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LIFESAVING 41

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FICHA TÉCNICA

DIRETOR E EDITOR-CHEFE

Bruno Santos

CO-EDITOR-CHEFE

Pedro Lopes Silva

EDITORES ASSOCIADOS

MINUTO VMER

Isabel Rodrigues

PÓSTER CIENTÍFICO

Ana Isabel Rodrigues

André Abílio Rodrigues

Catarina Jorge Solange Mega

NÓS POR CÁ

Catarina Tavares

Monique Pais Cabrita

FÁRMACO REVISITADO

Catarina Monteiro

JOURNAL CLUB

Ana Rita Clara

O QUE FAZER EM CASO DE André Abílio Rodrigues

CUIDAR DE NÓS

Sílvia Labiza

EMERGÊNCIA INTERNACIONAL

Eva Motero

Rúben Santos Solange Mega

ÉTICA E DEONTOLOGIA

Teresa Salero

LEGISLAÇÃO

Ana Agostinho Isa Orge

CARTAS AO EDITOR

Catarina Jorge

Júlio Ricardo Soares

TERTÚLIA VMERISTA

Nuno Ribeiro

MITOS URBANOS

Christian Chauvin

VOZES DA EMERGÊNCIA

Ana Vieira

Rita Penisga Solange Mega

UM PEDACINHO DE NÓS

Ana Rodrigues

Teresa Castro

TESOURINHOS VMERISTAS

Pedro Oliveira Silva

INTOXICAÇÕES NO PRÉ-HOSPITALAR

Luis Miguel Costa

Mónica Fonseca

CONGRESSOS VIRTUAIS

Pedro Oliveira Silva

INSTANTÂNEOS EM EMERGÊNCIA MÉDICA

Solange Mega

Teresa Mota

BEST SITES

Bruno Santos

BEST APPS

Pedro Lopes Silva

SUGESTÕES DE LEITURA

André Abílio Rodrigues

INFOSAVING

Luís Miguel Costa

FRASES MEMORÁVEIS

Pedro Rodrigues Silva

ILUSTRAÇÕES

João Paiva

FOTOGRAFIA

Pedro Rodrigues Silva

Maria Luísa Melão

Solange Mega

Carlos Martins

AUDIOVISUAL

Pedro Lopes Silva

DESIGN

Luis Gonçalves

PARCERIAS

Editorial especial de aniversário,

É com imenso orgulho, sentido de responsabilidade e uma profunda emoção que vos apresentamos a 41ª edição da LIFESAVING - Revista de Emergência Médica. Mais do que um marco puramente numérico, esta edição assume-se como o corolário de uma década inteira de dedicação inabalável, resiliência no terreno, e partilha contínua de conhecimento no seio da emergência médica pré-hospitalar em Portugal.

Há dez anos, fundámos este projeto com uma visão clara: criar uma plataforma de excelência que unisse os profissionais, disseminasse as melhores práticas baseadas na evidência e, acima de tudo, desse voz a todos os que, diariamente, fazem a diferença entre a vida e a morte. Hoje, ao olharmos para o retrovisor desta longa viagem, vemos um legado de superação do qual todos fazemos parte.

Para assinalar esta data histórica, preparámos um conjunto de artigos comemorativos que convidam à reflexão sobre o que fomos, o que somos e o que almejamos ser.

Neste número especial, o Dr Bruno Santos guia-nos numa extraordinária viagem no tempo através da sua Linha temporal da LIFESAVING, destacando 10 conquistas fundamentais que moldaram a nossa última década. Paralelamente, numa perspetiva de rigorosa evolução técnica, o Enf Pedro Silva propõe uma análise detalhada sobre a evolução dos equipamentos nas nossas VMER, demonstrando de forma clara o quanto a nossa capacidade instalada de resposta melhorou.

As narrativas reais ganham vida e rosto na sempre aguardada 'Tertúlia VMERista', partilhando a ocorrência inesquecível de uma perspetiva operacional sublinhando que a emergência médica é, intrinsecamente, feita por pessoas e para pessoas. Este artigo recorda-nos a imensa carga humana e emocional da nossa profissão, um sentimento que culmina, nesta edição, num 'Minuto VMER Especial' alargado a 10 minutos de pura partilha e reflexão, conduzido pela Drª Isabel Rodrigues.

Mas engane-se quem pensar que esta edição vive apenas de celebração e saudosismo. O nosso compromisso com o rigor clínico e a evolução contínua mantém-se mais firme do que nunca. O indispensável Journal Club, pela mão da Drª Ana Rita Clara, traz-nos recomendações vitais para a abordagem da sépsis e choque séptico no contexto pré-hospitalar português. Simultaneamente, o Dr José Miguel Oliveira Lourenço revisita de forma pormenorizada o Droperidol na nossa clássica rubrica 'Fármaco Revisitado'. Continuamos também a apostar forte na preparação tática e operacional para cenários complexos, espelhadas nas diretrizes perentórias do Enf André Abílio Rodrigues sobre o que fazer em caso de Incêndio Rural.

No “Nós por cá”, a Enf Catarina Tavares demonstra o que cá se faz no âmbito da Simulação clinica. No plano nacional, damos voz à nossa orgânica através de uma entrevista imperdível com Pedro Vasconcelos, na rubrica Vozes da Emergência focada no CODU.

Porque cuidar do próximo exige, obrigatoriamente, que saibamos cuidar de nós próprios, José Azantos convida-nos a uma reflexão premente e necessária sobre a auto-estima e o amor próprio, na rubrica 'Cuidar de Nós'.

Esta Edição é um compêndio vivo da nossa identidade ao longo da última década.

Aos autores que nos enriquecem, aos editores de cada rubrica e, muito especialmente, a si que nos lê: o nosso mais sincero obrigado. São vocês o verdadeiro suporte de vida deste projeto. Que venham os próximos 10 anos de conquistas, sempre e incondicionalmente, ao serviço da vida

MOMENTOS DE INSPIRAÇÃO

Pedro Lopes Silva CO-EDITOR-CHEFE

Enfermeiro VMER

pgsilva@ulsalg.min-saude.pt

"Faith is taking the first step even when you don't see the whole staircase".

Martin Luther King Jr. (1929 – 1968) Pastor, defensor de direitos humanos, ativista político americano.

ARTIGO COMEMORATIVO

DUMA DÉCADA DE INOVAÇÃO SOBRE RODAS: A EVOLUÇÃO TECNOLÓGICA DOS EQUIPAMENTOS DA VMER DE FARO (2016–2026)

MINUTO VMER 10 MINUTOS VMER

JOURNAL CLUB

FÁRMACO REVISITADO DROPERIDOL

NÓS POR CÁ CRITICAL SIM

INTOXICAÇÕES NO PRÉ-HOSPITALAR INTOXICAÇÃO POR FENOBARBITAL - EMERGÊNCIA MÉDICA TEMPO-DEPENDENTE

O QUE FAZER EM CASO DE... INCÊNDIO RURAL

CUIDAR DE NÓS AMOR PRÓPRIO

VOZES DA EMERGÊNCIA LIFESAVING — RUBRICA «VOZES DA EMERGÊNCIA» ENTREVISTA A PEDRO VASCONCELOS

TERTÚLIA VMERISTA

UM PEDACINHO DE NÓS DR. BRUNO SANTOS

TESOURINHO VMERISTA + CONGRESSOS E CURSOS

PÁGINAS ABC

APEMERG

BEST SITES

BEST APPS

SUGESTÕES DE LEITURA

CRITÉRIOS DE PUBLICAÇÃO

ESTATUTO EDITORIAL

ARTIGO COMEMORATIVO

UMA DÉCADA DE INOVAÇÃO SOBRE RODAS: A EVOLUÇÃO TECNOLÓGICA DOS EQUIPAMENTOS DA VMER DE FARO (2016–2026)

Pedro Lopes Silva1 2 3 4 5

1Enfermeiro Especialista em Saúde Infantil e Pediatria

2Internamento de Pediatria da ULS Algarve – Hospital de Faro

3VMER Faro

4Helicóptero INEM Algarve

5Co-Editor Chefe da Revista Lifesaving

Nota Editorial Comemorativa: Ao assinalarmos o 10.º Aniversário da Revista Lifesaving, celebramos uma década de transformação no Atendimento Pré-Hospitalar no Algarve. Apresentamos uma revisão exaustiva dos equipamentos que redefiniram o suporte hemodinâmico, ventilatório, a via aérea e os acessos de emergência na Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) de Faro.

1.INTRODUÇÃO: A EVOLUÇÃO SILENCIOSA

Ao longo da última década, o socorro pré-hospitalar prestado pela VMER evoluiu para uma era de medicina de precisão, ultrassensível e totalmente conectada. A necessidade de atuar com rapidez em cenários de elevado stress, desde o trauma rodoviário nas vias algarvias, às emergências cardiorrespiratórias e ao resgate em locais remotos, impulsionou a substituição gradual de dispositivos pesados por plataformas compactas, intuitivas e de elevada acuidade

diagnóstica à beira do doente.

2. MONITORIZAÇÃO E DESFIBRI

LHAÇÃO: DO LIFEPAK ® 12 AO LIFEPAK ® 15 O LIFEPAK® 15 (LP15) representa a evolução direta do consolidado LIFEPAK® 12 (LP12). Enquanto o LP12 foi o padrão de referência do atendimento pré-hospitalar nos anos 2000, o LP15 introduziu avanços críticos em segurança diagnóstica, ergonomia, gestão de energia e visibilidade em campo.

3. SUPORTE VENTILATÓRIO

Recurso / Parâmetro

Fotografia do Equipamento

Ecrã e Visibilidade

Tecnologia de Bateria

Monitorização Avançada

LIFEPAK® 12 (Tecnologia Clássica)

Monocromático ou LCD colorido (geração inicial); visibilidade reduzida sob luz solar direta.

Níquel-Cádmio ou Chumbo-Ácido; sujeitas a "efeito memória" e desgaste acelerado.

ECG de 12 derivações, SpO2, EtCO2, Pressão não invasiva e Pressão Invasiva.

LIFEPAK® 15 (Equipamento Atual)

Ecrã colorido de 8,4" com modo SunVue™ (alta visibilidade sob luz solar direta em praias e rodovias).

Lítio-Íon inteligente com indicador preciso de carga e capacidade de troca a quente (hot-swap). Trocar 1 bateria com o aparelho ligado.

Todos do LP12 + Co-Oximetria: SpCO (Monóxido de Carbono) e SpMet (Metemoglobina) para triagem em incêndios.

(Continua...)

Recurso / Parâmetro LIFEPAK® 12 (Tecnologia Clássica)

Suporte à Reanimação Cardio Pulmonar (RCP)

Resistência e Proteção

Sem feedback visual ou sonoro em tempo real durante as compressões.

Proteção básica contra salpicos de água e fluidos (grau IPX4).

Conectividade e Dados Transmissão de ECG via modem/módulo celular externo acoplado.

AVANÇADO: BOUSSIGNAC , TRANSPAC, RESMED STELLAR ™ 150 E DRÄGER OXYLOG ® 3000 PLUS

No suporte ventilatório da VMER de Faro, a oferta de equipamentos evoluiu para responder a múltiplos

LIFEPAK® 15 (Equipamento Atual)

Metrônomo integrado e auxílio visual/sonoro de frequência e profundidade de RCP.

Estrutura emborrachada, proteção contra quedas de 1,8m e grau de vedação IP44.

Bluetooth®, Wi-Fi e modem celular integrados para envio direto de dados ao CODU.

perfis clínicos: Inicialmente apenas com o “soprador” Ventilador Traspac, no doente entubado, sendo posteriormente adicionado o CPAP de Boussignac, que foi substituído pelo ResMed Stellar, permitindo uma

Recurso / Parâmetro CPAP de Boussignac Ventilador Transpac

Fotografia

Categoria / Tipo Sistema aberto por efeito Injector (Válvula Virtual).

Ventilador Mecânico / Pneumático Básico.

Indicação

Principal

Edema Agudo do Pulmão e insuficiência respiratória hipoxémica em doente consciente.

Modos

Ventilatórios

Apenas CPAP contínuo.

Mecanismo de PEEP PEEP virtual criada por micro-jatos de O2

Alimentação / Energia

Monitorização

100% pneumático (requer O2 sob pressão).

Manômetro de pressão analógico simples.

Resgate primário básico, transporte curto e substituição de insuflador manual.

CMV / IPPV (Volume ou Pressão controlado).

Válvula mecânica de PEEP acoplada à expiração.

100% pneumático (funciona com O2 sob pressão).

Manômetro analógico. Alarmes pneumáticos.

Ventilação Não Invasiva (VNI) mais controlada. Actualmente, o 0xylog 3000 plus, desempenha das as funções de todos anteriores.

4. REANIMAÇÃO HEMODINÂMICA

ResMed Stellar™ 150

Ventilador eletrónico móvel Não Invasivo/Invasivo.

VNI inter-hospitalar, exacerbação de Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica/patologia neuromuscular e pós-extubação.

iVAPS (Pressão de Suporte Inteligente), iPAV, ST, PAC, CPAP.

PEEP eletrônica com compensação ativa de vazamentos.

Bateria interna recarregável (~2h) e opção de bateria externa (~8h).

Ecrã colorido com gráfico de barra, medição de fuga e alarme inteligente.

Dräger Oxylog® 3000 / 3000 plus

Ventilador eletrónico microprocessado avançado.

Transporte de doente, Suporte Avançado de Vida (SAV), VNI avançada e transporte aéreo.

VC-CMV, VC-SIMV, PC-BIPAP/Spn, CPAP e Suporte de Pressão (PS/ PSV).

Válvula PEEP eletrônica/ ativa controlada por microprocessador.

Bateria recarregável de Li-ion (~4h) + Fonte de O2Ar.

Ecrã LCD com curvas em tempo real (Fluxo/Pressão), alarmes e EtCO2 (3000 plus).

AUTÓNOMA: COMPRESSÕES TORÁCICAS MECÂNICAS

COM LUCAS ® 3

A incorporação do dispositivo mecânico de compressão torácica

LUCAS® 3 (Stryker) na VMER de Faro representa um marco transformador na abordagem da Paragem Cardiorrespiratória (PCR). A transição das compressões manuais (propensas à fadiga física do socorrista e a variações na profundidade/frequência) para a reanimação mecânica automatizada, garante compressões ininterruptas e de alta qualidade (102 compressões/minuto com profundidade consistente de 5,3 cm), mesmo durante o transporte em ambulância por vias irregulares ou no interior de elevadores e escadarias.

• Consistência de Perfusão

Cardiovascular e cerebral: Mantém o tempo de compressão torácica próximo dos 100%, maximizando a pressão de perfusão coronária sem a degradação fisiológica inevitável da fadiga humana.

• Segurança do Operacional e

LARINGOSCOPIA DIRETA VS. MCGRATH™ MAC

A intubação orotraqueal no pré-hospitalar exige máxima segurança na primeira tentativa. A introdução do Videolaringoscópio Covidien McGRATH™ MAC revolucionou a abordagem da via aérea difícil,

Fotografia do Equipamento

Mecanismo de Visualização

Visão Direta: exige alinhamento anatômico dos eixos oral, faríngeo e laríngeo.

Lâminas Lâminas metálicas reutilizáveis (Macintosh/Miller) que exigem autoclave/esterilização ou lâminas descartáveis.

Intubação Difícil (Cormack) Taxa elevada de visibilidade Cormack III e IV em limitação de abertura bucal ou cervical.

Gestão do Trauma Cervical Exige tração e extensão cervical significativas (risco acrescido em trauma de coluna).

Biossegurança

Lâmpadas/lentes expostas; lâminas reutilizáveis exigem processo complexo de desinfecção.

Otimização da Equipa: Permite que o médico e o enfermeiro da VMER fiquem com as mãos livres para abordar a via aérea avançada, administrar fármacos e realizar ultrassonografia Point-of-Care (POCUS) durante a PCR, além de proteger os operacionais durante o transporte em marcha de emergência.

• Tecnologia e Conectividade Bluetooth®: O LUCAS® 3 permite a configuração personalizada dos parâmetros de ventilação/ compressão e a transmissão de relatórios pós-evento via Wi-Fi/ Bluetooth® para integração direta no registo clínico do doente.

5.

permitindo visão da glote sem necessidade de tração cervical excessiva.

6. EVOLUÇÃO DOS ACESSOS

Visão Indireta: câmera CMOS e LED na ponta transmitindo vídeo para ecrã LCD integrado de 2,5".

Lâminas descartáveis de polímero rígido (tamanhos 1 a 4 e X-Blade™ para via aérea extrema).

Converte visões Cormack III/IV em I/II sem tração excessiva de tecidos moles.

Permite intubação com cabeça e pescoço em posição neutra (sem mobilização da coluna).

Lâminas descartáveis de uso único cobrem totalmente a haste, eliminando contaminação cruzada.

GESTÃO DA VIA AÉREA DIFÍCIL:
Recurso / Parâmetro Laringoscópio Convencional (Direto)
Videolaringoscópio McGRATH™ MAC

INTRAÓSSEOS: MANUAL, BIG, NIO E EZ-IO ®

Quando o acesso venoso periférico falha no doente crítico em choque

Recurso / Parâmetro

Fotografia do Equipamento

Mecanismo de Inserção

Controlo de Profundidade

Locais

Anátomicos de Inserção

Taxa de Sucesso na 1.ª Tentativa

Risco de Extravasamento / Trauma

Agulha IO Manual

rapidez, menor taxa de falha de penetração cortical e máxima segurança anatómica.

7. A VIRAGEM DIAGNÓSTICA DO severo ou PCR, a via intraóssea (IO) é a linha de vida imediata. A evolução das agulhas intraósseas na VMER de Faro reflete a busca por maior

BIG (Bone Injection Gun)

Manual por rotação e força de pressão direta do operador.

Dependente do tato do operador e da resistência óssea feeling

Principalmente Tíbia Proximal.

Variável (50%–70%), dependente de experiência e força mecânica.

Elevado (risco de fratura cortical por força excessiva).

POCUS: ECÓGRAFO ULTRAPORTÁTIL PHILIPS LUMIFY

A incorporação da ultrassonografia Point-of-Care (POCUS) através do

/ Recurso

Fotografia do Equipamento

Arquitetura do Sistema

Mola de disparo sob alta pressão mecânica pré-carregada.

Fixo, ajustável manualmente por marcas de profundidade na agulha.

Tíbia Proximal e Úmero Proximal.

Intermédia (~80%–85%), sensível a desvios no ângulo de disparo.

Moderado (recuo do disparo pode alterar o ângulo se não fixado firmemente).

NIO™ (New Intraosseous)

Mola de disparo mecânica interna de uso único (dispositivo integrado).

Definido por calibre e cor da agulha no dispositivo descartável.

Tíbia Proximal, Úmero Proximal e Tíbia Distal.

Elevada (~85%–90%), dispositivo compacto sem agulhas expostas pré-disparo.

Baixo/Moderado (dispositivo de disparo controlado).

Philips Lumify trouxe a confirmação por imagem para o local da ocorrência. Ao conectar sondas inteligentes com processamento interno a

Teleflex EZ-IO® (Berbequim Motorizado)

Berbequim elétrico motorizado por bateria (perfuração rotativa guiada).

Controlo tátil milimétrico: o motor para instantaneamente ao vencer a cortical.

Tíbia Proximal, Tíbia Distal e Úmero Proximal (adulto e pediátrico).

Padrão-ouro (>95%), penetração rápida e sem sobredimensionamento da cavidade medular.

Mínimo (perfuração suave rotativa sem impacto de fratura mecânica).

tablets/smartphones, a equipa da VMER de Faro realiza diagnósticos imediatos e procedimentos guiados com precisão ímpar.

