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| EDITORIAL
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| EXPEDIENTE
CONECTANDO A CIDADE DO SOL
Caro leitor, Heliópolis, uma das maiores comunidades de São Paulo, com uma área de quase um milhão de metros quadrados, localiza-se na Zona Sul. Atualmente com mais de 200 mil habitantes, inúmeros projetos foram desenvolvidos para atender as demandas de todos - crianças, jovens, adultos e idosos. Contudo, o engajamento social faz parte do surgimento dessa periferia, sendo que a primeira luta que os moradores enfrentaram foi pela moradia e posse da terra. A comunidade possui uma identidade e reconhecimento midiático. Os famosos bailes funks nas ruas - que atraem pessoas de outros Estados - e os programas e atividades de assistência social em diferentes nichos, tornam a periferia um local único e diferenciado. Pensando nisso, o Jornal Conecta Helipa possibilita fácil acesso às informações, novidades e garante a liberdade de opiniões e expressões dos moradores. Em sua primeira edição, apresenta conteúdos exclusivos, visando a exposição de Heliópolis em toda a sua essência. Notícias, reportagens, entrevistas e assuntos locais são enunciados por intermédio das editorias Saúde, Cultura, Esporte, Cidadania, Fala aí comunidade e Empreendedorismo. Constantemente veiculado pelos seus casos de violência, assim como ao seu conhecido baile funk, o Heliópolis não recebe a devida atenção que merece. Na grande mídia paulista, composta por jornais impressos, websites, rádios e canais televisivos, a visibilidade projetada ao público criou um determinado estereótipo. Como não assimilar a palavra Heliópolis à alguns adjetivos pejorativos? Esse pensamento é, muitas vezes, automático. Porém, por trás disso, há muito mais - de maneira positiva - que ocorre lá dentro. Projetos sociais e culturais ganharam um grande espaço e, infelizmente, não possuem a mesma veiculação massiva, em relação aos acontecimentos já recorrentes. Entre inúmeras notícias e artigos, en-
contram-se poucos relatos que favorecem a comunidade, principalmente referentes aos engajamentos sociais. É perceptível, principalmente na mídia televisiva, que Heliópolis, quando noticiado, sobressai por temas como: violência, feminicídio e tráfico. Em decorrência, há uma explicação disfarçada, mas ainda sim relatada – o investimento por parte das emissoras, espaço e retorno de tais manchetes, assim como locomoção de equipe, entre outros. Contudo, apenas essas questões são suficientes para justificar? Não, e por este motivo, é possível identificar um sistema de filtração entre os assuntos veiculados, como explica a Teoria Gatekeeper. Na prática, esse conceito do jornalismo funciona como uma portaria que faz a análise e separação do que considera importante, mas também lucrativo entre pautas que, sob perspectiva macro, não trariam o atrativo do público. Com a distinção, o veículo gera o afastamento de assuntos do cotidiano comunitário ou, apenas, dissemina em menor número e intensidade. Deste modo, é fácil entender, portanto, como a grande mídia produz imagens positivas ou negativas sobre lugares, contextos, pessoas, ocorrências e fatos. A imagem deturpada de que a comunidade só tem para oferecer um lado inconveniente não é válida, pois há outras vertentes em veículos de comunicação internos que priorizam enfatizar os projetos culturais e sociais de Heliópolis. Isso mostra que cada indivíduo que ali reside possui uma voz e, acima de tudo, almeja respeito, reconhecimento, além da propagação constante de suas ações construtivas. Como em qualquer outra região, os problemas estão inseridos na vivência das pessoas, entretanto a comunidade luta contra isso por intermédio da sua essência acolhedora e amorosa com os moradores e visitantes. Essa força e engajamento são os verdadeiros protagonistas que merecem visibilidade midiática.
Saúde FOTO: JÉSSICA CRITINA
Aula de pintura em desenvolvimento.
Bruno Coelho RA: 3018103132 Redator e Fotógrafo Jéssica Cristina RA: 3017201635 Redatora e Fotógrafa
Larissa Bento RA: 3017108640 Redatora e Designer Laura Souza RA: 3018106596 Redatora e Fotógrafa
Lucas Victor RA: 3018105395 Redator Leonardo Lira RA: 3017201334 Redator e Fotógrafo
Marcia Batista RA: 3018201404 Redatora
UNINOVE Campus Vila Prudente Sala 609 - Noturno Professores orientadores:
AGÊNCIA ID
João Luis Gago Batista Renata Barbosa Malva Flávio Agnelli Mesquita Viviane Ribeiro Félix
CENTRO DIA PARA IDOSO PLANEJA REFORMA PARA O FINAL DO ANO
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Centro Dia para Idoso Nelson Mandela completou três anos no mês de setembro, com planos para reformar o lar que desde 2015, é visto como uma alternativa de lazer, passatempo e fonte de aprendizado para idosos moradores de Heliópolis e região. Composto por uma equipe de quinze funcionários, entre eles cuidadores, assistentes sociais e profissionais da área da saúde, o centro oferece para a terceira idade um leque de práticas, além de atividades ministradas por oficineiros, como: artesanato, dança, pintura, entre outros. Hoje, 29 idosos são atendidos, de segunda a sexta-feira,
POR LARISSA BENTO E LEONARDO LIRA das 7h às 19h, cada um com sua agenda de atividades, as quais acontecem entre os intervalos do café da manhã, do almoço e do jantar. Além disso, o Centro se preocupa com a saúde e o bem-estar de seus frequentadores - por isso, tem por missão fornecer acompanhamento com médico realizado por nutricionistas, terapeutas e psicólogos. A partir do momento em que as famílias conseguem realizar o cadastro dos idosos, que acontece por intermédio e avaliações do CREA em conjunto com a assistência social, muitos acabam sendo deixados de lado, cabendo aos profissionais da Instituição, muitas
vezes, realizar o papel que seria de seus respectivos familiares. Para evitar casos como esses, o Centro aplica reuniões semestrais, como estratégia para gerar uma inclusão social entre ambos. Como proposta de melhoria para tornar o ambiente mais convidativo, colorido e familiar, o Centro está planejando uma reforma para dezembro deste ano. Sem o auxílio da Prefeitura ou outras formas de verbas, a Instituição conta com doações dos moradores da comunidade. Aqueles que queiram contribuir, podem entrar em contato pelo telefone (11) 2062-7906 ou visitar a sede na Rua Almirante Mariath, 38.
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DA SUA CASA PARA A CASA NOSSA:
Empreendedorismo Empreendedrismo
GASTRONOMIA REALIZANDO SONHOS
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POR BRUNO COELHO E LEONARDO LIRA – atualmente, tem como seus novos administradores, Francisco Braga e Gustavo Nascimento, dois antigos funcionários da Pizzaria que, há dois anos, viram surgir uma oportunidade nunca imaginada. Baseado na confiança entre eles, além do tempo de casa, o antigo dono lhes ofereceu abater as suas rescisões contratuais como forma de pagamento do valor de entrada, e parcelar o restante, para que se tornassem donos desse comércio, que já tinha ótima reputação. Com um cardápio variado de pizzas à la carte e rodízio, a casa também oferece opções de lanches, porções, sobremesas e espetinhos. O investimento em produtos de qualidade para o consumo de seus clientes é um dos principais diferencias da pizzaria, em relação às demais, dentro, até mesmo, da própria comunidade. Com uma equipe contendo operadora de caixa, motoboys e piz-
FOTO: LEONARDO LIRA
Pizzaria Casa Nossa, localizada próxima a Estrada das Lágrimas.
