O que será do Brasil pós-Covid? Um Ensaio Prospectivo até 2030
Foco especial: São Paulo Maio, 2021
Nota introdutória É com um sentimento duplo que eu e o time da Macroplan entregamos este
percepções e expectativas sobre o Brasil pós-COVID. Isto para ter um mínimo
ensaio prospectivo sobre o Brasil pós-COVID até 2030. Primeiro, a satisfação
de tempo para formular e testar hipóteses enquanto a névoa dissipava aos
de entregar o que prometemos ainda em 2020 e de atualizá-lo em janeiro
poucos e nos desvelava o comportamento dos atores e a dinâmica dos
de 2021. Segundo, alívio e um certo cansaço: 2020 foi um ano outlier que
acontecimentos. No entanto, somos um dos primeiros no Brasil a antecipar o
exigiu muita energia, disciplina e controle emocional de todos nós. Para
que será do nosso país ao longo desta década e não apenas no 1º ano.
atravessá-lo, sobreviver e renovar esperanças. Tempos difíceis.
Afinal, boas antecipações e visões coerentes de longo prazo geram muito
Pessoalmente, conduzir, consolidar e formalizar este ensaio (exclusivamente
valor. Nisso acreditamos por convicção e experiência. A pandemia nos
com capacidades de parte de nossa equipe alocadas ‘em fragmentos’,
deixará sequelas, mas ela será superada pelas vacinas e saberes produzidos
enquanto
intelectuais,
pela ciência. E nós vamos voltar a fazer o futuro melhor. Desejo que façam
metodológicos e de disciplina dos mais difíceis que já enfrentei. Não pelo
um bom proveito deste ensaio, que vamos monitorar e atualizar ao longo
objeto em si: o Brasil, o conhecemos bem, seus futuros plausíveis são quase que
desta década.
tocava
outros
projetos)
foi
um
dos
desafios
evidentes em ‘condições normais’. Mas o vírus que provocou esta pandemia mexeu com todas as nossas peças, ou até mesmo os ‘jogos dos atores’ e
submeteu a realidade do país e as expectativas dos brasileiros a idas-e-vindas e a metamorfoses sucessivas que nos surpreendem frequentemente. Grande parte das vezes com o país trilhando a ‘marcha da insensatez’. Por isso, para poder oferecer um quadro coerente e útil aos nossos clientes e
Claudio Porto Fundador da Macroplan
parceiros, em face a tantas incertezas e avalanches de informações e desinformações, decidimos ser um dos últimos a compartilhar nossas
O QU E SERÁ DO BRASI L PÓS-COVI D | U M ENSAI O PROSPECTI VO ATÉ 2030
Maio de 2021
2
Sumário
3
1
Condicionantes Macro
2
As 5 Forças Motrizes que moldarão o Brasil até 2030
3
Os 28 Vetores de Mudança
4
Insights de Estratégias
5
São Paulo e o pós-covid
6
Referências O QU E SERÁ DO BRASI L PÓS-COVI D | U M ENSAI O PROSPECTI VO ATÉ 2030
Como este ensaio foi feito Início do projeto
1
2
3
Identificamos 60 fenômenos potencialmente “sensíveis” à COVID-19. Previamente excluídos os de elevado “teor” político-partidário, ideológico, relativo a costumes, raça, gênero e afins. Hipóteses de partida.
Pesquisamos percepções e expectativas junto a pessoas bem informadas (executivos, gestores, acadêmicos e especialistas dos setores privado, público e do 3º setor) em maio e junho de 2020 para avaliação e classificação desses 60 fenômenos segundo os critérios de impacto e incerteza. Tivemos 139 respostas.
Cruzamos as percepções e expectativas com nosso monitoramento de dados, fatos, análises especializadas e evidências em publicações veiculadas por fontes de alta reputação. Reduzimos a lista de 60 para 28 fenômenos → vetores de mudança.
6
5
4
Caracterizamos as 5 Forças Motrizes e os 28 Vetores de Mudança.
Clusterizamos esses vetores em 5 Forças Motrizes.
Mapeamos e hierarquizamos a rede de influenciação desses vetores entre si (técnica de análise estrutural) → plano de motricidade x dependência 1.
7
8
9
Fizemos uma avaliação sistemática de robustez e consistência, com testes e ajustes sucessivos ao longo dos últimos 3 meses e produzimos insights de estratégias.
Agora, compartilhamos.
Ao longo desta década, monitoraremos e atualizaremos.
1. Conforme método MICMAC sistematizado por MICHEL GODET no final da década de 1970.V. GODET, Michel - Crise de la prévision, essor de la prospective: Exemples et méthodes Presses universitaires de France (1977), Ch. 4.
Avaliação Situacional e Retrospectiva:
Onde estamos? Como chegamos até aqui? Mundo (até 13/05/2021)
Brasil (até 13/05/2021)
São Paulo (até 13/05/2021)
Mortes1 ≈ 3,4 milhões
Mortes1 ≈ 430 mil
Mortes1 ≈ 103 mil
Total de pessoas vacinadas2 Pelo menos uma dose:
Total de pessoas vacinadas2 Pelo menos uma dose:
Total de pessoas vacinadas2 Pelo menos uma dose:
≈ 34 milhões
≈ 8,9 milhões
Completamente vacinadas:
Completamente vacinadas:
Completamente vacinadas:
≈ 340 milhões
≈ 16 milhões
≈ 4,8 milhões
≈ 685 milhões
Fontes: (1) John Hopkins University (2) Our World in Data
Fontes: (1) Ministério da Saúde (2) Our World in Data
Fontes: (1) SEADE (2) Vacina Já – Governo do Estado de SP
Óbitos por dia - Mundo
Óbitos por dia - Brasil
Óbitos por dia – São Paulo
Muitos agentes estão focados exclusivamente na COVID ... mas é preciso começar a preparar a transição!
1
Condicionantes Macro
Brasil: dados gerais e 100 maiores cidades NORTE
População (2020):
211.755.692 habitantes
Área:
8.5 milhões de km 2
Maiores cidades:
São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Brasília (DF), Salvador (BA), Fortaleza (CE), Belo Horizonte (MG), Manaus (AM), Curitiba (PR), Recife (PE), Goiânia (GO)
RO AC AM RR PA AP TO
NORDESTE MA PI CE RN PB PE
9 municípios
Porto Velho Rio Branco Manaus Boa Vista Ananindeua, Belém e Santarém Macapá Palmas
CENTRO-OESTE
RR
AP
AM
PA
MA
CE PI
AC
RO
6 municípios
MS Campo Grande MT Cuiabá e Várzea Grande GO Anápolis, Aparecida de Goiânia e Goiânia
BA
MT DF GO MG
MS SP
RJ
PR
Moeda:
PNB (2018):
Renda per capita (2018):
Real (R$)
US$ 3.320 Bilhões PPC
SUL
15 municípios
PR
Cascavel, Curitiba, Londrina, Maringá, Ponta Grossa e São José dos Pinhais
SC
Blumenau, Florianópolis e Joinville
RS
Caxias do Sul, Canoas, Gravataí, Pelotas, Porto Alegre e Santa Maria
SC
ES
AL SE
US$ 15.850 PPC
São Luís Teresina Caucaia e Fortaleza Mossoró e Natal Campina Grande e João Pessoa Caruaru, Jaboatão dos Guararapes, Olinda, Paulista, Petrolina e Recife Maceió Aracaju Camaçari, Feira de Santana, Salvador e Vitória da Conquista
SUDESTE
50 municípios
MG Belo Horizonte, Betim, Contagem, Governador Valadares, Juiz de Fora, Montes Claros, Ribeirão das Neves, Uberaba e Uberlândia ES
Cariacica, Serra, Vila Velha e Vitória
RJ
Belford Roxo, Campos dos Goytacazes, Duque de Caxias, Niterói, Nova Iguaçu, Petrópolis, Rio de Janeiro, São Gonçalo e São João de Meriti
SP
Bauru, Campinas, Carapicuíba, Diadema, Franca, Guarujá, Guarulhos, Itaquecetuba, Jundiaí, Limeira, Mauá, Mogi das Cruzes, Osasco, Piracicaba, Praia Grande, Ribeirão Preto, Santo André, Santos, São Bernardo do Campo, São José do Rio Preto, São José dos Campos, São Paulo, São Vicente, Sorocaba, Sumaré, Suzano, Taboão da Serra e Taubaté
RS
Fonte: Macroplan. Nota: Brasília, pelas suas especificidades, não foi considerada nesta análise.
7
PE
TO
RN PB
AL SE BA
20 municípios
O QU E SERÁ DO BRASI L PÓS-COVI D | U M ENSAI O PROSPECTI VO ATÉ 2030
17 de novembro de 2019: 1º caso da COVID -19 (Hubei, China) 14 de maio de 2021: ≈ 3,4 milhões de mortes causadas pela pandemia Ignorância diminuiu (evidências), a esperança aumentou (vacinas). Mas, as incertezas continuam muito altas
Mais de 170 países já iniciaram a vacinação (NY Times). O Brasil também!
2 Incertezas críticas para 4 cenários de recuperação econômica
3 cenários para a pandemia
Legenda: Fonte: Pandemics - Existential risks and enablers of change. Copenhagen Institute for Futures Studies. Publicado em 04 de junho/2020
Uma 2ª onda já emergiu No de casos no mundo, distribuídos por grandes regiões (Situação até 17/05/2021)
Mundo pós-Covid Aceleração das mudanças na economia mundial (comércio, tecnologia, finanças, política econômica) No. de mortes associadas à COVID-19: 2 milhões1 (real) x 4 milhões de mortes* previstas para 1 de janeiro de 20212. Endividamento público em alta generalizada Digitalização mais acelerada •
+ comércio eletrônico – varejo físico
•
+ serviços de educação e saúde on-line
Cenário descartado pela Macroplan em nov/20
Fonte: Centro de Pesquisa e Política de Doenças Infecciosas da Universidade de Minnesota – citado por Siobhan Roberts – “This Is the Future of the Pandemic” – in The New York Times, 8th, May, 2020 https://www.nytimes.com/2020/05/08/health/coronavirus-pandemic-curve-scenarios.html
O Brasil em 2021: desafio fiscal à frente Segundo lugar1 entre os emergentes mais endividados, segundo o Fiscal Monitor do FMI, com dívida podendo ultrapassar a barreira dos 100% do PIB nacional. Projeção para a Dívida Pública Bruta dos mercados emergentes e de renda média em 2021 (% do PIB) - TOP 10
120 100 80 60 40 20 0
Competição mais intensa entre as grandes potências Fonte: The Economist – Special Report: “The peril and the promise” (8/10/2020). (1): John Hopkins University of Medicine – Coronavirus Resource Center. (2): Washington University.
O QU E SERÁ DO BRASI L PÓS-COVI D | U M ENSAI O PROSPECTI VO ATÉ 2030
Nota: (1) Não há dados disponíveis para o ano de 2021 para Argentina e Venezuela. Fonte: Fiscal Monitor de Outubro de 2020 – FMI. Disponível em: https://www.imf.org/en/Publications/FM/Issues/2020/09/30/october-2020-fiscal-monitor.
8
Brasil 2030 |O que é muito provável 1
2
Seremos 225 milhões...
...de habitantes
3
Continuaremos a ser...
...diversos e desiguais
...de renda média
RR
BOLÍVIA
AP
JAMAICA
PARAGUAI AM
PA
MA PI
BOLÍVIA
AC
TO
RO
BA
MT
SP PR
209 milhões
SC
AM AC
RO
JAMAICA
MG ES
MS
RR
ZÂMBIA
CE RN PB PE AL SE
DF GO
PARAGUAI
2020:
Um país
CHINA
RJ
CHILE
URUGUAI
RS
Crescimento do PIB per capita (1990=100)
AP
BRASIL 2000 1800 PA MA CE 1600 RN PB 1400 PI PE 1200 AL TO SE 1000 BA 800 MT DF 600 GO 400 MG ES 200 MS 0 PANAMÁ SP
Com infraestrutura deficiente
5
...de alimentos Ranking
Rodovias
116
Ferrovias
86
Portos
Transporte aéreo
104
85
Oferta de energia 73
Investimento público/PIB ≈ 2,3% (2009) – est. IBRE Necessidade de investimento/PIB para reduzir gap 5 a 7% (Fritschtak)
9
Top 3 em produção e exportação mundial •
Soja em grãos
•
Café
•
Carnes
•
•
açúcar
Suco de laranja
513 364
228
RJ
SC RS
Mas, grande supridor global
Posição do Brasil no ranking setorial de qualidade de infraestrutura (2019)
585
PR
Brasil
4
1.709
...de commodities minerais e industrializados Top 5 em produção e exportação mundial
Mais de 200 países
•
Minerais metalúrgicos
Mais de 1,5 bilhão de pessoas
•
Celulose
6
Coreia do Sul
Índia
China
Rússia
Com mercado interno atrativo
12º maior mercado consumidor do mundo (Doing Business)
Rede urbana | Brasil - 2018
100 maiores cidades: 40% total de habitantes Uma única língua e moeda Alta conectividade para pagamentos on-line
4ª maior malha rodoviária do mundo (1,7 milhões km de extensão) Rede de cidades integrada e acessível O QU E SERÁ DO BRASI L PÓS-COVI D | U M ENSAI O PROSPECTI VO ATÉ 2030
Em janeiro, Brasil era considerado o país que pior lidou com a pandemia
Quais países lidaram melhor com a pandemia Análise feita pelo Lowy Institute, da Austrália
Segundo matéria publicada na Folha de São Paulo de 28/01/20211: • “O Brasil foi o país que teve a pior gestão pública durante a pandemia, apontou um relatório feito pelo Lowy Institute, centro de estudos baseado em Sydney, na
Austrália. • O estudo levou em conta seis critérios: casos confirmados, mortes, casos e mortes por milhão de habitantes, diagnósticos em relação à proporção de testes e exames feitos a cada mil pessoas. A pesquisa se concentra nos dados registrados nas 36 semanas seguintes após a confirmação do 100º caso em cada país.
• O país ficou na última posição entre 98 governos avaliados. México, Colômbia, Irã e Estados Unidos também tiveram notas muito baixas.
• Na outra ponta da lista, a Nova Zelândia foi apontada como país que melhor lidou com a crise sanitária. E Vietnã, Tailândia e Taiwan foram incluídos entre os melhores exemplos....” Fonte: 1Folha de São Paulo. Disponível em: (https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2021/01/brasil-e-o-pais-que-pior-lidou-com-apandemia-aponta-estudo-que-analisou-98-governos.shtml). Acesso em: 28/01/2021 O QU E SERÁ DO BRASI L PÓS-COVI D | U M ENSAI O PROSPECTI VO ATÉ 2030
Fonte: Lowy Institute
10
2
As 5 Forças Motrizes que moldarão o Brasil até 2030
A evolução do Brasil até 2030 será condicionada
por 5 forças motrizes1
1
4
Duração e intensidade da crise econômica e social
Emergência de novas formas de relacionamento social
2 Aceleração da conectividade da economia e da sociedade
3 Revisão do papel e da forma de atuação do estado
5 Valorização da saúde pública
(1) Driving forces: Fenômenos ou processos que influenciam fortemente o comportamento e a trajetória de
outros fenômenos, processos, atores ou variáveis associados num dado horizonte de tempo e que se reforçam uns aos outros 12
1. Duração e intensidade da crise econômica e social
CONDICIONANTES
MUNDO - Covid-19
Dois grupos de macro-condicionantes conformam e impulsionam esta força motriz. No MUNDO a pandemia do COVID-19 e a acentuação das tensões políticas, polarizadas pelos Estados Unidos e China, reúnem os fatores mais negativos. Em parte mitigadas pela grande liquidez internacional e pela disseminação e aceleração das tecnologias digitais.
