Este e-Book é o primeiro de uma série escrito pelos professores Daniel Capella e Eloisa Lages com o objetivo de inspirar jovens. Para nós é uma realização pessoal e profissional, uma vez que nosso papel de educadores deve ir além da sala de aula. Projeto Gráfico: Ligia Camolesi Ilustrações: Ligia Camolesi Revisão: Denise Guaranha
LAGES, Eloisa. Mentes de sucesso: histórias que contam a jornada de jovens vencedores. São Paulo: Eloisa Lages Nunes, 2017. ISBN 978-85924200-0-0
MENTES DE SUCESSO: histรณrias que contam a jornada de jovens vencedores Volume 1
ELOISA LAGES
Sร O PAULO Eloisa Lages Nunes 2017
Prefácio Todo profissional comprometido com a missão de transmitir conhecimento tem como maior remuneração os resultados obtidos por seus aprendizes. O salário que cai na conta é necessário para a subsistência material, mas as histórias de sucesso que caem nos ouvidos são fundamentais para a continuidade dessa grande tarefa. A confirmação de estar no caminho certo vale mais do que os números confirmados no extrato bancário, pois, se não fosse assim, não teríamos
tantos professores de escola pública lutando para levar o melhor às suas turmas, mesmo com os poucos recursos que têm. Neste livro, você conhecerá algumas das diversas histórias de sucesso de alunos que cursaram o ensino técnico, que só existem pela combinação de esforços dos alunos aqui citados e de dois de seus professores: Daniel Capella e Eloisa Lages. Tenho acompanhado o empenho de ambos e posso dizer que a hashtag que comumente
usam em suas redes sociais ao publicarem detalhes do dia a dia em sala de aula, eventos e projetos especiais – #lovemyjob – é real. Eles amam o que fazem e, por isso, fazem a diferença. Este livro é exemplo disso, pois em suas poucas horas vagas, depois de corrigirem provas, avaliarem trabalhos e prepararem as aulas – tarefas feitas fora do horário de trabalho – dedicaram tempo para organizar as histórias e preparar este material.
O objetivo dessa obra é fazer com que cada leitor veja que o ensino público pode ser uma grande ferramenta transformadora, que
o ensino público pode ser uma grande ferramenta transformadora,
que o ensino é uma arma poderosa e que, como sociedade, devemos apoiar, incentivar e nos colocar à disposição para cobrar das autoridades competentes, mais competência quando o assunto é educação. O professor tem o poder de estimular o aluno ou fazê-lo odiar a matéria que leciona, de incentivá-lo em sala de aula ou apenas deixar o tempo correr até ouvir o toque do sinal, de motivá-lo e premiar seus esforços ou de abafar seus sonhos. Todos nós sabemos
disso, pois fomos alunos e tivemos nossas próprias experiências. Por isso, quando testemunho o trabalho primoroso de algum docente, me sinto na obrigação de apoiar e, sempre que possível, colaborar de alguma forma, ainda que seja com um simples “parabéns”, palavra escassa nos dias de hoje, mas tão merecida por essa classe. Há uma frase comum que diz que o Brasil não valoriza o ensino, mas somos nós que formamos o país e não o país que nos forma. Não
valorize apenas a infraestrutura das escolas, pois não é isso que fará a diferença, mas procure conhecer os professores e oferecer a eles o apoio que puder. Fazendo isso, você também será um elemento fundamental para que mais histórias de sucesso sejam contadas e, quem sabe, termos não apenas um livro, mas uma série de histórias de alunos bem-sucedidos que serão profissionais mais capazes futuramente. Não importa que nossos atos não mudarão o mundo
todo, mas vale muito quando, juntos, mudamos o mundo de alguém.
Patrícia Lages
Sumário 7 9 10 12 14 17 19 22 24 25
Introdução Inspiração Apresentação A escolha Os medos Os desafios A tormenta Fica a dica Sonhos Erros
Introdução Certo dia começamos a divagar acerca do que nos move. O que nos faz passar de um ponto ao outro, sair de uma situação para atingir outros patamares? Falamos na questão da sobrevivência, das necessidades de ser empregável em um mundo que começa a mudar as perspectivas e o entendimento das relações de trabalho.