Transdutores inteligentes com processador de imagem integrado (mUST) conectáveis diretamente a dispositivos móveis (Android/iOS) via USB-C/Lightning.

(Continua...)

Parâmetro / Recurso

Gama de Transdutores

Modos de Imagem

Telementoria em Tempo Real

Especificação Detalhada — Philips Lumify

• L12-4 (Linear 12–4 MHz): Acessos vasculares guiados, bloqueios nervosos, pulmão.

• C5-2 (Convexo 5–2 MHz): Abdominal, gineco-obstétrico, protocolo eFAST em trauma.

• S4-1 (Setorial Phase Array 4–1 MHz): Ecocardiografia focada, eFAST, avaliação pulmonar.

Modo B (Escala de Cinzas), Doppler Colorido (Color Flow), Doppler Pulsado (PW), Power Doppler, Modo M e Imagem Harmônica de Tecidos (THI).

Integração nativa com Reacts: permite transmitir a imagem de ultrassom ao vivo e em videochamada para um médico especialista no hospital de destino.

8. PRECISÃO NA INFUSÃO DE FÁRMACOS: DO BRAUN PERFUSOR

COMPACT AO SISTEMA MODULAR

BRAUN SPACE

A administração rigorosa de bólus e perfusões contínuas (como aminas vasoativas, sedação e analgesia) é

/ Parâmetro

Fotografia do Equipamento

um pilar do Suporte Avançado de Vida (SAV). Na última década, a VMER de Faro substituiu as clássicas seringas infusoras Braun Perfusor Compact pela plataforma avançada

B. Braun Space. Esta transição trouxe uma redução drástica no peso do

Design e Ergonomia Formato tubular e alongado. e tem peso considerável quando empilhado.

Modularidade e Fixação

Encaixe mecânico básico; dificuldade em agrupar múltiplas bombas sem suportes pesados.

Ecrã e Interface Ecrã LCD simples (monocromático) com teclado numérico básico. Navegação mecânica.

Segurança: Biblioteca de Fármacos Cálculo manual de taxas de infusão (ml/h). Ausência de sistema de prevenção de erros de sobredosagem.

Bateria e Autonomia Autonomia limitada, exigindo recargas frequentes e baterias com menor vida útil.

Em suma, a passagem para o sistema modular B. Braun Space reflete a evolução de um simples

equipamento, maior modularidade e, sobretudo, a introdução de bibliotecas de fármacos inteligentes que previnem erros de dosagem em ambiente pré-hospitalar.

9. CONCLUSÃO: O FUTURO DO

Design ultra-compacto e leve. Formato em bloco, otimizado para o transporte em espaços confinados (ambulância/helicóptero).

Sistema "Space Station": permite empilhar e interligar várias bombas (Seringa e Volumétrica) com um único cabo de alimentação.

Ecrã com melhor resolução, menus intuitivos guiados e teclado direcional simplificado, facilitando a visualização em andamento.

Integração do DoseGuard™ (DERS - Dose Error Reduction System) com limites de segurança pré-definidos (Soft/Hard Limits) para cada fármaco da VMER.

Bateria de tecnologia avançada com excelente autonomia; alarmes preditivos de tempo restante de bateria.

"empurrador mecânico de êmbolos" para um computador de perfusão inteligente, blindando a equipa contra erros de cálculo em cenários de stress agudo.

Recurso
Braun Perfusor (Geração Anterior)
B. Braun Space (Geração Atual)

SOCORRO CRÍTICO NO ALGARVE

Ao celebrarmos os 10 anos da Revista Lifesaving, constatamos que a VMER de Faro se posiciona na vanguarda da emergência médica pré-hospitalar. A integração sinérgica de monitorização avançada, ventilação de nível de cuidados intensivos com o ResMed Stellar™ 150 e Oxylog 3000 plus, compressão mecânica ininterrupta com o LUCAS® 3, acessos intraósseos de alta precisão

com o EZ-IO®, videolaringoscopia e ultrassonografia ultraportátil potencia o raciocínio clínico da equipa ao limite. A admistração de fármacos também fica mais segura com a Braun Space

O compromisso para a próxima década permanece inalterado: colocar a melhor tecnologia ao serviço da preservação da vida humana, onde quer que a emergência aconteça

ANA AGOSTINHO Coordenadora de Enfermagem - VMER de Faro
EDITORA

10 MINUTOS VMER

UMA DÉCADA EM DEZ TEMAS

Há dez anos nascia uma rubrica simples na forma, mas ambiciosa na missão. Não pretendia substituir livros, normas ou tratados. Pretendia apenas oferecer, em sessenta segundos, um minuto para recordar o essencial.

Ao longo desta década, o «Minuto VMER» acompanhou turnos, ativações, decisões rápidas, dúvidas clínicas e momentos em que a experiência se cruza com a necessidade de agir. Entre a técnica e a reflexão, entre o protocolo e o doente concreto, foi construindo um espaço de aprendizagem contínua, sempre com o mesmo propósito: cuidar melhor.

Celebrar dez anos do «Minuto VMER» é celebrar todos aqueles que, em algum momento, encontraram nestas páginas uma ideia, uma dica ou simplesmente uma confirmação de que estavam no caminho certo. Revisitamos, por isso, dez temas que, mais do que artigos, representam dez dimensões da emergência médica.

1. Escalas de Trauma

LifeSaving, edição nº 2

Avaliar para decidir. Porque no trauma cada sinal conta. As escalas ajudam a transformar observação em decisão, permitindo reconhecer gravidade, priorizar cuidados e comunicar melhor entre equipas.

2. CODU Algarve

LifeSaving, edição nº 3

A emergência começa antes da chegada ao local. Porque por trás de cada ativação existe coordenação, triagem, gestão de meios e tomada de decisão. O CODU recorda-nos que a resposta pré-hospitalar começa muitas vezes com uma chamada.

3. Risco de choque hemorrágico

– abordagem pré-hospitalar

LifeSaving, edição nº 6

Identificar problemas em C e agir cedo. Porque controlar a hemorragia é ganhar tempo. No trauma, reconhecer precocemente o choque hemorrágico pode significar a diferença entre estabilizar e perder uma vida.

4. Via intraóssea em pediatria

LifeSaving, edição nº 7

Quando a via venosa não espera. Porque, na criança crítica, o tempo é demasiado precioso para múltiplas tentativas falhadas. A via intraóssea é uma alternativa rápida, segura e muitas vezes decisiva.

5. Escala de Cincinnati

LifeSaving, edição nº 9

Tempo é cérebro.

Porque reconhecer cedo um acidente vascular cerebral é abrir a porta à Via Verde. Um rosto, um braço, uma fala: três sinais simples que podem mudar um prognóstico.

6. Ventilação não invasiva no pré-hospitalar – noções básicas

LifeSaving, edição nº 14

Identificar problemas em B e ganhar tempo.

Porque nem sempre é necessário invadir para salvar. Saber selecionar o doente, a interface e o momento certo pode evitar complicações e melhorar a resposta clínica.

7. Capnografia

LifeSaving, edição nº 18

Quando a curva também fala. Porque auscultar pode não ser suficiente. A capnografia confirma, monitoriza, alerta e antecipa. Em emergência, uma curva pode dizer-

nos aquilo que ainda não é evidente.

8. Paliar em emergência

LifeSaving, edição nº 28

Cuidar também é aliviar.

Porque nem todas as intervenções têm como objetivo curar. Em emergência, reconhecer sofrimento, adequar cuidados e preservar dignidade é também exercer medicina de excelência.

9. Analgesia em ambiente préhospitalar

LifeSaving, edição nº 36

Dor é sofrimento.

Porque tratar a dor não é opcional. É uma obrigação clínica e humana. No pré-hospitalar, aliviar o sofrimento é muitas vezes a primeira forma de cuidar.

10. Diagnóstico diferencial da dor torácica

LifeSaving, edição nº 40

Nem toda a dor torácica é enfarte. Porque a emergência exige pensar

rápido, mas não pensar pouco. Distinguir causas potencialmente fatais, reconhecer padrões e decidir prioridades continua a ser essencial.

DEZ

ANOS, UM MINUTO DE CADA VEZ

Durante estes dez anos, o «Minuto VMER» mostrou-nos que a aprendizagem contínua não precisa de ser longa para ser marcante. Por vezes, basta um minuto para recordar uma escala, rever uma prioridade ou ganhar a confiança necessária para enfrentar o próximo desafio. Mas, acima de tudo, estes dez anos representam algo maior. Representam profissionais que diariamente respondem ao inesperado. Representam equipas que trabalham quando os outros descansam. Representam vidas cruzadas em momentos de vulnerabilidade, urgência e esperança. Porque na emergência médica cada segundo conta.

E há dez anos que o «Minuto VMER» nos lembra que, por detrás de cada minuto, pode estar uma vida inteira. Que venham os próximos dez

ISABEL RODRIGUES Médica VMER CODU
EDITORA

JOURNAL CLUB

1Médica de Medicina

https://orcid.org/0000-0002-5587-0842

INTRODUÇÃO

Estima-se que a sépsis em contexto pré-hospitalar seja responsável por uma elevada percentagem das activações dos meios de socorro.1 Com actuação precoce e adequada é passível a redução da sua morbimortalidade.2-4 Na via verde de sépsis (VVS), a identificação célere dos casos suspeitos é fulcral na correcta abordagem do doente, aplicando-se a máxima do “tempo é função de órgão”. Também a minúcia dos registos clínicos é fundamental para a monitorização das ocorrências, optimização de políticas de saúde, gestão de recursos e para a comparação de indicadores entre instituições e regiões, nacionais ou internacionais.1,2,5-7 Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde (DGS) criou a VVS em 2010, atualizando-a em 2016 e 2017. Nesta última versão, reconhece as viaturas médicas de emergência e reanimação (VMER) e o serviço de helicópteros de emergência médica (SHEM) como meios com competência para esta emergência, equiparando-os a

serviços de urgência (SU) de nível I. No entanto, não inclui outros meios sob regulação médica do Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU), como a rede de suporte básico de vida (SBV) — em particular as ambulâncias de emergência médica (AEM) do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) — nem as ambulâncias de suporte imediato de vida (SIV), apesar de as AEM desempenharem um papel importante na identificação de casos suspeitos, e as SIV, enquanto meios diferenciados, intervirem também na respectiva avaliação e abordagem terapêutica inicial.1-8

RECOMENDAÇÕES PARA

A ABORDAGEM

PRÉ-HOSPITALAR

Avaliação e reconhecimento A identificação precoce é fundamental, pelo que as ferramentas preditivas do risco de deterioração clínica, como o National Early Warning Score (NEWS) assumem relevância.9-11 Comparativamente, o score NEWS2

demonstra maior exactidão, simplicidade e aplicabilidade, superando outras ferramentas de detecção, como a quick Sequential Organ Failure Assessment (qSOFA), em 20% a 30%.10,12,13 Contudo, para o pré-hospitalar, ainda não existe consenso quanto à ferramenta ideal para a predição de risco de sépsis. A utilização do índice de choque (SI) –calculado dividindo a frequência cardíaca pela pressão arterial sistólica (PAs) e do índice de choque modificado, calculado dividindo a frequência cardíaca pela pressão arterial média (PAM) – é recomendada para o reconhecimento precoce e estratificação de risco de mortalidade. Um SI ≥ 0,7 apresenta elevada sensibilidade (valor preditivo negativo de 95%), enquanto um SI ≥ 1,0 revela elevada especificidade de evolução para choque,13 independentemente da etiologia. Recomenda-se que, para qualquer doente observado no pré-hospitalar, sejam realizadas avaliações seriadas, contemplando o registo mínimo de duas avaliações.

Ana Rita Clara1
Intensiva, Medicina de Urgência e Emergência e Medicina Interna da UCI CR-ECMO e UCI-CCT, ULS São José, Médica SHEM Algarve

Considerando os sinais de gravidade, particularmente na identificação de sinais de choque, devem ser pesquisados sinais de hipoperfusão: além da avaliação do tempo de preenchimento capilar, indicador de gravidade quando > a 2 segundos, recomenda-se recurso à escala de Mottling Valores iguais ou superiores a 2 indicam risco de mortalidade superior a 50%.2

Nos adultos, deve considerar-se choque séptico quando existe hipotensão associada a suspeita de infecção, com necessidade de suporte vasopressor para PAM ≥ 65 mmHg, associada a níveis séricos de lactato > 2 mmol/L, mesmo após ressuscitação volémica adequada.6

Critérios de inclusão e exclusão Após análise comparativa dos números anuais de possíveis VVS com a casuística real nacional, é importante definir critérios de inclusão mais abrangentes do que os da norma da DGS de 2016, para os casos de suspeição. Desta forma, preconizam-se para o pré-hospitalar os critérios de alerta da VVS pautados na Tabela 1. Para ativação do alerta, a identificação de um potencial foco de infeção – como dispneia ou tosse, associado a um critério de gravidade como dessaturação < 90% com polipneia – é suficiente, independentemente do valor de temperatura. Nas crianças, a presença de febre e exantema petequial ou purpúrico, com lesões que não desaparecem à digitopressão, deve fazer suspeitar de doença meningocócica.10

Categoria

Suspeita de infeção

E pelo menos 1 sinal de gravidade clínica (descritos abaixo)

Hipotensão

Hipoxemia

Alteração Neurológica

Hiperlactacidémia

Sinais de má perfusão periférica

Scores indicativos de gravidade

Por forma a estabelecer uma avaliação criteriosa é imperativo identificar,

Meios complementares de diagnóstico

A indisponibilidade dos meios complementares de diagnóstico no meio pré-hospitalar não deve atrasar o seu tratamento. A análise sanguí-

Critérios

Febrea/hipotermiab E/OU foco infecioso identificadoc

Tensão arterial sistólica (TAs) < 90 mmHg nos adultos, ou < 70 mmHg + 2 x idade em anos nas crianças OU Tensão arterial média (PAM) < 65 mmHg

Saturação periférica de oxigénio (SpO2) < 90%, com polipneia (frequência respiratória (FR) > 20 ciclos por minuto (cpm) nos adultos, > LSNd para a idade nas crianças)

Alteração do estado de consciência [confusão, letargia, coma, alteração da escala de coma de Glasgow (GCS) ou AVDSe de novo]

Lactato > 2 mmol/L (se disponível)

Escala de Mottling ≥ 2 TPC > 2 segundos

NEWS ou NEWS2 ≥ 5

SI ≥ 0,7

igualmente, os critérios de exclusão que se encontra na Tabela 2.

Défice motor-sensitivo agudo; Estado mal asmático; Insuficiência cardíaca descompensada; Hemorragia digestiva aguda; Síndrome coronário agudo; Vítima politraumatizada ou queimada; Doente gravemente frágil (CFS ≥ 7);

nea point-of-care é importante para o doseamento do lactato sérico, seja este venoso ou arterial, como evidência de stress celular, podendo ser utilizada quando disponível. Níveis persistentemente elevados de

Tabela 1: Critérios de Inclusão para Alerta de VVS no Pré-Hospitar
Tabela 2: Critérios de Exclusão para Alerta de VVS no Pré-Hospitalar
Critérios relativos de exclusão

lactato estão associado a maior risco de mortalidade, sendo fundamental monitorizar a sua evolução, especialmente em casos de hipotensão refractária à ressuscitação volémica no choque séptico.

A ultrassonografia à cabeceira do doente (point-of-care ultrasound - POCUS) permite, além da confirmação diagnóstica, a avaliação hemodinâmica rápida e seriada, a identificação de focos infecciosos atípicos e a diferenciação etiológica da causa do choque. Recomenda-se, quando disponível, como adjuvante para titulação na administração de fluidos e avaliação de preenchimento vascular, através da avaliação do índice de colapsibilidade da veia cava, dentro das suas limitações, orientando a introdução precoce de vasopressores. Por outro lado, pode permitir a avaliação da disfunção severa do ventrículo esquerdo associada ao choque séptico, podendo indicar a introdução precoce de dobutamina. É também utilizado como adjuvante na colocação de dispositivos invasivos como cateteres venosos centrais.14-16

Tratamento

A abordagem terapêutica multimodal revela-se crítica para interromper a cascata fisiopatológica da sépsis, nomeadamente a inflamação sistémica descontrolada e hipóxia tecidular, visando limitar a progressão da disfunção orgânica e, consequentemente, melhorar o prognóstico.

A oxigenoterapia deve ser iniciada para valores alvo de saturação periférica de oxigénio (SpO2) compreendidos entre 92% e 96%, ou, se existir doença pulmonar obstrutiva

crónica, alvo SpO2 entre 88% e 92%, contribuindo para a correção de hipoxemia e melhorando a oxigenação tecidular. Perante o compromisso da via aérea e a necessidade de abordagem da mesma com ventilação invasiva, são recomendadas estratégias de proteção pulmonar [volume corrente (Vt) 6 a 8 mL/kg do peso ideal do doente e pressão de plateau < 30 cmH2O] para minimizar eventos adversos e melhorar a oxigenação. Se a capnografia estiver disponível, devem manter-se os valores de dióxido de carbono end tidal (EtCO2) entre 35 e 45 mmHg, tendo em atenção os riscos de hiperventilação nos doentes com hipercapnia crónica, podendo sugerir-se frequência respiratória (FR) entre 14 e 18 cpm.

A elevação dos membros inferiores (EMI) a 45º é uma manobra simples e não invasiva que é útil como medida transitória, antes ou durante a estabilização hemodinâmica, promovendo, em vítimas responsivas a volume, um aumento significativo do retorno venoso, com capacidade de elevação da PAM entre 5 e 15 mmHg.

A reposição volémica deve iniciar-se com cristalóides balanceados, preferencialmente em bólus de 250 mL (3 - 4 mL/ kg) até um total de 30 mL/kg, titulados para resposta de perfusão tecidular (melhoria da perfusão periférica, PAM ≥ 65 mmHg ou débito urinário de 0,5 a 1 mL/kg/ hora), evitando sobrecarga. A escolha dos fluidos balanceados prende-se pelo risco de acidose hiperclorémica e lesão renal associadas a doses elevadas de soro fisiológico, principalmente quando a sua utilização é

prolongada. Preconiza-se fluidoterapia em todos os meios do Sistema Integrado de Emergência Médica (SIEM) que incluam médico ou enfermeiro (consoante o protocolo vigente).

Simultaneamente, importa combinar reposição volémica com antibioterapia empírica, controlo do foco infecioso e suporte multiorgânico, nomeadamente com vasopressores.

O atraso nestas intervenções está associado a um aumento de 7% a 10% da mortalidade por hora no choque séptico.

Para estabilização hemodinâmica em contexto de choque séptico, recomenda-se noradrenalina (0,1 - 1,2 μg/ kg/min) como vasopressor de primeira linha, estando estabelecido o perfil de segurança da sua utilização pela via periférica, principalmente em doses inferiores a 0,3 μg/kg/ min. Nas crianças, as recomendações indicam noradrenalina ou adrenalina 0,05 - 0,1 μg/kg/min como fármacos vasoativos de primeira linha. Contudo, em alguns contextos pode ter de ser utilizada a dopamina (5 - 10 μg/kg/min), uma vez que o choque pode ser predominantemente cardiogénico.

Quanto à administração de antibioterapia, aplica-se o conceito de golden hour, com comprovado benefício na primeira hora, nos casos de choque séptico, podendo ser extensível até às três horas em situações de menor gravidade. Independentemente do contexto do socorro no pré-hospitalar, o algoritmo avançado de tratamento e as recomendações da DGS indicam a administração de antibióticos de largo espectro na primeira hora, de acordo com o potencial foco

de infeção (ex.: ceftriaxona e azitromicina para focos respiratórios ou + metronidazol para focos abdominais). Quando possível, a colheita de pelo menos dois conjuntos de hemoculturas (aeróbios e anaeróbios) deve anteceder a antibioterapia. A normoglicemia (alvo de 140 - 180 mg/dL) é ideal, uma vez que a hiperglicemia tardia e os episódios hipoglicémicos precoces afetam o outcome, de forma independente e provavelmente sinérgica. No entanto, a sua correcção no contexto pré-hospitalar não apresenta vantagens comprovadas e não é isenta de risco, não estando preconizada em ocorrências de curta duração.

