7,5 cm
14,5cm x 21cm
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CONTROLO DA INFEÇÃO HOSPITALAR
EP
O controlo da infeção hospitalar é um fator principal e decisivo para a promoção da qualidade e segurança dos doentes assim como dos profissionais, ao mesmo tempo que diminui os custos económicos inerentes às infeções associadas aos cuidados de saúde (IACS). Na obra Controlo de Infeção Hospitalar, o tema é tratado em vários contextos por diferentes e experientes profissionais de diferentes áreas de atuação. Esperamos que o leitor deste livro adquira conhecimentos que levem a boas práticas, contribuindo no seu desempenho profissional para a diminuição da taxa de infeção hospitalar. Conteúdos: Conceito de Infeção Hospitalar Ganhos em Saúde Associados ao Controlo da Infeção Hospitalar Tipos de Infeção Hospitalar Prevenção e Controlo da Infeção Hospitalar Bactéria Multirresistente Papel do Enfermeiro no Controlo da Infeção Hospitalar Controlo da Infeção Hospitalar em Diferentes Contextos Importância das Comissões de Controlo da Infeção Hospitalar Questões Éticas
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CONTROLO DA INFEÇÃO HOSPITALAR
1 Aspetos Históricos do Controlo da Infeção Hospitalar 2 Conceito de Infeção Hospitalar 3 Ganhos em Saúde Associados ao Controlo
da Infeção Hospitalar 4 Infeções Associadas aos Cuidados de Saúde:
O Estado da Arte 5 Prevenção e Controlo da Infeção Hospitalar 5.1 Limpeza, Desinfeção e Esterilização de Materiais 5.2 Lavagem e Antissepsia das Mãos
Coordenação:
Ana Duarte I Olga Martins
5.3 Limpeza do Meio Ambiente 5.4 Desinfeção 5.5 Seleção do Equipamento de Proteção Individual
Direção da Coleção:
Manuela Néné Carlos Sequeira
5.6 Medidas de Isolamento 5.7 Medidas Práticas em Bloco Operatório 6 Bactéria Multirresistente 7 O Papel do Enfermeiro no Controlo da Infeção 8 Controlo da Infeção Hospitalar
em Diferentes Contextos
8.3 Cuidados Intensivos 8.4 Doentes Queimados 8.5 Doentes com Feridas 8.6 Doentes Imunodeprimidos, Crianças,
Ana Duarte Olga Martins
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Conteúdos
8.2 O Controlo de Infeção no Bloco Operatório
Cruz Vermelha Portuguesa. Enfermeira supervisora, Enfermeira chefe do bloco operatório e Membro integrante da Comissão de Ética, Hospital de St. Louis, Lisboa.
ISBN 978-989-752-341-0
7,5 cm
8.1 Procedimentos Invasivos
Ana Duarte – Licenciada em Enfermagem pela Escola Superior de Saúde da
Olga Martins – Licenciada em Enfermagem pela Escola de Serviço de Saúde Militar, Lisboa. Enfermeira graduada do bloco operatório no Hospital das Forças Armadas, Lumiar até 2014. Enfermeira na UCSP Moita.
14,5cm x 21cm
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CONTROLO DA INFEÇÃO HOSPITALAR
Outros títulos de Enfermagem
12,2 mm
Grávidas e Idosos 8.7 Cuidados Após Alta Hospitalar 9 Importância das Comissões de Controlo da Infeção Hospitalar 9.1 Vigilância das Infeções Associadas aos Cuidados de Saúde 9.2 Formação 9.3 Monitorização da formação 10 Questões Éticas em Controlo da Infeção
ÍNDICE AUTORES........................................................................................................................ V NOTA BREVE................................................................................................................ IX INTRODUÇÃO.............................................................................................................. XI SIGLAS E ABREVIATURAS.................................................................................... XIII
1 – Aspetos Históricos do Controlo da Infeção Hospitalar.......... 1 Ana Gonzalez Pereira
2 – Conceito de Infeção Hospitalar.......................................................... 15 Ana Gonzalez Pereira
3 – Ganhos em Saúde Associados ao Controlo da Infeção 1 – Hospitalar .................................................................................................... 21 Alexandra Pais
4 – Infeções Associadas aos Cuidados de Saúde: 1 – O Estado da Arte....................................................................................... 25 Lina Ramos Rodrigues
5 – Prevenção e Controlo da Infeção Hospitalar............................... 37
5.1 Limpeza, Desinfeção e Esterilização de Materiais.......................... 37 Susana Sousa
5.2 Lavagem e Antissepsia das Mãos......................................................... 46 Beatriz Contreiras
5.3 Limpeza do Meio Ambiente................................................................... 56 Maria do Rosário Rodrigues
5.4 Desinfeção..................................................................................................... 67 Susana Sousa
5.5 Seleção do Equipamento de Proteção Individual.......................... 73 Maria do Rosário Rodrigues
5.6 Medidas de Isolamento........................................................................... 80 Elsa M.O.C. do Rosário
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5.7 Medidas Práticas em Bloco Operatório............................................. 94 Ana Rita Silva, Fátima Amorim, Cristiana Guerreiro
6 – Bactéria Multirresistente....................................................................... 103 Márcia Valente