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izer que alguém veio de uma cidade do interior, de outra região do país, para tentar a vida em uma cidade grande, pode parecer muito comum. Mas, como você reagiria se alguém lhe dissesse que uma pessoa cheia de objetivos, força de vontade, muito empenho e dedicação, se tornou um dos mais bem-sucedidos e conhecidos comerciantes do Heliópolis? Alfredo Falcão Limeira, ou apenas Falcão, nasceu e viveu toda a sua infância e adolescência em Porto Nacional, uma cidadezinha do interior do Tocantins; passou pelo serviço militar obrigatório, através do Tiro de Guerra do Exército Brasileiro; após completar 18 anos, mudou-se para Brasília/DF. Morou com seus pais, por quatro anos, até que em 1979, com um sonho de ir para uma cidade maior e, quem sabe, chegar até os Estados Unidos, decidiu vir para São Paulo. Desembarcou na Rodoviária do Tietê, com apenas uma mala na mão, sem conhecer ninguém, sem saber para onde ir... sem destino. Por seis meses, morou em São Miguel Paulista e, na época, conseguiu seu primeiro emprego na cidade como co-
FOTO: LEONARDO LIRA
er o seu próprio negócio é o desejo de diversas pessoas e, mesmo com essa crise que o nosso país vem enfrentando, tem se tornado uma realidade para grande parte da população. Pode parecer o contrário, porém, empreender é possível. Muitas pessoas, a partir desse desejo, passam a sonhar com isso, outras têm a oportunidade e, algumas, conseguem unir as duas coisas, passando a serem seus próprios patrões, gerando muitos empregos em suas regiões. O Heliópolis não foge a essa realidade, pois aqui temos inúmeros exemplos de sucesso, como é o caso da Casa Nossa Pizzaria e Hamburgueria. Referência na comunidade pela infraestrutura, gastronomia e atendimento, há cinco anos o estabelecimento vem funcionando a todo vapor. Inicialmente administrada por Francisco Romecy – conhecido na região como “Chico”
Combinado das pizzas Frango Especial, Argentina e Portuguesa. zaiolos – onde até os donos colocam a “mão na massa” – a preocupação com a realização de um bom atendimento, quer seja na loja ou através dos entregadores, continua sendo uma das prioridades. Com infraestrutura moderna, um ambiente climatizado, aconchegante e familiar; decoração contendo garrafas de vinho e toalhas de mesa com as cores da bandeira italiana, onde observa-se que agradar o visitante com um bom visual, além do sabor de seus pratos e bebidas, é outra preocupação dos seus donos; a pizzaria recebe não somente o público que ali reside, mas igualmente de outras áreas da Capital e região metropolitana de São Paulo; além do atendimento no local, presta serviço com entregas, através de motoboys, para atender os pedidos que são feitos por telefone, pelo aplicativo Ifood e mensagens de WhatsApp. Sua divulgação também é feita pelo mesmo aplicativo de mensagens, pelas páginas do Instagram e Facebook, mas também por meio de um rapaz
que, com folhetos, um microfone, alto-falantes e a própria voz, anda pela comunidade fazendo o marketing. Os donos da pizzaria buscam atingir todo o tipo de público, do mais antenado com a internet e as novas tecnologias ao mais conservador, principalmente em razão dos tempos de crise econômica enfrentados pelo Brasil. Para driblar essa tal crise, que afeta a Casa Nossa e aos seus concorrentes, o restaurante tem trabalhado com promoções. Os cinco anos do estabelecimento e a boa reputação que foi conquistada ao longo dos anos, se tornam outros grandes diferenciais para o seu negócio. Diante de tudo isso, ter filiais da mesma pizzaria ou ter mais comércios do mesmo tipo são planos para o futuro de seus proprietários que, em apenas dois anos, deixaram de ser apenas funcionários e passaram a ser grandes empreendedores da comunidade, onde não somente trabalham, mas vivem e demonstram amor pelo que fazem e pelas pessoas que atendem.
O VOO DO GRANDE FALCÃO POR BRUNO COELHO E MÁRCIA BATISTA Acervo pessoal: Falcão
Falcão em seu salão na Rua da Mina. brador de ônibus. Já um pouco conhecedor da cidade, em 1980, decidiu se mudar para São João Clímaco e, algum tempo depois, conseguiu comprar sua casa própria na Rua da Mina. Nesta época, ainda trabalhava na empresa de ônibus e, após conseguir tirar a habilitação na empresa, foi promovido à motorista, mas passou pouco tem-
po na nova função, pois conseguiu a oportunidade de trabalhar na área da indústria, na Linhas Correntes. Na fábrica, trabalhava no período noturno, mas um dos seus sonhos não saia de sua cabeça “ser dono do seu próprio negócio”. Falcão achava bonito a beleza estética, os penteados e a moda. Tinha vontade de ser estilista, mas, em 1987, ainda trabalhando à noite, decidiu fazer cursos de cabeleireiro. Coincidência ou não, assim que terminou todos os seus cursos, aconteceu um corte de pessoal na empresa. Em um desses cursos, conheceu sua grande inspiração na área, o profissional Fernando Alves. Este tinha um salão de beleza bem organizado, com várias pessoas. Com essa inspiração, na garagem de sua residência, montou seu próprio salão, se tornando um dos primeiros cabeleireiros da comunidade. Na época, em 1987, só havia o seu salão e mais um outro, na estrada das Lágrimas. Aos poucos, ampliou seu negócio, pois viu a necessidade de
mudar seu estabelecimento para outro local. Não foi fácil, mas após algum tempo, conseguiu encontrar um local para montar seu ponto comercial, na Estrada das Lágrimas, 2205, onde se encontra até hoje. Desde que começou a cortar cabelos, busca o melhor para os seus clientes, procurando se atualizar sobre as tendências do seu negócio, sempre visitando as feiras do mercado de beleza, pois “em qualquer profissão, você nunca pode achar que sabe tudo. É sempre estar aprendendo, sempre renovando, inovando as coisas. Nunca pode parar de aprender”. Com um pouco mais de 60 anos de idade e cerca de 32 anos na profissão de cabeleireiro, esse ousado tocantinense faz planos de futuro. Apesar de ainda não ter chegado à América do Norte, ainda tem seus sonhos. Fazer crescer seu salão de cabeleireiros, sua linha de produtos de beleza e investir num Barber Shop (barbeiros retrôs) são alguns deles.
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#DicasParaEmpreender
1. CORAGEM
Antes de qualquer passo, é necessário ter coragem para dar início a esse sonho. Tenha persistência em seu objetivo e não desista no primeiro obstáculo.
POR LARISSA BENTO
Em algum momento da sua vida, você já pensou em abrir o seu próprio negócio? São muitos que sonham com a possibilidade de se tornar seus próprios chefes e tem boas ideias para isso, mas são poucos que sabem como alcançar esse objetivo - ou pelo
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2. ESTUDE
Para abrir o seu negócio, é necessário que você entenda sobre o mercado em que ele está inserido. A cada ano, novas tendências são lançadas, então, continue estudando.
4. REFERÊNCIA
Manter a honestidade com o seu público, o respeito e o bom atendimento são alguns fatores para se tornar referência no local em que estiver inserido.
A PRIMEIRA COMUNIDADE DO MUNDO A TER PARCERIA COM O FACEBOOK Rosa. Ela e seu marido pediram as contas de seus empregos e decidiram abrir a Pimenta. A intenção era criar uma loja de moda feminina, igual as de shopping, com produtos de qualidade, belo visual, onde suas clientes se sentissem acolhidas e confortáveis. Edilma buscou ajuda no projeto para melhorar seus negócios e, após ter concluído o curso, começou a ver sua marca crescer. Abriu mais uma loja na comunidade e empregou funcionárias que moram na região. Outro exemplo é o da Vivian de Lima, dona do Buffet Vivian Art Festas. Vivian, desde de 2012, já trabalhava com decoração de festas e, em 2015, participou dos cursos. Mesmo sem acreditar, resolveu investir 10 Reais em “impulsionamento” de sua página comercial, na rede social. Em apenas uma semana, viu o dinheiro investido dar o retorno que não esperava, rendendo duas festas de casamentos, onde recebeu 8.000 reais. “O meu maior marketing, maior meio de divulgação é pelo Facebook, não faço nenhuma outra propaganda, panfleto, nada, é só pela página”, diz a dona do Buffet. Conhecer redes sociais, ser morador do Heliópolis e já ter realizado algum trabalho junto à UNAS, eram critérios de contratação para o Laboratório de Inovação e a atual equipe tem essas características. Com dois Instrutores,
FOTOS: FACEBOOK
Interior do Laboratório de Inovação, onde os empreendedores recebem aulas de capacitação sobre como gerir e divulgar o seu negócio.
