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jan 11

A gente n茫o quer s贸 comida!


almanaque

cultura

Editorial

Publicação bimestral da 3marias Produtora Ltda.

O Almanaque Cultura é uma publicação que tem como objetivo principal a divulgação da cultura como elemento de inclusão social, bem como a veiculação das diversas manifestações e atividades culturais e artísticas realizadas na região dos municípios de Americana, Limeira, Nova Odessa e Santa Bárbara d’Oeste. Além de informar, o Almanaque pretende contribuir para formar, fazendo com que a região descubra seus talentos, fale de si e para si e, ao mesmo tempo, dialogue com a cultura em outros níveis. Com linguagem ágil e notadamente acessível, a publicação pretende estimular a interatividade e a participação do público. Mais especificamente, o Almanaque deseja informar e formar um público consumidor de cultura, com enfoque para o seu potencial estratégico de desenvolvimento; divulgar os artistas e a arte locais; divulgar trabalhos e projetos que utilizam a cultura como elemento de socialização; integrar artistas e produtores culturais da região; resgatar temas e elementos da cultura popular; resgatar a história da região e das comunidades que a constituem; popularizar e desmistificar a linguagem artístico-cultural (erudita). Esta é a nossa proposta e o nosso desafio. Boa leitura!

Jornalista Responsável Ana Paula Pontes - Mtb 26.425 Coordenação Editorial Luciana Teixeira - Mtb 25.863 Coordenação Gráfica Eliane Deliberali

Revisão Janete Stela Domenica Capa Foto: Eliane Deliberali Texto: Extraído da canção “Comida”, de autoria de Arnaldo Antunes, Marcelo Fromer e Sérgio Britto. Impressão Gráfica e Editora Adonis Ltda. Tiragem 10.000 exemplares Distribuição Gratuita Cartas à redação Av. 9 de Julho, 1010, sala 6 Jardim São Domingos - Americana - SP CEP: 13471-140 Fone: (19) 3408-0300 almanaque@3mariasprodutora.com.br Realização

Patrocínio

Apoio

Divulgação da cultura como elemento de inclusão social

Articulistas Carlos Augusto de Almeida Clélia Bruschi Eloiza Teixeira Regina Gouvea

5 Lulu Benencase, um poeta americanense Ver e Ver-se 7 Música boa em discos bons de ouvir Muito trabalho e boa vontade em 10 anos Alternativo e Independente Fábrica das Artes e na expansão do 9 doCineclube Estação Salve o Casarão conquista Mobilização 11 Movimento recursos para o restauro Vida de Artista 13 A arte de vencer de Silvia Negrona Mais que Comida 17 Quem investe em cultura merece aplausos Bom de Ir 19 Programe-se para o 2º Americana Mostra Personagem


ho n i z i e r m U brasileiro o em alemã

A escritora Luciene Regina Paulino Tognetta, de Americana, teve seu livro O reizinho e ele mesmo, da Editora Adonis, traduzido para o alemão: Der kleine p klein König und er selbst. “A ideia de puu blicar o livro em alemão b alemã surgiu dos trabalhos que realizo num d real curso de pós-gra duação. O livro cu urso duação já foi para a Alemanha e para a á Suíça e está nas mãos de profesS d sores sores em várias escolas”, so escolas” conta a escritora. es scritora. O livro aborda as rela relações interpessoais e, na tradução, todo te erpessoais traduç o seu conteúdo foi m mantido. “Quando “Q Quando falamos sobre a formação falaçã ão de pessoas mais éticas, étic mos de seres humanos alemães, m a brasileiros, suíços”, enfatiza. b enfa

número um

Almanak da Província de São Paulo. Com o passar dos anos, as publicações desse gênero foram sendo editadas em cidades como Franca, Campinas, São Luiz do Maranhão, entre tantas outras. O ponto alto na evolução dos almanaques brasileiros foi a publicação do Almanaque do Biotônico Fontoura e Jeca Tatu, que era elaborado e ilustrado por Monteiro Lobato e distribuído gratuitamente em todo o Brasil. Os almanaques já foram muito utilizados como meio de disseminação da arte, especialmente a literatura e a caricatura. Poetas e escritores como Álvares de Azevedo, Machado de Assis, Olavo Bilac e o próprio Monteiro Lobato tiveram muitos trabalhos divulgados em almanaques; outros, como o português Eça de Queiroz, criaram seus próprios almanaques com o intuito de dar acesso à arte às mais diversas camadas da população.

Romi-Isetta volver? Será que depois de exatos 50 anos, o Romi-Isetta, primeiro carro a ser produzido em série no Brasil, estará de volta? Esse é um boato que vive correndo entre os apaixonados por carros antigos e amantes do veículo. A empresa Indústrias Romi, que produziu o carro de 1956 a 1961, descarta a possibilidade, mesmo com os micros e pequenos automóveis voltando a ter importância no cenário mundial. Cerca de três mil RomiIsettas foram fabricados no Brasil, sendo que muitos ainda circulam pelas mãos de colecionadores. Para ver de perto um Romi-Isetta, vá até o CEDOC da Fundação Romi (Av. João Ometto, 118 - Jd. Panambi - Santa Bárbara d’Oeste).

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foto: divulgação

O almanaque é um dos mais inusitados formatos editoriais já publicados, sendo considerado, inclusive, a primeira manifestação cultural popular do mundo. Os primeiros almanaques surgiram na França, por volta de 1450, destinados a um público pouco familiarizado ao hábito da leitura. Desde o início, o almanaque caracterizou-se por ser escrito em linguagem fácil, apresentar-se fartamente ilustrado e oferecer informações para todos os gostos. Por volta de 1550, Nostradamus tornouse célebre pelas profecias que publicou num almanaque que levava seu nome. No Brasil, um dos primeiros registros desse tipo de publicação data de 1812, quando foi editado em Salvador o Almanaque para a cidade da Bahia. O Almanak Histórico do Rio de Janeiro também é dos mais antigos do país, assim como o

Meio de disseminação da arte e da cultura

A cultura do Almanaque


Por que o livro é tão caro?

Ler - e ter um bom livro L em casa - é uma viagem que ainda não pode ser qu realizada pela maior parte da população brasileira. O preço do livro é um dos responsáveis pela dificulre dade do acesso à leitura d no país. “Meu sonho é que o livro chegue a toda pessoa que Papel imune deseje ler num valor O papel é um produto que não paga mais acessível; que a imposto em algumas circunstâncias, de pessoa tenha o livro acordo com a lei brasileira. Trata-se do como objeto de dechamado “papel imune”, que fica restrito sejo e de direito, em a algumas situações, tais como livros e casa, na cabeceira jornais, entre outros. Magali afirma que da cama, podendo esta isenção possibilita um preço menor comprá-lo no valor de impressão, mas não beneficia as outras real”, afirma Magali etapas de produção e distribuição do livro.