Relativamente ao controlo da temperatura, a hipertermia não parece influenciar o prognóstico, mas a hipotermia está associada a maior mortalidade e risco de infeções nosocomiais. Defende-se o aquecimento activo lento, uma vez que melhora a perfusão orgânica, a concentração de antibióticos e a resposta imune, não havendo, contudo, evidência que suporte um alvo térmico específico.

Registos clínicos

Quando o preenchimento e a passagem de dados são efectuados correctamente, o alerta é gerado, independentemente do método de registo clínico [verbete nacional de socorro (VNS) ou plataforma iTeams®].1 Na aplicação iTeams®, o preenchimento dos campos dos sinais vitais com atenção à temperatura e escala AVDS, bem como a selecção do foco de infecção no campo “suspeita de infeção” do separador “CHAMU”.

Encaminhamento

A orientação dos doentes com suspeita de sépsis deve, idealmente, priorizar os SU com serviço de Medicina Intensiva. No entanto, na realidade do nosso país, e uma vez que a administração de antibioterapia e o controlo do foco de infecção são atualmente efectuados em contexto hospitalar, o handover do doente deve ser realizado o mais rapidamente possível para o SU com capacidade de recepção do mesmo.

Ao médico regulador do CODU cabe a ponderação do SU disponível da rede de referenciação hospitalar com capacidade para recepção e tratamento adequado do doente, de acordo com a sua condição, e com os tempos de viagem inerentes. Paralelamente, faz parte das suas funções decidir sobre a eventual necessidade de acompanhamento diferenciado e transmitir a informação clínica do doente às equipas hospitalares.

Tratamento

As recomendações destinadas aos meios de suporte básico da emergência pré-hospitalar encontram-se resumidas na Tabela 3. As equipas das ambulâncias de socorro (Corporações de Bombeiros/Cruz Vermelha Portuguesa) e ambulâncias de emergência médica têm um papel fundamental na avaliação, reconhecimento e pedido de apoio diferenciado em caso de:

• Compromisso da via aérea, ou

• Necessidade de suporte ventilatório, ou

• Hipotensão (TAs < 90 mmHg nos adultos, ou < 70 mmHg + 2 x idade em anos nas crianças), ou

• Escala AVDS = D ou S de novo.

As intervenções recomendadas para meios com enfermeiro encontram-se resumidas na Tabela 4. Recorda-se a necessidade de pedido de apoio médico ao CODU, em caso de:

• Compromisso da via aérea, ou

• Necessidade de suporte ventilatório, ou

• Hipotensão refratária às medidas farmacológicas instituídas e validadas pelo MR

BIBLIOGRAFIA

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Avaliação

A (Via aérea)

B (Ventilação)

C (Circulação)

D (Disfunção neurológica)

Intervenções

• Sinais de VA não permeável - Assegurar permeabilidade da VA

• Sinais de dificuldade respiratória

• Critério de gravidade: SpO2 < 90% e polipneia FR > 20 cpm, ou > LSN para a idade nas criançasa

Critérios de gravidade:

TAs < 90 mmHg nos adultos ou < 70 mmHg + 2 x idade em anos nas crianças

TPC > 2 seg

Mottling ≥ 2

SI ≥ 0,7

• Estado de consciência (AVDS)

• Critério de gravidade: AVDS D ou S de novo

- Administrar oxigénio

E (Exposição)

• Temperatura corporal

- Avaliar sinais de hipoperfusão: i. TPC > 2 seg ii. Pele fria, pálida, marmoreada, diaforética iii. Mottling ≥ 2

- EMI a 45o, (se tolerado),TAs < 90mmHg nos adultos, ou < 70 mmHg + 2 x idade em anos

Objectivos

VA permeável

SpO2: 92% - 96%, ou 88% - 92%, se DPOC

TAs ≥ 90mmHg nos adultos, ou ≥ 70 mmHg + 2 x idade em anos nas crianças

- Avaliar e monitorizar AVDS e GCS

- Avaliar e monitorizar glicemia capilar

Avaliar temperatura corporal

- Promover arrefecimento, se T ≥ 38,0°C (exceto se sensação de frio intenso):

i. Remover camada de roupa

ii. Aplicar compressas embebidas em soro fisiológico

iii. Afastar membros para maior perda de calor

- Promover aquecimento corporal, se T < 35,0oC:

i. Cobrir com cobertores isotérmicos (manta de sobrevivência) – lado prateado para baixo

ii. Aplicar cobertores de lã ou térmicos, por cima (se disponíveis)

iii. Fechar janelas da ambulância e ligar aquecimento (se existir)

iv. Substituir roupas húmidas por secas

- Antipiréticob:

Adultos: Paracetamol 500 - 1000 mg per os (PO)

Crianças: Peso [6,5 - 12] kg - Paracetamol 125 mg rectal; Peso [13 - 25] kg – Paracetamol 250 mg rectal; [25 - 50] kg – Paracetamol 500 mg PO.

T = 36,0 - 37,0°C

Tabela 3. Resumo das recomendações para ambulâncias de socorro e ambulâncias de emergência médica a: Polipneia em idade pediátrica30: recém-nascido - 6 meses > 60 cpm, 7 - 12 meses > 45 cpm, 1 - 3 anos > 30 cpm; 4 - 6 anos > 24 cpm; > 7 anos > 20 cpm. b: Mediante validação médico regulador (MR) do CODU. TPC: tempo de preenchimento capilar; DPOC: doença pulmonar obstrutiva crónica

“A” ou “V” Evitar hipoglicemia

Avaliação

A (Via aérea) • Sinais de VA não permeável

• Sinais de dificuldade respiratória

B (Ventilação)

• Critério de gravidade: SpO2 < 90% e polipneia FR > 20 cpm, ou > LSN para a idade nas criançasa

C (Circulação)

Critérios de gravidade:

TAs < 90 mmHg nos adultos ou < 70 mmHg

+ 2 x idade em anos nas crianças

TPC > 2 seg

Mottling ≥ 2

SI ≥ 0,7

Intervenções

- Assegurar permeabilidade da VA

Objectivos

- EOT se GCS ≤ 8, hipoxemia grave ou risco de aspiração VA permeável

- Administrar oxigénio

- Ventilação assistida (Não invasiva ou mecânica invasiva) se apneia ou ventilação ineficaz

- Ventilação manual assistida se apneia ou ventilação ineficaz

- Se ventilação mecânica (Vt 6-8 mL/Kgb)

- Avaliar Sinais de hipoperfusão:

i. TPC > 2 seg

ii. Pele fria, pálida, marmoreada

iii. Mottling ≥ 2

iv. Lactato > 2 mmol/L

- Iniciar bólus de cristaloides balanceados kg/h (20 - 30 mL/kg até máx. 60 mL/kg)c

- Iniciar Noradrenalinad,e se TAM < 65, após preenchimento vascular

- Ponderar associação de outros vasopressores/ inotrópicos

- Colher gasimetria arterial/venosa, se disponível

- Aplicação de POCUS, se disponível

- Monitorizar TAM/TAs, diuresef

- Ponderarg colheita de hemoculturas e administração de antibioterapia: Adultos: ceftriaxone 2 g; Crianças: 50 - 100 mg/kg (máx. 2 g)

SpO2: 92% - 94% ou 88% - 92%, se

DPOC

EtCO2 35 - 45 mmHg Pressão plateau < 30 cmH2O

TAs ≥ 90mmHg nos adultos, ou ≥ 70 mmHg + 2 x idade em anos nas crianças TAM ≥ 65 mmHg

Débito urináriof > 0,5 - 1 mL/Kg/h

pH 7,35 - 7,45

Lactato < 2 mmol/L ou washout de lactato em 3 - 6 h + 2 x idade em anos nas crianças

D (Disfunção neurológica)

E (Exposição)

• Estado de consciência (AVDS

• Escala de Coma de Glasgow (GCS) • Critério de gravidade: AEC

• Temperatura corporal

- Avaliar e monitorizar AVDS e GCS

- Avaliar e monitorizar glicemia capilar

Avaliar T:

- Se T ≥ 38,0°C: Arrefecimento antipirético: paracetamolh ou acetilsalicilato de lisinai, ou metamizol magnésico, ou outro anti-inflamatório não esteroide

- Se T < 35°C: aquecimento

Tabela 4. Resumo das recomendações para meios de emergência pré-hospitalar com enfermeiro e/ou médico

Glicemia capilar ≥ 140 - 180 mg/ dL

Evitar hipoglicemia

T = 36,0 - 37,0°C

a: Polipneia em idade pediátrica30: recém-nascido - 6 meses > 60 cpm, 7 - 12 meses > 45 cpm, 1 - 3 anos > 30 cpm; 4 - 6 anos > 24 cpm; > 7 anos > 20 cpm.

b: Calculado para o peso ideal do doente.

c: Avaliação do preenchimento vascular por POCUS, se disponível.

d: Noradrenalina, por acesso do maior calibre possível, o mais proximal possível, a 0,1 - 1,2 μg/kg/min.

e: Devem ser tidas em conta as preparações de noradrenalina existentes: bitartarato de noradrenalina 4 mg/mL e monotartarato de noradrenalina 8 mg/mL, nas quais a dose do princípio ativo noradrenalina, independentemente da formulação, é de 1 mg de noradrenalina por cada mL da solução apresentada.

f: A algaliação deve ser ponderada em transportes longos, não devendo atrasar o handover hospitalar.

g: A administração de antibioterapia e consequente colheita de hemoculturas reserva-se a casos de sépsis ou choque séptico em que a distância à unidade hospitalar seja superior a 60 minutos.

h: O paracetamol EV deve ser evitado em crianças com instabilidade hemodinâmica pelo risco inerente de hipotensão, devendo ser preferida a via de administração rectal.

i: O acetilsalicilato de lisina deve ser evitado em crianças pelo risco de síndrome de Reye.

TPC: tempo de preenchimento capilar; DPOC: doença pulmonar obstrutiva crónica; AEC: alteração do estado de consciência; MR: médico regulador; VA: via aérea.

8. Direção-Geral da Saúde. Norma n.o 010/2016: via-verde-sepsis-no-adulto. Lisboa: DGS; 2017.

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ANA RITA CLARA Médica de Medicina Intensiva, UCI CR-ECMO, ULS São José Médica SHEM-Algarve

FÁRMACO REVISITADO

DROPERIDOL

INTRODUÇÃO

O Droperidol é um neuroléptico do grupo das butirofenonas caracterizado principalmente pelo antagonismo dopaminérgico (D2), responsável pela ação antiemética potente, e por efeitos α1-adrenolíticos fracos.

Apesar de não totalmente esclarecido, liga-se a recetores GABA, o que justifica as propriedades sedativas. Além disso, ao bloquear canais de sódio e potenciar recetores μ-opioides tem propriedades analgésicas1 Em 2001, a emissão de um black box warning pela Food and Drug Administration, devido ao risco de prolonga-

INDICAÇÕES

Náuseas e vómitos

Agitação aguda (off-label)

Cefaleia aguda, incluindo enxaqueca (off-label)

Vertigem (off-label)

Síndrome da Hiperémese

Canabinóide (off-label)

Via IV/IM:

mento do intervalo QT e arritmias

ventriculares para doses superiores a 2,5 mg, reduziu a sua utilização. No entanto, evidência mais recente tem questionado a magnitude deste risco conduzindo a uma reavaliação do seu papel na prática clínica2–4

Atualmente, tem vindo a recuperar relevância pelo perfil farmacológico versátil1

FORMAS DE APRESENTAÇÃO E CONSERVAÇÃO

Está disponível sob a forma de solução injetável para administração intravenosa (IV) e intramuscular (IM),

POSOLOGIA

• Adultos: 0,625–1,25 mg; no idoso ou compromisso renal/hepático: 0,625mg

• Idade pediátrica a partir dos 2 anos: 10 a 50 microgramas/Kg até um máximo de 1,25 mg

Via IV/ IM:

• Dose inicial: 5-10 mg

• Crianças ≥7 anos: 0,1-0,2 mg/Kg/dose (máximo 10mg/ dose)

Via IV/ IM: 2,5–2,75 mg

Via IV/ IM: 1,25-2,5 mg

Via IV: 0,625-2,5 mg -

Tabela 1 - Resumo das indicações e Posologia do Droperidol.

habitualmente em concentrações de 2,5 mg/mL. Se necessário poderá ser diluído em NaCl 0,9% ou D5W5 Deve ser conservado à temperatura ambiente, protegido da luz, e utilizado imediatamente após abertura.

POSOLOGIA E MODO DE ADMINISTRAÇÃO

Apesar de a via IV ser a única aprovada pelo INFARMED, a literatura acrescenta a via IM como possível e com um início de ação equivalente3

Deverá ser administrado lentamente. A oximetria de pulso deverá ser realizada em doentes com suspeita

NOTAS

A administração é recomendada 30 minutos antes da conclusão da cirurgia e doses repetidas podem ser administradas a cada 6 horas conforme necessário.

Como agente único ou em co-administração com benzodiazepinas

Baseada em RCTs

Dados limitados e falta de estudos comparativos

José Miguel Oliveira Lourenço1 1Médico Interno da Formação Especializada em Anestesiologia da Unidade Local de Saúde Gaia/ Espinho

ou risco identificado de arritmia ventricular e continuar durante 30 minutos após administração única IV2. O American College of Emergency Physicians não recomenda ECG prévio para doses inferiores a 2,5mg, sendo que para doses superiores recomenda monitorização cardíaca até 2-3 horas após administração1,3

FARMACOCINÉTICA

A ação de uma dose única IV começa 2-3 minutos, com efeito de pico em aproximadamente 30 minutos3. Os efeitos tranquilizantes e sedativos persistem durante 2 a 4 horas. Volume de Distribuição (Vd) Após administração IV, as concentrações plasmáticas descem rapidamente nos primeiros 15 minutos, fenómeno independente do metabolismo e redistribuição do medicamento. A ligação às proteínas plasmáticas atinge 85 – 90% e o Vd é aproximadamente 1,5 L/Kg em adultos e 0,6 L/Kg em crianças5

Metabolização

Extensamente metabolizado no fígado: oxidação, desalquilação, desmetilação e hidroxilação pelas isoenzimas 1A2 e 3A4 do citocromo P450 e em menor grau pela isoenzima 2C19. Os metabolitos não têm atividade neuroléptica.

Semi-vida

A semi-vida de eliminação é de 134 ± 13 minutos.

Eliminação

A eliminação ocorre principalmente pelo metabolismo: 75% é excretado pelos rins, sendo 1% substância ativa inalterada, e 22% nas fezes, sendo 11% substância ativa inalterada5

FARMACODINÂMICA

O perfil farmacológico caracteriza-se principalmente pelo bloqueio da dopamina e efeitos α1-adrenolíticos fracos.

A ação inibidora sobre recetores dopaminérgicos D2 na área postrema, confere efeito antiemético potente.

O antagonismo sobre recetores α-adrenérgicos, contribui para efeitos vasodilatadores e hipotensão. Apesar de não totalmente esclarecido, liga-se a recetores GABA, potenciando o seu efeito inibitório, o que justifica as propriedades sedativas. Além disso, ao bloquear canais de sódio e potenciar recetores μ-opioides tem propriedades analgésicas1

INDICAÇÕES TERAPÊUTICAS

No Resumo das Características do Medicamento do INFARMED/ EMA, apenas constam as seguintes indicações2:

• Náuseas e vómitos pós-operatórios em adultos e, em segunda linha, em crianças a partir dos 2

anos e adolescentes: com eficácia demonstrada na redução da náusea aos 30 minutos comparativamente a outros fármacos1;

• Prevenção de náuseas e vómitos induzidos por derivados da morfina durante a analgesia pós-operatória controlada pelo doente.

• No entanto, a literatura disponível e statements de vários sociedades internacionais adicionam as seguintes indicações off-label3:

• Agitação aguda: em comparação com o haloperidol demonstrou um início de ação mais rápido, maior eficácia sem aumento dos efeitos adversos1;

• Cefaleia aguda, incluindo enxaqueca;

• Sedação;

• Síndrome da hiperémese canabinóide1,5;

CONTRA-INDICAÇÕES

• Hipersensibilidade ao fármaco ou excipientes;

• Antecedentes ou suspeita de

prolongamento do intervalo QT, incluindo doentes com QT longo congénito ou história familiar de prolongamentos do QT congénito e doentes tratados concomitantemente com fármacos que prolonguem o intervalo QT;

• Hipocalcémia ou hipomagenesémia;

• Bradicardia (< 55 batimentos por minuto);

• Feocromocitoma;

• Estados comatosos;

• Doença de Parkinson;

• Depressão grave;

• Não recomendado para idade inferior a 2 anos2;

• Listado como categoria C durante a gravidez.

EFEITOS

ADVERSOS

Os efeitos adversos mais frequentes incluem sedação e sonolência.

Sistema imunitário: raros – reações de hipersensibilidade, incluindo anafilaxia.

Doenças do sistema nervoso/ psiquiátricos: muito frequentes – sedação, sonolência; frequentes – tonturas; pouco frequentes – ansiedade, inquietação, disforia e sintomas extrapiramidais (incluindo distonia, acatisia e parkinsonismo); raros – discinesia tardia.

Cardiovasculares: frequentes – hipotensão, incluindo hipotensão ortostática; pouco frequentes – taquicardia; raros – prolongamento do intervalo QT, arritmias ventriculares incluindo torsades de pointes; muito raros – paragem cardíaca.

Doenças gastrointestinais: pouco frequentes – náuseas e vómitos.

Doenças da pele e do tecido subcutâneo: raros – erupção cutânea, urticária.

Perturbações gerais e alterações no

local de administração: pouco frequentes – fadiga, mal-estar; raros – síndrome neuroléptica maligna.

INTERACÇÕES

• Fármacos que causam prolongamento do intervalo QT não devem ser administrados simultaneamente: antiarrítmicos de classe IA e III, antibióticos macrólidos e fluoroquinolonas, certos antipsicóticos e outros agentes antieméticos;

• Administração concomitante com fármacos que induzem sintomas extrapiramidais como a metoclopramida e outros neurolépticos poderá levar a um aumento da incidência destes sintomas e por isso deverá ser evitada;

• Precaução em doentes sob terapêutica que altere o equilíbrio eletrolítico, como diuréticos, laxantes e glucocorticoides;

• Ação potenciadora de fármacos sedativos como barbitúricos, benzodiazepinas e derivados da morfina;

• Risco de hipotensão ortostática com administração concomitante com anti-hipertensores;

• Pode inibir a ação de agonistas dopaminérgicos;

• Subtâncias inibidoras da atividade das isoenzimas do citocromo P450 (CYP) CYP1A2, CYP3A4 ou ambas, podem diminuir a sua taxa de metabolização e prolongar a ação farmacológica.

• Não deverá ser utilizado concomitantemente com álcool, pelo risco de exacerbar efeitos depressores sobre o SNC.

TAKE HOME MESSAGES

• O droperidol é um fármaco eficaz e de ação rápida, com múltiplas aplicações na medicina de emergência, apesar da indicação formal ser para tratamento de náuseas e vómitos pós-operatórios;

• Apesar das preocupações históricas com o prolongamento do QT, a evidência atual sugere um perfil de segurança favorável;

• Constitui uma alternativa útil a benzodiazepinas e outros antipsicóticos no controlo da agitação;

• O seu perfil farmacológico torna-o particularmente relevante no contexto pré-hospitalar e da urgência

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5. Droperidol: Drug information - UpToDate.

