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SIMÃO SARKIS 80 anos - Vida e Legado Brasília-DF , 8 de setembro de 2020
Enquanto não chega aquela hora neutra em que todos nós seremos apenas memória, julgo ainda do meu dever explicar o que fiz. Juscelino Kubitschek
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FICHA TÉCNICA Simão Sarkis 80 anos - Vida e Legado 1a Edição: Setembro/2020
Autor e Editor Luis Roberto Vieira Costa
Capa, Projeto Gráfico e Diagramação Marcus Vinicius Santos / M Design
Fotos Albino Oliveira de Souza
Fotos Antigas Arquivo familiar e Arquivo Público do DF
Gráfica Coronário Tiragem: 1000 exemplares
© Simão Sarkis Simão. Todos os direitos reservados. Esta é uma obra de natureza biográfica, com direitos exclusivos de distribuição e reprodução pelo biografado, assegurada a total preservação de conteúdo.
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Sumário Saudação de um homem de fé ...................................................... 06 Apresentação .................................................................................. 08 Prefácio ............................................................................................ 11 Infância de aprendiz ...................................................................... 12 Os pais ............................................................................................. 14 Vera Lúcia Sarkis ............................................................................. 18 A primeira visão de um sonho ................................................... 20 De lambreta... até São Paulo ........................................................ 26 Sem tempo a perder ....................................................................... 30 Um cliente VIP ................................................................................ 34 Os grandes empreendimentos ...................................................... 40 O agronegócio ................................................................................ 52 A divisão dos negócios ................................................................... 56 Os irmãos ....................................................................................... 60 Uma universidade em casa ......................................................... 72 A 3a geração ................................................................................ 94 Ilha do Boi ...................................................................................... 102 Uma amizade especial ................................................................. 106 O maior desafio ............................................................................. 112 Sr. Zico ............................................................................................ 116 Os novos negócios ........................................................................ 120 Árvore genealógica ...................................................................... 126 Galeria de fotos ............................................................................ 128
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Saudação de um homem de fé Eu nasci há bem pouco tempo, mas o calendário teima em dizer que já faz 80 anos. Eu não presto atenção e continuo dizendo que foi um dia desses aí pra trás. E que diferença faz, oito ou oitenta anos, se eu estou bem, feliz e sempre me renovando? A cada final de dia eu comemoro o que fiz, planejo o amanhã e, assim, vou indo rumo ao tempo que Deus me der.
Olhando confiante para o horizonte, lá consigo enxergar, mais uma vez, o trabalho, minha família e a indispensável presença de vocês ao meu lado, até que um dia eu, repetindo JK, me torne apenas uma memória. Resolvi compartilhar com personagens queridos que compõem a minha história de vida, uma pitada dos sentimentos, emoções e lembranças neste livro, que conta, não apenas um pouco desta história, mas também sobre uma construção maravilhosa, onde existe um tijolo que cada um de vocês colocou. E é com muita fé em Deus, na Pátria e na Família que ofereço a vocês esta lembrança de aniversário!
De coração! Brasília 08 de Setembro de 2020
Simão Sarkis Simão
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Apresentação
Corre rápido o cronômetro que tangencia o milagre da nossa existência, o tique-taque do relógio é cadenciado, impassível e, por vezes, quase imperceptível, primeiro pela anestesia da juventude, depois pela rotina frenética do trabalho na idade adulta e, por último, pela calmaria dos sentimentos na terceira idade.
Faz isto tranquilo e feliz, motivado pela lição deixada por um amigo, especial dentre os tantos especiais que conquistou com rara competência, alguém incomum e único, como amigo e como pessoa, que dizia que, enquanto não se tornasse apenas memória, tinha como dever explicar o que fazia.
Precisa e fria, a calculadora que contabiliza nossos segundos apenas soma e, quando resolvemos pedir um subtotal, quase nos permitimos duvidar se a conta está certa ou se, ao invés da soma, o resultado apresentado não foi o de uma multiplicação.
Sereno e transparente, o único momento em que é avarento é ao falar de si mesmo, seus relatos não falam dele próprio mas de valores morais e convicções que, por si sós, explicam como chegou tão longe na construção de sua obra, admirável e emblemática, desenvolvida num cenário que se iniciou como desacreditado sonho de um presidente visionário, passou a gigantesco e poeirento canteiro de obras e se transformou num sempre futurista e único conjunto arquitetônico de nome Brasília.
Em sua caminhada, Simão Sarkis colocou, abrindo a trilha, a mais eficaz das ferramentas que aprendeu a manejar desde tenro garoto, o trabalho e este o distraiu o tempo todo, a ponto de lhe fazer esquecer de balancetes periódicos, que só agora resolveu fazer, quando o ponteiro chega à marca dos 80 bem vividos anos.
Foi quando tudo aqui não passava de um magistral redemoinho de tijolo, ferro e cimento, 8
que Simão chegou e, num ritmo cadenciado e intenso, se sentiu à vontade para despejar sua imensa capacidade de ousar e trabalhar. Ocupou todos os espaços que mirou, consumiu todo o tempo de que dispôs e desidratou todo o suor de que foi capaz, numa única tarefa, construir! Graças à sua visão telescópica, os investimentos não apenas se multiplicaram, como ganharam cada vez maior precisão estratégica e o decorrente retorno econômico e financeiro. Simão credita a Brasília, com justiça, parte de seu êxito e ela lhe deve uma contrapartida de reconhecimento, pois não foram muitos os que aqui investiram com tanto arrojo e tanta confiança.
conforto, estabilidade e o hábito de ajudar pessoas. Esses alvos foram todos – e muito bem – atingidos. Não é fácil retratar Simão, não exageram aqueles que lhe exaltam as virtudes, mas estes lhe conhecem de longo tempo, foram privilegiados, assistiram de camarote sua trajetória notável. A estes expectadores, testemunhas vivas de um belo exemplo de vida, o meu agradecimento por terem generosamente dividido comigo depoimentos, histórias e registros para que eu cumprisse, com boa margem de acerto, espero, a missão que me foi honrosamente confiada.
Derrota, desânimo e descrença não couberam em seu dicionário, entregou-se de corpo e alma a atingir seus propósitos de vida, trabalhar com intensidade e determinação, construir uma família que lhe sequenciasse nos princípios morais e produzir resultados que lhes garantissem
O Autor
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Prefácio
O ser humano é reconhecido pelas suas obras. Em suas memórias, Simão Sarkis registra seu percurso e aponta seu legado de “fazedor”. Trata-se de quem enfrenta as dificuldades, nas quais ensejaram produzir resultados.
configuração de novos projetos. Porém, uma de suas qualidades mais significativas é a mão estendida aos necessitados, o que demonstra Sarkis não esquecer sua origem e as agruras de sua trajetória.
Desde sua infância humilde, percebemos o que rege a iniciativa do nosso personagem: o sonho. Por meio da projeção do ideal, acompanhamos o biografado em suas realizações que incluem a aventura, a proatividade e os encontros alvissareiros com pessoas eminentes, como o saudoso ex-presidente da República Juscelino Kubitscheck, de quem se tornou amigo.
Assim, este registro ilumina o caminho de quem quer empreender e obter produtos representativos. Além disso, inspira sonhadores e benfeitores a continuar o curso de realizações em prol da coletividade. Simão Sarkis, por meio do trabalho e da empatia com o próximo, demonstra a valorização do fazer e do ser.
Em todos os aspectos de sua vida, visualizamos o compromisso de Sarkis com o trabalho. Brasília, a capital que o acolheu, expõe desde suas primeiras construções até os grandes empreendimentos. Atualmente, seu desafio consiste no reagrupamento empresarial por meio de seus descendentes e na
Getúlio Américo Moreira Lopes Reitor do Centro Universitário de Brasília UniCEUB 11
Uberlândia 1940 - Vista aérea Imagem gentilmente cedida pelo Museu Virtual de Uberlândia
porções menores, proporcionais às demandas normais das donas de casa. Diariamente eram manipulados cerca de 40 quilos, normalmente sem nenhuma sobra para o dia seguinte.
Infância de aprendiz
Algum tempo depois, ele dedicou-se ao cultivo de sua própria horta que, segundo seu relato, merecia todos os cuidados e atenções quanto à adubação, espaçamento e regagem o que proporcionava um padrão uniforme e positivamente diferenciado que ajudava na fidelização da clientela.
Brincadeiras, definitivamente, não foram a tônica dos irmãos Sarkis em suas infâncias, as dificuldades de sobrevivência vivenciadas por qualquer família de classe pobre da época, em qualquer rincão brasileiro, foram um pouco mais severas com seus pais por sua condição de migrantes, não por conta de preconceito ou xenofobia mas, até mesmo, pela falta do domínio do idioma que, a duras penas, compreenderam mas nunca falaram com desenvoltura até suas mortes.
O afinco com que se aplicava no trabalho lhe permitia ajudar, como os demais irmãos, nas despesas familiares e, pouco a pouco mas de forma constante, juntar economias que lhe permitiram, aos 14 anos, já possuir duas pequenas casas, meia água é verdade mas um feito notável para tão tenra idade.
Tiveram, no entanto, a lucidez de avisar aos filhos que não se preocupassem em aprender o árabe, que cuidassem de falar a língua de seu país, o Brasil. E eles aprenderam bem começando a soletrar a palavra trabalho, paradigma que lhes organizou toda a vida tendo, como recompensa, sucesso, vitórias, bem estar, coerência, unidade familiar e religiosidade.
Ao comentar esta responsabilidade temporã, Simão afirma reconhecer que à infância devem ser reservados os direitos de brincar e, principalmente, estudar, mas questiona o exagero de quem advoga a total proibição de qualquer trabalho infantil, por mínimo que seja, uma vez que, se bem dosado e dentro de limites sensatos de tempo e intensidade, pode se tornar um valioso elemento formador de caráter e disciplina, dispersando a ociosidade má companheira ou o emprego mal dirigido do tempo das crianças e adolescentes, sem dúvida temas a merecer uma análise responsável de pais e pedagogos.
Tão logo atingiu a idade mínima que lhe proporcionava a compreensão básica e as noções fundamentais de responsabilidade e respeito às rotinas e aos ditames e preceitos familiares, Simão se iniciou na atividade de vendedor ambulante de charque e embutidos que, adquiridos em uma charqueada da cidade, eram fracionados em 13
Atrรกs: Juscelino, Simรฃo, Vera e Wagner Na Frente: Cristiane, Badra, Boulos e Clรกudio Foto de 1978
Os pais
No início do Século XX, o Brasil despertava, em pessoas de todo o mundo, atrativos de um Eldorado, uma nova terra prometida acenando a todos oportunidades de trabalho e riqueza para quem desejasse iniciar uma nova vida.
em São Paulo com os irmãos Toufic e Chafic que aqui se haviam radicado.
Graças a um amigo de Toufic, que morava em Uberlândia, o casal se conheceu. De passagem por São Paulo, este amigo conheceu Badra e resolveu promover o encontro entre os dois, foi a Uberlândia e, como um autêntico cupido, levou Boulos à capital paulista, os dois se entenderam, casaram no dia 23 de Março de 1928 e foram para Uberlândia, viver uma união que durou 55 anos.
Em 1876, o imperador brasileiro Dom Pedro II visitou o Líbano, buscando fortalecer laços comerciais e estimular a vinda de mão de obra que o Brasil precisava em seu incipiente processo de desenvolvimento agro industrial. Em 1880, partiu de Beirute o primeiro navio com migrantes em direção ao Brasil, fato que é considerado o marco oficial do início da migração libanesa.
A saga do casal na nova terra foi de pura luta e muitos sacrifícios. Após o início em Uberlândia e já nascidos os filhos Sarkis Paulo (Zezão) e José Paulo (Jorge), mudaram-se em 1931 para Ipameri, onde Paulo sustentava a família fazendo fretes numa carroça puxada a burro. Lá nasceram João, Rumenos, Farida, esta falecida com um ano, e Bernardo.
Foi em busca desse sonho que Boulos (Paulo, pelo documento da imigração brasileira) Sarkis Simão e Badra Sassim Gazelli chegaram ao Brasil, vindos de lugares diferentes do Líbano, sem se conhecerem, ele de Zgharta, em 1925, se estabelecendo em Uberlândia onde já estavam primos seus, ela da capital Beirute, em 1927, para morar
Com a saúde de Boulos debilitada por conta de esforços excessivos no trabalho, retornaram a 15
Boulos e Badra Foto de 1978
Uberlândia em 1939, reabrindo o pequeno açougue, sob o incansável comando de Badra. Ali nasceu, no dia 08 de Setembro de 1940, Simão Sarkis Simão, sétimo filho do casal, sexto dos homens, para compor uma irmandade que alcançaria a marca de treze membros e viria a se constituir num emblemático caso de êxito familiar.
tão que fizéssemos apenas o certo e isto era a regra primeira para nossas vidas. Minha mãe foi uma heroína incansável, no tempo do açougue acordava todos os dias às quatro horas da manhã, às vezes mais cedo, enquanto nós íamos para a Charqueada Ômega buscar carne para vendermos no açougue e de porta em porta. Eles nos fazem muita falta!”
Em 1957, teve início o êxodo da família rumo à nova capital da república, então em construção, primeiro Jorge e Simão e, depois, um a um até que, em 1960, vieram Paulo e Badra que se estabeleceram inicialmente em Taguatinga. Paulo e Badra, quando chegaram ao Brasil, não sabiam uma só palavra da língua portuguesa e aprenderam apenas o básico mas nunca se esforçaram para ensinar o árabe aos filhos, afirmando que o que eles tinham que saber falar era o idioma de seu país, o Brasil. Retornaram ao Líbano apenas uma vez, em 1967. Com apenas vinte e quatro anos, Simão construiu para os pais uma mansão no Park Way, proporcionando-lhes o merecido conforto após uma vida de dedicada labuta para dar sustento e educação aos treze filhos. Ali residiram até suas mortes, em 1983, ele no dia 12 de Maio e ela, no dia 20, apenas oito dias após. Com a voz embargada pela emoção, Simão define seus sentimentos e sua saudade sobre os pais: “Meu pai sempre foi um homem direito e firme, sempre nos ensinou que o certo era o certo, en-
Badra e Simão 17
Vera LĂşcia Sarkis
Depoimento
Sempre trabalhamos juntos e novos negócios foram surgindo. Abrimos uma loja na Asa Norte, e quando nasceu nosso primeiro filho, demos o nome dele à nossa loja na W-3 Sul, Wagner Refrigeração.
Vera Lúcia Sarkis
Vera, uma grande parceira!
Posteriormente, deixamos a atividade de comércio, investimos no segmento da construção e começamos a crescer mais fortemente, sem que isso nos impedisse de cuidar da educação dos filhos, era da escola para casa ou para as empresas.
Simão foi casado com Vera Lúcia Sarkis, com quem dividiu a primeira e decisiva etapa de seus negócios e a criação dos quatro primeiros filhos, Wagner, Juscelino, Cláudio e Cristiane. A seu respeito, Simão enfatiza tratar-se de uma grande mulher, de muita fibra e capacidade gerencial, decisiva no crescimento dos negócios e irrepreensível na educação dos filhos.
Em 1990, fizemos a divisão consensual das empresas e do patrimônio, dando aos filhos total autonomia nos negócios e, hoje, o formato de empreendimentos desenvolvido com nossos netos certamente será sucesso porque é feito sob forma de adesão, livremente compartilhados.
Sobre Simão, Vera relata grande respeito e amizade, nele reconhecendo uma fantástica capacidade empreendedora e um inigualável faro na conquista de resultados, registrando alguns pontos marcantes da relação que durou 25 anos.
Embora já não estando tão presente no cotidiano dos negócios, estou sempre por perto, à disposição para uma conversa, uma opinião, uma crítica construtiva, somos uma família e isto é o que mais importa!
“Quando nos casamos, em 16/02/1963, tudo o que tínhamos era uma lambreta sem partida, uma casa simples e uma oficina de refrigeração. Após um período com essa oficina, Simão a transferiu ao irmão Butruz, sua característica, ele sempre gostou de negociar.
Vera Lúcia Sarkis Administradora de empresas
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Revista BrasĂlia Março de 1957
A primeira visão de um sonho
As dificuldades experimentadas nos primeiros anos de vida e a natureza da relação familiar até os dezessete anos foram o molde decisivo na formação do caráter e o elemento indutor da arrancada rumo à independência pessoal e à construção de um traçado de vida formador de um perfil empreendedor irresistível, frenético e incansável, que a cada passo resultou na acumulação de êxitos, de patrimônio e de estímulo aos desafios seguintes.
Ao deixar Uberlândia em 1957, aos dezessete anos, Simão não sabia ainda exatamente como o faria, mas trazia consigo, junto com as poucas e simples mudas de roupa, uma convicção inabalável de que venceria na vida, conseguia enxergar com clareza que o mundo poderia lhe oferecer bem mais que o até então experimentado em sua cidade berço, onde não vislumbrava, naquele momento, perspectivas de progresso.
A Uberlândia de então nem de longe beirava a pujança de hoje, 2ª maior cidade de Minas Gerais, maior cidade do Triângulo Mineiro, 676.613 habitantes, 3º melhor IDH do Estado e 71º de todo o Brasil, taxa de escolarização de 94% na faixa etária de 6 a 14 anos e 160º lugar na renda por habitante entre os 5.570 municípios do País segundo dados do IBGE (2017).
