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LIFESAVING 40

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FICHA TÉCNICA

DIRETOR E EDITOR-CHEFE

Bruno Santos

CO-EDITOR-CHEFE

Pedro Lopes Silva

EDITORES ASSOCIADOS

MINUTO VMER

Isabel Rodrigues

PÓSTER CIENTÍFICO

Ana Isabel Rodrigues

André Abílio Rodrigues

Catarina Jorge Solange Mega

NÓS POR CÁ

Catarina Tavares

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FÁRMACO REVISITADO

Catarina Monteiro

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Ana Rita Clara

O QUE FAZER EM CASO DE

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CUIDAR DE NÓS

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EMERGÊNCIA INTERNACIONAL

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Rúben Santos Solange Mega

ÉTICA E DEONTOLOGIA

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LEGISLAÇÃO

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CARTAS AO EDITOR

Catarina Jorge

Júlio Ricardo Soares

TERTÚLIA VMERISTA

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MITOS URBANOS

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VOZES DA EMERGÊNCIA

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UM PEDACINHO DE NÓS

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INTOXICAÇÕES NO PRÉ-HOSPITALAR

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CONGRESSOS VIRTUAIS

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INFOSAVING

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FRASES MEMORÁVEIS

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ILUSTRAÇÕES

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FOTOGRAFIA

Pedro Rodrigues Silva

Maria Luísa Melão

Solange Mega

Carlos Martins

AUDIOVISUAL

Pedro Lopes Silva

DESIGN

Luis Gonçalves

PARCERIAS

Caríssimos leitores,

Bem-vindos à 40ª edição da revista LIFESAVING. Este número representa a consolidação de um compromisso inabalável da excelência na emergência médica, celebrando quatro dezenas de números dedicados à partilha de conhecimento que salva vidas.

Nesta edição apresentamos uma análise internacional de Eva Montero sobre o acidente ferroviário em Adamuz, um poderoso relato sobre a gestão do caos e as decisões tomadas sob o peso da incerteza na primeira linha.

Aprofundando o rigor clínico, Luis Costa explora a fisiopatologia da hipoperfusão e do choque na rubrica Infosaving, enquanto a equipa composta por Filipa Saraiva, Alexandru Babiciu e Giovanna Guida sintetiza no Minuto VMER o diagnóstico diferencial da dor torácica.

Na página da farmacologia, Maria Miguel Gomes revê a Dexametasona, e Gonçalo Guerreiro e Luis Miguel Costa alertam para as particularidades das intoxicações por inibidores da fosfodiesterase tipo 5.

No âmbito da inovação, Ana Rita Clara apresenta no Journal Club como os modelos orientados por dados podem prever partos pré-hospitalares e o risco neonatal, antecipando o futuro da nossa prática. A segurança dos mais novos é reforçada por André Abílio Rodrigues com as diretrizes sobre o que fazer em caso de obstrução da via aérea em idade pediátrica.

O nosso rigor técnico deve ser acompanhado pela proteção de quem o aplica e isso fica bem expresso nesta edição, com Abel Zua a discutir a Saúde Ocupacional na emergência e Nuno Ribeiro a liderar uma Tertúlia Vmerista essencial sobre o reconhecimento e prevenção do Burnout.

Esta 40ª edição da LIFESAVING reafirma que a nossa missão exige técnica, tecnologia e, acima de tudo, um cuidado atento à saúde de quem dedica a vida aos outros Deseja-vos uma leitura inspiradora e missões seguras

Pedro Lopes Silva CO-EDITOR-CHEFE Enfermeiro VMER pgsilva@ulsalg.min-saude.pt

MOMENTOS DE INSPIRAÇÃO

"A competência é génio. A única, e verdadeira, forma de génio. Mais do que quem escreve um livro ou pinta um quadro: o competente que resolve problemas e facilita a vida de quem, sem ele, iria martirizar-se até à demência pela sua incapacidade é um génio. Um autêntico Da Vinci dos tempos modernos." na obra "Eu Sou Deus”

Pedro Chagas Freitas Escritor Português

MINUTO VMER

DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL DE DOR TORÁCICA

INTOXICAÇÕES NO PRÉ-HOSPITALAR

INTOXICAÇÃO POR INIBIDORES DA FOSFODIESTERASE TIPO 5: IMPLICAÇÕES CLÍNICAS, RISCO CARDIOVASCULAR E ABORDAGEM PRÉ-HOSPITALAR

JOURNAL CLUB

INFOSAVING - A RUBRICA DE INFOGRAFIAS DA LIFESAVING. EMERGÊNCIAS MÉDICAS NO ADULTO - HIPOPERFUSÃO E CHOQUE

FÁRMACO REVISITADO DEXAMETASONA

EMERGÊNCIA INTERNACIONAL ACIDENTE FERROVIÁRIO EM ADAMUZ: DECISÕES SOB INCERTEZA NA PRIMEIRA LINHA

O QUE FAZER EM CASO DE... OBSTRUÇÃO DA VIA AÉREA EM PEDIATRIA (CRIANÇA > 1ANO)

CUIDAR DE NÓS

SAÚDE OCUPACIONAL NA EMERGÊNCIA MÉDICA: DESAFIOS, RESPONSABILIDADES E ESTRATÉGIAS PARA PROTEÇÃO DOS PROFISSIONAIS

TERTÚLIA VMERISTA

UM PEDACINHO DE NÓS

ENF.º VASCO CLAÚDIO PAIS BARROS

TESOURINHO VMERISTA + CONGRESSOS E CURSOS

PÁGINAS ABC

APEMERG - HIGHLIGHTS ICE 2026

BEST SITES

BEST APPS

SUGESTÕES DE LEITURA

CRITÉRIOS DE PUBLICAÇÃO

ESTATUTO EDITORIAL

DIAGNÓSTICO

DIFERENCIAL DE DOR TORÁCICA

1Interno

2Interno

A dor torácica é um motivo frequente de ida à Urgência. Este sintoma associa-se a patologias de vários órgãos e sistemas e pode refletir quadros clínicos com diferentes graus de gravidade, desde condições benignas até situações potencialmente fatais (tabela 1).

Perante um doente com dor torácica, é fundamental uma boa anamnese e exame objetivo, de modo a excluir sinais de alarme. Importa caracterizar bem a dor, nomeadamente quanto ao tipo, início e duração, localização, irradiação, intensidade, fatores de alívio e de agravamento, assim como explorar sintomas associados, tais como dispneia, tosse, palpitações, diaforese, febre, náuseas ou vómitos.

As causas gastrointestinais são as mais frequentes, com destaque para o refluxo gastroesofágico (ardor subesternal, pior com o decúbito ou no período pós-prandial), espasmo difuso do esófago (dor retroesternal intensa, de curta duração, que pode mimetizar uma dor anginosa) e doença ulcerosa péptica (ardor epigástrico/subesternal). Seguem-se as causas cardiovasculares, salientando-se a síndrome coronária aguda, tromboembolismo pulmonar, pericardite aguda (dor de características pleuríticas, que melhora com a anteflexão do tronco), disseção

aórtica, taquiarritmias, doença valvular e síndrome de Takotsubo (dor torácica que mimetiza a dor anginosa, tem a particularidade de ocorrer em contextos de stress físico ou emocional intenso). Entre as causas pulmonares, destacam-se o pneumotórax, pneumonia e neoplasia (estas duas últimas, sobretudo se em zonas periféricas do parênquima pulmonar, com envolvimento da pleura). Existem também causas músculo-esqueléticas, que se distinguem pela reprodução da dor torácica à palpação, como acontece na costocondrite; outra entidade relevante é o herpes zoster (dor torácica e surgimento de um exantema vesicular num único dermátomo).

Em menor percentagem, a dor torácica pode ser atribuída a causas psiquiátricas, nomeadamente ansiedade.

A abordagem do doente com dor torácica em contexto pré-hospitalar é idêntica à do contexto intra-hospitalar, devendo adotar-se a metodologia ABCDE. O eletrocardiograma deve ser o primeiro exame a ser feito, sendo possível realizá-lo ainda em contexto pré-hospitalar, o que se reveste de grande importância na identificação de causas cardíacas, principalmente da síndrome coronária aguda. À chegada ao hospital, estão disponíveis exames complementares de diagnóstico que também devem integrar a marcha

Diagnóstico

Síndrome coronária aguda

Disseção da aorta

Tamponamento cardíaco

Tromboembolismo pulmonar

Pneumotórax hipertensivo

Rutura esofágica

diagnóstica inicial do doente com dor torácica, nomeadamente análises (hemograma, ionograma, função renal, troponina-T), gasimetria arterial e radiografia de tórax.

Apresentação clínica

• Dor retroesternal, tipo aperto ou peso, com irradiação para o braço esquerdo, mandíbula ou epigastro

• S4, sopro de regurgitação mitral (raro)

• Dor súbita e intensa, tipo “rasgão”, com irradiação dorsal/interescapular

• Diferença na pressão arterial sistólica > 20mmHg entre os membros superiores

• Tríade de Beck: hipotensão, sons cardíacos hipofonéticos, distensão das veias jugulares

• Dor e dispneia de início súbito

• Taquicardia, taquipneia; se hipotensão, pensar em choque obstrutivo

• Dor ipsilateral com características pleuríticas e dispneia de início súbito

• Instabilidade hemodinâmica; desvio da traqueia para o lado contralateral; ausência de murmúrio vesicular no lado afetado

• História de vómitos incoercíveis; dor retroesternal intensa com irradiação dorsal

• Enfisema subcutâneo

Consoante a suspeita clínica, podemos ponderar o pedido de outros exames complementares de diagnóstico.

TAKE-HOME MESSAGES

• Nem todas as dores torácicas representam patologia cardíaca.

• Num doente com dor torácica, é essencial começar por excluir causas potencialmente fatais.

• O eletrocardiograma deve ser o primeiro exame a ser requisitado. Análises e radiografia de tórax também fazem da marcha diagnóstica num doente com dor torácica

BIBLIOGRAFIA

1. Gulati, M., et al. (2021). 2021 AHA/ACC/ASE/ CHEST/SAEM/SCCT/SCMR guideline for the evaluation and diagnosis of chest pain: A report of the American College of Cardiology/American Heart Association Joint Committee on Clinical Practice Guidelines. Journal of the American College of Cardiology, 78(22), e187–e285. https:// doi.org/10.1016/j.jacc.2021.07.053

2. Loscalzo, J., Fauci, A. S., Kasper, D. L., Hauser, S. L., Longo, D., & Jameson, J. L. (Eds.). (2022). Harrison’s principles of internal medicine (21ª ed.). McGraw Hill Education.

Tabela 1. Causas potencialmente fatais de dor torácica
ISABEL RODRIGUES Médica VMER CODU
EDITORA

INTOXICAÇÕES NO PRÉ-HOSPITALAR

INTOXICAÇÃO

POR

INIBIDORES DA FOSFODIESTERASE

TIPO 5:

IMPLICAÇÕES CLÍNICAS, RISCO CARDIOVASCULAR E ABORDAGEM PRÉ-HOSPITALAR

1Intensivista,

2Anestesiologista, Unidade Local de Saúde do Algarve

INTRODUÇÃO

As fosfodiesterases são uma família de enzimas responsáveis pela degradação de nucleótidos cíclicos intracelulares, como o AMPc e o GMPc, desempenhando um papel essencial na sinalização celular. Entre estas enzimas, a fosfodiesterase tipo 5 encontra-se predominantemente no músculo liso vascular do corpo cavernoso peniano e na circulação pulmonar1

Os inibidores da PDE-5 (iPDE-5) atuam bloqueando esta enzima e aumentando os níveis intracelulares de GMPc, o que resulta no relaxamento do músculo liso e na vasodilatação dependente do óxido nítrico.

DOSE E INDICAÇÕES

Este mecanismo explica a eficácia destes fármacos no tratamento da hipertensão arterial pulmonar (HAP) assim como da disfunção eréctil masculina (DE)1

Em Portugal, a HAP é uma condição rara, com cerca de 500 casos estimados2, contrastando com a DE, que afeta aproximadamente 500 mil homens3. Assim, os inibidores da PDE-5 são utilizados predominantemente no contexto da DE. No entanto, trata-se de uma terapêutica utilizada em todas as idades. Apesar de constituir uma questão clássica no contexto da emergência médica, a hipotensão grave derivada da administração concomitante de

iPDE-5 e nitratos é rara. No entanto, o conhecimento dos seus efeitos adversos, interações e implicações clínicas é essencial.

Em Portugal, encontram-se disponíveis quatro fármacos desta classe, com indicações principais na DE e, em alguns casos de HAP. Para além destas indicações, o Tadalafil pode ser utilizado na hiperplasia benigna da próstata. Importa ainda referir que o Sildenafil encontra-se disponível em Portugal como medicamento não sujeito a receita médica de dispensa exclusiva em farmácia, para o tratamento da DE.

Sildenafil (Viagra) DE; HAP 50 mg 1h antes da relação 30–60 4

Tadalafil (Cialis) DE; HAP; HBP 10–20 mg sob demanda 5 mg diário 30–45 36

Vardenafil (Levitra) DE 10 mg antes da relação 30 4–6

Avanafil (Spedra) DE 100 mg 15–30 6

Pode causar alterações visuais (inibição PDE6)

Meia-vida longa; mais associado a mialgias / dor lombar

Maior risco de prolongamento do QT; evitar em doentes com arritmias

Mais seletivo para PDE5; menos efeitos adversos visuais

Tabela 1 – DE: Disfunção Eréctil; HAP: Hipertensão Arterial Pulmonar; Hiperplasia Benigna da Próstata; PDE: Fosfodiesterases

Estes fármacos estão contraindicados na predisposição ao priapismo (ex.: anemia falciforme, mieloma múltiplo e leucemia), hipotensão arterial, deformações anatómicas do pénis, bem como em insuficiência hepática grave (Child-Pugh Class C) ou insuficiência renal avançada (TFGe < 30 ml/min/1,73m²)4

EFEITOS ADVERSOS

Os iPDE-5 apresentam um perfil de segurança favorável, sendo geralmente bem tolerados. Os efeitos adversos mais frequentes incluem cefaleia, tonturas, rubor, congestão nasal, dispepsia e alterações visuais, sendo tipicamente dose-dependentes4

SITUAÇÕES DE INTOXICAÇÃO

A intoxicação por iPDE-5 pode ocorrer em diferentes contextos,

incluindo sobredosagem acidental, tentativa de auto-intoxicação ou interações medicamentosas.

Sobredosagem e auto-intoxicação Devido ao perfil de segurança, casos descritos de sobredosagem e intoxicação na literatura são escassos. A manifestação mais relevante é a hipotensão arterial e a sua lesão-órgão associada, geralmente autolimitada. Outras manifestações com carácter de emergência médica são o priapismo (emergência urológica) e a maculopatia ou alteração isquémica ocular (emergência oftalmológica)5 Após revisão da literatura para a construção deste artigo, destaca-se apenas um case-report de intoxicação medicamentosa voluntária: masculino de 56 anos com ingestão de 6500 mg de Sildenafil, na qual

apenas resultou uma clínica de náuseas e alterações da visão, sem danos permanentes.

O famoso efeito cardiovascular

Os iPDE-5 apresentam um efeito vasodilatador ligeiro, podendo causar pequenas reduções da pressão arterial (cerca de 10 mmHg). Em indivíduos saudáveis, este efeito é pouco relevante, mas pode ter importância em doentes com hipotensão basal ou determinadas patologias cardíacas, como estenose aórtica ou obstrução do trato de saída do ventrículo esquerdo.

A DE está frequentemente associada a fatores de risco cardiovascular. Apesar de relatos iniciais de aumento da incidência de enfarte do miocárdio após a introdução destes fármacos, estudos clínicos randomizados não

demonstraram aumento do risco ou mortalidade, salientando-se que a própria atividade sexual pode aumentar o risco cardiovascular7

Interação com nitratos

A associação com nitratos (como o DNI, Nitroglicerina e o Nitroprussiato de Sódio) está contraindicada, dada a estes terem como mecanismo a estimulação da produção de GMPc. Em caso de angina sintomática, outros fármacos anti-isquémicos (como beta-bloqueadores, antagonistas dos canais de cálcio, aspirina ou morfina) podem ser utilizados com segurança 7

Outras interações medicamentosas

Os iPDE-5 são metabolizados pelo CYP3A4, sendo desaconselhados na utilização concomitante de inibidores da CYP3A4 (ex.: macrólitos, verapamil e diltiazem, ritonavir e o sumo de toranja).

Uso recreativo e chemsex

Nos últimos anos, tem sido descrita a utilização destes medicamentos em contextos recreativos, particularmente no fenómeno conhecido como chemsex, caracterizado pelo consumo de drogas psicoativas em contexto sexual prolongado. Nestes contextos, os iPDE-5 são frequentemente utilizados em combinação com substâncias estimulantes como: metanfetaminas, mefedrona e GHB. Esta combinação aumenta significativamente o stress cardiovascular e o risco de eventos hipotensivos8 Especial atenção à utilização de nitrato de amil, vulgarmente conhecido como “poppers” utilizado de forma recreativa como estimulante sexual.

ABORDAGEM NO PRÉ-HOSPITALAR

No contexto pré-hospitalar, esta medicação é frequentemente omitida pelos doentes, o que pode ter implicações críticas na abordagem de situações como a dor torácica. Em caso de sobredosagem, a sintomatologia é autolimitada.

A abordagem deve seguir os princípios ABCDE.

Dada a vasoplegia induzida, é expectável uma resposta favorável à administração de fluidos em doentes hipotensos, na ausência de compromisso cardiovascular significativo.

Situações de hipotensão refratária à fluidoterapia ou alteração do estado de consciência mantida devem levantar suspeita de co-ingestão de outras substâncias.

Doentes com alterações visuais devem ser referenciados ao serviço de urgência com avaliação oftalmológica. Doentes com priapismo devem ser observados urgentemente por Urologia.

TAKE HOME MESSAGES

• Os inibidores da PDE-5 são fármacos eficazes e globalmente seguros, amplamente utilizados no tratamento da disfunção erétil. No entanto, a sua utilização inadequada, nomeadamente em associação com nitratos ou em contextos recreativos, pode resultar em complicações potencialmente graves, embora frequentemente transitórias

BIBLIOGRAFIA

1. Vanderah TW. Vanderah T.W.(Ed.),Ed. Todd W. Vanderah.eds. Katzung's Basic & Clinical Pharmacology, 16th Edition. McGraw-Hill; 2024

2. Associação Portuguesa de Hipertensão Pulmonar. Os Números da Doença. Disponível em: https://aphp.pt/. Acesso em: 18 mar. 2026.

