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Acontece - Ed. 222 - turma 2J11

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JORNAL-LABORATÓRIO DO CURSO DE JORNALISMO DA UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE - ANO XIX - ED. 222 - NOVEMBRO / 2019

CENTROS ESPORTIVOS OFERECEM ATIVIDADES GRATUITAS - p. 2 LEIA TAMBÉM:

CONSCIENTIZAÇÃO SOBRE CÂNCER DE MAMA - p. 4 A LUTA PELA PARTICIPAÇÃO FEMININA NA POLÍTICA - p. 5 TERAPIA AO AR LIVRE NO IBIRAPUERA - p. 6 CONCURSO ESTIMULA A MODA INCLUSIVA - p. 9 ÔNIBUS PASSAM A ACEITAR CARTÕES - p. 8 ATENDIMENTO PRECÁRIO NA SAÚDE PÚBLICA - p. 11

A ROTINA DE QUEM GANHA A VIDA NO TRANSPORTE PÚBLICO Por Bianca Antunes e Júlia Santos - p. 3


A vida precisa de esporte Cidade de São Paulo oferece 48 unidades para a prática de atividades físicas para a população Felipe Zamboni Mariana Bentes

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cidade de São Paulo conta com Centros Esportivos espalhados por todas as regiões da capital. Os CEs, que fazem parte de um projeto público administrado pela Prefeitura, são locais que disponibilizam aulas gratuitas de atividades físicas que contribuem para a saúde, convivência e lazer dos paulistanos. São mais de 300 atividades, incluindo ginástica, artes marciais, tênis, esportes coletivos como basquete, futebol e vôlei, yoga, dentre muitas outras. Os espaços ainda oferecem aulas de espanhol e inglês avançado para pessoas de todas as idades. Um desses espaços é o Centro Esportivo Mané Garrincha. Localizado no bairro do Ibirapuera, o local conta com mais de 20 modalidades ministradas por professores e voluntários. Estes precisam ser profissionais da área de Educação Física e possuir o CREF ativo para que possam assinar um contrato com o projeto. Nessa unidade, a professora Gislene Rocha Amirato tem uma parceria com a equipe de geriatria da Escola Paulista de Medicina, da Unifesp. A ideia é que a parceria funcione no planejamento do trabalho físico e motor realizado no CE. Por meio dessa colaboração, Gislene ministra suas aulas para mais de 250 pessoas todas as semanas. A professora relata a importância do condicionamento físico, principalmente para os idosos, bem como as melhoras trazidas pelo esporte. “A grande procura pelas atividades está sendo de idosos e a presença masculina, que era raridade, está crescendo muito. Tem havido uma conscientização maior da importância que as atividades trazem para a vida. Não é só estética. Elas mexem com padrões fisiológicos, como glicemia, hipertensão e memória, combatendo o Alzheimer. Essas atividades são uma extensão da família e da vida, torna-se prazeroso e não mais uma obrigação. É incrível o governo propor-

Movimentar-se é sentir a adrenalina de viver intensamente tudo ao nosso redor

cionar vivências como essa para a população”, conta Gisele. O projeto tem uma importância notável na vida das pessoas que participam. E os próprios funcionários dizem que a maior virtude é a convivência social. Um exemplo disso é a aluna Emiko Zakimi Kakuta. “Participo há cinco anos das aulas. Faço alongamento e musculação. Isso é muito importante para mim, pois além das atividades, nós, alunos, convivemos socialmente. Para nós, idosos, o convívio social é muito importante. Fiz muitos amigos aqui. A professora é muito boa, sabe o problema de cada um e nos incentiva nas atividades, fazendo com que sejamos independentes. Aprendemos a levantar, deitar e sentar. Todos os movimentos importantes para o nosso dia a dia”, diz. Apesar da relevância, os Centros têm algumas dificuldades que impedem a melhoria no oferecimento de mais atividades, mais espaços, mais qualidade e estrutura. No Mané Garrincha, alguns reparos estão sendo feitos visando ao aperfeiçoamento do local. No entanto, uma boa parte está fechada, como a “piscina feijão”, impedindo o lazer e a realização de aulas e atividades. Outra grande dificuldade dos CEs é a falta de mão de obra. Segundo Odair de Bernardone, funcionário do Mané Garrincha, a maioria das pessoas que atuam nos espaços são voluntários, ou seja, não são funcionárias da Prefeitura e, consequentemente, não recebem

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para fazer aquele serviço. Isso é um fator preponderante para a dificuldade de realizar serviços nos Centros, uma vez que há uma certa complexidade de cobrar algo de voluntários. Os interessados em participar das aulas e atividades realizadas nos Centros, além de usufruir de sua estrutura, devem ir até a secretaria de um CE e apresentar a identidade e um comprovante de residência para fazer o cadastro. Para menores de idade, além dos documentos solicitados, também é necessário estar acompanhado por um dos responsáveis. Uma vez cadastrado, o aluno poderá frequentar todas unidades da cidade, desde que esteja com o exame médico em dia.