7 – O Papel do Enfermeiro no Controlo da Infeção........................ 115 Rita Alexandre, Elsa Carreiro
IV
Controlo da Infeção Hospitalar
8 – Controlo da Infeção Hospitalar em Diferentes Contextos.... 119
8.1 Procedimentos Invasivos......................................................................... 119 Ana Catarina Rocha, Ana Margarida Jorge e Ana Luísa Sobral
8.2 O Controlo de Infeção no Bloco Operatório................................... 129 Carla Viegas
8.3 Cuidados Intensivos.................................................................................. 139 Ana Filipa Araújo
8.4 Doentes Queimados.................................................................................. 149 Mafalda Ferra, Carlos Ribeiro
8.5 Doentes com Feridas................................................................................ 157 Mafalda Ferra, Carlos Ribeiro
8.6 Doentes Imunodeprimidos, Crianças, Grávidas e Idosos............ 167 Filipa Gramacho
8.7 Cuidados Após Alta Hospitalar............................................................. 180 Ana Duarte, Olga Martins
9 – Importância das Comissões de Controlo da Infeção Hospitalar 183 9.1 Vigilância das Infeções Associadas aos Cuidados de Saúde..... 183 Etelvina Ferreira
9.2 Formação....................................................................................................... 196 Fernando Teixeira, Márcio Pires, Nuno Simões
9.3 Monitorização da formação................................................................... 204 Fernando Teixeira, Márcio Pires, Nuno Simões
10 – Questões Éticas em Controlo da Infeção...................................... 211 Lina Ramos Rodrigues
AUTORES COORDENADORAS/AUTORAS Ana Duarte Licenciada em Enfermagem pela Escola Superior de Saúde da Cruz Vermelha Portuguesa; Enfermeira supervisora, Hospital de St. Louis; Enfermeira chefe do bloco operatório, Hospital de St. Louis; Membro integrante da Comissão de Ética, Hospital de St. Louis. Olga Martins Licenciada em Enfermagem pela Escola de Serviço de Saúde Militar, Lisboa; Enfermeira graduada do bloco operatório no Hospital das Forças Armadas, Lumiar até 2014; Enfermeira na UCSP Moita.
AUTORES Alexandra Pais Enfermeira coordenadora do Grupo Coordenador Local do Programa de Prevenção e Controlo de Infeção e Resistência aos Antimicrobianos – Hospital Lusíadas Porto.
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Ana Catarina Rocha Licenciada em Enfermagem pela Escola Superior de Enfermagem de Lisboa; Pós‑Graduação em Enfermagem em Cuidados Paliativos; Enfermeira no Serviço de Cirurgia do Hospital Curry Cabral (Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central). Ana Filipa Araújo Enfermeira Especialista na Unidade de Reabilitação Respiratória – Centro Hospitalar Lisboa Norte – Hospital Santa Maria; Enfermeira da Viatura Médica Emergência e Reanimação (VMER) do Centro Hospitalar Lisboa Norte – Hospital Santa Maria; Enfermeira Pós‑Graduada em Cuidados Intensivos; Professora Convidada da Escola Superior de Saúde da Cruz Vermelha Portuguesa; Formadora da American Heart Association e da Cruz Vermelha Portuguesa. Ana Gonzalez Pereira Enfermeira Coordenadora do GCLPPCIRA do Hospital dos Lusíadas, Lisboa. Ana Luísa Santana Sobral Licenciada em Enfermagem pela Escola Superior de Enfermagem Artur Ravara em 2009; Enfermeira do Serviço de Cirurgia Geral C, Hospital Curry Cabral,
VI
Controlo da Infeção Hospitalar
Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central, Centro de Referência de Patologia Colo-Retal. Ana Margarida Jorge Licenciatura em Enfermagem na Escola Superior de Enfermagem de Lisboa (2008); Curso de Pós‑Licenciatura de Especialização em Enfermagem de Saúde Materna e Obstétrica (2018); Enfermeira no serviço de Cirurgia do Hospital Curry Cabral, Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central. Ana Rita Silva Licenciatura em Enfermagem. Pós‑graduação em Enfermagem Oncológica; Curso de Formação Avançada em Estomaterapia; Curso de pós‑licenciatura de Especialização em Enfermagem de Saúde Materna e Obstetrícia; Enfermeira no serviço de Cirurgia do Hospital Curry Cabral do Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central. Beatriz Contreiras Enfermeira no Bloco Operatório do Hospital dos Lusíadas Lisboa. Carla Viegas Registered general nurse (RN), Surgical first assistant (SFA), Clinical educator; Mestre em Ciências de Enfermagem, Especialista em Enfermagem Médico ‑Cirúrgica. Carlos Ribeiro Enfermeiro‑hospital de St. Louis; Pós‑graduado em Prevenção e tratamento de feridas. Cristiana Guerreiro Licenciada pela Escola Superior de Enfermagem Calouste Gulbenkian, Lisboa; Pós‑graduada em Anestesia para Enfermeiros pelo Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, Porto; Enfermeira responsável pelo Bloco Operatório, Hospital da Luz, Lisboa. Elsa Maria de Oliveira Cabeças do Rosário Enfermeira Especialista em Enfermagem Médico‑Cirúrgica, Unidade de cuidados Intensivos, Centro Hospitalar Barreiro Montijo (CHBM); Docente da Escola Superior de Enfermagem Egas Moniz – Curso de Licenciatura em enfermagem; Enfermeiro Coordenador do Grupo Institucional de Prevenção, Tratamento e Monitorização de Úlceras Por Pressão do CHBM; Enfermeiro Elo de Ligação ao GCL‑PPCIRA do CHBM; Mestre em Comunicação em Saúde.