CATARINA MONTEIRO Médica VMER
EDITORA

CRITICAL SIM

Catarina Tavares1, Marco Piedade2

1Enfermeira Gestora Serviço de Urgência Básico de Loulé

2Enfermeiro Gestor Serviço de Urgência Unidade de Faro

A profissão de Enfermagem enfrenta o desafio de fomentar a formação de profissionais autónomos, críticos e preparados para a atual complexidade da prática clínica. A segurança do doente é hoje na demanda da governação clínica, uma prioridade global das organizações de saúde, requerendo estratégias formativas inovadoras que limitem os erros e otimizem os processos de trabalho. Nestas circunstâncias, a simulação clínica afirma-se como uma metodologia pedagógica indispensável, até defendida pela Organização Mundial de Saúde. Ao replicar cenários reais em ambientes simulados, controlados e sem riscos, esta ferramenta possibilita integrar a teoria e a

prática, promovendo o desenvolvimento de competências técnicas e não técnicas, o pensamento crítico e a autoconfiança.

Estes pressupostos, estiveram na base da criação do Curso Critical SIM numa parceria entre a Unidade Local de Saúde do Algarve e a Universidade do Algarve, precisamente para responder à necessidade de especialização no cuidado ao doente crítico em ambientes de Urgência e Cuidados Intensivos. A formação oferece um espaço seguro para treinar equipas, mitigar falhas e consolidar competências essenciais. Alinhando-se com as diretrizes internacionais de melhoria contínua e qualidade assistencial.

Foram definidos como objetivos do curso:

• Promover a modernização da formação dos Enfermeiros do Departamento de Urgência e Medicina Intensiva através da introdução do treino em simulação.

• Melhorar a qualidade das intervenções de Enfermagem em contexto de doente crítico.

• Aumentar a segurança do doente, através das práticas baseadas em evidência.

• Realizar a avaliação clínica sistematizada do doente crítico, utilizando abordagens padronizadas.

• Tomar decisões clínicas

fundamentadas, priorizando intervenções de acordo com a gravidade e necessidades imediatas do doente.

• Aplicar estratégias de comunicação estruturada e eficaz para assegurar a transição de cuidados em contexto do doente crítico.

• Demonstrar liderança na gestão integrada do doente crítico.

Com a construção deste curso a equipa que o dirigiu pretendeu obter os seguintes resultados:

• Promoção da cultura de treino contínuo e segurança do doente.

• Melhoria da coordenação e gestão do tempo em situações de emergência.

• Reconhecimento precoce de sinais de deterioração clínica e atuação proactiva.

• Redução de eventos adversos relacionados com abordagem ao doente crítico em situações de emergência.

• Aumento de confiança e preparação das equipas nas situações de emergência

• Desenvolvimento de competências não técnicas.

• Desenvolvimento de competências reflexivas através de técnicas de debriefing estruturado

O curso decorreu com recurso às magníficas instalações do Centro de Simulação da Universidade do Algarve, ao longo de 4 meses, entre março e junho, recorrendo a formadores enfermeiros experientes do

departamento de urgência e medicina intensiva. Foram realizadas 8 sessões, com formação presencial de 8,5h que compreendia metodologia expositiva, demonstrativa e imersiva (prática simulada), foi dirigido a enfermeiros do Departamento de Urgência e Medicina Intensiva, com os formandos provenientes do Serviço de Urgência de Faro e Portimão, dos Serviços de Urgência Básicos de Loulé e Vila Real, da Unidade de Cuidados Intensivos e Intermédios de Faro. Isto permitiu formar 180 profissionais destes contextos. Para além da capacidade formativa, este curso permitiu aproximar profissionais dos vários serviços, estreitar laços profissionais e pessoais, desmistificar os vários ambientes, contribuindo para um melhor conhecimento e respeito profissional. O treino conjunto de enfermeiros de diferentes áreas enriquece a aprendizagem e potencia a segurança do doente, ao cruzar perspetivas e soluções inovadoras para desafios comuns. Promove a diversidade e estimula o networking estratégico, desenvolvendo a empatia, preparando os profissionais para colaborar em ambientes que estimulem a excelência dos cuidados de saúde

CATARINA TAVARES
Enfermeira VMER
Heli INEM
EDITORA

INTOXICAÇÕES NO PRÉ-HOSPITALAR

INTOXICAÇÃO

POR FENOBARBITAL

- EMERGÊNCIA MÉDICA TEMPO-DEPENDENTE

RESUMO

A intoxicação por fenobarbital constitui uma emergência médica tempo-dependente que provoca depressão profunda do sistema nervoso central, instabilidade hemodinâmica e respiratória, podendo evoluir rapidamente para coma e deterioração irreversível. No contexto pré-hospitalar, a abordagem é dificultada por intoxicações mistas, farmacocinética complexa, ausência de antídoto e pela necessidade de intervenções hospitalares avançadas.

O texto destaca a importância do reconhecimento precoce, do suporte vital imediato e do transporte urgente para unidades com cuidados diferenciados.

INTRODUÇÃO

O lançamento no mercado do primeiro barbitúrico, em 1903, marcou a evolução dos agentes hipnóticos e sedativos, surgindo como alternativa aos fármacos então disponíveis. Os barbitúricos foram amplamente usados na primeira metade do século XX para o tratamento de diversas condições, como perturbações psiquiátricas, insónia, ansiedade, aumento da pressão intracraniana, convulsões e indução anestésica. Contudo, o aumento da

sua aplicação terapêutica foi acompanhado por um crescimento significativo do uso indevido e da dependência, fenómenos que contribuíram para a subsequente revisão crítica do seu perfil de segurança. Entre estes fármacos, o fenobarbital destaca-se por características farmacocinéticas específicas, que implicam particularidades na abordagem clínica da intoxicação aguda, embora partilhe mecanismos de toxicidade comuns ao grupo1,2

EPIDEMIOLOGIA

A incidência de toxicidade por barbitúricos registou um declínio acentuado desde as décadas de 1950 e 1960, sobretudo devido à substituição por benzodiazepinas, que apresentam maior segurança. As mortes por overdose de figuras públicas como Marilyn Monroe, Jimi Hendrix e Judy Garland, contribuíram adicionalmente para a redução do seu uso, pois a toxicidade é diretamente proporcional ao uso1

Em 2023, os dados do CIAV/INEM mostram que as intoxicações por medicamentos continuam frequentes: das 25.091 exposições, 16.302 (64,97%) envolveram fármacos, maioritariamente em adultos. Entre estas, 63,25% corresponderam a

substâncias que atuam no SNC, destacando-se3:

• Ansiolíticos / Sedativos / Hipnóticos - 45,23%

• Antidepressivos - 32,1%

• Antipsicóticos - 22,2%.

FARMACOLOGIA: MECANISMO DE AÇÃO E DOSES TÓXICAS

Os barbitúricos atuam pela potenciação da neurotransmissão do ácido gama-aminobutírico (GABA), prolongando a abertura dos canais de cloreto e promovendo depressão do SNC. Em doses elevadas, podem abrir diretamente o canal de cloreto, mesmo na ausência de GABA e, por mecanismos indiretos, inibir recetores

N-metil-D-aspartato, reduzindo a atividade excitatória 1,4

O fenobarbital, barbitúrico de longa duração, é utilizado no estado de mal epiléptico e em crises convulsivas, além de servir como sedativo em situações como abstinência alcoólica ou, esporadicamente, na ventilação mecânica 1,4

A dose de ataque do fenobarbital é de 15 a 20 mg/kg, podendo a sedação ocorrer mesmo em doses terapêuticas. Já doses potencialmente tóxicas são as superiores a 40 mg/kg 1

FARMACOCINÉTICA

O fenobarbital possui biodisponibilidade oral acima de 95% e atinge o pico plasmático entre 0,5 e 4 horas. Apresenta volume de distribuição relativamente baixo para o grupo, de 0,6 a 1,0 L/kg e ligação proteica de 48%, que pode saturar em sobredosagem, aumentando a fração livre, potenciando os seus efeitos farmacológicos e tóxicos1,2,4. É metabolizado no fígado via CYP e n-glucuronidação. Por ser menos lipossolúvel e ter menor ligação a proteínas, apresenta ação prolongada de 10 a 12 horas. A sua eliminação é principalmente renal, com meia-vida longa, entre 75 a 140 horas1,2,4

ABORDAGEM MÉDICA

NO PRÉ-HOSPITALAR

1. Quando suspeitar?

A intoxicação por fenobarbital deve ser sempre alvo de suspeita em pacientes que apresentem depressão

do SNC, hipoventilação e hipotermia, associadas a uma história de exposição ao fármaco. Nos casos graves, o quadro clínico pode evoluir com coma, perda dos reflexos do tronco cerebral, hipotensão e falência cardiovascular. Mais tardiamente podem surgir, a nível cutâneo, as chamadas “bolhas de coma” ou “bolhas de farpa”1,2.

O diagnóstico é confirmado em ambiente hospitalar, através da correlação entre a clínica e a concentração sérica supraterapêutica do fármaco (> 40 mcg/mL ou > 172 micromol/L); no entanto, níveis séricos isolados não preveem de forma confiável a gravidade ou a duração da toxicidade. É necessário ainda averiguar ingestões concomitantes de outras substâncias1,4

2. ABCDE

A abordagem deve ser sistematizada e rápida, seguindo o protocolo ABCDE4,5

Via aérea: o fenobarbital produz sedação dose - dependente e é um potente depressor respiratório central, com efeitos sinérgicos quando combinado com outros sedativos ou opioides. Por isso, é fundamental a proteção precoce da via aérea. A intubação traqueal deve ser realizada imediatamente se o paciente for incapaz de proteger as vias aéreas ou apresentar hipoventilação 4,5,6

Respiração: garantir o aporte adequado de oxigénio suplementar. Se houver diminuição da frequência respiratória e sonolência, administrar Naloxona1,5,6:

- Adultos: 0,04 a 0,4 mg (se respira) ou 1 a 2 mg (apneia) IV/IM

- Crianças <5 anos: 4 ou 8 mg IN por dose. Crianças ≤20 kg: 0,1 mg/kg/ dose IV/IO/IM; máximo de 2 mg/dose ou 4 ou 8 mg IN/dose

Aviso: A Naloxona não reverte os efeitos do fenobarbital, mas pode melhorar o estado mental ou a respiração, se existir suspeita de opioides associados1

Circulação: deverá ser garantida uma monitorização contínua da pressão arterial e da frequência cardíaca, e assegurado um acesso venoso para fluidos. Na presença de hipotensão, administrar cristaloides isotónicos e, caso não haja resposta, recorrer a vasopressores como noradrenalina ou fenilefrina. A intoxicação aguda por fenobarbital pode causar um estado hipometabólico, com depressão do SNC e redução da demanda de oxigénio miocárdico e sistémico1,5,6

Neurológico: avaliar o estado de consciência e a reação pupilar, e excluir imediatamente hipoglicémia5,6

Exposição: estabelecer controlo da temperatura e excluir trauma. A hipotermia é comum nestes casos, porém a hipertermia de rebote também ocorre com frequência, provavelmente devido à conservação fisiológica de calor1

ANTÍDOTO

Não há conhecimento de um antídoto específico para intoxicação por fenobarbital. O tratamento consiste no suporte das funções vitais e na aceleração da eliminação do fármaco. A utilização de flumazenil é desaconselhada, pois não melhora o quadro e pode desencadear abstinência de benzodiazepínicos em casos de coingestão2,6 Na intoxicação leve por fenobarbital, o suporte clínico costuma ser suficiente. Nos casos moderados a graves, recomenda-se a administração de carvão ativado em múltiplas doses e, com precaução, a alcalinização urinária com bicarbonato para aumentar a depuração do fármaco, sempre associados à monitorização clínica contínua1,2,4,6

TAKE HOME MESSAGES

• A intoxicação por fenobarbital é uma emergência médica. No pré-hospitalar, o importante é uma abordagem estruturada e rápida com vista à proteção da via aérea e à maximização das hipóteses de sobrevivência do paciente. Estabilização e transporte urgente para cuidados diferenciados

Agradecimento

À Dra. Mónica Vieira da Fonseca, pela confiança e profissionalismo.

BIBLIOGRAFIA

1. UpToDate. Barbiturate (phenobarbital) poisoning;

2. National Library of Medicine. Barbiturate Toxicity;

3. INEM. Dados Estatísticos - Centro de Informação Antivenenos;

4. Life in the Fast Lane. Barbiturate toxicity;

5. Medscape. Barbiturate Toxicity Treatment & Management;

6. MedlinePlus. Barbiturate intoxication and overdose.

Anestesiologista na ULS Algarve

MÓNICA VIEIRA DA FONSECA VMER Faro e Albufeira INEM – CODU DRS
EDITORA
LUIS MIGUEL COSTA
EDITOR

O QUE FAZER EM CASO DE...

Incêndio Rural

• Mantenha a calma e avalie se está em local seguro.

• Ligue 112 e indique localização, direção do fumo, dimensão aparente e riscos.

• Afaste-se do fumo e proteja a boca e nariz com um pano húmido, se disponível.

• Não se aproxime para filmar, observar ou tentar passar por zonas afetadas.

• Não use drones.

• Se o fogo for pequeno e não houver risco, tente apagá-lo; mas se houver perigo, afaste-se.

ASSEGURAR CONDIÇÕES DE SEGURANÇA

• Siga as instruções das autoridades e use as rotas indicadas.

• Leve apenas o essencial.

• Use roupa comprida, calçado fechado e proteção para nariz e boca.

• Não volte atrás para buscar bens materiais.

• Evite estradas com fumo, chamas, árvores caídas ou cabos elétricos.

• Se circular de carro, mantenha faróis ligados, janelas fechadas e conduza devagar.

Nesta edição da LIFESAVING, apresentamos um guia simples para ajudar a população a agir em segurança perante o risco ou a ocorrência de um incêndio rural. Antes de um incêndio, o mais importante é prevenir e estar preparado. Verifique todos os dias o perigo de incêndio no seu concelho. Nos dias de perigo “Muito Elevado” ou “Máximo”, evite atividades que possam causar fogo ou faíscas; não faça queimadas, fogueiras ou grelhados em espaço rural, salvo em locais autorizados; evite usar máquinas que possam produzir faíscas, como motosserras, motorroçadoras ou rebarbadoras. Mantenha os acessos livres para os bombeiros e afaste materiais inflamáveis da casa. Combine com a sua família um plano de saída, pontos de encontro e contactos de emergência e tenha também um kit de emergência. Regra de Ouro em CASO DE INCENDIO RURAL—Primeiro proteja a VIDA. Bens materiais podem ser substituídos, pessoas não. Em caso de dúvida, afaste-se, procure local um seguro, ligue 112 e siga as instruções das autoridades BIBLIOGRAFIA

• Avise os vizinhos e ajude quem precisar, sem se colocar em risco.

• Feche portas, janelas, portadas e outras aberturas.

• Afaste materiais combustíveis junto à casa.

• Se for seguro, regue paredes, telhado e a zona envolvente.

• Desligue gás e eletricidade, se indicado ou seguro.

• Coloque toalhas molhadas nas frestas de portas e janelas.

• Prepare-se para sair se as autoridades o indicarem ou se deixar de ser seguro ficar.

• Ligue 112 e informe localização, número de pessoas e condições no local.

• Procure zona já ardida, área aberta, abrigo seguro ou local com água.

• Afaste-se de encostas, vales estreitos, cumeadas, vegetação densa e materiais inflamáveis.

• Deite-se no chão se houver fumo intenso.

• Cubra a pele com roupa seca e comprida.

• Mantenha-se visível para os meios de socorro sem bloquear acessos.

DEPOIS DO INCÊNDIO

• Regresse apenas quando as autoridades indicarem que é seguro. Atenção hà árvores instáveis, postes, cabos elétricos, brasas, cinzas quentes e estruturas danificadas.

• Não toque em fios elétricos caídos, nem em objetos queimados que considere perigosos. Se houver feridos, dificuldades respiratórias ou intoxicação por fumo, ligue 112.

• Comunique reacendimentos, fumo persistente ou situações perigosas. Documente danos apenas quando for seguro e contacte as entidades competentes.

1. Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil. (2026, julho 1). Aviso à população — Perigo de incêndio rural: Medidas preventivas. Portal Público do Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais. https://www.sgifr.gov.pt/w/aviso-%C3%A0-popula%C3%A7%C3%A3o-perigo-de-inc%C3%AAndio-rural-medidas-preventivas

2. Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil. (2026). Avisos à população. https://prociv.gov.pt/pt/avisos-a-populacao/

3. Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais. (2026). Portugal Chama: A prevenção começa em si. https://www.sgifr.gov.pt/

4. Instituto Português do Mar e da Atmosfera. (2026). Perigo de incêndio rural (PIR) — Continente. https://www.ipma.pt/pt/riscoincendio/rcm.pt/

5. Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas. (2026). Indicadores de incêndios rurais e perigo de incêndio rural. https://www.icnf.pt/

6. Serviço Nacional de Saúde. (2026, julho 2). Onda de calor: Serviços de saúde emitem recomendações para a população. https://www.sns.gov.pt/noticias/2026/07/02/ onda-de-calor-servicos-de-saude-emitem-recomendacoes-para-a-populacao/

7. República Portuguesa. (2026, abril 29). Contactos de emergência em Portugal. Gov.pt. https://www.gov.pt/guias/contactos-de-emergencia-em-portugal

8. Federal Emergency Management Agency. (2026, maio 11). Wildfires. Ready.gov. https://www.ready.gov/wildfires

9. Federal Emergency Management Agency. (2026, maio 29). Build a kit. Ready.gov. https://www.ready.gov/kit

10. Federal Emergency Management Agency. (2026, março 20). Evacuation. Ready.gov. https://www.ready.gov/evacuation

11. NSW Rural Fire Service. (2026). Bush Fire Household Assessment Tool. https://assessmyrisk.rfs.nsw.gov.au/

12. National Emergency Management Agency. (2024, dezembro 6). Bushfire Resilience Rating Home Self-Assessment. https://www.nema.gov.au/our-work/resilience/ national-resilience-action-library/bushfire-resilience-rating-home-self-assessment

13. Country Fire Authority. (2025, novembro 10). Defending your property. https://www.cfa.vic.gov.au/plan-prepare/before-and-during-a-fire/defending-your-property

14. NSW Government. (2023, outubro 18). Make your household bushfire plan. https://www.nsw.gov.au/emergency/bushfire/prepare/household-plan

15. Programa de edição de fotos: Painnt®

André Abílio Rodrigues 1
1Enfermeiro VMER, SIV
ANDRÉ ABÍLIO RODRIGUES
Enfermeiro SIV/VMER
EDITOR

CUIDAR DE NÓS

AMOR PRÓPRIO

José nasceu em Agosto de 1980, no Porto. Considera que o amor é a matéria-prima da medicina e esta é uma forma de amar o próximo. Especialista em Medicina Geral e Familiar, trabalha há cerca de 15 anos para os seus pacientes e para as respetivas famílias. O seu percurso já se ramificou até à consultoria em Mindfulness e à Hipnose Clínica. Publicou artigos sobre diferentes temas clínicos em revistas científico-médicas, porém as publicações dos últimos anos incluem reflexões sobre a espiritualidade, a mente, o amor ou a humanidade. É autor do blogue do Instagram e do livro com o mesmo nome: «O Médico que fala da alma» e também do livro "Curar sem Manual de Instruções"

O QUE É, AFINAL, ISTO DE AMOR PRÓPRIO?

Durante muito tempo disseram-nos que precisávamos de "gostar de nós próprios". Repetimos essa ideia tantas vezes que ela acabou por parecer uma verdade absoluta. No entanto, talvez o amor próprio não tenha tanto a ver com "gostar" de nós, mas sim com reconhecer o que realmente somos.

