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Jornal da Tarde

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A literatura do Twitter na sala de aula 17 de outubro de 2010 | 21h40 | Tweet este Post Categoria: Educação

Alunos do Colégio Hugo Sarmento, na zona oeste: técnica aprimora poder de síntese (Foto: Hélvio Romero/AE) Lais Cattassini “O telefone tocou. Seria ele? O que ele queria? Ela já não havia dito que era o fim? Ela atendeu o telefone. Não era ele, era pior.” Um professor de língua portuguesa e literatura resolveu usar os 140 caracteres permitidos para cada post do microblog Twitter como ferramenta pedagógica para desenvolver as habilidades dos estudantes. A ideia principal é estimular os alunos a usarem na sala de aula a rede social – uma das que mais faz sucesso na internet entre adolescentes – como plataforma para pequenas histórias de ficção como a retratada no início deste texto. Os microcontos, técnica literária também conhecida como nanoconto ou miniconto, servem para aprimorar a estrutura da narrativa e as poesias concretas, temas das aulas de literatura, além do poder de síntese, explica Tiago Calles, professor do Colégio Hugo Sarmento, escola particular da zona oeste da capital . Para organizar o trabalho, o docente criou um perfil no Twitter (@hs_micro_contos) para que todos os alunos pudessem escrever os microcontos e, a partir dos trabalhos produzidos, incrementar abordagens das matérias na classe. “O fato de envolver uma outra plataforma interessou os alunos, que se sentiram mais motivados”, diz Tiago Calles, que leciona para turmas do ensino fundamental. Para escrever as poucas linhas, os alunos são levados a ficar atentos à narrativa, à concisão e ao sentido do que é postado, habilidade já dominada pelos adolescentes, acostumado com a rapidez da internet. Não havia exigência para que a linguagem formal fosse respeitada nos minicontos, mas símbolos e abreviações comuns em recados e mensagens do mundo virtual não foram muito usados. “Em algumas palavras, eles escrevem como estão acostumados na internet”, afirma Calles. Os alunos do Hugo Sarmento aprovaram o uso da rede social na aula. Talissa Ancona Lopes, de 13 anos, conhecia pouco do Twitter. “Tive um perfil por algum tempo, e depois excluí”, conta, empolgada com a ferramenta. “É mais divertido aprender dessa maneira. Anima mais escrever na internet.” “Cada história tinha começo, meio e fim. Não dava, por exemplo, pra ficar descrevendo o cenário”, lembra outro estudante, Pedro Rubens Oliveira, de 13 anos.

EXEMPLOS DA PRODUÇÃO DOS ALUNOS

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“Ele queria muito sair de lá, mas a chuva insistia em cair; o mundo parecia acabar. Quanto mais ele teria que esperar para ser feliz? (Talissa) “O homem bêbado em cima do prédio, dança, canta, pula… De repente um silêncio… Um cadáver sobre um carro” (Daniele) “No enterro de Carlos, todos choram. Ouve-se um espirro vindo do caixão. Todos olham para o morto que diz: – Desculpe, continuem” (JP) 1 Comentário | Comente ! | | |

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Tópicos Relacionados Colégio Hugo Sarmento, literatura, microcontos, narrativas, poder de síntese, poesias concretas, rede social, twitter 1 Comentário Comente também 18/10/2010 - 08:39 Enviado por: Tweets that mention Jornal da Tarde -- Topsy.com [...] This post was mentioned on Twitter by Bruna Mello, Cidade JT. Cidade JT said: : A literatura do Twitter na sala de aula http://blogs.estadao.com.br/jt-cidades/a-literatura-do-twitter-na-sala-de-aula/ [...] responder este comentário denunciar abuso

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“Cada história tinha começo, meio e fim. Não dava, por exemplo, pra ficar descrevendo o cenário".

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