8cm
17,2 x 24cm
12,3mm
A formação contínua dos profissionais de saúde é amplamente reconhecida como um dos principais determinantes da qualidade e segurança dos cuidados prestados. Por um lado, a atualização sistemática de conhecimentos e competências é essencial para responder às necessidades das populações de forma adequada e de acordo com as melhores práticas. Por outro lado, a formação permite uma melhor resposta às exigências do exercício profissional, contribuindo para a excelência clínica, sendo também essencial para a motivação, autonomia e valorização dos profissionais. Adicionalmente, a gestão da formação contínua tem um papel estratégico também para as organizações de saúde, sendo responsável pela identificação das necessidades formativas, planeamento, implementação e avaliação de programas eficazes e alinhados com os objetivos institucionais, levando à inovação, aprendizagem, desenvolvimento organizacional e melhoria contínua da qualidade dos serviços. Esta obra reúne contributos de autores com percursos académicos, de investigação, de gestão e de prática clínica, oferecendo uma visão plural, crítica e profundamente enraizada na realidade da enfermagem. Mais do que mapear práticas, pretende-se problematizar as conceções, refletir sobre os impactos e delinear estratégias inovadoras e sustentáveis para a formação contínua, organizacional e em serviço.
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Ao longo dos capítulos, percorre-se o caminho da formação contínua em Portugal, é feita uma análise teórica e metodológica das suas conceções e estruturas e do seu impacto no desenvolvimento dos enfermeiros e dos contextos de saúde, e são apresentadas experiências concretas em diferentes contextos, nacionais e internacionais.
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ISBN 978-989-593-002-9
www.lidel.pt
9 789895 930029
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Este livro dirige-se a todos os que, de forma ativa, participam nos processos formativos — enfermeiros, formadores, gestores, investigadores, supervisores e decisores — com a ambição de provocar pensamento, inspirar ação e fortalecer o compromisso dade, às exigências do nosso tempo.
FORMAÇÃO CONTÍNUA EM ENFERMAGEM
Formação contínua em enfermagem
17,2 x 24cm
Formação Contínua em Enfermagem
8cm
Esperança Gago Professora Coordenadora na Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Minho (ESE-UMINHO); Membro Integrado do Doutoramento em Enfermagem da Universidade Católica Portuguesa; Membro Integrado no Centro de Investigação CIEnf.
Maria Manuela Martins Professora Coordenadora na Escola Superior de Enfermagem do Porto (ESEP); Membro do Doutoramento em Ciências de Enfermagem do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS) da Universidade do Porto.
Formação Contínua em Enfermagem Partidas e chegadas COORDENAÇÃO
Esperança Gago Maria Manuela Martins
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Índice
Autores...............................................................................................................................................
V
Prefácio..............................................................................................................................................
XI
Maria da Conceição Bento
Introdução.......................................................................................................................................... XV Esperança Gago e Maria Manuela Martins
Siglas e acrónimos............................................................................................................................. XVII 1. CONCEÇÕES DE FORMAÇÃO CONTÍNUA...............................................................................
1
1.1. Perspetivas teóricas de suporte à formação contínua........................................................
3
1.2. A supervisão clínica e a sustentabilidade da formação contínua.......................................
9
1.3. Formação contínua: partida para aprendizagens significantes..........................................
17
2. IMPACTO DA FORMAÇÃO CONTÍNUA NO DESENVOLVIMENTO PROFISSIONAL 2. E DOS SERVIÇOS.......................................................................................................................
21
2.1. Processos de gestão para o desenvolvimento profissional................................................
23
2.2. Idoneidade formativa dos contextos: a importância da supervisão...................................
27
2.3. Formação, experiência e qualificação no desenvolvimento de competências 2.3. acrescidas e avançadas.......................................................................................................
38
3. ESTRATÉGIAS E MÉTODOS PARA A FORMAÇÃO CONTÍNUA................................................
43
3.1. Estratégia autossustentável na formação contínua: as comunidades de prática................
45
3.2. Inteligência artificial como companheira de viagem: potencialidades e desafios 3.3. na formação contínua em enfermagem..............................................................................
50
3.3. Formação contínua centrada na metodologia de projeto...................................................
59
3.4. Formação contínua no projeto profissional.......................................................................
64
3.5. Resultados da formação contínua no desenvolvimento das organizações........................
71
4. ORGANIZAÇÃO DA FORMAÇÃO CONTÍNUA..........................................................................
81
4.1. Formação em estruturas formativas...................................................................................
83
Ilda Fernandes, Carlos Vilela, Dirce Stein Backes, Francisca Georgina Macedo de Sousa Cristina Barroso Pinto, Inês Rocha, Ana Isabel Teixeira, Cristina Augusto Sérgio Antunes de Carvalho
Nelson Guerra, Paula Alexandra Ramos Luís Filipe Barreira
Simão Vilaça
Esperança Gago, Manuel João Costa
Tiago Alves, Maria Manuela Martins, Isabel Araújo
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Maria Manuela Martins, Esperança Gago, Ana Rita Martins, Ana Luísa Bastos Olga Ribeiro
João Paulo Bessa, Mauro Rosa, Paula Cristina Costa, Filomena Cardoso
Maria Manuela Martins, Ana Luísa Bastos, Carla Rego, Tiago Oliveira
IV
Formação Contínua em Enfermagem
4.2. Formação contínua em contexto de trabalho (learning on the job)................................... Maria Manuela Martins, Cristina Moura, Ana Rita Martins, Esperança Gago
93
4.3. Repensar a avaliação em contextos de formação contínua................................................ 103 Nuno Araújo, Cláudia Cristo, Sandra Miranda
5. EXPERIÊNCIAS DE FORMAÇÃO CONTÍNUA AO NÍVEL NACIONAL....................................... 111 5.1. Formação contínua dos enfermeiros em (contexto de) cuidados de saúde primários....... 113 Cidália Coutinho Pereira, Patrícia Mota Almeida
5.2. Formação contínua de enfermeiros em contexto de um instituto português 5.2. de oncologia........................................................................................................................... Ana Loff
126
5.3. Formação contínua em contexto de hospital de saúde mental e psiquiátrica.................... 135 Luísa Pires, Rui Alferes, João Teles
6. FORMAÇÃO CONTÍNUA AO NÍVEL INTERNACIONAL............................................................ 141 6.1. A formação contínua em enfermagem em França............................................................. 143 Estefânia Canedo
6.2. A formação contínua em enfermagem na Suíça................................................................ 150 Filipa Pereira, Henk Verloo
6.3. A formação contínua em enfermagem em Espanha........................................................... 157 Ana Isabel Cobo‑Cuenca, Juan Manuel Carmona‑Torres, José Alberto Laredo-Aguilera
6.4. A formação contínua em enfermagem no Brasil............................................................... 160 ida Maris Peres, Priscila Meyenberg Cunha Sade, Marli Aparecida Rocha de Souza, A Lívia Cozer Montenegro
6.5. A formação contínua em enfermagem na Turquia............................................................. 166 Nilufer Demirsoy, Aysun Türe
6.6. A formação contínua em enfermagem no Médio Oriente.................................................... 173 Ana Grilo, Esperança Gago
Índice remissivo................................................................................................................................. 177
Autores Coordenadoras/Autoras Esperança Gago Professora Coordenadora na Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Minho (ESE-UMINHO); Membro Integrado do Doutoramento em Enfermagem da Universidade Católica Portuguesa; Membro Integrado no Centro de Investigação CIEnf. Maria Manuela Martins Professora Coordenadora na Escola Superior de Enfermagem do Porto (ESEP); Membro do Douto‑ ramento em Ciências de Enfermagem do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS) da Universidade do Porto.