Quem conhece o clã Sarkis, sabe que ele foi construído a partir da história de um casal de imigrantes que chegou ao Brasil nos anos de 1925 e 1927, encontrou-se quase numa casualidade e constituiu uma família disciplinada, laboriosa e muito coesa, na qual a nenhum dos integrantes foi permitido ignorar o aprendizado dos princípios básicos de respeito à família, solidariedade, religiosidade, respeito às normas sociais de conduta e trabalho árduo, como meio de sustentação único e de formação de caráter.
O Anuário Estatístico do Brasil, produzido pelo Conselho Nacional de Estatística – IBGE, indicava naquele ano de 1957, Uberlândia com 21
uma população de 54.984 habitantes, relativa à coleta censitária de 1950. Ainda segundo a mesma fonte, a Região Leste perdera, no fluxo migratório entre regiões, 804.255 pessoas (4,15% da população total), rumo às regiões Sul e Centro Oeste o que sugere claramente a busca por melhores oportunidades de trabalho. A economia do Município era caracterizada principalmente pela agropecuária extensiva, sem nenhum sinal da sofisticação tecnológica dos dias de hoje, e por um represado comércio atacadista, que se prenunciava forte, mas que não mais se expandia por questões político-econômicas, como relata Camilla Moreira Fernandes, mestra em ciências sociais pela Universidade Federal de Uberlândia – UFU: “Além disso, ao fim da década de 1940, o crescimento do comércio atacadista precisava da expansão e recuperação da malha rodoviária que lhe servia, ocupada até sua capacidade e em rápido processo de degradação. Não obstante, a região não tinha influência política suficiente para conseguir as verbas necessárias – pelo contrário, era prejudicada pela atuação de interesses ligados aos governos mineiro e goiano. O primeiro sempre havia buscado
Congresso Nacional. Foto de 1958.
a articulação econômica do Triângulo com Belo Horizonte, e continuaria a tomar decisões sobre a malha viária e a eletrificação do Estado com esse objetivo. O segundo, por sua vez, conseguiu evitar que a primeira estrada de São Paulo a Brasília passasse por Uberlândia, deslocando seu traçado cem quilômetros para oeste, até Ituiutaba, em favor de Goiânia. Foi a construção de Brasília que forneceu as condições políticas e econômicas para os investimentos em infraestrutura que, nos anos 1970, consolidariam a posição de Uberlândia como entreposto comercial e agropecuário, associado à indústria paulista. (A formação econômica e urbana de Uberlândia – XI Congresso Brasileiro de História Econômica) 22
Determinado e trabalhador, Simão certamente teria conquistado seu espaço na cidade natal mas, naquele momento, foi decisivo o incentivo do irmão José Paulo (Jorge) não só ao indicar-lhe o rumo como ao trazer-lhe para o canteiro de obras da futura nova capital da república. Brasília era um tudo a fazer gigantesco, havia espaço para todas as habilidades, todos os devaneios, todas as apostas, olhos empreendedores ali mal piscavam, enviando, mecanicamente, ao cérebro informações que rapidamente se transformavam em projetos ambiciosos. Era impossível não sonhar e com Simão não foi diferente. Aeroporto antigo
O primeiro trajeto foi percorrido de trem até Goiandira, 124 km desde Uberlândia, e de lá, até o destino final, de caminhão jardineira, mais 331 km, trazendo com eles uma carga de telhas de amianto para a construção do barracão que Jorge já planejara para abrigar a família e sua primeira empresa, a Elétrica Sarkis. Chegaram a Brasília por volta das seis e meia da tarde do dia 04 de Março de 1957, data oficial adotada por toda a família Sarkis como marco de sua chegada ao destino que veio a ser o de todos.
trouxeram e um colchão que conseguiram, para no dia seguinte bem cedo iniciarem a montagem do barraco, de madeira já que alvenaria era sonho inviável naquele momento. Em sete dias, tudo estava erguido, Jorge já cuidando de montar o seu estoque e a família também já desembarcando, com um rancho para lhe abrigar. Simão trabalhou com Jorge até Agosto daquele ano quando partiu para São Paulo, na empreitada que lhe serviu de trilho na história de sucesso que escreveu! Não enxergava dificuldades ou empecilhos, apenas degraus.
Na primeira noite, precisavam vigiar a pre ciosa carga que trouxeram, então combinaram que Jorge pernoitaria no Hotel Souza, na 1ª Avenida do Núcleo Bandeirante, enquanto Simão se arranjaria no próprio terreno onde iriam construir, improvisando um abrigo com as telhas que
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O desafio começara!
Depoimento Geraldo Estrela
Meu conhecimento com o Simão começou por volta de 1967, trabalhamos muito juntos, eu é que fiz a maioria dos seus projetos, que foram muitos. E eu ganhei muito dinheiro trabalhando com Simão porque ele tem uma virtude que é a de enxergar as pessoas, é um dom esse de ver quem está em volta, o que é muito raro porque normalmente o egoísmo é que prevalece, mas o meu amigo sempre teve o que eu chamo de privilégio de olhar para os outros.
meus dois filhos, que também são arquitetos, ainda prestam serviços para os filhos dele de vez em quando. O Simão sempre teve um papel muito importante dentro da família e para Brasília também, como grande empreendedor que é, ele tem uma sensibilidade rara de mercado e financeira, uma incrível capacidade de transformar prejuízo em lucro, quantas vezes o assisti negociando com as pessoas e eu me perguntava “como é que ele consegue?”. Tudo isso sem instrução formal quase nenhuma.
Então eu fiz, não todos mas a maior parte dos projetos de arquitetura para ele e sempre nos demos bem, enquanto ele esteve à frente dos negócios, depois ele passou pros filhos e eu também já fiquei velho (risos) e parei mas
Geraldo Estrela Arquiteto e projetista
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Foram vários empreendimentos juntos, Simão sempre pragmático e objetivo, um tino comercial espetacular, muita dignidade, muito direito, todos os negócios que fizeram juntos prosperaram, uma bela parceria e uma amizade muito sólida, que eu tive a felicidade de testemunhar.
Depoimento Aroldo Amorim Filho
E conto aqui um caso pitoresco. Meu pai sempre foi muito caseiro, de poucos amigos e vida social bem regrada. Me contou que certa vez Simão o convenceu a ir a uma pescaria no Araguaia e, na saída, o carro do Simão quebrou, ele não pestanejou, comprou um Dodge Dart RT zero para seguirem no programa.
Simão Sarkis foi grande amigo de meu pai, Aroldo Amorim e do meu tio Geraldo Amorim. Conheceram-se na década de 1970 e, juntos, tocaram vários empreendimentos em Brasília. Meu pai, engenheiro civil, nascido em Crucilândia-MG, 109 Km a sudoeste de Belo Horizonte, foi responsável pela pavimentação da Rodovia BR-040 no trecho entre Paracatu-MG e Brasília e, em 1959, se estabeleceu em Luziânia-GO com uma indústria de cerâmica. Em 1964, aproveitou os galpões da cerâmica e iniciou uma pequena criação de frangos que depois veio a se tornar a Só Frango, maior abastecedora do Distrito Federal por vários anos.
Um caminhão acompanhava a comitiva mas a pescaria não estava dando peixe e o Simão, que era muito jovem ainda, fazia tudo pra manter o pessoal “ocupado”, pegava o caminhão e dava um jeito de atolar só pra empurrarem e desatolar. Era o seu jeito brincalhão e divertido de conviver, sempre bem humorado e com altivez. Fico feliz em estar dando este depoimento hoje, 21 de Abril, aniversário de Brasília, porque essas três personalidades, Simão Sarkis, Aroldo Amorim e Geraldo Amorim contribuíram muito para o desenvolvimento desta Cidade. Aroldo Amorim Filho Empresário
Geraldo aqui chegou em 1970 e se associou ao meu pai na Só Frango e na Marajó Imóveis. Simão já era construtor quando se conheceram, sempre gostou do ramo e estabeleceram uma parceria que resultou na construção de vários edifícios na Asa Norte, Setor Bancário Sul, Cruzeiro e no que foi, à época, o maior prédio de Taguatinga, o Kingstonw Hotel. 25
De lambreta... até São Paulo
Chegando a Brasília em companhia do irmão Jorge, a meta urgente de Simão era a que sempre balizou sua vida, trabalhar. Aos dezessete anos, calejado na venda, porta a porta, de charque, embutidos e verduras produzidas na horta caseira em Uberlândia, além do aprendizado prático em refrigeração e eletricidade, Simão entendeu que uma especialização poderia ser o diferencial que lhe permitiria um espaço mais promissor no mercado de trabalho.
Não teve maiores dificuldades em assimilar técnicas de refrigeração, já iniciado na prática que era, além de curioso e disciplinado, logo ganhando destaque entre os funcionários da empresa, inclusive dentre técnicos mais antigos, ganhando, por isto, a simpatia do proprietário da empresa, que passou a lhe distinguir com um tratamento bastante cordial que incluía passeios familiares à praia em fins de semana, nele enxergando um futuro promissor no qual, empresa e empregado, poderiam obter bons resultados.
O irmão Jorge, anjo da guarda primeiro de todos os irmãos da família, cuidou de lhe conseguir um estágio na Refrigeração Ipiranga em São Paulo e, sem pestanejar, Simão se pôs em marcha de uma forma mais que corajosa e aventureira, montado em uma Lambreta, percorrendo mais de 1.100 quilômetros sem um metro sequer de asfalto, o trecho paulista todo em chão batido, aguado todo dia e os de Goiás e Minas buraco só, tudo isso em dois dias e meio de viagem.
No entanto, o destaque alcançado não demorou a produzir a mais comum das reações, partidas dos superados em qualquer processo de concorrência, o ciúme. Um funcionário mais antigo e que se sentiu preterido nas ascensões funcionais, passou a implicar de forma sistemática com Simão, que procurou ignorar as provocações que lhe eram feitas pelo gratuito oponente. 26
Simão Sarkis e a lambreta
O desfecho da contenda foi, pelo menos em parte, previsível, o patrão demitiu o funcionário encrenqueiro, que exorbitou nas intrigas e futricas, e tudo parecia caminhar para a normalidade. Mas a metade inusitada veio logo a seguir, ao sair da empresa em sua lambreta, Simão viu avançar sobre ele, faca em punho, o raivoso oponente e, como defesa, desviou a lambreta derrubando-o e, ele próprio, girando por cima esquivando-se de um golpe que poderia ser fatal.
defesa e segurou, pela lâmina, a faca do agressor sofrendo séria lesão em nervos e tendão da mão, mas tudo conseguiu se arrumar. Dias após, outro preocupado e diligente irmão, João Sarkis, chegou a São Paulo para convencer Simão a retornar de imediato a Brasília, deixando pra trás o desagradável episódio mas levando consigo, após oito meses de estágio, um acervo técnico que lhe seria da maior importância.
Um outro funcionário da empresa, Sr. Francisco, ao perceber o confronto, correu em sua 27
Depoimento Rosa Maria Alves Machado
Quando conheci Simão, eu tinha 19 anos, e ele 52, eu estudante e funcionária em gabinete parlamentar em Uberlândia. Mantivemos um relacionamento, do qual nasceu nossa filha Elizabeth Machado Sarkis, a caçula de Simão.
exercendo a minha profissão de maquiadora e ministrando cursos na área.
Com o fim do romance, Elizabeth permaneceu comigo em Uberlândia até os 17 anos, quando veio para Brasília para cursar faculdade. Eu permaneço em Uberlândia até hoje
Sobre Simão, mantemos uma amizade cordial e só tenho elogios para sua conduta, pelo máximo desvelo que sempre nutriu por nossa filha e por mim própria, ambas recebendo todos os cuidados e atenções. Só tenho a agradecer a ele, muitas coisas, só agradecer! Ele foi uma pessoa muito boa na minha vida, terminamos mas não ficou nenhum ressentimento e, além de tudo, ele é o pai perfeito da minha filha. E os dois tem o mesmo gênio, eu nunca vi pai e filho parecerem igual aos dois. Gênio muito forte, decidido, não é não, sim é sim, não volta atrás e quando quer alguma coisa vai em busca.”
Rosa Maria Alves Machado Maquiadora
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Depoimentos Cláudio e Alexandre Melken Alexandre Melken
O que falar de Simão Sarkis Simão?
Homem de poucas palavras mas de muitas atitudes, trabalhador, visionário e muito à frente do seu tempo.
Cláudio Luis Alves Melken
Tive o privilégio de ter sido criado por um homem de tantos valores e de muitos ensinamentos.
Admiro o seu idealismo, foco e atitude sempre positivos, não importando as circunstâncias ou os obstáculos.
A generosidade faz parte da sua essência e fazer o bem aos que estão próximo é a sua maior virtude!
Dono de uma generosidade ímpar, sempre se mostrou aberto a ajudar, das mais diversas maneiras, as pessoas. Homem de postura forte e coração mole como manteiga derretida.
Que essa data tão especial seja perpetuada por muitos e muitos anos.
Sou grato pelo direcionamento que me deu e pelos ensinamentos proporcionados ao longo de 40 anos de uma convivência enriquecedora.
Desejo muita paz e, principalmente, muita saúde.
Cláudio Luís Alves Melken Cirurgião Dentista e Empresário
Alexandre Melken Médico Veterinário
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São os meus sinceros votos
Palรกcio da Alvorada Foto de 1962
Sem tempo a perder Loja na W3 Sul 1963
De volta a Brasília, Simão abriu sua primeira empresa, uma oficina de refrigeração no Núcleo Bandeirante, atuando também na assistência técnica e instalação de sistemas de ar condicionado. Serviços não faltavam e os registros da boa qualidade técnica e da pontualidade se difundiam rapidamente, como ótima propaganda, atraindo empreitadas cada vez mais sofisticadas.
A partir daí, já bem capitalizado, empreendeu no Setor de Empresas Públicas da Asa Norte, onde construiu três prédios de seis pavimentos, depois no Setor Comercial Norte, três outros de três pavimentos e, em 1979, o Garvey Park Hotel, primeiro apart-hotel construído no Brasil.
Dentre os sistemas de refrigeração que instalou, os da Rodoviária do Plano Piloto, do Palácio da Alvorada e do Hotel Nacional serviram para lhe dar maior renome e credibilidade, servindo como verdadeiros cartões de visita do seu organizado e eficiente trabalho.
Já estava definida a construção civil como opção prioritária de negócio, a conjugação de rentabilidade, liquidez e segurança não permitia dúvidas sobre o poder multiplicador do segmento em qualquer de suas vertentes, incorporação, construção, hotelaria ou administração.
Em 1959, ocorreu a mudança para a W-3 Norte, agregando a venda de peças de refrigeração e material elétrico mas mantendo a linha de serviços, trazendo ainda maior visibilidade e, pouco mais de um ano depois, mudaria para a Quadra 513 da W3 Sul, em imóvel do irmão Jorge, onde ficou até 1963 quando adquiriu três terrenos na 512 Sul e construiu uma bela loja. Em seguida, abriu uma filial em Taguatinga e uma outra na 516 Sul.
Contrariando os prognósticos agourentos dos opositores de Juscelino Kubitschek, eivados de incredulidade ou má fé política, Brasília avançava a todo vapor, as perspectivas e possibilidades eram evidentes, apenas requerendo fé e trabalho aos que apostaram na nova capital e estes dois itens foram a matéria prima que impulsionou todos aqueles de sobrenome Sarkis que para cá vieram, um a um, semear suas sementes de vida e trabalho. 31
Depoimentos Abalém João Simão foi casado com minha irmã Vera, se separaram mas continuaram juntos nos negócios. Ele é meu primo mas o considero como meu amigo, meu irmão, meu pai. Ele é sempre prestativo e pronto para ajudar. Nos negócios, enxerga muito além, provavelmente onde poucos conseguem enxergar, por isso muitos não começam um negócio sem antes consultá-lo.
Noraldino Júnior Simão Sarkis é meu grande amigo e mentor, na sua companhia vivemos grandes momentos maravilhosos e inesquecíveis, os quais fortaleceram ainda mais o laço de amizade existente entre nós. Gratidão por todos os seus ensinamentos e oportunidades!
Nós abrimos uma loja em Goiânia, em sociedade, éramos três sócios, ele, eu e um outro, depois ele vendeu a parte dele para o meu irmão e compramos a parte do outro sócio. Em seguida, pensamos em abrir uma fábrica e ele foi contra, falou para não fazermos aquilo. Insistimos no negócio e quebramos a cara.
Espero continuar aprendendo e crescendo com sua parceria, cumplicidade e companheirismo.
Tenho muita gratidão a ele, pela mão sempre estendida, por cada puxão de orelha, cada direção, cada conselho.
Muito bom poder parabenizá-lo por mais este ano de vida, felicidade hoje e sempre com as bênçãos de Deus. Um grande abraço.
Abalém João Gerente Industrial
Noraldino Júnior Aposentado
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Paulo Fonsêca Conheci Simão Sarkis há mais de 50 anos através da apresentação de amigos comuns e, com a convivência, formei em relação a ele um conceito raro de decência e honorabilidade, difícil nos nossos dias.
Depoimentos
Sou carioca, fui funcionário público e comecei a vir a Brasília em 1958, ainda na construção, vinha a serviço, a família veio em 1970. Aqui, fui diretor da Terracap e do DLFO – Departamento de Licenciamento e Fiscalização de Obras e fui o segundo administrador de Brasília, todos cargos de muita influência e poder decisório. Mas em todo esse longo período de convivência, jamais ele se aproximou de mim para fazer qualquer tipo de solicitação, embora sendo ele um empresário da construção.
Gilberto de Souza e Silva Corretor de imóveis, intermedeia compra e venda de imóveis para Simão há mais de quarenta anos e reputa o amigo parceiro como uma pessoa humana, sincera, generosa e prestativa, sempre disposto a ajudar amigos e, não poucas vezes, até estranhos.
