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Mentes de Sucesso Volume 4

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Este e-Book é o quarto de uma série escrito pelos professores Daniel Capella e Eloisa Lages com o objetivo de inspirar jovens. Para nós é uma realização pessoal e profissional, uma vez que nosso papel de educadores deve ir além da sala de aula.

Projeto Gráfico: Ligia Camolesi Ilustrações: Ligia Camolesi Revisão: Denise Guaranha

Capella, Daniel. Lages, Eloisa. Mentes de sucesso: histórias que contam a jornada de jovens vencedores. São Paulo: Eloisa Lages Nunes, 2019. ISBN 978-85-924200-3-1


MENTES DE SUCESSO: histรณrias que contam a jornada de jovens vencedores Volume 4

DANIEL CAPELLA ELOISA LAGES Sร O PAULO Eloisa Lages Nunes 2019


Prefácio Todo profissional comprometido com a missão de transmitir conhecimento tem como maior remuneração os resultados obtidos por seus aprendizes. O salário que cai na conta é necessário para a subsistência material, mas as histórias de sucesso que caem nos ouvidos são fundamentais para a continuidade dessa grande tarefa. A confirmação de estar no caminho certo vale mais do que os números confirmados no extrato bancário, pois, se não fosse assim, não teríamos

tantos professores de escola pública lutando para levar o melhor às suas turmas, mesmo com os poucos recursos que têm. Neste livro, você conhecerá algumas das diversas histórias de sucesso de alunos que cursaram o ensino técnico, que só existem pela combinação de esforços dos alunos aqui citados e de dois de seus professores: Daniel Capella e Eloisa Lages. Tenho acompanhado o empenho de ambos e posso dizer que a hashtag que comumente

usam em suas redes sociais ao publicarem detalhes do dia a dia em sala de aula, eventos e projetos especiais – #lovemyjob – é real. Eles amam o que fazem e, por isso, fazem a diferença. Este livro é exemplo disso, pois em suas poucas horas vagas, depois de corrigirem provas, avaliarem trabalhos e prepararem as aulas – tarefas feitas fora do horário de trabalho – dedicaram tempo para organizar as histórias e preparar este material.

O objetivo dessa obra é fazer com que cada leitor veja que o ensino público pode ser uma grande ferramenta transformadora, que


o ensino é uma arma poderosa e que, como sociedade, devemos

apoiar, incentivar e nos colocar à disposição para cobrar das autoridades competentes, mais competência quando o assunto é educação. O professor tem o poder de estimular o aluno ou fazê-lo odiar a matéria que leciona, de incentivá-lo em sala de aula ou apenas deixar o tempo correr até ouvir o toque do sinal, de motivá-lo e premiar seus esforços ou de abafar seus sonhos. Todos nós sabemos disso, pois fomos alunos e tivemos nossas próprias experiências. Por

isso, quando testemunho o trabalho primoroso de algum docente, me sinto na obrigação de apoiar e, sempre que possível, colaborar de alguma forma, ainda que seja com um simples “parabéns”, palavra escassa nos dias de hoje, mas tão merecida por essa classe. Há uma frase comum que diz que o Brasil não valoriza o ensino, mas somos nós que formamos o país e não o país que nos forma. Não valorize apenas a infraestrutura das escolas, pois não é isso que fará a

diferença, mas procure conhecer os professores e oferecer a eles o apoio que puder. Fazendo isso, você também será um elemento fundamental para que mais histórias de sucesso sejam contadas e, quem sabe, termos não apenas um livro, mas uma série de histórias de alunos bem-sucedidos que serão profissionais mais capazes futuramente. Não importa que nossos atos não mudarão o mundo todo, mas vale muito quando, juntos, mudamos o mundo de alguém.

Patrícia Lages


Sumário 7 9 10 11 14 17 22 24 26 28

Introdução Inspiração Apresentação A escolha Os medos Os desafios A tormenta Fica a dica Sonhos Erros


Introdução Certo dia começamos a divagar acerca do que nos move. O que nos faz passar de um ponto ao outro, sair de uma situação para atingir outros patamares. Falamos na questão da sobrevivência, das necessidades de ser empregável em um mundo que começa a mudar as perspectivas e o entendimento das relações de trabalho.

