K. LUX E E
Ano 1/Volume 1/Número 13/NOVEMBRO de 2021
Y W R U
RY W XU
K .LU EE
LW
A beleza de TXAI e a VIDA SUSTENTÁVEL.
2 Sumário 06
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uma MULHER INTELIGENTE
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as SÁBIAS PALAVRAS
06
sem TEMPO a perder
08
o PACTO da MODA
09
o MUNDO É das BICICLETAS
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o CATADOR e a COZINHEIRA
11
a costureira de UBERLÂNDIA
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a BELEZA da VIDA
3 NOTA DO EDITOR
A fala precisa, emotiva, transparente e firme da índia brasileira Txai Suruí na abertura da 26ª Conferência das Partes (COP-26) sobre o Clima, em Glasgow, na Escócia, reunindo os 100 maiores líderes do mundo no dia 31 de outubro de 2021, deu o tom de que, se não cuidarmos hoje do planeta Terra, não teremos amanhã. Foram debatidas metas e princípios que devem pautar a jornada da humanidade nos próximos anos levando em conta que estamos destruindo nossos recursos naturais e impactando fauna e flora, e também a vida dos povos na Terra. Txai Suruí é um exemplo de que, no Brasil, ainda existem brasileiros e brasileiras que amam este país a despeito daqueles que, dia a dia, com o amparo de sórdida elite, exercem poder para destruir tudo ao redor e todas as conquistas sociais ao longo da história. A indústria da moda, sobretudo as grandes grifes, já perceberam que sem compromissos firmes estão fadadas à extinção e que, se não adotarem um novo padrão de comportamento e novos meios de produção, correm o risco de ficarem ultrapassadas e atreladas apenas à blogueiras que perpetuam um modelo de vida inconsequente e socialmente irresponsável. Txai Surí mostrou que a vida é bonita e é bonita quando ela, a natureza, em sua exuberância e esplendor, se faz presente e quando todos desfrutam das riquezas naturais que acabaram por criar um fosso entre poucos privilegiados e bilhões de excluídos. É para traçar uma nova rota que representantes do mundo vão escrever até o próximo ano, como parte da COP-26, uma carta que aponte o caminho para um novo tempo para os povos. Boa leitura.
EXPEDIENTE
Luxury Week é uma revista semanal de variedades produzida pela Editora Olympia (editoraolympia.com.br) e distribuída gratuitamente em plataformas digitais por parceiros que também contribuem com conteúdo de qualidade e temas atuais e diversificados. Editor-chefe: Carlos Franco Editora internacional: Yume Ikeda Colaboradores: Marco Hiroschi, Christina Tavares, Rita Almeida, Maria Helena Guimarães, Paulo Thiago, Rodrigo Vidal , Tiago Ribeiro, Eduardo Silva Bernardt, Valdo Santos e Yacy Nunes. Imagens: Francisco Jr., Carlos Monteiro,Stúdio Mar Adentro, Pixabay, Freepick, Canva, grifes, assessorias de imprensa e agências de modelos e de publicidade. Diagramação: Paulo Pereira Diretor comercial: Hugo Lopes E-mail: redacao@luxuryweek.com.br
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Walelasoetxeige= MULHER inteligente. GENTE de verdade.
5 O BELO RECADO DO BRASIL AO MUNDO
Meu nome é Txai Suruí, eu tenho só 24, mas meu povo vive há pelo menos 6 mil anos na floresta Amazônica. Meu pai, o grande cacique Almir Suruí me ensinou que devemos ouvir as estrelas, a Lua, o vento, os animais e as árvores. Hoje o clima está esquentando, os animais estão desaparecendo, os rios estão morrendo, nossas plantações não florescem como antes. A Terra está falando. Ela nos diz que não temos mais tempo. Uma companheira disse: vamos continuar pensando que com pomadas e analgésicos os golpes de hoje se resolvem, embora saibamos que amanhã a ferida será maior e mais profunda? Precisamos tomar outro caminho com mudanças corajosas e globais. Não é 2030 ou 2050, é agora! Enquanto vocês estão fechando os olhos para a realidade, o guardião da floresta Ari Uru-Eu-Wau-Wau, meu amigo de infância, foi assassinado por proteger a natureza. Os povos indígenas estão na linha de frente da emergência climática, por isso devemos estar no centro das decisões que acontecem aqui. Nós temos ideias para adiar o fim do mundo. Vamos frear as emissões de promessas mentirosas e irresponsáveis; vamos acabar com a poluição das palavras vazias, e vamos lutar por um futuro e um presente habitáveis. É necessário sempre acreditar que o sonho é possível. Que a nossa utopia seja um futuro na Terra. Obrigada.
