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>SIN CITY 2 | O PECADO ESTÁ DE VOLTA O ESTILO QUE ESTÁ FORMANDO SUA LEGIÃO

30 de Agosto de 2009

> ENTREVISTA: Amir

Labaki fala toda a verdade

> A violência na tela > O Cinema Indiagrande

no em debate


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REVISTA DE DEBATE DE CINEMA

EDITORIAL É muito fácil ser cinéfilo nos dias de hoje. É só ir na locadora, pagar uma quantia e levar um filme pra casa. Ou, se preferir, pegar um ônibus e caminhar até um shopping com os amigos e assistir à uma sessão, seguida de uma volta no shopping. Mas na realidade, ser cinéfilo não é só isso. Fui parar pra pensar nisso somente hoje, baseado numa situação de uma estimada amiga minha chamada Silvia. É dificil, nos dias de hoje, encontrar alguém que realmente seja um cinéfilo, e que não veja uma ida ao cinema apenas como um passatempo de fim-de-semana. Mas o cinema não veio ao mundo com esse objetivo. A sua grande meta, na realidade, é fazer com que nós, espectadores pensemos. O que podemos tirar daquilo que estamos vendo? Porque o chamado “povão” não consegue enxergar o que os diretores e roteiristas têm a dizer? Talvez seja esse o mal do cinema brasileiro. É dificil aceitar que comédias bobas façam mais sucesso do que filmes realmente inteligentes. É até vergonhoso saber que Xuxa Gêmeas fez mais sucesso que O Cheiro do Ralo ou A Máquina. Acho que, aqui no Brasil, filmes com conteúdo não têm futuro. O público brasileiro se acostumou a não pensar. Mas como são valiosas as produções que realmente fazem com que pensemos! Mas como é prazeroso quando encontramos amigos e público que apreciam o cinema! Como é prazeroso conversar com alguém que enxerga o núcleo e não apenas a superfície. Essas pessoas são realmente valiosas, essas pessoas sim são cinéfilas. É ótimo quando se vai ao cinema e nos deparamos com pessoas discutindo sobre a cinematografia antes do filme e não tocando pipoca nos pobres seres humanos que se encontram abaixo. A intelectualidade agradece e esse público que realmente entende o que é cinema, vai fazer o diferencial no futuro.

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Há mais de 6 anos, trazendo os melhores filmes da história do cinema para a cidade de Maringá, o Projeto Um Outro Olhar, coordenado por Paulo Compagnolo, já tem se tornado um nome conhecido nas conversas do dia-a-dia de muitos apaixonados pelo cinema. Mas a iniciativa é algo que exigiu esforço e dedicação por parte de Compagnolo e alguns poucos colaboradores que conseguiram tornar a sétima arte uma opção nas poucas realizações culturais que a cidade oferece. Inicialmente exibido no Cine Aspen - hoje já inexistente – Compagnolo, que já foi presidente do cineclube de Cascavel na década de 80, enxergou neste novo projeto um recomeço e uma nova experiência, para exibir não só filmes contemporâneos, mas também os clássicos, favorecendo a formação de público. Segundo ele, o projeto tinha a intenção de oferecer uma alternativa aos filmes comerciais, que ocupam por completo as salas de cinema. “Resgatando da imbecilidade, para um outro olhar em relação ao cinema e para perceber que o cinema não é só o filme de ação americano que complementa a grade de programação na televisão”, declarou. Por decorrência da reforma que está sendo realizada no auditório Hélio Moreira, antiga residência do projeto, por enquanto, ele está sendo exibido na Casa da Cultura do Jardim Alvorada, que, mesmo apesar da distância, mantém o seu público fiel. Os filmes são exibidos todos os sábados às 20h. Mesmo o projeto voltando a ser exibido no Hélio Moreira após as reformas, Compagnolo diz querer continuar a exibir filmes na Casa da Cultura, “Tenho a idéia de fazer um projeto no Jardim Alvorada, para favorecer a população aqui do bairro, que evidentemente é carente nesse sentido”, explicou. Nos mais de seis anos de projeto, Compagnolo já passou centenas de filmes.

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ÍNDICE Sin City e atual estética dos quadrinhos

Para os amantes de Pixinguinha

ENTREVISTA: Amir Labaki fala toda a verdade

Depois de superar a marca de 250.000 espectadores em salas com o documentário musical "Vinícius", o diretor Miguel Farias Jr. prepara um longa documental sobre o compositor e instrumentista brasileiro Pixinguinha (1897-1973). O projeto foi selecionado pela Ancine entre as dez propostas de produção que serão debatidas no próximo dia 20 no Rio de Janeiro no 1° Encontro de Produtores Brasil-França.

A violência na tela grande

PERFIL: Orson Welles, O mestre da montagem

O Cinema Indiano em debate

Divertido e Irreverente

A busca pelo faroeste desaparecido O Programa de Fomento à Produção e Teledifusão do Documentário Brasileiro – DOCTV – nasceu em 2003 como uma política da Secretaria do Audiovisual voltada à produção de documentários e à TV Pública. Desde então, o DOCTV atua em toda a cadeia produtiva do documentário, criando ambientes de mercado, auxiliando na formação de profissionais, garantindo a regionalização da produção e a difusão do conteúdo em âmbito nacional. Todos os estados brasileiros participam do projeto por meio de suas TVs ou Instituições Públicas em associação com a produção independente, formando a Rede DOCTV. No total de suas temporadas, o DOCTV teve 3.000 projetos de documentário inscritos em 100 concursos estaduais.