Finalmente relembramos experiências que vivenciamos até aqui e quantos jovens perderam ou ganharam alguma coisa ouvindo nossas tentativas de ensinar. Percebemos que na maioria das vezes contagiá-los nos momentos de aprendizagem é uma tarefa numericamente infrutífera. Pensamos em um primeiro momento que todas as iniciativas e ações não compensavam o esforço. Em seguida constatamos que estamos falando de gente, gente que sonha, que sofre,

que chora, que dá risada, e assim sendo, porque não buscar entender o que as motiva. Já ouviu o ditado ‘se te derem um limão, faça uma limonada’? É esse o ponto, conhecer a história de jovens que fizeram a limonada. São eles que nos movem e nos fazem acreditar que: Sim,

nós podemos! (nos desculpe o clichê, rs) Decidimos ouvir aqueles e aquelas que hoje estão transformando suas realidades por meio de todo o conhecimento que construíram

até aqui. O ponto que une nossas histórias é a escola, mais precisamente a escola técnica pública! Convivemos com esses garotos e garotas, participamos de parte de suas vidas, trocamos ideias, repreendemos, medimos forças, impusemos regras e ao final eles voltaram

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para nos contar como estão e nos ensinar tudo aquilo que boa parte dos livros não ensinam!

Sou Daniel Capella, professor de Administração, Finanças e Contabilidade. A docência foi um sonho conquistado e hoje é um dos meus maiores desafios. Fazer parte desse projeto e contar histórias de mentes brilhantes que buscam seus sonhos com determinação é uma imensa alegria.

Sou Eloisa Lages, professora de Marketing, apaixonada pelo meu trabalho e essa é uma das maneiras de fazer o que gosto, escrever. E contar as histórias desses jovens é

uma satisfação enorme, são momentos como esse que me fazem ter certeza da carreira que escolhi.

No quarto volume da série você vai conhecer o Fernando, um jovem determinado que usa as dúvidas, os medos e até os próprios erros como combustível para construir sua jornada.


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Inspiração Meus erros fazem parte de quem eu sou – Aureliano Medeiros no

livro “Mercúrio Cromo”


Apresentação Fazer uma apresentação nunca é algo fácil, buscamos escolher as melhores palavras que

identifiquem quem vamos apresentar. Hoje não é diferente, a história deste jovem é mais uma cheia de aventuras e para nós é uma grande satisfação poder compartilhar com nossos leitores um pouco da vida do Fernando (que para nós será sempre o Greg). É até estranho nos referirmos a ele como Fernando, mas enfim... A história dele é marcada por momentos difíceis em que um jovem se vê diante de situações e precisa fazer escolhas, sabendo que toda e qualquer escolha tem consequências. As escolhas sempre farão parte das nossas vidas e são elas que nos levam a ser quem somos.

Fernando é um jovem de 25 anos e que, em 2018, já realizou grandes coisas e temos certeza de que grandes coisas ainda estão por vir na vida e carreira desse rapaz cheio de convicção, vontade e sonhos.

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A escolha Muitas pessoas ainda pensam que o processo de escolha de uma profissão, de uma área de atuação, é feito de forma pensada e planejada. É fato que existem indivíduos que têm suas carreiras planejadas desde pequenos, mas não por eles próprios e sim pelos pais, avós etc. que sonham ver os filhos e netos seguirem seus passos. Não cabe aqui julgar se isso é certo ou errado, porque existem muitos elementos necessários para contextualizar essas histórias. O Fernando, como muitos jovens, não tinha a menor ideia do

que fazer, de qual área seguir e de como se daria a construção de sua carreira. Interessante que quando perguntamos sobre como foi a sua escolha a resposta foi a seguinte: “Na verdade tudo começou com... eu não sabendo a minha escolha rs...”. Às vezes, não ter essa definição de escolha pode ser positivo, desde que você se permita construir oportunidades, buscar alternativas, ter repertório, buscar referências, NÃO ficar parado.