6 O ALERTA DE TXAI SURUÍ. A 26ª Conferência das Partes sobre Mudanças Climáticas (COP-26), que terminou na primeira semana de novembro de 2021, em Glasgow, concluiu que é preciso mais do que falar, agir em defesa das condições climáticas da Terra e do meio ambiente como forma de assegurar a vida para as novas gerações e também os atuais habitantes do planeta. O belo e assertivo recado da índia brasileira, a advogada Txai Suruí, de 24 anos, da etnia paiter-suruí de Rondônia, que carrega o nome original de Walelasoetxaige (mulher inteligente, gente de verdade na língua do seu povo) de que a “Terra está falando e não temos mais tempo”, diante de líderes globais como o presidente norte-americano Joe Biden, a primeiraministra alemã Angela Merkel e o seu colega britânico Bóris Johnson, além do secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), o português António Guterres, pautou a COP-26. As grandes empresas do mundo não perderam tempo em apresentar projetos e também pressionam governos por medidas mais eficazes de redução das emissões de carbono na atmosfera, do gás metano que compromete a camada de ozônio e do uso continuado dos combustíveis fósseis como o petróleo e o carvão. As maiores montadoras do mundo como Ford, Honda, Chevrolet, MercedesBenz, Volkswagen, Tesla, Honda entre outras foram as primeiras a apresentarem, em Glasgow, projetos de aceleração de produção de carros elétricos e da substituição de combustíveis fósseis por energia limpa e renovável. Este é um mercado que se abre tanto para as economias, como para a geração de novos empregos. Sinalização que é fundamental para a formação de mão-de-obra para os novos tempos. O uso do carvão como combustível também foi alvo da COP-26 e deverá rapidamente entrar em extinção, pois estas emissões contribuem para a deterioração do ar que respiramos, assim como o uso do plástico, derivado da petroquímica. O abandono destas antigas matrizes de energia por novas, mais limpas e menos poluentes, como as provenientes do vento e do sol, tendem a pautar os novos investimentos a partir de agora, gerando novos empregos e renda.
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DESTRUIÇÃO: O NEGÓCIO DO AGRONEGÓCIO O uso excessivo de agrotóxicos no mundo, em particular no Brasil, está deteriorando a terra e os lençóis freáticos, a água que consumimos. Este é outro ponto que a humanidade terá de rapidamente atacar para preservar a vida no planeta. O ponto positivo é que a agricultura familiar que é, na realidade, a que produz não as especulativas commodities como a soja, mas o alimento que chega à mesa de todos pode mais que gerar empregos, renda, a sonhada qualidade de vida porque não existe luxo maior do que viver e ninguém leva para um cemitério ou crematório as riquezas que amealhou, nem as conquistadas com suor nem as que obteve fruto da exploração de outros homens e do meio ambiente. As grandes corporações têm se antecipado e estão revendo processos. A gigante Nestlé, por exemplo, já admitiu que mais da metade dos produtos alimentícios que vende não são saudáveis e iniciará uma mudança de rota até porque consumidores americanos e europeus já rejeitam produtos transgênicos à mesa.
As queimadas e as derrubadas de florestas na Amazônia para a abertura de pastos e terra para plantio, aliada às invasões bárbaras de reservas indígenas pela mineração, contaminando rios nos últimos três anos, deixa o Brasil completamente vulnerável e sua população lançada à própria sorte das mudanças climáticas que podem afetar a vida tal qual a conhecemos hoje. É uma situação de irresponsabilidade que, se não for contida e minimizada, terá efeitos dramáticos. Por esse motivo, grandes corporações estão assumindo compromissos, que precisam sair do papel e se tornarem reais, de não comprarem produtos que sejam originários dessa devastação em nome do lucro e de poderes transitórios. Sustentabilidade, afinal, é vivermos em harmonia com o mundo que nos cerca em vez de deteriorá-lo em prol de um enriquecimento que não nos fará companhia na hora da morte. A morte, a pandemia Covid-19 demonstrou, nos iguala a todos e se pudermos evitá-la, adiá-la, tanto melhor. É este o chamado da Terra. A Terra, como bem pontuou a índia brasileira Txai Suruí também clama por vida para nos dar em troca a vida.