Finalmente relembramos experiências que vivenciamos até aqui e quantos jovens perderam ou ganharam alguma coisa ouvindo nossas tentativas de ensinar. Percebemos que na maioria das vezes contagiá-los nos momentos de aprendizagem é uma tarefa numericamente infrutífera. Pensamos em um primeiro momento que todas as iniciativas e ações não compensavam o esforço. Em seguida constatamos que estamos falando de gente, gente que sonha, que sofre,
que chora, que dá risada, e assim sendo, porque não buscar entender o que as motiva. Já ouviu o ditado ‘se te derem um limão, faça uma limonada’? É esse o ponto, conhecer a história de jovens que fizeram a limonada. São eles que nos movem e nos fazem acreditar que: Sim,
nós podemos! (nos desculpe o clichê, rs) Decidimos ouvir aqueles e aquelas que hoje estão transformando suas realidades por meio de todo o conhecimento que construíram
até aqui. O ponto que une nossas histórias é a escola, mais precisamente a escola técnica pública! Convivemos com esses garotos e garotas, participamos de parte de suas vidas, trocamos ideias, repreendemos, medimos forças, impusemos regras e ao final eles voltaram
para nos contar como estão e nos ensinar tudo aquilo que boa parte dos livros não ensinam!
Sou Daniel Capella, professor de Administração, Finanças e Contabilidade. A docência foi um sonho conquistado e hoje é um dos meus maiores desafios. Fazer parte desse projeto e contar histórias de mentes brilhantes que buscam seus sonhos com determinação
é uma imensa alegria.
Sou Eloisa Lages, professora de Marketing, apaixonada pelo meu trabalho e essa é uma das maneiras de fazer o que gosto, escrever. E contar as histórias desses jovens é uma satisfação enorme, são momentos como esse que me fazem ter certeza da carreira que escolhi seguir.
Neste primeiro volume da série você conhecerá o Mário, um jovem incrível que é inspiração para todos nós.
Inspiração
O conhecimento serve para encantar as pessoas, não para humilhá-las. Mário Sérgio Cortella
Apresentação Mário, como todo jovem, tem muitos sonhos. Muitos deles nutridos desde a infância. E como fazer para tornar esses sonhos possíveis, realizáveis? É interessante observar que cada indivíduo é único e que, muitas vezes, o que funciona para alguns não funciona para outros. Mário destaca duas características muito marcantes em sua
vida: ambição e empatia. Para ele ambição se resume no “querer é poder”, mas deixa claro que é fundamental ter um planejamento de como alcançar seus sonhos e objetivos e de como sustentá-los. Essa característica foi um dos alicerces para realizar, até aqui, todos os sonhos que nutria desde sua infância e adolescência. Algumas pessoas enxergam a ambição como algo nocivo, mas como dito antes, cada indivíduo é único, logo, na vida do Mário a
combinação dessa característica com outras e sua evolução enquanto sujeito, ajudaram-no de forma positiva a chegar até aqui e a ser quem ele é. Como resultado disso, ele alcançou tudo aquilo que estava em seus planos até o momento em que nos contava sua história: fez curso técnico em TI (Tecnologia da Informação) em uma escola técnica pública situada na Zona Leste de São Paulo; fez faculdade de Ciência da Computação em uma conceituada universidade privada
na região central de São Paulo, que é sonho de consumo de muitos jovens; sua primeira experiência profissional profissional foi em uma empresa de grande porte do segmento financeiro; e enquanto ele di-
gitava sua história num editor de textos, sabe onde ele estava? Em
Sydney, na Austrália, realizando um de seus maiores sonhos, o intercâmbio. Exatamente aqui paramos para pensar na pergunta que um palestrante nos fez certa vez: Vocês têm certeza que não querem trabalhar com a Internet? Quantas possibilidades nos trouxe essa tecnologia, estando a mais de 10 mil quilômetros de distância podemos nos comunicar, como se estivéssemos no mesmo ambiente. Enquanto escrevíamos este livro o Mario estava em Sydney, realizando o tão sonhado intercâmbio. A propósito o palestrante está Dublin, fazendo intercâmbio e nos falamos com frequência, "ah, a tecnologia é mesmo incrível!!!" Outra característica marcante destacada por Mário é a empatia,
habilidade de se colocar no lugar do outro e que procura praticar, já que sua trajetória não foi nada fácil, como ele mesmo nos contou: “eu quebrei muito a cara para realizar meus sonhos (e ainda estou quebrando). Consigo me colocar no lugar das pessoas e entender as dificuldades delas, melhor ainda, eu consigo ajudá-las, já que tive muitas experiências que me fizeram amadurecer.” Mas você deve estar se perguntando como Mário chegou até esse
ponto, como conseguiu realizar seus sonhos. Bem, prepare-se para viajar no tempo.
