 mesmo autor completa que evenlOS deste tipo honravam os soberanos

que se encontravam no pader com desfiles pel as ruas da cidade, com os sudi(Os indo a

pe ou em carruagens. Porem como 0 pr6prio autor explica estes desfiles eram inspirados nos desfiles dos imperadores romanos enos desfiles das corporar.;:oes na Idade Media. Devemos conlexlualizar esles desfiles com a epoca, onde estes eram uma amostra do pader dos soberanos, porlanlO nesta contexlUra como desfile, englobani pr6prios soberanos

0

0

Carnaval como evento e

Triunfo foi englobado pelo Carnaval, quando ocorreu isto os

come~a ram

a fazer parte dos desfiles carnavalescos nas cidades da

!talia. Ferreira cita a pnHica de

"Ian~amento

de ovos coloridos com liquidos

perftunados" (FERREIRA, 2004, pA2) pn'ltica que seculos mais tarde viria a oconer em Montevideu conforme Alfaro ( 1991). Ap6s

0

renascimento a burguesia

come~a

a sofislicar

0

Carnaval a tim de se

difereneiar da plebe, ao ritmo de bailes e operetas. Parte da festa saia das ruas e se deslocava para os sali5es requintados onde durante quase dois meses eram festejadas as festas da bmguesia onde luwia "sofisticayao e Iibertinagem, caJacteristicos da cidade" (FERREIRA, 2004, p. 44). com as brincadeiras na rua,

Mesmo com as festas da burguesia a popu la~ÂŁio continuou 0

que a burguesia utilizou como desculpas para separar-se

do trato social eta plebe, smgem enlao "dois eamavais", algo similar que ocorreu tambem no Carnaval de Montevideu no in(cio de Seculo

xx

como verificamos em

Alf,ro(l991).

A Paris do seeulo XIX influenciou fortemente nos festejos de Carnaval e com a derrocada de Napoleao e a entrada da decada de 30 do proferido seeulo, surgiu a ideia de brincadeiras pr6prias para a epoca ja que, ale entao, nao havia uma reguJaridade destas brincadeiras, que variavam de cidade para eidade. E e em Paris, que a burguesia faz ia com que seus gostos prevalecessem, sendo assim tudo 0 que fugisse desta fo nna burguesa de fazer

0

Carnaval seria considerado grosseiro. A burguesia eomer.;:a a


39

resgatar os grandes bai les da antiguidade

0

que e copiada em todo

0

mundo, porem os

bailes se disseminam tambem nas camadas mai s baix as. Toda essa eJegancia dos bailes burguesias caia por terra quando se leiam as regras dus sociedades de folioes e xistem na epoca - os badouillards - que moslravam que apesar da so fi s ti ca~ao ai nda havia certa

agressividade nas brincadeiras carnavalescas como explana Ferreira (2004). Mas

0

carnaval nao ticou restri ngido somente aos sal6es de baile, no rigoroso

invemo parisiense urn desfile de carruagens fazia surgir

0 boufel'ard,

este ti po de

exibir;:1i.o era propicia para a burguesia. Fai neste perfodo, que pela opiniao de Ferreira

(2004) 0 carnaval parisiense passou a ser 0 feslcjo principal deste tipo no seculo XIX e, portanlo, devido a sua importiincia ele deveria ler urn passado a altura da al ual fesla. Foi quando as anli gas festas ganharam uma liga'tao com a fes la realizada em Paris. A festa escolhida, pOl" assim dizer, para dar a Paris lUll passado "camavalesco" foi a fesla do Boi Gordo, nao se tem certeza da origem desta fe stividade, porem 0 que se sabe que este cosh.une dos ayougueiros de Paris de colocaram lUn "boi cevado que passeava pela cidade enfeitado de filas e guizos, carregando urn men ino vestido de Cupido, antecedido por urn grupo de pessoas fanlasiadas de deuses do Oli mpo " (FERREIRA, 2004, p.63). 0 carnaval de Pari s influenciou fortemente os carnavais no mundo ocidental, principalmente para defi nir a sua propriedade, se a burguesia com bai les, desfil es e passeios ou a outra parte da sociedade com sua algazarra e a maneira mais alegre e espont5.nea de comemorar. Enquanto as oulras cidades viam os carnavais agonizando, Ferreira (2004) continua explanando que a cidade de Paris nao s6 manteve as comemora'toes como a tornou uma das feslas mais importantes do mundo ocidental dando origem a oulros carnavai s e fazendo esquecidos.

0

renasci mento de outros que ja estavam


40

3 DA MEMORIA AO CA RNA VAL DE MONTEVIDEU

Neste capitu lo, focalizaremos os assuntos resgatados no marco te6rico, para delinear

0

lema proposto. Para tanto, este capItulo apresentara a identidade uruguaia,

sob 0 foeD da sua

forma~ao.

onde se utilizaram autores como Achugar (J994), Demasi

(2004) e Rico e Achugar (1995), tambem serao apresentados a hist6ria do camaval de Montevideu, abarcalldo 0 perlodo hi st6rico onde surgiu

a base da sua formala~ao alua!.

Para esta ex plana\ao utilizamos como base Alfaro ( 1991), (1992), (2008) e (2009),

sendo que este subcapftulo sera dividido em dai s dedicados as /1/urgas e !lolI/adas. Ap6s explanaremos sobre a diladura no Uruguai e sua Apresenlaremos os dadas sabre

0

re la~ao

com 0 carnaval.

turismo em Montevideu e no Uruguai e tambem, sera

mostrado 0 carnaval como produto turlst ico

3.1 MEMORIA NO UR UGUAI

Em Ainsa (2008) encontramos que a normatizaryao da mem6ria, vinda do poder, eria as tradiryoes sfmbolos da mem6ria social de uma epoca, sendo a comemoraryao

0

frulO da relaryao entre mem6ria e identidade, pois na comemoraryao encontramos a representaryao dos simbolismos de uma epoca

0

que cria uma identificaryao com os

indivfduos que fazem parte deste relato. Entao temos que as eomemoraryoes trazem

0

relato de um determi nado tempo, dando um novo valor aos signos que a ela perteneem.

o discurso sabre mem6ria no Uruguai atravessa, obrigatoriamente, 0 Os doze anos em que

0

perfodo ditalorial.

Uruguai se viu submerso no entremeado da ditadura fez surgir,

ja na democraeia. urn forte diseurso sobre quais sao os elementos que realmenle formam a mem6ria uruguaia sempre lentando ver quais os fatores alterados durante

0

perfodo da

ditadura. Em Jelin e Lorenz (2004) encontramos que esquecer e algo que marca a soeiedade uruguaia, que sempre dispos do esqueeimento para proteger urn hist6rico de uma democraeia poueo abalada por perfodos violentos e de quebras de democraeia. Esquecendo, a soc iedade uruguaia tenta apresentar no seu discurso hist6rico uma


41

passividade que nao ocorreu, pon!1TI esta passividade e um dos sustentaculos da identidade wllguaia. A busca de luna "nova" memoria uruguaia surgiu ap6s a relomada da democracia, em busca de uma nova forma de pensar-se como uruguaio alterando a na~ao

ideia de uma

sempre em paz com a sua hist6ria como explanam lelin e Lorenz

(2004).

Para Romero (2005), no casa do Uruguai.

0

resgate da

n~i'io

de direitos

humanos passa pelo processo de nao negarrao da mem6ria em lorna a ditadura mi litar, para que nao exista esle esquecirnenlo, 0 resgate memorial passa por uma polftica vinda

do Estado. para que assim se chegue a constrUl;ao de uma identidade nacional. No

Uruguai, conforme Jelin e Lorenz (2004) a mem6ria se conslr6i a!raves da hist6ria, pois a hist6ria sempre registrou mais intensamente os momentos democraticos do paIS, relegando os momentos de conflitos a um esquecimento ou a mfnima parcela do relato na~ao.

hist6rico da

Demasi (2004) ex plica que a mem6ria no Uruguai pode ser

explicada au¡aves das ""( ... ) sucessivas transfonna'rOes da memoria historica no Uruguai como um longo processo simbOlico de "definiyao de fronteiras"" (DEMAS I, 2004, p. 13, tradu'rao nossa), continua

autor informando que a constru'rao da mem6ria no

0

Uruguai nao passou por uma fa lsifica'rao do passado, mas sim pelos novos olhares dos historiadores em torno do passado Ainsa (2008)

0

0

que alterou a mem6ria social do Uruguai. Para

momento atual da mem6ria no Uruguai passa por uma reconslru'rao da

mem6ria, para desla forma aceitar os seus momentos hist6ricos que nao fazem parle do hist6rico de democracia da na'rao. Em Achdgar (2004) encontramos que

0

novo debate sobre a mem6ria no

Uruguai tem uma nova dimensao apos a diladura, pois fazer uma leitura deste momento considerado

0

mais Iraurm'itico da hist6ria, em um pais que se considerava

0

mais

democnitico da America Lati na, faz com que oulros fatos que eslavam de fora da hist6ria formal viessem

a lona

para tentar entender como

0

Uruguai se inseriu neste

contexto ditatorial que envoivia a America Latina. Neste contexlo de releilura da hist6ria a partir das mem6rias

0

carnaval se insere materializando a fonna como

0

uruguaio se via naquele momento. I... ) 0 lugar que tern ocupado 0 camaval como ambito desde 0 qual os uruguaios telll ~e pen~ado a si mesmo e tern construfdo urn imagino'irio coletivo. 0 convene em revelador cemtrio para a re signilicar;ao de mitos fundacionais e de heranrras do passado. (AL FARO. 1991. p. 8. lradurriio nossa)


42

Para Alfaro ( 1991) a resla se lorna a voz daqueles que sao exclufdos das

constrUl;Oes de memoria da nw;iio, trazendo a lona mem6rias do passado que nao estao no relato fonnal da hist6ria, desta forma resgata a hist6ria "dos esquecidos", pais a construr,rao de simbolismos passa por uma leitura de urn conlexlo hist6rico que nao

exc1ui ninguem , pais e uma construr.rao dinamica que mira sempre no futuro reconstituindo urn passado. Em Lamol1e (2005) encontramos que no inicio do seculo

0

camaval resgatou a palavra lIIurga e recriou seu significado dentro do conlexlo em que estes conju ntos aluavam em Montcvideu,

0

mesmo ocorreu com 0 calldumbe que

ganhou nova signi ficar.rao a panir da sua insen;ii.o nos feslcjos de carnaval conforme Alfaro (2002), senda assim, temos que conservar

0

0 " ( ... ) 0

papel da mem6ria nao consisle em

passado senao em dar conlinuidade ao processo de conslmryao permanenle

das identidades" (ALFARO, 2002, p. 28, traduyao nossa),

3.2 IOENTIOADE URUGUAIA

Std,i , saM Pll eb/o Oriell/tli

Hay 'I"e refr Ai qlle goztlr Mienlras rein e la olgaral'io HlIbro lIlegrfll)' bllel/ hlllllor. Relirlllia ""'rga Crlrlidores de HOl/gos. 1956

A expl anaryao desle capllulo cenlra-se em lomo da

consl ru~iio

da idenlidade

umguaia ulilizando aulores como Achugar (1994) Rico e Achugar (1995 ) Demasi (2004) entre oulros. Desta forma, sera apresentado como

0

pals foi se estrulurando

idenlilariamente. Na opiniiio de Achugar (1994) exislem alguns sfmbolos na

forma~iio

da idenlidade umguaia que alem de ainda eslarem presenles na vida dos uruguaios como "(. .. ) os chanuas e Solis 9 , a Hemandarias 10 e suas vacas" (ACHUGAR, 1994, p, 34,

9 Juan Dial de Solis roi 0 descobridor do Rio de la Plata conrorme Ainsa 2008. 10 Confornlt: Arreguine (2008) Hernandarias t como ficou conhecido Hemando Suarc:t; de Saavedra. <Jue ocupou 0 cargo de govemador da colonia do Rio de la Plata e Paraguai enlre 0 fim do ~culo XVI e inicio do XVII. Como sua origem t crioula. pois na sceu na atual capital do Paraguai. Assuno;ao. t 0 primeiro


43

tradw;ao nossa) ainda nao se apagaram e mantem sua fo r<;a a isla se soma a situa<;ao geografia do Uruguai que

0

transforma, como

0

pr6prio autar define, em urn pais-

fronteira ou uma fronteira-pafs em Achugar ( 1994).

Assim nasceu

0

que pode ser considerado a primeira identidade do Uruguai. urn

pais agrario e defensor da sua fronteira. 0 Uruguai iniciou

0

final do seculo XIX

querendo convertc-se em um pals europeu na America, pois se encontrava em uma construlfao identittiria, apartir das imi gra~ Oes e tamoem envolvido por "(...) nostalgia de

uma Europa que nao eramos [assim oj Uruguai foi conslruilldo sua aUlo-imagem" ,

(AC HUGAR, 1994, p. 15, Iradw;l'io nossa), Para Demasi (2004) os hi storiadores tiveram urn papeJ importante na construrylio de uma nova identidade uruguaia, pois, eles. deixaram registrado

0

que se queria ser oficialmente como naryao, ou seja, utilizaram as

lembranryas e esquecimentos em tal medida. que forjaram a identidade uruguaia, assim temos que "A essencia de wna nayao

e que todos os inruviduos tenham milltas coisas

em comwn e tambem que tenham esquecido milltas coisas" (ERNEST RENAN 1882, ,

afJlld AC HUGAR,

2004, p. 11 9, traduryao nossa).

Entao a part ir desta nova maneira de perceber-se como pais, verificamos como: "A

perce~ao

que luna sociedade tem sobre seus antepassados

e lUn

componente

fu ndamental para a constante construryao de sua identidade" (AROCENA; AGUIAR, 2007 , p. 18, traduryao nossa). Esta visao estava ancorada em realidades concretas e na arrogancia de ser um pais tinico denlro do contexte geral latino americano devido aos imigrantes que chegaram entre

0

final do seculo XIX e 0 inicio do seculo XX . Rico e

Achtigar (1 995) exprimem que a prosperidade economica e principal mente a questno de teT uma hist6ria polftica dedicada ii questao democratica, fize ram com

0

que

0

imaginfirio identitario do uruguaio sempre ressaltasse a diferem;:a do Uruguai como pais latino. Essa visno cosmopolita e europeirizada eram aplicadas desde a capital, enquanto o interior sofria com as pentirias que acometeram desde sempre 0 meio rural conforme encontramos em Achligar (1994). Desta forma entao, levando em consideraryao que para Demasi (2004) 'Todo relato (tambem

0

relato historico) constitui a identidade dos

protagonistas ao mesmo tempo em que descreve a aryao. e

0

momento da seleryao dos

fe itos tern uma fort e impregnaryao ideol6gica " (DEMAS I, 2004, p.12, tradu ~no nossa). governador crioulo das colollias. Foi respolls{ivel pelo illicio da criar;ao de gado 110 lerril6rio que eTa chamado Ballda Orienlal (lodo 0 Uruguai e um pedar;o do cslado do Ri o Grallde do SuI)


44

Ponanto, a percep\iio dos uruguaios no final do seculo XIX era de ser urn pais barbaro, de uma fonn'lI;ao pralicamente espanhoJa e charrua ll passu por uma reconstrw;ao da identidade que levau em conla 0 que se era, 0 que se eslava vivendo, o u

seja, a

a~iio

acredi t a r~ se

que ocorria e a

proj e~iio

do que se queria seTcomo

na~iio.

A questao de

europeu, devido a imigrUl;ao, e de querer ver-se como tal, Achugar (1994) a

descreveu a partir de

0

Uruguai ser um pais f ronteira ou uma j rollfeim l){Its

e0

que

formou uma constanle de medo ao desconhecido e medo daquilo demasiado conhecido,

isso se deve a duaJidade ao caniter ambfguo de seT uma frontei ra como complementa 0

pr6prio autor, 0 mesmo ainda nos contempla com a opiniiio de que a fronteira tambem e urn eslado mental, urn espa¥o simb6lieo. Durantc vMias dtcadas os uruguaios conslruimos ou cul1i vamos - cm fun<;:iio de urn orgulho que surgia da leilUra de nossa hisloria como delentora dc um arraigado civilismo dcmocnitko - oulro eiemenl0 ccnlral dc nosso imaginario: a excepcionalidade de 1l0SSO pais (RICO; ACHUGAR. 1995, p. 17. lradu<;:iio !lossa).

Na polfliea de diseiplinamenlo que foi implantada pelo governo e que abareou todas as esferas da popul a¥ao, a partir, prineipalmenle do novo metodo12 de eduea¥ao, introduzido por Varela, este novo metodo crimi "novos wllguaios" como nos mostra Aehugar (1994).0 que oeorreu durante este perfodo foi uma busea de um discurso que justifieasse a auloestima que era ensi nada na eseola. Demasi (2004) expliea que a hist6ria e a mem6ria nao sao 0 mesmo, porem na sociedade uruguaia a transmissao da mem6ria se faz atraves da hist6ria tomando-se uma s6 forma de transmissao, esta maneira de transmissao foi utilizada no disciplinamento da refonna varelialla e posteriormenle na di tadura. Para Rico e Achugar (1995) ocorreu uma pastellrizariio da realidade do pais tran sformando , por exemplo, violencia em alos ofieiais, portanto a violeneia passa a ser util para a eonstru¥ao de urna na¥ao. Para Demasi (2004) existe urn consenso dos historiadores em cristaliZllr a hist6ria uruguaia em um momenta de pujan¥a,

11 Os charru as cram um povo original que habi tava grande parte do Uruguai e um peda<;:o da Argcntina na Am<!rica pr<! hispana conforllle Arreguine (2008). 12 A reforma Varelilllw lllaTCOU a 0 fim da hcgclllonia da igrcja cal61ica ~obre a cduca<;:30. lomando,a publica. assim 0 eslado passou a ser 0 responsaveJ pela cduca<;:iio que passou a seT laka e lolallllenle graluila como veri fi carmos em Arocena e Aguiar (2007).


45

domesficalldo os indfgenas 13e apaziguando a condula dos Gauchos

14,

.

que servlram

como baluarte da conquista da liberdade do pais. Continua Demasi (2004) que essa vis50 europeizada se insl ilui fOfmaime nle depois que 0 Uruguai passou a reclamar da

Doctrina Zeballos15, 0 que forjou a que se pensasse na origem do pais como uma fo rma de argumentar a sua govemabilidade sabre na~iio

0

Rio de La Plata ja que lambem era uma

a qual perlencia 0 rio, assi m lambem trabalharia uma imagem surgida no fi nal do

secu!o XIX de uma na9iio soberana, usando-a afim de que se se vende eSla imagem tanto aos novos imigranles, mas tambem para as novas invers6es economi cas que 0 pais procurava alrair segundo Demasi (2004). Exemplos desta pasleurizar;50 au crislalizur;5,o da realidade e da hist6ria se

encontram em dois exemplos citados por Dem asi (1999) que foram

a amoniza~5,o das

amort i za~i5es

foram uma forma

ditaduras de Terra e

golpe do A. Baldomir. Essas

0

domesticar a hist6ria para formar a mem6ria de urn paIS dernocratico e perpetuar a ideia de civilidade que

0

Uruguai tanto desejava. Esse novo contexte do "ser lUuguaio"

conforme Marchesi (2004) atraves do disciplinamento que ocorria no Uruguai e concomitante com a chegada dos irnigrantes a este pais e com a sociedade

0

que ocorreu foi urna

ass i rnila~5.o

culturas deixaram seus legados para

0

imigrantes, falava da

0

a

que seria a futura identidade uruguaia. Porem a

Uruguai multiplicou por 32 a sua

popul a~iio

destes

das culluras irnigranles, assirn estas

sua essencia foi se perdendo engolida pelo novo projeto de Ribeiro(l970) quando

integra~1io

n a~iio.

popu l a~5.o

Para Darcy devido aos

do Umguai como "povo tnlIlsplantado" (RIBEIRO,

â&#x20AC;˘

1970 apud ACHUGAR, 1994, p.IS , tradu~5.o nossa).

Ao contn1rio da Europa onde se instaurava a Belle ÂŁpoque slmbolo de palses que viviam

0

indu strializa~iio , 0

resultado da

Bethell (2000), era uma incipienle perlodo onde 0 Estado maioria das

come~o u

instilui~i5es

que ocorria no Uruguai , conforme analisa

industrializa~iio,

a del imitar 0

pelas quais

0

espa~o

surgiram as leis trabalhistas, foi

0

do privado e come~o u a cuidar da

Estado consegue criar uma

s itua~iio

de bern estar

HOque ocorreu nao foi uma domestiea~ao dos eharruas. mas sim um massacre comandado por Fruetuoso Ri vera dos llltimos eharruas que ainda sobreviviam em terras uruguaias roulxlndo gado ate! que foram traidos relo presidente em uma emboscada, os que sobreviveram vingaram-se e assassinarnm 0 irmao do presidente como explica Galeano (1979). l~ Para Corbiere (1998) gallcho significa 0 homem do campo. que de servienl foi transfonnado. reIn literatura. em uma espc!cie de her6i uruguaio. l S AchUgar e Rico (1995) explicam que a Doctrina Zeballos foi 0 nome dado no tratado do Ri" de /(1 Pill/il. 0 nome se deve ao chanceler argentino Estanislao ZebaHos que acreditava que a navega~ao do Rio de lil Plow dcveria ser unicamente argentina e que 0 Uruguai nao tinha di re ito algum a sua nnvega~50, 0 que causou forte impacto no Uruguai e trouxe 11 tona Ulll sentimento nacionalista.


46

social , e quando, por exemp!o, ocorre a estaliza~iio mais importante que e a do Ballco de la Repliblica.

Durante a diladura de Gabriel Terra 16 ocorreu ii defesa da indus tria nacional e

0

alinhamento com os governos norte americana e ingles, aiem de uma aproxima9iio com o Estado fascista de Mussoli ni, como mostra Sechtig (2005). Islo gcrou uma ideia de posse, au seja, de apropriar;ao definitiva do espa90 uruguaio, alem do dislanciamento

que a prosperidade economica criava dos seus vizinhos lati nos. Porem a consolidu9ao desta prosperidade s6 viria a ocorrer no final da decada de 1940 com

0

Estado

intervindo em quase ladas as arcas de produ'fao na explanar;ao de Garee (2002). J5 na decada de 1950,

que ocorreu fo i urn massivo aporte na educar;ao no ano de 1950

0

estavam matriculados 249.40017 alunos nas escolas de educa~ao basica. Entao, temos todos os componentes que selviram de base a frase "Como el Uruguay

110

hay" e onde se consoli dOli a imagem de SUlr;a da America devido aos

indicadores sociais que possula para a epoca e por sua continuada democracia 0 que nao ocorria no restante da America Latina . Os anos 1960 trouxeram uma cri se economica que diminui

0

pais, naquilo que ele acredi tava ter de diferente do resto da America

Latina, isto tornou

0

Uruguai 0 paisito. ou pequeno pais.

(1994) chama de Ulna

"nega~ao

0

que acarreta

0

que Achugar ,

do tamanho e negayao do espayo" (ACHUGAR, 1994,

p.23, tradur;1io nossa), ou seja, a sociedade uruguaia, ao atravessar uma crise devido

a

subordinar;iio dos seus principais produtos a prer;os ditados por estrangeiros, se sentiu diminufda, entao comer;ou a negar

0

seu pr6prio espar;o considerando-se urn pequeno

pais em todos os ambitos como social, econom ico e geografico, por exemplo. Ainda complementando Achugar (1994) ..credita que

0

Uruguai nao consegue

alcanr;ar uma imensidiio condescendente com 0 que pode ser devido acarga hist6rica de auto-sufi ciencia e auto-complacencia, que se iniciou nesta epoca. Na vida das sociedades, a hist6ria e a lllem6ri .. sao mecanismos estruturantes do passado, assi m como a esperanr;a e a utopia diio forma ao futuro: dotar de sentido

0

"0

objelivo ult imo de todas elas e

presente" (DEMAS I, 2004, p. 9, tradu~ao nossa).

No caso do Uruguai ocorreram alterar;Oes nos dois mecanismos que Demasi (2004) menciona. 0 prillleiro abrangeu 0 tim da ultima decada do secu lo XIX e infcio do seculo XX palrocinada pelo governo onde a sua polftica mais efeti va foi a reforllla da 16 Gabriel terra govemoll 0 Uruguai de 1933 a 1942 confonne encontramos e m lelin e Lorenz (2004). 11 Dados disponfveis e m http://www.mec. gub.uy/


47

educar;ao. A segunda ailerar;iio ocorreu na epoca da ditadura militar da decada de 70 do seculo XX , quando ocorre a quebra de real idade devido as incessantes crises economicas que se abateram no Ufuguai. Neste cenario ocorre uma mudan9a de imagillfi rio passando do ol imisla para 0 pessimista criando uma especie de ufnnismo que

ate hoje nlio se dizima que se concreliza com a institui91io da ditadura como acredila AchUgar (1994). Para Rico e Achugar (1995) "Uilla historin "desde 0 estado" nao e lUlla cria91io da d itadura, senao a continuu9ao da (endencia historiografi ca Iradiciana] do ,

nosso pais" (R ICO ; ACHUGAR, 1995, p.40, tradu(fao nossa). Ou seja, desde

0

rim do

secu[o XIX 0 Estado sempre maldau a maneira como os uruguaios se viam. assim como na ditadura dos anos ?O no secul0 Xx. Os autores ainda complementam dizendo que a diladura foi uma quebra na conlinuidade da aUlo-imagem que 0 uruguaio linha de si mesmo, quebra, pois aque1es nascidos anles da diladura possufam e ainda possuem uma imagem diferenle daqueles que cresceram ap6s a mesma. No documenlario Mundialilo18 lanr;ado em novembro de 2010, fica claro como 0 govemo qlleria inslamar lUna "Nova Repllblica" e no ano de 1980 oconeu lUn Campeonalo de campeOes mundiais de futebol que reunia em um torneio onde 0 Uruguai sagrou-se campeilo como uma fonna de mostrar como ainda era uma nar;iio que podia se reconslruir. Com 0 fim da ditadura comer;am a surgir diversos estudos sobre 0 que e ser uruguaio, quais os sfmbolos que traduzem

0

que e a sociedade uruguaia.

Durante 0 perfodo da ditadura ocorreram "mudan9as nao so a transfonna9aO tecnol6gica senilo tamhem a polftico-cultural, e de fato a simbOlica" como enconlramos em Rico e AchUgar ( 1995, p.l?, tradur;ao nossa). Para Irigoyen (2000) os "resrauradores " nada mais fazem do que recuperar aquilo que os ' jillldadores " tinham

decidido que seria a nacionalidade da na<;ao. Assim, surge uma mudan<;a na polit ica cultural do governo, pois como na opiniiio de Canclini (2002, p. 35, lradu<;iio nossa) ''Toda politica cultural

e UUla

politica com os imaginiul0s que podcm fazer com nos

acreditemos semelhantes". Desta forma pode-se verificar entao que os traumas criados pela ditadura acarretaram um rompimento de continuidade da mem6ria colet iva, com as politicas de "esquecimenlo" ou de lUna nova constm9aO da historia nacional.

18 0 dOCllment:irio MUlidialito dirigido por Sebasti:in Bednarik mostra a estrattgia militar para legitimar a ditadllr.l no Urugllai no ano de 1980. Disponivel em http: //www.larepllblica.com.lIy!cultural431057III und ia lit 0- un -fi Ime -q ue-ree upera -a1g0- sie mpre-llee e sari 0-1a-llJemoria


48

Para Morin (2000 p.18, IradUl;ao nossa) "0 estado e tun aparato que dispOes de aparatos apendices", e foi atraves de lUn dos sells apendices 0 DINARp19. Este orgao do governa cuidou de fOJ1aiecer as c ircunslancias que tinham ficado de fora no imaginario batllisfa,

desta COlma criando lUna ''nova realidade" para a representa~1io dos lUllguaios.

Como nos apresenta Marchesi (200 1), para Peluffo (1992) a DlNARP trabalhou para eriar "uma imagem do nacional no negativo ( ...) definid a pela que nao devemos ser e 0

que nao devemos tel" e 0 que nao devemos fazer" (PELUFFO, 1992 aplld MARCHESI,

200 1, p. 136, traduc;iio nossa),

o mudan~as

acdmu lo de mudanlYas acarretado pelo final da ditadura e mais as diversas ocorrendo no ambito mundial (tim da dualidade da guerra fria, queda do

muro de Bedim, novas

in ven~Oes,

novas necessidades, novos alores sociais surgindo)

fazem refletir que "estamos vivendo

lUll

tempo de "mutayao civilizat6ria"" confom1e

Rico e Achdgar ( 1995 , pag. 17, lradu~iio nossa). Os autores ainda continuam afirmando que desta form a houve a necessidade de repassar falos hist6ricos, principal mente 0 mais cruel que foi a ditadura. Somando-se a estes fatores ainda existe a crise dos "sujeitos sociais e os conceitos basicos da democracia chamada "ocidental'''' e 0 "surgimento de novos alores sociais: as mulheres, os gays, os agrupamentos elnicos e religiosos e ,

novo protagon ismo da lerceira idade" (RICO; ACHUGAR, 1995, p.17, Em Clemente (2008, p.95

tradu~iio

tradu~iio

0

nossa).

nossa) enconlramos que:

A sociedade uruguaia se caracleriza hoje pela fragme nlao;:ao desde inicios da decada de 90 se reg istra uma lendencia 11 formao;:ao de segmenlos separados no senlido espacial. econOmico. cultural e educalivo .

o

aulOr examina ainda que a atual fase da sociedade uruguaia moslra uma

transic;iio onde se quer manter cerlo continufsmo em concomitiincia com a mudanc;a, sendo que

0

agente desta interac;iio seriam as po](ticas publicas, que alem desta func;iio

guiariam esta transic;ao. Desta forma podemos ver que

0

Uruguai nos anos noventa se

achava exprimido entre 0 fim da ditadura e 0 fim do secuio, dando uma oportunidade de faze r uma releitura do seu passado. Esla revisiio do relmo hi st6rico implicita na releilura do pass.ldo se dd em me io a um processo economico. politico e cultural que tem sido cha mado de

19 Dinarp era a sigla da Direcci6n Nacional de Re lac iones Publicas


49

gJobali-.:ar;ao finunceim. de conforlll~ao de espar;os regionais inlegrados politica ou econornicamente e de Illundi:dizar;:iio cultu ral e mcdiatica (HARARI. 1997, p.l J I. lradUi;5.o Ilossa).

Ainda nessa releitura que se faz da hisl6ria Rico e Achugar (1995) opinam que

"Ha

lradi~6es

a recuperar e a conservar e h<1

tradi ~6es/i n e rcias

que tern que se

modificar " (RICO; ACHUGAR, 1995, p. 19, tradw;ao nossa) desta fo rma podemos ver como existe urna necessidade de a preservu!j:ao de

representa~6es

mudan~a ,

pOTem concomitante a isso se faz necessaria

que nao se perea a essencia da identidade. Ainda neste

contexto Harari ( 1997) diz que cada vez que

e

necessario voltar na hist6ria, se

reCo115t1"oi 0 passado, sendo assim a hist6ria "(,.. ) realiza sua construÂĽao sina\ando nao s6 uma sorte de Canon (... ) senao eSlabe\ecendo-se e fimdamentando lUna "origem", sua OIigem" (HARARI, 1997, p. ll3, tradw;ao nossa). Ou seja, a relei lura do passado fu ndamenta uma nova origem, devido a sua nova

concep~ao

3 luz do momento alual

que a sociedade vive desde 0 fim da ditadura. Pois: A ditadura implica uma crise do paradigma implicito em todo 0 resto do relato. uma frJ.tura em uma Iradi'Yao longamente construida e assumida: 6 uma etapa traum~tica no desenvolvimemo social e sua exp1ica~ao questiona muitas das certezas tradicionais. desde a idt ia de urn lalante social esscncialmente pacifico at6 a mesma viabilidade do pais como ambito de coexislcncia de IIlIl entramado social variado. A pr6priu exislcncia da ditadura representa a evidenciu de urn frucasso. a prova da ineficacia ou da fulsidade de muilos caractere~ que tern dado forma ao imaginario coletivo (JELlN: LORENZ. 2004. p. 143. I radu~ao nossa).

3.3 DITADURA NO URUGUAI

No dia 27 de junho de 1973 quase todos os militares e UIll grupo de civis tenninaram de reinventar a lradi~ao democratica uruguai:l. ja elll delerioro desde :llguns anos. e corneo;aram a fundar uma nova sociedade mediante as armas e a tonura. uma sociedade atnoritaria. rcpressiva. sem cultura. scm anc. sem literatllra. (HARAR I. 1997. p. 7. tradllo;ao nossa).

Dizem que uma nuvem negra cobriu 0 Uruguai no dia 27 de junho do ano de 1973. 0 pafs que ate entao era conhecido pe\o seu caniler democratico e por isso se diferenciava do restanle da America L,1.tina, viu-se mergulhado em uma crise polftica jamais vista. Juan Maria Bordaberry escolhido democraticamenle, entregou 0 poder aos


50

militares enquanlO acenava da janela do palacio do governo. este momento para alguns foi previs(vel devido. altm do deterioro economico e de governos de representat ividade baixa, ao desmantelamento da esquerda a partir da polftica antisubversiva.Com

miiilares surgiram como uma salvaguarda da em

temlOS

germs,

em

lIegaroes,

na~50

"A ditadum e

eXc/llsoes

110

iSSQ ,oS

Urugllai COllsislia,

. " perseglilfoes ~

-

(VINOLY,

PARAS KEVAIDlS, 2009, p. 3, tradu~50 nossa). A identidade ale enlao construida, que tinha suavizado as ditaduras anleriores como a de Terra e A. Baldomir e que tinha oplndo pelo esquecimento das barbaries do

seeula XIX, se ÂĽiu envolta em uma polilica de medo, regressao e vergonha. Para aqueles que nao safram do pars restou esconder-se, baixar a cabeya e acreditar que "todo !m.m", alguns de al guma fonna decidiram lutar com

0

que sabiam fazer e era cantar,

interpretar e divertir. Em Rico e Achugar (1995) encontramos que naque\a nevoa 20 na qual

0

Uruguai era envoi to junto com seus pafses vizinhos, surgiu uma resistenda

intema, uma teimosia em rir e fazer rir, em chorar e fazer chorar, algo que dizia que os uruguaios ainda estavam ali e os faziam lembrar que um corayao ainda batia por baixo dos sofrimentos, desaparecimentos e censuras, porque rir ainda era permitido e

0

pensamento nao podia ser censurado, somente 0 seu resultado e mesmo assim , ele ainda conseguiu se materializar naqueles que teimaram em ser uruguaios, opi niiio que cncontramos em Rico e Achugar (1995). Em Harari {I 997) encontJamos que "A ditadura fez tabua rasa da cultura. Cortou seu desenvolvimento, aplicou uma poiltica de extermfni0 21 , leve arns fundaciona is absurdos, inconsistentes" (HARARI , 1997, p.36, traduyiio nossa). Para isso contou com brayos como

0

DINA RP (1975) - Direcci6n Nacional de Relac iones PUblicas -

0

organismo que trar;ou as diretrizes e colocou em funcionamento as polfticas da ditadura para a cOlllunicar;iio. Abarcando pralicamente todas as areas posslveis

0

Dinarp teve

como quest5es fundamentais a criayiio um novo Uruguai nas suas origens, moldando-o as necessidades surgidas para acompanhar a mentalidade dos govemantes do paiS, comunicar quais boas eram as intenr;oes da ditadura e reter a campanha anti-ditatorial que emergia no exterior por parte dos exilados.

20 0 reg ime politica ditatorial nao se instaurou somelllc no Ul1Jguai, Brasil e Argenlina tambCm tiveram seus governos lomados pelos militares conforme Belhell (2000). n 0 lermo politica de exterminio utilizado por diversos autorcs eomo Haran ( 1997) e define as politicas que os governos dilaloriais utilizaram para calar os conlr:lrios aos regimes.