Autores
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Elsa Marinela Carreiro Enfermeira no Serviço de Cirurgia no Centro Hospitalar Universitário Lisboa Central, E.P.E.; Pós‑graduação em Prevenção e Tratamento de Feridas; Pós ‑graduação em Saúde do Adulto e Cuidados em Situação Crónica e Paliativa. Etelvina Ferreira Enfermeira Responsável pelo Programa de Prevenção e Controlo de Infeção – The Manor Hospital, Oxford; Mestre em Segurança do Doente – Escola Nacional de Saúde Pública Fátima da Costa Amorim Licenciatura em Enfermagem; Licenciatura em Ensino (Professores do Ensino Básico); Enfermeira no Serviço de Consultas Externas do Hospital da Luz Lisboa; Docente da área Técnica dos Cursos de Técnicos Auxiliares de Saúde e coordenadora de Estágios – Escola Profissional Valdorio – polo do Estoril. Fernando Manuel Ferreira Teixeira Enfermeiro com pós‑licenciatura de especialização em Enfermagem Médico ‑Cirúrgica, a exercer funções na UCI do CHBM; Responsável pela formação em serviço e elo de ligação para os Programas de Melhoria Contínua da Qualidade dos Cuidados de Enfermagem da UCI; Colaborador local do projeto “Stop infeção hospitalar”, um desafio Gulbenkian; Colaborador na elaboração e supervisão de normas de procedimento na prevenção e controlo de infeção hospitalar. Filipa Gramacho Enfermeira Gestora – Serviço de Doenças Infeciosas – CHULN; Especialidade em Enfermagem Médico‑Cirúrgica; Mestrado em Enfermagem; Mestrado em Gestão de Serviços de Saúde; Doutoranda em Gestão.
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Lina Ramos Rodrigues Enfermeira do Núcleo Operativo do Programa de Prevenção e Controlo de Infeções e de Resistência aos Antimicrobianos do Hospital Dr. José Maria Grande da Unidade Local de Saúde do Norte Alentejano, ULSNA, E.P.E.; Especialista e Mestre em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediatria. Mafalda Ferra Enfermeira do Hospital Professor Doutor Fernando da Fonseca; Mestre e Especialista em Enfermagem de Saúde Materna e Obstetrícia; Operacional VMER Amadora‑Sintra. Márcia Sofia Oliveira Valente Enfermeira – Hospital Lusíadas Albufeira; Mestre em Gestão de Unidades de Saúde, Universidade do Algarve; Enfermeira Responsável do Grupo de
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Controlo da Infeção Hospitalar
Coordenação Local do Programa de Prevenção e Controlo de Infeção e Resistência aos Antimicrobianos das Unidades Lusíadas no Algarve; Enfermeira da equipa de Gestão da Qualidade. Márcio Correia Pires Enfermeiro no Serviço de Pneumologia e Unidade Funcional de Oncologia (SPUFO) do Centro Hospitalar Barreiro Montijo E.P.E.; Enfermeiro com o curso de pós‑licenciatura de Especialização em Enfermagem Médico‑Cirúrgica. Maria do Rosário Rodrigues Enfermeira Especialista em Enfermagem Médico‑Cirúrgica; Enfermeira do Grupo Coordenador Local do Programa de Prevenção e Controlo de Infeção e Resistência aos Antimicrobianos – Centro Hospitalar Barreiro Montijo E.P.E.; Mestre em Enfermagem. Nuno Simões Coordenador do Núcleo de Formação e Investigação em Enfermagem do Centro Hospitalar Barreiro Montijo, E.P.E.; Mestre em Cuidados Paliativos e Doutorando em Saúde Pública; Membro dos Órgãos Sociais da ELCOS – Sociedade Portuguesa de Feridas. Rita Sofia Alexandre Enfermeira no Centro Hospitalar Lisboa Central; Pós‑graduada em Controlo de Infeção e Saúde pelo Instituto Politécnico de Setúbal (2008/2009). Susana Sousa Enfermeira Responsável pelo Serviço de Esterilização Clínica da Fundação D. Anna de Sommer Champalimaud e Dr. Carlos Montez Champalimaud; Licenciatura em Enfermagem pela Escola Superior de Enfermagem de Bissaya Barreto, Coimbra; Pós‑graduação em Esterilização em Cuidados de Saúde pela Universidade Católica do Porto; Parte curricular do curso de Mestrado em Gestão da Saúde – Especialização em Gestão de Organizações de Saúde pela Escola Nacional de Saúde Pública, Universidade Nova de Lisboa.
NOTA BREVE Foi com muito gosto que aceitámos colaborar em mais uma obra que irá integrar a vasta coleção de livros técnicos da área da saúde. Desta vez, o tema é o Controlo da Infeção Hospitalar. Porque este tema é muito delicado, pois visa promover a qualidade e segurança dos cuidados de saúde prestados, convidámos vários autores de várias áreas e instituições, que, através das suas competências técnicas e profissionais, tornaram esta obra um exemplar a seguir na prática diária cujos principais destinatários são os profissionais de saúde. Através deste livro, esperamos contribuir para a implementação de boas práticas, cujo objetivo principal é a segurança dos doentes mas também dos profissionais. Felicitamos todos os autores, a LIDEL – edições técnicas e seus colaboradores, por terem contribuído para a realização desta Obra.