3. LIFEWELL. Disfunção Erétil - Impotência Sexual - LifeWell Portugal. Disponível em: https://lifewell. pt/disfuncao-eretil/. Acesso em: 18 mar. 2026.

4. Protocolo de Dispensa Exclusiva em Farmácia (EF): Sildenafil 50 mg Disponível em: https:// www.infarmed.pt/documents/15786/2106346/ ProtocoloEF+Sildenafil_GuiaApoio_Checklist_ Cart%C3%A3oDispensaEF/7a372f27-8dce-a9e53807-2dad71161cc5. Acesso em: 18 mar. 2026

5. StatPearls Publishing. (2023). Sildenafil – Clinical pharmacology and toxicity.

6. Veerle Matheeussen, Kristof E. Maudens, Kurt Anseeuw, Hugo Neels, A Non-Fatal Self-Poisoning Attempt with Sildenafil, Journal of Analytical Toxicology, Volume 39, Issue 7, September 2015, Pages 572–576, https://doi.org/10.1093/jat/ bkv071

7. https://www.ahajournals.org/doi/10.1161/01. cir.0000146906.42375.d3

8. Bourne A. et al. (2015). Chemsex and harm reduction among men who have sex with men. International Journal of Drug Policy.

MÓNICA VIEIRA DA FONSECA
VMER Faro e Albufeira
INEM – CODU DRS
EDITORA
LUIS MIGUEL COSTA Anestesiologista na ULS Algarve
EDITOR

JOURNAL

1Médica de Medicina Intensiva, Medicina de Urgência e Emergência e Medicina

https://orcid.org/0000-0002-5587-0842

INTRODUÇÃO

No contexto do serviço de urgência médica, o parto extra-hospitalar não planeado refere-se, na maioria das vezes, ao parto que ocorre em casa da grávida antes da chegada ao hospital ou durante o transporte1. Nestes partos, a falta de directrizes clínicas claramente definidas contribui para a preocupação e incerteza entre os profissionais de saúde.

A natureza imprevisível do parto e a sua progressão frequentemente rápida podem resultar em partos extra-hospitalares não planeados. Na medicina perinatal, são utilizados vários termos para descrever o parto que ocorre fora do ambiente hospitalar, cada um com implicações clínicas distintas. Um termo relacionado, "parto pré-hospitalar", é normalmente utilizado no contexto dos Serviços de Emergência Médica (SEM) e refere-se especificamente a um parto não planeado gerido por profissionais do SEM antes de chegar a uma sala de partos. Tanto o parto

prematuro como o parto pré-hospitalar realçam a natureza inesperada e de emergência destes eventos. Se uma doente em trabalho de parto for transportada pelo serviço de emergência médica e o parto ocorrer apenas após a chegada ao hospital, este evento é designado por “parto intra-hospitalar após transporte pelo serviço de emergência médica”. Esta designação enfatiza que, embora o serviço de emergência médica tenha prestado cuidados pré-hospitalares essenciais e transporte rápido, o parto ocorreu sob cuidados hospitalares, diferenciando-o dos partos pré-hospitalares.1-7,8

A ausência de cuidados pré-natais, a multiparidade e o historial de parto pré-termo estão entre os principais factores que contribuem para os partos extra-hospitalares não planeados nos países desenvolvidos.9 Apesar dos avanços na medicina perinatal, ainda ocorrem casos em que o parto acontece antes da chegada à sala de partos. Estes

partos estão frequentemente associados a taxas elevadas de morbilidade e mortalidade perinatal materna e neonatal.10 Estudos indicam que, na ausência de conhecimento prévio dos factores de risco individuais, os profissionais de saúde muitas vezes não conseguem identificar as doentes com risco de partos não planeados, o que pode complicar os cuidados intraparto. Portanto, compreender os factores que influenciam o curso de tais partos, bem como os resultados neonatais, é de importância crítica.11-13

Os partos pré-hospitalares representam um desafio único para as equipas de emergência médica.14,15 Em situações de emergência, o pessoal de emergência médica deve responder de forma rápida e eficaz para garantir a progressão segura do trabalho de parto e minimizar o risco de complicações tanto para a mãe como para o recém-nascido. A investigação sobre partos pré-hospitalares no contexto da prática de

Ana Rita Clara1
Interna da UCI CR-ECMO e UCI-CCT, ULS São José, Médica SHEM Algarve

emergência médica é essencial para melhorar a qualidade dos cuidados obstétricos de emergência. Estudos demonstraram que qualquer trabalho de parto fisiológico pode evoluir imprevisivelmente para um parto complicado, representando riscos significativos tanto para a mãe como para o bebé.16 A falta de condições sanitárias adequadas, o acesso limitado a equipamento médico avançado e a natureza urgente da situação estão entre os principais desafios enfrentados pelas equipas de emergência médica. Os partos pré-hospitalares são relativamente raros na prática diária dos profissionais de emergência médica, o que pode resultar em dificuldades na manutenção de padrões de cuidados adequados e de conhecimentos clínicos atualizados neste domínio. Em muitos casos, a rapidez e a eficácia da intervenção médica são determinantes cruciais dos resultados clínicos tanto para a mãe como para o recém-nascido durante o parto.17-19

Dada a raridade e imprevisibilidade dos partos pré-hospitalares, especialmente os que ocorrem antes da chegada do SEM à sala de partos, existe ainda uma lacuna significativa na literatura em relação aos seus factores de risco e desfechos. A limitada exposição dos profissionais do SEM a emergências obstétricas, aliada à falta de protocolos padronizados, sublinha a necessidade de uma melhor compreensão dos determinantes clínicos e logísticos de tais eventos. A identificação destes preditores é essencial para optimizar a preparação dos SEM e

melhorar os desfechos maternos e neonatais no ambiente pré-hospitalar. Considerando o tempo e os recursos limitados disponíveis para as equipas de SEM durante os cuidados de emergência, a capacidade de antecipar a probabilidade de um parto pré-hospitalar com base em factores relacionados com a doente é de importância crítica.20,21 Identificar preditores clínicos específicos pode permitir aos profissionais de SEM avaliar o risco com maior precisão e preparar-se adequadamente. Além disso, compreender como estes preditores se correlacionam com os resultados neonatais pode melhorar a tomada de decisões e a alocação de recursos durante o transporte e os cuidados iniciais. Para os autores, o objectivo principal do estudo foi identificar os preditores de parto extra-hospitalar que ocorreram na presença do SEM, em doentes que solicitaram assistência do serviço de urgência médica devido ao início do trabalho de parto. O objectivo secundário foi determinar preditores da condição neonatal imediatamente após estes partos pré-hospitalares.

MÉTODOS

Desenho e Contexto do Estudo

Foi realizada uma análise retrospectiva dos registos do serviço de emergência médica (SEM) de doentes com parto extra-hospitalar na Polónia, de agosto de 2021 a janeiro de 2022. A avaliação foi realizada utilizando a informação dos procedimentos de resgate médico pelo SEM. O conjunto de dados incluiu todos os casos documenta-

dos de parto com o código da Classificação Internacional de Doenças (CID-10): O60 — trabalho de parto e parto pré-termo; O62. 3 — trabalho de parto precipitado; O80 — parto de termo sem complicações.

População e Dados do Estudo

Foram analisados 5097 registos do SEM. Os critérios de inclusão foram mulheres com idade igual ou superior a 16 anos, que acionaram o serviço de emergência médica devido ao início do trabalho de parto e se encontravam na primeira ou segunda fase do trabalho de parto no momento da intervenção do SEM. Foram analisados os factores associados a partos pré-hospitalares ocorridos na presença de SEM. Foram avaliadas as seguintes variáveis: local e motivo da activação do serviço de emergência médica, sinais vitais (frequência cardíaca, pressão arterial, saturação de oxigénio, glicemia), presença de diabetes gestacional, hipertensão gestacional e infecção por COVID-19, para além de outras comorbilidades como trombose, doenças da tiróide, depressão e epilepsia. O historial obstétrico foi também avaliado, incluindo o número de gravidezes prévias e partos, a idade gestacional, o acompanhamento pré-natal e o acesso ao pré-natal. Adicionalmente, foram analisados os factores como as contracções uterinas, a ruptura de membranas, a fase do trabalho de parto, as complicações durante a gravidez, como o risco de parto pré-termo, a insuficiência do colo do útero, a restrição do crescimento fetal e oligohidrâmnio, as complicações intraparto e o estado neonatal.

Os movimentos fetais foram avaliados com base na informação da grávida obtida durante a avaliação da equipa de emergência médica e documentados na ficha de atendimento pré-natal como normais, reduzidos ou ausentes. O estado neonatal do recém-nascido foi avaliado pelo índice de Apgar. Uma pontuação de 0 a 3 representa sofrimento grave, de 4 a 7 indica sofrimento moderado e uma pontuação de 8 a 10 prevê ausência de dificuldade de adaptação à vida extra-uterina, o que é considerado um resultado normal26. As complicações intraparto incluíram hemorragia, prolapso do cordão umbilical, retenção da placenta e eclampsia. Foram seguidas as guidelines STROBE (Strengthening the Reporting of Observational Studies in Epidemiology).

Análise Estatística

Todas as análises foram realizadas no R (versão 4.3.0). O fluxo de trabalho analítico foi concebido para priorizar a reprodutibilidade, mitigar a perda de informação devido a dados em falta e garantir a robustez no desempenho preditivo.

RESULTADOS

Características univariadas no contexto de parto pré-hospitalar bem-sucedido e parto atípico de acordo com o índice de Apgar — antes da aplicação de imputação múltipla

As doentes que tiveram um parto bem-sucedido no pré-hospitalar eram mais velhas (mediana de 30 vs. 28, p = 0,0114), tinham uma frequência cardíaca mais elevada (mediana: 92 vs. 90, p = 0,0081) e eram multíparas com maior frequência (80,23% vs.

69,69%, p = 0,0004), estavam na segunda fase do trabalho de parto (95,74% vs. 3,41%, p < 0,0001), apresentavam ruptura das membranas (94,96% vs. 46,61%, p < 0,0001) e não apresentavam complicações durante o trabalho de parto (92,64% vs. 99,51%, p < 0,0001). Entre os recém-nascidos que faleceram antes do parto, foram associadas as seguintes variáveis: menor idade gestacional (mediana: 36 vs. 39, p = 0,0002), presença de complicações durante a gravidez (33,33% vs. 14,77%, p = 0,0360) e ausência de movimentos fetais (0,42% vs. 9,52%, p = 0,0181).

Subsecção de Modelação Multivariada Pós-Imputação Múltipla com Estimativas Agrupadas Previsão de Parto Pré-Hospitalar Bem-Sucedido

Os autores desenvolveram um modelo de regressão logística multivariável para prever as probabilidades de um parto bem-sucedido, utilizando dados imputados múltiplos para garantir a estabilidade das estimativas.

A presença de membranas íntegras esteve associada a uma diminuição substancial das probabilidades (OR = 0,12, p < 0,001). O número de gravidezes, modelado como uma variável contínua centrada, apresentou uma associação negativa modesta, mas estatisticamente significativa (OR = 0,86 por gravidez adicional para além da mediana de 2, p = 0,018), indicando uma pequena redução das probabilidades com o aumento da paridade. A frequência cardíaca apresentou uma

associação positiva limítrofe com o desfecho (OR = 1,015 por batimento adicional acima de 90 bpm, p = 0,083), enquanto as complicações durante o trabalho de parto e os cuidados médicos durante a gravidez não atingiram significância estatística (p = 0,24 e p = 0,068, respetivamente).

O modelo demonstrou um excelente desempenho preditivo, com uma área sob a curva ROC (AUC) validada por 10 repetições de 0,9767 (±0,0151), indicando uma elevada discriminação, e uma pontuação média de Brier de 0,0228 (±0,0059), sugerindo uma boa calibração.

Previsão de um Índice de Apgar ≤ 7 no Parto entre Todos os Partos Pré-Hospitalares Bem-sucedidos

Os autores construíram um modelo de regressão logística para prever a probabilidade de um resultado de parto negativo de acordo com a escala de Apgar, centrando as variáveis contínuas nos seus valores medianos para facilitar a interpretação. A semana gestacional centrou-se nas 39 semanas.

Entre os preditores, a semana gestacional associou-se significativamente ao desfecho. Cada semana adicional para além da mediana diminuiu em 80% as probabilidades de uma pontuação de Apgar abaixo do normal (OR = 0,56, IC 95% [0,42–0,73], p < 0,001), realçando o efeito protector de chegar ao termo completo. Por outro lado, a ausência relatada de movimentos fetais foi associada a um aumento superior a 26 vezes na probabilidade de uma pontuação de Apgar ≤ 7 (OR = 26,35, IC 95% [1,52–456], p = 0,025),

embora com intervalos de confiança amplos, reflectindo a variabilidade e a menor contagem de eventos.

DISCUSSÃO

Este estudo demonstrou que o parto pré-hospitalar esteve mais fortemente associado à ruptura de membranas, à progressão para a segunda fase do trabalho de parto e a um menor número de gravidezes anteriores. A razão de probabilidades muito elevada associada ao segundo estadio do trabalho de parto reflete uma situação clínica quase inevitável. No entanto, no contexto do SEM, este achado continua a ser altamente relevante, uma vez que as decisões sobre a tentativa de transporte vs o parto previsto no local devem ser frequentemente tomadas sob pressão de tempo e em condições subóptimas. Além disso, o índice de Apgar ≤ 7 foi significativamente previsto pela ausência de movimentos fetais e prematuridade. Estas descobertas enfatizam a necessidade de reconhecimento precoce dos factores de risco durante as intervenções do SEM por forma a melhorar os resultados perinatais. O parto extra-hospitalar não planeado é uma emergência que exige atenção imediata e apresenta desafios clínicos e organizacionais para as equipas de emergência médica. Embora os avanços nos cuidados perinatais tenham reduzido muitas complicações obstétricas, os partos que ocorrem antes da chegada ao hospital continuam associados a um aumento da morbilidade e mortalidade tanto para a mãe como para o bebé. Os dados apresentados pelos autores revelam que a maioria das

doentes que pariram antes da chegada ao hospital eram multíparas (80,23%), um padrão reportado em estudos anteriores. Num contexto mais amplo de SEM, um grande estudo realizado nos EUA mostrou que, embora as emergências obstétricas representem apenas 0,6% de todas as chamadas de emergência, uma proporção substancial delas resulta em parto pré-hospitalar. A multiparidade encurta a primeira fase do trabalho de parto, acelerando a dilatação cervical e aumentando o risco de parto prematuro. A idade média da população de estudo (aproximadamente 30 anos) reflecte também as tendências globais observadas entre as mulheres que sofrem partos extra-hospitalares não planeados. Embora a maioria dos partos pré-hospitalares do estudo tenha ocorrido de termo, a prematuridade continua a ser um factor de risco bem documentado para desfechos neonatais adversos. Dados nacionais franceses mostraram que as gravidas que pariram fora das maternidades tinham maior probabilidade de ocorrência antes das 37 semanas de gestação. Na amostra do estudo, a maioria dos partos pré-hospitalares ocorreu por volta da 39ª semana de gestação, e apenas 7,75% ocorreram em locais públicos, sugerindo que, neste contexto, estes eventos ocorrem predominantemente em domicílios particulares e envolvem frequentemente gravidezes de termo. A intervenção precoce nestes casos é crucial, uma vez que o transporte atempado para centros perinatais com unidades de cuidados intensivos neonatais pode melhorar os resultados.

Entre os fatores de risco neonatais, destacaram-se a idade gestacional e os movimentos fetais, com uma maior duração da gestação associada a uma menor probabilidade de um índice de Apgar ≤ 7, consistente com evidências anteriores que relacionam a prematuridade com piores desfechos neonatais Além disso, os recém-nascidos com baixos índices de Apgar nasceram com maior frequência de mães que apresentaram complicações durante a gravidez, sugerindo que a morbilidade pré-natal pode contribuir para condições neonatais adversas ao nascimento. Notavelmente, a ausência de movimentos fetais foi associada a um aumento substancial da probabilidade de comprometimento neonatal, tornando-se um dos sinais de alerta mais importantes disponíveis para a equipa de emergência médica. Este achado suporta a inclusão da avaliação dos movimentos fetais nos protocolos obstétricos pré-hospitalares. A monitorização dos sinais vitais continua a ser essencial durante os atendimentos obstétricos de emergência. Na Polónia, a oximetria de pulso e a medição da pressão arterial são as intervenções mais frequentemente realizadas durante o atendimento a parturientes . A ruptura das membranas surgiu como um dos preditores mais claros de parto iminente. Na avaliação dos autores, a sua presença de ruptura de membranas aumentou significativamente a probabilidade de parto pré-hospitalar. Isto está de acordo com pesquisas anteriores dos SEM, nas quais a ruptura de membranas foi relatada em até 70% das grávidas em trabalho de parto activo. O factor mais

dominante, no entanto, foi a fase do trabalho de parto. As doentes que já se encontravam no segundo estadio no momento da avaliação, apresentaram uma maior probabilidade de parir antes da chegada, em comparação com as do primeiro estadio. Dado que este estadio pode durar menos de 30 minutos nas multíparas, a progressão rápida impede muitas vezes a transferência para o hospital e exige que a equipa do SEM esteja preparado para o parto no terreno. Em suma, os dados dos autores reforçam a utilidade de diversos indicadores acessíveis — estado das membranas, fase do trabalho de parto, movimentos fetais e frequência cardíaca materna — para prever tanto a probabilidade de parto pré-hospitalar como o risco neonatal. Com base nestes dados, os autores propõem que os protocolos das equipas SEM incorporem indicadores obstétricos simples, como a ruptura de membranas, a fase do trabalho de parto e os movimentos fetais, em ferramentas estruturadas de avaliação de risco. Esta integração pode melhorar a prontidão das equipas e, em última análise, melhorar os resultados maternos e neonatais em partos extra-hospitalares não planeados.

