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Catálogo da Mostra Preto e Outras Cores

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preto e outras cores mostra de cinema negro lgbtqiap+ 15 a 21/12/2021 plataforma todesplay organização analu bambirra breno henrique fernanda estevam curadoria breno henrique fabio rodrigues filho


à marielle franco e à luana barbosa


menino, imaginação é toda verdade enviada em sonho de olho aberto, revelando tudo aquilo que não te contaram. foi vó que disse para te pedir, panha todos seus lápis de cor e assim, sem dó, reinvente oráculos. a cada búzio, carta e fotografia desvirada, algo acena para paisagens da insistência do que é cíclico, morre e brota o tempo inteiro. a teimosia da vida. a intransigente capacidade da beleza. o sistema enfraquece no meu riso com o seu sob o sol que mela nossos corpos, temperando mandinga duma água escura, assim, feito nós. gêmeo de cor, lonjura e antiguisse. recorta esses livros que lhe empurraram na persistência do trauma de não se ver, que eu te compro linha e agulha e a gente costura as folhas de arruda e guiné plantadas há tanto. só não aparece mais assim amuado como se pedisse desculpa pela brabeza no seu par de olho riscado feito faca amolada de fazer vazar o sangue dos bichos e a poda das laranjeiras. acho que não te importa muito os desfechos, mas seu riso de canto se distrai desapressado no instante do prazer da forma. da diluição da graça pelo caminho. já lhe contei que chamo esse seu riso de manhamento? não me interessa muito essa separazada que inventaram para dar nome. do que me importa saber se manhamento é adjetivo ou verbo se existo numa linguagem insuficiente? de que interessa saber se existem ou são fantasias as palavras que invento, basta saber que são verdades! pois eu não minto. essa palavreação cheia de mando, se não matar, sufoca as emoções que colidem nesse corpo preto. para que não diga como sente. para que não sinta. para que deixe de sentir. como se isso fosse possível. o neném dela não tem nem trinta dias e a gente tem feito um cofrinho e ela tenha lápis de cor e desenhe sua maneira de existir e ter felicidade no corpinho preto que gosta do meu colo.


há um risco qualquer em comum compartilhado no olhar que devolve o que vê. não arregue e nem aprenda cabresto nesse gesto bonito seu de escrever com a câmera. a velha disse que você devolveu o rosto dela, que nunca teve um espelho, com o mesmo cuidado de quem costura com fiapo de linha curtida em garrafadas, as conchas na beirada das ondas de histórias não abarcadas. esse fiapo de linha envolve maços de folhas e punhados de cheiros que me lembram quanto inegociável é a certeza da evidência de nossas coragens. feito essa tatuagem da nuca ou cóccix, do qual eu não vejo, mas sei de sua marca em mim e conforme eu me viro, desenha o rumo de sua seta. você me perguntou como serão os vestígios no futuro. ele não existe, menino. ainda assim, quando você me olha desse jeito, vejo fragmentos e rastros das memórias endereçadas ao futuro. saudoso pelo invisível da continuidade de nós e abarrotado pela ânsia de nosso início. eu sei que fará como quem sabe que é preciso o mesmo cuidado com as imagens que enfeitam lápides ou altares. por hora, mordisque esses gizes de cera que eu lhe trouxe até que se pinte por dentro de todas as cores de um interminável pôr de sol dourando nossas memórias. mastigue devagar enquanto rabiscam o rastro deixado pelas urgências de que não se esqueça nunca mais de se lembrar. eu não me esqueço. viveremos abundantes na fartura de sermos nós contrafeitiçando o mundo com coragem e prazer. há constelações inteiras de alforrias à nossa espera, no gesto de amassar barro, espalhar poeira, revirar terra e sê caminho. já acendi uma vela para o desejo nunca nos abandonar á deriva do que definiram desejar por nós. júlia elisa


cores vivas “lâminas lascivas, nossa brasa é fogo ardente ao meu redor, sinto a vida como o futuro prevê um vidente” (resplandecente, ventura profana)