Como fazer um filme com uma garrafa de Uísque Feita com o dinheiro de uma rifa de uísque durante as férias escolares, a modesta produção venceu o Festival do Rio e a Mostra de São Paulo (os dois maiores festivais de cinema do País), como melhor filme pelo voto popular. Matheus aposta em diálogos ora leves, ora intensos, e longos planos-sequência para contar a última hora que esse jovem casal passou junto. A referência mais clara está nos ótimos Antes do Amanhecer (1995) e sua continuação Antes do Pôr-do-Sol (2004), de Richard Linklater. Matheus confirma a fonte, mas diz que seu cineasta preferido é Woody Allen. O Programa de Fomento à Produção e Teledifusão do Documentário Brasileiro dução de documentários e à TV Pública.

Os medos em película

FilmeFobia é polêmico, perturbador e desconfortável. O diretor Kiko Goifman criou uma estrutura de documentário fictício. Colocou em cena outro cineasta, interpretado pelo crítico Jean-

O Filme Leolo de JeanClaude Lauzon é lançado em DVD em uma edição super especial. A história emocionou e divertiu os espectadores com um garoto solitário e sonhador, apaixonado pela Itália e pela sua sensual vizinha, com quem sonha situações um tanto ousadas para a sua pouca idade.

Claude Bernardet, engajado na realização de um filme capaz de registrar a imagem do nascimento do medo, definida como o exato momento em que um fóbico é confrontado com sua fobia.

“Alô, Alô, Teresinha”

O Oscar brasileiro Essa semana foi divulgado os concorrentes para o kikito do 37º Festival de Gramado. Um dos selecionados é o sucesso de bilheterias “Se eu fosse você 2”. Para José Antônio da Silva, pesquisador da Unicamp, o festival já teve épocas melhores. O documentário “Alô, Alô, Teresinha”, de Nelson Hoineff, recebeu no último domingo o prêmio de melhor filme do 13º CINE-PE – Festival Audiovisual do Recife. Um mergulho na visão de mundo antes do que na biografia de Abelardo Barbosa, o documentário recebeu um total de quatro prêmios, incluindo os do público, de montagem e o Troféu Gilberto Freyre. Estreia prevista para outubro.


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A ONDA DO MOMENTO A estética dos quadrinhos que já possui um público fiel Arnaldo Gomes

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eiam abaixo 21 peque- exceto aquelas “sonhadonas críticas de 21 fil- ras”. O motivo é que podemes em cartaz nos cinemas. rão ficar inquietas na sala, já Com exceção da estréia (“Sin que o andamento de “CasteCity - A Cidade do Pecado”) lo Animado” é lento (119 mie da pré-estréia (o desenho nutos) e a trama, um pouco “Castelo Animado”), a lista confusa e carregada para parte do filme mais indicado os pequenos --mas como para o menos aconselhável. deve ser um épico juvenil. Camelos Também ChoTrata-se evidentemente de uma classificação subjetiva ram (“Die Gieschichte porque, como toda crítica, von Weineden Kamel”) De longe um dos melhores ela se baseia no gosto pessoal da reportagem. O obje- filmes de 2005, “Camelos...” tivo é apenas dar dicas para também conta a história da os leitores decidirem o que sorte ou bênção dos cinevale e o que não vale a pena astas Davaa e Falorni, que assistir no final de semana. viajam ao sul da Mongólia Sin City - A Cidade do para acompanhar a vida de Pecado (“Sin City”) - Nem uma família de criadores de a linguagem e estética dos camelos e acabam presenquadrinhos ou o estilo “ta- ciando o problemático parrantino” de fazer cinema ser- to de um animal albino, que vem para amenizar um fato: acaba rejeitado por sua mãe. “Sin City” é um dos filmes O que parece um fato corrimais violentos já realiza- queiro no cotidiano daquela dos. Tudo o que você puder região inóspita se transforma na granimaginar soUm tom dark e obsde história bre a barbárie curo que os quadride suas vihumana, vai encontrar lá. nhos dão ao cinema das. E, por que não Feita essa resdizer, na salva, eis um trabalho que nenhum apai- do público também: porxonado pelo cinema pode que ninguém sai do cineperder. Primeiro porque é ma sem carregar um largo a mais perfeita montagem sorriso no rosto. Sem exacinematográfica da obra do gero algum, quem gosta de gênio Frank Miller --e qual- animais considerará esta quer coisa que Miller tenha uma das histórias mais feito precisa ser vista (ou belas já contadas na tela. Tartarugas podem lida). Segundo, porque, misturado a todo aquele sangue Voar (“Lakposhtha Ham Mikonand”) tarantinesco --amarelo, ver- Parvaz Jamais alguém mostrou de ou branco-- existe uma história de amor, de culpa tão bem --e tão dolorosae com um conteúdo filosó- mente-- o drama dos refufico que raras vezes o cine- giados curdos: massacrados ma mostrou tão bem. Um pelos iraquianos, estuprafilme que você tem de res- dos pelos turcos, esquecipirar fundo antes de entrar. dos pelo mundo, os curdos E procurar ar quando sair. estão há décadas à mercê do Castelo Animado (“Hauru horror. Horror agora transUgoko Shiro”) - Um longo portado para o cinema nesconto de fadas e bruxas de ta co-produção Irã-IraqueHayao Miyazaki, o mesmo França. A atualidade de do maravilhoso “Viagem de “Tartarugas...”, com imagens Chihiro”. Está com sessões da invasão norte-americana dubladas e legendadas em no Iraque e a derrubada de pré-estréia. Os traços e a Saddam, faz dele uma espéanimação são impressionan- cie de versão light de “Sin tes e já valeriam cada centa- City” --só que no mundo vo do seu ingresso. Mas vale real. Um filme tão perturalertar aos pais que este não bador que muita gente sairá é um filme indicado para do cinema embasbacada ou crianças muito pequenas, psicologicamente em fran-