Resume Simão numa frase: “A vida de Simão é, por si só, uma prestação de serviços!”
Eu digo que tive muitos “amigos” mas que não eram, de fato, meus amigos, eram amigos dos meus cargos, amigos da autoridade. Agora, amigo pessoal mesmo, são poucos mas o Simão é um deles. Tornamo-nos, simplesmente, amigos no melhor sentido, pescamos juntos, mas nunca misturou as coisas, nunca buscou benefícios ou favores pessoais, por isto eu o admiro.
Gilberto de Souza e Silva Corretor de imóveis
Paulo Fonsêca Ex-Administrador de Brasília
Segundo Gilberto, Simão é franco, objetivo e não extrapola os limites da negociação saudável, ou seja, nunca busca vantagens abusivas ou a prevalência da liquidez financeira além dos limites do bom senso.
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Juscelino Kubitschek Foto de Abril/1960
Um cliente VIP
Eram passados uns três meses do retorno de São Paulo e da abertura da oficina de refrigeração, quando, num começo de manhã, Simão recebeu uma visita inesperada, cujo desdobramento foi uma das experiências mais marcantes de sua vida.
ocupação de ir num lugar tão distante e não dar conta da empreitada. O militar insistiu para que fosse pois era urgente dar uma solução, Simão se inteirou do modelo do equipamento, uma geladeira de seis bocas com compressor marca Atlas, concluindo que dava para garantir o serviço. E partiram.
Um militar, ajudante de ordens da Presidência da República, procurava um mecânico de refrigeração e alguém no Núcleo Bandeirante lhe informou “tem um menino que chegou aí há pouco tempo e tá com uma oficina em tal lugar”. Chegando na oficina, se apresentou dizendo que precisava de alguém para ir com ele até a Ilha do Bananal consertar um equipamento num hotel que o governo federal estava construindo.
Chegando lá, ao entrar na cozinha, teve uma enorme surpresa, sentados à mesa um punhado de militares e assessores e ninguém menos que o Presidente Juscelino Kubitschek, que travou com seu mensageiro o seguinte diálogo: - E aí, trouxe o mecânico? - Trouxe, o mecânico é este aqui! - Mas quem veio aqui antes não deu conta, este menino vai dar conta?
Simão, modestamente, explicou que havia se iniciado há pouco na profissão e que tinha pre35
Segundo Simão, o espírito jovial lhe valeu, não ligou para a dúvida do Presidente e foi consertar a geladeira. Algum tempo depois, apareceu novamente Juscelino, que lhe convidou para almoçar e ele respondeu que preferia terminar o serviço primeiro, ao que o presidente mandou lhe servir sanduíche e refrigerante. Lá pelas duas horas, descobriu o defeito, haviam colocado muito gás na geladeira e isso jogou o óleo do compressor para dentro do condensador.
insistindo que ele se sentasse mesmo ao seu lado. Quando terminaram, perguntou-lhe se queria ir com eles de barco até São Félix do Araguaia, seis quilômetros de barco, convite que foi prontamente aceito. O passeio durou, mais ou menos, duas horas e, no dia seguinte pela manhã, retornou a Brasília trazendo consigo um cartão de visita que o Presidente fez questão de lhe entregar. Estava lançada a semente de uma definitiva amizade! O Presidente Juscelino Kubitschek sonhava transformar parte da Ilha do Bananal em um balneário internacional. Inaugurado em 1961, imponente e moderno às margens do Rio Araguaia, o Hotel JK foi destruído num incêndio em 1990 e não mais se falou em reconstruí-lo. Seu terreno hoje pertence a uma aldeia da tribo indígena Karajá.
Simão relata com precisão o desfecho: “Fui tirando o óleo devagarzinho porque produzia muita fumaça, quando saiu o óleo todo tirei o cabeçote, lixei e troquei as válvulas do cabeçote, montei, troquei a válvula de expansão, que é a que faz gelar e novamente o Presidente perguntou “e aí, vai gelar?” e eu “deve tá começando a gelar agora”. Ele foi lá, colocou o dedo no condensador, o dedo colou e ele “Uai, mas tá gelando mesmo!”
“De fato, o que eu pretendia em relação a Bananal era plantar um posto avançado da civilização em plena bacia do Araguaia, capaz de auxiliar o Brasil a contemplar a obra de integração, iniciada com a construção de Brasília.” Juscelino Kubitschek – Por Que Construí Brasília (Editora Senado Federal - Pág. 414)
Terminado o serviço, Juscelino fez questão que o “menino” jantasse com ele e seu stafe e contornou habilmente a tentativa de um ordenança para colocar o convidado em lugar mais afastado, 36
Depoimento Benedito Pereira Neto
Simão Sarkis e Brasília cresceram juntos. Eu o conheço ainda do tempo da construção do Garvey Park. Nosso primeiro contato foi quando, em parceria com o amigo Gilberto de Souza e Silva, vendemos uma área grande que ele tinha no Conic para o empresário português radicado no Rio de Janeiro, Luiz de Mattos, o negócio foi muito bem sucedido e estabeleceu-se uma relação de confiança que avançou para amizade, graças a Deus.
nha atividade e na minha primeira compra de imóvel em Brasília, para o que ele foi meu incentivador e avalista. Tudo isto me leva a considerar Simão um pai para mim, um coração gigantesco, que age desinteressadamente só para ter o prazer de ajudar. E quando a gente pensava que ele estaria tirando o pé do acelerador, ele nos mostra que passa bem longe dele a ideia de aposentadoria e nos brinda com diversos projetos de grande envergadura, dentre os quais um shopping center em Brasília, outro em Uberlândia, além de condomínios em Paracatu e Araguari. Não tenho dúvida, qualquer dúvida: o oxigênio de Simão Sarkis é o trabalho!
Eu passei a morar no Garvey, mudei pra lá em 1984, vendi muitos apartamentos de lá e, em seguida, uma área que ele tinha na 703 Norte para uma igreja, negócio árduo e demorado, porque a matriz da compradora ficava em Seattle nos Estados Unidos e eles eram detalhistas e cautelosos, mas foi concluído com êxito absoluto o que solidificou ainda mais nossa parceria. A partir daí, foram negócios atrás de negócios e, além de fechar vários com a minha participação, me fez várias indicações a amigos, o que me fez prosperar bastante na mi-
Benedito Pereira Neto Empresário do ramo de corretagem de imóveis, amigo de Simão há 37 anos
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Depoimento Laudenor de Souza Limeira
Nascido em Caruaru-PE, aos 04//03/1933, lá permaneci até os dezoito anos, quando me transferi para São Paulo e, em 1960, vim para Brasília. muito sadios, tudo na palavra, não precisava nada escrito. Tenho por ele um respeito muito grande, por essas qualidades, pela responsabilidade e pelo trabalho.
Em 1967, tive a felicidade de conhecer Simão Sarkis, quando construímos juntos uma loja na 512 Sul, ele tinha o lote da esquina e eu tinha o de fundos, ele usou a loja por uns tempos e depois negociamos o prédio com a Casa dos Parafusos.
Foi graças a pessoas como ele que Brasília se viabilizou, nós tínhamos um presidente visionário, obstinado, mas ao entusiasmo de JK se somaram os sonhos e a coragem de quem acreditou, veio para cá, empreendeu, venceu!
Simão, já na época, era muito bem relacionado com um grande volume de negócios e assim fomos levando até a época atual. Dele, adquiri unidades do Lake Side e do Garvey Park.
E nós vencemos! Um abraço, amigo Simão! Laudenor de Souza Limeira Empresário - Rede Cascol
Simão é uma excelente criatura, íntegro e correto, todos os negócios que fizemos foram
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Depoimento Manoel Paulo de Andrade Neto
Conheço o Simão há mais de trinta anos e o considero uma fortaleza, um guerreiro, alguém que sempre teve visão muito adiante do seu tempo, não olha pro hoje, enxerga horizontes e pensa o Brasil lá na frente!
e duradouras, a sua personalidade parece haver sido moldada à imagem da própria Brasília de Juscelino, ousadia, arrojo, capacidade de realizar o que planeja, sem hesitações ou recuos e Brasília lhe deve uma boa cota de reconhecimento pelo que aqui empreendeu.
Impressiona-me a forma com que concilia a firmeza e objetividade de sua realização empresarial com a índole generosa e humanista, rara, é bom que se diga, no mundo de hoje. Eu entendo que essa capacidade de conciliar características aparentemente conflitantes deveria ser não só conhecida por um universo muito maior de pessoas como, até mesmo, estudada de forma acadêmica, por ser um modelo raro e poucas vezes visto com tal competência e solidez. Nada do que ele faz é casuístico, todas as suas propostas e realizações tem bases sólidas
Se tudo isto não bastasse, é um amigo na melhor acepção da palavra, presente, solidário, franco nas opiniões e com um coração infinito. A melhor forma de deixar evidente minha admiração por Simão é dizer que o tenho como uma matriz a que se deve copiar, eu o reverencio como pessoa, como empresário, como amigo e como paradigma para a nossa e para as próximas gerações! Manoel Paulo de Andrade Neto Conselheiro do Tribunal de Contas do Distrito Federal
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Os grandes empreendimentos
Garvey Park, pioneirismo no Brasil
Em 1976, Simão levou a família para passar uma temporada nos Estados Unidos, uma espécie de intercâmbio coletivo particular, permitindo que todos se familiarizassem com o idioma comercialmente mais importante e com hábitos e cultura da maior economia do planeta.
Era coisa de primeiro mundo, como definiu Simão a si próprio e, na viagem de volta inteira, pensou que a descoberta viera bem a calhar pois adquirira uma projeção na Quadra 02 do Setor Hoteleiro Norte SHN. A decisão foi imediata, iria construir aquele que, orgulhosamente, ele comemora como havendo sido o primeiro empreendimento do gênero em todo o Brasil.
Ele próprio adotou uma ponte aérea regular, quinze dias nos EUA e outra quinzena aqui, administrando negócios que não podiam esperar nem prescindir de suas decisões. Lá, conheceu uma modalidade de empreendimento do qual ainda não ouvira falar por aqui, os apart hotéis ou flat services, edifícios de apartamento administrados em regime de hotelaria, nos quais os proprietários das unidades se beneficiam da disponibilização comum dos serviços e da flexibilidade de poder morar, alugar por temporada ou com periodicidade regular.
As vendas foram um sucesso, o empreendimento foi inaugurado em 27 de Abril de 1983, com 100% das unidades comercializadas, sendo 12 pavimentos, 456 apartamentos e 03 sobrelojas e hoje, já com outra operadora, administra regulamente o empreendimento, em regime misto de apart hotéis e unidade hoteleira. 41
Kingstown Hotel
O resultado espetacular do Garvey estimulou a construção de outro empreendimento similar, o Kingstown Hotel, na mais importante cidade satélite do Distrito Federal, Taguatinga, desta feita em parceria com investidores amigos,
os irmãos Geraldo e Aroldo Amorim, um prédio erguido em 10 pavimentos e com 136 unidades, posteriormente vendido a outro grupo e hoje funciona como hotel e apart hotel. 42
Edifício Parque Cidade Corporate
Em 2009, em parceria com a subsidiária brasileira da canadense Brookfield Asset Management, a Sarkis Empreendimentos entregou a Brasília o seu mais arrojado empreendimento comercial, na Quadra 6 do Setor Comercial Sul, às portas do Parque da Cidade, que terminou dando nome ao magnífico empreendimento.
taurantes, cafés e praça interna, além de automação predial completa.
Composto por 3 torres de 12 pavimentos para uso comercial, 7 subsolos, 4.825 vagas de estacionamento e área construída total de 220.000 m², o Parque Cidade Corporate simboliza o que há de mais moderno e funcional na capital do país, com centro de convenções, 05 bancos, res-
Na visão de Simão Sarkis, este foi mais um excelente negócio, lucrativo em termos financeiros e transcorrido dentro da mais tranquila normalidade, com ambas as partes declarando-se plenamente recompensadas com o andamento da parceria.
O Grupo Simão Sarkis, cessionário da área, ficou com uma das três torres, 33% da área edificada, à qual adicionou aquisições feitas junto à própria parceira, após a conclusão da obra.
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Lake Side Apart Hotel
Ao adquirir o terreno localizado no Setor de Hotéis de Turismo Norte SHTN, às margens do Lago Paranoá, Simão já havia idealizado a utilização que seria dada ao investimento. Estimulado pelas duas experiências anteriores, a construção de mix hotel e apart hotel que aproveitasse adequadamente a esplêndida localização, quer sob o ponto de vista de natureza, quer sob o de acessibilidade aos principais pontos de desti-
no da cidade, ministérios, tribunais, repartições públicas e sedes de bancos oficiais. O projeto arquitetônico previu, e executou, 720 unidades sendo 360 quartos de hotel, medindo entre 38 m² e 98 m² e 06 blocos, com 60 apartamentos cada, de 01 e 02 dormitórios medindo 58 m² e 96 m² respectivamente. 45
Ed. Mandacaru SEPN 712/912
Olympus Hotel SIA Quadra 1C
Ed. Inep SRTVS Quadra 701
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Depoimentos
Fernando Queiroz A ilustre figura de Simão Sarkis é um conceito unânime no meio empresarial de Brasília. Tive a grata oportunidade de conviver com ele social e profissionalmente. Sua simplicidade e modéstia são contagiantes. Além disso, sua competência e seriedade são inquestionáveis.
Izalci Lucas
Resumo esta amizade em uma frase: ‘Foi uma honra conhecê-lo, você faz parte da história de nossa cidade
Simão Sarkis é um símbolo e uma referência para todos nós que viemos para a nova capital em busca de um futuro melhor para as nossas famílias. Tenho por Simão grande carinho e admiração. Um exemplo de empreendedor e de um homem à frente de seu tempo
Fernando Queiroz Presidente Via Engenharia
Izalci Lucas Senador da República (DF)
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Depoimento Eduardo Gomes
Eu quero aqui falar de um grande amigo, de um grande companheiro, de um grande brasileiro que é o meu querido Simão Sarkis. Primeiro, porque ele é um exemplo para todas as gerações, um cidadão de bem, um homem trabalhador que acreditou no sonho de Brasília e que teve a felicidade de, nesse momento da sua vida, conhecer o idealizador, o realizador desse sonho brasileiro que foi Juscelino Kubitschek.
jovem, trabalhando como eletricista e em todos os serviços que naquele momento eram demandados na nossa nova capital brasileira, e que alcançou o sucesso empresarial que sustenta até os dias de hoje como um grande modelo de vencedor que é. Não é fácil vencer na vida empresarial e o grande detalhe que eu tenho a falar sobre Simão Sarkis é que ele conseguiu vencer sem perder a generosidade, sem perder a capacidade de ajudar milhares de pessoas que tiveram a sorte de ter contato com ele e foram encaminhadas na vida, quer num custeio de um curso universitário, quer na área da saúde. Então se existe uma pessoa que Deus deu a possibilidade de vencer na vida mas que
Mas eu entendo que se o Simão Sarkis teve a honra de conviver com Juscelino Kubitschek, eu posso dizer, sem nenhum risco de falso testemunho, o Presidente Juscelino Kubitschek também teve a honra de conhecer Simão Sarkis, um cidadão que começou muito
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Mensagem do Presidente
Meu prezado Simão Sarkis,
Eu estou aqui, bem acompanhado do nosso amigo Eduardo Gomes, para te mandar um grande abraço e agradecer o apoio e a consideração. Até qualquer dia, se Deus quiser.
OK, Simão, valeu! Presidente Jair Bolsonaro e Senador Eduardo Gomes
soube repartir isso com aqueles que mais precisavam, essa pessoa é o Simão Sarkis.
leiro que fez diferença no seu tempo, que soube vencer dividindo o seu sucesso com aqueles que mais precisavam.
Por isso, nada mais justo esse registro, que sintetiza tudo aquilo que um homem fez no seu tempo e eu tenho muito orgulho de ser admirador e amigo do Simão. Fica a ele e a toda a sua família a minha homenagem a um brasi-
O meu grande abraço ao amigo Simão. Eduardo Gomes Senador da República (TO)
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Depoimento Youssef Sarkis Maraoui
Quem, em Brasília, não conhece ou, pelo menos, já ouviu falar dos restaurantes ARABESKE, BEIRUTE e CEDRO DO LÍBANO, três pérolas da culinária árabe na capital da república?
Youssef, aos 88 anos, completados em 03 de Agosto de 2020, e conservando sotaque libanês, falou, muito feliz, sobre o amigo Simão: “Eu sou da mesma cidade dos pais dele, Zgharta, o avô dele era primo do meu avô, parece. Ah, realmente, ele como pessoa é muito boa pessoa, demais, é homem muito trabalhador e muito simples, e eu gosto disso, ele apareceu muito na televisão, muitos negócios, mas sei que nem gosta disto.
Por trás do sucesso de muitos anos destas maravilhosas cozinhas, sempre esteve Youssef Sarkis Maraoui, libanês de Zgharta e que veio ao Brasil, visitar um irmão que morava em Londrina-PR e terminou mudandose de vez para cá.
Somos amigos de muitos anos, nos encontramos sempre, a família dele toda é de gente boa, foram quatorze irmãos, morreram quatro. Ele faz um kibe tão bom quanto o meu (risos) e ele merece tudo de bom. Um abraço, amigo Simão.
