190 Encontro de Alunos do PPGAV/EBA/UFRJ
Organização da publicação Claudia Mendes Elizabeth Catoia Varela Fernanda Lopes Mario Caillaux Natália Quinderé Renata Santini Simone Michelin
Escola de Belas Artes Rio de Janeiro | 2014
Organização da publicação Claudia Mendes Elizabeth Catoia Varela Fernanda Lopes Mario Caillaux Natália Quinderé Renata Santini Simone Michelin Colaboradores Izabela Pucu Rafael Bteshe Shannon Botelho Design gráfico e diagramação Claudia Mendes Revisão Maria Helena Torres
Catalogação na Fonte elaborada por Verônica de Sá Ferreira • crb 7/6244 XIX Encontro de alunos do ppgav/eba/ufrj (19. : 2013 : Rio de Janeiro, rj) Encontros em arte: lugares, ações, processos / organização Claudia Mendes ... et al. – Rio de Janeiro: Escola de Belas Artes/ufrj, 2014. Recurso eletrônico. isbn 978-85-87145-56-7 1. Arte – Seminário. i. Mendes, Claudia. ii. Encontro de alunos do ppgav/eba/ufrj (19.: 2013: Rio de Janeiro, rj). iii. Título. iv. Título: Encontros em arte: lugares, ações, processos.
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As versões para o inglês dos resumos foram reproduzidas exatamente como nos originais enviados pelos autores, sendo o conteúdo de sua total responsabilidade.
Revelando carnavais: ruídos, falas e ecos da folia brasileira Coordenação: Helenise Guimarães (EBA/UFRJ)
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tema dessa mesa tem por objetivo refletir e apresentar leituras sobre o carnaval brasileiro, festa urbana que se desdobra em muitas linguagens: artísticas, cênicas, musicais, literárias, políticas e históricas. O carnaval é assim um espaço fértil para traçados que geram encontros de vários campos de pesquisa, tais como antropologia, sociologia, história, artes, etnografia, turismo, entre outros. Apresenta-se também como veículo para pensarmos questões contemporâneas da cultura, posto que, enquanto momento importante do calendário nacional, sua longevidade vem reforçar a vitalidade de nossa cultura. Num país de grandes dimensões como o Brasil, o carnaval apresenta permanência e, sobretudo, presença no passado não tão remoto das mais distantes regiões do país, fonte inesgotável de elementos a estudar e revelar. Hoje sabemos que a folia nacional compartilha parcerias e articula paradigmas que são remodelados ou desafiados, reforçando sua qualidade vital de expressão de uma cultura popular que consegue integrar instituições oficiais, grupos organizados e segmentos da sociedade. Pensar o carnaval é capturar as várias faces de uma festa que é espetáculo, arrebatamento e deslocamento do cotidiano para um tempo de suspensão e possíveis delírios, mas que sela todo ano um pacto de criações, profissionalismo e busca de sua permanência e sua liberdade de expressão e expansão. Refletir suas tradições que se renovam é pensar nos ruídos, falas e ecos que esse carnaval tão cambiante nos traz como prova de seu dinamismo e atualidade. E atentos ao discurso de seus atores revelado em nossas pesquisas, podemos mexer um pouco mais no caleidoscópio das coloridas e sonoras memórias do reinado de Momo.
O PROCESSO DE CONSTRUÇÃO DA PERSONAGEM BAIANA DE ESCOLA DE SAMBA NO SÉCULO XX E SEUS MÚLTIPLOS SIGNIFICADOS Vânia Maria Mourão Araújo
Resumo
O propósito deste artigo é refletir sobre os processos envolvidos na construção, desenvolvimento e estabelecimento do tipo baiana de escola de samba compreendida como produto de negociações constantes de significado, espaço de constante tensão entre tradição e modernidade, em que os elementos constituintes em seu figurino representam o jogo de influências que vão dialogar com a pluralidade e diversidade das convenções culturais. Palavras-chave: carnaval carioca, baiana, escola de samba.