Ainda no Ensino Médio, mesmo sem saber o que fazer na próxima etapa, ele teve um insight, decidiu fazer um curso técnico e foi o que mudou tudo, nos disse. Escolheu o curso de Marketing, já que tinha algumas coisas que chamaram sua atenção relacionadas à área artística, se inscreveu, fez a prova e passou. Ele nos disse com um risinho, “Fui o último, mas passei”. Passar em primeiro lugar não garante a ninguém a excelência,

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ao contrário, se a pessoa tiver soberba, vai achar que por ter passado em primeiro já é o bastante e fará coisas medíocres durante sua trajetória. Falamos isto porque presenciamos casos assim ao longo da nossa jornada em salas de aula. Não importa de onde você veio, em que lugar você se classificou na prova, no concurso, na peneira do futebol, mas sim o que vai realizar, o que vai construir e o que vai deixar de legado

por onde passar. E mesmo que tenha tido esse insight de fazer Marketing, ele nos contou que ainda não foi a escolha perfeita e que não tinha a certeza do que queria fazer, mas que ali na escola técnica cursando Marketing foi o início do processo de escolha. Perguntamos ao Fernando o que ele faz hoje na empresa onde trabalha. Em resumo, ele traduz o que as áreas querem dizer usando

a

Comunicação

Visual.

Ele

é

responsável

pela

Comunicação Visual e pelas apresentações executivas de algumas áreas da empresa, para os públicos internos. Para encerrar esse capítulo,

ele nos diz o seguinte: “Quando você está perdido precisa de alguma porta de entrada que te fale: Ó, você não sabe pra onde vai, mas tem esta porta aqui e essa foi minha porta de entrada.


Quando eu digo que me formei em Marketing também no bacharelado e hoje começo uma pós, não dá para dizer que não foi a minha escolha, definitivamente o técnico foi fundamental pra tudo o que eu tenho na minha vida profissional”.


Os medos “Eu posso brisar ou é melhor...?”, assim o Fernando começa falando sobre seus medos e acabamos gargalhando juntos. Acabamos falando de quando nós fizemos curso técnico e existia a disciplina de Mecanografia, é isso mesmo que você leu, nada mais é do que

aprender a datilografar. Ficou estranho também, rs, dá um Google aí e procure por: máquinas de datilografia ou máquinas de escrever. Que bom que tudo evolui não é mesmo?! Voltando aos medos, ele nos disse que o maior de todos, e muitos de nós crescemos com ele, é o medo de errar, mas que errar deveria ser natural para todo mundo. Hoje em dia, o erro faz parte da trajetória de muitas grandes empresas e da carreira de muitos profissionais de destaque, na verdade sempre fez, só que hoje é mais tolerado e aceito, como nos casos das startups. Existem vários livros de cases de sucesso de empresas e de produtos que mostram que só foi possível chegar ao topo porque come-

teram erros. Quer uma dica de livro incrível que fala sobre isso? Anota aí: Oportunidades Disfarçadas de Carlos Domingos. Ele vem recheado de cases de sucesso, mas que foram originados em grandes erros, fracassos, conflitos, etc. O maior medo do Fernando era de ser um erro, ou melhor, de se transformar em um erro, além disso um de seus desejos era o de dar um retorno por tudo que os pais fizeram por ele e tudo o que a

vida proporcionou a ele.

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Ele nos contou que esse medo o motivou a fazer o curso técnico,

mesmo assim ele teve medo de que fosse o curso errado, mas ao que ele mesmo constatou: “Bom, acertei!” Ele teve medo de muitas coisas, mas para ele a grande questão é que o medo tem de ser um propulsor e não uma barreira. Muitas vezes, o medo do novo nos deixa estagnados, ou como dizemos mais popularmente, nos deixa de “braços curtos”. Não permita que o medo o impeça de realizar seus objetivos.