em texto chamado a coragem do segredo (2020), jota mombaça propõe pensar o segredo como aquilo que não pode ser contido por um dado processo de enunciação. não a representação, mas uma figuração de uma sensibilidade que articula expressão e partilha de um segredo: “a nutrição desse impossível, dessa força que simultaneamente já está (expressada por seus componentes) e ainda está por vir (como expressão de uma singularidade contingente a processos de transmissão e transição sempre já em andamento), é a coragem do segredo.” a beleza do título de mombaça sublinha a força de sua proposição. a seguir, numa espécie de breve apresentação dos filmes programados na mostra preto e outra cores, tentaremos nutrir ou nos aproximarmos de segredos que tais filmes partilham – ou ainda, olhá-los eles mesmos enquanto figurações de sensibilidades. * em não fique triste, menino, o movimento da memória monta e elabora. inspirado no álbum maria, maria, de milton nascimento, o filme faz uma dobra no mesmo introduzindo a experiência das bichas no breve e denso rememorar do trauma da escravização africana. transborda do filme, à imagem daquilo que nas imagens transbordam, um banzo e uma alegria terna nos olhares – eis que um futuro se entrevê no retorno ao passado. é também de retorno que, em alguma medida, se trata pele manchada. desta vez, retorno via google drive e sem destino imediato. aos poucos, as fotografias, as camadas de sons sobrepostas e as lembranças narradas vão imantando afeto na paisagem visível – rastros de textos servem como pretexto para a viagem. neste curta, a dança da memória avizinha coisas que, por mais distantes que pareçam, mais próximas se mostram pelos movimentos do amor. por fim, na força de uma canção, a resposta intuída vem em te guardo no bolso da saudade, atendendo às perguntas e


sentimentos que a memória coloca em cena. estruturado como uma carta à mãe – “cordão umbilical prematuramente cortado” -, o filme tem uma impressionante atenção aos detalhes. engajado em lidar ou mesmo tentar preencher o vazio (do porta-retrato, na caixa na lápide, etc.), a busca por um abrigo transforma este curta numa costura, numa manta para aquecer o frio de uma viagem. * em a felicidade delas o encontro entre corpas explode em possibilidades inimagináveis. sem diálogos verbais, este curta todo noturno fabula uma fuga impossível. duas mulheres, a incontrolável força do desejo e a expansão pela cidade: o plural e o singular articulados de modo denso. este movimento de constante passagem entre as duas instâncias – o singular e o coletivo – também aparece em minha história é outra, um filme de cuidado, de diálogo e que propõe um outro modo de lidar com e ligar as diferenças. o “outra” demarcado no título adianta o princípio da alquimia que aproxima duas diferentes protagonistas sem reduzi-las ou concluí-las. time de dois acompanha um momento decisivo na vida de um casal de garotos. o desabrochar da relação entre os dois, e ao mesmo tempo uma espécie de naturalidade que o filme constrói ao redor do casal (a exemplo da figura da mãe), faz do filme um movimento leve de amor e uma prospecção de um jogo mais justo. como respirar fora d’água, por sua vez, encontra nas relações a força necessária para a transformação – seja no casal de namoradas, ou na relação de confrontação entre filha e pai. ao fim, em looping, os gritos de desespero num parque de diversão anunciam o escândalo que é o amor. o curta estende e aproxima-se dos milésimos de segundos que compõem um encontro. a atenção a cada fotograma, estudando o movimento, articula sensação, desejo e consciência. * delirar o racial transfigura e propõe, através das imagens, leituras e compreensões de do pensamento filosófico de denise ferreira da silva, tratando-se, aqui, de um mergulho nos movimentos dos corpos que, em suas danças, desmontam o relógio – abrindo o tempo – para outras coreografias rituais. dois dançarinos num enorme galpão e um agitar do tempo. lembrar daquilo que esqueci, por sua vez, oferece um prisma