Abstract
The purpose of this article is to reflect on the processes involved in construction, prop erty development and the type of Bahian samba school understood as a product of con stant negotiation of meaning, space constant tension between tradition and moderni ty, in which the elements that make up your wardrobe, represent the set of influences ranging dialogue with the plurality and diversity of cultural conventions. Keywords: carnival, baiana, samba school.
Mestre em Artes · UERJ (2011).
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Introdução Este texto é escrito a partir da ideia de que o carnaval é um lugar situado no espaço da cultura popular, área caracterizada pelas disputas de significados e de constantes negociações que acontecem cotidianamente. Nesse contexto, as manifestações populares são produzidas pela tensão resultante de diversas forças culturais e pelas forças de poder que a constituem, dando origem a textos e a práticas culturais que são constantemente ressignificados, adquirindo novos formatos e novos sentidos. Entendendo que o significado de um símbolo cultural é atribuído por seu campo social e pelo jogo das relações culturais a ele relacionadas, a pesquisa em torno do figurino carnavalesco permite resgatar parte de nossa memória cultural, considerando-se a importância da indumentária como elemento simbólico do processo cultural. Procuraremos, desse modo, abordar a indumentária da baiana como um texto cultural, ou seja, um espaço de diálogo e interação de expressões culturais de diferentes origens, um sistema complexo de elementos visuais e códigos de identidade e carnavalização, que também inclui uma produção elaborada esteticamente, como no caso da ala das baianas nas escolas de samba, cuja imagem se transforma, se reinventa, num processo dinâmico, uma vez que influencia e é influenciado em diferentes níveis que associam elementos de diversas escalas. O vestuário de “baiana” está associado, em termos gerais, à mulher negra africana, à escrava de ganho que se estabelece como sujeito importante na sociedade brasileira já no século XVI, graças a suas redes de contato e mobilidade dentro do espaço urbano. Compreendida de forma naturalizada como um tipo regional feminino brasileiro, a figura da baiana consiste numa ideia concebida e produzida a partir do século XIX, cujo processo de construção foi adquirindo diferentes formas de representação e significação ao longo de um percurso em que a indumentária foi fundamental na definição e percepção visual dessa personagem. O traje “típico” da baiana que conhecemos hoje, composto de elementos visuais marcantes, como o turbante, o pano da costa, as batas rendadas e os balangandãs, entre outros, refere-se à vestimenta da “baiana vendedora de acarajé”. Esse formato “tradicional” assimila influências muçulmanas, iorubanas e europeias, associadas, desde os tempos do Império, às práticas cotidianas das mulheres negras, tornando-se, no final do século XIX, um símbolo com conotação social, popular, religiosa e nacional. Com o passar do tempo, entretanto, alguns elementos desse traje foram reorganizados, articulando-se com diferentes práticas, adquirindo novos significados e relevâncias e estabelecendo novas categorias de “baianas”: de tabuleiro, de terreiro, de carnaval ou de escola de samba, por exemplo. Assim, é preciso perceber que as transformações do formato e da aparência vestimentar da baiana não se resumem a sua materialidade, mas também envolvem as dimensões imateriais e o imaginário. Nesse sentido, devemos pensar a respeito dos olhares que “retrataram” e que interpretaram essas reproduções da baiana nos diferentes contextos e épocas, os valores refletidos, as ações espelhadas nas diferentes formas de representação de seu figurino e os interesses envolvidos nesse conjunto de produções. As representações em desenhos, aquarelas e pinturas feitas por artistas viajantes – como Carlos Julião, Joaquim Cândido Guillobel, Henry Chamberlain, Debret e Rugendas, entre outros – apresentam aspectos pitorescos da vida cotidiana da cidade do Rio de Janeiro e colaboraram para criar um imaginário sobre o popular, com diversos tipos que iriam [ 138 ]