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Sin City 2 é o novo sucesso comercial com estéticas de filmes ‘cults’. galhos. Acredite: mesmo as- da melhor do que aquelas sim é uma experiência que que já se tornaram comuns você não deve abrir mão. em sua carreira-- e de ToCaiu do Céu (“Million”) - pher Grace (o Eric Forman Outro filme que honra o ci- de “That’s 70’s Show “, do nema contemporâneo, pelas canal Sony, e de “Homem mãos do diretor Danny Boy- Aranha 3”). A única nota le --o mesmo de “Cova Rasa” destoante fica para Scarlett (94) e “Trainspotting” (96). Johansson, que fez (mais) Uma narrativa sobre a inge- uma composição mediana nuidade e doçura da infân- de sua personagem. Mas cia, uma comédia dramá- isso não muda em nada tica cheia de surrealismo e o veredicto: imperdível. efeitos gráficos comedidos, Exílios (“Exils”) - O filme porém essenciais. Isso sem tem um nome e ele atende falar na atuação impecável por Lubna Azabal, a atriz do menininho “santo”, Alex que interpreta Naima. “ExíEtel. “Caiu do Céu” é um lios” conta a saga de um cafilme ideal para quem gos- sal de namorados que segue ta de viajar, em uma longa mas dentro O estilo que caracte- jornada até a do cinema. riza uma nova safra Argélia, onde Nicotiele (Romain de realizadores na (idem) Duris no papel - Humor e de Zano) quer inteligência por todos os reencontrar suas raízes falados, personagens bem miliares e culturais. O cacompostos, roteiro impe- minho é longo e feito a pé. cável e um desfecho anto- Enquanto Zano corre atrás lógico, que leva o público de sua memória, Naima é ao delírio... Na verdade, é jogada contra seu passado. muito difícil exigir mais de Sua interpretação é espeum filme do que o que en- tacular da primeira à últicontramos em “Nicotina”. ma cena. Um filme valioso. Diversão e muita fumaça. Extremo Sul - Vamos reEm Boa Companhia (“In forçar: se você ainda não Good Company”) - Mais viu este documentário braum filmaço em cartaz. Co- sileiro de Mônica Schmiemédia dramática com texto dt e Sylvestre Campe, está excelente, roteiro “redondo” perdendo tempo. A história e um final que foge de todos da “escalada” do monte Saros clichês que grassam no miento (sul da Patagônia) cinema comercial. Ainda há por um grupo de alpiniscomo bônus a performan- tas tem todos os pilares do ce de Dennis Quaid --ain- grande cinema: ação, humor

e drama. E uma fotografia para ficar na memória. Madagascar (idem) - Há duas cenas antológicas nesta animação da DreamWorks: a primeira, uma exclamação que os hilários pingüins fazem no momento em que chegam ao pólo sul; a segunda, quando os personagens principais --Marty, Alex, Gloria e Melman-- descobrem a dura realidade da selva. Filme para levar as crianças, os avós, os vizinhos, a namorada... A Fantástica Fábrica de Chocolate (“Charlie and The Chocolat Factory”) - OK, é um clássico. Ou melhor, o “remake” de um clássico. Como tal, é inevitável que exista muito saudosismo e paixão nas críticas (extremamente positivas) e nas infindáveis “estrelinhas” que este filme vem recebendo da mídia, de forma geral. Como toda meobviamente não há espaedição ou escolha de elenco (e isso começa por Johnny Depp no papel principal). Mas, daí a concluir que estamos diante de um filme antológico, divino, sublin. Batman Begins (idem) Seria um lugar-comum e uma injustiça dizer que é o melhor de todos os “Batmans”. Na verdade, é um dos melhores filmes entre todos os que estão em cartaz. Pela primeira vez, nós, os fãs do lendário homem-morcego.

Sin city 2 com muito mais estilo A

"graphic novel" Sin City foi lançada por Frank Miller em 1991. A característica principal do trabalho é ter o traço em preto e branco, com o uso excepcional de cores. Frank Miller não guardava boas recordações de seus trabalhos em Hollywood e, por isso mesmo, não pretendia voltar a trabalhar por lá tão cedo. O episódio mais marcante desses desentendimentos entre ele e a indústria cinematográfica se deu quando redigiu o roteiro de Robocop. O filme proposto por Miller era totalmente diferente do que foi às telas. As alterações no roteiro do escritor foram em grande parte responsáveis pelo fracesso do filme diante da crítica especializada. Diante desse acontecimento, Frank Miller se recusou a vender os direitos de adaptação para o cinema de qualquer trabalho seu nos quadrinhos. A decisão

