ISSN 2179-6831
ANAIS Organiza~ao
de
Francis Paulina Lopes da Silva Amedis Germano dos Santos
UNEC
2010
1
LETRAS DE CAN<;:OES DE ATAULFO ALVES: TEMAS QUE ALCAN<;:ARAM A IMORTALIDADE Rilza Rodrigues Toledo (UNIPAC VRBIUBA) *
Introdu~ao
N a literatura, os mitos historicos encontram no passado
locus genuino da sua
0
substancia, uma vez que a historia evapora-se, mas permanece a letra, as quais os intelectuais brasileiros se dirigem a fim de resgatar as nossas raizes. Esse tern sido
0
objetivo de muitos estudiosos em busca de uma explica9aO para personalidades e obras que ainda se mantem no anonimato, embora tenham contribuido para
0
crescimento do pais.
Neste caso, inclui-se Ataulfo Alves com suas composi90es que falam de temas do seu cotidiano como: a saudade da infancia, a presen9a marcante de musas/ mulheres, a terra de origem e reflexoes retiradas de proverbios, verdadeiros ensinamentos de momentos vividos em lugares que marcaram sua trajetoria: Mirai, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Brasil, permeadas de sentimentalismo impar, desse artista, cujas can90es que nao so se tornaram inesqueciveis, mas aican9aram a imortalidade. Ataulfo Alves soube, de modo particular, registrar em cada composi9aO,
0
sentimento intimo, com toda mineirice que the fora entao peculiar, mesmo tendo partido de Minas Gerais ha tantos anos. Naturalizou-se carioca, mas conservou
0
espirito mineiro,
retratando-o em suas composi90es; algumas, de puro saudosismo, outras aican9am a altitude das boas expressoes literarias, mas todas igualmente importantes para a analise literaria.
Ataulfo: samba com sotaque mineiro
Atraves da letra de can9ao associada a melodia,
0
compositor - poeta manifesta
0
seu gosto estetico, inaugurando urn novo estilo de fazer samba. Com seu jeito manso e sua tranquilidade mineira, ele emprestou cores diferentes a musica autentica que brotava dos * Rilza Rodrigues TOLEDO - Mestre ern Letras, area de concentrayao: Literatura Brasileira, do Centro de
Ensino Superior de Juiz de Fora. Professora de Lingua Portuguesa da UNIPAC - Campus IV de Visconde do Rio Branco e Campus II - Uba. Professora de Lingua Portuguesa da Rede de Ensino PUblica Estadual e Municipal e do Colegio Equipe VRB.
243
morros e dos suburbios cariocas, na decada de 1930. A historia de Ataulfo Alves e mais que 0 relato simples de urn artista de grande talento e capacidade criativa.
E tambem a
trajetoria de urn filosofo popular, verdadeiro mestre em criar proverbios que atravessaram gera90es. Assim, pode-se comprovar em sua composi9ao "Diga-me com quem andas" em parceria com Waldir Ferreira, em 1965, em que se percebe a habilidade de Ataulfo para compor musicas simples, mas com urn grande poder de reflexao, nos versos "Diga-me com quem andas/ Te direi quem es" e afirma "Falo francamente sem rodeio/ 0 homem e produto de seu meio". 0 homem e essencialmente social e influenciavel, dai possibilidades de mudan9as em seu comportamento e em sua vida. Sobre 0 proverbio como recurso pedagogizante, Muniz Sodre assim se manifesta:
Nas sociedades tradicionais, onde se incluern as culturas africanas, 0 proverbio constitui urn recurso pedag6gico, urn rneio pennanente de iniciayao a sabedoria dos ancestrais e da sociabilidade do grupo. Esse instrurnento educativo se forja na experiencia, pravada na vida real (SODRE, 1998, p. 44).
o
objeto de conhecimento do proverbio e a propria rela9ao social - 0
relacionamento do homem com seus pares e com a natureza. Nao e que a letra do samba de Ataulfo se pautasse necessariamente por proverbios conhecidos ou de forma acabada, mas antes, pelo modo de significa9ao proverbial: a constante chamada it aten9ao para val ores essenciais da comunidade de origem e 0 ato pedagogico aplicado a situa90es concretas da vida social. Isto se verifica, tambem, em outra letra, "0 Homem e 0 Cao" de sua autoria em parceria com Arthur Vargas Junior, em 1968. No desabafo do eu poMico, nota-se a decep9ao em rela9ao it falsi dade de urn amigo por ele recebido e bern tratado em sua casa e, no final do encontro, demonstrando certo aborrecimento com as atitudes do amigo, registradas na can9ao, nos versos que: "Ha homem que nao merece/ A comida do Suitao/ Por isso quando falo/ No fundo tenho razao/ Quanto mais conhe90 0 homem! Mais eu gosto do meu cao" (ALVES, 2006). A aceita9ao pela sociedade global de urn ritmo originario de camadas populacionais socialmente excluidas, neste caso 0 samba, imp Ii cava tambem a cria9ao de forrnas diferentes de apropria9ao e uso do ritmo que dera origem a varios cantos e dan9as, estes trazidos por escravos bantos que, ao lado de outras modalidades, obtiveram grande exito no Rio de Janeiro. E Ataulfo, descendente de bantos, soube demonstrar seu talento e revelou habilidade e acessibilidade para trabalhar com outros profissionais.
