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A Umbanda NA TERRA DO CAFÉ

Entre Trajet Rias E Hist Rias Para

A CONSTRUÇÃO DA TOLERÂNCIA

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PATROCÍNIO

Copyright © Atrito Arte Editora

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Catalogação na publicação elaborada pela Divisão de Processos Técnicos da Biblioteca Central da Universidade Estadual de Londrina.

Dados Internacionais de Catalogação-na-Publicação (CIP)

M539u Mendonça, Maurício Arruda. A Umbanda na terra do café : entre trajetórias e histórias para a construção da tolerância / Maurício Arruda Mendonça; coordenação geral: Chris Vianna. Londrina : Atrito Arte, 2023. 108 p. : il.

ISBN 978-65-86198-25-6

1. Umbanda - Londrina - História. 2. Umbanda – Rituais. 3. Umbanda –Tolerância religiosa. I. Vianna, Chris. Título.

CDU 299.6

Bibliotecária: Fátima Silvério Biz Accorsini – CRB9 820.

O presente livro é um recorte, não representa a totalidade de Terreiros de Umbanda em Londrina-PR.

As fotos foram selecionadas para composição do projeto editorial.

Atrito Arte Editora

Rua Isaías Canet, 685 - Londrina-PR - CEP 86067-020 (43) 99941-7414 - atritoart@gmail.com

Texto

Maurício Arruda Mendonça

Coordenação geral e editorial

Chris Vianna

Coordenação do Laboratório de estudos sobre

Religiões e Religiosidades da Universidade

Estadual de Londrina (LERR – UEL)

Fábio Lanza

Edição, preparação e revisão

Fabio Giorgio

Fotografia e videomaker

Yashiro Manuel Imazu

Projeto gráfico, editoração eletrônica e capa

Marco Tavares

Videomaker

Carlos Guilherme Loureiro Fortes

Edição do documentário

Artur Ianckievicz

Fran Camilo

Pesquisa e entrevistas

Beatriz Vianna Boselli

Fernanda de Abreu da Silva

Josiane Araújo

Assessoria de imprensa

Antônio Mariano Júnior

Assessoria de marketing

Edra Moraes

Criação do site

Rodolfo Ribeiro

Consultoria jurídica

Cely Norder

Realização

Atrito Arte, Artistas e Produtores Associados (AARPA)

Parceria

Laboratório de Estudos sobre Religiões e Religiosidades (LERR), do Centro de Letras e Ciências Humanas, da Universidade Estadual de Londrina (CLCH – UEL)

Patrocínio

PROMIC (Projeto Nº 21-164)

Entrevistados

Pai Caetano de Oxóssi Terreiro de Umbanda Luz, Amor e Paz (TULAP)

Pai Eduardo Kariya Nishitani Quintal de Aruanda

Pai Eduardo Torrezan Centro Espiritualista Caridade e Amor (CECA)

Pai Hélio de Oxóssi Tenda de Umbanda do Pai Tomás e João Serrador

Mãe Josi de Yemanjá e Pai Sena de Ogum Terreiro Manoel de Umbanda

Pai Levi Terreiro Oxóssi das Matas

Pai Luiz Fernando Congá da Tia Maria Mineira

Mãe Lya D’Xangô e Pai Maycon D’Ogum Tenda de Umbanda Cantinho dos Orixás

Pai Rafael Cantinho do Pai João

Pai Roberto de Ogum Terreiro Ilê Estrela Guia

Mãe Silvana de Oyá Casinha da Vovó Maria do Rosário

Deu um clarão na encruzilhada Logo surgiu uma gargalhada.

Os versos que introduzem este texto, entoados ao Exu Tranca-Rua, são como um relâmpago Um chamado à reflexão. A “iluminação” que nos trouxe até aqui, cuja gênese tem endereço – o Terreiro Manoel de Umbanda – e gerou como fruto mais perene o projeto “A Umbanda na terra do café: entre trajetórias e histórias para a construção da tolerância” Evidentemente, sempre há muito o que fazer nesse sentido Mas, frisa-se, foi a luminosidade repentina a responsável por impulsionar as ações que culminaram no registro que ora publicamos sobre a cultura umbandista em Londrina, dedicado a colaborar com a transformação de uma realidade histórica evidenciada na sociedade como um todo e manifesta, de forma austera, no âmbito de nossa cidade especificamente: o racismo estrutural e a intolerância religiosa (que atinge – mortalmente, muitas vezes – as pessoas de pele preta e persegue expressões culturais afro-brasileiras, na “re-ferida” ordem)

