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ANO 1/VOLUME 1/ NÚMERO 7/JULHO/ 2021
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TÓQUIO 2020/21
OS JOGOS DA IGUALDADE
Foto: Breno Barros/rededoesporte.gov.br
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Cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos Tóquio 2020 em 23 de julho de 2021/Foto: COB
SUMÁR
O
MUHAMMAD YUNUS
TECNOLOGIA
DESIGN
UM MUNDO
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TÓQUIO
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RAÍZES
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BRASIL
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OS GOLAÇOS
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DE MARTA E
ANGOLA
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Thomas Bach/Foto: IOC MEDIA/Flickr
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NOTA DO EDITOR
Thomas Bach, presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), enfatizou em seu discurso de abertura dos Jogos de Tóquio 2020, em 23 de julho de 2021, esforço dos japoneses e de 205 comitês nacionais e de seus atletas, além do time de refugiados do COI, para a realização do maior evento esportivo do mundo. Os Jogos, adiados de 2020 para 2021, ainda ocorrem em meio à pandemia Covid19 que assola todos os países e tem no Brasil um dos principais epicentros. Por conta deste cenário, seus organizadores tiveram que lidar com protestos em todo o Japão, que também ocorreram na festa de abertura no Estádio Nacional de Tóquio com muita intensidade.
Na presença do imperador japonês, Naruhito, que deu por aberto os torneios, Bach agradeceu este empenho dos anfitriões em manterem acesa a chama olímpica, os atletas que participam das competições e os países que representam e não se furtou de falar do momento atual com esperança: "Esta experiência olímpica nos torna muito humildes, porque percebemos que fazemos parte de algo maior do que nós. Somos parte de um evento que une o mundo. Unido em toda a nossa diversidade, nos tornamos maiores do que a soma das nossas partes. Somos sempre mais fortes juntos. Este sentimento de união, esta é a luz no fim do túnel escuro desta pandemia. A pandemia nos obrigou a nos separar. Para manter distância um do outro. Ficar longe mesmo de nossos entes queridos. Esta separação tornou este túnel muito escuro. Mas hoje, onde quer que você esteja no mundo, estamos unidos para compartilhar este momento juntos. A chama olímpica faz esta luz brilhar." Boa leitura e até a próxima semana.
EXPEDIENTE
Luxury Week é uma revista semanal de variedades produzida pela Editora Olympia (editoraolympia.com.br) e distribuída gratuitamente em plataformas digitais por parceiros que também participam do seu conteúdo semanal e contribuem com conteúdo de qualidade e temas atuais e diversificados. Editor-chefe: Carlos Franco Editora internacional: Yume Ikeda Colaboradores: Marco Hiroschi, Christina Tavares, Rita Almeida, Maria Helena Guimarães, Rodrigo Vidal , Tiago Ribeiro, Eduardo Silva Bernardt, Valdo Santos e Yacy Nunes. Imagens: Francisco Jr., Carlos Monteiro,Stúdio Mar Adentro, Pixabay, Freepick, FLICKR, grifes, assessorias de imprensa e agências de publicidade. Diagramação: Paulo Pereira
E-mail: redacao@luxuryweek.com.br EDITORA OLYMPIA AVENIDA RONDON PACHECO,2300 SALA 65/ UBERLÂNDIA/MG/CEP 38408-404 editoraolympia@editoraolympia.com.br
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Laurel olímpico para o banqueiro dos pobres Nobel da Economia em 2006, o bengali Muhammad Yunus, de Bangladesh, se tornou o segundo ganhador do Laurel Olímpico em ato na Cerimônia de Abertura dos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 em 23 de julho de 2021. A distinção foi criada pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) para homenagear indivíduos destacados por suas realizações na educação, cultura, desenvolvimento e paz através do esporte. O primeiro a conquistá-lo, na abertura dos Jogos Rio 2016, foi o queniano e transformador social Kip Keino, que por meio do esporte tem promovido a inclusão social e econômica de atletas de baixa renda fomentando também a educação. Muhammad Yunus, diz texto do COI, muitas vezes referido como o "banqueiro mundial para os pobres", recebe o prêmio Olímpico Laurel por seu extenso trabalho no esporte para o desenvolvimento, incluindo a fundação do Yunus Sports Hub, uma rede global de negócios sociais que cria soluções por meio do esporte .
