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Ano LXIII - N.º 4243 Sexta-Feira - 20/07/2012

Fundador: Rebelo Mesquita Directora: Dr.ª Maria Teresa Vilhena Mesquita

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ARCIPRESTADO DE FAMALICÃO

REFORMULAÇÃO DA DISTRIBUIÇÃO DE PARÓQUIAS EDITORIAL Por : Teresa Mesquita

UM EXEMPLO…

A não desprezar ! Há cinquenta anos Jornal de Famalicão publicava um artigo de Rui Vaz, intitulado “A Recuperação de Delinquentes”. Tratava-se de uma medida implantada pelo Ministério da Justiça que se traduzia na recuperação de criminosos, pondo-os ao serviço da Comunidade. Louvável iniciativa que consistia no aproveitamento de mão-deobra de reclusos na construção dos diversos Palácios da Justiça a florescer por todo o País. Hoje, com as cadeias a “rebentar pelas costuras”, este exemplo do “antigamente”, talvez não seja de desprezar, mas sim de relembrar. Reintegrar esta população diversificada e não produtiva através do trabalho nos diferentes sectores da actividade económica, nomeadamente agricultura, construção ci-

“Jornal

vil e outros, o benefício seria mútuo. Os reclusos valorizavam-se a si próprios pagando com dignidade à sociedade os extravios cometidos, e por sua vez o País criava riqueza e produzia ao mesmo tempo que a Despesa Pública decrescia. Há cinquenta anos o objectivo traduziu-se na aplicação dessa mão de obra na construção de edifícios representativos da Justiça. Tendo presente que essa “Senhora de olhos vendados”, é uma necessidade do povo, e que o serviço que presta à sociedade quando a liberta de elementos perniciosos e que constituem uma ameaça para a sua segurança, vida e honra, tem por reverso a reabilitação social desses delinquentes, é mérito! Actualmente a era é de mudança e reflexão. Apostar no progresso, com o que temos e o que somo, redesco-

Entrevista a... Luís Paulo Rodrigues

The Man Behind The Stage

de Famalicão” o mais lido semanário da região


Página onze

20 de Julho de 2012

100 Foram descobertos cem novos desenhos e pinturas do pintor italiano Caravaggio. As peças foram encontradas numa colecção no Castelo Sforzesco, monumento no norte de Milão, Itália. As obras agora descobertas já foram avaliadas em cerca 700 milhões de euros. Michelangelo Merisi da Caravaggio foi um dos maiores pintores barrocos italianos. Caravaggio era o nome da aldeia natal da sua família, tendo por si sido acarinhado como nome artístico.

Na semana em que pela última vez cruza as portas dos Paços do Concelho, e após ter aceite o convite da consagrada Agência de Comunicação Brasileira “Via de Comunicação Integrada”, Jornal de Famalicão entrevistou aquele que durante dez anos comandou o Gabinete de Comunicação da Autarquia Famalicense: Dr. Luís Paulo Rodrigues - The Man Behind The Stage. JORNAL DE FAMALICÃO (JF) – Dez anos após ter integrado a direcção da comunicação do Município de Vila Nova de Famalicão, a primeira pergunta é óbvia, mas inevitável. Qual o balanço? LUÍS PAULO RODRIGUES (LPR) – É francamente positivo. Foi um prazer e uma honra ter contribuído para a construção do presente e do futuro de Vila Nova de Famalicão, participando da gestão daquele que considero ser o melhor Presidente da Câmara da história de Vila Nova de Famalicão. Armindo Costa levou o desenvolvimento a todo o concelho, mobilizando todas as freguesias para um crescimento colectivo sem precedentes, com intervenções no espaço público, com obras de reabilitação urbana e novos equipamentos, mas também no apoio às famílias e às instituições da sociedade civil. Hoje, vivemos num concelho mais solidário, com mais apoio social para os famalicenses que mais precisam, com mais e melhores infraestruturas de água e saneamento, com novas escolas e novos espaços desportivos, com mais áreas de ocupação dos tempos livres da juventude. E com essa grande obra que é o Parque da Cidade, sonhado há 40 anos e que está, finalmente, à vista de todos nós. Famalicão também é hoje um concelho reconhecido como um dos pólos culturais mais dinâmicos do País. Tem sido um ciclo virtuoso de grande desenvolvimento para Famalicão. JF – Depois de quinze anos ligados ao mundo do jornalismo por onde passa pelas Redacções dos mais importantes jornais nacionais como o “Público” ou “O Comércio do Porto”, em 2001 faz a ponte para o mundo da assessoria mediática e

Entrevista a...

Luis Paulo Rodrigues

The Man Behind The Stage da comunicação política. Foi uma evolução natural ou um desafio aliciante? LPR – Um desafio aliciante. Aceitei o convite porque já conhecia o arquitecto Armindo Costa e porque acreditei que, com 35 anos, era altura de aceitar um novo desafio profissional. A maior parte dos meus anos de jornalismo foi a escrever sobre assuntos de Famalicão e conhecia muito bem o concelho. Toda essa experiência constituiu uma mais-valia nas minhas funções de assessor de comunicação. JF – Ao longo destes últimos anos como Adjunto do Presidente da Autarquia para a Comunicação foi assessor de imprensa, analista de comunicação, assessor político, redactor de discursos, editor de publicações e gestor de comunicação digital. O Dr. Luis Paulo Rodrigues foi aquilo que se costuma dizer como “The Man Behind the Curtain” ou se quiser “The Man Behind the Scene”, comandando a estratégia de comunicação e marketing político desta edilidade, amparando muitos ataques ao Executivo e, presumo, criando muitos anticorpos e talvez algumas inimizades… Será isto verdade? LPR – É capaz de ter dito algumas verdades… O importante é a sensação do dever cumprido como assessor de comunicação e assessor político do presidente Armindo Costa, trabalhando diariamente com discrição, ou atrás da cortina, como diz. Nestes lugares de confiança pessoal e política não podemos pensar em nós, mas apenas em servir com lealdade e profissionalismo a pessoa que confiou em nós a sua comunicação com os eleitores. E esse trabalho, muitas vezes, implica dissabores e incompreensões. Mas foi assim que trabalhei durante mais de 10 anos. Se tivesse pensado em mim, se calhar, já há muito tempo que não estaria em Vila Nova de Famalicão e teria abraçado outros desafios, provavelmente, mais bem pagos. Mas foi estimulante ter contribuído de modo activo para criar uma liderança política autárquica que ficará na história do município, por tudo aquilo que fez de bom, em apenas uma década, em favor do de-