51

Polfticas culturais sao: "intentos de

intelVen~ao

deliberada, com os meios

apropriados, na esfera da constituir;ao publica, macrossociai e institucional da cu]tura, com 0 tim de obter efeitos buscados" (BRUNNER, 1985 apllli MARCHES I, 2001, p.1 3, lradur;ao nossa). Telll-se como efeilDs a gerar;ao de uma nova identidade ut ilizando os

elementos que comp6em um imaginario coletivo que forma a identidade cultural de uma

na9iio. A ditadura formou uma nova concepr;iio do quem eram os uruguaios. inserindo-a na sua fanna de pensar. Para Marchesi (20()! ) a tentativa de constru9ao de urn novo imaginario representativo dos uruguaios foi construfdo alraves dos produtos dus novas

polfticas culturais que foram Ulilizadas pelo regime afim de que este novo centirio de irnagens pudesse representar urn novo Uruguai a partir da instaurUl;ao da ditadura. Desta forma temos que: idtia de que os discursos de nosso imagimirio conlemporaneo se desenvolveram durate 0 primero batllismo12. ao longo do S<!culo 0 mesmo sofreu diversas crises que nao se resolvernm com a criar;iio de novas sfnlesis, senao com 0 intento restaurador da malriz original"' (MA RCHESI. 2001. p. 28,tradu~ao nossa).

" ( â&#x20AC;˘â&#x20AC;˘â&#x20AC;˘ )

Para entender a

(I

altera~ao

na fonna do uruguaio de perceber-se e necessario

compreender as fases. principalmenle economicas e sociais que 0 pais passou no inicio do seculo xx. Entre a ulti ma decada de do seculo XIX e a alvorada no novo seculo fora m colhidos os novos frutos da reforma civilizat6ria cujo perfodo de barbarie foi deixado para tras e urn novo Uruguai surgiu. Atraves da imi grarriio, a industrializarrao e de urn novo projeto de educarrao. Entre a decada de 30 ale

0

ano de 19580 Uruguai

sofreu oscilarr6es e devido a crise economica provocada desde 0 infcio da crise mundial de 1929 que fez com que os

pre~os

das materias primas diminuissem.

Caetano e Rilla (1987) expl icam os antecedentes do golpe de estado e citam como exemplo a repressao aos trabalhadores durante a decada de 1930 e a supressao de alguns direitos conslilUcionais. Ap6s 0 inicio da segunda guerra a democracia retoma ao

22

0 bmllismo se rcfere ao grupo formado ao redor das idtias do Jost Satlle y Ordonez. dirigeme do

partido colorado '"( .. ) orientados por uma ideologia de cunho refonnisla e modemizador fOl jada nos (LltimO$ U'inla atlos da do seculo XIX (.. .)"" (Souza. 2003. p.19). Ainda hoje 0 Ballilismo t muito forte dentro do partido Colorado. donde ha diversos grupos polilicos que tem como enfoque a ideologia batllista: COfTiell te 8atlliSla lndepelldienle. BatHismo Abierlo, Balliismo Radical. Foro BatlliSla. Compromisso Batllisla. Union Colorada y Batllista y Pro Ba. A questao Bmllista e lao fOrle que no site do partido colorado a principal nOlicia das primeiras semanas de oUlubro era a acusa~iio que um jomalisla fazia sobre a mOrle de um politico. Washington Beltran. qlle possivehnenle foi mOrle por 10s/5 BaIlie y Ordonez. http://www.partidocolorado.com.uyli ndex. hIm]


52

pais e com

iSla

a prosperidade23 relorna ao pais de 1974 a 195 1. Entre 1958 e 1971 a

alterao;ao do poder fi cou entre blancos e colorados, em 1971 surgiu

0

Frente Amplio

24,

concomitanlemente surgiram os Tupamaros 2S .

No comeo;o. nos alios desde 1903 ale 1930. a democracia politica se consolidou sob 0 comando do presidcmc J o~ Bailie y Ordonez (1856-1929), que foi presidente duas Vezes. primciro desde 1903 ale 1907, segundo desde 1911 ale 1915. Neste tempo cresceu a prosperidade economica e a :lscensao

social foi fad] para a classe media (SECHTIG. 2005. p.3. traduo;fio nossa).

Q uando Jose Batlle y Ordonez tomou as n:=deas do partido a ideologia passoll a

ser a equiparao;ao, denlro do possivel , entre ricos e pobres entendendo que as difereno;as sempre ex istem islo IOrnava

0

eSlado intervencionista

distribufsse a riqueza produzida. Quando foi fu ndado26,

0

0

que faria com que ele

Partido Colorado, possufa a

elite como parte majoritaria da sua constituir;ao e desde 0 inicio teve como diretriz que a capital deveria comandar unilateralmente autor coloca que

0

0

pais conforme analisa Demasi (2004). 0

partido colorado fazia acordos com

0

partido em diversas questOes,

surgiram as primeiras leis em defesa aos trabalhadores entre elas

0

direito a

aposentadoria. 0 Urnguai passou a ter quase dois milhoes de habilanles, isso grar;as a um conjunto de medidas higienicas do governo 0 que fe z com que a taxa de mortalidade infantil diminufsse. porem ao mesmo tempo surgiu

0

controle de natalidade,

0

direilo ao volo, a pupnr;a

0

analfabetismo lambem diminui. As mulheres consegui ram o div6rcio e depois

economica ocorreu pela diversificar;ao da prodw;ao devido iniciou

0

.

a industri alizar;ao assim se

cicio modernizador daquele pais que viTia a ser conhecido como a sufr;a da

2) Coincidcntemente os titulos mundiais de futeboJ do Uruguai foram no ~pice dos dois momentos de prosperidade econ6rn i c~ que 0 p~fs viveu. ~ssirn os dois tftulos g~nhos. de 30 e de 50 sao um sirnbolo da puj~n<;:a cconolllica do pais e dn confian<;:a no futuro que a popula<;:iio deciamava aos quatro cantos conforme Achligar ( 1992). l. Durante os alios de 67 a 72 0 governante do Uruguai lorge Pacheco Areeo foi considerado um d<!spota jd que supritniu as garantias individuas e com a desculpa de coloc~r 0 pais novarnente nos moldes de pujan,a economica das decadas de 30 e 50 atuou com um com role da ini1a<;:ao que nao foi hem aceito pela sociedade confornlC Villalobos (2006) 2S OS tupamaros era 0 nome usado pelos guenilheiros do Movimento de Liheraci6n N~c ional do Urugu~i. foi fundado por Raul Sendic c congrcgava divcrsos agremia<;:Oes da esqucrda partid.-lria urbana do pais como tambem conseguiu alrair diversos grupos de camponeses e trabalhadores rurais. ria epoca do seu surgimento formal no ano de 1965 havia urn descrito total nos partidos politicos do pais 0 que fez corn que os lupamaros tambem livessenr nas suas fileiras estudanles universitarios da clase m<!dia confornlC encontramos elll Villalobos (2006). 2t> 0 Partido colorado foi fundando em 1836 pelos simpalizantes de Frucluoso Rivera. 0 partido colorado govcrnou 0 Uruguni. scm intcrrup<;:Ocs, dc 1865 n 1959 ronforme encomramos cm Devoto e Pagano (2004).


53

America Latina como se verificou em Achugar (1994) e Rico e Achligar (1995 ). Segundo Demasi (2004) na origem do partido Colorado, haviam ideias consideradas liberais para a epoca, e que podiam seTconsideradas antinacionalistas, defendiam 0 livre comercio e

0

financiamento de obras por empresas estrangeiras. Em 201 1,

0

partido

colorado tenIa levar a paula principal da polftica situa90es como a legalizw;l'io da venda da maconha, da eutanasia e do aborto, e tambem, seguindo

0

exemplo argentino, a

legaliza~ao do casamento gay e a ad~iio de cri an~as por parte destes 27 . Durante 94 anos

0

partido colorado ocupa a presidencia da republica permitindo

que 0 Partido Blanco fizesse parle com algumas proposlas. Em 1933 0 presidente

Gabriel Terra, lorna 0 poder inslaurando 0 que se chamou de Dictablanda 28 . Terra promulgou uma nova

constilui~ao

onde ficava proibida a entrada de imigranles que se

consideravam fora do contexte do que 0 pais precisava deficientes fisicos , por exemplo, alem do governo se ali nhar a politica norte-americana e inglesa, para onde exportava came enlatada, em 1939 0 peso uruguaio chegou a valer mais que 0 d6lar, 0 que foi considerado um simbolo da

pl~an~a

nacional. "A tradi~ao civilista de Uruguai (inc1uso

e a pesar da "dictablanda" de Terra) integrava 0 imaginario nacional como um rasgo quase essencial y constitufa parte do orgu lho com que os uruguaios se autoimaginavam" (RICO; ACHUGAR, 1995, p. 16, tradll~ao nossa). A partir de 1958 inicia uma dualidade govemamental com a chegada ao poder do Partido Nacional (Blanco), 0 partido

co me~ou

com uma ampla camada ruralista e

ap6s foi incorporando setores urbanos. Um dos principais poiflicos do partido foi Lui s Alberto de Herrera (este viTia a ser avo de Luis Alberto Lacalle de Herrera, presidente da republica de 1990 a 1995 pelo mesmo partido) e em tome dele surgiu 0 Herrerism0 29 . Em Zemelman (1990) durante a decada de 1960 uma economia desgovemada e as polflicas que nao conseguiam frear 0 aumento da

inna~ao

fize ram

21 lnforrnao;ii.o disponlvel em hHp:llwww.partidocolorado.com.uyl 2S Para Jelin e Lorenz (2004) 0 fato de ter sido utilizada a nomenclatura dictablanda. que na uaduo;ao seria dictablanda criando uma maneira de suavi7..ar a pala vra ditadura. deve-se a tenlar suavizar a siluao;50 para que nflo houvesse uma quebra de imagem do Uru guai utilizada pelo ex-presidente Luis Batlle Berres "pequeno o~sis de paz. liberdade e justi~a em um J1uUldo perturbado pOI" tn\gkas realidades". (JELIN: LORENZ. 2004. P 141 , tradu~ao nossa). z, 0 Herrerismo linha como uma das tematicas principais. devido a ter fazendei ros tradicionais dentro da sua base. 0 antiimperealismo e a conscrvao;fio da economia naciona!. para alguns t 0 partido mais tradicionalisla e 0 que poderia ler gerado uma diladura no Uruguai. ja que tinha uma forte aprox imao;:ao com 0 fascismo. Corn 0 fim da dualidade URSS - EUA 0 partido tornou urna direo;fio rnais centro-dircita. o Presidente Luis Alberto La.calle na d~cada de 90. seguindo a politica Argentina e Uruguaia intentou privatizar cmpresas estatais. poTtm a maioria dos projctos nlio foi aprovada devido a forte oposio;lio dos partidos oposicionistas como verificamos em Devoto e Paga no (2004).


54

com que surgisse uma coliga91io de esquerda que acabou se tamando 0 Frenle Amplio posteriomlente. Em Tri stan (2005) encontramos que a esquerda uruguaia era, ate a decada de 1960, extremamenle monlevideana, sendo

0

interior ainda divido entre blancos e

colorados, 0 que impedia uma boa representatividade da esquerda no governa uruguaio a partir dcstc panorama a esqucrda se uniu fonnando uma frente popular e assim surgiu o Frenle Amplio. Em 1972 entrou no pader Juan Maria Bordaberry, declarando eslado de guerra interno e com

0

congresso suspendendo qualquer tipo de garantia

constitucional; houve greves gerais, infla9iio em alta e desvalorizuqii.o da moeda como

podcmos verificar em Tristan (2007). No dia 27 de junho do ano de 1973 as fon;as armadas deram assumindo

0

0

golpe de Estado

poder ate fevereiro de 1985, porem baixo 0 governo civil de Bordaberry:W

que dissolveu

0

Legislativo e criou um conselho que era adm inistrado pelos militares,

ao contnirio de outras ditaduras em 1976 enquanto as retorno a democracia, Bordaberry suspendeu as

e 1 e i ~Oes

for~as

armadas queriam um

desse ana devido a esse motivo

ele foi deposto pelos militares conforme encontramos em Marchesi (2004). Como expOem Sechtig (2005) entre os anos de 76, com Bordaberry sendo deposto, os militares escolheram os dois futuro s presidentes, montando um novo conselho nacional, privando de direitos polfticos aqueles que tinham atuado politicamente. Em Marchesi (200 1) encontramos que a ditadura, entao, querendo resgatar

0

imagimirio surgido no auge do Batllisrno que arnortizava os atos de violencia, fazia dos charruas her6is nacionais e mostrava

0

Uruguai como uma

na~ao

democnitica desde

0

seu nascimento, reconia a ele quando necessario e tentou apagar da mem6ria da popula~5.o

as duas decadas que tinham se passado (1950 e 1960) e que tinham deixado

uma imagem de decadencia economica e social. Mesmo com todo

0

aparalo da ditadura

para que todas as esferas sociais convergissem para uma unica ideia sobre seus novos imaginarios "A ditadura nao conseguiu

0

respaldo nem

0

lacilo acordo dos intelecluais

para seus projetos propensos a criar uma nova ordem" (VINOL Y, PARAKESYAiDIS, 2009, p. 3,

Iradu~50

nossa). Marchesi (2001) explica que desla fomla

corne~o u 0

expurgo da sociedade daqueles que nao concordavam com a nova polftica implantada,

Juan Marfa Bordaberry foi presidcntc do Uruguai entre 1972 - 1973. foi 0 presidentc que disso]veu 0 do parlamento em 1973 conforme Jdin e Lorenz (2004). J()


55

alguns safram do pais diretamente para a Europa, alguns para a America Lati na, musicos, escritores, jornalistas, politicos todos rumaram para outras terras. A

altera~iio

idelllitaria da polilica ditalorial do Uruguai consistia em alterar 0

passado e assim fazer uma releitura do seculo XX, Marchesi (200 1) explica que para

fundamentar a imagem que a ditadura queri a construir ela tinha que recnar 0 passado. Desta forma conti nua

0

mesmo autor,

0

cerne na questao da

mudan~a

de imagem

consistia no pape! que a Eslado possuia dentro da historia nacional "e 0 contexlo autorit.1rio no qual se desenvo[vem as proposlns" (MARCHESI, 2001 , p. 62 tradu950 nossa).

Chegamos assim as aJtera90es no plano cultural onde se tentau retirar todo

0

simboli smo criado na epoca do Batllisrno, ou seja, a construr;ao de urn indio passivo e her6ico. 0 pais como uma ilha europeia na America Lati na, um pais que se considerava hegemonicamente branco, roi neste perfodo que surgiu a ideia da Sufr;a da America. Para Moraila a politica cultural se baseava em "com bater e erradicar os simbolos, relalos e rituais que questionavam 0 governo militar ou que faziam referencia a vida anterior a diladura" (MORANA, 1988 aplld REM EDI, 200 I p. 133, tradur;.1o nossa). A diladura conseguiu. de feilo. implanlar en um pais um conju[}lo de senlimenlos, valores. afelos. ideais e sensibilidades: acepla~iio da ordem das coisas. despolili:t.a~~o. su bmissao. delar,:ao. conse rvadorismo socio-cullural. faha de solidariedade. conce~30 individualisla e darwinista da sociedad e. conce~ao salffvica do livre mercado. aceptar,:ao da ideologia do descnvolvimento. felichismo da tecnologia e dos bens de consumo. (REMEDt. 2001. p. 133.lradur,:ao nossa)

â&#x20AC;˘

3.4 CA RNA VAL EM MONTEVIDEU

o carnaval de Monlevideu faz uma leitura da atualidade a partir de urn recorte temporal. Das agremiar;Oes, focos deste estudo, verifica-se que a participar;ao das lIIurgas

no camaval, sempre teve como principal argumento expor 0 que ocorre na

sociedade, uti lizando a crftica na sua forma de comullicar-se com

0

espectador. A

critica, que utiliza 0 humor como principal componente, e 0 que caracteriza estas agremiar;oes que sempre tiveram nas suas apresentar;Oes uma visao da atualidade da sociedade e confronta passado e presente quando necessario. Como se veri fica em


56

Carambula (1985), as lIamadas moslram 0 resultado de urn processo hist6rico

envolvendo a cullura afro-uruguaia, rememorando-a atraves de simbolismos que fazem parte das suas apresenta\Oes e desfiles.

Para Alfaro (1991) os simbolos encontrados no Camaval de Montevideu

"C.. ')

pl asmam uma visiio uruguaia do mundo; (... ) para construir (e reconslruir com uma mensagem dimhnica) lUna identidade naciona\ " (p. 230. tradur;ao nossa). "Que b~l\Illo (olosa!. Que relajo Ian bestial... iEs camaval! (Saludo La Gran Siele 2008.)

Nao haviam se passado 10 aoos da independencia do Uruguai peranle 0 Brasi l

quando em 1832 os jornais da epoca descreviam urn camaval onde lodos participavam de urn jeito barbaro. 0 palS ainda inserido em urn contexto rural, ja !inha Montevideu como sua maior cidade como mostra Alfaro ( 199 1) que completa analisando que a festividade era realmente uma liberar.rao de toda e qualquer formalidade existente durante 0 ano.

o

j080 de Carnaval foi a express ~o wlmin~nte da "wltura hldica" que. ambientada pelo 6cio e 0 igualitarsmo do Uruguai prf -capitalista. impregnou a vida daquela sociedade jovem. plcbeia e descontrafda (BA RR AN 1999 apull ALFA RO 1992. tradur;ao nossa).

o camaval fu gia do perfodo antecessor da quaresma e segui a, c\aro que em uma proporr,rao menor, durante

0

ano, pois as brincadeiras estender-se de urn camaval a

outro. No infcio do seculo XIX ja se observavam os bailes de mascaras e os desfiles de comparsas

31

,

porem neste perfodo a max ima do carnaval nao era participar de urn grupo,

ir a bailes ou assistir espet,kulos, mas sim bri ncar

0

camaval, mesmo durante uma

apresenlar.rao em algum dos leatros espalhados pela cidade 3S brincadeiras ocorriam neste perfodo nao imporlando onde se eSlivesse. Na visiio de Alfaro (199 1) 0 Uruguai e urn pafs que nasceu da guerra e da resistencia perante seus dois vizinhos Argentina e Brasil, onde a violCncia estava em seus atos de defesa do territ6rio, nao era de se esperar

As comparsas f Ullla das venenles da manifest a~iio do CliltdOllibe. que f 0 ritmo executado pelos afrouruguaios. mas que lambem pode definir a fesla em 5i. As compllrsas sao formadas pelas clferdas de Imubores. Para Guterres (2003) as comparSltS sfto "C.) apena s lUnas da s fonllllS visiveis pelas quai s se expressa a Iradir;ao dos lambores de L'lludumbe afro-umguaios" (GlITERRES. 2003, p. 11)

11


57

que ela se mantivesse longe do folguedo de camava] , a guerra roi literalmente levada para denlro da festividade sem menor ressentimento. Naquela sociedade aonde a violcnda era componentc inseparavcl da vida, 0 jogo concebido como guerra foi 11 drarnaliza\~o rnais oSlensivu dess:! realidade. sinletizuda nn ordcm que presidia um dos cantOes que protagonizou nosso Camaval "heroico" (ALFARO. 1992. p. 23. tradur;ao 1I0S5a),

Para a mesma autora,

0

carnaval era composto de duas partes distinlas e bern

definidas nn sua fonna de feslejo. 0 chamado Carnaval her6ico que compreende

perfodo de 1800 a 1872 e a segu nda parte que vai do ano 1873

ate

0

ano 1904 e

0

e

chamado pela autora de Carnaval Civi lizado. A diferencia9i'io seda devido ao que a

aulOTa considera 0 marco civili zat6rio do camaval, que ocorreu quando os govemantes da epoca querendo que a civilizar;ao, esta considerada como uma caracterist ica da sociedade industrial e, ponanto oriunda da modemizar;ao, se estendesse a outras esferas sociais e nao s6 ao espar;o ffsico entao foram criadas regras para trazer a civilidade ao camaval, modemizando-o. Continuando

0

relato de Alfaro (1991) que cita invasOes de casa, ovos de

avestruz, baldes com urina, pedras e outros materiais que eram utilizados nas brincadeiras de carnaval. No perfodo do camaval her6ico !Udo podia ser usado durante 0 camaval, senhoras faziam das suas casas verdadeiras fonalezas para nao serem invadidas pelos "fohoes", mor;as hem compOitada enchiam baldes e hexigas com agua para jogarem nos transeuntes desde seus lerrar;os. Essa violencia vista na fornla de comemorar 0 carnaval tambem faz parte do contexto polftico-social daquele perfodo no Uruguai, como vimos a independencia do Uruguai foi no ano de 1825, porem a palS ai nda nao tinha a paz tao almejada durante

0

processo de independencia, devido a

conflitos internos. De acordo com Bethell (200 1) mesmo com constituir;ao em 1830

0

0

Uruguai tendo sua primeira

Brasil ainda ocupava uma faixa peno do Rfo Negro e as

disputas intemas vieram a ocasionar a Guerra Grande que ocorreu no perfodo de 1839 a 185 1. guerra que marcou

0

in fcio da dualidade polftica que ocorreu no Uruguai ate

0

seculo passado entre "blallcos" e "colomdos". Durante a guerra, mais precisamente entre os anos de 1843 e 1851, OCOlTeu

0

"sitio de Montevideu", no ano de 1851


58

Urquiza 32 unido com

0

governa brasileiro adentra as terras uruguaias sem previa

permissiio. A Guerra do Paraguai, que se iniciou em 1864, foi uma forma de selar a paz entre argentinos, brasi leiros e uruguaios ja que foram unidos sob os interesses ingleses.

Mesmo com

0

fim da guerra do Paraguai, as crises polltico-econ6micas

assolavam 0 Uruguai principalmenle devido ao sistema bipartidario existente e ao processo de modernizar.;:iio que ocorria no pars como dito anteriormente, completando a decada de 1860, no ano de 1868 . Venancio Aares e Bernardo Berro, dais ex-presidentes do Uruguai, foram assassinados as portas do Camaval daquele ano este dia ficou

conhecido como El d{a de los cllI/cllillos largos e fez parte da Revolllcioll de las lallw;3 como vemos em AchUgar e Morana (2000).

Em 1876 comer;a urn cicio de militarismo (em 1876 se instaura coronel Latorre, foi no infeio deste cicio do militarismo que

0

0

governo do

Uruguai comer,rou a

consolidar-se como nar,rao). Porem , no final do secu!o XIX, 0 Uruguai ja comer;a a ser a "Suiya da America", para Bamill (2001) a segtUlda metade do seculo XIX seria tum etapa de disciplinamento do pais. ou seja.

0

Uruguai (na realidade a capital Montevideu,

o interior ainda se mantem agrario) comer,ra a entrar no circuito capitalista que comer;a a surgir nesta parte da America. Com este disciplinamento uma nova maneira de opinar sobre a rea!idade, de agir perante 0 mundo comer,ra a surgir na nova Sufr,ra. Com toda a hist6ria do seculo XIX marcada com conflitos extemos e intemos

0

camava! nao

parou 34 ; a barbarizar.rao do camaval acompanhou todo esse hisl6rico de tensOes polfticas principalmenle no que lange a defesa do lerrit6rio, assim para A!faro (1992) os abusos ocorridos durante

0

carnaval "remilell sigilijicalil"alllellle a decadas de II/rbI/felicia

f)offfica. a alios de Sffio Gmnde y a la necesidad de exorcizarfos a tmves de fa rim y ef juego" (ALFARO ,

1992, p. 25).

A islo se deve

0

grande numero de acidenlados durante

0

camava! relatado POf

Alfaro (1992), dessa forma a funr,rao de valvula de escape do carnaval fica visfvel, neste caso soma-se as regras habituais 0 eslado permanente de guerra ou de sftio que viveu

0

Uruguai e a cidade de Montevideu em parte do Seculo XIX. 0 camaval tambem servia l! Governador da provincia de Emre Rios na argemina no periodo de 1854-1860 conformc Bethell (200 I); II Em 1870. ann da derrola da Fran\a frenle ao exercilo alemao e da conslilUi\ao do tmperio germiinico. a rcbeliiio campesina no Uruguai denominou-se "rerolflCion de las IWfZCfS". porque era (0111 elas que lUI~ vam os esquadrOcs rurais conlra um exercilo que inlroduziu 0 fuzil Remington. para venee-los (RAMA. SOSNOWSKI. MARTiNEZ 1985. p. 351. tradu\uo nossa). :\4 Na escolh~ de Monlcvideu como eapilal ibero-amcrieana do Carnaval CSIC falo foi fund~menlal, 0 de nunca ter interrompido seu carnaval mesmo em epocas de guerra ou perfodos dilat6rias. lnforma\uo disponfvel em hllp:!lwww.monlevideocapilalcarnaval.com/eore.php?m=amp&nw=OQ


59

como urn canal para a

xx

socializa~iio

entre as classes, pois

0

Uruguai no infcio do Secu lo

construa uma imagem de urn pais majoritariamente branco onde

0

negro e

0

indfgena nao cQexisliam com os novos emigrantes europeus que la: iam tentar 0 seu futuro. As Mojigangas 35, comparsas e de certas formas os

cors05

36

faziam com que tada

a popula91io festeja-se junta esquecendo a opressao que uma c\asse safria pela autra. Lembramos que na opiniiio de Alfaro

37

(1991) enquanto os bailes liveram uma maior

facilidade de dorneslica9ao. a rua ainda continuou como palco de uma liberu9ao que ia ficando, cada vez, menos genufna, porem mant inha a zombaria como sfmbolo da

manifesta91io das ruas. J5 nas decadas de 50 e 60 do seculo XIX, os bailes de mascaras comc9am a

durar mais dos que os H-es os dias habituais, alem de antecipa-Ia entraram quaresma adentro, marcando os Carnavais Btirbaros. Quando, um baile de mascaras pagou a amplia91io do Cemiterio Novo da cidade, devido a isto Alfaro (1992) mostra que era

0

profano ajudando 0 sagrado. Na decada de 70 do seculo XIX come9a a se comemorar 0 enterro do carnaval que aqui no Brasil e 0 Enterro dos ossos. Em Montevideu

0

infcio

da comemoraryao deste "enterro" serviria como lUna fonna de hmdamentar a transiryao do camaval barbara para 0 civilizado e tambem como representa9iio da revivifica91io do Sagrado perante 0 desmando do profano. Eram chamados de "reformadores de la sellsibilidad" (BARRAN 1990 al)lld ALFARO, 1991, p. 39, tradu9ao nossa) todos aqueles que de certa forma aj udaram a mudar a sensibi lidade barbara da sociedade e preparn-ia para a modemiza91io insurgenle que vinha adentrando junto com

0

Seculo Xx. Para estes "sellsibifizadores" as festejos

de camaval, da fonna que ocorriam, lembravam urn Uruguai economicamente agrario, politicamente colonial e cll.lhu¡almenle "barbara", ah:lll claro, de todo a subversao de valores que

0

carnaval tern inlnnseca como manifesta9ao. Aiem disso, vemos aqui a

questao do surgimento do homo economicus 38 em detrimento do sujeito que se diverte

lS As Mojigangas podem ser definidas como um ( ... ) genero paratealral de procedencia popul~r (BUEZO. 2005. p.2. Iradur;iio nossa) que tinham como palco as festas burlescas e pall kipavam .. (. . .) represen tando enlremeses canlados 0 bailes enlremeseados palaciegos."' (BUEZO, 2005, p. 2, [radur;~o nossa). J6 Para Feneira (2004) emUl11a analogia com as batalhas de confete. 0 auto!" infonna que "(... ) consistiam basicamenle de grupos de pessoas encarapiladas sobre carruagens ou autom6l1eis. desfilando a elegancia e o channe da burguesia endinheirada para 0 deleite da popula{lio" (FERREIRA. 200¡t p. 241). )7 A uliliza<;ao predominante de Alfaro na temalica camallal uruguaio se delle a que esta ~ considerada a maior historiadora do camallal uruguaio 3' Para Jimenez e Franco (2007) 0 homo economiclIs e lim se:r "'(. .. ) racional e de proveta, careJlte de condicionanles sociais ou cullurais. e scm oulros senlimenlos que 0 desejo de perseguir os fins que marca


60

no camaval, entao a modemizaqao do pais tambem passava pelo fato de "corrigir aqueJes que brincam nas horas que deveriam dedicar ao trabalho " (A LFARO, 1992 p. 40, tradur;ao nossa). Mesmo com todo

0

aparato civili zat6rio que lrabalhava em prol de

mudam;:as no camaval, algumas brincadeiras bflrbaras ainda eram cornetidas por fo lines,

pois este perfodo era libertador e nivelador, era quando todos se viam iguais como

verificamos em Alfaro (1991). A "domesticayao" da festa POl" parte das alltoridades suaviza 0 risa e diminui 0 poder corrosivo que a fesla possufa nas ordens hierarquicas estabelecidas na sociedade.

Podemos dizer que a primeira fase , ou seja, a primeira [onna de festejar

0

carnaval

e

herdada da Espanha confonne Alfaro (J 992): "E difieil inclusive, detenninar com exatidi'io quando os montevideanos adolaram como sua essa "barbane" camavalesca herdada da Espanha" (ALFARO, 1992, p. 4 1, tradur;ao nossa).

Sendo a segunda fase

do camaval uma c6pia do processo civi lizat6rio do carnaval que ocorria em Paris e fruto de um processo reformador da sociedade por parte do estado, a ci vilidade significava progresso,

0

que 0 Uruguai buscava de fonna ardua em todos os campos da sociedade.

As primeiras normas que tentaram aplacar a barbarie dos dias do Camaval diziam respeito ao material utilizado para tal divers50 onde, por exemplo, Alfaro (1991) explica que foram proibidos quaisquer ovos que n50 fossem de galinha e a agua teria que ser limpa. Para que este processo civilizat6rio comeyasse a surgir efeito "C ... ) era preciso dotar gradualmente a fesla de novos conteudos que apagaram seu caraler essencialmenle IUdico" (ALFARO, 1992, p.44, tradUl;iio nossa). Alfaro (1992) ainda continua relatando que no ano de 1868 com todas as regras criadas e desrespeitadas os "sensibilizadores" "determinaram suspender total mente as brincadeiras com agua ou projHil ao mesmo tempo em que liberou 0 uso da fantasia a qualquer hora do dia, os bailes de mascaras e as comparsas" (A LFARO, 1992, p. 45 , tradur;iio nossa),

° processo de ci vilizar 0

camaval teve v6.rias idas e vindas com proibir;Oes que depois perdiam a validade au que retomavam a qualquer momento. Na opiniao de Alfaro (1992) os instrumentos desta mudanr;a, que comer;ou a se solidificar na decada de setenta do seculo XIX, quarenta anos depois das primeiras tentativas civilizat6rias, foram os bailes de mascaras, as comparsas e 0 usa controlado das fantasias. o sislema capilalisla lelldenle a buscar a mhima gan5 ncia indi vidual imediala" (JI MENEZ: FRANCO, 2007, p.69, tradur;iio nossa).


61

A mascara foi urn instrumenlo muito valioso nessa mudan9a do camava! de Montevideu, pois a sua permissao foi concedida pelas brincadei ras curiosas e inofensivas que quem a usava fazia, mesmo assim quem a usava deveri a identifi car-se antes da e ntrada nos bailes, isso devido aD caraler de anoni mato que 0 uso conferia ao

usuario. Os foliOes que a utilizavam cram chamados de mascaras como nos descreve Alfaro (1 99 1), em \867 mesmo com a Guerra do Paraguai e com a permissao para utili zar mascara sendo cobrado,

0

nurnero de soiicita90es para sua utili z<l9ao mais do

que lri plicou segundo a pr6pria autora .

Procurando urn

aT

de amenidade nos folguedos de camava] comc90u-se a proibir

a presen9a negra nos bai les de camaval,

pOT isso

luvas antes da entrada em um baile. Assim,

a norma da retirada da mascara e das

come~a

a surgir a diferenci a~ao do camaval

da elite que ocorre nos bailes de mascaras e 0 camaval daquelas pessoas que nao eram aceitas em tais bailes, estes acabaram migrando para as festas na rua da cidade no Carnaval Callejem. Para alguns vefculos da mldia este tipo de medida tirava a alegria

das festas, pois

0

onde mais ela se encontrava era justamente nas camadas mais

populares da sociedade como vemos em Alfaro (1992) . A resposla dos negros. por sua parle. niio se fez esperar: iniciando li ma longa I radia~ao. ern 1872.0 infatigtivel Eulogio Ansina organizou no Teatro San Felipe um sunlllOSO baile para a classe de cor. onde escolheu a atua~iio das comparsas Pobres Negros Oriellw/es e RaZl' Ajricalla (ALFARO. 1992. p.61. lradu~iio nossa).

A

for~a

seja por uma

das

m uda n~as

separa~ao

inseridas no carnaval, seja por ordem dos mandatarios,

de classes provocadas pela elite ou mesmo por

nat urais inerentes a qualquer

m an i fes t a~ao

como fonnas de

ad equa~ao

m ud a n ~as

a uma nova

realidade fora m moldando 0 camaval do final do seculo XIX. Na linha de pensamento de Al faro (1992) nestes aspectos da fossem literalmente jogadas come~ava m

a rua

m uda n ~a

mesmo que as camadas mais populares

pela sua

co ndi~ao

ou pela cor, as brincadeiras

a mudar para os montevideanos.

No ano de 1870

0

espetaculo ja

come~a

a surgir como fonna de diversao

substituindo aos poucos as brincadeiras, e 0 momento quando se inicia a se para~ao entre atores e espectadores do carnaval, comparsas organizadas foram surgindo cada vez mais fortes e mais organ izadas. Os negros com seus ritmos ja estavam presentes no carnaval desde 1830 como nos moslra Alfaro (2008), porem e s6 na decada de 70 junto com a


62

j u n~iio

da cuhura negra, do lambor, da dan9a e que surgem nos bairros Palermo e Sur

0

que hoje denomi namos COIIIIJarsas.

Dislintas agrnpur;oes surgiram em lomo da musica passando por diversos generos musicais, enquanto a elite nao consegu ia rir da sua propria realidade nos bailes,

nn rua a parodia tinha

0

seu palco e

0

seu publico assim como ex plana Alfaro (2008).

Nada escapava nem os pr6prios fes tejos de camava], modismo e os militares lambem

fi guram na lista de vl'timas das tetras carnavalescas no secu lo XIX canlndas na rua. 0 que vale deslacar nesle perfodo de fi m de seculo e 0 comercio se interessando pela camaval

e tratando-o como, efelivamente era, uma das dalas se nao a mais importante

do ano para as vendas. Para Sarran (1992) "C_ )

llllla

paixao lUllguaia tem continuidade apesar das ,

mudanps sofiidas

e a paixao pela politica" (BARRAN,

1990, ALFARO, 1992 pag.79,

tradUl;ao nossa), Segundo 0 pensamento de Alfaro (1992) eSla paixiio pela poiftica fica evidenle na fomla call fada de fazer 0 camaval e a crftica polftica existente no mesmo, algo que poderia ser eslrilamenle mascu lina no Uruguai lambem e uma paixao feminina. ( ... ) as paixOes polflicas, impregnadas da exuberante carg<l afetiva que nelas deposilou a sensibilidade b:\rbara, Iliarcaram <l fogo os ca mavais daquelas dfcadas lurbulenlas. dando lugar a re veladoras inslancias nas quais a carnavalil.ar;~o da polilica sucullibiu ante a polilil.ao;:ao do carnaval (A LFARO. 1992. p. 80.tradur;iio nossa).