- Tensões políticas + Grande liquidez internacional
a magnitude e o prolongamento da crise sanitária e suas consequências econômicas acentuaram. Estamos entre os Top 5 do mundo em número de mortos pela pandemia
ii.
a nossa anemia econômica crônica, que é em grande parte consequência de
iii.
um contrato social que produz elevada ineficiência e sustenta iniquidades e privilégios significativos
iv.
e é operado por um estado de alto custo e baixa performance causa e efeito de um sistema econômico de baixa produtividade e competitividade
v.
apesar dos nossos grandes e valiosos potenciais no século 21: mercado, agronegócio e riquezas naturais
Como consequência, o mais provável é que a crise econômica e social brasileira tenha longa duração, embora haja uma boa chance de sua intensidade reduzir
24
28
Desaceleração da globalização
Maior crescimento relativo dos países da Ásia
+ Tecnologias digitas
DURAÇÃO E INTENSIDADE DA CRISE ECONÔMICA E SOCIAL
No BRASIL, seis fenômenos principais: i.
DINÂMICA DA FORÇA MOTRIZ
BRASIL
- Crise sanitária e econômica (Brasil Top 5) - Anemia econômica (baixo crescimento estrutural) - Contrato social sustenta ineficiências, privilégios e iniquidades
- Estado: alto custo e baixa performance - Economia: baixa produtividade (FT e PTF) + Grandes potenciais: mercado, agronegócio e riquezas naturais
REFORÇO DE MUDANÇAS ESTRUTURAIS EM CURSO
REVISÃO DO PAPEL E DA FORMA DE ATUAÇÃO DO ESTADO
1 Expansão do endividamento público e privado
19
2
Elevadas desigualdades sociais
Aumento do desemprego e da pobreza
8 Automação e robotização
VALORIZAÇÃO DA SAÚDE PÚBLICA
2. Aceleração da conectividade da economia e da sociedade Dois grupos de condicionantes moldam e impulsionam
esta força motriz. No MUNDO, aceleração da difusão das tecnologias
DINÂMICA DA FORÇA MOTRIZ
CONDICIONANTES
MUNDO + Ampliação da oferta de tecnologias digitais e redes de comunicação social
Crescente utilização de dados públicos, do big data e do analytics
Expansão significativa dos negócios digitais
5
6
Redução da privacidade dos dados pessoais
No BRASIL, dois fenômenos se destacam nesse campo:
sociedade em inserir-se nas redes digitais que coexiste com • Um fenômeno negativo: (-) os acentuados déficits e o alto custo das nossas comunicações digitais Como consequência, o mais provável é que a expansão dessa conectividade seja acentuada mas
experimente algumas barreiras econômicas (capacidades de investimento e pagamento dos custos de operação e manutenção dos serviços)
REVISÃO DO PAPEL E DA FORMA DE ATUAÇÃO DO ESTADO
11
de informação e comunicação (TIC).
• Positivamente, (+) a alta propensão de nossa
REFORÇO DE MUDANÇAS ESTRUTURAIS EM CURSO
BRASIL + Sustentação da alta propensão social para inserção em redes digitais, mas coexistindo com - Déficits tecnológica e de capacidade e alto custo relativo de acesso às comunicações digitais
9 Forte crescimento do comércio eletrônico
7
4 Ampliação e diversificação do ensino a distância
NOVAS FORMAS DE RELACIONAMENTO SOCIAL
12
Multiplicação de Disseminação da oportunidades e telemedicina formas de trabalho remoto
ACELERAÇÃO DA CONECTIVIDADE DA ECONOMIA E DA SOCIEDADE
VALORIZAÇÃO DA SAÚDE PÚBLICA
3. Revisão do papel e da forma de atuação do estado Dois grandes fatores condicionantes impelem e direcionam esta força motriz. No MUNDO a valorização (econômica, social, política e ideológica) da
sustentabilidade ambiental e das políticas públicas baseadas em dados e evidências científicas operam positivamente. Assim como a aceleração das tecnologias digitais. Do lado negativo, a força, o enraizamento e as várias formas de populismo No BRASIL, sete fenômenos influenciam: três de forma negativa e quatro
CONDICIONANTES
DINÂMICA DA FORÇA MOTRIZ
MUNDO + valorização da sustentabilidade ambiental + valorização das políticas públicas baseadas em dados e evidências + aceleração das tecnologias digitais. - enraizamento de várias formas de populismo
Digitalização do setor público
i.
(-) os elevados déficits sociais e de infraestrutura
ii.
(-) a escassez estrutural de recursos públicos não comprometidos
iii.
(-) as acentuadas tensões e insatisfações na sociedade
iv.
(+) a nossa diversidade federativa e política
v.
(+) as redes de competências e capacidades técnico-científicas que estão multiplicando e diversificando, mesmo em ambiente adverso
vi.
(+) nossos grandes potenciais econômicos: mercado, agronegócio e riquezas naturais muito valiosas no século 21.
vii.
(+) o “ganho de tração” das concessões e PPPs de infraestruturas e
serviços públicos Como consequência, e dadas a dinâmica de esgotamento e o elevado custo de manutenção do atual modelo de estado, é provável que sucessivas reformas adaptativas ocorram ao longo da década, estimulando revisões e melhorias no papel e na forma de atuação do nosso setor público.
- escassez estrutural de recursos públicos disponíveis - tensões e insatisfações da sociedade + diversidade federativa e política + redes de competências e capacidades técnicocientíficas + grandes potenciais econômicos: mercado, agronegócio e riquezas naturais + “ganho de tração” das concessões e PPPs
14
15 Reconfiguração e melhoria das redes de proteção social
BRASIL - déficits sociais e de infra estrutura
Ampliação dos serviços púbicos (oferta e cobertura)
13
positivamente.
REFORÇO DE MUDANÇAS ESTRUTURAIS EM CURSO
DURAÇÃO E INTENSIDADE DA CRISE ECONÔMICA E SOCIAL
17 Uso de dados e evidências em políticas e estratégias públicas
20 Revigoramento da sustentabilidade ambiental
REVISÃO DO PAPEL E DA FORMA DE ATUAÇÃO DO ESTADO
NOVAS FORMAS DE RELACIONAMENTO SOCIAL
4. Emergência de novas formas de relacionamento social Esta força motriz é influenciada por dois grupos de condicionantes. Em escala GLOBAL, a fortíssima expansão e diversificação, na última década, das tecnologias de informação digital e das plataformas e redes de comunicação social abriu novos horizontes. Que também produziram efeitos muito negativos como a potencialização da intolerância e preconceitos e o fortalecimento dos populismos
CONDICIONANTES
MUNDO + expansão e diversificação das TIC e das redes de comunicação social
DINÂMICA DA FORÇA MOTRIZ
NOVAS FORMAS DE RELACIONAMENTO SOCIAL
- potencialização da intolerância, preconceitos e populismos
(+ e -) a elevada taxa de conexões/dia da nossa população
- enraizamento e as várias formas de populismo
ii.
(+ e -) estamos entre os Top 3, no mundo, em usuários de plataformas de mídia social
iii.
(-) grande parte de nossa sociedade tem alta propensão à contaminação por fake-news e narrativas mentirosas
iv.
(-) o enraizamento da intolerância e dos preconceitos, com ‘surtos’ de polarização e de sedução pelos populismos e ‘salvadores da pátria’
v.
(+) o surgimento e multiplicação de experimentos de reconfiguração de espaços públicos
vi.
(+) iniciativas e práticas de solidariedade social
Como consequência, é certo ou quase certo de que nos próximos 10 anos nós não voltaremos ao “velho normal”. Nem tampouco o convívio social será totalmente pautado por um “novo normal”. O padrão dominante tenderá a ser um hibrido de bons hábitos e práticas sociais seculares com novos modos de ser, viver e conviver. Tomara que com mais tolerância e empatia, e menos polarizações e agressões aos fatos da vida real.
BRASIL (+ -) a elevada taxa de conexões/dia da nossa população (+ -) Top 3, no mundo, em usuários de plataformas sociais (-) alta propensão à contaminação por fakenews e narrativas baseadas em narrativas falsas (-) intolerância, preconceitos, polarizações e sedução pelos populismos e ‘salvadores da pátria’
(+) bons experimentos de reconfiguração de espaços públicos (+) iniciativas e práticas de solidariedade social
ACELERAÇÃO DA CONECTIVIDADE DA ECONOMIA E DA SOCIEDADE
Estímulos ao ‘consumo consciente’
24
No BRASIL, sete fenômenos têm destaque, vários deles com efeitos ao mesmo tempo positivos e negativos: i.
REFORÇO DE MUDANÇAS ESTRUTURAIS EM CURSO
Proliferação de conexões virtuais e redes sociais para informação
Polarização social e tensões políticas
10
21
REVISÃO DO PAPEL E DA FORMA DE ATUAÇÃO DI ESTADO
22 25 Mais senso de coletividade e solidariedade social
Redefinição de espaços públicos
VALORIZAÇÃO DA SAÚDE PÚBLICA
5. Valorização da saúde pública Este é um dos legados positivos do esforço global de combate à pandemia do COVID-19, nesta era de informação e conexões em tempo real. No MUNDO, as perdas são e ainda serão muito severas não só de vidas humanas mas
também as sequelas físicas e emocionais. Haverá forte redução nas oportunidade, na produção de riqueza e no bem estar. Mas os ganhos também serão significativos, especialmente a médio e longo prazos: i.
(+) grandes acervos de conhecimentos científicos, tecnológicos e gerenciais que estão sendo produzidos; e de aprendizagem dos indivíduos, grupos, comunidades, sociedades, instituições públicas e dos agentes privados
ii.
DINÂMICA DA FORÇA MOTRIZ
CONDICIONANTES MUNDO (-) perdas e sequelas (-) redução bem-estar (+)capacidade de antecipar, prevenir e lidar com pandemias
VALORIZAÇÃO DA SAÚDE PÚBLICA
(+) aceleração de inovações em saúde (+) maior consciência do valor da saúde e da antecipação preventiva (?) reconfiguração de cadeias produtivas globais em insumos e equipamentos de saúde
Mais segurança sanitária
Maior cobertura dos serviços de saúde
3
16
(+) aceleração sem precedentes na produção de vacinas e de instrumentos médicos
Pesquisa colaborativa global em saúde
iii. (+) maior consciência do valor da saúde e da antecipação preventiva Uma incerteza remanescente é quão duradoura e intensa será a reconfiguração das cadeias produtivas globais para reduzir a dependência da grande maioria dos países do mundo em relação ao suprimento de insumos e equipamentos de saúde oriundos da Ásia, especialmente China e Índia No BRASIL, há evidências de que nossa performance neste terreno está entre as piores do mundo com destaque para (i) a descoordenação, improvisação, mau exemplo e nãoengajamento de autoridades e instituições públicas e de lideranças políticas e civis; e (ii)
o aprofundamento e prolongamento da crise econômica. Mas há sinais positivos no horizonte: i.
(+) valorização social e política do SUS (uma rede com 47 mil UBS em todos os aglomerados urbanos de todo o país; 38 mil salas de vacinação)
ii.
(+) emergência de hábitos sociais sanitários mais saudáveis (higiene, proteção, uso de máscaras, etc)
iii. (+) disseminação de boas práticas de prevenção em saúde iv. (+) aceleração da telemedicina com “redução forçada” das resistências corporativas à adoção desta modalidade de serviço de saúde O saldo líquido esperado é a valorização significativa e duradoura da saúde pública.
REFORÇO DE MUDANÇAS ESTRUTURAIS EM CURSO
BRASIL
REVISÃO DO PAPEL E DA FORMA DE ATUAÇÃO DI ESTADO
(-) baixa performance de autoridades e instituições
23
públicas e de lideranças
ACELERAÇÃO DA CONECTIVIDADE DA ECONOMIA E DA SOCIEDADE
políticas e civis no enfrentamento da pandemia e na gestão de suas sequelas (+) valorização social e política do SUS
27
18
(+) emergência de hábitos sanitários mais saudáveis (+) disseminação de boas práticas de prevenção em saúde (+) aceleração da telemedicina
Menos dependência de insumos e equipamentos (em saúde) de origem asiática
Mais saúde preventiva
NOVAS FORMAS DE RELACIONAMENTO SOCIAL
3
Os 28 Vetores de Mudança
Tendências, mudanças emergentes e incertezas 5 Forças Motrizes
agrupam 28 vetores de mudança que estão interconectados em uma rede de trocas de influência entre si como configurado ao lado
5
MOT RI CIDADE (Po der de i n fl u en ci a çã o d e ca d a v eto r so b r e o s d ema i s)
Brasil pós-COVID até 2030
Legenda | Forças Motrizes
6
Dados, Big data, analytics
Negócios digitais
1. DURAÇÃO E INTENSIDADE DA CRISE ECONÔMICA E SOCIAL
Ampliação de serviços públicos
2. ACELERAÇÃO DACONECTIVIDADE DA ECONOMIA E DA SOCIEDADE
Privacidade de dados
3. REVISÃO DO PAPEL E DA FORMA DE ATUAÇÃO DO ESTADO
11 1
4. NOVAS FORMAS DE RELACIONAMENTO SOCIAL
Automação e robotização
Endividamento público e privado
5. VALORIZAÇÃO DA SAÚDE PÚBLICA
8
Conexões virtuais e redes sociais para informação
Digitalização do setor público Comércio eletrônico
9
Redes de proteção social
13
15
Uso de dados e evidências
12 17
Desemprego e pobreza
10
2
EAD
4
Trabalho remoto Mais segurança sanitária
Telemedicina
16
Cobertura dos serviços de saúde
7
3
19 Desigualdades sociais
Sustentabilidade ambiental
20
Desaceleração da globalização
26
21
27 28
Saúde preventiva
Consumo consciente
24
Menos dependência de insumos e equipamentos dos países asiáticos
18
Senso de coletividade
25
23
Polarização social e tensões políticas
Pesquisa colaborativa e global em saúde
22
Redefinição dos espaços públicos
Maior crescimento dos países da Ásia
DEP ENDÊNCIA (I n ten si d a d e d a i n fl u ên ci a r eceb i d a p o r ca d a u m d o s v eto r es)
14
1. Expansão do endividamento público e privado Projeções para a DBGG – Base, otimista e pessimista (% do pib)
Até 2030, a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) poderá ultrapassar a barreira dos 100% do PIB nacional. O endividamento
privado também deve expandir, com 66% das famílias brasileiras endividadas e cerca de 6 milhões de empresas inadimplentes.
•
A DBGG refere-se ao total de débitos do governos Federal, estaduais e municipais junto ao setor público e privado e ao resto do mundo. O endividamento privado abrange a soma dos débitos das empresas e das famílias brasileiras.
•
A STN publicou recentemente os cenários da Dívida Bruta (DBSP) e da Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) do Brasil até 2029. Segundo Mansueto Almeida, exSTN, mesmo cumprindo o teto dos gastos, a DLSP cresceria até 87% do PIB. Valor
Elaboração Macroplan Fonte: Ebit, Relatório Webshoppers - 41ª edição, pág. 9
muito alto: em 2013 a DLSP era de 35% do PIB e em 2019 alcançou os 55,7%. Além disso, o atual perfil da dívida é muito curto: 66% da DPB paga juros de curto prazo. •
Desde 2010, o número de famílias endividadas cresceu 13,5%, alcançando um
Possíveis implicações
total de no 10,8 milhões de unidades. Mantendo-se a taxa de crescimento
•
Atenção permanente e redobrada com o comportamento da DP/PIB
anualizado médio de 2,4% ao ano e considerando a deterioração de indicadores
•
Entram em viés de alta: risco-país, risco de inflação e aumento das taxas de juros reais
•
Monitoramento mais atento do endividamento das famílias e das empresas pois pode ser formar um binômio perverso: baixo crescimento x aumento da inadimplência
•
Oportunidade: expansão e diversificação das Concessões e PPPs de infraestrutura e serviços públicos
econômicos como o PIB e a taxa de ocupação, o número de famílias
inadimplentes poderá ultrapassar a casa dos 13 milhões até 2030. Segundo o SERASA, 5,9 milhões de empresas estavam inadimplentes em junho deste ano. Entre 2007 e 2020, o saldo da carteira de crédito concedido a pessoas jurídicas
cresceu 34%, chegando a 23,4% do PIB.