244
Infiincia de AtanIfo e Drummond: a saudade dos extremos de minas.
A releitura da letra da can9ao "Meus tempos de crian9a", de Ataulfo Alves e do poema "Infiincia" de Carlos Drummond de Andrade sugere uma identidade na forma de ambos expressarem 0 mesmo sentimento - a saudade da infiincia, urn de Mirai, outro de Itabira, polos extremos de Minas, ambos reveladores da mineiridade, da identidade nacional, atraves da saudade emflash-back. Os poetas dividiram 0 mesmo tempo e 0 mesmo espa90' Ataulfo, negro de corpo franzino, deixou a terra natal de trem de ferro e foi para 0 Rio de Janeiro. Conciliando atividades de pnitico de farmacia, manipulava pilulas e harmonizava notas, tomando-se 0
Ministro do Samba. Drummond, tambem franzino, deixou Itabira e partiu num trem de ferro, para a cidade grande. Formou-se em Farmacia, em Belo Horizonte, sem se interessar pela profissao. Nao se adaptando it vida de Fazendeiro, passou, em 1934, a residir no Rio de Janeiro, exercendo atividades burocraticas, chegando a Ministro da Educa9ao e Saude Publica; entretanto, mais se sobressaiu como poeta, sempre revisitado pelo espirito mmelro. Os dois compositores aican9am a gloria e, na atualidade, dividem as men90es honrosas. Em Mirai, na Rua Lacerda Wemeck, SIN, foi inaugurado em 27 de agosto 2007, o Memorial Ataulfo Alves, uma homenagem ao cantor e compositor que ganhou notoriedade em todo 0 pais como 0 General do Samba, uma realiza9ao cultural da CFLCL (Companhia For9a e Luz Cataguases Leopoldina). E em homenagem a Drummond, inaugurou-se 0 Memorial Carlos Drummond de Andrade no Pico do Amor, em Itabira, em 31 de outubro de 1998. "Meus tempos de crian9a" e uma das varias produ90es famosas do cantor e compositor, Ataulfo Alves, que se tomou figura universal. Ao mesmo tempo em que em Ataulfo, 0 tema saudade da in!dncia esta presente, no poema "Infiincia" de Drummond, desperta a curiosidade do leitor, instiga a se fazer uma analise comparativa, buscando, pela otica da literatura, resgatar sentimentos e lembran9as desses artistas mineiros, que sendo universais, tomaram-se figuras imortais na poesia e na musica brasileiras. Drummond vivia num tempo de j ardins e manhas, na pacata e silente cidade de Itabira onde quase nada acontecia, mas era marc ante a voz sacramental do relogio da matriz, assim como em "Meus tempos de crian9a", quanto em "Infiincia", destacam-se temas do dia-a-dia rememorado: a saudade da infiincia, a terra natal, os amigos, perfis de
245
mulheres, alem de outras presen9as marcantes, delimitando-se a recorrencia tematica no periodo compreendido entre as decadas de 40 a 60, em diaJogo com a Literatura Brasileira. Carlos Drummond de Andrade criou, sem duvida, urn universo poMico fascinante e belo. Seu olhar a tudo absorvia, fosse 0 conhecimento sistematico que Ihe propunham, ou as brincadeiras de crian9a que 0 aturdiam, mas 0 menino itabirano carregava em seu peito algo que talvez fosse 0 habito de sofrer que era a sensa9ao que nunca experimentara e a vontade de amar. Urn unico contato com sua poesia e 0 suficiente para se apaixonar por ela. Drummond e Ataulfo se identificam culturalmente, comprovando-se 0 que a esse respeito observa Stuart Hall: "nao importa quao diferentes seus membros possam ser em termos de classe, genero ou ra9a, uma cultura nacional busca unifica-Ios numa identidade cultural, para representa-Ios todos como pertencendo it mesma e grande familia nacional" (HALL, 2006, p. 59). Ataulfo Alves e urn nome fundamental na historia da Musica Popular Brasileira, enquanto Drummond 0 e na Literatura Brasileira.
