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Música estampada A história do rock pode ser contada por meio das camisetas. Quando surgiram, eram usadas como ícones de rebeldia e contestação para uma juventude que não queria seguir o figurino clássico dos adultos. É claro, os principais adeptos da moda eram os punks e roqueiros. Desenhos de caveiras ilustravam esta identidade. Para compor o estilo, ainda há acessórios, como bandanas, coletes e o jeans surrado. As camisetas começaram na era punk, passaram pelo período indie e chegaram ao rock’n’roll da década de 1970. De Ramones a Iron Maiden, de Raul Seixas a Sonic Youth. Não importa se ficam desbotadas e puídas com o tempo. Elas são uma referência, mesmo que a mãe mande jogá-las fora. Em qualquer lugar do planeta, não é diferente. As preferências musicais estão estampadas nas camisetas de crianças, jovens e adultos. Quem vê Christian Ericsson de Oliveira, de 17 anos, nos shows ou nas ruas de Joinville, já descobre o seu gênero musical predileto. Esta preferência está impressa na camiseta: Green Day, AC/DC, Ramones, Mist Fits, Avenged Sevenfold e Exployted. Segundo ele, o que influencia na compra é a qualidade do tecido e estampa. De peça em peça, ele já montou a sua coleção. “Junta a banda e estampa legal, daí une o útil e o agradável”, explica. O rapaz é cliente “de carteirinha” da loja Rock Total Discos. Mas teve que procurar em outras lojas joinvilenses uma camiseta que faltava em sua coleção: a da banda de punk rock Chaosuk. Mas não achou. Assim, ele mesmo fez. A camiseta preta e básica ganhou cores. Além da camiseta para uso próprio, fez outras para os amigos e a namorada, Amanda Bertelli. Christian também compartilhou o gosto com a família. No Dia do Pais, escolheu uma camiseta da banda de rock inglesa Led Zeppelin e embrulhou para presente. Osiris de Oliveira, o pai, aprovou o presente deste ano.

As camisetas criadas por Luiz Cláudio trazem metáforas bíblicas ilustradas ARQUIVO PESSOAL

Pregando em dois sentidos

Christian revela o seu gosto musical pelas estampas das camisetas

A propagação do cristianismo não se restringe apenas à palavra escrita. Há tempos ele também está estampado em camisetas, que trazem metáforas bíblicas ilustradas. Assim também são as peças da marca Virá, que pregam duas vezes: no varal e nas mensagens. Por enquanto, o nome de Jesus está estampado em apenas uma das camisetas, a “Sadrak”. Mas na verdade, todas fazem referências ao cristianismo. A lista ainda inclui “Liberté”, “Think Twice”, “Como Niños”, Pregador, “Dead People”, “Fé”, “Yo no Soy”, “Alice”, “Feito de Barro”, entre outras. No total, tem 16 camisetas à venda, e outras três em produção. “Nossa intenção é propagar a mensagem de Cristo por meio de camisetas com estampas criativas e com uma linguagem moderna. Enfim, expressar graficamente ensinos verdades, sem rotular a marca. Pensamos em camisetas por ser algo que é super bem aceito, simples e devido ao grande poder de comunicação delas. Camisetas falam alto”, explica o criador da Virá, Luiz Cláudio Pequeno da Silva, de 27 anos. A marca surgiu em novembro de 2007, em Curitiba, com o incentivo de três amigos. Desde o início, as estampas são inspiradas na Bíblia, e a aplicação destes conceitos têm referências de movimentos artísticos, design, arte de rua, filmes e música. Em três anos de caminhada, Luiz conseguiu parcerias com as bandas cariocas Crombie e Palavrantiga, que usam as camisetas. Por comunicar o cristianismo em uma linguagem acessível, a Virá já atravessou as fronteiras do Paraná. No Brasil, só falta a camiseta chegar em Roraima, Rio Grande do Norte e Tocantins. Mas já foi para Austrália, EUA, Japão, Suíça, Bélgica, Chile, Portugal e Luxemburgo. “Os clientes estão muito exigentes e já foi o tempo em que se preocupavam somente com a qualidade e o preço, hoje vejo que eles querem se relacionar com marcas que tenham identidade, uma causa... E muitos não compram o produto em si, e sim a causa e tudo o que a marca significa. O produto é um brinde, digamos”, afirmou. Em Joinville, jovens de comunidades cristãs também vestem as camisetas Virá. Segundo Luiz, uma das preocupações é surpreender o cliente com as estampas e a qualidade do material. Mais que seguir as tendências do mercado, a Virá busca formar opinião por meio das camisetas. Em 2004, antes de criar a Virá, Luiz era marinheiro. Pintar navio, cortar batatas e lavar ba-

nheiros eram algumas das suas tarefas à bordo do navio da Marinha, no Rio de Janeiro. Depois, durante 11 meses, estudou design em Florianópolis. Ele queria abrir mão do trabalho e da faculdade, para criar a marca, porém, as pessoas recomendavam o contrário. “Tive uma mudança radical na minha vida desde que criei a marca. Se eu tenho algum crédito, é por ter acreditado e me colocado disponível”, contou. Com o tempo, Luiz foi apelidado com o nome da marca. “Muita gente me conhece como Virá. Eu não me importo em ser chamado de Virá, inclusive isso é um bom sinal. Porém, creio que a Virá seja um projeto tão grande que encarná-lo em uma só pessoa seja um exagero”, explicou. Para o futuro, Luiz já planeja voos mais altos: “É só melhorar a estrutura, ajustar uns ponteiros e seguir contando com a misericórdia de Deus, que, no máximo em três anos, vamos ser uma das marcas mais influentes no mercado. Vamos fazer muito barulho”, afirmou.

22/8/2010 ANEXO D 11


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