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Calque Toledo
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Flores, chitas eo Carnaval de Paraitinga
2014
o (arnava l de Paraitinga
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Antor C aique Toledo
Orienta4tao e revisao Robson Bastos da Silva
Design Gnifico e diagrama\ao Paulo Donizetti
Foto de capa Rogerio Marques
Ficha catalognifica elaborada pelo SIbi - Sistema Integrado de Bibliotecas I UNITAU
C198r
Campos, Caique Toledo de Camargo Respeitavei Publico do Sertao das Cotias: Flores, chitas e 0 Carnaval de Paraitinga / C aique Toledo d e Camargo Campos - 20 14. 130 f.:; il. Projeto Experimental (Gradualfao em Comun icas:ao Social com habilitalfao em Jornalismo) - Un iversidade de Taubate, Departamento de Comun icas:ao Soc ial. Orientas:ao: Prof. Dr. Robson Bastos da Silva. Departamento de Comun icalfao Social. 1. Sao Lu iz do Paraitinga. 2. C arnaval. 3. Marchinhas.
I. Titulo
a carnava l de Paraitinga
Calque Toledo
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Projeto Experimental de carater profissional, elaborado como requisito parcial para obten(j:ao do grau de Bacharel em Comunica(j:ao Social, habilita(j:ao em Jornalismo, sob orienta(j:ao do professor Dr. Robson Bastos da Silva.
Universidade de Taubate Tau bate, SP 2014
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a carnava l de Paraitinga
de Co etes Em primeiro lugar para Marcia e Thomaz, popuJarmente conhecidos como meus pais. Por acreditarem em mim quando eu in sisti que queria fazer jornalismo, apesar de, eu sei, eles preferissem medicina au alguma en genharia da vida. A familia em gera!, em especial 0 lado 'Iuizense' dela: 0 avo Camargo, 0 tiD Gilmar e 0 primo Rodrigo. Aos amigos que fizeram dos quatro ultimos anos os meIhores da minha vida. Entre alguns dos principais, as melhores amigos Camila e Theo, os melhores jornalistas Cecilia e Thiago, a companheira de iamenta<;ao Milena, 0 confidente Igor, 0 lOlleD Felicia, 0 carioca Eros e as incriveis Marcella e Vivian. Sem esquecer de Tor, Samuel, Bahi, Lutty, Lilian, Laurene, Ale, Gabriel, Vivian Ferraz, Mari Cassador, Maira, Amanda, Marisa, Bruna, Marvin, Orlando, Renata, Sanya, Sarah, Barbara, Zandonadi, Barbosa, Joao, Ana, Leo Gonzaga, Pedrao, Vitor, Riron, Tassara, Bernardo, Aline, Caio e tantos outros. Ufa. Tambem, claro, ao Galvao da padaria. Nao da para ser hipOcrita justa no ultimo ano, nao e? Fora da faculdade, os que estao com igo sempre: Lucas, Flavio, Rosa. Viniciao, Renan, Lucien. Tauil, Pedras, Matheus, Avellar. Fabricio, Pe, Pablo. E tambem todos os amigos que estao longe, que na verdade nao tern nenhurna diferencia<;ao para os que normalmente estao ao lado. Com lembran<;as para os destaques de 2014: a dupla dinamica Eduardo e Marcel, 0 parceiro Matheus Rocha, a amiga Amanda Gon<;alves, a companheira Mari Antunes, a incentivadora Adriana Lage e tambem a Ana Karol, meIhor pessoa do mundo.
Ao pessoal do 0 VALE e da Gazeta de Taubate, que, la em 20 11, deram uma chance para urn projeto de jorna!ista com 18 anos, que ainda achava que podia mudar 0 mundo. Hoje, gra<;as a G uilhermo, Julio, Sardinha, Bruno, Rogerio, Michelle, Paulao, Daniel e Marquinhos, ele tern certeza que pode. Aos professores que, risos, sempre me ajudaram como puderam nos quatro anos de faculdade. Em especial ao Robson Bastos, 0 melhor orientador que qualquer comunicador pode ter. E tambem urn agradecimento especial a Maurilio, cesar e Edilene. Tambem para todos que participaram deste livro-reportagem, principalmente os proprios luizenses. Em especial, Galvao Frade, Benito Campos e Judas Tadeu de Campos, que gastaram horas para me darem verdadeiras aulas sobre 0 nosso Carnaval. Maria Alice e Degiovani Lopes, dois mentores 'inconscientes: tambem precisam ser lembrados. A quem, de qualquer maneira, ajudou a con stru ir esse livro, que na verdade e so urn simbolo para representar tudo qu e de melhor aconteceu na minha vida nos ultimos tempos. E, claro, e obvio eu deixei de citar muita gente que teve impo rtan cia nesses anos. Mas, se sao mesmo meus amigos, sabem bern que memoria nunca foi 0 meu forte. Devo, com certeza, tudo que tenho e que terei a todos voces. E 0 melhor de tudo e saber que, do ceu, do purgatorio, ou do inferno, ninguem escapa. E a garantia de que, de jeito ou de outro, pelo menos alguns de voces eu you ter pra vida toda e, caso seja assim mesmo que funciona, tambem la 'do outro lado'. Obrigado, obrigado, obrigado.
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"Respeitcwel publico do Se l'tiio das Cotias, Hoje estamos aqlli pam convida-los a pal'ticipal'em das festividades de Mo mo. Co mo vivel' sentindo a passagem do tempo? Do cell, do plll'gat6rio e do inferno, ningwlm escapa. Sabem pOl' qlle?" Discllrso de abertura do blooo Jllca Teles
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Prefacio
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Introdu~ao
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Capitulo 1- Paraitinga, Paraitinga, engalanada de flores e luz
21
Capitulo 11- A proibi~ao cat61ica e 0 Carnaval sem rabo e chifre
27
Capitulo 111- Encucando 0 Carnaval
39
Capitulo IV - 0 Festival de Marchinhas Carnavalescas
51
Capitulo V - Juca Teles do Sertao das Cotias e outros blocos
61
Capitulo VI- Como viver sentindo a passagem do tempo?
79
Capitulo VII- A imprensa e 0 Carnavalluizense
93
Capitulo VIII- Por luizenses e para luizenses
109
Capitulo IX - 0 ceu, 0 purgat6rio e 0 inferno
117
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Se alguem muito desinformado passasse por Sao Luiz do Paraitinga, nem desconfiaria de como a pacata cidade e capaz de se transformar durante 0 C arnavaL Para 0 olhar estrangeiro, incapaz de detectar a dinamica local, n ada acontece naquelas ladeiras. Bastaria urn tempinho par la, porem, p ara perceber que nem tudo e cabodo descal'fo puxando fumo. Ha sempre algo rolando, algum evento religioso, alguma festa na r ua, alguma comilan'fa program ada. A vida c ultural da cidade e tao pungen te que 0 Carnaval e apen as mais uma de suas man ifesta'foes. Estuda-Ias como fe n 6menos sociais e de ext rema importancia. Ha quem va p ara 0 Carnaval de Sao Luiz apenas pela festa, e com toda a razao. Mas ha aqueles que, para alem do ent ret enimento, buscam captar seu significa d o, desvendando os bas tidores . 0 resultado d e tal investiga'fao e este Iivro -rep ortagem , que pode aliviar a barra dos que van so pela farra, deixan do para o Caique a tarefa de p reoc upar-se com 0 outro lado do C arnavaL
No mundo globalizado, existe uma tendencia de olhar para as cidades do interior como mideos de resistencia cultural, onde se preserva uma ident idade local que, em fun'fao do progresso devastador, as grandes metropoles at ropelaram faz muito tempo. Nao a toa, muitos dos maiores eventos culturais se dao no interior, nos charmosos palcos das ddades p equenas - como, por exemplo, Pa raty, Paulin ia, Sao Francisco Xavier, Tiradentes, Gramado e, claro, Sao Luiz do Paraitinga. Nesse sentido, 0 trabalho de Caique e um importante registro do C arnaval luizense, e, partindo de uma perspectiva atuaHzada, dos anos 80 para ca, confirma que a riqueza cultural de seu povo continua sen do referenda para 0 pais. Afin al, nao tern padre que nao pule no Carnaval de Sao Luiz do Paraitinga.
Guilherme Tauil
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Terra-feira, 19 de fevereiro de 1980. "Hi sessenta anos que os doze mil habitantes de Sao Lu iz do Paraitinga, a 170 quilometros de Sao Paulo, nao brincam 0 Carnaval:' Essa foi a abertura de uma reportagem da Rede G lobo de Televisao, exibida pelo Jornal Hoje naquela tarde de fevereiro, bern no inicio dos anos 80. 0 apresentador Wellington d e Olivei ra fazia a chamada para uma materia da reporter Maria Christina Pinheiro. o tema era curioso. Em plena decada de 80, havia em Sao Paulo uma cidadezinha que nao comemorava a maior festa popular do Brasil. De fato, nao havia Carnaval em Sao Luiz do Paraitinga. Mais de 60 anos antes, um padre italiano, design ado pela Diocese de Taubate para assumir a paroquia luizense, alegou que 0 Carnaval nao era uma festa crista. Dizia, inclusive, que fieis que participassem de eventos carnavalescos poderiam ser castigados. as boatos contam que, em uma de suas prega;;:oes, ele chegou a dizer que nasceriam rabos e chifres em todas as pessoas que brincassem 0 Carnaval. Vejam so. De volta ao inicio dos anos 80, a reportagem da TV Globo foi urn verdadeiro marco em Sao Luiz. Se causava tanta estranheza uma cidade que nao pulava 0 Carnaval, por que, entao, nao come;;:armos? E foi 0 que aconteceu. Festival de Marchinhas, cria;;:ao dos blocos,
envolvimento cultural... Anos depois, Sao Luiz do Paraitinga estaria conhecida nao so pelos filhos ilustres Oswaldo Cruz e Elpidio dos Santos, mas por ter urn dos principais Carnavais do Brasil. o que diria 0 italiano Monsenhor Ignacio Gioia se visse a cidade tomada por quase 200 mil pessoas em cinco dias da festa que considerava profana? Se visse que 0 New York Times, urn dos principais jornais do mundo, noticiou e exaltou a festa de Sao Lu iz, que ficou conhecida por todo 0 Brasil... 0 que ele diria? Fato e que 0 Carnaval luizense se tornou destaque, e apaixona folioes. Pela festa, pela cultura, pelo envolvimento do povo. E uma reportagem de TV foi 0 empurrao que Sao Luiz precisava. A 'cidade que nao brincava 0 Carnaval: inconscientemente ou nao, decidiu fazer historia.
Sabado, 1° de marro de 2014. "Respeitavel publico do Sertao das Cotias. Hoje estamos aqui, para convida-Ios a participarem das festividades de Momo': grita Benito Campos, trajado de Juca Teles, em cima do caminhao. Em alto e born tom, ele avisa aos 30 mil folioes ao meio dia do sabado de Carnaval que e hora de come;;:arem as festividades luizenses. E sabem por que? Porque hoje, como ontem, como amanha, ou como qualquer dia desde 0 inicio dos anos 80, porque hoje e Carnaval em sao Luiz do Paraitinga.
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» Capilttfo J
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maior conjunto arquitet6nico tombado do estado de Sao Pau lo fi ca cerca de 170 quilometros da capital paulista. Fundada em 1769, a estancia turistica de Sao Luiz do Paraitinga hoje e reconhecida pelos antigos casaroes de seu patrimonio historico, por seus filhos i1ustres (como 0 m edico Oswaldo Cruz e 0 musico Elpidio dos Santos) e. desde a decada de 80, pelo fo rte Carnaval. As margens do rio Paraitinga, urn dos principais formadores do rio Paraiba do sui, Sao Luiz e localizada no meio da Serra do Mar do Vale do Paraiba paulista. Conhecida como '0 ultimo reduto da cultura caipira do estado de Sao Paulo: Sao Luiz tern 10.72 1 habitantes (censo IBGE 2013), e mantem toda a cultu ra religiosa e arquitetonica, com seus mais de 450 casaroes tombados como patrimonio hist6rico. A Capital das Marchinhas, na verdade. tern quatro datas historicas sobre sua fundalfaO. A primeira em 5 de marlfo de 1688, quando o Capi ta~ de Taubate, Felipe C arneiro Alcalfouva e Souza, entregou as primeiras sesmarias para p ovoar a regiao dos sert6es do Paraitinga. A segunda, comemorada como aniversario da cidade e de 2
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de maio de 1769: fo i deferida uma petilfao para uma nova povoa<;ao entre as cidades de Taubate e Ubatuba, criando oficialmente Sao Luiz e Santo Antonio do Paraitinga. Em 3 1 de marlfo de 1773, Sao Luiz foi elevada a Vila, e, anos mais tarde, em 30 de abril de 1857,
Ao fim do Seculo XIX, 0 cafe comelfou a deixar 0 Vale rumo ao oeste do estado. Com isso, os luizen ses passaram por urn fraco momenta em sua economia. Vma melhora s6 foi registrada no inicio do Seculo XX, com as atividades da pecuaria leiteira que, ate a
foi elevada novamente, dessa vez a categoria de cidade: passou a ter a denomina<;ao de 'Imperial C idade de Sao Luiz do Paraitinga'.
decada de 80, foi a principal produ<;ao na verba de Sao Luiz. A cidade tambem e muito conhecida por seu hist6rico de even-
Em seus anos como Vila, Sao Luiz teve sua economia baseada na agricultura, com 0 plantio de feijao, milho, mandioca e cana de alfucar. Governador da capitania de Sao Paulo, Dom Luis Antonio de Souza Botelho, 0 Morgado de Mateus, ordenou que os tropeiros receberiam uma area de terra para lavoura. Com uma localiza<;ao privilegiada para transportes e escoamento de produtos de planti ~, Sao Luiz teve rapido progresso, sendo inclusive apelidada de 'Celeiro do Vale: A nos mais tarde, ja com uma queda de produ<;ao, Sao Luiz passou a apostar no cafe. 0 produto ja era grande fonte de renda para muitas cidades do Vale do Paraiba Paulista, mas s6 depois veio chegar em Paraitinga.
tos festivos e religiosos. Nao s6 0 Car naval, que chega a levar mais de 180 mil foliDes por ana ate a pequena cidade do interior paulista, mas tambem pelas pr6prias festas relacionadas ao folclore luizense. A principal delas e 0 Festival de Marchinhas, que antecede 0 Carnaval todos os anos. Com musicos da pr6pria Sao Luiz competindo entre si, ele surgiu em 1984, na epoca da retomada do Carnaval luizense. Outro importante evento e a tradicional Festa do Divino Espirito Santo, que tern suas primeiras referencias datadas de 1803, sendo a principal festa religiosa da cidade. Alem do Divino e do Festival de Marchinhas, a cidade tambem comemora a Festa de Reis, Festa de Sao Sebastiao, Semana Santa, Festa de Sao Benedito,
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Semana da Can<;ao, Festa do Padroeiro, Semana Elpidio dos Santos, Semana Oswaldo Cruz, Festa do Saci, Festa de Santa Cecilia, entre outros. Em Sao Luiz, tudo termina em festa. Com urn povo acolhedor e man tendo as tradi<;oes caipiras, Sao Luiz viveu seus piores dias na virada dos anos de 2009 e 2010. A forte chuva fez com que 0 rio Paraiba registrasse a maior alt a de sua h istoria, prejudicando a estrutura de dezenas de casaroes e fazendo oito deles serem destruidos. A Igreja Matriz, principal simbolo arquitetonico da cidade, nao resistiu a enchente, e tambem teve grande parte de suas pared es destruidas -- ela s6 foi reinaugurada em maio de 2014. Nada, no ent anto, que deixasse de lado 0 hist6rico do povo luizense de manter suas tradi<;oes. Este 2010 foi 0 primeiro em 30 anos que nao houve 0 Carnaval, mas meses depois a cidade ja estava preparada para outros eventos. Nos anos segu intes, mesmo com modifica<;oes em locais e trajetos, 0 maior Carnaval de rua do est ado de Sao Paulo vohou a receber os folioes.