o samba de Ataulfo e diferente do samba dos outros compositores. Assim observa Abdala Jr.: "existem diferen9as que nos aproximam atraves de tra90s multiplices de nosso comunitario cultural" (ABDALA JUNIOR, 2006, p. 23) e essas estao presentes na produ9ao musical de Ataulfo, caracterizando-o como melancolico e de cadencia arrastada. Ter como meta 0 proprio caminho, descobrir a forma peculiar de fazer as can90es revelando-se na e para a Literatura, foi uma escolha de Ataulfo. Cantou as saudades da infitncia, explorou 0 espa90 mineiro do jeito malemolente e desconfiado, consolidando a paixao pelo samba e pelas musas inspiradoras, buscou as potencialidades da propria lingua e de sua cultura, preservou sua mane ira de dar 0 recado ao povo brasileiro. Traduziu em versos 0 que poderia constituir suas saudades e sua propria identidade, 0 que tambem e se observa em Drummond (1902-1987), no poema "Infitncia". Segundo Francis Silva, "a busca do eterno retorno do tempo vivido, sugere urn re-sentir, urn re-pensar, urn confrontar-se com as referencias iniciais, numa constante busca da identidade" (SILVA, 2005, p. 25). A seguir, cita-se 0 poema na integra: Meu pai rnontava a cavalo, ia para 0 campo 1vfinha mae ficava sentada cosendo. Meu irrnao pequeno donnia. Eu sozinho rnenino entre rnangueiras lia a hist6ria de Robinson Crusoe, cornprida hist6ria que nao acaba rnais.
246
No meio-dia branco de luz urna voz que aprendeu a ninar nos longes da senzala - e nunca se esqueceu chamava para 0 cafe. Cafe preto que nem a preta velha cafe gostoso cafe born. 11inha mae ficava sentada cosendo olhando para mim: Psiu ... Nao acorde 0 menino. Para 0 beryo onde pousou urn mosquito. E dava urn suspiro ... que fundo! La longe meu pai campeava no mato sem fim da fazenda. E eu nao sabia que minha hist6ria era mais bonita que a de Robinson Crusoe (ANDRADE, 2004, p. 67).
N esses versos, Drummond evoca uma experiencia infantil na ilha da leitura, revelando as cenas do ambiente rural, silencioso, resguardado na mem6ria e que se externam pela sensibilidade imagMica da visao, olfato, audi9ao e paladar. Aquele tempo vivido outrora e tao presente no campo da mem6ria, e reconstruido poeticamente, pelas impress5es que marcaram sua infiincia. Aqui, segundo Francis Silva, "a familia para 0 menino e uma referencia afetuosa, formando urn todo harmonico no quadro da infiincia que o poeta pinta em flash-back" (SILVA, 2005, p. 28), 0 que tambem se observa em Ataulfo. Ataulfo Alves, na cidadezinha de Mirai, rem em ora 0 tempo perdido e em tom de certa melancolia declara: "Eu daria tudo que tivesse/ para voltar ao tempo de crian9ai Eu nao sei pra que que a gente cresce ... " nos versos de "Meus tempos de crian9a". N esses versos, pode-se dizer, citando Maria Arminda do Nascimento Arruda, que: "Na recupera9ao da infiincia, percebe-se a fuga em rela9ao as circunstancias existenciais, nota-se 0 descontentamento frente ao vivido, entreve-se 0 aparecimento do baJsamo das lembran9as" (2000, p. 202). N ota-se uma fusao das lembran9as de sua infiincia no interior de Minas Gerais a sonhos embalados nas rodas de samba do Estacio, no Rio de Janeiro, resultando esse samba diferente, 0 que marc a a pluralidade cultural, ja que "a cultura brasileira se alimenta produtivamente de peda90s de muitas culturas" (Cf Ibidem). Drummond, alem de re-viver 0 ambiente harmonioso da zona rural, deixa clara uma forma de isolamento do menino permeada na hist6ria de Daniel Defoe 54 A partir da
'''Daniel Defoe (1660-1731 Londres) foi urn escritar e jomalista ingles, famoso com a seu romance Robinson Crusoe, nascido como Daniel Foe. Escritor muito prolifico, apesar da sua vida turbulenta. Na famosa obra, ele narra as vicissitudes do jovem Robinson, que ap6s embarcar contra a vontade dos seus pais, corre diversas aventuras are naufragar e chegar a urna ilha deserta, onde permanece durante vinte e oito anos. Os ensinamentos morais deste relato, de extraordinaria amenidade, sao a confianya na providencia divina e a
247
experiencia vivenciada na viagem do imaginario pelo texto alheio, aliada ao seu contexto de menino, junto a comprida hist6ria de Robinson Crusoe, a hist6ria ira evidenciar, mais tarde, para 0 poeta - adulto, na constata9ao da beleza de sua hist6ria, de sua identidade. Ataulfo como toda crian9a, recorda fatos que marcaram sua infiincia como jogos e brincadeiras, travessuras, jogo de botoes sobre a cal9ada; lembra sua fase escolar, a famosa "professorinha" que the "ensinou 0 beaba". E ainda, como todo adolescente e sonhador, fantasiando esses sonhos, ele cita 0 seu primeiro amor: "Mariazinha IMeu primeiro amor, onde andara?"(AL YES, 2006). Acostumado a trabalhar, Ataulfo encontrava, na musica, uma forma de distra9ao, alem de utiliza-la ironicarnente, em suas brincadeiras e criticas sociais, e numa das quais se recordara muitos anos depois, no samba "Meus Tempos de Crian9a", que sera marc ante, pois alem de revisitar urn momento tao significativo de sua trajet6ria, torna-se ainda referencia em sua produ9ao na maturidade. Essa realidade tambem se verifica na vida e na poMica de Drummond. Ambos revelam, nos versos, flagrantes singulares, compartilhados, cada urn a seu modo, em Mirai e em Itabira, buscando restaurar 0 passado, no presente, com a simplicidade das cenas de urn tempo e urn espa90, resguardados em suas mem6rias. Ambos os poetas, embora mineiros, revelam a partir dos extremos ao mesmo tempo do interior mineiro, 0 eterno retorno as origens - vida e poesia se fundem, especularmente, no res gate do ambiente da meninice, transfigurando a realidade do adulto, pela magia verbal.