Jornal-Laboratório dos alunos do 2o semestre do curso de Jornalismo do Centro de Comunicação e Letras da Universidade Presbiteriana Mackenzie. As reportagens não representam a opinião do Instituto Presbiteriano Mackenzie, mas dos autores e entrevistados. Universidade Presbiteriana Mackenzie

Centro de Comunicação e Letras Diretor do CCL: Marcos Nepomuceno Coordenador do Curso de Jornalismo: Rafael Fonseca Supervisor de Publicações: José Alves Trigo Editor: André Santoro

Impressão: Gráfica Mackenzie Tiragem: 100 exemplares.


Shopping no vagão Número de vendedores ambulantes no transporte público aumenta com a crise econômica Bianca Antunes Júlia Santos

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egundo dados do IBGE, no terceiro trimestre de 2019 a taxa de desocupação do país caiu. Entretanto, essa queda no desemprego foi puxada principalmente pela entrada de trabalhadores na informalidade. Dos 684 mil novos ocupados, 87,1% estão na via informal. O transporte público, em especial metrô e trem, se tornou um dos principais palcos dessa atividade, com vendedores ambulantes oferecendo diversos produtos aos passageiros. Apesar dos pedidos das autoridades para que, além de denunciar, os passageiros não apoiem o comércio irregular, a grande maioria parece não se incomodar e até usa termos como “shopping-trem” para se referir à facilidade de compra e variedade de produtos que acabam fazendo grande sucesso nos trilhos. De acordo com Cimar Azeredo, Coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, essa geração de trabalho voltado para a sobrevivência, como a de ambulantes, por exemplo, é causada pela ausência de postos de trabalho com carteira assinada. No entanto, como essas pessoas não se sentem seguras, elas não investem na aquisição de bens e isso trava o mercado de trabalho em um círculo vicioso. O vendedor ambulante da CPTM Mário Sérgio Cunha, 54 anos, confirma a fala do especialista. “Não é uma escolha. Não tem emprego para mim e nem para os jovens. A economia está nos empurrando para a informalidade. O problema é econômico. Acumulando dívidas você se desespera, e já que você sabe vender, vai atrás da opção que tem. Você tem medo de investir”, contou o vendedor. São diversas as pessoas afetadas pela economia em baixa, o que nos permite ver os extremos explorando o negócio informal dentro dos transportes. De um lado, Isadora Ribeiro de Souza, de 19 anos, que afirma ter recorrido ao comércio ambulante porque não há chances para aqueles com pouca ex-

Valéria é vendedora ambulante na linha 8 - Diamante da CPTM

periência no mercado de trabalho. Por outro lado, Valéria Shele, de 39 anos, conta que depois dos 30 anos existe muita concorrência no mercado e por isso precisou procurar por algo fora da área administrativa, na qual trabalhou a vida toda. O que ambas têm em comum, fora a participação no comércio ambulante, é que entraram nisso em razão do desemprego, assim como querem muito conseguir uma oportunidade de trabalho formal para que possam abandonar a vida que levam. A recepcionista Cibele Camargo, 35 anos, é passageira frequente da CPTM e declara que não vê o comércio irregular como algo incômodo e nem desaprova a prática. “Acho muito triste, porque não tem oportunidades para todos, ainda mais agora com a crise’’, opina. Cibele acredita também que esse tipo de atividade deveria ser regulamentada, em vez de sofrer punições. Essa fala reflete o pensamento de

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muitos que veem o comércio irregular como uma saída para aqueles que não encontram outra escolha para sobreviver. Além disso, muitos encaram também como uma facilidade no dia a dia, já que grande parte dos brasileiros têm uma rotina diária corrida. Assim, acaba sendo cômodo encontrar itens de necessidade no meio usado para deslocamento, o que poupa algum tempo e acaba favorecendo a opinião dos passageiros sobre as vendas. A vigilância é rígida. O metrô conta com um canal de SMS exclusivo para denúncias de irregularidades, garantindo o anonimato dos que se sentirem incomodados em suas viagens. Por isso, é comum vê-los escondendo os produtos, ou até mesmo a si mesmos, quando as portas dos trens se abrem. Depois de fugirem da atenção dos guardas, soltam o famoso bordão “a porta fechou, perigo passou”e, assim, retomam suas atividades sem medo.


Rostos por trás da luta Mostra alerta sobre a prevenção do câncer de mama com fotos de mulheres que enfrentaram a doença Maria Luiza Priori Vitória Campos

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câncer de mama é o segundo tipo de câncer mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil, perdendo apenas para o câncer de pele não melanoma. No Brasil, 60 mil novos casos são detectados anualmente. Com isso, a ONG Instituto Viver Hoje realiza a mostra “Mulheres no Espelho – Força e Renascimento”, com fotos de mulheres em tratamento contra o câncer de mama espalhadas em cinco pontos de São Paulo e em mais três cidades: Cajamar, Santo André e Mirinzal. O intuito da exposição é alertar sobre a importância da detecção precoce do câncer de mama e melhorar a autoestima das mulheres que já passaram ou estão passando por tratamento. A exposição também conta com depoimentos das mulheres sobre os desafios na luta contra a doença. Cristina Gomes, publicitária e presidente da ONG, diz que a mostra serve principalmente para lembrar as pessoas, principalmente mulheres, da importância de fazer o autoexame em casa e sempre manter os exames anuais em dia. Ela destaca que a exposição se encontra em locais de grande circulação da capital, como o metrô e o estádio do Corinthians, para que milhares de pessoas tenham acesso a essa mensagem com mais frequência, fazendo com que a exposição não seja voltada a um grupo seleto, mas sim à população em geral. O intuito de expandir a mostra já está em andamento. A campanha conseguiu alcançar Mirinzal, um pequeno povoado no Maranhão. “Chegamos no povoado em 2016 e ainda mandamos material para ser trabalhado nas escolas. Depois disso continuamos mandando todos os anos, mas eu gostaria de poder mandar para vários lugares, gostaria de