Autores Aida Maris Peres Professora Titular do Departamento de Enfermagem na Universidade Federal do Paraná; Superinten‑ dente do Escritório de Relações Internacionais da Universidade Federal do Paraná; Doutora em Enfer‑ magem na Universidade de São Paulo. Ana Grilo Kidney Care & Transplantation Programes; Divisional Manager at Mediclinic Middle East, Dubai; Doutorada em Enfermagem pela Faculdade de Ciências da Saúde e Enfermagem pela Universidade Católica do Porto. Ana Isabel Cobo-Cuenca Profesora Titular na Facultad de Fisioterapia y Enfermería de Toledo da Universidad de Castilla-La Mancha. Ana Isabel Teixeira Professora Adjunta na Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Minho; Investigadora no Centro de Investigação em Enfermagem (CIEnf) da Universidade do Minho; Investigadora Integrada na UICISA:E da Escola Superior de Enfermagem da Universidade de Coimbra. Ana Loff Enfermeira Chefe Especialista em Enfermagem de Saúde Pública (aposentada); com vasto currículo na área da formação em Saúde Ocupacional, Formação Contínua e Enfermagem Oncológica.
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Ana Luísa Bastos Enfermeira Gestora na Unidade Local de Saúde (ULS) de Alto Ave, EPE; Mestre em Direção e Chefia dos Serviços de Enfermagem. Ana Rita Martins Enfermeira Especialista em Enfermagem de Reabilitação no Serviço de Internamento de Medicina Física e Reabilitação da ULS São João, EPE; Mestre em Enfermagem de Reabilitação; Doutoranda do Programa Doutoral em Ciências de Enfermagem no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto.
VI
Formação Contínua em Enfermagem
Aysun Türe Professora Associada no Departamento de Enfermagem e Departamento de Gestão de Enfermagem na Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade Eskişehir Osmangazi. Carla Rego Enfermeira Gestora da ULS de Alto Ave, EPE; Mestre em Direção e Chefia dos Serviços de Enfermagem. Carlos Vilela Professor Adjunto na Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Porto; Investigador do RISE‑ -Health e Coordenador do Projeto QSCare – Qualidade e Segurança nos Cuidados de Saúde; Vice-presi‑ dente da Comissão Científica do Mestrado em Direção e Chefia de Serviços de Enfermagem; Doutorado em Enfermagem, na Especialidade de Gestão de Unidades de Saúde e Serviços de Enfermagem; Mestre em Gestão Pública, Área de Gestão de Pessoas; Pós-Graduado em Gestão Pública e em Supervisão Clínica em Enfermagem; Especialista em Enfermagem Médico-Cirúrgica, na Área de Enfermagem à Pessoa em Situação Crónica. Cidália Coutinho Pereira Enfermeira Gestora na ULS de Alto Ave, EPE; Professora Convidada na Universidade do Minho; Mestre em Ciências da Educação com Especialização em Pedagogia. Cláudia Cristo Técnica Superior de Formação no CESPU Formação; Doutoranda do Programa Doutoral de Ciências da Educação na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade Do Porto. Cristina Augusto Professora Adjunta na Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Porto; Investigadora na Unidade de Investigação RISE-Health. Cristina Barroso Pinto Professora Coordenadora na Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Porto; Investigadora na Unidade de Investigação RISE-Health; Diretora dos Cursos de Mestrado e de Pós-Graduação em Supervisão Clínica em Enfermagem na Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Porto; Coordenadora do Projeto Safecare – Supervisão Clínica para a Qualidade e Segurança dos Cuidados. Cristina Moura Professora Coordenadora na Escola Superior de Saúde (ESS) da Cruz Vermelha do Alto-Tâmega; Doutorada em Ciências de Enfermagem; Mestre em Ciência da Enfermagem; Pós-Graduada em Gestão em Saúde. Dirce Stein Backes Professora do Curso de Enfermagem e Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Saúde Materno‑ -Infantil da Universidade Franciscana (UFN); Integrante do Colegiado e Núcleo Docente Estruturante do Curso de Enfermagem da UFN; Integrante do Conselho Universitário da UFN. Estefânia Canedo Professora Adjunta na Faculdade de Enfermagem e Fisioterapia da Universidade de Salamanca; Dou‑ tora em Ciências de Enfermagem pelo Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto; Especialista em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiátrica; Mestre em Direção e Chefia dos Serviços de Enfermagem pela Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Porto.