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As Coordenadoras
INTRODUÇÃO O conceito de Infeção Hospitalar, atendendo à sua importância e alteração nas práticas dos cuidados de saúde, deve ser dinâmico, adaptando-se e tornando-se mais abrangente, designando-se neste momento por Infeção Associada aos Cuidados de Saúde (IACS). A IACS pode ocorrer na sequência de um ato terapêutico ou de diagnóstico, e não deve estar presente nem em incubação à data destes procedimentos. A IACS, além de ser adquirida pelos doentes, pode estender-se aos profissionais de saúde. Esta infeção tem um grande impacto, quer na qualidade de saúde dos doentes, pelo aumento da morbilidade e mortalidade, quer pelo aumento de custos económicos que acarreta. Torna-se por isto importante a implementação de boas práticas que promovam a segurança dos doentes e profissionais de saúde. Devido às complicações decorrentes da IACS e à sua complexidade, sentimos que seria importante reunir autores com diferentes abordagens sobre o tema.
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Assim sendo, a obra está dividida em dez capítulos que analisam desde os aspetos históricos da infeção hospitalar, o conceito de infeção hospitalar e tipos de infeção hospitalar, os ganhos em saúde associados ao controlo da infeção hospitalar, a sua prevenção e controlo, a bactéria multirresistente, o papel do enfermeiro, o controlo da infeção em vários contextos, até outros temas como, os cuidados após alta hospitalar, a importância das comissões de controlo da infeção hospitalar e questões éticas no controlo da infeção. As Coordenadoras
Capítulo 1
Aspetos Históricos do Controlo de Infeção Hospitalar Ana Gonzalez Pereira
INTRODUÇÃO O controlo de infeção hospitalar tem sofrido grandes mudanças ao longo dos tempos. Com o desenvolvimento da ciência, a descoberta da microbio‑ logia e posteriormente com a antibioterapia, a implementação de medidas para colmatar as infeções hospitalares foi sendo cada vez mais evidente.
CONTROLO DE INFEÇÃO NO MUNDO
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O controlo de infeção hospitalar é tão antigo quanto a origem dos hospitais, dando os primeiros passos ainda na Idade Média. Já nessa altura, existiam suspeitas de que algo podia transmitir doenças de um indivíduo para outro. Francastorius, médico italiano de Verona, declarou, em 1546, no seu livro De Contagione, que certas doenças se transmitiam devido a corpúsculos, que denominou semente da moléstia (seminária prima), e que essas semen‑ tes podiam transmitir‑se de pessoa para pessoa por contacto direto ou através de roupa e objetos (ver Tabela 1.1).[2] Durante o Renascimento (1300 ‑1650), com a invenção da imprensa, as publicações e ilustrações sobre doenças começaram a ser divulgadas. Em 1472, surgiu o primeiro livro sobre higiene e pediatria, de Paolo Bagellardo, e também as primeiras ilustrações, que tinham como tema a lepra. Foram criados instrumentos cirúrgicos, como o fórceps obstétrico, termómetros, entre outros. Surgiram as primeiras revistas científicas e literárias, em 1603.
6
Controlo da Infeção Hospitalar
Ainda em 2009, a decisão do Conselho da Europa de 9 de junho – on patient safety, including the prevention and control of healthcare associated infections1 (2009/C151/01) – evoca a obrigatoriedade de existirem comissões de controlo de infeção nas unidades de saúde dos países europeus e a criação de uma rede de vigilância epidemiológica. Em 2004, a Comissão da União Europeia, através do High Group on Health Services and Medical Care, lan‑ çou a área da segurança do doente e definiu a estratégia para 2008‑2013, na qual foram definidos os campos de ação prioritários para os Estado ‑membros. Com esta nova abordagem, o controlo de infeção hospitalar passou a integrar um projeto mais alargado, relacionado com a segurança do doente e a gestão de risco, fomentando o desenvolvimento de uma cul‑ tura de segurança com recurso a uma abordagem sistémica, bem como a implementação de sistemas de notificação de incidentes e eventos adversos para a aprendizagem, intervenção e envolvimentos dos doentes/cidadãos no processo de melhoria da segurança em saúde.[5]
CONTROLO DE INFEÇÃO EM PORTUGAL Em Portugal, a prevenção e controlo de infeção decorreu com muitas déca‑ das de atraso face aos restantes países europeus. Em 1930, surge a primeira referência à infeção hospitalar, pela Direção‑Geral da Saúde (DGS) (ver Tabela 1.2). Em 1978, foi fundada a primeira Comissão de Controlo de Infeção Hospi‑ talar, pelo Hospital de Torres Vedras. Posteriormente, foi implementado o primeiro grupo de trabalho do Conselho da Europa, integrando, pela primeira, vez um representante português. A então Direção‑Geral dos Hospitais (atual DGS), com a Circular Informativa n.º 6/79, de 9 de fevereiro, promoveu a institucionalização das CCI, divulgan‑ do a todos os serviços e unidades de saúde. Em 1986, a implementação do controlo de infeção hospitalar foi recomen‑ dada pela DGS, instituição que criou as Comissões de Controlo de Infeção e o regulamento para as mesmas, com a Circular Informativa n.º 8/86, de 25 de março – que divulgava a Recomendação n.º R (84) 20, de 25 de outubro, do Conselho da Europa. Em português: sobre a segurança dos doentes, incluindo a prevenção e o controlo de infeções associadas aos cuidados de saúde. 1
Capítulo 2
Conceito de Infeção Hospitalar Ana Gonzalez Pereira
INTRODUÇÃO
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O conceito de infeção hospitalar foi evoluindo de acordo com o desenvolvi‑ mento dos cuidados de saúde. À medida que o conhecimento das ciências médicas se foi desenvolvendo e que se diferenciaram os cuidados de saúde, assim foi mudando a perceção das infeções e do modo como estas se trans‑ mitiam. Passamos, assim, de uma visão em que as infeções são transmitidas apenas em meio hospitalar – infeção hospitalar –, que aconteciam devido a condições precárias de higiene, para uma visão em que as ações e procedi‑ mentos realizados aos doentes conduzem ao desenvolvimento de infeções que não estavam presentes aquando da admissão do paciente em meio hospitalar – infeção nosocomial. Há ainda uma terceira visão que defende a existência de diversos fatores que condicionam o desenvolvimento de infeções nos doentes, que podem estar internados ou a receber cuidados de saúde noutras unidades ambulatórias, sendo que existe todo um conjunto de medidas que podem ser desenvolvidas de forma a reduzir a sua incidên‑ cia – infeção associada aos cuidados de saúde.