Como compreendemos, parte do alardeado preconceito contra a Umbanda decorre do desconhecimento de muitos acerca do papel que cumpre na vida social: na ajuda aos mais necessitados e na efetiva solidariedade promovida nos milhares de terreiros espalhados pelo país

Assim, difundindo o legado afro-brasileiro em instituições dedicadas à educação, à cultura e ao esporte, procuramos estabelecer formas dialógicas de troca com o intuito de combater os problemas enunciados, centrando nossos esforços no estímulo à formação cidadã com ênfase no respeito à diversidade de culto e na tolerância plena

E foi articulando com diferentes setores da sociedade civil local que demos início ao nosso projeto, sempre em prol do princípio de universalização do acesso à cultura, inclusive, promovendo um circuito periférico que contou com dez encontros a fim de dar visibilidade às mais variadas religiões de nossa cidade, onde predominam às judaico-cristãs Com esta obra esperamos contribuir, humildemente, para o desenvolvimento humano de Londrina – exaltando a relevância de sua comunidade umbandista também como produtora de cultura popular brasileira – e apresentar uma narrativa capaz de sensibilizar e emocionar os leitores Lembrando que (quase) todas as crenças e devoções podem suprir espiritualmente aquelas e aqueles que buscam amparo Portanto, se a fé é essencial a milhões ou bilhões no planeta, que se respeitem as práticas religiosas promotoras da dignidade da pessoa humana

Chris Vianna

A presente obra integra o projeto “A Umbanda na terra do café: entre trajetórias e histórias para a construção da tolerância” e se origina da urgência de registrar essa religião em Londrina nos dias de hoje Enfatizamos esse recorte temporal porque se tornou praticamente impossível resgatar e esboçar uma história sobre o tema sem especificá-lo, por ser essa religião um saber oral acumulado por inúmeros de seus sacerdotes e sacerdotisas, muitos dos quais já falecidos E, diante do imperativo de narrar a atualidade, nosso projeto selecionou 11 terreiros da cidade e seus respectivos mães e pais de santo, tecendo uma colcha de retalhos como é a própria bandeira umbandista, que representa uma miscelânea de diferentes ritos e doutrinas praticados

Falaremos aqui sobre as origens da Umbanda e suas manifestações rituais através dos séculos –uma mistura antropofágica de xamanismo ameríndio, pajelança, com o catolicismo popular dos primeiros séculos do Brasil, reunindo tradições, crenças e saberes de africanos escravizados e, mais recentemente, o Espiritismo do francês Allan Kardec Em seu sincretismo, ela atraiu para si tudo que diz respeito ao transe, ao religar-se à ancestralidade, à natureza, aos quatro elementos, à cura do espírito, da mente e das doenças, aliando-se ao movimento dos corpos insubmissos e, sobretudo, à transmutação do sofrimento em alegria por meio da batida do tambor, que é também a de nosso coração

Tal fusão demonstra a força plástica, a vontade de vida, a liberdade de unir opostos aparentemente irreconciliáveis, porque nela as contradições podem ser superadas criativamente – daí a sua exuberante pluralidade de ritos. Para a Umbanda não há unidade dogmática estável (nascida que é da instabilidade, da precariedade que macula os segmentos mais humildes e vulneráveis de nossa sociedade, desde sempre perseguida por feitores, senhores de escravos, patrões desumanos, tropas da elite e cristãos intolerantes em púlpitos midiáticos e venais). Apesar de tudo, é uma religião que insiste em pregar a união comunitária e, permanentemente, se dispõe a doar-se, atender, em ser um lenitivo ao sofrimento dos que a buscam, muitas vezes como último recurso.

Em suma, este trabalho registra a pesquisa e os debates realizados no projeto “A Umbanda na terra do café”, posicionando-se no sentido de informar as pessoas sobre conceitos e ideias, identificando pais e mães de santo, formas e rituais dessa religião, buscando dissolver preconceitos e dissipar intolerâncias

A Umbanda dos Caboclos, Pretos Velhos e Pretas Velhas, Exus e Pombagiras pede passagem Neste breve registro de sua atuação em Londrina, propõe-se dar a conhecer a todos sua riqueza teológica, seus princípios éticos e ensinamentos de humildade, paz, caridade e amor a todas as criaturas vivas ou encantadas que ajudam na busca da felicidade Umbanda é luz e alento

Maurício Arruda Mendonça