Jornal-Laboratório do Curso de Jornalismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie
Nº 6 - maio - 2017
Notícias sem
complicação! DIRETRIZ
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Sumário Comportamento Entre telas e tabuleiros Carona a pé Superalimentos Profissão: mãe Coaching: uma missão Sociedade Voluntariado de leitura A qualificação dos estagiários Diga não ao abuso Inclusão de deficientes auditivos Músicos de rua Paulistanos caiçaras Viver entre opiniões Saúde Dificuldades da redesignação Distúrbios alimentares Síndrome de Burnout Contraceptivo digital Na ponta da agulha TOC afeta 3% da população mundial
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O HPV e a importância da vacinação Dependência de internet Agentes tóxicos prejudicam crianças
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Economia O aumento do desemprego Financiamento privado da educação Home office pode ser prejudicial O crescimento do intercâmbio O custo dos moradores de rua O comércio tenta sair da crise Entrega de comida em alta Cursos preparatórios
A luta contra o assédio Reforma do Ensino Médio Cai a violência nos estádios A realidade de quem usa o Uber
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Cultura Transformação pela arte Grafite na berlinda Viagem à Índia Rodeio: cultura ou barbárie? O funk quebra tabus Nova geração de youtubers A música erudita tem futuro? Apropriação de ideologias
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Esporte Atletas transplantados O crescimento dos “e-sports”
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Cotidiano Praia no asfalto Um milhão de “bikes” em sampa Redução da violência no centro A realidade de quem usa o Uber Violência contra mulheres negras O drama dos alagamentos A resistência das torcidas Impacto dos eventos na Vila Madalena
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Política Trump e a lei de banimento Vistos para o EUA
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DIRETRIZ Nº 06 UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE Reitor: Prof. Dr. Ing. Benedito Guimarães Aguiar Neto Vice-Reitor: Prof. Dr. Marco Tullio de Castro Vasconcelos Pró-Reitor de Graduação e Assuntos Acadêmicos: Prof. Dr. Cleverson Pereira de Almeida Pró-Reitor de Extensão e Educação Continuada: Prof. Dr. Sérgio Lex Pró-Reitora de Pesquisa e Pós-Graduação: Profa. Dra. Helena Bonito Couto Pereira CENTRO DE COMUNICAÇÃO E LETRAS Diretor: Prof. Dr. Marcos Nepomuceno Duarte CURSO DE JORNALISMO Coordenador: Prof. Dr. Rafael Fonseca Supervisor de Publicações: Prof. Dr. José A. Trigo
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Produção Experimental – Curso de Jornalismo Disciplina: Redação e Edição – 3º Semestre (Turmas D e J) Professores/editores: Prof. Ms. André Arruda, Prof. Dr. André Santoro, Prof. Dr. Carlos Sandano, Profa. Ms. Patrícia Paixão, Prof. Dr. Vinícius Prates Fechamento: Prof. Dr. André Santoro Foto da Capa: Nicolas Alejandro (Creative Commons) Monitora Responsável: Tainá Silva Tiragem: 300 exemplares
DIRETRIZ
Comportamento Entre telas e tabuleiros
Mesmo na era da tecnologia, jogos manuais permanecem em alta
Smartphones, tablets, realidade virtual e outros termos são comuns para as crianças do século XXI. Desde os primeiros anos de idade, o acesso à tecnologia é presente e se torna, cada vez mais, parte da rotina dessas crianças ao longo dos anos. Se o público infantil das gerações passadas tinha contato com bonecos e jogos de tabuleiro, hoje, as horas de lazer dessas pessoas são em frente a uma tela. Será, contudo, que os brinquedos manuais não são mais utilizados por eles? E as empresas fabricantes de jogos de tabuleiro, por exemplo, conseguiram se adaptar às inovações? Os videogames e jogos online ainda fazem parte da rotina daqueles que estão em seus primeiros anos de vida? Como as famílias encaram e lidam com essa nova era?
“Há uma importância pedagógica do jogo físico” Os brinquedos manuais O analista de produtos da empresa de jogos Grow, Angelo Marin, diz que tal concorrência diminuiu a prioridade com os jogos não digitais, mas, que isso não afetou o número de vendas da fabricante. “É importante comentar que a experiência de jogos e brinquedos ainda está muito presente no universo da criança e faz parte do seu desenvolvimento. Acredito que o setor tem uma resiliência natural. Há umaimportânciapedagógica do jogo físico, assim como há no virtual”. Ainda que o maior foco DIRETRIZ
Aline Yumi
Aline Yumi Beatriz Santiago
O uso de aparelhos tecnológicos pode enfraquecer o foco de crianças para outras atividades. da empresa sejam os jogos manuais, a aposta em aplicativos e jogos digitais foi um importante passo para a entrada da Grow na vida da nova geração. Segundo dados da Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (ABRINQ), em 2015 foram criados 9.350 brinquedos. Em comparação com o ano anterior, houve um aumento de 4%. Os comentários relacionados ao ano corrente dos fabricantes também tiveram alterações. Se em 2014, 59,1% dos fabricantes comentam que o ano foi regular, em 2015, o número cai para 46,2%.
outras facilidades reduziu o número de visitas aos sites de jogos. Hoje o público tem mais opções, a audiência está pulverizada; os aplicativos de celular e tablet competem com os sites de jogos online. Ainda há um grande acesso a esses portais, mas é menor do que cinco anos atrás quando eles eram a única opção.” Segundo dados de 2015 do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade (CETIC), 79% das crianças e adolescentes entre 9 e 17 anos são usuários da Internet no Brasil; isso significa que há 23,4 milhões adeptos a rede com essa faixa etária no país.
Os jogos online Sites de jogos online, que surgiram antes dos aplicativos para smartphones, têm sofrido algumas modificações também. Mariana Caltabiano, produtora de conteúdo infantil desde 1997 e responsável pelo portal do Iguinho (Site de entretenimento infantil do IG) desde 2000, nota diferenças entre o público infanto-juvenil de quando o projeto foi iniciado, para o de agora: “A chegada das redes sociais, Youtube e
“Eu não brinco com eles com nada eletrônico” Ainda segundo o CETIC, 19% do público feminino, aliado a 58% do masculino dessa idade utilizou a web para jogar online. Para baixar aplicativos, porém, existe uma participação de 70% pela parte das garotas e de 80% para os garotos.
Os pais As famílias têm notado modificações no comportamento de seus filhos ao longo dos anos. Os instantes livres do dia de uma criança não são mais como eram 10 anos atrás, cabendo a cada responsável determinar e orientar o que é melhor para cada uma. Para Ivna Lages Soares Almeida, 47, dona de casa, o acesso a tecnologia deve ser restrito. Com quatro filhos Artur, 7, Vítor, 9, Bruno, 17, e Lucca, 19, ela conta que há uma regra em sua casa: “os meus dois filhos pequenos só tem acesso a brinquedos eletrônicos nas férias ou finais de semana e feriados. Durante a semana não permito o acesso a jogos eletrônicos, videogames, essas coisas. Algumas vezes durante a semana eles usam o tablet para pesquisar alguma coisa ou acessar algum site, mas somente isso.” Ela estabelece isso pois, ela acredita que o uso de novas tecnologias pode gerar vício. “Eu não brinco com eles com nada eletrônicos. Se não a criança fica muito dependente (...) No videogame dá para dançar, praticar esportes, mas não é a mesma coisa.”
Making of O questionamento inicial, que deu origem a pauta, surgiu a partir de uma matéria de 2013 do portal São Paulo In Foco (site responsável por publicar conteúdo relativo a história da capital paulistana) sobre a origem da fabricante de jogos de tabuleiro Grow. O texto despertou nossa curiosidade sobre como as empresas de jogos manuais estariam lidando com o recente crescimento tecnológico, principalmente com relação ao uso de aparelhos móveis como smartphones e tablets. A partir disso, escolhemos as fontes que entrevistaríamos: um responsável de marketing de uma empresa de jogos manuais,alguémrelacionado à criação de aplicativos e um pai ou mãe. De início, encontramos problemas na procura por fontes com relação aos aplicativos, pois os jogos mais populares entre crianças e adolescenteseramdecompanhias estrangeiras e de difícil contato. Ao conseguir as entrevistas suficientes para informar o necessário, acreditávamos receber relatos negativos sobre como as empresas e os responsáveis pela eduação das crianças teriam sido prejudicados pela aparecimento de alternativas mais individuais de diversão, mas as informações mostraram totalmente o oposto. As famílias tem buscado cada vez mais alternativas de brincadeiras que exijam interação, para contrapor o uso de aparatos tecnológicos, mesmo quando o uso é restringido. Além disso, os dados obtidos mostram que a pequena queda no número de venda de jogos manuais pode ter sido decorrência de muitos outros fatores e não apenas pelo uso de novas tecnologias. 3
Comportamento Vamos de carona a pé?
Projeto ensina sustentabilidade e educação de trânsito para crianças Ao andar todos os dias para a escola, Carolina Padilha, professora de um colégio na região centro de São Paulo, percebeu que havia algo de curioso: “Eu via uma criança indo sozinha, outra com a babá, outra com os pais levando de carro, outras de van... vamos para o mesmo lugar e moramos no mesmo bairro, por que não vai todo mundo junto?”, explica Carol como nasceram as primeiras ideias. “Vivemos em um coletivo, precisamos olhar em volta com um olhar crítico e por que não incluir essas crianças nesse olhar?”, completa.
“Estavam indo para a escola de que jeito?” Como professora, Carolina acredita que a educação não se dá apenas dentro da sala de aula, e sim, em todos os ambientes, por isso, o projeto beneficiaria a todos e principalmente ensinaria algo muito valioso para os pequenos. Ir com essas crianças até a escola, além de garantir companhia, é uma ótima estratégia de aprendizado pois é um momento em que todos estão atentos ao trânsito, aos carros, aos outros pedestres e ao mesmo tempo, se divertindo com seus amigos e colegas de sala. Após todas essas ideias que começaram a surgir à professora, ela mapeou todos os endereços dos alunos. Para sua surpresa, só no caminho que ela realiza todos os dias, haviam dezessete estudantes. “Estavam indo para a escola de que jeito? De carro mesmo morando tão perto? Fizemos uma rota piloto, onde sete crianças começaram de início na rota (as outras 12 não) 4
e depois essa rota foi ganhando fôlego e conta agora com as 17 somente nessa rota.” O projeto, que em julho completará dois anos, cresce cada vez mais, e atualmente conta com 80 crianças e 20 pais que se voluntariam e organizam-se para levar todos os estudantes ao colégio. Há diversas rotas, cada uma sai de pontos e ruas diferentes do bairro Higienópolis, portanto, cada rota se organiza de uma forma diferente em relação à horários. Renata, mãe colaboradora do projeto, diz que desde o início quis participar e sempre confiou muito no projeto e nos outros pais que se revezariam para levar a sua filha de 9 anos à escola. “Minha filha adora. Íamos nos mudar e a primeira reação dela foi de choro por que se nos mudássemos, não teria mais como participar do Carona”, conta Renata. As crianças preferem até mesmo irem andando ao invés de carro. Segundo Carol, praticamente não existem casos de atraso: “As crianças entendem que elas têm um compromisso com a escola e com seus colegas de sala que
“Eles adoram e para eles é uma aventura” estarão lá em baixo na porta ia do prédio o esperando e que se ela atrasar, irá prejudicar todo um grupo”. Em São Paulo, as ideias de sustentabilidade ganham força. Há o projeto Vá de Bike, por exemplo, e vivendo em épocas onde a poluição aumenta cada dia mais, é essencial que cada um ajude fazendo a sua parte, por mais simples que seja. O Carona presa muito isso, o ato de ir à escola a pé parece uma ação obtusa, porém, faz muita diferença ao olhar para o fu-
Making Of
Alunos que participam do projeto já perto da escola
“Pedestre não brota no ponto de ônibus”
turo, pois além de diminuir um trânsito desnecessário de carros, ensina os pequenos como é importante caminhar para lugares próximos, respeitar seu meio, os outros pedestres. “A gente quer com isso, também, mostrar que o pedestre não “brota” no ponto de ônibus, na estação de metrô, e sim, ele anda até lá e para isso, ele precisa de uma calçada descente, uma margem de segurança até o local desejado”. O projeto está crescendo de tal forma que conquista recursos não apenas para eles, mas sim, para toda a comunidade, como por exemplo, uma faixa de pedestres que precisa ser pintada, um semáforo que precisa ser colocado em uma rua movimentada: “Somos apenas uma parte do bairro que está olhando para tudo, mas com enfoque na infância e nos jovens cidadãos”.
Larissa Martin
Larissa Martin
O Carona a Pé é totalmente gratuito, com isso os pais não gastam para levar os filhos ao colégio. Os interessados entram em contato com a Carol e sua equipe para que possam ser encaixados em alguma rota e possam se revezar com os demais pais organizando o trajeto. O único custo é o kit para fazer parte, que contém a faixa para ser usada nas crianças (fica mais fácil de sinalizá-las) junto dos calendários de horários etc. O preço do kit sofre reajustes a cada ano. Nos dias de chuva também acontece o Carona e mesmo com a atenção na rua redobrada, as crianças se divertem. “Muitos pais se sentem inseguros quando chove, devido a isso, se eles não quiserem levar em tais situações, sem problemas, nós sempre damos um jeitinho”, explica Carolina. Já para os pequenos, é muito divertido ir para a escola nos dias chuvosos. “Eles adoram e para eles é uma aventura, falam que são as melhores idas à escola com os amigos”, diz a professora.
A ideia da pauta surgiu em um dia que eu estava indo para a faculdade, quando avistei um grupo de crianças de colete amarelo neon em que dizia “Carona a Pé” acompanhadas de dois adultos andando na rua de maneiraextremamenteorganizada. Isso chamou minha atenção, pois eu nunca havia visto algo do tipo. Dias depois, após ver o grupo novamente, pesquisei a respeito e descobri que aquilo era um projeto, onde, colaboradores se organizavam entre si para levar seus pequenos à escola de forma sustentável e saudável. Entrei em contato no e-mail voltado à imprensa na página do projeto e obtive resposta muito rapidamente. Agendei a entrevista com a própria criadora do projeto, Carolina Padilha, professora, a qual foi extremamente atenciosa e simpática comigo. Acompanhei uma das rotas e vi de perto como funciona, como é organizado e o quanto as crianças gostam de ir à escola junto ao Carona a Pé. As fotos tiradas para a matéria tiveram um resultado muito bom, pois o dia estava ensolarado e como trata-se de crianças, tudo estava muito colorido e alegre. Escrever essa reportagem foi divertida e leve. Com todo o material em mãos, precisei digitar toda a entrevista da professora Carol e com a mãe colaboradora do projeto Renata para conseguir finalizar. As fotos foram pouco editadas, pois a luz do dia ajudou muito, mesmo tendo sido tiradas pelo celular. O gancho é mostrar o quão interessante e divertido se tornou esse projeto que agora em 2017, fará dois anos. O Carona acontece todos os dias úteis no Bairro Higienópolis e pretende se estender à outros bairros de São Paulo. DIRETRIZ
Comportamento A tendência dos superalimentos
Alimentos saudáveis caem no gosto do brasileiro e demonstra moda cíclica
Já experimentou a maca peruana? E o óleo de coco? Dizem que a batata doce é a melhor aliada para a turma dos “marombas”. A chia então é a procurada do momento, famosa principalmente pelas dietas de emergência, queprometemperderpesono menor tempo possível. Diferentes, naturais, milagrosos e frequentemente caros, estes superalimentos ganham e perdemfamaperiodicamente. No ranking dos alimentos da moda, qual afinal, deve ser o campeão?
“Eu costumo tomar café com óleo de coco” Laís Silveira, de 19 anos, é estudante de farmácia da UEL e há pouco tempo transformou seu estilo de vida: começou a frequentar assiduamente a academia e reeducou-se no quesito alimentar. A jovem nativa de São Roque já lista os alimentos que não podem faltar em sua prateleira: A chia e o óleo de coco. “Eu costumo a tomar o café com óleo de coco. O óleo é termogênico, então ele acelera o metabolismo e melhora minha disposição no treino”, ela conta. Aparentemente conhecedora sobre o assunto, Laís assume que ainda é leiga quando o assunto é alimentação saudável e que muito de seu conhecimento vem da internet. Laís nunca sentiu necessidade de ir a um especialista da área. Consultados sobre o assunto, a nutricionista dra. Daniela Mezzalira e o endocrinologista dr. Eduardo Lorena afirmaram que a chia é famosa e com razão: riquíssima em fibras, ferro e com boa quantidade de proteína, a semente DIRETRIZ
Carolina Torelli
Emily Nery Carolina Torelli
O preço do óleo de coco de 200 ml varia de 14 até 30 reais. ainda carrega uma grande fonte de ômega 3, ácido graxo egordurasessenciaisaonosso corpo. Entretanto, os médicos evidenciaram a importância da diversidade alimentar e não focar em um alimento apenas. “O ideal seria que as pessoas se alimentassem de forma adequada e balanceada ao longo da vida. O que acontece, é que na rotina corrida em que levamos, acabamos optandopelosalimentosmais práticos, que na maioria das vezes não é o mais saudável e este hábito faz com que as pessoas se sintam mais confortáveis em consumir estes alimentosdamodacomouma forma de amenizar sua alimentação ruim”, explica doutor Eduardo. A febre nos mercados “Eles viram febre, acabam com os estoques” rebate Erica da Rosa, 21 anos, funcionária da loja Mundo Verde do shopping Eldorado, quando questionada a respeito dos alimentos saudáveis que entram e saem de moda e que afetam diretamente suas vendas. Segundo a jovem, a goji berry liderava o ranking dos mais vendidos até alguns me-
ses atrás, mas foi desbancada pelo óleo de coco, líder de vendas hoje. Nessa lista também entram a chia, alfarroba (planta que imita o chocolate) e o hibisco. A vendedora afirma também que a maior parte dos clientes não possui conhecimento sobre os produtos e algumas vezes reclamam sobre os efeitos. Erica acredita que as pessoas creem massivamente no que leem na internet, “é essencial ter em mente que os produtos funcionam quando combinados de uma alimentação balanceada e uma rotina de exercícios”, comenta Erica.
“Eles viram febre, acabam os estoques” Em uma procura por sites e revistas de comportamento é grande a quantidade de alimentos que ficam em alta e pouco tempo depois perdem seu favoritismo. Já aconteceu com a ração humana, com o chá de hibisco, com a tapioca, com a batata doce, por exemplo. Segundo a nutricionista, o que impulsiona tal rapidez do mercado são pesquisas
sobre nutrição sendo divulgadasmassivamente,jogando assim no mercado um novo alimento ainda melhor que o anterior. Uma opinião diferente Entretanto, Daniela ainda adverte sobre os perigos de confiar 100% nestas pesquisas “Muitas vezes um estudo descobre que um determinado alimento pode fazer bem para os rins, por exemplo e , ao analisar o mesmo alimento mais afundo, ele pode fazer mal à pele”. A grande dica dada pelo dr Eduardo afinal é comer de tudo um pouco, equilibradamente e sem modismos. “E caso decida ser restritivo, sempre bom procurar um especialista da área, este sim vai respeitar e seguir a individualidade de cada um”. Ainda sim, o médico incentiva não ter medo de consumir estes alimentos que são grandes aliados de uma dieta balanceada. O importante, no caso, é frisar que a tendência dos superalimentos, similarmente a tendência da moda é que ambos tem preços elevados e altas premissas mas possuem diferentes reações em cada um de nós.
Making of A matéria nasceu depois da repercussão da resposta da apresentadora de Tv Rita Lobo sobre a fama dos produtos saudáveis e a “medicalização da alimentação” e então resolvemos procurar um pouco mais sobre essa moda cada vez mais crescente de alimentos naturais e 100% “do bem”. Sabendo disso, contatamos um endocrinologista que já havíamos falado e sabíamos que seus grupos de nutricionistas trabalhavam com metabolismo e nutrição funcional. Por telefone, Dr Eduardo e Dra Daniela nos explicaram tudo com bastante cautela e calma. Outro pilar de nossa matéria era achar uma loja famosa de produtos naturais e alguém que compra assiduamente estes produtos. Ligamos para três lojas de produtos naturais em busca de respostas, duas não podiam informar, uma desligou o telefone. Por fim fomos a uma loja no shopping Eldorado onde a gerente Erica da Rosa, apesar de toda corria, conseguiu nos responder as questões. Na loja do shopping eldorado, infelizmente, ninguém quis aparecer. Ainda nos faltava uma personagem. Carolina então, que é de São Roque, voltou para sua cidade no fim de semana e em um passeio informal pelo centro, resolveu parar na loja de produtos naturais, coincidentemente a mundo verde para tirar algumas fotos. Foi aí que encontrou Laís Silveira, nossa personagem. Extrovertida e cheia de histórias para contar, ela estampou a matéria que pretendeu passar a ideia de viver a vida do jeito mais leve e sem modismos possível. 5
Comportamento
Profissão: mãe
A maternidade traz dificuldades profissionais e faz com que mães se reinventem
Tempos atrás, a função da mulher na sociedade era casar e doar seu tempo a dedicar-se ao marido, a casa e à criação dos filhos. Atualmente a realidade é diferente, mulheres através dos anos conquistaram direitos, e espaço no meio social, e conseguem encaixar muitas rotinas em um só perfil. Porém, ainda hoje, enfrentam dificuldades que, no contexto atual, já deviam ter sido extintas há tempos, a desigualdade salarial e a diferença de empregabilidade entre homens e mulheres se tornam ainda maior, quando as mulheres em questão são mães e chefes de família. Divorciada, Marina Maia é mãe do Caio de 8 anos, e conta sobre a dificuldade de alcançar um lugar no mercado de trabalho relatando que viveu situações desagradáveis durante uma entrevista de emprego” a dona da empresa perguntou com quem eu deixaria meu filho para trabalhar, foi notório que ela não queria uma pessoa com uma responsabilidade além do trabalho, para que se dedicasse a empresa dela. No fim, ela optou por uma solteira sem filhos“ Aos 31 anos, a psicopedagoga e assessora artística de Maceió (AL), diz ter encontrado a solução ao se tornar empreendedora, e poder assim, ter horários flexíveis para dedicar-se ao único filho: “Assim que me separei do pai do Caio, as dificuldades de conseguir emprego aumentaram, as empresas acham que a mulher não é capaz de dar conta de uma casa, filhos e trabalho. Tive que correr atrás e começar do zero, trabalhando para mim, assim posso fazer meus horários e ter mais disponibilidade para o meu filho.” 6
Hoje, Marina adapta sua rotina com os horários do filho, e mesmo focada no trabalho não se descuida da função de ser mãe, “Apesar da correria estou sempre alerta em relação ao Caio, com quem está, se comeu, se foi para escola. O empreendedorismo acaba sendo a solução para muitas mulheres que precisam ter renda e flexibilidade de horário.”
aquivo pessoal
Isabella Morais
Mães e a lei A advogada especialista em Direito Digital, Gisele Truzzi, comenta sobre as situações diversas que a maternidade sujeita as mulheres no mercado de trabalho “Dependendo da situação, o caso pode ser configurado como assédio moral, que é caracterizado por atitudes que, reiteradamente acabam humilhando, constrangendo ou denegrindo o empregado, e acabam por tornar insustentável a relação laboral, gerando inclusive problemas psicológicos, físicos e emocionais”.
“A dona da empresa perguntou com quem eu deixaria meu filho para trabalhar” Proprietária da Truzzi Advogados, formada em Direito pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, também diz que é comum mulheres omitirem a maternidade em uma entrevista de emprego, ou então adiarem noticiar a gestação, com receio de perderem uma oportunidade, “Se numa seleção profissional, a candidata grávida se sentir preterida por conta de sua condição,
Marina Maia e seu filho Caio, de 8 anos.
pode comunicar o fato ao RH da empresa ou ao SESMT (Serviço Especializado de Segurança e Medicina do Trabalho) para buscar apoio. O Sindicato Profissional também pode oferecer orientação jurídica para denunciar a situação”. Convívio materno Contudo, nadando contra a maré, a fisioterapeuta Paula de 33 anos, mãe de três meninos, Giovanni (10), Pietro (9) e Filippo (5), abdicou da vida profissional com o nascimento do segundo filho, numa decisão conjunta com o marido acordaram priorizar o convívio materno com as crianças “Acredito que se todas as mães tivessem a oportunidade de poder abdicar uns anos de sua vida profissional dedicando-os inteiramente aos filhos, seria ideal para ambas as partes, contudo, atualmente muitas mães criam seus filhos sozinhas, dependem de uma renda, realmente é muito difícil, por isso, nesse quesito fui privilegiada”.
“atualmente muitas mães criam seus filhos sozinhas, nesse quesito fui privilegiada” de de conciliar a vida materna com a profissional, crê que com organização e responsabilidade é possível administrar os dois não vendo a maternidade como um obstáculo na vida profissional, e já planeja um retorno para o mercado de trabalho: “Se eu seguisse trabalhando, tenho convicção de que não daria a mesma atenção e não participaria tão integralmente da vida dos meus filhos. Constitui família ainda nova, e minha meta sempre foi voltar a trabalhar. Hoje, os meninos estão mais crescidos e aos poucos estou retomando a minha profissão, feliz e realizada como mãe”, completa a fisioterapeuta.
Making Of Para a produção dessa matéria, busquei inspiração através do cenário feminino, e suas diversas dificuldades na vida cotidiana. De início, a ideia era buscar personagens que sofreram algum tipo de abuso ou opressão, porém, pesquisando sobre o assunto, abordar sobre as mães me chamou a atenção, e mais ainda, ao em casa descobrir que minha mãe solteira também passou por casos parecidos, ao omitir a maternidade visando uma oportunidade de emprego. Procurei então encontrar diversos lados do caso, conseguindo personagens em diferentes situações, optei por focar em apenas duas, uma mãe solteira e outra casada, tentando mostrar os dois lados opostos da situação. Ainda abordando o tema mães no mercado de trabalho, procurei informações com um especialista, conseguindo contato através de e-mail com uma advogada especialista em meio digital e assuntos femininos. O mais difícil foi conciliar a agenda das mães com as datas das entrevistas, visto que uma é de Maceió (AL), e a outra mãe de três meninos. A primeira entrevista, foi feita através de mensagens e a outra por e-mail. Consegui contato com elas através de amigos em comum, e fiquei muito satisfeita ao saber do interesse de ambas por aceitarem serem personagens de uma matéria com um tema que muitas vezes incomoda abordar sobre.
Embora admita a dificuldaDIRETRIZ
Comportamento Coaching: uma missão
Conheça a profissão que está em alta no mercado e suas vertentes Manuela Martins
Flávia Fasanella Manuela Martins
Com a crise econômica brasileira, existe uma profissão que vem crescendo muito ao longo dos anos no mercado: o coaching. O coaching é o processo de compreensão do funcionamento da própria cabeça e de suas ações, o qual ensina a lidar com impedimentos que tentam barrar seu objetivo. Ele pode ser usado em diversas áreas da vida, os mais procurados são o empresarial e agora o esportivo. Coach empresarial “O coach supervisiona suas ações, te guiando e te cobrando, identificando se seu objetivo é tangível. Ele é um facilitador para que você possa realizar suas metas” afirma a coach Renata Da Silva Martins (43), que atua nesta área há três anos. Sua demanda é de executivos, ela conta que eles classificam seu método como essencial paraaumentaraperformance dentro da empresa para mostrar resultados. Renata conta que as metas de curto prazo vão de um a dois anos, a de médio prazo vão de dois a cinco anos e as de longo prazo vão de cinco a dez anos. O método conta com exercícios simples que verificamimpedimentospara a realização do que se deseja, do que se é necessário para obter este, conta com o ensaio mental para ter certeza do que se almeja e feedbacks após cada sessão. “O coaching ainda não é legalizado pela legislação do trabalho, mas nunca encontrei nenhum impedimento para exercer a profissão” argumenta Renata. Não é preciso fazer faculdade para esta profissão, e sim um curso de 80 horas de duração o priDIRETRIZ
Fabiana Santos, campeã paulista e brasileira de judô, agora coach esportiva. meiro módulo, que possibilita atender profissionais, pessoas diversas e depois passa para um público selecionado, direcionado para o executivo coaching, o trainer que só trabalha com equipe e assim por diante.
“Definimos o desafio, vou lá e me empenho” Jéssica Fonseca (26), diretora estratégica da Formaliza, é cliente de Renata Martins há pouco mais de um ano e relata a importância do coaching para si: “mudou principalmente meu estado de consciência, pois afeta todas as áreas da minha vida. Este processo me ajudou muito no meu autoconhecimento e no meu comportamento. Vejo mudanças em todas as sessões, conforme as dosagens, definimos o desafio e eu vou lá e me empenho para concretizar” revela a coachee. Ela finaliza dizendo que percebeu que precisava deste profissional em sua vida ao deparar a praticidade deste processo, em que é estabelecido um prazo para as coisas acontecerem.
Coach esportivo: Fabiana Santos de Oliveira de 28 anos, é técnica de judô da categoria de base no Esporte Clube Pinheiros há três anos, recentemente virou coach esportiva e relata sua experiência com a nova profissão: “foi um encontro da minha essência com o meu profissional, me dando plenitude de vida ao poder realizar metas e despertar pessoas, o coach me trouxe a coragem de ser quem eu sou”. Ela atende atletas de até 18 anos, e revela que o coaching é muito direcionado à eles, portanto, é essencial. Diz que em uma estimativa de cinco anos, o atleta que não tiver um coach esportivo estará um passo atrás, pois é muito notável a mudança profissional. “O técnico é um especialista na modalidade na qual ele aplica, já o coach esportivo faz um trabalho individual impulsionando as potencialidades de um atleta, equilibrando o lado racional e emocional, e isso é muito assertivo, pois afeta os 11 pilares da vida. Isso é perfeito para um atleta, porque o maior problema deles é se enxergar sem o equipamen-
to de trabalho, e nas sessões eles lembram que são indivíduos, antes de tudo” diz ela. Ela revela que o coach trabalha para tornar os seres auto responsáveis pelos seus sonhos, onde tudo o que está fora de abundância é disfuncional e deve ser tratado. “Percebi que para tratar, eu devia ser tratada, então fiz o projeto e fui patrocinada pela Febracis, hoje estou indo em busca de uma parceria com a Nell Salgado, coach esportiva referência no Brasil”. Fabiana explica que também trabalha a matriz de geração de crenças em seus clientes, onde é tudo que foi recebido sobre forte impacto e ao longo de uma vida, que
“O coaching é missão, não é profissão”
muitas vezes levam a pessoa a ter um trauma, normalizar problemas sérios e diminuir-se interiormente. “Acho que o Brasil vai ser muito melhor com o coaching, vejo como mudança de mundo, e acho que o coaching é missão, não é profissão” finaliza Fabiana.
Making of Acreditamos que talvez a escolha da pauta seja a decisão mais difícil de tomar para começar uma matéria, porém, como parte da vida de um jornalista, as pautas caem, e a nossa idéia inicial foi por água abaixo. Isso nunca havia acontecido antes, mas no calor do momento soubemos sair bem. De uma pauta sobre a influência da tecnologia no sedentarismo, a qual nenhum especialista quis nos ceder entrevista e não achamos fontes, partimos para a pauta atual, que é o coaching. Vimos uma matéria no Portal R7 sobre o coach ajudar a separar os problemas pessoais da vida profissional e pensamos que seria um assunto curioso, portanto, no mesmo dia começamos a correr atrás de profissionais e pessoas que tiveram alguma experiência. Um amigo me indicou o contato da Fabiana, não consegui entrevistar seus atletas devido o acesso ao clube, o contato da Renata eu já tinha, consegui agendar entrevista no dia que ela tinha uma cliente Diversos fatores dificultaram a conclusão da matéria, foi difícil achar fontes e conseguir horários com clientes dos coaches, entrevistas foram remarcadas diversas vezes, o prazo do deadline não coincidiu com nossos prazos de entrevistas e tivemos problemas técnicos com o computador, em que foi perdida a matéria semipronta. A intuição da matéria é mostrar o papel do coach em impulsionar realizações pessoais e profissionais, rendimento de empresas, e sendo ele um processo de autoconhecimento e busca da essência. 7
Sociedade
Relatos transformados em contos de fada ONG proporciona voluntariado de leitura, envolvendo idosos e crianças
Já pensou na possibilidade de histórias contadas por idosos se transformarem em contos de fada para criancas? Esse é o objetivo do projeto “Ouvir e Contar”. Ele consiste exatamente em levar histórias reais ou fictícias relatadas por idosos para crianças em graves situações de saúde. Depois de ouvir “os contos de fada”, as crianças fazem músicas, poemas ou desenhos sobre as histórias, os quais são devolvidos para os contadores. Criada em 1999, a proposta faz parte da ONG “Projeto Velho Amigo”, que visa a melhora da qualidade de vida de idosos, a partir de atividades que contam com o desenvolvimento social, cultural, educacional e esportivo. A instituição, que não possui fins lucrativos, busca com isso resgatar a autoestima e dignidade dos participantes, assegurando seus direitos e valorizando sua participação na sociedade. Hoje, com mais de 1.300 idosos, a ONG proporciona diversos eventos para alcançar tais objetivos. Regina Mores, 44 anos, criadora da Velho Amigo, trabalha como produtora de eventos e disse que a ideia surgiu após conhecer outra instituição de idosos, quando estava organizando um evento beneficente para esse público. De acordo com ela, a ONG sempre teve apoio da mídia e do público, ja que hoje em dia não existem muitos projetos parecidos. Segundo a geriatra Cybelle Maria Diniz Azeredo Costa, 45 anos, a ação do voluntariado traz benefícios para todos os envolvidos. “Para os idosos traz benefícios tanto para a saúde mental quanto física, e o contato deles com 8
as crianças é importante para que elas aprendam a cuidar delas e dos outros”, diz a médica. Para Cybele, esse tipo de ação faz os idosos reconhecerem sua importância, já que muitas vezes eles ficam sozinhos ao pararem de trabalhar, o que pode trazer riscos à saúde. Além disso, a ação pode proporcionar para as crianças experiências de vida além do que se lê em livros, fazendo com que tenham uma visão mais completa sobre os outros: “o bullying acontece pela falta de capacidade de enxergar os outros, e os idosos vão trazer informações além dos livros para essas crianças, ampliando seus horizontes”, Voluntários A voluntária Samanta Ventura, 30 anos, descobriu o projeto a partir de um convite no facebook. “Fazia alguns anos que eu procurava por uma atividade voluntária que combinasse comigo e com a minha rotina”, conta. Para participar, a voluntária diz ser necessário fazer um pequeno curso de 2 meses, ministrado pelo Instituto História Viva, sendo dividido em uma etapa teórica e outra prática, ambas monitoradas por voluntários veteranos. Para Samanta, o único ponto negativo foi a presença de muitas pessoas interessadas somente no curso, e não na ação voluntariada
“Os idosos
trazem informações além dos livros para as crianças”
Nathalia Bellintani
Beatriz Russo Nathalia Bellintani
Projeto aumenta a autoestima dos idosos e amplia os horizontes das crianças
Ela explica que lidar com os idosos, no começo, foi difícil, pois sua intenção era somente participar da parte do encantamento da história do idoso, e da parte de contar para as crianças. Porém, durante seu treinamento, acabou vivenciando a realidade dos idosos, o que no final acabou sendo enriquecedor. “Nós aprendemos a tomar cuidado para não deixá-los conduzir a narração para lembranças negativas, ja que o propósito é descontração e alegria”. Cachecol amarelo Em suas experiências, Samanta destaca sua primeira visita à sede do projeto, onde conheceu a Dona Felicidade, uma senhora cadeirante portadora de Alzheimer: “mesmo com toda dificuldade em estabelecer um diálogo, ela demonstrou a importância de um cachecol amarelo feito pela irmã”. A partir dessa conversa, ela resolveu criar a história encantada baseada no cachecol. “Quando retornamos ao lar, ela não se lembrou de mim, porém, ao encenar a história destacando o cachecol, vimos através dos olhos dela que as lembranças ficaram vivas”. O voluntário Raul Olivei-
“Aprendemos a não deixá-los conduzir a narração para lembranças negativas” ra, 38 anos, também participa na parte de organização dos eventos do projeto. De acordo com ele, existem muita curiosidade, vontade e bondade por parte do voluntariado, mas com pouca ação e comprometimento. Ao mesmo tempo em que muitos procuram, muitos desistem. Em suas experiências nos eventos, diz não ter preferência em trabalhar com idosos ou crianças, apesar de reforçar que trabalhar com os pequenos é muito mais difícil: “sempre volto morto e sem voz, porque trabalhamos com o lúdico, e não são todas as crianças que querem ouvir as histórias, quando chegamos. Já tive que ensinar a dar nó em gravata e a jogar aviãozinho de papel, em vez de contar histórias”, afirma.