Autores
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Filipa Pereira Professeure Associée na Haute École de Santé de la HES-SO Valais/Wallis; Doutora em Enfermagem. Filomena Cardoso Professora Adjunta da ESS Fernando Pessoa; Doutorada em Ciências de Enfermagem. Francisca Georgina Macedo de Sousa Professora Associada da Universidade Federal do Maranhão; Responsável pela Construção da Proposta do Mestrado Académico em Enfermagem (MAENF) na Universidade Federal do Maranhão (UFMA); Primeira Coordenadora do MAENF/UFMA. Henk Verloo Professeur Ordinaire na Haute École de Santé de la HES-SO Valais/Wallis; Doutor em Enfermagem. Ilda Fernandes Professora Coordenadora Aposentada na Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Porto; Investigadora Integrada na Unidade de Investigação RISE-Health. Inês Rocha Professora Adjunta na Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Porto; Investigadora Inte‑ grada na Unidade de Investigação RISE-Health; Doutorada em Ciências de Enfermagem; Especialista em Enfermagem de Reabilitação. Isabel Araújo Professora Coordenadora da ESS do Vale do Ave do Instituto Politécnico de Saúde do Norte – CESPU; Diretora do Departamento das Ciências da Saúde; Investigadora da Unidade de Investigação em Inteli‑ gência Artificial e Saúde (IA & Saúde); Doutorada em Ciências de Enfermagem; Mestre em Educação; Especialista em Enfermagem Médico Cirúrgica. João Paulo Bessa Enfermeiro em Funções de Gestão no Serviço de Urgência Polivalente da ULS São João, EPE; Enfer‑ meiro Especialista em Enfermagem Médico-Cirúrgica; Especialista em Medicina de Catástrofe pelo ICBAS; Formador da Pós-Graduação ATCN (Advanced Trauma Care For Nurses); Coordenador da Pós-Graduação ATLS (Advanced Trauma Life Support For Doctors) na Região Norte. João Teles Enfermeiro Gestor no Hospital Magalhães Lemos da ULS Santo António, EPE; Especialista em Enfer‑ magem de Saúde Mental e Psiquiátrica; Mestre em Ciências de Enfermagem. José Alberto Laredo-Aguilera Profesor Titular na Facultad de Fisioterapia y Enfermería de Toledo da Universidad de Castilla-La Mancha. ©Lidel – Edições Técnicas, Lda.
Juan Manuel Carmona-Torres Profesor Titular na Facultad de Fisioterapia y Enfermería de Toledo da Universidad de Castilla-La Mancha. Lívia Cozer Montenegro Professora Adjunta do Departamento de Enfermagem na Universidade Federal do Paraná; Diretora de Desenvolvimento da Prática Profissional e Trabalho de Enfermagem da Associação Brasileira de Enfer‑ magem na Seção do Paraná; Doutora em Enfermagem.
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Formação Contínua em Enfermagem
Luís Filipe Barreira Bastonário Ordem Dos Enfermeiros. Luísa Pires Enfermeira Gestora na ULS de São João, EPE; Enfermeira Especialista em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiatria; Mestre em Direção e Chefia dos Serviços de Enfermagem. Manuel João Costa Professor Associado na Escola de Medicina da Universidade do Minho. Marli Aparecida Rocha de Souza Enfermeira na Secretaria Municipal da Saúde de Curitiba, Paraná; Docente do Curso de Enfermagem no Centro Universitário UniDomBosco; Doutora em Enfermagem. Mauro Rosa Enfermeiro Especialista no Centro de Epidemiologia da ULS de São João, EPE. Nelson Guerra Professor Coordenador Convidado da ESS Atlântica; Doutor em Enfermagem. Nilüfer Demirsoy Professora; Departamento de História da Medicina e Ética Médica Eskisehir; Doutorada na Faculdade de Medicina da Universidade Eskisehir Osmangazi. Nuno Araújo Professor Coordenador no Instituto Politécnico de Saúde do Norte – CESPU; Diretor da International Health Business School – CESPU. Olga Ribeiro Professora Adjunta na Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Porto; Investigadora na Uni‑ dade de Investigação RISE-Health; Presidente da Associação para a Promoção de Ambientes de Prática de Enfermagem Positivos; Doutorada e Pós-Doutorada em Ciências de Enfermagem; Especialista em Enfermagem de Reabilitação. Patrícia Mota Almeida Enfermeira Gestora na ULS de Alto Ave, EPE; Professora Convidada na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro; Mestre em Educação com Especialização em Educação para a Saúde. Paula Alexandra Ramos Enfermeira Especialista em Enfermagem Comunitária na ULS Lisboa Ocidental, EPE, USF Santo Condestável; Mestre em Enfermagem; Pós-Graduada em Gestão dos Serviços de Enfermagem. Paula Cristina Costa Enfermeira Gestora/Especialista em Enfermagem Comunitária; Coordenadora da Unidade de Formação na ULS de São João, EPE; Coordenadora da Pós-Graduação ATLS (Advanced Trauma Life Support For Doctors) da Região Norte. Priscila Meyenberg Cunha Sade Enfermeira na Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (SESA-PR); Coordenadora da Divisão de Ensino Superior na Escola de Saúde Pública do Paraná (ESPP); Investigadora Colaboradora da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz); Doutora e Pós-Doutorada em Enfermagem; Especialista em Modelagem de Processos aplicada à Saúde Pública.
Autores
IX
Rui Alferes Enfermeiro Gestor na ULS São João, EPE; Mestre em Direção e Chefia dos Serviços de Enfermagem; Especialista em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiatria. Sandra Moura Miranda Coordenadora na CESPU Formação; Técnica Superior de Formação em Empresas de Consultoria de Gestão de Recursos Humanos; Licenciatura em Gestão Recursos Humanos e Psicologia do Trabalho. Sérgio Antunes de Carvalho Professor Convidado na ESS de Portalegre do Politécnico de Portalegre; Enfermeiro Diretor do Hospi‑ tal de Santa Luzia de Elvas; Enfermeiro Diretor do Hospital Doutor José Maria Grande de Portalegre; Especialista em Enfermagem Médico-Cirúrgica; Especialista em Gestão de Unidades de Saúde; Mestre em Sociologia (Especialidade em Poder e Sistemas Políticos) pela Universidade de Évora; Pós-Gradua‑ do em Gestão de Nível Operacional em Organizações de Saúde; Master Universitario de Investigación en Ciencias de la Salud (Especialidad en Actualización en Atención Sociosanitaria) pela Universidad de Extremadura. Simão Vilaça Professor Adjunto na Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Minho. Tiago Alves Professor Adjunto na ESS do Vale do Ave do Instituto Politécnico de Saúde do Norte – CESPU; Coordenador do Curso de Mestrado em Enfermagem Médico-Cirúrgica, na área de Enfermagem à Pessoa em Situação Crítica; Investigador na Unidade de Investigação em Inteligência Artificial e Saú‑ de (IA&Saúde); Enfermeiro Especialista em Enfermagem Médico-Cirúrgica; Mestre em Evidência e Decisão em Saúde pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. Tiago Oliveira
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Diretor do Serviço de Formação da ULS Gaia e Espinho; Doutorado em Ciências da Educação.
