EDWARD MADUREIRA
Doutor em Genética e Melhoramento de Plantas pela UFG, professor da Escola de Agronomia dessa instituição. Foi reitor da UFG por dois mandatos (2006/2009 e 2010/2013), período em que a instituição conquistou a maior expansão e inclusão de sua história. Ex-presidente da ANDIFES e ex-secretário de Ciência e Tecnologia para Inclusão Social do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Foi presidente da RIDESA (Rede Interuniversitária para o Desenvolvimento do Setor Sucroalcooleiro) e da SBMP (Sociedade Brasileira de Melhoramento de Plantas). Preside a ASSESCA-PLP (Associação das Escolas de Ciências Agrárias dos Países de Língua Portuguesa). SANDRAMARA MATIAS CHAVES
Doutora em Educação pela Universidade de São Paulo (USP), professora da Faculdade de Educação da UFG e do Programa de Pós- Graduação em Educação em Ciências e Matemática dessa instituição. Foi pró-reitora de Graduação da UFG de 2006 a 2013, período em que a área de Graduação alcançou a maior expansão e inclusão de sua história. Foi presidente do Fórum Brasileiro de Pró-reitores de Graduação (Forgrad) em 2009. Ex-assessora de projetos especiais da Reitoria da UFG (2014 a abril/2017). Foi professora da Pontifícia Universidade Católica de Goiás de 1989 a 1993.
POR UMA UNIVERSIDADE PÚBLICA, INCLUSIVA E DE QUALIDADE Vivenciamos desde 2006 uma expansão e uma qualificação sem precedentes das instituições federais de ensino superior. Em menos de dez anos tivemos um avanço significativo nos indicadores quantitativos e qualitativos de todo sistema. No caso da UFG, esses números são particularmente impressionantes. Saltamos de 13.000 para mais de 25.000 estudantes de graduação em 2017. O número de professores também avançou de cerca de 1.100 docentes para quase 2.500 efetivos. Nesse período foram implementadas políticas de inclusão e de ações afirmativas que tem contribuído para ampliar o acesso e assegurar a permanência de estudantes de escola pública, negros, indígenas e quilombolas na UFG. Esse crescimento foi acompanhado de uma elevação significativa da qualificação do nosso quadro de pessoal. Hoje a maioria absoluta dos docentes são portadores do título de doutor e registramos um aumento significativo da qualificação em nível de mestrado e doutorado dos técnico-administrativos. A atual situação política e econômica do país e as restrições impostas pelo atual governo ameaçam a nossa existência como instituição de ensino superior pública e gratuita, como ocorreu nos anos de 1990. Basta observar que além dos cortes orçamentários, figuras do alto escalão do governo falam publicamente em fim da gratuidade nas instituições públicas de educação superior. Defendemos veementemente a autonomia universitária que passa obrigatoriamente pelo financiamento público de uma educação superior pública, gratuita, de qualidade, laica, inclusiva e socialmente referenciada.
PROTAGONISMO E FUNÇÃO SOCIAL DA UNIVERSIDADE Acreditamos que a universidade deve enfrentar os atuais desafios e assumir, de forma plena, o seu protagonismo tanto no que diz respeito às expectativas e demandas da comunidade universitária bem como da sociedade. Para tanto é necessário considerar o seu papel e a sua função social no que diz respeito à complexidade e à diversidade das atribuições que lhes são postas, tais como: formar profissionais qualificados e conscientes de seu papel numa sociedade tão injusta e desigual como a brasileira; ser referência do sistema de educação superior; contribuir para a concepção e execução de políticas públicas; contribuir para a inclusão social e a redução das assimetrias regionais; disseminar a cultura empreendedora; colaborar com os outros níveis de educação; atuar na transferência de tecnologia e inovação; contribuir na construção do sistema federal de educação. Atribuições de tamanha envergadura só se tornarão possíveis se tomarmos a decisão histórica de rompermos com algumas dicotomias que estão presentes em nosso dia a dia e, ao mesmo tempo, conseguirmos, juntamente com as demais Instituições Federais de Ensino Superior, demonstrar a força de nosso sistema.