O QU E SERÁ DO BRASI L PÓS-COVI D | U M ENSAI O PROSPECTI VO ATÉ 2030
20
2. Aumento do desemprego e da pobreza
Evolução do número de pessoas desocupadas (em milhares) – Cenário otimista e pessimista 13.168
20000
15.247
10000
A taxa de desocupação alcançou os 14,3% da população entre agosto e
0
outubro de 2020, recorde para o período. Em 2019, 13,7 milhões de
6.754
brasileiros viviam em condição de extrema pobreza. Por mais que o Projeção otimista: retorno aos patamares do começo da década.
indicador tenha apresentado alívio durante a pandemia graças aos
Projeção pessimista: aumento de mesmas proporções entre 2010 e 2020
auxílios emergenciais, a sua descontinuidade indica que a melhora é
Fonte: Censo 2010, PNAD 2011, PNADC – IBGE.
temporária. Até 2030, portanto, espera-se que ainda vivamos em um país com indicadores de desemprego e pobreza bastante deteriorados.
Evolução do PIB per capita (em R$) – Projeção IBRE
•
Para o decênio de 2020-2030, a taxa média de desemprego provavelmente será maior do que a década anterior. Segundo dados recentes, temos 14,1 milhões de desempregados. Para que a média seja similar à do período 2012-2019, a taxa deve cair em torno de 5% ao ano até 2030. No curto prazo, com o Auxílio Emergencial, o nível de pobreza caiu para números consideravelmente baixos quando comparados com a série histórica. Um estudo da FGV, coordenado por Marcelo Néri, mostrou que o benefício foi responsável por diminuir a pobreza em 23%.
•
Fonte: Valor Econômico
Pelo critério de renda per capita, o Brasil está empobrecendo desde 2013. Segundo estudo do IBRE, em 2020, o PIB per capita do Brasil deverá terminar o ano em R$ 33,3 mil. Dada a crise econômica decorrente da Covid-19, será necessário mais de uma
Possíveis implicações
década para o Brasil voltar ao patamar de 2013: apenas em 2030, segundo Silvia Matos, coordenadora do Boletim Macro do IBRE/ FGV. Na década, enquanto Brasil cresceu apenas 2,2%, o mundo expandiu 30,5% segundo estimativas recém
divulgadas pelo FMI.
21
•
Crescente risco de “argentinização à brasileira”: empobrecimento lento e gradual, mas permanente nesta e nas próximas décadas
•
Perda de atratividade econômica do país em escala global
•
Empobrecimento relativo em comparação com outros países de renda média, especialmente os asiáticos
•
Importância e urgência de uma visão estratégica compartilhada pelas principais lideranças do país para a reversão desta trajetória de decadência
3. Mais segurança sanitária Em 3 de abril de 2015, Bill Gates fez um TED Talk de pouco mais de 8 minutos: "The next outbreak? We´re not ready". Previa uma pandemia.
Investimento em saneamento (como % do PIB) – Projeções base, otimista e pessimista
Em 2018, a OMS incluiu em sua lista de prioridades a prevenção à “doença x”,
0,60%
um patógeno desconhecido e com um potencial de rápida contaminação. A
0,40% 0,23%
falta de ações preventivas em um mundo globalizado causou, em 2020, uma
0,20%
das maiores pandemias vividas pela humanidade. E evidenciou a carência de
segurança sanitária no Brasil e no mundo. Para os próximos anos, o caráter
0,46% 0,23%
0,19%
0,15%
0,00%
destrutivo da Covid-19 acentuou a necessidade de estratégias e práticas preventivas para que fenômenos como este não se repitam no futuro.
Projeção otimista: supondo agenda de privatizações e PPPs, indicador duas vezes maior que 2010, com crescimento expressivo a partir de 2023 Projeção base/mediana : retorno à patamares do começo da década.
•
Segurança sanitária é o conjunto de condições e ações capazes de eliminar, diminuir ou prevenir riscos
Projeção pessimista: queda de mesmas proporções observadas entre 2010 e 2018
à saúde e de intervir nos problemas sanitários decorrentes do meio ambiente, da produção e da
Elaboração Macroplan Fonte: SNIS (FN033+FN048+FN058) e IBGE
circulação de pessoas e bens e da prestação de serviços de interesse da saúde. •
Para a OMS, uma das formas básicas de prevenção e controle de doenças é assegurar acesso à água tratada, a um sistema de saneamento adequado e à coleta e tratamento de lixo. Entre nós, no entanto, cerca de 35 milhões de brasileiros não possui acesso a água tratada e 47% não tem acesso a
Possíveis implicações
esgoto. Déficits substanciais que poderão ser progressivamente eliminados à medida em que se
acelere e amplie a concessão dos serviços de água e esgoto a investidores e operadores privados em
•
Mais investimentos em pesquisa e desenvolvimento para rastreamento de infecções por vírus, prevenção, imunização e tratamento da população
•
Maior controle em portos e aeroportos, assim como maior exigência de vacinação para o fluxo de passageiros e fiscalização na circulação de mercadorias.
•
Valorização dos investimentos em infraestrutura sanitária e das políticas de acesso à água tratada
•
Valorização de redes e sistemas coordenados e inteligentes de prevenção e reação rápidas a novas epidemias
face ao esgotamento da capacidade de investimento e a baixa eficiência operacional das atuais empresas estatais dessa área. •
Mas a severidade da COVID-19 entre nós também está produzindo um legado positivo: há indícios de uma crescente valorização das medidas sanitárias e da saúde pública por parte da população o que pode favorecer ampliação de investimentos e do desempenho do Sistema Único de Saúde (SUS). Um sinal relevante foi a boa performance eleitoral dos governantes e candidatos que mostraram maior atenção e dedicação à prevenção ou mitigação da COVID-19 nos seus espaços administrativos. Ou
seja, boa oferta de saúde pública dá voto. Por outro lado, novas ondas de P&D e de tecnologias emergentes poderão ampliar o leque de alternativas à disposição de governos e da sociedade. O QU E SERÁ DO BRASI L PÓS-COVI D | U M ENSAI O PROSPECTI VO ATÉ 2030
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4. Ampliação e diversificação da Educação a distância (EAD) Até 2030, O EAD poderá se consolidar como a principal categoria
Evolução do número de matrículas de graduação por modalidade de ensino (2010 – 2030) (em milhões)
de ensino nas instituições de ensino superior e expandir no ensino
10,0
médio. Se se mantiver a taxa de crescimento histórica (de 11% aa desde 2010), espera-se que mais da metade das matrículas na
40%
5,0
graduação seja para cursos remotos. •
60% 20%
0
Educação a distância é a modalidade educacional na qual alunos e professores
0%
Presencial
estão separados, física ou temporalmente e, por isso, faz-se necessária a utilização de meios e tecnologias de informação e comunicação. Já a educação digital é a
a distância
Proporção (EAD/Total)
Fonte: Macroplan, com base nos dados do Censo Escolar.
prática do uso de meios tecnológicos em métodos de ensino, frequentemente aliada à adoção de processos mais dinâmicos de aprendizagem. •
Possíveis implicações
Enquanto o número de matrículas em cursos de ensino superior à distância •
O aprendizado com a educação virtual no período de pandemia impulsionará a adoção de novos formatos de ensino/aprendizagem, estimulando a criação de novos modelos de negócios assim como a produção de novas desigualdades sociais
•
Maior pressão pela ampliação do investimento público em conectividade (inclusão digital)
transformação nas escolas e diversos países já estão adotando a categoria. O que
•
Incentivo do ensino híbrido, inclusive no nível médio
se pode esperar nos próximos anos é não apenas um crescimento menor na
•
Amplas oportunidades para aplicação do analytics para melhoria e personalização da aprendizagem
•
Urgência em elaboração de políticas públicas para mitigação da defasagem no ensino decorrente do período de pandemia
cresceu 11% ao ano desde 2010, cursos presenciais aumentaram apenas 1%. Seguindo essa tendência, em 2030, mais da metade das matrículas (52%) serão
em cursos EAD, alcançando um total de mais de 8 milhões de matrículas. •
Além do ensino presencial e a distância, o ensino híbrido deve tornar-se cada vez mais comum no sistema educacional brasileiro. A pandemia acelerou a
modalidade puramente presencial (exceto no EFI) e grande o aumento na
modalidade ensino híbrido no país.
23
O QU E SERÁ DO BRASI L PÓS-COVI D | U M ENSAI O PROSPECTI VO ATÉ 2030
5. Crescente utilização de dados públicos, big data e analytics 126,3
118,0
2029
110,2
2028
96
2026
103
90
2025
2027
84
2024
77
70
2022
2023
64
2021
56
2020
49
2019
42
2018
28
2016
35
22,6
2015
2017
18,3
Mais de 59 zettabytes (ZB) de dados serão criados, capturados, copiados e
2014
•
19,6
Vietnã e Rússia.
2013
que já está sendo feito no Brasil, na China, na Índia, Indonésia,
12,25
nova discussão sobre regulamentação e proteção dos dados, o
140 120 100 80 60 40 20 0
2012
e governos. O mercado Big Data e analytics trará também uma
7,6
produtividade e de melhoria na tomada de decisões em empresas
2011
Big Data será uma das principais instrumentos de aumento da
2030
Com potencial de movimentar cerca de US$15 trilhões até 2030, o
Projeção do valor de mercado mundial do Big Data até 2030 (em bilhões de dólares)
consumidos no mundo em 2020. A necessidade de armazenamento dessa quantidade de informações engendrou um forte crescimento em setores
Fonte: Macroplan, com base nos dados do Statista.
relacionados à computação em nuvem, Big Data e Inteligência Artificial. •
Em 2018, o setor de Tecnologia da Informação e Comunicação movimentou quase R$480 bilhões, representando 7% do PIB daquele mesmo ano 3. Quando comparado com o ano anterior – 2017 – o crescimento apresentado foi de 2,5%.
•
•
Oportunidade para impor mais racionalidade nas escolhas dos agentes econômicos, tanto do poder público, quanto do setor privado.
•
Aumento de produtividade e maior velocidade na obtenção de insights e respostas na resolução de problemas
A intensa geração armazenamento e uso de dados trará grandes impactos sobre
•
Dados como commodities cada vez mais valiosas
o mercado de trabalho, que demandará mão de obra que possa usá-los,
•
Surgimento de um novo mercado de trabalho, que alterará a estrutura do sistema educacional superior, no sentido de oferecer cada vez mais cursos na área de ciência de dados.
Para 2020-2022, estima-se um investimento de R$ 142,7 bilhões (23% a.a) em computação em nuvem e R$ 68,8 bilhões (13% a.a) em Big Data e Analytics.
•
Possíveis implicações
interpretá-los e aplica-los da forma mais rápida e eficiente.
O QU E SERÁ DO BRASI L PÓS-COVI D | U M ENSAI O PROSPECTI VO ATÉ 2030
24
6. Crescimento significativo dos negócios digitais Brasileiros estão entre os usuários mais ávidos da internet
Desde 2010, o número de domicílios com acesso à internet no Brasil mais do que dobrou. Para os próximos anos, o número de
usuários pode ultrapassar 90% da população. Isso quer dizer que até 2030 provavelmente quase que toda a população brasileira será potencial consumidora de produtos e serviços digitais. •
Negócios digitais envolvem todos os aspectos da operação de um negócio online e a condução dos processos de negócios na internet.
•
Os setores atualmente mais significativos dos negócios digitais no Brasil são: as
Fonte: McKinsey, Brazil Digital Report, abril 2019, pág. 33
transações financeiras, infoprodutos, marketing de conteúdo, plataformas de serviços e insurtechs. Todos esses setores serão beneficiados com o rápido
•
crescimento do comércio eletrônico ao redor do mundo.
Possíveis implicações
Além das oportunidades geradas pelo cenário brasileiro: 45 milhões de brasileiros
•
Desenvolvimento ou a alavancagem de negócios digitais como serviços de distribuição, serviços financeiros e de inclusão financeira, de saúde e bem estar, compartilhamento de experiências, entre outros. Estes são movimentos que foram ampliados pela epidemia e deverão expandir durante a década
•
Emergência de novas "arenas" competitivas e ecossistemas colaborativos
•
Multiplicação de negócios bancários digitais
•
Valorização de estratégias e serviços de cibersegurança + LGPD
•
Maior atenção ao relacionamento com o cliente (fidelização)
•
Diversificação de serviços de entretenimento online (serviços de pay-per-view, ofertas personalizadas, entrega de conteúdo antecipada)
não possuem conta bancária mas movimentam RS$800 bilhões por ano; 85% dos adultos possuem um telefone celular e, até 2025, espera-se que 86% da população possua um smartphone. Recentes mudanças na regulamentação e no acesso ao mundo virtual abrem caminho para as tendências do setor financeiro:
Open Banking e Pagamentos instantâneos (PIX). •
25
A penetração da Internet no Brasil é de 70%, 13 pontos acima da média global.
O QU E SERÁ DO BRASI L PÓS-COVI D | U M ENSAI O PROSPECTI VO ATÉ 2030
7. Disseminação do Trabalho Remoto Até 2030, a prática do trabalho híbrido ou completamente remoto será muito mais comum, pois as restrições impostas pela COVID-19
mostraram que é possível uma mudança estrutural no funcionamento da infraestrutura de empresas de todos os portes. •
O trabalho remoto, referenciado teletrabalho na legislação trabalhista, define-se como a prestação de serviços preponderantemente fora das dependências do empregador, com a utilização de tecnologias de informação e de comunicação.
•
A prática do trabalho remoto, cuja "face" mais familiar mas não exclusiva é o "home office" já havia crescido 51% entre 2017 e 2018. E a estimativa é que esse modelo cresça 30% após o período de distanciamento social imposto pela COVID-
19. •
Possíveis implicações •
Esse fenômeno deverá se manter em algum grau no futuro, especialmente para os trabalhadores que não exercem suas atividades na rua, na produção fabril ou em contato direto com público. Trará mudanças comportamentais e nas relações sociais.
•
Ampliação substancial da demanda de redes de alta capacidade
•
Mais integração tecnológica para otimização de processos internos das empresas
•
Adoção de metodologias ágeis e ferramentas de tecnologia SaaS (Software como Serviço)
•
Diminuição ou inversão da movimentação de pessoas das cidades do interior para grandes centros
•
Readequação dos espaços públicos e da infraestrutura urbana
Trabalho remoto promove um aumento de 15% a 30% na produtividade do funcionário. Mas também produz efeitos negativos não negligenciáveis.
•
Ao longo prazo, o trabalho remoto, poderá trazer mudanças significativas no campo da mobilidade, do reordenamento dos espaços urbanos e no mercado imobiliário.
•
Segundo IBGE, o Brasil concentra 22% da sua população em apenas 20 cidades.
•
Entre janeiro e maio de 2020, cresceu em 340% a busca por imóveis em cidades
com mais de 100 km de distância da capital São Paulo.