Berggren Comelato, diretora da Editora Adonis, de Americana. Ela informa que o livro sai da gráfica e da editora a um valor, no mínimo, três vezes menor do que aquele que chega às livrarias. “Para chegar à livraria, o livro é enviado em consignação ao distribuidor, que cobra entre 50% e 60% em cima do preço de capa”, explica. Magali conta que a indústria do livro no Brasil teve início pelas mãos de Monteiro Lobato, que começou a editar as próprias histórias. “Monteiro

enviava cartas a pequenos comerciantes, propondo a venda em consignação. Ele tratava o livro como um artigo comercial como qualquer outro e vendeu muito livro desse jeito”. Ela acredita que o mercado editorial vai aquecer com a disseminação do livro digital, diminuindo o preço de venda. “A internet vai favorecer e facilitar o acesso à leitura, mas o livro impresso vai continuar sendo objeto de desejo das pessoas, que vão poder comprar um produto mais barato”, sublinha.

Lilliput americanense miniatura colecionável”, explica Bastelli. Ao todo foram lançados 59 títulos, sendo um em Nova Iorque. Entre as diversas histórias desses 15 anos, destacamos a ousadia de Bastelli, que trouxe para o lançamento Airton, um anão que fazia performances e estava com um chapéu quase do mesmo tamanho dele. Bastelli conta que, embora não esteja produzindo mais, tem guardadas mais de cem mil unidades. Da onde vem Lilliput? Lilliput é uma ilha fictícia do livro As viagens de Gulliver, de Jonathan Swift. O autor apresentou-a como parte de um

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arquipélago com Blufescu, algures no Oceano Índico. Nessa ilha o personagem principal deparou-se com a população de pessoas minúsculas (com menos de seis polegadas de altura), chamadas lilliputeanos, que o tomaram por gigante. Fonte: Wikipedia - enciclopédia livre

Filme Lançado no Brasil em 2011, o filme As viagens de Gulliver, baseado no livro, conta a história de um rapaz que trabalha num jornal e decide fazer uma viagem pelo mar. Devido a uma tempestade, ele vai parar na ilha de Lilliput, onde os habitantes são minúsculos e onde ele, um gigante, vive muitas aventuras!

Dimensões do Lilliput: 2,1cm x 2,8cm x 0,5cm

O publicitário americanense André Bastelli viajou com Gulliver e trouxe na bagagem a proposta de criar o Lilliput Books, livros minúsculos com temas interessantíssimos, muitos deles tendo como foco a sua cidade, como é o caso do Lilliput Americana - Museu do Casarão. “A criação nasceu de um sonho, que completa 15 anos em 2011. Como publicar editorialmente era muito caro, pensei em um formato em que cada página fosse 1/100 de um A4. A sacada da dobra veio para facilitar o acabamento, o tamanho foi para viabilizar economicamente e criar um diferencial de


LuluBenencase

Amálio Benencase (1913 - 1965), o Lulu, nasceu em Americana, filho de Tarquino e Ana Ventri Benencase. Era irmão do professor, maestro e compositor Germano Benencase. Desde cedo (1928), contava piadas e imitava personagens da época no palco do saudoso Cine Central, em Americana. Certa vez, quando assistia a um show em São Paulo, foi até o diretor do espetáculo para pedir uma oportunidade. Após alguma insistência, o diretor permitiu que Lulu apresentasse suas piadas e imitações. O sucesso foi tão grande que o público pedia somente Lulu no palco. Assim começou sua vida artística. Na lápide simples de seu túmulo, no Cemitério da Saudade, em Americana, está escrito: Foi poeta, somente poeta.

Rolando Boldrin Ícone da televisão brasileira, Rolando Boldrin era grande amigo e discípulo de Lulu Benencase. Rolando, que atualmente apresenta o programa Sr. Brasil (TV Cultura), já declamou muitos dos poemas de Lulu na TV, tendo também gravado vários textos e músicas, entre elas “Vamos Tirar o Brasil da Gaveta”, cujo título é utilizado até hoje como slogan de um importante projeto de divulgação de talentos da música brasileira.

A pedido do Almanaque Cultura, Rolando escreveu a seguinte mensagem sobre Lulu:

Lulu Benencase foi o mestre de todas as emoções declamadas. No programa de auditório superlotado aos domingos à tardinha, o lendário Festa na Roça, quanta lágrima aquele ator maravilhoso fez escorrer dos olhos emocionados de um público atento ao seu personagem Juca, o poeta do sertão. O que faço hoje, nos meus programas de TV, declamando versos, Lulu já fazia nos anos 50 na Rádio Tupi de São Paulo. Lulu é o meu Guru (até rimou)... A benção, poeta Lulu.

Lulu Benencase (e) e seu grande amigo Homero Silva, locutor do Festa na Roça.

Foi poeta, somente poeta

personagem personagem

Carreira

Lulu Benencase lançou vários artistas, como Mazzaropi e a dupla Tonico & Tinoco, entre outros que fizeram muito sucesso no rádio, TV e cinema. O programa Festa na Roça, da Rádio Tupi, marcou época. “Era um programa caipira de auditório de bom gosto, com produção do Lulu, que foi sucesso por mais de 25 anos e por onde passaram grandes nomes da nossa cultura caipira e popular”, lembra Rolando Boldrin. Em 1960, Lulu apresentou o programa no antigo Cine Brasil, em Americana, local onde hoje é o Teatro Municipal Lulu Benencase. Fonte: biografia escrita por Lelo Benencase, filho do maestro Germano e sobrinho de Lulu. Fotos gentilmente cedidas pela família Benencase.


foto: divulgação

Rir para não chorar

O atores James Ribeiro (e), Cícero Edno Os e Bruno Agulhiari (d) em apresentação do Humor da hora, em Nova Odessa. H

Não fosse trágico, seria cômico. Quantas vezes a realidade se mostra assim, quando abrimos as páginas dos jornais ou sites de notícias na rede? Pois é justamente a realidade que anda inspirando o escritor e ator Cícero Edno. A sua mais recente produção, Humor da hora, em título mais que autoexplicativo, provoca risos da plateia a partir das notícias do dia. É um espetáculo em formato experimental, de improviso, já que não há texto e as piadas partem das notícias do dia. “O que se vê é um telejornal misturado com programa de variedades, no qual as notícias ou as receitas ou o horóscopo ou a previsão do tempo são apresentados em forma de telejornal com informações ‘verídicas’, trazidas, principalmente, mas não exclusivamente, pelo público e pelo mediador/âncora, Cícero Edno”, afirma a produtora Mônica Galhardo, da Móbile Cultural, parceira do projeto. A ideia é que o espetáculo seja essencialmente atual e dinâmico, misturando as interpretações com elementos da internet e músicas, quando for o caso. As apresentações realizadas no saguão da Prefeitura de Nova Odessa têm agradado bastante o público. Mais informações em www.ciceroedno.com.