Os avôs de Simão e Youssef, como indica o próprio nome, possuíam laços de parentesco (primos, aparentemente) e aqui aconteceu o previsível contato e a longa amizade que os une até hoje. Simão, ele próprio gourmet e chef de reconhecidas habilidades no preparo de petiscos árabes, sempre se valeu dos serviços impecáveis do Arabeske em reuniões e jantares de família.
Youssef Sarkis Maraoui Empresário
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Depoimento Geraldo e Nelson Piquet
O que conhecemos de Simão Sarkis é o que todos falam mas tivemos oportunidade de constatar pessoalmente, uma alma que não tem tamanho, que nunca hesita em ajudar ao próximo e tem, anonimamente, um “escritório da bondade”, onde atende a quem se socorre dele para pedir alguma coisa, quase uma romaria.
um pouso de emergência numa plantação de soja, sendo socorridos pelo pessoal da fazenda. Conversa vai, conversa vem, quando eu mencionei que era amigo de Simão, foi quase uma festa, com relatos de ajuda que ele tinha dado a pessoas da região. Em síntese, é um personagem que virou um mito, sempre com a cara alegre e a serenidade daqueles que fazem o bem de forma desprendida e despretensiosa.
Testemunhamos uma situação na qual, para socorrer um rapaz de origem pobre, acidentado de moto e que, não conseguindo cirurgia pelo sistema público, estava prestes a perder os movimentos das pernas. Simão, prontamente, custeou o procedimento e o rapaz recuperou total mobilidade.
Nossa amizade foi se estendendo e passando às gerações seguintes, hoje somos amigos de seus filhos e netos, o que nos permite felicitá-lo por vermos que todos seguiram a mesma trilha de integridade, correção e amor ao próximo.
Noutra passagem interessante, quando eu, Geraldo, vinha de Botucatu, num aviãozinho pequeno, sofremos uma pane na região do triângulo mineiro e fomos forçados a fazer
Geraldo e Nelson Piquet Empresários
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Fazenda Cruz Preta 52
O agronegócio
Nem tudo foi construção ou comércio no mundo de negócios de Simão Sarkis. A atividade rural ocupou uma significativa parcela de tempo, correndo em paralelo com os negócios urbanos. Entre 1974 e 2016, foram várias as fazendas por ele adquiridas nos estados de Mato Grosso, Minas Gerais e Goiás, todas tendo como foco prioritário a pecuária de corte, nos segmentos de cria, recria, engorda e confinamento.
Fotos da Fazenda Cruz Preta
Tudo começou no Mato Grosso com a Fazenda 3S, adquirida em 1974, depois a Agropasa, em 1976, nos municípios de São Félix do Araguaia e Alto Boa Vista, explorando as atividades de cria e engorda. Posteriormente, direcionou a atividade para o estado de Minas, ao adquirir a Fazenda Cruz Preta, em Estrela do Sul, onde desenvolveu confinamento, e outras fazendas nos municípios de Patrocínio, Monte Carmelo e Romaria, estas no sub segmento de engorda. Em Goiás, a Fazenda Sonho Verde, no Município de Luziânia, teve como objetivo principal a recria.
Simão registra haverem sido negócios como quaisquer outros, cheios de desafios e dificuldades, mas muito prazerosos e que lhe renderam resultados financeiros dentro das expectativas. Quando parou, é porque entendeu a conveniência de concentrar seu foco exclusivamente na atividade imobiliária. 53
Depoimento Renato Teixeira Alves de Lima
Falar sobre o Sr. Simão é fácil e difícil! Fácil porque são tantas coisas boas que não temos dificuldade de elencar e difícil porque falar de pessoas que amamos não é fácil, não o considero como um pai e sim como um irmão, pois apesar da idade possui uma juventude admirável!
ca. Observei que não era servidor do hospital, perguntei quem era e me informaram que se tratava de um bombeiro voluntário, de nome Ofredi, mandei chamá-lo para agradecer e entender o que estava havendo. Atencioso, o bombeiro informou que estava ali com material e serviço custeados anonimamente pelo Sr. Simão Sarkis.
Poderia aqui contar inúmeras histórias de boas ações a favor de terceiros anônimos, pagamento de escolas, faculdades, doação de carro para pessoas carentes, mas seria um livro somente para o que eu conheço mas não é o propósito, como médico irei me ater as histórias de saúde.
Soube, então, tratar-se de alguém de grande importância na construção de Brasília e, quando tive o privilégio de conhecê-lo, vi tratar-se de uma pessoa diferenciada. Surgiu, ali, uma amizade duradoura da qual não me canso de aprender lições.
Em 2010, eu era o Diretor Geral de Saúde do HRAN, no Distrito Federal, e passando por um corredor, me chamou a atenção um rapaz arrumando a iluminação de um corredor e, no outro dia, uma enfermaria da ala pediátri-
Mostrei para ele uma foto de uma pessoa com câncer de boca, uma imagem que até aos médicos chocava, o paciente, sem chances de cura, já havia usado tudo o que existia para dor e nada resolvia. Sensibilizado, mandou buscar
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em Uberlândia um medicamento que já havia comprado para um familiar e que foi um grande paliativo para o paciente, até sua morte.
mento médico-cirúrgico, os abrigava em sua própria casa, dando hospedagem, alimentação e todo o suporte necessário.
No consultório, recebi uma paciente, sem plano de saúde, com passado de uma cirurgia de vesícula que me informou haver sido operada em hospital particular com tudo pago por Simão Sarkis. Perguntei de onde ela o conhecia e descobri que simplesmente pediu ajuda, sem o conhecer e ele providenciou tudo. Em 20 anos de profissão, nunca havia visto isso!
Certa feita, o Sr. Simão já havia providenciado para que um paciente fosse operado em clínica privada de Goiânia mas, chegando lá, o paciente foi informado que a clínica não aceitava cheques. Com a cirurgia cancelada, o paciente retornou entristecido para Brasília. Assim que tomou conhecimento, o Sr. Simão ligou para o médico e trouxe-o a Brasília para operar o paciente aqui mesmo.
Como cirurgião do aparelho digestivo, comecei a atender, a pedido do Sr. Simão, pacientes com obesidade grave e muito sofrimento. Me ligava como se os conhecesse, porém quando chegavam até mim, descobria que, na verdade, nem os conhecia, mas mandava buscá-los de avião em Estrela, Monte Carmelo e Araguari e, além de providenciar o atendi-
Difícil de entender para a maioria das pessoas, entendo, simplesmente, que Deus tocou o seu coração e lhe deu o dom da bondade e que jamais vai parar. Renato Teixeira Alves de Lima Médico Cirurgião
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A divisão dos negócios
Mais de trinta anos após o início da vida empresarial, na pequena oficina de refrigeração no Núcleo Bandeirante, e já consolidado como grupo empresarial da maior solidez financeira e patrimonial, Simão entendeu haver chegado a hora de uma reflexão sobre o futuro dos filhos, como seus sucessores e gestores de seus próprios caminhos empresariais. Exemplos concretos de quebra de conglomerados tradicionais, considerados poderosos, logo após o desaparecimento do fundador, levaram-no à conclusão de que o tema sucessão x continuidade deveria ser tratado naquele momento com o maior senso de realidade e pragmatismo. Seu relato é emblemático, a visão de que a sucessão não é uma mera passagem de trono, não basta entregar um patrimônio construído às custas de muito trabalho e sacrifício, erros e 56
acertos, o fato é que não se transfere automaticamente o DNA da empresa e do empreendedor, é indispensável o aprendizado no melhor estilo “ralando o joelho”.
Passando anos, anos e o negócio não estava engrenado, estava indefinido. Porque é difícil, as pessoas pegam pronto e acham que tudo é lucro, mas não é, ali teve trabalho, trabalho e muito trabalho para chegar aonde chegou. Mas cada um tem uma cabeça...
Diz ele: Trabalhamos juntos toda a vida, uma empresa só. Mas, com o tempo, eu vi situações em que amigos faleceram antes da hora, sem prevenir racionalmente a questão da sucessão e as empresas desapareceram em poucos anos. Isso me alertou porque a gente veio pelejando, juntando, mas cada um tem uma cabeça! Então, em 1990, eu chamei a Vera e disse vamos dividir as empresas e assim fizemos, separamos em duas empresas, eu trabalhando com um grupo e a Vera com outro, dois filhos e dois filhos.
Falando friamente, ficou claro que o patrimônio estava diminuindo. Fizemos uma reunião e os filhos falaram “o senhor vai voltar para ajudar a gente a administrar as empresas, cada um vai administrar mas o senhor vai ajudar. O retorno de Simão foi providencial, além de reequilibrar o modelo de gestão, trouxe uma nova proposta de negócios, ambiciosa e desafiadora mas perfeitamente factível por ser baseada no reagrupamento familiar em torno de novos projetos compartilhados, por adesão, pelos filhos e netos, conforme veremos no capítulo O Maior Desafio.
Num segundo momento, vimos que não era o bastante e resolvemos dividir as empresas e o patrimônio para todos os filhos, cada um pegou sua parte e foi trabalhar por sua própria conta. 57
Depoimento Raimunda Gomes Dias
Em 1986, eu trabalhava na fazenda do Sr. Simão, em São Félix do Araguaia no Mato Grosso, ele estava precisando de alguém para trabalhar em sua casa aqui em Brasília. Me convidou e eu aceitei. Foi a minha primeira viagem de avião. Quando cheguei aqui, o Fabrício tinha seis anos, hoje o filho dele, o Lucas, já tem 18 anos. É uma vida! Seu Simão brinca que eu tenho de botar Sarkis no nome.
do voltou me disse “Raimunda, eu aprendi a fazer quibe”. É o melhor quibe que tem, o meu é o segundo, não posso tomar o lugar do patrão (risos). Falar do Sr. Simão é difícil, no aniversário dele falaram muito sobre ele mas não falaram tudo ainda, ele ajuda todo mundo, é um homem muito generoso, aliás formou minhas duas filhas, Aline e Fernanda, é o melhor patrão que eu poderia ter.”
Dizem que eu sou uma ótima cozinheira e eu digo que aprendi com ele, tudo de comida libanesa, carneiro, charuto, tahine, tudo ele ensinou. A gente só não sabia fazer quibe, aí ele foi ao Líbano, chegando lá aprendeu e quan-
Raimunda Gomes Dias Cozinheira
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Depoimento Rosemeire Portes Paulo
Tio Simão pensa demais nos outros, gosta que os outros tenham tudo, principalmente estudo, olha muito isso porque eles mesmos não tiveram condição, eram de uma família de treze irmãos e não puderam ter acesso a estudo.
nova, Turismo com pós em Meio Ambiente. Agora, meu neto filho da Alessandra, está fazendo arquitetura, ele custeando também. E o meu neto mais novo, dezenove anos, eu não peço porque ainda não tenho certeza se ele quer estudar e o Simão não aceita notas baixas. Tio Simão é muito reservado, não gosta que falem dessas ajudas, mas eu conheço um caso de um senhor que trabalhou com ele na fazenda e ele custeou o curso de Farmácia para a filha dele. Em resumo, divido com ele o futuro das minhas filhas e elas não esquecem jamais disto.
Aos trinta e oito anos, entrei num processo depressivo, minha filha Andreza estava a um semestre e meio de formar na Universidade Católica de Brasília e eu não consegui continuar pagando o seu curso e fui procurálo pedindo que arranjasse um emprego para ela mas ele retrucou “não, vamos fazer assim, eu pago a faculdade das tuas filhas e você fica quieta!”. Depois, custeou o curso da mais velha na UPIS (Ciências Contábeis) e, enfim, o da mais
Rosemeire Portes Paulo Sobrinha, filha de Sarkis Paulo
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Em pé: João, Dalêla, Maria, Butruz, Latifa, Cecin, Jamila, Jorge, Rumenos, Sarkis Paulo e Ruech. Na frente: Simão, Badra, Boulos e Bernardo. Foto de 1978
Os irmãos
Sarkis Paulo (Zezão)
A convivência de Simão com seus irmãos, harmoniosa desde a infância, solidificou-se com o passar dos anos e encontrá-los é um dos prazerosos lazeres que se permite desfrutar. Se for em torno de uma boa rodada de quibe ou tahine, que qualquer um deles sabe preparar com maestria, melhor, e melhor ainda se for para um fraterno jogo de cartas.
In memoriam
Por Clarice Portes Paulo - Viúva Logo que nos casamos, ficamos morando na casa dos meus sogros, então eram, além do casal, treze irmãos, incluindo meu marido, mais eu e nossas duas primeiras filhas Rosimeire e Margarete, ainda pequeninas. Então era normal que tivéssemos alguns desentendimentos, eu e o Simão que era seis anos mais moço, tínhamos lá nossas pequenas rusgas. Mas éramos felizes, minha sogra era uma pessoa maravilhosa, uma pessoa sem igual, meu sogro era bom mas a sogra foi outra mãe que tive.
Em cada um deles, soube admirar as individualidades já que, no geral, todos se assemelham nos predicados de caráter, moldados que foram na mesma fôrma austera e íntegra de Badra e Boulos. Sobre cada um, tem um registro de amizade e solidariedade irrestrita, que todos atestam e buscam retribuir com a mesma intensidade e carinho.
Então, de vez em quando tinha minhas aren gas com o Simão, qualquer dia vou lembrar a ele dessas brigas nossas (ri). 61
Mas hoje eu vou dizer, nunca imaginei que o nosso convívio, com o tempo, se transformasse numa amizade tão sólida, em tudo que o que minha família precisa ele está presente, as minhas netas ele ajudou a formar. Nossa, eu devo coisas demais a ele!
o sistema de bomba que um seu amigo sabia operar. Eu concordei e o amigo preparou a bomba que foi colocada num tijolo mas, antes dele colocar, a bomba explodiu e perfurou-lhe os dois tímpanos, tendo que ser levado às pressas para o hospital. Era como uma proibição sobrenatural, ninguém conseguia pescar lá.
Sem falar como nos divertíamos no tempo das pescarias, ele sempre gostou de pescar e o meu marido também gostava demais, aí íamos os quatro, de Vespa, ele com a Vera e eu com o Sarkis e ele fazia a maior farra, sumia na frente, eu gritava, era maravilhoso.
Foi uma época maravilhosa de nossas vidas, a melhor com certeza, morávamos numa casinha pequena, simplesinha, sem muito conforto mas eu não me importava, estava tudo maravilhoso, estando com ele.
E esta talvez foi a única forma de diversão que meu marido aproveitou, ele só pensava em trabalho, trabalhou demais e quase não aproveitou do que conseguiu. Teve época que ele acordava às duas, duas e meia da madrugada prá ir para a charqueada buscar carne de porco e charque, na época a gente mexia com porco, com banha e era assim todo dia.
Depois da morte do Sarkis Paulo, Simão tornou-se um baluarte em nossas vidas, está presente em todos os momentos em que precisamos, ele nos ajuda demais, inclusive na formação de minhas netas, eu nunca nem imaginei que ele fosse assim, devemos muita gratidão a ele. Simão, nós te amamos muito! Deus te dê vida e saúde, queremos te ver mais, muito mais, que Jesus e Nossa Senhora te protejam. Você foi muito bom pra nós!
Depois viemos pra cá (Brasília), aí foi mercado até 1980 e o ritmo era o mesmo. Depois ele vendeu o mercado e foi cuidar da fazenda do Simão e lá construíram duas represas grandes e aí tem uma história engraçada pra contar.
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José Paulo Sarkis (Jorge)
Ele tinha adoração por essas represas e nelas criava carpas, mas não permitia que ninguém, mas ninguém mesmo, pescasse. Então, depois que ele morreu e nós estávamos de saída da fazenda, meu genro Omar propôs pegar os peixes usando
Simão foi um garoto diferente! Sempre foi de procurar as coisas para fazer de imediato, era um garoto mas tinha atitudes maduras, como se tivesse bem mais idade. 62
Rumenos Sarkis Simão
Nós sempre tivemos uma relação muito próxima, viemos juntos pra Brasília, eu com 26 anos, ele com 16. Trabalhou comigo no início, mas logo partiu para a vida de trabalho dele. E o trabalho sempre foi a sua meta número um de vida, junto com cuidar da família.
In memoriam
Por Ximuna Mussa Sarkis - Viúva Pelo Simão, eu tenho uma consideração e um carinho muito fortes, de mãe para filho, eu nem tenho como expressar bem o tamanho do amor e a união que ele tem pela família, é uma coisa linda, ele é um anjo.
Além de irmãos, somos muito amigos, gosto muito de ir pescar com ele na Ilha do Boi, agora mesmo passei 100 dias lá, vim a Brasília fazer uns exames mas já vou voltar para lá.
Foi uma convivência maravilhosa entre os casais, eu e Rumenos, Simão e Vera, um período inesquecível. O Simão merece toda a minha consideração e nosso afeto.
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João Sarkis Simão
Simão, você é muito mais que um bom cunhado, um bom irmão, um bom tio, um bom pai ou um bom amigo, você é a soma de tudo isto, que Deus colocou numa só embalagem e nos entregou, como um presente raro e nós agradecemos todos os dias a ele, pedindo que te conserve por muito mais tempo entre nós, gastando o estoque de bondade que você sempre teve de sobra.
Oi Simão, tá fazendo os seus oitenta, é um oitentão agora, em? Mas eu desejo pra você mais uns oitenta pra frente, que fique firme e forte como sempre, continuando se movimentando, trabalhando, correndo atrás pra não parar, porque se parar atrofia! Continue firme, um abraço do seu irmão que lhe quer muito bem. João Sarkis Simão
Simão, saiba que Rumenos – sempre vivo em nossos espíritos –, eu, meus filhos e netos te amamos muito!