O QU E SERÁ DO BRASI L PÓS-COVI D | U M ENSAI O PROSPECTI VO ATÉ 2030
26
8. Aceleração da automação e da robotização A automação é vista de maneira positiva do ponto de vista do consumidor e
A comparação internacional do estoque de robôs – Países selecionados
das empresas, pois minimiza custos e traz ganhos de eficiência. No Brasil, estamos defasados no processo de automação e robotização. Nossa mão de obra ainda é abundante e barata mas não tem capacitação suficiente no uso das novas tecnologias, o que ainda vai requerer um grande investimento em ensino e desenvolvimento de profissionais. Com a aceleração deste processo
nos próximos anos, estima-se que, até 2030, a utilização de robôs e processos automatizados em fábricas possam extinguir cerca de 15,7 milhões de postos de trabalho.
•
Automatização é a aplicação de tecnologia, programas, robótica ou processos para alcançar resultados com o mínimo de contribuição humana.
•
Um estudo realizado pela Ipsos, mostrou que quase metade dos trabalhadores
Fonte: Valor Econômico
relatam, globalmente, que a automação transformou totalmente seu trabalho em comparação ao que era há 10 anos. Além disso, 3 em cada 10 trabalhadores dizem que a automação está colocando em risco seu emprego atual. Além do trabalho, a IA está mudando também a definição operacional de privacidade. •
O Brasil ainda está muito atrás na corrida pela automação e o uso da IA. Enquanto os EUA realizaram investimentos de mais de US$ 30 bilhões e a China de US$ 25 bilhões, entre 2018 e 2022, espera-se que o Brasil atraia apenas U$S 2,5 bilhões.
•
Segundo a Federação Internacional de Robótica, o Brasil ocupa a 18ª posição em estoque de robôs, concentrando seu estoque no setor automobilístico, plástico e
Possíveis implicações •
Investimento em tecnologias de alta eficiência produtiva, energética e na adaptação e mitigação das mudanças climáticas
•
Novas competências profissionais serão requeridas e valorizadas no mercado de trabalho
•
Muitas oportunidades de desenvolvimento de novos modelo de negócios associados à automação
químicos e metalurgia. 27
O QU E SERÁ DO BRASI L PÓS-COVI D | U M ENSAI O PROSPECTI VO ATÉ 2030
9. Crescimento significativo do comércio eletrônico Evolução do e-commerce no Brasil (em bilhões de reais)
Até 2030 o comércio eletrônico no Brasil alcançará um faturamento de R$ 550 bilhões, mantida a taxa média de
crescimento anual entre 2011 e 2019, ou R$ 1,3 trilhão se essa taxa dobrar de tamanho. •
O e-commerce refere-se à compra e venda de bens ou serviços usando o meio digital e à transferência de dinheiro e dados para executar essas transações.
•
327,43 61,90
Cresceu 3,3 vezes entre 2011 e 2019 no Brasil, ano em que movimentou quase R$ 62 bilhões. Para 2020 a estimativa é que as vendas online irão gerar um volume
Taxa média mantida
financeiro de R$ 106 bilhões. Uma taxa média de 16% de crescimento anual. •
1,3 trilhão
1600 1400 1200 1000 800 600 400 200 18,70 0
A experiência do isolamento incluiu no “mundo digital” vários segmentos de
Taxa média dobrada
Elaboração Macroplan. Fonte: Ebit, Relatório Webshoppers - 41ª edição, pág. 9
consumidores e dinamizou ainda mais o mercado de consumo pelos canais não presenciais, reduziu o uso de dinheiro físico e criou oportunidades novas de vendas de bens e serviços. Segundo o The Economist, o setor de comércio eletrônico nas
60 maiores economias do mundo cresceu cerca de 60% apenas em 2020. Para os próximos anos, o estudo sugere taxas ainda bastante elevadas. •
40% dos brasileiros estão fazendo mais compras online durante a pandemia
Possíveis implicações •
Ampliação da importância e do peso relativo do e-commerce
•
Mais investimento em mídia e experiência do usuário
•
Crescimento dos marketplaces, com incorporação das vendas de pequenos negócios
•
Descentralização de centros de distribuição
•
Reavaliação e reinvenção da loja física (“store pick up”)
COVID-19, apesar do corte de seus gastos; •
35% pretendem diminuir idas a lojas físicas pós COVID-19.
O QU E SERÁ DO BRASI L PÓS-COVI D | U M ENSAI O PROSPECTI VO ATÉ 2030
28
10. Intensificação das conexões virtuais e das redes sociais como fonte de informação Como o brasileiro se informa
Até 2030, com 9 a cada 10 brasileiros tendo acesso à internet, as redes sociais poderão tomar dois caminhos completamente
distintos: fortalecer a democracia e o senso crítico dos cidadãos –
FONTE DE NOTÍCIA (2013-2020)
DISPOSITIVOS DE NOTÍCIA |2013-2020)
estimulados pela transparência e testagem imediata da veracidade das informações disseminadas – OU ornar o país ainda mais polarizado e com maior disseminação e impactos de fake News e das práticas de intimidação social e bullying digital. •
Na última década, a taxa de penetração da internet cresceu 7% ao ano no Brasil dando acesso online à 70% da população brasileira.
•
Os brasileiros passam mais de nove horas por dia conectados (uma das maiores taxas do mundo) e estão em 2º ou 3º lugar entre os que mais usam as principais plataformas de mídia social, incluindo Facebook, Instagram, YouTube e WhatsApp.
•
Digitização de produtos analógicos e personalização da experiência de consumo da informação, fomentando novos modelos de negócio
•
Multiplicação e diversificação de agências de verificação de fatos. Revalorização da grande mídia.
Durante os primeiros meses período de distanciamento social, a demanda por
•
Alterações na forma de consumo: mais consciente e focado em propósito
videochamadas cresceu cerca de 1.000%, segundo a Microsoft. 20% dos brasileiros
•
Segmentação de conteúdo para cada público-alvo
afirma ter se reunido com a família ou com amigos de forma virtual.
•
Aumento da polarização de grupos de diferentes interesses sociais, econômicos, ambientais e culturais
uma história falsa sobre a pandemia.
29
Possíveis implicações •
85% dos brasileiros se preocupam com o que é a veracidade dos conteúdos na internet, ainda que 7 a cada 10 tenha acreditado ou acredite em pelo menos
•
Fonte: Reuters Institute for the Study of Journalism, Digital News Report 2020
O QU E SERÁ DO BRASI L PÓS-COVI D | U M ENSAI O PROSPECTI VO ATÉ 2030
11. Redução de ameaças à privacidade de dados Com 90% da população com acesso à internet nos próximos anos, intensifica -se
Prazo em que as brasileiras planejam ficar em conformidade com a nova LGPD
o debate a respeito da segurança dos dados dos usuários brasileiros. Com a recém promulgada LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados), que proíbe a coleta e uso de dados sem consentimento do usuário, até 2030 espera -se observar um
Em conformidade
ambiente virtual mais seguro e haja maior equilíbrio na concorrência, além de
15%
Em até um mês
uma atualização nos termos de compromisso de serviços públicos e privados e
9%
De 1 a 3 meses
um investimento maior na área de segurança digital.
16%
De 3 a 6 meses •
A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), Lei 13.709/2018, tem como objetivo
De 6 a 12 meses
regulamentar o tratamento de dados pessoais pelas empresas, uma vez que esses dados
Entre 1 e 2 anos
pessoais ganharam grande importância na economia moderna, pois permitem fazer
24% 7%
Mais de 2 anos
predições, analisar perfis de consumo, influenciar opiniões e preconceitos, entre outras
Não tem planos
possibilidades. •
15%
Não sabe
No Brasil, 15% das empresas afirmam já estar em conformidade com a nova lei e 40% planeja
4% 2% 8%
estar em conformidade em até 6 meses.
•
Fonte: Macroplan, com base nos dados do Serasa Experian
Até 2021, cerca de US$ 6 trilhões devem ser investidos mundialmente na área de segurança da informação, para evitar ou mitigar o vazamento de dados e invasões de sistemas e redes. O Brasil já é o décimo no ranking de investimentos em segurança digital, uma vez que a criminalidade cibernética gera perdas de valores entre R$40 e R$80 bilhões todos os anos.
•
Possíveis implicações •
Crescente risco de roubo e uso de dados pessoais sem conhecimento dos proprietários
concorrência mais equilibrada entre empresas que possuíam acesso à dados e aquelas que
•
O acesso a informações afetará cada vez mais a competividade das empresas
não possuíam, mas há muita incerteza se isso de fato acontecerá.
•
Concorrência menos desequilibrada entre empresas
•
Crescentes investimentos na área de segurança digital
Hoje, o dado é um fator que pode propiciar maior vantagem competitiva para empresas que os possuem e os tratam. Com a LGPD em vigor, espera-se que se estabeleça uma
O QU E SERÁ DO BRASI L PÓS-COVI D | U M ENSAI O PROSPECTI VO ATÉ 2030
30
12. Consolidação da telemedicina Até 2030, a American Telemedicine Association (ATA) estima que 50%
Projeção para a receita do mercado de telemedicina mundial (em bilhões de dólares)
dos serviços de saúde dos Estados Unidos serão realizadas de forma
virtual. O Medicare, por exemplo, passou de 11 mil teleconsultas por
$300,0
semana para 1,3 milhão no período de lockdown. A quarentena
$200,0
incentivou governos de todo o mundo a regulamentar a prática da
$100,0
telemedicina, inclusive o Brasil, o que servirá como alavanca para
Segundo a OMS, telemedicina é a prestação de serviços da saúde, onde a distância é um fator crítico, por todos os profissionais de saúde que utilizam tecnologias da informação e comunicação. Com o aumento da expectativa de vida, a população idosa aumentará, assim como a internet e as ferramentas online se tornarão mais acessíveis, fatos que evidenciam a necessidade da implementação da telemedicina nos próximos anos.
•
Segundo a Mordor Intelligence, o mercado mundial da telemedicina pode apresentar um crescimento médio anual de mais de 18% nos próximos anos, podendo movimentar quase US$ 290 milhões em 2030.
•
Em abril, foi sancionada no Brasil lei que permite a telemedicina, mesmo que com vigência limitada ao período de pandemia.
•
O uso da Telemedicina na Atenção Primária à Saúde, primeiro nível de assistência na rede, pode reduzir em até 80% encaminhamentos desnecessários a um centro de especialidade, e como consequência, reduzir o tempo de espera quando ele é necessário.
•
Além disso, a telemedicina (ou telessaúde) poderá reduzir fortemente os efeitos da grande concentração de médicos nas capitais e maiores cidades brasileiras, conforme estudos da FMUSP (Demografia Médica no Brasil 2018, pág. 46)
31
$38,1
$-
impulsionar o crescimento do setor nos próximos anos. •
$284,2
Fonte: Macroplan, com base nos dados da Mordor Intelligence
Possíveis implicações •
Oportunidade excepcional para enfrentar e superar as resistências de entidades corporativas e de profissionais da saúde ao uso definitivo da telemedicina inclusive ou sobretudo no SUS o que ampliará a escala de acesso e reduzirá custos unitários não só na Atenção Básica como também na Atenção Secundária à Saúde.
•
Possibilidade de introduzir grandes melhorias na qualidade e na velocidade de resposta às demandas associadas à “3ª onda” da COVID-19 que atingirá pessoas portadoras de condições crônicas não agudizadas, condições crônicas agudizadas e não agudas
O QU E SERÁ DO BRASI L PÓS-COVI D | U M ENSAI O PROSPECTI VO ATÉ 2030
13. Maior digitalização do setor público Até 2030, com a maior integração da população brasileira em
Porcentagem de serviços públicos administrativos digitalizados entre 2017 e 2022
ambientes on-line, espera-se que a maior parte dos serviços
públicos que podem ser prestados à distância estejam disponíveis
98%
100%
em plataformas digitais.
73%
80% 60%
•
Em geral, na área pública o termo digitalização refere-se ao uso de tecnologias
40%
digitais, como parte integrante das estratégias de modernização dos governos,
20%
19%
55%
30%
0%
para criar valor público e tornar os serviços e procedimentos governamentais
2017
disponíveis e acessíveis por meios digitais. •
47%
No Brasil, em 2011, foi promulgada a Lei de Acesso à Informação. Em 2014, foi
2018
2019
2020
2021
2022
Fonte: Macroplan, com base nos dados do Governo Federal, Painel de Serviços
criado o Marco Civil da Internet, seguido de mudanças, em 2016, na Lei n° 10.973/04 de Inovação Tecnológica e em 2018, a formulação da Estratégia Brasileira para a Transformação Digital (E-Digital), melhorias no ambiente regulatório que estimulam a inovação no setor público. •
Possíveis implicações •
A pandemia mostrou o quanto os governos precisam avançar na transformação digital, para possibilitar aos cidadãos o acesso a serviços e documentos eletrônicos e resposts rápidas, transparentes e rastreáveis.
pandemia foram 156 serviços e tem como estimativa uma economia anual de R$
•
Emergência de novas tecnologias relacionadas à análise e segurança de dados
2,2 bilhões de reais. A previsão é de que todos os 3,8 mil serviços oferecidos pelo
•
Oportunidade de ampliação da confiabilidade no setor público e inibição de práticas de corrupção inerentes ao “modo analógico e presencial”
•
Necessidade de multiplicação do investimento público em conectividade
•
Expansão e diversificação de plataforma de serviços integrada
•
Viabilização técnica e econômica da adoção de documento único e digital
Desde 2019, Governo Federal digitalizou 729 dos seus serviços. Durante o período de
governo sejam digitalizados até 2022. •
O mercado global de GovTechs vale cerca US$400 bilhões com estimativa de
alcançar US$ 1 trilhão até 2025.
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32
14. Ampliação e melhoria dos serviços públicos
Cobertura da Atenção Básica (em %) 80 75 70 65 60 55
Nos últimos anos, diante da forte ampliação das demandas sociais, o Brasil ampliou o acesso aos serviços públicos oferecidos,
75 62
principalmente àqueles ligados à saúde e educação, embora com qualidade sofrível. Até 2030,com a deterioração fiscal do estado Fonte: Governo Federal, Painel de Serviços
brasileiro, há grande incerteza quanto à sustentabilidade do atual
modelo de expansão e operação desses serviços sem aumento de inflação. Como enfrentar esse grande desafio?
•
Taxa bruta de acesso à pré-escola (em %) 90 85 80 75 70 65
Historicamente, a expansão e melhoria da oferta de serviços públicos no Brasil foi financiada e sustentada pela expansão do gasto público.
•
Neste modelo, observa-se um trade-off, que inclusive foi destacado por Marcos Mendes em seu livro “Por que o Brasil cresce pouco?”: enquanto os serviços
85 74
2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019
oferecidos de saúde e educação contribuíram para a melhora da qualidade de vida, o aumento do capital humano e a redução da pobreza, contribuíram para a
expansão estrutural dos gastos públicos o, que, por sua vez, contribuiu para a consolidação de um modelo de baixo crescimento e redistribuição dissipativa no nosso país.
•
A manutenção do atual modelo de alocação de recursos públicos, que inclui
Possíveis implicações •
Urgência na implementação de uma agenda de reformas que inclua a eliminação progressiva de privilégios e manutenção da disciplina fiscal, e monetária
•
Urgência na ampla revisão e focalização dos programas de proteção social.