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Historicamente, as principais festas e tradilfoes luizenses sao Iigadas a religiao. Entre as principais manifestalfoes populares de Sao Luiz, estiio a congada, 0 Mos:ambique, as cavalhadas, a dans:a de fitas e, principalmente, a Folia do Divino. A Festa do Divino Espirito Santo de Sao Luiz do Paraitinga tern seus primeiros registros datados de 1803: a cada ano, urn festeiro e escolhido para ser o organizador principal do evento, que dura dez dias. 0 encontro das bandeiras e a procissao do Divino sao momentos marcantes para a populas:ao luizense, sempre muito ligada a fins religiosos. Mas 0 p ovo lu izense e muito festeiro, e nao era difere nte com o Carnaval. A primeira noticia que se tern sobre a principal forma de manifestas:ao cultural brasileira data dos ultimos anos do seculo XIX, especialmente da decada de 1880. Publicalfoes em
jornais da cidade relatam uma 'guerra' entre os folioes na area rural, onde as pessoas degladiavam com agua e 0 corpo esfregado em carvao, tapioca e farinha. 0 Carnaval urbano de Sao Luiz do Paraitinga surgiu em 1894, com caracteristicas ven ezianas, com 0 uso de mascaras e confetes. Ja muito popular, a fe sta deixou de ser unanimidade em apenas 11 anos. Em 1905, publicalfoes da regiao comelfaram a faz er criticas sobre a decadencia do Carnaval-- uma das principais 'rec1amalfoes' era a de que a fe sta havia perdido 0 sentido sem 0 uso dos mascarados. As criticas pediam, principalmente, a volta do brilho d o Carnaval dos primeiros anos. Veiculos com o 0 Jornal de Taubate, alem de midias ligadas a igreja cat6lica, como 0 A Verdade ou 0 0 Labaro, ja falavam sobre 0 dec1inio do C arnaval
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o bonde chiqlle, e bonde cam e nc'io empaca. Bonde de IllXo esomente 0 Espanta Vaca. Espanta a vaca, espanta 0 boi, a Ilrllcllbaca ha de andar s6 no pe dois" Espallta Vaca (Luiz B aptista)
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luizense. 0 A Verdade, em 1906, estampou em suas paginas que os folioes "apoteosam bern a miseria, a desfalfatez, a sujeira .. . Tristissimo CarnavaL. dos pobres de espirito:' Nos anos seguintes, as tematicas do Carnaval foram bern divididas (nota-se, desde cedo, a importancia da participa<;ao da impre nsa no crescimento e na dissemina\fao do Carnavalluizense) . Enquanto alguns ve iculos noticiavam os preparativos para a festa e exahavam a possibilidade de u rn Carnaval dentro dos padroes tradicionai s, outros c riticavam os rumas das festividades. A verdade eque, de qualquer forma, 0 Carnaval ja era pe/fa impartante dentro da cultura luizense. Uma das manifesta~oes mais antigas e mais tradicionais vinha do coletor fed eral Benedito Campos, 0 Dito Bento, que reunia seus amigos para uma grande festa em
sua chicara, o nde hoje e 0 bairra da V.1r zea dos Passarinhos. 1.1 na decada de 1920, ele juntava os conhecidos em urn bonde e, tocando sua concertina e distribuindo serpentinas por toda a noite, ia do centra da cidade ate sua ch.1cara. As mulheres, vestidas de branco com uma flor vermelha na lapela, representavam jardineiras. o bonde, vermelho, remetia a cor que os animais nao gostayam. Como a cidade ainda tinha h.1bitos extremamente rura is, 0 gado ai nda transitava livremente. Quando as jardineiras tocavam suas buzinas o u 0 bonde aparecia na rUa, todas as vacas saiam de perto. Assim surgiu 0 p rimeiro bloco que se tern noticia em Sao Luiz: 0 Espanta Vaca -- que, j.1 na decada de 90, foi recriado para homenagear os primeiros foli oes da cidade, e hoje e urn dos p rincipais blocos do Carnavalluizense.
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A proibi<;ao cat61ica Em 191 2, houve uma mudans:a na religiao luizense, que acabou por mexer na rotina da cidade e, principalmente, com a folia. A recem-criada Diocese de Taubate designou 0 padre italiano Ign.icio Gioia para ser 0 vigario de Sao Luiz do Paraitinga. De cara, Gioia foi contra todo 0 ambiente festivo do povo luizense -- as histOrias con tam que 0 padre teria se revoltado com mos:as que, na quarta-feira pos-Carnaval, iam receber cinzas com a cabes:a e as roupas cheias de con fete. Buscando substituir 0 catolicismo caipira pelos costumes da Curia Romana, Gioia 'determinou' 0 fim de atividades consideradas profanas. Em seus sermoes, usava a fors:a da Igreja Catolica para censurar a participas:ao do povo em festividades que, de qualquer forma, fugissem do principal cunho religioso -- ate a popular Festa do Divin o, maior evento da cidade, foi interrompida por quase duas decadas. Para urn municipio totalmente ligado a religiao, palavras do pad re eram praticamente regras. Certa vez, con tam os mais antigos, Gioia profetizou que haveriam enchentes no rio Paraitinga caso as profanidades nao fossem interrompidas. Anos depois, em 1967, houve uma enchente que alcans:ou os pes da escadaria da Igreja Matriz. Bern na epoca do Carnaval, cerca de urn ters:o da cidade fi cou desabrigado gras:as a fors:a do Paraitinga. o mais famo so de seus 'castigos' teria sido afirmar que nasceriam rabo e chifre em qualquer pessoa que participasse de festas relacionadas a folia e ao C arnaval. 0 tal sermao nunca foi comprovado, mas luizenses mais antigos confirmam que sem pre houve 0 temor de que os castigos apontados pelo padre realm ente acontecessem. Nenhum documento comprova que 0 padre Ignacio Gioia (que depois viria a ser Monsenhor) realmente fez as tai s pregas:oes citadas: apenas a memoria oral dos m oradores ajuda a contar a hi storia. Mas certa era sua contrariedade aos eventos festivos e, por isso, muita gente deixou de pular 0 Carnaval nos
bailes e clubes, que, aos poucos, foram perdendo a fors:a -- apesar de nunca terem deixado de existir. Luizenses mai s antigos confirmam, no maximo, que Gioia repreendia as comemoras:oes do Carnaval, a que julgava ser urn erro de pecadores. 0 Monsenhor fi cou quase 50 anos com o grande perfil religioso da cidade, e e inegavel a influencia que causou, como ter seu nome usado como batismo para escolas e ruas. Verdade ou nao, 0 povo luizense deixou de lado alguns costumes e tradis:6es a epoca. Algumas manifestas:6es culturais foram substituidas p elo silen cio. Afinal, born seria evitar 0 surgim ento de urn rabo ou urn chifre.
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Ncro se misturem com os pecadores, os indios e os pagcros. Ncro satisjareis os desejos e satisjar;oes da carne. Toda alegria do Carnaval Ii passageim. Deus
castiga quem pula 'II Carnavale' com mbo e chifre. Essa Ii a punir;cro pam quem desodebece 0 'Dio Santo'. Ajilria de Deus Ii capaz de cobrir a torre desta igreja com as aguas do rio Pamitinga" Persoll agem encellalldo discurso de p adre Ign(ICio Gioia, 110 docWllelltario Siio Luiz de Rabo e Cl!ifl'e (:2005)
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o grupo Paranga o
espirito musical de Sao Luiz do Paraitinga sempre foi marcante na cultura da cidade. Muito por conta do compositor Elpidio dos Santos, ilustre lu izense. Nascido em 1909, Elp idio cresceu aprendendo musica, e tinha uma paixao especial pe!o violao. Foi, tambem, parceiro de Amacio Mazzaropi, compondo diversas trilhas para 0 cineasta. Vitima da meningite, Elpidio faleceu em Sao Luiz em 1970, deixando urn legado de cerca de 1.000 composis:oes e sete filhos. E foram alguns deles que, cinco anos ap6s a morte do musico, resolveram criar urn grupo para manter 0 legado deixado pelo luizense. Negao, Pio, Nena e Pare, ao lado dos amigos Galvao e Nh6, resolveram criar 0 Paranga, aproveitando as cans:oes do pai para trabalhar a cultura e a musicalidade de Sao Luiz do Paraitinga. Durante anos, 0 Paranga foi 0 principal simbolo da musica luizense. ja com 0 refors:o de Renata Marques, entre 0 tim da decada de 70 e 0 comes:o da decada de 80, 0 grupo fez pesquisas de diferentes culturas e t radis:oes de Sao Luiz, como Folia de Reis, Congadas, Mos:ambiques e antigas modas de viola. Tudo para incorporar 0 repertorio. Em 1980, 0 Paranga foi responsave! pela organizas:ao de um manifesto cultural no Mercado Municipal, com a participas:ao de 200 musicos da zonas urbana e rural da cidade.
Meu amor da onde vem , quem tambem Essa alegria de pulaI', cantar, danr;ar nafolia a lhe bem, niio jique s6 Tem sempre algw!m, pm dar 0 n6 No com r;iio do f oliiio Que d6, d6, d6, d6 do foliiio" Que do, grupo Parallga (colllposi~o Ncgiio dos Salltos)
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Nessa epoca, 0 grupo fez uma participalfao em urn festival de musica popular da TV Globo, can tando a musica 'Vento Noroeste: de Elpidio, e voltou para Sao Lu iz saudado pelo povo. Cont a Galvao, aos risos, que antes os membros do Paranga eram t achados d e 'estranhos e vagabundos'. Depois do reconhecimento, em suas palavras, "as pessoas passaram a ver a musica como trabalho, e nao so lazer." Na retomada do Carnaval, nos primeiros anos de 80, 0 Paranga foi urn dos principais entusiastas das festividades. 0 grupo foi responsavel por uma pesquisa pela cidade, para descobrir antigas marchinhas carnavalescas. Com as cornposilfoes em maos, rodayam no mimeografo e faziam a distribuilfaO na pralfa, para que os rnoradores aprendessem a cantar as rnusicas que, dali em diante, fariam parte do cenario luizense. Passando por diferentes formalfoes, com cinco CDs e participalfao principal no DVD do centenario de nascimento de Elpidio dos Santos, 0 Paranga se man tern vivo ate hoje, com diversas participalfoes em shows e festivais. Nos ultimos anos, foram frequentes as parcerias com Renato Teixeira e Zeca Baleiro. A formalfaO atual conta com, alem de Negao dos Santos e Renata Marques, a filha do casal, Lia Marques, e 0 musico Joao Gaspar.
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Uma reportagem global e a retomada do Carnaval Mesmo apos a morte do padre italiano, as festividades eram timidas. Em setembro de 1979,0 jornallocal Correio da Terra estampou a manchete "Vamos ter Carnaval?': contando que urn grupo de amigos de Sao Luiz do Paraitinga havia se reunido para debater sobre a orga ni za~ao da festa para 0 ana seguinte, que seria realizada no Clube Imperial Luizense. 1a havia na cidade urn grupo de samba. Os Vaga-Lumes do Morro, que tinham Elpidio dos Santos como principal compositor durante seus dois primeiros anos, surgi ram em 1968. Mas foi em 1980 que 0 Carnaval realmente come~ou a tomar forma. Vma pequena reportagem em rede nacional foi 0 suficiente para mexer com 0 brio de muitos moradores. Vma materia da TV Globo, exibida em 19 de fevereiro daquele ano, contou a historia de "Sao Luiz do Paraitinga, cidade sem carnaval': Na opiniao de muitos moradores, a reportagem foi mostrada como deboche e de maneira superficial. Que a Globo teria utilizado a lenda sobre as prega~oes do monsenhor Gioia para ridicularizar a cidade. A reportagem exibida no Jornal Hoje irritou iuizenses, que resolveram, Iiteralmente, colocar 0 bloco na rua. Foi 0 empurrao necessario para que a cidade, que ja articulava a volta do Carnaval, iniciar uma das festas mais famosas do Brasil.
A hist6ria comeqa em 1920, quando chegou aqui um padre italiano, Monsenhor Ignacio Gi6ia, que achava que 0 Car'naval em coisa do dem6nio" Maria C/! ,.,:still a Pilllleiro, repiu'(er da TV Globo
o Carnaval de Paraitinga
Naquele ano, a 'cidade que nao brincava Carnaval' decidiu se reinventar. Com a concordancia do entao paroco Monse nhor Tarcisio e da prefeitu ra, a cidade ja havia tido uma pequena festa nas ruas em 1980. Foi tambem em fevereiro deste ano que foi criada uma comissao organizadora do Carnavalluizense. presidi da por 10iio Bosco da Silva. Entre discussoes, alguns grupos foram criados. 0 Bloeo da Farinh a surgiu formado por Mi sael Jose de Almeida, que se reuniu eom amigos na antiga fabrica de farinha. por exemplo. Su rgiram tambclll os bloeos das Meli ndrosas, Zona do Ag ri iio, do Petr6leo. Carrafa d e Me e da ovelha Negra . Todos prontos para o desfi Ie de 1981. No cntanto, 0 primeiro Carnavalluizense era totalmente inspirado nas festividades do Rio de Janeiro. As cultu ras de massa traziam 0 Carnaval carioca como espelho, e. assim. a festa em Siio Luiz fOi dcssa forma caracterizada. 0 desfile come~ aria as 2011. e os blocos seguiri am d a frente da Igreja das Merces ate a pra~a Oswaldo Cruz. Na ocasiiio. havia apenas uma musica para os blocos: "Lcnda do Carnaval Luizense", composta por Jose Roberto. 0 QuadO. Todos os bloeos teriam fantasias personalizadas. e 0 des6Je, por o rdem policial, teria seu encerramento as 23h. A partir dai, todos cram convidados a participar da eontinua ~a o d a festa, que aconteceria no Clube. o jomal 0 Estado de S. Paulo, em materia assinada pelo rep6rtcr luizense Judas Tadeu de Campos, anunciou em feve reiro de 8 1 0 primei ro Carnaval dos ultimos 60 anos em Sao Lu iz.