de concepções a respeito da ideia de cura. desdobrando questões, partilhando respostas possíveis, o tempo se aflora na montagem deste filme. a mixagem crítica aparece ela mesma como processo de cura. cura efêmera encarnada em sua forma, porque faz parte da experiência de vê-lo, de mergulhar em suas sobreposições e conversas, a emergência de tal processo. * por fim, a proposição de mombaça com a qual iniciamos este pequeno texto está diretamente articulada e repercutindo a fala da professora cintia guedes: “de fato o silêncio não vai nos proteger, mas o segredo vai”, diz ela em diálogo com audre lorde. lembramos, aqui, as célebres palavras repetidas como um mantra no paradigmático línguas desatadas (“tongues untied”, 1989, dir. marlon riggs): “o silêncio é meu escudo – oprime. o silêncio é minha máscara – sufoca. o silêncio é minha arma – tem dois gumes.” a virada das autoras, guedes e mombaça, o remix que elas produzem no recurso ao segredo, nos oferece uma outra chave para pensarmos e nos relacionarmos com as próprias imagens, acreditamos. é da ordem de uma sensibilidade que atravessa e se inscreve nos filmes. não algo por destrinchar, mas a experimentar, a se implicar e a ecoar as forças de transformação que ali se articulam e se reproduzem. talvez línguas desatadas nos aponte isso em sua frontalidade, na espécie de montagem permeada de prazer, de cantos, de uma sensibilidade que olha a nós espectadores/as. seu corte de lâmina lasciva e suas fusões eróticas contagiam – traem o cinema para melhor compor e traduzir sensibilidades. resta-nos experimentarmos e reverberarmos, quem sabe, o segredo que tais filmes, aqui, em exibição partilham: seus gestos ora de desobediência, ora de incomensurável amor; suas crenças nos encontros; o aflorar e agitar do tempo, ou mesmo o desmontar da cronologia… bons mergulhos para todes!

referências ​​a coragem do segredo, de jota mombaça, em catálogo da exposição farsa. língua, fratura, ficção: brasil–portugal (sesc, 2020/2021). disponível em: https://farsa.sescsp.org.br/publicacao/farsa-catalogo. pdf


filmes


NÃO FIQUE TRISTE, MENINO ceará, 2018 direção: clébson francisco sinopse partindo de memórias pessoais, o filme não fique triste, menino busca falar sobre identidade negra, masculinidade e ressignificação da própria memória. PELE MANCHADA bahia, 2020 direção: victor mota sinopse decidi visitar a casa da minha vó na quarentena.


TIME DE DOIS rio grande do norte, 2021 direção: andré santos

TE GUARDO NO BOLSO DA SAUDADE rio grande do norte, 2021 direção: rosy nascimento sinopse uma filha tece memórias sobre sua mãe.

sinopse flávio e wendel são da mesma escolinha de futebol e compartilham o sonho de serem jogadores profissionais. flávio tem dúvidas se deve continuar tentando e, com a possibilidade de sua desistência, wendel percebe que o que eles sentem um pelo outro pode ser mais que amizade.


A FELICIDADE DELAS são paulo, 2019 direção: carol rodrigues sinopse ivy e tamirys fogem juntas da polícia depois da marcha mundial das mulheres do 8 de março. durante a fuga, vão parar em um prédio abandonado, onde amadurecem o desejo que sentem uma pela outra desde o primeiro momento em que se viram na manifestação. a polícia chega e elas se escondem. o espaço daquele aquário de concreto é muito apertado e seus corpos ficam muito próximos. a tensão da violência que se aproxima, anunciada pelo barulho que aumenta cada vez mais no cômodo ao lado, prenuncia a explosão.

MINHA HISTÓRIA É OUTRA rio de janeiro, 2019 direção: mariana campos sinopse o amor entre mulheres negras é mais que uma história de amor? niázia, moradora do morro da otto, abre a sua casa para compartilhar as camadas mais importantes na busca por essa resposta. já a estudante de direito leilane nos apresenta os desafios e possibilidades de construir uma jornada de afeto com camila.


LOOPING minas gerais, 2019 direção: maick hannder sinopse vi um garoto atravessando a rua hoje. COMO RESPIRAR FORA D’ÁGUA são paulo, 2021 direção: júlia fávero e victoria negreiros sinopse na volta de um dos seus treinos de natação, janaína é enquadrada por policiais. já em casa e livre de perigo, ela enfrenta a relação com seu pai, também policial militar, com outros olhos.


DELIRAR O RACIAL rio de janeiro, 2021 direção: davi pontes e wallace ferreira sinopse delirar o racial pensa a espacialidade sem as ficções formais (espaço e tempo). a partir da equação: racial <-> não-local, coreografa um experimento da diferença sem separabilidade e uma equação para anular o espaçotempo como descritores de tudo que existe neste mundo. em busca de uma coreografia que não solicite os pilares ontoepistemológicos, aproxima-se do pensamento de denise ferreira da silva para criar uma ética fora do tempo para vidas negras.