Fernando nos conta que teve medo de ir para um novo emprego, medo de não conseguir pagar uma pós-graduação, medo de não conseguir pagar uma viagem, teve medo de muitas coisas, mas afirma que o “medo pode ser nosso melhor amigo, se soubermos usá-lo”. Nesse ponto começamos a refletir sobre a importância do medo e da reflexão sobre errar e aprender e acabamos falando das grandes transformações que ocorreram no mundo, mas o medo sempre esteve presente. Esse questionamento que muitos de nós temos, sobre saber se estamos fazendo a coisa certa, se estamos no lugar certo, sobre ter uma missão aqui e se o nosso desempenho é satisfatório. Perguntamos sobre algum momento em específico em que o medo veio à tona e ele nos conta sobre sua experiência de intercâmbio, em 2011, não o medo de ir para outro país ou de dar algum problema com o programa de intercâmbio ou até questões de segurança, mas foi o medo de ir para um lugar desconhecido com uma língua diferente da sua, a qual ele não dominava, tinha apenas


seis meses de um curso intensivo de inglês. Vamos abrir parênteses aqui para contar para você que o intercâmbio era parte integrante do curso técnico na escola onde estudou, pois todo ano a instituição

oferecia uma bolsa para o melhor aluno dentre os inscritos. Mas o medo de não saber bem o inglês não o impediu de fazer esse intercâmbio aos 16 anos. Ele conta que ficou desesperado quando chegou na casa da família onde ia ficar, não sabia como se comportar e o que fazer. Conta que sentiu o estranhamento das pessoas da casa quando as cumprimentou com abraços e beijos, o que para nós é muito normal, rs. Seu medo era tanto que a dona da casa achou

estranho ele não sair do quarto e perguntou se ele estava bem, pelo menos ele acha que foi isso rsrsrs. Do jeito que conseguiu, ele disse que precisava de um laptop para se comunicar com alguém e que só depois de falar com alguém da sua terra, no seu

idioma, é que sentiu paz e reuniu forças para continuar, porque já havia até pensado em desistir. Ele deixa claro aqui que não quer desencorajar ninguém a fazer o intercâmbio, muito pelo contrário, o que ele fez foi usar o medo como propulsor para vencer mais esse desafio.


Os desafios Sobre desafios, Fernando diz que o próprio curso técnico foi um desafio, porque estava acostumado a apenas ficar sentado olhando para a lousa e voltando os olhos para o caderno e que o curso técnico exigiu mais dele, ele deveria realizar coisas que fossem úteis para a

vida e que essas realizações foram moldando quem ele se tornou como pessoa e até como profissional. Um dos desafios mencionados pelo Fernando, e que sempre falamos sobre em sala de aula, foi a mudança da dinâmica do curso técnico, de colocar a mão na massa, de realizar, de construir aprendizagem, para a dinâmica da graduação, de estudar mais a fundo as teorias e suas aplicações e não necessariamente colocá-las

em prática, mas usá-las em situações hipotéticas que nem sempre retratam a realidade de mercados, empresas e profissionais. Alinhar a expectativa da faculdade com a expectativa que o curso técnico criou nele foi um desafio. É comum os cursos de graduação ficarem muito presos aos livros e aos conceitos, que foram vistos e postos em prática no técnico, mas na faculdade não. Ficar quatro anos preso a isso, ainda mais para ele que se considera uma pessoa muito inquieta, foi complicado. Além disso, teve de conciliar também com o estágio e outras atividades. A faculdade oferece muita bagagem teórica sobre como pensar essas teorias e conceitos, mas não mostra como colocar tudo isso em

prática na sua vida profissional. Ele ressalta, no entanto, que a gradu-

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ação é necessária e muito importante porque ela dá a base para muitas coisas que vai realizar no trabalho, muito do que ele utiliza

no trabalho aprendeu na graduação. Parece estranho, mas a real é que, se você não for o próximo Steve Jobs, vai precisar percorrer esse caminho para construir sua trajetória. No curso técnico você está num ambiente dinâmico e prático e na graduação você vai para um ambiente acadêmico teórico e esse choque é um desafio. Nesse momento nos lembramos do Day1 de Alexandre Ostrowiecki da Multilaser e do seu desafio em assumir a empresa do pai. Vale a pena assistir! Acesse o link. (vide nota ao final da página) Outro desafio enfrentado pelo Fernando foi quando uma

empresa importadora de roupas, localizada no Brás, o contratou como estagiário em 2013, ele já estava formado Técnico em Marketing e cursava a graduação em marketing. Ele diz que descobriu que ninguém sabia o que é marketing lá (risos) ou pelo menos boa parte daquele mercado não sabia. O primeiro desafio foi quando o contratante disse: você vai acordar às 8h da manhã para fazer ensaio fotográfico e não tem

hora para acabar.