INTEGRAÇÃO E ARTICULAÇÃO: TROCANDO O “OU” PELO “E” O caráter essencial de uma instituição pública de educação superior reside na indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão e na função social que cumpre em prol do desenvolvimento do País. Isso implica integrar políticas públicas, muitas vezes histórica e artificialmente separadas, e fortalecer as relações com a sociedade. A visão de que é preciso fazer a todo tempo escolhas entre uma universidade que atenda a um segmento em detrimento de outro “ou” a uma atividade em detrimento de outra, deve dar lugar a um entendimento e uma prática que desenvolva com competência e com qualidade inúmeras atividades simultaneamente, não fazendo exclusões. O nosso compromisso pressupõe a integração das diversas políticas, como por exemplo:
INTEGRAÇÃO E ARTICULAÇÃO: TROCANDO O “OU” PELO “E” • Inclusão “e” qualidade; • Apoio à graduação “e” à pós-graduação; • Novos programas de mestrado e de doutorado “e” programas consolidados; • Pesquisa “e” extensão; • Ciência “e” tecnologia; • Empreendedorismo “e” compromisso social; • Relação com empresas “e” autonomia; • Educação presencial “e” a distância; • Internacionalização “e” desenvolvimento regional; • Cultura popular “e” erudita; • Interiorização “e” excelência; • Logística sustentável “e” redução de custos; • Satisfação no trabalho “e” eficiência; • Gestão responsável “e” agilidade; • Segurança “e” vida nos campus. A experiência da UFG nos últimos anos demonstra que fomos capazes de expandir, incluir e elevar a qualidade da instituição. Com as condições humanas e materiais que conquistamos, não restam dúvidas, que com a união de esforços de todos os segmentos da comunidade universitária seremos capazes de fazer muito mais pela UFG.
PLANEJAMENTO, INVESTIMENTOS E CONSTRUÇÃO COLETIVA Seremos capazes de dar respostas positivas a essas questões se conseguirmos construir internamente um ambiente em que as pessoas, as regionais, as unidades acadêmicas e os órgãos estejam em sintonia com esse propósito e motivadas para empreenderem esse esforço de construção coletiva, com confiança e determinação. Investimentos na qualidade do local de trabalho no que diz respeito à infraestrutura, ambiência, segurança, saúde do trabalhador, lazer, qualidade das relações interpessoais, adequação funcional, isonomia no tratamento, sem dúvida, são fundamentais para atingirmos os objetivos acima citados. A motivação interna passa também por uma política de planejamento institucional que contemple a participação dos três segmentos que compõem a universidade em um diálogo permanente, franco e aberto. Essa postura resultará em um Plano de Gestão que seja efetivo com prioridades estabelecidas e que permita o acompanhamento contínuo de seus resultados. Assim, cada servidor(a) poderá tornar-se protagonista desse processo de construção coletiva.
COMPROMISSO, DIÁLOGO E AUTONOMIA UNIVERSITÁRIA O atual cenário exige da próxima gestão da UFG postura, compromisso, capacidade de diálogo para enfrentar os desafios de uma conjuntura política e econômica extremamente adversa. O que está em risco é o modelo de universidade que vem sendo implantado nos últimos anos: combinação exitosa de políticas de inclusão e garantia de permanência na universidade de jovens oriundos das camadas sociais historicamente marginalizadas e consolidação de universidade pública como referência de ensino, pesquisa e extensão de qualidade. A defesa do nosso modelo de universidade, inclusivo e de qualidade, impõe a necessidade de assumir o protagonismo na articulação política e mobilização social para defender veementemente a autonomia universitária.