"Gostar" implica sempre uma

avaliação. Observamos determinadas características, comparamos, julgamos e, no final, concluímos: "gosto" ou "não gosto" de mim. Esse processo pertence à autoestima. A autoestima oscila porque depende da imagem que fazemos de nós mesmos. Há dias em que nos sentimos abundantes e outros em que nos sentimos aquém daquilo que gostaríamos de ser. Porém, nós tampouco somos a "imagem" que

fazemos de nós próprios. Somos a nossa essência.

O amor próprio nasce num lugar completamente diferente. Não depende de qualquer julgamento. Não exige que nos convençamos de que somos inteligentes, bonitos, fortes ou bem-sucedidos. Apenas nos convida a reconhecer um facto simples e profundamente transformador: existimos.

E, se existimos, não existimos por acaso.

Cada um de nos é um Ser único, irrepetível e portador de um valor que antecede qualquer mérito. Não precisamos de gostar de nós para sentirmos que merecermos viver. Basta termos consciência de que existimos e que essa existência possui um significado. Talvez seja por isso que se possa afirmar: "Se te conheceres verdadeiramente, nem precisarás de estar a gostar de ti mesmo/a."

Esse conhecimento conduz-nos à essência. Muito para além da personalidade, das emoções ou dos pensamentos, existe algo mais profundo. Aquilo a que muitas tradições chamam "alma" ou aquilo que a ciência passou a chamar de "consciência não-local" ou "supraconsciência" a partir dos mais diversos estudos sobre as experiências quase morte.1

Vivemos, porém, convencidos de que somos a nossa mente e o nosso corpo. Identificamo-nos com a personali -

dade, com a história que contamos sobre nós ou com a imagem que vemos ao espelho. Mas a mente e o corpo são apenas instrumentos através dos quais a nossa alma se manifesta.

A personalidade é semelhante ao software de um telemóvel. Faz parte do seu funcionamento, mas não é o telemóvel. Da mesma forma, a personalidade organiza a forma como pensamos, sentimos e agimos, mas não define o que realmente somos.

Podemos imaginar um piano. Quando ouvimos uma bela melodia, o som sai do piano, mas a música não é produzida pelo piano. Existe um pianista que é o criador da música. O instrumento apenas traduz aquilo que o artista cria.

Também nós somos assim. Somos a alma que toca. A mente é o piano. O corpo é o palco onde essa música se torna audível. Quando nos esquecemos de quem toca e

passamos a acreditar que somos apenas o instrumento, afastamo-nos da nossa verdadeira natureza. Talvez por isso tantas pessoas sintam que lhes falta amor próprio.

Mas será mesmo falta de amor?

Pensemos no ar. O ar existe em abundância e contém oxigénio.

Quando alguém diz que sente "falta de ar", não é porque o ar tenha deixado de existir, mas porque apresenta uma disfunção na respiração.

O mesmo acontece com o amor. A nossa alma contém amor, porque, na sua essência, ela é amor. O problema não é a ausência desse amor, mas a disfunção na manifestação desse amor naquilo que pensamos, sentimos e fazemos.

Não nos falta amor próprio. Falta-nos consciência daquilo que já somos.

E, talvez, a verdadeira cura de todos nós (sejamos pacientes ou profissionais de saúde) comece precisamente nesse instante: quando deixamos de procurar amor para, finalmente, reconhecermos que sempre fomos feitos dele

BIBLIOGRAFIA

1. van Lommel, P. (2013). Non-local

Consciousness: A Concept Based on Scientific Research on Near-Death Experiences During Cardiac Arrest. Journal of Consciousness Studies, 20(1–2), pp. 7–48

SILVIA LABIZA
Enfermeira VMER
Heli INEM
EDITORA

VOZES DA EMERGÊNCIA

LIFESAVING — RUBRICA «VOZES DA EMERGÊNCIA» ENTREVISTA

A PEDRO VASCONCELOS

Na edição de agosto, em que a LIFESAVING assinala o seu 10.º aniversário, a rubrica «Vozes da Emergência» ganha um significado especialmente simbólico. Ao longo dos anos, «Vozes da Emergência» tem acompanhado diferentes rostos e contextos da resposta pré-hospitalar. Nesta edição, seguimos para um lugar menos exposto, mas decisivo: o espaço onde a emergência também se gere, se orienta e se decide, muitas vezes apenas pela voz. Depois de mais de uma década de ausência, os enfermeiros regressaram, em novembro de 2024, aos Centros de Orientação de Doentes Urgentes (CODU), num movimento que reafirma de forma clara o valor da Enfermagem na regulação da emergência médica. Assinalar este regresso numa edição comemorativa é, por isso, mais do que um gesto simbólico: é reconhecer a importância de um percurso que liga passado, presente e futuro da Enfermagem no coração da decisão em emergência. O convidado desta edição é o Enfermeiro Gestor Pedro Vasconcelos, que integrou o processo inicial de entrada dos enfermeiros no CODU e que colabora agora, com a mesma dedicação, nesta nova etapa. Pela experiência acumulada no terreno, pelo contacto prolongado com a emergência extra-hospitalar e pelo envolvimento direto na regulação

pré-hospitalar, ninguém melhor para contar esta história que cruza memória, visão e compromisso profissional. A ele, o nosso sincero agradecimento pela disponibilidade e prontidão em colaborar com a revista.

QUEM É PEDRO VASCONCELOS?

Enfermeiro Gestor no Instituto Nacional de Emergência Médica, natural de Lisboa (1977), faz da emergência extra-hospitalar a sua casa há mais de duas décadas. Especialista em Enfermagem à

Pessoa em Situação Crítica, com competência acrescida diferenciada em Emergência Extra-Hospitalar, começou o seu percurso no Serviço de Urgência do Hospital de São Francisco Xavier, em 1999, e cedo se aproximou do INEM. Desde então, passou pela VMER, pela SIV e pelo helicóptero de emergência médica, integrou uma missão internacional em Timor-Leste e fez parte do primeiro ciclo de presença dos enfermeiros no CODU, entre 2007 e 2010. Regressado ao CODU de Lisboa

em novembro de 2024, reúne uma perspetiva rara: a de quem viveu o antes, o durante e o depois da Enfermagem no coração da regulação da emergência médica.

Começamos, como é hábito na rubrica, por conhecer a pessoa por detrás do profissional — o percurso, as memórias e a paixão pela emergência.

1. Como surgiu o gosto pela emergência?

R: Começar por dizer que nunca foi propriamente um objetivo meu ser enfermeiro, muito menos trabalhar na área da urgência ou da emergência. Na verdade, o meu sonho era ser músico.

O gosto pela Enfermagem foi surgindo já depois de começar a trabalhar e, com ele, foi crescendo também o interesse pelo doente crítico.

A emergência entrou verdadeiramente no meu percurso quando comecei

a trabalhar no Serviço de Urgência do Hospital de São Francisco Xavier, em 1999. Na altura, era o único hospital da cidade de Lisboa com uma VMER sediada no próprio hospital, e isso aproximou-me de uma realidade que era para mim totalmente desconhecida.

Teve também uma influência muito significativa o meu chefe de equipa, o Enfermeiro Rui Matos, que estava profundamente ligado ao INEM, nomeadamente à formação, à VMER e ao helicóptero. O contacto próximo com o Rui, com enorme experiência, conhecimento e entusiasmo pela emergência acabou por despertar em mim a curiosidade e a vontade de conhecer melhor este mundo.

Foi, portanto, um gosto que não nasceu de um plano previamente definido. Foi-se construindo com as pessoas, com as experiências e com as oportunidades que fui encontrando ao longo do caminho. E acabou por se transformar numa área absolutamente incontornável da minha vida profissional.

2. O que o levou a enveredar pela Enfermagem e, em particular, pela emergência extra-hospitalar?

R: Como referi, a Enfermagem não surgiu, inicialmente, como uma vocação claramente definida. Foi um caminho que fui compreendendo e valorizando à medida que comecei a exercer e a perceber aquilo que a profissão me permitia fazer: cuidar, decidir, intervir e fazer a diferença em momentos particularmente importantes na vida das pessoas.

O contacto com o Serviço de Urgência foi determinante nesse processo. Foi aí que percebi que me identificava

particularmente com contextos exigentes, onde é necessário aliar competência técnica, conhecimento, capacidade de decisão, rapidez, trabalho em equipa e, ao mesmo tempo, manter uma dimensão humana muito forte.

A emergência extra-hospitalar surgiu depois quase como uma evolução natural desse interesse. A possibilidade de prestar cuidados à pessoa em situação crítica fora do ambiente protegido do hospital, muitas vezes com informação limitada, recursos escassos e necessidade de tomar decisões rapidamente, despertou em mim um enorme interesse.

Ao mesmo tempo, fascinava-me a ideia de fazer parte de um sistema organizado de resposta à emergência, em que cada intervenção no terreno depende de uma cadeia muito mais ampla de pessoas, meios e decisões. Foi essa combinação entre autonomia, responsabilidade, imprevisibilidade, trabalho em equipa e capacidade de intervenção que acabou por me prender definitivamente à emergência extra-hospitalar.

3. Quais foram as recordações ou experiências mais marcantes ao longo do seu percurso no INEM?

R: É-me muito difícil sintetizar aqui uma vida de mais de 20 anos ligada à emergência extra-hospitalar. Entre partos e acidentes, PCR pediátricas e agressões, enfartes, intoxicações e cenários multivítimas, foram muitos anos entre VMER, SIV e helicóptero, tornando-se quase impossível escolher apenas um ou dois momentos.

Claro que há episódios que ficam para sempre. Lembro-me perfeitamente da minha primeira ativação,

em junho de 2004, para uma vítima de esfaqueamento na Cova da Moura, numa altura em que ainda conduzíamos um Golf III branco e azul. E lembro-me de todas as paragens cardiorrespiratórias pediátricas em que intervim — foram oito até hoje. Há também acidentes em cenários insólitos e situações multivítimas que dificilmente se apagam da memória.

Foi também naturalmente marcante a experiência numa missão internacional em Timor-Leste, tomando contacto com uma realidade que era para mim totalmente desconhecida. Mas, quando me pedem para escolher aquilo que verdadeiramente mais me marcou, curiosamente não são as intervenções tecnicamente mais complexas que primeiro me surgem na memória. São aquelas em que a dimensão humana do cuidar se sobrepõe a tudo o resto. Recordo, por isso, as situações de fim de vida em contexto de doença terminal, em que foi possível privilegiar a vontade do doente e da família face a transportes sem benefício e intervenções desproporcionadas. Recordo uma em particular em que houve ainda tempo para que um dos filhos, afastado do pai há vários meses devido a um conflito familiar, conseguisse chegar junto dele e se pudesse despedir em vida. Esta foi provavelmente uma das situações que mais me marcou. Não pela complexidade técnica da intervenção, mas por tudo aquilo que envolveu em termos de avaliação, comunicação, liderança, decisão médica regulatória, proporcionalidade terapêutica e envolvimento da família.

A emergência não é apenas salvar vidas. É também reconhecer quando o melhor cuidado passa por respeitar o fim da vida, preservar a dignidade e colocar a pessoa e a família no centro da decisão. Essa dimensão humana é, para mim, uma das partes mais importantes daquilo que fazemos. Infelizmente vejo-a como uma das mais esquecidas por muitos.

Mas nem tudo são luzes e sirenes — a emergência também se faz de momentos que pesam…

4. Na sua atividade profissional, o que pensa ser mais difícil de lidar/ suportar? No caso particular do CODU, como é gerir a emergência «à distância», apenas pela voz?

R: Uma das dimensões mais difíceis no CODU, enquanto enfermeiro e dentro das funções que nos têm sido atribuídas tanto entre 2007 e 2010 como no momento atual de regresso ao CODU é, precisamente, ter de decidir sem ver o doente. No terreno, apesar de todas as limitações que podem existir, temos acesso direto à pessoa: observamos, avaliamos, tocamos, percebemos o contexto e integramos inúmeros sinais que vão muito para além dos dados objetivos. No CODU, essa informação chega-nos através da voz de quem está do outro lado da linha.

Isso obriga a um exercício clínico diferente, talvez até mais exigente em alguns momentos. É necessário saber ouvir, interpretar a informação que nos é transmitida pelas equipas no terreno, mas também aquilo que fica por dizer, fazer as perguntas

certas e conseguir construir uma imagem clínica suficientemente sólida para apoiar a decisão.

Uma componente muito importante passa também pelo apoio às equipas que estão no terreno, sobretudo tendo em conta a heterogeneidade existente ao nível da formação, experiência e diferenciação dos diferentes profissionais. Em algumas situações, essa retaguarda clínica assume especial relevância, ajudando a estruturar a avaliação, enquadrar prioridades, discutir opções e apoiar a tomada de decisão.

A distância física pode ser desafiante, mas também reforça a importância da comunicação, da experiência clínica e da capacidade de transmitir segurança. No fundo, mesmo sem estar junto do doente, continuamos a fazer parte daquela intervenção e daquela equipa.

5. O que mais o motiva?

R: O que mais me motiva continua a ser sentir que aquilo que faço tem um impacto positivo na vida das pessoas. Na emergência, esse impacto pode ser muito evidente e imediato, mas nem sempre se traduz apenas em salvar uma vida ou reverter uma situação crítica. Por vezes, fazer a diferença é transmitir segurança num momento de maior vulnerabilidade ou garantir que a pessoa recebe a resposta ou encaminhamento certo para o seu real problema.

Motiva-me também muito poder contribuir para a formação e desenvolvimento de outros profissionais. Acompanhar colegas em formação, em concreto formação pós-graduada ou de especialidade, partilhar experiência, estimular o raciocínio

clínico e perceber que, de alguma forma, contribuí para que se tornem profissionais mais seguros e mais preparados é algo que valorizo particularmente.

E há ainda uma dimensão muito própria da emergência extra-hospitalar que continua a desafiar-me: trabalhar em ambientes e contextos mais adversos do que o hospital. Fora das portas do hospital, raras são as vezes em que dispomos das condições ideais, os recursos são mais limitados, o contexto pode ser imprevisível e as decisões têm frequentemente de ser tomadas com informação incompleta. É precisamente essa exigência, que obriga a conjugar conhecimento, experiência, capacidade de adaptação e trabalho em equipa, que continua a manter vivo o meu interesse pela emergência. No fundo, é esta combinação entre impacto nos doentes, colaboração no desenvolvimento de pares e desafio clínico e operacional que continua a dar sentido ao meu trabalho.

O ENFERMEIRO NO CODU — PASSADO, PRESENTE E FUTURO

Chegamos agora ao coração desta edição: a história dos enfermeiros no CODU, contada por quem a viveu. Do primeiro ciclo de integração à saída em 2010, do regresso em novembro de 2024 aos desafios que aí vêm — uma viagem pelo passado, presente e futuro da Enfermagem na regulação da emergência médica.

6. Fez parte do CODU no primeiro ciclo de presença dos enfermeiros. Como era, na altura, o dia-a-dia de um enfermeiro no CODU e que funções desempenhava?

R: Naquele primeiro ciclo, o papel do enfermeiro no CODU estava muito centrado no apoio aos meios de emergência pré-hospitalar que se encontravam no terreno e na articulação entre as diferentes equipas envolvidas na resposta, assumindo particular relevância na regulação das SIV, então recém-criadas.

O CODU Lisboa foi pioneiro nesse processo, acompanhando a entrada em funcionamento das primeiras SIV a nível nacional, no Alentejo, a 16 de outubro de 2007. Essa experiência viria posteriormente a estender-se a todo o país e, naturalmente, aos restantes CODU.

Tratava-se, essencialmente, de uma função de acompanhamento dos meios, receção de dados e efetuar a ponte com a unidade hospitalar preparando a receção do doente crítico. O enfermeiro constituía um ponto de apoio para os profissionais no terreno, contribuindo para a gestão das ocorrências, para a articulação entre meios, para a proposta de upgrade de meios sempre que clinicamente indicado e também para a gestão das Vias Verdes Coronária e AVC.

Na essência, e olhando para trás, não considero que existam diferenças muito significativas relativamente àquilo que constitui o núcleo fundamental da presença do enfermeiro no CODU. Naturalmente, o sistema evoluiu (lembro-me bem do velhinho CODU 8 e da transição para o I-Cad) e existem hoje outras ferramentas,

outros processos e, sobretudo, outros constrangimentos, nomeadamente os que estão associados ao encerramento de urgências ou valências. Talvez essa seja, precisamente, uma das ideias mais interessantes deste regresso: apesar de terem passado catorze anos, as necessidades que justificavam a presença dos enfermeiros no CODU não desapareceram. Pelo contrário, talvez tenham até aumentado.

7. Como viveu, em 2010, a saída dos enfermeiros dos CODU? Que impacto sentiu, pessoal e institucionalmente?

R: Vivi essa saída, sobretudo, como uma perda para o sistema.

A presença dos enfermeiros no CODU representava um acréscimo de conhecimento clínico, experiência

assistencial e proximidade à realidade do terreno. Quando essa função deixou de existir, perdeu-se uma parte importante dessa retaguarda, particularmente no apoio clínico às equipas pré-hospitalares.

Pessoalmente, mais do que sentir a saída como uma perda pessoal, senti-a como uma oportunidade que o sistema claramente desaproveitou. Havia já experiência acumulada, um papel reconhecido no apoio aos meios e uma capacidade de articulação clínica que, na minha perspetiva, acrescentava valor à missão do CODU.

Há também um aspeto histórico que considero importante. Naquela altura, a presença de enfermeiros nas centrais de emergência médica europeias estava ainda longe de ser

uma realidade generalizada. Portugal foi, nesse sentido, bastante precoce ao introduzir no CODU uma componente de diferenciação clínica de Enfermagem, numa época em que outros sistemas começavam igualmente a experimentar modelos semelhantes. Olhando retrospetivamente, considero que fomos pioneiros numa evolução que não soubemos aproveitar nem consolidar. Com o decorrer dos anos, vários sistemas europeus foram reforçando a presença de profissionais com diferenciação clínica, incluindo enfermeiros, nas suas estruturas de regulação e triagem, reconhecendo precisamente o valor do raciocínio clínico, da capacidade de avaliação e da tomada de decisão na gestão de chamadas e no apoio aos meios no

terreno. Resultado desse investimento, existem realidades europeias com uma taxa de ativação de meios por chamada muito menor e menor necessidade de transporte hospitalar. Aquilo que em Portugal começámos cedo acabou por ser interrompido, numa altura em que internacionalmente se caminhava precisamente nessa direção.

Creio também que existiu, desde o início, uma fragilidade importante: a integração dos enfermeiros no CODU não foi acompanhada pela necessária consolidação normativa e legislativa do seu papel, das suas funções e do seu enquadramento dentro do sistema. Essa ausência deixou a presença dos Enfermeiros no CODU numa posição particularmente vulnerável, demasiado dependente das opções de gestão e das orientações políticas de cada momento.

Na minha leitura, essa fragilidade tornou também o projeto mais permeável às diferentes pressões e aos interesses profissionais que, na época, se posicionavam contra a presença dos enfermeiros no CODU. Sem um enquadramento formal suficientemente robusto, foi mais fácil pôr em causa uma função que, do ponto de vista clínico e operacional, demonstrava a sua mais-valia, sem no entanto ter tido tempo de trabalhar e publicar indicadores de desempenho que viessem evidenciá-la. Com o tempo, essa ausência acabou também por tornar mais evidente aquilo que a Enfermagem podia acrescentar ao CODU. Talvez por isso, o regresso em 2024 tenha tido, para mim, um significado tão particular: não apenas como um reencontro, mas como o reconheci-

mento de uma necessidade que, na realidade, nunca deixou de existir. Acredito que daqui se retirou uma aprendizagem importante para o presente e para o futuro. O Despacho n.º 13562/2024 veio formalizar a presença dos enfermeiros nos CODU e enquadrar as suas funções, conferindo maior estabilidade a este modelo e protegendo-o, em certa medida, da variabilidade inerente aos ciclos políticos e às decisões conjunturais de gestão. Ainda que este Despacho tenha já sido revogado pelo Despacho 5816/2026, aguarda-se com expetativa o que a nova Lei Orgânica e Estatutos do INEM poderão trazer relativamente a todo o SIEM.