caracterizar os habitantes das terras brasileiras e, entre estes, as negras vendedoras retratadas em suas atividades diárias. Se observarmos o conjunto de aquarelas produzidas pelo italiano Carlos Julião no último quarto do século 18 e o texto que as descreve, vamos concluir que a figura da negra vendedora de tabuleiro era bastante comum nas ruas do Rio de Janeiro nessa época. Com o fim da escravidão nas últimas décadas do século XIX, algumas mulheres negras, conhecidas como “tias baianas”, vão ter suas histórias misturadas com a história do carnaval carioca. Nesse contexto, a imagem visual da baiana desempenhava, portanto, uma função bastante importante na prática social dessas mulheres que seriam figuras centrais no processo de valorização e organização da folia carnavalesca, associando de maneira definitiva a imagem da baiana à história do carnaval carioca, às práticas das rodas de samba e à formação das primeiras escolas de samba, no final da década de 1920. É importante ressaltar que, nesse momento, o movimento de valorização da cultura negra, conhecido como negrofilia, iria mobilizar a Europa, influenciando a intelectualidade brasileira e seu próprio conceito de cultura popular, que começa a ser vista como um espaço ligado essencialmente a raízes africanas, como destaca Ferreira.1 Seguindo essa tendência, em 1933, é inaugurada na Pró-Arte, no Rio de Janeiro, uma importante exposição de grande repercussão na época, com o título Batuque, samba e macumba, que apresentava desenhos e textos de Cecília Meirelles e tinha como tema central o folclore negro e a descrição da indumentária característica de uma “legítima baiana”.2 Desse modo, Cecília Meirelles contribuiria para a definição e fixação da imagem da baiana que, pouco tempo depois, teria grande expressão na visualidade das baianas de escolas de samba.3 A partir dos anos 40 a canção de Caymmi e a fantasia de baiana estilizada de Carmem Miranda conquistam o Brasil e ganham o mundo, acrescentando novos significados a esse traje tão emblemático. Nos carnavais que se seguiram, a personagem “baiana” ganha destaque cada vez maior nas páginas dos jornais e revistas cariocas, exibida em fotografias nas colunas sociais e de carnaval, em ilustrações, propagandas para diferentes produtos, como combustível, roupas, remédios e bailes, participando também das crônicas, músicas, poesias, decorações e exposições.
A baiana de escola de samba: tradição ou modernidade? Como vimos, a baiana, então popular, se teria transformado em personagem carnavalesco representativo do caráter nacional, um dos símbolos da nação brasileira. Sobressaindo por sua visualidade, torna-se espaço da tradição, o que foi determinante para a própria formação das escolas de samba, que serão eleitas, nas décadas de 1930 e 1940, as mais legítimas representações da essência popular do país, como resultado de um processo que acontece a partir da articulação de diversos interesses (da classe dominante, da intelectualidade brasileira, dos grupos negros, entre outros). Até a década de 1960, a visualidade da baiana de escola de samba, que podemos denominar “baiana folclórica”, será uma representação do tipo popular e tradicional, e seu traje irá manter estrutura comum aos das negras escravas, das baianas crioulas, das escravas de venda e das tias baianas.