Yunus e o presidente do COI, Thomas Bach, em 2018, na Argentina. Foto: IOC Media/Flickr
Yunus também colaborou com o COI em vários projetos, incluindo elementos educacionais do Programa de Jovens Líderes, o Acampamento Juvenil da Paz “Imagine” e o Athlete365 Business Accelerator - o primeiro programa abrangente de empreendedorismo para ajudar os atletas olímpicos na transição de carreira. Outro fator importante da atuação de Yunus é a inclusão de gênero na economia, uma vez que o banco que criou, o Grameen, além de ter propagado o microcrédito sem a exigência de garantias, encontrou nas mulheres o seu principal público, oferecendo a estas autoestima e realização econômica e social.
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FOTOS: DIVULGAÇÃO/COB
Tradição e modernidade
A cerimônia de abertura da XXXII (32) Olimpíada da Era Moderna, em Tóquio, a capital japonesa, no dia 23 de julho de 2021, foi uma demonstração de que é possível, necessário e salutar aliar antigas tradições à modernidade. A festa começou com um minuto de silêncio em homenagem às vítimas da Covid-19, pandemia que adiou em um ano os Jogos. Na sequência um show de dança e efeitos visuais com todos os participantes fazendo uso de trajes brancos em referência aos profissionais de saúde que, em todo o mundo, têm lutado para salvar vidas e que, em tempo recorde, conseguiram criar vacinas para combater o vírus. Como é da tradição ancestral japonesa não poderiam ficar de fora da cerimônia, representantes das 47 províncias do Japão. Eles adentraram ao palco, trazendo madeira elemento que dá vida à maioria das habitações e templos - e depois as famosas lanternas para construírem um tablado capaz de abrigar os anéis olímpicos simbolizando os cinco continentes da Terra. Em perfeita sincronia, bailarinos e voluntários mostraram a precisão japonesa na montagem de estruturas complexas com a madeira de reflorestamento plantada por atletas que, há 57 anos, participaram das Olimpíadas de 1964, quando o Japão as sediou pela primeira vez.
Precisão. Esta é a melhor palavra para descrever o belo espetáculo com que 1.824 drones com fortes luzes pairaram nos céus de Tóquio sobre o Estádio Nacional desenhando o símbolo destas Olimpíadas para, depois, já sobre o local formarem o globo terrestre que girando permitia identificar os cinco continentes. Um momento de tecnologia e emoção, sobretudo porque nesta hora um coral de crianças japonesas entoou a canção Imagine, de John Lennon, um convite para a construção de um mundo melhor e mais inclusivo e também sustentável já que o Japão tem procurado nestes Jogos ampliar os mecanismos que visam resguardar o meio ambiente e o clima. A música “Imagine”, lançada por John Lennon em 9 de setembro de 1971 em seu segundo disco solo, depois de “Plastic Ono Band”, foi inspirada em poemas da japonesa Yoko Ono, nascida em Tóquio e com quem o exBeatle se casou em 1970. A canção tornou-se uma das mais executadas de Lennon. Seus versos nos levam a imaginar um mundo ideal, mais justo, mais igualitário e onde todos possam viver em comunhão e liberdade. E seremos, respeitadas as nossas individualidades, um só, um só corpo, uma só nação. Imagine foi composta num momento em que guerras e intolerâncias religiosas e culturais ocupavam o noticiário. Nada muito diferente de hoje, quando políticos extremistas ameaçam mais que o respeito ao ser humano, as democracias, a natureza e a vida de homens e crianças. É o sentimento de humanidade que nos une, neste momento de luto, o que revestiu de emoção a cerimônia de Tóquio 2020, neste ano de 2021.
Fotos: Divulgação
A Terra brilhou no céu de Tóquio
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Imagens: Reproduções do Instagram e do Youtube
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Foto: Reprodução
Os pictogramas, desenhos que ilustram as modalidades esportivas disputadas nos Jogos Olímpicos, ganharam vida em Tóquio e trouxeram a sua história para a festa de abertura. Estes desenhos que substituem as palavras e foram usados por homens ancestrais no registro de seus ritos nos tempos das cavernas foram usados pela primeira vez no Japão nas Olimpíadas de 1964. Há 57 anos, havia por parte dos japoneses o temor de que público e atletas poderiam não compreender a língua asiática, enquanto que os desenhos constituem uma linguagem universal de fácil assimilação. Desde então, pictogramas têm sido usados em todos os Jogos, aos quais, a cada edição, ganham novas versões. No Estádio Nacional de Tóquio, os pictogramas de 46 modalidades em disputa foram interpretados por um dançarino.
Foto: Divulgação/COB
Pictogramas ganharam vida
A voz suave de Misia Coube à popular cantora Misia entoar o hino do Japão na cerimônia de abertura dos Jogos. Ela subiu ao palco, ao lado da estrutura que remetia ao Monte Fuji, trajando um exuberante vestido criado pelo estilista Tomo Koizumi. O hino é uma louvação à monarquia e foi cantado na presença do imperador Naruhito enquanto a bandeira foi hasteada depois de levada por atletas que atuaram também no fronte dos combates do país à pandemia Covid19 numa cerimônia marcada pelo respeito às vítimas.