POR BRUNO COELHO E LUCAS VICTOR FOTOS: FACEBOOK
programa “Facebook para Empreendedores” escolheu o Heliópolis como a primeira comunidade do mundo a receber o Laboratório de Inovação, através do projeto “Facebook na Comunidade”, lançado em novembro de 2014. Um levantamento identificou que, na época, a favela tinha por volta de 5 mil empreendedores e possuía um grande potencial para capacitar essas pessoas, que fariam uso de redes sociais para desenvolver seus negócios. Várias pesquisas foram realizadas em comunidades e cidades de todo o mundo, e, dentre todas, Heliópolis apresentou a melhor condição para implantação dos planos da “Equipe Face”. Em parceria com a UNAS, o projeto foi inaugurado em 17 de março de 2015. O principal interesse era mudar um quadro onde 90% dos 220 mil habitantes tinham conta na rede social, porém, somente 15% das pessoas que empreendiam faziam uso da plataforma. Ainda hoje, visando orientar os pequenos e médios empresários para que passem a utilizar perfis comerciais para suas empresas e não mais suas páginas pessoais, são oferecidas aulas de instrução de utilização do Facebook e Instagram, onde aprendem a fazer marketing. Também são ensinados a fotografar seus produtos usando seus celulares, atraindo pessoas para os seus negócios, aumentando suas vendas e, muitas vezes, se reinventando como empreendedores. Há inúmeros exemplos de sucesso que passaram pelo Laboratório de Inovação Facebook - um deles é a Edilma Santos, dona da Boutique Pimenta
menos, por onde começar a trilhar esse caminho do empreendedorismo. Pensando nesse contexto, nessa edição, o Conecta Helipa reuniu algumas dicas e alguns conselhos que podem dar uma luz aos futuros empreendedores.
3. PLANEJAMENTO
Pesquise sobre seus concorrentes para entender qual deve ser o seu diferencial. Encontre o melhor local para abrir sua empresa, qual público você quer atingir e quais canais de divulgação serão mais efetivos.
Fachada da sede do Laboratório de Inovação localizado em Heliópolis. Thiago Costa e Deiliane Martins, e uma Coordenadora, Nínive Loriane, responsável por toda a gestão do projeto dentro da comunidade, junto à UNAS, o grupo age com uma equipe do “Facebook Brasil”, para fazer o acompanhamento das atividades em conjunto. Esse mesmo pessoal do “Face Brasil” também os assessora. O Laboratório de Inovação têm atendido não só os moradores do Heliópolis, mas também outras regiões, em algumas cidades de São Paulo e até outros lugares do país, o que resultou no crescimento do programa. A maior parte das pessoas que passa por ele busca participar de novos cursos que são oferecidos periodicamente. Assim, a parceria que era para durar apenas um ano, tem se estendido e, no ano
que vem, completará seu quarto ano de atividades. Há muito mais planejado para a comunidade do que o projeto atual. Em 10 de abril de 2015, o Presidente mundial do Facebook, Mark Zuckerberg, se encontrou com a então Presidente do Brasil, Dilma Roussef, para tratar a respeito não só do “Facebook na Comunidade”, como também sobre a idealização de disponibilizar Wi-Fi livre para a Comunidade. “Este é um local de baixa renda com cerca de 200 mil pessoas na maior cidade do Brasil. Nós vamos entregar Wi-Fi rápido e gratuito para todos nesta comunidade, para que eles possam acessar serviços básicos de internet em seus celulares”, declarou Mark Zuckerberg para o portal globo.com, em 2014.
Cidadania
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UNAS: A ENTIDADE PARA HELIÓPOLIS POR JÉSSICA CRISTINA E LEONARDO LIRA Acervo pessoal
A
Rubenildo Limeira, Coordenador Pedagógico da UNAS. tiveram oportunidades de iniciar ou concluir os estudos. O movimento foi desenvolvido pelo próprio Rubenildo em parceria com a Organização. “A UNAS não dá nada, ela apenas busca os direitos que o cidadão tem. Se está na constituição que o cidadão tem direito a educação, uma escola de qualidade, a saúde e desenvolvimento social, esta recebe parte dos impostos em melhorias, na qual o Governo canaliza como ele quiser. Se não tiver uma comunidade unida, ele manda buscar em qualquer lugar, e é isso o que tentamos mostrar para as pessoas”, complementa o coordenador. Outra ação diferenciada ocorre nas 17 creches que são administradas pela própria instituição, com a proposta de um local no qual os pais possam deixar os filhos enquanto trabalham. Após unifica-se aos 11 CCAs, cumprindo o papel de integrar crianças
à participação ativa de todos os funcionários e colaboradores envolvidos com disciplina, onde a instituição realiza reuniões com a equipe pelo menos uma vez por mês para rever as atividades, além das ações que serão tomadas, interligando nos mesmos pensamentos e ideologias. A luta da Instituição prioriza tirar os estereótipos que as “pessoas de fora” possuem de Heliópolis, buscando dar continuidade no que vem sendo desenvolvido ao longo de todos esses anos. A entidade está sempre inovando. A novidade do momento é o projeto em parceria com o Itaú Cultural. Ainda no final do ano, será inaugurada a primeira Editora e Gráfica de Heliópolis, na qual cerca de 50 livros de escritores residentes da região serão desenvolvidos e publicados sem filtro de idade, sexo ou delimitação de tema. O intuito é levar o conhecimento, mas também a capacitação de pessoas na arte gráfica e editorial para expandir o hábito de leitura por intermédio das bibliotecas comunitárias: municipais e escolares. O bairro possui fortes influências culturais e sociais, sendo várias realizações ligadas por meio da UNAS, uma das principais parceiras do povo de Heliópolis.
Acervo pessoal: UNAS
conquista pelos direitos sociais é uma luta de todos os cidadãos, principalmente dentro de uma comunidade com dimensões como Heliópolis. É dessa forma que funciona a União de Núcleos, Associações dos Moradores de Heliópolis e Região (UNAS), uma entidade sem fins lucrativos, declarada Utilidade Pública Federal, que surgiu em meados dos anos 1980, a partir do confronto dos moradores na busca por habitação . Na época, 153 famílias que ocupavam outras comunidades de bairros vizinhos foram realocadas para o Heliópolis em alojamentos provisórios. Desde então, a comunidade obteve uma expansão, totalizando cerca de 200 mil habitantes – a maioria de origem nordestina. A união seria a palavra chave para que todos os moradores conseguissem melhorias que ultrapassasse questões básicas, como: saneamento, água potável, luz elétrica, entre outros fatores importantes para o convívio digno em sociedade. Porém, ações que tornassem a educação e inclusão social em direitos efetivos eram inexistentes. Pensando nisso, a UNAS surge com movimentos para representar a comunidade, dentre eles, a defesa aos negros, LGBTQs e atenção especial às mulheres. “Buscamos a dignidade dos moradores. Não há conquista maior! Fazer com que os moradores saibam dos poderes que possuem, não de armas de fogo, mas um poder criativo, da leitura, da educação, o poder do autorrespeito, o poder da vida. Isso não tem preço”, afirma o Coordenador Pedagógico da Associação, Rubenildo Limeira. Entre os projetos educacionais, um dos destaques é o MOVA - alfabetização para jovens e adultos que não
e adolescentes, priorizando tanto o convívio pessoal quanto o social, sendo assim um trabalho educacional de forma conjunta e eficaz. A ONG diferencia-se ao oferecer à comunidade um departamento jurídico aberto a qualquer morador, este que é responsável por exercer os direitos civis da população. Os serviços prestados pelos advogados são gratuitos, e tem parceria com o Ministério Público, órgão responsável pela contratação, assim como a remuneração dos profissionais. Para auxiliar na divulgação, é desenvolvido o Jornal da UNAS, distribuído com periodicidade bimestral. Outras instituições da comunidade atuam de modo direto, como a Rádio Comunitária Heliópolis, onde Rubenildo tem um programa chamado “Bairro Educador”, de segunda a sexta, das 12h00 às 14h00. Há também parcerias com bibliotecas do Heliópolis, as quais expandem conteúdos literários para que o conhecimento chegue a todos. Em 2017 a UNAS foi eleita como a melhor ONG do Brasil na Categoria Desenvolvimento Local, na primeira edição do #melhoresOngs, uma iniciativa do Instituto Doar e da Revista ÉPOCA. Essa conquista apenas demonstra que o trabalho tem dado certo, devida
Primeira sede da Associação dos Amigos e Moradores da Favela de Heliópolis.
