K. LUX E E
K .LU EE
LW
RY W XU
1202 ed orbmetes/11 oremúN/1 emuloV/1 onA
Y W R U
VIVIENNE VIVIENNE VIVIENNE WESTWOOD WESTWOOD WESTWOOD SEMPRE SEMPRE SEMPRE à à frente à frente frente do do seu do seu seu TEMPO TEMPO TEMPO
2 Sumário
08
06
09
04
o MANIFESTO
05
consumismo
de uma LADY
06
OUSADIA nos mínimos DETALHES
09
LONDRES, onde
08
o MUNDO GIRA
o sangue de JEAN CHARLES
10
PIRATAS na passarela
tudo começou
11
MODA sem
12
a LADY aos 80 ANOS
3
EXPEDIENTE EXPEDIENTE EXPEDIENTE NOTA NOTA DO EDITOR NOTA DO DO EDITOR EDITOR A britânica Vivienne Westwood é um ícone da moda e uma defensora intransigente de um mercado mais justo, onde o que se usa nas ruas deve ser valorizado e o que se vende como qualidade de vida, estilo e moda pelas chamadas casas de alta costura devidamente ignorado em nome da liberdade de ser contra a ditadura do ter. É assim, atacando fashionistas (aqueles que são fervorosos defensores de grifes e estilistas sem criatividade que se enquadram no figurinismo clássico) que Vivienne Westwood foi construindo uma imagem vigorosa no cenário da modernidade. E, para espanto dos bens comportados e certinhos, ela foi agraciada pela rainha Elizabeth II, em 2006, com o título de Dama Comandante (Lady) da Ordem do Império Britânico. Neste ano de 2021, Vivienne Westwood, aos 80 anos, lançou um manifesto em que crítica o lançamento desnecessário, essencial ao consumismo, de quatro coleções por ano e atraiu a ira deste setor que vive do supérfluo. Um belo chamado à razão e ao respeito aos consumidores que são apenas números na contabilidade de grifes hoje infladas por blogueiros e blogueiras medíocres, os conhecidos jabazeiros e jabazeiras, que sobrevivem de presentinhos das grifes.
Boa semana, boa leitura.
Luxury Week é uma revista semanal de variedades produzida pela Editora Olympia (editoraolympia.com.br) e distribuída gratuitamente em plataformas digitais por parceiros que também contribuem com conteúdo de qualidade e temas atuais e diversificados. Editor-chefe: Carlos Franco Editora internacional: Yume Ikeda Colaboradores: Marco Hiroschi, Christina Tavares, Rita Almeida, Maria Helena Guimarães, Paulo Thiago, Rodrigo Vidal , Tiago Ribeiro, Eduardo Silva Bernardt, Valdo Santos e Yacy Nunes. Imagens: Francisco Jr., Carlos Monteiro,Stúdio Mar Adentro, Pixabay, Freepick, Canva, grifes, assessorias de imprensa e agências de modelos e de publicidade. Diagramação: Paulo Pereira Diretor comercial: Hugo Lopes E-mail: redacao@luxuryweek.com.br
EDITORA OLYMPIA AVENIDA RONDON PACHECO,2300 SALA 65/ UBERLÂNDIA/MG/CEP 38408-404 editoraolympia@editoraolympia.com.br
4
o MANIFESTO de uma LADY
5
Nossas coleções são unissex, nossa moda sempre segue o exemplo da alfaiataria tradicional inglesa – linha Savile – twinset fino e pérolas para homem ou melhor ainda, apenas o cardigã de botão, peito nu. Compre menos, vista-se, troque de roupa. É sempre teatro de rua, brincamos com tamanho de detalhe, golas, dobras, bolsos, botões, gravatas, acessórios; tamanho dos gráficos – listras de alfinetes gigantes, manchas gigantes ou manchas tão pequenas que parecem um pó de cor, flores. Vista-se para a hora do dia, ou não vista para a hora do dia – vista suas roupas de noite no escritório se voltar ao trabalho, misture as estações – nosso objetivo é mostrar apenas uma coleção por ano. Impressões de Chrissie Hynde – ótima voz, ótima guitarra, punks juntos. Chrissie e eu somos amigas há anos. Ela pinta, Andreas teve a ideia de usar suas pinturas para estampas. Ela os teria dado para nós, em vez disso, nós doamos para sua instituição de caridade, www.AhimsaMilk.org – uma fazenda que não mata a vaca. Você sabia que boi significa touro castrado? Os pequenos queridos têm uma vida maravilhosa de lazer, não têm muito trabalho para eles, mas eles adoram. Ambos apoiamos fazendas, não fábricas. www.FarmsNotFactories.org Artista, Anthony Newton – lidando com uma doença grave de longo prazo, ele é um verdadeiro realizador. Acho que o desenho dele poderia ser exibido em conjunto como um mural, e gostaria de sugerir um projeto para ele como artista: desenhar árvores. Uma câmera nunca pode mostrar o que significa estar ao lado de uma árvore. Achamos que seu trabalho se parece com renda e tem um efeito trompe l’oeil em nossos vestidos.