Limitações do estudo

Este estudo apresenta várias limitações que devem ser reconhecidas. Em primeiro lugar, o desenho retrospectivo do estudo depende da precisão e integridade da documentação, o que pode introduzir um viés de informação, incluindo a falta de dados sistematizados registados sobre a duração do trabalho de parto

antes da chegada do SEM e sobre quaisquer contactos prévios com os serviços hospitalares. Em segundo lugar, alguns casos foram excluídos devido a dados em falta ou incompletos, o que pode afectar a representatividade da amostra e limitar a generalização dos resultados. Em terceiro lugar, a equipa do SEM não utilizou ferramentas de avaliação obstétrica padronizadas, o que pode ter influenciado a precisão e uniformidade das avaliações clínicas. Outra limitação deste estudo é a natureza agregada das variáveis “complicações durante a gravidez” e “complicações durante o trabalho de parto”. Estas categorias abrangem uma gama heterogénea de condições documentadas nos registos do SEM. O estudo foi conduzido exclusivamente na Polónia, e as diferenças nos sistemas de emergência médica e nos protocolos de cuidados perinatais noutros países podem restringir a aplicabilidade destes resultados a outros contextos. Por fim, a análise limitou-se aos resultados neonatais imediatos avaliados pelo índice de Apgar, sem seguimento a longo prazo da saúde materna ou neonatal, o que poderá fornecer informação adicional sobre a relevância clínica dos preditores identificados.

CONCLUSÕES

Este estudo identificou vários preditores importantes de parto pré-hospitalar em grávidas atendidas pelas equipas de emergência médica. A probabilidade de parto antes da chegada ao hospital esteve significativamente associada à presença de ruptura de membranas e à progres-

são para a segunda fase do trabalho de parto no momento da avaliação pela equipa de emergência médica. Além disso, um menor número de gravidezes anteriores esteve relacionado com uma maior probabilidade de parto pré-hospitalar. Em relação aos desfechos neonatais, uma menor idade gestacional e a ausência de movimentos fetais foram preditores significativos de um Índice de Apgar ≤7. Estes achados realçam a importância da avaliação cuidadosa de indicadores clínicos simples disponíveis durante as intervenções de emergência médica, que possam melhorar a capacidade de prever tanto partos pré-hospitalares iminentes como potenciais riscos para a saúde neonatal

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ANA RITA CLARA Médica de Medicina Intensiva, UCI CR-ECMO, ULS São José Médica SHEM-Algarve

INFOSAVING - A rubrica de infografias da LIFESAVING.

EMERGÊNCIAS MÉDICAS NO ADULTO - HIPOPERFUSÃO E CHOQUE

EMERGÊNCIAS MÉDICAS NO ADULTO – HIPOPERFUSÃO E CHOQUE

BAIXA ENTREGA DE OXIGÉNIO PARA AS NECESSIDADES METABÓLICAS

PODE DECORRER DA DISFUNÇÃO DE QUALQUER UMA DAS 4 ETAPAS

TROCAS GASOSAS (O2 / CO2)

TRANSPORTE OXIGÉNIO (HEMOGLOBINA)

DISTRIBUTIVO

DIMINUIÇÃO DO TÓNUS VASCULAR COM DISTRIBUIÇÃO ANORMAL DO VOLUME SANGUÍNEO

SEPSIS A

DISFUNÇÃO COM POTENCIAL MULTIORGÂNICO DE ETIOLOGIA INFECIOSA

VASOS SANGUINEOS BOMBA MIOCÁRDICA

POSICIONAMENTO / 2 ACESSOS VENOSOS ELEVADO CALIBRE / EVITAR HIPOTERMIA OXIGENIOTERAPIA EM ELEVADA CONCENTRAÇÃO (SpO2 > 95%)

HIPOVOLÉMICO

DIMINUIÇÃO ABRUPTA OU GRADUAL DA VOLÉMIA (VOLUME SANGUÍNEO TOTAL)

UMA DAS PRINCIPAIS CAUSAS É A DESIDRATAÇÃO POR VÓMITOS / DIARREIA

HEMORRAGIA

PERDA HEMÁTICA DE ETIOLOGIA MÉDICA OU TRAUMÁTICA

O VOLUME SANGUÍNEO PERDIDO DETERMINA A CLÍNICA E GRAVIDADE DO CHOQUE

IDENTIFICAÇÃO DA CAUSA A

CONTROLO DO FOCO HEMORRÁGICO SE POSSÍVEL / COMPRESSÃO / GARROTE

REPETIR ATÉ 60 mL/kg / VIGIAR SINAIS DE SOBRECARGA HÍDRICA APÓS FLUÍDOS (CRISTALÓIDE) B 20 mL/kg

C

HEMODERIVADOS (UCE / PFC / PLAQ. / FIBRINOGÉNIO / FATORES DE COAGULAÇÃO)

COMUNICAÇÃO COM O CODU E PREPARAÇÃO NO HOSPITAL DE DESTINO

CRITÉRIOS DE ATIVAÇÃO DO PROTOCOLO DE TRANSFUSÃO MACIÇA A PERDA 1.5 mL/kg/minuto SANGUE EM 20 MINUTOS B C

ÁCIDO TRANEXÂMICO (IV) D 1 g / 100 mL

BOLUS EM 20 MINUTOS + PERFUSÃO 1 g EM 24 HORAS

ADMINISTRAR ATÉ 3 HORAS APÓS O INÍCIO DO MECANISMOHEMORRÁGICO

NORADRENALINA (IV) – VER PROTOCOLO CHOQUE SÉPTICO E

UTILIZAR SE APENSAS REFRATÁRIO À FLUIDOTERAPIA E HEMODERIVADOS

Caros leitores, É com especial satisfação que apresentamos esta última edição da rubrica Infosaving, encerrando um ciclo dedicado à simplificação e sistematização de temas críticos no contexto das emergências médicas no adulto. Ao longo destas 10 edições, trabalhámos em conjunto — autores e leitores — na transformação de conteúdos complexos em ferramentas visuais claras, objetivas e de aplicação imediata, alinhadas com as exigências

O ALGORITMO DE ATUAÇÃO DEPENDE DA MAGNITUDE DE GRAVIDADE CLÍNICA E ORGÃO ALVO

IDENTIFICAR SIRS (SÍNDROME RESPOSTA INFLAMATÓRIA SISTÉMICA) 1

A PRESENÇA DE DOIS OU MAIS CRITÉRIOS IMPLICA PASSAR PARA A ETAPA SEGUINTE

A.E.Consciência

FR > 20 cpm FC > 90 bpm 36 < TEMP > 38

IDENTIFICAR FOCO INFECIOSO (SEPSIS) 2

A PRESENÇA DE UM OU MAIS CRITÉRIOS IMPLICA PASSAR PARA A ETAPA SEGUINTE

VÓMITOS

TOSSE DOR LOMBAR CEFALEIA DISÚRIA DIARREIA CELULITE ALT. CUTÂNEAS

IDENTIFICAR DISFUNÇÃO DE ORGÃO (SEPSIS GRAVE) 3

A PRESENÇA DE UM OU MAIS CRITÉRIOS IMPLICA ASSUMIR O QUADRO DE SEPSIS GRAVE

RESPIRATÓRIA (SpO2 < 90% / Rácio PaO2/FiO2 < 300) A COAGULAÇÃO (INR > 1.5 / aPTT > 60s) B

RENAL (Débito urinário < 0.5 mL/kg/hora / aumento da creatinina > 0.5 mg/dL) C

HEMATOLÓGICA (Trombocitopenia < 100.000) D

GASTROINTESTINAL (Ileus paralítico / ausência de ruídos) E

HEPÁTICA (Hiperbilirrubinemia > 4 mg/dL) F CIRCULATÓRIA (PAS < 90 mmHg / PAM < 70 mmHg / diminuição PAS > 40 mmHg) G CHOQUE SÉPTICO

SEPSIS COM HIPOTENSÃO REFRATÁRIA À FLUIDOTERAPIA E COM AUMENTO SÉRICO DE LACTATOS

INICIAR ABORDAGEM TERAPÊUTICA (VIA VERDE SEPSIS) 4

REPETIR ATÉ 60 mL/kg FLUÍDOS (CRISTALÓIDE) A 20 mL/kg CEFTRIAXONE IV / HEMOCULTURA

ANTIBIOTERAPIA B 2000 mg

NORADRENALINA (IV) C 35

SE REFRATÁRIO À FLUIDOTERAPIA – 20

/ mL ou

do contexto pré-hospitalar. As infografias afirmaram-se como um recurso eficaz no apoio à decisão clínica, facilitando a integração de conhecimento e a atuação rápida em cenários de elevada pressão.

Este percurso reforçou a importância de formatos que privilegiem a clareza, a síntese e a utilidade prática, contribuindo para uma melhor preparação dos profissionais e, em última análise, para a qualidade dos cuidados prestados. Agradecemos a todos os leitores da

revista Lifesaving pelo interesse, contributos e sugestões ao longo deste projeto. Esperamos que esta série tenha sido uma ferramenta útil no vosso dia a dia clínico e que continue a servir como suporte na prática futura

EDITOR

LUIS MIGUEL COSTA Anestesiologista na ULS Algarve

FÁRMACO REVISITADO

DEXAMETASONA

INTRODUÇÃO

A dexametasona é um corticosteroide sintético fluorinado, pertencente ao grupo dos glucocorticoides de longa duração, com elevada potência anti-inflamatória e imunossupressora e praticamente ausente de atividade mineralocorticoide. É amplamente utilizada no tratamento de doenças inflamatórias, alérgicas, autoimunes, neoplásicas e em situações de emergência médica.

FORMA DE APRESENTAÇÃO E CONSERVAÇÃO

A dexametasona encontra-se disponível em várias formas de apresentação:

• Comprimidos;

• Solução oral;

• Solução injetável - Dexametasona sódica-fosfato: Uso intravenoso (IV), intramuscular (IM) ou intra-articular (IA);

• Colírios e pomadas oftálmicas;

• Formulações tópicas: Cremes, pomadas, loções.

Conservação:

• Conservar à temperatura ambiente (geralmente < 25 ºC);

• Proteger da luz e da humidade;

• As soluções injetáveis não devem ser congeladas;

• Após abertura, respeitar o prazo de validade indicado pelo fabricante.

POSOLOGIA E MODOS DE ADMINISTRAÇÃO

A posologia da dexametasona varia amplamente de acordo com a indicação clínica, protocolos, severidade da doença, características e resposta individual à terapêutica instituída. Considerando as formas de apresentação, o fármaco é compatível com as seguintes vias de administração:

• Via oral: Administração diária ou em doses fracionadas;

• Via intravenosa ou intramuscular: Utilizada em situações agudas ou doença grave;

• Administração tópica ou oftálmica: Conforme prescrição específica.

A dose pode variar desde 0,5 mg até doses superiores (ex.: 10 a 40 mg/ dia) em situações específicas. A suspensão da terapêutica deve ser gradual quando utilizada por períodos prolongados, para evitar efeitos secundários decorrentes da sua suspensão.

FARMACOCINÉTICA

Biodisponibilidade: Via oral elevada (≈ 70–80%); Via IV 100%; Via IM ≈ 100% Volume de distribuição (Vd):

• Elevado, com ampla distribuição tecidular

• Atravessa a barreira hematoen-

cefálica e a placenta

Ligação a proteínas plasmáticas: Cerca de 70% (principalmente à albumina)

Metabolização: Hepática, principalmente via enzimas do citocromo P450 (CYP3A4) com formação de metabolitos 6β-hidroxidexametasona, 6α-hidroxidexametasona e androstanoide.

Semi-vida:

• Semi-vida plasmática: ~3–5 horas

• Semi-vida biológica prolongada: 36–54 horas

Eliminação: Predominantemente renal, sob a forma de metabolitos inativos.

FARMACODINÂMICA

A dexametasona atua através da ligação aos recetores intracelulares dos glucocorticoides, regulando a expressão génica. Os seus principais efeitos incluem:

• Inibição da produção de prostaglandinas e leucotrienos;

• Supressão da resposta imunitária;

• Redução da permeabilidade capilar;

• Diminuição do edema e da migração de leucócitos;

• Inibição do eixo hipotálamo–hipófise–adrenal (HHA).

Maria
em Anestesiologia da Unidade Local de Saúde de Gaia e Espinho

Indicação Terapêutica Via

Reações alérgicas graves / Anafilaxia (adjuvante)

IV/IM 4-10 mg

Edema cerebral IV

Exacerbação Asma/DPOC

10 mg IV, seguido 4-6 mg IM/IV, 6/6h

Oral/ IV 4-10 mg/dia, 5-10 dias

0,15-0,6 mg/kg/ dose (máx 10 mg)

0.15-0,4 mg/kg, 6/6h

0,15-0,6 mg/kg/ dia (máx 10 mg)

Considerações (Idoso) Outras Considerações

Dose mínima eficaz -

Monitorização neurológica e glicemia -

Duração mínima necessária -

Profilaxia de náuseas e vómitos pós-operatórios IV 4 mg 0,15 mg/kg/dose 4 mg -

Insuficiência suprarrenal (situações específicas)

Oral/ IV 0,5-1 mg/dia

0,02-0,04 mg/kg/ dia -

Choque sético/trauma IV 20-40 mg/dia

Uso restrito -

A Tabela 1 resume a posologia de acordo com as principais indicações e população-alvo.

INDICAÇÕES TERAPÊUTICAS

A dexametasona está indicada em diversas situações clínicas, nomeadamente:

• Reações alérgicas graves e anafilaxia (adjuvante);

• Doenças respiratórias (ex.: exacerbações de asma, DPOC);

• Infeção grave por SARSCOV-2 sob oxigenoterapia ou suporte ventilatório

• Edema cerebral;

• Insuficiência suprarrenal (em situações específicas).

• Tratamento adjuvante em neoplasias;

• Prevenção e tratamento de náuseas e vómitos induzidos por quimioterapia;

• Doenças inflamatórias e autoimunes (ex.: artrite reumatoide, lúpus);

CONTRA-INDICAÇÕES

A dexametasona está contraindicada nas seguintes situações:

• Hipersensibilidade ao fármaco ou a excipientes;

• Infeções fúngicas sistémicas não tratadas e malária cerebral;

• Administração de vacinas vivas/ vivas-atenuadas durante tratamento imunossupressor.

Deve ser usada com precaução em doentes com diabetes mellitus, hipertensão, osteoporose, cirrose, úlcera péptica, diverticulite, colite ulcerosa, glaucoma, miastenia gravis, infeções latentes (fúngicas, parasitárias e bacterianas) ou distúrbios psiquiátricos. O uso criterioso do fármaco deve ser praticado no contexto de gravidez, considerando associação a malformações fetais, nomeadamente fenda labial/palatina e RCIU. Não se recomenda a adminis-

Doses superiores podem ser necessárias no contexto de stress agudo

Uso controverso; conforme protocolos institucionais

tração do fármaco durante a amamentação, recomendando-se a sua suspensão temporária até 2 semanas após a última toma de dexametasona.

EFEITOS ADVERSOS

Os efeitos adversos dependem da dose e da duração do tratamento e destacam-se os seguintes:

Endócrino-metabólico:

• Supressão do eixo HHA (30-50% no contexto de duração terapêutica > 2-3 semanas)

• Ganho ponderal (10-40%), anorexia, náuseas e vómitos

• Síndrome de Cushing iatrogénico (5-20%, se uso prolongado)

• Atraso de crescimento na população pediátrica (5-20%, se uso prolongado)

• Hiperglicemia e diabetes induzida por corticosteroides (2-10%)

Cardiovascular:

• Hipertensão arterial (10-20%)

• Retenção hídrica (5-15%, menos frequente que outros corticosteroides)

Gastrointestinal:

• Úlcera gástrica e hemorragia digestiva (1-5%)

• Hepatotoxicidade (no contexto de doses superiores e terapêutica prolongada)

Imunológico:

• Aumento da suscetibilidade e risco de infeções (10-40%)

Outros:

• Osteoporose (20-50%) e miopatia (5-15%) (no contexto de terapêutica prolongada)

• Alterações psiquiátricas: Insónia (10-30%), Euforia e irritabilidade (5-20%), Depressão (5-10%), Psicose 1-5%, Delirium (até 10% no contexto da população geriátrica

• Hipocalémia, arritmias, edema pulmonar, elevação da pressão intracraniana.

Os valores acima correspondem a estimativas médias descritas em literatura clínica e farmacológica, sobretudo para uso sistémico (oral/IV)

INTERAÇÕES

MEDICAMENTOSAS

A dexametasona pode interagir com diversos fármacos, nomeadamente:

• Indutores enzimáticos (ex.: rifampicina, fenitoína): diminuição do efeito;

• Inibidores do CYP3A4 (ex.: cetoconazol): aumento da toxicidade;

• Antidiabéticos: redução do efeito

hipoglicemiantes;

• Anticoagulantes orais: alteração do efeito anticoagulante;

• AINEs: aumento do risco de úlcera e hemorragia gastrointestinal;

• Vacinas vivas: risco de infeção disseminada.

TAKE HOME MESSAGES

• Em tratamentos prolongados, a suspensão deve ser progressiva com o objetivo de evitar insuficiência adrenal secundária.

• Em crianças, idosos e doentes com comorbilidades, as doses devem ser reduzidas e cuidadosamente monitorizadas.

• A dexametasona tem elevada potência, sendo aproximadamente 25–30 vezes mais potente que a hidrocortisona.

• Insuficiência renal: geralmente B, mas exige monitorização.

• Insuficiência hepática: usar com precaução devido à metabolização hepática

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CATARINA MONTEIRO Médica VMER
EDITORA

EMERGÊNCIA INTERNACIONAL

ACIDENTE FERROVIÁRIO EM ADAMUZ: DECISÕES SOB INCERTEZA NA PRIMEIRA LINHA

No dia 18 de janeiro de 2026, às 19h43, ocorreu um grave acidente ferroviário nas proximidades de Adamuz, quando um comboio de alta velocidade da operadora Iryo descarrilou após uma incidência na via. Poucos segundos depois, um segundo comboio, um Alvia da Renfe que circulava em sentido contrário colidiu com o primeiro, originando um cenário de duplo impacto e elevada complexidade operacional. A separação física entre os dois comboios, de cerca de um quilómetro, dificultou a perceção inicial da real dimensão do incidente e condicionou a resposta dos primeiros meios de emergência. O que inicialmente foi comunicado como um descarrilamento isolado rapidamente evoluiu para um incidente com múltiplas vítimas (IMV) de grande escala, com dois focos distintos e necessidades assistenciais diferenciadas.

O balanço final foi de 46 vítimas mortais e mais de 150 feridos, tornando-se um dos acidentes ferroviários mais graves registados em Espanha nas últimas décadas. A intervenção decorreu em condições particularmente exigentes, marcadas por baixa visibilidade, dificuldades de acesso ao segundo comboio e elevada carga assistencial num curto espaço de tempo.

A resposta envolveu a mobilização de múltiplos recursos de emergência, incluindo equipas do 061 Andaluzia, bombeiros, Guarda Civil e Proteção Civil, que tiveram de se adaptar rapidamente a um cenário dinâmico, fragmentado e com informação inicial limitada.