O QUÃO ALTO É O SOM DO SEU RESPEITO? POR JÉSSICA CRISTINA E LEONARDO LIRA
“O HELIPA É BAILE DE FAVELA” De alguma forma ou em algum momento você já deve ter escutado esse hit. Sucesso nacional, o Heliópolis é referência em músicas, videoclipes e na teledramaturgia. Ao ler o trecho acima, você, caro leitor, pode ter cantado junto sem que ao menos tenha notado ou recordado, de maneira imediata, dessa canção. O que faz com que a comunidade tenha uma grande popularidade? Simples, ocorre, aqui dentro, uma explosão de gêneros visuais e musicais, conhecida interiormente como: o baile. A festa, que reúne pessoas de vários lugares
do Brasil, acontece nas madrugadas do sábado entre as ruas e vielas, estendendo-se até as manhãs de domingo - um fato curioso é que, há relatos de formação de caravanas vindas do interior de São Paulo para conhecer e participar do evento. O intuito do fluxo acaba trazendo transtornos para a comunidade, pois os carros com enormes alto falantes conhecidos como “paredões” – tocam no volume máximo as músicas, fazendo com que as casas estremeçam. Também é presente grande quantidade de motos, estourando os escapamen-
tos, e isso resulta em moradores com perdas de sono, tirando totalmente a paz do ambiente. Além disso, o consumo de álcool e drogas ocasionam em conversas, risadas e gritos, tudo isso de maneira exagerada. Mesmo com a intervenção da polícia em períodos ocasionais e a Lei do Silêncio já em vigor, parece que tudo isso se perde em meio ao tumulto, devida a tradição que o “pancadão” já possui. Nele se contrasta a história do evento versus os valores da comunidade que divide os pensamentos: continuar ou pôr um fim?
Com isso, o respeito deveria predominar em coletivo, e que houvesse um local específico para que ocorresse o baile, como um espaço fechado e próprio para tal. Assim, aliviando a desordem entre as ruas, passando a conscientizar tais frequentadores a respeito de sujeiras que deixam, como copos e garrafas vazias de bebidas. Não importa a finalidade ou o que toque no baile, o que importa é a forma com a qual você pensa no próximo, até porque o outro um dia poderá ser você nesta situação ou pior. Reflita e repense.
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CCA HELIÓPOLIS - 25 ANOS PLANTANDO AMOR RESPEITO, COLHENDO BONS CIDADÃOS
E
POR LAURA SOUZA E LEONARDO LIRA
A
s crianças e adolescentes na zona sul de São Paulo, como pequenos cidadãos, contam com os Centros para Criança e Adolescente - CCAs - para conscientizá-los de seus direitos e deveres perante a sociedade. Entre os onze polos, o CCA Heliópolis, dedica-se aos seus 116 alunos no período da manhã
e 78 no período da tarde, totalizando um atendimento de, em média, 198 pessoas por dia. Entretanto, números não sintetizam a essência desta instituição acolhedora e humanitária com enfoque no desenvolvimento pessoal, sociocultural e com objetivo evidente em fortalecer as relações familiares e comunitárias.
A HISTÓRIA
estejam nas ruas, expostos a atos negativos, enquanto eles encontram-se no trabalho. O propósito desempenhado ultrapassa o acolhimento às crianças que ali estão regularmente matriculadas, passando a recepcionar moradores da região, visitantes ou pessoas que estejam necessitando de algum auxílio. É possível identificar esta inclusão social através de histórias, como por exemplo, a trajetória da pequena Tarana, uma menina graciosa, refugiada do Haiti com a sua família. “Buscamos ensinar o convívio, o respeito às diferenças. Não importa de onde ou de qual lar elas venham, mas com que tenham união entre eles e a pratiquem quando não estiverem aqui”, afirma Fernanda Terto, Gestora do polo há 2 anos e 3 meses.
Um dos primeiros centros da comunidade, o CCA Heliópolis começou como um simples barracão na cor azul, enfrentando dificuldades financeiras e estruturais. Entretanto, atualmente com 25 anos de existência, a busca pela segurança e o engajamento social permanecem. O atendimento às crianças que ali crescem mesmo em meio aos obstáculos iniciais, segue como prioridade da instituição.
O QUE FAZ O CCA HELIÓPOLIS?
O Centro proporciona atividades educacionais e entretenimento no intervalo escolar, ajudando pais que tenham a preocupação de que os seus filhos
A EQUIPE 07h30 às 11h30, havendo um intervalo entre os períodos e retorno às 12h30 com término às 16h30. As atividades desenvolvidas pelas educadoras englobam diversas áreas, como por exemplo, esportiva, artística, cultural, social, entre outras. O principal foco com os jovens, consiste em utilizar a criatividade, aprender a lidar com o respeito, além do incentivo à coletividade através da divisão do espaço entre as turmas, sendo que cada dinâmica possui um tempo determinado para todos. Como parte da didática, mensalmente ocorre a “Festa dos Aniversariantes”, momento de comemoração e diversão para todos, com diversos doces, bebidas, muita música e brincadeiras.
Todos os onze funcionários da equipe são moradores da comunidade, ajudando, dessa maneira, na organização e funcionamento do polo, sendo: 1 Gestora, 1 Auxiliar Técnico II, 1 Auxiliar Administrativo, 3 Educadoras Sociais e 2 voluntários. Como a alimentação faz parte da rotina deste ambiente, três cozinheiras preparam as refeições, com cardápio variado, para todos que ali trabalham e frequentam. Os alunos no período da manhã realizam as refeições após as atividades, às 11h30. Já os alunos da tarde chegam a partir das 12h30 e já vão para o almoço que é servido até às 13h30. Após a realização de algumas tarefas, o café da tarde é servido das 15h30 às 16h30. O horário de funcionamento é das
Acervo pessoal: Fernanda Terto
“Festa dos Aniversariantes”, realizada em setembro, com o tema “Heróis”
PROJETOS DESENVOLVIOS das por elas ao longo de todo o ano. Os jovens do CCA Heliópolis utilizaram girassóis, simbolizando positividade, felicidade e vitalidade, características essas que almejam ter no local em que residem. Também são discutidos e repassados, durante o ano letivo, temas como: Dia Internacional da Mulher, O Dia da Família, Páscoa, Cultura Indígena, entre outros.
Os alunos aprendem, diariamente, questões que envolvem a consciência em relação às diferenças entre as pessoas, o amor ao próximo, cidadania e sustentabilidade. Em novembro do ano passado, por exemplo, as crianças participaram do “Cortejo das Vidas Preciosas 2017”, uma caminhada pelas ruas da periferia, fantasiadas com uma série de adereços e alegorias cria-
Acervo pessoal: Fernanda Terto
Alunos do CCA participando do “Cortejo das Vidas Preciosas”, em 2017.
O CCA É...
BUSCAMOS
ENSINAR O
CONVÍVIO, O RESPEITO ÀS DIFERENÇAS.
NÃO
IMPORTA DE ONDE
OU DE QUAL LAR ELAS VENHAM, MAS COM QUE TENHAM UNIÃO ENTRE ELES EPRATIQUEM QUANDO NÃO ESTIVEREM AQUI.
Fernanda Terto, gestora do CCA.
Não há muitos critérios para ingressar no CCA, porém, ser morador da comunidade é um fator de extrema importância. Muitas crianças retornam ao polo ou fazem algumas visitas, mesmo após já terem passado pela instituição. O por quê disso? É simples: o acolhimento, carinho pelas educadoras e o espaço as trazem de volta, muitas vezes. “A porta sempre está aberta durante o dia, para quem queira nos visitar ou para quem necessita de um amparo, seja apenas para uma única refeição”,, conclui Fernanda Terto.
DIFICULDADES sequentemente a isso, desconsiderou a proposta. Atualmente, os maiores problemas que os gestores enfrentam, consiste em elaborar planejamento com os educadores, uma vez que os mesmos ainda estão em formação acadêmica, enquanto os outros atuam como voluntários. Há também dificuldades no contato com os pais, já que eles não atuam de maneira participativa em reuniões semestrais determinadas pela instituição, para acompanhamento e rendimento de cada aluno. “Muitos não comparecem, são desinteressados e eu não entendo isso. Precisamos deles para progredirmos com seus filhos”, afirma Fernanda.