Meu cunhado-irmão Simão, parabéns por este momento feliz, seu aniversário, seus oitenta anos bem vividos, que Deus te dê muita saúde, muita felicidade! Que você continue essa pessoa maravilhosa, caridosa com as pessoas, que Deus te abençoe e te dê tudo de bom na vida. Um beijo da sua cunhada Fia. Terezinha Sarkis Simão
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Bernardino Simão (Bernardo)
despedida, ele me perguntou: nós fizemos o possível não foi? Eu respondi: Não tio, nós fizemos o impossível!!
Meu relacionamento com o Simão eu conto assim: ele me amparou toda a vida! Todo mês ele me manda um dinheiro. Os irmãos mais preocupados comigo são ele e o Cecin.
Quando tudo acabou, eu pensei que ia perder ele também! Mas não, ele insistiu, tentei me fechar, me afastar mas ele não deixou, continua a ser meu alicerce, meu amigo, meu confessor. Nunca julga ninguém, sempre procura ver o lado bom de cada ser humano. Dele escuto tudo! Ele pode! Tem toda a liberdade para entrar na minha vida e dizer. Ele pode! Além de um ser humano íntegro, honesto, o que mais admiro nele, sempre tenta ajudar sem julgamentos. Um amor ao próximo sem tamanho, sem preconceito de cor, raça ou credo. Quando eu crescer quero ser a metade do ser humano que ele é! Meu porto seguro, minha base. Com ele posso contar sempre...
Sou dois anos mais velho que ele, completo 82 agora, dia 10 de Agosto e ele 80, dia 08 de Setembro. Desde meninos, sempre nos entendemos muito bem, sempre me ajudou. Hoje eu vivo de uma aposentadoria e de um dinheiro que ele me manda todo o mês, há quase 30 anos.
O que eu posso dizer pra ele é muito obrigado! --------------------------------
Maria Sarkis
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In memoriam
Por Luciene Sarkis - Filha
Latifa Sarkis
Como definir o tio Simão?! Com a minha mãe eu sempre falava: quando eu crescer, quero ter um irmão igual a ele. Foi o companheiro, o amigo e o melhor irmão que se pode desejar, costumo falar que ele foi um legado que minha mãe me deixou. Nos meus piores momentos foi ele que esteve comigo, foi ele que segurou o choro para eu não transbordar. Segurou comigo os doze anos da doença da minha mãe, era meu guia, meu confessor, foi nele que sempre vi a figura de pai!!! Lembro no cemitério, ao lado de minha mãe, na hora da
Amo muito todos os meus irmãos e, em cada um, consigo identificar uma característica positiva principal. Em Simão, além da generosidade e solidariedade reconhecidas por todos, enxergo otimismo em tudo o que faz. Com ele não há talvez ou vamos ver, é afirmativo e direto! E aqui relembro a ele um fato engraçado acontecido quando ainda morávamos em Uberlândia. Ele havia comprado sua primeira lambreta e, certo dia, a deixou estacionada na porta do 64
nosso açougue. Eu, ainda meninota, não me contive e quis experimentar o veículo mas quando já estava montada e com a lambreta funcionando ele foi chegando e eu não tive dúvida, arranquei e só parei após bater num muro próximo. Ele ainda correu atrás de mim mas a presença de minha mãe foi minha tábua de salvação (risos).
Sereno e bem humorado, Butruz fez uma singela declaração a respeito de Simão: Chamar Simão de irmão é pouco porque irmão é uma condição em que a gente nasce. Agora amigo é uma escolha, uma coisa que se forma com o tempo e com as atitudes que se tem, um em relação ao outro, e esta escolha nós fizemos, ele é meu amigo!
Simão, você é uma estrela de primeira grandeza nessa constelação chamada Família Sarkis. Carinhoso, solidário, amigo pra qualquer hora. Eu amo você, Simão!
Simão é, além de irmão querido, amigo de todas as horas, pescador que nem eu e o Jorge, parceiros que fomos em tantas pescarias no Araguaia. Simão, ao seu primeiro sinal, estou com a tralha pronta, vamos pescar! Que Deus te proteja!
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Butruz Sarkis Simão
Dalêla Sarkis Teixeira
No dia em que Butruz Sarkis Simão prestou este depoimento, completava 61 anos de sua chegada a Brasília, em 17 de Abril de 1959, nas pegadas dos irmãos que já se haviam estabelecido na nova capital. Seguiu um roteiro similar aos demais, trabalhando, numa sequência, com os irmãos José Paulo (Jorge), Rumenos e Simão, a quem sucedeu na oficina de refrigeração quando este abriu sua loja na W-3 Sul. Posteriormente, voltou a trabalhar com Simão nas construções até, finalmente, se fixar na Sarkis Material Elétrico, na Quadra 710 da W-3 Norte, onde cumpre, até hoje, uma rotina invariável, chegando às 7:00 da manhã.
Na primeira fase de nossas vidas, a lembrança mais marcante que tenho do meu querido irmão Simão é que ele me levava para os bailes de carnaval, escondido de nosso pai. Um desses bailes, a que fomos todos juntos, foi em Uberlândia, onde estávamos por ocasião do casamento de Simão e Vera. São memórias especiais, pela felicidade de viver os primeiros anos da juventude ao lado de um irmão mais velho. Simão, para mim, sempre foi um grande amigo, uma pessoa que sempre esteve ao meu lado e por quem tenho grande estima e carinho. Simão é um irmão cuidadoso, que sempre se faz 65
presente quando preciso. É simples e reservado mas, também, atento e atuante. De poucas palavras e grandes gestos.
lência que ele dá ao SER sobre o TER, a ênfase aos valores espirituais sobre os bens materiais. Ele acolhe, abriga, compreende, orienta, ajuda e, muito mais com atitudes que com palavras, ensina. Sua generosidade é perene, a família, para ele, é o bem mais importante, sua figura discreta e bondosa, nos transmite segurança, confiança, tranquilidade e paz.
Ahhh... não posso deixar de falar o quanto gosto de jogar canastra com você!! Simão, amo você de todo o coração e entendimento e lhe sou eternamente grata por sua vida na minha. Você sempre esteve comigo, me ajudando e orientando nessa vida. Me ensinou a trabalhar e me deu oportunidades grandiosas. Deus continue abençoando a sua existência e guiando seus passos.
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Cecin Sarkis Simão Temos, Simão e eu, uma diferença de idade de onze anos, meus primeiros registros de memória em relação a ele são de quando eu tinha treze anos e ele vinte e quatro, já homem feito. Fui com ele a uma pescaria e não cuidei de me preparar adequadamente com roupa própria, a noite esfriou muito e eu batia o queixo, batia muito, ele acordou e, rapidamente, me passou o próprio cobertor. Isto me marcou para sempre!
Com amor... --------------------------------
Ruech Sarkis Simão Simão Sarkis Simão merece, como irmão, tio, amigo e companheiro, todo o nosso afeto e a nossa admiração por uma virtude, dentre várias outras, que o torna ímpar e grandioso, a preva-
Nosso relacionamento continuou muito cordial, sempre o admirei pela persistência, pelo 66
arrojo e determinação com que avançava nos negócios e, ao mesmo tempo, pela decência e simplicidade que o fizeram uma pessoa tão agradável de conviver.
Simão é um coração perfeito, humanitário, se puder ajuda qualquer um, é incapaz de fazer ou, sequer, desejar o mal para alguém. Ajudou centenas de pessoas, pagou faculdades, tratamentos, cirurgias e leitos de hospital. Hoje, faz de contas que parou de trabalhar, passou tudo para os filhos mas está acompanhando sempre, saiu mas não saiu, e as ideias dele sempre acabam dando muito certo.
Aliás, determinação e coragem foram duas de suas principais armas para vencer na vida, nunca teve medo de tomar decisões, foi e é capaz de comprar alguma coisa e vender na mesma hora se achar que o negócio é vantajoso. É uma pessoa de grande visão, um empreendedor nato!
É, para mim, uma referência de vida a quem presto a minha homenagem!
Dentre outras coisas, investiu no ramo de hotelaria, na época eu tinha 23 anos e trabalhei com ele quando construiu o primeiro hotel, de doze andares, em Taguatinga. Acompanhei a obra do começo ao fim e, quando terminou, me deu de presente meu primeiro carro, um fusca quatro portas, um presentaço!
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Jamila Sarkis Carminati Simão, meu querido irmão, amigo e companheiro de todas as horas! Te amo!
Sempre foi bom por igual, filho, irmão e pai, construiu uma bela casa para nossos pais no Park Way, onde eles moraram até suas mortes. Quando casei, permitiu que eu construísse neste mesmo terreno uma pequena casa onde morei durante dois anos. 67
Depoimento Mauro Cezar Lima
Conheci Simão Sarkis há cerca de trinta anos e, desde os primeiros contatos que tive com ele, me chamaram a atenção duas de suas mais marcantes características, a solidariedade e o respeito para com o próximo.
instituição a que eu tive a honra de servir, a polícia civil do Distrito Federal. Nos anos noventa, a PCDF passava por uma enorme crise financeira e ele nunca se furtou de nos ajudar com doações de computadores, custeando reparos de viaturas e, pasme você, até na reforma e ampliação de uma delegacia na qual eu era titular.
Nos tornamos amigos e compadres, não pela sua situação de empreendedor vencedor, mas pela admiração que sempre nutri por sua condição de homem que, vindo de uma família muito pobre, chegou aqui no início de Brasília, construiu um império e sempre valorizou pessoas, em especial aquelas em situação de maior vulnerabilidade.
E nunca, nunca mesmo, aceitou qualquer publicidade, nunca apareceu em fotos com governador ou qualquer autoridade e nem sequer buscou obter deduções de imposto de renda ou benefícios fiscais.
Nem sei quantas vezes Simão ajudou, não só a mim, pessoalmente, mas à própria
Quando presidi o Sindicato dos Delega dos de Polícia, numa situação de greve deli-
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cada, Simão conseguiu que os presidentes do Senado e da Câmara nos recebessem, viabilizando acordos e conquistas para a categoria.
Simão Sarkis é uma pessoa do bem e esse homem abençoado está completando 80 anos e tem capacidade moral, intelectual e física, ainda vai produzir para os seus semelhantes por, pelo menos, mais vinte anos porque o bem que ele faz para as pessoas se reverte para sua própria saúde, por uma única razão, ele faz com prazer!
Não obstante, nunca concordou em aparecer uma única vez nas revistas da categoria, nunca quis participar de nenhum momento comemorativo com quem quer que fosse.
E, além de tudo, foi sempre um conselheiro, sempre me disse para investir em imóveis pois isto me garantiria uma velhice tranquila e assim eu fiz e só tive a lucrar, os investimentos em imóveis que fiz me garantem hoje uma tranquilidade que nem todos tem a felicidade de ter.
Um abraço, Simão, meu irmão mais velho!
Mauro Cezar Lima Delegado de Polícia aposentado e Consultor de Segurança Empresarial
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Depoimento Cláudia Abdala Simão Sarkis, um coração gigante Em 1990, eu trabalhava na CCA, concessionária Chevrolet, de propriedade de meu pai, o empresário Carlos Alberto Abdala.
que ele, “patrício” como meu pai poderia estar ali a pedido dele e me fechei, afirmando que não, que tudo estava bem e que meu relacionamento com meu pai era absolutamente normal.
Certo dia, entrei no escritório de meu pai e ele estava reunido com Simão Sarkis que, vim a saber depois, era um de seus melhores amigos. Meu pai era do tipo linha dura, com os filhos, com os empregados e com ele próprio e, por alguma razão, foi bastante ríspido comigo naquele momento recebendo uma pronta reação da parte de Simão, para minha surpresa pois era a primeira vez que eu via alguém confrontar meu pai: “Você não pode tratar sua filha assim!”.
Sempre que vinha à loja, Simão passava na minha sala, conversávamos e ele repetia que eu precisava começar a pensar no meu futuro, fazer investimentos que me garantissem renda e independência. Aos poucos, fui ganhando confiança e disse-lhe que nem tinha noção de como começar, tempo menos ainda já que trabalhava uma média de 12 horas por dia, o dinheiro que recebia ficava no banco e eu ia gastando sem cuidar de fazer qualquer aplicação.
Eu me retirei e fui para a minha sala e, dali a alguns minutos Simão veio ter comigo e iniciou um diálogo no qual comentou que meu pai, realmente, era uma pessoa difícil, muito sistemático e me estimulou a trabalhar, ganhar meu dinheiro para conquistar a minha autonomia. Eu, que nunca havia conversado com ele, cismei da abordagem achando
Ele foi incisivo, iria me apresentar um corretor para visitar comigo alguns imóveis, dos quais eu deveria selecionar quatro que ele, pessoalmente, visitaria comigo para decidirmos juntos uma primeira compra. Eu retruquei dizendo-lhe que, naquele momento, eu
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não dispunha dos recursos totais necessários para tal aquisição e ele me disse que o procurasse quando os tivesse. Passou-se mais de ano até que lhe telefonei dando conta de que reunira o montante para a compra ele respondeu que passaria comigo e, nova surpresa, quarenta minutos após estava na minha sala.
se, em seis meses, eu me arrependesse, ele compraria o imóvel pelo valor que eu havia pago mais a atualização monetária do período. Foi assim que Simão Sarkis se tornou o meu conselheiro e amigo a toda prova, não fiz nenhum negócio sem antes trocar uma ideia com ele, sempre solícito e disponível. Ele foi meu mestre e uma vez, num cartão de aniversário que lhe fiz, escrevi a frase de Isaac Newton que diz “se enxerguei mais longe é porque me apoiei em ombros de gigantes”.
Fomos visitar os imóveis e, em cada um, ele ia raciocinando em voz alta sobre as características do imóvel, área, localização, acabamento, conservação, perspectiva de valorização, enfim, ele estava me ensinando a avaliar um imóvel. Então me falou “agora você vai olhar sozinha, quando tiver selecionado algumas lojas pode me ligar”.
Depois que meu pai vendeu a concessionária percebi o quão importante foi a orientação dada por Simão. Afinal, não teria a expertise para realizar, e administrar, os investimentos que possibilitaram atingir a tranquilidade com que hoje vivo.
E foi com o seu atento acompanhamento e uma garantia que foi decisiva pra que eu tomasse coragem, que fechei a minha primeira compra. Ao preencher o cheque, olhei hesitante e indaguei se, já que eu estava investindo ali todas as minhas economias, o que faria se não fosse um bom negócio e ele respondeu que
Cláudia Abdala Empresária
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Uma
universidade em casa
Cláudio, Fabrício, Cristiane, Simão, Elizabeth, Juscelino e Wagner
Havendo sido educado num regime de disciplina rigorosa, onde a palavra trabalho foi o mantra desde a mais tenra infância, Simão Sarkis sempre quis que os filhos se ambientassem cedo nas tarefas de suas empresas, porém com um diferencial em relação à sua própria educação. Quando nasceram seus filhos, Simão já alcançara uma sólida estabilidade nos negócios, o que permitia lhes proporcionar condição de estudar regularmente, benefício que ele próprio não tivera, por conta da extrema dificuldade por que passaram seus pais, o que obrigara todos os filhos a trabalhar muito cedo para auxiliar no sustento da família. Ele e Vera, descendente de libaneses como ele, dedicaram suas vidas ao binômio trabalho e filhos, ele bem mais focado nos negócios e ela fazendo dupla jornada como mãe de família e braço direito do marido nos negócios, pilar que todos reconhecem como fator decisivo para o êxito de todas as empreitadas.
Casamento com Vera Lúcia em 16/02/1963
entrou em funcionamento a “Universidade Simão Sarkis” para cuidar da pós graduação de toda uma terceira geração e, também, da reciclagem da segunda, mas este assunto está tratado em outro capítulo.
Anos depois de optarem pela divisão dos negócios e do patrimônio, Simão voltou a surpreender estimulando o reagrupamento familiar em torno de empreendimentos pontuais. Foi aí que
A respeito do que é viver e trabalhar com Simão Sarkis, eis o que falam os filhos...
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Wagner Sarkis
nificasse qualquer diminuição na confiança e na carga de trabalho que repassava.
Durante a infância e adolescência, eu ia regularmente às empresas e executava tarefas diversas que nos eram confiadas por nossos pais, como forma de nos acostumarmos com responsabilidades e disciplina, mas sem o compromisso formal de horário, preservando o tempo para as atividades escolares.
Graduei-me em administração de empresas, sempre mantendo um interesse prático pelas questões jurídicas. Minha primeira atividade continuada foi na construção do Garvey Park, primeiro apart-hotel do Brasil, empreendimento ambicioso que papai realizou inspirado na novidade que conheceu em suas viagens regulares aos Estados Unidos, no ano em que levou a família para passar uma temporada naquele país.
Ao completar a maioridade, engajei-me de finitivamente nos negócios, passando a receber responsabilidades de gestão e comando, que me foram sendo passadas bem ao seu estilo, o de não gastar muito tempo em treinar, distribuía as tarefas e confiava no resultado, corrigindo os erros que enxergava com sua visão aguda, sem que isso sig-
Muitos anos se passaram, vários empreendimentos de vulto foram concluídos e a família 74
chegou ao consenso de que era hora de dividir as empresas e de cada um conduzir seu próprio negócio, o que foi feito em duas etapas, primeira, a divisão em duas partes, uma tocando ao próprio Simão juntamente com os filhos Wagner e Cláudio e a outra a Vera com os filhos Juscelino e Cristiane. Num segundo momento, cada uma das partes foi subdivida em três outras, individualizando de vez as empresas que passariam à gestão pessoal com autonomia plena de cada um dos envolvidos.
uma direção consistente, você consegue fazer com que os objetivos sejam únicos, a partir do momento em que as divide, os objetivos tornam-se diversos e, automaticamente, alguns mais fortes e outros menos prioritários. Numa visão sincera, ao se dividir as empresas, na verdade, o que se fez foi enfraquecê-las como um todo. Eu, por exemplo, tentei dar uma feição própria aos meus negócios e não tive sucesso porque não tive estrutura de retaguarda, tive prejuízos expressivos em algumas iniciativas e fui forçado a recuar, controlar as coisas que eu tinha, racionalizar gastos desnecessários e evitar perda de patrimônio.