LEMBRAR DAQUILO QUE ESQUECI espírito santo, 2020 direção: castiel vitorino brasileiro sinopse o que é cura? estou fazendo essa pergunta para vidas invisíveis e aquelas que aqui estão encarnadas. como curar o colonialismo que nos adoece cotidianamente? acredito na cura como um movimento cotidiano de nos fazer lembrar daquilo que a racialização nos faz esquecer.


artes


dançando os dias. diário de crônicas. (2021) fotoperformance camilla damião


minha garganta dói, minha garganta pode doer? (2019) vitóri fotoperformance fotografia digital, impressão finearte 297x420 mm castiel vitorino brasileiro


rainha da pista (2021) 21 cm x 29,7 cm grafite, tinta acrílica, lápis de cor sobre papelão cinza diego soares


noite, mar e caminho (2020) acrílica e pva sobre papel feita numa ilha na bahia mônica maria


sem título (2021) fotografia ro rocha releitura de obra sem título de rené peña


final feliz brisa alkimin um lodo cresce em minhas mãos escala minhas paredes, atinge sentidos e coração se eu pudesse, e se a vida assim quisesse me deitaria em um topo de uma montanha acalmaria minha respiração sanha e me tornaria cristalina, com leveza e doçura do fundo de minha amargura até minhas entranhas.


o bicho victor paiva o bicho, meu deus, era um homem! e esse homem com deus se deitava. ao levantar coberto de sangue, por deus, do sangue todo se lavava. esse sangue, meu deus, era meu. de noite, na rua, no breu. de dia, na rua, era eu que ele caçava com bichos. e o bicho, homem, era deus. pode o subalterno falar? pode o subalterno ser ouvido? a língua ergue o colonizador, a língua é o colonizador. tua boca me pariu. do útero das tuas palavras sou expelida ainda pingando líquido amniótico e lágrimas. seus olhos me capturam e me conduzem ao teu cérebro, mas é pela boca que me você me sentencia, que você me determina. que você me beija, que você me cospe, que você vomita, que você me vomita. eu também falo, também tenho boca. anastácia rediviva, rogai por nós, falai por nós, falai conosco. mas no espelho me vejo frankenstein: preto, pele preta, nariz preto, orelhas pretas e uma boca branca. uma boca branca virulenta-violenta. minha boca é branca. minha boca conta mentiras ao meu respeito. mesmo fechada, suas palavras encontram caminhos e correm pra dentro alcançando minha consciência e eu escuto a minha voz envenenada. com uma faca de corte afiado e um alicate começo a cortar e a arrancar minha língua, a extrair minha boca. pingando sangue e palavras que ao alcançar o chão borbulham. minha boca, minha língua, minhas pregas vocais, minha garganta. tudo no chão, tudo pra fora. quero nova boca, nova língua, novas pregas vocais, nova garganta. tudo novo. quando me dou conta: e o cérebro, que é boca anterior a boca?


diretores clébson francisco montador, roteirista e produtor, bacharel em cinema e audiovisual pela universidade federal do ceará e em realização em audiovisual pela escola pública de audiovisual vila das artes. no cinema atua sobretudo nas áreas de montagem, roteiro, produção e desenvolvimento de projetos. já montou cerca de 15 filmes, entre documentários e ficções, os quais já participaram de festivais e mostras de cinema pelo brasil, pela europa e pelos estados unidos, e outros que estão atualmente em processo de finalização. atua também como educador, produtor executivo e curador independente. tem pesquisado e trabalhado com filmes que articulam relações entre a montagem e as imagens de arquivos. dirigiu e montou alegoria dos autômatos com josy macedo, 2021, não fique triste, menino, 2018, e o dia do silêncio, 2017, e atualmente desenvolve projetos de longa-metragem de documentário e

de ficção. colaborou ainda em processos de acompanhamento artístico, orientação e consultoria em projetos de roteiros cinematográficos e de montagem de obras fílmicas. é diretor executivo na a casamata, uma produtora e plataforma expandida que desenvolve projetos e ações voltadas ao campo do cinema, artes visuais, literatura e produção cultural.