Making of A ideia da pauta surgiu quando vimos uma notícia sobre uma cachorra que ganhou um crachá de voluntária em hospitais infantis. A partir disso, resolvemos procurar ideias relacionadas a ações de voluntariado. Em nossas pesquisas, achamos o “Projeto Velho Amigo” e nos interessamos por ser um voluntariado voltado à leitura, envolvendo tanto idosos quanto crianças. O processo para realizar a matéria foi complicado. Tivemos muita dificuldade em contatar as fontes que queríamos. Fomos barradas de entrar na sede do projeto, na zona sul de São Paulo, com o argumento de que a ONG era pequena e não dispunha de funcionários para nos atender. Apesar da nossa insistência, não conseguimos entrar, o que nos forçou a produzir uma foto ilustrativa. Depois, tentamos entrar em contato com os voluntários do projeto por vários meios. Como a ONG não tinha o contato de nenhum deles, ligamos para a sede de voluntários, na Avenida Paulista, mas não nos atenderam, e assim mandamos mensagem via Facebook para mais de dez voluntários. Somente os dois presentes na matéria nos responderam depois de dias. Além disso, a entrevista com a criadora do projeto foi difícil de ser realizada. Só conseguimos fazê-la por meio de rede social. Somente a entrevista com a geriatra foi fácil e proveitosa. Assim, nossa primeira ideia de focar a matéria nas pessoas que vivem na sede do projeto e em suas experiências com a ONG, acabou mudando. Tivemos que focar nas experiências dos voluntários e nos benefícios do voluntariado. DIRETRIZ
Sociedade Estagiários habilitados, chefes contentes
Boa qualificação, desempenho e atitude tornam estudantes mais aptos a conquistar vaga de estágio Making of
Estudantes universitários, no decorrer do curso, precisam conquistar uma vaga no mercado de trabalho para ampliar o olhar técnico e iniciar sua experiência no cotidiano da profissão. No entanto, para muitos, o processo seletivo para ser estagiário pode ser difícil e demorado. Isso pode ocorrer por diversos fatores, como a falta de preparo ou comportamento incoerente. Segundo Sidnei Oliveira, colunista na EXAME, há três pilares que são valorizados pelas empresas em entrevistas de emprego, sendo: 1) Qualificação: obter cursos extracurriculares auxilia no conhecimento e qualifica o candidato para conquistar a vaga; 2) Desempenho: baseia-se em tudo o que o estudante realiza além das suas obrigações disciplinares, como: estágios e trabalhos antecedentes, empresa júnior, AIESEC. 3) Atitude: o entrevistador analisará a proatividade, dinamismo, autonomia, persistência e característicasquedemonstrem como a pessoa se comportará no ambiente de trabalho.
“Sair da zona de conforto é fundamental” Os universitários devem entender que sair da zona de conforto e colocar em prática o que se aprende é fundamental para ter sucesso na carreira. Sidnei Oliveira defende que “os jovens costumam gastar tempo com situações banais, como as redes sociais, e esquecem de empenhar-se para adquirir qualificações e diferencias que irão agregar valor no momento de conquistar vaga no mercado DIRETRIZ
Foto: Louise Diório
Louise Diório
Posto de atendimento do CIEE na Universidade Presbiteriana Mackenzie de trabalho”. Oferecer-se como voluntário em ONG’s e filantropias é uma ótima opção para praticar a área de atuação e adquirir desempenho. O escritor completa que “a coisa mais libertadora é conseguir trabalhar com alguma coisa quevocênãodependadaquele dinheiro”, incentivando os jovens que trabalhar e estudar, de maneira simultânea, é o ideal. Ele também destacou alguns comportamentos negativos no momento da entrevista como, por exemplo: reclamação, isenção de culpa e falsa humildade. Exigência do mercado Raíra Simões, 20, já realizou estágio na prefeitura de Vitória da Conquista – BA, cidade em que morava anteriormente, enquanto era estudante de Técnico em Informática. Atualmente, mora na zona sul de São Paulo e cursa o primeiro ano de Engenharia da Computação na universidade FIAP. A estudante está à procura de estágio e diz sofrer com a alta exigência do mercado e machismo dentro de sua área. “Eles acham que nós
[mulheres] não sabemos lidar com a área... [os contratantes] pedem experiência com gestão,redes,hardware/software e, no caso, não aceitam que essa experiência venha só da faculdade”.
“Eles gostaram muito do que escrevi” Beatriz Cancino, 19, mostrou-se bem preparada para trabalhar. A jovem não encontrou dificuldade ao adquirir vaga de estágio na empresa Fórmula Ideal, localizada em Santo André. Cursando o quinto semestre de publicidade e propaganda na Anhembi Morumbi, relatou que acredita que seu diferencial foi a boa escrita, “tive que escrever um texto durante a entrevista, acho que isso me diferenciou. A vaga era para redatora e eles gostarammuitodoqueescrevi”. Para motivar os colegas, ela aconselhou manter calma e não desanimar na procura de uma vaga, ressaltando que sempre haverá espaço para cada perfil de universitário.
Crise não é problema A crise econômica do país é apontada por muitos candidatos a estágio como um empecilho para a contratação, entretanto Sidnei discorda e diz que ocorre o inverso, “a crise realmente diminuiu muitoonúmerodeempregos, mas não de estágios”. Devido à queda na economia das empresas, os contratantes priorizam abrir mais vagas de estágio em relação às vagas efetivas. Isso deve-se pelo fato do estagiário ter menos custos e vínculos empregatícios, facilitando o processo burocrático de contratação, desligamento da empresa, pagamento e benefícios. Uma pesquisa realizada, em 2016, pelo centro universitário UniBrasil revelou que muitas vagas de estágio na área administrativa não são preenchidas por má qualificação. Os pesquisadores definiram o estágio como o “elemento de relação entre o mundo acadêmico e o mundo empresarial, integrando definitivamente o processo de formação”, dando ao estudante a oportunidade de praticar a teoria aprendida no ambiente escolar.
Ao ler diversos artigos no site da EXAME me deparei com o escritor Sidnei Oliveira e seu texto sobre “5 grandes deficiências na hora de arrumar um emprego”. O articulista apontou aspectos importantes como: falta de foco, superficialidade e qualificação técnica. Decidi, então, pesquisar mais sobre o ramo empregatício e quais são as dificuldades das pessoas ao procurar uma vaga de emprego. Foi quando encontrei uma pesquisa do centro universitário UniBrasil que engloba tais informações, tanto na visão do contratante quanto do contratado. Decidi dar ênfase aos candidatos a estágios que possuem dificuldades no modo de agir e falar no momento da entrevista e, geralmente, não possuem experiências anteriores. Entrei em contato com o Sidnei e entrevistei-o na manhã da quarta-feira de cinzas em sua Escola de Mentoria localizada Brooklin, bairro de São Paulo, que será inaugurada neste ano. Pude entender quais são as dificuldades dos jovens em processos seletivos de estágio e quais os pontos que podem melhorar. A partir dessas informações, fui em buscas de personagens que pudessem me contar suas histórias e que, de alguma maneira, transmitissem identificação aos leitores. Conversei com diversos universitários de diferentes áreas e níveis, desde quem estava à procura de vaga e aos recém contratados, e compreendi que muitas situações se repetiam em diferentes domínios. Optei por colocar as histórias das estudantes Raíra Simões e Beatriz Cancino, trazendo pluralidade e amplitude à reportagem. 9
Sociedade Diga não ao abuso
Número de mulheres que sofrem violência sexual em ambiente universitário é alarmante Segundo pesquisa realizada em 2015 pelo Data Popular, cerca de 67% das universitárias de todo o Brasil afirmaram já ter sofrido algum tipo de violência de gênero na universidade, 28% foram vítimas de violência sexual, e 27% dos meninos não consideram violência tentar abusar da garota se ela estiver sob efeito de álcool. 73% dos estudantes conhecem casos de alunas que já foram abusadas, o ambiente universitário estimula a estrutura patriarcal ao manter a tradição de que calouros devem obedecer e servir aos veteranos, ao cultivarem a cultura de cantar músicas ofensivas nos jogos universitários, ao ter professores homens em sua maioria, ao não dar voz às garotas, ao não apresentarem nenhuma resolução para tais problemas, mesmo sendo direito dos alunos recorrer à universidade.
“67% das alunas já sofreram abuso”
Coletivos É nesse contexto em que os coletivos feministas universitários ganham força. Diante de tantos relatos e nenhuma atitude tomada, as garotas resolveram se organizar para se apoiarem e conscientizarem as pessoas de que o corpo da mulher não é objeto de uso público. Na Faculdade de Medicina de Itajubá (FMIT) o coletivo existe há dois anos promovendo rodas de conversas para ajudar e orientar as estudantes, produzindo cartilhas de conscientização (sobre a Lei Maria da Penha, por exemplo), e contam também com a assistência de uma psicóloga e uma assis10
Mariana Fadel Camargo
Maria Clara Pereira Mariana Fadel Camargo
Devido à opressão vivida, meninas se reúnem para debater assuntos e soluções feministas tente social fornecidas pela Secretaria de Políticas Públicas Municipal. A aluna de medicina Julia Kalil, 19 anos, faz parte do coletivo da FMIT, e, segundo ela, a falta de atitude da faculdade faz com que até mesmo as meninas que não se consideram feministas acabem recorrendo ao coletivo. Segundo os dados do Data Popular, 88% dos alunos e 95% das alunas compartilham da opinião de que a universidade deveria criar meios de punir os responsáveis por cometer violência contra mulheres na institui-
“Você não quer aquilo e a pessoa fica te forçando” ção. Julia acrescenta que o problema maior se dá por ser difícil mudar uma construção social já existente, mas que aos poucos mudanças são conquistadas. “De uma maneira geral, a gente têm conseguido avançar. A própria existência do coletivo já faz com que as meninas
tenham mais coragem de se posicionar”. Vítima Após uma festa em uma república estudantil de Ouro Preto, Letícia Guisard, 20 anos, aluna de arquitetura na época, relata ter sido abusada por um veterano quando ainda era caloura. “Foi horrível, nunca pensei que alguém ia passar a mão em todas as partes do meu corpo sem eu querer. Essa é a pior situação: você não quer aquilo, você não está confortável com aquilo e a pessoa fica te forçando.” Mesmo após anos, Letícia diz que nunca teve coragem de contar para as amigas que moravam com ela o que aconteceu por não se sentir segura e ter medo do que poderia enfrentar, já que o ambiente na cidade é muito hierarquizado e machista. Que medidas tomar? A orientação é que se adote medidaslegaisindependente do tipo de abuso sofrido, seja ele físico ou psicológico. A advogada Ana Paula Braga, 25 anos, recomenda que a vítima se dirija o quanto antes para uma delegacia de polícia (preferencialmente da mulher) e registre o boletim de ocorrência, pois somente
com este ela poderá ser encaminhada para o Instituto Médico Legal (IML) para realizar os exames de corpo de delito e toxicológico. “São estas as provas que terão mais força na hora de condenar o agressor, e elas tendem a desaparecer muito rápido.” Embora a violência ocorra fora do campus, é de responsabilidade da instituição zelar por seus estudantes, as medidas variam se esta é pública ou particular. Por ser uma forma de abuso tão naturalizada, as mulheres demoram a se dar conta da violência que sofreram, chegando até a aceitarem isso como consequência de seu abuso do álcool e/ou drogas, 42% das mulheres já sentiram medo de sofrer violência no ambiente universitário. Não são raras as vezes em que o agressor é próximo a vítima, podendo ser seu namorado, amigo ou até mesmo professor e usar de sua hierarquia para ameaçar a vítima caso esta queira puni-lo. “A rigor, uma passada de mão não consentida, um beijo forçado ou qualquer outro ato que envolva intimidade e teor sexual é considerado estupro”, segundo Ana Paula, e deve ser denunciado.
Making of A ideia de escrever sobre abuso sexual em ambiente universitário veio quando a grande mídia divulgou o caso do estudante de medicina da Universidade de São Paulo (USP), que, mesmo sendo acusado de estupro vai, se formar. Entendemos a cultura machista como algo enraizado na sociedade e que deveserquestionadoemudado. A pauta cabe ao momento contemporâneoquevivemos, pois o feminismo e a luta das mulheres nunca antes foi tão discutido. Apurar esses casos nos fez perceber como o abuso é comum nos ambientes universitários e mais próximo a nós do que imaginamos, porém, as denúncias ainda são muito silenciadas. Acreditamos que a divulgação dessas informações, tanto os relatos de abuso quanto as informações técnicas dadas pela advogada Ana Paula Braga, incentivem as vítimas a denunciarem o acontecido, para que assim, as punições sejam aplicadas e a justiça seja feita. Sabemos que a situação de quem vivenciou um abuso é delicada e triste, e por isso agradecemos todas nossas fontes por se sentirem confiantes o suficiente para expor essas experiências traumáticas, afim de alertar outras meninas que também vivem nesse ambiente e podem, infelizmente, passar por isso também. A experiência de escrever sobre esse tema trouxe a nós uma vivência diferente, pudemos visitar uma reunião de coletivo feminista, entrar em contato com diferentes organizações de mulheres para mulheres, assim como diferentes tipos de mulheres, e saber mais sobre nossos direitos e como devemos agir diante de tal situação. DIRETRIZ
Sociedade Precisamos ouvir mais
A inclusão de surdos em uma sociedade que já progrediu, mas não o suficiente, é uma importante demanda no Brasil Um desafio de nossa sociedade é a inclusão das pessoas surdas na educação, que dificulta o relacionamento e aprendizado dos mesmos. A deficiência auditiva, segundo o IBGE e o Ministério da Saúde, abrange 1,1% da população brasileira. Existem vários graus de perda auditiva: perda leve, moderada, severa e profunda e isso se dá porque os sons da fala abrangem consoantes e vogais que possuem diferentes frequências, perceptíveis ou não ao ouvido.
“Outro problema são os filmes brasileiros”
Fernanda de Lima Galvão Pinto, 20 anos, possui perda auditiva bilateral profunda desde que nasceu. Ela começou os estudos em escola normal que praticava a inclusão, e depois passou por escolas para surdos que usam a linguagem de sinais. Fernanda cursou o ensino médio no Colégio Anchieta, que dispunha de intérprete, e hoje estuda psicologia na Universidade Metodista. Fer frequentou fonoaudiólogas desde pequena, e por isso tem facilidade com a leitura labial e também consegue se comunicar com ouvintes. Além disso ela ensina Libras para surdos e ouvintes. Mesmo tendo recebido apoio no aprendizado, ainda enfrenta obstáculos: “Minha dificuldade é nas lojas, pois as pessoas que trabalham não conhecem Libras. Não são todos que tem paciência de se comunicar comigo. Outro problema são os filmes brasileiros, que não têm legenda. ” DIRETRIZ
Fabiana Abate Guglielmi
Fabiana Abate Guglielmi Olivia Fernandes Moderno
Fernanda Galvão falando “amor” na Linguagem Brasileira dos Sinais Gustavo Maluhy, 16 anos, frequentou apenas uma escola voltada para surdos das quatro que estudou. O jovem, que aprendeu a linguagem oral, afirma “Sempre fui muito comunicativo e extrovertido e isso facilitou eu ter amigos”. Gustavo crê que mesmosemgrandespolíticas públicas, nada o impeça socialmente. Sua surdez, profunda bilateral, foi causada ainda quando recém-nascido por uso de antibiótico.
“Educar para toda e qualquer diferença” Escolas especializadas Toda escola regular que recebe alunos com deficiência auditiva tem o dever de disponibilizar um intérprete de libras e material de apoio. É o caso do Centro de Educação para Surdos - Rio Branco (CES) que atende em média 100 alunos em suas sedes (Higienópolis e Granja Viana) e atua desde 1977. A diretora do local, Sabine Vergamini, 47 anos, conta que há classes bilíngues com crianças surdas e ouvintes, permi-
tindo que um aprenda com outro. A diretora afirma que o ideal é “educar para toda e qualquer diferença”. Sabine ressalta que os termos “surdo” e “deficiente auditivo” são distintos. O primeiro faz referência a quem nasceu sem ouvir e aprendeu Libras, o outro para quem foi um dia ouvinte e pôde aprender a linguagem oral. Sobre a legislação As leis municipais, estaduais e federais garantem direitos aos indivíduos com deficiência, porém muitos ainda as desconhecem. Apesar de existirem leis, muitas não são cumpridas. “Acredito que as políticas públicas para os surdos existam, mas a sociedade não as conhecem e por isso não respeitam o surdo da maneira correta”, diz Fernanda Galvão. São leis para surdos a Lei N5626 e N10436, que dispõe sobre a língua brasileira dos sinais e Lei N12319, que regulamenta a profissão de intérprete. O acompanhamento de crianças e jovens com psicólogo é parte importante do processo de inserção do indivíduo que possui algum tipo de restrição. A psicóloga
Valéria Jean de Lima Pimazzoni, 48 anos, acredita que as crianças que possuem uma dificuldade enfrentam mais obstáculos do que as outras, e o psicólogo entra para ajudá-las a se adaptar em sociedade, trabalhando esse tema de forma que o paciente não se deixe acuar pelos preconceitos. Os pais de crianças deficientes podem gerar nelas um quadro de depressão, mesmo sem intenção: “Quando os pais têm uma criança com deficiência eles ficam felizes, mas também tristes, pois haviam idealizado um filho perfeito. Se isso não for elaborado e não houver o luto dessa criança idealizada, a tristeza será captada pelo filho”, afirma Valéria. A educação inclusiva parte do princípio de que a escola é direito de todos, porém poucas são as bilíngues que praticam a língua de sinais e oral. A segregação dos surdos deve-se à exclusividade do conhecimento de Libras que não é ensinada em colégios normais. A inclusão não é apenas incluir os surdos, disponibilizando um intérprete, mas sim incluir a sociedade inteira em um assunto que não é conhecido ainda.
Making of Encontramos inspiração na matéria do G1 que relata o caso da família de uma criança autista que abriu processo contra a escola, por essa cobrar mensalidade maior ao aluno, pelo apoio extra. Através de uma amiga conhecemos Fernanda Galvão, garota que mostrou segurança em relação à sua surdez, nos motivando a escrever essa matéria sobre surdos e como eles são inclusos no sistema educacional. Antes de nos encontrarmos estávamos apreensivas pois não conhecíamos a linguagem brasileira de sinais, no entanto nos surpreendemos com sua facilidade de comunicação oral e leitura labial, além de sua simpatia. Entrevistamos também uma psicóloga, Valéria Jean, que nos deu uma visão diferente sobre a criação de crianças com deficiência e como a terapia é importante para todos. O relato de um responsável pela educação voltada aos surdos tornou-se necessário para nos guiar. Conhecemos Sabine, diretora do Centro de Educação para Surdos (CES) do colégio Rio Branco, que nos mostrou que é possível haver educação com excelência para crianças e jovens surdos e deficientes auditivos. Com a matéria supostamente finalizada conhecemos Gustavo, um jovem que perdeu a audição por conta de medicamentos ao nascer prematuro,trazendoumnovo ponto de vista a nossa matéria. Iniciamos esse projeto acreditando em uma situação muito distinta da relatada por tdos os nossos entrevistados. Concluímos que a sociedade, de forma geral, precisa dar maior equidade não só aos surdos, mas a todas as minorias que habitam o país. 11
Sociedade Passos Musicais
O sonho de cantar vem junto com aplausos nas calçadas O maior ponto comercial de São Paulo, a Avenida Paulista, traz música ao vivo em quase todos os seus 2.7 km e os 14 quarteirões. Em 2014, o então prefeito Fernando Haddad, sancionouumaleiquerestringe as atuações dos músicos de rua em estações de metrô e pontos de ônibus. Mesmo atingida, a Paulista é o lugar que mais se encontra músicos de rua, em toda a cidade de São Paulo. Alguns artistas, ainda que esta lei exista, não a respeitam e tocam em pontos de ônibus e estações de metrôs. Outros artistas, entretanto, preferem tocar em frente aos shoppings localizados na Avenida. O Shopping Center 3 é um ponto muito concorrido entre músicos que pretendem cantar naquele local. Todos os dias, pessoas diferentesestãocantandonolocal no qual, é um grande atrativo já que, pessoas saem do shopping já escutando e muitas vezes parando para vê-los. Pessoas de todos os lugares batem palma quando os artistas acabam uma música, de 5 em 5 reais, eles ganham um dinheirinho, mas não é apenas deste dinheiro que eles vivem, muitos destes artistas também trabalham nas ruas, mas longe das músicas.
“Pessoas que seguem seus sonhos” Omar Oliveira de 30 anos, é um argentino que trabalha na Paulista desde que chegou ao Brasil em 2010. Omar gosta de cantar nas ruas, pois se sente livre e as pessoas acabam conhecendo e gostando de seu trabalho. Além de tocar nas ruas, Oliveira é vendedor ambulante para ajudar a pagar suas contas dentro de casa. Ele trabalha com seu amigo Adilson Machado que 12
Daniela Kopaz
Daniela Kopaz
Grupo se apresenta na Av. Paulista com frequência
tem sua naturalidade Brasileira. Os dois se conheceram na rua por acaso e todos os dias, em uma de suas músicas, os cantores começam a canção falando: “encontros mágicos ocorrem em músicas de rua”. O nome da dupla se chama Que Te Passa Hermano e cantam vários estilos diferentes, entre eles o rap e o rock e eles tem Mozart como uma de suas influências musicais. Ambos formam uma dupla que se combina começando pelo seus jeitos de se vestirem. Ambos usam os mesmos estilos de roupas: calça Jeans, camisa preta, cabelo raspado e um colar feito a mão de sementes. Que Te Passa Hermano é uma banda de improviso, eles mudam os versos das canções quando algo diferente acontece em suas frentes.
“Faço desde que me conheço por gente” “Estamosadorandopassear na rua e escutar música” disse Liliana, uma turista mexicana, que estava passando com
seu marido pela Paulista, tirando foto em frente ao Shopping Center 3 e apreciando a música tocada em frente. A grande concorrência nos Shoppings, tanto Center 3 e no Shopping Cidade São Paulo, é pelo público que deles saem sendo, os funcionários que saem dos shoppings para fumar, pessoas que saem dos mesmos para ir embora e pessoas que entram. Dois grandes marcos da Avenida mais famosa da maior cidade do país, que trazem um grande público de todos os locais do mundo. Sebastião dos Santos Brizola, conhecido como Tim Max de 58 anos, trabalha na Paulista desde 2010, mas em 2003 ele já trabalhava com música como compositor. Por 6 anos, Max trabalhou somente na Paulista, recebendo dinheiro suficiente para se sustentar, hoje em dia ele trabalha com Turismoparaacrescentaruma renda, já que somente a músicanãoestárendendooqueele precisa para se sustentar. Tim canta, compõe e toca violão desde2003,quandoconheceu uma turma de compositores e ai tudo começou. Suas maiores influências musicais são
Djavan e Jorge Ben e seu ritmo preferido é o Jazz, no qual o usa como uma inspiração para escrever e cantar suas músicas, além de apresentar músicas de outros artistas. Em toda sua carreira musical, ele já tocou em diversos bares pela cidade e hoje em dia, ele vendeseusshowstocandoem casas de famílias, toca nas ruas um dia sim e um não. Tim Max não canta na rua apenas para ganhar dinheiro, ele faz isso como seu hobby por gostar do que faz, porém, não rende em dinheiro o que precisa para viver.
“Encontros mágicos ocorrem na rua” Sebastião e Omar são dois exemplos de artistas de rua queseguemseussonhos,dois começos diferentes que terminam no mesmo resultado. Pessoas que seguem seus sonhos, mas precisam fazer algo diferente para ter uma renda e sustentar sua familia.
Making of Passando pela Paulista todos os dias no caminho para a faculdade, avistava músicos de rua que sempre conseguiam atrair e entreter seu público. A ideia para a matéria surgiu em uma quinta feira com um cantor fantasiado de Elvis Presley, interagir com o motorista do ônibus que estava dentro na hora. Pensei então em fazer uma matéria falando dos artistas em geral da Paulista, musicos e vendedores de vendedores artesanais, mas debatendo a ideia com outras pessoas, resolvi fazer sobre músico de rua. A ideia da matéria no começo, era mostrar todos os artistas de rua da cidade de São Paulo, mas apenas na Paulista fiquei, pois descobri tantas histórias interessantes que falavam por todos. Eu andei pela Avenida por duas semanas todos os dias e no começo da semana não achava uma pessoa tocando, quando ia se aproximando do fim de semana, já ficava cheio de músicos. Conversei com um advogado e percebi que pela falta de respostas que ele me dava, o assunto dos artistas de rua não era atualizado ou até mesmo comentado por jornais e revistas e isso, me deu mais animação para continuar a matéria. A cada entrevista que eu fazia com um músico eu ficava mais animada, pois as histórias que eles me contavam eram ótimas e percebi que isso deixa um lado muito positivo de São Paulo. Percebi que os artistas já sabem os locais de maior movimento na avenida, perto do Conjunto Nacional, muitos deles mudam de lugar a cada dia. Uma matéria que não foi muito complicada de fazer, mas foi muito bom conhecer esse lado das pessoas, conhecer melhor e saber dos sonhos realizados. DIRETRIZ
Sociedade
Paulistanos caiçaras
O litoral paulista é uma alternativa para as pessoas que moram no interior e gostam do surf
Em São Paulo um estado que possui grande parte no interior e uma pequena parte no litoral, existem grandes e lindas praias e tendo um dos esportes mais praticados sendo o surf. As pessoas que moram no interior de São Paulo e que gostam de surf, tentam o máximo de vezes possíveis na semana descer para o litoral paulista pois a maioria deles são surfistas natos. A maioria deles são de São Paulo, uns estudam outros já trabalham, outros estudam e trabalham ao mesmo tempo e ainda buscam arranjar um tempo na sua semana para descer e surfar. As melhores praias para a prática do surf no litoral paulista segundo o site “O Oba Oba” são a praia do Tombo localizada no litoral sul paulista, a Praia de São Pedro, Riviera São Lourenço em Bertioga, Maresias, de Camburí, Paúba, Bonete, a Praia de Areado, Félix e Itamambuca, pois há outras que por experiencia própria são ótimas para a prática do surf também, que são a Praia de Pitangueiras e Enseada no Guarujá, a Praia da Baleia e Cambori. Nem todos fazem esse tipo de coisa para ser um surfista profissional, disputando vários campeonatos, a maioria faz pelo lazer, pelo amor ao esporte radical. Como Gustavo Rodriguez estudante de Administração da PUC-SP, ele diz que o surf é um esporte que o relaxa. Perguntado sobre como ele toma a decisão de ir para o litoral, ou seja, qual o motivo que o leva a essa decisão, ele explica que o fator são sempre as ondas, ele disse que sempre vê no Waves, que é um site onde mostra as condições gerais das praias como por exemplo DIRETRIZ
a altura das ondas, a velocidade dos ventos e outros fatores. Por esse fator ele pode até ir no meio de semana por causa de ondas boas. Gustavo falou que sua rotina é na maioria das vezes nos finais de semana, porém se não tiver onda só aproveitar mesmo já que ele possui casa em Riviera de São Lourenço que é a praia mais frequentada por ele ou ficar na casa de seus amigos em outras praias. Porém, Paulo Ramos estudante de Engenharia Naval na Universidade de São Paulo, diz que diferentemente do tempo e das ondas ele vai pelo menos todos os finais de semana. Até possui muitas lojas de pranchas em São Paulo podendo chegar nos mesmos números que nas praias de tantas pessoas que vêm do interior.
“Nem todos fazem esse tipo de coisa para ser um surfista profissional, disputando campeonatos, a maioria faz pelo lazer”
O surf é um esporte que vem crescendo cada vez mais no Brasil, classificado como o segundo esporte mais praticado no país. Dessa nova geração de surfistas que disputam grandes campeonatos de surf com os melhores do mundo, entre eles Filipe Toledo que foi quarto colocado em 2015 no WSL, Gabriel Medina que é natural de Maresias foi campeão da WSL em 2014 e terceiro colocado em 2015, Adriano de Souza
Juliana Rodriguez
Matheus Masukawa
Praia de Riviera de São Lourenço.
“o Mineirinho” natural do Guarujá que é atual campeão da WSL, Wiggolly Dantas que vem de Ubatuba também, entre outros grandes surfistas brasileiros no mundo. Muitos garotos que estão começando a surfar atualmente têm como eles ídolos, e muitos deles têm como São Paulo sua cidade natal. Assim não vemos surfistas vindos do interior do estado, e uma das principais causas que eles próprios falam é a falta de oportunidade de surfar todos os dias pois não têm condições de ir para o litoral toda hora, se não tentariam aprimorar se melhor e assim tentar seguir em uma carreira profissional.
“O surf é um esporte que vêm crescendo cada vez mais no Brasil”
Por isso a maioria escolinhas que ensinam a surfar que ficam localizadas nas praias dizem que recebem muito mais meninos de próprias cidades no litoral do que do in-
terior do estado. E são poucos que moram no interior do estado e tentam se profissionalizar no surf pois a maioria dessas pessoas surfam somente pelo lazer. Algumas escolas de surf no litoral paulista: Escola de Surf Sirena Endereço: Sobloco Construtora - Largo dos Coqueiros - Riviera de São Lourenço, Bertioga - SP, 11250-000, Brasil Telefone:+55 13 981589601 Mike Richard Surf School Guarujá Endereço: Avenida Miguel Stéfano, 505 em frente ao Green Beach Enseada - Vila Julia, Guarujá - SP, 11440-530, Brasil Tel: +55 13 98802-3551 Escola de surf da Riviera - Módulo 1 – Riviera de São Lourenço - Bertioga TEL : (13) 99132-5717 e (13) 3313-1458. Escola Municipal de surf Ubatuba - Praia Grande TEL: (12) 3833-3818
Making Of O tema foi escolhido pois tenho um grande interesse sobre esportes radicais principalmente surf e skate, e desde sempre acompanho notícias sobre esses dois esportes. Nesta matéria a pauta escolhida foi sobre o surf pois na matéria passada eu tinha falado sobre o skate, e quis entender der algumas curiosidades de outras pessoas que vão para a praia da mesma forma que eu faço. As fontes escolhidas foram Gustavo Rodriguez e Paulo Ramos, surfistas e amigos que fazem normalmente uma pequena viagem para o litoral paulista para principalmente a prática do surf, experiencias vividas e detalhes que possam ajudar outros que procuram fazer isso. Um ponto difícil foi o contato com donos de escolas de surf no local para obter melhores detalhes, pois nos finais de semana eles não estavam e de meio de semana é complicado voltar para lá. No período que fui para o litoral, na praia encontravam-se poucos surfistas e eu precisei esperar até eles saírem do mar, para poder fazer algumas perguntas. Nos dias que eu fui estava nublado, por isso logo ápos sair sol uma amiga tirou grandes fotos da praia. Para quem têm interesse de aprender a surfar e começar a fazer esse tipo de coisa, também têm alguns lugares onde ensinam e você pode alugar pranchas.
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Sociedade
Viver entre opiniões
Manifestações crescem e movimentam o cenário político no Brasil
Eu manifesto, tu manifestas, ele manifesta, nós manifestamos. Não é de hoje que existem manifestações, porém é nítido o aumento significativo de pessoas indo para as ruas e expondo suas opiniões. Seja contra ou a favor do governo, pedindo mudanças ou simplesmente sensibilizando os outros de alguma causa, as manifestações têm acontecido com uma maior frequência no Brasil, especialmente nas capitais do país. Desde 2013, com os protestos contra o aumento da tarifa do transporte público, passando por temas como a Copa do Mundo, contra ou pró-impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff, algumas manifestações tem atraído mais simpatizantes do que outras, tendo até o poder de parar a cidade inteira. Aumento e diminuição Segundo o cientista político, Aldo Fornazieri, a frequência de manifestações aumentou durante o processo de impeachment da ex-presidenta Dilma devido à crise política pela qual o país estava passando. No entanto, desde que o processo se consolidou e a ex-presidente foi afastada do cargo, o número de protestos diminuiu, tendo em vista que muitas mobilizações foram organizadas por aqueles que queriam o impeachment. A cidade de São Paulo, só neste início do semestre de 2017, contou com diversas manifestações, a favor da Lava Jato, contra o governo Temer, questões do MTST (Movimento dos Trabalha14
dores sem Teto) e da previdência, apoderando a paulista, praticamente, uma vez por semana desde então. Como consta na Constituição Federal de 1988, “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato” e no artigo 5º. IX, “é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”. Ou seja, todos têm o direito de manifestar suas ideias, livres de qualquer tipo de censura.
Marcella Costa
Letícia Garcia Marcella Costa
Manifestação na Avenida Paulista no dia 31 de Março.
“As pessoas não se unem e lutam por um bem comum” Para Filomena Terezinha, empreendedora, 48 anos, as manifestações são importantes para a sociedade, desde que sejam pacíficas, pois ela acredita que os atos de violência atrapalham o progresso do país. “Já participei sim de uma manifestação, a alguns anos atrás, que foi contra o ex-presidente Collor. Porém hoje não participo mais, devido a ignorância da população, pois as pessoas não se unem e lutam por um bem comum.”, acrescenta. Heloisa Máximo, estudante de 20 anos, acredita no poder das manifestações. “Mesmo que suas demandas demorem para ser atendidas ou as mudanças aconteçam em pequena escala, as manifestações dão abertura para a discussão de um problema que antes não tinha muita atenção”, diz. Apesar de só ter participado de uma manifestação até agora - a do
dia 8 de março que ocorreu na Paulista -, Heloísa vê os protestos como movimentos importantes para chamar atenção a reivindicações de determinados grupos, normalmente minimizados na sociedade.
“As manifestações dão abertura para a discussão de um problema que antes não tinha muita atenção” Radicalização Por outro lado, Fornazieri diz que só esse tipo de manifestação é insuficiente para obtenção de qualquer tipo de mudança. “Eu acho que ir para a Avenida Paulista, ir para praças e avenidas de outras cidades é importante, mas isso não basta para o atual momento, eu entendo que é preciso uma certa radicalização para mudar o
contexto político do país”, afirma. Com “certa radicalização”, ele se refere a paralisações de todo e qualquer meio de locomoção na grandes cidades, inviabilizando a mobilidade urbana durante um dia inteiro e, ao final do dia, “uma grande marcha estabelecendo um símbolo acerca do qual se protestaria”. Contudo o cientista político afirma que a sociedade produz bons líderes ao se mobilizar, mas para que se mobilize, precisa de bons líderes como exemplo. No contexto atual, os líderes, que seriam os sindicatos, estão estagnados e apáticos, como o próprio Fornazieri fala, “criaram aquela aristocracia sindical que agora está desconectada com a massa e eles estão um pouco perdidos e um pouco perplexos”. O professor conclui que “o movimento progressista precisa de uma renovação de liderança”, pois sem ela, o movimento defendido na bandeira do país terá “uma certa dificuldade por conta do anacronismo que esses líderes expressam hoje”.