“Artigo originalmente publicado no portal da Endeavor Brasil, organização mundial de fomento ao empreendedorismo. Conheça mais sobre a Endeavor e seus conteúdos em: http://endeavor.org.br”


Daí ele pensou, “caramba, mas estou no mercado de trabalho e ele diz que eu tenho um horário, porque não está respeitando esse horário?”, foi um choque pra ele, mas como ele mesmo nos disse: “Até aí beleza, nunca fui de reclamar desse tipo de coisa.”. Mas não foi só acompanhar as fotos, ele participou do casting de modelos, do pagamento de cachês, ele carregou os equipamentos para a locação onde as fotos seriam realizadas, auxiliou o fotógrafo, etc. Quando ele pensou que iria tirar a folga das horas trabalhadas a mais, recebeu a notícia de que deveria criar um site, - O quê?!

(risos). Daí você pode estar se perguntando, como esse chefe pôde fazer isso? Mas é o Fernando quem vai responder: “O Fernando de dois anos atrás achava esse chefe um louco, um ditador, mas esse cara foi uma das pessoas mais importantes da minha carreira”. Voltando à construção do site, o chefe pediu que ele fizesse um, ao que o Fernando respondeu que não sabia fazer, então o chefe foi ao computador abriu um site e disse: “Este é o OpenCart, você tem

o YouTube, você tem tudo, boa sorte!” Ficou curioso para saber o que é o OpenCart? Dá um Google aí que você descobre. Nesse momento nós gargalhamos em

uníssono, mas imagine como foi para o Fernando aquele momento, foi um choque e um grande desafio. Ele aceitou o desafio e acabou fazendo não só o primeiro site, mas outros também.


Pense se Fernando tivesse dado lugar ao medo por não saber fazer, pelo contrário, ele usou o medo como propulsor, foi lá e fez! Mas não satisfeitos perguntamos ao Fernando se teve outros desafios, no trabalho atual, por exemplo. É, pessoal, queremos saber tudo nos mínimos detalhes, rs.

Ele nos conta que um dos desafios tem relação com sua entrada na área em que atua hoje, por intermédio de uma amiga que cursou o técnico com ele e que já trabalhava num banco (olha a importância das conexões e do networking). Ele fazia estágio no Metrô de São Paulo, em 2014, e diz que era tranquilo, leve, mas que ele achava que o tempo investido ali não era útil. Foi quando recebeu o convite da amiga e teve de pesar a decisão de sair de um

estágio de 6 horas no qual teria chance de um concurso futuro para se efetivar numa empresa estável ou aceitar o desafio de construir uma carreira e chegar no ponto onde está hoje, trabalhar com o que realmente gosta. Ele ganharia a mesma remuneração para trabalhar mais horas por dia e com menos benefícios, mas com a oportunidade de realizar novas atividades para, então, ter a chance de trabalhar com

Comunicação Visual. Em certos momentos precisamos tomar decisões, pesar os prós e contras, avaliar as alternativas e como diz uma amiga, se jogar. E foi o que ele fez, se jogou e deu início à construção de novas oportunidades, de novos desafios, mas veja que tudo o que tinha


feito até então teve importância em sua trajetória, desde a escolha de fazer um curso técnico, a graduação, de aprender sozinho a fazer um

site, de deixar sua posição confortável no Metrô para trabalhar mais e ganhar menos num banco privado e, hoje, poder nos contar que tudo foi importante e positivo.