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Prefácio
Pensar a formação contínua em enfermagem é, antes de tudo, um exercício de compromisso ético, epistémico e político. O livro Formação Contínua em Enfermagem – Partidas e Chegadas emerge, em minha opinião, como um contributo inestimável para o conhecimento e reflexão sobre o caminho per‑ corrido desde o início do movimento da formação permanente em enfermagem, integrando vozes múlti‑ plas que se debruçam sobre o fazer-formativo dos enfermeiros, suas práticas e a(s) complexidade(s) que atravessam os/nos contextos da saúde. É para mim um enorme gosto, honra e privilégio escrever este prefácio. Estou muito grata às coor‑ denadoras da obra, Maria Manuela Martins e Esperança Gago, duas Mulheres, Enfermeiras, Professoras e Investigadoras, que admiro pelos seus percursos profissionais e pelos contributos que têm dado para o desenvolvimento da profissão. Mais uma vez o fazem com a organização e publicação desta obra, que dá visibilidade ao caminho percorrido pela profissão de enfermagem ao nível da Formação Contínua dos Enfermeiros nas organizações de saúde, assinalando a visão de vanguarda que os líderes de Enfer‑ magem tiveram ao longo desta evolução. Diria, com orgulho, que da leitura do livro, fica muito claro, que pudemos contar com líderes que, quase sempre andaram à frente do seu tempo, abrindo novos ca‑ minhos. E, que agiram, em cada momento, cientes da importância de investir no desenvolvimento das PESSOAS, se o que queremos é construir comunidades de prática capazes de, na ação, revelar compro‑ misso ético, político e epistemológico com o cuidado humano, com a qualidade dos serviços de saúde, e sobretudo, se queremos o desenvolvimento integral dos enfermeiros enquanto sujeitos reflexivos e transformadores da realidade (Ricoeur, 2014). O livro, Formação Contínua em Enfermagem – Partidas e Chegadas, tem a arte de articular teorias da educação, perspetivas filosóficas, políticas e práticas sobre a formação contínua em enfermagem, com profundidade e rigor, mostrando, quer a dimensão de complexidade dos processos de formação contínua, quer a sua dimensão de prática emancipatória e transformadora das práticas clínicas, e das relações entre os atores e das pessoas que a vivem. A leitura desta obra convida a comunidade profissional, académica e gestora da enfermagem a re‑ pensar os seus próprios referenciais. Trata-se de um texto de natureza crítica e construtiva, que dialoga com experiências concretas e produção científica nacionais e internacionais, sem abdicar do enraiza‑ mento da reflexão nos contextos culturais e institucionais específicos. A obra organiza-se em torno de uma travessia reflexiva que engloba seis capítulos: Conceções da Formação Contínua; Impacto da Formação Contínua no Desenvolvimento Profissional e dos Serviços; Estratégias e Métodos para a Formação Contínua; Organização da Formação Contínua; Experiências de Formação Contínua a Nível Nacional; A Formação Contínua a Nível Internacional. Parte das conceções — ancoradas em teorias contemporâneas da aprendizagem (Illeris, 2018), na epistemologia da comple‑ xidade (Morin, 2005) e nas pedagogias críticas e humanistas (Freire, Rogers) — até à abordagem dos desafios da formação situada, onde a experiência assume um lugar central (Costa, 2006). Redireciona‑ -nos para a ideia de que nos inscrevemos, olhamos e apreendemos a realidade a partir de um espaço único: nós. Cada um de nós é influenciado pelas suas próprias experiências. Chegamos ao conhecimento pelos nossos próprios caminhos, moldados a partir das nossas experiências, teorias e conjunturas (Phi‑ lips, 1995). Este é um ponto de vista pelo qual a conceção de processos de formação não pode deixar de passar. É possível, pela mão dos autores dos capítulos da primeira parte do livro, acompanhar as influências behavioristas, cognitivistas e humanistas que atravessaram o percurso de construção das práticas formativas dos enfermeiros. Curioso, ou talvez não, foi perceber como o pensamento de Edgar Morin atravessa a estrutura da obra, ao evocar a complexidade como chave interpretati‑ va, quer dos processos e dinâmicas de formação, quer dos contextos onde as práticas clínicas dos
XII
Formação Contínua em Enfermagem
enfermeiros acontecem, quer das práticas clínicas elas mesmas. O que nos conduz à ideia de que pensar em políticas de formação que conduzam à renovação das práticas e dos processos de trabalho, implica sempre compreender a importância de uma interação entre três contextos: o da profissão e dos modelos profissionais; o dos enfermeiros com os seus percursos, experiências e biografias; e o con‑ texto de ação, com as suas múltiplas complexidades (Rebelo, 2016), pois é na interação entre os três vértices do triângulo, que se encontram as potencialidades transformadoras da formação dos enfer‑ meiros e da construção de novas ou renovadas práticas clínicas. O triangulo tem de ser olhado como um sistema vivo e recursivo, que se reorganiza continuamente à luz das necessidades da prática, dos contextos organizacionais e dos sujeitos que nela atuam (Rebelo, 2016). Mais do que um compêndio de ideias, o livro é, a este nível, um itinerário. Um mapa de navegação entre as partidas e chegadas da formação contínua. Mostrando-nos uma evolução no pensamento subjacente à formação continua dos enfermeiro, que nos leva da formação para a mudança, à ideia da formação como um processo dialógico entre o “eu, os outros e as coisas” (Pineau,1988) onde o que se transforma não é apenas o saber, mas o próprio sujeito que cuida, aprende, ensina, investiga, vive. Outro eixo transversal a vários capítulos do livro, que destaco, impele-nos à reflexão sobre o papel da supervisão clínica, entendida como ação relacional e transformadora (Rocha, Pinto & Carvalho, 