INFEÇÃO HOSPITALAR O conceito de infeção hospitalar (IH) remonta ao período medieval, sendo definida como toda a infeção adquirida ou transmitida no espaço hospitalar. Na Idade Média, surgiram as primeiras instituições para alojar pessoas doentes, peregrinos, pobres e inválidos. Estes locais não eram instituições
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Controlo da Infeção Hospitalar
médicas propriamente ditas, já que os cuidados prestados eram de intenção caritativa, exercidos por religiosos e outras pessoas sem qualificações pro‑ fissionais, cujo objetivo era a salvação da alma. Nesta fase, as práticas de controlo de transmissão de infeções não existiam e a Medicina era uma prática não hospitalar, exercida de forma liberal e individualizada, de acordo com a conceção religiosa do mundo que predo‑ minava neste período, em que as causas das doenças eram centradas no sobrenatural.[1] Só a partir do século XVIII, com o advento do capitalismo, os hospitais passaram a ser instituições de assistência com vista à cura, com apoio de medicalização, dando origem a uma nova fase. Com a perceção de que o ambiente era um fator importante no desenvolvimento de infeções, surgi‑ ram cuidados prestados por pessoas habilitadas, que visavam proporcionar ao doente um “ambiente terapêutico”. A representante mais significativa desta nova era foi Florence Nightingale, nos hospitais militares ingleses, em meados do século XIX. Foi com Florence Nightingale que se iniciou o desenvolvimento de medidas de prevenção de infeção, com a implementação de regras que permitiam a manutenção do organismo em condições de não adoecer ou de se recupe‑ rar de doenças. A abordagem epidemiológica instituída nesta altura, ainda sem conheci‑ mentos de bacteriologia e de quimioterapia, foi um marco nos fundamentos do controlo de infeção e das infeções hospitalares.
INFEÇÃO NOSOCOMIAL Com o avanço do conhecimento sobre o corpo humano, e os consequentes procedimentos invasivos, principalmente as cirurgias, o controlo do meio não se mostrou suficiente para evitar as novas formas de infeção que come‑ çaram a surgir a partir dessas intervenções. Já não se tratava apenas de infeções transmitidas pelo meio ambiente e que apresentavam um quadro clínico específico, característico das doenças transmissíveis. Eram infeções provocadas por microrganismos endógenos e/ou exógenos, decorrentes das próprias intervenções crescentemente invasivas.
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Controlo da Infeção Hospitalar
GANHOS EM SAÚDE A análise dos impactos causados pelas IACS é um ponto de partida para se enumerar os ganhos em saúde que resultam da sua minimização.
IMAGEM INSTITUCIONAL Sendo as taxas de IACS um indicador de qualidade de excelência e de segurança dos cuidados prestados na instituição, a existência de taxas de infeção abaixo dos valores de referência nacionais e internacionais são, indubitavelmente, uma mais‑valia para a imagem institucional, pelo que isso significa em termos de efetividade dos cuidados prestados.
DIMINUIÇÃO DA MORBILIDADE E DA MORTALIDADE A taxa de mortalidade associada a infeções nosocomiais da corrente sanguínea (INCS), no ano de 2013, foi de 30,4%. A Tabela 3.1 apresenta a percentagem de óbitos associados à infeção por dispositivo invasivo, realçando‑se a INCS, associada ao cateter venoso central, com 37,9% de óbitos.[2] Tabela 3.1: Percentagem de óbitos associados à infeção por dispositivos invasivos, Portugal Continental, 2009‑2013 Infeção por dispositivo invasivo
Utentes saídos
Óbitos
% de óbitos
Infeção urinária associada ao cateter urinário
516
86
16,7%
Infeção urinária associada a urostomia
402
83
20,6%
INCS associada ao cateter venoso central
11 367
4310
37,9%
Pneumonia associada a ventilador
400
127
31,8%
O cumprimento de um programa de controlo de infeção exigente e focalizado nas medidas de prevenção (como os feixes de intervenções para prevenção de infeção) irá determinar, naturalmente, um impacto significativo na redução da morbilidade e da mortalidade, traduzindo‑se num extraordinário ganho para a segurança dos cuidados de saúde.