A
presen~a
da musa/mulher no samba de Ataulfo Alves
No discurso literario, nas can90es e em tantas outras formas de arte, a mulher se tornou materia de composi90es, resultando, num convivio sutil e magico com 0 artista, as imagens do feminino. A constante presen9a da tematica feminina, aqui sera analisada em algumas composi90es de Ataulfo Alves, em suas multiplas maneiras de ler a mulher de seu tempo. A tendencia descomprometida permitiu a Ataulfo Alves, da forma que the era peculiar,
necessidade de defender a propna integridade. htlp ://www.vidaslusofonas.ptldaniel defoe.hlm Acesso em jun. 2007.
Disponivel
ern:
248
compor can90es que msenram em suas historias e enredos as multiplas faces de musas/mulheres protagonistas do grande cenario socio-cultural do Brasil de seu tempo. Embora estejam presentes perfis diferenciados da mulher, uma delas simboliza
0
primeiro amor e funciona como urn eco de sentimentos e de referencia da propria vida. Mariazinha e a figura da musa! mulher amada cantada e decantada na literatura; na arte que penneia toda a obra, esta sempre sendo lembrada.
E urn ponto de partida e ao mesmo
tempo de chegada, uma referencia em sua trajetoria. A figura feminina, em geral, na lirica de todos os tempos, esta associada ao sofrimento por amor, exigido pelo amante, a postura submissa, lembrando a vassalagem amorosa medieval. Em "Atire a Primeira Pedra", em parceria com Mario Lago,
0
eu
poMico dialoga com 0 discurso biblico de Jesus com a mulher adultera:
Covarde sei que me podern charnar Porque nao calo no peito dessa dor Atire a prirneira pedra, ai, ai, ai Aquele que nao sofreu par arnor Eu sei que VaG censurar o rneu proceder Eu sei, rnulher, Que voce mesrna vai dizer Que eu voltei pra me humilhar E, mas nao faz mal Voce pode are sorrir Perdao foi feito pra gente pedir CAL YES, 2006).
o eu poMico, inspirado por urn contexto cultural predominantemente machista, ao falar de sofrimento por amor, chega a considera-lo humilha9aO, assim como
0
ato de
perdoar, em: "Que eu voltei pra me humilhar" e "Perdao foi feito pra gente pedir". Admitindo ser chamado de covarde por nao carregar ou calar no peito a dor do amor nao correspondido, preve a censura por seu comportamento, e ainda convoca 0 outro, a atirar a pedra quem nunca sofreu por amor, inclusive, num diaJogo intertextual com
0
seguinte
episodio narrado naBiblia:
Entao os escribas e os fariseus trouxerarn-lhe urna rnulher apanhada ern adulrerio; puserarn-na no rneio e disserarn-lhe: Mestre, esta rnulher foi surpreendida ern flagrante delito de adulrerio. Ora Moises na lei rnandou-nos apedrejar tais rnulheres. Que dizes tu, pois? Diziarn isto para 0 tentar, a fim de 0 poderern acusar. Porern Jesus, inclinando-se, p6s-se a escrever corn 0 dedo na terra. Continuando, porern a interroga-lo, levantou-se e disse-lhes: que de vos esta sern pee ado, seja prirneiro que the atire a pedra. E tornando a inelinar-se, eserevia na terra. 1.1as eles, ouvindo isto, forarn-se retirando, urn apos outro, come,ando pelos mais velhos (Jo 8, 3-9 a).