Esta

politiza~iio

termometro da

do carnaval servi u, para Alfaro (1992) e ainda serve como

par1icipa~ao

da sociedade na polftica do pais, e aqui tambem entramos

no conceilo que a burla, na realidade, perpetua a ordem estabelecida ou que esta para se manter no poder tem a necessidade de permitir tal situa~ao de satira com isso se mantem no comando como a autora conclui. Para Alfaro (1991) 0 ano de 1873 marca uma mudan!ya na fonna de brincar 0 carnaval, claro que fru lo de todas as tentativas de d01lleslicaÂĽao iniciadas 40 anos atras na decada de 30 do secu10 XIX. Estas lransi90es, ainda livera1ll um tempo de 1llatura9ao ate que os historiadores pudessem falar do fi m da lransi!yiio e do infcio de urn carnaval discipli nado. Aos poucos a estetica ganha 0 espa90 das brincadeiras, as vezes brulais, que tinham espa90 no Carnaval, para Alfaro (1991) '1m lUna verdadeira revolu9ao fisioI6gico-social " (ALFARO, 1991 , p. 14, tradu9ao nossa). Em um contexto mais generalista 0 pais come~a

a sofrer mudan9as econom icas e tambem urbanislas, Montevideu passa por urn


63

processo inlenso de

u rbaniza~iio

com 0 surgimento dos bulevares . Com estas a[tera90es,

que surgem em diversos fimbi tos.

e de

se esperar que os valores dos montevideanos

sofram altera90es principalmenle no plano simb61ico na tenlativa de se modernizar, tamanda para si os valores vindos da Europa como moslra Alfaro ( 1992), e assi m ocorre

uma altera9i'io end6gena para adequa9uo aos novos valores do munda ocidental. Barran ( 1990) fala de uma "privatizar;iio das em~Oes" (BARRAN, 1990 apm/ ALFARO, 1991, p. IS, tradw;1io nossa), por brincar

0

camaval,

0

Oll

seja, a espontaneidade dos fes tejos, brincar

divertimento, tudo islO e relegado a segundo plano, quando

nao, ret irado da vida plibl ica como uma forma de adequu9uo ao forma!ismo ex igido pelo capi tali smo. No camaval as mudan9as vieram de cima para baixo como uma forma de domeslica9ao da barbarie das cl asses consideradas inferio res. Para Alfaro (199 1) a aceila9ao do modo de vida europeu junto com suas normas de ordem e civi lidade: "a acelerada acullura9ao39 derivada de nossa inser9iio periferica no mundo capi lalista que, alraves da desigual confronta9ao de modelos culturais, nos tomou ai nda mai s vulneniveis ante 0 tradicional influxo europeu" (ALFARO, 199 1, p.16, tradu91io nossa). A tudo isso Barran (1990) fala da troca de tipo de castigo se antes existia

0

,

castigo do corpo a talica fo i alterada para uma repressiio da alma (BARRAN 1990 aplld ALFARO, 199 1, p.16, tradu9ao nossa). Para islo foram utilizadas diversas ferramentas como, por exemplo, uma nova fonna de educa9ao que estava surgi ndo, porem essa mudan9a no infcio obrigat6ria passou a ser aceita pela sociedade como algo necessario. Se partirmos do SUPOSIO de que a hisI6ria dos sislemas de valores e dos componamenlos colclivos ignora as mUlar,:Oes broscas. resulta surpreendcnte o 10m emblem:ilico que assumiu a mudanr,:a. pelo menos 110 teueno do Carnava!. naqueles primeros anos da decada de selenla (ALFARO. 1991. p. 17. lradur,:50 nos~a).

° olhar do outro - no caso

0

Europeu - come9a a construi r 0 que Monlevideu

quer ser, a ano de 1873 marca

0

primeiro adorno das ruas confornle Alfaro (2008) e

primeiro desfile de comparsas

0

que ocorreu conjuntamente com uma serie de normas

0

que teriam que ser seguidas para evitar desagravos durante os festejos de camaval. Como lodo rilual coletivo, 0 Carnaval requer 11111 esp!l\o pr6prio, um ambito especialmenle rcservado para sua cclcbrar,:ao e. nesla conjunlUfU. essa Em Snlltnnn. enconlramos que acullurar;50 refere-se: "( .. .) e5pecificameule aoo processos e aconlccimenlos que provem dos encomros de duas ou mais culluras e. em principio. por definir,:ao, looas as cuilllTaS implicadas se v<: rao afetadas" (SANTANA. 1997. p. 18, II-adll~~o n055a) )9


64

djmcnsao

e~pac ial

dram:l1iza~ao

da festa converteu a cidade Hum grande cCHario para a da nova ordem em gestar;:ao (A LFARO. 1991. p.20, lradur;:iio

nossa).

No infcio da decada de 70 do seculo X IX e no decorrer do fi nal do seculo XIX

verificamos diversas mudam;as, Depois da Guerra da tr[plke

e um

a li an ~a 0

dos perfodos conhecidos como Militarismo.

Uruguai inicia um 10ngo processo de

a tim de sanar os danos provocados peln guerra. Surgem pianos de re model a~ao

tanto do

espa~o

urbanfstico como uma

remodela~iio

recupera~iio

urbaniza~ao

e

para a transi!f50 do

agnirio para 0 industrial. Alem di sto, ha uma transfonna(fiio nos simbolismos, aD se modemizar 0 pafs, novas valores surgem para uma

adequ a~ao

a fun damenlaÂĽiio que vern da Europa do

certa e do errado em como agir, vestir, sentir e viver, em um processo de aculturas:ao. Em concomitancia com a opi niao de Alfaro (2008) podemos verificar que adquirindo a posis:ao perante 0 mundo de

hOlllo ecollomicllS

0

homem

e entao, transformando a

sua vida e que passa a ter 0 trabalho como temporizador assim 0 ser humano esquece-se da diversao ou a relega para um segundo plano, pois seu novo status dentro das alteras:5es da economia nao the permite dar-se

0

luxo de diversOes, principalmente

camavalescas tidas para muito como lUna lembranva das festividades "selvagens" que agora sell am relegadas aos "open'lrios".

o espa90 da cidade come90u a ser preparado para receber a civilidade do novo camaval, comer;:a a surgir a decorw;ao de carnaval dos principais

bl/leval"es

da cidade,

tambem surgiu 0 desfile de carras aleg6ricos e as fantasias comer;:aram a ser premiadas nos bailes. Na reflexao de Alfaro (2008) a festa ganha a oficialidade que a nova ordem ex ige; as camadas dominantes tomam as fantasias como sfmbolo desta nova fo rma de festejar, relegando a mascara a "plebe" e the concedendo um papel de simbolo daqlleie camaval de antanh0 40 . A fan tasia mostra a civilidade que a burguesia da epoca deseja mostrar para se di ferenciar da simples mascara da plebe. Essa separar;:ao nas fonnas de festejar das camadas da sociedade vem a corroborar as mudam;as culturais que comer;:am a surgir em praticamente todos os Um sccul0 depois na dccada de 80 n~"jo havi:! crian"a que n50 fivesse unw mascara dos mais diversos personagens. Mulher Maravilha. Chaves. Torn e Jerry fodos eSlavam com os vendedores dUranfes os dcsfiles e fora dcles. havia quem colecionassc e aqueles que para cad:! dia de Carnaval usasscm uma diferenle. As mascaras de hoje em quasc nada se pareciam:'ls mascaras do scc ulo XIX e inicio do SCcuio XX e na dccada de 80 de ste ultimo era 0 maximo simbol0 infanli1 da comemora~iio de Caroaval (comprova~ao empirical. 40


65

campos da sociedade. As relw;oes entre os di versos ambitos da sociedade

montevideana, on opinii'io de Alfaro (2008) come9am a ser alterados nas suas fonnas de comunica<;ao denlro do disciplinamenlo que ocorre devido 3. adequa<;iio ao capitalismo. No lIlaTCO de um 1l0VO Uruguai. a atualizaoyao de simbologias. conteudos e cemjrios camavalescos expressou pontualmente a lel11a e trabalhosa emergencia de lima nova ordem simb61ica. De alguma m3neira. 0 ano de 1873. ponto de partida de urn novo itiner;'\rio alf3vts do Carnaval tllonlevideano C.) marta 0 inicio do Jongo proccsso que conduzira a consolidar;ao de unw festa de acordo com as formas de vivcr e de sentir desse novo pais (ALFARO, 1992. p.95. traduoy50 !lossa).

A nova forma de estar no

mundo tambem fazia parte dos

setores

desprivilegiados da soc iedade, que, apesar de que na hi sloriografia carnavalesca esla informacao nao apareca.

Confinnando a riqueza e a cOlI\plexidade dos processos cultucais, a "refonlla do Camaval" esta dleia de incollgt\lendas do mais variado SigtlO que permitem detectar quao manchada e a Hnea divisoria que separa as culturas populares da elite (ALFARO. 1991, p. 64. tradu~ao 110ssa).

.

Apesar de lodas as refo rmas a salira conti nuou presente desde os tempos mms remolOs do carnaval montevideano, antes da eleicao de 1873 que ocorreu no dia 10 maryo, nao era dificil encontrar diversas mascaras ''presidenciaveis'' nos desfiles. Desde esta epoca, carnaval faz uma leitura satfrica da poUlica do paiS, a partir de satiras as vezes amargas, as vezes festivas 42

comparsas

4t

.

No final do secu lo XIX , lemos a consolida~fio das

como ingrediente fundamental da celebra~ao (ALFARO, 2008, p.18,

tradUi;ao nossa), junto a estas comparsas surgem tambem uma quantidade considenivel de conjlUllos, chamados pOl' Alfaro (2008) de "agrupaciones de negros y Illbolos". Para 0 final do seculo XIX, mas precisamenle na decada de 90,

0

calldoll/be, que

na sua essencia e uma cerirnonia ritual africana, passa a ser incorporada ao carnaval,

0

que para Clirambu la ( 1985), faz surgir uma sincronia de elementos da realidade do negro no

4,

espa~o-Iempo

em Monlevideu com

0

passado ritualista dos mesmos, como por

No ano de 2005 a murga Agarrate Catalina fez uma apresent~ao onde falava do Pres idente Pepe Mujica quando este ainda era Senador da Republica e foi indicado para entrar no primeiro governo do partido Frente Amplio a nivel federal , se utilizou a figura do atual presidente da Republica para satirizar 0 medo que algumas camadas da sociedade tinham e preconi1.avam sobre a toma de poder poT parte do partido esquerclista que tinha 0 Presidente PePe Mujica como sfmbolo da luta contra a ditadura. ja que eSle foi guerrilheiro e faz parte do M m 'imielllo de ParliciWlc ioll Po/flica. Video disponivel em <: hup:/lwww.you tube.com/watch?v= Hsifiaxn_ IA>.


66

exemplo, a manei ra de undur dos componentes de uma cuerda de fllmbo /'es 43 que faz wna "reverencia" aos passos dos negros escravos e sellS grilh6es, 0 que impossibilitava que levantassem os pes, assim eram arrastados

Oll

levantados muito poueo do chao,

como fazem ate hoje os integrantes das ctlerdas.

"Para ser autentica a festa 56 pode se expressao do seu tempo e, corn sua justa dose de tradiryao e inovar;uo, de ruptura e permanencia, de loucura e sanidade" (ALFARO, 199 1, p.2IS, traduryao nossa). Frulo direlo de diversos processos como 0 disciplinamenlo e a acuiturar,;ao, e devido as inn uencias europeias,

Carnaval de

0

Montevideu sobreviveu e fomm justamente eSlas mudanr;as que ajudaram a sua sobrevida e consolidaryao no seculo XX. 0 camaval como mudan~as

man ifesta~i'io ,

se adaptou as

sociais e culturais que ocorreram no fina l do seculo XIX e conlinuaram

poslerionnenle. A

evol u~ao

das

agru pa~oes

que faziam 0 carnaval somando-se as novas regras

que a nascente realidade exigia fez surgir a espetacu l a ri za~ao da festa, 0 carnaval onde a brincadeira era que rei nava, da lugar ao urn novo carnaval da As

p remia~Oes

dan~a ,

dos ri los e de falas.

ja nao sao mais obras de arte, mas premios em dinheiro como

enconlramos em Alfaro (2008b) e se antes negros e brancos dispulavam os mesmos premios nos tablados isso pr6prios negros assim

come~a

come~am

a mudar no raiar do seculo XX por ex igencia dos

a surgir as calegorias do para

pre m ia~i'io

do camaval.

Na alvorada da primeira decada dos anos 1900 lemos um verdadeiro panorama do que era a sociedade monlevideana da epoca e, lambem, onde ainda incipiente 0 molde do camaval como 0 conhecemos hoje come~a a surgir, onde 0 ponto maximo foi 0 carnaval da virada do seculo em [899 se utilizaram "quinze milhoes de serpentinas" um sfmbolo da civ ili za~ao na epoca. (ALFARO, 2008b, p.2?,

Iradu ~ao

nossa).

Se a construo;:ao da Ila~ao na e ra moderna foi. entre outfas coisas. 0 resultado de urn complexo proccsso de integrar;ao de sintese e acultur:lI;:iio (... ) no marco de um pais que necessilava pensar se a si mesmo e imagi nar-se como cOlllunidade. (A LFARO. 199 1. p. 12S. lradu\~o nos sa).

Hoje as calegorias que fazem parte do Camaval monlevideano sao cinco: Parodisras, HUlllorisras, M/lrgas, Revis/as e as

agru pa~Oes

de Negros e L/lb%s.

°

pape\ das pessoas no carnaval do Uruguai e eXlremamenle bem defi nido, atores, Cuerdll de TWlloores. explica Olala (1009) ~ onde 0 candombe ~ tacado por uma cllerda de tres tamborcs. chico. rcpique y piano e ~ tacado por Ires individuos. e cada lambor lem sua medida espedfica ( .. .) e VaG se multiplicando de Ires em Ires. (OLAZA. 2009, p. 53. Iradur;ao nossa) <)


67

mlisicos, empresarios, letristas, espectadores, iSIO foi parte da transi9ao do camaval brincado para urn tipo de camaval assistido e menos participativo como podemos ver em Vidart (20()!).

3.4.1 LLAMADAS e CANDOMBE

Dale /l egro p 'a dela1l te 110 me pares de II/char Grupo Pareceres

Partiram de diversas regi6es da Africa os negros que desembarcaram em Montevideu eram em sua maioria da civiliza(fao Bantli, que ocupavam

0

que hoje sao as

regi5es de Camar6es e da Nigeria segundo Rodriguez (2006). Somando-se a estes,

tambem fa zem parte da raiz africana no Uruguai as civil iza(fOes Dahomey e Sudanesa. Estima-se que em lorna de 40.000 pessoas vindas para trabalhar como escravos

desernbarcaram em

leITaS

uruguaias a este contingente foram somando-se escravos

oriundos do Brasil que fugiam para a regiao quase desertica da Campanha no Uruguai. Os negros ocupavam fun90es pri nci pal mente na industria do charque, cuidando da came que seria vendida para os paises vizinhos, tambem eram chamados para lutar quando 0 pais entrava em guerra enquanto que as mulheres eram enviadas para 0 servi90 domestico. "Em 1791 Montevideu, fo i design ado, unico porto de introdu9ao de escravos para 0 Rio de la Pl ata, Chile e Peru" (MEC. 2007, p. 4, tradu9ao nossa). As afinidades culturais dos escravos serviram como ponto de partida para que, chegando a Montevideu, estes se agrupassem segundo sua !fngua, cren9as, religiao enfi m, tudo aquilo que pudesse ser considerado um elo da sua origem e assim , serv indo como um agregador para un ir os negros na sua chegada a estas terras como identificamos em Carambula (1985). Esta uniao tambem serviu como uma maneira de proteger a carga cultural que cada um Irazia, afim de que isto Ihe concedesse uma identidade dentro do seu novo espa90. Ai nda para Carambula (1985) os afrodescendentes conseguiram unir-se por sua origem, idioma e oUlros falores devido necessidade de prote9iio e de ajuda entre semelhantes.

a


68

A dellOlllin3~30 de "na\,Oes" foi, prec isamellte, OCOlTetKia dos negreiros. que, para facilitar suas despiadadas tmnsar;:Oes cornerciais. classificam a mercadoria humana de :leordo COlll sua origem. por resuitar mais comodo e facililar sua rjpida idenlificar;:ao (CA RAMBU LA. 1985, p.23, tradur;:ao nossa).

Nas nar,;:oes havia uma corte com reis e rainhas, para Carfimbula (\985) as

diversas cu huras africanas que aportaram no Uruguai sao a origem das naeroes, pois cada uma representava a majestosidade deixada em solo africano. As Nw;6es nao 56 trabalhavam para agrupar e fortalccer

0

espfrilo de origem comum dos negros

organizando as festividades e rituais religiosos, mas lambem serviam de apoio agueles

que necessi lavam da ajuda da sua comunidade, mais ou menos nos moldes de associa90es de ajuda como as que os imigrantes espanh6is e italianos fundariam posterionnenle, assim nesla fonna de agl1lpamento eles "(...) buscaram formas e espar;os de encontro dentro da legalidade de uma epoca que apenas aceitou seu agrupamento nas chamadas Naciones" (MEC, 2007, p. 13, b¡adw;:1i.o nossa). Os negros que chegaram as terras uruguaias trouxeram sua rftmica denominada candoll/be, que no pafs vizinho denominou tanto

0

ritmo quanto os festejos dos negros

no seculo XIX. "EI tennino ka-lldombe na lingua kimbtmdo, significaria "costume Oll danr;a dos ndombes "" (MEC, 2007, p.

14,

tradu9ao nossa) complementando, para

Canhnbula (1985) " Provavelmente a ollomatopeia tibnica, dell origem ao uso da palavra emu/ombe para tudo

0

que era de origem "negra" como bailes, dauya negra e

etc. (CARA.MBULA , 1985, p. 13, tradU!;ao nossa). emu/oil/be se chamavam as festividades do dia seis de janeiro, dia de reis44 ., a reuniao dos tambores, 0 rilmo, tudo aquilo que fosse vinculado aos afrouruguaios era Clllldombe. A palavra coudombe apare.;:e pcla primcira vez em uma cronica do escritor de epOC3 isidol"O de Maria, que titulou "el reciulO )' los cwtdom/)l's' (18081829). PosteriomlCnte. a lemos em uma composi~ao do poeta Acuna de Figl1el"Oa, apareci3 110 "ÂŁ1 Vn;I'ersilf', em 1894 e Cl~O primer verso diz: "colllpal1eio di cilildombe." (CARAMBULA. 1985. p.13. lradu~iio nossa).

o ealldombe se caracteriza por uma con versa entre tambores, urn toque chama outro toque de outro tambor e assim se forma a rftmica do candombe. "0 clllldombe, como 0 samba brasileiro ou 0 guaganc6 cubano, e a evolur;ao, ao contato com realidades .... A escolha do dia de Reis. tambtm era uma forma de reverenciar 0 rei mago negro Baltazar. tambtm n50 era dificil dentro das casas existi rem imagens dele e de Sao Bento. (MONTANO. 2010. di sponfvel em hup:llwww.alterinfos.orglspip.php?article4155. trndu~ao nossa).


69

locais, de lUll ritmo Oliginal dos ritos africanos de feclUldidade" (POLIMENI, 2002, p. 146, tradu~lio nossa). Para Canimbu la (1985) a fonnar;ao do candombe seria a segunda

elapa da constituir;ao dus danr;as afro-criolas; ele e 0 ritrno que ditava e dita as festividades dos afrouruguaios, em urn primeiro momento estas festiv idades ocorriam nas casas das Naciolles deno minadas Salas ou nas Callclws. Conforme

0

MEC (2007)

os calldombes dos negras de antanho eram uma forma de sobrevivencia e assim

selviriam como valvula de escape aos moldes do camaval cia Idade Media "urn fntima e intenso chamado a rebeldia antes as imposicOes e ao avassalamento do qual eram objelo " (MEC, 2007, p. 13, tradw;iio nossa). No dcsenvo]vimel'l!o do candQmh" do Rio de la Pima. 0 p~pcl decisivo correspondeu aos congos, cujo rilual se iram solllar quase todas as outras "na~oes". pelo que 0 vocabulo se generalizou ate 0 ponto de englobar quase todas as dan~as dos ncgros. inclusivc as carnava1escas (CA RAMB ULA. 1985, p.8, tradu~ao nossa)

As

na~6es

tin ham

0

seu tenit6rio nas Salas. As salas estavam instaladas em

antigas casas coloniais abandonadas ou alugadas pelos pr6prios amos, que eram ocupadas pelas

na~6es,

estes eram os mais velhos e eram res peitados dentro da

"hierarquia" existente dentro <las completa que eram os reis das componentes da

na~1io

na~6es

na~6es

segundo Canimbula ( 1985)

que definiam as regras de comportamento que os

deveriam seguir, estas Salas eram mantidas atraves das esmolas

recebidas em nome destas

na~oes

eram convert idas para ajudar aqueles da comunidade

que nao tinham como se sustentar.. "Isidoro De Marfa ( 1968) considera 1808-1 829 como a "epoca de contra as mural has e

0

autor ainda

0

OUIO", 0

auge dos c(llldombes das

na~6es

0

perfodo de

a suI da cidade,

mar" (DE MARfA, 1968 apud GUTERRES, 2002, p.7!) desla

forma, pode considerar-se a importancia que as Salas liveram como lugar de mem6ria, identifica9ao e

ma n ute n ~iio

da cultura afro uruguaia.

"domingo a domingo. "os amos pennitiam aos se us escravos que fossem a SIlas "c3nchilas" alinhadas ao longo da muralha qlle fechava e cuidava de cidade". Nesses pequenos espa~os de terra cobertos. com uma ramada de areia. se reunialll todos os africanos de acordo com a Slla na~~o_ "Cada gmpo ia llamando a seus companheiros. os que saiam das C:lsas de seus amos, e se reuniam com aqueles que llamaban dcsdc a rua ou dcsdc a canchila" (MEC. 2007. p. 15.lradu"ao nossa).

Uma das

m an i fest a~6es

do emu/oil/be e a eomparsa, que e a reuniiio dos

tambores, a corda dos tambores, somado a outros elementos que simbolizam a cullura


70

afrouruguaia e os personagens como

gramillero,

0

Gramillem deve seu nome as grail/iI/as

OU

0

escobero, a /llama II/qa. 0

yuyas (ervas) como explana Canimbula

( 1985) que usava para curar seus pacientes. aS5im ele simbolizava 0 curandeiro; 0 escobero

0

bas/onera era um personagem que tinha sua importancia fora e dentro das

Salas. No MEC (20 I0) encontramos que

0

papel deste personagem como sendo

0

"diretor de rulla orquestra" isl0 meslllo antes das comparsas existirem como tal. A Mama Vieja e 0 personagem feminino da comparsa, robusta, sempre de branco, com

uma saia rodada e segurando um abanico na mao. companheiro do grall/illera na danr,ra

a frente da cllerda de tambores na comparsa.

Para alguns a Mama Viej d era a dona das

chaves, ou seja, aque]a que controlava a sa(da e a entrada das pessoas na casa dos amos, na visao de Carambula (1 995) a Mallia Vieja simboliza a rainha das Na'Y0es. A I;omparsa tem uma formar;ilo cI.issica: 5eu estandarte vai il. frente com trofeus conquistados. logo as Bandeiras. e na retaguarda a meia lua. estrelas e far6is de tecido pintado. distintivo que. pelas noites. d.i urn especial encanto e a fa z visfvel a distancia. Os negros vilo ca minhando em fila indiana com suas tipicas y vistosas fantasias. caminhando entre 0 intenso e d li do sam dos 11lIIlbori/es. que the d50 uma fis ionomia exotica e pitoresca. colocando uma nota de tom local nas festas do cfCmcro c funambul csco reinado de momo. (CARAMBULA. 1985. p.48. tradll~3o nos sa).

A cllerda de tambores

e0

que forma a comparsa somando-se lodos os

personagellS, a corda tem tres tambores

0

Chico,

0

Repique e 0 Piano. "As comf)(lrsas.

portanlo, sao apenas uma das fonnas vis(veis pelas quais se expressa a lradi'Yao dos lambores do calldombe afro uruguaio (... ) na forma de agremiar,;Oes" (GUTERRES, 2002. p. II ) e ainda complementa que as C/ladas de tambores sao as orquestras percussivas do cOlldombe.


71

FIG URA 0 I: PROJETO

1930-1991

f

A corda de lambores, nos seus desfiles, junto com os personagens, saindo junto a outras cordas de tam bores caracteriza as lIamadas, que hoje fazem parte do desfi le de agremia\oes do Carnaval, para Guillen (2007) antigamente as I/a ll/adas eram urn chamado de fe ja que ocorriam no din de reis 45 . As lIamadas tambem eram urn ato de cong rega~iio

entre as

Na~Oe s,

e, portanto, entre as comparsas, esse chamado tambem e

o cora~ao do candombe ja que os tambores se chamam entre si. 0 calldombe, porlanlo e urn ritmo onde ocorre uma conversa entre os tambores, por " (. .. ) se

I'll

i SSQ, 0

nome de

Ilamllda.~

/lamalldo. 11110 llama, repica af OIl1ro, se va flall/lIl/do a cada barrio" (

GLAZA, 2009, p. 59).

Para Canimbula (1985) ex ist iram Ires etapas da forma9ao do cOl/doli/be, sendo que hoje, vemos a lerceira elapa que seria a

fonna~ao

das comparsas, que surgiu em

1867 com 0 aparecimenlo da sociedade de negros "LLl raza ajricana". Nas !lall/ados se congregam lodos os sfmbolos da cullum afrouruguaia que por muilo tempo foram proibidos, a comparsa aparece com as luas, eslrelas, os personagens, se para Guillen (2006) 0 condOll/be e uma dege n e ra~ ao da religiao afro, podemos iden lificar que na sua rai z

0

rilmo era uma fo rma de

ve nera~ao

dos Deuses do panleao africano, entao a

mesma aulora identificou que as IltllI/t/das tambem era um Ilalllt/do da fe africana islo ~s Em Chirimini e Varese (2000) encontramos que: "Tambem os candombes se dall~avam em datas

indicadas.especia!mente no dia 6 de janeiro. a fesla dos Reis Magos. Esse dia. depois de uma missa so1ene na Igreja Matri z. a que nssistiam os rcis negros e tOOo sell sequito. se fazia lima visi ta as autoridades (govemador espanho! ou portugues Oil 0 presidente em exercfcio. dependendo da epoca) e mais tarde se romavam em procissao musical ate a sala. onde ap6s um slIculento banquele se iniciava 0 candombe ate 0 por do sol. Na dam;:a parlicipavam 10005 os membr05 da sala. nos qlle se uniam um coro de curiosos. tanto brancos qllanto negros. para presendar 0 espetaculo bamlhento."" (CHlRlMINI: VARESE. 2000. p. 98. tradll\ao n055a)


72

esta em consonanci a com a opiniao de Ayesleriln (1953) "(... ) as

dan~as

negras no

Uruguai , trazem urna ideia de sincretismo religioso" (A YES TERAN , 1953, p.65, tradur,;:ao nossa). Hcram;:a dire!a do troneo comum africano. a fo~a desse fraseado (converso ent re l:lmbores) ~ versao local de uma misleriosa comunh5.o com a rmls ica e a dan~a . ingrediente chuve na exislenciu do negro. que, mnis altm de fronleiras. expressa uma forma de ver e de senlir a vida (ALFARO: COZZO.

2008a. p.52. Iradur;ao nosS3 ).

Todas as manifestar.;:Oes dos afrouruguaios ocorriam em locais onde Ihes era permilido faze-lao Quando a Montevideu de antanho eslava encerrada entre as mural has da Cilldadela 46 , 0 candombe se realizava denlro da cidade, na antiga Plaza del Mercado ,

Chico ou no Pa seo del Recinlo, na costa sui (CARAMBULA, 1985, p.21, traduc;ao

nossa), tambem em '1ugares denominados "canchas" e nas salas (... ) se levavam a cabo com mimetica solenidade palaciana"(CARAMBULA, 1985, p.17, traduc;ao nossa). Quando as muralhas dOl Cit/dadela sao derrubadas, os afrouruguaios continuam a usar as imediac;6es da mesma para seus festejos. As celebr[\\:Oes ou os bailes nfricanos desde os fins do sCculo XVIII ocorriam na zona sui do Recinto (espao;o estabelet:ido entre as bOvedas sobre a bahia e 0 cubo do Sur a beira do mar. amal tramo que se estende aproximadmnente desde a Rambla Roosevelt a Rambla Gran Bretana) (MEC, 2007, p. 7. traduo;ao 1I05sa).

Os negros nao safram de entorno a cidadela ja que

0

porto e suas Salas se

encontravam nesta regiiio, estes bairros, hoje em dia, Sui e Palermo sao referenci a para a populac;i'io negra montevideana. A localizac;l'io geogn'ifica dos negros nestes bairros do tempo que

0

e

Uruguai ainda era uma colonia e pela reclamac;ao dos habitantes que

tinham que ouvir os toques dos tambores dos negros estes foram permitidos a toear fora das muralhas da Cidadela. 0 que criou uma "fixac;iio topografica do

cQ/uJombe "

(ALFARO ; COZZO, 2008, p. 23 , traduc;l'io nossa). Desta forma os bainos Sui e Palermo tornam-se urn marco da cultura negra e do seu representante

0

calldombe.

Para

Carambula (1 985) os sHios africanos conseguiam aproximar toda a populaC;ao da cidade, nao importando origem, genero ou idade, como uma fom1a de fuga dOl sua fastidiosa realidade.

016 A ciudadela. quando da edifi~a~lio em 174 1 roi projetada para ser um pequeno fOlte. Para Ribeiro: "La ciudad em si era aquella que se ellcerraba em sus defensas" (RIBEIRO, 1997. p. 21), ou seja ela "eT1CeTTOll' a ddade dentro dos seus muros ate hoje na entrada do bailTo Ciudad Viej a a sua pOlta esta vislvel como um monumellto da cidade.


73

Quando se derrubam os muros da cidadc e eSla se alargou. transpondo os limites de pedra da severa Cidadcla. Entao os negros. ansiando maior liberdade. escolheram os subUrbios C)(tra lllllfOS. pois dcvido ao ruido infernal dos tmnbores a popular;iio continuava a se queixar as autoridades (CARAMBULA. 1985, p.22. tradUr;30 nossa).

"Com

0

advento cia industri alizayao e as mudanyas soclais que ocomam no

Umguai, as negros continuaram convergindo para as "doens do porto, as

imedia~6es

da

Antiga cidade e perta do mercado " (MEC, 2007, p. 6, tradUl;1io nossa). Antes do surgimento dos cortirros, alugaram perras de inquilinato. Os corlirros comcryaram a ser erguidos em uma conjuntura de modemizaryao e industrializary30 que ocorria no final do

secu[o XIX para abrigar a mao de obra imigrante que provinha da Europa como verificamos em Alfaro e Cozzo (2008) principalmente italianos e espanh6is nesla conjuntura de novos moradores de Montevideu se encontravam os negros libertos que chegavam em grande mimero a capital e que se somavam a aqueles que ja eslavam na cidade. Nos corti90S 0 novo homem livre, se via rodeado, no infcio por um ambiente que nao Ihe era de todo agradavel, ja que estava envollo por regras dos primeiros moradores na sua maiOlia imigrantes assim

0

afro muguaio se ve dianle de Hm desafio de "adaplar

sua vida a novos c6digos sociais sobre os que nfio lem nenhum antecedente " ,

(RODR IGUEZ, 2006, p.33, tradu9ao nossa). Dos corti90s mais conhecidos se destacaram tres pelo surgimento de congrega90es de cullura negra em torno deles,

0

Mediomundo, Ansina e Gaboto, os tres liveram ellert/as e comparsas, geraram leones do candombe e da cullura negra, enclaves deslas duas que mesmo com sua desintegra9i'io ffsica continuam colocando nome aos tambores e aos toques oriundos das cordas de lambores ex istentes ainda hoje. " 0 Mediomundo era delimilado pelas ruas Cuareim, Islas de Aores, Yi e Durazno" (ALFARO; COZZO, 2008, p.IS, Iradu9i'io nossa) e por uma conven9i'io mais dos seus moradores do que real menle pela demarca9iio dos bairros como completa a autora,

0

cort i90 ficou sendo no Barrio Sur e

seu maior rival candombero, no Bairro Palermo. Possufa 40 habita90es, com urn patio no meio equipado com 32 tanques para lavagem de roupas, contava apenas com quatro latrinas e 0 mais conhecido denlre os Ires . .'(... ) enclaves associados desde sempre a sua !radi<;iio e a sua produo;ao simb6lica. neles como sus!ema Luis Ferreira. a desempcnho musical dos !ambores delimiw uma !erri!orialidade urbana e promove uma reinven<;iio do local que nu!re-se de


74

c6digos proprios. IOlalmente diferentcs 0 <lul011011105 dos crittrios urbanfsticos oliciais" (A LFARO: C0Z20 . 2008. p.9. lmdu\ao nossa).

o

cort i ~o

leve varios nomes que dependiam de quem 0 povoava como nos

mostrum Alfaro e Cozzo (2008), 1eve 0 nome dos seus construtores Cortiro de Risso, nn decada de 20 comc90u a ser chamada de Candw de Wanderers, al udindo dcsta forma as cores da camiseta da mesma equ ipe de futebol

0

branco e

0

preto, ja que nesta altura 0

cortir;o possui melade da popular;ii.o negra e melade branca, por ulti ma ganhou da rua que 0 circundava Convelltillo Cllareim 47,

0

nome

"( ... ) no caso espccffico de Mediolllulldo. a c:tlcgoria (Iugar antropol6gico) se lorna particularmcnle reveladora quando expl ora 0 dispositivo pelo qual Ulli determinado ambito p~s~ a ser deposit.1rio d~ ide ntidade do grupo" (ALFARO: COZZO. 2008. p. 9. Iradu~ ao nossa).

Muitos dos trar;OS SOCialS dos cortir;os se construlam atraves da necessidade advindas das dificuldades do dia a di a. 0 comparti lhamento de pertences era comum, assim como algumas mulheres serviam de babas para as outras que precisavam sair a buscar roupas para lavar e assim faze r 0 seu sustento. No cortir;o nasceram, criaram-se ou estiveram fi guras do carnaval ou que dele vieram a fazer parte posteriormente. Alfaro e Cozzo (2008) cilam Rosa Luna 48, Juan Angel Silva49 , Carlos Paez Vilar6 5Q como alguns nomes inesquedveis que vivern no imaginario carnavalesco da cidade e que tiveram 0 Mediomundo como palco. ,

Juan Angel Sil va fo i considerado patriarca de Cuareim e uma das figuras mais importantes da cullura aFrouruguaia segundo a opiniiio de Alfaro e Cozzo (2008), seu apelido era Cacique, nasceu em 19 19, em 1940 chegou ao cortir;o, casou, teve mhos, conseguiu urn emprego publico devido a suas amizades na polftica e Fundou Lonjlls de Cuareim passando a se chamar Morellat/(I em 1953 sua primeira comparsa. Cacique

fico u conhecido pela sua fo rte ligar;ao com 0 arlista plastico Paez Vilar6 que tinha um atelier no cortir;o na per;a que ainda era de Cacique, alem di sso, a mesma per;a para a ~1 A cornp~rs~ que se originou no corti~o. hoje ul iliza 0 nome Cuareim 1080 rnesmo que ~lguns dos seus

inlegranles nao lenh3ln raizes no cortio;o e nem no bairro. Disponivel em hu p:l!www.cuareim I080.com.uy/prcs.html ~s Urna das vedeles corn mais deslaque no Carnaval Uruguaio. faledda no ano de 1994. ÂĽ! Por mll ito tempo roi quem "conumdou" 0 cOlti~o Me(lim",,,,do <.:onforme Alfaro e Cozzo (2008). so Artisla pl.1slico uruguaio conhecido inlernacionaimenle por ler conslruido Casapueblo na cidade de Punla del Esle. Desfilava rela comparsa Cuareim Cl 080 se ndo se u ultimo desfilc no ana de 20 10. Disponivel em http://www.lanacion.com.ar/1232960-11 uvi a-Iambores-y-una-despedida


75

sede do cl ube de futebol Yacumenza. Fa! um sfmbolo da decada de 50 do qual e ''um

produto Ifpieo e inconfundfvel" (ALFARO; COZZO, 2008, p.50, tradUl;ao nossa), Lol/jas de ClIareim e posteriormente a compana Morenada

internacional

gra~as

alca n ~aram

exilo

a Vilar6 que com seus contatas conseguia shows em Punta del Esle

e em outras cidades do mundo.

FONTE; HECTOR DEV IA IN ALFARO E COZZO (200a. p_ 19)

Em 1954 Paez Vilar6 decidiu que sua exposi9ao, que participari a da Conferencia Internac ional da UNESCO a ser reali zado em Montevideu , seria no corti90 danda ainda mais visibilidade ao cortir,;o conforme expl icam Alfaro e Cozzo (2008). Paez pintou os

negras nao s6 porque os admirava, mas (ambem porque convivia com eles no dia a dia.