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A volta do carnavai -
Quart.a·felrn, lam. I""'JI iomar cil'lZq com I cabec;:. chela de eonfetel 0
Isso sig nifica tambem que a Ca1'1laval pOl' essas bandas j a p egou e que, nem com enchente, padl'e ou seja lei 0 que JOI', de mbo e chifl'e, estaJesta nao acaba mais"
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o (arnava l de Paraitinga
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o Carnaval de Paraitinga
DA TERRA •
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o Carnaval de Para itinga
,. ClIpitu/o III
o Carnaval de Para itinga
Encuca a Cuca Letras >De rabo e chifre "Eocuca a Cuca it Cuca
Eram 14 d ias d e novembro de 1981 quando Benito Campos e Luiz Homero, sentados no banco da pras:a Oswaldo C ru z, in conscientemente decid iram fazer historia. Em alguns rn inutos de conversa, surgiu a ideia de criar urn bloco que brincasse as len das religiosas d a cidade. Um bloco que tivesse rnais a ver com os costumes e hist6rias lu izen ses do que com a cultura de massa carioca, imposta no Carnaval daquele ano. Aos poucos, su rgiu 0 plano de materializar as h istbrias em bonecos gigantes para os desfiles , e a ideia de criar uma manifes ta~a o diferente dos blocos que ja existiam. Surgiu entao 0 Encuca a CUca, principal fi gu ra dOl 'nova fase' do Carnaval luizense. o Encuca rec uperou historias das festas populares luizenses, como 0 Mo~amb i qu e, a Folia de Reis e as congadas. A cada ano, era escolhido uma lenda dife rente para ser homenageada, em form as de grandes bonecos, como ja era t ra d i~ao na cidade. Em 1982 , primeiro ana do bloco nas rUas, cerca de 300 pessoas acom panharam a a prese nta~ao da CUca, com 0 tema 'Rabo e Chifre' -- a primei ra de uma se rie de clams provo ca~oes it Igreja Cat6lica. o Enc llca a C uca saiu apenas depois do desfil es dos blocos 'trad iciona is' do Carnaval. Benit o e Homero, cada urn a sell jeito, con tam que qu ando co m e~a ram a fazer os boneco s que desfilariam com 0 bloco, foram julgados e acu sados de quererem estragar a festa , ofend en do a igreja. Nos primeiros anos, 0 Encuca teve uma critica muito grand e d a admini s tra~ao loca l. A prefeitura, que bancava 0 Ca rnaval e h avia decid ido manter a festa p ad ronizada pela cultu ra de massa, fez ressalvas co nt ra a muda n ~a que 0 Encuca estraria propondo. Da p ri meira vez que sa iu, 0 bloco so fo i liberado apbs a m eia-noite, apbs 0 d esfi le oficial. Benito, urn dos criadores, con ta que a justifi cativa era a de que 0 novo b loco iria 'acabar com 0 Col rna va l de Sao Lu iz: Urn grande engano.
Encuca a Cuca Ii Cuca Encuca a Cuca Ii Cuca Que a Cuca logo vern Encuca a Cuca it Cuca Encuca a Cuca it Cuca Encuca a Cuca it Cuca Que a Cuca Ii Cuca vern De outras bandas do mundo Ela, aqui hoje chegou ~ um grande horror! A Cuca veio e aqui virou terror Sao suas rnan ifesta ~oes macabras o seu registro da feiti~o e faz terror Que horror! Tem Cabra-cega, tem 0 Cabra ECorpo-Sem do Ah~ rn Encuca a Cuca Ii Cuca Encuca a Cuca it Cuca Encuca a Cuca it Cuca Que a Cuca logo vern Encuca a Cuca it Cuca Encuca a Cuca Ii Cuca Encuca a Cuca Ii Cuca Que a Cuca Ii Cuca vem Hii Porca dos sete leitoezinhos Tem Boitata, ate M ul a-sem -cab e~a Bicho-Papao, tem lobisomem De Rabo e Chifre, Encuca a Cuca e a Cuca vern!"
a carnava l de Paraitinga
De Olltl'as bandas do mllndo Eta, aqlli hoje chegoll E 11m grande ho/'/'O/'! A Clica veio e aqlli viT'oU ter1'o,," Elicu ca a Cum
(PO I '
Luiz Romero)
>Coruja-Ja "Jii! Urn mau governador e... Quem vive p,a dormir!
Ja! Urn born governador e... Quem pouco vai dormir! "Quem e? Quem e?
Pra governar neste
£0(1.1(3 a (ue3
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£ um 3 a'Je, d nOr Noe
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;: ~u%a~9rande deste Mundo Encuca a Cuca a serpente que chegou pro Camaval
ta nue eofeiti~a
"'\Ie pre .,
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Oa de ban 0 Carnav31 s .......... da no nos £ tarovE'.,,,
candidato especial onosso candidato e a Coruja-Ja ~ a Coruja que chegou
pro Carnaval!
Por maId" -
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£sS3 a"e (3 rOicE'.ira . . dO 113 Su)elra
mundo Encuca a Cuca Vou indicar urn
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que se arraHa pete chao!
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Quando a Eva se ' . Deu (onfusao!" m JUllO, fez trair 30 Pai, Ad.- o
Vai casarfeiti~o com progresso, Ate que enfim, alguem que pouco vai dormir
onosso candidato dorme pouco, Quem pouco dorme, faz 0 mundo progredir!"
o (arnava l de Paraitinga
a carnava l de Paraitinga
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Encuca a Cuca reapresentou aos foHoes luizenses al-
guns personagens de sua mitologia, como a Cobra-Grande e a Porca dos Sete Le itoezi nh os, alem de novas figuras como o Corvo e a Coruja-Ja. Com a tematica sombria do bloco, os foHoes saiam com mascaras, impossibil itando sua identificaIfao. Conta Lui z Homero que a duvida de identificar os foHoes motivou a cr ialfao da letra do Corvo ("Quem e? Quem e?"), urn dos gran des sucessos do Encuca. Foi com 0 Encuca a Cuca que a cultura do Car naval carioca foi desaparecendo de vez em Sao Luiz. Os luizenses comelfaram a perceber que 0 Car naval nao precisava de disputa entre os bloc os, com jurados e premios, e que cada um deveria ter sua propria Hberdade de expressao. Aquela festa organizada, com plumas, paetes, horario de entrada e poucas musicas tin ha os dias contados. De cara, 0 Encuca foi urn sucesso. 0 ritual da encucalfao, termo dado pelos criadores para 0 inicio do bloco, passou a reunir os folioes para a apresentalfao dos bonecos e 0 lanlfamento de foguetes -- que acabaram dando origem it Festa do Chi pul pul, a festa junina luizense. Enquanto os rojoes eram lanlfados (conta Benito, aos risos, que eles eram lanlfados em forma triangular para simbolizar a pubis femi nina), 0 personagem intitulado Encucador-mor 'encucava' os participantes que tomariam as carcalfas dos bonecos. Quando estourado 0 ultimo foguete, os personagens ganhavarn vida. E iniciavam a farra do bloco, que, ironicamente, descia a rua chamada Monsenhor Ignacio Gioia, da Igreja do Rosario ate a Igreja Matriz. o sucesso do bloco fez com que cada vez mais bonecos fossem confeccionados, sempre com os artistas designados antes da festa,
e diferentes personagens. No primeiro ano, a tematica do Rabo e C hifre foi escolhida justamente para ironizar a 'proibilfao' de outros tempos, e teve a Cuca como personagem. Ja em 1983, com 500 participantes, 0 personagem escolhido foi 0 Corvo. A inspiralfao para a musica, a unica do Encuca que permanece ate hoje no Car navalluizense, veio de urn matadouro que existia atras do Mercado Municipal, 'frequentado' por corvos e urubus. Segundo Homero, houve a intens:ao de buscar a passagem da Arca de Noe para escolher a ave como personagem. No ana seguinte, a inspiralfao veio de urna antiga lenda luizense: a Cobra-grande. Contam os mais antigos a historia de uma crianlfa, ainda na epoca em que Sao Luiz era uma vila, que havia sido jogada no rio Paraitinga, e se transformado em uma grande serpente, que vagava pela cidade. Certa vez, durante urna enchente, 0 desorientado animal teria se escondido em uma caver na. Urn desmoronamento, no entanto, prendeu a Cobra por baixo do solo, e ela nao con seguiu mais se soltar. Para que ela nao sais se mais dali, 0 padre da epoca determinou a construs:ao de dois templos religiosos: a Igreja Matriz foi erguida sob onde estaria sua cabes:a, e a Igreja do Rosario onde estaria a cauda. A popularidade do Cuca era enorme, e a cada ana crescia muito. Mesmo assim, ainda nao tinha tanto aprelfo por parte do poder politico da cidade. Foi em 1985 que surgiu a Coruja-Ja: no periodo brasileiro das 'Diretas-Ja, movimento que reivindicou eleilfoes presidenciais diretas, a ave foi lans:ada pelos criadores do bloco para ser a governanta do mundo do Encuca. A letra, claramente, traz algumas 'cutucadas' aos politicos ("Ate que enfim, alguem que pouco vai dormir I 0 nosso candidato dorme pouco I Quem pouco dorme, faz 0 mundo progredir!").
o Carnaval de Para itinga
Aos pOll cos. 0 Cuea fOi crescendo desenfreadamente. 0 inicio da cobertura da afiliada regional da Rede Globo e tam bern prodw;oes da TV Cuitu ra, ja no inicio da decada de 90. incharam 0 bloco. que come~oll a ext rapolar 0 limite de folioes e levar 0 nome luizense para o lliros lugares. A ultima apari~ao do Encuca deu-se com 0 personagem ehamado de Gravolens Lau-Lau. Saseado na arruda. planla conh ecida por proleger mau-olhado. 0 nome surgiu tambem como uma homenagem a figura do morador Pedro Silard. 0 bloeo feehou 0 Carnaval de 1995, saindo na madrugada de t er~a - feira. e nunca mais percorreu as ruas de Sao Luiz. Com a popularidade. 0 numero de adeptos foi aumentando. de maneira impossivel de se r controlada. Con tam os criadores que. como os folioes andavam fantasiados. criticas come~ara m a crescer. No inicio dos anos 90. co m 0 auge da epidemia de Aids (s igla para Acquired Immunodeficiency Syndrome. ou em portuglles Si nd rome da Imunodeficiencia Adquirida), hOllveram boalos de qll e pessoas usavam a 'desculpa' das fantasias masearadas para cutucar os folioes com seringas infectadas. 0 temor de que turi stas, aprove itando 0 anonimato das mascaras, prejudicassem a integridade dos fo lioes fOi um dos principais pontos que contri bu ill para que 0 bloeo nao voltasse a sair. o Enellca a Cuea, grande simbolo da retomada do Carnaval luizense. teve seu fim assim em 1995 -- quando 0 restante da festa , pelo menos, ja estava totalmente caracterizado. Ate hoje, a reto mada do bloco e eobrada pelos luizenses mais saudosislas. Mesmo que ten ha acabado ha 20 anos e mesmo que nunca mais volte. o Encuea para sempre sera lembrado como 0 grande precursor do Carnaval de marehinhas de Sao Luiz do Paraitinga.
a carnava l de Paraitinga
Bonecos
,...
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¡efinigoes
CUCA: "Bicho da cor preta, branca e ver melha, possu idor de chifres e rabo na boca rara, fantastica resultado da prevariaorao mercadologica e procriadora do reino Encuca a C uca. 0 bicho usa 0 seu olhar p ara conseguir alto poder de en cantamento e seduorao: CUIDADO!!!" CORVO: ''Ave mandingueira que encucou ate Noe, quando em pleno mundao d'agua usou-a sedar os sinais de Deus. Ave feiticeira, 0 seu assento sobre algum cruzeiro, permita com seu fintar, direciona 0 local da morte, certa vive de comer carniora e da feitiora especial" COBRA-GRANDE: "Manifestaorao de mae solteira que jogava filhos no rio. Amaldioroada, transformou-se numa enorme cobra e foi no rio. A ela debita-se 0 desaparecimento de varios cidadaos. Apos grande enchente, alojou-se numa caverna com 0 rebaixamento das aguas. A caverna desmoronou-se, e a cobra ficou presa sob seus escombros. Ao padre coube a soluorao: reconmendou-a aos poderes divinos, e acalmou a populaorao construindo dois templos de oraoroes, a Igreja de Nossa Senhora do Rosario, que sob 0 seu altar situa-se 0 rabo da cobra, e a Igreja da Matriz, que sob 0 altar esta sua cabeora. De alguns tempos para col, ela tern desobedecido aos mandados do padre e safdo anualmente para foliar no nosso carnaval, junto com 0 bloco do Encuca a Cuca" CORUJA: "Governanta da noite e do reino Encuca a Cuca. Simbolo da sabedoria para os homens. No bloco Enc uca a Cuca, ela e transportada num andor para fi car em posiorao superior de privilegio e requinte dos governantes" GRAVEOLENS LAU LAU: "Pechador de corpo e despacho de maus olhados" OUTROS: Sapo, Juca Espanta, Porca dos sete leitoezinhos, Lobisomem, Bicho- Papao, Bruxa Linguaruda, Cabd, Carro do Capeta, Cabra-cega, Diabo.
o (arnava l de Paraitinga
,. 0 quadro 'Apocalipse', fello pelo artista plastlCo luizense JOse Carlos Monteiro, retrata as lendas e hist6rias (ontadas pelo bloco Encuca a (uca
a carnava l de Paraitinga
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N:.e<VO Odilon Bonare
a carnava l de Paraitinga
Ell estava sentado ali na pmqa, com 0 Homero, qllando falei qlle qllel'iafazel' 11m bloco em qlle a gente I'eclipemsse as lendas de fundo moml reliososas. A gente come'Yoli a pesqllisa as lendas, e matel'ializal' em bonecos gigantes. Aifoi slll'gindo. Veio 0 fato da Cllca, qlle nao e a Clica de Monteiro Lobato, e 'cllca'de 'cabe'Ya'. AIglima coisa qlle encllca a cabe'Ya das pessoas. Sofl'emos lima critica mllito gmnde da administm'Yao, qlle a gente ia acabal' com 0 Carnaval de Sao Llliz com esse bloco, e tudo mais. POl'qlle ate entao, em 11m Car'naval de inflencia televisiva total, 0 Carnaval do Rio em a gmnde I'efel'encia. S6 qlle a gente levoll pam frente, e dell cel'to. 0 Encllca s6 saia depois das 22h, e foi o SliceSSO qlle foi, com val'ios pel'sonagens e mllita gente pal'ticipando"
Âť
Benito Campos
Âť luiz Homero
Assisti 0 Carnaval de 81 da sacada de casa, achei qlle podia contl'ibllil' de algllma forma, mas pensei qlle seria legal algo di/el'ente, pegal' 11m gancho naqllela critica do mbo e chi/I'e. Tempos depois, na pm'Ya com 0 Benito, n6s come'Yamos a trocar ideias sobl'e 0 Carnaval. Efalamos qlle faltava algo voltado pam a nossa cliitum, lima I'esposta a essa critica e qlle tambem llSasse essa condi'Yao religiosa qlle bal'roll a festa. E ai nascell 0 Encllca. Procllmmos pel'sonagens lendal'ios da mitologia de Sao Llliz do Pamitinga. 0 pessoal acholl qlle iriamos estmgal' 0 Carnaval, pOl'qlle os pel'sonagens podel'iam ofen de I' a Igl'eja. Falamm ate qlle iamos soltal' 0 diabo. Come'Yoli com 11m 1"Ilmol' negativo, mas a gente nao concol'dava com a cllltlim de massa, qllel'ia algo qlle fosse daqlli. E foi esse sllcesso"
o Carnaval de Para itinga
,. Capitulo IV
o (arnava l de Paraitinga
Durante a retomada do Carnaval luizense, em 1981 , fi cou de finido que a festa aconteceria na rua, com palanque, corpo de jurados e desfile na pra;;:a. Bern ao estilo do Rio de Janeiro. Mas, contam os musicos da epoca, ninguem estipulou um estilo musical. A ideia, de que cada bloco c riasse um samba para 0 desfile, logo veio abaixo: das cinco escolas que sairam no primeiro ano, quatro escolheram a marchinha com o ritmo. D epois do sucesso dos primeiros ano s do Encuca a C uca, surgiu a ideia de fomentar a cria;;:ao musical na c idade, estimulando os composito res a fazerem marchinhas. Foi entao qu e, em janeiro de 1984, aconteceu 01° Festival de Marchinhas C arnavalescas de Sao Luiz. 0 evento foi realizado no Clu be Rec reativo Paraitinga, e teve 25 marchinhas inscritas: 20 ineditas e cinco resgatadas de compositores antigos. o vencedor da primeira edi;;:ao foi 0 musico Galvao Frade, na epoca integrante do grupo Paranga (que, nos primeiros festivais, participou como banda de apoio), com a musica "D'aba Quebrada" em prime iro lugar e "Maria Rita': em segundo. ''A vida e serpentina': composi;;:ao de Elpidio dos Santos, acabou premiad a com a te rceira coloca;;:ao. Era ali 0 inicio do q ue viria a ser uma das maiores tradi;;:oes luizen ses: urn C arnaval apenas com marchinhas de compositores da cidade. o segundo festival foi urn grande sucesso. D essa vez, em 1986, o Carnaval de Paraitinga ja havia instaurado urn novo bloco de sucesso, 0 Juca Te!es, e as marchinhas confi rmaram 0 pape! de destaque. Tanto que a segunda edi;;:ao recebeu cerca de 80 inscri;;:oes, e foi realizada no Clube Impe rial Luizense -- que, na ocasiao, comemorava 25 anos. A m archinha vencedora foi uma parceria de Galvao Frade e Negao dos Santos, entao protagonistas do Paranga: 'Nao fiqu e sO: 0 compositor Pedro Moradei conquistou a segund a coloca;;:ao com 'Granja do Loro' e 'Saud ade da Serra: de Marco Rio Branco, foi a te rceira colocada.