Vivienne Westwood
6
Divulgação
A MARCA DA IRREVERÊNCIA. A irreverência tem sido, desde os anos 1970, a marca registrada de Vivienne Westwood que chega aos 80 anos com a mesma garra e estilo ousado que desafiaram o mundo da moda. A sua última coleção é a prova de que, com olhar de lince, ela está sempre disposta a incorporar o que vê nas ruas a um estilo único e em convivência com os mais modernos conceitos de sustentabilidade que estimulam o uso e o reuso de materiais, sobretudo, tecidos. O xadrez tão característico da cultura escocesa (tartã) que ela trouxe para a modernidade se faz presente sempre de forma lúdica, inovadora, nunca com a sisudez britânica que ela sempre ironiza. É moda que não sai de moda e que responde ao conceito de que são as ruas que fazem a moda e não as galerias e uma “maison”, uma casa de alta costura. Vivienne Westwood é Vivienne Westwood.
7 Divulgação
A MULHER DAS GRANDES CAUSAS. Vivienne Westwood nunca se furtou de participar das grandes causas. Sempre esteve presente em todos os momentos recentes da vida moderna com renovada disposição ao protesto. No momento em que o mundo abraça, com preocupação, a luta contra as bruscas mudanças climáticas, que têm afetado a vida no planeta, a estilista criou uma camiseta em defesa do Ártico. Região que sofre com o degelo e a ameaça de extinção de espécies marinhas e da vida. Emprestou seu prestígio e convocou famosos como os consagrados George Clooney e Vanessa Redgrave, ícones britânicos da cinematografia mundial, para engrossar o coro em defesa do oceano. A camiseta tornou-se sucesso e a mensagem chegou a todos os cantos do globo.
8 LIBERDADE DE EXPRESSÃO: UM DIREITO Vivienne Westwood sempre foi uma defensora intransigente da liberdade de expressão, sobretudo quando a verdade coloca em xeque o poder reinante. Em julho de 2020, quando a Inglaterra titubeou e, por pouco, não decidiu acatar o pedido de extradição de Julian Assange para os Estados Unidos, ela decidiu se prender à uma gaiola anunciando: "Julian Assange sou eu". Repetiu, assim, a máxima do escritor Gustave Flaubert no século 19, quando forças obscurantistas da sociedade e do clero o processaram por conta do livro Madame Bovary que expunha o adultério na alta sociedade. Quando indagado no tribunal, que acabou por inocentá-lo, quem o havia inspirado ele disse: "Madame Bovary sou eu". O pecado de Assange foi revelar ao mundo a forma autoritária com que os EUA agem em relação a outros países. Democracia dentro de casa e golpes e ditaduras pelo mundo em nome, acredite, da democracia. A estilista também se uniu em 2005 com a organização não -governamental Liberty para atacar a forma medíocre com que as forças de segurança britânicas resolveram caçar os que alegavam ser terroristas, lançando camiseta que dizia: "Não sou terrorista. Não me prenda". Os atos impensados acabaram resultando no assassinato do brasileiro Jean Charles de Menezes, de Governador Valadares (MG), no dia 22 de julho de 2005, sujando as mãos da Polícia Metropolitana de Londres com o sangue de um inocente interpretado em filme por Selton Mello .