Lembra do Chez Marie? Winchester, Pampas, Pier 33, Chez Marie, Piano’s Bar. A velha guarda de Americana certamente vai lembrar desses nomes com saudades. Bares que marcaram a carreira de muitos dos cantores da noite americanense são homenageados em canção composta por Cido Moreno, que faz parte do primeiro CD do cantor. O disco é um tributo a Americana, tem o título Minha Cidade - Meus Amigos e produção executiva de Divina Bertália. Autor de todas as 13 canções que compõem o CD, Cido Moreno lançou a obra em show realizado no Teatro Municipal de Americana, em setembro de 2010. Além da música Bares e Amigos da Cidade / Xote do Boteco, o disco traz ainda Carioba, Ribeirão Quilombo, No Reinado da Princesa e outros temas relacionados à cidade e à trajetória do músico. O disco está sendo vendido pelo próprio cantor, podendo ser solicitado pelo telefone (19) 9646-4613. “Já vendi quase 3.000 discos e encomendei mais 1.000 unidades”, declara Cido, satisfeito.

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Minha Cidade - Meus Amigos

foto: divulgação

O disco é um tributo a Americana

nativo

“A arte diz o indizível; exprime o inexprimível, traduz o intraduzível” - Leonardo da Vinci

Ver e ver-se


Agora em CD: som encantado e cultura popularr

batuque

do maestro Luciano Filho e do produtor musical Cleyver Rossi em alguns arranjos e na produção musical. Quadrilhas juninas, modas, ciranda, folia de reis, maracatu, cantoria brasileira, frevo, samba de roda, o som de batuques, cordas e metais, essa mistura bem brasileira e autoral do Encantoria pode ser conferida no endereço www.encantoria.com.

à paulista

VIRADO

Encantar o público através da interação de músicas, histórias, conversas, viagens pela natureza e outras coisas boas da vida é o mote do grupo Encantoria, de Limeira, que lançou o primeiro CD em 2010, intitulado Mãos que segurei. A gravação do CD e uma série de ações culturais realizadas nas cidades de Limeira, Rio Claro, Iracemápolis, Ilhabela e São Luís do Paraitinga fazem parte de um projeto cultural aprovado pelo Programa de Ação Cultural (ProAC), do Governo do Estado de São Paulo, e têm patrocínio da Elektro e copatrocínio do Grupo São Martinho. Além das apresentações, o projeto idealizado pelo vocalista Leandro Pfeifer contempla oficinas de música e vivências de cultura popular. Acompanhando os onze músicos da sua formação, a gravação do disco contou com as participações especiais do sanfoneiro e cantador Enock Virgulino, do cantador e compositor Tião Carvalho, do compositor e violonista Marquinho Mendonça, do acordeonista Gabriel Levy, da atriz Tatiana Zalla, das cantoras e compositoras Rosângela Macedo e Ana Maria Carvalho e do quarteto de cordas formado por Fabio Engle, Fabio Chamma, Cristina Geraldini e Jonas Góes. Todas as canções foram compostas e arranjadas pelo Encantoria, com participação

“Sem a música, a vida seria um erro” - Friedrich Nietzsche

“A arte é um dos meios que unem os homens” - Léon Tolstói

foto: divulgação

O CD Virado à paulista, com canções de Isaías Andrade, compositor de Americana. Ouça em http://www.myspace.com/ isaiasandrade. Sugestões: Seu nome e Palavra encantada.

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A nova geração de games formou uma legião de novos adictos. Jogar videogame pode até não significar mais sedentarismo, sendo agora uma alternativa para os adolescentes (e muitos, mas muitos adultos) da Era Digital. “A jogabilidade on-line é hoje em dia a cereja do bolo para os gamers!”, afirma André Leitão, um americanense aficionado por jogos como o Fifa 11 e o Guitar Hero. Através do seu console, o jogador pode navegar pela internet em busca de adversários ou parceiros de batalha no mundo inteiro, interagindo com outras culturas ou com seus próprios amigos de turma. Além de videogame, o console também possibilita ao usuário armazenar arquivos de mídia ou comprar serviços na rede. “Com tudo isso, não é estranho entender por que o mercado de videogames já movimenta mais dinheiro que o cinema de Hollywood”, constata André. Ele tem 23 anos e joga desde os 8, quando ganhou o primeiro Nintendo. Hoje joga de uma a duas horas por noite em dias

Diversão e muito suor

“Você pode descobrir mais a respeito de uma pessoa numa hora de jjogo g do qque num ano de conversação” ç - Platão

Permitido para maiores

de semana e cerca de cinco horas no sábado. Fora os games com joystick, os simuladores hoje atraem um grande número de jogadores, possibilitando, inclusive, exercitar o corpo com jogos como os do pacote Kinect Sports, em que o console reconhece os gestos e feições do jogador, que tem que executar os movimentos de boliche, tênis de mesa, boxe, vôlei, entre outros. Além de diversão, proporcionam muito suor.

Paço multifuncional A cidade de Nova Odessa não possui um teatro, mas nem por isso as apresentações deixam de acontecer na cidade: o saguão do prédio da prefeitura é utilizado para eventos. “Sempre dizemos que, se não temos um espaço adequado para as atividades culturais, nós adequamos o espaço que temos”, conta a coordenadora de cultura, Suely Welsch Liepkaln. O saguão, que já foi utilizado até como sala de cinema, tem capacidade para 250 pessoas, mas é possível acomodar até 400, dependendo do tipo de evento. Peças de atores renomados como Antonio Petrin e Marcelo Mansfiled, espetáculos musicais como Grupo Sanfonias e Osvaldo e Marisa Viana, concertos de piano com Eudóxia de Barros, concertos da Banda Sinfônica Prof. Gunars Tiss entre outras atrações, já tiveram o saguão da prefeitura como palco. foto: Osnei Réstio / divulgação

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alternativo


Berço criativo foto: divulgação

O Fábrica das Artes, o espaço mais democrático, alternativo e criativo de Americana e região, completa 10 anos em 2011. E pelo fato de fomentar a Cultura e, principalmente, valorizar os artistas da comunidade, o local é visto como um “berço criativo”. O Fábrica surgiu em 2001 a partir do sonho do ator e produtor Carlos Justi e outros artistas que sentiam a falta de um espaço para ensaiar, criar e se apresentar. Justi, que hoje preside o Fábrica, conta para o Almanaque como é comemorar 10 anos.

Espetáculo: Tchau, turma de alunos de 2009 - Direção: Otávio Delaneza - O que significa completar 10 anos? Significa vencer batalhas. Acreditar que o sonho é possível, que apesar das dificuldades, há espaço para quem para de reclamar e parte para a ação. Quando o projeto é bom, parceiros se rendem a ele.

- O que mais marcou nesses 10 anos? Foram tantas coisas positivas... O simples fato de existir na cidade um espaço como o Fábrica é motivo de orgulho, afinal, muitos municípios de nossa região, que é considerada uma das mais ricas do país, não têm um teatro como o Fábrica. Além disso, o esforço do Fábrica em valorizar os artistas locais, formar público e oferecer lazer cultural à população da cidade e região.