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Os donos da festa e a alegria europeia O Japão apostou na reciclagem de tecidos para produzir os trajes dos atletas e para os de gala apostou na sobriedade dos cortes, sem perder a elegância dos movimentos. Já a Itália foi só alegria com os uniformes coloridos e os calçados vermelhos de uma coleção especial desenhada por Giorgio Armani. E como o saber viver o momento corre solto nas veias dos italianos, a delegação aproveitou a liberdade de movimentos para fazer a festa. Já a Grã-Bretanha exibiu os casacos criados pela grife de vestuário Ben Sherman inspirados nas famosas jaquetas inglesas Harrigton.
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A beleza e elegância dos trajes e dos povos
Tonga conquistou aplausos com trajes típicos e o porte atlético de Pita Nikolas Taufatofua, do taekwondo, apelidado no Brasil de o "besuntado de Tonga", enquanto Camarões inspirou alegria e Angola, a elegância feminina deste país africano de língua portuguesa. Já a Espanha desfilou a elegância clássica, assim como a Argentina e o Sudão os seus trajes e tecidos típicos. As fotos são do Instagram oficial @Tokyo2020
Fotos: Divulgação/COB
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O Brasil no desfile das delegações O Brasil, seguindo rigorosos protocolos de Covid-19, foi representado no desfile das delegações por apenas dois atletas: Bruninho, do vôlei, e Ketleyn Quadros, do judô, além do chefe da missão do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) em Tóquio, Marco La Porta e da funcionária Joyce Ardies, representando toda a delegação. Por sorte, os trajes do desfile de abertura foram criados pela grife fluminense Wöllner e não ficaram a cargo da chinesa Peak Sports que responde pelos uniformes das competições e nem pela rede de vestuário de segunda linha no mundo da moda, a Riachuelo, com a qual o COB fechou acordo. Respeitando a ordem alfabética do Japão, onde as vogais aparecem em primeiro e só depois as consoantes, em ordem também diferente da usada no mundo ocidental, a delegação brasileira foi a 151ª a pisar o gramado. Foi pedido aos países que limitassem a presença de atletas na festa, sendo exigido apenas um casal de portabandeiras, respeitando-se a inclusão de gênero. Bruninho e Ketleyn deram um show de parceria e espontaneidade na apresentação.
Alegria brasileira do lado de fora da cerimônia Os atletas brasileiros, do lado de fora do Estádio Nacional de Tóquio, mostraram que a alegria de participar de uma Olimpíada é essencial e estimula as competições. Passearam na Vila Olímpica com os trajes das cerimônias de abertura e encerramento dos jogos mostrando a todos esse Brasil lindo e trigueiro, terra de samba e pandeiro imortalizado na aquarela com a qual Ary Barroso o pintou.
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A necessária beleza da diversidade nos gramados A Seleção Brasileira de Futebol que disputa as Olimpíadas de Tóquio derrotou a Alemanha na quinta-feira, 22 de julho de 2021, por 4 a 2. E, ainda que Richarlison marcasse três dos quatro gols, é o gol de Paulinho que entrará para a história olímpica. Um verdadeiro golaço contra a intolerância religiosa que encontrou no Brasil fértil terreno por meio de correntes evangélicas que pregam o ódio aos diferentes e às diferentes crenças pouco se importando em rasgar, em praça pública, o Evangelho do Cristo, do amor, do respeito e do combate à violência, sobretudo contra a mulher. Paulinho celebrou o seu gol saudando o orixá Oxóssi dos cultos africanos. Uma bela flechada na hipocrisia. Akê Aro Oxóssi!.
Já a atacante Marta, seis vezes consagrada como a melhor jogadora de futebol do mundo, dedicou um gol de placa à namorada Toni Deion. Mais um golaço contra a hipocrisia e intolerância das mesmas correntes religiosas que buscam rasgar não apenas o Evangelho de Cristo, o Novo Testamento, mas também a Constituição de um país laico se imiscuindo na política como forma de ampliar ganhos além dos templos dos quais fazem uso para amealhar fortunas tal qual os bíblicos vendilhões do Templo de Salomão. Oxalá as demonstrações de uma necessária beleza por meio da inclusão e da diversidade como a demonstrada em Tóquio encontre eco fora dos gramados.
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A japonesa Naomi Osaka acende a pira olímpica de Tóquio Foto: COB