A escolha Tudo começou por volta de 1999, quando ele tinha 7 anos. Em alguns finais de semana seu pai o levava para a empresa na qual trabalhava e, enquanto estava terminando suas tarefas, Mario ficava brincando no computador com os
joguinhos da internet e enquanto estava sentado ali na frente daquele computador ele se transportava para outro mundo e pensava: “Nossa, quero ficar mexendo no computador para o resto da minha vida!”. Parece um tanto engraçado, mas esse foi um dos motivos que o fez escolher o curso técnico na área de Tecnologia da Informação. Pense que, naquela época (estamos falando aqui do século pas-
sado, rs, já parou pra pensar nisso?) computadores eram muito caros, no início dos anos 90, por exemplo, podiam custar cerca de cinco mil reais, nós levamos alguns bons anos para ter o primeiro. Para o Mário não foi diferente, eles não tinham condições de ter um computador em casa, por isso quando ele ia junto com o pai para o trabalho sentia-se realizado em poder passar algumas horas diante do computador.
Aos 10 anos sua família o presenteou com um computador, agora sua felicidade estava completa. Ops! Só que não! Ainda faltava um pequeno detalhe, INTERNET!
Eles não tinham Internet, naquela época a conexão era discada e, além das limitações de dias e horários, o serviço era caríssimo. Isso
mesmo, se você acha que hoje é caro, o que, de fato é, naquela época era caríssimo, usei a palavra de novo mesmo, só pra você ver como era caro. Ficou curioso, dá um Google aí para saber como era nosso drama com a internet discada. Este relato não é exclusividade do Mário, muitas pessoas passaram pela mesma situação, inclusive nós. “Hoje em dia é engraçado, mas na época era trágico, só podíamos usar a Internet depois da meia-noite ou aos domingos por-
que era mais barato, além da linha de telefone ficar ocupada (altos gritos “DESLIGA A INTERNET, QUERO USAR O TELEFONE”).” Enfim, sem dinheiro para comprar jogos, aquele menino sonhador ficava brincando nas configurações do computador, porque a vontade de “mexer” era maior. Aos 11 anos aprendeu a formatar o computador e se sentia o máximo por isso, era chamado na casa das pessoas para consertar seus computadores. Elas ficavam meio abis-
madas perguntando “como você fez isso?”, ao que ele respondia: “informágica” e dava risada. Então aos 14 anos, não foi difícil escolher o que queria fazer. Até hoje, se diverte mais desenvolvendo programas e aplicativos mobile do que jogando, além de ter aquele mesmo sentimento de quando era só um menino, “de ver que tecnologia é o mais próximo que podemos chegar de mágicas”.