- O que você deseja para os próximos 10 anos? Que o Fábrica receba dos americanenses o mesmo respeito que goza fora da cidade. Que possamos aglutinar ainda mais a classe artística em torno da profissionalização e da valorização da arte. Que consigamos parceiros e respaldo financeiro para implementar nossos projetos. E que a arte seja horizontalizada em todos os segmentos da sociedade.

Cinema, pipoca e refrigerante grátis Somente 8,7% das cidades brasileiras possuem salas de cinema. Levando em conta este triste dado do Ministério da Cultura, podem ser considerados privilegiados os poucos municípios que têm telonas em seus territórios. O público de Americana sofre ainda mais com a realidade, pois a cidade já contou com magníficos cinemas de rua - o Cine Brasil e o Cine Cacique - e hoje já não dispõe de salas, ficando o acesso ao cinema na cidade restrito ao valioso trabalho da ONG Cineclube Estação. Édson Boff, gerente das salas de cinema do Shopping Piracicaba, foi gerente do Cine Cacique, que funcionava na esquina das ruas Fernando Camargo com Washington Luiz e que fechou há dez anos por falta de público. “Os cinemas de rua tendem a fechar quando surgem os shoppings. Foi o que aconteceu com o Cacique e com as salas do Welcome Center, onde eu também trabalhei”. Reunindo apaixonados por cinema, o Cineclube Estação traz, toda terça-feira, às 20 horas, no prédio da Estação Cultura (lo-

independente

calizada ao lado do Terminal Urbano, na Av. Dr. Antônio Lobo), um filme com entrada, pipoca e refrigerante grátis a um público cada vez mais frequente. A ONG tem ampliado o trabalho, levando cinema para os bairros, com exibição em praça pública uma vez por mês, com patrocínio do Conpacel. Além disso, tem desenvolvido outros projetos, como o Cine Universitário, o Cine Civi e o Cine Ficção. Para acompanhar a programação do Cineclube Estação, acesse www.quecorralavoz.com/cineclube.

Números do Cineclube em 2010 Cine Estação 48 projeções de filmes na Estação 1.776 espectadores Cine Conpacel 10 sessões de cinema nema em praças públicas as 2.500 espectadores es

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Salve o Casarão do Salto Grande! foto: Juarez Godoy

foto: Juarez Godoy

“A persistência é o caminho do êxito” - Charles Chaplin

foto: Juarez Godoy

Muito mais que reforma, o RESTAURO permite reconstruir o prédio com as suas características originais, resgatando a sua concepção e o contexto histórico do período em que foi construído.

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patrimônio


Empresa responsável É importante ressaltar o engajamento do Conpacel, não apenas como patrocinador do projeto, mas como grande entusiasta do restauro, na pessoa do diretor Paulo Bassetti, que em todas as oportunidades pede a participação de outras empresas, mostrando os benefícios das leis de incentivo. Também na pessoa da (twitteira) Luciana Bueno - e toda a sua equipe - ativamente participante do movimento.

mobilização ão

#Movimento Em 2010, o restauro do Casarão recebeu um investimento inesperado: o engajamento de jovens que queriam a oportunidade de usufruir do Museu Histórico e Pedagógico João da Silva Carrão. O Movimento Salve o Casarão teve início em maio de 2010, quando o @LazerCultural (leiase Rhô Lopes) fez uma mobilização pelo Twitter para chamar a atenção para a necessidade de retomar as obras, já que o Museu continuava fechado e o prazo de captação de recursos via Lei Rouanet estava quase expirando. Foi impressionante a adesão dos usuários da rede social, o que deu certa visibilidade ao Casarão, mas ainda sem novos investimentos. Em setembro, o Cineclube Estação abraçou a causa e reuniu jovens e entidades com o mesmo propósito: salvar o Casarão e também todo o trabalho que vinha sendo feito desde 2003. Já na primeira reunião, a preocupação desses novos entusiastas encantou a 3marias. No dia 9 de outubro foi realizada uma ação de conscientização no calçadão da área central de Americana, com a distribuição de panfletos explicativos sobre a importância da recuperação e da abertura do Museu. A mobilização teve o essencial apoio da imprensa, o que deu nova força ao projeto de restauro, que culminou na conquista de R$ 487 mil do Ministério do Turismo (com a força do deputado Antônio Mentor) e R$ 120 mil da prefeitura (com o empenho do prefeito Diego e da equipe da Secretaria de Cultura e Turismo). Embora o prazo de captação do projeto via Lei Rouanet tenha efetivamente expirado em dezembro de 2010, persiste a expectativa de que o restauro tenha continuidade. Para mais informações sobre todo este trabalho, acesse: www. casaraodosaltogrande.com.br (site criado e mantido pela CM+P, empresa que abraçou a causa).

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“Fortes razões fazem fortes ações” - William Shakespeare

Para conhecer um pouco mais sobre o Casarão e assinar o manifesto on-line, acesse www.casaraodosaltogrande.com.br.

foto: divulgação

“Transportai um punhado de terra todos os dias e fareis uma montanha” - Confúcio

“O único lugar em que o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário” - Albert Einstein

O projeto Vamos Recuperar o Casarão surgiu do inconformismo de algumas pessoas que guardavam na memória afetiva as visitas dominicais monitoradas, eventos musicais, pipoca e algodão doce com a família em um Museu lotado de gente e de histórias. Em 2003, quando o Casarão estava interditado devido ao risco iminente de desabamento, uma parceria entre a Prefeitura de Americana, o restaurador Salvador de Cápua, a arquiteta Juliana Binotti e a 3marias Produtora Cultural (que nascia naquele ano) viabilizou a elaboração de um minucioso projeto de restauro para aprovação do Ministério da Cultura (PRONAC - Lei Rouanet), permitindo o investimento de empresas mediante a dedução do patrocínio no Imposto de Renda. O projeto foi aprovado em 2006, mas somente em 2008 recebeu a verba necessária para que a obra fosse iniciada. Foram R$ 512 mil do Consórcio Paulista de Papel e Celulose (Conpacel), que possibilitaram reconstruir todo o telhado e impedir que as paredes de taipa sucumbissem às fortes chuvas que derrubaram tantos prédios históricos em São Paulo em 2009. Assim que o prefeito Diego De Nadai assumiu, foi procurado pela 3marias em busca de apoio para o restauro. Deputados e vereadores da cidade, em tempos diferentes, também foram procurados para que auxiliassem a captação de recursos.