°
°
249
Da mesma fonna que Jesus convocou escribas e fariseus a atirar a pedra na mulher adultera, ja que nunca erraram, nessa composi9ao,
0
eu poetico declara seu amor e convoca
a atirar a pedra quem nunca sofreu a dor do amor. A figura feminina aparece ainda atrelada aos discursos fomentados pela estetica do Romantismo, revelando caracteristicas de submissao, pureza, beleza, domesticidade, a mulher que e a base da familia, uma Amelia. De outra parte, na mesma fonna9ao discursiva, inscreve-se a "coita" de amor: "Ai que saudades da Amelia". Ao mesmo tempo em que e afinnada a posi9ao da "Amelia", mulher do lar, domestica e domesticada, esta presente a mulher que e exatamente seu antagonismo, mulher da "orgia", do "samba", a "prostituta de luxo", a "mulher motivo de chacota publica", a "que abandona 0 lar". Essa nova mulher sera evidenciada em sua composi9ao em parceria com Mario Lago em 1942: "Ai que saudades da Amelia" uma caracteristica evidente de que ha uma mulher egocentrica, consumista e outra, verdadeira mulher, submissa e confonnada: "Nunc a vi fazer tanta exigencial Nem fazer
0
que voce me faz/ Voce nao sabe
0
que e
consciencia/ Nao ve que eu sou urn pobre rapaz / Voce so pens a em luxo e riqueza/ Tudo
0
que voce ve voce quer! Ai, meu Deus, que saudades da Amelia / Aquilo sim e que era mulher" [... ] (ALVES, 2006). Essa imagem da Amelia, evocada com saudade, representa ideal, aquela capaz de conviver com
0
0
conceito de mulher
amado, incondicionalmente, compartilhando
alegrias e tristezas, ate a condi9ao de miseria e fome, com sua simplicidade e sabedoria, sabia compartilhar: "As vezes passava fome ao meu lado/ E achava bonito nao ter comer! Mas quando me via contrariado/ Dizia: meu filho,
0
0
que
que se ha de fazer?"
Tal composi9ao foi urn grande sucesso no Carnaval de 1942 e na atualidade esta presente nas antologias de musica popular brasileira, gra9as ao valor artistico, talvez tambem pela polemic a figura da mulher que evoca: a da mulher conformada com
0
destino, a Amelia, que, mesmo na miseria, vivia conformada e feliz, sintese de urn modo de comportar-se, que a expansao das ideias feministas e a propria independencia pessoal e profissional das mulheres viriam, depois, a condenar. Entretanto, a letra de "Ai que Saudades da Amelia" apresenta ainda uma visao da mulher como aquela capaz de compreensao e toleriincia, e nao apenas do tao condenado conformismo, que a faz mobilizar os modos de comportamento ditados pelo afeto e pela solidariedade. Em geral, Amelia ficou como simbolo, nao da mulher compreensiva, amiga, solidaria da letra da musica, mas da mulher dominada, humilhada, explorada, gra9as a leituras equivocadas, porque unilaterais, esquecendo
0
sentido plural do texto poetico. Ja a
250
figura negativa da mulher, a quem se dirige
0
discurso do amante, esse parece traduzir
0
perfil da mulher fatal, que se opoe it mulher de verdade, "Amelia", mas tambem urn outro, representante de novo ideario feminista. N esse tipo de constru9ao da figura feminina, observa-se que esta em evidencia uma outra mulher que deseja independencia, vaidosa e que se preocupa com estar e reivindica
0
0
proprio bem-
equilibrio das fun90es do lar. Nos ultimos versos, "Ai, meu Deus, que
saudades da Amelia! Aquilo, sim e que era mulher", notarn-se pistas do antigo lugar ocupado pela mulher, que deixou saudades e, naquele momento, tornou-se uma lembran9a boa, firme, reconhecida. Hi, dessa forma, as lmagens de mulher inscritas na letra da can9ao "Ai que saudades da Amelia", oscilando entre dois polos: aquela que, sob fiel, submissa ao marido apos da mulher que busca
0
0
0
juga da familia, e pura,
casamento e cumpridora dos afazeres domesticos; e outra,
prazer, seja pelo luxo, seja pela liberdade, pelos novos desejos e
exigencias. N esse sentido, "Ai que saudades da Amelia" e atravessada por interdiscursos que colaborarn na sua heterogeneidade constitutiva. Existem varias Amelias; duas ideologias antagonicas se materializam: a mulher do passado, nomeada "Amelia", "mulher de verdade", "dotada de razao"; e outra: a mulher do presente, it procura do prazer de viver, tendo sua conduta dotada de emo9ao, ela "nao tern consciencia". Ali, a mulher esta se deslocando de lugar naquela sociedade, it posi9ao de resistencia que ocupa 0 homem: sente saudades de uma mulher que sofria sem reclamar, ao contrario, apaziguava
0
que poderia
ser fonte de conflito, quando se compara com a mulher inserida na sociedade consumista da pos-modernidade: "As vezes passava fome ao meu lado/ e achava bonito nao ter
comer! e quando me via contrariado/ dizia: meu filho,
0
0
que
que se ha de fazer" (ALVES,
2006). Nessa inversao for9ada dos papeis, no relacionamento homem/mulher, observa-se que
0
homem se esfor9a por manter
0
anterior controle sobre a mulher.