Making Of Escrever uma matéria para o Diretriz ao mesmo tempo em que foi empolgante também foi trabalhosa. Nossa pauta caiu três vezes: a primeira, devido a falta de informações sobre o assunto; a segunda, porque o tema não era atual; e a terceira, em virtude da falta de fontes. Por fim, modificamos alguns pontos da nossa penúltima pauta e criamos essa, sobre manifestações. A primeira coisa que fizemos foi procurar fontes, a princípio conseguimos duas pessoas normais com opiniões opostas em relação ao tema manifestações, proporcionando, assim, a oportunidade de expormos os dois lados em nossa matéria. A parte complicada - e essencial - foi conseguir um especialista sobre o assunto. Depois de muitos e-mails enviados a inúmeros sociólogos, sem resposta, conseguimos marcar uma entrevista pessoalmente com um cientista político, professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo. A entrevista, que durou em torno de 15 minutos, foi uma experiência muito enriquecedora, profissional e pessoalmente falando, levando em consideração a formação do professor, além de muito agradável devido a seu comportamento extremamente cordial e acolhedor. Por fim percebemos o quão importante é ir atrás de fontes que enriquecem sua matéria e que para isso acontecer só depende de nós, jornalistas. DIRETRIZ
Saúde
A redesignação e suas dificuldades A cirurgia de confirmação de sexo é um tabu para a sociedade e pode demorar anos para ser realizada Nos últimos dois anos, o movimento LGBT ganhou visibilidade. Os transexuais têm chamado atenção na mídia e na sociedade. No entanto, muitas vezes ainda são retratados com preconceito e sofrem para conquistarem sua inclusão no meio social. Com a intenção de combater essa situação, organizações estão sendo criadas para garantir os direitos dessa população. Transexual é a pessoa que biologicamente é de um sexo, porém sente-se pertencendo a outro. “É uma característica inata”, explica a psicóloga Quetie Mariano. Ou seja, não é uma escolha da pessoa e também não ocorre devido a influências do meio em que ela está inserida. No CID 10 (Classificação Internacional de Doenças) o transexualismo é considerado uma patologia. O motivo de ser visto como doença, de acordo com a própria classificação, é porque está associado a um mal-estar mental e a problemas que impedem um funcionamento adequado do raciocínio, sendo assim, um transtorno mental. A psicóloga Quetie comenta que existe um movimento dos transexuais para que seja retirado da lista de doenças. Renata Peron, presidente da associação CAIS (Centro de Atendimento e Inclusão de Travestis e Transexuais) - cuja missão de contribuir para a construção de uma sociedade democrática e que respeite todas as diferenças humanasesclarece que “uma coisa é identidade de gênero outra é orientação sexual. A minha identidade de gênero é a qual eu me apresento perante ao mundo”. Já a orientação sexual está relacionada com o objeto
DIRETRIZ
de desejo, complementa Quetie, “Eu sou biologicamente uma mulher e eu desejo ter mulheres, ou desejo ter homens ou desejo ter homens e mulheres ”. Por conta do desconhecimento da diferença entre identidade de gênero e orientação sexual, é muito comum que ocorram equívocos no modo de tratamento para com as pessoas transexuais. O uso do artigo “a” ou “o” tem que respeitar a identidade da pessoa que se apresenta, deve-se par-
“Uma coisa é identidade de gênero outra é orientação sexual.”
tir do pressuposto que a pessoa que está se apresentando seja biologicamente daquele sexo. Se o sujeito se apresentar com a identidade feminina, então se usa o artigo “a”. Se o sujeito se apresentar com a identidade masculina, o correto é o uso do artigo “o”. Apesar de não existir gramaticalmente o artigo feminino para a palavra “travesti”, é preciso respeitar a identidade de gênero e seguir a mesma regra. Ou seja, a realização da cirurgia de resignação de sexo, não influência na maneira de se dirigir à pessoa. A caminho da cirurgia A pessoa que decide realizar a CCG (Cirurgia de Confirmação de Gênero) passa pelo processo normativo do SUS chamado Transexualizador. Ele consiste no acompanhamento médico multidisciplinar - clinico geral, endocrinologista, psicólogo e psiquiatra durante dois anos para avaliar a pessoa e liberar um laudo autorizando a cirurgia. “Você
Heloísa Campos
Heloísa Campos Natalia Mancini
A CAIS não possue um espaço, então atende na SP Escola de Teatro
é praticamente obrigada a se dizer trans ou travesti aos médicos firmando uma identidade que é somente sua, que apenas você sabe e se sente bem consigo ”, desabafa Claudete Morais, administradora do grupo do Facebook Sou Transexual Sim. Segundo Renata, esse processo não é justo visto que “O ser humano é livre para escolher o que ele quiser ”. No entanto, a psicóloga Quetie afirma ser necessário “primeiro para eles terem certeza de que eles querem. E segundo, esse atendimento é para ter um processo mais humano dentro do hospital. ” A cirurgia no caso dos homens trans (feminino para masculino) é menos complexa quando comparada com a das mulheres. No primeiro caso é feita a histerectomia e a retirada das mamas, porém sem ser construído um neopênis, uma vez que ele não teria função biológica, apenas estética. Enquanto no segundo caso, a criação da neovagina é complicada e em algumas situações necessita de uma correção posterior.
•Politicas públicas O SUS oferece a cirurgia de confirmação de gênero, entretanto apenas cinco hospitais no Brasil estão capacitados para a realização desse procedimento e a fila de espera está em torno oito mil pessoas. O Processo Transexualizador foi ampliado pelo Ministério da Saúde em novembro de 2013 pela Portaria nº 2.803 que aumenta a quantidade de procedimentos ambulatoriais e hospitalares. Em 2017 foram abertos quatro novos serviços ambulatoriais entre eles, o hor-
“O ser humano é livre para escolher o que ele quiser.” monal e o acompanhamento psicológico pré e pós cirúrgico. “Tem a capacidade de oferecer um excelente serviço, mas infelizmente a normativa do SUS no papel é uma coisa, mas na prática eles não estão capacitados”, afirma Claudete.
Making Of Resolvemos tratar o tema da Redesignação Sexual pois enquanto pensávamos em pautas para a reportagem, lembramos desse tema que havíamos descartado em outro trabalho. Encontramos uma matéria do portal IG falando sobre a demora da cirurgia, sendo assim, resolvemos pesquisar mais sobre o tema. Logo de começo tivemos uma certa dificuldade em achar material útil para a nossa reportagem devido ao fato da maioria das respostas oferecidas pelo Google serem referentes a transexuais que trabalham como acompanhante. Esse resultado já nos surpreendeu pois percebemos que o mundo dos transexuais é estereotipado. Isso foi um fator que só nos impulsionou a continuar pesquisando para nos informarmos sobre o assunto. Ao escrever em uma rede social que estávamos procurando pessoas trans para entrevistar, o post foi alvo de gozações. No entanto, enriquecemos nosso trabalho indo até a CAIS , um centro de apoio para a população LGBT, além de conversarmos com psicólogos e transexuais. No decorrer da apuração tivemos algumas dificuldades. Os médicos que entramos em contato não estavam disponíveis para responder entrevistas e alguns e-mails foram respondidos no dia da entrega da matéria impossibilitando a entrevista. Além disso, aprendemos muito sobre o assunto e nos surpreendemoscomhistórias de preconceitos sofridos por essas pessoas.
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Saúde Beleza sem medidas
Em São Paulo, 77% das jovens têm propensão a desenvolver algum distúrbio alimentar
O que para muitos pode parecer uma realidade distante, é uma verdadeira batalha pela vida para aqueles que sofrem de um transtorno alimentar – doenças que se manifestamporalteraçõesno organismo – Estas mudanças levam o paciente a ter uma preocupação excessiva com o peso e com o que comem, levando-os a tomar atitudes radicais para se encontrarem fisicamente e mentalmente bem. “Um dia, eu cheguei aos 28 quilos, e eu tenho 1,50 de altura, estava o puro osso, porque mesmo comendo, eu não conseguia mais ficar com os alimentos no meu estômago” diz Sabrina Bueno, 22, vítima de anorexia, doença que quase tirou sua vida.
“Um dia, cheguei a pesar 28kg” A estudante de Direito diz que a doença começou aos 16 anos, sendo que durante todo o processo, Sabrina chegou a perder o cabelo, ter problemas em vários órgãos, chegando ao ponto de não conseguir nem levantar. Como o caso de Sabrina Bueno, a Anorexia Nervosa atinge cerca de até 4% das mulheres ao decorrer de sua vida. A obsessão pelo peso e as diversas formas para alcançá-lo, leva o paciente a ser diagnosticado com o distúrbio alimentar, e se não for tratada a Anorexia pode levar o paciente ao óbito em até 15% dos casos. Como o caso de Sabrina Bueno, a Anorexia Nervosa atinge cerca de até 4% das mulheres ao decorrer de sua vida. A obsessão pelo peso e as diversas formas para 16
Making of
Alice Arnoldi
Paola Churchill Pedro G. Moraes
Anorexia é uma doença que podem levar os jovens a pesar 28 quilos, assim como Sabrina. alcançá-lo, leva o paciente é extremamente prejudicial Aceitação a ser diagnosticado com o porém o seu único objetivo A nutricionista Renadistúrbio alimentar, e se não é ter a aparência que tanto ta Kitade, 39, faz parte do for tratada a Anorexia pode desejam, nem que para isso “Gostar-se”, uma equipe levar o paciente ao óbito em precisem continuar com esse multidisciplinar que reúne até 15% dos casos. comportamento nocivo que profissionais no tratamento prejudica a saúde da pessoa. dos transtornos alimentares Diagnóstico As anoréxicas em cone revela que o primeiro pasErica Jacob, 20, sempre tra partida não enxergam so para a recuperação é pedir sofreu com chacotas em sua nenhum mal no que estão ajuda imediatamente. “Muiescola, pois a consideravam fazendo. Para elas é algo tas vezes acham, por exemgorda, algo que afetava-a normal e negam qualquer plo, na anorexia que a pessoa de maneira negativa, “tentei tipo de ajuda para tratar o está com frescura de comer, me encaixar de todas as fordistúrbio. As anoréxicas e muitas vezes a família e mas possiveís, e como pelos também são as mais difíamigos subestimam a patomeios corretos não funcionaceis de se tratarem devido logia.” Contou a profissional, va, tentava em segredo coloterem uma distorção de sua enfatizando o perigo da anocar tudo para fora, foi então imagem corporal muito rexia. “Estamos falando de que desenvolvi bulimia dos maior do que as bulímicas, uma doença muito grave que 10 aos 15 anos”. levando-as a se enxergarem precisa ser tratada, o primeiA bulimia é um problema de maneira totalmente diro sintoma, é a mudança de diferente, pois as pessoas que ferente do que fisicamente comportamento é a principal sofrem desse mal não têm aparentam. alteração visível.” uma perda acentual do peso Apesar dos distúrbios Sabrina, hoje se arrepencomo as anorexicas. As bualimentares estarem quase de de tudo o que causou a si límicas podem manter um sempre ligados a pacienmesma, e dá voz para aquepeso relativamente normal, tes do sexo feminino, uma les que enfrentam a doença. por meio de exercícios e uma parcela dos indivíduos do “Mesmo que doa, te machudieta equilibrada, mas de sexo masculino também que, que não te dão nada, não uma hora para outra, elas cose incomodam com o que desista. E claro, não dê ouvimemumaquantidadeexorbiveem no espelho ou quando aos outros, e não de ouvitante de comida, e culpadas, do sobem em cima de uma do a própria voz negativa que e com medo de engordar, elas balança. Os homens tamvem na sua mente, principalvão ao banheiro e vomitam. bém tendem a desenvolver A principal diferença entre mente nos dias ruins, dizenum transtorno alimentar, as bulímicas e as anoréxicas entre os 17 e os 26 anos, do que você não merece ser é que as primeiras são capae os indivíduos do sexo fefeliz. Não desista, e você vai zes de entender que oque esminino entre os 15 e os 18 ter sim uma saída.” tão fazendo com a sua saúde anos.
A ideia para nossa pauta surgiu de uma matéria publicada no portal G1 que noticiava a morte de uma jovem garota, que durante sua vida inteira sofreu com o seu peso e resolveu fazer uma cirurgia bariátrica, levando-a a óbito devido complicações cirúrgicas. Inicialmente, a material visaria como a mídia e a sua ideia de corpo padrão aliada com o bullying sofrido levariam jovens e realizarem procedimentos perigosos para poderem se sentir aceitos pela sociedade. Após uma conversa com o professor Santoro, mudamos o foco para os transtornos alimentares que possuem uma propensão grande de atingir a vida de jovens. Para o processo de apuração, buscamos informações e dados sobre esses tipos de distúrbios que podem levar a morte se não forem tratados. Buscamos então as fontes, primeiramente entramos em contato com o Ambulim, Programa de Transtornos Alimentares do HCFMUSP, porém não obtivemos respostas. Conseguimos entrevistar a nutricionista, Dra Renata Kitade, que faz parte de uma equipe multidisciplinar composta de profissionais da saúde alimentar e psicólogica, que visa dar todo o suporte e apoio para o tratamento do paciente. Também entrevistamos os grandes personagens dessa matéria, as vítimas dos transtornos alimentares, que puderam desabafar sobre todo o drama vivido, passando pelos desafios, pelos efeitos da doença, e a superação. Na matéria, tentamos mostrar um lado mais humano dessas pessoas que sofrem todos os dias por não se sentirem bem consigo mesmas. DIRETRIZ
Saúde Quem cedo madruga, cedo adoece
Brasil tem aumento no número de casos de Burnout, síndrome do esgotamento mental Making of
Em 2016, o trabalhador brasileiro pode ter tido muita dor de cabeça, mas talvez a raiz do problema seja mesmo o excesso de carga de trabalho. Não importa a profissão, o estresse faz parte do dia a dia num mundo cada vez mais competitivo. A Síndrome de Burnout é uma das consequências desse ritmo atual: um estado de tensão emocional e estresse crônico provocado por condições de trabalho desgastantes. Ela está relacionada essencialmente com o mundo do trabalho e pode ser vista como a permanente ameaça à condição de bem-estar do colaborador. É considerada uma síndrome adaptativa por se instalar sempreemalguémqueperde as esperanças de se adaptar a uma condição relacionada às atividades de trabalho, de acordo com George Barbosa, psicólogo e neurocoach em Reorganização na Área do Trabalho.
“Jornalistas e médicos são os mais afetados”
Em geral, a síndrome atinge profissionais que lidam direto e intensamente com pessoas que influenciam suas vidas. É o caso dos que atuam nas áreas de educação, assistência social, saúde, recursos humanos,alémdeadvogados e jornalistas. Em 2016 houve um aumento de aproximadamente 12% nos Benefícios Auxílio-Doença Acidentários, concedidos segundo os Códigos de Classificação Internacional de Doenças (CID-10), apenas em relação ao ano retrasado, DIRETRIZ
Beatriz Tanabe
Beatriz Tanabe Natália Vitória
Uso de medicamentos combinados reduzem os sintomas 2015, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). George explica ainda que em suas avaliações seleciona alguns critérios para o diagnóstico da doença, como o esgotamento físico e/ou mental, dificuldade de concentração,lapsosdememória frequentes,empobrecimento ou perda de qualidade na vida social, irritação frequente nas relações interpessoais, além de identificar a falta de recursos estruturais para realizar seu trabalho e não ter perspectiva de solução para relações conflituosas em seu meio de trabalho. Diagnóstico Havendo dez ou mais desses fatores, começa-se a trabalhar com a hipótese diagnóstica de Síndrome de Burnout. O critério excludente de depressão é clínico: falar com desenvoltura sobre os assuntos, expressar emoções, fazer alguma piada ou se expressar de modo espirituoso, explica o médico. Além da Síndrome de Burnout, os brasileiros ainda sofrem com outras doenças de ordem emocional e que geram despersonalização, como é o caso do estresse, ansiedade e
depressão, que lideram a lista, revela Stéffano Bucci, psicólogoeterapeutaocupacional. Vida real Para a guarda civil, Rosângela Ferreira, o excesso de carga de trabalho e o mau revezamento de serviço trouxeram grandes consequências físicas. Rosângela está afastada há vinte meses de seu emprego. Em seu caso, os primeiros sintomas foram apresentados como picos de dores de cabeça, torcicolos e dores na nuca. “Comecei a ter um grande acúmulo de serviço e por isso o estresse aumentouabsurdamente;por contadonervosoquepassava todos os dias, eu perdia até a voz. ”, relata. No último episódio antes de entrar com a licença médica, Ferreira passou mal novamente e teve um travamento agudo na coluna, foi mais tardediagnosticadacomduas hérnias de disco – comprimida e fragmentada – na coluna cervical. Já para a advogada Bianca Fernandes, 35 anos, os sintomas foram psicológicos e devastadores. Eles atingiram em cheio o ambiente familiar e a jovem não encontrava
mais em casa o conforto que precisava. Bianca foi tomada por um forte desânimo depois que a empresa em que trabalha cortou funcionários e seus serviços ficaram sobrecarregados.Brigasconstantes aconteciam com seus pais e irmãs, que não entendiam a impaciência e tristeza da advogada. O desgaste era tanto que a família da jovem resolveu procurar ajuda. Foram dez meses de trabalho psicológico que não resolveram o problema. Por isso, os pais da jovem optaram por um outro tratamento, ainda em andamento, com um psiquiatra especializado em Burnout, e que já apresenta melhoras em seu quadro. Bianca toma remédios para ansiedade e depressão, além de praticar atividades físicas regularmente. Para essa Síndrome, o tratamento indicado é a Terapia Cognitiva Comportamental ou um Coaching Psicológico. No Sistema Único de Saúde (SUS) ou para os Planos de Saúde ele será classificado como transtornos relativos ao humor (F30) ou aqueles transtornos vinculados ao estresse (F40), finaliza o psicólogo George Barbosa.
Nossa matéria foi baseada em uma notícia do G1, que tratava do crescente número de suicídios ligados ao excesso de trabalho no Japão. Iniciamos as apurações e constatamos, através de um psicólogo, que não havia dados semelhantes aqui no Brasil. Assim, o gancho teve de mudar e passou a ser sobre as consequências do acúmulo e excesso de trabalho na população brasileira. Após algumas pesquisas, chegamos à Síndrome de Burnout, muito citada e debatida atualmente, e contatamos o psicólogo e neurocoach George Barbosa, que nos atendeu de forma rápida e muito cortês. Dessa forma, já havíamos colhido material suficiente e sanado algumas das dúvidas que surgiram ao longo do processo de pesquisas. Acrescentamos alguns dados da Previdência Social e da Organização Mundial da Saúde, pois notamos um expressivoaumentodedoenças ligadas ao trabalho na categoria psicológica, em 2015. O último e talvez mais difícil passo foi a busca por personagens. As nossas escolhas tinham características em comum, são jovens, mulheres, e lidam diretamente com pessoas. Ambas falaram abertamente sobre seus casos, inclusive sobre o tratamentoqueestãopassando. A única exigência feita por elas era para que se mantivessem no anonimato, a fim de preservar as esmpresas em que trabalham. Conseguimos com que uma das entrevistadas permitisse ser fotografada, ainda que com o rosto preservado. Dessa maneira, concluímos a primeira matéria para o Jornal Diretriz. 17
Saúde Contraceptivo Digital
Novo aplicativo promete controlar o ciclo menstrual por sua temperatura
A Natural Cycles é um novo aplicativo que surge como um método contraceptivo. Ele tem como proposta ser um procedimento sem intervenção de hormônios ou dispositivos no organismo, e que por meio da temperatura corporal, fornece informações sobre o ciclo menstrual. O aplicativo se diferencia e até substitui outros métodos contraceptivos, como o anticoncepcional, pois não causa nenhumefeito.Pelasuaquantidade de hormônios, as pílulas são alvo de recorrentes reclamações de suas usuárias. Como conta a estudante de nutrição, Anna Karollina Soares de 18 anos, “Comecei a tomar a pílula há um ano e senti muita diferença. Antes, não tinha dor de cabeça, coisa que virou frequente após o começo das cartelas. Percebi também que tive um aumento muito grande em minhas celulites, sem contar as mudanças drásticas de humor”. Ela completa que pensa em adotar outros métodos contraceptivos para evitar esses problemas,comooaplicativo.
“A temperatura do corpo pode mudar” Testado clinicamente e comparado a outros métodos, o aplicativo foi aprovado como um procedimento confiável e eficaz. No entanto, a ginecologista Lina Perrucci, 56 anos, tem uma opinião diferente,econtaquenãoconfia muito na eficácia do método, pois a temperatura do corpo pode mudar por vários motivos, como uma comida diferente, estresse e até um remédio comum para dores 18
Layane Bittencourt
Layane Bittencourt Vitória Rezende
Laura, 18, experimenta o aplicativo pela primeira vez. musculares. Ela completa que ele não passa de uma “tabelinha”, método que já é usado há muitos anos. “ A única diferença é que agora é mais fácil de salvar e armazenar, o que antes era feito em um papel ”, conta a ginecologista. Além disso, assim como a tabelinha, é possível que a usuáriapossaesqueceralgum dia de medir a temperatura diminuindo sua eficácia, é o que diz Lenita Santos, 37 anos, que acredita que o aplicativo não funcione corretamente. “A correria do dia a dia não nos deixa lembrar de tudo”, completa. Apesar do método ser considerado por Lina não confiável, para pessoas que tem trombose, que já usaram outros contraceptivos como o DIU e que já engravidaram também podem optar pelo método. Funcionamento O aplicativo funciona através da medição da temperatura, pela manhã, com um termômetro basal. O valor obtido será analisado através de um algoritmo exclusivo do aplicativo, que fornecerá informações a respeito do es-
perma, períodos de ovulação e taxa de fertilidade. Com a análise completa, ele vai dar-lhe um dia vermelho ou verde, ou seja, alertando se a pessoa está no período fértil ou não. O aplicativo, criado pela física sueca Eliana Burglund, fornece duas opções, uma como método contraceptivo, que previne uma gravidez e a outra como planejamento de uma gravidez, pois proporciona para a mulher um maior conhecimento sobre si mesma,sobreofuncionamentode seu corpo e de seu ciclo.
“Pode prevenir ou planejar uma gravidez” A Natural Cycle alerta que pode levar alguns meses para que o algoritmo conheça seu ciclo, sendo assim, é muito importante sempre fazer a medição da temperatura no mesmo horário, para contribuir com essa adaptação. Criado inicialmente para uso pessoal, o aplicativo tomou dimensões muito maiores. Hoje, ele já tem mais de 150 mil usuárias.
Outras Opiniões A dentista Keila Franceschini, 27 anos, acredita que a propostadeautoconhecimento é atendida pelo aplicativo, mas que utilizaria o mesmo apenas se desejasse planejar uma gravidez. Ela diz que vê o aplicativo como “tabelinha” e que não possui a mesma eficácia do anticoncepcional para gravidez e camisinha para as DSTs. Laura Vieira, 18 anos, compartilha que não confiaria, pois o aplicativo pode falhar, mesmo colocando todas as informacões certas. “É muito arriscado”, conta ela. A dentista Ana Paula Tanaka, 42 anos, diz que utilizaria o aplicativo, pois foi testadoeaprovadoclinicamente, além de ser um método que evitaria os efeitos colaterais das pílulas. A estudante Samantha Lisley, 19 anos, acredita que o método por meio da temperatura corporal é falho, por que o corpo da mulher varia muito. “ Com certeza eu não confiaria” diz ela. É importante ressaltar que ele não substitui a camisinha, pois não protege contra as doenças sexualmente transmissíveis.
Making of Inicialmente, a pauta foi baseada em uma notícia do G1, na qual informava que São Paulo tinha caído 6 posições no ranking de melhores cidades para se estudar. Decidimos então, falar sobre a adaptação e experiência, boas e ruins, de estudantes que vem para a cidade. Assim, conseguimos a primeira entrevista com uma amiga que veio do interior de Minas Gerais para cá. Depois, buscamos informações de locais ou instituições que davam suporte para esses estudantes, principalmente, no que diz respeito a moradia, no entanto, sem retorno. No prazo para a entrega da segunda entrevista e das fotos, a pauta caiu. Encontramos então uma matéria na Exame, sobre um novo aplicativo que prometia ser um método contraceptivo, tão eficaz quanto um anticoncepcional comum. Assim, criamos a pauta com base nela, apuramos as informações e desenvolvemos a matéria. Em um único dia, conseguimos boas fontes, especialistas e personagens, que nos concederam a entrevista de prontidão. Tivemos entrevistas de ginecologistas, e de mulheres de diferentes idades, que nos deram sua opinião sobre o assunto, com diferentes pontos de vista. Depois, tiramos as fotos, fizemos o texto e entregamos a prévia da matéria. No entanto, o texto e as fotos não agradaram, tivemos que refazer e pensar em novas fotos para que estivesse de acordo. Para a entrega da versão final da matéria, já completa, nosso texto estava completamente diferente e as fotos de acordo com o pedido do professor. DIRETRIZ
Saúde Na ponta da agulha
Acupuntura é técnica procurada por quem sofre com o estresse e a ansiedade Com a pressa e a rapidez como fatores indispensáveis ao século XXI, a ansiedade e o estresse se tornaram problemas recorrentes em toda sociedade. De forma a curar os chamados males da atualidade, diversas pessoas buscammétodosalternativos para contribuir com o tratamento, como a acupuntura. Dentre os adeptos a técnica o público jovem, se destaca pelo grande crescimento que obteve nos últimos anos. “Jovens inseguros e principalmente meninas com ansiedade saindo pela boca são o que mais se encontra nos consultórios hoje em dia”, afirma Sebastião Barion, Naturopata e adepto a medicina chinesa. O público cresce mais graças à popularidade entre as mães. Por ser uma prática pouco invasiva, muitas apostam na técnica para poupar os filhos de métodos mais abusivos, normalmente utilizados para o tratamento, como os remédios “traja preta”. Helena Lins (nome fictício), 20, afirma que começou a acupuntura com 11 anos, por indicação de uma amiga de sua mãe, “minha mãe não queria a filha de onze anos viciada em tarja preta, então resolvemos tentar”. A acupuntura A técnica tem origem na medicina oriental e consiste da estimulação de locais, chamados de pontos de acupuntura, os quais, segundo a tradição chinesa são capazes de ajustar os canais energéticos do corpo. De acordo com os chineses o corpo é composto por canais onde a energia deve fluir livremente, as doenças e dores seriam causadas por bloqueios ou disfunções nesses fluxos. “Os fluxos energéticos são DIRETRIZ
Foto: Bárbara c.Reibel
Bárbara Cecchino Reibel
A acupuntura é uma técnica de conhecimento sem fim. como grandes teias de aranha, quando se toca em um ponto a teia toda treme, desse modo, na acupuntura, procuramos entender as causas do que a pessoa está sentindo”, explica Sebatião. O qual afirma que muitas vezes a causa pode estar distante de onde a conseqüência se projeta, além de ser ligada, em maioria, ao emocional.
“Na acupuntura procuramos entender as causas”
Para ajustar o equilíbrio do corpo os chineses criaram diferentes técnicas. As mais comuns são: a estimulação dos pontos pela inserção de agulhas de ferro, e a disposição de sementes de mostarda em pontos da orelha, também conhecida como auriculoterapia. Além dessas, outras maneiras menos conhecidas como a moxa e a aplicação de leves choques nos pontos, ao invés das agulhas, também são utilizadas para diferentes fins. Para a ansiedade Pessoas ansiosas são consideradas aquelas com pen-
samento constante no futuro e que se preocupam ao idealizar aquilo que ainda não aconteceu. A preocupação, quando em demasia, pode atrapalhar o dia-a-dia daqueles que com ela convivem, de acordo com a psicóloga Fabíola Luciano “o grande desgaste emocional, pode afetar a concentração, produtividade, foco e também os relacionamentos interpessoais.”. Além de apresentar efeitos como sudorese, falta de ar e visão turva. Apesar de possuir repercussões físicas, a ansiedade é um problema neurológico e deve ser tratada como tal. Rafael Ferreira conta que “os estímulos das agulhas fazem uma harmonização energética, hormonal e neural, levando o organismo ao equilíbrio”, porém, apesar de ajustar pontos neurais a prática deve, segundo o acupunturista, ser utilizada como tratamento complementar, “nossos pacientes lidam melhor com situações de estresse e crises de ansiedade, mas dificilmente se curam apenas com a técnica”. Para Rafael, é importante que os adeptos tenham acompanhamento também de um psicólogo. Helena,
que utiliza a técnica desde pequena concorda “eu acredito que a acupuntura ajuda sim [...] mas, acho que uma coisa completa a outra, faço terapia, acupuntura e tomo remédio, e estou bem mais tranquila”. De outro modo, Sebastião Barion acredita que “a acupuntura, por conta própria é suficiente, principalmente para os jovens que não possuem, ainda, muita bagagememocional”.Porém, de acordo com o naturologista o funcionamento depende muito da pessoa “não temos nenhuma varinha mágica, é preciso que o paciente acredite.”
“É preciso que o paciente acredite” Como tratamento complementar ou não a acupuntura ainda é vista com receio pelos médicos, Fabiola afirma que apesar de não haverem muitas evidências científicas sobre sua eficácia, muitos pacientes relatam melhora ao unirem ao tratamento à prática de acupuntura. “Não é possível afirmar que sim, porém não posso descartar seu eventual benefício.”
Making of A escolha da pauta se deu após ler uma matéria sobre os benefícios que a acupuntura pode trazer para não apenas dores como também diversas doenças. Por grande curiosidade sobre a acupuntura entrei em contato com minha tia Adriana, veterinária, mas que pratica a técnica em cachorros e entendi que a acupuntura tinha grande utilidade também em problemas psicológicos, como ansiedade e estresse. Ela me colocou em contato com Helena, que utiliza a acupuntura desde os onze anos para amenizar as crises de ansiedade e tamb´m o estresse que encontra desde o ensino médio. Helena pôde confirmar o funcionamento da técnica, mas me deixou curiosa sobre a procura da acupuntura pelo público jovem. Senti a necessidade de entender melhor sobre a acupuntura e também sobre a ansiedade e após grande pesquisa sobre profissionais da área encontrei por meio da internet o acupunturista Rafael que pode me explicar como são as diferentes técnicas, e como a acupuntura é realizada, além de que tipo de resposta do corpo apresenta. Consegui contato também com uma psicóloga colaboradora do Instituto de psiquiatria do Hospital das Clinicas, que me ajudou a entender melhor como a ansiedade funciona quando se torna uma mal. Por fim, me encontrei com um naturologista, também especializado na técnica chinesa, o qual, apesar de concordar em alguns quesitos, mostrou opinião diferente da de Rafael quanto a como a técnica deve ser utilizada. 19
Saúde
TOC afeta 3% da população mundial A doença que se caracteriza por repetidas compulsões pode se tornar incapacitante e gera tabus Francesco Delle Serre Lucca Vieira
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“Uma mãe que tem vontade de jogar o filho pela janela”. Exatamente dessa maneira Miguel Franco, 40 anos, psiquiatra e portador do transtorno, procurou atendimento clínico e especializado para tratamento. Desde criança havia percebido que tinha ações compulsivas e repetitivas, a simetria lhe causava agonia. Quando estava no período de residência de seu curso na Universidade, Miguel fez a terapia, por mais de um ano, trabalhando “todos os aspectos pensatórios que tinha”. O medicamento entrou na vida do psiquiatra quando entrou em um momento de “vários acontecimentos, como quando a minha esposa e os filhos saíram de casa, assim comecei a entrar em uma depressão, pensando até em morte”, acresentou Miguel.
Francesco Delle Serre
Os sintomas do Transtorno Obsessivo Compulsivo são facilmente perceptíveis quando comparados a outros problemas psicológicos. Mesmo assim, por causa da falta de conhecimento e por vezes do preconceito, é visto como “frescura” ou mania, sendo ignorado e contornado até mesmo pelas pessoas que sofrem dessa disfunção. Segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), 3% da população mundial foi diagnosticado com algum tipo de TOC, apenas no ano de 2015. A Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), em seu site oficial, organiza de uma forma simples a explicação daquilo que é dito como TOC, citado como “um distúrbio do cérebro causado por uma ansiedade extrema, caracterizado por quadros em que uma obsessão provoca compulsões repetidamente cumpridas pelo indivíduo”. Presidente do Departamento de Psiquiatria da APM (Associação Paulista de Medicina) e Conselheiro do Departamento de Psiquiatria da ABP, Sérgio Tamai, explicou os tipos existentes desse transtorno, além de tratamentos para essa disfunção, incluindo até cirurgia cerebral para correção ou diminuição da doença, em casos extremos. O médico psiquiatra explica que há duas ramificações do TOC, sendo compulsões e pensamentos. A primeira é definida em impulsos repetitivos – definidos por Sérgio Tamai como “rituais”. Ilustrado por um comum “sintoma”, a mão contaminada, que faz pessoa afetada pensar que sua mão está sempre suja, mesmo que tenha lavado repetidamente. Em seguida, a outra
ramificação, é o pensamento aflitivo, “como uma mãe que tem vontade de jogar o filho pela janela, que era um caso real desse transtorno”, assim definido pelo psiquiatra. Já aqueles que procuram tratamentos psiquiátricos comportamentais são “expostos a situações desagradáveis, exatamente para abaixar o nível de ansiedade que aquele momento causava no paciente, até se tornar algo comum”, segundo Tamai. Além dos casos que necessitam de medicamentos, a que a Fluvoxamina ou a Fluoxetina agem diretamente no local específico da disfunwção, em que diminuem o nível de cerotonina, aliviando os sintomas do TOC.
O IPQ-USP oferece tratamentos de graça a voluntários que lá forem
O remédio Oxalatodescitalopran, utilizado após esse episódio difícil, diminuía a produção de ceratonina. Houve consequências, como ganho de peso e perda de libido, porém já conseguia controlar seu humor e pensamentos obsessivos. O resultado foi perceptível ao ponto de vista do paciente, dizendo que “essa trava química me ajudou com as reações físicas”. Apenas em casos muito graves, como um pensamento obsessivo de esfaquear alguém, são de cunho possível para uma neurocirurgia, em que o paciente recebe uma radiação gama no girocindro, a base do cérebro. “O resultado é monitorado, fazendo diminuir essa hiperfunção, resolvendo totalmente o problema, ou diminuindo drasticamente o efeito”, finaliza o Presidente Sérgio Tamai, dizendo ser uma cirurgia simples. Há um projeto do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clinicas, o PROTOC, que entrou em vigor em 1994, tendo como principal função “pesquisar e tratar o Transtorno Obsessivo-Compulsivo e os transtornos a ele relacionados”. Informações importantes sobre a doença e tratamen-
tos estão no site do PROTOC, com links e pesquisas de campo que ajudam as pessoas que não sabem sobre o transtorno se conscientizarem, além da possibilidade de percepção, a partir dos dados lá dispostos à população.
“Diminuir essa hiperfunção, resolvendo totalmente esse problema” O TOC é uma das doenças com um dos sintomas mais notáveis. O PROTOC objetiva trazer à tona a seriedade desse problema que afeta grande parte das pessoas, não só do Brasil, mas também no resto do mundo. Com isso, faz com que cada vez mais tenhamos um entendimento melhor a respeito da doença em si e acelerar a criação de tratamentos cada vez mais efetivos. A necessidade de entrar em contato com médicos é fundamental, para que o transtorno seja tratado co calma e da maneira correta.
Making Of Pensamos nessa pauta quando vimos que uma criança tomava medicamentos para tratar o TOC. Assim, trouxemos ao professor a ideia, que foi bem recebida. Pensamos que esse doença não era muito falada na mídia, por isso fomos atrás de fontes importantes para conversar sobre esse assunto. As entrevistas nos deu uma base muito boa para a produção dessa matéria, já que o especialista passou informações importantes, que não são conhecidas e comentadas pela população, principalmente por quem pensa que não possui esse transtorno. Surpreendente foi conversar com a personagem, que também é especialista no assunto. Não esperávamos que a personagem soubesse tanto, principalmente de termos técnicos, que apresentou durante a entrevista, além de abrir completamente como foi a sua vida com esse transtorno, tendo dificuldade de se relacionar com as pessoas, por medo de ser julgado de maneira errada e sofrer algum tipo de bullying. Nossa materia cobriu bastante as principais caracteristicas da doenca e ilustrou bem a negligencia que a parte da populacao tem em relacao a esse transtorno. Nosso objetivo de informar e apurar informacoes medicas para geracoes futuras foi concluida com sucesso.
DIRETRIZ
Saúde
O vilão microscópico
Especialista garante que a única forma de garantir eficácia na proteção contra o HPV é através de vacinação As doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) sempre foram evitadas por meio do uso de preservativos, mas há um vírus em especial que pode fugir a essa regra: o HPV. Sem distinguir sexo ou idade, o Papilomavírus Humano gera uma situação nada agradável: ele se manifesta em forma de verrugas na pele e/ou nas regiões genitais e pode ocasionar, nos casos mais graves, cânceres que provocam a remoção parcial ou total do órgão afetado. Segundo o Urologista Julio Carvalho, especialista em HPV há 17 anos e fundador do Instituto Garnet, “grande parte da população entra em contato com vírus, mais de v70%”, mas muitos não são contaminados ou não desenvolvem sintomas por terem uma boa imunidade contra ele. Ainda assim, a recorrência é preocupante: nas mulheres, o câncer do colo do útero é o segundo mais frequente,perdendoapenaspara o de mama. Contaminação Apesar de haver possibilidade de transmissão vertical durante a gravidez e por meio do beijo, caso o vírus esteja na região bucal em forma de verruga e entre em contato com alguma lesão na mucosa do parceiro, é através de relações sexuais que se propaga majoritariamente.
“O câncer do útero é o 2º mais frequente” Foi dessa maneira que Clara Sanches (nome fictíticio para preservação de identidade), 19, contraiu um DIRETRIZ
Foto: Beatriz de Aquino
Beatriz de Aquino Rebeca Dias
A primeira dose da vacina para meninos já está sendo oferecida dos 200 tipos de HPV. Aos 16 anos começou a sentir protuberâncias no ânus e, ao procurar ajuda médica, descobriu a presença do vírus. O estágio da doença não era grave, portanto, conseguiu a cauterização das verrugas em um mês e meio. Contudo, “qualquer pessoa que fala que teve uma relação sem camisinha eu dou uma bronca”, afirma ao relatar o pavor que sentiu ao ser diagnosticada. “Essa insegurança é uma coisa que eu não desejo pra ninguém”. O mais complicado sobre essa DST, porém, é que o preservativonãogaranteuma proteção altamente eficaz, já que as lesões podem estar em regiões que ficam expostas, como o púbis do homem. Além disso, o contato com fômites, ou seja, objetos de uso pessoal, incluindo brinquedossexuais,podemtransmitir o vírus. A melhor maneira de evitá-lo? Vacinando,
independentementedosexoe da idade.