Conheça as capas dos quadrinhos de Sin City de Frank Miller

Inferno 2 - Após o misterioso seqüestro de sua mulher, Wallace enfrenta tipos estranhos e a própria polícia para descobrir o que há por trás dessa conspiração. Em uma perigosa aventur.

de Miller mudou graças a Robert Rodriguez, grande fã de "Sin City", que rodou por conta própria um curtametragem baseado em uma das histórias da série. Sua intenção era mostrar o trabalho para Miller e convencê-lo de autorizar o projeto. Robert Rodriguez apresentou o curta-metragem à Frank Miller alegando que, se ele gostasse, o filme poderia ser usado na cena de abertura do longa-metragem. E Caso não gostasse, o quadrinista poderia usá-lo para mostrar aos amigos, já que se tratava de uma homenagem ao seu trabalho. Miller, no entanto, não só aprovou o material como adorou o trabalho de Rodriguez. O diretor então tentou mais uma cartada: considerando o estilo visual de Frank Miller tão importante para a elaboração de Sin City, ele convidou Frank Miller para trabalhar com ele e receber o crédito de

"co-diretor" no longa. Como nos créditos como "diretor o Director's Guild of Ameri- especialmente convidado". Sin City - A Cidade do ca não permite a existência desta função - que na prá- Pecado é baseado nas histica quer dizer que existem tórias "The Hard Gooddois diretores para um fil- Bye", "The Big Fat Kill" me só -, Rodriguez decidiu e "That Yellow Bastard" Sin City - A Cidade do Pese desligar do sindicato. Por esta razão, Robert Ro- cado foi inteiramente filmadriguez teve que abdicar do do sob uma tela verde, com trabalho em outro longa- atores contracenando sem metragem - John Carter on cenário algum. A ambientaMars, o qual O orçanmento de ção foi posteriormendirigiria logo Sin City 2 foi o de te incluída após a concluUS$ 450,00 através de são de Sin City. compuQuentin Tarantino foi mais um diretor tadores, processo utilizaque se juntou a equipe, à do Capitão Sky e o Munconvite de Rodriguez. Pelo do de Amanhã, de 2004. As próprias revistas em preço simbólico de US$ 1, ele dirigiu algumas seqüen- quadrinhos de Sin City focias de Sin City. A atitude ram usadas como storyboard foi uma retribuição, feita na pelos diretores para fazerem mesma moeda, para Robert o filme. A fidelidade ao gêRodriguez, que em 2004 nero, portanto é absoluta. Robert Rodriguez escalou compôs a trilha sonora de Kill Bill - Vol. 02 (2004) inicialmente Johnny Depp pela mesma quantia. Por- para o papel de Jack Raffertanto, é só ficar de olho, pois ty. O ator Depp chegou a Quentin Tarantino aparece negociar sua participação no

filme, mas não chegpu a um acordo com a produção. Em seu lugar entrou Benicio Del Toro, escolhido graças ao cabelo cumprido ostentado na festa do Oscar de 2004. Christopher Walken, Willem Dafoe, Michael Douglas e Steve Buscemi tiveram personagens oferecidos, mas recusaram o trabalho. Devem estar arrependidos. Jessica Alba visitou alguns clubes de striptease para compôr sua personagem. Suas coreografias foram feitas por ela mesma, com a ajuda de Robert Rodriguez, sem a necessidade de um profissional especial para isso. A música com a qual Jessica Alba dança em cena não é a mesma usada na edição final: Robert Rodriguez substituiu o som posteriormente. Frank Miller, co-diretor e criador da graphic novel na ta, interpretando um padre. O orçamento de Sin City - A Cidade do Pecado foi de US$ 450,00 milhões.

A cidade do pecado - Em seu primeiro volume, Frank Miller narra a vida na suja e apaixonante Basin City, ou apenas Sin City, uma cidade envolta em corrupção e ódio, onde em cada beco de suas ruas há crimes que ninguém quer saber.

A dama fatal - Dwight McCarthy pensa nas várias maneiras como acabou com sua vida. Ele daria qualquer coisa para sentir a chama da paixão o preenchendo mais uma vez. Ava o chama... mas não se esqueça Sin City .

A grande matança - Dwigth McCarthy é considerado um assassino pela polícia por ter se livrado de quem tentou destruir sua vida no passado. Com um novo rosto e documentos falsos, ele anda tranqüilamente pelas ruas.

Inferno 1 - Frank Miller conta uma história de amor passada em uma cidade como Sin City, repleta de corrupção, sexo e violência. Ao impedir que um psicopata violente e mate uma menina de onze anos, ele se vê imerso.

Noite da vingança - Algo de muito ruim aconteceu em Sin City. Nem mesmo os criminosos parecem saber exatamente o que foi ou qual é a dimensão do ato imoral e maligno que praticaram.

Apenas outra noite de Sábado Esta edição traz dez pin-ups exclusivos, realizados por artistas brasileiros. Além disso, a revista traz duas histórias completas sobre a cidade fictícia de Frank Miller.

O assassino amarelo - Um dos maiores gênios do quadrinho, Frank Miller apresenta, nesta que é considerada a melhor história de Sin City, John Hartigan, talvez o último policial honesto da cidade.

A dama de vermelho 1 - Esta revista é um clássico para os fãs. São três histórias reunidas. Em duas delas, pequenos contos mostram como é a vida em Sin City.