2021; Snowdon et al., 2017). A partir da discussão sobre os fundamentos históricos e políticos da super‑ visão em enfermagem, dos seus diversos modelos e impactos, somos convidados a olhar para a supervi‑ são clínica como espaço de desenvolvimento dialógico, de reflexão crítica e de suporte ao crescimento e desenvolvimento profissional e pessoal (Rocha, Pinto & Carvalho, 2021; Snowdon et al., 2017), favore‑ cedor da segurança e qualidade dos cuidados, e da construção de relações profissionais que reconhecem a vulnerabilidade como potencial de aprendizagem. A inteligência artificial como uma nova e insubstituível “companheira de viagem” de quem se (trans)forma, também não é esquecida nesta obra. De facto, as dinâmicas de digitalização da educação ganharam uma extensão inimaginável ainda há pouco tempo e são incontornáveis, quer o foco da nossa preocupação seja a formação, quer seja o da prática clínica, ou o da investigação em enfermagem. Os desenvolvimentos que têm tido lugar no âmbito da inteligência artificial estão a transformar profun‑ damente a educação e a vida (Nóvoa, 2021). Como defendem Maria Manuela Martins e Tiago Alves, estratégias de formação contínua dos enfermeiros têm inevitavelmente de passar pela integração destas novas ferramentas, por isso, é urgente desenvolver um trabalho de compreensão crítica das suas poten‑ cialidades, dos seus limites e das implicações éticas e pedagógicas associadas. A formação precisa do diálogo e do encontro com os outros. O livro Formação Contínua em Enfermagem – Partidas e Chegadas, remete-nos, ainda, para a ideia de que a formação dos enfermeiros, sobretudo pensada no continuum do desenvolvimento profissional, é um espaço decisivo na constru‑ ção da profissão e do conhecimento em enfermagem, importa, por isso, não a deligar da investigação. Remete-nos, sobretudo, a agarrar o desafio da criação de espaços de investigação e formação conjuntos, entre os diferentes atores, enfermeiros clínicos, enfermeiros académicos (professores e investigadores), enfermeiros gestores. Trata-se de se investir em equipas que se possam enriquecer mutuamente para enfrentar os desafios comuns, em particular o do desenvolvimento do conhecimento de enfermagem que permita encontrar novas respostas aos problemas das pessoas/famílias, promovendo a vivência dos processos de transição com maior bem estar. Como defende António Nóvoa (2021) “a liberdade tem sempre uma dimensão individual. Mas a nossa liberdade torna-se maior no diálogo com os outros, na capacidade de pensarmos em conjunto, não para nos diminuirmos numa mediana, ou mediania, mas para nos alargarmos e criarmos uma cons‑ ciência comum” (Nóvoa, 2021, pp. 5). Na enfermagem precisamos, cada vez mais, de criar este “lugar de diálogo” entre a comunidade dos Enfermeiros para poderemos construir um movimento capaz de influenciar a (trans)formação/consolidação da enfermagem, da ciência e da profissão. Este livro desafia‑ -nos para isso mesmo! Acredito que a leitura desta obra inspirará outros percursos, alargará horizontes e
Prefácio
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provocará, em cada leitor, a inquietação necessária para continuar a (trans)formar-se e a (co)construir a enfermagem no quadro de dinâmicas de reflexão, investigação e inovação, desenvolvidas a partir de um lugar de diálogo e encontro que interligue contextos clínicos onde a enfermagem acontece, academia, poder político e sociedade (Nóvoa, 2017). Ao terminar, gostava de deixar um profundo agradecimento a todas e a todos os autores da obra e uma palavra de reconhecimento às coordenadoras desta publicação: as Professoras Doutoras Maria Manuela Martins e Esperança Gago, cujo trabalho generoso, rigoroso e visionário permitiu reunir um conjunto de contributos valiosos para a reflexão e transformação das práticas formativas em enferma‑ gem. A todos, os mais sinceros agradecimentos e felicitações. Boa Leitura! Referências bibliográficas Freire, P. (1996). Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. Paz e Terra. Morin, E. (2005). Introdução ao pensamento complexo. Sulina. Nóvoa, A. (2019). Teachers and Their Education at a Time of School Metamorphosis. Educação & Realidade, 44(3), e84910. doi:10.1590/2175-623684910. Nóvoa, A. (2025). Universidades: a liberdade é sempre experimental. U.Porto Press. Phillips, D. C. (1995). The good, the bad, and the ugly: The many faces of constructivism. Educational Researcher, 24(7), 5–12. doi:10.3102/0013189X024007005. Pineau, G. (1988). A autoformação no decurso da vida: Entre a hetero e a ecoformação. In A. Nóvoa & M. Finger (Orgs.), O método (auto)biográfico e a formação (pp. 63–77). Ministério da Saúde, Departamento dos Recursos Humanos da Saúde, Centro de Formação e Aperfeiçoamento Profissional. Rebelo, M. T. S. (1996). Os discursos nas práticas de cuidados de enfermagem: Contributo para a análise das representações sociais de enfermagem. [Dissertação de mestrado, Universidade de Lisboa]. Repositório da Universidade de Lisboa. Disponível em: http://hdl.handle.net/10451/32441. Ricoeur, P. (2014). O si-mesmo como outro. WMF Martins Fontes. Rocha, I. A. D. R. E. S., Rodrigues, M. A. C., Pinto, C. M. C. B., & Carvalho, A. L. R. F. D. (2021). Supervisão clíni‑ ca em enfermagem para otimizar a avaliação do autocuidado. Cogitare Enfermagem, 26, e78884. doi:10.5380/ ce.v26i0.78884. Rogers, C. R. (1972). Liberdade para aprender: Uma visão de como a educação deve vir a ser (E. de G. da Mata Machado & M. P. de Andrade, Trads.; 2.ª ed.). Interlivros de Minas Gerais. Snowdon, D. A., Leggat, S. G., & Taylor, N. F. (2017). Does clinical supervision of healthcare professionals improve effectiveness of care and patient experience? A systematic review. BMC Health Services Research, 17(1), 786. doi:10.1186/s12913-017-2739-5.