Foi aí que se iniciou a parte mais importante de aprendizado e de observações na história da família! Quando você tem empresas unidas sob 75
Então, veio a compreensão de que a presença dos dois, nossos pais, era ainda mais substancial. Por mais que eu tenha trabalhado, dos dezoito aos cinquenta e seis anos, minha idade atual, tenho a consciência de que contribuí, mas o patrimônio foi feito pelos dois. Então, a instrução que existe para os meus filhos é que se ele disser vamos fazer assim, ninguém discute, podem até argumentar e apresentar suas ideias, mas é pra fazer.
rápido quanto o dele. Como eu fui me aperfeiçoando em algumas áreas, direito por exemplo, embora não possua graduação nesta área, muitas coisas que meu pai queria fazer eu encontrava entraves jurídicos e, quando eu os apresentava, ele colocava nos termos de que eu não estava deixando ele fazer negócios pois demorava demais e atrasava suas tomadas de decisões. Outro dia, conversando com minha mulher, um de meus filhos e um neto, comentei que estávamos ali três gerações mas, se estivéssemos na casa de meu pai, seríamos quatro gerações e só a segunda teria trabalhado com ele e isso não é bom. Sim, porque cada um tem seu jeito de trabalhar mas, em termos empresariais, nenhum de seus filhos tem o mesmo tino comercial e a mesma experiência que ele.
E por que isso? A juventude tem aquela coisa de que a pessoa sabe mais que a outra, mas o que aprendi ao longo dos anos em relação ao meu pai é que, mesmo quando acho que tenho razão, eu não discuto com ele. Explico: meu pai tem um raciocínio extremamente rápido, eu também tenho mas não tão 76
Na frente: Tallytha, Wagner Simão, Júlia, Nina, Felipe, Enzo, Wagner, Enrico, Helyn e Mateo. Atrás: Emmanuel e Camila. 77
Juscelino Sarkis
Embora não os possa definir num único adjetivo, meus pais foram, em sua essência, trabalhadores, ele uma pessoa de princípios, atitudes e decisões fortes, ela a guerreira incansável que acumulou a lida da casa e dos filhos com o dia a dia nas empresas, onde ele fechava os negócios e ela cuidava da retaguarda administrativa e financeira.
A opção pelo trabalho como meta número um de vida não significou, em momento algum, obsessão pela riqueza, nos ensinaram que “não é preciso viver só para acumular, é preciso viver, se souber ganhar, não há pecado em gastar com moderação.” A riqueza foi para eles um meio, nunca um fim, tanto que, num determinado momento, resolveram repartir empresas e patrimônio com os filhos e o fizeram da forma mais serena e equilibrada que poderia haver.
Dessa conjugação perfeita foi moldada a nossa personalidade, sempre nos falaram de valores como trabalho, responsabilidade, honestidade, amor e respeito ao próximo, nada disso ficando na teoria, crescemos vendo-os ajudar pessoas, mesmo quando a situação financeira ainda não era tão boa.
Controlados e seguros, não recorriam a bancos, senão em raríssimos casos e essa independência nasceu da enorme capacidade que ele tinha de transformar o trabalho em resultados. Com a 78
postos de gasolina pra enveloparmos e pagarmos mais de duzentos operários.
visão que sempre teve, aliada ao fato de Brasília estar em seu início, não lhe foi difícil empreender com êxito, construía rápido, com custo baixo e um excelente faro para identificar para onde a cidade crescia e valorizava.
Aos 21 anos, depois de um período nos Estados Unidos, meu pai me propôs montar uma concreteira aqui em Brasília, eu não entendia nada de concreto mas sempre gostei de desafios e montamos a Sarkis Mix, onde fiquei até vendermos a empresa em 2001, quando iniciamos uma fábrica de cimento em Minas Gerais.
Ainda menino, na Wagner Refrigeração, pequenos afazeres como “espanar” geladeiras, serviram de guia na iniciação ao trabalho. O Garvey Park, aos dezessete anos, me levou à rotina diária intensa que me fez optar, até, por abandonar o curso de administração na universidade. Na época, além do hotel, trabalhávamos em obras e a folha era paga aos sábados e nós tínhamos que sair correndo para arranjar dinheiro em espécie em
Com a decisão de dividirmos as empresas, fiquei eu, minha mãe e minha irmã Cristiane, com a concreteira, a pedreira e a Cimento Davi em Belo Horizonte e, posteriormente, fizemos a nossa pró79
pria divisão, ficando cada um com a sua parte. Eu fiquei com a SKS, à qual acrescentei a parte de laminados, fabricação de telas, treliças, etc.
A iniciativa de promover o reagrupamento familiar nos negócios é mais um toque de Midas, meu pai é um tocador de obras, formula projetos interessantes nos quais está envolvendo seus netos, treinando-os para o planejamento e o trabalho . Esta iniciativa, além de simbólica do ponto de vista conceitual, é representativa do bom relacionamento da família, qualquer um que precisar pode contar com o outro a qualquer momento.
Se, ainda hoje, escuto muito meu pai é porque tenho a humildade de ouvir quem sabe mais, ele é o meu guru, em qualquer situação está pronto para opinar e, de forma didática, pede que, ao levarmos o problema, já apresentemos nossa própria proposta de solução. Esta forma racional de ajudar foi que nos ensinou a ter pegada para negócios, força para tomar decisões no bate pronto, nada ficando para depois. 80
VĂtor, Juscelino, Arthur e Renato. 81
Cláudio Sarkis
Desde cedo, fomos treinados para o trabalho, respeitados os horários destinados à escola e aos deveres, íamos sempre às empresas onde não faltavam pequenas tarefas que nos eram passadas como treino, como formação mesmo. Não lembro bem a idade, mas bem cedo eu ia às obras, ajudava numa coisa e noutra.
posso dizer é que no próprio Garvey trabalhei em todos os departamentos e depois passei pelos departamentos administrativo e financeiro e no Lake Side fiquei uns cinco anos nessas áreas.
Em 2004, com o rateio das empresas, fundei minha própria empresa, a Polis Participações e Empreendimentos, especializada no ramo de locações de salas comerciais próprias. Meu pai intermediou alguns negócios comuns a todos, mas esteve sempre presente com ideias e conselhos, tanto ele como minha mãe foram as pessoas em que nos apoiamos e buscamos a melhor orientação em nossas decisões.
Na época da construção do Garvey Park, eu era pré-adolescente mas já fazia algumas coisas, auxiliei a cavar tubulões, na colocação de tubos, nessa época não havia muito esse bloqueio para o trabalho de adolescentes, mas não tinha nada de trabalho escravo, infantil, a gente fazia porque queria, porque gostava, era até uma diversão.
Agora, estamos vivenciando uma nova etapa dos negócios da família, em mais uma engenharia conduzida por meu pai, o reagrupamento familiar dos negócios com a execução de empreendimentos com a participação de filhos e netos, o
Como a gente mudava muito, eu estudei em vários colégios, nem me lembro em qual eu estava na época do Garvey, mas foram sempre muito bons, disso meus pais não abriam mão. O que 82
que conta com a minha simpatia pois, com certeza, serão proporcionadas oportunidades iguais para prosperar ainda mais, num ambiente de fraternidade e progresso nos negócios. Eu guardo o exemplo muito bonito do meu pai e da minha mãe, passaram muitas dificuldades na vida e tiveram como objetivo maior
dar a todos nós uma vida bem diferente. Eu já nasci dentro de uma outra perspectiva de vida e pretendo passar para os meus filhos tudo o que aprendi com eles, permitindo que eles deem continuidade a uma semente que não fui eu que plantei. Respeitando as suas vocações, que façam perenes todas as conquistas que conseguimos graças aos nossos pais.
André Luis Henrique, Maria Daniela, Cláudio e Lucas. 83
Cristiane Sarkis
Meu pai ĂŠ um homem de personalidade forte, extremamente trabalhador e honesto. Ensinou cedo os seus filhos a trabalhar com objetivos definidos e a cultivarmos valores de famĂlia, cidadania e religiosidade. Sou muito grata a ele e a minha mĂŁe Vera Sarkis, por nos educar como o fizeram, me estimulando a concluir o curso superior de fisioterapia, e nos dar a vida maravilhosa que nos deram!
Um beijo, pai!
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Thiago, Fabiana, Daniel com BenĂcio, Ana Milla, Mateus, Cristiane, Luiz Carlos, Yasmim e Priscila. 85
Fabrício Sarkis
Meus primeiros registros de infância são na QI 17 do Lago Sul onde morávamos eu, meu pai, minha mãe Dalci e dois irmãos, Cláudio e Alexandre, do primeiro casamento de minha mãe. Participou do nosso crescimento e transmitiu valores fundamentais tanto para mim como para o Cláudio e o Alexandre.
Além das obras, meu pai sempre gostou de fazenda, tanto que, em 1985, se mudou para Mato Grosso, onde tinha uma fazenda na cidade de São Félix do Araguaia-MT, lugar onde morou com minha mãe por quatro anos. E também teve fazendas no Triângulo Mineiro entre os anos de 1999 e 2014. Trabalhador, determinado, visionário, sistemático, estas são as principais características dele no meu ponto de vista, além da predileção que tem em ajudar as pessoas, tanto financeiramente como com o seu tempo e o seu trabalho dedicado a elas.
Da convivência com meu pai, dentre vários registros agradáveis, ele me levava para correr de kart, apreciava muito e torcia bastante nas competições. Quando eu não estava na escola ou envolvido nas competições, ele me levava para acompanhá-lo no trabalho, me lembro de ir várias vezes para as obras com ele.
Tenho muito orgulho de sua história. Saber que ele chegou em Brasília quando tudo era só poeira e obras, e ajudou de forma aguerrida em sua construção e desenvolvimento. Poder ver fotos e registros dele com o presidente JK! É uma história muito bonita e emocionante.
Sempre foi muito carinhoso comigo, quando entrava no carro já abraçava o pescoço dele e íamos conversando. Tinha uma rima que ele repetia muito enquanto dirigia, era assim “Fabrício, Fabrição, Fabrício do meu coração, vou te dar um pescoção...”. Eu me divertia muito com isso.
A síntese de tudo é que eu sou um felizardo por ter um pai fantástico como Simão Sarkis! 86
Luísa, Brenda, Fabrício e Lucas. 87
Elizabeth Sarkis
Meu Pai sempre esteve muito presente na minha infância mesmo morando distantes, ele em Brasília e eu em Uberlândia. Nos víamos pelo menos três vezes por mês e as férias eu sempre passava com ele, aqui ou na fazenda Cruz Preta próxima a Uberlândia. Aos dezessete anos, vim morar em Brasília para cursar arquitetura, curso que concluí em 2020, e passamos a conviver com maior frequência ainda.
Impressiona-me o cuidado que ele demonstra em manter o bem estar de todos ao seu redor. São esta e outras tantas virtudes, que me servem de inspiração, com registro especial para a determinação obstinada em tudo o que faz.. Agora, fez questão de me inserir no projeto de novos negócios da família, em que a tônica é o reagrupamento de filhos e netos em torno do desenvolvimento compartilhado de negócios e estou estagiando na empresa de um dos meus irmãos.
Sempre mantivemos um relacionamento aberto e sincero, sem registro de problemas entre nós. Além de ótimo pai, é um excelente conselheiro, sempre disponível para opinar nas minhas decisões, alguém com quem sempre posso contar.
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Tenho um amor imenso por ele!.
Elizabeth Elizabeth
Depoimento Aldemar Abrahão Fayad
Eu acho que Deus dá o irmão, o amigo a gente escolhe! Este é o resumo de minha amizade com Simão Sarkis.
o Kingstonw Hotel e o Lake Side. Trabalhei em todos eles, nos serviços de eletricidade e hidráulica que é a minha especialidade.
As raízes desta ligação vem de uma geração anterior à nossa, meus pais habitavam a pequena Ipameri, no interior de Goiás e os pais de Simão também haviam se mudado para lá, moravam perto da casa dos meus pais, o Sr. Boulos trabalhou numa pequena máquina de arroz de um tio meu. Depois, mudaram-se para Uberlândia e perdemos o contato.
Simão sempre foi um empreendedor, determinado, sempre enxergou muito além de sua época, mas nunca deixou de se balizar pelos princípios de desprendimento e solidariedade. São inúmeras as histórias de que me recordo. Um dos casos foi o de um pequeno empresário de Cachoeiro do Itapemirim, fornecedor de mármore, o Simão lhe fazia adiantamentos e isso terminou gerando uma dívida alta, mesmo com o regular fornecimento dos produtos. Um dia, o filho do comerciante comunicou ao Simão que o pai estava com um câncer. Ele pegou o avião e foi lhe fazer uma visita, ele estava na UTI e, quando o viu, “ressuscitou” e ouviu de Simão a seguinte afirmativa “fique tranquilo, você não me deve nada”. Simão o abraçou e, logo que saiu, o homem “foi embora”.
Em 1968, em vim para Brasília e encontrei o Sr. Rumenos Sarkis, que foi para mim uma espécie de pai e professor. Depois, conheci o Simão, seus pais, e começamos a trabalhar juntos. Daí em diante, nas horas mais difíceis da minha vida, ele foi uma mão amiga sempre estendida e pronta para ajudar. Acompanhei toda a sua trajetória, a execução de seus grandes projetos, o Garvey Park,
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De outra feita, o filho de uma faxineira da Wagner Refrigeração subtraiu um compressor e foi preso em Formosa-GO. A mãe, chorando, intercedeu pelo filho a Simão que não pensou duas vezes, foi a Formosa, conseguiu a liberação do rapaz e deu-lhe um emprego no Motel 2.000 em Valparaíso de Goiás, onde ele continuou trabalhando até aposentar.
nas obras com o pagamento pronto para seus operários. E deixo aqui minha mensagem para ele: Simão, a vida nos ensina a perseverar, a unir, a trabalhar! Agradeço imensamente a Deus haver conhecido você e sua família. O aprendizado que carrego dentro de mim devo a você em grande parte. Peço a Deus que te abençoe, derramando graças em teu caminho para que você possa transformar espinhos em flores e pedras em luz, construindo sempre degraus para visualizar novos horizontes de paz e amor!
Logo que saiu a cédula de cem reais, certo dia fomos abordados por um garoto que pediu uma ajuda, Simão puxou uma nota de cem e entregou ao menino que, atônito e boquiaberto, perguntou: “É prá mim?” “É sim, filho, é pra você”. E o garoto disparou, correndo e pulando, comemorando aquele dia de muita sorte. Nunca vou esquecer aquela cena!
Aldemar Abrahão Fayad Encanador e Eletricista aposentado
Trabalho com Simão desde 1968, foram tantas obras, nem sei quantas, o que posso afirmar é que nunca ele deixou que as dificuldades lhe minassem o otimismo e a confiança. E todas as sextas feiras, isto era sagrado, estava
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Depoimento Carlos Abrahão Fayad
Fui advogado das empresas do Simão Sarkis entre 1998/2000. Eu o admiro muito e relembro episódios que justificam este apreço. Eu trabalhava na Wagner Imobiliária na 513 Sul, aí chegou um rapaz, de cujo nome eu não lembro, e falou: - Seu Simão, eu sou filho de fulano de tal, lá de Taguatinga, o meu pai comprou a casa do senhor em 1960 e até hoje está no nome do senhor, meu pai morreu e nós não temos nenhum documento assinado pelo senhor. - Meu filho, como é o nome do seu pai? - Fulano de tal. - Conheço, pode ir pro cartório agora, eu vou passar a casa pro seu nome.
Num outro episódio, esse eu falo como advogado, quando ele lançou o Lake Side, a Sarkis Mix produzia concreto lá na Fercal e tinha como maior cliente a Encol e a Encol pediu à Sarkis Mix que fosse sua avalista em um contrato com a UnB para construção dos blocos I e J da 107 Norte.
A Encol construiu o “esqueleto” e quebrou, faliu. A procuradoria da UnB ingressou com uma cautelar de sequestro da área do Lake Side, exatamente no momento em que o Seu Simão estava lançando o empreendimento. Era como se o avião estivesse decolando e
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você colocasse uma pedra bem na frente do avião.
manhã, não tínhamos pasta de dente. Pedi à portaria que providenciasse mas demorou muito e quando chegou e eu levei para ele, ele disse “não, já escovei”. E eu, mas como? Ele disse: tinha sabonete aqui.
Seu Simão foi uma águia, chamou a Encol, a UnB e a seguradora, fez um acordo com todos os envolvidos, na 10ª Vara da Justiça Federal, concluiu a construção dos dois blocos, liberou a área e lançou o Lake Side. Isso consumiu uns seis meses de negociação mas a saída por ele encontrada resolveu o problema de todas as partes e tranquilizou a todos.
Então, este é Simão Sarkis, simples e grandioso!