Porém, algumas dificuldades surgem no meio do caminho. Durante a gestão do ex-prefeito de São Paulo, João Doria, notícias foram veiculadas em portais midiáticos referente à corte de verbas, colocando em risco o encerramento de cursos para crianças e adolescentes, afetando diretamente muitos CCAs, incluindo os da Zona Sul da cidade. Gestores de outros polos, incluindo a Fernanda, participaram de várias reuniões no Gabinete da Prefeitura, todos posicionando-se contra a decisão política, principalmente quando souberam que ele planejava distribuir farinata - uma espécie de “ração humana” para as crianças carentes. Doria foi duramente criticado e, con-
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O QUE EU MAIS GOSTO NO HELIÓPOLIS?
Lincoln
Mateus Alves
EU
GOSTO NO
HELIÓPOLIS
Glória
Ághata Beatriz
EU
É QUE
GOSTO DE IR AO CCA, JOGAR
AQUI TEM MUITAS MENINAS QUE SO-
BOLA NA RUA, DA MINHA CASA E DA MI-
NHAM EM SER JOGADORAS DE FUTEBOL
NHA FAMÍLIA, DE AJUDAR QUEM PRECISA,
E SE EMPENHAM MUITO PARA REALIZAR
MEU SONHO É SER VETERINARIA PRA TI-
ESSE SONHO. EU SOU UMA DELAS.
RAR TODOS OS ANIMAIS DA RUA.
Erika Farias
Magdálya Vallerya Carlos Ezequiel
EU GOSTO DO CEU HELIÓPOLIS, GOSTO DOS CCAS PORQUE É MUITO BOM PARA EDUCAR E APRENDER A RESPEITAR O PRÓXIMO, E DA FESTA DE FINAL DE ANO E DA FESTA DO DIA DAS CRIANÇAS.
Gislayne Cristina Giovana Oliveira
Lucas Pietro
Hiany Gabrielle
Gabi
Andressa Thayla
Dinâmica realizada em 21/09 com os alunos do CCA Heliópolis.
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Cultura
O EMPODERAMENTO JUVENIL EM HELIÓPOLIS TEM RITMO DE HIP HOP
POR LAURA SOUZA
FOTO: LEONARDO LIRA
D
Crianças do Centro da Criança e do Adolescente apresentando sua composição para o Festival Helipa Music.
ireitos humanos foi o tema da oitava edição do Festival Helipa Music, evento anual que tem como objetivo empoderar e conscientizar crianças, jovens e adultos através de artes musicais. Com dez anos de existência, o Festival ocorreu no CEU Heliópolis, no dia 16 de setembro, oferecendo uma tarde cheia de diversão, danças, apresentações de artistas do cenário rap e, acima de tudo, reflexão acerca de temas como violência, machismo, feminicídio, o descarte de maneira inadequada do lixo e racismo. O Helipa Music apresentou o resultado final de um longo trabalho realizado durante o ano pelos onze CCA’s (Centro para Crianças e Adolescentes) de Heliópolis e Região, nos quais assuntos do cotidiano são transformados em
letras e batidas. Criado e organizado pela UNAS, o evento contou com uma grande estrutura de palco, lanches para a garotada, além das participações de artistas como: Max B.O, a rapper Bivolt, Negro Lipão e Igor Nova Safra. Também ocorreu apresentações do D Chacra, Aliados da Sul, James Ventura, Malokero Anônimo e do grupo Avante Coletivo - esse último que há dez anos, em parceria com os CCA’s, oferece oficinas de hip-hop aos alunos. Assim como nas edições anteriores, a temática e as rimas das canções foram escolhidas e desenvolvidas pelas próprias crianças, com o auxílio que receberam dos educadores através das aulas. Com essa estratégia, os CCA’s visam o envolvimento e autonomia de seus alunos, a valorização da cultura, o
desenvolvimento das aptidões na arte e na música, assim como a disseminação desses conteúdos ao familiares, amigos e colegas da criançada. Porém, nem sempre o patrocínio para apoiar a organização e estrutura do evento é uma conquista fácil. Em muitos casos, o auxílio para a realizar a festividade é inexistente. “Se não conseguimos patrocínio, fazemos até vaquinha. Só não podemos ficar sem o festival e sem essas apresentações que são de grande importância para nós, moradores”, afirma o Coordenador de Juventude da UNAS, Reginaldo José. Além da elaboração do conteúdo musical, cada CCA personalizou uma faixa de pano referente à temática do evento, contendo desenhos e frases, todos eles feitos pelos próprios alunos. A ex-
-vereadora do Rio de Janeiro, Marielle Franco, assassinada a tiros em março deste ano, foi constantemente citada durantes muitas das apresentações. No final do Festival, todas as turmas dos onze CCA’s subiram ao palco para serem premiadas. Nas primeiras edições, o método de premiação era baseado em classificações de primeiro, segundo e terceiro lugar. Contudo, visando a justiça e reconhecimento igualitário aos trabalhos apresentados, atualmente, todos os Centros são agraciados com troféus.“São meses de trabalho, empenho e dedicação das crianças. Por isso, acreditamos que todos merecem ganhar. É um momento de celebrar tanto a cultura como todo o potencial que Heliópolis tem”, conclui Reginaldo.
ALÔ, COMUNIDADE!
JÁ ESCUTARAM UM BOM HIP HOP HOJE?
No ano de 2016, diretamente de Heliópolis, o grupo Avante o Coletivo lançou o seu segundo álbum de estúdio intitulado “Destravante – A Chave Mestra dos Etiquetas de Rua”. Com o intuito de superar qualquer entrave, seja por diferentes linguagens, culturas ou costumes, o disco trouxe 10 músicas, acerca de reflexões e necessidades de oportunidades na comunidade. Com as participações de Dajanem, Gringoo, Gonzo e o grupo Nouvel R, Cria de Quebrada e Alchimie foram compostas, onde a primeira se tornou o grande destaque do disco, por retratar o que você pode absorver das experiências adquiridas nas ruas. A Bússola conta com um clipe nostálgi-
co, lançado pela Estrondo Beats, e é uma das canções mais conhecidas do grupo. Já as faixas Ponga Play e Pedalada tiveram produção do uruguaio Pajaro Canzani. Os músicos Jamés Ventura, Max B.O e Arnaldo Tifú foram os escolhidos para participar de Simples Giro, Observar Correr. Através de e Minha Chance é Correr referências sobre a difusão cultural africana, Atlantique é um dos sons de maior acesso do grupo, seguido de Valor última faixa do Tudo tem o seu Valor, CD que possui maior visibilidade nas redes, devido a participação do Mato Seco, importante grupo no cenário do reggae brasileiro, na composição da melodia.
FICOU INTERESSADO? ESCUTE O ÁLBUM NAS PRINCIPAIS PLATAFORMAS DIGITAIS!
POR LUCAS VICTOR
POR LARISSA BENTO
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Claudinha Neves - nome pelo qual ficou conhecida pelos ouvintes - ingressou na equipe da rádio, em 2002, como estagiária de jornalismo, graduação que cursava na Universidade São Marcos. Na época, além da programação musical, que era dividida entre os quarenta e cinco voluntários, com cada um contribuindo com seus próprios CDs, a diretora tinha a função de produzir os releases que dariam base para transmitir as notícias do dia. Não apenas as parcerias com bancas de jornais para ter acesso às informações, como também a criatividade, foram quesitos essenciais para manter o funcionamento do veículo e a gravação dos anúncios, mesmo sem um estúdio próprio e experiência para isso. Durante o ano de 2006, a rádio de Heliópolis foi fechada pela polícia federal e pela Anatel devido a ilegalidade do veículo. “Naquele dia, eu acabei falando no ar. Não podia fechar a rádio sem dizer nada aos ouvintes. O moço da Anatel falou ‘cuidado mocinha com o que você vai falar, porque pode dar até morte’. A minha vontade era de falar: ‘corre toda a favela aqui, porque querem fechar a rádio’.”, relembra Claudinha. Este período constituiu um momento decisivo, pois a equipe constatou a necessidade de desenvolver um projeto, visando a capacitação dos voluntários com aulas de edição de áudio e vídeo. Foi nesse ano também que a rádio decidiu focar nas demandas da comunidade. Com uma caixa de som acoplada em uma bicicleta, passaram a rodar pelas ruas, transmitindo as notícias e recados. Somente em 2007, após muita mobilização, mesas de debates e, até
COMPONDO UMA NOVA VISÃO DA REALIDADE
O
POR LARISSA BENTO E LAURA SOUZA
que é cultura? Em um país como o Brasil, onde diferentes ideias, pessoas e estilos de vidas se misturam, responder essa pergunta se torna uma tarefa complicada. Em todos os lados em que a cultura pode se desenvolver em sociedade, encontra-se a arte e a música como meios de unir as pessoas, modificar vidas, descobrir talentos e amenizar uma realidade que, muitas vezes, pode ser desanimadora. Ao direcionar o foco para comunidades, como Heliópolis, é possível identificar esse cenário mais evidente, a partir de dois projetos sociais: o Cine Favela e o Instituto Baccarelli. O Cine Favela começou como um sonho: um telão com o objetivo de exibir filmes aos finais de semana para as crianças. Esse projeto é responsável pela inclusão cultural dos moradores de Heliópolis, com o apoio da Via Quatro e da Elo.“Para quem nunca teve patrocínio, hoje nós temos funcionários da casa, que trabalham de segunda à sexta e descansam sábado e domingo”, conta o diretor e fundador do Cine Favela, Reginaldo de Túlio.