serviço de pesquisa e visualização de mapas e imagens de satélite da terra, google maps.

rosy nascimento bacharel em comunicação social - audiovisual (ufrn). cursa o técnico subsequente em eventos (ifrn). é bolsista da formação curatorial (semana de cinema | instituto moreira salles). constrói o coletivo de cinema negro mulungu victor mota audiovisual. está na artista visual nascido em coordenação geral e salvador, bahia. bacharel curadoria da macambira em artes pela universidade – mostra de cinema federal da bahia (ufba) de realizadoras. é na área de cinema e assistente de produção audiovisual, atualmente da incubadora preta cursa especialização em – formação cultural estudos contemporâneos para agentes negres. em dança também na corroteirizou o curta ufba. atua na encruzilhada em reforma (caboré entre a performance, audiovisual, 2019). dirigiu o vídeo e a fotografia, e roteirizou os curtas desenvolvendo uma asfixia (70 olhares sobre pesquisa que gira em torno direitos humanos, 2020) das representações das e te guardo no bolso identidades afrobrasileiras da saudade (mulungu e/ou dissidentes, memória audiovisual, 2021). na e ficção. recentemente, literatura, é autore de tem se debruçado sobre desvio (editora nua, 2018). os bancos de arquivo na no cinema, atua nas internet, tendo explorado encruzas da curadoria, as relações entre corpo roteiro, direção, produção e território, a partir do e som direto.


carol rodrigues é diretora e roteirista. participou da equipe de roteiros de séries da netflix, gloob e hbo. também realizou três curtas metragens, premiados nacional e internacionalmente: a boneca e o silêncio (2015), mãe não chora (2019) e a felicidade delas (2019). agora, carol se dedica ao seu primeiro longa-metragem. mariana campos cineasta, graduada em rádio e tv, formada em direção cinematográfica pela escola de cinema darcy ribeiro. sóciafundadora da timoneira produções. mariana campos descobriu através do audiovisual a forma mais pulsante de dar voz, vida e arte para suas aspirações. busca levar para as telas importantes reflexões sociais, pois acredita que o cinema é uma grande ferramenta de transformação. em sua filmografia, destaque-se a direção dos filmes tia ciata e minha história é outra, ambos premiados em diversos festivais nacionais e internacionais, como o

london feminist film festival, festival internacional de curtas do rio de janeiro, festival internacional de curtas de belo horizonte, recifest, entre outros. recentemente o curta minha história é outra foi eleito um dos finalistas ao grande prêmio do cinema brasileiro 2021. andré santos sócio-fundador e administrador da produtora caboré audiovisual. graduado em comunicação social e letras, possui especialização em cinema. é mestrando em estudos da mídia, com pesquisa focada no cinema negro e lgbt+ brasileiro. trabalha como diretor, roteirista, produtor executivo, assistente de direção e diretor de produção. na universidade, dirigiu e escreveu os curtas rastro da flor, do mar e vida pouca, que rodaram festivais dentro e fora do brasil, recebendo prêmios. é um dos diretores das três temporadas da websérie septo, pela qual ganhou o prêmio de melhor direção no sp webfest. dirigiu e escreveu os curtas

natureza do homem, dias felizes e, recentemente, time de dois, que recebeu o prêmio de melhor filme nacional no 8º recifest – festival de cinema da diversidade sexual e de gênero de recife. assina também os roteiros dos longas-metragens corpo clandestino e meu sofá, contemplados para desenvolvimento no prodav 05. é idealizador e diretor geral da afronte - festival de cinema lgbtqiap+ e idealizador e facilitador do laboratório de narrativas lgbtqiap+. júlia fávero é formada em audiovisual pela escola de comunicações e artes da usp, tendo mais interesse e experiência nas áreas de montagem, direção e roteiro. foi assistente de montagem da segunda temporada da série infanto-juvenil show da história em exibição no canal futura, roteirista e diretora do curtametragem embaixo do asfalto correm meus rios, exibido em 2018 no 29o festival internacional kinoforum de curtametragens de são paulo, e