Certa feita, viajamos juntos para Maceió, dividimos o mesmo quarto do hotel e, pela
Carlos Abrahão Fayad Advogado
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A
3ªgeração
Em pé: Wagner Simão, Emmanoel, Luiz Henrique, André Luis, Lucas, Renato, Daniel, Mateus, Priscila, Luísa, Vítor, Yasmim, Felipe, Lucas, Arthur e Thiago. Sentados: Cláudio, Fabrício, Cristiane, Simão, Vera, Elizabeth, Juscelino e Wagner
A preocupação de Simão com a família transcende a temas materiais, embora os leve em conta, no momento e na proporção devidos. A essência de seu cuidado com os descendentes é direcionada aos mesmos balizadores que lhe nortearam a vida, valores sólidos que lhe deram resultados de forma consistente, trabalho, honradez e segurança negocial.
sobre os novos formatos que se impõem aos empreendimentos. E quem percebeu, com maior rapidez, o novo enfoque que deveria ser dado aos negócios, foi Simão.
Os filhos vivenciaram todos os momentos possíveis em sua companhia, surgimento, crescimento e divisão das empresas e do patrimônio, e concluíram que sua presença no contexto dos negócios é fator de segurança e fortalecimento.
Não mais empresas pesadamente estruturadas, com cargos e hierarquias, que mais geram lentidão e conflitos, mas empreendimentos pontuais, as SPEs – Sociedades de Propósito Específico, uma por empreitada, onde cada um participa por adesão.
Vieram os netos e, com sua própria realidade tecnológica, a necessidade de compreensão
Como é que a 3ª geração da família Simão Sarkis, enxerga o seu patriarca? 95
Existem duas características que me fazem lembrar meu avô, uma que todo mundo conhece e outra que poucas pessoas sabem. A que todo mundo sabe é a de empreendedor, começou do zero, sem dinheiro mas, com muita determinação, desenvolveu um dom impressionante de fazer negócios. Não conheço ninguém que tenha uma visão igual à dele.
mento e, assim, todos os dias ele nos ensina sobre determinação e foco. Se eu olhar para uma parede e enxergar azul e ele falar que ela é branca, eu vou refletir porque eu não estou enxergando como ele, ele sempre está vendo um passo na nossa frente, muitos insistem em falar que a parede é azul para, no final, acabar concordando com ele. A outra característica do meu avô, que nem todos conhecem, é que ele é muito preocupado com as outras pessoas. Quando eu falo para ele que meu filho está doente, ele liga várias vezes para saber como ele está, manda um médico e não sossega até tudo ficar bem.
Sabe investir onde realmente é oportuno, não perde tempo com negócios sem futuro, tem noção de tudo e sempre nos pergunta quanto pagamos nas coisas, desde as pequenas até as maiores, literalmente, de um detergente a um terreno.
Já acompanhei histórias de muitas pessoas que ele ajudou, com tratamentos de saúde, educação ou trabalho. Um dia lhe perguntei sobre o que o incentivou a sair do zero e construir o patrimônio que ele fez. A resposta foi: “como posso ajudar as pessoas se eu não tiver dinheiro?”
E ele sabe, realmente, quanto custa, compra mais barato e prova que estamos pagando caro. Mas, caro ou barato não depende para ele, do volume de dinheiro e, sim, de quanto realmente vale; por exemplo, um detergente de R$ 1,50 pode ser caro, um terreno x, onde se constrói 2x, será considerado barato.
E é aí que minha admiração por ele só aumenta, vejo que tudo o que ele construiu só deu certo porque tinha um propósito justo.
Quando ele pede para resolvermos um assunto, liga de 10 em 10 minutos para saber o anda-
Emmanuel Sarkis Filho de Wagner Sarkis 96
Sou meio ruim para falar mas, a respeito do meu vô Simão, a primeira coisa que se repara é que ele “é na dele”, meio calado, mas as vezes em que a gente chega junto pra conversar, a coisa funciona muito bem, a conversa deslancha e a gente se dá bem, a gente se entende muito bem.
Meu vô é uma pessoa muito boa, sempre me ajuda com tudo o que eu preciso e com o que as outras pessoas precisam. Eu sei que sempre posso contar com ele para tudo.
Guardo boas lembranças de nossas pescarias, das vezes que a gente foi pescar, eu só tenho boas lembranças, lá na ilha, eu e minha família, todos juntos, foi tudo sensacional, assunto que, inclusive, sempre conversamos.
Ele foi quem formou minha família, além de ser uma pessoa generosa. É trabalhador, gente boa, sempre alegre, amável, inteligente e nunca te decepciona com as coisas que você conta com ele para fazer ou ajudar.
Desejo a ele felicidades, saúde e muitos anos de vida, para que possamos pescar e conversar mais um longo tempo.
Ele sempre me surpreende com coisas boas!
Renato Sarkis Filho de Juscelino Sarkis
Parabéns, vô. Luis Henrique Neves Sarkis Filho de Cláudio Sarkis
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Meu nome é Thiago Sarkis, com muito orgulho um dos netos de Simão Sarkis.
No início foi muito difícil para mim, pois ele cobra bastante e não alivia, não passa a mão na cabeça, não é de alisar. Mas, com o tempo, ao olhar para trás, enxergamos o tamanho do bem que nos fizeram os seus ensinamentos. Ele é um mestre nato e tenho orgulho de ser seu discípulo, em formação permanente.
Meu avô é uma pessoa tímida, reservada e, durante nossa infância, os desígnios da vida fizeram com que eu e meus irmãos tivéssemos com ele menos tempo do que gostaríamos, mas os registros de memória dessa fase da vida são os de um Simão agradável e receptivo que tudo fazia para nos agradar.
Incansável, visionário, obstinado, ávido por resultados, é uma pessoa muito agradável para se ter uma boa e produtiva conversa sobre qualquer tema, adora fazer um social, tomar um whisky e falar de negócios. Toda semana passo na sua casa só para ouvir seus conselhos, juntos com princípios de ética, educação e respeito ao próximo, valores sempre presentes em suas lições.
O tempo passou e, no início da juventude, mantive maior aproximação com o meu avô por meio do trabalho, o hobby que ele mais ama. Foi aí que pude constatar, mais de perto, o quanto ele é objeto de admiração e respeito por parte de todos aqueles com quem convive, sempre predominando elogios sobre suas características mais evidentes, simplicidade, generosidade e obsessão pelo trabalho.
Vô, nossa família carrega, com muito orgulho, seu nome e tudo o que você nos ensinou. Você é muito importante para a gente, te amamos.
Thiago Sarkis Filho de Cristiane Sarkis 98
Luísa Sarkis Filha de Fabrício Sarkis 99
Depoimento Nathany Rabêlo
refaz as condições de vida, de mobilidade, de alegria e auto estima, enfim.
Aos 26 anos, eu me encontrava em altíssimo grau de obesidade com decorrentes problemas de hipertensão, coluna e joelhos. Embora inscrita numa extensa lista do SUS, já desanimara de conseguir a sonhada cirurgia bariátrica, única alternativa confiável e definitiva que me era indicada.
Fiz a cirurgia em Novembro/2019, além de custear o procedimento, o Sr. Simão me acolheu por 13 dias em sua própria residência, assim como fez com outros a quem ajudou. Hoje, tenho a saúde renovada e agradeço a Deus por me colocar este homem íntegro e generoso, decisivo para a total mudança de vida porque passei.
Mas Deus ouviu minhas preces e colocou uma luz em minha vida, o Sr. Simão Sarkis que apadrinhou um projeto em parceria com a Prefeitura de Paracatu-MG, onde resido e custeou diversas dessas cirurgias.
Quem não conhece o drama da obesidade mórbida, não imagina a mudança que opera na vida de alguém uma cirurgia que te
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Que Deus o proteja e cubra de bençãos!
Nathany Rabêlo Vendedora
Depoimentos Tatiana Bertozzo
Rose Mary Ruguê
Em 2009, comecei a advogar para as empresas do Grupo Sarkis e logo fui designada para tratar com o Sr. Simão um daqueles assuntos jurídicos críticos, ali no café da conveniência do Lake Side.
Na vida, encontramos pessoas que sabem fazer, de pequenos instantes, grandes momentos, verdadeiros alquimistas espirituais que transformam situações comuns em acontecimentos inesquecíveis que nada pode apagar, ficam definitivamente em nossa memória.
Confesso que fui “tremendo nas bases” dada a importância e fama da pessoa que eu iria conhecer. No entanto, foi tamanha a nossa empatia naquela reunião que resultou em mais de 10 anos de muitas outras reuniões e assuntos, alguns já resolvidos e outros a resolver.
Meu querido primo Simão é um destes privilegiados seres, sobre ele é difícil traduzir em palavras o que sinto, sua ajuda, o seu apoio e a presença constante em minha vida foram para mim inestimáveis. Isso não é o começo muito menos o fim, apenas posso tentar, com a limitação de meras palavras, lhe prestar esta sincera e merecida homenagem! Simão, continue sendo essa pessoa de coração gigante!
E, a cada desafio, acredito que ganho mais a sua confiança e aprendo muito com esse empreendedor visionário de grande alma e coração. A convivência com o Sr. Simão e sua família é algo que levo para a minha vida com muito carinho enquanto Deus permitir.
Rose Mary Ruguê Orientadora Educacional
Tatiana Bertozzo Advogada
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Ilha do Boi
Quando Juscelino Kubitschek iniciou em 1957 a construção da Usina de Três Marias, o Brasil possuía 8 bilhões de m³ de água represada, volume este que subiu para 82 bilhões de m³ ao final de seu mandato. Este dado, meramente ilustrativo, ressalta a determinação do então presidente com os seus objetivos de cinquenta anos em cinco.
Eram 2,7 quilômetros de extensão de barragem construída em terra, assim considerada uma das maiores do mundo, para formação de um lago artificial de 1.050 km², capacidade de represamento de 19,5 bilhões de metros cúbicos de água e capacidade de geração instalada de 396 megawatts, hoje muito pequena face ao porte das gigantescas hidrelétricas construídas em todo o país, mas enorme à época. Três Marias, oficialmente denominada Bernardo Mascarenhas, foi inaugurada em 20 de Janeiro de 1961 embora só haja entrado em operação efetiva em Julho de 1962. Além de produzir energia, os objetivos eram os de permitir a navegação no Rio São Francisco, evitar enchentes no trecho a jusante da barragem, facilitar a irrigação e promover turismo e lazer. Alguns anos depois, Simão arrematou, em
À época, o pequeno distrito de Barreiro Grande, ainda vinculado ao Município de Corinto-MG, chegou a receber mais de dez mil trabalhadores, vindos de toda parte do país, para a construção da grande barragem que formava, juntamente com Furnas e Paulo Afonso, o tripé idealizado por JK para dar sustentação energética ao seu plano de desenvolvimento regional. 103
leilão público promovido pela Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco – CODEVASF, a Ilha do Boi, uma das várias formadas após o represamento do São Francisco, com o intuito de nela construir um moderno hotel, inclusive com centro de convenções, projeto não levado adiante por força de problema com posseiros, e terminou construindo apenas edificações particulares, cercadas de um luxuoso projeto paisagístico, com farta vegetação zelosamente preservada. A ilha é o seu refúgio, para lá sempre viaja, acompanhado de parentes e amigos para desfrutar um pouco do Doce Mar de Minas como é carinhosamente apelidada a represa. Um de seus assíduos acompanhantes é o irmão Jorge, ele próprio aficionado de uma boa pescaria.
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devidamente titulados e exercendo a prática da agricultura familiar.
Depoimento Miguel Milhomem
Com um olho nos negócios e outro na política, Simão acompanhava atentamente o desempenho dos gestores municipais, as políticas sociais e os rumos que se desenhavam para o futuro. Essa ótica levou Simão a investir na minha campanha à prefeitura de São Félix do Araguaia em 1.992. Simão teve uma participação importante na nossa eleição em 1992, como também durante a administração no período de 1993 a 1996. Na campanha mutirão de cirurgia de cataratas que realizamos, Simão trouxe profissionais oftalmologistas de Brasília, que fizeram um belíssimo trabalho, sem custos para o Município.
Simão Sarkis Simão, candango de alma e árabe por natureza, na trajetória da vida, entre os anos 80 e limiar dos anos 90, contribuiu significativamente com a história recente do Norte Araguaia mato-grossense. Empresário bem sucedido, Sarkis viu no Xingu o potencial para o desenvolvimento do agronegócio. O feito se realiza com a aquisição da Fazenda 3S onde desenvolveu a pecuária de corte e mais adiante vindo a adquirir a Fazenda Agropasa já nos municípios de São Félix do Araguaia e Alto Boa Vista.
Simão Sarkis deixou na região do Norte Araguaia mato-grossense bons e velhos amigos, um legado de simplicidade e empatia com o próximo. Na pequena São Félix do Araguaia existem marcas significativas do trabalho social deste homem de estatura mediana, mas de coração grande, generoso.
Nesta seara, o árabe candango vislumbrou no impasse que se arrastava há anos envolvendo a Gleba Bandeirantes e a Fazenda Agropasa, a oportunidade de fazer acontecer ali, um grande projeto social. E assim articulou junto aos órgãos e autoridades competentes a viabilização de forma harmoniosa do assentamento agrário Gleba Bandeirantes, município de Alto Boa Vista, de maneira que atualmente a maioria dos assentados estão
Miguel Milhomem dos Santos Contador, foi vereador, vice-prefeito e prefeito de São Félix do Araguaia
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SimĂŁo, Juscelino, JK e Vera
Uma amizade especial
Juscelino Kubitscheck de Oliveira, 21º Presidente do Brasil (31/01/1956 a 31/01/1961), foi amigo pessoal de Simão Sarkis, que o relembra como uma referência de patriotismo, seriedade e inteligência. Essa reverência especial é, também, explicada por haver sido ele a representação viva de uma característica que sempre norteou a vida de Simão, a capacidade de ousar e empreender.
ele próprio, a gigantesca tarefa para não correr o risco de interrupção por um sucessor que não tivesse compromisso com a transferência.
“Eu vou contar um episódio para dar um sentido da grandeza das dificuldades na construção de Brasília. Nós tínhamos de levar para lá (Brasília) um transformador de energia elétrica que pesava 70 toneladas mas não havia estrada, uma carreta para sair de São Paulo e ir até Brasília era uma aventura tão grande que eu chamei o Batalhão de Engenharia do Exército, de Itajubá, para tomar a si o encargo, como se fosse uma operação de guerra.
O trecho de um áudio gravado por JK ilustra quem foi esse homem que, enfrentando uma descomunal resistência por parte da elite política da época, cometeu a ousadia – para muitos, um verdadeiro desatino – de tirar a capital do país da cosmopolita e praiana cidade do Rio de Janeiro e transferi-la para o inóspito e desabitado cerrado goiano, tudo isso dentro do curto tempo de seu mandato. Explicava que tinha que concluir,
Ao atravessar o Rio Paranaíba, na fronteira de Minas com Goiás, a embarcação, improvisada ali às margens do próprio rio, destinada a fazer a 107
José Felipe João, Juscelino Sarkis e Juscelino Kubitscheck
botequinho beira-rio. Depois de algum tempo, Juscelino foi chegando, o dono do boteco quando o viu, arregalou os olhos, ficou estático como não acreditando no que via. Quando Juscelino falou, esse cidadão pulou o balcão e deu um abraço emocionado nele. Onde chegávamos era assim. No aeroporto internacional, quando ele ia viajar... na pescaria, quando as pessoas sabiam da presença dele, subiam quilômetros de barco só para ter o prazer de lhe cumprimentar.” (Extraído de depoimento de Simão no livro SARKIS – MEMÓRIAS).
travessia, teve uma alteração no meio do rio e o transformador caiu dentro d’água. Levamos quatro meses para arrancar este transformador lá de dentro, porque não havia um guindaste, não havia nada para suspender 70 toneladas. Depois que o retiramos da água, tivemos que voltar com ele a São Paulo, para abri-lo e consertá-lo. Só depois disso é que ele veio mas, nesse intervalo, eu construí a ponte do rio, uma grande ponte na fronteira de Minas com Goiás.” Simão relembra traços da personalidade marcante do grande amigo:
“Se Juscelino era simples? Põe simplicidade nisso! Certa vez, fomos pescar no Araguaia e eu fui na frente providenciar uma cerveja gelada num
Sobre JK, Vera Sarkis relembra:
“Tempos depois do primeiro contato de Simão com Juscelino, naquele episódio do conserto de uma geladeira, conhecemos o Ildeu, que era seu 108
Simão e JK 109
Fazendinha - Luziânia/GO última morada de JK
primo, marcamos um jantar em casa e Juscelino, aí já ex-presidente, foi o convidado especial. Depois disso, foram vários encontros, jantamos na Fazendinha com ele, que nos dava a maior atenção, sempre que chegávamos era eu e o Simão sentados ao lado dele. Eram momentos muito agradáveis, a gente ouvia mais que falava, ele era uma pessoa de inteligência inigualável que dava prazer escutar. Como que o destino nos pregasse uma peça, com uma despedida não desejada, combinamos um outro jantar lá em casa, na 302 Sul e ele pediu
que convidássemos alguns amigos que há muito tempo não via. O cardápio foi exclusivo de comida árabe, ele não deixou de experimentar nenhum dos petiscos da mesa, elogiando com entusiasmo a diversidade e a qualidade dos pratos. Depois, tocou violão, cantamos, afastamos os móveis porque ele quis dançar, dançou com cada uma das mulheres presentes, uma noite inesquecível, foi o seu último jantar em Brasília. Uma semana depois, faleceu naquele trágico acidente. 110
Um grande amigo, uma figura inesquecível!”