Imagens: Divulgação e redes sociais
9 nos ARREDORES de LONDRES, onde tudo COMEÇOU Vivienne Westwood nasceu em Derbyshire, no coração da Inglaterra, em 8 de abril de 1941 e, aos 17 anos, chegou a Londres, onde dava aulas de inglês e acabou cruzando com Derek Westwood, com quem se casou e teve um filho. O burburinho londrino e o talento para o visual a estimularam a se matricular na Faculdade de Arte de Harrow. Eram tempos de rebeldia e lutas femininas por emancipação. Vivienne quis viver este tempo e acabou se separando do marido quando conheceu Malcolm McLaren, com quem teve outro filho. Estimulada pela vibração daqueles anos e pelo fato de McLaren assumir o posto de produtor da banda Sex Pistols, uma das primeiras no cenário punk mundial, abriu com o parceiro uma loja nos arredores de Londres, a Let it Rock, hoje nome de um dos perfumes da grife que carrega seu nome. Nesta loja, a estilista começou a dar vazão à sua criatividade e viu os negócios decolarem, sobretudo porque a banda passou a usar suas criações. A loja, nos arredores de Londres, vendia vinil, peças vintage e muita rebeldia. Vivienne aderiu às camisetas ousadas, com recados antissistema. Acabou, com isso, atraindo processos na Justiça que divulgaram a marca ainda mais. Mesmo que pequena, a loja foi mudando de nome por força dos processos, entre eles Too Fast to Live, Too young to Die, Sex e, por Worlds End. A cor preta, os metais, as calças e minissaias rasgadas de jeans, as correntes tornaram-se sua marca registrada assim como a mescla irreverente do tartã, do inglês tartan que define os tecidos quadriculados à moda escocesa. O punk, assim como Sex Pistols, foram, com o crescimento do movimento, deixando de ser rebeldia, sendo completamente incorporado pela indústria cultural, o que deixou Vivienne Westwood frustrada. No mesmo período, a relação com McLaren, em torno dos rumos do movimento, acabaram por afastá-la do marido e do desejo de dar continuidade ao estilo punk da moda que acabou por inaugurar. Vivienne Westwood, então, começa a escrever um novo capítulo de vida, sem perder a sua essência libertária.
Reprodução de redes sociais
10 piratas no MUSEU e aplausos nas PASSARELAS
Vivienne Westwood nunca abriu mão de um olhar atento e afiado, o que a torna vanguarda no mundo da moda. Foi assim que celebrou o fim do relacionamento amigável com Malcolm McLaren. Fez as malas foi dar aula na Academia de Artes Aplicadas de Viena, na Áustria, e conheceu um novo amor, Marc Andréas. De voltam à Inglaterra lança a coleção Pirates em 1981. Ao trazer cortes inspirados nos séculos 17 e 18 com os tecidos e o olhar da modernidade e, é claro, uma certa irreverência atraiu os olhares dos críticos de moda, que não podiam mais ignorá-la. Tanto que um dos trajes da coleção foi parar no Victoria and Albert Museum, de Londres. O sucesso foi tanto que acabou convidada a apresentar sua nova coleção em Paris, onde apenas a inglesa Mary Quant havia arrancado suspiros ao criar, na década de 1960, as famosas minissaias. A coleção Hypnos, por sua vez, faz avassalador sucesso em 1984 e abreu portas para a conquista de outros mercados, como o americano e o japonês. Novas coleções vieram sem que nunca a estilista abrisse mão de seu estilo e de seu ativismo. Com Andreas, inicia nova jornada e cria marcas para manter o diálogo com o público jovem e a oferta da alta costura independentemente do prêt-àporter, o feito para todos. Só que sempre desafiando os ícones clássicos, mantendo-se próxima da moda das ruas que sempre a inspirou ainda que, sofisticada, empreste conteúdo a tudo que vê, sem nunca abandonar as camisetas com as quais dá o seu recado ao mundo e cutuca com maestria ridículos conservadores e endinheirados com cabeça de camarão. Imagens: Divulgação
11 Imagens: divulgação
ORB ET SATURNO Ao escolher, em 1984, o globo terrestre, orb, como logomarca circundado pelos anéis de saturno, Vivienne Westwood quis reforçar a ideia de que é preciso acompanhar os movimentos, girar e ter a mente sempre aberta. Agora, em 2021, ao completar 80 anos, ela lança com o marido Andreas, um livro que é uma aula de determinação e coragem, um relato apaixonado de uma vida dedicada à defesa da liberdade de expressão e da democracia, da inclusão e dos direitos humanos sempre ameaçados por forças obscuras e elites atrasadas e vis como a brasileira. Mas tudo pode ser reciclado, como o tartã escocês e os calçados de plástico como Melissa, que ela assina, deixando um aroma de rebeldia no ar para espantar os medíocres, fardados ou não, mas sempre ridículos na tentativa de combater o futuro e as voltas que o mundo dá.
1202 ed orbmetes/11 oremúN/1 emuloV/1 onA
K .LU EE
Y W R U
RY W XU
K. LUX E E
LW