a carnava l de Paraitinga
Em 1987, mais u ma vez, nao houve Festival. 0 evento voltou a ser realizado em 1988, mas foi a partir do ana segu inte que passou a ganhar popularidade. Em 1989, no 4° Festival de Marchinhas C arnavalescas, os organizadores receberam inscri.yoes locais, do Yale e tambem de Sao Paulo. D esde entao, instalou-se na regiao a TV Globo Vale do Paraiba, afiliada da Rede G lobo, que passou a noticiar nao so 0 Carnaval, mas tambem 0 Festival que 0 antecedia. Dai em diante, a s inscri.yoes cresceram, e 0 evento come.you a ganhar a participa.yao de artistas de outros estados. E, a pesar d e buscar valorizar a cultura local, a partir do a na 2000 0 Festiva l de Marchinhas Carnavalescas ganhou ainda mais notoriedade, com a participa.yao de arti stas de ren ome nacional, como os musicos Zeca Baleiro, Yanderl eia, C hico Cesar e Benjamin Taubkin. Na edi.yao 2012, houve a inscri.yao da m u sica 'Pelas Costas', composta por Marcelo Jeneci, Chico Salem, Betao Aguiar e Arnaldo A ntunes. Para os luizenses, 0 mais importante para 0 Festival, alem de estimular novas marchinhas, e a participa.yao p opular, 0 que se torna evidente ao acompanhar os inscritos. Nao ha distin.yao de classe social, profissao ou, principalmente, idade. Na ultima edi.yao, e m 20 14, os vencedores foram os irmaos Camilo e Caio Frade, de, respectivamente, 12 e 17 anos. A marchinha 'D eixa meu bloco passar' foi a vencedora do 29° Festival, e ntre outras 81 musicas inscritas, evidenciando que a arte realmente nao tern idade. Em 20 11 , quando 0 musico Galvao Frade venceu 0 260 Festival com a music a "Maria In es", mas 0 premio popular foi dado a Olga Fontes: aos 86 anos, su biu ao palco do coreto para can tar 'Yovo' e arran car apJausos do publico. Muito pela falta de distin.yao entre as inscri.yoes, mas talvez pela paixao e voca.yao luizense pela musica, 0 potencial artistico da c idade tenha cresci do t anto: hoje, a c idade tern cata logadas mais de 2.000 marchinh as da propria Sao Luiz do Paraitinga.
Ai vovo, ai vovo Cabelos brancos, passos lentos agora Nao tem mais a energia de outrara A vovo jafoi bonita Foi esbelta,Joifaceira Hoje so dona saudade Vem ser sua companheira Ai vovo, ai vovo Cabelos brancos, passos lentos agora Nao tem mais a energia de outrora Dos saloesjafoi rainha Erafa da colombina Danr;ava com 0 pierro e 0 alequim Com fantasia de confete e selpentina Ai vovo, ai vovo Cabelos brancos, passos lentos agora Nao tem mais a energia de outrara" Vovo - Olg a FOlltes (2011)
o Carnava l de Paraitinga
1984 - 10festival 1°: D'aba Quebrada (Ga lvao Frade) 2°: Ma ria Rita (Ga lvao Frade) 3°: A vida e serpentina (Elpidio dos Sa ntos)
1986 - 20festival 1°: Nao fique S6 (Galvao Frade ' Negao dos Sa ntos) 2°: Granja do l oro (Pedro Moradei) 3°; Sa udade da Serra (Marco Rio Branco)
1988 - 30 festival 1°; Glu Glu Glu (Turma do Break) 2°: Vem moreninha bonita menina (Joao Carlos dos Santos) 3°: Buda ou Buda {Paulo (elso Salinas)
1989 - 40festival 1°: A Mascara, voce e eu (Ubirajara Xavier) 2°: IIha da Folia (Jorginho BB' Ga lvao Frade) 3°; Asma de Gato (Jorginho BB)
1990 - So festival
r ; Fada Madrinha (Paulo Cel so Sa linas) 2°: Velhinho da Banda {Waldemir Xavier da ( unha) 3°; ( amaval, etema ilusao (Wa ldemir Xavier da Cunha)
1991 - 60festival 1°; Professor Brahma e ca ch a~a (Zeze Cardoso) 2°: Fantasia de Pirata (luiz Homero) 3°: ( amaval primavera (Ma ria Neide da Cunha)
1992 - 70 festival 1°: Amor de Dentada (Pio Filho' Gustavo Sa linas) 2°: Julieta dos Sertoes (Jose lica ' Benito Campos' Moreira) 3°: Tristeza do Pa lha~o (Wa ldemir Xavier ' Ma rcos Va lerio Camargo)
1993 - 80 festival 1°: Se oce vai eu vo (Paulinho Baroni) 2°; Cinderela (Jose lica ' Roberto Santos) 3°; Urubu Rei (Tarcisio Ferreira' Claudio dos Santos)
1994 - 90 festival
1996 -- 11 0 Festival
1°; Te amo (Jose lica) 2°: Embaralho (Tarcisio Ferreira) 3°: Sa nsao e Dalila (Quade' Roberto Santos I Ricao Moradei)
10 : 0 bicho vai pegar (Pedro Moradei) 2° : Coisas de Camaval (Valeria Ca rini I Alexandre Peixe) 3°: Barzada (Tarcisio do Taxi)
1995 - 10 0 festival
1997 _120 Festival ((lube)
1°; Paz no Camava l (None de Moura) 2°: Ci randa de Casa roes (Pedro Moradei) 3°: S6 foi pena de Galinha (Ditao Virgilio)
1°: Coro de Pal h a~os (Marco Rio Branco) 2°: Quera Minha (Roberto Sa ntos) 3°; Bl o(O da Pinga (lucia' Al exandre Nono I Joao Carlos)
a carnava l de Paraitinga
1997 - 12° festival
( Pra~a )
1°: Mare Alta (Anisio Tatit) 2°: A pra~a e nossa (Afonso Pinto) 3°: Afinal do que estamos falando (Roberto Santos! Stuffa)
1998 - 13 0 festival 1°: Loirinha (Pedro Minga) 2°: Mega festa da colina (Ditao Virgilio / Ana Rosa! Alexandre Peixe) 3°: Desatinada (Raquel Femandes ! Tarcfsio Ferreira)
1999 - 14 ° festival 1°: a Bananeiro (Grupo Chapa Coco) 2°: Amor de Camaval (Alexandre Nono! Lucia) 3°: Manha de Camaval (Ze Freire ! Joao Carlos)
2000 - 1S° festival 1°: a Velho TanTan (Ze Freire) 2°: Drama do Pato com a Flor (Tarcisio Ferreira) 3°: Especial (Alexandre Nono/ Lucia)
2001 . 16 0 festival 1°: Dentro do Sol (Tarcfsio Ferreira / Marco Aurelio) 2°: Estrambelhados (Cesar Nunes / Rafael Cursino! Rodolfo Santana) 3°: Cai na Real (Tarcfsio Ferreira ! Marco Aurelio)
2002 . 17 0 festival 1°: Camadeus (Netto Campos! Benito Campos) 2°: Fuxico Geral (Grupo de Sarau "Sem pe, sem cabe~a") 3°: Nosso Trato (Tarcfsio do Taxi)
2003 . 18 0 festival 1°: a Bumbo do Carone (Ze Freire) 2°: Calibre 22 (Cesar & Cisco) 3°: Um espirito camavalesco (Amari Ida Ribeiro)
2004 - 19 0 festival 1°: Fantasia (Cesar & Cisco) 2°: Esta ~a o Camaval (Portela I Luciano Coca! Claudio Nicolini! Roosevelt) 3°: Canta cata (Gustavo Salinas)
2005 . 20 0 festival 1°: Estrelas na mao (Lucia no Coca! Rogerio I Claudio Nicolini! Portela) 2°: Sao Luiz do Paritinga (Theo ! Tarcfsio Ferreira) 3°: Camaval com Pa ~oca (Jose Lica! Rosemeire)
2006 . 21 0 festival 1°: OJ Pirado (Benito Campos! Ze Freire) 2°: Fantasia (Nene da Viola) 3°: Lagrimas de um Menestrel (Coca! Orika! Leandro / Chico / Nicolini / Portela / Hespanhol ! Vlnicius)
2007 . 22 0 festival 1°: Flor de Primavera (Puru / Germano Drumond! Lu Baleiro ! Chico! Pimental 2°: Nao quero nem saber (Helinho Oindon) 3°: Chego a lenha (Bruno Soares! Zeca Fuma~a)
2008 . 23 0 festival 1°: Alem do Cemiterio (Afonso Pinto / Cesar Augusto) 2°: Cordao do Homerao (Ze Freire) 3°: Cisca Reli (Humberto Martins / Mauricio Novaes)
2009 - 24 0 festival 1°: Galinho Gamise (Puru / Bruno Soares) 2°: Arcofris (Roberto Santos! Patricia! Clara) 3°: Oiz ail (Rodolfo Tomazelli)
2010 . 25 0 festival 1°: Lendas Macabras (Luis Eduardo Godoi! Leandro Barbosa) 2°: Sou Camaval (Galvao Frade) 3°: Namoro Virtual (Hespanhol)
2011 . 260 festival 1°: Maria Ines (Ga lvao Frade) 2°: Aio no Oio (Paulo Padilha) 3°: Because de Voce (Ga lvao Frade)
2012 . 270 festival 1°: Melo da Custureira (Moreno avera / Toto Porqueira) 2°: Vade Retro (Marco Aurelio! Thar) 3°: Bloco do Sape (Alunos do Nlicleo Escolar dos Caetanos! Giovani Santos ! Joao Bosco)
2013 . 280 festival 1°: Em foco na brincadeira (Gustavo Salinas) 2°: Recado ao rio (Maria Silva Coutinho Carvalhal ) 3°: Cores inliteis (Tarcfsio Ferreira)
2014 . 29 0 festival 1°: Oeixa meu blow passa r (Ca io Frade e Camilo Frade) 2°: Cantiga de Encuca r (Gustavo Salinas) 3°: Fevereiro (Ricao Moradei)
o (arnava l de Paraitinga
"0 Festival bota a fogo no Camaval. E um evento que , , . . reune as mUSlCOS seJa pam compor, pam tl"Ocar uma ideia sabre, arranjos, pam ensaiar ... E um intercilmbio de musicas. Tomou-se um evento consolidado . Sempre digo que a premia nao e ganhar a Festival, porque voce epremiado quando, de 80 inscritas, voce vai pamfinal. POI¡que poder participar, subir no cOl¡eto e can tar, au ver alguem defendendo sua musica, vale algum premia. Mas se voce nao ganhar ever que sua mtisica caiu na boca do povo ... isso e a que mais vale" Galviio Frade, 55 mlOs Vell ccdor da plimeira em:~iio do Festiva/ de Marchilllws Carllavalescas
Deixa a coisa rolar nesse (arnaval Pego meu chapeu de aba quebrada Esaio pelo meio do salao Eu quero fantasia, batucada Colombina, serpentina com amor Enrosca no meu peito Epara no meu co ra ~ao, se amarra! Esse ana eu juro, ate de madrugada Carnava[ pra mim e voce ou nada!
O'aba qurirada (Ga/frio Frade) Musico vencedoro do /. Festival de Marchinhas (amavales(Qs, em 1984
a carnava l de Paraitinga
o Festival nao s6 e
Para, para, para, para na contramao Que 0 meu bloco vai passar Estenda a euforia, vista a fanta sia De a mao pra alegria , e va de encontro a folia Deixe se levar pela harmonia, Deixa suar, entre em sintonia Ecante, deixe f10rar sua emo~ao Carnaval com voce, deixa ferver Deixar nascer, a alegria de um foliao Enquanto estou com voce Pulsa 0 meu cora ~a o Vem meu amor, e me de a tua mao __ _
impo1'tante pelo seu valo1' hist6rico e cultuml, eomo ele tem tamanho valo1' na descobe1'ta de novos talentos, p1'incipalmente contel'1'aneos. Como a Ma1'chinha se tornou, nos liltimos anos, 0 1'itmo mais popula1' de Sao Luiz, acaba que ela e tambem a p1'eCU1'som de toda uma gemr;ao inte1'essada em faze1' milsica aqui. Como euja disse, vai muito aIem dessa ideia de competir;ao, e mais um meio de expo1' 0 seu tmbalho, e mostm1' que estamos levando a serio esse papo de p1'ese1'var;ao eultuml. E um o1'gulho imenso tim1' uma cultum de uma cidade tao paeata e unive1'saliza-Ia. E uma 1'esponsabilidade e tanto tambem!"