“Não nasci para ter ódio, nem rancores, nasci para construir”. Juscelino Kubitschek *12/09/1902 + 22/08/1976
Correio Braziliense Coluna Ari Cunha 10 de novembro de 1976 111
O maior desafio
A divisão de empresas e bens entre os herdeiros transcorreu em absoluto consenso, nenhum registro das habituais contendas que costumam cercar tal tipo de partilha, nem um único questionamento da parte de qualquer deles.
Para ele, ficou claro que o patrimônio estava diminuindo. E ele explica: “É difícil, quando as pessoas pegam tudo pronto, acham que tudo é lucro mas não é, ali teve trabalho, trabalho e muito trabalho para chegar aonde chegou. Mas cada um tem uma cabeça...” Não cabia, contudo, e nem seria possível, reverter todo o processo de divisão das empresas, a alternativa teria que ser outra.
Imaginou-se, então, um gradual afastamento de Simão dos negócios, um freio no ritmo de trabalho e uma certa equidistância dos negócios dos filhos. Afinal, havia transferido a eles, além de bens materiais, uma inatacável reputação e toda uma cultura de trabalho e princípios éticos, conjunto que lhes assegurava farto potencial de crescimento e ampla confiança do mercado.
Brilhou aí, mais uma vez, a visão periscópica do comandante, a capacidade de enxergar, junto a cada desafio, a fórmula ideal de superá-lo. Seu pragmatismo lhe mostrou que, sendo seus filhos e netos detentores de inegável capacidade de trabalho, seria perfeitamente possível desenvolver com eles empreendimentos compartilhados, onde suas habilidades pessoais e forças de trabalho se somassem, permitindo resultados globais exitosos.
Aparentemente tudo ia bem, mas o olhar crítico e atento com que continuou a acompanhar os negócios, lhe indicava que restava algo a completar. Seus herdeiros não haviam vivenciado, como ele, todo o longo caminho, partindo do zero e enfrentando toda sorte de desafios e dificuldades, até se estabilizar no patamar a que chegou.
Em resumo, o que idealizava o estrategista experiente como novo desafio de sua vida? Que 113
seus descendentes, filhos e netos, se reagrupassem em investimentos pontuais, cada vez mais bem estruturados, como cabe pensar nos competitivos ringues empresariais de hoje, numa cadência e num regime de eficácia que se igualasse aos mais auspiciosos episódios de sua própria vida empresarial.
inexpugnáveis à compreensão vulgar, às quais se soma uma discrição absoluta e serena. Sólido e inteiramente realizado como empresário, assistiu, não só como expectador mas como artífice, o desenvolvimento individual de sua primeira geração descendente no mundo dos negócios, intervindo e ajudando quando assim se fazia necessário, dentro de sua visão de equanimidade e sempre vigilante presença. Aparentemente, a obra parecia completa e acabada! Mas não aos olhos vigilantes de quem se propôs a planejar e trabalhar até sempre.
As empresas dos filhos serem mantidas e terem o seu curso normal mas, a cada novo negócio conjunto, uma SPE Sociedade de Propósito Específico ser aberta, com a participação opcional dos que se interessarem em participar daquele negócio.
Onde, como estão e como ficariam os netos? Esta foi uma pergunta intuitivamente gerada na mente incansável e sempre voltada ao binômio planejamento e trabalho. Depois de uma bem sucedida construção de negócios, em que os filhos seguiram por caminhos separados, não seria a hora de induzir a terceira geração a se recompor, potencializando os méritos e as competências individuais numa unicidade vigorosa e, talvez, muito mais robusta, numa antítese otimista da premissa de que as gerações herdeiras destroem o que as anteriores construíram?
A lógica simples que lhe é peculiar não permite a Simão outra atitude que não seja a do planejamento obstinado e diuturno, o pensar é um exercício agradável que lhe proporciona momentos de lazer permanentes, deixando em segundo plano os prazeres convencionais aos quais poderia se permitir a esta altura da vida, viagens internacionais, passeios, jantares e pescarias, embora os pratique, aqui e ali quando intimado, com a maior galhardia. Cultivou uma forma benéfica de egoísmo, aquela de querer pensar sozinho no bem estar alheio e fazer isto com firmeza e aparente frieza,
Simão, sutil e convincente, colocou os netos em ordem unida e, em consonância absoluta 114
com os filhos, os convenceu que o grande caminho é aquele já traçado, embora precise e deva ser sempre repensado e modernizado. Agora, os investimentos da família acontecem sob a batuta firme de uma orquestra única que se renova, cadenciada e forte, tendo ainda como regente o veterano maestro que a iniciou. Os netos já engajados no processo são Vítor (engenheiro) filho de Juscelino, Wagner Simão (advogado), Felipe (administrador) e Emmanuel (engenheiro) filhos de Wagner, Thiago (engenheiro) filho de Cristiane e Lucas filho de Fabrício. Além destes, integram a iniciativa os filhos Cláudio (cujos filhos são ainda menores) e Elizabeth, arquiteta, sendo treinada para a área de planejamento e gestão. “Se você me perguntar se vai dar certo este formato de reagrupamento, não posso te afirmar que vai mas posso garantir que vai dar melhor do que para quem não tentar. Os cinco se entendem muito bem e tem a exata percepção de família, ninguém quer tirar nada de ninguém, tá todo mundo pensando em como fazer junto”, assegura o filho primogênito Wagner, entusiasta da iniciativa.
Simão no Lake Side 115
Sr. Zico
Zygmunt Matys nasceu em Lublin, na Polônia, em 1923 e, aos 17 anos, experimentou os horrores da Segunda Guerra Mundial na pior condição possível, a de prisioneiro de um campo de concentração nazista. Num lance mirabolante, vestindo um uniforme de soldado alemão que conseguiu trocando por cigarros, fugiu caminhando e passando pelo portão principal do campo, naqueles que, ele relatava a seu filho Roberto, haverem sido os passos mais longos de sua vida, imaginando que poderia ser reconhecido a qualquer momento e fuzilado pela guarda, o que felizmente não aconteceu.
que o contratou como mestre de obras, função que exerceu por 45 anos, enquanto teve forças para trabalhar.
Relata Simão que o Sr. Zico, apelido que ganhou aqui como variação sonora do nome estrangeiro de batismo, cuidava das obras com afinco e dedicação, como se fosse o dono e, ao conseguir sua aposentadoria, pediu-lhe que o deixasse continuar no serviço, que nem precisaria mais lhe pagar, só não queria era ficar parado. Simão, prontamente, respondeu que ele continuaria a trabalhar pois era um valoroso colaborador, mas continuaria a receber seu salário integral.
Clandestino, conseguiu pegar um trem até o porto mais próximo e, de navio, chegar ao sul do Brasil, vindo depois tentar a sorte em Brasília. Um conhecido lhe apresentou a Simão Sarkis,
Sr. Zico cuidou ainda de várias obras até que o peso dos anos o forçou a parar, retirando-se para uma pequena chácara onde morreu em 116
2008, aos 85 anos. Bem antes, ganhou do patrão uma viagem a sua terra natal, onde pode reencontrar parentes e amigos. Roberto Matys, filho de seu Zico, fala orgulhoso do pai e conta como o seu próprio primeiro salário foi pago por Simão. Aos dezessete anos, estava de férias, gostava de acompanhar o pai e ia com ele para as obras do Garvey Park, fazendo serviços braçais, até que Simão o viu, quis saber quem era aquele rapaz e determinou, de imediato, que o incluíssem na folha, já que estava trabalhando! Roberto segue até hoje nas empresas da família, depois de Simão, com o filho Wagner e, agora, com o neto Felipe Sarkis, no Lake Side. Sr. Zico
Este relato é uma homenagem que Simão Sarkis Simão presta a todos os que com ele trabalharam ou trabalham, creditando-lhes a devida cota de participação no êxito de seus negócios e estimulando seus sucessores sobre o reconhecimento de méritos e a importância de uma relação de trabalho justa e produtiva com empregados e prestadores de serviço.
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Depoimento Benedito Conceição Fernandes Pinto
No meio de inúmeras situações em que emprestou solidariedade efetiva a pessoas carentes de algum tipo de ajuda social, uma em particular chamou a atenção de Simão Sarkis, que foi a de um habitante da cidade mineira de Paracatu, distante 234 quilômetros de Brasília.
lista tendo passado pelo procedimento cirúrgico no dia 06 de Dezembro de 2019, pelas mãos do cirurgião Dr. Renato Teixeira, contratado por Simão para aquela maratona beneficente. Hoje, Benedito chama de sua nova vida, após uma redução de quase sessenta quilos no curto período de cento e vinte dias, mas sempre de olho na meta estabelecida que é de chegar aos cem quilos. Diz ele: “Nossa mãe, eu tô no céu agora!” E mandou uma saudação a Simão pela chegada dos oitenta anos: “Eu peço ao Senhor Deus que dê a ele, pelo menos, mais oitenta anos porque ainda tem muita gente nesse Brasil nosso que vai ter muita felicidade, muita coisa boa por conta da bondade desse homem. É muita gratidão que eu tenho por ele, por ele e pelo Dr. Renato e sua equipe, que Deus dê a eles muitos anos de vida.”
Ao receber uma foto de Benedito Conceição Fernandes Pinto, 62 anos, desempregado e pesando mais de duzentos quilos, Simão pediu que ele fosse o primeiro dos cerca de vinte e oito pacientes que ele autorizara selecionar para custear a cirurgia bariátrica, o que não foi possível de ser atendido por conta dos exames pré-operatórios acusarem a existência de uma úlcera gástrica, além do já diagnosticado quadro de diabetes que o obrigava ao uso de dois tipos de insulina e vários medicamentos de controle dos dois quadros e, também, da pressão arterial. Após um rigoroso trabalho de controle das duas doenças, Benedito foi o quarto da
Benedito Conceição Fernandes Pinto Aposentado
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Depoimento Solange Martins Pereira da Silva
Todos os dias eu oro a Deus e agradeço por haver surgido em minha vida um anjo chamado Simão Sarkis. Sempre convivi com problemas de obesidade mórbida, com implicações de outras patologias, que me tolhiam a mobilidade, e que tratamentos e dietas nunca conseguiram resolver.
Em todas as etapas deste processo, devo testemunhar, fui recebida com atenção e amor por todos os profissionais que dele participaram e nada, nada nesta vida paga esse afago, esse abraço na alma de cada um do grupo. O que posso dizer? Que clamo a Deus por sua presença na vida de cada um que contribuiu para a materialização da ajuda gerada no coração solidário de Simão Sarkis, que abriu-nos a porta de sua própria casa, nos hospedando pelo tempo que se fez necessário e tendo o maior cuidado para que não nos faltasse nada.
Eu nunca havia visto o Sr. Simão, sequer ouvira falar de sua existência até que soube, por uma amiga, que ele disponibilizara a realização de cirurgias bariátricas a um grupo de pessoas de Paracatu e eu corri para me inscrever. Após todos os procedimentos pré-operatórios, passei pela cirurgia, realizada pelo competente cirurgião Dr. Renato Teixeira, que ainda realiza o acompanhamento pós operatório, comemorando comigo o êxito da cirurgia que me proporcionou diminuição de peso acima dos melhores prognósticos.
Eu e minha filha só temos uma palavra, GRATIDÃO! Obrigado, Sr. Simão!
Solange Martins Pereira da Silva Técnica de Enfermagem
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Os Novos
Negócios 120
Shopping Brasília Garden Square SIA - Brasília/DF
Em se tratando de Simão Sarkis, a distância entre a teoria e a prática é quase nenhuma. Formatado o reagrupamento dos negócios no núcleo da família, o ritmo de execução dos novos projetos é, literalmente, alucinante e traz uma característica estratégica diferenciada, que é estarem eles voltados, em boa parte, para centros urbanos médios, aqueles com estimativa de mais elasticidade de crescimento e desenvolvimento.
Gerais são o alvo do momento. O novo formato de negócios são as Sociedades de Propósito Específico – SPEs, uma para cada empreendimento, com participação opcional por qualquer membro da família.
Alguns projetos já em andamento são: em Uberlândia-MG, shopping acoplado a um prédio do programa Minha Casa, Minha Vida, com 304 unidades apenas na 1ª Etapa e previsão de outras 3.200 em 8 etapas, além de 59 lotes comerciais; um loteamento de alto luxo, com 390 unidades e um Centro Empresarial, com 130 salas e 13 lojas, em Paracatu-MG; um condomínio com 260
A estruturação dos projetos é absolutamente pragmática, gravitando em torno de carência mercadológica, oportunidade negocial e rapidez de retorno. Cidades do vizinho estado de Minas 121
Condomínio Royal Park - Paracatu/MG
unidades de alto luxo em Araguari-MG e um loteamento em Patrocínio-MG, em fase de projeto e licenciamento. Em Goiás, loteamento de 129 unidades com área unitária média de 332 m², na Cidade Ocidental.
Abastecimento – SIA, com mais de 1.000 lojas e previsão de início imediato em parceria com investidores chineses. E assim, Simão Sarkis segue a coerência de sua trajetória, planejando enquanto pensa e fazendo enquanto planeja, mantendo a mesma garra de adolescente e a serena lucidez de quem já transpôs para a realidade toda uma enorme gama de sonhos, próprios de um realizador da sua magnitude e grandeza.
Mesmo com foco específico em centros urbanos de médio porte, Brasília não está fora dos novos negócios. É na capital da república que está o maior dos projetos, nada menos que o Brasília Garden Square, shopping no Setor de Indústria e 122
Villa Macaúba Mall Uberlândia - MG 123
Prédios Condomínio Royal Park Paracatu - MG 124
Depoimento Juliene Almeida
Em 2019, Paracatu foi agraciada pela generosidade de Simão Sarkis que, em parceria com a nossa prefeitura, patrocinou o projeto Você + Saudável. Saudável Em conversas no gabinete, ele falava dos benefícios da cirurgia bariátrica, citava depoimentos de pessoas que já haviam realizado a operação e a alegria de vê-las tão bem.
Essas pessoas realizaram a possibilidade de viver uma vida saudável e nós, do Projeto, lhe prestamos nossa imensa gratidão, nosso respeito e carinho e que a luz do bom Deus recaia sobre sua vida, trazendo-lhe felicidade, paz e amor!
Vinte e cinco pessoas com quadro de obesidade mórbida receberam um tratamento nunca visto, além de arcar com todas as despesas das cirurgias, ele as acolheu em sua casa em Brasília no pré e pós operatório.
O nosso muito obrigado por tudo.
Juliene Almeida Assessora da Prefeitura Municipal de Paracatu-MG
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ร rvore
Genealรณgica
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Felipe
Wagner
Emmanuel
Enzo Nina Enrico Mateo
Wagner Simão Vitor Juscelino
Vera Lúcia
Arthur Renato Luis Henrique
Cláudio
Lucas André Luis Daniel
Simão
Thiago Cristiane
Priscila Mateus Yasmim
Dalci
Fabrício
Rosa
Elizabeth
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Lucas Luísa
Benício
Galeria de fotos
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Em pé: Emmanuel, Camila. Tallytha, Wagner Simão, Júlia e Felipe. Sentados: Wagner com Enrico e Enzo, Simão, Vera e Nina, Helyn e Mateo. 129
Renato, Arthur, Simão, Vera, Juscelino, Cláudia e Vítor 130
André Luis, Maria Daniela, Cláudio, Simão, Vera, Luis Henrique e Lucas. 131
Em pé: Luiz Carlos, Ana Milla e Fabiana. Sentados: Priscila, Yasmim, Mateus, Cristiane, Simão, Vera, Daniel com Benício e Thiago 132
Lucas, Luísa, Simão, Fabrício e Brenda 133
Elizabeth e SimĂŁo 134
Os Irmãos
Sarkis Paulo
José Paulo Sarkis
(in memoriam)
(Jorge)
Bernardino Simão
Maria Sarkis
(Bernardo)
(in memoriam)
Dalêla Sarkis Teixeira
Ruech Sarkis Simão
João Sarkis Simão
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Rumenos Sarkis Simão (in memoriam)
Latifa Sarkis
Butrus Sarkis
Cecin Sarkis Simão
Jamila Sarkis Carminati
Luciene e Simão
Cairo e Simão
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João Vítor, Simão, Pedro e Alexandre Melken
Simão, Cláudio e Karina Melken 137
Camila, Simão e Natália
Arthur, Vítor, Renato e Simão
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Luis Henrique, Lucas André Luis e Simão
Lucas, Luísa e Simão
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SimĂŁo entre Geraldo e Nelson Piquet
SimĂŁo com Raimunda e Fernanda 140
Simão, em 1999, ao receber a Medalha do Mérito Alvorada de Joaquim Roriz, Governador do DF
Decreto n° 639 de 2001 da CLDF concedendo Título de Cidadão Honorário a Simão Sarkis
Simão, em 2018, em sessão solene da CLDF em Homenagem aos Construtores de Brasília 141
Túnel do Tempo
Vera, Simão e Wagner
Vera e Simão
Vera, Juscelino e Simão
Simão, Vera, Cristiane e Eva (avó de Vera) 142
Simão, Vera, Juscelino, Cláudio e Cristiane
Simão
Elizabeth e Simão
Fabrício e Simão 143
Correio Braziliense Caderno Especial Agosto de 1996 144
Sininho, ajudante, Juscelino e Simão (de chapéu) e ajudante
Juscelino Kubitscheck
Ajudantes, Juscelino(de chapéu) e Simão 145
Carta Dona Sarah
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“O trabalho é importante, mas planejamento e organização são tão importantes quanto o próprio trabalho!” Simão Sarkis 147