Por volta de 1950, Ataulfo compos "Vida da Minha Vida", na qual
0
"poeta
sonhador" se declara it musa:
11inha rn usa inspiradora Minha naite de luar Agradeya aa Criadar Que me fez urn sanhadar Fra melhar te exaltar
251
Rima rica do meu verso Minha can,ao preferida Melodia do meu samba Vida da minha propria vida Estrela que brilha mais Que urna constelayao Nestas noites de verao Ilumina os dias meus, minha querida Vida da minha propria vida Rima rica do meu verso [... ] CALVES, 2006).
A tendencia constante it referencia it musa, nesses versos de Ataulfo, se realiza em versos metapoeticos numa declara9ao romantic a e platonica de amor it amada e ao samba. Em outra can9ao de Ataulfo, composta em 1956, "Mulata Assanhada", tem-se a referencia e reverencia it mulher, ja agora, pelo adjetivo "assanhada" enfatizando a identidade feminina pela sensualidade e malicia da mulata, em sua mane ira graciosa e
envolvente:
Ai, mulata assanhada Que passa corn gray a F azendo pirra,a (bis) F ingindo inocente Tirando 0 sossego da gente Ai, mulata se eu pudesse E se meu dinheiro desse Eu te dava sem pensar Essa terra, este ceu, este mar E ela finge que nao sabe Que tern feiti,o no olhar Ai, m ulata assanhada (. .. ) Ai, m eu Deus, que born seria Se voltasse a escravidao Eu pegava a escurinha Prendia no m eu corayao E depois a pretoria Ii quem resolvia a questao CAL YES, 2006).
Lembrando tra90s da identidade e cultura brasileira, 0 poeta refere-se, bern humorado, it Hist6ria do Brasil, lembrando 0 contexto da escravidao, mas dando-lhe, nao 0 sentido lamentavel e doloroso dessa fase que manchou a Hist6ria nacionaL Na valoriza9ao da mulher negra, sedutora, em sua malicia, 0 eu poetico dela se valeria apenas para prendela no seu cora9ao. Mais uma vez, a conota9ao poetica da valoriza9ao da negra, mulata, como referencia maior da mulher brasileira. Ainda sobre a tem:itica da mulher em Ataulfo, em "Na cadencia do samba" composta em 1962, ha a referencia do malandro, sambista, apaixonado por todas as mulheres, a defesa da honra pessoal e tambem a declara9ao de amor ao batuque do samba: 252
Sei que you morrer, nao sei 0 dia Levarei saudades da Maria Sei que you morrer, nao sei a hora Levarei saudades da Aurora Quero m orrer nurn a batucada de barn ba Na cadencia bonita do samba
o meu nome nao se vaijogar na lama Diz 0 dito popular Morre 0 homem fica a fama Quero m orrer nurn a batucada de barn ba Na cadencia bonita do samba CAL YES, 2006). Ha tambem letras em que narrando sempre
0
0
eu poetico retrata situa90es marcadamente intimistas,
drama existencial entre a mulher e seu parceiro. Suas personagens
femininas sao flagradas num deterrninado momento de sua trajetoria, como em "Oh! Seu Oscar", composta em parceria com Wilson Batista, que apresenta
0
perfil da mulher que se
despoja das mascaras sociais num autentico processo de individualiza9ao:
Cheguei cansado em casa do trabalho Logo a vizinha me chamou: Oh! seu Oscar Ta fazendo meia hora Que a sua mulher foi embora E urn bilhete deixou Meu Deus, que horror o bilhete dizia: Nao posso mais, eu quero eviver na orgia! Fiz tudo para ver seu bem-estar Ate no cais do porto eu fui parar 1.1artirizando 0 meu corpo noite e dia Mas tudo em vao: ela e da orgia CAL YES, 2006).
Ha algumas situa90es em que, ainda retomando a postura machista e moralista,
0
compositor brinca com a rima, num diaJogo metamusical, relacionando os perfis femininos de suas composi90es com os de seus parceiros ritmicos como Joao Bento, Batista, Castilho, Carlinhos, justificando que nao deixa Dagmar sambar, mediante nenhuma hipotese: N em que chova canivete, Odete/ Nem se
0
sol refrigerar, Guiomar! Nem que
0
cinco vire sete,
Arlete/ Eu nao deixo Dagmar sambar! Sei que sou urn ciumento, Joao Bento/ Sei que sou urn egoista, Batista! Mas nao you dar grao de milho, Castilho / Pra cria9ao do vizinho, Carlinhos (ALVES, 2006).
253
A presen9a da mulher amada e muito comum nas can90es de Ataulfo, merecendo destaque a "Mariazinha", metaforizada na can9ao "Meus tempos de crian9a" que permaneceu na memoria de Ataulfo, como urn amor platonico, efemero, saudosista. Ao rememorar 0 tempo perdido, 0 cantor e compositor questiona 0 inevitavel: "Eu nao sei pra que que a gente cresce ... " nos versos de "Meus tempos de crian9a": Eu daria tudo que tivesse/ Pra voltar aos tempos de crian9ai Eu nao sei pra que que a gente cresce/ Se nao sai da gente essa lembran9a [... ] (ALVES, 2006). Assim se compoe urn universo feminino marcado por comportamentos antagonicos, desvendando segredos e magias pela harmonia entre os versos populares e as notas mUSICalS que criaram urn estilo proprio da MPB e revelam momentos significativos de encontros, da memoria dos encantos das gerais de Minas, do aprendizado da vida no Rio de Janeiro, levando a cultura e a arte nacionais do Brasil para 0 mundo.