•
Risco de “contratação” de mais uma década perdida, com baixo crescimento e deterioração dinda maior das condições de vida e da coesão social.
ampla cesta de privilégios, em face ao esgotamento fiscal do país, inviabiliza a sustentação da ampliação e melhoria dos serviços públicos essenciais (educação,
saúde, segurança, proteção social), o que leva ou à reinflação ou à deterioração progressiva desses serviços. 33
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15. Ampliação e melhoria das redes de proteção social Frente aos impactos negativos acentuados pela pandemia do COVID-19, é muito provável que se intensifiquem as demandas
O tamanho do gasto Participação da Previdência Social nas despesas do governo federal em 2018
pela ampliação e grande melhoria nas nossas redes de proteção social. O desafio é fazê-lo de forma fiscalmente sustentável. •
O aumento do desemprego e a perda de renda e de perspectiva da população ampliam a demanda de novas formas de proteção social dos indivíduos, famílias e comunidades. No momento, ganha força a ideia de um programa de renda mínima.
•
A OCDE, em estudo recém divulgado, afirma que os benefícios transferidos aos mais Fonte: Secretaria do Tesouro Nacional. Nota: As despesas com previdência incluem gastos com INSS, servidores federais e militares inativos e pensionistas
pobres já alcançam a marca de 15% do PIB mas são inadequadamente direcionados. A recomendação da instituição é que se criem redes de proteção social a partir da
expansão das transferências condicionadas. Um exemplo dessa medida é a junção do FGTS com o seguro-desemprego. Segundo a entidade: "Os dois (...) poderiam ser
Possíveis implicações
combinados para economizar recursos e reduzir as contribuições e poderiam servir como um mecanismo de recarga individual para uma rede de segurança social
•
Brasil se destaca como um “laboratório|” de excepcional valor para ações e políticas experimentais de redução de desigualdades e mitigação da pobreza.
•
Urgência na implementação de uma agenda de reformas que inclua a eliminação progressiva de privilégios e manutenção da disciplina fiscal, e monetária para dar espaço fiscal para a ampliação das redes de proteção social
•
Urgência na ampla revisão e focalização dos programas de proteção social.
•
Risco de “contratação” de mais uma década perdida, com baixo crescimento e deterioração dinda maior das condições de vida e da coesão social.
universal, de base familiar, em que os benefícios não estão condicionados ao emprego formal”
•
Com o fim do Programa do Auxílio Emergencial, muitos brasileiros passarão por situação de vulnerabilidade econômica, uma vez que só uma parte conseguirá emprego e outra parte ou não participa de qualquer outro programa ou pelo valor repassado não ser o suficiente para prover o sustento. Por isso, espera-se que o programa Bolsa Família passe por remodelações, com maior abrangência ou aumento no valor do benefício.
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34
16. Ampliação da cobertura dos serviços de saúde O SUS é o maior sistema público de saúde do mundo e tem sido decisivo no enfrentamento da pandemia no Brasil. Há um ambiente propício à
ampliação dos serviços públicos de saúde e forte pressão pela melhoria da performance do sistema durante e após a crise. A emergência da “3ª onda” da COVID-19, conforme conceituado por Eugênio Vilaça,um dos principais especialistas em políticas públicas de saúde no Brasil, provavelmente perdurará até 2022 e, junto com a transição demográfica, pressionará pela ampliação da cobertura dos serviços de saúde, no enfrentamento de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT). Com a pandemia, esses desafios se tornaram mais urgentes, evidenciando a essencialidade e as limitações dos serviços públicos de saúde quanto à capacidade de disponibilização rápida e em grande escala de infraestrutura e sistemas logísticos e, ainda, a disponibilidade de profissionais de saúde na prestação de serviços. •
Em 2019, 75% da população dependia dos serviços públicos de saúde no Brasil número que poderá aumentar devido à crise do COVID-19.
•
Segundo pesquisa do Datafolha, encomendada pela CFM, em 2018, 22% dos entrevistados avalia o serviço prestado pelo SUS como péssimo/ruim, sendo o principal motivo o tempo de espera para atendimento.
Mas o SUS ainda ganhará mais relevância com a distribuição e aplicação das vacinas contra o COVID-19, no bojo de sua imensa capilaridade: 47 mil UBS e 38 mil salas de vacinação equipadas e com profissionais competentes em todas as aglomerações urbanas do país. Ao passo que a demanda por mais e melhores serviços aumenta, o crescimento do orçamento público reservado à saúde expande de forma lenta. Também há muito desperdício e práticas de corrupção, verdadeiros “ralos” na destinação dos recursos.
Possíveis implicações •
Ambiente muito favorável a maior apoio político à expansão do gasto e à melhoria da qualidade e produtividade dos serviços, inclusive por meio de parcerias público-privadas (de natureza diferente das Oss)
•
Aceleração das reformas modernizantes dos sistemas de atenção à e promoção da saúde visando à universalização efetiva, saltos de qualidade e produtividade e maior integração entre os atores públicos e privados
Embora as restrições orçamentárias, o SUS vem se adaptando à recente modernização da medicina. Entre 2016 e 2019, o Sistema Único de Saúde realizou 3,5 milhões de atividades relacionadas à telesaúde, como teleconsultoria, telediagnóstico e teleducação.
35
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17. Uso de dados e evidências em políticas e ações públicas Diagrama de indicadores que impactam no IDH
Dados íntegros e integrados, evidências robustas sobre resultados de políticas anteriores e modelagem preditiva de resultados
futuros podem orientar os formuladores no desenho e na implementação de políticas mais inteligentes, com maiores benefícios, menores riscos de captura e a um custo mais baixo. •
A inteligência de dados permite identificar e conectar os desafios que se apresentam às políticas, bem como definir os focos e públicos-alvo gerando maior possibilidade de efetividade nas ações e maior viabilidade política quanto às escolhas.
•
Essa inteligência, associada ao uso de tecnologias e de capacidade interpretativa,
Elaboração: Fontes & Morelli.
pode facilitar a coordenação das ações intersetoriais, com o objetivo não só de ampliar sua efetividade, como também de reduzir custos. No Brasil, um caso de sucesso é o Cadastro Único, que integrou programas de ministérios diversos para garantir maior foco fazendo uso da tecnologia para chegar aos beneficiários com menor custo.
•
Possíveis implicações •
No Brasil, embora os dados e as evidências, produzidas por instituições públicas e privadas, como a exemplo das iniciativas Coronavírus Brasil e CoronaCidades, constata-se que ainda é muito forte a tendência a adoção de narrativas e ‘meias verdades’ em qualquer evidência que as sustentem.
•
Ainda há um longo caminho a percorrer antes que o uso de dados e evidências no Brasil se torne o padrão dominante na formulação, implantação, monitoramento e avaliação de políticas e ações públicas no Brasil.
Com a melhoria da qualidade dos dados e o avanço da tecnologia, os registros administrativos poderão ser obtidos quase em tempo real. Essa possibilidade facilita, em grande medida, a análise contínua dos resultados e o uso destes para a adoção de um monitoramento intensivo e de ajustes na gestão das políticas públicas.
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18. Valorização da saúde preventiva
Proporção de óbitos reduzíveis com ações adequadas de promoção à saúde, prevenção, controle e atenção às doenças não transmissíveis do total de óbitos, por faixa etária (2019)
Como consequência da pandemia do Covid-19, espera-se uma
60%
crescente valorização da promoção e da prevenção na saúde,
40%
tanto do lado da demanda como da oferta de serviços.
20% 0%
•
No Brasil, 46% de todos os óbitos são reduzíveis com ações adequadas de promoção à
14% 13%
6%
7% 12%
19%
27%
36%
43%
49% 53% 55% 56% 55%
5 a 9 10 a 14 15 a 19 20 a 24 25 a 29 30 a 34 35 a 39 40 a 44 45 a 49 50 a 54 55 a 59 60 a 64 65 a 69 70 a 74 anos anos anos anos anos anos anos anos anos anos anos anos anos anos
Elaboração Macroplan. Fonte: DATASUS
saúde, prevenção, controle e atenção às doenças não transmissíveis •
Condições antecedentes, como disponibilidade de água potável, esgotamento e tratamento sanitário, coleta e destinação segura do lixo, ganham centralidade
Internações causadas por doenças relacionadas à falta de saneamento
quando se trata de prevenir e enfrentar epidemias. •
Além disso, do lado da demanda, as próprias pessoas, famílias e comunidades estão mais propensas à adoção de hábitos e práticas mais saudáveis (como mais higiene, uso de
mascaras, distanciamento e exercícios físicos) •
Do lado da oferta, é provável que ocorra uma expansão e diversificação de políticas públicas e ações voluntárias de agentes privados, ou parcerias público-privadas.
•
A engenharia genética, ao estabelecer técnicas de identificação e manipulação dos genes
Fonte: Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES), junho de 2020
humanos, continuará sendo impulsionada na prevenção e tratamento de doenças genéticas e crônicas. •
Possíveis implicações
Ao mesmo tempo, ações educacionais voltadas às medidas de higiene e profiláticas deverão ser adotadas de várias formas e em diversos espaços da vida social. Há certeza se
•
Multiplicação de oportunidades de inovações sociais e tecnológicas no campo da saúde
•
Prevenção e promoção da saúde cria novas oportunidades de negócios para seguradoras e operadores privados em saúde
essas medidas serão incorporadas como padrão de comportamento da serão apenas uma
“moda passageira” que se diluirá com a superação do COVID-19 no Brasil. A conferir.
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19. Desigualdades sociais Brasil – Coeficiente de Gini
A nossa economia política reverterá de modo sustentado o avanço das desigualdades sociais e dos privilégios e distorções na alocação dos
BRASIL - Coeficiente de Gini
gastos públicos ou seguiremos na atual trajetória de preservação das
0,550
desigualdades? Esta é uma incerteza crítica para o futuro do nosso país.
0,540
0,545
0,535 0,530
•
Há um consenso entre especialistas no tema, entre eles a economista Adriana Fontes, que a
0,515
dimensões: na renda, na qualidade da educação, no acesso ao trabalho e nas condições de
0,510
de Gini da renda domiciliar per capita, é um dos mais altos do mundo.
0,537
0,546 0,547 0,545 0,545 0,545 0,546 0,546 0,543 0,543 0,544 0,544 0,544
0,538
0,533 0,526
0,524
0,520
sociedade brasileira é historicamente marcada pela elevada desigualdade em diversas saúde, entre muitas outras. Medida comumente usada para mensurar desigualdade, o coeficiente
•
0,525
0,545 0,540
2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021 2022 2023 2024 2025 2026 2027 2028 2029 2030
Fonte: Pnad continua. Projeções logísticas considerando o período de 2012 a 2019.
Fonte: IBGE - Pnad contínua. Projeções logísticas considerando o período de 2012 a 2019.
A trajetória de queda observada no início dos anos 2000 foi interrompida na segunda metade da década de 2010. Com a recessão econômica, o coeficiente de Gini passou de 0,524 em 2015 para 0,543 em 2019. Face mais perversa da desigualdade, a pobreza extrema aumentou de 4,5% em
2014 para 6,5% em 2019, o que corresponde à 13,7 milhões de pessoas vivendo com renda inferior à necessária para as suas necessidades básicas. •
através do trabalho remoto, crianças de famílias com menor renda sem aula quase o ano inteiro.
Urgência na ampla revisão e focalização dos programas de proteção social e de inclusão social sustentáveis
•
Alta relevância e urgência na forte ampliação do acesso e permanência às redes de educação pública de qualidade desde a 1ª infância até o ensino médio e profissionalizante
•
Urgência em programas de reconversão e qualificação profissional de qualidade
•
Risco de “contratação” de mais uma década perdida, acentuada manutenção das nossas desigualdades sociais e erosão ainda maior da coesão social.
Em 2020, o auxílio emergencial impediu um aumento da pobreza e da desigualdade de renda. Para o ano que se inicia, com a extinção deste auxílio, é esperado um forte impacto sobre os
rendimentos das famílias mais pobres com efeitos sobre pobreza e desigualdade. •
•
A pandemia da Covid-19 traz um agravante a esse cenário pois seus maiores efeitos recaem sobre as famílias mais vulneráveis: trabalhadores informais, os que não podem exercer suas atividades
•
Possíveis implicações
Nesta década, a trajetória desses indicadores irá depender em grande medida da efetividade das políticas de transferência de renda na mitigação dos efeitos da crise nas classes de renda mais baixas, e da recuperação do mercado de trabalho que tende a ser lenta dado o prolongamento da crise e dos efeitos da pandemia.
O QU E SERÁ DO BRASI L PÓS-COVI D | U M ENSAI O PROSPECTI VO ATÉ 2030
38
20. Valorização da
Proteção do meio ambiente como prioridade pós pandemia (pesquisa)
sustentabilidade ambiental A valorização da sustentabilidade ambiental está ganhando tração no mundo inteiro, inclusive entre grandes investidores privados. Ganhará
novo impulso com o Governo Joe Biden. O Brasil oficial, infelizmente, abandonou sua tradição e esforço pró-meio ambiental e desde 2018
Elaboração Macroplan. Fonte: Ipsos, Pesquisa de Prioridade no mundo pós-covid – meio ambiente, junho 2020.
assumiu uma “pegada anti-ambiental” no que é apoiado por parte da
sociedade e do empresariado. Essa nova política será uma nuvem
Incremento da desmatamento –Amazônia Legal
passageira ou se consolidará como um novo padrão? À medida que indústrias, redes de transporte e empresas fecharam durante a pandemia de COVID-19, houve uma queda repentina nas emissões de carbono. Os níveis de poluição em Nova York reduziram 50% em relação a março de 2019. Na China, o uso de carvão caiu 40% nas seis maiores usinas desde o último trimestre de 2019 e a proporção de dias com “boa qualidade
de ar” aumentou 11,4% em comparação ao ano passado. A Agência Internacional de Energia estima a redução de 8% de emissões globais de gases de
Elaboração Macroplan. Fonte: Inpe, PRODES (desmatamento), julho 2020.
efeito estufa para 2020. Mas, de acordo com as Nações Unidas, essa redução precisaria ser de
7,6% a cada ano entre 2020 e 2030 para limitar o aumento da temperatura global a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais. •
Segundo o Inpe, foram desmatados 3.069,57km² da Amazônia em 2020, um aumento de 25%
Possíveis implicações •
Vantagem competitiva estratégica caso o Brasil venha assumir uma “pagada ambiental” para valer nos níveis macro, meso e micro.
de janeiro a junho em comparação com a devastação no mesmo período de 2019. •
•
Relevância global do ´país nas três agendas ambientais: azul, verde e marrom.
Ainda que 85% dos brasileiros defendam que o governo deve priorizar a preservação do
•
Crescente risco de exposição do Brasil a a eventos extremos.
meio ambiente na retomada pós-pandemia, 41% dos brasileiros admitem que o tema da
•
Multiplicação de oportunidades de negócios relacionados ao meio ambiente no Brasil: recuperação, reciclagem, certificação de conformidade, preservação, adequação aos requisitos ESG, engenharia ambiental.
proteção ambiental não está na sua própria lista de prioridades no momento.
39
O QU E SERÁ DO BRASI L PÓS-COVI D | U M ENSAI O PROSPECTI VO ATÉ 2030
21. Polarização social e tensões políticas Vale a pena conversar com pessoas com visões políticas opostas?
Desde o início da década passada entramos numa “onda” de polarização e tensionamento que desviam atenções, energias e
recursos políticos da resolução de gargalos estruturais do país, com fortes prejuízos econômicos e sociais. Vamos continuar insistindo nesse jogo de polarização e radicalismos durante esta década? A construção política implica na prática da discussão de ideias e do diálogo, Mas, em contextos de radicalização e baixa tolerância, não sobra espaço para que o diálogo solucione conflitos – imagine, então, com uma pandemia! De fato, a falta de alinhamento entre os três níveis de governo no enfrentamento da COVID-19, o comportamento beligerante de lideranças e autoridades na condução da crise sanitária e econômica e sua repercussão nas redes sociais tem reforçado, no Brasil, o movimento que se observa internacionalmente de polarização social e aumento da intolerância. •
Para 32% dos brasileiros, não vale a pena dialogar com pessoas com visões políticas opostas.