Os cortir,;os tambem se caracterizaram por serem escolas de cOlldombe, onde os filhos dos moradores aprendiam desde pequenos a \(>earem

0

tambor ou a se transfo rmarem

em mini vedettes do carnaval. Assim mantendo uma tradi'1ao que ale hoje, mesmo com o desmantelamento dos corti'1os cont inua enos desfiles ainda se faz uma homenagem aqueles que ja se fo ram e deixaram sua marca em frases como "ell esta lIoc/,e (fa de las lIamadas) ellos estall presente jllnto a IIosotros" (A LFARO; COZZO, 2008, p.57).

o cort i ~o

cOrli~o

Mediomundo nao s6 albergou Paez Vilar6 tambem sao figuras do

Rosa Luna uma das maiores vedetes que

0

em 1937, Martha Gularte e Jagrima Rios compJetam

carnaval ja teve nascida no 0

cOrli~o

panleao de vedetes uruguaias que

fi zeram hist6ria nao s6 pela sua beleza, mas pela sua hist6ria na cu ltura afrouruguaia, as


76

duas eram freqiientadora s assfduas do

corti~o,

como enconlramos em MEC (2007) 0

corti90 nao s6 era lambem ponto de encontro de crianr;as que moravam nos arredores do mesmo.

Sendo urn dos sfmbolos da cullura negra, 0 cortico sempre foi mUl lo visitado por

turistus que queriam ver a "ahna" do cG lldombe e seg\uldo Alfaro e Cozza, (2008)

enigma radiea da forca dos atributos que faziam que

0

Mediomundo fos se uma das

grandes capitais culturais do ali/doli/be e, por isso, muilo mais que (ALFARO;

cozza, 2008, p.64, lradw;:50 nossa).

"0

UIll

simples

corti~o"

Para Alfaro e Cozzo (2008) a decada

de 60 foi crucial para a vida do cortico, mesma com a consolida9lio da imagem de

comparsas como morenacta,

0

deterioramento ffsico contin ua, a esta altura tinham se

passado oilenta anos da inaugurayao do predio. As obras de manutenyao previstas nunca ocorreram, as pinturas da fac hada davam um ar provis6rio de melhora, um arremate frustrado , a revogalfao da lei que tomou 0 corti90 um Monumenlo Hist6rico Nacional 51 e 0 barramenlo de outro projeto, 0 de exptora9uo turfstica do local abriram as portas para 0 que depois seria 0 desmanlelamento deste lugar de mem6ria. Nos proces,os de conSlru.yao das identidades. tanto as coletividades como os indivfdllOS tem a necessidade de simbolizar esta identidade em alguns refere ntes comparlilhados. 0 tratamento do espar;o t 11m dos principais meios ao qual se recorre para a concrer;iio deste operalivo (ALFARO: COZZO. 2008. p.9. Iradllr;ao nossa).

路C uarelln 路 ", A路 . ~ AS cllerdas de h0Je, nstna" e Cordon 54. , Ilveram sua ongem em Ires

cort i90s, os respectivos Mediomundo, An sina e Gaboto, cada um com um toque de lambor diferenciado que 0 identificam com sua origem. No momenta que houve a demoliyao dos cortiyos por parte da ditadura, pensou-se que haveria uma desintegra9ao da cultura negra, porem 0 que ocorreu e que alguns que fora m desalojados acabaram voltando para casas de amigos ou parentes que continuaram no bairro ou mesmo aqueles que nao conseguiram relomar fize ram do entomo ao corli90 seu local de ensaio e de passeio, alem disso, a dispersao daqueles que nao puderam ou conseguiram voltar ~I

Referente a historia da rcvoga~ ~o do tombamento do corti~o encontramos que "havia sido declamdo Monllmento Historico Nacional pcla resolur;iio 1.941/975. desalojado no dia 3 de dezembro de 1978. foi extinta u declara.yao de Monllmento Hist6rico em 1979 pela Resolw.ao 2.570/979 e demolido nesse mesmo ano. No transcurso de qualm anos 0 valor e 0 significado atribuido pelo Estado ao con i ~o Medio Mundo. mudoll radicalmente. De digno de ser preservado COIIIO "'representativo da cultum de uma epoca路'. se transformou elll passivel de ser apagado" (Adinolfi: Erchini. 2007. p. 137. tradur;ao nossa). S2 Disponfvel elll < hllp:llwww.youlube.eom/wulc h?v=td5 gX2xMSrM> ~J Disponfvel em < hllp:llwww.YOlllllbe.com!watch?v=ZHpmz3XIQ4U> Sol Disponf vel em < hllp:llwww.yollillbe.eom/walch?v=w AzNQmCmd4w& fea lllre=relaled>


77

originou a dispersao do ca l/doll/be peJa cidade,

0

que seria a

desagrega~iio

da cultura

negra acabou fortal ecendo a ''CultUJa do tambar" por quase toda a cidade segmldo as

palavras Alfaro e COllO (2008).


78

3.4.2 MURGAS HelOmaf

Al lablado de bllrrio Mislerio de esquilw. Camillar

Sobre

serpentina ... Es() es CarlUt!¡al. (CARRIZO. 2000, p. ix)

A M urga

e

1111(1

a agremiar;iio carnavalesca aos moldes europeus do camaval

montevideano; a sua origem pelas paragens americanas tern epoca delimitada. em 1909 um gmpo chamado "A Gaditana" desembarcou para uma :ierie de apresentar;Oes, as

quais nao conseguiram publico suficiente para a volta do grupo a Espanha, referindo-se

a este gmpo "podemos recordar como a plimeira

l/1u/'ga

espanhola em Montevideu:

como uma imitar;lio desta lIIurga IS que nascem as conjuntos que atuariio durantes as festejo de camaval desde

0

ano 1909 em frente" (DIVERSO, 1989, p.23, tradur;iio

nossa). 0 fata da pouca assiduidade do publico fez com que apresenta~5es

0

grupo fizesse suas

na rua e nlio cobrasse entrada e sim fazia pedidos voluntarios de

colaborayOes chamados de " pamr fa 1/I(ll/ga". Existe um consenso que na Espanha a Mllrga

tern sua aparir;ao em Cfidi z, porem os elementos que estao presentes nestas

IIIlfrgas

s50 encontrados em oulros locais da Europa: C<idiz, por sua vez, lelll uma dupla heranl;a: por um lado, um marcado componenle migratorio italiano. basicamcnte genoves e venezi:lno. Mdscaras, pistolas de <igua e fa ntasias C.. ) foram elementos que Cadiz herdou dos carnavais italianos (LAMOLLE. 2005. p.12, tradul;:to nossa).

Diverso (1989) situa temporal e politicamente 0 aparecimenlo destas agremia~i5es:

A mllrga surglU no Uruguai durante 0 primeiro governo de Claudio

Wlliman, e sua origem esta relacionada com uma companhia de zarZllelas 55 que viajavam assiduamente ao Uruguai . no infcio do seculo, provenientes de Espanha. A primeira lIIurga, que pode ser chamada de legitimamenle uruguaia surgiu para, justamente, parodiar os espanh6is: "La gaditana que se va (.. .) esta foi II primeira murga

a zarzuela (.. .) esla pelo seu assunto denlIo dos generos comico e trligico em toda sua extens~o. Porem [,damos, al6m disso, que parte dela 6 canlada (... ) se bem 6 composi~ao dram<ilica, 6 lamb.!m uma composi(fao lirica, uma csp&:ie de opera: na qual as dec1ama~05es do simplesmente falados" (RODICIO; BARBIERI, 1994, p.262, Iradul;ao nossa). )S "( ... )


79

uruguaia que atuou nos carnavais, e na im prensa da epoca aparecem referencias a eSle conjlUlto no meslllo ana: 1909" (DIVERSQ, 1989, p. 23 , tradUl;ao nossa). Alfaro (1991) consegui u identificar como se vi am as lIlurgas nn epoca do seu

surgimento: "sinfonias orquestrais" que se confimdem com as "notas esbidenles y

desafinadas produzidas por latas, bombos y pIt/iiI/os" (ALFARO, 1991, p.98, nossa) em oulras oportunidades a /IIurga

e mostrada como "0 resultado

tradu~ao

de um longo

processo (...) cujos incertos antecedentes se fimdem" (ALFARO, 1991 , p.70 traduyao nossa); Entao podemos definir a IIIl1rga como lim processo (artfsl ico) de diversas

vertentes que confluiram para fonnar uma manifestaiJuo musico-Ieatral que serve como uma forma de comunica9iio, manifesta9iio e representatividade popul ar. Tambem encontramos uma defini9iio que consegue unir tudo aquilo que as

lIlurgas

congregavam

no infcio do Seculo XX: Sintese e herdeiro das festas e dramas cristaos da colonia. das ceri monias e da musica africana. do circo. 0 tcalro gauchcsco c 0 sai nctc crioulo. das estudianlinas S6 e comparsas do seculo XIX. e lalll~m das zanuelas e operelas gadilanas quc. no inicio dcstc sCc ulo. visilavam 0 Rio da Praia (CA PAGORRY: DOMiNGUEZ. 1984 aplllf REMED I. 2001. p. 130. Iradu"ao nossa).

Remedi resume 0 espfrito pelo qual e guiado ate hoje a esscncia das lIlurgas: Urn grupo de uruguaios que decidiram imitar uma rnanifesla9iio artfstica espanhoJa em 10m de brincadeira fo i suficiente para que as

mllrgas

se constituissem em umas das

expressOes populares mais importanles (DIVERSO, 1989, p. 31. tradu91io nossa). de brincadeira que

° tom

e citado refere+se a burl a, ao costume de rir de acontecimentos de

uma nova forma utilizando-o como mecanismo de comunicayao. Uilla "manobra" artistica ulilizada pelas

lIIurgas

eJabora9ao e conhecido como

e 0 uso da base de uma musica conhecida, este tipo de

COl1trajactllm.

assim e usada uma melodia ja conhecida

com urna nova letra adaptavel a este temaS7 â&#x20AC;˘ Con fomle Diverso: As can90es tinham a musica das

za rzllelas

58

mais populares da epoca, iniciando assim a tradi9iio

I11l1rguera

S6 Marlinez e Garcia (2004 . p.1 12. lrauu\:ao nossa) conceitualll ulIla estudiantina da seguinte fonna "( ... )

grupos lirico-m usicais de divertimcnto. formadas por jovcns de ambos os sexos das classes acomodadas da cidade. e que constituem os elementos Illais dimimicos. engn'l~ados e festejados do camava\." S1 No ano de 2010 a Illurga AgarTate Catalina ullizOll a base da musica Solo Le Pido a Dios do musico Le6n Gieco. imorl~lizada pel~ c~ntora Mercedes Sos~. par~ ~ su~ apresenla\:ao. que juslamenle. f~lava de DClls.


80

de usaf melodias ja conhecidas para vincul ar novas letras, tradic;iio que em parte se tern mantido ate hoje (DIVER SO, 1989, p.33. tradUl;lio nossa). Em umu primcira apro;t;:im3iOiio falarcmos que a Murga t ullla expressiio arlistico-popular. de carater massivo. aparentada com OUlros generos como 0 1calro de rua. a lanuela ou opereta, gerahnenle oposla a forma de urIc considerado "cuhu" e que tem desenvolvido caracteres pr6pn os tradicionalmente rcconhccidos. A sMira dos acomccimemos socials e UIlI modo especifico de reprcsenlar,;iio constituem seus rasgos mals caracteristkos. tradi~ilo que tem sido elll patte recolhida. pelus "Nonnas Basiens Municipales de Camavar da cidade de Montevideu. que em seu articulo 25 estabelece: "A categoria IImrgas recolhe lUna express~o claramenle popular: 0 que as pessoas vcem. ouvem e dizem a propOsilo dos acontecimentos salientes do ana lOmados como piada e em seu aspccto insOlilo ou jocoso. Dislingue a murga. ( ... ) 3 mimica. a vivacidade. 0 movimenlo. 0 contraSle. a infoTmalidadc cenica c 0 grotesco (... )" (DIVERSO, 1989. p. 89. lradur;iio nos sa).

Atraves da ironi a como figura ret6rica fundamenla l, a IIIlIrga faz ia eco de expectativas e rumores da popula9l'io, especial mente os setores socioculturais mais baixos, sendo assim a grande parte da popula9l'io que assistia aos espetaculos das lIIurgas vinham destas camadas con forme Di verso (1989). No infcio as lIIurgas eram

const iluidas, na sua maioria, por canilliras, que era

0

nome dado aos vendedores de

jornais das esquinas, ja que estes trabalhavam com a voz para vender

0

seu produto,

criaram uma imposta9uo de voz que se tran sformou na fonna de cantar e falar das lIIurgas.

No infcio do seculo com a moderniza9uo do pais e do carnavai, cada vez mais as manifesta90es anisticas, assim como outras manifesta90es dividiam a popu la9uo de Montevideu. As camadas da popula9l'io mais abastadas se dirigiam aos teatros para ,

apreciarem as Operas europeias que faziam suas lurnes pela America, ja as classes com menos recursos se dirigiam a pakos callejeros para assistir as apresenla90es dos grupos de zal'ZlIela, que atingiam

0

Pllblico que Imo podia aceder a outro tipo de diversao. "0

1900 e a cpoca da popularidade da Wl'zuela e simultaneamente dos espetacu los operfsticos eram

0

centro das preferencias dos setores, mais dislinguidos da soc iedade"

(DiV ERSO, 1989, p. 33, tradu9iio nossa). Uma das caracleristicas que diferenciam os feslejos do carnaval umguaio de outros mais conhecidos c a not6ria desccntralizor;ao na rcpresentnr;ao de suos diferenles rnanifestar;Oes artislicas. camaval uruguaio se reduz alcm de alguns bailes e dcsfiles (corsos) inaugurais, as atuar;Oes que durante quaren ta dias os conjuntos realizam em meio a uma centena de ccnjrios de ruas

°


81

dispersos petos diSl il\10S bai rros da cidade (DIVE RSO, 1989. p. 33.

lradu~iio

nossa).

As lIIurgas sempre se caractcrizam, no Uruguai , pelo torn crftieo-humorfstieo das suas

a prese n ta~5es,

a partir de urn recorte semi6tico Feilo em urn momenta da

atualidade da sociedade montevideana 59 e utilizando os elementos que Jhc sao pertinentes cia mostra uma crElien, por vezes considerada acida 60 , do momenta atual. Essa crHiea rernete a origem da murga para Di verso ( 1989) a crftica passa a ser um

clcmento do carnaval montevideano que passa a ser vinculada a imagem da mllrga em 1909, para este autor a II1l1rga surge neste ano de uma fonna repcntina.

A forma de relratar a sociedade fez popula~ao

monlcvideana, pois era uma forma de

0

sucesso da

comu nica~iio,

das camadas menos abastadas, ou seja, era um meio de

I1Il1rga

creseer entre a

que se mantem ate hoje, comu nic a~ao

feito por

partici pantes desta classe - lembremos dos canillifas - para ser ouvida, na sua maioria, por esta classe e com a realidade pr6pria do dia-a-dia, assim podemos dizer que no infcio a /IIurga era fei to pelo povo e para 0 povo. o i!xi!o que as murgas iam ob!endo :uraves de suas alUa((Oes no Carnaval mon!evideano. devia-se fundamental mente ao conteudo social e 0 tra!amento informal e ironico de seus versos. que es!abelcciam certo desvio da norma '"culta" dominante, possibilitando uma maior idel.lliflca~l\o do pllblico (DIVERSO. 1989. p. 91. tradUl;;io nos sa).

Ao utilizar formas e temas que nao cram reconheci dos como arte no in(cio do seculo, pelo conlrario, as ironizava, assim as /IIu rgas criaram urn canal de cornunica짜ao que contrariava

0

contetido elevado das

aprese nt a~Oes

operislicas. Para Di verso (1989)

islo seria a continua짜iio de uma Iradi짜D.o medieval, pois utiliza "( ... ) expressOes verbais ou ce11as referencias indiretas a temas moralmente proibidos na cultura oficial" (D IVERSO, 1989, p. 34, tradu짜iio nossa).

U!ilizaremos a sociedade mon!evideana como con/luen!e da atualidade da sociedade uruguaia como Ulll lodo. por a!;reditar que aquela represen!a de lima forma condsa a realidade do pais. 60 Dcpois da sua vitoria no segundo tumo das clci((Ocs no Uruguai, 0 presidentc Pcpc Mujka foi '"homenageado" pela murga Agarrnle Catalina. pOl"em diferentemenle do ano de 2005 onde ele foi asstmlo da mesma murga quando ainda era senador. neste ano a crHi!;a foi mordaz !;om 11m Cuple chamado "C;"ilizemos al Pepe" 0 qual recordava a fon na de vestir e falar do presidente. assim como falava do seu animal de estima"iio. !;aITO e !;asa. 0 Presidente mlo gostou da <:riti!;a. !;onsidcrando-a mal cdu!;ada. Video disponivel em hnp:llwww.YOUlube.com/watch?v=7c3CJo I UTJO. 5'


82

A "'"rga co nfiguro u. desdc sell nasc imento. urn fenomella politico. Niio pelo

que diz respeito 11 militiincia partid&ia senao pela origem de sua arraigado e as conota~oes cidadlls de seu repertorio. Surgida da polis. da dd ade. sell cancioneiro lrunsparece 0 impaclo da perda do carater sagrado e do desencanlo proprio do racionalismo urbano. (V IDART. 2001. p.12 1. traduo;iio nossa).

A partir desta critica em urn ambito s6cio-polflico, a id entifica~i'io,

assim ela passu a ler uma

fun~iio

l/1urga

cri a urn elo de

denlro da soc iedade, j a que cia faz urn

recorte semi6tico (VIDART, 200 1, p. 21, tradur;ao nossa) da sociedade, Irabalha esle TeeorlC transformando-o em uma crftica-satfrica, dentro deste recorte os lemas mais

enconlrados em toda a hi slOriografia referente ao camaval trala de questOes po\(ticas e de modismos da sociedade. i nven~ao

E claro que 0 camaval em si, se tratando de uma fonna de

da realidade nao poderia deixar de rir de si mesmo. No ano de 2004 0

DAECPU ex igiu que as ml/rgas contassem com pelo menos uma mulher. ja que estas nao faziam parte das apresenta~oes e sim, ficavam alras do palco, como maquiadores ou montando as fantasias, entao no ano de 2005 a Murga Contrafarsa fez 0 Cuple 61 " La 61 Gorda Bella ".

A apresentm;:ao da murga se desenvolve em palcos chamados Tablados. Para Alfaro: "0 tablad0 63 contava a vida do bairro" (ALFARO, 2008, p.59, tradllqao nossa) e "C. ·) geograficamente os dois baitl"os de tradiqao //II/rg l/era sao La Teja y La Union"

(LAMOLLE, 2005 , p.26,

l radu~ao

nossa). Assim havia uma questao geognifica na

identifica9ao das murgas com seu publico, assim como 0 lime de fute bol do bairro, era comum ver vizinhos em uma apresenta9ao da IIIl/rga do bairro em outra local idade. Na decada de 60 era comum, famflias inteiras iram de camiollefa para os clubes aonde a IIIl/rga

do bairro iria se apresentar. As ml/rgas foram se adaplando confonne 0 espa90 que the era concedido, no

inicio do seculo a forma de canlar dos callillitas era necessaria devido as condi90es "0 Cuple. sem dllvidas. e a parte mais '"tealJ:a]" na represel.lta~l'io das Illurgas. Tambem e 0 unico momenta verdadeiramente narrativo onde existe a preocupa'iao de compor personagens. Os papeis prol;igonico 0 assumem os "'Cflp leteros". integrantes especializados do cora que possuem, alem de serem ~alltores solistas. (etta capacidade hislli6nic~ para esta modalid ~de de at\la~l'io" (DIVERSO, 1989, p.80. Iradu'illo nossa). E onde exisle uma conversa enlre 0 cora e 0 clip/nero . onde geraimenle 0 publico loma rarlido de parte do coro. 2 Video disponivei em hllp:llwww. youlube.com/walch?v=EqmdAHmoP5E n "0 maior ··tabiado" do Umguai. c: sem dllvida 0 Tealro de Veran". anfilealro ao ar liVre com capaeidade para cinco mil pessoas, ondc anualmenlc sc realiza 0 concurso ofieial de agru pa'iOcs carna vaiescas. 0 concurso ofi cial de comparsas j;i estava inslallrado desde 0 arlO 1874. porem lem sofrido vadas transforma~Ocs tanto em suas formas organizati vas como a quantidade de calegorias de conjunlos parlicipantes" (DIVERSO. 1989. p. 88.lradll~llo nossa). 61


83

precarias de acust ica que ex istiam nos lablados, ja que nem microfone havia. 0 palco

por excelencia das murgas sao os tabfados, Diverso (1989) diz que os tablados por 5i 56, devido ao seu

es p a~o

fisico, fomam a responsabi lidade de ditar as regras da

apre se nla~ao,

assim no decorrer dos anos, conti nua

formatando as

a prese nt a~iios

0

aulor, os lablados fo ram

das IIIl1rgas ate 0 que se conhece hoje em dia.

FIGU RA 03: TABLADO DE BAIRRO ANOS 30 DO SECULO XX

FIGURA 04:

Outra questao de identific3yao do publico com as

. SECULO XX.

IIIlIrgas

sao os temas e as

farmas como os temas sao traladas, islO de ceria fanna tern a ver com 0 hist6rico das


84

II/I//'gas

e com seus componentes letristas64 ., durante a ditadura as

/11l/rgGS

afluencia de publico eram aqueJas que criticavam , como se podi a na epoca, dilatorial , como por exemplo, a

I11l1rg a

Falla y Resto. Desta fonna a

que Di verso (1989) chama de " ftmr;5es sOcias cluhlrais" inerentes a

I11l1rg a

IIII/rgll

â&#x20AC;˘

com mms 0

governo

cumpre 0

que faz com

que e la se identifique com certo publico, assim "as tetras das /III/rgas se definem antes

que nada pelo conteitdo tematico" por snas referencins ao contexte politico-social, antes que pelo usa de certos tropos verbais au por sua construr;1io lilenlria" (DIVERSO,

1989, p. 49, tradw;50 nossa). Para Bardolli (2008) a /11l/rga cria urn "sentido de pertencimento" nas camadas populares da populayao, servindo assim como uma forma representatividade.

Alias. se bern que 0 Camaval nao e ern si urn fenorneno politica. as /III/rgas. tanto ontem como hoje tern estado possu(das pelo demonio da politi1.3<;ao. Em conseqGencia. a arrna satirica de aguelas faz alvo nos apar:uos do poder ou 110 andamento do> costumes (V IOART. 200 I. p.23. tradur;ao nossa).

Assim vemos como a letrista, a partir de um corte semi6tico da sociedade, faz tuna "analise espectral" (V IDART, 200 1, p. 21, tradw;1io nossa) da sociedade onde ele esla inserido, seja em nivel de bairro, cidade ou pais, utilizando mecanismos como a satira polftica, a murga constr6i um repert6rio feito de imagells oblfquas (LAMOLLE, 2005, p.20, Iradw;iio nossa). Desla forma entre personagem e

0

e conslrufdo um relato a partir de um dirilogo

coroM da ",urga, como forma de representa~1io do Cuple como

opina Diverso (1989) utilizando

'~ as

sUas representayOes (...) elementos teatmis, de

opereta, zarzuela e outJas vet1ente::; que sao tJatadas de modo patticular" (DIVERSO, 1989, p. 4 1, tradw;ao nos sa). Desta maneira a lIIurga se transforma em

Uma forma de nos reconhecerrnos. em nossas realizar;Oes e frustr:lr;Oes. em nossas tristczas e alegrias. ern nossos dcscjos c postcrgar;Oes cotidianas; 0 caminho largo e generoso. enfim. para gritar em voz alta its injuslir;as e darlhc luz verde a salira. ao barulho. a picaresca ern risle. que e tambCm uma forma implacavel de autocaricalura scm concessOes (V IOART. 2001. p. 123. tradur;30 nossa).

¡¡ 0Ictrista e qucrn escreva as musicas. portanto conforrne Diverso (1989) segue este. inforrnando que ele

nao obrigatoriarnente e intregrante da murga. 6S "0 canto coral. por sua parte. e 0 elemento definidor do gene:ro. 0 canto de varias vozes simultiineas conformando um coro. se remonta as origells da murg" y tem-se mantido como um Tasgo mais caractcrfstioo no que diz respeito?ls difcrcntes fonna s expressivas adotadn" (DIVERSO. 1989. p1ig.36. lradu<;ao nossa)


85

Na apresentar;1io das murgas vemos que a participarylio do publico e de crfti coespectador, ja que este nao participa da apresentaryiio de uma fanna ali va, assim como

nas flalll(ldas

0

publico assiste a quem faz

0

carnaval. a participar;lio nas brincadeiras

ficou na hist6ria do camaval parada no inicio do seculo Xx. "0 pova, transformado em

publico, ja nao se disfarryu nem usa a mascara nas pruryus, nas ruas, nos saioes de baile ou nos corsos" (V IDART, 2001, p.133, traduryiio nossa). A partidp~iio do publico durante 3 representuliao das mllrg(lS difere em {ermas gerais do curater dionisfaco dos festcjos de camaval universal mente mais conh(:{:idos. Se v;vc 0 carnuval. por assim dizer. muis que nuda em forma distanciada e ate crnica com respeilo as diferentes propostas: as murg(l$ representam 0 Carnaval para que seu publico julgue. TalllbCm a delimita(,:ao de fUll(,:ao utor/espectador est;i claramente definida e raramente f transgredida, (VIDART. 2001. p. 124.trudu(,:iio nossa).

Nos anos de 1990 surgiram oficinas de murgas nos bairros mais afastados, com o intuito de surgisse uma intendenc ia e

0

renova~iio,

estas ofici nas surgiu de urn convenio entre a

TUMP-Taller66 Umgllayo de Mlisica Poplliar. Alguns grupos que se

fonnavam nestas oficinas se independizavam do tallerisla , assim grupos de amigos do bairro onde acontecia a oficina criava uma murga. Com mllrgas surgindo em quase todos os bairros de Montevid6u surgiu 0 ENCUENTRO DE MUROAS JQVENES que no ano 2010 chega a sua 14" edi~iio67 . Antes desta renova(fiio oriunda de uma necessidade de primeiramente forta lecer a musica uruguaia em contra a lodos as outras vertentes musicais advindas do exterior e de, como polit ica publica educacional, ocupar 0 horario inverso ao da sala de aula, uma renova91io ainda mais ponlua! SlU"giu dlU"ante

0

periodo da ditadma . "A renova91io de

certos aspectos da IIIl1rga ( ... ) que se afirmou a partir dos ultimos anos da ditadura, se deu, sobretudo nas mllrgas (do bairro) La Teja" (LAMOLLE, 2005, p26, tradu930 nossa). As lI1urgas, como uma mani festa(f1io artfstica dinamica, sofre modifica(fOes, tambem por uma necessidade de se fazer entender frente as novas ferramenta s comunicacionais existentes. Em 2004 em urn acordo da DAECPU 68 com VTvM camaval

co m e~ou

forma de afastar

0

a ser televisionado para todo

0

Uruguai,

0

0

que para !TIuitos era uma

publico dos tablados, pelo conlr<i.rio, fez surgir fen6menos como a

66 Oficina 67 Informa(,:ao disponivel em hHp:llwww.montevideo.gub.uy/not iciaslabren .inscripcion.para¡murga.joven lIS DAECPU e 0 orgao respons;ivel pelo concurso de Camuval como j;i citado na introdu(,:ao. II'! A VTV televisionou pela primer.l vez 0 Carnaval no ano de 2003 conforllle Alfaro e Fem;indez (2009).


86

murga Agarrate Catali na 70 mraindo um publico que nao freqlientava os tablados. Esse televisionamento fez com que a murga adaplasse a sua forma de fal ar para a TV, palco tambem sofreu

adapta~oes.

que ser lembrado que assimila~ao

"C.. ')

Salvo as queixas de alguns, sobre estas

altera~6es

0

tern

a mllrga sempre (em se caracterizado pela continua

de outras fonms artisticas para seus fins de cOllnuticayao" (DIVERSO,

1989, p. 41 , traduryao nossa). Para Vidart (200 1) a quesh"io do horario fechado junto aDs interesses comerciais da televisao e as novas tarifas dos (ablados

da cultura, As

IIIl1rgas

tI~m

entrado no circuilo de comercializa9iio

continuam sofrendo modificaryOes pelo dinamismo da pr6pria

sociedade na qual estiio inseridas, estas a1teraryOes nao sao pontuais, mas trabalham como um processo continuo de adapta¥ao as novas realidades que surgem a todo

0

momento. Elas sofreram "sofrem inumeni.veis modificayOes C.. .) nos intimos anos inclinados a "traze-Io de volta ao grande llllUldo", isto

e, a faze- Io soar, mas parecido a

tudo e menos a si mesmo" (LAMOLLE, 2005, p.15 , tradu¥ao nossa). Esta coloca¥ao de L.1.molle vai ao encontro de urn pensamento muito difundido entre os montevideanos " CamaFal era"

los de allies"

onde, se acredita, as

lIlurgas

eram

mais autenticas devido ao seu caraler all/atell/" e que agora com a "comercializayao" das II/I//"gas ,

mudou a sua fonna de ser, a sua essencia, ou seja, mudou a sua identidade.

Oiferentemente de outros autores para Alfaro e Fernandez (2009)

"0

profissionalismo

,

sempre esteve presente no camaval uruguaio" (ALFARO ; FERNANDEZ, 2009, p. 14, tradw;ao nossa). Porem existem diversos elementos

II/llrg ueros

que nao sofreram altera¥ao:

"Como antes, as lIlurgas se organizam nos bairros obrei ros, cooperativas de habita¥ao, centros estudantis, clubes sociai s, cantinas e bares, lugares onde se juntam, ensaiam e de onde saem as II/II/"gos noile a noile (REMEDI , 200 1, p.131 , tradw;ao nossa). As II/urgas hoje podem ser consideradas como urn espelho de toda uma evolw;ao soc iopolltica do Uruguai conforme Bordoll i (2002) demonstrando isso na sua musicalidade ou nos aspectos visuais da sua apresenta¥ao. Ap6s

0

surgimento do televisionamento em 2003

elas tiveram uma maior entrada no interior do pals, transformando-as em lUna "especie de slmbolo patrio" (BORDOLLI, 2002, p. 3, tradu¥ao nossa). 70 A Mu rga Agarrate Catalina comer;ou como uma murgajovcm no ano dc 2000. at!! quc no ano 2003 foi para 0 concurso olicial ondc nos anos 2005. 2006 e 2008 alcanr;ara lll 0 primeiro lugar. e co nsiderado um fenOllicno poT Alfaro c Femilndez (2009) dc vido ao grande 1ll11llcro de seguidores que a1can~ou com tao pouco tempo de existencia.


87


88

3.5 CA RNAVAL E DITADURA

Dentro deste contexto

0

camaval, que ti nha

sellS

sfmbolos extrafdos das classes

mais baixas e que tinha conseguido conquistar publicos de diversos matizes, aiem de seT porta voz das necessidades da popular;ao

tornou~se

corrobora Afnsa (2002). As Ifamadas e as

alvo da nova polftica cultural como

lI1urgas

sofreram cada uma de urn jeito

diferente, com esta alterar;,lO de simbolismo que a ditadura pretendia instaurar, desta

forma, para Vinoly e Paraskevaidis (2009) se rompia a c0l11unica9ao entre espectadormanifesta91io, quebrando urn ela identificat6rio que tanto marcou

0

camavaL

"No m~n,:o do desastre 05tko e cultural da serie de profana"Oes e vioJ~Oes de tabu s e "crimes supremos" ocasionados peJa ditadura militar. " 0 llllUldo de (abe~a Pi'll baixo" passou a seT a reafinna~iio. disfan;ada. daquil0 suprilllido e n~o tolerado pel0 poder. mas vel.ler ado e celebrado pela sociedade" (REMED I. 2001. p_147. tradu~iio nossa)

Nesta vida onde

0

medo era uma constante, onde nao se podia falar ou agir

diferente. onde ate os pensamentos eram moldados. as

mllrgas

criaram uma nova forma

de comunicar;ao com seu publico. metMoras. meias palavras. duplo sentido. A ",urgll foi a leg(tima expressao dos setores populares durante a ditadura Mi litar como afirmar Viiiolye Paraskevaidis (2009). uma fomla de di zer 0 que este setor pensava e como agia durante

0

perfodo de 12 anos. Mas nao s6 estes setores fizeram das

mllrgas

suas porta

vozes, tambem a classe tllt:dia a adotou: "Durante a ditadura militar. a JlllIrgG acentuou seu papel politico e tambem passou a ser um genero escolhido pel a classe media pelo qual se converteu em um foro de oposir;ao poHtica. muito diffcil de censurar" (POLIMENI. 2002. p. 149, tradur;ao nossa). Entende-se a

mllrga

como expressao

cu ltural destes setores nao s6 pela sua origem, hi st6ria ou pela aceitar;ao que ela tern senao pcla forma de se produzir como tal expressao. A extra\:ao de classe. a nao profissionaliza\:ao de seus cOlllponentes (para este periodo). sua lllassividade. 0 rC\:onhedmentos de ou tros representanles de express5es culturais como prodmo popular. ou desprezo de sua eSletica desperta na intclectualidade enos setores dominantes. siio alguns aspectos que tem se levado em conla (VINOl Y: PARASKEVAiDiS. 2009. p. 2. lradu~iio nossa).

A censura de certa fonna tentou mudar a opiniao que a

mllrgll

havia

originariamente colocado na musica, as vezes estas eram obrigados, de certa forma,


89

concordar com

0

censurador, 0 que nn hora da apresenta!flio soava urna crllica di screta.

Surgiram textos cheios de metMora, que confomlc Vinoly e Paraskevaidi s (2009) Faziam pensar que as 11111rgas eram em prol dos "novos ares" que corriam pelo pais vizinho, porem ao se chegar rnais perlO se veritica a eximia utilizac;ao da metMora como

li nguagem para expressar aquila que se pensava sobre 0 golpe. Na composit;ao das musicas murgueras havia uma busea incessante por certas palavras que pudessem dar a entender urna cffti ca

a ditadura.

Esta por sua vez

trabalhava com um aparalo de conlrole sobre qualquer manifeslar;lio artfsticn que

pudesse oeorrer a(raves do Edicfo del carl/alll/ l 71 ou a Comissao de Controlc. Dentro do concurso oft cia! de camaval aquelas

/IIurgas

consideradas transgressoras ocupavam

sempre os ultimos lugares ou relirando 50% do seu premio em dinhei ro, 0 que muitas vezes quase inviabilizava a sua volta no ano posterior. Desta fOlma "A parodia (ainda que velada) se transformou em uma forma capaz de cri ticar 0 discurso oficial, mas tambem simultaneamente, de afi rmar um discurso alternati vo" (REMEDI , 2001, p.136, tradur;ao nossa). Urn dos exemplos da censura sobre a

II!lIrga

Paraskevaidis (2009) e ocorreu com a murga Diablos urn dos li vretos, a

fIIl/ rga

e re1atado por Viiioly e

Verdes,

os autores relatam que em

deturpou 0 slogan do governo, porem um censor que se

encontrava no lab1ado e que eslava embriagado entendeu que se Falava 0 slogan e nao a mudanr;a que a murga havia realizado, lodos os inlegrantes da

lIIurga

acabaram denlro

de uma challchira72 a caminho da delegacia. Devido a este li po de censura mais incisiva, por vezes, nao se Fazia claro se a censura era urn processo que a pr6pria IIII/rga se afligia ou era exlemo, ja que para evitar que estas situar;oes ocorressem, alem disso, urn mesmo lelrisla podia, e pode ale hoje, Fazer lelras para di versas vezes a Irabalhar a Forma com que I1Il/rgas.

Para Remedi (200 1) as

povo em lorna a outras portanto a

IIIl1rga

murga

lIIurgas

maniFesta~oes

agrupa~oes 0

que ajudava por

iria falar utilizando-se de recursos de outfas

Faziam parte de todo um aparato de feuniao do

que surgiram princi palmenle no final da ditadura,

seria um simbolo a mais entre "blecaules,

panel a~os

e assembleias,

71 Ediclo de Carna vat e expedido todos os alios com 0 que e perlllitido e proibido no carnaval Illontcvideano. No ano de 2008 challlOU :I alenr;ilo quc as proibir;iks dc brinc:ldciras nas ruas IClllbravalll as proibir;Oes dos anos 50. A informa\:ao se enconlra disponfve l em <

hu p:l!www.c1pais.com. uy/08/0 I126/pciuda_326545.asp>

n

A lradur;ao literal de ehanchila e porquinha. era 0 nome dado ao s vefcu los ut ilizados pelo governo no mome nta das prisOes.