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ENTREVISTA

"O documentário pode ser tão atraente quanto a ficção" O crítico Amir Labaki, criador do festival É Tudo Verdade, afirma que houve uma mudança radical nos documentários na última década porque seus diretores perceberam que eles poderiam se igualar ao poder da ficção

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crítico de cinema Amir Labaki dirige a programação do festival É Tudo Verdade desde que o criou, em 1996. Na época, a produção de documentários era dez vezes menor do que é hoje. Este ano, haverá duas edições para acomodar a extensa programação, que inclui 12 filmes nacionais inéditos. A primeira, que acontece entre 25 de março e 26 de abril em São Paulo, Rio e Brasília, traz as mostras competitivas, em que filmes brasileiros e estrangeiros receberão prêmios. A segunda edição, no segundo semestre, será de mostras especiais, como a intitulada Foco Latino Americano e a 10 Documentários que Mudaram o Mundo. Para Amir Labaki, os documentaristas hoje usam uma linguagem muito mais inventiva e atraente. Em entrevista a Neônio, Labaki disse que o que separa documentário de ficção é o pacto de confiança que o cineasta cria com seus personagens e com os espectadores.

três estréias de documentários nacionais por ano nas salas de cinema, e uma internacional. Em 2008, foram 23 estreias de documentários brasileiros e 10 internacionais. Nos últimos três anos, um terço das estreias brasileiras nas salas de cinema é de documentários. Neônio – Quais foram as principais mudanças na estética do documentário? Labaki – Na cena internacional, a partir do 11 de setembro, houve uma explosão de documentários engajados. A liderança de Bush e a guerra ao terror trouxeram uma repolitização do documentário. Hoje isso mudou, a política não é mais o vetor principal. Estamos num momento de transição, em que as tendências ainda estão nebulosas. Não há tema ou estilo dominante. O Brasil nos últimos anos viu uma sofisticação grande do documentário, aumentou o nível de complexidade das narrativas. Os documentários hoje têm uma ousadia formal que raras vezes foi vista na História. O docuNeônio – O documen- mentário brasileiro saiu da tário ganhou uma im- zona de conforto, que era portância grande nos em geral uma homenagem últimos anos. Por quê? a alguém ou uma visão jorAmir Labaki – Há 15 anos, nalística de algo em nossa quando começou o festival, história. Antes eram poucos o documentário era uma os nomes importantes de produção marginal. Dali em documentaristas brasileidiante, houve uma mudança ros. Hoje são dezenas, e que radical têm uma obra sólina cara “O diálogo entre do- da. Houve uma exdo do- cumentário e ficção pansão da classe. cumen- hoje contaminou o Neônio – O visutário. al do documentário cinema” I s s o hoje contaminou tem em parte a ver com a também a ficção. Por quê? mudança de mentalidade Labaki – O diálogo entre dos documentaristas, que documentário e ficção é tão perceberam que o documen- velho quanto a história do tário tem de ser tão atraente cinema. Nos anos 90, houve quanto a ficção. Também há uma expansão do visual de o fato de outros festivais de documentário nos filmes de documentários no mundo ficção brasileiros, e também derem visibilidade ao gêne- internacionais, sobretudo ro, que começou a chegar às iranianos. Diários de mosalas de cinema. O público tocicleta, por exemplo, do aumentou. Isso tem a ver Walter Salles Jr., é filmado também com a revolução como se fosse um documendigital, que barateou mui- tário sobre a América do Sul, to e facilitou a produção de que é pano de fundo para documentários. Quando co- uma história ficcional sobre meçou o É Tudo Verdade, Che Guevara. Há uma intínhamos no Brasil duas ou fluência da forma de narrar

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Labaki – As regras do joras histórias, que dá para ver ca, não é estranho que haja em filmes de Tata Amaral e essa reação mais intimista. nalismo não valem para os Maria Augusta Ramos, por Neônio – Como é documentários. O jornalista exemplo. Há outra questão, o processo de seleção deve ouvir sempre os dois lados. O documentarista é um artista, como o cineasta de ficção. Ele deve imprimir seu olhar. Parte do sucesso de Michael Moore é a forma como ele injetou humor no documentário. Aquele é o olhar dele, todo mundo sabe que não é um filme neutro. Moore contribuiu para a ruptura do mito de neutralidade do documentário. Neônio – E as barreiras éticas? O quanto um documentário pode expor alguém? O filme de Kim Longinotto, As tias duronas, que será exibido no festival, mostra o rosto de meninas que foram abusadas sexualmente ou que sofreram violência. Labaki – O limite ético é bem claro no filme. O olhar de Kim é cuidadoso e cúmplice com as crianças. Não é sensacionalista – e por essa razão que é a do tema. O Notícias do É Tudo Verdade? é um filme ético. Um docude uma guerra particular, de Labaki – Abrimos as ins- mentário se define pelo pacJoão Moreira Salles, de 1998, crições em setembro, em to ético do cineasta com o pela primeira vez cruzou o que os realizadores podem personagem e com o espectema do tráfico. O filme in- se inscrever para a competi- tador. Neônio – João Moreifluenciou diretamente o ci- ção ou para a mostra para- ra Salles disse uma vez que o nema de ficção, como Cida- lela. Dez pessoas se dividem documentário usa as pessode de Deus e Tropa de elite. para selecionar os filmes. as, e deve dar a elas algo em Neônio – Não dá para Nós também fazemos convi- troca. O que acha dessa tenidentificar nenhuma ten- tes. Os filmes que chegam a tativa dos cineastas de indência para o futuro? ser exibidos correspondem terferir de alguma forma na Labaki – O Brasil vive um a mais ou menos 10% de realidade que eles filmaram? momento de Labaki – Alguns realizatudo o que “O Brasil vive um molibertação da recebemos. dores se envolvem com a mento de libertação linguagem, Este ano fo- vida dos personagens após de uma rupram 1.800 o filme. Não podemos coda linguagem” tura com o i n s c r i t o s . brar isso de todos. A posdocumentário tradicional. Neônio – E a qualidade? tura que Kim assumiu em Não dá para saber bem para Labaki – A média no Bra- Tias duronas não é a mesonde vai. Lá fora, com base sil subiu muito. Houve um ma que ela assumiu em nosso processo de seleção amadurecimento do docu- outros filmes de seus 20 de filmes este ano, notei que mentário, o que torna a es- anos de carreira. Não exishá uma certa tendência ao colha cada vez mais difícil. te regra. Temos de cobrar, autodocumentário, um reNeônio – Um documen- isso sim, um compromisso torno do vídeo diário dos tarista sempre imprime ético. O documentário é anos 80. São filmes em que sua marca num filme. Até a janela pública da relao cineasta fala de si, de suas onde vai a objetividade? ção que o diretor estabeexperiências familiares. É um valor que deve ser leceu com seus personaApós uma onda tão políti- buscado pelo cineasta? gens e com o espectador.