32
Controlo da Infeção Hospitalar
Há inúmeros fatores de risco que contribuem para o aparecimento de ILC, sejam intrínsecos ao próprio doente ou extrínsecos. Reconhecendo, à par‑ tida, que algumas variáveis não são passíveis de modificação, como géne‑ ro ou idade, importa aumentar as probabilidades de resultados cirúrgicos positivos, melhorando o estado nutricional, restringindo o uso do tabaco, promovendo o uso correto de antibióticos e a técnica intraoperatória. Assim sendo, e considerando os riscos associados, a prevenção da ILC é um proces‑ so complexo e requer a operacionalização de várias medidas antes, durante a após a cirurgia (WHO, 2016). Também em matéria de prevenção de ILC se preconiza a implementação de um feixe estratégico de intervenções de eficácia comprovada e de forma integrada: • Banho com cloro‑hexidina a 2% no dia anterior à cirurgia e no dia da cirur‑ gia, com pelo menos duas horas de antecedência; • Administração de antibiótico para profilaxia antibiótica cirúrgica nos 60 minutos anteriores à incisão cirúrgica, quando indicado; • Evitar tricotomia e, quando absolutamente necessário, usar máquina de corte imediatamente antes da intervenção; • Manter normotermia perioperatória (temperatura central igual ou superior a 35,5 °C); • Manter glicemia igual ou inferior a 180 miligramas por decilitro (mg/dl) durante a cirurgia e nas 24 horas seguintes (DGS, Norma 020/2015, de 15/12/2015).
As recomendações de prevenção de ILC a implementar têm como principal objetivo a redução da incidência das infeções através de medidas específicas e que, reconhecidamente, são garante de cuidados seguros.
RESISTÊNCIA ANTIMICROBIANA As IACS e a emergência da resistência dos microrganismos aos antimicro‑ bianos são questões que estão intrinsecamente associadas e que constituem um problema tendencialmente crescente. O controlo das IACS está indubitavelmente associado à prevenção do fenó‑ meno da multirresistência – são dois aspetos do mesmo problema e reque‑ rem estratégias de intervenção comuns e/ou complementares para o seu controlo. Se é verdade que os antimicrobianos revolucionaram o tratamento
Capítulo 5
Prevenção e Controlo da Infeção Hospitalar
5.1 LIMPEZA, DESINFEÇÃO E ESTERILIZAÇÃO DE MATERIAIS
Susana Sousa
INTRODUÇÃO
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A contaminação dos materiais pela exposição a fluidos orgânicos durante procedimentos médicos é inevitável e tem relação direta com a infeção as‑ sociada aos cuidados de saúde. Daqui surge a necessidade de se proceder à lavagem, desinfeção e esterilização prévia do instrumental contaminado, para a redução a um nível seguro da carga microbiana e consequente redu‑ ção do risco de infeção. A desinfeção e/ou esterilização são essenciais para garantir que os materiais não transmitem agentes infeciosos aos pacientes. Estes processos são garan‑ tidos através do uso de desinfetantes e práticas de esterilização, podendo ser ou não complementares um do outro. Como não é necessário esterilizar todos os materiais utilizados na prestação de cuidados ao doente, as políticas de cuidados de saúde devem identificar se a limpeza, desinfeção ou esterilização são indicadas, com base no uso pretendido, como indica a Figura 5.1.1. Para determinar o nível de descontaminação requerido para um material, é im‑ portante compreender as diferenças entre limpeza, desinfeção e esterilização.
Prevenção e Controlo da Infeção Hospitalar
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MÉTODOS DE HIGIENE DAS MÃOS Existem três métodos para a higiene das mãos, que devem ser utilizados de acordo com o procedimento que vamos realizar ou que acabámos de efetuar. • Lavagem das mãos com água e sabão neutro Este procedimento deve ser realizado durante 60 segundo nas seguintes situações: – Quando as mãos estão visivelmente sujas ou contaminadas com matéria orgânica; – Após a prestação de cuidados a doentes com Clostridium difficile; – Antes e após as refeições; – Após a utilização das instalações sanitárias.
A técnica da lavagem das mãos disponibilizada pela OMS pode ser observa‑ da no Anexo 1.
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• Fricção antissética das mãos com SABA Este procedimento demora entre 20 a 30 segundos e deve ser realizado: – Antes de procedimentos limpos; – Antes de procedimentos asséticos; – Antes e após contacto com o doente; – Após contacto com o ambiente envolvente do doente; – Após remoção de luvas. Este é o método de eleição pelos motivos seguintes: – Elimina a maioria dos microrganismos; – Requer pouco tempo de execução (20 a 30 segundos); – É mais fácil de disponibilizar o produto próximo do local da prestação de cuidados; – Apresenta boa tolerância cutânea; – Não necessita de infraestruturas, como pontos de água limpa, lavatórios, sabão e toalhetes de mãos de uso único.
A técnica de fricção antissética das mãos com SABA, disponibilizada pela OMS, pode ser observada no Anexo 2.
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Controlo da Infeção Hospitalar
5.6 MEDIDAS DE ISOLAMENTO
Elsa M.O.C. do Rosário
INTRODUÇÃO A segurança do doente e dos profissionais é uma prioridade nos ambientes onde são prestados cuidados de saúde, nomeadamente a prevenção da infe‑ ção associada a esses cuidados. A promoção e instituição de uma cultura de segurança baseada na adoção de normas, estabelecidas em função do risco, para minimizar a transmissão da infeção, deve ser uma prática desenvolvi‑ da e interiorizada por todos os que atuam nestes ambientes de risco. Neste capítulo serão abordadas as precauções básicas, e adicionais, baseadas no meio de transmissão, que deverão ser adotadas por todos os envolvidos em situações de prestação de cuidados de saúde, contribuindo de forma efetiva para a prevenção da infeção.