Do passado viramos a página para o presente: novembro de 2024 marca o reencontro da Enfermagem com o CODU…

8. Catorze anos depois, os enfermeiros regressaram ao CODU. Como recebeu a notícia e o que significou para si estar novamente ligado a este processo?

R: Recebi a notícia com uma mistura de satisfação, entusiasmo e, sobretudo, sentido de responsabilidade. Satisfação porque este regresso representa o reconhecimento de um papel que os enfermeiros já tinham desempenhado no CODU e cuja utilidade clínica e operacional nunca deixei de considerar fundamental para o sistema. Entusiasmo porque significava voltar a participar num processo que conhecia desde a sua primeira fase e que, catorze anos depois, surgia com uma oportunidade renovada de se afirmar e consolidar.

Mas existe também uma responsabilidade acrescida. Regressar não pode significar simplesmente retomar o que existia antes. É necessário aprender com o passado, enquadrar melhor as funções, definir objetivos e demonstrar, através da prática e dos resultados, qual o verdadeiro contributo dos Enfermeiros no apoio à regulação médica do CODU.

Acima de tudo, este regresso deve ser encarado como um reconhecimento do valor dos Enfermeiros no CODU, mas também como um desafio: transformar esse reconhecimento em resultados concretos para o sistema, para as equipas no terreno e, sobretudo, para os doentes.

9. Que funções desempenham hoje os enfermeiros no CODU e o que mudou face ao passado?

R: Hoje, os enfermeiros no CODU mantêm um papel muito centrado no apoio clínico aos meios de emergência pré-hospitalar, sobretudo os meios SBV, e no suporte à tomada de decisão das equipas que se encontram no terreno.

Na prática, funcionam como uma retaguarda clínica diferenciada, ajudando a enquadrar situações mais complexas, a estruturar o raciocínio clínico e a apoiar decisões em contextos em que a informação é limitada e em que a diferenciação das equipas é muito heterogénea. Quando comparo este modelo com aquele que conheci no primeiro ciclo de presença dos enfermeiros no CODU, diria que mudou pouco ou quase nada naquilo que é a essência da função.

Talvez a principal diferença não esteja tanto no conteúdo funcional,

mas no contexto em que este regresso acontece. Hoje existe um enquadramento formal mais claro para a presença dos enfermeiros e, sobretudo, uma oportunidade que não existiu no passado: avaliar de forma estruturada o seu contributo, através de indicadores, e demonstrar objetivamente o impacto desta diferenciação clínica na qualidade e segurança da resposta pré-hospitalar. Importa, no entanto, reconhecer que existe ainda uma margem muito significativa para evoluir, quer no funcionamento do próprio CODU, quer na forma como o contributo dos enfermeiros pode ser plenamente aproveitado. Na minha perspetiva, faz sentido caminhar para uma maior autonomia na decisão clínica, nomeadamente no apoio e regulação dos meios de Suporte Básico de Vida, acompanhada pela definição de procedimentos, critérios e protocolos claros de apoio à decisão.

Esta evolução poderia contribuir para tornar os processos mais céleres, consistentes e eficientes, reduzindo circuitos excessivamente redundantes e libertando capacidade de resposta num contexto em que o tempo é, muitas vezes, uma variável crítica. Mais do que acrescentar etapas à regulação, o desafio deve ser utilizar melhor a diferenciação clínica existente para simplificar processos, melhorar a tomada de decisão e acrescentar valor efetivo à resposta do CODU.

10. Na sua perspetiva, qual é o valor acrescentado que a Enfermagem traz à regulação da emergência médica?

R: O enfermeiro transporta consigo uma forma própria de avaliar a

pessoa, integrar sinais e sintomas, interpretar a evolução clínica e antecipar riscos. Essa capacidade resulta não apenas da formação académica, mas também da experiência acumulada na prestação direta de cuidados, nomeadamente o serviço de urgência.

No pré-hospitalar existe ainda uma vantagem adicional: muitos dos enfermeiros que integram o CODU conhecem profundamente a realidade do terreno, os meios, as suas capacidades e limitações e aquilo que é efetivamente possível fazer fora do ambiente hospitalar. Essa experiência aproxima a decisão tomada à distância da realidade de quem está junto do doente. Importa, no entanto, deixar claro que a responsabilidade pela regulação médica da emergência deve permanecer médica. O que considero necessário é utilizar melhor a diferenciação dos diferentes profissionais dentro do CODU. Atualmente, uma parte importante da capacidade dos médicos reguladores é consumida por decisões que, na minha perspetiva, podem ser protocoladas e assumidas pelos enfermeiros, como as recusas de transporte, decisões de encaminhamento ou o acompanhamento e regulação clínica dos meios de Suporte Básico de Vida. Existindo critérios, protocolos e limites de atuação claramente definidos, considero que os enfermeiros podem assumir uma parte significativa da regulação dos meios SBV, identificando naturalmente as situações que necessitam de escalada para decisão médica. Isso permitiria libertar capacidade dos médicos reguladores para aquilo

onde a sua diferenciação é particularmente necessária: a regulação dos meios SIV e SAV, as decisões clínicas de maior complexidade e a gestão do doente crítico.

Para mim, este é um ponto essencial: a presença dos enfermeiros no CODU não deve criar mais uma etapa no circuito de decisão. Deve aumentar a capacidade resolutiva do sistema, reduzir redundâncias e permitir que cada profissional intervenha no nível em que as suas competências acrescentam maior valor.

A Enfermagem acrescenta ainda uma perspetiva particularmente orientada para a pessoa e para o seu contexto, integrando fatores como vulnerabilidade, funcionalidade, contexto familiar, condições sociais ou objetivos de cuidados, que podem ser determinantes para definir a resposta mais adequada.

No fundo, o valor acrescentado não está simplesmente em “ter enfermeiros no CODU”, mas em utilizar verdadeiramente as suas competências, atribuindo-lhes autonomia e responsabilidade proporcionais à sua diferenciação, dentro de um modelo de regulação médica bem definido e posteriormente avaliado através da análise de indicadores operacionais e de qualidade.

11. Que competências e formação considera essenciais para um enfermeiro que integre o CODU?

R: A resposta a esta questão depende muito do perfil de intervenções que serão designadas para os enfermeiros nos CODU. Diria que para o apoio à regulação médica e acompanhamento de meios, serão critérios fundamentais a experiência

prévia em contexto de serviço de urgência e a experiência sólida em emergência pré-hospitalar. Quem regula ou apoia equipas à distância deve conhecer a realidade concreta do terreno: as limitações dos meios, os constrangimentos operacionais, a variabilidade dos contextos e a diferença entre aquilo que é teoricamente desejável e aquilo que é exequível numa ambulância, dentro de uma habitação ou na via pública. Se no futuro for opção política a integração de enfermeiros também na triagem, a experiência em contexto de urgência hospitalar ganha particular relevância. Não basta conhecer protocolos; é necessário saber interpretar sinais, integrar informação incompleta, reconhecer padrões de gravidade e antecipar deterioração clínica.

Mas a competência clínica, por si só, não chega. No CODU, a comunicação é uma ferramenta de trabalho. É necessário saber ouvir, fazer perguntas objetivas, estruturar informação, transmitir orientações de forma clara e adaptar a linguagem ao interlocutor. A capacidade de decisão sob pressão, a gestão da incerteza, o trabalho em equipa, a liderança e a consciência situacional são também competências fundamentais. Estas competências não técnicas são trabalhadas e construídas concomitantemente com o crescimento da maturidade pessoal e profissional. Em suma, para a triagem considero imprescindível a experiência clínica em contexto de serviço de urgência, para o apoio à regulação médica e acompanhamento de meios, acrescentaria a imprescindível experiência em contexto extra-hospitalar. Do

ponto de vista académico, assumiria para estes últimos a especialidade em Enfermagem à Pessoa em Situação Crítica e a Competência

Acrescida em Emergência Extra-Hospitalar como critérios essenciais, para além da formação específica e dirigida à função.

E porque esta história ainda está a ser escrita, olhamos agora em frente…

12. Quais têm sido os principais desafios desta reintegração e o que gostaria de ver consolidado nos próximos anos?

R: O primeiro desafio passa pela integração entre diferentes grupos profissionais e pela construção de

uma cultura verdadeiramente colaborativa. O CODU é, por natureza, um ambiente multiprofissional, e o sucesso deste modelo depende muito da capacidade de cada grupo reconhecer as competências dos outros e de existir confiança na tomada de decisão partilhada. Gostaria também de ver evoluir a autonomia dos enfermeiros em áreas onde essa diferenciação clínica pode ser particularmente útil, nomeadamente no apoio e regulação de meios de Suporte Básico de Vida, na gestão de determinadas situações protocoladas e no apoio mais estruturado às equipas no terreno. Para isso, é fundamental desenvolver procedimentos e algoritmos de apoio à decisão que

permitam maior celeridade, segurança e uniformidade na resposta. Mas a melhoria do CODU não depende apenas da integração dos enfermeiros. Exige uma transformação mais profunda do próprio modelo de regulação. Por um lado, é necessária uma verdadeira revolução tecnológica, com sistemas interoperáveis, melhor integração de dados clínicos, ferramentas de apoio à decisão e maior partilha de informação em tempo real.

Por outro, é essencial ultrapassar um modelo demasiado centrado no binómio “envio de meio–transporte ao hospital”. Nem todas as situações avaliadas pelos meios de emergência necessitam de terminar num Serviço de Urgência. O CODU deve ter capacidade para encontrar outras respostas seguras, através da articulação com os Cuidados de Saúde Primários, hospitais de dia ou outras estruturas do sistema e, em situações selecionadas, através de modelos de follow-up presencial ou telefónico no domicílio.

A própria integração entre CODU e SNS24 não pode ser uma discussão marginal. Pelo contrário, os 10 a 12% de chamadas que chegam ou são transferidas para a SNS24 obrigam a que o modelo deva ser repensado e melhorado. A ideia de uma central conjunta não me parece totalmente descabida e deve ser, pelo menos, ponderada. Paralelamente, parece-me também haver margem de melhoria ao nível da triagem e na adoção de um sistema validado internacionalmente e que permita benchmarking. No futuro, a regulação deverá ser cada vez menos entendida apenas

como a decisão sobre que meio enviar ou para onde transportar e cada vez mais como um verdadeiro processo de gestão clínica do episódio, capaz de encontrar a resposta mais adequada às necessidades concretas de cada pessoa. Finalmente, considero essencial que esta evolução seja acompanhada por indicadores. Temos de medir o impacto das decisões, os tempos, a utilização dos meios e, sobretudo, os resultados em qualidade e segurança. Gostaria, por isso, de ver consolidado um CODU mais clínico, tecnologicamente mais evoluído, com um algoritmo de triagem validado, mais conectado com os restantes níveis de cuidados e com profissionais com competências e autonomia ajustadas à sua diferenciação.

13. Enquanto Enfermeiro Gestor, como vê o contributo da Enfermagem para a gestão e organização do próprio INEM e do SIEM?

R: Enquanto Enfermeiro Gestor, considero que a Enfermagem desempenha um papel muito significativo não apenas na prestação direta de cuidados, mas também na gestão, organização e evolução do próprio INEM e do Sistema Integrado de Emergência Médica.

Os enfermeiros assumem uma posição particularmente interessante dentro do sistema porque conjugam conhecimento clínico, experiência operacional e uma visão muito próxima da realidade dos cuidados. Quem trabalha no terreno conhece bem os constrangimentos e muitas limitações organizacionais que nem sempre são visíveis a partir dos níveis mais centrais de decisão.

Quando essa experiência é associada a competências de gestão, pode constituir um contributo importante para aproximar a decisão estratégica da realidade operacional. A gestão em saúde não pode ser apenas uma gestão de recursos humanos, escalas, meios ou orçamento. Tem de ser também governação clínica. Isso significa analisar resultados, identificar riscos, avaliar processos, definir indicadores, promover qualidade e segurança, rever procedimentos e procurar continuamente formas mais eficientes de organizar a resposta. Neste domínio, considero que a Enfermagem tem ainda muito espaço para crescer dentro do INEM. Os enfermeiros podem contribuir para o planeamento operacional, definição de modelos assistenciais, gestão da qualidade, segurança do doente, formação, supervisão clínica, auditoria, investigação e avaliação de resultados. A diferenciação clínica e académica dos enfermeiros no INEM faz com que estres desempenhem já um papel fundamental na construção e revisão de normas, protocolos e algoritmos de decisão, trazendo para esses processos uma perspetiva clínica e operacional muito concreta. Existe também uma dimensão que considero fundamental: a capacidade de olhar para o sistema de forma transversal. O SIEM não é constituído apenas pelo INEM nem por um determinado grupo profissional. É uma rede onde participam diferentes instituições, meios e profissionais, desde o cidadão que liga 112 até à equipa que recebe o doente no hospital. Gerir verdadeiramente o sistema implica perceber esta cadeia

como um todo e procurar que cada elemento funcione de forma articulada com os restantes. E os enfermeiros estão presentes em todo o circuito do doente crítico, desde o pré-hospitalar aos serviços de medicina intensiva. Esta transversalidade coloca os enfermeiros como peças não apenas fundamentais mais imprescindíveis em todos os processos de gestão do SIEM. Nesse sentido, acredito que precisamos de modelos de liderança cada vez mais colaborativos. Médicos, enfermeiros, técnicos de emergência pré-hospitalar e restantes profissionais têm competências diferentes e complementares. O desafio da gestão é conseguir utilizar essa diferenciação da melhor forma possível, atribuindo responsabilidade de acordo com a competência e não apenas com modelos tradicionais de organização.

Enquanto gestor, valorizo particularmente a gestão baseada em evidência. Não podemos continuar a avaliar a qualidade de um sistema apenas pelo número de meios disponíveis, pelo número de ocorrências ou pelos tempos de resposta. Precisamos de medir resultados clínicos, adequação da resposta, segurança, eficiência na utilização dos recursos, satisfação das equipas e impacto das decisões tomadas. Só aquilo que conseguimos medir pode verdadeiramente ser analisado, comparado e melhorado. E neste campo, os processos assistenciais podem ter um contributo muito significativo na construção de um SIEM melhor.

Por isso, vejo a Enfermagem como parte integrante da governação do INEM e do SIEM. Não numa lógica de

disputa de espaços entre profissões, mas numa lógica de complementaridade, responsabilidade e utilização plena das competências existentes.

10.º ANIVERSÁRIO DA LIFESAVING E VISÃO DE FUTURO

Para terminar, brindamos aos 10 anos da LIFESAVING e abrimos as portas ao que aí vem — com o coração, como manda a tradição da rubrica.

14. A LIFESAVING celebra 10 anos. Que papel atribui a publicações como esta na formação, na partilha de conhecimento e na valorização dos profissionais do pré-hospitalar?

R: Publicações como a LIFESAVING têm um papel muito importante na formação, na partilha de conhecimento e na valorização dos profissionais da emergência pré-hospitalar.

Destacaria, sobretudo, o seu contributo para estimular a produção e divulgação de conhecimento científico. O pré-hospitalar português precisa de produzir mais evidência sobre a sua própria realidade, avaliar aquilo que faz e transformar a experiência acumulada pelas equipas em conhecimento que possa ser analisado, discutido e publicado. E considero fundamental que os profissionais da prática clínica estejam envolvidos nesse processo. Quem trabalha diariamente no terreno identifica problemas, formula perguntas e reconhece oportunidades de melhoria que dificilmente são percebidas da mesma forma por quem está afastado dessa realidade. A investigação deve, por isso,

aproximar cada vez mais a academia da prática clínica.

Publicações como a LIFESAVING podem funcionar precisamente como uma ponte entre esses dois mundos: divulgar boas práticas e evidência científica, mas também incentivar enfermeiros, médicos, e outros profissionais a investigar, escrever e partilhar aquilo que fazem.

Ao completar dez anos, creio que esse pode continuar a ser um dos seus contributos mais importantes: dar voz aos profissionais, mas também ajudá-los a transformar experiência em conhecimento e conhecimento em melhores cuidados.

15. Como visualiza a emergência pré-hospitalar — e o papel do enfermeiro no CODU — daqui a 10 anos?

R: Daqui a dez anos, gostaria de ver uma emergência pré-hospitalar mais integrada, mais diferenciada e organizada a partir das necessidades reais da população.

Acredito num SIEM estruturado de forma clara em três níveis de resposta (Suporte Básico de Vida, Suporte Imediato de Vida e Suporte Avançado de Vida) verdadeiramente complementares entre si. Neste modelo, considero fundamental uma aposta forte numa rede SIV mais robusta, capaz de assegurar uma resposta clinicamente diferenciada a um conjunto muito significativo de situações e, simultaneamente, otimizar o acionamento dos meios de Suporte Avançado de Vida para as ocorrências onde essa diferenciação é efetivamente necessária.

Essa rede deve ser planeada com base na casuística, nos tempos de resposta, na incidência de situações

tempo-dependentes, na dispersão geográfica e na distância às unidades hospitalares. Mais do que distribuir meios de forma uniforme, importa construir uma rede assente num princípio de equidade, garantindo que o local onde uma pessoa vive não determina de forma decisiva o acesso a cuidados diferenciados de emergência em tempo adequado. Na minha visão, a prática de Enfermagem em contexto extra-hospitalar deve caminhar também para um nível superior de diferenciação. Considero que esta atividade deverá ser exercida por enfermeiros especialistas em Enfermagem à Pessoa em Situação Crítica, acompanhada pela introdução progressiva de modelos

de prática avançada que sustentem, de forma clara, as intervenções, a autonomia e a responsabilidade clínica dos enfermeiros.

Relativamente ao CODU, não gosto particularmente da ideia de criar a figura do “enfermeiro de CODU” como se se tratasse de uma realidade clínica autónoma. Acredito que quem desempenha funções no CODU deve ser, antes de mais, um enfermeiro com ampla experiência clínica e um conhecimento muito concreto da emergência extra-hospitalar. E considero fundamental que essa ligação à prática seja mantida ao longo do tempo.

Gostaria, por isso, de ver desenvolvido um modelo em que os enfermeiros

possam exercer em regime misto, conciliando atividade no CODU com atividade assistencial nos meios de emergência. Nos grandes centros urbanos, consigo imaginar uma rede significativa de SIV a contribuir também para o funcionamento do CODU, permitindo que os mesmos profissionais alternem entre a regulação e o terreno.

Vejo várias vantagens neste modelo. Quem está no CODU mantém contacto permanente com a realidade operacional, com os meios, com as dificuldades das equipas e com a evolução da própria prática clínica. E quem regressa ao terreno leva consigo uma compreensão mais profunda da regulação, das prioridades do sistema e da forma como as decisões são construídas dentro do CODU.

A ligação à academia é fundamental para o processo de crescimento sólido do INEM. O aumento muito significativo do número de estágios académicos de Enfermagem nos últimos anos, no âmbito de pós-graduações e mestrados, deve ser visto como uma oportunidade única para fomentar e promover a investigação em contexto de prática clínica, elemento essencial para o apoio em decisões estratégicas fundamentadas na melhor evidência.