“O preservativo não garante proteção eficaz” Vacinação Atualmente, a vacina do HPV é distribuída nos postos públicos de saúde para meninas de 9 a 13 anos e, a partir deste ano, também para meninos de 12 a 13 anos, faixa etária escolhida para começar a prevenção antes da iniciação da vida sexual. “É importante todo mundo tomar vacina. Só é distribuída nessa idade por uma questão financeira”, elucida o Urologista. Clínicas particulares, segundo a Anvisa, podem apresentar variação do preço máximo entre R$481,93 e R$495,28. Diferentemente de Clara, que só tomou a vacina quando já estava em fase de
tratamento, Claudia Lattaro de Oliveira, mãe de Rafael, 9 anos, e Leonardo, 12 anos, ao ouvir sobre os perigos do vírus na mídia, procurou se informar melhor sobre a doença para orientar seus filhos, principalmente o mais velho, e levá-lo para se vacinar. “Não é de hoje que se fala dessa e de outras doenças sexualmente transmissíveis. Falta atitude dos pais de se comunicarem com seus filhos e de jovens e casais se protegerem”, opinou ela sobre a conscientização acerca do assunto. Ainda que apresente 90% de eficácia, o índice de pessoas que não buscaram a segunda dose nos postos de saúde é grande, parte por conta de relatos sobre possíveis efeitos colaterais que não foram comprovados cientificamente. “Esses boatos fizeram com que grande parte da população não quisesse tomar a segunda dose”, explica o médico. A passagem de informações equivocadas ocorreu também com Clara, que afirma ter ouvido falar do vírus na escola, mas sem receber a devida importância. “A professora falou que nem todos os tipos eram genitais. Eu não achava que era tão recorrente, ela falou que era raro”, conta. Atualmente, ela faz acompanhamento de 6 em 6 meses, já que não há como saber se o vírus foi eliminado de seu corpo ou se só permanece inativo. Como último conselho, Julio Carvalho alerta: Autoexame sempre. Além disso, exames rotineiros como o Papanicolau e claro, o uso da camisinha, pois ainda que não atue com 100% de eficácia contra o HPV, é a melhor aliada contra as famigeradas - e temidas - DSTs.
Making of Ao vermos uma reportagem do programa Bem Estar na Rede Globo, intitulada “Vacina do HPV está disponível pela primeira vez para meninos no Brasil”, notamos que um contingente muito pequeno de pessoas está, de fato, informado dos perigos que essa DST trás. Com a ideia da pauta em mente, procuramos um especialista no assunto e não tivemos dúvidas, ao contatar o urologista Julio Carvalho, de que a fonte fora bem escolhida. Percorremos um longo caminho alternado entre transportes públicos e muita andança até chegar a seu Instituto, mas valeu a pena; através de simpatia e paciência, o medico esclareceu todas as possíveis dúvidas do leitor e nos deu um exemplar de seu livro, com o qual posou para fotos. No intuito de promover identificação, concordamos ser necessária a presença de uma personagem que tivesse sentido na pele – literalmente – os efeitos do HPV. Por intermédio de indicação, contatamos a fonte e logo de cara um acordo foi firmado: não haveria identificação. Devido à delicadeza do assunto, concordamos. A última peça que completou nosso conjunto de fontes foi Claudia, que relata a importância da vacinação não só nas mulheres como também nos meninos. Não enfrentamos grandes dificuldades durante a produção da matéria; o que mais nos preocupou foi a pauta de fotografia, já que raramente as pessoas concordam em serem fotografadas para exemplificar assuntos que, infelizmente, ainda são tabu para muitos. 21
Saúde
Da diversão ao vício
Dependência de internet afeta mais jovens com quadro de depressão
A Internet tornou-se uma ferramenta indispensável nos dias de hoje. Jogos online, aplicativos e redes sociais cada vez mais fazem parte da nossa rotina. Em geral, psicólogos e profissionais acreditam que a tecnologia incrementa a qualidade de vida dos indivíduos. Todavia, seu alto nível de intrusão pode gerar sérios efeitos negativos, como o transtorno denominado TDI (Transtorno de Dependência de Internet). O uso abusivo dos meios tecnológicos tem sido tratado no âmbito patológico desde meados da década de 90, quando a imprensa e a comunidade científica contribuiram para sua divulgação, fazendo com que o TDI ganhasse cada vez mais visibilidade e atenção.Ainda que não seja mencionado na versão mais recente no Manual Diagnóstico e Estatís-
“Geralmente, os pacientes possuem características em comum [...] em média 90% deles são depressivos” tico de Transtornos Mentais (DSM-5, datado de 2013), os profissionais de psicologia e psiquiatria do mundo são unânimes quando se trata da existência do vício em internet, como o psicólogo Cristiano Nabuco de Abreu, coordenador do Núcleo de Dependências Tecnológicas do PRO-AMITI do IPq-HC/ FMUSP. Ele é um dos res22
ponsáveis por desenvolver o PRO-AMITI, um programa de psicoterapia aliado ao acompanhamento psiquiátrico, voltado especialmente para pessoas que apresentam o vício. Perfil variado Nabuco lida diariamente com casos do transtorno, partindo das mais diversas faixa-etárias e classes sociais. Mesmo com tal variedade, o psicólogo afirma que a doença segue, de fato, um padrão: “Geralmente, os pacientes possuem características em comum como fobia social e comorbidade (apresenta mais de um transtorno). Além de que, em média 90% deles são depressivos”. O uso da internet tornou-se rotineiro, e é por isso que muitas vezes sua patologia passa despercebida. A psicóloga e analista de comportamento, Michelle Verneque, aponta que a dependência tecnológica tem as mesmas características diagnosticadas em pessoas que usam substâncias psicoativas, tais como: dano na região que envolve o processamento das emoções e tomada de decisões e controle cognitivo. Mesmo conhecendo tais sintomas, dificilmente o viciado o relaciona com o transtorno, dificultando assim, a busca pelo tratamento. Outros fatores apontam a existência de dependência, como por exemplo, uma lista de oito critérios, apresentada no PRO-AMITI, dentre eles: i r r it abilidade/depressão, necessidade de aumentar o tempo conectado, colocar relações sociais em risco pelo uso excessivo da internet, entre outros. Os especialistas afirmam que caso o paciente apresente ao menos cinco desses critérios, ele já pode considerar-se dependente.
Julia Remer
Julia Remer Gabriela Ranieri
João Paulo ao computador jogando um de seus jogos favoritos.
Isolamento João Paulo Mendes, de 22 anos, foi diagnosticado com o TDI um ano atrás e afirma que a doença teve grande impacto em sua vida: “Eu me isolei de todos, não sentia vontade de fazer nada além de me conectar. Era como se buscasse refúgio nos jogos online, como se o único jeito de eu me socializar fosse através da internet”. João continua, dizendo que não tinha ideia da gravidade do transtorno, e que só depois de meses de acompanhamento psicológico, conseguiu ver o quão estava sendo prejudicado.
“Eu me isolei de todos, não sentia vontade de fazer nada além de me conectar” Lucas Ribeiro, de 16 anos, passou por uma situação semelhante a de João: “Eu nunca tive uma boa auto estima,
não me sentia confortável comigo mesmo em qualquer ambiente que não fosse na internet. Lá era minha realidade”. O rapaz conta que a doença o afastou de seus familiares e amigos, e fez com que mergulhasse em uma depressão profunda: “Eu vivia cercado de ‘amigos’ online, mas a verdade é que nunca estive tão sozinho”. Casos de João e Lucas são os mais usuais para Nabuco, principalmente devido à faixa-etária e à tendência de isolamento social. O tratamento é um processo demorado e que exige força de vontade tanto do paciente, como de seus familiares. “São poucos os casos de desistência do tratamento, mas ainda sim, eles existem”, afirma o psicólogo.
Precisa de ajuda? Procure o PRO-AMITI + 55 11 2661-7805 R. DR. Ovídio Pires de Campos, 785
Making Of
As Patologias decorrentes do uso excessivo do meio tecnológico vieram à tona como tema para a matéria do jornal, já que possui pontos muito amplos e, dependendo, de elevado perigo. Iniciamos nosso trabalho através de pesquisas de dados, que comprovam o crescimento dos problemas decorrentes do vício. Por meio disso, fomos atras de entrevistas com especialistas como o psicólogo Cristiano Nabuco, que possui um programa especializado no tratamento de pessoas que sofrem com a dependencia de internet. Apos a entrevista com o psicólogo, buscamos pacientes das mais diversas faixa-etárias, que foram em busca de tratamento ao perceber o quanto sua vida estava sendo afetada devido ao TDI. Os entrevistados concordaram em serem fotografados, contanto que seu rosto não fosse abordado de modo direto e nítido. A busca pelas entrevistas não foi tão simples, já que por se tratar de um tema delicado e que envolve patologias nem sempre as pessoas disponibilizam-se. Mas com insistência, conseguimos chegar ao objetivo desejado. Após desenvolvermos e finalizarmos a matéria, a diagramamos para que se encaixasse nos padrões do Diretriz. Tentamos retratar o assunto da maneira mais clara possível, sempre tendo em vista ajudar os leitores e pessoas que tenham alguma forma de relação com o vicio. DIRETRIZ
Saúde
Agentes tóxicos prejudicam crianças
Descuido dos responsáveis e curiosidade dos pequenos são os principais problemas
Segundo um levantamento parcial feito em 2016 pelo Centro de Controle de Intoxicações da Prefeitura Municipal de São Paulo (CCI SP), 3112 casos de exposição foram registrados em crianças de 0 a 9 anos. Cerca de 30% dos agentes relacionados aos acidentes são de uso doméstico, como os produtos de limpeza. A pediatra e toxicologista clínica, Ligia Fruchtengarten comenta que é preciso entender a diferença entre exposição e intoxicação. “Intoxicação ocorre quando há uma reação ou efeito da substância no organismo, o que muitas vezes será necessária à ajuda médica”, explica. Em 2015, foram confirmados 636 casos de intoxicação causados por domissanitários e no mesmo ano 7127 casos de exposição aconteceram. A toxicologista confirma que a maioria dos casos poderiam ser evitados, basta conhecer bem o que se tem em casa e não fazer o uso de produtos clandestinos pelo baixo preço, pois não se sabe o que há dentro dessas embalagens. Além disso, manter os produtos fora do alcance das crianças, é crucial. “Prevenção, essa é a palavra que pode diminuir os casos”, finaliza.
“Enchi uma bacia com água sanitária, sabão em pó e desinfetante. [..,] era tudo colorido” DIRETRIZ
Giulia Landriscina
Giulia Santiago Landriscina
Hospital Arthur R. de Saboya, onde se localiza o primeiro Centro de Controle de Intoxicações do Brasil
“Foi tudo muito rápido, quando meu pai percebeu, eu já estava com a boca azul”, afirma a estudante Mirella Gandelman de 19 anos, que ingeriu aos 2 anos de idade o líquido usado para matar mosquitos. Já Alba Luíza Medeiros de 18 anos, conta que aos 4 anos aproveitou a distração da mãe para brincar com os produtos. “Enchi uma bacia com água sanitária, sabão em pó e desinfetante. Queria beber as bolinhas que se formavam, era tudo colorido”. As duas foram para o hospital, Alba passou por uma lavagem estomacal e Mirella foi avaliada por um pediatra.
enfermeiros, psicólogos e laboratoristas). Assim, é analisado a situação do paciente e qual elemento causou a sua reação. O centro também conta com o atendimento aos pacientes no Hospital Dr. Arthur Ribeiro de Saboya (onde o CCI se localiza); apoio diagnóstico - realizado nos próprios laboratórios do centro; cursos, palestras e outras atividades educativas e científicas; assessoria e consultoria a diversos órgãos de saúde públicos e privados. Além disso, o atendimento via telefone é feito 24 horas, afim de auxiliar o maior número de pessoas possíveis.
Sobre o CCI O Centro de Controle de Intoxicações (CCI) do município de São Paulo foi o primeiro a ser criado no Brasil. Com o objetivo de centralizar o auxilio sobre o atendimento de pessoas expostas a substâncias químicas, o CCI conta com profissionais da área da saúde (toxicologistas,
O que fazer? “Quando acontece a intoxicação, de forma alguma pode dar leite, água ou forçar o vômito. Isso só piorará a situação”, afirma a Dra. Ligia. Nesses casos, os responsáveis da criança têm que se certificar qual produto provocou a intoxicação para que o profissional da saúde consiga
entenderqualsubstânciaquímica entrou em contato com a criança e assim auxiliar nos próximos passos.
“Quando acontece a intoxicação, de forma alguma pode dar leite, água ou forçar o vômito. Isso só piorará a situação” Após notar o que gerou a intoxicação, entre em contato com um profissional, seja pelo atendimento 24 horas do CCI de São Paulo (08007713733 ou 5012-5311), para o Disque-intoxicação Nacional (0800-7226001) ou para o SAMU da Prefeitura do Estado de São Paulo (192).
Making Of Comecei a pensar no que seria interessante informar no Jornal Diretriz, de forma que a notícia ainda ficasse atual após dois meses dela ser pensada. No meu caso, não demorei muito em pensa-las, levei três pautas bem distintas para serem analisadas pelo professor Sandano. Surpreendentemente,aúltima opção foi a preferida por ele: intoxicação de crianças por produtos de limpeza. As perguntas começaram a serem plantadas em minha cabeça e necessitava ir atrás de respostas. Precisava buscar dados, conversar com as pessoas e entender mais sobre o assunto. Meu maior desafio seria o tempo. Encontrei minhas duas primeiras fontes na internet. Consegui conversar via telefone com duas meninas que passaram pela intoxicação, Mirella Gandelman de São Paulo e Alba Medeiros de Curitiba. Depois, entrei no banco de dados da SINITOX para ter uma noção da quantidade de casos nos últimos anos. Ao pesquisar sobre os órgãos relacionados ao assunto, encontrei o CCI e depois de insistir um pouco, marquei uma visitação ao centro. Conheci a Dra. Lígia, ela se mostrou solicita a tudo que eu perguntava e me explicou em detalhes o funcionamento do lugar. No final, ela me disponibilizou os dados mais recentes e assim pude dar veracidade aos meus fatos, concluindo minha matéria. 23
Economia
Desemprego cresce 3,6% em 2017 Número de mulheres à procura de emprego chega a 18,3%
Em janeiro de 2017, na Região Metropolitana de São Paulo, 17,1% da população está desempregada, de acordo com Ministério do Trabalho e a SEADE-Diese. Isso significa cerca de 1,833 milhão de cidadãos desempregados, aumento de 3,6% em comparação ao mesmo período do ano passado. É o maior número desde 2004, quando a taxa era de 19,1% -- a maior desde 1989. Em paralelo com dezembro/2016, 104 mil trabalhadores foram desligados de seus empregos, sendo a zona Leste paulistana a mais preocupante: mais de 20% dos moradores estão a procura de emprego. Entre as mulheres, aumentou e chegou a 18,3% na mesma região, maior porcentagem desde 2007. A SEADE divulgou em março deste ano que o aumento do desemprego foi maior para elas do que para eles. Em 2015, entre os homens, a taxa era de 12,2% e aumentou 3,3%, já entre as mulheres em 2015 era de 14,3 % e subiu 4%. Mulheres representaram pouco mais da metade de desempregados na região, 51,1% em 2016. Barreiras que afetam a participação feminina são as preferências por cônjuges, não negras e jovens de 16 a 24 anos, ref lexo das desigualdades sociais presentes por todo país. As dificuldades em encontrar emprego resultaram no crescimento de empregadas domésticas, grupo que atualmente tem ganhado maior visibilidade na mí24
Laís Fernanda
Laís Fernanda Laura Marcondes
dia e direitos trabalhistas estendidos graças a regulamentação da Emenda Constitucional 72, conhecida como PEC das domésticas que garante, por exemplo, salário mínimo.
“É o maior número desde 2004, quando a taxa era de 19,1%” Índices como esse geram ref lexos em inúmeros setores da economia, principalmente no comportamento de poder de compra dos moradores e nos gastos públicos com seguro desemprego. Segundo o economista Douglas Pina, especialista em varejo, o maior desaquecimento está nas áreas onde o consumo familiar é o mais importante. “Menos lojas de serviços estão operando, que são o grande setor de contratação de pessoas. E o que compra são marcas de maior valor percebido, ou seja, menor preço, mas com qualidade. O valor da marca vem perdendo força na decisão de compra das pessoas.” Seguro Desemprego Os gastos com o seguro-desemprego têm sido uma preocupação para o governo, já que devido a crise o país passa por uma onda de cortes na verba pública. Em dezembro do ano passado, o presidente Temer chegou a prorrogar a medida provisória do Programa Seguro-Desemprego a fim de tentar controlar as taxas em todo país. Pina diz que
104 mil cidadãos foram despedidos desde dezembro. soluções como essa são paliativas. “Dá um suspiro, mas não resolve. Só há um remédio duradouro: o crescimento econômico sustentado. Para obtê-lo, é fundamental tornarmos nossa economia mais dinâmica, menos complexa.”
“ É fundamental tornarmos nossa economia mais dinâmica, menos complexa”
Na cidade de São Paulo, as áreas mais afetadas são as zonas Leste e Sul, com decréscimo maior no número de ocupações. O Centro, excessivamente, teve um crescimento nas ocupações, mas a quantidade de empregados no local ainda não é equivalente às outras áreas, até porque sua população é relativamente menor.
Medida “provisória” A lei nº 13.189, assinada em dezembro de 2015, inicialmente era pra valer por ano. Porém, foi modificada e alterada pelo presidente Temer em dezembro do ano passado para vigorar até o final deste ano. Para diminuir os gastos com seguro-desemprego, a medida oferece uma bolsa auxílio para pequenas e médias empresas que estão comprovadamente em dificuldades econômico-financeiras, durante o período máximo de 24 meses, com intenção de evitar que trabalhadores sejam desligados por corte de custos. Determina que a jornada de trabalho dos empregados pode diminuir em até 30%, assim como a redução do salário. Os afetados pela diminuição podem recorrer ao programa e receber indenização de até 50% do valor não recebido; desde que não ultrapasse 65% do valor do seguro desemprego.
Making Of A pauta da matéria veio inesperadamente: numa viagem de Uber, estava conversando com o motorista, pós-graduado, que não conseguia um emprego. Foi então que ela finalmente apareceu. O desemprego está cada vez mais aparente para nós, mas por que não percebemos o quão grave é? Aliás, por que ninguém está noticiando como a situação fica cada vez pior? Achar as informações não foi tarefa tão difícil, mas comparar as estatísticas burocratizadas demais foi um trabalho mais árduo. Contudo, com a ajuda de algumas calculadoras online e um pouco de dor de cabeça, novas informações apareceram e foram até mesmo descobertas. A princípio ainda estávamos trabalhando em matérias separadas, o desemprego crescente e o desemprego entre as mulheres, mostrando que a situação geral ainda afeta mais a participação feminina. Quando percebemos que uma era complemento da outra reunimos os esforços e as informações. O passo seguinte, após reunir as informações necessárias, foi contatar um especialista para fazer a análise concreta de todo o conteúdo reunido. Achamos nossa saída não muito longe, com a ajuda de alguns contatos. Formular as perguntas, de forma que elas ficassem específicas para a matéria, também foi um pouco desafiador, mas nada que assustasse demais. A entrevista foi, infelizmente, marcada para ser por e-mail, por inviabilidade do entrevistado. DIRETRIZ
Economia
Educação com financiamento privado
Com o declínio do FIES, cresce procura por programas como o PraValer, com juros maiores
Alternativa cada vez mais procurada pelos universitários são os créditos estudantis. Prática não muito comum no país até os anos 90 quando o FIES (Financiamento Estudantil) criado pelo governo substituiu seu antecessor crédito estudantil. Desde então muitos jovens têm conseguido seu diploma através do programa que financia até 100% do valor do curso, aumentando o prazo para o pagamento das parcelas, quitadas parte durante o curso, parte após o término. Josué, 55, conta “Optei pelo Fies porque os juros são muito baixos em relação às formas privadas, além disso, não necessita de um fiador”, ele diz não enxergar nenhuma desvantagem em fazer o financiamento. “É uma forma de você estudar, portanto deve ser utilizado, ele te dá uma condição segura para administrar as parcelas” Além do FIES, que é do governo, existe também os financiamentos de instituições privadas como dos bancos: Bradesco, Itaú e Santander e empresas especializadas como a IdealVest, Educcred, Raydom Invest. Existem também as faculdades com o próprio sistema de créditos e oferecem opções para alunos que compravam baixa renda. Pouco procurados por apresentarem taxa de juros mais alta, depois que o programa governamental apresentou problemas o número de procuras pelo crédito privado aumentou notoriamente.“ A procura pelo crédito aumentou 75% desde as restrições ao programa do governo” conta Isabelle ManDIRETRIZ
Making Of
nim assessora da IdealVest responsável pelo PraValer que tem parceria com mais de 400 universidades e desde 2006, totaliza mais de R$ 1,7 bilhões em mensalidades financiadas. Nesse programa os juros vão até 2,19% a.m. dependendo do curso enquanto o fies só chega até 0,53% a.m., a necessidade de um fiador
“O financiamento não é uma bolsa de estudos. O crédito é apenas um empréstimo que irá reduzir o valor das mensalidades” também é uma das diferenças. A engenheira química Mariana de Souza, 25, dividiu sua mensalidade entre os dois programas, e diz “o Fies valeu muito a pena, mas com o PraValer tive muitos problemas”, ela está em um processo judicial contra a empresa devido a confusão com os contratos, “sempre era muito dificil de resolver, acho a empresa muito desorganizada”. Ela ainda alerta “pra quem tem fies, não esqueça de fazer o aditamento”, que é a renovação do contrato, ela conta que antes sua vaga era automatica, mas depois dos cortes no programa eles dificultaram o processo, “enquanto era interessante pro governo que as pessoas tivessem bolsas simplesmen-
Aline Fatima
Aline Fatima Raquel Paiva
Estudantes cada vez recorrem aos financiamentos. te pela estatistica, você nem precisava renovar seu contrato que já tinha vaga garantida. Quando veio a crise, passou a não ser interessante pro governo”. Isabelle ainda explica “Todas as faculdades parceiras do PraValer pagam parte dos juros para o aluno. Algumas delas subsidiam o valor integralmente” nesse caso é o Pravaler sem juros. Ela explica que as faculdades arcam com esse valor porque entendem que é uma maneira de manter o aluno estudando e diminui a taxa de evasão, “além de elevar também o ticket médio da instituição, pois o aluno que financia não escolhe apenas o curso que ele pode pagar, mas sim o curso que ele quer estudar.” O mais importante a ser lembrado pelo estudante é, o financiamento não é uma bolsa de estudos. O crédito é apenas um empréstimo que irá reduzir o valor das mensalidades enquanto aumenta o prazo de pagamento. Portanto todo o orçamento
familiar deve ser levado em conta, pois uma vez iniciado ele dificilmente será interrompido sem acarretar dívidas impagáveis ao estudante. Um exemplo disso são os mais de 43 milhões ex-alunos norte americanos com dívidas contraídas para custear o ensino. Com a crise no Brasil fica ainda mais difícil ter a certeza de um emprego fixo depois da faculdade,
“A procura pelo crédito aumentou 75% desde as restrições ao programa do governo” Mariana, por exemplo, está desempregada. O fies dá um ano de carência ao estudante, mas programas privados não.
A pauta que de início foi aprovada seria sobre o veto do Governador Geraldo Alckmin ao projeto de lei que daria benefícios fiscais as indústrias têxteis que utilizassem matéria prima reciclada em seus produtos, , porém a mesma caiu devido à falta de informações novas sobre o caso. Devido a dificuldade de conseguir uma declaração de deputados e do próprio governador quando se é apenas estudante. Após a queda dessa pata – que já não havia sido fácil de encontrar- foi a hora em que o desespero bateu. Inicialmente a matéria seria feita individualmente, mas cada uma de nos já havíamos apresentado diversas pautas, todas rejeitadas. Na última aula o professor decidiu reunir os alunos que estavam atrasados com o progresso e sugeriu uma tempestade de ideias. Ele fez de nós uma dupla e nos agraciou com uma ideia. Nossa pauta atualmente é sobre financiamentos estudantis. Fizemos cinco entrevistas, das quais usamos três na matéria, também procuramos dados relacionamos eles. Além de diferenciar os financiamentos do governo e os privados. No processo de conseguir personagens usamos o auxílio do Facebook e várias pessoas se manifestaram interessadas em dar uma voz para o assunto. O próximo passo foi entrar em contato com as instituições, que responderam por e-mail. A foto também foi um desafio, como não falamos pessoalmente com nenhum dos entrevistados, retratamos o contexto, que são alunos dentro da universidade. 25
Economia Home Office pode prejudicar a saúde Disputa entre trabalho em casa e trabalho em escritório compartilhado ganha força
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e acordo com o relatório “Working Anytime, Anywhere: The Effects on the World of Work”, realizado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e Fundação Europeia para a Melhoria das Condições de Vida e de Trabalho (Eurofound), as pessoas que trabalham em casa estão mais propensas a desenvolverem problemas de saúde, como estresse e insônia. Além disso, a pesquisa diz que o Home Office também pode resultar em mais horas de trabalho e afetar o ambiente familiar. O documento, publicado no dia 15 de fevereiro de 2017, ainda discorre a questão do Home Office e suas influências no cotidiano. “Este relatório mostra que o uso de tecnologias modernas de comunicação facilita um melhor equilíbrio entre a vida profissional e pessoal mas, ao mesmo tempo, borra os limites entre o trabalho e a vida pessoal, dependendo do local de trabalho e das características das diferentes ocupações”, diz Jon Messenger, especialista da OIT sobre condições de trabalho
e coautor da pesquisa, que foi sintetizada em 15 países: Brasil, Estados Unidos, Argentina, Índia, Japão, Bélgica, França, Finlândia, Alemanha, Hungria, Itália, Holanda, Espanha, Suécia e Reino Unido. Por outro lado, enquanto a produtividade do Home Office está em questionamento, outro ambiente de trabalho está em alta: o Coworking. De acordo com dados da organização que representa os escritórios compartilhados no Brasil, a Coworking Brasil, a quantidade de escritórios passou de 11 para quase 240 nos últimos cinco anos. Em São Paulo, houve uma alta em relação a 2016 de 56% sobre 2015 e é consta-
“O Coworking enxuga os custos” tado que a cidade é o maior mercado, com cerca de 148 unidades. Segundo Beatriz Fernandes, consultora corporativa da rede GoWork, uma das diversas redes de escritórios compartilhados em São Paulo, localizada na Avenida Paulista, a demanda por Coworking está cada vez
O que é o Coworking? Coworking são escritórios compartilhados, na
qual o cliente pode optar pelo espaço compartilhado ou sala privada. Gastos como conta de luz, água, IPTU, condomínio, recepcionista, equipe de manutenção e serviço de limpeza são, geralmente, elementos inclusos em qualquer pacote, tanto do espaço compartilhado quanto o da sala privada. Cada rede de Coworking funciona de uma forma e, de modo geral, algumas redes cobram algum serviço à parte.
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Isabelle Taranha
Isabelle Taranha
Rede GoWork, Avenida Paulista
maior por este ser capaz de enxugar os custos, incluindo serviços como recepcionista terceirizada no pacote dos clientes. Em relação à pesquisa, Laís Sumares, assistente comercial da rede Link2u – Coworking & Offices, afirma que o Coworking também é responsável por esses problemas. Para ela, não é o local que impõe as dificuldades, e sim o próprio indivíduo, pois tudo é questão de adaptação. Além disso, a assistente defende a ideia de que o necessário é cada funcionário se policiar para que não haja nenhum desgaste mental que cause algum dano à saúde, como o cansaço e baixa imunidade por não dormir o necessário. Nessa disputa entre Home Office e Coworking, o gerente de planejamento da multinacional Hewlett Packard Enterprise (HP), Anselmo Pizzotti, comenta: “Na minha opinião, o Home Office é um serviço que traz muito benefício para a empresa e para o funcionário, se ele souber usufruir e ter disciplina”.
“Na minha opinião, o Home Office é um serviço que traz muito benefício para a empresa e para o funcionário, se ele souber usufruir e ter disciplina” O gerente ainda conta que a HP cortou o Home Office, não por conta do resultado da persquisa e sua influência no ambiente corporativo da empresa, mas pelo fato dos funcionários abusarem da liberdade que o Home Office proporciona. E acrescenta: “No meu ponto de vista, a empresa acaba perdendo em virtude da atividade de alguns funcionários, que não têm essa condição de seguir rigorosamente as normas da própria empresa e acabam abusando dos horários”.
Making Of A ideia para a realização desta pauta surgiu através de uma conversa entre meus familiares. Ao falarem sobre o trabalho em Home Office, vi que este assunto poderia render uma ótima matéria, se pudesse colocar um olhar diferenciado sobre ele. Coincidentemente, li uma notícia nessa mesma época sobre um relatório feito no exterior, falando sobre o Home Office. Neste momento, encontrei meu gancho. Em minhas pesquisas, vi a relação entre o trabalho em casa e em escritório compartilhado, e achei interessante fazer uma abordagem sobre ambos, utilizando o relatório encontrado, fontes e dados atualizados. A internet foi um elemento fundamental. A partir dela, fui atrás de escritórios, tirei fotos e conversei com algumas pessoas que estão constantemente em contato com o Home Office e Coworking. Para que eu pudesse ter acesso às minhas fontes, pedi autorização às secretarias dos condomínios em que os escritórios estão localizados. Com meu acesso permitido, gravei as entrevistas e organizei as informações que obtive com elas, com o intuito de fazer uma ponte entre essas declarações e minhas pesquisas anteriores. Os responsáveis pelos escritórios apenas me deixaram tirar fotos com o mínimo de pessoas possível, sem mostrar seus rostos, em uma distância razoável. DIRETRIZ
Economia
O “boom” do intercâmbio Procura por experiências em outros países aumenta entre brasileiros Giovana Ventura
Giovana Costa Ventura
A BELTA (Brazilian Educational & Language Travel Association), associação brasileira que reúne instituições de intercâmbio e cursos no exterior, informa que aproximadamente 242 mil brasileiros escolheram estudar fora do Brasil no ano de 2016. Esse número representa um aumento de 476% em comparação aos 42 mil estudantes de 2004.
“Os programas de intercâmbio não são pacotes fechados e existe uma flexibilidade para adequá-los ás necessidades” Para Maura Leão, presidente da BELTA, os motivos para esse aumento são a agilidade e facilidade na troca de informações, a variedade de cursos, os treinamentos para um melhor atendimento e consultoria, a descoberta de novos destinos, o aumento do número de voos entre países e a atuação mais de perto do mercado com o público final. Além disso, “hoje os estudantes entendem que os programas de intercâmbio não são pacotes fechados e existe uma flexibilidade para adequá-los às necessidades de cada um”, segundo ela. Desemprego Porém, pode haver um outro motivo para esse crescimento. De acordo DIRETRIZ
Agência de intercâmbio na Av. Wenceslau, em Porto Alegre.
com a BELTA, os cursos mais escolhidos nos últimos anos foram cursos de idiomas com e sem trabalho temporário, pós-graduação, graduação e cursos profissionalizantes, o que pode ser explicado facilmente. “Como o nível de desemprego no Brasil aumentou nos últimos anos (chegando a 11,9% no ano de 2016), o brasileiro está procurando melhorar o seu currículo para estar à frente na corrida por um emprego”, argumenta a economista do Núcleo do Estudo em Gestão Alternativa da UFRGS, Fernanda Schutz. Para ela, essa é a única explicação racional, visto que a renda per capita aumentou apenas 117% no mesmo período que o intercâmbio aumentou 476%. Fala dos intercambistas A associação também registrou que a maioria dos intercambistas têm entre 18 e 30 anos, mais de 80% são solteiros e ficam entre 1 e 3 meses fora e pagam seus intercâmbios por meio de
poupanças e investimentos, o que reforça a alegação de Fernanda. Carlos Paranhos Schafer, de 24 anos, é um recém formado engenheiro pela UFRGS e optou por fazer um intercâmbio antes de entrar no mercado. Ele foi para os Estados Unidos fazer um curso de inglês com trabalho temporário e, segundo ele, achou “um modo rápido de ter um diferencial na hora de procurar emprego e ainda ganhar algum dinheiro nesse meio
“O brasileiro está procurando melhorar o seu currículo para estar a frente na corrida por um emprego” tempo”. Thainá Zelante Cordeiros, estudante de jornalismo de 19 anos, também irá fazer intercâmbio, porém,
ela optou por ficar hospedada em uma casa de família como babá por um ano nos Estados Unidos. O Au Pair, “par” na tradução literal do francês, consiste em, enquanto aperfeiçoa a lingua materna do país em um curso de idioma, o intercambista recebe um salário por cuidar das crianças e alguns afazeres domésticos pequenos. “Além de ser um intercâmbio mais em conta, eu sempre fiz trabalhos voluntários e adoro criança. Achei que seria uma boa maneira de ganhar dinheiro, fazendo o que eu gosto, e melhorar o meu inglês”, ela explica. Quer fazer intercâmbio? Maura Leão também dá algumas dicas para quem está interessado no intercâmbio. Ela diz que é essencial ir em uma agência, falar com um agente de viagem e ver o que se encaixa nas suas preferências e no seu orçamento. Além disso, ir para países com uma moeda não tão valorizada em relação ao real baixa os custos da viagem.
Making Of Um dia, como de costume estava vendo um jornal televisivo, ouvi sobre como o intercâmbio aumentou no último ano. Ao pesquisar um pouco, descobri um número grande do aumento do intercâmbio para fora do país nos últimos anos. Precisei enviar alguns e-mails e fazer algumas ligações para descobrir porcentagens maiores ainda. Resolvi cruzar as informações que coletei da minha entrevista com a diretora da BELTA com dados sobre a economia brasileira. Encontrei uma economista da UFRGS aberta a responder todas minhas perguntas. Com todos os números e opiniões profissionais já coletados, senti que precisava uma opinião de um intercambista. No dia em que fui tirar fotos de uma agência de intercâmbio, esperei alguém solícito sair da agência para eu fazer algumas perguntas. Carlos e Thainá renderam ótimas entrevistas com todo o material que eu necessitava. Estava nascendo minha matéria. Montar todas 5 páginas de dados que eu coletei em um texto foi a parte mais fácil. Com mais de uma semana para o deadline, eu escrevi, apaguei e reescrevi o que, depois de duas horas, se tornou a matéria pronta. Essa reportagem foi o resultado de quatro semanas de muita procura por pauta, entrevistas, dados e citações. Posso dizer que fiquei orgulhosa de minha matéria. 27
Economia
Morador de rua custa R$ 1.500 à Prefeitura O censo de pessoas sem moradia tem falhas e o investimento público é insuficiente
A
Secretaria Municipal de Assistências e Desenvolvimento Social gasta cerca de R$ 189 milhões por ano com serviços sociais e acolhimento. Segundo dados da secretaria, gastam-se cerca de 75% para pagar psicólogos, assistentes sociais e orientadores socioeducativos. O último Censo da População em Situação de Rua, realizado em 2015, pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) calcula que 16 mil pessoas se encontram em situação de rua sendo apenas 8.570 acolhidas. Esse levantamento causa contradições com os principais centros de acolhimento em São Paulo. “O censo diz 16 mil, mas a impressão de quem trabalha com essa população diariamente é que esse número seja bem maior”, admite o Simon Bernadi, padre missionário da Fraternidade da Esperança do Arsenal da Esperança há 10 anos. Desde seu funcionamento, o Arsenal acolheu 53 mil pessoas em situação de rua e recebe cerca de 1200 pessoas, por dia.“É difícil medir a situação, mas é evidente. Só percorrer da Breeser até a Sé”, afirma Simon. Os critérios do censo classificam a população em situação de rua como pessoas que “utilizam alternativas de pernoite diferentes da moradia convencional como parques, centros de acolhida, praças e demais espaços públicos”. Moradores com seus abrigos são desconsiderados. “A prefeitura não considera o pessoal de Paraisópolis como moradores de rua. 28
Mesmo estando em barracos, eles vão aos mesmos lugares que os moradores de rua são atendidos”, declara Padre Júlio Lancellotti, coordenador Pastoral do Povo da Rua de São Paulo. “O orçamento da população de rua é de R$ 150 milhões, ou seja, cada pessoa que está na rua custa R$ 1.500 à prefeitura por mês para ficar do jeito que eles estão”, afirma. Em nota, a prefeitura afirma que o orçamento previsto
“A prefeitura não considera o pessoal de Paraisópolis como moradores de rua. Mesmo estando em barracos, eles vão aos mesmos lugares que os moradores de rua são atendidos” para a população em situação de rua em 2017 é de R$ 228.353.398,00, contemplando todos os convênios, contratos, locações, material de distribuição gratuita, material de consumo e permanente. Motivos O aluguel é um dos motivos da permanência nas ruas e abrigos. Em janeiro aumentou para 0,7%, primeira vez em 19 meses segundo o Sindicato da Habitação (SecoviSP), acompanhado também do desemprego que de acordo com a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), só em São Paulo cresceu 16,2%
Beatriz Araujo
Beatriz Araujo
Investimento para a população em situação de rua é insufieciente
(dezembro) para 17,1% (janeiro). “Essas pessoas sempre tiveram um trabalho para fazer, ainda que seja um trabalho informal, um bico de um dia. Eles estão muito parados, antes tinham um bico, trabalhavam em obras e só formavam fila no Arsenal depois das 16h00min, agora, tem gente que sai da casa esperando entrar de novo”, afirma Simon. Olhar positivo Quanto ao processo de acolhimento e medidas implementadas, Simon olha em outra perspectiva: “Nosso indicador de sucesso é quando a pessoa não volta mais, números são importantes, tanto para saber a gravidade da situação quanto para quem tenta fazer alguma coisa em prol dessas pessoas. Não digo que seja a solução. Acredito que juntos é possível dar uma resposta positiva”, declara. Em janeiro, foi lançado pela prefeitura o programa Trabalho Novo que tem como meta conseguir empregar 20 mil pessoas até o final do ano que se encontram em
situação de rua. As empresas pagarão salário mínimo mensal (R$ 937) acompanhado de vantagens. Em março, completou-se dois meses do programa Cidade Linda. Alvo de grandes polêmicas, o programa afetou alguns moradores, principalmente os que se encontravam na Praça XIV Bis que foram deslocados, desde o começo do ano, para quadras de futebol cercadas por uma tela verde.