Os medos Perguntado sobre quais foram seus maiores medos durante sua trajetória acadêmica e seu ingresso no mercado de trabalho fica evidente que o maior medo era o de falhar, decepcionar as pessoas ao seu redor, e principalmente a si mesmo. Ele inicia dizendo que as pessoas passam grande parte de suas
vidas em uma escola. Se levarmos em consideração todos os níveis da educação básica, ficamos na escola durante aproximadamente 12 anos, e se, o mínimo for feito, que é estudar, missão cumprida sem muitas surpresas. Mas, é claro que o mínimo não é mais satisfatório como nos tempos da Revolução Industrial, quando cargos com baixa qualificação rendiam bons salários. Hoje a crescente competividade e as
altas taxas de desemprego exigem muito mais de cada um de nós. Ele nos conta que teve medo de não passar na prova de seleção para o
curso técnico, de não entrar na faculdade e que, talvez, seu maior medo, mas que também foi um grande desafio, depois de ingressar na faculdade, era não conseguir terminá-la por questões financeiras. Ao ingressar no tão temido mercado de trabalho como estagiário ele pensava o tempo todo que seria descoberto, como se fosse uma fraude, tudo que ele tinha na cabeça era: “ai meu Deus, é agora, eles
vão me descobrir! Olha lá, eu disse que fiz técnico, que estou na faculdade, mas eles vão descobrir que eu não sei fazer nada…”. Creio que ele não esteja sozinho nessa, todos que têm comprometimento e se cobram por resultados sempre melhores, pensam a mesma coisa, que não sabem nada, que não são bons o suficiente etc., mas esse sentimento pode ser saudável à medida que quem o tem está sempre buscando estudar mais, se aprimorar mais, enfim, está sempre em
busca da excelência que nunca chega, já que a evolução dos ambientes de trabalho, das tecnologias e dos saberes é sempre muito mais rápida do que podemos acompanhar. Fato é que as empresas sabem que quando um jovem tem 18 anos e não tem experiência profissional, ele realmente não sabe nada, ou, pelo menos deveriam saber, já que vemos alguns anúncios de vagas exigindo, além da experiência, um tanto de outras
habilidades técnicas, mas esse não é nosso foco de discussão, vamos voltar para a emocionante história do Mário. Sempre dizemos que as pessoas fazem a diferença e é sempre muito bom cruzar com aquelas que fazem a diferença de forma posi-
tiva, certo? Afinal, quem quer dar de cara com aquelas pessoas que só trazem negatividade em tudo que falam e pensam? E Mário cruzou uma dessas pessoas que fazem a diferença de forma positiva. Seu gestor, Luís Alves. Suas palavras foram um conforto e ao mesmo tempo motivação, e nesse momento ele soube que não teria que se preocupar com o fato de não saber nada. E foi exa-
tamente assim que seu gestor se posicionou: “Mário, sua prioridade é a faculdade, sua responsabilidade aqui é aprender” e em época de provas ele dizia:
“Mário, você não está em época de provas? Está fazendo o que aqui? Tchau… vai estudar”. De qualquer maneira, ele diz: “tive melhores feedbacks do que esperava”, e isso lhe deu autoconfiança.
Os desafios E foi aí que mais uma jornada teve início com os crescentes desafios,
já que agora ele tinha que conciliar a vida pessoal com a acadêmica e a profissional. Ele relembra que no final do curso técnico estava, junto ao seu grupo de trabalho de conclusão de curso, terminando o projeto para a exposição numa feira tecnológica que apresenta trabalhos de alunos de cursos técnicos e tecnológicos de todo o Estado de São Paulo, além de instituições parceiras de outros estados e países. Pense na
correria, nesse ponto muitos teriam desistido, mas não ele! E esperamos que você que está lendo este livro também não desista. Sua rotina era bastante frenética, ensino médio pela manhã, técnico à tarde e cursinho à noite e quando ingressou na faculdade não foi muito diferente disso. Faculdade à noite, estágio à tarde e muitas vezes também tinha aulas pela manhã.