“As palavras têm a leveza do vento e a força da tempestade” - Victor Hugo “A

Com a boca no trombone bone Que corra la voz é o título do sexto disco da banda espanhola de ska/punk, a SKA-P. Que corra la voz é também a bandeira da página de divulgação de eventos criada por um grupo de entusiastas da cultura de Americana e região, liderado por Felipe Ferreira, o Pepê. A ideia inicial era manter apenas um portfólio na web para as criações de Pepê como designer gráfico, porém, a partir da união com Fernando Ferreira e Henrique Furlan, foi criado o QCLV, “com o intuito de mostrar e divulgar Arte, Cultura, Música, Cinema, Teatro, Dança, Meio Ambiente, Literatura, em toda e qualquer forma de expressão”, declaram. Em 07/03/2010, o QCLV completou um ano, o que foi comemorado com um novo layout e um acréscimo ao nome: 2.0, simbolizando também a repaginação promovida por terem sido agregados novos colaboradores. Além disso, o QCLV passou a ter parcerias com o Cineclube Estação e o Espaço Fábrica das Artes.

Lazer Cultural Outro parceiro de peso da cultura regional é o Lazer Cultural, um perfil do Twitter que, assim como o QCLV, divulga e promove as artes. Idealizado pela também entusiasta Rhô Lopes, o Lazer Cultural surgiu em setembro de 2009, a partir da sua busca por opções de lazer. “Cheguei em Americana no final de 2008 e tinha dificuldade para saber dos eventos. Quando ficava sabendo de algo interessante, já era tarde... Lembro de uma apresentação da OSESP aqui na cidade que só fiquei sabendo vários dias depois”. Assim, Rhô criou o hábito de pesquisar na internet, semanalmente, eventos interessantes pela região. Para começar a compartilhar as informações bastou a descoberta do Twitter como ferramenta. “Acredito que a cultura bem como a educação são muito importantes na formação das crianças e jovens! Achei que seria uma maneira de colaborar!”. Aproveitando o slogan do QCLV, “abasteça-se”: quecorralavoz.com e twitter.com/lazercultural.

Santa ferramenta, Batman! Você consegue imaginar seu dia sem a internet? Por ser tão rica em conteúdo, ela acabou se tornando uma ferramenta indispensável nas atividades do dia a dia, sejam elas de trabalho ou entretenimento. Se você é um daqueles que torcem o nariz para a rede e que ainda não foram q fisgados por ela, tente uma experiência: pense num tema que lhe agrada, coloque em um buscador e vá b garimpando os gar resultados. A chance resulta de você considerar a utilidade da internet utilidad na sua vida vid é imensa. E, se iss isso ocorrer, não deixe dei que vire vício.

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Melhor que o cinto de utilidades! ma? nder um idio Que tal apre m/ co a. .livemoch http://www Tocar cavaqu inho? http://www .mvhp.com .br/cava

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conexão


Receita de Samba: Silvia Regina de Barros

foto: Juarez Godoy

Entre tantas histórias já contadas e faladas por muitos cantos, surgiu esta, que chegou em local alegre, porém em tempo triste. Mas vamos relatar com alegria essa bela história, pois ela conta a passagem da “Negrona” por este planeta. O apelido já diz para que veio, ferrenha lutadora pelos direitos da raça negra, dizia sempre a todos das injustiças e dos dissabores que, por centenas de anos, os negros viveram. Moça faceira, cheia de charme, metida nos panos, com aquele sorriso alegre estampado no rosto e com uma palavra amiga sempre saindo da boca de dentes alvos e perfeitos. Queria tudo, era jovem, podia, né!? Amigos mil, de todas as cores e todos os sabores. Ficou mãe cedo e, lógico, houve mudanças de planos, mas não de sonhos. Foi trabalhar na Escola São Vicente de Paula, como merendeira, onde conheceu o pessoal da Escola de Samba Acadêmicos do Salto Grande. Foi quando seus sonhos começaram a fluir mais positivamente, pois, vivendo o dia a dia com crianças no seu trabalho e as tardes e noites na escola de samba, foi se colocando de frente com inumeráveis problemas que,

para ela, eram muito interessantes, já que gostava de trabalhar com crianças e percebia que havia várias oportunidades para ajudá-las. Já fazendo com a Escola de Samba um trabalho para tirar algumas crianças da rua e dando um suporte de aprendizado para elas, seus sonhos tomaram uma dimensão espantosa. “Queria dominar essa fera”, que existia dentro de cada jovem, tirar de dentro deles essa vontade de ser e trazer para fora, para a conquista de novos mundos. No começo, ela brincava com muitos deles no meio da rua mesmo, assim não ficavam à mercê de traficantes, tinham o que fazer à noite e tinham uma amiga do lado deles para conversar e brincar. Mas isso era pouco, ela queria muito mais, ela queria VENCER e não queria vencer sozinha, queria vencer com aquilo que ela e seus amigos tinham em mãos - a ARTE. E foi assim que, de um sonho, nasceu o Arte de Vencer! Daí foram surgindo muitas ações e uma delas foi a Escola de Samba que veio para dentro do Arte de Vencer, a Escola de Samba Receita de Samba, porque, como dizia: “chegamos para ensinar uma receita fácil. Fácil para nós, é claro! Vamos fazer o samba acontecer na avenida”. Essa foi uma mulher guerreira, amiga para sempre, companheira, mãe, lutadora e que se doava completamente a suas crianças e a seus jovens, de quem tanto sentia orgulho. Atribuímos milhões de valores a ela quando abaixamos nossas cabeças e reverenciamos aquela que jamais será esquecida por todos que tiveram o prazer de conhecê-la: Silvia Regina de Barros. E lá se foi Silvia Negrona mostrar para o nosso DEUS que, em 2009, no céu chegou uma mulher guerreira, pronta para novos desafios e com a cabeça ainda cheia de sonhos. Clélia Bruschi Ex-Presidente da Associação Arte de Vencer e amiga para sempre de Silvia Negrona

vida de artista

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“A arte da vida consiste em fazer da vida uma obra de arte” - Mahatma Gandhi

AARTE RTE DE VENCER

Uma história, uma vida


Quem sabe beber vinho?

Arte é eexperiência dos sentidos Carlos Augusto de Almeida Curador

Tive uma experiência pessoal interessante, na organização de um evento de artes plásticas. Dividiram, no mesmo espaço, artistas consagrados e alunos da APAE que fazem da arte uma vivência de reabilitação. Pude perceber, independente do autor da obra, o poder e a atenção que a arte visual exerce nas pessoas que não estão acostumadas a conviver com esse meio de expressão. A identificação é imediata! Se elas não têm a informação técnica de um conhecedor habituado, têm a percepção aberta, chegando a observações surpreendentes. Ouvi expressões como, “gostei, mas não entendo o que o artista quis dizer”. A experiência é semelhante a escutar uma ária, seja em que idioma for, em que somos levados a uma identificação plena, embora não saibamos o conteúdo e, na grande maioria dos casos, não possuamos uma educação musical. Observar é, antes de tudo, uma experiência dos sentidos, que age diretamente com o intuitivo de cada um. Observar é ter tempo e se deixar levar pelo emocional, que não nos engana e conduz aos caminhos mais profundos do eu interior. Ao termos um respeito por aquilo que se abre à percepção, tornamo-nos cúmplices, mesmo sem o saber, da obra observada.