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Embora os significados mudem com o tempo e em contextos diversos, os diferentes tipos de trajes de baianas de escola de samba, nesse período, vão manter alguns elementos que a identificam como tal: a saia rodada, o turbante, o pano da costa, os balangandãs e a bata. Sua indumentária significará nos anos 30, 40 e 50 mais do que o próprio enredo das escolas, apresentando, simbolicamente, diferentes camadas de significados que organizaram, formaram e instituíram a ideia de baiana nos primeiros anos daquelas agremiações. Aos poucos, as escolas deixam de ser consideradas apenas um espaço folclórico, passando a ser vistas como um espetáculo que precisa ser entendido a partir da organização e visualidade de suas alas. Desse modo, no início dos anos 60, as baianas passariam por uma série de transformações marcantes em seu aspecto visual, quando o tema da visualidade ganha predomínio nas escolas de samba, provocando grande mudança na estética dos desfiles. Logo, a ala de baianas, que fora determinante para a própria formação das escolas, torna-se elemento essencial no sistema de representação dos enredos e importante espaço de narrativa visual, ganhando outros elementos que contribuirão para a compreensão da história cantada pelo enredo: as golas, o esplendor e a própria evolução das alas, que se tornarão mais grandiosas e espetaculares. Consolidava-se uma nova organização e hierarquia das escolas de samba, em que surgia a autoridade do carnavalesco, profissional responsável pelo processo de desenvolvimento e montagem desses projetos. Ao longo das décadas de 1970 e 1980, a ideia de padronização e de conjunto começa a se instalar, aos poucos, dentro de uma lógica matemática, de uniformidade na estrutura das escolas, na ordem dos desfiles. O conjunto das baianas, que desfilava de maneira espontânea e dispersa, com fantasias diferenciadas, com a instituição das alas, passará cada vez mais, e em momentos diferenciados, a desfilar de forma mais coesa, com fantasias mais parecidas, apresentando maior unidade visual, característica mais apropriada à nova estrutura organizacional da escola. De acordo com Felipe Ferreira,4 aconteceria na segunda metade dos anos 70 uma nova revolução nas apresentações das escolas de samba, caracterizada pelo conceito de espetacularidade assumido nos desfiles. Surgirão novos carnavalescos trazendo para o espaço do carnaval novos processos de criação; destacam-se Fernando Pinto e a afirmação da estética tropical-brasileira; Maria Augusta, pelo domínio no uso das cores e materiais alternativos e pela simplicidade e originalidade dos desfiles; e Joãozinho Trinta, pelo esplendor, luxo visual, grandiosidade dos carros alegóricos e pela ampliação das fantasias, incluindo a indumentária das baianas, à qual incorpora golas, esplendores e chapéus cada vez maiores, inaugurando o que ficou conhecido como superescolas de samba. Com a formação da Liga Independente das Escolas de Samba – Liesa e a construção da Passarela do Samba no Rio de Janeiro, marcos da organização empresarial do carnaval carioca, eventos cada vez mais grandiosos serão produzidos, procurando gerar uma imagem global do carnaval, e, desse modo, mais uma nova camada de significados vai-se sobrepor aos discursos da tradição, da negritude e político: o discurso do êxito econômico, da espetacularidade. Esse período é marcado pelo crescimento e expansão das agremiações, mudanças que se manifestam não apenas em sua “organização formal” ou “carnavalesca”, mas também nas apresentações, que ficarão “cada vez mais elaboradas, com sambas-enredos embalados”,5 sendo mais bem compreendidos pela plateia, pondo-se a serviço, cada vez mais, dos aspectos visuais e narrativos do desfile.
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Desse modo, chamaremos de fase da “baiana empresarial” a ocasião em que as escolas de samba incorporam uma “nova postura empresarial” ao desfile carnavalesco, buscando ainda “associar os elementos tradicionais às necessidades resultantes dessas modificações”.6 Ferreira afirma que os carnavalescos Rosa Magalhães, Max Lopes e Renato Lage estabeleceriam um novo padrão de qualidade estética para os desfiles, no qual os detalhes visuais e as novidades tecnológicas seriam tão importantes quanto as “tradições do canto e da dança”.7 Essa época traz como característica marcante o fato de que a ala das baianas torna-se