Maria da Conceição Bento
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Enfermeira; Professora da Escola Superior de Enfermagem da Universidade de Coimbra (ESEUC); Diretora da Escola Superior de Enfermagem da Universidade de Coimbra; Investigadora da Unidade de Investigação em Ciências da Saúde: Enfermagem (UICISA:E); Doutora em Enfermagem
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Introdução
Num tempo marcado por rápidas transformações sociais, tecnológicas e organizacionais, a Enferma‑ gem enfrenta desafios cada vez mais complexos e exigentes. As alterações demográficas, o aumento das doenças crónicas, a pressão sobre os sistemas de saúde, a digitalização dos cuidados e as exigên‑ cias éticas e humanas da profissão impõem uma necessidade constante de atualização e desenvolvi‑ mento profissional. Neste cenário, a formação contínua nas organizações e a formação em serviço em enfermagem deixa de ser uma opção para se afirmar como uma condição essencial à qualidade dos cuidados, à segurança dos utentes e à valorização dos profissionais. A formação contínua dos profissionais de saúde é amplamente reconhecida como um dos prin‑ cipais determinantes da qualidade e segurança dos cuidados prestados. Num setor em permanente transformação, a atualização sistemática de conhecimentos e competências torna-se essencial para responder às necessidades complexas das populações e às exigências técnicas e éticas do exercício profissional (Frenk et al., 2010). Para além de promover a excelência clínica, a formação contínua contribui para a motivação, a autonomia e a satisfação dos profissionais, fatores que se refletem po‑ sitivamente na retenção de talentos e na eficácia organizacional (World Health Organization [WHO], 2016). Formação Contínua em Enfermagem – Partidas e Chegadas nasce da vontade de duas enfermei‑ ras que partilharam, no início da sua carreira, a gestão de um departamento de formação de um hos‑ pital, falamos da década de 80, e dado à experiência inovadora na época, que depois perdeu impacto no investimento nas organizações, entenderam ser necessário dar visibilidade à riqueza, diversidade e atualidade do pensamento e da prática neste campo. Esta obra reúne contributos de autores com percursos académicos, de investigação, de gestão e de prática clínica, oferecendo uma visão plural, crítica e profundamente enraizada na realidade da enfermagem contemporânea. Mais do que mapear práticas, pretende-se aqui problematizar as conceções, refletir sobre os impactos e delinear estratégias inovadoras e sustentáveis para a formação contínua, organizacional e em serviço. A gestão da formação contínua, por sua vez, assume um papel estratégico nas organizações de saúde, sendo responsável pela identificação das necessidades formativas, planeamento, implementa‑ ção e avaliação de programas eficazes e alinhados com os objetivos institucionais. Uma abordagem integrada e participativa à gestão da formação permite não só garantir a sua relevância e aplicabilida‑ de, mas também envolver os profissionais no seu próprio desenvolvimento (Bergh et al., 2020). Quan‑ do bem estruturada, a gestão da formação contínua transforma-se num motor de inovação, aprendiza‑ gem, desenvolvimento organizacional e melhoria contínua da qualidade dos serviços (Steinert, 2020). Organizada em seis capítulos, a obra percorre, desde uma perspetiva histórica, o caminho da for‑ mação contínua em Portugal, avança pela análise teórica e metodológica das suas conceções e estru‑ turas, e mergulha em experiências concretas em diferentes contextos — hospitais, cuidados de saúde primários, serviços especializados e unidades formativas. São também apresentados modelos inter‑ nacionais de formação, permitindo uma leitura comparada que enriquece e desafia as práticas locais. A diversidade de autores e experiências aqui reunidas é, em si, um dos maiores valores da obra: vozes que vêm da docência, da supervisão clínica, da gestão de serviços de saúde, da formação em contexto e da investigação científica, colaboram para construir um retrato multifacetado, dinâmico e atual da formação contínua. Estes contributos ajudam a pensar o futuro da profissão, promovendo um debate fundamentado sobre as condições que tornam a formação contínua verdadeiramente transfor‑ madora — para os profissionais, para as instituições e, sobretudo, para os cidadãos. Face aos desafios contemporâneos, torna-se urgente inovar na forma como a formação é concebi‑ da, promovida e avaliada. A incorporação de tecnologias digitais e, mais recentemente, da inteligên‑ cia artificial (IA), oferece oportunidades significativas para personalizar percursos de aprendizagem,
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Formação Contínua em Enfermagem
monitorizar progressos em tempo real e adaptar conteúdos às necessidades individuais e contextuais (Bates, 2019). A IA pode ser uma aliada poderosa na formação contínua, permitindo maior acessibi‑ lidade, flexibilidade e eficiência dos processos formativos, desde que usada com critério ético e pe‑ dagógico (Topol, 2019). Assim, inovar na formação não é apenas uma questão tecnológica, mas uma exigência estratégica e pedagógica para assegurar a pertinência e a sustentabilidade da aprendizagem ao longo da vida. Consciente da utilidade do conteúdo partilhados, com a generosidade dos que aceitaram verter para o documento o seu pensamento sobre a formação, sobre o processo de gestão da formação ou simplesmente a experiência reflexiva do tema, acreditamos que será útil para quem se interesse pelo tema, mas também para se constituir como marco histórico num momento de grandes mudanças no processo de formação. Este livro dirige-se a todos os que, de forma ativa, participam nos processos formativos – enfer‑ meiros, formadores, gestores, investigadores, supervisores e decisores – com a ambição de provocar pensamento, inspirar ação e fortalecer o compromisso com um desenvolvimento profissional contí‑ nuo que responda, com rigor e humanidade, às exigências do nosso tempo. Referências bibliográficas Bates, T. (2019). Teaching in a digital age: Guidelines for designing teaching and learning. Tony Bates Associates Ltd. Bergh, A. M., Bac, M., Hugo, J., Sandars, J., & Frantz, J. M. (2020). The development of a conceptual framework to guide the implementation of continuous professional development for health professionals in South Africa. BMC Medical Education, 20(1), 1-11. doi:10.1186/s12909-020-02137-3. Frenk, J., Chen, L., Bhutta, Z. A., Cohen, J., Crisp, N., Evans, T., et al. (2010). Health professionals for a new cen‑ tury: transforming education to strengthen health systems in an interdependent world. The Lancet, 376(9756), 1923-1958. doi:10.1016/S0140-6736(10)61854-5. Steinert, Y. (2020). Faculty development: From workshops to communities of practice. Medical Teacher, 42(4), 415–420. doi:10.1080/0142159X.2019.1706930. Topol, E. (2019). Deep medicine: How artificial intelligence can make healthcare human again. Basic Books. World Health Organization. (2016). Global strategy on human resources for health: Workforce 2030. WHO Press.