FOTO: LEONARDO LIRA
Exposição na estação Oscar Freire. Porém, foram diversos os obstáculos enfrentados antes que a Associação alcançasse certa estabilidade. O aluguel do imóvel, por exemplo, foi financiado pela renda pessoal de Reginaldo por mais de um ano e meio. Apesar dos contratempos, o Cine continuou capacitando seus mais de 5.000 frequentadores ao transmitir os benefícios que a arte cinematográfica oferece a todas as idades. Entre os cursos, estão disponíveis aulas de roteiro, direção, produção, edição, assim como manuseio de câmeras e filmadoras. Além disso, práticas como teatro, dança, capoeira e, até mesmo, formação de informática para a terceira idade fazem parte da grade. Todos esses esforços resultaram na criação de curtas
OS RÚIDOS NA FREQUÊNCIA HELIPA POR LARISSA BENTO E LAURA SOUZA
mesmo, uma ligação do ex-presidente Lula, dizendo que a rádio não poderia continuar fechada, o governo percebeu que era hora de legalizar esses canais comunitários, tornando a rádio Heliópolis a primeira a ser reconhecida na frequência 87.5 FM. Mesmo com a legalização, a rádio ainda enfrentou algumas dificuldades, como o transmissor que foi mandado mais de três vezes para a assistência técnica. Porém, o maior problema foi a perda de ouvintes devido a instabilidade da frequência que, em muitos casos, não conseguia ser acessada por qualquer aparelho. Os voluntários viram na internet uma saída para atingir novos públicos e aumentar a audiência. A partir do trabalho de TCC da diretora, o site do veículo foi criado e lives na rede social Facebook passaram a integrar as programações. Entretanto, ainda que a tecnologia tenha beneficia-
do e facilitado a interação entre locutor e ouvinte, Cláudia ressalta como as transmissões ao vivo têm interferido na essência e tradicionalidade que um programa de rádio deve ter. Nessa trajetória de 26 anos, desde o sistema de cornetas à rádio legalizada, foram inúmeros os benefícios acarretados para a comunidade, como a divulgação de eventos gratuitos no bairro, auxílio na busca de pessoas e animais desaparecidos, entre outros. Por ser um veículo de comunicação situado em uma das comunidades mais periféricas de São Paulo, ocorre constantemente casos de interferência por determinados em relação às visitas de convidados, capturas de imagens e filmagens. Devido a essa situação, a rádio planeja voltar para a sede da Unas, visando a facilidade de acesso para convidados e maior liberdade para o seu público dentro do bairro.
FOTO: LEONARDO LIRA
chegada do rádio no Brasil serviu como um divisor de águas no modo de realizar a comunicação e levar informação para a sociedade. A partir de 1932, essa nova mídia foi deixando de ser apenas direcionada para a elite e, aos poucos, foi ganhando um público mais popular, ao investir em novos formatos, como a música, as radionovelas, o humor e o esporte. Ainda que esse mundo movido à frequências tenha alcançado novas periferias, nem todos puderam aproveitá-lo. Nesse contexto, as rádios comunitárias foram regulamentadas pela lei 9.612 em 1998 para funcionarem como um canal que oferecesse aos moradores se comunicar e se expressar entre si. Mas, como alcançar as pessoas dentro de uma comunidade tão extensa como Heliópolis? Com certeza, para isso, houveram muitos obstáculos e diversas dificuldades. A trajetória da Rádio Comunitária Heliópolis começa simples e até mesmo inesperada. Através da UNAS, durante até o ano de 1992, um sistema de cornetas foi distribuído pelas ruas com o objetivo de transmitir avisos importantes para os moradores, aos domingos, durante um período de duas horas. Porém, como algo pequeno que cresce e se desenvolve, a rádio evoluiu para uma frequência modulada em 1997, passando por diversas localidades dentro do bairro, mudando constantemente de numeração, entretanto com a ilegalidade invicta. “Autoridade nenhuma tinha interesse em legalizar as rádios comunitárias, mas mesmo assim nunca nos escondemos e todos sabiam onde estávamos”, conta a diretora da Rádio, Cláudia Neves.
Claudinha Neves apresentando seu programa pela live do Facebook.
metragens, que foram destaque em festivais reconhecidos mundialmente. Mas entre câmeras e filmagens, instrumentos musicais e concertos também possuem espaço em Heliópolis. O Instituto Baccarelli foi idealizado para ser um símbolo de esperança para aqueles que se encontram em situação de vulnerabilidade social. Este objetivo desenvolve-se desde 1996, quando o maestro Silvio Baccarelli se comoveu com um incêndio que abalou a comunidade e, com o apoio da ONG Pró-Vida, concretizou o sonho de construir uma sede. Desde então, um processo seletivo foi estruturado para profissionalizar jovens residentes através da iniciação na musicalização, passando pelo coral e coletivo instrumental, até ingressar nas orquestras Infantil, Juvenil e Sinfônica. Em mais de duas décadas de existência, a iniciativa alcançou reconhecimento mundial, porém o que ocasiona verdadeira satisfação para a equipe do Instituto é o respeito que a comunidade transmite pela perspectiva de futuro que os alunos recebem, diminuindo assim, problemas frequentes ligados à criminalidade. Além disso, a escola de música é responsável por proporcionar oportunidades únicas, como a recente turnê realizada em parceria com
o cantor italiano Andrea Bocelli. “Todo mundo fala que tem uma diferença absurda em como era a comunidade antes do Baccarelli e depois que ele veio para cá. A turnê do Bocelli foi uma experiência absurda, pois para muitos foi a primeira vez que viajaram de avião”, explica a assessora de imprensa, Ágatha de Castro. FOTO: JÉSSICA CRISTINA
Primeiro ensaio após a turnê. No contexto comunitário, as oportunidades parecem escassas, pois o ambiente em que vivem não favorece o crescimento pessoal e profissional. O Cine Favela e o Instituto Baccarelli desempenham o papel fundamental de ressaltar a verdadeira cultura de Heliópolis, presente em cada morador, ao utilizar o cinema e a música como ferramentas para quebrar o estereótipo incorreto que a sociedade emprega sobre a mesma.
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Fala, comunidade AMO AS ATIVIDADES DOS CEUS HELIÓPOLIS E MENINOS. Gilberto da Silva
EU GOSTO MAIS DO NOSSO POVO LUTADOR.
O QUE EU MAIS GOSTO NO HELIÓPOLIS? Depoimentos coletados durante live da rádio Heliópolis em 13/10.
EU GOSTO DA UNIÃO ENTRE AS PESSOAS, PORQUE ACHO QUE FOI O FATOR PRINCIPAL PARA O CRESCIMENTO DA NOSSA COMUNIDADE.
Carlos José
Rubenildo Limeira
GOSTO DE TUDO, DAS OPORTUNIDADES, DOS AMIGOS QUE EU FIZ.
HELIÓPOLIS É UM BOM LUGAR, QUEM NÃO CONHECE VENHA CONHECER. Elias Qrzs
Gostaria de ver o seu depoimento na próxima edição do Conecta Helipa? Envie um e-mail para o contato@conectahelipa.com e conte pra gente o que você mais gosta no Heliópolis. Ah! Não esquece de informar o seu nome completo.