essencial no sistema de representação dos enredos, passando a ter a importância de uma personagem, a ilustrar o samba-enredo, e vindo a significar outras coisas, como noivas, estátuas da liberdade, seres espaciais, globo terrestre, poços de petróleo e até abelhas. É o caso da baiana com um tecido de estampa de onça concebida em 1987 pelo carnavalesco Fernando Pinto, no enredo ligado ao Tropicalismo, para a escola Mocidade Independente de Padre Miguel, ou da que desfila com capacetes espaciais no lugar do turbante, criada pelo mesmo carnavalesco para a Mocidade no Carnaval de 1985. Desse modo, a indumentária das baianas de escola de samba dos tempos atuais não só vai significar todas as histórias que contamos até então, das negras de ganho, da baiana popular, da baiana carnavalizada, do carnaval brasileiro e carioca, como também vai representar e apresentar todo o pluralismo de uma sociedade contemporânea, ao ser produzida dentro de uma estrutura de pensamento e de produção jamais vista antes em toda a sua trajetória, caracterizada por elementos híbridos, pela ausência de unidade estilística, pela diversificação de produtos, formas e materiais, definidos pelo carnavalesco e sua equipe de criação, pelo enredo, pelas condições da escola e pelas condições do mercado. Atualmente, o traje da baiana de escola tem como marca estrutural a ampla saia armada com crinolina, podendo ser complementada na parte de cima por múltiplas peças, como batas, blusa, tops, casacos ou uma espécie de gibão, entre outros itens que podem ou não remeter aos temas, estando muitas vezes superpostos. Em relação ao tempo do desfile, a aceleração que se processa decorrente da redução do tempo para cada desfile impõe que as fantasias sejam de fácil entendimento, rapidamente interpretadas pela plateia, que deve identificar de maneira breve os elementos presentes na roupa. Desse modo, o conjunto de cada ala de baianas vai ser essencial, uma vez que passa a representar uma grande massa de cor e, algumas vezes, as componentes, juntas, vão significar um só corpo, um só sistema, ambiente ou fenômeno, potencializado pela subjetividade proporcionada pelos samba-enredos, como por exemplo: “As geleiras”, “Redemoinhos”, “Folhas secas”, “A beleza dos mares” e “Os banhos e as poções para relaxar”.
Conclusão Procuramos compreender que o processo de consagração da “baiana” como um tipo do carnaval carioca, que ocorre na primeira metade do século XX no Rio de Janeiro, foi estabelecido no espaço do popular, produto de constante negociação de significados, numa dinâmica de contínua instauração de sentido, em que as circunstâncias, os eventos e as contingências se foram configurando e consolidando aos poucos, no dia a dia, traduzidas em diversas expressões visuais que constituem dinamicamente a “baiana carnavalizada”. Ao mesmo tempo, sob o signo da tradicionalidade, vai-se estruturando a ideia de “baia-
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na” como uma das expressões mais importantes das escolas de samba, sendo representada por uma indumentária que vai simbolizar e expressar o diálogo e interação de expressões culturais de diferentes origens, entre elas a brasileira, representada pela tradicional “baiana”, de origem popular, e a francesa, representada pela moda da segunda metade do século XIX, com as saias rodadas e armadas por crinolina, único elemento que será preservado nos trajes atuais. Compreendemos, desse modo, que diversos processos globais, regionais e locais configuraram os “tipos” da baiana através do tempo e suas diferentes formas de representação, estabelecendo uma conexão entre as formas simbólicas dos diversos segmentos da cultura, o modo de pensar da época, as transformações ocorridas na cidade do Rio de Janeiro e a diversificação de formas de se brincar o carnaval no Brasil.8 Não podemos esquecer que foi pelo vestuário que a “baiana” se eternizou, por meio dos signos estéticos, culturais e sociais constituídos em seu figurino, que apresenta um complexo jogo de simbolismos capazes de expressar a pluralidade e a diversidade das convenções culturais. Atualmente, aquelas que seriam as características mais marcantes da baiana folclórica e da baiana carnavalizada, como o turbante, o pano da costa, as batas rendadas, seus balangandãs, entre outros elementos visuais, que consagraram a vestimenta da baiana do acarajé e se tornaram a própria marca do carnaval carioca, foram