Jaiel Prado e Simone Silvério estão entre os responsáveis pelo ensaio fotográfico

cobrir o Brasil com isso”, conta Cristina. As 15 mulheres escolhidas para participar da mostra são pacientes do hospital Santa Marcelina, já que todos os anos são escolhidas instituições públicas para o projeto. Cristina conta que sempre realizou o projeto pensando nas mulheres que protagonizam as imagens. Por isso, o dia da sessão de fotos vira um grande evento com café da manhã, maquiadores profissionais, almoço, sessão de relaxamento e vestidos, que são doados às mulheres pelo estilista Arthur Caliman após o ensaio. “Muitas das mulheres que foram fotografadas não tinham a mama, então depois que elas se prepararam, se maquiaram e colocaram aquela roupa bonita conseguiram enxergar a verdadeira mulher que tem dentro delas. A gente faz as fotos para que elas possam ver o poder que têm, que a força está dentro delas, aquele dia que estávamos ali elas esqueceram o câncer, esqueceram o tratamento”, diz Cristina. As fotos foram divididas em subaquáticas, realizadas por Carla Durante, e em retratos, realizados por Simone Silvério e Jaiel Prado. Eles contam que a ideia era proporcionar uma experiência gratificante para todas. Para Simone, além da ideia de um

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dia diferente, a campanha é especial pois une mulheres que podem compartilhar suas histórias com outras que vivem situações similares, gerando um mecanismo de acolhimento e identificação. “Você poder falar para alguém que sabe o que é tem um valor muito grande”, conta Simone. A fotógrafa diz identificar no público um senso comum de que tudo relacionado ao câncer de mama viria a ser triste e pesado, e isso foi algo que influenciou na montagem das fotografias, onde foi praticado o oposto dessas suposições, exaltando mulheres sorridentes e retratando a beleza de forma encantadora. “Elas nos mostraram durante o dia que estão celebrando a vida, celebrando o fato de estarem vivas, algumas já são vencedoras e outras ainda estão na luta, mas com muita garra”, declarou. Todas querem mostrar para as pessoas que existe a possibilidade de enfrentar a situação de uma maneira positiva. Jaiel também comenta que as fotos transmitem essa serenidade e esse “ar leve”, pois o dia do ensaio foi exatamente assim, alegre e sem melancolia. “Fazer um ensaio legal é sempre emocionante, é uma experiência super reveladora”, conta Jaiel. “Nessa situação ela é ainda mais potente”, completa.


Na política, a luta delas continua Cresce a participação feminina, mas os orgãos públicos seguem desiguais quanto à proporção de gênero

Drica Guzzi, do Vote Nelas, fala sobre “luta democrática” (foto: Victória Clemente) Carolina Gomes Victória Clemente

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esde setembro deste ano, organizações suprapartidárias, em conjunto com o Ministério Público de São Paulo, defendem, por meio de projetos de lei, o aumento da participação feminina no cenário político nacional. O Projeto de Lei “Mais Mulheres na Política” surge com a proposta de garantir 50% das cadeiras para candidatas eleitas, assegurando sua atuação efetiva nos órgãos públicos, sendo 25% dos assentos para mulheres negras. Segundo dados do IBGE, em 2018, o Brasil ocupava a 152ª posição no ranking de presença feminina nos parlamentos. Em São Paulo, durante as últimas eleições municipais, em 2016, houve um aumento significativo nas mulheres que atuam na Câmara Municipal. De 55 cadeiras, 11 foram ocupadas por elas, o que representa um salto de mais de 50% quando comparado ao último mandato. Desde de 2009, a lei prevê uma proporcionalidade de pelo menos 30% da participação de can-

didaturas de determinado gênero por partido ou coligação partidária, um panorama supostamente promissor. Porém, de acordo com a pré-candidata a vereadora Mariana Lacerda, 40 anos, as leis de cotas provocam discussão, mas não são suficientes para uma mudança no modo como enxergamos as mulheres na política. Estas funcionariam como uma medida momentânea, mas o panorama ideal seria aquele no qual elas não se fazem necessárias. “É muito difícil mulheres votarem em mulheres. Então, 30% ou 50% na chapa não é garantia de 50% dos votos”. A pré-candidata acredita que a legislação é necessária, mas também práticas que mudem a cultura. “Temos um problema sério de machismo nas próprias eleições”, afirma Mariana. A candidata enxerga esse cenário como um ciclo: “Nós não nos vemos representadas, então não temos interesse em votarmos em outras mulheres. Isso mantém a falta de representatividade”. Para Lacerda, o fator cultural está ligado às noções de divisão de trabalho estabelecidas socialmente: “A mudança só virá quando a gente