“Acredito que juntos é possível dar uma resposta positiva” A prefeitura justifica a ação para a segurança dos moradores e afirma que nada tem a ver com o programa. Fato é que os mesmos só querem o que não foi até agora oferecido: emprego e casa. A atual gestão prometeu a transformação do centro de acolhia da cidade, chamado “Espaços Vida”, até o fim de março.
Making Of A ideia da pauta surgiu após uma viagem de volta para casa ao passar pelo caminho repetidamente, notei a quantidade de barracas estruturadas, pertences ao redor e muitas pessoas em situação de rua para pouco espaço. Comecei a questionar se houve o aumento deles nas ruas. Fui à procura de locais que acolhem pessoas em situação de rua, foquei em uma única região: Mooca. Recorri a Pastoral Povo da Rua à procura de informações, pois queria saber se algo de diferente fora notado, se houve alguma alteração quanto aos dados. Por ser uma matéria que trabalha com dados, precisava de atualizações e levantamentos recentes, essa foi minha maior dificuldade. Decidi focar nos gastos da prefeitura que já foram feitos para esses moradores, a visão dos locais de acolhimento e as expectativas para com a nova gestão de São Paulo. Aproveitei a dica dada ao Padre Julio Lucelotti e fui ao Arsenal da Esperança. A conversa com o missionário Simon Bernardi serviu para obter um olhar positivo sobre a atuação das casas de acolhimento. Com o Censo, peguei as informações mais importantes e relacionei ao contexto que esses moradores se encontram, já gastos são difíceis de serem levantados devido à imprecisão, o que me fez depender da resposta breve da prefeitura. Apesar das medidas voltadas a essa população, o investimento atribuído é insuficiente. DIRETRIZ
Economia Os caminhos do comércio
Cerca de um ano após a mudança de poder no Governo Federal, setor caiu 5% Making Of
O cenário econômico atual não é dos mais amigáveis. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o setor de serviços apresentou queda de 5% em 2016, a maior desde 2012. Na região da Universidade Presbiteriana Mackenzie, os estabelecimentos comerciais também sentiram o impacto da crise. Felipe Silva, 19 anos, gerente da Estação dos Doces, que fica próximo à saída da Consolação, contou que o movimento caiu em relação ao ano passado, sendo mais forte nos horários de saída do Mackenzie. Ele diz que isso, junto à abertura de concorrência, causou uma queda de rendimento de cerca de 20 mil para aproximadamente 6 mil reais mensais, o que afeta no planejamento para as férias (quando a loja trabalha em períodos mais curtos); ele acrescenta que é preciso aproveitar a clientela enquanto esta ainda frequenta as redondezas. O estabelecimento vende principalmente salgadinhos, doces e bebidas, para quem tem fome e pressa. Dentre tudo isso, o destaque no aumento de preço vai para as bebidas, tanto por causa da crise, quanto pela alta demanda devido ao intenso calor desse início de ano. Felipe se mostra cético quanto ao futuro: acredita que as coisas continuarão iguais, e teme que podem até piorar. Grande vs Pequeno No caso de comércios de maior porte, o cenário foi levemente diferente. Regina Ribeiro de Araújo, 41, vendedora da Livraria Saraiva, na Rua Maria Antônia afirma que em comparação a fevereiro passado, as coisas DIRETRIZ
André de Godoy
André de Godoy
Felipe Silva, 19, da Estação dos Doces: descrente de que o setor verá alguma melhora num futuro próximo.
melhoraram um pouco, e diz esperar por um ano diferente, até mesmo devido ao saque do FGTS. Regina diz ainda que o que mais mudou o movimento no setor não foram necessariamente as mudanças no cenário político, mas sim o uso da internet, que facilitou a compra de material e livros, sem ter de sair de casa. Regina disse que como as editoras aumentaram os preços dos lvros, asdiversas promoções realizadas não mudam muita coisa.
“As diversas promoções não mudaram muita coisa”
Para deixar claro como as situações são diferentes, outro estabelecimento de pequeno porte, a MackBanca, localizada na esquina das ruas Itambé e Maranhão, sentiu o impacto da crise também. A dona do estabelecimento, Helena Jardim, 67, diz que o movimento apresentou uma queda de cerca de 30% em relação ao ano anterior. Ela acredita que 2017 será um ano de estabilidade, mas que tendo paci-
ência e com o governo atual, as coisas voltarão aos trilhos. E o futuro? Mas o que os especialistas têm a dizer sobre o caso? De acordo com a economista Juliana Inhasz, professora de economia do Insper, devido ao forte impacto que o setor em questão sofreu com a crise, “... 2017 ainda não será um ano bom para o setor de serviços, muito embora o arrefecimento da crise deve aquecer novamente este setor, fazendo com que ele pare de retroceder.”. Para ela, um dos fatores que pode ajudar o setor a se recuperar futuramente são as diversas reformas implementadas ou previstas pelo Governo Federal. Dentre elas, o destaque foi dado à reforma trabalhista, por afetar um grande número de brasileiros, e à reforma da previdência, a qual “deve alterar o perfil de consumo das pessoas uma vez que demorarão mais a se aposentar. Isso pode levar estes trabalhadores a gastar mais com planos de previdência complementar que devem reduzir consumo no curto prazo”. Mesmo com essa avaliação do cenário, há um fator que
pode, segundo Juliana, dar uma leve impulsionada no comércio: o saque do FGTS, aquele que Regina mencionou. Para a economista, o dinheiro obtido dessa maneira deve ser usado para o consumo, tendo em vista o perfil geral do brasileiro. O impacto não deve ser muito expressivo, pois a quantidade de dinheiro por saque tem sido pequena, e trará maiores mudanças nesse e nos meses mais próximos.
“O dinheiro obtido assim será usado para consumo”
Para concluir, ela diz esperar por um resultado próximo da estabilidade em 2017, o que não deixa de ser melhor que o do ano passado. Mas isso deve indicar somente que a economia parou de retroceder. Sua previsão é de que a recuperação efetiva do setor só ocorrerá quando a economia voltar a crescer, provavelmente em 2018. Assim, os consumidores e comerciantes podem ficar mais tranquilos esse ano, pois, pelo jeito, o futuro não trará outro como 2016.
A ideia para a pauta surgiu após me deparar com uma matéria da Folha de São Paulo, de 15 de fevereiro, que tratava do impacto da crise teve no setor de serviços. Sabendo de como os comércios da região dependem do Mackenzie para sustentarem, decidi fazer uma matéria que se limitasse a tratar de como estava o comércio na região após todas as mudanças que observamos durante o ano passado, para saber como a crise havia atingido o setor de fato. Durante o processo de apuração, a maioria das fontes se disponibilizou sem problemas para as entrevistas e para a captura das fotos. Apenas um ou dois comerciantes que eu pretendia entrevistar se negaram a participar; a entrevista com a economista foi das mais fáceis, pois ela se disponibilizou a colaborar prontamente também. A parte mais difícil foi, na verdade, conseguir boas fotos. Como se tratava de um tema com muito enfoque em personagens, acabei tendo de me esforçar para conseguir que as fontes concordassem também em tirar fotos para aparecerem na matéria. A única fonte que concordou em aparecer nas fotos foi Felipe, da Estação dos Doces. O processo de apuração, no entanto, foi bastante tranquilo, e forneceu até mais material do que era necessário para a confecção desta matéria. Portanto algumas fontes e informações tiveram que ser deixadas de lado, mas nada que comprometesse o produto final. As informações cedidas pelasfontessecomplementaram bem no texto final. 29
Economia
Um novo modelo de negócio Com aplicativos de entrega de comida, restaurantes aumentam seus lucros Lucas Soares
“Comecei a usar o serviço a três anos, na época estávamos quase fechando” Criado em 2011, o ifood já conta com 15 mil restaurantes cadastrados e tem uma média de 150 mil pedidos por dia, segundo dados divulgados pela acessória do 30
serviço. Recentemente a plataforma também incorporou o HelloFood, outro importante representante do segmento no Brasil.
Lucas Soares
O mercado de restaurantes vem passando por um processo de mudança com o surgimento de serviços que terceirizam a entrega de comida como ifood, Ubereats e Hello Food. Através de uma parceria com fornecedor, a empresa faz a divulgação e realiza a entrega do produto, cobrando a taxa de transporte e 10% do valor do prato. Dessa forma muitos estabelecimentos, vêm utilizando o método para aumentar seus lucros. É o que diz Nando Alves, 52 anos, proprietário do restaurante Tavares, na zona oeste de São Paulo “Comecei a usar o serviço a três anos, na época estávamos quase fechando” Segundo dados da associação brasileira de bares e restaurantes, só em 2016, o mercado movimentou R$ 230 bilhões, desses, cerca de R$ 8 bilhões apenas com o delivery através de aplicativos “40% do meu faturamento vem do ifood, antes tinha meus próprios entregadores, hoje nem compensa mais. “ Completa Nando.
Avaliação dos clientes O consumidor também tem vantagem “É muito mais fácil escolher, tem várias opções de restaurantes em um mesmo ambiente. “, diz o motoboy, Anderson Donatto, 36 anos, que já usa o serviço a algum tempo “Como moro sozinho, essa se tornou minha principal forma de comer”, acrescenta. A interface do aplicativo também ajuda, “É um cardápio muito variado, tem de tudo, muito mais do que se eu for em um restaurante”, completa Anderson, o número de usuários também vem crescendo, estimativas apontam um aumento de até 100% no número de usuários até o próximo ano. Para a analista de sistemas, Jéssica Cordeiro, 29 anos, o serviço é bom, mas tem ressalvas “Já tive problemas com cobrança indevida no meu cartão de crédito”. Jessica diz ainda, que apesar dos problemas, permanece utilizando os serviços “Com uma variedade tão grande de opções no mercado, sempre é possível encontrar uma plataforma confiável. Já o estudante Leandro Castro, 24 anos, diz que que já levou mais de duas horas para receber um lanche que segundo o aplicativo levaria 45 minutos “Quando chegou
Busca por restaurante no site do Ifood
eu já tinha perdido a fome, entrei em contato com o serviço de atendimento ao cliente e com o restaurante, mas ninguém sabia resolver o meu problema.” Mercado em crescimento Para atender a demanda de um mercado em expansão, surgiram aplicativos que focam em categorias de públicos específicos, como o Meatless, serviço de delivery criado em 2006, que trabalha apenas com restaurantes de comida vegana e já conta com mais de 20.00 downloads. Segundo Dimitri Fernandes, 28 anos, um dos idealizadores do projeto, para crescer em um mercado competitivo é necessário ser diferente das grandes marcas “É necessário estar próximo dos maiores concorrentes quanto a tecnologia e qualidade, e conseguir se diferenciar como marca e falar com o nosso público de uma forma única”
Dados do IBGE, apontam que o mercado vegano cresce 40% ao ano desde 2012 e pelo menos 8% da população de brasileiros se diz vegana. “Identificamos um mercado em expansão, porém ainda pouco profissional e com soluções nichadas para esse público” explica Dimitri.
“É necessário estar próximo aos grandes concorrentes quanto a tecnologiagia e qualidade.”
Apesar de contar com um público segmentado, Dimitri completa que o serviço conta com bastante fidelidade de seus clientes, segundo Dimitir “Hoje 60% dos nossos usuários utilizam apenas o Meatless como plataforma de delivery seja pela praticidade ou seja pela causa do crescimento do vegetarianismo”
Making Of Nunca havia realizado uma matéria de forma individual anteriormente, pensar na pauta e em todo o processo de desenvolvimento foi bastante complicado sozinho. Mas após certa dificuldade consegui chegar a pauta final, entrevistar donos de restaurantes que utilizam serviços online de delivery de comida para aumentarem seus lucros, apesar da temática simples, me interessei bastante pelo tema. Após iniciar minha visita as fontes, percebi que apesar de ter uma grande seleção de locais, comparecer a todoso eles seria inutil, pois em sua base, eram todos semelhantes. Portanto passei a ver necessidade de buscar fontes com temáticas diferentes. Resolvi entrar em contato com as grandes empresas de delivery as quais se encaixam na minha matéria, como Ifood e outras do gênero. Inicialmente encontrei problemas, a primeira empresa que tentei falar, disse que não disponibilizava sua equipe para entrevistas. Finalmente encontrei o Meatless, empresa a qual consegui contato e realizar a entrevista. A produção foi conturbada, encontrei muitos problemas para tornar meu texto coeso e encaixar as fontes, a primeira versão, ficou um grande retalho de frases ditas pelos meus entrevistados, realizei então algumas modificações, busquei estatísticas e aprimorei meu texto, tornando mais objetivo e finalizando a matéria DIRETRIZ
Economia Degraus para o futuro
Professores de cursinhos populares e privados contam sobre as dificuldades para lecionar
Os cursos preparatórios, populares e particulares, para o ingresso à faculdade, são diferenciados, principalmente, de acordo com os profissionais da educação, pelo modo de retorno dos alunos ao que éensinadoeadisponibilidade de recursos financeiros para a produção das aulas. Rozangela dos Santos Alves, vice-diretora da Escola Estadual Professor Rogério Levorin, de 48 anos, é uma das responsáveis pela continuação do cursinho popular Liceu, em Francisco Morato. Ela explicou que por mais que haja vontade de oferecer mais aos alunos, como merenda escolar, um material
“Eles não pedem nada em troca” didático mais completo e meios tecnológicos para melhorexposiçãodosconteúdos tratados em aula, a falta de verba governamental é uma barreira para isso. “Às vezes, você quer fazer um projeto e tem que comprar as coisas, ou, então, precisa de doação e nem sempre você consegue”, expôs Rozangela. Porém, ainda que haja esse empecilho,ocursopreparatório popular Liceu conta com umcorpodocentedesomente professores voluntários, além de, esse ano, ter recebido mais inscrições para o pré Enem comparado ao ano anterior, o que fez com que de uma turma, passasse a ser duas, com 50 alunos em cada. “Eles [os professores] não ganham um real. Eles chegam aqui, todos os sábados, 09h da manhã. Alguns trabalham até 13h30 e outros até 16h30, com a maior felicidade do mundo. Eles não DIRETRIZ
Juliana Garcia
Alice Arnoldi Juliana Garcia
Pátio utilizado pelos estudantes do Cursinho Liceu para aproveitarem os intervalos e terem lazer pedem nada em troca”, relatou Rozangela. O voluntariado Um exemplo disso é o professor de Biologia, Renan Damasceno, de 23 anos, que por estudar desde o Ensino Fundamental na Escola Estadual Professor Rogério Levorin e ter como meta sua formação como professor, foi convidado para participar do projeto pelo seu professor de Sociologia da escola, que incentivava, durante as aulas, discussões saudáveis sobre assuntos importantes. Mais tarde, paralelamente, trabalhou em um cursinho privado da região, o que o levou a vivenciar as duas realidades distintas da área educacional. Enquanto que, no curso preparatório particular Renan não precisava se preocupar com a disponibilidade de recursos, no cursinho popular era sempre necessário o revezamento das salas multimídias, assim como dos utensílios tecnológicos, por exemplo, caixas de som. Isso, segundo o professor de Biologia, não faz com que o aluno não consiga aprender o conteúdo,mas,casohouvesse a possibilidade do uso de to-
dos os recursos, a elaboração da aula poderia atender mais demandas, já que “tem gente que é mais visual, auditiva, ou sinestésica”, ou seja, cada aluno tem a sua forma para melhor aprendizagem. O reconhecimento Já como um dos pontos positivos do método de ensino, do curso popular Liceu, está obomrelacionamentodoprofissional da educação com o estudante. “Isso [a proximidade] é algo que nós desenvolvemos aos sábados, no cursinho voluntário. Nós tentamos quebrar essa barreira entre professor e aluno”, explicitou Renan. Isso faz com que tais estudantes tenham mais facilidade para se relacionarem entre si e com o educador. O mesmo ponto foi levantado pelo professor de história do curso preparatório Poliedro Daniel de Carvalho, de 27 anos. Ele, que também teve a chance de lecionar tanto em cursinho popular como em privado, expressou que os perfis dos estudantes de cada instituição se diferem bastante. Enquanto que, ao trabalhar com o aluno que frequenta o particular é necessário ajudá-lo a entender que o conheci-
mento oferecido pela escola, muitas vezes, é superficial comparado ao exigido para ingressar à faculdade, com o aluno do popular é diferente, pois, além da sua presença ser por realmente querer frequentá-lo,“vocêtrabalhacom alguém que não tem base nenhuma, o que, às vezes, é até mais gostoso, já que você se torna mais ou menos um professor de escola, ajudando a construir a base e a incentivar o pessoal”, explanou Daniel, Além disso, o reconhecimento do estudante do curso preparatório popular é mais evidente,segundooprofessor de matemática Idailson Araújo Junior, de 35 anos, do Cursinho do Povo, mas que pôde fazer tal comparação por já ter ensinado também no Anglo. “Eles são muito dedicados,empenhadoseacreditam que a aprovação em uma boa universidade pode mudar a vida deles. Logo nas primeiras semanas, eles percebem o quão grande é o abismo entre o que aprenderam na escola e o que será cobrado em um vestibular. Comentam e elogiam muito a dinâmica das aulas também, o que é bem diferente do habitual”, explicitou Idailson.
Making of A pauta sobre as diferenças existentes entre os cursos preparatórios, populares e particulares, para o ingresso à faculdade, surgiu após a leitura da reportagem, no blog da Folha de São Paulo, sobre a realização da inscrição do aluno no cursinho pré-vestibular gratuito CPPU. Desde o começo da produção da matéria, nós sabíamos que as diferenças entre as formas de educação dos cursinhos existiriam, principalmente, em decorrência da disponibilidade de recursos financeiros para a produção das aulas, dos materias utilizados e até mesmo os itens tecnológicos audiovisuais. Mas não sabíamos o tamanho do contraste até que visitamos o curso preparatório popular Liceu, em Francisco Morato, e conversamos com a diretora e um dos professores voluntariados. Além dos 40 minutos de trem, 20 de metrô e o grande morro que subimos em 30 minutos, descobrimos que todos os educadores são voluntários, o material é feito por eles e não há verba sequer para oferecer merenda aos estudantes, obrigando-os a trazer comida de casa. Então, como jornalistas que fizeram o mesmo percurso que os alunos fazem para chegar à escola, puderam conhecer as salas, os professores e até mesmo os lugares de lazer disponíveis, somos capazes de dizer que materiais sofisticados, salas climatizadas, projetores, caixas de som e até mesmo refeições diárias não são recursos oferecidos a todos. Portanto, é perceptível que a educação brasileira não é conquistada e nem vivida facilmente pelos jovens. 31
Cotidiano
Uma praia em pleno asfalto
Projeto PIPA oferece cadeiras e barraquinhas de comes e bebes para o lazer dos visitantes Que tal uma praia em pleno centro da cidade? A praia urbana do projeto PIPA SP tem areia, cadeiras de praia e um clima de tranquilidade. Localizada no bairro da Bela Vista e inaugurada no dia 4 de fevereiro, o espaço, sem mar, mas com dois chuveirões, é a nova opção de lazer dos paulistanos. O projeto foi idealizado pelo empresário Armando Onofri e recebeu o nome “PIPA”, inspirado na famosa praia de mesmo nome, localizada no Rio Grande do Norte, e por fazer alusão à brincadeira e à liberdade. Com o objetivo de transformar áreas abandonadas da cidade em ambientes de convivência, a ideia pretende atingir outros locais de
“Gosto muito daqui, mas acho que falta um pouquinho de organização” São Paulo. Antes de se tornar um local para entretenimento, foi necessário um processo de limpeza e desocupação do terreno. “Quando achei esse lugar, ele estava bem sujo. Comecei a limpar e vi essa possibilidade. Pensei: imagina colocar uma areia aqui, um chuveirão?”, conta Onofri. Todo o processo durou cerca de um ano, entre projeto, execução e finalização. Na praia urbana não é permitido entrar com alimentos e bebidas. Animais de estimação não podem permanecer na areia, que é rastelada todos os dias, 32
para retirar a sujeira, e coberta à noite. O espaço é particular e não conta com ajuda da prefeitura. Para arcar com os custos, são vendidos alimentos e bebidas em barraquinhas na praia. Esses comerciantes repassam uma porcentagem do que ganham para que o projeto possa se manter. Além disso, a manutenção é feita pela iniciativa em conjunto de voluntários. Moradora do bairro há 40 anos, Dirce de Vasconcellos aprova a ideia e acredita que o espaço contribui para a socialização dos vizinhos, “Achei uma maravilha, pra gente tomar sol, e o cachorro se distrai”, comenta. Por outro lado, Giane Seino, empresária e árbitra de futebol, salienta que o local precisa de melhorias: “eu gosto muito daqui , mas acho que falta um pouquinho de organização. Poderia ser muito melhor”. Ela também enfatiza a falta de divulgação, para atrair o público. A empresária destaca que na região há poucas alternativas de entretenimento com proposta semelhante. “Tirando isso daqui só tem a Avenida Paulista, aos domingos, e o Parque da Aclimação”. Tranformando o centro Em meio aos prédios da região, um estacionamento abandonado com carcaças de carros antigos despertou a imaginação de Armando. Sem nenhum tipo de ajuda ou patrocínio, o projeto começou a dar os primeiros passos com o seu trabalho. “Tinha muita carcaça de carro velho aqui. Tirei esse entulho por conta própria e investi uma grana”. Aos poucos, o terreno foi sendo
Isabella Ribeiro
Amanda Nascimento Isabella Ribeiro
Projeto PIPA faz praia subir a serra
“Tinha muita carcaça de carro velho aqui. Tirei esse entulho por conta própria e investi uma grana” modificado e recebeu areia, cadeiras de praia, chuveirões e barraquinhas de comidas. O terreno é particular e, para viabilizar a construção da praia, precisou ser alugado. Com a ideia de dar uma nova utilidade aos espaços e permitir a integração de pessoas de todas as idades, o projeto tem como pretensão se expandir para outras capitais que não possuem praia, como Brasília, Paraná e Belo Horizonte, transformando áreas abandonadas em locais de lazer.
Maré alta no preço Quem vai à “praia”, além da diversão, pode aproveitar para saborear diversos tipos de comida. É possível também aos domingos encontrar uma feira orgânica. Embora os alimentos oferecidos sejam de boa qualidade, os preços estipulados estão acima do valor que é encontrado fora do local.
Serviço Praia urbana: Rua Doutor Alfredo Ellis, 198 - Bela Vista Aberta de terça a domingo, das 9h às 21h. É permitida a entrada de animais e os visitantes podem levar piscinas de plástico. Entrada gratuita. Para mais informações, acesse a fanpage do projeto: facebook.com/PIPASP
Making of A escolha da reportagem não foi algo difícil, pois assim que vimos esse tema consideramos bastante interessante abordálo. Optar por uma matéria sobre surgimento de um novo projeto e de uma “praia” em pleno centro de São Paulo foi curioso. Alguns meios de comunicação fizeram textos a respeito, mas percebemos que poderíamos trabalhar o tema de maneira diferente, ouvindo usuários da “praia”. Por ser um projeto novo e pouco divulgado, as informações disponíveis eram: localização, horários de funcionamento e nome do idealizador. Só conseguimos fazer o primeiro contato com o idealizador do projeto via Facebook, o que gerou uma leve apreensão, que foi afastada em função de uma resposta carismática e solícita dele. Conseguimos entrevistálo pessoalmente. Depois desta entrevista, foi necessário buscar pessoas no local que estivessem dispostas a dar a sua opinião sobre o projeto. Essas opiniões colaboraram para o desenvolvimento da matéria de forma mais completa. Recebemos tanto visões positivas quanto negativas. Organizar as informações não foi um processo difícil, porém, ao termos que retirar algumas partes para que o texto pudesse ser estruturado da forma como foi requisitado, sentimo-nos desconfortáveis e inseguras, como se parte do tempo disponibilizado pela fonte estivesse sendo desvalorizado. A construção da reportagem de maneira atrativa, incluindo a escolha das declarações mais interessantes das fontes, foi essencial para o nosso crescimento como estudantes de jornalismo. DIRETRIZ
Cotidiano Contador de bicicletas chega a 1 milhão O transporte não motorizado sobre duas rodas cresce na cidade de São Paulo Marina Marques Marina Marques
Contador de bicicletas da Av. Faria Lima
Em janeiro de 2016, em uma parceira da Prefeitura com o Banco Itaú, a Avenida Faria Lima e a Rua Vergueiro ganharam dois contadores que registram o fluxo diário, mensal e anual de bicicletas. Em fevereiro deste ano, o contador da Faria Lima alcançou a passagem de 1 milhão de bicicletas (uma média de 3 mil por dia). Em novembro do ano passado, a soma dos dois já havia ultrapasso essa marca, atingindo 1,2 milhão de ciclistas, sendo 747.389 na Faria Lima e 505.593 na Rua Vergueiro, dando uma média de 2 mil por dia, segundo dados da CET. A finalidade, além de avaliar o fluxo de bicicletas, é gerar gráficos com informações que auxiliam no direcionamento de investimentos e o desenvolvimento de políticas públicas. O gráfico de fevereiro desse ano em comparação ao mesmo período de 2016, mostra um aumento de 13,5% no número DIRETRIZ
de ciclistas, de 69.628 para 79.006. Renata Falzoni, jornalista e idealizadora do portal “Bike é Legal”, contou que o número foi atingido dentro do esperado. “Seria ainda maior caso as ciclovias estivessem sendo entregues dentro do Plano de Mobilidade. Essa ciclovia foi inaugurada com “apenas” 22 anos de atraso! Estava desenhada e prevista para ser entregue em 1993”, completou.
“O gráfico de fevereiro desse ano em comparação ao mesmo período de 2016, mostra um aumento de 13,5%” Crescimento Segundo dados do Ibope de 2014, 1 ano após a implan-
tação das ciclovias em São Paulo, houve um aumento de 50% de pessoas que usam a bicicleta como meio de transporte no dia a dia, passando de 174 mil para 261 mil paulistanos. Dados de origem e destino mostram que, atualmente, esse número subiu para 370 mil pessoas. A Avenida Paulista, assim como a Faria Lima, registrou um grande aumento no número de pessoas pedalando. A ciclovia mais emblemática de São Paulo, logo após sua inauguração, em 2015, mostrou um crescimento 10 vezes maior, no período de pico, em relação à 2014, passando de 169 para 1.685 pessoas. Planos O atual prefeito de São Paulo, João Dória, declarou que as ciclovias serão mantidas, mas aquelas que não são utilizadas serão removidas. Sobre a continuação da ampliação das mesmas, Dória disse não ter como objetivo.
Segundo o Conselho Municipal de Trânsito e Transporte (CMTT) e a Câmara Temática de Bicicleta, a gestão de Dória não responde aos questionamentos feitos pelos mesmos, nem dá conhecimento de suas ideias e propostas.
“As promessas de campanha estão sendo cumpridas sem um debate com a população” “Não estamos a par das intenções do atual prefeito. As promessas de campanha estão sendo cumpridas sem um debate com a população. Uma obra de ciclovia na Ricardo Jafet, fundamental para a interligação das ciclovias da Zona Central com as da Zona Sul foi interrompida sem as devidas explicações”, disse Renata.
Making Of Essa matéria surgiu de uma forma bem inesperada em um momento turbulento, no qual eu necessitava de uma pauta após a desistência de outras três. Eu já havia pensado em escrever sobre uma frente universitária, sobre uma exposição do Instituto Tomie Ohtake e sobre o fechamento da Rua Palestra Itália em dias de jogos. Desisti da primeira e da segunda por falta de relevância e da terceira por falta de respostas das fontes. Eu procurava por um assunto novo e que valesse a pena ser publicado, após muita procura li sobre a marca alcançada pelo contador da Avenida Faria Lima. Achei interessante abordar essa questão e ampliá-la para as ciclovias no geral. É um assunto muito importante tanto para a população quanto para as futuras gerações e pouco lemos ou ouvimos sobre os planos do atual prefeito, João Dória. Após muitos e-mails para sites que pautam a questão da bicicleta como meio de transporte ativo, finalmente tive resposta de fontes das quais eu corri atrás e tive o prazer de receber uma e-mail da Renata Falzoni, uma pessoa muito engajada no assunto, e desenvolvi a matéria. É uma matéria que necessita expor muitos números, então me dediquei ao máximo e pesquisei por muitos dias todos os dados para que não faltasse nada e saísse como o esperado 33
Cotidiano
Cai violência no bairro da Consolação Dados do SSP mostram a diminuição de casos de roubo no bairro
O crime que mais diminuiu foi o roubo, com 15,1% a menos do que no mesmo mês de 2016. Já o furto teve uma diferença pequena, totalizando 1,1%, de acordo com estatísticas divulgadas pela Secretaria da Segurança Pública de São Paulo. Os casos de roubos e furtos diminuíram no bairro da Consolação no primeiro mês de 2017, enquanto cresce nos bairros vizinhos. Já nos bairros como Santa Cecília, ambos os crimes tiveram um significativo aumento nos casos. O roubo aumentou em 19,3% e o furto em 17,7%. O número também cresceu no roubo de veículos, com nenhuma diferença nos furtos. Já na República, houve aumento de 7,6% nos roubos e apenas um caso a mais nos furtos. No 4º DP – Consolação, furtos e roubos de celulares são as ocorrências mais comuns da região, de acordo com o investigador Fernando. “Não há uma época do ano que haja mais crimes. Até o clima afeta. Numa sexta-feira no começo do mês, fazendo calor, vai ter muito assalto”, afirma. “O pessoal que acabou de receber vai para os bares e as baladas por aqui”. O 3º DP – Campos Elíseos, que cobre o bairro da República, registrou 4, 359 casos de roubo e 7, 975 de furto em 2016. Na Consolação, foram 2, 397 e 5, 337 respectivamente. O bairro de Santa Cecília foi o que menos teve casos, no total, com 1, 611 e 2, 854. Em comparação, houve apenas sete casos de tenta34
Victória Anhesini
Victória Anhesini
tiva de homicídio em Santa Cecília em 2016. Na República, 25 casos no total, e na Consolação, somente dois casos ao longo do ano. Porém, o número de estupros cresceu em todas as regiões em relação ao ano anterior.
“Numa sextafeira no começo do mês, fazendo calor, vai ter muito assalto” A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo possui o recurso de registrar ocorrências online. Os casos de roubo e furto de veículo, celular, documentos e placas de veículos, ameaças, roubos sem danos ou vítima de lesão corporal e morte, desaparecimento e encontro de pessoa desaparecida, injúria, calúnia ou difamação e casos de acidente de trânsito sem vítimas são aceitos. Há tipos de formulários diferentes no momento do registro, indicados no website. Para ocorrências que não estão incluidas nas opções, é preciso ir a Delegacia de Polícia mais próxima. O boletim de ocorrência é enviado por e-mail e tem o mesmo valor do mesmo feito em delegacias. Também é possível realizar denúncias pelo website, sendo contra policiais ou criminosos, mantendo a identidade do informante anônima, caso a mesma seja requisitada. Em caso de assalto, é re-
Frente da Delegacia de Polícia da região da Consolação
comendado que a vítima não reaja de forma alguma, principalmente se o assaltante estiver acompanhado e com armas de fogo. O mais importante é manter a calma para que a integrida-
“O pessoal vai receber o salário e ir para as baladas por aqui”
de física e mental seja conservada. Numa situação de furto de celular, o mais comum da região da Consolação, realizar o boletim de ocorrência é necessário para que seja possível o bloqueio do celular. O bloqueio é executado pelo IMEI (International Mobile Equipment Identity), um número que identifica o
celular pela rede. Todos os aparelhos possuem um. Se houver a recuperação, somente a Polícia Civil pode desbloquear.
Delegacias de Polícia mais próximas:
As delegacias são acessíveis e próximas da Universidade Presbiteriana Mackenzie 3º DP – Campos Elíseos: Rua Aurora, 322 (11) 3223-9839 4º DP – Consolação: Rua Marquês de Paranaguá, 246 (11) 3256-4148 77º DP – Santa Cecília: Alameda Glete, 827 (11) 3221-5860 Website da SSP: http:// www.ssp.sp.gov.br/
Making Of A ideia original surgiu de um grupo de Facebook. Uma associação de moradores de um bairro reclamava da violência que crescia pela região, e por isso, resolveram criar um abaixo-assinado, para que a Polícia Civil e Militar pudesse aumentar a segurança por lá. Era importante relacionar a segurança com o público-alvo do Diretriz, ou seja, os alunos do Mackenzie e os moradores do Higienópolis e da Consolação. Então, verificando os dados, percebi uma queda nos números de assalto e furto de um ano para o outro, comparando os meses de Janeiro de 2016 e de 2017. Depois disso, então, não foi muito difícil pensar em como complementar a matéria. Depois de pensar na estrutura da matéria, e recolher todos os dados que estavam disponíveis no site da Secretaria de Segurança de São Paulo, conversei com um investigador que trabalhava no Distrito Policial da Consolação. Ele havia dito que não poderia revelar muito, mas conseguiria me responder algumas coisas, e assim foi feito. De maneira simples e eficaz. Quando fui visitar o lugar, poucas pessoas estavam presentes e conversavam entre elas. Uma moça chorava em um canto, junto com o namorado. Os outros comentavam o que havia acontecido com eles, e aos poucos, eles foram atendidos.
DIRETRIZ
Cotidiano Mobilidade em dois cliques
O efeito do Uber na vida de quem utiliza o serviço de transporte
As vantagens oferecidas por aplicativos como o Uber causaram uma mudança no transporte individual em São Paulo. Se antes o passageiro só tinha o táxi ou o transporte público para se locomover, agora são várias as opções de aplicativos que aparecem na palma da mão pelo celular. Ao chegar em 2014 no Brasil, a ideia da Uber era oferecer atendimento de qualidade e preço justo aos passageiros. Desde a sua chegada, as polêmicas em torno do serviço não pareceram abalar tanto a demanda de clientes e motoristas que atende. De acordo com o site oficial da empresa, são mais de 50 mil motoristas parceiros no Brasil e mais de 8.7 milhões de usuários no Brasil. A empresa oferece dois tipos de serviços principais: UberX onde o carro é exclusivo para o cliente e o UberPool,ondeosistemaseleciona pessoas que farão um percurso parecido com o seu para dividir a conta final. Os passageiros Os usuários do aplicativo vão desde pessoas que usam o meio diariamente. Nota-se que a maioia dos usuários do aplicativo são jovens. Como Letícia Ladocio, estudante de 22 anos. “Facilita muito minha vida, na volta de festas, da faculdade. Uso muito o UberPool, acredito que diminui o número de carros na rua, sendo assim melhor para o meio ambiente”, diz ela. Até para pessoas que só usam em emergências. Como é o caso de Alessandra Herreira, publicitária, 21 anos. “Quando não tem ônibus ou esqueço de carregar o bilhete, ele me salva. Além disso, dias de chuva, festas com bebidas, DIRETRIZ
Foto: Carolina Huertas
Bruna Liu Carolina Huertas
Davi utiliza o carro como ambiente de trabalho. baladas longe de casa ou até mesmo socorro médico”, conta Herreira. À frente do volante Para quem está dirigindo, no entanto, há vários motivos para quem começa a trabalhar como motorista da Uber. Com o desemprego em alta, se tornou uma alternativa de remuneração até para quem não possui carro próprio. A dona de casa Carolina Carneiro, de 28 anos, trabalhou no ramo por oito meses para complementar a renda de “do lar”, antes de largar por falta de tempo e pelo pouco retorno que recebeu, chegando a ganhar R$40 por dia, longe da meta de R$200 que mantinha. “É um aplicativo que paraquemestádesempregado e precisa faturar é legal, mas você precisa estar disponível sempre”, confessa ela. Carneiro ainda cita o sistema de comunicação entre a empresa e o motorista ser muito difícil por ser em sua maioria, por e-mail, além da segurança de quem dirige. “Não há uma segurança de quem você irá pegar, é um cadastro muito superficial, e outra coisa que não é legal, é quandoeuaceitoumaviagem
e não sei para onde o passageiro vai”, diz a dona de casa. Além disso, complementa contando do trajeto. “O km rodado, me parece que eles calculam o percurso reto, não contam as curvas, então às vezesagenteacabaperdendo por esse cálculo, esse é um problema que o sistema precisa melhorar”, finaliza Carolina. Com desafios por ser mulher, ela diz que: “eu queria provar para mim mesma que mulher pode ser motorista da Uber. Eu conheci muita gente legal, mas não atuo mais no aplicativo devido às despesas e o tempo que eu não tenho”.