Neste contexto, a experiência dos primeiros intervenientes assume especial relevância, permitindo compreender não só a cronologia do evento, mas também os desafios

<< Figura 1. Acidente ferroviario em Adamuz (Córdoba), 2026. Fonte: EFE / RTVE

reais associados à gestão de um IMV em condições de incerteza.

Nos incidentes com múltiplas vítimas, o primeiro erro raramente é técnico. É mental. O cenário que se imagina dificilmente corresponde ao que realmente se encontra.

Esta é a experiência de Laura Solís, médica do 061 Andaluzia, uma das primeiras intervenientes no segundo foco do acidente.

ENTREVISTA

— Quem és e como chegaste à emergência pré-hospitalar?

Sou Laura Solís, sou de Navalmoral de la Mata, de uma localidade de Cáceres, na Extremadura, e foi lá que fiz a minha formação como médica de família, durante a residência, nesse hospital, que é um hospital comarcal. Depois desses quatro anos de formação, fui trabalhar para Sevilha, comecei a trabalhar no Hospital Virgen del Rocío, na porta de urgências. E enquanto trabalhava na urgência, comecei um mestrado que é dado pela Escola SAMU, aqui em Sevilha, de uma agência hospitalar. Interessei-me muito pela emergência, pela combinação do trabalho hospitalar e pré-hospitalar, e depois de trabalhar no Virgen del Rocío comecei a trabalhar aqui no 061, onde estou atualmente, há cerca de um ano e pouco, comecei

em fevereiro de 2025. E desde então estou a trabalhar em emergência pré-hospitalar.

— Onde estavas quando recebeste o alerta?

Eu estava nesse dia de serviço em Arahal, que é uma base periférica aqui de Sevilha, estava de guarda de 24 horas e fomos alertados cerca de 10 minutos depois de entrar o primeiro aviso do 112 do impacto do comboio. Inicialmente informaram-nos de um descarrilamento e avisaram-nos de que havia um segundo comboio quando já estávamos a caminho. Chegámos ao local por volta das nove e meia, aproximadamente, desde Arahal, que fica a cerca de 30 ou 40 minutos de Sevilha. No início, quando chegámos, ainda estavam os passageiros a sair do Irio, estavam a evacuar toda a zona do primeiro comboio, mais perto do apeadeiro, já com todo o dispositivo montado pela Guarda Civil, proteção

civil, polícia, bombeiros. Inicialmente entrámos numa “nória” de ambulâncias que nos direcionou para a zona do impacto do Alvia, porque no Irio já estava bastante controlado do ponto de vista sanitário, e fomos encaminhados para o Alvia, que era a zona mais afetada naquele momento. Quando chegámos, os primeiros equipamentos de Córdoba já estavam lá e foi para lá que fomos, onde estava o comando médico.

— O cenário era o que esperavas?

Inicialmente disseram-nos que era um descarrilamento único, de um único comboio. Quando já estávamos a caminho avisaram-nos do segundo impacto e pensávamos que era um único cenário, com os dois comboios no mesmo local. Ao chegar vimos a confusão, com pessoas classificadas como verdes ainda a sair com bagagens. Foi aí que percebemos que o segundo comboio estava

Figura 2. Equipas a trabalhar durante a noite no local . Fonte : EFE / RTVE ( 2026)

bastante mais à frente, cerca de 900 metros a um quilómetro. Chegámos com a UVI até onde foi possível e depois tivemos de

continuar a pé, porque o acesso era estreito. O segundo comboio era o mais afetado e impressionava mais do que esperávamos.

— O que encontraste ao chegar ao segundo comboio?

Tivemos de continuar a pé. O Alvia concentrava a gravidade real: mais

Figura 3. Equipas de emergência a trabalhar durante a noite no local do acidente ferroviário de Adamuz. Fonte: EFE / RTVE (2026)
Figura 4. Iluminação noturna . Fonte : RTVE
Figura 5. Equipas de intervenção e resgate. Fonte : EFE / RTVE

impacto, mais desorganização e mais incerteza. Já havia equipas de Córdoba e o comando médico a organizar a triagem inicial.

— Qual foi a tua função?

Havia pacientes já classificados como críticos. Uma jovem, classificada como vermelha, com dispneia, instável. A indicação foi evacuar. Como não havia acesso direto, fizemos transporte manual com ajuda da Guarda Civil até à UVI móvel e daí para o Hospital Reina Sofía. Nestes cenários não se trata apenas de atender, trata-se de levar o paciente certo, no momento certo, para o local certo.

— O que é mais difícil?

Como temos treinado muitas vezes este tipo de situações, temos automatizado ir procurar o comando médico e seguir as indicações. Mas a dificuldade é controlar a vontade de ajudar todos ao mesmo tempo. É preciso manter a calma, não se deixar levar pelo caos de vários pacientes ao mesmo tempo, centrar-se num só e atuar de forma ordenada.

— Há alguma imagem que não esqueces?

Sim. A imagem da chegada ao local, o cenário na escuridão, o comboio Alvia. Isso ficou comigo durante muitos dias. A imagem da equipa a chegar. E depois a evacuação da paciente e também de Cristina, a menina que depois se soube que tinha perdido a família. Levámo-la na UVI, sentada à frente. O facto de estar sozinha foi algo mais difícil de processar.

— Farias algo diferente?

Tive essa sensação nos primeiros dias, por ser a primeira vez numa situação assim, com muitos pacientes graves, descontrolo, escuridão, frio. Mas agora penso que fiz o que tinha de fazer com a formação que tinha. Há fatores que não podemos controlar e aceitei que não teria feito diferente.

— O que te deixou este incidente?

Que tudo acontece em tempo real e é preciso adaptar-se. Nestes acidentes há sempre coisas a melhorar, mas no momento é necessário agir em direto e isso é muito difícil.

— Lições aprendidas?

Nos relatórios, os incidentes são ordenados.

Na realidade, não.

Na análise, as decisões parecem claras.

No terreno, não são.

Em Adamuz, como em qualquer incidente com múltiplas vítimas, a diferença não está apenas no protocolo. Está na capacidade de atuar sem toda a informação, integrar-se sem desorganizar o sistema e entender que, por vezes, a decisão correta não é fazer mais, mas fazer o necessário

EVA MOTERO
Médica VMER
RUBEN SANTOS
Enfermeiro VMER
EDITOR
EDITORA
SOLANGE MEGA
Enfermeira SIV/VMER
EDITORA

O QUE FAZER EM CASO DE...

Obstrução da Via Aérea em Pediatria (Criança > 1ano)

Na presente edição da LIFESAVING iremos explicar “O que fazer em caso de… obstrução da via aérea” na criança, com base nas novas Guidelines do European Resuscitation Council (ERC) de 2025. Em primeiro lugar, é fundamental avaliar rapidamente se a criança consegue respirar, falar ou chorar. Se está consciente e consegue tossir deve ser incentivada a tossir. Caso esteja consciente mas não consiga respirar ou emitir sons, deve-se ligar imediatamente 112 com o telefone em modo altifalante, e iniciar imediatamente manobras de desobstrução, com a aplicação de cinco pancadas nas costas seguidas de cinco compressões abdominais, alternando até que o objeto seja expelido ou a criança fique inconsciente. Se a criança perder a consciência, é importante iniciar a Suporte Básico de Vida (SBV) e ligar 112 o mais rápido possível. Manter a calma e agir de forma rápida e eficaz pode ser crucial para salvar uma vida nestas situações.

ASSEGURAR CONDIÇÕES DE SEGURANÇA

(Local, Reanimador, Vítima)

Vítima encontra-se consciente? Sinais de Obstrução Via Aérea (OVA)?

Encorajar a TOSSIR até:

Resolução da OVA ou Tosse ineficaz ou Agravamento

BIBLIOGRAFIA

LIGAR 112 modo altifalante

LIGAR 112 modo altifalante

A tosse é eficaz? Consciente?

Alternar até resolver OU vítima ficar Inconsciente

COMPRESSÕES ABDOMINAIS

INCONSCIENTE —SUPORTE BÁSICO DE VIDA (SBV) —

• Pesquisar Via Aérea

• Efetuar 5 insuflações iniciais

Suporte Básico de Vida (SBV)

- Leigo 30:2 ou se tiver formação 15:2

- Sempre que forem realizadas ventilações

 pesquisar Via Aérea

1. Djakow, J., McBeth Turner, N., Skellett, S., Roggen, I., Biarent, D., & ERC Paediatric Life Support Writing Group collaborators. (2025). European Resuscitation Council Guidelines 2025: Paediatric Life Support. Resuscitation, 215(Supplement 1), 110767. https://doi. org/10.1016/j.resuscitation.2025.110767

2. Programa de edição de fotos: Painnt®

EDITOR

SIV/VMER

SIM
NÃO
André Abílio Rodrigues 1
1Enfermeiro VMER, SIV
ANDRÉ ABÍLIO RODRIGUES Enfermeiro

CUIDAR DE NÓS

SAÚDE

OCUPACIONAL NA EMERGÊNCIA

MÉDICA: DESAFIOS, RESPONSABILIDADES E ESTRATÉGIAS PARA PROTEÇÃO DOS PROFISSIONAIS

António Abel Zua Coelho1 2 3

1Mestre em Gestão de Emergência e Socorro;

2Licenciado em Gestão da Segurança, Emergência e Proteção Civil; 3Técnico Superior de Segurança e Saúde no Trabalho

A saúde ocupacional é hoje um eixo estratégico nos serviços de emergência médica e socorro, sobretudo para profissionais que atuam em contextos de elevada exigência física, emocional e operacional. Neste quadro, os empregadores e os serviços públicos responsáveis por estas estruturas devem garantir condições adequadas de segurança e saúde no trabalho, adotando uma abordagem preventiva, integrada e sustentada na evidência científica, organizacional e legal.

Os profissionais da emergência médica estão expostos a riscos ocupacionais múltiplos, incluindo esforço físico intenso, contacto com agentes químicos, biológicos e térmicos, privação de sono, turnos irregulares e stresse associado a incidentes traumáticos. Estes fatores aumentam a probabilidade de doenças cardiovasculares, lesões músculo-esqueléticas, perturbações do sono, ansiedade, depressão e perturbação de stresse pós-traumático, com impacto na saúde dos trabalhadores e na qualidade da resposta operacional.

Na emergência médica extra-hospita-

lar, o ambiente de trabalho é particularmente exigente, uma vez que combina decisões críticas em tempo real, contacto permanente com sofrimento humano e pressão emocional constante. Por isso, o stresse emocional crónico deve ser reconhecido como um dos principais riscos psicossociais, capaz de gerar fadiga emocional, burnout e desgaste acumulado, comprometendo o desempenho, a segurança das equipas e a qualidade assistencial. Do ponto de vista legal e organizacional, cabe aos empregadores públicos assegurar condições de trabalho seguras e saudáveis, através da identificação sistemática de perigos, da avaliação contínua dos riscos, da implementação de medidas preventivas, da formação em segurança e da vigilância regular da saúde. Nos serviços de emergência, esta obrigação é ainda mais relevante porque o local de trabalho é móvel, complexo e permanentemente mutável. Uma das fragilidades mais frequentes reside na dificuldade de integrar a saúde ocupacional de forma efetiva na estratégia e na operação diária das organizações. Apesar do

enquadramento legal existente, muitas entidades públicas ainda não dispõem de serviços de saúde ocupacional com verdadeira capacidade de monitorização contínua, acompanhamento próximo e intervenção precoce, o que dificulta a deteção atempada do desgaste físico e psicológico.

A avaliação dinâmica dos riscos, o controlo, a prevenção e a vigilância da saúde não devem ser vistos como meras formalidades administrativas. Pelo contrário, constituem deveres estruturantes para preservar o bem-estar, a saúde e a capacidade operacional dos profissionais da emergência médica extra-hospitalar, protegendo simultaneamente o capital humano e a sustentabilidade dos serviços públicos de socorro. Neste contexto, a gestão da segurança nas operações de emergência deve estar integrada nos sistemas de comando e gestão operacional, com funções especializadas em segurança e saúde no trabalho capazes de participar no planeamento, na avaliação dinâmica dos riscos e na comunicação de segurança. A ausência de perfis

funcionais claros e de formação estruturada nesta matéria reduz a eficácia das medidas de proteção e aumenta o risco de acidentes de trabalho e doenças profissionais. Para os empregadores e entidades públicas, a promoção da saúde ocupacional deve assentar numa lógica multidimensional. Isso implica disponibilizar equipamentos de proteção individual adequados, apoio psicológico, reabilitação física, políticas de gestão do stresse, organização equilibrada dos turnos, pausas operacionais ajustadas e ambientes psicossociais positivos. Liderança eficaz, apoio organizacional, coesão de equipa e um clima institucional saudável são fatores decisivos para a resiliência e o desempenho. A vigilância da saúde deve ser adaptada às especificidades deste risco ocupacional, incluindo exames médicos periódicos, monitorização da aptidão física, acompanhamento psicológico após incidentes críticos e programas de promoção da saúde mental. A recolha sistemática de dados sobre acidentes, exposições e impactos na saúde é igualmente

essencial para apoiar decisões baseadas em evidência e melhorar continuamente as políticas de prevenção.

Mais do que cumprir obrigações normativas, integrar a saúde ocupacional na cultura organizacional deve ser entendido como uma opção estratégica de gestão do capital humano. Investir na saúde dos profissionais de emergência contribui para reduzir o absentismo, prevenir acidentes, mitigar o desgaste emocional e prolongar a vida profissional, reforçando uma resposta operacional mais segura, eficiente e humanizada.

Em síntese, a saúde ocupacional nos serviços de emergência médica e de socorro deve ser tratada como prioridade estratégica da administração pública. Cuidar da saúde física e mental destes profissionais não é apenas uma obrigação legal e ética: é também a condição para garantir a sustentabilidade dos serviços, a segurança das equipas e a qualidade dos cuidados prestados à população. Proteger quem cuida é, em última análise, proteger toda a comunidade

BIBLIOGRAFIA

Diplomas gerais e transversais

• Lei n.º 102/2009, de 10 de setembro: Regime jurídico base da promoção da segurança e saúde no trabalho, definindo deveres de prevenção do empregador e obrigações do trabalhador. Código do Trabalho (Lei n.º 7/2009): Nos artigos 281.º a 284.º, consagra o direito do trabalhador a prestar serviço em condições de segurança e saúde.

Diplomas específicos da Administração Pública

• Lei Geral do Trabalho em Funções Públicas — Lei n.º 35/2014: O artigo 71.º, alínea h), reforça o dever da entidade empregadora pública de garantir a segurança e saúde no trabalho.

• Lei n.º 79/2019, de 2 de setembro: Define a aplicação do regime de segurança e saúde no trabalho aos órgãos e serviços da Administração Pública.

• Estratégias para identificação do perfil funcional do Adjunto de Segurança no âmbito do Sistema de Gestão de Operações - Coelho, António Abel Zua (2025) - Dissertação de Mestrado em Gestão de Emergência, Instituto Superior de Ciências da Informação e Administração

SILVIA LABIZA
Enfermeira VMER
Heli INEM
EDITORA
"BURNOUT

NA EMERGÊNCIA: COMO RECONHECER E PREVENIR?"

“Pela falta de pachorra perante o que acontece diariamente!!!

Ana Agostinho

“O Burnout é certamente uma realidade cada vez mas próxima, e não só pela exaustão e sobrecarga das equipas mas também pela falta de reconhecimento dos pares e dos doentes, pela crescente exigência, pela indiferença e até por vezes agressividade que encontramos nos doentes e famílias. O esforço emocional a que nos obrigamos acaba por nos depletar na energia

para sentir prazer e sentido no nosso exercício profissional. Claro que o descanso é necessário, mas acima de tudo um descanso com sentido, com prazer e relação. O descanso por si tem de ser não apenas físico, mas com oportunidade a recuperar. Descanso mental, social, sensorial, mas acima de tudo um descanso que permita reencontrar o nosso sentido, a motivação que nos carrega quando as tarefas são mais exigentes.”

Ana Raquel Ramalho

NOTA DO EDITOR

As respostas obtidas à questão colocada na Tertúlia VMERista são da exclusiva responsabilidade dos intervenientes no "inquérito", e que são opiniões estritamente pessoais, das quais a LIFESAVING necessariamente se demarca...

“A prevenção do burnout pelo profissional na emergência passa, em primeiro lugar, pela sensibilização e atenção para os sintomas e sinais de exaustão física e emocional, podendo, inclusive, recorrer a ajuda de Consulta de Especialidade para os profissionais da nossa ULS.”

"Reconheceremos o burnout no dia em que detetarmos o esgotamento da nossa energia, a descaracterização do

nosso ser, e se vencidos pela exaustão deixarmos que ela nos subtraia o prazer do trabalho e da missão que nos seja confiada. Para esse dia não chegar precisamos de várias coisas: buscar apoio uns nos outros, partilhando as experiências, copiando os comportamentos saudáveis; e sobretudo procurar em nós o equilíbrio nos tempos de trabalho e tempos de descanso, mantendo sempre uma atitude resiliente e positiva perante os insucessos, as barreiras e desafios do dia-à-dia. E no final, o mais importante será, sem dúvida, passar das palavras aos atos".

EDITOR

NUNO RIBEIRO
Enfermeiro VMER
TIP

UM PEDACINHO DE NÓS

Enf.º Vasco Claúdio Pais Barros

Ana Rodrigues1, Teresa Castro 2

1Enfermeira das VMER de Faro e Albufeira, 2Enfermeira da VMER de Albufeira

“Há vidas que se medem em anos. Outras, em intensidade.”

Hoje falamos de Vasco Cláudio

Pais Barros enfermeiro de emergência médica e operacional da SIV -VMER de Faro -SHEM e CODU. Com um percurso marcado pela perseverança no desporto e na saúde, alia a proficiência técnica de quem lida com o doente crítico à sensibilidade de quem valoriza os afetos e a mesa partilhada. Entre o apito inicial nos relvados de Albufeira e o som urgente das sirenes da emergência médica, a

vida afirmou-se como um testemunho múltiplo de experiências, de resiliência e de humanidade. Do jovem sonhador, lutador, que desde cedo aprendeu a orientar a vida, ao enfermeiro que pauta a sua missão com responsabilidade e orgulho para ajudar o próximo, esta biografia percorre o trajeto de um homem que escolheu estar “inteiro” em cada missão, que explora as raízes, os desafios e as vitórias de um profissional dedicado à missão de salvar vidas."