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conseguir igualar o valor na sociedade, tanto do trabalho quanto do cuidado, nos âmbitos familiares e domésticos, por exemplo”. A quebra do estigma social seria o primeiro passo para uma mudança efetiva. Tendo em mente a transformação social e do cenário político brasileiro, Drica Guzzi, 48 anos, participante do coletivo Vote Nelas, discute os próximos passos que serão dados. Além de a lei já estar passando pelos deputados federais, com articulação da bancada feminina, outro caminho democrático e importante de ser ocupado é o Projeto de Lei de Iniciativa Popular, que depende de uma aprovação prévia da população. “A gente precisa conseguir adesão de pelo menos um milhão de assinaturas, para que entre também como uma lei popular. A gente vai trabalhar em conjunto para fortalecê-los”, explica Drica. Drica prossegue propondo uma mudança por meio de uma “luta democrática”: “estamos em um momento em que a democracia está sendo ameaçada cada vez mais. O PL é uma espécie de contrarreforma, justamente para sustentar uma política democrática”. Levando em consideração essa luta, é importante que haja a participação, do início ao fim, de mulheres: brancas, negras, indígenas, deficientes, residentes nas cidades ou em áreas rurais e de diversas classes sociais. No lançamento, vários movimentos, representantes dessas diversas categorias, estavam presentes. O modelo de inclusão está presente desde o início do processo de desenvolvimento do PL. Guzzi reforça o caráter coletivo do projeto: Mergulhou na legislação, na Constituição, no próprio site do TSE. É por meio dessa ideia que pretende-se fazer, segundo Drica, “uma mudança efetiva nas leis municipais que, chegando na esfera federal, podem alterar o panorama político e cultural do país”.


Terapia ao ar livre Plantão psicológico gratuito no Ibirapuera busca evidenciar a importância da saúde mental na sociedade Fernanda Ayala Manuela Miranda

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parque Ibirapuera, desde fevereiro deste ano, tem se tornado palco para atividades relacionadas à saúde psíquica. Graças ao “Escuta na Grama”, projeto idealizado por psicólogos que pretendem informar a população e cumprir um papel social, é possível encontrar, todo último domingo do mês, das nove da manhã ao meio dia, atendimentos gratuitos e sem inscrição prévia. É uma iniciativa que não tem convênio com o parque, mas sim uma parceria autorizada. Seis psicólogos recém-formados foram os fundadores do projeto, sendo Pamela Décourt a idealizadora. “Todo mundo estudava junto. A gente entrou em contato com essa modalidade de atendimento, que era o plantão, e era diferente do usual que tínhamos visto até então. Tive a ideia do projeto, mas por conta da faculdade ainda não tinha colocado em prática. Em dezembro do ano passado, no meu aniversário, eu estava decidida que seria isso e chamei muita gente. Já em fevereiro, a gente foi na faculdade pegar o convite da colação, nos juntamos e decidimos que iríamos fazer o logo. Foi assim que o Escuta nasceu”, explica Pamela ao detalhar o início do plantão. De acordo com Pamela, devido ao fato de ser um projeto recente e à pouca divulgação nas redes sociais, apenas duas pessoas foram atendidas no primeiro dia do Escuta. “A gente veio aqui dar a cara a tapa, com coragem, sem camiseta, sem nada, porque não sabíamos direito como começar e nem onde iríamos ficar”, comenta. Já Jéssica Barros, psicóloga participante do plantão, relembra como foi a primeira abordagem: “Nós achávamos que seria muito fácil, que as pessoas viriam e passariam no plantão, mas não foi bem assim. A Pamela é muito comunicativa, então chegou uma hora que ela começou a puxar algumas pessoas pra oferecer e divulgar o plantão psicológico”. Milena Boldrin, outra psicólo-

Fundadores do projeto no local de atendimento (Foto: Fernanda Ayala)

ga cofundadora do plantão, relata sua experiência com um dos pacientes do primeiro dia. “Uma pessoa foi atendida e a outra, que também pensávamos que iria querer atendimento, na verdade era o Alex Sampaio, do programa Melhor da Tarde, da Cátia Fonseca, e ele queria fazer uma entrevista. Ligou o celular, fez uma transmissão ao vivo e acabou divulgando o projeto”. Além da ONG Parque Ibirapuera Conservação, que divulgou o projeto, outros veículos auxiliaram na exibição, como Catraca Livre e Quebrando o Tabu. O “Escuta na Grama” também já promoveu talk shows sobre saúde mental na empresa Soft Plan, participou da rádio Geek Br, realizou palestras no II Encontro de Integração do Centro Universitário saúde ABC e também já participou como apoiador do maior evento da aceleradora da indústria digital Insta You Pix, chamado “Youpix summit”. Em relação à abordagem psicológica nos atendimentos, o grupo é diversificado e coloca em prática várias vertentes. “Cada um tem a sua. Isso não tem importância no atendimento. Mas, nós gostamos muito da psicanálise de Freud. A Milena gosta da abordagem fenomenológica (humanista)”, relata Eduardo Zabarelli. Milena, por sua vez, especifica a filosofia do seu método. “Até a modalidade de plantão