8 O PACTO DA INDÚSTRIA DA MODA O pacto da indústria global da moda pela sustentabilidade, que é cuidar hoje do planeta para deixá-lo como o encontramos para gerações futuras, evitando a destruição do meio ambiente e o comprometimento irreversível das condições climáticas, deve fazer ressurgir antigas profissões como a de costureiras, sapateiros, peluqueros entre outras, pois é na reciclagem que a moda encontrará breve e definitivamente o seu nicho. A estilista britânica Vivienne Westwood, que é um ícone da moda e uma defensora intransigente de um mercado mais justo e neste ano, aos 80 anos, lançou um manifesto em que critica o lançamento desnecessário, essencial ao consumismo, de quatro coleções por ano e atraiu a ira deste setor que vive do supérfluo. Um belo chamado à razão e ao respeito aos consumidores que são apenas números na contabilidade de grifes hoje infladas por blogueiros e blogueiras medíocres, os conhecidos jabazeiros e jabazeiras, que sobrevivem de presentinhos das grifes. Para Vivienne, uma só coleção por ano é o suficiente. O resto pode ser aproveitado, reconstruído, customizado. É aí que entram as costureiras. Sapatos também podem ser recauchutados, ou será que todos esqueceram-se da famosa meia sola?. Mas não é só esta vigorosa estilista britânica que entrou em campo. O estilista que nasceu no Bronx em 14 de outubro de 1939, o bairro de imigrantes de Nova York, USA, sobretudo negros, latinos e judeus como seus pais, com o nome de Ralph Lifschitz e que entrou para o mundo da moda em 1967 lançando sua grife, a Ralph Lauren, agora, aos 81 anos, dá uma nova guinada. A sua grife que tem como imagem um jogador de pólo está assumindo importantes compromissos em defesa do meio ambiente, da diversidade e da vida. Uma bela tacada para o futuro.
Ralph convida à mudança e inicia uma jornada para projetá-la com prazos pré-estabelecidos.: “Estamos desafiando a maneira como criamos nossos produtos e conduzimos nossas operações e, todos os dias, trabalhamos para melhorar a vida das pessoas ao nosso redor. Estamos focados em causar um impacto significativo criando um estilo atemporal, protegendo o meio ambiente e defendendo vidas melhores. Ao nos comprometermos com essas áreas, acreditamos que podemos entregar a mudança necessária para um futuro mais justo e sustentável”. Entre os compromissos de Ralph Lauren, destacam-se: moda atemporal evitando-se a constante oferta por meio da mudanças de estações ou período; 100% dos principais materiais serão fornecidos de forma sustentável até 2025; eliminação do uso de produtos químicos perigosos na cadeia de suprimentos até 2025 e alcançar a paridade de gênero com representação igual em posições de liderança no nível de Vice Presidente e acima até 2023.
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ANDAR DE BICICLETA É UM LUXO As bicicletas estão ganhando espaço no mundo e também no Brasil. Não é só pela questão climática, que está assustando os habitantes do planeta, ou pelo preço dos combustíveis no caso brasileiro, onde tiveram aumento de mais de 50% de maio do ano passado até a primeira semana de novembro de 2021, nem tão pouco pela poluição atmosférica, mas principalmente por uma questão de saúde e qualidade de vida. Por isso, cada vez mais as cidades estão abrindo espaço para as “magrelas” ocuparem com segurança as ruas. Cidades como Nova York, Paris, Barcelona lideram a corrida por criar ciclofaixas tanto para o lazer como para o transporte até o trabalho em suas principais vias. Além das bicicletas convencionais, as elétricas estão conquistando terreno em todo o mundo e as grandes montadoras, como Audi, BMW, VW e Ford estão atentas ao segmento, com uma disputa acirrada de modelos com baterias que consigam garantir grandes percursos e agreguem também velocidade. O design cada vez mais moderno e as bicicletas dobráveis, que permitem que sejam carregadas com facilidade com a consequente redução de peso estimulam o uso.