CONECTE-SE COM
DA COMUNIDADE PARA
Thais Oliveira
OS PALCOS DO MUNDO POR LAURA SOUZA E LEONARDO LIRA
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ntre becos e vielas, partidas de futebol e artes marciais, a delicadeza e classe da dança quase passam despercebidas, principalmente em grandes comunidades. Porém, a história da Thais Oliveira, de vinte anos, nos mostra o contrário. Como bailarina profissional que vive em Heliópolis há quase duas décadas, em sua trajetória profissional já participou de grandes festivais nacionais e internacionais esteve recentemente em países como Alemanha e Portugal. Através da dança, usufruiu de diversos palcos e obteve prestígio pelos locais em que se apresentou, mas também enfrentou a discriminação social e racial nos bastidores, muitas vezes atos praticados
Conecta Helipa: Thais, qual a sua trajetória? Thais Oliveira: Comecei aos quatro
anos no ballet de bairro. Aos sete, pedi para minha mãe me colocar no ballet profissional e desde cedo eu soube que era essa a profissão que eu gostaria de seguir. Durante esse período, entrei na Fundação das Artes que fica em São Caetano. Todos os dias eu treinava após os estudos no período da manhã. Aos dezesseis, já estava formada na Fundação.
CH: Quais as dificuldades, além do financeiro, que você enfrentou? TO: Preconceito. Preconceito em to-
dos os aspectos. Desde a minha infância, eu sofri tanto por falar errado como por vir da comunidade. Quando somos mais novas não temos noção, mas hoje eu sei que sofri bullying por outras bailarinas e pelas suas mães, devido a minha classe social. Até os meus 13 anos de idade, eu não gostava de falar que morava aqui, por causa de comentários ofensivos sobre a favela. Foi com 16 anos que eu amadureci bastante e passei a assumir o lugar que eu moro. Na viagem à Alemanha, eu senti muita discriminação racial. Lá bailarinas negras são rejeitadas. É muito difícil uma bailarina negra conseguir uma bolsa nesses festivais. Sempre é
pelos colegas de profissão. O sonho de se tornar uma bailarina já vem da família. A mãe da Thais, Rosilene, sonhava em ser uma profissional dos palcos, porém, alguns contratempos a fizeram interromper esse objetivo. O apoio do pai, Agnaldo, também foi um ponto essencial para a sua formação. Ele, que sempre esteve presente em reuniões e apresentações, relatou as dificuldades, principalmente financeiras, para investir na carreira da filha, mas, acima de tudo, fez o possível para que ela se sentisse, antes de qualquer coisa, realizada. Confira abaixo a entrevista exclusiva que o jornal Conecta Helipa realizou com a bailarina:
LIRA FOTO: LEONARDO
FOTO:
LEONA
RDO L
QUANDO SOMOS MAIS NOVAS NÃO TEMOS NOÇÃO, MAS HOJE EU SEI QUE SOFRI BULLYING POR OUTRAS BAILARINAS E PELAS SUAS MÃES, DEVIDO A MINHA CLASSE SOCIAL. ATÉ OS MEUS 13 ANOS DE IDADE, EU NÃO GOSTAVA DE FALAR QUE MORAVA AQUI, POR CAUSA DE COMENTÁRIOS OFENSIVOS SOBRE A FAVELA. FOI COM 16 ANOS QUE EU AMADURECI BASTANTE E PASSEI A ASSUMIR O LUGAR QUE EU MORO.
-Thais Oliveira. aquela definição de bailarina padrão imposta pela mídia - loira, branca e olhos azuis. Hoje em dia, esse conceito está mudando, mas o processo ainda é lento. Essa é uma das dificuldades do mundo da dança, por isso que, hoje em dia, eu parto mais para o contemporâneo e neoclássico, pois são ambientes mais acolhedores.
CH: Para você, qual a importância da dança na Comunidade? TO: A dança faz diferença, porque cria
CH: Como foi a sua experiência fora do país? TO: Lá fora é tudo muito diferente e
CH: Qual a projeção de ser uma bailarina vinda de uma comunidade? TO: Eu consegui tudo o que conquistei
o que mais me chamou atenção foi a moral e a ética. Eu senti um choque de cultura, principalmente no Festival da Alemanha, como se eu pudesse vivenciar um pouquinho de cada. A gente conseguia perceber as características nas coreografias. Sem falar que lá eles levam o dança a sério, tem uma visibilidade maior na área e é muito mais valorizada do que aqui no nosso país.
dedicação, disciplina e isso serve para qualquer esporte ou área. É transformador. Se você atuar com uma criança que está sem perspectiva, ela estará ocupando a sua mente, não estará na rua e nem sujeita a coisas ruins.
graças aos meus pais. O ballet é restrito, não possibilita a visibilidade como o futebol, por exemplo, então eu não vejo essa projeção ainda.
CH: Há desigualdade de gênero na profissão? TO: Muita! É difícil bailarinas conse-
IRA
guir trabalhos, pois a concorrência é grande. Os homens conseguem mais oportunidades, como por exemplo, bolsas e patrocínios. Infelizmente isso é nítido nos dias atuais. Devido a autovalorização do dançarino no ballet, em casos de apresentação em dupla, nós bailarinas é quem devemos pagar os ensaios a ele.
CH: Existe algum projeto de sua autoria? TO: Um dos meus planos para o fu-
turo é ter um projeto de ballet aqui no Heliópolis, porque eu acredito que desse jeito, eu realmente possa fazer a diferença. Nem todas as crianças conseguem realizar o sonho de fazer as aulas e nem todas as mães possuem condições de pagar. Acredito que não adianta ter destaque, ir para fora do país e esquecer da onde veio.
Atualmente, Thais cursa Educação Física no Centro Universitário das Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU). Além de trabalhar como professora de dança para crianças, realiza apresentações esporádicas de ballet e atua como bailarina convidada da escola Fundação das Artes. Ela ressalta a importância de continuar com os treinos da modalidade que pratica desde criança, ainda que, hoje em dia, se identifique com outras estilos.
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CONECTE-SE COM Família Alves de Freitas
DE MINAS PARA HELIÓPOLIS: A SUPERAÇÃO DE UMA DAS FAMÍLIAS MAIS ANTIGAS DA REGIÃO POR LUCAS VICTOR E MARCIA BATISTA
A
Acervo pessoal: Regiane Gomes de Freitas
PARA
OS
MORADORES,
QUE
ANTES,
DE:
HOSPITAL,
TUDO
É
A
REGIÃO
CONCENTRADO
ESCOLA,
CRECHE,
ESTÁ NA
MELHOR
COMUNIDA-
SHOPPING.
TEM
CLIENTE PARA TODOS, SALÃO ABERTO DE MADRUGADA.
HELIÓPOLIS
É BOM. É UMA GRANDE COMUNIDADE.
-Regiane Gomes de Freitas.