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De Kill Bil a Tropa de Elite Como a violência é tratada no cinema

Em seis dias, a Praia da 40 mil habitantes e conVila, em Imbituba, centrali- ta com cerca de mil leitos rotagonista e respon- zará as atenções do mundo na rede de hotéis e pousável por boa parte do surfe. A partir do dia 27, sadas para hospedagem. do sucesso de “Tropa de os melhores atletas da diviA cidade entendeu que o Elite”, Wagner Moura deve são de elite do esporte es- WCT (agora denominado ter participação nos lucros tarão em da bilheteria da sequência busca do do filme, de acordo com a título do coluna de Mônica Berga- Hang Loomo na Folha de S. Paulo. se Santa O ator é o novo sócio do C a t a r i n a diretor José Padilha e do Pro, única roteirista Bráulio Mantova- etapa da ni, que mantêm em segredo Associaos detalhes do novo filme. ção dos Entre as poucas informa- Surfistas ções já divulgadas, sabe- Profissio-A mulher assassina de Kill Bill. se que “Tropa de Elite 2” nais (ASP) no Brasil. O pra- ASP Tour) é a nossa bandeiexibirá crimes relaciona- zo termina em 5 de julho. ra mais importante e mexe dos às esferas mais altas O país terá, nesta edição, com o orgulho de Imbituba, de poder, ao contrário da pelo menos seis represen- porque podemos dizer, de primeira produção, que tantes: três fazem parte da cabeça erguida, que temos o deu destaque às favelas. elite – Adriano de Souza Maracanã do surfe – ressalta. No segundo longa-me- (SP), Jihad Kodhr (PR) A etapa deste ano, no tragem, Wagner Moura, e Heitor Alves (CE) –, e entanto, irá ocorrer pela o Cap. Nascimento, está três entram como convi- primeira vez, desde 2003, bem mais velho e é Secre- dados – Gustavo Fernan- quando passou a ser disputário de Segurança do Rio. des (RJ), Marco Polo (SC) tado em Santa Catarina, no O filme deve chegar aos e Bernardo Pigmeu (PE). inverno, época consideracinemas sem pré-estreia ou Caso algum top desista por da ideal para a prática do exibição para a imprensa. motivo de lesão ou apresen- surfe no Sul do país, deviA ideia é que 400 cópias te atestado médico, aí o nú- do ao tamanho das ondas. sejam distribuídas e que o mero de brasileiros inscritos Observação de baleias público tire suas próprias pode aumentar. E para ofe- é uma atração paralela conclusões, sem influên- recer uma estrutura condiNas edições anteriores, o cia da crítica especializada. zente com o tamanho do Mundial era disputado nos A Guarda Revolucionária, evento, o prefeito de Imbi- meses de outubro e novemcorpo de elite da República tuba, José Roberto Martins, bro. Agora, a meta será leIslâmica do Irã, ameaçou re- não tem poupado esforços. var um bom público para agir contra os manifestanFã de esportes e da mo- a beira da praia em dias tes que pedem a anulação dalidade, Martins vem se provavelmente mais geda reeleição do presidente reunindo com lideranças e lados, tempo estimulante: Mahmud Ahmadinejad, in- empresários do município Apesar de estarmos em formou a agência estatal de para que divulguem aos baixa temporada, a expecnotícias Mehr nesta segun- quatro cantos a competição. tativa é boa por causa das da-feira. “As Guarda Revo- Afinal, o Hang Loose SC ondas e isso, sem dúvida, lucionária, os basijis (milícia Pro projeta, hoje, o nome agrega valor. As férias escolares também ajudarão a levar mais jovens à praia, sem falar no turismo ecológico e na observação de baleias, uma atração à parte – diz. A cadeia de televisão norte-americana avança também David Carradine deverá ter morrido devido a causas naturais. Pois é assim que os os leitores da Playboy vão ver a modelo. A Tropa de Elite mais massacrante do país Muitos deles vão estranhar uma página rasgada na islâmica vinculada à Guar- da cidade mundo afora. entrevista do mês com o huda) e as outras forças de orNos últimos dois anos, o morista Tom Cavalcante. Na dem e segurança estão dis- evento cresceu muito para página seguinte, vão percepostas a executar uma ação nós e trouxe impactos eco- ber que é o efeito da espada decisiva e revolucionária nômicos efetivos para a de samurai empunhada por para dar fim ao complô e aos cidade – afirma Martins. Gisele Bündchen na camdistúrbios”, afirma um coSegundo o prefeito, Im- panha de Sky HDTV, criamunicado citado pela Mehr. bituba tem, atualmente, da pela Giovanni+Draftfcb. Letícia Orlandi