“Decidi entrar pra Uber para juntar um dinheiro” Já o motorista Caique Arita, de 21 anos, está há um mês atuando com o aplicativo da Uber, e investe todo seu tempo na área trabalhando de segunda a domingo, e por isso, consegue um lucro maior de uma média de R$2500 por mês. “Terminei minha faculdade de gastro-
nomia, o campo é grande na área, mas o salário está muito baixo. Decidi entrar pra Uber para juntar um dinheiro e poder sair do país”. Para ele as desvantagens,tambémsãoos trajetos da rota. “O caminho que indica, faz com que dê muita volta, e os passageiros não gostam, além de gastar a gasolina”, relata o garoto. Há também quem migra de um serviço para outro. É o caso de Davi Freitas dos Santos, de 29 anos e que há três meses trabalha para a Cabify. Ele conta que quando fez a capacitação para a empresa, 90% de quem estava lá eram da Uber. “Eu estava trabalhando com a Uber, só que ela estava prejudicando bastante os motoristas dando muito mais razão aos passageiros do que propriamente ao motorista. Como deveria haver uma igualdade. Então eu optei pela Cabify, porque ela gera igualdade para ambas as partes”. Entre outras vantagens, Santos cita que a Cabify possui uma comunicação direta com o motorista, “há um call center que você pode ligar que você pode falar de coisas emergenciais”, finaliza o motorista.
Making of Nossa ideia surgiu a partir da materia “Após aporte de US$ 2,1 bi, Uber já vale mais que Ford ou GM” publicada na revista Exame. Decidimos então investigar a realidade dessa empresa que em menos de 10 anos de fundação já está entre as empresas mais ricas do mundo. Queríamos ver se tal serviço também é positivo para os funcionários e clientes, então fomos atrás destes personagens. Buscávamos também falar com profissionais de empresas concorrentes para avaliar o ramo de um modo geral. Começamos indo atrás dos motoristas de Uber, o que não foi uma coisa difícil, pois diversas pessoas conheciam alguém que trabalhava para o aplicativo. Conseguimos 5 entrevistados e selecionamos os que mais se encaixavam no que estávamos procurando. O segundo passo foi buscar os passageiros que utilizavam esses aplicativos para se locomoverem. Conseguimos identificar diversas pessoas, em sua maioria jovens. Selecionamos então, 5 dentre estas pessoas e entre elas os que mais nos interessavam. Já com os motoristas concorrentes não foi tão fácil, ao contrário da Uber, ninguém conhecia alguém que trabalhava para o Cabify, concorrente escolhido por nós para colocar na matéria. Decidimos então baixar o aplicativo, pedir um carro e ir entrevistando o motorista no caminho da corrida. Corríamos o risco de ele se negar a fazer a entrevista, mas tivemos sorte e ele aceitou tranquilamente, vimos que a sorte era duplicada ao escutar sua vivência e descobrir que ele havia saído justamente da Uber e migrado para o novo aplicativo. 35
Cotidiano
Cresce violência contra mulheres negras
Por outro lado, a Lei Maria da Penha diminui a morte de mulheres brancas no país
Desde a entrada em vigor da lei Maria da Penha, aprovada há 10 anos, os homicídios contra mulheres diminuíram 10%, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Mas, observando apenas os casos envolvendo negras, há um aumento de 35% desde 2006. O mapa da violência mais recente, elaborado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais, mostra que de 2003 a 2013, o número de homicídios de mulheres negras cresceu em 54%, enquanto a mesma taxa para mulheres brancas caiu em 10%. No período após a lei da defesa à mulher, de 2006, o número de vítimas cai 2,1% entre as mulheres brancas e aumenta 35,0% entre as negras.
“Isso tudo, ao meu ver, é fruto do comportamento colonial, que está arraigado em nosso país”
Apesar da lei ter sido um grande avanço na sociedade, os seus resultados não alcançam todas as mulheres, muito menos aquelas que sofrem pela marginalização. Ligia Hipólito, jornalista e ativista negra, disse qual é, na sua opinião, a causa para esses dados alarmantes: “Isso tudo, ao meu ver, é fruto do comportamento colonial, que está arraigado em nosso país”, complementa “somos a última pátria das Américas a abolir a escravidão, isso 36
Victoria Ferreira
Lorena Trevelin Victoria Ferreira
Legenda da foto
Secretarias e delegacias da mulher fechadas no sábado, 18 de março. contabiliza apenas 129 anos “Tem alguns policiais que sem correntes” e explica que eu saio, que me dão alguns hoje, muito embora esses conselhos, mas por que eles atos sejam criminalizados, é mesmos não fazem alguma evidente um comportamento coisa?”, disse Andressa PoProjeto criado pela Sepermissivo e agressivo quancahontas, travesti de 18 anos cretaria de Políticas para as do se trata de mulheres não que fugiu de casa há dois, Mulheres da Presidência brancas e isso reflete, claraapós ter sofrido uma tentada República (SPM), tem o mente, nas estatísticas negativa de estupro de seu avô. intuito de proteger mulhetivas (de violência sexual e Ela não procurou nenhuma res de violência, seja física, homicídios). medida legal de proteção e psicológica, sexual ou majustiça por esperar que seria O índice de vitimização trimonial. O agressor não maltratada por funcionários negra, que é a diferença precisa ser necessariamente da área. Contou que certa vez porcentual entre as taxas de o marido, a única especifoi assaltada e agredida pelos homicídios de mulheres de ficação é que a vítima seja ladrões e foi procurar ajuda. ambos os grupos sociais, em mulher, cisgênero, transgê“Eu estava gritando socorro 2003 era de 22,9% em 2013 nero, em um relacionamene passou uma viatura, mas chegou a 66,7%. Os dados to heterossexual ou não. disseram “ah, é veado, travecomprovam que a violência O nome da lei faz co” e foram embora”. Na sua no Brasil leva em conta não alusão à Maria da Penha opinião, a polícia poderia ser só o gênero, mas também a Maia Fernandes, uma mumenos preconceituosa. cor da pele da vítima. Quanlher que sofreu violência dodo fazemos outro recorte e méstica por 23 anos, incluinolhamos para as mulheres do tentativas de assassinato transgênero, encontramos por parte do marido, stituadados que revelam que o ção que resultou na denuncia Brasil é o país que mais do homem, que só foi punido mata travestis e transexuais 19 anos depois. A lei Maria no mundo. Entre janeiro de da Penha é reconhecida pela 2008 e março de 2014, foONU como uma das três meram registradas 604 mortes lhores legislações do mundo no país, segundo pesquisa no enfrentamento à violência da organização não govercontra as mulheres e existe namental (ONG) Transgenpara casos.
Lei Maria da Penha
der Europe (TGEU).
“Eu estava gritando socorro e passou uma viatura, mas disseram “ah, é veado, traveco” e foram embora”
Making Of O início do processo dessa reportagem foi de imensa dificuldade, principalmente quando falamos sobre a escolha da pauta. O mês de fevereiro e início do mês de março foi de intensa procura por pautas e dados que as sustentassem. Durante uma palestra sobre abuso no jornalismo, uma das palestrantes citou um dado divulgado pela ONU, sobre violência contra mulheres negras. Foi exatamente daí que saiu a primeira parte da pauta. A segunda parte, com foco nas mulheres trans, surgiu assistindo ao programa ‘Amor e Sexo’, da Rede Globo, em que este tema foi o foco, percebi que esse era um assunto de pouco conhecimento e não muito tratado. Depois de analisar diversos dados, ler as poucas reportagens sobre o assunto, havia o necessário para leva-la ao professor, que ao observar as pautas separadamente, decidiu uni-las. As entrevistas foram realizadas com personagens, mulheres que sofreram o preconceito e violência na pele e tinham muito o que contar, ter que resumir a fala e escolher quais fatos eram mais importantes foi o mais difícil. O contato com elas nos tornou muito mais sensíveis e nos deu muito mais propriedade sobre o tema. Buscamos explicações e complementos com especialistas, que nos ajudariam a percorrer um caminho mais explicativo e menos impositivo
DIRETRIZ
Cotidiano Vidas submersas no previsível temporal O dia a dia de famílias que sofrem constantemente com as enchentes na cidade de São
Quando começa o verão, moradores de áreas de risco de enchente na cidade de São Paulo já ficam em estado de alerta, preparando-se para as adversidades que vêm junto com a estação mais chuvosa do ano. É assim que se sentem, por exemplo, os moradores da Vila Prudente (zona leste), uma das áreas da cidade que mais sofre com os alagamentos. Dona Lídia de Souza, 65, que mora há 30 anos na Travessa Nelson de Souza Megale, rua perpendicular à Avenida Anhaia Melo (uma das principais vias do bairro), tem sempre o mesmo medo: ver sua casa coberta de água. “Qualquer chuvinha pode dar em enchente”, diz sua nora, Karina Yaje, 38 anos. Segundo elas, a água já chegou a cobrir o carro que estava na garagem. “A gente chega a ficar ilhado aqui”, continua Karina. O jeito foi reformar a casa por conta própria. Construir um sobrado e erguer o chão das moradias foram uma das soluções encontradas pelos moradores da região. Passando pelas ruas que cortam a Anhaia Melo, notase que a maioria das casas é suspensa. “Se estiver chovendo e eu estiver no trabalho, já começo a pensar em ir embora mais cedo pra buscar meus filhos na escola e tentar encontrar um lugar mais alto pra estacionar o carro”, afirma Karina. No período chuvoso, não dá para ter um sono tranquilo. “Começa a chover de madrugada e a gente já fica preocupada”, afirma. São situações que se repetem todos os anos e, segundo as moradoras, a única ajuda relevante da DIRETRIZ
prefeitura é a isenção do pagamento do IPTU para os cidadãos dessas áreas que podem ser alagadas. Elaine Araújo, 54, conta que mora na região há mais de 20 anos e já teve muito prejuízo financeiro devido às enchentes: “sempre que chove, a água sobe e inunda tudo. Já perdi colchão, móveis, geladeira.” Ela explica que a família precisou reconstruir a casa nos fundos, de forma a deixála bem mais alta, mas, mesmo
“Começa a chover de madrugada e a gente já fica preocupada” assim, quando chove a água continua entrando na sala. Elaine lamenta que tenta vender a casa e não consegue: “ninguém quer comprar. Primeiro, porque a prefeitura coloca uma placa escrito: ‘área sujeita a alagamento’. Então fica difícil.” Outra preocupação dos moradores é em relação a doenças que essas enchentes podem causar. Elaine afirma que sente medo, porque “entra muita lama e fica um cheiro muito forte, que dura vários dias”. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, a água que entra nas casas pode estar contaminada e transmitir doenças como a leptospirose (provocada por uma bactéria encontrada na urina do rato) e a hepatite A (transmitida pela água misturada com esgoto). Quem mora na região esperava que a entrega do piscinão Guaramiranga (construído às margens do rio Tamanduateí pelo Departamento de Águas e
Crédito: Luíza Tozzato
Beatriz Trevisan Luiza Tozzato
Placa de área sujeita a alagamento, próxima ao metrô, na Vila Prudente
Energia Elétrica do governo estadual) no começo de fevereiro de 2017, depois de três anos de atraso, fosse resolver ou pelo menos diminuir o problema. Porém, segundo as entrevistadas, as chuvas que ocorreram em fevereiro, depois da entrega do piscinão, continuaram resultando em grandes alagamentos, inclusive em mortes. Apesar disso, em nota concedida ao portal G1, a prefeitura de São Paulo afirmou que o piscinão funcionou como o previsto e evitou uma situação ainda pior. Reconheceu, contudo, a necessidade de construção de outros piscinões na região, para sanar o problema. O prefeito João Dória (PSDB-SP) confirmou, na cerimônia de inauguração do piscinão Guaramiranga, sua promessa de construir outros 18 piscinões durante seus quatro anos de gestão. Resta aos moradores acompanharem, para ver se essa promessa será cumprida. Problema isolado? Dona Lídia, Karina e Elaine são apenas algumas das diversas habitantes de Sâo Paulo, que moram em áreas
“A água sobe e inunda tudo. Já perdi colchão, móveis e geladeira” propensas a alagamentos, de um total de 407 regiões de risco de enchentes na cidade, de acordo com um estudo feito em 2010 pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas em parceria com a prefeitura. Outro lado Tentamos entrar em contato com as secretarias municipais e os departamentos responsáveis pelo apoio ao cidadão em caso de enchentes. A Secretaria Municipal de Serviços e Obras declarou não ser responsável pelas áreas de risco de enchentes. Até o fechamento dessa reportagem, o Departamento de Águas e Energia não se pronunciou para responder sobre o mau funcionamento do piscinão Guaramiranga. A Secretaria Municipal de Habitação também não deu nenhuma resposta, e a Subprefeitura da Vila Prudente igualmente não deu um parecer sobre as constantes enchentes que afetam os moradores locais.
Making of A inspiração para essa matéria surgiu a partir da reportagem “Canudos, a cidade do fim do mundo”, publicada no jornal El País, que traz histórias de moradores daquela localidade, que tentavam sobreviver à miséria e à seca do sertão nordestino. Em nosso texto, quisemos mostrar o contrário: pessoas que sofrem em São Paulo com o excesso de água. A ideia era focar em um personagem, com história significativa, para que ele contasse como era seu cotidiano sob o risco de enchentes. Decidimos fazer a matéria na Vila Prudente, bairro conhecido por frequentes alagamentos. Fomos ao local em um dia de semana, com o objetivo de conseguir algumas entrevistas, no entanto, a única pessoa com a qual conseguimos falar foi um homem que trabalhava em uma oficina e que nos ajudou indicando as ruas em que devíamos procurar os entrevistados. Tentamos bater em algumas residências, mas, como era horário comercial, ninguém nos atendeu. Decidimos voltar em um final de semana. Fomos em outros dois finais de semana. Chegando lá, não conseguimos seguir a ideia inicial de focar só em um personagem, por isso, entrevistamos várias pessoas. Conversamos com moradores da Travessa Nelson de Souza Megale e da Rua da Prece, ambas são perpendiculares à Avenida Anhaia Melo. Também falamos com moradores da Rua São João do Sabugi. Tentamos entrar em contato com a Secretaria Municipal da Habitação, que não nos respondeu. A Subprefeitura da Vila Prudente também não nos respondeu até o fechamento da matéria. Já a Secretaria Municipal de Obras e Serviços nos disse que não era responsável por enchentes e alagamentos. 37
Cotidiano
Das punições ao retorno
Torcidas organizadas estudam alternativas para volta aos estádios
Os clássicos entre os quatro times grandes do estado com visitantes estão proibidos em São Paulo desde abril de 2016. A medida foi pedida pelo Ministério Público e acatada pela Federação Paulista de Futebol por conta de incidentes envolvendo as organizadas. Os torcedores uniformizados também foram proibidos de levar instrumentos, faixas, bandeiras e entrar fardados com qualquer objeto que faça alusão às entidades. A punição que inicialmente seria apenas em 2016 foi mantida para 2017. Na visão dos torcedores a ausência de torcida visitante prejudica o jogo. Segundo Walter Luis Costa, conhecido como “Magrão”, 50 anos e diretor da Torcida Independente “O espetáculo ficou menos emocionante, as arquibancadas mais vazias e um pouco sem graça. Para mim, torcida mista é bem melhor”. Já Leandro Bafume, 37 anos, conselheiro vitalício da Mancha Alvi Verde e também conselheiro da Sociedade Esportiva Palmeiras concorda com a decisão “Eu acho que o Ministério Público não tinha mais o que fazer. Como não existia diálogo com as torcidas, o jeito foi fazer isso. É possível ter clássicos com duas torcidas, é só conversar com as autoridades, voltar a fazer reuniões e entrar em acordo”. Esse tipo de medida vem tornando-se tendência pelos órgãos e os fãs questionam se há uma melhora efetiva na violência. A Argentina começou a ter jogos nesse molde em 2013, Minas Gerais e Porto Alegre também tomaram a decisão e o governo do Rio de Janeiro acaba de aderir à 38
medida após a morte de um torcedor no clássico entre Botafogo e Flamengo. Outro fator que incentiva a proibição dos visitantes é a opinião de alguns dirigentes. Paulo Nobre, ex-presidente do Palmeiras, relatou em diversas entrevistas que preferia os clássicos disputados com torcida única. Segundo ele, encoraja o torcedor comum a levar sua família ao estádio e também perde-se menos assentos sem as divisórias de torcida. A volta A partir de conversas com membros das torcidas organizadas, a perspectiva é de voltar aos estádios ainda este ano.
“O espetáculo ficou menos emocionante, as arquibancadas mais vazias e um pouco sem graça“
“É uma realidade já, estamos trabalhando para que isso aconteça. Muitos ainda não viram como é uma torcida. Chama mais público para o estádio e a festa que a gente faz, não tem igual” conta Magrão, que relatou à reportagem ter reuniões produtivas com as autoridades sobre o assunto nos últimos dias. “Eles vão liberando aos poucos a nossa volta. Primeiro faixa, bandeira, instrumentos e camisa, isso nos próximos 60 dias, provavelmente para o início do Campeonato Brasileiro. Até a volta das torcidas visitantes, que deve vir no ano que vem”, comenta Leandro.
Foto: Giulio Antonelli
Giulio Antonelli Nicolas Rodrigues
Policiamento toma conta da Rua Palestra Itália em dias de jogos.
Magrão diz que para que a festa volte e permaneça deve haver um acordo entre as torcidas “Estamos trabalhando em conjunto com as outras torcidas e a segurança. Vai a liderança de cada torcida e conversa, para não ter desculpas e ser falado olho no olho” e completa “Com os diretores, as pessoas que tem um discernimento melhor de torcida, nós temos um relacionamento muito bom. O que acontece de violência entre torcidas é mais em bairro, quando tratam de coisas pessoais entre eles”.
“Chama mais público para o estádio e a festa que a gente faz, não tem igual” A reportagem tentou entrar em contato com o Ministério Público, mas até o fechamento desta edição não obteve resposta. Limpeza Na tentativa de acabar com
esse tipo de problema, as torcidas organizadas vêm tomando atitudes para eliminar os “brigões”. Leandro fez parte da reestruturação da torcida Mancha Alvi Verde. Após a morte de Moacir Bianchi, um dos fundadores da entidade, foram excluídos 20 associados por suposto envolvimento na execução, além de outros problemas internos. Também serão modificados alguns pontos do Estatuto da Torcida e foi criado um conselho gestor, que atuará juntamente com a nova gestão. O conselheiro diz que um dos lemas da torcida é “Quando alguém vem fazer o cadastro, uma das primeiras coisas que falamos é que o Palmeiras vem na frente da torcida. Só existimos porque o time existe e nossa função é apoiar, incentivar e cobrar quando necessário”. Magrão citou que sua torcida toma medidas para acabar com o problema “Todos os sócios que se envolvem em algum tipo de confusão e depredação de patrimônio público são expulsos na hora da torcida”.completa o diretor.
Making Of A ideia da nossa pauta foi sobre a punição as torcidas organizadas e clássicos com torcida única. Surgiu após o professor explicar como funcionava o jornal Diretriz, em que ele explica para nós mostrarmos os dois lados da história, tanto dos torcedores como do Ministério Público. Decidido isso, começamos a entrar em contato com as fontes, fomos até a acessoria de imprensa do Ministério Público para marcar uma entrevista com o Dr. Paulo Castilho e lá eles passaram o telefone do secretário dele, Joilson. Ligamos algumas vezes, mas a agenda do promotor estava muito lotada e nós com o tempo muito curto. Fomos atrás das organizadas, primeiro fomos na sede da Torcida Independente, do São Paulo e lá falamos com o Valter Luiz Costa, conhecido como Magrão, diretor da torcida. Alguns dias depois, entrevistamos o Leandro Bafume, um dos conselheiros da Mancha Alvi Verde, do Palmeiras. Ambos atenderam a gente muito bem e contaram um pouco da trajetória das organizadas, desde fundação, brigas, punições e a festa que é feita nas arquibancadas. Podemos concluir que as torcidas organizadas pretendem colaborar com o Ministério Público na questão de punir os associados que estão envolvidos em confusões e estão fazendo o possível para voltar as arquibancadas e também os clássicos com duas torcidas. DIRETRIZ
Cotidiano Diversão para uns, incômodo para outros
Moradores da Vila Madalena apontam impactos negativos dos grandes eventos na região
Localizada na zona oeste da capital paulista, a Vila Madalena é conhecida por ser seus bares, baladas e eventos. Mas num bairro predominantemente residencial toda essa festividade traz problemas a seus moradores e comerciantes. Para o presidente da Sociedade Amigos de Vila Madalena (SAVIMA), Cássio Calazans, a intensa atividade noturna no bairro vem aos poucos degradando a região, que se vê invadida por pessoas que não se importam com os residentes. O uso explícito de drogas, brigas, barulho, vandalismo e muita sujeira são só alguns exemplos que esses moradores enfrentam. Os casos de vandalismo são comumente cometidos por pessoas que exageram no consumo de bebidas alcoólicas e drogas ilícitas e, durante os períodos de pico das festividades, tudo piora e se intensifica. “Esses eventos trazem uma galera que é totalmente indesejada em qualquer lugar, eles colocam fogo em banheiro químico, lixeiras, quebram árvores, não se vê uma parede que não esteja pichada. Além disso, os moradores não conseguem sair de suas casas. Ninguém quer isso para o seu bairro”, argumenta o diretor da SAVIMA. Carnaval O pesadelo desses moradores são os grandes eventos, como o carnaval, que atraem milhares de pessoas por dia ao bairro. Cássio explica que o maior problema do carnaval é a sua durabilidade: “antes o carnaval era comemorado em 4 dias, hoje temos o pré-carnaval, o carnaval e depois o pós-carnaval. Muitas vezes chega a DIRETRIZ
André Arruda
André Arruda Pedro Rotta
Sujeira deixada pelos foliões na região da Vila Madalena
“Ninguém quer isso para o seu bairro”
Páscoa e ainda tem gente festejando”. Ele concorda com a decisão tomada pelo prefeito João Dória (PSDB-SP), de transferir os bloquinhos da Vila Madalena para outras regiões. “Somos um bairro de aproximadamente 60 mil pessoas e com ruas estreitas, não há como comportarmos mais 250 mil pessoas”, completa.
“Pancadões” Até mesmo em finais de semana comuns os moradores perdem o sono. Os chamados “pancadões” (ruído alto emitido por aparelhos de som) são frequentes na região, principalmente nas localidades ao redor de bares e pontos de encontro. O som alto, em sua maioria, vem de carros estacionados e até mesmo dos bares, que muitas vezes não são regularizados ou fiscalizados pela prefeitura, causando desconforto a vizinhança. Mesmo após a regulamen-
tação da lei que proíbe o “pancadão”, que dá aos policiais poder para impedirem a prática e prevê uma multa de pelo menos mil reais, as coisas não melhoraram, como explica Carla Nogueira, moradora do bairro há 16 anos: “nos finais de semana a circulação de carros é muito grande durante a noite e muitos deles passam com música muito alta, sem contar aqueles que estacionam por alguns minutos na esquina. É realmente muito irritante.” A moradora Ana Maria não conseguiu tolerar a festança que acontece no bairro e decidiu se mudar para uma região mais tranquila de Vila Madalena: “morava próxima à região da Fradique com a Aspicuelta e era um verdadeiro inferno. Passava muitas sextas e sábados sem dormir direito, já não estava mais aguentado e tive que me mudar”. Ana ainda ressalta a questão da violência: “durante a noite não podia sair para a rua. Tinha medo, porque havia muitos casos de roubo e agressão”.
“É realmente muito irritante. Ninguém gosta de ter uma noite mal dormida” A Subprefeitura de Pinheiros foi contatada para dar detalhes sobre como são planejados os eventosno bairro, e sobre como é feita a fiscalização e regularização dos bares e vendedores ambulantes, mas não se pronunciou até o fechamento desta reportagem.
Making of A matéria “Diversão para uns, incômodo para outros” nasceu a partir de uma notícia da Folha de S. Paulo, que falava sobre os foliões e a diversão que o carnaval trazia na Vila Madalena. A partir disso, decidimos escrever sobre o outro lado da história, a dos moradores e comerciantes. Com a pauta em mãos e já pré-checada, fomos atrás de nossa primeira fonte, Cássio Calazans, presidente da SAVIMA. Entramos em contato com ele no dia 06/03 e no dia seguinte ele pode nos receber na sede da SAVIMA, localizada na Rua Fradique Coutinho. A entrevista rendeu muito, foram 30 minutos esclarecedores e importantes para a realização da matéria. Cássio nos ajudou, pois, além da entrevista, nos passou o contato direto com o gabinete da Subprefeitura de Pinheiros. Desde o dia da entrevista com o presidente da SAVIMA tentamos contato com o gabinete da Subprefeitura, mas infelizmente o assessor de imprensa nunca estava no local. Conseguimos contato com sua secretaria que nos pediu um e-mail com o assunto a ser tratado na matéria e perguntas. Na última semana antes do deadline, conseguimos negociar uma entrevista por telefone, mas não recebemos o contato para a sua efetivação. Com isso, alteramos um pouco o foco da matéria e passamos a nos ater mais às histórias e opiniões dos moradores da região, entrevistando, assim, Carla Nogueira e Ana Maria. O produto final foi uma matéria dedicada a mostrar o lado dos moradores a respeito da vida noturna intensa no bairro Vila Madalena. 39
Cotidiano
Assédio continua resistente no carnaval Mesmo com campanhas contra abusos, mulheres relatam casos em festas e blocos de rua
Carnaval é tempo de folia, alegria e diversão. Por mais de quatro dias a data leva, todos os anos, milhões de pessoas às ruas de todo o país. Porém, a fantasia extravagante não é a única tradição nessa típica festa brasileira. Os relatos de assédio contra as mulheres crescem anualmente nos ambientes de blocos e comemorações, mesmo com as diversas iniciativas criadas com o intuito de diminuir o número de abusos, como a campanha “Carnaval Sem Assédio”, adotada por muitos eventos pelo país. Segundo a Central de Atendimento à Mulher, o número de relatos de violência aumentou 87,93% no carnaval de 2017 em relação ao do ano passado. Esses dados foram coletados a partir de ligações de todo o Brasil e divulgados pelo site da Secretaria de Políticas para Mulheres (SPM), do governo federal, no dia 3 de março deste ano. Isso pode significar tanto um real crescimento na quantidade de assédios quanto um encorajamento das mulheres a tomar a iniciativa de denunciar esses abusos. A estudante Francesca Mariutti, de 17 anos, afirma ter sido assediada em um bloco que passava pela Rua Aspicuelta, na Vila Madalena, em São Paulo. “Eu estava ali, no meio do bloquinho, e um cara puxou com força minha tiara e meu cabelo, tentando me agarrar. Ele realmente foi muito agressivo, quando eu comecei a dar umas cotoveladas nele para me soltar”, relata. Segundo ela, o agressor só a soltou quando foi socorrida pelo seu amigo, que fingiu ser seu namorado. O policial e investigador 40
do 96º DP, Irapuan Kyvan Guimarães, alega que todas as delegacias devem registrar ocorrências relacionadas a abusos contra mulheres e que, em eventos com maior concentração de pessoas, devido ao consumo excessivo de bebidas alcoólicas, a incidência desse tipo de delito aumenta. “Vamos atrás do agressor, mas tratamos isso com cautela. O crime é gravíssimo e a pena severa, mas é muito comum a falta de comunicação desses casos à polícia por parte da vítima”, afirma.
“Perdi as contas de quantos puxões de cabelo eu levei” Com o intuito de se divertir sem preocupações, algumas mulheres optam por participardeblocosmenores. Porém, ainda assim, casos de assédio são relatados por foliãs. “Fui em um bloco aqui perto de casa exatamente por ser mais vazio e para evitar esse tipo de coisa, mas perdi as contas de quantos puxões de cabelo eu levei. Além disso, tive que ajudar uma amiga porque, mesmo ela dizendo ‘não’ pro cara diversas vezes, ele ficava tentando agarrá-la.”, relata Natalia Olim, estudante de 17 anos. A jornalista do grupo BOL/ UOL, Lígia Rosa, comentou que o racismo acompanha o machismo no carnaval. “a mulher negra não precisa ser passista de escola de samba. Sofro com esse estereótipo, nem sambar eu sei.” Uma iniciativa criativa As amigas Lia Marques, Marina Gabos e Amanda
Isabelle Mantovanelli
Isabelle Mantovanelli Lara Karoline
Natália Olim e amigos no bloco.
Cursino, ao presenciar um caso de assédio no Festival de Marchinhas de São Luís do Paraitinga, em 2016, tentaram tirar fotos dos agressores, porém não conseguiram e criaram um movimento na internet. “Produzimos um vídeo e uma página explicando que estávamos cansadas de sofrer assédio nas festas e que iríamos utilizar o apito como uma forma de nos defendermos no carnaval. Os acessos bombaram em questões de minutos e percebemos como a questão do assédio incomodava muito as mulheres”, conta Marina. As meninas não esperavam tanta repercussão: no carnaval deste ano, a marca de cerveja Skol adotou a ideia e distribuiu apitos para as mulheres na maioria dos blocos de carnaval. “Foi maravilho-
“É comum a falta de comunicação desses casos à polícia”
so ver as pessoas quebrando um tabu. Assédio não é normal, nem no carnaval, nem em dia nenhum. Ninguém tem direito de tocar meu corpo sem ser convidado”, conclui Marina. Devagar se vai ao longe Não são apenas relatos negativos que fizeram parte do carnaval 2017. Nathalia Cahalane, advogada de 23 anos, afirma que já houve uma evolução no que diz respeito ao assédio. “Realmente não fui assediada por ninguém, o que me impressionou muito, porque eu participei de blocos de rua em São Paulo que estavam extremamente lotados, o ‘Charanga do França’ e o ‘Domingo ela não vai’, conta. Ela diz que a conscientizwaçãopromovida pelo movimento feminista como um todo deve continuar, pois acredita ter gerado bons resultados. “O que ainda pode melhorar é a questão do ‘não’ da mulher ser respeitadoindependentemente de ela estar em um relacionamento”, acrescenta.
Making Of A ideia da pauta surgiu a partir de um assunto que está muito presente na sociedade atual, o assédio contra as mulheres. Como estávamos em época de carnaval, resolvemos focar no abuso em festas e blocos carnavalescos. Durante o carnaval, foi muito difícil conseguir entrevistas, e alguns entrevistados não quiseram fornecer dados como nome e idade. Ao voltar do feriado, cogitamos mudar a pauta, devido à falta de entrevistados e informações. Dessa forma, assim como alguns colegas de classe estavam fazendo, resolvemos postar na rede social Facebook perguntando se alguém que frequentou blocos de carnaval gostaria de nos dar uma pequena entrevista. Por sorte, muitas pessoas prontamente nos responderam e conseguimos relatos e opiniões que se encaixaram perfeitamente no que estávamos querendo abordar na matéria. Fomos atrás de outras fontes, e assim conseguimos entrevistar uma das meninas que teve a iniciativa de distribuir apitos durantes os blocos, com o intuito de a mulher apitar três vezes caso estivesse sendo assediada. Uma das alunas conhecia um policial também, e o entrevistamos afim de saber os registros de ocorrências em relação ao assunto. O professor solicitou que acrescentássemos mais algumas entrevistas, porém, não obtivemos retorno de nenhuma fonte. DIRETRIZ
Cotidiano
Reforma polêmica Alterações no Ensino Médio estimulam o debate sobre a educação no país Bianca Pitta
Bianca Pitta
A Medida Provisória (MP), elaborada pelo Ministério da Educação foi aprovada no dia 8 de fevereiro de 2017 pelo Senado e é alvo de varias criticas por parte de professores e alunos em cima das mudanças que ela propõe e sua proposta inicial, a qual era tornar o ensino médio mais atraente e mais eficaz para a vida profissional dos estudantes. Professores e alunos Cleverson Lino Batista professor de filosofia, ética e sociologia do ensino médio, afirma “é interessante a proposta de trazer o ensino técnico ao ensino médio, pois é uma oportunidade de inserção no mercado de trabalho, é interessante essa mudança porque o ensino atual não dá perspectiva para quem não pensa em fazer o vestibular”.
“A escola precisa estar preparada para isso, precisamos de investimentos e preparação” “Sempre nós professores fomos a favor do ensino integral, mas a escola precisa estar preparada para isso, precisa de investimento e preparação e contratando professores sem a devida qualificação não é o caminho certo”, afirma o professor de história Osmar Antônio Schroh que é contrario à MP. Além disso ele acredita que não se pode pensar no ensino médio como proDIRETRIZ
Estudantes do Ensino Médio em São Paulo
fissionalização para a mão de obra barata e sim para que os jovens futuramente tenham autonomia para decidir o que querem. A aluna do 2 ano do Ensino Médio Adriana de Paula, 16 anos, já afirma conseguir definir quais matérias desejaria fazer, e garante que preferiria errar na escolha de qual área seguir no Ensino Médio e não quando ja estivesse em um curso na faculdade.
“ Sempre imaginei que eu fosse de exatas, mas esse ano decidi que meu curso seria de humanas”
Já Maitê Janine, questiona sobre a validade das propostas da MP, “a gente não tem maturidade para definir o que quer ainda, sempre imaginei que eu fosse de exatas, mas esse ano decidi que meu curso seria de humanas. Como eu teria pre-
paração para entrar nesse curso se tivesse escolhido outras matérias?”, afirma a estudante de 17 anos do 3 ano do Ensino Médio. Para entrar em vigor A reforma ainda depende da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) que está em elaboração e será
homologada em 2017. A BNCC, que é um conjunto de orientações, irá construir os currículos das escolas, redes públicas e privadas de ensino, de todo o Brasil o segundo passo, deverá estabelecer um cronograma de implantação das principais alterações da lei, iniciando a implementação.
O que mudará? O novo ensino médio será encaminhado pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC), obrigatória para todas as escolas (da educação infantil ao ensino médio). A BNCC definirá as competências e conhecimentos essenciais que deverão ser disponibilizados a todos os estudantes (1.800 horas), contendo as 4 áreas do conhecimento e todo o currículo do ensino médio definidos na LDB e nas diretrizes curriculares nacionais de educação básica. Por exemplo, a área de ciências humanas compreende história, geografia, sociologia e filosofia. As disciplinas obrigatórias nos 3 anos de ensino médio serão língua portuguesa e matemática. O restante do tempo será dedicado ao aprofundamento acadêmico nas áreas eletivas ou a cursos técnicos, a seguir: I – linguagens e suas tecnologias; II – matemática e suas tecnologias; III – ciências da natureza e suas tecnologias; IV – ciências humanas e sociais aplicadas; V – formação técnica e profissional. Cada estado e o Distrito Federal organizarão os seus currículos.
Língua Estrangeira
A reforma também torna o inglês obrigatório desde o 6º ano do ensino fundamental e no ensino médio. Os sistemas de ensino poderão ofertar outras línguas estrangeiras se assim desejarem.
Making Of Como faltei a primeira aula, todos meus colegas ja haviam escolhido suas pautas e eu precisava rapidamente pensar em uma que continuasse interessante nos próximos dois meses afinal ela só seria publicada nesse período. Resolvi optar por uma pauta a qual sempre tive dúvida de como funcionaria e o que os alunos e professores achavam disso, que é a reforma do Ensino Médio, então levei a proposta de pauta até o professor. Ele achou interessante a ideia porém, me pediu para fazer sobre a visão do Colégio Mackenzie. O professor achou que minha pauta ia cair, afinal a faculdade passava por um momento delicado com uma professora que me deu aula e sei que dava aula também no Ensino Médio resolvi deixar a ideia do professor em usar a opinião do Mackenzie. Então fui até uma escola estadual perto de onde moro e consegui conversar com alguns alunos de diversas faixa etárias, também tomei a liberdade de perguntar para professores da escola. Pensei que se fosse em uma escola privadaconseguiriadesenvolver mais as opiniões divergentes, portanto fui até a escola dos meus primos e lá consegui por meio deles o contato de alguns professores que não evitaram em conversar comigo. Essa liberdade de mostrar diferentes visões sobre o assunto deu desenvolvimento para a matéria que é praticamente o posicionamento de todas elas frente a MP. Estou feliz, por ser a primeira matéria que faço sozinha poderia falar que é bem maior a corrida contra o tempo e depende apenas de mim. 41
Cotidiano
Redução da violência nos Estádios É o que dizem os números após um ano da decisão das torcidas únicas
D
epois de um ano da decisão de torcida única nos clássicos em São Paulo, o assunto ainda causa polêmica entre autoridades e torcedores. Os números indicam uma redução na violência e a esperança da volta da torcida visitante ao estádio. Redução de 75% nas ocorrências envolvendo violência no futebol, aumento de 20% na média de público, 11% a mais de crianças e mulheres nos estádios, esse é o trunfo do promotor do Juizado Especial Criminal, Paulo Castilho tem na manga para defender a manutenção da decisão em 2017. A ideia, segundo Castilho é “minar financeiramente a torcida” já que no dia do jogo “ela deixa de ir ao clássico, deixa de vender indumentária, não faz a caravana, não recebe os ingressos, e justamente nos clássicos é onde ela arrecada mais”. Sem as organizadas houve também a redução do batalhão policial que fazia a escolta e a segurança em torno do jogo, o que era algo em torno de 150 PM´s por jogo. Dentro da torcida as opi-
niões ainda são divergentes, Guilherme Arcocha (21), palmeirense frequenta os clássicos junto com a família e não sente diferença pois acredita que “as brigas normalmente aconteciam longe do estádio” e notou a redução no policiamento. Há quem sinta mais seguro agora, o corintiano Charles Galvão (21) costuma utilizar o metrô e confessa “eu me sinto bem mais seguro sabendo que não vou encontrar ninguém da torcida adversária”.