“Triângulos Brancos”. Acrílico sobre tela. 2009. 0,80m x 0,80m (original em preto e branco). Obra do artista plástico Milton Mota.

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Se há uma coisa que Eloiza Teixeira Enóloga realmente me impressiona é o mito de que beber vinho é muito complicado. Não é. As pessoas é que complicam. É como dirigir um carro: só parece complicado para quem nunca dirigiu. Há aqueles que se dedicam a estudar a bebida. E o estudam a tal ponto que, quando falam, as outras pessoas parecem analfabetas. Isso acontece com o vinho. Mas é preciso apenas conhecer um ou dois bons vinhos para apreciá-los. Não é preciso ser um especialista para apreciar uma bebida! O vinho é um tema ao alcance de todos. Para aprender, tem que beber. Basta pegar numa garrafa e abrir com um saca-rolhas.

especialista

foto: Juarez Godoy

O alaúde

se éa erta in ordas Luteria u cons o rras, s de c i a o ó t it r n t u e cons rum es, g t e s lõ u s, io q in v r o a mo Francê rtesã feccion cia, co em no n réoa ig â ie r n h o o t s u em res as. L lavra t ixa de madeir , s. A pa o om ca r c t ápolis u s o o t n Iracem entre , e s trume d o o c , a o o . ar s, cav s com alaúde Fazen violino artista nifica Edgar r e ig o o s s r p e e d v o u e e ir N alizad ião, P luth, q v m g a e a r N , o a , ss uad Sabino Na no onceit onaldo thier c R , lu sa m Lim é u a, con Carlos utros. crianç o o e e r e t r d t s s u e n e q Ma ar, la, e ha d ra Edg Ilhabe eu tin b e io m a c u c r le q r é , La ho o ce das” m son de cor roduzid p o a t t o n n “Era u e d m ten le co instru 2002, oje. E m h u u m o é e ir t s u s a tr pa ofício iras depois s caip ou no e ç r la e ie io m v h o c e lut outro a, violões á, sitk te com r de 120 teria. a a lu arand e u c r e ja b d : o o n s o c e r er com ndo que ap pode s s, tais squisa l a e a p ic u t q s ó o o an s ex balho, vários adeira no tra .br. iliza m o t m c u o e c r u . a s r Edg edga inho r p e i e h t o .lu éban o www cedro, ndereç e o n o nhecid

“A cultura está acima da diferença da condição social” - Confúcio

foto: divulgação

Pedro Edgar Fazenaro

O artista

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Levar a literatura para as pessoas é o que tem feito a Sociedade dos Escritores de Nova Odessa, a Seno, desde 2008. A entidade reúne escritores da cidade e promove eventos com o objetivo de motivar os novaodessenses à leitura e à escrita. Além das reuniões mensais com os escritores, a Seno realizou, em 2010, o 1º concurso de fotografia entre estudantes e professores, além de um encontro para formação de escritores e vem promovendo o projeto “Leitura na Praça” a cada 15 dias: na Praça do Jardim Santa Rita, no 2º sábado, e na Praça Central José Gazzetta, no 4º sábado de cada mês. “A associação tem dezenas de livros e empresta a quem tiver interesse, sem nenhum controle, sem nenhum registro, apenas na confiança de que as obras vão e voltam para que outros tenham acesso”, afirma a jornalista e escritora Marineuza Lira, que ingressou recentemente na Seno. Para saber mais sobre a Sociedade, acesse http://senoescritores.blogspot. com ou envie mensagem para senoescritores@bol.com.br.

Good hair

“Ontem, hoje e amanhã o homem o cabelo parte. Parte o cabelo com arte até que o cabelo parte” - Millôr Fernandes

Literatura para Nova Odessa

O que pernilongo tem a ver com cultura? ultura? Magro e comprido, do, o pernilongo tem nas as pernas muito longas as a sua principal caraccterística. A descrição se encaixou perfeitamente te ao garoto Sidney Maurício Tempesta, mpesta, quando começou a jogar capoeira, oeira, aos 12 anos de idade. Daí o apelido: o: Pernilongo. “O apelido é uma tradição di ã na capoeira, i assim como no samba e no futebol. No caso da capoeira, os codinomes eram usados para camuflar os nomes verdadeiros dos capoeiristas, já que a prática era proibida no Brasil na época da escravidão”, conta o Mestrando Pernilongo, responsável pelo Centro Cultural e Educacional Abadá Capoeira, em Americana. Depois de se encantar pela capoeira e treinar por quatro anos, ele quis seguir carreira. “Pesquisei muito e conheci Mestre Camisa e o Abadá e fui para o Rio de Janeiro conhecer de perto essa entidade. Me apaixonei e me identifiquei com a ideologia e a filosofia de trabalho. Depois de algum tempo indo e voltando do Rio para estudar, comecei a desenvolver o trabalho do Abadá aqui na cidade em 1988, junto com dois amigos, o Job e o Nego Duro”. Pernilongo acrescenta que o trabalho do Abadá de Americana está vinculado a todos do Brasil. “A capoeira é uma arte que engloba ABADA - Associação várias artes e, além de Brasileira de Apoio e ser cultura, é também esDesenvolvimento da porte, educação, disciplina Arte-Capoeira - está e luta”. presente em todo o Brasil e em mais 53 outros países.

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foto: Juarez Godoy

Quando escolhi meu laptop p ou notebook (ainda hoje tenho dúvidas sobre a diferença) só podia ser verde: um fruto em processo de formação. Lindo, moderno, charmoso e ainda por cima cheio de simbolismos. Só de olhar para ele, o meu status de mulher moderna se revelava, chegava a esboçar um ar de superioridade, embora tímido, diante do desafio que eu teria pela frente: conseguir decifrá-lo e conquistá-lo. Não me intimidei! Pensei comigo: se “penso, logo existo”, naturalmente com ele “tento, logo consigo”. Puro engano! Não foi tão simples assim, pois nosso primeiro embate ocorreu no instante em que liguei o botão... Com tanta tecnologia, cheguei a acreditar que bastava tocá-lo para que um universo de possibilidades aparecesse entre o meu e o seu olhar. Por um instante, reportei-me às probabilidades da Quântica e viajei. Nada! Era necessário programálo para funcionar, cedo descobri. Uma tarefa impossível para mim. Foram poucos os segundos idealizados na relação amorosa com o meu “note”. Não podia adiar aquele momento de prazer, então imediatamente corri em busca da minha “gurua”. Hoje todo mundo tem um personal alguma coisa: trainer, stylist, chef, diet, organizer, financial consultant, hair, web, tools etc. Há sempre alguém que nos oriente para absolutamente tudo e eu tenho a minha personal info. Só ela para socorrer minhas crises existenciais diante de um PC (personal computer). Alguém assim, com essa habilidade, só pode ser transdisciplinar. Capaz de entender de informática, tecnologia aplicada, matemática (é claro), e também de física, química, medicina ayurvédica, numerologia e, principalmente, psicologia, com algum conhecimento em psiquiatria, para amparar nos momentos de surto. E ainda consegue ser uma grande amiga, capaz de con