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psicológico começou com Carl Rogers, que praticava a fenomenologia. É essa parte de acolhimento, uma abordagem humanista que se baseia no ‘aqui e agora’, o que a pessoa traz daquela situação e você acolhe e faz ela refletir sobre aquilo”. O projeto tem crescido bastante e pessoas se engajam tanto pelas redes sociais quanto presencialmente. Um participante chamado Wagner Azevedo, de 33 anos, conta como conheceu a ação. “Conheci no Instagram. Esses projetos são bem legais e ajudam as pessoas de pouca renda. Procurei por conta de problemas com ciúme excessivo e pretendo voltar”. Tatiana Rodrigues, 39 anos, também relata a respeito da sua experiência com o plantão. “Passei correndo pela frente e vi o pôster. Esses trabalhos são essenciais para trabalhar a mente. Conheci no último final de semana e pretendo voltar. Conversar com alguém aberto a escutar é sempre bom para saúde mental”. No mês de setembro, o Escuta na Grama realizou uma parceria com a ONG “Sorrir é viver” e solicitou a doação de fraldas geriátricas e produtos de higiene pessoal. Já no mês de outubro, a parceria foi realizada com a ONG “Amor em Mechas”, que recolhe doações de mechas de cabelo, bijuterias, lenços e maquiagens.


Transporte assistencial Serviço da SPTrans oferece auxílio para deslocar pacientes com necessidades físicas específicas Isabela Almeida

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s unidades de Atendimento Diário Emergencial (ATENDE), fazem parte do Programa Redenção, para atendimento multidisciplinar destinado ao acolhimento de pessoas em situação de rua e em uso de substâncias psicoativas. Foi criado no intuito de ser um transporte gratuito porta a porta, o Serviço de Atendimento Especial (Atende), possui regulamento próprio, é oferecido pela Prefeitura de São Paulo, gerenciado pela São Paulo Transporte (SPTrans), é operado por empresas de transporte coletivo e cooperativas de táxis acessíveis e é destinado a pessoas com autismo, surdo-cegueira ou deficiência física com alto grau de severidade e dependência, no horário das 7h ás 20h, de segunda-feira a domingo, excetuando-se os feriados. O Atende conta com veículos adaptados e roda cerca de um milhão de quilômetros por mês. Elvis Brandão Chagas, 36 anos, trabalha há dois anos com o serviço e conta sua experiência: “O Atende é uma empresa terceirizada, são várias empresas de transportes e atendemos as Zonas Leste, Sul, Norte, Oeste e em todos os bairros da capital de São Paulo. Sendo um serviço pré-agendado, temos uma ordem de serviço e trabalhamos meio período e no período da tarde, já vem outro motorista. Fazemos o embarque e o desembarque em clínicas, escolas, centros de fisioterapia, locais de trabalho etc”. Quando questionado sobre algum limite de utilização por semana ou para cliente, Elvis explica: “Existe um limite. Em casos de pacientes em tratamentos de quimioterapia, são três vezes por semana, especificamente às Segundas, Quartas e Sextas. Ou Terças, Quintas e Sábados. Tendo em mente as dificuldades de locomoção para escolas ou locais de trabalho, o Atende oferece auxílio: “Basta conseguir a chancela da SPTrans pelo site oficial, como dias que o usuário precisa, sua necessidade física específica, etc. Lembrando que é um

Regina Ferreira Barros após sessão de hemodiálise

serviço integrado”, diz Elvis. Quando a questão é a capacidade de pessoas nos interiores das vans, Elvis ressalta: “No caso da van que dirijo, ela é equipada para acomodar cadeirantes, duas cadeiras e mais cinco bancos, podendo ser para acompanhantes ou para os pacientes de hemodiálise. Às vezes, são doze usuários na van. Às vezes, treze. Ou quinze. Já cheguei a acomodar apenas nove. Depende do veículo e dos horários. Os passageiros ou responsáveis que quiserem solicitar o benefício precisam retirar a ficha de avaliação médica num posto de atendimento da SPTrans ou nas prefeituras regionais (o documento pode ser retirado também no site da SPTrans). Os passos seguintes são: avaliação médica, entrega da papelada na Prefeitura e agendamento das viagens. Regina Barros, 54 anos, é usuária do Atende há 4 anos. Com pesar, ela desabafa sobre o serviço: “Não

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é confortável, não tem estabilidade, a van chacoalha, o que me desgasta toda viagem que faço com eles. Prendem nossos pés na cadeira de rodas, pois eu peço pra apertarem por conta da minha hérnia, dando a sensação de que você pode cair a qualquer momento, me deixando cada vez mais tensa.” Quando indagada sobre como avaliaria o Atende, Regina complementa com insatisfação: “Não sei quem criou esse serviço, mas cada dia é uma aventura. Cada dia, um motorista diferente, um trajeto diferente, um paciente diferente. Todo último dia de cada mês, ligo no Atende, no número padrão deles, 156, para pegar a programação para o mês seguinte.” Regina utiliza o serviço para seu tratamento de hemodiálise. A van estaciona na porta de sua casa para buscá-la todas às segundas, quartas e sextas, às cinco e quinze da manhã, pontualmente. Ela garante que raramente ocorrem atrasos.