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Coluna Herminilton da Silva

Cinefilia É muito fácil ser cinéfilo nos dias de hoje. É só ir na locadora, pagar uma quantia e levar um filme pra casa. Ou, se preferir, pegar um ônibus e caminhar até um shopping com os amigos e assistir à uma sessão, seguida de uma volta no shopping. Mas na realidade, ser cinéfilo não é só isso. Fui parar pra pensar nisso somente hoje, baseado numa situação de uma estimada amiga minha chamada Silvia. É dificil, nos dias de hoje, encontrar alguém que realmente seja um cinéfilo, e que não veja uma ida ao cinema apenas como um passa-tempo de fim-de-semana. Mas o cinema não veio ao mundo com esse objetivo. A sua grande meta, na realidade, é fazer com que nós, espectadores pensemos. O que podemos tirar daquilo que estamos vendo? Porque o chamado “povão” não consegue enxergar o que os diretores e roteiristas têm a dizer? Talvez seja esse o mal do cinema brasileiro. É dificil aceitar que comédias bobas façam mais sucesso do que filmes realmente inteligentes. É até vergonhoso saber que Xuxa Gêmeas fez mais sucesso que O Cheiro do Ralo ou A Máquina. Acho que, aqui no Brasil, filmes com conteúdo não têm futuro. O público brasileiro se acostumou a não pensar. Mas como são valiosas as produções que realmente fazem com que pensemos! Mas como é prazeroso quando encontramos amigos e público que apreciam o cinema! Como é prazeroso conversar com alguém que enxerga o núcleo e não apenas a superfície. Essas pessoas são realmente valiosas, essas pessoas sim são cinéfilas. É ótimo quando se vai ao cinema e nos deparamos com pessoas discutindo sobre a cinematografia antes do filme e não tocando pipoca nos pobres seres humanos que se encontram abaixo. A intelectualidade agradece e esse público que realmente entende o que é cinema, vai fazer o diferencial no futuro. Há mais de 6 anos, trazendo os melhores filmes da história do cinema para a cidade de Maringá, o Projeto Um Outro Olhar, coordenado por Paulo Compagnolo, já tem se tornado um nome conhecido nas conversas do dia-a-dia de muitos apaixonados pelo cinema. Mas a iniciativa é algo que exigiu esforço e dedicação por parte de Compagnolo e alguns poucos colaboradores que conseguiram tornar a sétima arte uma opção nas poucas realizações culturais que a cidade oferece. Inicialmente exibido no Cine Aspen - hoje já inexistente – Compagnolo, que já foi presidente do cineclube de Cascavel na década de 80, enxergou neste novo projeto um recomeço e uma nova experiência, para exibir não só filmes contemporâneos, mas também os clássicos, favorecendo a formação de público. Segundo ele, o projeto tinha a intenção de oferecer uma alternativa aos filmes comerciais, que ocupam por completo as salas de cinema. “Resgatando da imbecilidade, para um outro olhar em relação ao cinema e para perceber que o cinema não é só o filme de ação americano que complementa a grade de programação na televisão”, declarou. Por decorrência da reforma que está sendo realizada no auditório Hélio Moreira, antiga residência do projeto, por enquanto, ele está sendo exibido na Casa da Cultura do Jardim Alvorada, que, mesmo apesar da distância, mantém o seu público fiel. Os filmes são exibidos todos os sábados às 20h. Mesmo o projeto voltando a ser exibido no Hélio Moreira após as reformas, Compagnolo diz querer continuar a exibir filmes na Casa da Cultura, “Tenho a idéia de fazer um projeto no Jardim Alvorada, para favorecer a população aqui do bairro, que evidentemente é carente nesse sentido”, explicou. Nos mais de seis anos de projeto, Compagnolo já passou uma centenas de filmes.


[NE] NEÔNIO

30 de Agosto de 2009 | 08

REVISTA DE DEBATE DE CINEMA

Cinema das Índias: A indústria do sucesso Amado Batista

A

pesar do atraso de duas horas e da forte chuva ter causado um engarrafamento nos arredores do Beira-Rio, a festa do Centenário do Internacional foi um show de sons e luzes. A fachada do estádio colorado recepcionou os mais de três mil convidados com fotos históricas do time. A entrada principal foi o vestiário profissional. Quem passou por ali, aproveitou para tirar fotos do local restrito aos jogadores. Dali, torcedores, jogadores atuais e antigos, dirigentes e personalidades foram conduzidos para o centro do campo, onde mais um espetáculo, ao som do grito da torcida, foi apresentado com um globo de cores vermelho e branco. No Gigantinho, uma linha do tempo com as capas de Zero Hora mostrava as principais conquistas do grupo, como a Copa do Brasil de 1992, a Libertadores e o Mundial. Ídolos colorados se misturaram aos torcedo-