90

greves gerais e panfletagens, marchas e pichu90es, alos sociais e artfslicos de conteudo elvica, gremial e po]ftico" (REMEDI, 200 1, p. 134, tradu9i'io nossa). Foi concebido assim 0 habito de falar a meio lermo. digamos. corn sorrisos e piscadas. fantusiar-se e leT nas entrdinhas. no qual foi fe ila referencia ao tempo. os fdolos. as his16rias e proibido vulores. provenicllIcs de um munda para altm do uceilavd delliro hOfizonle simb61ico da cullura ditatorial.

(REMED I. 2001. p.134.1radu'Yao nossa).

Urn exemplo de censura realizada pelos pr6prios censores ocorreu com a MlIrga La Soberana, no ano de 1973 confomle Vifioly e Aguiar (2009) onde a frase Sol de los

Libres, roi trocada pelo censor pelo Sol de los Hilmi/des. Sendo a letra original: "Sol de los Libres (llullca se escollda, )' call I'erdades ( i Siempre respolldai ( Ell IIl1eslro pueblo ( hay I11l1chas I/ubes de COl/f1lSi611 ( que es1(ill cubrielldo (el claro ciefo de la raz611"

-

,

(V INOL Y; PARAS KEVAIDIS, 2009, p. 7, tradur;ao nossa). Em epocas de ditadura, a questao da "re-tuuao", do agrupamenlo ficava dificil, o carn aval era um perlodo que a congregar;ao entre iguais era penn itida para 0 mesmo fi m, que seria a diversao, porern, dianle da falta de oportunidades para iSIO,

0

carnaval

se tornou palco destes rnornentos. Desta fonn a 0 palco pas sou das ruas para os tablados e as mllrgas,

0

carnaval promoveu e tornou-se: "em metafora da voz e mem6ria

coletiva. Ali se falava de mas e cenarios cheios de "onlem" e etas panelas, do "aquilo" e do que aconteceria "depois" (REMEDI, 200 I, p. I35, tradur;iio nossa).

o wndombe, por sua vez, tenlou ser silenciada, desta fonna a nova politica ja no fi nal da decada de 70, comer;ou a relirar dos espar;os de cu ltura africana, primeiro seus moradores e depois

0

seu simbolismo, assim vieram abaixo os cortir;os; baluartes quase

seculares da cultura afrouruguaia, encl aves negros na nova dinamica que a ditadura queria dar a regiiio onde os negros se encontravam como relatam Alfaro e Cozzo (2008). Os autores prolongam-se afirmando que

0

desmantelamenlo de um lugar de

mem6ria da cultura africana acreditou-se na epoca, que iria desmantelar todo 0 aparato de simbolismos que esta possufa, porem nao foi isto que ocorreu como veremos adianle, assim a tentativa era que 0 entomo ao porto e ao centro da cidade fosse uma amostra do poderio economico do "Novo Uruguai" com pn:dios comerciais novos e embaixadas

0

que era impedido pela forr;a dos tambores que ali se encontravam desde a colonia. A forma mais efi caz que a ditadura militar encontrou para quebrar a hegemonia dos tam bores naqueJa regiao da cidade fo i silenciar os cortir;os. 0 cortir;o Mediomundo


91

calau no dia 5 de dezembro de 1978, decadas de hist6rias enterrados em nome de uma disfaryada limpeza etnica dos bainos que eram considerados "negros". Declarado em ru fnas pelo governo, foi solicitada a sua

evacu a~ao ,

sem nenhum estudo que

comprovasse que realmente podi a desmoronar a qualquer momento, esta

d eporta~iio

como corroboram Alfaro e Cazzo (2008) este aconlecimento Foi chamado pelos autores de caltis/role cultural. Os tambores, no fina l da di tadura, tocaram mais fortes que nunca fazendo jus ao seu nome lIomadas, assim comer;aram a chamar a parte dos desfiles aande 56 havia as rufnas dos

cort i ~os

popula~iio

a fazer

que outram eram sfmbolos da

cuhura negra, Nas convocar;oes das greves gerais os tambores saiam dos baiITos Sur e

Palemlo c1amando para que as pessoas sa(ssem as ruas com lampas de panelas ou lalas, o que Fosse com tal que se fizessem ouvi r segundo Remedi (2001). Dois dias antes no dia 3 dezembro os lambores choraram pelo cortir.ro, no ana de 2006, esle dia fo i instituido como do Dia Nacional do cal/doll/be: A lei n° 18.059 declarou 0 Ires de dezembro de cada ano COlllO "Dia nacionat del C(l1u/(}mbe. la cullura afrouTUguaia e a equidade racial" e 0 C(l1l(/(}mbe como patrimonio culttu¡al do UlUguai. Neste marco propicia a "\laloriza~~o e difusao da expressao cultural dcnominada ctlIu/{}mbe , da contribui~ao da popula~ao afrodescendente a constru~ao nac ional. e de seu aporte a conforma~ao da identidade cultural da Rep(iblic(l Oriental del Uruguay (MEC, 2007. p. 10. tradu~ao nossa)

Nao fo i s6 0 Mediomundo que sofreu com a diaspora provocada pela ditadura, Conventillo Ansina e

0

0

Cord6n lambem foram silenciados com seus habilanles sendo

transladados para F5bricas desocupadas enquanto esperavam uma nova casa em um bairro afastado do centro da capital. Porem 0 que ocorreu Foi uma dispersao das cllerdas de tambores por tada a cidade de Montevideu e a continuidade das mesmas nos bairros SlIr, Palermo

e Relis, esta

afi rma~ao

e sustentada por Alfaro e Cozza (2008), pois nem

todos os moradores foram embora, alguns conseguiram residencia nos mesmos bairros ou fo ram morar com parentes nos pr6prios bairros ou pr6xi mos. A

des i ntegra~ao

desmantelar

0

ffsica dos

espa~os

de mem6ria afro uruguaios nao consegu iu

seu significado, hoje, os toques dos tambores ainda tern

0

nome Ansi na,

Cuareim (Mediomundo) e Cord6n. As comparsas ainda se identificam com sua origem dentro dos cortir.ros e homenageiam aqueles que nasceram dentro dos cortir.ros. Enquanto a cultura afrouruguaia teve como maior desafio a continu idade da sua expressao as mllrgas

tiveram que aprender a falar com seu publico de uma Forma indireta e se Fazer


92

entender assim, mudan9as ocorreram durante a ditadura. umas irreversfveis como explica Alfaro e Cozzo (2008) e que na sua maioria ocorreram com os corti90S, oulras que nao se fizeram reversfveis por aulras altera90es que surgiram com

0

fim da

ditadura. Os queslionamentos da Illllrga anles da ditadura cram os dus pessoas simples. lembrarnos que ncsta <! poca a mUTga nao era profissional e sim amateur. no fim da ditadura com a

lib<::ra~iio

das letras e uma nova forma de falar jll que

mio havia mais a nccessidade de se falar veladamenlc. as mudanr;as migraram para uma nova ( ... ) dicr;5.o em delrimcnlo do Will caractcriSlico. e as

harmonias costumam ser lranslar,:oes ao coro dos acordes que 0 da guilarra. (LAMOLLE. 2005. p. 25. lradur;iio nossa).

Para Achitgar (1997) com a volta da democracia " se fez palpavel a necessidade de restabelecer v(nculos, valores, de propor explica~6es , de come~ar a pensar no futu ro" (HAR ARI , 1997, p.36, tradu~iio nossa). Desta forma estas duas man i fest a~6es culturais uruguaias tiveram que se reinventar, se ajustar ao novo desafio p6s-ditadura, pois completa com a opiniao de que

"a volta a democracia ( ... ) como sempre ocorre, n50 fo i

homogenea como n110 0 e nunca em nenhuma gera~ao" (HARARI, 1997, p. IIS , tradu~ao

nossa).

No infcio da decada de noventa, ou seja, a cinco anos do fim da ditadura militar, ocorreu segundo Marchesi (2004)

0

surgimenlo de estudos sobre

0

perfodo ditatorial

que tentam enlender as I rans forma~6es surgidas na "subjetividade, atraves de as pectos psico-sociais vinculados

a rep ressiio,

ou de aspectos culturais que a ditadura intentou

transformar" (MARC HESI , 2001, p.7,

tradu~ao

nossa). A partir da opiniao do autor

entende-se que ocorreu, ou tenlou ser aplicada, uma

mudan~a

na maneira como os

uruguaios se viam diante peranle 0 Mundo, 0 que rendeu frulos p6s ditadura na identidade do camaval uruguaio.


93

3.6 TURISMO EM MONTEVIDEO E NO URUGUAI

Sera apresentado, nesta parte do trabalho. urn panorama do turismo no Uruguai e em Monlevidcu . Portanto serao mostradas as porcentagens de turislas que visilam 0 pais

e a cidade, a poUlica para

turismo do governa atual, dadas do conglomerado de

0

lurismo de Monlevideu, entre oulras i n fo nna~Oes

infonna~oes

pertinentes ao assunto. A base para as

contidas neste subcapitulo sao oriundas de reportagens com os

responsaveis pelo turismo na cidade e do pais, dados do Minis/irio de deporres y IIIrismo do Uruguay atraves do

anuario de turismo 2010.

A cidade de Montevideu e a capital do Uruguai, pais que faz frontcira com

0

Brasil e a Argentina. 0 pafs tern 3.344 .938 73 habi lanles, destes 1.325.9687~ vive nn capital. Montevideu. Montevideu faz parte do departamento com

0

mesmo nome que

ocupa uma area de 530 km2 con forme vemos nos dados apresentados pelo PCCCP75 (2008), destes 40% e considerada area urbanizada. A cidade foi fundada, pelo entao governador dOl Provincia de Buenos Aires, Mauric io de Zabala e, pela sua data de

funda~ao em 1726 76, e considerada a capital mais jovem dOl America Latina. Montevideu abriga a ALADI,

A ssoc i a~ao

Lati no-americana de

I n tegra~ao

e e a sede do

MERCOSUL. (pCCP, 2(08),

:c

~.

., .

".:.;.-

U ~ UGU~Y

7l Dado disponfvel ern hup:llda!os,bancomundial .org/paisluru guay 74 Dado disponfvel cm hup:llwww.ine.gub.uy/fase I ncw/Mon!cvidcoidivulgacion_Mon!cvidco.asp 75 PCCCP ~ a sigla do Programa de Compe!i!ividad de Conglomerados y Cadcnas Produc!ivas da cidade dc Momcvidcu, Quc c formado pela Prefcitura dc Montcvidcu. Ministcrio dc Turismo c Esponc. Direcao de projetos de desenvolvimento e camaras e empresas de representati vidade do departamento de MOntcvidcu 76 Dado disponivel em hUp:llwww.montevidco.gub.u y/ciudadlhis torialcronologia


94

Conforme

0

Ministerio do Turi smo e Esportes (20 10) no ano de 2009 0 Uruguai

foi visitado poT 2.304.454 turi stas, sendo que destes 80.5% sao visitantes oriundos dos palses vizinhos ao Um guai , Montevideu foi visitado por 33 % desles turislas, sendo que estes lurislas procuram 0 turismo no Uruguai para usu fruir do 6cio, do divertimento e da

cultural local. Em 2009, 67% do 101a1 de visitantes afirmou que ja tinha visitado 0 pals, sendo

0

primeiro trimestre aqueJe com mais afluencia de turistas. No ano de 20 10, 0

Uruguai recebeu 2.098.265 77 sendo que destes 8 16.000 visilaram Monlevideu consolidando a capital como princ ipal destino turfstico do pais. No primeiro trimeSlre de

20 11, Montevideu recebeu 187.843 turiSlas do total de mais de 1.600.000 que visitaram o pafs sendo que na maioria dos casos, estes sao oriundos da Argentina, 0 incremento de turistas foi de 40% em comparayao com

0

mesmo perlOOo do ano passado e a receita

teve urn aumento de 57%78. 19 16

Para Brida, Lanzilotta e Ri sso (2008)

0

Uruguai nao oferece atrativos turfsticos

do porte daqueles que sao considerados como maravilhas. Porem, uma das vantagens que

0

pais apresenta a seus visitantes e pOOer visitar todo 0 territ6rio sem dificuldade s

77 Dados dispon(veis em: hnp:llwww.mintur.gub.uy/index.php?option=com_content&view",arti cle&id= 715: las-cifras-de-20 IO-unbuen-ano-para-el-turislllo-en-uruguay-&catid=63: boletin-no-I 13-selllana-1I-de-ene ro-20 I 1& ttemid", 14 78 Dados Disponiveis em: http://www.larcpublica.com. uy/comunidadl44983 4-mctas- por -turismo-

se-e1evan-preven-us-2000-millones-en-ingresos-al-ano


95

de

locom~iio

devido a sua

condi~ao

predominantemente plano, onde

0

geogrMica, que nao se altera pois e urn terreno

turisla nao precisa ler altos custos na hora do

deslocamenlO. A seguranr;a tambem e urn fator cilada tanto por Brida, Lanzilolla e Risso (2008) como pelo PCCCP (2008) e 0 MI NTURD (20 10) como um fator posilivo

para atrair ao paiS, turistas de alto poder aquisitivo e que busquem tranqiiilidade na sua viagem. Brida (2008) continua explanando que a sazonalidade e a dependencia do mercado argentino sao duas fraq uezas a serem superadas pelo Uruguai, ja que as principais ar;Oes de turismo do Uruguai sao [eilas na Argentina e focam 0 peflodo de • veraneiO.

Atualmente

0

governo busca criar uma polftica nacional para

0

turismo, tendo

como ar;6es de base para tal criar;ao79 :

•

Fortalecimento institucional para a criar;ao de uma polftica nacional de

turismo; •

Um estudo da priorizar;ao de predios para a instalar;1io de urn centro de

Feiras e de congressos em Montevideu; •

0 desenvolvi mento de um plano de marketi ng para 0 destino;

•

0 impulso a novos "c1ubes" de produtos;

•

Roteiros e pacotes turfsticos;

•

0 Fomenlo do dialogo intersetorial e interi nslilucional com os autores

publicos e privados que gerenciam 0 destino Montevideu; No diagn6stico do PCCCP (2008), veri fi ca-se que a Falta de urn polftica publica que regule

0

turismo uruguaio e Formate. de uma maneira mais Focada, suas melas,

Funciona como urn entrave para a busca de novos mercados. No diagn6stico tambem se percebe que a Falta de conhecimento, por parte de todos os ambitos da sociedade, do poder do turisrno como Falor de desenvolvimento economico e social, dificulta a criar;1io de uma polftica nacional de turismo. 0 hist6rico economico agrario e administrativo no que se refere a natureza de trabalhos ofertados

e a dificuldade maior no momento de

involucrar a sociedade na criar;1io de um plano de turismo.

79 Informa~Oes dispon[veis em: hllp:lfwww.presidencia.gub.uy/_ weblnoticiasl2Q09/08J2009Q8170 l.hnn (I radu~iio nossa)


96

No diagn6stico do PCCCP (2008) verifica-se como se articul a

0

turismo em

Montevideu, POls ocorreram mudam;as de gestao nos (iitimos anos, cuja ati vidade turistica, a ser uma res ponsabilidade do Departamento de Desenvolvimento Economico

e

I n legra~50

Regional. Porem a Divisao de Turismo de Montevideu conti nua sendo

respons:lvei pelo setor de Promo9ao e Gestao das Festus Populares

0

que inclu i

0

camaval. Uma dus altera90es que ocorreram ap6s a mudan9u de gestao do turismo na cidade fo i a melhoria da area central da cidade, chamada de ell/dad Vieja , que era a parte da cidade dentro da Cidadela.

Montevideu e

0

principal dest ino anual do Uruguai e

sazonalidade. Poreln isla depende do trimestre que

0

que menos safre com a

e analisado,

pois no primeiro

semestre 0 principal destino, devido a seus atrativos, e a cidade de Punta del Este. 0 fa to de ser a principal entrada portuaria do pals e tido como um dos princ ipais mot ivos pelo qual, Montevideu e 0 principal destino turfstico nacional conforme 0 PCCCP (2008). Porem , apesar disto, nao ex iste diversidade de

prom~Oes

para 0 lazer e 0

divertimento pensando no turista, ou seja, nao ha: uma utilizao;;ao da infra-estrutura local para 0 turismo, levando-se em conta que uma das fon;as para a oferta turfstica montevideana

e justamente

a "hospitalidade e amabilidade esponl<mea eta popula91io

para com 0 turista e forasteiro" confonne 0 PCCCP (2008, p. 13, tradUl; ao nossa) , nao havendo uma

u tiliza~50

das

pro m ~Oes

para a populao;;ao por parte do turismo se perde

uma grande oportunidade de criar um atrativo turfstico e de tidelizar 0 turista, ja que 67% de turistas visitam 0 Uruguai mais de uma vez confomle 0 MINTURD (2010). A campanha de turismo para 20 11 do Uruguai utiliza 0 sucesso da

sele~ao

uruguaia de futebol, que ticou em quarla colocao;;ao no mundial, tendo como garoto propaganda 0 jogador de futebol Diego Forlan 80, 0 anu5rio 20 10 do Minislerio do turismo e 0 material distribufdo como propaganda do pafs tambem tem a sele9iio .

uruguaJa na capa.

3.7 CARNA VAL COMO PRODUTO TURISTICO

80 Video dispon(vel em hnp:llwww.yourube.com/watch?v=M2f84 RN8Z8A


97

o

diretor do departamento de turismo de Montevideu, Fernando Gonzalez 81 ,

afi rmou que em 2009 os turi stas gaslaram em lorno de U$ 90 milh6es no primeiro trimestre do ano e que 0 desejo do lurista que visita Montevideu neste perfodo e 0 de consumir cullura. Desta fonna

camaval, diz Gonzalez,

0

investimento que a prefeitura da cidade faz no

e justificavel , pois

os tablados tern lucro que flca denlro do

pr6prio bairro tendo fin s sociais e 0 fato do candombe ser palrimonio hist6rico tambem se justifi ca pelo retorno que

0

desfil e da: em visibil idade para a cidade.

Fernando Gonzalez (20 10)

trabalhar mai s profissionaimente

0

82

exptica que a atual gestao de turismo pretende

camaval como produlo turfst'ico no que se refere

a

venda do mesmo no exterior, as altera90es, continua Gonzale z (2010)83, come9aram a sair do papel no governo nos anos de 1994-2005 pertencente ao Frente Amplio, neste governo que se consolidaram as bases e posterionnente surg iu

0

Conglomerado de

Turismo de Montevideu, Algumas a90es, no atual governo do Frente AmpJio, tendo a frente

a prefeita Ana Oliveira, como a implementa9ao de um imposto cujos divide ndos

serao direcionados para a prom09ao turistica, haverao projetos para e fetivamente tom ar o carnaval produto turfstico da c idade tendo como base uma analise que sera realizada par Luiz Carlos Prestes que entre outros livros, escreveu a Cadeia Produti va da Economia do Camaval.

En IUrisrno [0 rntis irnportame que hernos hecho. como ocurre en tamas otras actividadcs. C$ [0 que no S<': I/e. Por ejemplo. en este periodo S<': cre6 el Museo del Carnaval, que era una vieja aspiraci6n en [a que durnnte 20 alios se vino trabajando y se pudo concretar hacc cuatro alios. La mas importante no cs cl museo en sf rnismo sino su gesti61l.&.I

Denlro do plano estralegico de Marketing do MINTURD que se inicia e m 2010,

Uruguay Natural.

0

carnaval e urn dos componentes do eixo cultura da atra9iio turlstica,

pais a cultma muguaia

e vista como lUll produto lmico que "[ .. ,1 se articilia em tomo a

expresiolles popl/lares

C0ll10

el Carl/aval. eI mate y eI lallgo; el patrimollio hist6rico.

IIIOl1lllll enfal y arqllitect6l1ico; el modo de vida rural. can la figul'(l del gaucho como elemento central; etc." (MINTURD, 2010, p. 21). Dentro do mesmo plano encontra-se

81 Entr¢l/ista disponil/el em hllp:flwww.ISO.com.uy/articulofLa -inl/ersion-dc-Ja-IMM -en-el-Carnal/al 82 Emrevista disponivel em hnp:flladiaria.colll/articulo/20 I0I5/montevideo-t uristicol 8) Entrevista disponil/el em hllp:/lladiaria.com/articulo/20 I0I5/montcvideo-turisticoi &.I Fernando Gonza[cz crn cntrevista disponive[ cm hHp:!IIadiaria.com/articulol201O!5!mome videoluri slicol


98

o camaval como uma das fon;as de Montevideu a respeilo dos seus produtos turfsticos. Para

0

PCCCP (2008), apesar do carnaval ainda nao ler urn espuco adequado no

marketing lurfstico uruguaio e montevideano a DEACPU aparece com uma dus associacoes do setor turfstico, comprovundo a potcncialidade que

0

camaval {em como

produto turfstico. Os dadas do carnaval de Montevideu, segundo Bello (2009. p. 20, traducao nossa) sao:

â&#x20AC;˘

Eslima-se que 0 carnaval de Montevideu beneficie com ingressos a mai s

de 800.000 pessons (mai s da mclude de sua popul ar;ao) ao ano por via do trabalho direto ou indireto que gera ;

â&#x20AC;˘

Em 2007 ingressaram na cidade mai s de 70 ffiiihoes de d61ares entre

janeiro e marco durante

â&#x20AC;˘

0

carnaval;

Na utual idade, se conta com mais de 25 cenarios populares distribufdos

por toda a cidade onde se realiza um trabalho de

i n tegra~ao

social; que e desfrutado por

mais de 120.000 pessoas das areas mai s deprimidas economicamente da cidade, facilitan do a partic i pa~ao,

i ntegra~ao

e democ raliza~iio nas alividades urbanas.

Apesar de criar uma rede produtiva que envolve uma grande parte da

popula~ao,

a sua divulga~ao, como produto tur(stico, ainda nao e suficienlemente desenvolvida pelo governo, as polflicas publicas recenlemenle

co m e~aram

a

elabora~ao

e as

a~6es

sao

focadas na divulgaCao do carnaval conforme enconlramos, (PCCCP,2008). Como exemplo, faz-se

me n~iio

a que em janeiro de 201 1

0

camaval de Monlevideu foi

vendido como principal atrativo turfstico na ddade de Buenos Ai res, lambem, a dependencia que

0

0

que mostra,

turismo do Uruguai lem da Argentina85 pois foi

0

linico

pais a receber a visita de integranles do MINTURD com esta finalidade. 0 Uruguai buscou, com isso, comercializar seu camaval em qualro mil agendas argenti nas86 , Para Lilian Kitchichian (2011 )87, subsecretaria do MINTURD,

8S lnforma~iio disponfvel &,roduct 0 -Iuri st ico. h tm I In forma,,50 disporlfvel em

em

0

camaval nao se articu la

hup:lfmuseodelcamavaldelurugu:ly.blogspol.comI20 J I/Ol/carn:lval-

htt p://www.portaldeamerica.com/index.ph plinde x.php?option=com_k2& view=itcm&id=4485:1 as-llamadas-dc-montevideo-se-ofrecer%C3%A I n-en-4-mil-agencias-de-viajesargent inas& ltemid=6 87 Enlrevisla publi cada no Mdiario Del Carnaval do dia 31 de janeiro de 20 J I (Iradu,,50 nossa).


99

somenle como manifesta9ao cultural. mas tambem como principal carta de apresenla<;ii.o do Uruguai.

[0 cam:wul tl scm duvidas um cnonne prodUIO turislico niio somcn tc na arge ntina onde eSlumos gerenciundo sua venda, se nao ern Olllras partes do mundo. onde querem vcr lima ex prcssiio cultural1 ao direrentc a aqucla que se pode ver elll outra parte do mundo. sa

o Carnaval de Montevideu ganhou forca, no setar turislico, ap6s a VeCl ler [he

concedido

0

!flulo de carnaval mais longo do mundo, concomitante a isla, a cidade

tambem foi premiada a com a nominac;ao de capital ibero-americana do camaval, no

veci a escolha, de Montevideu , como capital ibera-americana do carnaval se deve a diversos falores, entre eles: e considerada bienio 2008-20 10, pela mesma entidade. Para a

a dnica cidade do conlinenle a ler ainda um carnaval de espelaculo (aos mol des de um espelaculo leatral); e lido como

0

camaval mai s longo do mundo lendo, uma media de

durar,;:ao, de 45 dias; e a dnica cidade da America que nao interrompeu seu camaval em mais de 100 anos, considerando-se os perfodos de guerra e ditadura; tumbem se leva em considerar,;:ao que como

0

0

carnaval resguarda a identidade da cidade e para isso criou projetos

Musell do Camava/

89

e

0

Programa " Montevideo se Presellla", alem de estar

ligado ao turismo pela sua condir,;:ao de patrimonio hi sl6rico e cultural da cidade 90 ., Esses falores que levaram a VCCI a conceder esle titulo para Monlevideu sao repetidos sempre que

0

governo fala do carnaval como produto turfstico como se veri fica em

diversas edir,;:5es do Mdiario do Camaval. Para Pizano (2004) 0 turismo tras um caraler dualfstico para a fes ta no instanle que a utiliza como produto lurfstico, poi s, ao querer alrair mais turistas, a festa se transforma em um espetaculo (no senlido puro de diversao) que, buscando uma lUufonnidade, para que a cultmal local seja mais hem compreendida pelo "outro",

ocorre uma defornlar,;:ao da essencia da fes la que nao e oriunda de alterar,;:5es da pr6pria

S8 Entrcvista pllblicada 110 Mdiario Del Camaval do dia 31 de janeiro de 20 11 (tradu<riio nossa). 89 Museu do Camaval roi inallgurado no ano de 2006. porem 0 projeto data do ano de 2002 <! um museu que se propOe resgatar a historia do camaval com um grande acervo de fOlos. documcntos e li vros como a autoTa pode verificar nas diversas visilas fe itas ao museu duran te a pesquisa, museu <! inlemtivo, pois permile ao visi tante acesso a ilud ios, videos, roupas e diversas oUlras formas de apresen ta<riio do camaval Illontevideano, tamb.! m conta com um tablado onde ocorrem di versas apresenlar;oes durante 0 carn aval sendo estas apresenta<rOes clttcnsivas ao restante do ano. lnfonna<rOcs disponivcis em hllp:llmuseodelcama val.orgJ 90 Estes fatores eSlao disponiveis em http://www,montevideocapilalcarna val,convcore,php?m=amp&nw=OQ

°

°


100

sociedade que constr6i a festa. Ao mesmo tempo

0

usa da Fesla como atralivQ OU

produto turfslico lambem ajuda a salvaguardar a ori ginaJidade da festa, pois e nela, que

se encontra seu diferencial que produtos para

0

e0

que muitos turistas buscam , como uma fu ga dos

turismo de massa que unifonnizam a cultura local, transformando-a em

urn produto entendfvel e vendfvel, preterindo, desta forma a essencia da festa. Pizano (2004) mostra os dadas do impaclo economico do camaval de

Barranqui lla, nn ColOmbia, sabre

0

PIB da cidade, os dadas provem do esludo da

Fundesarrollo91 , estes dadas foram coletados nos qualro dias em que aconteceu 0

camaval na cidade entre os anos de 200 1 e 2002. No casa de Barranquilla, os produlos

vendidos durante 1,5% da

seja na

popul a~ao

dados levaram em uma

perlOOo de carnaval, e que sao produzidos na cidade, involucram

0

popula~ao

co nfec~ao

considera~ao

tanto

dos mesmos ou na sua 0

comercia li za~ao,

estes

trabalho fonnal e informal. Barranquilla tem

de l.l 48,506 habitantes entiio temos que 1.5% sao mais de 17,(}()()

pessoas, que fazem parte da

popula~ao

que trabalha para e no carnaval, no perfodo que

o antecede e durante 0 espet:'iculo. [... ) urna fes(a de car{lter local. (ar1lb6n tern sua~ carac(eris(icas particulares que a fazem atmtiva OU importante para seus habitantes. tanto os que vivem na localidade como aque les que (em emigrado a outras cidades ou paises. Estes Illtimos segura mente possuem uma m~ior identifica~ao COlli su~ localidade na medida em que se sentem orgulhosos das fes(~s que ~li se desenvolvelll. <! dizer. que as meslll~s apresentam msgos difereneiadores frente as demais. que sejam dignas de admirar;iio e que gerem 0 desejo de desfrut<'i-Ias. A fest~ <!. ainda. urna oportunidade para renovar la~os farn iliares e sociais ou para criar outros. (P IZANO. 2004. p. 62. (radur;ao nossa).

91 Fundaei6n para el Desarrollo del Caribe


101

4 PROCEDIMENTOS METODOLOGICOS

Como ex planado esta

e uma

pesqui sa qualitativa de carater explorat6rio que

utilizou como tecnicas de pesqui sa a rev isiio bihl iogratica,

ob se rva~lio

participante e

0

questiomirio de perguntas abertas. A maior parte da pesquisa bibliografica foi realizada oa Sibliateca Nacional do Uruguai, em peri6dicos como os do jamal La diciTia e El Pais e ]jvros acessados por meios eletronicos e em pagi nas oficiais dos governos municipais

e fede rais do respectivo pais. Esta elapa fo i realizada durante a pesquisa de campo. A pesquisa na Sibliateca Nacional do Uruguai foi fundamental para a base bibl iognifica apresentada oeste trabalho, pois di versos livros utilizados oeste trabalho

nao se enconlram disponfveis completos nos meios eletronicos, porem primeiramente foi reaHzada uma pesquisa em bancos de dados de bibHotecas e no site Google Li vros, para assim buscar autores que enriqueceriam esta pesquisa. A ajuda dos funcionarios da 8iblioteca Nacional do Uruguai foi essencial no momento de buscar mais fontes para a pesquisa e de indicar livros que ainda nao foram adquiridos pela bibl ioteca, mas que sao de extrema imporlancia para a abordagem dos assunlOs.

o

peri6dico utilizado como principal fonte de informUl;oes foi

Carnaval que e uma

publica~ao

0

MDiario de

da DAECPU - Diretores Associados de Espectaculos

Carnavalescos Populares del Uruguay - em conjunto com a prefeitura da cidade de Montevideu. Este peri6dico traz

i nforma~Oe s

sobre a atualidade do camaval, assim

como resgata 0 hist6rico do camaval de Montevideu. 0 MDiario de Camaval tambem participa de importantes momentos do carnaval como a

aprese nta~ao

do carnaval de

Montevideu 2011 , onde estavam presentes gestores das poli"t icas piiblicas vincu ladas ao turismo e cultura de Montevideu e do Uruguai. Este peri6dico e mensal, parem \orna-se diario desde

0

primeiro dia de carnaval ate

0

resultado do concurso oficial , ou seja,

0

lei tor mantem-se atuaHzado com as principais noticias do carnaval e os espetaculos que ocorrem pela cidade. Os jornais do perfodo da pesquisa foram obtidos junto ao estante montado pela DAECPU no Teatro de Verano la obtivemos mais de 60 peri6dicos gentil mente cedidos pelos funcionario s assim que lhes foi informado

0

assunto desla

pesquisa, mantivemos outros contatos com estes funcionarios atraves do Facebook com a fina lidade de obter mais

info rma~5es

referentes ao carnaval.


102

Gutra determi nante para a pesquisa foi a uti li za~1i.o da internet para oblcn!fao de dados que ainda nlio constam em bibliografias, sendo assim uti lizamos diversos meios eletronicos para obtenoriio de dados, como paginas eletronicas referentes ao camaval como

0

Portal das Murgas e Portal Candombe, sendo estes os mesmos adquiridos

quando da visita, revistas, portais eletronicos que tern como assunto principal camaval. base de dudas como bibliotecas digilais e

0

0

Google academ ico, paginas do

governo municipal e tambem do MINTURO. No cusa do MINTURO lodos os dados fora m obtidos atraves da internet, devido a que no periodo da pesquisa a maiaria dos

fu ncionarios cnconlrava-se em ferias 0 que dificuilou a obten!fiio de dados junto ao Ministerio no mes de fevereiro, foram utilizadas tambem revistas cientfficas digitais obtidas atraves do banco de dados das bibliotecas digitais como a 8 iblioteca da Universidad de la Republ ica, em Montevideu, ou da Universidad de la Rioja, na Espana. Tambem a pagi na de relacionamentos Facebook foi primordial para devido aos contatos ali realizados para a obte n ~ao de fe rramenta de

comu nica~iio

informa~oes.

fortemente ut ilizada pelas

comunicam ensaios, apresental,fOes e sua

participa~ao

obl en~ao

de dados

0 Facebook e uma

agremia~oes

de camaval que

no concurso oficial. A pagina do

Mdiario do Camaval foi visitada via faceboo k.

o questionari o92 foi enviado para ci nco pessoas, das quais tres responderam-no, sendo eles, um professor de hist6ria e escritor que lem como base das suas obras a hist6ria do Uruguai e re l a~ao

0

perfodo da ditadura neste pafs, cujo como pano de fundo e a

intr fnseca entre a

form a~ao

da

n a~iio

e a mem6ria dos uruguaios nos perfodos

estudados. Estas cinco pessoas foram escolhidas devido a seu aporte nos assuntos relacionados neste trabalho como camaval em Monlevideu, identidade, mem6ria. Verificou-se durante a observal,fao que estas pessoas sao reconhecidas por aqu ilo que produzem nas suas respectivas areas

0

que faci litou a escolha destes para a participar

desta pesquisa. Os livros pubJicados por esle participante sao frutos de urn projeto que tral,fa hist6rico do Uruguai em lodo

0

perfodo dilatorial. Tambem participou respondendo

0 0

questionario uma historiadora e escritora de assuntos referentes a afro descendentes, titulada como meslre em socioiogia, professora do instituto de

fonna~iio

de professores

mais importante do Uruguai e em seus trabalhos (incluso livros) tratou do lema dos afrodescendentes sob uma 61ica de inclusao dos afrodescendentes no multiculturalismo 9l 0 mesmo enconlra-se no anexo A.


103

e como

0

racismo func iona nos meios onde os afrodescendentes slio atuantes. Passui

dais livros publicados sabre

0

lema de afrodescendencia no Uruguai, um destes livros

concedeu-lhe urn premia do MEC, pois Irata da questiio de continuidade das

tradi~oes

afro alraves da hist6ria oral.

o

terceiro respondente do questionario

e

um letrista de II/urga jovem e

participante no coro do camaval chamado de " Mayor", participante alivo do camaval desde a sua infiincia, pois acompanhava e era mascole da Murga Contrafarsa, que foi uma das melhores murgas dos anos 90 e no inicio dos anos 2000. As [elras cornpostas

por eSle respondenle para as murgas ficaram conhecidas pela originaJidade e sarcasmo, alem de ser urn dos expoentes das lIIurgas jovens no Uruguai. As quest6es do questiomirio foram apresentadas no idioma espanhol para os entrevistados, (ver no anexo J - com versoes nos dois idiomas, espanhol e portugues). 0 questionario foi apl icado por correio eletronico e enviado no dia 06 de maio do corrente ano. Foi solicitado para que os participantes enviassem a resposta em uma semana, porem houve atrasos na entrega e algumas duvidas dos respondentes foram respondidas por correio eletronico e pela pagina de relacionamentos Facebook.

o

primeiro contalo com os respondentes I e 2 foi feilo por correio elelronico

pois nao conseguiu-se obter contato pessoalmente durante a observaryao no campo de pesquisa que ocorreu em abri l de 2010 e fevereiro de 20 11, por isso fo i enviado urn correio eletronico infonnando do assunto deste trabalho e indagando se gostariam de participar, os dois foram extremamente receplivos

a participaryao

e expuseram

0

seu

contentamento pelo interesse em participar deste trabal ho. A partir de entao mantivemos contato permanente pelos meios ja explicados. 0 primeiro contato com 0 respondente 3 se deu na pesquisa de campo, ap6s a apresentaryao de uma das murgas nas quais participa no tablado do Vel6dromo. Naquela ocasiao a pesquisadora se apresentou e perguntou sobre 0 interesse em participar da pesquisa,

0

mesmo se dispos a participar

do trabalho e desta fonna comeryamos a comunicannos pennanentemente durante

0

camaval e ap6s este por correio eletronico e por Facebook. Os questionarios foram enviados para os participantes por correio eletronico, obtendo a resposta da participaryao, dos 3 que participaram deste trabalho, no mesmo dia do envio da solicitaryao. Durante a observary50, que ocorreu do dia 04 ao dia 24 de fevereiro de 20 11, observou-se 0 desfile inaugural, as apresentaryoes nos tablados,

0

desfile de lIamadas , os


104

toques de ctlildombe nos fins de semana. Conjunlarnenle observou-se a reialfao da cidade com

0

carnaval, do camaval com a mfdia local e fizeram-se visitas ao Museu do

Carnaval. Para uma observulfao mais aprofundada foram realizadas visitas a diversos tablados, que fora m

Museu do carnaval,

0

Tablado Vel6dromo, Malvin, Cine Plaza, Defensor Sporting, 0

0 Tel/lro de Verallo,

as apresenlalfOes do concurso oficial, aos

1 toque/ de emu/Oil/be nos fins de semana nos bairros 511r. Palermo, Cordon e Ciudatl Vieja e ao desfile de ffamadas dia 04 de fevere iro. Vm dos pontos mais visitados foi 0

Museu do Carnaval devido a seu acervo sabre a hist6ria do carnaval e por possuir um tablado para apresentalfOes construfdo este ana, pois quando da primeira observulfao

fe ila na cidade para 0 TCC I, em abri l de 20 10,

0

tablado nao estava em fu ncionamento.