Trata-se de uma narrativa sobre escolhas, família e uma dedicação

inabalável ao cuidado do próximo. A história do Enfermeiro Vasco Cláudio Pais Barros inicia-se em Portimão, a 26 de junho de 1979, fruto de uma circunstância geográfica marcada pela urgência, pois a sua mãe encontrava-se fora da sua área de residência. Todavia, é em Albufeira, que se enraízam verdadeiramente as suas origens e identidade. Filho de José Barros e Alexandrina Barros, que trouxeram consigo a resiliência de quem recomeça a vida de novo após terem deixado Angola e “aterrado” em Portugal no ano de 1974. Cresceu na sua

primeira infância num ambiente onde o conceito de família transcendia os laços biológicos, onde aprendeu o valor da união, da entreajuda e da responsabilidade pois, viveu numa comunidade unida por experiências comuns de regresso e de reconstrução de uma nova vida, num país diferente. Teve o privilégio de conviver no seu lar com um irmão e uma irmã de criação, o que constituiu o alicerce de uma ética, humildade e responsabilidade. Essa responsabilidade surgiu cedo e fruto das necessidades da vida aos dez anos, enquanto muitos dos seus amigos desfrutavam do quotidiano despreocupado da infância, o Enfermeiro Vasco já assumia responsabilidades, trabalhando na venda de gelados na papelaria da sua mãe. Este espírito

de sacrifício de empreendedor e versátil acompanhou-o ao longo da juventude, levando-o a desempenhar funções diversas, tais como, jardineiro, empregado de mesa, condutor de jeep safári, entre outras, experiências essas que contribuíram para moldar uma personalidade prática, resiliente e versátil.

A juventude foi marcada por ambição e por desafios que acabariam por orientar o seu percurso para a área da saúde. Teve o sonho de ingressar como piloto na Força Aérea Portuguesa que perseguiu com determinação tendo concorrido por duas vezes; contudo, o seu caminho acabaria por assumir uma dimensão diferente, mais próxima das pessoas. Cumpriu o serviço militar na Escola Prática de Cavalaria, em Santarém e no Regimento de Cavalaria nº 3, em

Estremoz e foi no decorrer desse período que surgiu o apelo inesperado, mas profundo, pela área da saúde. Em 2001, já com os seus 22 anos ingressou na Escola Superior de Enfermagem de Beja, iniciando um período exigente de crescimento pessoal e académico. Conciliava a vida e o rigor académico com sua paixão pelo futebol — que o levava diariamente a viajar entre Beja e Albufeira e a realizar os jogos ao fim-de-semana.

Aos 23 anos e enquanto estudante enfrentou um dos momentos mais marcantes da sua vida: a paternidade. O nascimento do seu primeiro filho, Diogo, foi o catalisador que definiu as suas prioridades, ensinando-o a não permitir que o medo governasse o seu caminho. Confessa que foi um momento de uma grande emoção. Há quem escolha a estabilidade. Vasco escolheu o imprevisível. No plano profissional, encontrou a sua verdadeira vocação na área do doente crítico e da emergência médica. No contacto com o doente crítico, encontrou o espaço onde a técnica, a rapidez e a humanidade se cruzam de forma mais intensa. Iniciou o seu percurso no SUB de Albufeira em 2005, após ter realizado o seu estágio de integração à vida profissional no Serviço de Urgência do Hospital de Faro. Realizou no decorrer do período que esteve na SUB de Albufeira várias formações na área da emergência médica e em 2007 termina o seu curso de VMER.

Veio posteriormente ingressar no INEM, onde concorreu e ingressou em 2008 para a implementação do Projeto SIV, consolidando um

percurso marcado pela experiência e pela capacidade de decisão em contextos de elevada pressão

No contexto da emergência pré-hospitalar, guarda com particular significado — e também com alguma emoção — o seu primeiro parto realizado em plena via pública dentro da ambulância. Longe das condições ideais de um ambiente hospitalar, o cenário improvisado dentro da célula sanitária da ambulância em véspera de Natal.

Entre a consciência da responsabilidade imediata, o ligeiro pânico e a adrenalina de quem percebe que "é agora e aqui", conduziu aquele momento único com profissionalismo e humanidade. Quando o primeiro choro do recém-nascido ecoou, marcou não apenas o início de uma nova vida, mas também um momento simbólico na sua própria trajetória,

O seu percurso é igualmente marcado por uma componente de liderança. Assumiu a responsabilidade pelo projeto SIV em Loulé e desempenhou funções de coordenação no serviço de ambulâncias do INEM no Algarve. No período de 2014 a 2020, tomou uma difícil decisão e envergou por uma experiência internacional na qual prestou cuidados de saúde em sítios remotos assim como realizava e organizava evacuações medicas. Regressou a Portugal em 2020, em plena pandemia COVID tendo tido a possibilidade de voltar à casa aonde tinha sido muito feliz, o INEM. Fruto do seu trajeto profissional e pessoal, em 2025, tem o privilégio de integrar

a prestigiada equipa da VMER de Faro, que era um dos seus objetivos mais ambicionados— um marco que representa não apenas uma conquista profissional, mas a concretização de um percurso consistente. Para o enfermeiro Vasco, a enfermagem de emergência não é apenas uma profissão, mas uma missão de serviço e proficiência técnica

ALÉM DO DEVER, porque ninguém é só aquilo que faz.

Fora do contexto profissional, para lá da farda e da adrenalina da emergência, o seu percurso é indissociável de uma das suas maiores paixões. Estas ajudam a equilibrar a intensidade do dia a dia. O seu percurso está profundamente ligado ao desporto, em particular ao futebol. Mais do que um simples reforçando a certeza de que cada intervenção é singular e irrepetível. Guarda na sua memoria como um dos melhores presentes de natal que recebeu na sua vida.

hobby, o desporto foi a escola onde forjou parte o seu carácter e a sua capacidade de acreditar.

A sua história no futebol começou cedo, aos 10 anos, no emblemático Imortal Desportivo Clube, em Albufeira. Foi ali que, durante quase uma década, afirmou-se como um defesa-direito de entrega. Os seus sentidos de responsabilidade cedo foram reconhecidos, levando-o a assumir a braçadeira de capitão de equipa durante as etapas cruciais de Iniciados e Juvenis. Esta experiência como capitão não só apurou a sua resiliência, ajudou a desenvolver a capacidade de interajuda entre equipas que mais tarde aplicaria na sua carreira de enfermagem.

A transição para o futebol sénior levou-o a representar com brio o Futebol Clube de Ferreiras e o Guia Futebol Clube. Mesmo quando o rigor

da licenciatura em Beja exigia, não desistiu e as viagens diárias faziam parte da sua rotina, a paixão pelo jogo falava mais alto, mantendo-o ligado às quatro linhas até aos 23 anos. Hoje, o futebol permanece como uma memória viva de superação. É na família que tudo ganha sentido. É no seio familiar, que encontra o seu verdadeiro porto seguro. Pai de Diogo e Mateus, com 23 anos e 17 anos respetivamente que baseia a sua vida na filosofia de "estar inteiro" em cada momento de união, compensando as ausências que a profissão impõe com uma presença absoluta e afetuosa. Entusiasta da gastronomia e da cultura vínica, vê na mesa o palco ideal para a criação de memórias, acreditando que o valor de qualquer iguaria reside na qualidade da companhia. Viajante por natureza, vê em cada jornada uma oportunidade

de retiro e renovação energética. O mar, esse, é constante e enquanto algarvio, a sua identidade está igualmente ligada ao mar. A praia constitui um espaço de equilíbrio, onde encontra tranquilidade entre o silêncio, o horizonte e a renovação. “Entre a intensidade da emergência, o rigor do relvado e a serenidade do mar, aprendi que a vida só adquire verdadeiro significado quando estamos inteiros — para os outros e para nós próprios.”

DEDICATÓRIA

“Quero agradecer aos meus filhos, Diogo e Mateus à minha Família, aos amigos que têm sido fiéis ao longo desta minha caminhada e as pessoas que no seu anonimato dão-me a sua profundidade e por fim ao meu PAI. Este relato não é apenas sobre o meu caminho, mas sobre a força que encontro em vocês para o percorrer. Estaremos sempre, como prometido, juntos e inteiros”

EDITORA

TERESA CASTRO
Enfermeira VMER
EDITORA
ANA RODRIGUES
Enfermeira VMER
Heli INEM

TESOURINHO VMER ista

A chamada entrou com o peso habitual das ocorrências que fazem a adrenalina subir dois andares de uma vez: mulher, 53 anos, alteração súbita do estado de consciência. Daquelas descrições que, no rádio, parecem sempre vir acompanhadas de uma nuvem invisível de “despachem-se”.

A VMER saiu em marcha apressada, com o ritual bem ensaiado: monitor preparado, mochila aberta, hipóteses diagnósticas a correr em paralelo dentro da cabeça. AVC? Hipoglicemia? Arritmia? Uma peça do puzzle ainda fora do sítio.

À chegada, encontraram-na semi-prostrada, rodeada por familiares num misto de preocupação e comentários contraditórios. Respirava, tinha pulso, saturava razoavelmente, mas estava claramente “noutro canal”. A avaliação começou com a coreografia habitual: glicemia, sinais vitais, observação neurológica rápida.

E então surgiu um dado clínico impossível de ignorar: um odor etílico suficientemente expressivo para dispensar análises laboratoriais sofisticadas. O hálito anunciava vinho antes mesmo de a doente anunciar palavras.

Poucos minutos depois, como quem regressa de uma sesta involuntária, abriu os

Congressos e Cursos

EDITOR

olhos. Primeiro confusa, depois orientada, e finalmente com aquela energia inesperada que alguns doentes recuperam assim que percebem que têm uma plateia médica à volta.

Já sentada, mais desperta e colaborante, aceitou ser monitorizada. O médico colocou os elétrodos enquanto a equipa começava a reorganizar mentalmente o caso. Talvez síncope. Talvez apenas intoxicação alcoólica. Talvez algo intermédio. Foi então que, com um sorriso enviesado e uma serenidade quase teatral, a senhora comentou:

“Doutor, veja lá bem o ECG… acho que vai descobrir aí uma doença do coração.”

Silêncio.

O comentário caiu no interior da ambulância como um pequeno granizo clínico. A equipa trocou olhares discretos. O médico, agora mais atento, analisou o traçado com rigor renovado. Ritmo sinusal. Frequência adequada. Sem alterações isquémicas evidentes. Sem bloqueios. Sem arritmias. Mas a frase já tinha feito o estrago psicológico necessário.

“Será que sabe de alguma cardiopatia?”

“Já teve enfarte?”

“Tem antecedentes?”

Ela observava, divertida, o aumento subtil da tensão diagnóstica. O monitor apitava com a tranquilidade de quem não tinha nada para contar.

Depois de alguns segundos de suspense clínico perfeitamente cozinhado, resolveu terminar a brincadeira.

“A doença no ECG era… nenhuma. Queria só ver a vossa cara.”

E ali ficou registado um fenómeno raro em emergência pré-hospitalar: uma doente que passou de alteração do estado de consciência a produtora de entretenimento médico em menos de vinte minutos. A equipa respirou fundo. Não por alívio apenas, mas porque a medicina também tem estes momentos improváveis: quando o diagnóstico é benigno, o susto é coletivo e o humor aparece como um efeito secundário inesperadamente terapêutico

URGE 2026 - JORNADAS DE ENFERMAGEM DO SERVIÇO DE URGÊNCIA DA ULSGE

7 E 8 DE MAIO

CENTRO DE MULTIMEIOS DE ESPINHO

25TH INTERNATIONAL CONFERENCE ON EMERGENCY MEDICINE (ICEM 2026)

9 A 13 DE JUNHO

HAMBURGO, ALEMANHA

PEDRO OLIVEIRA SILVA Médico VMER CODU

“The most important thing to know about AI is that it is not just another tool. It is an agent. It can learn and change by itself and make decisions by itself. A knife is a tool. You can use a knife to cut salad or to murder someone, but it is your decision what to do with the knife. AI is a knife that can decide by itself whether to cut salad or to commit murder.”

(O mais importante a saber sobre a IA é que não é apenas mais uma ferramenta. É um agente. Ela pode aprender e mudar por si só, e tomar decisões por conta própria. Uma faca é uma ferramenta. Você pode usar uma faca para cortar salada ou para assassinar alguém, mas a decisão sobre o que fazer com ela é sua. A IA é uma faca que pode decidir sozinha se corta salada ou se comete um assassinato.)

Professor Yuval Noah Harari

Historiador, filósofo e professor israelita, no Departamento de História da Universidade Hebraica de Jerusalém. Durante o Encontro Anual de Davos 2026 do Fórum Económico Mundial a 20 de Janeiro de 2026. Numa conversa sobre IA e a humanidade, refletindo sobre os dilemas éticos e a necessidade de redefinir a criatividade humana perante ferramentas que agora diagnosticam doenças e geram conteúdo em segundos.

Para Harari, ser humano é ter o poder de decidir, falhar e criar com base na consciência — algo que a IA está a começar a mimetizar e a substituir.

https://hnalves.medium.com/yuval-noah-harari-an-honest-conversation-on-ai-and-humanity-davos-2026-277b1e570ed2

"(...) in a world moving toward greater fragmentation and sharper power competition, international law is indispensable. Without it, instability spreads, mistrust deepens, and conflicts spiral out of control. This applies everywhere – and it applies urgently to the conflict in the Middle East. There is no military solution to this crisis. Peace agreements require persistent engagement and political will. Serious negotiations must resume. The ceasefire must be preserved – and extended as necessary."

[ "(...) num mundo que caminha para uma maior fragmentação e uma competição de poder mais agressiva, o direito internacional é indispensável.Sem isso, a instabilidade espalha-se, a desconfiança, aprofunda-se e os conflitos perdem o controlo. Isso aplica-se a todos os lugares – e aplica-se com urgência ao conflito no Médio Oriente. Não há solução militar para esta crise. Acordos de paz exigem compromisso persistente e vontade política. Negociações sérias devem ser retomadas. O cessar-fogo deve ser preservado – e prorrogado, se necessário." ]

António Guterres

Secretário Geral das Nações Unidas, em conferência de imprensa a 14 Abril 2026

https://www.un.org/sg/en/content/sg/press-events/2026-04-14/secretary-generals-press-encounter-the-middle-east

EDITOR

PEDRO RODRIGUES SILVA
Enfermeiro VMER/TIP
Centro Académico de Investigação e Formação Biomédica do Algar ve

HIGHLIGHTS I C E 2026

O Congresso Anual da Associação Portuguesa de Enfermeiros e Médicos de Emergência (APEMERG), International Congress on EmergencyICE26, teve lugar no passado dia 10 de Abril, no Grande Auditório do Centro de Artes e Espetáculos da cidade da Figueira da Foz.

Num evento que contou com uma plateia de cerca de 379 participantes (médicos, enfermeiros e estudantes de medicina e enfermagem), foi possível assistir a várias palestras ministradas por especialistas da emergência médica, num total de 9 temas de natureza diversificada.

O congresso teve início pelas 08h15 com a abertura do secretariado, tendo a sua primeira palestra às 08h45 com a apresentação realizada pelo Enfermeiro Luís Pereira da ULS São José, subordinada ao tema “Da sirene ao primeiro choro: a abordagem do RN no pré-hospitalar”.

Luís Pereira, enfermeiro na ULS de São José e órgão social da APEMERG, apresentou dados referentes aos partos em ambiente extra-hospi-

Daniela Cunha1
1Sócia n.º 24 - APEMERG

talar realizados pelo INEM no decorrer do ano de 2025, dados que evidenciam o aumentou significativo deste tipo de ocorrências, sendo atingido o valor máximo histórico, existindo um aumento comparativamente com o ano de 2024, de 114% em ambulâncias.

No seguimento do tema por si apresentado, foram igualmente abordados, os principais desafios e prioridades na assistência do recém-nascido em contexto pré-hospitalar, destacando-se a necessidade de uma atuação rápida, estruturada e adaptada aos recursos disponíveis no terreno.

Enfatizou que a transição da vida intrauterina para a extrauterina constitui uma das adaptações fisiológicas mais complexas do ser humano, envolvendo alterações respiratórias, cardiovasculares, metabólicas e de termorregulação.

Salientou ainda, que a maioria dos recém-nascidos inicia respiração espontânea nos primeiros segundos de vida, considerando-se que apenas uma pequena percentagem requer ventilação assistida, sendo ainda mais raras, as situações em que os recém-nascidos necessitam de compressões torácicas e fármacos.

Relativamente à abordagem inicial, o

palestrante reforçou a importância de controlo de temperatura precoce, sendo as principais ações, o secar imediatamente a cabeça e corpo, remoção de toalhas húmidas, contato pele a pele com a mãe e uso adequado de manta térmica, a par de uma correta manutenção da temperatura ambiente aquecida (ambulância e sala).

A avaliação inicial deverá centrar-se na frequência cardíaca (FC), respiração, tónus muscular, cor e resposta do recém à estimulação.

Em contexto pré-hospitalar, se o bebé não respira ou está hipotómico ao nascer, deve-se iniciar reanimação ao invés de esperar pelo 1º minuto.

Em termos de suporte de vida, o palestrante destacou que a ventilação é a intervenção mais eficaz para corrigir a bradicardia neonatal, devendo ser iniciada assim que ocorra apneia ou respiração ineficaz, sendo o seu sucesso avaliado pelo aumento da frequência cardíaca e expansão torácica visível. As compressões torácicas ficam reservadas para situações em que ocorra frequência cardíaca inferior a 60 bpm após ventilação eficaz.

Relativamente à utilização de fármacos a mesma é pouco frequente, uma vez que a bradicardia

neonatal tem quase sempre uma causa respiratória.

No términus da sua intervenção, o palestrante abordou quais os aspetos essenciais a considerar na realização do transporte seguro do recém-nascido, incluindo, ser transportado numa incubadora de transporte devidamente fixa, ou em alternativa, num sistema de retenção neonatal homologado para ambulâncias, bem como, a importância da comunicação estruturada com a unidade hospitalar de destino.

Em suma, foi reforçada a importância da formação contínua dos profissionais de emergência pré-hospitalar e da adequada preparação para eventos obstétricos e neonatais em ambiente extra-hospitalar.

Na apresentação “Acesso Venoso seguro em contexto de urgência”, tema que nos foi trazido pelo palestrante Ricardo Cerqueira, enfermeiro do IPO Lisboa, foi destacada a importância de acessos venosos seguros e eficazes em contexto de urgência, sublinhando o impacto clínico, económico e humano das complicações associadas à cateterização vascular, fazendo a ponte com a evidência de que infeções relacionadas com cateteres venosos representam custos elevados para

o Serviço Nacional de Saúde (SNS), contribuindo para um tempo de internamento mais prolongado, como também, para um aumento da mortalidade.