Elas só querem paz O combate à violência contra a mulher ainda precisa evoluir muito no Brasil Gabrielle Mantovani Marina Genaro

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m agosto de 2019, a Lei Maria da Penha, que tem como objetivo impor punição e reprimir atos de violência doméstica contra a mulher, completou 13 anos. No primeiro semestre de 2019, o feminicídio aumentou em 44% de acordo com levantamento feito pelo G1 e pela Globo News. Os dois números mostram que a sociedade já acordou para o problema, mas que ainda há muito a ser feito. Hoje em dia é mais fácil a mulher se proteger contra os agressores, como mostra Ângela Pacheco, 56 anos e escrivã da polícia da 1ª Delegacia da Mulher, na Sé. “Primeiro a vítima vem até a delegacia, realiza o boletim de ocorrência denunciando o agressor. O investigador é responsável por recepcionar a mulher e ouvi-la em seu relato e com isso ele determinará a consequente elaboração do registro”, diz. Estela Fasciani, 32 anos e escrivã do 16º Distrito Policial da Polícia Civil de SP, conta: “antigamente, só no Fórum, por intermédio do juiz, é que se davam as medidas protetivas. Hoje em dia o delegado pode dar também”. Ângela complementa a informação: “O limite do afastamento é sempre determinado pelo juiz do caso e nós, da delegacia, não podemos interferir nisso, ficando também a critério da vítima a desistência dessa solicitação quando julgar não ser mais necessária”. Muitas mulheres demoram para denunciar quem as agride e alguma das causas para isso são a esperança de que o parceiro vai mudar, o medo de romper o relacionamento, a vergonha de procurar ajuda, a pressão social para preservar a família, o medo de sofrer discriminação, a dependência econômica, a dificuldade emocional para enfrentar o término e até mesmo sentimento de estar sozinha e não querer envolver a família. Esse é

Vereador André Santos na Câmara Municipal de São Paulo Estela Fasciani, escrivã do 16º Distrito Policial da Polícia Civil de SP

o caso de uma vítima que sofria ameaças do marido. “Ele tentou me bater duas vezes, mas meus filhos eram pequenos e se puseram no meio. Não tive coragem de denunciar e nem de contar para ninguém porque eu não queria expor e não queria que as pessoas tivessem raiva dele, porque no fundo eu tinha pena”, diz a mulher de 62 anos. Segundo a cartilha “Mulher, vire a página”, a dificuldade da mulher de reagir a essas agressões muitas vezes nem é culpa delas, mas sim um aprendizado do estado emocional criado pela própria violência. Alguns pesquisadores chamam isso de “síndrome do desamparo apreendido”. Ela faz com que a mulher se acostume com a agressão e coloca na cabeça que não vai conseguir se salvar da situação. A cidade de São Paulo conta com mais de 40 unidades que prestam serviços para as mulheres, promovendo ações penais de responsabilização dos autores de violência e orientando-as para tais procedimentos. A primeira Delegacia de Defesa da Mulher foi criada em 1985 e São Paulo foi o primeiro Estado no Brasil a contar com uma unidade desse tipo. Dentre essas unidades, há também o Foro Regional da Vila Pru-

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dente, que geralmente cuida da violência doméstica e mantém alguns projetos, como o que busca não apenas a punição, mas também a ressocialização dos homens que foram responsáveis por agressões domésticas. O número de ONGs e programas com o foco de ajudar as mulheres também tem aumentado bastante. Um exemplo é o Bem-Me-Quer, desenvolvido pela Secretaria da Segurança Pública em parceria com a Secretaria da Saúde, cujo objetivo é dar todo o atendimento para as mulheres vítimas de estupro, atentado ao pudor e outros crimes relacionados com a violência, por meio da integração entre a polícia, serviço médico, serviço psicológico e jurídico. Há o acionamento de viaturas desenvolvidas para o transporte das vítimas até o Hospital Pérola Byington, fazendo com que a mulher receba toda a assistência necessária. “Infelizmente temos diversos casos em que o julgamento não dá em nada e nós, que acompanhamos desde o início, ficamos chateadas, mas sabemos que as ordens e os resultados são feitos apenas pelos juízes e que nós da delegacia damos o devido apoio que todas as mulheres merecem nesses casos”, diz Ângela.


A moda que inclui Concurso de moda inclusiva promove curso de confecção de roupas para pessoas com deficiência Gabriel Matheus Giorgia Parrini

A abertura do módulo contou com a presença da Secretária Celia Leão

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egundo a Secretaria de Estado do Direito das Pessoas com Deficiência, cerca de 23,9% da população brasileira possui algum tipo de deficiência. Pensando nesse público, a Secretaria abriu vagas para inscrição no módulo de confecção do curso de moda inclusiva em setembro de 2019. O curso faz parte do Concurso de Moda Inclusiva, que promove um desfile, anualmente, com as melhores peças inscritas por alunos da área de moda. Esse desfile tem como objetivo conscientizar as pessoas sobre a importância da inclusão de pessoas com deficiência no mundo da moda. O conceito de moda inclusiva é uma proposta que tenta incluir todos os tipos de corpos na indústria da moda. Segundo a gestora do Concurso de Moda Inclusiva, Izabelle Palma Marques da Silva, 26 anos, esse conceito tenta trabalhar com a ergonomia, a mobilidade e a funcionalidade no traje de pessoas com deficiência sem deixar de lado a estética. Substituir botões por velcros, criar sapatos mais fáceis de calçar e, até mesmo, colocar etiquetas em braile são exemplos de inclusão nesse mercado. Para atender os inte-