praticamente apagadas na “baiana de escola de samba empresarial”. Não que esses elementos não apareçam em seus figurinos, porém, não são mais relativos à essência da baiana de escola de samba. Convém destacar ainda que a “ala de baianas” é considerada uma das mais importantes de uma escola de samba, mas vem incorporando outras funções, principalmente decorativas, nos desfiles, perdendo seu lugar de “guarda de honra”,9 papel garantido quando do surgimento dessa expressão, pela referência à importância das “tias baianas”10 e aos grupos de mulheres que desfilavam com suas roupas de baiana nos ranchos e cordões, no início do século XX. Qual uma alegoria em seu sentido clássico e simbólico, sua leitura é indireta e subjetiva e, ainda que todo o tempo tenha estado relacionada ao enredo, sempre significou mais do que o próprio samba-enredo, realizando a operação de uma obra artística a representar diferentes camadas de significados, mediante formas que a tornaram compreensível através do tempo, transitando entre o lúdico e o sagrado, na interface entre a festa carnavalesca e a cultura do samba, num espaço de constante tensão entre tradição e modernidade, fértil em criatividade, experimentação, narrativa e vigorosa expressão visual. n
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notas 1 Ferreira, Felipe. O livro de ouro do carnaval brasileiro. Rio de Janeiro: Ediouro, 2004. 2 Meirelles, Cecília. Batuque, samba e macumba: estudos de gesto e de ritmo 1926-1934. São Paulo: Martins Fontes, 2003. 3 Ferreira, 2004, op. cit. 4 Ferreira, Felipe. O marquês e o jegue: estudo da fantasia para escolas de samba. Rio de Janeiro: Altos da Glória, 1999. Ver também Ferreira, 2004, op. cit. 5 Ferreira, 2004, op. cit., p.365. 6 Idem. 7 Idem. 8 Ferreira, Felipe. Le carnaval de Paris et son influence sur le carnaval de Rio. Géographie et Cultures, 45, printemps, 2003. 9 Ferreira, 2003, op. cit., p. 27. 10 Velloso, Monica Pimenta. As tias baianas tomam conta do pedaço: espaço e identidade cultural no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, Revista de Estudos Históricos, v.3, n.6, 1990.
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19o Encontro do Programa de Pós-graduação em Artes Visuais Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro 8 a 27 de outubro de 2013 • Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica
Supervisão acadêmica Profa. Dra. Marize Malta Coordenação geral Profa. Dra. Simone Michelin Comissão organizadora Claudia Mendes Elizabeth Catoia Varela Fernanda Lopes Izabela Pucu Mario Caillaux Natália Quinderé Renata Santini Comissão acadêmica Prof. Dr. Cezar Bartholomeu Profa. Dra. Helenise Guimarães Prof. Dr. Ivair Reinaldim Profa. Dra. Marize Malta Profa. Dra. Patricia Corrêa Profa. Dra. Simone Michelin Colaboradores Gabriel Amorim Gisele Lorenzato Giuliana Caetano Jorge Soledar Julie Brasil Mônika Oliveira Talitha Bueno Motter Identidade visual Claudia Mendes Jorge Soledar Natália Quinderé
Exposição Artistas Analu Cunha Cecilia Cavalieri Gabriela Mureb Julie Brasil e Claudio Tobinaga Júnior Pimenta Mariana Madeira Paula Scamparini Rafael Alonso Vanessa Santos Comissão curatorial Fernanda Lopes Izabela Pucu Natália Quinderé Montagem e Cenotécnica Atelier Produções Culturais Iluminação Rogério Emerson Sinalização Sergio Gouvêa Assessoria de Imprensa Beatriz Caillaux
Universidade Federal do Rio de Janeiro
Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro
Reitor Carlos Antônio Levi da Conceição
Prefeito Eduardo Paes
Decano do Centro de Letras e Artes Flora De Paolí Faria
Vice-prefeito Adilson Pires
Diretor da Escola de Belas Artes Carlos Gonçalvez Terra
Secretário Municipal de Cultura Sérgio Sá Leitão
Coordenadora do Programa de Pós-graduação em Artes Visuais Marize Malta
Subsecretária Municipal de Cultura Danielle Barreto Nigromonte Subsecretário de Gestão Carlos Corrêa Costa
Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica Diretora e Curadora Izabela Pucu Assistente Daniele Machado Coordenadora Administrativa Manan Terra Coordenadora de Pesquisa e Público Mayara Manhães Coordenadora de Produção Gisele Jacob Coordenadores Operacionais Bernardo Marques Cristiano Ruiz Recepção Luisa do Valle Recursos Humanos Lenice Fernandes
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O presente trabalho foi realizado com o apoio da CAPES, entidade do Governo Brasileiro voltada para a formação de recursos humanos.