Este museu se tornou um referencial durante a pesquisa, pois, obtiveram-se dados importantes atraves dos historiadores que trabalham no museu como, por exemplo, i n fo rma~Oes

sobre referencial bibliogrMico para tratar do tema. Tambem se fez contato

com urn fot6g rafo que participava de uma das cedeu suas fotografi as para

utiliza~ao

ex pos i ~Oes

do museu, este gentilmente

no lrabalho.

As visitas fora m documentadas com fOlografias, porem lambem se solicilaram fotografias de profissionais especializados devido aqualidade das mesmas ser superior a qualidade das fotografi as da autora do trabalho. Existiram dificuldades para obterem-se fotografias devido ao grande numero de pessoas que havia, por exemplo, no desfi le inaugural e no desfile de flamadas, 0 que nao permitia uma

m ov im e n ta~lio

adequada

com 0 fim de garantir uma fotografia de boa qualidade. Eslas fotografias fora m solicitadas atraves da pagi na de relacionamcnto Facebook onde, tambem. deu-se

0

contato com outro fot6grafo profissional que disponibilizou suas fotos para serem utilizadas pela autora da pesquisa. Na nas

desc ri~ao

do Camaval de 2011 mostram-se os ingressos adquiridos para entrada

aprcse n ta~6es

camaval e

0

e no museu do camaval, alem de um fo lheto explicativo sobre

livreto da Murga Diablos Verdes, adquirido durante uma

tablado do vel6dromo. A

ob serva~iio

aprese n ta~ao

ocorreu durante os espetacu10s e

mas tambem em oUlros momentos, acredita-se que, desta fomm

0

no

a p rese n ta~Oes,

e verificado,

de uma

forma mais profunda, como 0 carnaval se insere no dia-a-dia da cidade, como ele e visto pelos montevideanos e como os meios de comu n ica~iio 0 divulgavam. 93 Toque t a nomenclatura recebida nao s6 pela forma de tncar 0 tambor. mas tambtm pelas safdas que uma corda de tambores faz no fim de semana, geralmente no bairro ao qual pertence. Conforme encontr<lmos em Olaza (2009).


105

Com a finalidade de analise dos dados, estes, foram categorizados, com

0

prop6sito de fonnar variaveis pelas quais foram analisados os dudas confonn e 0 metoda de analise explicado por Moreira (2002), para quem a utiliz3r;ao das palavras que os respondenles utilizaram e importante para a formar;ao das varifive is. A partir dislO, roi

feita a analise dos resultados com 0 usa de variaveis, em uma triangular;iio com 0 marco te6ricQ, a observar.;:iio participante e as respostas dos questiomirios. Desta (onna conseguir-se-a obler um resultado conciso com a proposta do trabalho. As calegorias foram

a manifeslar;5.o

cultural; identidade; camaval; turismo;

identidade do bairra; patrimonio e cultura afro, que, por conseguinte, deram origem as

variaveis pelas quai s analisaremos os dados, estas vari aveis sao: I - identidade montevideana; 2- carnaval como produto turfstico; 3 - carnaval como manifestayao da cultura montevideana: 4-

constru~ao

do patrim6nio atraves do camaval, para a c ri a~ao

das varhiveis tambem foi levado em considerado a amplitude que estas dariam ao tema pesquisado, a fim de que exista uma reflexao maior sobre 0 assunto. A criayao de cada variante roi orientada pelo encaminhamento com que cada tema foi trabalhado durante a pesquisa. Com os resultados obtidos, chegasse ao objetivo do trabalho a partir do circulo virtuoso, que fo i fundumentado pelo ato de pesquisar, pensar, escrever, observar e analisar.


106

5 RESULTA DOS E ANA LISE

Neste capftulo apresentaremos os resultados obtidos alraves da

uli l iza~ao

das

tecnicas de coleta de dados. Portanto, sao apresenlados a descri<;1io do carnaval de Montevideu, os aspectos observados durante a reatizar;iio do mesma, como os desfil es. Ap6s esse texlo, e apresentada a anal ise dos dadas e a conclusao

, 5.1 DESCRI<;AO DO CARNAVAL DE MONTEVIDEU DE 2011.

Este item apresenta

0

carnaval de Montevideu de 20 11 , iniciando-se pelo

desfile inaugural que abre oficialmente os feslejos do carnaval, passando pelos tablados,

0

Tetaro de Verallo e

0

DesJife lie L!amada.f. Para urna melhor descrir;iio dus

apresentar;6es das murgas, a aulora deste trabalho assisliu as apresentar;oes da Murga La Gran Siete, para, desia forma, averiguar como a murga se comporta em diferentes

tablados. No que concerne as lIamadas, assistiu-se

0

Desfile de Llamadas que

ocorreram no dia 04 e 05 de fevereiro.

5,U DESFILE INAUGURAL

o carnaval se

inicia oficialmente no dia do desfile inaugural que, no ano de

20 II , ocorreu di a 27 de janeiro. 0 desfile acontece lodos os anos na Avenida 18 de Jul io, no centro da cidade. Sua programar;ao

e disponibilizada

em diversos meios

eletr6nicos, como da prefeitura de Montevideu, no MDiario del Carnaval , em todos os jornais de circular;ao diaria e, na TV paga e aherla. A abertura ocorre com lodas as agremiar;oes ou categorias desfil ando na Avenida 18 de Julio, eslas agremiar;6es que


107

desfilam sao: fubolos'N ou comparsas (que (ormam as L!amadas), as /III/rgas , os parodistas, humoristas e as revistas95 sendo que estas Ires ultimas nao serao foea deste trabalho ja que 0 foeo desle trabalho pela DAECPU96 que tambem Verallo

sao as /IIl/rgliS e llallllldas. 0

e respotlsavel

carnaval

e organizado

pela concurso que ocorre no Teatro de

97

onde lodas as categorias concorrem. Para fazer parte do concurso oficial

primeiramente a

agremia~ao

no que se denomi na Ligllilla

deve participar das provas de admissao para depois entTar

9JS

.

FIGURA 07: MAPA DO DESFILE INAUGURAL DO CARNAVAL De,role:

,1IcjeJulo

.-'......... •..._.... .... .. ..--. . :;;

~

~.,

~

I

-

FONTE: JORNAL OBSERVA

o itinenirio do desfile inaugural se inicia na Avenida 18 de Julio esquina com a Rua TriSfdn Na n-'aja e finaliza na a Rua Zelmar Michelini. 0 desfile de llamadas ocorre na Rua Isla de Flores

co me~a

no seu infcio quando ela ainda

e Rua

Car/os Gardel na

Como explica Andrews (2007) Negros & Lllbo/ns cram COJIIIHlrms. porem nao admHiam mulheres e nem negros seus componentes eram brancos com 0 rosto pintado de negro e faziam parte das alias camadas da sociedade uruguaia. 9S Para Lamolle (2005) parodistas e humoristas "S~o espetacuios musicais onde os quadros centrais sao atuados. com canr;:6es e bailes intereal:ldos. e a apresemar;:ao e a despedida cantadas. com grande emprego (sobn:tudo com os p3l'odist3s) de b3ile e vestmlrio" (LAMOLLE, 2005, p_ 10. tl'3du~~0 nossa)_ OllleSIllO autor nas explica que as revistas sao algo com urn lim nao muito bem conceituado ate mesrno pelo regul:lmento do carna va!. portm os elementos que as compOem sao 0 baile. 0 canto e 0 rel:lto de uma historia. \l6 A DAECPU foi fund:ld:l no ano de 1952 a partir da reuniiio de figuras importantes do carna v:l1 montevideano com a ideia de constituir urn camaval organizado para que as agrerniar;:6es participantes 1ivesscm uma contrapartida devido aos gaslos que as nleSmaS linham pam se aprescntar. In forma~ao disponfvel ern http: //www.daecpu.org.uy/index.php?option=com_contem&view=article&id= I &1 temid=4 97 0 Te(l/ro de Ver(llw foi fund:ldo em 1944 e es11\: situado as margens do Rio d:l PraIa em uma das zonas nlnis turfsticas de Montevideu. pois est:! perto do principal parque de divers6es da cidade. 0 Parque Rod6. e do Parlamcnto do MERCOSUL. Rcccbeu 0 nome oficial de Tecum MUllic ilHl/ de VeraI/o Ramon ColIlll.a devido a urna figura irnportanle do carnaval de Montevideo. Informar;:iio disponf"el ern http://www.lca1rodcvcr:lno.org.uy/ '18 A figuilill e como se denornina 0 concurso oficial do carnava!. a figuilill t separ.l ern Ires partes sendo 1° ronda. 2°ronda e ) oronda scndo que depois desta ultima sao conhecidos os vencedores. Inforrnar;:ao disponfvel em http: //carnn val.el pais.colll.lI y/reglamento-oficial-de-carnaval-20 I I

9-1


108

esquina com a Rua Zeillw/, Michelini e se estende ate a Rua Ya ro,

0

desfile de lIamadas

fi ca compreendido entre os bairros Sill' e Palermo . As lIIurgas sao mnis aprcciadas visual mente, enquanlo as lIall111das colocam toda sua forca no desfi le, como se Fosse urn

grande ensaio para 0 desfil e de flail/atlas . 0 desfile inaugural lem uma exlensao maior

que 0 desfile de lIamadas, assim participarem lodas as

C0l110

agremia~6es

um maior f1u xo de publico devido, justamente, a

desta fonna , 0 pllblico "aprova" visualmente as

e tern uma previa do que vira a ser apresentado nos tabl ados.

lIIurgas

No desfile inaugural

99

ha um concurso onde se premiam as melhores

apresenta90es da cada calegoria, e um momenta onde as Uamadas eSlao no seu cenario natural e as lI1 /1rgas sao prejudicadas porque desfile inaugural , dificilmente ouve-se

0

0

seu palco natural e 0 tablado. Durante

canto das

nao sao suficientemente numerosos para que

0

mllrgas,

0

os microfones di sponfveis

som se propague devidamente, nem

mesmo, perla do local onde fieam os jurados. Porem, mesmo que fosse posslvel ouvir as IIIlIrgas,

estas, no desfile, tem a frente ou sao seguidas na ordem do desfile, por uma

eomparsa, dependendo da distaneia da comparsa, mesmo com sufieientes microfones para as IIIlIrgas , estas nao se fariam ouvir.

A quanlidade de pessoas tanto na Avenida 18 de Julio como nos arredores e grande, estas buseam uma posi9ao melhor para assistir desfi le. Em lomo

a avenida

Um resumo do desfile esta disponfvel em hnp:!!www.montevideo.gub.uy!mvdtv/mvd-vive/desfile-decarnavaJ -20 11 '19


109

existe lambem uma grande quantidade de vendedores de choripan 100 e de guloseimas, de mascaras de camaval , de confete e espumas que sao jogadas a tada hora por crianr;as que invadem literal mente

0

desfi le. A maiaria das pessons leva para

de praia e caixas de isopor com agua e refrigeranles, mas

0

0

desfi le cadeiras

que chamou a alemrao

e

quantidade de pessoas que lomam chi marriio nao importa a faixa etaria, sempre tern alguem tamanda mate, como os uruguaios charnam

0

chi marrao,

iSl0

lambem se viu

durante lada a observar;1io. 0 chimarrao e a bebida principal dos uruguaios, considerada uma parte da idcntidade nacional; pode ser no (rabalho, nos passeios, nos onibus, em

qualquer [ugaf se lorna mate, nao importando horario.

o desfile

inicial e transmi tido por radio e TV. A transmisslio por nidio fica a

cargo da radio CX42, da CX30 e 14 10 AM fibre que acompanha desde os diversos ensaios das

agremia~oes.

0

infcio do ano

Tambem existe uma radio onli ne dedicada

somente a carnaval onde se pode acompanhar

0

desfile inaugural 'o, . A transmi sslio pela

televisao fica a cargo do Canal 5 (Television Nacional Urugllay), que transmite para capital e interior alem de Iransmitir para 0 exterior por AdinetTV atraves da Internet. 0 jornalista Cristhian Font lO2 , integrante da Murga Diablos Verdes, cita a radio CX 42 como antiga companheira de jornadas carnavalescas na sua inffincia, onde escutava noite ap6s noite as

a presenta~5es

das I1II11"g(/5,

0

que serviu para que este se apaixona-se

pelo carnaval e fosse considerado em 201 1 a uma das figu ras mais importantes das IIIlIrg05

103

.

Nos dias onde nao ocorriam visitas. 0 acompanhamento do carnaval era feito

atraves da radio ou das transm iss5es feitas pela TV. FIGURA 09: DESFILE INAUGU RAL 2011

100 Choripan c um sanduiche de pao e lingiii~a que leva como condimenlo chimichurri. c 0 prato mais ~ido enlre os comerciantes ambul~nles do dcsfile. 01 hllp:{fwww.carnavuldelfuturo.colll.uylcdf/rudio-on-line. hunl IOl Informa'Yiio disponivel em hllp:llwww. lv show.conl.uy/sabudoshowlb logf7804 -c~rna va l eros--en -1 v-yHlbladol 10J Informa~iio disponivcl em hllp:llcamavat.elpais.com. uyllas-menciones-del-carnavat


110


111

o

desfile ocorreu no tempo detemlinado, porem,

e entenrlido

por algumas

pessoas presentes, mais como urn ensaio tecnico das lIamadas e uma prova de

ace i ta~i'io

do publico por parte das lIIurgas, do que propriamente, urn acontecimento que festeje

0

infcio do carnaval. Conforme se viu n3 visita ao Museu do Carnaval, esta havendo um

resgale da pnitica de

confec~1io

dos cabe9udos atraves do programa Tab/ado del Bairro,

que abarca, tambem, 0 ressurgimento dos corsos barri ais. Durante

0

desfil e ficou em evidencia a quesliio do tempo de fi naliza9ao do

mesmo, ja que mesma que as lIIurgas n50 tivessem conseguido se apresentar perante os

j urados do desfile no peffooo indicado por um rel6gio que havia (rente a estes, elas eram obrigadas a seguir para nao prejudicar 0 andamento do desfile


112

5.1 .2 TABLADOS "Carl/oral COli SIIS lab/ados qlle dalll'ida n /O$jllg/art's ES/(JJ (('alms pOjJu/a,es por la gellie le,'oll/ados VII //Iucmme delialdo de guir/ani/as dt' c%res Doml" "ibmn '-OZ/lrrones de l/"",,,,cia )' rebeldfa Donde reina /a alegria, ,foila,

Y j10receJl 10$ all/Ores .... "

Raul Caslro.

i nlrodu~iio

da despedida da Illurga Falla y Rest o, 2001.

o camaval lorna conta da cidade nos seus 45 dias, nos bairros, 0 do camaval e cumprido pelos tabllldos , que sao municipais

de Diverso (1989) desenrola

0

0

lablado oficial do camaval

e0

Oll

pape] de palco

particulares. Na opin i1'io

Tealro de Verano

ja

que nelc se

Concurso Oficial do Carnaval.

A margcm de alguma fugaz e esporiidica experiencia ante rior. fXKIe decir-se que 0 tabl:ldo "ecinal - 0 rnais gcn llino e mftico de nossos cen;'\rios carnavalescos - nasce

em 1890 n3 plaza/eta Silvestre Blanco C... ). merce 3 iniciativa dos vizinhos da zona e como resultado direlo do crescenle protagonismo que j" haviam alcan<rado poT entao. as comparsas (ALFARO. 2008. p. 35 . tradu<rao nossa)

A maior parte do carnaval se desenvolve nos tablados que podem ser municipais ou comerciais, a maior diferen~a entre eles e 0 pre<;o da entrada, enquanto os mun ici pais cobram entradas a pre<;os populares os comerciai s fi cam local izados em pontos estrategicos da cidade e sua entrada nao e acessfvel a lodas as pessoas. Os tablados aberlos eSle ano foramtl).l:

Municipais

•

Molino de Galgo (entre bairros Ma roFias e Viffa

•

Aor de Maroiias (no bairro Flar de M awr1as)

•

Punta de Rieles (no bairro Punta de Rieles)

•

Las Acacias ( no bairro Las Acacias)

•

Cesar Gallo Duran (no bairro M anga)

Espw101a)

'· ,n1orma<rao -d-lspomve ' em: hllp:llwww.daecpu.org.uy/indell. php?option=com_conlen1&vicw:anic le&id= I 5&llemid",2 I )


113

•

Teatro de Barno Monle de La Francesa (no bairro Villa CoMn)

•

Club Arbolilo (no bairro Tres Oil/biles)

•

Paso de las Duranas ( no bajrro Laval/eja)

•

Tilo Borjas (no baiITo Cerro)

•

Juan T aranto (no bajrro U IS Torres)

Comerciais:

•

Monumental de In Costa (no baiITO Carrasco)

•

Vel6dromo Municipal (no bairro Tres Cruces)

•

Rural del Prado ( no bairro Prado)

•

Club Malvin (no bajrro Malvill)

•

Club Sayago (no bairro Sayago)

•

Defen sor Sporting (Parque Rod6)

•

Primero de Mayo (no baiITO Aguado)

•

Club Lagomar (no baiITo Lagomar en Ciudad de la Costa)

•

EI Tablado (no bairro Malvin, entre Mall'ill Norte y Malvin NileI'D)

•

Cine Plaza (no bairro Centro)

•

Tablado del Museo del Carnaval (no baiITO Gil/dad Vieja)

•

Coca Cola (no bairro

PocifOS)

Os lab/ados se espalham por tooa a cidade, levando urn grande nurnero de espectadores, sendo

0

maior deles

0

do Ve l6dwmo. Neste tablado realizaram-se a

maioria das visitas devido ao mesmo ser bern localizado e de faeil aeesso e por, no final do espetaeulo, disponibi lizam onibus para di versas partes da eidade . 0 VelOdromo fica situado no bairro rrcs Cruces, dentro do Parque BaIlie proximo ao estadio Celllem/ rio. A reserva do ingresso podi a ser feita por telefone ou momentos antes de inieiar as apresenta90es, que geralmente se in iciavam as 19h30mi n, 0 mesmo procedimento pode ser feito em todos os 'ab/ados eomereiais. Nas apresenta90es se apresentavam majoritariamente mllrgas e muitas delas quase lodas as noiles como Agarrate Catalil/a e Curtidores de HOl/gos. As informa90es sobre as apresenta90es eram vistas previamente


114

no enderer;o eletronico do tabiado l05 assim desta forma evitava-se assistir diversas vezes a mesma murga. FIGURA 12: lNGRESSO PARA 0 TABLADO DO VELODROMO DIA 211021201 J

? H9 064

FONTE: ARQUIVO PESSOAL

o Palco no

Ve16dro/llo

esta situado nn parte central, no meio da Pista, na frente

do palco acomodam-se as cadeiras numeradas, para aqueles espectadores que querem fi car mais con forHiveis e assistir as apresenta90es mais pr6ximas ao palco, pOI-em ao

lado das cadeiras muilas pessoas senlam no grama. Para registrar 0 momenlO, os

espectadores, na sua maiaria, levam camaras fotognificas e filmadoras, assim registram a apresentar;oes e ap6s, ou antes, destas liram folos com os integrantes das agremiayoes.

Na volta da area central ficavam as bancas de ali menta!yao aonde se vendem, sorvetes, massas, chuITos, hamburguer, choripa/l , pane/lOs (cachorro quente), refrigerantes, nas outras bancas

vendiam~se

cds, dvds, agendas, camisetas e artesanato. Vma das situa!yOes

que chama a aten!yao e a quantidade de merchandising que existe nos tablados comerciais, tanto dos patrocinadores dos tablados como dos patrocinadores das

lIlurgQs ,

algumas levam ate 10 minutos anunciando seus patrocinadores e muitas tem dentro da pr6pria apresenta9ao alguma referencia aos seus patrocinadores. As apresenta90es tern urn inlervalo de 5 minutos entre as apresenta90es, ocorreu diversas vezes fora m atrasos por partes das

I1IlIrgas ,

0

que

pois estas se apresenlam

em diversos tablados na mesma noi te, ocasionando atrasos no deslocamenlO ou mesmo, devido ao atraso das apresentw;Oes em oulros tablados. Desla fonna , a ultima apresenta9ao

ea

mais prejudicada, principalmente em dias de sernana, quando os

lOS 0 endcrer;o eleuonico para obtenr;ao de informaifuo sobre a programar;iio do tablado do vel6dromo e http://www.veJodromo.com.uy/portm eSle s6 fica disponfvel de janeiro a marifo.


115

espectadores nao fiearn ate

0

final do espetaculo devido ao honirio avanr;ado. Tambem,

ocorre que, a ultima apresentar;ao geralmente nao e completo devido a estes atrasos e a uma norma da prefeitura os lab/ados devem tenninar seus espetticulos

a I h30min

da

manhu.

Mas as pessoas esperam, tamando chimarrao, fal ando da apresentar;ao da mllrga em outro lab/lido, falando qual

I11l1rgll

esta melhor em cada quesito. As pessoas debatem

os quesitos como jurados, mas sempre defendendo sua /11l/ rga preferida, se liverem

alguma. Durante estes intervalos aproveitou-se para conversar com os espectadores para obler informar;5es, porem, geralmente esculavam-se hist6rias das pr6prias pessoas ocorridas no carnaval,

0

que facilitou

0

entendimenlo da relar;iio do monlevideano com

o camaval, assirn compreende-se que, para rnuilos,

0

camaval faz parte dOl pr6pria

hisloria de vida.

E praticarnenle

da opi nii'io de lodos que existern do is carnavais na cidade de

Montevideu 0 que ocorre nos tahfados e 0 que ocorrc no Teatro de Veran o, pois, no lealro, as agremia<;6es esli'io sob a pressao do jurado e do publico esperando urna apresenla<;50 que supere as expeclativas, Nos tab/ados ha uma intera<;50 maior com 0 publico, as brincadeiras, as risadas, as apresenta<;6es nuern rnais facilrne nte, ha rnais risos e rnuitas vezes os intcgrantes das IIIlIrgas sao substitufdos por oulros e estes esquecern as letras no me io dOl Olpresenta<;ao, 0 q ue gera risos tanto entre os integrantes


116

como do publico, estes momentos sao aproveitados para que a mllrga interaja com publico sendo ela mesma

0

0

alva das brincadeiras. Acompanhamos a apresentur;lio da

MlIrga UE Grall Siefe em Ires oportunidades, 110 Vel6dromo, no Cill e Plaza e no Tealro

de Verallo. As Ires apresentar;Oes apresentaram aspectos particulares devido ao espw;o,

ao publico que participou e tambem porque no Tealro de

Verallo

nao podem haver elTos

perante os jUlzes do concurso, 0 que corrobora a ideia geral dos dais carnavais. A apresentur;ao da M lIrga UI Gmll Siele no vel6dromo, no di a 2 1 de fevereiro de 201 1, foi mais interativa com

Neste diu

0

0

publico do que a apresenlUl;iio no Tealro de Ve rallo .

publico ainda chegava ao vel6dromo quando a

mllrga iniciava sua

apresentar;lio por volta das 19h30min, a chegada do publico neste horario e normal , pois

e as pessoas costumam sair do trabalho, ir para suas casas e posterionnente dirigir-se ao tablado, algumas pessoas costumam chegar no horario de favorita , por este lllotivo hii uma constante

movilllenta~iio

apresenta~50

da sua murga

de chegada de publico, isto

ocorreu em todos os tablados visitados, excluindo-se 0 Teatro de Verano e 0 Cine Pl aza.


117

FIGURA 15: TABLADO DO VELOOROMO

FIG URA 16: INT EGRANTES MURGA LA GRAN SIETE ANTES DA A PRESENT AYA.O

Minast. tiell. lin sabol' un;cD, ttl de mi paiâ&#x20AC;˘â&#x20AC;˘

A primeira

apresetlta~5.o

que acompanhamos da lIIurga La Grall Siele ocorreu no

Cille Plaza no dia 06 de fevereiro de 2011,

0

Cille Plaza

e um

antigo ci nema que

tambem funcionava como [ealro, 0 camaval que ocorre no Cine Plaza e chamado Carnaval de Gala, pois

e coberto,

com cadeiras confortaveis, ar condicionado e oulros

elementos que nao eslao presentes nos tablados tradicionais. Os fun ciomi rios,

uniformizados, levam os espectadores ate os assenlos que sao numerados, na entrada ha uma loja que vende produtos das I/Iurgas que se apresentam a naite, tambem h6. urn bar


118

e para fu mar ex iste uma saeada onde a cada intervalo os espectadores se reunem; a entrada para

0

Cille praza custa de R$ 18,00 a R$ 25,00. 0 ingresso do Cille Plaza ,

mostrado abaixo. pode ser comprado por urna rede bancaria que esta local izada em quase lodos os bairros, 0 que faeilita muito a compra, 0 ingresso

e rnais

elaborado

graficamente do que os dos oulros tablados e e 0 unico que vende os ingressos na rede mencionada aeima. Esta foi instantes com

0

a primeira

oportunidade onde se conversou por alguns

diretor da Murga La Gran Siete, ap6s esta oporlunidade continuaram-se

os cantatas com

0

diretor, cujas

co l oca~5es

foram de extrema importancia para

entendimento do "fiUlcionamento" cia II1l1rga durante estes 45 dias de camaval. FIGURA 17: ENTRADA

06/02120 II

0


119

A

apre sent a~ao

da mllrga s6

e comple!a

no Tea/ro de Verallo, nas outras

apresenta<;:Oes sao apresentadas apenas algumas partes. 0 Teatro de Verano por ficar em urn ponto nevralgico da cidade

e de

facil acesso, tern estacionamento na entrada e os

ingressos podem ser adquiridos em IOlericas espalhadas pela c idade, 0 (caIro dispOe de

plateia baixa e alta sendo que os prc90s sao diferendados, a plateia baixa possui um

valor mais elevado por ser mais

perlO

do palco, 0 que proporciona que 0 espectador que

adquiriu urn lugar na plateia bai xa, de cerIa forma, participe nn descida da IIlllrga.

Logo na entrada do (ealro de Tearro de Verallo ha diversos comercios de

alimcnta<riio e de venda de sou venires relati vos

a cidade, ao pais e ao carnaval, pois ha

uma grande afluencia de turistas no Tearro de Verano, na sua maioria de argentinos. Na parte aIds do palco pode-se ter contato com os integranles das apresenta~ao

e na hora da safda. Nas

apresenla~oes

IIIu'g[l.f

do concurso oficial as

cos!umam ir com !oda sua equipe, para que nao ocorram fa lhas na equipe

e composla

antes da sua IIIurgas

a prese nt a~ao,

a

pelo utilero !O(" pessoas responsaveis pelo som, pela iluminas:iio,

instrumenlos, arrumas:iio do palco e outros que a IIIurga necessite. Na hora da safda da IIIurga

e

0

momenta mai s lumultuado de lodos, pais ha uma

aglomera~ao

de fils,

jornalistas, equipe de apoio e fOl6grafos.

Confonne observa<;lio aprescnla<;fiO da Jllllrga. lOb

0 lUi/ero

e a pessoa que ajuda no que for necessario para

0

born andamento da


120

E dific ultoso se aproximar dos integrantes, lami>em , devido Ii empo\ga91io dos mesmos, pois na chegada na

pra~a

do Teatro e no fim da apresentu91io, os integrantes

sao parabenizados para mu itos e 0 momento mais emocionante pois e a fin alizu9ao de meses de ensaios e ajustes para que a murga cheglle "redonda" no concurso aficial e

para 0 publico, e, tambem, porque a ulti ma parte da apresentUl;iio fa la da volta da

lIIurga

no prox imo carnaval como verifica-se na letra da retirada da Murga Curlidores de Hongos (201 1)!07.Tambem, na comemora9iio, verificou-se a emo91io das lII urgas que 1em dono e as lIIurgas que praticamenle nao lem patrocinio algum, como e 0 caso da

Murga La Gran Siete que possui, apenas, patrocfnio da ANCEL I08 , A di feren9a na comemora91io destas murgas se deve ao

esfo r~o

dos seus inlegranles, a ajuda de amigos

e famil iares para que a murga participe do carnaval, lem-se a sensa~ao que eslas murgas lem mais sentimento na apresentar;::ao ou "call/all COli eI coraz611 ell fa garganra"

expressiio muilo utilizada quando a apresenla~iio da murga emociona 0 publ ico. FIGURA

FIGURA 21: PUBLICO NO TEATRO DE VERANO - 2' RONDA DA L1GU ILLA

107 VO/I'Ualr ple16ricos de gloria/Para escribir la IlislOria/Por Olro si810 maJlDej'III SII elenw pregoli/(CI/(llufo termine fa fteswYEll m partida trillufllflVo/l'erau los lIollgos e" febrero/Ta esla frelrdido el fuego/Que l'iI'a e/ carnal'lll, (Relirada Mu rga Curtidores de Hongos do ano 201 1) OIl Ancel t a ernpresa de te1cfonia movel que fal parte da Antel (Adrnin istrncion Nacional de Telecomui cacoes), ou seja. f uma cmpresa esta tal. conforme Lamolle na sua apresenta\50 no Camaval de Gala (06/02l20ll) a IIHlrga La Gran Siele foi urna das que apOs passar poT urn processo seletivo foi patrocinada pela empresa.


121

UOUILLA

FIGURA 22:

FIGURA 23: INGRESSOTEATRO DE VERANO -2' RONDA DA LlG UILLA

"

""<"0'0'''01100,;0 ,. I( (LIL ~tI

•

f.\I,Jv·It~.·

""cr

~.. i

•

•

FONTE: ACE R VO PESSOA L

A identificar;iio com as lIIurgas

e muito forte , antes da observar;ao verificamos

em sites de relacionamento como era a relar;ao entre as lIIurgas e seus flis. Cada lIIurga

tern seu publico, que se identificam com a

lIIurga

pelos temas que esta trala, pois,


122

sentem que esta lIIurga retrala melhor, que Qutras, a sua realidade. As IIIl1rgas jovens, geralmente. nao tern urn publico multo especifico, por terem urn discurso muito parecido e se diferenciarem mais atraves de oulros ele mentos da IIIU'8(/S

apresen l a~ao .

que li veram urn discurso mais conlesla16rio durante a ditadura como

Aquelas

e 0 casa de

Falta y Resto e Araca la Cana, 1em um publico fiel. que, pelo que observou-se nas apresenta90es, a faixa etaria belra os 60 anos, ou seja, entrando na idade adulta e 0 discurso da

IIIlIrgQ

0

publico destas murgas estava

acompanhou os anseios desta, Dutrora,

juventude.

Murgas como Agarrafe Catalilla, tem um publico jovem muito fie l, que vai para as apresenta90es com bandeiras, camisetas, faixas e lodos os elementos possfveis, que possam identifica-Ios com a IIIurga. este fanatismo veri ficou-se, tambem, no Facebook poi s ha diversas discussOes em tomo do relacionamento do publico da murga Agarrate Catalina com

0

publico de outras murgas. As discussoes atraves dos foros de discussao

do Facebook, mui tas vezes lembram acaloradas discussOes sobre futebol e poiftica. As IIIurgas Ln IIIojigata e M etele que SOli pasteles tern urn publico diverso, pois tem um humor chamado picaresco e de fficil entendimenlo,

0

que faz que atraiam

baslanles crian9as com suas apresenla90es. ESlas lI1urgas, este ana, tiveram uma maior torcida, pais a Murga Qlleso M agro, que e uma das preferidas desle publico, nao se apresentou. As lI1u rgas mais anligas em atividade sao Oiabfos Verdes e Cu rtido res de H Ollgos,

esla ultima completando 100 camavai s no ano de 201 1 estao programados

diversos feslejos para marcar os 100 anos desta IIIllrga , que sempre se manteve em evidencia sendo uma das mais queridas pelo publico. Nas I/I lIrgas mais Iradicionais, ha dificuldade de pontuar um tipo de publ ico especifico, poi s por serem /11l1rgas com urn forte hist6rico de participa9ao acabam atraindo um publico mui lo variado. A parte mai s aguardada da apresenta9ao da II1l1rga

e0

cuple,

as pessoas

acompanham alentamenle, pois e a parte onde se critica um fato da fo rma mais comica posslvel. Como

0

camaval

e extenso

a apresenta9ao nao chega a ser uma surpresa

depois da segunda semana, mesmo assim, no publico, observa-se, cupleleros

0

fi so fac il, pois os

mudam a apresenta9ao com alguma piada nova ou com algum fato novo

ocorrido no perfodo do camaval au ate mesmo com alguma silua9iio que aconteceu ou esla ocorrendo no momento da apresenta9iio, por duas vezes, acompanhou-se estes momentos, em um deles,

0

integrante da lIl urg(j esqueceu uma parta de apresenta9iio e

em oulro um dos integrantes estava com metade da fantasia somente, isso nao foi


123

motivo de

preocupa~iio

e sim, urn momento que a lIIurga aproveitou para rir dela

mesma. 0 fato de apresentadores de televisao. atores e humorislas participarem das /III/rgas. tambem e urn ralor importante, as pessoas aguardam para ver estas pessoas que

se destacam nas apresentar.r5es das suas respeclivas /IIl/rgas.

Durante os espetacu los nos (ablados as /IIl/rgas aproveitam para comercializar

camisetas, cds, libretos, adesivos e tudo aquil o que tenha a imagem da //Iurga , neste ano a Murga Diablos Verdes criall uma pagina no Facebook para divu lgar 0 cuple das suas

e apresentada nu figura 25, os Solymarenos fizeram tanto sucesso que alem de terem esta pagina ganharam um ra clube. apresenta~Oes

que

FIGURA


124

FIGURA 26: LIBRETO MURGAS DIABLOS VERDES

._antel==antel .

oM!

""" Quo; ".iNC:~ (;.OAC~ ~ \u OEN'TI; I

FONTE: ACERVQ PESSOAL

o

debate pri nci pal deste ano fOl a nao abertura de diversos tablados, tanto

particulares como publicos, por falta de apoio da prefeitura e por desinleresse dos tablados particulares devido aD horario de inicio e fim das apresenla¥oes. Esla regra da prefeilura foi mOl ivada principalmente pela quanlidade de reciama¥oes de vizinhos dos

locais de ensaios e de tablados, que reclamaram do barulho. Assunto constante das conversas entre espectadores e principaimente das ",urgas e que esteve presenle em praticamenle lodas as apresenla¥oes, foi ?l decisao por parle da prefeitura de nao apoiar

alguns tablados particulares e por consequencia estes nao funcionaram no carnaval e tambem a regra criada que esti pula um honirio fixo para esla fixada as I h30min. Houve assim , uma dura crHiea

0

fim das apresenta~6es , hora

a postura da prefeilura que ao

conlrario de procurar uma alternaliva, como queriam os mllrguistas, simplesmenle optou pelo nao apoio aos tablados. A murga CUrlidores de HOl/gos eSlendeu a crflica na apresenta9ao realizada para para

0

0

Car/wl'(ll del Bicel/lel/ario, quando se apresentava nao s6

publ ico que foi assistir a

apresenta~ao

como para autoridades mUfilclpais e

fe derais, incluindo 0 Presidente da Repllblica, Jose " Pepe" "Cada l'ez Ifll e: $e abrc

,m /lIb/ado "{lee WW

Ml~ica.

espenml{l. yeada "e:z Iflle se e ;erra ""

/ablatio se Ie eJ M /apalJdo la boca aJ plleblo ".

Ralll Tillwbram Caslro. director da murga Falta Y Resto iniciando a cancao de despedida.