Não
Além disso, apenas um quarto dos brasileiros indicaram tentar entender as motivações
Sim
Fonte: IPSOS BRASIL 2020: A AQUARELA VIROU MOSAICO?
divergentes. Estes dados sugerem uma forte propensão à intolerância política do brasileiro, que colocam o país como o terceiro mais polarizado em um ranking de 30 nações., segundo o Instituto IPSOS. •
No Brasil, 2013 foi um ponto de inflexão tanto para um aumento na polarização social tanto para a ascensão do conservadorismo. Durante as eleições de 2018 e agora durante a
Possíveis implicações •
É importante e urgente a construção de uma ampla concertação das forças anti-polarização.
•
Alto risco do Brasil contratar mais uma “década perdida” caso o cenário de polarização e tensionamento persista.
pandemia do coronavírus, a intolerância entre grupos com visões políticas distintas parece ter chegado ao seu ápice. A tendência é que essa polarização continue, por conta de um
conservadorismo consolidado, porém de forma mais tênue, uma vez que o nível de aprovação do governo vem caindo substancialmente. O QU E SERÁ DO BRASI L PÓS-COVI D | U M ENSAI O PROSPECTI VO ATÉ 2030
40
22. Redefinição dos espaços públicos
Evolução das viagens diárias por modo principal – Região metropolitana de São Paulo
A introdução de novos hábitos de convívio social e de trabalho em função da pandemia deve implicar no redesenho e
reorganização dos espaços das cidades, dos lugares públicos e nos padrões de ocupação dos territórios. •
Estudo recente mostrou que, durante a pandemia, 46% dos paulistanos passaram a
Elaboração Macroplan. Fonte: Metro SP, Pesquisa Origem Destino 50 anos, Versão 04, julho 2019.
Principais mudanças em relação ao bairro onde moram (%)
dar mais valor para o comércio e os serviços disponíveis nos bairros onde moram; e 30% prestam agora mais atenção aos serviços públicos locais. •
Os deslocamentos para o trabalho no estado de São Paulo chegaram a reduzir em 37%, acima da média nacional, que foi de 34%.
Nesse sentido, a pandemia deve (i) reforçar a necessidade de cidades mais policêntricas, com acesso facilitado aos serviços públicos e comércios próximos; (ii)
Elaboração Macroplan. Fonte: Instituto Cidades Sustentáveis, Pesquisa Viver em São Paulo: Especial Pandemia (parte 02), junho 2020.
ensejar a construção de espaços públicos de lazer mais pulverizados e com novos
usos de espaços públicos já consolidados, tais como fechamento de ruas para uso exclusivo de pedestres, uso de calçadas por restaurantes, por exemplo; e (iii)
Possíveis implicações
fortalecer o uso de modais ativos (a pé ou de bicicleta) e compartilhados de
deslocamento.
•
Estímulo a uma profunda revisão e atualização dos conceitos centrais do urbanismo e da gestão dos espaços urbanos, pelo menos nos países ocidentais.
Essas transformações vão trazer novos desafios, sobretudo aos Municípios no que diz
•
Emergência de reconfigurações adaptativas dos espaços fechados e semifechados de grandes eventos públicos
•
Ampliação de novas oportunidades de negócios imobiliários com valorização das externalidades (disponíveis ou criadas)
respeito à regulação e operação do espaço urbano, em particular os novos Planos
Diretores.
41
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23. Mais pesquisa colaborativa e global em saúde A rápida disseminação do COVID-19 intensificou a pesquisa colaborativa na área da saúde, inclusive em escala global. Redes de
Plataformas de Open Research criadas especificamente para o coronavírus
cientistas e empresas quebraram recordes de tempo na descoberta e produção de vacinas. A OMS associou-se a essa tendência, criando o programa Access to Covid-19 Tools Accelerator (ou ACT Accelerator).
•
Em 2018, 38% dos trabalhos científicos publicados no Brasil incluíam coautores de outros países. Os índices de colaboração internacional apresentaram crescimento significativo na última década, passando de 25% para 38%, entre 2008 e 2018, para o Brasil como um todo.
•
Nos últimos anos, as pesquisas da área de saúde têm se tornado cada vez mais globais e colaborativas. Estima-se que 20% dos artigos científicos e da área médica tenham coautores internacionais.
•
A pandemia do COVID-19 evidenciou a necessidade e a importância de iniciativas
Possíveis implicações
conjuntas e de maior colaboração entre países, setores público e privado na corrida da vacina e tratamentos para o coronavírus. Além de coordenação na fase P&D, a OCDE
•
Novas janelas de oportunidade para que instituições e profissionais brasileiros de alto nível no campo consolidem sua inserção em redes globais em saúde e temas conexos.
•
Redução de tempos e melhoria da qualidade da pesquisa, produção e distribuição de medicamentos e insumos de saúde.
defende que indústrias farmacêuticas também trabalhem colaborativamente com governos, tendo em vista a necessidade se vacinar entre 50 a 75% da população mundial para erradicar o vírus. •
A Europa é referência na pesquisa colaborativa, especialmente em pesquisas de doenças raras e testes clínicos para crianças, casos em que o número de participantes para os testes é reduzido ao se considerar apenas um país.
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42
24. Valorização gradual do ‘consumo consciente’ Um novo hábito do consumidor global, que emergirá de forma gradual, é a busca por empresas, lojas e produtos com bons indicadores de
Mudança na mentalidade em relação ao consumo devido ao covid-19 (pesquisa)
saúde, como limpeza aprimorada, uso de máscaras e cuidado com os funcionários, uso mínimo (ou zero) de produtos químicos e/ou gorduras. Outra consequência com impacto no consumo refere-se à revisão de
valores o que pode impulsionar o consumo de produtos e serviços fortemente associados à saúde e bem-estar.
•
No mercado global, 79% dos pequenos negócios que oferecem produtos e serviços verdes dizem ter vantagem competitiva sobre seus rivais. No Brasil, 89% da população se diz preocupada com o uso de produtos descartáveis e não recicláveis.
•
Em pesquisa realizada pela McKinsey, os entrevistados afirmaram que estão mais
Elaboração Macroplan. Fonte: McKinsey, A global view of how consume behavior is changing amid COVID-19
conscientes em como estão gastando seu dinheiro. Além disso, 60% dos brasileiros estão consumindo mais produtos frescos e não industrializados durante o período de
•
distanciamento social comparando-se ao período anterior.
Possíveis implicações
Também há um movimento de fortalecimento das políticas identitárias que repercutem
•
Grandes oportunidades para estratégias segmentadas e focalizadas por nichos de produção e entrega a partir do acesso a dados dos públicos-alvo
•
Multiplicação de narrativas que exploram a sinergia do ‘consumo consciente’ com a prevenção e promoção da saúde
nos atos de consumo, valorizando empresas e produtos que se identificam com suas
causas dos diversos campos: meio ambiente e ecologia, direitos humanos, posicionamento político, gênero, religiosas, entre outras. A crise econômica também incide sobre o consumo consciente na medida em que impõe restrições reais aos segmentos sociais mais atingidos. 43
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25. Estímulos à valorização do senso de coletividade e da solidariedade social
89% dos moradores de favela receberam alguma doação
O enfrentamento da COVID-19 tem feito crescer o senso de coletividade, tanto entre grupos sociais em condição de vulnerabilidade – que tem se
organizado para obter ajuda mútua – quanto entre empresas e empreendedores privados ou mesmo indivíduos isolados que passam a reconhecer o impacto de sua atuação sobre o conjunto da sociedade e
Elaboração Macroplan. Fonte: Data Favela, CUFA e Locomotiva, Pandemia na Favela, junho 2020
mesmo do planeta (efeito borboleta). Valores doados pelo programa “Todos pela Saúde” (em milhões de R$) A disseminação de ações de solidariedade social entre instituições e pessoas de diferentes
80
classes sociais, gerações e entre empresas, com a doação de trabalho para a população
43
em situação de risco, de insumo para hospitais e de recursos diversos para a área da saúde.
16,5
Isso faz aumentar o capital social, produzindo externalidades positivas que poderão ser bons legados passada a pandemia. •
Hospitais e infraestrutura
Segundo a Associação Brasileira dos Captadores de Recursos (ABCR) o maior montante doado foi realizado por empresas, que contribuíram com R$ 4,8 bilhões, o que representa
O Programa “Todos Pela Saúde” , idealizado pelo Banco Itaú, já recebeu mais de R$1 bilhão para exercer seu papel de Informar, Proteger, Cuidar e Retomar. Dentre os destinos dos verbas arrecadadas, inclui-se: construção de hospitais, aquisição de respiradores e empréstimo para empreendedores.
•
•
Sem as doações grande parte das famílias não teria condições de se alimentar, pagar as contas básicas e 72% não poderiam adquirir produtos necessários para higiene e limpeza.
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Confecção de máscaras
Possíveis implicações •
Duas iniciativas são portadoras de futuro: a “Aliança Todos pela Saúde” (liderada pela Fundação Itaú e pelo médico Paulo Chap Chap) e a criação de operação do Instituto de Estudos para Política de Saúde (liderada pelo economista Armínio Fraga)
•
Considerando a formação histórica brasileira, há alta probabilidade de que a grande maioria das “ondas” de solidariedade social e de mais coletividade de dissolvam com o tempo.
Estima-se que mais da metade dos moradores de ‘favelas’ fez algum tipo de doação ao longo desta pandemia.
Testes
Elaboração Macroplan. Fonte: Todos Pela Saúde
82% sendo empresas do setor financeiro as protagonistas. •
Cesta de alimentos e higiene
17
44
26. Desaceleração da globalização Até 2030 o processo de globalização econômica perderá impulso ou mesmo regredir moderadamente. Blocos regionais poderão ocupar
Comércio mundial (em % do PIB Mundial) 1989-2018 da globalização acelerada à “slowbalisation”
novos espaços (exemplo: RCEP/Ásia). Tudo indica que estamos numa era de “slowbalisation” •
O período de 1989 a 2008 foi a “era de ouro da globalização”: o comércio global cresceu 22,2 pontos como proporção do PIB, o investimento estrangeiro direto multiplicou, com forte internacionalização das cadeias de valor, redução da pobreza global, sobretudo na China, e inserção de milhões de dólares no mercado global.
•
A crise global de 2008 refreou a expansão da globalização e estimulou a emergência de novos nacionalismos - “America First”, por exemplo - e demandas políticas por medidas protecionistas. Automação e servitização reforçaram esses movimentos. Com a pandemia
do COVID-19 a onda protecionista ganha força tanto em termos políticos como econômicos. •
Fontes: Trade (% of GDP), The World Bank Data. Disponível em: https://data.worldbank.org/indicator/NE.TRD.GNFS.ZS. Acessado em 05/02/2020
As previsões atuais antecipam um declínio de 13 a 32% no comércio de mercadorias, uma redução de 30 a 40% no investimento direto estrangeiro e uma queda de 44 a 80% de passageiros de companhias aéreas internacionais em 2020. Os números sugerem uma reversão dos recentes ganhos da globalização, mas não sinalizam um colapso fundamental da integração do mercado internacional.
•
Também estão surgindo restrições à movimentação entre países e maiores barreiras
Possíveis implicações •
Acirramento da competição entre países para inserção sustentável no mercado global.
•
Risco de proliferação de ondas nacionalistas e protecionismo oportunista. e
sanitárias, reduzindo as trocas comerciais. Diversas cadeias globais, hoje muito dependentes de poucos países fornecedores, podem experimentar reconfigurações geográficas, para reduzir vulnerabilidades. •
45
Esta será uma nova tendência ou é apenas uma “nuvem passageira”?
O QU E SERÁ DO BRASI L PÓS-COVI D | U M ENSAI O PROSPECTI VO ATÉ 2030
27. Busca de menor dependência de insumos e equipamentos dos países asiáticos
Até 2030, os países provavelmente criarão protocolos mais rígidos
Principais produtos importados da China
para comercialização de produtos de necessidade básica em
saúde ou estabelecer estoques mínimos, considerando a crise de desabastecimento ocorrida em 2020.
•
A dependência mundial de poucos países da Ásia, como Índia e China, para o fornecimento de insumos para medicamentos, equipamentos e aparelhos de saúde deixou clara a fragilidade mundial no acesso a estes bens, inclusive no Brasil. Estima-se
que 60% da capacidade global de produção de vacinas está atualmente localizada na Índia. •
A cadeia produtiva poderá ser revista para reduzir a dependência na medida em que
a segurança em saúde entre no cerne da pauta dos governos. A recente corrida pelas
Fonte: ComexStat, Ministério da Economia
vacinas acentuou este movimento no Brasil •
Um quinto das importações brasileiras tem como origem a China, sendo o país o maior
parceiro comercial do Brasil. Entre Janeiro de 2009 e Novembro de 2020, o total importado em dólares mais do que dobrou, partindo de US$1,35 bilhões e chegando a US$3,4 bilhões (em valores FOB). •
Existe um custo na produção e armazenagem de insumos e equipamentos que deverá ser levado em consideração. Esse tipo de gasto era justificável com a finalidade de uma guerra ou catástrofe climática - vide os estoques de petróleo etc. A pandemia
Possíveis implicações •
Risco de criação de reservas de mercado podendo gerar grandes ineficiências econômicas ou atrasos tecnológicos.
•
Necessidade de formulação de estratégias de hedge face aos riscos de colapsos de abastecimento de insumos, produtos ou serviços essenciais à saúde da população.
retomou a questão no debate público e poderá ampliar a aceitação de uma rede de proteção para crises de saúde. O QU E SERÁ DO BRASI L PÓS-COVI D | U M ENSAI O PROSPECTI VO ATÉ 2030
46
28. Maior crescimento relativo dos países da Ásia Até 2030, os países asiáticos concentrarão maior poderio
Papel histórico da Ásia – Parcela do PIB mundial em paridade de poder de compra
econômico do que os Estados Unidos e a Europa juntos1, tendo
como locomotiva a China, que até lá terá se consolidado como sendo a maior economia do mundo, processo que será agilizado pela mais rápida recuperação do país da crise decorrente da covid-19. •
As várias Ásias
Os países asiáticos serão os primeiros sair da crise econômica proveniente da COVID-19, retornando para crescimentos significativos do PIB já em 2021.
•
O mercado asiático está menos dependente de exportações, com uma crescente
política de cooperação e ligações comerciais, considerando que atualmente 52% do comércio é intrarregional. •
•
Fonte: Elaboração de José Augusto Fernandes
A Ásia já vive uma “nova revolução industrial”, considerando que dois terços dos robôs industriais existentes no mundo são utilizados na região.
Possíveis implicações
O uso de tecnologia é abrangente e difuso, gerando uma rede preparada para as
•
A manutenção da China como o principal parceiro comercial do Brasil, principalmente pela grande volume de commodities que são exportadas, não deverá sofrer alteração no curto e médio prazo.
•
Maior utilização de ferramentas de Soft Power para expandir a cultura regional (Bollywood, K-Pop, TikTok, etc).
•
Valiosas janelas de oportunidades para ampliação e diversificação dos laços comerciais com os países da Ásia.
novas formas de trabalho (homeoffice, flexibilidade de negócios e realocação de forças de trabalho), e que atualmente está a frente na implantação das redes de telefonia 5g.