A essencia da mineiridade
Ataulfo Alves integra a constela9ao dos principais compositores nacionais surgidos nos anos 30, uma gera9ao fundamental para a forma9ao do que depois veio a ser a moderna MPB. Na letra de "Faz como eu", ele revela seus anseios, angustias e sofrimentos e, em diaiogo, convida alguem a fazer como ele, esquecer 0 sofrimento e cantar ja que 0 mundo nao e capaz de compreender tanto sofrimento, 0 que ele revela nos versos: "Ha uma lagrima sentidai Que em teus olhos se escondeu/ Deixa a lagrima escondida/ E vern cantar como eu" [... ] "Po is 0 mundo nao entende/ Tua magoa, tua dor". Ataulfo Alves se distingue por uma marca muito pessoal, inconfundivel, com que timbrou seus sambas. Cada letra possui uma cadencia arrastada, particularmente pausada em compara9ao com os sambas dos seus colegas de gera9ao. Esse andamento lento e lamentoso, essa especie de atraso ritmico se deveram it mescla do samba com a toada mineira, por ele apreendida, memorizada desde a infiincia. As vezes nostaigicos, os sambas de Ataulfo tern esse componente marc ante, como ele mesmo admitia ter guardado sem saber, na memoria, cantigas e toadas da r09a que 0 influenciaram ate na hora de compor. Ataulfo Alves compos, principalmente, sambas. Raramente deixou esse genero para se enveredar pelos caminhos de outros ritmos. Apenas a valsa e a toada foram, eventualmente, visitadas por ele. 0 termo "samba" foi amplamente utilizado em suas letras,
254
a come9ar pelos proprios titulos das composi90es, ou no contexto, 0 que se pode verificar em algumas letras, como "Vassalo do samba" de sua autoria, em 1933, em "Tentei fazer urn samba/ Diferente do que eu fa90/ Confesso minba gente/ Sai fora do compasso" (ALVES, 2006). N as letras, sob variadas formas, ele abordou, sobretudo, 0 tema das rela90es amorosas, na maioria das vezes, de uma perspectiva francamente masculina. Ataulfo foi compositor de sambas alegres, celebrativos, alem de ter cantado a negritude e registrado alguns sambas-exalta9ao como em "Vida da minba vida" composto por ele em 1949, em que exalta a musa inspiradora que faz dele urn sonbador nos versos: "Minha musa inspiradora! Minha noite de luar/ Agrade90 ao Criador! Que me fez urn sonhador! Pra melhor te exaltar". Os textos de suas can90es sao, em geral, curtos e caprichados, nao raro metrificados e normalmente constituidos somente de duas partes. 0 emprego de expressoes e ditados populares, feito com propriedade poMica, tipifica essas letras, que costumam ser fechadas com frases ditas em tom filosofico. Ataulfo po de ser considerado urn compositor atemporal. Ao compor "0 mundo nao se acabou" em 1957, Ataulfo parecia preyer 0 que iria acontecer com 0 avan90 tecnologico, as grandes amea9as que rondam 0 dia-a-dia, principalmente nas grandes cidades, assim como 0 Rio de Janeiro em que a violencia tern sido a vila, a causa de tantas fatalidades decorrentes da desigualdade social, do abandono de menores, da miseria: "Meninos de rua, delirios de ruina" e do niilismo a que 0 ser humano esta exposto "Levamos uma vida que nao nos leva a nada". Isso pode ser comprovado nos versos: "Nas grandes cidades, no pequeno dia-a-dia/ 0 medo nos leva tudo" ao mesmo tempo que se quer privar da violencia, constroem-se muros e grades "Entfio erguemos muros" e torna-se urn prisioneiro de seu semelhante. Com sua simplicidade e ao mesmo tempo com sua sabedoria, soube retratar em versos, ha mais de 50 anos, uma situa9ao que se vive atualmente, no contexto pessoal, principalmente nas grandes cidades, e isso Ataulfo cantou com sabedoria e lucidez . Mesmo distante de Minas Gerais, em tais letras de can90es, 0 imaginario de Minas contribui, significativamente, para re-criar e re-viver momentos marc antes pela memoria musical. Revela, em versos, profundo apego as suas origens, a terra natal, Mirai, onde estfio as marc as que confirmam a dire9ao de seu olhar e seus sentimentos e feitos da infancia, registrados, nessa e em outras can90es das quais ecoam palavras que evocam sentimentos, vivencias, em090es de Minas para 0 mundo.