res nas mesas distribuídas em três níveis. Entre eles, Figueroa, Falcão e Clemer. A chegada de Adriano Gabiru, autor do gol que deu a conquista do Mundial ao Inter, foi bastante festejada. No início da cerimônia, um parabéns instrumental se misturou com os principais hinos da torcida, emendando com o canto do capitão Fernandão na chegada da equipe a Porto Alegre, após a conquista do título de campeão do mundo. Os apresentadores do evento, Rogério Amaral e Renata vidéu, e do Boca Juniors foram chamados pelo vice-presidente de Marketing, Jorge Avancini, para receberem homenagens do Inter e saudarem o Centenário. O prefeito de Porto Alegre, José Fogaça, discursou também e festejou o aniversário: Não haverá nenhum outro dia como esse. Este talvez seja o único dia do século inteiro em que os torcedores colorados não tenham o privilégio de festejarem. Este

sentimento de orgulho pertence a todos os gaúchos hoje. Não bastasse o Internacional ter levado o nome da cidade de Porto Alegre a todos os lugares, ainda há um outro motivo para celebrar: sãoOs indianos já podem se orgulhar, pois a indústria já é potência as centenas de crianças em sequência, o Ministro dos de 50 ex-atletas foram ao vulnerabilidade social que Esportes, Orlando Silva, foi palco. E representando o são atendidas pelos proje- quem falou aos convidados: grupo de hoje foi chamado tos sociais do Inter. Viva o Os organizadores convo- Clemer, o mais vitorioso Internacional. E apoiamos caram, em um dos momen- goleiro da história colorada. o Gigante Para Sempre, que tos mais emocionantes, to- que tiveram grande partiserá a sede da Copa do Mun- dos os ex-atletas presentes. cipação nos anos 70, tamdo de 2014 em Porto Alegre. Entre eles estavam Dunga, bém foram homenageados. O presidente Vitorio Pi- Figueroa, Falcão, ValdomiO presidente Vitorio Piffero recebeu, em seguida, ro, Milton Vergara, Zangão, ffero subiu em um círcuuma homenagem da Con- Larry, Sangaletti, Batista, lo colocado no meio do federação Sul-Americana Nilson, Maurício, Taffarel, Gigantinho, onde havia de Futebol em uma placa Vacaria, Casemiro, André, uma bola e um gramado. assinada pelo presidente Benitez, Claudiomiro, Fada CSF, Nicolas Leoz. Na biano, Jair e Nena. Cerca

PERFIL

ORSON WELLES

D

oes anyone doubt that Orson Welles was a genius? Certainly Welles insisted so throughout his life, in Hollywood and in exile from it. For the benefit of any doubters, Welles enumerated his many accomplishments, introducing himself on a German lecture tour undertaken in the early 1980s,

near the end of his life, as “author, composer, actor, designer, producer, director, scholar, financier, gourmet, ventriloquist, poet.” Welles was too modest, as film scholar Peter Conrad chronicles in his aptly subtitled Orson Welles: The Stories of His Life. Although he considered himself a writer and man of ideas above all

else, Welles left out many entries on that already long list. He was also a cameraman, lighting director, gaffer, best boy, sound mixer, and all-around gofer on many a film set, a mimic, sound-effects coordinator, and jack of all trades behind a radio microphone. Beyond the stage, Welles published books, painted and drew, wrote a newspaper column, and lectured on many subjects. When not busy doing one or another of these things, he traveled, dabbled in bullfighting, and brushed up on his magic tricks—magic having been the foundation of his career, and his crowd-pleasing fallback in odd moments. Above all else, he was a raconteur. Welles told many stories about himself, stories that accumulated into a body of legend that has since been hard to separate out from the strict truth— and, as every storyteller knows, the prime directive is never to let the facts get

in the way of a good yarn. The strict truth, so far as we know, is this: Welles prided himself on perfectionism, and films such as Citizen Kane (released on May 1, 1941), Touch of Evil (1958), and The Magnificent Ambersons (1942) glow with his brilliance and, more to the point, hard work. Yet he left behind and imperfect piece of work and never got around to his magnum, a version of Joserkness that would in time mutate into Francis Ford Coppola’s masterpiece, Apocalypse Now (1979). (Snippets of Welles’s version can be seen in a documentary about Coppola’s film, Hearts of Darkness.) Welles foi e é considerado para época como um grande revolucionário nas técnicas cinematográficas. Welles despised commerce, yet spent the last years of his life shilling wine

and other goods, “hawking his depreciated legend as a commodity,” as Peter Conrad writes. He made only a handful of films, and then seldom. Every now and then he rounded up investors and convinced producers to let him make films, but he had no creative control over most of them. The films he didn’t make, having squandered the funds those producers entrusted him to spend wisely, may have turned out even better than the ones he did. And yet, and yet. Who, after all, can quibble too much about the artist who brought The Third Man to life and made The Lady from Shanghai? Welles had a unique vision, a precise understanding of the complex technology that goes into making films. He coaxed extraordinary performances out of fellow actors such as Agnes Moorehead, Joseph Cotten, and Charlton Heston. The few movies he made and kept control over remain stunning, if sometimes strange facts that figure even today.

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