Acervo pessoal: Regiane Gomes de Freitas
legre, simpático e sorridente são algumas das características de um dos moradores mais antigos de Heliópolis. Residente há 45 anos, Cláudio Alves de Freitas, ou apenas Seu Cláudio, veio de Governador Valadares, uma cidadezinha do interior de Minas Gerais para São Paulo em busca de trabalho. Aposentado, Seu Cláudio que leva uma vida tranquila no bairro, nos contou alguns relatos desde a sua vinda para a comunidade. Foi no ano de 1972 que o morador mudou-se com sua irmã para o Heliópolis. No ano seguinte, ela retornou de Minas Gerais com uma amiga, Dona Rosária - com a qual Cláudio se casou e deu início à família Alves de Freitas. Relembrando a comunidade há 45 anos atrás, Dona Rosária e Seu Cláudio contam que a região era “puro matagal, com poucos barracos e que não tinha água e nem luz. Era apenas barro, mato e um verdadeiro lamaçal como dizem, sem estrutura e saneamento básico”. Outro relato conta que a maioria dos moradores do local trabalhavam em metalúrgicas de cidades próximas (ABC paulista). “Para ter água, precisávamos pegar na mina. Descobrimos que na comunidade tinha apenas uma, servindo para beber e lavar as roupas. Pedíamos luz emprestada de um poste, mas não a pagaram e foi cortada. Passávamos privações de alimentos, comíamos apenas o que tínhamos e ajudavámos quem nada possuía. De manhã até 12h íamos lavar as roupas, andávamos uns 10 minutinhos até a Almirante Nunes - local onde buscávamos a água. Se tivesse um pano dentro do tanque, significava que estava ocupado e tínhamos que achar outro lugar.”, explica D. Rosária. Com a falta de emprego na região
naquela época, os moradores da comunidade se deslocavam para outras cidades do estado, com o intuito de procurar trabalho. Se dessem o endereço da comunidade, eles não eram sequer chamados para realizar uma entrevista e precisavam, muitas vezes, mentir o endereço por conta do preconceito com o local. Como o aluguel estava em alta naquele período, não tinham outra escolha a não ser permanecer na comunidade. A filha mais velha do casal, Regiane Gomes de Freitas, de 45 anos, relata que sofria preconceito na escola, por ser de uma favela.“Por sermos da comunidade, éramos chamados de ‘favelados’. O acesso foi fácil até a oitava série, porém o colegial era mais difícil. Sofri preconceito na escola, dividiam as turmas em quem era ou não da comunidade. Me recordo que eu ficava em uma sala com outras 7 pessoas.”, relembra Regiane. Hoje em dia, a comunidade adquiriu o status de bairro, denominada como Cidade Nova Heliópolis. Antigamente por serem barracos no lugar de casas -, as moradias eram vulneráveis ao calor, provocando inúmeros incêndios na região. Seu Cláudio relata que nessa época os moradores do Heliópolis se reuniam para discutir a respeito de melhorias em seus lares, como construir casas de alvenaria, por exemplo. Atualmente, o bairro é repleto de igrejas, comércios de lanches, bibliotecas, balneários nos CEU’s, ETEC’s, o próprio shopping Heliópolis, escolas, CCA’s, entre outros. “Para os moradores, a região está melhor que antes, tudo é concentrado na comunidade: hospital, escola, creche, shopping. Tem cliente para todos, salão aberto de madrugada. Heliópolis é bom. É uma grande comunidade.”, conclui Regiane.
Heliópolis oferece cursinho gratuito para candidatos ao ENEM POR LARISSA BENTO
Durante setembro e outubro, os moradores de Heliópolis terão a oportunidade de se preparar para o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), que será realizado no segundo final de semana do mês de novembro. Em parceria com o CEU Meninos, a rede Podemos+ está promovendo um curso intensivo para repassar dicas e conteúdos importantes a quem prestará vestibular no segundo semestre de
2018. As aulas gratuitas, que começaram dia 18 de setembro, acontecem às quartas e quintas-feiras, das 19h às 21h e contam com matérias como biologia, história mundial e redação. Para se inscrever, obter mais informações ou tirar dúvidas, basta enviar um e-mail para podemosmaishelipa@ gmail.com ou acessar a página do Facebook da rede “Podemos+ Heliópolis”.
Esporte
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NOVO CAMPEÃO DO HELIPA
A final da 5ª Copa Nunes Peixeiro decide rivalidade entre gigantes da várzea POR BRUNO COELHO, JÉSSICA CRISTINA E LUCAS VICTOR
placar em um lance pela esquerda de ataque. O time local cobrou escanteio no segundo pau e o lateral Dedê, subiu cabeceando a bola para o fundo das redes. No segundo tempo, o time da Vila Prudente empatou e, após apertar a saída de bola do time da casa, num cruzamento para a área, Lala apenas escorou para Delder (destaque da partida) bater colocado. Com o empate no tempo decorrido, o jogo se encaminhou para a decisão por pênaltis. O time visitante perdeu duas cobranças e o rubro negro de Heliópolis acertou todas as suas. Com isso, em menos de 4 anos de fundação, a Associação Desportiva Sport Heliópolis, tornou-se campeã da 5ª Copa Nunes Peixeiro, conseguindo mais uma taça para a sua galeria que só faz crescer. “É muito gratificante ganhar hoje,
FOTO: JÉSSICA CRISTINA
AD Sports e Grêmio Vila Prudente durante o segundo tempo do jogo.
FOTO: JÉSSICA CRISTINA
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A.D. Sports de Heliópolis e o Grêmio Vila Prudente se enfrentaram na disputa da final da 5ª Copa Nunes Peixeiro, jogo ocorrido às 11h do dia 16/09 (domingo) na Arena Heliópolis. O confronto era bastante esperado e fez com que a competição se tornasse ainda mais intensa e emocionante. Afinal, em outras duas disputas de decisões, que aconteceram neste ano e todas definidas nos pênaltis, cada um ganhou uma. Todos queriam saber quem iria conseguir esse desempate. Com seus hinos, baterias, sinalizadores, fogos de artifício, “bandeirões” e torcedores uniformizados, os jogadores eram motivados a dar o seu melhor na luta entre as equipes rivais. O primeiro gol saiu aos 20 minutos da primeira etapa, com o A.D. abrindo o
Dedê, camisa 2 do AD Sports, cobrando falta no primeiro tempo do jogo. mais uma vez levantar o título Heliópolis; já é o quarto título aqui dentro e um fora. E hoje foi difícil. Difícil é mais gostoso, né? Nada é fácil para a gente, a gente luta pra caramba, o trabalho é a semana inteira, não é só no jogo... é todo dia, entendeu? E eu quero agradecer todo mundo aí que compareceu: a diretoria, torcida... e o trabalho continua.”, disse o presidente do time, Thomas, após o encerramento. Foram entregues medalhas e troféus, fornecidos pelos organizadores para os melhores do campeonato. Após o evento, uma festa foi realizada em comemoração do título, reunindo os jogadores, diretoria, amigos e familiares. O Clube ofereceu um almoço, com churrasco, muita música e bebidas, na
sede do MSTI. Durante suas edições, a competição apresentou um público de todas as idades e chamou atenção desde a primeira realização. A Copa foi desenvolvida por Francisco Nunes Sobrinho, ou “Nunes Peixeiro” como é conhecido, e é considerada um dos eventos da comunidade mais aguardados do ano. No encerramento, o criador da Copa anunciou: “para o próximo ano, a Arena receberá gramado sintético”, promovendo um aperfeiçoamento no campo, o que também representará mudança na estrutura do local, assim como, melhoria para a região num todo, pois, trata-se de um espaço de lazer, diversão e realização de projetos sociais, no qual muitas famílias depositam esperança de um futuro melhor.
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ram disponibilizados frutas, salgados e bebidas em geral. A premiação foi dividida em três categorias, sendo elas: Melhores Gerais, Moradores Heliópolis e Maiores de 50 anos, subdivididas em masculino e feminino, com todos sendo prestigiados com medalhas pela participação. Os primeiros colocados receberam troféus, eletrodomésticos, além de dinheiro concedido pela Caixa Econômica Federal, um dos patrocionadores da disputa, juntamente com a APOESP. Através desse acontecimento, o esporte é incentivado às pessoas da região, o que gera expectativas a cada ano. “Eu via as pessoas correndo pela TV, e sempre acompanhei as edições anteriores da corrida. Como participei pela primeira vez e gostei, correrei todos os anos a partir de agora.”, completa a moradora Celânia. O povo de Heliópolis tem orgulho de ter a favela como a primeira a realizar este tipo de atividade esportiva.
CORRIDA NA FAVELA
A competição inovadora dentro de uma das maiores comunidades do país FOTO: JÉSSICA CRISTINA
Ivanildo Dias de Souza, primeiro lugar na categoria Melhores Gerais.
a manhã do dia 30 de setembro, às 9h, foi realizada a 13ª edição da corrida no Heliópolis, com largada na Rua da Mina, em frente à UNAS. O evento na comunidade reuniu cerca de 300 pessoas na disputa, entre elas, moradores e participantes da região. A corrida, que acontece desde 2005, com o percurso de 6.8 quilômetros, entre as ruas e avenidas do Heliópolis, tem importância na sociedade, pois é a primeira a desenvolver este tipo de competição em uma favela do Brasil e, por isso, emociona a todos, desde participantes a voluntários. “A adrenalina, a força de vontade… Eu vejo as pessoas correndo e isso me motiva, independente da idade ou não, me incentiva a morar na comunidade, é muito gratificante.”, declarou Celânia, competidora do Heliópolis. Antes da competição, a UNAS arrecadou o valor de R$ 30,00 como taxa de inscrição. Para isso, ofereceu água durante o trajeto - no pré e pós evento fo-
POR JÉSSICA CRISTINA E LUCAS VICTOR