No fundo, imagino um SIEM mais moderno, sustentado em dados e evidência, com o apoio sempre sustentado também na inteligência artifical, organizado em níveis de diferenciação verdadeiramente complementares e orientado para colocar o meio certo, no local certo e

no momento certo, garantindo simultaneamente eficiência na utilização dos recursos, qualidade assistencial e equidade no acesso aos cuidados de emergência.

E, antes de nos despedirmos, a pergunta que nunca falta nesta rubrica…

16. O que diz o seu coração?

R: O meu coração diz-me que, apesar de todas as mudanças, de todas as dificuldades e até de alguma instabilidade, continuo a acreditar profundamente na emergência pré-hospitalar e nas pessoas que a fazem todos os dias.

Diz-me também que nunca podemos deixar que a técnica, os algoritmos, os tempos de resposta ou os indicadores nos façam esquecer aquilo que está no centro de tudo isto: as pessoas. É por elas e para elas que cá andamos.

Ao longo destes anos aprendi que nem sempre conseguimos salvar, nem sempre conseguimos resolver e nem sempre temos as condições que gostaríamos. Aprendi também que erramos, e o erro custa. Mas podemos sempre cuidar, respeitar, estar presentes e tentar fazer a diferença.

Aprendermos com os erros e procurar sermos melhores todos os dias. E talvez seja isso que continua a prender-me à emergência: a possibilidade de, num dos momentos mais difíceis da vida de alguém, poder ser parte da resposta.

Depois de mais de vinte anos neste percurso, o meu coração continua a dizer-me que vale a pena.

17. Gostaria de deixar alguma mensagem aos enfermeiros que agora integram os CODU e aos restantes elementos das equipas de emergência pré-hospitalar?

R: Aos enfermeiros que hoje integram os CODU, diria que abracem esta oportunidade com responsabilidade, competência e humildade. Este regresso representa uma conquista importante, mas a sua verdadeira consolidação dependerá daquilo que formos capazes de construir todos os dias. É fundamental manter uma forte ligação à prática clínica e ao terreno. Quem apoia decisões à distância deve conhecer profundamente a realidade de quem está junto do doente, compreender as limitações, os constrangimentos e a exigência de decidir em ambientes muitas vezes adversos e imprevisíveis.

A todos os profissionais da emergência pré-hospitalar, deixaria sobretudo uma mensagem de união. O SIEM não pertence a um grupo profissional. Constrói-se com médicos, enfermeiros, técnicos, bombeiros e tantos outros profissionais que, com competências diferentes, contribuem para o mesmo objetivo.

A emergência ensina-nos todos os dias que ninguém faz nada sozinho. É essa cultura de confiança, respeito e complementaridade que devemos continuar a fortalecer. Temos um sistema com muito para evoluir, mas também com profissionais extraordinariamente dedicados. Se formos capazes de transformar essa dedicação em colaboração, conhecimento, exigência e vontade de melhorar, acredito profundamente que o futuro da emergência pré-hospitalar em Portugal pode ser melhor

SOLANGE MEGA
Enfermeira SIV/VMER
RITA PENISGA
Enfermeira SUB/VMER
EDITORA
EDITORA

"A OCORRÊNCIA QUE NUNCA VOU ESQUECER?"

“Nunca me vou esquecer de muitas, mas a que mais me marcou foi uma paragem cardiorespiratória num bebé de 9 meses.”

Isabel Rodrigues de Sousa

“Primeira saída no primeiro turno de VMER após o estágio: saida para atropelamento de criança de 7 meses por camião… Na verdade a criança estava contida na cadeira e não aconteceu nada de maior mas o medo e a adrenalina…”

Ana Agostinho

“O meu primeiro acidente multivítimas com crianças... ainda hoje me lembro das suas caras; e, quando socorri um amigo num acidente grave de motociclo. Politrauma grave. Ninguém nos consegue preparar para isso.. Telma Santos

" Não consigo escrever a ocorrência... mas sim as ocorrências, aquela onde o bebé não chegou a acordar, o menino que acompnhava a mãe (alcoolizada) e não conseguiu proteger o seu filho de um atropelamento mortal. Outras houve que tenho um registo de emoções

NOTA DO EDITOR

As respostas obtidas à questão colocada na Tertúlia VMERista são da exclusiva responsabilidade dos intervenientes no "inquérito", e que são opiniões estritamente pessoais, das quais a LIFESAVING necessariamente se demarca...

mais positivas (o nascimento de uma criança, o ajudar o idoso a morrer com dignidade), sempre a cuidar com Amor." Silvia Labiza

“Na minha memória para sempre lembrarei as situações mais difíceis, mais desafiantes e que mais me colocaram à prova. No entanto, aquelas que mais gosto de recordar são aquelas com um final feliz, em que senti que a ajuda da VMER fez verdadeiramente diferença. Lembro assim, com especial destaque, a história de um parto em

curso na A22, há muitos anos atrás, com direito a circular pelo cordão, resolvido no local, e felizmente com sucesso.”

Bruno Santos

NUNO RIBEIRO
Enfermeiro VMER
TIP
EDITOR

UM PEDACINHO DE NÓS

Dr. Bruno Santos

Ana Rodrigues1, Teresa Castro 2

1Enfermeira das VMER de Faro e Albufeira, 2Enfermeira da VMER de Albufeira

Neste 10 aniversário vamos dar a conhecer um pouco do nosso coordenador médico Bruno Santos, Nascido em 1977, criado na Beira Alta, nos ares frios da Serra da Estrela, cresceu na tranquila aldeia de Vasco Esteves de Baixo, no concelho de Seia, numa das encostas da serra, virada a sul. A sua infância foi passada num ambiente bucólico, rural e despreocupado, rodeado de gente boa, laços familiares e amizades fortes. Desde cedo sonhou em viver junto ao mar, sem imaginar o que o futuro lhe reservaria.

Também em tenra idade alimentou o gosto inabalável de ser arquiteto, entre traços, rabiscos e rascunhos, no entanto, acabou por descobrir mais tarde uma vocação e interesse pela área médica, movida pelo gosto em ajudar e poder fazer a diferença, qual médico de província, como via retratado numa aclamada série televisiva dos anos 80 chamada "Retalhos da vida de um médico". Entretanto, hoje ainda pensa que a inclinação pela medicina pode ter sido condicionada na juventude pela evolução desfavorável da doença

oncológica da avó materna, pelo seu inconformismo com o desfecho e pela incapacidade para ajudar.

Na primeira candidatura ao Ensino Superior ingressa no Curso de Ciências Farmacêuticas na Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra, mas não desistiu do seu objetivo e recandidata-se no ano seguinte, conseguindo ingressar no Curso de Medicina da mesma Universidade. Recorda, o primeiro ano de vivência universitária como um ano muito

marcante, com a descoberta dos encantos de Coimbra, as amizades, a praxe académica, e o encontro com a música, contribuindo para a fundação da tuna de Farmácia da Universidade de Coimbra (Phartuna). Ficaram bem gravados na sua memória os convívios, os ensaios, e as primeiras atuações em palco, entremeados com os estudos, as aulas, e os exames. Nos anos seguintes, já no Curso de Medicina e Internato Geral, confessa que adquiriu maturidade e experiência, crescendo enquanto aspirante a médico. Os anos de Faculdade foram fundamentais para garantir bases sólidas, ferramentas e habilidades de raciocínio imprescindíveis para o futuro. Com o tempo, cresce também no capítulo

pessoal, construindo e reforçando laços de amizade, e principalmente porque descobriu a sua cara metade, oriunda dos ventos quentes do Algarve, com quem viria a casar.

Com o curso terminado, o gosto pela área respiratória, leva-o à especialidade de Pneumologia, e o destino ditou que rumasse a sul, e ingressasse no Hospital de Faro. Como primeiro médico do Internato complementar daquela especialidade, foi muito bem acolhido e acarinhado.

Já em Faro nasceram as sua duas filhas, lindas e algarvias, como a mãe. Permitiu-lhe assim o destino viver junto ao mar, como sonhava em criança.

Desde cedo, sentiu o bichinho da Emergência Médica, e com a sua inata dedicação e persistência, concluiu com sucesso os cursos de CODU e VMER, iniciando ambas as atividades, quase em simultâneo, em 2005.

Desde então não mais parou, fazendo da emergência médica um complemento insubstituível da sua atividade semanal, conciliando perfeitamente os turnos de VMER e CODU com a atividade hospitalar, e os anos exigentes do internato complementar… “Bem, talvez a minha família em casa, não partilhe da mesma opinião, e reconheço que os anos iniciais no Algarve foram muito desafiantes profissionalmente, subtraindo tempo familiar e negligenciando algum descanso.”

Em 2010 cessou a atividade no CODU, para se dedicar às técnicas broncoscópicas e à Pneumologia Oncológica. Mantendo a sua atividade na VMER , numa base de aprendizagem e atualização contínua, e, em 2015, após uma década de operacionalidade, recebeu a nomeação para Coordenador Médico das VMER de Faro e Albufeira, que mantem até à data atual.

Considera que a Coordenação Médica de ambas as VMER tem sido um grande desafio, porque mudou bastante a sua perspetiva da emergência médica. O foco principal deixou de ser a escala semanal, o turno ou o desafio de cada saída da VMER. “Mudei o meu mindset e passei

a ver a atividade da VMER a uma escala global, numa visão macro que enquadra todos os intervenientes, e incorpora todos os problemas, antecipando e procurando as melhores soluções. O meu foco passou a ser as condições que proporciono à minha equipa para desenvolver um bom trabalho, a motivação constante, o entusiasmo e a resiliência para reafirmar competências no dia a dia, a superação, o inconformismo que gera novas ideias...”

Foi essa linha de pensamento e a ação consequente que geraram a LIFESAVING, um projeto editorial concebido a partir da intenção inicial de complementar a formação da equipa, e que acabou por estimular o gosto pela escrita científica e técnica, e pela constante partilha e atualização do conhecimento. A ideia foi não só bem acolhida, como

também difundida e amplificada, permitindo a expansão do Projeto ao longo desta última década, até ao nível de complexidade que conhecemos.

Mas em todos estes anos de atividade na emergência médica, recorda com maior detalhe e afinco os momentos partilhados em equipa, em tantos turnos de VMER, em Faro e Albufeira, com saídas tantas vezes difíceis, com desenvolvimentos complexos, testando a capacidade de resposta da equipa e sobretudo a proficiência na gestão dos cenários. Considera que o mais difícil na emergência médica não é aplicar um procedimento ou protocolo conhecidos, é sobretudo saber estar e comunicar, saber quando agir, apelando a todas as ferramentas técnicas e não técnicas, que nos

capacitam e que podem, no fim de tudo, fazer toda a diferença.

A título de exemplo, “...abro aqui algumas gavetas da minha memória e revejo, com imagem, som e sensações várias, algumas das saídas mais marcantes que participei, sejam cenários de exceção, com múltiplas vítimas, com ambientes próprios e de difícil gestão, como foram vários acidentes na N125, A22 ou outras vias, ou então outras ocorrências em cenários de violência e agressão, ou de grandes multidões. Não esqueço saídas de longa distância, nos tempos em que Vila Real de Santo António era um destino frequente, e outras deslocações entre serra e barrocal, e claro, as sempre especiais deslocações às ilhas barreira. Menção especial para os partos iminentes e consumados, e em particular para as saídas envolvendo assistência a crianças e recém-nascidos, sempre complexas e tão difíceis de gerir... “

Embora reconheça que os insucessos marcam profundamente, enquanto profissionais de emergência médica, constata que a memória nos reconforta com todos aqueles momentos em que conseguimos ajudar, em que fizemos a diferença, poupando vidas ou ajudando na recuperação.

Se existe algo que a VMER lhe ensinou, em todos estes anos foi a trabalhar em Equipa com todos os intervenientes, mas sobretudo, de forma especial, com o(a) Colega que se senta no carro ao seu lado, em cada turno, fazendo da velocidade uma hábil ferramenta, e que ao seu lado enfrenta os mesmos desafios e as mesmas sensações dos cenários de destino. Neste ambiente de entreajuda e apoio mútuo, também lhe(s) agradeçe tudo o que tem aprendido sobre o cuidar e humanizar, imprescindível para o sucesso da nossa missão.

Para o futuro imagina a VMER mais organizada do ponto de vista funcional, com médicos e enfermeiros com horários mais previsíveis e condições remuneratórias mais justas, mas também com condições de trabalho melhoradas, bases da VMER mais adaptadas e organizadas, e uma gestão otimizada de materiais e equipamentos. Acredita que será igualmente determinante para o dia a dia a introdução correta das inovações tecnológicas, como a inteligência artificial, a telemonitorização ou a simulação em emergência médica. A chave para todo o processo será essencialmente a nossa capacidade de adaptação, conhecendo bem todas as ferramentas, e utilizando-as da melhor maneira, melhorando a cada dia a nossa missão de assistência médica pré-hospitalar

Enfermeira VMER

Heli INEM

TERESA CASTRO
Enfermeira VMER
EDITORA
ANA RODRIGUES
EDITORA

TESOURINHO VMER ista

Há dias em que a medicina parece seguir religiosamente os livros. E depois há dias em que os livros desistem e passam apenas a observar.A ativação da VMER surgiu por uma dor torácica. À chegada, encontrámos uma senhora consciente, colaborante, hemodinamicamente estável e com uma queixa perfeitamente enquadrável nas dezenas de dores torácicas que todos os dias desafiam a medicina de emergência.

Enquanto decorria a avaliação inicial, o eletrocardiograma surgia tranquilizador, sem alterações sugestivas de enfarte agudo do miocárdio. Até aqui, tudo dentro da normalidade.Como sempre, começámos a recolher uma história clínica mais detalhada.

Entre perguntas sobre o início da dor, fatores de agravamento e antecedentes, a doente refere, com toda a naturalidade:

"Antes de vocês chegarem, uma enfermeira fez-me pressão no peito."

A equipa troca olhares discretos. "Pressão no peito" podia significar muitas coisas. Talvez palpação, talvez uma tentativa de avaliar a dor.

Foi precisamente nesse instante que surge

Congressos e Cursos

EDITOR

uma senhora, de forte sotaque brasileiro, extremamente segura de si, que interrompe a conversa:

"Essa senhora estava comigo no restaurante."

Faz uma breve pausa e continua, cheia de convicção:

"Eu achei que ela podia estar tendo um infarto."

A equipa escuta atentamente.

"E aí eu comecei logo a fazer massagem cardíaca nela."

Silêncio.

"Sentada."

Novo silêncio.

"Porque era restaurante, né? Eu não podia colocar ela no chão."

Por breves segundos instalou-se aquele raro fenómeno que não aparece em nenhum protocolo: vários profissionais de emergência a travarem uma batalha épica entre a expressão facial profissional e uma

vontade quase irresistível de sorrir.

Respirou-se fundo.

Com toda a serenidade possível, explicámos que uma paragem cardiorrespiratória não se diagnostica pela impressão de quem está à mesa ao lado; que uma massagem cardíaca só está indicada quando existe ausência de resposta e ausência de respiração normal; que deve ser realizada numa superfície rígida; e que, felizmente, uma pessoa sentada, consciente e a conversar dificilmente reúne os critérios para iniciar compressões torácicas.

No final, a doente manteve-se estável, o eletrocardiograma continuava sem alterações sugestivas de enfarte agudo do miocárdio e prosseguiu a investigação de acordo com a boa prática clínica.

Quanto à "massagem cardíaca sentada em restaurante", ficará provavelmente registada apenas na memória da equipa.

Porque, por muito que os manuais de emergência evoluam, dificilmente haverá um capítulo dedicado às compressões torácicas realizadas preventivamente, na cadeira, entre o prato principal e a sobremesa

EUROPEAN EMERGENCY MEDICINE CONGRESS (EUSEM 2026)

23 A 27 DE SETEMBRO DE 2026 PARIS, FRANÇA

INTERNATIONAL CONFERENCE ON EMERGENCY MEDICINE AND HEALTHCARE

21 E 22 DE SETEMBRO DE 2026

LISBOA (FORMATO DIGITAL)

ESICM LIVES 2026

10 A 14 DE OUTUBRO DE 2026

LISBOA

PEDRO

O terramoto de 24 de junho, com sismos de magnitude 7.2 e 7.5 e epicentro perto de Caracas, causaram mais de 1400 mortos e destruição generalizada em edifícios (80% dos edifícios colapsados no estado de La Guaira na Venezuela). Houve uma mobilização musculada de forças de resgate internacionais.

“Neste momento crítico (…) devemos ajudar a Venezuela a recuperar deste desastre e a reconstruir melhor. Como os terramotos estão entre os desastres naturais mais mortíferos que enfrentamos, é essencial que construamos resiliência antes que o desastre aconteça.”

“At this critical time (…) we must help Venezuela recover from this disaster and Build Back Better. As earthquakes are among the deadliest natural hazards we face, it is essential that we build resilience before disaster strikes.”

Kamal Kishore

Representante Especial do Secretário-Geral da ONU para a Redução do Risco de Catástrofes a 26 de Junho de 2026

https://www.undrr.org/news/statement-venezuela-earthquakes-kamal-kishore-special-representative-un-secretary-general

Gianni Infantino discursou na ONU no âmbito de uma reunião sobre como o futebol pode ser um catalisador para a saúde mental dos jovens. Chamando à bola oficial do campeonato mundial de futebol de 2026 "um objeto mágico que tem o poder de unir o mundo":

"Vimos milhões de pessoas a reunirem-se no último mês e meio nos Estados Unidos, no Canadá e no México, e em todos os cantos do mundo, reunindo-se pacificamente, alegremente, querendo passar tempo juntas e celebrar um momento de união. Esta é a mensagem mais forte de todas, e é sobre ela que devemos construir o nosso futuro: um futuro de comunidade e um futuro de união.”

"Hemos visto a millones de personas reunirse en el último mes y medio en Estados Unidos, en Canadá y en México, pero en cada rincón del mundo, reuniéndose de manera pacífica, de manera alegre, queriendo pasar tiempo juntos y queriendo celebrar un momento de comunidad. Este es el mensaje más fuerte de todos y este es el mensaje sobre el que tenemos que construir nuestro futuro: un futuro de comunidad y un futuro de unidad".