“Acaba com a sensação de impunidade que pairava nos líderes das torcidas” Modificações nas leis Houve também um aprimoramento do juizado do torcedor, que aumentou suas competências para o Estado todo. A expedição de 87 mandatos de prisão, o que permitiu a emissão de mais de 100 mandatos de busca e apreensão, medidas cautelares, prisões temporárias, es-
Entenda o caso No dia 03 de Abril de 2016, antes do clássico entre Palmeiras e Corinthians, torcedores das organizadas Gaviões da Fiel e Mancha Alvi-Verde protagonizaram cenas de violência que resultou em uma morte e vários feridos. Dentre os vários encontros entre as torcidas na cidade, o mais grave ocorreu em São Miguel Paulista que causou 42
Paula Pimentel
Paula Pimentel
a morte de um homem. Após o ocorrido, em reuniao de representantes do Ministério Público, Secretaria de Segurança Pública e Federação Paulista de Futebol, além de torcida única até o final de 2016 ficou decidido que: - Estão proibidas faixas ou qualquer tipo de adereço das organizadas; - As vendas online de in-
Dr. Paulo Castilho é um dos responsáveis pela torcida única em SP
cutas telefônicas, para Paulo, isso “acaba com a sensação de impunidade que pairava nos líderes das torcidas”. Quem já esteve dentro das organizadas, sabe que a violência está presente. Raphael Maurício (23) é corintiano e fez parte da torcida organizada do clube, Camisa 12 por seis anos “sai justamente porque a marginalidade impera nas organizadas. Com certeza o torcer ficou em segundo plano”. Para o promotor, é preciso que elas se reinventem já que o modelo atual não será mais aceito “ela se comporta como facções criminosas, são torcidas que cultivam o ódio, a raiva, a intolerância”.
gressos só poderão ser feitas mediante cadastro prévio dos torcedores para que tenha identificação e facilite o trabalho da Polícia Militar em caso de brigas. A decisão, que a princípio seria até Dezembro de 2016, foi estendida para 2017, ainda sem previsão de relaxamento ou a volta das duas torcidas aos estádios em São Paulo
Há quem não abra mão das torcidas nos estádios. Raphael, que foi em todos os clássicos ano passado, está desanimado “da menos vontade de ir, é muito sem graça, acabou o espetáculo.
“Da menos vontade de ir, é muito sem graça, acabou o espetáculo” Eu ia mais quando tinha as duas torcidas”. Expectativas 2017 A expectativa é manter a torcida única esse ano, porém há a possibilidade de desenvolver um projeto de torcida mista e a volta da visitante “Nós queremos uma situação cada vez mais controlada, não descartamos nenhuma possibilidade de em um determinado momento, desenvolver um projeto que nós possamos ter no estádio torcida mista, torcedor comum e também a volta da torcida organizada, desde que uma maneira civilizada” finaliza Castilho.
Making Of Com um caminho em mente, sabia que seria algo relacionado a esportes. Mais de uma semana de sofrimento em busca de uma pauta, a vontade ainda era falar sobre esporte. Pesquisas, pesquisas, porém tudo que eu pensava já haviasidopublicado.Como pensar em algo que ainda não existe? Nesse momento entendi o trabalho de um jornalista, buscar aquilo que ainda não se foi publicado. Você é o responsável por ir atrás e transmitir para o público. No mês de Abril, completamosumanodetorcida única nos clássicos em São Paulo. Um tema que causou muitos debates ano passado, precisava voltar a ser discutidoparaquerealmentesoubéssemosseamedida valeu ou não a pena. Além disso, debater o assunto com pessoas prós e contra. Estudei e comecei a estruturar a pauta, e selecionar quem seriam os entrevistados. O nome do Dr. Paulo Castilho era o mais importante para a matéria. Com uma experiência de muitos anos em torcidas organizadas, é um dos responsáveis da medida. Quando entro em sua sala, um verdadeiro sonho: cheia de camisas de clubes, fotos com jogadores. A entrevista foi ótima. Alémdopromotor,entrevistei 4 torcedores, um em especial, Raphael que será personagem da matéria. Pertenceu a uma torcida organizada por seis anos! Uma opinião de quem já esteve lá dentro seria um ponto de vista que ninguém tinha até então. DIRETRIZ
Cultura
A polêmica que deu voz à arte
Na contramão dos críticos, artistas expõem oportunidades advindas da prática do grafite O novo prefeito de São Paulo, João Dória (PSDBSP), começou sua gestão em janeiro com uma polêmica que movimentou as redes sociais e a opinião pública. Dória ordenou que vários murais de arte da cidade fossem apagados, inclusive os da Avenida 23 de Maio, que foram autorizados pelo ex-prefeito Fernando Haddad (PT-SP). Na época, Haddad contou com cerca de 200 artistas para realizar o que ele chamou de “maior mural de grafite a céu aberto da América Latina”. A gestão Doria deixou apenas oito obras da avenida, alegando que as demais estavam danificadas ou sofreram pichações. Os muros foram pintados de cinza, o que causou indignação por parte da população. A prefeitura respondeu à polêmica comprometendo-se a disponibilizar mais espaços na capital para que os artistas possam fazer grafite.
“O significado da palavra arte é construído socialmente, de acordo com as necessidades de cada período” O programa de zeladoria feito pelo prefeito chama-se “Cidade Linda”, mas uma cidade linda deveria ser cinza? Isso é o que intriga muitas pessoas, sejam artistas plásticos ou apenas admiradores de arte. Para a especialista em Artes e Comunicação Alecsandra Matias, “o significado da palavra arte é bastante DIRETRIZ
complexo e é construído socialmente de acordo com as necessidades de cada período histórico”. Tendo como base a sociedade atual, há divergências entre os conceitos de grafite e pichação. “Alguns autores colocam o grafite como sendo o produto resultante de um projeto artístico elaborado e de valor estético – expressão agraciada pelo poder público e por galerias de arte. Ao passo que a pichação seria o ato de rabiscar ou escrever nos muros e fachadas de forma espontânea, empregando tinta spray, estêncil ou mesmo rolo de tinta – expressão de vandalismo e de marginalidade”, completa. História “O grafite que discutimos hoje tem sua origem no final dos anos de 1960, quando uma nova linguagem artística se faz presente nos muros: jovens americanos do Bronx usam tinta spray para imprimir suas ideias nas ruas das grandes cidades. Através do grafite, esses jovens tomam os muros como suporte para suas mensagens políticas e sociais”, explica Alecsandra. Dessa forma, ele torna-se um manifesto de arte espontâneo que foge dos canais de comunicação da mídia tradicional. Diversas grandes metrópoles têm grafites como parte de sua paisagem, como Nova York, Berlim, Lisboa e Paris, o que acentua ainda mais a importância desse tipo de expressão artística para o conjunto da figura urbana. Agente transformador O grafite aparece como um agente transformador na vida de muitas pessoas. Ritchie de Souza, conhecido como Snak13, é grafiteiro há 19 anos e conta como a
Bárbara Pereira
Bárbara Pereira
Grafite em prédio na Praça Roosevelt, na cidade de São Paulo
“Não tem dinheiro que pague a amizade e o reconhecimento por algo que é original, que é você” prática influenciou em vários aspectos de sua vida: “o grafite me influenciou em tudo. Antes de fazer parte, eu era muito maloqueiro, gostava de vandalizar e já tive que prestar serviços sociais por conta disso. Depois de entrar, eu comecei a ver as coisas e as
pessoas com uma nova visão. Sabia que poderia ajudar a minha família e a sociedade com minha arte”. Para Gian Magon, jovem de 22 anos, o grafite começou a ser uma profissão há mais ou menos um ano. “Comecei por influência de outros grafiteiros da cidade, por curtir o trabalho deles e estar envolvido na cultura de rua”, explica. Depois de três anos fazendo grafite como hobby, a prática virou rotina e tornou-se sua fonte de renda: “Quando recebi ofertas pelo meu trabalho, percebi que era sério, e até hoje consigo uma grana extra no final do mês. Conheci muitas pessoas através da arte. Isso é tudo pra mim. Não tem dinheiro que pague a amizade e o reconhecimento por algo que é original, que é você”.
Making of A ideia da reportagem surgiu com a polêmica dos grafites envolvendo a nova prefeitura de São Paulo. O prefeito João Doria ordenou que vários murais de arte da cidade fossem apagados e os muros foram pintados de cinza, o que causou indignação por parte da população. Na primeira aula, a professora Patrícia Paixão pediu que os alunos pensassem em uma notícia recente e trouxessem uma nova abordagem para o mesmo fato. O objetivo seria priorizar o ineditismo, trazendo um novo olhar para um assunto que já é comentado na mídia. Dessa forma, optei pela pauta relacionada ao grafite. Escolhido o tema, procurei possíveis entrevistados que pudessem contribuir com relatos e enriquecer minha matéria. Primeiramente, entrei em contato com diversos grafiteiros, que prontamente aceitaram conceder uma entrevista. Além disso, apostei na participação de uma especialista em História e Artes, de forma que ela pudesse contribuir com a parte mais teórica. Com as entrevistas em mãos, a parte mais trabalhosa foi redigir e organizar tudo em um texto coerente, pois gostaria de mesclar os depoimentos teóricos com declarações pessoais. A foto do grafite foi realizada na Praça Roosevelt, onde há alguns murais de arte. Desenvolver essa pauta foi uma experiência interessante, que me trouxe novos conhecimentos a respeito da arte urbana e do trabalho desenvolvido por grafiteiros. 43
Cultura Arte efêmera
O tema Grafite volta a ser debatido após o início do projeto Cidade Linda Felipe Lanza Cecília Malavolta
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Felipe Lanza
Instituído desde o primeiro dia de mandato do novo prefeito João Doria, o projeto Cidade Linda visa a revitalização de áreas degradadas da cidade. Uma das etapas que causou mais discussão e divergência na população paulistana foi a ordem da prefeitura para apagar inúmeros grafites por toda a cidade. A alegação é de que os grafites já estão deteriorados e pichados. Como medida para diminuir as pichações na cidade, a prefeitura de São Paulo burocratizou a venda de sprays, estipulando a idade mínima de 18 anos para comprar o produto, e multa de 5 mil reais paraquemforpegopichando. Essa medida acabou afetando diversos artistas de rua, como Gustavo Cortelazzi por exemplo, grafiteiro e tatuador na cidade de São Paulo. “Me afeta só de saber que colegas de arte de rua sofrem insultos nas ruas por estarem pintando. Isso me afeta e isso afeta a arte de rua, que perde o poder de sua essência, o impulso de sair e pintar nas ruas.” Em 2009, o artista Eduardo Kobra e seu grupo de grafiteiros, haviam produzido o maior mural de arte de rua da America latina, localizado na Av. 23 de Maio. Nesse novo programa de revitalização do governo Doria, o mural acabou sendo coberto pela tinta cinza do tucano , pois estava sendo tomado por piches, maior alvo da prefeitura nesse projeto. Para Gustavo Cortelazzi, “O grafite e a pichação têm a mesma origem, é algo histórico” Logo após o inicio do projeto Cidade Linda, a prefeitura do estado de São Paulo foi proibida pela justiça de continuar apagando os grafites da cidade sem antes passar por
Making of
Arte recém grafitada na rua Froben na Vila Leopoldina um aval do conselho do Patrimônio Histórico e Cultural. Na visão do Mestre e Doutor em antropologia social pela USP, Alexandre Barbosa, a pintura de cinza do maior mural de arte urbana da América latina, foi certamente um retrocesso para esse tipo de arte. “Ainda mais se levar em consideração que o mural da Avenida 23 de Maio foi proposto pela própria prefeitura. Ou seja, é a prefeitura negando-se a si mesma e o público sendoconduzidocomoprivado”. As pinturas foram encomendadas pela prefeitura na gestão anterior, a um custo de R$ 1 milhão; 200 grafiteiros deixaram ali suas obras.
“Grafite e pichação têm a mesma origem, é histórico” De arte a crime Segundo dados fornecidos pela prefeitura de São Paulo, Policia Militar e Guarda Civil, desde o inicio do ano, 70 pessoas foram presas por pichação na capital paulista. No ultimo dia 28 de janeiro, Mauro Neri, grafiteiro renomado
na cidade de São Paulo, foi preso em flagrante, enquanto tentava remover a tinta cinza utilizada pela prefeitura para apagar uma de suas obras.
“70 pessoas foram presas por pichações desde o início do ano” Dias depois de sua prisão, o grafiteiro foi convidado pelo vereador Eduardo Suplicy (PT), para comparecer a votação, na sessão Plenária da Câmara Municipal, do Projeto de Lei 65 de 2005, que cria o Disque Pichação, uma centraldeatendimentotelefônico para receber denúncias de pichações na cidade. Em depoimento dado durante a sessão, Mauro criticou a forma como vem sido conduzido o debate sobre arte urbana na capital. “Precisamos lidar melhor com as diferenças, porque a denominação do que é grafite e pichação tem ocorrido principalmente para a atribuição de valores. Ou seja, quando se gosta se chama de grafite, quando se gosta muito se chama de mural, e quando não se gosta se chama de pichação.”
Grafitódromo Em breve, João Doria criará um grafitódromo. Este lugar proposto pela prefeitura, agregará oficinas para grafites, além de cafés. Segundo ele, será um local para “gastar dinheiro”, como existe em Miami – lugar que inspirou a decisão do prefeito. Futuramente localizado no bairro da Mooca, o prefeito opina que, da mesma maneira que a arte tem seu lugar adequado – os museus – o grafite também tem. Entretanto, essa poderia ser mais uma tentativa de elitizar e privatizar algo que está ao alcance de todas as pessoas. Para Alexandre Barbosa, o grafitódromo é uma forma de domesticar a arte de rua e tirar a sua riqueza artística e de contestação. “É um tipo de ação política que visa muito mais produzir publicidade pessoal a quem a criou, do que efetivamente realizar algo em relação à arte de rua”. Como consequência, uma arte de rua, enraizada na cultura popular e que faz parte da história da cidade, perderia sua essência, uma vez que o grafite interage com a cidade e mostra o poder da liberdade de expressão.
A ideia de escrever essa matéria surgiu a partir de uma notícia da Folha sobre multas e burocratizações relacionadas a pichações em são Paulo. A partir do tema, buscamos fontes que poderiam fornecer dados e se posicionar sobre o assunto. A primeira fonte a ser procurada foi Gustavo Cortelazzi, grafiteiro e tatuador na cidade de de São Paulo que fez um post no facebook, com uma opinião um pouco diferente dos demais grafiteiros sobre o assunto. Como Gustavo trabalha com arte de rua, tem o tempo um pouco curto, portanto, não conseguiu nos encontrar para fazermos a entrevista. Fizemos através do próprio facebook. O que foi muito bom, pois Gustavo nos respondeu bem antes do previsto, nos dando mais tempo para a produção do texto. A segunda fonte a ser procurada (incansavelmente), foi a prefeitura de São Paulo. Mais especificamente a secretaria da cultura e o CONPRESP. Depois de muitas ligações, emails, e conversas, não conseguimos alguém que representasse a prefeitura para responder às nossas perguntas e se posicionar sobre o tema. Alexandre Barbosa Pereira, antropólogo renomado na USP, apareceu se posicionando sobre o tema em diversas matérias da Folha, G1, O globo entre outros. Comunicamos-nos com ele através do facebook, e conseguimos, rapidamente, uma ótima entrevista com o professor. Por fim, como não foi possível fazer as fotos na Avenida 23 de Maio, fizemos as fotos dos grafites na Avenida São João (Minhocão), e na Vila Leopoldina. DIRETRIZ
Cultura Experiência de outro mundo
Com uma cultura exótica, a Índia é um país muito procurado para o aprendizado das pessoas Making of
Um país onde muitas pessoas vivem em uma situação abaixo da pobreza, onde a religião e a cultura estão extremamentepresentesnocotidiano. Esta é a Índia, país localizado no Ásia Meridional, com uma população de aproximadamente 1.25 bilhão, segundo o censo de 2015. O slogan “Incredible India” diz muito sobre o país, pois em cada cidade, você encontra uma Índia diferente da outra. Mesmo com muita sujeira, irregularidade, pessoas pobres, você não se depara com um indivíduo infeliz, mesmo com as péssimas condições de vida no país. Shashi Kumar, 36, que foi o nosso motorista durante a viagem e que trabalha há 15 anos
“O turismo cresceu muito nos últimos anos na Índia” com turismo, disse que para conhecer bem o país, seria necessários dois meses, pois toda a cultura muda a cada 100 km. Ele confessou que você pode-se encontrar de tudo na Índia, como lugares para fazer yoga e trekking, assim como lugares mais turísticos, como o Taj Mahal e o Rajastão. “O turismo cresceu muito nos últimos anos na Índia, o que ajuda no crescimento do país”, explicou o motorista. “A vasta história indiana é um dos maiores atrativos para os turistas”, completou Shashi. Ele nos contou como as tradições se mantém, respeitando o casamento arranjado dentro das castas: sua mulher foi arranjada pelos seus pais, algo que ele vai fazer para seus filhos no futuro. DIRETRIZ
Raphael Caran
Raphael Gulman Nassif Caran
O Taj Mahal, localizado na cidade de Agra, é um dos principais atrativos da história indiana Cidades indianas A cidade mais conhecida do país, a capital Deli, é dividida em Nova e Velha Deli e é uma das cidades que menos representa a Índia, porque é muito ocidentalizada. Jaipur, conhecida como “cidade rosa”, lembra o caos que é o país: o trânsito absurdo, mas que de alguma forma andava. Completando o chamado “triângulo dourado”, Agra é conhecidaporconterumadas sete maiores maravilhas do mundo moderno: o Taj Mahal. Completando o percurso, uma das cidades espirituais mais visitadas é Varanasi, que é conhecida por abranger o rio Ganges, onde as pessoas tomam banho e onde há cerimônias de cremação. Todos os dias, um ritual para os Deuses do hinduísmo acontece às 18 horas em um dos gates da cidade. Experiência no país Tendo a oportunidade de estar no país, a minha experiência me permitiu conhecer como um indiano vive. Com um desprendimento material e uma incrível devoção ao hinduísmo, que possui mais de 33 milhões de Deuses, e outras religiões, o sentimen-
to que eu tive é que eu estava em um outro mundo, fora da nossarealidade,algoparecido como a realidade de um filme de cinema. Algo que realmente me impressionou foi como os animais estão presentes na vida dos indianos. Andando pelas ruas sujas, eu me deparava com vacas, porcos, cavalos, elefantes e até camelos no meio dos habitantes, o que é normal para eles. Umas das principais dificuldades para o turista é a comida. Por ser muito apimentada, muitos viajantes, inclusive eu, passam mal e sofrem com intoxicação alimentar ao ingerir alimentos mal processados. Outra coisa que chamou a atenção foi a admiração que os indianos têm com os estrangeiros: eles pediam para tirar uma selfie, como se nós fossemos uma celebridade. Além disso, os mesmos, quando nos olhavam, encaravam por um longo tempo, o que nos deixava desconfortável em certos momentos. Já Rosilene Farias, 49, que trabalha como bancária e que viajou em 2015, disse que se impressionou muito com a fé das pessoas, mesmo vivendo em condições horríveis.
Assim como eu, ela ficou encantada com Varanasi e seu ritual que acontece todos os dias, além da importância do Ganges na vida dos indianos.
“Eu amo demais a cultura asiática” Olhando sob a ótica corporal, Rosilene acredita que a cultura tem muito o que ensinar a nós, ocidentais, tanto pelocuidadodamentequanto pelos alimentos e remédios naturais. “Eu amo demais a cultura asiática, principalmente a indiana”, confessou a bancária. “Eles são uma população de paz e com crenças e valores incríveis”, completou Rosilene Farias. Mesmo sem infraestrutura epobreza,elaficouespantada na forma de como eles enxergam o mundo, sendo gratos por tudo e com grandes valores e crenças. Sem dúvidas, Rosilene afirma que essa foi a viagem mais especial e incrível da sua vida, conhecendo um pouco das várias religiões e culturas presentes no país.
A ideia para a pauta veio depois da notícia que o governo indiano está distribuindo chips de celulares de graça para os turistas. Isso ajuda a atrair os turistas para a Índia, que tem crescido muito nos últimos anos no turismo. A partir de uma proposta do professor Santoro, eu fiz uma matéria contando tudo o que eu vivenciei e o que me impressionou nos 10 dias que eu passei no país. Encarando umarealidadeextremamente diferente da que vivemos, a experiência que eu tive foi inacreditável, tendo a oportunidade de conviver com os indianos, sua cultura e suas várias religiões. Para eles, que respeitam muito os animais e possuem uma grande espiritualidade presente no seu interior, o materialismo é algo que realmente não importa e que não interfere na sua vida deles. Convivendo com o nosso motorista, o qual eu fiz uma entrevista, eu aprendi muito sobre como o hinduísmo, principalmente, e as outras religiões que estão presentes na maioria dos indianos, além de ter contato com a cultura. Além do motorista, uma outra entrevista foi realizada com Rosilene, que foi para a Índia no final de 2015 e ficou chocada com tudo o que ela viu e aprendeu sobre as pessoas e a história do país. Para ela, a cultura e as religiões indianas são diferentes de qualquer outra do mundo, tendo uma visão totalmente ao contrária do mundo ocidentalizado que vivemos. Por tudo isso, posso afirmar com certeza que esta foi a viagem mais chocante e emocionante que eu já fiz, podendo perceber a visão que eles possuem do mundo, que é diferente do jeito que nós vemos as coisas. 45
Cultura
Rodeio: cultura ou maus tratos
A polêmica sobre os animais utilizados em rodeio cria opiniões divergentes Marilia Martins
Festa de Barretos Localizada a mais de 400km da capital paulista, Barretos é uma cidade conhecida pela famosa Festa do 46
““Sim, há maus
tratos aos animais que participam dos rodeios e vaquejadas”
Há mais de 25 anos participando de instituições que são contra os maus tratos aos animais, Vania Plaza diz que já frequentou rodeios .”Já fui em rodeios e sempre é ruim, mas necessário para um bom embasamento contra essas práticas, pois para obter minhas avaliações, preciso saber onde estão os problemas mais evidentes, como alimentação, transporte.” Segundo o presidente, a festa segue todas as leis que regulamentam o esporte, e que contam com uma equipe de veterinários e técnicos que acompanham os animais
Janio Munhoz
Cada estado brasileiro tem seus próprios costumes. No Nordeste do país, e em parte do Centro-Sul, a vaquejada é uma das principais fontes da economia, e da cultura. Na atividade, o vaqueiro monta em um cavalo, e em cima deste, tenta derrubar o boi, puxando-o pelo rabo. A prática começou a ser questionada em 2010 por ativistas que defendem os direitos dos animais, alegando maus tratos. O Senado aprovou fevereiro a proposta de emenda à Constitição que permite a realização das vaquejadas. Após uma decisão do STF, os senadores aprovaram uma nova emenda para garantir a legalidade da prática, desde que não envolva crueldade com os animais. Os rodeios e as vaquejadas são classificados como patrimônio cultural do Brasil. As práticas são diferentes mas as duas envolvem cavalos, touros e bois. Para Vania Plaza Nunes, diretora técnica do Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal é indiscutível o fato de haver maus tratos animais. “Sim, há maus tratos aos animais que participam dos rodeios e vaquejadas. Desde a criação até o treinamento para participar das competições. Sempre lembrando que os cavalos e bois são seres sencientes, têm sistemas neuroendócrino fisiológicos muito semelhantes aos nossos, expressando sentimentos.” explicou a defensora de animais.
Peão de Boiadeiro. Realizada durante 10 dias todo mês de agosto, a festa começou de forma despretensiosa. A marca registrada da festa é a montaria em touros e cavalos em uma gigante arena projetada por Oscar Niemeyer. Os Independentes, nome dado ao grupo organizador da festa, foi criado em 1955, por 20 jovens solteiros e independentes com uma mesma ideia em comum. Há mais de 60 anos, a premissa se tornou realidade. Para Hussein Gemha Júnior, presidente da Festa, Barretos virou a capital nacional do rodeio por conta do profissionalismo da associação. “São 62 anos de história cercada de cuidado, ética e cultura. Estamos atentos a cada detalhe do evento.” contou.
Rodeio da Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos em 2016.
durante as montarias. Ao ser questionado sobre as pessoas que são contra o rodeio, o presidente diz que não tem problema com isso. “A Festa do Peão está sempre de portas abertas para grupos que são contra o rodeio. Lidamos com as críticas mostrando nosso trabalho.” relatou Gemha. Há cada edição, Barretos recebe 200 milhões de reais, dinheiro que vem de turistas e investidores. O resto do ano, a cidade sobrevive com a economia local que também é sustentada pelos frigoríficos, pelo Hospital e pelas faculdades, como a de Medicina, por exemplo.
“São 62 anos de história cercada de cuidado, ética e cultura” Opinões O comentarista de rodeio Kaká de Barretos, nascido e criado na cidade de 110 mil habitantes, relata que cresceu em fazendas, e trabalhou
como entregador de ingressos nos primeiros rodeios, que eram realizados em um lugar chamado Recinto. Ele faz parte parte da Associação desde os 21 anos. O comentarista afirma que é possível praticar o esporte sem maltratar os animais. E que a maioria das pessoas que argumentam contra o rodeio, não sabem realmente quais são as regras. Leandro Ferro é um dos maiores ativistas do país, é o criador do movimento “Odeio Rodeio” e colega de Vania. “Temos estratégias em comum, mas realizamos trabalhos em ONGs diferentes, no entanto sempre nos apoiando.” Na opinião da médica veterinária as pessoas deveriam tentar ver os dois lados da faceta para que se possa tirar uma conclusão. “Teríamos muito para falar aqui sobre esse tema, mas aconselho a ver um vídeo chamado “Rodeio, de que lado você está?” a partir daí cada um pode tirar suas próprias conclusões.” disse a Presidente da Comissão de Médicos Veterinários em ONGs do Conselho Regional de Medicina Veterinária de SP.
Making Of A ideia surgiu no primeiro dia de aula, quando na reunião de pauta eu comentei que eu sou de Barretos. A partir disso, o editor e eu como repórter, chegamos ao acordo para fazer uma pauta sobre a polêmica o rodeio ou vaquejada, já que Barretos é conhecida como a cidade do rodeio. A principio a reportagem estava focada em falar mais sobre a vaquejada, mas não consegui fontes e informações suficientes pois o esporte é praticado fora do estado de São Paulo. Dai decidi escrever com um enfoque maior no rodeio, por ter mais contato com esse assunto, e deu certo. As minhas fontes foram todas muito acessíveis. O comentarista Kaká e o presidente da Festa do Peão eu já os conhecia então foi tranquilo entrar em contato com eles. Ambos foram muito prestativos ao me ajudarem. Já a médica veterinária, Vania Plaza Nunes, eu a achei via Facebook. Mesmo sem me conhecer, eu expliquei o trabalho a Dra Vania, e ela foi super receptiva e me ajudou dando dicas de vídeos, respondendo as minhas perguntas e se dispondo a ajudar a qualquer momento em que eu precisasse. As fotos são do meu amigo fotográfo de Barretos, Janio Munhoz, que me “emprestou” seu talento para fazer parte da matéria.
DIRETRIZ
Cultura Funk: quebrador de tabus
As dificuldades encontradas na trajetória do funk, ritmo que se tornou popular entre os jovens
O funk surgiu nos anos 60 com um ritmo mais lento, dançante e solto. Após alguns anos passou a ser influenciado pelo Miami Bass, que são músicas mais erotizadas com batidas mais rápidas. O estilo foi se espalhando e ganhando sua própria identidade junto com o surgimento do preconceito, por ser um ritmo pertencente às periferias. Nos anos 2000 o funk passou a fazer sucesso em todo o país e ser escutado por todas as classes financeiras, sendo o estilo musical mais tocado em festas. Mesmo assim ainda é criticado pelas letras, a linguagem vulgar e obscena, a apologia ao crime, tráfico e drogas, a exaltação da sexualidade e por mostrar uma imagem da mulher como inferior. “O funk sempre sofreu bastante preconceito, principalmente quem canta “putaria” [...] até a minha própria família nunca acreditou que o funk ia dar certo para mim”, conta Lucas Machado, nome artístico Mc LB, 22 anos, há 7 anos no ramo.
“Um ramo que abre portas” Oportunidades A produtora Start Music, fundada por Marcelo Fernandes, atualmente um dos maiores nomes do Brasil nessa área, é uma das maiores vendedoras de shows de São Paulo e escolheu o funk como seu segmento principal por ser um ramo que abre portas para pessoas de periferias que nunca tiveram oportunidades. “Esses meninos chegarem e eles terem oportunidade de ganhar o dinheiro deles de uma forma DIRETRIZ
Danielle Romanelli
Danielle Romanelli Nathália Martins
Dj`s lotam casas de show aos fins de semana certa. Essa é a principal coisa que me fez trabalhar com o funk”, relata Isabella Ramos, 19 anos, filha do dono e funcionária da produtora. “O funk no Brasil, hoje em dia, tem tomado uma força muito grande e alcança todos os tipos de público. Tem muito mais a crescer perto de outros estilos musicais. É um orgulho porque é um ritmo abrasileirado”, opinou Paulo Marcos Medeiros Dias Ramos, conhecido como Mc Leonne, 22 anos, iniciando sua carreira musical. Preconceito A discriminação, muitas vezes, já começa dentro de casa entre as próprias famílias, as quais não dão apoio pelo fato de planejarem outros futuros para seus filhos. Por exemplo o Mc LB que era estudante de design de interiores, o segundo melhor da faculdade, e largou o curso para tentar realizar seu sonho no mundo do funk, contra a vontade dos pais. Já o DJ Torricelli, 23 anos, conta que “muitas vezes por falar que trabalho com o funk, uma coisa que já é discriminada em todo lugar, então a família já fica “poxa, meu fa-
miliar no funk”, mas graças a Deus já quebrei muitos tabus por causa disso, não só na família, mas como na “quebrada inteira”.
“O mundo é da diversidade e da liberdade” Entre os jovens, o preconceito é quase inexistente. O ritmo se tornou, nos últimos anos, um dos favoritos das pessoas entre 15 a 22 anos devido à batida animada que dá vontade de dançar e anima qualquer festa. A jovem estudante Karla Marinho, 18 anos, conta que acha injusta a forma como tratam o funk. “Na maioria das vezes as pessoas que dão opiniões negativas não conhecem realmente o funk e tiram conclusões com base em uma única música que ouviram”, conta. Miquésia Caroline, 16 anos, mora em Pernambuco e imagina o funk daqui alguns anos como um gênero musical respeitado como os outros. Todo esse preconceito ainda está longe de ser vencido
no mundo dos funkeiros, porém conforme esse estilo musical ganha seu espaço com a inserção do ritmo na televisão e em todas as classes sociais, das mais baixas até as mais altas, ele vai diminuindo, se tornando o estilo preferido dos jovens. “O funk no Brasil é a música eletrônica brasileira, e hoje toca nas baladas mais requisitadas de poder aquisitivo maior, tanto como na periferia toda balada hoje tem que tocar funk, sendo o ritmo que mais cresce no Brasil, junto com o sertanejo”, finalizam Rafael Felipe Gomes, conhecido como DJ Pernambuco, 26 anos, e Yuri Martins, 22 anos, dois grandes nomes da área. “Para os que julgam mc’s e pessoas que escutam o funk, eu diria que vocês precisam abrir mais a cabeça porque em pleno século 21 julgar os outros por conta de um gênero musical não faz o menor sentido. O mundo é da diversidade e da liberdade de poder se expressar! Ninguém é obrigado a gostar de nada, mas respeito é essencial”, finaliza Karla, que acompanha a carreira de diversos mc’s e frequenta vários tipos de festas de São Paulo.
Making of
A ideia da matéria sobre funk surgiu pelo fato de gostarmos do estilo musical e vermos que não é uma coisa muito mostrada atualmente pela mídia. Quando é tratado sobre o assunto sempre trazem uma imagem ruim e negativa, a partir daí resolvemos trazer um outro lado, com a intenção de dar uma voz ao funk. Com isso, abordamos mais o lado do preconceito em torno do estilo e encontramos uma matéria de uma menina que teve seu mestrado questionado por abordar o funk carioca como tema central. Como já tínhamos alguns contatos com pessoas desse meio, alguns Dj’s, Mc’s e até uma produtora, houve uma facilidade maior em realizar a matéria. Isso nos possibilitou ouvir como esse meio abre portas para pessoas que não tem condições e como a imagem real é muito diferente do que é imaginado e do pouco que é mostrado pela mídia. É um ambiente de trabalho como qualquer outro, levado a sério, com muita dedicação e responsabilidade. As músicas de funk, comumente, abordam assuntos que tratam mais da sexualidade, drogas, bebidas, festas e ostentação, o que acarreta a uma imagem negativa sobre as pessoas desse meio, levando ao pensamento de que estas só entendem disso e vivem sua vida apenas para isso. Com toda a apuração para a reportagem criamos uma imagem totalmente diferente disso, vimos que são pessoas que muitas vezes não praticam nada do que cantam. Conversamos com uma produtora de grande influência na área, DJ’s e Mc’s conhecidos entre os jovens e também pessoas que gostam do funk. 47
Cultura Youtubers mirins dominam a internet Nova geração vem ganhando força nas redes sociais e recebem status de popstars
A carreira de produtor de conteúdos para a internet, também denominado atualmente como Youtuber ou até mesmo Digital Influencer, já não é novidade para os jovens da geração Y, que inclusive, transformaram tal hobbie em profissão. Hoje, os Youtubers conquistaram milhões de fãs e admiradores, assim tornaram-se celebridades no mundo digital. Entretanto, um novo grupo vem adquirindo seu espaço nesse meio. Pequenos, mas que a cada dia vêm ganhando mais respeito nesse cenário tão competitivo. Esta é a nova geração de Youtubers, colocados como segunda geração, a dos mirins, ou “teens”. São crianças entre 5 e 12 anos, e adolescentes entre 13 e 17 anos, que vivem rotinas de popstar após virarem fenômenos na internet com seus conteúdos voltados para o público infanto-juvenil, fazendo sucesso por se destacarem nas redes sociais, e conquistarem milhões de seguidores.
“Lidar com a fama é algo interessante” Youtuber Mirim Felipe Barreto Batista, também conhecido na internet como Febatista, hoje com 16 anos, acumula um legião de fãs que chega a marca de 1 milhões e 800 mil inscritos e somando um total de quase 320 milhões de visualizações em 2,4 mil vídeos no seu canal no YouTube. Com seus gameplays e análises de jogos, Felipe chegou ao reconhecimento reunindo tantos jovens que acompanham seu trabalho, “Lidar com a fama é algo interessante, porque 48
Felipe Batista
Victor Hackbarth Pereira Pedro Orsolini Osório
Youtuber Felipe Batista, produtor de conteúdo de games para a internet eu não trato eles como “fãs”, trato eles como conhecidos ou amigos. Sempre me deparo com alguém que acompanha o canal, seja no Shopping, na rua, etc.”. Tentar dar início a uma carreira como produtor de conteúdos na internet certamente é muito arriscado e incerto, ainda mais para uma criança ou adolescente. Motivado por seus amigos, Felipe criou seu canal em 2011, quando na época tinha 11 anos, e conta que existiram os lados negativos e positivos desse processo. É preciso estar disposto a sacrificar grande parcela do dia para a plataforma, entre gravar, editar e fazer upload. “Outra dificuldade é o público, para qualquer trabalho lidar com pessoas é complicado, principalmente se você trabalha com entretenimento.”. Entretanto, os benefícios se mostram presentes em aspectos pessoais e profissionais, como ser menos tímido em frente às câmeras, até ter uma renda suficiente para se sustentar e participar de diversos eventos relacionados ao Youtube, para dar palestras e conversar e interagircom o público.
O sonho digital A busca por um espaço nesse meio digital é tão grande que muitas crianças e adolescentes ainda sonham com a chance de se inserir na plataforma. Muitas são as influências e as inspirações, como foi para Maria Clara Lins, que aos 11 anos, procurar iniciar sua trajetória. “Minha vontade virar Youtuber veio para ocupar mais meutempo.Meuconteúdoseria mais voltado para games e para a cultura pop japonesa.”, afirma Maria. “Meus amigos me influenciaram muito para começar essa caminhada. Ter um canal seria praticamente para ocupar meu tempo e ao mesmo tempo ser um hobbie, pois assim poderia falar sobre assuntos que gosto e que também agradariam os outros.”