Deixo meu bIDeD passor ((a;o Frade e (amilo Frade) Musica vencedofo do 29° festivol de MOfchinho5 (omovolescos, em 20 14
Camilo P,-ade, 17 all os Vellcedor da l'i /h"ma edi~{jo do Festiva l de Marchilllws Carllav alescas
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o Carnaval de Para itinga
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Olicial de ju>ti~a e poela, Benedito de Souza Pinto (Dir.) usava 0 pseudonimo de juca Tell's do Sertao das (olias, e promovia evento>e festas pela cidade, como a malha~ao do judas (detalhe) Âť
"Como viver sentindo a passagem do tempo? Do ceu, do purgatorio e do inferno, ninguem escapa. Sabem por que?" Todos os anos, quase 30 mil pessoas enchem a pra<;a e 0 centro histOrico de Sao Luiz apenas a espera do momento triunfal do Carnaval de Paraitinga. 0 grito de "Porque hoje e Carnaval': entalado na garganta de cada foliao, e Iibertado apos 0 discurso de Benito no alto do caminhao. Na pele do mais famoso personagem da cultura de Paraitinga, ele abre oficialmente 0 Juca Teles, urn dos maiores blocos de rua do estado de Sao Paulo. Para a grande maioria, trata-se apenas do bloco que simboliza o dia mais cheio de festa. Para os luizenses, a homenagem a uma figura simb6lica da cidade. Juca Teles do Sertao das Cotias nada mais era do que 0 pseudonimo de Benedito de Souza Pinto, urn oficial de justi<;a e dos maiores artistas de Paraitinga. Nascido em 1888, 'Dito Pinto' percorria a cidade sob 0 pseudonimo de Juca Teles e era tachado por muitos como urn louco. Organizava eventos culturais, confeccionava os bonec6es de Joao Paulino e Maria Angu, Dan<;as do Caiapo, malha<;6es de Judas, promovia brincadeiras com as crian<;as e era urn brilhante poeta, quase sempre com versos improvisados. De cartola, gravata, urn paleto preto, uma camisa branca e
sempre descal<;o ou de tamancos, foi alvo de preconceitos simplesmente por ser artista. Vm artista que, pelo menos ap6s sua morte, em 1962, precisava ser valorizado. Por anos, a pergunta foi uma so: entao por que nao homenagea-lo? Pois bern. A historia do bloco do Juca Teles, na verdade, come<;a a ser contada em maio de 1978 . Naquele ano, surgiu em Sao Luiz 0 jornal Chicote, mensalmente distribuido pelas ruas da cidade. Com urn vies polemico e uma linha ed itorial de criticas a poHtica luizense, era organizado pelos redatores Benito Campos, Marco Rio Branco, Judas Tadeu de Campos, Jose Alfredo Rodrigues, Nilson Lopes Soares, Sergio Moradei e Sebastiao Nascimento. Apesar de Sao Luiz ter um passado com diversas publica<;6es de impren sa, 0 Chicote foi 0 primeiro a ousar-se contra 0 poder publico. o jornal durou pouco -- em dezembro daquele ano, ja estava fora de ci rcula<;ao. No entanto, serviu como precursor para uma nova publica<;ao, ja no tim do ano de 1984.0 Juca Teles, jornal impresso produzido por Benito, Marco e Judas Tadeu, foi criado com 0 intuito simplesmente de dar voz a quem queria mudan<;as na cidade. Feito a base da mimeografagem, 0 Juca Teles tinha sua 'sede' no Sertao das Cotias, e sempre tratava em suas materias sobre "a vizinha Sao Luiz do Paraitinga".
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o Carnava) de Paraitinga
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No mesmo mes de dezembro, em uma conversa informal de bar, surgiu-se a ideia de criar urn bloco para 0 Juca Teles. 0 Carnavalluizense ji tomava seus rumos, e 0 plano era ampliar cada vez mais a festa. Conta Marco Rio Branco, compositor da letra, que,
dois opostos: enquanto 0 sombrio Cuca fazia seu desfile tarde da noite, com folioes mascarados, 0 Juca foi criado para sair no sol do meio dia. As cores e os sons do Juca Teles foram, por muitos anos, a abertura oficial do Carnaval luizense -- somente em 2001
em janeiro de 1985,0 musico Galvao Frade havia levado a historia do bloco a serio, e gravado uma fita cassete com a melodia. Hi dez dias da abertura do Carnaval daquele ano, a composi<;ao foi feita. No Carnaval de Sao Luiz, chegariam as cotias do Sertao. Alguns anos antes, ja havia a ideia de homenagear 0 poeta Juca Teles. No Carnaval de 1983, Benito, ao lado de Nilson Lopes e Cecilia Zanon ji haviam criado quatro pequenos bonecos, como se tornou tradi<;ao em Sao Luiz: os personagens Juca, sua companheira Nha Fabiana, e os amigos Ze Barrica e Nha Fila. A principio, 0 Juca Teles foi criado para fazer urn contra-ponto ao Encuca a Cuca. Nao que houvesse rivalidade, mas eram
o inicio da festa foi antecipada para sexta-feira. As vesperas do Carnaval, 0 jornal 0 Juca Teles convocou os luizenses ("poetas, folioes e delirantes, Evoe") para, literalmente, par 0 bloco na rua. No dia 16 de fevereiro de 1985, 0 bloco saiu em Sao Luiz pela primeira vez. 0 Juca teve identifica<;ao imediata, e, apesar de pequeno, apresentou ao publico a mais sincera representa<;ao do Carnaval: alegria, cares e sorrisos. Na ocasiao, coube ao jornalista Luiz Egypto fazer 0 primeiro discurso oficial do Juca. Em sua edi<;ao posterior ao Carnaval de 1985, 0 jornal 0 Juca Teles ja havia previsto que as palavras de amor nao sairiam tao cedo da boca dos luizenses. "Juca Teles veio para ficar. Quem viver vera!"
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Aos poucos, 0 Juca Teles foi p assando por mudan<;a s, e, CO Ilsequentemente. criando a identidade que 0 tornou tao famoso nos dias de hoje. 0 primeiro veio do proprio Benito. que se propos a incorporar 0 personagem. D e uma maneira m ais adaptada ao C arnaval, com fl o res e chitas. passou a se vestir como 0 hom enageado e, a cada ana ser 0 ce ntro das ate n<;oes no que viria a ser 0 maior bloco d a fest a de Sao Luiz. Todo sabado de Carnaval, pontualm ente as 7h. abre a janela e apresenta- se ao sol. Ja com 0 colorido guarda- sol em maos e a tradicional cartola na cabe<;a. pula do portao de sua casa para 0 vizinho ch afariz Largo d o Theatro, para sau dar os primeiros fo!ioes. Os momentos seguintes sao de caminhadas pel as ruas do centro historico. acordando a todos que. em pleno dia d e Juca Teles. insistem em querer dormir. Como diz Benito. "acorde m . vagabundos! A farra os espera! ': Po ntualmente ao meio-dia. ao lado do di scurso aonde convida os foli<>es para pa rtic ipa rem das fe stividades de Momo.
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Juca Teles tern . por todos os cantos, caracteristicas marcantes. Os tradicionais bonecoes. 0 estandarte abre-alas. 0 m egafone de lata eo guarda-sol. D e traz da Matriz. passando pelo rico patrimonio arquitetonico do Quatro Cantos, do M ercado e da rua Coronel D omingues de Cast ro ate chegar na pra<;a. E. como pedia 0 'Novo Juca' Benito, "que venha agua!": que as aguas das sacadas rega ssem e e nergizassem os folioes de noticias e confusoes. Carnaval apos Carnaval, sao muitos fatores que tornaram o Juca a mais apaixonante manifest a<;ao c ulturalluizen se. Nos dias de hoje, algumas tradi<;oes m udaram, sempre por motivos de for<;a maior. 0 Juca Teles, no entanto, segue como principal carro-chefe de Sao Luiz, abrindo espa<;o para uma terra m agica, com um potencial artistico fo ra do com u m para urn municipio de 10 mil habitantes. 0 Juca e 0 maior simbo lo das festividades de Sao Luiz do Paraitinga. E sabem por que? " Porque hoje e carnaval!"
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JUCA TELES "Tern que gritar, 6 6 Tern que mostrar, 6 6 Tern que cantar, 6 6 Tern que cantar. .. Juca Teles, amora em f10r Boca do povo sao palavras de amor Juca Teles, amora em f10r Boca do povo sao palavras de amor Chegaram as cotias do sertao Trazendo noticias, confusao La n~ando
dardos tanto quanto Carnaval
Eque ninguern se lixe e nem se nem nos leve a mal
66660 e nern nos leve a mal Tern que gritar, 6 6 Tern que mostrar, 6 6 Tern que cantar, 66 Tern que cantar. .."
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o Juea era umafigura que desde menino eu ouvia fala1', morava aqui do outro lado da 1'ua. Houve uma identifiear;[l0 muito grande da cidade para eom 0 bloeo, pOl'que 1'esgatamos a eultlll"a dele, a impo1'tiincia. Ele m01'reu em 62 de forma desonrada, afami/ia tinha um poueo de vergonha. 1sso pOl'que ele eriou 0 pe1'sonagem, saia na 1'ua e diziam que ele era louco. Mas, na verdade, era uma figura impa1'. Erafesteiro, pensava muito nas erianr;as. Um verdadeiro poeta. Dar vida ao Juca Teles eom essa homenagem e uma hom'a, pOl'que nos ajudamos a I'esgatal' um poueo de um grande pe1'sonagem"
Como 0 Carnaval estava fOl'talecido, 0 Benito e 0 Marco decidiramfazer um bloco meio dia, pOl'que tudo acontecia a noite. E decidiram homenageal' o Juca Teles, plincipalmente para as elianqas poderem bl'inca1' tambem. Mas a gente aehava estranho, sera que um bloco meio dia ia dar cel'to? Lembro do Benito montando os bonecos, mas como a gente , , .mexe so com mllSlCCl, nao
pa1'ticipava muito. Um dia 0 Marco comentou comigo que ia compoI' a letra e se eu nao queria faze1' a mlLSica. Falei que ia tental' e acabou saindo. S6 que ele ainda nao tinha feito a letra, e eu entl'eguei a melodia antes. Foi um sucesso desde o comeqa, e aos poucos foi se tornando gigantesco. Mesmo com a letra mais complicada de decoral', a gente pe1'cebia que as pessoas ficavam encantadas com ele.Ate hoje oJuca eum dos nossos grandes o1'glllhos"
o Carnaval de Paraitinga
,,,,,.
viver
a 40 teJdPo?
N6s tinhamos 0 j ornal Juca Teles, e ai deram a ideia de fa ze I' um bloco . A pl'incipio, cial'o, achei que estavam loucos. Foi em janeiro que 0 Galvao me /7'01lXe a melodia, eujiquei ouvindo e trabalhei em • • • clma para Sail' a musICa . Que, se voce tiral' dela 0 lado do Cama val, voce vai vel' que Ii a le/1'a mais p olitizada de lodas, com as conotaqoes ideol6gicas. o Juca, na vel'dade, era um co ntraponto do Encuca a Cuca, que saia 23h. Durante 0 dia nao tinha nada na cidade, entao a ideia era cl'ial' lim bloco p ara a abel'tura das f estividades. Co m 0 tempo ele f oi se estl'uturando, mas no co me\o era tudo muito impl'ovisado. E acho que ai que eslci o encantamenlo da histaria" •
sao Lli.1s ~o Partlith1gtl SP
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C aarlZ
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a carnava l de Paraitinga 7 Rogerio Marq ue,
Diwlg.a<;io /
Prefe~U/.
de sao luiz do P... ili "9~
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Blocos do atual Carnavalluizense
f" f
Bloco Rei (ana rio
mostrar (6 6) /Tem que cantar (6 6) I Tem que cantar. . . Juca Teles,
Fantasia: Traje de futebol Letra: Galvao Frade (2008)
amora em flor / Boca do povo sao palavras amor"
"0 escrete canarinho demonstrou / Que ah~m da ra~a, s6 toque de primeira / Correu 0 campo inteiro e fez 0 gol / Levantou a massa, que cantou a noite inteira! 0 meu co ra ~ao ja saiu quase pra fora / Nao da mais, nao aguenta mais, nao aguenta mais! Oh! Canarinho (6 6 6) / Honra a verdeamarela / Que estarei com voce! Enosso time de aura I Tem passado e tem hist6ria (ole, ole, ole) I Sou canario ate morrer (ole, ole, ole) / Canario! Canario! Oh, Rei Canario!"
Bloco da Saude
Bloco do Len~olll Fantasia: len~ol Letra: Galvao Frade eTimel (1983) "Olha s6 pessoa l quem chegou / E0 Bloco do Len~o I Sem Colombina e Pierrot! Nesse bloco nao precisa fantasia / Apenas um l en~o[ I Ele antecede a nossa folia I Que e 0 Carnaval (66)"
Bloco do Lobisomem Fantasia: Cachorro Louco' Letra: Galvao Frade (200 1) "Disse que era 0 'tar de Lobisome'l Esse bicho ataca, esse bicho mata, esse bicho come / Em noite de lua cheia I Equ e a coisa fica feia I Quem sai uivando assim / Uh! Uh! Uh! Uh! Uh! Uh! Uh! Passou a noite no chiqueiro I Oepois foi pro galinheiro I No quintal do Seo Joaquim I Foi ele, foi ele sim I Foi ele que contou pra mim!"
Fantasia: Jaleco Branco Letra: Marquinho Santa Casa (2002) "Na sau de e tra d i ~ao / De bra ~o aberto pro povao / Tem hist6ria pra contar! Com muita seriedade I Etambem dedica ~ao I Gente pronta pra ajudar! Seja um amigo bom / Cuide da popula~ao I Se qui ser colaborar I Basta ter di spos i ~ao / Doe sangue, meu irmao I Emuita vida ira sa lvar"
Bloco Bicho de Pe Fantasia: Livre Letra: Galvao Frade (2000) "Eu peguei no mato I Nao e carrapato / 0 que sera que e? Larga do meu pe, larga do meu pe / Mas esse tal de bicho co~a I Co~a e como co~a, co~a, seu Ze I Que nem bicho de pel Nao vem que nao tem I Nao vem I Bicho de pe de Catu~aba / Ea galera gostou I Ea galera co~o u, co~ou, co ~ou / Bi cho de pe de Catu~aba!"
Bloco Etesao Fantasia: Traje Espacial Letra: Galvao Frade I Ju Francisco I Ze Freire (2001) "0 ET voltou s6 porque voce gostou I Ecom certeza voce tambem I 0 ET voltou s6 porque gostou I Eesse ana ele vai alem! Acompanhando essa nossa folia I Em Sao luiz vamos pular I Afinal, sao poucos dias l Eo Etesao vamos chamar I Vamo'ET, Vamo'ET, Vamo'ET!"
Bloco Juca Teles Fantasia: Cartolas, retalhos e chitas Musica: Galvao Frade Letra: Marco Rio Branco (1985) "Chegaram as cotias do Sertao / Trazendo noticias, confusao I lan ~ando dardos tanto quanto 0 Carnavall Eque ninguem se lixe / Nem se ... Nem nos leve a mal (6 6 6 6 6) I E nem nos leve a mal! Tem que gritar (6 6) ITem que
Bloco Bebebum Fantasia: Fralda e chupeta Letra: Galvao Frade I Gui Salinas I Tarcfsio Ferreira (1997) "Mamae eu quero I Me da, me da, me da I A mamadeira / Me da, me da, me da I A mamadeira! Vou sairde bebezinho / Andar de carrinho / Com uma baM I Quadro dias de folia / De bebedoria I De gugu-dada I Mamae eu quero beber!"
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810co do (aipira Fantasia: Traje caipira Letra: Pedro Moradei (1995) "Boto 0 pe na bota I Eyou pra ddade I No (amavar I Vou extrapolar, porque e feriado I Decreto Nadonal! I A rua ta infestada I De aregria e de paixao I Eu largo da minha ro ~a I Mas 0 meu broto eu nao esque~o nao! La lara raia I La lala raia !"
810co Maria Gasolina Fantasia: livre Letra: Chico Catu~aba (2004) "Qua ndo era esta em casa I Descansando, ou fazendo uma faxina I Deixa tudo e corre pra esquina I Maria Gasolina, Maria Gasolina ITeu apelido e Maria Gasolina! Ate mesmo quando estii no banheiro I Tomando banho, perfumando 0 corpo inteiro I De repente, ela ouve buzina I Ja pen sa que e pra ela I 5e enrola na toarha e corre pra janela! A noite elaja estii acompanhada I Ele tem um ca rro e ela foi pro escurinho I Todos comentam: Maria vai amar I Equase madrugada, ela nada de voftar! N'outro dia, a Maria esta cansada I No rola e rola, a Maria amanheceu I Mas se de novo, ao ouvir uma buzina IVolta pra esquina, ela e Maria Gasolina!"