47
O QU E SERÁ DO BRASI L PÓS-COVI D | U M ENSAI O PROSPECTI VO ATÉ 2030
4
Insights de Estratégias
Desses 28 vetores de mudança,
10 deles são os que revelam
maior efeito multiplicador e,
por isso, constituem o foco
para Insights Estratégicos
MOT RI CIDADE (Po der de i n fl u en ci a çã o d e ca d a v eto r so b r e o s d ema i s)
5 Legenda | Forças Motrizes 1. DURAÇÃO E INTENSIDADE DA CRISE ECONÔMICA E SOCIAL (3) 2. ACELERAÇÃO DA CONECTIVIDADE DA ECONOMIA E DA SOCIEDADE (5) 3. REVISÃO DO PAPEL E DA FORMA DE ATUAÇÃO DO ESTADO 4. NOVAS FORMAS DE RELACIONAMENTO SOCIAL (1) 5. VALORIZAÇÃO DA SAÚDE PÚBLICA (1)
6
Dados, Big data, analytics
Negócios digitais
FOCO PARA INSIGHTS ESTRATÉGICOS
14
11 1
Automação e robotização
Endividamento público e privado
8
Conexões virtuais e redes sociais para informação
13 Comércio eletrônico
15
9
12 17
Desemprego e pobreza
10
2
4
EAD 7
Mais segurança sanitária
16
Trabalho remoto
3
19
20
18
26 24 21 25
27
23
22
28
DEP ENDÊNCIA (I n ten si d a d e d a i n fl u ên ci a r eceb i d a p o r ca d a u m d o s v eto r es)
Insights de
Setor Público: mais entregas e menos
Estratégias
custo para o cidadão
Grandes
Setor Privado: mais competitividade
direcionamentos
no ambiente de negócios pós-COVID
para a década Em face aos sinais do presente e do
3º Setor: Mais Protagonismo e Efetividade
futuro
O QU E SERÁ DO BRASI L PÓS-COVI D | U M ENSAI O PROSPECTI VO ATÉ 2030
50
Cinco grandes transformações na década
Insights de Estratégias Setor Público (O Estado brasileiro)
Melhorar a qualidade e a produtividade do gasto público •
Vetores do Foco Estratégico
4
5
8
9
acesso aos bens e serviços públicos •
Principais vínculos: Força Motriz (II) Aceleração da virtualização da economia e da sociedade e Vetores do Foco Estratégico 2
4
5
6
7
8
9
Fortalecer a coesão social e reduzir as desigualdades de renda e de oportunidades
Mais entregas e cidadão
1
Intensificar e acelerar a digitalização das atividades fim para ampliar o
•
menos custo para o
Principais vínculos: Força Motriz (III) Revisão do papel e da forma de atuação do estado e
Principais vínculos: Forças Motrizes (II) Aceleração da virtualização da economia e da
sociedade, (I) Duração e intensidade da crise econômica e social e (IV) Emergência de novas formas de relacionamento social e Vetores do Foco Estratégico 4
8
Sustentar o equilíbrio fiscal, a disciplina monetária e o câmbio flexível •
Principais vínculos: Forças Motrizes (III) Revisão do papel e da forma de atuação do estado e (I) Duração e intensidade da crise econômica e social e Vetor do Foco Estratégico 8
Reformar e modernizar o Estado em todos os poderes e níveis de Governo •
Principais vínculos: Força Motriz (III) Revisão do papel e da forma de atuação do estado e Vetores de Mudança do Foco Estratégico 2
4
5
6
7
8
9
Vetores do Foco Estratégico: (1) Endividamento público e privado; (2) Conexões virtuais e redes sociais para informação; (3) Mais segurança sanitária; (4) Automatização e robotização; (5) Big Data, Dados e Analytics; (6) Negócios Digitais; (7) Comércio Eletrônico; (8) EAD; (9) Trabalho Remoto.
Cinco grandes transformações na década
Insights de Estratégias
Inserir-se competitivamente em redes e nos negócios digitais •
Vetores do Foco Estratégico 1
2
4
5
6
7
8
Reavaliar e atualizar os atuais modelos de negócios e os modos de produção •
Setor Privado (Empresas
Principais vínculos: Força Motriz (II) Aceleração da virtualização da economia e da sociedade e
Principais vínculos: Forças Motrizes (II) Aceleração da virtualização da economia e da sociedade e (IV) Emergência de novas formas de relacionamento social e Vetores do Foco Estratégico 3
4
5
6
7
1
2
9
Prospectar e explorar oportunidades de negócios emergentes no pós-COVID Principais vínculos: Forças Motrizes (II) Aceleração da virtualização da economia e da sociedade, (V)
atuantes no Brasil)
•
Mais competitividade
Preparar e acelerar o esforço de inovação, qualidade e produtividade em
no ambiente de
Valorização da saúde pública e (III) Revisão do papel e da forma de atuação do estado e Vetores do Mudança do Foco Estratégico 1
2
3
4
5
6
7
8
9
todos os níveis da empresa •
Principais vínculos: Forças Motrizes (II) Aceleração da virtualização da economia e da sociedade e (I) Duração e intensidade da crise econômica e social e Vetores do Foco Estratégico 2
negócios pós-COVID
5
6
7
8
3
4
9
Revigorar e atualizar as capacidades e recursos de gestão estratégica empresarial •
Principais vínculos: Forças Motrizes (II) Aceleração da virtualização da economia e da sociedade e
(I) Duração e intensidade da crise econômica e social e Vetores do Foco Estratégico 1 4
5
6
7
8
2
9
Vetores do Foco Estratégico: (1) Endividamento público e privado; (2) Conexões virtuais e redes sociais para informação; (3) Mais segurança sanitária; (4) Automatização e robotização; (5) Big Data, Dados e Analytics; (6) Negócios Digitais; (7) Comércio Eletrônico; (8) EAD; (9) Trabalho Remoto.
3
Cinco grandes transformações na década
Insights de Estratégias
Ampliar a sua capacidade de produzir e demonstrar impactos significativos •
Principais vínculos: Força Motriz (III) Revisão do papel e da forma de atuação do estado e (IV) Emergência de novas formas de relacionamento social e Vetores do Foco Estratégico 2
4
5
6
Adensar a atuação nos espaços de necessidades ("mercados") abertos pela revisão do papel e forma de atuação do Estado
Instituições do
•
Terceiro Setor
Alcançar e manter protagonismo de alto impacto nas esferas da proteção social, saúde
Mais Protagonismo
Principais vínculos: Força Motriz (V) Valorização da saúde pública e Vetores do Foco Estratégico 2
4
5
7
8
pública e meio ambiente •
Principais vínculos: Forças Motrizes (V) Valorização da saúde pública, (I) Duração e intensidade da crise econômica e social e (IV) Emergência de novas formas de relacionamento social e Vetores do Foco Estratégico
e Efetividade
2
4
5
6
7
8
9
Inserir-se ativamente, com qualidade, em redes e comunidades virtuais •
Principais vínculos: Forças Motrizes (II) Aceleração da virtualização da economia e da sociedade, (V) Valorização da saúde pública e (III) Revisão do papel e da forma de atuação do estado e Vetores do Foco Estratégico
2
4
5
6
7
8
Melhorar continuamente o accountability, a transparência e a Governança •
Principais vínculos: Forças Motrizes (II) Aceleração da virtualização da economia e da sociedade e
(I) Duração e intensidade da crise econômica e social e Vetores do Foco Estratégico 2
Vetores do Foco Estratégico: (1) Endividamento público e privado; (2) Conexões virtuais e redes sociais para informação; (3) Mais segurança sanitária; (4) Automatização e robotização; (5) Big Data, Dados e Analytics; (6) Negócios Digitais; (7) Comércio Eletrônico; (8) EAD; (9) Trabalho Remoto.
5
7
7
5
São Paulo e o pós-covid
São Paulo e a Covid (ativos e passivos) 1
Produção de vacinas...
...que responde por 79% das doses aplicadas aos brasileiros até 10/maio/21
2
Força da economia...
...minimizando a queda do PIB nacional
SP +0,4%
Desemprego
...impulsionando a retomada
BR 2020/21:
100 milhões de doses para PNI
4
Parcerias com setor privado...
Crescimento do PIB em 2020 (SP x BR)
2020/21:
Fonte: Elaboração Macroplan
3
Fonte: Fundação Seade
5
DCNT
-4,1%
Rodovias, parques, trens, aeroportos Fonte: Governo de São Paulo
6
Atraso educacional
IDGM2021:
95 municípios concentram 80% dos óbitos prematuros por DCNT
Fonte: Governo de São Paulo
55
O QU E SERÁ DO BRASI L PÓS-COVI D | U M ENSAI O PROSPECTI VO ATÉ 2030
Estamos diante de uma crise estratégica aguda
1
2
3
Incertezas conjunturais →
Incertezas estruturais →
COVID-19: Combinação
volatilidade dentro do
possibilidade de rupturas
de “altas doses” de
padrão dominante
do padrão dominante
incertezas conjunturais e estruturais → crise estratégica aguda
A crise expôs FRAGILIDADES e desafiou ainda mais a CAPACIDADE DE RESPOSTA dos gestores públicos 56
Impactos sociais e econômicos severos e abrangentes • Desigualdade e pobreza já altos, com tendência de expansão • Forte impacto no emprego e nas MPES/MEI, em um contexto em que o mercado de
trabalho já estava frágil • Impactos muito elevados em setores específicos (Ex.: Turismo)
A crise e o papel do estado e dos municípios
Demandas por expansão das politicas públicas • Políticas compensatórias para mais vulneráveis • Estímulos ao crédito e à atividade econômica • Acelerar a superação de déficits de serviços públicos acumulados por décadas (saneamento, saúde, educacionais, dente outros) • Pressão por mais e melhores serviços: migração da demanda do privado para o público (escolas, hospitais, ...)
No momento no qual os estados/municípios “podem menos” • Fragilidade das contas. Despesas em expansão, receitas abaixo do potencial
57
O QU E SERÁ DO BRASI L PÓS-COVI D | U M ENSAI O PROSPECTI VO ATÉ 2030
Cenário desafiador para os governantes Sociedade e eleitores cada vez mais exigentes e impacientes
+80% dos brasileiros estão insatisfeitos com a relação Serviços públicos |Impostos pagos 1 Radicalização politica | fragmentação da coesão social Maior demanda por gastos e serviços públicos
Impactos da pandemia
Redução estrutural de recursos financeiros
Mudança acelerada Na sociedade2
Redução da atividade econômica e da arrecadação Ampliação do desemprego e da desigualdade Frustração do crescimento e com a velocidade da agenda das reformas Despesas em crescimento por fatores estruturais (ex. envelhecimento da população)
Economia digital
Novos hábitos
Hiper conectividade
+ longevidade
1
Retratos da Sociedade Brasileira, CNI 2016
2
O que será do Brasil pós-Covid? Acessível em : https://www.macroplan.com.br/p/o-que-sera-do-brasil-pos-covid-estudo-completo/
58
O que fazer?
PRESSÃO POR MAIS ENTREGAS
SOCIEDADE MAIS EXIGENTE
Fazer mais (ou menos) do mesmo não resolve
É preciso fazer diferente 59
O QU E SERÁ DO BRASI L PÓS-COVI D | U M ENSAI O PROSPECTI VO ATÉ 2030
O que é fazer diferente no cenário atual?
Fazer o que não pode deixar de ser feito,
Governar em sintonia com a
mas com menos recursos
sociedade e a ciência
Produtividade
Qualidade
+ Qualidade
+ Produtividade
Alinhamento de expectativas
+ Comunicação e diálogo
•
Foco
•
Organização e Tecnologia
+ Transparência
•
Prioridade
•
Disciplina
+ Governança compartilhada e
•
Planejamento
o
Fiscal
Desapego
o
Financeira
o
De execução
•
•
Parcerias com
“em rede”
+ Trabalho com base em dados e evidências
empreendedores
O QU E SERÁ DO BRASI L PÓS-COVI D | U M ENSAI O PROSPECTI VO ATÉ 2030
60
Por que trabalhar com dados e evidências?
Recurso cada vez
Tendência consolidada
+ BARATO
NO SETOR PRIVADO
+ DISPONÍVEL
NO TERCEIRO SETOR
+ ACESSÍVEL
(mas ainda fraca em Governos)
Foco + Eficiência + Qualidade do Gasto
Fator de Competitividade (rankings/premiações) 61
O QU E SERÁ DO BRASI L PÓS-COVI D | U M ENSAI O PROSPECTI VO ATÉ 2030
Manter o foco no Desenvolvimento Sustentável o padrão de desenvolvimento no sentido amplo É um binômio
Prosperidade
Qualidade de vida
1. Oportunidades de negócios e
1. Saúde
empregos privados
2. Renda, lucro, emprego
3. Investimento produtivo 4. Educação
&
2. Segurança 3. Habitação
4. Proteção social 5. Qualidade ambiental e urbana
5. Infraestrutura 6. Boas instituições, capital social
6. Autoestima, confiança e coesão social
“Desenvolvimento equilibrado entre meio ambiente, sociedade e economia” (Jorge Arbache) Fonte: Valor Econômico: https://valor.globo.com/opiniao/coluna/crescimento-sustentavel-ou-sustentado.ghtml
Desenvolvimento Econômico em São Paulo 1
2
Recuperação econômica
Saldo positivo de empregos no acumulado desde o início da pandemia
0,54
0,64
0,62
0,98
0,28
1,03
+ R$100 mi para setores vulneráveis:
1,11
-0,73
0,62
-0,15
0,41
-0,41
-0,95 -2,33
Brasil
Sudeste
São Paulo
Variação relativa do emprego com relação ao estoque de emprego no mês anterior (%) - Novo CAGED
4
Apoio aos setores mais vulneráveis na Pandemia
• • • • • •
Bares e restaurantes Hotéis Comércio Eventos Academias Setor de Beleza
Fonte: Governo do Estado de São Paulo
5
Nova geração de PPPs e Concessões
Digitalização de oferta de serviços públicos Serviços digitais avançam em documentação e segurança do cidadão, com monitoramento.
Fonte: Governo do Estado de São Paulo
63
Na educação, acesso a boletim escolar digital. Na saúde, prontuário eletrônico e telemedicina. Fontes: Governo do Estado de São Paulo | Prefeitura de São Paulo
3
Proteção da vida e mitigação dos passivos sociais
Repasse mais de R$ 202 milhões para a rede socioassistencial dos 645 municípios, entre outras ações sociais Fonte: Governo do Estado de São Paulo
6
Dinamização das economias regionais
Projetos de desenvolvimento socioeconômico nas regiões mais vulneráveis do estado Fonte: Governo do Estado de São Paulo
Índice Paulista de Responsabilidade Social - SEADE
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Insights para uma Agenda Municipal 2021-2024 Intenções de prefeitos do Estado de São Paulo até 2024
1
Construir e manter um bom ambiente de negócios
2
Entregar os serviços públicos municipais com qualidade
Fonte: Macroplan, com base na pesquisa realizada com prefeitos do Estado de São Paulo, realizada em 17/04/21 no Seminário online da APM
3
Modernizar a gestão municipal e trabalhar em cooperação dentro e fora do município
Produtividade do Gasto em Educação IDEB EF I (Rede Pública) x Gasto por Aluno do Ensino Fundamental I -100 maiores cidades (DGM)
Produtividade do gasto: fazer mais e melhor, com menos recursos
Fonte: investimento educacional por aluno do ensino fundamental no 6 bimestre de 2017: SIOPE/FNDE; e IDEB do Ensino Fundamental na Rede Pública de 2017: INEP.