125

o direlor da II1l1rga La Grall SiCIC, Gu illermo Lamolle, cfiou um grupo no site de relacionamento fac ebook chamado: Brigada contra sifellcios mofestos. onde exp5e sua opiniao sabre a

situa~ao

0

diretor

do fechamento de tablados e coneluma aDs

a prefeitura um espa~o especffico para ensaios e tablados, ja que a polflica da prefeitura e de descentrali zar a cullUra e facilitar 0 acesso protagonistas do camaval a propor junto

a esta. Vma das principais causas da Brigada era mas nao obtiveram sucesso,

0

0

nao rechamento de alguns tablados,

tablado M Olillmellflif de Tres Cruces foi fechado e agora

no local funciana um eslacionamenlo. Lamolle a(raves da Brigada publicou um art igo

no Mdiario de Carnaval onde opina que "Desde aquc/es dias, daqucles dias do lablado ea/~ada "

em eada esqllilla. de e/lsaios /Ill

que congregavam a seus seguidores,

passamos por diferentes processos. Durante diversas apresentar;Oes a maior reclamar;iio era que com

0

fec hamento de alguns tablados, diversos bairros tinham ficado

desprovidos de tablados, tendo os moradores que se deslocar para conseguir assistir as apresentar;Oes. FIGURA 40:

__ _ ._._ . _" ..":: _ ... _ ... _-. ...., , .__. ...-_..- -.-.." ....,..... _ ......-::.-=:-- -.:-. ..(. __ =-R.. . _ .. ~

.... _~ _:.< .... _ I l l ••~.~ o" _"ft·. ~

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0',

.. . . . . .

FONTE: ACERVO PESSOAL

FIGURA 41: MU RGA CURT IDORES DE HO NG OS NO CARNA VAL DO BICENTENARIO.


126

Para comemorar 0 bicentenario da independcncia do Uruguai no dia 25 de agasta

de 201 1, comcmorou-se

0

camaval do bicentenfirio ocasionou um grande debate

ocorrido entre os monlcvideanos, primeiramenlc por ser no hip6dro mo municipal, um

lugar que nao e acessfvel para lodos devido a sua localizar;ao e tambem pelo prer;o das entradas que era de R$ 29.00 a R$ 64.00

0

que

nao possibi litava 0

acesso de lodos

a

festividade. A rna organizar;ao do evenlo tambem chamou a atcorrao do publico e houve

uma anda de repudio antes, durante e ap6s

0

evenlo, sendo taxado de evento para a

classe media. Debates tambem por algumas murgas e comparsas nao serem convidadas e pclo evento tcrmi nar a I h30min da manhii 0 que fez com que as apresentaryOes fossem muito curtas. As crfticas foram por parte da popular;ao e das agremiar;Oes tanto as que part iciparam como as que nao participaram.

FtGURA 29: ENTRADA PARA 0 CARNAVAL DO B1CENTENARtO.

--- ...--

Hlp6cIromo Nacion.1 <Ie ....."..,.

- " mo _ ,

2 MlZflOI12000'lI

FONTE: ACER VO PESSOAL


127

Os temas das murgas neste carnaval refletiram

0

ano urug uaio e monlevideano :

olema das greves dos lixeiros fo i falada par diversns lIIurgas como Diablos Verdes e Curridores de Hongos,

0

fato ocorrido com os chilenos que fi caram presos em uma

mina fo i falado par quase IOOas as I11l1rgas tendo enfase nas IIIlIrgas Diab/os Verdes, A CanTramallO, UI Boli//a qlle Fa/taba (a unica f1IlIrga em que 0 coro

e composlo 56 par

mulheres), 0 campeonalo mundial de futebol onde a equipe uruguaia ficou na 4 0

foi assunto de IOOas as explorada peln IIIl1rga

l/1urgas

posi~50

a partir de diversas vis5es como a visao das mulheres

Cllrfidores de H Ol/gos

ou peln vis50 dos torcedores otimistas ou

daqueles pessimislas que foi utilizada peln l1Iurga Agarrale Ca la/illa . Algo muilO

interessante duranle a observac;50 e ap6s, acompanhando as notfcias pelos principais jornais do Uruguai , comenlarios de pessoas do nosso enlorno, foi a quesl1'io da recuperac;iio de uma aulo-eslima vincu lada ao esporte, primeiramenle pelo campeonato mundial de futebol, mesmo com a 4~ colocac;ao e agora com a chegada ao fin al da copa Libertadores da America do Pefiarol, 0 time que e considerado como 0 de maior torcida no Uruguai. A idenlificac;ao do montevideano com a mesma, a murga Araca

UI Calla

lIlurga

e conhecida como La

lambem ocorre peJa origem da Brl/ta

ou La IIIlIrga

Compaiiera,

oriunda do bairro La Teja, para Hernandez (2010) a II/u rga deu impulso a identidade carnavalesca que 0 bairro possui ate hoje tornando-se um dos sfm bolos espacial do


128

camavaL A IIIlIrsa ganhou 0 apelido de La Bruta por seT uma /III/rga que originariamente era rannada somente por vendedores de jornais chamados de calliffifas o que fez com que a

II1l1rga

tivesse uma maneira de canlar pr6prio, apelido de

compaiiera surgiu na epoea da ditadura por ser uma fIIl/rga que sempre fi cou do lado do

povo.

E uma

outra

IIIl1rga

/IIurga pela qual as pessoas tern urn carinho especial mesmo que tenham

como favorila,

momentos de repressao a

e urn

/III/rga

senti mento de respeito peln hist6ria da

l11/1rg(/,

"Em

nao emudeceu e sao de sua autoria lemas, milhares de

vezes enloados em momentos diflceis, que levaram a Araca a const iluirse como

"companheira" do povo" (Hemimdez, 2010, pag. 6). Ainda para Hemandez (2010) a lIIurga

e urn sfmbolo representativa da sociedade, nno s6 do bairro como da ddade, pois

e Simbolo e alua como agente de pro paga~no da cullura popular dentro e fora do paiS. FtGURA 31: M URGA ARACA LA CANA NO CARNAVAL DO BICENTENARIO.

5.1.3 LLAMADAS

Em Montevideu e comlUn ouvir que 0 "meio" nutlU'ul dus comparsas e u ma, e onde elas se apresentam como todo seu esptendor e magnificenda . No concurso ofidal elas nao se apresentam como lodos seus componentes e ale 0 ritmo (condombe) sofre certa

a lt era~ao

ja que as comparsas canlam e nao somente locam. No Teafro de Verano

elas fieam a meree do

e spa~o

do palco, n50 tem 0 movimenlO que tern na rua e nem as

pessoas, devido ao local , eonseguem partidpar de uma fomla mai s ativa.

o Desfile de Llamadas ocorre nas ruas Carlos Gardel e Isla de Flores no bairro SlI r

que como citado anterionnente e urn bairro marcado pela cullura afrodescendenle.


129

FIGURA 32: MAPA DESFILE DE LLAMADAS

-_ -

.... ............. ..... _, ..... ~

FONTE: JORNA L OBSERVA

Uma semana ap6s

0

desfile inaugural come9am os Desjifes de Lfall1adas. estes

ocorrem nos bairros Sur e Palermo. Sao disponibilizadas arqu ibancadas nos dois lados da rua, os ingressos para as arquibancadas preferenciais cuslaram R$ 19,20 e para as numeradas de R$ 15.00 a R$ 7.40. 0 desfile de sexla feira iniciou pontualmenle as 20hl5min . A variedade de publico que assiste ao desfil e e grande, h:'i desde moradores do interior a estrangeiros como franceses, dinamarqueses, espanh6is, norte americanos, itali anos, sudaneses, japoneses pelo que se observou duranle

0

desfile. Estes turistas,

geralmente, andam com a camara de folos e film adora, costumam fazem perguntas aos locais sobre 0 desfile. Desde 0 inieio da manha ha uma movimenta9ao grande nos locais de ensaio das comparsas,

0

diretor da comparsa Tronar de Tall/bores, residenle no bairro Cerrito de

la Victoria e a pessoa mais destacada no que lange as comparsas, seu nome e Julio Sosa

conhecido pelo apelido de Kal1e/a, na sua residencia houve movimenta91io desde a manha do desfile, com integrantes levando seus tambores e vestimentas, ap6s finali zados os uttimos detalhes, os integranles se encomraram no clube onde geralmente ensaia a comparsa. Uma hora antes do desfile, a comparsa Tronar de Tambores ja se enconlrava pronta para

0

desfile. tambo riferos esquenlavam as fOl1jas enquanto liravam

fotos com locais e !UriSlas, oUlros integrantes arrumavam as giganles bandeiras que as comparsas levam, sem exce9ao, para 0 desfile, as bandei ras geralmente representam Cada compllrsa faz uma pequena fogueira para esquentar as lonjas dos tambores, nessas horas antes do desfi le as pessoas aproveitam para tirar fotos com alguns integrantes enquanto oulros anumam as enormes bandeiras que irao ser levadas no desfile,

e0

momento de colocar em ordem os participantes da comparsa para a


130

entrada. Se houve os diferenles toques das comparsas e se ve os turislas tirando varias folas e film ando, mui tos filmam antes do inrdo, durante e ap6s. Acompanham alentamenle 0 que lhes e falndo.

As comparsas se anullciam pelo toque que

e ouvido de longe. 0 primeiro que e

vista no desfile sao as enormes bandeiras com as cores da comparsa, alras geraimente vern

0

corpo de baile com as

Vieja, 0

d an~arinas

Yllyero, 0 BasfOllero

e com os personagens dus comparsas a Mama

ap6s vern

0 cora!yao

da

compa rsa ,

os

tall/bores.

Os

tamborileros 'e m os rOS10S pinlados com as cores da comparsa, sao poueos, como vista

no desfile do dia 04 de fevereiro que ainda pintam

0

rosto de negro. Os fambores do

candombe sao tres: chico, repique e piallo. Vma dus discuss5es atuais entre os pesquisadores do CQI/doll/be e a mudanya nas dimensOes de cada urn desses fall/bores, esta mudanr,ra, para os que estudam

0

assunto muda

altera a sonoridade do ritmo como urn todo.

0

som dos tall/ bores e, portanto


131

Os personagens parecem ler pedido a imporliincia e em al gumas comparsas alguns pcrsonugcns nao aparecem tanto quanta antes como

0

escobero. Os personagens

mais apJaudidos em IOOas as comparSQS foram os casais de /IIallla viejas e Yllyeros, os lamborileros usam as meias de cor preta para imitar a cor dos afrodescendentes e as

alpargalas com os iaÂĽos entreluÂĽudos ate altura do joelho, 0 passo continua 0 mesmo,


132

cadenciado fazen do revenSncia aos escravos que utilizavam grilh5es que os impedia de caminhar e, portanto fugir. No final da comparsa aparecem os sfmbolos como as meia luas e as eSlrelas e algumas bandeiras e faixas com personagens importantes do cGl1dombe e da comparsa e

alguma mensagem relativa aos afrodescelldentes, quando vai passando a ultima comparsa os espectadores

VaG

atnis danlYando ale 0 fim do desfil e.

FIGURA 35: MAPA DESFIL E DE LLAMADAS


133

-CARLOS PAEZ VILARO

: SIRISO FOTOGRAFIA

No concurso oficia] a aprese n ta~50

ap resen l a~50

da comparsa

e

diferenciada da sua

na rua, no Tearro de VeraI/o , durante a apresenlac;ao, as comparsas


134

apresentam mtisicas, que na sua totalidade fa lam da sociedade. 0 ndmero de bailarinos

e em

sit ua~ao

do afrouruguaio na

algumas comparsas maior que

0

numero de

tamborileros, os comentarios entre alguns espectadores, e que a comparsa perde sua

forr.;:a no concurso oficial porque para participar tern que ser seguidas certas regras que

desfiguram a comparsa, como

0

canto, que no desfile de rua nao ex iste e nao faz parte

das comparsas originariamenle. E 0 grande numero de bailarinas de relleno, que sao as bailarinas que :iao colocadas no espetaculo para "fazer volume",

A parte onde as pessoas realmente se emocionam ficam sozinhos no palco e 0 que se sobressai e 0 toque da

e quando

cOlllparsa,

os tamboriferos

as pessoas danr;am

nas arquibancadas, se esculam grilos de apoio de lorcedores e simpalizanles, as pessoas tocam fambores inexislenles junto com a comparsa, alguns choram, comparsa

se mostra na essencia.

A bajada da comparsa

e

E quando a

um momenta tao

emocionanle como e a da IImrga , primeiramente descem os bailarinos, os estandarles e as bandeiras e por ultimo os lamboriferos

e um

momento onde todos batem palma

acompanhando 0 ritmo do toque da eomparsa, pois na descida os famboriferos nao eonseguem toear somente quando ja estao em meio ao publico entao os espectadores.


135

Nos toques de fins de semana

0

que chama a atenifao

e a quantidade de pessoas

que Ja se enconlram. Em urn dos toques que [omos, 0 dia estava nublado e frio para urn dia de fevereiro, mas mesmo assim no mercado publico a quantidade de pessoas que

esperavam pela c/tenia de tambores era muito grande, naqueJe dia nao havia uma comparsa especifica, mas sim urn gTupa de tamborileros que se juntaram para locar. Neste dia vimos urn gTUpo considenivel de estrangeiros que cram facilmente identificados pelas camaras penduradas no pescOifo e por fotografar cada detalhe dos

tamborileros. 0 toque de fim de semana

e alga diffeil

de explicar no que se rcreTe a

ocupa91io do espa90, pois cia vai muito alem daquilo que se ve, pois a comparsa sai do mercado publico e lorna

0

caminho do antigo cortir.;:o Mediomundo, pois naquele dia a

maioria dos integrantes era da comparsa C IOSO que e tida como uma das agremiar.;:oes que surgiu depois do fim da comparsa Morenada que foi a comparsa por excelencia vinculada ao a este cortir.;:o. Durante 0 caminho da comparsa vimos que em diversas casas havia uma eSpCcie de churrasquei ra feita com galoes de gasolina ou outro produlo que sao cortados ao meio e colocados em um tipo de suporte, as pessoas faziam seus churrascos e bebiam, geralmente havia umas 30 pessoas em cada churrasqueira enquanto isso a comparsa passava e as pessoas iam saindo das suas residencias acompanhando a comparsa que


136

haviu sardo do Mercado Publico com umas 200 pessoas acompanhando e chegava ao

cortiyo com mais de 500 como nos infonnou tun componenle da ''policia truistica lO9". Os turistas tentavam acompanhar a eles tentavam "sambar"

0

dan~a

do candombe, porem percebemos que

que, de certa fonna , irrilava os componentes cia comparsa que

repetiam diversas vezes: " No

som05

brasifel1os, aea no hay samba, esto cs candombe."

Sempre ressaltando a palavra ca /ldombe, a resposla dos turistas era acompanhar os passos das dan9arinas que faziam um esfof90 para ajudar os turistas, naquele, confonne conversa com um dos turiSlas, a maiaria provinha da Alemanha, Holanda e Belgica e 0

que este lurisla destacou, a1em da beleza arquitetonica da cidade, foi a amabilidade das

pessoas e seu conhecimento em Ifnguas "O 0 que facilita muito na hora de encontrar uma atrarrao turfstica ou ate mesmo se comunicar em um restaurante. 0 toque finaliza e os turistas, assim como os pr6prios moradores da cidade pedem para ti rar fotos com os componentes da comparsa,

0

que chama a atenrrao que os luristas acabam voltando ao

Mercado Publico e comprando uma lembranrra vinculada a calldombe, seja alga alusivo com chaveiros e quadros com pinturas sabre cal/doll/be au mesmo comprar tam bores que, ja pensando na sua comerc ializal,fao com fins tur(sticos, sao confeccionados em tamanho menor. Outra frase muito fa lada pelos componentes da cllerda de tam bores no fim do toque e "Ahora COllocell Uruguay", pais infonnam que a maiOlia dos tl.Uistas acredita que a cultura local seja parecida com a do Brasil, quando se fa la em carnaval, tambores e cultura afro ou si milar a de Buenos Aires, pois para muitos turi stas

0

Uruguai seria,

algo como um anexo a Argentina, 0 que 0 PCCCP (2008) chama de "efeito sombra" de Buenos Aires, como geralmente, as pacotes turfsticos se iniciam em Buenos Aires e depois os turistas visitam Montevideu e somente neste momento que

0

turista tem a real

conheci mento das diferenrras vislveis enlre um pals e oUlro, pri ncipalmenle, como dilo par algtU1s turistas, pelo fato da presenya afio na cidade de Montevideu, StlaS "marcas" espaciais e a wndombe .

109 A polida lurislica de Monlevid6u cst;} prcsenle naquetes que sao eonsidemdos os principais ponlos lurislieos da cidnde e lelll como fun\50 protege r IUrislas eXlrangeiros e umguaios. Informn~;io di sponivel

em hup:ll www.minterlor.gub.uy/index .php/eslservlcioslpolicla-turistlca 110 No Uruguai. no !iceo. 0 que vem a ser 0 segundo grau no Brasil 0 nluno pode optar por diversas lin guas eSlrangei ras co mo ingles. franc6s. alemao e italiano.


137

Quando a corda parau de locar se escutou uma musica do peffodo da ditadura de

urn grupo de candombe chamado Pareceres: Barrio Sur

eSle

es Ill; CGIlIO I es lIIi slIeiio

echo cancion I cOllvemillo Ie saillda I el 110 se olvida de vos (... ) Mama viejo / Gramillero es eI Clllldombe y se I'iene. Descobrimos que a musica se chama Po r si vue/va e marcou epoca para aqueles que esliveram fora do pais como exi lados durante a

diladura. A mt'isica fo i canlada por mais de 100 pessons na fren te do predio onde se

situava 0

cort i~o

Mediomundo. Na frente do pn!dio os integrantes das cllerdas tentavam

explicar para os turislas a hist6ria do local 0 que e dificultado pelas palavras pr6prias da cullura do

COl/doli/be.

A noite, antes dos toques, 0

espetacu lo se tornava mais chamalivo

devido as fogueiras que sao feitas no meio da rua para esquentar 0 couro dos tambares, au as chamudas {olljas.


138

5.1.4 CA RN AVAL E MIDIA

Quem chega a Montevideu percebe que a cidade respira

0

camaval, as

propagandas usam como musica de fundo os toques das comparsas ou a marcha

camion l11 das murgas, na televisao se vern as chamadas para os espetacu los e ha uma larga discussao entre os anatislas para tentar preyer quem ira melhor tecnicamente, a prefeitura coloea a II/I/I'ga

disposi~ao

no site uma pesquisa para que as pessoas informe m sua

e comparsa favoritas, os outdoors (que nao sao muitos) tern sua imagem

vinculada ao camaval, integrantes de lIIurgas e comparsas fazem propagandas. Na radio e xistem programas especfficos para 0 camaval e

0

mesmo e transmitido

ao vivo com come nHirios e entrevistas principalmente aos diretores das mllrgas e

comparsas, e realizado um resgate hist6rico e vem a tona nomes hi st6ricos do carnaval, a televisao relembra camavais de antanho, principalmente os do inicio da decada de 80 (entre 1980 e 1986), alem de montar todo urn aparato de transmissao direto do de Verano para a transmissao das

apresenta~Oes,

das quatro

aprese nta~oe s

por noite s6

as duas uttimas sao transmitidas. As empresas de onibus transportam as gratuitamente em troea de propaganda na cada ano ganhando um

espa~o

ap resen ta~ao

das

mUI'gas.

Tealro

murgas

0 camaval vern a

ainda maior, pois uma pessoa que se identifi ca como

Croala ll2 disponibiliza no site de videos youtube lodas as apresenta'r0es da

figllilla

na

Integra, desta fom1a os uruguaios que moram no exterior e quem nao pode por algum motivo ir ate 0

Tealro de Verallo

ver as apresenta'rOes pode ve-las na internet.

Os jornais dedicam paginas inteiras ou cademos especiais para

0

carnaval, tanto

na sua versao impressa como eletronica, inumeros sites desti nados ao carnaval promovem debates e entrevistas entre pessoas que acompanham que durante

0

0

carnaval. Jornali stas

ano tratam de outros assuntos no carnaval se vollam inteiramente a sua

transmi ssao, 0 jomal da DAECPU, Mdiario del Camaval, passa a ser diario durante carnaval e continua com sua

distribui~ao

0

gratui ta. 0 Mdiario del Camaval come'ra a

apresentar urn resgate hist6rico meses antes, com hi st6rias de carnavais passados, costumes que nao existem mais, pessoas destacadas do carnaval , lodos os temas 111 Rilmo caracteristico da murga que ganhou esse nome porque a murga sc locomovia de um lugar para OUlTO em um caminhiio. cami6n em espanhoL enlao 0 rilmo ganhou 0 nome de Mareha Cami6n conforme eneontralT\(ls em Remedi (20 II ). II I NOlieia disponivel em hllp:llcarnaval.elpais.com.uy/un.croata-en.e[-carnaval-uruguayo


139

envolvidos ao camaval sao expostos. Assim como um grande debate com 0 regulamento atua], que apresenta pOlleas mudan9as de um ano para outro. Os jornais tambem servem como respostas dos protagonistas do camaval quando recebem criticas. Os sites de relacionamento sao um importante ve fc ulo de comunicar;1io das

agremia90es com seu publico As redes sociais tambem jogam um papel bastante importante na forma de comunicar;ao das ",urgas com seu publico, e nas redes que as lIIurgas

avisam data de apresenta90es [oeais, opinioes sabre as rodadas do concurso,

acontecimentos re ferentes

as murgas e e onde a torcida da apoio servindo como urn tipo

de lermomelro. Tambem podemos obler informa90es sabre material de merchandising das murgas ;

a cOInmucayao mais "fonnal" ocon e au¡aves dos

colocam a di sposioyao as suas letras, outras infonnaoyoes dOl

0

sites,

onde as

lII urgas

nome dos integrantes, a hist6ria, as novidades e

/Il urga.

Nos f6runs de debates dos sites de relacionamento fica mais claro urn determinado publico se identificar com determinada

l/1u rga,

0

porque de

al i na tentativa de

preyer quem irao ser os melhores, cada torcida usa seus argumentos para defender a sua /Ilurga,

mesmo que fique visfvel que tecnicamente a /11l/rga nao preenche os requisitos

para ser campea naquele ano. Durante a apresentaoyao no teatro de verao a Gran Siete

levou urn publico medio, nao lotando 0

Tealro de Verano,

/III/rga La

no mesmo dia se

apresentou a /III/rga Falta y Resto. No site de relacionamento Facebook, locali zamos as paginas de todas as

IIIlIrgas

da liglliJ/a e das

IIIlIrg(ls

jovens assim como de

/Il llrgas

do

interior, lambem localizamos todas as comparsas do desfile oficial e tambem as comparsas que Olinda nao aluam na competi oyao, como por exemplo, a pagi na dOl comparsa do bairro Villa Espanola, a qual vimos por diversas vezes, por estar siluada perlO do local, onde esHivamos hospedados. 0 Facebook lornou-se uma fe rramenla de comunicaoyao imprescindfvel para as agremiaoyOcs carnavalescas pela quantidade de pessoas que a utilizam e muitos seguidores das perfi l as sfmbolos das

/IIurgas.

I11l1rgas

colocam como suas folOs de

acompanham lodos as comenlarios na pagina da I1Il1l"ga ,

alga similar com a que ocorre com as paginas referentes a fulebol no Uruguai, para Alfaro (1991)

0

carnaval,

0

futebol e a polilica formam a trfade que apaixona os

uruguaios,o mesmo Ii! verificado em Achugar (1994).


140

5.1.5 MUSEU DO CA RNAVAL

Um dos pontos mais imporl3nles durante a observacao foi il. visita ao museu do camaval, inaugurado no ano de 2006 depois de mais de 20 atlas de planejamento para que houvesse este espaco de resgate e salvaguarda da memoria carnavalesca montevideana . Para Gotlzalez

ll3

a principal importancia e funciio do museu e

se T

urn

espaCD cultural aberlo seus manlenedores sao : a prefe itura de Montevideu, 0 MINTURD

e a ANP sigla da Administracao Nacional de Portos e a sua gestao fica sob-

responsabilidade e da Corporacuo Nacional para 0 Desenvolvimento, portanto a gestao e privada, pois desta fanna se acredila que as decisoes que precisam ser lomadas de forma mais agil

0

sejam.

FIGURA 42: LOGO DO MUSEU DOCARNAVA L

*~. FONTE: GOOGLE IMAGENS

o museu do camaval recebeu em 2009 0 VI Premio Intemaciollaf Reilla SoFa de COIIserWlci611 y Restallraci611 del PalrimOllio Cllltllral,

que e concedido Agencia

Espanhola de Cooperaciio Internacional para 0 desenvolvimento que atende pela sigla AECID I14 â&#x20AC;˘ Confomle a endere90 elelronico do Museu a principal mOl iva9iio para a ex islencia do museu

e que

a sociedade montevideana participe do carnaval como

antigamente assim a festa seria novamente e essencialmente 0 pulsar da sociedade. Ele e considerado pOf muitos como 0 principal. Na visita ao museu se pode observar diversas moslras de vestimentas, fOIOS, maquetes, uma sala interativa e 0 tablado que fica aos fundos do museu, todos estes elementos juntos dao uma visao geral do camaval monlevideano desde suas origens ate os dias atuais. Quando da observacao se comemorava os 30 anos da murga Falta y lnformacao dispon(vel em hUp:llladiaria.com/articutoJ20J 0I5/monlevideo-lurislicoJ 11 ~ lnformacao disponivel em hup:llwww.larepublica.com.uy!colllunidadl360745-museo-del-carnavalgan a-e I-pre mio-reina-sofia

II I


141

Resto um dos expoentes carnavalescos da epoca da ditadura. Duas das atividades principais do camaval se referem a trazer de volta a cultura do tablado barrial ou seja, aquele fe ito pelos pr6prios moradores e a moslra itinerante da hisI6ria do camaval que leva para 0 interior do pais a cullura carnavalesca com 0 fim de loma-Ia uma cullura de

todos os uruguaios.


142

-

.' ..

ACER VO PESSO A L

I


143

Ao lado do museu do carnaval eSlrategicamente, fica 0

servi~o

de atendimenlo

ao turismo onde obt ivemos um mapa da cidade e urn folheto explicativo do carnaval, no

atendimenlo n50 havia ninguem que falasse Dutra Ifngua a n50 ser 0 espanhol e as atendentes cram funcionarias publicas, conheciam bern a cidade e conseguiam dar ex plicu(foes exalas de como 0 turi sla pode se locomover pela cidade, tambem livemos i nforma~Oes

sabre as

apresenta~Oes

do camaval. Durante a

observa~ao

tivemos um

acesso facili tado aos espetaculos ja que estes sao divu lgados, pelos jomais e tambem pelas paginas de internet dos pr6prios tablados. radio, tv , facebook. ou sej a, fi ca praticamente imposs[vel se manter afustado do camaval durante urna eslada em Montevideu durante

0

mes de feverei ro.

FIGU RA 48:

CARNAVA L


144

FONTE: AC ERVQ PESSOAL

FIGURA 49: MUSEU DO CARNAV A L

FIG URA 50: MUSEU DO CARNAVAL


145

5.2 ANALISE DOS RESULTADOS

Para a analise dos dados coletados faremos uma conexiio entre

0

marco le6rico,

a observa~iio participante e as respostas obtidas atraves do questiom'irio respondido por participantes do camaval. Busca-se atraves, deslas informa'Yoes, a conformidade para uma analise do assunto abordado neste trabalho. Para tanto, a part ir desta conexao, entre os lemas, foi dada a ocasiiio para a analise do camaval de Montevideu como produlo

turist ico. As variaveis nesta amilise silo: I - Identidade montevideana; II - Carnaval como produto turfstico; III - Camaval como manifesta(fao cu ltural; IV - Constru91io do patrimonio alraves do carnaval Na primeira varirivel analisada, a idenlidade montevideana, procurou-se

compreender como os participantes do carnaval veem a sua pr6pria identidade. A n alisou~se ,

para tanto, a identidade atraves do ol har de Alfaro (1991) para quem a

identidade e a resultante de um sistema de 51mbolos gerados pelo processo constante de necessidade da identificar,;ao de uma sociedade. Alfaro (1991) conti nua opinando que no camaval a sociedade se ve e desta fonna constr6i

lUll

"ser coletivo", fazendo do

carnaval um espar.r0 identitario da cidade e do pals. 0 carnaval como produto turfstico e a segunda variavel apresentada, onde se buscou analisar como os respondentes veem

0

carnaval de Montevideu como produto turfstico, assi m conseguimos a 6tica daqueles que vivenciam

0

carnaval pal'ticipando da rnanifeslar.rao, assim chegamos a Pizano

(2004) para quem os que mais "sofl'em" a utilizayao do camaval como produto huistico e seu posslvel esvaziamento como manifestar.rao cultural sao os aut6ctones das regiOes visitadas pelos turistas em busca desta manifestar.r5.o. Na terceira variavel, analisou-se

0

carnaval como manifestar.rii.o da cultural

montevideana com a fi nalidade de verificar as construr.r0es da sociedade que levaram

0

camaval a ser considerado uma das max imas manifestar.roes culturais da socicdade montevideana, a partir das representar,roes simb61icas que se encontram no camaval, como vemos em Alfaro e Cozzo (2009). Trataremos aqui a rnanifestar.rii.o cult ural, nao s6 como construr.rao da sociedade, mas tambem como urn lugar de mem6ria como

0

entende Alfaro (2009). Finalizando. analisou-se a varia vel sobre a construr,rao do patrim6nio atraves do camaval. desta fonna buscou-se entender como

0

processo de

estrulurar.rao do patrimonio se potencializou alraves do carnaval , para uma melhor


146

compreensao da analise utilizou-se para quem

conceilO de lniesta (1990 apud Santana 1997),

patrimonio resume os sfmbolos construfdos por uma sociedade 0 que lorna

0

o camaval a

0

materi aliza~ao

deste patrimonio. A partir disSQ, da-se infcio a analise.

5.2.llDENTIDADE MONTEVIDEANA

Para chegar ao objet ivo gera! deste trabalho partiremos da constrw;ao da identidade montevideana, pais se entende que esta

e urn

sistema de sfmbolos que se

materializa no carnaval, que e entendido como uma fanna de comunicarrao, entre outras

coisas, a identidade confonne Alfaro (199 \ ). Analisar a identidade montevideana, a

e uma fo rma de analisar urn identidade, pois assim ela e

partir de dadas coletados com os pr6prios monlevideanos

momenta do processo permanente da

constro~ao

entendida por Hall (2006), como uma constante

da

constru~ao

do que se pode ser que

influencia e e influenciada pelo momento que vive a soc iedade que a cria. Para os

tn~ s

respondentes os elementos que mais caracterizam

a polltica e 0

sao 0 gosto pela crHica,

futebol,

0

0

montevideano

reunir-se com amigos, sendo que esta

reuniao pode ter diversas fi nalidade e motiva~Oe s . Porem , os mesmo sujei tos dizem que nestes encontros nunca vai faltar 0 mate, 0 vinho e os cigarros. Hl'i tambem de crftica, cujo alvo

0

e geralmente os govemantes e a atual polft ica do pais e da cidade.

Esta fa la nos remete tanto a Alfaro (199 1) para quem as paix5es nacionai s sao a pol ftica e

0

momento

0

futebo l

camaval. Com isto, pode retomar ao camaval de Montevideu no ano de

2011 onde se observou que a crftica e uma parte essencial do camaval, principalmente das lIIurgas, pois sendo (2001) e Alfaro (2009) a~Oes

0 0

camaval uma forma de

co mu ni ca~ao

como

0

dizem Remedi

camaval somatiza as expectativas da sociedade em tomo das

do governo lembrando-os das suas promessas e criticando as fal has

governamentais. Os respondentes 1 e 3 referiram-se a imigra~iio como outra questao fundamental no momento de amili se da sociedade montevideana. pois os imigrantes trouxeram sua bagagem cu ltural

0

que resultou em uma identidade froto do hibridismo da uniao destas

culturas imigrantes. No marco te6rico resgatamos a questao da imigra~ao na identidade uroguaia em Darcy Ribeiro (1970 apud Achugar, 1994) que chamou a soc iedade


147

lUllguaia de ''pOVD transplantado", sendo que para Alfaro (2009) lUll ponto de encontro das principais

jm igra~6es

espanhola, italiana e africana ocorreu nos corti90S de

Montevideu.

Dutro falo r cilado pelos Ires respondentcs e que vai de encontro com 0 que se

apresentou neste trabalho, no que se rcrere a identidade uruguaia

ea

questao do

negativismo ou de uma nostalgia disfar9uda de que houve tempos melhores que os de agora, 0 que gera uma cren9u de uma crise constante em lodos os ambi los do palS, fale que se veri fica em Achugar (1 994), poi s para este, a crise surgida nos aoos 1960 e que

postcriormenlc levaria a instauru9ao da ditadura que geroll esse negativismo que passoll a ser uma marca registrada do uruguaio e mais propriamente do montevideano. Durante a

ob serva~ao

partie ipante, verifieou-se nas visi tas as

apresenta~oes

das lIIurgas, que

durante os cllples , diversas mllrgas se referiam ao Uruguai como paisi to, ex pressao ouvida diversas vezes independente do tablado ou da I/IlIrgll , 0 que para AchUgar (1994) e fru to da questao de auto complacencia que a sociedade tern consigo mesma. A questao de fazer au de atuar em grupo e uma questao levantada por Alfaro (1991) quando cita que 0 uruguaio e um apaixonado pela musica e principalmentc par canlar em grupo, iSlo se verificou durante a observa~iio , pois no concurso oficial ou nos desfiles de Ifal/ladas , cada intervalo das apresenta~oes , grupos entoavam as mdsicas da sua agremia~iio favorita e ritmavam a mdsica com instrumentos imagi narios. Os tres respondentes tambem citaram a constru~iio da idenlidade afro como uma delerminanle da

constru~iio

da cultura montevideana, pais para estes a cultura afro

demarcou territ6rios, que sao charnados de "barrios de lIegros" Ainda na quesUio do bairro de origem, nas llamadas e constante a Cord61l , dos

cort i ~os,

le mbran ~a

dos cidadaos iluslres desles, a

ocorre atraves do toque de cada comparsa,

0

dos bairros SlIr, Palermo e

ide n lifica~iio

rflmica do bairro

que a respondente 2 chamou de

"identifica9ao pelo toque", e islo [oi constatado durante a ObSelVa9aO pois quando dos toques de calldombe no fim de semana os toques cram reconheeidos pela sua rft miea que define

0

diferen~a

bairro, agrupando as pessoas em tomo do seu "toque" preferido.

Viu-se durante a observw;iio e tambem se constata na

descri~iio

do carnaval de

2011 , pois e not6rio para quem visita a cidade e participa do earnaval, a questiio trazida par todos as respondentcs ao que se refere a uma identidade barrial, ou scja, a manifes ta~iio

se isto nas

da identidade eonslrufda no bairro no qual se nasee ou se vive, eonstalou-

apresenta~Oes

das murgas que saudam

0

seu bairra de origem nas suas


148

apresenta90es, fazendo referencia, tambem , ao bairro onde ensaiam e como se verificou outras levam 0 proprio nome do bairro no nome.

o

bairro

e essencial

na apropriar;1i.o da identidade para os afrodescendentes,

0

bairro funcionu como a re presentar;ao do processo hist6rico destes em Monlevideu.

Atraves do marco tc6rico, resgalOu-se que a questao da identiflca9ao com 0 bairro, para os afrodescendentes. vern das epocas coloniais como encontramos em Carambula ( 1985) tornando-se refen'!ncia para os afrodescendentes. 0 que

e concomitante

com

0

que se vi u em Alfaro (1991 , p. 146) que chama isla de "fixu91io topogn\'fica do candoll/be", 0 que SClve de base para a construyao cia identidade de alguns bairros. Porem encontra-se em O laza (2009) que, hoje em dia, devido a diversas in nuencias extemas os tocadores mais e xperientes ja tern certa dificuldade de reconhecer 0 toque, pois acreditam que, ocorre atualmente, uma

inse r~ao

de outro ritmo, a clllllbia,

0

que

estaria desconfigurando tanlO 0 toque quanta a dan9a do cal/dombe. Para 0 respondente I a constru9iio da identidade afro teve seus momentos mais marcanles vinculados ao carnavai, sendo que em um primeiro momento, os afrodescendentes come9aram a ser inseridos nas agremia90es carnavalescas para posteriormenle faze r parte do camaval atraves das suas pr6prias agre mia90es, fato que se iniciou a partir do fi nal do seculo XIX como viu-se em Carambula (1985). Para 0 responde nle numero 2, a maior

contribui~ao

dos afrodescentes para a idenlidade

montevideana fo i, alem da rftmica considerada pelos 3 respondentes como 0 ritmo de Montevidell, mais aiem do tango, a cultura do " fazer em grupo", 0 que ficou evidente na epoca dos corti90S como vimos em Alfaro (2009), atem disto os tres respondentes sao unanimes e m afirmar q ue 0 fato dos locais dos antigos corti90S serem, agora, considerados lugares de mem6ria e lugares que marcam a hi sl6ria da c idade dii um sentido material a identidade provendo a mesilla de senl imentos.