O maior desafio, entretanto, foi conciliar tudo isso, sem deixar que problemas de trabalho, acadêmicos e pessoais se misturassem ou interferissem em seu desempenho, numa fase em que ele diz que tudo parecia estar dando errado. Hoje, ele se pergunta como conseguiu manter essa rotina, mas a resposta vem bem rápida: força de vontade. Outro desafio bem grande que Mario enfrentou foram as
pessoas “tóxicas”, como ele mesmo nomeia, são àquelas que criticam tudo o que você faz, estão sempre torcendo contra, desanimando, dizendo que é muito difícil e que você não vai conseguir, jogando areia, como dizem alguns, ou ainda, jogando um balde de água gelada, como dizem outros. Mas ele nos faz um alerta: “Não tem jeito, pessoas assim vão passar por nós durante toda nossa vida. Só com boa inteligência
emocional para saber lidar.”
A tormenta Se ele pensou em desistir?! Acho que todos nós, algum dia, já pensamos em desistir de algo. “Mário, quando uma pessoa para de estudar, é muito difícil que ela volte.” Bom, agora você já sabe que ele pensou em desistir em algum momento, a frase acima foi dita pelo seu gestor. Mas, bora lá para saber como foi isso. Na época em que ele fez os vestibulares havia passado em uma faculdade de tecnologia e na
universidade do sonho. Mas de cara pensou em ir para a faculdade de tecnologia, que é gratuita, por saber que seus pais não tinham condições de pagar uma universidade particular. Entretanto, seu pai o convenceu que dariam um jeito de pagar, então acabou indo para a universidade privada. Logo nos primeiros anos, ele conseguiu uma bolsa que o ajudou muito e como já estava no estágio, teve condições de pagar até de-
terminado momento, quando perdeu o contato com o pai e também perdeu a bolsa na faculdade. Seu sonho desmoronou, já que nesse ponto, além da faculdade teria de pagar um aluguel para sua família. Nessas horas o desespero toma conta, mil coisas passam pela cabeça e a primeira que passou pela cabeça de Mário foi: DESISTIR. Procurou seu gestor, contou o que aconteceu e disse que iria
desistir da faculdade, então veio a frase e o complemento: “Mário, quando uma pessoa para de estudar, é muito difícil que ela volte. Vamos fazer o seguinte, vá na faculdade, pergunte o quanto falta para pagar todo o curso e eu te ajudo a pagar, e depois você me paga em parcelas menores”. Mário conta que aquilo deu um nó na cabeça dele, que não esperava essa atitude de alguém com quem trabalhava, quer dizer, o
gestor não tinha obrigação nenhuma de fazer isso e claramente era muito dinheiro envolvido. Mário diz que ele teve muito bom coração, mas não queria aceitar isso. Mário não sabia o quanto essa atitude impactaria na vida de seu gestor, mas para ele o mais importante disso é que, em outras palavras o que ele queria dizer era: “Mário, se você precisar, eu estou aqui…”, Isso foi o suficiente para lhe dar forças e não desistir. Para
Mario quando se ouve palavras de apoio como: “Você está precisando de alguma coisa?” ou “Estou aqui para o que precisar!”, ditas com sinceridade, podem mudar, e muito, a vida de uma pessoa, mesmo que quem diz não tenha condições de ajudar, mas ouvir um
“Estamos juntos!”, dá uma nova energia para seguir em frente. Mário não precisou da ajuda financeira de seu gestor, já que suas palavras foram a melhor ajuda que poderia ter. Acabou encontrando uma outra maneira de superar a situação e no final deu tudo certo.
Outra situação semelhante aconteceu alguns anos depois, na reta final da faculdade, não havia indícios de que as coisas voltariam a ficar tranquilas. Em uma conversa sobre carreira com sua gestora Sônia Branco, ela pode sentir o quanto ele estava agoniado e desconfortável com o que estava acontecendo. “Naquele momento, não houve uma pessoa que tivesse olhado tão fundo nos meus olhos e dito: ‘Mário, no que você precisar eu vou te ajudar’”. As palavras de
sua gestora naquele momento foram suficientes para fazer com que toda a situação ficasse mais leve. Depois de alguns meses, ela havia se tornado sua madrinha de crisma. Mais uma vez, podemos ver como algumas palavras, a empatia e até mesmo a compaixão das pessoas podem mudar o rumo de tudo.