co-roteirista e co-diretora do curta-metragem como respirar fora d’água, de 2021. maick hannder é sócio-fundador da produtora ponta de anzol filmes. dirigiu os curtas-metragens ingrid (2016) e looping (2019), que foram exibidos em mais de 60 festivais nacionais e internacionais, ganhando vários prêmios. atualmente, está em préprodução de seu terceiro curta-metragem, mãe do ouro, contemplado na edição 2019 do edital bh nas telas. perto da meianoite, seu primeiro projeto de longa-metragem, ganhou três prêmios na edição 2020 do brlab, entre eles o prêmio de desenvolvimento da vitrine filmes. é membro da associação dos profissionais do audiovisual negro (apan). davi pontes (rio de janeiro) é artista, coreógrafo e pesquisador, mestrando em estudos contemporâneos das artes pela universidade federal fluminense. tem dedicado a sua prática

em aprofundar os conceitos de racialidade, coreografia e autodefesa e dos seus funcionamentos a partir da ideia de arquivo contida na produção da história.

espírito santo – brasil. vive e trabalha no planeta terra.

artistas brisa alkimin escreve sobre o limbo do desejo e da wallace ferreira melancolia. narra o (rio de janeiro). artista erotismo e o afeto, bem da dança, coreógrafo, como a ausência destes performer, artista visual. elementos e sensações. na formado em dança pela performance, testa seus universidade federal do rio próprios limites numa linha de janeiro (ufrj). constrói tênue entre sentimento estratégias e coreografa e existência. natural de ações para escapar das belo horizonte (mg), é representações. através também compositora, de práticas indisciplinares, arte-educadora e suas criações provocam estudante de moda e acidentes entre as figurino cênico. partindo linguagens da dança, da decolonialidade, brisa teatro, performance e artes pesquisa a influência de visuais. corpos negros e latinos na história da indumentária castiel vitorino brasileiro do século xx. artista, escritora e psicóloga mestra em camilla damião psicologia clínica. vive a é filha, irmã, aprendiz transmutação como um e aluna. iniciou sua desígnio inevitável. dribla, formação em 2013 na incorpora e mergulha escola de artes valores em sua ontologia bantu. de minas, onde estudou assume a cura como linguagens artísticas da um momento perecível dança, teatro e artes de liberdade. estuda e visuais/performance. constrói espiritualidade após, direcionou seu e ancestralidade foco de pesquisa para as interespecífica. nasceu danças negras e a dança em fonte grande, vitória/ contemporânea, tendo


estudado na escola livre de artes arena da cultura. em 2017 ministrou oficinas nas áreas de percepção e preparação corporal pelo coletivo balaio vermelho - coletivo que promove descentralização cultural e artística - em santa luzia (mg), onde atuava também como produtora e mobilizadora cultural. atua nos grupos/projetos samba de terreiro, corpo oralidade, bloco magia negra e afoxé bandarerê como bailarina e intérprete. é pesquisadora e realiza trabalhos nas áreas do audiovisual, cinema - como atriz e modelo - e como performer em parcerias com grupos artísticos, diretores, artistas plásticos e multiartistas. atualmente é estudante do curso de licenciatura em dança na ufmg e sua investigação é baseada nos estudos de dança e performance pensada para o vídeo por meio de captação de imagens, de áudios, edição e recortes de escrevivências – a base da identidade dos trabalhos produzidos pela artista. por meio das reflexões do viver e na grande

roda, para a artista, “a primeira escola”, camilla correlaciona as vivências e as oficinas com suas mestras e mestres da cultura de tradição popular a seu processo de doar vida a seus trabalhos. diego soares possui mestrado em psicologia social (2021) e graduação (2018) em psicologia pela universidade do estado do rio de janeiro (uerj). estudioso da psicologia social e seus diálogos possíveis com a literatura e as artes plásticas, destacando, principalmente, o interesse pelos temas de subjetivação, raça, identidade, gênero, sexualidades e narração. a dissertação de mestrado as trajetórias possíveis do banzo: desdobramentos em narrativas de autoria negra foi selecionada na chamada da editora ofícios terrestres e está em vias de publicação. em diálogo ainda com esse campo de pesquisa, o autor lançou seu primeiro conto, “melancolia ensolarada”, na coletânea um pé de ancestralidade