5.2.2 CONSTRUCAO DO PATRIMONIO ATRA VEs DO CARNA VAL

Anali sou-se nesta variavel como se constr6 i 0 patrimonio atraves do carnaval de Montevideu na 6tica dos respondenles, a forma como ele se apresenta e como e visto pelos montevideanos.


149

Para 0 respondente I 0 fato do ctllldombe ler sido escolhido patrimonio imaterial da humanidade demonstra a importancia da constru(fuo patrimonial da cultura montevideana a partir do processo hist6rico construfdo pelos afrodescendentes na cidadc. Pais, para este. nem loda a constrw;50 material au imaterial de uma sociedade

pode ser considerada patrimonio se nao tem uma

fixa~iio

demonstre uma detenninada clapa de urn processo de

no tempo, ou seja, nlio

constru~iio

da trfade mem6ria,

identidade e cullura. 0 respondente continua expondo que a constru9ao do patrimonia, por partir de uma sociedade, ou seja. sendo um processo ern permancnle conslru9iio, se

salvaguarda a partir da sua fun91io como patrimonia, esta afirma91io resgalOu-se em Arevalo (2010) para quem a nominao;ao de patrimonio tem dois valores, sendo que, 0

valor de uso do patrirnonio salvaguarda a identidade e, portanto perrnite a perrnanente construo;ao do patrimonio. J5 para a respondente numero 2, 0 patrimonio seria um insumo de informao;Oes para

0

carnaval e vice versa, verifica-se, entao que temos um processo de

retroalirnentao;ao, onde os dois sao dependentes urn do oulro. Para este respondente, a construo;50 do patrimonio atraves do camaval, lem um vies educativo, pois e uma forma de garantir que a hist6ria seja repassada por aqueles que sao responsaveis (legais) por salvaguardar 0 patrimonio, ou seja, terfamos uma fonna de resgatar e de salvaguardar aquilo que faz parte do patrimonio e que nao havia sido preservada. Desla fonna, chegamos a Santana (2003) que cila as polilicas de salvaguarda do patrimonio como fomla de preservar a identidade. Durante a observao;ao, viu-se, os di versos caJ'lazes onde se infonnava do candombe como patrimonio e, como se verificou na visita ao museu do camaval, ex iste uma preocupao;ao de comunicar a patrimonio atraves de oficinas de wlldoll/be dentro e fora do Museu e tambem atraves do resgale de praticas como os

corsos barrias e os tablados de bairro construfdos pela pr6pria sociedade. Para os respondentes Ie 3,

0

carnaval, a sua fonna, representa a identidade

montevideana fielmente , nao s6 nas lIamadas , que abarcam

0

calldombe. Para estes

0

camaval como urn todo deveria ser considerado patrim6n io ja que, na hist6ria do camaval , estao expressas as aJterao;Oes que a sociedade rnontevideana viveu desde seculo XV[JJ e, portanto, identidade montevideana, portanto, entende que

0

0 0

0

camaval serviu como uma fomla de comun icao;iio da

que conslruf

0

patrimonio da cidade. Esles respondentes,

calldoll/be, faz parte de todo um processo hist6rico e nao

somenle dos processos da sociedade afrodescendente Estas opiniOes vao de acordo com


150

o que foi moslrado por Arevalo (2010), quando este diz que a mem6ria de uma sociedade, fica intrfnseca na

constru~ao

do patrimonio, pois esla mem6ria serve como

uma forma de resgate do passado no presente para dar urn valor a este ultimo. Portanto, part indo da 16gica que 0 carnaval, considerado no seu todD,

e urn

lugar de mem6ria

como vemos em Alfaro (2009) tadus as manifeslar;Oes, que estao concentradas no camaval. poderiam ser consideradas patrimonio.

Os respondentes sao unanimes em afinnar que

0

carnaval

e

uma forma de

comunicar;5.o da identidade assim reafirmando-a e desla fomm tornando-se a si pr6prio patrimonio ja que ele salvaguarda a identidade da sociedade e encerra em si diversas manifestar;oes que comunicam a identidade de diversas fo rm as por isso 0 camaval vai alem de uma

manifesl a~ao

cullural lomando-se inslrumenlo fundamenlal idenlilario de

uma sociedade que se ve lodo fevereiro dianle de um espelho, chegamos assim a opiniiio de Arevalo (2009) para quem 0 camaval, a partir de IOda sua simbologia, comunica cultura, identidade e mem6ria, tomando-se, portanto, patrimonio. Os respondentes lambem fi zeram

men~ao,

a

revalora~iio

dOl ident idade atraves

do turismo. Para 0 res pondente 2, a materializar,;ao desta revalorar,;ao passa sem excer,;ao pelo Museu do Camaval, a partir do seu trabalho de resgate da hist6ria do camaval, e portanto, transfomlado em urn museu de mem6ria. Esta opiniiio e concomitante com 0 que viu-se durante a

observa~ao

ao Museu do Camaval, pois esle cumpre urn rol

importante no resgale da hist6ria do camaval, atraves de um trabalho arduo por parle de historiadores que trabalham no museu com 0 intuito de resgatar hist6rias e elementos que nao fazem mais parte do camaval e rememoni-los. Verificou-se, tambem, durante a observa~ao,

que uma das

fun~oe s

do Museu do Carnaval e aumentar a participar,;ao da

sociedade no camaval, portanto desta forma fortalecer a identidade do camaval.

,

5.2.3 CA RNAVAL COMO PRODUTO T URISTICO

Para 0 respondente 3 as polfticas publicas nao tem sido efelivas na fonna de transformar 0 camaval em urn produlo tUristico, 0 que efelivamente e, para esle respondente e uma fonna de comunicar,;5.o da cuhura alraves de um patrimonio. POl¡tanlO, sua venda como produto turfstico le!"ia que ser mais forteme nte baseada na


151

constrw;ao patrimonial da sociedade montevideana. Este respondente, continua, afi rmando que as estatfslicas de turismo do MINTUR, consideram os uruguaios que moram no exterior turistas, porem, acredila, que estes devem ficar fora das estatfsticas ou entrarem em uma nova estatisl ica, pois para esle nao lerfamos 0 turislas descobri ndo

uma nova cullura e sim terfamos urn uruguaio que por diversos motivos mora no extell0r e vem visitar a sua famili a e se "sentir em casa" novamentc. Como se verificou, nos dadas infonnados pelo M INTUR (2010), os uruguaios residentes no exterior sao contabil izados em separado, porem na finaliza\ao de numeros de visilantes, estes

aparecem como (urislas. Durante a

observa~iio

participante conversamos com muitas

pessoas nesta condicao, uruguaios que em igraram na epoca da ditadura e nao retornaram, como 0 caso de uma professora que mora na Franca desde 1981 e 0 caso de um advogado que se formou e foi estudar no exterior conseguiu um trabalho e fixo u residencia na Franca onde ja tern doi s fil hos. Sendo assim, 0 respondente 3, acredita que nao se pode medir a verdadeira afl uencia de turistas estrangeiros, considerando-se estes aqueles que nao lem origem no Uruguai, que participam do carnaval. Para 0 respondenle 2 existe uma dific uldade de comunicar;ao mui to grande no que se refere as /I11//'gas , pois " Ia gracia" do espetaclilo esta, jllstamente, no sell conteddo comunicacional e, para ser vendido como um produto turLstico, teria que passar por urn processo de adaplar;fio, 0 que esvaziaria 0 conleddo respondente acredila que as

IIIlIrg as ja

lIIu/'guis!a.

esle

estao passando por um processo de esvaziamento

pelo fato da profissionalizar;ao e 0 turismo s6 viria agravar esta situUI;ao. Portanlo, acredita que deveria existir uma saJvaguarda tambem para as murgas, ja que estas sao consideradas de interesse nacional para 0 palS, mas ainda nfio sao consideradas patrim6nio assim como

0

calU/ombe. Este processo de esvaziamento, como se verifi cou,

foi analisado por Calle (2006) e nela se encerra a relar;ao con nitiva enlra 0 turismo e patrimonio, onde inserimos 0 camaval, porem esle esvaziamento, que para muitos se reflete nas vestimentas e em todo 0 processo de aprimoramento do camaval e urn processo que vem ocorrendo gradalivamente como se observou na visila ao museu do camaval.

o

respondente 2 ainda afirrna que as llamadclS tem uma fac ilidade maior de

serem entendidas e, portanto, com urn maior apelo para serem utilizadas como produto lurfsl ico,

0

que nao toma

0

camaval como um todo um produlo turfstico.

1510

foi visto

durante a observar;50, pois enquanto nos desfil es de llamadas e toques de candombe


152

havia um grande numero de estrangeiros fOlografando, fi lmando, ou seja, interagindo de certa forma com os integrantes das comparsas, nas apresentar;oes dus IIIurgas era incontavel a quanlidade de uruguaios que moram no exterior que estavam presenles nas

apresenlar;5es sendo, na sua maioria, os paises de residencia a Argentina, Espanha e

Estados Unidos. Recorda-se que para Alfaro (199\) 0 carnaval

e um lugar de mem6ria,

ou seja, mostrando um hi sl6rico s6cia-cultural de uma sociedade ele tanto tern um apelo turisticQ, como e uma fo rma de resgale da mem6ria para quem, apesar de nao residir mais no pais, se senle parte da sociedade.

o respondente 1 acredita que 0 camaval do Montevideu lem lUna "fuerza" como produto turfstico que ainda nao foi bern trabalhada em nenhum momenta pelas polfticas publicas, que recem, a partir da primeira gestao do entao presidente Tabare Vasquez, passa a ser visto com uma potencialidade turfstica que ate entao nao tinha sido trabalhada, aqui a respondente faz uma separa9iio entre divulga9ao do carnaval no infcio do seculo XX , como vimos pelos poster anexados ao trabalho, e utiliza9ao do carnaval como produto turfstico em si, 0 fato de, no infcio do seculo, 0 carnaval ser trabalhado como produto turfstico apenas na Argenti na nao 0 torna, para a respondente um produto turfst ico em si desde 0 infcio do seculo. Como se viu, 0 carnaval continua sendo divu lgado especial mente na Argentina, onde 0 MINTUR lan90u sua campanha turistica para 0 carnaval, pois 0 mini Slerio acredita que pela faci lidade idiomMica 0 carnaval seria mais bem entendido, em lodas as suas formas de apresenta9ao, pelos argentinos. Os tres respondentes, tambem acreditam que alguns elementos que nao pertencem ao carnaval uruguaio desconfiguram a identi dade nele apresentada, como a inser9ao de escolas de samba e principalmente das vedetes nas lIamlidas , porem, como se viu anteriormente, sempre houve dan9arinas de destaque como Rosa Luna, Martha Goulart e Ugrima Rios, porem estas eram da comunidade onde se originavam as comparsas e eram afrodescendentes. Agora, como se verificou nos desfiles das lIall/adlls, modelos tomam 0 lugar das representantes das comunidades e em nada

lembram as antigas dan9arinas na fonna da dan9a ou nas vestimentas, ja que prefere urn estilo muito parecido as rai nhas de bateria das escolas de samba do Rio de Janeiro informa9iio corroboradas por Olaza (2009). As opi ni5es sao iguais, tambCm, no que concerne ao carnaval como produto turfst ico, pois para estes

0

atrativo em si nao e

part ir da soc iedade, pois

e um

0

carnaval e sim a constru9iio deste a

Cal¡naval feito por afrodescendentes e por um discurso


153

europeu em uma

56

cidade,

que

0

0

nao e 56 uma forma de produto e 0 desfile. para estes 0

lorna linico, pois

manifesta9ao, como ocorre no Rio de Janeiro, onde

0

camaval de Montevide u, tern as llamadas, murgas, parodistas, humoristas, revislas e os corsos vecinais (estes nao fazem parte do concurso). Para a respondente 2,

0

fa lo da

Uliliza9iio do camaval como produto lurfs(ico, pode sofrer uma adapla9iio para se tornar wn

pOUCO

l11ais entendivel, ponhn tem que ser criado um limite para naa perder "fo

gel/llillo" do camaval.

Para

0

respondente 3 0 panorama alua] da utiliza9ao do camaval, como produto

turfstico, mudou as pniti cas socials que se viam no camaval, pon!m como viu-se em

Alfaro (2008) isla ocorre desde

fina l do seculo XIX com

0

infeio do disciplinamento

0

do camaval por parte das pollticas que, tinham como objetivo. tomar 0 Uruguai urn pais civilizado a partir da sua opiniao de civilidade. Um ponto positivo que este respondente assinala, a partir do usa IUrfstico do carnaval, e a desfiles e outros elementos que normatizaram

0

fixa~ao

de horario, itinerarios dos

carnaval. Para

camaval pode seI" um "chamativo" turistico, porem nao

0

0

respondenle 2,

produto em si,

0

0

que pode ser

realizado, em seu entendimento, atraves das polfticas publicas, e uma uniiio entre a venda da cidade como produto IUrfslico e

0

camaval como um dos elementos desle

produto turfstico porem niio como produto em si. Como 0 carnavaltem a dura9ao de 45 dias, em media, por ano, os turistas teriam como participar do camaval e conhecer a cidade e seus atrativos, potenciali zando 0 turismo urbano. A faha de uma polft ica publica, consistente, e um ponto sinalizado pelos respondentes I e 2, como sendo

maior entrave tanto para

0

0

turismo na cidade como

para a utiliza9ao do camaval como produto turfstico. Verificou-se durante a observa9ao que mui tos dos turistas que eslavam assistindo ao desfile das lIamadas souberam do camaval ou do calldombe, que e

0

principal foco para quem e estrangeiro alraves de

contato com uruguaios que moram no exterior ou ap6s este ter sido escolhido patrimonio da humanidade. Como se viu , nao foi verificado no material divuJgado pelo MINTUR, alguma a9ao de divulga9ao do camaval com um forte apelo turfstico, verificou-se que estas divulga90es tern mais um vies expl icativo sobre 0 carnaval.

5.2.4 CARNA VAL COMO MANIFEST A<;:AO CULTURAL


154

Para 0 respondente I 0 carnaval demonstra uma trama cultural que une di versas maneiras de ver e de se comuniear com

0

mundo, pais sendo a sociedade uruguai a e

montevideana, fruto de emigruÂĽoes e do encontro destas com os aut6ctones, ela e

0

result ado de um processo de hibridismo que sempre eslfi se modificando, pais a

sociedade se modi fica a partir de mudan9as externas e internas. 0 respondente 2 dla que deve-se levar em conta todo que

0

processo de constrw;ao do camaval e nao seu fim,

e a parte da manifestu9ao que fi ca viSlvel para a utilizu9ao como produto lurfstico.

Para este, a manifeSIU9.lo se inicia, e cita como exemplo, desde a fab rica9ao dos

tamboriles das comparsas, a confec9ao das /III/ rga ,

[ol/jas,

seus ensaios, continua este, dizendo que

0

no processo de cria91io da letra da

camaval pode sim , ser considerada a

maxima moslra de idenlidade dos montevideanos. porem nao do Uruguai, sendo camaval

0

0

produlo de urn "sentir coletivo", lermo ulil izado, lambcm, por Alfaro (1991),

que provem da identidade da sociedade montevideanu. Como se verificou anterionnente,

0

camaval de Montevideu e considerado uma manifestaqao cultural

unica e com uma fort e expressividade idenlitari a para

0

MINTURD, como vimos em

Ki tchichian (2011 ). Para

0

respondente 2 as mllrgas e as lIamadas sao, por si , mani festaqOes

cult urais mesmo se nao participassem do camaval, pois se tomam uma manei ra de comunicaqao do povo para

0

povo,

tivessem seu "momento" durante

0

0

camaval fez com que estas duas manifestaqoes

periodo de camaval, este continua dizendo que

processo do cal/doll/be como construqao simb6lica e manifesta9ao cult ural

0

e urn

processo de hibridismo que conti nua em nossos dias, pois dta que primeiramente existia o rilmo, depois ocorreu Reis

0

0

sincreli smo de datas comemoralivas, lornando-se

0

dia de

principal, depois para parlicipar do carnaval vieram as comparsas e por ult ima as

lIamadas que materializam

0

que e considerado slmbolos dos afrodescendenles

tornando-se a maxima manifesla<;iio da cuilura dos afrodescendenles no Uruguai , estes processos das /lall/adas foi resgalado em Carambula (1985) e Chirimin i e Varese (2000).

Para

0

respondenle 3 a manifesta91io cultural do carnaval tece uma trama entre

uma cultural da cidade e uma cullura do bairro, que seri a urn dos elementos da cullura da cidade, cada bairro tern sua identidade e constr6i sua cultura, ou seja, alguns bai rros tern mai s urn vies cultural " c{///(Jombero" e Qutros "murgueros", outros nem um nem outro, mas nenhum tern os dois explicitamenle. 0 que vemos no carnaval para este


155

respondenle sao as constfU!;5es cuhurais de cada bairro, pois que tem 0 estilo do bairro de La Teja nao vaa canlar au ler 0 mesmo processo de constru9iio da apresenta9l'io do que das mllrgas de La Vllioll, como vimos em Lamolle (2005), e mesmo as II1 l1 rg(lS jovens que coslumam nao se vincular com nenhum dos dais eSli los se idenlifica m com

algumas queslOes que sao importantes para os participantes da mesma e para seu publico. Uma manifestu9iio cultural, para 0 respondente 1, parle do princlplo de

comunicar uma cultura, uma identidade e materializar

sociedade, sendo assim a manifesta9iio que a eria, desta forma

e os simbolismos de uma

nao e estatica se modi fica confonne a sociedade

camaval sofre as alteru90es que a pr6pria soc iedade

0

montevideana sofre a as comunica, durante a observar;ao esculamos diversas vezes que alguns tmllborileros estavam tocando como "cllmbieros" e as danyarinas incorporavam ao baile passos de "cllmbia" observamos que a idade destes integrantes nao chegava, aparentemente, aos 30 anos, sendo entao

0

ritmo musical mais escutado por este como

foi corroborado por Olaza (2009). Os Ires respandentes foram uminimes em afirmar que

0

processo dilalorial do

Uruguai mudou a ideia do carnaval como mani festar;ao cultural, pois desta fomla camaval sofre

0

que foi chamado de

deu forr;as para ser,

0

que

0

"Iale quielo"

0

por parte da ditadura, parem isto lhe

respondente 3 chamou, de maxima expressao cultural

montevideana no momenlo em que se palencia. A mllrga utiliza 0 seu pader comunicacional ao ser uma fe rramenta de critica ao governo, como vimos em Remedi (200 1) a ditadura ao tentar alterar a mensagem do camaval pateneializou a reuniao social em lomo ao eamaval. Durante a observar;ao uma das hist6rias que escutamos nos situava no ano de 1979 quando

0

desfi le de flamadas

surpreendeu a seguranr;a militar e as comparsas subiram as ruas adjacentes ate a Avenida 18 de Julio como uma afronta ao que vinha ocorrendo com a popular;ao afrodescendente nos eortir;os, Rosa Luna abriu eami nho entre os mili tares e gritava mandando os seguranr;as safrem da frente das comparsas danr;ando e enlrando por meio da seguranr;a que se viu obrigada a sair, frente aq uela multidao que vinha subindo ate a Rua 18 de Jul io. Ai nda na questao da ditadura, 0 respondente 1 eila que a idenlidade da mllrga foi al terada denlro do processo ditatorial e portanlo allerou a manifeslar;ao como urn lodo, fazendo surgir dois tipos de f11l1rgas, uma com mais lendencia para

0

hu mor em si e


156

oulros usando a cr(liea para se posicionar contra 0 govemo, islO tambem teria aj udado a fundamentar

0

camaval como max ima manifesta9l'io cultural da cidade ao criar urn

contraponto ao oficiali smo reinante. quando da volta a democracia

0

carnaval continuou

com seu ral de comunicar pon!1ll com um teor crftieo menor do que aquele que possufa

no tempo da ditadura, esta opiniiio tambem foi vista em Vinoly e Paraskevaidis (2009). Para

0

respondente 1 os afrodescentes tiveram urn papeJ muito importante no

fortalec imento do camaval como manifeslar;1io cultural ja que a parti r da ditadura, para

este respondenle os afrodescelldentes foram os que mais sofreram com a ditadura e 0

camaval serviu como uma maneira de forta lecer as mani feslu90es afro, durante a observa~iio

escutamos diversas musicas da epoca ditatoria1 que slio hinos da cullura1

afro ate os dias atuais.


157

-

CONSIDERA<;OES FINAlS

o camaval como um todo, mostra a identidade construfda atraves de processos hist6ricos que conflufram nesta

manifesta~i'io,

isla foi levado em considera9iio na hora

de construir as varianles que nortearam a analise dos resu ltados, pois nao ha: como desvincu lar os processDs que deram origem ao camavat com a sua

util i za~iio

como

produlo turfs tico. Sob a 6tica do carnaval, este construfdo a partir dus representaryOes da identidade montevideana, viu-se que esla e rcpresentada no camaval, construindo urn sistema de sfmbolos que leva a sociedade a participar do camaval para ver-se e ouvir-se,

desta fo rma comprovou-se que

0

que se

ve

nas agremiaryoes estudadas

e [ruto

da

sociedade que as constroem, com suas mudanryas e seus resgates, assim as agremiar,;:oes vao se adequando ao momento atual da sociedade, viu-se tambem que esta identidade e uma forr,;:a do carnaval, pois este se lorna lugar de mem6ria para a sociedade, pois os aUI6ctones contam hist6rias do carnaval como pano de fundo para as suas vidas. Portanto, tem-se uma manifestar,;:ao construfda a partir das relar,;:oes intrfnsecas entre a sociedade, seu meio, suas construr,;:oes simb6licas e sua mem6ria. A partir disto, observou-se que a construr.;:5.o do patrimonio ocorre atraves da trfade mem6ria, identidade e cultura que se materializam no carnaval e 0 ulilizam como uma fonna de comunicar,;:ao deste patrimonio. Constatou-se que cada uma das agremiar,;:oes fonnata-se como patrimonio, nao s6 pela trfade mostrada, mas tambem a partir da sua contribuir.;:5.o para

0

momenta atual. justamente por rememorar

pr6prio hist6rico denlro da sociedade. Hist6rico eSle que

e resgalado

0

seu

pelas diversas

pnit icas que comer,;:aram a surgir como uma fomla de revalorizar,;:1io da mem6ria e, em ultimo caso, do patrimonio. Este resgate passa pelas poifticas publicas que cada vez mais focam na sociedade 0 resgate do seu pr6prio patrim6nio. Sob

0

olhar do lurismo verificou-se que

0

MINTURD e a Prefeilura de

Montevideu atraves de diversas ar,;:Oes, tern projetos para tomar

0

camaval um produto

turistico da cidade mais atrativo do que ele e atualmente, e para isto utiliza como base a identidade cultural que nele se encerra,

0

que

0

lomaria um produto Linico para ser

vendido no exterior, isto depende mais da divulgar,;:1io do carnaval em oulros mercados alem da Argentina, pois Montevideu ainda depende forteme nte dos turistas argentinos.


158

Existem diversas discuss6es em torno a utiliza~ao do carnaval de Montevideu como produto turfstico, principaimente 0 seu posslvel esvaziamento simb6lico devido a esta

ulili za~ ao .

Poft!m, 0 turi smo e visto tambem como uma forma de resgalar pr<'iticas

camavalescas, n50 vistas atualmente, mas que ajudariam a afirmar ainda mais a

identidade locaL 0 resgate destas pniticas ja inexistentes no carnaval passa

obrigatoriamente por projetos como

Museu do Carnaval que tern urn trabalho

0

fu ndamental no res gate destas prtiticas e de involucrar parle da sociedade, que nao participa mais da

m anifesla~50.

para que estes aj udem a construir 0 camaval e se vejam

nele. Viu-se que 0 Museu do carnaval e uma das ponlas das pol iticas publicas postas em a~ao

para que

0

camaval se tome um produto turfstico vendido em di versas partes do

mundo. Sobre os turistas que participam do camaval verificou-se que as

agremia~oes

camavalescas estudadas atraem publicos di fere ntes devido ao seu discurso, sendo assi m, observou-se que as I/Iurgas sao urn atralivo para uruguaios que moram no exterior devido a sua mensagem e as lIamadas se tomam urn atrativo para turistas eSlrangeiros pela fo r~a identitaria e por ser considerado patrimonio da humanidade. Percebeu-se que o camaval tern como fun ~ao comunicar a identidade, atraves dos discursos apresentados pelas

agre mia~5es ,

manifes t a~ao

assim tern urn grande apelo social,

social do Uruguai,

mais entradas que

0

0

que justifica a

futebo l ou qualquer Dutra

que Ihe vale

0

de que

afinna~ao

atra~ao

0

titulo de maior

0

camaval vende

cultural no Uruguai. 0 camaval

de Montevideu tem os elementos necessarios para IOmar-se, no que se refere ao turismo, urn referencial como produto turistico. Desde a perspectiva do camaval como conjuntura de elementos que constroem camaval e

0

manifes ta~ao

cultural, faz-se

camaval como tal, pois se verificou que

produto fi nal de todo urn processo que parte da

0

repre senta~oes

simb6licas, passa pela sua

mate rial i za~ao

materializadas no camava!. Viu-se que sociedade nas suas causado pelas

p rodu~oes

imigra~oe s

0

man ifesta~ao

co n stru ~ao

a 0

das

dentro da sociedade me serem

camaval manifesta a "sel" coletivo" da

simb61icas e como este tambem mani festa a hibridismo

que ocorreram em massa, pois nas duas

estudadas ex iste a m an i festa~ao das im i gra~oes que formaram como a

men ~ao

engloba lambCm as

co n s t ru~5es

0

agremia~oes

Uruguai. Observou-se

a partir de urn nlvel micro da

cidade, os bairros, assim 0 camaval evidencia ainda mais a sua representatividade como manife sta~ao

cultural da cidade. Tambem neste aspecto viu-se como a ditadura ainda e


159

um lema doloroso para a sociedade uruguuia devido ao fato de ler interrompido um hist6rico polftico democnitico como acreditavam os uruguaios. Assim viu -se que

0

resgate do hist6rico da ditadura passu tamhem pelo camaval ja que no seu di scurso ,esta manife sta~1io

sofrell, Iulou e venceu por ser uma

coleti vidadc. Portanto, pode-se considerar que

0

manife s l a~ao

fruto de uma

camaval manifesla

0

"sel"" cia

sociedade. comunicando-o para que esta veja sua pr6pria con stru~ao. Tambem se ressalta a dificuldade de urn levanlamento preciso da quantidade de

lurislas estrangeiros e de uruguaios que retornam especificamente para participar do camaval. Faz-se

men~iio

tambem a circunstancia da demora de obler uma confirma9iio

positiva quando solicitada uma entrevista ou

0

envio das respostas do questionario por

parte dos dois participantes que nao nos deram retorno, entrave para

obten~ao

0

que tambem se tomou um

de mais dados para a analise por parte dos participantes do

camaval , tambem ressaltamos a dificuldade que tivemos em obler dados em outras oportunidades ja que muitas pessoas, procuradas para partici par da pesquisa, nao responderam os contatos. Um dos fatores mais dificul tosos no trabalho

ea

falta de estudos sobre

0

turismo no Uruguai e em Montevideu, ex istem dados, porem n50 ha estudos suficientes para que

0

lema seja mais profundamenle explanado, nao ha oco1Tt!ncias de esludos

hist6ricos sobre publi ca~ao

0

turismo e, as

i n s titui ~oes

de ensino no Uruguai, reccm

co me~am

a

de trabal hos referentes ao turismo, porem e um processo incipiente se

comparado com a produ ~50 academica no Brasil. Contudo, cabe ressaltar que durante a ob serva~iio

participante tivemos uma ajuda valiosa no que se refere aos participantes

das III llrgas, que foram de importancia suprema para a coleta de dados e, em no que lhes era possivel, cont inuaram com a aj uda no decorrer da pesquisa, confinnando

0

lade

comunicativo das IIIl1rgas e dos seus inlegrantes. Acredila-se que seja exlremamente necessario que este pesquisa continue para que desta fonna exista uma

contri bui~iio

efeti va para

0

conhecimento do camaval de

Montevideu como produto lurfstico e para que sejam diagnosticadas as necessidades e que, desta forma, se consiga efe tivamente ajudar no processo de con slTu~50 do produto turfstico. Conclui-se que

0

camaval em Montevideu ainda tern urn longo caminho a

trilhar para tornar-se um forte atrati vo dentro do produto turistico de Montevideu. A for~a

da sua atratividade reside nas constrw;6es identitarias que nele se encerram e que


160

acompanham os processos vividos por esta sociedade. portanto torna-se uma

manifesta9ao cu ltural e urn produto unico desde a sua constTw;ao ate 0 seu resultado.


161

PRINCiPIOS ETICOS NORTEADORES DA PESQUISA Com 0 fim de nortear esta pesquisa no aspecto elieo utilizou-se 0 c6digo de

Ellea da ABA 1l5 - Associacao Brasileira de Antropologia criado na Gestao 1986 1988. portanto temos que:

Constltuem direltos dos antropologos, enquanto pesquisadores:

I. Direito ao plena exercfcio da pesquisa, livre de qualquer tipo de censura no que diga

a metodologia e ao objeto da invest iga~50. 2. Direito de acesso as popul ac;6es e as Fontes com as quais 0 respeilo ao lema,

pesqui sador precisa

trabal har. 3. Direito de preservar infonna~oes confid enciais. 4. Reconhecimento do direilo de autoria, mesilla quando

0

trabalho cotlstitua

encomenda de orgaos ptiblicos au privados e prolec;iio contra a ulilizac;1io sem a necessaria citalyiio. 5.0 direito de autoria implica 0 direito de publicas:ao e divulgas:ao do resultado de seu trabalho. 6. Os direilos dos anlrop6logos devem eslar subordinados aos direilos das populac;5es que sao objelo de pesquisa e tern como conlrapartida as responsabilidades inerenles ao exercfcio da atividade cientffica. ConsUtuem dlreltos das popula.;oes que sao objeto de pesqulsa a serem respcitados pelos antropologos:

I. Direito de ser informadas sobre a natureza da pesquisa. 2. Direito de recusar-se a participar de uma pesquisa. 3. Direito de preservac;lio de sua intimidade, de acordo com seus padroes cuhurais. 4. Garantia de que a colaboras:ao prestada a investigac;lio nlio seja utilizada com 0 intuito de prej udicar 0 grupo investigado.

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162

5. Direito de acesso aos resultados da investiga9ao. 6. Direito de autoria das populu90es sobre sua pr6pria produ9ao cultural . Consiituem responsabilidades dos antropologos:

I. Oferecer informa90es objetivas sobre suas qualifica90es profi ssionai s e a de seus colegas sempre que for necessario para 0 trabalho a ser executado. 2. Na elabora9ao do trabalho, nao omitir infonna90es relevantes, a nao ser nos casos previstos anteriormente. 3. Realizar 0 trabalho dentro dos d nones de objeri vidade e rigor inerentes a pralica cientffica


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ANEXOA

As quest5es do questionario apresentadas foram : I. Como voce descreve 0 carnaval de Montevideu?

2. Qual e sua re l a~ao COIll 0 carnaval de Montevideu ? 3. Como voce caracteriza a identidade do montevideano? 4. Quais os e lementos desta idenlidade estao presentes no camaval , na murga?

5. Como voce enlende 0 processo de

forma~50

da identidade dos afrodescelldenles

no camaval de Montevideu ? 6.

Que mudanr;as voce percebe no camaval nas ultimas decadas? Como as

descreveria? 7. Qual a sua opini iio sabre

0

camaval como expressao de identidade local, e a

difusao do candombe como patrim6nio imaterial da humanidade? 8. Na sua opiniiio, como os meios de comunicar;iio e

0

turismo alteraram

0

camaval ? 9 . Qual sua opiniao sobre

0

camaval como produto turfstico?

10. Voce acredila que 0 carnaval e uma forma de comunicar 0 patrimonio via prom~ao

turfstica?

II. Quais sao as intluencias que voce percebe a parti r do turi smo no camaval de Montevideu?


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ANEXOB

Cuple los Charruas Composir;ao: Yamandd Cardozo, Tabare Cardozo e Carlos Tango Apresentado no camaval de ano 20 10.

Ad estaban los charnlas

pura garra y coraz6n puro COf azon y garra poca civilizaci6n

No Ie asfan edificios y ninguna construcci6n no lenian calendario

no tenian plantac i6n

Los mas revolucionarios en el plano cultural

una cuerda con un palo era el areo musical No tenian sacerdotes no tenian religi6n

pero no ten ran nada Ia puta que 10 pario

Pero era un pueblo muy genti l

con el que pasaba por ahf eran modestos y educados hicieron flor de asado cuando lIego solis


176

ANEXOC

Cuple Civilizaciones Vecinas Com posi~ao:

Yamandli Cardozo, Tabare Cardozo e Carlos Tango

Apresentado no camaval de ano 20 10.

Parecemos genIe tranqui, genIe alcnla y servicial

pero es solo una apariencia, no se dejen enganar somas muy educaditos con un aire intelectual pero adenlro reprimimos un asesino serial estamos a la defensiva, con eI mundo en general

pero con los argentinas, es asunto personal. Los portenos nos adoran, pero somas genIe vii y haee tiempo los odiamos, siempre hinchamos por brasil

que envidiada vez los yes llegar con su autito nuevo a cancherear todD enero se Ie planlan

y encima nos levantan, las pocus minas qe hay

Querida hermano argentino que Ie encuentras aqui presente, queremos pedirte un favor,

ahara cuando bajemos del escenario no nos preguntes mas: uuuhhh la murgaa, cuando tocan las llamadas? porque la murga no tocan las llamadas pelotudo Uiiaah chicos, me encanto el sketch de los charruas, pero si es un cuple boludoo Uiiaah que suerte arrancaron los carnavales, Es un carnaval solo y encima larguisimo, llueve dia por medio, la puta madre que 10 pario.


177

Entre Brasil y Argentina 1a opresion los deformo, somas el gi l de In clase Como lienen lanla genie, y al futbol j uegan mejor,

los cagamos a patadas -A quien a los brazucas 0 a los portenos no me qeda claro, n cualquiera de los dos.

Cuando Ilega un pobre gringo pone un pie en la capital, 10 despluman los tacheros, pa que aprcnda a respetar, si queres Jlegar derecho desde el puerto al bulevard,

Ie haecn una ruta corta: cerro, pardo, sol y mar. Un pai s mas recenticto y mas envidioso no hay. chucaro y acomplejado, pal turismo es ideal. Asi qe si andus pensando, en venir a veranear,

venganse con In patrona, bienven ido al Uruguay.


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ANEXOD

Saludo De La Reina De La Teja A Montevideo Letra: Jose Morgade

Muska: "A toi" Joe Dassin Malvin, vieja barriada sin fin , j unto al Buceo sientan e llatir

viejo Palermo, Barrio Sur genti] esperen siempre nuestra voz del Pantanoso con amor. Cord6n, Cerrito lindo hermosa Comercial

Reducto Franco y la Vi lla Munoz, entrelacemos el cantar Punta Carretas se unira . En Carrasco sera, tal vez Nuevo Paris

de que unamos el canlO adquirido. Goes, Braw Oriental, Capurrense feliz, lIegaremos al Sayaga amigo.

Y en el Paso Molino hernos de recordar su verde prado que nos vio pasar, algun domingo que falt6

la chiquilina dellugar.

Llegar a nuestro hennoso grande Belvedere la mi sma brisa impulsa al Cerro fie! Villa Espanola, y Peiiarol, Aduana hermosa que ac un6 en su pecho el sonar de aquel que al emigrar no esperaba ser tan b ienven ido. Y a Maronas Iriunfal, con la Aguada lolal

nuestros lazos ya estan compartidos. Borro, Piria y La Uni6n, Aires Puros, Col6n


179

Piedras Blancas sentira e[ Imido por ser del carn avaL


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