As grandes montadoras estão convencidas de que muito em breve seus carros integrarão o acervo de museus. O fato de Nova York, uma cidade inspiradora para o mundo, ter aberto ciclofaixas nas suas principais vias como a Quinta Avenida tem levado várias cidades a tomar medidas similares e países europeus já abrem faixas exclusivas intermunicipais.. Mas não são apenas as elétricas ultra sofisticadas que estão ganhando terreno, mas também as inovadoras e ecologicamente montadas como as de bambu, que estão permitindo o acesso à famílias de baixa renda, estão ganhando terreno. A cidade de Queimados, no Estado do Rio de Janeiro, que figura como uma das mais violentas do país no Atlas criado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), está dando uma verdadeira lição de vida ao mundo e ao Brasil por meio de bicicletas de bambu. Desde 2015, o movimento Pedala Queimados produz este meio de transporte sustentável que tem transformado a realidade social da região, promovendo oficinas de captação e gerando renda, tanto por meio da venda como da locação destas sustentáveis magrelas. A ideia inicial do Pedala Queimados era a criação de um sistema de bicicletas compartilhadas para a população do Conjunto Habitacional Valdariosa, do programa Minha Casa Minha Vida, utilizando bicicletas doadas, mas o movimento evoluiu. E a presença do bambu na região e outras experiências com êxito em países da África levaram os seus participantes a formalizar novos projetos que os conduziram ao prêmio Velo-City 2018, no Rio de Janeiro, um dos maiores eventos de mobilidade urbana e ciclismo do mundo realizado na ex-capital da República. Assim atraíram a atenção de muitos investidores e passaram a contar com o suporte da Embaixada da Holanda, o país onde pedalar é viver. Melhor: viver bem. É com iniciativas como esta que Queimados reúne todas as condições, apesar da falta de apoio e suporte financeiro de peso do poder público para a construção de uma fábrica de bicicletas de bambu, de ser semente de futuro para inúmeras outras cidades. E o que é melhor, com garra e pedalando, sair do Atlas da Violência Urbana no Brasil onde ainda se encontra. É uma aposta veloz e segura rumo ao futuro.
do brasil para o mundo A costureira Izildete Botelho, de Uberlândia, é uma das 100 participantes da Assembleia Cidadã Global da Organização das Nações Unidas (ONU) que, até o próximo ano, vão dar a redação definitiva da Declaração dos Povos para o Futuro Sustentável do Planeta Terra e assiná-la. Um documento preliminar já foi entregue em Glasgow, na Escócia, onde se reuniram os principais e mais importantes líderes globais para avaliar o cumprimento dos compromissos da humanidade quanto ao clima e as metas acordadas por 195 países, inclusive o Brasil, no Acordo de Paris em 2015, que sediou a Cop-21. Dos representantes dos povos, 60% dos convidados moram na Ásia, 17% na África, 50% são mulheres e 70% têm renda diária de até dez dólares. Usando um algoritmo de densidade populacional e distribuição geográfica da NASA, agência espacial dos Estados Unidos, a administração da Assembleia sorteou cidades que atendessem a esses critérios e acionou organizações civis locais, que indicaram moradores interessados e capazes de representar a diversidade de suas comunidades de forma que os povos do mundo tivessem voz quanto ao futuro da humanidade.
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Do Brasil, participam o goiano Wanderson Alves Pires (foto acima), 25 anos, a costureira Izildete Maria de Sousa Botelho, 67 anos, de Uberlândia (Minas Gerais) e a cozinheira Joseane Souza (foto abaixo), 60, da comunidade Alto José do Pinho, em Recife (Pernambuco).
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Moradora do condomínio Morada do Bosque, no Jardim Patrícia, Izildete ficou orgulhosa em participar de um encontro global e contou com a assessoria do Instituto Ipê Cultural que a indicou para a Assembleia Geral dos Povos. Contou também com a ajuda e o suporte da tradutora Raquel Tibery (ambas na foto divulgada pela ONU) para levar sua história de luta aos povos do mundo e também suas suas ideias e compromissos em prol do meio ambiente e da qualidade de vida. Além de costureira, Izildete também trabalha com artesanato feito a partir de materiais recicláveis. Agora, ela pretende mobilizar as cerca de 300 famílias do condomínio em que vive para o tratamento de lixo. Izildete deve contar com a ajuda do Instituto Ipê Cultural para esta missão. “Nos primeiros dias da Assembleia, fiquei muito preocupada com a mudança climática, perdi noites de sono pensando nos jovens, nas crianças e na situação que eles podem enfrentar. Mas aos poucos fui entendendo o que posso fazer para mudar, como participar”, relata Izildete. “Agora considero que ter sido sorteada para participar foi como ganhar em uma loteria. É uma sensação muito gratificante representar a minha cidade e saber que a minha palavra chegou nesse nível de ação global, podendo ajudar a mudar as coisas.” É a participação dos povos um importante capítulo para a transformação global em torno da sustentabilidade e a ONU deixou claro que não medirá esforços para que as vozes dos moradores do planeta, que sofrem com o impacto das mudanças climáticas, cheguem a todos os cantos do planeta.
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Ano 1/Volume 1/Número 13/NOVEMBRO de 2021
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