senvolvimento de Vila Nova de Famalicão e da qualidade de vida dos famalicenses. JF – Não deixa, no mínimo, de ser singular que o autor do blogue “Comunicação Integrada”, consagrado em 2011 pelo jornal “Meios & Publicidade” como um dos cinco blogues de Portugal mais influentes em assuntos de comunicação, vá agora integrar o corpo da brasileira “Via Comunicaçao Integrada”? Que feliz ironia do destino foi esta? LPR – Sempre apreciei o Brasil, o seu clima, as suas gentes, a alegria de viver dos brasileiros. De resto, são poucos os portugueses que não têm ligações ao Brasil. Não posso esquecer que a dona Teresa Vilhena, antiga proprietária do “Jornal de Famalicão”, que foi esposa do fundador do jornal Rebelo Mesquita, que cheguei a conhecer pessoalmente, nasceu em Niterói, no Rio de Janeiro. Eu tenho família no Rio de Janeiro e também no Ceará. Tenho familiares com intensa actividade na minha área profissional. Há cerca de um ano reuni com os responsáveis da Via Comunicação, aqui mesmo em Vila Nova de Famalicão, e fui convidado para fazer parte do projeto de expansão da empresa para todo o Brasil, nomeadamente nas áreas de consultoria em comunicação, assessoria mediática, marketing político e relações públicas. É uma oportunidade de ouro para viver em Fortaleza, que é a minha segunda cidade, depois de Vila Nova de Famalicão, a fazer o que gosto, com novas pessoas. Como referiu, sou autor de um blogue sobre temas de comunicação e tenho muitos leitores no Brasil. Por tudo isso, estou muito motivado com essa nova etapa da minha vida. JF – Reconhecido autor dos projectos “Famalicão em Movimento” ou “Futuro em Construção” entre outros,

ou dos slogans “Famalicão Não Pode Parar” e “Famalicão no Rumo Certo”, o Dr. Luís Paulo Rodrigues afirmase hoje como um “expert” em comunicação autárquica, tendo mesmo o seu trabalho à frente da comunicação da autarquia sido alvo de uma tese de mestrado na Universidade do Minho. O futuro na brasileira “Via” passa por aqui? LPR – A Via Comunicação é uma grande empresa, que atua nas várias áreas da comunicação, desde a assessoria mediática até à produção de grandes eventos culturais. Por isso, tenciono, claro, contribuir com a mi-

nha experiência em comunicação política, mas também dedicar-me a outras áreas que aprecio e que considero aliciantes como a consultoria em comunicação, o marketing territorial e a comunicação digital. Além disso, o Brasil é um País em crescimento e que tem, a curto prazo, um calendário aliciante em termos comunicacionais. São inúmeras as oportunidades de trabalho a serem desenvolvidas. JF – De partida para terras de Vera Cruz, que imagens, aromas e recordações de Famalicão leva na bagagem? LPR – Felizmente, são tantas e tão boas que não cabem na bagagem. Deste modo, terei sempre que voltar cá para matar as saudades. Levo comigo a imagem da casa onde nasci, em Cavalões, e das brincadeiras de crianças por entre as bouças de pinheiros e eucaliptos, no Louro. O aroma dos deliciosos Rojões à Moda do Minho e da Feijoada que a minha mãe prepara tão bem serão sempre incomparáveis. O cuidado e o carinho com que a minha madrinha me serve às refeições desde menino até aos dias de hoje são uma recordação que jamais esquecerei. As conversas sobre o Portugal antigo com o meu pai. Também recordo com carinho todos os amigos e as conversas – nos tempos de aluno no seminário de Braga, nas tertúlias nocturnas na sede do PSD nos idos anos de 1980, nas redacções dos jornais onde trabalhei, nos cafés e nas praças mais emblemáticos do concelho. Eram tempos em que as pessoas se encontravam e conversavam olhos nos olhos, planeando o futuro sem deixar de viver o presente. Todas as outras coisas (vinho, azeite, música, livros, etc.) o dinheiro pode comprar. JF – A fechar a entrevista. O regresso a Portugal é um projecto a curto ou a médio prazo? LPR – Não tenho data para regressar porque, na verdade, não hei-de partir. Num mundo globalizado com o de hoje já não justifica pensarmos numa mudança de endereço como uma partida. Construí uma família luso-brasileira, temos ligações eternas a Portugal e ao Brasil. As minhas filhas são famalicenses e vão querer, certamente, cá voltar muitas vezes. E, se na última década tivemos cá a nossa morada, para já sabemos que o código postal atual é brasileiro, sendo que Vila Nova de Famalicão será também sempre a nossa casa. Estaremos a ir e vir, como fazemos já há uns anos, matando as saudades das nossas gentes que ficaram. Mas para já só Deus sabe quando voltaremos a ter código postal português. No entanto, assumo o compromisso e a disposição de continuar a ajudar a engrandecer a minha terra natal, sempre.


Entrevista ao "Jornal de Famalicão"