PRECAUÇÕES BÁSICAS DE CONTROLO DE INFEÇÃO As precauções básicas de controlo de infeção (PBCI) são medidas universais que se destinam a garantir a segurança dos utentes, dos profissionais de saú‑ de e de todos os que entram em contacto com os serviços de saúde em todos os níveis de cuidados. Aplicam‑se a todos os utentes, independentemente de se conhecer o seu estado infecioso (Direção‑Geral da Saúde (DGS), 2015). Em Portugal, de acordo com o Relatório 2017 do Programa de Prevenção e Controlo de Infeções e de Resistência aos Antimicrobianos (PPCIRA), as principais infeções associadas aos cuidados de saúde estão a diminuir, assim como o consumo de antibióticos, quer nos hospitais quer na comunidade. Neste relatório, são referidas as metas a atingir em 2020: reduzir o consumo de antibióticos na comunidade, manter a prevalência de Klebsiella pneumoniae resistente aos carbapenemos abaixo de 6%, reduzir para menos de 8% as infeções hospitalares e reduzir para menos de 10% as infeções nas Unida‑ des de Cuidados Continuados Integrados (UCCI) (DGS, 2015). As PBCI são práticas básicas de prestação de cuidados, a implementar con‑ soante os procedimentos clínicos e os riscos inerentes, tendo como objetivo a prevenção da transmissão cruzada de microrganismos de um portador são
94
Controlo da Infeção Hospitalar
5.7 MEDIDAS PRÁTICAS EM BLOCO OPERATÓRIO
Ana Rita Silva, Fátima Amorim e Cristiana Guerreiro
INTRODUÇÃO Este capítulo pretende fornecer conceitos, indicações e medidas práticas do controlo da infeção hospitalar em bloco operatório, nomeadamente no que diz respeito a materiais e equipamentos. Para que haja um ambiente mais controlado e com menor número de microrganismos, o bloco operatório possui políticas e procedimentos específicos de processamento de materiais e equipamentos que deverão ser fatores primordiais para o controlo da con‑ taminação do ambiente cirúrgico. As normas e procedimentos aqui mencio‑ nados foram baseados nas recomendações da Associação dos Enfermeiros de Salas Operações Portugueses (AESOP).
VESTUÁRIO DE BLOCO OPERATÓRIO Segundo as recomendações da AESOP (edição 2013), a orientação sobre o vestuário em bloco operatório é um importante fator no controlo de con‑ taminação do ambiente cirúrgico, sendo usado para promover um elevado nível de higiene. As práticas recomendadas devem seguir uma orientação sobre o vestuário que deve ser usado e como deve ser usado nas áreas restritas e semirrestritas. Na Tabela 5.7.1 são mencionadas as diferentes áreas de circulação dentro do circuito de bloco operatório e as indicações específicas sobre o fardamento adequado.
O Papel do Enfermeiro no Controlo da Infeção
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(continuação)
f) Promover e corrigir práticas de prevenção e controlo de infeção, nomeadamente no que se refere à higiene das mãos, ao uso de equipamento de proteção individual e de controlo ambiental, sobretudo a higienização de superfícies frequentemente manuseadas; g) Promover e corrigir as práticas de uso de antibióticos, nomeadamente atra‑ vés da implementação de programa de assistência à prescrição antibiótica, tanto profilática como terapêutica, permitindo ao grupo de coordenação local do Programa de Prevenção e Controlo de Infeções e de Resistência aos Antimicrobianos a anulação do uso de antibióticos em situações em que não estão indicados ou utilizados por tempo superior ao necessário; h) Rever e validar as prescrições de, pelo menos, carbapenemos e fluoroqui‑ nolonas, nas primeiras 96 horas de terapêutica; i) Ter como interlocutores privilegiados o diretor de serviço e o enfermeiro chefe de cada serviço clínico, podendo as ações de ordem prática ser dinamizadas por um médico e um enfermeiro de cada serviço, que fun‑ cionem como elos do processo; j) Fazer integrar as suas atividades no plano e relatório anual de atividades da respetiva comissão de qualidade e segurança, de acordo com o determi‑ nado no despacho n.º 3635/2013, publicado no Diário da República, II série, n.º 47, de 7 de março de 2013, e no plano de atividades do Programa de Prevenção e Controlo de Infeções e de Resistência aos Antimicrobianos.”
O PAPEL DOS ENFERMEIROS De acordo com o ofício circular n.º 01996, da DSPGQ, de 5 de fevereiro de 1997, o papel do enfermeiro do controlo de infeção é:
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“… Participar na elaboração de normas e recomendações sobre rotinas e pro‑ cedimentos técnicos de enfermagem, relacionados com a área de controlo da infeção, orientar e supervisionar a sua execução. Manter contacto permanente com os vários departamentos, serviços e uni‑ dades, com o objetivo de detetar problemas, colher dados importantes, orientar e supervisionar o cumprimento de normas e recomendações ema‑ nadas da Comissão de Controlo da Infeção (CCI).
• Detetar casos de infeção em articulação com o Laboratório de Patologia Clínica. • Colaborar nos programas de vigilância epidemiológica instituídos pela CCI. • Assegurar a recolha de material para pôr em execução os programas con‑ siderados necessários. • Identificar as necessidades na área da formação multidisciplinar e desen‑ volver ações de formação e participar em ações em coordenação com o Centro de Formação. • Colaborar nos processos de recolha e divulgação da bibliografia referente ao controlo da infeção.”