810co do Saci Fantasia: Sad Letra: Ricao Moradei I Zizi I Ditao Virgilio I Marquinho Santa Casa (2002) "Pula de la, pula de ca, pula dali I Quem vem chegando, e 0 Bloca do Sad I (6 6 6) 0 Sad chegou! I (6 6 6) 0 Sad chegou! No Bloco do Sad I Eassim que a gente faz I Dii um pulo pra frente, e outro pra tras! Vem Sad de longe IVem Sad de todo lade I Nesse Carnaval, todo mundo ensadzado! 1(666) 0 Sad chegou! I (66 6) 0 Sad chegou!"
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Bloco Cruis Credo Fantasia: Do alem Letra: Tarcisio Ferreira / Galvao Frade (1997) "Cruis Credo / Sartei de banda /Vi rou fei ti~o, nunca vi coisa igual / Cruis Credo / Sartei de banda /Virou feit i ~o, nunca vi coisa igual / Eu quase caf da cama / levei urn susto / E gritei no Camaval! Le Ie Ie 6/0 bloco do Cruis Credo chegou! Na madrugada / Eu YO U sair, YO U por af, YOU me enca ntar / Se eu travar na encruzilhada / Na reza braba e no Cruis Credo eu chego la!"
Bloco do Caete Fanstasia: Folha de caete Letra: Pedro Moradei / Ditao Virgilio (1999) "Mulherada palha milho / N6s vamos fazer pamonha / De uma raladinha / Mas 0 seu dedo nao ponha! Rala, rala, rala /Voce vai ralar sem medo / Raja, rala, rala / Rala ate a ponda do dedo! Quero vervoce embrulhada / Na folha de caete / Eu quero ficar grudado / Na cintura de mece / Rala, rala, rala!"
Bloco do Casarao Fantasia: livre Letra: Antonio luiz Portela / Luciano Coca / Claud io Nicolini / Reginaldo Paulini (2002) "Sal do bar do Seo Elias / Eentrei no Casarao / l a eu avistei urn bicho / Que me deixou doidao! Esse bicho e tinhoso / Esse bicho e bern bolado / Ena mare desse bloco / Nao da pra ficar parado! Saia na janela, quero ver / Que bloco enrolado / Dizem que vern na contramao / Viagem, e 0 Casarao! Uh uh uh uh uh / Ai que medo que eu tenho / Uh uh uh uh / De entrar no Casarao!"
Bloco Espanta Vaca Bloco do Urubu Fantasia: Roupa preta Letra: Luiz Homero (1983) "Quem e? Quem e? / ~ uma ave, Encuca a Cuca / Usada por Noe! Ave preta que e nfe iti ~a / Gosta muito de ca mi ~a /0 seu feiti~o e muito especial! Essa ave carniceira / Da de bando na sujeira / Etambem da no nosso Carnaval/ Quem e? Quem e?"
Fantasia: Jard ineira vermelha Letra: Galvao Frade / Paulinho Baron / Amarildo Ribeiro (1996) "~ h / Mamar na vaca voce quer / Quem que nao quer? / ~h eh eh /
Ma mar no boi voce nao quer / Quem e que quer? Deixa de moleza / Eengravata 0 no/Vern a jardineira Espanta Vaca! Eu nao t6 s6 (i6 i6 i6 i6) / Eu nao to so 06 i6 i6 i6) / Zona do Agriao!"
Bloco Bico do Corvo Bloco da Pipoca Fantasia: Pipoqueiro Letra: Gustavo Sa linas ITarcfsio Ferreira (1992) "Eu quero ver voce / Pu pu pu pu pu pu pular / Eu quero ver voce / Pu pu pu pu pu pu pular / Feito pipoca que nao para, piruii! Quero ver tambem / Botar 0 sal pra temperar / Erodar, e rodar / Nao parar mais de pular!"
Fantasia: No Bico do Corvo Letra: Galvao Frade (2001) "Mas 0 que e que vao dizer la em casal / Que eu t6 no bico do corvo / Que eu to no bico do corvo! No bico da cegonha eu vim / Dormindo num sonho profundo / No bico do corvo agora eu YOU / Direto pro outro mundo! Ate no alem / Carrego voce comigo / Ate no alem / Carrego voce comigo / Mas 0 que e que vao dizer Iii em casal"
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Bloco do Balacobaco
Bloco Pe na (ova
Fantasia: Traje de campo Letra: Marco Rio Branco (2002)
Fantasia: Traje macabro Letra: Afonso Pinto I idalfcio Santos (1993)
"Ninguem e de ninguem I Mas todo mundo I ~ de todo mundo I No Carnaval! I Ninguem e de ninguem I Mas todo mundo I ~ de todo mundo I No Carnaval! ~ do Balacobaco I baco, baco, baco I Baco, baco, baco I Baco, baco, baco I Do balacobaco!"
"Entre nesse bloco amigo IVem pular junto comigo I Entre que 0 negocio e serio I ~ transa de cemiterio! Entre nessa onda I Essa moda e nova I A mo~ada toda, submete it prova I Feito alucinado I Com 0 Pe na Cova! Puxa, puxa, puxa I Que puxando estica I Puxa, puxa, puxa I Que puxando estica I Essa gente boa veio do Bentica!"
"Eu ticava olhando durante 0 Carnaval e dava para perceber os namoros, mas, principalmente, os ficantes. As pessoas estavam juntas hoje, mas amanha ja estava com outro. A troca de casais acontecia muito, e af comecei a elaborar esse negocio de ninguem e de ninguem mas todo mundo e de todo mundo. Segura mente tiz umas oito letras para chegar a quatro linhas, e veio uma palavra que nao tern tradu~ao. Balacobaco nao e uma expressao de urn lugar unico ou de uma regiao, que todo mundo fala. Etern muito tambem urn pouco da musica da ro~a , do pessoal da zona rural, e a letra baseada no urbano"
Marco Rio Bronco
Bloco da Maricota Fantasia: Latinhas Letra: Galvao Frade (1987) "Maricota me chamou I Ea rainha saiu pra janela I Convidou 0 povo inteiro da cidade I Que e pra todo mundo ir no rastro dela! Pr'essa lagoa eu vou correndo pra pescar I Pr'essa lagoa eu vou correndo pra pescar I Vou dar banho na minhoca I Eu nao sei que peixe dii I Embodocou a minha vara, Maricota I Veja que tamanho tii! Ea Maricota c'a direita I Ea Maricota c'a canhota I Embodocou a minha vara, Maricota I Veja que tamanho ta"
"Nos estiivamos assistindo a uma partida de futebol ali no campo e eu sempre ouvia a turma gritar e xingar urn tal de Pe na Cova. 'Vai Pe na Cova, toca essa bola Pe na Cova: Eeu pensava, serii que ele e feio? Por que urn apelido desses? Born, af acabou 0 jogo e eu fui no bar perto do campo. Estive com 0 Idalfcio [Santos] enos dois come~amos a conversar a respeito disso, e acabamos escrevendo. Depois eu pus a musica por cima, e transformamos 0 Pe na Cova, com os bonecos, no Carnaval. E ate hoje nao sei porque 0 Joao Pe na Cova tern esse apelido. Mas o bloco estii ai"
Afonso Pinto
"Todo mundo acha que que a Maricota foi criada em Sao Luiz, mas na verdade veio la de Brasilia. 0 Tarcisio [Ferreira, compositor] estava morando Iii e a gente foi visitar. Eu fui passear, encontrei uma lagoa e comecei a compor. A ideia era u~r urn ritmo que sal urn pouco da marchinha tradicional, que usam muito em congada. Quis fazer urn bloco que tivesse esse mesmo ritmo, e que fechasse 0 Carnaval, fosse de madrugada. Eu saia com a sanfona, puxando 0 bloco, e as pessoas pegavam as latinhas vazias no chao e iam batendo, logo virou sucesso. 0 problema e que foi virando bagun~a, come~ou a ter muita gente e ninguem escutava, af perdeu a essencia. Pensando nisso, la pra 1994 consegui colocar o bloco no domingo a tarde, e ai ele explodiu. Hoje e sucesso total"
Goilloo Frode
o (arnava l de Paraitinga
o Barbosa odiava 0 Carnaval. Sel'io. Em um motol'ista de vida sacrijicada, eu em chefe dele na Atldntida. N6s fomos fazer um evento no Sesc Santo Amaro, em Sao Paulo, e ficamos um meso Era um trabalho, uma correl'ia, pam ganhar dinheil'O. Quando voltamos pam Sao Luiz, ficamos animados, loucos pam bl'incar 0 Carnaval de verdade. Eo Barbosa era 0 motorista que nos tl'Ouxe. Mal humomdo, enchia 0 saco,freava, reclamava ... E ai comeqamos a pensar na musica, e acabou saindo. 0 legal e que uns cinco anos depois ele veio momr de vez em Sao Luiz, e come90u a sail' no bloco, realmente gostou da homenagem. Hoje ele se empolga dumnte 0 Carnaval. POI' aqui, tudo e motivo de festa" Be1lito Campos
Bloco do Barbosa Fantasia: Motorista de oni bus Letra: 'Os Quadrilhas da F uma~a' (1999) "00 Barbosa 1Essa curva e perigosa 1 Siga em frente nessa linha 1Que eu you contar pra tia Rosa! 00 Barbosa 1 Ai que dor no co ra~ao 10 (I Barbosa 1Mete 0 pe nesse bondao! 1 (One, Two, Three, Four!)"
» 0 motorista Benedito Barbosa foi a grande inspira~ao para a cria~ao de urn dos principais blows do (amayal de Sao luiz
Quando teve esse evento em Sao Paulo, 0 Barbosa em 0 nosso motol'ista na volta. E ele em carmncudo,fechado, nao dava nem bom dia direito. Ja em Carnaval, enta~ a gente veio animado, tocando e cantando. E • • az• come90u a mUSlCa ... Cada umfoifalando uma frase , e ficou com varios compositores. Chegamos em Sao Luiz e logo virou um sucesso, pOl'que a mlLSica pegafacil e tem uma coreogmfia. Uns tres anos depois ele [Barbosa] foi na prefeitum pedindo um oficio pam a empresa libemr ele no dia do bloco. Ele ficou encantado quando saiu. H oje ele e um cam super alegre, ate come90u a cantar no bloco, vil'OU • um pops tar no Carnaval. E a pT'ova de que a mlisica e tmnsfoT'madom" Ga/v il o Fmde
a carnava l de Paraitinga
J<'II)'
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o Carnaval de Para itinga
o (arnava l de Paraitinga o
A enorme popularidade do Carnaval de Sao Luiz do Paraitinga logo come~ou a desencadear problemas e mostrar as primeiros transtornos que poderiam ocorrer na cidade, principalmente no inicio dos anos 90. Especialmente com a im plant a~ao da TV Globo Vale do Paraiba, no fim dos anos 80, e com a crescimento de blocos
A festa continuou recebendo mais folioes, cada vez mais, espe-
populares, como a Encuca a Cuca e 0 Juca Teles, a fes ta luizen se teve em 1995 a primeira mostra de que teria alguma resistencia. Naquele ana, 0 tradicional Encuca a Cuca fez sua ultima par-
cialmente pelo sucesso do Festival de Marchinhas e pelas apari~oes na televisao. No inicio dos anos 2000, houve urn decreta para que o Carnaval, oficialmente, so tocasse as marchinhas da cidade. Para fortal ecer 0 vinculo dos folioes com as musicas luizense, foi lan~ado em 2004 0 'De Bloco em Blocd, C D com as marchinhas dos principais blocos de Sao Luiz: Balacobaco, Barbosa, Bico do Corvo, Caipira, Espanta Vaca, Juca Teles, Maricota, Pe na Cava e outras 12 can-
ti c i pa~ao
no Carnaval. Isso porque a mimero de fo lioes cresceu desenfreadamente, e a cidade ja nao tinha cond i ~oes de comportar tantos adeptos no bloco noturno. Os fundadores ate tentaram organizar 0 bloco, mas nao houve jeito: a Encuca, bloco mais tra-
~oes
dicional da retomada do Carnaval, foi a primeiro a nao resistir it passagem do tempo.
menta desenfreado da festa. Afinal, a turista que qui sesse ouvir samba, axe au funk nao tinha lugar. Precisava se acostumar com as marchinhas. E ponto final. Ao mesmo tempo, outro ponto que contribuiu para a alta das marchinhas luizenses foi a popularidade da Banda Estrambelhados, for mada em 2003 e em evidencia cada vez maior desde entao. Com parti cipa~oes no Circuito cultural Paulista e show par todo a Estado, disseminando a cultura de Paraitinga e suas famosas marchinha, os Estrambelhados afirmam publicamente sua influencia no Paranga, em Elpidio dos Santos e na Corpora~ao Musical Sao Luiz de Tolosa. Com a introdu~ao de outros ritmos para formar a inconfundivel som estrambelhado, a banda abusa das ch itas e retalhos para dar ao publico a impressao de que, onde quer que estejam , Sao Luiz esta ali. E a fomenta~ao do Carnavalluizense, espalhada pelos Estrambelhados por todo 0 estado de Sao Paulo, certamente teve ponto fundamental nessa historia,
JerI)' Rodrigue.
foram gravadas aos turistas, para que decorassem as ritmos. Galvao Frade, responsavel pelo CD e urn dos principais compositores de marchinhas de Sao Luiz, diz com convic~ao que a produ~ao do 'De Bloco em Bloco' foi fund amental para 0 cresci-
convidando mais e mais foli oes para a terra das marchin has. o crescimento foi tao grande e fora do comum que problemas estruturais co me~aram a aparecer. Sem espa~o para tanta gente, muitos folioes passaram a dormir na rua, e a falta de agua se lornou fr equente. 0 baixo numero de banheiros publicos e a grande volume de lixo produzido tambem se tornaram grandes obstaculos da o rgan iza~ao do Carnavalluizense, que viu cerca de 200 mil pessoas passarem pela festa em 2009 -- a maior expectativa de publico ja registrada em Sao Lu iz do Paraitinga.
a carnava l de Paraitinga
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A for<;a do Paraitinga eo (arnaval amoda antiga Nas uhimas noites de dezembro de 2009, 0 estado d e Sao Paulo registrou fo rtes chuvas. No Vale do Paraiba, as c id ades d e Guaratingueta e U batuba sofreram com en chentes e deslizam entos entre novembro e dezembro. Em Sao Lu iz do Paraitinga,o mes de dezembro registrou, ape nas em seus tres primeiros dias,o esperado para qual quer mes inteiro no ver ao. 0 nive! do rio Paraitinga ficou d ois metros a cima do nor m al, alcans:ando as ruas mais baixas. Nada, no entanto, que se aproximasse do que viria a acontecer na virada do ano. A madrugada do dia 3 1 de dezembro para 0 dia 1° de janeiro continuo u com forte chuva, e assustou alguns moradores. No distrito de Catus:aba, a agua ja tinha a1cans:ado as ruas. Na primeira manha do ana d e 20 10, 0 rio ja estava a 3,5 metros acima de seu nive! normal: 1.000 moradores precisaram de ixar suas casas, com a c idade ja sem servis:os de agua e te!efone. A noite, a prefeitura decretou estado de calamidade publica. Aos pou cos, a cidade fo i engolida pe!a for s:a do rio Paraitinga oCer ca d e nove mil pessoas deixaram suas casas, 80% d a a rea hist6rica foi danificada, os danos pe!a chuva supe raram os R$ 50 milhoes e, ate a Ig rej a Matriz, prin cipal simbolo arquitetonico tombado da ci dade, foi ao chao. Sao Luiz viveu os pi ores dias de sua hist6 ria.