A tormenta Aqui o Fernando nos conta sobre um momento quando teve vontade de largar tudo e procurar outras possibilidades. Ele estava numa empresa multinacional, como terceirizado (vai lá no Google para saber qual a diferença entre empregado e empregado terceirizado) e via que muitos

colegas tinham um padrão melhor, tinham benefícios incríveis, como PLR (participação nos lucros e resultados), portanto podiam planejar férias bacanas e ele brinca dizendo que, no máximo, poderia viajar para casa de sua avó em São Sebastião, litoral

norte de São Paulo, enquanto outros iriam para Cancun, um dos principais destinos turísticos do México. Tudo isso começou a deixá-lo incomodado, porque em alguns casos, executava o mesmo trabalho, até com mais vontade, só que sua remuneração era menor, por ser terceiro. Muitos colegas diziam que ele era um ótimo profissional, que fazia trabalhos incríveis e que não sabiam porque ainda não havia

sido efetivado pelo banco, algo que ele já sentia e quando os outros falavam só o deixava mais incomodado. Nesse momento, começou a pensar em procurar outras oportunidades. Ele disse que tinha vergonha de colocar no LinkedIn (não sabe o que é? Google responde) que trabalhava no banco,

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porque, na verdade, na carteira de trabalho não era o banco o seu

empregador, mas uma empresa terceirizada. Passados dois anos e meio de seu ingresso no banco, aquela sua amiga foi efetivada (ela também era terceirizada) e transferida para cuidar de outra área, então foi aí que o banco valorizou a trajetória do Fernando e finalmente o efetivou em 2016. Mas veja que, se o Fernando não tivesse apresentado resultados (como ele mesmo nos disse) o banco teria buscado outro profissional no mercado para

ocupar essa posição. E não pensem que esse período foi fácil, foram momentos de turbulência, de nervosismo, de angústia. Sempre ouvimos e talvez muitos de nós já tenhamos dito que “é importante separar o profissional do pessoal”, mas nem sempre isso é possível porque somos únicos, como o Fernando nos disse, não temos uma chave para virar quando saímos do trabalho. É preciso, de alguma forma,

aprender a conviver com tudo isso para não deixar se abater, procurar algo que traga paz, que alivie, assim o fardo fica mais leve. Outro momento em que pensou em largar tudo foi na faculdade. Mesmo gostando de Marketing, porque o curso tinha um foco em empreendedorismo e em negócios, não se aprofundava muito em outros nichos de Marketing, como ele nos contou. Ele percebeu que aquele curso não era o dele, mas que poderia ser útil, o que de fato foi.


Fica a dica E aqui o Fernando deixa dicas valiosas para quem não tem a menor ideia do que fazer, mas também para aqueles que já têm um norte, mas de repente ainda sentem que não alcançaram todo seu potencial.

Perguntamos qual seria a #ficaadica do Fernando para essas pessoas e olhem só qual foi a sua resposta: “Eu diria para elas errarem!” Ele nos conta que é um errante nato, que os erros permitem a ele crescer, evoluir, se tornar alguém melhor. Diz que quando alguém não tem para onde ir, não sabe o que fazer, só precisa de uma porta e a porta do Fernando foi o curso técnico. Ele diz, ainda, que para outras pessoas essa porta pode ser qualquer outra

coisa, uma vaga de jovem aprendiz, um curso de fim de semana. O que podemos perceber aqui é que a única coisa que não dá para fazer é ficar parado, esperando as coisas acontecerem, porque isso, leitores, é estagnação, é inércia e não nos leva a lugar algum. Durante a entrevista com Fernando também discutimos sobre os erros, porque alguns podem pensar que errar é sair por aí fazendo qualquer coisa que der na cabeça, já que errar é positivo para o

aprendizado e crescimento. Aprendemos por erros e acertos, mas os erros, em

muitos momentos de nossas vidas devem ser calculados, medidos de alguma forma.

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E se alguém pensa em desistir, olha só o que o Fernando nos diz: “Sofra seu tempo, resista, tente se apegar em coisas boas e fique de pé!”