Esperança Gago e Maria Manuela Martins (coordenadoras)
1.1 Perspetivas teóricas de suporte à formação contínua Ilda Fernandes, Carlos Vilela, Dirce Stein Backes, Francisca Georgina Macedo de Sousa
INTRODUÇÃO A formação contínua (FC), enquanto processo profissionalizante do enfermeiro, foca‑se no aperfeiçoar de saberes e habilidades, tornando‑se, assim, num potencializador do exercício profissional. Ao longo dos tempos, nos contextos nacional e internacional, a FC tem‑se adequado às competências necessárias à prática clínica e inerentes ao enquadramento legal da profissão e às narrativas teórico‑filosóficas da educação. Atualmente, o termo “formação contínua” substitui‑se pelo de “educação permanente”, muito à conta da conexão do primeiro termo à ideia de transmissão – assimilação de informação – e, pelo segundo, ao dinamismo pessoal e/ou social de construção, interpretação, mobilização e transformação do enfermeiro. Nesta última designação, o profissional de enfermagem, ao utilizar o que aprendeu, aperfeiçoa os seus saberes, habilidades e disposições, que lhe permitem intervir profissionalmente no desenvolvimento significativo da complexidade intrínseca à prática de cuidados. É neste contexto que, aqui, se abordarão algumas das perspetivas teóricas que operacionalizam o aperfeiçoamento e desenvolvimento de saberes e competências em enfermagem.
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UM OLHAR GLOBAL SOBRE A FORMAÇÃO COMO AÇÃO EDUCATIVA A formação “vista como ação educativa” é um processo (Noffs & Espósito, 2011, p. 179) que solicita es‑ colhas e a constante tomada de decisões em contextos de incerteza (Silva et al., 2010). Gadamer e Hahn (1997) sugerem que, numa ação educativa, o objetivo não se finda em transmitir conhecimentos ou pro‑ duzir modificações, mas alcançar transformações. Para esta autora, é uma perspetiva que considera os aspetos objetivos e factuais, assim como a intuição, a subjetividade, a intersubjetividade, a sigularidade e a pluralidade da existência humana, e que são os sentidos que movem ou que impelem o homem para o agir no sentido do ato de fazer, de construir e de edificar. Assim, a ação educativa dirigida à intervenção propõe‑se como a “trans‑forma‑ação”, pela qual o ser sai de uma condição de impropriedade para uma de maior apropriação. Esse carácter transformador é que define a ação educativa como projeto e que pode ser concretizado pela ação comprometida de uma ou de várias pessoas. No mesmo alinhamento, Demo (2000) aproxima a ação educativa da aprendizagem reconstruti‑ va, como sendo a conceção de um projeto aberto exercitando a arte de lidar com limites e desafios de maneira inteligente, flexível e aproximativa. Portanto, um processo não linear, mas autopotenciador e reconstrutor, pois “aprendemos a partir daquilo que já aprendemos, conhecemos a partir do que está conhecido” (Demo, 2000, p. 102). Ao longo dos tempos, os processos de FC dos enfermeiros foram influenciados, principalmente, pelas narrativas behavioristas, cognitivistas e humanistas. A primeira alinha‑se com o behaviorismo me‑ todológico de Skinner, pelo qual se imprimia a centralidade na formação à transmissão da informação fragmentada e à aprendizagem condicionadora e orientada para o reforço de respostas que o formador desejava obter. Esperava‑se que a FC contribuísse para o desenvolvimento da capacidade do enfermeiro em executar intervenções, itens e orientações alinhadas com uma prática de cuidados direcionada ao “corpo doente” (Andrade et al., 2019; Fernandes, 2011). A narrativa cognitivista, baseada na perspetiva de Brunner, Piaget, Vigotsky, entre outros autores, atribui a centralidade da FC aos processos mentais superiores (pensamento, imaginação, resolução de
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De forma a sistematizar as diferentes modalidades de formação contínua e respetivas áreas de desenvolvimento, apresenta-se a Figura 4.1.1. O esquema evidencia a organização da formação desde a fase pré-profissional até às modalidades de qualificação, aperfeiçoamento, promoção, reciclagem, atualização e reconversão, demonstrando a importância da formação enquanto processo contínuo de aquisição, renovação e desenvolvimento de competências ao longo do percurso profissional (Ferreira et al., 2015).
Modalidades da formação
Pré-profissional Qualificação inicial
Promoção
Aperfeiçoamento
Reciclagem
Profissional
Reconversão
Atualização
Figura 4.1.1 – Modalidades de formação em serviço. Adaptado de: Ferreira et al. (2015).
A importância desta temática advém da necessidade de as organizações terem a noção de que o desenvolvimento das competências é para todos os profissionais e tem por objetivo o sucesso da organização no mercado de atuação (Carvalho & Rua, 2017).