“Essas crianças se tornam um modelo” Com a busca excessiva desses jovens por uma oportunidade de virar YouTuber, cresce igualmente a preocupação com os mesmos. Segundo a psicóloga, Ingrid Hackbarth, especialista em comporta-
mento infantil, “Essas crianças se tornam um modelo para que outras também comecem a fazer seus vídeos, aumentando então a popularização dos Youtubers.”. Em relação aos fenômenos responsáveis pelo constante interesse das crianças em se tornarem parte desse meio, conclui “O processo de socialização de uma pessoa começa na infância. Com a alta popularidade dos youtubers através da mídia como revistas, internet, livros e filmes, as crianças tem tendência a seguir o que os outros gostam para criarem afinidades e amizades. Também pode ser considerada uma ferramenta fácil de expressão de seus sentimentos e pensamentos para um número grande de pessoas.”. A criança é reforçada pelo seu público ao perceber que existem pessoas com os gostos em comum, fazendo assim com que as pessoas se aceitem melhor e aumentem sua autoestima. Portanto, ao criar seus própios grupos de amigos, a criança comporta-se de forma igual ao seu grupo, para que ela seja aceita neste grupo.
Making of A ideia desta matéria se deu através da notícia de 31 de Janeiro de 2017, ‘’Escola Lanterna Mágica oferece curso para crianças e adolescentes que querem ser Youtubers’’, do Portal Segs. De início, tivemos a preocupaçãodemostrarexatamente o porquê do crescimento da ideia de crianças virarem Youtubers. Inicialmente, o Canal da Lelê seria a escolha principal para contar sobre o dia a dia dessa carreira, entretanto, por uma série de fatores, não foi possível contatá-la. Após várias tentativas frustradas, o Canal Febatista (primeira entrevista), que acumula mais de 1 milhão e 800 mil inscritos, respondeu ao nosso pedido e nos contou como é lidar com essa rotina. Para esclarecer as razões que estimulam a busca por essa nova forma de carreira, entrevistamos a psicóloga Ingrid Hackbarth (segunda entrevista), que trabalha e conhece a área de comportamento das crianças, para abordar sobre essa conduta que as crianças atuais denominam ser Youtuber. É contado a ideia da influência que a sociedade possui sobre os jovens adetrarem nesse meio tecnológico. E, por fim, para humanizar e mostrar a vontade de crianças em agirem dessa forma, conversamos com Maria Clara Lins (terceira entrevista), estudante de 11 anos de idade, para relatar sobre as razões que a fazem tentar adentram neste meio tão concorrido e persuasivo dos influenciadores digitais. Portanto, ao trabalharmos nessa matéria do Diretriz, aprendemos que fontes pertencentes ao meio público são difíceis de serem contatadas mas foi divertido por conhecer esse ambiente virtual. DIRETRIZ
Cultura
Futuro incerto para a música erudita
Orquestras se adaptam à diminuição do número de assinantes e aos cortes de investimento A Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp) não está isenta das consequências da atual situação econômica do país. A queda do número de assinantes (pessoas que assinam os serviços da Osesp, para terem exclusividade nos concertos oferecidos) e a diminuição do investimento de patrocinadores exigiram adaptações da Fundação para 2017. A temporada deste ano está mais enxuta e houve o cancelamento de convites aos maestros Celso Antunes e Fabien Gabel. Alexandre Félix, assessor de imprensa da Fundação Osesp, destaca que a queda de patrocínio está ligada a um provável cuidado das empresas com as verbas destinadas a esse tipo de divulgação. “Os patrocinadores também passam por restrições econômicas, e isso reflete no apoio à Fundação”, complementa. Diante desse cenário, a Osesp precisa de uma maior arrecadação por outras fontes, como a venda de ingressos avulsos. “Num momento como este, manter a Sala São Paulo cheia é questão primordial para sustentar investimentos, patrocínios e oferecer ao público o retorno do que é aplicado na orquestra”, explica Félix. Até o momento, a Osesp tem conseguido cumprir esse objetivo. “A compensação da queda do número de assinaturas vem com a venda de ingressos avulsos”, diz o assessor. Apesar de estar em uma situação delicada, a tradição e a credibilidade que a DIRETRIZ
Osesp construiu ao longo de sua história têm ajudado a manter a qualidade do trabalho da Fundação. Emerson de Biaggi, professor do programa de Pós-Graduação em Música da Unicamp, com doutorado em Artes Musicais pela Universidade da Califórnia (EUA), explica que “o começo do ano foi terrível para os músicos”. Segundo ele, talvez os efeitos da crise apareçam mais na Osesp pelo fato dela ser uma das maiores do país, mas outros grupos de música erudita brasileiros também vêm sofrendo com a situação econômica.
“Nenhuma orquestra no mundo sobrevive de ingressos avulsos”
“Se o governo precisa fazer cortes, ele vai tirar da Cultura”, lamenta. No início do ano, as quatro orquestras e bandas de música clássica apoiadas pelo Estado de São Paulo, entre elas a Osesp, sofreram cortes. A mais afetada foi a Banda Sinfônica do Estado que, após, 28 anos, foi extinta. A Jazz Sinfônica e a Theatro São Pedro (Orthesp) também demitiram dezenas de músicos. Sobre o posicionamento da Osesp de tentar compensar a queda no número de assinaturas com a venda de ingressos, ele declara: “nenhuma orquestra no mundo sobrevive de ingressos avulsos”. Instabilidade Apesar da situação difícil, não há o que fazer a não ser esperar uma mudança por parte do governo estadual.
Pedro Fernandes
Pedro Fernandes
Estátua na Sala São Paulo de Eleazar de Carvalho, símbolo de superação
Emerson ressalta a grande instabilidade que afeta a carreira dos músicos hoje. “Quando eu era da Orquestra, havia uma estabilidade por ser funcionário público. Hoje não, você pode ser demitido de repente. O maestro não quer que o músico tenha estabilidade, para não relaxar”, afirma. Queda na procura As dificuldades econômicas têm relação direta com a música oferecida pelas orquestras. A Jazz Sinfônica, por exemplo, sofreu mais de vinte cortes. Com isso, é preciso fazer adaptações para manter a qualidade musical em um repertório selecionado para uma certa quantidade de músicos, após uma inesperada quantidade de demissões. Futuros músicos também estão cientes da situação difícil. Na Unicamp, houve uma grande queda no número de inscritos para o vestibular da graduação de Música. Segundo Emerson, a prova, que conta normalmente com 500 candidatos, teve apenas 390 no último final de ano. “É um número preocupante”, alerta. Quando questionado por seus alunos a respeito do cenário atual da música erudi-
ta brasileira e da carreira de músico no Brasil, Emerson os encoraja, mas deixa claro que a situação já foi bem mais estável e promissora.
“Condições mais favoráveis motivariam mais músicos” Mesmo assim, ele afirma que o cenário já foi bem pior: “Na primeira metade do século 20, era muito difícil ser músico no Brasil. Os que conseguiram foram exemplos para as gerações seguintes, que tiveram mais condições de construir uma carreira.” É o caso do cearense Eliazar de Carvalho, um dos maiores maestros da música erudita no Brasil e no mundo, que enfrentou uma sériede dificuldades para vencer na carreira. O investimento do governo estadual e da prefeitura de São Paulo na cultura, e especificamente nessas orquestras, se faz muito necessário diante da atual situação. Condições mais favoráveis certamente motivariam mais músicos a seguir a música erudita no Brasil.
Making of A pauta surgiu após uma notícia que eu vi sobre a queda nos investimentos destinados à Fundação Osesp. Essa não era minha primeira ideia de reportagem, mas, como outro grupo já estava fazendo a pauta que inicialmente eu tinha pensado, resolvi produzir uma matéria sobre os efeitos da crise econômica na música erudita, por considerar o assunto importante. Foi difícil, pois eu tinha bem menos “intimidade” com o tema. No processo de apuração, a entrevista com o assessor de imprensa da Osesp não teve o resultado que eu esperava. Nunca tinha conversado com um assessor, achei que fosse descobrir mais a respeito do assunto, mas obtive respostas curtas, diretas e pouco esclarecedoras. As respostas foram, de certa forma, todas “na defensiva”, o que não ajudou na compreensão da situação geral abordada na matéria. Já a entrevista com o professor da Unicamp, Emerson de Biaggi, foi bem produtiva. Pude ouvir a opinião de alguém que já fez parte da Osesp, conhece os seus bastidores e é referência na música erudita brasileira. Não coube tudo o que ele me disse no texto final, mas pude realmente aprender muito sobre esse cenário. Tive dificuldade para marcar essa entrevista. Emerson é muito ocupado, pois também dá aulas particulares quando não está na universidade. Marcamos um primeiro encontro, mas tive de desmarcar. Depois disso, passou um bom tempo até conseguirmos combinar de novo. Com isso, aprendi que não é bom que o entrevistador adie a entrevista, já que quem tem pressa para produzir o conteúdo é ele mesmo. Tive que contar com a boa vontade do entrevistado. 49
Cultura
Apropriação de Ideologias
A discussão sobre a apropriação de culturas ganha espaço no mundo e na mídia
O tema da apropriação cultural vem ganhando destaque na sociedade nos últimos meses. Após o caso da menina Thauane Cordeiro, que luta contra uma leucemia, ter sido repreendida por uma mulher negra por estar usando turbante, a mídia passou a retratar muitos casos como esse e explicar de onde é gerada tamanha polêmica e seus desdobramentos. Mas o que é Apropriação Cultural? Esse fato se dá quando membros de uma determinada cultura dominante se apropriam de símbolos de uma cultura dominada. Usando como exemplo a cultura negra, os turbantes e outros acessórios de origem africana possuem um valor simbólico em sua cultura, seja em relação à religião, ou mesmo na posição hierárquica da sociedade, que é banalizado ao ser usado por alguém que desconhece tal significado. Além disso, outra questão levantada é que quando utilizado por alguma mulher branca, é considerado elegante, “da moda”, enquanto em negras causa desconforto por parte da sociedade e há julgamentos. Relações de Poder De acordo com Larissa Santiago e Charô Nunes, do grupo Blogueiras Negras, há ainda uma questão das relações de poder dos grupos dentro desse conceito de apropriação, principalmente quando é falado a questão da melhor abordagem de um membro da cultura dominada para um membro da dominante, pois, usando a cultura africana como exemplo, “nenhuma pessoa preta está em condições de poder de impedir que um indivíduo branco se aproprie de nossa cultura”, 50
argumenta Charô. No entanto, a dúvida presente em grande parte da população é até onde se pode falar de apropriação cultural dentro de um mundo extremamente miscigenado, globalizado e diversificado. A historiadora e filósofa Fabiana Tamizari, acredita que o processo de globalização significa conhecer e respeitar a cultura do outro, “a globalização nos possibilita ter acesso rápido às culturas e uma integração do mundo, mas isso não quer dizer padronização do mundo”, completa. Ela ainda defende que a particularidade das culturas e seus símbolos são essenciais e que a principal questão da apropriação é a descontextualização disso.
“Nenhuma pessoa preta está em condições de poder de impedir que um indivíduo branco se aproprie de nossa cultura”
Ainda sobre a cultura negra, outro ponto bastante levantado por ativistas e simpatizantes da causa é sobre o uso de dreads. Nas religiões africanas como o Rastafári, a utilização do dread é uma forma de se conectar com sua crença, e essa definição é perdida quando usado exclusivamente por motivos estéticos. Tamizari discute que o passado e a história dos negros sempre foram negados e por isso é doloroso ver todos esses símbolos que eles carregam de sua cultura e seu passado perderem o significado. Por isso, a discussão sobre apropriação de culturas no
Dominique Santana
Dominique Santana Maria Clara Galeano
Jovem usa dreads em seus cabelos ruivos.
mundo da Moda é outro âmbito que a sociedade discute. O estilista se inspira em culturas completamente diferentes da que faz parte e transforma em uma coleção peças que, não necessariamente, serão acessíveis a pessoas que fazem parte da cultura “dominada”. Uso na Moda A jornalista especialista em Estética e Gestão de Moda pela USP e repórter da Vogue Brasil, Andreia Meneguete, declara que, uma vez que a moda pega elementos do espectro individual e torna-os coletivo visando apenas o lucro, agride um grupo ou povo com suas “inspirações”.
“Você tem que entender como a sua inspiração não pode afetar um grupo”
Para a jornalista, é contraditória a utilização daquela cultura de forma massificada quando não houve tempo para escutar e entender as dificuldades dos membros de tal comunidade na sociedade, ou
mesmo, no mundo da moda. No entanto, a repórter não vê consequências sérias provenientes dessa discussão para a moda. “As consequências são negativas por um momento. Elas acontecem e depois passam, assim como tudo tem uma volatilidade muito grande atualmente, tudo se perde e se dissemina muito rápido”, comenta ela. Mas reforça que cada um que trabalha nesse mercado tem uma responsabilidade com a sociedade, e não pode fugir dela. Larissa Santiago também traz luz à essa questão, colocando que, mesmo com coleções baseadas na cultura afro, a participação do negro nas produções e mesmo nos eventos de moda limitam-se até onde o público não vê. A roupa é inspirada em negras, mas são modelos brancas que as desfilam para o público. Nesse ponto, Meneguete concorda: “A questão é muito mais que só usar uma peça ou adorno, a questão é você não privilegiar em nenhum momento aquela tribo ou grupo, mas tirar o sentido de um elemento da sua cultura e transformá-lo em um acessório da moda”.
Making Of Imaginamos nossa pauta sobre um assunto polêmico, relacionado a cultura/ comportamento e que desse visão a grupos minorizados, tema que gostamos bastante de tratar. A questão da Apropriação Cultural logo veio à mente, uma vez que a mídia retratou um caso recente sobre uma jovem branca que havia sido repreendida por usar um turbante. Assim que a ideia nos ocorreu, estruturamos nossa pauta pensando em três tipos de fontes: ativistas afro, um especialista (sociólogo, antropólogo ou historiador) e alguém relacionado ao mundo da Moda, já que nossa proposta era focar um pouco nesse assunto. Então, partimos à procura de pessoas que compartilharam suas opiniões e ideologias na matéria ao lado. A historiadora Fabiana nos deu sua visão sobre a Apropriação Cultural, que foi compartilhada por um coletivo de blogueiras negras em que Charô e Aline falaram conosco. A repórter de moda da Vogue e professora da FAAP, Andreia Meneguete, além de concordar com a opinião das outras fontes, explicou um pouco sobre a responsabilidade que o mundo da moda tem em relação à essa apropriação de símbolos de culturas diferentes. Dessa forma, a matéria “Apropriação de Ideologias” ganhou a forma e a estruturação que esperávamos. Tirar dúvidas e esclarecer o que é a Apropriação Cultural era o nosso principal objetivo.
DIRETRIZ
Esporte O esporte como aliado do transplante Atletas brasileiros transplantados relatam suas experiências de superação
Um dos maiores desafios para quem recebe um órgão é a vida após o transplante. Uma das dúvidas levantadas é: será que uma pessoa transplantada pode praticar esportes? Não só pode, como deve! O exercício físico, respeitando a recomendação médica, além de ajudar no bem-estar do paciente, colabora com a sua reinserção social. O papel da Federação Mundial de Jogos para Transplantados (fundada em 1978 como uma organização mundial com mais de 60 delegações, sendo reconhecida pelo Comitê Olímpico Internacional) é bastante importante na promoção de esportes para transplantados. Para promover as vantagens dos esportes em todos os níveis, a Federação criou os Jogos Mundiais de Verão e de Inverno para Transplantados, que também celebram os transplantes bem-sucedidos e a vida. Os jogos acontecem a cada dois anos e a cidade que sediará a 21ª edição será Málaga, na Espanha. Diferente das Olimpíadas, esses eventos direcionados para os transplantados duram apenas uma semana e possuem 17 modalidades, dentre elas o voleibol, o tênis de quadra e de mesa, e o basquete. Para participar, tanto doadores como receptores, é necessário ter entre 4 e 80 anos. No caso dos transplantados, também é preciso ter um ano com o novo órgão, no mínimo. A experiência única DIRETRIZ
de poder participar de um evento voltado para atletas transplantados é compartilhada entre os participantes. A gaúcha Liège Gautério, 44, o brasiliense Haroldo Costa, 51, e o paulista Dinael Wolf, 46, integrantes da Delegação Brasileira dos Jogos Mundiais de Atletas Transplantados, e os mais de 2.500 inscritos para Málaga possuem a mesma história: superação. Recomeço Em 2003, Liège Gautério precisou de um transplante de pulmão após ser diagnosticada com fibrose pulmonar, uma patologia progressiva e sem tratamento, que limita a capacidade respiratória. A doença evoluiu durante 8 anos e, quando os sintomas se agravaram, Liège entrou na lista de espera para receber o órgão.
“Eu fiquei com muito mais vontade de viver. De fazer mil coisas ao mesmo tempo”
Depois de 5 meses, ela recebeu um novo pulmão e pôde retomar aos poucos sua vida. “Eu fiquei com muito mais vontade de viver depois do transplante. De fazer mil coisas ao mesmo tempo. De valorizar a vida.” A atleta descobriu as Olimpíadas dos Transplantados, através de um conhecido que a incentivou para se inscrever. Em 2015, Liège participou da 20ª edição, ocorrida em
Arquivo pessoal
Gabriela Fonsecca Giovanna Paternostro
Aos 44 anos, Liège soma medalhas no atletismo
Mar Del Plata, na Argentina. Ela foi a primeira brasileira a participar da competição e garantiu medalhas de ouro e prata nos 100 e 200m rasos. Haroldo Costa e Dinael Wolf tiveram em comum uma disfunção renal que se agravou e trouxe complicações para a vida de ambos. Os dois tiveram o apoio das famílias durante todo o processo de transplante, tendo também uma boa reabilitação para a volta da prática de esportes. Vencendo desafios Haroldo começou a participar dos Jogos em 1999 e contabiliza três medalhas no tênis de quadra desde então. Foi por meio dele que Dinael soube das Olimpíadas, ingressando em 2012, nos Jogos Latino-americanos em Buenos Aires (Argentina). Hoje é responsável pela Delegação Brasileira dos Jogos Mundiais de Atletas Transplantados. Inscritos em Málaga, os atletas brasileiros buscam no esporte uma maneira de superar seus desafios
“É um prazer pela vida, pela segunda chance que nos foi dada” e manter a qualidade de vida. “É uma atmosfera muito boa. Embora seja uma competição, todos que estão participando são vencedores, então os jogos acabam sendo mais uma confraternização para cada um tentar superar seu limite. É um prazer pela vida, pela segunda chance que nos foi dada”, relata. Infelizmente, a Delegação Brasileira não tem um incentivo direto do governo. Os atletas precisam ir atrás de patrocínios e, neste momento, usam seus próprios recursos para arcar com os custos de um evento como esse. Mesmo com esse empecilho, Dinael quer aumentar a delegação e enaltecer a união dos participantes, mostrando a possibilidade de uma condição de vida após o transplante, proporcionada pelo esporte.
Making Of A ideia para a pauta surgiu após a Giovanna ter assistido ao programa “Encontro” (Rede Globo), que tinha como tema o transplante. A entrevistada dissera que iria participar das Olimpíadas dos Transplantados. Definimos o “outro olhar” para a notícia e decidimos levar adiante, sugerindo o tema para a professora Patrícia Paixão. Com sua aprovação, começamos a ir atrás de fontes. Tivemos problemas no início por causa da semana do Carnaval. Tentamos conversar com algumas fontes mesmo no feriado, mas não nos retornaram. A duas semanas do deadline, encontramos uma página no Facebook chamada “Esporte e Transplante”. A representante da página nos respondeu em poucos minutos com os nomes e contatos de três atletas transplantados da Delegação Brasileira. Em seguida, entramos em contato com eles. Novamente, tivemos uma resposta rápida, como se uma luz se acendesse para nós. Tudo aconteceu tão rápido que ficamos um pouco assustadas e sem saber por onde começar a matéria, já que achávamos que a pauta iria cair. Conseguimos realizar as entrevistas por telefone, devido ao fato de os atletas morarem em outros estados e cidades, e finalizamos a reportagem. Como todo bom jornalista, tentamos passar outras visões e outras realidades para os leitores. 51
Esporte O crescimento dos esportes eletrônicos no Brasil LoL conquista espaço na TV, com transmissões nos finais de semana
Os e-sports vêm crescendo muito nos últimos anos. Dentre os jogos, o que mais ganha destaque é o League of Legend, mais conhecido como LoL. Segundo dados do portal G1, o game já alcançou 67 milhões de usuários e conta com cerca de 27 milhões de jogadores online todos os dias. Fator que é fundamental para esse crescimento é a própria desenvolvedora do jogo, a Riot Games. Além de produzir algo que caiu nas graças de milhões de jogadores, a empresa oferece grande suporte e infraestrutura, com mouses e computadores excelentes para os jogadores. No Brasil, o LoL já ganhou seu espaço na televisão, com transmissões nos finais de semana do CBLoL (Campeonato Brasileiro de League of Legends). Guilherme Seto, jornalista da Folha de São Paulo, especializado em direitos de transmissão, revela que a procura das emissoras pelos e-sports é alta por conta do retorno de audiência que elas têm. Além de possuírem direitos baratos para o preço que pagam, as transmissões tornam-se, segundo Seto, “uma equação perfeita” para as empresas. Questionado sobre um possível reconhecimento dos e-sports como modalidade olímpica, o jornalista diz que é cedo para dizer isso, mas, com o avanço rápido que o jogo vem tendo, pode-se imaginar que sim. Seto ressalta a vontade do país sede em querer essa modalidade, por exemplo, uma futura Olimpíada na Coreia, onde, segundo ele, “os e-sports são tratados como o futebol 52
Victor Peixoto
Flávio Rodriguez Victor Peixoto
Bancada de apresentação do CBLoL na sede da Riot
no Brasil” e os players são considerados atletas.
“Na Coreia os e-sports são tratados como o futebol no Brasil” Players Guilherme “Tixinha” Cheida, 26, é um narrador muito famoso no cenário brasileiro dos e-sports e um dos melhores exemplos da evolução do League of Legends no Brasil. Em 2013, “Tixinha” ingressou para o mundo do comentarismo, mas tinha inicialmente como sonho ser um jogador profissional. Tentou essa vida no Counter Strike (game de ação muito jogado em todo mundo) e, em seguida, iniciou seu trajeto no LoL. Depois de várias tentativas foi convidado para comentar um jogo de LoL. Relutou muito com a proposta, mas acabou realizando o jogo e dando início a sua carreira de narrador. As condições enfrentadas no começo de sua trajetória como narrador não eram as ideais. Não existia um salá-
rio propriamente dito: “Nós fazíamos tudo de graça, eram transmissões feitas em casa, algo bem amador. O pagamento era feito até mesmo por jantares nos finais de semana”. Vencendo o preconceito inicial, “Tixinha” cresceu junto com o game e hoje é um dos maiores narradores do jogo no país. Em relação ao crescimento, afirma: “as transmissões na televisão fizeram com que grandes marcas buscassem saber mais e começassem a investir no jogo e nos campeonatos”. O League of Legends conta com diversos campeonatos ao redor do mundo. Entre eles está o Campeonato Mundial, em que equipes de diferentes nações buscam um prêmio que em 2016 deu cerca de 2,1 milhões de dólares ao vencedor. Um dos players brasileiros que já teve essa experiência foi Pedro “Lep” Marcari, que é inclusive um dos primeiros jogadores brasileiros a jogar um Campeonato Mundial, sediado em Cingapura. “Lep” logo se destacou dos demais e nos primeiros campeonatos que a Riot realizou no Brasil, ele e seu time ficaram na terceira colocação. Porém, com uma premiação alta
para um garoto de 15 anos, seus pais passaram a olhar de outra forma para o game, mas sempre alertando sobre a importância da finalização do ensino médio.
“Acredito que e-sports são o futuro” Profissão jogador A clareza que tinha com seus pais foi fundamental para que eles o deixassem jogar. Lep explicava que aquilo era mais que um jogo, e que poderia ser seu futuro. “Não sabia o que queria fazer na faculdade e sempre estive entre os top 3 da minha posição, queria continuar jogando. Gostava de competir, gostava das pessoas que eu jogava, acredito que os e-sports são o futuro!”, complementa. Hoje o player carrega em sua carteira de trabalho a profissão de jogador profissional de League of Legends. O crescimento desse tipo de esporte é tão evidente que no ano passado o Campeonato Mundial teve mais audiência que a final da NBA, um dos esportes mais tradicionais nos Estados Unidos.
Making Of Nossa jornada começou com a escolha da pauta. A partir de uma matéria que vimos sobre esportes, optamos por fazer uma reportagem focada nos esportes eletrônicos, que têm crescido muito nos últimos anos. Por meio de uma fonte com a qual já tínhamos um vínculo, conseguimos marcar uma entrevista na sede da Riot, na Vila Leopoldina. A aventura realmente começou quando entramos numa “caixa de fósforos” chamada trem. Não cabia mais uma pessoa, já estava além da superlotação. Quando chegamos à Riot, ficamos boquiabertos. A infraestrutura que eles possuem é algo de outro mundo. Nesse dia, logo após as entrevistas, tivemos a sorte de estar rolando uma espécie de “Mesa Redonda do LoL”, porém sobre a última rodada do campeonato, que acontecera no final de semana. Conseguimos acesso exclusivo para assistirmos à exibição da sala de controle, local em que quase ninguém tem acesso. Sentimo-nos previlegiados. Participaram do programa nossos entrevistados: “Tixinha”, como apresentador, e “Lep” como convidado. A mesa durou cerca de uma hora, e percebemos o quão profissional a equipe era, com uma grande preocupação em passar um produto de qualidade para os fãs do jogo. Foi muito além das nossas espectativas. No final das contas, a matéria nos surpreendeu. DIRETRIZ
Política Veto de entrada, entrada de interesses
Lei de banimento de entrada de Trump entra em vigor, mas não ameaça Green Cards
No início do mês de março (06/03) o presidente Donald Trump apresentou a nova ordem migratória que exclui o Iraque do veto de viajem, revelando diferenças da proposta polêmica de janeiro. Aparentemente a causa está atrelada às medidas satisfatórias do país contra o terrorismo. Entretanto, o Índice Global de Terrorismo mostra o Iraque em primeira posição por dois anos consecutivos como o lugar com o maior foco de ataques extremistas. Há indicações de que a razão do interesse norte-americano esteja na larga reserva de petróleo do país, a quinta maior do mundo. A empresa ExxonMobil, a única americana que opera com a licença do governo iraquiano, teve como CEO o atual Secretário de Estado de Trump Rex Tillerson, que perderia consideravelmente com o banimento de entrada. Além disso, não haverá remoção de Green Cards como anteriormente a proposta visava. “Com relação aos casos em andamento, a não ser que haja uma infração criminal, não acontece nada, a cláusula Grandfather diz que se uma pessoa abriu um processo em 1980, as leis aplicadas serão as de 1980, a lei atual não pode agir”, diz Josmar Pereira, assistente legal de imigração da área de deportação de Boston. Essa cláusula é válida para os processos em andamento até o dia 16 de março, a lei entra em vigor aos aplicantes após essa data. Outra diferença da nova Reforma Imigratória consiste na retirada da preferência a grupos religiosos minoritários, como por exemplo os DIRETRIZ
cristãos, em países de maioria islâmica na concessão do visto americano. O que permanece da proposta original são os seis países com entradas vetadas aos EUA. Irã, Líbia, Somália, Sudão, Síria e Iêmen. “Impedir a entrada desses países não quer dizer o fim do terrorismo; é o mesmo que falar ‘pode atacar’. Agora a raiva [dos extremistas] contra os Estado Unidos ficou ainda maior”, diz Ronaldo morador de Boston e imigrante irregular.
“[...] o Índice Global de Terrorismo mostra o Iraque em primeira posição por dois anos consecutivos [...] o maior foco de ataques extremistas”. Quanto aos brasileiros, a lei não afeta residentes regulares (a não ser que haja uma infração criminal por parte do imigrante) já que o foco da reforma é o antiterrorismo. Entretanto aos irregulares, a fiscalização se torna mais rígida. “Agora, se estiver dirigindo e for parado a ordem da imigração é deportação imediata”, diz Josmar Pereira. O próprio irregular delata outro por motivos de dívida, desentendimentos ou mesmo concorrência por um trabalho. Há brasileiros que vivem irregulares há 20 anos. Não se regularizam por vergonha de dizerem a verdade pro chefe ou por terem
Foto: whitehouse.org. Creative Commons Attribution 3.0 License
Vitoria H. Hirata
Presdente Donal Trump na Casa Branca.
perdido a oportunidade de pedirem por um sponsor [patrocinador]. Outros esperam os filhos crescerem, pois a lei diz que o filho ao atingir a maioridade pode regularizar os pais. “Porque ‘fulano’ disse que era só esperar o filho crescer”, acrescenta o assistente legal de deportação, “as pessoas não procuram checar e averiguar os fatos”. De acordo com o Departamento de Justiça e do Conselho de Relações Exteriores norte-americano o número de pessoas mortas em incidentes com armas de fogo entre 2001 e 2011 é mais de 40 vezes maior do que o de mortos em ataques terroristas. Esse número abrange desde vítimas de auto defesa, suicídio, até o chamado terrorismo caseiro. “Há casos de pessoas que viajam ao Oriente Médio e voltam radicalizados. O cidadão atenta contra seu próprio país. No caso podemos chamar de uma violência doméstica”, diz Josmar. “Haveria necessidade de se
criar um registro nacional e um controle mais efetivo aos portadores de armas”.
“Agora, se estiver dirigindo e for parado a ordem da imigração é deportação imediata”. Muitos americanos se queixam que essa medida tomada pela presidente infrinja a identidade nacional americana. O país parece dividido entre conservadores contrários à entrada de imigrantes, e liberais mais abertos a entrada destes. De acordo com o Census Bureau, até 2050 os brancos serão o grupo minoritário nos EUA, enquanto os hispânicos serão a maioria. Um ótimo exemplo da representatividade desse grupo foi o candidato à presidência Marco Rúbio nas eleições de 2016.
Making Of A matéria surgiu de uma uma experiência pessoal, vivi no estado de Massachusetts por um ano, de maioria liberal e apoiadores da eleição de Hillary Clinton. Ao presenciar “ao vivo” as tensões que cercaram às eleições à presidência dos Estados Unidos no ano de 2016, fui capaz de detectar desde o princípio as preocupações do círculo de brasileiros imigrantes, tanto regulares quanto irregulares, acerca do seu futuro. Levando em consideração que grande parte do público desse jornal já visitou o exterior, e consequentemente os Estados Unidos, a pauta é de extrema relevância. Procurar um oficial de imigração da área de deportação, foi uma obra do “destino”. Na minha estadia de um ano na região de Boston. conheci um assistente legal que se disponibilizou para entrevistas, apesar da distância de oceanos. O processo foi um pouco complexo, afinal as diferenças de fuso horário realmente não ajudavam no caminhar dessa matéria, mas Josmar foi incrivelmente paciente em explicar inclusive o processo histórico da imigração americana a uma até então, “leiga” no assunto. De modo geral, das mil e uma informações relevantes e curiosas que aprendi no processo dessa matéria, apenas uma pequena porcentagem foi capaz de entrar de fato. Me aventurar numa pauta internacional e política foi uma experiência aventureira.
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Política EUA fecham fronteiras para o sonho americano Com vistos negados, qual é o limite para ter um sonho alcançado? Elizabeth Matravolgyi
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“Essa política, de médio a longo prazo, pode ser insustentável, pois os EUA são um país de imigrantes” buscam limitar a entrada de imigrantes nos EUA”. Após duas semanas de governo, Trump decretou o fechamento das fronteiras para sete países, sendo eles
Making Of Elizabeth Matravolgyi
“A princípio todos pensam que os Estados Unidos são o país dos sonhos. De certa forma, isso é verdade, mas todos sonhos e conquistas exigem sacrifícios e disciplina”. Esse é o relato de H., que pediu pra não ser identificado nessa reportagem. H. viu seu irmão partir, em meados dos anos 90, para um país distante que prometia sonhos e uma vida melhor. Foi então que resolveu juntar todas as suas economias para adquirir o visto americano. “Tentei durante seis meses tirar o documento, mas todos foram negados”, conta. Vendo que seu desejo de imigrar tinha sido recusado pelo Consulado, H. resolveu viajar para a Europa a fim de aprender inglês. Durante dois anos, viajou por diversos países, dormiu em pontos de ônibus, tocou guitarra, tudo em troca de dinheiro. Ao voltar ao Brasil, o sonho de imigrar para os EUA ainda permanecia. Repetiu o mesmo processo de antes. “Tentei por mais três vezes e negaram novamente, mesmo eu tendo viajado para outros países e com meu passaporte carimbado”. Frustado, optou por uma saída mais drástica: realizar a travessia México-EUA. A história de H. é mais comum do que se imagina. A reportagem o encontrou por meio de um blog, de autoria desconhecida, que continha apenas uma única publicação, com comentários que permitiam uma interação entre coyotes (responsáveis pela travessia ilegal entre EUA e México) e interessados na viagem. Muitos procuravam por documentos falsos e outros por informações com
as quais pudessem arriscar suas vidas em um trajeto via terra, para realizar seu sonho. Governo Trump “A ideia era que, de médio a longo prazo, seria possível realizar o sonho americano, ir viver nos EUA. A ascenção dessa pessoa, que chegava aos EUA, representava um crescimento individual aqui no Brasil”, afirma Rafael Villa, professor do Instituto de Relações Internacionais da USP. Villa reforça que, ao longo da história, com o modelo de democracia dos EUA e a abertura de fronteiras feitas pelos presidentes democratas Bill Clinton e Barak Obama, o projeto de sonho americano foi se fortalecendo e ainda hoje tem influência sobre muitos brasileiros. Ao ser questionado sobre a nova política do presidente Donald Trump, Villa comenta: “o elemento novo, nesse caso, é o caráter de rejeição e o discurso de antimigração, que vem acompanhado de medidas que
Discurso e medidas antiimigração dificultam sonho americano
de maioria muçulmana, e para refugiados de qualquer nacionalidade. Esse decreto também influenciou as regras para a retirada de visto por parte dos brasileiros. Segundo o Consulado Americano, todos os requerentes devem passar pela entrevista. O que antes era apenas para os maiores de 17 anos, agora é para os de 14. Essa medida não impede a entrada de brasileiros no país, mas faz com que o processo seja ainda mais lento e burocrático. Esse cenário global preocupa Villa: “Essa política, de médio a longo prazo, pode ser insustentável, pois os EUA são um país de imigrantes”. O advogado Fernando Fernandes, especialista na área de direito internacional ressalta: “há uma indicação clara de que as políticas restritivas de imigração serão mais rigorosas”. Ele comenta que os recentes acontecimentos no Oriente Médio e os atentados ocorridos na Europa são fatores que provocam uma reação negativa do atual governo americano.
“O sonho americano contrasta com o que realmente os EUA podem oferecer hoje” Vistos negados A maneira com que os solicitantes ao visto são tratados é reflexo dessa nova política antimigratória. “Até hoje não entendi o motivo pelo qual eles me negaram o visto”, relata Bruna Barros, estudante de 22 anos que na época pedia o documento para visitar a Disney com a tia. “Ele [funcionário do consulado americano] simplesmente me entregou um papel que dizia que o meu visto havia sido negado”, comenta. A jovem não tentou mais retirar o documento e saiu do consulado sem explicações. “Atualmente o sonho americano contrasta com o que realmente os EUA podem oferecer”, finaliza Villa.
Fazer esta primeira matéria para o jornal Diretriz foi um tanto quanto desafiador. Não só pelo tema ser internacional, mas pela dificuldade de se obter fontes para contar suas histórias. Tive muitos emails não respondidos e muitas ligações não atendidas. O meu maior desafio foi encontrar H., personagem da reportagem que pediu para não ser identificado. O encontrei em um blog que trata de assuntos ilegais e, para a minha segurança, preferi entrar em contato, por meio de um email falso. Dentre todos os que contatei, ele foi o único que se mostrou interessado em me ajudar. Depois de muita conversa, adquiri sua confiança para contar sua história. Mas ele foi me mandando aos poucos o seu relato, o que impediu que eu contasse sua história por completo, devido ao prazo. Mesmo assim, achei válido colocar sua trajetória na reportagem. As fontes especialistas foram mais fáceis. Conheci o professor Villa por meio de um artigo publicado no jornal da USP, que tinha tudo a ver com o meu tema. O advogado e a Bruna, que teve o visto negado, achei por meio de indicações, e do consulado recebi apenas uma notinha por email, com as novas regras. A parte de escrever e finalizar a matéria foi a mais prazerosa, já que eu estava imersa nos relatos das fontes, o que tornou a escrita mais leve.
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