REFORMA ADMINISTRATIVA: OUSADIA E INOVAÇÃO A implantação do novo Estatuto e Regimento Geral da UFG, aprovado em novembro de 2013 promoveu uma maior descentralização e democratização do poder e das decisões na Universidade. No âmbito das chamadas Pró-Reitorias Acadêmicas, a reestruturação da PRPPG e criação de duas pró-reitorias - Pró-Reitoria de Pós-Graduação (PRPG) e Pró-Reitoria de Pesquisa e Inovação (PRPI) - significou um inquestionável avanço para essas áreas na UFG. Acreditamos que é hora de fazer uma ampla discussão sobre a necessidade de revisão da atual estrutura administrativa da UFG visando aprimorar nossos processos internos no sentido de elevar a eficiência e eficácia de nossas atividades em benefício da comunidade universitária e da sociedade. Dessa forma apresentamos algumas propostas que estão sendo trabalhadas em nossos Grupos de Trabalho com base em ampla discussão e na experiência acumulada por pessoas nos mais diversos espaços de nossa instituição.
Sobre a reforma administrativa, seguem alguns propostas em discussão: Criar a Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas - O principal objetivo dessa nova pró-reitoria é valorizar as pessoas e dessa forma conseguir maior eficiência e agilidade na execução das atividades da instituição, aliada a uma maior satisfação do trabalhador. Irá aglutinar atribuições e ações de responsabilidade da PRODIRH e da PROCOM. Criar a Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis - Reestruturar a PROCOM com o objetivo de aprimorar a execução da política de assistência social (restaurante universitário e programas de moradia e de permanência) e o atendimento das diversas demandas dos estudantes, como apoio para participação em eventos acadêmicos e desenvolvimento de atividades esportivas. Reestruturar a Pró-Reitoria de Administração e Finanças - A PROAD cumpriu papel essencial no período de grande crescimento da UFG. Para enfrentar os atuais desafios, o nosso compromisso é promover uma readequação das rotinas administravas visando maior agilidade, eficiência e transparência. Transformar o CERCOMP, vinculado à PRODIRH, em órgão diretamente ao Gabinete da Reitoria Criar a Coordenação de Planejamento e Avaliação Institucional, com atribuição de elaborar e monitorar a implementação dos planos e das políticas institucionais, atuando em estreita articulação com as Regionais. Reestruturar o CEGEF, subordinado à PROAD, vinculando-o ao Gabinete da Reitoria
Sobre a reforma administrativa, seguem alguns propostas em discussão: Criar a Coordenação de Assuntos de Segurança da Comunidade Universitária. A nova coordenação deverá incorporar a Gerência de Segurança do CEGEF, visando ampliar as ações de segurança em todas as Regionais, implementar e monitorar a Política de Segurança da UFG e presidir o Conselho Permanente de Segurança da UFG. Criar uma coordenação, vinculada à Vice-Reitoria, para implementar uma política de combate aos assédios moral e sexual e às diversas formas de discriminação social. Criar o Centro de Comunicação (Cecom), vinculado ao Gabinete da Reitoria, em substituição à Assessoria de Comunicação (Ascom). Reestruturar a Biblioteca Central, hoje subordinada à Pró-Reitoria de Pós-Graduação, em órgão vinculado ao Gabinete da Reitoria. Fortalecer a estrutura da Coordenadoria de Ações Afirmativas (CAAF), visando aprimorar o atendimento aos estudantes que ingressam pelo UFG Inclui e pelo Programa de Cotas na Pós-Graduação e ampliar o acolhimento e alcance das políticas de ações afirmativas da universidade. Criar um órgão para o Centro de Estudos Avançados e Pesquisas Interdisciplinares, que abrigará os diversos núcleos de pesquisa da UFG. Criar um órgão suplementar para aglutinar e integrar os núcleos de pesquisa e os programas de pós-graduação interdisciplinares, atualmente vinculados a pró-reitorias.
O nosso Programa de Gestão encontra-se em construção, mas você pode participar desse processo de elaboração coletiva. Envie sugestões e propostas por meio da Plataforma Colaborativa, disponível no site www.somosufg.com.br
www.somosufg.com.br /edwardesandramara @edwardesandramaraufg2018 62 9 9625-8877