Foi igualmente abordado pelo palestrante, o conceito de “DIVA” (Difficult Intravenous Access Patient), referente aos doentes com difícil património venoso, caracterizados por veias pouco visíveis ou palpáveis, o que torna a punção venosa num procedimento complexo, demorado e com necessidade de múltiplas tentativas prévias de punção.

Para este conceito, foram apresentados como fatores de risco, a obesidade, o edema, a desidratação, pele frágil e doenças crónicas, reforçando a necessidade de fazer uma identificação precoce através de escalas validadas, como a A-DIVA modificada e a EARV e a DIVA Score (pediátrico).

Entre as estratégias para aumentar o sucesso da punção, deu-se particular ênfase à utilização de ecografia como ferramenta de apoio, permitindo a visualização em tempo real da agulha, da veia e das estruturas adjacentes.

Com a realização desta técnica, que permite a redução do número de tentativas, da dor e aumento da segurança do procedimento para o doente, como para o profissional, destaca-se a preferência na adoção desta técnica, comparativamente com outras padronizadas.

Outro eixo central da apresentação, incidiu na correta fixação e manutenção dos dispositivos vasculares, sendo apresentados fixadores sem sutura, pensos estéreis transparentes e cola de cianoacrilato como soluções modernas que reduzem deslocações, diminuem o risco de infeção e

melhoram o conforto do doente. Foi ainda destacada a relevância dos conectores sem agulha, pela sua capacidade de prevenir acidentes, manter a permeabilidade do cateter e atuar como barreira microbiológica. Por fim, foram discutidas medidas de prevenção da obstrução, nomeadamente técnicas adequadas de flush, uso de seringas de 10 ml e manutenção programada dos dispositivos. Com esta apresentação, reforçou-se a importância de que investir em boas práticas no acesso venoso, significa preservar a rede venosa, reduzir complicações e promover cuidados mais seguros em ambiente de urgência.

Na sessão dedicada ao POCUS (Point-of-Care Ultrasound) em Emergência, Marta Vizcaíno Callejón, Médica do CES 061 Andaluzia, apresentou o papel crescente da ecografia à cabeceira do doente como

ferramenta essencial na medicina e emergência pré-hospitalar.

Representando o CES 061 Andaluzia, a oradora destacou como a integração do ultrassom portátil permite decisões clínicas mais rápidas, seguras e orientadas por imagem em contextos críticos.

Foi evidenciado que o POCUS constitui atualmente uma extensão do exame físico tradicional, acrescentando informação imediata e objetiva em situações tempo-depen-

dentes. Entre as principais aplicações em emergência, foram abordadas a avaliação do doente em choque, dispneia aguda, trauma, dor abdominal, paragem cardiorrespiratória e acesso vascular difícil, onde a disponibilidade de ecografia permite identificar rapidamente pneumotórax, derrame pleural, edema pulmonar, tamponamento cardíaco, hemorragia interna e alterações da contratilidade cardíaca.

No contexto pré-hospitalar, a

utilização de equipamentos portáteis e de rápida operacionalização foi apresentada como uma mais-valia significativa, especialmente em equipas diferenciadas.

A possibilidade de realizar exames focados no local da ocorrência ou durante o transporte contribui para melhor triagem, priorização terapêutica e preparação antecipada da unidade hospitalar recetora.

Igualmente, foi reforçado pela palestrante, a importância da formação estruturada e da necessidade de treino contínuo dos profissionais, salientando que o valor do POCUS depende, não apenas da tecnologia disponível, mas sobretudo da competência técnica, interpretação adequada e integração dos achados no contexto clínico global. Como mensagem final, foi sublinhado que o POCUS representa uma verdadeira mudança de paradigma na emergência moderna, aproximando o diagnóstico do momento da decisão e melhorando a qualidade, rapidez e segurança dos cuidados prestados ao doente, nomeadamente, o doente crítico.

Para terminar a primeira mesa do ICE 26, Manuel Magalhães, médico da ULS São José, apresentou o tema “Sem pulso, com vida: o desafio pré-hospitalar dos corações artificiais”.

Na sua intervenção, Manuel Magalhães abordou um tema emergente e desafiante para os profissionais de emergência médica, a abordagem pré-hospitalar do doente portador de dispositivos de assistência circulatória mecânica, vulgarmente designados por “corações artificiais” , onde o orador começou por sublinhar que, há poucos anos, a ideia de um doente sem pulso palpável e simultaneamente vivo parecia impossível, é

hoje uma realidade clínica cada vez mais presente.

Com a sua apresentação, o palestrante clarificou os diferentes tipos de dispositivos existentes, distinguindo os corações totalmente artificiais, nos quais o coração nativo é removido e substituído, das assistências ventriculares onde o coração do doente permanece sendo apoiado por bombas mecânicas.

Em Portugal, foi referido que a

realidade atual se centra sobretudo nos dispositivos de assistência ventricular esquerda, nomeadamente sistemas como o HeartMate, utilizados como ponte para transplante ou terapêutica definitiva em doentes com insuficiência cardíaca terminal.

Um dos pontos centrais da sessão incidiu na necessidade de alterar paradigmas clássicos da emergência, pois estes doentes podem apresentar características clínicas incomuns, nomeadamente ausência de pulso palpável, o que não significa necessariamente paragem cardiorrespiratória, pressão arterial difícil de avaliar por métodos convencionais e sons cardíacos alterados, apesar de manterem perfusão e consciência preservadas. Considerando este novo paradigma na avaliação da vítima em paragem cardiorrespiratória (PCR), a decisão de iniciar manobras de reanimação cardiopulmonar deve basear-se numa avaliação global do estado clínico, incluindo consciência, perfusão periférica, estado neurológico, cor da pele, tempo de preenchimento capilar e funcionamento do equipamento mecânico. Igualmente, foram também discutidas situações críticas importantes, tais como, as situações de falha de bateria, trombose, hemorragia, infeção e arritmias, mas também, o palestrante deixou o alerta para que em alguns dispositivos, as compressões torácicas poderão ser contraproducentes.

Salientou-se que perante esta situação clinica, existe uma clara importância de uma articulação precoce adequada com centros de referência e equipas especializadas, a par de uma adequada formação específica das equipas pré-hospitalares, permitindo assim, o reconhecimento destes dispositivos, interpretação de alarmes e o transporte e monitorização adequadas.

Concluindo a sua intervenção, Manuel Magalhães reforçou que a evolução tecnológica impõe novos desafios à emergência moderna. Conhecimento técnico, treino específico e capacidade de adaptação serão determinantes para garantir resposta eficaz a estes doentes complexos, onde a ausência de pulso pode, paradoxalmente, coexistir com a vida.

Concluído o primeiro painel de palestras, de seguida, deu-se início à Mesa de Abertura do Evento estando presentes a Dra. Vera Mondim, Presidente da APEMERG, o Dr. Luís Cabral, Presidente do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM I.P.), o Dr. Manuel Teixeira Veríssimo representante da Ordem dos Médicos (OM) e o Enf. João Paulo Carvalho, representante da Ordem dos Enfermeiros (OE).

Coube à Dra. Vera Mondim, na qualidade de Presidente da Associa-

ção, tomar da palavra, dirigindo as boas-vindas a todos os presentes, destacando que pela primeira vez, temos os parceiros todos reunidos, algo que vinha a ser uma preocupação da associação.

Da sua intervenção, sublinhou o papel do ICE como um congresso de referência na emergência médica portuguesa, promovendo a atualização científica e partilha de experiências, embora com particular simbolismo para a edição deste ano, considerando que a APEMERG celebra a sua primeira década de contributo para a valorização dos profissionais e desenvolvimento na área da emergência médica.

Em representação da Ordem dos Enfermeiros (OE), o Enf.º João Paulo Carvalho, reforçou que a emergência médica é uma das áreas da saúde em mais rápida e constante evolução, a qual exige uma atualização

igualmente constante, treino diferenciado e forte espírito de equipa. Salientou ainda, o papel complementar de médicos e enfermeiros, defendendo que o trabalho interdisciplinar é essencial para melhores resultados clínicos e maior qualidade assistencial.

A Ordem dos Médicos (OM), representada pelo Dr. Manuel Teixeira Veríssimo, realçou o trabalho de equipa realizado entre Médicos e Enfermeiros, bem como, destacou a recente criação da especialidade de Medicina de Urgência e Emergência como marco importante para o futuro da área, enquanto o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM, I.P.), assumiu a atual fase de transição institucional como oportunidade para implementar mudanças estruturais e reforçar a resposta do sistema. De seguida, coube a palavra ao Dr. Luís Cabral, Presidente do Instituto Nacional de Emergência Médica

(INEM, I.P.), onde realçou o ICE como uma referência a nível nacional, sendo o maior congresso em Portugal de Medicina de Emergência, proferindo uma palavra de agradecimento a todos os presentes e realçando a qualidade dos palestrantes convidados.

Na sua intervenção, foi possível abordar a fase de transição que o INEM, I.P. atualmente atravessa, que considera como tempo de oportunidade para realizar uma mudança necessária.

De forma transversal, a mesa de abertura transmitiu confiança no futuro da emergência médica em Portugal, valorizando os profissionais que diariamente fazem a diferença entre a vida e a morte, reafirmando o ICE como um espaço privilegiado de encontro, partilha, ciência e progresso.

Na mesa dedicada ao trauma, Harriet Tucker não podendo estar presente, realizou online a sua apresentação “TRAUMA – Excellence for exsanguination: a year of Damage Control Prehospital Care”, dando a conhecer a realidade londrina na implementação de uma estratégia inovadora de Damage Control preshospital care, centrada na redução de mortes evitáveis por exsanguinação.

A palestrante destacou que a hemorragia traumática continua a ser uma das principais causas de morte precoce após um trauma major,

sobretudo no pré-hospitalar, exigindo uma resposta altamente organizada e orientada pelo fator tempo. Com base em dados do sistema de trauma de Londres, que serve mais de 10 milhões de habitantes, a oradora demonstrou que o tempo total do pré-hospitalar, influencia diretamente a sobrevivência. O limiar dos 60 minutos foi identificado como crítico, verificando-se um aumento exponencial da mortalidade acima desse período. Em doentes com hemorragia grave, permanecer mais de 60 minutos fora do hospital aumentou em três a quatro vezes o risco de morte.

Foi evidenciado que a maioria dos doentes que morrem por hemorragia associada a um trauma, entra em paragem cardiorrespiratória ainda no pré-hospitalar, muitas vezes, no período entre os 6 e os 24 minutos após a lesão. Esta janela temporal representa uma oportunidade decisiva para intervenção precoce, sobretudo em trauma penetrante, fortemente associado a lesões

vasculares e hemorragia maciça. Perante estes dados, London’s Air Ambulance desenvolveu uma estratégia baseada em fazer menos no local e mais durante o transporte O foco passa por reduzir o tempo em cena ao estritamente necessário, iniciar transfusão maciça, controlo de hemorragia compressível, correção da coagulopatia, tratamento do choque obstrutivo e transporte imediato para centro cirúrgico de trauma. Intervenções mais demoradas ou menos prioritárias são deliberadamente adiadas quando colocam em risco o acesso rápido a hemostase definitiva.

Após implementação do protocolo, registou-se uma redução média de sete minutos no tempo em cena e de

sete minutos no tempo total de chegada ao hospital, com aumento substancial da percentagem de doentes que chegaram à sala de emergência em menos de 60 minutos. Paralelamente, constatou-se uma diminuição relevante das mortes pré-hospitalares em doentes com trauma penetrante e sinais de vida à chegada da equipa.

Na discussão final, Harriet Tucker salientou que esta abordagem não exige necessariamente mais recursos, mas sim melhor seleção de doentes, treino rigoroso, auditoria contínua e foco absoluto no tempo como tratamento.

Como mensagem final, reforçou que no trauma hemorrágico grave cada minuto conta e que levar rapidamente o doente certo ao bloco operatório pode ser a diferença entre morrer na rua ou regressar a casa.

De seguida, o Dr. Miguel Monteiro, apresentou o tema das “Comunicações Livres”, tendo reforçado que a APEMERG, tem sido uma entidade motivadora de produção de ciência, onde cada vez mais tem responsabilidade, não só no usufruto da mesma, mas também, de produção científica. Desta forma, como tem vindo a ser usual nos ICE, a associação convida à entrega de trabalhos, sendo que este ano foi superado o recorde de submissões, com um total de 44 trabalhos apresentados, refletindo o dinamismo crescente da comunidade científica.

Entre os trabalhos selecionados para apresentação oral, destacou-se o estudo “Internamento à vista: quem ocupa a cama?”, trabalho apresentado por António Alejandro Villasana. O projeto procurou identificar variáveis preditoras de internamento a partir da triagem no serviço de urgência (SU). Numa amostra de 460 doentes, verificou-se que a idade e o número de medicamentos habituais foram os fatores mais fortemente associados ao internamento ou alta

tardia, sugerindo potencial utilidade futura na gestão de fluxos e alocação de recursos hospitalares. Outra apresentação, trouxe para o debate, o tema da sedação em contexto de urgência, através de revisão recente da literatura sobre segurança e eficácia dos principais fármacos utilizados, permitindo reforçar que não existe um agente ideal para todos os cenários, devendo a escolha ser individualizada. Destacaram-se a ketamina, propofol e

combinações como o ketofol, bem como, a importância da monitorização contínua e formação das equipas para reduzir complicações.

Em seguida, ocorreu a apresentação do trabalho sobre “cateteres midline em urgência e emergência”, de José Cardoso, demonstrando a evidência atual sobre o seu papel na redução de infeções associadas ao acesso vascular, paralelamente, estes dispositivos midline podem constituir alternativa segura e menos invasiva aos cateteres centrais em terapêuticas intravenosas de média duração, com benefícios clínicos e organizacionais relevantes.

As apresentações das comunicações livres terminaram com a apresentação “Entre Mãos e Máquinas” onde foi analisado o papel dos dispositivos de compressão automática externa na abordagem da paragem cardiorrespiratória extra-hospitalar, comparando-os com as compressões manuais tradicionais.

A apresentação destacou que a PCR fora do hospital continua associada a elevada mortalidade, sendo a qualidade das compressões torácicas um dos fatores mais determinantes para a sobrevivência. Apesar dos diversos equipamentos de compressões automáticas externas terem

sido desenvolvidos para assegurar compressões consistentes, com profundidade adequada e menor número de interrupções, ultrapassando assim, as limitações inerentes ao ser humano. Contudo, a evidência científica atual não demonstra de forma consistente, superioridade das compressões mecânicas comparativamente às compressões manuais, quando estas são realizadas com elevada qualidade.

Em suma, esta comunicação livre defendeu uma visão equilibrada e baseada em evidência: a tecnologia não substitui a competência clínica, mas pode ampliá-la quando usada adequadamente. Os dispositivos mecânicos não devem ser encarados como solução universal, mas como ferramentas estratégicas para cenários específicos da emergência pré-hospitalar.

Após pausa para almoço, pelas 15h, num dos momentos centrais do ICE 2026, foram chamados ao palco, os intervenientes da mesa “Emergência Médica: o futuro hoje”, a Dra. Vera Mondim e o Dr. Luís Cabral.

O debate centrou-se na chamada “refundação do INEM”, processo entendido como uma oportunidade estratégica para recentrar o instituto na sua missão principal: a prestação de cuidados de emergência eficazes, rápidos e orientados para o doente.

O Dr. Luís Cabral explicou que este processo de transformação assenta em três pilares fundamentais: melhoria do atendimento e triagem das chamadas de emergência, redefinição operacional dos meios de socorro e reorganização interna do instituto como verdadeira unidade prestadora de cuidados de saúde. Foram ainda apresentados como níveis de resposta, o suporte básico, imediato e avançado de vida, bem como, a necessidade de tempos de resposta diferenciados conforme a gravidade clínica e não apenas, considerando a localização geográfica.

A componente tecnológica mereceu destaque especial, tendo sido feita referência à modernização dos sistemas informáticos, distribuição de tabletes pelos meios operacionais e integração entre plataformas clínicas e operacionais.

A inteligência artificial foi apontada

como ferramenta promissora para auditoria de chamadas, apoio à decisão do acionamento de meios e análise de padrões de procura, sem nunca substituir o contacto humano no atendimento inicial.

Por sua vez, a Dra. Vera Mondim, sublinhou o papel da APEMERG como parceiro técnico-científico disponível para colaborar na construção de soluções sustentáveis, destacando a importância da equidade territorial no acesso ao socorro, da interoperabilidade entre sistemas de informação e da necessidade de maior transparência e produção científica com base nos dados gerados pelo sistema de emergência.

A formação profissional foi outro eixo relevante da discussão, pois defendeu-se um modelo centrado em competências reais e protocolos clínicos atualizados, com recertificação periódica e treino prático

ajustado aos diferentes níveis de intervenção.

A visão apresentada aponta para profissionais mais preparados, sistemas mais inteligentes e uma resposta pré-hospitalar mais eficiente. Como conclusão, a sessão transmitiu uma mensagem clara: o futuro da emergência médica em Portugal exige liderança, inovação, integração e coragem reformista.

O momento atual foi descrito, não como crise, mas como oportunidade para construir um sistema mais moderno, transparente e centrado no cidadão.

“RESUS: Double Sequential External Desfibrillation: the trial, the controversis and the future, apresentado pelo Dr. Sheldon Cheskes.

A apresentação do Dr. Sheldon Cheskes foi um dos momentos científicos mais marcantes do ICE 2026, ao abordar a evolução da dupla desfibrilhação sequencial externa (DSED) como estratégia terapêutica no tratamento da fibrilhação ventricular (FV) refratária. Reconhecido internacionalmente na área da paragem cardiorrespiratória e investigador principal do ensaio clínico DOSE-VF, o especialista aprofundou mecanismos fisiológicos, controvérsias internacionais e aspetos práticos da implementação da técnica em contexto real.

A FV refratária continua a representar

um dos cenários mais exigentes da emergência médica, ocorrendo quando o doente se mantém em FV após múltiplas tentativas de desfibrilhação convencional. Nestes casos, a mortalidade é elevada e a probabilidade de sobrevivência diminuiu rapidamente à medida que o tempo passa. Perante esta realidade, a DSED surge como uma estratégia alternativa. A DSED consiste na utilização de dois desfibrilhadores e quatro elétrodos, permitindo a aplicação de dois choques em sequência rápida através de vetores elétricos diferentes, com potencial para melhorar a despolarização miocárdica e interromper a arritmia persistente.