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OBJETIVOS ORGANIZACIONAIS PARA O INVESTIMENTO DA FORMAÇÃO Independentemente da tipologia da organização, todas têm definida uma missão e visão organizacional com desígnios de progresso, crescimento, inovação e liderança no mercado de atuação, com base num conjunto de objetivos definidos para determinado período temporal. Os objetivos organizacionais são o fim desejado que uma determinada instituição pretende atingir e pelos quais orienta o seu comportamento em relação ao futuro e ao ambiente interno e externo (Chiavenato & Sapiro, 2020). Organizações com objetivos bem definidos, com recursos adequados e com apoio coletivo no esforço para alcançar os mesmos são também organizações com profissionais que demonstram melhores sentimentos relativamente ao trabalho e à motivação, bem como uma melhor perceção da instituição (Amabile & Kramer, 2011). Este tipo de objetivos procura fornecer respostas a um conjunto de funções, sendo uma fonte de validação para o exterior, uma vez que traduz aquilo que a organização pretende, constituindo, igualmente, uma fonte de motivação e de envolvimento dos profissionais que nela trabalham, dado que funciona como orientação para a ação, circunscrevendo critérios de desempenho. A missão e a visão de uma organização são os alicerces sobre os quais se constrói a cultura corporativa e as estratégias de desenvolvimento. Esses elementos definem não apenas o propósito e as aspirações de longo prazo da organização, mas também moldam significativamente a abordagem da formação profissional dentro da mesma. Foucher e Morin (2006), citados por Bernardes (2013), consideram que os gestores cujos valores e crenças se baseiam numa forte orientação humana sensibilizarão os seus profissionais para a necessidade de construir equipas de trabalho num duplo objetivo humano e corporativo, ao contrário dos gestores mais orientados para os resultados económicos, que colocam os
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Formação Contínua em Enfermagem
de forma regular. Esta é efetuada numa base voluntária, sob a sua própria responsabilidade. No entanto, os enfermeiros estão convencidos da necessidade de melhorar as suas competências através da FPC ao longo das suas carreiras. A Suíça dispõe de programas de FPC designados por Certificate of Advanced Studies (CAS), Diplo‑ ma of Advanced Studies (DAS) e Master of Advanced Studies (MAS). Estes programas são concebidos para melhorar as competências e os conhecimentos dos enfermeiros em áreas especializadas. O MAS requer a validação de 60 a 90 créditos ECTS, pelo que não deve ser confundido com um mestrado, que corresponde à validação de 90 a 120 ECTS (Tabela 6.3.1).
Tabela 6.2.1 – Comparação entre CAS, DAS e MAS em enfermagem na Suíça. CAS
DAS
Duração
Cerca de seis meses
Cerca de 12 a 18 meses de- Cerca de 24 meses pendendo da especialização
ECTS
Dez a 15 créditos ECTS
30 a 60 créditos ECTS
60 a 90 créditos ECTS
Exemplos
yyCuidados paliativos
Os programas DAS abrangem as mesmas áreas de especialização que os programas CAS, mas oferecem uma especialização clínica mais aprofundada
Master of Business Administration (MBA), Executive Master of Business Administration (EMBA)
yyEnfermagem oncológica yyGestão da dor crónica yyCardiologia yyGeriatria
yyPsiquiatria yyPediatria
MAS
yyReanimação
yySaúde mental yyDiabetologia
yyEnfermagem cirúrgica
yyEnfermagem comunitária
yySaúde materna e perinatal Nota: os programas específicos podem variar entre cantões e instituições suíças.
Alguns CAS e DAS são lecionados conjuntamente com outras áreas profissionais da saúde. Constata‑se uma tendência crescente na Suíça para a formação interdisciplinar, em que os estudantes ou licenciados em enfermagem colaboram com estudantes ou licenciados de outras áreas da saúde, promovendo o trabalho em equipa e a colaboração. É o caso nas áreas de gestão (chefia de equipa) e de supervisão dos estudantes em contextos clínicos. Tanto o CAS como o DAS são essenciais para as diversas especializações em enfermagem na Su‑ íça. Desempenham um papel fundamental no panorama da FPC, garantindo que os enfermeiros suíços permanecem na vanguarda dos padrões globais de cuidados de saúde.
SÍNTESE O conceito “lifelong learning” é muito incentivado nos profissionais de enfermagem na Suíça. Espera‑se que os enfermeiros se envolvam num desenvolvimento profissional contínuo (DPC para se manterem atualizados com as mais recentes práticas e inovações nos cuidados de saúde. As universidades e as escolas de enfermagem dedicam‑se frequentemente à investigação em enfermagem, contribuindo para os avanços neste âmbito. O perfil multicultural e multilinguístico da Suíça reflete‑se no ensino da enfermagem. Os programas são oferecidos em várias línguas nacionais, incluindo alemão, francês, italiano e romanche. A proficiên‑ cia linguística é essencial para uma comunicação eficaz nos cuidados de saúde.
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A formação contínua dos profissionais de saúde é amplamente reconhecida como um dos principais determinantes da qualidade e segurança dos cuidados prestados. Por um lado, a atualização sistemática de conhecimentos e competências é essencial para responder às necessidades das populações de forma adequada e de acordo com as melhores práticas. Por outro lado, a formação permite uma melhor resposta às exigências do exercício profissional, contribuindo para a excelência clínica, sendo também essencial para a motivação, autonomia e valorização dos profissionais. Adicionalmente, a gestão da formação contínua tem um papel estratégico também para as organizações de saúde, sendo responsável pela identificação das necessidades formativas, planeamento, implementação e avaliação de programas eficazes e alinhados com os objetivos institucionais, levando à inovação, aprendizagem, desenvolvimento organizacional e melhoria contínua da qualidade dos serviços. Esta obra reúne contributos de autores com percursos académicos, de investigação, de gestão e de prática clínica, oferecendo uma visão plural, crítica e profundamente enraizada na realidade da enfermagem. Mais do que mapear práticas, pretende-se problematizar as conceções, refletir sobre os impactos e delinear estratégias inovadoras e sustentáveis para a formação contínua, organizacional e em serviço.
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Ao longo dos capítulos, percorre-se o caminho da formação contínua em Portugal, é feita uma análise teórica e metodológica das suas conceções e estruturas e do seu impacto no desenvolvimento dos enfermeiros e dos contextos de saúde, e são apresentadas experiências concretas em diferentes contextos, nacionais e internacionais.
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ISBN 978-989-593-002-9
www.lidel.pt
9 789895 930029
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Este livro dirige-se a todos os que, de forma ativa, participam nos processos formativos — enfermeiros, formadores, gestores, investigadores, supervisores e decisores — com a ambição de provocar pensamento, inspirar ação e fortalecer o compromisso dade, às exigências do nosso tempo.
FORMAÇÃO CONTÍNUA EM ENFERMAGEM
Formação contínua em enfermagem
17,2 x 24cm
Formação Contínua em Enfermagem
8cm
Esperança Gago Professora Coordenadora na Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Minho (ESE-UMINHO); Membro Integrado do Doutoramento em Enfermagem da Universidade Católica Portuguesa; Membro Integrado no Centro de Investigação CIEnf.
Maria Manuela Martins Professora Coordenadora na Escola Superior de Enfermagem do Porto (ESEP); Membro do Doutoramento em Ciências de Enfermagem do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS) da Universidade do Porto.