ressados nesse assunto, o concurso oferece cursos gratuitos nos módulos de confecção e negócio na área de moda inclusiva e contam com a presença de vários especialistas no assunto. Além disso todas as aulas contam com a presença de um tradutor em libras para o publico com deficiência auditiva. O módulo de confecção teve seu início no dia 05 de outubro e acabará no dia 09 de novembro desse ano, quando serão entregues os certificados aos alunos. A abertura contou com a presença da Secretária Celia Leão, 64 anos, que fez uma palestra para inspirar os presentes. Além dela, também esteve presente a terapeuta ocupacional Lina Silva Borges Santos, 53 anos, que explicou aos alunos as dificuldades enfrentadas por uma pessoa com deficiência indo desde o vestuário e movimentação até a relação com as outras pessoas. A terapeuta mostrou aos alunos as formas corretas de ajudar uma pessoa com deficiência e até explicou como a moda inclusiva permite maior independência e escolha na vida dessas pessoas. “O viés da moda inclusiva é a inclusão (...) ela traz esse poder, dessa igualdade.” afirma a Lina. Para a terapeuta, ainda

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temos um bom caminho a percorrer como sociedade, mas o concurso e o aumento de interesse das pessoas no assunto já são um passo em direção à igualdade. Durante o curso de confecção os alunos deverão criar uma peça, acessório ou até um modelo de negócio voltado para pessoas com deficiência. Esses trabalhos colocarão em pratica tudo o que os inscritos irão ver durante o curso e deverão ser apresentados no ultimo dia. Mais de 100 pessoas se inscreverão no módulo para aprender mais sobre esse nicho do mundo da moda. Entre eles encontra-se a fashion designer Taina Alves da Silva, 27 anos, que começou o modulo de confecção porque está criando uma marca de roupas. Chamada de Meu Novo Retalho, a marca criada pela jovem é sustentável e inclusiva. Para saber mais sobre seu publico alvo, Taina se inscreveu no modulo de confecção para aprender técnicas, adaptações, modelagens e até cuidados que deve ter ao projetar e confeccionar roupas para pessoas com deficiência. “É uma dificuldade muito grande para essas pessoas conseguirem roupas em lojas e sites” explica Taina sobre as razões que a fizeram realizar o curso. Izabelle explica que a moda também se trata de inclusão, e que todos tem o direito de pertencer a esse mundo. Por isso que a gestora, que também é uma das professoras dos cursos, defende a importância da Moda Inclusiva. Segundo Izabelle o concurso e os cursos passarão por mudanças e aprimoramentos para o próximo ano. Ela explicou que a ideia é conseguir disseminar essa ideia para o máximo de pessoas. “A minha vontade é que daqui a alguns anos eu não tenha que apresentar esse conceito para turmas futuras” falou a gestora sobre sua vontade de que no futuro todas as pessoas já saibam sobre a importância da inclusão de todos os públicos.


Mudanças à vista O uso de cartões em algumas linhas de ônibus da capital paulista é mais que uma realidade

Cobrador Bruno Carvalho em um dia típico de serviço nas ruas da capital paulista Frederico Mendes

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s ônibus de São Paulo ganharam uma nova facilidade: pela primeira vez, cartões de crédito e débito com tecnologia de aproximação passaram a ser aceitas em algumas linhas da capital, em um programa experimental coordenado pela Prefeitura e pela Sptrans em parceria com as bandeiras Mastercard e Visa (que lucram 3% de cada passagem), Serão aceitos por 3 meses passagens compradas desta forma, ou até que se completem 500 mil viagens. Em geral o programa tem sido bem recebido. “Eu acho mais prático o uso de cartões, não gosto de sair com dinheiro no bolso, me incomoda e acaba sendo perigoso”, diz o estudante de engenharia Rodrigo Giorgi, de 30 anos. Ele não é o único, Leonardo Figueiredo, de 24 anos, diz: “facilidades são sempre bem-vindas para quem precisa pegar vários ônibus diariamente“. A possível adoção integral do uso de cartões pode ter repercussões mais sérias do que se imagina no meio social, em grande parte por poder significar um aumento nos gastos da po-

pulação que beneficia-se hoje da locomoção de um ônibus para outro, ou da troca para o metrô, tudo de graça, no chamado processo de integração, visto como preciosíssimo principalmente por aqueles que não têm acesso a seu destino de forma direta e necessitam trocar de veículo, e por quem trabalha longe. O cobrador de ônibus Bruno Carvalho, de 26 anos, alerta para um cenário sem esse auxílio: “nada tem-se falado em relação à integração, e visar o bem da população tem de estar em primeiro lugar. Se a mudança ocorrer mesmo e essas opções não forem válidas, de nada este esforço vai valer”, disse. Bruno ainda comentou sobre a possibilidade da extinção do cargo que ocupa, o qual foi descrito pelo prefeito de São Paulo Bruno Covas em recente entrevista como algo sem sentido nos dias atuais. “Eu acredito que minha profissão deve chegar ao fim, não há como negar, e até concordo que se acabe com cobradores em ônibus de pequeno porte, em que o fluxo de gente é bem menor, mas nos de grande porte é simplesmente impossível manter o equilíbrio do