No estudo DOSE-VF, ensaio clínico randomizado multicêntrico realizado no Canadá, foram comparadas três

estratégias: desfibrilhação convencional, mudança de vetor (reposicionamento dos elétrodos) e DSED Os resultados mostraram que a dupla desfibrilhação foi superior nos principais desfechos clínicos, nomeadamente retorno de circulação espontânea, sobrevivência até alta hospitalar e sobrevivência neurologicamente intacta. A mudança de vetor revelou benefício intermédio, sobretudo na terminação da FV e sobrevivência hospitalar, mas sem impacto tão robusto no prognóstico neurológico.

O palestrante apresentou ainda análises complementares que ajudam a explicar porque a DSED funciona, onde segundo os dados mostrados, não é apenas a maior energia total administrada que importa, mas também o novo trajeto da corrente elétrica no tórax e a

redução da impedância transtorácica. A combinação entre intensidade de corrente e diversidade de vetores poderá aumentar a eficácia quando a desfibrilhação standard falha repetidamente.

Segundo o Dr. Sheldon Cheskes, um dos grandes méritos do estudo foi garantir elevada qualidade de reanimação cardiopulmonar em todos os grupos analisados.

O investigador sublinhou que nenhuma técnica avançada compensa compressões torácicas inadequadas ou interrupções prolongadas da RCP. Esta observação reforça a necessidade de manter os fundamentos da ressuscitação como prioridade absoluta, mesmo em cenários tecnologicamente avançados.

Outro aspeto relevante abordado foi a recorrência da fibrilhação ventricular após administração de choques inicialmente eficazes. Mesmo quando a FV termina com desfibrilhação convencional, reaparece frequentemente pouco depois. O Dr. Sheldon Cheskes defendeu que a DSED poderá não só interromper a arritmia como também reduzir a refibrilhação precoce, constituindo uma estratégia superior em determinados doentes. No plano operacional, o especialista foi claro: a técnica exige protocolo, treino e preparação. Defendeu que as equipas devem antecipar cedo a possibilidade de FV refratária, preparar segundo desfibrilhador logo

após o primeiro choque falhado e garantir colocação correta dos elétrodos, especialmente na posição ântero-posterior. Reforçou ainda que a qualidade da reanimação cardiopulmonar continua determinante e que a DSED não substitui compressões eficazes e mínimas interrupções. Foram também discutidas preocupações de segurança, nomeadamente risco de dano nos desfibrilhadores, embora os dados apresentados demonstrem uma incidência muito baixa, sobretudo quando os choques são aplicados de forma sequencial e não simultânea, reforçando a viabilidade prática da técnica quando corretamente executada.

O futuro da DSED passa agora por novos ensaios internacionais, encontrando-se em curso, estudos na Suécia, Noruega, Dinamarca e Alemanha, muitos deles avaliando a aplicação ainda mais precoce da técnica, após apenas um choque falhado. Segundo o palestrante, poderá também surgir em breve uma nova geração de desfibrilhadores capazes de administrar automaticamente dois choques sequenciais a partir de um único equipamento.

O Dr. Sheldon Cheskes abordou também o uso de fármacos durante a reanimação, defendendo que a adrenalina e os antiarrítmicos continuam frequentemente a ser administrados demasiado tarde, Referindo que estratégias futuras,

poderão passar por doses mais reduzidas de adrenalina em ritmos chocáveis e administração mais precoce de amiodarona ou outros antiarrítmicos, sempre integradas numa abordagem centrada na desfibrilhação eficaz e na qualidade da RCR.

Na fase final da sessão, o Dr. Sheldon Cheskes deixou uma mensagem pragmática: a inovação tecnológica é importante, mas sistemas com baixas taxas de RCR por testemunhas ou resposta tardia continuarão a ter maus resultados. Considerou que aumentar a literacia em reanimação, ensinar RCR nas escolas e expandir programas públicos de DAE

continua a ter um impacto potencialmente superior a qualquer avanço tecnológico.

Como conclusão, a apresentação mostrou que a DSED deixou de ser uma curiosidade experimental para se tornar uma intervenção credível e em expansão global. Se os estudos em curso confirmarem os benefícios iniciais, poderemos estar perante uma das mudanças mais relevantes na abordagem da fibrilhação ventricular refratária das últimas décadas.

Extreme Medicine: Space Last Frontier apresentado pelo Dr. Edson Oliveira

O Dr. Edson Oliveira trouxe ao ICE 2026 uma das sessões mais

originais e inspiradoras do programa, explorando os desafios clínicos da medicina em ambiente espacial.

Investigador ligado ao Centro de Estudos de Medicina Aeroespacial da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e colaborador em projetos ligados à Agência Espacial Europeia e à NASA, o palestrante demonstrou que o espaço deixou de ser ficção científica para se tornar uma nova fronteira real da medicina extrema.

A sessão começou por explicar o conceito de microgravidade, frequentemente confundido com ausência total de gravidade. Em órbita, a gravidade mantém-se presente, mas os objetos encontram-se em queda contínua controlada, originando a sensação de flutuação. Este fenómeno altera profundamente o comportamento dos fluidos, da combustão e dos sistemas biológicos, exigindo adaptação tecnológica e médica para tornar o espaço um local de trabalho e vida “normal”.

O Dr. Edson Oliveira descreveu a Estação Espacial Internacional como uma “lata pressurizada no espaço”, sujeita a ambiente hostil: temperaturas extremas no exterior, ruído constante, circulação artificial de ar, risco microbiológico e confinamento prolongado. Um dado particularmente relevante foi a concentração de dióxido de carbono no interior da estação, cerca de dez vezes superior

à terrestre habitual, favorecendo vasodilatação cerebral, cefaleias e potencial impacto em alterações visuais e neurológicas.

Entre os efeitos fisiológicos da vida em órbita, destacou-se a rápida perda de massa muscular e óssea, sobretudo nos membros inferiores, que apesar da existência de programas intensivos de exercício, astronautas podem perder até cerca de 15% da massa de músculos como o sóleo em missões prolongadas. Ocorrem ainda, alongamento da coluna vertebral, lombalgias frequentes e risco aumentado de hérnias discais após o regresso à Terra.

A redistribuição de fluidos corporais para a metade superior do corpo foi outro tema central. Sem gradiente hidrostático, o sangue e líquidos migram da periferia para cabeça e pescoço, originando edema facial, congestão nasal e redução do volume dos membros inferiores, o clássico contraste entre “pig face” e “chicken legs”. Esta alteração poderá também contribuir para fenómenos tromboembólicos venosos, já documentados em missões espaciais.

Na área neurológica e oftalmológica, o palestrante aprofundou a “Spaceflight Associated Neuro-ocular Syndrome” (SANS), considerada atualmente uma das maiores preocupações médicas para missões longas. Foram descritos edema do

disco ótico, achatamento posterior do globo ocular, pregas coroideias, alterações retinianas e perda progressiva de visão. Apesar de várias hipóteses, incluindo aumento da pressão intracraniana e redistribuição de fluidos corporais, a causa exata permanece por esclarecer, sendo atualmente considerada uma das principais barreiras médicas para futuras missões tripuladas a Marte. A radiação espacial foi descrita como outro desafio crítico, onde, quando fora da proteção do campo magnético terrestre, astronautas ficam expostos a partículas solares energéticas e raios cósmicos galácticos com risco acrescido de cancro, cataratas, deterioração cognitiva e dano genético. O especialista referiu que parte substancial do investimento atual da indústria espacial está concentrado em sistemas de blindagem e contramedidas farmacológicas antirradiação. No domínio da emergência médica, salientou-se que hoje ainda é possível evacuar rapidamente um astronauta da órbita baixa terrestre, mas esse modelo deixará de ser viável em missões lunares ou marcianas. Nesses cenários, será necessária autonomia clínica total: suporte avançado de vida, gestão de trauma, telemedicina, ecografia point-of-care e capacidade de procedimentos invasivos. O orador apresentou inclusive projetos de

utilização de ultrassonografia com inteligência artificial para guiar punções lombares e avaliar pressão intracraniana em microgravidade. Outro eixo relevante foi a nova era do turismo espacial, no qual o especialista alertou que o futuro já não envolve apenas astronautas rigorosamente selecionados, mas também cidadãos com idade avançada ou doenças crónicas como hipertensão, diabetes e insuficiência cardíaca. Tal realidade obrigará à criação de critérios clínicos robustos de aptidão e redefinirá a medicina preventiva aeroespacial nas próximas décadas. Na fase final, o Dr. Edson Oliveira reforçou que a medicina aeroespacial necessita de contributos de múltiplas especialidades, incluindo medicina intensiva, neurologia e medicina de emergência. Como mensagem final, ficou claro que estudar saúde no espaço significa também compreender melhor o corpo humano na Terra, e preparar os cuidados médicos que um dia acompanharão a humanidade para além do nosso planeta.

Do ILCOR à Figueira: Reorganizar, reanimar, reabilitar – o impacto das Guidelines Internacionais em Portugal, apresentado pelo Dr. João João Mendes

Na última mesa do ICE 2026, coube ao Dr. João João Mendes apresentar uma reflexão crítica e provocadora sobre a influência das recomendações internacionais de ressuscitação na realidade portuguesa. Especialista em medicina intensiva, urgência e medicina interna, o orador centrou a sua intervenção em três pilares estratégicos: reorganizar sistemas, reanimar melhor e reabilitar com visão de longo prazo. Logo no início, defendeu que as guidelines não devem ser vistas como “godlines”, lembrando que evoluem ciclicamente à luz de nova evidência científica. Sublinhou ainda que apenas uma pequena parte das recomendações assenta em evidência de alta qualidade, sendo muitas construídas com base em estudos fisiológicos, consenso de especialistas e dados indiretos. Para o Dr. João João Mendes, isto obriga os profissionais a interpretar criticamente as normas e a aplicá-las com bom senso clínico.

Na dimensão reorganizar, destacou que Portugal continua a apresentar ineficiências estruturais na abordagem da paragem cardiorrespiratória, sobretudo na articulação entre fase pré-hospitalar e hospitalar. Criticou a

ausência de dados integrados de outcomes e a falta de continuidade entre registos nacionais e resultados intra-hospitalares, salientando que sem medição consistente não existem verdadeiros ciclos de melhoria. Reforçou que a cadeia de sobrevivência depende não apenas de meios, mas da robustez de cada elo, sendo os mais determinantes o reconhecimento precoce, compressões de elevada qualidade e desfibrilhação atempada.

Na componente reanimar, abordou várias áreas onde a prática deve evoluir. Defendeu maior valorização da ecografia point-of-care durante a ressuscitação, desde que sem interrupções prolongadas das compressões, permitindo identificar causas reversíveis como tamponamento cardíaco, pneumotórax hipertensivo, hipovolemia ou sobrecarga do ventrículo direito. Segundo os dados apresentados,

uma percentagem relevante de doentes em PCR poderá beneficiar de diagnósticos imediatos obtidos apenas com ultrassom.

O palestrante comentou ainda que as novas estratégias de desfibrilhação em fibrilhação ventricular refratária, nomeadamente mudança de vetor e dupla desfibrilhação sequencial externa, reconhecendo que a evidência atual aponta para benefício em sistemas capazes de as implementar. Defendeu também que o suporte avançado de vida (SAV) não se deve limitar ao cumprimento mecânico de algoritmos, mas antes, à identificação e correção da causa subjacente da paragem.

Outro ponto inovador da sessão foi a referência ao ECPR (reanimação cardiopulmonar extracorporal). O Dr. João João Mendes considerou que Portugal deve evoluir para modelos regionais em rede, com centros afiliados capazes de iniciar canulação e centros de referência para continuidade dos cuidados, aproxi-

mando-se de modelos internacionais já consolidados, sublinhando que o desafio maior, não é colocar um doente em ECMO, mas sim, selecionar corretamente candidatos e garantir a gestão subsequente. Na vertente reabilitar , destacou que o sucesso da ressuscitação não termina no retorno da circulação espontânea. Todos os sobreviventes devem ter avaliação funcional, neurológica e cognitiva estruturada, incluindo qualidade de vida, experiência vivida durante a PCR e necessidades futuras. Referiu ainda a importância dos cuidados pós-paragem, controlo dirigido da temperatura, investigação etiológica rápida e referenciação para unidades diferenciadas.

A dimensão ética mereceu igualmente atenção, nas quais o palestrante abordou a necessidade de regras claras para não iniciar, ou terminar manobras, quando adequadas, valorizando decisões proporcionais, respeito por diretivas

antecipadas de vontade e possibilidade futura de doação de órgãos em determinados contextos.

Num momento particularmente marcante, o Dr. João João Mendes recordou que o desempenho técnico depende fortemente das chamadas competências não técnicas: liderança, comunicação, controlo emocional, capacidade de decidir sob pressão e trabalho de equipa. “Pressure is a privilege” foi uma das mensagens utilizadas para ilustrar que atuar em emergência é exigente, mas também um privilégio reservado a profissionais preparados.

Na conclusão, deixou uma mensagem clara: as guidelines internacionais são ferramentas valiosas de apoio à decisão, mas nunca substituem pensamento clínico, organização inteligente e liderança local. Para melhorar resultados em Portugal, será necessário transformar recomendações globais em sistemas reais, equitativos e eficazes, da rua à UCI, da reanimação à recuperação.

Já no final do congresso, o Dr. Miguel Monteiro anunciou os vencedores de melhor e-poster, “Laparoscopy in Abdominal Trauma”, e da melhor comunicação livre, “Internamento à vista: quem ocupa a cama?”.

A Sessão de Encerramento do ICE26 foi realizada pelo Enf.º Tiago Amaral da APEMERG, que enquanto VICE-

Introduction:

LAPAROSCOPY IN ABDOMINAL TRAUMA SAFETY, EFFICACY AND CURRENT EVIDENCE

- Trauma is a major cause of emergency admission and mortality

- 25% of abdominal trauma cases require surgical exploration

> Traditional laparotomy carries a morbidity 20–41%

> Laparoscopy remains underutilized in abdominal trauma

Results

Objective: Evaluate the role of laparoscopy in trauma (indications, benefits, limitations, and outcomes)

Methods: Literature review

PENETRATING OR BLUNT TRAUMA

Emergent laparotomy

Laparoscopy (diagnosis and treatment)

Contraindications

✗Hemodynamic instability

✗Severe polytrauma

✗Diffuse peritonitis

✗Evisceration

✗Abdominal compartment syndrome

✗Injuries requiring packing

✗Abdominal wall tissue loss

Reasons for conversion

• Hemoperitoneum/Bleeding (++)

• Deterioration of clinical condition

• Unclear anatomical visualization

• Retroperitoneal organ injury

Limitations

• Laparoscopic skills

• Pneumoperitoneum

• Extreme positioning

• Comorbidities

• Risk of CO₂ embolism

•  intracranial pressure

Non-operative management (NOM)

Possible indications:

• Blunt hollow viscus injuries

• Blunt mesenteric injuries

• Viscus perforation

• Anterior/flank stab wounds

• Tangential gunshot wounds

• Diaphragmatic injury

Must haves/Needs

✓ Hemodynamic stability

✓ Appropriate CT imaging

✓ Experienced laparoscopic surgeon

✓ Available resources

✓ Standardized laparoscopic examination protocol

Interventions

• Bowel resection and repair9

• Bladder repair

• Splenectomy8

• Distal pancreatectomy 10

• Diaphragm repair7

• Haemostasis

Male, 40 years old. Victim of air gun injury.

Outcome Laparoscopy advantage

Missed injury rates

Non-therapeutic laparotomy

SAFETY and EFFICACY

Blood loss during surgery

Low rate; No difference1

Avoids 58% of cases1

Reduced3

Mortality No difference6

Morbidity 63% reduction5

Hospital stay 5.15 days shorter2

Reduced4

Recovery time

Postoperative pain Reduced opioid use 1

Postoperative complications

Wound infection Significantly reduced 1

Pneumonia Significantly reduced 1

Intra-abdominal abscess No difference5

Thromboembolism No difference5

Ileus No difference5

Conclusion

• Hemodynamic stability

Fig.2,3- Laparoscopic repair of colonic entry

• The patient had a good clinical and laboratory course and was discharged on postoperative day 4

A laparoscopic-first approach in hemodynamically stable abdominal trauma patients is safe and effective, with stronger evidence in penetrating trauma but increasing support for blunt injuries as well Advances in skills and equipment have expanded its use, though surgeon experience remains key for safe adoption and standardization

References

Margarida Nunes
Marta M. Ferreira, Simone Oliveira, Sara Andrade, Nuno Azenha; Affiliation’s: ULS Baixo Mondego
Fig.1 – CT: Projectile with gas bubbles along tract

-Presidente da Associação, reiterou os agradecimentos aos participantes, aos patrocinadores, aos palestrantes e restantes elementos da organização do evento, anunciando que a APEMERG irá realizar nos próximos meses, uma série de vários webinares, finalizando a sua intervenção com a apresentação da próxima edição do ICE que se irá realizar no dia 09 de Abril de 2027, na cidade do Porto

ALIEM (ACADEMIC LIFE IN EMERGENCY MEDICINE)

O site oficial da ALIEM (Academic Life in Emergency Medicine) tem como objetivo apoiar a formação e o desenvolvimento académico na Medicina de Emergência, com um âmbito internacional. Disponibiliza múltiplos recursos educativos de

elevada qualidade, baseados em evidência, úteis para estudantes, médicos internos e especialistas, promovendo a melhoria contínua da prática clínica e do ensino na área da emergência

https://www.aliem.com/

A EMcentric tem por missão apoiar toda a comunidade da Medicina de Emergência, fornecendo recursos personalizados e de alta qualidade, designadamente: programas de treino, conteúdos originais, recursos práticos EM centric e orientação especializada para capacitar profissionais de emergência em todos os níveis — desde tripulantes de ambulância, enfermeiros e até médicos e líderes administrativos

https://emcentric.org/blog/

BRUNO SANTOS Médico VMER
EDITOR

Nesta 40ª edição da Lifesaving, a seleção de aplicações foca-se naquilo que define o profissional de emergência

ERC 2025

ERC GUIDELINES

moderno: a capacidade de se atualizar, a precisão no diagnóstico e o cuidado com a sua própria resiliência

Com o lançamento das Guidelines ERC 2025, a app oficial do European Resuscitation Council torna-se obrigatória. Mais do que um manual, oferece acesso direto aos novos algoritmos de Suporte Avançado de Vida e materiais de formação atualizados

https://play.google.com/store/apps/details?id=edu.erc.guidelines&hl=pt_PT

A QUiPP é uma aplicação de suporte à decisão clínica baseada em modelos de dados. Utilizada para calcular o risco de parto prematuro iminente, esta app traz a sofisticação da análise de dados para o terreno, ajudando as equipas a decidir com maior segurança sobre a necessidade de transferência ou intervenção imediata.

https://play.google.com/store/apps/details?id=com.appatta.PreTerm

ERC GUIDELINES

Esta app de base cognitivo-comportamental é desenhada para a gestão de stress e monitorização emocional. Numa profissão onde o Burnout é uma realidade constante, esta ferramenta ajuda o operacional a reconhecer gatilhos e a manter a higiene mental necessária para continuar a salvar vidas, dia após dia

https://play.google.com/store/apps/details?id=app.becomeunstuck.unstuck

EDITOR

PEDRO LOPES SILVA Enfermeiro VMER Heli INEM

SUGESTÕES DE LEITURA

2026 Guideline for the Early Management of Patients With Acute Ischemic Stroke: A Guideline From the American Heart Association/American Stroke Association.

https://doi.org/10.1161/STR.0000000000000513

Prabhakaran, S., Gonzalez, N. R., Zachrison, K. S., Adeoye, O., Alexandrov, A. W., Ansari, S. A., Chapman, S., et al. (2026). Stroke.