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H a quanta tempo que eu niio vej o a solllascel' E chuva todo dia, tempoml a toda hom ... Eo nosso rio, que niio pam de enchel', Ja levou na C01Te nteza, a minha viola!" S6chol' (Ga/nio Frade, 2008)
o Carnaval de Paraitinga
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Ficou evidente que a cidade nao tinha condi<;oes de receber o Carnaval. No ana anterior, a festa havia recebido seu maior publico estimado, e, naqueles primeiros dias de 2010, s6 haviam escombros da cidade que respirava marchinha. Depois de quase tn::s decadas, Sao Lu iz do Paraitinga pela primeira vez nao receberia folioes durante aqueles cinco dias especiais. Essa, ao m enos, era a programa<;ao. Era natural que a cidade nao se envolvesse com 0 Carnaval neste ano. Apesar da limpeza e da retomada de alguns dos pontos comerciais, a estrutura geral continuava muito danificada. Mas, se alga ajudaria Sao Luiz a passar por seus piores momentos, ser ia 0 espir ito festivo e musical. Na sexta-feira, 12 de fevereiro, 0 Bloco do LeniTol saiu pelas ruas da cidade. Em percurso alternativo e reunindo foHoes su rpresos, fo i 0 primeiro sinal de que, em hipotese alguma, 0 Carnaval morrera. em Sao Luiz do Paraitinga.
Eis que, no sabado de C arnaval, 0 sol acordou brilhando. Como nos dias tradicionais de festa e diferente do primeiro dia do ano. Ao m eio dia em ponto, 0 Largo do Rosario reuniu foHoes da cidade para seu principal bloco. 0 Juca Teles reuniu os proprios lu izenses por um caminho diferente, passando por diversas ruas, e comemorando urn verdadeiro Carnaval a moda antiga. Pela rua do Carvalho, em direiTao ao Benfica, com aguas das sacadas e a participaiTao dos proprios moradores fez com que muita gente voltasse no tempo, e visse naquele desfile urn pouco da retomada do C arnaval de Paraitinga. Com os musicos no chao, cerca de 500 pessoas sairam no bloco. Urn pouco d ifere nte dos cerca de 30 mil do ano anterior. Mas, ao menos para os p roprios luizenses, foi a esperaniTa de dias melhores e a certeza de que 0 Carnaval, mesmo que tornado por turistas nos anos passados, nu nca deixaria de ser 0 maior patrimonio da cidade.
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Carnaval foi urn sucesso. 0 'Carnaval d a Recons-
voltaria a ser realizado normalmente em Sao Luiz do Paraitinga. A par tir de 2011, porem, haveriam duas grandes novidades. Pri-
tru<;ao', aberto oficialmente no dia 12 de mar<;o pelo bloco do Rei Canario, recebeu mais de 120 mil folioes no total. No sabado, dia
meiro, para nao prejudicar a estrutu r a dos casaroes danificados, os blocos nao passariam mais pelo centro historico. Agora, 0 cami-
de Juca Te1es, a cidade teve urn tradicional dia de festa: com muitas chitas, flores, marchinhas, e, dessa vez, com gritos de "Sao Luiz vol-
nhao sairia da pra<;a Oswaldo Cruz em dire<;ao a saida da cidade, passando pela ponte a virando a esquerda no posto de gasoHna. Eles passariam, pela primeira vez, na recem-construida via de aces-
tou" sendo entoados a cada esquina.
so Joao Roman, justamente as margens do Paraitinga, terminando o trajeto na rodoviaria. A segunda mudan<;a foi uma tentativa de descentraHzar a festa. A propria rodoviaria foi reconstruida, e 0 local recebeu, alem de um novo asfalto, urn palco. A pra<;a de eventos p assou a receber shows e apresenta<;oes musicais, evitando que toda a concentra<;ao de foHoes ficasse na pra<;a principal e no centro, e auxiliando a fomentar 0 comercio em diferentes regioes.
Nos anos seguintes, a festa continuou como se nao tivesse sido interrompida durante urn ano para os turistas. Em 2014, 0 Carnaval 'chuva de Confetes' teve 25 blocos e 12 apresenta<;oes musicais. Com urn investimento de R$ 800 mil do poder publico, foram cerca de 180 mil turistas na cidade. Com folioes do Vale do Paraiba, d e diversos estados do Brasil e tambem do exterior, houve urn retorno de quase R$ 15 milhoes. E mais urn ano de contirma<;ao de que Sao Luiz do Paraitinga realmente havia 'voltadO: e para ticar. Seja em 1981 ou em 2014, ao tim dos cinco dias de festa, a cidade que respira Carnaval deixa no ar 0 convite: ano que vern tern mais, e todo foliao e bern vindo.
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Sao Luiz e uma das poucas cidades antigas de Sao Paulo que possui documenta~oes desde seus primeiros anos -- a povoa~ao e datada de 1796. 0 municipio tambem tern uma forte rela~ao com a imprensa, tendo diversos veiculos em sua historia. Em novembro de 1846,0 padre Doutor Joaquim Domingues de Lameda fundou 0 primeiro jornalluizense, sem registros de nome e com poucos detalhes. 0 primeiro vefculo de impren sa comprovado em Sao Luiz foi 0 jornal 0 Parahytinga, em 1874. D e la para ca, foram pelo menos 15 jornais diferentes -- com destaque para o Luizense, que circulou de 1903 a 1926. Essas publica~oes, no entanto, raramente detalham algum tipo de festa popular ou manifesta~6es culturais pela cidade. o proprio 0 Lu izense e t am bern 0 A Verdade, no inicio do seculo xx, r etrataram algumas apari~oes do Carnaval de rua, mas seus maiores destaques foi para algumas c ritica s que a fest a recebeu. A imprensa, no e ntanto, teve grande participa~ao na forma~ao e no crescimento do Carnaval luizense. Em urn primeiro momento, d e maneira inconsciente. A ed i~ao do telejornal Jornal Hoje, da Rede Globo de Comunica~ao, em 19 de fevereiro de 1980, apresentou uma reportagem que e co nsiderada por muitos como 0 'pontape incial' para a retomada das festividades em Sao Luiz. A reporter Maria Christina Pinheiro foi ate Paraitinga para con tar a historia da cidade que nao brincava 0 Carnaval. A chamada da materia, feita pelo apresentador Wellington de Oliveira, era bern clara. "Ha 60 anos que os 12 mil habitantes de Sao Luiz do Paraitinga, a 170 quilometros de Sao Paulo, nao brincam 0 Carnaval". Maria Christina, entao, apresenta a passagem, resumindo de forma superficial a historia da 'proibi\=ao' catolica. "A historia come~a em 1920, quando chegou aqui urn padre italiano, Monsenhor Ignacio Gioia, que achava que 0 Carnaval era coisa do dem6nio': foram as lmicas palavras da reportagem em que a TV Globo tentava explicar 0 motivo da ausencia da festa por tantos anos.
Na sequencia, 0 entrevistado Judas Tadeu de Campos, identificado como morador da cidade, e Luis Salinas, ex-presidente do Clube Imperial Luizense, refor~am que nao ha Carnaval. A reporter questiona sobre a en chente de 1967, que aconteceu durante 0 Carnaval, e supostamente teria sido creditada aos castigos abordados pelo Monsenhor Gioia. "Nao, nao. Que ele falou isso nao consta. Houve enchente, nesse Carnaval, nessa epoca .. . Depois de muitos anos, veio justamente na epoca do Carnaval': explicou Luis Salinas, responsavel pelo clube no ana de 67. A reporter ai nda entre vista Jose Lemes, cred itado como diretor da escola Vaga lum es do Morro, e t ermi n a a materia afirmando que " no ana que vern, to do mundo acredita que 0 Carnaval vai sai r." Para muitos, a reportagem exibida pela TV Globo serviu como empurrao. A c idade ja havia tido algumas iniciativas para promover a volta do carnaval as ruas e aos sal6es, mas a materia sobre a opressao da Igreja contra a festa deixou moradores ressentidos -- que apontaram que 0 Jornal abusou de estereotipos e, de certa forma, teria 'ridicularizado' a cidade. Em entrevista publicada na tese de mestrado 'Do rabo e chi fre as march in has: da jornalista Stela Guimaraes de Moraes n a USP (Universidade d e Sao Paulo), em 2010, Maria Christina Pinheiro, que na epoca d a veicula~ao da materia atuava como reporter da su cursal paulista da Rede G lobo, afirmou que pautas ' inusitadas' eram procuradas. "Nos nos viravamos em busca de pautas. lamo s muito ao interior do est ado naquele tempo e 0 noticiario internacional tambem era bastante privilegiado na cobertura, por causa da cen sura aos assuntos n acionais", afirmou. Conta Galvao Frade, a epoca urn dos integrantes do grupo Paranga, que a reportagem serviu como animo para que 0 Carnaval voltasse a tona. E assim foi. A cidade que nao brincava 0 Carnaval, em poucos anos teria uma das maiores festas do pais.
o (arnava l de Paraitinga
A cobertura das festividades de momo Foi no in icio dos anos 90 que Carnavalluizense come«;ou a d ar seus primeiros sinais de que seria urna festa que ultrapassaria fronteiras. Os foHoes rnais antigos da cidade colocarn urn fator como um dos grandes responsaveis pelo crescimento do evento: a fo r«;a da tclev isao. Em 1988, a Rede Globo fundou, em Sao Jose dos Campos, a afiliada TV Globo Vale do Paraiba -- que anos depois passaria a assu mir a marca de TV Vanguarda. Com cobertura estritamente do Vale do Paraiba, 0 Carnaval de Sao Luiz do Paraitinga, que cresc ia a cada ano, passou a ent rar no calendario de reportagens da em issora. Foi a partir das transmissoes da Globo que a festa come«;ou a receber em maior escala folioes de outras cidades. Antes, a cobertura principal era fe ita pelo Valeparaibano, principal ;ornal impresso da regiao, fundado em 1952. Desde os primeiros anos d a festa, 0 impresso dedicou-se a not iciar os eventos e tambem alos posteriores -- principalmente as repercussoes sobre 0 Carnaval. Jornais impressos de grande porte, como o Estado de S. Paulo e a Folha de S. Paulo, se resum iam a poucas not as. 0 Estado, que leve como reporter 0 luizense Judas Tadeu de Campos, chegou a noticiar a retomada do Carnaval. Muita coisa mudou nos anos 2000. Com a festa popularizada e recebendo cerca de 100 mil pessoas por ano, os veiculos come«;aram a dcstacar 0 evento -- principalrnente a partir de 2004, quando os ritmos que nao fo sse m a marchinha foram oficialmente proibidos na cidade. Em 2008, 0 Carnavalluizense chegou as paginas do americano The New York Times, urn dos principais jornais do mundo. A reportagem , com 0 titulo 'Carnaval on a Smaller Stage: destacava cinco alternativas de carnavais de rua do Brasil, longe dos mais famosos destinos: Rio de Janeiro. Salvador e Recife. Ao lado da ilha de Morro de Sao Paulo (Bahia), Laguna (Santa Catarina), Duro Preto e Diamantina (Minas Gerais), 0 Carnaval de sao Luiz de Paraitinga fOi citado como um dos melhores carnavais de rua a moda antiga. A materia explkava que a proibi«;ao de ritmos como 0 samba e 0 axe, e falava sobre as marchinhas locais e trajes especificos de blocos.
(arnaval on a Smaller Stage uta pequena cidade do interior de Sao Paulo fica a 115 milhas (183 km) da capital e a apenas30 milhas (60,1 km) da popular praia de Ubatuba. Acidade nao teve (amaval por um periodo de 60 anos, que come~ou nos anos 20, quando urn padre italiano cancelou a festa baseado em razces morais. Mas 0 (amaval voltou a acontecer em 1981, e atualmente, a cidade econhecida por ter mais uma das festas de rua mais retr6s do pals. As fantasias usadas pelos blows sao parecidas com as usadas nas festas que acontecem no pais, com temas espedficos para cada bloco, que neste ano incluem de bebes a motoristas de 6nibus. Os visitantes podem se hospedar em uma das pousadas da cidade ou a sua volta (fa~a reservas com pelo menos cinco ou seis meses de antecedencia), ou alugue a casa de um dos residentes que deixa a cidade no periodo. Para mais informa~Oes (apenas em portugues; clique em pousadas para hospedagem), visite www.saoluizdoparaitinga.sp.gov.br.
"'e New York Times -27101/2008
Deu no New York Tim es Eu quase nc'io consegui IeI' Era tudo americano Actually prohibits more modern Rhythms like samba and axe It is Sc'io Luiz, it is Sc'io Luiz" It is Sao Luiz (Banda Estralllbel/wdos)
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As noticias, no entant o, passaram a ser mais frequentes a partir do dia 2 de jan e iro de 2010 . Quando a c idade foi ati ng ida pela m aior e n c h ente da sua hi stor ia, veiculos d e to do 0 Bra sil informaram sob re os prejuizos causados pela fo r<;:a do rio Paraitinga: patrimonios destruidos, pessoas d e sabrigad as e, claro, que naquele ano nao haveria Carn aval e m Sao Luiz do Paraitinga. D esde entao, a cidade passou a freq uentar paginas de jornai s e reportagens d e televisao. Em 2011, quando Sao Luiz fez 0 primeiro Carnaval p6s-enchente, diferentes midias estiveram no municipio para registrar como seria a volta da festa. D e la para ca, todos os anos 0 Carnaval tern destaque na imprensa: seja impressa, com a cobertu ra tradicional do desde 2010 jornal 0 VALE e desde 2013 da Gazeta de Taubate, como na televisao, com diversas inser<;:6es na Tv Band Vale e na Tv Vanguarda, incluindo apari<;:6es na Rede. As televisivas Record, RedeTV e SBT tambem noticiaram 0 Carnavalluizense nos u ltimos anos, bern como os impressos Folha de S. Paulo e Estado de S. Paulo.
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"0 Carnaval de Sao Luis do Paraitinga e a festa carnavalesca mais tradicional no Vale do Paraiba, reunindo uma autenticidade perdida em muitas outras cidades da regiao. A tradi.yao das March inhas, mantida apos a volta do Carnaval de rua it cidade, e a marca da festa em Sao Luis, que atrai pela tradi.yao e pela anima~ao, unindo moradores e turistas, tomando conta das ruas da cidade. Em suma, Sao Luis conseguiu dar urn sotaque valeparaibano ao Carnaval, criando uma leitura regional da festa, sem samba e sem desfiles de escolas de samba. Para a imprensa, Carnaval e imagem. Uma multidao na rua, com roupas coloridas, chapel6es, ocupando as ladeiras da cidade, animada com 0 som das marchinhas, rende boas imagens. Para 0 VALE, por exemplo, o Carnaval do Vale do Paraiba se resume a tres grandes eventos: Sao Luis, 0 desfile de escolas de Guad., que tern tradi.yao e beleza, e 0 Litoral Norte, com 0 movimento e alguns bons eventos, como 0 Banho da Doroteia e 0 Carnamar. Esses tres, por sua plasticidade e capacidade de mobiliza~ao, sao a Divisao de Elite do Carnaval do Vale. Todos esses eventos rendem boas fotos, boas h ist6rias e algumas polemicas"
Helcio Costa Jornalista hoi 35 anos, editor-chefe de 0 VALE desde 20ID e da Gazeta de Taubate desde 2013, editor-chefe de 0 ValeParaibano de 1997 a 201 0 , e editor do caderno regional Folha Vale, da Folha de S. Paulo, de 1992 a 1997.