Fica a dica Fizemos a seguinte pergunta aos jovens que
concordaram
em
contar
suas
histórias: O que você diria para um jovem que está pensando em desistir? A resposta dada por Mário nos fez pensar sobre muitas coisas, como, por exemplo, que os dias chuvosos são nescessários para o nosso crescimento, que as adversidades são
combustível para continuarmos firmes nos nossos propósitos e que SER sempre foi e sempre será mais importante do que TER. Emocione-se como nós com a resposta que ele deu: “O sentimento de desistir faz parte da nossa vida. Isso é bom, isso significa que estamos nos movimentando, não queremos desistir quando estamos na nossa zona de conforto. Um dos capítulos do livro Criatividade S.A. - Ed Catmull, faz
uma analogia bem interessante e que carrego para minha vida: Imagina que todos os dias felizes da sua vida sejam como dias ensolarados, e os dias tristes são como aqueles dias cinzas chuvosos. Seria ótimo acordar todos os dias e ver aquele céu azul bonito com um sol incrível, mas com o tempo as plantas se secariam e o mundo não seria um lugar tão agradável de se viver. As flores precisam da chuva para aparecer, as árvores precisam de água para
dar frutos. Leandro Karnal, professor de história e filosofia, faz uma
observação sobre as dificuldades da vida, “não existe um caminho
em que consigamos ser plenamente felizes, tudo na vida é uma escolha e tudo que você escolhe, você está deixando algo de lado”, se quer ser o melhor profissional do Brasil, vai ter que abrir mão de conforto, sonos regulados e muitas vezes sair com amigos. Quer curtir a vida, sair a semana inteira, ir para festas? Você vai precisar abrir mão da ideia de ganhar dinheiro. Juntando essas duas ideias, temos uma que diz que “as dificuldades nos fazem crescer” e a outra diz que “independente do caminho que escolhermos, vamos encontrar dificuldades”, então não temos muitas saídas. Desistir não é um problema, desde que seja pensado logicamente e não emocionalmente.
Questione-se: “Por que eu quero desistir?”, “Estou onde gostaria de estar?”, “Se eu desistir qual o plano B?”, “Se eu insistir no que estou fazendo, onde posso chegar?”. Depois de responder essas perguntas, espere uns dias e veja se suas respostas ainda fazem sentido”.
Sonhos Mário se considera um sonhador desde sempre. Durante o curso técnico, soube de uma Feira Tecnológica e que teria a chance de expor o projeto de TCC ao público se fizesse algo legal. Com isso em mente, aos 16 anos, o projeto de seu grupo foi selecionado para participar dessa exposição, o que foi muito bom. A
escola na qual ele cursou o técnico era nova e ele juntamente com seu grupo foram um dos primeiros a expor o projeto nessa feira. Nesse mesmo período, seus sonhos eram: estudar na faculdade conceituada, iniciar a jornada profissional trabalhando em uma empresa de grande porte e estudar no exterior. E aos 23 anos, conseguiu realizar todos. “Com certeza tenho sonhos a serem alcançados, precisamos disso, precisamos de objetivos na nossa vida, caso contrário, estamos
vivendo só por viver.” Conta Mário. Como todo adolescente, Mário tinha sonhos de ter o melhor carro, a melhor casa e muito dinheiro, mas com o amadurecimento ele percebeu que não eram coisas tão importantes na vida. Hoje seu foco está em oferecer conforto para sua família, fazer viagens, investir em estudos e aprimoramento profissional. Esses são seus sonhos.
Erros Para finalizar esta história incrível perguntamos se ele considera os erros cometidos importantes. A resposta abaixo está na íntegra. Com certeza! Eu sou uma pessoa totalmente empírica, ou seja,
meus maiores aprendizados foram de situações que já vivenciei e principalmente aquelas em que errei. Não me arrependo e não faria diferente, todos os erros e acertos que cometi definiram a pessoa que sou hoje.