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veículo sem o cobrador para auxiliar o motorista a saber quem sobe, desce, e se todos pagaram pela viagem. Como poderia o motorista fazer seu trabalho de maneira tranquila?”, justifica o cobrador. Como pôde ser averiguado, com a nova medida muitas vidas serão afetadas. Se será de uma forma boa ou ruim só o tempo dirá, mas uma coisa é certa, as especulações sobre o desdobramento desta situação são feitas por ambos os lados da relação prestador de serviços e consumidor, e o que for feito tem de ser reportado à população sempre e com antecedência. É o que diz o experiente motorista de ônibus Gilson Barbosa, de 42 anos, que mostra-se preocupado principalmente com o bem-estar de seus passageiros, mas vê com bons olhos a adoção do uso de cartões: “muitas vezes recebo passageiros que simplesmente esqueceram seu bilhete único e estão vindo de um dia corrido, encontrando-se muitas vezes longe de casa. Em casos como este, eu de boa-fé deixo o passageiro entrar, e ele paga quando e se fizer o caminho de volta. Seria ótimo se essas pessoas contassem com mais uma opção, para que nós não saiamos no prejuízo“, finaliza. Após uso prévio do transporte, é nítida a predominância de opinião favorável dos passageiros dos ônibus com esta tecnologia. Mesmo sendo informados de que o sistema funcionará apenas naquela e em outras linhas inicialmente, já há uma visão do futuro: “espero que isso se aplique a outras linhas, esse sistema está facilitando muito minha vida e pode ajudar a vida de outros“, diz José Eduardo, de 32 anos, que já se garante acostumado à realidade dos cartões. A tecnologia vem sendo adotada em cidades como Rio de Janeiro, e só tem a crescer no ponto de vista de Maria Inês, de 47 anos: “esse tipo de recurso com certeza foi inspirado em algo parecido usado lá fora, se for bem pensado, tem chance de ser usado quem sabe no país todo daqui a uns anos, não?“, comenta.


A saúde pública em xeque Falta de pontualidade no atendimento incomoda pacientes em São Paulo Amanda de Oliveira

O atendimento nas unidades de saúde ainda deixa a desejar

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rede pública de atendimento de saúde conta com uma série de unidades especializadas. As AMEs, por exemplo, são centros ambulatoriais de diagnóstico e orientação terapêutica centrados em especialidades médicas. O serviço prestado à população é, em geral, satisfatório. A empregada doméstica Janaina Matos de Souza, 31 anos, está com 8 meses de gestação e frequenta o AME de Itaquera, na zona leste de São Paulo. Ela relata que os médicos são atenciosos e simpáticos e não

tem nenhuma queixa sobre a qualidade do atendimento. Mas revela que, mesmo com hora marcada, as pacientes são atendidas muitas vezes com 3 ou 4 horas de atraso. As UBS, ou Unidades Básicas de Saúde, por sua vez, oferecem atendimento básico integral em áreas como pediatria, ginecologia, clínica geral e odontologia. Na unidade do Jardim Roseli, também na zona leste, Janaina busca atendimento para seus cinco filhos, com idade entre 9 a 13 anos, quando eles têm sintomas leves. Sobre essa uni-

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dade, ela avalia o serviço como mediano, pois os médicos não são atenciosos e por muitas vezes chegam a ser antipáticos. Em relação aos hospitais, eles servem para situações que exigem atendimento emergencial ou internação. Renato de Lima Vieira, que atua na profissão de enfermeiro há 10 anos, acredita que “no geral a situação relacionada à saúde do estado é muito boa, porém as instituições administradas por OSS, as organizações sociais de saúde, não têm condições tão favoráveis”. O enfermeiro diz trabalhar há 18 anos no setor público e relata que o local de seu trabalho atende suas expectativas. A costureira Esmeralda Costa Lins, 67 anos, utiliza os serviços de uma UBS no Tatuapé, também na zona leste, há cerca de 10 anos. “Eu faço acompanhamento, venho a cada três meses. Quando o médico pede exame, eu acho boa a qualidade, até agora não tive problema. Aqui é marcado horário, só que quanto antes você chegar é melhor, pois consegue por muitas vezes ser atendido com antecedência”, diz. Esmeralda relata que nunca fez nenhum procedimento cirúrgico e nunca teve plano de saúde. A paciente diz que utiliza os serviços devido à pressão alta, mas nunca ficou internada. Ela se tratava anteriormente no Hospital do Tatuapé devido a uma tendinite nos dois braços, mas, depois de ter sido indicada para uma cirurgia, desistiu, por não confiar no resultado, e decidiu buscar tratamento na UBS. “Meu marido faleceu no Hospital Tatuapé, ele ficou por três meses internado devido a um derrame, mas o estado de saúde dele já estava bem debilitado”, diz. E completa: “não vejo que foi negligência, pois ele chegou a um ponto de até precisar usar fralda diariamente. E eu que trazia, pois o hospital não fornecia”. De acordo com Esmeralda, apesar dos problemas, ele foi bem atendido.


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