Em suma, Sao Luis conseguiu daT' um sotaque valeparaibano ao Carnaval, criando uma leitura regional dafesta, sem samba e sem desjiles de escolas de samba"
a carnava l de Paraitinga
''A principal diferen<;a do Carnaval de Sao Luiz para os demais da regiao sao as roupas coloridas feita s de chita e a criatividade dos foWles, que sempre se fantasiam com algo que esteja em evidencia no cenario nacional. o Carnaval mexe com os brasileiros, e 0 de Sao Luiz mantem sua tradi<;ao, so tocando as marchinhas dos compos itores da cidade. A pra<;a O swaldo Cruz sempre rende boas fotos, com o colorido dos foli6es se confundindo com os casar6es. Nao d a para criar urn roteiro: e seguir 0 bloco e estar sempre atento. A boa imagern est a onde se menos espera"
Rogerio Marques Reporter fotogr<'i.fico dos jornais 0 VALE e Gazeta de Taubate, cobre 0 Carnaval de Sao Luiz ha dez anos.
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rende boas jotos, com 0 colorido dos joli8es se confundindo com os casar6es. A boa imagem estci onde se menos espera"
o (arnava l de Paraitinga
"0 Vale do Paraiba tem m uitas festas tipieas e eulturais, mas mareantes mesmo sao poueas. E 0 C arnaval de Sao Luiz e mareante p orque nao permite 'invas6es' de outros tipos de musica, porque imp6e limites, porque p reserva 0 que eles tem realmente de verdadeiro, de original, de raiz. E uma festa repleta de alegria e de verdade. C arnaval no Brasil e noticia aqui e em qualquer outro lugar do mundo, e de Sao Luiz rende ainda mais. TV e esseneialmente imagem. E Iii, 0 que mais 'rende' sao boas imagens. Roupas eoloridas, diferentes, eriativas. Tudo 0 que urn reporter preeisa para desenvolver urn born texto e preparar u rn belo material. 0 que aquele p ovo veste, toea, danora e eanta nao e algo produzido, falso ou demagogo. Quem eonheee aquela terra como eu conheoro, sabe que aquilo e a mais pura expressao do jeito luizen se de ser, de eantar, de dan~ar, de vestir. E mais, de ser!"
Marcelo Hespaiia Reporter da T V Vanguarda, afilidada da Rede Globo no Vale do Paraiba, hii 12 anos.
Quem conhece aquela term como eu conheqo, sabe que aquilo ea mais pum expressiio do jeito luizense de sel', de cantal', de danqal', de vestil'. E mais, de serf"
''A imprensa regional fez 0 Carnaval de Sao Luiz ser hoje reeonhecido naeionalmente. Transformou a eidade que reeebia foli6es do Vale do Paraiba, que nao queriam praia n em salao, na eidade que reeebe gente do pais inteiro, em busca de cores e son s. A eobertura do Carnaval de Sao Luiz e pauta certeira . 0 eolorido das chitas -- roupa ofieial do foliao -- e dos erepons, rende sempre boas • Imagens -- paralso para fotografos e einegrafistas. A eidade, com mais de 200 anos, rende pelos casar6es a curiosidade de pautas h istoricas. Quando se sabe do padre que disse que quem pulasse Carnaval teria rabo e ehifre entao.. ~' •
Claudio Nicolini Editor da TV Band Vale por quase dez anos e atual coordenador da Radio CCR Nova Dutra
a carnava l de Paraitinga
Arqu;vo 1"""",,1
"A impren sa tem duas importan cias na form a<;ao do C arnavalluizense. A primeira p orque foi justamente ela que deu inicio ao Carnaval de rua popular, nao aquele C arnaval carioca. E atraves da valoriza<;ao de pessoas que a elite de Sao Luiz achava desprezfveis. 0 'Chicote' valorizou essas culturas p opulares, e ajudou a formar. A segunda e gra<;as a televisao. Nao foi ela que fez sozinha, mas a T V contribuiu muito no sentido de tornar o C arnaval urn p roduto da industria cultural"
A cidade, com mais de 200 anos, rende pelos casaroes a curiosidade de pautas hist6ricas. Quando se sabe do padre que disse que quem pulasse Car'naval teria mbo e chifre entao ... "
Juda s Tadeu de Campos Foi rep orter do Estado de S. Paulo, urn dos editores do extinto jornalluizense o Chicote e professor aposentado da Universidade de Taubate
Nao foi ela que fez sozinha, mas a TV contribuiu muito no sentido de tomar 0 Camavalum produto da indiLStria cultuml"
o Carnaval de Para itinga
» Capitulo VIII
o (arnaval de Paraitinga
o Carnavalfoi a coisa mais impol'tante que teve na cidade. So u meio suspeito pra falal', mas 0 Carnaval ajudou a transfol'mal' em Estancia Thrislica. N6s Cl'ia m os uma cultw'a dijerente no estado mais rico da natyao. A ol'iginalidade do Ca /'1la val de s ao Luizfaz a gente e tambem 0 pessoal de fora se apaixonal'. E gente de sao Luiz faz endo mUsica de s ao Luiz para s ao Luiz. Um a convel'sa no banco da pratya acabou virando uma das m elhol'es f estas do Brasil" Benito Ca mpos A rtesa o e compositor de M al'chinhas
Eu nao pal'licipava daquele Carnaval a nligo, mas ia vel'. Gostava muito de espial' os bailes, mas ai tudo acabou pOl' conta do pad" e, infelizmente. Quando I'esolveram voltal' com 0 Ca/'1laval f oi uma fes ta s6, e tudo era uma maravilha. Os blocos se pl'eparavam 0 ano todo pa ra sail', e Lodo undo se m obilizava, era uma f esta linda. Claro que nos ullimos tempos mudou muito, p Ol'que tem muita gente de f ora, mas a Cultura ainda prevalece. A dijel'e1ll; a e que eu, co m os meus 90 anos, j6. nao sou a mai01'ja do mundo (I'isos). M as entendo que a nove geratyao tenha seu espatyo. E quel' sabel', acho que e muito p OI' isso que 0 Carnaval daqui Ii tao apaixonante" Olga Fo ntes Co mpositora de M al'chinhas
o Carnaval de Paraitinga
A qui em s ao Luiz,jomm vurias lases diJerentes a respeito do Carnaval. Primeiro com alguns pequenos bailes ali no come<;o da decada de 1960, dep ois com a intervell(;ao da prel eitum naquela l esta mais p ensada no Carnaval carioca, e, principalmente, na decada de 1980 com 0 E ncuca a Cuca e 0 Juca Teles. A partir dali passou a vimI' algo mais teatm/, o I1OSS0 Carnaval de verdade. Com 0 tempo, 0 Carnaval daqui l oi vimndo algo P1'01lSsional, se tornou um p1'Oduto. N ao em mais a maniJes/arydo p opular. Claro que todas as lases e todos os tipos possuem suas p rap rias cam cteristicas, mas ediJerente. E, m esm o sendo totalmente diJerente, nao du pam dizer que epior: 0 interessante eque 0 Carnaval de sao Luizjustamente consegue agmdar diversos gostos" Judas Tadeu de Campos J o rnalista
s ao Luiz e uma term de muitalesta, sempre acostumada a ouvir mUsicas e bandas diJerentes. Quando a gente desenvolveu a nossa propria marchinha, o p ovo com el'ou a tel' laci/idade para cantar e entender pOl'que sabia que tudo aquilo estava vindo justamente dali, 0 Encuca acabou sim, os tempos mudamm sim, hoj e e tudo diJerente, mas ainda e 0 nosso Carnaval. Luize nse dijicilmente sai pra pulaI', mas sabe que l oi ele que criou tudo isso que estu ai, lazendo 0 sucesso e se ndo noticia no mundo. 1sso e 0 que vale pra ge nte" Luiz Hom e1'O dos Santos Co mpositor de M archinhas
o (arnaval de Paraitinga
o Carnaval nao tem mais a identidade do com er;o, j a que 0 do minio oJ da tu7'ma de fom . Mas ele semp7'e f oi e se mp7'e vai se7' apa ixo nante. P07'que n07'malme nte, o Car·naval em quase todas as cidades do B7'asil p a7'te do samba, e a ge nte criou ma7'chinha. E um Car·naval diferente, e que f oi criado prop7'iamente aqui. 0 Carnaval oJ luizense, e n6s tem os 0 di reito de domina7' 0 Carnaval daqui. Ajinal, a gente sabe que ele e nosso, ne?" Af onso Pinto Co mposit0 7' de M a7'chinhas
LioMUAedeiCK
Sao mais ou me nos t7'es p ontos que faz em 0 Carnaval de Sao L uiz se7' inigualavel. o primeiro e a questao gem cional: isso aqui oJ tmdir;ao, vem do be7'ro. Co m dois an os n6s j a estamos na procissao, e dai sobe no cOl·eto, co mer;a a canta7' ... Voce de 11m j eito ou de outro pmticamente ja nasce fazendo pa7'te da cllitum. Dep ois tem a questao da rua, a dinamicidade dela. Pm gente eji11ldamental, tel' toda essafesta espalhada, j ogada pm 7'1Ia, pm 10. e pm ca. Isso e lindo. E te7'ceiro e m a is impo7'tante: 0 p essoal de S ao Luiz f az musica pam 0 p essoal de Sao LlIiz e nao esta nem um P OIlCO p7'eocupado com o que vai acontece7' dep ois. E mtisica p a m a gente se dive 7'ti7' e jim de papo" M a7'co Rio B mnco Co mposito 7' de M a7'chinhas
o Carnaval de Paraitinga
sao Luiz te m um Camaval diferenciado . N o Brasil te mos Recife com 0 frev o, Salvador com 0 Axe, 0 Rio de Janeiro com 0 samba ... e tem a marchinha. Por mais que ela tenha sido criada no Rio, a marchinha tem sua capital em sao Luiz. Voce tem uma arquitetllm hist6l'ica, • • uma mUSlCa contagwnte, pessoas bonitas, ep erto de s ao Paulo... Isso aqui Ii 0 pm·aiso. Co mo dizia mllito bem 0 Marco Rio Bmnco , sao Luiz e lima ilha de marchinhas rodeada de samba p or todos os lados. E e a nossa ilha de marchinhas" •
Galvao Fmde Compositor de Marchinhas
A liberdade com que 0 luizenses concede a cidade aos visitantes toma tudo mais alrativo. N o mell p onto de vista, nao ha co mo gum'dar lima cultum apenas com 0 p ovo que aqui vive. Muito mais do que ver 0 que acontece aqui, epreciso que 0 ~ll'ista viva a cliitum daqui. E esse elo, essafamilial'idade, que as alraem cada vez mais pm ca . Acaba sendo 0 caso desse sell tmbalho, alem do fato de voce estar em uma cidade vizinha, ha toda uma coisa que te atmi aqui, uma coisa que fa z as p essoas se sentirem em casa. Mas 20 °6 dessa atmrao Ii 0 que e ll consigo explicar, 0 resto Ii magia, e energia. Sim , s ao Llliz e muito mais mistico do qlle conhecemos. E o misterio faz parte desse charme!" Camilo Fmde Compositor de Marchinhas
o (arnava l de Paraitinga
Acreditamos que a consolidaqao do genero musical preferido tenha sido 0 ingrediente mais importante dessa receita do sucesso carnavalesco. Entretanto, em pmciso um pouco mais de consistencia e pOl' isso acrescentamm tambem os elementos da cultum secular local. Destacamos aqui as representaqoes de lendas, mitos, personagens do folclore, confecqao de bonecos, mascar'as, cartolas, tiaras e outms itens complementams. Porjim, a cereja especial desse sabomso bolo da alegria: 0 cenario cinematograjico do valioso casario colonial pam gamntir 0 me/hoI' enquadramento dos blocos e dafolia. Ali, os folioes se embalavam, se embolavam e s6 pamvam la na porta da Jgmja Matriz. E tudo isso emoldumdo natumlmente pelos verdes mon'os mdeando toda a cidade. E como ja dizia 0 luizense compositor Elpidio dos Santos Filho, 0 Pio, "Desse jeito 0 Car'naval nao para; Se eu grito um 'e'da 0111, ole, olll! Se eu grito um 'a'da ole, ole, ola!". Bloco vem, bloco vai... Evoe, sao Luiz do Pamitinga!" Maria Alice Ferreim e Degiovani Lopes da Silva Pesquisadores e auto res do liVl'o 'Sem Rabo e sem chifm'
a carnava l de Paraitinga
o Carnaval de Para itinga
,. Capitulo IX
o (arnava l de Paraitinga
Acervo N ilan Bonafe
a carnava l de Paraitinga
(,i, Binencou,t/ P,efe ~u, . de sao luiz do P... iti"4'
Acervo Odilon IIoMfe
o (arnava l de Paraitinga
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Chegaram., Col", do.,.,., Tralendo notitial,"""w,. Lan~r.tlo dlf<ios
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o (arnava l de Paraitinga
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o Carnaval de Paraitinga
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o Carnaval de Paraitinga
es pU ICo", o er ao • as 0 las Flores, chitas eo Carnaval de Paraitinga
o Carnaval de Para itinga
o Carnaval de Paraitinga
Este livro-reportagem, caro leitor, e a obra definitiva sobre 0 Canraval de Sao Luiz do Paraitinga. Com todas as suas cores, que parecem marchar pelas ruas da cidade, em um arco-iris de folia, aIJunciando ao povo do Sertao das Cotias: e dia de festa! Aqui, voce eIJcontrara os versos e os personagens de uma cidadezinha que aprendeu a misturar realidade e fantasia. Fantasia de chita, como pede a tradifaO. De um povo que, tal qual a fenix da mitologia grega, tem 0 poder de renascer das cinzas. Da Quarta-feira de Cinzas. E entao se renovar. Como aconteceu com 0 proprio Carnaval em Sao Luiz -- a cidade ficou por 60 anos sem folia, depois que um padre italiano 'proibiu' a festa mundana. Diziam ate, veja so, que nasceria chifre e rabo em quem descumprisse a determinafaO e caisse na farra. Ou como ocorreu em 2010, quando a cidade sofreu com a tragedia das chuvas. o trabalho desenvolvido por Caique Toledo, reporter persistellte e obstinado, e um registro hist6rico. E o resultado de dezenas de entrevistas, meses emeses de pesquisas detalhadas e garimpagem de fotos raras. Mais do que isso, este livro-reportagem e um raio-x da alma luizense. Explica tin tim por tin tim como uma pequena cidade do interior paulista, reduto caipira com pouco mais de 10 mil habitantes, outrora famosa por nao ter Carnaval, tornou-se palco de uma das festas mais cultuadas e genuinas do Brasil. Pois e, alguem avisa 0 fuca Teles e 0 Barbosa, por favor. hi deu ate no New York Times! Nao tem jeito, Do ceu, do purgatorio e do inferno, ningubn escapa, caro leitor. Estci na boca do povo, sao palavras de amor. Amor ao Carnaval. Amor ao jornalismo. Amor a Sao Luiz do Paraitinga. Aproveite a leitura.
Guilhermo Codazzi da Costa