O QU E SERÁ DO BRASI L PÓS-COVI D | U M ENSAI O PROSPECTI VO ATÉ 2030
64
6 Referências
Principais fontes utilizadas ou consultadas na elaboração dos 28 Vetores de Mudança 1. Expansão do endividamento público e privado • Instituição Fiscal Independente • senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/579879/RAF46_NOV2020_3_Cenarios_divida.pdf. (2) PEIC/CNC - 11/2020. • Serasa Experian. Boletim Econômico 08/2020. • Banco Central do Brasil
2. Aumento do desemprego e da pobreza • PNAD Contínua 2029 – IBGE • SIS/IBGE 2019 • PNAD Contínua 2029 – IBGE. • SIS/IBGE 2019
• POF/IBGE 2017-2018 • IBRE/FGV "PIB per capita deve levar dez anos para voltar ao nível de 2013" - Valor Econômico, 4/12/2020, p. A6
3. Mais segurança sanitária • 2018 Annual review of diseases prioritized under the Research and Development Blueprint • Cartilha de Vigilância Sanitária - ANVISA 2002
• OMS - WASH for Health • SNIS 2018 O QU E SERÁ DO BRASI L PÓS-COVI D | U M ENSAI O PROSPECTI VO ATÉ 2030
66
Principais fontes utilizadas ou consultadas na elaboração dos 28 Vetores de Mudança 4. Ampliação e diversificação da Educação a distância (EAD) • Forbes, "Educação a distância: um modelos que só cresce". Disponível em: https://forbes.com.br/negocios/2019/03/educacao-a-distancia-um-modelo-que-so-cresce/ • Ministério da Educação • FIA • Censo Escolar
5. Crescente utilização de dados públicos, big data e analytics • Business Software Alliance • International Data Corporation • Brasscom, Relatório Setorial 2019, abril 2020, disponível em: https://brasscom.org.br/wp-content/uploads/2020/04/P-2020-04-09-Coletiva-de-Imprensa-Relat%C3%B3rio-
Setorial-2019-v15.pdf
6. Crescimento significativo dos negócios digitais • TIC Domicílios 2018 • TechTarget, e-business, disponível em: https://searchcio.techtarget.com/definition/e-business. • Distrito Fintech Report, Brasil 2020.
• Penser, maio 2020, disponível em: https://www.penser.co.uk/article/fintech/fintech-in-latin-america-brazils-biggest-fintechs/. • Ibid.
67
O QU E SERÁ DO BRASI L PÓS-COVI D | U M ENSAI O PROSPECTI VO ATÉ 2030
Principais fontes utilizadas ou consultadas na elaboração dos 28 Vetores de Mudança 7. Disseminação do Trabalho Remoto • Valor Investe, disponível em: https://valorinveste.globo.com/objetivo/empreenda-se/noticia/2020/04/14/home-office-deve-crescer-30percent-apos-crise-decoronavirus-aponta-fgv.ghtml. • TEC Institute, Tendências de Marketing e Tecnologia 2020, abril 2020. • Infomoney, disponível em: https://www.infomoney.com.br/economia/como-a-pandemia-de-coronavirus-pode-impulsionar-o-exodo-urbano-no-futuro/.
8. Aceleração da automação e da robotização • Folha de São Paulo. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2018/01/1951904-16-milhoes-de-brasileiros-sofrerao-com-automacao-na-proximadecada.shtml • Instituto IPSOS • Febraban • International Federation of Robotics
9. Crescimento significativo do comércio eletrônico • Shopify, What is Ecommerce?, disponível em: https://www.shopify.com/encyclopedia/what-is-ecommerce. • Ebit, Relatório Webshoppers - 41ª edição.
• Valor Econômico, disponível em: https://valor.globo.com/publicacoes/suplementos/noticia/2020/05/25/compras-pela-internet-vao-ultrapassar-os-r-100bi.ghtml (4)McKinsey & Company – O novo consumidor pós COVID, maio 2020.
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Principais fontes utilizadas ou consultadas na elaboração dos 28 Vetores de Mudança 10. Intensificação das conexões virtuais e das redes sociais como fonte de informação • McKinsey, Brazil 2020 Opportunity Tree. • Ibid. • Heinrich Böll Stiftung, Infected texts junho 2020, disponível em: https://eu.boell.org/en/2020/06/22/infected-texts-disinformation-meets-polarization-brazil. (4) Google e IAT, Coronavírus: o mundo nunca mais será o mesmo, maio 2020.
11. Redução de ameaças à privacidade de dados • TIC Domicílios • Lee, Brock, Camargo Advogados • Serasa Experian
• Cyber Security Insights • Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara dos Deputados
12. Consolidação da telemedicina • Globo Gente: A nova realidade da telemedicina. Disponível em: https://gente.globo.com/a-nova-realidade-da-telemedicina/ • Accelerate 2030 PNUD/ONU
• Governo Federal, disponível em: https://www.gov.br/secretariageral/pt-br/noticias/presidente-sanciona-lei-sobre-uso-da-telemedicina. • Latin American Journal of Telehealth, Telemedicina como instrumento de suporte na Atenção Primária à Saúde, agosto 2017.
69
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Principais fontes utilizadas ou consultadas na elaboração dos 28 Vetores de Mudança 13. Maior digitalização do setor público • OCDE, Broadband Policies for Latin America and the Caribbean, 2016. • CAF, Policy Brief#14: GovTechs e o futuro do governo, junho 2020. • Ministério da Economia, disponível em: https://www.gov.br/economia/pt-br/assuntos/noticias/2020/junho/governo-ultrapassa-150-servicos-transformados-em-digitaisno-periodo-de-pandemia. • Folha de São Paulo, disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2020/02/digitalizacao-de-servicos-publicos-cria-mercado-para-startups.shtml.
14. Ampliação e melhoria dos serviços públicos • “Por que o Brasil cresce pouco?”. Marcos Mendes, 2014, Editora Campus Elsevier
15. Ampliação e melhoria das redes de proteção social • OCDE, Retrato Econômico do Brasil
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Principais fontes utilizadas ou consultadas na elaboração dos 28 Vetores de Mudança 16. Ampliação da cobertura dos serviços de saúde •
Plano Nacional de Saúde 2020-2023, Ministério da Saúde, disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/plano_nacional_saude_2020_2023.pdf#page=110&zoom=100,72,106
•
CFM/Datafolha, 2018, Opinião dos brasileiros sobre o atendimento público na área de saúde, disponível em: https://portal.cfm.org.br/images/PDF/datafolha_sus_cfm2018.pdf.
•
Plano Nacional de Saúde 2020-2023, Ministério da Saúde
•
Conselho Nacional de Saúde, fevereiro de 2020. Disponível em: https://conselho.saude.gov.br/ultimas-noticias-cns/1044-saude-perdeu-r-20-bilhoes-em-2019-por-causa-da-ec-95-2016
•
Metropoles, junho 2020, disponível em: https://www.metropoles.com/saude/covid-19-butantan-planeja-distribuir-vacina-pelo-sus-em-junho-de-2021
17. Uso de dados e evidências em políticas e ações públicas •
Gustavo Morelli e Adriana Fontes, O Brasil do Futuro, Fábio Giambiagi (Org), Capítulo 19. 2020.
•
BBC, abril 2020, disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-52449017 . Maio 2020, disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/geral-52548653
•
IPEA, Nota técnica nº 64, maio 2020, disponível em:
http://repositorio.ipea.gov.br/bitstream/11058/10034/1/NT_64_Diset_%20Politicas%20p%C3%BAblicas%20para%20pesquisa%20e%20inovacao%20frente%20a%20crise%20da%20Covid_19.pdf •
Coronavírus Brasil, disponível em: https://covid.saude.gov.br/
•
Coronacidades, disponível em: https://coronacidades.org/
18. Valorização da saúde preventiva •
TABNET DATASUS. Disponível em: http://tabnet.datasus.gov.br/
•
Sistema Nacionaobre Saneamento (SNIS), acesso julho 2020, disponível em: http://www.snis.gov.br/painel-informacoes-saneamento-brasil/web/
•
Trata Brasil, julho 2019, disponível em: http://www.tratabrasil.org.br/blog/2019/07/16/investimentos-necessarios-para-universalizacao-do-saneamento/
•
KPMG, Quanto custa universalizar o saneamento no Brasil, junho 2020, disponível em: https://assets.kpmg/content/dam/kpmg/br/pdf/2020/07/kpmg-quanto-custa-universalizar-o-saneamentono-brasil
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Principais fontes utilizadas ou consultadas na elaboração dos 28 Vetores de Mudança 19. Desigualdades sociais • IBGE. Síntese dos Indicadores Sociais 2020. Disponível em https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv101760.pdf. Acesso em 5/01/2021. • Linha de US$ 1,90 por dia em termos de Poder de Paridade de Compra. • Menezes-Filho, Naércio. Programas sociais e finanças públicas. Valor Econômico. 17/07/2020.
20. Valorização da sustentabilidade ambiental • Agenda que demonstra compromisso em preservar a natureza, evitando, mitigando ou compensando danos irreversíveis ao meio ambiente • BBC, Will Covid-19 have a lasting impact on the environment?, março 2020, disponível em: https://www.bbc.com/future/article/20200326-covid-19-the-impact-ofcoronavirus-on-the-environment • The Economist, Countries should seize the moment to flatten the climate curve, maio 2020, disponível em: https://www.economist.com/leaders/2020/05/21/countries-shouldseize-the-moment-to-flatten-the-climate-curve • Banco Central Europeu, Never waste a crisis: COVID-19, climate change and monetary policy, julho 2020: https://www.ecb.europa.eu/press/key/date/2020/html/ecb.sp200717~1556b0f988.en.html • G1 Natureza, Amazônia bate novo recorde nos alertas de desmatamento em junho, julho 2020, disponível em: https://g1.globo.com/natureza/noticia/2020/07/10/amazonia-bate-novo-recorde-nos-alertas-de-desmatamento-em-junho-aumento-dos-ultimos-11-meses-foi-de-64percentaponta-inpe.ghtml • Instituto Ipsos, junho 2020, disponível em: https://www.ipsos.com/pt-br/para-85-dos-brasileiros-protecao-do-meio-ambiente-deve-ser-prioridade-na-retomada-pos-pandemia
21. Polarização social e tensões políticas • IPSOS BRASIL 2020: A AQUARELA VIROU MOSAICO? O QU E SERÁ DO BRASI L PÓS-COVI D | U M ENSAI O PROSPECTI VO ATÉ 2030
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Principais fontes utilizadas ou consultadas na elaboração dos 28 Vetores de Mudança 22. Redefinição dos espaços públicos • Instituto Cidades Sustentáveis, Pesquisa Viver em São Paulo: Especial Pandemia (parte 02), junho 2020.
23. Mais pesquisa colaborativa e global em saúde • FAPESP, Publicações Científicas e colaborações internacionais, junho 2019, disponível em: https://revistapesquisa.fapesp.br/publicacoes-cientificas-e-colaboracoesinternacionais/ • International cooperation to promote advances in medicine, disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2700441/ • OECD, Tackling coronavírus (COVID-19), maio 2020, disponível em: http://www.oecd.org/coronavirus/policy-responses/treatments-and-a-vaccine-for-covid-19-theneed-for-coordinating-policies-on-r-d-manufacturing-and-access-6e7669a9/ • The impact of collaboration: The value of uk medical research to eu science and health, maio 2017, disponível em: https://www.cancerresearchuk.org/sites/default/files/main_report_v8.pdf
24. Valorização gradual do ‘consumo consciente’ • McKinsey & Company, A global view of how consumer behavior is changing amid COVID-19, julho 2020, disponível em: https://www.mckinsey.com/~/media/McKinsey/Business%20Functions/Marketing%20and%20Sales/Our%20Insights/A%20global%20view%20of%20how%20consumer%20be havior%20is%20changing%20amid%20COVID%2019/20200707/covid-19-global-consumer-sentiment-20200707.pdf • Ibid. • McKinsey & Company, O novo consumidor pós COVID, maio 2020 • Instituto Ipsos, Coleção Ipsos Flair: Brasil 2020: A aquarela virou mosaico?, outubro 2019, disponível em: https://www.ipsos.com/sites/default/files/ct/publication/documents/2019-11/por_ipsos_flair_brasil_2020.pdf 73
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Principais fontes utilizadas ou consultadas na elaboração dos 28 Vetores de Mudança 25. Estímulos à valorização do senso de coletividade e da solidariedade social • Todos Pela Saúde. Banco Itaú.
26. Desaceleração da globalização • The World Bank Data. Disponível em: https://data.worldbank.org/indicator/NE.TRD.GNFS.ZS. Acessado em 05/02/2020
27. Busca de menor dependência de insumos e equipamentos dos países asiáticos • ComexStat, Ministério da Economia • Folha de São Paulo, abril 2020, disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2020/04/contra-pandemia-finlandia-abre-estoque-de-equipamentos-medico-emilitar-da-guerra-fria.shtml • Revista Problemas Brasileiros #458, A dança das potências, julho 2020.
28. Maior crescimento relativo dos países da Ásia • Global Trends 2030 – NIC/EUA. Disponível em: https://www.dni.gov/files/documents/GlobalTrends_2030.pdf • McKinsey Global Institute, “The Future of Asia is Now”, julho 2019 • FMI. Tao Zhang, julho 2020
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Equipe técnica e perfil da Macroplan
Equipe Técnica Elaboração Claudio Porto
Karla Régnier
Mariana Salles
Thiago Gallian
Tatiane Limani
Mentoria e revisão final
Coordenação Fase 1
Coordenação Fase 2
Elaboração
Design
Adriana Fontes
Andréa Belfort
Elissa Rasma
Isabela Reis
Lucas Cândido
Natália Demartino
Marcelo Asquino
Marcos Maestri
Raphaela Moreira
Rosane Ribeiro
Colaboração temática
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» Plano Estratégico de LP SLS e Gestão estratégica
» Gestão para resultados » Gestão de Investimentos » Plano de CT&I
O conhecimento da Macroplan sobre o
profissionais nos
» Plano Estratégico de Longo Prazo
AM
» Aliança de municípios
combinadas com uma
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CE PI
AC
» Plano de Longo Prazo GO 2035
» Recife 500 anos
MA
PA
realidades do país,
anos de consultoria
» Plano Estratégico Campina Grande » Pernambuco 2035
» Estratégia de Exportação
» Modelo de gestão para resultados GO
evidências, nos seus 30
AP
» Concepção do Brasil Central
» Avaliação estratégica de resultados GO
avaliação de dados e
» Plano de Desenvolvimento Econômico Mais RN RR
diversos espaços e
prática sistemática de
» Plano Estratégico FIEC e modelo de gestão
» Plano para Educação por Mediação Tecnológica
Brasil é gerado a partir da vivência dos seus
» Modelo de gestão integrada do CTA
» Plano de Expansão da Educação Profissional
RO
BA
MG SP
» Cenários prospectivos de médio e longo prazos SJC
PR
» Programa Parcerias Municipais – Gov SP RS
» Formação de lideranças em planejamento e Gestão Gov. Santa Catarina
» PMDI I, II e III e Agenda de Melhoria » Modelo de gestão “Contagem faz”
GO
» Modelo de gestão de projetos GOV SP e Pref. SP
» Estratégia de LP e Gestão para Resultados Gov. AL
» Plano BH 2030 e Modelo de gestão
DF
ES
MS
» Modelo de Gestão da Educação de Florianópolis
AL SE
TO
MT
RN PB PE
RJ
» ES 2025 » Estratégia 2015-2018 » Agenda de adequação fiscal » Projetos estratégicos do ES 2015-2018-2030
SC » Plano Estratégico RJ » Plano Estratégico Macaé e modelo de gestão » Niterói que queremos + modelo de gestão
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