Gianni Infantino

Presidente da FIFA, a 18 de Julho de 2026

https://www.tudn.com/mundial-2026/gianni-infantino-proclama-un-exitoso-mundial-en-la-onu

PEDRO RODRIGUES SILVA Enfermeiro VMER/TIP
EDITOR
Centro Académico de Investigação e Formação Biomédica do Algar ve

ANEPC

(AUTORIDADE NACIONAL DE EMERGÊNCIA E PROTEÇÃO CIVIL)

SURVIVING SEPSIS

O site oficial da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) reúne várias informações e serviços imprescindíveis, nomeadamente: ocorrências ativas e informações sobre emergências em

curso; avisos e recomendações para incêndios, condições meteorológicas adversas e outros riscos; programas de prevenção e preparação, e o acesso a documentação, legislação e normas de proteção civil e segurança

https://prociv.gov.pt/pt/home/

É um site desenvolvido pela Society of Critical Care Medicine (SCCM) e pela European Society of Intensive Care Medicine (ESICM), e nele poderá encontrar as mais recentes

guidelines internacionais de referência para diagnóstico e tratamento da sépsis e choque séptico (2026), e ainda outros recursos que auxiliam a abordagem clínica

https://www.sccm.org/survivingsepsiscampaign

BRUNO SANTOS Médico VMER
EDITOR

Nesta edição da nossa rubrica Best App´s destacamos duas aplicações voltadas para a emergência médica e apoio clínico. Num mundo onde cada

ECHO SOS

segundo conta, ter estas ferramentas no seu smartphone pode fazer a diferença entre a vida e a morte

Aplicação de emergência desenhada para transmitir a sua localização exata para os serviços de emergência locais. Independentemente de onde se encontre no mundo, a app identifica os números de emergência corretos (como o 112 na Europa, ou o 911 nos EUA) e ajuda os socorristas a encontrálo rapidamente. Em situações de pânico, acidentes de viação ou em locais desconhecidos (como trilhos ou viagens ao estrangeiro), descrever a localização exata pode ser impossível. O Echo SOS elimina este problema, fornecendo ainda informações sobre os hospitais e serviços de urgência mais próximos da sua localização atual

https://play.google.com/store/apps/details?id=ch.mobilemed.echo112&hl=pt_PT

SEPSIS CLINICAL GUIDE

Direcionada para profissionais de saúde, prestadores de primeiros socorros e estudantes de medicina, a Sepsis Clinical Guide é uma aplicação focada no diagnóstico e gestão da sépsis, fornecendo algoritmos clínicos, calculadoras médicas e orientações baseadas nas mais recentes evidências científicas para o tratamento rápido desta condição crítica

https://play.google.com/store/apps/details?id=app.escavo.sepsis&hl=pt_PT

EDITOR

PEDRO LOPES SILVA
Enfermeiro VMER
Heli INEM

SUGESTÕES DE LEITURA

“ RescueGPT: An Automated System for Detecting Adverse Safety Events in Prehospital Emergency Medical Service Notes With a ZeroShot Approach With Large Language Models: A Proof-of-Concept Study,”

https://doi.org/10.1002/lrh2.70088

T. Y. J. Hsieh, C. Eriksson, G. Meckler, et al., Learning Health Systems 10, no. S1 (2026): e70088

Artificial intelligence in the prehospital setting – potentials, challenges, and practice-relevant fields of application in emergency medical services.

https://doi.org/10.1186/s44398-026-00027-8

Machado, C., Hessel, S. BMC Artif. Intell. 2, 12 (2026).

Inclusion of Hospital Performance in Prehospital Stroke Routing: A Simulation Study.

https://doi.org/10.1080/10903127.2026.2689666

Zachrison, K. S., Schwamm, L. H., Cui, Y., Yan, Z., Lim, F., Ingram, M. A., … Hur, C. (2026). Prehospital Emergency Care, 1–9.

The landscape of extracorporeal cardiopulmonary resuscitation in Germany. A nationwide retrospective study.

https://doi.org/10.1080/10903127.2026.2697436

Jasny, T., Kloka, J. A., Lotz, G., Supady, A., Hoechter, D. J., Rieder, C., … Friedrichson, B. (2026). Prehospital Emergency Care, 1–11.

Association between race, ethnicity, and sex with prehospital identification and outcomes of patients with stroke.

https://doi.org/10.1016/j.jstrokecerebrovasdis.2026.108696

Lensink-Vasan, M., Wham, C., Nicke, D., Espinoza, I., Duenas, J., Molina Kuna, E., Sillau, S., Farcas, A., Dylla, L., & the IMPACT Investigators. (2026). Journal of Stroke and Cerebrovascular Diseases, 35(8), 108696.

Identifying Themes for EMS Continued Competency That Are Acceptable and Improve Patient Care.

https://doi.org/10.1080/10903127.2026.2674829

Panchal, A. R., Riel, K. M., Kamholz, J. C., Gage, C. B., van den Bergh, S. L., & Gugiu, M. R. (2026). Prehospital Emergency Care, 1–8.

Comparison of Needle Decompression to Simple (Finger) Thoracostomy in Non-Perfused Cadaveric Models with Theoretical Tension Pneumothorax.

https://doi.org/10.1080/10903127.2026.2661803

Ausman, J. A., Achay, J. A., Smith, V. C., Rahm, S. J., & Bolleter, D. S. (2026). Prehospital Emergency Care, 1–6.

ANDRÉ ABÍLIO RODRIGUES Enfermeiro SIV/VMER
EDITOR

CRITÉRIOS DE PUBLICAÇÃO

ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO – Novembro de 2021

1. Objectivo e âmbito

A Revista LIFESAVING (LF) é um órgão de publicação pertencente ao Centro Hospitalar Universitário do Algarve (CHUA) e dedica-se à promoção da ciência médica pré-hospitalar, através de uma edição trimestral.

A LF adopta a definição de liberdade editorial descrita pela World Association of Medical Editors, que entrega ao editorchefe completa autoridade sobre o conteúdo editorial da revista. O CHUA, enquanto proprietário intelectual da LF, não interfere no processo de avaliação, selecção, programação ou edição de qualquer manuscrito, atribuindo ao editor-chefe total independência editorial.

A LF rege-se pelas normas de edição biomédica elaboradas pela International Commitee of Medical Journal Editors e do Comittee on Publication Ethics

2. Informação Geral

A LF não considera material que já foi publicado ou que se encontra a aguardar publicação em outras revistas.

As opiniões expressas e a exatidão científica dos artigos são da responsabilidade dos

respectivos autores.

A LF reserva-se o direito de publicar ou não os artigos submetidos, sem necessidade de justificação adicional.

A LF reserva-se o direito de escolher o local de publicação na revista, de acordo com o interesse da mesma, sem necessidade de justificação adicional.

A LF é uma revista gratuita, de livre acesso, disponível em https://issuu.com/lifesaving Não pode ser comercializada, sejam edições impressas ou virtuais, na parte ou no todo, sem autorização prévia do editor-chefe.

3. Direitos Editoriais

Os artigos aceites para publicação ficarão propriedade intelectual da LF, que passa a detentora dos direitos, não podendo ser reproduzidos, em parte ou no todo, sem autorização do editor-chefe.

4. Critérios de Publicação

4.1 Critérios de publicação nas rúbricas

A LF convida a comunidade científica à publicação de artigos originais em qualquer das

categorias em que se desdobra, de acordo com os seguintes critérios de publicação:

Nós Por Cá

- Âmbito: Dar a conhecer a realidade de actuação das várias equipas de acção pré-hospitalar através de revisões estatísticas da sua casuística. Dimensão: 250 palavras.

Tertúlia VMERISTA

- Âmbito: Pequenos artigos de opinião sobre um tema fraturante. Dimensão: 250 palavras.

Minuto VMER

- Âmbito: Sintetização para consulta rápida de procedimentos relevantes para a abordagem de doentes críticos. Dimensão: 1000 palavras

Fármaco Revisitado

- Âmbito: Revisão focada na aplicabilidade clínica de um fármaco usado em contexto de emergência pré-hospitalar; - Estrutura: Título; Autoresmáximo 1(primeiro nome, último nome, título, afiliação); Introdução; Formas de Apresentação e Conservação; Posologia e Modo de Administração; Farmacocinética; Farmacodinâmica; Indicações

Terapêuticas; Contra-indicações; Efeitos Adversos e Interações medicamentosas; Take Home Messages; Referências

- Dimensão: até 1200 palavras (excluindo referências); até 10 referências

- Iconografia: deverá ser enviada uma imagem/fotografia associada ao tema da rubrica (em formato JPEG com resolução original)

Journal Club

- Âmbito: Apresentação de artigos científicos pertinentes relacionados com a área da urgência e emergência médica pré-hospitalar e hospitalar. Dimensão: 500 palavras

Nós e os Outros

- Âmbito: Apresentação de artigos científicos ou artigos de opinião sobre a actuação de equipas de emergência préhospitalar não médicas. Dimensão: 1000 palavras

Ética e Deontologia

- Âmbito: Apresentação de artigos científicos ou artigos de opinião sobre questões éticas desafiantes no ambiente pré-hospitalar. Dimensão: 1000 palavras

Legislação

- Âmbito: Enquadramento jurídico das diversas situações com que se deparam os profissionais de emergência médica. Dimensão: 500 palavras

O que fazer em caso de...

- Âmbito: Informação resumida mas de elevada qualidade para leigos em questões de emergência.

Dimensão: 500 palavras.

Mitos Urbanos

- Âmbito: Investigar, questionar e esclarecer questões pertinentes, dúvidas e controvérsias na prática diária da emergência médica. Dimensão: 1000 palavras.

Cuidar de Nós

- Âmbito: Diferentes temáticas, desde psicologia, emocional, metabólico, físico, laser, sempre a pensar no auto cuidado e bem estar do profissional. Dimensão: 500 palavras.

Infosaving: a Rúbrica de Infografias da Lifesaving - Âmbito: Apresentação de tema com relevância para o contexto pré-hospitalar e doente crítico através de mnemónicas, esquemas gráficos, auxiliares de memória visuais e algoritmos.

- Formato: Título, Autores (primeiro e último nome, categoria profissional e afiliação), Imagem com alta resolução em formato JPEG ou PDF, Referências bibliográficas.

Pedacinho de Nós

- Âmbito: Dar a conhecer os profissionais das equipas de emergência pré-hospitalar. Dimensão: 400 palavras.

Tesourinhos VMERISTAS

- Âmbito: Divulgação de situações caricatas, no sentido positivo e negativo, da nossa experiência enquanto VMERistas. Dimensão: 250 palavras

Congressos Nacionais e Internacionais

- Âmbito: Divulgação de eventos na área da Emergência Médica. Di-mensão: 250 palavras.

Best Links/ Best Apps de Emergência Pré-hospitalar

- Âmbito: Divulgação de aplicações e sítios na internet de emergência médica pré-hospitalar -Dimensão: 250 palavras

Cartas ao Editor

- Objetivo: comentário/exposição referente a um artigo publicado nas últimas 4 edições da revista promovendo a discussão e visão crítica. Poderão ainda ser enviados observações, casuísticas particularmente interessantes de temáticas atuais que os autores desejem apresentar aos leitores de forma concisa.

- Instruções para os autores:

1. O corpo do artigo não deve ser subdividido; sem necessidade de resumo ou palavras-chave.

2. Deve contemplar entre 500 a 1000 palavras, excluindo referências, tabelas e figuras.

3. Apenas será aceite 1 figura e/ou 1 tabela.

4. Não serão aceites mais de 5 referências bibliográficas. Devendo cumprir as normas instituídas para revista.

5. Número máximo de autores são 4.

Instantâneos em Emergência Médica

- Âmbito: Fotografias em contexto pré-hospitalar, contextualizadas nas diversas áreas da Emergência.

- Formato: Título; Autores –

(primeiro nome, último nome, título, categoria profissionalopcional); imagem em formato JPEG com resolução original); Legenda explicativa com breve enquadramento ou breve comentário acerca do sentido da imagem para o Autor. – máx. 100 palavras.

É de a responsabilidade dos autores respeitar a POLITICA DE PRIVACIDADE, De acordo com o art. º13.º do Regulamento Europeu de Proteção de Dados Pessoais Reg. UE 201/679. Os Autores são responsáveis por respeitar e obter o consentimento de imagem, quando necessário ( n.º 1 do artigo 79.º do C.C).

Posters em Emergência Médica - Âmbito: Apresentação sumária de Póster científico original, sobre a temática da Emergência pré e intra-hospitalar, e do doente crítico. Dimensão: 800 a 1000 palavras. Limite de tabelas e imagens: 6

Intoxicações no pré-hospitalar - Âmbito: Revisão geral sobre determinada substância (tóxico), consequências de sobredosagem ou contacto/ consumo inadvertido ou intencional e qual a abordagem em contexto de Emergência Médica Pré-hospitalar. Formato: Título; Autores; palavra (s)-chave; 1 ou 2 imagens (podendo incluir gráficos e/ou tabelas devidamente legendados); 500 a 1000 palavras; Agradecimentos; Referências bibliográficas

4.2 Critérios gerais de publicação

O trabalho a publicar deverá ter no máximo 120 referências. Deverá ter no máximo 6 tabelas/ figuras devidamente legendadas e referenciadas.

O trabalho a publicar deve ser acompanhado de no máximo 10 palavras-chave representativas. No que concerne a tabelas/ figuras já publicadas é necessário a autorização de publicação por parte do detentor do copyright (autor ou editor). Os ficheiros deverão ser submetidos em alta resolução, 800 dpi mínimo para gráficos e 300 dpi mínimo para fotografias em formato JPEG (.Jpg), PDF (.pdf). As tabelas/figuras devem ser numeradas na ordem em que ocorrem no texto e enumeradas em numeração árabe e identificação.

No que concerne a trabalhos científicos que usem bases de

dados de doentes de instituições é necessário fazer acompanhar o material a publicar do consentimento da comissão de ética da respectiva instituição. As submissões deverão ser encaminhadas para o e-mail: revistalifesaving@gmail.com

5. Referências

Os autores são responsáveis pelo rigor das suas referências bibliográficas e pela sua correta citação no texto. Deverão ser sempre citadas as fontes originais publicadas. A citação deve ser registada empregando a Norma de Vancouver

Estatuto Editorial

A Revista LIFESAVING é uma publicação científica e técnica, na área da emergência médica, difundida em formato digital, com periodicidade trimestral.

Trata-se de um projeto inovador empreendido pela Equipa de Médicos e Enfermeiros das Viaturas Médicas de Emergência e Reanimação (VMER) de Faro e de Albufeira, pertencentes ao Centro Hospitalar Universitário do Algarve, e que resultou da intenção estratégica de complementar o Plano de formação contínua da Equipa.

A designação “Lifesaving”, que identifica a publicação, é bem conhecida por todos os profissionais que trabalham na área da emergência médica, e literalmente traduz o desígnio da nobre missão que todos desempenham junto de quem precisa de socorro – “salvar vidas”.

Esta Publicação inovadora, compromete-se a abraçar um domínio editorial pouco explorado no nosso país, com conteúdos amplamente dirigidos a todos os profissionais que manifestam interesse na área da emergência médica. Através de um verdadeiro trabalho de Equipa dos vários Editores da LIFESAVING, e

aproveitando a sua larga experiência em Emergência Médica, foi estabelecido o compromisso de apresentar em cada número publicado, conteúdos e rubricas de elevada relevância cientifica e técnica no domínio da emergência médica. Por outro lado, este valioso instrumento de comunicação promoverá a partilha das ideias e conhecimentos, de forma completa, rigorosa e assertiva.

Proprietário: Centro Hospitalar Universitário do Algarve, E.P.E.

NIPC: 510 745 997

Morada: Rua Leão Penedo, 8000-386 Faro

N.º de registo na ERC: 127037

Diretor: Dr. Bruno Santos

Editor-Chefe: Dr. Bruno Santos

Morada: Rua Leão Penedo, 8000-386 Faro

Sede da redação: Rua Leão Penedo, 8000-386 Faro

Periodicidade: trimestral

TIPO DE CONTEÚDOS

Esta publicação periódica pretende ser uma compilação completa de uma seleção de matérias científicas e técnicas atualizadas, incluídas em grande diversidade de Rubricas, incluindo: – “Nós Por Cá” – Âmbito: Dar a conhecer a realidade de atuação das várias equipas de ação pré-hospitalar através de revisões estatísticas da sua casuística. Poderá incluir também a descrição sumária de atividades, práticas ou procedimentos desenvolvidos localmente, na área da emergência médica – Dimensão: 500 palavras; – “Tertúlia VMERISTA” – Âmbito: Pequenos artigos de opinião sobre um tema fraturante – Dimensão: 250 palavras;

– “Minuto VMER” – Âmbito: Sintetização para consulta rápida de procedimentos relevantes para a abordagem de doentes críticos, ou de aspetos práticos relacionados com Equipamentos utlizados no dia-à-dia. Dimensão: 1000 palavras; – “Fármaco Revisitado” – Âmbito: Revisão breve de um fármaco usado em emergência pré-hospitalar, ou que poderia ser uma mais valia a sua implementação na carga VMER.

– Dimensão: 500 palavras;

– “Journal Club” – Âmbito: Apresentação de artigos científicos pertinentes relacionados com a área da urgência e emergência médica pré-hospitalar e hospitalar. -Dimensão: 500 palavras; – “Nós e os Outros” – Âmbito: Apresentação de artigos científicos ou artigos de opinião sobre a atuação de equipas de emergência préhospitalar não médicas. -Dimensão: 1000 palavras;

– “Ética e Deontologia” – Âmbito: Apresentação de artigos científicos ou artigos de opinião sobre questões éticas desafiantes no ambiente pré-hospitalar. -Dimensão: 500 palavras;

– “Legislação” – Âmbito: Enquadramento jurídico das diversas situações com que se deparam os profissionais de emergência médica.

– Dimensão: 500 palavras;

– “O que fazer em caso de…” –Âmbito: Informação resumida, mas de elevada qualidade, para leitores não ligados à área da saúde, ou da emergência médica -Dimensão: 500 palavras;

– “Mitos Urbanos” – Âmbito: Investigar, questionar e esclarecer questões pertinentes, dúvidas e controvérsias na prática diária da emergência médica. -Dimensão: 1000 palavras;

– “Cuidar de Nós” – Âmbito: Discussão de diferentes temáticas, de caráter psicológico, emocional, metabólico, físico, recreativo, centradas no autocuidado e bem estar do profissional da emergência. -Dimensão: 500 palavras;

– “Pedacinho de Nós” – Âmbito: Dar a conhecer, em modo de entrevista, os profissionais da Equipa das VMER de Faro e Albufeira ou outros Elementos colaboradores editoriais da LIFESAVING. – Dimensão: 500 palavras;

– “Vozes da Emergência” – Âmbito: Apresentar as Equipas Nacionais que desenvolvem trabalho na Emergência Médica, dando relevância a especificidade locais e revelando diferentes realidades. – Dimensão 500 palavras;

– “Emergência Global” – Âmbito: publicação de artigos de autores internacionais, que poderão ser artigos científicos originais, artigos de opinião, casos clínicos ou entrevistas, pretendendo-se divulgar experiências enriquecedoras, além fronteiras;

– “Tesourinhos VMERISTAS” –Âmbito: Divulgação de situações caricatas, no sentido positivo e negativo, da experiência dos Profissionais da VMER. – Dimensão: 250 palavras;

– “Congressos Nacionais e Internacionais” – Âmbito: Divulgação de eventos na área da Emergência Médica – Dimensão: 250 palavras; palavras;

– “Best Links/ Best Apps de Emergência Pré-hospitalar” –Âmbito: Divulgação de aplicações e sítios na internet de emergência médica pré-hospitalar -Dimensão: 250 palavras

PREVISÃO DO NÚMERO DE PÁGINAS: 50;

TIRAGEM: – não aplicável para a publicação eletrónica, não impressa em papel.

ONDE PODERÁ SER

CONSULTADA:

Pode ser consultada no site do CHUAlgarve, no setor “Comunicação”, no domínio http:// www.chualgarve.min-saude.pt/ lifesaving/, e adquirida gratuitamente por subscrição nesse mesmo site. Não dispomos ainda de um site oficial para organização dos nossos conteúdos, de modo que atualmente todas as Edições estão a ser arquivadas no Repositório Internacional ISSUU, onde poderão ser consultadas gratuitamente (https://issuu.com/lifesaving). Marcamos presença ainda noutras plataformas de divulgação (Facebook, Instagram, Twiter e Youtube).

DIVULGAÇÃO DA LIFESAVING:

A LIFESAVING será difundida no site do Centro Hospitalar do Algarve (no setor média e imagem), e sua Intranet, com possibilidade da sua subscrição para receção trimestral via e-mail. Inserida on-line no repositório de publicações ISSUU, adquirindo um aspeto gráfico otimizado para tornar a leitura ainda mais agradável.

Será também difundida na página de Facebook da VMER de Faro, página própria com o nome LIFESAVING.

N.º 1 do art.º 17.º da Lei de Imprensa: Garanta de liberdade de imprensa:

1 - É garantida a liberdade de imprensa, nos termos da Constituição e da lei.

2 - A liberdade de imprensa abrange o direito de informar, de se informar e de ser informado, sem impedimentos nem discriminações.

3 - O exercício destes direitos não pode ser impedido ou limitado por qualquer tipo ou forma de censura

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