Rapid sequence intubation in high-risk patients: What clinicians and researchers must know – A narrative review.

https://doi.org/10.1016/j.accpm.2026.101764

Boulos, N. M., Schoettker, P., Delaporte, A., Freund, Y., Grillot, N., & Joosten, A. (2026). Anaesthesia Critical Care & Pain Medicine, 45(4), 101764.

Establishing a Consensus-Based Definition of Air Medical Transport Need for Rural Patients After Injury: Results from a Delphi Survey.

https://doi.org/10.1080/10903127.2026.2632975

Brown, J. B., Cash, R. E., Lu, L., Weiss, L., Beal, J., Kravetsky, M., … Guyette, F. X. (2026). Prehospital Emergency Care, 1–10.

Survival effect of prehospital emergency anaesthesia with intubation in risk stratified patients with major trauma: A causal modelling study.

https://doi.org/10.1016/S2213-2600(25)00370-4

Nelson, A. P. K., Dodds, N., Zeina, M., Balston, A., Giles, D., Seligman, W. H., et al. (2026). The Lancet Respiratory Medicine, 14(3), 256–266.

Ethical Dilemmas Encountered by Pre-Hospital Emergency Medical Service Personnel During Disaster Triage: A Case Study of the Kahramanmaraş Earthquakes.

https://doi.org/10.1017/dmp.2025.10302

Cekic K and Eksi A (2026). Disaster Medicine and Public Health Preparedness, 20, e22, 1–6
ANDRÉ ABÍLIO RODRIGUES Enfermeiro SIV/VMER
EDITOR

CRITÉRIOS DE PUBLICAÇÃO

ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO – Novembro de 2021

1. Objectivo e âmbito

A Revista LIFESAVING (LF) é um órgão de publicação pertencente ao Centro Hospitalar Universitário do Algarve (CHUA) e dedica-se à promoção da ciência médica pré-hospitalar, através de uma edição trimestral.

A LF adopta a definição de liberdade editorial descrita pela World Association of Medical Editors, que entrega ao editorchefe completa autoridade sobre o conteúdo editorial da revista. O CHUA, enquanto proprietário intelectual da LF, não interfere no processo de avaliação, selecção, programação ou edição de qualquer manuscrito, atribuindo ao editor-chefe total independência editorial.

A LF rege-se pelas normas de edição biomédica elaboradas pela International Commitee of Medical Journal Editors e do Comittee on Publication Ethics

2. Informação Geral

A LF não considera material que já foi publicado ou que se encontra a aguardar publicação em outras revistas.

As opiniões expressas e a exatidão científica dos artigos são da responsabilidade dos

respectivos autores.

A LF reserva-se o direito de publicar ou não os artigos submetidos, sem necessidade de justificação adicional.

A LF reserva-se o direito de escolher o local de publicação na revista, de acordo com o interesse da mesma, sem necessidade de justificação adicional.

A LF é uma revista gratuita, de livre acesso, disponível em https://issuu.com/lifesaving Não pode ser comercializada, sejam edições impressas ou virtuais, na parte ou no todo, sem autorização prévia do editor-chefe.

3. Direitos Editoriais

Os artigos aceites para publicação ficarão propriedade intelectual da LF, que passa a detentora dos direitos, não podendo ser reproduzidos, em parte ou no todo, sem autorização do editor-chefe.

4. Critérios de Publicação

4.1 Critérios de publicação nas rúbricas

A LF convida a comunidade científica à publicação de artigos originais em qualquer das

categorias em que se desdobra, de acordo com os seguintes critérios de publicação:

Nós Por Cá

- Âmbito: Dar a conhecer a realidade de actuação das várias equipas de acção pré-hospitalar através de revisões estatísticas da sua casuística. Dimensão: 250 palavras.

Tertúlia VMERISTA

- Âmbito: Pequenos artigos de opinião sobre um tema fraturante. Dimensão: 250 palavras.

Minuto VMER

- Âmbito: Sintetização para consulta rápida de procedimentos relevantes para a abordagem de doentes críticos. Dimensão: 1000 palavras

Fármaco Revisitado

- Âmbito: Revisão focada na aplicabilidade clínica de um fármaco usado em contexto de emergência pré-hospitalar; - Estrutura: Título; Autoresmáximo 1(primeiro nome, último nome, título, afiliação); Introdução; Formas de Apresentação e Conservação; Posologia e Modo de Administração; Farmacocinética; Farmacodinâmica; Indicações

Terapêuticas; Contra-indicações; Efeitos Adversos e Interações medicamentosas; Take Home Messages; Referências

- Dimensão: até 1200 palavras (excluindo referências); até 10 referências

- Iconografia: deverá ser enviada uma imagem/fotografia associada ao tema da rubrica (em formato JPEG com resolução original)

Journal Club

- Âmbito: Apresentação de artigos científicos pertinentes relacionados com a área da urgência e emergência médica pré-hospitalar e hospitalar. Dimensão: 500 palavras

Nós e os Outros

- Âmbito: Apresentação de artigos científicos ou artigos de opinião sobre a actuação de equipas de emergência préhospitalar não médicas. Dimensão: 1000 palavras

Ética e Deontologia

- Âmbito: Apresentação de artigos científicos ou artigos de opinião sobre questões éticas desafiantes no ambiente pré-hospitalar. Dimensão: 1000 palavras

Legislação

- Âmbito: Enquadramento jurídico das diversas situações com que se deparam os profissionais de emergência médica. Dimensão: 500 palavras

O que fazer em caso de...

- Âmbito: Informação resumida mas de elevada qualidade para leigos em questões de emergência.

Dimensão: 500 palavras.

Mitos Urbanos

- Âmbito: Investigar, questionar e esclarecer questões pertinentes, dúvidas e controvérsias na prática diária da emergência médica. Dimensão: 1000 palavras.

Cuidar de Nós

- Âmbito: Diferentes temáticas, desde psicologia, emocional, metabólico, físico, laser, sempre a pensar no auto cuidado e bem estar do profissional. Dimensão: 500 palavras.

Infosaving: a Rúbrica de Infografias da Lifesaving - Âmbito: Apresentação de tema com relevância para o contexto pré-hospitalar e doente crítico através de mnemónicas, esquemas gráficos, auxiliares de memória visuais e algoritmos.

- Formato: Título, Autores (primeiro e último nome, categoria profissional e afiliação), Imagem com alta resolução em formato JPEG ou PDF, Referências bibliográficas.

Pedacinho de Nós

- Âmbito: Dar a conhecer os profissionais das equipas de emergência pré-hospitalar. Dimensão: 400 palavras.

Tesourinhos VMERISTAS

- Âmbito: Divulgação de situações caricatas, no sentido positivo e negativo, da nossa experiência enquanto VMERistas. Dimensão: 250 palavras

Congressos Nacionais e Internacionais

- Âmbito: Divulgação de eventos na área da Emergência Médica. Di-mensão: 250 palavras.

Best Links/ Best Apps de Emergência Pré-hospitalar

- Âmbito: Divulgação de aplicações e sítios na internet de emergência médica pré-hospitalar -Dimensão: 250 palavras

Cartas ao Editor

- Objetivo: comentário/exposição referente a um artigo publicado nas últimas 4 edições da revista promovendo a discussão e visão crítica. Poderão ainda ser enviados observações, casuísticas particularmente interessantes de temáticas atuais que os autores desejem apresentar aos leitores de forma concisa.

- Instruções para os autores:

1. O corpo do artigo não deve ser subdividido; sem necessidade de resumo ou palavras-chave.

2. Deve contemplar entre 500 a 1000 palavras, excluindo referências, tabelas e figuras.

3. Apenas será aceite 1 figura e/ou 1 tabela.

4. Não serão aceites mais de 5 referências bibliográficas. Devendo cumprir as normas instituídas para revista.

5. Número máximo de autores são 4.

Instantâneos em Emergência Médica

- Âmbito: Fotografias em contexto pré-hospitalar, contextualizadas nas diversas áreas da Emergência.

- Formato: Título; Autores –

(primeiro nome, último nome, título, categoria profissionalopcional); imagem em formato JPEG com resolução original); Legenda explicativa com breve enquadramento ou breve comentário acerca do sentido da imagem para o Autor. – máx. 100 palavras.

É de a responsabilidade dos autores respeitar a POLITICA DE PRIVACIDADE, De acordo com o art. º13.º do Regulamento Europeu de Proteção de Dados Pessoais Reg. UE 201/679. Os Autores são responsáveis por respeitar e obter o consentimento de imagem, quando necessário ( n.º 1 do artigo 79.º do C.C).

Posters em Emergência Médica - Âmbito: Apresentação sumária de Póster científico original, sobre a temática da Emergência pré e intra-hospitalar, e do doente crítico. Dimensão: 800 a 1000 palavras. Limite de tabelas e imagens: 6

Intoxicações no pré-hospitalar - Âmbito: Revisão geral sobre determinada substância (tóxico), consequências de sobredosagem ou contacto/ consumo inadvertido ou intencional e qual a abordagem em contexto de Emergência Médica Pré-hospitalar. Formato: Título; Autores; palavra (s)-chave; 1 ou 2 imagens (podendo incluir gráficos e/ou tabelas devidamente legendados); 500 a 1000 palavras; Agradecimentos; Referências bibliográficas

4.2 Critérios gerais de publicação

O trabalho a publicar deverá ter no máximo 120 referências. Deverá ter no máximo 6 tabelas/ figuras devidamente legendadas e referenciadas.

O trabalho a publicar deve ser acompanhado de no máximo 10 palavras-chave representativas. No que concerne a tabelas/ figuras já publicadas é necessário a autorização de publicação por parte do detentor do copyright (autor ou editor). Os ficheiros deverão ser submetidos em alta resolução, 800 dpi mínimo para gráficos e 300 dpi mínimo para fotografias em formato JPEG (.Jpg), PDF (.pdf). As tabelas/figuras devem ser numeradas na ordem em que ocorrem no texto e enumeradas em numeração árabe e identificação.

No que concerne a trabalhos científicos que usem bases de

dados de doentes de instituições é necessário fazer acompanhar o material a publicar do consentimento da comissão de ética da respectiva instituição. As submissões deverão ser encaminhadas para o e-mail: revistalifesaving@gmail.com

5. Referências

Os autores são responsáveis pelo rigor das suas referências bibliográficas e pela sua correta citação no texto. Deverão ser sempre citadas as fontes originais publicadas. A citação deve ser registada empregando a Norma de Vancouver

Estatuto Editorial

A Revista LIFESAVING é uma publicação científica e técnica, na área da emergência médica, difundida em formato digital, com periodicidade trimestral.

Trata-se de um projeto inovador empreendido pela Equipa de Médicos e Enfermeiros das Viaturas Médicas de Emergência e Reanimação (VMER) de Faro e de Albufeira, pertencentes ao Centro Hospitalar Universitário do Algarve, e que resultou da intenção estratégica de complementar o Plano de formação contínua da Equipa.

A designação “Lifesaving”, que identifica a publicação, é bem conhecida por todos os profissionais que trabalham na área da emergência médica, e literalmente traduz o desígnio da nobre missão que todos desempenham junto de quem precisa de socorro – “salvar vidas”.

Esta Publicação inovadora, compromete-se a abraçar um domínio editorial pouco explorado no nosso país, com conteúdos amplamente dirigidos a todos os profissionais que manifestam interesse na área da emergência médica. Através de um verdadeiro trabalho de Equipa dos vários Editores da LIFESAVING, e

aproveitando a sua larga experiência em Emergência Médica, foi estabelecido o compromisso de apresentar em cada número publicado, conteúdos e rubricas de elevada relevância cientifica e técnica no domínio da emergência médica. Por outro lado, este valioso instrumento de comunicação promoverá a partilha das ideias e conhecimentos, de forma completa, rigorosa e assertiva.

Proprietário: Centro Hospitalar Universitário do Algarve, E.P.E.

NIPC: 510 745 997

Morada: Rua Leão Penedo, 8000-386 Faro

N.º de registo na ERC: 127037

Diretor: Dr. Bruno Santos

Editor-Chefe: Dr. Bruno Santos

Morada: Rua Leão Penedo, 8000-386 Faro

Sede da redação: Rua Leão Penedo, 8000-386 Faro

Periodicidade: trimestral

TIPO DE CONTEÚDOS

Esta publicação periódica pretende ser uma compilação completa de uma seleção de matérias científicas e técnicas atualizadas, incluídas em grande diversidade de Rubricas, incluindo: – “Nós Por Cá” – Âmbito: Dar a conhecer a realidade de atuação das várias equipas de ação pré-hospitalar através de revisões estatísticas da sua casuística. Poderá incluir também a descrição sumária de atividades, práticas ou procedimentos desenvolvidos localmente, na área da emergência médica – Dimensão: 500 palavras; – “Tertúlia VMERISTA” – Âmbito: Pequenos artigos de opinião sobre um tema fraturante – Dimensão: 250 palavras;

– “Minuto VMER” – Âmbito: Sintetização para consulta rápida de procedimentos relevantes para a abordagem de doentes críticos, ou de aspetos práticos relacionados com Equipamentos utlizados no dia-à-dia. Dimensão: 1000 palavras; – “Fármaco Revisitado” – Âmbito: Revisão breve de um fármaco usado em emergência pré-hospitalar, ou que poderia ser uma mais valia a sua implementação na carga VMER.

– Dimensão: 500 palavras;

– “Journal Club” – Âmbito: Apresentação de artigos científicos pertinentes relacionados com a área da urgência e emergência médica pré-hospitalar e hospitalar. -Dimensão: 500 palavras; – “Nós e os Outros” – Âmbito: Apresentação de artigos científicos ou artigos de opinião sobre a atuação de equipas de emergência préhospitalar não médicas. -Dimensão: 1000 palavras;

– “Ética e Deontologia” – Âmbito: Apresentação de artigos científicos ou artigos de opinião sobre questões éticas desafiantes no ambiente pré-hospitalar. -Dimensão: 500 palavras;

– “Legislação” – Âmbito: Enquadramento jurídico das diversas situações com que se deparam os profissionais de emergência médica.

– Dimensão: 500 palavras;

– “O que fazer em caso de…” –Âmbito: Informação resumida, mas de elevada qualidade, para leitores não ligados à área da saúde, ou da emergência médica -Dimensão: 500 palavras;

– “Mitos Urbanos” – Âmbito: Investigar, questionar e esclarecer questões pertinentes, dúvidas e controvérsias na prática diária da emergência médica. -Dimensão: 1000 palavras;

– “Cuidar de Nós” – Âmbito: Discussão de diferentes temáticas, de caráter psicológico, emocional, metabólico, físico, recreativo, centradas no autocuidado e bem estar do profissional da emergência. -Dimensão: 500 palavras;

– “Pedacinho de Nós” – Âmbito: Dar a conhecer, em modo de entrevista, os profissionais da Equipa das VMER de Faro e Albufeira ou outros Elementos colaboradores editoriais da LIFESAVING. – Dimensão: 500 palavras;

– “Vozes da Emergência” – Âmbito: Apresentar as Equipas Nacionais que desenvolvem trabalho na Emergência Médica, dando relevância a especificidade locais e revelando diferentes realidades. – Dimensão 500 palavras;

– “Emergência Global” – Âmbito: publicação de artigos de autores internacionais, que poderão ser artigos científicos originais, artigos de opinião, casos clínicos ou entrevistas, pretendendo-se divulgar experiências enriquecedoras, além fronteiras;

– “Tesourinhos VMERISTAS” –Âmbito: Divulgação de situações caricatas, no sentido positivo e negativo, da experiência dos Profissionais da VMER. – Dimensão: 250 palavras;

– “Congressos Nacionais e Internacionais” – Âmbito: Divulgação de eventos na área da Emergência Médica – Dimensão: 250 palavras; palavras;

– “Best Links/ Best Apps de Emergência Pré-hospitalar” –Âmbito: Divulgação de aplicações e sítios na internet de emergência médica pré-hospitalar -Dimensão: 250 palavras

PREVISÃO DO NÚMERO DE PÁGINAS: 50;

TIRAGEM: – não aplicável para a publicação eletrónica, não impressa em papel.

ONDE PODERÁ SER

CONSULTADA:

Pode ser consultada no site do CHUAlgarve, no setor “Comunicação”, no domínio http:// www.chualgarve.min-saude.pt/ lifesaving/, e adquirida gratuitamente por subscrição nesse mesmo site. Não dispomos ainda de um site oficial para organização dos nossos conteúdos, de modo que atualmente todas as Edições estão a ser arquivadas no Repositório Internacional ISSUU, onde poderão ser consultadas gratuitamente (https://issuu.com/lifesaving). Marcamos presença ainda noutras plataformas de divulgação (Facebook, Instagram, Twiter e Youtube).

DIVULGAÇÃO DA LIFESAVING:

A LIFESAVING será difundida no site do Centro Hospitalar do Algarve (no setor média e imagem), e sua Intranet, com possibilidade da sua subscrição para receção trimestral via e-mail. Inserida on-line no repositório de publicações ISSUU, adquirindo um aspeto gráfico otimizado para tornar a leitura ainda mais agradável.

Será também difundida na página de Facebook da VMER de Faro, página própria com o nome LIFESAVING.

N.º 1 do art.º 17.º da Lei de Imprensa: Garanta de liberdade de imprensa:

1 - É garantida a liberdade de imprensa, nos termos da Constituição e da lei.

2 - A liberdade de imprensa abrange o direito de informar, de se informar e de ser informado, sem impedimentos nem discriminações.

3 - O exercício destes direitos não pode ser impedido ou limitado por qualquer tipo ou forma de censura

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