Sonhos Perguntamos ao Fernando sobre seus sonhos, afinal todo mundo tem sonhos, por menores que sejam. Ele inicia sua fala nos contando que leva esses sonhos para o lado pessoal da vida, uma realização pessoal (alguma semelhança com Maslow?!, mais uma vez, se não souber quem foi Maslow e a teoria que ele desenvolveu, dá um Google aí, ai gente, adoramos falar isso rs.) Ele diz que o grande X da questão não é trabalhar feito um condenado e para o resto da vida. Para o Fernando, o grande lance é você conseguir se sentir completo, ele nos conta que um de seus sonhos é constituir uma família. Para ter uma família, segundo ele, é

preciso ter um bom emprego e para ter um bom emprego é preciso fazer alguma coisa em que seja realmente bom e gostar de fazer isso. Nesse momento nos lançou a pergunta: “Como é que eu vou fazer para ter o emprego em que eu faça o que eu gosto?”, nesse momento nós o interrompemos e dissemos: “Então você parte de algo mais subjetivo, de um sonho, e o transforma em metas realizáveis, em sonhos menores.”

Ao que ele respondeu: “Eu não tinha chegado nesse ponto ainda, mas basicamente é isso, por exemplo, eu tenho um sonho de daqui a 30 anos estar numa chácara e fazer uma festa com meus amigos sem motivo algum, os amigos que estiveram comigo durante toda a minha trajetória”. Bem, o ano será 2048, se estivermos por aqui ainda vamos cobrar, hein?! Queremos fazer parte disso, rs.

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Mas para chegar lá ele tem um longo percurso pela frente, ele

nos diz que costuma fazer isso, de se questionar sobre o futuro e seus sonhos, diz ainda que os sonhos são palpáveis, são realizáveis. Mas o que deve fazer para os tornar, de fato, realizações? Ele deixa claro que o principal sonho é o de se realizar como pessoa, que tem ainda o sonho de realizar viagens, uma delas como um tipo de mochilão pela Europa, que ele já nos adianta que vai acontecer ainda em 2018 e que para isso existe um planejamento que envolve dinheiro, tempo,

companhia, já que a viagem será feita com amigos. Quando nos reunimos com o Fernando para gravar sua história, a viagem ainda não havia acontecido e durante o processo de escrita, revisão e ilustração do livro essa viagem aconteceu, mas não como foi planejada. Veja que planejamento é sempre importante, mas não é algo engessado e imutável. Ele fez o mochilão sozinho, pois os amigos que fariam a viagem

junto com ele terminaram o namoro e ele decidiu ir só. Acabou indo pra menos lugares, mas conta que foi incrível! Para encerrar o capítulo sobre os sonhos, Fernando diz que gosta muito de aliar aos sonhos a palavra “pergunta”. Ele sempre se pergunta: “será que vou alcançar isso?”, “será que consigo fazer determinada coisa?” E assim, ele vai se construindo,

buscando realizar seus sonhos.


Erros O Fernando já falou bastante sobre os erros em outros capítulos, mas pedimos que ele nos conte qual é a importância dos erros na sua trajetória e ele solta a seguinte frase: O erro é um professor com muito conteúdo. Gostamos tanto desta frase que pedimos autorização de uso (risos) para postar nas redes sociais.

Ele ainda faz a comparação com aquele professor que tem muito conteúdo, que sabe muito, mas que, de alguma forma, não consegue transmitir com tamanha clareza, assim é o erro. Ainda no campo das comparações, o erro pode ser comparado ao professor que aponta o erro e te mostra como consertar. O que ele quis dizer é que o erro é como uma espada que tem dois lados, tanto pode ser positivo e ensinar, como pode ser

extremamente devastador se você não souber aprender com ele. Ele diz que o erro o ajudou a questionar a si mesmo sobre o que gostava de fazer e que ainda o ajuda a se questionar em seu trabalho, sobre as coisas que deve fazer. O erro hoje está no dia a dia do Fernando, ele trabalha com comunicação e uma de suas responsabilidades é corrigir erros de comunicação, é de fato comunicar de forma clara e precisa uma mensagem, sem erros.

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“O erro te deixa menos cego, ele te mostra que você não é o maioral, o melhor do mundo. O erro te deixa mais maduro, te faz crescer.”, diz Fernando.


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