255
Considera~oes
rmais
N a historia da Musica Popular Brasileira, Ataulfo Alves e urn nome fundamental. 0 segredo do sucesso esta na sua capacidade de construir can90es essencialmente cariocas, mas que tambem resguardavam marc as de toda a sua mineirice. Os melhores momentos de sua vida foram vividos em Mirai, Minas Gerais, e ele recordando a infiincia, a professorinha e a mulher amada, retrata-os em "Meus tempos de crian9a". A experiencia vivida em sua cidade natal esta evidente pelas marc as deixadas pela professora e pela "Mariazinha", cuja emotividade e saudosismo revelam natural. A mulher-protagonista continua presa it obra, no momento em que
0
0
sentimento
poeta/cantor e
compositor, carecendo de revelar sentimentos mais profundos, descreve-a de varias formas. Compoe-se urn universo feminino marc ado pela beleza, delicadeza, humildade, aceita9ao ao mesmo tempo, contrapondo it insensatez, ao assanhamento, ao jogo, ao tragico e ao grotesco que se articulam para desvelar as regras, desvendando segredos e magias pela harmonia de notas musicais que consagram os encontros, encantos em sua dimensao de Minas a caminho da universalidade. Ataulfo sempre revelou sabedoria na administra9ao da propria carreira, por ser sagaz como observador da vida. Ajustou-se, assim, aos padroes vigentes no gosto popular e, intuitivamente, sem perda de autenticidade em suas cria90es. Em 20 de abril de 1969, calou-se melodias nota-se
0
0
mestre para a eternidade, mas em suas letras e
eco de suas toadas, evocando a saudade da infiincia, das musasl
mulheres, das reflexoes constantes nas letras cantadas -
0
samba - que e simbolo de
identidade nacional, imortalizando, assim, a sua imagem.
Referencias
ABDALA mNIOR, Benjamim. A literatura, a diferen9a e a condi9ao. Revista Brasileira de Literatura Comparada, Rio de Janeiro, v.l, n.l, p.19-39, 2006. ALVES, Ataulfo. Hist6ria da musica popular brasileira. Sao Paulo: Abril Cultural, 1982.
--:-_-;;. Ataulfo Alves. Disponivel em: <htlp://cliguemusic.uol. com.brlartistas/ataulfo-alves.asp>. Acesso em: 3 1 jan. 2007. _ _ _ . Entrevista. Folheto Dueto. [S.1.: s.n.,1968?] p. 11.
256
ARRUDA, Maria Anninda do Nascimento. Mitologia da mineiridade. 20. ed. Sao Paulo: Brasiliense, 1999. ALVES, Ataulfo. Ataulfo Alves. Jomal Ultima Hora, Rio de Janeiro, 21 abr. 1969. BIBLIA de Jerusalem. Trad. Euclides Martins Balancin et al. Sao Paulo: Paulinas, 1985.
CORTES, Aracy. Ataulfo Alves. Revista Vida de Artista, Rio de Janeiro. p. 4.[1968?]. DEFOE, Daniel. Daniel Defoe. Disponivel em:<http://www.vidaslusofonas.pt/danieldefoe.htm> Acesso em: 07 Jun. 2007. DRUMMOND, Carlos. Carlos Drummond de Andrade. Disponivel em: <carlos-drummond-de-andrade.letras.terra.com.brlletras/460647/ - 25k> Acesso em: 30 mar. 2007. FENTRESS, James. WICKHAM, Chris. Memoria social: novas perspectivas sobre 0 passado. Lisboa: Teorema, 1992. p. 13-110. HALBW ACHS, Maurice. A memoria coletiva. Sao Paulo: Vertice, 1990. HALL, Stuart. Da diaspora: identidades e media90es culturais. Belo Horizonte: UFMG, 2003. p. 335-349.
___ . A identidade cultural na pos-modemidade.ll.ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2006. LAGO, Mario. Ataulfo Alves. Disponivel em: <http://www.dicionariompb.com.br/detalhe. asp ?nome~ Ataulfo+Alves&tabela~T FORM A&qdetalhe~art.>.Acesso em: 30 mar. 2006. PEREIRA, Luizito. Ataulfo Alves: urn bamba do samba. Vis conde do Rio Branco: Suprema, 2004. SILVA, Francis Paulina Lopes da. MuriloMendes: Orfeu transubstanciado. Vi90sa: UFV, 2000. . Infancia: Drummond e a escritura de memoria e identidade. Verbo de Minas Letras, Juiz de Fora, v. 4, n. 8, p. 25, 2005.
---
SODRE, Muniz. Samba,
0
dono do corpo. 2. ed. Rio de Janeiro: Mauad, 1998.
TAVOLA, Artur da. Ataulfo Alves - discurso pronunciado na tribuna do Senado Federal. Brasilia: Distrito Federal, 1999.
--:-_-:-;" Ataulfo Alves. Disponivel em: <http://www.arturdatavola.com/Senado/ESCRITORlLivros/AtaulfoAlves%20novo.htm>. Acesso em: 02 set. 2006.
257