(2021), pela editora malê, resultante de um prêmio da mesma. entre os anos de 2016 e 2018, participou do curso de desenho surrealista e performance com a artista visual vera goulart, na fundição progresso (rj), integrando, enquanto artista, as exposições coletivas marterrar (junho/2017) e laboratório fotropia (dezembro/2017), com curadoria de tina paula e vera goulart. publicou, ainda, junto de demais estagiárixs do centro de cidadania lgbt, o capítulo “estagiar no cc lgbt: deslocamentos, encrencas e transexualidades”, pela editora eduerj, no livro transdiversidades: práticas e diálogos em trânsitos (2017). atualmente mantém uma página no instagram chamada @ pedregulho.s, em que expõe seus experimentos com desenho, ilustração, pintura e objetos artísticos. júlia elisa é poeta, escritora, cientista social e pesquisadora. bacharela em ciências sociais pela ufmg e mestra em comunicação social pela mesma instituição.


idealizou um projeto chamado preta poeta, instigando a escrevivência de mulheres negras enquanto dispositivo de autodefinição, prazer e liberdade. organizou duas antologias que foram distribuídas gratuitamente, totalizando cerca de 350 exemplares com poesias das participantes. tem fé na palavra corajosa. acredita na poesia enquanto maneira de transformar o sentir e interferir na realidade. mônica maria é artista visual e tatuadora. seu trabalho recentemente iniciou um processo de expansão pelo universo da pintura, a vontade de exaltar o prazer e o amor resulta neste projeto. natural de belo horizonte e graduada em artes plásticas pela escola guignard, desde 2015 percorre o campo do desenho pensando na pele como suporte, produzindo peças únicas no formato de tatuagem. sua obra se relaciona intimamente com o corpo, com a paisagem e com a liberdade. ro rocha 21 anos, brasileira

artista visual lgbtq+. ro, artista do periférico do interior que desde criança quando ganhou uma câmera de brinquedo vem tendo a fotografia como um lado de se expressar e existir no mundo, hoje trabalhando com a moda continua comunicando suas artes pessoais com trabalhos comerciais e tem como foco trazer como é essa comunicação do seu corpo nesses espaços. victor paiva é historiador e mestre em antropologia pela universidade federal fluminense (rj). mas antes, durante e depois disso: é um homem cis negro gay que encontra na palavra escrita uma maneira de dar formas (ainda que abstratas) às suas alegrias, dores, angústias e incertezas. djs lives lavínni aka princeznhadapaz é música quebradeira, pirataria e sampleagem. com performances, montagens e composições de autoria própria, lavínni traz um djset com bases de música eletrônica e a

musicalidade do funk, hip hop e trap, construindo junto das outras diversas linguagens da juventude lgbttqi+, preta e de mulheres de belo horizonte ambientes de muita agitação e jogação dos melhores hits pra ninguém ficar parado. pedro hbs quilombola, nascido no kilombo manzo ngunzo kaiango, localizado às margens do aglomerado da serra, onde através de projetos da comunidade inicia sua trajetória artística. formado em dança, figurino e produção, paralelamente desenvolve o projeto fervo bh, no qual atua como diretor de arte e dj residente. também atuou como dj nas pistas de eventos como batekoo, classics hip-hop e quem tem swing. pedro hbs vem trazendo em seu setlist uma pesquisa musical pautada em artistas lgbtqia+, abrangendo a cultura negra e as sonoridades periféricas junto a ritmos africanos, latinos, caribenhos, de forma moderna e inovadora.


identidade visual e projeto gráfico levi nolí constrói magias através da comunicação visual: fotografia, design gráfico, direção de arte e audiovisual. é jornalista não-binárie de fortaleza ceará e experimenta voos com a acrobacia aérea. curadoria fabio rodrigues filho atua na crítica, programação, pesquisa e design para cinema. mestrando no programa de pós-graduação em comunicação social da ufmg, graduouse na mesma área na universidade federal do recôncavo baiano (ufrb). é membro dos grupos áfricas nas artes (cahl/ufrb) e poéticas da experiência (ufmg). realizador do filme ensaio tudo que é apertado rasga (ba, 2019). compôs a comissão de seleção de festivais, mostras e laboratórios de filmes, a exemplo do festcurtasbh (2019-2020), diáspora lab (2018), i fianb (2020), etc. recentemente, compôs o corpo curatorial do ix cachoeiradoc, festival