“Não é triste mudar de ideias; triste é não ter ideias para mudar” - Barão de Itararé

Regina Gouvea

tentar me convencer que um dia sereii capaz de me encantar pelo PC, sabendo do abismo que nos separa. Só alguém com poderes excepcionais seria capaz de tamanha façanha: entender de magia para tentar decifrar para onde eu mando alguns arquivos que desaparecem ao simples toque dos meus dedos e encontrar numa lixeira o objeto do meu desejo. Quando suas mãos mágicas me revelaram a simplicidade em manipular o teclado prata foi o máximo. Uau! Eu não precisava do mouse (aquele ratinho metido a besta) que fugia de mim inexplicavelmente, por mais que eu tentasse ser delicada e paciente. Agora bastava um leve deslizar de dedos para obrigar a setinha maluca a me obedecer. “Bem-vindo”! Ele se comunicava comigo de uma forma amistosa. Sem dúvida, uma nova conquista, tão verde ainda e nada eu sabia sobre ele. Um jovem a me ensinar coisas mirabolantes. Imediatamente me apaixonei e estremeci ao imaginar o que poderíamos fazer juntos. Só ele para me arrancar do status de mulher madura e experiente. Um universo de possibilidades a descobrir naquele fruto verde. Agora éramos eu e ele. Olhamos um para o outro e daquele momento em diante eu me tornei uma nova mulher.

aventura

“Na profissão, além de amar tem de saber. E o saber leva tempo pra crescer” - Rubem Alves

(

o s a c Meu C P o com


“Porque eu sou do tamanho do que vejo / E não do tamanho da minha altura” - Fernando Pessoa

A gente não quer só comida Ana Paula Pontes

“A Ober acredita no poder da cultura, e mais ainda, nos talentos que existem em nossa região. Por isso, somos parceiros em ações culturais que contribuem para o crescimento de todo cidadão.”

Ademir A. Gobbo Diretor

“A Canatiba vem seguidamente investindo em projetos culturais, pois entende que, proporcionando momentos de reflexão e entretenimento ao nosso povo, contribui para seu desenvolvimento intelectual e moral. Toda vez que temos condições de proporcionar esses benefícios, sentimo-nos de certa forma recompensados pelo investimento realizado.”

Dalmo Covolan Gerente administrativo financeiro

parceria

A Ministra Ana de Hollanda assumiu o comando da Cultura no país e, no seu discurso de posse, disse: “Um momento novo está amanhecendo na história do Brasil”. Quero acreditar que tudo vai melhorar. Aliás, todos nós que respiramos cultura temos que acreditar nisso sempre. Como diz Saramago: “A cultura é como a atmosfera: não a percebemos, pois estamos imersos nela”. Infelizmente, como todos já sabem, a cultura está entre as pastas que têm o menor orçamento e, por essa razão, precisa contar muito com a iniciativa privada para colocar “o bloco na rua”. São poucos os empresários que têm a visão do quão importante é ser parceiro da cultura. Além de sair, muitas vezes, a custo zero para a empresa, principalmente quando se faz uso das leis de incentivo, o investimento em cultura proporciona um bem-estar à sua comunidade e traz um retorno institucional para a empresa “que não tem preço”. Ainda mais nesse momento em que tanto se fala em sustentabilidade, aliar-se à cultura é questão de estratégia, de sobrevivência no mercado, que está cada vez mais exigente na busca pela qualidade de vida. Ter cultura = viver bem! Botando fé na fala da Ministra, vamos acreditar que a cultura será apoiada por mais empresas para que possamos aplaudi-las, como estamos fazendo com a Ober e a Têxtil Canatiba, que investem nos artistas locais, patrocinando várias ações, como a revista Almanaque Cultura, projetos literários, festivais etc. E como comecei com a fala da Ministra, também vou terminar com ela: “Erradicar a miséria (...) tem de significar, também, acesso à informação, ao conhecimento, às artes”. Parabéns a essas empresas que têm esse comprometimento com a comunidade e investem em Cultura, pois, como diz Arnaldo Antunes, a gente não quer só comida, quer também diversão e arte.

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Mais de 60 artistas participam do 2º Americana Mostra O 2º Americana Mostra movimenta o cenário cultural da cidade por cinco semanas, reunindo mais de 60 artistas em 19 atividades culturais, de 28 de janeiro a 27 de fevereiro. Com o objetivo de repetir o sucesso da primeira edição, o Fábrica das Artes, em parceria com a Prefeitura Municipal de Americana e a 3marias Produtora Cultural, realiza esta segunda edição do evento, com o apoio de Audaz Publicidade e Lampejos Comunicação Digital. São 10 espetáculos teatrais, quatro shows musicais, uma exposição de artes plásticas e quatro seminários. A novidade em 2011 é a inclusão de apresentações musicais, envolvendo cantores, compositores e instrumentistas de Americana. “O teatro continua sendo o motivo principal do evento, mas a cada ano, estamos inserindo outras artes, para que se cumpra o propósito da mostra de integrar os artistas locais”, afirma Carlos Justi, presidente do Fábrica das Artes e organizador do evento. A cerimônia de abertura da mostra, no dia 28 de janeiro, às 20 horas, no Teatro Municipal de Americana, além de apresentações curtas de teatro e música, conta com o lançamento da revista Almanaque Cultura, que tem o patrocínio das empresas Ober e Têxtil Canatiba e o apoio do Programa de Ação Cultural (ProAC) do Governo do Estado de São Paulo.

Novidade em 2011, o Ticket Cultura promete revolucionar a relação arte/espectador/artista. A ideia é simples: não se cobra ingresso na entrada nem se exige nada na saída, apenas se orienta o público a valorizar o artista local, atribuindo ao trabalho o valor que cada um acha justo. “Quando dizemos justo, estamos pensando nos dois lados: a justiça na valorização do trabalho e o respeito com a condição financeira do público, que poderá simplesmente não pagar nada, caso não goste do que viu, ou não tenha como pagar. Com isso, esperamos ampliar o público da mostra em 30% em 2011 e criar o hábito nas pessoas de valorizar a arte de forma espontânea”, explica Justi.