Controlo da Infeção Hospitalar em Diferentes Contextos
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inicial ou localização da ferida numa região potencialmente contaminada, como o períneo ou a região sagrada (IWII, 2016).
FASES DO CONTÍNUO DE INFEÇÃO DA FERIDA A relação entre hospedeiro, ferida e microrganismos no desenvolvimento da infeção das feridas tem vindo a ser descrita na literatura, no entanto, é importante esclarecer os conceitos e compreender o equilíbrio microbiano que acontece na ferida e a sua progressão para ferida contaminada e, daí, para a infeção sistémica. Todas as feridas são consideradas contaminadas com micróbios, seja a sua origem endógena ou exógena, embora, nesta fase, não haja proliferação que desencadeie resposta por parte do hospedeiro, pelo que não há sinais ou sintomas de infeção. A colonização diz respeito ao crescimento microbiano, mas ainda num nível que não implica atraso na cicatrização da ferida. Não há, normalmente, evi‑ dência de invasão tecidual. A infeção local, também chamada colonização crítica, ocorre quando os microrganismos penetram mais profundamente no tecido e proliferam, implicando uma resposta por parte do hospedeiro. No entanto, a infeção está ainda localizada, podendo a ferida apresentar apenas sinais subtis de infeção.
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A infeção disseminada descreve a invasão dos tecidos circundantes à feri‑ da. Os microrganismos proliferam e espelham‑se de tal forma que os sinais e sintomas de infeção podem ir além do leito da ferida, envolvendo, even‑ tualmente, músculo, fáscia, órgãos e cavidades. Por fim, a infeção sistémica implica a disseminação dos microrganismos da ferida através do sistema vascular ou linfático, levando a uma resposta inflamatória generalizada, sépsis, disfunção multiorgânica e sinais de infeção generalizada (IWII, 2016). Será claramente necessário passar da vigilância à intervenção na transição da colonização para a infeção local, embora esta seja uma progressão gra‑ dual e nem sempre bem caracterizada, o que pode dificultar a identificação.
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14,5cm x 21cm
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CONTROLO DA INFEÇÃO HOSPITALAR
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O controlo da infeção hospitalar é um fator principal e decisivo para a promoção da qualidade e segurança dos doentes assim como dos profissionais, ao mesmo tempo que diminui os custos económicos inerentes às infeções associadas aos cuidados de saúde (IACS). Na obra Controlo de Infeção Hospitalar, o tema é tratado em vários contextos por diferentes e experientes profissionais de diferentes áreas de atuação. Esperamos que o leitor deste livro adquira conhecimentos que levem a boas práticas, contribuindo no seu desempenho profissional para a diminuição da taxa de infeção hospitalar. Conteúdos: Conceito de Infeção Hospitalar Ganhos em Saúde Associados ao Controlo da Infeção Hospitalar Tipos de Infeção Hospitalar Prevenção e Controlo da Infeção Hospitalar Bactéria Multirresistente Papel do Enfermeiro no Controlo da Infeção Hospitalar Controlo da Infeção Hospitalar em Diferentes Contextos Importância das Comissões de Controlo da Infeção Hospitalar Questões Éticas
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CONTROLO DA INFEÇÃO HOSPITALAR
1 Aspetos Históricos do Controlo da Infeção Hospitalar 2 Conceito de Infeção Hospitalar 3 Ganhos em Saúde Associados ao Controlo
da Infeção Hospitalar 4 Infeções Associadas aos Cuidados de Saúde:
O Estado da Arte 5 Prevenção e Controlo da Infeção Hospitalar 5.1 Limpeza, Desinfeção e Esterilização de Materiais 5.2 Lavagem e Antissepsia das Mãos
Coordenação:
Ana Duarte I Olga Martins
5.3 Limpeza do Meio Ambiente 5.4 Desinfeção 5.5 Seleção do Equipamento de Proteção Individual
Direção da Coleção:
Manuela Néné Carlos Sequeira
5.6 Medidas de Isolamento 5.7 Medidas Práticas em Bloco Operatório 6 Bactéria Multirresistente 7 O Papel do Enfermeiro no Controlo da Infeção 8 Controlo da Infeção Hospitalar
em Diferentes Contextos
8.3 Cuidados Intensivos 8.4 Doentes Queimados 8.5 Doentes com Feridas 8.6 Doentes Imunodeprimidos, Crianças,
Ana Duarte Olga Martins
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Conteúdos
8.2 O Controlo de Infeção no Bloco Operatório
Cruz Vermelha Portuguesa. Enfermeira supervisora, Enfermeira chefe do bloco operatório e Membro integrante da Comissão de Ética, Hospital de St. Louis, Lisboa.
ISBN 978-989-752-341-0
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8.1 Procedimentos Invasivos
Ana Duarte – Licenciada em Enfermagem pela Escola Superior de Saúde da
Olga Martins – Licenciada em Enfermagem pela Escola de Serviço de Saúde Militar, Lisboa. Enfermeira graduada do bloco operatório no Hospital das Forças Armadas, Lumiar até 2014. Enfermeira na UCSP Moita.
14,5cm x 21cm
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CONTROLO DA INFEÇÃO HOSPITALAR
Outros títulos de Enfermagem
12,2 mm
Grávidas e Idosos 8.7 Cuidados Após Alta Hospitalar 9 Importância das Comissões de Controlo da Infeção Hospitalar 9.1 Vigilância das Infeções Associadas aos Cuidados de Saúde 9.2 Formação 9.3 Monitorização da formação 10 Questões Éticas em Controlo da Infeção