junto ao qual vem contribuindo ao longo dos últimos anos. cineclubista, coordenou por alguns anos o cineclube mário gusmão, participou do cine tela preta, do cinema em vizinhança e atualmente colabora com outros projetos. trabalha como cartazista, realizando pôster de alguns curtas-metragens e mostras. contribui com textos para revistas, sites e publicações diversas. curadoria e idealização breno henrique é bacharel em cinema e audiovisual pelo centro universitário una. mestrando em comunicação social pela ufmg. integra o grupo de pesquisa poéticas da experiência. foi professor do curso de direção de arte e cenografia do npd - núcleo de produção digital da prefeitura de belo horizonte. escreveu e dirigiu o curta-metragem como se o céu fosse oceano, vencedor do prêmio de melhor filme do 21° festival internacional de curtas-metragens de belo horizonte.


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agradecimentos adair pedro dos santos bruno greco carol almeida fernanda kalil glaura cardoso jacson dias jussara morais layla braz lorena cardoso luana melgaço márcia de almeida rocha nilvânia talita afonso dos santos noá bonoba renata figueiredo à 3ª turma do curso “ecossystema”


apesar dos muitos cansaços que movem essa mostra de cinema (negro lgbtqiap+) nasce do reconhecimento e do encontro de muitos espaços e tempos. nasce antes de tudo da minha pele, do meu corpo e de uma série interminável de afetos e afetações que perpassam sobre ele. a preto se manifesta e se expressa em um lugar incerto, móvel e totalmente arriscado de experimentação. o que podem as imagens não brancas cis-heteropatriarcais? o que pode o cinema negro lgbtqiap+? talvez essas sejam as questões, preposições e os apontamentos iniciais que movem com maior força a articulação dos filmes e das obras que até aqui foram apresentadas. desejos de liberdade, impulsos de vida, interesses de cura, partilhas de universos absurdamente íntimos e singulares, vontades e anseios que pulsam na carne, na alma e no espírito, são expressos e manifestos no território das imagens. expressões estéticas, audiovisuais que entram em contágio, atrito e, por vezes de modo contraditório, em diálogo com as alegrias, os prazeres, as delícias, dores e desafios de existir e reexistir em um corpo e em uma experiência semelhante ou próxima à minha. a preto é também e se interessa em ser contradição, em primeira instância se afirma (ou tenta ao menos) se colocar em um lugar que abdica das intencionalidades e dos percalços óbvios, comumente e majoritariamente esperados das vidas negras dissidentes. singularidades, especificidades e subjetividades desejam surgir por aqui em condições prismáticas e multifacetadas. a mostra, em sua primeira edição, se esboça como um ensaio, um gesto de risco agenciado por uma série de encontros, afetividades, energias e vibrações que permitem efetivamente sua realização. os caminhos e rumos ainda são incertos, imprevistos e, apesar dos muitos cansaços que movem, finda-se entre tantas possibilidades um eterno anseio por fazer sentir e por continuar sentindo. frente a mundos que se encontram em colapso, encontrar passagens, possibilidades de respiro e formas de habitar o presente sem medo. imagine uma vida sem mentiras.

breno


Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Preto e Outras Cores [livro eletrônico] : mostra de cinema negro LGBTQIAP+ / organização Analu Bambirra, Breno Henrique, Fernanda Estevam ; curadoria Breno Henrique, Fabio Rodrigues Filho. -- Belo Horizonte, MG : Partisane Filmes, 2021. PDF ISBN 978-65-995048-1-5 1. Cinema 2. LGBTQIAP+ - Siglas 3. Negros na arte - Brasil I. Bambirra, Analu. II. Henrique, Breno. III. Estevam, Fernanda. IV. Rodrigues Filho, Fabio.

21-94353

CDD-791.43 Índices para catálogo sistemático:

1. Cinema negro : Artes

791.43

Eliete Marques da Silva - Bibliotecária - CRB-8/9380


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Catálogo da Mostra Preto e Outras Cores by Nolí - Issuu