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bom de ir


Teatro e outras manifestações artísticas

Integrando os artistas locais 28/01 - Sexta - 20h // Teatro Municipal Lulu Benencase ABERTURA OFICIAL a › Lançamento da revista Almanaque Cultura - 3marias Produtora Cultural › Performances teatrais - Show de improviso - Cia Arte Móvel e GTT - Grupo Teatral Ta’lento › Apresentações musicais com Danny Asa, Val Nascimento, Sandro Livahck e Allan Kannon › Abertura da exposição “Roses”, de Giuseppe Buoso 29/01 - Sábado - 20h // Fábrica das Artes LÚMINA Cia Cupim de Teatro Autor: Bruno Cardoso / Direção: Coletiva Gênero: Realismo Fantástico / Duração: 50 minutos 30/01 - Domingo - 20h - “Estreia” // Fábrica das Artes O PINGO QUE QUERIA CHOVER NO MOLHADO GTT e DaCuia Autor: Criação coletiva / Direção: Marcelo Porqueres Gênero: Teatro Infantil / Duração: 50 minutos 03/02 - Quinta - 20h // Fábrica das Artes SEMINÁRIO - Política Cultural O que é / Para que serve / Quais os meios para se implantar Palestrante: Representante do Ministério da Cultura 04/02 - Sexta - 20h // Fábrica das Artes TODOS POR ELA Show com Orquestra de Violões (regência: Clayton Prado) MPB com Eddie Fernan 05/02 - Sábado - 20h // Fábrica das Artes ÉTICA 10 Cia Peripatéticos Autor: Sergio Costa / Direção: Odair Vedovato Gênero: Comédia / Duração: 50 minutos 06/02 - Domingo - 20h // Fábrica das Artes OS FABULANTES Cia Arte Móvel de Teatro Texto: Colagens de fábulas de Esopo,

La Fontaine e Monteiro Lobato Direção: Otávio Delaneza e Lays Ramires Gênero: Teatro de Contação e Animação / Duração: 45 minutos 10/02 - Quinta - 20h // Fábrica das Artes SEMINÁRIO - Política Cultural de Americana A linha da política cultural do município Palestrante: Melquesedec Ferreira - Diretor da Unidade de Cultura da Secretaria de Cultura e Turismo de Americana 11/02 - Sexta - 20h // Fábrica das Artes NÓS E ELES Show com Sandro Livahck, Danny Asa e convidados 12/02 - Sábado 20h - “Estreia” // Fábrica das Artes MULHERES Grupo Farrapos Delirantes Texto: Criação Coletiva / Direção: João Nalão Gênero: Drama / Duração: 50 minutos 13/02 - Domingo 10h - CRAS Praia Azul - R. Maranhão, 1595 - Praia Azul 15h - CRAS Vila Mathiensen - R. dos Tucanos, 270 - Mathiensen PREVENIR OU REMEDIAR Grupo MCE - Malucos Complexos e Esquisitos Texto: Isaias Brugnerotto / Direção: Isaias Brugnerotto Gênero: Teatro de Rua / Duração: 25 minutos 17/02 - Quinta - 20h // Fábrica das Artes SEMINÁRIO - O artista profissional e o artista amador Debate sobre as atitudes dos artistas e as diferenças entre os profissionais e os amadores Palestrante: Nelson Lourenço, gerente do SESC por 35 anos e diretor da EmCantar Produtora 18/02 - Sexta - 20h // Fábrica das Artes IDENTIFICAÇÃO Show com Val Nascimento, Allan Kannon e convidados 19/02 - Sábado - 20h // Teatro Municipal VIDA TEMPO E MÚSCULO

Grupo MCE - Malucos Complexos e Esquisitos Texto e Direção: Criação e direção coletiva Gênero: Realismo Fantástico / Duração: 70 minutos 20/02 - Domingo - 20h - “Estreia” // Fábrica das Artes ALCATEIA Grupo Ar Cênico Autor: Dirceu de Carvalho / Direção: Verônica Fabrini Gênero: Pós-Dramático / Duração: 60 minutos 24/02 - Quinta - 20h // Fábrica das Artes SEMINÁRIO - Projetos Culturais - Leis e Editais Uma conversa sobre as leis de incentivo e os projetos culturais (Rouanet e ProAC) Palestrante: Ana Paula Pontes - produtora cultural da 3marias Produtora 25/02 - Sexta - 20h // Fábrica das Artes ENTRE TONS E MEGATONS Show com Marcio Lemos e convidados 26/02 - Sábado - 20h - “Estreia” // Fábrica das Artes TEOBALDO Grupo DaCuia Texto: Carlos Justi e Sidney Bonfim / Direção: Carlos Justi e Sidney Bonfim Gênero: Teatro de Animação Adulto / Duração: 45 minutos 27/02 - Domingo - 20h // Fábrica das Artes PLUMA E A TEMPESTADE GTT - Grupo Teatral Ta’lento Texto: Aristides Vargas / Direção: Marcelo Porqueres Gênero: Realidade Fantástica / Duração: 90 minutos

Fábrica das Artes Rua Dr. Cícero Jones, 146 - Vila Rehder - Americana Fone: (19) 3014-1990 Teatro Municipal Lulu Benencase Rua Gonçalves Dias, 696 - Bairro Girassol - Americana Fone: (19) 3461-3045


A cara da nossa cultura Banda Sinfônica Professor Gunars Tiss Criada em 1987, desenvolve um grande trabalho, com escola de música para formação de novos talentos e apresentações de alto nível musical. Orgulho e tesouro musical da cidade, consagrada em campeonatos estaduais e nacionais, com três CD’s e um DVD gravados, além de partituras editadas em parceria com a Funarte. Nova Odessa

Orlando Marques Artista plástico barbarense autodidata, experimental e performático. Sua produção tem caráter intimista com requintes artesanais. Seu trabalho desperta o interesse de colecionadores e críticos de arte contemporânea. Possui obras em coleções particulares no Brasil e no exterior. Santa Bárbara d’Oeste

O Alm Almanaque Cultura está nascendo para ser o retrato da nasc cultura da região de Americana, cult Limeira, Nova Odessa e Santa Lim Bárbara d’Oeste. B Se S você faz cultura na região, poderá ser visto no Almanaque. Se você valoriza a cultura local, encontrará informações no Almanaque. Se você ainda não consome cultura por aqui ou imagina que não há produção cultural perto de você, prepare-se para descobrir o quão rica é a nossa comunidade. Esta é a edição de abertura, que pretende, além de ser um primeiro contato com quem faz e consome cultura, estabelecer um vínculo com os diversos segmentos culturais das cidades abrangidas e propor um diálogo permanente com aqueles que se propuserem a interagir com este novo – e quiçá duradouro – espaço que a cultura local está conquistando. Patrocínio

Apoio

Realização

Avena Criado nos anos 80, é o grupo limeirense mais premiado musical lim festivais por todo o Brasil em festiva em todos os tempos. O grupo prepara um novo disco e prepa atualmente é composto por atua Farid Zaine (autor das Fa letras), Joaquim Prado le (autor das músicas), (a Marcelo Bella e Dalvo M VVinco. LLimeira

Adriana Tiba Representante da nova geração de ceramistas, com peças utilitárias e artísticas que encantam tanto o público quanto profissionais como arquitetos, decoradores e designers. Aprendeu a arte da cerâmica com uma das mais conceituadas ceramistas do Brasil, Regina Tsuchimoto, irmã do artista plástico Manabu Mabe. Americana


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